Page 1


Sinopse

Três anos se passaram desde que Dare Wilde saiu da vida de Reagan McKinley. Três anos de silêncio. Três anos de arrependimentos. Mas ela não é a mesma garota. Agora, aos vinte e dois anos, Reagan tem grandes planos para mudar sua vida, e tudo começa com uma viagem à Europa. Em vez de ir para Harvard Law como seus pais haviam planejado, ela atravessou o oceano para seguir os seus sonhos no mundo da arte. Seus sonhos. Pela primeira vez. Um encontro casual em Paris traz Reagan e Dare frente a frente novamente, mas é feliz coincidência... ou penitência? Um abismo de dor silenciosa está entre eles, mas eles não conseguem lutar contra a paixão que sentem um pelo outro. E agora que ela encontrou Dare novamente - a única pessoa neste mundo que a faz se sentir inteira - ela não quer deixar ir. O problema é que ela pode não ter uma escolha.

Duas partes. Um inteiro.

Juntos... eles estão fora de controle.


Capítulo Um

—M

a chérie, teria

sido muito mais rápido pegar o metrô, não? — Lucien bufou atrás de mim, o mais provável suando até a morte em seu casaco sob medida. E justamente por isso. A caminhada até Montmartre1 - e meu verdadeiro destino, os artistas na praça - foi uma escalada. — Eu disse que poderia encontrá-lo aqui. — falei, minha irritação crescente. O metrô não era uma opção por razões que eu não estava disposta a compartilhar com ele, não importa quantas vezes ele lamentasse. — Você não tinha que andar comigo. Você nem sequer tinha que vir. Eu sei onde é a Place du Tertre2, Lucien. Eu te disse isso. — Eu sou um cavalheiro. — ele disse. — E você é nova em Paris. É meu dever - e grande prazer - te mostrar os lugares. Eu podia ouvir o sorriso em seu rosto plano, sem sequer me virar, e lutei contra a vontade de tremer. Não importava quantas vezes eu tivesse dito a ele que eu tinha passado muito verões em Paris e que eu conhecia bem a cidade, ou o fato de que eu falava francês fluentemente, ele insistia em me tratar como uma estrangeira impotente. Como alguma donzela em perigo para ele salvar. Ugh. 1

Bairro boêmio da cidade de Paris, na França, suas ruas têm artistas, turistas e vendedores ambulantes. No ponto mais alto da colina, situa-se a famosa Basílica do Sagrado Coração. 2

Praça em Paris, onde vários artistas expõem suas artes, fica localizada no 18º Distrito.


Peguei o meu ritmo, de repente, lamentando o short minúsculo rosa que eu tinha vestido. Eles abraçavam minhas curvas esbeltas perfeitamente e mostravam muita perna. Lucien estava apreciando demais a vista. Cavalheiro, o caramba. Eu fiz uma nota mental para ser mais cuidadosa sobre o que eu usava perto dele, apesar que seria uma chateação. Especialmente considerando o seu desrespeito aos limites pessoais. Partilhar um apartamento com um homem que você não conhecia - e um mais velho - não era nada fácil. Mas eu não tinha muita escolha. A minha decisão de vir para Paris tinha sido de última hora, e Sabine tinha me arranjado o apartamento do seu amigo, enquanto ele estava em uma viagem de negócios estendida aos Estados Unidos. Eu sabia que haveria um companheiro de quarto - alguém com quem eu estaria trabalhando na galeria - eu só não esperava que fosse Lucien. Mas a vida nunca era o que você esperava. Ou o que você queria. Ela apenas pisava em seu coração até que você quebrasse. Ou tomasse pílulas. Ou bebesse até o esquecimento. Ou fodesse seus miolos para que você parasse de pensar sobre... NÃO. Eu não iria lá. Eu não podia pensar nele. Não sem um flash de dor, não sem o vício muito familiar apertando meu peito. Fazia três longos anos desde que eu estraguei tudo com Dare. Três anos tentando esquecer, e um único pensamento ainda doía como um filho da puta. Porra. Paris TINHA que tirá-lo da minha cabeça. Fora do meu coração. Fora da minha alma fodida.


Paris e arte - tinham que ser suficientes para destruir o seu fantasma. Três anos sob as asas dos meus pais não tinham feito isso. Três anos de sorrisos forçados através da névoa da dormência. Três anos vivendo a vida de outra pessoa. Eu não podia mais fazer isso, e eu finalmente percebi que eu precisava fazer algo. — Por que você não vai encontrar alguns novos artistas para nossa galeria de Paris? — Sabine havia dito a seis meses atrás, quando eu comecei a entrar em pânico sobre a graduação e meu encarceramento iminente na faculdade de direito. — Saia do país, fique por conta própria e descubra se esta é a vida que você realmente quer, chérie. Meu futuro sempre foi planejado com precisão pelos meus pais - Ciências Políticas na Universidade de Columbia, direto para Direito em Harvard e direto para McKinley Enterprises. Eu tinha concordado com isso tanto quanto pude. Então, algo estalou. — Direito em Harvard por arte? Tempo integral? A ideia era chocante. Assustadora. Emocionante. Paris. Por conta própria. Descobrindo novos artistas. Talvez até conseguir alguns para a minha futura galeria. Perdendo-me no mundo da arte. E talvez encontrar-me lá, também. — Você realmente acha que eu posso fazer isso? — eu sussurrei, procurando em seus olhos castanhos inteligentes. Sabine segurou meu queixo em sua mão e sorriu. — Eu sei que você pode. Você tem olho pra isso - você sempre teve. Mas você precisa saber que


pode fazer isso. E a única maneira de você saber é tentando. — ela acariciou minha bochecha com o polegar. — Vá no verão. Você não tem nada a perder. Nada a perder? Eu tinha tudo a perder. Toda a minha vida. O mundo que eu havia crescido. A minha família, que nunca iria entender. Pela primeira vez em três longos anos, angustiantes, meu coração estava batendo freneticamente enquanto minha mente e corpo cantarolavam com entusiasmo. — Você tem que voar, chérie. — Sabine disse. — Você tem as asas, agora é hora de você usá-las. Lembre-se... Vive la Résistance3? Eu balancei a cabeça. Parecia uma vida atrás. Oui à la vie. Oui à l'amour. Oui à l'art. Sim à vida. Sim ao amor. Sim à arte. Eu poderia, pelo menos, dizer sim à vida e à arte. Mas ao amor? Não. Estive lá, fiz isso. Nunca farei novamente. Depois da minha conversa com Sabine, eu rasguei a minha carta de aceitação de Harvard e comprei um bilhete de avião para Paris. Tudo por conta dos meus próprios centavos que eu tinha ganhado trabalhando na galeria. Tudo, sem sequer dizer aos meus pais. Pelo menos não até que eu estivesse no ar e em segurança, no meu caminho. Eu não podia arriscar que eles encontrassem uma maneira de me parar. Eu precisava disso. Como o ar. E eu sabia que precisava ter uma carreira florescendo já em vigor, quando eu finalmente revelasse o meu plano para o futuro. Embora eu soubesse que não 3

Resistência Francesa, chamada na França de La Résistance, designa o conjunto de movimentos e redes que durante a Segunda Guerra Mundial, formada por franceses que não aceitavam a submissão do Estado Francês ao poder nazi.


havia nenhuma chance deles aprovarem, eu tinha que ter certeza de que eles não poderiam brigar comigo. Ou, pior, sabotar os meus sonhos. Então era isso. Paris. Arte. O caminho para a liberdade. Minha única chance na vida. Eu merecia. Eu ganhei essa porra com anos de sangue, suor e lágrimas. Agora, fiz uma pausa na base do Sacre Coeur4, à espera que Lucien me alcançasse. A Cúpula da basílica estendia-se majestosamente em direção ao céu azul lindo acima. Era de tirar o fôlego, e se eu não tivesse tanta intenção de começar minha busca por novos talentos, eu teria explorado ali mesmo. Mas não havia tempo para isso agora. O primeiro passo para a minha nova vida estava esperando por mim, e eu já podia sentir a força dos artistas de onde eu estava. Quando Lucien alcançou o topo do morro, ele acenou com a cabeça para um pequeno banco. — Vamos devagar e apreciar a vista, chérie. — ele acenou para a vista expandida de Paris abaixo de nós - era realmente incrível - então acendeu um cigarro. Nojento. — Os artistas podem esperar. — Mas eu não posso. — eu disse. — Leve o tempo que quiser, Lucien. — com essas palavras, eu fui em direção à Place du Tertre sozinha. Eu estava apenas a alguns minutos e mal podia suportar a antecipação. Meu corpo inteiro zumbia com uma emoção que eu não sentia há muito tempo. Era como se eu precisasse colocar um oceano inteiro entre mim e meus pais para finalmente acordar para essa merda. Eu não tinha me sentido tão bem desde... Não. Ainda não pensaria nele. Sobre nós.

4

A basílica do Sagrado Coração é um templo da Igreja Católica Romana em Paris, sendo, também, o símbolo do bairro de Monte Martre. A basílica está localizada no topo do monte Martre, o ponto mais alto da cidade.


A poucos quarteirões acima, a rua se abria para revelar a praça dos pequenos artistas, já repleta de turistas. Eu caminhei lentamente ao longo da rua de paralelepípedos, absorvendo tudo. Cor em todos os lugares. As pessoas. As línguas. A arte. Eu tinha entrado no meu próprio nirvana pessoal quando comecei a vagar entre as multidões, explorando a exibição dos vários artistas. Meu coração batia mais rápido e mais forte a cada novo estilo e paleta que eu encontrava. Pela primeira vez em anos, eu sentia como se pudesse realmente ver a cor de novo. Cada sombra e tom me chamavam, aqueciam meu olhar, atravessavam os meus poros e a minha pele. Era tão vivo. E incrível. Tudo isso. Um belo caos. Mais à frente, um par de pinturas chamou minha atenção. Nus em tons suaves. Mas foi o estilo que mais se destacou. Algo sobre isso atingiu um acorde dentro de mim. Parecia estranhamente familiar. E eu tive a sensação que sempre tinha quando estava na presença de grande arte. Porra, sim. Sem dúvida, eu tinha encontrado a pessoa certa. Havia uma atração magnética entre o meu corpo e a arte. Eu me aproximei, meu olhar grudado àquelas pinturas, minha excitação crescente a cada passo. Minha primeira descoberta de artista em Paris! Quanto mais perto chegava, mais eu tremia. Calafrios lavavam sobre a minha pele. Minha respiração acelerou. Honestamente, eu estava certa de que estava tendo algum tipo de experiência religiosa. Eu podia sentir as lágrimas picando atrás dos meus olhos. Sim. Eu estava no lugar certo. Na hora certa. Isso era a minha Meca5 - a razão pela qual tinha vindo para Paris.

5

Cidade da Arábia Saudita considerada a mais sagrada no mundo para os muçulmanos.


EntĂŁo eu olhei para o artista e congelei. Em pĂŠ, bem no meio de tudo isso... estava Dare.


Capítulo Dois

D

are.

Oh, Deus. Dare. A visão dele fez meu coração quebrar inteiro de novo. Ele arregalou os olhos por um momento, então ele se fechou, a dor neles eclipsou para algo muito, muito pior. Distância. E indiferença fria. Eu não conseguia respirar. Anos de saudade, medo e tristeza me encheram, todos de uma só vez. A dor em meu peito que tinha começado há três anos, queimou com nova intensidade. Havia esse abismo, este oceano de dor nos dividindo, embora estivéssemos a poucos metros de distância. Seu maxilar cerrou quando ele olhou para mim, seu olhar profundamente negro prendeu ao meu. Havia apenas Dare no meu mundo naquele momento. Eu queria correr para ele, jogar meus braços em volta do pescoço e esmagar os meus lábios nos dele. Eu queria descobrir tudo o que tinha acontecido - onde sua família tinha ido, o que ele estava fazendo... como ele estava. Eu queria dizer que estava arrependida, para demolir essa distância e extinguir a dor.


Mas tudo o que eu consegui fazer foi ficar congelada no lugar e olhar fixamente. Alguém bateu no meu ombro, me tirando do transe. O som suave do francês fluindo entre os transeuntes. A exposição dos artistas voltou para a minha consciência, invadindo os meus sentidos com sons e cores e cheiros. E o mundo começou a se mover novamente. Dare afastou-se de mim e foi para trás da sua exposição, em seguida, disse algo para o artista ao lado dele que eu não consegui entender. Fiquei maravilhada com as pinturas dele, enquanto caminhava lentamente em sua direção. A maior parte do seu trabalho consistia em paisagens de Paris, como muitos dos outros artistas nesta praça. Eles eram bons - ótimos mesmo embora, dificilmente uma verdadeira demonstração do seu talento incrível. Mas ele também tinha um punhado de peças de destaque que tinham me chamado a atenção primeiro - os nus. A gama de cores da sua paleta não tinha mudado muito, mas seu estilo estava mais refinado, mais claramente o seu. A luz incidindo sobre a pele da modelo era quente, lembrando-me da forma como a luz do fim da tarde brilhava em seu apartamento no Brooklyn, todos aqueles anos atrás. E quanto mais eu olhava para as pinturas, mais familiar pareciam. — O que você está fazendo aqui? — suas palavras eram afiadas, irritadas e abruptas. Eu vacilei em surpresa. Eu não tinha percebido que ele tinha se virado para me encarar. Minha boca estava seca e meu cérebro lento enquanto eu lutava para falar a coisa certa. Algo que suavizasse a expressão severa do seu rosto, devolvesse a luz para os seus olhos. Qualquer coisa que fizesse com que ele me perdoasse. Eu passei tanto tempo sonhando com este momento, na esperança de vêlo novamente, para ter a chance de explicar, de fazê-lo entender e me dar outra chance. Mas todos os meus discursos bem ensaiados desapareceram no éter da minha mente. O que sobrou era tão branco como uma nova tela.


— Eu estou... — merda. O que eu estava? Raiva saía dele, batia em mim, tornando-me estúpida. — Estou tão feliz em vê-lo, Dare. — era a verdade, mas pelo olhar no rosto dele, foi a coisa errada a dizer. — Sério? — seus olhos se estreitaram para fendas escuras perigosas. Eu já tinha visto aquele olhar antes. Estava longe de ser bom. — De alguma forma eu acho isso difícil acreditar. Como você pode estar feliz em ver alguém que você não conhece? Alguém que você nunca viu antes em sua vida? Minhas palavras de três anos atrás foram arremessadas de volta para mim. E elas arderam. Especialmente saindo da boca de Dare. Eu balancei a cabeça, mas elas me cortaram com indiferença. Eu merecia isso. Eu merecia seu desprezo. Eu tinha feito isso. E tudo que eu queria fazer agora - tudo o que eu quis fazer todos os dias desde que aconteceu - era desfazer isso. Por que a vida não tem um botão de retrocesso? Eu estendi a mão para ele, mas ele deu um passo para trás, ficando fora do alcance. Jesus. Ele estava realmente tão enojado de mim, que se encolhia com o simples pensamento do meu toque? Sim, eu acho que merecia isso também. — Sinto muito. — eu disse, minha voz tremendo um pouco, as lágrimas ameaçando derramar. Forcei-as de volta e aproximei. Abaixando a minha voz, eu disse: — Deixe-me explicar... — Não, obrigado. — Dare, por favor... eu só... — o olhar frio em seu rosto me interrompeu. Ok. Agora

não

era

claramente

a

hora. Ele

estava

muito

zangado. Mesmo se eu conseguisse colocar as palavras para fora, ele não seria capaz de ouvi-las. Eu conhecia isso sobre ele. Mas eu não queria perdê-lo novamente. Eu precisava mantê-lo falando. — Como você acabou em Paris? — eu disse enquanto acenava minha mão para as suas pinturas. — Você está estudando com alguém aqui?


Ele cruzou os braços, o movimento puxando sua camiseta contra seu peito duro. Eu conhecia a sensação daqueles músculos tão bem, podia senti-los pairando sob meus dedos, enquanto olhava para ele. Ele me considerou por um momento, então disse: — Sim. Era uma palavra, mas já era um começo. Eu tomaria qualquer coisa que pudesse receber. — Isso é maravilhoso. Eu posso dizer que você está trabalhando duro. — eu balancei a cabeça em direção aos nus. — Aqueles são mais recentes? Seu olhar seguiu o meu, então ele olhou para mim, quase como se estivesse tentando ver se a minha pergunta era sincera. — Sim. — ele finalmente disse. — Mas as paisagens são o que melhor vendem na rua. — Elas são boas. Muito boas. — eu olhei para ele novamente para encontrá-lo olhando para mim, uma expressão indecifrável no rosto. — Seu trabalho se destacou para mim, é por isso que eu parei. Eu não tinha ideia que as pinturas fossem suas. Mas elas são as melhores que eu vi na praça. Com essas palavras, algo mudou nele. Ele não sorriu exatamente, mas a intensidade do seu olhar e sua carranca diminuíram. Graças a Deus! Progresso. — Há quanto tempo você está em Paris? — perguntei. — Quase um ano. Eu queria dizer Onde você foi? Eu procurei por você. Tentei encontrálo. Mas as palavras ficaram presas na minha garganta. Tudo que consegui foi: — Você tem um apartamento aqui? Ele assentiu com a cabeça. — Latin Quartier6.

6

Bairro de Paris, na França, na margem esquerda do Rio Sena, em torno da Universidade de Sorbonne.


— Sério? — a minha casa era no mesmo distrito. Isso significava que... talvez... TALVEZ eu

conseguisse vê-lo

novamente. Talvez ele me

perdoasse. Talvez... — Você tem um estúdio? — No meu apartamento. — É só que... eu estou realmente feliz por você, Dare. — eu sorri para ele. Meu sorriso verdadeiro, não feliz, mas real. A dor ainda enchia meu peito, mas havia algo diferente sobre a picada desta vez. Ela era menos acentuada, mais agridoce. Seus lábios se levantaram nos cantos só um pouco, mas sua boca imediatamente endureceu quando seu olhar pousou em algo atrás de mim. — Ah, chérie! — Lucien disse, vindo ao meu lado e cheirando como um cinzeiro. — Eu achei você. — ele colocou sua mão gorda na minha bunda. Meu corpo todo enrijeceu, atordoado pelo gesto grosseiro, brusco. Até o momento que me recuperei o suficiente para bater na mão de Lucien para longe, o rosto de Dare havia se tornado mármore esculpido - frio e imóvel. Dor queimou de novo em seus olhos escuros, de pedra. Ele olhou para mim como se não tivesse ideia de quem eu era, então se virou e começou a se distanciar. — Não, espere! — eu gritei atrás dele, passando por Lucien. — Não é o que você pensa! Dare virou-se e olhou para mim, mesmo enquanto continuou andando. — Não, Reagan. — ele ergueu as mãos, o olhar era duro. — Apenas não, caralho. E então ele desapareceu na multidão.


Capítulo Três

D

essa forma, Dare

tinha ido embora. Mais uma vez. Corri ao redor da praça, procurando seu porte alto, a camisa preta que ele estava usando, o cabelo curto bagunçado... nada. Porra nenhuma. Só turistas rindo, amantes se beijando e a felicidade das outras pessoas. Zombando de mim. Com um suspiro pesado e um coração mais pesado ainda, eu desisti. Era inútil. Ele já tinha ido embora, e mesmo que eu conseguisse localizá-lo no mar de turistas, não havia nenhuma maneira do caralho que ele falasse comigo agora. Eu saí de perto do Lucien, passando através das pessoas zanzando. Se eu pudesse perdê-lo no meio da multidão, faria isso. Não tive essa sorte. — Reagan! Qual é o problema? — ele agarrou a manga do meu agasalho e puxei meu braço para a frente, voltando ao meu ritmo. — Vá embora! — parei, e ele bateu em mim, envolvendo os braços em e mim para nos impedir de cair. — Solte-me! — eu o empurrei de novo e virei para encará-lo.


— Merde. — ele disse. Merda. Seu cabelo penteado para trás estava um pouco desarrumado, e seus olhos cinzentos maçantes se arregalaram quando ele viu a minha cara. — Mon dieu! Você parece que está expelindo fogo. Fechei os olhos e tudo que eu podia ver era Dare escorregando do meu alcance. Uma e outra vez. E eu desmoronei, incapaz de segurar minhas emoções por mais tempo. Lágrimas rolaram dos meus olhos, derramaram pelo meu rosto. Um soluço subiu na minha garganta que eu não consegui segurar, não importa o quanto eu quisesse. Esse buraco negro em meu peito cresceu para um vórtice escancarado de dor. Pela primeira vez em três anos, eu não pude interromper, não pude engolir as lágrimas. A barragem rompeu e transbordou ali mesmo na rua. As sobrancelhas de Lucien subiram em surpresa e seus olhos correram ao redor da praça, como se ele não soubesse o que fazer. Ele conseguiu me guiar para uma mesa em um café, sem me tocar, desta vez, em seguida, fez sinal para eu sentar enquanto pediu dois cafés. O que teria sido doce se eu não odiasse café com uma paixão. — Por que as lágrimas, chérie? — ele disse. — Aquele... era... Dare. — eu coloquei para fora entre soluços. — Eu... enfim... encontrei-o... mais uma vez... e agora... ele... se FOI. — Oh, eu entendo. Ele era seu amante. — Lucien alisou o cabelo para trás em um movimento bem praticado. Ele estendeu a mão e acariciou a minha. — Não se preocupe. Vou ajudá-la a esquecer esse homem, sim? Hum, NÃO. Não, se ele estivesse pensando... — Um verão em Paris irá curá-la. Isso, eu sei. — enquanto ele me entregava um lenço de papel, seu sorriso parecia quase genuíno. Como se ele fosse um tio preocupado. Bem, aquele que queria entrar em minhas malditas calças.


Eu sequei meu rosto e limpei o nariz enquanto minha mente começava a trabalhar. Talvez Lucien estivesse certo. Não

da

maneira

que

ele

insinuou,

é

claro. Por

que

causava

ESTREMECIMENTO. Mas talvez o que eu precisasse fazer para tirar Dare do meu sistema era ter algum tipo de encerramento. A melhor maneira de fazer isso era vendo a pessoa novamente, dizendo o que você precisava dizer, e indo embora. Certo? Embora apenas o pensamento de afastar de Dare quase me matasse de novo. Se eu realmente fosse fazer isso, eu precisaria de algo muito mais forte do que um copinho nojento de café.

Meu cérebro estava apenas ligeiramente zumbindo, borrando nos limites graças a esses pequenos estimulantes doces que eu tomei logo que voltei para o apartamento. Eu precisava disso. Eu não precisava sentir nada hoje à noite. Eu tinha como objetivo o clube mais quente no bairro Latin, com a intenção de não pensar em nada durante uma porra de noite. As pílulas, o álcool e a música estridente destruiriam todos os pensamentos indesejados. Pelo menos esse era o plano. Quando eu saí do meu quarto, Lucien assobiou baixo para o meu vestido curto vintage, prata e azul. Felizmente, ele não foi convidado.


Ele perguntou onde eu estava indo, mas eu apenas dei de ombros e disse: — Sair. — peguei minhas chaves e saí pela porta. Eu não queria que ele viesse junto - não queria passar a noite tirando as mãos dele de cima de mim. Em vez disso, eu planejava esquecer Dare com alguém que não me desse arrepios, porque ele era velho e pervertido. Alguém seguro. E, como sempre, esquecível. O clube ficava a cerca de meia quadra do Sena. Luzes cintilantes da cidade brilhavam sobre a água, iluminando o rio e meu caminho em direção ao puro esquecimento. Embora eu estivesse bem ciente de que o bairro Latin cobrisse uma área grande, eu não podia evitar, exceto imaginar se o apartamento de Dare era nas proximidades. O quão perto ele estava agora? Eu balancei minha cabeça. Não. Esta noite era sobre tirá-lo da minha cabeça... mas eu não conseguia impedir. Vê-lo novamente hoje trouxe tudo de volta. Todas as lembranças que eu tanto tentei esquecer eram feridas frescas de novo, a sensação das suas mãos na minha pele, seu cheiro, o gosto dele em meus lábios, a forma como os olhos enrugavam nas bordas quando ele ria, as coisas que sua boca fez comigo, sua... Pare, pare, pare com isso. Foco. Eu balancei a cabeça novamente e caminhei para dentro do clube. O som estava alto, a batida era pesada e estridente, o bar estava lotado nenhum deles era Dare. Eu andei pelo bar e pedi uma bebida bem na hora que Lucien deslizou para o banco ao meu lado. Meu queixo caiu quando eu olhei para ele com os olhos arregalados. Que. Porra? — Eu pensei que você pudesse querer alguma companhia, não? — ele falou, e fez sinal para o garçom trazer uma dose como a minha. Puta que pariu. O bastardo tinha me seguido. Virei a minha dose e acenei com a cabeça por outra. Enquanto o bartender recarregava o meu copo, eu peguei uma morena peituda dando uma olhada em Lucien. Com um propósito deliberado na direção dela, eu


praticamente empurrei-o para longe de mim. Ele atirou um sorriso rápido para a mulher e ergueu a taça, mas, em seguida, virou-se para mim. — Vá falar com ela. — eu procurei por alguém ao redor do clube. Qualquer um. — Eu estou bem. Você não tem que cuidar de mim. Ele acenou para o bartender por mais uma rodada de bebidas. — Isso é algo que não me preocupa, chérie. Eu não quero que você se sinta triste por causa do seu amor perdido. — ele estendeu a mão e acariciou a minha uma vez, antes de eu afastá-la. — Você é muito linda para ficar para baixo. — Eu não estou para baixo. O único lugar que eu vou hoje à noite é para cima. — eu disse, forçando uma risada. Peguei meu copo e esvaziei. A dor aguda de álcool queimou meus pulmões. Bom. — Eu estou bem, Lucien. Eu aprecio sua preocupação, mas eu vou lá para cima... — eu apontei para a pista de dança. — Dançar com AQUELE cara... — escolhi algum cara aleatório. — E ter uma noite fodidamente fantástica. Você não tem que se preocupar comigo. De jeito nenhum. — eu dei um tapinha no bar com essas três últimas palavras. — Que tal você dançar comigo em vez disso? — ele perguntou, pegando minha mão. A sensação dele segurando meu pulso fez meu coração martelar contra o meu peito. O toque era muito íntimo. — Nós poderíamos nos divertir juntos. Só você e eu. Juntos. Eu torci minha mão para me livrar e escorreguei da banqueta. Estava tudo bem. Eu estava bem. — Não, obrigada. — afastei dele, de repente, com a necessidade de fugir. Tão longe quanto eu pudesse. — Vou conquistar minha felicidade com aquele cara. — eu olhei em volta. Espere. Onde diabos ele tinha ido? Eu pisquei, então balancei a cabeça. Não importava. Havia muitos outros. Voltei a olhar para Lucien e apontei para a morena. — Vá falar com ela. Ela está esperando por você. Não se preocupe comigo. Eu vou ficar bem. Ele me olhou por um momento. — Você tem certeza?


— Eu sou uma adulta, Lucien. — um tipo fodido de adulto, de vinte e dois anos de idade. Mas pelo menos eu conseguia encontrar o meu caminho de casa, sem muita dificuldade. Ou, melhor ainda, a cama de algum cara aleatório. Lucien deu de ombros. — Si vous voulez. — se é isso que você quer. Era. Mais ou menos. Porque o que eu realmente queria - a única coisa no mundo que eu queria, era Dare.

Um número grande de músicas e pés doendo mais tarde, eu deixei para trás os meus parceiros de dança anônimos e sem rosto, para tomar um fôlego no bar sozinha. Eu ainda podia sentir Lucien me observando de onde estava sentado com a morena. Seus olhos tinham queimado a minha pele a noite toda. Não importa o quanto eu tentasse, eu não conseguia perdê-lo no meio da multidão. E agora, para completar tudo isso, sua companheira ficava lançando olhares desagradáveis para mim. Eu não tinha ideia do porquê, uma vez que eu tinha deixado claro que eu não queria ter NADA a ver com ele, e estava feliz que ele estivesse do outro lado do bar com ela. Ela devia estar me enviando flores. E chocolate. E bebidas. Eu olhei para o meu copo vazio, em seguida, acenei para o barman. Mais bebida. Eu precisava de mais bebida. Mais tudo. Estendi a mão para o frasco de comprimidos na minha bolsa, mas em vez disso os meus dedos enrolaram em um pedaço de papel gasto. Eu sabia o que era, antes mesmo de puxá-lo para fora. Era a única coisa que mantinha a minha sanidade - e quebrava meu coração cada vez que eu olhava para ele. A fênix que Dare tinha desenhado. A que ele tinha pintado em mim.


Quatro palavras escritas com a mão dele - Duas partes. Um inteiro. Nossas palavras. — Ça va?7 — alguém me deu um tapinha no ombro. O cômodo nadou quando eu virei minha cabeça em direção a ele, e levou um momento para eu trazê-lo em foco. Alto, moreno e lindo. E não era Dare. É claro que não era ele. Mas esse cara? Ele seria bom como a distração temporária que eu buscava tão desesperadamente. Como se estivesse lendo minha mente, o homem estendeu a mão e acenou para a pista de dança. — Danser Voulez-vous? — ele disse, com a voz baixa e lascivo. Você quer dançar? Claro. Por que diabos não? Talvez ele seja aquele a finalmente apagar Dare da minha mente. Se Deus quiser, alguém tinha que fazer isso. Eu fiquei totalmente bem a noite toda, ÓTIMA, na verdade, dançando com ninguém e todo mundo, deixando as mãos deles percorrerem lugares que a Reagan sóbria nunca teria permitido, perdendo-me na sensação de todos os estranhos, na música, na viagem. Mas agora que eu estava pensando nele de novo... Merda. Eu estava em declínio. E rápido. Eu balancei a cabeça, drenei a minha bebida e enfiei o esboço de volta na minha bolsa. Tomando a mão do cara, eu deixei-o me puxar para a pista de dança, olhando para Lucien enquanto passava. Os olhos dele se estreitaram ligeiramente enquanto nós passávamos, mas, em seguida, a morena pressionou os seios contra ele e disse algo em seu ouvido, e ele voltou sua atenção para ela.

7

Tudo bem?


Bom. Deixe-me em paz, porra. Eu não era problema dele. Dava-me arrepios ele me observando tão atentamente. O cara, Michon, puxou-me para perto e começou a balançar ao som da música, com as mãos vagando por todo o meu corpo. Minhas costas, meus quadris, minha bunda... eu vacilei quando seus dedos roçaram os meus lábios. — Si belle. — ele disse, deslizando suavemente suas mãos no meu cabelo. Tão bela. Eu estava bêbada, sim, mas a sensação dele contra mim, das suas mãos estranhas me explorando, o cheiro do seu suor, tudo combinado, me fez sentir oprimida, como se eu estivesse sufocando. De repente, a música estava muito alta, Michon muito perto, o clube demasiado quente. Deus, eu não estava caindo, estava despencando. Eu empurrei contra ele, tentei dar um passo para trás, mas ele apenas me puxou para perto novamente. — C'est bon. Dansons. — ele murmurou em meu ouvido. Está tudo bem. Vamos dançar. — Não. — eu disse e empurrei-o mais forte desta vez. Ele colidiu com outro casal e começou a me xingar. Mas eu não me importei. Eu precisava sair. Eu precisava de ar. Eu passei pela multidão, olhando para trás, por cima do ombro para me certificar de que Michon não estava vindo. Felizmente, ele estava longe de ser visto. Mas então eu vi Dare. Ele estava aqui! Do outro lado do cômodo, de costas para mim. Era ele, minha visão podia estar borrada, mas aquele era ele. Eu quase chorei de alívio quando me espremi no meio da multidão até que estivesse bem atrás dele. Respirando fundo, eu coloquei minha mão em seu braço. — Dare?


Sua cabeça se levantou, e ele se virou para mim. Olhos azuis claros me acolheram, lentamente, da cabeça aos pés e de volta novamente. E então ele sorriu. — Oui, chérie8? Ele não era Dare. É claro que ele não era Dare. Deus, o que diabos havia de errado comigo? Meu sorriso caiu e eu dei um passo para trás, esbarrando em alguém. Agora que eu olhei para o cara na minha frente, ele não parecia em nada com Dare. Ele muito baixo e muito encorpado. Meus olhos borraram e o quarto balançou. Virei-me e fui de volta para a saída, em seguida, para o escuro tranquilo da noite. O ar fresco fez bem para os meus pulmões, conforme comecei a correr em direção ao rio. Eu só queria voltar para o apartamento para que pudesse cair no esquecimento do sono. Se eu não conseguisse alcançar inconsciência por conta própria, eu procuraria na minha caixa de remédio por um pouco de ajuda. — Reagan, Attendez! — espere! Lucien estava correndo para fora da porta, passando por um grupo de pessoas em seu caminho. Eles gritaram alguma coisa para ele, mas ele não pareceu notar. Eu tinha virado quando ele gritou, e o assisti correr mais enquanto o mundo balançava comigo. Seu sorriso me fez tremer, conforme seu olhar viajava lentamente por todo o meu comprimento, para fixar no meu rosto. Ele estudou os

meus

olhos

e

seu

sorriso

ficou

maior

com

tudo

o

que

viu

lá. Dor? Solidão? Dormência das drogas? Deslizando o braço em volta da minha cintura, ele puxou-me apertado contra seu corpo. — O nosso apartamento. — ele disse em uma voz rouca perturbadora. — É por esse caminho, ma petite. — meu amorzinho. — Venha. Eu te levo para casa. Minha pele arrepiou ao sentir o braço dele ao redor da minha cintura. Eu não conseguia respirar. Um grito selvagem alto construiu dentro de mim, 8

Sim, querida.


começando na base da minha alma, ameaçando explodir diante dos meus lábios. Pânico correu pelas minhas veias, crescendo em força, aumentando a intensidade. Escuridão encheu a minha visão e flashes de um rosto familiar voaram pela minha mente. Eu podia sentir suas mãos em mim de novo, tudo de novo. Garrafas de vinho, fora do alcance. Todos fora do alcance da voz. Ninguém além de nós dois. Eu me debati descontroladamente, girando para longe dele, tentando agarrar meu caminho para fora da escuridão. — Merde! Reagan! Qual é o problema com você? — a voz de Lucien escorreu através da névoa na minha mente, enquanto eu lutava para fugir. Espere. Lucien? Eu pensei que fosse... Ele soltou e, de repente a rua vacilou diante de mim conforme perdi o equilíbrio. Agarrei o lado do prédio, mas errei, aterrissando em minhas mãos e joelhos. A picada em minhas mãos turvou a minha visão com lágrimas. Lucien soltou uma série de palavrões, então balançou a cabeça e afastouse em um acesso de raiva. Finalmente, eu podia respirar novamente. Eu estava bem. Eu estava em Paris. Fora. Por conta própria. Sentei-me na calçada, o frio do concreto infiltrando através do material de seda do meu vestido, enviando arrepios sobre a minha pele. Calafrios percorriam-me com o que tinha acabado de acontecer. O que tinha acontecido? Eu respirei, trêmula, minha mente tentando dar sentido a tudo isso. Eu me inclinei para descansar contra a parede do prédio, mas calculei mal a distância. Merda. A parte de trás da minha cabeça bateu na calçada com um golpe que reverberou por todo meu corpo.


No impacto, todo o ar deixou meus pulmões, e o choque disso - o insulto adicionado à injúria - levou-me ao limite. Minha cabeça latejava com cada batida do coração enquanto fiquei lá, chorando na calçada, desmoronando sob a imensa pressão do meu passado, presente e futuro. Dare não queria nada comigo. Não havia nenhuma maneira que eu pudesse voltar para o apartamento com Lucien. Já era ruim o suficiente que eu tivesse que trabalhar com ele em La Périod Bleue, mas pelo menos meu trabalho assegurava que eu ficaria fora, nas ruas, na maioria dos dias, procurando artistas sem ele. Mas agora eu não tinha nenhum lugar para viver. Apenas quando eu pensei que tinha conseguindo, com sucesso, saltar sobre o primeiro obstáculo, deixando meus pais para trás, inúmeros outros se apresentaram. Eu não queria gastar dinheiro em um hotel para a noite, já que pela primeira vez na minha vida eu tinha fundos limitados. E eu não podia - EU NÃO IRIA - pedir a ajuda dos meus pais. Além disso, sabia que nunca me ajudariam de qualquer maneira. Não sem um ultimato. Parecia que tudo em que eu estive trabalhando, já estivesse ameaçado, oscilando na borda. Se meus planos de fazer uma vida para mim e escapar do que meus pais tinham traçado para minha vida falhassem, eu não teria nada. Absolutamente nada. Não ajudava que eu estivesse deitada na calçada, chorando como uma garotinha patética. Deus. Eu era mais forte do que isso, não era? Porra, eu tinha que ser. Ok, sim, esta noite foi uma merda, mas eu NÃO admitiria a derrota por causa da primeira pequena barreira. Eu tinha que derrubá-la e mergulhar de cabeça. Ir inteira. Eu queria uma nova vida. A minha vida. Para que isso acontecesse, eu precisava tomar o meu futuro em minhas próprias mãos. Nesse momento. Quer dizer, se eu pudesse ao menos levantar da calçada.


O frio do concreto penetrou nos meus ossos e eu comecei a tremer. Calor escorreu para uma das minhas canelas. Ótimo. Eu estava sangrando. E o meu primeiro pensamento foi chega de saias para mim. Eu quase ri. Quase. Quando eu tinha seis anos, eu tinha caído do trepatrepa no playground, que minha babá tinha me levado, e ralei os dois joelhos. Minha mãe não tinha sequer perguntado se eu estava ferida, tudo o que importava era que eu teria Band-Aids aparecendo debaixo do meu vestido. Eu tive que usar calças compridas até que a pele estivesse completamente curada. Em julho. Em Nova Iorque. Porque, O que todas as pessoas vão pensar, Reagan? Todo mundo sabia que

McKinleys

não

sangravam. Eles

não

choravam. Nem

mesmo

se

machucavam. Eram todos perfeitos do caralho. Exceto, que no fim, um de nós não era. Ela só tinha fingido. Passos soaram na quadra, quando alguém veio em minha direção. Porra, eu tinha que me levantar. Assim que levantei minha cabeça, o latejar intensificou e eu fechei os olhos com um gemido. Ugh. Até isso dói. Graças a Deus ninguém que eu conhecia estava aqui para me ver desse jei... — Reagan? Minha respiração engatou quando abri meus olhos para Dare. E desta vez, dado o olhar em seu rosto, eu tinha quase certeza que ele não era uma invenção da minha imaginação.


Capítulo Quatro

D

eus, ele parecia tão

incrível em cima de mim, passando as mãos pelo seu cabelo escuro. Suas mãos. Como senti falta da sensação daquelas mãos. Se eu pudesse chegar e... Ele estava falando comigo, eu percebi. Piscando os olhos, eu tentei me concentrar no que ele estava dizendo. — O que está fazendo aqui? — ele olhou ao redor da rua deserta. — Você está sozinha? Jesus, você está sangrando. — emoções guerrearam em seu rosto, e ele parecia que não tinha certeza do seu próximo movimento. Eu o observei, fascinada por sua proximidade, metade me perguntando se eu estava tendo alucinações. Mas ele cheirava real - como couro, aguarrás e óleo - e ele parecia muito real quando me pegou em seus braços. — Vamos lá. — ele disse, sua boca quente contra a minha orelha. — Precisamos tirá-la da rua. Eu passei meus braços em torno dele e aninhei minha cabeça na curva do seu pescoço. Passando minhas mãos sobre as costas, eu dei um suspiro de alívio. Tudo nele parecia familiar e certo. Como se eu estivesse, finalmente, exatamente onde eu estava destinada a estar. A caminhada para o seu apartamento foi curta, e muito rápido ele me colocou no sofá. Ele saiu da sala, e eu me perguntei se ele voltaria. Minha cabeça latejava e o mundo ainda estava girando um pouco rápido demais.


Ele voltou alguns minutos depois com uma toalha, uma gaze, pomada e fita. Eu tentei sorrir para ele quando ele se ajoelhou na minha frente, mas seu rosto estava duro e fechado. Eu não podia suportar a decepção, então eu fechei os olhos e recostei contra o seu sofá, encolhendo-me quando meu crânio encostou com a almofada. — Você bateu a cabeça? — perguntou. Ele mudou-se para o meu lado, sua voz junto ao meu ouvido, sua respiração aquecendo a minha pele enquanto suas mãos deslizaram sob meu pescoço para levantar minha cabeça. Estremeci quando seus dedos tocaram meu cabelo. — Desculpe. — ele disse, em voz baixa. — Não há sangue, o que é bom. Mas você pode ter uma concussão. Você pode olhar para mim por um momento? Eu me virei e abri os olhos. Ele estava tão perto, seu rosto a poucos centímetros de distância, olhos preocupados olhando nos meus. Meu pulso acelerou, assim como a minha respiração. Tudo o que eu já senti por ele brotou dentro de mim enquanto eu encarei o seu olhar escuro. Parecia que não tinha passado nenhum momento, que eu não tinha feito nada para mandá-lo embora, que tínhamos voltado para onde estávamos. Duas partes. Um inteiro. Seus olhos caíram para a minha boca. Ele respirou fundo quando meus lábios entreabriram, ansiando por seu beijo. Todas as minhas dúvidas se dissiparam. Eu poderia fazer qualquer coisa, ser qualquer coisa, se eu tivesse Dare na minha vida. Mas quando ele olhou para mim novamente, seu olhar endureceu. A parede estava de volta no lugar. Afastou-se e limpou a garganta. — Eu acho que a cabeça está bem. Nada sobre a minha cabeça estava bem agora.


Eu fechei os olhos de novo, disposta a afastar o calor, a sensação de lágrimas ardendo. Três anos atrás, eu tinha que combater as borboletas em torno de Dare. Agora elas estavam se afogando em lágrimas não derramadas. Eu era uma garota tão fodida. A toalha ainda estava quente quando ele gentilmente pressionou-a no meu joelho, limpando o sangue e a sujeira. — O que aconteceu? — ele perguntou, sua voz calma. O que aconteceu? TUDO. A porcaria da noite toda voltou correndo e eu tive que lutar para manter minha compostura. Especialmente com ele. Ele me conhecia tão bem, correção, costumava me conhecer bem. Eu não era a mesma garota. Seria tão fácil cair de volta para o ritmo familiar e apenas contar tudo. Mas ele não era meu mais. Eu não conseguia derramar meus problemas nele. — Eu... caí. — eu disse, sem nem mesmo abrir os olhos. Eu não sabia o que ele descobriria neles e eu não queria ver o distanciamento em seu rosto. — Você estava esparramada na calçada chorando porque você caiu? Engoli em seco. — Foi um dia monumentalmente de merda, ok? Podemos apenas deixar por isso mesmo? Ele ficou em silêncio por alguns minutos, enquanto espalhava a pomada sobre os cortes e os cobria com gaze, enfaixando-os. Quando ele levantou uma das minhas mãos na sua, a minha respiração engatou. Ele estava sendo estupidamente suave, isso estava quebrando meu coração. — Então. — ele disse enquanto limpava os arranhões. — Ver-me foi realmente muito ruim, hein? Meus olhos se abriram e eu balancei a cabeça. Isso machucou. Porra.


— Não. — eu disse, tentando sorrir em meio à dor. — Essa foi a merda menor dele. Os cantos dos seus lábios se levantaram, o fantasma de um sorriso tocando-os. O que só me fez sorrir, de verdade. Por um momento. Até que eu pensei sobre a parte verdadeiramente de merda do meu dia. — É só que... meu companheiro de quarto... ele está me dando arrepios. Ele me observa o tempo todo, tenta colocar as mãos em cima de mim... Os olhos de Dare estreitaram. — O cara que estava com você mais cedo? — Sim. — minha voz saiu tremendo e ofegante. — Ele me seguiu até o clube essa noite e estava tentando me levar para casa. Eu só... ele me lembra... — De que? Eu balancei minha cabeça. Eu não pensaria nisso. Não agora. — Eu não sei o que teria acontecido se eu tivesse ido para casa. Dare cerrou o maxilar e soltou uma respiração lenta enquanto enfaixava a minha mão em gaze. Em seguida, ele pegou a outra mão e começou a limpá-la. Essa frase ficou no ar entre nós, fazendo-me estremecer com a memória das mãos de Lucien em mim, seus olhos deslizando sobre meu corpo toda a noite. — Sabine me arranjou o apartamento. Você se lembra de Sabine? Ele balançou a cabeça, os lábios tensos. As linhas duras do seu rosto só o deixavam impressionantemente mais bonito. Como eu tinha esquecido como ele era lindo? Como havia me enganado em não lembrar de cada um e de todos os ângulos de seu rosto? Eu queria estender a mão e senti-los sob meus dedos. — Então, basta dizer-lhe que você não pode ficar mais lá. — a maneira como ele falou isso, parecia razoável, mas o que eu digo a ela? Que eu não gostava da maneira como Lucien olhava para mim? Que ele estava sendo muito


amigável para o meu conforto? Além da sua vulgaridade evidente, nada tinha acontecido tecnicamente. Mais importante, eu não tinha para onde ir. Eu balancei minha cabeça. — Não há nada para contar. Não foi culpa dele eu me machucar. Quero dizer, sim, ele me agarrou, mas ele soltou quando eu falei com ele. E eu caí. — Ele agarrou você? — Dare olhou para o meu rosto, enquanto suas mãos acalmavam as minhas. Seus olhos estavam diferentes, depois de três anos, não havia luz. Ou talvez fosse apenas porque ele estava comigo. Pequenas coisas se destacaram para mim conforme eu o encarava. Seu rosto estava mais magro, o queixo mais tenso. Tudo nele parecia um pouco... mais rígido. — Não foi nada. — eu assegurei a ele. — Isso não parece como nada. — ele disse, focando na minha mão de novo para que pudesse enfaixá-la como fez com a outra. Eu o assisti trabalhar, a exaustão estava transbordando e me derrubando. — Está tarde. — ele disse, assim que terminou. — Eu sei. Vou... — Fique. — ele colocou a mão no meu braço para me impedir de levantar, e meus olhos se arregalaram em resposta, tanto com o toque, como com as suas palavras. — Está muito tarde. — ele procurou meu rosto por um momento, como se estivesse esperando pela minha resposta, mas eu perdi a minha voz. Tudo o que eu pude fazer foi um aceno de cabeça. Dare me queria aqui? — Você bateu a cabeça. — ele falou, como se estivesse lendo minha mente. — Eu só quero ter certeza de que está tudo bem. Certo. Bem, sua preocupação, pelo menos, era algo. Neste ponto, eu pegaria qualquer coisa que pudesse. Ele fez um sinal para que eu o seguisse, liderando o caminho por um pequeno corredor. A ironia da situação não passou despercebida por mim. Três


anos atrás, a primeira noite DE VERDADE que passamos juntos foi em parte devido à sua lesão na cabeça. A que eu tinha causado. Só que a noite tinha sido perfeita, doce... quando eu não podia compreender a doçura. Esta noite era apenas dolorosamente agridoce. Paramos dentro do seu quarto. Olhei para sua cama, desfeita, os lençóis desarrumados, como se ele tivesse lutado com eles durante toda a noite enquanto ele caminhou até sua cômoda e abriu uma gaveta. — Você fica com a cama. — ele disse. — Eu vou dormir no sofá. — Eu posso... — Não. — ele parou de remexer as roupas e se virou para olhar para mim. — Você está ferida. Você precisa da cama. — ele me entregou uma camiseta e acenou com a cabeça em direção ao corredor. — O banheiro é lá fora, a única porta à direita. — Obrigada. — eu peguei a camiseta, meus dedos roçando nos dele no processo. Dare enrijeceu com o meu toque, seu maxilar cerrou, o calor líquido disparando dentro dos seus olhos. Ele olhou para os meus lábios, e por uma fração de segundo eu pensei que ele chegaria a mim. Mas, em seguida, o punho fechou e ele foi embora. Se isso não fosse um indício de que eu não era inteiramente bem-vinda... Eu praticamente corri para o banheiro, só capaz de recuperar o fôlego, uma vez que estava encostada na porta firmemente fechada. Eu sabia que estava um desastre, mesmo antes de eu me olhar no espelho, mas a confirmação do horror do meu rosto foi o último golpe para minha autoestima pisada. Estrias escuras corriam pelo meu rosto a vindas dos círculos pretos ao redor dos meus olhos, e meu cabelo comprido estava um emaranhado. Mas a minha aparência exterior não me incomodou tanto quanto a confusão dentro da minha cabeça que estava claramente refletida nas profundezas das águas do meu olhar. Durante três anos, eu consegui ficar bem,


recolhida, insensível. Pelo menos do lado de fora. Um dia e um olhar para Dare e o reservatório tinha transbordado, permitindo que todos aqueles sentimentos reprimidos derramassem. Cristo. Eu tinha que me controlar. Agora. Eu coçava para tomar um banho e lavar a noite desastrosa, mas com o meu joelho e mãos enfaixadas, isso não aconteceria. Eu encontrei uma toalha, umedeci e esfreguei meu rosto até que ele estivesse limpo. Então eu usei um pente para suavizar os emaranhados no meu cabelo, desejando que eu tivesse um elástico para puxá-los para trás em um rabo de cavalo. Quando eu olhei no espelho novamente, meus cabelos castanhos claros estavam pendurados em linha reta e sedosos pelas minhas costas e, embora não houvesse nada que eu pudesse fazer com a tristeza nos meus olhos, eu parecia mais com a garota que Dare costumava conhecer. Alcançando atrás de mim, eu tentei escorregar meu vestido, mas não pude abrir o zíper com as minhas mãos todas enfaixadas. Então, eu abri a porta do banheiro e olhei para fora. Eu saí para o quarto e congelei na porta quando uma gaveta bateu. Dare estava de costas para mim, com os braços estendidos atrás dele para tirar sua camiseta. Seus músculos ondularam conforme o material deslizou por cima e sobre a cabeça, revelando a tatuagem da fênix no seu ombro. O bronzeado quente da sua pele parecia aveludado na luz baixa do quarto e levou cada grama de autocontrole para não estender a mão e tocá-lo. Não, eu não podia. Ele não era mais meu para tocar. Ele pegou uma camiseta branca limpa, endurecendo quando me ouviu entrar pela porta. — Eu vou sair do seu caminho. — ele começou a dizer. — Na verdade. — eu disse, virando as costas para ele e puxando meu cabelo por cima do meu ombro. — Preciso de sua ajuda, por favor. Eu não consigo abrir.


Ele fez uma pausa e fiquei completamente imóvel, esperando que ele se movesse. Apenas quando pensei que não o faria, eu o ouvi atirar sua camisa de lado e passar por mim. Seus dedos agarraram o zíper no meio das minhas costas, roçando a minha pele e enviando um arrepio através de mim. Quando ele deslizou o zíper para baixo, o vestido escorregou pelos meus ombros e caiu no chão, deixando-me em pé na frente de Dare em nada, exceto minha calcinha de renda amarela. Ele não falou, mas eu podia sentir que sua respiração acelerou quando ele roçou a pele nua no meu pescoço. Imaginei seu olhar aquecido, enquanto ele estendia a mão para mim, querendo me tocar tanto quanto eu precisava tocálo. Eu gostaria de poder apenas encostar nele e fundir meu corpo com o seu, de trás para frente, duro, pele com pele quente. Um choque carregado percorreu a minha espinha quando o senti fechar a distância entre nós, suas mãos pairando perigosamente perto da minha cintura. Mas, então, ele xingou e se afastou, me jogando de volta à realidade dura e fria. Ele não era meu para tocar. E eu não era dele para possuir. Por isso, estávamos presos no limbo, tão perto, mas longe demais. Eu balancei a camiseta que ele me deu e rapidamente puxei-a sobre a minha cabeça. Então eu levantei meu cabelo e deixei-a cair nas minhas costas. Quando me virei para enfrentar Dare, ele estava olhando para mim, com uma expressão de pura tortura. Tomando uma respiração profunda e lenta, ele disse: — Tudo bem. Vejo você na parte da manhã. — ele começou a se mover para frente, para passar por mim e para o sofá, quando eu entrei em pânico e estendi a mão para detê-lo. — Será que você... — eu não quero ficar sozinha. Eu não podia ficar sozinha. Não depois de Lucien e as memórias. Eu não quero tocar nas minhas pílulas esta noite, não perto de Dare. Mas eu nunca conseguiria dormir por conta própria, do contrário.


Sua testa franziu. — O que? — Quer ficar comigo? — quando seus olhos se estreitaram e ele começou a balançar a cabeça, eu movi rapidamente. — Não é porque eu quero... você sabe... eu só... — minha respiração estava vindo em fôlegos pequenos, rápidos, enquanto eu tentava manter meu pânico em um nível administrável. — Eu não posso ficar sozinha esta noite. Não depois de... tudo. Não depois de VOCÊ. Ele procurou meu rosto como se a resposta estivesse escrita em meus olhos. — Por favor, Dare? Eu prometo... Ele acenou com a cabeça uma vez, mas não disse nada, então eu arrastei até a cama, tão loucamente grata que não conseguia nem falar. Entrei embaixo das cobertas, deslizando todo o caminho para que não houvesse muito espaço para ele deitar sem me tocar. Virei as costas para ele e coloquei o travesseiro debaixo da minha cabeça. Eu tinha tomado um par de aspirinas do seu armário de remédios, e as batidas na minha cabeça já estavam começando a minguar. Dare puxou as cobertas até o seu lado da cama, então, deitou em cima delas. A sensação dele ao meu lado, sem sequer me tocar, apenas sua simples presença, deixava todo o meu corpo à vontade. Senti-me relaxar como se eu não tivesse sido capaz há tempos. Minha mente exausta e corpo pareciam pesados após os acontecimentos do dia, e eu adormeci com os sons e o cheiro de Dare, tudo ao meu redor.


Capítulo Cinco

E

u acordei no meio da

noite, aconchegada ao lado de Dare, o braço enrolado em volta da minha cintura. Por um breve, insano momento, eu pensei que eu tinha imaginado tudo, os últimos três anos tinham sido simplesmente um sonho ruim e estávamos de volta ao seu apartamento no Brooklyn. E todo este terrível pesadelo, tinha sido apenas um aviso do meu subconsciente para me salvar da minha própria estupidez autodestrutiva. Mas em vez dos sons da cidade de Nova Iorque, eu podia ouvir as ruas de Paris abaixo. Francês melodioso e suave entrava pela janela aberta e eu me lembrei, com nenhum constrangimento ou horror, os detalhes da noite anterior. A mão de Dare estava quente na minha barriga, me mantendo presa de forma segura nele, assim como as longas pernas entrelaçadas com as minhas. Todo o comprimento dele ao longo das minhas costas deixavam os meus sentidos em alerta máximo. Com cada golfada de ar que ele tomava, eu podia sentir cada músculo firme e tenso no peito, expandir e contrair. Sua respiração suave e quente acariciava a minha nuca, trazendo consigo o cheiro doce, mentolado de creme dental e algo mais familiar. Algo inteiro, Dare. Estar aqui em seus braços novamente, mesmo sabendo que ele nunca teria me tocado assim conscientemente, me fez sentir ainda mais falta. Trouxe tudo o que eu tinha perdido na frente e no centro, dando intensidade fresca para


o buraco no meu coração. Eu não conseguia impedir as lágrimas silenciosas de deslizarem pelo meu rosto enquanto ficava lá, ouvindo-o respirar, a dor de tudo o que eu nunca teria novamente quase me dividia em duas. Eu tinha sido tão estúpida. Como eu deixei-o ir? Por que eu não tinha sido mais forte? Por que eu não lutei com unhas e dentes por nós? Se alguém valia a pena sacrificar tudo, era Dare. Eu virei minha cabeça lentamente para que pudesse vislumbrar seu rosto. Ele tinha mudado em três anos. Deixaram-no mais áspero em torno das bordas, mesmo durante o sono profundo. Mas ele ainda era Dare, preso na beleza de uma obra prima artística e a dureza marcante da uma escultura. Meu Dare. Como era doloroso sequer pensar nessas duas palavras pequenas, agora que eu estava bem no meio de tudo que eu tão desesperadamente precisava e queria na minha vida... e tudo o que eu já não tinha. Não tê-lo era o pior sentimento do mundo, como a tentativa de existir sem um órgão vital. Meu Dare não era meu mais. Eu me virei outra vez, e ele se moveu no lugar, a mão apertando ao meu redor. Alcancei e, lentamente, levantei-a. Olhei para ele por um momento, estudando o comprimento e a espessura dos dedos, as linhas da palma da mão. Eu sempre gostei dessas mãos, fiquei facilmente fascinada por elas, especialmente quando ele esboçava, e eu conheci tão bem a sensação delas. O leve cheiro de terebintina ainda se agarrava à sua pele, quando trouxe sua mão para mais perto do meu rosto e pressionei meus lábios contra a palma da mão, respirando-a. Ao meu toque, ele respirou rápido. Eu podia sentir seus ombros endurecerem, todo o seu corpo ficou rígido.


Merda, merda, merda. Eu não tinha a intenção de acordá-lo; eu só queria aproveitar sua proximidade. Eu congelei, antecipando a perda que certamente estava chegando. Ele se afastaria? Ele se levantaria e iria para o sofá? Para minha surpresa, Dare não tirou a mão. Ele ficou imóvel como eu, como se estivesse esperando meu próximo passo. Então abri meus lábios e deslizei minha língua ao longo da sua palma, provando-o. Ele exalou bruscamente e gemeu. Quando dei outro beijo na sua mão, eu pude sentir o endurecimento contra a parte inferior das minhas costas. Então eu o beijei novamente. E mais uma vez. Ele moveu-se, em seguida, inclinando-se em um braço e puxando meu ombro em direção a ele, então eu fiquei virada para cima. Meu coração disparou e minha cabeça girou ao vê-lo olhando para mim. Eu abri minha boca para falar, mas nenhum som saiu. Eu estava com muito medo de dizer qualquer coisa, com muito medo de quebrar o feitiço. Ele apenas ficou olhando para mim, procurando o meu rosto, desejo faminto pulsando tão claro em seus olhos, o mesmo desejo que eu sentia profundamente dentro da minha alma. Lentamente, ele estendeu a mão e arrastou seus dedos sobre as minhas bochechas e ao longo do meu queixo, como se para ter certeza que eram exatamente como ele se lembrava. Quando ele traçou meus lábios, eu os separei. Seus olhos estavam fixos na minha boca, os dedos apenas roçando a borda, me deixando louca. A ponta de seu dedo indicador deslizou em direção à minha língua e eu fechei os meus lábios em torno dele, sugando-o profundamente em minha boca. Ele

resmungou

e

ergueu

o

olhar,

seus

olhos

ardendo

nos

meus. Deslizando o dedo da minha boca, ele olhou para os meus lábios por um momento, então se inclinou e esmagou sua boca na minha com tanto desejo desenfreado eu vi estrelas atrás dos meus olhos. E eu o encontrei. Ansiosa do mesmo jeito.


Sua mão segurou meu queixo, mantendo-me presa nele, enquanto sua língua me consumia. Dare me beijou como se estivesse morrendo de sede e eu fosse a água que dá vida. Ele me tomou, duro e rápido e, em seguida, tomou um pouco mais. E eu o tomei. Com a mesma avidez. Ele deixou meus lábios, beijou do meu maxilar ao meu pescoço, provocando arrepios em todo o meu corpo, que estava acordando em lugares que tinham estado adormecidos desde o dia em que ele deixou. Pulsos de prazer passavam por mim, aquecendo a minha pele e deixando-me molhada de desejo. Ainda sem dizer uma única palavra, ele agarrou a camiseta que eu estava vestindo e rasgou-a bem no meio, expondo-me a ele. Sua boca encontrou os meus seios, lambeu e beijou ao redor deles, enlouquecidamente chegando cada vez mais perto dos meus mamilos. Quando ele finalmente os reivindicou, chupando, mordendo, fazendo-me doer por ele, eu gritei e arqueei as costas, esfregando meu núcleo latejante contra ele. Eu puxei a camisa dele, precisando sentir sua pele contra a minha, precisando

sentir tudo dele. Ele

puxou-a

pela

cabeça

e

jogou-a

no

chão. Sobrecarregada pela visão dele, corri minhas mãos sobre o peito e estômago, acariciando cada cume do músculo duro. Ele me observou enquanto eu o explorava, seus olhos ficando mais escuros ainda. Sentir a familiaridade dele em minhas mãos era quase demais para suportar. Eu levantei meus quadris para pressionar contra ele de novo, e seu olhar disparou em linha reta para a minha calcinha. Ele tomou um fôlego fundo e afiado e passou a mão pelo meu estômago, os dedos deslizando nas rendas, conforme ele se inclinava e tomava um mamilo em sua boca, e depois o outro, lambendo e provocando os botões apertados. Deixando os meus seios, beijou e mordeu embaixo, no centro do meu peito e no estômago, em seguida, estendeu a sua outra mão para puxar a minha calcinha, jogando-a para baixo, ao lado da sua camiseta. Seus beijos ficaram mais ásperos e mais ferozes quando ele fez o seu caminho ao longo da parte interna da minha coxa, permaneceu bem acima da


minha dor sem me tocar, e arrastou um caminho de beijos para o outro lado. Então ele fez isso de novo. E mais uma vez. Quase como se ele estivesse me punindo por propositalmente me privar dele. A próxima vez que ele fez uma pausa no meu centro pulsante, eu teci meus dedos em seus cabelos escuros e levantei-me até sua boca. Sua língua estalou para fora e me lambeu. Uma vez. Duas vezes. Três vezes. Então ele abaixou-se, me levou em sua boca quente, molhada, e chupou. E eu fiquei completamente perdida, totalmente absorvida por ele. A sensação rítmica da sua boca no meu clitóris enviava rajadas elétricas, que espalhavam para fora do meu núcleo, construindo a uma taxa febril que pulsava através do meu corpo. Eu estava quase no momento de explodir em chamas quando ele afastou a boca, deixando-me uma massa crua, contorcendo-me confusa, doendo de tanto desejo. Eu olhei para ele, implorando com os meus olhos pelo alívio que só ele poderia dar, mas ele tinha saído da cama para pegar um preservativo na mesa de cabeceira. Ele deslizou para fora da cueca, sua ereção tão tensa e enorme que causou uma vibração totalmente nova dentro de mim. Cada músculo em seu corpo era o seu próprio trabalho magistral de arte, tão belamente esculpido, ele parecia quase irreal. Tão irreal quanto o que estava acontecendo agora neste quarto. Um pequeno suspiro de alívio me escapou quando ele voltou para o meu lado. Eu não queria ficar separada dele. Nunca mais. Dare era a minha resposta para um período de três anos longos de apelo, um fogo que acendia sentimentos e emoções depois de uma vida inteira de frio, dura, vazia. Ele causava estragos em meu corpo, mas acalmava a minha mente e curava a minha alma. Eu precisava dele. Tanto. E eu queria ter certeza que ele soubesse disso. Antes que ele tivesse a chance de desembrulhar o preservativo, cheguei nele, enchendo minhas mãos com a sua dureza, correndo os lábios sobre o veludo quente e suave da sua pele. Mesmo na penumbra eu podia ver seus olhos piscarem perigosamente, mas ele não resistiu, permitiu-me a deslizar minha língua sobre ele e levá-lo em minha boca.


Deus, eu tinha esquecido o quão gostoso ele era, como era perfeito. Levei-o mais profundamente em mim, ao mesmo tempo mantendo o meu olhar fixo no dele. Seu maxilar cerrou e suas mãos agarraram ao lado dele, como se estivesse tentando resistir à vontade de agarrar meu cabelo e agitar o ritmo na minha cabeça. Eu recompensei sua preocupação lambendo-o e chupando mais rápido, tomando tanto dele quanto eu podia. Sua cabeça caiu para trás e ele gemeu, seus quadris começando a se mover comigo. Mas então ele parou de repente, agarrou meus ombros, afundando seus dedos, e me empurrou de volta para os travesseiros. Meu coração afundou com a brutalidade, sentindo a rejeição no fundo da minha alma, até que ouvi o som de papel alumínio rasgando. Um olhar para Dare apagou toda a preocupação e aumentou minha pulsação em dez graus. Ele abriu o pacote de preservativo com os dentes e colocou. Antes que eu tivesse a chance de fazer um movimento, ele abriu bem as minhas pernas e enterrou o comprimento duro em mim, sem hesitação. Gritei tanto de prazer quanto de dor por estar tão próxima, apertada, cheia de Dare. Ele segurou meus quadris com as duas mãos e empurrou para dentro de mim uma e outra vez, como um homem possuído por necessidade, completamente fora de controle. Eu engasguei com a sensação dele, tão duro e quente e profundo dentro de mim. Revirando os quadris ele bombeou lentamente uma, duas vezes, em seguida, gemeu e começou a se mover mais rápido e mais duro, como se não pudesse evitar a sua necessidade por mim, como se estivesse funcionando brutalmente, com instinto primal. Seus olhos arderam em mim enquanto ele me levou cada vez mais alto, aumentando a intensidade dos seus movimentos. Era quase como se todas as emoções enjauladas que ele segurava por trás daquela profundidade, do olhar insondável, estourasse e o engolisse, atirando para fora de seu corpo e para dentro do meu. Neste momento, Dare possuía cada pedaço de mim, todos os meus sentidos e pensamentos, cada pedacinho da minha felicidade e dor.


E ele sabia disso. Seu corpo se fundiu com o meu, seus olhos me aprisionaram, sua boca me consumiu, seu cheiro encheu as minhas narinas, seus sons inundaram meus ouvidos. Cada impulso me levava para mais e mais perto do orgasmo, até que meu corpo estava formigando inteiro e prestes a estourar com uma vingança que era de três longos anos de atraso. Sentindo meu orgasmo se aproximar, os dedos de Dare enfiaram no meu cabelo, o seu ritmo acelerou para coincidir com a batida do meu próprio coração. Minhas mãos agarraram suas costas e minhas unhas cravaram em sua pele quando ele trouxe sua boca para baixo, sobre a minha novamente, esmagando e impaciente, nossas línguas degustando um ao outro, conforme atingíamos o clímax juntos. Luzinhas estouraram como fogos de artifício atrás das minhas pálpebras quando o orgasmo me atravessou. Meu corpo inteiro formigou. Da cabeça aos pés e todo o resto. Eu não me sentia tão viva em tanto tempo. E eu NUNCA tinha sido tão completamente reivindicada e devorada por uma outra pessoa da maneira que Dare me consumiu. Esgotado, ele caiu em cima de mim, a respiração pesada, o corpo brilhando, com um leve brilho de suor na luz suave que se infiltrava através da janela. Eu passei meus braços e pernas ao redor dele, não querendo soltar, mas sabendo que eu eventualmente precisaria. Nossa respiração se acalmou e Dare se moveu. Eu relutantemente o soltei e ele se levantou, parando em cima de mim. Olhei para cima para encontrar seus olhos escuros perfurando os meus. Lá estava ela de novo, aquela expressão em seu rosto que eu não sabia como interpretar. Era cheia de palavras não ditas... tudo. Raiva. Dor. Tensão. Desejo. Nenhum de nós falou. Talvez, como eu, ele temia que as palavras pudessem quebrar esse transe enlouquecedor em que estávamos. Levantou-se,


atravessou o quarto para se livrar do preservativo, então voltou e entrou debaixo das cobertas. Eu não tinha certeza de qual caminho tomar, se ele iria querer dormir sozinho em seu lado da cama, mas, em seguida, ele estendeu a mão para mim, me puxando para a curva do seu corpo, pele com pele, e me segurando firme contra ele. Eu fechei os olhos, mas as lágrimas deslizaram para fora novamente. Silenciosa. Assustada. E grata. Quando adormecemos.

eu

finalmente

relaxei

em

Dare

novamente,

nós

dois


Capítulo Seis

O

sol me acordou,

brilhando pela janela, enchendo o quaro de Dare com a luz brilhante da manhã. Nós não havíamos nos movido o resto da noite, e ainda estávamos aninhados, o corpo dele tão quente e vivo contra o meu. Eu apertei o braço dele, abraçando-o junto ao peito, saboreando a sensação da sua nudez. E eu suspirei, feliz, verdadeiramente feliz, pela primeira vez no que parecia uma eternidade. Eu era inteira aqui de novo com Dare. Bem. Completa. Ele se mexeu atrás de mim e eu me aninhei um pouco mais. Mas, então, ele endureceu. E o meu coração despencou, fugindo do meu corpo inteiramente. Sem uma única palavra, Dare puxou o braço que estava enrolado em mim e rolou para longe, sentando na beira da cama. Virei-me para ver, enquanto ele esfregava as mãos sobre o rosto, então, inclinava para pegar a calça jeans e rapidamente deslizar sobre elas. Ele nem sequer deu um único olhar na minha direção. Fechei os olhos e empurrei para longe a dor no meu peito, agora vazio. É claro que era desta forma. Por que eu esperaria outra coisa?


— Você deve se vestir e ir. — ele disse da porta, com um braço em cima da moldura, de costas para mim. — Eu tenho que trabalhar. Sentei-me, segurando o lençol no meu corpo, sentindo-me muito nua na luz do dia. Deus. Eu não tinha pensado sobre isso ontem à noite. De jeito nenhum. Ficar aqui, acordar com ele. Ir embora. Eu não queria sair. Mas eu não podia ficar. Ele não me queria mais. Porra. Dare não se virou, como se ele não pudesse sequer suportar a minha visão na cama dele, e depois de um momento, ele começou a se afastar. — Mas... — eu disse, sem acreditar muito que estas palavras estavam saindo da minha boca. Quantos caras tinha dito isso para mim? Karma era uma cadela vingativa. — Mas... e sobre a noite passada? — foi tudo o que eu pude fazer para não estremecer. Eu era tão fodidamente patética. Ele se virou e olhou para mim, em seguida, eu imediatamente desejei que ele não tivesse. Seu rosto estava sem emoção, seus olhos de pedra eram indiferentes. — Ontem à noite? — ele balançou a cabeça. — Ontem à noite foi um erro. Isso não acontecerá novamente. As palavras duras bateram no centro morto, e eu podia sentir o aumento da raiva em meu peito. Eu me arrastei para fora da cama, o lençol mal colocado ao meu redor e furiosa. — Você sabe o que? Eu não pedi por ontem à noite. Eu não pedi sua ajuda. Eu vou estar fora do seu caminho em cerca de cinco minutos. Três. — eu disse enquanto arrebatava meu vestido e calcinha do chão. — Se você sair da merda da porta e deixar-me chegar ao banheiro. Claro, eu não tinha ideia de onde eu estava indo. Eu teria que voltar ao apartamento para pegar minhas coisas, se Deus quiser Lucien já teria ido


trabalhar há muito tempo, e eu precisaria de um lugar para colocar tudo. Um albergue talvez, até que eu pudesse encontrar algo mais permanente. Foda-se, este dia estava parecendo ainda pior do que ontem. Se isso fosse mesmo possível. Andei em direção ao Dare e ele olhou por um momento antes de se mover para o lado. Passando por ele, eu quase perdi o meu domínio sobre o lençol, mas agarrei-o com mais força, puxando-o em torno de mim com minha outra mão. Quando eu estava prestes a entrar tempestuosamente no banheiro, ele falou. — Há um apartamento neste edifício. — O que? — eu me virei para encará-lo novamente. — Está disponível. — ele disse, quase com relutância. Porque ele não queria me irritar ou porque ele não queria que eu morasse no prédio dele? Eu não sabia, e, francamente, eu não me importava. — Eu poderia falar com o proprietário, te apresentar. Você precisa de um novo lugar para ficar, certo? — Eu não preciso da porra da sua caridade, Dare. Eu posso resolver as coisas por conta própria. Corri para o banheiro e tentei bater a porta tão forte quanto pudesse, mas ele foi atrás de mim e estendeu a mão para detê-la no meio do caminho. — Não é caridade. — sua voz flutuou pela porta entreaberta, baixa e firme. — É a coisa certa, e você sabe disso. Você não pode viver com aquele verme. Você precisa de um novo lugar e não há ninguém aqui. Pegue-o, Reagan. Eu não vou oferecer de novo. — liberando a porta, ele se virou e foi embora. E me deixou sozinha. Mais uma vez.


Quando abri a porta da La Périod Bleue naquela tarde, o sorriso torto de Lucien me cumprimentou como se nada tivesse acontecido na noite passada. — Bonjour, chérie! Eu não te vi esta manhã. Você está bem? — na verdade, ele teve a audácia de parecer preocupado. Eu coloquei minha mão em seu peito e saí do seu alcance quando ele se inclinou para frente para tentar pressionar sua bochecha na minha em um cumprimento frio. Ele arregalou os olhos por um momento antes de estreitá-los com o insulto. Tanto faz. Babaca. — Je vais déménager. — eu disse. Eu estou me mudando. — Apenas pensei que você deveria saber. Seu rosto endureceu um pouco e seus olhos foram para a porta atrás de mim, que abria. — Bonjour! — ele gritou para o jovem casal que entrou. — Un moment. — só um momento. Então, ele se concentrou em mim de novo, se adiantou e deslizou os dedos em volta do meu cotovelo, puxando-me com ele em direção ao escritório. — Devemos falar sobre... Arrancando meu braço da sua mão, eu olhei para ele. — Está feito. Deixeme sozinha. — eu balancei a cabeça em direção aos clientes. — Vá. Você tem trabalho, e eu também estou indo explorar. Eu voltarei quando encontrar algo apropriado para a galeria. Então eu me virei e fui embora, ignorando sua expressão chocada. Eu não tinha que fazer bonito para Lucien. Não era para isso que eu estava aqui. Ele não merecia isso de qualquer maneira. Na rua eu respirei fundo, os aromas de flores do final da primavera enchendo meus pulmões. Sentindo-me um pouco mais livre de novo, eu comecei


a andar. Quanto mais longe ficava da galeria e Lucien, melhor eu me sentia e mais fácil era respirar. Claro, isso era apenas um problema resolvido. Havia muitos mais para enfrentar. Mas o que foi que disse? Um dia de cada vez? Caramba. Eu queria todos concluídos em um dia. Mas eu não vivia mais naquele tipo de mundo. Esse era o mundo dos meus pais, contanto que você estivesse disposto a pagar o suficiente, você podia simplesmente estalar os dedos e ter uma lista de desejos realizados em um único dia. Qualquer problema podia ser resolvido no tempo que levava para assinar um cheque. Inferno, com o dinheiro do meu pai, ele podia até mesmo fazer os problemas desaparecem. Assim mesmo. Ele até fez isso com coisas que eu nem considerava necessariamente problemas. Como se fosse uma sugestão, o bolso da minha jaqueta jeans estremeceu quando meu celular vibrou. Eu não me incomodei nem mesmo de olhar para ele. Eu sabia o que me esperava. Havia um par de mensagens de texto de Archer, o amigo mais próximo que eu tinha, mas a maior parte do zumbido era devido às inúmeras mensagens de voz que eu não tinha escutado ainda, cada uma delas dos meus pais. Eu tinha deixado uma nota de despedida para eles que explicava as minhas intenções para o verão, arrumei minhas malas e entrei em um carro para o aeroporto. Sem despedidas. Nada. Eles nunca teriam me deixado sair, se eu dissesse a eles o que estava fazendo, que eu estava escolhendo o meu próprio caminho, pela primeira vez. Eles teriam encontrado uma maneira de me chantagear para ficar. Eles sempre encontravam. Agora, a única maneira de realmente fazer isso era por conta própria, usando o meu próprio dinheiro. E parecia que eu ia ter que fazer isso da maneira mais difícil, um único, lento, dia de cada vez.


— Cecily Annabelle Edwards. — a voz afiada de uma mulher interrompeu meus pensamentos e eu olhei para cima para ver uma mãe e seus três filhos saindo de uma escola cercada. Os dois mais velhos atravessaram a calçada à minha frente e marcharam direto para o Bentley esperando na calçada, mas a menina menor tinha congelado ao som do seu nome. A mulher agarrou seu braço e puxou, fazendo com que o rosto da criança torcesse com a dor. — Uma senhora nunca se senta no chão, Cecily. — ela cuspiu as palavras, enquanto arrastava a criança para a porta do carro aberta, uma garotinha loira, com Mary Janes9 perfeitamente polidos, raspando na calçada enquanto ela tentava segurar-se. — O que as pessoas vão pensar? Apenas os sem-teto se sentam no chão. — Eu estava apenas brincando, mamãe. — Eu não poderia me importar menos com o que você estava fazendo. Seu pai e eu não pagamos um bom dinheiro para você participar de uma escola americana de prestígio e envergonhar-nos, agindo como uma degenerada incivilizada. Quando você vai aprender? — ela empurrou a menina para dentro do carro, entrou e fechou a porta. Arrepios correram pelas minhas costas. A mulher estava penteada com perfeição. Suas roupas eram caras e imaculadas. Seu tom de voz frio e seco. Ela era a minha mãe. A cópia de carbono. Eu assisti o carro sair para o tráfego, vi o rosto da menininha, com o coração partido, envergonhada, conforme ela passava. Ela me olhou com olhos de corça grandes e eu sorri tristemente, esperando que ela soubesse que um dia ela ficaria bem. Algum dia. Sim. Mas algum dia poderia estar a uma vida inteira de distância.

9

Marca americana de sapato.


Depois de uma tarde cheia atravessando Paris e tomando nota de algumas possibilidades para a galeria de Sabine, meus pés doíam e meus joelhos machucados estavam doloridos. E eu ainda tinha que desembalar todas as minhas coisas no meu novo apartamento. Quando eu saí do banheiro naquela manhã, esfriada e mais calma, eu encontrei Dare na cozinha bebendo uma xícara de café. Ele só olhou para mim enquanto eu estava na porta, sem falar, não me oferecendo qualquer coisa. Nem mesmo uma xícara de chá. Foi-se o tempo que ele teria uma caneca fumegante esperando por mim. Obviamente, o conto de fadas tinha terminado. Sem o felizes para sempre. E eu estava presa em pé na porta, ainda chateada, mas precisando da ajuda dele. Foda-me. — Tudo bem. — eu disse. Ele levantou uma sobrancelha, mas não disse nada. — Eu quero o apartamento. — o que eu realmente queria dizer era, eu PRECISO do apartamento. Mas parte de mim não queria admitir o quão eu estava desesperada pela ajuda de Dare. Não depois da maneira como ele agiu. Cruzei os braços e notei que seu olhar foi para o meu peito. O que só me fez pensar em ontem à noite e gerar um novo conjunto de nós no meu estômago. Eu não queria ficar pensando sobre a noite passada. Nunca, se eu pudesse evitar. — Assim, com quem eu preciso falar? Ele colocou o copo no balcão e fez sinal para que eu o seguisse.


Saímos do apartamento dele, e descemos as escadas para o piso térreo. Ele bateu na porta mais próxima da entrada da frente do edifício. Uma mulher de idade curvada abriu, seu rosto iluminando com a visão de Dare. Ela imediatamente estendeu a mão para seus ombros enquanto ele se inclinou para pressionar o rosto no dela, primeiro à direita, depois à esquerda, e falou com ela em francês fluente. Puta merda. Dare fala francês? Quando isso aconteceu? A língua parecia deliciosa em seus lábios, as palavras deslizando suavemente para fora da sua boca e cercando o vestíbulo. Queria respirá-las, absorvê-las. Deus, estava ficando excitada apenas por ouvi-lo. E isso era exatamente o que não deveria estar acontecendo. Lembrei-me claramente das suas palavras. Erro, ele tinha dito. Não acontecerá novamente. Bem assim, minha cabeça clareou, minha mente sentindo a raiva se aproximar. Não acontecerá novamente. Pode apostar sua bunda que isso não acontecerá novamente. Dare fez um gesto para mim, e a mulher olhou com tanto calor em seus olhos, que eu quase tive que dar um passo atrás. — Bonjour. — ela disse. — Je m'appelle Anais. — sou Anais. Então ela me pegou pelo braço e me levou de volta até as escadas para a porta da frente do Dare. Meus olhos voaram para os dele, mas ele propositadamente não estava olhando para mim. Morar em frente a ele? E se o layout do local fosse algo parecido com o seu, isso significava que compartilharíamos uma parede também. Meu coração bateu no meu peito e minhas mãos começaram a suar. Eu não sabia se poderia fazer isso. Ficar tão perto dele. Porque, vamos lá, isso era um pouco demais. Eu tinha imaginado que vê-lo novamente me daria o encerramento que todo mundo sempre se vangloria, mas viver bem ao lado dele


era mais do que eu esperava. Muito mais. Quando ele disse que havia um lugar no edifício, eu estava pensando em outro lugar. Outro andar. Beeeemmm abaixo do corredor. Definitivamente não TÃO perto. Alheia ao meu pânico, Anais destrancou a porta e me levou pelo apartamento, seus cachos prateados brancos capturando a luz da manhã, derramando através das janelas. O local era totalmente mobiliado com um fogão, um sofá estofado, algumas pinturas de Kandinsky10 nas paredes, uma cozinha que ficaria sem uso, uma vez que eu não sabia cozinhar, e um pequeno banheiro igual ao do Dare. O quarto era arejado e claro. Era perfeito pra caralho. Eu tinha que ficar com ele. Quer dizer, obviamente eu tinha que ficar, porque eu não poderia viver com Lucien e eu não tinha mais para onde ir, mas eu TINHA que ficar com ele. Quanto ao Dare estar ao lado? Bem, acho que eu teria que ignorar isso. E esperar que, eventualmente, eu aprendesse a viver com isso. Ele tinha voltado para seu apartamento, enquanto Anais e eu combinávamos o aluguel, ela tinha concordado em apenas abaixo do meu máximo mensal, graças a Deus. Uma vez que eu recebi o meu conjunto de chaves, eu voltei para Lucien, embalei minhas poucas coisas e trouxe. Eu tinha apenas as jogado na sala de estar, trocado de roupa e saído. Mas agora eu estava de volta ao meu novo apartamento, dolorida, cansada, com a necessidade de um chuveiro e comida. E pronta para colocar a minha vida de volta nos trilhos. Mais uma vez.

10

Artista plástico russo, professor da Bauhaus e introdutor da abstração no campo das artes visuais.


Três horas mais tarde, eu estava deitada sozinha no escuro, tentando desesperadamente não pensar sobre a sensação das mãos de Dare vagando em cima de mim, sua língua provocando meus lugares mais sensíveis. Seu toque estava gravado na minha pele. Toda vez que eu fechava os olhos eu voltava à sua cama, contorcendo de prazer, pulsando de desejo. Toda vez que eu os abria, eu estava sozinha. Tão fodidamente sozinha. O sono nunca chegaria neste ritmo, então eu me levantei e peguei meu saco de truques. Um par de comprimidos para ajudar no relaxamento e metade de uma garrafa de vinho para colocá-los para baixo, ainda não apagou Dare da minha mente. Apesar de tudo, eu estava me sentindo ainda mais irritada. Eu praticamente podia vê-lo pairando acima de mim, com os olhos brilhando na escuridão, tão cheio de necessidade crua e pura ganância. O fato de que eu sabia que ele estava perto, apenas do outro lado da parede, só torvava muito pior. Ontem à noite tinha sido uma viagem para o céu, apenas para ser mergulhada direto nos abismos do inferno, esta manhã. Eu não tinha certeza se Dare tinha me desejado ou se ele simplesmente quis me punir. Talvez ambos. A maneira como ele me beijou, me tocou, me fodeu... Deus. Eu não tinha pensamentos que não se relacionavam com ele. E o sexo. Ok, eu poderia fazer isso. Eu poderia durar os 20 minutos que levariam para as pílulas fazerem efeito. Olhei para o relógio. Dezenove minutos e meio. Minha mão deslizou para o meu estômago... Dare. ... e os meus dedos viajaram para baixo... Dare, Dare, Dare.


... escorregando para baixo, na frente do meu short de pijama. Porra. Eu precisava de uma distração. E talvez outra bebida. Envolvendo um manto em torno de mim, eu saí do meu quarto e caminhei descalça em toda a área de estar densamente acarpetada. No meio do caminho para a cozinha, eu parei, a cena do lado de fora da janela pegando meu olho. Paris estava iluminada, brilhando como uma terra mágica apenas esperando para ser explorada. Pelo que pareceu uma eternidade, eu olhei para as luzes brilhantes e as ruas que eu conhecia tão bem. Eu amava tanto esta cidade. Eu sempre quis viver aqui, e agora eu morava. Claro, apesar da minha vida estar ferrada no momento, eu estava morando em Paris. Algumas coisas estavam certas. Minha cabeça estava começando a nadar daquela maneira deliciosa que sempre acontecia quando os comprimidos e bebidas pegavam. Todo o meu corpo relaxou em um peso de sonho, e eu me senti um pouco tonta. Bom. Eu estava à beira do esquecimento abençoado. Hora de deitar. Tentei caminhar ao redor da mesa ao lado para voltar para o meu quarto, mas eu perdi alguns passos e acabei batendo em uma lâmpada. Ela vacilou e caiu, mas eu estava muito fascinada para fazer qualquer coisa sobre isso, exceto ver como ela caía em câmera lenta, no chão com um fantástico, acidente colorido. Oh, uau. Agora, o quarto estava girando. Passei por cima dos pedaços quebrados e arrastei para o sofá. Era tão suave e macio, e tão certo para aconchegar e cair direto para dormir. Logo que a minha cabeça bateu nas almofadas e os meus olhos estavam se fechando, houve uma batida forte na porta. Dare disse: — Reagan?


Olhei para a porta e acenei, cansada demais para formar palavras. Ele bateu de novo. Mais alto. — Você está bem? REAGAN?! Eu queria dizer-lhe que estava tudo bem, mas minha boca não queria trabalhar, meus olhos não queriam permanecer abertos por mais tempo. Onde diabos esteve esse sentimento, há dez minutos quando eu precisei? Houve um estrondo e a porta se abriu. A forma alta de Dare encheu a porta, delineada pela luz derramando do corredor. Ele olhou ao redor da sala, pegou na lâmpada esmagada e disse: — Que merda está acontecendo aqui? Você está bem? Então, ele estava ao meu lado, de cócoras para que pudéssemos ficar cara a cara. Eu podia sentir seu hálito quente na minha pele, então eu abri meus olhos e estendi a mão para tocar sua bochecha. — Você tem um rosto tão bonito. — eu disse com uma risada suave. Seus olhos endureceram. — Jesus. Você está... drogada? Eu balancei a cabeça. Em seguida, balancei a cabeça ao ver a expressão no rosto dele. — Não conseguia dormir. Só precisava de uma ajudinha para relaxar. — eu apontei para fora da janela. — Eu amo Paris. Você não ama Paris? — Sim. — ele olhou para mim, parecendo que queria dizer algo mais, mas meus olhos começaram a fechar novamente e ele suspirou. Senti seus braços deslizarem sob as minhas pernas e nas minhas costas, e depois fui levantada para o céu. Eu passei meus braços em volta do pescoço, encostei minha cabeça em seu ombro e o absorvi. Ele me levou para o meu quarto, gentilmente, me colocando sobre a cama. Eu aconcheguei nas cobertas e senti a força da terra puxar ao longo de todo o meu corpo. Tudo estava uma confusão na minha mente, se misturando e movendo ao redor. Meus pensamentos eram nebulosos, todo o meu corpo frouxo e quente. Eu adormeci, minha mente atada com Dare.


Capítulo Sete

A

luz mal vazou

pelo quarto quando eu acordei na manhã seguinte. Eu respirei fundo, tentando me livrar do zumbido no meu cérebro. Piscando algumas vezes, olhei em volta. As cortinas estavam fechadas, o que era estranho, porque eu sempre as deixava abertas, e o layout do quarto não parecia muito certo. Por um momento, eu tinha certeza de que estava condenada a uma caminhada parisiense da vergonha, embora eu não tivesse nenhuma lembrança de sair que na noite passada. Mas eu mudei ontem, lembrei. Este era o meu novo apartamento. Ontem à noite eu tinha desempacotado e... — Então, você está finalmente acordada, Princesa. Meu olhar voou para o outro lado do quarto, onde Dare estava sentado em uma cadeira estofada verde escura. Seu cabelo estava uma bagunça, com os olhos injetados de sangue, e ele estava revirando os ombros e pescoço com um estremecimento, como se tivesse passado a noite inteira nessa cadeira. Merda. Ele passou a noite toda aqui? — O que...? — eu comecei a dizer, quando me sentei, mas ele me cortou. — Que PORRA você está pensando? — ele sentou-se para frente, os cotovelos sobre os joelhos, e olhou para mim. — Você está louca, caralho?


Eu balancei a cabeça, tentando lembrar o que tinha acontecido na noite passada, mas deu branco. Claro, o Ambien11 tinha me deixado maluca, mas o que eu tinha feito para deixá-lo com tanta raiva? — Como você pode ainda estar tomando essas malditas pílulas? — meu pequeno frasco laranja estava em sua mão e meu coração parou. Parte de mim estava com vergonha e a outra parte estava em pânico que ele as levasse. Ele balançou o frasco para mim antes de jogá-lo por todo o quarto. Em seguida, ele pegou uma garrafa de vinho do chão. — E com álcool? Você é REALMENTE tão estúpida, Reagan? Por um momento, eu me perguntei se ele ia jogar isso também. Mas, em seguida, suas palavras afundaram. Meu maxilar cerrou e eu estreitei os olhos para ele. Ele não tinha o direito de me chamar de estúpida. Nenhuma porra de direito. — OLHE... — Não, olhe você, Reagan. Você quase MORREU há três anos. Você entende isso? A última vez que te vi, você estava deitada em uma cama de hospital parecendo merda e com sorte pra caralho por ainda estar respirando depois de toda a porcaria que você engoliu. E... — ele parou, e começou a caminhar pelo quarto como se estivesse procurando as palavras certas, mas não conseguiu encontrá-las. Então ele parou e seu rosto perdeu a dureza. Ele foi atenuado com tanta dor que eu quase engasguei. —... aquilo quase me matou. Se você tivesse morrido... — ele balançou a cabeça, e toda a dureza voltou novamente. — E você ainda está usando? Você está brincando comigo? Você é mais esperta do que isso. — então ele parou e olhou para mim de novo, fogo queimando em seus olhos. — Pelo menos eu pensei que fosse Reagan. Ele não ia jogar isso na minha cara. Foda-se.

11

Sedativo.


Tentei embaralhar para fora da cama, mas os lençóis estavam emaranhados nas minhas pernas. Quanto mais eu os puxava, mais raiva eu ficava. Até o momento que eu tinha me livrado das cobertas e meus pés tocaram o chão, eu estava enfurecida. — A Reagan que você conhecia? Quer dizer REE? — eu ri. Ri de verdade. Sem alegria, sem humor. Pareceu tão vazia e fria como a voz da minha mãe. — Oh, isso é LINDO, Dare. Ela está muito longe. A Reagan que você conheceu não existe mais. Ela morreu quando você a deixou. — Eu?! — suas sobrancelhas se ergueram até a linha do cabelo, enquanto ele apontava para o peito. — Você está me culpando? Você não me queria. Você fez a sua escolha. Alta e clara. — E eu estava errada! — eu joguei minhas mãos para o ar, meu coração batendo contra o meu peito. Deus, eu queria tanto estrangulá-lo. — Jesus, eu estava na porra do hospital cercada por minha família, o dedo do meu pai pairando sobre telefone dele, pronto para te destruir se eu dissesse qualquer coisa. O que você esperava que eu fizesse? Eu estava tentando protegê-lo! — Não, você está certa. — Dare disse, seus olhos brilhando. — Por que eu esperaria que você lutasse por mim como eu teria lutado por você? — Lutar por mim? — minha voz subiu de tom e volume. — Você teria lutado por mim? Isso foi antes ou depois de não retornar nenhuma das minhas mensagens? Isso foi antes ou depois que você saiu sem dizer adeus? Sem me dizer para onde você foi? Ele parou em seguida. Procurou meu rosto quando a verdade do que tinha acontecido ficou clara para ele. — Eu liguei para você. — eu disse. — Eu mandei mensagens para você. Durante SEMANAS. Eu escapei para a sua exposição na galeria para vêlo. Para te dizer. — lágrimas ardiam atrás dos meus olhos, mas eu empurrei-as de volta e respirei fundo. — Para estar com você, ir para onde você fosse.


Dare ficou congelado no lugar, com a testa franzida, com os olhos ardendo nos meus. E então ele fechou a distância entre nós, pegou meu rosto em suas mãos e esmagou sua boca na minha. E eu estava viva novamente. Eletricidade ricocheteava através do meu corpo, me fazendo formigar da cabeça aos pés. Abri meus lábios, provando-o avidamente enquanto minhas mãos agarraram punhados da sua camiseta branca para puxá-lo para mim, raiva e desejo alimentando igualmente os meus movimentos. Ele parecia estar operando em um misto de fúria e necessidade equivalentes, quando suas mãos deslizaram em meu cabelo, sua língua emaranhou rudemente na minha. Uma dor começou a pulsar entre as minhas pernas e expandiu-se em uma necessidade palpitante que corria em cada parte do meu corpo, inflamando o meu sangue até que tive certeza que o fogo ardia em minhas veias. Mordi o lábio, puxando-o entre meus dentes e soltando a sua camisa para afundar meus dedos em suas costas. Eu abri minhas pernas querendo senti-lo contra o meu núcleo quente, dolorido e ele agarrou minha bunda, levantando as minhas pernas para envolver nele. Sua pele estava quente e suave, seus músculos duros sob o meu toque. Ele beijou-me de forma áspera e dura, com raiva, tomando tudo que eu estava mais do que disposta a dar, possuindo cada parte de mim. Ele nos empurrou para frente até as minhas costas baterem na parede, pressionando tanto contra ele, como conseguia. E ainda não foi o suficiente. Para ele ou para mim. Eu puxei seu cabelo e balancei os quadris para frente e fui imediatamente recompensada com a ereção dura pressionando contra mim. Eu gemi ao sentilo, minha calcinha encharcou instantaneamente. Neste momento, eu o queria mais do que qualquer coisa em minha vida. Mas houve uma batida forte no corredor, e de repente ele parou e se afastou. Sua cabeça inclinou em direção à porta, escutando. Alguém gritou o nome dele.


Uma mulher. Dare me abaixou e se afastou, gemendo enquanto corria os dedos pelo cabelo. — Merda. — ele disse em voz baixa, e limpou a boca com a palma da sua mão, como se estivesse limpando o meu beijo. Olhando para mim, com o peito arfando, ele balançou a cabeça. — Eu não posso fazer isso com você, Reagan. Eu não vou. Então ele se virou e saiu do quarto. Fiquei olhando para ele, ouvindo a minha porta abrir e, então, o clique ao fechar. Nesse meio tempo, eu ouvi o som encantado de uma mulher cumprimentando-o. Mon amour, ela o chamou. Meu amor. Minhas pernas cederam e eu deslizei pela parede até o chão, mas o meu coração continuou, saindo do meu corpo e para baixo, até que estivesse tão profundo que eu não podia recuperá-lo. Por que eu estava fazendo isso comigo? E por que, em nome da merda que eu não conseguia resistir? Ele era como o pior tipo de dependência à droga mais incrível que já usei. Eu sabia que precisava me livrar deste hábito se eu fosse seguir com a minha vida... eu só não sabia se podia. Ou, se eu queria.


Capítulo Oito

A

s

próximas

duas

semanas se arrastaram, pontuadas apenas pelas minhas poucas, conversas tensas com Lucien sobre os artistas que eu estava achando, e uma procissão crescente de mulheres que entravam e saíam do apartamento de Dare todas as noites depois que eu chegava em casa. Cada. Noite. De. Merda. Eu cruzava com elas nas escadas ou as ouvia rindo no corredor enquanto procurava artistas online. Eu até mesmo encontrei com Dare e a-mulher-do-dia, quando saí para comprar o jantar um par de vezes. Ele estava em todo lugar. Na minha mente, no prédio, na rua. Em todos os lugares, exceto na minha vida. E doía. Drenava a vida que me restava. O que me fazia pensar, que eu praticamente ferrei com essa coisa de encerramento. Ou isso, ou era um monte de merda. Mas esta noite, estranhamente, tudo estava quieto. Nenhuma mulher, nenhum som vindo do apartamento dele. Pela primeira vez, eu senti como se eu pudesse relaxar e abaixar a minha guarda.


Fechei meu laptop, conectado e deixei-o sobre a mesa. Então eu fui até a cozinha para pegar um copo de vinho. E foi quando as luzes se apagaram. Tudo apagou. O apartamento foi lançado em trevas, e eu congelei. Muito escuro. Estava muito escuro. Nenhuma luz vinha das ruas, sem luar brilhando através das janelas. O mundo à minha volta estava apenas preto. Como uma adega, escura e fria. Meu coração começou a martelar, e eu respirei fundo. Respirações profundas deveriam ajudá-lo a se acalmar, certo? Mas depois de algumas delas eu tinha certeza de que o conselho era um pote de merda também, porque eu não estava me sentindo calma DE JEITO NENHUM. Na verdade, meu coração estava batendo para sair do meu peito, conforme ondas de pânico me inundavam, ameaçando me afogar. Mãos. Eu podia sentir as mãos dele. Eu balancei meu braço ao meu redor, derrubando a garrafa de vinho no chão com um estrondo. Ninguém estava aqui. Ninguém estava aqui. Meu pulso levantou voo. Eu lutei para respirar, enquanto meus pulmões gritavam por ar. Com cada respiração rápida, tensa, parecia que nenhum oxigênio entrava no meu corpo e eu ficava mais aturdida. Ninguém aqui, ninguém aqui, ninguém aqui. É claro que ninguém estava aqui. Eu estava sozinha no meu apartamento em Paris. Pelo menos eu achava que estava. E eu precisava sair, onde eu pudesse respirar, antes que eu começasse a gritar.


Estendendo minhas mãos para frente, eu tropecei para fora da cozinha, sentindo a parede, correndo em direção à porta. Eu não estava sendo cuidadosa, eu não tinha tempo para ter cuidado. Eu precisava sair. Ele sussurrou algo no meu ouvido. Calafrios arrepiaram a minha pele. Eu me virei, mas não consegui ver nada. Eu dei um passo, tropecei e comecei a cair, meus braços esticados à frente. Pousei duro e algo caiu no chão ao meu lado. Era ele. Ele estava aqui. Os gritos saíram com uma vontade própria, quando eu fechei os olhos e chutei para o nada. Eu agarrei o meu caminho em direção à saída, no escuro como breu, arranhei a maçaneta, abri a porta e corri para o corredor igualmente escuro. E bati direto nele. Oh, Deus. Seus braços vieram ao meu redor, me segurando parada, prendendo-me no escuro. Com ele. Eu debatia, chutando, tentando me libertar, mas ele me segurou firme. Meus gritos viraram soluços quando percebi que não conseguiria fugir. Mais uma vez. Mas eu não ia parar de lutar. — Reagan, sou eu! Acalme-se. Você está bem. — Dare disse. — Ai! Porra, isso dói. Dare?! Não... — REAGAN! — ele gritou, balançando meus ombros suavemente. — Você está segura. Eu tenho você.


Eu inalei... e cheirava a pintura a óleo, arte, carvão vegetal e grafite. Realmente era Dare. Eu estava em seus braços. Segura. — Olha. — ele disse. Houve um pequeno estalo e seu rosto estava iluminado. — Sou eu. Você está bem. Olhei para ele por um momento longo e silencioso, meus olhos bem abertos, meu pulso selvagem abrandando conforme minha visão era preenchida com ele. Finalmente, eu podia respirar novamente. Olhei ao redor do corredor, a porta dele estava aberta e eu podia ver a luz âmbar fraca piscando nas paredes. Velas. Ele tinha acendido velas. Eu estava bem. Tudo tinha sido apenas a minha imaginação. Graças a Deus. Minhas mãos começaram a tremer e o resto do meu corpo seguiu o exemplo. — Hey. — Dare levantou meu queixo, a testa enrugando em preocupação. — Jesus. Isso realmente a assustou. Você está bem? Eu balancei a cabeça, olhando para a porta do apartamento e as trevas lá dentro. Eu não queria voltar para lá sozinha. Eu passaria a noite inteira fora, na rua, até que a energia voltasse, se precisasse, mas eu não ia voltar para lá. Não até que houvesse luz. Como se estivesse lendo minha mente, Dare disse: — Vamos lá. — e gentilmente me puxou para o seu apartamento. Velas tremulavam na mesa de centro e no balcão da cozinha. Dare guioume até o sofá, me sentou, em seguida, foi para a cozinha. Ele voltou um momento depois com uma garrafa de tequila e dois copos de shot. Sem dizer uma palavra, ele derramou e me entregou um. Engoli imediatamente.


A queimadura fez meus olhos lacrimejarem e eu podia sentir o calor se espalhando pelo meu sistema, como se o calor do álcool já estivesse fluindo em minhas veias. Dare ergueu a garrafa em uma oferta silenciosa de mais, mas eu balancei minha cabeça. Um deles era o suficiente. Dessa vez. Além disso, eu já podia sentir os efeitos calmantes. Se eu voltasse para o meu apartamento, pegaria as minhas pílulas. Olhei para Dare, perguntando se ele sabia disso. Se ele sabia o quanto eu as queria agora. O quanto eu precisava delas. Ele estava olhando para mim intensamente, a resposta para a minha pergunta gravada no sulco da sua testa. — Então...? — ele disse. — A escuridão ainda incomoda. — Algo assim. — eu puxei meus joelhos até meu peito e passei meus braços em torno deles. Eu não falaria com ele sobre isso. Eu não contaria para ninguém. Nunca mais. As duas pessoas que eu havia dito, meus pais, tinham falhado comigo. Não. Não apenas falhado. Eles tinham me traído. Da pior maneira possível. — Você quer conversar... — Não. — por favor, não. Eu não podia sequer pensar nisso. Não há necessidade de despertar demônios de sete anos de idade agora. Um músculo no maxilar de Dare estalou. — Reagan, obviamente há alguma coisa... — Não é problema seu. — eu disse, minha bochechas corando. Por que ele estava forçando isso? Por que ele estava fingindo se importar? Ele não me queria. — Você deixou isso perfeitamente claro. — Reagan.


— Apenas não esta noite, ok? Serviu-se de outra dose, bebeu e colocou o copo sobre a mesa antes de responder. — Bem. Eu suspirei. Um silêncio tenso esticado entre nós. Finalmente, eu quebrei porque não aguentava mais. — Como está a sua família? Onde estão eles agora? Dare recostou na cadeira e olhou para mim do outro lado da mesa. — Califórnia. Nós mudamos para lá, de Nova Iorque, há três anos para ficar o mais longe possível. Opa. Soco no estômago. — De mim? — eu disse, minha voz calma. Ele realmente tinha me odiado tanto? — Do meu pai. — ele falou. — Nem tudo é sobre você, Princesa. Eu olhei para ele duro. — Mas aquilo foi. Você estava ficando longe de mim, também. Ele remexeu seu maxilar, apertando e soltando-o algumas vezes antes de assentir. — Como está sua mãe? — eu perguntei. — Igual. Ela é... mãe. — E Dax e Dalia? Com a menção dos nomes deles, ele se iluminou. Um pequeno sorriso em seus lábios enquanto seu olhar caiu para suas mãos. Seu rosto se encheu com calor que eu não via há muito tempo. Deus, eu tinha sentia tanta falta disso, e eu nem tinha percebido até que eu o vi novamente. Mas esse tipo de luz só vinha com aceitação. Ele claramente a sentia com seu irmão e irmã, o que apenas acentuava o buraco morto frio da minha vida, onde esse sentimento deveria estar.


Eu pertencia a lugar nenhum, com ninguém. Eu tinha rompido com a minha família, onde eu nunca tinha pertencido, em primeiro lugar, e agora eu estava por conta própria, mais sozinha do que nunca. Eu tinha Sabine, é claro, torcendo por mim, lá de Nova Iorque, mas além dela? Archer. Nós conversamos algumas vezes desde que eu tinha chegado aqui, mas ele continuava tentando me convencer a voltar, ir para a faculdade de direito e viver a vida que eu não queria. Ele não entendia. Mas Dare? Ele tinha tudo que eu queria. Ele era tudo o que eu queria. E eu era tudo que ele não queria. Deus, eu estava tão fodida. — Eles estão bem. — ele disse, trazendo a minha atenção de volta para ele. — Dax ganhou uma bolsa de futebol para UCLA12 e Dalia trabalha em LA e está estudando atuação. — Atuação? Isso é ótimo. — eu definitivamente poderia ver Dalia no palco ou na tela, esse tipo de papel parecia ser o ajuste exato para ela. Fazia tanto tempo desde que me permiti pensar sobre os gêmeos, parecia agridoce ouvir falar deles agora. — Eu estou tão feliz por ouvir que as coisas estão indo bem com eles. Dare abriu a boca, então fechou novamente como se ele estivesse tentando decidir se diria alguma coisa. Depois de um par de falsos começos, ele finalmente disse: — Eles estão vindo para visitar. — Sério? — eu não consegui tirar o sorriso do meu rosto ou impedir a felicidade de inundar meu coração. Eu sabia que não deveria ficar tão animada sobre isso, porque quem sabia como eles se sentiam sobre mim depois de todo esse tempo, mas eu não pude evitar. — Quando? — Em um pouco menos de três semanas.

12

Universidade da Califórnia em Los Angeles.


— Isso é tão... uau. — eu olhei para ele, mordendo meu lábio inferior. — Eu realmente gostaria de vê-los quando eles chegarem. Se estiver tudo bem. Quer dizer, eu tenho certeza que vocês têm planos. Você vai levá-los a lugares? Viajar? — Não. — ele balançou a cabeça, e outro sorriso deslumbrante levantou nos cantos dos lábios. — Eu... uhh... na verdade tenho uma exposição chegando. Minha boca abriu e eu só fiquei boquiaberta com ele por um total de três segundos de silêncio atordoado. — Uma exposição? Em uma galeria aqui em Paris? — eu soltei meus joelhos, coloquei meus pés no chão e inclinei para frente. — Você está brincando comigo? — eu queria me jogar em seus braços, mas em vez disso fiquei firmemente contida. — Isso é INCRÍVEL. Por que você não me contou? Onde é? Qual galeria? Eles são bons? Você os verificou? Quando é a abertura? — Opa! — o peito de Dare vibrou com o riso profundo, o som dele aquecendo minhas entranhas. — Devagar, Reagan. Seus olhos fixaram nos meus e nós apenas nos encaramos por um momento, tantas palavras não ditas e sentimentos ainda pairando entre nós. Demais. Meu coração doía, mas eu não conseguia desviar o olhar. Eu estava ao mesmo tempo feliz por ele e desanimada por mim. Onde ele tinha tudo se encaixando, eu tinha tudo caindo aos pedaços. Estávamos separados por muito mais do que três anos e alguns metros. Mesmo que eu estivesse vivendo no seu mundo agora, não estávamos no mesmo lugar, no mesmo momento. E isso me matava. Especialmente porque não havia nada que eu pudesse fazer sobre a distância. A bola estava no campo de Dare agora, mas ele não estava interessado em jogar o jogo.


Capítulo Nove

A

galeria

Yves

Robert ficava na rua, a sua parede cheia de janelas altas, elevando sobre mim, quando eu parei de fora para recuperar o fôlego. Tinha sido uma longa caminhada para chegar até aqui, e pela primeira vez eu estava desejando que os motoristas de táxi não estivessem em greve, eu ficaria tentada a gastar com uma carona para casa. Depois que meu coração se acalmou, eu abri a porta e entrei no espaço vazio. Dare tinha me assegurado que sabia o que estava fazendo e tinha recusado minhas ofertas para verificar o lugar para ele. Ele disse que era uma galeria respeitável, e pelo que Sabine tinha me dito quando falei com ela antes, ele estava certo. Na verdade, era mais do que respeitável; era uma das melhores galerias em Paris. E o fato de que Dare tinha conseguido uma exposição aqui era notável, eles eram conhecidos pela exclusividade. Sabine tinha elogiado quando contei para ela. — Wilde... ele tem feito muito bem para si mesmo. — eu podia ouvi-la radiante, mesmo por telefone e praticamente a via acenando com a cabeça escura. — Eu queria que ele tivesse uma exposição na Période Bleue, é claro, você encontrou-o antes de Yves. Mas. — ela disse. — Eu mostrei o trabalho dele primeiro. Da próxima vez que estiver em Paris, eu vou ter a certeza de falar isso para Yves. Sabine

não

tinha

exagerado

sobre

esta

galeria

também. Era

primorosamente estruturada. Eu explorei a sala, absorvendo lentamente as


pinturas nas paredes, tentando decidir se eu teria visto alguma promessa nos artistas que estavam exibindo atualmente. O trabalho era bom. Muito convencional. As pinturas tinham um estilo forte, mas elas não me agarraram totalmente. Não apertavam meu coração e se recusavam a ir como a grande arte sempre fazia. É claro que nem toda a arte apelava do mesmo jeito para todas as pessoas. Mas, como uma futura dona de galeria, eu teria que ser capaz de escolher a arte que se destacava e agradar as massas. Percebendo que eu provavelmente não teria escolhido o artista para uma exposição solo, isso me fez me questionar. Eu era realmente talhada para isso? Será que eu encontraria o sucesso? Eu queria tão desesperadamente as respostas que eu tirei algumas fotos para que pudesse discuti-las com Sabine e descobrir se ela via a mesma promessa no artista que esta galeria. Todo o tempo, eu não pude evitar, mas achar que o trabalho do Dare era muito melhor e mais atraente. Achei isso mesmo antes de saber que ele era o artista de todos os nus no seu estúdio do Brooklyn. Havia algo em suas peças que me mantinha enraizada no lugar, me fazia querer olhar e olhar, e depois olhar um pouco mais até que a arte e eu nos tornássemos uma. Notava algo diferente todas as vezes, a forma de uma sombra, a forma como ele criava um sentimento de calma, o fato de que eu quase podia ouvir, saborear, cheirar e tocar o momento que ele tinha capturado. Sua obra ultrapassava o visual e mergulhava em dimensões que muito poucos artistas já alcançaram. Imaginei estas paredes cobertas com o trabalho de Dare e tive arrepios só de pensar. Suas pinturas brilhariam no espaço branco brilhante, e eu mal podia esperar para testemunhar o seu sucesso. Eu só queria poder ser uma parte disso. Apenas uma parte minúscula. Vozes murmuraram por trás da parede onde eu estava, e um momento depois a porta se abriu e virou na minha direção, me impedindo de ver.


— Mas o que dizer de todas as minhas paisagens? — Dare estava falando enquanto eu me aproximava da parede. Merda. Eu não deveria estar aqui. Ele ia ficar chateado se me visse. Meus olhos ficaram sobre a arte, mas meus ouvidos estavam totalmente focados nas palavras dele. — Aqueles vendem muito bem na rua, tenho certeza que elas vão... — A galeria Yves Robert não é a rua, Dare. Os proprietários estão os mais interessados em seus nus originais e querem mais daqueles para a exposição. — Eu mostrei tudo o que tenho agora. — a voz de Dare era um rosnado baixo. — Eu não fiquei feliz com qualquer uma das minhas modelos recentemente. As últimas com quem tentei trabalhar apenas não eram certas. E na hora que eu encontrar o que eu quero, será muito tarde para ter mais peças prontas. Encontrar o sujeito certo é um processo, Jacques. — ele cerrou os punhos, os músculos dos seus braços apertando. O homem sacudiu a cabeça. — Se você não pode fornecer mais, então nós vamos ter que reprogramar. — Mas eu tenho família voando dos Estados para isso. Você não pode alterar a minha data. — Eu posso. — Jacques disse. — E vou, se precisar. Nossos clientes vêm em primeiro lugar e temos que dar-lhes o que eles querem... seja de você ou de outro. Traga-nos mais nus. Em seguida, virou e retirou-se para seu escritório, fechando a porta atrás de si, acabando com o meu esconderijo. Eu fiquei congelada no lugar quando Dare me encarou com ardência, olhos estreitados. Seu maxilar cerrado e seus lábios se apertaram em uma linha com raiva. Ele não disse uma palavra, apenas girou sobre os calcanhares e caminhou em direção à porta. Porra. — Dare, espere! Por Favor!


Ele me ignorou e saiu pela rua, obrigando-me a correr para alcançá-lo. — Dare! — eu agarrei o braço dele. Quando ele se virou para olhar para mim, sua expressão escureceu e seus olhos se transformaram em pedra, e eu imediatamente quis não ter tocado nele. Ele olhou para os meus dedos, que ainda estavam em volta do seu braço e puxou minha mão para trás, quebrando a conexão entre nós. — Por favor. — eu disse, respirando com dificuldade, tentando ganhar tempo. Eu não tinha ideia de como ia me explicar. Justamente quando parecia que tinha feito um pequeno progresso, eu tinha que ir e foder tudo de novo. — Que merda você estava fazendo lá? — suas palavras eram tingidas tanto com fogo, quanto com gelo. — Eu falei para você ficar de fora. Eu posso fazer isso por conta própria. — Eu só... eu estava tão animada com a sua exposição e depois eu conversei com Sabine sobre isso... — Você estava me verificando? Você está brincando comigo? — Não, não é isso. — disse, em pânico. — Quer dizer, sim, eu estava. Tipo... — seu rosto escureceu. — Mas não da maneira que você pensa. Eu contei para ela a boa notícia. Isso é tudo. Ela tinha muitas coisas boas a dizer sobre Yves Robert. — Porra! Inacreditável! Eu nunca deveria ter te contado. Eu sabia que você não seria capaz de manter o nariz fora disso. — ele balançou a cabeça, passou as mãos pelo cabelo. — Eu suponho que você ouviu tudo? Mordi o lábio. — Posso te ajudar. Seus olhos se estreitaram. — Sim? Como? — havia um desafio escuro na sua voz. Minha mente correu. La Période Bleue! Eu podia conseguir uma exposição para ele lá. E Sabine iria cantar por causa disso. Ela poderia esfregar


isso na cara do Yves e eu poderia fazer o mesmo com Lucien. Seria um golpe de Estado! Meu momento brilhante, exceto que eu deveria estar fazendo isso por Dare, não por mim mesma. Embora se nós dois fôssemos beneficiados... — Eu posso criar uma exposição para você na La Période Bleue em poucas semanas. — eu disse a ele. — Então você tem tempo suficiente... Dare sacudiu a cabeça. — Dax e Dalia já compraram suas passagens de avião. Eu não posso mudar a data. E eu não preciso que você arranje as coisas para mim, Reagan. Eu venho fazendo isso por minha conta por um tempo agora. Eu não preciso da sua ajuda. Deus, ele era TÃO... — Eu sei. — eu disse, minhas mãos em punho ao meu lado, as minhas palavras saindo entre dentes cerrados. — Você tem sido incrível, Dare. Eu só estou tentando ajudar, porque você está, obviamente, em uma saia justa e você não pode fazer tudo por conta própria. Às vezes, você realmente precisa de outras pessoas, você é incrivelmente frustrante, muito talentoso para seu próprio bem, fodidamente uma prima donna13. Seus olhos se arregalaram, então se estreitaram. Ah Merda. Era como se eu estivesse TENTANDO me sabotar. O que ele precisava era tempo e... — Uma modelo! — eu gritei, fazendo com que as pessoas que passavam, me olhassem com surpresa. Abaixei a voz e disse com mais calma: — Eu posso ser a sua modelo. Ele me olhou por um momento, imóvel, estudando meu rosto como se ele quisesse saber se eu estava realmente falando sério. Obviamente, eu estava cento e dez por cento séria. — Não. Eu acho que não. — ele se virou, mas eu segurei o braço dele de novo e não soltei desta vez.

13

Pessoa que se conduz com individualidade “excessiva”, um tipo de Diva.


— Dare, eu ouvi o que o dono da galeria, disse. Você precisa de mais trabalho. Você precisa de uma modelo... — Eu preciso de uma modelo para um nu. — havia aquele desafio afiado outra vez, e agora ele estava começando a me irritar. — Eu sei. — eu levantei uma sobrancelha e cruzei os braços sobre o peito. — Você costumava me desenhar, certo? E funcionava. Muito, muito bem pelo que me lembro. Então, se você precisa... — Eu não preciso de você, Reagan. — ele disse, me cortando. — Eu encontrarei uma garota para posar para mim. — Mas por que procurar por alguma garota quando você pode me ter? A garota certa. Eu estava brincando com fogo. Eu sabia. Mas eu não me importava. Os músculos do seu maxilar se contraíram quando ele olhou para mim, seus olhos escuros e insondáveis. Não havia carinho lá, nenhum indício disso, só desprezo. Meu Deus, eu realmente o irritei neste momento. Eu quase perdi a cabeça, mas levantei meu queixo e firmei minha opinião. Eu queria isso. Eu o queria. E eu faria o que fosse preciso. — Diga que sim, Dare. Diga que precisa de mim. — minhas palavras estavam tão cheias de duplo significado que eu já não tinha certeza se estava tentando convencê-lo ou a mim mesma. Depois do que pareceu uma eternidade, ele concordou com a cabeça apenas levemente. Em seguida, ele sacudiu a cabeça em direção ao próximo bloco e começou a andar. — Você começa agora.


Capítulo Dez

— A

gora?

— eu quase tropecei no meio-fio enquanto corria atrás dele. Ele se virou para olhar para mim, andando em um ritmo rápido gracioso, que apenas alguém com a altura dele poderia controlar. — Você quis fazer isso. Eu preciso começar agora se eu for manter a minha exposição. Você está dentro ou não? Eu balancei a cabeça. — Sim. Estou. Estou dentro. Totalmente. Quando olhei para as costas de Dare, enquanto ele liderava o caminho, as borboletas dentro do meu estômago começaram a aparecer novamente. Eu tinha conseguido, caramba. Eu tinha garantido um tempo com ele. Quando chegamos até a esquina, eu me virei para caminhar em direção ao apartamento, mas Dare me parou. — Não. — ele disse. — Nós vamos pegar o metrô, Princesa. — Mas... — eu disse, meu pulso batendo com o pensamento. — Podemos caminhar. Não é tão longe. Era REALMENTE longe, mas eu não conseguiria ir para baixo do solo de jeito nenhum. Apenas o pensamento me fazia estremecer.


— Eu preciso começar AGORA. — ele disse. — Eu não tenho tempo a perder passeando pelas ruas de Paris, só porque você não quer pegar o transporte público. — ele olhou para mim, o ultimato claro em seu rosto. Faça isso ou vá para casa. Ele sabia como eu me sentia sobre espaços subterrâneos, embora eu nunca tivesse dito a ele o por quê. — Você terá que arrumar tudo, certo? — minha mente estava correndo. Tinha que haver alguma maneira de contornar isso. — Eu te encontrarei lá. Vou andar rápido. Eu vou correr. Ele olhou para as minhas sandálias e levantou uma sobrancelha para mim. — Ok, eu vou andar, mas realmente, REALMENTE, muito rápido. Não vai levar muito tempo, eu prometo. — eu olhei para as escadas que levavam para a escuridão. Eu não podia. Eu não podia ir lá em baixo. Ele balançou a cabeça. — O metrô. — e ele deu um passo para baixo. — Se você quiser entrar no jogo. — Dare disse, sem sequer olhar para mim quando se dirigia ao subterrâneo. — Você tem que jogar com as minhas regras. Foda-me.

Eu estava suando e tremendo no momento em que chegamos à nossa parada. Eu mantive meus olhos fechados, com os punhos cerrados em minhas coxas por toda a viagem horrível. Dare sentou ao meu lado, pressionando seu corpo contra o meu, possivelmente em um esforço para ajudar, mas nada conseguia acalmar o pânico na minha mente e corpo. Fazia sete longos anos desde a última vez que eu entrei em um espaço subterrâneo. Desde que... não. Não, não... pare. Eu não pensaria nisso agora. Eu não pensaria sobre isso NUNCA.


Corri até as escadas para o nível da rua, engolindo o ar como se eu tivesse sufocando. De certa forma, eu estava. Dare me seguia de perto, a preocupação estragava suas belas feições. Era ainda pior do que quando tinha acabado a energia. Ele nunca tinha me visto tão mal, ninguém tinha, não por muito tempo. E não havia nada que ele pudesse fazer. Ele procurou meu rosto. — Jesus, Reagan. Você está bem? Eu balancei minha cabeça. Então acenei com a cabeça. — O que aconteceu? — ele estendeu a mão para tocar meu rosto, mas se conteve. — Quer dizer, o que... eu nem sei que merda lhe perguntar. — Eu não estava brincando quando eu disse que não gosto... de lugares assim. — eu fechei meus olhos, mas um par de lágrimas traidoras escapou. Suguei algumas respirações profundas, tentando fazer o pânico recuar. — Não é porque eu sou mimada. É... só... — Eu sinto muito. — ele disse. — Eu não teria pedido para fazer isso se eu soubesse o quão ruim seria. — Você não sabia. — ele não tinha como saber. — Você quer falar sobre isso? Eu balancei a cabeça, em silêncio, pedindo para que ele deixasse por isso mesmo. Ele deu um passo em minha direção, e estendeu a mão para tocar meu braço, a mão acariciando para cima e para baixo, seus dedos acariciando a minha pele suavemente e com um propósito. Sua calma infiltrou em meu corpo, e meu pulso selvagem e os tremores, lentamente diminuíram. Esse simples gesto me fazia tão bem, era tão certo. Fechei os olhos, aquecendo com o calor do seu toque, e o absorvendo. Cor. Deus, Dare ainda cheirava como cor.


Ele era inebriante. Eu poderia ter ficado assim para sempre, mas ele limpou a garganta e deu um passo para trás. Eu não conseguia olhar diretamente para ele, por medo que os olhos me olhando de volta ainda fossem frios e distantes. Ele ficou lá por mais um momento antes de tomar minha mão na sua, unindo os dedos, e liderando o caminho para o nosso prédio. Embora ele não tenha falado uma única palavra, algo havia mudado em seu toque, quase como se ele tivesse tirado a armadura rígida de raiva que ele estava abrigando por todo esse tempo. Dei um suspiro de alívio. Talvez pegar o metrô tivesse valido a pena, afinal. Uma vez dentro do apartamento dele, Dare jogou as chaves sobre uma pequena mesa ao lado da porta, então se dirigiu pelo corredor na direção oposta do quarto dele. Ele me levou a uma sala iluminada. Seu estúdio. Oh, Deus. Seu estúdio. Fazia tanto tempo que eu não o via trabalhar, meus joelhos pareciam um pouco fracos apenas por estarem próximos às telas e tintas. Ele tinha uma plataforma criada para uma modelo, e eu tentei não pensar sobre as outras mulheres nuas com quem ele passou tempo desenhando, pintando... tocando. O pensamento doeu tanto que eu, na verdade, fiz uma careta quando ele perfurou minha mente. Dare pegou uma tela em branco e apoiou-a em seu cavalete. Em seguida, escolheu alguns pincéis e começou a triagem através das tintas. Ele olhou para mim, seu rosto cauteloso. Ele acenou com a cabeça para o outro lado do corredor. — Você pode tirar a roupa no banheiro. — ele falou. — Tem um robe limpo atrás da porta. — então, voltou para suas pinturas. Eu balancei a cabeça e virei para ir pelo corredor.


Ele sempre levava pelo menos 15 minutos para arrumar as coisas, então eu decidi tomar um banho rápido. Sentia-me nojenta e suada após o metrô, e sabia que me sentiria mais confortável se eu não estivesse preocupada em estar cheirando pânico e dor. Tirei minhas roupas e amontoei meu cabelo na minha cabeça para mantê-lo fora da água. Poucos minutos depois, eu me sequei com as toalhas e envolvi o robe em mim. Era longo e sedoso, obviamente, algo que ele guardava para as modelos. E todas as mulheres que iam e vinham, independentemente de posarem para ele. Amarrei o robe com força, em seguida, caminhei de volta pelo corredor até seu estúdio. Ele estava quase arrumado, sua paleta pronta, seus pincéis no lugar, uma xícara de café na mão. A tela na frente dele era um espaço grande, em branco, cheia de possibilidades. Eu desejei que minha vida tivesse sido definida assim, apenas pelos limites da minha imaginação, e não preenchida pelos meus pais como uma figura numérica perfeitamente pintada. Mas agora poderia ser. Eu estava em Paris, depois de tudo, tentando libertar a tela da minha vida, apagando algumas das linhas, pintando sobre elas, fazendo por conta própria. Isso, estar aqui com Dare, ajudando-o, parecia um passo na direção certa. Ele balançou a cabeça em direção à plataforma onde tinha um futon coberto com uma manta marrom. Minhas mãos começaram a tremer e eu engoli em seco, de repente, cheia de energia nervosa. O que era ridículo, pois este era Dare. Eu confiava nele. Era uma vez eu acordei com ele esboçando minha forma nua depois de uma noite na sua cama. Ele me conhecia. Ele viu tudo em mim, muito recentemente, na verdade. Não havia nada para ficar nervosa. E ainda havia tudo para ficar nervosa. Esse parecia como um daqueles momentos cruciais na minha vida, em que tudo estava em jogo. Se eu estragasse tudo, a minha vida sairia da linha, seria incolor novamente.


Eu não tinha ideia de por que me sentia assim, por que isso parecia tão grande, mas era. Olhei para uma pequena mesa à direita ao lado do colchão, havia uma xícara nova de chá quente, sobre ela. Meu Deus. Ele fez chá para mim. Isso é tão... — Você está pronta? — ele perguntou em voz baixa. Afastei-me do chá e acenei com a cabeça. Talvez tudo ficasse bem. — Sim. — eu disse, e acenei com a mão para a plataforma. — Como você me quer? Dare não respondeu de imediato, então olhei para cima para encontrá-lo olhando para mim com uma tempestade tranquila por trás do olhar dele. Ele engoliu em seco antes de falar. — Uma pose simples, reclinada. Do jeito que você ficar confortável. Afastando-me dele, dei um passo para cima da plataforma, puxei as pontas do laço na minha cintura, e deixei que o robe escorregasse para o chão. Então eu tirei o elástico do meu cabelo e sacudi os longos fios, deixandoos em cascata por todo o caminho pelas minhas costas. Deitei-me de lado, de costas para ele. — Está tudo bem? — eu perguntei, minha voz saindo muito ofegante. Senti-me mais nua do que já estive em toda a minha vida. Ele não respondeu, então eu olhei por cima do ombro. Olhos escuros pecaminosos e turbulentos estavam presos em mim, enquanto o peito de Dare subia e descia em sucessão rápida. Minha pele estava coberta com eletricidade e com o olhar dele - me senti mais viva, mais consciente, do que estive em semanas. Ele parecia estar lutando contra a vontade de me atacar, e eu pedia a Deus que ele fraquejasse. Eu sempre pedia. Encontrar encerramento, podia ir se foder. Eu queria o Dare. Agora mesmo. E para sempre.


Isso n達o ia mudar.


Capítulo Onze

Q

uando notei Dare

me olhando, ele limpou a garganta e baixou o olhar. Pegando sua paleta, ele tomou um gole de café, então abaixou a xícara. Seus ombros endureceram e ele se mexeu no lugar, como se não tivesse certeza sobre seu próximo movimento. Quase como se ele quisesse ir por um caminho, mas soubesse que devia correr para o outro. — Dare? — eu disse novamente, atraindo-o de volta para mim. — Você está bem com essa postura? Ele hesitou, abriu a boca, então cerrou o maxilar. Em seguida, ele deu um passo em minha direção, mas mudou de ideia e ficou firmemente imóvel. — Encare a parede. — a instrução foi breve, silenciosa e concisa. Meu peito apertou. Ele queria que eu olhasse para longe dele. Meu sorriso tinha sido o seu favorito, mas agora ele não conseguia nem vislumbrá-lo. Concordando, eu puxei um travesseiro sob a cabeça e fechei os olhos, ouvindo-o começar a trabalhar. O assobio de uma escova macia tocando a tela, às vezes era pontuada pelos sons de raspagem de uma espátula. Havia uma música exclusiva para o trabalho de Dare, e quando ele encontrava o seu ritmo, eu podia ouvi-lo relaxar completamente dentro dele. E assim eu fiz.


Deus, lembrava disso tão bem. Os sons dele trabalhando, o ar atado com tinta e aguarrás. A forma como a testa enrugava e os lábios cerravam enquanto ele se concentrava em sua obra. Tempo não tinha qualquer significado ou importância em seu estúdio. Ele trabalhava durante horas sem fazer uma pausa. Eu esperava que esta noite não fosse uma exceção. Eu ficaria por quanto tempo ele permitisse.

Eu acordei para encontrar Dare inclinando-se sobre mim, sua mão quente no meu quadril. — Você dormiu. — ele sussurrou. — E mudou a sua posição. — Ah Merda! Eu sinto muito. — eu pisquei para colocar a minha visão turva em foco. — Eu estou... Ele me deu um pequeno empurrão. — Está tudo bem. — sua voz era baixa, com os olhos moles. Ele estava olhando para mim como ele costumava fazer, e tudo que eu podia fazer era olhar para ele, completamente encantada com seu olhar hipnótico, descontroladamente atraída pela sua boca esculpida. Ele estava tão perto... se eu levantasse a minha cabeça um pouco eu poderia tocar seus lábios. Eu lambi os meus, só de pensar nisso. — Posso...? — ele perguntou, indicando que queria me orientar de volta para a posição. Seus olhos percorreram o meu corpo, fazendo-me sentir ainda mais nua e exposta do que já estava. Eu não conseguia respirar, não conseguia falar. Então, eu só assenti com a cabeça.


Sim, você pode me tocar. Por favor, por favor, me toque, Dare. Uma mão no meu ombro, a outra pressionada nas minhas costas, ele me dirigiu para ficar de lado novamente. A sensação dos dedos dele contra a minha pele nua enviou faíscas através do meu corpo. Eu respirei fundo, enchendo os meus pulmões com ele, enquanto ele se movia em cima de mim, arrumando cuidadosamente o meu corpo para o seu gosto. Sua proximidade me deixou tonta de desejo, desesperada com a necessidade. Eu pressionei minhas coxas em uma débil tentativa de subjugar a excitação pulsando entre elas. Eu ansiava por mais do seu toque. Mais dele. Em todos os lugares. Quando seu aperto envolveu a minha panturrilha, mordi o lábio para não gemer. Ele moveu a minha perna para que ficasse descansando sobre a outra, em seguida, deslizou a mão para o meu joelho para travá-la no lugar. Ele parou por um momento e virou a cabeça para olhar para mim. Os olhos cor de chocolate me perfurando, inundando meu interior com calor líquido. Engoli em seco, incapaz de conter o tremor que sacudiu através de mim. Meu corpo inteiro estava em chamas, meus lugares mais sensíveis pulsando de desejo desenfreado. Dare continuou a prender o meu olhar, a violenta tempestade em seus olhos entregando que ele estava bem ciente do seu efeito sobre mim. Um músculo em seu maxilar contraiu, e seu aperto no meu joelho aumentou. Meu pulso acelerou enquanto eu imaginava-o em mim, beijando, separando minhas pernas para que ele pudesse deslizar entre elas... Oh, Deus. Os tremores queimaram de novo. Mas nem mesmo um segundo mais tarde, o rosto transformou em pedra e ele me soltou. Endireitando a sua altura, ele voltou para o seu cavalete, deixando-me fria e sozinha. Eu estava feliz por minhas costas estarem voltadas para ele, assim ele não veria meu rosto - não podia ver a decepção refletida em meus olhos.


Dare ficou parado pelo que pareceu uma eternidade. Eu tive que lutar com cada impulso de virar e olhar para ele. Finalmente, ele começou a pintar de novo, então eu fechei os olhos e relaxei no ritmo das suas pinceladas. Não havia nenhuma maneira de eu cair no sono de novo, minha mente e meu corpo estavam zumbindo com partes iguais de desejo e desespero. Fiquei ali pensando em tudo o que tinha acontecido há três anos, tudo o que eu o fiz passar. Eu não tinha ideia se poderia compensar isso, se minhas ações poderiam ser perdoadas. Dare foi o único que veio atrás de mim, mesmo com a ameaça do meu pai se aproximando. Sua vida esteve em jogo, sua família tinha sido ameaçada, mas ele queria lutar por mim, lutar por nós. — Sinto muito. — eu disse, quebrando o silêncio entre nós. Ele ficou em silêncio por um momento e depois disse: — Pelo quê? Por tudo. — Pelo que eu disse no hospital. O som da pintura parou e eu o ouvi inalar bruscamente. — Não, Reagan. Não volte nisso. — sua voz era baixa, perigosa. Eu tinha ouvido aquele tom antes e conhecia bem para não forçar. Mas como superaríamos se nós não conseguíamos nem falar sobre isso? Se ele não aceitaria ao menos o meu pedido de desculpas? Eu fiquei em silêncio e ele começou a pintar novamente. Depois de algum tempo, ele disse: — Então, o que aconteceu para você ficar... como você estava no metrô e na outra noite quando a energia acabou? — Eu... — rigidez fria se estabeleceu em meus músculos e um nó na minha garganta. Havia uma maneira de fazer Dare entender o quão, realmente, meu pai poderia ser perigoso e controlador, contar o que aconteceu há sete anos.


Mas com o simples pensamento de compartilhar aquela parte do meu passado com ele - com alguém - minhas mãos começavam a tremer. Eu balancei a cabeça, implorando para a porra do meu coração acalmar. Eu não pensaria sobre isso. Eu não pensaria nisso. Eu fechei os olhos para distanciar as imagens. Paris. Eu estava em Paris. Eu estava muito longe de tudo. Anos e milhares de quilômetros de distância. — Você não quer saber. — minha voz saiu firme, tensa. — Confie em mim sobre isso. — Eu não perguntaria se eu... — Não, Dare. — eu disse. — Só... não. Você não pode me interromper quando eu peço desculpas, e depois fingir que está preocupado comigo, no momento seguinte. Ou você está dentro ou você está fora. E obviamente você não quer estar dentro agora. — eu suguei uma respiração instável, lenta. — Eu mereço isso, eu sei. Mas você não pode ter as duas coisas. Se eu contasse para ele o que aconteceu, ele provavelmente me perdoaria por tudo. Aqui e agora. Talvez ele ainda me quisesse de volta. Mas eu queria que ele me quisesse por mim - SOMENTE por mim - não por pena. A sala ficou tão estranhamente silenciosa, que eu ainda podia ouvir os sons suaves de tráfego da rua abaixo. A noite já tinha caído, e eu percebi que eu não tinha ideia de que horas eram. Ouvi Dare colocar seus pincéis sobre a paleta, então me virei para olhá-lo por cima do meu ombro. Seus

ombros

estavam

rígidos

e

seus

olhos

desfocados. Ele

parecia... distante. Arrependi imediatamente das minhas palavras raivosas. Eu abri minha boca para dizer isso, mas ele chegou antes de mim. — Por que não damos o dia por encerrado? — disse. Antes que eu pudesse responder, houve uma batida na porta da frente e eu podia ouvi-la abrindo. — Dare? — uma voz feminina rouca chamou. — Où êtes-vous? — Onde você está?


A cabeça dele levantou e ele olhou para a porta de entrada do estúdio, em seguida, de volta para mim. Xingando baixinho, ele começou a guardar seus pincéis tão rápido quanto pôde. — Ici, Giselle. — ele gritou. Aqui dentro. Merda. Giselle? Eu estava prestes a agarrar o robe, mas ela já estava de pé na porta da frente - alta, ágil e muito francesa. Cada fio de cabelo estava perfeitamente no lugar, suas roupas de grife, elegantes e suaves, ela não era nada como... bem, eu. Seus cachos castanhos estavam amarrados no alto da cabeça, e sua maquiagem era dramática e tão exata que tinha que ter sido feita por um profissional. Seus olhos verdes - a única cor nela, além do vermelho nos lábios - passaram por mim com desgosto. E eu só podia imaginar o que ela viu - uma modelo nua com o cabelo desarrumado, caindo ao seu redor, parecendo ridiculamente desconfortável. Dare terminou de guardar as coisas dele, levantou e deu-lhe um beijo rápido na bochecha. Ela agarrou sua mão e começou a puxá-lo para fora da sala, gemendo algo sobre estar atrasada. Ele olhou para mim da porta, seu rosto vazio de expressão, quando disse: — Você pode ir. Sentei-me devagar, observando-o. — Então... amanhã? — eu disse, finalmente, segurando o robe e puxando-o para cima de mim. — À tarde para que eu possa trabalhar na parte da manhã? Dare assentiu uma vez, e então ele se foi. Eu o ouvi dizer algo a Giselle que a fez rir, enquanto caminhavam para fora da porta. Eu amarrei o robe em volta de mim e corri para as janelas da sala - as que davam para a rua. Quando os dois saíram do prédio, um momento depois de descerem os degraus, Dare passou o braço por cima do ombro dela e puxou-a para ele. Ela passou o braço em volta da cintura e eles caminharam pela rua, desaparecendo de vista.


Eu fiquei na janela, olhando para a rua iluminada, sentindo-me mais solitária do que já estive. Aquela costumava ser eu - a garota abraçada em Dare mas não mais. Eu suspirei, me abracei e olhei para o robe. Ugh. Giselle provavelmente tinha usado este também. E de repente eu não podia suportar a sensação dele. Corri em direção ao banheiro, tirando-o enquanto eu ia - incapaz de tirá-lo da minha pele, rápido o suficiente. Vesti-me e voltei para o meu apartamento para tomar banho. Eu precisava tirá-la de mim. Giselle. Ela não era o tipo dele DE JEITO NENHUM. Ela era muito... artificial. Eu não sabia como ele conseguia suportá-la. Mas, novamente, talvez fosse o corpo lindo dela e o jeito que ela se jogava para cima dele. Ou o jeito que ela falava seu nome com o sotaque - como se estivesse acariciando-o com a língua francesa. Puta que pariu. Quantas vezes tem que ser jogado na minha cara o quanto eu fui estúpida por tê-lo deixado escapar?


Capítulo Doze

E

ntão... você

a

tem

pintado? — eu estava de pé no estúdio de Dare no dia seguinte, com o meu próprio robe amarrado na cintura, com raios quentes do sol inundando o futon. Ele levantou os olhos se preparando - uma nova tela e outra pose enquanto esperávamos a luz do fim da tarde para que pudéssemos voltar para a pintura que ele começou ontem. Dare tinha uma xícara de café ao lado dele, e eu olhei para encontrar uma xícara de chá esperando por mim novamente. A presença me aqueceu, mas depois percebi que ele provavelmente fazia isso para todas as suas modelos. Tratava-se, afinal, apenas de cortesia comum. Eu precisava parar de imaginar coisas que não eram realmente significativas. — Pintado quem? — ele perguntou, com foco em seus pincéis novamente. — A garota de ontem à noite - Giselle. — fiz o máximo para não revirar os olhos, enquanto dizia o nome dela. Mas eu não era uma adolescente malhumorada... mesmo que me sentisse como uma no momento. — Eu não pinto qualquer uma. — ele disse, em voz baixa, em seguida, olhou para mim por um breve segundo antes de descobrir sua paleta e apontar para o futon. — Vamos começar. Sem saber o que fazer com essa informação, eu caminhei até o futon sentindo totalmente fora de equilíbrio, desamarrei o robe, e deixei-o cair no chão. Dare estava me dizendo alguma coisa? Eu não queria nada mais do que acreditar que ela não significava nada para ele, e que eu sim... mas... eu não


tinha nada para confirmar isso. Ele me deixou e passou o início da noite - e provavelmente a noite toda - com ela. Mas ele não a pinta? Ele não pinta qualquer uma? Que merda isso significa? — Por que você não escolhe uma posição sentada dessa vez? Sentei-me no colchão, dando-lhe o meu perfil. Uma perna cruzada sobre a outra e meu joelho para cima, perto do meu peito, onde eu podia descansar meu queixo nele. Olhando fixamente para as janelas, eu fechei os olhos e absorvi a luz do sol. Dare estava tranquilo, não tinha começado a trabalhar ainda e eu não podia evitar, exceto me perguntar se ele não gostou da pose. Então eu percebi que meu cabelo estava solto, as longas madeixas sedosas castanhas contra a minha pele nua e, provavelmente, bloqueando muito do meu corpo - a coisa sobre nus era que você, na verdade, deveria ver o corpo nu. Estendi a mão para o meu cabelo para torcê-lo na minha cabeça, mas ele me parou. — Deixe-o. — seu comando flutuou através do quarto, obrigando-me a virar

para

olhar

para

ele. A

expressão

em

seu

rosto

quase

me

desanimou. Era... era exatamente o olhar que ele tinha capturado em seus primeiros nus, que eu vi em seu loft no Brooklyn. O da Sia e as outras. Olhe para o jeito que elas estão olhando, Sabine tinha dito. É claramente um amor não correspondido. Triste e agridoce. Dare tinha essa mesma expressão. Isso abriu um calor no fundo da minha alma. Eu sabia, sem dúvida que o meu próprio olhar espelhava o dele. Mas, então, seu rosto mudou. Endureceu. Fechou. E ele era, mais uma vez, o novo Dare, distante, que eu estava conhecendo. — Deixe o cabelo. — ele disse novamente. — Eu gosto dele para baixo. Selvagem e livre. Abaixei os braços e virei para a janela, meu coração batendo rápido demais para o seu próprio bem. Eu respirei fundo, tentando acalmá-lo.


Uma vez que Dare começou a trabalhar, eu descansei meu cotovelo no meu joelho e inclinei minha cabeça contra a minha mão para vê-lo pintar. Era um sentimento surreal, porque eu sabia que ele não me via quando estava trabalhando. Ele via linhas, formas, sombras, luz, tons de cores, mas não toda a pessoa à sua frente, e eu poderia esquecer que estava sentada lá completamente nua. Suas características brutas suavizavam quando pintava, não havia muros, nem barreiras entre nós. Era o momento perfeito para estudá-lo. Ele olhou para minha cara e me pegou olhando. E então ele sorriu do jeito que ele fazia... e o poder disso me tirou o fôlego. Esse olhar que eu conhecia tão bem, o que eu ansiei desde que eu o vi no Montmartre. Calor inundou o meu corpo, trazendo com ele uma coisa que eu não sentia há muito tempo. Logo percebi que essa coisa era felicidade. Puro êxtase. Mas quando eu comecei a sorrir de volta, o olhar em seu rosto mudou, como se ele tivesse se contido, se lembrado quem eu era, o que eu tinha feito, e sua guarda voltou. Em um único momento, ele encheu meu coração de esperança, e no próximo, ele tirou o fôlego dos meus pulmões. Por que isso tem que ser tão difícil? Quantas vezes e de quantas maneiras eu teria que pagar pelos meus pecados? Havia tantos porquês e comos quando se tratava de nós. Muitos. Então, eu só empurrei todos para fora da minha mente e o estudei. Absorvi inteiro. Tentei memorizá-lo. Afinal de contas, eu não sabia mais quanto tempo tinha com ele. Uma vez que este projeto rolasse, teríamos que voltar a existir nos nossos dois planos diferentes. C'est la porra vie14, certo?

14

C'est la vie – expressão em francês, é a vida.


— Jantar? — Dare disse, algumas horas mais tarde quando me levantei para esticar. Ficar em uma pose não era tão fácil como parecia. Olhei para o relógio e fiquei surpresa que já eram sete e meia. Eu estava morrendo de fome. E eu nem tinha notado. Perto de Dare, comida parecia de pouca importância. — Claro. — eu balancei a cabeça e ele deixou o estúdio, caminhou pelo corredor e entrou na cozinha. Eu podia ouvi-lo pegando panelas e colocando-as no fogão. Vesti meu roupão e olhei ao redor da sala por um momento. Embora estivéssemos trabalhando juntos, eu não tive muito tempo para olhar para suas peças mais recentes de perto. Então eu caminhei lentamente ao redor do seu estúdio, folheando as telas que estavam encostadas na parede. Tantas cenas de rua, como eu tinha notado no mercado dos artistas, e um punhado de nus. As modelos eram excelentes, e isso enviou, uma dor cortante através da minha alma, de pensar nele sentado nesta sala com estas belezas nuas à disposição. Deus, elas ainda pareciam excitadas, seus rostos tão cheios de desejo, enquanto olhavam para mim que eu praticamente podia ouvi-las gemer. Ah, sim, ele tinha fodido todas. A prova estava bem aqui na minha frente, capturada na pintura. Panelas ressoaram na cozinha, voltando minha atenção para um grande caderno de rascunho, coberto com tecido, em cima de um armário de madeira. Quando eu levantei a capa pesada para abri-lo, eu não podia acreditar no que vi lá dentro. Página após página de desenhos... de mim. Eu li as datas no canto inferior direito de cada desenho. Eles variavam de um ano atrás a - oh, deus - um mês atrás. Antes de eu encontrar com ele na rua.


Olhei para a porta, o ouvi abrir armários na cozinha. Havia mais dois cadernos de rascunho idênticos abaixo, e eu abri cada um para encontrar mais esboços meus. De dois e três anos atrás. Oh. Meu. Deus. Dare esteve pensando em mim por todo esse tempo. MUITO. Assim como eu estive pensando sobre ele. Olhei para os nus no chão. E se ele tivesse tentado me tirar da cabeça com essas modelos, como eu estive tentando fazer com caras aleatórios pelos últimos três anos? Pela aparência dos últimos esboços, ele não tinha conseguido. Nem eu. Meu coração bateu forte com esse pensamento. Talvez nem tudo estivesse perdido. Talvez eu ainda tivesse uma chance. Quando eu entrei na cozinha, Dare estava de pé ao lado do fogão com os pés descalços, a calça jeans manchada de tinta pendurada em seus quadris. Era quase doloroso o tanto que ele estava incrível, quão desesperadamente eu queria apenas deslizar em seus braços e voltar para a sua vida. Sabendo que ele esteve pensando tanto em mim, tornava o desejo muito mais forte e muito mais difícil ficar lá e não tocá-lo. Controle-se. Concentre-se no jantar. Uma coisa de cada vez. Dare havia colocado vários queijos diferentes no balcão ao lado de uma caixa de leite e um par de ovos. Depois que ele colocou alguma salsa fresca e uma faca na tábua de corte, percebi exatamente o que ele estava fazendo. Macarrão e queijo. Puta merda. Fiquei ali em silêncio atordoado. Este era um movimento intencional, sem dúvida, mas ele estava tão quente e frio comigo que eu não queria começar a ter esperanças.


Ele reparou em mim, então, e fez uma pausa em seus preparativos, a fome em seus olhos que não tinha nada a ver com comida. Eu não conseguia respirar por causa da esperança que encheu todo o meu corpo naquele momento. — Posso ajudar...? — perguntei e prendi a respiração. Literalmente. Ele encarou mais um momento, em seguida, acenou para o queijo. — Você quer ralar? — Faço qualquer coisa. — eu disse, e seus olhos voltaram para os meus. Eu balancei a cabeça, querendo que ele soubesse que eu não estava falando apenas do jantar. Ele abriu espaço para mim no balcão, e eu comecei a ralar enquanto ele misturava manteiga derretida e um pouco de farinha. Peguei o segundo queijo. — Estes são diferentes do que os que você costumava usar. — A França tem alguns queijos muito legais, então eu tenho experimentado. — ele disse, derramando o leite na panela. — Espere até você provar esses. Você vai adorar. A esperança aumentou ainda mais no meu peito, mas eu não sabia se a deixava me encher ou a esmagava. Cada batida do meu coração era alimentada por ela. Minhas mãos tremiam um pouco e minha respiração tornou-se superficial e rápida. Eu estava apavorada, percebi. E se eu tivesse entendendo algo que não estava realmente aqui? E se Dare me derrubasse de novo? Eu não tinha certeza se aguentaria. Eu precisava dele como precisava de ar, como precisava do meu coração batendo. Ele veio ao meu lado e começou a cortar a salsa. Seu braço encostando em mim, provocando-me arrepios. De repente eu estava hiper consciente do fato de que estava praticamente nua, ali de pé ao lado dele na cozinha apertada. A suave camada de seda era a única coisa me cobrindo e estava presa


com um nó frouxo. Gostaria de saber se Dare tinha notado. Seu braço havia parado ao lado do meu, mas ele não moveu-o, como se quisesse me tocar tanto quanto eu queria tocá-lo. Eu me senti fraca simultaneamente, com preocupação e totalmente excitada. — O que fez você escolher Paris? — Dare perguntou de repente. — Arte. Sabine. — eu não tinha certeza do que tinha influenciado mais no destino que eu tinha escolhido. — O fato de que eu poderia trabalhar para ela aqui ajudou muito. Era uma maneira de mergulhar por inteiro no negócio, sob a orientação de alguém que eu confiava. Sem mencionar, que isso também era longe de... tudo. — Então você não tinha ouvido falar... — sua voz sumiu e no começo eu não soube onde ele queria chegar. — Que você estava aqui? — eu balancei a cabeça. — Como é que eu saberia? Você saiu do radar completamente. — eu me concentrei em ralar de novo, debatendo se devia dizer ou não, e então decidi que não tinha nada a perder neste momento. — Não, foi apenas uma coincidência feliz. Se eu soubesse, eu teria vindo mais cedo. Muito mais cedo. Dare respirou fundo. Porra. Talvez eu não devesse ter dito isso. Ele foi até o fogão e derramou o macarrão na água fervente, e eu fui sentar em uma banqueta no balcão. — E quanto a Harvard? — ele disse quando começou a fazer o molho de queijo. — Não era esse o plano original? — Esse era o sonho do meu pai, não o meu. Seus lábios se levantaram em um meio-sorriso. — Como está o velho prefeito? — Chateado pra caramba, eu tenho certeza. Eu não falei com ele.


Os olhos de Dare encontraram os meus, seu olhar cheio de uma emoção que eu não conseguia identificar. — Você realmente não é a mesma garota, não é. — não foi uma pergunta, e foi dita com... Deus, era satisfação? — Eu pareço mais forte do que sou. — eu dei de ombros. — Honestamente, eu não tenho coragem de falar com ele. Ou minha mãe. Eu tenho medo que encontrariam maneiras de me levar de volta. — Você é mais forte do que você pensa. — ele disse. — Nunca duvide disso. Minhas bochechas aqueceram. Embora eu não tivesse certeza se acreditava nele, eu realmente gostei do que ele falou. — E o seu pai? Ele está... fora? Dare agitou o molho, não respondeu. Ele derramou a mistura sobre a massa e deslizou o prato no forno para assar. Ele programou o tempo, em seguida, deu a volta a sentou-se ao meu lado. Um nódulo duro estabeleceu na boca do estômago e, embora a comida cheirasse incrível, eu não sabia se realmente seria capaz de dar uma única mordida. Seu maxilar angular, definido, cerrou. Ele estava claramente chateado que eu tivesse perguntado sobre seu pai. Provavelmente por causa da ameaça do meu pai de libertá-lo da prisão. — Dare... — Meu pai é um idiota. — ele retrucou. — Eu não quero falar sobre ele. Virei para olhar para ele e meu robe escorregou e abriu um pouco, expondo as minhas pernas. O olhar de Dare arrastou para baixo, na minha pele nua e ele cerrou os punhos como se lutasse com a sua determinação de não estender a mão e me tocar. Meu interior aqueceu com o seu olhar, e meu senso comum dissolveu. Eu já não conseguia evitar. Eu tinha que forçar isso. Forçá-lo. Eu descruzei e cruzei as pernas de novo, o manto escorregou mais. Dare observou cada movimento meu, seu pomo de Adão balançando enquanto ele engolia em seco. O silêncio entre nós estava carregado. Seu olhar acariciou as


minhas pernas, deslizando até as minhas coxas, me queimando, fazendo minha pele formigar em todos os lugares que tocava. Girei meu corpo para encará-lo, deixando o manto deslizar para abrir completamente, expondo-me, do abdômen ao tornozelo. Muito lentamente, coloquei minhas pernas em cada lado dele, totalmente nua para ele, enquanto o ponto entre as minhas pernas pulsava com pura necessidade. Eu estava brincando com fogo - eu sabia disso - mas eu estava muito atraída pela chama. Eu tinha que tocá-lo. Mesmo que isso significasse ficar queimada. O olhar de Dare me devorou, até que algo dentro dele se soltou. Ele estendeu a mão para mim, subindo os dedos por uma coxa, passando pelo meu núcleo, fazendo-me suspirar, então arrastando para baixo novamente. Ele se inclinou para frente, puxou o laço do meu robe de modo que a roupa escorregou nos meus ombros, me expondo completamente. Colocando meus seios em suas mãos, seus polegares circularam meus mamilos, enviando correntes elétricas para o meu clitóris. Jesus. Este era o Dare que eu conhecia. O homem que eu me lembrava. Ele me puxou em sua direção e bateu a boca na minha, seu beijo áspero e insistente. Corri minhas mãos sobre as suas costas, sentindo os músculos ondularem. Eu precisava tocá-lo. Nele inteiro. Eu agarrei a barra da sua camisa e puxei-a sobre a cabeça. Deus, ele era perfeito. Eu deixei minhas mãos correrem sobre os seus ombros e para baixo, nos braços esculpidos, sua pele quente e suave sob o meu toque. Então eu arrastei-as sobre o peito e aquele abdômen deliciosamente firme, que parecia ser esculpido em pedra. Com um gemido profundo, Dare envolveu os braços ao meu redor e me pressionou contra ele. Abaixando a cabeça, ele lambeu um seio, abrindo caminho com a sua língua para cima e em volta do meu mamilo. Pequenos gemidos escaparam dos meus lábios enquanto ele o possuía, com a boca quente e úmida. Ele lambeu e chupou, reivindicando-o para si, me levando à beira da


loucura enquanto me rendia a ele. Meus mamilos endureceram, enviando ondas de choque de prazer para o meu núcleo e eu tinha certeza de que se ele continuasse a fazer o que estava fazendo eu gozaria a qualquer momento. Só com a sua boca maldita. Ele foi para o meu outro mamilo, provocando-o firmemente com a sua língua, beliscando a carne delicada com os dentes. E aquele ponto mais sensível entre as minhas pernas doía a cada respiração ofegante, rouca, que eu soltava. Eu agarrei suas costas, enfiei meus dedos pelo cabelo dele, precisando que ele ficasse cada vez mais perto. Como se percebesse a dica, ele se levantou e segurou a minha boca com a dele. Saudei-o, abrindo meus lábios para saboreá-lo. Ele me inclinou para trás, no balcão, sua língua exigindo mais, aprofundando como se estivesse faminto por mim. Sua mão passou pelo meu cabelo, agarrando, me puxando para mais perto, mais forte, enquanto sua outra mão deslizou entre as minhas pernas. Dois dedos mergulharam fundo no meu calor, enquanto seu polegar começou a massagear meu clitóris inchado. Neste momento, cada pensamento e emoção estava cheio até a borda com Dare. Conforme ele continuava a devorar cada centímetro meu com fome desenfreada, carnal, eu não consegui segurar. Eu gemi seu nome. Uma e outra vez. Ele gemeu quando minhas mãos agarraram sua cintura. Um puxão e o zíper se abriu, e eu agradeci aos deuses pelo botão dos seus jeans terem aberto com um golpe. Ele deslizou facilmente pelos quadris estreitos dele, caindo no chão a seus pés. Mordi o lábio quando olhei para ele. Deus. Ele ainda estava sem cueca. E ele estava tão pronto para mim. Peguei seu comprimento em minhas mãos, saboreando a sensação da pele suave aveludada da sua dureza. Ele gemeu na minha boca, em seguida, me beijou mais forte.


— Deus, eu senti tanto sua falta. — eu sussurrei em seus lábios. Com essas palavras, Dare congelou. Seu corpo ficou rígido. Oh, não. Ele deu um passo para trás, dando um suspiro trêmulo e balançando a cabeça. Não, não, não. — Maldição. — ele disse, seu rosto escuro com partes iguais de tortura e raiva. — Porra, eu não posso ir lá com você novamente. — ele puxou a calça jeans de volta, agarrou sua camiseta, e vestiu. — Nós não vamos fazer isso. — ele disse, acenando com a mão para trás e para frente entre nós. — Você é a minha modelo e isso é tudo. — ele olhou para mim com um olhar de dor, duro. — Sai fora da minha cabeça, Ree. Ele saiu para a sala, e alguns segundos depois, ouvi a porta da frente bater. Eu estava em sua cozinha, completamente nua, meu coração quebrando em mil pedaços. Um arrepio frio tomou conta da minha pele, no lugar das mãos de Dare. Ele tinha me chamado de Ree. Isso tinha que dizer alguma coisa. Mas, ele queria a Ree fora. Então, o que isso diz sobre mim? Sobre nós?


Capítulo Treze

O

s próximos dias

entre Dare e eu foram tensos, frios e apenas negócios. Nós só víamos um ao outro quando ele precisava pintar. Se ele não tivesse uma exposição tão perto, e a iminente visita dos seus irmãos, eu sabia que ele teria apenas me mostrado a porta. Mas ele precisava de mim. Mesmo que ele não dissesse isso. Mesmo que ele não pudesse admitir isso. Dare precisava de mim. E eu iria com ele. Desta vez, colocaria as necessidades dele à frente dos meus medos. Eu estava trabalhando para a La Période Bleue todos os dias, das 9 às 2, depois ia para casa, para um banho rápido, antes de ir para o Dare onde trabalhávamos das três até às nove ou dez da noite. Depois disso, eu ia para casa para pesquisar on-line por mais algumas horas. Eu não estava só tentando encontrar artistas para Sabine, mas eu estava à procura de um talento futuro para a minha própria galeria, e tentando determinar onde eu daria conta de começar uma e se as comunidades poderiam apoiá-la. Com os meus fundos limitados eu estava procurando por um começo humilde e pequeno. Se eu tivesse o dinheiro do meu pai atrás de mim, eu poderia ter começado em Nova Iorque ou em qualquer outra grande cidade que tivesse uma comunidade artística próspera, mas isso não era uma opção. Mesmo que, por algum milagre, ele realmente chegasse a aprovar minha


carreira escolhida e oferecesse, eu ainda não aceitaria. O dinheiro do meu pai era manchado e sempre vinha com amarras. Este era o meu sonho. Eu tinha que conseguir isso sozinha. Eu precisava saber que podia. Lucien estava ficando um pouco amigável de novo, mas uma vez que eu passava a maior parte do meu tempo nas ruas, eu tentava ignorá-lo. No entanto, cada vez que eu estava na galeria, ele estava ali - falando muito perto, me tocando, me chamando para jantar ou dançar. — Estou ocupada. — eu dizia, tentando ser educada, saindo do alcance, apenas para tê-lo andando comigo. — Eu estou trabalhando toda noite. Eu não posso. Mas ele não aceitaria um não como resposta. Na quarta-feira, eu parei pela loja pouco depois das duas, antes de ir para casa. Eu tinha passado a manhã passando um contrato com Marie Ormonde, uma artista que tinha encontrado e totalmente me apaixonado. Suas pinturas eram abstratas em cores vivas e pinceladas ousadas, e me dava essa sensação de arrepiar e coração batendo forte que eu tinha quando eu sabia com certeza que havia encontrado algo grande. Um talento escondido. Eu mal podia esperar para ver suas pinturas nas paredes da La Période Bleue. Eu tinha enviado fotos do trabalho dela para Sabine e ela respondeu com um sonoro Oui! Exigindo que eu assinasse com Marie na hora. Olhando as pinturas hoje, fiquei me coçando para comprar alguns para mim, mas eu não podia me dar ao luxo de gastar o dinheiro agora. Fiz questão de colocar suas informações de contato no meu telefone para o futuro. Liguei para Sabine da galeria para registro e deixá-la ciente de como o negócio tinha ido. — Você fez bem, chérie! — ela disse, e eu podia ouvi-la sorrindo para mim por telefone. — Você é natural nisso, como eu disse. Estou tão orgulhosa de


você, Reagan. A comissão dessa exposição irá prepará-la para a sua própria galeria. — O que você quer dizer? — Você terá a sua própria comissão e também a comissão da galeria. Eu quero que você colha os benefícios do seu trabalho duro. E eu quero que você Vivez votre rêve. — viva o seu sonho. — Diga oui a ele! Um nó se formou na minha garganta e eu não consegui falar por um momento. Quando

eu

fiz,

minha

voz

estava

embargada.

— Merci

Beaucoup, Sabine. Muito obrigada. Eu nem sei o que dizer. — Diga oui à l'argent. — sim para o dinheiro. — Oui! — eu ri, mesmo que um par de lágrimas tenha caído. Sua crença em mim me encheu de tanta luz, naquele momento, que eu tinha certeza que eu podia qualquer coisa. Eu teria a minha própria galeria. Viveria essa vida que eu queria. Faria isso. Nós conversamos por mais alguns minutos, atualizando, então eu disse adeus e desliguei o telefone. Ela era a única pessoa em Nova Iorque que eu realmente sentia falta. Eu sempre pensava em Archer como meu único amigo, mas eu estava começando a ver que talvez não fosse toda a verdade. Uma mão quente, carnuda, agarrou minha bunda, e eu virei para encontrar Lucien. Mais uma vez. Merda. Eu não tinha sequer o ouvido entrar no escritório. Ele se inclinou para mim e eu tentei dar um passo atrás, mas a cadeira me manteve presa no lugar. Ela bateu na parte de trás dos meus joelhos, me tirando o equilíbrio, fazendo-me cair no assento. Lucien colocou as mãos sobre os apoios do braço e pairou sobre mim. — Bonjour, ma belle15. — ele disse, seu hálito de café requentado fazendo meu estômago revirar. — Vamos celebrar a sua primeira exposição em Paris esta 15

Boa tarde, minha linda.


noite. Que vous et moi. — só você e eu. — Eu conheço a maneira perfeita. — seu olhar deslizou pelo meu rosto e pescoço, e deleitaram em meu peito. Isso fez a minha pele se arrepiar. — Eu não posso. — eu disse, tentando levantar da cadeira, mas ele não saiu do caminho. Ele se inclinou ainda mais perto. — Você deve dizer oui à Lucien, também, chérie. Meu Deus. Ele estava ouvindo a minha conversa com Sabine? Havia um outro telefone na galeria. Ele deve ter pegado e ouvido. Isso era estupidamente assustador, me gelava até os ossos. — Não. — eu disse, arrepios correndo sobre a minha pele. Ele precisava dar um passo para trás e precisava fazer isso agora. — Não, eu não. Agora saia da porra do meu caminho, Lucien. Seus olhos se estreitaram e ele levantou uma mão do apoio de braços, como se fosse me agarrar, mas, em seguida, a campainha tocou fora, na galeria e uma voz gritou: — Bonjour! Lucien me lançou um sorriso lascivo, alisou os cabelos para trás e saiu do escritório para saudar o novo cliente.

Quando cheguei ao Dare eram quase cinco. Meu cabelo ainda estava molhado, minha pele em carne viva de esfregar a sensação de Lucien de cima de mim. E eu ainda estava tremendo.


No banheiro, eu olhei para o meu frasco de comprimidos. Um trago e eu não sentiria nada, mas Dare saberia. Ele veria. E ele ficaria decepcionado. Três anos

atrás, os médicos

tinham

sugerido

um

centro

de

tratamento. Você não precisa de um diploma de médico para saber que as pílulas eram apenas ban-daids para feridas mais profundas que não cicatrizam. Mas minha mãe não os ouviu. O que as pessoas pensariam, se a fofoca se espalhasse sobre uma McKinley precisando de ajuda? Sua solução eram mais pílulas. Quão fodido era isso? Então, em vez disso, eu tirei a fênix da minha bolsa e estendi sobre o balcão à minha frente. ISSO era a força - a verdadeira capacidade de recriar a si mesma. Eu estava tentando - bom Deus, eu estava TENTANDO. Mas aquelas pílulas fodidas deixariam tudo muito mais simples. Elas me chamavam, minhas velhas amigas. No entanto, Dare era muito mais importante. Eu não podia foder isso. Sem dúvida, eu sabia que nunca mais o veria de novo, se eu fosse lá alta. Minha fênix teria apenas que servir. Dobrei o papel de volta e coloquei no bolso. Tê-la comigo ajudaria. Tomara. — Você está atrasada. — Dare não se preocupou em olhar para mim, ele apenas resmungou na minha direção quando entrei no estúdio e corri para o futon. — Estou s... — Economize. — ele disse. — Se você não será de confiança, então eu não posso usá-la. Terei que encontrar outra pessoa ou... dizer foda-se a essa exposição. — eu olhei para ele, sem falar. — Ou terei que pintar qualquer uma, por que quem se importa? Um nu é um nu, certo? Ninguém se importa com essa porra desde que comprem uma pintura de uma mulher nua. — Você se importa. — minha voz tremeu um pouco e meus olhos estavam ardendo. — E eu também.


— O caralho que você se importa. Nós perdemos um monte de luz, porque você está atrasada. Não podemos trabalhar em uma das pinturas por causa disso. Se você realmente se importasse, estaria aqui na hora certa. O tremor começou de novo, não importava o quão duro eu tentasse contê-lo, ele não parava. Eu coloquei minha mão no meu bolso e segurei a fênix. Virei-me para longe dele, sem saber que fazer. Ele não me queria aqui? Eu não quero voltar para o meu apartamento solitário, não depois de hoje. Eu não podia suportar ficar sozinha. Eu não tinha certeza se seria capaz de resistir às pílulas se ficasse por conta própria. Porque eu não queria me sentir assim - eu queria sentir nada. Dare ficou em silêncio por um momento, então eu ouvi o raspar das suas ferramentas e pegadas pelo chão. Pisquei os olhos furiosamente, desejando que eles ficassem secos. Eu não queria desmoronar, mas eu não conseguia impedir que isso acontecesse. — Eu sinto muito. — ele disse em voz baixa atrás de mim. Ele não chegou a me tocar, e pela primeira vez eu fiquei feliz - não conseguiria me controlar de jeito nenhum se ele fizesse isso. — Eu estou apenas... estressado. Eu não devia descontar em você. Eu balancei a cabeça, incapaz de encontrar a minha voz enquanto eu tentava desatar meu robe. Minhas mãos trêmulas não colaboraram quando eu puxei e empurrei o laço em torno da minha cintura, de repente sentindo como se eu não pudesse respirar. Estava muito apertado - por que eu amarrei tanto essa merda? - e isso precisava sair AGORA. Minha respiração acelerou enquanto eu lutava tanto com o meu cinto, quanto com as minhas lágrimas de frustração, que ameaçavam entrar em erupção. Ofeguei com um soluço, e Dare acalmou minhas mãos. Ele estendeu a mão por trás de mim para desatar suavemente o cinto e me libertar. Ar correu para os meus pulmões e eu pude respirar novamente. Dare me virou, segurou minhas mãos. Ele olhou para elas tremendo em suas mãos grandes, em seguida, olhou para o meu rosto.


Vendo minha expressão, seus olhos se arregalaram. — Merda. Qual o problema? Eu fiz isso? Eu balancei a cabeça e engoli. Respirando fundo, eu encontrei o meu controle. — Nem tudo é sobre você, Princesa. — eu disse, e ele quase sorriu. — O que aconteceu? Eu passei meus braços em volta do meu corpo e dei de ombros. — Apenas um dia realmente ruim no trabalho. Conforme contei para ele sobre Lucien, os ombros de Dare endureceram e seus olhos ficaram perigosamente escuros, eu podia sentir a raiva vibrando por ele, rolando para fora dele em ondas intensamente viciosas. — Eu vou buscá-la no trabalho a partir de amanhã. — ele falou, seu maxilar cerrado. — Eu vou ter uma conversa com o imbecil. — Você não tem que fazer isso. — eu balancei minha cabeça. — Está tudo bem. — NÃO está bem. Esse cara precisa ser colocado em seu lugar. — Eu não quero causar problemas. — eu disse a ele. Eu não tinha ideia quais eram as intenções de Dare com Lucien, e eu não poderia ser responsável por Dare ficar na lista negra da cena artística parisiense. — Você não é a causadora dos problemas. Ele é. — ele estudou o meu rosto. — Você quer tirar o dia de folga? Se você não estiver afim disso agora, está tudo bem. — Honestamente, eu prefiro trabalhar. E você precisa trabalhar. Eu estou bem. — eu tirei o manto dos meus ombros e deixei-o cair no chão, só tardiamente pensando sobre o fato de que eu ficaria de pé nua, bem ao lado dele, quando eu fiz isso. Dare olhou para o meu corpo, o seu olhar aquecido. A sensação dos seus olhos na minha pele tinham o poder de apagar tudo o que tinha acontecido, e eu esqueci tudo, exceto ele. Eu podia sentir o calor do corpo dele como se estivesse


acariciando a minha pele nua, chegando nos meus mamilos e me fazendo pulsar em meus lugares mais privados. Minha voz estava sem fôlego quando eu disse: — Como você me quer? Os olhos dele encaram os meus, e a fome que eu vi lá correspondia à minha. Ele oscilou em minha direção, como se estivesse embalado pela minha proximidade, mas depois ele se sacudiu, passou as mãos pelo cabelo, e deu um passo para trás. — Vamos fazer uma nova pose esta noite. Algo confortável. Algo... livre. — ele se afastou do seu cavalete, escorregou para trás dele, seguro em seu mundo de formas e sombras, cor e luz. Deitei-me no futon, de costas, meu cabelo espalhado por toda a minha cabeça, um braço descansando em meu abdômen, o outro pendurado na borda do colchão. Observei-o trabalhar, ouvindo o ritmo dos seus golpes, sonhando que eram suas mãos no meu corpo, em vez dos pincéis na tela.


Capítulo Quatorze

P

assei

a

manhã

seguinte visitando artistas que Marie tinha me recomendado. Um deles, um rapaz chamado Jean-Pierre, tinha um sério potencial. Ele trabalhava principalmente em aquarela e especializado em paisagens. Por mais que eu não costumasse achar esse assunto particularmente fascinante, suas pinturas realmente chamaram minha atenção. Eu não tinha certeza do que era, uma combinação do estilo livre e paleta talvez. Ou talvez tenha sido o uso da sombra e luz. Eu não poderia reduzi-lo a apenas uma coisa que falava comigo. Arte, como o amor, era uma daquelas coisas indefiníveis na vida. Às vezes era apenas sobre o sentimento que lhe dava, e VOCÊ sozinho. O tipo de sentimento que fazia seu coração bater em um ritmo diferente, e todo o mundo parecer um pouquinho mais brilhante. A arte dele era assim, e eu tinha certeza absoluta de que faria uma exposição com ele, também. Quando voltei para a galeria após o almoço, eu estava tonta com entusiasmo sobre a minha nova descoberta, sentindo como se estivesse no lugar certo, e que as coisas estavam finalmente sincronizando. Eu confirmei alguns detalhes com Marie por telefone, em seguida, passei uma boa hora preenchendo a papelada para a exposição dela. A galeria estava estranhamente calma, e de repente eu me tornei consciente dele atrás de mim, à espreita.


— Lucien, estou ocupada agora. — eu disse, minha voz firme. — Por favor, saia. As mãos dele deslizaram sobre meus ombros, enviando um arrepio na espinha. Dei de ombros e me virei para olhar para ele. E foi aí que eu notei que a porta do escritório estava fechada. Meus olhos voaram para os dele, arrepios eriçaram a minha pele, meu coração começou a pesar. Alguma coisa sobre isso parecia muito errada. Um medo gelado inundou minhas veias quando me forcei a respirar e permanecer no controle. Eu tentei manter a calma quando disse: — Eu estou trabalhando. Eu tenho que terminar isso. — Ah, mas você trabalha demais, chérie. — ele falou, sua voz como óleo escorregadia, suave e deixando um resíduo viscoso. — Eu posso ajudá-la a relaxar. — ele se aproximou. — Não. — eu levantei rapidamente, colocando minha cadeira entre nós. — Eu não preciso relaxar. — eu olhei para o relógio em cima da mesa. Merda. Já eram duas e meia. Dare estaria aqui a qualquer minuto. — Eu preciso terminar isso para que eu possa ir para casa. — O que você está fazendo toda noite que você não tem tempo para o seu bom amigo Lucien? — Estou modelando para um artista. — eu disse, avançando lentamente em direção à porta. Os olhos de Lucien se iluminaram, e ele passou seu olhar para baixo pelo meu corpo, me despindo com ousadia descarada. Ele deu um passo em minha direção novamente. — Que tal você modelar para mim em algum momento, chérie? — Você não é um artista. — você só é um pervertido.


— Mas é claro que eu sou. — ele disse, estendendo a mão para me tocar. — E você seria a minha musa perfeita. Nua, sim? Corri para a porta, mas ele chegou lá primeiro, com as mãos agarrando meus braços, me puxando contra seu corpo. Oh, Deus. Repulsa me fez estremecer enquanto eu sentia sua ereção contra o meu estômago e eu empurrei contra ele tão forte quanto pude. — Me solta! — eu gritei, o pânico encheu meu peito. Quanto mais forte ele me segurava, mais eu lutava. Eu pisei no pé dele e ele xingou, me liberando, assim que a campainha tocou fora na galeria. Eu abri a porta quando a mão de Lucien estalou na minha bochecha me fazendo colidir com o batente da porta, rolando para fora, na galeria. Estrelas faiscaram atrás dos meus olhos quando o choque do golpe me surpreendeu. O som de punhos encontrando a carne e Lucien gemendo no chão trouxeram-me de volta. Alguém estava pairando sobre mim. — Você está bem? — a testa de Dare estava enrugada com preocupação, seus olhos piscando. — O que ele fez para você? Eu preciso chamar a polícia? Eu balancei minha cabeça. — Eu estou bem. Ele só... — eu comecei a tremer, em seguida, pensando sobre o que Lucien estava prestes a fazer, o que ele poderia ter feito se Dare não tivesse entrado naquele momento. Minha respiração passou de zero para hiperventilada em cerca de 2,5 segundos. A escuridão ameaçou a minha visão, enquanto alfinetes e agulhas espalharam pelos meus dedos das mãos e pés. Dare envolveu seus braços ao meu redor e me segurou firme. — Abaixe a sua cabeça. — ele falou. — Respire em suas mãos, eu não tenho um saco. — ele esfregou minhas costas, e eu pude sentir a calma se infiltrando das suas mãos quentes em meu corpo. — Você está segura, Ree. Eu tenho você.


Até o momento em que voltamos para os nossos apartamentos, eu podia respirar novamente. Tinha acabado. Eu estava bem. Eu tinha ligado para Sabine e ela demitiu Lucien na hora, garantindo-me que ela teria certeza que ele nunca poderia trabalhar em outra galeria novamente. Eu não sei o que Dare tinha dito ou feito para ele por trás da porta fechada do escritório, enquanto eu estava no telefone com Sabine, mas Lucien saiu com pressa, sem sequer olhar para mim. Foi um alívio saber que eu não teria que lidar com ele. Fui para o meu apartamento para tomar um banho, então fomos para o de Dare. Ele olhou para cima surpreso quando entrei em seu estúdio. No momento em que seu olhar caiu sobre o meu rosto, a preocupação brilhou em seus olhos. Um hematoma se formou na minha bochecha onde Lucien tinha me atingido. Dare levantou-se para dar uma olhada mais atenta, gentilmente tocando-o com os dedos. Tudo o que eu queria fazer era fechar os olhos e afundar meu rosto aquecido na palma da mão dele, mas me segurei. Eu não tinha ideia de onde estávamos. Ele me salvou hoje e eu não conseguia conter a imensa gratidão que sentia. Não se encaixava perfeitamente em uma caixa, um obrigada, ou um abraço. Isso transbordava e enchia o estúdio, penetrando em tudo o que via e tocava. Ele coloria meu mundo. — Você quer um pouco de gelo para isso? — ele perguntou. Então olhou para o meu robe. — O que você está fazendo? Nós não vamos trabalhar hoje à noite. Eu quero que você faça uma pausa. É... — Eu quero, Dare. — eu devia tanto para ele - tudo. Ele não tinha só me ajudado hoje, mas ele era o motivo de eu não estar pegando minhas pílulas agora. Mais importante ainda, ele tinha sido a inspiração pelo rompimento, pela a liberdade da minha família. Eu nunca teria seguido a arte se eu não tivesse o encontrado. Ele salvou minha vida em mais de um sentido.


Eu queria fazer melhor, ser melhor, por causa dele. Então, sim. Eu queria estar aqui. — Vá se arrumar. — eu disse, enquanto me dirigia para o futon para tirar o meu robe. Dare ficou colado ao chão, parecendo compenetrado. — Dare. — eu disse: — Não há outro lugar que eu preferiria estar agora. Por favor. Ele hesitou por mais um momento, em seguida, caminhou de volta para seu cavalete enquanto eu me estabeleci no futon. Eu fiquei de costas de novo e o assisti, perguntando como eu poderia retribuir tudo o que ele tinha me dado. Isso - estar aqui para ele pintar - era o mínimo que eu poderia fazer. E eu não estava brincando quando disse que era aqui onde eu queria estar. Eu só queria estar aqui. Com Dare.

A adega de vinhos. Escuridão completa. Estou tremendo de frio. Tão, tão escuro. Por que tem que ser tão escuro aqui? Por que ele desligou as luzes quando entrou? Ele sussurra e eu pulo. Eu não posso vê-lo. Mas eu o sinto. Mãos. Há mãos em todos os lugares. Eu não posso impedi-las de me tocar, de me rasgar e me despedaçar. Tento gritar, mas há um grande peso no meu peito. Não. Não, não, não... Por favor, não! Não posso respirar, não posso gritar por socorro. Não posso...


Acordei com um sobressalto, sentei engolindo o ar como se estivesse segurando a minha respiração. Merda. Ele ainda estava aqui? Eu não podia sentir suas mãos mais, mas isso não significava que ele tinha ido embora. Alguém se agitou ao meu lado e eu mexi para fora da cama, caindo no chão com um baque. Dare sentou ereto, olhou para mim e pulou para fora da cama. Dare? Oh, Deus. Achei - pareceu que - merda, eu estava toda confusa. Tinha sido um sonho. Apenas um maldito sonho. Graças a Deus por isso. O quarto estava escuro, cortinas fechadas, mas eu podia ver a luz dos postes infiltrando por elas. Onde eu estava? Espere, se Dare estava aqui, então... eu estava na cama de Dare. Puta merda. Como é que eu acabei na cama do Dare? — Qual o problema? — ele perguntou, conforme se ajoelhou ao meu lado. — Pesadelo? Eu olhei para ele, os restos do sonho desaparecendo. — O que estou fazendo aqui? — Você dormiu enquanto estávamos trabalhando. — ele falou. — Estava muito tarde, então eu a trouxe para cá. — ele deu de ombros. — Eu não achei que você quisesse ficar sozinha. — Não quero. — lentamente me levantei e ele levantou comigo. Minha garganta estava cheia de emoção. — Obrigada. Mais uma vez. Ficamos ali olhando um para o outro, a intensidade atingindo um ponto mais alto. Eu senti aquela atração incrível em direção a ele - uma espécie de atração magnética. E parecia que ele sentia, também.


Mas eu ainda podia sentir sua hesitação, e eu não sabia o que fazer sobre isso. Com toda a honestidade, eu estava exausta de tentar descobrir. — É... — parecia que ele estava procurando as palavras certas, mas não tinha certeza de quais eram. — Era a coisa certa a fazer. — então ele sorriu. — Eu sei como você se sente sobre isso. Meu Deus. Ele estava realmente brincando comigo? — Sim, que seja. — revirei os olhos, sentindo o calor do seu sorriso escoar através do meu corpo, direto para os meus ossos. — Tudo o que fiz foi te emprestar o meu maldito carro. Você precisava, Dare. Admita. Eu não posso acreditar que você ainda está falando sobre isso, três anos depois. Seus olhos se arregalaram quando ele soltou um pequeno riso, de repente, parecendo muito mais com o Dare que eu conhecia tão bem. Era tão bom para brincar com ele. Tudo o que tinha acontecido hoje desapareceu da minha mente. Havia só o Dare. — Era um Mercedes SLS AMG vermelho cereja. — ele falou. — Um carro de trezentos mil dólares. Não havia qualquer um desses no meu bairro. Dei de ombros e apontei para o meu peito. — Bem, este tribunal achou por bem conceder-lhe em uma troca justa, enquanto seu carro estava sendo consertado, graças à condução fodida da ré. Dare riu. — Eu ainda faço objeção, alegando que o gesto foi muito extravagante. — Negada. O período de carência para a apresentação de queixas passou. — eu bati um martelo invisível no ar. — Você só vai ter que deixar para lá. Ele arqueou uma sobrancelha. — Jesus. Você tem certeza que não vai para a faculdade de direito? Eu balancei a cabeça. — Mais certa do que nunca. Você só esqueceu o quão boa eu sou em argumentar.


— Sua teimosia é impossível de esquecer, Ree. — ele sorriu para mim em seguida, o sorriso maravilhoso caloroso, de três anos atrás, quando tudo era bom. Prendi a respiração, à espera do seu rosto fechar novamente, que ele se fechasse para mim, se lembrasse por que ele não queria mais ficar comigo. Ele não o fez. Em vez disso, ele só voltou para a cama, segurou as cobertas na minha direção como um convite, e esperou. A coisa mais assustadora que eu já tinha feito foi caminhar de volta e deslizar ao lado dele, sem saber se esse seria o velho Dare quente, ou o novo Dare, fechado, com que eu acordaria no período da manhã. Mas algo parecia diferente, as coisas tinham mudado entre nós, por isso, aproveitei a chance. Ele me puxou para junto dele, suas mãos ainda paradas, não mostrando nenhuma intenção de levar as coisas ainda mais adiante naquela noite. Eu relaxei em seu abraço, e adormeci novamente, ouvindo o ritmo da sua respiração, saboreando a sensação do seu calor ao meu redor. Existir neste momento com Dare era como voltar para casa depois de uma longa jornada, como estar perdida e de repente ser encontrada novamente.


Capítulo Quinze

N

a tarde seguinte, as

borboletas voltaram ao meu estômago enquanto eu estava me preparando para ir para o apartamento do Dare. As coisas pareciam tão diferentes. Diferentes de uma maneira boa. Nós tínhamos acordado tarde, e eu tive que correr para chegar à galeria, mas ele ainda me olhou como se me quisesse lá. Como se estivesse triste por me ver sair. O novo Dare foi embora. A vida estava de volta, em sua maioria, e eu mal podia esperar para passar a noite com ele. Meu corpo estava cantarolando, já formigando em todos os lugares certos, enquanto eu imaginava todas as coisas que eu queria fazer com ele - que ele fizesse comigo - depois de terminar a pintura. As coisas simplesmente pareciam certas, como se esta noite fosse nos levar adiante. Juntos. E eu não podia esperar para começar a fazer essa viagem. Quando a minha mão alcançou a maçaneta, houve uma batida na minha porta. Excitação me inundou enquanto eu sorri. Dare não podia esperar também. Talvez não chegássemos à pintura essa noite. Talvez fôssemos passar a tarde inteira fazendo todas as coisas impertinentes que eu... — Reagan! Abra, baby girl! Eu vim para te salvar. Meu queixo caiu e minha boca, literalmente ficou aberta quando eu abri a porta para Archer.


— O que você está... — Vista-se, querida. Vou levá-la para sair. — ele passou por mim, para ficar no meio da minha sala de estar. Como sempre, todos os detalhes sobre ele das suas roupas caras, para suas ondas loiras precisamente arrumadas estavam arranjadas com perfeição. Ele era como uma foto viva, respirando de uma revista. Mesmo seu nariz enrugado, conforme avaliava meu apartamento era de alguma forma atraente. — Eu voei todo o caminho para Paris apenas para isso. Eu fiquei congelada na porta aberta. — Como diabos você... — Sabia onde você estava? Eu sou um cara cheio de recursos. — ele olhou para mim quando eu ouvi a porta de Dare abrir. — Este lugar é um lixo. Por que você não vem ficar comigo no George V16? Eu tenho uma enorme suíte e eu estou disposto a compartilhar a minha cama. — seu sorriso lascivo estava mirando por cima do meu ombro. Virei-me para ver Dare de pé em seu portal, com o rosto de pedra, com os olhos cheios de traição. Eu abri minha boca para explicar que isso, obviamente, não era o que parecia, mas seu olhar ficou frio, e ele apenas balançou a cabeça como se não pudesse acreditar que ele tinha caído nessa novamente. — Dare. — eu disse, dando um passo em direção a ele. — Espere... não é... — Não é o que, Reagan? Jesus Cristo, o que você acha que sou? Corri pelo corredor até a porta, e falei em voz baixa. — Não é o que você pensa. Ele acabou de aparecer. Ele é meu am... — Eu sei quem ele é. Lembro-me dele de forma muito clara. AH MERDA. A última vez que Dare tinha visto Archer tinha sido no hospital depois da minha overdose. Quando Archer tinha me reivindicado como “a sua menina”. O que provavelmente significava que Dare pensava que estávamos juntos esse tempo todo. E que eu ainda estava com ele, uma vez que 16

Hotel luxuoso em Paris.


ele estava praticamente marcando meu apartamento como seu território. E REALMENTE não ajudava que Dare tivesse pego o fim da nossa conversa e ouvido a proposta irreverente de Archer. As coisas ainda não tinham nem chegado a começar de verdade com Dare e vida já estava enroscando comigo. Puta que pariu. — Eu não sabia que ele viria para Paris, Dare. E eu definitivamente não sabia que ele ia apenas aparecer no meu apartamento sem aviso prévio. — voltei a olhar para Archer e ele piscou. Foda-me. — Jacques acabou de ligar. — Dare disse, ignorando a minha explicação. — Eu tenho que ir até a galeria por algumas horas. Eu não vou precisar que você modele agora, então você e o Pretty Boy17 podem fazer o que diabos quiserem. Eu suspirei. — Você ainda quer trabalhar nas pinturas mais tarde esta noite? Eu só vou sair para um jantar rápido com Archer e te encontrar quando você voltar. Os olhos de Dare perfuraram os meus. — Faça o que quiser. — ele passou por mim para fechar e trancar a sua porta. Então ele enfiou as chaves do apartamento no bolso da sua calça jeans e afastou-se, desaparecendo na escada. MERDA. Respirando fundo, eu forcei um sorriso, que não estava realmente sentindo no meu rosto, e virei para Archer. — Então. — eu disse, temendo a noite e já desejando que estivesse acabada. Ele procurou meu rosto, como se visse através do meu sorriso. — Tudo bem, baby girl? Meu mau humor não era justo com Archer. Encontrar meu velho - e único - amigo para o jantar era razoável. Dare apenas teria de compreender ou

17

Garoto Bonito.


manter o seu emburramento para si mesmo. Enquanto eu não queria exatamente balançar o barco neste momento da nossa volta de relacionamento, este jantar era a coisa certa a fazer. A fim de ter uma chance real com Dare, eu tinha que ser capaz de existir plenamente e funcionar à parte dele. — Sim. Está tudo bem. — falei para Archer com um sorriso real neste momento. — Aonde você quer ir jantar? — Eu já fiz reservas no Le Cinq18, então vista algo sexy e vamos embora. — ele me olhou de cima e para baixo, em seguida, levantou uma sobrancelha travesso. — Você precisa de alguma ajuda para se trocar? — Claro que não. — eu disse, empurrando-o para o sofá, e ri apesar de tudo. Deus, ele era a porra de um vagabundo. Eu estava preocupada com Dare e como iria acalmar as coisas mais tarde, mas Archer sempre conseguia me fazer rir. Mesmo nas piores horas. Eu não tinha percebido o quanto eu sentia falta dele. Fui para o meu quarto e coloquei o meu vestido vintage favorito, de seda, cor champanhe. Ela se encaixou como uma luva, a cor, um complemento perfeito para os tons dourados do meu cabelo longo e reto. Eu não tinha ido a qualquer lugar tão agradável como o Le Cinq desde que eu tinha deixado Nova Iorque e me senti meio bem em me arrumar. Apesar que tudo que eu conseguia pensar era, gostaria que Dare viesse. Eu queria que ele fosse aquele a me admirar do outro lado da mesa, não Archer. Mas eu não podia pensar assim. Eu iria vê-lo mais tarde, e eu queria aproveitar o jantar. Mesmo que tivesse que ser principalmente pela força de vontade.

18

Restaurante no hotel George V.


Archer manteve uma conversa engraçada e entretida durante todo o jantar. No entanto, artificial, era bom rir com ele. Ele tinha um PhD em charme e mesmo que eu sempre pudesse enxergar através da sua besteira, eu entendia por que as mulheres o bajulavam. Na verdade, eu notei várias papas anjo perto da nossa mesa que ficavam tentando chamar a atenção dele e uma delas parecia mais velha do que a sua mãe, o que só me fez provocá-lo, até que ele corou. — Oh meu Deus. — eu disse, olhando com espanto para as suas bochechas coradas. — Você realmente fodeu a mãe de alguém, não é? Deus, só por favor, não me diga que foi a minha. — minha curiosidade levou a melhor sobre mim quando eu me inclinei na direção dele e sussurrei: — Então, como foi? — Fodidamente fantástico. — ele falou, rindo. — Mas nada comparado a você. Você sabe que você é a única garota para mim. — Não é verdade, como ficou evidenciado pela longa fila de garotas que vieram antes e depois de mim. — eu disse. — Mas algum dia, alguma garota vai roubar seu coração e essa declaração será muito verdadeira para ela. Archer olhou para mim por um momento, antes de olhar para o prato vazio. — Sobremesa? — De jeito nenhum. — eu balancei minha cabeça. — J'ai fini19. Essa refeição foi tão incrível que eu não tenho nenhum espaço para a sobremesa. Mas você vá em frente, se quiser. Ele inclinou a cabeça e levantou uma sobrancelha. — Só há uma coisa que eu quero para sobremesa e não está no menu. Eu gemi tão alto que algumas pessoas realmente se viraram para olhar para nós. — Essa cantada funciona sempre? Ele sorriu, seu olhos azuis brilhando. — Toda vez, baby girl. Não estrague meu recorde perfeito agora. Vamos lá, seja uma jogadora de equipe.

19

Acabei.


— Deus. Cresça. — sendo a adulta que eu era, eu joguei meu guardanapo nele. — Você é depravado, você sabe disso? — E você ama isso em mim. Revirei os olhos. — Você deseja. — Eu desejo, na verdade. — a gravidade em sua voz fez o sorriso sair do meu rosto. Não isso, Archer. Não agora. Ele deu de ombros e fez sinal para o nosso garçom pedindo a conta, quando o meu telefone tocou. Porra - Mãe, também conhecida como, Não Atenda Se Você Sabe O Que é Bom Para Você, como passou a ser rotulada em meus contatos. Eu estava ignorando seus telefonemas desde o dia em que saí de Nova Iorque. Até agora, eu havia coletado vinte e uma mensagens de voz lívidas. Cada uma foi entregue naquele tom assustadoramente tranquilo, gelado, que ela gostava de usar comigo. — É melhor você ter uma boa desculpa para esta viagem improvisada, Reagan. — Seu pai quer saber por que você não conseguiu responder a Harvard, Reagan. — Porque você não pode ser mais como seus irmãos, Reagan? Quincy e Pierce NUNCA fariam isso comigo. Estou tendo enxaquecas diárias por causa do seu comportamento egoísta. As últimas eram apenas: — Reagan. Me liga. AGORA. Dois dias atrás, minha caixa de correio tinha finalmente alcançado o limite de Olivia McKinley. Virei a tela ao redor para mostrar para o Archer e ele acenou para ela.


— Você provavelmente deveria falar com ela logo e acabar com isso. — ele disse. — Você terá que fazer isso, eventualmente. Cerrei os olhos para ele. Como diabos ele sabia que eu não tinha falado com ela o tempo todo? Eu olhei para o meu telefone vibrando novamente. Ah, que merda. — Olá, mamãe. — Reagan. Finalmente! — havia algo estranhamente diferente sobre o tom da voz dela desta vez. Não tinha nada da geada das suas mensagens de voz. — Como você está, querida? Querida? Minha mãe nunca, nenhuma vez, em meus 22 anos me chamou de querida. Ou qualquer outra coisa que possa ser considerado um termo carinhoso. Um aviso brilhou em minha mente. Alguma coisa estava acontecendo. Alguma coisa TINHA que estar acontecendo. — Tudo bem. — eu disse. — E como estão as coisas com Archer? — Ele acabou de chegar aqui hoje. Como você sabia que ele estava aqui? — meu estômago se apertou quando percebi exatamente como ela sabia. O meu olhar prendeu Archer no lugar. — Eu soube que você estava tendo um belo jantar no Le Cinq. — Soube? — eu olhei do outro lado da mesa. Traidor. — Sim. Très romantique! Sooooooooo20... — ela falou, soltando a palavra como se tivesse onze “s” fodidos. — Você tem alguma novidade? — Novidade? — fiz uma pausa, levantando as sobrancelhas para Archer. O sorriso congelou em seu rosto e ele rapidamente ocupou-se com a conta. E eu voltei minha atenção para ela. — Mãe, você tem tomado muitas das suas pílulas especiais? 20

Então.


E então ela riu - aquela risada tilintante, estridente, que ela só usava quando estava lambendo os doadores e políticos. Se isso não fosse um sinal de que ela tinha pirado... — Ah, Reagan! Sinto falta do seu senso de humor brilhante. Sim, certo. Ela odiava o meu senso de humor com paixão. Tinha muitas vezes se referido ao meu sarcasmo como - inadequadamente repugnante. Eu apertei meus dedos em torno do telefone. — Você precisa de algo? — Por que você acha isso? — minha mãe tinha um dom para parecer magoada. — Eu estava simplesmente ligando para ver como você estava indo como tenho feito por semanas - e perguntar se você tinha alguma coisa para me contar. — O que exatamente você quer ouvir? Como está indo o meu trabalho na galeria? Está muito bom, na verdade. Obrigada por perguntar. — Ah, Reagan. Você não pode ainda estar falando sério sobre aquilo, não é? Você sabe, você ainda pode ir para Harvard no outono. Seu pai entrou em contato com eles imediatamente para segurar a sua vaga. — O que?! Eu falei para eles que não iria. — Eu sei. E isso foi muito precipitado da sua parte. Todos nós deveríamos nos reunir - você, Archer, seu pai, e eu - para falar sobre isso. Seu futuro é muito importante. O que diabos Archer tem a ver com o meu futuro? Ela não estava fazendo nenhum sentido. — Mãe, o que você REALMENTE quer? — Olha a hora! Eu tenho que correr. Seu pai e eu vamos oferecer um jantar hoje à noite e tenho que ir ao meu estilista. Au revoir. — ela desligou antes que eu pudesse dizer qualquer outra coisa.


Olhei para o meu telefone por um momento, minha boca aberta enquanto eu tentava dar sentido à chamada bizarra. Minha mãe estava misturando remédios, sem dúvida sobre isso. — Tudo bem? — Archer perguntou. Eu fiz uma careta para ele. — Minha mãe não perguntou sobre Paris ou tentou me convencer a voltar para casa. Em vez disso, ela queria falar sobre você e as reservas para o jantar que você fez. Por que isso, Arch? Ele arregalou os olhos por um momento, mas depois ele simplesmente deu de ombros. — Parece que alguém tomou muitos comprimidos felizes. — Você tem falado com ela nas minhas costas. Ela te mandou aqui, não foi. — não era uma pergunta - eu já sabia a resposta. — Só para garantir que está tudo bem. — ele disse, enquanto pegava minhas mãos. Tirei-as da mesa e coloquei no meu colo. — Seus pais têm se preocupado, Reagan. Eu zombei. — Não comigo! Eles estão preocupados com eles. E como a minha pequena fuga das garras dos McKinley poderia mexer com os planos deles. — Sim, mas... — Esqueça. — eu balancei a cabeça. — Eu estou em Paris. Eu oficialmente não quero pensar sobre a minha mãe mais. Basta não ser seu espião, ok? Não faça isso comigo. Você é meu amigo, não seja minha Benedict Arnold21 de merda. Eu não me importo se eu de repente me encontro no meio de uma trama fodida de Taken22. Não fale com meus pais sobre mim. Isso não é um pedido.

21

Foi um general norte-americano, que passou para o lado britânico durante a Guerra da Independência Americana. 22

Filme francês, no Brasil, Busca Implacável, um ex-agente do governo tem a filha sequestrada por traficantes de mulheres quando ela viaja para Paris com a amiga, o que faz com que ele inicie uma busca para reencontrá-la.


— Ok, eu não vou. Palavra de escoteiro. — ele me cumprimentou e riu, mas quando ele se levantou e veio para puxar minha cadeira, ele pareceu... desligado. Olhei para ele. — Você está bem? Sua máscara caiu de volta no lugar e ele apontou um sorriso deslumbrante para mim. — Perfeito como sempre. Eu estava prestes a replicar que perfeito não era a palavra que eu escolheria para descrever este momento, mas algo em sua expressão me parou. Então, eu não disse nada. Enquanto caminhávamos para o lobby do hotel, ele tentou me convencer a ir até sua suíte, mas eu recusei. O jantar estava acabado, eu cumpri minha obrigação amigável, e eu podia sentir Dare me esperando do outro lado do Sena. Esperava.


Capítulo Dezesseis

A

s

ruas

de

Paris

cintilavam com luzes, mas eu não tomei conhecimento conforme corria de volta para o apartamento de Dare, meu coração batendo mais pelo nervosismo do que pelo esforço. Eu nem sequer me preocupei em voltar para o meu apartamento primeiro para me trocar, eu só bati na porta dele, logo que cheguei ao topo da escadaria. A porta se abriu e Dare estava diante de mim, sem camisa, toalha na mão, calça jeans pendurada para baixo. Eu o absorvi, pele bronzeada, esticada sobre o terreno muscular do seu torso, todas as montanhas escarpadas e vales suaves. Ele era bonito pra caramba. Archer podia ser a imagem perfeita, mas Dare era arte viva e respirava. Sensual. Poderoso. Erótico. Ele olhou para mim por um momento, seus olhos se estreitaram quando ele olhou o meu cabelo selvagem e vestido colado. Então ele abriu mais a porta para me deixar entrar, e eu passei por ele. Quando ele a fechou, eu me virei para dizer-lhe quanto eu sentia sobre esta noite, mas de repente ele estava logo ali, a poucos centímetros de distância, deixando-me sem palavras. Olhamos um para o outro em silêncio por um momento, o ar entre nós tão carregado que estava praticamente crepitando. A atração de Dare era tão forte que era uma maravilha que eu conseguisse ficar de pé. — Você e ele estão...? — seus olhos estavam escuros, insondáveis. — Não. — eu disse, balançando a cabeça. — Não.


— Porque parecia que... — Não é. Seu olhar deslizou para os meus lábios e eu prendi a respiração. — Ele é do seu mundo. — ele falou. — Não é o meu mundo mais. Eu estou fora. TOTALMENTE fora. — Não pareceu isso. — Eu estou. Eu ju... Antes mesmo de eu terminar de falar, ele caiu sobre mim, com as mãos segurando meu rosto, a boca chocando com a minha enquanto ele me empurrava para trás, apertando-me com força contra a porta. Suas mãos deslizaram para baixo, pelos lados do meu corpo até chegar à barra do meu vestido e puxar o tecido escorregadio sobre meus quadris. Em seguida, ele agarrou o laço da minha tanga com ambas as mãos, rasgando-o completamente para fora de mim. Eu nunca fiquei tão excitada com o som de um tecido rasgando. Ele jogou a calcinha arruinada atrás dele enquanto eu envolvia minhas pernas em volta da sua cintura. Ele segurou minha bunda em suas mãos, levantando-me mais alto, me empurrando com mais força contra a porta, abrindo-me mais. Eu me esfreguei contra ele, pedindo-lhe para me levar. Rudemente puxando meu vestido sobre a minha cabeça, Dare quebrou nosso beijo só para liberar o tecido e lançá-lo de lado. Suas mãos procuraram os meus seios, seus dedos provocando meus mamilos com força, fazendo-os formigar. Passei minhas unhas nas costas dele, enfiando em seus músculos rígidos enquanto ele tomou um mamilo em sua boca e chupou até que eu era um gemido, contorcendo em uma poça de puro desejo. Ele me beijou de novo, envolvendo as mãos atrás dos meus joelhos e levou-me, nua e enrolada em torno dele, para o sofá. Quando ele me deitou


sobre as almofadas, cobrindo meu corpo com o seu bem maior, ele abriu um caminho de beijos até o meu queixo e desceu do meu pescoço para o meu peito. Uma mão teceu no meu cabelo enquanto a outra deslizou até a minha coxa, puxando-a para cima e para o lado, me expondo completamente para ele. Um calor líquido brilhou em seus olhos, e ele soltou um gemido baixo quando seus dedos mergulharam entre as minhas dobras. Seu polegar massageou meu clitóris, dois dedos acariciando minha abertura com golpes hábeis. — Jesus, Ree. — sua respiração quente, mentolada acariciava meu pescoço. — Você está tão molhada. — eu empurrei meus quadris, instando-o para dentro, choramingando para ele me possuir. — E assim, tão impaciente. — seus lábios se curvaram em um sorriso satisfeito, enquanto dirigiu seus dedos para dentro de mim, saciando a minha sede por ele enquanto colocava fogo em todo o meu corpo, com golpes rápidos e profundos. Tudo por você, eu queria dizer, mas as minhas palavras foram reduzidas a gemidos, conforme ele aumentava a velocidade e intensidade do seu toque. Enquanto ele me desvendava por dentro, ele mordia meu lábio inferior, sugando-o com o mesmo ritmo dos seus dedos. Eu passei meus braços em volta do seu pescoço e bati a minha boca na dele em um beijo forte, fundindo-nos. Não importa o quanto ele me desse, não era suficiente. Eu queria mais dele, precisava dele mais perto. Apenas quando eu pensei que eu o tinha, ele acalmou seus dedos dentro de mim e puxou de volta. — O que você quer? — sua voz sedutoramente baixa e rouca, os olhos escuros perfurando a minha alma. — Você. — eu disse. — Você, Dare. — Boa resposta. — ele me recompensou com uma tempestade de beijos pelo meu estômago e parou logo acima daquele lugar, onde eu mais queria sua boca agora. Pulsava no ritmo do meu coração batendo, dolorido para que ele lambesse, sugasse. Eu levantei meus quadris. Oferecendo. Implorando.


— Por favor. — eu sussurrei. — Diga-me o que você quer que eu faça para você. — suas palavras eram ásperas, exigentes. — Me lambe. Um sorriso perverso preencheu seu rosto quando ele abaixou a cabeça e passou a língua ao longo das minhas dobras, girando ao redor do meu clitóris inchado, pressionando o seu sorriso dentro mim. Meu corpo detonou, pequenas explosões saindo em todos os lugares, quando o meu núcleo apertou em antecipação. Dare me lambeu de novo, sua língua quente sacudindo levemente em meu clitóris. — Eu quero ouvir você dizer que me quer de novo. Desta vez mais alto. — Eu quero você. — eu gemi quando ele me lambeu novamente. — Diga-me que você quer só a mim. — seus dentes me tocaram, mordiscando a carne sensível. — Eu quero. — oh, Deus. A boca dele. — Eu quero você, Dare. Só você. Sempre você. Seu hálito quente na minha dor me deixou selvagem. Gemendo, eu levantei meus quadris e procurei sua boca, suspirando de alívio e alegria quando ele me lambeu novamente. — O que mais você quer, Ree? — sua voz era profunda e carnal, pingando com o sexo. O som só me fez pulsar mais forte, pulsar mais rápido, contorcer mais. — Chupe. — eu disse. — Por favor. Ele sorriu e abaixou a cabeça, separou ainda mais as minhas pernas, em seguida, tomou o meu clitóris entre os lábios e chupou com tanta delicadeza. Estrelas explodiram atrás dos meus olhos. Quanto mais ele chupava, mordiscava e lambia, mais forte a corrente que fluía através de mim crescia. Meus quadris balançaram contra a boca, com o ritmo que ele


estabeleceu. Meus gemidos cresceram mais e mais, até que eu estava certa de todo o edifício podia me ouvir. Porra, se eu me importava. Meu mundo inteiro era Dare - não havia mais nada neste momento ou no próximo, exceto ele. Apenas ele. Ele era a única pessoa na minha vida que poderia me fazer sentir desse jeito, que poderia me fazer esquecer todo o resto. — Diga meu nome, Ree. — ele falou, sua voz dedilhando meu interior. — Eu quero que você grite quando gozar. Ele me lambeu novamente - duro e rápido e eu estava de repente gozando. Gritei seu nome uma e outra vez quando o formigamento dentro de mim cresceu para um patamar bastante alto, explodindo em uma intensa onda, que caiu pelo meu corpo e me fez perder a sensação dos meus dedos das mãos e pés. Dare observou atentamente conforme a onda diminuiu, seus olhos entreabertos, um sorriso suave, satisfeito, esparramado em seu rosto. E, naquele momento, eu soube. Ele era meu. Eu era dele. Estávamos de volta. Estendi a mão para seus jeans e libertei-o. Ele estava diante de mim magnificamente nu, músculo todo sólido e excitação não adulterada. Eu quase chorei quando ele se afastou e saiu da sala, mas ele estava de volta em segundos, um preservativo na mão. Peguei-o dele, mais do que pronta para finalmente tê-lo dentro de mim. Mas, antes de colocá-lo, primeiro eu o peguei nas minhas mãos, beijeio. Ele gemeu enquanto eu corri minhas mãos para cima e para baixo em seu comprimento, entregando-me ao sabor dele. Ele estava muito duro, tão pronto para mim. Tão perfeito. Eu adorava ter feito isso com ele.


— Ree. — ele disse, e eu me emocionei com meu nome em seus lábios, com o seu apelo adorado. Eu rasguei o pacote, puxei o preservativo e coloquei-o sobre sua ereção. Ele me inclinou para trás, reivindicando os meus lábios novamente com os seus, quando ele se colocou entre as minhas pernas. Eu podia senti-lo em minha abertura, pressionando levemente - só o suficiente para me deixar louca de desejo - e estendi a mão para guiá-lo. Ele me encheu completamente, fazendo-me gritar de prazer quando empurrou por todo o caminho. Deus. Ele era bom pra caralho. Dare beijou-me com força, me possuindo com todo o seu corpo, com o ritmo dos seus movimentos, e eu o encontrei beijo por beijo, impulso por o impulso. Neste momento, foi como se tivéssemos o poder de apagar anos de frio, a distância vazia. Nossa paixão combinada levou-nos mais e mais até que ele estava gemendo meu nome e eu estava gritando o dele, enquanto balançávamos juntos em um alívio requintado. Ele despencou em cima de mim, a nossa pele um pouco suada, os nossos corpos esgotados, nossa respiração desacelerando em sincronia. Eu passei meus braços e pernas ao redor dele, recusando-me a soltar, tentando me controlar, tanto quanto meu abraço com ele. Mas quando ele se aninhou em meu ombro suavemente, beijando minha clavícula como ele costumava fazer - uma pequena coisa que ninguém nunca tinha feito, aquilo era tão doce, tão íntimo, tão... carinhoso - eu me descontrolei. As lágrimas desceram pelo meu rosto, pingando no cabelo dele, e meu corpo foi sacudido por soluços silenciosos. Eu senti tanta falta dele. Os últimos três anos pareceram como se eu tivesse perdido metade do meu coração, metade da minha alma. Tê-lo de volta na minha vida era devastador, da melhor maneira possível. — Shh. — ele disse, enquanto me segurava em um abraço calmante, apertado. — Está tudo bem, Ree. Estou aqui.


E isso sรณ me fez chorar ainda mais. Ele estava lรก. Estรกvamos finalmente juntos e eu finalmente sentia como se minha vida estivesse se encaixando.


Capítulo Dezessete

M

esmo antes dos

meus olhos abrirem na manhã seguinte, eu podia ouvir o suave arranhão de lápis no papel, a mancha de dedos amolecendo sombras e linhas. E eu sabia - ele estava me desenhando enquanto eu dormia. A felicidade me inundou, preenchendo todos os espaços do topo da cabeça até as pontas dos meus dedos. O buraco negro foi embora, em seu lugar havia uma incrível sensação de plenitude. Eu estava sorrindo quando finalmente olhei para ele. Meu sorriso real. Aquele que só Dare provocava em mim. Quando ele olhou para cima e me viu olhando para ele, ele largou a almofada e voltou para a cama. Ele usava nada além de calção, e vi a maneira como seus músculos ondularam, conforme ele atravessou o cômodo. Eu o alcancei antes dele chegar em mim, ansiosa para tocá-lo, precisando senti-lo, para ter certeza de que ele era real. Que éramos reais. Que isso estava realmente acontecendo. Meu Deus. Estava realmente acontecendo. — Bom dia. — ele se inclinou para beijar meus lábios. Eu ri e virei minha cabeça para o lado. — Eu ainda nem escovei os dentes. — eu disse enquanto ele acariciou minha nuca, provocando arrepios sobre a minha pele. Eu tentei rolar, mas ele me prendeu, trazendo seu rosto até ao meu.


— Eu não me importo, Ree. — ele falou, o mais belo sorriso iluminando seu rosto. — Eu estou com fome pra caralho de você. Eu quero você do jeito que você está. — Suja? — E nua. — seus olhos escureceram. — Muito, muito nua. — E livre. — eu disse, pela primeira vez na minha vida, me sentindo verdadeiramente livre. Olhei para ele, meu olhar se fixou em seus lábios. Quando ele lentamente se inclinou para me beijar, era como se ele estivesse me bebendo, me explorando, pela primeira vez. Eu abri minha boca para recebê-lo, sentindo meu corpo despertar em todos os lugares certos. E quando ele deslizou na cama ao meu lado, com as mãos explorando meus contornos, eu finalmente senti como se tudo - TUDO - estivesse bem no meu mundo.

— Então, você vai ter o suficiente? — eu estava de frente para ele, desta vez, sentada com os braços cruzados sobre as minhas pernas, meu cabelo comprido desmoronando ao meu redor, a luz solar refletindo, destacando o lado direito do meu corpo. — Quadros? — Dare disse, com foco na tela. — Sim. Eu conversei com Jacques esta manhã e a exposição vai acontecer. — ele parecia aliviado. — Eu só tenho que terminar este e refinar alguns outros. Devo conseguir fazer isso ao longo dos próximos dias. Eu sorri. Eu não consegui evitar - eu estava tão animada com a exposição dele. Era um grande negócio, mesmo que Dare não estivesse agindo assim. Eu sabia disso.


— Então, o que vem por aí para Dare Wilde? — eu perguntei em voz baixa. Ele deu de ombros, olhou de soslaio para o seu trabalho por um momento, então falou: — Eu acho que eu vou ter que ver o que acontece. Rex quer que eu visite alguns amigos dele, enquanto estou na Europa. Então, eu não tenho certeza. — ele foi cauteloso, não fazendo quaisquer planos, não se comprometendo. Não tinha certeza de mim ainda. Não tinha certeza de nós. Intelectualmente, eu entendia, mas isso não quer dizer que meu coração estava protegido contra a dor. Porque eu tinha certeza de nós. Depois de tudo o que tínhamos passado, após três anos de intervalo, depois de encontra-lo outra vez em Paris, de todos os lugares... eu tinha certeza. Eu queria Dare. Sem dúvida. Sem dúvidas. Sem fim. Mas será que ele sentiria o mesmo? O telefone de Dare tocou. Ele olhou para a tela e seu rosto se iluminou. — Você quer esticar? — ele abaixou seus pincéis e pegou o telefone. — Isso vai ser apenas um minuto. — em seguida, ele bateu na tela. — Dash! — ele disse, e se voltou para as janelas. — Como está a vida como um deus do rock? Eu puxei meu robe ao meu redor, agarrei a caneca de Dare e fui para a cozinha para encher o seu café e pegar mais chá. Eu amava estar em seu espaço, sentindo como se eu pertencesse a ele. Quase. É evidente que ele não estava tão entregue quanto eu, e estava tudo bem. Eu o magoei da última vez - ele tinha todo o direito de ser cauteloso.


Mas estar na sua cozinha, sentir-me em casa aqui... isso me preenchia de uma maneira que nada mais fez. Quando voltei para o estúdio, ele ainda estava no telefone. — Amsterdam? Eu não sei, cara. Eu tenho... — ele olhou para mim. — ... Coisas acontecendo. — ele riu e virou de costas para mim novamente. — Foda-se. Vou ver, certo? Mas eu não estou fazendo nenhuma promessa. — ele balançou a cabeça. — Sim. Assim como você. Tanto Faz. Eu tenho que ir. Ao contrário de você, eu estou realmente trabalhando. Sim, sim. Eu vou acreditar quando eu vir isso. — então ele riu de novo e desligou. Quando ele se virou para mim, seus olhos emanavam uma calma calorosa que só conseguia com a sua família. Eles traziam essa alegria profunda nele, que o fazia brilhar. Eu não entendia esse sentimento de jeito nenhum - não de família, não de alguém - mas eu esperava que talvez um dia eu sentisse isso também, e que talvez eu fosse aquela que faria Dare ficar assim. — Era o meu irmão Dash. — ele disse. — A banda dele está em turnê neste verão. — Na Europa? Ele assentiu com a cabeça. — Nós temos que nos encontrar em algum momento, então ele estava ligando para ver se eu o encontraria em Amsterdam. Eu só tenho que passar por esta exposição primeiro, antes que eu possa pensar em sair. — ele olhou para mim, pensativo. — Ver o que acontece com.. a arte. Eu me ocupei com o meu cinto, não querendo pensar em Dare indo embora, justamente quando eu finalmente encontrei-o novamente. — Quando Dalia e Dax vêm? — Eu tenho que buscá-los no aeroporto na segunda-feira à noite. — ele não me pediu para ir junto. E eu estaria mentindo se dissesse que não doeu um pouco, também.


Mas eu não era da família. E ele não tinha certeza. E estava tudo bem. Bem-merda. Pelo menos era o que eu dizia a mim mesma. Além disso, a exposição começava na terça à noite e isso me daria um tempo extra para preparar para a estreia de Dare. E eu provavelmente poderia usar a noite de folga para ver Archer novamente. Ele me mandou algumas mensagens, mas eu continuei dando-lhe respostas evasivas para os seus convites para sair. Agora eu poderia fazer um plano sólido com ele, o que seria bom. As coisas estavam se encaixando. Finalmente. Minha vida já não parecia fora de controle.


Capítulo Dezoito

—V

ocê tem

certeza que não quer sair? — Archer disse enquanto olhava meu apartamento da porta.

Vou

levá-la

em

algum

lugar

agradável. Tipo

no

oitavo arrondissement23. — Eu prefiro comer. — eu entrei na cozinha. Ele levantou uma sobrancelha muito cética para mim. — Sério? — Não se preocupe, Arch. Eu não vou cozinhar. Eu não caí tão longe. — não que eu não quisesse saber como, mas eu sabia que Archer realmente não entenderia isso. Eu tirei um par de pratos do armário enquanto ele ria. — Peguei algumas embalagens para viagem de alguns restaurantes locais. Ele entrou na sala de estar e caiu no sofá. — Então, onde ele está? — Dare? — eu não tinha que perguntar. Eu sabia de quem ele estava falando. — Ele está fazendo uma verificação final na galeria para a sua exposição, em seguida, vai pegar o seu irmão e irmã no aeroporto. — Cristo. As pessoas realmente fazem isso? — Archer balançou a cabeça. — Encontrar os outros nos aeroportos? Isso é tão pitoresco. Eu não iria pegar meu irmão em um aeroporto.

23

Um dos 20 distritos de Paris, onde está localizado o Arco do Triunfo, Palácio do Eliseu, residência do Presidente da República, um dos distritos mais emblemáticos de Paris, com maior renda per capita.


Eu ri. — Isso é porque você detesta absolutamente o Spencer. — Sim. — ele sorriu. — Verdade. — Dare gosta dos seus irmãos. Ama-os demais, na verdade. Os olhos gelados de Archer se arregalaram quando ele balançou a cabeça. — Eu não posso sequer imaginar isso. Eu me pergunto como é. Revirei os olhos e joguei um guardanapo para ele, que ele facilmente pegou. — Você me encontraria em um aeroporto, não é? Se eu pedisse? Ele deu de ombros. — Isso dependeria do que eu estivesse fazendo. Ou, mais provavelmente, com quem eu estivesse fazendo. — quando eu coloquei minhas mãos em meus quadris e dei-lhe o meu olhar fixo característico de Archer-está-sendo-um-idiota-NOVAMENTE, ele riu. — Eu mandaria um carro para você, pelo menos. — Isso é tão... alguma coisa. — Bem, você é minha melhor amiga. Ele sorriu quando eu levei a comida e deixei-a sobre a mesa de centro. Acendi um par de velas e as coloquei sobre a mesa entre nós. — Para a atmosfera. — eu disse, sentando no chão na frente dele. — Eu não quero que você perca todas as coisas extravagantes que você está acostumado, só porque estamos comendo em casa. Ele ficou em silêncio por um tempo, antes de dizer: — Eu senti sua falta, baby girl. As coisas simplesmente não são a mesmas sem você por perto. Quando você vai para casa? Eu balancei minha cabeça enquanto lhe entregava um prato. — Se eu puder evitar, nunca. — Reagan! Sério? E quanto a Harvard? Sua graduação em direito? Nós estaremos lá juntos.


— Eu não quero isso, Archer. Nada disso. Eu nunca quis. Só levou muito tempo para eu finalmente dizer isso. — eu acenei minha mão pelo apartamento. — Eu amo isso aqui. Tipo, amo, AMOR. É fodidamente incrível estar realmente fazendo alguma coisa que eu me importo, algo que é importante para mim. — eu levantei minha taça de vinho para ele. — Você deveria tentar isso algum dia. É viciante. — O dinheiro também. — Verdade. — eu disse. — Mas aquele vício pode ser quebrado. Este não pode. — nem poderia meu vício por Dare. Mas eu não diria isso para o Archer. Bateram na porta, mas antes que eu pudesse chegar até lá para atender, ela se abriu. — Ela está aqui? Onde ela está? Ree! — uma voz feminina vagamente familiar chamou. Dare apareceu na entrada e congelou ao ver Archer e eu. Eu não tinha dito a ele que nos encontraríamos, e de repente me dei conta de como isso provavelmente pareceria para ele - luz de velas, vinho, jantar sozinhos. Não é bom. Muito ruim, na verdade. Talvez até mesmo horrível pra caralho, mas era inocente. Ele tinha que saber disso. — Dare, saia do caminho! Ele deu um passo para o lado, fazendo uma careta quando Dalia entrou na sala. Ela me abordou no chão com um forte abraço. — Oh meu Deus. — ela disse, recostando-se para me dar uma segunda olhada. — Eu não posso acreditar! É realmente você! Em carne e osso! — ela me abraçou com força de novo, e eu apertei de volta. Era tão bom. Eu tinha esquecido o quão maravilhosa era a sensação de ser abraçada. Eu inalei, absorvendo um profundo suspiro dela. Ela cheirava a sabão e sol. E amor. Dalia sempre cheirava como o amor.


Eu me afastei para dar uma boa olhada nela. Três anos a tinham mudado. Onde antes havia uma adolescente bonita, aos vinte anos ela era belíssima, longo cabelo escuro pendurado em ondas pelos ombros, ela tinha fortes braços esculpidos que eu não podia evitar, exceto ter inveja, e seus olhos eram da mesma cor âmbar, como seu irmão gêmeo. — Reagan, você é ainda mais bebê do que antes. — Dax sorriu, de pé sobre nós dois, estendendo a mão para me ajudar a levantar. Seu cabelo escuro era a mesma bagunça espetada, mas o resto do corpo havia mudado. Ele tinha encorpado desde que eu o vira pela última vez, e crescido pelo menos dez centímetros, que eu realmente notei quando ele me esmagou em um abraço de urso. — Ok, ok. — Dare disse, tirando Dax de cima de mim. — Chega. Ela tem dono, Dax. Eu já te falei. Dax riu. — Bem, vamos dar uma chance para ela. Talvez agora que ela me viu, mude de opinião sobre você. — Em seus sonhos, Dax. — Dalia bateu nele, o que só o fez rir mais ainda. Sorri tanto para eles que meu rosto começou a doer. Eu não tinha ideia do quanto sentia falta de todos eles até que estivessem bem aqui na minha frente. Archer tinha conseguido levantar do sofá e vindo em torno de mim. Parecia que ele não entendia a língua que os três irmãos estavam falando. — É assim que é. — eu disse. Ele balançou a cabeça como se não tivesse certeza de nada. — Eu acho que eu vou sair do seu caminho. — ele falou. E quando eu abri minha boca para protestar, ele acrescentou: — Parece que você tem suas mãos cheias. Eu vou encontrar com você amanhã, ok? Olhei para Dare. — A exposição do Dare abre amanhã... então...


Archer levantou as mãos. — Não, está tudo bem. Apenas... me fale quando estiver livre, porque eu realmente preciso falar com você sobre algo importante. — então ele me deu um beijo rápido na bochecha e saiu. Dare tinha assistido a nossa pequena interação, e eu poderia dizer que ele não gostou do que viu. Estendi a mão para o seu lado, e apesar dos seus dedos entrelaçados nos meus, seu aperto pareceu duro e rígido. Então eu apontei Dax e Dalia em direção à mesa. — Temos mais comida aqui do que podemos comer, por que vocês dois não se viram enquanto seu irmão e eu conversamos por um minuto. Eu puxei Dare em direção ao meu quarto. Assim que estávamos dentro e a porta estava fechada, ele soltou a mão. — O que ele estava fazendo aqui? — ele falou. — Nós estávamos jantando. — eu disse. — Ele veio à Paris para me ver e eu só o vi uma vez, porque estive muito ocupada com meu trabalho e modelando. — seus olhos escureceram e eu me apressei. — Que é o que eu queria fazer, mas uma vez que você estava ocupado esta tarde e à noite, eu fiz planos. — eu disse, colocando minhas mãos em seu peito. — Eu esqueci de te dizer. Isso é tudo. Dei um passo em direção a ele, mas ele recuou. Então, eu só continuei movendo até que ele ficou apoiado contra a parede, o meu corpo firmemente pressionando contra o dele. — Eu sou sua, Dare Wilde. — eu disse. — Completamente sua. Nunca duvide disso. Não há nada acontecendo entre Archer e eu. Jantamos hoje à noite porque nós somos bons amigos. — Sem qualquer benefício? — seus olhos se estreitaram, mas um pequeno sorriso apareceu nos cantos dos lábios. — Você é a única pessoa no meu plano de benefícios. — eu apertei mais contra ele, sentindo-o endurecer com o contato. — Eu prometo.


— Bom. — ele abaixou a cabeça para sussurrar contra a minha boca. — Porque, a fim de desfrutar de todas as coisas perversamente deliciosas que eu planejei para nós, você terá que ser minha. Toda minha. De repente eu estava molhada de desejo. — Eu sou toda sua. — segurando sua mão, eu guiei-a sob o meu vestido, deslizei sobre o meu estômago e para baixo em minha calcinha, abrindo minhas pernas para deixá-lo me sentir. Ele gemeu quando começou a acariciar-me, seus dedos deslizando dentro de mim, extraindo gemidos dos meus lábios. — Está vendo? — eu respirei, meu fôlego curto e rápido conforme o meu corpo formigava com o seu toque. — Isso tudo é você. Só você. Você me deixou assim. — eu o beijei com força na boca, puxando seu lábio inferior entre os dentes. — Agora. — eu disse, olhando em seus olhos profundos e escuros — Eu te desafio24 a fazer algo sobre isso.

Quinze minutos mais tarde, eu estava tentando muito não corar quando saímos do meu quarto. Nós não tínhamos feito um som, mas pelos olhares nos rostos deles, Dalia e Dax sabiam. Dare olhou para Dax e tomou um golpe com o sorriso de comedor de merda no rosto dele, mas Dax esquivou facilmente. Ele investiu contra Dare, colidindo com ele e enfrentando-o no chão, prendendo Dare de costas. — Não sou aquele irmãozinho mais, sou? — Dax falou, rindo. Ele balançou a cabeça. — Você ficou mole na sua velhice, você sabe disso, Dare? Dare tentou jogá-lo para fora, mas não conseguiu, fazendo Dax cantar em triunfo.

24

Referência ao nome dele, Dare, verbo desafiar me inglês.


Dalia revirou os olhos, cruzou os braços sobre o peito, e afundou seu peso em um quadril. — Às vezes, vocês dois são tão GAROTOS. — Ok, ok. — Dare disse. — Levante-se. Dax começou a sair de cima dele, mas Dare passou a perna para cima, derrubando Dax de frente, e lutou com ele no chão, com os joelhos cavando nas costas de Dax. — Hey! — Dax gritou. — Jogo sujo. Você desistiu. Dare inclinou o rosto próximo ao ouvido de Dax e disse: — Eu não desisto nunca, irmãozinho. Nunca. — Mas você disse! — Eu disse levante-se, não desisto25. Limpe seus ouvidos. — ele bateu na parte atrás da cabeça de Dax e inclinou-se um pouco mais nas costas, enquanto Dax grunhia de dor. — Eu não posso ouvir você falando, tio... — Isso é porque eu não estou... OW! Ok, ok. Tio, idiota. Dalia virou-se para mim. — Isso é totalmente do que os futuros filhos do Dax chamarão Dare. Ele será o tio idiota, eu não tenho nenhuma dúvida. Dare deu uma última inclinada em Dax. — É melhor não. — ele disse, e riu. — E é melhor esses futuros diabinhos não existirem por um tempo. Um longo tempo. — então ele se levantou e ajudou Dax a ficar de pé. Observar os três rirem e brincarem juntos me enchia de felicidade. Eles claramente se preocupavam tanto um com o outro, de uma forma que corria mais profunda do que apenas o sangue em suas veias. Todas as vantagens da minha vida e existência privilegiada não valiam nada, comparado com o que Dare e sua família tinham. E enquanto eu não entendia totalmente este tipo de família, eu ansiava por isso. 25

No inglês fazendo referência à semelhança das palavras – get up (levante) e give up (desistir).


Era como se eu tivesse passado a vida abandonada, e apenas uma amostra - um Ăşnico vislumbre - me deixou ansiando por isso, como uma droga.


Capítulo Dezenove

E

u estava uma pilha

de nervos quando me aproximei da galeria. Eu tinha passado a manhã e início da tarde com o meu estômago embrulhado, tanto animada, quanto nervosa por Dare. Essa exposição era enorme. Poderia ser sua grande chance. Eu tinha tomado cuidado extra me preparando, porque eu queria que tudo fosse perfeito para ele, inclusive eu. Meu vestido era um vintage azul escuro que flutuava em torno de mim com uma textura macia. Meu cabelo caía nas minhas costas, longo e reto. Como sempre, minha maquiagem era mínima apenas delineador, rímel e um toque de brilho labial. Eu estava bem. Sentia-me bem. E estava pronta para torcer por Dare, enquanto ele era o foco das atenções merecido. Agora, conforme alisava meu cabelo, as borboletas no estômago acordaram. Tudo pareceu monumental hoje - cada pedacinho deste dia foi preenchido com propósito e significado. Ok. Eu precisava muito me acalmar. Eu respirei fundo e me dirigi para a porta da galeria. — Ree! — Dalia e Dax estavam subindo a rua pela outra direção. Eu não podia acreditar como era boa a sensação de vê-los - eu nunca senti isso com qualquer um dos meus amigos, nunca realmente senti falta de qualquer deles


antes. Além de Archer. E até isso parecia diferente do sentimento que tinha pelos gêmeos. Quando eu estava com Dare e sua família, eu pertencia - não da mesma forma que eles pertenciam um ao outro, mas eu sentia que era bem-vinda, que eu era querida e valorizada apenas por ser eu. Era algo temerário. Eu tinha certeza que eu estava me apaixonando pelos Wildes. — Você está linda. — Dalia disse quando me alcançou. — Esse vestido é incrível. — Obrigada. — eu disse, na verdade, corando. Bom Deus, quem era eu? — Você está fantástica. Dalia sorriu para mim, enquanto Dax nem sequer se incomodou de ser tímido me verificando. Eu estava prestes a chamar a atenção dele quando a porta da galeria se abriu atrás de mim. — Olhos para cima, Dax. — Dare disse enquanto envolveu os braços ao meu redor, pelas costas. Inclinei-me, e ele me inspirou. — Você cheira tão bem. — ele falou baixinho no meu ouvido. — Eu poderia te devorar aqui. Agora mesmo. Virei a cabeça para que meus lábios ficassem próximos ao ouvido dele. — Te desafio. — eu sussurrei. Suas mãos agarraram no meu vestido e seu peito vibrou com o riso profundo, aquele som incrivelmente feliz, inteiramente livre, que eu não ouvia há anos. Meu interior derreteu quando me virei em seus braços para olhar para ele. Ele estendeu a mão e tocou meus lábios. — Você está sorrindo. — ele disse. — Eu amo isso. Eu também. Eu não queria parar nunca.


Quando eu finalmente entrei na galeria, os arredores me tiraram o fôlego. Haviam belos nus em todos os lugares, as pinturas antigas de Dare eram tão boas quanto as novas, que ele tinha acabado. Eu podia ver uma progressão das minhas expressões faciais que ele capturou nas últimas semanas - do agridoce ao anseio, à luxúria, ao contente. Ele retratou o início da nossa volta de relacionamento na tela. Mas a maior surpresa foram os meus nus de três anos atrás, pinturas que ele deve ter feito a partir dos seus esboços. Eu estava em toda parte, quase enchendo a sala inteira. Outras modelos foram espalhadas no meio, conforme passavam os momentos na vida do Dare, mas a mostra era principalmente focada em mim. Eu andei pela galeria, absorvendo uma após a outra, meu coração batendo mais forte e mais rápido a cada pintura. Eu não tinha percebido quando entrei pela primeira na exposição no Montmartre, mas aquelas eram de mim também. Eu podia ver agora. Cada uma tinha sido pintada de memória, a maioria das primeiras, escondendo o meu rosto, de uma forma ou de outra. Quase como se Dare não fosse capaz de olhar para mim, mesmo que ele não conseguisse deixar de me pintar. No meio de tudo isso, o sorriso brilhante iluminado dela, era a Ree real. A primeira pintura que Dare fez de mim. A única que não estava na exposição na La Période Bleue há três anos. Naquela época, eu tinha pensado que Dare não tinha colocado na exposição, porque ele me odiava e tinha decidido destruí-la, mas descobri que ele tinha levado com ele quando foi embora. Meu Deus. Ele tinha ME levado com ele.


Eu tirei meu olhar do seu trabalho e procurei por Dare na sala. Ele estava no outro lado, de pé, com Dax e Dalia e um dos proprietários da galeria, mas seus olhos estavam fixados em mim, me observando. Eu tinha a sensação de que ele estava me observando desde que entrei, querendo avaliar a minha relação com essa revelação. A prova estava nas paredes. Ele nunca deixou de me amar. E isso era amor, eu podia ver que tão claramente, podia senti-lo em meu coração, embora nós nunca realmente colocássemos esse rótulo em nossos sentimentos. Parecia real. Isso me fez sentir real. Eu o amava. Meu Deus. Eu o amava pra caralho. E eu não podia esperar para contar para ele. Hoje à noite. Depois da exposição dele. No entanto, uma sensação incrível, desconhecida floresceu dentro do meu peito, me enchendo com tanta luz, que eu tinha certeza que meus pés levantariam do chão a qualquer momento. Olhei para Dare, as lágrimas nos meus olhos, e levantei dois dedos. Duas partes. Ele levantou um dedo. Um inteiro. Era isso. Esta era a vida que eu queria. Este era o lugar onde eu pertencia. Com Dare. O homem que me ensinou a amar. Uma explosão de força fluiu pelas minhas veias. Eu lutaria por ele, não importa o que acontecesse. Porque precisávamos ficar juntos.


Minha vida era minha. Dare era o meu futuro - não Harvard, não os meus pais, não a carreira política do meu pai. Dare. Meu telefone tocou, e eu alcancei minha bolsa para pegá-lo. Mãe. Hora perfeita do caralho. Ela sempre soube como estragar o meu momento. Meu coração batia forte como se eu tivesse sido pega no ato, o que era estúpido, porque ela não tinha a menor ideia do que estava por vir, de quantas maneiras a minha vida estava desviando do seu caminho bem cuidado. Era o meu caminho agora. Meu e de Dare.


Capítulo Vinte

E

u ignorei a chamada

dela e um minuto depois ela ligou novamente. E mais uma vez. E mais uma vez. E estava realmente começando a me irritar. Então, da próxima vez que ela ligou, eu atendi. Só para dizer para ela... — Reagan! — merda. Ela parecia muito feliz de novo. Algo estava acontecendo, e eu não tinha ideia do que era, o que me fazia sentir impotente. Ela era mestre nisso. Por que diabos eu tinha atendido ao telefone? — O que é, mãe? — eu respondi, virando para a parede. — Seu pai acabou de terminar uma conferência de imprensa. — POR CAUSA DISSO você está me ligando? Sério? — ela era fodidamente inacreditável. — Ele finalmente falou a todos que é candidato a governador? — Não, seu pai hesitou novamente, e as pessoas de lá estavam praticamente implorando

para

ele concorrer. Está

tudo

acontecendo

exatamente como o planejado. — um monte de merda. Eu estava tão feliz por


estar de fora. — Nós só queríamos que você e Archer estivessem aqui para se divertirem com a gente. Você devia ver a forma como a imprensa está correndo atrás de Quincy e Pierce. Você acharia que eram celebridades! Alguns repórteres estão, na verdade, a caminho do o seu hotel agora para ver a sua reação. — O que? Minha reação? A que - ao fato de que ele continua dizendo que não vai concorrer? Isso é ridículo. Eu não vou falar com a imprensa. — eu andei em direção a um canto sossegado, virando as costas para todos na galeria. Eu não podia acreditar que colocaram a imprensa em cima mim. Uma parte de mim queria apenas expulsar o meu pai, dizendo-lhes que ele sempre tinha planejado concorrer e apenas estava jogando um jogo para angariar mais interesse do público. — Para qual hotel você os enviou? — O George V, é claro. Onde Archer está agora. Vocês dois não estão juntos? — Mãe, eu estou morando em Paris. Não vou ficar em um hotel. — eu estava tentando parar de revirar os meus olhos, até que eu percebi que eu não precisava - ela não podia me ver de qualquer maneira. — Reagan Allison McKinley, você é a filha do prefeito de Nova Iorque, que em breve será a filha do governador. Você se portará como tal. E com isso, quero dizer que você recolherá suas coisas e se mudar para uma suíte no George V. Eu ligarei para arranjar isso para você. Nesse meio tempo, torne-se apresentável. Eu espero que você não esteja com aquelas roupas vintage horríveis que você tanto ama, e tenha feito algo com seu cabelo liso. Nós não podemos ter a imprensa falando sobre o quão terrível você está em seu dia especial. Agora era ASSIM que a minha mãe normalmente soava. Foi quase um alívio ouvir. Quase. — Meu dia especial? — ela sabia sobre a exposição de Dare? Tudo era possível com os meus pais. Eu balancei minha cabeça. — Eu não posso falar com a imprensa. Eu já disse a você que eu não estou no hotel. — mesmo que estivesse, eu não me preocuparia com eles. Essa não era a minha vida. Eu já não era lacaia dos meus pais.


Houve um longo silêncio do outro lado, antes que minha mãe falasse novamente. — Bem, onde no mundo você está, se não com Archer? Ele voou todo o caminho para a França para você. Para... — Estou em uma galeria de arte. Se Archer estiver no hotel, eles podem falar com ele tudo o que querem. Ele se dá melhor com imprensa. — um cachorro maldito se daria melhor, com desempenho mais entusiasmado na frente dos paparazzi do que eu jamais poderia. — Bem. Archer só vai ter que levá-los até você. — ela disse. Ela não estava entendendo. Então, eu tentei ser clara. — Mãe, eu não vou falar com a imprensa. Eu não quero. Eu não tenho nada a dizer sobre a campanha. E eu... — Tudo bem, Reagan. Parabéns e lembre-se de sorrir. — Parab - o que? Mãe? Mãe? — mas ela desligou. Encarei o meu telefone. Que porra é essa que ela estava me parabenizando? A mulher estava louca. No-décimo-martini na cabeça dela. Eu estava prestes a ligar para Archer para adverti-lo, mas quando olhei para cima do meu telefone, ele estava saindo de um carro na frente da galeria, cercado por repórteres e fotógrafos. Que... Meu primeiro instinto foi correr para fora e manter o circo longe de Dare e sua estreia no mundo da arte. Mas então eu percebi que esse tipo de publicidade podia realmente ser uma oportunidade fantástica para ele. Se eles viessem para dentro falar comigo, eu poderia responder às perguntas deles e direcionar a atenção para Dare e seu trabalho, dando-lhe uma exposição maior. Talvez isso não fosse uma coisa totalmente ruim, afinal. Dare estava olhando pela janela, para Archer, as sobrancelhas juntas, seu maxilar firmemente cerrado. Eu comecei a andar na direção dele para explicar o que estava acontecendo, quando Archer abriu a porta e deixou a tempestade de


repórteres entrar. Quando eles me viram, eles correram, bloqueando o meu caminho para Dare. Eu lhe dei de ombros impotente e esperava que meu sorriso informasse que eu lidaria com isso. Eles deram espaço para Archer ficar perto de mim, quando eu acenei para Dare, ansiosa para apresentá-lo e sua obra. É claro que os meus pais veriam isso, mas neste momento eu não importava mais. Talvez eu até mesmo daria um beijo deliberado em Dare ao vivo, apenas para foder com eles. Isso realmente poderia fazer isso tudo valer a pena. Mas antes que Dare pudesse se mover, um repórter gritou: — Parabéns pelo noivado, senhorita McKinley! Você e o Sr. Chase marcaram uma data? Quando Archer sorriu e colocou o braço ao meu redor, meus olhos foram direto para Dare. Seu olhar estava preto com raiva, e a cor tinha drenado do seu rosto quando ele olhou para mim, olhando como se eu tivesse o traído. Rasgado a porra do coração do seu peito e depois pisado nele inteiro. Seus olhos ficaram presos nos meus, e eu comecei a balançar levemente a minha cabeça. Isso não poderia estar acontecendo. — Não. — eu disse, minha voz quase um sussurro. — não, não... — Dare achava que era verdade. Por que ele pensaria que era verdade? Vários repórteres viraram a cabeça para ver quem eu estava olhando tão intensamente. — Você conhece este homem, senhorita McKinley? — Não, ela não conhece. — Dare disse antes que eu pudesse responder, sua expressão esculpida em pedra, os olhos brilhando nos meus. Ele balançou a cabeça. — Claramente, este será sempre o seu mundo, Reagan. Você nunca estará completamente fora... e eu não quero participar disso. Então ele se virou e caminhou em direção à porta, Dax e Dalia correndo atrás dele.


— Não! Dare, espere! — eu gritei, descartando o braço de Archer, mas Dare apenas continuou, não abrandou, nem sequer virou para olhar para mim. Dalia olhou para trás uma vez, com o rosto cheio de mágoa, e então eles foram para fora da porta. Os repórteres estavam gritando perguntas, mas eu não conseguia ouvilos. Eu estava empurrando para passar, mas havia tantos e eles não estavam saindo do meu caminho. Microfones sendo empurrados para o meu rosto, flashes manchavam a minha visão. Alguém agarrou meu braço e eu virei para encontrar Archer segurando em mim. — Archer. Solte. — minhas palavras saíram em um grunhido enquanto eu puxava o meu braço, tentando me libertar das suas garras de aço. Ele colocou um sorriso de plástico para a imprensa enquanto se inclinou para mim. — Basta sorrir e acenar, Reagan. — ele disse, através dos seus dentes muito brancos. — Pense como vai parecer se você correr atrás dele. Aparência é tudo. Talvez para ele e meus pais, mas não para mim. Não mais. Foda-se a aparência. Então eu virei à direita para a câmera mais próxima, esperando que eles estivessem observando cada movimento meu. — É uma MENTIRA! — eu disse, minhas palavras atadas com veneno. — Nós não estamos envolvidos e nunca estaremos. Eu amo o homem que acabou de sair daqui, e eu vou atrás dele. — cerrei os olhos enquanto olhava diretamente para a câmera. — E isto é para os meus pais - parem de foder com a minha vida. É a MINHA vida agora. Não a de vocês. Nunca mais de vocês. Então eu forcei meu caminho através do grupo de repórteres. Mais perguntas foram arremessadas no meu caminho, mas eu continuei correndo até que eu estava na porta e estourando para a rua.


Mas Dare foi embora. Não havia sinal dele em qualquer lugar. Nem de Dax ou Dalia. Meus olhos procuraram as ruas - não haviam táxis. Porra, eles ainda estavam em greve. E andando ia levar muito tempo. Olhei para o bloco da estação do metrô. Era isso ou perdê-lo. E eu não podia perdê-lo. De novo não. Não agora, depois de tudo o que tínhamos passado. Engolindo o meu medo, eu corri em direção à entrada e desci para a escuridão. Dare valia a pena cada obstáculo. Eu tinha que chegar até ele e explicar. Eu só esperava chegar lá a tempo.


Capítulo Vinte e Um

F

OI.

Ele se foi. Eu esperei por horas fora do apartamento dele, bati na porta, sentei com as costas contra a parede, olhando para o corredor vazio durante toda a noite. Déjà Vu de merda. Não havia nenhuma dúvida sobre isso; eu estava pagando pela traição que cometi há três anos. E a minha punição era perder Dare uma e outra vez. Meu coração não aguentaria. — Eu lutei desta vez! Lutei por você! Lutei por nós! — eu gritei para o corredor vazio. — EU PEGUEI A PORRA DO METRÔ. — e a memória de estar lá embaixo, mesmo que ele fosse bem iluminado, me fazia estremecer. Eu mantive meus olhos fechados toda a viagem, eu estava tremendo e tonta... mas eu tinha conseguido. — Porque... você vale a pena, Dare. Porque eu te amo. Mas ele não me ouviu. Ninguém me ouviu.


Algo em torno da madrugada, a porta abriu no térreo e ouvi passos subindo as escadas. Eu me levantei. Meu coração parou, então martelou contra meu peito. Dare não tinha desistido de mim, de nós. Eu sabia que ele não desistiria. Eu sabia que ele não podia! Fiquei tão aliviada que lágrimas de alegria saltaram dos meus olhos. E então Archer entrou na vista e todo o meu mundo caiu em torno de mim. Meus joelhos cederam, e eu caí no chão, os soluços me arruinando. Dare tinha ido. Ele realmente não estava lá. Ele não me queria. Nem mesmo falaria comigo, me deixaria explicar. Dor fraturava o meu coração, se espalhando através do meu peito em pedaços de cacos

quebrados, tornando cada respiração uma agonia

torturante. Os braços de Archer me envolveram, mas eu o dispensei. Eu não queria conforto. Eu queria Dare. Mas eu o tinha perdido de novo. Não, meu pai o forçou a se distanciar. Ele me fez de peão em seu jogo político, anunciando meu suposto envolvimento, em vez da sua candidatura para governador. Tudo de repente fez sentido - Archer aparecendo aqui sem aviso prévio, os telefonemas da minha mãe - eles tinham planejado tudo isso. Meu pai havia calculado isso cuidadosamente, assim como ele fazia com cada movimento político ou empresarial. Esta era a maneira de mostrar-me que eu poderia correr dos meus pais, mas nunca poderia fugir. Oh, Deus. Neste momento, eu tinha certeza de que eu poderia estrangular ambos com as minhas próprias mãos. Especialmente o meu pai. — Como ele pôde fazer isso? — minhas palavras saíram em um rosnado. — Eu não sei, baby girl. Mas eu acho que ele continuar indo embora quer dizer algo.


Eu olhei para Archer, raiva me atravessando. — Não, não Dare. — eu disse. — Meu pai. Como ele pôde fazer um anúncio como este? Como ele pode usar a minha vida como se fosse apenas a porra de um brinquedo? — Ah. — ele colocou a mão no meu ombro. — É só o jeito que ele é, a maneira como nosso mundo funciona. Você sabe disso. Ele só está fazendo o que acha que é melhor para você. Fechei os olhos e bati com a cabeça na parede. Literal E figurativamente. — Você está defendendo-o, sério? Isso não te chateia? Porque ele usou você, também, você sabe. Por que diabos você concordou em desempenhar o joguinho dele, Arch? — minha cabeça latejava, e eu esfreguei minhas têmporas com os dedos. Archer abaixou-se ao meu lado. — O que você quer que eu diga? Talvez eu não veja isso como uma ideia tão ruim, Reagan. Eu nem sabia o que responder a isso. Archer sempre tinha sido um jogador da equipe, concordando com o que a família dele - ou a minha queria. Eu acho que eu nunca tinha pensado muito sobre como ele investia em todo esse estilo de vida. Ou talvez... em mim. Eu abri meus olhos e ele estava em um joelho. — Não. — eu pressionei meus dedos com mais força contra a minha cabeça quando comecei a sacudi-la. Ele enfiou a mão no bolso, tirou algo. — Archer, NÃO. Eu não estou brincando. Guarde isso. Ele não podia estar falando sério. Nós nunca... nós éramos amigos. Bons amigos. Claro, em momentos de fraqueza, que era mais conhecido como amigos de foda, na maioria quando contávamos com comprimidos e bebidas, com o entorpecimento fornecido por eles, mas isso era tudo.


Archer era o único amigo de verdade que eu tinha em nosso mundo completamente fodido. Minha rocha. Eu me importava profundamente com ele, mas eu não o amava. E foda-se tudo isso, ele tinha que saber disso. Isso não podia estar acontecendo. Mas ele estava ajoelhado na minha frente abrindo uma caixa de veludo pequena, seus olhos azuis gelados brilhando. Não, não... INFERNO, não. — Reagan Allison McKinley, você quer se casar comigo? — Archer Huntington Chase, você enlouqueceu? — eu disse. — Essa não é a minha vida. Eu não quero isso. Eu não te amo, Arch. — ele fez uma careta, e eu estendi a mão para ele, a culpa infiltrando. — Não desse jeito. Eu não estou apaixonada por você, eu nunca fui. E você sabe disso. Eu amo Dare. Archer não se levantou. — Reagan, pense nisso. Nós somos bons juntos, você e eu. Nós sempre fomos. — ele pegou as minhas mãos e apertou. — Além disso, o que ele pode te dar? Nada. Ele não tem nada, exceto tinta e pincéis para oferecer. Seu legado da família é um registro de prisão. Eu posso te dar tudo que você sempre sonhou e muito mais. Na cama e fora dela. — ele sorriu maliciosamente por um momento, em seguida, olhou para mim de verdade. — Você e eu viemos do mesmo mundo. Nós pertencemos um ao outro, baby girl. Eu acho que você sabe disso. Seus pais estão certos sobre isso. Diga que você vai se casar comigo. E foi aí que eu vi Dare. Sobre o ombro de Archer. Ele estava congelado nas escadas, seus olhos penetrando a minha alma, o seu olhar de traição quebrando meu coração. E em um instante ele se foi.


Mais uma vez.

Continua...


Out of control untamed #2 victoria green & jinsey reese  

Sinopse: Três anos se passaram desde que Dare Wilde saiu da vida de Reagan McKinley. Três anos de silêncio. Três anos de arrependimentos. Ma...

Read more
Read more
Similar to
Popular now
Just for you