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ESPETÁCULO A sua revista de teatro musical

ANO 01 - Nº 001 - Outubro / 2012

O Ciclo da Vida

Maior arrecadação de todos os tempos da Broadway, O Rei Leão chega a São Paulo em 2013


Editorial

expediente A “Revista Espetáculo” faz parte do projeto de conclusão de curso dos alunos do oitavo semestre de jornalismo da FIAM FAAM, Carine de Medeiros Marçal e Lucas Aguirre Bueno de Azevedo. Orientadora responsável: Eliza Casadei Textos: Carine Medeiros e Lucas Azevedo Coordenação do curso: Marcia Furtado Avanza Diagramação e Arte: Márcio Rualonga (MTE/SP 29.003)

As cortinas se abrem... C

omo o nome já sugere, a Espetáculo é a sua revista de teatro musical. Nosso objetivo é mantê-lo informado sobre o que acontece em torno dos musicais na cidade de São Paulo, além de trazer notícias sobre produções na Broadway e no West End. Na Espetáculo, você vai encontrar entrevistas, reportagens, notícias e curiosidades sobre os musicais da cidade. Nesta primeira edição, você vai conhecer os detalhes do musical O Rei Leão, uma entrevista com o ícone Saulo Vasconcelos, descobrir onde encontrar cursos especializados, relembrar o musical Chicago e muito mais.

ESPETÁCULO A sua revista de teatro musical

ANO 01 - Nº 001 - Outubro / 2012

Boa leitura e até a próxima edição! Carine Medeiros e Lucas Azevedo

O Ciclo da Vida

Maior arrecadação de todos os tempos da Broadway, O Rei Leão chega a São Paulo em 2013

Revista Espetáculo I Outubro 2012

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Sumário Novidades Musicais

Sai abril, Entra Renault Nos Bastidores Nova Parceria

Novidades na Broadway Novidades na West End

Da TV para os palcos Estreia

Perfil

Uma fera nos palcos

O Rei da Broadway

O Rei Leão

Relembrando

All That Jazz - A Fama em Chicago

Dicionário musical Nos palcos

5 7 8 14 18 21

Cabaret New York, New York A Família Addams Priscilla, Rainha do Deserto O Chapeleiro Maluco O Incrível Dr. Green Tia Emanuelle

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Música

O Musical dos Musicais

Caras novas

André Torquato

Revista Espetáculo I Outubro 2012

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Novidades musicais

Sai Abril, Entra Renault Por Carine Medeiros e Lucas Azevedo Foto: Divulgação

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partir de 1º de novembro, o Teatro Abril, localizado na Avenida Brigadeiro Luís Antônio, passará a se chamar Teatro Renault. A Time For Fun Entretenimento, empresa responsável pelo prédio, anunciou que a troca de nome faz parte de

um contrato de “naming rights” (direitos de nome) assinado pela Renault, multinacional fabricante de automóveis. O contrato assinado entre as partes tem duração de cinco anos, podendo ser renovado por mais cinco. Inaugurado em 1929 com o nome de Teatro Paramount, o local foi responsável por receber os famosos festivais de MPB dos anos 60 e ainda funcionar como cinema. Em 1969, um incêndio destruiu parte do prédio e o teatro entrou em decadência. Nos anos 2000, o Grupo Abril investiu na revitalização do prédio, deixando-o adequado para receber musicais. Passaram por seu palco espetáculos como Les Misérables, A Bela e a Fera, Chicago, O Fantasma da Ópera, Miss Saigon e o mais recente A Família Addams.

Nos Bastidores Por Carine Medeiros e Lucas Azevedo

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epois de divulgar a mudança de nome, o Teatro Abril preparou uma novidade para o grande público. Quem adquirir um ingresso para assistir ao musical A Família Addams na bilheteria do teatro ou em algum ponto de venda pode aproveitar para comprar um “passe de visitação” e conhecer os bastidores do teatro. Para ver de perto as instalações é preciso desembolsar um valor de R$ 50. É claro que se trata de uma ótima oportunidade de descobrir o que rola atrás das coxias, mas esse serviço conta com uma série de limitações. Durante a visita não é permitido filmar ou fotografar e o passe também não dá direito a conhecer os atores do espetáculo.

Foto: Divulgação

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Novidades musicais

Nova Parceria Por Carine Medeiros e Lucas Azevedo

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ocê pode não reconhecer pelo nome, mas com certeza já assistiu algum espetáculo produzido por Sandro Chaim. O produtor traz em seu currículo mais de 50 espetáculos, entre eles, Tim Maia – Vale Tudo, Cabaret, Hairspray, A Gaiola das Loucas, A Partilha e Os Produtores. A novidade é que Sandro, proprietário da Chaim Produções Artísticas, acaba de assinar um contrato com a XYZ Live e de se tornar o sócio diretor da XYZ Teatro e Musicais. Conhecida por trazer para o Brasil grandes shows e festivais, a empresa abriu um novo setor criado exclusivamente para promover Foto: Divulgação

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musicais no país, o que antes era feito por meio de uma parceria com a Kabuki Produções. Com a chegada de Chaim, a XYZ divulgou os próximos projetos, como os já em produção Alô, Dolly e Looney Tunes, e os futuros Annie, Memórias de um Gigolô e Cazuza. Além dessas novidades, também foi divulgada uma reestruturação do Teatro Procópio Ferreira, que hoje é administrado pelo produtor. A empresa já avisou que o nome do local se manterá o mesmo, mas é possível que, assim como o Teatro Abril, seja associado a alguma marca.


Novidades na Broadway

Da TV para os Palcos Por Carine Medeiros e Lucas Azevedo

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Foto: Divulgação

ma novidade para quem gosta de séries! Bill Lawrence, criador de Scrubs, anunciou em seu Twitter que está preparando uma adaptação musical do sitcom para a Broadway. Questionado por

um seguidor sobre a possibilidade de transformar a série em um filme, Lawrence respondeu: “Não estou certo sobre um filme de Scrubs – nós contamos muitas histórias. Um musical está em desenvolvimento”. E ainda acrescentou: "Não é uma piada. Broadway, estamos indo para lá". Essa não será a primeira experiência da série na área. Na sexta temporada, um episódio intitulado My Musical apresentou uma paciente que enxergava tudo em forma de musical.

Novidades no West End

Estreia!

Por Carine Medeiros e Lucas Azevedo

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espetáculo, como “Wannabe”, ” Stop, Look At Me” e “I Turn To You”.

Foto: Divulgação

uem é fã das Spice Girls já pode preparar a passagem para Londres. A data de estreia do musical Viva Forever!, que conta com canções do quarteto, foi marcada para 11 de dezembro, no Piccadilly Theatre. A trama gira em torno de Viva (Hannah JohnKamen), uma cantora que precisa escolher entre a carreira solo e a banda com as amigas. No elenco principal, além de Hannah John-Kamen, Sally Ann Triplett, Siobhan Athwal, Lucy Phelps e Dominique Provost-Chalkley. Foram confirmados 18 números musicais no

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Perfil

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Foto: Divulgação


Uma fera nos palcos Por Carine Medeiros e Lucas Azevedo

Protagonista de superproduções como O Fantasma da Ópera e A Bela e a Fera e um dos atores de musicais mais bem sucedidos do Brasil, Saulo Vasconcelos relembra sua carreira Quem olha para Saulo Vasconcelos, logo percebe que se trata de um ator diferente. Alto, forte e agora com barba, o brasiliense chama a atenção em todo lugar por onde passa. E foram justamente por essas características – além, é claro, de sua voz imponente – que se transformaram em seu passaporte para o teatro musical. Protagonista de espetáculos como O Fantasma da Ópera e A Bela e a Fera, Saulo ganhou notoriedade e ficou conhecido e consagrado como o mais bem sucedido ator de musicais no Brasil.

Primeiros passos O interesse pela música surgiu quando Saulo ainda era criança. Seu primeiro contato na área foi entre a segunda e a terceira série do Ensino Fundamental. “Eu me reuni com alguns amigos e resolvemos montar uma banda. Nós designamos as funções de cada um e fiquei encarregado de aprender a tocar bateria. E a banda deu certo. Aprendemos nosso instrumentos e tocávamos covers de rock nacional, como Legião Urbana e Capital Inicial”, conta. “Durante esse período, para aprender a tocar eu fiz aula em uma escola de música, onde também conheci um pouquinho de teoria”, acrescenta. A paixão pelo canto, porém, surgiu apenas anos mais tarde, enquanto cursava a faculdade de Química. Durante o curso, foi indicado por uma amiga para integrar o Coro Sinfônico Comunitário de Brasília. Essa experiência estreitou seus laços com a música e trouxe a oportunidade de interpretar Beethoven,

Foto: Divulgação

Vivaldi e Mozart no Teatro Municipal de Brasília. “Me apaixonei logo de cara”, lembra. Para investir na carreira, Saulo teve aulas com Marconi Araújo, atual diretor musical de Cabaret. Graças ao professor, teve a primeira oportunidade profissional, atuando na ópera Madame Butterfly e em seu primeiro musical, Jesus Christ Superstar. “Tudo começou como uma brincadeira, mas foi tomando proporções mais sérias e eu percebi que realmente era aquilo que eu queria profissionalmente para minha vida”, conta o ator.

A ascensão Ele sabia o que queria fazer, mas também sabia que não estava no lugar certo para isso. Se na época as produções ainda eram poucas no eixo Rio - São Paulo, o que dirá em Brasília. “Você ensaiava muito, durante muito tempo, para depois se apresentar duas ou três vezes. Só fizemos uma apresentação do Jesus Christ Superstar, por exemplo”. Em 1999, Saulo foi para São Paulo e participou das audições para o musical Rent, que estrearia na cidade. O que o ator não imaginava é que seu teste o levaria muito mais longe. “O diretor musical de Rent também estava envolvido na produção de O Fantasma da Ópera, no México. Ele achou que eu tinha caracRevista Espetáculo I Outubro 2012

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terísticas físicas para interpretar o Fantasma, pois era alto e jovem, então pediu que eu cantasse a música tema do espetáculo”, lembra. Na ocasião, O Fantasma da Ópera era o maior fenômeno de arrecadação da Broadway e ia pela primeira vez para a América Latina. Pela grandeza do projeto, os produtores tiveram o cuidado de buscar atores não só no México, como também nos Estados Unidos, Cuba, Espanha, Argentina e Brasil. Diante da oportunidade, Saulo gravou a música e seu vídeo foi enviado para os produtores, nos Estados Unidos. “Um tempo depois, me chamaram pra fazer um teste e eu fui um dos quatro finalistas, com dois espanhóis e um mexicano”, conta. Saulo perdeu o papel para o mexicano, mas mesmo assim, foi convidado a fazer as malas e se mudar para o país. Os diretores queriam que ele ficasse de standy by para substituir o ator principal caso houvesse necessidade. Para a sua sorte, logo no começo dos ensaios, os diretores perceberam que o mexicano não se encaixava no papel. “Ele era apenas ator e não ia aguentar vocalmente. Acabei ficando com o papel e foi muito tenso, uma responsabilidade enorme sobre meus ombros. Eu tinha 25 anos e nunca tinha tido uma experiência desse tipo. Eu não estava preparado para suportar tudo aquilo, mas consegui”, lembra. O maior desafio, segundo Saulo, não foi o papel em si, mas a adaptação a um país totalmente diferente. “É outro clima, outra comida, tem terremoto, vulcão... Essa mudança no estilo de vida foi o mais difícil”, conta.

O Pós Fantasma A temporada do musical foi um sucesso. O Fantasma da Ópera foi assistido por cerca de 900 mil pessoas, o que abriu as portas do mercado para Saulo. De volta ao Brasil, em 2001, foi convidado para atuar como o Inspetor Javert em Les Misérables e, em 2003, interpretou outro grande papel: a Fera no aclamado A Bela e a Fera. No ano seguinte, voltou ao México com Les Misérables, dessa vez no papel de Enjorlas. Em 2005, seis anos após sua estreia como o Fantasma mexicano, Saulo fez o mesmo papel na montagem brasileira do espetáculo. Segundo ele, o fato 10

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Foto: Acervo pessoal

de já ter interpretado o personagem ajudou a consegui-lo novamente. “Os diretores eram os mesmos da produção mexicana, então eu tive acesso direto a eles. Apenas me perguntaram se eu conhecia a produção no Brasil e se tinha uma boa relação com eles”, conta. “Eu já havia trabalhado junto com os produtores brasileiros em Les Misérables e A Bela e a Fera, então não tivemos problemas”, explica. Para Saulo, não foi uma surpresa sua escolha. “Foi sensata, afinal, eu sou brasileiro e já tinha experiência nessa montagem. Eu fiz praticamente um mestrado em O Fantasma da Ópera. Foram 400 apresentações no México e 600 no Brasil, fechando um ciclo de mil apresentações”, observa. Após sua segunda passagem pelo Fantasma, que reafirmou seu papel de referência no teatro musical, Saulo participou das montagens de A Noviça Rebelde, Cats e Mamma Mia, entre outras. Atualmente, interpreta Bob, um mecânico que se apaixona por uma drag queen no musical Priscilla, Rainha do Deserto. O ator também pode ser visto na série (fdp), que está no ar pelo canal HBO. A série, que retrata os bastidores do mundo do futebol focando na figura do juiz, é a segunda experiência do ator na televisão – a primeira foi uma participação em A Lei e o Crime, na Record. “É difícil para um ator de teatro musical vencer essa barreira e entrar na TV”, afirma. Porém, ele acredita que não poderia estar em um lugar melhor: “a HBO tem uma linguagem única e uma qualidade que é característica do canal. Você sabe que uma série na HBO vai ser boa. Você pode não gostar do tema, mas sabe que tem qualidade, bons personagens, bons textos e boa produção”. Segundo Saulo, o tema da série não se prende ao esporte. “O futebol é mero pano de fundo. O que mostra mesmo é cara querendo comprar jogo,


a corrupção, o juiz que está se separando de uma mulher e o quanto isso influencia na profissão”, explica. O ator conta também que se apaixonou pela nova experiência. “Eu também faria isso para o resto da vida. Me bateu o mesmo bichinho da ópera e do musical. Eu faria um outro projeto com a HBO independentemente do salário”, diz. Saulo gravou suas cenas entre janeiro e abril de 2011, e conta que a ideia original era lançar em 2014, em função da Copa do Mundo, mas que precisaram antecipar. Em uma tarde quente de terça-feira, Saulo Vasconcelos nos recebeu em seu apartamento no bairro da Água Branca, e conversou sobre o futuro do teatro musical no Brasil, a invasão dos atores de TV no gênero e seus projetos futuros.

Foto: Divulgação

As dificuldades da profissão “É uma profissão muito instável. No começo, muitas vezes os atores trabalham de graça para fazer essas peças. Quando você escolhe essa vida como profissão, precisa ser remunerado”.

Referências “Eu escutava muito um cara chamado Anthony Warlow, um ator e cantor australiano. Gosto muito do timbre dele e acho que ele tem uma voz metálica e ao mesmo tempo redonda e agradável. Para viver o Fantasma me espelhei em Michael Crawford, ator que viveu o personagem na Broadway e no West End”.

Conselhos para os iniciantes “Ter muita persistência. Hoje, o cenário não é igual a dez, 12 anos atrás, quando você pegava um desconhecido e jogava para fazer alguma coisa incrível. O ator tem que escalar mesmo. Normalmente, se entra em uma companhia geralmente como coro, que é uma vidinha danada. Tem que ir a mil ensaios, não tem visibilidade, o salário é mais ou menos, trabalha para caramba. O importante é se manter interessado, assim, você vai crescendo e as coisas vão acontecendo. Mas hoje, as pessoas geralmente são ansiosas e querem começar ‘bombando’, o que é muito raro”.

Cuidados com a voz “Se tiver em uma crise, uma rouquidão, tem que ficar com a boca fechada e esperar a recuperação. Também é preciso evitar ir para a balada, pois alguns dias depois irá sentir a consequência e provavelmente será substituído”.

Os melhores musicais “O Fantasma da Ópera foi o musical que mais me projetou. Ele me colocou em capa de revista, me tornou conhecido pela mídia e ganhei um reconhecimento de um público maior. Outro trabalho que gostei muito de fazer foi A Bela e a Fera, apesar da roupa quente e de ter um monte de pêlos na cara. Também gostei de fazer o Cats, principalmente por conta da companhia. Quando assisti ao espetáculo em Londres, em 1997, achei muito chato, até dormi. Por isso, estava um pouco receoso de fazer aqui no Brasil. Mas o grupo era muito bom e diferente dos outros trabalhos”. Revista Espetáculo I Outubro 2012

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Musicais dos sonhos “Eu gostaria de fazer o Sweeney Todd, que já fiz aqui em caráter amador, para uma escola, mas que gostaria de fazer para valer, e o South Pacific. Também queria fazer o Shrek, mas não rolou porque não chegamos a um acordo. Entretanto, qualquer espetáculo que seja legal, interessante e que tenha uma boa produção, vale a pena”.

Próximos projetos “Estamos estudando a viabilidade de levar o Priscilla para o Rio, mas também tenho alguns projetos que não estão relacionados com o teatro. Existe a possibilidade de um trabalho junto a Fiesp e ao Sesi na área da educação. A ideia é criar um curso para que as pessoas realmente aprendam a profissão e tenham aula de canto, dança e interpretação”.

Momentos antes de entrar em cena “Em Priscilla, chego ao teatro com duas horas de antecedência e me junto ao restante do elenco para um exercício corporal. Esse aquecimento serve para entrarmos no clima do grupo. Fazemos um alongamento tranquilo, damos uns pulinhos para acordar, mas a principal função é ficar junto ao grupo. Depois disso, temos uma hora e 15 minutos livres, cada um vai para seu canto e, meia hora antes do início do espetáculo, nos reunimos para fazer um aquecimento vocal e entrar no clima novamente”

Relação entre os atores “É uma relação que costuma ser super impessoal e exclusivamente de trabalho. Fazemos a peça e depois cada um vai para sua casa, sai com seus amigos, vai fazer suas coisas. Mas em Cats, nós saíamos juntos para jantar e dar risada. Foi uma época muito boa”.

Atuar no “piloto automático” “Tenho colegas que fazem, mas eu acho vergonhoso, principalmente porque você está diante de um monte de pessoas, que percebem quando isso acontece. Tem que ter uma motivação para fazer aquele mesmo gesto, atingir aquela mesma nota, mas eu não consigo fazer no automático”. 12

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Atores de TV nos musicais “Quando o musical é ruim, não há global que sustente. Se o espetáculo for bom e tiver um cara conhecido, incrível. Mas, se tiver um ator conhecido e for uma porcaria, ninguém vai assistir. Vários espetáculos, como o próprio O Fantasma da Ópera, fizeram sucesso e não precisaram de ator de novela”.

As substituições nas apresentações “Aqui no Brasil rola muito. Nos Estados Unidos menos, porque lá, quando o ator é substituído, eles não pagam. Mas no Brasil, como os salários são menores, se você levar um atestado o pagamento não é cortado”.

Músicas traduzidas “Ninguém precisa entender o que diz a letra de 'It’s Raining Men' e 'I Will Survive' no Priscilla. Essas músicas fazem parte de um show dentro do espetáculo. Ninguém precisa entender em termos de história. Agora, 'The Winner Takes It All' no Mamma Mia, por exemplo, não pode ser cantada em inglês, pois é apresentada como um texto que um personagem fala para outro. Por isso, precisa ser traduzida para que as pessoas entendam”.

Musicais no Brasil “Eu acho que já estamos no auge. A tendência agora é dar uma caída. Os maiores musicais de todos os tempos já vieram para cá e vai começar a faltar espetáculo bom. Ainda vem O Rei Leão e eu acredito que possa vir musicais como o Wicked. Mas, por outro lado, alguns títulos que a gente acha que não fariam sucesso dão certo, como o Hairspray e o Cabaret, que é um musical mais antigo”. SAULO VASCONCELOS INDICA A Família Addams “Gostei muito do musical. Eu assisti na Broadway e não achei um bom espetáculo. Na ocasião, achei confuso e bobo, mas aqui no Brasil ficou mais engraçado. Gostei muito porque é leve, despretensioso e tem um bom ritmo. Você dá muitas risadas e as musicas são engraçadas”.


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Fotos: Acervo pessoal

Saulo Vasconcelos


O Rei da Bro Maior arrecadador da história dos musicais, O Rei Leão chega ao Brasil em 2013; saiba como foi a coletiva de imprensa realizada em São Paulo

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Foto: Joan Marcus


oadway

Por Carine Medeiros e Lucas Azevedo

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homas Schumacher, presidente da Disney Theatrical Group, lançou uma pergunta para os jornalistas que ocupavam a plateia do Teatro Abril: “quem aqui assistiu ao filme O Rei Leão?”. A plateia, composta por repórteres de diversas faixas etárias, levantou a mão em peso, afinal, independentemente da sua idade, você também já deve ter assistido ao filme da Disney. A pergunta foi feita durante uma coletiva de imprensa realizada pela Time For Fun Entretenimento com o objetivo de anunciar oficialmente o musical O Rei Leão no Brasil. A estreia está prevista para março de 2013, no próprio Teatro Abril, que nesta data já será chamado de Teatro Renault. Se o longa já foi um marco no cinema, sua adaptação para os palcos não poderia ser diferente. Além de uma coleção de prêmios (veja o box da pagina 17), o musical O Rei Leão apresenta números expressivos no gênero. A superprodução estreou há 15 anos e é a sexta produção mais duradoura da Broadway. Passou por 15 países, foi traduzida em oito idiomas, já recebeu um público superior a 65 milhões de pessoas e, em abril deste ano, bateu um recorde na Broadway: superou a bilheteria do musical O Fantasma da Ópera e se tornou a maior arrecadação da história, com US$ 853,8 milhões. Já ficou claro que se trata de uma megaprodução e a Espetáculo não podia ficar de fora dessa. Participamos da coletiva de imprensa e agora vamos te contar detalhes sobre o musical.

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Foto: Joan Marcus

A Coletiva No palco, o que deveria ser uma sabatina entre jornalistas e entrevistados se transformou em uma verdadeira apresentação conduzida por Thomas Schumacher. Além de presidente da Disney Theatrical Group, Tom, como é carinhosamente chamado, atua como produtor do musical. Ele é responsável por supervisionar a criação, o desenvolvimento e a execução do musical em todos os países em que ele é apresentado. Durante o evento, Tom conversou com Julie Taymor, responsável pela direção, figurino, design de máscaras e fantoches e letras adicionais e com Gilberto Gil, autor das músicas na versão brasileira. O trio falou sobre o processo de criação do musical e, no final, abriu para perguntas dos jornalistas.

As Músicas Se você já está se imaginando cantando as músicas junto com o elenco do espetáculo, vá com calma! As canções que você vai ouvir no musical não são exatamente as mesmas que embalaram o filme da Disney. A dupla formada por Elton John e Tim Rice fez algumas modificações nas canções do filme e introduziu três novas faixas para o espetáculo. Portanto, a versão brasileira assinada por Gilberto Gil é uma tradução das músicas que compõem a montagem teatral. “Traduzir é sempre arriscado, mas esse risco é natural. As músicas originais do filme também não foram para a Broadway. O Elton John fez uma nova versão das canções especialmente para o musical. O 16

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que eu fiz foi traduzir as músicas da peça”, diz Gil. “Essas adaptações das músicas são muito comuns no teatro”, completa Tom. Durante o evento, os atores da Broadway Phindile Mkhize, Joel Karie e Chantel Riley apresentaram as versões já em português de “Ciclo da Vida” (The Tree of Life), “Terra Seca” (Shadowland), “Está em Ti” (He Lives in You) e a vencedora do Oscar “Dá Pra Ver o Amor Aqui” (Can You Feel The Love Tonight). As canções agradaram a plateia e o produtor ainda revelou um desejo. “Queremos lançar um CD com as músicas em português”, diz Tom.

A Criação O primeiro passo de Julie na criação do musical foi definir como levar ao palco animais que possuem personalidades humanas. Para tanto, buscou inspiração nas técnicas utilizadas no início do teatro, como maquetes e projeções. No resultado, é possível perceber que os atores não foram escondidos. Um exemplo disso é a maquete utilizada para dar movimento às gazelas. “A ideia é as rodas girarem fazendo as gazelas pularem. As rodas representam o ciclo da vida e eu resolvi mostrar justamente para que as pessoas vejam como foi feito”, explica. Outro desafio que Julie encarou de perto foi a criação das máscaras dos personagens e do figurino. “Em cima da cabeça do ator é colocada a máscara do animal. Quando o Simba e o Scar entram em confronto, essa máscara se desloca para a frente do Foto: Joan Marcus


Foto: Joan Marcus

para as audições é alta”, conta Julie. “Primeiramente, o elenco vai ser escalado aqui. Em termos de produção, os produtores brasileiros vão trabalhar com a gente, mas a criação é toda da Julie”, completa Thomas.

Ingressos Ficou com vontade de assistir ao musical? Então fique ligado, pois a pré-venda de ingressos começa no dia 20 de outubro e vai até 28 de novembro. Durante esse período, podem adquirir os ingressos somente os clientes dos cartões de crédito Bradesco, Bradesco Seguros e American Express Membership Cards. As datas das vendas para o público geral ainda não foram divulgadas. Os valores dos ingressos vão de R$ 50 a R$ 280. rosto dos atores”, descreve. O adereço foi criado com inspiração na personalidade dos personagens. “A máscara do Scar, por exemplo, é distorcida porque ele é desequilibrado”, diz Julie. Para levar o Timão ao palco, foi preciso criar uma marionete. “O Timão é um suricato e os suricatos são pequenos. Para representá-lo, fizemos uma escultura e o ator fica atrás, vestido com uma roupa verde para simbolizar a natureza”, revela. Um fato que despertou a curiosidade foi o macaco Rafiki ser interpretado por uma mulher nos palcos. “No desenho, o Rafiki é um homem, mas quando comecei a criar o musical senti que faltava um personagem feminino forte, então falei com o Tom sobre isso. Um outro ponto decisivo para transformar o personagem em mulher foi a música “O Ciclo da Vida”, que no desenho é cantado por uma voz feminina e precisava de um personagem para cantar no palco”, explica Julie.

Conheça alguns dos prêmios que o musical recebeu Tony (1998) Melhor Musical Melhor Direção (Julie Taymor) Melhor Design de Cenário (Richard Hudson) Melhor Figurino (Julie Taymor) Melhor Design de Iluminação (Donald Holder) Melhor Direção de Coreografia (Garth Fagan) NY Drama Critics Circle Award (1998) Melhor Musical Grammy (1999) Melhor Álbum Para Musical Evening Standard Award (1999) Evento Teatral do Ano

O Elenco Durante os últimos meses, foram realizadas audições para o elenco do musical. Alguns atores, cantores e bailarinos foram previamente selecionados e agora devem participar de testes na presença da diretora Julie Taymor e dos produtores da Broadway. “A partir de agora, eu estarei presente na escolha do elenco. Sei que os brasileiros têm talento e história e a minha expectativa

SERVIÇO Local: Teatro Renault (Av. Brigadeiro Luís Antônio, 411). Datas: A partir de março de 2013. Horários: Quarta a sexta, 21h; sábado, 16h30 e 21h; domingo, 15h30 e 20h. Preços: R$ 50 a R$ 280.

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Relembrando RenĂŠe Zellweger e Richard Gere interpretam Roxie Hart e Billy Flynn nos cinemas

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Foto: David James


All That Jazz

A Fama em Chicago

Por Carine Medeiros e Lucas Azevedo

Inspirado em texto de 1924, tema de musical que estreou no Brasil em 2004 continua em alta

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oxie é uma menina que passou a vida toda sonhando em se tornar uma grande estrela e alcançar a fama. Se sua história fosse real e ambientada nos dias atuais, ela poderia facilmente ser uma candidata dos reality shows Ídolos, da Record, ou The Voice, no ar pela Rede Globo.

Foto: João Caldas

Já Velma é uma estrela entrando em decadência que se esforça para não cair no ostracismo. Qualquer semelhança com Chayene, personagem de Cláudia Abreu na novela Cheias de Charme, é mera coincidência. Apesar de escrita muito antes da televisão chegar ao Brasil, a história de Roxie Hart e Velma Kelly continua muito atual.

Renée Zellweger e Richard Gere interpretam Roxie Hart e Billy Flynn nos cinemas

Em 1924, a jornalista Maurine Dallas Watkins acompanhou de perto a história de Belva Gaertner e Beulah Annan, ambas acusadas de assassinato. Os fatos chamaram tanto a sua atenção que Maurine desistiu do jornalismo e, inspirada pela história dessas mulheres, escreveu a peça de teatro Chicago, que teve sua estreia na Broadway em 1926.

sonho que Roxie se envolve com Fred Casely, um rapaz que promete levá-la para o estrelado. Ao descobrir que foi enganada pelo amante, Roxie age por impulso e mata Fred. Levada para uma penitenciária feminina, se surpreende ao encontrar Velma, acusada de matar sua irmã e seu marido que tinham um caso.

O enredo trazia como personagem principal a jovem Roxie. Casada com Amos e dona de uma vida infeliz e monótona, seu maior desejo é seguir os passos da estrela Velma Kelly e apresentar um número no palco de vaudeville. É seguindo esse

Com a ajuda de Mama Morton, a supervisora da penitenciária, Roxie e Velma contratam os serviços do experiente advogado Billy Flynn não só para defendê-las em seus julgamentos, mas também para transformá-las nas maiores estrelas de Chicago. Revista Espetáculo I Outubro 2012

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No ano seguinte, a produção ganhou uma adaptação para o cinema (que na época ainda era mudo) com produção de Cecil B. DeMille. Quinze anos mais tarde, Chicago serviu de inspiração para o filme Roxie Hart, estrelado pela aclamada atriz Ginger Rogers. Apesar dessas três produções, o sucesso de Chicago só teve seu pontapé inicial quando o compositor John Kander pediu a ajuda dos letristas Fred Ebb e Bob Fosse para transformar a história criada por Maurine em um musical. Em 3 de junho de 1975, a 46th Street Theatre, na Broadway, recebia pela primeira vez, Chicago, O Musical. Em 2002, o diretor Rob Marshall lançou o filme Chicago, trazendo como protagonistas Renée Zellweger, Catherine Zeta-Jones e Richard Gere. No ano seguinte, o longa recebeu 13 indicações ao Oscar e levou seis estatuetas, entre elas, a de Melhor Filme. No Brasil, a adaptação assinada por Cláudio Botelho estreou em 29 de abril de 2004, no Teatro Abril, com direção geral de Scott Farris e coreografia de Bob Fosse. Os papéis principais ficaram com Danielle Winits (Velma Kelly), Adriana Garambone (Roxie Hart) e Daniel Boaventura (Billy Flynn).

Fotos: Divulgação

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Fotos: Divulgação


Dicionário Musical Entenda o que significam alguns termos técnicos dos musicais

Alternante O alternante reveza um papel com um ator principal em um espetáculo. Normalmente, papéis difíceis possuem alternantes para que os atores oficiais possam descansar em algumas sessões. Em A Família Addams, por exemplo, a atriz Sara Sarres é alternante da Marisa Orth no papel de Mortícia.

Ensemble Também conhecido como coro, ensemble é um papel pequeno dentro do musical. Os atores que fazem parte deste grupo interpretam personagens que não têm nome e, certas vezes, não têm falas.

Flop Musical que fracassa. Flop é o nome dado às produções que não trazem um retorno de bilheteria.

Leading Lady Atriz que, apesar de não ser protagonista, interpreta um papel de destaque no espetáculo.

Dicionário

Dance Captain Bailarino que acompanha o musical durante toda a temporada. Ele é responsável por realizar alterações nas coreografias e ensaiar com o elenco ao longo dos espetáculos.

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Nos palcos Cabaret

Tia Emanuelle

O Chapeleiro Maluco

New York, New York

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O Incrível Dr. Green

Priscilla, Rainha do Deserto

A Família Addams

Veja os musicais que estão em cartaz nos teatros de São Paulo Revista Espetáculo I Outubro 2012

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Nos palcos

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Foto: Divulgação


Cabaret Por Carine Medeiros e Lucas Azevedo

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este mês, o musical Cabaret completa um ano em cartaz. A superprodução estreou em São Paulo em 28 de outubro, seguiu para o Rio de Janeiro e ainda passou por Brasília e Paulínia. De volta a São Paulo, no Teatro Procópio Ferreira, o musical finaliza sua temporada em 16 de dezembro. Com texto original de Joe Masteroff, músicas de John Kander e letras de Fred Ebb, Cabaret estreou na Broadway em 1966 e se consagrou como um dos maiores musicais de todos os tempos. Esse sucesso gerou um filme em 1972, vencedor de oito Oscars, dirigido por Bob Fosse e estrelado pela atriz e cantora Liza Minnelli.

Foto: Divulgação

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No Brasil a versão é assinada por Miguel Falabella e conta com a direção de José Possi Neto. O musical é ambientado na Kit Kat Club, uma casa noturna de Berlim, no ano de 1931. A trama gira em torno da cantora Sally Bowles (interpretada por Claudia Raia) e seu relacionamento com o jovem escritor americano Cliff Bradshaw (papel de Guilherme Magon). Para conduzir a história, Jarbas Homem de Mello interpreta um Mestre de Cerimônias.

SERVIÇO Local: Teatro Procópio Ferreira (Rua Augusta, 2823). Datas: 25 de agosto a 16 de dezembro de 2012. Horários: Quinta, 21h; sexta, 21h30; sábado, 17h e 21h; domingo, 18h. Preços: R$ 40 a R$ 200.

FICHA TÉCNICA Texto: Joe Masteroff Músicas: John Kander Letras: Fred Ebb Versão Brasileira: Miguel Falabella Direção: José Possi Neto Elenco principal: Claudia Raia, Jarbas Homem de Mello, Guilherme Magon, Liane Maya e Marcos Tumura.

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Foto: Marcos Mesquita


New York, New York Por Carine Medeiros e Lucas Azevedo

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ntre 14 de abril e 3 de julho de 2011, o Teatro Bradesco recebeu a versão teatral do musical New York, New York. Durante essa temporada, o musical protagonizado por Juan Alba e Alessandra Maestrini foi assistido por cerca de 52 mil pessoas.

Se você não quer perder o espetáculo, corra! As apresentações acontecem somente até 7 de outubro! Foto: Divulgação

Em 16 de agosto, o musical reestreou em São Paulo com quatro grandes diferenças de sua primeira montagem: o palco das apresentações passou a ser o do Teatro Sérgio Cardoso, a atriz Alessandra Maestrini foi substituída por Kiara Sasso, Beatriz Lucci substituiu Simone Gutierrez (que está no elenco de Priscilla, Rainha do Deserto) e o preço do ingresso, que custava entre R$ 50 e R$ 170 ganhou o valor fixo de R$ 40. Foto: Marcos Mesquita

Sob direção de José Possi Neto e do maestro Fábio Gomes de Oliveira, a montagem foi baseada na versão para o cinema do romance de Earl Mac Rauch, dirigida por Martin Scorsese. No cinema, Liza Minnelli e Robert De Niro contaram a história de amor entre a cantora Francine Evans e o saxofonista malandro Johnny Boyle. O pano de fundo da história é a era das Big Bands e sua decadência após o fim da II Guerra Mundial. Entre as músicas presentes no espetáculo, estão os sucessos “Sing, Sing Sing”, “The Man I Love” e, claro, “New York, New, York”. SERVIÇO Local: Teatro Sérgio Cardoso (Rua Rui Barbosa, 153) Datas: 16 de agosto a 7 de outubro de 2012. Horários: Quinta, 21h; sexta, 21h30; sábado, 17h e 21h; domingo, 16h e 20h. Preços: R$ 40.

FICHA TÉCNICA Texto: Earl Mac Rauch Direção geral: José Possi Neto Direção musical: Maestro Fábio Gomes de Oliveira Elenco principal: Juan Alba, Kiara Sasso e Julianne Daud.

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Foto: Joรฃo Caldas


A Família Addams Por Carine Medeiros e Lucas Azevedo

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ma das mais bem sucedidas produções da Broadway, a comédia A Família Addams estreou em São Paulo no dia 2 de março, no Teatro Abril. O Brasil é o primeiro país fora dos Estados Unidos a receber o musical, que teve sua primeira montagem em 2010.

Daneluz, Matheus Lustosa e Nicholas Torres como Feioso. A Família Addams fica em cartaz em São Paulo até o dia 16 de dezembro. Foto: João Caldas

Os personagens da Família Addams foram inspirados nos quadrinhos do lendário cartunista Charles Addams, criados na década de 30 e publicados na revista The New Yorker. Antes do musical, foram criadas duas séries de televisão, dois desenhos e três filmes, que contam em seu elenco com nomes como Christopher Lloyd, Cristina Ricci e Anjelica Huston. O musical conta com Daniel Boaventura e Marisa Orth como o estranho e divertido casal Gomez e Morticia. Quando sua primogênita Wandinha (Laura Lobo) se apaixona por Lucas (Beto Sargentelli), os Addams oferecem um jantar para o pretendente e seus pais, Mal (Wellington Nogueira) e Alice (Paula Capovilla). Lucas, porém, é de uma família tradicional, e a reunião de pessoas tão diferentes acaba gerando grandes confusões e situações inusitadas

Foto: João Caldas

O elenco do musical conta também com Claudio Galvan como Tio Fester, Iná de Carvalho como a Vovó Addams, Rogério Guedes como Tropeço e Gustavo SERVIÇO Local: Teatro Abril (Av. Brigadeiro Luís Antônio, 411). Datas: 2 de março a 16 de dezembro de 2012. Horários: Quinta e sexta, 21h; sábado, 17h e 21h; domingo, 16h e 20h. Preços: R$ 70 a R$ 250.

FICHA TÉCNICA Texto: Marshall Brickman e Rick Elice Músicas: Andrew Lippa Versão Brasileira: Claudio Botelho Elenco principal: Daniel Boaventura, Marisa Orth, Sara Sarres, Claudio Galvan e Laura Lobo.

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Foto: Divulgação


Priscilla,

Rainha do Deserto

Por Carine Medeiros e Lucas Azevedo

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urante um carnaval no Rio de Janeiro, em 1989, o diretor australiano Stephan Elliott viu pela primeira vez uma drag queen. Impressionado, voltou para seu país de origem e escreveu o roteiro do filme As Aventuras de Priscilla, a Rainha do Deserto (1994). O longa, protagonizado pelos atores Terence Stamp, Hugo Weaving e Guy Pearce, conta a história de três drag queens que viajam de Sydney a Alice Springs para se apresentar em um resort. O filme ajudou a alavancar a história do cinema australiano, ganhou um Oscar de Melhor Figurino e, de uma forma leve e divertida, levantou uma bandeira contra o preconceito, em uma época onde o surgimento da AIDS ainda era tabu.

A trama começa quando Mitzi convida Felicia e Bernadette para atravessar o deserto australiano e realizar um show. O que Mitzi esconde é o verdadeiro motivo de sua ida a Alice Springs. Ele, na verdade, deseja visitar o filho e a ex-mulher que moram na cidade. Para atravessar o deserto, Felicia compra um ônibus velho que ganha cores, brilho e o apelido de Priscilla. O musical é embalado por hits da música disco, como “It’s Raining Men”, “I Will Survive”, “I Love The Nightlife” e “I Say a Little Prayer”. Foto: João Caldas

O sucesso da produção foi tanto que, em 2006, Elliott adaptou a história para os palcos e o musical Priscilla, Rainha do Deserto estreou em Sydney. Após passagem por Melbourne, Toronto, Londres, Milão e na Broadway, o musical fez sua estreia em São Paulo no mês de março e segue em temporada no Teatro Bradesco até 9 de dezembro. Na montagem brasileira, os atores Ruben Gabira, Luciano Andrey e André Torquato dão vida, respectivamente, à transexual Bernadette e às drag queens Mitzi e Felicia. SERVIÇO Local: Teatro Bradesco – Shopping Bourbon (Rua Turiassu, 2100) Datas: 17 de março a 9 de dezembro de 2012. Horários: Quinta e sexta, 21h; sábado, 17h e 21h; domingo, 16h e 20h. Preços: R$ 40 a R$ 250.

FICHA TÉCNICA Texto: Stephan Elliott Direção: Simon Phillips Elenco Principal: Luciano Andrey, Ruben Gabira, André Torquato, Saulo Vasconcelos, Simone Gutierrez e Andrezza Massei.

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O Chapeleiro Maluco Por Carine Medeiros e Lucas Azevedo

Foto: Divulgação

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recém-inaugurado Teatro Geo estreou seu horário de espetáculos infantis com a montagem O Chapeleiro Maluco. Em cartaz até 28 de outubro, o musical é dirigido por Jarbas Homem de Mello e produzido pela dupla de atores Pedro Bosnich e Beto Marden. Inspirados nos personagens de Alice no País das Maravilhas, de Lewis Caroll, o musical se passa quando Alice (Mariana Lilla) se torna adolescente. A menina recebe um aviso da Gata Sorridente (voz de

SERVIÇO Local: Teatro Geo (Rua Coropés, 88). Datas: 25 de agosto a 28 de outubro de 2012. Horários: Sábado e domingo, 16h. Preço: R$ 40 a R$ 50.

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Claudia Raia) para retornar ao País das Maravilhas, pois seu amigo Chapeleiro Maluco (Pedro Bosnich) precisa de sua ajuda. Junto com a Rainha Branca (Negra Li), o Coelho Branco (Beto Marden), o Rei de Copas (Alexandre Pessôa) e Rita Dormedonga (Cristina Cândido), Alice e Chapeleiro saem em busca da coleção de chapéus da Rainha de Copas (Rejani Humphreys) antes que ela mande cortar a cabeça de todos. FICHA TÉCNICA Texto: Walter Jr. Músicas: Charles Dalla Direção: Jarbas Homem de Mello Elenco Principal: Pedro Bosnich, Beto Marden, Negra Li, Rejani Humphreys, Cristina Cândido, Alexandre Pessôa e Mariana Lilla.


O Incrível Dr. Green Por Carine Medeiros e Lucas Azevedo

Foto: Gal Oppido

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ão tem a cara da Broadway, mas não deixa de ser musical. Em cartaz no Teatro União Cultural, a tragicomédia O Incrível Dr. Green utiliza a música para apresentar os personagens da história. Além de números de abertura e encerramento, as canções criadas por Ricardo Severo servem apenas para explicar as histórias de quatro mulheres que procuram uma clínica de estética. Em pauta estão a ditadura da beleza e os padrões SERVIÇO Local: Teatro União Cultural (Rua Mário Amaral, 209) Datas: 17 de agosto a 18 de novembro de 2012. Horários: Sexta, 21h30; sábado, 21h; domingo, 19h30. Preços: R$ 30 (sexta e domingo); R$ 40 (sábado).

estéticos. Adélia (Gabriela Alves), uma publicitária que acaba de ser mãe, deseja se livrar da barriguinha pós-parto; Márcia (Nyrce Levin), ex-apresentadora de TV dos anos 80, quer rejuvenescer; Karina (Amanda Acosta), uma jovem gordinha, é incentivada pela família a procurar um tratamento; e Jussara (Nany People) é uma ex-obesa que acaba de perder 120 quilos. Suas histórias se cruzam quando se encontram na sala de espera da clínica Afrodite-se. FICHA TÉCNICA Texto: Gisela Marques Direção: Ricardo Severo Elenco Principal: Nany People, Gabriela Alves, Amanda Acosta e Nyrce Levin.

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Nos palcos

Tia Emanuelle Por Carine Medeiros e Lucas Azevedo

Foto: Divulgação

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scrito por Camilo Brunelli e dirigido por Wagner Miranda, o musical Tia Emanuelle cumpre temporada no Teatro Itália até 24 de novembro. O espetáculo conta a história de Emanuelle, uma senhora de noventa anos que começa o espetáculo lamentando a idade e a ausência do marido já falecido. Mas está enganado quem pensa que Tia Emanuelle é uma senhora bondosa. A idosa, que não é nenhum

modelo de virtude, protagoniza situações irreverentes e cômicas quando seus sobrinhos levam uma nova empregada para casa. O espetáculo é a segunda montagem da Cia. Espontânea de Teatro e traz no elenco os atores Alvaro Sabra, Camilo Brunelli, Ellen Nicole, Fabricio de Almeida, Fernanda Gonçalves, Luciano Brandão, Marta Guerreiro e Vânia Barboni.

SERVIÇO Local: Teatro Itália (Avenida Ipiranga, 344) Datas: 14 de setembro a 24 de novembro de 2012. Horários: Sexta e sábado, 23h30. Preços: R$ 30.

FICHA TÉCNICA Texto: Camilo Brunelli Direção: Wagner de Miranda Elenco Principal: Álvaro Sabra, Angela Mazza, Camilo Brunelli, Ellen Nicole, Fabrício de Almeida, Luciano Brandão, Marta Guerreiro e Vânia Barboni

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Música

O Musical dos Musicais Por Carine Medeiros e Lucas Azevedo

Banda disco Rod Hanna se inspira na Broadway e leva as canções dos grandes musicais para os palcos

Foto: Tânio Borges

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ue a disco music e a Broadway têm tudo a ver, todo mundo sabe. Nos anos 70, canções como “I Will Survive” e “Dancing Queen” conquistaram as pistas de dança das boates e se consagraram como hits. As duas músicas fazem parte da trilha de, respectivamente, Priscilla, Rainha do Deserto e Mamma Mia, o que prova que a Broadway busca, e muito, inspiração no estilo musical para as suas produções.

responsável por fundar a banda em parceria com seu marido, Rodrigo Laguna, o Rod.

Pensando nisso, a Rod Hanna, considerada a maior banda disco brasileira, criou o show Rod Hanna On Broadway – O Musical dos Musicais e se prepara para subir ao palco do Teatro Bradesco em 6 de novembro. “Sempre fomos conhecidos como a banda Disco do Brasil e, quando estivemos em Nova York, em 2011, vimos que o estilo tinha invadido a Broadway. Os musicais com tema Disco e sucessos dos anos 80 estavam fazendo muito sucesso por lá e eram muito nossa cara. Numa reunião com nosso empresário, Manoel Poladian, surgiu a ideia de juntar as melhores músicas dos melhores musicais”, conta Nora Hanna,

No show, os músicos interpretam canções presentes nos musicais Priscilla, Rainha do Deserto, Sister Act, Moulin Rouge, Mamma Mia, Fantasma da Ópera, A Bela e a Fera, Cats, Fame, Flashdance, Jersey Boys, Rock of Ages e Saturday Night Fever. “São muitos musicais e foi difícil separar alguns e deixar outros de fora. O show poderia ter três horas de duração, mas esperamos fazer o volume dois”, diz Nora. “Procuramos priorizar as musicas que as pessoas conhecem, para ficar um show interativo, cantante e dançante”, completa Rodrigo.

Foto: Tânio Borges

Foto: Tânio Borges

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Foto: Tânio Borges

Entrevista

Espetáculo: Vocês sempre gostaram de musicais ou foi um gosto adquirido durante a criação deste show? Nora: Sempre. Desde que víamos só no cinema, como foi com Grease, Flashdance e Dirty Dancing, que a gente nunca assistia uma só vez. Conhecemos a Broadway em 2003 e nos apaixonamos mais ainda pelo estilo. Além das músicas, vocês trouxeram a Broadway para os palcos também no cenário e no figurino. Como foi feita a produção desse show? Nora: Temos um diretor, Rico Fábio, que trabalha com Ney Matogrosso. O Rod concebeu o cenário e editou os vídeos. O figurino foi feito por Sandra Fukelman e outras peças compramos em Nova York mesmo. São sete trocas de figurino durante o show. Rodrigo: Algumas roupas são de Las Vegas também. Montamos um painel de led em perspectiva para simular a Times Square. Quais são os projetos da Rod Hanna para 2013? Vocês vão continuar levando esse show para outras cidades? Nora: Sim. Estreamos esse show em maio de 2012 e pretendemos rodar o país todo com ele em 2013. Como surgiu a ideia de montar uma banda disco? Nora: Foi bem sem querer. Rodrigo e eu tocávamos em bares da nossa cidade, Ribeirão Preto, e quando fomos fazer o primeiro teste pra tocar, precisamos ensaiar três músicas. Passamos no teste e o dono do bar disse que estrearíamos na semana seguinte. Precisávamos montar um repertório de quatro horas em uma semana.Como eu era apaixonada pela música Disco, pegamos essas canções que eu já sabia cantar e levamos para o bar. Isso foi em 1987, éramos adolescentes e nos destacamos, pois na época só se tocava MPB em bares. Quantos integrantes tem a Rod Hanna hoje? Nora: Para esse show On Broadway, estamos com 16 pessoas no palco e mais cinco na equipe técnica. Vocês já pensaram em atuar em algum musical? Nora: Eu tenho vontade, mas sei que pra isso precisaria estudar teatro e dança. O que eu sei fazer é cantar. Rodrigo: Eu nunca pensei. Não sou ator (risos). 36

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ROD HANNA INDICA Nora A Família Addams Eu indico A Família Addams, que vimos em Nova York com Brooke Shields no papel de Mortícia. Aqui é com a brilhante Marisa Orth. Rodrigo Priscilla, Rainha do Deserto Eu indico o Priscilla, pois de todas as remontagens em cartaz, é a que está mais perfeita e exatamente igual a original.


Caras novas

André Torquato

Foto: Acervo pessoal

Por Carine Medeiros e Lucas Azevedo

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ndré Torquato tem apenas 19 anos, mas já tem currículo de gente grande. Um dos protagonistas de Priscilla, Rainha do Deserto, o brasiliense já atuou em outras três grandes montagens e cada vez mais se consolida como uma das principais revelações do teatro musical nos últimos tempos. Em um bate papo com a Espetáculo, André contou detalhes sobre o musical, relembrou sua carreira e comentou a atual situação do teatro brasileiro. Confira essas e outras questões em nossa conversa com a jovem estrela: Espetáculo: Entre os quatro musicais que você já fez, qual personagem mais te marcou? André Torquato: Todos me marcaram de alguma maneira, mas acredito que o Adam, em Priscilla, tenha sido o mais importante até agora. Meu primeiro protagonista, meu primeiro papel cômico, minha primeira vez fazendo um musical no estilo 'franquia'. Foram muitos desafios e acho que são eles que tornam o papel marcante. Diferente de Gypsy, A Noviça Rebelde e As Bruxas de Eastwick, o Priscilla é uma produção que conta com uma equipe que veio totalmente de fora do Brasil. Quais foram os maiores desafios que você enfrentou para participar de uma montagem já estruturada? O que mais me impressionou foi a velocidade com que a peça foi levantada. Era muita informação em muito pouco tempo. Montamos todas as cenas, músicas e coreografias em menos de três semanas. É claro que não estava tudo realmente pronto, mas o 'esqueleto' do espetáculo já estava lá. Outro aspecto que eu achei que ia me incomodar foi que, como os diretores já tinham feito a peça mais de três vezes ao redor do mundo, imaginei que nós não teríamos liberdade para criar nossos próprios personagens, que iríamos ter que copiar o que os outros atores fizeram nas outras produções. Mas foi exatamente o contrário, tivemos uma liberdade imensa para criar, modificar, acrescentar, tudo em prol da história que estávamos contando, e nunca perdendo a essência do espetáculo. O que o seu personagem tem de diferente do interpretado por Guy Pearce nos cinemas? Acredito que a diferença mais aparente é o fato de eu ter 19 anos e todos os outros 'Adams' do mundo terem tido mais de 25, inclusive o Guy Pearce. Por conta disso, tivemos que deixar meu Adam com uma cara mais adolescente, o que não

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modifica nada na história, na verdade eu acho que isso só ajuda o público a entender melhor o processo de amadurecimento e transformação do personagem. Ele é mais inconsequente, infantil, deslumbrado e imaturo, ou seja, mais adolescente. O que surgiu primeiro, a vontade de cantar, dançar ou atuar? Comecei primeiro cantando e até hoje é a área que eu mais me sinto confortável. Com sete anos fiz um Curso de Verão na Escola de Música de Brasília e, a partir daí, não parei mais de cantar. A dança e o teatro vieram um pouco mais tarde, quando eu comecei a conhecer o teatro musical. No Brasil ainda existem muitas pessoas que nunca foram ao teatro. Em contraste a isso, os musicais estão cada vez mais conquistando seu espaço. Como você vê a situação atual do teatro brasileiro? O teatro musical é um gênero popular, as pessoas gostam de ir ao teatro para ver musicais. Mas grande parte das produções são grandiosas e exuberantes, e isso torna o ingresso caro. Com o crescimento do gênero no Brasil, começam a surgir novas produtoras com a finalidade de fazer montagens mais baratas para facilitar o acesso do público. Este ano estreou Godspell em São Paulo, uma produção pequena, mas muito bem montada e que recebeu muitas boas críticas e foi sucesso de público. Isso acaba trazendo ainda mais pessoas ao teatro e fazendo com que o gênero cresça ainda mais.

Foto: Acervo pessoal

Foi criado o Premio Ato Musical, que vai premiar os musicais em cartaz em 2012. É a primeira premiação exclusiva para musicais no Brasil. Isso é resultado do crescimento do gênero no nosso país. O que você acha que isso representa para o gênero? Qual a sua expectativa? Sempre senti falta de um prêmio específico para teatro musical. Não dá para comparar uma produção de teatro convencional com uma produção de musical. Nenhuma é melhor do que a outra e, apesar de ter vários aspectos semelhantes, são diferentes. Fico feliz que este prêmio tenha surgido para reconhecer o trabalho dos atores, cenógrafos, compositores, diretores e todas as pessoas que se dedicam a esse tipo específico de arte e torço para que o Prêmio Ato Musical seja um sucesso!

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ANDRÉ TORQUATO INDICA A Família Addams "É muito divertido e com um elenco absurdamente talentoso! Vale a pena conferir!"


ESPETテ,ULO A sua revista de teatro musical

Revista Espetáculo  

A “Revista Espetáculo” faz parte do projeto de conclusão de curso dos alunos do oitavo semestre de jornalismo da FIAM FAAM, Carine de Medeir...

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