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cotidiano

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QUINTA-FEIRA, 21 DE FEVEREIRO DE 2008 Nelson de Almeida/Folha Imagem

6 milhões de veículos

Trânsito é visto por alguns motoristas como terapêutico ................................................................................................

DA REPORTAGEM LOCAL

Trânsito no viaduto Glicério às 9h de ontem

5,1 milhões

SPdeveatingirhojeamarca de6milhõesdeveículos Cerca de 75% são automóveis; cidade passa a ter cerca de 2,4 habitantes por carro Para especialistas, capital precisa investir mais em transporte público e discutir adoção de medidas para restringir uso de carros ................................................................................................

RICARDO SANGIOVANNI COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

MÁRCIO PINHO DA REPORTAGEM LOCAL

A cidade de São Paulo deve atingir hoje a marca histórica de 6 milhões de veículos, desde que mantida em fevereiro a média de 800 novos registros diários no Detran (departamento estadual de trânsito). Destes, 75% —cerca de 4,5 milhões— são automóveis. Ou seja, são aproximadamente 2,4 habitantes por carro, número semelhante, por exemplo, ao de Paris (2,3). Mas a diferença é que, na capital francesa, é mais fácil abrir mão do carro e usar o metrô —são 199 km distribuídos por 15 linhas, enquanto São Paulo tem 61 km, em quatro linhas. O aumento da frota se reflete no crescimento dos congestionamentos. Nos últimos três anos, a média diária de picos de lentidão saltou de 77 km para 90 km, durante a manhã, e de 114 para 128 km à tarde. Ontem, por exemplo, a CET (Companhia de Engenharia de Tráfego) registrou 130 km de lentidão às 9h, o terceiro maior do ano. O que fazer Com mais carros nas ruas —reflexo também do crescimento econômico— e como é muito caro construir metrô, a discussão é sobre o que deve ser feito para a cidade não parar. “Em uma cidade como São Paulo, o congestionamento é

inevitável”, afirma o belga Jérôme Poubaix, coordenador de projetos da UITP (União Internacional de Transportes Públicos). Mas ele diz que, se o nível de congestionamento for muito alto, isso passa a ser negativo para a própria economia. Para ele, as soluções passam por descentralizar as atividades —para os que moram em bairros mais distantes não tenham que se deslocarem até o centro—, além de expandir o transporte público. “Se você tem casa, trabalho e lazer próximos, reduz a necessidade de viajar longas distâncias e favorece o transporte público.” Já o consultor de trânsito e professor da USP Jaime Wais-

IPVA TEM [+] SP: RECORDE DE

ARRECADAÇÃO EM CINCO ANOS

A arrecadação do IPVA (Imposto sobre Propriedade de Veículos Automotores) cresceu 20% em São Paulo em 2007, aumento recorde em cinco anos. O imposto gerou R$ 6,699 bilhões, contra R$ 5,563 bilhões de 2006. O aumento no Estado foi o principal fator da elevação da arrecadação nacional do IPVA (R$ 14,667 bilhões). O acréscimo foi de R$ 2,243 bilhões —sendo R$ 1,136 bilhão em SP. A expansão é ligada à ampliação de emplacamentos. Em 2007, 833.291 veículos entraram para a frota paulista, que passou a 16 milhões. A Secretaria da Fazenda de São Paulo atribui a alta à venda de carros de maior valor e ao combate ao emplacamento irregular.

man diz que é preciso investir na fiscalização de veículos em situação irregular e levar adiante a inspeção veicular. Com isso, diz ele, pode-se retirar da rua “um terço da frota que está irregular e não paga impostos”. Na semana passada, membros da UITP da América Latina e da Europa participaram do evento “Combatendo o congestionamento: pedágio urbano e outras medidas”. Engenheiros da CET, do Metrô e integrantes da Prefeitura de São Paulo também participaram da discussão. Mas, no fim de semana, o prefeito Gilberto Kassab (DEM) voltou a dizer que não irá implantar o pedágio urbano na cidade. “Tem uma série de ações que precedem qualquer avaliação em relação ao pedágio urbano. Está totalmente descartado”, disse Kassab. Entre as “ações”, ele cita o investimento previsto pela prefeitura de R$ 1 bilhão no metrô neste ano. Pesquisador do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) em alternativas para o trânsito, Alexandre Gomide diz que investimentos em metrô, além de medidas como a criação de corredores de ônibus, bilhete integrado ônibus-metrô e rodízio, são “muito avançadas”. Mas, para ele, a idéia de primeiro melhorar o transporte público para só então pensar em criar medidas para restringir os carros, como o pedágio, é algo “que muitos políticos usam para não fazer nada”. “O pedágio urbano seria bom. O rodízio já implica a idéia de racionalizar o uso do carro. Não seria uma mudança radical”, diz Jonas Hagen, que preside no Brasil a ONG americana ITDP (sigla em inglês para

Instituto de Políticas de Transporte e Desenvolvimento). A ONG apresentou à prefeitura, na gestão Marta Suplicy (PT), um modelo de pedágio urbano para São Paulo, que não foi adiante. “A arrecadação seria de cerca de R$ 10 bilhões por ano, que poderiam ser investidos em metrô”, diz Hagen.

3,4 milhões

FROTA CRESCE SEM PARAR Serviços de transporte público não foram capazes de deter o domínio dos carros

1,9 milhão

800 é o número médio de veículos emplacados por dia em São Paulo

640 mil

76

164 mil

mil

1950

1960

1970

1980

1990

2000

2008

Amor e ódio convivem diariamente no trânsito de São Paulo. Amor porque, apesar de causarem muita irritação, brigas e acidentes, o grande número de veículos e os conseqüentes congestionamentos têm um “lado positivo” para algumas pessoas. Para elas, passar horas estagnadas no veículo pode ser a única forma de conseguir ouvir um CD inteiro, paquerar e até fazer uma auto-reflexão. É o caso de Júlia Campanati, que já sofreu com o trânsito paulistano e, hoje, vive em Salvador. Ela diz que ficar no carro “é terapêutico”, uma oportunidade para falar sozinha, cantar e pensar na vida. Morando fora, ela diz sentir falta “desse tempo consigo mesma”. Ela integra um “fã-clube” de simpatizantes do congestionamento no site de relacionamentos virtual Orkut, que conta com ao menos sete comunidades do tipo “Amo o Trânsito de São Paulo”. Também participam os irônicos, que, na verdade, não suportam o tráfego. O assistente de logística Nelson Vaini Neto, 24, que reside na zona sul e cruza a cidade para chegar ao trabalho, em Barueri (Grande São Paulo), contou à Folha que o trânsito, apesar de “horrível”, é um momento para observar a arquitetura e “flertar com alguma bonitinha do carro do lado”. Mesmo assim, ele decidiu comprar uma moto há sete meses e “aposentar” seu carro. A alternativa encontrada por ele não é uma possibilidade para Amanda Santos, que aproveita as viagens para ouvir um CD inteiro de suas bandas favoritas. “Em casa ligamos o rádio, mas só toca música chata”, diz. Quem anda de transporte coletivo também vê benefício. A funcionária pública Sandra Bélico, 34, que reside em Guarulhos (Grande SP) e trabalha no Itaim Bibi (zona oeste), passa quatro horas por dia no ônibus. “Trânsito igual ao de São Paulo não deve existir, mas, pela quantidade de veículos, ele até é organizado, tirando os péssimos motoristas”, disse ela. Outros simpatizantes têm argumentos até sociais, como Ane Caroline Pereira, 17. “Acho que o trânsito é a única coisa igual, socialmente falando. Você não vê apenas ônibus ou Fuscas, mas também Audis e Mercedes, todos durante a mesma quantidade de horas parados na marginal.” A quase unanimidade, entretanto, é que o trânsito de São Paulo é insuportável. Motoristas que dependem do carro para trabalhar tentam não se irritar. “Mas tem hora que não dá”, afirma o taxista Antonio Luis Camazano, 50. “Cheguei a ficar cinco horas parado na marginal Tietê.” Para ele, congestionamento é chamariz para assaltos e desocupados, que “já chegam” lavando o vidro do carro.

MORTES ANTONIA BUENO CALDEIRA Aos 84, viúva de Orlando Caldeira Filho. Deixa filho. Cemitério e Crematório Metropolitano Primaveras. CLARISSE CUNHA GIOVANNINI Aos 85, viúva de Humberto Giovannini Deixa filha. Cemitério de Congonhas. CLAUDIA CARLOS SAAD FARACHE Aos 43, casada com Marcos Bandeira Saad. Deixa filho. Cemitério de Congonhas. ELIEL LEVY MASSONI DE OLIVEIRA Aos 14. Era estudante. Cemitério e Crematório Metropolitano Primaveras. FRANCISCA BEK VILARINHOS Aos 66. Deixa dois filhos. Cemitério e Crematório Metropolitano Primaveras. HENRIQUE SPERDUTTI Aos 90, viúvo de Celeste Sperdutti. Deixa filhos. Cemitério de Congonhas. JAMYR FERRAZ DE OLIVEIRA Aos 83, casado com Lucia Satim de Olivei-

ra. Deixa filho. Cemitério de Congonhas. MARCELLO AFFONSECA FERRAZ Aos 86. Deixa três irmãos, dois filhos e dois netos. Cemitério Municipal de Imbituba, Imbituba (SC). MATHILDE AIOSI POOR Aos 92, viúva de Luiz Poor. Deixa dois filhos e três netos. Cemitério do Morumbi. MILSOM RAMOS LIMA Aos 77, viúvo de Geralda Maurília Lima. Deixa filha. Cemitério São Luiz.

7º DIA DOMINGOS OTTONI DA SILVA Hoje, às 10h, na paróquia Sto. Ivo, lgo. da Batalha, 189, Jd. Luzitânia. GABRIELA DE BRONG MATTAR Amanhã, às 12h30, na igreja N. Sra. do Brasil, pça. N. Sra. do Brasil, 1, Jd. Paulista. JORGE VALENTIM Hoje, às 20h, na igreja S. Judas Tadeu, av.

Jabaquara, 2.682, Jabaquara. MILTON GONÇALVES SOARES Hoje, às 18h30, na paróquia S. Gabriel, av. S. Gabriel, 108, Jd. Paulista. RAY FARHAT Amanhã, às 11h, na igreja N. Sra. do Brasil, pça. N. Sra. do Brasil, 1, Jd. Paulista. ROQUE VANZO Hoje, às 19h30, na igreja Sto. Antônio, r. Paúva, 650, V. Jaguara. SEBASTIÃO FERNANDO PEHRSSON Hoje, às 19h, na igreja Sta. Terezinha, pça. Rui Barbosa, Sta. Terezinha, Sto. André.

BLANCHE HADADD SANTA LUCIA Hoje, às 17h30, na igreja N. Sra. do Carmo, r. Brás Cubas, 163, Aclimação. SILVIO AUGUSTO CARDOSO FERRAZ DO AMARAL Amanhã, às 19h, na igreja N. Sra. da Fátima, r. Barão da Passagem, 971, V. Leopoldina.

5º ANO JOSÉ GERALDO SOARES DE MELLO Hoje, às 20h, na igreja N. Sra. da Saúde, av. Domingos de Morais, 2.387, V. Mariana.

30ª DIA

MISHMARA

ASTRID BRAGA TONELLI MAKSOUD Hoje, às 18h, na igreja S. José, r. Dinamarca, 32, Jd. Europa.

BERNARDO SIMÃO WAINSTEIN Hoje, às 18h, na Congregação Monte Sinai, r. Piauí, 624, Higienópolis.

Araken Peixoto e o pistom da família ........................................................................................

WILLIAN VIEIRA DA REPORTAGEM LOCAL

O mito do irmão caçula não incomodava o músico Araken Peixoto, pois cada vez que ia aos shows de Cauby, recebia ele mesmo afagos no ego, de fãs apaixonadas por seu pistom —as mesmas que lhe renderam homenagens no enterro. Araken nasceu em Niterói, em uma família de músicos. A mãe tocava bandolim e o pai, violão —sem falar do tio pianista e do primo cantor. Logo ele e os irmãos “caíram na batalha”. Dos seis filhos, apenas Araci escapou. Moacir, o mais velho e pianista, “levou os outros pelo caminho da música”. Andiara virou cantora de samba em cassinos; Cauby descobriu a voz aveludada; Iracema até começou nos corais, antes de casar. Com Araken não seria diferente. “Dizem que era muito bonito” quando tocava pistom

na boate Drink, aberta com os irmãos, ou no seu Pub, espécie de piano-bar que não deu certo. Romântico, “andava sempre de mãos dadas”, diz a viúva, que não esquece a canção “Dio Come Ti Amo”. Decidiu ser músico em São Paulo, onde ficou 26 anos tocando em quatro boates por noite “para pagar os estudos dos filhos”. Tocava também em bailes, onde recebia dos fãs elogios aos discos conhecidos de jazz: “Um Piston Dentro da Noite”, nacional e internacional. Mas a saúde piorou, a diabetes avançou e temia até a amputação das pernas. Por isso aposentou-se e voltou para o Rio. Tinha três netos e três filhos —Adriana, cantora, seguiu seus passos. Diz a família que tudo foi sereno quando morreu anteontem de infarto aos 77, no Rio. “Tomou um mingauzinho, sentou e morreu.” obituario@folhasp.com.br


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