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rtro magazine Nยบ 19


Já alguma vez deram por vocês a sair de uma página na internet que mal abriu, só porque era muito lenta? Já deixaram de ler um artigo porque tinha mais de uma página? Ou passaram uma música à frente só para chegar à vossa parte favorita? E quem nunca recorreu à internet para evitar esperar semanas (às vezes meses) pela sua série favorita? É quase certo que todos nós já sucumbimos a pelo menos uma destas “tragédias” do quotidiano. Hoje não basta ter o que queremos. Tem de ser quando queremos. De preferência agora. As constantes inovações tecnológicas permitem-nos actualmente o luxo da velocidade. Esperar, antes uma virtude, é agora uma escolha. É sobre esta cultura da velocidade que reflectimos este mês, não só a um nível global mas também especificamente sobre o fenómeno da fast fashion e suas consequências para a Moda e para o Planeta.

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Mas vamos com calma. Só assim será possível apreciar devidamente os trabalhos da fotógrafa Elisabete Morais e da designer Diana Matias, que compõem a dose dupla de Jovens Talentos deste mês. É também bem jovem o talento da personalidade escolhida para a rubrica It Boy: Romeo Beckham. No meio de tudo isto, ainda tivemos tempo de trocar algumas palavras com a (também) jovem blogger Nádia Sepúlveda.

Com o nosso estilo de vida acelerado é preciso não nos esquecermos de tratar bem da nossa principal ferramenta de contacto com o mundo: os olhos. Nesta edição abordamos a importância dos desmaquilhantes de olhos, e incluímos algumas sugestões de produtos para o efeito. E porque a velocidade não pode nunca intrometer-se entre nós e a nossa individualidade, damos seguimento à rubrica DIY.

Não se esqueçam de descobrir por que é que esta RTRO cheira a Le Parfum de Elie Saab e por que é que o tom dominante é o prateado. Tudo isto e mais nesta edição da RTRO!

magazine

Editorial

Boa leitura 

Margarida Cunha Editora


rtro staff

editora Margarida Cunha redactores Ana Rodrigues Catarina Oliveira Beatriz Subtil Helena Lopes Joana Vilaça Margarida Cunha Mariana Sá Mónica Dias Patricia Silvério Pedro Resende layout Manuel Costa paginação Manuel Costa Ana Dias foto de capa Ayla Soares

www.rtromagazine.com

A rtro está sempre à procura de modelos, fotógrafos, stylists, maquilhadores, designers, que queiram colaborar, expor os seus trabalhos, se achas que tens o que é preciso contacta-nos para o nosso email.

geral@rtromagazine.com


6

10

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Focus on Designer Phillip Lim

Color me Prateado

Blogger Chat Nádia Sepúlveda

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50

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É bom, não foi? Ou uma reflexão sobre a Cultura da Velocidade

Peguei, usei e meti-te no cesto Ou o fenómeno da Fast Fashion

it girl O fenómeno

it Boy from an "it family"

Índice


20

22

24

30

Just DIY

Desmaquilhantes de Olhos

Jovens Talentos Elizabete Morais

Jovens Talentos Diana Matias

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66

68

Smells like‌ Le Parfum by Elie Saab

Ler. Ver. Ouvir.

Wishlist Chic vs Cheap!


Focus on Designers por Pedro Resende


6 – 7 | rtro

Phillip Lim

From the Orient to the World 6 – 7 | rtro


Focus on designers

Nasceu em 1973 na Tailândia e das suas origens orientais partiu um estilo único que viria, anos mais tarde, a conquistar a moda e o mundo em geral. Phillip Lim foi o talento emergente do Council of Fashion Designers of America do ano de 2007, dois anos depois de ter lançado a sua marca, 3.1 Phillip Lim. Nome estranho? Nem por isso… Não se pensarmos nos trabalhos que realizou em moda antes de se singrar como criador singular. Estagiário de Katayone Adeli, fundador de uma marca de básicos, a Development, Phillip Lim traçou um percurso notável até que, juntamente com Wen Zhou, amigo e fabricante de tecidos, funda em 2005 a sua marca própria. Não satisfeito apenas com o seu nome enquanto marca, acrescentou-lhe a sua idade da altura, idade partilhada com o seu amigo e co-fundador, 31. E assim nasce uma das marcas mais joviais e elegantemente chiques da actualidade. Phillip Lim conseguiu, em poucos anos, manifestar o seu sentido estético e trazê-lo ao mundo, mantendo a sua visão de moda mas mantendo em vista o factor comercial das peças que cria. O resultado? Sessenta (sim, 60) milhões de dólares americanos de lucro no ano de 2011, uma série de linhas secundárias (entre as quais swimwear, roupa infantil, lingerie ou eyewear) e uma série de prémios e galardões que lhe trouxeram fama e proveito enquanto criador de um “effortless chic”, como descreve Mark Holgate, da Vogue. Actrizes e personalidades com o apoio de marca, como é o caso de Natalie Portman, uma série de desfiles que estação após estação surpreendem pela falta de monotonia que parece ser geral na maioria dos criadores. Phillip Lim é um novo fôlego. Novo, sim, em tempo. Maduro, sim, em experiência. Mas com uns pulmões que parecem gritar bem alto que a criatividade é uma arma que, além de arte, gera lucro. Focus, world, he is here to stay!!!

1 Philip Lim Spring/Summer 2013 2 Phillip-lim Prefall 2013 3 Philip Lim Spring/Summer 2013


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me por Catarina Oliveira qatch.wordpress.com

Não há tonalidade que represente melhor o frio do que o metalizado prateado. Pode não ser uma cor propriamente dita, mas não é para ser ignorada nesta rubrica da RTRO. Baço, holográfico, espelhado ou apenas um cinzento brilhante, todos os tipos de prateado são aceitáveis. E em todo o corpo. Como tendência funciona bem em acessórios, e não podemos deixar de mencionar o quão irresistível é ter umas unhas com apliques prateados. Numa época em que manicures loucas estão em voga, este estilo não perdeu terreno, não deixa de ser arrojado, mas consegue ter imensa elegância, para qualquer ocasião.


3 Paco Rabanne Outono Inverno 2012/13

2 blumarine Aut/Int 2012/13

um conjunto espelhado do qual podem ser tiradas ideias para conjugar com peças mais suaves. Paco Rabanne distancia-se da forma espalhada e cria um prateado baço que encaixa bem no branco. Como esta tonalidade pode não ser ao gosto de toda a gente, desta vez decidimos dividir as sugestões em dois tipos. Para os mais discretos, o prateado aparece como pequenos acessórios que complementam qualquer tipo de roupa. Para quem quiser usar prateado como parte integrante do visual, sugerimos peças-chave que não passaram despercebidas, mas que fazem jus a este tom.

1 Jil Sander Aut/Int 2012/13

O prateado surge-nos na passerelle com alguma timidez, pois não são todas as casas que fazem uso deste tom gelado. No entanto há importantes exemplos a ter em conta nestes últimos meses de Inverno. Sugestões que podem ainda ser aproveitadas antes da Primavera surgir, e que fazem a transgressão para a estação quente de maneira muito fácil. Prova disso é Jill Sander, que consegue mostrar-nos um vestido totalmente prateado com um simples mas peça-chave casaco por cima. Nunca o prateado teve tanta classe. Outras marcas apresentam-nos mais versões de como este metalizado consegue ser usado em look total. Blumarine arrisca e apresenta

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Color me

blanco.com 25,99€

topshop.com 67€ uterque.com 59,95€

aldoshoes.com 30,93€


net-a-porter.com 160€

net-a-porter.com 634€

solestruck.com 304€

asos.com 12,50€

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Blogger Chat por Joana Vilaça thefashiondreamcatcher.blogspot.com

Os blogs de moda são sem dúvida uma peça fundamental na indústria da moda, cada vez mais assumem um papel relevante, inspirando, opinando, democratizando através de pessoas reais com opiniões reais. Nádia Sepúlveda de 23 anos, bracarense e estudante de Medicina, é sem dúvida uma dessas bloggers. Encontra-se por detrás do My Fashion Insider, um blog onde se pode ler e ver de tudo um pouco, inspirações, looks, fotografias, escrita, sempre com um cunho muito pessoal. A moda e o estilo por aqui andam de mãos dadas, porém esta blogger não se proíbe de falar de outros assuntos bastante actuais e interessantes. Assim, nesta edição, a RTRO quis conhecer melhor a Nádia, dona de um estilo único repleto de bom gosto e originalidade.


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Blogger chat


Antes de mais, como pergunta da praxe, o que te motivou a criar um blog? Já tinhas conhecimento da existência de outros blogs de moda/estilo antes de criares o teu? O que eu queria mesmo mesmo era arranjar um local onde partilhar o meu arquivo gigantesco de editoriais e fotos de modelos...e as roupas que usava para não repetir conjuntos! Estávamos em Outubro de 2009 e na altura não conhecia nenhum blog de moda! O que é que nos podes dizer acerca da Nádia, da Nádia que está por detrás do My Fashion Insider? O que é que os teus leitores/ seguidores deveriam saber que ainda não sabem? Hmmm, eu acho que já sou bastante transparente no blog! Cada vez mais gosto de partilhar coisas pessoais, porque acho que é isso que aproxima mais os leitores! Acho que até já sabem mais do que quereriam! Hehehe Todos os dias actualizas o teu blog com diversos conteúdos, é muito difícil para ti encontrar diariamente matéria nova e interessante? Ou é algo que surge de forma espontânea e natural sem grande necessidade de pesquisa prévia? Vai surgindo todos os dias! Eu sou muito organizada, portanto vou anotando as ideias que vou tendo, para depois concretizar! Sempre achei bastante interessante o facto de tirares as tuas próprias fotos completamente sozinha, apenas com a ajuda de um tripé. Tem alguma história caricata que gostarias de partilhar connosco? Já tive gente que me perguntou se era modelo, se estava a fazer aquilo para algum projecto, e uma das situações mais engraçadas foi quando uma senhora veio com as duas filhas de mão dada e me fez perguntas muito interessada sobre as fotos e sobre o que fazia! Ainda hoje, ela ainda passa por mim às vezes, e ainda pergunta se tudo vai bem! Para além dos teus looks, dicas, vídeos e inspirações diárias um dos conteúdos que parece ter grande sucesso são os teus posts de opinião. É importante para ti expressares no blog a tua opinião independentemente de esta não se relacionar com o Mundo moda? Sim, porque este blog é bem mais que um blog de moda... é o meu espaço e, uma vez que me interesso por tantos assuntos distintos, gosto de partilhar muitos desses pedacinhos com os meus leitores!

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Blogger chat

O teu estilo tem passado por diversas evoluções, neste momento assumes uma estética mais clean e minimalista, o que provocou esta mudança? Algo em específico? Já há um ano que sentia a necessidade de acalmar, de me tornar mais coesa. A universidade foi, para mim, a altura da liberdade, de usar mil e uma coisas diferentes...um dia romântica, no outro gótica...e comecei a cansar-me de olhar para o espelho e ver tanta gente diferente. Se te dessem a oportunidade de escolher qualquer peça, independentemente do preço e do designer, qual seria? Uma peça desenhada pelo Alexander McQueen. Venerava o designer, era brilhante, e a morte dele sensibilizou-me! Recentemente começaste a fazer vídeos de compras, de maquilhagem, com dicas, com updates entre outros assuntos. Estás a pensar apostar mais nesta vertente ou é apenas uma rubrica que complementa o teu restante trabalho?  Para já é complementar. Mas penso que o vídeo não chegará a substituir as fotos...são coisas diferentes! Se tivesses que optar ou por moda ou por estilo, qual seria a tua escolha? Estilo. É bom quando olhamos para a foto de alguém e dizemos “estava bem vestida” independentemente do que está “in”. O teu blog tem três anos, já deves conhecer bastante bem a realidade da moda portuguesa bem como da blogosfera. Na tua opinião o que existe de melhor e pior na blogosfera e na moda portuguesa? A Moda Portuguesa está cheia de talento, especialmente jovem! Adoro ver as criações de novos criadores! O problema é que, como em muitos ramos, acaba-se por valorizar (apenas) aquilo que se conhece, os mesmos designers de sempre. Na blogosfera acaba por acontecer um pouco isso também! Há muita qualidade na blogosfera portuguesa, mas nem sempre é a mais valorizada!


Falando agora de Braga, sendo tu uma blogger bracarense, achas que Braga tem evoluído em termos de estilo pessoal? Encontras inspiração nas ruas de Braga? Eu acho que Braga tem muita gente cheia de pinta! Já vejo muitas pessoas a ousar, a ser diferentes, e isso é algo que me deixa cheia de orgulho! A nossa revista chama-se RTRO. O que é para ti ser “retro”? É nostalgia, olhar o passado de uma forma terna e abraçá-lo!

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Just

DIY!

por Ana Rodrigues toroseparade.blogspot.com

Nesta edição a RTRO traz de volta o artigo apenas e só dedicado ao DIY – do it yourself. Temos ideias, propomos e queremos saber quais têm sido as vossas experiências neste tipo de criação! Desta vez sugerimo-vos duas ideias mais clean da blogger love aesthetics: uma clutch transparente e uma caixa de jóias!

A blogger love aesthetics é especialista em nos trazer ideias que, para além de geniais, são absolutamente fáceis de se fazer em casa. Desta vez optamos por vos mostrar duas dicas que ela nos apresentou no seu blog e que, para quem é fã do minimalismo, vai de certeza querer experimentar! Em primeiro lugar, e tal como descrevemos atrás, a primeira ideia vai para uma clutch transparente. Para conseguirmos obter este fantástico objecto precisamos de apenas duas caixas de VHS de tamanhos diferentes, cola e algum material de metal para as unir (que facilmente se conseguirá encontrar em lojas especializadas, lojas de ferragens).

Como fazer? Em primeiro lugar, é necessário destacar das caixas todo e qualquer plástico ou papel envolvente e deixá-las com a aparência da primeira imagem que vos mostramos. Em seguida, deve-se unir as duas caixas com cola (que deverá ser bastante resistente). Por fim, fazem-se dois furos do tamanho


dos parafusos a ser utilizados para prender as anilhas que vão ser utilizadas para colocar uma fivela, sempre que se quiser utilizar a bolsa de outras maneiras para além de clutch (ver imagem abaixo). O resultado? Uma clutch minimalista e clean feita a partir de duas caixas de VHS em pouquíssimo tempo! Super prática e acessível.

Em primeiro lugar fazem-se duas aplicações do verniz bege de forma a obter uma textura uniforme nas unhas e, de seguida, aplica-se o verniz preto somente na zona da “meia lua” conforme representado na imagem acima. Se pretenderem podem ainda colocar um top coat que ajuda a secar o verniz, dar brilho e aumenta a durabilidade deste. De acordo com o gosto de cada um de vós podem adequar as cores A segunda ideia vai-vos deixar ainda mais entu- conforme desejarem e não se restringirem somente siasmados, isto porque, a caixa de jóias é ainda mais a este exemplo. simples de obter: apenas é necessária uma caixa de Enviem-nos as vossas propostas DIY! Na próxima bombons transparente e retirar toda e qualquer publicidade que venha a envolver o objecto. Podem utilizá-la edição será seleccionada uma das ideias que nos conforme o exemplo que mostramos no artigo, para enviarem e apresentada na revista juntamente com guardar acessórios/jóias ou então, podem-lhe dar mais duas outras propostas encontradas em blogs deste tipo de criação. qualquer outra finalidade! Só precisas de enviar um texto com os teus dados (nome, cidade onde vives, endereço do blog pessoal (opcional)), a lista de material necessária para o DIY bem como todos os passos e fotografias before e after do DIY e enviar para: geral@rtromagazine.com

Fonte:

Este mês trazemos ainda uma outra proposta para vocês: um half moon nail DIY! Foi-nos apresentado pela blogger Girl a la mode e achamos interessante divulgar a ideia que ela nos proporcionou. Novamente simples de obter, são apenas necessários dois vernizes (preto e bege) e um top coat.

www.love-aesthetics.blogspot.pt www.girlalamode.co.uk

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Desmaquilhantes de Olhos por Beatriz Subtil

Tal como a nossa pele, também os nossos olhos precisam de cuidados, principalmente se temos problemas de visão, em que qualquer tipo de agressão externa possa provocar desconforto ou até uma reacção alérgica. Para quem usa maquilhagem no dia-a-dia, é de ter em conta que, tal como temos cuidado a escolher os produtos que queremos utilizar para nos maquilharmos, também devemos ter esse mesmo cuidado aquando da escolha de produtos para remover a maquilhagem. Existem inúmeros produtos para remover maquilhagem da pele toda, desde géis, sprays e até mesmo toalhitas desmaquilhantes, no entanto é muito importante ter também uma gama de produtos para desmaquilhar os olhos, já que a pele que os rodeia, bem como as pestanas, são zonas bastante sensíveis e de alto risco de criar alergias devido à maquilhagem. No meu dia-a-dia, uso sempre um desmaquilhante de olhos líquido, aplicando-o com um algodão e massajando suavemente até a maquilhagem sair. Neste momento estou a usar o da Bioten, que podem encontrar à venda em qualquer supermercado. No entanto, já utilizei também desmaquilhantes específicos para remover maquilhagem à prova de água, já que esta é mais ‘’persistente’’. Apresento aqui diversos produtos à minha escolha, que podem encontrar em lojas das grandes superfícies, farmácias e em supermercados.


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Jovens talentos

Elisabete Morais por Patrícia Silvério

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Jovens talentos

Elisabete Morais apaixonou-se por fotografia desde muito cedo. Licenciada em Tecnologias da Comunicação e com o mestrado em fase final, Elisabete Morais é uma entusiasta da Fotografia e Vídeo Documental. Na fotografia, ela explora as emoções humanas, procura libertar fantasmas e fantasias inspiradas no seu quotidiano.

Como é que surgiu a paixão pela fotografia? Na minha infância nunca tive muito contacto com fotógrafos profissionais ou câmaras profissionais, no entanto, passava muito tempo a folhear o álbum de família, cada retrato, cada momento fazia-me viajar no tempo e sentir a necessidade de continuar o processo e ser eu a fotógrafa. Com uma pequena máquina fotográfica de bolso Kodak Ektra, que os meus pais compraram quando namoravam, fui fotografando os momentos familiares, com amigos etc. até tornar-se num vício e o meu pai oferecer-me a primeira máquina fotográfica de 35mm. Mais tarde, entro em Artes no secundário e fico mais sensível em relação à estética, composição, enquadramento, a fotografia começa a ser vista de uma forma diferente, do registo dos momentos familiares e com os amigos, passei a fotografar quase diariamente (já com uma pequena máquina digital) e a usar a fotografia para expressar os dramas de teenager, muitos auto-retratos, muitos pormenores e registos do quotidiano, sempre com um carácter bastante pessoal. O que é que procuras na fotografia? Continuo a procurar o que procurava com 15 anos, expressar o que sinto, mas agora com 23 anos o que sinto é diferente, sou sensível a outras questões, que não dizem só respeito ao meu "eu" mas ao que me rodeia. Essencialmente procuro libertar fantasmas e fantasias inspirados no meu dia-a-dia, no que me é próximo. O teu trabalho concentra-se muito na captação de momentos, retratos, objectos, paisagens... Mas na tua fotografia é constante ver que captas imenso as emoções Humanas? O que é que mais gostas de fotografar? Sim é verdade, principalmente nos meus últimos trabalhos das "foto-histórias" há sempre um lado metafórico para expressar determinadas emoções. O retrato da mulher de branco, com as pétalas a cair da mão, serve como presságio para o que vai acontecer, embora a sua expressão facial não seja muito reveladora. O que mais me alicia na fotografia é essa capacidade de "contar histórias", de fazer com que por momentos alguém entre num mundo diferente, num mundo que fala de nós através de metáforas.


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Jovens talentos


Licenciaste-te em Tecnologias da Comunicação, em Aveiro. E actualmente encontras-te a frequentar um Mestrado? Tens alguns projectos em mente? Neste momento estou a terminar o mestrado, em Outubro entrego o ensaio fotográfico e vou expor o meu projecto na Galeria Geraldes da Silva no Porto). Pretendo continuar com as minhas "foto-histórias" e mais tarde reuni-las em livro. Tenho também trabalhado com alguns músicos de Castelo de Paiva na realização de vídeoclipes (http:// www.facebook.com/IrmaosBrothers e http://www.facebook.com/auraportugal) e no registo de alguns movimentos artísticos underground e espontâneos, sem fins lucrativos; pretendo continuar inserida neste tipo de projectos e ajudar a promover, ao que nós chamamos de "cena paivense". Onde podemos encontrar o teu trabalho? As fotografias mais pessoais podem encontrá-las no meu blog: http://mariabaunilha.blogs.sapo.pt/ Os outros trabalhos encontram-se neste site: http://be.net/elisabetemorais E nas redes sociais tenho também uma página onde vou divulgando o que ando a fazer: http://www.facebook.com/elisabetecoimbramorais

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Jovens talentos

Diana Matias por Helena Lopes

Diana Matias, apesar de ser uma jovem designer de moda, já não é um nome desconhecido na área da moda. Já há algum tempo que apresenta as suas colecções no espaço Bloom do Portugal Fashion, espaço dedicado a jovens designers. Fomos falar um pouco com ela sobre a sua paixão, a moda, e sobre a sua última colecção. 30 – 31 | rtro


Jovens talentos

Como surgiu o teu interesse pela moda? Cresci no ambiente desta indústria. Os meus pais tinham uma fábrica. Produziam peças para clientes/marcas nacionais e internacionais. Desde muito cedo, nos tempos livres em que não tinha aulas, ocupava-me a construir vestuário para as bonecas, etc, com as sobras de tecidos. Mais tarde, quando necessário, ajudava na entrega das encomendas. Comecei a ter curiosidade em perceber como é que o processo iniciava e decidi ir estudar design de moda. Como é criar uma colecção? Como é que tudo começa? O trabalho inicia com a pesquisa. Imagens, matérias, influências, experiências etc, juntas começam a fazer sentido e levam a conclusões. Filtro a informação. Com o decorrer da colecção, são acrescentados detalhes e são retirados aqueles que no conjunto não têm 'corpo' ou estão descontextualizados. As peças são pensadas de forma a que, singularmente, tenham peso e que no coordenado tenham equilíbrio. Onde procuras inspiração para as tuas colecções? Tens alguma referência? Como referi acima, a inspiração parte, fulcralmente, de pesquisa e experiências. Crio uma imagem total que é desfragmentada peça a peça. Foco a diversidade de materiais nos mesmos tons da base e texturas, de forma a que cada coordenado seja composto por sobreposição de peças com diferentes 'linguagens' mas que na totalidade tenham força e um aspecto limpo em simultâneo. É esta a base do trabalho que tenho vindo a desenvolver.


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Jovens talentos


Achas que desde a tua primeira colecção, Morphology, até à última tens crescido profissionalmente? Há uma preocupação constante de acrescentar algo de novo, nunca visto. O processo criativo é uma aprendizagem. Com o decorrer das colecções são feitas correcções e anteriores 'obstáculos' acabam por ser dissipados na estação seguinte. Há questões que não funcionam e não são repetidas, outros pormenores são repensados e no novo ambiente funcionam. Novos contactos vão surgindo e que acabam por simplificar a execução. Já há algum tempo que apresentas as tuas colecções no espaço Bloom do Portugal Fashion. Como surgiu a oportunidade? Após conclusão do curso, criei juntamente com cinco amigos, três designers de moda, um designer gráfico e um editor de moda, um colectivo: 'Wolke Bos'. Consistia numa plataforma de visibilidade. Foi criado pela necessidade de dar a conhecer o nosso trabalho num registo distinto do já existente. Entretanto, surgiu o convite por parte do Miguel Flor, coordenador do espaço Bloom para apresentar na primeira edição do projecto. A mostra acontecia em ambos os espaços. Devido a factores económicos e falta de apoios, o Wolke Bos ficou em stand-by e continuei a apresentar no espaço Bloom. Nesta última edição do Portugal Fashion, ao contrário das anteriores, apresentaste a tua colecção em Lisboa e não no Porto, como de costume. Sentiste alguma diferença? A diferença mais significativa é a nível de imprensa. Somos menos designers e a focagem no nosso trabalho é mais concentrada. Surgiram mais entrevistas e posts relacionados com o meu desfile do que em estações anteriores e a afluência de pessoas e entidades da capital, que desconheciam o meu trabalho, tiveram a oportunidade de aceder fisicamente.

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Jovens talentos

Também ao contrário dos outros anos, a tua colecção foi apresentada no primeiro dia do Portugal Fashion e, juntamente com outros designers, abriste o evento. Como foi abrir o primeiro dia de desfiles? Sentiste alguma pressão que de outra forma não sentirias? Apresentar no primeiro dia é uma 'vantagem'. A curiosidade de saber o que vai ser apresentado desde a season passada é notável. A dificuldade maior é a nível de timing. A diferença de dias é mínima mas o processo de execução é forçosamente avançado. Em apenas três palavras, como descreverias a tua colecção primavera-verão 2012-2013? Textura, clean, detalhe. Na colecção primavera-verão 2012-2013, tal como nas anteriores "V" e "Sacro", predominam os tons preto e branco. Porquê estas duas cores? Foi uma opção relacionada com o conceito. A mistura de materiais e texturas foi pensada em bases preto e branco. Como caracterizas ou visualizas a mulher que veste as tuas criações? É uma mulher descontraída, clean, singular com uma forte postura mas que aprecia pequenos/grandes detalhes. Onde te esperas ver daqui a 10 anos? Gostaria de voltar a estudar, noutro país, talvez. Ter um estágio para completar a minha formação e experiência. Há a constante necessidade de 'reciclagem'. Dedicar o meu tempo 100% à moda uma vez que neste momento não é possível e continuar a desenvolver a label. Apresentar numa fashion week de outro país, ter projecção e visibilidade internacionalmente. Por aí... Um dia de cada vez! ahah


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É bom, não foi? Ou Uma Reflexão sobre a Cultura da Velocidade

por Margarida Cunha

Mahatma Gandhi disse um dia que há mais na vida do que aumentar a sua velocidade. Claro que o famoso pacifista não viveu para testemunhar os 38 segundos em que esgotaram os bilhetes para o concerto de regresso das Spice Girls, em 2007, em Londres. Nem para ver os bilhetes para assistir a Harry Potter and the Deathly Hallows Part 2 a esgotar na América, uma semana antes da estreia. Ou, mesmo em Portugal, o caso do segundo concerto em Coimbra dos U2, em que os bilhetes saíram de circulação... 4horas após serem colocados à venda. Ah: o concerto só decorreu no ano seguinte, em 2010.

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É bom, não foi


VELOCIDADE FURIOSA É unanimemente aceite que vivemos numa sociedade pautada pela velocidade a vários níveis, sobretudo no que diz respeito ao consumo. Como referiu um internauta, parece que estamos sempre a ir na direcção do próximo fenómeno, prontos a deixar aquilo de que gostávamos ontem para nos agarrarmos ao que vier amanhã. Quer a produção diga respeito a bens alimentares, culturais ou materiais em geral, a verdade é que, tendo ganho balanço a partir da Revolução Industrial (com os avanços que as suas inovações tecnológicas permitiram), o ritmo nunca mais decresceu. De tal modo que nos vemos hoje inseridos numa realidade que privilegia o imediatismo, o agora. No seu livro The Culture of Speed: The Coming of Immediacy, John Tomlinson explica o conceito de imediatismo como tratando-se de algo pertencente ao tempo corrente ou instante, ocorrendo sem atraso ou lapso no tempo. Consequentemente, refere, assistimos à emergência de uma cultura da instantaneidade, caracterizada pela rápida distribuição de produtos, pela grande disponibilidade dos mesmos e pela gratificação imediata. Não surpreende, portanto, que ainda hoje muitos jovens guiem a sua conduta pela premissa associada a James Dean, “live fast, die young”. Existe, portanto, uma percepção generalizada de que o agora prevalece sobre outros tempos. Esta afirmação é corroborada pelo artigo Immediacy Bias in Consumer Attitudes and

Choices over Time, da investigadora da universidade canadiana de Calgary, Katherine White. Neste, a especialista defende a existência de um “immediacy bias”, ou seja, as pessoas consideram as emoções imediatas mais intensas do que as temporal ou socialmente distantes. Como exemplo, refere que, na percepção do público, um vídeo visto recentemente despoleta emoções mais intensas do que um vídeo visto no passado – independentemente da ordem em que os mesmos são visualizados.

O OUTRO LADO DA RAPIDEZ No entanto, nem tudo o que é caracterizado pelo rápido consumo e fácil absorção é consensualmente percebido como positivo. Foi o que descobriram os investigadores Jonah Berger e Gaël Le Mens no seu estudo publicado em 2008, How adoption speed affects the abandonment of cultural tastes. A pesquisa que efectuaram permitiu-lhes concluir que gostos (preferências) que tenham sido adoptados rapidamente são abandonados com a mesma rapidez. Isto porque, explicam, as escolhas associadas ao gosto são vistas como representações simbólicas. Ora, uma vez que que as modas são interpretadas como algo negativo, as pessoas evitam que escolhas relevantes para a produção de identidade sejam baseadas na popularidade crescente, precisamente porque acreditam que esta será curta. Berger e Le Mens afir-

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É bom, não foi

mam ainda que uma parte das nossas escolhas não se baseia exclusivamente nos benefícios funcionais mas no significado simbólico, o que explica precisamente essa conclusão: a popularidade pode tornar um determinado bem menos atractivo. Mas esta é apenas uma parte de uma moldura muito maior. A velocidade de consumo estende-se a áreas como a alimentação, tendo-se traduzido num aumento significativo quer no número de pessoas que consomem fast food, quer na frequência com que o fazem. Esta opção, além de pouco nutritiva, produz efeitos nocivos para a saúde. O mais recente International Study of Asthma and Allergies in Childhood (ISAAC) concluiu que existe uma correlação positiva entre o consumo infantil de fast food e fragilidades como a asma e eczemas. Em áreas como o trabalho, a pressão constante em ser cada vez mais produtivo em cada vez menos tempo conduz a uma mão-de-obra stressada – traduzindo-se muitas vezes num fenómeno célebre pelo seu termo americano “burn out”, definido pela Psicologia como exaustão prolongada. Numa cultura tão avançada tecnologicamente – em que as ferramentas de que dispomos foram alegadamente criadas para facilitar o processo de comunicação – há quem considere que o resultado final é precisamente o contrário. No seu artigo de 2010, Social Communication in a Technology-Driven Society: A Philosophical Exploration of Factor-Impacts and Consequences, Donovan A.


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É bom, não foi

McFarlan refere que os serviços de mensagens de texto e de mensagens instantâneas, disponibilizados pelos computadores pessoais e pelos telemóveis, contribuíram para uma comunicação ineficaz. A sua premissa é fundamentada em novos jargões e maneiras de falar que daí emergiram, os quais considera que afectam a língua inglesa. Tal sucede porque, como explica, a tecnologia veio colocar a tónica da comunicação na valorização da rapidez, isto é, privilegiando a gratificação imediata e até a impaciência – o que, por conseguinte, nos torna menos pacientes perante mecanismos de comunicar menos imediatos.

DEMASIADO RÁPIDO? Atentemos nos smartphones. A integração de diferentes funções (email, instant messaging, câmara fotográfica, telefone, etc) nos dispositivos móveis não cumpre um propósito meramente exibicionista, mas também a possibilidade de executar diferentes tarefas mais rapidamente. O próprio editor de texto, à medida que escrevo, propõe-me sugestões de palavras, em função das iniciais que digito. Também a popularidade crescente das redes sociais atesta a nossa preferência pelo agora, na medida em que se alimentam de “informação” fragmentada em pequenas doses e em constante actualização. E o que dizer dos artistas da cultura pop contemporânea, cujos singles nascem, vivem e morrem em semanas? Não


precisamos de ir longe. Pensemos nas plataformas e aplicações de que usufruímos diariamente. Quantos de nós lêem os termos e condições de uso? “I accept”, dois vocábulos que sintetizam uma atitude que privilegia a velocidade em detrimento da compreensão dos nossos direitos e deveres. À nossa volta acontece tudo tão rapidamente que a informação nunca chega a sê-lo, pois não há maneira de processar de forma tão célere todos os dados a que somos expostos. Num mundo em que temos acesso a tudo, muitas vezes acabamos por não saber nada. O tempo ascende a um estatuto quase religioso. Rentabilizamo-lo para fazermos mais. Mas a execução de múltiplas tarefas – ainda que possa traduzir-se em numerosas acções – traduzir-se-á necessariamente em resultados? Ou em progresso? Estará na altura de abrandar, como defende o movimento Slow, celebrizado por Carl Honoré? Retomando a citação inicial, Ghandi afirmou que há mais na vida do que aumentar a sua velocidade. Talvez haja. Só precisamos de tempo para saber o quê.

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Peguei, usei e meti-te no cesto Ou o fenómeno da

Fast Fashion por Margarida Cunha

Quem viu o filme Louca por Compras (Confessions of a Shopaholic) sabe que há uma cena em que, mal as portas de uma loja em saldos abrem, um rebanho de mulheres histéricas e dispostas a matar invade o espaço, agarrando-se a todas as peças de roupa e acessórios que lhes despertam interesse. Apesar de se tratar de uma obra de ficção, não fica muito longe do lançamento da colecção de roupa desenhada por Karl Lagerfeld para a H&M. Concebida para durar algumas semanas, a linha praticamente esgotou no primeiro dia. É apenas um entre muitos exemplos que poderiam ser citados para ilustrar a febre pela fast fashion.

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Fast fashion

NEED FOR SPEED Segundo Mersiha Memic e Frida N. Minhas, no seu artigo The fast fashion phenomenon, esta consiste numa forma de produção e consumo nascida no final dos anos 70 e início dos anos 80, como resposta dos produtores americanos de vestuário e acessórios à competição dos rivais vindos de leste e de outros países que praticavam preços baixos. Há quem refira ainda que tudo começa nos anos 60, com as grandes casas a iniciarem-se nas suas colecções de pronto-a-vestir. A fast fashion caracteriza-se, assim, por uma rápida produção de artigos a baixo custo, de forma a acompanhar, quase em tempo real, o ciclo de vida das tendências – ou, como disse Oona McSweeney, representante da empresa de previsão de tendências Stylesight, “It's see it now, buy it now, wear it now”. O objectivo é, claro, obter vantagem competitiva sobre a concorrência. Este fenómeno só é possível graças à insaciável sede de consumo dos potenciais clientes e às elaboradas campanhas de comunicação das marcas – sustentadas pelo patrocínio de celebridades e pela compra de espaço publicitário em revistas de Moda de renome, tais como Vogue e Elle. Na verdade, a fast fashion distingue-se da concepção tradicional de Moda essencialmente através do factor tempo. Opta-se por criar mais linhas com um ciclo de vida mais curto. Marcas como a H&M e a Primark podem lançar novas colecções a cada 4 ou 8 semanas – a cadeia espanhola Zara pode chegar às 20 temporadas por ano. De facto, nas fábricas os prazos de entrega dos artigos passou, em alguns casos, de 90 para 60 (e às vezes 45) dias. Rompe-se, assim, com a calendarização típica das colecções em duas temporadas (Primavera/Verão e Outono/Inverno). Não surpreende, portanto, que emerjam as resort e capsule collections.


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Fast fashion

O REVERSO DA ETIQUETA Se, para os consumidores, a Moda rápida se torna no paraíso do vestuário e acessórios, para os designers a realidade opera de forma diferente. Donatella Versace, por exemplo, já afirmou que as linhas nascidas das colaborações entre designers reputados e as cadeias de pronto-a-vestir beneficiam mais estas últimas do que os estilistas. Já Eugene Rabkin – editor-chefe da revista StyleZeitgeist – escreveu, num editorial para o site The Business of Fashion, que para marcas como a Target e a H&M o sucesso das colecções é obtido essencialmente ao nível da exposição mediática, visto que o seu contributo para o volume global de vendas é muito reduzido. Rabkin refere, assim, que a visibilidade que estas linhas geram corresponde a milhões investidos em publicidade, conduzindo as pessoas às lojas. O ritmo cada vez mais frenético da procura (e, consequentemente, da oferta) reflecte-se ainda numa área para muitos sagrada: a qualidade dos produtos. Nomes proeminentes como Diane Von Furstenberg ou Miuccia Prada já vieram a público manifestar o seu desagrado, tendo mesmo afirmado, respectivamente, que a fast fashion é excessiva e que os produtos resultantes das colaborações são cópias baratas. Rabkin também problematiza as consequências deste padrão de consumo para a Moda em geral, realçando aspectos como a filosofia de produção, antigamente apoiada na sensibilidade estética e na atenção ao detalhe. Aborda também a questão do gosto, que não pode ser medido pela aquisição de peças, mas pela experiência, pelo esforço e pelo conhecimento. Não poderiam ainda deixar de ser abordadas as facetas ambiental e humana da fast fashion. Em Novembro do ano passado, o site de especialidade Fashionista publicou um artigo acerca do impacto negativo deste fenómeno na Natureza – na sequência da divulgação, por parte da Greenpeace, do relatório Toxic Threads: The Big Fashion Stitch-Up. Neste pode ler-se que testes efectuados em 141 peças de vestuário provenientes


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de 20 marcas demonstraram que qualquer uma destas continha vestígios de químicos nocivos. A destacarem-se como as piores surgiam Calvin Klein, em que 88% das peças apresentavam químicos perigosos, Levi's, com 82%, e Zara, com 70%. Dados que coincidem com as descobertas de Elizabeth Cline, autora do livro Overdressed: The Shockingly High Cost of Cheap Fashion. Numa incursão ao Bangladesh, a jornalista assistiu a despejos massivos de corantes de vestuário em valas e lagoas. Já na China, refere que a poluição do ar era de tal modo espessa, que mal conseguia fotografar o que quer que estivesse um pouco para além da auto-estrada. E o que dizer das condições de trabalho a que estão expostas diariamente milhares de pessoas? De acordo com a colunista do The Globe and Mail, Katrina Onstad, em 2011 registaram-se 2400 casos de trabalhadores que desmaiaram numa fábrica de vestuário e calçado no Cambodja, fruto da má ventilação do espaço e da subnutrição. Onstad acrescentou que, segundo a Cambodian Coalition for Apparel Workers, o salário mínimo naquele país ronda os 66 dólares – que não chega a metade do que é preciso para cobrir as necessidades mais elementares.

O FUTURO PELO BURACO DA AGULHA Apesar de tudo, os consumidores parecem permanecer (mais por opção do que por ignorância) inconscientes quanto ao rumo que este ritmo de consumo poderá tomar. Comprar (sobretudo roupa) tornou-se num desporto e numa terapia de tal modo enraizados, que dificilmente haverá recuos, quer da parte da procura, quer da oferta. Ainda assim, Elizabeth Cline, na obra citada, propõe soluções que não envolvem transacções monetárias. Num verdadeiro gesto de revivalismo, Cline apela... à costura. Relatando a sua própria experiência, a autora revela que as pessoas são bem mais minuciosas em relação ao seu estilo do que julgam, o que, assegura, explica em parte a nossa frustração relativamente ao que temos nos nossos armários. Os pormenores que nos desagradam (o corte, a cor, a forma


como assenta) podem ser contornados através da costura. A filosofia de DIY (Do It Yourself) proposta pela autora, além de traduzir-se na personalização dos objectos (tornando-nos parte da produção), reflecte uma nova atitude perante a roupa – que, desse modo, abandona o estatuto de bem descartável para se tornar num bem com potencial. Potencial para ser alterado conforme a nossa vontade. Algo estático e aparentemente com um ciclo de vida definido passa a ser algo orgânico, reciclável em função dos nossos desejos. Como consequência desta opção, Cline começou a prestar mais atenção aos detalhes, tendo apurado a capacidade de reconhecer produtos de qualidade.

À semelhança de todas as grandes mudanças, nada será conseguido se não for precedido de uma alteração na nossa mentalidade. É preciso repensar hábitos e questionar estilos de vida. É necessário que o que é tomado como certo seja submetido ao julgamento da dúvida. Cabe-nos a nós, consumidores, lançar as bases para uma nova forma de olhar para o vestuário. Só assim será possível remendar o futuro. Ponto por ponto.

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it girl

O fen贸meno por Helena Lopes


É uma das poucas raparigas que pode dizer que já lançou duas colecções de roupa para a Madewell e que tem uma carteira da Mulberry em seu nome. Encontramo-la frequentemente nas listas das mais bem vestidas e na primeira fila dos desfiles de moda mais cobiçados. Aguarda o lançamento do seu livro (previsto para Setembro de 2013), onde irá abordar questões essencialmente relacionadas com moda e onde irá incluir alguns desenhos pessoais, esboços e fotografias. De quem estou a falar? Se disseram Alexa Chung, então acertaram. A modelo britânica tem um estilo inigualável e mistura o estilo masculino com o feminino de uma maneira que mais ninguém consegue. E são duas realidades tão opostas e distintas que se torna difícil de acreditar. Para os mais desconfiados temos os três prémios que ganhou em três anos seguidos nos British Fashion Awards como confirmação de que o seu estilo é admirado e respeitado por todos. Os prémios foram nada mais, nada menos que o British Style Award, prémio atribuído a um ícone de estilo que capte na perfeição o estilo britânico, e a Alexa fá-lo como ninguém. O seu estilo é genuíno e talvez por esta razão lhe tenham dado o título de “it girl”. Talvez por esta razão o The New York Times a tenha considerado “a Kate Moss da nova geração”. Talvez por esta razão Karl Lagerfeld, que é apenas o designer de moda mais influente de todo o mundo, a tenha caracterizado como “bonita, inteligente e uma mulher moderna”. Talvez por esta razão, Anna Wintour, que é apenas uma das mulheres mais poderosas no mundo da moda, a tenha considerado “o fenómeno”. Talvez por esta e muitas outras razões a Alexa seja admirada em todo o mundo e se tenha tornado um ícone de estilo para toda uma geração.

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it boy!

from an “It Family”! por Pedro Resende

Depois de It Boys duradouros terem sido referidos nas páginas da RTRO, é a vez de um que só agora dá as primeiras pisadas no mundo da moda, mas que nem por isso perde o factor “IT”. Com nome de personagem da ficção de Shakespeare, o filho Romeo de Victoria e David Beckham protagoniza agora a nova campanha da Burberry, junto de nomes como Edie Campbell e Cara Delevingne e fotografado pelo It Boy da última edição, Mario Testino.

prever um futuro risonho para a criança de 10 anos. Criança? Sim… e este é um factor condicionante na possível carreira de Romeo. Sobre uma possível aparição na edição britânica da revista Vogue, para muitos o passo seguinte na carreira de Romeo, a editora da publicação Alexandra Schulman explica que tal será, até ver, impossível. Mantendo presente o pacto que diversas publicações Condé Nast fizeram, Schulman relembra que o Health Initiative prevê que apenas maiores de 16 anos figurem nas páginas das várias De uma família conhecida também pela sua revistas Vogue presentes mundo fora. presença no mundo da moda (evolutiva, é certo) e com uma mãe designer de moda desde há já alguns Não em Vogue mas em Burberry, o que é certo é anos, Romeo aparece agora na sua primeira campa- que Romeo caiu nas boas graças do director da campanha publicitária. Um lançamento perfeito para uma nha, o próprio Christopher Bailey, e de todos quantos das marcas mais icónicas do panorama britânico. estiveram presentes na sessão fotográfica cujos resultados estarão disponíveis em breve. Um IT boy para Agora, o nome de Romeo parece aparecer nas o futuro, iniciado por Mario Testino, filho de uma IT mais diversas fontes direccionadas para a moda e as FAMILY onde os protagonistas continuam a ser David imagens que correrão o mundo (sendo que a campa- e Victoria Beckham! nha ainda não foi lançada oficialmente) parecem

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It boy


Burberry Prorsum Spring 2013 Campaign, by Mario Testino 62 – 63 | rtro


Smells like…

Le Parfum

by Elie Saab por Mónica Dias

"Uma ode à luz" que "celebra o esplendor e o brilho do feminismo". São estas as palavras que a marca utiliza para descrever Le Parfum, o perfume de Elie Saab assinado por Francis Kurkdjian, lançado em 2011. Composto por extractos de madeira e florais, inclui flores de laranjeira e jasmim que dão um toque mediterrâneo a esta criação. O frasco de vidro, desenhado por Syvie de France, adopta o estilo barroco. Para além do perfume, é possível também adquirir uma colecção com desodorizante, body lotion, body cream e gel de banho.

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Ler. Ver. Ouvir. por Mariana Sá

Ler Os Filhos da Droga Autor: Christiane F. Editora: Bizâncio Ano: 2011

Não sei bem porquê, mas só ouvi falar deste livro recentemente. Só tinha lido “algo do género” na adolescência: “A Lua de Joana”. Na altura, marcou-me. Mas, com este livro é que me apercebi do verdadeiro drama da droga e da espiral descendente que lhe está associada. Não é uma chapada na cara. É um murro no estômago. Não há como ficar indiferente a esta história, contada na 1ª pessoa por uma jovem, que aos 12 anos começou a fumar charros e aos 13 já se prostituía para conseguir pagar a sua dose diária de heroína. Aquilo que começou como escape à vida opressora, num dos vários bairros industriais de Berlim (sem qualquer preocupação com a qualidade de vida), evoluiu rapidamente para uma dependência a sério. Com direito a ressaca dolorosa, caso não conseguisse a tão desejada dose de heroína. A perspectiva da mãe de Christiane é, também, brutal. Bem reveladora da inicial negação e desespero após o confronto com a realidade, e as poucas soluções e tratamento/ acompanhamento na altura (1977). É um relato duro, que mostra como é fácil tudo se descontrolar. Que há riscos que, simplesmente, não devem ser corridos, já que o resultado pode ser terrível e irreversível. Certamente, não ficarão indiferentes com esta história.


Ver

Ouvir

Mata-os suavemente (Killing Them Softly)

Azari & III – Azari & III (2012)

Realização: Andrew Dominik

Produtorres: Dinamo Azari e Alixander III

Elenco:Brad Pitt, James Gandolfini

Editora: Loose Lips, Island

Ano: 2012

Ano: 2012

Género: Drama/ Thriller/ Crime

Género: house, electronic.

“Mata-os suavemente” é um filme estranho. Aliás, Brad Pitt tem tido o condão de escolher projectos bem curiosos, ultimamente. É melhor nem falar no anúncio da Channel nº5 (material fantástico para humoristas). Mas o que torna o filme estranho, não é o enredo. São os diálogos paralelos entre Brad Pitt (Jackie) e James Gandolfini (Mickey). Autênticos interlúdios, bem surreais, entre aquilo que verdadeiramente interessa. Ao longo do filme, também vamos levando com uma crítica ao estado da economia americana e as promessas de recuperação de Barack Obama (em plena campanha para o primeiro mandato).

Os DJs estão cada vez mais na moda, e 2012 foi o ano da música de dança. Ainda que uma boa parte das músicas produzidas, mais comercial, não fosse mais que uma produção manhosa, seguindo um formato repetido até à exaustão.

Quanto ao enredo, basicamente, três espertos decidem dar um golpe “genial” no esquema de jogos ilegal da máfia, que supostamente levaria a que as culpas caíssem noutro colo. Mas, não poderia ser assim tão simples. Nessa altura, Jackie Cogan (Pitt) é contratado para “resolver” o mistério. Descobrir os ladrões, tratar-lhes da saúde e acabar com as pontas soltas. Como Jackie é um gajo simpático e gosta de fazer o jeito às pessoas, vai tratar de tudo. Resta saber como é que tudo é resolvido, e como um assassino no século XXI lida com a burocracia.

Não é este o caso. Os Azari & III lançaram o primeiro álbum este ano, ainda que já trabalhassem juntos desde 2008. São eles: Christian Farley (Azari), Alphonse Lanza III (III), Cédric Gasaida (Starving Yet Full) e Fritz Helder. Os dois primeiros são DJs e produtores, enquanto os outros dois assumem o papel de vocalistas e entertainers. E são a combinação perfeita. Cédric com uma voz incrivelmente melodiosa e Fritz com uma voz dura e imperiosa. Os dois preenchem as batidas e melodias dinâmicas, inspiradas nos anos 80, que se infiltram no nosso corpo e nos obrigam a mexer. Os primeiros singles do grupo “Hungry for the Power” e “Reckless with your love” (sobre a era da promiscuidade) atraíram a atenção de Tiga. Mais DJs se seguiram, como Nicolas Jaar ou Jamie Jones, tendo saído várias mixagens das músicas destes canadianos. Vale a pena a escuta. Mesmo que não seja o vosso género habitual. Comecem logo pela “Manic”, para perceberem o poder de uma combinação perfeita entre instrumental/ batida, letra e vocais. Sigam a dica. Difícil, vai ser difícil resistir a clicar no “repeat”.

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Wishlist

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Jil Sander, aprox. 715€

Marni, aprox. 1095€

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Alexander Wang, aprox. 270€

Phillip Lim, aprox. 610€

por Ana Rodrigues toroseparade.blogspot.com

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Chic

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Topshop, aprox. 72€

Zara, aprox. 30€

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Monki, aprox. 40€

Topshop, aprox. 55€

vs

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Cheap! 3

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rtro 19  

Nº 19 Rtro Portuguese Fashion & Lifestyle Magazine, Revista de Moda & Lifestyle Portuguesa

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