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TERÇA-FEIRA, 6 DE MAIO DE 2008

cotidiano

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Joel Silva/Folha Imagem

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Moradores se queixam do congestionamento e do barulho; Ministério Público vai convocar a CET para uma audiência Subprefeitura afirma que o problema é generalizado na região; mudanças viárias contribuíram para atrair mais veículos para o local ................................................................................................

RICARDO SANGIOVANNI

removidos e o estacionamento passou a ser proibido, deixando as ruas livres para os veículos. Desde o segundo semestre de 2007, microônibus da linha Ponte Orca, da EMTU, que liga estações de metrô à rede ferroviária, passaram a usar a região

como rota alternativa. Os pedestres, entretanto, continuam tendo que caminhar por calçadas quebradas. “Quando ando, parece que estou pisando em ovos”, conta a aposentada Maria de Lourdes Ramalho, 64.

Rua do Sumarezinho que virou rota para fugir do trânsito; após mudanças da CET, situação se agravou

CET diz proibir estacionamento para dar fluidez .................................................................................

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DA REPORTAGEM LOCAL

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TRÂNSITO NO SUMAREZINHO Tráfego aumenta e incomoda moradores do bairro da zona oeste de SP Vias que passaram a ser usadas pelos motoristas para fugir dos congestionamentos em grandes corredores

R.Felipe Gusmão

Google Earth

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MUDANÇA A rua. Borges de Barros dava acesso apenas à direita na rua Heitor Penteado, sentido centro. Após alteração feita pela CET em 2006, passou também a dar acesso ao sentido Lapa

PE NT EA DO ÁREA AFETADA

R. Nazaré Paulista R. Francisco Isoldi

Pça. Panamericana Av. Ped ros o de

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R. Djalma Coelho

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Audiência Desde 2000, um grupo de cerca de 300 moradores do Sumarezinho pede à prefeitura e à CET restrições ao tráfego. Sem resposta, decidiram procurar o Ministério Público. Ontem, tiveram audiência na Promotoria de Habitação e Urbanismo. A promotora Stela Tinone Kuba marcou para o dia 27 um novo encontro, desta vez com a presença da CET. “Nossa luta é contra essa política de fluidez do tráfego a qualquer custo”, diz a professora Angela Campo, 42, moradora do bairro há 37 anos. Na semana passada, os moradores fizeram um protesto que fechou por uma hora o cruzamento entre as ruas Francisco Isoldi e Borges de Barros. Em oito anos de reclamações, o que os moradores puderam conferir na região foi, em abril de 2006, a sua “repaginada” —em benefício do trânsito. Um semáforo foi instalado no final da rua Borges de Barros, possibilitando o acesso aos dois sentidos da rua Heitor Penteado. A alteração foi o suficiente para atrair o tráfego da rua Natingui, rota de escape de vias como a avenida Pedroso de Morais e a marginal Pinheiros. O asfalto ganhou nova demarcação, pontos de táxi foram

A ob r a d e a r te p a r a p e n d u r a r n o br a ç o .

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Quando alugou, há dois anos e meio, o sobrado de dois andares onde mora, o editor de áudio Bernardo Torres, 28, achou pacata a rua Francisco Isoldi, no Sumarezinho (zona oeste). Os moradores mais antigos, no entanto, acostumados à quase ausência de veículos por ali, já se queixavam do aumento do tráfego nas ruas do bairro. Agora, Torres mudou de opinião e juntou-se aos reclamantes. Isso porque mudanças viárias implantadas pela CET (Companhia de Engenharia de Tráfego) ajudaram a transformar definitivamente a rua em rota dos motoristas para fugir dos congestionamentos de vias como a marginal Pinheiros. “Não sei mais o que fazer. Vai chegar uma hora em que ninguém mais vai andar”, diz Torres, que chega a ter uma fila de carros parados em frente à sua casa seis horas por dia. Íngreme e residencial, a rua Francisco Isoldi —que tem um trecho em mão dupla— hoje recebe tráfego de automóveis, caminhões e até de ônibus. Os problemas da Francisco Isoldi e de outras três ruas residenciais do bairro —Borges de Barros, Felipe de Gusmão e Djalma Coelho— não são raridade na zona oeste da cidade. “Essas ruas se tornaram rota alternativa para quem vem de grandes corredores e de toda a zona oeste em direção ao centro. O problema é generalizado na região”, diz Adriana Rolim, supervisora de planejamento da Subprefeitura de Pinheiros. Segundo a subprefeitura, outras ruas de características residenciais, como Ibiraçu, Caminha de Amorim, Alberto Seabra e Dom Rosalvo, no Alto de Pinheiros, enfrentam problemas semelhantes. Além dos congestionamentos, o trânsito causa problemas como fissuras nas paredes, trepidação de janelas e barulho. No trecho em mão dupla, enquanto a subida fica parada, na descida, o limite de 20 km/h não é respeitado —os carros passam a mais de 60 km/h.

W/Brasil

DA REPORTAGEM LOCAL

A CET disse, em nota, que a proibição de estacionamento nas ruas do Sumarezinho permite manter a fluidez do trânsito. Segundo a CET, as ruas Francisco Isoldi e Borges de Barros medem entre 5,5 m e 8,5 m, com trechos em mão dupla, onde “o estacionamento é proibido, pois a largura não comporta a passagem de veículos nos dois sentidos com veículos estacionados”. Em relação ao trânsito de caminhões, a companhia ressalta que há sinalização proibindo a passagem de veículos pesados. Diz ainda fiscalizar periodicamente a região. A companhia não respondeu sobre eventuais medidas para diminuir o trânsito no bairro. A EMTU (Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos) diz que as ruas Francisco Isoldi, Borges de Barros, Felipe de Gusmão e Djalma Coelho não fazem parte da rota da linha Ponte Orca, mas que o trecho pode estar sendo utilizado pelos motoristas dos ônibus para escapar de congestionamentos. Segundo a Subprefeitura de Pinheiros, a alternativa possível é o programa Comunidade Protegida, criado em junho de 2007 para “induzir os motoristas a dirigir com velocidade reduzida” por meio de sinalização, “pavimentos diferenciados, ampliação de áreas verdes e calçadas mais largas”. Mas isso só se aplica a vias classificadas como locais (residenciais) pelo Plano Diretor. Não é o caso de boa parte do Sumarezinho —mesmo com características residenciais, várias ruas são classificadas como coletoras (comerciais).

Com fissuras na casa, moradora diz viver ‘depredação silenciosa’ ................................................................................................

DA REPORTAGEM LOCAL

Dois bares e uma clínica de estética são os únicos estabelecimentos comerciais nas ruas Francisco Isoldi e Borges de Barros. O restante são edifícios residenciais e sobrados —um deles, o da empresária Eleonora Costal, 51, tem fissuras nas paredes e no teto. Em dezembro, um engenheiro da prefeitura confirmou que as fissuras se devem ao tráfego de caminhões e ônibus. Porém, a casa de três andares não corre risco de desabar. “Já acordei no meio da noite com o barulho de janelas quebradas”, diz a empresária, que refez as esquadrias da casa com isolamento para diminuir o atrito dos vidros, o que não resolveu o problema.

“Tem horas em que não ouço a televisão. O que está acontecendo aqui é uma depredação silenciosa”, diz ela, que teme a desvalorização imobiliária. Além do barulho dos motores, as buzinas não dão paz ao editor de áudio Bernardo Torres. Nem o revestimento acústico de seu estúdio, em casa, contém os ruídos —o jeito, diz, é trabalhar de madrugada. Embora boa parte das ruas da zona oeste tenha características locais (residenciais, impróprias ao trânsito intenso), o PDE (Plano Diretor Estratégico) as classifica como coletoras (comerciais, apropriadas a grandes fluxos). A subprefeitura chegou a fazer um estudo em 2006 para que as vias passassem a ser locais, mas a proposta não foi adiante.

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