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Revista semestral. Curso de Relações Públicas/Famecos/PUCRS Ano 16 n° 31 - Porto Alegre, RS, Brasil - Julho 2010

BRUNO TODESCHINI/ ESPAÇO EXPERIÊNCIA

ABRAPCORP

A materialização dos teóricos

Ícones dos livros de Comunicação Organizacional participam de encontro nacional na PUCRS FOTOS MARIANA FONTOURA/ ESPAÇO EXPERIÊNCIA

SEM FRONTEIRAS • PUCRS recebe estudantes de todo o mundo e os daqui vão para o exterior

∆∆ Fotografe com o celular e entre direto no site


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CONGRESSO BRASILEIRO MÁRCIO OLIVEIRA/ RRPP

∆∆ As lideranças da área: Cláudia Moura, Sidinéia Freitas, Marlene Marchiori, Esnel Fagundes, Maria Aparecida Ferrari, João José Curvello, Ivone de Lourdes Oliveira, Márcio Simeone, Valéria Lopes, Rudimar Baldissera e Margarida Kunsch

Abrapcorp traz a Porto Alegre • Durante três dias, Congresso Brasileiro de Comunicação Organizacional discutiu na PUCRS a presidente da entidade, Profª. Drª. Margarida Kunsch; a diretora da Famecos, Profª. Draª. Mágda Cunha; o diretor da Fabico, Prof. Dr. Ricardo Schneider da Silva; a coordenadora do PósGraduação da Fabico, Profª. Drª. Maria Helena Weber, e a Coordenadora Geral do evento, Profª. Drª. Souvenir Dornelles. Os professores Magda, Ricardo e Margarida agradeceram a presença de todos, destacaram a importância do evento para a área da coFOTOS BRUNO TODESCHINI/ ESPAÇO EXPERIÊNCIA municação e desejaram a todos boas discussões e trocas de expe- ∆∆ Nicole d´Almeida, da Sorbonne, Paris mesma esfera comunicacional. Diriência. A conferência de aber- vidiu em dois tópicos os chamados tura esteve a cargo da fran- “relatos do bem-comum”. São eles: cesa Nicole d´Almeida, os relatos da casa, que partem do professora da Universi- interior da organização, fazendo dade Sorbonne de Paris. parte da sua história e são destinaAbordou “Opinião pública dos a fortalecer o local de trabalho; e construção da imagem e os relatos de engajamento de ininstitucional”. Para ela, teresse público, com uma missão a comunicação organiza- superior. “A troca comercial deve cional é um processo de passar pelo pessoal, pela troca de linguagem, conversação valores e o bem-estar da humanie práticas, relacionando dade, mantendo uma relação homarketing, relações públi- rizontal com os públicos”, disse a cas e administração numa conferencista. ∆∆ Debates lotaram o teatro do prédio 40 do campus da PUC O IV Abrapcorp – Congresso Brasileiro Científico de Comunicação Organizacional e de Relações Públicas, realizado em Porto Alegre, oportunizou aos acadêmicos de RRPP o contato face a face com grandes teóricos e pensadores conhecidos, até então, apenas em textos e artigos indicados por seus professores. Entre eles, desfilavam pelos painéis Margarida Kunsch, Sidnéia Freitas e Celsi Silvestrin. A quarta edição do evento, tendo como tema central “Comunicação Pública: interesses públicos e privados”, ocorreu nos dias 20, 21 e 22 de maio no teatro do prédio 40 da PUCRS. Tratou-se de

uma promoção conjunta da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (Famecos/PUC-RS) e a Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Fabico/UFRGS), Foram dias de intensa movimentação na comunidade acadêmica com palestras, painéis e oficinas que propiciaram a interação entre teoria e prática e a troca de impressões entre autor e público leitor. A solene abertura foi introduzida pelo assessor da Coordenadoria de Relações Públicas da Famecos, Uriel Ricachenevsky. Ele convidou para participar da mesa do evento


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Sidinéia e Kunsch em destaque

A propaganda eleitoral

A professora Sidinéia Freitas (ECA-USP) sublinhou a “participação efetiva” dos associados e dos estudantes de graduação “neste mundo de redes sociais que hoje abre um espaço de uma forma muito clara para multidisciplinaridade”. A professora Margarida Kunsch (também ECA-USP) vê um avanço nos estudos do campo na Comunicação Organizacional.

Sob a coordenação da professora da UFRGS Maria Berenice Machado, a oficina de Propaganda Política no IV Congresso Abrapcorp consistiu de uma apresentação em slides, debates e filmes. Foi mostrado um panorama de toda a história da política desde os seus primórdios, passando desde Roma e Grécia até os dias atuais. “A política não é tudo, mas tudo é política”, disse a palestrante.

CELINA GOMES, MÁRCIO OLIVEIRA E PÂMELA STODUTO

GABRIELA MOSCOVICH

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Política centraliza debate em grupo A Profª Drª Ana Lucia Novelli, da Universidade Católica de Brasília, coordenou o GT Comunicação Pública, governamental e política. Os estudos abordaram os processos que envolvem a gestão das redes públicas do país. Os trabalhos abordam Comunicação, Política e Democracia, TV Pública Digital, TV Câmara, A Justiça em Pauta e a Análise e Avaliação de Processo em Relações Públicas Governamental. Matheus Lock e Rudimar Baldissera (ambos da UFRGS) apresentaram o trabalho “Comunicação

política on-line: estratégias de administração da visibilidade no ambiente da Web 2.0”. Foi analisada a campanha eleitoral do presidente Barack Obama. O modo como o ambiente online e as redes sociais foram articulados para atingir os eleitores, organização dos voluntários, arrecadação de verbas e monitoramento da opinião pública. Slogans com conceitos de esperança similares ao “Yes we can” também são utilizados”, observou Lock.

PAULA PASSOS

teóricos de Relações Públicas o desenvolvimento das estratégias das instituições aplicadas nas esferas públicas e privadas “Brasil, grande país que eu amo.” Foi com esse entusiasmo que o ensaísta, escritor e jornalista Stefano Rolando iniciou a conferência da segunda manhã do IV Congresso Brasileiro Científico de Comunicação Organizacional e Relações Públicas, da Abrapcorp, no dia 21 de maio, no Teatro do Prédio 40 da PUCRS. O italiano veio a Porto Ale-

gre a fim de debater o tema “Comunicação Pública: Interesses Públicos e Privados”. Durante o evento, despertou a plateia para questões relativas à felicidade, cidadania e democracia. Formado em Ciências Políticas (Universitá IULM – Milão), com especializações nas áreas de Planejamento Estratégico e Economia, o

FOTOS BRUNO TODESCHINI/ ESPAÇO EXPERIÊNCIA

conferencista trouxe à tona a discussão da felicidade sob uma ótica pública. “Quem disse que a felicidade é um bem particular, privado? Quem disse que a felicidade não é um problema público?”, indagou o cientista. Segundo ele, a felicidade pode ser entendida como um sentimento coletivo, um direito de todos os cidadãos e, portanto, um processo que depende das políticas governamentais. Stefano ressaltou o papel da comunicação para a conquista do bem-comum: “os comunicadores são os arquitetos sociais”. Tais profissionais projetam e constroem a ponte que liga os interesses da po-

pulação aos das instituições, sempre mantendo a lealdade perante ambos os lados. Urgem trabalhar com base na “estatística verdadeira”, aquela que ultrapassa o valor numérico, revela os contextos históricos intervenientes. A comunicação de utilidade pública tem a missão de clarificar as leis para que a população possa utilizá-las a favor do desenvolvimento nacional. ALINA SOUZA, CAROLINA BOLZAN, DÉBORA SZCZESNY, MARTA CAPITÃO, REBECA D’ALBERTO, JULIA WILHELM, LARISSA GENEHR, MAYARA ALOY, MAYRA MAGGENTI TELMA LAMBERT, FRANCISCO BARROS E DEISI CONTERATTO

A organização do Congresso

∆∆ Stefano Rolando, professor italiano de Milão

Trabalhar no IV Congresso do Abrapcorp foi uma experiência inusitada. Nos três dias de evento, as funções foram as mais diversas. Os 11 volantes do Núcleo de Eventos estiveram envolvidos em todos os turnos em que o evento aconteceu e contaram com o apoio de mais 20 alunos que trabalharam voluntariamente. Muitos acreditam que sabem trabalhar em grupo e receber críticas. É muito fácil trabalhar com nossos amigos e colegas, contudo no momento em que somos confrontados com pessoas diferentes

e opiniões opostas, a situação complica. Aceitar diferenças, escutar reclamações e, ao mesmo tempo, manter o sorriso não é fácil. É uma tarefa que necessita preparo psicológico e, como diz a mestre Neka Machado, muito açúcar e afeto. Gostaríamos de agradecer todo o empenho oferecido pelos monitores e, principalmente, à Vanessa Purper e Neka Machado, que tanto se dispuseram para sanar nossas dúvidas e ajudar em momentos de dificuldade.

JOANA OLIVEIRA E MARIANA MUNIZ


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COMUNICAÇÃO

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TWITTER Uma febre contagiante Uma das redes sociais de comunicação mais utilizada atualmente, o Twitter, conta com a presença de inúmeras celebridades, tais como o escritor Paulo Coelho, a humorista do Pânico na TV Sabrina Sato, a atriz Luana Piovani, o apresentador do CQC Rafinha Bastos e a cantora Pitty. Eles usam deste meio para interação com seus fãs, é uma maneira de ficarem mais próximos. Criado em março de 2006 por Evan Williams, Biz Stone e Jack Dorsey, é uma ferramenta gratuita, que pode ser utilizada por qualquer internauta sem convite, basta entrar no site, fazer o cadastro e em seguida começar a “seguir” (termo usado pelos twitteiros). E o mais legal é que pode ser atualizado de qualquer lugar e acessado via celulares e smartphones. O Twitter hoje é muito procurado por ser um serviço prático para publicar e receber mensagens de pessoas que fazem parte de uma mesma rede de contatos. Possibilita, assim, a postagem de mensagens, também chamadas de tweets, como: novidades, notícias, links interessantes, links de conteúdos multimídias, coisas do cotidiano, acontecimentos, localização, conversas, qualquer coisa que venha à cabeça. Isso é o que desperta a curiosidade em usar e abusar desta ferramenta, pois é de uso pessoal e sem moderações, um meio de comunicação com inúmeras pessoas de diversos lugares. O melhor é que não tem limite de “following/seguidores”, mas possui um limite de 140 caracteres, que é o suficiente, comparando-se a uma

MÁRCIO OLIVEIRA/ RRPP

“ Uso meu twitter para atingir os alunos de forma rápida e eficaz. ” (Vanessa Purper)

mensagem de celular. Ser objetivo, é o objetivo do twitter.

Como participar Nunca um “@” foi tão usado. Escrever uma mensagem diretamente a alguém é como escrever um e-mail: é necessário usar o “@” seguido do endereço do destinatário, criado pelo usuário (utilizado para enviar e receber mensagens). E a quantidade de RTs inesperados, conhecido pelos twitteiros por retweets, não é nada mais do que uma repetição de um tweet/post/ mensagem já públicado, uma informação compartilhada a mais “seguidores”. Uma das curiosidades do Twiitter são as imagens usadas como identidade visual. O cantar entrecortado dos pássaros caracterizado por sons curtos, agitados e agudos, em inglês, é que dá significado ao nome “twitter”. Não é à toa que o simbolo principal é o pássaro. Já a imagem da baleia carregada por pássaros, representa uma sobrecarga em solicitações ao servidor, e a coruja, aparece em páginas suspensas/bloqueadas por spammers, como se fosse uma mensagem de “estamos de olho”. Depois de voar nas asas do Twitter, difícil querer pousar. Vanessa Purper, professora da Famecos, diz usar seu Twitter para atingir os alunos de forma rápida e eficaz. Para ela, o uso dessa ferramenta agrega informações importantes com rapidez e agilidade. “Proporciona uma multiplicidade de informações”, destaca a professora.

MÁRCIO OLIVEIRA PÂMELA STODUTO

∆∆ Vanessa Ourique Purper é professora da Faculdade de Comunicação Social da PUCRS, formada em Relações Públicas pela Famecos (2001/2), com atuação durante seis anos no mercado internacional de RRPP, voltado ao terceiro setor. Neste tempo, cinco anos foram dedicados em experiências na África do Sul. Atualmente leciona algumas disciplinas do curso de RRPP e é co-coordenadora do Núcleo de Eventos do Espaço Experiência da Famecos. (Damiela Jalmusny)

“Anos atrás víamos sempre o desenho dos Jackson’s que sempre se mostravam vivendo no futuro, hoje aquele futuro é o presente”, comentou Marcelo Tas.

Inovar na era digital Marcelo Tas, que atualmente apresenta o Programa CQC nas noites de segundafeira na Band, esteve dia 6 de maio na FIERGS para falar sobre Inovação: A Criatividade na era Digital. De uma maneira bem descontraída e agradável, o dinâmico Marcelo quebrou o gelo e abordou o tema sem a formalidade das palestras tradicionais. As informações hoje circulam muito, correm o mundo em questão de minutos. E por estar falando em criatividade na era digital, Marcelo cita Alec H. Reeves que revolucionou a comunicação visualizando as ondas elétricas, onde a informação começa a chegar a todos os lugares, pela informação circular. Depois traz Arthur C. Clarke que criou os satélites, trazendo então dois nerds, que inovaram a área

digital. Logo, usou de exemplo, os celulares, chamados de “tijolão” e também o aparelho “startac” que, na sua época de lançamento, revelavam status para a sociedade. Marcelo Tas apresentou três virtudes da era digital: 1) Colaboração. Exemplo: a Wikipédia; 2) Transparência. Exemplo: o Twitter; 3) Ouvir. Exemplo: o manual do Twitter, o prefácio foi elaborado com contribuição de twitteiros. Ele conclui com a última dica: “Neste mundo que se transforma tão rapidamente, caso você não consiga acompanhar, observe o comportamento das crianças. Elas são fortes consumidores”. THAMIRA MENDINA, MAYARA ALOY, PAMELA STODUTO, LARISSA GENEHR, CAMILA PIAN E MÁRCIO OLIVEIRA


INTERCÂMBIO

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PRODUÇÃO ESPAÇO EXPERIÊNCIA

VIVA

∆∆ Intercambistas da África juntamente com alunas da PUCRS, Virginia, Caroline, Iabna, Paula, Deoclidiana , Ussumane e Rebeca

ESTE MUNDO, PUCRS • A cada semestre, a Famecos recebe estudantes provenientes de diversos países. Eles buscam encontrar um ambiente receptivo para proporcionar novas oportunidades, complementação de conhecimentos técnicos, assim como expansão cultural. Os estudantes estrangeiros que procuram qualificar sua formação, encontram no intercâmbio possibilidade para isso. É através dele que muitos alunos interagem com o mundo em experiências acadêmicas e profissionais. Além de adquirir conhecimentos linguísticos e formação, os intercambistas somam às suas culturas, muitas outras. Diversos países possuem universidades com parcerias firmadas com a PUCRS. São estes: Alemanha, Argentina, Canadá, Chile, China, Coréia do Sul, Espanha, EUA, França, Israel, Itália, México, Noruega, Japão, Portugal, Uruguai, Áustria, Dinamarca, Finlândia, Suécia e vários países da África. Através desse vínculo, há uma facilidade de locomoção e interação dos estudantes entre as universidades. A Assessoria para Assuntos Internacionais e Interinstitucionais é um órgão vinculado à Reitoria da PUCRS e tem como principal objetivo articular estes contatos com as instituições. A Famecos recebeu no segundo semestre de 2009 até o início deste ano 12 estudantes intercambistas, provenientes de Guiné-Bissau, Cabo Verde, Japão e França. Três intercambistas africanos de Relações Públicas relataram suas experiências aqui no Sul à revista e site RRPP Atualidades. Iabna Faga, 20 anos, diz que sempre sonhou em conhecer culturas diferentes e luga-

formada, ela pretende voltar para casa. “Tenho um compromisso com o meu país como cidadã, trabalhar lá é uma honra e ajudar no seu desenvolvimento também”, enfatiza a estudante. Ao contrário de sua amiga Deoclidiana, Ussumane Djaló, 20 anos, pretende ficar por aqui a vida toda, tentar uma oportunidade de mestrado e constituir uma família. “As maiores dificuldades que eu encontrei aqui no Brasil é que os costumes de Guiné-Bissau são diferentes, cultura diferente, alguns povos do Rio Grande do Sul são fechados, e também porque fiquei um mês e meio sem fazer o TRI e gastei todo o meu dinheiro pra pegar ônibus pra vir à faculdade”, lamentou o africano. Por trás de cada um desses relatos sabe-se que existe uma história de vida. Deixar seu país de origem, familiares, raízes culturais e ir para outro lugar não é tarefa fácil para ninguém. Sabendo disso é que a Famecos tem o prazer de acolher em seu ambiente acadêmico todos estes alunos.

res que aprimorassem seu conhecimento. “Eu escolhi o Brasil porque é o país que mais coopera diplomaticamente com Guiné-Bissau”, conta. Ele prestou vestibular na embaixada brasileira e foi enviado à PUCRS. Reconheceu o prestígio da Universidade no Brasil e ao ingressar não se arrependeu. “Fui recebido trilegal pelos alunos CAROLINE TRAMONTINA e professores da Unidade”, disse Faga, que pelo PAULA PASSOS visto já está se aculturando. REBECA MATIUZZI Deoclidiana Cassamá, de 19 anos, confessa que não escolheu o Rio Grande do Sul e nem a PUCRS porque nem sabia que existia um estado com esse nome nem essa instituição. “Mas quando fui selecionada para estudar aqui, nossa, comecei a imaginar como será que é a cidade e o que eu vou fazer lá? Depois que cheguei aqui, queria mudar para o Nordeste. Após um semestre decidi ficar porque é muito legal a maneira como a PRAC trata a gente”, relata a intercambista também de Guiné-Bissau. Cassamá afirma que uma de suas maiores dificuldades foi enfrentar o frio do inverno gaúcho. Depois de ∆∆ Intercambistas da França, Lea, Jean, Alison


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INTERCÂMBIO

VIAGEM AO

CONHECIMENTO • Os estudos pelo mundo enriquecem o currículo e ampliam possibilidades para estágios e empregos

ACERVO PESSOAL

ticas das escolas e dos O mercado de tracursos oferecidos. balho se encontra em A estudante Viviaum momento de dispune Lutz Bueno, gradutas acirradas por uma ada em Engenharia de vaga, apenas os concorMateriais pela UFRrentes mais qualificados GS, foi selecionada se destacam e é necespelo professor Carlos sário buscar meios de Bergmann (Laboratóse diferenciar da grande rio de Cerâmicos - LAmassa. Frente a esse CER/UFRGS) para o panorama, uma opção programa com bolsacada vez mais procuraauxílio em passagens da pelos estudantes são aéreas, moradia e saos programas que prolário mensal para esporcionam experiências tudos na Suíça. Ela foi no exterior. Nesse queescolhida pelo mérito sito, existe um variado acadêmico, baseandoleque de possibilidades, ∆∆ Daniela Carrion na Australian College of English se, principalmente, como mobilidade acatrangeiros. No caso de instituições no currículo escolar e dêmica, estágio, dupla diplomação, mestrado, doutorado, pagas, o normal é que o aluno siga na carta de motivação. “A recepção entre outros. O programa mais quitando as mensalidades em sua no país estrangeiro foi muito boa, procurado entre jovens que cursam universidade de origem, ficando pois éramos estudantes vindos de sua primeira graduação é o de mo- isento da taxa universitária do país diferentes lugares do mundo com bilidade acadêmica, oferecido por visitado. Enquanto estiver no exte- o mesmo objetivo. Durou um ano”, rior, o aluno é responsável por suas contou Viviane. Apesar dos pondiversas universidades. A mobilidade acadêmica acon- despesas extras como hospedagem tos negativos como a distância dos tece através de um convênio feito e alimentação, salvo em casos raros amigos e da família, a gaúcha enuentre universidades nacionais com onde universidades públicas ofe- mera os pontos positivos: o crescioutras do exterior e o processo é recem bolsas para despesas extra- mento pessoal, a oportunidade de conhecer diferentes culturas, viajar semelhante em praticamente to- acadêmicas. para outros países e aprender uma das as instituições de ensino que nova língua. o oferecem. O que ocorre é como Malas prontas No entanto, em muitos casos, uma troca, a universidade manda Escolhido o destino, é impresestudantes para o exterior por um cindível, para qualquer viagem de os estudantes procuram algo além período de seis meses a um ano e, estudos, saber pelo menos o básico da experiência profissional, que ao mesmo tempo, recebe alunos es- do idioma local, analisar o custo- acrescente à sua formação pessoal. benefício, o clima e ter informa- Muitas vezes é a primeira vez que ções sobre o visto. O essencial é os jovens se veem realmente indejá embarcar com todas as dúvi- pendentes, sozinhos em um lugar das respondidas e a viagem pla- ao qual não estão familiarizados. nejada. Empresas de turismo, Todos esses fatores propiciam o como a Real Intercâmbio, dis- amadurecimento do jovem para ponibilizam em sua home page a a vida adulta. É o exemplo de Daescolha de cada detalhe do curso niela Carrion Venturini, estudante no exterior, esclarece dúvidas e de Relações Públicas da Famecos/ compara cursos em escolas de PUCRS. “Nunca passei dificuldade diversos países do mundo, além alguma na minha vida, então pra ∆∆ Viviane Lutz fez estágio na Suíça de analisar preços e caracterís- mim foi outro aprendizado. Ter que

MOBILIDADE ACADÊMICA PUCRS O Programa de Mobilidade Acadêmica da PUCRS é oferecido exclusivamente para seus alunos de Graduação. Quem pode participar: •Ter cursado pelo menos 25% de seu curso; •Ter Idade mínima de 18 (dezoito) anos; •Apresentar Coeficiente de Rendimento igual ou superior a 5.0; O PMA terá a duração máxima de dois semestres letivos (consecutivos ou não). Verifique junto ao Núcleo de Mobilidade Acadêmica se as inscrições estão abertas para a Universidade desejada no semestre de seu interesse. Países parceiros: ITÁLIA, PORTUGAL, SUÉCIA, ÁUSTRIA, DINAMARCA, ESPANHA, FINLÂNDIA, FRANÇA e ALEMANHA

estar sozinha é uma coisa que as pessoas acham que conseguem mas no fundo não. Um encontro entre o ‘mim’ e o ‘eu mesmo’. Aprendi a ser mais auto-suficiente, não financeiramente, mas mental e psicologicamente”, enfatiza. O convívio com outra cultura também é de grande valia na formação de adultos melhores, mais conscientes e tolerantes quanto às diferenças entre cada individuo. Segundo Daniela Venturini, que fez intercâmbio para Sydney, Austrália, “o melhor aprendizado foi conviver com o diferente, aprender a respeitar, compreender”. Manoela Canova, estudante de Engenharia Química/UFRGS e intercambista que retornou da França em 2009 (com o objetivo de dupla diplomação), reforça a visão de Daniela ao afirmar que “conhecer e se integrar a uma nova cultura e ter a oportunidade de conhecer novos lugares pelo mundo, é, com certeza, muito enriquecedor”.


FUTEBOL

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FOTOS ACERVOS PESSOAIS

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FOTO DIVULGAÇÃO

MARKETING PROMOCIONAL

∆∆ Manoela Canova em Paris É consenso entre os estudantes intercambistas que a experiência de estudar no exterior se torna valiosa, tanto no sentido profissional quanto no pessoal – um investimento que será útil a vida inteira. Daniela Venturini comenta que é uma viagem cara, mas afirma que a relação custo-benefício compensa. “Aprendi em quatro meses a falar inglês fluente, sendo que em três anos de curso de inglês mal aprendi o básico”, no entanto, é necessário um bom planejamento para que não ocorram imprevistos. Por se estar em um país estrangeiro, em meio a uma cultura desconhecida, podem surgir grandes problemas. É importante ter conhecimento básico sobre os hábitos e crenças da população, bom preparo financeiro e psicológico, saber o que fazer em caso de emergência e se informar sobre seguros de viagem, entre outros. Por conseguinte, é necessário estar sempre prevenido, com toda informação possível buscada em fontes confiáveis. Se o estudante se certificar que todos esses fatores estão corretos, basta fazer as malas e aproveitar a viagem com tudo o que ela tem a oferecer, e com certeza será uma experiência inesquecível e maravilhosa. Além de tudo, segundo Manoela, “oferece muitas possibilidades, tendo em vista os possíveis estágios e oportunidades de emprego que podem surgir tanto no País escolhido, quanto em empresas multinacionais que reconheçam um currículo diferenciado com uma experiência no exterior”. CAROLINA ETCHICHURY, DANIELA JALMUSNY, HELOÍSA SCHWANKE E SAMYRA CHANAN

∆∆ Gigantinho transformado para o evento do centenário do Inter

Quatro meses de intensos trabalhos para preparar o cenário

As empresas hoje em dia conseguem ver os eventos empresariais como uma grande ferramenta do marketing promocional. Além de estimular, motivar, incentivar equipes internas e distribuidores, são focadas nos públicos em que o cliente quer atingir. Reconhecer, premiar o esforço, a superação, a performance destacada. É isto que significa marketing de relacionamento. Construir uma base sólida capaz de sustentar os relacionamentos com os clientes, integrando todos os públicos com a marca. É uma estratégia de negócio empregando várias ferramentas para desenvolver relacionamentos pró-ativos significativos entre a organização e seus clientes. Um dos maiores eventos empresariais

Paixão e frenesi • Não importa se perto ou longe, sempre tem alguém a segui-los. Independentemente se o clube é grande ou pequeno, do interior ou da capital, um grupo de aficionados faz o possível e o impossível, move mundos e fundos para acompanhar e demonstrar o amor pelo seu clube do coração. Inúmeras histórias inusitadas já aconteceram e acontecem por todos os cantos do mundo e, às vezes, a paixão por um

que já aconteceu em Porto Alegre, foi o Jantar do Centenário do Sport Club Internacional, realizado pela Marprom Marketing e Promoções. Foram necessários mais de 4 meses intensos de trabalho, 3.500 fornecedores diretos e indiretos envolvidos no processo, 3.200 pessoas presentes no evento, mais de 1.500 staffs no dia do evento, 1.500 garrafas de espumantes, 46,5 mil litros de água, 7.750 kg de comida, 2.000 m de lycra, 1.050 quilowatts de energia elétrica, 2.000 veículos. Todos esses números geraram emissão de CO2 e foram neutralizados em uma ação através do plantio de 320 árvores.

clube leva os torcedores a cometerem atitudes impensadas que acabam gerando momentos de tensão e de grande violência nas cidades, alguns de forma organizada, confundindo futebol com criminalidade. Bruno Dornelles, 25 anos, membro da Geral do Grêmio, acredita que a violência no futebol tornou-se algo comum porque a criminalidade das ruas acabou chegando às arquibancadas. “Torcidas brigam para defenderem as cores do seu clube e o seu território e também por ódio do rival”, observa. Ele já fez de tudo para acompanhar seu time de coração. “Já faltei dia das mães e dos pais, aniversários de amigos e familiares, perdi provas e trabalhos, quase fui demitido várias vezes em diversos empregos, já fui quase sem dinheiro

RENATA KELLER pra outros países e acabei passando necessidades como fome e frio. Mas faria isso tudo de novo quantas vezes fosse necessário”, admite Bruno. O futebol mudou bastante, na maneira de jogar e de administrar um clube. Esse esporte passou de um simples lazer para algo muito mais sério e também um meio onde circula muito dinheiro, é nada mais do que um negócio. Empresários e políticos estão tomando conta do futebol, porém, ainda o que move este esporte é a paixão das massas. “Dizem que futebol é uma questão de vida ou morte, Eu discordo... Para mim futebol é muito mais do que isso.” (Bill Shankly, extécnico do Liverpool).

AUGUSTO ALMEIDA EDUARDO CAVALLI


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MEMÓRIA

Eu marchei rumo à vida

FOTOS GABRIELA MOSCOVICH/ RRPP

• No dia 7 de abril, embarquei para uma experiência inesquecível, a Marcha da Vida. É um programa onde milhares de judeus do mundo inteiro viajam à Polônia e lá ficam por uma semana, visitando vários locais pertencentes a um dos períodos mais cruéis da História: o Holocausto. O Holocausto ocorreu durante a Segunda Guerra Mundial, entre os anos de 1939 a 1945. Foi imposto pelo presidente alemão Adolf Hitler com um único propósito: eliminar todos os “indesejáveis” da face da terra. Entre esse grupo de indesejáveis, estava o povo judeu. Mas por que a Polônia, e não a Alemanha? O motivo é bem simples. É claro que Hitler queria a extinção de todos os judeus da Europa, mas se concentrou primeiro em seu país. Mesmo tendo vários campos de concentração na Alemanha, muitas pessoas foram enviadas para outros países, para “purificar” o solo alemão. Na Polônia, havia o maior número de comunidades judaicas e o nazismo a transformou no principal pólo de campos de concentração, onde ocorreram mais mortes. Foi uma viagem, no mínimo, marcante. Desde o primeiro dia, já fui inserida ao mundo sombrio desse genocídio, visitando o cemitério judaico de Varsóvia, onde há mais de 50 mil túmulos – o seu tamanho é incalculável. E posso dizer que isso foi o mais leve. Visitei alguns vilarejos onde as comunidades judaicas viviam antes da Guerra, e de onde foram retiradas de um dia para o outro. Ver tudo aquilo praticamente vazio (com apenas os moradores que vivem lá hoje em dia)

e saber que um dia tinha uma vida agitada por lá, desperta um sentimento de perda, como se nos tivessem arrancado algo. Fiquei impressionada no dia em que fui conhecer o famoso Gueto de Varsóvia, construído na capital polonesa. Ele reunia toda a comunidade judaica da cidade (que era enorme) em um espaço que não ocupava nem um terço dela. A vida era miserável. Imagine só, pessoas que um dia tinham exercido profissões de respeito, agora ficavam morando entre muros e passavam fome e frio, sem o direito de sair. O guia contava histórias da vida no local, uma delas falava de uma mãe que dormia sempre com um olho aberto, para conseguir enxergar caso algum dos filhos roubasse um pouco da comida durante a noite. E há várias paredes de pé. Um dos pedaços do muro, inclusive. Há paredes com marcas de bala, prédios com as janelas destruídas. Mas o mais surpreendente é que eu caminhava por diversas ruas normais, com prédios comuns e gente morando neles, sem saber que, na realidade, tudo aquilo fazia parte do Gueto. Mas o pior de tudo foi ir aos campos de extermínio. Visitei cinco no total. Em três deles, havia apenas monumentos em homenagem aos ali assassinados, pois os nazistas destruíram tudo para não haver vestígios. E em cada campo o sistema de matança era o mesmo: trens chegavam de todas as partes da Europa com vários passageiros nos pequenos vagões, e logo eles eram encaminhados para a Seleção, onde as pessoas eram separadas por sexo e idade e “escolhidos” – ou se era selecionado para trabalhar por um tempo, ou se era selecionado para a morte direta. Então, fui para Auschwitz. Esse é o lugar onde foi morto o maior número de pessoas do Holocausto inteiro. Lá, foram assassinados cerca de um milhão e meio

de indivíduos, em menos de cinco anos de funcionamento. Eu sempre pensei que fosse apenas um só campo, bem grande. Mas assim que cheguei lá, informaram que era um complexo com mais de 40 campos – três deles principais e outros trinta e nove auxiliares. O “passeio” pelo campo começou em Auschvitz I (o primeiro a ser construído, e que era o centro administrativo de todo o complexo), onde fica o “museu”. Foi então que aconteceu, realmente, o meu primeiro encontro face a face com o genocídio. As marcas da tragédia são expostas em diversas salas, montadas dentro dos barracões onde a “vida” acontecia. Em um dos prédios, os corredores estavam repletos de fotos de prisioneiros, todos padronizados: de cabeça raspada e roupa listrada, com um olhar melancólico. Parecia que eles estavam me encarando. Em uma sala enorme contém um espaço com os cabelos das vítimas, uma pilha gigante que ia de parede a parede, do teto ao chão. Em outro salão estão empilhados os sapatos de quem passou pelo campo. Há um outro lugar onde há um a pilha de cinzas dos mortos. E há, em uma das salas, as roupas e os brinquedos das crianças enviadas ao campo. O choque maior ocorreu logo que saí da “exposição”, e entrei em uma das câmaras de gás. Foi com esse sistema que a maioria das vítimas foi assassinada. As pessoas entravam - nuas - nas câmaras, pensando que iam tomar um banho. Mas ninguém saía daquela ducha vivo. Em cerca de vinte minutos, aproximadamente cinco mil indivíduos eram mortos por vez, por causa do gás utilizado, o Zyclon B. Após, todos os corpos eram queimados nos crematórios, colados nas câmaras. Em um momento do dia em que se visita Auschwitz, ocorre a Marcha de Vida. É quando todos os 10 mil integrantes desse programa

se reúnem para marchar de Auschwitz I para Auschwitz-Birkenau (o segundo campo a ser construído, esse sendo utilizado exclusivamente para o extermínio). A caminhada tem três quilômetros, e o mais curioso é que esse caminho era chamado de “Caminho da Morte”, pois era por onde se ia para a morte certa. E isso despertou algo difícil de descrever em mim. Ver tanta gente caminhando em conjunto, cheios de vida, como se tivessem todos um objetivo em comum. Era uma homenagem aos mortos, como se estivéssemos dizendo a eles que estávamos ali por eles, que a sua memória estava guardada. Foi emocionante. Voltei de lá mudada, e com uma missão: não deixar essa história morrer.

GABRIELA MOSCOVICH


TENDÊNCIA

RRPPAtualidades/JULHO 2010 FOTO DIVULGAÇÃO

A NOVA ERA 3D

∆∆ Neytiri, personagem principal do filme Avatar, de James Cameron, em uma cena com a tecnologia 3D

• A tecnologia que dá um tom mais real à ficção do cinema A tecnologia 3D chegou para revolucionar o mundo do cinema, com suas novas imagens que fazem você viver cada momento como se fosse real. A inovação faz com que o público faça parte da história. Ao chegar à sala de cinema, o telespectador recebe óculos para assistir ao filme. Estes óculos são modificados e causam a impressão de profundidade, do contorno de objetos e pessoas e proporcionam cores mais reais às imagens. Isso dá mais vitalidade ao que se está presenciando. “O grande aumento da produção de filmes pirateados, antes mesmo de estrear nos cinemas, fez a indústria recorrer a novas tecnologias”, observa João Guilherme Barone, professor de Cinema da PUCRS. O cinema 3D representa um método de continuar trazendo público às salas e o lucro às grandes produções. “Até os donos de cinemas têm preferido filmes com essa tecnologia inovadora, pois a apresentação das películas tornam as salas mais rentáveis”, detecta o professor.

A estereoscopia O que poucos sabem é que o 3D não existe. Este efeito é causado por um defeito de percepção, o qual o cérebro é enganado devido ao uso do acessório. O nome deste efeito natural é estereoscopia. A imagem que é vista pelo olho direito, não é exatamente igual a que o olho esquerdo percebe. A fusão entre as

distintas imagens gera a ilusão de profundidade, distância, posição e tamanho dos objetos. O resultado deste fenômeno é o que chamamos de tridimensional. Alguns oftalmologistas dizem que a nova tecnologia pode ser prejudicial e causar alguns sintomas, tais como dor de cabeça, náuseas e tonturas. A maior ousadia até o momento - em termos de novas tecnologias – é o filme Avatar (2009). O roteiro ficou guardado durante 14 anos até ter sido concluído, pois na época não havia tecnologia capaz criar os efeitos que o autor desejava. Para que o filme fosse posto em prática, seu idealizador – James Cameron – precisou recorrer a novos métodos de realizar o desafio de constituir o mundo dos Na’Vi (humanóides que protagonizam o filme, criados pelo diretor). Câmeras especiais foram criadas para que as filmagens pudessem ser realizadas conforme a idealização do diretor. Tendo como diferença os novos métodos de interpretação, os quais se tornaram determinantes para a atuação de experientes atores, e um árduo trabalho de técnicos em sistemas tridimensionais, uma nova maneira de fazer filme foi imposta pela equipe de Avatar. Para a opinião pública, o filme representou um marco para a – nem tão nova – tecnologia 3D. Os cinemas tiveram um grande público em suas salas e a película conseguiu conquistar o recorde de maior bilheteria da história dos cinemas

(mais de US$ 2 bilhões). Mesmo que não gostassem do enredo, a beleza das imagens contagiou o público que foi aos cinemas. Até aqueles que não possuíam salas capacitadas procuraram se adaptar para o filme que entraria na história. O sucesso poderia ser maior. Os críticos do cinema – a Academia do Oscar – não reconheceram seu sucesso. O filme conquistou três das nove indicações ao Oscar, apenas em categorias técnicas, tais como efeitos visuais, fotografia e direção de arte. Isso comprovou que a tecnologia ainda não conseguiu superar os roteiros tradicionais. A grande inovação não se restringe apenas às telonas, mas também poderá ser apreciada (em breve) no conforto do lar. Grandes marcas de televisores, videogames e computadores irão se adaptar. Já existem alguns modelos, mas são apenas protótipos em experiência para saber a reação do públicoalvo e da opinião pública. Uma das maiores emissoras de televisão do Brasil já está estudando um novo método de realizar programas e novelas em tecnologia tridimensional. Barone mencionou que não é uma tecnologia nova, contudo ela está sendo, atualmente, mais trabalhada. Devemos ficar à espera do que esta nova tecnologia promete revolucionar, tanto no cinema quanto nas nossas residências.

MAYRA MEGGENTI CAROLINA BOLZAN

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O Hoax e a Gestão de Crises A sociedade contemporânea optou por uma vida impessoal: a internet. Através desse meio, as pessoas fazem tudo em seu diaa-dia: vão a bancos, compram, se relacionam, enfim, têm suas vidas pautadas pela rede virtual, portanto, algo que já é comum para todos é o Hoax. Já identificou o que é? São aquelas correntes que você recebe diariamente por e-mail. Os assuntos são os mais variados: desde o caso policial até a criancinha doente que precisa de assinaturas para se tratar. Todos esses pretextos existem para lhe enganar, e são meticulosamente montados, para que você acredite e passe adiante. Na esfera das Relações Públicas, o Hoax surge como o estopim de muitas crises de imagem. Segundo a professora universitária Glafira Furtado, o Hoax equivale aos boatos de antigamente. “Poderíamos dizer que boatos constituem a Opinião Pública não-institucionalizada”, explica a professora. “Um boato, quando é repetido muitas vezes, se torna uma verdade irrefutável para a Opinião Pública, e pode gerar uma grande crise de imagem”, alerta Glafira. Para combater os boatos, as companhias procuram esclarecêlos em seus sites. Alguns gerados por Hoax ficaram famosos e exigiu muito trabalho das empresas para desfazê-los.

FERNANDA MORANDI RAFAELA PINTO RODRIGO BASEGGIO

VERDADE? HAMBURGER de minhoca COBRAS na piscina de bolinhas levam criança à óbito MENTHOS e Coca-Cola quando são ingeridos juntos causam explosão GUARANÁ Kuat tem ingrediente cancerígeno INFECÇÃO mortal é causada por absorventes internos


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RESPONSABILIDADE MARIANA MUNIZ

Sustentabilidade: já aderiu?

• Você está fazendo sua parte? Empresas gaúchas como a Gerdau já assumiram A humanidade vem sentindo cada vez mais os efeitos causados pelo uso indevido dos recursos naturais. Diante deste quadro, é possível observar a crescente preocupação das organizações. É nesse momento que aparece o termo sustentabilidade, que nada mais é do que um equilíbrio entre desenvolvimento econômico, social e ambiental. O marco deste tema, no Brasil, deu-se com a realização do encontro internacional da Agenda 21, no Rio de Janeiro, em junho de 1992, que reuniu entidades voltadas ao meio ambiente e representantes dos principais países do mundo. Com o lema “Pensar globalmente e agir localmente”, a Agenda 21 consiste em um plano de ação mundial para orientar a transformação desenvolvimentista, tendo como pilares os princípios de ética, justiça, participação, democracia e satisfação de necessidades. A preocupação com o futuro da humanidade e seus recursos está obrigando as empresas a agir de acordo com os princípios da transparência, sustentabilidade e mestiçagem (NASSAR, 2006). Aquelas que não se adaptam a

essas condições tendem a sofrer as conseqüências perante a Opinião Pública. É por isso que muitas organizações estão adotando programas desse tipo em sua gestão. ‘’Quando uma empresa trabalha com as suas operações ligadas ao tema da responsabilidade social, ela fortalece relacionamentos éticos e parcerias estratégicas, agrega valor à marca, tem impactos positivos na imagem da empresa, e provoca o orgulho e a satisfação de seus colaboradores’’ observa Ana Paula Mohr, relações-públicas da empresa Gerdau na área de responsabilidade social. Como exemplo de empresa preocupada com esse tema, a Gerdau criou o Instituto Gerdau, o qual direciona o tema responsabilidade social nas empresas do grupo. Sua missão é ‘’propor políticas e diretrizes de responsabialidade social para a Gerdau e promover ações sociais empreendedoras, que contribuam de forma eficaz para a melhoria da qualidade de vida, objetivando o desenvolvimento sustentável’’, sustenta Ana Paula. São empresas como a Gerdau que dão credibilidade para a construção de um futuro

sustentável. Com isso, outras empresas devem aderir a este pensamento, dando assim garantia de que essa idéia não será facultativa, mas, obrigatória. Esta postura, então, não deverá ser vista apenas como propaganda institucional, mas como ideologia de trabalho. E você, vai aderir?

JOANA OLIVEIRA MARIANA MUNIZ VICTORIA BALDO

Empresas que não se adaptam tendem a sofrer as conseqüências perante a Opinião Pública.

SAIBA MAIS: Atividades do Instituto Gerdau (IG): • Garantir as melhores práticas de Responsabilidade Social Empresarial no GBS de todos os processos. • Contribuir para a consolidação e disseminação da Cultura Empresarial Gerdau, através da Responsabilidade Social. • Garantir a implantação dos Comitês do Instituto Gerdau e do Programa. • Voluntário Gerdau em todas as Operações de Negócio. • Contribuir para a consolidação e disseminação global da imagem e da marca Gerdau. • Garantir o alinhamento das iniciativas do Instituto Gerdau à estratégia e à situação do negócio.

Mãos Unidas promove brechó social A Organização Não Governamental Mãos Unidas, da casa lar Mãos Unidas, que presta assistência a mulheres moradoras de rua de Porto Alegre, realiza mensalmente o seu tradicional brechó beneficente, com o objetivo de angariar recursos. Ocorre sempre no 1° domingo após o dia 05, exceto nos meses de maio e de agosto, devido ao Dia das Mães e ao Dia dos Pais. No evento, realizam a venda peças de sapatos, acessórios e roupas masculinas, femininas e infantis, com preços que variam de R$1,00 a R$3,00. Devido aos poucos recursos, os diretores da ONG estarão recebendo doações de seus visitantes que quiserem contribuir para a atividade de maior fonte de recursos para a instituição. Além dos objetos de uso pessoal, a organização aceita doações de eletrodomésticos, móveis, utensílios domésticos e louças, pois querem estruturar uma cozinha para voltar a fazer o famoso Sopão e distribuir para os moradores de rua. A colaboração através dos donativos é uma forma de ajudar, mesmo à distância, pessoas em situações sócio-econômicas desfavorecidas. O objetivo da ONG é colaborar na reinserção social de moradores de rua da cidade de Porto Alegre, seja no acolhimento institucional, na reaproximação com a família, no encaminhamento ao mercado de trabalho, no resgate de sua auto-estima, no auxílio na área da saúde, na condução a emergências hospitalares e exames médicos. O grupo de alunos da disciplina de Projeto Experimental Comunitário, do Curso de Relações Públicas da PUCRS, fizeram um projeto de comunicação para a ong. Mais informações: www. maosunidas.org.br

GRAZIELA FREITAS GOMES


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ESPECIAL • Museu de Comunicação Hipólito José da Costa

O TEMPO PRESERVADO

∆∆ Ramas de ferro para montagem das páginas FOTOS JULIA WILHELM

Criado em 1974, o Museu de Comunicação Hipólito José da Costa está voltado para conservação, pesquisa e divulgação da história da Comunicação Social. Promove atividades culturais para que estudantes, pesquisadores, profissionais da comunicação e a sociedade possam vivenciar a trajetória da imprensa, televisão, rádio, publicidade e propaganda, fotografia e cinema. Localizado no Centro Histórico de Porto Alegre, o Museu viabiliza a preservação da memória cultural dos acontecimentos do Rio Grande do Sul, oferecendo um acervo inestimável relacionado ao patrimônio da comunicação, além de cursos, palestras, seminários, mostras temáticas e eventos. Às vésperas de completar 35 anos, o memorial entrou em reforma. A intervenção pretende apagar as marcas da ação do tempo e conta com o Programa Monumenta, projeto de recuperação do patrimônio cultural urbano brasileiro, realizado em parceria com o Ministério da Cultura e Banco Interamericano de Desenvolvimento. JULIA GEBHARDT WILHELM MÁRCIO DA SILVA OLIVEIRA TELMA SILVINO LAMBERT THAMIRA SANTANA MENDINA

∆∆ Uma antiga impressora plana

∆∆ O Museu de Comunicação fica na Rua dos Andradas 959, Centro Histórico de Porto Alegre


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ESPECIAL

O Museu recupera espaços FOTOS JULIA WILHELM

∆∆ Linotipo: antiga máquina de compor os textos em barras de chumbo

Viva o Centro valoriza prédios históricos Com o objetivo de estimular a área central, o Centro de Porto Alegre é abraçado por um projeto da Secretaria de Planejamento Municipal. O Viva o Centro, além de atrair visitantes, preocupa-se com a paisagem, a recuperação de prédios e áreas públicas, o transporte coletivo e individual, a segurança, a moradia e o comércio informal. O Museu Hipólito José da Costa é uma das atrações culturais atendidas pelo projeto.

O Museu de Comunicação Hipólito José da Costa, entre os anos 1922 a 1937, foi sede do jornal “A Federação”. O diário tinha o objetivo de divulgar os ideais republicanos do Partido Republicano Rio-Grandense (PRR). Em 1974, a instituição foi transformada em Museu. Em 2010, passa por mudanças e disponibiliza para pesquisas cerca de oito mil exemplares de revistas e jornais, com temas relacionados a todos os setores da comunicação. As mudanças começaram pelo subsolo, passando pelo mezanino, hall e salas de acervo, ganhando novas cores, equipamentos, renovando a estrutura antiga e sua identidade. A vice-diretora Maria Esther Saldanha do Museu e a Secretaria Estadual da Cultura solicitam mais investimentos de voluntários para tornar o edifício acessível aos portadores de necessidades especiais. Futuramente, é pretendido obter recursos para climatizar o local e trocar os elevadores. A agência de Publicidade e Propaganda, SLM Ogilvy, responsável pela renovação da identidade do museu, liderou uma intensa

mobilização de diversas empresas da área de comunicação, que contribuíram, disponibilizando profissionais, equipamentos e materiais de forma gratuita. O nome da instituição passou de “Museu de Comunicação Social” para “Museu de Comunicação”, simplificando-o. O Logotipo também foi renovado, inspirado num novo conceito desenvolvido “Você vê. Você ouve. Você lê. Você vive.”. Segundo Daniela Maciel, assistente de Mídia da agência SLM Ogilvy, a mudança de identidade é essencial para que o memorial tenha maior visibilidade entre estudantes, profissionais da comunicação e curiosos. “Com o layout simplificado, o objetivo do Museu ficou claro e mais atraente”, destacou a publicitária. Com o apoio de inúmeras entidades por trás dos projetos e campanhas, o Museu Hipólito busca ainda uma maior participação da sociedade. A visita é uma boa opção para quem procura cultura e lazer. Para conhecer a história da Comunicação, o Museu fica disponível gratuitamente para todos os públicos de terça a sexta-feira das 9h às 18h e, aos sábados, das 9h às 12h30min.

“Você vê. Você ouve. Você lê. Você vive.”

∆∆ Reforma do velho prédio do jornal A Federação, no centro da capital, começou pela fachada


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ESPECIAL

JULIA WILHELM

Os acervos em exposição Dispostas em setores específicos, as exposições do Museu de Comunicação Hipólito José da Costa se dividem por áreas da comunicação. Peças do acervo datam desde o século XIX até os dias de hoje. No setor de Rádio e Fonografia, localizado no terceiro andar do prédio, são disponibilizados documentos sonoros e gráficos e de equipamentos fonográficos, como Scripts de programas radiofônicos dos anos 40, 50, 60, gravações com registro de eventos, depoimentos e entrevistas relacionados à atividade política e cultural do país e gravações de jingles e spots veiculados ao rádio brasileiro. O setor de Vídeo e Televisão guarda a memória do material usado para a produção, transmissão e recepção de televisão. No acervo encontram-se scripts de programas televisivos, filmes em vídeo e documentários, além de acervo de equipamentos e programas da TV Piratini – Canal 5, inaugurada em 1959 e um televisor a válvula quando chegou a Porto Alegre, nos anos 60. A área de Imprensa Escrita,

jornais, revistas e cartuns publicados no Estado e também pelos principais periódicos do país fazem parte da exposição. Entre os mais de 3.000 títulos, destacam-se, entre outros títulos, o Diário de Porto Alegre (1827), primeiro jornal impresso no Rio Grande do Sul; O Noticiador (1832), primeiro órgão de imprensa do interior do Estado; O Sentinela do Sul, primeiro jornal ilustrado do Sul do país (1867); A Reforma (1869) e A Federação (1884), exemplares da fase do jornalismo político-partidário do Estado; Partenon Literário (1871), revista de grande expressão cultural na Porto Alegre do Século XIX; e a Revista do Globo, lançada em 1929, com sucesso de repercussão nacional. O principal do setor de Publicidade e Propaganda é a preservação e reconstituição da memória desta atividade no Rio Grande do Sul, além de contar com materiais nacionais e de fora do país. Impressos, folhetos de propaganda política, religiosa, cartazes, catálogos, bilhetes de loteria, calendários,

∆∆ Segundo andar do prédio, a Cronologia da Comunicação

brindes e jingles formam o acervo. O Setor de Fotografia dispõe de coleções de fotógrafos de conhecida relevância no cenário cultural, ou que atuaram na imprensa gaúcha, além de equipamentos fotográficos, em diversos exemplares datados, principalmente, entre 1890 e 1940. Na área do Cinema é preservada a memória da produção cinematografia do Estado. Neste caso o acervo é composto por documentários, cinejornais, curtas-metragens, e telejornais, datados de meados da década de 40 até a década de 80. São registros da vida cotidiana, aspectos sociais e eventos políticos. Através de um Projeto aprovado e financiado pela Fundação VITAE de São Paulo, no setor da Reserva Técnica, o Museu implantou peças para exposições tridimensionais, incluindo equipamentos da Extinta TV Piratini e da extinta CRT, disponível através de comodato. Foram adquiridos armários deslizantes de compactação de arquivos, desumidificador, computador e software para tombamento e informação das peças.

REPRODUÇÃO

Quem foi Hipólito José da Costa? Nascido em 13 de agosto de 1774, na Colônia do Sacramento, Hipólito José da Costa Pereira Furtado de Mendonça foi jornalista, maçom, diplomata brasileiro e patrono da Academia Brasileira de Letras. Hipólito se formou em Leis, Filosofia e Matemática. Além do Brasil, passou por Portugal, Estados Unidos, México, Inglaterra, Espanha, Grã-Bretanha. Teve uma grande participação na luta por idéias liberais. Em Londres, no ano de 1808, fundou o primeiro jornal brasileiro: Jornal Braziliense. Faleceu em 1823 e in memorian foi nomeado cônsul do Império do Brasil. Hoje nosso país o considera Patrono da Imprensa.


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ENTREVISTA FOTOS DIVULGAÇÃO

∆∆ Dani Lima, da TW Carangacci, participa da produção das bandas Papas da Língua, Chimarruts

Produção, amor e muita Música!!!

• Trabalhar na assessoria de bandas reconhecidas e independentes também é tarefa do relações-públicas Se o assunto é banda, a estudante de Relações Públicas Dani Lima entende do assunto, há quase dois anos ela trabalha com as Bandas Papas da Língua, Reação em Cadeia, e Chimarruts. Segundo ela “o ramo da música é encantador mais exige muita organização”. Conte um pouco de você. Estou no último semestre do curso de Relações Públicas da PUCRS. Trabalho numa produtora de bandas chamada TW Carangacci, trabalhamos com as bandas Papas da Língua, Chimarruts e Reação em Cadeia. Nas minhas horas vagas, ajudo na organização e na comunicação da banda que está começando agora em Porto Alegre, Zamba Ben, da qual realizei o lançamento do EP no teatro Tulio Piva. Qual o seu trabalho na TW produtora? Trabalho com a assessoria de comunicação da empresa, e isso inclui: comunicação interna e comunicação de cada banda que está associada à produtora. Faço todos os relacionamentos, desde o público, como fãs, até relacionamento com a imprensa. Agendo entrevistas, mando materiais da banda para que o entrevistador saiba com quem está falando e não deixo o artista constrangido, envio materiais do programa para o artista também, para que ele saiba com quem conversará. Algumas vezes (sempre que possível) acompanho a banda na entrevista agendada. Devo sempre tomar cuidado com horários, mando mensagens no dia marcado para todos os componentes da banda para lembrálos, às vezes até ligo. Me preocupo em saber como foi a entrevista e onde ela será vinculada, normal-

mente recolho o material e coloco no clipping da banda. Faço a comunicação virtual de outras mídias como site, blog, Orkut, Myspace, YouTube, Twitter etc. Mantenho sempre atualizado com as últimas informações da banda, além de elaborar o mailing. O que você aprende com o seu trabalho? Procuro aprimorar os conhecimentos, busco informações de outras áreas para entender todo o processo da empresa, sempre questiono o setor de vendas, de produção de shows e até o setor financeiro, acho importante sabermos como as coisas funcionam. A equipe que trabalha são pessoas que trabalham em família. Acredito que o maior aprendizado, que é muito forte na área de Relações Públicas, é o relacionamento com as pessoas, aprendo todo o dia a ter paciência, a cumprir prazos para não prejudicar um colega ou alguém da im-

prensa, aprendo todo o dia um pouco mais sobre trabalho em equipe, a respeitar diferenças e não julgar o próximo. Quais são suas maiores dificuldades? Talvez a falta de tempo possa ser a mais importante, às vezes saio de lá com trabalho pendente e com a agenda do outro dia lotada, mas sempre consigo cumprir. Outra dificuldade pode ser a agenda dos artistas que muitas vezes não suporta todas as mídias, mas neste caso por mais que eles e nós tenhamos vontade de atender a todos, algumas vezes isso se torna inviável. Como é o seu relacionamento com os fãs das bandas? Eu procuro sempre tratá-los muito bem e com muito respeito, parto do pressuposto que se não fossem eles, a banda não existiria. Eles me ajudam demais, tudo que preciso em termo de divulgações eles sempre me estendem a mão,

∆∆ Reação em Cadeia, outra das bandas assessoradas

inclusive muitas vezes chegam com novas idéias e criam estratégias, eles são ótimos. No dia que os Papas lançaram o novo disco em Porto Alegre, no teatro Bourbon Country, as meninas do fã clube me levaram um caixa com doces de Pelotas, aquele foi um gesto que pra elas era simples e pra mim significou muito, foi um reconhecimento muito especial por parte delas, senti que fiz diferença para as gurias em algum momento. O que você almeja para o futuro? Penso em trabalhar sozinha e construir o meu negócio para trabalhar com outros setores artísticos, como artesanatos, artes visuais, teatro, etc. Eu gostaria de auxiliar a cultura pelo menos no setor da comunicação, no que for preciso, como uma consultoria.

RENATA DYDZIAN E ALESSANDRA CAMARGO


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TRANSPARÊNCIA

Manipular imagens pode distorcer valores

Comunicação Organizacional é modernidade ARTE MAIARA BOEIRA

• A discussão do uso do Photoshop em campanhas publicitárias A Europa luta contra o uso do Photoshop em fotos de menores de idade. O Congresso Francês quer exigir um selo em imagens modificadas por ele. O Governo Brasileiro anuncia que, em fotos de pessoas para campanhas publicitárias, um aviso pode se tornar obrigatório. De quem estamos falando? Do Photoshop. Rugas, celulite, claridade, lagos, estradas, excesso de gordura, fumaça, paisagem ou cabelos. Não importa o quê, as ferramentas de modificação de imagem podem tirar ou colocar qualquer coisa, e se tornam, cada vez mais, essenciais nas formações de conceitos para campanhas publicitárias. O uso da mais famosa dessas ferramentas - o Photoshop – vem sendo discutido em vários continentes, como a Europa. Após o escândalo na campanha que envolvia a marca Olay e a modelo ícone dos anos 60, Twiggy, os europeus querem que as fotos retocadas com a ferramenta venham notificadas e que seu uso só seja permitido em ensaios com modelos maiores de idade. A deputada francesa Valorie Boyer acredita que a medida causará efeito positivo nos adolescentes que veem na realidade falsa um ideal a ser alcançado. Para o professor de fotojornalismo da Faculdade de Comunicação Social da PUCRS, Elson Sempé Pedroso, é importante que o profissional saiba utilizar a ferramenta com clareza e sem excessos, destacando também que uma “foto publicitária é conceito e imagem, não somente foto”. Os profissionais da área de Publicidade e Propaganda devem ao Photoshop, muitas vezes, sua conquista de transmitir um conceito por imagem. A ferramenta proporciona que

CARMELA PECCIN

os limites da imaginação sejam quebrados por um programa que torna qualquer figura possível. A discussão sobre alterações, porém, vai muito além de campanhas publicitárias. Às jovens que buscam ter um corpo igual à de certas modelos, fica a dica: as revistas não retratam a verdade quando o assunto é a beleza das tops. A preocupa∆∆ Aluna faz o tratamento da imagem ção em relação ao Photoshop se inicia quando dor do mundo em busca do adultos e, principalmente, as conceito de beleza ideal para adolescentes buscam manter- “mulheres reais”. Constatou se no atual padrão de beleza que apenas 6% das brasileiras imposto pela mídia e acabam se descrevem como belas e a adoecendo. Tratamentos para maioria gostaria que a mídia anorexia e bulimia tornam-se retratasse uma beleza não só cada vez mais frequentes, fa- baseada em atratividade física, zendo com que cresça a polê- mas sim, uma beleza que presmica sobre a ferramenta que, cinde da aparência. de certa forma, induziu adoNão há como discutir o lescentes a crer que precisa- uso do Photoshop sem quesvam modificar seu corpo. Ca- tionar o atual conceito de berolina de Siqueira, jornalista, leza. A distorção de imagem acredita que “a modificação de ocorre por alguma razão e acaimagens não pode ser definida ba tornando valores pessoais como certa ou errada. Ela deve em regra de massa. Embora ser plausível à realidade, im- difícil de acreditar, é possível pedindo, assim, que a mente tornar os estereótipos de beconfunda o que é real com o leza menos sufocantes, basta que é ideal ou belo”. medir a beleza de si mesmo Em 2004, a marca Dove por suas singulares qualidalançou a “Campanha pela Real des. A beleza não é, afinal, só Beleza”, tendo como modelos atrativos físicos — ela também mulheres reais e com uma be- inclui a autorrealização de leza atingível. Ultrapassando o cada pessoa, assim como sua padrão usual até então, a mar- dignidade. E pode ser gerada ca de cosméticos revolucionou pela autoestima, não o contráno sentido publicitário e legiti- rio. mou ainda mais clientes. Após a campanha, Dove seguiu com CAMILA PIAN seu propósito e entrevistou CARMELA PECCIN milhares de mulheres ao reDEISI CONTERATTO

“A inserção das novas tecnologias permite que a empresa comuniquese com seus públicos de forma mais economica e rápida.” (Monica Pon).

A comunicação organizacional deixou de ser uma das áreas mais antigas e tradicionais de Relações Públicas para se tornar uma das mais modernas ao se apropriar do desenvolvimento tecnológico para aplicá-lo na comunicação institucional e empresarial. As empresas se modernizam cada vez mais, utilizando ferramentas da web para efetuar o seu desenvolvimento na área da comunicação organizacional com base no planejamento estratégico, objetivos, e o envolvimento dos públicos de interesse. “As empresas, versões pósmodernas das fábricas, também experimentam um relacionamento com seus públicos através das novas tecnologias de comunicação. A Internet media uma boa parcela das comunicações realizadas nas empresas, tanto internamente quanto entre a instituição e seu ambiente externo”, afirma Monica Elisa Dias Pon (Unisc/RS) no texto: Novas tecnologias na comunicação empresarial. É a comunicação que proporciona espaço de interação e diálogo para a construção de relacionamentos sentidos e significados, resultando em comprometimento e participação. Na dimensão estratégica da comunicação, um dos principais públicos-alvo é o público interno, do qual depende o cumprimento da missão de qualquer organização. As organizações públicas no Brasil vêm passando por processos de modernização e assumindo tecnologias gerenciais já adotadas no setor privado.

MAIARA BOEIRA


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ESPAÇO

DEU ROCK NA RP • Assessoria que impulsiona o sucesso das bandas gaúchas

DÉBORA CORREA SZCZESNY

∆∆ Miguel DJ, Nei Van Soria e Vinícius Câmara Canto: de corpo e alma na produção e divulgação de carreiras de sucesso Em 1984, Vinicius Câmara despretensiosamente dá o pontapé inicial que incluiu o Rio Grande do Sul no roteiro dos grandes shows de rock. Iniciou trazendo Os Paralamas do Sucesso e produziu importantes bandas do Estado. Eles eram apenas três amigos que queriam agitar. O ano era 1984 e o cenário era de muito rock ‘n’ roll – menos em Porto Alegre. Bandas como Barão Vermelho, Kid Abelha, Legião Urbana, Ira!, Titãs despontavam no cenário do rock nacional. Foi então que, fugindo de um verão escaldante, os três embarcaram rumo ao Rio de Janeiro e trouxeram para tocar em solo gaúcho ninguém menos que Herbert Viana e Os Paralamas do Sucesso. O show trouxe prejuízo para os rapazes, mas valeu como aprendizado. Destacou Porto Alegre como referência musical, deu início à cena do rock gaúcho e a várias carreiras de sucesso. Hoje, com mais de 20 anos de profissão, Vinícius Câmara Canto, o Vini, um dos três agitadores, se dedica à carreira solo do cantor

Nei Van Soria (ex-TNT e ex-Cascavelletes) que atualmente possui gravadora própria, uma loja de instrumentos musicais e está lançando o DVD Nei Van Soria 40 anos – Ao Vivo no Ocidente. A história do Nei e do Vini se cruza desde 1984 com o TNT e desde então os dois constroem uma trajetória que conta com o apoio de outros profissionais independentes, como o Miguel DJ que divulga trabalhos específicos. Quando Vini começou a trabalhar com músicos, a profissão de produtor musical e assessor ainda não existia no Rio Grande do Sul, apesar de ser conhecida nacionalmente. Ele passou a exercer a atividade confiando muito no empirismo, sem as bases teóricas, “na cara e na coragem”, como ele mesmo define. Aprendeu muito com a observação dos que outros artistas estavam fazendo e no contato com as gravadoras. Ao conhecer o Zé Fortes, produtor dos Paralamas do Sucesso, percebeu que existia essa figura, esse papel, alguém que desempenhava essa função, e mais:

viu que existia uma cena local muito forte e os artistas gaúchos ainda não possuíam produtores. Bingo! É aí que o TNT, na época a banda do Nei Van Soria, entra na história. O Vini começa a atuar como produtor musical, assessorando a banda, correndo atrás do marketing e da publicidade para que o artista ficasse conhecido. Ele fazia o relacionamento com a mídia, levava o que a banda produzia no estúdio até os radialistas que colocam o material no ar. “A necessidade de ter apoio em áreas complementares sempre existiu. Isso é fruto de um amadurecimento, eu tive a sorte de poder contar com um cara que se desdobrou em vários papéis desde produtor até a parte de assessoria, nós tivemos a sorte de começar juntos. Assim podemos levar com mais eficiência o trabalho musical que eu faço até as pessoas”, garante Nei Van Soria. Segundo ele, a quantidade de trabalho é muito grande para ser feito só internamente, obrigando a contratação de pessoas de fora da produtora, como o Miguel

DJ, que faz trabalhos específicos como divulgador de marketing. “A importância deles pra mim é complementar, tem que colocar tudo no lugar certo, cada um tem o seu espaço”, comenta o cantor. O Miguel começou a trabalhar meio sem querer (e sem saber muito bem o que era) em 1975. Além de DJ, ele divulgou os primeiros discos da Alcione, Beth Carvalho, Sidnei Magal, Amado Batista, Roupa Nova, passando por Roberto Carlos, Skank, Jota Quest, Marcelo D2 e Cidade Negra. “O divulgador é o fabricante de sucesso e a música trata de emoção, é preciso emocionar. Não senti necessidade de formação acadêmica, agora, por exemplo, eu tô fazendo uma agenda pra um artista italiano que vai estar em Porto Alegre e aprendi as coisas no corpo a corpo. Com o Vini e com o Nei funciona bem, a gente tem uma sintonia muito legal, mas tem os artistas que são chatos de se trabalhar, e outras assessorias são mais artista que o próprio artista”, conta Miguel.


ESPAÇO Além do TNT, que depois se desdobrou nos Cascavelletes, o Vini trabalhou com Os Replicantes, Julio Reny, Maria do Relento e fez a divulgação do Rock Grande do Sul, um dos discos mais importantes do rock gaúcho. O TNT (cujos integrantes na época tinham entre 15 e 16 anos) começou a abrir os shows dos Replicantes que, apesar de não ter muito a ver com o TNT, apadrinhou a banda. E então a cena do rock gaúcho começou a se desenvolver – e a aparecer. Engana-se quem pensa que o Vini nunca frequentou a faculdade. Ele diz: “Talvez o meu mundo não seja tão acadêmico, acho que é preciso ter o embasamento teórico, mas a prática ensina bastante, a convivência com o diretor artístico de uma gravadora me ensinou muito.” Ele cursou Relações Públicas na Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação (Fabico) da UFRGS por dois anos, mas cansou do curso por “não chegar nunca aonde acha-

va que deveria chegar: na prática, lidando com os problemas, vendo como se soluciona as questões”. O trabalho do Vini vai além da assessoria de comunicação: como produtor musical, ele negocia contratos, venda de shows, divulgação, cuida da relação do Nei com a mídia e os públicos. “A internet aproxima o artista do público, mas o acesso ao veículo oficial está mais restrito, a mídia eletrônica atinge um público mais popular. Como eu trabalho especificamente com rock e com artistas de uma geração anterior, essa mídia nem sempre está tão aberta pra te dar espaço. E o Nei agora tá viciadinho no twitter (@NeiVanSoria) e ele tem o blog (www.neivansoria.com/blog) também. Isso permite uma proximidade muito maior”, reconhece. Para Vini, tudo abre caminhos.

DÉBORA SZCZESNY MARTA CAPITÃO REBECA N. D’ALBERTO

FOTO DIVULGAÇÃO

∆∆ Nei Van Soria lança DVD 40 Anos ao Vivo no Ocidente

Discografia do Nei Van Soria 1995 - CD Avalon 1998 - CD Jardim Inglês 2001 - CD Cidade Grande 2003 - CD O Dia + Feliz da Minha Vida 2005 - CD Só (ao vivo) 2007 - CD Mundo Perfeito 2009 - DVD Nei Van Soria 40 Anos ao Vivo no Ocidente

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Comentário

Nem só de releases nós vivemos A mídia eletrônica atinge um público mais popular

Conforme afirmam diversos autores da área da comunicação, estamos vivendo a Era da Informação. A comunicação tornou-se digital e com isso o profissional de Relações Públicas ficou responsável por manter o relacionamento das organizações com os seus públicos estratégicos também no mundo virtual. Uma das atividades que vem sendo desenvolvida por alguns profissionais é a criação e envio de comunicados institucionais mais conhecidos como newsletters e também de e-mail marketing (comunicados comerciais). Mas como conseguir transmitir uma informação qualificada para os públicos sem que isso pareça um spam? Todo o cuidado é pouco quando lidamos com imagem e reputação de uma organização, desta forma, algumas dicas são importantes para uma comunicação eficiente. Vamos começar pelo assunto – identifique no campo do que se trata a mensagem. É importante mostrar a vantagem que o leitor terá ao abrir o e-mail. Evite frases longas, já que alguns softwares exibem apenas determinada quantidade de caracteres. Envie o comunicado somente ao público estratégico com comprovado interesse potencial na mensagem, não compre listas de e-mails, crie você mesmo um banco de dados. Uma forma de conseguir multiplicar os seus contatos é criando um cadastro no site da organização em que o usuário autoriza o envio de e-mails institucionais. Identifique claramente os dados completos do remetente. Sempre insira a marca de sua empresa. Quando possível, personalize as mensagens, crie diferentes e-mails para diferentes públicos. Facilite a exclusão dos destinatários enviando telefones e outros endereços de correios eletrônicos para contato. Evite incluir anexos. E por fim, cuidado com a acessibilidade –12kb é o tamanho recomendado pelo IAB – Interactive Advertising Bureau. Como todos sabem, os desafios impostos pelas novas tecnologias são enormes para qualquer área profissional, mas para o relações-públicas, em específico, acostumado a escrever releases, temos um novo caminho a desbravar. MARIANA OLIVEIRA

Fontes: Código de Autorregulamentação para a prática de email marketing. Como fazer e-mail marketing legalmente. Autor: Gilberto Martins de Almeida. http://www.wbibrasil.com.br/boletim.php?id_boletim=310 http://www.imasters.com.br/artigo/5257/e-mail_ marketing/boas_praticas_de_e-mail_marketing/


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EVENTOS

FOTO DIVULGAÇÃO

Lançado livro ‘Construindo relacionamentos estratégicos’

∆∆ Autores em noite de autógrafos na Semana do Livro da PUCRS

A 4ª Semana do Livro, que aconteceu em abril, na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), teve o lançamento da obra “Relações Públicas: Construindo relacionamentos estratégicos” – segundo livro da coleção “Relações Públicas” – , que tem como organizadora e autora a coordenadora do curso de RRPP da PUC, professora Souvenir Maria Graczyk Dornelles. O livro tem como objetivo desenvolver o assunto em maior evidência na atualidade pelos profissionais dessa área – o relacionamento – através do conhecimento dos professores e pesquisadores da área. A edição tem autores conhecidos do meio, tais como: Roberto José Porto Simões, Gla-

fira Furtado, Cássio Scelovsky Grinberg, Marisa de Carvalho Soares, Nadege Gonçalves Lomando, Rosane Palacci Santos, Silvana Sandini, Susana Gib Azevedo e Tibério Vargas Ramos. O evento – que ocorreu às 19 horas, do dia 19 de abril – contou com a presença dos autores dos artigos, familiares, alunos e amigos. Além deles, uma equipe do site RRPP Online compareceu ao local para cobrir, entrevistar e prestigiar os homenageados da noite. Entrevistas com cada um dos autores confira no site: WWW.rrpponline. com.br

BIANCA PEDROSO DOS SANTOS CAROLINA BOLZAN MAYARA ALOY CUNHA FOTOS DIVULGAÇÃO

CUMBRE 2010

Comunicação e política são debatidas em Buenos Aires • Delegação da PUCRS participa da Cumbre Iberoamericana Professores e alunos de graduação e pós da Faculdade de Comunicação Social (Famecos) representaram a Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul na IX edição da Cumbre Iberoamericana de Comunicadores, realizada nos dias 28, 29 e 30 de abril, no campus de Miguelete da Universidad de San Martín, em Buenos Aires. O evento reuniu especialistas e pesquisadores de comunicação de 20 países para debater a Comunicação Política e as mudanças no cenário sociocultural do século XXI. Na delegação de PUCRS, estava o presidente da Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação (Intercom), professor Antônio Hohlfeldt, um dos palestrantes convidados. Também viajaram à Argentina, a coordenadora do curso de Relações Públicas, professora Souvenir Dornelles, e os professores Cláudia Moura, Cleusa Andrade Scroferneker e Luciano Klöckner. Durante o evento, foram discutidos mídia e jornalismo político, discriminação, comunicação política, eleitoral, censura, liberdade de expressão e opinião pública. Também estiveram em pauta estratégias de comunicação para

governos, a informação em crises e governabilidade. Ainda foi analisada a responsabilidade social empresarial. Segundo a professora Cláudia Moura, um dos pontos mais importantes debatidos foi “a Comunicação Institucional a ser trabalhada em prol de relacionamentos entre as organizações e os seus públicos de interesse.” Um dos conferencistas mais destacados foi o espanhol Toni Puig Picart, especialista em gestão cultural e um dos responsáveis pela criação da marca Barcelona. Ele falou sobre “O Retorno do Público: a comunicação como uma grande conversação para a mútua confiança”, e conquistou a todos os presentes com suas ideias e visão de marketing público. Puig trabalhou o conceito de city marketing, cuja função principal é gerar conversação, e não convencer ou simplesmente prover os cidadãos de informação oficial. Tal processo alcançou êxito em Barcelona ao questionar a população: “Que cidade temos e qual queremos?” A definição do presente e o futuro almejado passou a ser construído por todos, numa visão coletiva em que o poder público limitou-se a cumprir metas

∆∆ Delegação que representou a Famecos

∆∆ Pesquisadoras Cleusa, Souvenir e Cláudia definidas por seus habitantes. A relações-públicas Ana Barretto, recentemente formada pela Famecos, hoje aluna de Mestrado nessa mesma instituição, teve a oportunidade de apresentar seu artigo “Teoria Cognitiva em Portais Institucionais”, um dos trabalhos selecionados.

ALINA OLIVEIRA DE SOUZA


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RÁDIO

Chave-mestra na RBS

Mais espaço para os RPs

• Estratégias de marketing nas emissoras O Grupo RBS é uma empresa de comunicação multimídia que opera no Rio Grande do Sul e Santa Catarina. O grupo possui ramificações em quatro mídias de comunicação – TV, rádio, internet e jornal. A história do Rádio do Grupo RBS começou quando Mauricio Sirotsky Sobrinho assumiu como sócio da Rádio Gaúcha em 1957, dando início à organização, que criou a então TV Gaúcha, em 1962, e incorporou a Zero Hora, em 1969. Logo após, em 1973, veio a formação das rádios FMs. Na área do rádio, a RBS tem hoje, como as suas cinco principais rádios, a Gaúcha AM e FM, Cidade FM, Farroupilha, estas adquiridas, respectivamente, em 1979 e 1982, a Itapema FM, inaugurada em 2003, e a Rádio Atlântida, criada pelo Grupo em 1976. Operando através de 26 emissoras de rádio AM e FM, o foco se dá na informação, na prestação de serviço e entretenimento para os seus respectivos públicos. Para conseguir lidar com tamanha diversidade, a chave-mestra que se faz necessária é o Marketing. “Somos marqueteiros em todos os momentos”, assim teoriza a gerente de Marketing da Unidade Rádio RS e SC, do Grupo RBS, Sioni Gonçalves. Segundo a American Marketing Association (AMA), marketing é uma função organizacional e um conjunto de processos que envolvem a criação, a comunicação e a entrega de valor para os clientes, bem como a administração do relacionamento com eles, de modo que beneficie a organização e seu público interessado. Como saber o que direcionar ao público-alvo? Qual a necessidade da aplicação de técnicas de marketing no âmbito

do rádio? Foi observando a estruturação das áreas de marketing nas empresas do mundo afora que Sioni Gonçalves enxergou a oportunidade de “construir e gerenciar marcas consolidadas que ofereçam benefícios aos seus consumidores” através da audiência, no caso de rádio, pois assim cria laços estreitos e de relevância. Formada em Jornalismo pela Famecos (PUCRS), em 1988, e Pós-Graduada em Marketing pela ESPM, Sioni Gonçalves vê a constante necessidade de observar tendências e gostos da sociedade. “Preciso

“Comprove que você tem valor e que a empresa precisa de você. Busque sempre conhecimento, de tudo que é possível, será um diferencial.” (Rafael Guerra)

A área de Relações Públicas pode acabar surpreendendo muita gente pelas suas diversas oportunidades. Quem arriscaria, por exemplo, dizer que tem RP’s até no rádio? Pois é, mas existe. Milena Demaman e Rafael Guerra trabalharam em empresas do grupo RBS. Ela, 26 anos, é assessora de imprensa do MC Jean Paul. Rafael, 28 anos, é radialista e coordena eventos e marketing da rádio Gaúcha. Os dois sempre estiveram envolvidos com a área de eventos. Milena presenciou esse tipo de trabalho desde

∆∆ Rafael Guerra estar inteirada de tudo o que está acontecendo com a classe C, público jovem, adulto contemporâneo e formadores de opinião”, conta a profissional. Abrindo o jogo, Sioni revela com que foco é realizado o seu trabalho. “Minha missão é estar inovando e trabalhando conceitos diferenciados para cada uma das rádios, como Cidade, Atlântida, Itapema, Gaúcha, Farroupilha e Rural e fazendo com que elas sejam ouvidas e compradas pelos clientes”, tendo consciência de que cada rádio tem a sua característica, indo do jovem ao adulto. Sioni ainda deixa como dica aos alunos de Comunicação que queiram conhecer melhor a área de marketing que façam estágio em empresas e agências, na área de planejamento.

ALESSANDRO DA S. SEVERO CELINA SOUTO GOMES SHEILA MOREL DA ROSA

“O marketing é o nome do jogo, pois é através dele que se estuda mercado, se lança ou reposiciona produtos e evolui as marcas”. (Sioni Gonçalves)

muito cedo ao lado do pai, Anselmo Gangilher Silva, coordenador de operações da RBS TV há 37 anos. “Dizia pra ele que queria ser igual aos seus colegas, que organizavam eventos.” No começo, claro, existem as dificuldades, ela fez seu primeiro estágio em um estúdio de fotografia e só com muita luta e perseverança foi chamada para um processo seletivo de uma vaga na RBS, passou por várias fases classificatórias e só então começou como estagiária da rádio Atlântida, onde tinha funções como atendimento ao ouvinte, mailing, pesquisas por telefone e também auxiliava nos eventos. No tempo em que trabalhava na Atlântida, Milena recorda: “Todos faziam de tudo um pouco! Mas o RP especificamente cuida da divulgação institucional do evento. Quando tinha contato direto com o público da rádio, precisava ser

FOTOS DIVULGAÇÃO

∆∆ Milena Demaman bastante cuidadosa, atenciosa com todos e sempre dar uma lembrancinha da rádio quando havia visitas ao estúdio”. Rafael diz sempre ter gostado de rádio e mesmo antes de entrar na faculdade já organizava os eventos no colégio. Ele teve sua oportunidade no renomado grupo, através do programa Rádio Talento, cujo objetivo era qualificar os jovens profissionais com conhecimentos e informações sobre a área. Guerra começou a trabalhar com eventos da RBS e na programação da Atlântida. No rádio existem várias possibilidades para o profissional de RP, como eventos, marketing e RH. Ter contatos também é muito importante, como em qualquer profissão, um bom relacionamento abre muitas portas. “É fundamental o papel e a atuação de um profissional de RP no rádio, independente do perfil de programação. O negócio rádio tem alguns pilares importantes, como plástica, programação, pessoas e promoção”, enumera Rafael. Para ele, ainda existe preconceito, justamente porque as pessoas desconhecem as funções de um relações-públicas e o próprio mercado não procura orientar o público e as instituições sobre a complexidade das atividades que podemos desenvolver. Rafael Guerra finaliza com um recado para quem busca estágio na área: “Arrisque, quebre a cara, erga a cabeça, tente de novo, conheça a empresa que está trabalhando, pense globalmente, não só como um RP.”

CAROLINA MONTEIRO


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VISUAL VANESSA FREITAS/ HIPER

Escrevendo esperança e amor

• Área de RRPP se envolve também em empresas de análises de tendências de moda

∆∆ Banda Anberlin participa da ONG em defesa da vida To Write Love On Her Arms (Para Escrever Amor Em Seus Braços) é uma organização não governamental americana, criada após um incidente em que uma adolescente, durante uma crise de depressão, tentou suicidar-se. A garota auto-mutilou-se e com seu próprio sangue escreveu Fuck Up (Se Ferrar) em seu braço. Dias após o ocorrido, começou a movimentação em prol da vida, do amor e da esperança, que deu origem à ONG. A campanha ganhou sucesso quando bandas populares entre os adolescentes – como Anberlin, Paramore e Fresno – passaram a

Bruno aderiu à causa pela vida Bruno de Bona Farinon, 20 anos, estudante de Letras na PUC, é um dos jovens gaúchos que aderiu à Ong americana To Write Love On Her Arms. Conheça sua experiência: Desde quando tu conheces a ONG? Há, mais ou menos, dois anos. Tu conheces a origem da campanha? Sim. O que te levou a comprar e usar as camisetas? Vi que os músicos das bandas que eu gosto estavam usando as camisetas e acabei me interessando pela causa. Quais são essas bandas? As principais são Underoath, Anberlin e Fresno. Qual a importância que tu vês na To Write Love On Her Arms? Eu acho importante poder

ESTAMOS

usar as camisetas confeccionadas para arrecadar fundos para ajudar pessoas com depressão. Nos últimos anos, a campanha já se espalhou por mais de 40 países, onde jovens, influenciados pela causa e pelas bandas, vestiram (literalmente) a camisa da To Write Love On Her Arms. Hoje a confecção conta com camisetas, casacos, bolsas, entre outros produtos que são comercializados através de sites de vendas na internet, assim como, no site oficial da campanha. Confira: www.twloha.com

JULIANA ULBRICH MARIANE REIS ARQUIVO PESSOAL

ajudar, mesmo de longe. É um assunto que, apesar de merecer destaque, é pouco debatido hoje em dia. Além de ser muito legal o fato das bandas fazerem parte disso, por dar popularidade e visibilidade à causa.

O cenário da moda, fortemen- Bisker, tem seu background em te ligado à comunicação e imagem, marketing e gerencia as operações é uma nova área que se abre para no Brasil, “por ser uma coisa que as Relações Públicas. Exemplo dis- gosta e faz muito bem”, sublinha. so é a empresa WGSN. Para quem Carolina é formada em moda e esnão é familiarizado com as quatro tuda Relações Públicas. “No braço letras, explicamos: trata-se de um operacional, temos um engenheiro, canal pago que gera conteúdo de com pós-graduação em gestão e coestilo, moda, arte e cultura. Funda- municação”, complementa. A aluna de RRPP desenvolve da em 1998, a Worth Global Style Network é líder mundial no serviço seu trabalho no único escritório de pesquisa online, análise de ten- da WGSN no Brasil, em São Paulo. ELIAS EBERHARDT dências e notícias para as indústrias de moda e estilo. O serviço revela e monitora as notícias via newsletters, enviadas aos clientes. Sua missão é manter os assinantes atualizados com o que acontece na moda global, têxtil, varejo e indústrias de estilo. A base de clientes inclui desde varejistas e fabricantes como Gap, Levi Strauss, Guess, Zara, Burberry, Adidas, Timberland, Calvin Klein, até empresas ligadas ∆∆ Relações Públicas conquista novo espaço à beleza e tendências, como a L’óréal e a Procter and Outros escritórios são localizados em Londres, Nova Iorque, Los AnGamble. A empresa internacional de geles, Paris, Alemanha, Hong Kong assessoria conta no Brasil com uma e Japão. Ao todo, são 150 profisdensa equipe de comunicação, com sionais que produzem informações relações-públicas, jornalistas e fo- sobre o que acontece no mundo da tógrafos, para estabelecerem con- moda, inclusive para a indústria do tatos e desenvolverem conteúdo. setor. “As empresas gastam tempo Carolina Althaller, assistente de RP e Marketing da WGSN, explicou em viajando pelo mundo para particie-mail que a empresa se divide em par de desfiles e outros eventos e eram obrigados a utilizarem seus PR (public relations) e Marketing. “O marketing trabalha dando próprios recursos para se mantesuporte nos eventos, principalmen- rem atualizados”, regata Carolina. te nas semanas de moda – Fashion “Hoje, a WGSN, com toda sua equiRio e SPFW –, quando recebemos pe e assistência, auxilia a indústria editores da WGSN para cobertura de moda.” Cumpre o trabalho de dos desfiles e palestras, selecionan- consultoria e imagem, com pensado futuras tendências em potencial. mento estratégico sempre focado Nosso PR faz toda a comunicação na melhoria da comunicação com com a nossa assessoria de impren- os públicos. sa e a mídia em geral”, explica Carolina. Ela destaca que a diretora da CAROLINE POSTAL MACHADO WGSN na América do Sul, Andrea MAYARA ALOY


VISUAL

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NA MODA Blogs ditam as tendências aos consumistas Consumidoras e especialistas em moda optaram pela interação com os consumidores para publicarem suas críticas em blogs direcionados ao setor. As blogueiras Maysa Úrsula, do blog Pílulas da Moda, Priscila Knechtel e Patricia Schlindwein, do blog Delírios de Consumo SA, se destacam neste segmento. A definição inicial de blogs como diários íntimos para escrever sobre os acontecimentos do seu dia-a-dia não se aplica para o conteúdo destas blogueiras. Ambas escolheram a ferramenta da Web para divulgar publicamente sua fascinação pelo mundo da moda e contribuir para outras pessoas fazerem uso de seu conhecimento no assunto. O ponto forte deste meio de comunicação, e que auxilia no trabalho delas, é a interação direta com os consumidores que utilizam os comentários para passar feedbacks das novas tendências e ainda contribuir com outras informações sobre os posts das autoras. Uma característica comum das leitoras dos blogs de moda é o consumismo, pois, diante de tantas inovações do setor e desfiles constantes com novas coleções, as consumidoras se tornam reféns desta indústria. As próprias autoras dos blogs assumem que falar sobre moda e estar por

dentro deste mundo desperta o lado consumista e a vontade de comprar o último lançamento é irresistível. “Às vezes vejo alguma tendência e nem gosto muito de primeira, mas depois pesquisando looks, onde comprar, dicas de como usar... Fico doidinha pra colocar meu cartão de crédito em ação!”, diz Priscila. O público identificado pelos blogs é composto por meninas de 13 anos até mulheres de 50 anos que procuram uma referência de moda para suas escolhas. As blogueiras identificaram que as jovens estão focadas em saber todas as novidades e os lançamentos, enquanto as mulheres adultas procuram identificar a escolha do modelo ideal para vestir, desde que fique de acordo com as novas coleções. Tanto Maysa como Priscila ainda não obtêm retorno financeiro nas suas atividades de blogar. “As lojas locais nos procuram bastante para divulgar coleções recém chegadas, promoções. Porém, não há retorno financeiro, nós não cobramos para divulgá-las, em geral propusemos que a loja ofereça algum brinde para ser sorteado para nossas queridas leitoras, mas eu já recebi presentes bem legais”, comenta Priscila. Elas destacam que o estímulo da pu-

blicação está voltado pelo interesse no assunto e compartilhar este conhecimento com outras pessoas. Existe um espaço ainda para crescerem comercialmente, uma vez que muitos blogs possuem links de fabricantes que são remunerados conforme os cliques dos internautas. O blog bem explorado pode ser tornar uma ótima fonte de divulgação e renda. “Recebo releases de divulgação, sim, mas até hoje só recebi uma proposta de uma marca inglesa para ser parceira do blog... Sobre ter retorno financeiro, até hoje nunca ganhei um real com isso”, admite Maysa. Especialistas do mercado apontam que os blogs de moda possuem significativa parcela na escolha das consumidoras por novas marcas e produtos, e acreditam ser tendência. Os posts das autoras podem influenciar a compra de um produto, bem como tirar uma marca do mercado, conforme a dimensão que estes comentários conseguem alcançar na blogosfera. Os blogs estão gerando uma nova tendência do setor para divulgação dos seus produtos. BIANCA PEDROSO, FRANCIELE SCHNEIDER MARIANE LAUER FOTOS ARQUIVO PESSOAL

∆∆ Maysa produz o blog Pílulas de Moda

∆∆ Priscila Knechtel e Patricia Schlindwein vivem na pele o blog Delírios de Consumo SA


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ORGANIZAÇÕES FOTOS ANGÉLICA PENTZ/ RRPP

Artigo Crise? Jogue limpo O bom relacionamento e uma imagem positiva de uma organização é resultado de um bom planejamento, prevenção e eventual gerenciamento de crises. O profissional de Relações Públicas assume o papel de gestor da reputação e da confiabilidade que uma empresa necessita para o mercado de trabalho. Um evento negativo que foge do controle da gestão empresarial e põe em risco sua imagem e reputação, provocando perda de confiança e crise de credibilidade diante do público. É fundamental a organização ter um bom relacionamento com a mídia, pois é ela que influencia e tem o poder de determinar opiniões. Firmar laços com a mídia é importante para a construção da boa imagem, pois diante de um episódio negativo, a reputação conquistada não será esquecida. Em algumas situações em que os gestores souberam administrar os problemas com sucesso, temos como exemplo o caso do Tylenol. O caso teve início no dia 29 de setembro de 1982, com a notícia de que três pessoas haviam morrido após ingerir cápsulas de Tylenol supostamente envenenadas por cianeto. Com a repercussão do fato, os profissionais de Relações Públicas da organização lidaram com o problema de forma transparente e atingindo todos os meios de comunicação para que todos soubessem, pois era o medicamento mais vendido no país. Após a crise, as vendas do medicamento não diminuíram. A grande estratégia da empresa foi a transparência com o público. A crise na General Motors, em 2009, foi mais profunda. A situação da companhia, até então próspera, começou a mudar em 2007, com a alta do preço do petróleo. Com isso, os consumidores passaram a preferir carros mais econômicos. Como a montadora havia apostado em veículos mais pesados, se viu em dificuldades e em julho de 2008, as vendas da companhia já baixavam 20%. Com a crise financeira internacional, a situação ficou ainda mais complicada para a GM. A diminuição do crédito atingiu em cheio as vendas de automóveis e impediu negociações de vendas entre as montadoras. A montadora chegou a recorrer ao governo americano, pedindo ajuda financeira que exigiu que a GM apresentasse um plano de reestruturação, apresentado em fevereiro de 2009. O governo americano exigiu que a indústria automobilística reduzisse custos drasticamente. Não conseguindo reagir, a concessionária decreta concordata, situação em que os credores abrem mão de parte dos créditos que têm a receber, para que a companhia possa se recuperar, durante um período estabelecido e garantido por proteção judicial. Assim a empresa se torna estatal até que retome a lucratividade. Agora em 2010, a GM está caminhando com bons resultados. Apesar de todo lado financeiro, causador da crise, existe um planejamento de comunicação para que boatos falsos não sejam espalhados e apenas notícias verdadeiras cheguem aos públicos interno e externo. Mesmo com discussões e medo tanto de funcionários, credores, acionistas, de como ficaria a situação da montadora, uma boa negociação e mediação são essenciais para uma superação da crise, e aí está a combinação de um profissional de Relações Públicas com a direção da organização. Nos dois casos percebe-se a atuação dos profissionais de RP que interagiram com diversos setores, desde o públicos interno, para os quais era preciso dar informações corretas sem causar impacto negativo. Utilizaramse de comunicação externa, esclarecendo as falhas e tornando públicas as informações de interesse dos consumidores, contribuindo para a fortalecimento da imagem organizacional, explorando bem os veículos de comunicação, agindo de forma rápida. No contexto atual, de rápidas trocas de informações pelo mundo, o relações-públicas exerce o papel de gerenciador de relacionamentos, controlando informações. ALICE QUADROS, CAROLINA SANTIAGO, GUILHERME LAU E MARIELI OLIARI

∆∆ Hospital da PUCRS dá importância à ouvidoria

Como saber ouvir os públicos • O funcionamento da Ouvidoria do Hospital São Lucas A profissão de relaçõespúblicas, por ser uma atividade relativamente nova no mercado de trabalho brasileiro, passa ainda por uma série de questionamentos impostos pela sociedade. Dentre eles, está o fato de que muitas pessoas veem o RRPP só como um organizador de eventos. Esta distorção desaparece quando nos depararmos com profissionais trabalhando nas mais diversas áreas, como assessor de imprensa, pesquisador, gestor da comunicação, gerenciador de crises e também como ouvidor. Se o relações-públicas lida diariamente com o sistema organização/ públicos por que não mediar os conflitos existentes entre eles? Raquel Martins trabalha no Departamento de Ouvidoria do Hospital São Lucas e relatou um pouco do dia-a-dia da sua profissão. Demonstrou o quanto seu tempo é movimentado e apresentou o trabalho realizado no departamento, mostrando que a Ouvidoria do hospital recebe diariamente solicitações e encaminha para o gestor da área responsável. Procura ter as duas visões do problema (gestor/solicitante) para poder indicar o caminho mais adequado na solução do problema. Os canais que os públicos utilizam para se comunicar dentro do Hospital são:

pessoal, telefone, internet e o “fale conosco” do site da organização. Outra questão pertinente da área é a diferença entre o SAC (Serviço de Atendimento ao Consumidor) e o Departamento de Ouvidoria. Enquanto o primeiro presta informações 24h para os clientes/consumidores, a Ouvidoria é responsável pelo encaminhamento das solicitações dos públicos. Para trabalhar na área de ouvidoria, são indispensáveis algumas características. “Temos que ter bom senso, sensibilidade, saber ouvir e dar retorno, empatia, credibilidade e transparência”, enumera Raquel. No âmbito interno, é preciso manter bom relacionamento com todos os departamentos. “Conquistar a confiança dos gestores é um grande desafio, para os profissionais que pretendem trabalhar na área”, comenta. Segundo Raquel, no início foi difícil controlar algumas emoções, como o estresse e a sensibilidade. “Muitas vezes fui para casa com um sentimento de impotência por não poder solucionar os problemas da forma esperada, contudo, a experiência diária faz com que a gente aprenda a lidar melhor com estes sentimentos”, diz a relações-públicas. Ouvir os públicos de uma organização determina uma melhoria no relacionamento interno e pretação de serviços. “Ao tomar conhecimento de problemas, o São Lucas imediatamente busca resolvê-los”, conclui sua assessora na Ouvidoria.

ANGÉLICA PENTZ MARIANA OLIVEIRA


AMBIENTE

O humor para vencer o estresse do trabalho

RRPPAtualidades/JULHO 2010 23 FRANSICO M. BARROS

• Como o bom humor pode melhorar o rendimento dos colaboradores Ameaçadas diariamente pelo estresse, as pessoas procuram ter uma vida melhor, levando-a com mais calma e tranquilidade, vendo as coisas com bom humor. Fazem terapias, mudam de um dia para o outro, mas será que esse pensamento também vale para o trabalho? Pois, divertir-se nunca esteve ligado ao ambiente profissional, onde as pessoas devem ser sérias para não acabarem se distraindo de sua função. Porém, depois de estudos feitos pela universidade italiana Bocconi, esse conceito pode estar chegando ao final. A Universidade pesquisou 1.860 pessoas da Itália, Japão, Alemanha, Rússia, Grã-Bretanha, Estados Unidos e França para chegar ao seguinte resultado: 98% delas usam o humor no trabalho e 99% o apreciam. O estudo também mostrou que quando há humor no ambiente de trabalho, os trabalhadores se sentem mais motivados e com o moral mais alto, mostrando que um ambiente de trabalho em

que os funcionários podem ser bem humorados incentiva sua própria produtividade. A professora de Relações Públicas, Neka Machado, afirma apostar em ambientes saudáveis de trabalho. “Eu preciso e proponho ambientes saudáveis. Toda a minha vida quando fui chefe ou coordenadora, eu tinha um princípio: funcionário feliz é aquele que está bem com ele, com a vida dele e seu trabalho. Não acredito nessa tese de que funcionário é só mais um, tem que trabalhar e deu. Eu tenho um ser humano inteiro que precisa ser visto e compreendido. Isso não quer dizer que vai ser um ambiente super paz e amor, é uma simples questão de respeito. E dentro de um contexto, respeito é saber que tu tens tuas responsabilidades e o teu colega as dele, mas nada o impede que se respeitem”. Associada a esta concepção de respeito mútuo, o professor de Publicidade e Propaganda, Fernando Azevedo, expõe um caso sobre o ARQUIVO PESSOAL

∆∆ O Núcleo de Eventos do Espaço Experiência é historicamente conhecido por não abrir mão de “açucar e afeto” no ambiente de trabalho.

sentimento de pertencimento, a valorização do trabalho do profissional, que também é um fator que influencia na produtividade: “Há pouco tempo eu produzi uma reportagem sobre a empresa que fabrica Ferrari e existe por parte de cada equipe que monta cada componente daquele carro, que são muitos, o orgulho de estar montando aquele carro, o orgulho de estar fabricando aquele carro, como se fosse um artesão.” Empresas de consultoria do ramo já indicam para seus clientes promoverem atividades recreativas e sociais ou até mesmo pequenos detalhes como faz a PMWeb, empresa nacional especializada em marketing digital e gestão de relacionamento com clientes para o setor hoteleiro, que tem todas redes sociais liberadas para os funcionários. Também como forma de interação, eles devem trazer de suas viagens um ursinho de pelúcia ou uma xícara do local visitado. Os objetos permanecem no escritório conjunto com mobílias estilizadas, que deixa o ambiente bem mais agradável para quem trabalha. Essa ideia foi inspirada na sede da empresa Google, em que local de trabalho e lazer se fundem. Azevedo destaca a influencia no trabalho dos bons ambientes, planejados. “A forma arquitetônica, ajuda muito, as próprias agências de propaganda têm muito neste sentido. Se você vai, por exemplo, numa GardenDesign, você vai ver um ambiente amplo, um ambiente agradável, um ambiente bem iluminado”. Mas essa liberdade deve ser administrada profissionalmente e o foco tem que ser mantido sempre, pois a falta de atenção pode prejudicar o rendimento, além de estragar projetos e deixar vazar informações restritas da empresa. “É sempre bom ter humor no trabalho, o problema é quando há o excesso dele. A falta de seriedade pode

∆∆ Professor Fernando Azevedo LARISSA S. GENEHR

∆∆ Professora Neka Machado LARISSA S. GENEHR

∆∆ Professora Bete Duarte atrapalhar o comprometimento do funcionário e o ambiente virar uma gandaia, prejudicando até mesmo quem precisa estar concentrado no momento. Um ambiente sem regras pode desestimular o funcionário e o humor deve ajudar no rendimento e não transformar tudo em piada, pois quando a situação é séria, às vezes é melhor deixá-lo de lado”, diz Bete Duarte, professora de Jornalismo na PUCRS e editora do caderno Gastronomia da Zero Hora, em entrevista à revista RRPP Atualidades.

FRANCISCO M. BARROS LARISSA S GENEHR


24 RRPPAtualidades/JULHO 2010

PONTO FINAL

Riso, fantasia e arte durante o trabalho

Quem somos

• Como o teatro pode se tornar um aliado na Comunicação das Organizações Quem disse que lugar de empresa não é lugar para fazer arte? O teatro vem invadindo a arena das organizações, abrindo perspectivas para os relações-públicas, pois consegue levantar o astral, motivar, emocionar e treinar o público interno. Para fugir da rotina, dar boas gargalhadas e unir a equipe de trabalho, não há nada melhor do que uma apresentação teatral, ou oficinas cênicas em que os próprios funcionários participam. “O teatro desenvolve o bem-estar das pessoas”, afirma Luís Fernando Moojen, diretor da Moojen Teatro Empresa, produtora que oferece este tipo de serviço em Porto Alegre. Ao cursar o curso de História na PUCRS, Luiz encantou-se com as origens da comédia, com o teatro medieval, com a alegria dos palhaços e tudo que envolvia a arte de interpretar papéis e divertir a plateia. Participou da Cia. Teatral D’Rua, grupo que surgiu após uma oficina de teatro organizada pela Secretaria Municipal da Cultura e ministrada por Paulo Guerra – professor que ele faz questão de mencionar por ser o exemplo norteador de sua carreira. A Cia. fazia apresentações nas ruas mais movimentadas da cidade, com um apelo político e social, em um momento decisivo para a democracia no Brasil (a época de 1989). Luiz Fernando se apaixonou tanto pelas caras e bocas do teatro que decidiu abandonar o curso de História e optar pela trajetória artística. Fez da sua vocação a sua missão, e ainda adicionou uma pitada de empreendedorismo. Ao ministrar uma oficina no SESI voltada para a Prevenção de Acidentes no Trabalho, teve a ideia de criar algo independente, com a intenção de vender espetáculos para as empresas. Em 1997, começou a elaborar trabalhos direcionados para esse novo nicho de mercado. Desde então, muitos gestores simpatizam com a novidade e contratam a produtora a fim de tornar mais envolvente e bem-humorada a Comunicação das organizações. O teatro funciona como ferramenta motivacional e pedagógica, trazendo informações pertinentes não só em relação ao ambiente corporativo, como também em relação

∆∆ Moojen usa a magia cênica à importância da vida. A Moojen apresenta peças com temáticas voltadas para a prevenção de acidentes de trabalho, qualidade dos produtos e dos serviços, cuidados com a saúde (doenças sexualmente transmissíveis), cidadania, meio ambiente etc. Embora existam as peças tradicionais, outras podem ser criadas conforme as demandas do cliente. “Há oficinas nas quais os funcionários podem soltar a língua, distender o corpo, distrair a mente e despertar a alma”, explica Moojen. “Alguns até se revelam talentosos para essa área, e todos, de certa forma, saem da dali mais comunicativos, criativos e animados”, observa o artista. A Moojen é composta por mais três amigos. Cláudia Severo, Lorena Sanches e Robson Serafini fazem parte do elenco, ora representando personagens engraçados e curiosos, ora tocando músicas para hipnotizar o público. Travessuras, indagações e ensinamentos dão o tom e o ritmo às tramas. O objetivo da produtora é, sobretudo, fazer com que as pessoas se valorizem como seres humanos, não apenas como “máquinas de produção” sem capacidade de reflexão. Para além da rotina atribulada de tarefas repetitivas e desgastantes, há o lazer, o riso, a fantasia. E trata-se de um lazer que não aliena: liberta, transcende, revela e estimula. Mesmo que sob disfarces, a arte descortina as verdadeiras faces da realidade. Luiz, conservando seus ideais revolucionários, declara: “O teatro muda as pessoas para depois elas mudarem o mundo”.

ALINA SOUZA

∆∆ Turma da manhã

∆∆ Turma da noite

PUBLICAÇÃO informativa e de reflexão do curso de Relações Públicas da Faculdade de Comunicação Social (Famecos), da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, avenida Ipiranga 6681, Jardim Botânico, Porto Alegre, RS, Brasil. Versão Online: www.rrpponline.com.br E-mails: famecos@pucrs.br Reitor: Ir. Dr. Joaquim Clotet Vice-Reitor: Ir. Dr. Evilázio Teixeira Diretora/ Famecos: Drª. Mágda Cunha Coordenadora/ Curso: Drª. Souvenir Dornelles Professores responsáveis: Tibério Vargas Ramos e Silvana Sandini Edição: alunos de Produção de Mídia Impressa e Digital em RRPP. Turmas da manhã e da noite: Alessandra Lobato Camargo, Alessandro da Silva Severo, Alice Quadros, Alina Oliveira de Souza, Angélica Pentz, Augusto Rocha de Almeida, Bianca Pedroso dos Santos, Camila Pian, Carmela Schmitz Peccin, Carolina da Silva Bolzan, Carolina Etchichury, Carolina Quinteiro Monteiro, Carolina Santiago, Caroline Postal Machado, Caroline Tramontina Freitas, Celina Souto Gomes, Daniela Jalmusny, Débora Correa Szczesny, Deisi Conteratto, Eduardo de Menezes Cavalli, Felipe Jung, Fernanda Morandi, Franciele Schneider, Francisco Martí Barros, Gabriela Lemchen Moscovich, Guilherme Lau, Heloisa Soterio Schwanke, Joana Oliveira, Julia Gebhardt WilhelmJuliana Ulbrich, Juliano Godin, Larissa Simonini Genehr, Lucas Aricio Pacheco, Maiara Pereira Boeira, Márcio da Silva Oliveira, Mariana Castilhos de Oliveira, Mariana Muniz, Mariane Lauer, Mariane Reis, Marieli Oliari, Marta Capitão, Mayara Aloy Cunha, Mayra Maggenti, Pamela Stoduto de Almeida, Paula Passos, Rafaela Moreira, Rebeca Matiuzzi de Souza, Rebeca Nogueira D’Alberto, Renata Fialho Dydzian, Renata Keller, Rodrigo Baseggio, Samyra Chanan, Sheila Morel da Rosa, Stefanie Machado da Silveira, Telma Silvino Lambert, Thamira Santana Mendina e Victoria Baldo.


RRPP Atualidades 2010/1