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A Jangada Informativo do Clube dos Jangadeiros Porto Alegre - Dezembro de 2004

Sede da Ilha, o desafio Página 2

CDJ atingiu em outubro seu equilíbrio financeiro Página 3

Será retomado o paisagismo da Ilha após mais de 20 anos Página 10


Editorial EXPEDIENTE

A Jangada Boletim informativo do Clube dos Jangadeiros Rua Ernesto Paiva, 139 – Porto Alegre – RS CEP 91900-200 Fone (51) 3268-0080

Comodoria Cristiano Roberto Tatsch Comodoro

Gilberto de Carvalho Vice-Comodoro Administrativo

Jorge Alberto Aydos Vice-Comodoro Esportivo

Aristóteles José Bourscheid Vice-Comodoro de Obras e Patrimônio

Flavio Steiner Vice-Comodoro de Planejamento e Desenvolvimento

Mario Roberto Dubeux Diretor Jurídico

Andrea Pacheco Steiner Diretora Social

Renato Reckziegel Diretor da Escola de Vela Barra Limpa

Cesar Augusto J. Rostirola Diretor do Porto

José Francisco Lisboa Diretor do Depto Médico

André Wahrlich Diretor de Monotipos

Antonio Joaquim Machado Diretor de Oceano

Henri Siegert Chazan Diretor de Mononáutica

Produção, edição e editoração Infomídia Produções Fone (51) 3333-5513

Jornalistas Responsáveis Francisco Oliveira Lígia Gomes Carneiro

Fotos Capa: Henri Chazan; demais fotos: Arivaldo Chaves/Divulgação

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Jangadeiros, uma história que completa 63 anos Clube dos Jangadeiros está completando neste mês 63 anos de idade. Foi fundado por Leopoldo Geyer, em 7 de dezembro de 1941. De acordo com a ata de fundação, nasceu com 115 sócios, o que pode ser considerado um número expressivo para a época, particularmente pelo momento que se vivia, em plena Segunda Guerra Mundial. Sua primeira sede foi uma chácara adquirida na Rua Ernesto Paiva, 139, onde hoje se situa a sede da Ilha do CDJ, porém com 3.945 m², aproximadamente a metade da área atual da sede Continente, que é de 7.889,80 m², complementada com a compra da área contígua, de igual tamanho, alguns anos mais tarde. Em 1946 o CDJ já tinha 375 sócios e possuía um total de 47 barcos, dez dos quais do próprio Clube. Atualmente o CDJ tem 664 sócios pagantes nas diversas categorias (aspirantes, filhotes, proprietários, proprietários–ilha e contribuintes) e 175 sócios beneméritos, jubilados e remidos, perfazendo um total de 839 associados que, com suas famílias, freqüentam regularmente o clube. A frota também registrou um grande crescimento. Atualmente o Jangadeiros tem aproximadamente 140 barcos de Oceano, 50 lanchas e 105 monotipos de diferentes categorias, totalizando quase 300 embarcações. Ao longo destes mais de 60 anos o CDJ acompanhou a modernização que a prática da vela esportiva experimentou no Brasil e no mundo. A prova disto é que a cada ano diferentes tripulações do Clube

participam e, por vezes vencem, campeonatos nacionais e internacionais em diversas modalidades de vela desportiva, numa evidência clara de que a vela que se pratica no Jangadeiros acompanha o que de melhor acontece no mundo. Neste processo de modernização da prática da vela esportiva, o Clube do Jangadeiros cresceu e se modernizou. Cresceu em número de associados, de barcos, de área física do clube e de estrutura burocrática para fazer frente a esse agigantamento. A construção da Ilha é, neste aspecto, sem dúvida, o grande marco. Houve uma grande modernização no tipo e na qualidade das embarcações e nos serviços disponibilizados aos associados, procurando atender suas demandas. O Jangadeiros se constitui hoje em um dos grandes clubes de recreação náutica do Brasil, bastando verificar que, apenas que nas últimas Olimpíadas, compôs a maior delegação representando a vela nacional, enquanto, por outro lado, possui uma das mais belas sedes dentre todos os clubes náuticos do País. Entretanto, também existem desafios e, o maior deles, a nosso ver, é o de aperfeiçoar e, definitivamente, se instalar na majestosa Ilha do Clube. Ela foi construída pelo sonho e intenso trabalho das comodorias e associados que, antes de nós, tanto se doaram e se dedicaram para que hoje fosse possível contar com essa grande infra-estrutura. Creio que é assim que as coisas funcionam: uns ousaram criar o Clube dos Jangadeiros, outros olharam o futuro e viram que sem novas instalações - quem sabe uma grande Ilha -, o Clube não teria futuro. A nós cabe, neste momento, buscar a consolidação dessa Ilha, tendo por desafio instalar lá nossa sede definitiva. Cristiano Tatsch Comodoro


Administração

Atingido o equilíbrio financeiro no mês de outubro

ela primeira vez, depois de sete anos e cinco meses e graças à ação efetiva de várias Comodorias, o Clube dos Jangadeiros voltou a atingir um equilíbrio financeiro entre suas receitas e despesas, no último mês de outubro, com um superávit pequeno, de R$ 2.826, mas significativo pela virada que representa. Desde maio de 1997 o CDJ vinha administrando um passivo financeiro que chegou a ser expressivo e que exigiu grande esforço em sua administração, levando preocupações para todo o quadro social. O pequeno superávit financeiro alcançado ao custo da não realização de

Escola de Vela terá condições especiais para o Col. Farroupilha parceria ideal é a que beneficia a ambos os envolvidos. E é o que ocorreu com a nova parceria que o Jangadeiros estabeleceu com o Colégio Farroupilha. A partir dela os alunos daquele colégio poderão se beneficiar com a prática da Vela, inscrevendo-se na Escola Barra Limpa do Jangadeiros com condições diferenciadas. “O Jangadeiros é exatamente o perfil de parceiro que consideramos perfeito, por se tratar de um clube com tradição, nome, estrutura qualificada e muita segurança”, conclui o coordenador da área esportiva e extracurricular do Colégio Farroupilha, Rubem Seib Corso. Reforçando essa parceria, após as Olimpíadas de Atenas, o Jangadeiros participou de uma outra “olimpíada”. Rodrigo Duarte (Leiteiro), em seu uniforme Olímpico; o vice-comodoro Esportivo, Jorge Aydos; o diretor da Escola de Vela, Renato Reckziegel e um grupo de alunos da Barra Limpa participaram do desfile de abertura da Semana dos Jogos Internos do Farroupilha, que se realizou de 8 a 14 de setembro. O nosso pessoal desfilou acompanhado de dois barcos, um Laser e um Optimist, e foi entusiasticamente aplaudido pelos alunos.

uma série de investimentos que a atual Comodoria, bem como as anteriores, deixaram de realizar, ainda é pequeno e sujeito a se esgotar na realização de qualquer despesa extraordinária, como, por Nosso atleta olímpico Rodrigo Duarte desfila no Colégio Farroupilha exemplo, a da reforma emergencial da ponte que dá acesso à Ilha, a ser realizada no próximo mês de janeiro de 2005. De qualquer forma, a conquista do equilíbrio financeiro do CDJ é motivo de “regozijo e condição básica ao contínuo crescimento do Clube”, observa o Comodoro, Cristiano Tatsch.

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Aniversário do CDJ Placas homenageiam nossos campeões de todos os tempos Campeão Mundial da Classe Pingüim - 1976 - Buenos Aires/Argentina l Renato Reckiziegel l José Luiz Ribeiro Campeonato Pan Americano da Classe Classe 470 - 1983 - Caracas/Venezuela l José Luiz Ribeiro l Paulo Ribeiro Campeão Mundial da Classe Pingüim - 1985 Porto Alegre

l Luis Fernando Bloss l Cláudio Oliveira

Campeão Mundial da Classe Pingüim - 1991 - Rio de Janeiro l Thomas Burger l Laerte de Jesus Prêmio Destaque Edmundo Soares, de 2004 l Alexandre Dias Paradeda (470 Masculino) l André Otto Fonseca (49er) l Fernanda Ryff M. de Oliveira (470 Feminino) l Rodrigo Linck Duarte (49er). As placas inauguradas

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2º Circuito Nivea Sun na Classe 470 confirmou liderança do CDJ

André Fonseca, Xandi e Beto Paradeda, ganham Circuito Nivea Sun andi Paradeda, André Fonseca e Beto Paradeda confirmaram por que estão entre os melhores velejadores do país e, no caso de Xandi e André, do mundo. A dupla Xandi e André ganhou o 2º Circuito Nivea Sun na Classe 470, enquanto que Beto Paradeda, fazendo dupla com Cristiano Kessler, venceu na Classe Snipe. Beto é campeão brasileiro de Snipe, e Xandi e André fizeram parte da Equipe Olímpica Brasileira nas Classes 470 e 49er, respectivamente. Xandi também foi o comandante do barco Option, vencedor do Velejaço na Categoria Força Livre. O Circuito, que marcou o 63º aniversário do Jangadeiros, foi realizado nos dias 4 e 5 de dezembro e trouxe

mais motivos para o clube comemorar a sua força na vela gaúcha e brasileira. Além dos atletas Xandi, André e Beto, outros dos nossos se destacaram nas regatas. Entre eles, os estreantes da Classe Optimist, Lucas Mazim, de 11 anos, que está classificado no ranking da Federação Gaúcha e começou na vela neste semestre; e Claudio Mika, da Classe Hobie Cat 16, que ganhou o Estadual dessa classe e quase todas as competições da classe. Além das regatas, também houve o descerramento de placas homenageando nossos campeões de todos os tempos e a equipe que participou das Olimpíadas (veja a relação dos homenageados na coluna da esquerda, nesta página).


Oceano

Troféu Cayru ocorreu no final de outubro XIV Troféu Cayru de Vela de Oceano, tradicional disputa da vela gaúcha promovida pelo Clube dos Jangadeiros, reuniu mais de 40 barcos e 150 velejadores no final de semana de 23 e 24 de outubro. O Clube dos Jangadeiros destacou-se principalmente na Classe RGS, com a entrega dos prêmios sendo prestigiada por mais de 200 pessoas. No dia 24 também foi realizado o VIII Velejaço Cayru. Veja, a seguir, os resultados: XIV Troféu Cayru de Vela de Oceano Porto Alegre, 23 e 24 de outubro de 2004 CLASSE MICRO 19 l 1º LUGAR - Barco CLIPPER - Comandante: Fábio Santarosa – SAVA CLASSE BRUMA 19 l 1º LUGAR - Barco AUDAZ - Comandante: Tiago Padilha – SAVA CLASSE O'DAY 23 l 1º LUGAR - Barco LADY JANY - Comandante: Renato Meurer – ICG l 2º LUGAR - Barco TOBRUK - Comandante: Antônio Machado – CDJ l 3º LUGAR - Barco JODAN - Comandante: João Daniel Nunes – ICG CLASSE RGS l 1º LUGAR CATEGORIA A - Barco SAN CHICO Comandante: Francisco Freitas – CDJ l 2º LUGAR - Barco OPTION - Comandante: Marco Paradeda – CDJ

Por que Troféu Cayru

ayru foi o nome dado ao barco do patrono do Clube dos Jangadeiros, Sr. Leopoldo Geyer. “Cayruzinho”, como era carinhosamente chamado pelos l 3º LUGAR - Barco KAMIKAZE X Comandante: Hilton Piccolo – CDJ velejadores mais antigos, foi lançado l 1º LUGAR CATEGORIA B - Barco nas águas do Guaíba em 1935, para a PLANETA ÁGUA - Comandante: comemoração dos 100 anos da Fernando Maciel – ICG Revolução Farroupilha, onde ficou CLASSE IMS exposto no Pavilhão das Indústrias l 1º LUGAR - Barco SURFER III do Estado do Rio Grande do Sul, Comandante: Cláudio Ruschel - VDS atraindo a visita de milhares de VIII VELEJAÇO CAYRU pessoas. Porto Alegre, 24 de outubro de 2004 O barco Cayru, cujas plantas CRUZEIRO 20 foram trazidas pelo Sr. Leopoldo, l 1º LUGAR - Barco MACTIRE - Comandante: numa de suas viagens à Fábio Lima Beck – SAVA Alemanha, foi construído por CRUZEIRO 23 Roberto Funck, famoso construtor l 1º LUGAR - Barco CHIMOOK - Comandante: Ricardo Weimdorfer – VDS gaúcho. Anos mais tarde, a CRUZEIRO 26 dinastia dos Cayru continuou l 1º LUGAR - Barco MOICANO - Comandante: com o Cayru II, vencedor da Ricardo Antônio Siegle – ICG regata oceânica Buenos Aires – CRUZEIRO 29 Rio de Janeiro. Após, veio o l 1º LUGAR - Barco MINUANO - Comandante: Cayru III, outro barco com boa Jorge Aydos – CDJ atuação na vela oceânica do CRUZEIRO 32 Brasil. l 1º LUGAR - Barco BRONKA - Comandante: Lindolfo Hartz Filho – ICG Como homenagem, no ano de 1991 o Clube dos CRUZEIRO 35 l 1º LUGAR - Barco BARBA NEGRA - Comandante: jangadeiros lançou o Troféu Carlos Altmayer Gonçalves – VDS Cayru de Vela de Oceano. CRUZEIRO 39 Tradicionalmente este é um l 1º LUGAR - Barco BOLERO - Comandante: Paulo evento que reúne um número Horta Barbosa – VDS significativo de barcos. Em sua MULTI-CASCOS 14ª edição, o Troféu foi l 1º LUGAR - Barco CHARLIE BRAVO V disputado nos dias 23 e 24 de Comandante: Paulo Hennig - VDS. outubro de 2004. O que não se sabe, e talvez nunca venha a se saber, é o por quê da escolha do nome do barco de Geyer. Ele poderia estar homenageando o Visconde de Cayru, José da Silva Lisboa, um teórico da economia e autor do primeiro trabalho escrito em português sobre economia política, de 1801. Cayru é considerado por muitos como o primeiro economista brasileiro e foi quem convenceu D. João VI a abrir os portos brasileiros para as nações amigas, sendo um dos intelectuais mais próximos do rei português. A outra hipótese é que o nome tenha sido escolhido, apenas, por seu significado na língua tupi, árvore de folhas escuras.

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Olimpíadas CDJ incentiva 420 que vem depois do Optimist? Para alguns, vêm as classes Snipe ou Laser. Para outros, vem o fim do prazer de velejar. Para suprir essa lacuna, que faz com que apenas 10% dos velejadores iniciantes continuem em atividade, passada a “fase Optimist”, a Federação Estadual de Vela e Motor, o Jangadeiros e o Veleiros do Sul estão iniciando um trabalho sistemático de incentivo à Classe 420, com o desenvolvimento de toda a infra-estrutura necessária para que a classe desempenhe o papel de alternativa viável para essa fase de transição. A 420 goza de grande prestígio fora do Brasil e desempenha, para a Homenagem a nossos atletas Olímpicos na Prefeitura vela, um papel semelhante ao da Fórmula 3 para o automobilismo: forma aqueles que serão posteriormente os competidores de ponta, que vão para as Olimpíadas e grandes eventos. A 420 tem características que se adequam ao perfil dos jovens que estão saindo do Optimist, na faixa dos 14 a 18 Olimpíada passou. Mas, para nossos por nascimento ou opção, eram filhos da anos, com uma tripulação formada por duas pessoas e própria para atletas, os seus ecos continuam e capital gaúcha. O Secretário de Esportes, velejadores com peso entre 50 e não se restringem ao clube. No dia Gilmar Coutinho, destacou a importância 60 quilos. 14 de outubro os atletas olímpicos e de clubes como o Jangadeiros e União, Para divulgar a classe no para-olímpicos foram homenageados na que considera exemplos de como um clube Estado, a Federação contratou um Prefeitura de Porto Alegre. Compareceram, pode contribuir de maneira altamente construtor para fazer barcos 420 em série. Os dois primeiros representando nossa equipe, o Rodrigo significativa para o esporte nacional, protótipos foram entregues – um Duarte (49er), Fernanda Oliveira (470) e o formando e apoiando atletas. para o Jangadeiros, outro para o Vice-Comodoro esportivo do Clube, Jorge Fernanda Oliveira agradeceu em nome Veleiros –, e se encontram em fase Aydos. dos atletas presentes, e falou do orgulho de testes. Ainda neste mês estará Na oportunidade, o prefeito João que sentia ao representar Porto Alegre, e definido o custo de comercialização. Verle agradeceu aos atletas e falou do da importância que as homenagens como Foram montados dois barcos orgulho que cada porto-alegrense essa têm para os que estiveram lá, antigos que estavam no clube – que sentia ao acompanhar, nas competindo e se esforçando para obter o se somam ao novo. No Veleiros, competições, a atuação daqueles que, melhor resultado. também havia um outro barco mais antigo. Com isso, serão cinco barcos na raia. O Jangadeiros, além das três tripulações, já tem até Capitão de Flotilha da 420 – o Mauro Magalhães. s bons ventos continuam soprando nas E o horizonte que se descortina a partir velas do Optimist. Pois a flotilha, que já da proa é vasto. “O nosso grande vinha se destacando por sua atuação cada objetivo é que venhamos a participar vez mais animada, conta agora com um com um 420 do Mundial da Juventude site na Web, no endereço da Associação Internacional de Vela”, www.flotilhadajangada.com.br. O site confessa André Wahrlich, diretor de traz o perfil dos atletas do clube, dicas, Monotipos. A seletiva do evento será em calendário de eventos, galeria de fotos e março; e, em São Paulo e Rio de Janeiro, notícias. Orgulhoso, o Capitão da outros clubes estão realizando um Flotilha, Renato Brito, conta que a em todo o Brasil, estão garantindo um fluxo trabalho semelhante, o que garantirá página foi organizada pelos próprios constante de notícias de interesse para a atletas que, através de seus contatos competitividade para a categoria. gurizada do Optimist de todos os estados.

Prefeitura homenageou os atletas Olímpicos do CDJ

Navegando pelos mares virtuais

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Olimpíadas Presidente da Federação Brasileira prestigiou homenagem

Presidente da Federação Brasileira (no destaque) fala aos atletas no CDJ

Happy Hour com atletas Olímpicos foi destaque de outubro Happy Hour com os atletas olímpicos, realizada no dia 2 de outubro, foi um dos pontos altos desse mês no CDJ. Em um encontro que reuniu muitos associados, os nossos atletas fizeram uma revisão de sua atuação em Atenas, comentaram as características da raia em que foi feita a disputa e contaram histórias engraçadas sobre o dia-a-dia da Vila Olímpica, sempre ilustrando os comentários com fotos e vídeos. Participaram André Fonseca e Rodrigo Duarte, da categoria 49er, e Fernanda Oliveira, que competiu na 470 feminino. Alexandre Paradeda, da 470 masculino, esteve ausente devido a outros compromissos. O evento teve a presença do presidente da Federação Brasileira de Vela e Motor, Walcles Alencar Osório; do presidente da Federação Gaúcha, Michael Weinschenck; do Comodoro do clube, Cristiano Tatsch e de outros membros da diretoria. Na oportunidade, Osório destacou a excelência da vela gaúcha, que mandou o maior número de atletas a

Atenas e atribuiu o feito ao esforço de formação de base. Entre os temas comentados pelos atletas esteve o “famoso” acidente sofrido pelo barco de Fernanda na largada, em que o barco da tripulação israelense cambou em cima do das brasileiras. Fernanda lembrou como, em uma situação dessas, não se tem nem tempo de pensar: “o negócio era desvirar o barco e ir em frente”, recordou. Rodrigo falou sobre as condições da raia – com ventos fracos e eventuais ventos mais fortes vindos de terra. André destacou a organização da Olimpíada e, junto com Rodrigo, comentou a atuação da dupla. A curiosidade de todos os presentes foi satisfeita – os atletas responderam perguntas sobre temas que foram desde as condições da marina até as suas reações diante de certas situações. Atenta, a criançada da flotilha acompanhou cada resposta com entusiasmo e um olhar de “espero um dia estar lá”. Nós também esperamos.

É difícil competir com os esportes de arena quando se trata de angariar recursos”, constata o presidente da Federação Brasileira de Vela e Motor, Walcles Alencar Osório. Por isso, aponta, trabalhos como o do CDJ e demais clubes gaúchos, que se voltam para a base formando atletas desde jovens, é essencial para o crescimento da vela no país. “A vela está muito bem no Rio Grande do Sul”, comentou Osório, em sua visita ao Jangadeiros para participar da Happy Hour com os atletas olímpicos. Ele destacou que, no conjunto, a equipe brasileira obteve um crescimento significativo nessa Olimpíada, situando-se apenas atrás da Inglaterra. Isso, acredita, é resultado da soma de vários fatores: o talento e a dedicação dos velejadores brasileiros, o apoio de clubes que investem no esporte e também o apoio financeiro da Federação que, na medida do possível, tem investido na equipe olímpica, propiciando, inclusive, que tenha um local para guarda de barcos na Itália, o que viabiliza a participação em um maior número de competições internacionais. Todo esse esforço, entretanto, não garante o patamar ideal de recursos para a vela. “É difícil vender a vela”, constata. Esse é um esporte cujas competições dificilmente serão acompanhadas por multidões – e patrocinadores buscam multidões. Mas sugere o caminho de parceria com empresas, trocando-se vantagens aos funcionários pelos patrocínios. Fica, portanto, aberta a discussão.

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Estadual de Vela CDJ tem bons resultados no Sulbrasileiro de Snipe em SC ossos velejadores continuam se destacando nas competições de que participam. No Sulbrasileiro de Snipe realizado em Florianópolis de 9 a 12 de outubro - Alexandre e Roberto Paradeda foram os campeões. Aliás, a dupla tem ganho todos os campeonatos nacionais e internacionais de Snipe de que tem participado em 2004. O terceiro lugar ficou com Rodrigo Duarte, que competiu com o proeiro Guilherme Lima. No Sulbrasileiro de Laser – realizado em Porto Alegre de 9 a 12 de outubro – Fábio Dutra Pillar e Silva obteve o segundo lugar na Classe Laser Radial. Parabéns aos atletas e ficamos aguardando novas vitórias que, nesse caso, mais nunca é demais.

Largada da Classe Hobie Cat 16 no Estadual de Vela

Estadual de Vela foi realizado em novembro

Clube dos Jangadeiros teve uma boa participação no Campeonato Estadual de Vela 2004, realizado em suas raias Entrega dos troféus de Optimist durante o mês de novembro, com promoção da Federação Estadual de Vela. As melhores classificações foram obtidas nas Classes Hobie Cat 14 e 16; na Snipe, 420, Laser STD; nas Classes Oceano O'Day 23 e RGS e com destaque especial na Optimist Estreante, onde o clube ficou com nove das dez primeiras colocações. Parabéns aos nossos velejadores. Confira a seguir quem são os campeões do Estadual de Vela 2004, nas diversas classes: Hobie Cat 16

l Cláudio Mika - Jorge Gaspar - CDJ

Hobie Cat 14

l João Carlos Lindau - CDJ

Dingue

l Rubens Ribeiro - Juliana Ribeiro - VDS Laser STD

l Andre D. Strepel - VDS Laser RD

l Geison M. Dzioubanovs - VDS 470

l Adriano Santos - Katie Niedermeier - VDS Snipe

l Henry Boening - Jaime Gaspar - CDJ 420

l Leonardo Queirol - Klaus Burmeister - VDS Oceano Classe O'Day 23

l Barco MAROTA - Comandante: Carlos Blum Tartakowsky - CDJ

Oceano Classe IMS

l Barco VENTO E ALMA III - Comandante: José Ortega - VDS

Oceano Classe RGS

Soling

l Barco SAN CHICO - Comandante: Francisco

Optimist Estreante

l Barco PLANETA ÁGUA - Comandante:

l Daniel Glomb - Caio Vergo - André Gick - VDS l Caio Areas Pantoja - CDJ

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Optimist Veterano

l Daniele Geras Fuhrich - VDS

Freitas - CDJ

Oceano Classe Delta 26 Fernando Oliveira - ICG


Eventos

Festa do Dia das Crianças foi um sucesso ntecipada em dois dias – aconteceu no dia 10 de outubro –, a festa do Dia das Crianças do Jangadeiros foi um sucesso. Convidados como hostess, Mickey e Minnie conduziram a turma miúda em uma série de atividades, que tiveram, como seus pontos altos, a inauguração de um barco e de uma casa de bonecas no Playground e o passeio de Optimist na piscina do clube. A festa começou por volta das duas da tarde, quando a dupla Mickey e Minnie passeou pelas proximidades da piscina, chamando as crianças para as inaugurações. Outras atividades se seguiram, com brincadeiras variadas, e todo o típico cardápio de delícias infantis: cachorro quente, pipoca e algodão doce, acompanhados de refrigerante. Enquanto brincavam, as crianças aguardavam a chamada para um atrativo de peso: o passeio de Optimist. Assim que o barco apareceu nas margens da piscina, uma longa fila se formou para dar um passeio. Acompanhados do instrutor Flavio Fernandes, cada criança deu a sua volta de barco – atividade que seduziu até a Minnie, que não resistiu à tentação e também foi navegar.

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Ecologia Dicas de ecologia cologia, mais do que discurso, tem que ser prática. E, a propósito, a quantas anda a sua prática? Separação correta do lixo, reciclagem, evitar materiais poluentes – tudo isso não é luxo, é sobrevivência para as próximas gerações. É por isso que, a partir desta edição, a Jangada estará trazendo dicas de ecologia para o seu dia-a-dia. Plástico, o inimigo da vida aquática Que o plástico está poluindo rios e mares, todo mundo sabe. Além disso, muitos animais aquáticos confundem resíduos plásticos com alimento, comem e morrem. Quer dar sua contribuição, simultaneamente, para aumentar a consciência sobre o problema e para diminuí-lo, por pouco que seja? Que tal aproveitar as férias e fazer um exercício que pode ajudar? Convoque suas crianças e adolescentes para dar uma “batida anti-plástico” na próxima vez que estiver na praia: ofereça um saco de lixo e uma vara com a qual possam espetar os resíduos e faça uma competição para ver quem coleta mais resíduos em um determinado período de tempo.

Projeto paisagístico será retomado depois de mais de vinte anos

Paisagismo da Ilha será retomado

Clube dos Jangadeiros está contratando o engenheiro agrônomo e paisagista Ronald Charles Jamieson, que atuou na implantação da Ilha, há pouco mais de 25 anos, para completar o projeto paisagístico e, assim, embelezar o local para onde, a médio prazo, deverá ocorrer a transferência da sede do Clube. A Ilha, consolidada por enrocamento (com a acomodação de grandes pedras no fundo do Guaíba) e o depósito de terra e material orgânico para a formação do solo, recebeu um paisagismo inicial com árvores que se destinavam a quebrar o vento e Seja chique: mesmo a consolidar a drenagem do solo, recicle como casuarinas e pinus para que, no Reciclar é, cada vez mais, futuro, se implantasse o paisagismo sinônimo de inteligência e definitivo, que havia sido projetado para elegância: está ai a alta costura usar-se, principalmente, vegetação nativa. que não deixa de apresentar peças Dificuldades financeiras e o feitas com materiais recicláveis a surgimento de outras prioridades cada coleção. terminaram por adiar, ao longo do Siga o exemplo, dando uma tempo, esse projeto paisagístico destinação correta aos materiais definitivo, acabando por deixar-se as recicláveis. Muitas instituições casuarinas, pinus e até algumas agradecem a doação de jornais, seringueiras, muitas delas, esgotado revistas velhas, latas de alumínio. Por seu tempo de vida, começam a que não organizar, no seu edifício, morrer. Diante desta situação a uma parceria com uma instituição Comodoria decidiu, na medida da disponibilidade financeira e dessas que irá recolher jornais, revistas gastando o mínimo possível, e latas de alumínio no próprio edifício?

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retomar o projeto paisagístico original, dando andamento ao que estava previsto em seu Plano Diretor. E este será o papel de Ronald Jamieson, explica o Comodoro, Cristiano Tatsch: — Embelezar a ilha e mantendo as características que ela deve ter — especifica o Comodoro. — A idéia é plantar algumas árvores nativas e, abaixo delas, arbustos de sombra, formando-se também alguns canteiros com folhagens, além dos gramados. Como não se trata de implantar um jardim botânico, mas uma área verde que deve ser bonita e proporcionar áreas de sombra, não iremos nos fixar unicamente em árvores nativas — acrescenta Ronald. Um ponto importante desse esforço de completar o paisagismo que foi interrompido logo depois da implantação da Ilha, será o de recorrer a árvores e arbustos que não exijam grandes manutenções no futuro, de forma a evitar despesas desnecessárias. Os plantios, revela o paisagista, poderão começar ainda neste mês de janeiro e se estenderão por ao menos um ano. Em uma primeira etapa poderão ser plantados principalmente os arbustos, deixando-se as árvores para o meio do ano, que é considerado um período mais adequado para o plantio da vegetação de maior porte.


Obras

Calços “made in Jangadeiros” Calços protegem melhor as rodas “diabo mora nos detalhes”, ensinavam as avós. E mora mesmo. Como sabe qualquer velejador, um descuido que parece pequeno pode trazer grandes problemas. Pois quem olhar para as rodas das carretas das lanchas no Jangadeiros verá que foi eliminado um dos lugares onde esse “diabinho do descuido” se escondia: as pedras que serviam de calço foram substituídas por calços de verdade, feitos nos moldes dos que são usados na aviação. Henri Siegert Chazan, diretor de Motonáutica, explica que essa é mais uma solução barata, simples e efetiva para um problema sério. Os barcos vinham sendo calçados com pedras colocadas embaixo das rodas, uma solução ineficiente e perigosa, já que as pedras podem ser empurradas e, eventualmente, podem causar um acidente sério. A alternativa para isso nasceu da observação do modelo de calço adotado pelo Aeroclube do Rio Grande do Sul, conta Chazan. Com base nos calços ali utilizados, se desenvolveu um modelo “made in Jangadeiros” de fazer inveja a qualquer empresário chinês no quesito “bom & barato”. Com R$ 300 se confeccionaram, no clube, calços para todos os barcos. Além de mais seguros e padronizados, os “amarelinhos” também são bem mais bonitos do que as pedras. A segurança, aliás, é sempre um tema prioritário quando se trata de um clube náutico. Por isso, comunica Chazan, está sendo agendado um treinamento para aprimorar a qualificação dos colaboradores que manipulam combustível. Esse treinamento faz parte de um conceito que está sendo adotado pelo clube, de aperfeiçoamento constante. “Por melhor que seja, sempre há o que melhorar”, recorda Chazan, um entusiasta das práticas de qualidade no trabalho e na vida.

Ecologia com economia bras simples e sem altos custos, mas que fazem uma grande diferença, sempre levando em conta o cuidado com o meio-ambiente. Esse será o foco adotado pelo Clube até o final deste ano. Essa postura se reflete nas inúmeras “pequenas grandes soluções” que podem ser vistas por todo o Jangadeiros. É o caso da área situada entre a Escola de Vela e os galpões de monotipos, que foi recapeada. O asfalto antigo estava totalmente desgastado e o pedrisco estragava as rodas das carretinhas. Dentro do espírito do “fazer bem, fazer barato”, a área recebeu recapeamento com o asfalto ecológico – que tem na sua composição a borracha de pneus usados. Esse asfalto, além de ajudar a poupar o meio ambiente, tem uma durabilidade dez vezes superior ao asfalto comum. A mesma solução será adotada, em uma fase seguinte, na

rampa de monotipos – que receberá asfalto ecológico, mas colorido com pigmento. A cor clara que será adotada terá duas funções: tornará a rampa mais “visível” e garantirá que mantenha uma temperatura mais baixa. Outra obra que se fazia necessária e que está sendo concluída é a reforma do galpão que abriga os barcos dos nossos atletas olímpicos, cuja cobertura foi refeita, com troca da estrutura de sustentação e do telhado. A segurança também está na mira. Estão sendo confeccionadas duas escadas móveis para cada um dos trapiches. Aliás, nessa área, está prevista a revitalização de um deles, o trapiche de visitantes que, no projeto original do uso de espaço, estaria situado onde está o bate-estaca. Este será deslocado para um outro lugar e o trapiche será reconstruído.

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A Jangada: Dezembro de 2004  

Revista do Clube Jangadeiros