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Sinopse

Dare Wilde está fora. A família McKinley arruinou seu relacionamento com Reagan pela última vez. Ele está em Amsterdam, com seu irmão estrela do rock Dash, pronto para seguir em frente com sua vida e tirar Ree de sua cabeça. Finalmente e para sempre. O problema é que ele a ama. Então, quando o destino leva Reagan à sua porta novamente, os dois devem decidir se o seu amor recém-descoberto vale a pena o risco. Porque duas partes quebradas não podem fazer um inteiro, e eles têm de enfrentar os demônios do passado de Reagan, se quiserem ter um futuro juntos. A musa e seu artista. Um amor azarado. O passado os alcançou... ou eles finalmente escaparam?


Capítulo Um

—S

im!

Thump. — Oh, Deus! Tum-tum. — Ohhhh DEUUUUUS! Thumpthumpthumpthump. — Sim, sim, SIIIIIMMMMM! Thump. — Oh, Deus! Tum-tum. — Ohhhh DEUUUUUS! Thumpthumpthumpthump. — Sim, sim, SIIIIIMMMMM!


Eu olhei para a minha torrada e estremeci, meu apetite desapareceu mais rápido do que a groupie da vez de Synner. Pelo som deles, ficou claro que ela pensou que estava fazendo testes para o papel de sua namorada. Ela realmente achava que quanto mais alto ela gritasse, aumentaria mais a possibilidade dele ficar com ela? De acordo com o Dash, o cara não tinha nenhum interesse em relacionamentos que durasse mais do que um wham-bam-no-fuck-way, ma’am1. — Você sabe Dash, quando você me avisou que ficar com a banda seria barulhento pra caralho, eu estava imaginando batidas e acordes de guitarra. Meu irmão olhou para cima, dos seus ovos mexidos e sorriu. — Nós estamos gravando um álbum chamado Nailed to the wall2. O que diabos você esperava? — Não esperava uma groupie de Synner nos vocais. — eu olhei para o quarto do baterista, pelo menos a porta estava fechada neste momento. — Dito isto, eu sou grato por um lugar para ficar. Mesmo que muitas vezes lembre um cruzamento entre uma agência de modelos e um bordel. O Man’s Land estava fazendo uma pausa na sua turnê europeia, e nas três semanas que passei a viver com eles eu tinha visto muitos peitos e bundas. Sim surpreendentemente, havia essa coisa de excesso de bundas e peitos. Dash riu e passou a mão pelo seu cabelo escuro bagunçado. — Você conhece o ditado: Quando se está em Amsterdam... — ... FAÇA como os romanos? — Exatamente. — ele disse com outra risada profunda. — Para não mencionar, você está viajando com quatro garotos e uma menina em seus vinte anos e todos têm um muito saudável... apetite. É apenas um fato da vida. — como se para ilustrar seu ponto, as batidas da transa foram ficando cada vez mais altas com um par de palmadas. — Eu não entendo por que você se recusa a 1

Quando o sexo é rápido, sem perspectiva nenhuma de uma relação. Uma transa rápida (wham-ban), e relacionamento de jeito nenhum (no-fuck-way). 2

Pregado à parede.


entrar na festa, Dare. Você pode ter qualquer mulher que quiser. E se você tiver algum plano para esquecer a menina Ree, você vai ter que tirar as suas roupas com outra pessoa. A porta do quarto de Dash se abriu e uma loira linda, alta saiu. Ela avistou Dash, e com seu cabelo longo e os quadris estreitos balançando, ela desfilou até o balcão. Os lábios dela se agarraram aos dele, enquanto suas unhas fincaram em suas costas em um beijo de despedida excessivamente dramático. Gemendo, eu desviei o olhar, e meu peito se apertou com pensamentos de Ree. Três semanas. Três semanas do caralho desde a mostra da galeria. Desde que Archer apareceu com um anel de diamante do tamanho da porra de um pedregulho. Jesus. Por que Dash tinha que trazê-la para o assunto? A propósito, como ele sabia sobre ela? Eu não tinha dito nada. Inferno, eu estava fazendo tudo que podia para não pensar nela - a última coisa que eu faria era realmente FALAR sobre ela. Além

disso,

Dash

e

eu

não

falávamos. Não

realmente. Nós

compartilhávamos bebidas e ríamos, mas nunca chegávamos ao pessoal. Nível pessoal significaria partilhar a merda sobre as nossas mães, e tanto a sua como a minha eram mais confusas do que qualquer um de nós gostava de admitir. Isso também traria o inferno do nosso pai imbecil, que tinha feito nossas famílias passar... sim, esse era outro tema que eu evitava. — Então... — disse a loira, deslizando um dedo ao longo do queixo de Dash. — Nos encontraremos novamente hoje à noite? Dash suspirou, uma expressão lamentável em seu rosto. — Desculpe querida. — ele disse. — Eu tenho que concentrar na minha música. — ela fez beicinho, e ele gentilmente levantou seu queixo. — Mas você, e a lembrança de ontem à noite, serão minhas musas. Ela parecia envergonhadamente satisfeita quando ele a soltou e acenou na direção da porta. Ele acenou para o rabo quente dela e levantou uma sobrancelha para mim como se dissesse, consiga um pouco disso.


Mas eu não estava nem um pouco interessado. — Quantas delas realmente se apaixonam por essa merda que você acabou de falar? Dash sorriu. — Cada uma delas. Mordem a isca e são pegas. — tirando seus olhos da garota, ele se virou para mim. — Então, você quer uma para você? — NÃO. — não com Ree na minha mente. — E como diabos você sabe sobre Ree? Ele deu de ombros. — Eu conversei com Dalia. Ou melhor, Dalia falou COMIGO. Um monte. E muito alto. — respirando fundo, ele largou o garfo e apontou seu olhar azul escuro para mim. — Olha, se você quiser conversar... — Não tenho nada a dizer. — Ree e eu somos duas pessoas quebradas que acalmavam os demônios um do outro com algo mais. Muito mais. E este pensamento quase me deixava de joelhos. Eu ainda podia vê-la sorrir cada vez que eu fechava os olhos, sentir sua pele em meus dedos, sentir o cheiro do seu aroma persistente ao meu redor, me assombrando. Ela cheirava como ninguém - como mel e verão, doce pra caralho. Merda. Eu balancei a cabeça, tentando tirá-la à força dos meus pensamentos. Mais uma vez. Ela não podia ser minha, enquanto ela fosse propriedade da sua família. E eles nunca iriam libertá-la - isso estava claro. Eu estava fora. De verdade, dessa vez. O maxilar do meu irmão apertou enquanto ele me considerou por um momento. — Você sabe, você não é a única pessoa no mundo que teve que deixar alguém importante ir. — ele disse em voz baixa. — Fazer a coisa certa é difícil pra caralho. Mas fazer o que é certo é certo. — Fazer o que é certo é certo? Que esclarecedor. Eu cheiro um novo single de sucesso? — Vá se foder, Dare. Eu só estou tentando ajudar.


Eu esfreguei o vinco que se formou entre as sobrancelhas. — Eu sei. — eu disse. — Eu sinto muito. — Dash estava tentando. Eu tinha que dar crédito. Ele estava tentando há quatro anos. Dinheiro quando estávamos desesperados. Sua casa em Los Angeles quando tivemos que fugir de Nova Iorque. — Eu só não acho que transar resolveria meus problemas desta vez. — eu balancei a cabeça. — Eu já tentei tirar essa garota da porra da minha cabeça. Confie em mim. Não deu certo. — Ela está sob a sua pele. — ele disse com um aceno de cabeça. — Você não pinta desde que você chegou aqui, e Dalia disse que é raro você ficar um único dia sem tocar em um pincel. Claramente, Dalia e Dash tinham falado demais. — Eu vou tirar uma licença do trabalho agora. — eu disse, com um encolher de ombros. — Funciona? Pintura e garotas nuas dificilmente são trabalho. Eu inclinei minha cabeça, incapaz de impedir o pequeno sorriso em sua boca. — E foder groupies é? —

Touché.

ele

me

lançou

seu

sorriso

torto,

sua

marca

registrada. Aquela, segundo Dalia - fazia dele um dos solteiros mais cobiçados do rock. — Olhe para nós. Vivendo a vida boa. — seu sorriso azedou com o sarcasmo atado nas suas palavras. — Papai ficaria tão orgulhoso. Eu me recusava a falar sobre aquele bastardo. Mesmo tendo o mesmo sangue. — Olha eu estou ocupado com o estúdio de tatuagem no momento. Sem tempo para pintar. — quando ele soube que eu precisava sair de Paris, Rex tinha me enviado para sua ex-amante, Jasmine, que era dona de um estúdio no bairro luz vermelha. Assim que ela viu os desenhos, nos quais eu trabalhei em Los Angeles, ela me contratou. — Agora eu preciso do dinheiro rápido que vem com a tatuagem - pintar não compensa. Pelo menos, ainda não. Dash e eu estávamos dividindo o custo da viagem de Dax e Dalia à Europa. Normalmente eles passavam os verões trabalhando e economizando


para a escola, mas esta oportunidade de viajar e me visitar em Paris e Dash em Amsterdam era maravilhosa. Eu queria que eles experimentassem o mundo enquanto podiam. Então, eu pagava por isso. Felizmente, mas eu precisava realmente fazer dinheiro para poder pagar. — Posso passar no estúdio esta semana e você pode começar aquela aqui? — Dash apontou para um lugar em seu peito, bem no seu peito superior esquerdo. Minhas sobrancelhas se ergueram. — Você ainda não a fez? Enviei-lhe os esboços meses atrás. Há estúdios de tatuagem em toda a Europa. — eu fiz um gesto para o seu braço. — E você claramente encontrou um recentemente, já que essa no seu braço é nova. Ele apertou os lábios e olhou para o seu prato. — Eu queria que você fizesse essa. — Eu? Por quê? — Você é um artista brilhante, Dare. — ele disse. — Eu soube desde que você fez a minha primeira tatuagem, naquela loja em Sunset. Estudei-o. Seu maxilar estava cerrado, a expressão dos seus olhos era dura e ilegível. Havia mais nisso do que o meu suposto brilhantismo. Eu apostaria dinheiro nisso. O desenho que ele pediu, foi de um pequeno pássaro com uma nota musical em seu bico. Realmente diferente das outras tatuagens em seu corpo. Quase... triste. — Você vai me dizer o por quê? — Assim que você me falar sobre Ree. — Touché. — eu balancei a cabeça e peguei meu prato. — Eu começo a trabalhar só daqui a dois dias. Por que não vamos agora até a loja? — De jeito nenhum! — Indie irrompeu na cozinha, olhando para mim. — Ele não vai a lugar nenhum. Temos que estar no estúdio em quinze minutos. — ela rebolou até a porta do Synner e bateu, seu pequeno corpo desmentindo sua força. — Você tem cinco segundos para dar o fora daí. Conhecendo você, isso é mais do que tempo suficiente para deixar uma senhora insatisfeita! — em


seguida, ela bateu no banheiro ao lado. — Hawke! — ela gritou quando bateu na madeira escura. — Nenhum homem respeitável deve tomar banhos longos, a menos que haja uma mulher lá com ele. — Há. — Dash disse com uma risada. — Duas, na verdade. Indie gemeu e balançou a cabeça com o cabelo selvagem, insanamente azul. — Depressa. Todos vocês! Temos que ir! — como vocalista e única mulher na No Man’s Land, Indigo Zane tinha um par de pulmões nela. Quando ela gritou, o resto da banda pulou. — Onde diabos está o Leo? — Estou quase com medo de dizer. — Dash murmurou com a boca cheia de comida. Ela caiu sobre ele, batendo-lhe no ombro. — Fale. — Cristo, Indie. Guarde isso para o estúdio. — ele gemeu e esfregou seu ombro. — Leo foi correr. Os olhos azuis brilhantes de Indie se arregalaram. — Corrida? AGORA? A porta da frente se abriu e Leo entrou, parando quando notou Indie vindo em sua direção. — Onde está o incêndio? — sua pele escura brilhava com o suor, quando ele olhou para as mãos dela em punho. Ela acertou-o no rosto e olhou para ele. — Você estava realmente CORRENDO agora? Que merda, Leo? — É Lynx. Quantas vezes eu tenho que lhe dizer isso? Chame-me de Lynx, caralho. — ele tomou um gole da sua água e passou a mão sobre seu cabelo escuro. — Qual é o problema? — O PROBLEMA é que vamos nos atrasar para o estúdio. NOVAMENTE. Eu juro, é como se eu estivesse cuidando de quatro malditas crianças. TODOS. — gritou ela, com as mãos nos quadris, e o cabelo azul balançando. A batida parou

de

repente

e

o

chuveiro

desligou. —

daqui! AGORA! Este álbum não vai gravar sozinho!

Tirem

suas

bundas


Engoli o resto do meu café e saí da sala com as mãos levantadas, em direção à porta. — Essa é a minha dica. Já vi muitas e muitas vezes os traseiros nus do Hawke e do Synner. Eu estou fora. Eu fechei a porta atrás de mim, fugi do caos, balançando a cabeça para a loucura que era a vida do Dash. Eu não tinha ideia de como ele fazia isso. Mas verdade seja dita, o caos dela era meio bem-vindo. Mantinha os pensamentos sobre Ree fora da minha cabeça.


Capítulo Dois

A

s pessoas invadiam

as ruas de paralelepípedos ao meu redor, enquanto caminhava sozinha em uma cidade estranha. Pelo menos Dare estava aqui. Em algum lugar. Eu não o tinha visto ainda, mas eu sabia que a banda do seu irmão estava na cidade. Felizmente, Dalia tinha sentido pena de mim e me dado seu endereço. — Eu sinto muito, Ree. — ela disse quando atendeu a porta em Paris. — Ele se foi. — ela saiu para o corredor e fechou a porta atrás dela. — Embora? — eu disse, meus joelhos ficando fracos. — Como é que ele pôde ter ido embora? Ela mordeu o lábio, suas belas feições tingidas de tristeza. — Sinto muito... — Não. — eu disse — Você não tem nada que se desculpar. A culpa é minha. Eu sou a aquela que sente muito. E eu não deveria colocá-la nesta posição, mas... — eu procurei o rosto dela. — Você... você pode me dizer onde ele está? Por favor? — Ele me pediu para não falar. — seus dentes afundaram mais em seu lábio, conforme as sobrancelhas inclinavam em direção à outra. — Mas como se ele tivesse mandado...


Meus olhos começaram a encher de lágrimas e eu furiosamente pisquei para contê-las, enquanto lutava para manter a minha respiração sob controle. — Eu entendo. — eu soltei. Havia outras maneiras de encontrá-lo, é claro. Não era como se eu não tivesse aprendido alguns truques dos meus pais, mas eu tinha tanta esperança que ela me dissesse. — Ok. Obrigada, Dal. — eu dei um passo para trás, mas Dalia estendeu a mão para me parar. Meu olhar levantou para encontrar o dela. — Ree... você o ama? — ela olhou intensamente nos meus olhos. Minha cabeça estava balançando antes dela terminar, minhas palavras saindo em um sussurro apertado. — Com tudo o que sou e tudo que eu tenho. — Bem... — seus olhos se estreitaram quando ela me estudou. — Eu não tenho que fazer o que ele diz sempre. Ele está em Amsterdam com Dash. E ele está sendo um completo idiota, se você me perguntar. Um riso borbulhou para fora da minha boca, mesmo quando as lágrimas transbordaram. Eu meio que ri, meio solucei, quando Dalia me abraçou. — Ele precisa de você. — disse ela no meu cabelo, o que só me fez chorar ainda mais. — E ele te ama também. Eu não acho que o meu irmão já amou alguém. Não assim. Não como você. Ela me soltou e eu estendi a mão para limpar meu rosto. — Obrigada. — eu disse baixinho. — Obrigada, obrigada, OBRIGADA. Ela assentiu com um sorriso — Só... não o machuque. Ele é um filho da puta teimoso, mas ele é meu irmão favorito. A porta do apartamento se abriu e Dax ficou lá olhando para Dalia. — O QUE VOCÊ ACABOU DE FALAR?! — Oh, não surte sem necessidade, Dax. — disse ela. — Eu sabia que você estava aí o tempo todo, parado nos espionando. — ela revirou os olhos, virandose para mim de novo. — Eu quis dizer que Dare é meu irmão favorito, fora Dax. — ele cruzou os braços sobre o peito e encostou-se no batente da porta com um


sorriso de satisfação quando ela disse: — E você precisa ser boa para ele, porque eu realmente não quero ter que persegui-la se você quebrar o coração dele. Outra risada borbulhou dentro do meu peito. Deus, eu a amava. — Eu não vou. O coração dele está seguro comigo. Eu juro. Dax levantou uma sobrancelha para mim e piscou. — Você pode vir quebrar meu coração sempre que quiser querida. — Dalia girou, bateu no braço dele e empurrou-o de volta para o apartamento, enquanto sua risada profunda ecoava pelo corredor. Mesmo agora, enquanto eu caminhava ao longo do canal, a cidade iluminada, luzes laranja brilhando como fogo sobre a água e tons de azul enchiam os espaços no meio, eu não pude deixar de sorrir com o pensamento de Dalia e Dax. Eles haviam ficado em Paris por uma semana antes de pegar um trem para Roma. E eles viriam para Amsterdam ainda este verão para ver a No Man’s Land se apresentando. Eu só esperava que ainda estivesse aqui até então. E que as coisas ficassem bem. Sabine entendeu quando liguei para dizer a ela que sairia da La Périod de Bleue e não sabia quando voltava. — Pour l'amour? Bien sûr. — por amor? É claro. — Você deve ir, chérie. Você deve dizer oui á l'amour3. Este Wilde... ele é o seu grande amor. Eu soube desde a primeira vez que o vi. Ela tinha contatos em Amsterdam e tinha conseguido um par de entrevistas para mim em algumas galerias locais. Eu não tinha ideia se conseguiria encontrar trabalho aqui, mas pelo menos eu tinha um pouco de dinheiro para me manter por um tempo. O trabalho que eu tinha feito em Paris fez uma enorme diferença, e Sabine ainda insistiu em manter os nossos termos e me pagar pela mostra de Marie Ormonde, mesmo que eu tivesse saído antes da exposição. Eu devia muito a ela. 3

Sim ao amor.


Ela estava tornando possível eu ter a vida que eu queria. Reinventar-me. Enfiei a mão na bolsa, meus dedos fecharam em torno do familiar pedaço de papel dobrado. Minha fênix - que se tornou minha fonte de força e inspiração ao longo dos anos. Era o item na minha bolsa que eu pegava primeiro, em vez das pílulas. Bem, na maioria das vezes. Eu não era perfeita. E alguns velhos hábitos são

difíceis de

quebrar. Especialmente à noite. No escuro. Quando eu estava sozinha. Eu estaria mentindo se eu dissesse que não tinha me drogado pra cacete nos primeiros dias sem Dare. De novo. Mas eu estava tentando. Mesmo que eu tivesse escorregado esta tarde antes de eu sair do meu apartamento. Eu precisava de um pouco de coragem farmacêutica para passar por isso. Porque antes de procurar Dare, eu queria ter seu pássaro... meu pássaro impresso em tinta no meu corpo. Talvez a força dele infundisse na minha pele, minha mente, minha alma. Se eu tivesse a sua arte no meu corpo quando eu fosse pedir desculpas, ele saberia que era verdade. Ele saberia o quanto eu o amava. Teria que significar algo para ele. Ele, com certeza, era TUDO para mim. O suficiente para que eu estivesse disposta a enfrentar as agulhas. Nada me pararia neste momento. Nem os meus pais. Nem os pesadelos. Nem mesmo Dare. Eu precisava desse pássaro, e em seguida eu precisava encontrá-lo. Para explicar. Eu precisava que ele entendesse. Foda-se, eu precisava dele.


Libertar-me não era algo que poderia ser feito de uma só vez. Pelo menos não com a minha família. Meus pais não estavam acostumados a perder. Em suas mentes, a minha liberdade era a derrota deles. Fracasso deles. Falhar não está no meu vocabulário, o meu pai tinha dito. Ele não estava brincando. Ele não aceitava bem o fracasso. DE JEITO NENHUM. Eu não fui para Harvard e me recusei a seguir o caminho que eles meticulosamente traçaram para mim, e isso cheirava à falha para ele. Eu sabia disso, e eu sabia que sair debaixo das asas dele seria semelhante a um programa de doze passos. Dare não entendia isso sobre minha família. Mas depois de tudo o que aconteceu em Paris, e tudo o que Dalia tinha me dito, pelo menos eu sabia que ele me amava. Esse pequeno pedaço de conhecimento era suficiente para me dar a coragem de seguir. Eu não desistiria tão facilmente. A questão agora era encontrar o estúdio de tatuagem certo. Devia haver uma centena deles em Amsterdã, e eu já tinha visitado dezenas hoje, mas nenhum deles me chamou a atenção. De alguma forma, eu sentia como se o trabalho do estúdio tivesse que me afetar como uma grande obra de arte quando me deparasse com uma que me fizesse sentir assim, eu saberia que era o lugar certo para mim e minha fênix. Assim, enfrentei o medo e a dor em meus pés, e continuei. Mesmo que já fosse tarde. Mesmo que eu tivesse procurado o dia inteiro, estava exausta e pronta para parar. A beleza deste lugar majestoso, com sua arquitetura grandiosa, a velha cidade, era fascinante, suficiente para me motivar a continuar me movendo, explorando, procurando, no entanto, havia algo mais forte que me estimulava. Dare. Sempre Dare. Só mais uma, por Dare. E então eu virei outra esquina da rua, com as janelas cheias de meninas bonitas brilhantes na cor carmesim, no escuro da noite. À frente, à direita, vi mais um estúdio de tatuagem preto com letras douradas, um sinal vermelho brilhante iluminando a janela. Quando cheguei mais perto, pude ver o nome dele claramente.


Vogel Tattoos. O nome me paralisou completamente. Vogel? Como Rex Vogel? Isso tinha que ser algum tipo de sinal. Calafrios subiram pela minha espinha, quando eu dei alguns passos lentos em direção à loja, os olhos vasculhando a arte. Pássaros magníficos em todos os estilos enfeitavam a vitrine na janela, junto com animais, símbolos e palavras escritas em belas caligrafias. Se eu já não tivesse segurando o design perfeito na minha mão, eu ficaria muito inclinada a escolher as opções na minha frente. Para não falar, que eu estava certa de que eles tinham projetos ainda melhores lá dentro. Este era o lugar. Sem dúvida. Uma estranha calma caiu sobre a minha mente, enquanto um tiro de excitação atravessou o meu coração, acelerando o meu pulso. Sorri para o meu reflexo na vitrine. Eu estava a segundos de distância de conseguir minha fênix e renascer. Nova Ree. Novo eu. Eu começaria agora. Mais certa do passo que eu estava prestes a dar, do que de qualquer outra coisa que fiz na minha vida, eu abri a porta da loja, pronta para reivindicar a minha liberdade.


Capítulo Três

— M

antenha

o curativo até pelo menos o meio-dia de amanhã. — eu disse para a loira sobre minha mesa. — Resista à tentação de mostrá-la até lá. Ela levantou uma sobrancelha para mim, pulou da mesa, puxou para trás, balançando a bunda na cara da sua irmã gêmea. — Gostosa ou o que? — Tão gostosa, Izzy. — sua irmã bateu na bunda dela, enquanto eu tentava esconder o meu gemido irritado. Izzy fixou seus olhos castanhos escuros em mim, levantando a camisa para cima muito mais do que precisava. — E o que você acha? A pequena borboleta em sua parte inferior das costas ganhou zero ponto em criatividade comigo, mas ela era uma cliente pagante. E o cliente estava sempre certo. — É ótima. Só não a toque ou ela pode infeccionar. — Deus, eu não estava falando sobre a tatuagem. — disse ela com uma risadinha. — Então... você também coloca piercings, certo? — Sim, nós colocamos. — Em todos os lugares? Eu assenti com a cabeça. — Onde você gostaria de fazer?


— Eu não tenho certeza... — seus saltos altos batiam contra o piso de madeira, enquanto ela se exibia para mim. Ela colocou a mão no meu peito e inclinou a cabeça para cima, uma expressão inconfundível em seu olhar encoberto. — Qual é o lugar mais íntimo que você já colocou piercing em uma garota? — Nós temos uma grande técnica do sexo feminino que ficaria feliz em perfurar qualquer local que você queira, desde que você consiga suportar a dor. — eu disse. — Quer que eu a traga aqui? A alegria de Izzy derreteu um pouco, e eu não pude deixar de sorrir. A ameaça de um piercing real sempre fazia pessoas como ela amarelarem. Ela retirou a mão e abaixou sua camisa. — Humm... talvez outra hora. — olhando para a sua irmã, ela disse: — Nós vamos para Jimmy Woo. Aparentemente, há um evento VIP cravejado de celebridades esta noite. Você quer vir? Ela foi a terceira garota que me convidou para sair hoje. Quanto mais o final do dia se aproximava, mais tontas elas ficavam e mais rápido os convites vinham. Especialmente em torno da meia-noite. Eu balancei minha cabeça. — Não posso. Estamos abertos até às três. — ela não tinha que saber que era a minha última cliente e eu sairia em dez minutos. — Uau. Tão tarde? — ela estendeu o lábio. — Ou melhor, tão cedo? Eu dei de ombros. — As melhores horas de negócios no distrito da luz vermelha acontecem depois que o sol se põe e as luzes se acendem. — E quanto a encontrar conosco no nosso apartamento? — disse a irmã de Izzy. — Nós temos um quarto no The Toren. — ela levou o seu tempo doce arrastando o pincel rosa brilhante do gloss sobre os lábios já brilhantes. — UM quarto. Como gêmeas, já nos acostumamos a compartilhar os nossos brinquedos. — então ela piscou. Maneira de ser sutil.


— Obrigado pela oferta, mas eu vou ter que passar. Estou realmente atarefado hoje à noite. — e muito desinteressado. — É uma pena. — disse a menina, então se virou para sua irmã com um sorriso arrogante. — Deus, papai teria nos matado se soubesse que transamos com um tatuador. Ele já vai pirar quando descobrir que temos essas borboletas. — Feliz por salvá-lo da acusação de duplo homicídio. — eu as guiei para fora da sala. — Obrigado pela visita, senhoritas. — Se você mudar de ideia, estamos na suíte da cobertura! — Izzy gritou por cima do ombro. Ricas e à procura de problemas, as duas fizeram-me lembrar da garota que eu estava tentando muito esquecer. Mas, apesar de tudo, Ree era tão diferente quando a conheci - privilegiada, com medo de viver, quebrada, sempre houve algo real sobre ela. Algo verdadeiro. Algo que essas meninas não poderiam sequer sonhar em possuir. Sia entrou na sala, olhando para as garotas saindo. — Eu tenho uma outra menina para você, se você estiver disposto a esperar um pouco mais. Um bom dinheiro. Eu

gemi. —

Deixe-me

adivinhar,

outra

estudante

universitária

apedrejada à procura de se rebelar fazendo uma tatuagem florida? Você prometeu que pegaria a próxima garota. Que tal você me enviar um motociclista de cento e trinta e cinco quilos ou pelo menos alguém que queira um desenho que não seja algo que temos em nossos livros? — Você me subestima, Dare. — ela sacudiu o dedo para mim, balançando seu longo cabelo preto. — Eu vou trazer algo especial. — É mesmo? Continue falando e eu posso conseguir ficar uma hora extra. — Eu sei tudo sobre a sua obsessão por fênix, que o nosso querido Vogel começou. — ela disse quando me entregou um pedaço desgastado de papel. — É um desenho muito complexo e a cliente é virgem em tattoo, por isso eu disse que ela deveria voltar amanhã, quando você tem mais tempo, mas ela foi


insistente sobre começar imediatamente. Eu pensei que talvez você quisesse ver e conversar com ela sobre o processo e o número de sessões que vai precisar para fazer. — Deixe-me ver este esboço. Se vai precisar de algumas... — olhei para o papel. NÃO. Eu podia sentir o sangue escorrendo para fora do meu corpo. Não. De maneira nenhuma. Caralho. Os lábios vermelhos brilhantes de Sia estavam se movendo a mil por hora, mas eu não podia ouvir as palavras que saíam da sua boca. O papel queimava minha mão. Duas partes. Um inteiro. As palavras - em minha própria maldita caligrafia - queimaram-me com a visão de uma fênix familiar que brilhava em toda a página. Minha fênix. Não. Não minha. Da Ree. — Onde ela está? — minha voz estava rouca, parecia que vinha de outra pessoa. Sia se abriu para mim. — Onde quem está, hein? Eu passei por ela, e saí para a sala da frente. Uma parte de mim esperava que tudo fosse um mal entendido. Que alguém tinha colocado as mãos de alguma forma no meu esboço. Era isso. Gostaria apenas de dizer que a fênix não pertencia a ela e orientá-la para um outro desenho. Este pássaro não pertencia a ninguém mais. A menina que o possuía tinha desistido. Fácil pra caralho. Mas havia um pequeno pedaço meu, louco, viciado, que queria que fosse Ree.


Era essa parte que eu mais temia. No momento em que os meus olhos se conectaram com um par de tempestuosos olhos azuis, meu coração pulou na minha garganta. Havia algo de doentio sobre ter sua maior esperança e pior medo confirmados ao mesmo tempo. Na mesma pessoa. — Dare... — Ree respirou, meu nome apenas um sussurro em seus lábios. Deus, aqueles lábios. Aqueles lábios beijáveis da porra. Droga, cara. Tire-a da cabeça. — O que diabos você está fazendo aqui? — eu não queria parecer tão agressivo, mas as palavras apenas saíram como um tiro da minha boca, afiadas como punhais. Uma guerra estava sendo travada dentro de mim, uma batalha entre o meu coração e mente. A minha parte irracional, ferida, queria pegá-la, esmagála contra mim e nunca soltá-la. Mas eu sabia que tinha que segurar, ou arriscar uma repetição de Nova Iorque e Paris. Eu não tinha a intenção de entrar na Terceira Guerra Mundial com a família dela. Não depois de tudo o que eu tinha ouvido entre ela e aquele loiro babaca, mauricinho. Não quando ela não lutaria por nós. — Eu não entendo... — ela olhou ao redor da loja, o seu olhar cheio de confusão e genuína surpresa. — Você trabalha aqui? Você faz tatuagem? — Alguns de nós têm que trabalhar para ganhar a vida, Princesa. Ao contrário do seu noivo, meu pai não me deixou um fundo fiduciário confortável para eu me sustentar. A dor encheu seus olhos, e me arrependi imediatamente das minhas palavras. Porra. Ninguém, além de Ree, era capaz de me fazer perder a compostura e perder o controle assim. — Ele não é meu noivo e... — ela sussurrou, dando um passo na minha direção. — E eu... eu só não sabia que você fazia isso.


Aquele cheiro doce, que era totalmente dela, flutuou sobre mim. Não era algo que saía de um frasco caro, nem era encontrado em qualquer outro lugar. Era só ela. Ree pura. Intoxicação pura. Um aroma e eu não conseguia nem lembrar o meu nome. Minha própria escolha de droga. Mas, caramba todos para o inferno, eu estava acabando com a abstinência dela. Dei de ombros como se eu não me importasse que ela estivesse bem na minha frente, olhando para mim com aqueles grandes olhos lacrimejantes, como se eu fosse a resposta às suas orações. O que aquilo dizia? Finja até funcionar? Eu estava me afogando em falsidade, ficando sufocado ao fingir minha indiferença. — Há um monte de coisas que você não sabe sobre mim. — eu disse. Esse pensamento me bateu duro. Havia ainda muitas coisas que não sabíamos um sobre o outro, segredos que ela se recusava a contar. Merdas que já não eram problemas meus. Não importa quanto eu quisesse que fosse. Porra. Concentre-se. — O que você está fazendo aqui? — Eu... — seu lábio inferior tremeu, e eu coloquei minhas mãos em meus bolsos para me impedir de estendê-las para tocá-la. — Eu estou aqui para fazer uma tatuagem. — disse ela. — Eu vi o nome da loja e tive que entrar. Eu balancei a cabeça, acenando para o pedaço de papel na minha mão. — Eu não vou fazer esta tatuagem em você. Ela cruzou os braços sobre o peito. — Por que não? — Porque ela não pertence a você. Seus olhos se estreitaram e seu rosto ficou vermelho. — Sim, é minha. É a minha fênix. — Não mais, Reagan. — machucou fisicamente chamá-la por esse nome, mas eu tinha que ficar me lembrando que ela não era mais minha Ree.


Ela olhou para mim, com a boca escancarada, com o vapor praticamente saindo das orelhas, enquanto se preparava para me responder. Naquele momento, Sia andou atrás de mim e colocou a mão no meu cotovelo. — Vocês dois se conhecem? — ela perguntou, medindo a Ree. Os olhos de Ree se arregalaram, seu olhar caindo para a mão de Sia, em seguida, rapidamente de volta até o rosto dela. Sua cabeça inclinada para um lado. — Você... — Sou Sia. — disse ela, deslizando a mão ao longo do meu braço. Apresentando-se. E foda-se tudo isso, eu a deixei fazer isso, mesmo que seu toque fosse a última coisa que eu quisesse. Só para ver a expressão no rosto de Ree. Seus olhos ficaram colados aos dedos da Sia, que acariciavam o meu braço, dor eclipsando todas as outras emoções neles. Eu conhecia essa dor vividamente, senti toda a força dela há três semanas, na porra da minha própria escada, quando vi aquela bunda pomposa descer em um joelho. Depois de um momento, Ree teve um estalo. — Sia? — o reconhecimento inundou seu rosto. — Dare a pintou. Sia riu. — Eu acho que vocês REALMENTE se conhecem. Sim, eu fui o seu primeiro nu. — ela praticamente ronronou as palavras quando acrescentou: — Nós passamos o verão sem um monte de roupas. E eu esculpi algumas peças muito íntimas dele. — Oh. — Ree engoliu em seco. Merda. Era demais. Eu deixei-a ir longe demais. Sacudi a mão de Sia e lancei um olhar, que eu pedi a Deus que ela entendesse, como um recue muito severo. Sim, eu estava sendo um idiota e ferindo Ree. Ainda assim, isso não significava que eu deixaria outro fazer isso. Um padrão duplo do caralho, mas e daí? Ela me machucou e o troco era uma merda, mas havia um limite para o quão longe eu iria.


— Bem, é bom conhecer uma amiga de Dare. — Ree disse, olhando para o meu rosto. Havia uma pergunta flutuando no fundo de seus olhos, mas ela parecia incapaz de fazê-la. Ela parecia tão... perdida. Essa porra me matava. Eu balancei a cabeça, mais uma vez, me lembrando que ela não era mais problema meu. — Olha eu tenho que voltar ao trabalho. — eu disse — Eu tenho um compromisso em breve. — mentira. — Talvez você possa chamar o seu noivo para levá-la para outro estúdio de tatuagem. Tenho certeza que ele pode se dar ao luxo de comprar o que você quiser, Princesa. Inferno, ele poderia até comprar o seu próprio estúdio de merda. — eu me virei e comecei a andar na direção da sala dos fundos. Ree me seguiu para dentro, escorregando por entre a cortina, antes que eu tivesse a chance de fazer qualquer coisa. — Pare com isso, Dare. Pare de agir assim. — ela agarrou meu braço e me puxou para encará-la. E eu a deixei fazer isso. Seu toque era muito bom para resistir. Jesus. Ela era uma droga. E eu ia engolir de bom grado. Que diabos havia de errado comigo? Eu precisava me afastar dela. Longe, muito longe. — Isso não é você. — disse ela. — Isso não é a gente. — Agora é. Você fez a sua escolha. — eu dei um passo para trás, dandonos alguma distância, ficando longe do calor do seu corpo. Se ela pelo menos não cheirasse tão bem pra caralho. — Eu não estou com Archer. Eu nunca estive. Aquilo foi apenas os meus pais... — Eu não me importo. — eu disse com os dentes cerrados. Outra mentira. Ela sabia disso. Ela deu um passo para frente, pressionando-se contra mim.


— Eu vim para Amsterdam por você. — seu peito subia e descia contra mim, sua respiração aquecia meus lábios. — Por quê? Por que diabos você se importa? Ela olhou para mim, com seus olhos azuis ameaçando me afogar. — Porque eu te amo porra, seu burro. Deus, Dalia estava certa. Você é um idiota. Dalia novamente? Cara, minha irmãzinha realmente precisava aprender a manter a boca fechada sobre mim. — Eu não me importo. — mentiroso, mentiroso, mentiroso — Estou cansado de ser sugado para os seus problemas de sangue azul. — eu disse a ela. — O cara bonito estava certo. Eu não tenho nada para lhe oferecer. — Isso não é verdade. Você tem tudo que eu preciso. Você é tudo que eu preciso. — Ree estendeu a mão para tocar meu rosto, mas eu a parei enrolando meus dedos em torno de seu pulso. — Eu te amo, Dare Wilde. É por isso que eu estou aqui. — ela se empurrou contra mim, nos desequilibrando e caindo na mesa atrás de mim. E foi isso. Sua presença me envolveu, extinguindo a minha determinação. Ela, também, era tudo, e eu estava completamente afundado nela, em nós, nisso. Para o inferno com tudo isso, eu precisava dela. Queria. Ansiava por ela com tudo o que eu era. Eu corri meus dedos pelos cabelos e puxei-a para perto, respirando-a. — Eu estou tão cansado de jogar esses jogos com você, Ree. — Eu não estou jogando. — as lágrimas encheram seus olhos, fazendo-os brilhar. — Eu juro Dare. Este é o meu verdadeiro eu. Por favor, não me afaste. Deixe-me ser sua de uma vez por todas. A cada respiração rápida, curta, ela chegava cada vez mais perto, separando os lábios em antecipação. Tudo o que eu queria fazer era prová-la, tomá-la, fazê-la toda minha. Mas algo me parou.


Suas pupilas estavam dilatadas, os olhos vidrados, suas pálpebras pesadas. Se eu não tivesse tanta experiência com a minha mãe e suas recaídas, eu não teria pensado duas vezes sobre isso. Porque eu teria perdido os sinais. Claro como o dia do caralho. E porra... inacreditável. — Você está DROGADA? Agora? Outra vez? — apertei o meu domínio sobre ela, eu lutei contra a vontade de sacudi-la. Colocar alguma porra de sentido nela. — Você não percebe o que está fazendo para si mesma? O que há de errado com você, Ree? Ela abriu a boca para dizer algo, em seguida, fechou-a novamente. Seu rosto foi se rachando. Ondas de angústia correram dos seus olhos. Todo um tsunami delas. E eu era a causa disso. Merda. — Tudo. — ela finalmente sussurrou. — Tudo está errado comigo! Em seguida, ela arrancou da minha mão e fugiu da sala, deixando-me sozinho, atordoado. E rasgado. Ela era uma viciada - eu já tinha uma dessas na minha vida, e uma era mais do que suficiente. Mas esta era Ree. Porra. Eu ouvi o sino da porta da frente quando ela bateu, e olhei para baixo para ver o desenho da fênix ainda na minha mão.


Capítulo Quatro

I

diota. Perdedora. Estú

pida. Dare não tinha dito essas palavras para mim, mas eu as ouvia do mesmo jeito. Afinal de contas, essa era eu, quem eu sempre fui por toda a minha vida desarrumada. Eu pensei que tivesse mudado nos últimos três anos. Eu pensei que deixar minha antiga vida para trás significasse alguma coisa, que eu tinha chegado muito longe. Mas tudo não passava de uma grande mentira do caralho. Eu não era diferente de antes, mesmos erros, as mesmas decisões estúpidas, mesmos medos, as mesmas pílulas. Mesma Reagan McKinley. Eu simplesmente tinha menos dinheiro para jogar nos meus problemas e, provavelmente, um amigo a menos. Eu não falava com Archer desde que eu, não tão graciosamente, recusei a proposta dele. As pessoas não mudam. Estações, modas e tendências mudam, até mesmo prefeitos e governadores. Mas não as pessoas na minha vida. Minha família nunca mudaria. E, obviamente, eu não poderia também. Dare tinha deixado dolorosamente claro esta noite.


Tudo o que eu queria fazer era engolir mais pílulas. Esquecer tudo. Parar de sentir. No caso em questão - o meu primeiro pensamento foi o de encontrar refúgio nas pílulas. Mesmo que essas pequenas bastardas fossem as culpadas pela situação dessa noite. Pela primeira vez, eu estava grata que o frasco estivesse no meu apartamento, em vez de na minha bolsa. Pelo menos eu ainda tinha minha... Ah, merda. Eu nem sequer tive que procurar na minha bolsa para saber que não estava lá. Eu congelei na calçada. Alguém esbarrou em mim, murmurou algo em holandês, e olhou, enquanto ele andava em volta de mim. A fênix. Minha fênix. Eu não tenho o meu pássaro. A minha âncora. Minha força. Oh, Deus. Um pânico subiu dentro de mim, balançando minha alma, ameaçando me quebrar em milhares de pedacinhos. Abaixei-me no chão e joguei o conteúdo da minha bolsa sobre os paralelepípedos, mesmo sabendo que o movimento era inútil. Minha carteira espatifou no chão, um brilho labial rolou para uma fenda, chaves tilintavam para fora. Mas nenhum papel. Nenhuma fênix. Dare ainda estava com ela. Eu não consegui respirar. Se eu não tivesse o meu pássaro e eu não tinha as minhas pílulas... como eu sobreviveria a este momento? E o próximo? E todas aquelas noites escuras que sem dúvida, viriam? Lágrimas quentes começaram a rolar pelo meu rosto e lutei muito para tentar não quebrar em soluços. — Hey. — alguém disse, quando se ajoelhou ao meu lado. — Você precisa de alguma ajuda?


Conforme ele alcançava meu brilho labial, notei que todo o seu antebraço era coberto de tatuagens coloridas, como uma luva de arte. As letras P L A Y4 foram pintadas sobre os dedos da sua mão direita, e H A R D5, na sua mão esquerda. Ele deixou cair o frasco rosa em minha bolsa e, em seguida, fez o mesmo com a minha carteira e o resto das minhas coisas, enquanto eu continuava a olhar para ele com admiração. Olhos verdes intensos olharam nos meus interrogativamente e um cigarro estava pendurado para fora dos seus lábios finos. Então ele o tirou da boca, e deu um sorriso deslumbrante para mim. Por algum motivo estúpido, eu comecei a chorar novamente. — Ah, não pode ser tão ruim assim, pode, amor? — ele disse, em uma voz profunda aquecida por um sotaque britânico. — Não para uma menina bonita como você. Ele não tinha ideia. O cara se levantou e eu o segui, me sentindo tão perdida. Eu não queria ir para casa, porque eu sabia que nunca conseguiria resistir às pílulas, e do jeito que eu estava me sentindo agora, olhar aquele frasco seria muito convidativo. Mas eu não tinha mais para onde ir. Eu não era bem-vinda no Vogel Tattoo - Dare, provavelmente, nem mesmo queria falar comigo agora. Eu teria que voltar e tentar de novo quando estivesse sóbria. Talvez amanhã. Se eu quisesse ter alguma chance com ele, o meu pedido de desculpas não podia ser feito encorajado por drogas. — Por que você não me deixa pagar uma bebida? — disse o britânico, empurrando seu cabelo escuro sujo para fora de seus olhos. Ele sorriu e estendeu a mão para mim. — Sou Synner, a propósito. Eu estudei seu rosto - ele não parecia assustador, graças a Deus. Ele apenas estava sendo genuinamente simpático e obviamente interessado. E 4

Tocar.

5

Forte, duro.


agora, neste exato momento, o que eu precisava mais do que qualquer outra coisa no mundo era de um amigo. Então eu apertei sua mão estendida, e forcei um sorriso. — Reagan.

As três primeiras doses pareceram como aguardente. Mas nas três seguintes, eu não senti nada. Synner era incrivelmente divertido, falando sobre suas muitas tatuagens. Apontei para uma pena azul que estava escondida no desenho intrincado em seu braço. — E quanto a esta? — eu disse. Seu maxilar cerrou e ele balançou a cabeça. — Desculpa amor. Sobre essa eu não falo. Eu conseguia entender aquilo. Todos tinham os seus segredos. Alguns mais do que outros. E eu certamente não derramaria nenhum dos meus esta noite. Ou qualquer outra noite. — Eu fui fazer uma tatuagem mais cedo. — eu disse a ele, minhas palavras saindo um pouco arrastadas. — Mas ele não quis fazer. Ele me odeia. Synner arqueou uma sobrancelha perfurada. — Quem te odeia? Olhei para o meu copo vazio, perguntando por que ele não foi magicamente preenchido. O lugar balançou quando eu virei a cabeça para olhar para o meu novo amigo. — O único homem que já amei em toda a minha vida de merda. — Então, ele é claramente um imbecil. Quem poderia odiar uma criatura tão doce quanto você? — ele enrolou meu cabelo em torno do seu dedo e gentilmente puxou para ele.


Eu balancei a cabeça, saindo do seu alcance. — Ele odeia. — eu disse com um gemido. — E ele deveria. Ele tem todos os motivos para isso. — Por que você não... — Synner disse, inclinando-se para que os nossos lábios ficassem quase se tocando. — Deixe-me amá-la hoje à noite? Uma noite comigo e você não vai pensar mais nesse cara. Eu posso prometer-lhe isso. Eu sorri para ele, então coloquei minhas mãos em seu peito e o empurrei. — Mas eu não quero você. — eu suspirei — Eu só quero ele. — Você nunca ouviu falar que você deveria amar quem quer você? — ele piscou. — Ou, pelo menos, deixar ser amada. Vou fazer você perder a cabeça, eu prometo. De muitas maneiras pecaminosas e até posições mais pecaminosas. Eu ri, então, por que VAMOS LÁ. — Será que essa conversa ALGUMA VEZ funcionou para você? — eu disse. Uma profunda, gargalhada subiu do seu peito, e ele sorriu para mim. — Droga. Eu nunca tive que me esforçar tanto para ter alguém na minha cama. — disse ele. — Você não tem ideia do que está perdendo. Eles não me chamam de Syn6 SÓ porque eu sou gostoso pra caralho. Synner era quente, tudo bem. Sexy pra cacete. Tatuagens cobriam seu corpo, nem um grama de gordura corporal, músculos bem torneados, mas não exagerados. Seu cabelo loiro escuro ficava escondido atrás das orelhas, mechas caindo sobre os olhos. Em outros tempos, eu teria pulado em sua cama sem pensar duas vezes. Mas ele não era o meu Dare. — Desculpe. — eu disse com o riso morrendo na minha garganta, enquanto meus pensamentos voltavam para Dare. Tudo estava tão ferrado. Eu não tinha ideia se conseguiria corrigir isso. — Eu não quero mexer com a sua fama impecável de pegador.

6

Atributo, lembrança.


Ele levantou a cerveja, tomou um gole, e inclinou a garrafa para mim. — Tudo bem. Um pouco de humildade não faz mal a ninguém. — ele balançou a cabeça para o meu copo. — Por que você não me deixa ajudá-la chegar em casa? Você bebeu um monte de drinks. Eu balancei a cabeça, o local inclinou precariamente conforme me levantei. Mas,

imediatamente,

perdi

o

equilíbrio

e

escorreguei

da

banqueta. Synner me pegou, me ajudando a ficar de pé. — Nah. — eu o dispensei, acenando com a mão. — Eu estou bem. — Você não está nada bem, amor. — ele sorriu para mim novamente, com seus dentes brancos e alinhados. E ele estava certo. Eu não estava nem perto de estar bem. Eu não estava no mesmo continente, eu estava fora de órbita. — Onde você mora? — suas palavras flutuaram até mim como se viessem de longe. Minha mente se agitou em um ritmo irritantemente lento, enquanto eu tentava lembrar o nome do meu hotel. The Riding Donkey? The Laughing Cow? Se eu conhecesse melhor esta cidade, provavelmente seria capaz de encontrar meu caminho de volta, mas no momento eu não conseguia nem me lembrar o nome da rua em que eu estava hospedada. Merda. Essa noite poderia ficar pior? — Eu não tenho ideia. — eu murmurei as palavras, sem saber se estava sendo coerente. O bar todo girou ao meu redor, e eu tinha a vaga noção de que talvez se eu não estivesse tão nervosa para comer durante todo o dia, o álcool não me pegaria tão rápido e forte em mim. — Tudo bem. — Synner disse enquanto se levantava. — Você pode vir dormir no meu apartamento. Eu não posso, em sã consciência, deixar-lhe aqui para cuidar de si mesma. — ele se inclinou, puxou um dos meus braços para cima ao redor do seu pescoço, e colocou seu braço em volta da minha cintura. Então, ele me levantou, e eu fiquei em pé na frente dele.


Eu comecei a me afastar. — Eu não vou dormir com você. — Eu sei, amor. Minha testa franziu, os meus pensamentos colidindo um com o outro. — Synner? — eu disse. — Por que você está sendo bom para mim? Você nem me conhece. Ele apenas deu de ombros. — Eu tenho irmãs mais novas. E em algum lugar, no centro deste deus do sexo quente e irresistível, há um coração honesto e bondoso batendo. Eu não quero que você se machuque. Minha garganta apertou, e eu balancei a cabeça, em seguida, caminhei com ele em direção à porta. O vazio do meu estômago chiou, ele estava embrulhado. Nós mal tínhamos acabado de sair, quando senti que o que eu tinha bebido ia voltar. Eu corri pra longe dele e fui para o lado de um edifício. Então eu soltei tudo na rua, uma e outra vez até que eu senti o mundo girar e ficar todo escuro.


Capítulo Cinco

E

u

acabei

em

um

quarto escuro, e se não fosse pela luz da rua derramando através das janelas, eu teria me assustado. Mas eu não estava em um porão. Eu estava no chão. E eu estava bem. Bem, por enquanto. Oh, Deus... onde diabos eu estava? — De jeito nenhum, Synner. — a voz profunda soou, e eu levantei minha cabeça para ver dois homens na porta. — Não é legal, cara. Ela está completamente perdida. Você vai dormir no sofá esta noite. Se você pisar um pé neste quarto eu vou cortar seu pau fora. — Caralho. — disse Synner. — Dê-me alguma porra de crédito. Eu não sou esse cara. Eu não preciso disso. Eu olhei para a escuridão, tentando ver as feições do outro indivíduo, o que era quase impossível, já que ele estava contra a luz. Ele era mais alto do que Synner, tinha um cabelo mais longo, e algo sobre seu rosto me pareceu familiar. — NÃO está tudo bem, Syn. — Concordo. É por isso que eu estou aqui falando com você e não com as bolas enfiadas profundamente em alguém como um degenerado. Eu só pego as


preparadas e muito dispostas. — Synner cruzou os braços sobre o peito, e encostou no batente da porta. — O que você ainda está fazendo acordado, afinal? O outro homem encolheu os ombros — Nada. — A garota? — disse Synner. — A garota. — um suspiro profundo flutuou através da porta aberta. — Sempre a garota. — Não diga que eu não avisei. — no momento que vi Synner sacudir a cabeça, a minha começou a girar novamente. — Você tem que deixá-la ir. Perder a cabeça por alguém que você não pode ter, vai te foder. É por isso que eu não me incomodo mais. — ele bateu no outro cara na parte de trás da cabeça. — Tudo bem, essa conversa é o suficiente para esse mês. É melhor você dormir um pouco, enquanto você ainda pode. Indie vai berrar conosco antes do amanhecer. Suas palavras começaram a desaparecer, conforme a exaustão, o álcool e as drogas pesaram no meu corpo e em minhas pálpebras. O esquecimento abençoado do sono tomou conta de mim, me puxando para baixo, apagando todos os meus pensamentos.

Um estrondo na porta me sacudiu, me acordando. Alguém gritou. Meu Jesus, a voz dela era tão estridente. O som era como um picador de gelo sendo batido no meu cérebro. Uma, e outra, e outra vez. Puxei o travesseiro sobre a minha cabeça e esmaguei-o em meus ouvidos. Puta que pariu, quem estava fazendo todo esse barulho? — LEVANTE-SE! AGORA! — ela gritou — Nós vamos nos atrasar de novo!


Merda. Se ela não parasse de gritar como uma vadia de alma penada, minha cabeça explodiria. A luz do dia entrando através da janela foi ruim o suficiente quando eu abri os olhos, mas o volume da voz dela estava dividindo minha cabeça ao meio. Agarrei o travesseiro mais forte, me preparando para sua próxima chamada. Mas tudo o que se seguiu foi o silêncio. Graças a Deus. Eu arrastei o travesseiro da minha cabeça, lentamente, levantei e olhei ao redor. Cristo, apenas mover os meus olhos doía. Onde diabos eu estava? O quarto era grande e pintado de vermelho escuro, as roupas estavam espalhadas por toda parte, e havia um monte de baquetas que estavam em um vaso em cima da cômoda. Eu não tinha ideia de onde estava ou como eu tinha chegado aqui. Ou o que eu tinha feito nessa cama. Porcaria. Passo minhas mãos pelo meu peito para verificar se eu estava de roupas. Eu quase chorei de alívio quando percebi que tudo estava intacto. Cautelosamente coloquei minha cabeça de volta para baixo, deixando-a afundar no travesseiro que parecia mais um tijolo, desejando que o meu cérebro funcionasse. Ontem. O que aconteceu ontem? Quando minha memória voltou, eu balancei a cabeça, os pensamentos chacoalharam em torno do meu crânio. Dare. O estúdio de tatuagem. Perdi minha fênix. Provavelmente perdi minha chance com Dare.


Então

eu

tinha

saído

e

ido

a

um

bar

com

um

cara. Skimmer? Skipper? Algo estranho assim. Deus, eu não conseguia sequer lembrar o nome dele. E eu não conseguia me lembrar de nada que aconteceu. Oh, Deus... oh Deus, oh Deus... Eu comecei a tremer quando a imensidão do que eu tinha feito caiu sobre mim. Quão estúpida realmente pode ser uma pessoa? Como eu poderia ter me colocado nessa posição? Jesus. Eu lentamente me sentei, em seguida, coloquei a minha cabeça latejante em minhas mãos, enquanto esperava o quarto parar de girar. Meu estômago embrulhou, e eu senti como se fosse passar mal. Pelo gosto nojento na minha boca, eu tinha certeza que já tinha feito isso pelo menos uma vez na noite passada. Deus. Eu tinha que parar com isso. Eu só queria saber como. Uma GPA7 4 na Columbia, aparentemente, não curava a estupidez. Tomei algumas respirações profundas. Eu estava bem. Nada tinha acontecido na noite passada. Eu só precisava pegar minhas coisas e sair daqui. Pelo menos a gritaria tinha parado, e talvez eu pudesse fugir sem que ninguém me visse. Tirei as cobertas do meu corpo, deslizando minhas pernas na beirada da cama, e me levantei lentamente. Deus, cada passo era como um soco direto no meu cérebro. Chegar em casa seria um grande desafio do cacete. Não demorou muito e eu alcancei a porta. Eu pressionei meu ouvido contra ela e escutei por um momento. Havia um ruído baixo de conversa, mas sem gritos. Felizmente. Eu abri a porta o mais silenciosamente que pude,

7

Média de notas na universidade.


esperando que ela não chiasse, rezando que a saída fosse óbvia e fácil de alcançar. Eu não tinha interesse em me locomover pela casa de um desconhecido no momento. Eu precisava voltar para o meu hotel, tomar a ducha mais longa da minha vida, e então tentar novamente com Dare. Fria e sóbria como uma pedra dessa vez. A porta dava para uma sala de estar à direita e uma cozinha à esquerda. Dois caras altos estavam em volta do balcão da cozinha, de costas para mim. Eu só olhei para eles brevemente, não querendo chamar a atenção, imaginando que um deles devia ser o cara da noite passada. Com uma ressaca do tamanho de Manhattan, eu não tinha certeza se seria capaz de reconhecêlo. O cheiro forte, amargo do café bateu e uma onda de náusea tomou conta de mim. Caramba. Por

que

as

pessoas

têm

que

beber

aquela

coisa

desagradável? Especialmente sendo a primeira coisa na parte da manhã. — MENINOS! Oh, meu Deus. A dona do grito estava de volta, de pé, cerca de dez metros de distância de mim. Ela era uma fada pequena com cabelo azul brilhante e os olhos para combinar. Eu nunca teria imaginado que alguém tão pequena e azul, para constar - poderia fazer tanto barulho. Sua voz cortou pela minha cabeça como uma faca irregular, e eu estremeci, agarrando minhas têmporas, instintivamente, para evitar que a dor se aprofundasse. — Oh, merda. — disse ela em um tom muito mais calmo, mas ainda igualmente torturante. — Desculpe, garota. — dando-me uma rápida inspeção, ela acrescentou. — Porra, você está horrível. Não brinca. Eu me sentia horrível. — E você... — eu abri meus olhos e levantei uma sobrancelha agonizante. —... Parece com um Smurf. Ela sorriu e acenou com a cabeça em direção à sala de estar. — A porta é por ali. Não deixe que ela bata...


— Ree?! NÃO. Não, não, não... por favor, não. Não podia ser ele. Meu peito se contraiu, espremendo todo o ar dos meus pulmões, enquanto minhas mãos começaram a tremer. Eu não queria virar e olhar para aqueles olhos castanhos escuros. Por que eu não podia ter uma pausa? Por que, de todas as casas nesta cidade grande do caralho, eu tinha que acabar na que ele estivesse presente? Entre todas as pessoas em Amsterdam, por que eu tinha que conhecer Slim, Jim ou qualquer merda que seja o nome? Porque mesmo que eu tivesse certeza absoluta que merda nenhuma aconteceu, Dare nunca acreditaria em mim. Não depois de tudo que aconteceu entre nós. Inferno, eu também não acreditaria em mim, neste momento. — Porra! Inacreditável. — suas palavras assobiaram para mim, rasgando meu peito, quebrando meu coração. Virei-me, levantando os olhos para encontrar os dele, então imediatamente desejei que eu não tivesse virado. A raiva queimava tão brilhante neles que me fez estremecer. A raiva, mágoa e traição. Mais uma vez. Foda. Me. Eu balancei a cabeça, em seguida, queria não ter feito isso. — Não é... — Economize. — disse ele. Cada palavra foi sentida como uma lâmina na minha cabeça e meu coração. — Não se preocupe, Ree. Não estamos mais juntos, lembra? — em seguida, ele se virou e afastou. Olhei para ele, com as lágrimas enchendo meus olhos, incapaz de impedilas de escapar. Incapaz de falar... porque não havia muita coisa para dizer. Oceanos de tácitas explicações, mal entendidos e segredos nos


separavam. Poderia o amor realmente ser suficiente para superar tudo isso? Eu não sei mais. Eu estava começando a acreditar que não havia esperança para nós. Eu o assisti se retirar, sentindo que cada peça já quebrada do meu coração estava quebrando ainda mais. — Então você é Ree, hein? — um cara de cabelo escuro encostou-se ao balcão da cozinha, com sua voz profunda e suave quando ele falou. Ele tinha olhos azuis que pareciam, tanto estranhos quanto familiares. Havia algo em seu rosto esculpido que me acalmava, embora eu não pudesse, nessa vida, me lembrar dele. — Sim. — eu balancei a cabeça, a dor me fez lembrar tarde demais que todo o movimento era ruim. — Sou Dash. — ele disse, e todo o sentimento deixou meu corpo. Ótimo. Que maneira deliciosa de finalmente conhecer o irmão mais velho de Dare. Bem feito, Reagan. Ele deu um passo na minha direção, um sorriso quente em seu rosto que eu não consegui compreender. Ele não deveria estar me julgando, condenando? — Deixe-me ajudá-la a encontrar um táxi. Você provavelmente vai ter mais sorte conversando com Dare mais tarde. Depois que ele tiver algum tempo para esfriar a cabeça. Ele passou por mim, abriu a porta, e esperou. Segui-o, o choque da sua bondade me deixou sem palavras. A simpatia de estranhos era uma coisa engraçada. Por que eles eram todos muito melhores para mim do que minha própria família? Inclusive Dare? Talvez fosse eu. Talvez, me conhecer de verdade era me odiar. Não que isso importasse. Neste momento, ninguém me odiava mais do que eu mesma.


Capítulo Seis

E

u iria matá-lo.

— Abra, Synner! — bati na porta do banheiro. Ela estava trancada, mas eu estava com raiva suficiente para arrancar as dobradiças. — Saia daí! AGORA! O som de água corrente abafou os meus rugidos. Ele sempre aproveitava o seu tempo no chuveiro após uma longa noite fazendo sabe Deus o que, com sua última conquista. Exceto que esta manhã a conquista era Ree. MINHA Ree. Porra, eu partiria a porra da cabeça dele ao meio. — SYNNER! — Esse cara está estabelecendo o recorde de fodido de Amsterdam. — Hawke, o baixista, cutucou meu ombro, quando passou por mim, ao sair de seu quarto. — Você viu a loira quente que ele trouxe para casa na noite passada? Porra. Pena que ele não gosta de compartilhar. Certo, então, Hawke morreria em seguida.


Meu punho fez uma pequena rachadura na madeira. — Abre essa porra de por... A porta se abriu e Synner ficou na minha frente, de olhos arregalados, todo molhado, e nu. — Que inferno! Quem mijou no seu café da manhã? — ele puxou uma toalha para fora do rack e a envolveu em torno da sua cintura. — Que porra está acontecendo com você? — Que porra está acontecendo COMIGO? — eu vi vermelho. Meu peito arfou, minha fúria aumentando com a sua atitude blasé. Ele poderia se importar menos com a garota que ele acabou de foder? — Que porra está acontecendo com VOCÊ, idiota? De todas as mulheres em Amsterdam seu pau carregado de DST poderia ter assediado qualquer uma ontem à noite, você tinha que escolher a minha? A sobrancelha de Synner disparou. — DST? Isso dói. — ele colocou a mão em seu coração coberto de tatuagem, em seguida, me olhou bem nos olhos. — E para sua informação, meu pau incrivelmente talentoso não chegou a qualquer lugar

perto

daquela

garota. Ela,

infelizmente,

estava

devastada

e

apagada. Passei a noite no sofá. — ele me avaliou, a percepção floresceu quando ele falou. — Na verdade foi algum idiota que a ferrou. Eu acredito que ela disse que era um tatuador. Eu esfreguei minhas mãos sobre o meu rosto, tentando manter a minha raiva sob controle. — Devastada e apagada? — Ree estava drogada. Rejeitada e drogada. Eu a afastei, deixei-a sozinha e sem amparo, à noite, em uma cidade estranha. Porra. Synner assentiu com a cabeça. — E, inexplicavelmente, não estava interessada. — disse ele. — Eu não preciso assediar boceta nenhuma sem consentimento. Eu tenho mulheres dispostas o suficiente para manter-me ocupado por toda a eternidade. — Ele está dizendo a verdade. — Dash disse, e eu me virei para ver que todo mundo se reunira para assistir a nossa troca. Ótimo. — Ela só dormiu


aqui. Isso é tudo. — ele deu um passo para frente, apontando para a porta da frente. — Estamos sem leite. Hora de ir para o mercado. Você e eu. O que ele realmente quis dizer foi: Hora de acalmar Dare, porra. — Dash, temos... — Indie começou, mas ele a cortou com um olhar severo. — Tudo bem. — disse ela, com um suspiro exasperado. — Tanto faz. Todo mundo pode simplesmente fazer a merda que quiser hoje. — ela jogou as mãos no ar. — Desisto! Synner riu e disse algo a ela, mas eu não consegui entender as palavras, porque Dash tinha agarrado meu cotovelo e já estava me arrastando para fora do apartamento. — Merda. — eu murmurei, uma vez que tínhamos pisado na varanda da frente, puxando o meu braço de seu aperto. — Agora eu conheço a sensação de ser um irmão mais novo. Doloroso pra caralho. — Essa é a primeira vez que eu ouvi você se referir a si mesmo como meu irmão mais novo. — ele me estudou, pressionando os lábios, enquanto raciocinava. — Olha, se eu tivesse alguma ideia de que ela era sua Ree, eu tinha lhe dito de imediato. — Eu sei. — eu cerrei os dentes, sentindo a minha indignação com Synner dissipar. Tudo o que sobrou foi a raiva de mim mesmo. — Dare... — a voz de Dash era baixa, suas palavras quase inaudíveis. — Eu não quero passar um sermão, mas você está fodendo com tudo. — Eu sei. — sentei-me no topo da escada. Dash sentou-se ao meu lado e esticou as pernas na frente dele. — Mas não é tarde demais. Eu vi o jeito que ela olhou para você. — Ree... — eu suspirei, não era possível cuspir o resto da frase para fora. Meu peito doeu, minha cabeça latejou. Eu respirei fundo e olhei para Dash. —... Tem um problema.


Ele se virou para olhar para mim, as sobrancelhas enrugadas por causa do olhar no meu rosto. — Um problema sério, eu suponho? — Pílulas. — eu disse. — Ela não consegue funcionar sem elas. — Ree é uma viciada? — a palavra viciada soou muito dura e com julgamento, mesmo que não houvesse sugestão na sua voz. Engoli em seco, mas não respondi. Dizer sim seria tornar real, e eu não queria rotulá-la. — As coisas ficam bem quando estamos juntos. Ela não usa. Dúvida encheu os olhos de Dash. — Por que eu sinto um mas cósmico chegando? — Porque, no momento em que sua família entra em cena, sua promessa de não usar, simplesmente... quebra. Eles são DONOS dela, e eles a machucam. Uma e outra vez. — a raiva e frustração se alastraram pelo meu corpo, e eu esfreguei meu queixo. — E ela sempre cede às vontades deles. Ela nunca me deixa ajudar. — Foi isso que aconteceu em Paris? Eu balancei minha cabeça. — Isso foi o que aconteceu em Nova Iorque, há três anos, e eu pude ver que aconteceria novamente. Desta vez eu não fiquei por lá para vê-la se dobrar à vontade dos pais e depois descer para a escuridão que a consome. — e agora eu estava me punindo por isso. Eu deveria ter ficado lá para ela. Eu deveria ter sido a sua luz. Em vez disso, eu escolhi ser um idiota. Dash não disse nada. Ele não tinha que dizer. — Eu já passei por isso com a minha mãe. — eu disse, sentindo o aperto no meu peito expandir. — Ree pode usar produtos farmacêuticos, mas drogas são drogas. Você e eu sabemos disso. — essa era a herança comum da nossa família. Graças ao nosso pai bastardo.


— Sabemos também que ela pode ser superada. — Dash fazia isso. Ele tinha o hábito de ser bom. Mas minha mãe não tinha chegado lá ainda. Minha barriga deu um nó. O simples pensamento de que Ree pudesse ser como a minha mãe e eu ser a causa da sua espiral descendente desta vez, me faziam passar mal. Isso me fez sentir como o meu pai. - ele sempre desencadeava as recaídas da minha mãe. Ele fazia alguma coisa - traía, nos batia, era preso, matava alguém - e ela começava a usar drogas para ficar entorpecida novamente. — Ver Ree tão quebrada, perdê-la uma e outra vez... me mata pra caralho. — minhas palavras eram um sussurro rouco. — Eu não posso deixá-la afundar. — Então, não deixe. — Dash colocou a mão no meu ombro. — Ajudea. Você já fez isso antes. Pelo que Dalia me disse, sua mãe só está viva hoje por sua causa. Eu balancei a minha cabeça. — Mas eu não consegui curá-la. Minha mãe fica bem por um tempo, mas, em seguida, cai por terra novamente. Eu sou a porra de um fracasso, Dash. Ele

apertou

meu

ombro. —

Você

não

falhou. Sua

mãe

tem que querer ficar melhor. Ela tem que fazer o trabalho. Seus deslizes não são culpa sua. Há um limite no que você pode fazer. — E se eu falhar com Ree, também? — a ideia era assustadora pra caralho. E também bastante possível. — E se eu não puder ajudá-la? — Apenas esteja lá para ela, Dare. — E se eu não for suficiente? Ele me olhou diretamente nos olhos. — Você é. Você já disse que ela não usa quando vocês dois estão juntos. Você é suficiente, Dare. Mas você tem que ficar com ela. Então pare de foder tudo.


Ele sorriu e bateu na parte de trás da minha cabeça. Assim como eu sempre fazia com Dax. Quanto mais tempo passava com ele, mais ele realmente parecia como meu irmão. — Eu a amo, Dash. — chocado com a minha admissão, olhei para as minhas mãos, sem acreditar no que eu tinha acabado de dizer. Que merda eu sei sobre amar alguém? Minha ideia de amor e de família era deformada desde o primeiro dia. Claro, eu amava meus irmãos, mas isso era diferente. Ree, por outro lado, me pegou de surpresa. Ela entrou sorrateiramente na minha mente e coração, e agora se recusava a sair. Ou talvez eu não quisesse deixá-la ir. Ela era o meu vício, mas não havia nenhum programa de doze passos para tirá-la do meu sistema. Não havia desintoxicação para removêla do meu coração. Ela, de alguma forma, tornou-se uma parte viva minha - ela ERA a porra do meu coração. Nós éramos um só. Um inteiro. — Eu sei. — Dash se inclinou para frente, colocando os cotovelos sobre os joelhos, e olhou para a rua, para os carros e pessoas que passavam. — Mas será que ela sabe disso? Ela sabe? Nós nunca dissemos isso para o outro. Ou, bem, Ree tinha dito isso para mim ontem, mas eu ignorei totalmente as suas palavras. Eu estava muito ocupado sendo um idiota. Sendo o meu pai. Foda-se tudo isso, eu não seria como ele. — Eu não falei para ela. — eu disse, me sentindo como um neandertal. O que eu estava esperando? Ou talvez a melhor pergunta seria: por que três palavras pequenas me assustavam tanto? Isso era ridículo. Claro, uma vez, eu jurei que nunca diria essas palavras a ninguém por causa do que tinham feito a minha mãe. O amor arruína você. Ele faz de você um fraco. Ele faz você precisar tanto de alguém que você não pode funcionar sem ele. Eu jurei que nunca me colocaria nessa posição, que eu não iria proferir essas palavras, a menos que fosse verdade... o que não iria acontecer. Nunca.


Minha mãe riu no momento - durante um dos seus períodos sóbrios, quando ela brilhava como a luz do sol sobre a água e as coisas ficavam bem pra caralho em casa. Na época, parecia que tudo voltaria a ficar bem - nós quatro, Dax, Dalia, eu e minha mãe - quando nos sentíamos como uma família de verdade. Ela colocou o braço em volta dos meus ombros e disse com uma risada em sua voz que eu não ouvia desde... — Oh, querido. Você vai dizer um dia, porque você ama tão ferozmente. E quando você se apaixonar pela garota certa, você não será capaz de se impedir. Confie em mim. Isso vai acontecer. — Tá bom. — eu disse. — Quando os porcos voarem. Ela apenas balançou a cabeça e continuou rindo. — Você marque minhas palavras, Daren. Você vai encontrá-la. E você vai amá-la com todo o seu coração. O negócio era... a mamãe tinha razão. — The Flying Pig8. — Dash disse de repente. — O que? — Foi isso que ela disse ao motorista de táxi quando a vi ir embora. — disse ele. — É um albergue, e não muito longe do seu estúdio de tatuagem na verdade. — The Flying Pig. — a ironia não passou despercebida por mim, e eu comecei a rir. Minha mãe amaria isso. — Você quer que eu vá com você? Eu balancei minha cabeça. — Eu tenho que fazer isso. — eu disse, quando me levantei. — Eu preciso dela. Finalmente, eu realmente, realmente a tinha. Eu só esperava que não fosse tarde demais. 8

O Porco Voador.


Capítulo Sete

A

dor aguda da água

quente batendo em mim acalmava, enquanto lavava a sujeira de ontem à noite, o cheiro da minha vergonha. Inclinei minha testa contra o azulejo molhado, frio, do box do chuveiro. Agora, só ela poderia lavar meus pecados, reais e imaginários. Eu sabia o que Dare estava pensando, e eu tinha que encontrar alguma maneira de fazê-lo entender que nada tinha acontecido. Eu já tinha perdido todo o resto. Sem ele, eu não tinha mais nada pelo que lutar. Eu sabia o que eu tinha que fazer. Eu iria ao estúdio de tatuagem e tentaria me explicar. Ele teria que me ouvir. Que acreditar em mim. A verdade estava do meu lado. Isso tinha que contar para alguma coisa, não é? Na maioria das circunstâncias, a verdade tinha valor. Feita de importância e poder. Mas, na minha experiência - de toda a minha maldita vida - raramente importava. A verdade poderia ser comprada, palavras manipuladas, promessas quebradas. Poderia até ser enterrada na terra dura e fria. Ou reduzida a cinzas. Mas Dare não fazia parte do meu mundo. As regras do jogo eram diferentes aqui. A verdade significava algo em seu mundo - o mundo REAL. Pelo menos eu esperava que fosse assim.


A água tinha esfriado, então eu desliguei, fiquei de pé no lugar por um momento enquanto ouvia o falatório nos outros chuveiros. As gotículas que desciam em riachos pelo meu corpo foram engolidas pela toalha fina que enrolei no meu peito. Ficar em um albergue era uma experiência completamente diferente para mim. Chuveiros coletivos, cozinha comunitária, quase tudo era dividido. Mas era mais barato do que um hotel, e considerando que eu não tinha ideia de quanto tempo ficaria aqui, não fazia sentido procurar um apartamento. Pelo menos eu tinha conseguido um quarto privado, para que pudesse ficar longe de pessoas, quando eu quisesse. Todos eram muito bons, pelo menos - a maioria, estudantes universitários e as pessoas em seus vinte e poucos anos que estavam viajando pela Europa durante o verão - embora a quantidade de festas acontecendo lá embaixo, no bar, fossem muito parecidas com as da minha antiga vida, da velha Reagan. Por mais tentador que fosse me juntar a eles e beber até o esquecimento, depois da manhã que tive, eu estava tentando realmente resistir. Eu não poderia ver Dare quando estivesse drogada ou bêbada. Nem mesmo tonta. Eu tinha que mostrar para ele que eu estava disposta a mudar se eu quisesse ter alguma chance com ele. Não importa o quanto eu ansiava por uma pílula para escapar agora, eu desejava mais o Dare. Eu me sequei, então entrei em um vestido fresco de verão de algodão branco. Meu cabelo loiro escuro estava solto e molhado nas minhas costas, escorri a água dele com uma toalha antes de penteá-lo. Eu não me incomodei com a maquiagem, só peguei minha nécessaire de artigos de higiene e voltei para o meu quarto. Assim que eu saí do banheiro das mulheres, olhei pelo corredor em direção à recepção e congelei.


Suas mãos estavam em seus bolsos, seu cabelo escuro bagunçado, enquanto ele mudava o seu peso, de costas para mim. E eu me senti oprimida pela sua mera presença. Ele tinha... — Dare? Ele se virou e olhou para mim como se eu fosse a chuva em seu deserto. Como se estivesse procurando por mim toda a sua vida e finalmente me encontrado. Mas havia algo mais em seu olhar escuro, também. A tristeza que corria profundamente. E eu não tinha ideia de como reagir, o que ele queria de mim, ou o que eu podia fazer para manter esse olhar surpreendente no seu rosto. Então eu esperei. E esperei. Dare não disse uma palavra, ele simplesmente fechou a distância entre nós, me puxou para os seus braços, me esmagando contra ele, fundindo nossos corpos, como se ele não pudesse chegar perto o suficiente. Eu ofeguei com a intensidade do seu abraço, combinada com a minha. — Sinto muito. — ele sussurrou em meu ouvido, me absorvendo, me apertando ainda mais contra o seu peito — Eu sinto muito, Ree. Seus dedos enfiaram no meu cabelo, e eu passei meus braços em volta da sua cintura, nos prendendo. Meu corpo inteiro estremeceu quando inalei e relaxei lentamente. Oh, Deus. Ele tinha vindo para mim. — Eu sinto muito, também. — eu disse em sua camisa. — Por tudo. Mas nada aconteceu com aquele cara. Eu ju... — Eu sei. — ele se afastou e gentilmente levantou meu queixo para cima, de modo que os nossos olhos se encontraram. Aquele olhar ainda estava lá - por favor Deus, nunca deixe-o ir embora - e ele me tirava o fôlego. Seus olhos


percorreram os meus lábios e de repente o meu corpo inteiro ficou em chamas por ele. — Eu tenho um quarto no andar de cima. — as palavras saíram num sussurro rouco. Dare assentiu, entrelaçando seus dedos nos meus, deixando-me mostrar o caminho. À medida que subíamos as escadas, eu podia sentir seus olhos queimando através do tecido fino do meu vestido, me aquecendo no interior, fazendo meu corpo ganhar vida novamente, como só ele fazia. Abri a porta e ele me seguiu para dentro, fechando-a atrás de nós. O som da porta sendo trancada fez meu coração pular uma batida. — Ree... Eu estava com muito medo de me virar e encará-lo e dizer qualquer coisa que

pudesse

fazê-lo

correr. Todas

as

minhas

esperanças

e

sonhos

dispararam. Pequenas idiotices otimistas. Eles não sabiam que Dare tinha o poder de destruí-los e queimá-los com uma única palavra? — Olhe para mim, Ree. Eu balancei a cabeça muito levemente, piscando as lágrimas que ardiam em meus olhos. Eu não podia foder com isso de novo. Tudo o que eu dissesse tinha que contar. Dare tinha que saber o quanto eu o amava. Eu tinha que fazêlo me perdoar, confiar em mim, acreditar em mim. Os passos dele foram abafados pelo tapete, mas ouvi-o a atravessar o espaço apertado. Uma lufada de ar atingiu minhas costas nuas, enquanto suas mãos agarraram meus ombros. Ele me virou, e minha respiração engatou com a dor avassaladora que estilhaçou meus olhos. A dor estava entrelaçada com a necessidade de algo tão vívido, radiante e poderoso, que quase me cegou com a sua magnificência. Ninguém em todo o mundo me olhou daquele jeito.


Com amor. — Dare... eu... — meu coração se apertou, enquanto as lágrimas derramavam sobre meu rosto. — Droga, Ree. — ele agarrou meu rosto com as mãos, reivindicando minha boca com tal necessidade e vontade de ajudar, que eu o senti em cada parte do meu corpo e da minha mente. Eu separei meus lábios e deixei sua língua entrar e ele gemeu em mim. Meu pulso disparou. O sangue correu em meu cérebro, fazendo minha cabeça girar. Eu ficava tonta com Dare. Tonta de desejo. Tonta de amor. Sua boca estava em todos os lugares, sugando meu queixo, meu pescoço, minha clavícula, lambendo o vale entre meus seios quando ele empurrou o topo do meu vestido para baixo em busca dos meus mamilos. Ele estava insaciável, indomável. Meu mundo explodiu. Nada fazia sentido. No entanto, tudo parecia certo. As mãos de Dare agarraram meu vestido, me puxando para mais perto. Eu agarrei a sua camiseta preta, puxando o material por cima da sua cabeça. Ele só me soltou para levantar os braços, em seguida, suas mãos estavam nas minhas costas - no meu cabelo, no meu peito, minha cintura, minhas coxas. Exigindo. Possuindo. Dominando. Incapaz de conter a minha excitação gritei quando seus dedos mergulharam sob minhas roupas, em minha calcinha molhada, e se fecharam em meu núcleo latejante. Quando ele colocou-os sob a renda e acariciou minhas dobras, seu polegar esfregando meu clitóris, meus quadris empurraram contra sua mão. Calor passou por mim, deflagrando cada um dos meus desejos mais profundos e obscuros de uma só vez.


— Deus, você está molhada pra caralho. — sua voz era áspera e rouca e a necessidade de Dare em suas palavras fizeram meu coração bater mais forte. O ponto entre as minhas coxas pulsava com a urgência, me fazia doer de desejo por ele e só ele. Ele me levantou de modo que as minhas costas ficaram pressionadas contra a parede, e eu envolvi minhas pernas firmemente na sua cintura. Cada músculo em cada parte do seu corpo - braços, tórax, abdômen, pernas - estavam tão tensos e duros como se ele tivesse tentando se conter para não me esmagar completamente. E tudo que eu queria dizer era: não se contenha. Por favor, não prive-se mais por mim. Ele mordeu o caminho ao longo da minha clavícula até meu pescoço para o local onde meu pulso martelava. Um calor líquido inundou minhas veias e o pulsar entre as minhas pernas ficou tão forte que eu tive certeza que gozaria a qualquer momento. E quando ele enfiou os dedos dentro de mim, eu quase me desmanchei. Eu gemi seu nome repetidas vezes ao ritmo dos golpes duros, selvagens dentro de mim. Os olhos de Dare escureceram perigosamente, e um rosnado baixo formou em seu peito. — Você vai ser minha morte, Ree. — disse ele enquanto mergulhou ainda mais fundo, mais rápido, seus dedos entrando e saindo, enquanto o polegar circulava meu clitóris. — Porra, você me mata a cada momento. E eu deixo. Eu sempre deixo. O sentimento era mútuo. Ele se inclinou para frente e envolveu-me com o seu corpo, seus lábios colando nos meus, seus dedos curvados dentro de mim, me persuadindo em direção ao orgasmo com a outra mão enrolada em torno do meu pescoço. Minhas próprias mãos não descansavam. Procurando seu cabelo, arranhando suas costas, agarrando seus bíceps musculosos.


Eu precisava mais dele. Todo ele. SÓ ele. — Eu deixo. — Dare disse. — Porque eu te amo. — seus dedos atingiram um ponto dentro do meu corpo, ao mesmo tempo em que essas palavras conectaram com a minha alma. Eu explodi sem aviso, o nome dele saiu em um grito dos meus lábios. A tensão construída ao longo das últimas semanas deixando meu corpo quando o orgasmo tremeu através de mim. Ele não me deixou descansar, não me permitiu responder. Antes que os espasmos tivessem sequer diminuído e sem liberar meus lábios, ele tirou sua calça jeans e me encheu com o seu pau duro. Nós gememos em uníssono com o contato, conectando em um nível primal, desesperado, que transcendia o físico. — Porra, eu te amo. — sua voz era tensa enquanto ele bombeava seus quadris, as palavras vibrando através de mim, o significado ecoando nas profundezas da minha alma. — Eu não posso parar. Eu não quero. — minha respiração foi reduzida para ofegos rasgados, quando manchas brancas brilhantes apareceram atrás de minhas pálpebras. Eu estava voando mais alto do que nunca, a minha mente tão cheia das suas palavras e meu corpo tão cheio dele que eu não podia dizer onde ele acabava e eu começava. — Jesus, Ree. O que você fez comigo? Suas estocadas tornaram-se mais exigentes, consumindo meus gritos, drenando a minha sanidade. Minha cabeça encostou na parede, e eu afundei meus dentes em seu lábio. Dare puxou para trás, gemendo. — Merda. Estou machucando você? Eu balancei a cabeça, incapaz de falar. A única dor que eu sentia era o medo muito real de que ele, de alguma forma, escapasse por entre os meus dedos, agora que eu finalmente o tinha. Como cada pequeno pedaço de felicidade que já tive na minha vida.


Neste momento, os movimentos bruscos de Dare eram bemvindos. Faziam-me sentir viva. Eu precisava da dor aguda de cada mordida e raspagem dos seus dentes, queria que seus dedos continuassem enfiados meus quadris, ansiava a esfregação selvagem da sua pélvis quando ele empurrava tão fundo em mim. Eu sentia cada impulso cru e desenfreado com grande agonia e prazer ainda maior. — Por favor, não pare. — eu disse, implorando não só com as minhas palavras, mas também com o meu corpo. — Eu também te amo. Eu sempre te amei. Dare gemeu e abriu um caminho de beijos ao longo do meu queixo e no meu pescoço, enquanto seus quadris balançavam dentro e fora. Uma nova eletricidade cresceu novamente em meu núcleo, cada impulso me trazendo para mais perto da borda do penhasco, mais alto do que eu já tinha escalado. Mais alto do que qualquer pílula tinha me levado. Eu me segurei em cada parte dele, as minhas pernas em volta da sua cintura, os braços agarrados ao pescoço, meus músculos apertando seu pau, meus olhos firmemente fixos aos seus. O formigamento centrado entre as minhas coxas, enquanto nos movíamos juntos, seu coração pulsando em sincronia com o meu, e de repente eu estava gritando o seu nome, meu corpo explodindo em mil fogos de artifício, faíscas brilhantes engolindo minha visão. Dare acompanhou. Ree! Ele gritou um som de puro amor em seus lábios. Fixada contra a parede e banhada pelo nosso suor e sucos combinados, eu estremeci debaixo dele, e nosso prazer continuou nos atravessando. Mesmo quando ambos descemos do clímax, aumentei meu aperto sobre ele. Isso não era uma fuga. Era a vida real. Suja, corajosa, magnífica. Dare era meu. Eu era dele. E eu nunca o deixaria ir. Nunca novamente.


Capítulo Oito

A

ssim que deitamos

na cama em seu pequeno quarto no albergue, nossos corpos entrelaçados e nossa respiração fluindo em uníssono, tudo que eu conseguia pensar era a dor que eu tinha visto em seus olhos quando ela me viu lá embaixo, na frente da recepção. Meu coração nunca tinha doído assim antes. Ele nunca tinha se importado tanto com alguém, nem foi tão profundamente afetado. Ree e eu tínhamos começado como duas peças fodidas e feridas que completavam uma a outra. Mas essas duas peças quebradas não aguentariam tanta dor até racharem. Eventualmente, a cura tinha que acontecer. Eu tinha que curar Ree. Ou, na verdade, eu tinha que fazê-la entender que ela precisava ser curada. Eu levantei e afastei uma mecha úmida de cabelo do seu rosto. Havia uma pequena faísca de contentamento em seus olhos, mas ela tinha ido embora antes que tivesse a chance de iluminar o resto do rosto. Ela cravou os dentes em seu lábio inferior. — Qual é o problema? — Ree... — o nome dela era apenas um sussurro enquanto eu traçava seu queixo com o polegar, fazendo lentamente o meu caminho até o lábio para que


eu

pudesse

libertá-lo. Eu

estava

prestes

a

atravessar

um

território

perigoso. Uma palavra errada podia me fazer perdê-la novamente. O pânico inundou seu rosto - eu precisava apenas falar. — Nós não podemos continuar fazendo isso. — eu disse em voz baixa. — Não diga isso, Dare. Você não pode dizer isso, porra. — ela colocou as mãos no meu peito e tentou empurrar para longe de mim, mas eu apertei meus braços em torno dela, mantendo-a perto. — Espere. Apenas ouça. — eu respirei fundo. — Ouça-me, por favor. Porra. Isso seria difícil. — Você precisa de ajuda. Essas pílulas vão destruí-la. — eu não podia acreditar no que eu estava fazendo, o que eu estava dizendo. Cada músculo do meu corpo doía de tensão. Eu estava tão ferido, cheio de tantas emoções. — Eu não posso te consertar. Eu queria poder, mas eu não posso. — eu respirei fundo. — Eu tentei antes... com a minha mãe... mas não... — Eu não sou como a sua mãe. — ela fechou os olhos e balançou a cabeça. — Eu não posso acreditar que você pensa isso de mim. Eu não sou uma drogada. — sua voz tremia enquanto falava. — Eu nunca usei esse tipo de... — Drogas são drogas, Ree. Não importa se é a heroína ou aqueles comprimidos que você toma. Você precisa aprender a lidar com a vida sem eles. Sua voz suavizou quando ela olhou para mim e disse: — Mas eu fico bem quando estou com você. — seus dedos macios tocaram minha bochecha, um toque leve e suave. — Eu fico sempre bem com você, Dare. Maldição. Seria tão fácil acreditar nela. Ela era tão linda. E belamente quebrada. — Exceto cada vez que sua família aparece.


— Não, não é como se eu... não sou assim. Eu NÃO sou uma viciada. — lágrimas brilharam em seus olhos, quando ela soltou da minha mão e chegou até a cabeceira da cama, com os joelhos pressionados em seu peito. — Eu NÃO sou, eu não sou, eu não sou. — disse ela, mas a cada não sua voz ficava mais silenciosa, como se ela acreditasse nas palavras cada vez menos. — Eu só... às vezes eu só não quero SENTIR nada. Isso é tudo, Dare. Eu parei antes. Eu não preciso disso quando estamos juntos. Normalmente, não uso. — Ree, ouça a si mesma. — eu disse, sem maldade. — Eu já passei por isso. Eu já ouvi todas essas desculpas. E eu te amo porra. Eu nunca disse isso a ninguém antes. Eu nunca senti isso por ninguém. Você é tudo para mim. Cada maldita coisa. Eu preciso de você. — eu estava na frente dela agora, envolvendo minhas mãos na sua cintura, puxando-a para o meu colo. — Mas você tem que ficar bem se formos fazer isso funcionar. Porque nós nunca vamos conseguir se você continuar deixando que essas pílulas governem a sua vida. Olhe para tudo o que já aconteceu. Essa será a nossa vida, se você não ficar melhor. Isso vai nos separar. — eu pressionei minha testa na dela, abaixei minha voz para um sussurro. — Eu não posso deixar que isso aconteça. Eu não posso te perder nunca mais. Ela tremeu em meus braços, sua expressão tão ferida. Eu esperava que ela fugisse. Mas ela não fez isso. — Eu não sei como parar. — ela finalmente disse, apertando os lábios. — Eu sou uma bagunça do caralho. Olhe para mim. — Você não é uma bagunça. — eu pressionei meus lábios em sua testa. — Você é minha outra metade. — eu sabia, sem sombra de dúvida. Mas não importava o quanto eu quisesse, eu não poderia ser aquele a consertá-la. Não inteiramente, de qualquer maneira. Eu poderia ficar aqui por ela, enquanto ela lutava com seus demônios, ajudá-la a conseguir a ajuda que ela tanto precisava. — Eu não sei como fazer você parar, mas você pode ir a algum lugar para obter ajuda. Ela endureceu. — Reabilitação?


— Há um centro fora da cidade. — eu disse com cuidado. — Um dos artistas no Vogel Tattoos ficou lá no ano passado. Ele está limpo há dez meses. Ree ficou em silêncio por um longo tempo, perdida em pensamentos profundos. Seus olhos, no entanto, nunca deixaram os meus. Os tons de azul de suas íris eram tão singularmente distintos que não importava quantos tons de tinta eu empregasse, eu nunca poderia capturar seu verdadeiro esplendor. Neste momento, seu olhar era tão escuro e turbulento quanto o oceano inquieto antes de uma tempestade que se aproxima. — Eu não quero ser desse jeito. — ela finalmente disse, pressionando seu rosto no meu peito. Uma onda de alívio me inundou. — Eu não quero ter medo ou ficar quebrada ou fraca. Eu quero ser uma Ree real. Suas palavras me sacudiram até a medula. — Você é real, Ree. — eu disse. — E forte pra caralho. — Não sinto como se fosse. — ela parecia perdida. — Eu sei que você pode fazer isso. — eu enchi a cabeça dela com beijos. — São apenas 28 dias, baby. Só isso. Seus ombros enrijeceram. — Vinte e oito dias? Um mês inteiro sem você? — ela balançou a cabeça e começou a se afastar. — Eu não sei... — Não sem mim. — eu aumentei meu aperto, mantendo-a trancada com segurança em meus braços. — Eu estarei ao seu lado o tempo todo. Eu não vou a lugar nenhum. Você não será uma prisioneira lá. Você pode sair quando quiser. E eu posso visitar. — eu elevei o queixo para que pudesse olhar em seus olhos. — Mas é importante que você faça isso se você quiser ficar melhor. Você tem que fazer isso. Se vamos ter uma chance, você tem que ESCOLHER isso. — Eu escolho. — ela disse lentamente. — Eu vou. — Amanhã.


— Amanhã? — mais uma vez, ela endureceu. Mas alguns segundos depois, ela balançou a cabeça. — Vou levá-la. — eu disse, pressionando meus lábios nos dela. — Ficará tudo bem. Eu prometo. Seus braços envolveram instintivamente o meu pescoço enquanto ela retribuía o meu beijo. — Não desista de mim. Prometa que não. — Eu não vou. — eu peguei seu o rosto com ambas as mãos. — Mas você não pode desistir também. Ela balançou a cabeça. — Eu não vou. Eu estaria aqui para ela. Esperando pacientemente. Duas partes, um inteiro. Juntos, ainda divididos. Pelo menos por enquanto.


Capítulo Nove

A

s

primeiras

palavras que saíram da boca de Dare, na manhã seguinte, enquanto eu estava arrumando minhas coisas foram: — Onde está? Engoli seco. Meu frasco de comprimidos. Ele não tinha que dizer o que era. Eu sabia o que ele queria dizer. E eu sabia o que ele queria que eu fizesse. Fechei os olhos e respirei fundo. Eu poderia fazer isso. Eu poderia dizer adeus aos meus velhos amigos, uma constante na minha vida durante os últimos sete anos. Oh, meu Deus. Minhas mãos tremeram quando peguei, e eu nem sequer me virei para ver se Dare estava em pé na porta do banheiro. Eu sabia o que eu tinha que fazer, não importava o quão rápido as minhas inspirações viessem, nem o quão duro e forte o meu coração batesse. Mas e se eu não fosse forte o suficiente para viver sem eles? E se os pesadelos viessem quando Dare não estivesse por perto? E se eu não pudesse enfrentar o meu passado sóbria?


Minha vida estava prestes a ser picada e depois colocada de volta no lugar. E por mais que estivesse ansiosa por um último comprimido, eu estaria mentindo se dissesse que isso não me assustava. Eu teria que tornar público cada um dos meus segredos sujos... para serem ouvidos, para serem vistos, para serem julgados. Ok, eu não tinha certeza se poderia fazer isso. Merda. Eu me virei para olhar para Dare, de pé atrás de mim, e fui tomada pelo amor em seus olhos. Sua força correu através de mim, me encorajando. Ele acreditava em mim, então eu tinha que fazer o mesmo. Eu tinha que fazer isso. Por mim. E por nós. Eu abri a tampa do frasco e joguei fora o seu conteúdo. Os comprimidos rolaram em cascata ralo abaixo. Todos eles. Cada. Um. Deles. — Há mais algum? — ele perguntou em voz baixa. Eu balancei a cabeça, ainda olhando enquanto eles desciam em toda a sua glória colorida. Por anos, eu só tinha sido capaz de funcionar com a ajuda deles - a euforia quando precisava sentir e o sedativo quando precisava esquecer. Eu não tinha ideia de como sobreviveria sem. Meu coração batia forte, e eu tentava me acalmar. Ficaria tudo bem. Eu ficaria bem. Foda-se tudo, eu podia fazer isso.


— Eu tenho que parar no estúdio antes de irmos. Você se importa? — Dare disse quando me envolveu em seus braços. Agarrei-me a ele, inalando o seu cheiro, desejando que eu tivesse um frasco para levar comigo. Eram apenas 28 dias. EU PODIA FAZER ISSO. Mas eu me importaria em retardar o início por algumas horas? Não. De jeito nenhum.

Quando chegamos ao Vogel Tattoos, Dare desapareceu na sala dos fundos em busca da sua chefe, enquanto fiquei sentada na sala de espera e folheei

umas

pastas

pretas

cheias

de

desenhos

de

tatuagem

de

borboleta. Delicadas para ornamentar, simples e altamente detalhadas, e em todas as cores imagináveis, elas eram bonitas, embora pouco em comparação com o brilho da minha fênix. Minha fênix. Gostaria de saber se Dare ainda a tinha. Com tudo o que tinha acontecido, eu tinha esquecido completamente de perguntar. E agora que eu já não tinha as minhas pílulas, eu não sabia o que faria sem o meu pássaro, como conseguiria atravessar o inferno que era certo, a seguir, nos próximos 28 dias. Comecei desejar que tivesse concordado com a reabilitação depois que eu fizesse a minha tatuagem, porque, então, pelo menos, eu a teria comigo. Se ele ao menos ainda tivesse o maldito desenho. Oh, Deus. Ele ainda tinha que ter. Uma sombra caiu sobre mim e eu corri meus olhos até um par de pernas tonificadas, um umbigo nu perfurado, e os braços tatuados, até o rosto de


Sia. Eu sorri para ela e ela se sentou ao meu lado, no sofá de couro vermelho escuro. — Então. — disse ela, inclinando-se para frente, um olhar frio, calculado sobre o seu belo rosto. — Aconteceu de eu ouvir Dare dizendo à Jasmine que ele vai levá-la para Feniks Centrum. — ela arregalou os olhos e balançou a cabeça. — Coitada. Aconteceu de eu ouvir, porra nenhuma. — Feniks Centrum? — O centro de reabilitação. Feniks significa ‘fênix’. Eu tenho certeza que é para ser um grande símbolo da mudança. — ela revirou os olhos. — Como se alguém

realmente pudesse mudar.

As

pessoas

não

mudam,

não

é? Especialmente para não viciados. — ela se aproximou e abaixou a voz para um sussurro. — Hum, eu tive tantos amigos que passaram por reabilitação e nenhum deles conseguiu ficar. Uma vez viciado, sempre viciado. Essa é apenas a maneira como as coisas são, você entende? Deus, ela é uma cadela. Mas... e se ela estiver certa? Meu pulso acelerou. E se tudo isso estiver sendo um desperdício de tempo e dinheiro? Este lugar não era barato, e ia custar todo o dinheiro que eu tinha guardado para pagar a minha estadia. Quando eu saísse, minha conta bancária estaria tão vazia quanto os corações dos meus pais. Eu teria que começar tudo de novo. O que seria bom... se o tratamento funcionasse. Mas se não - se eu falhasse - então eu ficaria sem dinheiro... e sem Dare. Eu sabia que não havia nenhuma maneira dele ficar por perto se eu continuasse usando. Ele deixou isso claro. Não importava o quanto ele gostasse de mim, nosso amor não seria o suficiente para suportar a devastação que meu vício deixaria em seu rastro. Fechei os olhos e recostei-me no sofá, sentindo a sala afundar. Eu não podia perdê-lo. De novo não.


O nome da reabilitação tinha que ser um sinal. Isso era algo que eu poderia agarrar-me, mesmo que eu não tivesse o meu desenho. Dare não teria sugerido este lugar se não tivesse uma boa taxa de sucesso. Eu abri meus olhos para encontrar Sia me estudando. — Eu não posso acreditar que você está fazendo isso com ele depois de tudo o que ele teve que suportar com a mãe. — O que? Ela encolheu os ombros levemente. — Quero dizer, o cara precisa de um tempo. Primeiro toda a sua infância é gasta lidando com uma mãe drogada e agora sua namorada é uma delas. Ele deve ter um carma que ele está se livrando. — ela inclinou a cabeça para um lado, quando seus olhos escuros se apagaram. — Ele merece mais do que isso. Melhor do que você. Eu acho que te interpretei completamente errado quando nos conhecemos ontem. — Você sabe o que? Foda-se. — maldição. Eu não era a mãe dele. Provaria isso a Dare, provaria isso a todos. — Você não me conhece mesmo, Sia. Você não tem direito de me interpretar em nada. — Você está certa, eu não a conheço. Mas eu conheço Dare. Muito bem. E eu sei que você é uma vagabunda egoísta ao colocá-lo nisso de novo. — E você é uma... — Você está pronta para ir, Ree? — Dare chamou, quando ele saiu dos fundos. Sia sorriu para ele, levantou-se, deu-lhe um beijo na bochecha, e depois me lançou um olhar desagradável. — Obrigado por me emprestar seu carro. — ele falou para ela quando estendeu a mão para mim. — Pronta? Eu assisti Sia de pé, que nem sequer se dignou a olhar por cima do ombro para mim, e então eu me levantei. — Tão pronta, como eu sempre estarei. — eu disse, mas por dentro eu estava tremendo.


Sia queria Dare. Isso ficou claro como a luz do dia. Eu tinha a sensação de que eles tinham algum tipo de história, quando ele a mencionou pela primeira vez, há três anos, mas era óbvio que para Sia não era totalmente história. E eu estava prestes a ir embora, enquanto ele estaria trabalhando com ela. Lado a lado. Todos os dias. Porra. E se ele decidir que a queria em vez de mim? E se ela o convencer de que eu nunca deixaria completamente as pílulas? E se ela... — Aqui. — Dare estendeu um pedaço de papel dobrado muito familiar, e eu ofeguei com a visão do que estava em sua mão. Minha fênix. — Leve isso com você, um pedaço de mim que você pode ter sempre que você precisar, e quando os 28 dias terminarem, eu vou começar a sua tatuagem. — Sério? — minha visão ficou embaçada e meus olhos arderam quando os meus dedos se fecharam em torno dos dele. — Eu não vou poder pagar por... — Ree. — ele disse, e eu olhei em seus insondáveis olhos escuros. — Eu vou fazer isso. Você não vai me pagar. Eu vou fazer isso. Para você. Quando Dare me deixou no centro de reabilitação, senti pânico puro. Eu tinha a minha fênix em uma mão, minha mala em outra, mas eu não tinha ideia de como minha vida seria daqui a 28 dias. Eu tinha, finalmente, que enfrentar o meu passado. Isso, mais do que qualquer coisa, me assustava pra caralho.


Capítulo Dez

—M

aldição. O

que essa pobre torrada fez a você? — Synner pairou sobre mim, me observando passar manteiga no pão. Ou o que sobrou dele. Treze dias sem Ree. Se eu fosse uma garota, eu provavelmente saberia a contagem exata de horas, minutos e segundos. Isso definitivamente me levaria ao limite da loucura, especialmente considerando que eu já estava chegando perto. Ele se inclinou para dar uma olhada mais de perto em meu prato, em seguida, virou-se para mim e disse: — Será que ela fodeu sua menina, também? — Saia. Porra. — eu apontei a faca para o seu rosto. — Eu não estou a fim de cometer um assassinato hoje. Eu, alegremente, viverei a minha vida aqui fora, se isso significa calar sua boca. — Você não está vivendo aqui alegremente agora. — disse Synner. — E eu sinceramente duvido que isso vá mudar, se as duas últimas semanas forem qualquer indicação. — Eu ficaria muito mais feliz se você fosse embora. — eu disse, ainda apontando a faca para ele.


Indie entrou na cozinha e empurrou a lâmina para baixo em direção à mesa. — Não o esfaqueie Dare. — disse ela, caminhando para a cafeteira. — O cara é tão pervertido que ele pode realmente gostar disso. Então, você nunca vai se livrar dele. — Você deseja NUNCA se livrar de mim. — disse Synner com um sorriso. — Admita. Você sente falta do sexy aqui. — ele bateu na bunda dela e enfiou a mão no bolso de trás da sua calça jeans para pegar os cigarros. Antes que ele pudesse puxar para fora, Indie já tinha arrancado o pacote da mão dele, jogando-o no chão. — Não em casa. — ela disse. Synner gemeu. — Por que você sempre insiste em ser a tal rainha do drama do gelo, Blue? Seus lábios se separaram e sua expressão suavizou da forma que ela sempre faz, quando ele a chama assim. Em seguida, com a mesma rapidez, endureceu novamente. Synner agarrou seus cigarros, e Indie revirou os olhos, embora não tivesse protestado mais. — Alguém tem que evitar que essa banda afunde. — ela olhou para a bunda da garota vestida de calcinha cor de rosa, espreitando atrás da porta da geladeira aberta. — Nós não fornecemos cama e café da manhã aqui, Synner. — ela disse em voz alta o suficiente para sua groupie-du-jour9 ouvir. — E mesmo que fornecêssemos, são cinco horas da tarde. Synner calmamente encostou-se ao balcão, e sorriu para Indie. Em seguida, ele passou os olhos sobre as curvas da moça. — Ela não pode compreendê-la. Ela não fala inglês. — ele deu uma tragada no cigarro e lambeu seu lábio inferior. — Mas ela grita muito bem em holandês. Indie olhou ameaçadoramente. — Todo entretenimento deveria ter ficado para trás há muito tempo. Nós temos uma sessão de gravação em uma hora.

9

Groupie do dia.


— Como se você não tivesse um cara no seu quarto na noite passada. — Synner enfiou o pacote de volta em seus jeans. — Sim. — disse ela. — E ele saiu. Na noite passada. Eu me desliguei da conversa e foquei na torrada que estava na minha frente. Tinha gosto de papelão. Tudo o que eu tinha comido nas últimas duas semanas parecia como a merda de papelão. Não ajudava que o meu estômago estivesse embrulhado. Eu estava esperando a ligação – a que a minha mãe tinha feito muitas vezes. Eu não posso fazer isso, Daren. Eu não sou forte o suficiente. Eu balancei minha cabeça. Ree não era a minha mãe. Ela era forte. Ela poderia fazer isso. Eu só gostaria de poder estar ao seu lado a cada passo do caminho. Ela parecia muito longe, muito inacessível. Um riso estridente chamou a minha atenção para Dash e a menina de cabelos escuros que ele estava beijando na porta da frente se despedindo. Uma vez que ele a despachou, meu irmão puxou um banquinho no bar do café da manhã. — Essa era Anouk. — ele disse com um sorriso malicioso. — Ou talvez Aya? — Tentando tirar alguém da sua cabeça com foda, também? — eu joguei o resto da minha torrada para baixo e limpei as mãos no meu jeans. — Você sabe que não funciona certo? Ele deu de ombros e arranhou seu peito com o botão direto no lugar de sua tatuagem de wren10 recém feita. — Claro. Mas pelo menos é divertido pra caralho tentar. Mas quando ele disse isso, parecia que ele estava tentando convencer a si mesmo, mais do que alguém. 10

Um pássaro, pequeno, parecido com canário.


Tinha que ser uma menina. Nos quatro anos que eu o conhecia, eu nunca tinha visto ele assim. — O que ela fez com você, afinal? O pássaro, eu quero dizer. Seu maxilar cerrou, quando ele quebrou o contato visual. — Nada. — disse ele. — Ela está fora dos limites. Cristo. Nós compartilhamos DNA, mas às vezes parece que não muito mais. — Como está Ree? — disse Dash, mudando de assunto. Eu dei de ombros. — Eu não tenho nenhuma porra de ideia. — eu passei a mão no meu rosto e suspirei. — Eles insistiram em nenhum contato e visitantes nas primeiras duas semanas. — desintoxicação de tudo, eles disseram. Desintoxicação. Eu sabia muito bem que poderia causar estragos. A garota que eu amava estava atravessando o inferno agora. E não havia nada que eu pudesse fazer para ajudar. — Vou visitá-la amanhã. — eu disse. Finalmente. O problema era que um dia parecia uma eternidade agora. As vinte e quatro horas mais longas da porra da minha vida. Cada segundo estava se arrastando tão lentamente que parecia uma maldição. — Foda-se. — eu me afastei da mesa com um rosnado. — Eu vou para o trabalho. Dash inclinou a cabeça para o lado e arqueou uma sobrancelha escura para mim. — Você não está de folga hoje à noite? — Não mais. — eu disse. — Eu preciso de distração.


— Assim como Vogel. — Jasmine sacudiu os dreads vermelhos brilhantes quando eu apareci na loja sem aviso prévio. — Viver a vida como um batimento do coração de cada vez. — para uma senhora na casa dos sessenta, ela ainda poderia balançar o visual hippie. — Eu preciso trabalhar hoje à noite. — eu disse. — Dê-me quem você tem. — eu não me importo quantas borboletas femininas ela jogar no meu caminho. Eu só preciso de algo para fazer. Se eu tivesse um lugar para pintar, eu teria ido lá em vez disso. Pelas duas últimas semanas, as minhas mãos haviam coçado para pegar um pincel, meus sentidos haviam suplicado pela sensação e o cheiro de tinta e aguarrás. Se eu pudesse pintar, eu poderia perder a noção do tempo. Eu não passaria cada minuto me perguntando se o telefone tocaria para mim. E as duas semanas restantes de reabilitação poderiam passar rápido pra cacete. Mas eu deixei todas as minhas coisas no meu apartamento em Paris. Eu estava tão decidido a ser um idiota total e ficar longe da mulher que eu amava, que eu não tinha trazido nada disso comigo. Bem feito. Tatuar era o mais próximo da minha arte que poderia ficar agora. Eu não tinha um pincel, mas uma arma. E os corpos humanos eram minhas telas. Pintura e tinta tornaram-se um e a mesma coisa. Um pouco. — Eu estou saindo, querido. — disse Jasmine, chegando em torno de sua mesa e me soprando um beijo enquanto ela passava. — Está fraco para uma sexta-feira e Sia é a única que sobrou aqui. Talvez ela precise de uma mão com alguma coisa. Desde que cheguei aqui, Sia sempre precisava de uma mão com alguma coisa. Enquanto eu estava no trabalho, eu tinha uma sombra. Eu mantinha a minha distância o melhor que podia, eu não quero que ela fique com a ideia errada só porque tivemos algo.


Agora, passei pelo seu posto, e a vi debruçada sobre um cara, adicionando cor à manga, que cobria a metade superior do braço dele. Quando ela olhou para cima e me viu, todo seu rosto se iluminou. Um dia isso significou algo para mim. Quando nos conhecemos no estúdio de Rex no Brooklyn, ela tinha sido a menina resistente do Bronx, que havia

crescido

em

um

orfanato

e

não

levava

desaforo

de

ninguém. Especialmente de um recém-saído do reformatório. Mais velha e mais experiente, ela não queria nada comigo, tinha feito o seu melhor para me convencer de que eu nunca seria nada na vida. Uma vez um presidiário, sempre um presidiário, ela me dizia. E eu tinha escutado. Minha vida tinha sido um fracasso após o outro, e eu sabia que ela estava certa. Qual era o ponto de tentar se eu continuaria falhando? Mas, em seguida, Rex colocou um pincel na minha mão e disse-lhe para posar para mim. Ela fez isso porque adorava Rex. Ele e eu a tínhamos pintado, lado a lado, dia após dia. De vez em quando ele olhava para a minha tela e apontava onde as sombras estavam fora ou a forma estava errada, mas na maior parte ele tinha me deixado fazer minhas próprias coisas. Sia mudou quando ela viu a minha pintura. Ainda não estava terminada quando a encontrei olhando para a minha tela, levantou o pano que pudesse ver a coisa toda. Ela olhou para mim com os olhos arregalados por um momento, sua boca aberta. Tudo o que eu consegui pensar no momento foi, estava tão ruim assim? Em seguida, ela deixou cair o robe, envolveu seu exótico corpo nu em mim, e agarrou. Ela não saiu até partir para Amsterdam seis meses depois. Isso tinha sido há anos e, nesse tempo, tudo mudou. Inclusive eu.


— Eu estou aqui. — eu disse para Sia, que agora estava curvada sobre o braço musculoso do cara. — Se vier alguém, eu tatuo. — ela assentiu com a cabeça, e eu fui para o meu espaço de trabalho para prepará-lo para o caso. Porque, droga, alguém precisava entrar e fazer uma tatuagem em breve. Inferno, eu ia sair na rua e arrastá-los para cá, chutando e gritando, se eu precisasse. Vinte minutos mais tarde, quando eu estava limpando minha cadeira, eu senti os braços de Sia envolvendo a minha cintura e os quadris deslizando para cima contra a minha bunda. Virando minha cabeça, eu vacilei e me distanciei. — O que diabos você está fazendo? — O que você acha que parece, Dare? — ela caminhou na minha direção, deslizando a alça da parte superior, no seu ombro. — Estamos sozinhos. Por que não podemos ter um pouco de diversão juntos? — ela deu mais um passo para frente e começou a brincar com a outra alça. — Como costumávamos fazer. Eu balancei minha cabeça. — Não, obrigado. — Ah, qual é, Dare. — ela fez beicinho. — Você e eu. Lembra como era bom quando estávamos juntos? Como as coisas podiam ficar gostosas? Nós poderíamos ser assim de novo. — Sia, foi uma aventura. Era... nada. Ela congelou, seus olhos se estreitando. — Não foi nada. Não para mim. — Você tem certeza disso? — eu cruzei os braços sobre o peito. — Você deixou o país muito facilmente se bem me lembro. Rex disse 'Amsterdam' e você aproveitou a chance. — Isso foi há seis anos. As coisas são diferentes agora. — Você está certa. — eu disse com um aceno de cabeça. — Elas são. Estou com Ree agora.


— Ree. — Sia revirou os olhos. — Sempre Ree. Você não parou de falar sobre ela desde o dia em que ela entrou por aquela porta. — Eu a amo, Sia. Um fogo acendeu em seus olhos. — Você não faz amor, Dare. — Eu faço com Ree. — a facilidade daquela declaração me assustou. Amar Ree era simples e complicado, libertador e intenso. Era tudo o que era para ser. Era a minha razão para tomar esta respiração e a próxima. E eu não podia ficar mais um minuto sem ela.

Ree estava agitada em seu sono quando fechei, lentamente, a porta do seu quarto, o ranger das dobradiças era muito alto no silêncio do centro de reabilitação depois das luzes apagadas. Eu escapei até sua cama e me sentei, o meu olhar imediatamente atraído para ela. Ela estava deitada de lado, com os braços dobrados contra o peito, os cabelos longos e sedosos espalhados ao redor dela, como um halo dourado. Seus lábios estavam entreabertos e ela deixou escapar um pequeno suspiro, e o olhar calmo em seu rosto me fez relaxar um pouco. Eu passei meus dedos em sua bochecha, em seguida, toquei sua boca com meu polegar. Antes mesmo de abrir os olhos, ela disse. — Dare? — sua voz estava rouca e lenta com o sono, o meu nome em seus lábios era sexy pra caralho. Os cantos da sua boca curvaram-se, e fiquei mais tenso depois de ouvir mais um suspiro de satisfação. Ela estava bem. Ela estava segura, sorrindo, e ainda minha.


— Deus, eu senti sua falta, Ree. — eu queria afundar minhas mãos em seu cabelo, devorá-la, respirá-la, e me encher dela. Inclinando-me, eu dei um beijo suave na sua testa. Seus cílios tremeram, e ela olhou para mim com um sorriso doce, sonolento. — Eu estou sonhando? Você é real? — Não é um sonho. — eu disse com outro beijo. — Dare real. E Ree real. Mesmo na penumbra, ela conseguia ser a luz. Seus olhos estavam mais brilhantes, mais claros e mais focados, como se ela estivesse totalmente presente no momento. Completamente comigo. Graças a Deus. — Como é que você entrou aqui? — ela perguntou quando eu deslizei sobre a cama, os braços dela envolvidos na minha cintura, fazendo-me sentir como eu mesmo novamente. — Eu seduzi a enfermeira sexy. — eu sussurrei para o cheiro doce do seu cabelo. Ela soltou uma risada grogue e me puxou para mais perto. — E sobre o guarda robusto da segurança? — Não. Eu tentei, mas ele foi imune aos meus encantos. — eu disse em voz baixa. Ela me golpeou com delicadeza. — Estou falando sério. — Qual é, Ree. Passei um ano e meio no reformatório, lembra? Um cara não deixa um passado como esse para trás sem algumas habilidades. — eu a puxei para perto, fundindo o meu corpo com o dela, magro, entrelaçando nossas pernas. — Eu me esgueirei. Eu não consegui ficar mais um minuto sem você. — Nem eu sem você. — ela disse, quando aninhou a cabeça na curva do meu pescoço. Nós adormecemos assim, entrelaçados como um só. Como estávamos destinados a ser.


Capítulo Onze

A

cordar nos braços

de Dare esta manhã foi a minha recompensa por viver na tortura dos últimos 14 dias. Na primeira semana, eu quase não dormi, tinha pesadelos e ataques de pânico sobre ataques de pânico nas sessões de terapia. Minhas mãos estavam constantemente suadas, eu estava sendo uma vadia com todo mundo, e eu não consegui parar de tremer por alguns dias. Na segunda semana, comecei a falar. Palavra por palavra, frase por frase. Havia inúmeras vezes que eu queria sair pela porta. E ainda mais vezes que eu queria ter minhas pílulas para apenas aliviar a dor. Porque tudo doía... mente, corpo e alma. Havia dias em que eu não podia imaginar que algum dia eu ficaria melhor, quando eu me perguntava por que diabos eu estava fazendo tudo isso. Mas eu agarrava a minha fênix, meu pequeno pedaço de Dare, segurando-a na mão, quando a escuridão vinha e a dor se tornava insuportável. E quando ele se arrastou na minha cama na noite passada e se enrolou ao meu lado... todo o resto desapareceu.


Seu braço apertou em torno de mim quando ele sentiu eu me mexer, e eu me aconcheguei mais contra ele, inalando seu cheiro tão familiar. Mesmo sem suas tintas e telas, ele ainda cheirava arte. Eu me afundei na curva do seu corpo, me encaixando perfeitamente nele. Duas partes, um inteiro. Ainda. Graças a Deus. Eu deslizei minhas mãos ao longo da pele quente e suave dos seus braços, e entrelacei os dedos com os dele. — Você vai ficar hoje, certo? — eu disse. Ele me deu um sorriso sonolento. — Você não vai conseguir se livrar de mim, nem se você tentar. Meu corpo inteiro relaxou com as suas palavras, e eu me afundei nele, sorrindo, confiando que ele realmente estava aqui para ficar. Comigo. Para sempre. Eu precisava acreditar nisso. Especialmente hoje. Rolando sobre minhas costas, me virei para olhar para ele. — Você vai entrar na terapia de grupo comigo? Suas sobrancelhas se ergueram e seus olhos se arregalaram. — Você quer? Eu acenei a cabeça. Parte deste tratamento era não só examinar seus próprios demônios, mas também compartilhá-los com pessoas que você confiava. As pessoas que não te mandava para uma espiral descendente, mas também te resgatava. Dare era essa pessoa. Meu ÚNICO. — Eles vão me deixar sentar lá? — perguntou. Mais uma vez, eu assenti. — Há uma sessão de família e amigos ao meiodia. — eu disse. — Agora que a minha desintoxicação progrediu, eles


recomendaram convidar os entes queridos para sentar e participar. Eu realmente gostaria que você fosse. Inicialmente, eu não tinha contado isso para Dare, porque eu não tinha certeza se seria forte o suficiente para enfrentar uma reunião entre ele e os meus monstros. Mas tínhamos que começar por algum lado, se fôssemos arriscar uma chance real de futuro. Eu saio dos seus braços - relutantemente, mas o dia estava começando e nós tínhamos que manter uma programação no centro. Era um outro componente do tratamento, do novo estilo de vida que eu tinha que seguir. Tomei um banho rápido e me vesti no banheiro, de repente sentindo um pouco tímida em torno de Dare. Minhas mãos tremeram quando tirei à toalha. Havia coisas que ele descobriria sobre mim, hoje, que eu não tinha ideia de como ele lidaria. Eu tinha sido condicionada pelos meus pais a acreditar que eu era a causa de todos os meus problemas. A culpa sempre esteve comigo. Eu estava ciente agora que não era verdade, mas o ódio por mim mesma ainda estava incorporado por dentro. Arrancá-lo era um longo processo. Quando saí do banheiro, Dare estava de pé ao lado da janela, já vestido. — Pronto? — eu perguntei. — Para você? Sempre.

Nós nos sentamos ao lado do outro, mas eu não o toquei. Eu não conseguia nem olhar para ele. Meu corpo inteiro parecia ferido e tão apertado como um maldito ioiô, e minhas emoções estavam tão estáveis quanto um. Ouvimos pessoas testemunharem sobre seus avanços e retrocessos. Apenas um par de outros tinha alguém com eles, e fiquei espantada com a forma como eles falaram abertamente na frente destes novos estranhos, incluindo Dare.


Eu teria que fazer isso, também. Oh, Deus. — Reagan? — Gino, o conselheiro, apontou para mim. — E você? Você tem alguma coisa que você gostaria de compartilhar hoje? Minha boca estava seca, e quando eu tentei falar nenhum som saiu. Limpei a garganta e procurei profundamente cada pedacinho de determinação que pude reunir. — Eu vou... uh... — olhei para Dare e fui atingida em silêncio pelo olhar de orgulho no rosto dele. Orgulhoso? Ele estava orgulhoso de mim? Ninguém nunca tinha me olhado daquele jeito. E ele estava fazendo isso aqui de todos os lugares, sob estas circunstâncias. Eu fiquei cheia até a borda com o calor que ele me passou. E com a força renovada. — Eu estou melhor. — eu disse, voltando-me para o grupo. — Na verdade, eu dormi na noite passada, e sem pesadelos com... — engoli em seco, antes de forçar a palavra para fora... —... Jackson. — Isso é um grande progresso, Reagan. Estou tão feliz em ouvir isso. — Gino sorriu calorosamente para mim, e eu exalei, sentindo-me relaxar um pouco mais. O primeiro passo foi dado. Apesar de ser difícil, não tinha me quebrado. Talvez eu realmente possa fazer isso, afinal de contas.

Dare e eu nos sentamos no círculo de cadeiras depois que todo mundo tinha saído para o almoço, mas eu podia sentir as questões queimando nele e eu


sabia que precisava acabar com isso, antes que eu fosse capaz de sequer pensar em comida. Ele endureceu quando eu disse o nome de Jackson, em seguida, pegou minha mão e segurou-a firmemente, quando Gino mudou sua atenção para outra pessoa. O gesto trouxe lágrimas aos meus olhos, assim como o meu estômago se apertou com o pensamento de lhe dizer. Mas eu tinha que fazer. Ele precisava saber. E, talvez mais importante, eu precisava dizer a ele. — Então. — ele disse quando estávamos finalmente sozinhos. — Jackson? Eu acenei a cabeça, inalando bruscamente. — Se você não quiser falar sobre isso agora. — disse ele rapidamente. — Está tudo bem, Ree. Estou aqui quando estiver pronta. Balançando a cabeça, eu disse: — Não. Eu quero. É só que... é difícil. — eu empurrei as lágrimas de volta. Eu não podia permitir que isso me fizesse desmoronar. Eu estava cansada do controle que a minha história tinha sobre mim. Era hora de me afirmar sobre o meu passado. Finalmente. De uma vez por todas. Ou, pelo menos, um passo de cada vez. — Jack... — Deus, meu coração bateu muito rápido, minha respiração veio muito rápida. Eu ia ter um ataque, se eu não conseguisse controlar o meu corpo. Eu pressionei o meu peito, em um esforço para me acalmar. Tudo ficaria bem. Eu ia ficar bem. Jackson não estava aqui. — Ele... me atacou. Arrisquei um olhar para Dare. Seu maxilar estava cerrado, os punhos fechados com força, e os olhos colados no meu rosto. Mas não havia julgamento


em sua expressão. Sem desgosto. Sem descrença. Nada que pudesse sequer ser comparado aos olhares nos rostos dos meus pais quando eu tinha dito a eles. Eu tomei uma respiração profunda e continuei. — Foi em uma festa que meus pais organizaram para o pai dele, que era candidato a governador na época. Eu tinha descido na adega para procurar uma garrafa especial que meu pai queria... e Jack me seguiu. Reagan... linda, linda Reagan. Lembranças daquela noite fluíram na minha mente. As luzes saindo no porão, me deixando cair na escuridão. O cheiro do suor na pele dele, misturado com o álcool em seu hálito. O cheiro me oprimiu no porão úmido e escuro quando Jack veio atrás de mim e sussurrou no meu ouvido. Shh, shhhh. Estou aqui. Não há necessidade de chorar. Eu vou te dar o que você está pedindo a noite toda. Eu ouvi o maldito sorriso no seu rosto, mesmo quando a minha pele se arrepiou e meu coração gelou com a ameaça na sua voz. Em seguida, seu punho de ferro de repente estava em torno dos meus braços, sua ereção já pressionando em minhas costas. Eu vi você me olhando, Reagan. Na escola e hoje à noite. Eu sei que você me quer. Eu sei que você quer isso. E, em seguida... — Quantos anos você tinha? — Dare disse com voz tensa e torturada. Eu olhei para as minhas mãos, incapaz de suportar a agonia em seu rosto. — Quinze. Ele estava no último ano. Dare gemeu como se ele estivesse com dor, e levantou-se de sua cadeira, jogando-a para trás. Eu podia sentir a raiva que irradiava dele quando ele foi até a janela, e eu meio que esperava que ele quebrasse as vidraças. Em vez disso, ele gritou. — POOOOORRA! — com todo o seu pulmão, com o peito arfando.


Em seguida, virou-se e, antes que eu percebesse, estava do outro lado da sala, ajoelhando-se aos meus pés, as mãos segurando as minhas, seus olhos enevoados e cheios de tantas emoções que eu não conseguia nem identificar todas elas. — Eu o mataria se eu pudesse. — disse ele. — Inferno, eu vou matar o filho da puta, se eu tiver a chance. Eu sinto muito, Ree. Por tudo o que aconteceu. Por tudo o que ele fez. Eu sinto tanto. As lágrimas rolaram pelo meu rosto e eu estendi a mão para tocar sua bochecha. Ele se inclinou nela e a beijou, sua expressão era tão sombria e devastada. Eu podia sentir sua agonia fisicamente. — Por que você sente muito? — Porque você não merece isso. — disse ele. — Você não merece o que aquele pedaço de merda fez. Eu me perdi com essas palavras, deixando as lágrimas caírem. Dare envolveu seus braços na minha cintura e eu o abracei, a cabeça dele no meu peito, soluçando o meu alívio com a sua aceitação junto com todos os anos de dor que eu estive segurando. Quando eu contei aos meus pais sobre o ataque, a primeira reação deles foi a descrença, dizendo que eu estava sendo excessivamente dramática em fazer essas coisas, inventando uma mentira muito pior do que o que realmente acontecera. Eles disseram que eu não podia sair por aí inventando histórias sobre o futuro filho do governador apenas para chamar a atenção. Mas então, quando a evidência do que ele tinha feito cresceu, mostrando ser inegável... eles disseram que era culpa minha. Minha saia era muito curta, minha blusa muito apertada. Eu flertei com ele também abertamente, sorri muito, lhe dei a ideia errada. Eu o deixei fazer isso, eu, obviamente, não tinha dito não e depois devo ter entrado em pânico e me arrependido. Eu era uma vagabunda. Uma prostituta. Uma decepção para minha família. Uma mancha no nome McKinley.


Minha vergonha estava completa. E, em uma única frase, Dare tinha expulsado aquilo para longe. Eu nunca imaginei que teria alguém na minha vida que me amasse, não importasse o que. Alguém que veria o meu lado bom, mesmo quando eu não podia. Alguém que escolheria acreditar em mim, mesmo quando a verdade fosse um horror. Eu nunca soube o que estava faltando, até Dare.


Capítulo Doze

E

u olhei para fora, da

pequena janela no quarto de Ree, sentindo como se eu estivesse sufocando. Eu nunca tinha abrigado tanto ódio em relação a alguém na minha vida. Ódio puro, cru. Qualquer homem que forçava uma mulher não era um homem. Ele não era nem mesmo um ser humano do caralho. Raiva cresceu como uma bola de fogo apertada no meu peito, espalhando-se em todas as fendas do meu corpo e da minha mente. Eu tentei o meu melhor para controlá-la, mesmo que apenas para não acordar Ree. Tínhamos voltado para seu quarto, nos enrolado em sua cama, e eu a tinha segurado até que ela adormecesse. Então eu me levantei e caminhei exaustivamente pelo seu quarto. Quinze. Ela ainda era uma merda de uma garota. Ela não tinha nem mesmo... PORRA. Se algum dia eu colocasse minhas mãos naquele bastardo ele não conseguiria sair vivo.


Imaginar o que aconteceu com Ree estava me matando. Aquele animal havia esmagado o seu espírito, roubado não só a sua inocência, mas também o seu belo sorriso. Eu queria matá-lo. Não, TORTURÁ-LO, e em seguida, assassiná-lo. E então eu cuidaria dos pais dela e fazer aqueles idiotas sádicos pagarem por seus pecados. Eles se recusaram a reconhecer a sua dor, em vez disso, escolheram as drogas até que ela ficasse insensível ao mundo. Meu coração parecia que ia sair do meu peito. Ela teve que carregar essa dor por sete anos. Completamente sozinha. Sete malditos anos. Não era à toa que ela precisava da fuga que os comprimidos forneciam. E eu tinha falhado com ela, também? Eu não fiquei lá há três anos, quando ela precisou de mim. Eu estava tão confuso comigo mesmo que não consegui ver os sinais de perigo. Ela estava sofrendo na época. Por que eu não tinha percebido? Meu punho conectou com a moldura da janela, sacudindo-a. Ree se assustou, seus olhos se abriram, e eu me senti imediatamente como um idiota. — Merda. Sinto muito. — Você está com raiva? — ela perguntou, sua voz quase inaudível. Com raiva? Eu estava lívido. Mas eu me controlei, porque ela não precisava da minha raiva agora. Ela só precisava de mim. Eu nunca poderia desfazer o que esse monstro tinha feito. Mas pelo menos eu poderia ficar ao lado dela. Fui até a cama e sentei-me, inclinando-me para tirar suavemente o cabelo emaranhado do seu belo rosto. Os olhos azuis da cor do mar procuraram os meus, a preocupação claramente refletida em suas profundezas.


— De você? Não. Claro que não. — eu disse, sentindo a minha raiva desaparecer a cada segundo que olhava para ela. Isso que era o amor? A capacidade da mera presença da outra pessoa arrancá-lo do inferno e trazê-lo de volta à Terra com um único olhar? Eu não tinha ideia, mas Ree havia me forçado a enfrentar emoções e reconhecer sentimentos que eu nem sabia que existiam. — Eu estou quebrada, Dare. — suas sobrancelhas se uniram e sua testa enrugou. — Você é linda, Ree. — eu alisei a preocupação do seu rosto, traçando meus dedos sobre sua bochecha e ao longo do seu maxilar, deleitando-me com a sensação da sua pele sedosa sob meus dedos. — A mulher mais linda que eu já conheci. Ela balançou a cabeça e eu procurei no quarto, tentando pensar em alguma maneira de convencê-la. Meus olhos pousaram em um caderno deitado em cima da sua mesa de cabeceira. — Deixe-me te mostrar o que eu vejo quando eu olho para você. — eu disse, quando o alcancei, também pegando o lápis que estava ao lado. Eu virei para uma página em branco e foquei em seu rosto. Eu a conhecia melhor do que eu mesmo, tendo na memória cada linha e cada curva há muito tempo. Ela olhou para mim com tanta necessidade em seu olhar líquido. — O que você vê Dare? — Seus olhos que transmitem a luz, mesmo quando o mundo está submerso nas trevas. — eu disse, esboçando o arco de suas pálpebras, os contornos de seus olhos, o lápis na minha mão era uma extensão dos meus dedos das mãos e coração. — Olhos que encontram a beleza das obras de arte, que outras pessoas não veem. Olhos que sempre percebem o melhor de mim. Seus lábios se abriram um pouco e ela respirou, estremecendo quando o meu traço de lápis ficou mais livre, mais solto.


— Seu cabelo grosso, dourado que eu amo ter nas minhas mãos. O cabelo que sempre cheira a mel e verão, como minha Ree. Seus cílios tremularam e lentamente a cabeça caiu para trás. Estendi a mão para passar meus dedos ao redor dos fios loiros macios, que caíram em seu pescoço. — Continue falando. — ela disse em um sussurro. — Por favor, não pare. Meus dedos deslizaram sobre o veludo dos seus lábios. — Esta boca exuberante, sexy que me chamou de algumas das melhores coisas do mundo. Mas também algumas das piores. Seus lábios se curvaram para cima sob o meu toque. — Às vezes você pode ser tão burro. — uma pequena risada atingiu meus dedos. — Mas você é um bundão, Dare Wilde. Ela estava sorrindo. Graças a Deus. — Eu sou seu. — eu disse. Ela me pertence porra. Suas palavras tinham o poder de fazer melhorar e me quebrar. Sua língua saiu para provar o meu polegar, e eu gemi. Porra, as coisas que ela podia fazer comigo. Eu ansiava por ouvir aqueles lábios macios gemerem o meu nome. Agora mesmo. Mas eu não poderia forçá-la, então concentrei no esboço. Ele não precisa da minha atenção. Não para isso, de qualquer maneira. Eu poderia desenhar Ree com os olhos fechados. Eu fiz meu caminho até o pescoço dela, com o meu olhar e meu toque, parando em sua clavícula. Ela estava mais pronunciada do que o habitual. Ela tinha perdido peso ao longo das últimas duas semanas, o peso que ela não podia se dar ao luxo de perder. Só isso já me dizia o quão duro tinha sido para ela. — Este é um dos meus lugares favoritos. — eu segui os ossos salientes com o meu dedo indicador esquerdo enquanto o lápis na minha outra mão fazia uma réplica perfeita no papel a minha frente. — Um ponto doce. Gostoso de


beijar, lamber e morder. — minha voz era baixa e rouca, engrossada pela fome primitiva. — Um ponto que eu gostaria de marcar como meu. — Sua. — ela parecia aliviada. E isso quebrou meu coração. — Minha Ree. — eu disse. — Sempre. Para sempre. — Você ainda me quer? — era meio declaração e pergunta. Será que eu ainda a quero? Ela tinha que estar brincando comigo. Eu nunca quis ninguém MAIS do que eu a queria. — É claro que eu quero você. — eu disse. — Porra, e você não tem ideia do quanto eu PRECISO de você. Ela arregalou os olhos e as bochechas coraram, como se de repente ficasse tímida. Mas, em seguida, ela limpou sua garganta. — Mostre-me. — disse ela, mais uma demanda do que um apelo. — Mostre-me o quanto você precisa de mim, Dare. Merda, ela não tinha que pedir duas vezes. Meus dedos enrolaram em torno do seu pescoço, e eu a puxei para um beijo que foi alimentado pela minha necessidade de consumi-la. Apertei-a com força. Ela precisava ser convencida. Minha língua abriu os lábios, avidamente saudando a dela, quando eu mergulhei fundo na suavidade quente da sua boca. Um arrepio me percorreu quando ouvi um gemido doce, sensual vibrar no fundo da sua garganta. Meu sangue bateu nas minhas veias quando o gemido ficou mais alto e se transformou no som do meu nome. Jesus. Cristo. Caralho. — Eu nunca vou deixar de precisar de você, Ree. — eu aprofundei o nosso beijo e ela enfiou a mão debaixo da minha camisa, correndo os dedos pelo meu maldito abdômen... e ainda mais para baixo, onde ela podia sentir a prova concreta do quanto eu precisava dela.


— Eu não terminei de mostrar o quão lindamente perfeita você é. — eu disse, afastando-me, apesar do quanto quisesse continuar. — Ainda não. — eu não tinha ideia de como eu tinha conseguido manter minhas calças durante uma frase completa. Ou como eu estava alcançando esse nível de autocontrole. Mas isso tinha que acontecer. Ela tinha que saber. Esbocei a curva do seu corpo. — Este coração tem muito mais força e poder do que você imagina. É o coração de uma amante da arte. O coração de uma mulher que foi ao inferno e voltou. Um coração que foi quebrado e despedaçado, mas ainda bate forte. — POR você. — seus olhos estavam vidrados de lágrimas, mas ela estava sorrindo. Seu sorriso real. — Espere. — disse ela. — Eu quero fazer isso direito. — O que... — a pergunta morreu em meus lábios quando ela levantou sua blusa vermelha sobre a sua cabeça. Droga. Duas longas semanas de agonia e desejo vieram à tona, ameaçando entrar em erupção. Eu forcei minha mente e meu pau a relaxarem, porra. — Desenhe-me corretamente. — disse ela, enquanto tirava lentamente o sutiã. — Como uma das suas garotas francesas. — ela deixou cair a peça rendada na cama e riu, um som cristalino, tão despreocupado e cheio luz. Um som que eu raramente tinha ouvido de Ree. A verdadeira felicidade. Algo profundo dentro do meu peito agitou-se, meu próprio riso ecoando o dela. — Inferno, você não sabe que a única pessoa que eu me preocupava em pintar em Paris, era você? — mais sério, eu acrescentei: — Você é minha musa, Ree. Foi por três malditos anos. Eu não tinha parado de desenhá-la desde o dia em que nos conhecemos. Quando eu fugi para Los Angeles, quando eu estava em Paris, ela sempre esteve comigo. Ao menos na minha mente e na minha tela. Na pintura, ela sempre foi minha.


Eu abafei um gemido torturado quando ela se inclinou contra as barras de metal da cabeceira da cama, arqueando as costas, separando seus lábios, seus olhos de safira parcialmente bordados por longos cílios. Aquele olhar não era para o meu coração. Era uma mensagem para outra parte minha. A parte que se mexia e latejava com a visão dela. Engolindo em seco, a esbocei, desejando desesperadamente que minha língua estivesse em sua pele como o lápis estava no papel. Desenhar nus era trabalho. ARTE. Eu fazia isso porque encontrava beleza sem limites na forma humana, tinha caído de amor com a sua natureza em constante mudança, a forma como a luz e a sombra poderiam transformá-la, mesmo ao longo de um dia. Eu gostava de capturá-la na pintura, destacando a singularidade das formas do corpo e características faciais. Não era sobre sexo de jeito nenhum, como tantas pessoas acreditavam. Esboçar Ree, por outro lado, essa intimidade, causava um caos CONSIDERÁVEL em mim. Testava os meus limites, me deixava louco. Ela me anulava. E - pro inferno com tudo - eu permito. Mais uma vez. E eu estava a ponto de piorar. E melhorar. Tudo de uma vez. — Eu não consigo ver você inteira. — eu disse, colocando o caderno para baixo. Meus olhos percorreram seu corpo, para o seu colo. Para sua saia. Seu sorriso cresceu, transformando-se em um sorriso travesso, quando ela puxou o tecido sobre seus quadris e para baixo, nas suas pernas. — E agora? — Não. Ainda não. — eu balancei a cabeça, me estiquei na cama, e enganchei os dedos no cós da calcinha. Instintivamente, seus quadris se levantaram, deixando-me retirar a renda vermelha.


Qualquer outro dia, eu a rasgaria. Com minhas mãos ou com meus dentes. Mas hoje não era qualquer outro dia. Hoje, eu tinha que fazê-la entender o quão perfeita era cada parte dela. Eu tomei meu tempo, deleitando-me com a sua nudez, acariciando a sua pele cremosa e bronzeada, bebendo em seu aroma doce e inebriante. Eu quase me perdi quando minha mão roçou seu núcleo, a evidência da sua excitação brilhando em meus dedos. Meus olhos nunca deixando os dela, eu lambi os meus dedos, saboreando seu gosto, cobiçando mais do mesmo. Eu era um viciado, também, afinal de contas. E um único sabor de Ree não era suficiente. Eu ansiava por mais dela. Eu queria devorar tudo dela. Peça por peça. Beijo por beijo. Toque por toque. Inclinei-me para que pudesse começar a festa em sua boca, pressionando meus lábios contra os dela, enquanto enfiei meus dedos através do seu cabelo dourado. Ela respondeu sem hesitação, seu corpo fundindo contra o meu, seus braços me envolvendo, puxando minha camisa sobre a cabeça, em seguida, puxando-me ainda mais perto. — Eu nunca vou deixar você ir. — ela sussurrou contra a minha boca, cada palavra pontuada por um beijo. — Nunca mais, Dare. Eu prometo. — suas unhas correram sobre o meu corpo, cavando com mais posse do que eu já tinha visto nela antes. A necessidade de Ree era palpável - uma coisa tangível, que eu praticamente podia alcançar e agarrar. Cantarolava através de cada beijo, vibrava para fora dos seus lábios em ondas, e em cascata, para dentro da minha boca que esperava, me enchendo. Ela gemeu quando eu quebrei o contato, mas sua respiração acelerou novamente, quando comecei a beijar suavemente até seu maxilar. Fiz uma pausa em seu ouvido, para que ela pudesse ouvir minha própria respiração irregular, para que ela pudesse testemunhar o efeito que tinha sobre mim. Eu


mordi suavemente seu lóbulo, puxando-o suavemente, causando um gemido que veio de dentro dela. Alternando entre meus lábios e dentes, eu trabalhei meu caminho para baixo, no pescoço e sobre o peito. Pegando seu seio em minha mão direita, eu circulei seu mamilo com a minha língua, brincando sacudindo e lambendo o seu bico sensível, enquanto o meu polegar esquerdo e o indicador brincavam com seu irmão gêmeo. Em pouco tempo, Ree estava ofegante e arqueando as costas, pressionando com maior urgência contra os meus lábios. Quando minha boca finalmente a percorreu, ela gritou e cravou as unhas em minhas costas. O broto já apertado virou disco entre meus lábios, enquanto eu mordiscava-o com os dentes. Seus suspiros tornaram gemidos sensuais e guturais, conforme seu corpo tremia debaixo de mim. Eu continuei a lamber e morder os seus seios, arrastando lentamente minha mão para baixo, no seu abdômen, através do seu estômago, ao longo das bordas dos seus quadris, reivindicando as belas curvas que eu tinha esboçado apenas momentos antes. No instante em que eu deslizei minha mão sobre a parte superior da sua coxa, senti seus joelhos abrirem. Provocando-me, tentando, incitando. Incapaz de segurar a minha necessidade por ela por mais tempo, eu deslizei minha mão entre as suas pernas. Merda. Já estava encharcada. — Você é linda pra cacete, Ree. Eu coloquei a palma da mão e esfreguei ao longo das suas linhas suaves antes de mergulhar em seu calor. Um dedo. Em seguida, outro. Primeiro lentamente, dolorosamente, então gradualmente mais rápido e mais forte. Ree gritou, em seguida, lançou um rápido olhar para a porta. — Oh, Deus. Eu não acho que isso seja permitido aqui. — disse ela, com os olhos brilhando maliciosamente. — Você vai me meter em encrenca, Dare.


— Pense nisso como terapia física. — eu beijei o seu corpo até seu estômago e sorri para ela, quando abaixei-me entre as suas pernas. — Minha contribuição para o programa. Com meus dedos ritmicamente pulsando dentro dela, eu lambi lentamente meu caminho para seu clitóris. Circulando-o com a minha língua, provoquei os nervos sensíveis antes de reivindicá-los com os meus lábios e dentes. Ree gritou meu nome, em seguida, rapidamente, fechou a mão sobre a boca, tremendo de tanto rir. Sua felicidade era tão bonita... e me excitava pra caralho. — Continue sorrindo, Ree. — eu disse, lambendo devagar, observando sua crescente excitação. — Eu não quero que você perca esse sorriso feliz nunca mais. — sua boca formou um O sensual quando ela gemeu, seus quadris balançando contra a minha boca. — A não ser quando você está fazendo isso. — ela mordeu o lábio e soltou um gemido satisfeito que foi direto para o meu pau. — E isso. Isso é permitido, também. Santo inferno. — Oh, Deus. — seus dedos puxaram meu cabelo. — E se alguém ouvir e vier até aqui? — Nós temos uma desculpa. — eu disse enquanto a provava. — Eu sou um artista. Eu pinto nus. Você está... posando para mim. — eu deixei as palavras vibrarem contra a sua pele macia antes de acrescentar: — Agora deite, relaxe e deixe-me pintar você. Com minha língua. A ameaça de ser pega foi rapidamente esquecida, Ree me implorou para não

parar. Uma

e

outra

vez,

ela

me

implorou... forte... mais

rápido... MAIS. Aumentando a pressão da minha língua, eu saboreei o gosto dela, o toque suave da sua pele aveludada, seu perfume doce que irradiava por todos os poros. Meu pau pulsava contra a minha calça jeans, enquanto eu a persuadia mais e mais, acariciando e lambendo-a em um frenesi, sentindo como se fosse explodir a qualquer momento.


Ree ficou tensa, e eu a senti aproximando-se do orgasmo. Então, dei-lhe mais. Mais

forte. Mais

rápido. Incansavelmente,

loucamente,

profundamente. Eu estava fazendo amor com ela. Com meus dedos e boca. E era gostoso demais. Sua respiração tornou-se irregular e meu nome tornou-se um gemido sexy em seus lábios quando ela começou a gozar, com as pernas tremendo, enquanto o orgasmo balançava através do seu corpo. Sua libertação doce transbordou na minha boca, e eu continuei a beber cada espasmo dela, querendo prolongar o prazer enquanto ela permitisse. Apenas quando pensei que ela estava completamente esgotada, ela olhou para mim com os olhos selvagens, enfiou os dedos pelo meu cabelo, e me puxou. — Eu preciso de você. — disse ela, tomando meu lábio inferior entre os dentes. — Mais de você. — seus dedos encontraram meu zíper, me liberando. — Você inteiro. — a mão dela em volta do meu pau. — Só você. — lentamente, ela começou a mover. — Por favor, Dare. PORRA. Para cima. Para baixo. Para cima. Para baixo. O prazer me rasgou, colocando meu mundo em chamas, queimando minha mente até que todo o senso comum foi incendiado como uma batata frita. Respire, Dare. Respire caralho. Eu não sabia quanto mais poderia aguentar. Eu tinha que tê-la. Agora. Enganchei a minha mão sob a sua perna, levantei-a para que ela me montasse, minha ereção estava pressionando impacientemente contra ela. Ela gemeu, beijando-me com urgência enquanto moía contra mim, suas unhas afundando em minhas coxas, estimulando a minha necessidade. Eu levantei meus quadris, e ela pôs-se de joelhos, me guiando em sua abertura. Com o maxilar apertado, os dentes cerrados, eu a enchi. Centímetro por centímetro apertado. Gemido por gemido forte.


Todo o tempo, eu me concentrei em ser dela, e só dela. Aqueles lindos olhos nadando com luxúria. Aquele sorriso suave tocando em seus lábios. As curvas eróticas do seu corpo. A obra de arte que era Ree. — Oh, Deus. — sua cabeça caiu para trás e ela praticamente cantou o meu nome enquanto seus músculos contraíam em torno de mim, me levando mais longe, me puxando mais profundamente. Minhas mãos deslizaram sobre sua bunda antes de se estabelecer em seus quadris, direcionando-a para definir o ritmo que ela precisava. Eu me rendi ao controle, adorando-a enquanto ela me cavalgava, saboreando o momento. Eu queria mostrar a ela o que significava ser amada. Ela merecia amor. Tanto amor. — Eu não quero que isso pare nunca mais. — disse ela, como se tivesse lido minha mente. — Só se mantenha em movimento, baby. Ela pulsava para cima e para baixo, primeiro devagar, depois mais e mais rápido até que nós dois estávamos respirando pesadamente. Dar-lhe o controle total deste momento foi um teste de vontade. Suas pernas tremeram, e seus olhos reviraram, o ar ao redor estava espesso e pesado com sexo e liberdade. Cada gemido abafado derramado dos seus lábios confirmava que estávamos com a metade do outro que faltava. Duas partes. Um inteiro. Com uma mão ainda em seu quadril, a outra subiu para o seu seio, reivindicando seu batimento cardíaco como se eu a possuísse de dentro para fora. O meu comprimento enterrado, combinado com o movimento que estávamos fazendo, a empurrou para o orgasmo com o som mais doce que eu já


ouvi, e eu explodi com ela, o prazer nos engolindo quando ela se partiu, desintegrando-se contra mim, me confiando o amortecer da sua queda. Assim como ela fez na primeira noite que passamos juntos. Eu empurrei o cabelo para fora do seu rosto, enquanto ela continuava a tremer no meu peito. — Você sabe o que mais eu vejo quando eu olho para você? — Uma namorada completamente satisfeita? — estávamos falando ofegantes, nossas respirações unidas e iguais. Namorada. Nós nunca tínhamos usado essa palavra antes. Ree era além de namorada para mim. Essa percepção foi como uma explosão de endorfinas para o coração. — Eu vejo uma fênix. — eu disse. — Uma mulher que renasceu das cinzas e vai conquistar, um dia, a porra de um mundo inteiro.


Capítulo Treze

D

uas semanas mais

tarde, eu estava no vigésimo sétimo dia sem Ree, e minha própria desintoxicação estava falhando miseravelmente. Não havia nenhuma maneira que eu pudesse tirá-la do meu sistema. Nem queria. Não mais. Embora nos falássemos ao telefone todas as noites e eu dirigisse até lá para visitá-la todos os domingos, não tinha conseguido esgueirar-me para repetir o desempenho em seu quarto. Eu sentia falta de senti-la, do cheiro dela, da emoção da sua mera presença. E sentia falta de desenhá-la. Uma vez que coloquei o lápis no papel de novo, depois de tantas semanas sem isso, eu estava ficando louco para voltar para minha arte. Eu não disse nada a ela ainda, mas esperava que talvez, quando ela saísse de lá e o meu compromisso no estúdio de tatuagem terminasse, poderíamos voltar para Paris juntos, e começar onde havíamos parado. Ainda assim, eu não podia reclamar. O tempo que ela passou na clínica estava valendo a pena. Lentamente, mas com certeza ela estava se tornando


minha Ree real - a garota que eu tive vislumbres e me apaixonado. Ela sempre esteve lá, mas muitas vezes era eclipsada e consumida por toda a dor. Agora, a tristeza em seus olhos estava diminuindo, dando lugar à força e determinação. E à felicidade. Esta última semana, em vez de estar submerso na escuridão do passado e falando sobre o quão fodida era sua família, ela estava focada em olhar para um futuro mais brilhante. Seu sonho de descobrir talentos e cobrir as paredes da sua própria galeria com arte já não era apenas uma fantasia. Ela agora o via como uma realidade, uma possibilidade real. E eu faria o que fosse necessário para ajudá-la a conseguir isso. Correr com Leo havia se tornado um ritual de todas as manhãs. Aliviava um pouco da minha tensão. Para não falar que colocava distância da orgia constante dentro da casa. Era como se cada membro da No Man’s Land, menos Leo, que tinha uma garota em LA, estava tentando tirar alguém da cabeça com foda. Duas ou três vezes por noite. Não ajudava que os astros do rock aparentemente não davam a mínima para os níveis de ruído. — Quanto mais alto, melhor. — era o lema por aqui. Ouvir, o que eu supunha que eles chamavam de ‘pesquisa’ para o seu álbum Nailed to the Wall, estava me deixando louco. Não porque eu me importava em quem eles estavam enroscando seu pau em Amsterdam. E nem mesmo porque Synner continuava a enviar franguinhas seminuas para a minha cama em busca de algo que eu não tinha a intenção de lhes dar. Era o fato de que a única garota em toda a cidade que eu queria estava fora de alcance. Cinco quilômetros de corrida hoje tinham que me segurar apenas até amanhã. Amanhã, quando Ree voltaria para mim. Finalmente.


— Se importa se eu for para o chuveiro primeiro? — perguntou Leo, logo que voltamos. — Indie vai arrancar as minhas bolas se eu me atrasar para o estúdio novamente. Ela vai, literalmente, cortá-las, juntá-las em um colar, e usar em torno de seu pescoço, onde Syn frequentemente se pendura. — Obrigado pela visão desnecessária. — eu disse com um gemido. — Sim, vá em frente. Defenda seus meninos. — Obrigado, cara. Você é meu salvador. — ele me deu um tapinha nas costas enquanto eu me dirigia até a geladeira em busca de uma garrafa de água. Eu caminhei até meio da sala de estar quando um grito abafado vindo do quarto de Dash me parou — O que diabos há de errado com você?! — a voz da mulher era aguda e impregnada com um forte sotaque irlandês. — Bom Deus. BEM! Eu vou embora, você é um imbecil! Sua porta se abriu e, uma gatinha curvilínea, alta em seus vinte e poucos anos passou como um furacão pela sala de estar. Cabelos longos, ruivos giraram sobre ela quando ela agarrou sua jaqueta e sapatos de couro, em seguida, bateu a porta da frente. Dash tropeçou, saindo do seu quarto com apenas seus jeans pretos, todo seu 1,92m de altura parecendo que tinha acabado de ver um fantasma na porta. — Porra! Porra! — ele esmurrou o batente da porta com o punho e caminhou até a cozinha. Seguindo-o de perto, eu disse: — O que diabos você fez pra ela? — Porra, porra, porra... — ele balançou a cabeça, e foi direto para o café, dizendo uma série de palavrões que aumentava mais a cada segundo. — Dash... o que você fez? Ele deixou escapar algo que soou como um meio gemido. — Eu ultrapassei um limite que não deveria.


— A bunda dela? — eu levantei minhas sobrancelhas e me encostei na porta da geladeira. — Não. — ele disse, segurando o balcão da cozinha, com os olhos fixos no pote de café. — O cabelo dela. Estendi a mão e servi-lhe uma xícara, porque ele claramente precisava de uma e não ia pegá-la sozinho. Ele continuou xingando e balançando a cabeça quando seus dedos ficaram mais brancos e mais brancos. — O cabelo dela? O que diabos você fez com seu cabelo que a fez correr com medo? — O cabelo dela era vermelho, porra. — as palavras saíram com os dentes cerrados. — Jesus. — eu passei a mão no meu rosto. — Você não está fazendo absolutamente nenhum sentido. Dash balançou a cabeça. — Eu pensei que a porra do cabelo era castanho. — disse ele. — Ontem à noite, no clube parecia marrom escuro. Mas esta manhã eu acordei ao lado de uma ruiva! — ele levantou a cabeça. — POOOORRA! — Tudo bem. — eu disse, franzindo a testa. — Soa como um erro honesto. — eu tinha tido alguns incidentes bêbados infelizes quando estava tentando tirar Ree da minha cabeça. Eu ficava feliz por estar bêbado o suficiente para esquecer a maioria quando acabava. — Não sei por quê você está tão chateado. Merdas acontecem, Dash. — Eu não cometo erros. — seu maxilar cerrou. — E eu não fico com ruivas! — Engraçado, eu podia jurar que você fez tudo e qualquer coisa com vontade. — eu ri, relaxando um pouco. Porém, quanto mais eu pensava sobre isso, percebi que nos dois meses que eu tinha estado com a banda não vi uma única ruiva saindo do quarto do meu irmão. Dash me lançou um olhar que poderia ter cortado vidro, então eu levantei minhas mãos e recuei. — Ok,


ok. Nenhuma franguinha de cabelos vermelhos. Entendi. — mais sério, eu acrescentei: — Então você não chegou a machucá-la, certo? — Claro que não. Eu apenas disse a ela para dar o fora. — Por causa do cabelo. — eu comecei a rir de novo. Ele assentiu com a cabeça. — Sim. — Tudo bem então. — eu disse com um encolher de ombros. — Eu, pessoalmente, acho sua guerra contra as ruivas e cabelos, desconcertante pra caralho, mas pelo menos nós não teremos nenhum problema em nossas mãos. Salvo o ego ferido da sua pobre garota. — Ela não é MINHA garota. — ele resmungou as palavras enquanto seus dedos impulsivamente foram para o pequeno pássaro em seu peito. Interessante. — Você sabe, se você tem um problema com ruivas, talvez você não devesse ter me deixado acrescentar muito vermelho à sua tatuagem do pássaro. Todas aquelas penas vermelho escuro... — Cale-se, Dare. — seu aperto aumentou em torno da sua xícara de café. — Você pode ser do meu sangue, mas não me encha o saco. MUITO interessante. Antes que qualquer um de nós pudesse dizer mais alguma coisa, meu telefone tocou, o identificador de chamadas iluminando com o número de Rex. Hoje estava transformando-se em um dia cheio de surpresas. — Se você está ligando para perguntar sobre Jasmine pela terceira vez esta semana, ela está sã e salva. — eu disse quando atendi. — E ainda muito bem casada. — Dare... — a voz de Rex fez um calafrio percorrer a minha espinha. Havia apenas três razões que soaria como isso. Duas delas estavam atualmente festejando em Viena. A outra era a minha mãe, eu não falava com ela há uma semana. Merda.


— O que é? O que aconteceu? — O conselheiro da sua mãe ligou. — eu podia ouvi-lo suspirar. — Ela está faltando às reuniões. Corri a mão pelo meu cabelo, perdendo as palavras. — Por quê? — foi tudo o que consegui falar. — Por que agora? — ela estava indo TÃO bem ultimamente. Ela ganhou seu atestado de sobriedade de um ano no mês passado. — Alguma coisa está assustando-a. — disse ele. Assustando? Merda. Isso só podia significar uma coisa. Dash inclinou-se e murmurou, O que há de errado? Eu balancei a cabeça, e a preocupação tomou conta, e liguei o viva-voz para Dash poder ouvir. — Rex? — eu disse. — O que aconteceu? — Ela recebeu um telefonema de Rykers. Todo o ar saiu correndo dos meus pulmões. Dash ficou branco na borda da bancada. — Quando? — ambos perguntamos em uníssono. Como se isso REALMENTE importasse. Ele tinha encontrado o seu número. Ele tinha encontrado ela. PORRA. Rex não falou pelo que pareceu uma eternidade. Por fim, ele disse: — Há duas semanas. Ele disse que estava voltando para ela, que chegaria em breve. Ela me implorou para não contar a você, mas eu não posso manter segredo, agora que ela está faltando nas reuniões. — mais alguns instantes de silêncio seguiram. — Eu sinto muito, Dare. Foi minha culpa. Eu deveria estar tomando mais cuidado com ela, enquanto as crianças estão longe.


Eu balancei minha cabeça. — Rex, você fez o suficiente, foi para Los Angeles para ficar com ela neste verão para que Dalia e Dax pudessem viajar e eu pudesse estar aqui. A última coisa que você deve fazer é se culpar. Ela não é sua responsabilidade. Ela é minha. Assim como o meu pai e a ameaça dele. Dash abaixou-se para o alto-falante e fez a uma pergunta que eu não tive coragem. — Celia está usando de novo? — Pelo que eu posso dizer ela está limpa. — disse Rex, e eu soltei um pequeno suspiro de alívio. — Eu estou mantendo um olhar atento sobre ela e vou arrastá-la para essas reuniões malditas se for preciso. Ela está segura, Dare. Eu juro. Eu apenas pensei que você deveria saber por que ela não tem sido a mesma ultimamente. Ela está com tanto medo de falar sobre a ligação de Daren. Esse nome. A porra do nome ainda me assombra até hoje. — Talvez eu deva voltar. — eu disse. — Não! — havia um acento uma rigidez acentuada na voz de Rex. — Você precisa viver sua vida. Ao menos uma vez. Sua mãe ficará bem. — Rex... — Não, Dare. Escute-me. Você fica onde está. Se você aparecer aqui de repente, isso só vai assustá-la mais. Eu balancei a cabeça. No momento, ele provavelmente estava certo. Se ela já estava com medo, eu poderia piorar a coisas, e eu realmente não queria ser a causa da sua queda do trem novamente. — Tudo bem. — eu disse. — Eu vou ficar. Mas você me liga no minuto que souber de alguma coisa. Prometa-me, Rex. — Claro. Se algo mudar, eu ligarei. Assim que Rex desligou, Dash começou a andar pela sala.


— Vou ligar para minha mãe e ver se ele está em contato. — disse ele, correndo os dedos pelos cabelos. — Nós não sabemos ainda se é realmente ele. Minha cabeça latejou. — Claro que sabemos Dash. Minha mãe não tem muitos admiradores em Rykers. — Pelo menos sabemos que ele ainda está preso, certo? — eu tinha certeza que Dash queria soar reconfortante. Exceto que suas palavras tiveram o efeito oposto. — Sim. — eu disse com um encolher de ombros. — Por enquanto. Ree tinha me avisado que seu pai tinha o poder de reduzir a pena do meu pai. Ela também me disse o que tinha dito aos repórteres na Galeria Yves Robert. A mensagem que ela deixou para os pais dela. O prefeito me via como a razão pela qual ela estava sacaneando Harvard e o nome McKinley... merda. — Talvez não seja nada. — disse Dash. De onde diabos seu otimismo vem? Isso tinha algo a ver com o fato de que Dash nunca cruzou com o nosso pai como eu? Aquele filho da puta nunca foi tão mal para qualquer um COMO ele foi para mim. O nome dele na minha certidão de nascimento era como um alvo nas minhas costas. — Talvez eu precise voltar para casa. — eu disse, colocando minha cabeça em minhas mãos. — Quando eu saí da reabilitação. — Dash disse, calmamente. — Eu tive alguém que me ajudou o tempo todo, e eu nunca teria conseguido sem ela. Mas se ela não estivesse lá para mim naquele momento... Sua voz se apagou e eu levantei a cabeça para olhar para ele. Ele tinha um olhar distante em seus olhos, uma mistura dolorosa de doçura e tristeza em seu rosto. Eu soube imediatamente o que eu precisava fazer, o que eu queria fazer. No momento, eu precisava tirar isso da minha mente e me concentrar em Ree. Neste momento, não havia nada no mundo que eu quisesse mais do que


ajudá-la a vencer essa luta. Eu tinha que fazer tudo ao meu alcance para garantir sua felicidade. Isso também significava não contar a ela sobre os meus pais. Se ela tivesse alguma ideia do que seu pai poderia ter feito, especialmente com a ameaça que ele fez, ela poderia correr para as pílulas novamente. Eu só tenho que levar as coisas um dia de cada vez e confiar que tudo daria certo. Ao menos uma vez. Vivendo no meio de uma tempestade de merda por tanto tempo, eu tomaria a relativa calma nos últimos anos como uma pausa merecida. Ter Ree na minha vida tinha que ser a minha recompensa por toda a dor que eu tinha passado. Eu só tinha que esperar que esta não fosse a calmaria antes da tempestade real.


Capitulo Quatorze

— P

ronta?

— Dare apertou minha mão e sorriu enquanto estávamos na porta do apartamento de Dash. Sim, essa foi a pior cena da minha caminhada da vergonha. Fale sobre um primeiro teste fora da reabilitação. Meu coração estava batendo forte, as palmas das mãos suando, e eu sentia como se não tivesse oxigênio em meus pulmões. Eu comecei a tremer minha cabeça. — Eu não sei disso, Dare. As pessoas lá dentro eram estranhas para mim. Para não mencionar, a última vez que tinham me visto não foi o meu momento mais brilhante, para dizer o mínimo. Eu tinha uma vaga lembrança de insultar uma garota com cabelo azul antes de perceber que Dare estava lá, e depois perder minha cabeça quando Dash tinha me orientado para a saída. Claro, o mais velho Wilde tinha sido extremamente gentil, mas ele devia pensar o pior de mim. Qualquer um pensaria. Deus, eu gostaria de ter algumas pílulas para acalmar meus nervos. Merda.


Eu não podia pensar assim. Eu tinha que ser capaz de fazer isso sozinha, de viver a vida sem ajuda. Eu já tinha enfrentado muito pior no meu passado. Eu tinha que conseguir lidar com isso com a minha cabeça erguida. — Ree. — os lábios de Dare estavam pressionados contra o meu ouvido, seu hálito quente me fez tremer. — Eles não vão te julgar. Alguns deles já estiveram onde você está. Dash é um exemplo. — eu me afastei dele para que pudesse ver seus olhos. Dash tinha ido para reabilitação? De alguma forma, eu podia respirar um pouco mais fácil sabendo disso. — Eles não sabem que você estava lá. Você tem um passado limpo com eles. Eu prometo a você, não tem nada para se preocupar. Eu assenti com a cabeça, respirei fundo e depois tentei sorrir. — Pense sobre eles como se fossem o seu novo grupo de terapia. — disse ele. — Fora de um programa de reabilitação e em... — No Man’s Land11? — eu disse com um sorriso genuíno florescendo. — Isso não parece perigoso de jeito nenhum. Dare riu, balançando a cabeça. — Não, e não é. — então ele estendeu a mão e roçou o polegar na minha bochecha. — Estou aqui. Ok? Apoiando-me em sua mão, eu suspirei. — Sim. — eu disse, beijando a palma da mão dele. — Eu posso fazer isso. — Eu sei. Ninguém jamais acreditou em mim antes, e suas palavras me encheram de força. A força dele. A minha força. A nossa força. — Então... você está pronta? — ele perguntou, cutucando meu ombro suavemente.

11

Terra de ninguém.


Não realmente, mas eu nunca estaria totalmente. Poderia muito bem dar este primeiro passo. Eu balancei a cabeça. — Pronta como sempre. Vamos. Ele abriu a porta, e eu o segui para dentro. —... não entendo por que nós não podemos, pelo menos, ter cerveja aqui. — uma voz masculina dizia. — E por que não há nenhuma mulher? Houve um estalo alto e o cara disse: — AI! Jesus, Indie, essa porra dói! Os membros da banda estavam reunidos em torno da mesa da sala de jantar. Todos os quatro, exceto Dash. Os alimentos estavam no balcão do café da manhã e na mesa, como se eles estivessem tendo uma festa, e havia um par de garrafas de refrigerante, água com gás e suco. Mas nenhuma gota de álcool podia ser vista. Por minha causa. Não. POR mim. Eu não tinha certeza se me sentia tocada com o gesto ou culpada por eles estarem se privando. Um pouco de ambos se estabeleceu em mim. — E o que eu sou, Hawke? — a menina de cabelo azul olhou para um cara alto com cabelo preto desarrumado e tatuagens tribais que enrolavam em torno de ambos os braços. — A porra de um demônio. — disse outro cara, e a garota se aproximou e deu um tapa na parte de trás da sua cabeça loira suja. — Que inferno, Blue. Não importa o quanto você queira, eu não sou mais seu brinquedo. Synner. Eu suprimi um sorriso. Um rapaz de pele escura com cabelo curto pegou um punhado de salgadinhos. — Hawke quer dizer mulheres reais, Indie. Não você.


Os olhos de Indie ampliaram para enormes discos azuis. Ela colocou as mãos nos quadris, e eu podia praticamente ver o vapor saindo das suas orelhas. — Eu não sou uma MULHER REAL, Leo? Ele

olhou

para

ela. —

É Lynx, Banshee12. E

eu

não

tenho

certeza... Synner? Você é o único que poderia saber. Ela é uma mulher de verdade? — Com certeza ela gritava como uma. — Synner abaixou quando Indie balançou a cabeça novamente. — Ah, vamos lá, Blue. — ele disse, rindo enquanto se esquivava de cada um de seus golpes. — É graças a mim que você pode chegar a todas as notas altas agora. — Bem, NESSE caso... — Hawke agarrou Indie, jogou-a por cima do ombro, e começou a carregá-la em direção, ao que eu só poderia supor, que era o seu quarto. — Coloque-me no chão neste minuto, Hawke, ou eu juro que você NUNCA terá filhos! Hawke riu, enquanto ela batia com os punhos em suas costas, em seguida, a colocou suavemente de volta ao chão. Assim que seus pés tocaram o chão, ela deu uma joelhada na sua virilha. Em seguida ela se virou, seu cabelo azul voando quando ela se afastou, enquanto Synner e Leo uivavam para Hawke se curvando de dor. Assim que Indie nos viu de pé na porta, ela parou. Então, ela olhou para trás, para os caras da cozinha, revirou os olhos e, com um suspiro de resignação, disse. — Bem-vinda à ilha do tesão, e desses brinquedos desajustados imaturos, Ree.

12

Ente da mitologia céltica que se alimenta da tristeza dos outros.


Dash apareceu um pouco mais tarde com várias meninas a tiracolo. Hawke, Leo e Synner agiram imediatamente como os delinquentes juvenis se transformando em estrelas do rock. Eu não pude deixar de rir quando os assisti fazer movimentos bem calculados para as groupies. Indie, que afirmou que eu era, aparentemente: — A única outra voz da razão neste apartamento infestado de macho. — balançou a cabeça. — Se as mulheres soubessem REALMENTE como são essas crianças com quem vivo... — disse ela, enquanto as groupies desmaiavam sobre seus companheiros de banda. — Elas sairiam correndo e gritando daqui. — ela as olhou de onde estávamos no sofá. — Isso se tivessem algum senso, e da forma como elas estão babando em cima dos caras, elas claramente não sabem de nada. Trinta minutos com a banda, e eu já estava apaixonada por todos. Eu também estava me sentindo tão incrivelmente bem-vinda no meio dessa bela confusão. Mais importante, eu não estava desejando minhas pílulas. Era ao mesmo tempo uma sensação estranha e libertadora. Pelo menos até que Sia apareceu, e me fez sentir como se a sombra de uma nuvem de tempestade de repente estivesse em cima de mim. As sobrancelhas de Dare se ergueram ao vê-la, e ele olhou para mim de onde estava na cozinha com Dash. Ele ficou ao meu lado até que Indie assumiu o posto - quase como se estivessem competindo por mim - mas então ele foi pegar algo para beber e não tinha voltado ainda. Ele e Dash estavam conversando calmamente sobre algo sério, baseada nas expressões tensas em seus rostos. Mas, mesmo assim, a cada poucos minutos eu sentia os olhos de Dare em mim, me aquecendo e checando se eu estava bem. E eu estava. Eu estava mais do que bem.


Bem, eu tinha estado. Assim que Sia entrou na sala, suas palavras ecoaram na minha cabeça. As pessoas não mudam... especialmente para não viciados. Mas eu mudei. Meu queixo levantou um pouco. Eu estava mudando. Então, por que meus dedos coçaram pelo meu pequeno frasco, logo que eu a vi? Desculpei-me com Indie e caminhei pelo corredor até o banheiro. Fechei a porta atrás de mim, eu sentia como se estivesse me fechando para fora do mundo, mantendo-me segura. Mas então eu vi o armário de remédios. Meus pés me levaram a ele antes que minha mente pudesse até mesmo registrar o que estava acontecendo. Olhei para o meu reflexo, sem realmente me ver, muito ocupada me perguntando quais tesouros estavam nas pequenas prateleiras atrás do espelho. Agarrei a pia, olhei para os meus próprios olhos brilhantes e nítidos, com foco. Eu estava no total controle de mim mesma, e eu gostei desse sentimento. Mais do que pensei que gostaria. Agora que eu tinha finalmente conseguido isso, eu não desistiria tão facilmente de jeito nenhum. As pílulas estavam chamando por mim, mas eu não ia ouvir. Não desta vez. Nunca mais. Esperançosamente. Definitivamente, eu olhei para o armário, mas em vez de abri-lo, eu me inclinei sobre a pia e joguei água no meu rosto. Eu podia fazer isso. Eu faria isso. Eu não estava pronta para perder no meu primeiro dia. Relembrar o rosto de Dare cheio de orgulho e amor me deu uma sacudida extra de força. Quando eu abri a porta do banheiro, Sia estava esperando no corredor, com os braços cruzados, seus olhos se estreitaram, como se eu fosse algum tipo de presa.


— Como você está indo, hein? — ela sussurrou sua voz melosamente doce. As sobrancelhas estavam levantadas e juntas no meio da sua testa com uma preocupação fingida. O sorriso falso que levantou os lábios vermelhos brilhantes fez meu estômago revirar. Sim, algumas pessoas nunca mudam. Ela ainda era uma cadela fria de pedra. — Eu estou bem. — eu disse, e tentei passar, mas ela disparou um braço e serpenteou em volta dos meus ombros, virando-me para a parte de trás da casa, longe dos outros. Em seguida, ela abaixou a voz para um sussurro escuro. — Tenho certeza que você está. — disse ela. — E eu sei o quão difícil pode ser, por isso trouxe-lhe isto. Apenas no caso de... Ela tirou a mão do bolso e abriu a palma da mão para revelar um pequeno frasco. De pílulas. Oh, Deus. — Você sabe que vai precisar delas em algum momento. — disse Sia. Meu olhar ficou colado ao frasco, e meu corpo começou a tremer. Com o canto do meu olho eu pude ver a merda de um sorriso ampliando. Puta que pariu. Eu precisava me apossar de mim mesma. Um aperto firme na realidade. Eu balancei a cabeça e tentei fechar meus olhos para que pudesse concentrar em outra coisa, mas eu não conseguia tirar os olhos do frasco. — Eu não quero isso. — eu disse, mais para me convencer do que a ela. — É claro que você não quer. — ela soltou uma pequena risada. — Mas você vai precisar disso. Você sabe, certo?


As pílulas no frasco me chamavam, cantando um canto de sereia doce que só eu podia ouvir. E elas realmente necessitavam calar a boca agora. Peguei o frasco da mão de Sia e caminhei de volta para o banheiro. Ela me seguiu, parecendo que estava prestes a cantarolar. Seu rosto cheio de alegria doentia quando eu torci a tampa e olhei para dentro. — É difícil voltar para o mundo real. — disse ela com cuidado fingido em sua voz. — Elas a ajudarão a ter controle. — ela pegou o copo da beirada da pia e abriu a torneira enquanto eu levantei a tampa do vaso sanitário, inclinei o frasco, e observei as pílulas caírem na água. O rosto de Sia congelou quando ela se virou para me entregar a água. Eu olhei para ela, mesmo que minhas mãos ainda tremessem. — Estou certa que Dare deve estar se perguntando onde eu estou. — eu disse, em seguida, passei por ela e me dirigi para frente da casa. — Ele precisa de alguém como eu, cadela. Alguém estável. — sua voz me parou, e eu me virei para encará-la novamente. Ela voltou para o corredor, o copo cheio ainda na mão. — Nós temos uma história juntos. Você não tem lugar na vida dele. A raiva corou no meu rosto. — Não é isso o que ele diz. — Nós fodemos. Ele te disse isso? Suas palavras arrepiaram a minha pele como pedaços de gelo, e eu não pude deixar de imaginar, quando? Quando eles tinham fodido? Quando ele veio para Amsterdam? E importava mesmo se eles tivessem feito isso? Porque eu sabia que ele tinha sido meu desde o dia em que eu disse que iria para a reabilitação. Eu sabia com a minha alma. Isso era tudo o que realmente importava no final. — Nós fomos feitos um para o outro. E você? — ela caminhou até mim, praticamente pressionando o nariz no meu, enquanto seus olhos escuros tentaram queimar um buraco através de mim. — Você foi feita para...


— Mim. — Dare disse atrás de mim. A cabeça de Sia levantou rápido conforme ela ofegou. Ele passou os braços em volta da minha cintura, me puxando apertado contra ele. — Ree foi feita para mim. Fechei os olhos e inclinei-me para a parede de músculo duro atrás de mim. Enfiando os dedos pelos seus, eu senti meu corpo relaxar quando ele me encheu com o seu amor e seu calor. — Hora de você ir, Sia. — a voz de Dare era perigosamente baixa, e eu abri meus olhos para ver a dor e raiva piscando no rosto de Sia. — Você não é bem-vinda aqui se for para falar com Ree assim. Sia olhou para mim, em seguida, passou por nós, correndo pelo corredor. Virei-me em seus braços, deslizei as mãos até seu peito e as tranquei firmemente em torno do seu pescoço. Puxei o rosto para baixo, fiquei contra seu corpo e o beijei com tudo o que eu estava sentindo naquele momento. — Você está bem? — ele disse quando nos separamos, seus olhos investigando o meu rosto. — Eu estou melhor do que isso. — sorrindo, peguei a mão dele e levei-o de volta para a sala de estar, com todos com quem eu queria ficar. Fiquei contente que Sia tinha ido embora, mas eu também estava estranhamente feliz dela ter vindo. Preenchida com uma necessidade egoísta de me destruir, ela tinha sido o meu primeiro e verdadeiro teste. E eu tinha passado. Eu não tinha ficado com o frasco. Esta noite me fez dar um único passo. Foi meu limite para um salto. Eu estava finalmente começando a me levantar das cinzas.


Capítulo Quinze

— R

espire

Ree. — a voz de Dare era a única coisa que ainda me ancorava a este mundo. E mesmo o seu tom baixo, de comando parecia a quilômetros de distância. — Mmmhmm... — senti suas mãos enluvadas em meus quadris, mas não olhei o que ele estava fazendo. — Relaxe. — disse ele, sacudindo-me um pouco quando pressionou para baixo na minha pele. — Você vai passar mal, se você continuar prendendo a respiração. Eu tinha a maldita certeza que desmaiaria independentemente de qualquer coisa. Era uma tarde de domingo, e ele havia sugerido começar a minha tatuagem enquanto a loja estivesse fechada. Então, lá estava eu, deitada de lado na sua mesa, com o top pêssego de crochê suspenso, short jeans branco deslizado para baixo meus quadris. Completamente sozinha. Com Dare. E as agulhas. Pensamentos de ambos fizeram minha cabeça girar. Se eu perdesse a consciência, poderia ser de medo ou excitação. Muito provavelmente, uma combinação dos dois.


Era um pouco difícil de acreditar, mas nós estávamos indo para 15 dias sem nenhum contato físico, e mesmo que eu tenha sido dispensada do Feniks ontem, entre a festa que durou até as primeiras horas da manhã e a presença constante dos membros da banda, Dare e eu conseguimos nos segurar com apenas um punhado de beijos. Eu queria, desejava, PRECISAVA. Todo ele. Além do meu coração ferido. Outras partes minhas doíam por ele. Se aprendi alguma coisa na reabilitação, foi que as pílulas eram mais fáceis de resistir do que Dare. Eu gritei quando senti alguma coisa fria pressionar na minha lateral, e Dare riu. — Apenas o estêncil. — ele correu as costas da sua mão sobre a minha bochecha, arrastando lentamente os nós dos dedos no meu pescoço e sobre o meu ombro. — As agulhas ainda estão embaladas com segurança. Eu não vou te machucar. — Ainda. — eu não tinha muitos medos, mas a minha fobia com agulhas estava pau a pau com o meu medo por espaços escuros e subterrâneos. Um dia, em

breve,

teria

a

coragem

de

contar

ao

Dare

a

história

completa. Cada. Vergonhoso. Detalhe. Hoje, porém, eu só queria a minha fênix. — Eu prometo fazer com que cada toque de dor valha o seu tempo. — um sorriso perversamente delicioso brilhou em seus lábios, fazendo meu coração bater tão alto que eu tinha certeza que ele podia ouvir cada batida. — Confie em mim. Você está em boas mãos. — Eu sei. — eu apertei os lábios e assenti. — Eu não duvido disso. — eu só queria que aquelas mãos estivessem fazendo outras coisas no momento, em vez de preparar para perfurar minha pele. Mas Dare parecia estar em sua zona onde

somente a arte

existia. Considerando que eu teria seu trabalho permanentemente gravado no meu corpo, eu supunha que essa era a parte boa.


Ainda assim, uma parte gananciosa - e extremamente excitada de mim não conseguia superar o efeito da sua proximidade. Minha mente estava cheia de fantasias dele me montando nesta mesa agora, espalhando minhas pernas para que pudesse empurrar-se tão profundamente dentro de mim que nos tornaríamos um. Com o pensamento, minhas coxas se separaram, e um pequeno gemido escorregou pelos meus lábios. Ouvi Dare sugar uma respiração nervosa. Um olhar rápido em seu rosto revelou olhos tão escuro como o pecado, treinados diretamente no local entre as minhas pernas, que pulsava de necessidade por ele. Meu pulso acelerou quando eu senti - sim, senti fisicamente - ele me devorando em sua mente. Nossa última vez foi há duas semanas, quando ele tinha me ‘pintado’ com a língua. Era tão bom sentir seus dedos deslizando sobre cada centímetro da minha pele, sua boca tão quente e gananciosa, quando chupava meu clitóris. Desta vez, eu cerrei os dentes para não deixar o gemido escapar. Tarde demais. Distanciando o olhar, Dare inclinou a cabeça sobre mim e roçou minha orelha com os lábios. — Você não pode continuar a fazer esses doces sons enquanto estou trabalhando. — disse ele. — A maneira mais rápida de não foder com essa tatuagem é parar de me fazer pensar em te comer aqui nesta mesa. Comporte-se, Princesa. — Falar é mais fácil do que fazer. — minhas bochechas coraram. Outras partes minhas ficaram mais afetadas ainda pela luxúria em seus olhos e a sujeira das suas palavras. Claramente, ele não foi tão longe para a zona da arte como eu tinha pensado. — Então, isso não é de todo ruim, hein? — ele sorriu e apertou a boca na minha testa. Como poderia um beijo tão rápido fazer todo o meu mundo girar? — Eu só tenho que garantir que o estêncil esteja firme e, em seguida, nós vamos parar para que você possa dar uma olhada. — disse ele. — Encontre algo... seguro... para focar pelos próximos vinte segundos.


Com as mãos de Dare ainda sobre mim, estar em perigo estava fora de questão. Mas eu me concentrei em algo que vinha pesando sobre mim nos últimos dias. Um tópico que eu estava evitando trazer à tona uma vez que isso pudesse significar algum tempo separados. Mas eu tinha que acabar com isso. Mais cedo, ou mais tarde. — Sabine ligou, enquanto eu estava no centro. — mordi o lábio e respirei fundo. — Ela me ofereceu o cargo de curador de uma próxima exposição mundial. Controle total dos artistas. Bem pago. Dare soltou um assobio. — Essa senhora nunca deixa de me surpreender. Eu balancei a cabeça concordando. — Ela é minha fada madrinha. — eu disse, ficando mais animada com a ideia de trabalhar, de ter uma vida REAL, finalmente. — É a oportunidade de uma vida. — Parece ótimo. Quando você começa? — Duas semanas. — eu limpei minha garganta. — Em Paris. Seus ombros ficaram tensos, mas ele não disse nada além de um rápido. — Huh. Eu tinha tudo planejado. Eu até procurei por grupos de apoio na área que eu poderia participar. Um dos sócios de Gino tinha concordado em assumir minhas sessões semanais de terapia. A única coisa que faltava era... Dare. — Eu estava pensando. — eu disse, de repente, enchendo-me com mais medo do que qualquer agulha poderia inspirar. — Você por acaso quer...? Oh, Deus. Por que minhas mãos estavam tremendo? Não era como se eu estivesse propondo casamento, merda. Eu só estava pedindo-lhe que me seguisse para outro país. Em muitos níveis,

provavelmente,

um

pedido

mais

íntimo

do

que

o

casamento. Especialmente considerando tudo o que tínhamos passado nos últimos meses. Mas eu tinha que tentar. Eu tinha que mostrar a ele que eu


estava tentando. Era necessário que Dare soubesse que eu queria estar com ele, que eu queria fazer isso junto. Sério. Para sempre. A pergunta era, e ele? — Eu sei que isso é novo para nós dois, mas agora que eu finalmente encontrei você, eu não quero deixá-lo ir. — eu disse. — Nunca. Não posso viver pensando em perder você de novo. — minha voz tremeu, o pensamento era demais. — Então, eu queria perguntar se você quer vir comigo. Seu olhar se levantou para o meu, arregalando os olhos ligeiramente. Merda. O que isso significa? — São só dois meses. — eu estava falando a mil por hora agora. — E eu sei que se eu não pegar este trabalho eu estaria cometendo um erro, mas, ao mesmo tempo, tem você... — Sim. — Sim? — só isso? Eu não conseguia respirar, todos os meus sonhos foram se unindo ao mesmo tempo. Ele seriamente apenas disse que sim. — Eu ainda tenho o meu apartamento em Paris. — disse ele. — Podemos ficar lá. Dar um impulso de verdade nisso. Eu estava realmente pensando que poderíamos voltar. Eu sinto falta do meu trabalho. Meu trabalho real. Tatuagem não é suficiente. — prendendo-me com aquele olhar sexy escuro, ele acrescentou: — E passar os próximos dois meses sem você não é uma opção. Não agora, quando você é finalmente e inteiramente minha. Meu queixo caiu. — Você quer morar comigo? Ele riu. — Claro. Ou você pode viver do outro lado do corredor novamente. Mas aquele Archer idiota não é bem-vindo em qualquer lugar perto do prédio. — Nem Giselle.


Suas sobrancelhas se uniram. — Quem? O fato de que ele tinha esquecido a beleza francesa tão cedo me fez brilhar. Que alívio fodido. — Estou comprometido com Jasmine e a loja por mais um mês. — disse ele. — Então, você terá que ir na frente sem mim, mas eu estarei bem atrás de você. — sua boca apertou, os músculos do seu maxilar tremeram tensos. — Eu odeio a ideia de você ficar lá sozinha por duas semanas. — Eu sou uma menina grande. Eu vou viver o meu sonho e esperar o cara que eu amo. — então eu percebi o que sua expressão tensa significava. — E eu vou ficar longe das festas. — E a escuridão? — Eu posso lidar com a escuridão. — a escuridão ainda estava lá, esperando para me consumir. Mas agora eu tinha mais ferramentas e suporte para combatê-la. — Contanto que você seja meu, eu posso lidar com qualquer coisa. — meu peito estava cheio de calor. Tanto calor que eu senti como se eu tivesse pisado em uma realidade alternativa onde as coisas realmente funcionavam a meu favor. — Nós podemos fazer isso, Dare. Eu sei que posso. Nós tínhamos sobrevivido a três anos. E passado por 28 dias. Nós poderíamos lidar com duas semanas. Nós seríamos felizes. Finalmente. Ele tirou as luvas e gentilmente cutucou meu ombro. — Pronta para ver como será a sua fênix? — Claro que sim. — eu disse e ele me ajudou a sair da mesa acolchoada, guiando-me para um espelho de corpo inteiro no canto. Ele estava atrás de mim, seus dedos se fecharam ao redor dos meus, mantendo minha camisa amontoada no lugar, enquanto ele me virou para o lado. — O que você acha?


— Oh, Deus... — meu coração ficou preso na minha garganta. Não havia nenhuma palavra para descrever o contorno da magnífica criatura que em breve seria uma parte permanente do meu corpo. Ela era ainda melhor do que a imagem que ele havia pintado em mim todos esses anos atrás. — Você não vai ter a imagem completa até que eu comece a tatuagem e coloque todo o sombreamento e as medalhas de ouro e vermelhos, mas... — Ela é perfeita, Dare. MAIS do que perfeita. — a fênix esticada em meu lado direito, suas asas de fogo lambendo minhas costas, sua cauda ligeiramente curvada para baixo meu quadril. Ela era feminina, majestosa, régia. Mais poderosa do que qualquer coisa que eu já vi. — Ela ainda não está coberta em minha pele, mas ela me faz sentir tão... viva. Eu puxei minha camisa sobre a minha cabeça e deixei-a cair no chão, movendo minha trança solta por cima do meu ombro no processo. — Eu quero ver como elas ficam juntas. — eu disse, puxando a barra da sua camiseta preta. — Por favor. Seus olhos esvoaçaram para a renda transparente e fina do meu sutiã antes dele abaixar a cabeça e pegar o material na parte de trás do seu pescoço, puxando a camiseta para expor sua tatuagem. Agora era a minha vez de olhar. Mesmo que meus dedos e lábios conhecessem cada centímetro de músculo duro e pele lisa, bronzeada, eu nunca poderia ter o suficiente. Dare era inteiro em forma e com curvas esculpidas tão malditamente comestíveis, e de alguma forma ele conseguia parecer MAIS delicioso a cada vez que o via. A visão dos seus peitorais rígidos e abdômen esculpido fizeram calor se espalhar por todo meu corpo. Meu coração acelerou e meus joelhos vacilaram. Aparentemente, eu virei uma maníaca cheia de luxúria em sua presença. Este é o seu cérebro drogado? Que se dane. Este é seu cérebro com Dare. Olá, sobrecarga de dopamina. Adeus, pensamento racional.


Recusei-me a espreitar o triângulo de músculo que se projetava na cintura da sua calça, com medo que eu provavelmente acabasse em meus joelhos, rasgando a braguilha com meus dentes. Em vez disso, eu olhei para cima do seu corpo - pela tatuagem de pincel na parte interna do antebraço, e segui a cobra enrolando-se em torno de seu bíceps, até a fênix preta em seu ombro. Pressionei minhas costas nele, levantei-me na ponta dos pés e passei meus braços em volta do seu pescoço, deixando nossos dois pássaros o mais próximo possível. A imagem no espelho me tirou o fôlego. Nossos dois pássaros significavam o mesmo renascimento - cada um de nós reconstruindo nossas vidas, recuperando nós mesmos, tornando-nos o que queríamos ser, não o que nós tínhamos sido condenados a ser por nossos pais. Dare realmente era a luz na minha escuridão. Eu sempre soube disso. E agora todo mundo saberia, também. Até os meus pais, se eu ainda os visse. — Você gosta? — perguntou. — Eu amo. — eu disse com toda a minha alma cantarolando. E eu ri borbulhou no meu peito, transbordando pela sala - porque olhando para mim mesma no espelho agora, eu me senti verdadeiramente bela, pela primeira vez na minha vida. Senti-me como EU pela primeira vez. Reagan - a cadela fria, infeliz, que costumava zombar de mim, me dizendo que eu nunca seria boa o suficiente - tinha ido embora. No seu lugar ficou Ree. Eu. — Obrigada, Dare. Seu reflexo arqueou uma sobrancelha para mim. — Pelo que? Por salvar a minha vida. — A tatuagem. — eu disse. Ele balançou a cabeça e deu um sorriso diabólico no meu ombro. — Eu ainda nem sequer comecei com a tinta ainda. Se você está agradecendo prematuramente, talvez você devesse primeiro me agradecer por algo mais. —


um sorriso malicioso atravessou seu rosto quando ele enfiou os dedos na parte de trás da minha calcinha. — Antes de eu começar a tatuagem, eu preciso ver como você vai parecer da próxima vez que eu pintar você. — disse ele, lentamente, deslizando-a pelos meus quadris e sobre a curva da minha bunda. — Eu quero você embaixo apenas com sua fênix. Um tremor animado correu pela minha espinha quando o ar frio da sala bateu na minha pele nua. A dor entre as minhas pernas cresceu ainda mais forte quando ele guiou o short para o chão. Suas palmas arrastaram de volta até as minhas pernas, dedos insaciáveis deslizando sobre a minha pele, enviando meus sentidos às alturas. — Nossa, se eu soubesse que teria este tipo de tratamento em um estúdio de tatuagem, eu teria feito isso há muito tempo. Embora seja melhor você não fazer isso com todos os seus clientes. — Nah. — seu peito vibrou com o riso. — Eu reservo o meu melhor trabalho apenas para aqueles que eu amo. — ele disse. Então ele subiu a mão na parte de trás da minha perna e apertou minha bunda. O humor em seus olhos foi ultrapassado por algo mais sombrio e arrebatador. — E aqueles que me preocupo em marcar como minha. A percepção de que ele realmente estava prestes a marcar-me permanentemente com a sua arte - por sua vez, DELE - me bateu forte. Meu corpo respondeu imediatamente, o formigamento em meu núcleo espalhou-se em todo o meu corpo, fazendo meu coração disparar. Eu estava tão ligada e meus sentidos pareceram uma centena de vezes mais fortes e mais poderosos. Eu praticamente podia saborear, sentir e ouvir o prazer que ele estava prometendo com apenas um único olhar. Meus mamilos endureceram por trás do material que os cobriam, mais uma vez a atenção de Dare foi chamada para os meus seios. Ele passou os dedos pela renda, enviando choques de prazer através de mim, em seguida, pegou um, apertando-o levemente e puxando-o para a sua boca para que ele pudesse envolver seus lábios em torno do bico rosa. A combinação da sua língua


calorosa, molhada e as cócegas suaves da renda, me lamberam até que eu quase gozei. Minhas pernas cederam, e eu perdi o equilíbrio, mas ele me pegou... pelo cós da minha calcinha, fazendo o tecido deslizar em todo o meu clitóris inchado. Ele me posicionou, de modo que eu fiquei de pé diretamente na frente dele, meu corpo em exposição no espelho para ele. Ainda segurando a minha calcinha, ele soltou meu sutiã com uma mão, me libertando das suas restrições. — Tão linda. — ele sussurrou em meu ouvido. Pegou meu seio com uma das mãos, puxou minha calcinha fio dental com a outra, levando-o mais fundo para dentro de mim, esfregando meu clitóris novamente. Em seguida, ele aliviou a pressão. Impulsionava, soltava, incitava, liberava. Com o tecido esfregando no meu clitóris latejante a cada vez, meus quadris começaram a balançar com seus movimentos enquanto eu gemia. — Porra, você vê o quão linda você é Ree? Corei com a imagem na minha frente, confusa, os olhos arregalados, meus lábios rosados separados, as pernas tremendo. Parecia que eu estava possuída. Possuída por felicidade e por Dare. E, provavelmente, também à beira do orgasmo se ele continuasse movendo minha calcinha assim. Ele envolveu minha trança em torno de seus dedos e gentilmente puxou minha cabeça para trás, reivindicando minha boca enquanto seus lábios e língua espalhavam meus pensamentos. Entre a sua posse sobre os meus lábios, o aperto firme em meu cabelo, e sua reivindicação possessiva sobre a minha calcinha, eu era dele. Completamente e totalmente dele. — Apenas uma pequena técnica de relaxamento pré-tatuagem. — disse ele, afastando-se, mas sem quebrar o contato completamente. — Ganhando a minha confiança, Wilde? — Apenas uma das muitas coisas que eu pretendo adquirir até o final desta sessão. — seus lábios me beijaram no meu queixo e pescoço, trancando no meu pulso selvagem quando ele liberou minha trança e deslizou a mão pelo meu estômago na minha frente. Seus dedos se aventuraram sob a renda para o


centro do meu calor, e um gemido alto saiu dele quando ele deslizou um dedo dentro de mim. — Porra, você é incrível. Dedos hábeis deslizaram em meu clitóris, sacudindo e massageando, enquanto a outra mão continuava a dar um puxão em minha calcinha. A mistura erótica dos seus dedos e o material tenso que pairava sobre as minhas pregas fizeram minha cabeça girar de maneira que eu não achava que era humanamente possível. A energia foi se acumulando no meu núcleo, o pulsar entre as minhas pernas foi crescendo e crescendo, levando-me mais e mais alto. Eu estava prestes a gozar. E, provavelmente, também morrer. — Mãos no espelho. — eu ouvi Dare sussurrando no meu ouvido, sua voz rouca de excitação. — Não fuja de mim, Ree. Esta é para ser a parte divertida. Usando a superfície vítrea de apoio, eu balançava meus quadris de volta para ele, dando-lhe acesso completo, instando-o a mergulhar mais fundo, mais forte, mais rápido, movendo-me com o ritmo que ele estabelecera. Seu olhar preso firmemente aos meus enquanto eu moía contra a protuberância dura em sua calça jeans até que nós dois estávamos gemendo. Pequenos choques de eletricidade correram em minhas veias e o pulsar entre as minhas coxas me imploravam pela liberação. O formigamento intensificou e eu já estava gritando seu nome, a pressão dentro de mim girou a toda velocidade em direção a uma explosão cósmica quando... Ele parou. Completamente. Parou. Caralho. Um pequeno gemido de protesto escapou dos meus lábios, mas Dare rapidamente o calou com seu beijo. Fechando os olhos, eu me perdi na sensação da sua língua, então gemi quando eu o senti arrancar minha calcinha. Ainda assim, os dedos nunca mais voltaram para aquele ponto. O único lugar que eu realmente, REALMENTE precisava dele agora.


Em vez disso, ele me soltou e deu um passo para trás, acenando com a cabeça para a mesa de tatuagem. — Suba. — sua respiração estava controlada, enquanto a minha era nada mais do que ofegante. Seus olhos eram tão perigosos e ainda sedutores, e eu não tinha ideia do que ele ia fazer. Tudo o que eu conseguia pensar era que ele estava planejando algo grande. Como ele, dentro de mim. Ou talvez isto fosse sobre algo pequeno, mas aterrorizante. Como uma agulha. Deus. O desconhecido era ao mesmo tempo assustador e quente pra caralho. Fui até a mesa, fazendo uma pausa ao seu lado, corri a mão sobre o lençol limpo que Dare tinha colocado sobre mim. — Como você me quer? Ele respirou fundo e xingou em voz baixa. — Quantas vezes você me fez essa mesma pergunta em Paris, enquanto eu pintava você? Quantas vezes eu tinha que cerrar os dentes e me impedir de descrever em detalhe todas as posições que eu a queria apenas porque você não era minha? A dor sensual no meu corpo voltou ao ouvir essas palavras, implorando para ser saciada. — Bem, eu sou sua agora. — apoiei-me na borda da mesa, oferecendo-me a ele. — Então... me tome. Por favor, por favor me tome. Seus olhos deslizaram sobre o meu corpo exposto, fazendo uma pausa nos bicos dos meus mamilos antes de mergulhar o estêncil na minha pele, e viajar para o sul ainda mais longe. — Deite-se de costas. — disse ele. Quando eu fiz, ele passou os dedos em torno dos meus pulsos. Puxandoos acima da minha cabeça, ele gentilmente guiou minhas mãos para os lados da mesa. — Segure-se firme. Não solte. — disse ele, em seguida, moveu-se de volta para baixo, pairando sobre mim, quando ele fez uma pausa em meus lábios. — E não se atreva a mexer. Oh, Deus.


Ele ajustou a mesa, e se inclinou sobre o seu equipamento, onde a agulha esterilizada estava preparada esperando a máquina. Cada músculo do meu corpo ficou rígido, e meu coração tentou pular para fora do meu peito quando ele pegou as luvas. Merda, merda, merda. Meu suspiro chamou sua atenção. — Ree olhe para mim. — ele disse, segurando meu queixo entre os dedos e pressionando sua testa na minha. — Eu não vou te machucar. Você confia em mim? — Sim. — eu tinha que mostrar a ele que eu era forte, que eu era digna do poder desta maravilhosa fênix. — Bom. — ele agarrou meu lábio inferior entre os dentes. — Porque o que eu estou prestes a fazer quebra as regras de ambos, da tatuagem e do sexo. — Primeiro na reabilitação, agora estúdio de tatuagem. Você está quebrando todos os tipos de regras. — Você só tem que agradecer a si mesma por isso. — disse ele. Eu ri, sentindo a tensão derreter quando um tipo diferente de emoção correu através de mim. — Então... vamos começar com o esboço? Ele assentiu com a cabeça. — Eu vou fazer um teste rápido primeiro. Certifique-se de que você pode lidar com isso. Juntei minhas coxas com força, ao mesmo tempo excitada e com medo. Eu esperei Dare começar com a máquina, mas em vez disso ele beijou a minha boca, meu pescoço, até o meu peito. Ele puxou um mamilo em sua boca, chupando e mordendo-o, antes de passar para o outro a fazer o mesmo. Em seguida, ele beijou o caminho pelo meu estômago até que seus lábios estavam mordiscando logo acima do meu núcleo, e eu já estava balançando ao ritmo da minha pulsação do meu ponto doce. Quando ele separou minhas coxas e trouxe sua boca de volta para onde eu precisava tanto dele, a vontade de agarrar seu cabelo superou suas ordens


para me manter quieta. Sua língua lambeu minhas dobras, circulando meu clitóris, provocando, incitando. Meus quadris empurraram sob a pressão de sua boca, e os meus dedos ao redor das suas curtas mechas escuras. — Você está trapaceando. — sua voz cantarolou contra mim, em um aviso baixo. Meu corpo tremia sob seu toque enquanto eu ofegava em resposta. — E você está jogando sujo. Eu podia jurar que eu o senti sorrir. — Diga-me que não ama isso. — ele disse. Oh, Deus, eu amava cada porra de lambida e cada mordiscada. Minha resposta veio na forma de um gemido alto. — Bom. — ele abriu mais os meus joelhos e enfiou a língua mais profundamente. — Agora, coloque as mãos sobre a mesa, Ree. Segurei a mesa novamente, permitindo-lhe reinar livremente. A língua dele me deixava selvagem, e meu corpo que já estava excitado por causa do que ele tinha feito comigo no espelho, que meu clímax se aproximou rapidamente e com força. Mais uma vez, quando eu estava prestes a lançar e explodir à parte, ele se afastou, deixando-me doendo em agonia com infusão de prazer. PORRA. — Por Favor... Ele lambeu os lábios e sorriu. — Ainda não. Temos uma longa sessão pela frente. Uma pequena parte de mim queria gritar de frustração, mas uma parte muito maior estava animada pra caralho com a ideia de ter mais Dare, mais... disto. — Eu preciso de você de lado. E você vai ter que ficar muito parada para esta parte. — ele colocou as luvas, então massageou com uma pomada a área com estêncil da minha pele, e eu soube imediatamente o que estava por vir.


A parte dor de prazer e dor. As primeiras picadas da agulha levaram-me a morder o lábio, mas as próximas não foram tão ruins. Logo, tudo em que foquei foi no zumbido suave da máquina e na maneira que os olhos de Dare pareciam estar adorando cada linha e cada golpe que ele fazia. Sempre que ele dava uma pausa para limpar, os cantos dos seus lábios se levantavam em um sorriso tranquilizador, que parecia ser apontado diretamente para o meu coração. Com o contorno das asas feito, ele voltou para a parte do de prazer, abaixando a pistola e dando atenção para a minha boca, mamilos, e estômago, finalmente terminando entre as minhas pernas, provocando-me forte e rápido com a língua e os dedos, antes de afastar-se mais uma vez para retornar ao corpo da fênix. No momento em que o esboço foi concluído, eu estava uma bagunça completa. Não devido ao desconforto, mas por causa da necessidade desesperada de gozar que estava me levando ao limite. Eu quase não senti qualquer dor enquanto ele tatuava, mas toda vez que ele me beijava, lambia, e me tocava, uma dor crua insatisfeita rasgava minhas entranhas. Esparramada sobre a mesa, com as mãos acima da minha cabeça, eu fiquei completamente à sua mercê, e meu corpo estava começando a se rebelar. Eu estava tão dolorida e tão incrivelmente excitada, que eu senti como se uma única rajada de ar pudesse ser o gatilho para me levar ao orgasmo. — Você foi incrível. — ele sussurrou em um beijo. — Paramos por agora. Eu vou terminar o resto da próxima vez. Eu olhei para ele com um sorriso largo e animado. — Eu recebo a minha recompensa? — Dare tinha feito uma promessa de cuidar bem de mim. Agora eu só esperava que ele terminasse o maldito trabalho, antes que eu fosse forçada a tomar o assunto com as minhas próprias mãos. Seus ombros tremeram com o riso. — Você faz parecer como se você fosse a única torturada aqui. Tente manter a mão firme enquanto tatua uma garota sexy, nua que fica gemendo seu nome repetidas vezes enquanto você trabalha. — ele terminou de envolver a minha tatuagem, em seguida, abaixou a cabeça e


roçou os dentes sobre minha clavícula. — Nós dois teremos nossa recompensa. — disse ele, com os olhos cheios de fogo. — Exatamente agora. AGORA. Essa palavra de cinco letras nunca soou tão doce. Foi para o pé da mesa, puxou minha bunda todo o caminho até a borda, espalhando as minhas pernas para que elas ficassem envolvidas em torno dos seus quadris. Meus braços ainda acima da minha cabeça, seu olhar aquecido na minha pele, quando passou por cima de mim, todo o caminho, da minha boca até o meu núcleo latejante. Ele seguiu com seu toque, correndo dois dedos sobre meus lábios, descendo ao calor profundo dentro do meu núcleo. — Por favor, Dare... eu não posso mais esperar. Meu corpo estremeceu e eu deixei escapar um suspiro audível de alívio quando o ouvi tirar seus jeans. Então, ele empurrou para dentro de mim, gemendo e enfiando tão profundo, a resposta para todas as minhas fantasias sujas e orações com tesão. Eu assisti todos os músculos do seu corpo apertarem enquanto se dirigia para dentro mim, seu corpo definido, um retrato erótico de excitação e necessidade. Uma das suas mãos provocou meus mamilos com os dedos a outra passeava para cima e para baixo nas minhas coxas, primeiro suave, em seguida, crescendo em ganância quando seus quadris começaram a se mover mais rápido e mais forte. Olhando para mim, com um olhar tempestuoso, ele enfiou os braços ao redor das minhas pernas e levantou-as para que elas descansassem contra seus ombros, atirando-me um sorriso satisfeito quando eu gritei, sabendo exatamente o quão fundo em mim a manobra o traria. Eu sentia cada centímetro longo, duro, enchendo-me, me esticando, possuindo-me enquanto ele continuava com poderosos golpes penetrantes. A força do clímax atrasado e confinado estava dentro de mim, vibrando no fundo do meu núcleo, implorando para ser liberada. Eu já não estava oscilando à beira de algum precipício alto... eu estava flutuando no espaço em um outro universo, precisando que Dare me mostrasse o caminho de casa.


Seu polegar aterrissou no meu clitóris, ao mesmo tempo em que ele se dirigia para dentro de mim, detonando o primeiro terremoto. A cada impulso intenso, ele desencadeava uma nova onda de prazer, cada espasmo me levando mais alto do que o anterior. Arqueei minha coluna, com meus olhos revirando, eu gritei seu nome através da respiração irregular, enfrentando o que eu só poderia descrever como o melhor e mais longo orgasmo da minha vida. Ou o melhor dos orgasmos. Era impossível dizer quando se encerrou um e o próximo começou. Apenas quando eu pensei que tivesse morrido e ido para alguma versão bizarra do céu, Dare se inclinou para frente e bateu em mim novamente, seus olhos encontraram os meus, enquanto outra explosão de delírio passou por mim. Gritei seu nome, e ele respondeu, gemendo o meu quando sua própria libertação estremeceu seu corpo. Ele caiu em cima de mim, com cuidado para proteger meu lado enfaixado e pressionou seus lábios nos meus, separando-os com a língua, e entregando-se sem pressa para mim. Seu beijo propagou através das minhas veias, chegando a um lugar ainda mais profundo do que o que tinha acabado de vir. — Como você se sente? — ele perguntou, olhando para a minha tatuagem coberta. — Livre. — eu sorri em sua boca. — Feliz. — animada por estar em um caminho que finalmente parece estar indo na direção certa. Eufórica por ser com ele, Dare.


Capítulo Dezesseis

— R

EE! Você

está aqui! — esse grito familiar só podia pertencer a uma Wilde. Meu corpo inundou com calor da sua voz. — Oh, hey, Dare. — Dalia. — Dare disse sem se virar, com sua atenção focada totalmente na minha tatuagem enquanto ele sombreava as asas sobre as minhas costelas. — Tão bom ver que eu sou apenas um P.S13. Mas ele sorriu quando disse isso. Eu sabia o quanto ele amava seus irmãos, e o fato deles terem me acolhido, me aceitado como um dos seus, significava muito para ele. Ele teve porcaria suficiente em sua vida familiar, de modo

que

qualquer

discórdia

entre

mim

e

eles

nunca

acabaria

bem. Honestamente, teria, provavelmente, nos destruído há muito tempo. — Nossa! — Dalia inclinou sobre o braço de Dare para examinar minha tatuagem. — A fênix está linda em você. Você é como uma deusa dourada de fogo, Ree. — Caramba. Uma deusa SEMINUA! — eu nem sequer tinha que olhar para saber onde o olhar de Dax estava colado. Puxei imediatamente minha camisa um pouco para baixo. — Porra, não se cubra por minha causa, querida. 13

Postscript – pós-escrito, posfácio.


— ele estava praticamente ofegante. — Eu sou um grande fã das pinturas de nus de Dare. Na verdade, eu gosto de brincar com alguns. Você quer ver? — Vou lhe falar uma coisa. — eu disse com uma risada provocante. — Se algum dia eu deixar de ser uma fã do trabalho do seu irmão, você será o primeiro que eu chamarei. — Eu sou o único com a pistola na minha mão, você sabe disso, certo? — Dare abaixou-se para reclamar, o meu lábio inferior entre os dentes. — É melhor você prestar atenção no que você diz, Princesa. — Ou o que? — eu soltei um gritinho quando ele me mordeu. — É tudo o que você vai me dar Wilde? — havia um desafio na minha voz. — Apenas ameaças vazias e algumas mordidinhas? Baixando os lábios na minha orelha, ele disse. — Eu te desafio a me deixar. Veja quão longe você consegue ir antes de eu arrastá-la de volta aqui e prendê-la a essa mesa. Assim como na semana passada. Exceto que minhas mordidinhas não serão tão suaves desta vez. — ele se afastou e me prendeu com seu olhar e compartilhamos um olhar aquecido. Eu senti meu rosto corar quando minha imaginação ficou um pouco selvagem com as possibilidades, coisas que eram muito inadequadas para sequer PENSAR com sua irmã e irmão na sala. Dalia riu. — Olhe para vocês dois. Parecem dois pombinhos! Não, espere. Pombinhos não, fênix. O bom, foi que Dalia não conseguiu ver o quão... hum... meus pensamentos pouco doces sobre Dare eram. E pelo sorriso malicioso no seu rosto, o pensamento dele também era imundo. Dare endireitou-se e olhou por cima do ombro para seus irmãos. — Dê dois passos para trás, Terrores. — disse ele. — Vocês estão bloqueando a minha luz. Eu arqueei uma sobrancelha para ele. — Terrores?


Dalia revirou os olhos e piscou para Dax. Eu não tinha dúvida de que ela ganhou esse apelido por um motivo. E não apenas de Dare. — Terrores. — Dare disse. — Desde que rabiscaram meu primeiro caderno de desenho quando tinham cinco anos. — Você não acha que está ficando um pouco velho isso agora? — disse Dalia, afundando seu peso em um quadril. Dare levantou o queixo para Dax. — Dê uma olhada em seu gêmeo agora admirando a minha namorada e você me diz se não é muito merecido. Dalia bateu no braço de Dax, mesmo antes dela se virar para ele. — O que? — disse ele, um enorme sorriso dividindo seu rosto. — Eu só estou fantasiando sobre como posso conseguir uma garota seminua que me deixe desenhar sobre ela. Ou melhor, ainda, uma garota COMPLETAMENTE nua. — DEUS. — Dalia gemeu. — Você escuta as coisas que saem de sua boca? Eu segurei um sorriso e me virei para Dalia. — Vocês dois acabaram de chegar? — Sim. Cerca de uma hora atrás. — ela afundou em uma cadeira vazia no canto da sala e deixou escapar um suspiro exausto. — Deixamos a bagagem da Alemanha e a Áustria com Dash, e viemos até aqui para ver vocês de imediato. — A tempo para o show desta noite. — Dare disse, desligando a máquina e limpando a minha pele. — E todas as GROUPIES. — disse Dax. Dalia balançou a cabeça para o irmão. — Você sabe que elas estão interessadas apenas nos membros da banda, certo? — E o irmão mais novo do guitarrista lindo? — perguntou Dax, meneando suas sobrancelhas.


— Nah. — ela o dispensou com um aceno de mão, suas unhas multicoloridas fazendo um arco-íris na frente do seu rosto. — Dare já pegou. — disse ela. — Elas não têm a menor chance com ele. Dare jogou a cabeça para trás e riu enquanto Dax olhou para Dalia com a boca aberta. Eu não pude deixar de rir com eles, deleitando-me com o seu calor e amor quando eu me enchi com esse incrível sentimento por fazer parte disso.

— Brilhante! — disse Synner, sentado ao lado de Dalia no restaurante naquela noite, surpreendentemente sem uma groupie ao seu lado. Um enorme sorriso iluminou seu rosto quando ele ergueu a taça. — A uma noite de show brilhante do caralho. No Man's Land estava brilhando como estrelas que eram. Todos eles. Indie não conseguia manter suas mãos fora dos caras, abraçando-os, rindo de tudo o que falavam. Dash estava ao seu lado, iluminado, embora esta noite houvesse algo amargo em seu sorriso. Hawke e Leo estavam felizmente cobertos com groupies. Estavam todos tão contentes quanto eu jamais tinha visto. É evidente que isso era o que cada um deles nasceu para fazer. Não havia nenhum sinal da provocação habitual e assédio que eu testemunhei a cada dia da semana passada. Eles eram como um quarteto, embora ligeiramente disfuncional, ainda família. Mesmo que eles discutissem e enfatizassem os defeitos de cada um, o amor um pelo outro era inegável. Hoje à noite, seus sentimentos eram tão claros como a lua cheia lá fora. Ver o grupo no palco, em sincronia, tocando juntos, alimentando-se um do outro, no alto da sua própria música, era quente pra caramba. Eles se transformaram em quatro deuses do sexo e um inferno de uma deusa do rock, que dominava o palco, cativando o público, fazendo com que as mulheres de todas as idades gemessem e ficassem com inveja.


É claro que muitas das senhoras estavam ofegantes com o visual também - a forma como Dash rangia os quadris como se estivesse fazendo amor com sua guitarra, o ritmo cru e a energia da bateria de Synner, a destreza dos dedos de Leo enquanto dançavam sobre o teclado, a habilidade e rapidez com que Hawke tocava seu baixo, a energia de Indie com sua voz sexy, expressiva quando ela cantava. O show tinha sido emocionante, com as músicas animando a multidão, luzes coloridas dançando com a batida. Cada música melhor do que a última. Eu tinha passado as duas das melhores horas da minha vida, começando nos bastidores, ao lado de Dare. — Se bem que... — Leo agora disse, inclinando-se para ser ouvido. — Estávamos um pouco fora em... — Cale-se e desfrute da glória, Leo. — disse Hawke. — Foi perfeito pra caralho hoje à noite. FOMOS perfeitos. O rosto do Leo ficou duro. — É Lynx, seu fodido. Meu nome é Lynx . — Seu nome é Leo. — Indie disse, apontando para ele. — E vai ficar assim. Nós não vamos chamá-lo de Lynx. Nunca. Desista, enquanto você ainda tem alguma dignidade intacta. Leo parecia prestes a fazer beicinho, mas, em seguida, a morena à sua direita, falou. — Leo? — ela disse, com a voz tão suave e aveludada como sua pele bronzeada. — Isso é meio sexy. — ela ronronou enquanto acariciava seu braço. — Totalmente. — disse a loira à sua esquerda. — Como um leão. Você pode ser o rei da minha selva a qualquer hora. — ela tomou conta do seu maxilar, começou a levar a boca dele para a dela, quando Hawke colocou a mão entre eles. — Desculpe querida, mas já existe uma rainha da selva de Leo. — Hawke virou o rosto para ele, enquanto Leo parecia meio aliviado, meio


decepcionado. A voz de Hawke mergulhou de uma maneira baixa e sensual. — Mas, esta noite, você pode me fazer rugir. A boca de Indie caiu quando ela apenas balançou a cabeça. — Você percebe que os leões não vivem realmente na selva, certo? Ah, foda-se. Não se preocupe. — em seguida, ela deu de ombros e voltou a deslumbrar o cara bonito sentado ao lado dela com um sorriso brilhante. Olhei para Synner para ver se ele tinha notado, ele sempre notava, mas ele estava muito ocupado conversando com Dalia. Dax olhou de queixo caído para as meninas bajulando Leo e Hawke, babando em cima da mesa. Sem tirar os olhos das mulheres, ele bateu no braço de Dash. — Neste mesmo instante eu descobri que eu tenho talento musical. Posso participar da sua banda? Dash riu, balançando a cabeça, o braço envolto em torno de uma loira deslumbrante. — Você não tem uma veia musical em seu corpo. — Dalia afastou Synner por um momento. — E tesão musical para groupies não conta. — Ok, tudo bem! — Dax riu. — Então, eu posso ser o músculo da banda. Que tal se eu sair em turnê com você como um roadie 14? — ele flexionou um bíceps bem tonificado. — Eu jogo futebol, você sabe. — Que tal você terminar a escola primeiro. — Dare bateu na parte de trás da cabeça de Dax, que olhou para ele. Se não estivéssemos sentados em um restaurante, ele provavelmente teria se lançado sobre Dare logo em seguida. Deus, eu adorava. Cada momento. Eu odiava perder qualquer momento disso, mas precisava ir ao banheiro feminino, beber água demais tinha um efeito...

14

Profissional que carrega os equipamentos dos músicos em show.


Quando eu saí do banheiro, Dalia tinha ido retocar seu brilho labial. Nossos olhos se encontraram no espelho enquanto eu lavava minhas mãos, e ela sorriu para mim. — Então... — ela disse. — Não tivemos a chance de conversar ainda, mas parece que as coisas estão bem. Eu balancei a cabeça, incapaz de tirar o sorriso delirante do meu rosto. — Muito bem. — eu disse. Ela inclinou a cabeça para um lado. — Você parece... diferente. — Eu estou. — eu disse. — Eu estou tentando ser. — Dare disse algo sobre reabilitação? Oh, nossa. Ele contou para a sua família, então. Ele era tão próximo de Dalia e Dax, e desde que eles infelizmente já conheciam algo do meu passado fodido, eu supus que fazia sentido compartilhar a boa notícia com eles. Independentemente disso, eu estava um pouco desconcertada. Era difícil aceitar o fato de que uma temporada na reabilitação não era algo para sentir vergonha. Anos como uma McKinley me ensinou que era mais fácil dizer do que fazer. — Quem teria pensado nisso, certo? — eu sorri, tentando esconder meu desconforto. — Ficar limpa em Amsterdam. Oh, que ironia. Dalia riu, em seguida, estendeu a mão para apertar meu braço. — Ele está tão orgulhoso de você, Ree. — disse ela. — Eu não sei se você percebe o quão maravilhoso isso é para ele. Nossa mãe... — seus olhos encheram de água e ela teve que engolir um par de vezes antes que pudesse continuar. — Ela nunca fez isso. — sua voz estava tensa. — Ela já tentou tantas vezes, mas nunca conseguiu, não importa o quanto nós imploramos a ela. Dare sempre sentiu como se não fosse suficiente para ela, como se ele não fosse o suficiente. E agora que você conseguiu isso através de... — um par de lágrimas saiu e ela jogou os braços ao meu redor, apertando-me com força. — Você o fez sentir como se ele fosse suficiente. Finalmente. Ele não pode deixar de se vangloriar do quão corajosa,


forte, incrível você é. — ela se afastou para olhar para mim, com o rosto molhado, um imenso sorriso ficando no caminho das lágrimas. — O quanto ele te ama. Meus próprios olhos começaram a arder quando eu a abracei novamente. — Obrigada. — eu finalmente disse. Viu Ree? Nada do que se envergonhar. — Não. — Dalia afastou e enxugou os olhos. — Obrigada. Agora eu não tenho que te caçar e chutar sua bunda. — sua risada brilhou em torno de nós, ecoando os azulejos de banheiro. Voltamos para outro piso com os braços dados. Ela se inclinou para dizer algo para Synner quando deslizou para o banco ao lado dele, e ele riu. Meus olhos procuraram Dare. Ele e Dash tinham se afastado do grupo e estavam presos em uma conversa intensa no bar. Quanto mais me aproximava, mais clara as suas palavras se tornavam. —... Você não acha que eles merecem saber? — Dare balançou a cabeça. — Simplesmente não parece certo esconder isso deles. — Nós não sabemos nada, então não vamos estragar o final da viagem deles. Eles voltarão para a realidade em breve. — Dash notou-me aproximando, e sua voz diminuiu. — Não há necessidade de assustá-los desnecessariamente. Os olhos de Dare encontraram os meus. — Tudo bem? — perguntei. — Até onde sabemos, sim. — Dare olhou para Dash, em seguida, de volta para mim. — Você está bem? Isso foi demais hoje à noite? Você quer ir? Ele colocou o braço à minha volta e começou a me levar para longe. Eu não pude deixar de olhar de novo para Dash, minha curiosidade cravada pelo olhar preocupado em seu rosto.


Alguma coisa estava acontecendo e eles não estavam me contando o que era. Tudo o que eu conseguia pensar era que algo estava errado com a mãe de Dare. Por qual outro motivo os dois irmãos estariam falando em estragar a viagem de Dalia e Dax? Eu abri minha boca para perguntar novamente, mas, em seguida, rapidamente fechei. Eles, obviamente, não me queriam na questão. Eu ia ter que esperar até que Dare estivesse pronto para falar. Gostaria de ser paciente com ele. Assim como ele tinha sido paciente comigo. Afinal de contas, teríamos todo o tempo do mundo.


Capítulo Dezessete

— E

i,

não

chegue perto da comida! — Dax gemeu na manhã seguinte, quando sentou-se à mesa. Dare quebrou o nosso beijo, virou as panquecas acabadas em um prato, em seguida, despejou mais massa na frigideira quente. Sorrindo para Dax por cima do ombro, ele me puxou para ele novamente e me beijou tão forte que meus dedos se curvaram em meus chinelos. — Deus, Dare. — disse Dax. — Vá para o quarto. Sem soltar os meus lábios, Dare puxou o pano de prato pendurado na frente do forno e atirou-o para Dax. — Deixe-os em paz. — disse Dash, batendo a parte de trás da cabeça de Dax, cujos olhos se estreitaram perigosamente quando ele avaliou seu irmão mais velho. — Cuidado, meu velho. — disse Dax. — Eu não tenho medo de derrubá-lo por alguns segundos. E eu não vou pegar leve com você só porque você é famoso. — QUEM... — Dash riu e bateu em sua cabeça de novo — Você está chamando de VELHO?


Por um breve segundo Dax olhou para ele, então ele foi para cima, voando por sobre a mesa, e levando Dash ao chão. Eles lutaram, derrubando cadeiras, batendo em armários, fazendo barulho suficiente para acordar alguém que poderia ainda estar dormindo. Dash riu ainda quando Dax derrotou-o no chão. — Ok, ok. — Dash disse. — Desisto. — Marica. — Dare balançou a cabeça. — Eu não posso acreditar que realmente temos parentesco. VOCÊ nunca desiste. Especialmente para Dax. — Tio. — disse Dax, sem soltar Dash. — Você tem que dizer tio. — Bem. TIO. — Dash riu, e eu pude sentir Dare sorrir atrás de mim. — Então, isso que é ter irmãos. — Isso mesmo. — Dax levantou-se, um olhar orgulhoso no rosto. — E isso é como deixar seu irmão arrasado. — Dax sabe. — Dare disse. — Ele teve muita experiência com isso. Dax apontou para Dare. — Você pode ser o próximo. — então ele olhou em volta, franzindo a testa. — Falando em derrubar, onde no inferno está Dalia? Dash sentou-se. — Ela não está no sofá? Dax balançou a cabeça. — Ela não estava lá quando me levantei. — Ela deve estar no banh... — Dash começou a dizer, mas parou quando a porta de Synner abriu. Synner saiu do seu quarto, seus lábios firmemente coladas aos de Dalia. Houve um momento de silêncio

na sala, quando

todos nós

olhamos. Dalia passou os braços ao redor do pescoço de Synner quando ele deslizou as mãos para baixo das suas costas, sobre a elevação de sua bunda e a agarrou em cheio.


Synner realmente ESPREMEU a bunda de Dalia. Na frente dos seus três irmãos. Senti como se realmente o tempo tivesse parado. Em seguida, o mundo desabou. Dash ficou de pé, enquanto Dare se lançou para Dax, que lutou para se libertar do aperto de aço de Dare, com uma expressão assassina no rosto. Dash bateu no ombro de Synner, e quando ele virou a cabeça, Dash deu um soco em seu rosto. Synner cambaleou com o golpe, um caminhão de palavrões voaram para fora da sua boca. — Caramba, Dash! Você acabou de quebrar a porra do meu nariz. — ele estava piscando os olhos, as mãos pressionadas contra a ponta do seu nariz. Quando ele tirou, elas estavam sujas de sangue. — Qual é o seu problema porra? Eu sou a porra do seu colega de banda. — E ela é a porra da minha IRMÃ! — Dash agarrou o pulso de Dalia e puxou-a para trás. — DASH! — Dalia puxou o braço para soltar. — PARE! Eu sou uma mulher adulta. — Ela é de fato. — Synner sorriu, mesmo com o sangue escorrendo do seu nariz. — O melhor pedaço de bunda... Dax rugiu e Dare se virou para ele, empurrando-o para a cozinha e mandou-o cuspindo para o chão, aos meus pés. Em seguida, ele se lançou para Synner, atingindo-o no maxilar. — IRMÃZINHA. — Dare rugiu, com o peito arfando. — Ela é nossa irmã mais nova, idiota! Dax tinha se levantado e estava também avançando em Synner, mas Dalia mergulhou para seus pés, mantendo-o no lugar. Então, ela subiu em seu peito e o manteve preso.


— Pare. Com. Isso. — ela disse olhando no rosto de Dax. — AGORA, Dax! — então ela olhou para Dare e Dash. — Cada testosterona Wilde é melhor ir se foder. Se você bater nele de novo, vou bater pra caralho em vocês três. — ela deu um soco no ombro de Dax quando ele começou a lutar sob ela. — Eu não estou brincando, Dax. Eu tenho 19 anos de idade. Vocês não podem controlar essa merda mais. Vou dormir com quem eu quiser, quando eu quiser, porra. — ela se inclinou para Dax, fazendo-o grunhir de dor. — Estou sendo clara?! Dax olhou para Synner, mas ele assentiu com relutância. Dalia levantou-se e colocou-se na frente de Synner, de frente para Dare e Dash. — E quanto a vocês dois? — ela cutucou cada um deles no peito. Forte. — Vocês entenderam? Nenhum deles tirou os olhos de Synner, mas acenaram com a cabeça em uníssono. — Bom. — ela virou as costas para eles e estendeu a mão até tocar suavemente o rosto de Synner. — Case-se comigo, amor. — ele disse, olhando para ela com admiração. Dalia riu, o som selvagem e livre, e balançou a cabeça. — Nem fodendo.

Uma semana depois, Dalia e Dax estavam a caminho de casa e meu trabalho em Paris era iminente. Dare deu os últimos retoques na minha fênix em nosso último domingo juntos. Estranhamente, eu aprendi a amar o som do zumbido da pistola de tatuagem, e já não importava muito a dor das agulhas. O que eu mais amava, porém, era assistir Dare trabalhando. Quanto mais completo meu pássaro se tornava, mais perto eu me sentia dele. Ter a sua criação na minha pele me fez sentir como se eu tivesse uma parte dele gravada em mim.


O zumbido parou, e Dare limpou minha pele, tomando um momento para olhar o seu trabalho. — Está pronta. — ele disse em voz baixa. — Você está... linda. — Eu preciso vê-la. — eu não conseguia tirar o sorriso do meu rosto. — Antes de cobri-la. Ele me puxou e me guiou até o espelho, sem soltar a minha mão. As linhas da tatuagem voavam e rodavam pelo meu lado direito, as penas da cauda do pássaro se ondulavam no meu quadril. Suas asas graciosamente escovavam minhas costelas, distribuídas como se estivessem em voo, elevandose acima dos restos de renascimento da fênix. O fogo lambia as bordas das penas, fazendo-as parecer como se estivessem explodindo em chamas de vermelho e dourado. Era incrível. Meu lindo pássaro me fez sentir de uma forma que eu nunca me senti antes. Fez-me sentir nova, renascida como a pessoa que eu realmente estava destinada a ser. Como Ree. Reagan tinha ido embora, os seus últimos vestígios tinham sido coloridos, lançado para as chamas desta fênix. As linhas da minha vida tinham sido redesenhadas, redefinidas e preenchidas. Eu estava voltando para casa. Eu só gostaria de não ter que ir embora amanhã. A única coisa que fazia a separação iminente menos dolorosa era o lembrete que Dare se juntaria a mim em duas semanas. Nós tínhamos feito isso por períodos mais longos e mais ásperos antes. Teríamos que sobreviver à distância, mais uma vez. Com facilidade, agora. Especialmente, considerando que as coisas estavam diferentes. Agora que eu estava marcada pelas suas próprias mãos, parecia que eu pertencia mais a ele do que antes. Dare possuía minha mente, corpo e alma. E ele sempre faria


parte de mim daqui pra frente. Mesmo que eu não soubesse de todas as coisas que o futuro reservava para nós, isso eu sabia que era verdade. — O que você acha? — ele perguntou, fechando o espaço entre nós com um passo, fundindo as minhas costas contra a sua frente. — É... perfeita. Nossos olhos se encontraram no espelho, queimando com se um precisasse do outro. Um sorriso diabólico, se distribuiu por seus lábios. — Quase. — ele disse, estendendo a mão para a barra da minha blusa. A camisa deslizou sobre a minha cabeça, e ele atirou-a em uma cadeira próxima. Então, ele puxou minha saia sobre meus quadris, deixando-a cair no chão, deixando-me em pé na frente dele, apenas de calcinha e sutiã. Os olhos de Dare estavam grudados no meu reflexo quando uma das suas mãos deslizou em torno do meu lado roçando o meu estômago, enquanto a outra desceu para a minha bunda, afundando e me apalpando. — Já molhada. — ele praticamente rosnou as palavras. — E tão pronta para mim. — Estou sempre pronta para você. — eu engoli, com meu corpo formigando todo, uma dor profunda entre as minhas pernas pedindo o toque de Dare. Ele soltou meu sutiã e deslizou o tecido de seda para fora dos meus braços, então suas mãos subiram em ambos os lados para acariciar a carne macia dos meus seios. Encostei-me nele, observando no espelho quando ele brincou com meus mamilos apertando-os. Os botões formigavam, sentindo minha calcinha ficar mais molhada e úmida a cada passagem dos seus dedos. Eu gemi, virando a cabeça, e os seus lábios encontraram os meus, com uma fome urgente. Deus, ele era voraz, sempre tão deliciosamente desejando mais. Um tremor percorreu-me quando sua língua encontrou a minha e se entrelaçaram, saboreando um ao outro. Seus dedos deixaram meus seios para


passar pelo meu cabelo, enquanto ele segurava minha cabeça e devorava meus lábios. Em seguida, ele estava beijando meu queixo, fazendo o seu caminho para a minha orelha. Arrepios me atravessaram, quando ele chupou o lóbulo com a sua boca, mordiscando-o com os dentes, enviando cargas elétricas para o meu núcleo. Ele beijou meu pescoço, desceu para o meu ombro, com seu hálito quente, sua língua de fogo, a sua necessidade era insaciável. Como a minha. Eu ansiava por sentir tudo dele, por possuí-lo como ele me possui. E hoje à noite eu o faria. Cada movimento da sua língua fazia o ponto entre as minhas coxas pulsar cada vez mais forte. Suas mãos deslizaram de novo para baixo no meu corpo, passando por meus mamilos por apenas um momento, fazendo-os apertar de prazer antes de dirigir mais para baixo. Engoli em seco quando seus dedos chegaram às margens da minha calcinha, pulsando com uma intensidade ainda maior quando eu os imaginava finalmente descobrindo o meu clitóris inchado. Um sorriso levantou os lábios. — Safira? — disse ele, olhando para o meu último pedaço de roupa. — Eu não vi essa antes. — Você gosta? — eu oscilei meus quadris um pouco. — Eu gosto. Eu gosto especialmente da facilidade com que elas saem. Suas mãos deslizaram sob o tecido leve e ele deslizou minha calcinha para baixo, com lentidão deliberada, sobre meus quadris, orientando-a todo o caminho até o chão, centímetro por centímetro, deixando-me louca de desejo e todo o meu corpo em chamas. Ele olhou para mim, feroz e faminto. — Agora você está perfeita. — disse ele, com as mãos lentamente viajando sobre a minha pele nua. — Vestindo apenas a sua fênix e seu sorriso.


Em seguida, ele empurrou minhas costas contra o espelho aparafusado e ajoelhou-se diante de mim, um olhar escuro, mau em seu rosto, quando ele deslizou a mão para cima de uma perna, levantou-a e colocou-a em seu ombro, abrindo-me completamente para ele. A dor entre as minhas pernas cresceu a um patamar bastante alto com a emoção de estar tão completamente à mostra. Seus dedos arrastaram ao longo de minha coxa, cada vez mais perto, até que ele estava circulando minhas dobras, quase passando em meu núcleo. — Dare. — eu gemi, recostando-me contra a superfície fria e elegante, meu coração batendo em um ritmo selvagem de desejo primal. A dor dentro de mim cresceu tanto, que eu tinha certeza de que apenas um toque me levaria ao orgasmo. — Por favor. — Por favor, o que? — ele apertou para abrir mais as minhas coxas e eu empurrei meus quadris em direção a ele, sentindo sua expiração afiada banhar meu clitóris com calor. Tão perto. Ele estava tão perto. Eu precisava que ele me levasse em sua boca e... — Chupe-me. — eu suspirei as palavras, a sensação de sua respiração quente me provocando, me levando para novas alturas, o conhecimento de que sua língua estava apenas a milímetros de distância, quase me matando. — Por favor, Dare. Eu preciso de você. Sua língua sacudiu para fora, e eu gemi alto, empurrando meus quadris para frente, implorando, precisando. Quando voltou mais lentamente, eu gritei seu nome. — Mmmm... mais doce do que nunca. — ele gemeu em meu calor, com o rosto moendo contra minha pélvis. — Eu amo o seu gosto, Ree. Porra, eu poderia fazer isso o dia todo. — Eu deixaria. — eu ofeguei as palavras assim que seus lábios voltaram para o meu clitóris e ele me chupou em sua boca, simultaneamente levantando minha outra perna por cima do outro ombro, colocando-me completamente à sua mercê.


Fogos de artifício explodiram em meu âmago, irradiando a partir de onde a sua boca me aquecia para o resto do meu corpo. O ritmo da sua língua movendo-se contra mim e me aprofundando abalou-me mais e mais até que eu estava tremendo de prazer, o nome de Dare era um grito enterrado no fundo do meu peito, clamando por libertação. — Grite, baby. — disse ele, como se tivesse lido a minha necessidade. — Diga. Grite. Solte. Suas palavras me enviaram ao orgasmo, gritando seu nome enquanto eu começava a ter ondas de prazer. Quando os espasmos desaceleraram, eu percebi que ele ainda estava de joelhos, olhando para mim, de baixo, olhando o êxtase do meu orgasmo diminuir, com o mais incrível olhar de espanto no rosto. Ele tirou minhas pernas de seus ombros, e, lentamente, beijou todo o caminho do meu corpo, me forçando mais contra o espelho quando ele cobriu minha boca com a dele. — É a minha vez. — eu ronronei em seu beijo, colocando o meu sorriso travesso em seus lábios enquanto eu mudei nossas posições, ele ficou de costas para o espelho agora. — Eu quero te provar. Todo você. Agarrei a barra da sua camiseta branca, levantei-a para cima e sobre a cabeça. Deus, ele era lindo pra cacete. Eu deixei minhas mãos vaguearem sobre os contornos de seu peito e estômago, saboreando a sensação de sua pele suave e firme. Ele assistiu, me admirando, um sorriso amoroso iluminando seu rosto. Quando minhas mãos mergulharam em sua parte inferior, sua respiração acelerou e seus abdômen contraiu. Eu adorava que eu o excitava tanto quanto ele fazia comigo. Agarrei a frente da calça jeans e puxei, o botão saiu voando, libertando-o em um único movimento. Ele era glorioso, e quando as calças deslizaram para seus pés, eu peguei seu pênis em minhas mãos. Ele gemeu ao sentir minhas mãos deslizando para cima e para baixo em sua dureza aveludada, mas quando eu fiquei de joelhos na frente dele e abri meus lábios ao seu redor, ele enfiou os dedos pelo meu cabelo e balançou a cabeça.


— Ree. — disse ele, sua voz tremendo um pouco. — Eu não sei quanto tempo eu posso... oh, porra. Eu abri minha boca, minha língua circulou ponta do seu pau e ele sugou em uma respiração profunda. Fiz meu caminho ao longo de seu eixo, correndo meus dedos para cima e para baixo em suas coxas, os sons de prazer explícito derramando da sua boca me deixavam ainda mais excitada. Abri mais os meus lábios, levei o tanto do seu comprimento e espessura quanto pude, puxando-o o máximo possível, e adorando-o com a minha língua. Um rosnado baixo retumbou no fundo do seu peito, e seus joelhos se dobraram ligeiramente. — Jesus, Ree. — ele disse, cada palavra um gemido tenso. — Eu estou à sua mercê. Então eu fiz isso de novo. E mais uma vez. E mais uma vez. Cada vez, levava-o mais profundamente, empurrando até os últimos limites, possuindo-o com a minha boca. — Reeee... — meu nome era um apelo em seus lábios enquanto seus quadris balançavam ao ritmo que eu defini. Envolvendo uma mão em torno dele, eu continuava a me mover para trás e para frente, aumentando a velocidade e intensidade. — Porra, Ree. Sua cabeça caiu para trás, batendo no vidro atrás dele quando ele começou a gemer meu nome uma e outra vez, com espasmos rasgando por ele, seu próprio prazer totalmente fora do seu controle. Uma vez que os tremores finalmente cessaram, ele me levantou e pressionou seus lábios nos meus, me beijando tão profundamente que eu podia sentir vibrar com a profundidade da minha alma.


— Eu te amo porra. Você sabe disso, certo? — ele disse contra os meus lábios. — Você é meu. — eu sussurrei de volta. — Meu para amar, meu para possuir, só meu. Ele assentiu com a cabeça. — E você, minha linda Ree, é minha. Toda minha. Agora e sempre.


Capítulo Dezoito

S

entado à beira da

minha cama, eu assisti Ree curvar-se para apertar a fivela nas suas sandálias. Eu estava cercado por seu perfume doce e uma vista mais deliciosa ainda. Meu pau se agitou. Aparentemente, o duplo desempenho de ontem à noite e o bis desta manhã não foram suficientes. Quando se referia à REE, nada era suficiente. Maldição. Eu ia ficar louco nas próximas duas semanas. Como se sentisse meus olhos trilhando para baixo de seu corpo, ela me olhou por cima do ombro e me lançou um sorriso deslumbrante. — Pare de olhar para a minha bunda como se você quisesse mordê-la. — ela disse com uma risada. — Eu vou perder meu voo. — Eu compro outro bilhete. — fui até lá e fiquei atrás dela, correndo os dedos pelos cabelos, em seguida, lentamente, arrastando-os para baixo em sua coluna, vértebra por vértebra, sentindo a respiração acelerar quando chegava perto da calcinha. — Dare! — ela bateu-me quando minha mão foi para baixo. — Nenhum de nós tem dinheiro para desperdiçar.


— Seria realmente um desperdício? — gentilmente apalpei a bunda dela, mergulhei minha mão sob sua saia para o local coberto de renda entre as pernas. — Sua calcinha molhada conta uma história diferente. — Foda-se... — ela fechou os olhos e relaxou contra o meu peito, gemendo quando eu deslizei sob o tecido e passei meus dedos pelo o local que eu sabia que faria sua cabeça girar dentro de segundos. Minha outra mão subiu até seu estômago para o seu seio quando a minha boca fechou em sua clavícula. — Eu só estou tentando me satisfazer de cada parte sua, para que eu não enlouqueça quando estivermos separados. — eu disse, enquanto beijava o caminho do pescoço para o lóbulo da orelha. Eu peguei a carne sensível entre meus dentes e chupei quando empurrei um dedo dentro dela, fazendo-a gritar e empurrar os quadris mais profundamente em mim. — Há... sempre... sexo... por telefone. — sua respiração ficou mais errática, suas palavras saindo em jorros rápidos, que combinavam com o ritmo da minha mão. — Eu posso ligar... descrever a calcinha de seda que eu estiver vestindo... eu te conto como eu estou me tocando e desejando que você estivesse fazendo isso... quão quente e úmida que você me deixa... o quanto eu preciso de você dentro de mim... — Porra. Continue falando assim e eu nunca vou deixá-la sair. Eu estava só brincando com ela. Houve uma batida forte na porta do meu quarto que fez ambos saltarem. — Anda logo! Você vai se atrasar para o aeroporto! Indie. É claro. — Parece que é hora de ir embora, baby. — eu disse-lhe no ouvido, com meus dedos empurrando mais ao fundo, meu polegar massageando mais rápido. — Então goze para mim. — REE! — bang. — DARE! — bang. — Vem! — bang. — Agora — bang.


— INDO! — Ree gritou. — Oh, Deus... estou ‘indo’15! E ela ‘foi’. Ela caiu nos meus braços com o gemido mais doce e meu nome em seus lábios. Do jeito que eu gostava. — Oh, Deus. — ela se virou e se atrapalhou com a saia, as bochechas com um profundo tom de vermelho e olhos brilhantes. — É este o bota-fora que você dá em todas para suas namoradas? — Só as especiais. — eu disse. — Eu só estou me certificando de que você não se esqueça das minhas mãos talentosas quando você estiver cercada por todos os pintores em Paris. Você sabe como um artista pode ser. — Sim, um pé no saco. — Interessante. — eu atirei-lhe um sorriso perverso. — Eu ia dizer um especialista em prazer... — Você é impossível, Wilde. — ela revirou os olhos e me bicou nos lábios, sua risada borbulhante despertava um calor dentro de mim que ninguém mais conseguia. A garota não tinha ideia de como ela era bonita. E, na maioria das vezes, ela era adoravelmente inconsciente do seu pleno efeito em mim. Não apenas no meu corpo, mas no meu coração. Jesus. Eu estava começando a parecer uma maldita garota. Pelo menos eu não estava jorrando essa merda em voz alta. Embora ela fosse incrível... e momentaneamente indo embora. Ah, que inferno.

15

O verbo utilizado no original, come, significa vir e gozar.


— Eu vou sentir sua falta. — eu disse a ela. — Eu vou sentir falta da sua boca inteligente, e especialmente deste sorriso. — eu percorri o lábio inferior com o polegar. — Eu amo a porra do seu sorriso, Ree. — Você vai me ligar, certo? — ela estreitou os olhos para mim. — Todos os dias, mesmo que você odeie telefones? — Bem, agora que você prometeu jogar sujo comigo, eu vou te ligar antes do avião decolar. — a verdade é que desde que Ree tinha ido para a reabilitação, eu não me importava mais com telefone. Ele tinha nos mantido próximos, mas eu também tinha aprendido mais sobre ela. Ela se abriu nessas ligações de uma maneira que ela não tinha antes. — Embora, chamadas de vídeo tem o benefício adicional de visuali... — Dare! — ela riu e bateu no meu braço, mas rapidamente ficou séria. — Obrigada. — Pelo que? — eu arqueei uma sobrancelha, a gravidade repentina do seu tom de voz me surpreendeu. — Por me apoiar. — ela disse. — Por mim, empurrar-me para conseguir ajuda e lutar pelo futuro, mesmo quando eu não achava que era possível. — Com você e eu juntos... tudo é possível. Nossos lábios se encontraram em um beijo suave, profundo. Porra. Eu não queria deixá-la ir. — Duas partes? — ela respirou quando nos separamos. — Não. Não hoje. — eu balancei a cabeça e firmei em sua boca novamente. — Hoje, nós somos apenas um inteiro, Ree.


Ree estava verificando sua bagagem quando meu celular vibrou. — Mãe? Posso ligar-lhe... — Daren! — a voz dela estava em pânico, desesperada. — Rex está machucado. Ele veio... ele veio e ele... Daren... ele... — Mãe, acalme-se. Respire fundo. O que aconteceu com Rex? — Ele. Me. Encontrou. — ela disse entre suspiros. — Rex? — ela não estava fazendo nenhum sentido. — O seu pai. Afastei-me do balcão, onde Ree estava parada, e caminhei em direção às janelas da frente. — O Quê?! — Ele está fora, Daren. Meu sangue se transformou em gelo. — De Rykers? — Ele está aqui. — disse ela. — Na cidade. — Mas você está em LA, você ainda está em LA, certo? Como diabos ele a encontrou? — Eu não sei. Ele disse a Rex para agradecer a alguém chamado O Prefeito pelo espancamento. Ele o machucou, Daren. — ela começou a soluçar. — Ele quebrou o braço de Rex e o feriu gravemente. — Você acabou de dizer o prefeito? — o gelo em minhas veias me cortou. — Um dos seus muitos bandidos tenho certeza. — ela fungou. — Eu estava no trabalho quando ele veio para a casa, graças a Deus. — ela ficou em silêncio por um momento e depois disse em voz baixa: — Eu não sei se eu sou forte o suficiente para lutar contra ele. A polícia não é muito útil. Eles não têm nenhuma evidência, além da identidade do Rex e os antecedentes do Daren. Eles expediram um mandado, mas você sabe o quão bom seu pai é em escapar da prisão.


— Vá para o hospital e fique com Rex. — eu disse. — Você estará segura lá. Eu vou no próximo voo. — NÃO! — ela parecia em pânico, e eu quase podia imaginar seus grandes olhos castanhos arregalados. — Ele vai te matar... eu... eu não sei o que ele vai fazer se ele o vir novamente. Você não pode vir aqui. Não é seguro para você. — Não é seguro para você também, mãe. Eu não vou deixar você sozinha com aquele filho da puta. — Não, Daren... — Pare de me chamar assim! Esse é o nome dele! — não o meu. Nunca foi o meu. — Dare... — Estou indo. — eu disse. — Vá ficar com o Rex. Eu estarei lá hoje à noite. — então eu desliguei. — Está tudo bem? — Ree se aproximou de mim, com o bilhete na mão, e os olhos passando sobre o meu rosto. — Parece que você acabou de ver um fantasma. Mais como a porra de um demônio. Eu balancei a cabeça e limpei minha garganta. — Está tudo bem. Perfeito. Eu apertei-a com força contra mim, evitando os olhos dela. Mentir para Ree me matava, mas como eu poderia dizer a ela? Ela nunca iria. Ela exigiria voltar para os Estados Unidos comigo, e eu não poderia colocar sua vida em perigo. Eu a amava demais para isso. Já era ruim o suficiente que Dax e Dalia já estivessem em casa, e meu pai pudesse

encontrá-los,

também.

FODA-SE. Eu

tinha

que

pegar

um

avião. AGORA. Puxei Ree mais perto, respirando-a, memorizando seu cheiro, a sensação de tê-la perto e agradecendo mentalmente seu calendário de trabalho. Ela


estaria feliz e ocupada, seguindo seu sonho, enquanto eu lidava com o meu pesadelo. Então eu voaria de volta para Paris para ficar com ela, assim como nós planejamos. Eu pressionei meus lábios em sua testa. — Vejo você em duas semanas. Ela ficou na ponta dos pés e colocou as mãos em volta do meu pescoço. — Não vá se atrasar Dare. — Eu não sonharia com isso, Princesa. — meu peito se apertou quando nossos lábios se encontraram. Então Ree foi se afastando de mim, mordendo o lábio para não chorar. Eu esperei até que ela estivesse fora de vista antes de correr para o balcão da companhia aérea mais próxima e reservar um lugar no próximo voo para Los Angeles. Minha mente correu com todas as coisas que eu precisava fazer, mesmo quando eu estava discando o número do Dash. Uma determinação fria, dura caiu sobre mim. Eu lidaria com o meu pai. E, se Deus quiser, eu implicaria a porra do prefeito, se eu pudesse, por colocar a minha família e a vida de Rex em perigo. E, em seguida, eu o faria pagar por tudo o que ele tinha feito para Ree. Eu só esperava que eu pudesse fazer tudo em duas semanas. Sem vítimas.


Capítulo Dezenove

D

uas semanas.

O que pareceu como uma vida, quando disse adeus em Amsterdam, tinha realmente voado em um piscar de olhos. Preparando-me para a incrível mostra internacional da La Période Bleue, especialmente porque nós estávamos trabalhando com várias outras galerias em toda a cidade. Fiquei muitas vezes até as primeiras horas da manhã, em uma luta contra a montanha de papelada e programação que precisavam ser coordenadas para conseguir isso. Meus dias foram gastos organizando galerias e artistas de todo o mundo. Para colocar bem de leve, eu estava extremamente ocupada. Mas eu estava de volta na cidade do amor e luz, sentindo-me mais em casa do que eu estive em qualquer outro lugar, e esperando ansiosamente a chegada do Dare para que a vida real pudesse finalmente começar. Era uma tortura requintada viver em seu apartamento, rodeada por sua arte, seu cheiro, seus pincéis. Eu dormia entre seus lençóis, usava sua camiseta para dormir, vivia e respirava-o, enquanto o único contato direto que eu realmente tinha era a sua voz no meu ouvido. Nós falamos quase todas as noites, e se nós não conseguimos nos conectar, por algum motivo, eu sempre acordava com uma mensagem dele ao amanhecer.


Eu estava sentindo falta dele como uma louca, e hoje – FINALMENTE ele, mais uma vez, seria meu. Ontem à noite, minha ligação foi direto para sua caixa postal. E não havia mensagem dele esta manhã, o que era um pouco estranho. No entanto, considerando que seu avião chegava esta tarde, isso realmente não importava. Eu colocaria minhas mãos sobre ele em poucas horas. Meu corpo já estava cantarolando com a expectativa de vê-lo, tocá-lo, sentir sua presença enchendo-me de novo. Eu tinha passado a manhã me preparando, meu cabelo caía nas minhas costas da maneira que ele gostava, e eu escolhi o meu vestido favorito. Mas isso era tudo o que eu usava, eu estava me preparando só para ele. Eu não conseguia tirar o sorriso do meu rosto em êxtase. Nada estragaria a minha felicidade hoje. E era a felicidade. Intensa, profunda alegria, pura. Eu nunca me senti tão bem em toda a minha vida. Eu sabia que algumas pessoas passavam a vida banhadas em algum tipo de alegria, que penetrava em seus ossos e infundia em tudo que elas faziam, em cada escolha, como eles viam o mundo. Mas essa nunca tinha sido a minha vida. Até agora. O aeroporto estava cheio, e eu corri para o portão de desembarque, examinando a multidão enquanto caminhava. Eu não tinha verificado se seu voo estava no horário, eu apenas corri, incapaz de esperar por ele mais tempo. As pessoas transitando através do aeroporto eram em sua maioria aquelas que claramente tinham acabado de desembarcar de um avião, bolsas penduradas sobre seus ombros, esticando seus corpos por ter ficado tanto tempo em uma posição desconfortável. E quando esvaziou, quando não havia mais pessoas de pé no portão de chegada, eu comecei a ficar preocupada. Eu achava que ele tinha comprado seu bilhete no dia anterior, e eu sabia que seu voo deveria ter chegado um pouco antes das duas. Mas era quase três


agora. Fui até um monitor para verificar as listas de pouso e decolagens. O avião havia chegado no horário. Mas, ainda assim, sem Dare. Meu coração começou a bater, a minha mente girou, tentando descobrir por que ele não estava no avião. Eu verifiquei minhas mensagens para ver se eu tinha perdido alguma. Talvez ele tivesse me mandado uma mensagem ou deixado mensagem de voz sobre uma mudança em seus planos de voo. Talvez alguma coisa tivesse acontecido em Amsterdã. Talvez ele não me quisesse mais. NÃO. Não, eu sabia que não podia ser verdade. E eu não permitiria que pensamentos negativos arruinassem este momento. Eu digitei seu número, mas, mais uma vez, ele foi direto para a caixa postal. Então eu lhe enviei um texto rápido e tamborilei os dedos contra o meu telefone enquanto eu esperava a sua resposta. Nada. Tentei o número de Dash, mas ele não atendeu, então eu deixei uma mensagem, em seguida, disquei Dalia. E mesmo Dax. Puta que pariu. Por que ninguém estava atendendo a porra do telefone? Tentando não entrar em pânico, eu fui para a área de retirada de bagagem para ver se talvez eu, de alguma forma, o tivesse perdido lá. A esteira estava deserta quando cheguei. Oh, Deus. Eu estava enraizada no lugar, sem saber o que fazer, quem chamar, como eu poderia alcançá-lo para descobrir o que estava acontecendo. Nesse exato momento, meu telefone tocou. Eu olhei para a tela.


Dalia. O alívio inundou meu corpo. Ela deve ter visto a minha mensagem. Ela faria... — Ree? — disse Dalia, com a voz firme de lágrimas. — Você tem que vir. Dare ele... — ela parou, chorando ao telefone. — O que? — ela estava chorando muito para falar, mas o pânico tinha me ultrapassado com o som da sua voz. Eu precisava que ela me dissesse agora. — Dare o que? — Ele foi ferido. Oh Deus, Ree. Ele está no centro de tratamento intensivo. Eles não sabem se ele vai... Calafrios estremeceram através de mim, todo o meu corpo ficou dormente. Eu comecei a tremer minha cabeça. Ele não podia... Ele não podia... — Onde ele está, Dalia? Onde?! — Nova Iorque. — disse ela. — E, Ree? Depressa. Por favor. Eles não... — sua voz tremeu quando ela se engasgou com as palavras. — Eles não sabem se ele vai conseguir.


A história de Reagan e Dare continua em...

Você realmente acha que daríamos uma sinopse agora? Depois do fim? Ha! Nem tanta sorte.

Mas nós prometemos-lhes um passeio WILDE16 pra caramba.

Fique atento. Ele está vindo.

Continua...

16

Sobrenome de Dare e significa selvagem.

3 escaped artist  

Dare Wilde está fora. A família McKinley arruinou seu relacionamento com Reagan pela última vez. Ele está em Amsterdam, com seu irmão estrel...