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A Jangada www.jangadeiros.com.br

Julho de 2013

Fernanda Oliveira e Ana Barbachan

As melhores do Mundo


EDITORIAL

A Jangada A Revista A Jangada é uma publicação do Clube dos Jangadeiros, de Porto Alegre, com circulação dirigida aos seus sócios, clubes náuticos, entidades esportivas e imprensa.

DIRETORIA DO CLUBE DOS JANGADEIROS – 2012/2014 Renê dos Santos Garrafielo Comodoro

Obras e vitórias Sejam novos investimentos ou a própria manutenção patrimonial do

Cesar Augusto Jaquet Rostirola Vice-Comodoro Administrativo

Continente ou na Ilha, há diariamente ações de melhorias e de novas obras.

Francisco de Paula B. de Freitas Vice-Comodoro Esportivo

Não há na Administração um só dia que não estejamos envolvidos na exe-

Jorge Decken Debiagi Vice-Comodoro de Obras e Patrimônio

cução de melhorias, seja de manutenção ou de caráter preventivo. E o mais

Cristiano Roberto Tatsch Vice-Comodoro de Desenvolvimento e Marketing André Jobim de Azevedo Diretor Jurídico

importante, manter investimentos nas áreas de lazer e social, proporcionando maior conforto aos associados. A nossa marina está recebendo investimentos de infraestrutura, desde

Luiz Francisco Gerbase Diretor de Planejamento

a reforma do guindaste ao novo trapiche, que irá permitir o acesso de novas

Paulo Tupinambá Barcellos Fernandes Diretor de Associativismo

embarcações. E com a utilização de nosso próprio bate-estaca, estamos subs-

Marcelo Kern Diretor da Escola de Vela

tituindo as estacas que foram corroídas pelo tempo, mergulhadas na água

Pedro Luiz Gomes Boletto Diretor de Cruzeiro

para dar suporte às amarras dos barcos. E, ao mesmo tempo em que pensamos no futuro do clube, com projetos de novos espaços de convivência social, temos a missão de manter e cui-

CONSELHO DELIBERATIVO Manuel Ruttkay Pereira Presidente Paulo Renato Paradeda Vice-Presidente Claudio Roberto Broxete da Silva Secretário

dar o nosso patrimônio, como destacamos nas próximas páginas. Por certo, as demandas e sugestões dos sócios apresentadas na Consulta Social estão presentes nas prioridades definidas pela Comodoria. Afora as questões que envolvem os cuidados de um clube a céu aberto, temos em nossa tradição o esporte de Vela, origem do Clube dos Jangadei-

CONSELHO FISCAL Efetivos Tuffy Calil Jose Michael Weinschenck Paulo B. Arruda dos Santos

ros. E a nossa bandeira, vitoriosa, está nas mãos de velejadores de todas as classes, dos iniciantes do Optimist à Equipe Olímpica na Classe 470 feminina, que é a nossa reportagem de capa. Mais que estímulo às novas gerações, são as campeões do mundo!

Suplentes Caio Mario F Netto da Costa Cleber Duarte de Albuquerque Gilberto de Carvalho

E por falar das novas gerações, destacamos a realização do Sul Brasileiro de Optmist, que revelou os representantes do Brasil Campeonato Norte-americano e Europeu da classe. Mais uma vez a bandeira do Jangadeiros cruzou

Revista A Jangada

o atlântico em busca de novas conquistas da Vela internacional. E pela raia da Tristeza, pais e filhos se uniram em mais um Festival de Vela, uma ideia que deu certo, mostrando a integração dos pais com seus filhos em uma competição bem divertida.

Produção e Edição Editor: Guto Moisés – Fenaj 6543/RS Reportagens: Guto Moisés e Ivan Netto Fotos: Arquivo Jangadeiros, Guto Moisés e Ivan Netto Projeto Gráfico e Diagramação: Imagine Design Revisão: Press Revisão Tiragem: 1.500 exemplares Distribuição Dirigida Comercialização: Alexandre Dallapicola Tel.: 3233.7334 – alx@dft.com.br

Os velejaços também estão sendo um sucesso entre os que gostam da vela oceânica, sendo o ponto de encontro dos Cruzeiristas, em destinos próximos, para agregar um número maior de barcos nestes eventos de confraternização e de muita amizade. Renê Garrafielo Comodoro

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INFORME JANGADEIROS

Tiago Brito e Andrei Kneipp são campeões do mundo Com uma atuação impecável, os velejadores gaúchos Tiago Brito e Andrei Kneipp conquistaram nesta sexta-feira, dia 19 de julho, o Campeonato Mundial da Juventude de Vela, realizado em Limassol, no Chipre. A dupla do Clube dos Jangadeiros não deu chances para as outras 30 tripulações que disputaram a competição na classe 420 e levantou a taça, após 11 regatas e um descarte. “Foi um campeonato muito difícil, de alto nível mesmo. Nós sabíamos que não poderíamos errar, mas estávamos confiantes, porque nos preparamos bastante para a competição”, ponderou o timoneiro da dupla, Tiago Brito. “É melhor sensação da minha vida”, resume o jovem de 17 anos.

Optinam 2013 O Campeonato Norte-Americano da Classe Optimist, popularmente conhecido como “Optinam”, reuniu 176 competidores em Hamilton, Bermuda, e contou com a participação de 20 brasileiros. Além do técnico Lucas Mazim, quatro velejadores representaram o Clube dos Jangadeiros na competição: Breno Kneipp, João Emílio Vasconcellos, Marcelo Gallicchio e João Pedro Tatsch. Ao todo, sete regatas foram disputadas, em um campeonato marcado pela falta de vento. O campeão foi o argentino Dante Cittadini, que terminou com apenas 14 pontos perdidos. A segunda colocação ficou com Samuel Neo, de Singapura, seguido pela argentina Martina Pisani, que se sagrou campeã no feminino. Entre os brasileiros, os melhores colocados foram a baiana Luiza Cruz, que terminou em 12º lugar, e o gaúcho Breno Kneipp, do Clube dos Jangadeiros, 14º colocado.

Ex-comodoro recebe condecoração da Marinha Associado e ex-comodoro do Clube dos Jangadeiros, Paulo Renato Möller Paradeda recebeu a “Ordem do Mérito Naval”, grau Cavaleiro. A cerimônia foi realizada no Grupamento de Fuzileiros Navais, em Rio Grande, no dia 11 de junho. A condecoração é a mais alta concedida pela Força Armada – a um cidadão civil – por relevantes serviços prestados. Três outros associados já receberam a honraria: Edgar Willy Siegmann, Edmundo Fróes Soares e Kurt Egon Keller. A “Ordem do Mérito Naval” é honorífica, criada com a finalidade de agraciar militares da Marinha que tenham se distinguido no exercício de sua profissão e, excepcionalmente, corporações militares e instituições civis, nacionais e estrangeiras, suas bandeiras ou estandartes, assim como personalidades civis e militares, brasileiras ou estrangeiras, que houverem prestado relevantes serviços à Marinha. Foi instituída pelo decreto nº 24.659, de 11 de julho de 1934.

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COMODORIA

Obras e melhorias para todos sócios O Guindaste Equipamento de uso intensivo em nosso porto, o guindaste passou por uma série de melhorias e manutenção. A troca dos cabos de aço, agora com a espessura de 19 mm, permitem maior capacidade de carga; e a instalação do sensor na balança, com aferição eletrônica da pesagem dos barcos, eleva a segurança da operação. Além do novo cabeamento, serão instaladas novas polias, readequadas à espessura dos cabos de aços, como também o reforço do mancal, que permitirão o redimensionamento da carga de 15 para 20 toneladas.

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Fotos: Guto Moisés/Office Press

Depois da revitalização do Continente, as obras e melhorias avançam na Ilha, privilegiando as áreas de lazer, segurança e de infraestrutura.


COMODORIA

Novo trapiche

Novas estacas Para garantir as amarras dos barcos, estão sendo substituídas as estacas dos trapiches 1, 2, 3 e 4, como também as que serão utilizadas para o novo flutuante junto ao Porto. Mesmo com tratamento especial, estas estacas possuem um prazo de validade, pois ficam mergulhadas na água. Para a reposição, foram adquiridas 80 novas estacas, as quais estão sendo colocadas no lugar das antigas por meio do nosso bate-estaca.

Fotos: Guto Moisés/Office Press

No mês de agosto será instalado o novo trapiche – flutuante – localizado junto ao Moles do Porto, substituindo o atual, de madeira e sem condições de receber novos barcos. Com o novo flutuante, de 40 metros, haverá condições para receber até 14 embarcações de grande porte. Desta forma o flutuante próximo à ponte será rotativo e destinado às lanchas e visitantes ao clube.

Guarita para vigia Uma novidade na marina foi a instalação de uma guarita no trapiche 4 para garantir maior vigilância e controle de acesso da Ilha por água, seja de barcos do clube, visitantes ou de usuários de diferentes embarcações que acessam o canal que dá entrada à marina. A guarita terá iluminação giratória em seu teto e refletores ativados com sensor de presença durante a noite. O novo ponto de segurança fará parte da ronda dos vigilantes que atuam na área do porto e da marina.

Areia junto ao farol O Clube dos Jangadeiros já encaminhou aos órgãos competentes os documentos exigidos para assegurar a utilização da areia dragada durante o Projeto PISA, da Prefeitura de Porto Alegre e DMAE. Com a autorização, o local irá receber projeto paisagístico e uma nova área de lazer, ainda sem data para sua execução, pois depende desta documentação. A areia depositada junto ao farol complementa a área prevista no projeto original da ilha.

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Controle de Acesso Com objetivo de apoiar as ações de segurança já está em funcionamento, em caráter experimental, o acesso eletrônico dos sócios que se destinam aos ambientes na nossa Ilha, utilizando veículo. A implementação, que está sendo realizada de forma gradual, também irá registrar a entrada de todos sócios a partir de equipamento próprio para identificação dos associados. Importante destacar que basta aproximar a carteira de documentos da leitora ótica, pois a nova identidade social é magnetizada. A confecção das carteiras está sendo feitas na Secretaria, onde já se encontram mais de 300 disponíveis aos sócios que solicitaram a nova carteira social.

Fotos: Guto Moisés/Office Press

COMODORIA

Sinalizações internas A indicação dos locais do clube ganhou um importante reforço em sua sinalização interna. Mais de dez placas foram espalhadas pela Continente e pela Ilha, em pontos estratégicos, com o objetivo de ajudar os associados e os seus convidados a se localizarem melhor nas áreas do Continente e da Ilha.

Esquadrias de PVC No lugar das janelas de ferro dos banheiros da Sede Ilha foram colocadas novas esquadrias em PVC, com vidros laminados foscos, renovando parte dos banheiros, os quais ainda irão receber nova iluminação.

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Lounge na Ilha Uma das obras mais desejadas pelos sócios é a ampliação da Sede Ilha, que, desde a fundação do clube, ganhou destaque por sua localização e pelos momentos sociais que fazem parte da sociedade porto-alegrense. E para valorizar ainda mais este nobre espaço, a Comodoria apresentará ao Conselho Deliberativo, um projeto de ampliação e modernização da Sede Ilha, com um espaço reservado e de maior conforto aos sócios, incluindo banheiros de acessibilidade. A ação proposta visa a independência e privacidade dos sócios, mesmo quando houver locações na Sede Ilha.

Fotos: Guto Moisés/Office Press

COMODORIA

Reforma da ponte Inaugurado como seu primeiro trapiche logo após a fundação do clube, o primeiro trecho entre o Continente e a Ilha se ligou à ponte, incorporando-se ao movimento e à circulação de pessoas, veículos e até barcos trazidos por reboques. Pelos anos de uso e pelas intempéries causadas pelos eventos da natureza, a Comodoria já definiu, a partir de laudos de engenharia, o projeto de recuperação dos pilares que sustentam o antigo trapiche que se tornou ponte. Outra importante novidade será o novo caminho lateral aos pedestres, fixado junto a este trecho, que irá se incorporar ao já existente da ponte.

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FESTA JUNINA

Festa de São João foi um sucesso As barracas de doces e salgados e as brincadeiras de São João fizeram a alegria da criançada brincavam com os netos, pais tiravam fotos dos filhos pulando na cama elástica e mães trabalhavam com afinco na barraca das comidas. E a gurizada, é claro, não parou um minuto, lotando a cadeia e formando filas para a pescaria, para o jogo das argolas e para tentar acertar a boca do palhaço. “A festa junina do Jangadeiros estava maravilhosa. O final de tarde então, com um pôr do sol divino, a fogueira e a lua sensacional”, resumiu a associada Vanira Sgambaro De Lorenzi.

Valentina Silveiro

Heitor Rangel

Fotos: Guto Moisés/Office Press

Associados de todas as idades encheram o Pavilhão de Monotipos Edmundo Fróes Soares no dia 22 de junho, para prestigiar a festa junina do Clube dos Jangadeiros. As atividades iniciaram às 15h e só terminaram depois das 20h, em um clima de grande descontração e muita alegria. Enquanto a criançada corria pra lá e pra cá e divertia-se com as barracas das brincadeiras, os adultos jogavam conversa fora com os amigos, regados a generosos pedaços de bolo e muito pinhão. Sorridentes, avós

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Fotos: Guto Moisés/Office Press

As atividades do dia de São João reuniram os filhos dos sócios e seus familiares

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EQUIPE OLÍMPICA

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EQUIPE OLÍMPICA

As melhores do mundo Após os Jogos Olímpicos de Londres, a dupla Fernanda Oliveira e Ana Barbachan definiu com seu técnico, Paulo Ribeiro, o plano de treinamentos para representarem o Brasil no Rio 2016. Construir uma parceria de sucesso leva tempo, exige dedicação e muito comprometimento. As velejadoras do Clube dos Jangadeiros Fernanda Oliveira e Ana Barbachan e o técnico Paulo Roberto Ribeiro fizeram muito mais e, somado ao talento individual, alcançaram nada mais, nada menos que o primeiro lugar do ranking mundial da classe 470 feminina. Só neste primeiro semestre de 2013 foram seis competições e seis títulos: Campeonato Brasileiro, Campeonato Sul-Americano, Semana Brasileira de Vela e três etapas da Copa do Mundo de Vela (Miami, Palma de Mallorca e Hyères). Um verdadeiro espetáculo! Por trás do ano perfeito, muito trabalho, uma equipe multidisciplinar entrosada e um planejamento seguido à risca. “Nossa rotina é muito planejada levando em consideração os treinos na água e o trabalho da equipe multidisciplinar. Hoje, temos uma agenda de atividades focada na preparação física, na prevenção de lesões e no acompanhamento nutricional e psicológico”, explica Fernanda. “A equipe trabalha com o mesmo objetivo. Precisamos fazer o máximo de todos os lados para nos destacarmos”, completa Ana. O técnico Paulo Ribeiro garante que, apesar dos excelentes resultados, a exigência não diminui. “Sabemos que

ainda tem muita coisa para melhorar e, sozinhos, não conseguimos dominar todas as ciências”, afirma, destacando a importância da equipe multidisciplinar, que conta com psicólogo, preparadora física, fisioterapeuta e nutricionista. E esse é o pensamento que guia a equipe, de olho nos Jogos Olímpicos de 2016. “Como o Paulinho diz, sempre tem algo para melhorar”, brinca Ana. Atualmente, a dupla ocupa a terceira colocação do ranking mundial, poucos pontos atrás das líderes Anne Haeger e Briana Provancha, dos Estados unidos, que disputaram duas competições a mais que as brasileiras. “Estou muito feliz em ter alcançado a liderança do ranking ao lado da Ana, e de juntas neste ano ter conseguido ganhar todos os eventos que participamos em 2013. Acredito que este ano seja o melhor ano da minha carreira”, diz Fernanda, que não poupa elogios para a parceira: “Já disse algumas outras vezes, a Ana me fez resgatar o prazer de velejar”. Ana retribui: “Me sinto privilegiada de velejar com a Fernanda”. E assim, afinada, a equipe segue firme e forte, planejando voar cada vez mais alto, enquanto enche de orgulho quem, em terra, torce e se emociona com a dupla do Jangadeiros.

Fernanda e Ana venceram a etapa de Palma de Mallorca da Copa do Mundo de Vela

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EQUIPE OLÍMPICA

Fernanda Oliveira Com quatro Olimpíadas (Sidney/2000, Atenas/2004, Pequim/2008 e Londres/2012) e uma medalha de bronze no currículo, a velejadora do Jangadeiros tornou-se um dos ícones da vela brasileira. Hoje, aos 32 anos, Fernanda acredita estar no melhor ano da carreira, mas nem por isso mostra acomodação. “Sei que ainda preciso me dedicar bastante para os próximos desafios que temos pela frente”, frisa a atleta, que começou a velejar com apenas 11 anos na Escola de Vela Barra Limpa. Determinada e rigorosa, ela sabe da importância de seguir o planejamento elaborado pela equipe à risca. “O que nos faz conseguir alinhar todo o trabalho da equipe é a disciplina, tanto nossa quanto dos profissionais que trabalham com a gente”, pondera. E assim vem ajudando no crescimento de Ana, sua parceira desde o final de 2008.

Ana Barbachan Em 2008, Ana Luiza tinha 19 anos e velejava na classe 420, ao lado da irmã Manuela. “Eu sempre fui competitiva, mas era quase uma velejadora de fim de semana”, lembra. Foi então que a jovem recebeu um convite do técnico Paulo Ribeiro para alguns testes ao lado de Fernanda. E não titubeou. Dedicada, simpática e com um carisma impressionante, Ana logo conquistou os novos parceiros. “A Ana é uma pessoa muito fácil de lidar no dia a dia, e isso é fundamental em uma campanha olímpica, porque passamos a maior parte do tempo juntas, não só na água, quanto em treinos, viagens”, elogia Fernanda. Muitas viagens, treinos e competições depois, a evolução é visível. “A Ana evoluiu muito tanto técnica quanto fisicamente. Ela está muito mais forte e tem muito mais autonomia dentro do barco”, ressalta Paulo.

Paulo Roberto Ribeiro Uma das peças mais importantes da vitoriosa equipe, o técnico Paulo Roberto Ribeiro, ou simplesmente Paulinho, como é conhecido, tem uma vida intensamente ligada à vela. Como velejador, foi campeão brasileiro, sul-americano e pan-americano na classe 470. Em 2005, iniciou a parceria com Fernanda, que na época começava, ao lado de Isabel Swan, a campanha olímpica que culminou na inédita medalha olímpica da dupla. Além dos treinos específicos, se dedica exclusivamente ao trabalho de preparação da dupla em todos os aspectos, tanto físicos, quanto psicológicos. Ana segue na mesma linha: “Ele tem um olhar diferenciado, percebe as coisas que nós, dentro do barco, não conseguimos ver. Além de sempre nos puxar pra cima, sempre querer melhorar”.

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ESCOLA DE VELA

Vela também é esporte de inverno O curso de iniciação à vela oceânica acontece aos sábados e domingos, com aulas teóricas e de navegação

pouco mais e ter a oportunidade de aprender com mais pessoas a bordo”, explica Bojunga, destacando que já teve alunos com idades entre 14 e 80 anos. As turmas são formadas por até quatro pessoas, o que possibilita que amigos ou parentes aprendam juntos. Realizado aos sábados e domingos, o curso é dividido em quatro aulas, cada uma com seis horas. O aprendizado acontece a bordo do barco-escola Barra Limpa, um Ranger 22, mas também pode ser na própria embarcação do aluno. Informações pelo e-mail escoladevela@jangadeiros.com.br ou pelo telefone (51) 3268-0080.

Ivan Netto/Office Press

Para quem nunca velejou, o inverno pode não parecer a época do ano mais propícia para começar. Mas engana-se quem pensa que a estação das baixas temperaturas impede o prazer de uma boa velejada ou o aprendizado seguro e divertido. “Eu, particularmente, prefiro o inverno ao verão, por exemplo. O sol é mais ameno e os ventos não são tão fortes. Nada que um bom agasalho não resolva”, garante o instrutor da Escola de Vela Barra Limpa Eduardo Bojunga, responsável pelo curso de Iniciação à Vela Oceânica. “As aulas propiciam velejadas de maior autonomia (distância percorrida), além de o aluno poder conhecer o Guaíba um

A Escola de Vela possui barcos próprios e toda infraestrutura para aulas teóricas e práticas

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CRUZEIRO

Araçá, o destino da confraternização Os velejaços são muito mais que velejar, é festejar com os amigos momentos de lazer e divertimento.

O dia começou chuvoso e com ventos de até 27 nós. As condições climáticas, entretanto, não abalaram o ânimo dos Cruzeiristas do Clube dos Jangadeiros, que rumaram para as areias brancas do Araçá, na Barra do Ribeiro, no início da tarde do dia 29 de junho. Vinte e cinco barcos participaram da atividade, que teve direito a churrasco, sorteio de 14 • A Jangada

brindes e muita diversão noite adentro. “Mais uma vez, foi muito bom ter feito o evento, contando sempre com a presença dos cruzeiristas de fé”, ponderou o diretor de Cruzeiro, Pedro Luiz Gomes Boletto, que fez questão de agradecer aos colaboradores do clube que ajudaram na organização do encontro.


CRUZEIRO

Diário de Bordo com Antônio Joaquim Machado “Em mais uma exitosa empreitada da Diretoria de Oceano, tivemos no sábado uma excelente confraternização no Arroio Araçá. A previsão do tempo funcionou a contento, com um clima maravilhoso no fim de semana. Estiveram presentes ao redor de 30 barcos, alguns participando pela primeira vez nesse tipo de evento. O churrasco assado pela diligente equipe de funcionários do clube, capitaneados pelo Mestre Rogério, estava excelente. Serviram das 15:30 às 17:30 horas, em várias levas de carne cortadas sempre assadas no ponto certo. Todos comeram no limite do que a gula lhes comandava e ainda sobrou carne! Além do churrasco, havia um delicioso quentão numa temperatura que aquecia o corpo e alma da gente, tornando confortável a permanência na ilhota, apesar da temperatura já um pouco fria. Para arrematar, após o churrasco foram servidas rapadura e paçoquinhas de amendoim, como se houvesse ainda espaço no estômago. Em seguida, foi feito um sorteio de brindes (obsequiados pelo Newton Gualdi), com muita diversão de adultos e crianças. Ao anoitecer, os “water-taxis” presentes fizeram os traslados aos barcos com eficiência. As tripulações, depois de toda a comilança, e por causa do frio, recolheram-se cedo aos seus beliches. Enfim, um fim de semana maravilhoso com um clima perfeito. Quem não foi, temendo mau tempo, perdeu um baita evento. Aprendam: confiem sempre na estrela do Boletto!”

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FEST VELA

Família reunida no festival de vela Uma verdadeira festa da Vela, com direito a regatas comemorativas, mães na água, campeões do passado e do presente competindo juntos, família reunida e, claro, muito churrasco. Assim foi o Festival de Vela 2013 - 1º Snipefest e 2º Optifest, evento realizado pelo Clube dos Jangadeiros no dia 11 de maio, que contou com a organização da Flotilha da Jangada e da Flotilha de Snipe 426. As atividades começaram por volta das 11h e rapidamente atraíram uma multidão para a área localizada ao lado da Escola de Vela Barra Limpa. Enquanto colaboradores do Jangadeiros preparavam o churrasco, os campeões do passado aqueciam os músculos para a disputa da prova destinada aos velejadores que competiam até os anos 1970. Ao mesmo tempo, a criançada corria de um lado para o outro e enfeitava os barcos que iriam concorrer ao prêmio de originalidade.

Fotos: Ivan Netto/Office Press

Mais uma vez foi um sucesso a realização do Festival de Vela 2013 - 1º Snipefest e 2º Optifest, que contou com a participação de pais e mães nas competições

Roberta Paradeda e Tiago Pinto Ribeiro

Ian Paim e a mãe, Caren Megiolaro

Waldemar Bier e Átila Pellin

Roberto Paradeda e Daniel Ortega venceram a Regata Encontro das Gerações Nando Krahe

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Com as tripulações na água, tiveram início as primeiras regatas. E aí nomes conhecidos mostraram que ainda sabem muito bem o que fazer a bordo de um Snipe. Não faltaram campeões do passado na raia. Nomes como Kurt Keller, Andreas Wengert, Marco Aurélio Paradeda, George Nehm, Flávio Só Fernandes, Roberto Paradeda marcaram presença nas regatas divididas por décadas. Na raia ao lado, a gurizada divertia-se com as provas dos ex-optimistas e das optimães. Risadas e brincadeiras não faltaram, tanto de quem velejava na água quanto de quem assistia da Ilha dos Jangadeiros. Por volta das 15h, as provas foram encerradas, com o término da Regata Encontro das Gerações Nando Krahe, que foi vencida pela dupla Roberto Paradeda/Daniel Ortega, representantes da década de 1990. Os campeões receberam o troféu itinerante das mãos do associado João Fernando Krahe, pai do velejador Fernando Krahe, que faleceu em 2012 e dá nome a regata. Comandada pelo Capitão da Flotilha de Snipe, Alexandre Paradeda, e pelo Capitão da Flotilha de Optimist, Cid Paim, a cerimônia de premiação foi marcada pelo bom humor e pela emoção. Um dos momentos que merece destaque foi a homenagem feita pelas flotilhas aos velejadores do Jangadeiros que obtiveram os resultados mais expressivos neste início de ano, especialmente para as primeiras colocadas do ranking mundial da classe 470 feminina, Fernanda Oliveira e Ana Barbachan. A comemoração seguiu até os últimos raios de sol, deixando a certeza de que em 2014 tem mais.

Fotos: Ivan Netto/Office Press

FEST VELA

José Adolfo Paradeda e Edgar Plentz

João Fernando Krahe entregou o troféu rotativo da Regata Encontro das Gerações Nando Krahe

Alexandre Paradeda comandou as homenagens aos campeões da vela do Jangadeiros. Na foto, entre George Nehm e Lucas Mazim, um dos homenageados.

As mães velejadoras Flávia Howes, Patricia Fuhro Vilas Boas, Maribel Perez e Caren Megiolaro

Andreas Wengert, Nelson Piccolo e Fábio Pillar

Mães e filhos disputaram regatas juntos

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SUL-BRASILEIRO

Velas além-fronteiras Ivan Netto/Office Press

Velejadores que integram a equipe base garantem vagas em regatas internacionais

Velejadores da Flotilha da Jangada se destacaram no Campeonato Sul-Brasileiro

Os bons ventos sopraram para a Flotilha da Jangada no primeiro semestre de 2013. Depois de muito treino e uma preparação intensa, a equipe mostrou na água que, além de quantidade, tem qualidade. Formado por 24 velejadores (19 veteranos e cinco estreantes), o time empilhou bons resultados, garantindo vagas para as principais competições internacionais e exercendo protagonismo em nível nacional. “Foi um começo de ano de realizações e novos desafios. O grupo é numeroso e qualificado. Viramos referência”, exalta o técnico Átila Pellin. Trabalhando ao lado de Salvatore Meneghini e Lucas Mazim, Átila é apontado por muitos como um dos segredos para o sucesso da Flotilha da Jangada nos últimos tempos. Hoje, o técnico é um dos principais nomes da classe no País, tendo sido escolhido para comandar a equipe brasileira no Campeo18 • A Jangada

nato Mundial. A competição será realizada em Riva del Garda, na Itália, onde o Jangadeiros também marcará presença com o velejador Pedro Zonta, outro destaque da Flotilha da Jangada. Em seu último ano na classe, Zonta vem colecionando resultados expressivos, como o terceiro lugar no Campeonato Brasileiro e o quinto no Sul-Americano. “O meu primeiro semestre foi de muito treino para o Brasileiro, a Seletiva e o Sul-Americano. Queria ter ido melhor na Seletiva, mas o objetivo mesmo era a vaga para o Mundial”, conta o jovem de 15 anos. Mas estes não são os únicos destaques da equipe do Clube dos Jangadeiros. A Flotilha da Jangada também mostrou força ao classificar quatro velejadores (Breno Kneipp, João Emílio Vasconcellos, João Pedro Tatsch e Marcelo Gallicchio) para o Campeonato Norte-Americano, disputado nas cristalinas


SUL-BRASILEIRO equipe jovem, que está buscando experiência”, afirma Átila, que trabalha há sete anos na Flotilha da Jangada e já comandou equipes brasileiras nos campeonatos Sul-Americano, Norte-Americano e Europeu. O técnico destaca a importância de o Jangadeiros ter sediado o Campeonato Sul-Brasileiro, válido como parte da seletiva para as competições internacionais. “Estas competições são fundamentais para aumentar a confiança dos nossos velejadores”, destaca, e conclui: “Hoje temos um time promissor, que ainda vai nos trazer muitas conquistas”. Fotos: Ivan Netto/Office Press

águas de Hamilton, Bermuda. E, para este evento, Lucas Mazim foi o técnico escolhido. “O número de velejadores classificados para os campeonatos no exterior foi um dos maiores da história da Flotilha da Jangada. Espero que, com o apoio do clube e dos pais, a gente continue crescendo em qualidade e número de competidores”, ponderou o atual campeão brasileiro da classe Laser 4.7 e instrutor da Escola de Vela Barra Limpa. Outro ponto que chama a atenção é a grande renovação da equipe. A cada ano novos talentos aparecem, mostrando que a base continua forte. “Atualmente, temos uma

Breno Kneipp

Camila Rukat Maia

João Emílio Vasconcellos

João Pedro Tatsch

Marcelo Gallicchio

Pedro Zonta

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