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Documento de apoio técnico Junho de 2020

ROUND TABLE ON RESPONSIBLE SOY ASSOCIATION (RTRS)

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Este relatório foi encomendado por Round Table on Responsible Soy Association (RTRS) (“RTRS”) à 3Keel LLP, e não poderá ser copiado, exibido, distribuído, impresso, licenciado, alterado, publicado, reproduzido, vendido, transmitido nem utilizado para um trabalho derivado, ou usado de outro modo para fins públicos ou comerciais sem o prévio consentimento por escrito de RTRS.

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Conteúdo Introdução ............................................................................................................

4

Seleção dos fatores de conversão de soja .........................................................

6

Cálculo do equivalente de soja ............................................................................

8

Referências ........................................................................................................... 10 Apêndice I: Estudo da Universidade Austral ........................................................ 12 Apêndice II: Fontes de fatores de conversão disponíveis ao público ................. 60

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Introdução

Com a crescente conscientização da população em geral sobre os impactos ambientais e sociais da produção de soja, as organizações estão tendo um interesse mais ativo em garantir a aquisição de soja sustentável em suas cadeias de suprimentos. No entanto, diferentemente de outras commodities (como a madeira e o óleo de palma), a soja não costuma ser visível no produto final ou usada diretamente no processo de fabricação dos produtos, dificultando sua quantificação. Geralmente, os usuários de soja a jusante na cadeia pouco sabem do volume de soja usado em seus respectivos produtos, pois estão muito distantes dos principais produtores e comerciantes que lidam diretamente com a soja. Em vez disso, costumam comprar diversos produtos de soja ou produtos compostos que são pré-misturados com soja (por exemplo, ração para gado) ou que incorporam o farelo de soja na produção de produtos de origem animal (por exemplo, carne, ovos, leite). Mesmo os usuários diretos da soja geralmente compram produtos de soja já processados (por exemplo, óleo, farelo, casca) e podem não estar cientes do volume de grãos de soja produzidos para atender às suas necessidades. O Sistema de Fatores de Conversão da RTRS é uma ferramenta que visa elucidar o uso da soja e que pode ser usado pelos atores do setor da soja e outras partes interessadas. Utiliza um conjunto de fatores de conversão com base em pesquisas acadêmicas sobre o processamento da soja em vários produtos e cadeias de suprimentos para produzir uma pegada média equivalente de soja, independentemente do local de produção. Esses fatores de conversão definem quantas unidades de equivalente de soja foram usadas como insumo na produção de uma unidade de determinado produto. Há fatores de conversão disponíveis para diferentes produtos de soja, das rações balanceadas para consumo animal e dos alimentos para consumo humano. Ao calcular o fator de conversão de soja de determinado produto, há dois desafios distintos: 1. Quantos grãos de soja são necessários em cada produto de soja (óleo de soja, farelo de soja), das rações balanceadas para consumo animal e dos alimentos para consumo humano? 2. Como esse requisito pode ser refletido em toda a organização quando a produção ocorre em várias cadeias de suprimentos ao redor do planeta? Em relação ao primeiro desafio, a RTRS encomendou uma pesquisa da Universidade Austral para avaliar os requisitos e usos da soja em diversos produtos de soja. Quanto ao segundo desafio, a RTRS encomendou pesquisas sobre estudos existentes e disponíveis ao público que possam refletir melhor o uso médio da soja em diversos produtos (pecuária e outros). Este artigo traz os detalhes técnicos relativos à seleção dos fatores apresentados no Sistema de Fatores de Conversão da RTRS e os consolida em uma ferramenta - a Calculadora de Pegada de Soja. O artigo trata das principais decisões e fontes revisadas na compilação do conjunto de dados, com vistas a aumentar a transparência desta importante etapa na elucidação de quantos grãos de soja são necessários para satisfazer a demanda do mercado. Dois fatores de conversão são apresentados com base na maneira como se dá a demanda por soja: Alocação econômica – este método utiliza fatores de conversão que reconhecem múltiplos usos da soja e assume que qualquer um deles tem subprodutos associados que se aplicam em outros segmentos (por exemplo, a produção de lecitina dá como resultado, além da lecitina mesma, óleo, farinha e casca de

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soja). Portanto, este método utiliza o valor dos diversos produtos para representar de maneira clara que a demanda de soja nem sempre é impulsionada por um único produto em particular. Alocação da demanda – este método utiliza fatores de conversão que reconhecem o volume físico de soja necessário para fornecer o/os subproduto/s requerido/s pelo produto. Isso não leva em consideração os outros subprodutos incluídos também no processo de fabricação.

Tipo

Produto de soja

Ração para criações

Carnes (peso da carcaça)

Carnes (peso de varejo)

Produto

toneladas de soja por tonelada de produto Equivalente de soja (econômico)

Equivalente de soja (demanda)

Fonte primária

Farelo de soja (alta proteína)

0.870

1.389

Universidade Austral

Farelo de soja (baixa proteína)

0.870

1.274

Universidade Austral

Óleo de soja bruto (gomado )

1.720

5.000

Universidade Austral

Casca de soja

0.430

15.385

Universidade Austral

Óleo bruto se soja (degomado)

1.660

5.155

Universidade Austral

Lecitina de soja

2.470

166.667

Universidade Austral

Biodiesel

1.900

6.369

Universidade Austral

Glicerol

0.900

58.824

Universidade Austral

Óleo refinado

1.990

5.848

Universidade Austral

Gado (carne bovina)

0.076

0.10

Hoste (WUR)

Gado (Laticínios)

0.113

0.16

Hoste (WUR)

Peixes de criação

0.295

0.34

Profundo

Frango (botador)

0.121

0.14

Hoste (WUR)

Frango (carne)

0.235

0.26

Hoste (WUR)

Carne de porco

0.083

0.10

Hoste (WUR)

Carne bovina

0.292

1.546

Profundo

Carne de porco

0.345

1.536

Profundo

Frango

0.666

1.108

Hoste (WUR & IDH)

Peixes de criação

0.566

0.903

Profundo

Carne bovina

0.451

2.377

Profundo

Carne de porco

0.507

2.257

Profundo

Frango

0.756

1.257

Hoste (WUR & IDH)

Peixes de criação

0.642

1.025

Profundo

Ovos

0.533

0.881

Profundo

Leite

0.037

0.311

Profundo

Manteiga

0.241

2.034

Profundo

Queijo

0.182

1.532

Profundo

Chocolate

0.064

1.123

Profundo

Iogurte

0.040

0.335

Profundo

Creme

0.108

0.909

Profundo

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Seleção dos fatores de conversão de soja Existem vários estudos que identificam fatores de conversão relativos à soja, mas os fatores apresentados variam consideravelmente entre si. RTRS contratou a 3Keel LLP, uma consultoria especializada em sustentabilidade - para realizar um processo estruturado de revisão da literatura - incluindo o estudo sobre soja encomendado pela RTRS à Universidade Austral - para identificar os fatores mais adequados e disponíveis ao público para a RTRS, com base na necessidade de ter-se um único conjunto de fatores globais aplicável a todos os atores da cadeia de valor da soja. Esse processo, composto por cinco etapas, é descrito em mais detalhes nesta seção.

Identificação de fontes compatíveis

Seleção de estudos apropriados

Avaliação das fontes

Seleção dos fatores de cada estudo

Cálculo de fatores adicionais

Identificação das fontes As pesquisas foram realizadas com uma ampla gama de mecanismos de seleção acadêmicos e públicos (por exemplo, o Academic Search Complete) usando várias combinações de palavras-chave relevantes, como “conversão de soja”, “pegada”, “mistura de ração”. Cada fonte foi revisada e foi decidido se a fonte em questão era relevante e poderia conter um fator de conversão de soja adequado para uso pela RTRS. As referências na bibliografia também foram avaliadas, visando a inclusão de outras fontes relevantes.

Seleção de fontes para a avaliação Artigos que não incluem novos dados ou fontes (ou seja, que fazem referência apenas a outras fontes da literatura nos fatores apresentados), ou que foram substituídos posteriormente por versões mais atualizadas, foram retirados do processo de revisão.

Avaliação das fontes Foi criado um método objetivo de pontuação para avaliar a adequação de cada fonte. À luz dos requisitos da calculadora RTRS, os seguintes indicadores receberam notas em uma escala de 1 a 4:

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Indicador

Descrição

Transparência do método

O método e suas principais premissas são explicados?

Confiabilidade do método

Os dados e cálculos utilizados são adequados para produzir fatores precisos?

Confiabilidade das fontes

As fontes usadas são adequadas para produzir fatores precisos?

Aplicabilidade geográfica

Os dados utilizados abrangem uma ampla gama de países?

Frequência de uso

Com que frequência os fatores são citados por outras fontes?

Variedade de proteínas estudadas

Quantos fatores a fonte oferece para uso na calculadora RTRS?

Um resumo de cada fonte revisada e sua respectiva nota são apresentados no Apêndice.

Seleção de fatores para uso na calculadora RTRS Após a pontuação, foram aplicadas duas abordagens à seleção das fontes: 1) Disponibilidade limitada de fatores - quando existe apenas um fator de conversão para determinado tipo de proteína, ele foi utilizado. 2) Disponibilidade de vários fatores - as duas fontes com as maiores notas no processo de revisão da qualidade foram comparadas para identificar semelhanças e diferenças e a decisão é tomada com base nessas informações. Embora a listagem desses fatores tenha sido fruto de um processo objetivo, uma decisão subjetiva teve que ser tomada em alguns cenários nos quais os especialistas entenderam que um dos valores era mais adequado. De modo geral, não existe um conjunto de dados amplamente disponível que seja comparável ou um único fator representativo dos vários produtos sob revisão. Devido à variabilidade dos sistemas de produção, das rações para animais e dos tipos de espécies, entre outros, não é possível abarcar tudo o que existe no mundo em um único fator. No entanto, em vista dos interesses dos usuários e das informações que provavelmente já detêm sobre esses assuntos, os fatores selecionados são considerados adequados para as devidas finalidades. As organizações são incentivadas a trabalhar com suas respectivas cadeias de suprimentos para entender melhor sua pegada específica de soja, como parte de ações mais amplas de engajamento em prol da produção sustentável de soja.

Cálculo de fatores adicionais Para alguns produtos, não foi possível selecionar um fator com base nas pesquisas existentes e disponíveis. Pode ter sido porque não havia fatores (por exemplo, no caso do chocolate) ou porque as premissas adotadas pelas pesquisas existentes para calcular o fator de conversão de um laticínio (por exemplo, queijo, manteiga) foram consideradas não representativas das práticas reais de produção. No primeiro caso, um fator de conversão foi calculado usando o volume médio de ingredientes de soja e ração de gado em uma unidade do produto, com base nas especificações de diversas variedades de chocolate. Essas informações foram, então, combinadas com os fatores de conversão existentes (ou seja, do leite) para chegar-se a um fator de conversão para o chocolate. Nesse último caso, foram utilizadas as diretrizes da Dairy UK, DairyCo e Carbon Trust (2010) para alocar os impactos aos diversos laticínios. Tal alocação é baseada no percentual de massa seca de cada laticínio, que se correlaciona ao valor econômico. Nesse método, laticínios com altos percentuais de massa seca têm uma pegada de soja mais alta do que aqueles com baixos percentuais de massa seca.

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Cálculo do equivalente de soja De acordo com os fatores de conversão na literatura, a maioria das rações para animais utilizava vários produtos de soja em sua produção. Os produtos mais utilizados são farelo, casca e óleo de soja e soja integral. Cada um tem suas próprias qualidades e usos específicos; portanto, embora as pesquisas existentes sobre fatores de conversão considerem cada um deles igualmente (à exceção do casca que geralmente é considerado um subproduto), os fatores da calculadora RTRS vão além e refletem as diferenças entre cada produto de soja. Para definir o que constitui um subproduto - e, portanto, um impulsionador da produção de soja - são fornecidas duas pegadas diferentes.

Alocação da demanda O modelo de demanda usado na alocação de produtos de soja ajuda a entender a demanda quando um determinado produto de soja representa apenas uma pequena parcela da produção decorrente do processamento da soja, mas utiliza uma grande quantidade de soja. Essa abordagem elucida a demanda real por soja e é útil para ilustrar o volume real de soja que é necessário produzir para criar determinado produto.

Óleo bruto 0.200 toneladas

Farinha de soja (hi pro) 0.720 toneladas

Óleo bruto

Biodiesel

0.194 toneladas

0.157 toneladas

Lecitina de soja 0.006 toneladas

Glicerol 0.017 toneladas OU

1 tonelada de soja

Pellets de casca 0.065 toneladas

Óleo de soja refinado 0.171 toneladas

Figura 1. Produtos de soja derivados do processamento (processo de alta proteína). Reproduzido de «Soybean conversion factors' ('fatores de conversão da soja')» da Universidade Austral. Para informar os equivalentes de soja de diferentes produtos de soja, a RTRS encomendou à Universidade Austral um modelo sobre os volumes de produto de soja produzidos por cada 1 tonelada de soja. Os resultados desse modelo foram usados para calcular o equivalente de soja referente a cada produto de soja, dividindo 1 pelo volume de cada produto de soja que pode ser obtido após o processamento de uma unidade de soja. Os valores são usados, principalmente, no processo de alta proteína e não no de baixa proteína, pois dessa forma a casca é incluído. Esses valores aparecem na Figura 1.

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Produto de soja

Toneladas de produto de soja por tonelada de soja

Toneladas de equivalente de soja por tonelada de produto de soja

Farelo de soja de alta proteína

0.72

1.39

Farelo de soja de baixa proteína

0.79

1.27

Óleo de soja bruto (gomado)

0.20

5.00

Casca

0.07

15.38

Lecitina de soja

0.01

166.67

Óleo de soja bruto (degomado)

0.19

5.15

Óleo refinado de soja

0.17

5.85

Biodiesel

0.16

6.37

Glicerol

0.02

58.82

O usuário da calculadora pode querer usar esse modelo porque ele é transparente e apresenta um vínculo claro com a quantidade de soja necessária para produzir determinado produto de soja. No entanto, este modelo pode exibir um requisito de demanda desproporcionalmente elevado para produtos de baixo valor (por exemplo, casquinha de soja) ou que produzem pouco produto por unidade de soja (por exemplo, lecitina). Também ignora o valor das outras partes da soja passíveis de uso após o processamento.

Alocação econômica Há dois princípios por trás do modelo econômico de alocação de produtos de soja: 1. A produção de soja é impulsionada pelos produtos de soja que concentram a maior parcela do valor dos produtos produzidos com uma tonelada de soja. 2. O equivalente de soja de todos os produtos derivados de uma tonelada de soja deve somar uma tonelada de equivalente de soja. Para fundamentar o modelo, informações sobre a quantidade de cada produto de soja que pode ser produzida por tonelada de soja foram usadas no modelo da Universidade Austral. Foram usadas várias fontes diferentes para informar o valor econômico de cada produto, conforme mostra a tabela abaixo, e essas alocações variam periodicamente de acordo com as oscilações do mercado. O método de cálculo do equivalente econômico da soja é ilustrado a seguir, usando a equação abaixo. O valor dos produtos após o processamento de uma tonelada de soja varia dependendo do produto, já que os produtos podem variar dependendo do processo de produção utilizado, conforme mostra a Figura 1.

Equivalente de soja do produto de soja =

Valor de uma t de produto de soja Valor do produto depois do processamento de uma t de soja

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Produto de soja

Fonte

$/t produto de soja

$ / t de soja após o processamento

t de equivalente de soja por t de produto de soja

Óleo de soja bruto (gomado)

Índice de Commodities do FMI

705

410

1.72

Farelo de soja

Índice de Commodities do FMI

357

410

0.87

Casca de soja

Kroes & Kuepper

185

410

0.43

Lecitina de soja

Procedimento de Fusão da UE

1,000

405

2.47

Óleo bruto (degomado)

Indexmundi

671

405

1.66

Biodiesel

Neste

761

417

1.90 0.90 1.99

Glicerol

Oleoline

360

400

Óleo refinado

Agriwatch

830

400

O usuário da calculadora pode querer usar esse modelo porque ele reconhece o valor dos diversos produtos de soja utilizados. No entanto, existe a possibilidade de que esse modelo possa gerar requisitos de demanda enganosos em relação à soja quando os produtos de alto valor não impulsionam a demanda.

Referências Agriwatch (2019) Soy oil. Disponível em: http://www.agriwatch.com/edible-oils/soyoil-soybean-oil/. Austral University (2019) Soybean conversion factors. CGF (2016) Calculation guidelines for the measurement of embedded soy usage in consumer goods businesses. Disponível em: https://www.theconsumergoodsforum.com/wp-content/ uploads/2017/10/201605-CGF-and-KPMG-Soy-Measurement-Guidance-Final-1.pdf. Commission of the European Communities (2006) REGULATION (EC) No 139/2004 MERGER PROCEDURE. Disponível em: https://ec.europa.eu/competition/mergers/cases/decisions/ m3975_20060329_20682_en.pdf. Dairy UK, DairyCo and Carbon Trust (2010) Guidelines for the Carbon Footprinting of Dairy Products in the UK. Disponível em: https://dairy.ahdb.org.uk/resources-library/research-development/environment/carbonfootprinting-dairy-products-in-the-uk/#.Xt4jwmhKjZs. ECVC and Eco Ruralis (2018) The trouble with soy. Disponível em: https://www.eurovia.org/wp-content uploads/2018/08/Report-The-trouble-with-soy-2018-compressed.pdf. Efeca (2018) UK Roundtable on Sustainable Soya: Baseline study 2018. Disponível em: http://www.efeca. com/wp-content/uploads/2018/11/UK-RT-on-Sustainable-Soya-baseline-report-Oct-2018.pdf. FAO (2006) Livestock’s long shadow. Disponível em: http://www.fao.org/3/a-a0701e.pdf. Friends of the Earth (2008) What’s feeding our food? Disponível em: https://friendsoftheearth.uk/sites/ default/files/downloads/livestock_impacts.pdf. Hoste (Waginengen Economic Research & IDH) (2016) Soy footprint of animal products in Europe. Disponível em: https://edepot.wur.nl/391055. Hoste (Waginengen Economic Research) (2014) Sojarverbruik in de Nederlandse diervoederindustrie 20112013. En: https://edepot.wur.nl/316027. Hoste and Bulhuis (Waginengen Economic Research) (2010) Sojaverbruik in Nederland. Disponível em: http://edepot.wur.nl/157676.

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IDH (2019) European Soy Monitor. Disponível em: https://www.idhsustainabletrade.com/ uploaded/2019/04/European-Soy-Monitor.pdf IMF (2019) Commodity Prices. Disponível em: https://www.imf.org/en/Research/commodity-prices. Indexmundi (2019) Commodity price indices. Disponível em: https://www.indexmundi.com/ commodities/?commodity=soybean-oil. Jennings, Sheane and McCosker (3Keel) (2017) Deforestation and social risks in the UK’s commodity supply chains. Disponível em: https://www.wwf.org.uk/sites/default/files/2017-10/Risky%20Business%20-%20 October%202017.pdf. Kroes and Kuepper (Profundo) (2015) Mapping the soy supply chain in Europe. Disponível em: https:// wwfeu.awsassets.panda.org/downloads/mapping_soy_supply_chain_europe_wwf_2015.pdf Neste (2019) Biodiesel prices (SME & FAME). Disponível em: https://www.neste.com/corporate-info/ investors/market-data/biodiesel-prices-sme-fame. Oleoline (2018) Glycerine market report. Disponível em: http://www.hbint.com/datas/ media/590204fd077a6e381ef1a252/sample-quarterly-glycerine.pdf. Schreiber, Villa Garcia & Allen (3Keel) (2019) Moving to deforestation free animal feed. Disponível em: https://www.3keel.com/wp-content/uploads/2019/10/3keel_soy_report_2019.pdf Sustainable Food Trust (2017) Are dairy cows and livestock behind the growth of soy in South America? Disponível em: https://sustainablefoodtrust.org/articles/dairy-cows-livestock-behind-growth-soya-southamerica/. Van Gelder, Kuepper & Vrins (Profundo) (2014) Soy barometer 2014: A research report for the Dutch Soy Coalition. Disponível em: https://www.bothends.org/uploaded_files/inlineitem/1Background_research_ report_Soy_Barometer_2014.pdf. WWF (2014) The Growth of Soy. Disponível em: http://awsassets.wwfdk.panda.org/downloads/wwf_soy_ report_final_jan_19.pdf.

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Apêndice I

Estudo da Universidade Austral

Fatores de conversão da soja Professores Roberto Feeney e Sergio Grossman 4 de abril de 2019

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O presente documento é de propriedade exclusiva de Round Table on Responsible Soy Association (RTRS) “(RTRS)”. As informações e materiais nele contidos não poderão ser copiados, exibidos, distribuídos, impressos, licenciados de qualquer forma, modificados, publicados, reproduzidos, vendidos, transmitidos, usados para criar obras ou trabalhos derivados ou usados para fins públicos ou comerciais. Qualquer reprodução, cópia, alteração, modificação ou uso indevido das informações e materiais contidos neste documento sem autorização prévia e por escrito de RTRS é proibido e configura crime. Todos os diagramas, tabelas, gráficos, informações, materiais, conteúdos, imagens e textos incluídos ou exibidos neste documento ou a ele relacionados estão devidamente registrados e seu uso é de propriedade exclusiva de RTRS. A reprodução total ou parcial por qualquer meio é, portanto, proibida. A propriedade exclusiva deste documento é de RTRS e é protegida pela Lei de Direitos Autorais N° 11.723. A alteração - total ou parcial - ou distorção, reprodução ou exibição pública deste trabalho sem a autorização expressa e por escrito de RTRS configura crime, tipificado na legislação vigente e em convenções e tratados internacionais de direitos autorais.

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Índice Introdução e objetivos

15

Capítulo I: elementos chave na conversão da soja

17

A soja Composição do grão de soja Qualidade industrial do grão de soja Elementos chave na conversão da soja

17 19 20 22

Capítulo II: processo industrial da soja

23

Primeira industrialização da soja Subetapa de recepção Subetapa de preparação Subetapa de extração Segunda industrialização da soja Neutralização Transesterificação

25 25 27 30 34 34 34

Capítulo III: fatores de conversão

36

Medição dos fatores de conversão Elementos chave dos fatores de conversão Perdas do processo Determinantes dos rendimentos

36 36 37 37

Capítulo IV: subprodutos da soja e seus usos na indústria alimentar, cosmética, farmacêutica e energética Óleo bruto Farinha de soja Pellet de casca de soja Lecitina de soja Biodiesel Glicerol Óleo de soja refinado

41 41 41 42 43 44 45 45

Síntese

47

Anexos

49

Anexo 1: sobre a Universidade Austral Anexo 2: sobre os autores

49 51

Glossário

53

Fontes de informação

55

Referências bibliográficas Outras fontes de informação

55 59

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Introdução e objetivos A soja tem se tornado um dos produtos agrícolas mais relevantes e rentáveis do mundo, sendo o quarto cultivo mais importante tanto pela extensão da área semeada quanto por sua produção1 (FAOSTAT, 2019). O grão de soja é uma fonte rica de proteínas, óleo e energia metabolizável (e tem baixo preço), dessa forma, o óleo e a farinha de soja tornam-se os dois principais componentes econômicos (Patil et al, 2017). Seu valor radica em que é um componente de alimentos balanceados para a ração de aves, porcinos e bovinos. É utilizado também como ingrediente em produtos alimentícios e como matéria-prima para a produção de biocombustíveis e óleos (USDA, dezembro de 2018). A produção mundial de soja tem aumentado significativamente nos últimos 10 anos: de 212 milhões de toneladas produzidas em 2008 passou para 360 milhões, em 2018, com um uso aproximado de 125 milhões de hectares de terras no mundo para sua produção. Os Estados Unidos da América são o principal produtor de soja do mundo, com 35% aproximadamente do volume da produção anual (120 milhões de toneladas anuais, em média). O bloco do Mercosul, formado pelo Brasil, Argentina, Paraguai, Bolívia e Uruguai produz quase 55% do total mundial. O Brasil lidera com uma produção média anual de aproximadamente 115 milhões de toneladas, seguido da Argentina, com 55 milhões de toneladas, Paraguai 10 milhões, Uruguai 5 milhões e Bolívia 2,7 milhões (USDA, dezembro de 2018). A soja se utiliza, fundamentalmente, para a moagem ou crushing industrial, processo pelo qual, numa primeira etapa de industrialização, efetua-se a transformação em subprodutos como óleo e farinha2. O volume da produção industrial destes subprodutos da soja é liderado pela China, Estados Unidos, Brasil e Argentina. A China, o quarto produtor mundial de grão de soja, com 16 milhões de toneladas, processou uns 90 milhões em 2018. Ou seja, a China é o grande demandante e importador do grão de soja para sua transformação industrial. Na primeira industrialização, nas plantas de moagem se obtêm como subprodutos, óleo bruto, farinha, pellet de casca e lecitina. Na segunda industrialização, são obtidos o biodiesel, o glicerol e o óleo refinado. Tanto a lecitina quanto o glicerol são utilizados como ingredientes num amplo leque de mais de 1000 produtos alimentícios, além de muitos outros de aplicação industrial e farmacêutica. No presente trabalho foram estudados e analisados os fatores de conversão da soja nos diferentes subprodutos, ou seja, os rendimentos dos processos industriais da soja, expressados em percentagens. Para isso, foram analisadas cada uma das etapas dos processos produtivos (capítulo II) e foram calculados os fatores de conversão (capítulo III). Completou este trabalho de pesquisa uma resenha sobre as características e usos principais dos subprodutos do grão de soja (Capítulo IV).

¹ Na frente, estão a produção de milho, trigo e arroz. ² Aqui utilizamos os termos genéricos de óleo e farinha. Depois, no desenvolvimento do trabalho, serão explicadas as diversas características técnicas do óleo e da farinha.

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A metodologia aplicada neste estudo consistiu em levantar informação de diversas fontes, realizar consultas com especialistas e professores com diferentes visões e localizados em diversos pontos geográficos, especialmente na Argentina, Brasil, Estados Unidos e Europa. Também foram realizadas entrevistas com técnicos especializados em temas de qualidade de sementes e estabelecimentos de moagem de soja, renação e obtenção de biocombustíveis. Este levantamento se completou com uma extensa revisão bibliográfica que abordou temas como: qualidade de sementes, tecnologias de obtenção e processamento de óleos e aplicações de produtos derivados da soja. Finalmente, os dados obtidos foram validados através do cruzamento da informação bibliográfica e dos conhecimentos empíricos dos especialistas entrevistados. Desta forma, o trabalho conclui baseado em cinco pilares fundamentais: a bibliografia, a academia, os especialistas, a indústria da moagem e as instituições intermediárias³ que forneceram informação essencial para o cálculo rigoroso e representativo de cada um dos fatores de conversão da soja. Como será explicado ao longo deste documento, os processos industriais de transformação da soja estão padronizados, e o equipamento das plantas de moagem tem características similares entre si. Entretanto, foi necessário considerar o impacto da diversidade geográfica, já que ela tem influência na qualidade industrial dos grãos de soja e nos rendimentos dos diversos subprodutos. Por isso, os dados denitivos são valores médios e representativos que sintetizam os resultados obtidos em diversas regiões do planeta.

3

Vide fontes de informação /outras fontes consultadas.

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Capítulo I

Elementos chave na conversão da soja A soja La soja é uma planta que pertence à família das leguminosas. Esta família está composta por um amplo conjunto de plantas cuja característica distintiva é a de formar como fruto uma bainha, no interior da qual se encontram os grãos. Na maturidade, o fruto se abre longitudinalmente em duas valvas para permitir a dispersão dos grãos. As leguminosas têm a vantagem de poder captar nitrogênio do ar, fator que contribui para o crescimento da planta e para o enriquecimento nutricional do solo. As leguminosas mais conhecidas são a ervilha, o grão-de-bico, a lentilha, o amendoim e a soja. A soja é considerada uma leguminosa especial, porque o grão é uma rica fonte de proteínas, aminoácidos essenciais e energia metabolizável (Bureau of Plant Industry). A planta da soja, em geral, alcança uma altura de um metro aproximadamente, e se desenvolve durante 80 a 150 dias desde o plantio até a colheita, dependendo da variedade de semente de soja utilizada. A planta é colhida quando alcança a maturidade e as condições necessárias. A maturidade se verifica através da mudança de cor das bainhas, que de verde passam para o pardo. Isso ocorre paulatinamente, das bainhas inferiores para as mais altas, com poucos dias de diferença. No início da maturidade, as folhas começam a car amarelas, separam-se da planta e só as bainhas permanecem. Quando os grãos vão amadurecendo deixam de crescer e sua umidade se reduz de 60% aproximadamente para um valor entre 13% e 15%, que é um nível de umidade adequado para a operação da colheita no campo (Biblioteca de la Agricultura, 1997).

Planta de soja

ROUND TABLE ON RESPONSIBLE SOY ASSOCIATION (RTRS)

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A bainha é o fruto da soja; é larga, peluda e aplainada, mede aproximadamente 6 a 10 cm de comprimento, sua cor é amarela quase marrom quando está completamente madura e seca. A bainha pode conter entre 1 e 5 grãos, mas as variedades mais comuns contém entre 2 e 3, de cor amarela, preta ou verde (Bureau of Plant Industry).

Vagem da planta de soja

Os grãos de soja têm forma arredondada e um pequeno o ou mancha marrom, que é uma marca que permanece depois de se separar da vagem. Seu peso aproximado é de 120 a 180 miligramas e mede entre 5 e 11 milímetros. O grão é formado, principalmente, pela casca e pelo núcleo. A casca pesa entre 7% e 8% do peso total do grão. O núcleo contém os tecidos de armazenamento do grão, compostos por células cheias, sobretudo, de proteína e óleo (Bair, 1979).

Grano de soja

ROUND TABLE ON RESPONSIBLE SOY ASSOCIATION (RTRS)

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Composição do grão de soja O grão de soja está composto por 20% de óleo e 40% de proteínas. A maior parte do conteúdo de proteína e óleo está armazenada nas organelas, chamadas corpos proteicos e corpos de óleo (Campbell, 2011). O óleo dentro de uma célula de soja consiste em milhares de pequenos corpos de óleo aderidos dentro da parede celular e fora dos corpos proteicos. Os corpos proteicos são relativamente grandes (2 a 10 mícrones de diâmetro) e têm uma forma quase esférica, enquanto que o óleo se encontra em estruturas muito menores (aproximadamente 0,2 - 0,5 mícrones de diâmetro) (Bair, 1979).

Estrutura de um grão de soja (Kemper, 2005)

1 2

2 3

4

1

Parede celular

2

Corpos proteicos

3

Carboidratos, cinzas

4

Corpos de óleo

ROUND TABLE ON RESPONSIBLE SOY ASSOCIATION (RTRS)

CW: Cell wall, parede celular PSV: Protein storage vacuoles, corpos proteicos OB: Oil bodies, corpos de óleo N: Nucleus, núcleo UN: Nucleolus, nucléolo *: Intercellular spaces, espaço intercelular

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Qualidade industrial do grão de soja A qualidade industrial do grão de soja se define como a quantidade de óleo e de proteína contidos no interior, medidos como percentual do peso total (Francioni, 2010). O conteúdo de proteína se correlaciona negativamente com o rendimento da soja, mas a relação entre conteúdo de óleo e rendimento da soja é positiva. Portanto, existe uma tendência a que haja uma relação inversa entre o conteúdo de óleo e de proteína, e esta associação diculta o desenvolvimento produtivo dos grãos com altos conteúdos simultâneos de proteína e óleo; (Rotundo, 2009; Da Silva Rodrígues et al., 2014; Dhungana et al, 2017. Em síntese, quanto maior for o rendimento da soja, menor será o conteúdo proteico e maior o conteúdo de óleo; quanto menor for o rendimento da soja, maior será o conteúdo proteico e menor o conteúdo de óleo. As concentrações de óleo e proteína são o resultado de diversas variáveis às quais a planta se vê submetida durante o ciclo da cultura. São três os fatores que intervêm na produção da cultura de soja: 1) ambientais, 2) genéticos e 3) o manejo da cultura; este último é o único fator suscetível de ser controlado ou modicado pelo produtor agropecuário (Bellaloui, 2011).

Fatores ambientais A temperatura tem maior efeito sobre o percentual de conteúdo de óleo que sobre a proteína. Quando aumenta a temperatura, são esperáveis aumentos no percentual de óleo durante o enchimento dos grãos, nas últimas etapas de crescimento da planta de soja, com ideais térmicos entre 25° e 28º graus centígrados. Também há quedas no percentual de proteína quando a temperatura desce para valores inferiores a 20º grados centígrados, com incrementos, à medida que aumenta a temperatura durante o preenchimento do grão de soja (Francioni, 2010; Thuzar et al., 2010; Dardanelli et al., 2006; Cuniberti et al. 2004). O estresse hídrico afeta de forma negativa tanto o rendimento quanto a quantidade de proteína e a quantidade de óleo contida no grão. Este fator ambiental, porém, não diminui na mesma medida que esses dois componentes. Frente ao estresse hídrico, o percentual de proteína é maior que o percentual de óleo (Rotundo, 2009; United Soybean Board, 2018). Outro fator ambiental é a latitude. À menor latitude, tanto o percentual de óleo quanto o de proteína tendem a ser superiores, com relação aos observados em latitudes maiores. A luminosidade também impacta com uma correlação positiva na quantidade de óleo durante o amadurecimento dos grãos de soja. A disponibilidade de nitrogênio na planta é um fator determinante do conteúdo de proteína que o grão de soja terá no momento de preenchimento de seus corpos proteicos. Com frequência, esta obtenção de nitrogênio se realiza através de um processo pelo qual a planta de soja captura o nitrogênio do ar através de uma associação simbiótica entre suas raízes e as bactérias do solo (Rotundo & Westgate, 2009).

Fatores genéticos As variedades que se cultivam em muitos países provêm de programas de melhoria cujo objetivo é aumentar o rendimento por hectare e criar resistência às doenças, mas não buscam incrementar o percentual de proteína e o percentual de óleo. Por isso, o percentual de proteína caiu substancialmente com o aumento dos rendimentos da soja.

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Fatores de manejo da cultivo Entre os fatores de manejo da cultura da soja, tem especial inuência a data de plantio. À medida que o plantio é adiado (de novembro a janeiro, no hemisfério sul, e de abril a junho, no hemisfério norte) vericam-se relações positivas com o percentual de proteína e relações negativas com o percentual de óleo. Tem influencia também o grupo de maturidade da soja. Por grupo de maturidade entende-se a duração do ciclo da cultura. Estes grupos se situam, habitualmente, entre os níveis II-III até os superiores, VIII-IX. Os grupos de numeração mais baixa são os mais precoces, os de numeração mais alta têm um ciclo de crescimento mais extenso. A escolha do grupo de maturidade dependerá da latitude do local de produção, da potencialidade do ambiente e da data de plantio. É possível armar que existe uma tendência a obter maior percentual de proteína e menor de óleo nos grupos de maturidade mais extensa (Dardanelli et al., 2006). A combinação destes três fatores – genéticos, ambientais, e de manejo - faz com que a composição da proteína e do óleo do grão seja diferente dependendo da localização geográfica das culturas, sendo o fator genético o mais importante. Por exemplo, as pesquisas que estudam a qualidade comparativa entre os países produtores de soja mostram que a soja e a farinha de soja dos Estados Unidos têm uma percentagem de proteína mais baixa que a do Brasil, mas é mais alta que a da Argentina (Thaku et al., 2010; Karr-Lilienthal et al., 2004). De acordo com dados do United Soybean Board (2018), para a soja dos Estados Unidos, entre os anos 2008 e 2017, a percentagem de proteína do grão alcançou uma média de 34,56% (com 13% de umidade), enquanto que a concentração de óleo chegou a uma média de 18,87%. Com relação à qualidade da soja na Argentina, entre os anos 2008 e 2018 se observou que o percentual médio de proteína era de 32,58% (com 13% de umidade) e de 22,98% de óleo (Cuniberti, 2018). No caso do Brasil, para os anos 2012/13 a 2016/17, os valores médios são de 37,10% de proteína e 20,12% de óleo. A comparação de valores é apresentada na seguinte tabela.

Comparação da qualidade da soja Campanha

Argentina

Estados Unidos

Proteína

Óleo

Proteína

Óleo

2008 (2008/09)

34,28

22,00

34,10

19,10

2009 (2009/10)

33,58

22,90

35,30

18,60

2010 (2010/11)

34,02

23,30

35,00

18,60

2011 (2011/12)

32,32

22,70

34,90

18,10

2012 (2012/13)

32,28

22,20

34,30

2013 (2013/14)

32,36

21,70

2014 (2014/5)

32,45

23,90

Brasil* Proteína

Óleo

18,50

38,00

38,00

34,70

19,00

37,50

37,50

34,40

18,60

37,00

37,00 36,50

2015 (2015/16)

32,53

24,40

34,30

19,80

36,50

2016 (2016/2017)

31,84

23,30

34,50

19,30

36,50

36,50

2017 (2017/18)

30,10

23,40

34,10

19,10

Média dos 5 últimos anos

31,86

23,34

34,40

19,16

37, 10

20, 12

Média dos 10 últimos anos

32,58

22,98

34,56

18,87

(Base de umidade 13%) Fontes: Braga (2017), Cuniberti (2018), e USCC (2018)

* Valores aproximados com base em Braga et al, APROSOJA (2017)

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Elementos chave na conversão da soja A quantidade de farinha, óleo, pellet de casca e lecitina obtida a partir do primeiro processamento na planta de crushing ou moagem é influenciada por uma série de elementos que se resumem nesta seção. As três variáveis com maior impacto nos fatores de conversão da soja são: 1) o processo industrial; 2) a gestão das operações; 3) a qualidade da semente plantada e, portanto, a qualidade da matéria-prima (o grão) obtida para a industrialização. A primeira variável é o processo industrial, no qual incidem a tecnologia e o ambiente e também a qualidade dos diversos subprodutos exigida pelo mercado. Os avanços tecnológicos, a automação dos processos, máquinas e equipamentos deram lugar a importantes avanços na indústria, que outorgam, fundamentalmente, confiabilidade e padronização de processos e produtos nais. Estes parâmetros tem impacto direto na qualidade nal dos produtos industriais obtidos (Bailey, 1996). O segundo fator de alto impacto é a gestão das operações. Sobre este fator tem maior incidência a implementação das decisões sobre os processos e a manutenção dos equipamentos por parte dos diretivos da planta industrial. Com relação à gestão das operações, as gerências de qualidade também devem velar pelas certicações de inocuidade, a fim de eliminar os riscos físicos (metais), químicos (contaminantes) e biológicos (salmonela, fundamentalmente, transmitida pelos pombos). Essas gerências de qualidade cuidam também do cumprimento dos padrões comerciais exigidos pelo cliente: umidade, conteúdo proteico, perl de aminoácidos, conteúdo de fibra e composição de carboidratos, entre outros. Também devem controlar o cumprimento das normas comerciais da Grain and Feed Trade Association (GAFTA) para as farinhas e da Federation of Oils, Seeds and Fats Associations (FOSFA) para os óleos. A qualidade da semente, como última variável, depende das decisões que o produtor toma no momento do plantio. A base genética da semente selecionada é fundamental para o conteúdo nal de subprodutos básicos como o óleo e a farinha.

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Capítulo II

Procceso industrial da soja O processo de transformação da soja se divide em duas grandes etapas: A primeira industrialização ou moagem na qual se obtém óleo, farinhas, pellet de casca e lecitina; e uma segunda etapa, que permite obter, biodiesel como principal subproduto, e glicerol como subproduto secundário, e também óleo refinado. Recepção Preparação PRIMEIRA INDUSTRIALIZAÇÃO

Extração

Óleo bruto degomado

Lecitina

Farinhas

SEGUNDA INDUSTRIALIZAÇÃO

High Pro

ou

Casca

Low Pro

Preparação (Neutralização)

Biodiesel

Gliserol

ou

Óleo refinado

Planta de moagem da soja - Terminal 6

ROUND TABLE ON RESPONSIBLE SOY ASSOCIATION (RTRS)

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Recepção Grão de soja Entrega e amostragem Pasaje y descarga Pesagem y descarga Pré-limpeza Segundo armazenamento em silo pulmão

PRIMEIRA INDUSTRIALIZAÇÃO

Preparação Condicionamento

Quebra

Laminação

Peletização da casca

Extrusão*

Extração

Miscela**

Sólido

Evaporação

Dessolventização e tostagem

Degomagem

Secagem

Secagem

Moliendo

Óleo bruto degomado

Lecitina***

Farinha

High Pro

SEGUNDA INDUSTRIALIZACIÓN

Aspiração

Quebra e aspiração

ou

Pellet de casca de soja

Low Pro

Preparação (Neutralização)

Transesterificação

Biodiesel

Glicerol

Branqueamento

Desodorização

Óleo refinado

* A extrusão ou expansão é um processo alternativo, não imprescindível; serve para melhorar o processo de extração. ** A miscela é a mistura do óleo com o hexano (solvente). *** A lecitina é um produto opcional.

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Primeira industrialização da soja A etapa de moagem é um processo composto por três subetapas: recepção, preparação e extração.

Subetapa de recepção A recepção é o processo de chegada do grão de soja à planta industrial. Esta subetapa inclui: entrega e amostragem do grão, pesagem e descarga, primeira armazenagem, pré-limpeza e segunda armazenagem num silo pulmão (Bailey, 1996).

Entrega e amostragem A recepção dos grãos começa com o trâmite administrativo de entrega, realizada pelo responsável do transporte. Uma vez apresentada a documentação requerida, segue o controle de qualidade dos grãos. Para isso, é necessário obter amostras dos caminhões, vagões, barcaças ou navios, dependendo do transporte que corresponda, a fim de que sejam representativas do total da carga, já que os resultados nais irão abranger toda a quantidade recebida. O resultado desses testes será a base para determinar o valor econômico da totalidade da carga. As amostras se obtêm mediante a utilização de um calador de grãos, que consiste em uma sonda que é introduzida nas sacarias e permite retirar amostras que representem a totalidade da carga. Mediante a aplicação de tabelas e ábacos, os resultados obtidos são estendidos para toda a carga e se estabelecem, no caso de corresponder, descontos decorrentes da qualidade comercial. A amostragem é uma prática fundamental depois da colheita, já que, sem conhecer as condições do grão, será difícil processá-lo corretamente na indústria (Abadía, 2012). Cada país possui normas próprias de comercialização da soja, variando levemente as taxas permitidas de impurezas, mas mantendo as características exploradas no teste de recepção. A base de comercialização determina em geral os seguintes parâmetros: peso hectolitro, matérias estranhas, grãos pretos, grãos quebrados e/ou partidos, grãos danificados, grãos verdes, frutos ou folhas de plantas estranhas (estramônio) e insetos ou aracnídeos vivos (Abadía, 2012; Bolsa de Comércio de Rosário, 2008; Guinn, 2002). Um dos parâmetros mais importantes analisados na recepção de grãos é o percentual de umidade, calculado como a relação entre a massa de água e a massa do grão (Abadía, 2012). O grão de soja tem um conteúdo de umidade natural entre 12% e 15% (Dorsa, 2008). É habitual que o grão seja recebido na indústria com um percentual de umidade de 13% a 13,5% (Bolsa de Comércio de Rosário, 2008), embora este valor varie levemente dependendo da norma de comercialização de soja de cada país. As reduções que ocorrerão até o nal do processo dependerão, principalmente, deste percentual de umidade do grão ao chegar à planta industrial; por essa razão, as normas são rigorosas quanto a seu cumprimento. A secagem do grão antes de enviá-lo para a planta industrial representa um custo adicional para o produtor. Entretanto, o excesso de umidade implica importantes descontos, dependendo da norma de aplicação que corresponder, portanto, para o produtor, trata-se de um delicado equilíbrio entre custo e qualidade. A avaliação do cumprimento destas normas é feita por um perito classicador, conforme um protocolo de amostragem pré-estabelecido.

ROUND TABLE ON RESPONSIBLE SOY ASSOCIATION (RTRS)

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Pesagem e descarga Esta operação se realiza para determinar com precisão a quantidade de toneladas de grãos recebidos. O procedimento difere em função do modo de transporte através do qual o grão chega à planta industrial e da infraestrutura que ela tiver, sendo possível a utilização de básculas convencionais até sistemas de pesagem de uxo continuo (o primeiro é um sistema de pesagem estática convencional, já o segundo é um processo dinâmico que permite realizar a pesagem durante a descarga). Quando se utiliza o transporte por terra, a soja é descarregada por gravidade e é deslocada por meio de esteiras transportadoras dos silos e para os silos, e para a área de processamento. Quando se utiliza o transporte fluvial ou marítimo, a descarga se realiza por meio da aspiração do grão ou mecanicamente, através de equipamentos de captura da matéria-prima e posterior deslocamento até a tremonha de descarga. Essa tremonha está conectada a esteiras transportadoras, que levam a matéria-prima até os silos de armazenagem.

Primeiro armazenamento A indústria utiliza, em geral, dois tipos de armazenamento: silos aéreos e silos verticais, além de outros, de características provisórias (por exemplo, silo australiano e silo de bolsa). Os silos aéreos se parecem a um depósito e, dependendo do desenho, podem ter uma parte sob a terra. Outra forma de armazenar na planta industrial é em galpões. Os grãos chegam num meio de transporte e através de esteiras transportadoras são levadas até os galpões, ingressando pelas entradas situadas na parte superior dos mesmos. Quando se recebem grãos muito úmidos por causa da chuva ou por condensação de umidade no momento da colheita, é necessário que, antes de serem armazenados, os grãos sejam mantidos durante certo tempo nos silos para que a umidade migre para a superfície do grão e o estabilize. Usualmente, antes do início do processo, os grãos são novamente secados para que possam obter o percentual de umidade ideal (Dorsa, 2008).

Pré-limpeza Nesta etapa, são eliminadas todas as matérias estranhas à matéria-prima, como areia, terra, pedras, talos e similares, que possam danicar os equipamentos durante o processamento do grão. São eliminados também possíveis contaminantes, como sementes de gramíneas, que impactariam na qualidade final dos subprodutos (Dorsa, 2008). Dependendo da infraestrutura, esta operação se realiza com crivos densimétricos, que separam os corpos estranhos por diferença de peso, ou com crivos de classicação, que os separam por tamanho.

Segundo armazenamento em silo pulmão Antes do início do processo de extração, os grãos são armazenados em um silo pulmão onde se produz o arejamento dos grãos por meio de ventiladores que injetam ar dentro do silo numa corrente preestabelecida. O objetivo é manter a temperatura dos grãos em níveis baixos, preferentemente menos de 17 °C, já que neste nível, a maioria dos insetos não podem se desenvolver. É importante, também, remover o calor provocado pela respiração dos grãos e microrganismos, enquanto é estabilizada a temperatura, antes de iniciar o processo de extração (Carpaneto, 2010; Abadía, et al, 2012). A seguir, ilustraremos os passos da subetapa de recepção.

ROUND TABLE ON RESPONSIBLE SOY ASSOCIATION (RTRS)

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Primeira industrialização da soja Recepção

Recepção

Grão de soja

Entrega e amostragem

Pesagem y descarga

Primeiro armazenamento

Pré-limpeza

Segundo armazenamento em silo pulmão

Preparação O objetivo desta subetapa é preparar o grão para a extração de óleo e a obtenção de farinha (Bailey, 1996). A preparação para a extração pode variar em função das características da matéria-prima (Dorsa, 2008). Para compreender melhor esta subetapa é conveniente dividi-la em quatro passos: condicionamento, quebra e aspiração, laminação e extrusão do grão de soja. É necessário dizer que, ao passar para quebra e aspiração, o material quebrado (núcleo do grão) passa para laminação e extrusão, enquanto que o material aspirado (casca) é processado paralelamente para obter o pellet de casca.

Condicionamiento Consiste em secar o grão para que entre no processo com a umidade ideal. Trata-se de reduzir o umidade do grão de 13-13,5% na fase de armazenamento, para 10,5% ao entrar no processo industrial (Bailey, 1996). Esta porcentagem de umidade constitui um padrão para a indústria global de petróleo4.

Quebra e aspiração O objetivo deste processo é separar as diversas partes do grão: o núcleo, que contém o óleo, e as proteínas e a casca (rica em fibras). Nesta fase, a quebra do grão é feita por meio de moinhos de trituração. Primeiro, são partidos em metades, depois em 04 partes e, finalmente, em 06 e 08 partes. O processo continua transportando o grão quebrado junto com a casca solta para um processo de aquecimento e limpeza, no qual a casca se separa do grão quebrado. Para isso, uma corrente de ar quente para conduz a temperatura do grão até 60°C, permitindo, assim, sua entrada no processo de laminação para a extração de óleos (Dorsa, 2008). A soja quebrada, então, passa através de um aspirador que separa o pó da casca, por aspiração, com um separador ciclônico que recupera uma parte do ar quente e o introduz no setor de aquecimento, para obter um aumento da temperatura do grão, sem consumo adicional de energia. O núcleo do grão quebrado vai para o processo de laminação e a casca para o processo de peletização.

4

Dados obtidos a partir de entrevistas com especialistas da indústria.

ROUND TABLE ON RESPONSIBLE SOY ASSOCIATION (RTRS)

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Peletização da casca O material aspirado ingressa no processo de peletização, que consiste em prensar o material e colocálo em pequenas cavidades a fim de que adquira a forma de pequenos cilindros. A forma não altera as características do material, mas facilita a manipulação e o transporte, evitando, sobretudo, a poluição.

Pellet da casca

A peletização da casca de soja precisa de um ponto crítico de controle, já que a qualidade do produto (pellet) pode variar dependendo de certos parâmetros, como aumento da temperatura, da umidade, etc. (Behnke, 2001). No final desta etapa, o pellet seca e esfria, para depois ser transportado aos silos de armazenagem ou diretamente para o embarque.

O pellet da casca representa, em média, aproximadamente 6,5% do total da soja ingressada e processada na indústria. Laminação Ao processo de quebra e aspiração do grão segue a laminação. O processo de laminação busca incrementar a superfície de contato específica de maneira exponencial, fator que outorga ao grão maior volume ao esticar o material e obtendo uma lâmina muito fina, de aproximadamente 0,38 milímetros, ideal para a extração do óleo e a obtenção da farinha (Dorsa, 2008). Assim, as partes do grão passam por uns rolos que deformam a parede celular, facilitando a extração e separação do material sólido, do qual se obtém a farinha (Bailey, 1996).

ROUND TABLE ON RESPONSIBLE SOY ASSOCIATION (RTRS)

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Lâmina do grão de soja

12 mm diámetro 0,38 mm

0,38 mm

Estrutura celular do grão de soja

Aprox. 18 cela espessura

Extrusão Consiste em expandir a lâmina gerada durante a laminação. Esta técnica de expandir a massa laminada é utilizada para melhorar a capacidade que o grão de soja tem para extrair o óleo utilizando solvente. É preciso dizer que este não é um passo requerido no processo, mas é habitual encontrá-lo em muitas das empresas do setor, dependendo do equipamento e da operação de cada uma. Durante o processo de extrusão, o produto laminado se comprime com a ajuda de vapor de água e pressão; uma parede perfurada provoca que a massa se compacte. O produto passa através dos orifícios ajudado por um parafuso sem fim que gira a uma determinada velocidade (Valls Porta, 1993). Ao sair pelo orifício, por causa da temperatura ambiente e da pressão atmosférica, o produto se expande transformando-se em nas lâminas esponjosas, adquirindo maior volume com uma textura porosa e permeável que quebra as paredes celulares onde se encontra situado o óleo (Dorsa, 2008). Durante o processo de extrusão, a temperatura alcança valores entre 140 e 170 º C, em períodos curtos que não superam os 90 segundos. O resultado deste processo é uma massa com maior densidade aparente e facilidade de percolação de solvente durante o período de extração, melhorando notavelmente a capacidade e eficiência do extrator. O produto assim obtido se seca e esfria levando a temperatura para valores entre 58 e 60 °C (Dorsa, 2008). O material expandido irá para a seguinte etapa a fim de extrair óleo e obter farinha. A seguir, ilustramos as diversas instâncias da subetapa de preparação.

ROUND TABLE ON RESPONSIBLE SOY ASSOCIATION (RTRS)

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Primeira industrialização da soja Preparação Preparação

Condicionamiento Aspiração

Peletização da casca

Quebra e aspiração Quebrado Laminação

Pellet de casca de soja

Extrusão*

Extração Nesta etapa, o óleo se separa da farinha, e o objetivo é que o conteúdo de óleo que permanece como remanescente na farinha no final do processo seja o menor possível. Assim, o êxito desta etapa é fundamental para os fatores de conversão. Durante a extração, processa-se o material laminado/extrusado para obter uma matéria sólida e outra líquida, que se transformarão finalmente em farinha e óleo respectivamente. Obtenção de óleo bruto Miscela A extração do óleo se realiza incorporando ao material extrusado um solvente, chamado hexano, que permite separar o material líquido do sólido. É um líquido incolor, facilmente inamável e com o cheiro característico de um dissolvente. O processo consiste em regar com hexano à contracorrente o material sólido que viaja pelo extrator. Mediante o fenómeno de percolação, o hexano penetra e extrai o óleo ocluído no material expandido. No final desta etapa, o expandido se transforma, de um lado, numa farinha branca com muito baixo conteúdo de óleo, inferior a 1%, (Dorsa, 2008) e, de outro, numa mistura de óleo com hexano, denominada miscela (Paraíso et al., 2003). Depois da primeira lavagem, a miscela contém 25% a 30% aproximadamente de óleo, depois de sair do extrator dirige-se para a destilação e recuperação de solventes (Bailey, 1996).

* A extrusão ou expansão é um processo alternativo, não imprescindível; serve para melhorar o processo de extração

ROUND TABLE ON RESPONSIBLE SOY ASSOCIATION (RTRS)

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Evaporação A miscela concentrada passa através da unidade de evaporação, onde se realiza a separação do óleo e do hexano (Dorsa, 2008). Neste processo de destilação da miscela, recupera-se quase todo o solvente para sua reutilização. O óleo livre será obtido em duas etapas consecutivas. Na primeira, a miscela é aquecida a uma temperatura de 45-55°C e passa de uma concentração de óleo de aproximadamente 25% até 80% ou mais. Na segunda etapa, a miscela é aquecida até os 95-105°C e, por transferência de calor, a concentração aumenta entre 95% e 98% de óleo, permanecendo um residual de solvente entre 2% e 5% (Bailey, 1996). Até aqui, a recuperação do solvente foi efetuada por intercâmbio de calor, mas não é possível continuar aquecendo o óleo para extrair o solvente residual sem prejudicar sua qualidade. Inicia-se, então, um novo processo, o stripping ou despojamento, que permite reduzir a quantidade de solvente residual, evitando o sobreaquecimento do óleo. O produto obtido é o óleo bruto, uma mistura de óleo com fosfolipídios, também chamadas gomas, que serão separadas na próxima subetapa, a degomagem.

O óleo bruto (com gomas) representa, em média, aproximadamente 20% do total da soja ingressada e processada na indústria. Obtenção de óleo bruto degomado Degomagem O propósito desta etapa é a eliminação dos fosfatídeos5 contidos no óleo. Os fosfatídeos secos, ou lecitina, são um agente emulsicante prejudicial para a qualidade do óleo e que interfere dicultando o processo da segunda industrialização (Dorsa, 2008). No entanto, a lecitina tem um uso próprio que será explicado embaixo. Ao óleo bruto que já saiu do extrator incorpora-se 2% de água quente para hidratar os fosfatídeos, e se obtém uma goma aquosa. A degomagem em água é efetiva somente para os fosfatídeos hidratáveis em água, como é o caso da soja (Bailey, 1996). Depois, inicia o processo de centrifugação para separar a goma do óleo bruto, retirando todos os fosfatídeos que continuam retidos na goma. Assim, o óleo degomado se seca com um secador tipo ash à temperatura e pressão controladas, para finalmente esfriá-lo para ser armazenado ou transportado (Bailey, 1996). O principal produto obtido é o óleo degomado de soja, que possui, em média, as seguintes características típicas no final do processo: 1% de acidez, expressada em termos de ácido oleico, 0,1% de umidade, 200 partes por milhão (ppm) de fósforo e 0,05% de impurezas insolúveis (farinhas), cujo destino pode ser a estocagem em tanques para posterior embarque ou o tratamento para a obtenção de outros subprodutos (Bailey, 1996). O destino comercial deste óleo degomado pode ser a produção de biodiesel e glicerol ou a renação para obter óleo comestível (refinado). O óleo degomado também pode ser comercializado como tal, mas é pouco frequente.

O óleo bruto degomado representa, em média, aproximadamente 19,4% do total da soja ingressada e processada na indústria. Os fosfatídeos são lipídios que contêm ácido fosfórico na sua composição. Estão compostos por uma molécula de álcool (glicerol) à qual se unem dois ácidos graxos e um grupo fosfato (Devlin, 2004).

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ROUND TABLE ON RESPONSIBLE SOY ASSOCIATION (RTRS)

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Obtenção da lecitina Outro produto obtido da etapa de centrifugação é uma goma úmida que, submetida a um processo de secagem, dá origem à lecitina. Da forma como sai do extrator, a lecitina não é apta para o consumo humano, por isso deve ser submetida a um processo de filtração e adequação com intercâmbio de temperatura, através do mencionado processo de secagem. Desta forma se obtém os fosfotídeos secos ou lecitina.

A lecitina obtida durante este processo representa, em média, aproximadamente 0,6% do total da soja ingressada e processada na indústria. Obtenção da farinha Sólido O material sólido que resta depois de extraído o óleo deve passar por um processo para poder se transformar em farinha, na sua versão High Pro, de um lado, e Low Pro, de outro.

Dessolventização e tostagem Da forma como sai do extrator, a farinha é um produto branco não apto para a indústria alimentar devido, fundamentalmente, ao conteúdo de solvente que ainda possui. Por isso, é imprescindível submeter as farinhas a um processo de dessolventização. As farinhas contêm, além das proteínas, uma série de antinutrientes que retrasam ou dicultam a digestão dos alimentos em uma grande quantidade de espécies animais. Considerando que o principal mercado das farinhas é a indústria de alimentos balanceados para animais, é imprescindível eliminar esses antinutrientes. Este processo de eliminação se realiza incorporando calor, a farinha então é submetida a um processo de cozimento e tostagem para inibir o efeito nocivo dos antinutrientes.

Secagem Finalizadas as fases de dessolventização e tostagem, a farinha entra no processo de secagem e resfriamento que estabiliza a umidade em aproximadamente 12% e prepara o material para a moagem definitiva e a separação de desperdícios por magnetização (Dorsa, 2008).

Moagem O material seco obtido é submetido a um processo de moagem, passa depois por uma peneira, e finalmente se obtém a farinha de soja. As farinhas assim obtidas são armazenadas em silos aéreos ou silos verticais, sendo necessário atender aos aspectos relacionados com a temperatura e umidade. O mercado internacional de farinhas exige atualmente que o conteúdo de umidade não seja superior a 12,5%. O produto nal deste processo pode ter duas qualidades diferentes de farinha, dependendo do conteúdo proteico da matéria-prima. Assim, poderá ser obtida uma farinha com baixo conteúdo de proteínas, chamada Low-Pro, ou outra com maior conteúdo proteico, chamada High-Pro, destinadas a diferentes mercados6.

6

Maiores informações sobre a farinha de soja serão dadas no capítulo IV, referido aos subprodutos.

ROUND TABLE ON RESPONSIBLE SOY ASSOCIATION (RTRS)

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As farinhas High Pro assim obtidas representam, em média, aproximadamente 72% do total da soja ingressada e processada na indústria, enquanto que as farinhas Low Pro podem chegar a 78,5%, depois de adicionar a casca anteriormente aspirada. Neste caso, o valor do subproduto de pellet de casca ficará em 0%. Até aqui foram descritos os processos para a obtenção dos subprodutos da primeira industrialização da soja. Em primeiro lugar, o óleo bruto com gomas (20%), as farinhas (High Pro 72%, Low Pro 78,5%) e o pellet de casca de soja (6,5%). A partir do óleo bruto com gomas se obtém o óleo bruto degomado (19,4%) e a lecitina (0,6%). No caso das farinhas, o processo de produção finaliza nesta fase, logo depois ela é transportada para os diferentes destinos comerciais. No caso do óleo bruto degomado, é necessário continuar o processo de segunda industrialização. Este processo torna apto o produto para o cumprimento das exigências comerciais do mercado de óleos. Nesta etapa há duas opções excludentes entre si: buscar a obtenção de óleos comestíveis (refinados) ou a obtenção de biodiesel e glicerol. A seguir, apresentam-se as diversas fases da subetapa de extração.

Primeira industrialização da soja Extração Extração

Miscela**

Sólido

Evaporação

Dessolventização e tostagem

Degomagem

Secagem

Secagem

Moliendo

Óleo bruto degomado

Farinha

Lecitina***

High Pro

ou

Pellet

Low Pro

**A miscela é a mistura do óleo com o hexano (solvente). ***A lecitina é um produto opcional.

ROUND TABLE ON RESPONSIBLE SOY ASSOCIATION (RTRS)

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Segunda industrialização da soja Esta etapa é posterior ao processo de moagem ou crushing, na qual se obtém o óleo bruto degomado. Na sequência, esse óleo será transformado em óleo refinado ou em biodiesel e glicerol. Esta instância inicia com o processo de preparação do óleo, chamado neutralização. Este processo é comum tanto para a obtenção de óleo refinado quanto para a obtenção de biodiesel e glicerol.

Neutralização Neutralizam-se, nesta etapa, os ácidos graxos livres, responsáveis pela acidez do óleo. Ocorre mediante a introdução de uma separação alcalina e posterior centrifugação do material insolúvel. Esses ácidos graxos serão removidos dando origem ao óleo neutro por meio de um processo físico no qual não ocorrem reações químicas (Dorsa, 2008). O produto obtido nesta subetapa é o óleo degomado neutralizado. A perda que ocorre nesta etapa de neutralização é da ordem de 2%: se entram 100 kg de óleo degomado, após a neutralização carão 98 kg7. Obtenção de óleo de soja refinado Para a obtenção do óleo refinado de uso comestível é necessário melhorar sua coloração e eliminar odores desagradáveis para o consumidor. Para isso, efetuam-se dois passos posteriores: branqueamento e desodorização. O branqueamento se realiza com terra ativada ou com carvão ativado para eliminar a cor e outras impurezas, e a desodorização se realiza mediante um processo de destilação a altas temperaturas, para eliminar o odor indesejável do óleo de soja. Estes processos não modicam as características químicas do óleo. A perda nesta etapa é de 0,3%, que somada à perda por neutralização resultaria em uma perda total de 2,3%.

O óleo refi­nado obtido durante este processo representa, em média, aproximadamente 17,1% do total da soja ingressada e processada na indústria. Transesterificación Obtenção de biodiesel e glicerol O processo químico de produção de biodiesel se chama transesterificação: consiste em separar um álcool (glicerol) dos ácidos graxos, e estes últimos são novamente combinados com outro álcool (metanol). A nova estrutura química é um éster metílico que se chama biodiesel. O glicerol liberado se utiliza em outras aplicações (Kouzo. 2012; Busic et al., 2018). Na produção de biodiesel não há perdas de matéria, por exemplo, por cada tonelada de óleo degomado se obtêm umas 0,90 toneladas de biodiesel mais 0,10 toneladas de glicerol.

O biodiesel obtido durante este processo representa, em média, aproximadamente 15,7% e o glicerol 1,7% da soja ingressada e processada na indústria. Haté aqui foram descritos os processos de elaboração dos subprodutos da segunda industrialização da soja: óleo refinado ou biodiesel e glicerol. O seguinte diagrama descreve esses processos:

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Dado baseado em entrevistas com especialistas da indústria.

ROUND TABLE ON RESPONSIBLE SOY ASSOCIATION (RTRS)

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Segunda industrialização da soja

PRIMEIRA INDUSTRIALIZAÇÃO

Recepção Preparação Extração

Óleo bruto degomado

Lecitina

Farinha

SEGUNDA INDUSTRIALIZAÇÃO

High Pro

ou

Casca

Low Pro

Preparação (Neutralização)

Transesterificação

Biodiesel

Glicerol

ROUND TABLE ON RESPONSIBLE SOY ASSOCIATION (RTRS)

Branqueamento

Desodorização

Óleo refinado

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Capítulo III

Fatores de conversão Medição dos fatores de conversão Chama-se fatores de conversão à quantidade de subprodutos a obter tanto na primeira industrialização (óleo, farinha, pellet de casca e lecitina), quanto na segunda (óleo refinado ou biodiesel e glicerol), a partir de uma determinada quantidade de matéria-prima, neste caso, o grão de soja. O resultado dos fatores de conversão decorre, principalmente, da composição da soja - conteúdo de umidade, proteína, matéria graxa, carboidratos e outros - e dos processos químicos e físicos para transformá-los. Por isso, na perspectiva interna da indústria de processamento de óleos vegetais, os estudos relativos à determinação dos fatores de conversão são conhecidos como “balanço de massa”, denominação mais adequada à análise química. Compreende todas as operações de cálculo industrial e químico para determinar o rendimento de uma planta industrial de moagem de oleaginosas. O balanço de massa pode ser definido como uma contabilidade de entradas e saídas de matéria em um processo industrial ou de uma parte dele. Os cálculos de balanço de massa são quase sempre um requisito prévio para a factibilidade econômica de um estabelecimento de moagem de soja (Deiana, 2018). Trabalhos anteriores sobre o balanço de massa no processamento da soja são os de Brumm e Hurburgh (1990) e os de Wagner (2017). O modelo de Brumm e Hurburgh (1990) foi desenvolvido para a determinação do valor econômico estimado dos produtos obtidos durante o processo de extração por solvente do óleo e a obtenção de farinhas, com base nas regras de comércio desses produtos. Wagner (2017) ampliou o modelo anterior para incluir diferentes composições nutricionais da soja e seu possível impacto no valor econômico dos seus subprodutos. Podemos mencionar também o trabalho de Chenga (2017) que determina a factibilidade econômica de um estabelecimento de moagem de soja, tendo o óleo bruto, a farinha e o pellet de casca de soja como subprodutos finais. Nesse trabalho são apresentados os valores dos fatores de conversão com base úmida (a umidade com a que o produtor vende o grão)8. Essa base úmida é o sustento do valor comercial do grão e é o ponto de vista que mais interessa ao produtor e à indústria da alimentação. Esses valores são o resultado de consultas com especialistas da indústria, das empresas fabricantes de equipamentos, dos consultores das câmaras industriais, da literatura pertinente e das consultas com professores de diversas universidades nacionais e internacionais.

Elementos chave dos fatores de conversão Resumindo o que foi exposto, no processo de transformação da soja em subprodutos, há três fatores principais que determinam os rendimentos: a eficiência dos processos industriais, a boa gestão das operações e a qualidade industrial do grão de soja. Os processos industriais são globalizados e padronizados, ou seja, observam-se semelhanças nos processos de todos os países. Com relação à boa gestão das operações não existem grandes diferenças

Como foi explicado no capítulo II, o produtor costuma entregar o grão de soja com uma umidade de 13% a 13,5%.

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ROUND TABLE ON RESPONSIBLE SOY ASSOCIATION (RTRS)

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entre empresas com fábricas localizadas em diferentes lugares do mundo. Ora bem, a qualidade industrial do grão é o fator central que indica a diferença no rendimento dos estabelecimentos industriais de moagem de soja, situados em diversas geografias. Quanto à qualidade do grão de soja, vários estudos determinaram que a soja chinesa e brasileira têm maior conteúdo de proteína que a proveniente dos Estados Unidos e, também, que os grãos deste último possuem maior quantidade de proteínas que as obtidas na Argentina, que se caracterizam pelo baixo conteúdo proteico. Por sua vez, a soja chinesa tem menor conteúdo de óleo que as provenientes de outras regiões (Brumm e Hurburgh, 1990; Wilson, 2004; Medic, 2014).

Perdas do processo Em termos gerais, quando a matéria-prima chega a uma planta de processamento, pode conter até 2% de material estranho, uma parte desse material corresponderá à perda e outra parte poderá entrar no processo (Wagner, 2017). As perdas correspondem à matéria que se perde no processo produtivo; trata-se, principalmente, de impurezas e de água (umidade) que vai cando fora no processo. Estas perdas incluem elementos impróprios como plásticos, madeira, terra, etc., que possam danificar os equipamentos e, portanto, devem ser retirados. O metal é, geralmente, o primeiro material estranho que é eliminado; sua extração se realiza utilizando a força magnética para separá-lo dos grãos (Kemper, 2005). A maior incidência das perdas se deve a que indústria recebe a matéria-prima com uma umidade da ordem de 13%, e o grão deve ser secado durante o processo, até chegar a valores de 10% para remover a casca e obter farinhas de alto conteúdo proteico. Isso se explica porque a umidade do grão com frequência deve ser reduzida para melhorar a efetividade das operações da planta industrial nos processos subsequentes, e também para minimizar a degradação no armazenamento (Kemper, 2005). Ora bem, os elementos próprios do grão (talos, vagens e outras impurezas) não constituiriam uma perda, já que, na prática, quando do grão de soja são retirados materiais estranhos impróprios (como plástico, madeira e pedra) é possível triturá-los e processá-los na indústria. Para este trabalho, considera-se que as perdas totais na primeira etapa de industrialização podem chegar a 1,5%, sendo esta percentagem constituída pelas perdas de umidade e pela eliminação de materiais estranhos.

Determinantes dos rendimentos Para determinar os rendimentos do processo de transformação da soja, são considerados em primeiro lugar os fatores de conversão de cada subproduto. Na primeira industrialização, efetua-se a análise do óleo bruto (com gomas), do óleo bruto degomado, das farinhas High Pro e Low Pro, do pellet de casca de soja e da lecitina. Óleo bruto (com gomas): uma matéria-prima rica em gordura determinará os rendimentos do óleo bruto obtido no processo de transformação. Quanto maior for o conteúdo de matéria graxa do grão, maior será o rendimento do óleo obtido. Entretanto, é necessário levar em conta que é possível perder material graxo tanto na farinha quanto no pellet de casca. Em geral, acredita-se que essa perda é muito baixa, menos de 1%. Calculando a média dos rendimentos de óleo obtidos em diversas regiões, é possível arribar a um rendimento padrão de 20% de óleo bruto, incluindo o conteúdo de fosfatídeos ou gomas (óleo bruto com gomas).

ROUND TABLE ON RESPONSIBLE SOY ASSOCIATION (RTRS)

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Óleo bruto degomado: uma vez separados e secados, os fosfatídeos ou gomas são transformados em lecitina. Assim, o conteúdo do óleo degomado se reduz a 19,4% da soja ingressada e processada na indústria. Farinha: o cálculo de rendimento da farinha é mais complexo que o do óleo, visto que devem ser considerados outros parâmetros, como a percentagem de proteína, fibra e umidade, conforme as normas GAFTA de comercialização de farinhas High Pro e Low Pro. Dependendo das regiões onde for obtido o grão de soja, é possível obter rendimentos de 74-75% para países como o Paraguai e o Brasil, e de 70-71% para a Argentina. Na média geral, com base nas consultas realizadas a especialistas, estabelece-se um valor de 72% de rendimento da farinha High Pro como parâmetro internacional; e para o caso da farinha Low Pro, que contém a casca da soja, 78,5%. A composição diferenciada das farinhas as torna aptas para a alimentação de diversas espécies animais, como se indicará no capítulo IV. Pellet de casca: de acordo com as estimativas da indústria, e segundo a literatura (Medic et. al., 2014; Liu & Li, 2017; Barbosa et al. 2008), a casca tem um peso de 7%-8% do grão. Dessa percentagem, pode-se remover a maior parte, mas aproximadamente 1% não pode ser extraído, já que se danicaria o núcleo onde está situada a maior parte da proteína. Por essa razão é possível separar 6% a 7% da casca, e o restante 1% permaneceria no núcleo. O valor de referência de rendimento seria 6,5% de pellet de casca de soja. Este conteúdo pode ser vendido no mercado como subproduto ou, como foi dito no capítulo anterior, ser utilizado para a farinha Low Pro. Lecitina: este subproduto se obtém a partir do óleo bruto, que contém fosfatídeos que podem ser extraídos através da separação centrífuga. Desta forma, obtêm-se as gomas (lecitina úmida) e posteriormente, mediante um processo de desidratação, é possível obter a lecitina seca e apta para o consumo humano. Este valor aplicado a 20% de óleo dá um rendimento da lecitina sobre o total do grão de soja de 0,6%. Nesta primeira etapa da industrialização da soja, estima-se uma perda total de até 1,5%, constituída pelas perdas de umidade e pela eliminação de materiais estranhos, como foi explicado anteriormente, sob o título “Perdas do processo”. Na segunda industrialização, obtém-se, de um lado, óleo refinado, e de outro, biodiesel e glicerol. Óleo refinado: para obter este óleo, utiliza-se o óleo degomado, que ao ser submetido aos processos de neutralização, branqueamento e desodorização, sofre uma perda total de 2,3%, com relação ao óleo degomado que ingressa nesta etapa de renação do óleo. De 19,4% do óleo degomado que entra nesta etapa do processo, obtém-se 17,1% de óleo refinado. Além do óleo refinado, do processamento do óleo bruto degomado, nesta segunda industrialização, pode-se obter biodiesel e glicerol. Biodiesel: mediante o processo de transesterificação, obtém-se o biodiesel, de um lado, e o glicerol, do outro, em proporções de 90% e 10%, respectivamente. Para a obtenção do biodiesel há uma perda de 2% durante a etapa prévia de neutralização. O processo de transesterificação não gera perdas adicionais. De 19,4% do óleo degomado que ingressa nesta etapa do processo e após a etapa de neutralização, obtém-se 17,4% de biodiesel e glicerol, o biodiesel representando 15,7% do total de soja que ingressa na planta. Glicerol: é um subproduto da obtenção do biodiesel que tem diversas aplicações alimentícias e farmacêuticas. Nesta segunda industrialização obtém-se 10% de glicerol com relação ao óleo degomado. Desta forma, obtém-se 1,7% de glicerol sobre o total de soja ingressada. O seguinte quadro mostra os valores de conversão para os subprodutos da primeira e segunda industrialização da soja.

ROUND TABLE ON RESPONSIBLE SOY ASSOCIATION (RTRS)

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Subprodutos da primeira e segunda etapa de industrialização do grão de soja: com farinha High Pro e pellet de casca de soja

PRIMEIRA INDUSTRIALIZAÇÃO

Grão de soja 100%

Óleo bruto (com gomas)

Óleo bruto degomado

20%

19,4%

Farinha High Pro

Lecitina

72%

0,6%

SEGUNDA INDUSTRIALIZAÇÃO

Biodiesel 15,7%

Glicerol

Perda 2,0%

1,7% O bien

Pellet de casca

Óleo refinado

6,5%

Perda 2,3%

17,1%

Perda 1,5%

Subprodutos da primeira e segunda etapa de industrialização do grão de soja: com farinha Low Pro e sem pellet de casca de soja

PRIMEIRA INDUSTRIALIZAÇÃO

Óleo bruto (com gomas)

Óleo bruto degomado

20%

19,4%

Lecitina Grão de soja 100%

0,6%

Farinha Low Pro 6,5%

SEGUNDA INDUSTRIALIZAÇÃO

Biodiesel 15,7%

Glicerol

Perda 2,0%

1,7% O bien

Óleo refinado

Perda 2,3%

17,1%

Perda 1,5%

Estes valores de conversão podem-se expressar também em termos da quantidade de toneladas de soja necessária para obter uma tonelada de algum dos subprodutos derivados da transformação da soja.

ROUND TABLE ON RESPONSIBLE SOY ASSOCIATION (RTRS)

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Quantidade de toneladas de soja necessárias para obter uma tonelada de algum dos subprodutos derivados da soja. Rendimiento (em %)

Necessárias de soja (em t)

Com gomas

20,00%

5,00

Degomado

19,40%

5,15

Farinha High Pro

72,00%

1,39

Farinha Low Pro

78,50%

1,27

Pellet de casca

6,50%

15,38

Lecitina

0,60%

166,67

Biodiesel

15,70%

6,37

Glicerol

1,70%

58,82

Óleo refinado

17,10%

5,85

Óleo bruto

ROUND TABLE ON RESPONSIBLE SOY ASSOCIATION (RTRS)

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Capítulo IV

Subprodutos da primeira e segunda industrialização da soja

A globalização dos mercados e a crescente conscientização ambiental incidiram para que alguns subprodutos primários da industrialização da soja sigam um processo mais prolongado até se tornarem derivados de alta demanda mundial por suas características alimentícias e ambientais. Esses subprodutos corresponderiam à segunda industrialização e seriam: o óleo refinado e o biodiesel. Ao mesmo tempo, na fabricação do biodiesel se produz o glicerol ou glicerina crua, com a que finalmente se obtém a glicerina refinada. Subprodutos da primeira e segunda industrialização do grão de soja

PRIMEIRA INDUSTRIALIZAÇÃO

Óleo bruto (com gomas)

Óleo bruto degomado

Farinha High Pro

Lecitina

Grão de soja

Pellet de casca

SEGUNDA INDUSTRIALIZAÇÃO

Biodiesel

Glicerol

O bien

Óleo refinado

Óleo Bruto O grão de soja contém 20% de óleo, que é extraído e separado da farinha por solventes orgânicos, como o hexano. Essa fração se chama óleo bruto. Para utilizar o óleo bruto como insumo no processo industrial, este óleo é degomado (retiram-se as gomas ou fosfatídeos) e depois é tratado com substâncias alcalinas para reduzir sua acidez. Em uns poucos mercados, o óleo bruto degomado é utilizado para consumo humano.

Farinha de soja No processo de moagem, depois da extração do óleo bruto, obtém-se um material sólido, que após uma série de passos converte-se em farinha. A farinha de soja é um dos recursos chave para a alimentação animal, por sua alta digestibilidade (facilidade de um alimento para ser digerido) e por ser uma fonte de proteínas na formulação de razões (Thoenes, 2006; Karr-Lilienthal, 2004). O valor alimentício da farinha de soja, determinado mediante a avaliação de aminoácidos, tem base na sua qualidade nutricional. O crescimento e o rendimento perfeito dos animais ocorrem quando a proteína contém as proporções ideais dos aminoácidos essenciais. O Conselho de Exportação de Soja dos Estados Unidos (U.S, Soybean Export Council) dene aminoácidos essenciais como aqueles que o animal não pode produzir suficientemente para satisfazer suas necessidades metabólicas. As deciências de aminoácidos essenciais conduzem à ineciência biológica e à doença (Paige, 2017).

ROUND TABLE ON RESPONSIBLE SOY ASSOCIATION (RTRS)

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O uso maciço da soja na pecuária se deve a sua ampla disponibilidade e capacidade de fornecer os nutrientes necessários para o animal de forma relativamente econômica. Assim, as farinhas proteicas de origem animal ou sintéticas são substituídas devido a seu alto custo. Além disso, a soja é cultivada em grandes superfícies no mundo, assegurando a disponibilidade deste recurso como alimento no ano inteiro (Blair, 2008). Do processo de moagem do grão são obtidas farinhas de diferente qualidade. Internacionalmente, a GAFTA define dois tipos principais: as farinhas Low Pro e High Pro. Nesta linha, regras comerciais padronizadas para a indústria foram estabelecidas pela National Oilseed Processors Association (NOPA). Para esta classicação de farinhas, as normas incluem limitações de fibra, tolerâncias permitidas e programas de penalização. As farinhas Low Pro têm baixo conteúdo proteico e alta quantidade de fibra, que provém da adição da casca que tinha sido previamente separada no processo de quebra e aspiração. De acordo com a NOPA, essas farinhas contêm 44% de proteínas, 7% de fibra, como máximo, e 12% de umidade. Por outro lado, as farinhas High Pro têm alto conteúdo de proteínas e baixa quantidade de fibra: entre 47,5% e 49% de proteínas, 3,5% de fibra, como máximo, e 12% de umidade (El-Shemy, 2011). A farinha High Pro é utilizada frequentemente em animais monogástricos - como aves de curral e porcos – para a produção de carnes e ovos, devido a que eles não têm a capacidade de degradar a fibra contida na casca do grão de soja. A ausência de fibra e as características dos aminoácidos que compõem as proteínas torna este tipo de farinha um produto de alta digestibilidade. É muito difícil pensar um sistema produtivo com animais monogástricos sem a farinha de soja como insumo proteico base da dieta. A farinha comum ou Low Pro, entretanto, é mais adequada para a alimentação de ruminantes - como os bovinos - que podem digerir a fibra com maior eciência (El-Shemy, 2011).

Pellet de casca de soja A casca de soja está composta pelas camadas externas do grão que são eliminadas durante o processo de extração do óleo. Essas cascas passam geralmente pela tostagem, a fim de destruir a atividade de certas enzimas, e pela moagem para que o tamanho da partícula seja o desejado (Lackey, 2011). A partir da casca da soja são produzidos os pellets de casca, como forma de reduzir o volume e os custos de transporte deste subproduto da indústria do óleo. Denomina-se pellet a forma física de apresentação da casca de soja (adquire um aspecto comprimido) como alimento para o gado. O propósito da formação de pellets é tomar alimentos finamente divididos, às vezes poeirentos, desagradáveis e difíceis de manipular, e formar partículas maiores e homogêneas. Estas partículas de maior tamanho são mais fáceis de manipular e, em geral, têm melhores resultados na alimentação quando comparados com os alimentos não processados (Blasi et al., 2000). Os nutrientes contidos nos pellets de casca são altamente digestíveis, ricos em fibra, baixos em proteínas, muito degradáveis e extremamente saborosos para o gado. O baixo conteúdo de lignina na casca da soja possibilita a grande variedade de aplicações. Assim, ela é amplamente utilizada como alimento para animais, e em particular, como fonte de energia em ruminantes, em substituição do milho. Diversos estudos indicam que pode ser benéco incluir os pellets de casca de soja na alimentação de equinos, ovelhas e cabras. As espécies monogástricas, porém, como porcos e aves, não podem utilizar o conteúdo de fibra deste subproduto (Liu & Li, 2017; Blasi et al., 2000).

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Lecitina de soja A lecitina é uma substância graxa que se encontra no grão de soja e que é extraída com o solvente junto com o óleo. Está formada por diversas estruturas químicas chamadas fosfatídeos (há fósforo na sua composição). Essas estruturas possuem propriedades físicas e químicas que lhe permitem ter múltiplas funções como agente emulsicante, como ingrediente nutricional e como elemento para diversos usos técnicos (SOPA, 2011). A propriedade emulsicante da lecitina é a capacidade de ligar-se, ao mesmo tempo, à matéria graxa e à água numa mistura de ingredientes. Isso permite que todos os ingredientes de uma formulação se integrem bem e permaneçam unidos ao longo do tempo. Os fosfatídeos, como a lecitina, cumprem importantes funções nos tecidos humanos e animais, por exemplo, constituir parte das membranas celulares. Sem a lecitina, as membranas das células se endureceriam e seria mais difícil a passagem dos nutrientes que a alimentam (OECD, 2012). A indústria alimentar é a que aproveita mais esta qualidade para a elaboração de produtos de boa qualidade. A lecitina se utiliza no cozimento do pão, para controlar a umidade e otimizar a amassadura, a quantidade de gordura agregada, o volume, a simetria e sua vida útil. Em bolos, pudins ingleses, pães de ló, barras de cereais e biscoitos, a lecitina melhora a incorporação da matéria graxa e atua como agente separador, facilitando a retirada das formas (Knightly, 1989). As maioneses, condimentos, temperos para saladas, cremes não lácteos e margarinas são todos alimentos gordurosos em cuja composição se encontra a lecitina como emulsicante. Tem também uma função antioxidante, ou seja, na presença de ar, ela protege a cor dos alimentos e evita o escurecimento dos produtos (Fellows, 1994). Aos pós para preparar - como sucos, sopas, leite, cacau em pó - formulados com fibras, que, por sua vez são reconstituídas com água para serem consumidas como alimento líquido, incorpora-se a lecitina como facilitadora da mistura. Ela também tem a função de ligar aditivos aromatizantes e avorizantes (Sander, 1989). No segmento da confeitaria, ela é adicionada como emulsificante para integrar os diversos ingredientes e para evitar que balas, chicletes, gelatinas e marshmalows resultem pegajosos (Appl, 1989). Na elaboração de chocolates e bombons, modica a viscosidade e melhora as características do produto (Böt y Floter, 2013). A indústria de laticínios utiliza a lecitina de soja para emulsionar os queijos fundidos, queijos e cremes em pó e para evitar a separação do soro em iogurtes e queijos para besuntar com alto conteúdo de umidade (Bernardes, 2010). Além disso, nos últimos anos tem-se desenvolvido muito a cultura de peixes, camarões e lagostas no mundo. Os custos de alimentação geralmente constituem a fração mais signicativa destas empresas, portanto, são buscadas as formulações que possam trazer o máximo rendimento à produção. A lecitina de soja é um componente das rações das espécies aquáticas cultivadas, como camarões e lagostas (Tacon, 2008). Além dos usos alimentícios, a capacidade emulsionante da lecitina de soja é aproveitada em outras aplicações técnicas. Na fermentação resultante da ação das leveduras, produzem-se álcool e dióxido de carbono gasoso. A lecitina é utilizada nessas situações como controladora da espuma produzida pelo gás. Na fabricação de tintas látex ou ao óleo, ela contribui para dispersar e estabilizar os pigmentos, facilita a pintura com brocha e aumenta o poder de cobertura. Algo similar acontece com as tintas para imprimir. Também, na formulação de inseticidas, ela é um agente ativo no controle dos mosquitos, porque a lâmina que a lecitina forma na superfície da água interfere na respiração das pupas. Em pesticidas, ela aumenta a adesão e a penetração. A lecitina de soja é utilizada também na indústria da celulose para melhorar o processo de fabricação de papel, e, na elaboração de borrachas, ela tem um efeito plasticador que facilita a manipulação do material e melhora a vulcanização (processo pelo qual o caucho cru é aquecido com enxofre a fim de aumentar sua dureza e resistência ao frio). As forças dispersantes e umectantes da lecitina têm grande importância na ROUND TABLE ON RESPONSIBLE SOY ASSOCIATION (RTRS)

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composição de cosméticos, tais como óleos para a pele e batons. Nesses produtos, nos quais as proteínas e as gorduras são utilizadas para outorgar suavidade à pele, a lecitina dispersa as gorduras e os ingredientes responsáveis pelo aroma e a cor desses produtos (SOPA, 2011).

Biodiesel O biodiesel é um combustível produzido a partir de matérias-primas renováveis, como óleos vegetais e gorduras animais; e entre os vegetais, por diversas fontes de plantas que podem ser comestíveis ou não comestíveis. Entre elas, pode-se mencionar o óleo de soja, de canola, de girassol, de palma, de amendoim; também o óleo que pode ser extraído da jatrofa, da jojoba, das tâmaras e das sementes de mostarda selvagem, etc. O biodiesel obtido a partir destas matérias-primas renováveis pode ser utilizado como energia em motores diesel (Knothe, et. Al. 2004; Patel et al., 2015). O biodiesel, dependendo do mercado onde for vendido, tem uma série de especicações. As mais importantes são o índice de acidez, a umidade e o conteúdo de monoglicerídeos, diglicerídeos, triglicerídeos, glicerina livre total e metanol. Esses são os parâmetros que são medidos e controlados na planta de biodiesel e que marcam o processo de conversão.9 As especicações de qualidade para o biodiesel na Europa são EN 1421410; nos Estados Unidos, a ASTM 6751¹¹, na Argentina, a Resolução 828/2010 da Secretaria de Energia¹² e no Brasil, a Resolução Nro. 45/ 2014 e a Resolução Nro.30/2016 da ANP13 (Agência Nacional do Petróleo). O combustível baseado em biodiesel contém uma quantidade signicativa de oxigênio, menor quantidade de sulfeto, não tem componentes aromáticos e tem um número mais elevado de cetonas¹4, quando comparado com um motor diesel convencional. Por essa razão, o biodiesel tem menor emissão de hidrocarbonetos e de monóxido de carbono que o motor diesel convencional. Com efeito, um motor 100% biodiesel emitiria 4,5 vezes menos de gases de efeito estufa que um motor a gasolina, e 3 vezes menos que um motor diesel convencional. Também é menos inamável que o diesel, por esse motivo, é útil para operações de mineração. Tem a vantagem de que não precisa da modicação do motor diesel para ser utilizado15 (Busic, 2018). Embora seja possível utilizar energia 100% biodiesel nos motores, a maioria das aplicações de biodiesel são B5, B10 e B20, ou seja, uma mistura de 5%, 10% e 20%. Espera-se que a produção global de biodiesel alcance 39 bilhões de litros entre 2024 e 2027, em comparação com o bioetanol que alcançará uns 131 bilhões de litros durante esse mesmo período. Também se espera que a União Europeia continue sendo o maior produtor de biodiesel com 12,9 bilhões de litros para 2027. O biodiesel representa na União Europeia 70% do combustível de transporte vendido nesses países. Depois da União Europeia, os maiores produtores de biodiesel no mundo são os Estados Unidos, Brasil, Argentina, Indonésia e Tailândia, com 85% da produção mundial (OECD-FAO, 2018). É importante assinalar que o custo do biodiesel hoje é 30% mais alto que o custo do diesel convencional, e estima-se que entre 60% e 80% do custo de produção do biodiesel provém do preço da matéria-prima utilizada. É importante, então, indicar que este combustível cumpre com objetivos de grande importância como são: benefícios ambientais, desenvolvimento de novos mercados para produtos agrícolas, geração de novos circuitos econômicos e novos empregos, etc. (Busic, 2018).

Dado obtido das entrevistas com especialistas da indústria. Ver por exemplo em https://www.transportpolicy.net/standard/eu-fuels-biofuel-specifications. 11 Ver por exemplo em https://www.astm.org/Standards/D6751.htmf. 12 Consultar http://servicios.infoleg.gob.ar/infolegInternet/anexos/170000-174999/171944/norma.htm. 13 Consultar http://www.lex.com.br/legis_25883261_RESOLUCAO_N_45_DE_25_DE_AGOSTO_DE_2014.aspx http://www.lex.com.br/legis_27160107_RESOLUCAO_N_30_DE_23_DE_JUNHO_DE_2016.aspx 14 Medida de qualidade da ignição do motor; quanto maior for o número, mais fácil será dar partida ao motor do veículo. 15 Para um estudo exaustivo de biodiesel sobre as emissões de gases nos veículos de transporte, ver EPA. https://archive. epa.gov/ncea/biofuels/web/pdf/p02001.pdf. 9

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Glicerol O glicerol, comercialmente conhecido como glicerina, quando se encontra puricado, é um álcool cujo aspecto é o de um líquido incolor, inodoro e com um suave sabor doce (The Soap and Detergent Association, 1990). Quanto ao glicerol cru, possíveis aplicações estão sendo estudadas. Entre elas, pode-se mencionar seu uso na composição das formulações de alimentos balanceados para animais, já que apresenta alta velocidade de absorção e é uma boa fonte de energia. Sua utilização como combustível puro é limitada porque gera pouco calor, mas em áreas de cultivo de árvores frutais está sendo testada a combustão de misturas de biodiesel e glicerol cru para aumentar a temperatura do ambiente e evitar as geadas. Outra via promissora para o aproveitamento do glicerol cru compreende o desenho de bactérias geneticamente modicadas que permitem transformar o glicerol em moléculas de alto valor econômico. Um exemplo é a síntese de bioplásticos. Estes compostos, à diferença dos plásticos que se obtêm do petróleo, são biodegradáveis. Também está sendo testado o uso de bactérias para a produção de biogás (mistura de metano e outros gases) a partir de misturas de resíduos orgânicos e glicerol cru. O gás produzido desta forma contém pouco enxofre e é menos poluente. O glicerol puricado, de outro lado, é um composto biodegradável e renovável que, até este momento, tem mais de 2.000 aplicações diferentes na indústria dos alimentos, farmacêutica e química (Tan, 2013). No processo de puricação do glicerol cru, obtêm-se diversos graus de qualidade, e a glicerina apresenta-se na forma líquida ou em pó, segundo os usos aos quais se destinar. É quimicamente estável em condições normais de uso e armazenamento, e sua cor, aroma e sabor não mudam com o passar do tempo. A glicerina grau USP ¹6 é uma substância inócua para o consumo e não adiciona sabor nem aromas desagradáveis. Por esta razão, intervém na formulação de alimentos e é um agente umectante e amaciante para balas, cigarros, produtos de pastelaria, tripas de embutidos e queijos. Tem utilidade também como solvente para aromatizantes e corantes; como recheio em alimentos com baixo teor de gordura e como síntese de emulsicantes alimentícios. A indústria farmacêutica, do cuidado pessoal e da saúde também se benecia da propriedade umectante e plasticante que a glicerina confere aos produtos, outorgando-lhes suavidade, exibilidade, cremosidade e vida útil. Em formulações farmacêuticas, a glicerina é incluída em preparações orais como pílulas para a tosse, cremes dentais, excipientes e recobrimentos de medicamentos, soluções ópticas, tópicas e parenterais, cápsulas e supositórios. Por não ser irritante da pele, a glicerina é adequada para seu uso em cremes, desodorantes em barra, loções e xampus. A glicerina está presente em numerosos compostos industriais. Como dado histórico, o primeiro uso que teve valor econômico da glicerina foi a nitroglicerina, para a fabricação da pólvora. Hoje, ela integra a fórmula, de dissolventes, celofane, cortiça, adesivos, tintas para impressão, álcoois, tintas para pintar, anticongelantes, papel, espumas de poliuretano e plásticos, entre outros produtos (Rodrigues et al., 2017).

Óleo de soja refinado O óleo de soja refinado é utilizado como alimento porque tem excelente qualidade nutricional, possui antioxidantes naturais e é uma matéria-prima adequada para produzir derivados como a margarina e gorduras para besuntar. Apresenta também boas condições de fritura, porque, a altas temperaturas, mantém-se estável, sem queimar-se.

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A glicerina denominada grau USP tem 99,7 % de glicerol.

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Seu valor nutricional se diferencia de outros óleos devido ao alto conteúdo de substâncias essenciais não sintetizadas pelo organismo humano e que devem ser obtidas através da dieta. Estas substâncias são os ácidos graxos linoleico e linolênico. Graças a sua cor clara e a seu sabor e aroma suaves, o óleo de soja tem muitos usos comestíveis: óleos mistura, óleos e gorduras para fritar, maioneses, temperos e condimentos para saladas, molhos, cremes articiais ou imitação de cremes, produtos de panificação e de confeitaria. Além de ser utilizado na elaboração de alimentos, o óleo de soja refinado também faz parte da formulação de produtos farmacêuticos, e a indústria o utiliza na composição de anticorrosivos, agentes antiestáticos, isolantes elétricos, plasticantes, massas de vidraceiro, lubricantes, tintas para impressão, combustível ecológico, desinfetantes, pisos de linóleo, tintas para pintar, caucho, fungicidas e pesticidas, sabões, xampus e detergentes.

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Síntese As características mais relevantes da soja são a de possuir alto conteúdo proteico, adequado para a alimentação animal, e a de ter baixo custo. Sua relevância se deve também a seu elevado nível de conteúdo de óleo. Tudo isso a situa como importante protagonista frente ao aumento da demanda de alimentação humana no mundo, devido ao signicativo crescimento da população mundial previsto para as próximas décadas. Além de ser um fator chave na alimentação animal, os subprodutos da soja têm múltiplos usos como ingrediente em produtos alimentícios. Ela também é utilizada em aplicações industriais, farmacêuticas e energéticas. E, apesar de ser um uso menor, a soja pode ser consumida também em estado natural para a alimentação humana, como grãos ou brotos. Neste trabalho, foi apresentado o processamento da soja, que se divide em duas partes. A primeira industrialização, que compreende o óleo bruto, a farinha, o pellet da casca e a lecitina. E a segunda industrialização, que tem como resultado os óleos refinados para o consumo humano, ou o biodiesel e o glicerol. No processo de transformação da soja em produtos industriais, foram identicados três fatores principais que determinam seu rendimento: o processo industrial, a gestão das operações e a qualidade do grão de soja. Quanto aos dois primeiros fatores, há semelhanças entre os países, mas a qualidade do grão é um fator diferencial das regiões do mundo. Com relação à eficiência dos processos industriais, todas as fontes consultadas de diversos países coincidem em que a transformação da soja está mundialmente padronizada. Os fornecedores de equipamentos industriais são fornecedores globais, que utilizam as mesmas tecnologias e diferem apenas na maneira de aplicá-las. As únicas mudanças signicativas observadas nos últimos anos na indústria correspondem à escala e ao tamanho das operações e, também, ao cuidado dos custos operacionais. Com relação à eficiência operacional, não deveriam existir diferenças por país, e com relação à gestão das operações, as variações podem ser levemente diferentes, dependendo da empresa. Quanto à qualidade do grão de soja, a situação é diferente. Sabe-se que, em média, o grão de soja contém 40% de proteína e 20% de óleo. Esse é o substrato básico para a obtenção industrial de subprodutos como óleos comestíveis, farinhas, pellets de casca, lecitinas, biodiesel e glicerina. Ora bem, é importante salientar que os níveis do percentual de obtenção de proteína e óleo podem variar signicativamente de acordo com a qualidade industrial do grão em cada país. Os valores percentuais dos componentes de óleo e proteína do grão de soja são o resultado de fatores ambientais, genéticos e do manejo do cultivo. Entre os fatores ambientais, os que têm maior efeito são: a temperatura, a latitude, a disponibilidade de nitrogênio e o estresse hídrico. Com relação aos fatores de manejo da cultura, a época em que é realizado o plantio e a escolha do grupo de maturidade do grão da soja são os que têm especial incidência. E quanto à genética, a variedade que se busca conseguir nos programas de melhoria vai determinar a obtenção de uma semente com mais rendimento, mas com menos proteína e mais tolerância às doenças ou se a prioridade será o conteúdo de proteína e de óleo. Por todos estes fatores, o grão de soja argentino, brasileiro, chinês ou americano não terá a mesma composição de proteína e de óleo, e isso incidirá no rendimento dos subprodutos obtidos no processo industrial.

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Os resultados dos fatores de conversão apresentados neste trabalho são valores médios no mundo, de acordo com as diversas percentagens de óleo e proteína registradas nas regiões ou países. Para o óleo bruto, os valores de obtenção estão em proporção direta com o conteúdo de óleo do grão. Em geral, fazendo a média dos rendimentos de óleo de regiões muito diferentes, pode-se falar da obtenção padrão de 20% de óleo bruto (com gomas) antes de separar os fosfatídeos ou gomas, com relação à soja ingressada e processada na indústria. No caso da farinha, podemos ter um rendimento da farinha High Pro entre 74% e 75% em países como o Paraguai e o Brasil, níveis entre 70% e 71% na Argentina e valores intermediários nos Estados Unidos. Como resultado das consultas com especialistas, foi estabelecida uma média geral de 72% de rendimento das farinhas High Pro, como parâmetro internacional, e um valor de 78,5% das farinhas Low Pro. Com relação ao rendimento do pellet de casca de soja, aceita-se o valor de 6,5%, com uma diferença pouco signicativa entre as plantas industriais de diversos países. Para o óleo bruto, os valores de obtenção estão em proporção direta com o conteúdo de óleo do grão. Em geral, fazendo a média dos rendimentos de óleo de regiões muito diferentes, pode-se falar da obtenção padronizada de 20% de óleo bruto antes de separar os fosfatídeos ou gomas (óleo bruto com gomas). Uma vez separados os fosfatídeos ou gomas, obtém-se 0,6% de lecitina, portanto, o rendimento nal do óleo degomado é 19,4%. Finaliza assim a primeira industrialização da soja. A partir do óleo bruto degomado são obtidos os subprodutos da segunda industrialização da soja: óleo refinado, biodiesel e glicerol. Previamente, na etapa de preparação do óleo, efetua-se a neutralização que produz uma perda que pode ser de aproximadamente 2,0%. Depois, no processo de transesterificação, obtém-se o biodiesel junto com um subproduto chamado glicerol. Considerando a mencionada perda de 2% na preparação do óleo bruto degomado, o rendimento seria de 17,4% entre biodiesel e glicerol, correspondendo 15,7% a biodiesel e 1,7% a glicerol. No caso do óleo destinado ao consumo humano, depois da neutralização (com uma perda de 2%), efetuase a renação, que inclui os processos de desodorização e branqueamento, nos quais ocorre uma perda adicional de aproximadamente 0,3%. Assim, pode-se concluir num rendimento total de 17,1% para o óleo refinado, com uma perda total que pode chegar a 2,3%. Estes são valores de referência estimados a partir de grande quantidade de consultas com especialistas, câmaras industriais, gerentes de fábricas de moagem de soja e fabricantes de equipamento. Esses valores são consistentes com os publicados na literatura internacional. Os fatores de conversão estabelecidos para os subprodutos da soja são valores médios no mundo, portanto, podem diferir do valor padrão de um país ou região em particular.

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Anexos

Anexo 1: sobre a Universidade Austral A Universidade Austral se propõe servir a sociedade através da busca da verdade em todas suas dimensões, mediante o desenvolvimento e a transmissão de conhecimento com visão universal. No centro de sua missão universitária está a pessoa como fim de todas suas atividades de docência, pesquisa, transferência, assistência médica e extensão universitária. A Universidade Austral está entre as duas melhores universidades da Argentina e é a primeira de gestão privada, segundo os QS World University Rankings. Eis algumas de suas posições de destaque: • #1 da América Latina com menos de 50 anos (QS Top 50 Under 50) • #1 da Argentina em empregabilidade (QS Graduate Employability Rankings) • #11 da América Latina Esta Casa de Estudos conta com três sedes, uma situada na zona de Pilar, outra na Capital Federal e a terceira na cidade de Rosário.

Na sede de Rosário está localizado o Centro de Agronegócios e Alimentos (CEAg), uma entidade especializada e de alto nível acadêmico cuja missão é impulsionar, a partir da cidade de Rosário, o fortalecimento das cadeias de valor agroalimentares e das instituições relacionadas, como motor para o desenvolvimento humano, econômico e social de longo prazo da Argentina, através da formação e da pesquisa aplicada.

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Para alcançar esta finalidade, o CEAg desenvolve quatro eixos de ação: • Um MBA em Agronegócios, que se encontra no pódio mundial dos três melhores MBA de Agribusiness do mundo e é o melhor posicionado da América Latina, segundo o ranking Eduniversal, o mais prestigioso desta categoria. • Uma Área de Estudos de Agronegócios e Alimentos que promove projetos de pesquisa aplicada e gera um espaço de reexão e análise sobre os principais desaos enfrentados pelo agronegócio. • Programas de formação executiva, seminários e cursos nas áreas temáticas mais relevantes do agronegócio. • Atividades de extensão, para o desenvolvimento diretivo das PeMEs dos segmentos agroindustriais. Desta forma, o centro promove, no âmbito universitário, a capacidade dos segmentos agroindustriais para criar e liderar oportunidades e tendências relacionadas com o agronegócio e os alimentos, a partir do nosso país, para a região e o mundo. Por que um Centro de Agronegócios e Alimentos em Rosário? A localização geográfica estratégica e a projeção regional da cidade de Rosário e seus arredores a colocam como um dos principais centros de tomada de decisões da Argentina, porque: • As exportações de cereais, oleaginosos, óleos, etc. realizadas nos portos da Grande Rosário e do rio Paraná alcançam 75% do total exportado por nosso país. • A denominada Região Centro (províncias de Córdoba, Entre Rios e Santa Fé) conta com 20% da população da Argentina e representa 19% do PIB. • A zona Rosafé concentra 70% da produção das exportações agrícolas de produtos e subprodutos do nosso país. • A região tem a maior participação nas exportações frigorícas do país e nesta área se encontra o complexo lácteo mais importante da América Latina.

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Anexos

Anexo 2: sobre os autores Roberto J. Feeney É Licenciado em Economia (UBA, 1985), MBA (IAE, 1989), Doutor em administração de empresas, orientação em gestão da inovação (UQUAM, Montreal, Canadá 2004). Atualmente, é professor e diretor de investigação aplicada do Centro de Agronegócios e Alimentos da Universidade Austral. Suas pesquisas estão focalizadas nas seguintes áreas: Gestão da Inovação, Inovação estratégica, Inovação e Recursos Naturais. Dirige a “Pesquisa Nacional das Necessidades do Produtor Agropecuário” que a Universidade Austral desenvolve em pareceria com a Universidade de Purdue, dos EUA. Foi diretor do estudo “Comer de forma saudável e exportar segurança alimentar para o mundo: contribuições para uma Política Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional”. É autor de numerosos trabalhos de pesquisa acadêmica entre os quais se destacam: “Analyzing Value Chains In Agribusiness: A Literature Review” Mac Clay-Feeney, IFAMR, janeiro de 2019. “Food Security in Argentina: A Production or a Distribution Problem?” International Food and Agribusiness Management Review Journal, (2016), Volume 19, Issue 2., “Seed Market Segmentation in Argentina: How Do Farmers Buy Their Expendable Inputs?”, IFAMA Journal, Vol. 16, Issue 1, 2013, “Agricultural Capital Equipment Segmentation in Argentina”, IAMA conference 2012, Shanghai, China, “Agricultural Financial Market Segments in Argentina”, IAMA conference 2012, Shanghai, China. Também é autor de vários casos de negócios, com destaque para “Bioceres, Ag Biotechnology from Argentina”. Ao longo de sua carreira prossional ocupou as seguintes funções de destaque: Diretor do projeto “Necessidades do produtor agropecuário argentino” (2009-2018), Diretor Acadêmico do Centro de Agronegócios da Universidade Austral (2004-2009), Vice-diretor da Faculdade de Ciências Empresariais da Universidade Austral (2004-2006), Co-diretor do Programa MBA – Universidade Austral (2004-2006), Professor de Gestão da Inovação – Universidade Austral (2004-2009), Visiting Professor IEEM Business SchoolMontevidéu, Uruguai (2004-2006), Diretor do Curso de Ciências Empresariais (1990-1998), Professor de Economia – Universidade Austral (1990-1998), Professor de Economia -Universidade de Buenos Aires (1985-1990).

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Sergio Grossman É Engenheiro Civil pela Universidade Nacional de Rosário (1990), MBA do IAE Business School pela Universidade Austral (2007) e Doutor em Administração Pública por AIU (EUA – 2014). Possui um curso de pós- graduação em Gestão Ambiental da Faculdade de Engenharia da Universidade Austral (2004). É professor titular das disciplinas Economia e Organização e de Engenharia Legal na Faculdade de Engenharia da Universidade Nacional de Rosário. É professor no curso de Pós-graduação em Engenharia Estrutural da mesma Faculdade. Na Universidade Austral, é responsável pelas cadeiras de Operações Agroindustriais I e II da Licenciatura em Agronegócios. Também é professor no Mestrado em Agronegócios, nas cadeiras Análise de Situações de Negócios e Entrepreneurship em Agronegócios. Em 2017 dirigiu o curso denominado Diploma em Gestão Frutihortícola Sustentável para produtores, do Grupo ARCOR. Ao longo de sua carreira, ocupou as seguintes funções: Diretor Geral de Obras Públicas do Município de Rosário, Gerente de Operações de Águas Provinciais e Gerente de Produção, Qualidade e Meio Ambiente na empresa Águas Santafesinas S.A. Foi Diretor de Operações na empresa Ondeo Service America Latina, pertencente ao grupo Suez Environment. Nessa companhia, dirigiu diversos projetos no Chile, Bolívia, México e Argentina. Atualmente, é consultor de empresas relacionadas com o agronegócio, especializado em processos, qualidade e gestão empresarial.

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Glossário Biodiesel: é um combustível produzido a partir de matérias-primas graxas renováveis, de origem animal ou vegetal. Entre estas últimas, podemos identicar os óleos de canola, girassol, palma, amendoim e soja. O biodiesel com base na soja se obtém a partir do óleo bruto degomado em um processo industrial chamado transestericação.

Enchimento dos grãos: é um processo que ocorre nas últimas etapas de crescimento da planta de soja. Caracteriza-se pelo rápido crescimento da semente e a redistribuição do peso seco e dos nutrientes da planta para as sementes em crescimento. O enchimento dos grãos de soja acaba quando eles alcançam sua maturidade fisiológica.

Farinha High Pro: é um tipo de farinha com alto conteúdo de proteínas e baixa quantidade de bra. Contém entre 47,5% e 49% de proteínas, um máximo de 3,5% de bra e 12% de umidade, de acordo com as normativas da National Oilseed Processors Association (NOPA). Utiliza-se na alimentação de animais monogástricos, como frangos e porcinos.

Farinha Low Pro: é um tipo de farinha com baixo conteúdo proteico e alta quantidade de bra. Contém 44% de proteínas, um máximo de 7% de bra e 12% de umidade, de acordo com as normativas da National Oilseed Processors Association (NOPA). Utiliza-se na alimentação do gado bovino, fundamentalmente.

Glicerol: comercialmente, chamado glicerina, quando se encontra puricado, é um álcool que se apresenta como um líquido incolor, inodoro e com suave sabor doce.

Grão de soja: é o fruto da soja quando é utilizado como matéria-prima para sua posterior transformação em produtos alimentícios, industriais e farmacêuticos.

Lecitina: é um lipídio que contém fósforo (fosfolipídio). É extraído junto com o óleo bruto e é eliminado na etapa de degomagem. É um agente emulsicante que se utiliza na indústria alimentícia. Tem a capacidade de ligar-se, ao mesmo tempo, à matéria graxa e à água numa mistura de ingredientes.

Miscela: é uma mistura de óleo com solvente (hexano) que se obtém na subetapa industrial de extração do óleo e obtenção da farinha.

Moagem de soja: é a etapa industrial na qual o grão de soja é moído, obtendo-se o óleo bruto, farinhas, pellet da casca e lecitina.

Neutralização: é o processo pelo qual os ácidos graxos livres, responsáveis pela acidez do óleo são eliminados, como etapa prévia à segunda industrialização do grão de soja.

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Óleo bruto: é o óleo que se extrai do grão de soja na etapa industrial da moagem, que contém também umas substâncias chamadas fosfatídeos ou gomas.

Óleo bruto degomado: é o óleo que se obtém na etapa industrial da moagem depois de separar os fosfatídeos ou gomas.

Óleo refinado de soja: é o óleo que se obtém como resultado dos processos de neutralização, desodorização e decoloração do óleo bruto degomado, para torná-lo apto para o consumo humano.

Pellets de casca de soja: são pequenas porções, em forma de cilindro, da casca de soja aglomerada. São utilizados como alimento para o gado bovino, devido a seu alto conteúdo de fibra.

Semente de soja: é o fruto desta planta quando se utiliza para cultivar e produzir novas plantas de soja.

Transesterificação: é o processo químico pelo qual se produzem o biodiesel e o glicerol, na segunda industrialização do grão de soja.

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Outras fontes de informação - ACSOJA (Asociación Civil de la Cadena de la Soja) http://www.acsoja.org.ar - APROBIO (Asociación de Productores de Biodiésel de Brasil) https://aprobio.com.br - ASA (Asociación de Semilleros Argentinos) www.asa.org.ar - ASAGA (Asociación Argentina de Grasas y Aceites) www.asaga.org.ar/index.php - Bolsa de Comercio de Rosario www.bolsarosario.com - Departamentos de Bioingeniería Agrícola Principales Universidades USA y Europa (Purdue, Illinois, Iowa, Texas A&M, Ohio, North Dakota, Lasalle) - INTA (Instituto Nacional de Tecnología Agropecuaria) https://www.argentina.gob.ar/inta - The American Oil Chemists´ Society www.aocs.org - U.S. Soybean Export Council https://ussec.org/

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Apêndice II

Fontes de fatores de conversão disponíveis ao público

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Hoste (IDH e WUR) Usa dados da cadeia de suprimentos? ✓

Usa revisão por pares? □

Pegada de soja de produtos de origem animal na Europa

Indicador

Nota (1-4)

Transparência do método

2

Autor(es):

Robert Hoste (WUR)

Confiabilidade do método

3

Financiador(es):

Iniciativa de Comércio Sustentável dos Países Baixos (IDH)

Confiabilidade das fontes

3

Publicado:

Site da Universidade de Wageningen

Aplicabilidade geográfica

2

Ano de publicação:

2016

Frequência de uso

1

Cobertura geográfica:

Utiliza dados de 10 países europeus

Variedade de proteínas estudadas

3

Nome da fonte:

Visão geral Quais foram o objetivo e o escopo da fonte de dados? A pesquisa não pretende ser abrangente e refere-se a si mesma como uma 'rápida verificação' que visa produzir uma estimativa específica por país da pegada de soja de quatro diferentes tipos de proteínas. Os resultados do estudo visam informar os varejistas sobre a pegada de soja dos produtos de proteína animal que vendem. Porém, as informações também podem ser usadas para conscientizar os consumidores, pois são fornecidas estimativas per capita da pegada de soja de cada país. O estudo compreende dez países europeus: Países Baixos, Suécia, Dinamarca, Alemanha, Reino Unido, Irlanda, Bélgica, França, Espanha e Itália. Método Como esses fatores foram definidos? Os fatores de conversão específicos de cada país foram definidos com base em dados específicos dos Países Baixos, de Hoste 2014 diferenças nos fatores de conversão das rações e a eficiência das rações por país. É apresentada uma lista dos recursos usados para calcular esses ajustes, incluindo correspondências com o setor e conjuntos de dados da Eurostat e da FEFAC. Não foi explicado claramente como eles foram usados para calcular os fatores de conversão específicos de um país ou quais recursos foram usados para calcular os fatores de conversão de países específicos. No entanto, afirma-se que os cálculos são baseados em dados de 2012-2014 em relação ao uso total de soja, ovos e carne de aves e, em caso contrário, de 2013-2015. Resultados kg de soja usados por unidade de produto

Produto

Unidade

kg de soja / unidade*

Ração (porco)

kg

0.094

Ração (ave de corte)

kg

0.260

Ração (ave de postura)

kg

0.154

Ração (gado leiteiro)

kg

0.154

Carne de porco

kg

0.440

Frango

kg

0.822

Ovo

kg

0.394

Leite

kg

0.036

ROUND TABLE ON RESPONSIBLE SOY ASSOCIATION (RTRS)

*Estes valores foram calculados pela 3Keel como média não ponderada dos valores referentes aos 10 países europeus estudados por Hoste. A IDH usa o mesmo método para resumir os dados no relatório do Monitor de Soja Europeu.

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Aplicabilidade à RTRS Os resultados são úteis, válidos e confiáveis?

• Os fatores de conversão da soja são calculados como um único produto, em vez de serem separados entre soja, farelo de soja e óleo de soja. A casca de soja não é contabilizado.

• A casca de soja usado nas rações é excluído dos cálculos, pois sua "participação enquanto commodity é insignificante".

• Foram encontrados dados específicos sobre os dez países europeus. Isso pode ser importante se a RTRS desejar desenvolver um recurso na calculadora que possibilite especificar a pegada de cada país. No entanto, isso não seria útil para as empresas cuja produção ocorre fora desses 10 países.

• O autor não esclarece o método usado para ajustar dados específicos sobre os Países Baixos. • Uma seleção relativamente pequena de proteínas animais (4 das 10 solicitadas pela RTRS) foi incluída no estudo, mas os fatores de conversão relativos a outros laticínios podem ser calculados com facilidade usando o fator de conversão do leite. Este também é o único estudo que apresenta fatores de conversão para ração animal que não são específicos aos Países Baixos ou ao Reino Unido.

• Os fatores de conversão calculados são referenciados no European Soy Monitor.

Hoste (WUR) Usa dados da cadeia de suprimentos? ✓

Usa revisão por pares? □

Nome da fonte:

Sojaverbruik in de Nederlandse diervoederindustrie 2011-2013

Indicador

Nota (1-4)

Transparência do método

3

Autor(es):

Robert Hoste (WUR)

Confiabilidade do método

3

Financiador(es):

Stichting Ketentransitie Verantwoorde Soja

Confiabilidade das fontes

3

Publicado:

Site da Universidade de Wageningen

Aplicabilidade geográfica

1

Ano de publicação:

2014

Frequência de uso

4

Cobertura geográfica:

Usa dados da cadeia de suprimentos dos Países Baixos

Variedade de proteínas estudadas

4

Visão geral Quais foram o objetivo e o escopo da fonte de dados? O objetivo da pesquisa é contabilizar a quantidade de soja usada pela indústria holandesa de ração animal entre 2011 e 2013. Trata-se de uma atualização de pesquisas anteriores realizadas por Hoste & Bulhuis (WUR), para substituir os dados de 2008-2010 por dados mais recentes e coletar dados de ainda mais empresas de ração animal. A pesquisa usa dados exclusivamente dos Países Baixos.

Método Como esses fatores foram definidos? Dez principais fabricantes de ração para animais - representando 65% da produção holandesa de alimentos (mais alguns outros fabricantes de alimentos para animais específicos) nos Países Baixos - foram contatados e lhes foram solicitadas informações sobre as rações que produzem. De acordo com as informações prestadas, foi calculada a média do teor médio de soja nas rações compostas para animais para produzir um fator de conversão referente à ração por tipo de animal. Dados da associação do setor de rações para animais (Nevedi) foram utilizados para calcular a quantidade de alimentos compostos produzidos nos Países Baixos por tipo de animal. Isso foi combinado com os fatores de conversão da ração animal (especificados acima) para calcular o volume de soja presente na ração composta produzida nos Países Baixos por tipo de animal. Esses dados foram ajustados para

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contabilizar as exportações de rações compostas, que, na ausência de informações estatísticas, foram estimadas em cerca de 5% da produção nacional. Dados da LEI Business Information Network também foram utilizados para calcular a quantidade de produto simples de soja usado na alimentação de animais por tipo de animal. A Hoste não explica, explicitamente, como os fatores de conversão foram calculados, mas pode-se supor que tenha sido calculado um fator de conversão para cada proteína animal por meio da soma da soja consumida como alimento composto por essa proteína (soja na produção de alimentos compostos multiplicada por 0,95) e da soja consumida como ração simples por essa proteína, dividida pela quantidade total de proteína animal produzida nos Países Baixos.

Resultados kg de soja usados por unidade de produto Produto

Unidade

kg soja/unidade

Ração (gado leiteiro)

kg

0.101

Ração (gado de corte)

kg

0.077

Ração (porcos)

kg

0.082

Ração (aves de capoeira)

kg

0.137

Ração (aves de corte)

kg

0.256

Ração (outros)

kg

0.065

Leite

kg

0.026

Carne bovina e vitela

kg

0.295

Carne de porco

kg

0.276

Ovos

kg

0.321

Aves (carne)

kg

0.665

Aplicabilidade à RTRS Os resultados são úteis, válidos e confiáveis?

• Os fatores de conversão foram calculados para a soja, o farelo de soja, o óleo de soja e a casca de soja. Os fatores de conversão do produto de soja (excluindo a casca) são considerados os mais aplicáveis, embora em alguns locais sejam fornecidos valores para o equivalente de soja. Isso não é acompanhado de uma explicação detalhada.

• Os fatores de conversão são calculados em relação ao peso da carcaça. Se o peso de varejo for mais útil para os usuários da calculadora, serão necessários cálculos adicionais para converter os fatores de peso da carcaça para peso de varejo.

• Os dados são específicos aos Países Baixos e, portanto, os resultados podem não ser aplicáveis em outros locais.

• Uma seleção relativamente pequena de proteínas animais (5 das 10 solicitadas pela RTRS) foi incluída no • •

estudo, mas os fatores de conversão relativos a outros laticínios podem ser calculados com facilidade usando o fator de conversão do leite. Outros trabalhos, incluindo Kross & Kuepper (Profundo) e Hoste (WUR e IDH), usam esses fatores de conversão de ração como linha de base em seus fatores de conversão. A versão anterior deste trabalho é bem citada; isso foi considerado na nota de 'Frequência de uso’. Os fatores de conversão foram referenciados por Jennings, Sheane e McCosker (3Keel), WWF e CGF, além dos dois trabalhos acima.

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Kroes & Kuepper Usa dados da cadeia de suprimentos? ✓

Usa revisão por pares? ✓

Nome da fonte:

Mapping the soy supply chain in Europe

Indicador

Nota (1-4)

Autor(es):

Hassel Kroes e Barbara Kuepper

Transparência do método

3

Financiador(es):

WWF (Países Baixos)

Confiabilidade do método

3

Publicado:

Site do WWF (Países Baixos)

Confiabilidade das fontes

3

Ano de publicação:

2015

Aplicabilidade geográfica

3

Cobertura geográfica:

Usa dados dos 28 países da UE-28

Frequência de uso

3

Variedade de proteínas estudadas

3

Visão geral Quais foram o objetivo e o escopo da fonte de dados? Esta pesquisa foi encomendada pelo WWF (Países Baixos) para embasar um infográfico do WWF que ilustra a pegada de soja do consumidor médio da UE. O objetivo do infográfico foi conscientizar os consumidores e empresas sobre a quantidade de soja incorporada aos produtos que consomem. Apresenta dados sobre a produção e o comércio globais de soja e o uso de soja na UE-28. Foram incluídos dados de produção de soja por país, área global de terra dedicada à produção de soja, dados de exportação de soja por país e dados de importação de soja por país. Método Como esses fatores foram definidos? Dados de Hoste (WUR) foram utilizados como estimativa dos fatores de conversão de soja referentes a diversas rações para animais. A Hoste não apresentou uma estimativa do teor de soja na alimentação de peixes de criação e, portanto, foi feita uma estimativa com base nos dados da filial norueguesa da Skretting, uma empresa global de aquicultura. Para calcular o teor de soja em diferentes proteínas animais, foram utilizados três conjuntos de dados distintos: - Os fatores de conversão referentes à ração para animais, com base nos procedimentos acima. - Dados da FEFAC sobre o volume de farelo de soja utilizado como ração simples para animais na UE-28. - Dados sobre o volume de ração composta para animais produzido (por tipo) na UE-28 em 2013 (com base nos dados da FEFAC). - Um fator de multiplicação. Ao compararem a soma dos alimentos compostos e alimentos simples produzidos (com base nos dados da FEFAC) com os dados comerciais da Eurostat sobre a soja consumida na UE-28, os autores verificaram que, segundo os dados da FEFAC, a soja produzida ficou bem abaixo do esperado e, portanto, calcularam um fator de multiplicação de 1,73 para corrigir a situação. - Dados sobre o volume de produtos pecuários produzidos na UE-28 em 2013 (da Eurostat). O volume de ração composta produzida para animais (volumes de ração composta produzida de acordo com a FEFAC, multiplicados pelo fator de multiplicação) é multiplicado pelo fator de conversão da ração, a fim de obter-se o volume de soja usado na ração para cada tipo de proteína. Soma-se, então, o volume de farelo de soja usado como ração simples e o total é dividido pelo volume de produto pecuário para calcular os fatores de conversão de cada tipo de proteína. Isso produz um fator de conversão com base no peso da carcaça, que é, então, convertido em um fator baseado no peso de varejo, com base em informações da Meat Suite e do serviço agrícola estrangeiro do USDA. No caso de laticínios, é usado um fator de conversão referente aos kg de leite por kg de produto para calcular os fatores de conversão da soja. Não fica claro qual é a fonte dos fatores de conversão dos laticínios. ROUND TABLE ON RESPONSIBLE SOY ASSOCIATION (RTRS)

— 64


Resultados kg de soja usados por unidade de produto Producto

Unidade

kg soja/unidade

Carne bovina

kg

0.456

Carne de porco

kg

0.508

Frango

kg

1.089

Outras carnes

kg

1.436

Ovos

unidade

0.035

Leite

kg

0.033

Queijo

kg

0.246

Manteiga

kg

0.040

Leite condensado

kg

0.073

Leite em pó

kg

0.311

Outros laticínios

kg

0.033

Peixes de criação

kg

0.738

Ração para peixes de criação

kg

0.339

Aplicabilidade à RTRS Os resultados são úteis, válidos e confiáveis?

• Os fatores de conversão foram calculados para a soja, o farelo de soja e o óleo de soja. Isso tem potencial se a calculadora for capaz de diferenciar entre esses produtos.

• A casca de soja usada nas rações é excluída dos cálculos, pois sua "participação enquanto commodity é insignificante".

• O autor declara que o fator de conversão da ração para peixes de criação (e, consequentemente, também para os próprios peixes de criação) "não costuma ser aplicável" devido às diferenças nos teores das rações usadas com diferentes espécies de peixes e à natureza específica dos dados utilizados.

• Dados específicos sobre os Países Baixos foram usados para estimar os fatores de conversão para a ração usada na alimentação de animais. Esses fatores de conversão talvez não se apliquem ao resto da UE-28, fato que é reconhecido pelos próprios autores, que explicam que faltam dados detalhados sobre o teor médio de soja na ração usada na UE.

• Todos os dados utilizados são específicos à UE-28 e, portanto, podem não ser aplicáveis fora da Europa. • Compreendem a maioria dos produtos cujos fatores de conversão foram solicitados pela RTRS, à

exceção de cordeiro, salmão, iogurte, crème fraiche, creme e chocolate. Seria possível calcular os FCs dos laticínios com base no FC do leite, mas o chocolate seria mais complexo, pois a lecitina de soja não poderia ser contabilizada com base nesses dados.

• Não é explicada a origem dos fatores usados para converter o leite em laticínios. Portanto, é possível que eles não sejam válidos.

• Embora os fatores de conversão sejam calculados por meio da soma dos produtos de soja (e não

dos equivalentes de soja), o Apêndice 2 apresenta um método para calcular os equivalentes de soja, incluindo a casca de soja. Baseia-se na proporção de esmagamento e no valor de mercado.

ROUND TABLE ON RESPONSIBLE SOY ASSOCIATION (RTRS)

— 65


Schreiber, Villa Garcia, Allen (3Keel) Usa dados da cadeia de suprimentos? ✓

Usa revisão por pares? □

Moving to deforestation free animal feed: 2018 Retail Soy Initiative

Indicador

Nota (1-4)

Transparência do método

3

Autor(es):

Schreiber, Villa Garcia e Allen (3Keel)

Confiabilidade do método

3

Financiador(es):

Sete grandes varejistas do Reino Unido

Confiabilidade das fontes

4

Publicado:

Site da 3Keel

Aplicabilidade geográfica

1

Ano de publicação:

2019

Frequência de uso

1

Cobertura geográfica:

Usa dados especificamente sobre produtos vendidos no Reino Unido

Variedade de proteínas estudadas

3

Nome da fonte:

Visão geral Quais foram o objetivo e o escopo da fonte de dados? Este relatório tem como objetivo apresentar uma visão geral do uso de soja nas cadeias de suprimentos de varejo do Reino Unido. Busca: 1. Quantificar a quantidade de farelo de soja presente na ração para animais usada em 2018 2. Identificar onde a soja foi reduzida 3. Determinar qual parcela do farelo de soja usada possui certificação reconhecida como livre de desmatamento. Embora fatores de conversão de outros estudos tenham sido usados nos casos em que não havia dados primários disponíveis sobre o uso da soja, também foram colhidas informações sobre a quantidade de soja contida na ração de animais. Essas informações foram usadas para definir os fatores de conversão de soja fornecidos abaixo para as rações. Método Como esses fatores foram definidos? Os dados sobre ração foram obtidos com os produtores e abarcam 59% da soja contemplada neste estudo. Visto que os varejistas do estudo representam, aproximadamente, 78% do mercado de varejo de alimentos do Reino Unido, esses dados sobre ração para animais cobrem, portanto, cerca de 46% da soja vendida por varejistas no Reino Unido. Não foram realizados cálculos com esses dados; foi apresentada uma faixa usando o teor mínimo de soja nos alimentos fornecidos por um determinado fornecedor, bem como o teor máximo.

Resultados kg de soja usados por unidade de produto Produto

Unidade

kg soja/unidade

Ração (carne bovina)

kg

0 – 0.18

Ração (laticínios)

kg

0 – 0.23

Ração (aves de capoeira)

kg

0.10 – 0.21

Ração (porcos)

kg

0.05 – 0.18

Ração (aves de corte)

kg

0.15 – 0.26

ROUND TABLE ON RESPONSIBLE SOY ASSOCIATION (RTRS)

— 66


Aplicabilidade à RTRS Os resultados são úteis, válidos e confiáveis?

• As faixas de teor de soja na ração para animais são muito amplas; portanto, mesmo que se use uma estimativa intermediária, isso pode reduzir a precisão do fator resultante de conversão de soja.

• Os fatores de conversão fornecidos incluem o teor de casca de soja, grão de soja e óleo de soja. • Os fatores de conversão fornecidos referem-se especificamente aos alimentos vendidos no Reino Unido, embora alguns possam ter sido produzidos em outros países. Isso significa que eles não podem, necessariamente, ser aplicados em outros países.

• Os fatores de conversão são baseados em dados de uma grande variedade de produtores de proteínas de todo o Reino Unido. Portanto, podem ser mais precisos (no contexto do Reino Unido) do que fatores de conversão baseados em dados de uma variedade mais limitada de produtores.

• Os resultados mostram que a soja foi eliminada da dieta dos bovinos de corte em algumas cadeias de suprimentos britânicas e irlandesas, o que significa que o fator de conversão da carne bovina produzida no Reino Unido pode ser menor do que em outros países.

Young (SFT) Usa dados da cadeia de suprimentos? ✓

Usa revisão por pares? □

Nome da fonte:

Are dairy cows and livestock behind the growth of soya In South America?

Indicador

Nota (1-4)

Transparência do método

4

Autor(es):

Richard Young (SFT)

Confiabilidade do método

2

Financiador(es):

SFT (Sustainable Food Trust)

Confiabilidade das fontes

1

Publicado:

Site da SFT

Aplicabilidade geográfica

1

Ano de publicação:

2017

Frequência de uso

1

Cobertura geográfica:

Usa dados específicos sobre o Reino Unido

Variedade de proteínas estudadas

1

Visão geral Quais foram o objetivo e o escopo da fonte de dados? Este artigo foi produzido pela SFT após outro artigo da SFT intitulado 'Milk: The Sustainability Issue' ter suscitado questões dos leitores sobre o uso da soja no leite, assunto que não foi integralmente tratado no artigo original. As questões levantadas e abordadas foram: 1. Quanta soja é usada na produção de leite e de outros laticínios e que proporção isso representa do uso total de soja? 2. A produção de leite de soja utiliza menos grãos de soja do que a produção de leite bovino? 3. A soja usada na produção pecuária é um dos principais impulsionadores da produção de soja, como fomos levados a acreditar? O foco é o uso de soja no Reino Unido. Afirma-se que a produção de leite de soja usa mais soja por litro que a produção de leite bovino, e que a demanda por óleo de soja, e não por farelo de soja, determina quanta terra é destinada ao cultivo de soja.

ROUND TABLE ON RESPONSIBLE SOY ASSOCIATION (RTRS)

— 67


Método Como esses fatores foram definidos? Três conjuntos distintos de informações foram utilizados para calcular o fator de conversão do leite: - Um valor do DEFRA representando o volume total de farelo de soja usado em rações para animais em 2016 - Uma estimativa de qual parcela desse valor é usada na ração de vacas leiteiras, fornecida por e-mail pelo departamento de estatística do Defra. O intervalo fornecido se estende de 8% a 15% - Uma estimativa de quantos litros de leite foram produzidos no Reino Unido em 2016 (com base em uma fonte desconhecida de dados sobre vendas líquidas de leite, dados da AHDB Dairy sobre a quantidade de queijo produzido e um fator para calcular a quantidade de leite necessária para produzir 1 kg de queijo). O volume total de farelo de soja usado na produção de laticínios é calculado multiplicando-se o volume de soja usado na ração de animais pelo percentual usado na alimentação de vacas leiteiras (usando os valores mais altos e mais baixos da faixa). O resultado é, então, dividido pela estimativa de litros de leite produzidos, a fim de chegar a um fator de conversão para os litros de leite produzido / kg de soja usado. Resultados kg de soja utilizada por unidad de producto Produto

Unidade

kg soja/unidade*

Leite

Litro

0.0128

*Baseia-se no fator de conversão fornecido por Richard Young, em formato de litros de leite / kg de soja. Dois fatores de conversão foram fornecidos por Richard Young (uma estimativa alta e uma estimativa baixa); ambos, portanto, foram divididos por 1 para produzir um fator de conversão para kg de soja / litro de leite. Foi feita uma média para produzir uma estimativa intermediária.

Aplicabilidade à RTRS Os resultados são úteis, válidos e confiáveis?

• As estatísticas fornecidas sobre o uso de farelo de soja no Reino Unido, que indicam que 35% de todas as importações de soja e 48,7% do farelo de soja são fornecidos a animais, parecem ser inconsistentes com outras pesquisas baseadas no uso de soja (por exemplo, Jennings, Sheane & McCosker (3Keel) afirmam que 90% da soja no Europa e 70% da soja no mundo são usados na produção de ração para animais e, geralmente, presume-se que quase todo o farelo de soja seja usado na produção de ração para animais). Os valores da SFT são atribuídos a dados do DEFRA.

• O e-mail do DEFRA - que fornece a estimativa de 8% a 15% para a parcela de farelo de soja usada na ração utilizada na alimentação de gado leiteiro - deixa uma grande margem de erro e, portanto, mesmo que se use uma estimativa intermediária, o cálculo do fator de conversão de soja será impreciso.

• Os dados usados nesse cálculo referem-se exclusivamente ao farelo de soja, ignorando os teores de óleo de soja, grãos de soja e casca de soja.

• Muitos dos links incluídos para as fontes de dados não funcionam e, portanto, as estatísticas usadas não podem ser rastreadas.

• Todos os dados utilizados são específicos do Reino Unido (que o autor reconhece que pode usar menos soja na produção de laticínios devido à adequação do Reino Unido e da Irlanda à bovina à pasto.

• Apenas um produto recebe fator de conversão, embora seja fácil calcular o fator de conversão do queijo com base na estimativa, já que são necessários aproximadamente 10 litros de leite para produzir 1 kg de queijo. Outros fatores de conversão de laticínios provenientes de fontes externas também podem ser usados para estimar os fatores de conversão de soja de outros laticínios.

ROUND TABLE ON RESPONSIBLE SOY ASSOCIATION (RTRS)

— 68


Van Gelder, Kuepper & Vrins (Profundo) Usa dados da cadeia de suprimentos? ✓

Usa revisão por pares? □

Soy Barometer 2014: A research report for the Dutch Soy Coalition

Indicador

Nota (1-4)

Transparência do método

3

Autor(es):

Van Gelder, Kuepper & Vrins (Profundo)

Confiabilidade do método

3

Financiador(es):

Coalizão Holandesa de Soja

Confiabilidade das fontes

3

Publicado:

Site da Both Ends

Aplicabilidade geográfica

1

Ano de publicação:

2014

Frequência de uso

2

Cobertura geográfica:

Usa dados da cadeia de suprimentos dos Países Baixos

Variedade de proteínas estudadas

3

Nome da fonte:

Visão geral Quais foram o objetivo e o escopo da fonte de dados? O relatório foi elaborado para Coalizão Holandesa de Soja, uma colaboração de ONGs nos Países Baixos que inclui a Both Ends, a OxfamNovib e o WWF-Países Baixos. A Coalizão Holandesa de Soja tem como objetivo incentivar as partes interessadas da cadeia de suprimentos a produzirem soja com responsabilidade e substituírem a soja na ração usada na alimentação de animais por outras proteínas; esses objetivos foram levados em consideração na elaboração do relatório, que abrange a produção global de soja, o uso de soja nos Países Baixos e os padrões de sustentabilidade. Método Como esses fatores foram definidos? Para calcular o teor de soja em diferentes proteínas animais, foram utilizados quatro conjuntos de dados distintos:

• Os fatores de conversão de ração animal, com base nos fatores de conversão calculados por Hoste (WUR). O método utilizado é explicado separadamente.

• Dados da FEFAC sobre o volume de farelo de soja utilizado como ração simples para animais nos Países Baixos.

• Dados sobre o volume de ração composta para animais produzido (por tipo) nos Países Baixos em 2013 (com base nas estatísticas da FEFAC).

• Um fator de multiplicação. Ao compararem a soma dos alimentos compostos e alimentos simples

produzidos (com base em dados da FEFAC) com os dados comerciais da Eurostat sobre a soja consumida nos Países Baixos, os autores verificaram que, segundo os dados da FEFAC, a soja produzida ficou bem abaixo do esperado e, portanto, calcularam um fator de multiplicação de 1,27 para corrigir a situação.

Dados sobre o volume de produto proteico produzido nos Países Baixos (foram utilizados dados de • Product Boards, a partir de 2013 no caso da produção de aves e laticínios e a partir de 2012 no caso de outros setores pecuários, com ajustes feitos a partir de dados do Serviço de Estatística Holandês de 2013). O volume de ração composta produzida para animais (volumes de ração composta produzida de acordo com as estatísticas da FEFAC multiplicados pelo fator de multiplicação) é multiplicado pelo fator de conversão da ração, a fim de obter-se o volume de soja usado na ração de cada tipo de proteína. Soma-se, então, o volume de farelo de soja usado como ração simples e o total é dividido pelo volume de produto

ROUND TABLE ON RESPONSIBLE SOY ASSOCIATION (RTRS)

— 69


pecuário para calcular os fatores de conversão de cada tipo de proteína. Assim, é produzido um fator de conversão para as proteínas de carne com base no peso da carcaça. No caso de laticínios, é usado um fator de conversão referente aos kg de leite por kg de produto para calcular os fatores de conversão da soja. Não fica claro qual é a fonte dos fatores de conversão dos laticínios.

Resultados kg de soja usados por unidade de produto Produto

Unidade

kg soja/unidade

Carne bovina

kg

0.400

Carne de porco

kg

0.336

Frango

kg

0.605

Outras carnes

kg

0.261

Ovos

Unidades

0.036

Leite

kg

0.034

Produtos lácteos (p. ex., iogurte)

kg

0.023

Queijo

kg

0.301

Manteiga

kg

0.034

Leite condensado

kg

0.073

Leite em pó

kg

0.286

Outros laticínios

kg

0.034

Aplicabilidade à RTRS Os resultados são úteis, válidos e confiáveis?

• Os fatores de conversão foram calculados para a soja, o farelo de soja e o óleo de soja. Isso tem potencial se a calculadora for capaz de diferenciar entre esses produtos.

• A casca de soja usada nas rações é excluída dos cálculos, pois sua "participação enquanto commodity é insignificante".

• Dados específicos sobre os Países Baixos são usados em toda a pesquisa e a pesquisa se destina, principalmente, ao uso por partes interessadas da cadeia de suprimentos da soja nos Países Baixos. Os fatores, portanto, podem não ser amplamente aplicáveis se o objetivo for calcular a pegada de soja de proteínas animais produzidas em outros locais.

• Compreendem a maioria dos produtos cujos fatores de conversão foram solicitados pela RTRS, à exceção de cordeiro, peixes de criação, salmão, iogurte, crème fraiche, creme e chocolate. Seria possível calcular os FCs dos laticínios com base no FC do leite, mas o chocolate seria mais complexo, pois a lecitina de soja não poderia ser contabilizada com base nesses dados.

• Não é explicada a origem dos fatores usados para converter o leite em laticínios. Portanto, é possível que não sejam válidos.

• Os fatores de conversão são fornecidos em relação ao peso da carcaça. No entanto, são incluídas estimativas da Meat Suite para conversão em peso de varejo, se for o caso.

• Embora os fatores de conversão sejam calculados por meio da soma dos produtos de soja (e não dos equivalentes de soja), o Apêndice 2 apresenta um método para calcular os equivalentes de soja, incluindo a casca de soja. Baseia-se na proporção de esmagamento e no valor de mercado.

• Os fatores de conversão são referenciados pela Both Ends e UKRT.

ROUND TABLE ON RESPONSIBLE SOY ASSOCIATION (RTRS)

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UTOQUAI 29/31 | 8008 ZURICH, SWITZERLAND info@responsiblesoy.org responsiblesoy.org ROUND TABLE ON RESPONSIBLE SOY ASSOCIATION (RTRS)

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Profile for Round Table on Responsible Soy Association (RTRS)

Documento de apoio técnico - Junho 2020 - Soy Footprint Calculator  

Documento de apoio técnico - Junho 2020 - Soy Footprint Calculator  

Profile for rtrs