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rtro magazine Nº 23

140+

Páginas

A nossa maior edição de sempre!


Enquanto preparava o alinhamento desta edição, percebi que haveria três artigos de fundo sobre estrelas Pop. Questionei-me se não seria demasiado, apesar de se tratar de uma revista de Moda e Cultura – a resposta surgiu quase tão rapidamente quanto a pergunta: não. A partir do momento em que a RTRO é um veículo de expressão cultural, deve acompanhar não só o ritmo mas a intensidade dos fenómenos que a rodeiam. Como tal, este mês dedicámos várias páginas a explorar os regressos de Miley Cyrus e Lady Gaga, assim como a polémica em torno do vídeo Blurred Lines. Não por se tratarem de fenómenos Pop isolados em si mesmos mas pelo conjunto de discussões e tópicos que movimentam à sua volta – desde a emancipação feminina, à sexualidade, passando pela criação da arte, entre outros.

rtro

Tratando-se da edição de Setembro-Outubro, a verdadeira pérola deste número consiste no nosso Especial Tendências, um pequeno suplemento interno onde incluímos rubricas com o que há de novo no mundo da Moda (Pronto-a-Vestir, Alta Costura e Acessórios), da Decoração, da Beleza e da Cultura. Encarem-no como o vosso guia para voltar ao ritmo caótico dos meses frios que se avizinham. Porque o Outono e o Inverno não têm de ser soturnos e apagados! Apesar de se aproximar do fim, Setembro continua com o seu forte impacto na agenda cultural internacional – incluindo a das revistas femininas e de toda a curiosidade e fascínio que rodeiam as edições do mês. Este ano, uma vez mais, retomamos o tema daquela que é a edição mais famosa do ano na imprensa de Moda.

Igualmente alvos de curiosidade e fascínio são as estrelas rock femininas que enchem de vida e rebeldia os palcos mundiais. Nesta edição, traçamos o retrato das Filhas do Rock. O mesmo espírito de rebeldia e humanidade é partilhado pela artista internacional Natália Gromicho, que tivemos a oportunidade de entrevistar, por ocasião da exposição LICE, que se avizinha. Descubram ainda porque é que esta RTRO cheira a Coco Mademoiselle.

Estas e outras coisas boas esperam-vos na nossa maior edição de sempre! Bom regresso ao trabalho/aulas! 

magazine

Editorial

Margarida Cunha Editora


rtro staff

editora Margarida Cunha redactores Ana Rodrigues

Helena Martins

Ana Cristina Silva

Margarida Cunha

Catarina Oliveira

Mariana Sá

Beatriz Subtil

Tiago Amorim

paginação Ana Dias Manuel Costa layout Manuel Costa fotografia Catarina Oliveira Ricardo Costa foto de capa Raphael Communaux

A rtro está sempre à procura de modelos, fotógrafos,stylists, maquilhadores, designers, que queiram colaborar, expor os seus trabalhos, se achas que tens o que é preciso contactanos para o nosso email.

geral@rtromagazine.com


6

10

14

Focus on Designer Hedi Slimane

Color me Cinzento

Blogger Chat

44

52

62

74

Cyrus, The Virus

LICE Manifesto Humanista contra a corrente 2013

Sessão Harvest Vine

INDÍCE

Room 91

Especial Tendências Out|Inv 13

102

106

114

118

Teen Choice Awards 2013

Sweet September

It Girl Abbey is coming

Da Arte e da Pop O Lugar de Gaga


20

24

34

38

Top5 dicas de beleza para ELES

Sessão Ninguém em Casa

Street Style

Filhas do Rock

76

80

88

86

94

96

Pronto-a-Vestir Rainha da individualidade

ACESSÓRIOS

Alta Costura Rumo Ao Infinito

DECORAÇÃO

MY PRECIOUS Colecções Outono-Inverno 2013

92

Tendências MAQUILHAGEM

Radar:Música

126

128

136

138

Smells like… COCO MADEMOISELLE

Blurred Liness

Romance e mistério: o equilíbrio perfeito

Ler. Ver. Ouvir.

140 Wishlist


Focus on Designers por Helena Martins


Hedi Slimane 6 – 7 | rtro


Focus on designers

Hedi Slimane. Um nome ainda não muito conhecido no mundo da Moda, mas que já esteve à frente de grandes marcas e sem dúvida um nome que ainda vai dar muito que falar. Nascido em Paris, aos 11 anos recebeu a sua primeira máquina fotográfica e desenvolveu o seu gosto por fotografia, mas foi aos 16 anos, sem ter a Moda em mente, que começou a fazer as suas próprias roupas. Estudou História da Arte e a partir dessa altura a Moda começou a fazer parte da sua vida. Passou por grandes casas de moda. Ficou à frente da colecção de homem de pronto-a-vestir na Yves Saint Laurent e mais tarde tornou-se director artístico da mesma. Escolheu deixar a marca, recusou uma oferta de director criativo na Jil Sander e aceitou tornar-se o director criativo da colecção de homem da Christian Dior. Ao longo destes anos, foi Hedi Slimane que vestiu David Bowie para as suas turnés e, além disso, Slimane criou o fato de Brad Pitt para o seu casamento. Apesar de nunca ter feito colecções para mulheres, vestiu celebridades como Madonna e Nicole Kidman, durante o seu tempo em Dior. Slimane distinguiu-se por redefinir a silhueta masculina. Em Julho de 2007, Slimane não quis renovar o seu contrato com a Dior Homme. A marca propôs-se ajudar o designer a criar a sua própria marca, mas as discussões falharam e o designer recusou. Até 2012 esteve afastado do mundo da Moda, mas sempre ligado à arte. Desta vez, através da fotografia, que já era uma paixão de infância. Criou o seu próprio blog de fotografia, intitulado Hedi Slimane Diary. Também colaborou em várias sessões fotográficas em grandes revistas de moda como fotógrafo. A capa do álbum de Lady


Gaga, Fame Monster, também foi fotografada pelo designer então fotógrafo. Várias exibições foram feitas com as suas fotografias, já consideradas obras de arte. A sua fotografia tem características muito fortes e quase todas a preto e branco. Mas foi em Março de 2012 que surgiu a oportunidade de voltar ao mundo da moda e de regressar para a casa onde começou a sua jornada no mundo da moda. Slimane tornou-se director criativo de Yves Saint Laurent, após a saída de Stefano Pilati que esteve à frente deste cargo durante oito anos. Muitas coisas têm mudado na marca desde que Hedi Slimane assumiu esse cargo, marcando assim a diferença e afirmando-se no mundo da Moda. Em vez de estar baseado na sede parisiense da marca, como têm feito todos os outros directores criativos da marca, ele decidiu ficar no seu estúdio em Los Angeles. Outra coisa, que desagradou a muitos foi a mudança do nome da marca para Saint Laurent Paris, caindo assim o Yves. Pode ter causado polémica, mas também pôs a marca na boca do mundo, enquanto se viam t-shirts com a frase “Ain’t Laurent Without Yves” por todos os cantos do mundo. As colecções que tem feito também têm criado grande polémica, mas a verdade é que não se pode agradar a gregos e troianos e a última colecção foi adorada por muitos críticos, mas para outros foi também considerada um grande erro do mundo da Moda. Mas se Slimane tem alguma coisa é a certeza na sua visão e enquanto cria algum choque aos críticos cépticos, ao mesmo tempo cria história. E vai criá-la durante muitos mais anos, através sua fotografia, à frente da Saint Laurent Paris e, talvez um dia, até com uma marca em seu nome.

8 – 9 | rtro


Color me

por Catarina Oliveira

Triste. Mau tempo. Mau humor. Depressão. A conotação que se atribui ao cinzento sempre foi sinónimo de algo melancólico e nunca positivo. Se o dia está cinzento, é um dia sem alegria. Mesmo na maneira de vestir, cinzento pode estar associado a um estilo pouco jovem, pouco interessante, e enfadonho. A moda vem questionar esse estereótipo. Cinzento pode ser e é divertido! É uma cor que ultrapassa limites ao estar inserida em formas pouco comuns. É a cor ideal para um batom bem vermelho ou um toque de verde esmeralda. É sofisticado e elegante nos conjuntos formais. É a cor base do clássico American Sportswear. É versátil e em algodão fluído e elástico podemos sentir-nos como a risk-taker Rihanna. Cinzento já não é velho, é jovem e pronto para mostrar a sua força no mundo da moda. Para uma transição suave de Verão para Inverno, esta é a cor ideal. A t-shirt básica nunca deixará de ser tendência e as malhas cinzentas são práticas de combinar. Mesmo em tecidos mais pesados, o cinzento não deixa de ser gracioso.

10 Crosby Derek Lam Resort 2014 mostra-nos uma versão informal e desportiva que nos faz querer usar calças todo o verão, numa atitude cool que a cor cinza parece transmitir. Dior Homme usa o clássico para rejuvenescer a cor nos corpos masculinos. Já a preparar-nos para a nova estação, Balenciaga e Gabriele Colangelo Pre-Fall 2013 abrem o espectro em color blocking com neutros e cores fortes, que evidencia o quão multifacetado o cinzento é. Um look mais feminino e outro com formas menos adelgaçantes, a tonalidade persiste em agradar a todos os gostos. Nesta palete se inserem as sugestões da RTRO. Para qualquer carteira ou opinião pessoal, a cor cinzenta vai ser um clássico no armário, perdurando por muito tempo, enquanto que, ao mesmo tempo, se assume como tendência para 2013 e 2014.


10 – 11 | rtro


Color me

chicnova 15.90â‚Ź

thehut.com 18.95â‚Ź


H&M 19.90€

Harrods.com 1536€

Jil Sander 451€

12 – 13 | rtro


Blogger Chat por Helena Martins

Room 91. Assim se intitula o blog de Inês Manique, uma rapariga de 25 anos de Lisboa e cheia de estilo. Claro que tudo isto se traduz num blog inspirador com fotografias de cortar a respiração. Um blog que não vais querer perder e agora podes ficar a conhecer um pouco mais sobre a blogger.


14 – 15 | rtro


Blogger chat

1. Quando e porque começaste o teu blog? Comecei o blog há sensivelmente 1 ano e poucos meses. Sempre gostei de pesquisar na net, era viciada no Tumblr e já seguia alguns blogs. O meu começou meio por acaso, inicialmente seria apenas para partilhar imagens inspiradoras, mas depressa evoluiu para o chamado “fashion blog”, uma vez que há muito me sinto fascinada por fotografia e moda. 2. E porquê o nome “Room 91”? Room91 foi um espaço criado por mim, inicialmente no Facebook, onde partilhava imagens que me inspiravam etc. Quando comecei o blog, fez todo o sentido que fosse esse o nome. 3. Em apenas três palavras, como definirias o teu blog? Pessoal, inspirador (assim o espero) e intransmissível. 4. No teu blog tens uma secção chamada “Room 91 Photography” e inclusive na edição passada da revista publicámos umas fotos tiradas por ti. A fotografia é algo que te vês fazer no futuro ou apenas um hobby? Sinceramente gostava muito de fazer da fotografia a minha vida. Já fiz vários trabalhos fotográficos, em diversas áreas, mas uma vez que estou a terminar um mestrado em engenharia electrotécnica, não tenho o tempo desejado para me dedicar à fotografia a 100%. 5. As pessoas reconhecem-te na rua? Muito pouco. Pelo menos, se reconhecem, não me abordam. Muito poucas vezes vieram falar comigo. 6. Como definirias o teu estilo? O meu estilo está muito virado para os neutros, os meus tão adorados preto e branco, algo minimalista. 7. O que estás a vestir neste momento? Umas sweat pants azuis e um top preto, simples. 8. Qual é a tendência que, sem dúvida, vais aderir na próxima estação? O padrão tartan é algo que me suscita bastante interesse. De resto, uma vez que neste momento estou de férias, não tenho tido tempo para pesquisar quais as principais tendências para a próxima estação. Mas sei que de certeza não vão faltar muitos pretos, leather e peças “loose” no meu closet.


16 – 17 | rtro


Blogger chat

9. E a tendência a que não vais mesmo aderir? Como referi em cima, ainda não estou muito por dentro das novas tendências, por isso ainda não encontrei nenhuma à qual diga não de certeza. 10. Qual foi a última peça de roupa que compraste? Um long top/vestido B&W reversível na Zara. 11. Quando te falta inspiração e não sabes o que vestir, qual é a primeira peça de roupa que te vem à cabeça? Leggins. Eu dou muita importância ao conforto, não gosto de andar na rua e sentir-me desconfortável. As leggins para mim são das peças mais confortáveis que há, e facilmente combinadas com outras peças mais out there. 12. Se tivesses de escolher qual o melhor blog de moda nacional, qual seria o teu eleito? São poucos os blogs nacionais que sigo sinceramente, mas os que sigo adoro. Se tiver de eleger um, é o Mexiquer da Sofia. É o blog com que me identifico a nível de estilo e de estética do blog. 13. Achas que a blogosfera nacional ainda está muito longe da blogosfera internacional ou já vês algumas semelhanças? Eu tenho assistido a um crescendo de qualidade nos blogs nacionais, arrisco-me a dizer mesmo que alguns não ficam nada atrás do que de melhor se vê na blogosfera a nível internacional. 14. O que é, para ti, a Moda? Moda para mim é uma extensão da personalidade de cada um, uma forma de expressão. 15. E o que é para ti ser blogger de moda? Sinceramente não ligo muito a essa “label”, limito-me a partilhar no meu blog conteúdos que acho interessantes e inspiradores, quer sejam de moda ou não. 16. Onde te vês daqui a 10 anos? Espero que a trabalhar em fotografia, é verdadeiramente o meu sonho. 17. A nossa revista chama-se RTRO. O que é, para ti, ser “retro”? Retro para mim, a nível de moda, é ir buscar peças e tendências passadas e trazê-las para o presente com um twist.


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Top

dicas de beleza para ELES por Tiago Amorim

5


Já lá vão os tempos em que nós, homens, levávamos apenas 20 minutos a prepararmo-nos para uma saída com amigos! Hoje em dia, o sexo masculino consegue valorizar a sua imagem de tal modo que até no próprio ritual de beleza já conseguiu adicionar mais componentes como o tratamento do cabelo, barba, sobrancelhas mas principalmente da pele. As dicas aqui escritas vão também poder ser seguidas também por eles!

Mãos Umas mãos bem cuidadas por vezes podem fazer a diferença, começando pelas unhas e acabando numa boa hidratação. Já conseguimos tratar quase todo o tipo de problemas nas unhas, até mesmo as mãos ressequidas. Algumas mulheres dão valor a um lindo sorriso, lábios carnudos, olhos claros… Outras apenas gostam de umas mãos macias e arranjadas! Para o sexo masculino a manicura pode sair bem mais em conta se alguma mãe, tia ou irmã estiver livre para ajudar!

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Top 5 - dicas de beleza para Elers

Pele Todos nós precisamos de esfoliar a pele no mínimo uma vez por semana, independentemente do nosso sexo, a remoção das células mortas faz com que fiquemos com uma pele mais lisa, limpa e até pode prevenir o aparecimento de pontos negros. A nossa pele precisa de extremo cuidado e hidratação. Podem obtê-la bebendo água diariamente e com a ajuda de cremes à base de aloé vera. A aloé vera é conhecida pelas suas propriedades regeneradoras e refrescantes, a must have nas nossas casas. Dentes Ninguém gosta de um sorriso amarelo, porém, obter uns dentes mais brancos a pouco custo pode ser prejudicial, como por exemplo, o uso de bicarbonato de sódio directamente nos dentes pode destruir o esmalte e torná-los mais sensíveis. Felizmente podem encontrar boas pastas dentífricas que branqueiam os nossos dentes de uma maneira segura, mas é um processo demorado que exige paciência e escovagens de mais longas. E como um sorriso branco nem sempre é acompanhado de um hálito fresco devese sempre investir num bom elixir para chegar às zonas onde a escova não chega, e é ainda capaz de deixar uma boa sensação de frescura por mais tempo.


Maquilhagem Um excelente tópico para elas e agora também para eles! A escolha dos nossos produtos de cosmética é um assunto delicado. Devemos essencialmente ter em conta o nosso tipo e de pele e o seu tom. No caso dos homens, o uso de produtos com cor como corretores, bases e pós devem ser matificantes para um acabamento natural e saudável. Podem perguntar a um conselheiro de perfumarias ou lojas de cosmética para um bom aconselhamento e esclarecimento de todas as dúvidas que possam ter acerca dos produtos certos a usar.

Sobrancelhas A zona do nosso rosto que pode mudar consoante a quantidade de pelo que removemos. As sobrancelhas finas já eram! A sobrancelha natural e delineada está novamente em voga. Relativamente ao sexo masculino, como não usa habitualmente sombras nem máscaras de pestanas com cor, os pontos de foco devem ser a barba e umas sobrancelhas bem desenhadas!

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NinguĂŠm em Casa Fotografia: Catarina Oliveira Modelo: Mariana Machado

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Ninguem em Casa


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Ninguem em Casa


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Ninguem em Casa


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Ninguem em Casa


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str sty por Ana Dias & Ana Rodrigues


reet yle 34 – 35 | rtro


StreetStyle

Ana Rodrigues

Ana Dias

T.shirt Zara Saia Pull & Bear Bolsa Pull & Bear Sandรกlias Juju gelly shoes

Kimono H&M (diy) Top Shana Saia Pull & Bear Oculos Retromarche Sandรกlias Berskha


António Faria

Márcia Martins

Camisola H&M Calções H&M Sapatilhas Nike

Camisa H&M Calças Loja local Sapatos Seaside Bolsa Loja local

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Filhas do

Rock por Helena Martins

No passado, não é novidade para ninguém, que os homens dominavam todas as indústrias existentes e a indústria da música não era excepção. Mas nos dias de hoje, o cenário é completamente diferente e o papel das mulheres no mundo da música é cada vez mais evidente. Elas têm marcado a história ao longo dos anos com a sua originalidade e têm influenciado o mundo da moda com as suas atitudes ousadas. Elas superaram o preconceito e além se serem seres humanos cheios de talento, elas, acima de tudo, representam força.


Janis Joplin Quem não se lembra de Janis Joplin? Ou quem não sabe quem é Janis Joplin? Mesmo quem não viveu nos seus tempos de glória, sabe quem ela é. Não só pela sua voz marcante, mas o seu estilo ousado ainda é revivido nos dias de hoje. Janis foi e continua a ser uma das maiores cantoras da música e do rock psicadélico internacional. Apareceu no final da década de 1960 e é até hoje um dos maiores ícones femininos no mundo. Os seus maiores sucessos? “Cry Baby”, “Mercedes Benz” e claro “Piece of my Heart”.

Debbie Harry Apesar dos seus trabalhos como actriz onde conta com mais de 30 filmes e da sua carreira a solo, Debbie Harry é mundialmente conhecida por ser a vocalista dos Blondie, um dos maiores sucessos no mundo da música na década de 70. Debbie é também uma das figuras mais emblemáticas quando se fala em punk rock, isto, pois o seu estilo ainda é fonte de inspiração para muita gente nos dias de hoje.

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Filhas do Rock

Taylor Momsen É a mais nova integrante desta lista, mas não por isso menos influente. Taylor Momsen tem conquistado o mundo do rock aos poucos. Conhecida mundialmente com a sua personagem na série Gossip Girl, Taylor deixou o mundo da representação para se dedicar a 100% à sua banda de rock The Pretty Reckless. No festival Revolver Golden Awards, juntou-se ao palco com Marilyn Manson, onde actuaram a famosa música do cantor The Dope Show. O seu estilo é criticado por muitos, mas é, sem dúvida, puro rock&roll.

Joan Jett Quando se fala de mulheres poderosas do mundo do rock, nunca se pode ter uma lista completa quando não se fala de Joan Jett. Ela é, sem dúvida, uma das figuras mais importantes na história do rock. Além de ser a fundadora da banda feminina The Runaways é até hoje conhecida como uma das melhores guitarristas do mundo, tendo sido nomeada em 2003 pela Rolling Stone como a 87ª melhor guitarrista de todos os tempos, ela é também a compositora de uma dos hits da história do rock “I Love Rock’n Roll”.


Patti Smith “Poetisa do Punk”. Assim é, Patti Smith mundialmente conhecida. Com 40 anos de carreira, Patti Smith é considerada uma lenda viva do punk. O seu álbum de estreia, Horses, de 1975, foi um grande marco no movimento punk. Ela trouxe um lado feminista e intelectual à música punk e tornou-se uma das mulheres mais influentes do rock&roll.

Lita Ford Também ex-integrante da banda feminina The Runaways, juntou-se ao grupo com apenas 16 anos. No entanto, Lita fez mais sucesso na sua carreira a sola do que com as Cherry Bombs. Nos anos 80, foi considerada um das melhores guitarristas do planeta e em 1985 foi indicada ao Grammy de “melhor performance feminina de rock”.

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Filhas do Rock

Meg White Ao contrário de todas as outras integrantes desta lista, Meg White não foi nem a vocalista, nem a guitarrista de nenhuma banda, mas sim a baterista dos White Stripes juntamente com Jack White. A banda sempre teve uma estética onde as cores preto, vermelho e branco eram o centro das atenções e por isso Meg White vestia-se sempre com esta cores. A banda terminou em 2011 e, depois disso, Meg não trabalhou mais no mundo da música. Mas sem dúvida, que foi um marco no mundo da música.

Alison Mosshart Alison Mosshart começou a sua carreira em 1995 com a banda punk Discount, que se separou em 2000. Logo a pós o fim dos Discount, Mosshart formou, juntamente com Jamie Hince, a banda The Kills, que vai ganhando mais notoriedade de dia para dia. O seu estilo é admirado por muitos, inclusive já foi tema na rubrica It Girl da edição #18 da RTRO, e lançou no mês passado, juntamente com a marca Surface to Air, o casaco de cabedal dos seus sonhos.


Courtney Love Amada por uns, odiada por outros, se o posto fosse de mulher mais polémica da música mundial, a medalha de ouro seria de Courtney Love. Mas, a ex-mulher de Kurt Cobain é também vocalista, compositora e guitarrista da banda Hole, fundada em 89. O álbum de estreia Pretty on the Inside recebeu aclamação da crítica e os Hole tornaram-se mundialmente conhecidos. Courtney segue agora uma carreira a solo e é previsto o lançamento de um álbum em Dezembro de 2013. O seu estilo inconfundível, conhecido como kinderwhore, contrasta entre vestidos de aparência infantil e maquilhagem bem pesada e agressiva.

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Cyrus, The Virus Uma história de emancipação, sexo e apropriação cultural por Margarida Cunha


Na última semana de Agosto, sabendo que me encontraria afastada da Internet, apenas uma pergunta me inquietava: passar-se-ia algo de interessante nos VMAs (Video Music Awards)? Mal regressei, apercebi-me de que as redes sociais palpitavam a cada minuto com algo chocante que se passara na cerimónia de entrega dos prémios da MTV. E assim foi: os One Direction ganharam um prémio. Ainda por cima para Song of the Summer, com o tema (que creio nunca ter ouvido) “Best Song Ever” - que, para conferir algum contexto, concorria contra “Get Lucky” de Daft Punk ou “Blurred Lines” de Robin Thicke (sobre quem também falamos nesta edição). Pelo menos para mim, que vi a gravação dias depois, foi o único choque (não deveria, pois trata-se da MTV. Ainda assim)... Mas nada disso inquietava os internautas. A verdadeira polémica que arrastava centenas de publicações e opiniões por toda a rede era, e ainda é, a actuação de Miley Cyrus – onde interpretou a música “We Can't Stop”, para depois dividir o palco com Robin Thicke, num breve dueto de “Blurred Lines”. Aparentemente, a dança sensual da cantora – que usou e abusou do twerking (movimento em que se abanam as ancas, para cima e para baixo, de forma provocante) – gerou uma onda de choque e indignação numa fatia significativa de espectadores. Decorrendo o ano de 2013 – depois de termos passado pelos ousados anos 90 e com todos os anos da década de 2000 a serem sobrelotados de vídeos de hip hop em que o twerking era o prato principal – pergunto-me: afinal, qual o choque?

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Cyrus, The Virus

A menina inocente tornou-se numa mulher rebelde que transpira sensualidade DE HANNAH A MILEY Miley, com 20 anos, é hoje uma estrela cujo vídeo do single de regresso “We Can't Stop” (do álbum Bangerz, que deverá sair a 8 de Outubro) conta com perto de 190 milhões de visualizações no YouTube – tendo já detido o recorde do Vevo (entretanto ultrapassado) de vídeo com maior número de visualizações nas primeiras 24 horas (perto de 11 milhões). Mas nem sempre foi assim. Tendo começado o seu percurso musical na Disney, apaixonou as crianças com as músicas de Hannah Montana. Depois de abandonar a personagem, iniciou a sua carreira a solo, a qual prosseguiu com relativo sucesso. Até que decide mudar radicalmente o seu look, adoptando um corte masculino, e enveredar por uma postura descontraída e ousada – a qual se revelou no referido vídeo – e que parece ter chocado muitos fãs e internautas. A menina inocente tornou-se numa mulher rebelde que transpira sensualidade (onde é que já vimos isto?). Para Miley, trata-se apenas de um processo de crescimento natural e não, como referiu, o resultado de uma poção criada por um cientista. Acrescenta ainda que os 20 anos são mesmo assim: um período de confusão que, 10 anos mais tarde, estará resolvido – ressalvando que é por não se permitirem um momento de loucura que muitos acabam por “descarrilar”. CHOQUE, SEXO E VMAs Mas o que há afinal de tão polémico no vídeo de “We Can't Stop”? Uma Miley despreocupada, que dança provocantemente para a câmara, pondo a língua de fora, ora a solo, ora com peluches gigantes, ora a receber e a dar palmadas no rabo, ora a dar um linguado a uma boneca. Também pode ver-se uma caveira feita de batatas fritas. E uma sanduíche de dinheiro. E uma festa na piscina. O que não falta mesmo é o twerking. A letra resume-se a um hino de emancipação, em que Cyrus assume o controlo da sua vida e promete não parar. A actuação nos VMAs manteve o espírito, acrescentando posteriormente Robin Thicke ao cenário. As reacções não se fizeram esperar: Brooke Shields afirmou claramente que não aprova esta postura – uma posição partilhada pelo grupo americano The Parents Television Council, que acusa a MTV de promover conteúdo sexual junto das crianças, através do recurso a ex-estrelas infantis e a anúncios a preservativos (um dos patrocinadores do evento era uma marca de preservativos). Já Justin Timberlake viu a performance com naturalidade, perguntando “São os VMAs. O que esperavam?”. Lady Gaga referiu que as pessoas precisam de levar a música Pop com mais ligeireza. E Alan Thicke (pai de Robin Thicke) chegou


mesmo a referir num tweet: “BTW, they're killing people with chemical weapons in Syria”. O seu comentário não é despropositado. Os EUA parecem ter considerado a actuação de Miley bem mais apelativa do que um (mais que provável) ataque à Síria, pois, de acordo com o Google Analytics, os termos “miley cyrus” eram pesquisados cerca de seis vezes mais do que os termos “chemical attack syria”. Mas não nos precipitemos nas leituras, pois, segundo a cronista Megan McCormick, do site Death and Taxes, tal acontece por estarmos mais inclinados a discutir tópicos acessíveis, por oposição a decisões políticas que poderão pôr em causa vidas inocentes. Cronistas de diversos sites femininos – do Refinery29 ao Shine, da Yahoo! - mostraram-se pouco ou nada chocadas com o conteúdo sexual da actuação, revelando mais desapontamento por a coreografia ter sido preguiçosa, repetitiva ou simplesmente sem gosto. E o que pensa a própria Miley de tudo isto? Recordando momentos provocantes na história dos VMAs, refere que Madonna e Britney já o fizeram antes dela e comentou com Robin Thicke, antes da actuação, que estavam prestes a fazer história. Acrescentou ainda que as pessoas estão a pensar demasiado no assunto. Uma dessas pessoas deve ter sido ser Anna Wintour, editora-chefe da Vogue americana, que, alegadamente, decidiu cancelar a sessão fotográfica que colocaria Miley na capa da edição de Dezembro, na sequência de toda esta polémica. Quem parece não ter ligado muito à actuação – apesar das comparações frequentemente tecidas entre as duas – é Rihanna, que se manteve inerte e aparentemente aborrecida durante toda a cerimónia dos VMAs. O mesmo não poderá ser dito de Courtney Love, que diz gostar da cantora por considerá-la punk, de uma maneira estranha e sexy (já Katy Perry, afirma, é uma nice girl, o que a enfadonha profundamente). Até o humorista português Vasco Palmeirim teve uma palavra a dizer, quando observou "Se a série da Disney tivesse sido feita hoje, não seria Hannah Montana. Seria Monta na Hannah." FERIDAS ABERTAS – EMANCIPAÇÃO E APROPRIAÇÃO Mas por que é que um fenómeno que envolve temas mais do que explorados na cultura Pop – emancipação feminina, apropriação cultural e sexo – ainda faz correr tanta tinta? Sex sells é um mantra da Publicidade e das Relações Públicas há já muitos anos – uma fórmula já descoberta por Madonna, Britney, Christina Aguilera, Pussycat Dolls e tantas outras. O que é chocante, então, na nova atitude de Miley? O facto de se ter tornado numa jovem adulta, por oposição à personagem infantil

O que é chocante em Miley? O facto de ser uma mulher que controla o seu próprio corpo, recusando-se a ser um objecto? 46 – 47 | rtro


Cyrus, The Virus

que interpretou? O facto de ter uma sexualidade própria da idade? Ou o facto de ser uma mulher que controla o seu próprio corpo, recusando-se a ser um objecto? É curioso que “Blurred Lines” – vídeo de Robin Thicke em que desfilam mulheres seminuas enquanto os cantores, homens, se encontram completamente vestidos e lhes mandam piropos e olhares lânguidos – não despoletou uma reacção tão intensa por parte dos media. Sem dúvida que a secção feminista dos media ficou em sobressalto (podem ler sobre este tema nesta edição) mas não se compara à magnitude com que os media generalistas de todo o mundo abordaram a polémica performance de “We Can't Stop”. Há sexualidade explícita em ambos os vídeos, sendo um sobre emancipação individual e outro sobre flirt, logo, por que motivo terá Miley de ser crucificada? Embora a sua actuação talvez tenha tido uma overdose de twerking e língua de fora, desconfio seriamente que, apesar de todos os avanços, nem todos os segmentos da sociedade (principalmente americana) estão preparados para aceitar que 1. os jovens têm desejo e praticam sexo e 2. as mulheres são donas do seu corpo e fazem com ele o que bem entenderem. Mesmo que a performance de Cyrus tenha sido exagerada – porque, se foi, foi-o deliberadamente – a cultura Pop (e do choque, em geral) constrói-se à base de exageros, de imagens hiperbolizadas. Se de alguma forma um estímulo audiovisual não criar em mim um impacto transbordante (de emoção, de sensualidade, de narrativa), o seu propósito perdeu-se de algum modo. Não creio que tudo o que é marcante tenha de ser chocante, simplesmente considero que o chocante é uma versão hiperbolizada, e por vezes necessária, do marcante. Entretanto, o choque acerca da atitude de Miley surgiu a uma nova luz: a da apropriação da cultura negra. Muitos consideram que a sua nova direcção artística se apropria de elementos típicos da cultura negra, especialmente no que ao twerking diz respeito. Uma leitora do site feminista Jezebel, com a alcunha Ninjacate, vai mais longe, afirmando que o uso de pessoas (as bailarinas, que são negras) como adereços nas suas performances perpetua a ideia de que os corpos das mulheres afro-americanas servem para ser desfrutados, esvaziados de valor e exibidos para fins de entretenimento. Reforça ainda que a interacção de Miley com os corpos das bailarinas aconteceu apenas num contexto de sexualização, contribuindo assim, segundo a leitora, para a percepção da mulher afro-americana como um ser lascivo e incontrolavelmente sexual. Ou seja, a nova versão sexualizada de Miley precisa de se associar a corpos negros para se manifestar, o que, segundo Ninjacate, é algo extremamente racista.

A cultura Pop constrói-se à base de exageros, de imagens hiperbolizadas


Antes da actuação, Miley comentou com Robin Thicke que estavam prestes a fazer história Embora compreenda até certo ponto esta perspectiva, não pode deixar de ser notado que a pessoa mais exposta na performance de Miley é a própria Miley, sendo também ela quem mais abertamente manifesta a sua liberdade sexual. Além disso, no vídeo de “We Can't Stop”, os bailarinos são de ambos os sexos e cores, pelo que não diria que haja uma tentativa intencional de atribuir determinados códigos de comportamento a determinadas culturas. Bailarinas de cor estão presentes em vídeos e actuações desde que me lembro, quer a dançar para artistas brancos, quer negros. Aliás, tendo crescido nos anos 90, vi desfilar diante dos meus olhos protagonistas negras cheias de atitude e confiantes com a sua sexualidade: de Missy Elliott a Aaliyah, passando por Destiny's Child, En Vogue, TLC, etc. Por isso, a existir um estereótipo de mulher negra sexualmente confiante, talvez tenha sido cimentado pelas próprias cantoras negras, na qualidade de protagonistas e não de “objectos”. E quem pode dizer que isso é necessariamente mau? Relativamente à apropriação da cultura negra no geral, este argumento não faz sentido, pois a apropriação, no geral, é o ganha-pão de qualquer artista – branco ou negro. Não creio que existam géneros estanques, confinados aos seus próprios códigos, que não procurem, aqui e ali, influências ou pedaços de inspiração. A cultura é mesmo assim, dinâmica e interactiva, e é assim que se desenvolve. Não pertence propriamente a ninguém. Como o crítico Maurice Mcleod, do The Guardian, afirmou: a cultura precisa de mais fluidez, não menos. UM FENÓMENO DEMOLIDOR Parece estar assim encerrada a polémica Miley. Esperem: Miley acaba de lançar um novo vídeo. “Wrecking Ball”, estreado a 9 de Setembro e dirigido pelo polémico fotógrafo das estrelas Terry Richardson, destronou “Best Song Ever” dos One Direction, que detinha o recorde do Vevo de vídeo com maior número de visualizações nas primeiras 24 horas (tendo ultrapassado o recorde de “We Cant's Stop”). Miley volta assim ao topo dos números, com 19,3 milhões de visualizações em apenas um dia. O que fez Miley desta vez? Conceptualmente mais simples e sem tantos adereços, “Wrecking Ball” alterna entre dois planos principais: um dos planos, fechado, revela o rosto de uma Miley chorosa de coração partido; o outro mostra-nos uma Miley que se balança, por vezes nua,

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Cyrus, The Virus

A apropriação cultural é o ganha-pão de qualquer artista – branco ou negro sobre uma grande bola de demolição. À medida que a música e a sua intensidade emocional se vão desenrolando, o cenário vai sendo destruído. Há quem diga que a metáfora da destruição se aplica às carreiras das concorrentes de Miley. Há quem afirme que se trate de um desabafo sobre o ex-noivo Liam Hemsworth. O que é consensual é que, mesmo numa balada, Miley continua a dançar provocantemente em cima de uma bola de destruição – e chega mesmo a lamber um martelo. As interpretações não param de chover. O The Guardian considera que Miley já não está a expressar a sua sexualidade mas a aventurar-se na iconografia porn – transmitindo a mensagem de que, para fazer-se notar, as jovens devem objectificar-se sexualmente. Remata ainda que Miley não tinha de escolher esta rota, observando que Taylor Swift possui um número de fãs expressivo, com os quais se relaciona através da sua personalidade e do conteúdo das suas músicas. Já o Huffington Post optou por uma abordagem mais cómica, tendo investigado o que os trintões andam a pesquisar no Google na sequência do vídeo de “Wrecking Ball”. Dilemas como “Billy Ray Cyrus [pai de Miley] ainda está vivo?”, “Como falar com o seu terapeuta acerca de Miley Cyrus”, “Como posso evitar Myley Cyrus?” ou “A Miley Cyrus é culpa minha?” foram algumas das referidas. Já o site musical PopJustice refere que a nudez de Miley até é bonita no vídeo mas que a língua estraga tudo, num vídeo que de outra forma seria brilhante. Curiosamente, numa entrevista recente, a cantora referiu que, embora se tenha tornado na sua assinatura, a língua de fora terá de reformar-se. O site Flavorwire foi mais brando com a ex-estrela da Disney, culpando maioritariamente Terry Richardson – cuja obra e atitude diz ser pautada por uma estética teen-porn – pela direcção artística que o vídeo acabou por tomar. Pessoalmente, estou tentada a concordar com a opinião de PopJustice: o conceito foi um pouco estragado pela língua que insiste em deambular pelos mais estranhos objectos. A nudez poderia ter resultado num contexto simples e artístico mas a língua de fora, pelo seu uso excessivo, acaba por banalizar a estética do vídeo. Não só pela questão da banalização mas por uma questão de coerência temática: Miley está destroçada; por que haveria de estar a lamber um martelo? Uma vez mais coloca-se a questão do exagero e dos seus efeitos. Estaríamos nós a falar novamente sobre Miley (como ela claramente quer que falemos) caso aquela língua se tivesse mantido recatada? Provavelmente, sim. Mas estaríamos possivelmente a discutir a evolução estética verificada entre “We Can't Stop” e “Wrecking Ball”, e não, como muitos de nós estão, abrir a boca de espanto e a acenar negativamente a cabeça, em sinal de reprovação. Parece que uma língua persistente é a linha que


separa a obra de arte da banalidade. Ainda assim, há que admitir que a estética simples e minimal do vídeo é cativante e consegue manter-nos de olhos no ecrã – e não é pela nudez de Miley, pois a nudez contextual já não é (ou não deveria ser) um tópico polémico. Olhando para trás, todo este circo lembra-me a época Stripped de Christina Aguilera ou quase toda a carreira de Rihanna. Ou até aquele momento dos VMAs, em que Christina, Britney e Madonna se beijaram (passaram já 10 anos!). Tudo momentos chocantes e polémicos que agora constituem capítulos da história da Pop, revisitados ocasionalmente, sempre que um artigo de fundo é produzido acerca de uma das intervenientes. Apesar de muitos afirmarem o contrário, acho que Miley fez mesmo história nos VMAs. Conseguiu ofuscar Lady Gaga, Justin Timberlake e o regresso dos N'Sync, assim como o de Katy Perry, pondo-nos, uma vez mais, a debater a sexualidade dos jovens, a emancipação feminina e a apropriação cultural. Temas que não seriam polémicos se estivessem pacificamente aceites e enraizados na nossa cultura. Aparentemente não estão e, se há especialidade que as estrelas Pop têm, é a de escolher bem em que feridas pôr o dedo. Mas convenhamos que fazer história na MTV é fácil, a receita é usada há anos. A verdadeira incógnita é saber o que Miley conseguirá fazer com o estatuto histórico que alcançou.

Estaríamos nós a falar novamente sobre Miley caso aquela língua se tivesse mantido recatada? 50 – 51 | rtro


LICE

Manifesto Humanista contra a corrente 2013

por Margarida Cunha

Abre ao público, a 13 de Outubro, a “LICE – Lisbon Contemporary International Exhibition 2013”, uma exposição internacional de pintura que envolve artistas de mais de dez nacionalidades. Tendo como palco a meetiNG art gallery, localizada no Chiado, em Lisboa, pretende servir como montra artística, bem como de elo de comunicação entre a Arte e o público. O rosto por detrás da iniciativa é Natália Gromicho, artista portuguesa internacionalmente reconhecida. Tendo representado Portugal na exposição “Human Rights 2013”, em Itália, o seu impressionante currículo conta com mais de 50 exposições individuais e colectivas, espalhadas por países como Itália, EUA ou Brasil. Inclui ainda prémios nacionais, como o “Best Rolling Stone Alternative Logo”, em 1999, numa iniciativa levada a cabo pela Rádio Comercial. A RTRO falou com Natália Gromicho e ficou a saber mais sobre a LICE, bem como as suas impressões acerca do estado da Arte e da forma como é tratada em Portugal.

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LICE 2013

Joaquim Gromicho


“Lisboa já provou ao mundo que não é só fado” Como surge o conceito LICE? Uma necessidade de fazer com que Lisboa tivesse oportunidade de se evidenciar nas artes, de uma forma pouco usual. Em que medida é que esta iniciativa se distingue dos demais eventos de Arte em Portugal? Em primeiro lugar, é um intercâmbio internacional, onde todos os intervenientes ficaram a ganhar, não só culturalmente, como Humanamente, ao contrário do que é usual na capital. Existe um público-alvo que se pretende alcançar? Apenas me interessam pessoas que considerem a pintura uma forma de comunicar. O gosto ou não gosto. Bastam para entender arte. É esse o público que pretendo cativar. Contra o cliché, há muito condicionado, "eu não entendo nada de arte", é para isso que existo enquanto artista e/ou artesã. Que papel procura desempenhar o espaço meetiNG? A meetiNG art gallery vai tentar continuar a remar contra a corrente. O pré-estabelecido não existe. Pintar ao vivo de porta aberta, no Chiado, é um privilégio. Gostava que o Espaço Chiado não estivesse só focado no fado, ou na Muralha Fernandina. Lisboa já provou ao mundo que não é só fado. A nossa cultura tem diversos pontos de interesse. Dar a conhecer novos artistas, e promovendo exposições internacionais ao longo do ano, só poderá enriquecer a minha cidade.

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LICE 2013

Joaquim Gromicho

Joaquim Gromicho


“[Os] senhores das económicas esquecem-se que é a cultura que define um povo” A Arte em Portugal continua a ser encarada como uma cultura de nicho. Considera-o um mecanismo de preservação intencional ou apenas um mal entendido cimentado ao longo dos tempos? Esse mal-entendido já levou muitos a desistir de produzir arte. A arte, neste caso, a pintura, em Portugal baseia-se em grandes galerias, que só abrem ao público para as fotografias do beberete, depois fecham-se ao público. Isto tornou sempre a obra de arte numa coisa inatingível e hiper cara... Nada a ver: este grupo, apoiado sempre pelas entidades competentes, tornou o termo galeria quase num oásis no deserto, só para alguns. Para se ser artista, teve de se passar pelas aulas de História de Arte, viajar, desiludir. E não só para uma reduzida elite detentora de poder económico e com os contactos certos... Acharia pertinente, e até pagaria bilhete, para ver expostos trabalhos de alunos das Belas Artes, no Palácio Nacional da Ajuda, por exemplo, com a presença do senhor Presidente da República e toda a grande comitiva. A apoiar e a dar as boas-vindas aos novos artistas portugueses, por exemplo. Com toda a certeza que me indigna esta triste situação. Mas é só um à-parte: a anti-arte é a arte apoiada pelo meu país. E um processo em nome do grande mestre Bordado Pinheiro? Era justamente o que se passaria em França ou Espanha, que desde cedo se habituaram à cultura, e a dignificar tudo o que produzem culturalmente. Estes senhores das económicas esquecem-se que é a cultura que define um povo. Pois também quase inexistente nos dias de hoje, séc. XXI, está a ser a perdição do pouco que se construiu. É para isso que vou continuar a representar Portugal, sem a presença do senhor Presidente, por todo o mundo. Ir contra a corrente; o que se condicionou são as ferramentas que uso para ir em frente, sem pensar em desistir...

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LICE 2013


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LICE 2013

“Recuso-me a fazer uma obra repetitiva, e que lembra o trabalho em série, das máquinas” A Natália é um exemplo de artista internacional. A internacionalização é uma inevitabilidade dos nossos tempos? Em que medida poderá afectar a integridade/ singularidade da obra de um artista? No meu país, a nível cultural, é certamente inevitável. O meu processo criativo é alterado consoante o que vejo, e é meu dever marcá-lo em desenho, em cor e movimento. Recuso-me a fazer uma obra repetitiva, e que lembra o trabalho em série, das máquinas, do tempo da Grande Guerra. Picasso foi um. Não tenho a culpa do meu tempo, da obra não necessitar de ser repetitiva e quase monótona. Uma obra de arte nem poderá ser parecida, quanto mais ser reconhecida por isso, por ser semelhante. O tempo evoluiu, a primeira manifestação do Ser Humano foram as pinturas rupestres. Que nunca eram iguais... A internacionalização será sempre uma maneira de evolução, de aprendizagens, de valorização pelo mérito, pelo inesperado. Numa cultura da velocidade, em que as imagens se digerem a um ritmo frenético e a paciência se tornou numa virtude ao alcance de poucos, há ainda espaço para apreciar Arte no quotidiano? Sim, o espaço público é óptimo para se poder alcançar o público do séc. XXI. É aí que o inesperado surge. E a indiferença deixa de existir. Se Portugal pudesse ser recriado num quadro já existente, qual o representaria melhor? Edvard Munch, no quadro "O Grito". Portugal do século XXI.


Joaquim Gromicho

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Fotografia: Ricardo Costa (www.ricardocosta.org) Modelo: Raphael Communaux 72 – 73 | rtro


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PRONTO-A-VESTIR

RAINHA DA INDIVIDUALI por Margarida Cunha

Uma verdadeira rainha. Eis a imagem que fica connosco após visualizarmos as propostas que Domenico Dolce e Stefano Gabbana fizeram desfilar sobre a passerelle para o Outono-Inverno de 2013. É uma metáfora que sintetiza bem o espírito das colecções da estação fria: repletas de ecletismo e diversidade, com tendências díspares que apontam para todas as direcções, as propostas que nos são feitas apelam a diferentes lados da nossa (múltipla) personalidade. Das texturas mais ricas aos materiais mais simples, dos looks mais minimais aos mais trabalhados, há, entre as colecções da estação, abordagens para todos os gostos e estados de espírito. Como tal, cabe à mulher o papel de ser uma Rainha da contemporaneidade, detendo o poder soberano de, a partir das propostas que lhe são feitas, decidir quais as que reflectem mais fielmente o seu estilo. Curvem-se perante o reinado da escolha.


IDADE

Reis absolutos da estação, os casacos voltam literalmente em grande, em formato oversize. Como que um envelope imaculadamente selado, fecham-nos no calor do seu conforto, impedindo qualquer contacto com o frio. E se na vossa mente surgiram imagens do clássico casaco em tons escuros e soturnos, esqueçam: eles voltam cheios de carácter, cor e textura. A começar pelo pêlo. Do pêlo vermelho visto em Loewe ao pêlo bicolor glamoroso criado por Reem Acra, passando pelo pêlo neopunk proposto por Fendi, esta textura fofa e acolhedora promete instalar-se confortavelmente nos nossos armários. Armários que poderão fazer face a um Inverno rigoroso e triste através da paleta de cores que os estilistas escolheram para os seus casacos: do azul ao rosa, os tons pastel marcaram as passerelles com a sua presença suave mas segura. Se o azul foi o eleito de nomes como Gucci, Sonia Rykiel ou Carven, o rosa assumiu protagonismo em Miu Miu e Céline. Mas se as texturas dominaram os casacos, as cores outonais prevaleceram sobre tudo o resto. A cor de vinho voltou para reclamar o seu estatuto em criações como as de Atelier Versace, Marc by Marc Jacobs ou Victoria Beckham. O vermelho contagiou as passerelles em diversos materiais: de malha, em Alexis Mabille, acetinado, como em Maiyet, ou semi-transparente e incrustado de jóias, como em Dolce & Gabbana. Tendo o verde esmeralda sido eleito Cor do Ano 2013 pelo famoso sistema de cores Pantone, não admira que se tenha feito notar, como em Oscar de la Renta e Prada. Muitas vezes vistos como caóticos e difíceis de conjugar, os padrões voltam para pontuar as mais diversas peças de dinamismo e vitalidade. Afinal, é preciso energia para enfrentar os longos dias da estação que agora começa. Um regresso inesperado foi sem dúvida o do padrão camuflado. Adorado e odiado em partes iguais, foi possível vê-lo em tons de verde e azul nos casacos propostos por Michael Kors e Christopher Kane. Já as flores, escolha característica da época primaveril, surgem agora também no Outono, tendo sido vistas em Marc Jacobs, Roberto Cavalli e Antonio Marras. As rosas desabrocharam alegremente num vestido Lanvin (que também apostou em borboletas para decorar as suas peças), num conjunto de Giambattista Valli, assim como num fato Moschino. Moschino que materiali76 – 77 | rtro


Rainha da Individualidade

zou nas suas criações um outro regresso esperado: o do tartan. Vestidos, saias e casacos surgiram marcados por esse padrão, numa homenagem da estilista da marca, Rossella Jardini, ao estilo British. Um padrão que esteve também presente em Saint Laurent, que, apenas num look, sintetizou três tendências: , colegial e grunge. De facto, Hedi Slimane foi o estilista que melhor representou aquela que é a tendência consensual da estação: o grunge. Definido, em 1993, por Gaultier como a forma como nos vestimos quando não temos dinheiro, o grunge remonta aos anos 90, especificamente às ruas de Seattle. Se Nirvana, Pearl Jam e Alice in Chains deram voz a um movimento que viria a tornar-se num manifesto cultural, Slimane recriou o espírito da época através das suas criações, fazendo desfilar casacos de malha abaixo da cintura, sobrepondo-os a vestidos curtos acetinados ou em pele, complementados por botins pretos. Uma aposta que se revelou tão acertada que até Courtney Love adorou, tendo mesmo tweetado o criador, dizendo-lhe que a ideia de ver as mulheres ricas a comprar o que ela costumava usar lhe dava orgasmos. Uma observação que incluiu uma pequena alfinetada a Marc Jacobs, que, na óptica da vocalista dos Hole, nunca acertou no estilo – apesar de ser considerado por muitos o rei do grunge. Além de Slimane, o grunge desfilou ainda em passerelles como a de BCBG ou Rodarte. Tão certo como a chuva de Inverno foi o regresso dos metalizados. Vibrantes e cheios de vida, protagonizaram as colecções de Balmain e Marc Jacobs, No primeiro caso, conjuntos verdes, cor-de-rosa e roxos surgiram enriquecidos por brincos compridos, resultando num look alegre mas simultaneamente sofisticado. No segundo, a primazia foi conferida ao dourado e e prateado, que adornaram os vestidos criados pelo estilista americano.


No calçado, as protagonistas indiscutíveis foram as botas de cano alto, até ao joelho, que completaram as apresentações de Ralph Lauren, Phillip Lim e Tom Ford. No caso do estilista texano, as botas não são apenas o adereço que protege os pés: estas surgem de tal forma estilizadas com flores e padrões étnicos que parecem ganhar vida, ofuscando tudo o resto. Estas foram as principais interpretações propostas pelas casas mais prestigiadas de Moda. No entanto, e por oposição ao Inverno alegre e vibrante que nos foi sugerido, surgiram também abordagens mais tradicionais, como looks em branco total (Proenza Schouler), golas altas (Matthew Williamson) ou o estilo masculino (Stella McCartney). A última palavra cabe, como sempre, ao consumidor – para quem as tendências devem funcionar como uma bússola no mar das opções de compra, nunca possuindo um carácter de obrigatoriedade. Longe vão os tempos em que a Moda era impositiva e castradora (se alguma vez o foi). A abordagem intemporal será sempre aquela que combina a interpretação das tendências com o estilo individual. Porque, no reino da Moda, cada um deve encontrar o seu próprio trono.

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ALTA COSTURA

RUMO AO INFINITO por Margarida Cunha

Alexis Mabille

Armani PrivĂŠ


A Alta Costura costuma ser o segmento de Moda em que os criadores lançam os seus maiores trunfos, conseguindo levar-nos para cenários transcendentes e mundos paralelos. Este ano não foi excepção e a panóplia de inspirações que motivaram as grandes casas conseguem facilmente levar-nos a qualquer ponto do planeta – e até para fora dele, como foi possível ver na passerelle de Valentino. Os designers Maria Grazia Chiuri e Pierpaolo Piccioli levaram-nos à estratosfera, numa viagem cósmica em que os vestidos são pontuados por motivos como o Sol, a Lua ou as estrelas. Ainda no interior da galáxia, mas num futuro possivelmente não muito distante, Karl Lagerfeld combinou o tradicional tweed, imagem de marca de Chanel, com cristais e metalizados que nos remetem para universos como o de Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley. Mas se Chanel nos leva para o futuro, Gaultier regressa às nossas origens primitivas, baseando a sua colecção de Alta Costura nos grandes felinos. Assim, mulheres urbanas cheias de atitude desfilaram confiantes na pele de leoas ou tigrezas, em criações que abusaram do padrão animal. A natureza, especificamente a floresta, foi igualmente explorada por Zuhair Murad, cuja colecção foi denominada de “Floresta Encantada”. Assim, vestidos semi-transparentes ganham vida com apontamentos em relevo de ramos ou gelo, transformando as modelos em rainhas da floresta urbana contemporânea. Quem também apostou no conceito de mulher forte e decidida foi Donatella Versace. A cor de vinho e o preto tomaram conta do desfile, em criações ajustadas 80 – 81 | rtro


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Valentino

Alta Costura

ao corpo. A cereja no topo do bolo surgiu com Naomi Campbell, que abriu o desfile de Atelier Versace por, nas palavras de Donatella, incorporar em si o conceito de mulher sexy e sofisticada, com uma atitude forte.

Armani Privé pautou a sua apresentação pela sobriedade e discrição, como seria de esperar de uma colecção chamada “Nude”. Apostou, assim, em fatos de tons creme, complementados por um adereço de pescoço em preto, intercalados com vestidos ajustados ao corpo, também em preto. A renda branca também fez a sua aparição, traduzindo-se num vestido de volume recatado mas simultaneamente elegante. Por momentos, parece que fomos transportados para a época de ouro de Hollywood.

Chanel

Com uma interpretação igualmente feminina mas mais romântica e tradicional apresentou-se Alexis Mabille, que, na sua colecção, atribuiu protagonismo ao jogo de volumes. Fosse numa saia de kimono ou num vestido de estilo vitoriano, os folhos arredondados e os ombros-balão davam a ilusão de movimento.

Elie Saab

Uma sensação que também Elie Saab nos deixou, tal é a mestria com que cria vestidos lindíssimos de cerimónia. Esta colecção não foi excepção, com o vermelho, o verde esmeralda e o azul a surgirem em silhuetas de cinta marcada, em vestidos luxuosamente ornamentados por cristais.


Giambattista Valli

Christian Dior


Alta Costura

Jean Paul Gaultier

Atelier Versace

Viktor & Rolf

Zuhair Murad


Já as flores foram o adorno de eleição de Giambattista Valli, surgindo nos vestidos em relevo, como que em efeito 3D – dando a sensação de que iam saltar das peças e tornar a passerelle num nostálgico e romântico jardim. Das flores para a cor, foi no desfile de Christian Dior que esta foi melhor explorada na sua diversidade. O criador Raf Simons, motivado pela ideia de dissociar a marca do binómio Paris-França, criou uma colecção inspirada no impacto multi-cultural que o mundo tem em si. O que talvez explique a diversidade de cores que caracterizaram as suas peças, desde motivos hippie a vestidos multicoloridos. Finalmente, e num completo twist conceptual, Viktor & Rolf celebraram os 20 anos da marca apresentando uma colecção integralmente em preto, em que os volumes assumiram o controlo. Uma interpretação minimal e low profile que contrasta com a opulência e luxuosidade tradicionalmente associadas à Alta Costura. Com destinos e influências tão distintos, os criadores mostram-nos, uma vez mais, que podemos realmente ir para o infinito. E mais além.

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ACESSÓRIOS por Beatriz Subtil


Sapatos: Para a próxima estação, no que toca ao calçado vamos poder ver o uso e abuso da pele, sendo este um dos melhores materiais para manter os pés quentes e evitar que a água da chuva entre nos sapatos.

Malas: Toda a mulher sofisticada precisa de uma mala que a acompanhe, e para a próxima estação, podemos esquecer os tote bags enormes, porque as malas pequenas e elegantes vieram para ficar. Contamos com a pele e com os fechos pormenorizados para completar um look sofisticado.

Bijuteria: No que toca à bijuteria, podemos esperar por statement necklaces brilhantes, onde o transparente, as pérolas e o crystal clear reinam. Os metais e as correntes que representam o punk, serão também outros importantes aliados, para um outfit moderno, simples e minimalista.

Extras: Esperam-se cintos com aplicações metálicas e de brilhantes, para marcarem bem a cintura dos casacos e das gabardines. Quanto aos óculos de sol, que apesar do sol de Verão ir embora, o sol de Inverno é tanto ou mais perigoso, e por isso, para manter os olhos protegidos, a tendência será o cateye mais uma vez.

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As novas colecções de maquilhagem atestam que já não são apenas as cores e as texturas que nos seduzem: são as embalagens cada vez mais artísticas e pormenorizadas, que se assumem quase como objectos de colecção – pequenas preciosidades que anseiam por um lugar cativo na privacidade fantasiosa dos nossos quartos.

L'Absolu Désir Lancôme A colecção protagonizada por Kate Winslet tem como musa a cidade de Paris, caracterizada pela marca como um lugar onde a beleza é eterna e o estilo sem esforço. O vermelho e rosa intensos pautam os absolus rouges, que vão do Rose Nu, Rouge Rayonnant, Caprice, Rouge Désir, Rose Désir ao Prune Désir. A contrastar surgem os tons escuros e sóbrios escolhidos para os vernizes – com sugestivos nomes, como Purple Fiction, Black Sepia e Grey Lumière. O blush Rose Désir é uma verdadeira delícia para os olhos: com uma caixa negra e um design reminiscente de um postal de Paris, reproduz, em relevo, no interior o design exterior – uma boca pronta a beijar, duas rosas e a Torre Eiffel. Imagens recriadas igualmente nos batons que tornam esta colecção num absoluto objecto de desejo.

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O


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COLECÇÕES OUTONO-INVERNO 2013 por Margarida Cunha

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My Precious

Sporty, Sexy & Glam Michael Kors Se dúvidas houver quanto às qualidades da colecção de maquilhagem de Michael Kors, o nome facilmente as dissipa. Na óptica do criador, estes traços de personalidade sempre fizeram parte do ADN da marca e definem a Mulher – sendo que ela se sente mais inclinada para determinada característica em diferentes momento da vida. Como que num 3 em 1, a colecção subdivide-se em Sporty, Sexy e Glam – cada uma incluindo um spray eau de parfum, um pó bronzeador, um lip luster, um batom e um verniz. Em Sporty predominam os tons neutros e nude, sendo o Sporty Citrus Eau de Parfum composto por notas leves de flor de laranjeira, jasmim e patchouli. Já Sexy presenteia-nos com vernizes e batons vermelhos e cor-de-rosa intensos, a que se junta o Sexy Amber Eau de Parfum, que combina âmbar, flores brancas e sândalo. As mais ousadas sentir-se-ão tentadas pelos tons escuros, algures entre o castanho e o roxo, que protagonizam a sub-colecção Glam – com o Glam Jasmine Eau de Parfum a surgir como um bouquet composto por jasmim egípcio, jasmim sambac, pétalas de jasmim, cedro amadeirado e notas cítricas.

Voilette de Madame Guerlain Natalia Vodianova é o rosto desta campanha que pretende tornar a mulher irresistível, ajudando-a a expressar a sua sedução e personalidade com estilo e feminilidade. O toque final é sem dúvida conferido pelo véu rendado, símbolo de mistério – e acessório que cobre os batons da colecção. As paletas de sombras duplas para os olhos multiplicam-se numa infinidade de cores, do azul ao chocolate, passando pelo verde e o branco – numa viagem marca-


da por estados de espírito que vão desde Two Rock, Two Stylish, Two Extravagant, Two Gossip, Two Candy, Two Parisian, Two Lovely até Two Spicy. Por seu lado, os batons e glosses dividem-se em três tons: Madame Batifole (fúcsia), Madame Flirte (vermelho) e Madame Fascine (púrpura) – todos de edição limitada. O verniz é apenas um: Madame Batifole, de um intenso e profundo fúcsia.

Tom Ford Beauty Fall 2013 Color Collection Tom Ford O texano mais revolucionário do mundo da Moda está de volta com uma colecção exclusiva, que respira sofisticação e um minimalismo elegante – algo que salta à vista quando atentamos no packaging dos produtos. Com o objectivo de misturar três texturas contrastantes para criar dimensão dinâmica no olhar, Ford criou uma edição limitada de trios de sombras ombré – onde figuram um tom claro, um médio e um escuro – em que joga com os conceitos de luz e profundidade. Os lábios têm à sua disposição um conjunto de cores que vai, segundo a marca, dos tons “neutros sensuais” até aos “ ousados decadentes” – uma colorida e doce dor de cabeça que permite escolher entre Vanilla Suede, Sable Smoke, Crimson Noir e Bruised Plum. Estes nomes apelativos são o resultado de uma receita cremosa de ingredientes que inclui extracto de sementes de soja, manteiga de murumuru brasileiro e óleo de camomila. À colecção – que inclui ainda uma máscara de pestanas, lápis de contorno de olhos e vernizes – junta-se uma exclusiva e opulenta gama de quatro fragrâncias inspiradas na Ásia: Plum Japonais, Fleur de Chine, Shangai Lily e Rive d'Ambre.

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TENDÊNCIAS

MAQUILHAGEM por Margarida Cunha


Lábios matte de cores fortes O brilho característico do Verão é agora guardado no baú. Na estação fria os lábios querem-se de cores fortes mas sóbrias, tal como foi visto em desfiles como os de Zac Posen ou Antonio Marras. As cores escuras e intensas (especialmente a cor de vinho) assumem o protagonismo, convergindo toda a atenção para os lábios.

Olhos esfumados Num look que parece não querer sair de moda, os olhos esfumados permanecem nas passerelles. Seja com um risco curvilíneo lateral, como nos mostra Anna Sui, ou com um efeito esbatido a contornar todo o olho, à semelhança do que foi visto em Roberto Cavalli, o preto volta em grande estilo e estabelece-se como o melhor amigo do olhar sedutor.

Cabelo selvagem Apesar de ser frequentemente associada ao rigor, esta estação fria confere grande liberdade aos cabelos. Se Marc by Marc Jacobs optou por longos e selvagens caracóis soltos, Rodarte enveredou por pequenas mechas de cabelo entrançadas atrás. Já Saint Laurent apresentou o look “acabado de sair da cama” – cabelo liso, solto e ligeiramente despenteado – inspirado pelas tendências grunge que marcaram as passerelles nesta estação.

Tez iluminada A contrastar com a cor forte dos lábios e o esfumado negro dos olhos, a tez quer-se iluminada e resplandecente, como que cheia de vida e energia para enfrentar os dias de trabalho. É o que nos propõem casas como Giambattista Valli e Atelier Versace, que nos apresentaram um rosto fresco e luminoso, quase desprovido de maquilhagem.

Unhas metalizadas Se há tendência que regressa sempre com a estação fria é o metalizado. Especialmente nas unhas. A atestá-lo estão colecções de maquilhagem como as de Dior e Estée Lauder, denominadas de Mystic Metallics e simplesmente Metallics, respectivamente. Do azul ao cor-de-rosa, todas as cores são permitidas (embora as escuras assumam especial protagonismo), desde que sejam metalizadas ou magnéticas. Está na altura de atrair boas vibrações.

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DECORAÇÃO por Adriana Couto


Despedirmo-nos do Verão significa quase sempre despedirmo-nos das cores mas isso pode ser facilmente contornado. Dê um toque de irreverência à sua casa usando e abusando dos objectos que por si só não precisam de muita cor. Combinar uma peça de mobiliário moderna numa casa onde a decoração é na sua maioria clássica, pode ser um trunfo bem jogado. Mas os estampados nas cores mais escuras também terão o efeito desejado: dê vida ao seu simples sofá com almofadas decoradas ao máximo, que captem desde logo a atenção das suas visitas. Não descuide nos pormenores que julga não terem importância. Tudo conta para aquecer o seu Outono/Inverno e o olhar da sua amiga ou amigo mais atentos.

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RADAR:MÚSICA por Mariana Sá

Chega de nostalgia! Setembro chegou e há que renovar as playlists. Está na altura de conhecer projectos novos e matar as saudades dos que regressaram ao trabalho. Se já estás farto de ouvir a mesma coisa, fica atento a estas sugestões. Alguns projectos ainda estão a começar a dar nas vistas, outros já brilharam durante o Verão. Curiosamente, os nossos amigos ingleses estão a destacar-se ainda mais do que costume. Não só no rock, mas sobretudo na música de dança. A verdade é que desde que a house e a electrónica têm furado o mundo da pop (graças a DJs como Calvin Harris, Avicci ou David Guetta, por exemplo), outros projectos têm beneficiado com a maior receptividade do público. No plano nacional, têm surgido projectos cada vez mais interessantes. A rádio Antena 3, Optimus Discos e os novos talentos Fnac têm contribuído bastante para esta proliferação. Mas, chega de contexto. Passemos às apresentações: Disclosure: Estes dois irmãos (Guy and Howard Lawrence) são a nova coqueluche britânica. Já passaram por Portugal no Optimus Alive e não há como não ouvi-los. Estão em todo o lado. Começaram de mansinho em 2010, mas este ano foi para partir a loiça toda. Lançaram Settle (o primeiro álbum) e lançaram-se numa digressão mundial. Para além de trilharem o próprio sucesso, abriram as portas para quem cola-


borou com eles. Se ainda não ouviste “White Noise” ou “Latch”, não fiques na ignorância. Vais ficar viciado num instante. Depois, procura todo o resto (sim, já há bastante material disponível). Toca a ouvir, vais entender o hype. Rudimental: Tal como os Disclosure, são uma máquina de colaborações e rampa de lançamento para carreiras a solo. Têm um som pop-electrónico com uma energia que faz com que seja fácil gostar deles. A raiz do projecto londrino é constituída por quatro rapazes (Piers Agget, Kesi Dryden, Amir Amor e DJ Locksmith). Depois, o brilho extra vem com as colaborações (Ella Eyre, Sam Smith, John Newman, Emilie Sande…). Algumas músicas já circulam na rádio e já estão nos tops. Provavelmente já ouviste “Feel the love”, “Wainting all night” ou “Not Giving In”. Se ainda não, procura. Vale muito a pena! AlunaGeorge: A vocalista Aluna Francis brilhou em “White Noise” dos Disclosure. A música estava em todo o lado. Por isso, beneficiou da exposição, atraindo atenções para o seu projecto com George Reid. O duo electrónico-pop com toques de R&B “AlunaGeorge” já tinha lançado um EP em 2012. Mas “Body Music”, álbum lançado em Julho deste ano, aumentou o falatório e ajudou a que fizessem uma série de festivais de Verão (também passaram pelo Optimus Alive). Recomenda-se a escuta de “Attracting Flies” e “Your Drums, Your Love”. John Newman: Já tinha referido que as vozes britânicas estavam a destacar-se. Desta vez, o foco parou em John Newman. Este jovem de 23 anos emprestou a incrível voz a dois dos singles dos Rudimental: “Feel the love” e “Not Giving In”. Nesta última então, mostra que não brinca em serviço. Tanto que aproveitou a exposição e lançou-se a solo. E ainda bem que o fez! Com uma voz poderosa e rouca, cativa rapidamente e tem músicas brilhantes. Para já, os singles são “Love me Again” e “Cheating”, mas há muitas mais músicas a circular. Ouve “Try” ou “Stay the night”, para algo mais puro. Garanto que não é perda de tempo. 96 – 97 | rtro


Radar: Música

Haim: Esta banda indie-rock californiana é formada pelas irmãs Este, Danielle e Alana Haim e graças a “Don’t Save me” caiu nas bocas do mundo. Foram banda de primeira parte em concertos de Edward Sharpe and the Magnetic Zeros ou Keysha. Lançaram o primeiro álbum em 2012 intitulado “Days are gone” e desde então é só libertar singles. Recomenda-se a escuta de “The Wire”, “Forever” e “Falling”. Icona Pop: A Suécia é um país discreto, mas tem contribuído bastante a nível mundial. Deu-nos o Ikea, os Abba (ainda que nem toda a gente concorde que seja algo de bom), The Hives, o Alexander Skargärd…Enfim, uma lista enorme a que podemos acrescentar Caroline Hjelt and Aino Jawo. As duas constituem as Icona Pop. Fazem música com inspiração electrónica, punk e indie pop. Dizem que fazem músicas para rir e chorar ao mesmo tempo. Foi com “Manners” que deram nas vistas, mas “I love it” levou tudo à frente! Se queres música divertida e despreocupada, presta atenção ao trabalho destas miúdas de Estocolmo. Lorde: Ella Yelich-O'Connor (verdadeiro nome) de 16 anos está a mostrar que as paisagens do Senhor dos Anéis devem ser mesmo inspiradoras. Só assim para explicar como alguém tão novo, já tenha lançado dois EPs com tanto valor. A neo-zelandesa está a começar a desbravar caminho, mas já dá nas vistas (não só pela idade), mas pela qualidade das composições e por ter uma voz marcante. “Royals”, “The Love Club” e “Bravado” são alguns dos temas altamente recomendáveis. Rhye: Em 2010, Mike Milosh e Robin Hannibal formaram um grupo de música alternativa e soul, na California. “Open“ e “The Fall” são dois dos temas mais conhecidos do primeiro álbum “Woman”. Com um som bem introspectivo e melodioso, é altamente recomendada a escuta.


Memória de Peixe: É um projecto muito interessante de Miguel Nicolau e Nuno Oliveira, das Caldas da Rainha, nascido no final de 2010. Os dois jovens produzem uma música em “live looping” com momentos de improvisação. Seguem uma onda mais leve que Paus, alimentando-se da bateria e guitarra. Já terão ouvido “Fish&Chick” e “7/4”, nas rádios. Para conhecer mais, podem passar pelo site da banda para ouvirem gratuitamente o álbum homónimo. Anarchicks: Esta banda feminina está a dar que falar. Ana, Pris, Helena e Catarina produzem música punk rock, pura e dura. Com direito a bilhete para o passado para relembrar as Runaways e a Joan Jett. “Restraining order” foi a rampa de lançamento do álbum “Really”. Actuaram no palco principal do Super Bock Super Rock e agora é estar atento para ver se são um one-hit wonder, ou se vamos ter banda! Salto: “Deixar cair” é o single que mais se houve nas rádios nacionais. Pertence ao primeiro álbum da banda portuense. Lançado no ano passado. Guilherme Ribeiro, Luís Montenegro e Tito Romão. Fazem canções pop com ritmos de dança, e cantam em português. Ciclo Preparatório: Apanharam a onda dos Diabos na Cruz e fazem rock popular. “Lena del Rey” e “Volta ao mundo com a Lena d’Água” são os temas mais conhecidos. “As viúvas não temem a morte” é o álbum de estreia deste grupo de 6 pessoas e lançado este ano. Para quem gosta de música portuguesa pop/rock com toque de brincadeira. Três por cento: A banda de Alfama surgiu em 2009, mas agora é que estão a ter o reconhecimento merecido. Com um EP e dois álbuns (Quadro de 2012 é o mais recente), têm dado nas vistas com as músicas “Cascatas” e “Veludo”. Boa música e boas letras. Escutem que vale bem a pena!

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Radar: Música

Já não são novos nestas andanças, mas nem por isso Nine Inch Nails: A banda de Trent Reznor lançou passam ao lado. Aqui vai uma lista de bandas/artis- o oitavo álbum de estúdio a 3 de Setembro. Hesitation Marks é o título e, para já, temos ouvido alguns tas que têm material novo: temas. "Everything" e Came Back Haunted” serviram de avanço para quem já sentia falta da voz e sons The Arctic Monkeys: Parece que a banda de Alex poderosos da banda. Turner está com bichos carpinteiros ou então, anda com uma inspiração fora do comum. Ainda há pouco lançaram “Suck it and see” e já anunciaram que vem álbum novo a caminho (ainda este mês). Eu cá, não me oponho. Ainda mais, que as músicas já circulam anunciam boas novas. Definitivamente, o dedo de Joshua Homme na produção em álbuns anteriores marcou a direcção da banda. “Do I Wanna Know?” e “Why'd You Only Call Me When You're High” são os adiantamentos de AM. Queens of the Stone Age: Depois de 6 anos a seco, os “Queens” do deserto californiano brindaram-nos com “Like Clockwork”. Está tudo lá! Pelo menos em termos sonoros, já que o baterista Joey Castillo foi substituído por Jon Theodore. Portanto, podes contar com as habituais guitarras e bateria poderosas, fantásticas linhas de baixo e a voz em cheio de Joshua Homme. Para quem não os conseguiu ver no Super Bock Super Rock e confirmar o potencial das novas músicas, resta ouvir o álbum. “The Vampire of Time and Memory” provavelmente vai te surpreender! Prince: “Breakfast can wait” é o novo single de Prince que parece estar cada vez melhor. Está com o sentido de humor bem apurado (a capa do single é uma imagem de um sketch de David La Chapelle, na qual brincava com o estilo bem particular de Prince) e com uma paixão pelo nosso país. Ainda em Agosto deu um concerto surpresa no Coliseu dos Recreios. Portanto, há novidades para estes lados. Não deixes de espreitar.

Slimmy: Paulo Fernandes chegou a ter as suas músicas na banda sonora da série CSI Miami. “Beatsound Loverboy” foi a estreia perfeita. Trouxe sucesso, participações em festivais e vários concertos. Depois, com “Be Someone Else” (2010) verificou-se a maldição do segundo álbum. Seja como for, Slimmy está a dar a volta por cima. Desta vez, lançou um single em português (o primeiro) “Anjo como tu” e tem estado em alta rotação nas rádios portuguesas. Resta esperar que mais vem por aí… Peixe:Avião: A banda de Braga lança este mês o sucessor de “Madrugada”. O terceiro álbum vai ser homónimo, mas promete um corte na sonoridade a que estamos habituados. O single de avanço “Avesso” está fantástico e se o resto do álbum for do género, as mudanças foram óptimas. Venha mais! Linda Martini: Fãs de Linda Martini. Eles estão de volta! “Turbo Lento” sai dia 30 de Setembro. Entretanto, a banda de Hélio Morais, Cláudia Guerreiro, André Henriques e Pedro Geraldes já libertaram o single “ratos”. Não deixes de ouvir… Mundo Cão: A banda nascida em Braga, descendente dos Mão Morta, também está de volta. O grupo liderado por Pedro Laginha adianta “Anos de Bailado e Natação”. A música com um som mais descontraído e “western” tem letra da autoria de Valter Hugo Mãe. Se ainda não tiveram oportunidade, espreitem o vídeoclipe Western Spaghetti que tem Albano Jerónimo como personagem principal. O terceiro álbum “O Jogo do Mundo” está previsto sair durante este mês.


AS PLAYLISTS DA REDACÇÃO RTRO: Catarina S. Oliveira: 1. Waiting All Night - Rudimental/Ella Eyre 2. Two Inch Punch - Paint It Red 3.Luxury - Azealia Banks 4. False Astronomy - Mister Lies 5. Applause - Lady Gaga Ana Isabel Rodrigues: 1. Siesta! - Patética 2. The Magician Remix - I follow rivers 3. The Haxan Cloak Dieu 4. Deafheaven - Dream House 5. Dirty Beaches - Casino Lisboa Margarida Cunha: 1. Tone Of Arc - Left Field 2. Daft Punk – Fragments of Time 3. WD2N - One Move (Original Mix) 4. Sébastien Tellier – Against the Law 5. Christina Aguilera – Circles Manuel Costa: 1. James Blake – Retrograde 2. Kurt Vile - Shame Chamber 3. Editors – Sugar 4. Junip Line of Fire 5. Grimes - Oblivion Helena Lopes: 1. Lana Del Rey - Young and Beautiful 2. The Kills - Future Starts Slow 3. Expensive Soul - Cupido 4. Beware of Darkness - Howl 5. Alt-J - Fitpleasure Tiago Amorim: 1. Disclosure ft Sam Smith - Latch 2. Brad Sucks - Making me Nervous 3. Maya Jane Coles - Easier to Hide 4. Naughty Boy ft Sam Smith - La La La 5. John Talabot - So Will Be Now Mariana Sá: 1. Chris Malinchak: So good to me 2. Queens of the Stone Age: I appear Missing 3. Maribou State ft. Holly Walker: Tongue 4. Arctic Monkeys – R u Mine 5. Disclosure ft Jessie Ware: Confess to Me 100 – 101 | rtro


Teen Choice Awards 2013 red carpet

por Catarina Oliveira


Todos os anos a Fox Network decide dar aos adolescentes o poder de voto em todas as categorias: moda, música, cinema, desporto, entre outras. No entanto, no que toca aos Teen Choice Awards, não só os mais jovens têm a primeira palavra. A Rtro Magazine escolhe aqui os piores e melhores visuais da passerelle do passado dia 11 de Agosto.

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Teen Choice Awards 2013

1) Chloe Grace Moretz: A jovem actriz arrisca um justo vestido com riscas de cores primárias que tornam o look extremamente divertido, ao mesmo tempo que não deixa de ser sexy. O visual arrojado é contido com umas sandálias clássicas e um cabelo apanhado, que cria sofisticação a um vestido que poderia tornar-se desastre de red carpet.

2) Kerry Washington: Mais uma opção com um lado divertido, a actriz de Scandal usa uma peça de Stella McCartney que chama todas as atenções. Teen Choice Awards é o sítio ideal para usar este vestido, ainda que, no final de contas, acabe por ser unicamente requintado. Kerry consegue usar este género de peças como ninguém, e é a pessoa ideal para vestir algo assim na passadeira vermelha.

3) Selena Gomez: Um vestido Cushnie et Ochs com cut-outs nos sítios certos. Com o tamanho certo e os acessórios certos. É simples, sem o ser. E a cor é o ideal para Selena. O show stopper que todas queríamos ter no armário.


1) Abigail Breslin: A “Little Miss Sunshine”, que já não é uma criança, aparece aqui, extremamente bela, mas com um vestido que lhe dá mais 20 anos do que os seus actuais 17. O casaco não complementa o visual, e contribui para o seu envelhecimento.

2) Gabby Douglas: Um possível bonito vestido que se torna “barato” graças aos sapatos rosa. Sandálias antiquadas que retiram glamour ao “bonitinho” mini amarelo.

3) Demi Lovato: Umas leggings demasiado justas, um penteado duvidoso, e um casaco pouco elegante tornam a artista, que quer manter o seu estilo “roqueiro”, num caso de paragem no tempo, um visual que poderia ser modernizado.

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Sweet September Retrato das Edições de Setembro de 2013 por Margarida Cunha

Por muito que adore o sol e os dias longos passados com amigos junto à piscina, a ouvir música ou a jogar às cartas, admito que Setembro é um dos meses mais excitantes do ano. É o regresso do café tomado a correr enquanto os dedos deslizam avidamente no rato para lermos as notícias; é o regresso dos quilos de fotocópias, livros, esquadros, réguas e compassos; é, para muitos, a Época Especial de exames (que de especial, pensam vocês, tem muito pouco); é o regresso universal do “só mais 5 minutos” antes de levantar. Enfim, regressa o pulsar das cidades, a vida activa, o retomar da produtividade. E, claro, as sempre ansiadas Semanas da Moda. Setembro é uma espécie de Ano Novo – mas relativo à actividade cultural e económica. Talvez seja por isso que as edições de Setembro das principais revistas internacionais de Moda sejam as mais antecipadas e excitantes do ano. Curiosos para conhecer as capas das nossas bíblias?

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Sweet September

SETEMBRO EM NÚMEROS Se, no ano passado, leram o nosso artigo sobre as edições de Setembro (The Issue with the September Issues – RTRO#17) sabem que os números relativos a este mês são literalmente de peso. Este ano não foi excepção, com, por exemplo, a InStyle – cuja capa ficou, pela sétima vez, a cargo da lindíssima Drew Barrymore – a atingir as 716 páginas (455 das quais de publicidade, um aumento de 3% face ao ano transacto), a sua maior edição até à data. À publicação, a actriz de ET desabafa acerca dos desafios da maternidade (a sua única filha, Olive, tem um ano) e do casamento. Já a Vogue americana (e a sua tradição de fazer tudo em grande) chegou às 902 páginas – 665 das quais preenchidas por anúncios – registando um aumento de 1% face à edição do ano passado – que ficou a cargo de Lady Gaga. Estes números atestam que, comparativamente ao ano passado, o número de páginas de publicidade nas edições de Setembro subiu. De acordo com o site de referência Women's Wear Daily, esta tendência verificou-se, para além das revistas já mencionadas, nas seguintes publicações: Elle (+12%), Harper's Bazaar (+10%), W (+17%), Marie Claire (+13,5%), Vanity Fair (+5%), Glamour (+18%), Cosmopolitan (+16%) e Allure (+12%). Exploremos algumas destas capas. HISTÓRIAS DE CAPA Lady Gaga é sinónimo de versatilidade e de mudança de estilo (e de roupas, quando as há). É ainda sinónimo de capa de revista. De preferência, várias. Como tal, a cantora (a quem dedicamos a nossa atenção nesta edição) surge em quatro capas diferentes para a revista V. O que poderá ser melhor do que 4 capas diferentes para a mesma revista? Duas capas em revistas diferentes. Foi o que conseguiu a lendária Kate Moss – acumulando duas em Setembro: a da Esquire e a da Interview. Presença habitual quer nas revistas, quer no selecto circuito de criadores de Moda, Victoria Beckham agracia a capa da Vogue Australia – onde confessa preferir noites passadas em casa a trabalhar ou a tratar das sobrancelhas, a noites passadas na farra. Igualmente dedicada à família mas com muito menos visibilidade nestes últimos anos é Jennifer Garner. A eterna Vingadora e mulher de Ben Affleck protagoniza a capa da Allure, revelando ter ultrapassado os tempos em que contava calorias e que aparecer na passadeira vermelha no papel de “a mulher de” pode ser desgastante.


Comparativamente ao ano passado, o número de páginas de publicidade nas edições de Setembro subiu 108 – 109 | rtro


Sweet September

Um fardo que certamente não pesará sobre os ombros de outra Jennifer... Aniston. A actriz de 44 anos, que não só garante êxitos de bilheteira como tradicionalmente ajuda a vender muitas revistas, assume a capa da Glamour americana. Nas páginas da revista revela que, se pudesse dar um conselho ao seu “eu” adolescente, dir-lhe-ia para não se esforçar tanto. Aniston refere ainda que a felicidade é uma escolha e que, quando alguém gosta realmente de si próprio, é que é capaz de atrair as coisas que deseja. Mas as Jennifers não se ficam por aqui. Com 23 anos, um Óscar de Melhor Actriz e uma queda em directo (e em Dior) perante milhões de espectadores, Jennifer Lawrence só poderia acabar na mais importante edição de Setembro: a da Vogue. Fotografada por Mario Testino, a actriz de Hunger Games concede uma entrevista em que prova, uma vez mais, o quão terra-a-terra é. E assim se completa o trio de Jennifers que encabeçam as edições de Setembro. Voltemo-nos paras as Elle. Dona de um corpo curvilíneo invejável e de um sorriso contagiante (duas características muito raras em modelos), Kate Upton faz as delícias dos leitores da Elle americana – onde desfila criações de Michael Kors, Lanvin e Fendi. A modelo fala sobre o facto de as pessoas a encararem como uma loira burra e de como as modelos são tratadas como crianças. Confessa ainda que nunca teve um relacionamento a sério na indústria, rematando que, de momento, isso não é uma prioridade. Já a congénere britânica da Elle escolheu, pela primeira vez, como capa a cantora Katy Perry – cujo single de regresso, “Roar”, é tocado recorrentemente nas rádios de todo o mundo. Apesar de protagonizar uma sessão em que veste Miu Miu, Prada, Louis Vuitton, Alexander Wang e Dolce & Gabbana, Perry cita Minnie Mouse como um dos seus ícones de estilo. “Ícone de estilo” é uma expressão que, no pequeno ecrã, combina com uma personagem: a única e eterna Carrie Bradshaw. Se Carrie é uma das nossas referências pelas suas desventuras amorosas e subsequentes deambulações mentais, Sarah Jessica Parker é a referência no que à humildade e à frontalidade diz respeito. Talvez por isso tenha sido a eleita da Harper's Bazaar para honrar a sua edição de Setembro, em que fala dos seus projectos em desenvolvimento, do seu casamento e das suas parcerias criativas e comerciais. Para terminar, a Vanity Fair elegeu como capa a saudosa princesa Diana – cujo 16º aniversário de falecimento ocorreu no dia 31 de Agosto – explorando a história do suposto homem misterioso que terá roubado o coração à Princesa de Gales.


Jennifer Aniston não só garante êxitos de bilheteira como ajuda a vender muitas revistas

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Sweet September


NOS BASTIDORES DE UMA EDIÇÃO DE SETEMBRO Analisadas as principais capas, a questão que se coloca é: como é que se decide quem aparece na capa de uma edição de Setembro? Quanto tempo leva a produzir o número mais importante do ano? O site Fashionista conversou com a editora-chefe da Glamour americana, Cindi Leive, que afirma que o documentário The September Issue (cuja review pode ser lida na RTRO #3) intensificou o interesse pelas já de si célebres edições de Setembro. Um facto facilmente comprovável, se considerarmos que ninguém se questiona “quem será a capa da edição de Agosto?”. Mas se o tema é a edição de Setembro, as dúvidas e a curiosidade adensam-se. A expectativa não é para menos: segundo Leive, o número mais famoso do ano demora entre nove meses a um ano a ser produzido. É o tempo de uma gestação! E, se pensarmos bem, com todas as novidades que a temporada traz, é realmente algo de novo e quase vivo que se cria. E em relação à escolha da capa? Nas palavras da editora da Glamour, opta-se geralmente por alguém que tenha gosto por Moda e uma espécie de estilo pessoal. Igualmente importante é escolher alguém de quem os leitores gostem, alguém com quem seriam capazes de andar. Justifica, assim, a escolha de Jennifer Aniston para a capa de Setembro, afirmando que a actriz (que foi contactada para o efeito em Janeiro) não foi eleita por simplesmente lançar um novo filme mas porque está a viver um óptimo momento na sua vida. Como tal, Leive considerou apropriado fotografá-la numa cadeira de trono, em Los Angeles – numa alusão a que Jennifer tem tudo e como que reina sobre a cidade. Um raciocínio coeso, especialmente se considerarmos que a edição de Setembro da Glamour americana é dedicada a Hollywood. Estão assim criadas as condições para gerar hype em torno de uma edição. São milhares de perguntas, posts, artigos, tweets, likes e shares acerca de apenas duas palavras “september issue”. Na Moda tudo poderá ser incerto mas o que é certo é que Setembro continua a ser um colosso que não se deixa abalar.

Uma edição de Setembro demora entre nove meses a um ano a ser produzida 112 – 113 | rtro


it girl

Abbey is coming por Helena Martins

Cabelos longos loiros platinados, uma feminilidade levada ao extremo e uma sensibilidade de estrela de rock são as características que definem a modelo Abbey Lee Kershaw. No entanto, há muitas outras coisas que a caracterizam, não a modelo, mas a Abbey na primeira pessoa. Uma delas é o seu estilo, que além de a tornar uma it girl, torna-a uma musa para muitos fotógrafos, para muitos designers, para muitos músicos, para muitos artistas. E se há pessoa que consegue transpor a sua personalidade para seu estilo, é a Abbey. Com casacos de pele coloridos, saias extra longas e acessórios carregados, Abbey torna o seu estilo único, mas também imprevisível e não poderia haver estilo que nos trouxesse tanta frescura e juventude como o dela. Um estilo boémio muito forte misturado com um grunge quase gótico e com um glamour extra feminino. Realidades opostas que se misturam quase em proporções perfeitas. E em que consistem estas proporções? Consistem em misturas de estampados e texturas, consistem num look um quanto ao tanto caótico, mas ao mesmo tempo elegante. Cabedal e renda, seda e veludo, flores e riscas, combinações estranhas, mas genuínas e é isso mesmo que torna o estilo de Abbey tão empolgante. Casacos de pelo quase oversize são o must-have da modelo, por isso mesmo é frequentemente fotografada vestindo-os de variadas formas, cores e estampados ousados. Mas a sua imagem de marca são mesmo os seus piercings. No total tem 10: um no nariz, um no mamilo, outro no umbigo e sete na orelha. Também tem diversas tatuagens, incluindo o sinal da paz na palma da mão, uma coruja no dedo, o símbolo do seu signo no tornozelo e a palavra “verdade” escondida no interior do lábio. Abbey desfilou para grandes nomes no mundo da moda e talvez por isso tenha desenvolvido um estilo tão forte. Aos 20 anos, a modelo natural da Austrália mudou-se para Nova Iorque e desde aí a sua carreira tem corrido de vento em popa. 114 – 115 | rtro


It girl

Mas talvez pensem que a sua carreira não tem corrido assim tão bem, pois desde 2012 que não a têm visto nas capas das revistas de moda, nas semanas da moda do mundo inteiro ou em campanhas de grandes marcas. A razão deste desaparecimento? Abbey passou estes últimos anos a tentar entrar para o mundo da sétima arte e parece que conseguiu. A modelo foi contratada para o filme Mad Max 4, ao lado de Tom Hardy e Charlize Theron. A saga australiana ilustra uma sociedade em que exemplares belos do sexo feminino escasseiam e por isso são mantidas em jaulas. Abbey fará o papel de uma dessa beldades e apostamos que a modelo agora actriz desempenhará o papel na perfeição. O que muita gente não sabe é que a Abbey também é baterista numa banda australiana, por isso, depois do mundo da moda, depois do mundo do cinema, o mundo da música pode ser o passo seguinte na carreira da modelo. Tudo isto torna a Abbey não só uma cara bonita cheia de personalidade, mas também uma ameaça tripla. Por isso tenham cuidado, pois a Abbey ainda agora começou.


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Da Arte e da Pop

O Lugar de Gaga por Margarida Cunha

Na última edição da RTRO, no artigo “Pop of the Flops – Um diagnóstico da actual música Pop”, escrevi acerca do quão aborrecido este género de música tem estado há algum tempo. Cerca de um mês depois, “Applause”, o single de apresentação de ARTPOP, o próximo álbum de Lady Gaga, (com data de lançamento prevista para 11 de Novembro) chegou à Internet – segundo a cantora, uma semana antes do previsto oficialmente (se bem que, com as actuais estratégias de marketing e hype, nunca saberemos se é inteiramente verdade). De qualquer das formas, a verdade é que o regresso da Mother Monster, com a sua faixa que se situa confortavelmente entre as actuais tendências electro-pop e as nostálgicas sonoridades dos anos 80, sacudiu o pó à indústria que vinha sendo sub-alimentada à base de Pitbull e suas incontáveis colaborações e outros que tal. Em “Applause”, ouvimos e vemos Lady Gaga a incidir sobre um dos seus temas de eleição: a fama. A questão que se coloca é: com cerca de dois anos decorridos deste o seu último single (“Marry the Night”, de 2011), poderá a cantora voltar aos seus dias de glória? Terá ainda um lugar privilegiado no mercado cada vez mais competitivo e acelerado da cultura popular que tanto idolatra e recria? E, a pergunta que vale 1 milhão de dólares, conseguirá Lady Gaga continuar a reinventar-se ou terá já esgotado todas as fórmulas?


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Da Arte e da Pop

O REGRESSO DA MÁQUINA PROMOCIONAL DE GAGA As águas há muito paradas da indústria começaram a agitar-se quando se começou a falar no novo single de Lady Gaga, “Applause”, que viria a estrear em meados de Agosto. Cerca de uma semana depois, saiu o vídeo. Ora, nesta indústria, em que vídeoclipes de todo o tipo de estrelas saem com quase tanta frequência como o pão quente, o lançamento de mais um não deveria fazer a diferença. Mas, como escreveu Sal Cinquemani para a Slant Magazine na sua review da faixa-mãe de ARTPOP, a divulgação, em 2009, do vídeo de “Paparazzi” contribuiu para que o lançamento de vídeoclipes voltasse a tornar-se num acontecimento. Inclusive, afirma que desde Madonna que nenhum outro artista explora tão eficazmente o poder promocional das plataformas mediáticas. Algo incontestável, se considerarmos que o vídeo de “Applause” teve direito a entrevista e contagem decrescente em Good Morning America – o programa matinal mais visto nos EUA. Mas não se ficou por aqui. Antes disso, já a intérprete tinha divulgado um vídeo (numa boa parte do qual aparece nua) em que experimentava o método Abramovic, que consiste num conjunto de técnicas de expressão popularizadas pela artista experimental sérvia Marina Abramovic. Entretanto, divulgou um pequeno vídeo promocional, onde podiam ler-se frases como “Lady Gaga já não é relevante”, “Não comprem o seu novo single”, “Ela está acabada” ou “Não comprem ARTPOP no dia 11 de Novembro”. Apesar de ter sido imediatamente rotulado de estratégia de psicologia invertida, este vídeo pareceu-me mais um exercício de humor do que qualquer outra coisa – a ironia, embora elementar, é bem mais refinada do que a psicologia invertida. Seguiu-se ainda uma discussão, que derivou de um tweet em que a intérprete de “Judas” incentivava os fãs a porem o seu vídeo em loop, de modo a aumentar o número de visualizações – tweet que foi posteriormente apagado, embora não tenha escapado à deliberação de alguns críticos (inclusive da Billboard) que, naturalmente, consideraram o método “sujo”.

Conseguirá Lady ou terá já esgota


y Gaga continuar a reinventar-se ado todas as fórmulas?

UMA POLÉMICA CHAMADA “BIONIC” Pelo meio, surgiu ainda uma (aparentemente) inesperada polémica entre o famoso blogger cor-de-rosa Perez Hilton (de quem Gaga já fora muito amiga) e a cantora. Em alguns tweets agressivos, Perez acusa-a e à sua equipa de terem boicotado o álbum Bionic (2010), de Christina Aguilera (uma acusação que paira na Internet desde 2011, aquando do artigo publicado no site Examiner, The conspiracy behind Christina Aguilera’s ‘Bionic’ bomb, onde se exploram os supostos motivos obscuros que conduziram ao fracasso comercial que o álbum veio a revelar-se – apesar de, junto da comunidade de fãs de Aguilera, ser um dos trabalhos mais acarinhados. Chegou inclusive a ser considerado por vários críticos da indústria como subvalorizado. A própria Christina afirmou, já durante a fase de promoção do seu último álbum, Lotus, que Bionic era um álbum à frente do seu tempo e que, com o tempo, será devidamente apreciado). O blogger chegou mesmo a criar a campanha Justice for Bionic, em que incentiva os fãs a boicotarem o álbum ARTPOP no seu dia de lançamento, adquirindo, em vez disso, Bionic. Para que conste, o mesmo Perez Hilton, há 3 anos, quando o álbum foi lançado, apelidou Aguilera de Floptina, comparando-a a Gaga e descredibilizando o trabalho que agora, supostamente, anseia promover. Contradições à parte, Aguilera é aparentemente apenas a ponta do icebergue, pois, segundo continuou Hilton, outras artistas terão sido prejudicadas pela Haus of Gaga, nomeadamente, Katy Perry, Kerli, Natalia Kills, entre outras. Entretanto, Gaga terá acusado Perez de a perseguir e à sua família, ordenando-lhe que a deixasse em paz. Da parte do público, as interpretações multiplicam-se: uns consideram que Perez Hilton desencadeou toda esta polémica em proveito próprio; outros que o blogger está a ser verdadeiro e a fazer justiça a Bionic; outros ainda, como eu, consideram a possibilidade de se tratar de um estratagema bem desenhado entre Hilton e Lady Gaga, a fim de se beneficiarem mutuamente com a publicidade gerada. Embora as genuínas motivações dos envolvidos sejam, para já, desconhecidas, se juntarmos as peças,

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Da Arte e da Pop

concluiremos que esta polémica teve três efeitos: Perez voltou a ter 15 minutos de fama (embora não consiga limpar a sua imagem de conflituoso e de fonte pouco fidedigna); Gaga manteve a sua máquina comercial a funcionar e Bionic ganhou um novo fôlego nas redes sociais – embora Aguilera nunca se tenha pronunciado sobre o caso. “APPLAUSE” – UM MANIFESTO MULTI-REFERENCIAL

Perez acusa Gaga e a sua equipa de terem boicotado o álbum Bionic (2010), de Christina Aguilera

Mas de volta aos aplausos. O vídeo do single de apresentação de ARTPOP, que estreou a 19 de Agosto, foi recebido pelos little monsters (denominação carinhosa atribuída por Gaga aos seus fãs) como uma obra-prima. Quando o vi, tinha pouco mais de 300 visualizações. Enquanto escrevo este artigo, constato que caminha largamente para as 45 milhões. Conhecendo a recorrência com que o tema da fama surge na obra de Gaga, não é de admirar que “Applause” seja um manifesto visual que surge da combinação de múltiplos referentes culturais, nomeadamente, David Bowie, Marilyn Monroe e, segundo a Rolling Stone, Vogue, de Madonna; cinema expressionista alemão dos anos 20; a personagem Morte, interpretada por Igmar Bergman, em The Seventh Seal; a personagem Joker, de Heath Ledger; o filme Black Swan; Liza Minelli, em Cabaret; Janet Jackson, na sua controversa capa da Rolling Stone, nos anos 90 e O Nascimento de Vénus, famoso quadro de Botticelli. No vídeo, a cantora surge em cerca de uma dezena de looks diferentes, enquanto se debruça sobre a sua necessidade de aplausos, o binómio arte/cultura Pop e o papel dos críticos. AS REACÇÕES A recepção foi geralmente boa, embora tenha relançado o eterno debate acerca da inspiração/homenagem/ cópia, do qual Gaga nunca se libertou. As comparações a Madonna continuam a assombrá-la (desta vez, "Applause" é equiparado a "Girls Gone Wild"), mas, para sermos justos, há que referir que, nesta altura, é extremamente difícil afirmar quem se inspira (ou copia) quem (se é que tal de facto acontece), tal é o número de influências


“Applause” é um manifesto visual que surge da combinação de múltiplos referentes culturais

e referências que os artistas vão reciclando – sobretudo se considerarmos que a originalidade pura não existe. Madonna poderá ser a rainha da Pop mas dificilmente se descarta de, também ela, ter incorporado elementos de outros artistas na sua obra. Há, de facto, uma relação dialéctica entre a cultura popular e a arte, num jogo de influências cuja origem é difícil de localizar. Gaga captou-o bem naquela que é provavelmente a parte mais interessante da faixa: Pop culture was in art/ Now, art's in pop culture in me. Embora algumas vozes poderão encontrar alguma pretensão nestas palavras, o site de crítica cultural Hitfix resume bem do que se trata: quer Gaga nos tenha convencido de que a sua estranha arte performativa é a música Pop de hoje, quer as suas excentricidades Pop sejam arte performativa, não faz grande diferença, desde que continuemos a observar. Não será realmente esse o propósito? Tudo o resto não será apenas semântica? Segundo alguns críticos (que reflectem sobre a música que reflecte sobre eles, num processo circular), não. Críticos como Tom Hawking, do site cultural Flavorwire, que considera que as pessoas estão a fazer a pergunta errada – ou seja, a questão não é “Estará Lady Gaga a copiar/homenagear as influências que referencia?” mas sim “O que é que Gaga fez com as influências que foi buscar?”. De acordo com Hawking, nada. Classificando o vídeo de “Applause” como pós-modernidade sem propósito, afirma que Gaga foi buscar diversas influências sem, contudo, dar-lhes uma finalidade ou acrescentar-lhes algo de novo – reduzindo todo o conceito a uma mudança de figurinos, em que a imagem vale pela imagem, e as referências são vazias. Acrescenta ainda que toda a carreira de Gaga é uma construção em que o estilo se sobrepõe à substância. O LUGAR DE GAGA NO PALCO POP Sem dúvida que a solidez do seu percurso nos palcos Pop deve-se esmagadoramente à imagética, e consequente aura, que, ao longo dos anos, criou em torno de si. Mas não será isso meritório por si só? E, quando falo em imagética, refiro-me às produções audiovi

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Da Arte e da Pop

É difícil afirmar quem se inspira (ou copia) quem, tal é o número de influências e referências que os artistas vão reciclando

suais que cria e protagoniza, não às suas escolhas de guarda-roupa mais ou menos extravagantes, mais ou menos carnívoras. Que outros artistas da actualidade conseguirão criar um vídeo, que, não sendo apenas um vídeo, é todo um conceito visual com narrativa própria, por oposição a um mero desfile de imagens? E quantos conseguirão manter esse registo durante alguns anos, reinventando-se continuamente para alimentar um público cada vez mais ávido e difícil de surpreender, tal é a rapidez com que a fasquia se eleva? Não sou fã de Lady Gaga mas também não sou hater. E é precisamente o facto de se tratar de uma artista não consensual que me leva a crer que a Mother Monster talvez seja realmente uma artista. Musicalmente, não lhe reconheço grande mérito – além do facto de compor quase todas as suas músicas e de cantar ao vivo. Reconheço o seu potencial de criar música que fica no ouvido mas, em termos de conteúdo, pouco ou nada de novo nos foi dado. Contudo, considero que nem todos os artistas têm de oferecer à música contributos da mesma natureza. A Pop, pelo seu carácter heterogéneo e inclusivo – e por se alimentar tanto do estilo como da substância – pode perfeitamente reservar aos seus artistas diferentes papéis possíveis: Madonna poderá assumir confortavelmente o papel de emancipadora feminina; Aguilera o de voz de uma geração (metafórica e literalmente) e Lady Gaga o de regenerar uma indústria que, até a sua “Poker Face” aparecer, se encontrava algo desvitalizada e carente de novidade. É um papel não menos importante, pois a cultura Pop precisa de um sentido, de uma voz, mas também de um rosto (de preferência, camaleónico). De tempos a tempos, a música Pop precisa de uma figura que mobilize o debate, monopolize as atenções e faça a indústria reflectir sobre si mesma. Consegui-lo é, por si só, uma arte – seja ela Pop ou de elite. Gaga conseguiu. Nem que seja apenas por isso, merece um aplauso.

De tempos a tempos, a música Pop precisa de uma figura que mobilize o debate, monopolize as atenções e faça a indústria reflectir sobre si mesma


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Smells like…

COCO MADEMOISELLE,

Chanel por Beatriz Subtil

O perfume Coco Mademoiselle foi lançado em 2001, pela marca Chanel, com o intuito de atrair as mulheres mais jovens a usar perfumes com notas clássicas e sofisticadas. As campanhas de comercialização do perfume contaram com uma cara conhecida de todos, Keira Knightley, uma actriz que transmite no seu todo a essência do que é o Coco Mademoiselle. A marca oferece o perfume não só em parfum mas também em eau de parfum e eau de toillete. Com notas frescas e frutadas como laranja, bergamota e tangerina, baunilha, musk e jasmim italiano, entre outras, o perfume prima pela sua feminilidade e intensidade. Um aroma que remonta a dias de Outono, onde as botas saem à rua, o Coco Mademoiselle da Chanel é o companheiro ideal, para a mulher do séc. XXI que, apesar de moderna, traz consigo uma fragrância clássica e intemporal, que se adapta aos dias de hoje na perfeição.


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BLURRED LINES

UMA LINHA QUE SEPARA A EMANCIPAÇÃO DA OBJECTIFICAÇÃO_ por Margarida Cunha


“Blurred Lines” foi indiscutivelmente a canção deste Verão. Foi uma competição renhida com “Get Lucky” dos Daft Punk, “Follow Rivers” de Lykke Li e mais umas poucas. Ainda assim, a avaliar pela omnipresença do single de regresso de Robin Thicke (não era possível ligar os canais de música sem que, pelo menos um deles, estivesse a tocá-la – assim como era impossível não apanhá-la numa estação de rádio, em qualquer momento do dia, várias vezes na mesma estação), e ainda que não oficialmente, ficou consagrada como o hino da estação que agora termina. Tendo vendido um milhão de cópias até ao 50º dia de lançamento, garantiu a Pharrell Williams a segunda música, em apenas um mês, a conseguir tal feito – a primeira foi, obviamente, “Get Lucky”. A tabela da Billboard também não deixa margem para dúvidas: “Blurred Lines” passou 12 semanas no primeiro lugar, tendo apenas sido destronado no início de Setembro por “Roar”, de Katy Perry. Tudo boas notícias, excepto um aspecto importante: o vídeo de “Blurred Lines” chateou muitas feministas e críticos. 128 – 129 | rtro


Blurred Lines

NOS BASTIDORES DE UM VÍDEO POLÉMICO Quando Robin Thicke e Diane Martel, realizadora (que, fiquei agora a saber, também dirigiu “We Can't Stop”, de Miley Cyrus, curiosamente também analisado nesta edição), decidiram criar o vídeo para “Blurred Lines” tinham em mente algo divertido. No ecrã, surgem-nos Thicke, Pharrell e T.I. a cantar, enquanto observam as modelos Emily Ratajkowski, Jessi M'Bengue e Elle Evans a dançar e a andar de forma sensual, interagindo com alguns objectos e animais, enquanto os cantores as observam e ocasionalmente lhes dão palmadas, mandam piropos e olhares gulosos. Pelo meio, e com frequência, aparecem hashtags (ou etiquetas) – utilizadas em plataformas como o Twitter e o Instagram como palavras-chave – a dizer #Thicke e #Blurred Lines. Um aspecto importante que fez toda a diferença foi o facto de os homens se encontrarem totalmente vestidos, enquanto as mulheres surgem seminuas. Um aspecto que levou a que o vídeo, lançado em Março, fosse removido do YouTube, apenas uma semana depois de ter estreado, na sequência de violação dos termos de serviço – voltando posteriormente com uma versão censurada, em que as modelos já aparecem de shorts e top. NA LINHA DE FOGO No que à polémica instalada diz respeito, o vídeo foi a cereja no topo do bolo, visto que a letra de “Blurred Lines” contém algumas passagens no mínimo curiosas. Desde “So, hit me up when you pass through/ I'll give you something big enough to tear your ass in two” a “Ok, now he was close/ Tried to domesticate you/ But you're an animal/ Baby, it's in your nature”, algumas das palavras escolhidas pelos cantores não foram de todo bem acolhidas pelo segmento feminista dos media, sendo que as reacções não se fizeram esperar. A Vice observou que a música faz com que Thicke pareça um predador; o The Daily Beast considera que traz à tona a eterna questão de o “não” da mulher significar “sim” para o homem; a modelo Amy Davison colocou a sua reacção no YouTube, em que afirma que a relação de poder estabelecida entre os homens e as mulheres no vídeo está desequilibrada, reforçando o poder deles e objectificando-as a elas. Sem papas na língua, rematou “uma boa pila não precisa de tanta publicidade” – numa alusão à parte do vídeo em que pode ler-se, escrito com balões, “Robin Thicke has a big dick”. O blog Feminist in LA foi mais longe, tendo sido um dos primeiros a acusar Thicke de ter produzido uma música sobre violação, reforçando que a frase “I know you want it” (repetida várias vezes no refrão) contraria a noção de consenso no acto sexual. Melinda Hughes, do site Policymic, opina que as modelos não só são desprovidas de roupas, como


também de individualidade e voz. Elizabeth Plank, do mesmo site, conclui que o sexismo não pode ser irónico porque ainda não foi ultrapassado. Até Moby teve uma palavra a dizer, referindo que a nudez não era um problema, mas o facto de os homens se encontrarem vestidos e as mulheres não. Mas há mais. Público-alvo típico da cultura Pop, alguns adolescentes reagiram ao vídeo de “Blurred Lines”, numa peça que pode ser vista no YouTube. Embora todos tenham ficado contagiados pelo ritmo da música, as reacções vão de “Nossa... isto é a versão censurada, certo?” a “Aquelas roupas de plástico não devem ser nada confortáveis”. Houve ainda espaço para “Isto é o que chamam de cultura Pop?” e “As hashtags dominaram o vídeo. Isto não é o Instagram!”. Estas foram algumas das frases proferidas enquanto assistiam ao vídeo. Posteriormente, foi-lhes dito que, na versão nãocensurada, as modelos estão em topless – o que surpreendeu quase todos, levando mesmo um a perguntar “o que tem isso a ver com música?”. E, embora alguns concordem que as mulheres aparecem objectificadas no vídeo, outros desvalorizam, observando que ninguém vai estar a pensar nas suas ramificações sociológicas. Mal sabia o quão distante da realidade a sua observação estava. O YouTube é de facto um óptimo instrumento para sentir o pulso à opinião pública. Um dos comentários dos internautas que mais me chamou a atenção foi “This porno has awful music”. LER NAS ENTRELINHAS

O vídeo de “Blurred Lines” foi removido do YouTube apenas uma semana depois de ter estreado

E como reagiu Thicke às reacções? Ao canal Vh1 disse que a ideia partiu da realizadora, que queria produzir um vídeo estilo Terry Richardson. Acrescentou que a nudez não o chocava, comparativamente a outros problemas actuais, e que o corpo da mulher tem sido retratado ao longo da História – rematando que os homens não estão a degradar as mulheres mas a rir-se e a ser patetas com elas. Depois, afirmou que com o vídeo queria quebrar todas as regras. Ao Today Show, reforçou a mesma mensagem, acrescentando que as intenções sempre foram as melhores e que a boa arte gera conversa, ainda que não tenha sido esse o seu intuito – chegou mesmo a avançar que o vídeo é um manifesto feminista em si mesmo. Já à GQ americana foram proferidas as declarações mais polémicas (ainda que presumivelmente irónicas), em que, à pergunta “Considera o vídeo degradante para as mulheres?” respondeu “Claro que é. É um prazer degradar uma mulher, nunca o tinha feito antes. Sempre respeitei as mulheres, por isso queria inverter as coisas e fazer com que as pessoas pensem 'As mulheres e os seus corpos são lindos. Os homens vão andar sempre atrás delas'”. Mais tarde, confirmou que estava a gozar. À Vanity Fair disse que pediu aos colegas no vídeo para fazerem

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Blurred Lines

movimentos de dança parvos, como os dos seus avôs, de modo a parecerem patetas e de modo a colocar as mulheres no poder. Até o seu pai, Alan Thicke, que também já se pronunciou sobre a polémica Miley Cyrus, quis participar na discussão, tendo dito que o “I know you want it” soa mais a um “I hope you want it”, aludindo a um homem que espera pela permissão da mulher. Refere ainda que não se trata de um vídeo lascivo, observando que ninguém agarra ninguém nem ninguém anda “aos amassos”, como se tem visto de há duas décadas para cá. Concordo com o senhor Thicke: a ser um vídeo polémico, “Blurred Lines” será dos menos expressivos. Afinal, se atentarmos bem, os homens estão de facto a ser parvos e as mulheres, pelos olhares subtis que ocasionalmente enviam às câmaras, têm bem noção disso, como que se dissessem “Já viram bem estes tolos?”. Sim, existe objectificação no vídeo, caso contrário, toda a gente estaria vestida (ou nua, desde que estivessem todos iguais). No entanto, não deixa de ser uma canção sobre flirt. Flirt que ocorre diariamente, milhares de vezes por todo o mundo, num bar, discoteca ou casa de amigos perto de nós. Flirt que é como o tango, tem de ser feito a dois, e, se feito correctamente, envolve as duas pessoas em partes iguais, apoiado sobre o pilar do respeito e do consentimento. Ou isto, ou já vi demasiados vídeos de hip hop, que me deixaram anestesiada a qualquer coisa que esteja abaixo do “I take you to the candy shop/ I'll let you lick the lollipop”. Como tal, avançar com teorias que apontam para a violação poderá ser um passo maior do que a perna. Sobretudo se o único argumento for a frase “I know you want it”. Sempre interpretei essa deixa como uma brincadeira ou como uma tentativa de atirar o barro à parede. Quantos homens não tentaram já essa abordagem, motivados pela insegurança e pela esperança de estarem correctos, mais do que pela certeza? E quantas mulheres não o terão dito também sem serem imediatamente conotadas como pervertidas, predadoras ou violadoras? A violação é um terreno minado e só deve enveredar por ele quem tiver certezas do que diz. Usálo a pretexto de levantar a bandeira feminista é uma táctica muito, muito perigosa. E, neste caso, no meu entender, inadequada. Fiquemo-nos pela objectificação, que, a ter ocorrido, não me parece ter uma natureza maliciosa. Algo que parece ser confirmado pelas declarações que a modelo Emily Ratajkowski deu à revista Esquire, quando refere que as mulheres foram dirigidas no sentido de serem confiantes e adoptarem uma atitude sarcástica perante tudo o que se passava, realçando que o contacto visual e essa atitude colocam as modelos numa situação de poder. Admito que durante bastante tempo não soube bem o que pensar sobre o assunto. Agora, estou cada vez mais convencida de que Thicke não quis realmente denegrir ninguém, embora por vezes as suas justificações tenham soado contra-

A relação de poder entre os homens e as mulheres está desequilibrada, reforçando o poder deles e objectificando-as a elas


"Isto é o que chamam de cultura Pop?” 132 – 133 | rtro


Blurred Lines

Usar a violação a pretexto de levantar a bandeira feminista é uma táctica muito, muito perigosa

Robin Thicke acertou em tudo: uma música contagiante, uma letra duvidosa e um vídeo polémico


ditórias. Uma delas é “somos todos homens casados”. E então? Deveremos deduzir que, como tal, a objectificação da mulher já é permitida, como se fosse uma espécie de concessão ou mal menor? Presumir que ser casado lhe concede free pass para alegadamente objectificar a imagem da mulher é ter a ilusão de que assumir um compromisso institucional o coloca dentro de uma redoma moralmente superior. Portanto, se há acusação que pode ser feita a Thicke é a de não ter grande poder de argumentação (ou coesão a esse nível). A INTERNET CONTRA-ATACA E se estavam a pensar “decerto que alguém fez uma paródia sobre isto”, acertaram. Não foram uma, nem duas, mas várias, oriundas de fontes diferentes. Da paródia do grupo Women's Rights, que inverte os papéis, à de Mod Carousel, há uma que se destaca: a de Melinda Hughes, que modificou a letra e o título para dar origem a “Lame Lines”. Assim, algumas das deixas ficaram: “And that's why I'm gon' call ya douchebag/ You think I want it/ I really don't want it/ Please get off it” ou “I hate your lame lines”. Algures no vídeo pode ler-se “Melinda has a big vag”. Já na reinterpretação “Ask First”, escrita por J. Mary Burnet e Kaleigh Trace, a letra ficou um pouco mais agressiva, tendo resultado em: “So he is popular, played on the radio/ Makes money in rape culture by degrading you” ou “Why do fucking dudes think/ a skirt means I want their dick?”. UMA FÓRMULA INFALÍVEL Em suma, pode dizer-se que Robin Thicke acertou em tudo: criou uma música com um ritmo contagiante (não há forma de dar volta a isso e até os seus detractores concordam), uma letra duvidosa e juntou-lhe um vídeo polémico. Tentou ainda, à sua maneira, e a acreditar no que diz, ser feminista. Quem sabe se o cantor de origem canadiana não terá realmente pegado numa narrativa aparentemente óbvia para distorcer, ainda que muito subtilmente, ideias pré-concebidas acerca dos papéis do homem e da mulher? Acredito nessa hipótese, embora, a ser verdade, merecia uma execução melhor. Segundo algumas críticas, essa abordagem não funciona, pois criticar um conceito reproduzindo exactamente esse mesmo conceito não traz nada de novo, apenas o reforça. Talvez. Em última instância, tudo dependerá do olhar que vem do outro lado da tela. Se ainda não é desta que a linha que separa a emancipação da objectificação fica clara, há algo que fica: a emancipação feminina tornou-se num grande bolo de que todos querem uma fatia.

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ROMANCE E MISTÉRIO:

O EQUILÍBRIO PERFEITO por Ana Cristina Silva

Título: Jardim de Alfazema Título Original: Lavender Morning Autora: Jude Deveraux Editora: Leya Coleção: Bis (livro de bolso) Edição: Julho de 2013 Páginas: 352 Género: Romance

“Jardim de Alfazema” conta-nos a história de Jocelyn numa descoberta do passado da mulher que foi a sua verdadeira família durante toda a sua vida. Para tal, viaja à cidade da sua amiga, Edilean Harcourt, que lhe deixou de herança uma mansão, a casa mais histórica do local, e uma série de cartas que a animam a procurar descobrir os mistérios que envolvem a vida de Edi. Nessa cidade situada na Virgínia, acabará por conhecer a sua própria história, encontrará amigos e também o amor. Mas nem tudo será aquilo que parece e o que Joce tinha como certo era, afinal bem diferente. Edi, ao longo da sua vida foi como uma mentora para Joce e uma verdadeira conta-

dora de histórias. Ao morrer, deixa à sua pupila todos os seus bens mas também o homem que seria perfeito para ela, Ramsey. Mas como encontrar o verdadeiro amor nunca pode ser assim tão fácil, acabam por aparecer dois homens na vida de Joce: primos, atraentes e muito diferentes. Um, Ramsey, advogado respeitado, o ideal chefe de família; o outro, Luke, um jardineiro um tanto solitário e com alguns segredos por revelar. Para além deste triângulo amoroso, desenvolve-se uma história secundária ao longo do livro, o romance entre Edi e o seu verdadeiro amor, David, em plena II Guerra Mundial. Vamos descobrindo, a par


de Joce, como Edi e David se conheceram e apaixonaram e o seu triste desfecho. De salientar o mistério que rodeou esta parte da história e o facto de a autora nos levar ao passado através de cartas escritas por Edi e não de quaisquer flashbacks ou sonhos (instrumentos algo comuns nos romances de hoje). Esta história supostamente secundária acaba por ser a que realmente nos prende ao livro, uma vez que o seu desfecho não é de todo previsível. “Jardim de Alfazema” demorou a começar e muito se deve ao prólogo, a meu ver, confuso e desnecessário para a compreensão da história. Os primeiros capítulos serviram apenas para nos dar o contexto da história e nos apresentar algumas personagens interessantes como o avô de Luke, Dr. Dave ou o seu filho, Jim. Com muito humor e numa escrita fluída, conhecemos a cidade de Edilean, uma típica cidade do interior, orgulhosa do seu passado e onde toda a gente se conhece e os segredos não se mantêm escondidos por muito tempo. A segunda metade do livro é quando a história começa verdadeiramente: paralelamente a percebermos finalmente o que sente Joce e como se relaciona com os demais, começamos a descobrir os mistérios que envolvem Edi, a cidade de Edilean e a própria Jocelyn. Chegados quase à recta final do livro, apercebemo-nos de que afinal não existiam só um mas vários segredos. O que faz com que o final da história pareça um tanto repentino e com muito por ainda por resolver, mas isso será compensado no segundo livro da série, que nos leva atrás no

tempo para nos contar a verdadeira história dos antepassados de Edilean. É um romance simples e, apesar de todos os segredos e mistérios envolvendo as personagens, a sua leitura é feita de uma forma fluída e sem grandes complicações de enredo.

“ - A minha salvadora. Sem ti não sei como teria sobrevivido à minha infância. Edi sabia que era um exagero; afinal as pessoas não morriam por falta de livros. (…) A verdade era que terem-se conhecido foi a melhor coisa que alguma vez nos aconteceu.” Jude Deveraux in “Jardim de Alfazema”

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Ler. Ver. Ouvir. por Mariana Sá

Ler 4 horas por semana Autor: Timothy Ferriss Editora: Casa das Letras Ano: 2008 Género: Autoajuda Estás insatisfeito com a tua vida? Estás a fazer algo que não queres, mas não tens coragem para mudar. Ou então, nem sequer sabes o que queres fazer da tua vida… Então, este livro é para ti! Ferriss tem um discurso motivador. Criou uma estratégia para ajudar-nos a repensar os nossos objectivos e sonhos. Depois de colocarmos tudo em perspectiva, indica como traçar um projecto para podermos atingir o que pretendemos. Mas, atenção que não é um livro milagreiro. Simplesmente, ajuda-nos a simplificar as nossas ideias e pensar em objectivos realistas para serem atingidos a curto e médio prazo. Portanto, tudo depende de nós. O que pretendemos, como queremos fazer as coisas e se estamos mesmo dispostos a mudar o nosso estilo de vida. Se, pelo contrário, estás de bem com o teu trabalho, mas achas que consegues ser mais produtivo e eficaz, segue as dicas que Timothy Ferriss escreve neste livro. Ele mostra que, se formos inteligentes, conseguimos fazer mais e gozar mais. Aliás, a teoria é de não precisamos de colocar os nossos sonhos em espera, nem de seguir o conceito de reforma e vida eternamente protelada. Podemos sim, alinhar uma estratégia para irmos aproveitando e saboreando as coisas boas da vida, enquanto temos genica. Mas atenção, o importante é que os nossos rendimentos não sejam descurados por esses momentos de lazer. Como é que é isso será possível?...


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Ouvir

A Gaiola Dourada

Home

Realização: Ruben Alves

Autor: Rudimental

Elenco: Rita Blanco, Joaquim de Almeida

Editora: Warner Music

Ano: 2013

Ano: 2013

Género: Comédia

Género: Drum and bass, Liquid Funk, Dubstep

Ruben Alves fez o filme perfeito para honrar os emigrantes portugueses em França. Há comédia e há crítica mordaz.

A música inglesa esteve muito forte este Verão e os Rudimental contribuíram fortemente para que isso acontecesse. É verdade que este quarteto electrónico apenas estreou-se em 2012, mas fê-lo com uma força tal que entrou directamente para os tops. E melhor, lançaram os holofotes sobre todos os artistas com que colaboraram.

O filme conta a história de um casal de emigrantes portugueses em França (Joaquim de Almeida e Rita Blanco). Depois de anos de dedicação aos respectivos trabalhos e filhos, recebem uma herança e podem melhorar de vida, mas terão de voltar para Portugal. Portanto, este é um retrato da vida de muitos portugueses que, nos anos 60, partiram em busca de uma vida melhor. Estão lá os clichés, a comédia, os chavões da Maria Vieira (uma dona de casa, mais mandona que os próprios patrões), mas sobretudo uma crítica à população francesa, que ainda discrimina os portugueses, associados a funções de porteiras e trabalhadores de construção civil. Claro que os portugueses também são caricaturados. De forma bem engraçada. Quem já viu afirma que é um retrato fiel da vida dos portugueses em França. E, pela quantidade de pessoas que têm visto o filme, desde a estreia a 1 de Agosto, com salas constantemente cheias (a 17 de Agosto, 200 mil pessoas viram o filme), a Gaiola Dourada está a ser um sucesso. Não só em Portugal, mas também na França.

Piers Agget, Kesi Dryden, Amir Amor e DJ Locksmith furaram os tops em Maio de 2012 com “Feel the Love”, com John Newman. Chegou a número 1 no Reino Unido. O mesmo voltou a acontecer este ano com “Waiting All Night”, com Ella Eyre. Aliás, esta música também anda nos tops das rádios nacionais, de tão viral que está neste momento. Portanto, podem ser novos nestas andanças, mas os Rudimental não são parvos. Escolheram a dedo as colaborações do primeiro álbum. Cantores com vozes incríveis e marcantes que nos deixam agarrados à primeira. Tanto que já estão a dar que falar a solo. Depois, as músicas são envolventes e deixam-nos com vontade de mexer. Um sentimento constante desde a primeira até à última faixa do álbum. Para já, “Home” é o primeiro trabalho da banda. Saiu em Abril deste ano. Resta aguardar por mais novidades. Entretanto, deliciem-se com “Not Giving In” e abanem o esqueleto ao som de “Spoons”.

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Wishlist

1

2

Acne, aprox. 410€

Simone Rocha, aprox. 210€

por Ana Rodrigues

3

4

Dolce & Gabbana, aprox.

Acne, aprox. 475€aprox.

575€

v 1

2

3

Chic 4


1

2

Zara, aprox. 60€

Zara, aprox. 70€

3

4

Pull & Bear, aprox. 13€

Topshop, aprox. 104€

vs 1

2

Cheap! 3

4

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RTRO #23  
RTRO #23  

Edicao de Setembro-Outubro 2013 - inclui um Especial Tendencias com tudo o que precisam de saber sobre Moda, Beleza, Decoracao e Cultura. S...

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