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AGORA A necessidade de agir no presente

Alguns anos atrás, tive a oportunidade de morar na Inglaterra. Foi uma viagem interessante e cheia de emoções, como só a vida no exterior pode proporcionar. Desde o sotaque até a comida, tudo era intenso. Alguns meses adentro, fui convidado para uma entrevista de emprego para o cargo de fotógrafo assistente em uma cidade (uma espécie de vilarejo) chamada Hatton, no interior do país, perto de Oxford (terra de uma das universidades mais famosas do mundo). Chegando lá, me perdi no caminho para o estúdio onde seria a entrevista. Como cheguei com algumas horas de antecedência, resolvi me perder um pouco mais e seguir o caminho que achava que seria o correto. Era início do inverno, mas já nevava. Algumas árvores estavam cobertas por aquela fina camada de gelo que deixava a paisagem toda branca. Passei por criações de ovelhas (animais gigantes que me encaravam na

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estrada), plantações diversas e pequenas pontes que pareciam ter mais de quinhentos anos de idade. A certa altura, passei por um trecho em que era possível ver uma igreja construída em 1649, com uma longa estrada que corria atrás dela em direção ao horizonte. A pequena construção (que não deveria comportar mais de 50 fiéis) era emoldurada por árvores congeladas e pela neve que começava a cobrir a grama. Uma paisagem esbranquiçada, mas os mesmo tempo muito viva. Talvez uma das imagens mais bonitas que já tenha visto em toda a minha vida. Eu carregava uma mochila muito pesada, com equipamentos de fotografia, um notebook e outros itens. A logística era ruim e o local era apertado, eu estava na rodovia e carros passavam esporadicamente. Pensei comigo: “vou para a entrevista. Na volta, tiro uma foto”. Teria, provavelmente, sido uma das melhores fotos de paisagens na minha carreira. Após muito procurar, cheguei ao estúdio, realizei a entrevista (não consegui o emprego, mas isso é outra história). Ao final, conversei bastante com os entrevistadores e, na saída, faltava apenas 20 minutos para o horário do meu trem de retorno (era uma viagem de cinco horas e o próximo trem só sairia no dia seguinte). Um dos sócios me ofereceu uma carona, que eu prontamente aceitei.

Sucesso nos concursos de A a Z

Nunca mais tive a oportunidade de retornar a Hatton, onde vi a pequena igreja. E eu tinha todas as ferramentas e plenas condições de tirar aquela foto na hora. Na vida, muitas vezes, o que acontece é exatamente isso. Nós temos as ferramentas, mesmo que elas sejam parcialmente difíceis de acessar. Temos as razões, temos a oportunidade, mas... resolvemos não fazer. Resolvemos deixar para depois – para o caminho de volta, para depois que nossos filhos crescerem, para depois que o concurso X sair, para quando tivermos dinheiro, para quando tivermos tempo. Deixamos tudo para amanhã, mas o amanhã é incerto. Por isso peço: faça agora. O agora existe e é a única vertente mais ou menos controlável do tempo. O passado já era e o futuro depende do que você faz agora.

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Se você quer estudar, comece agora. Não amanhã, não semana que vem. Comece agora. Se você quer mudar de emprego, prepare-se agora. Tome hoje a decisão de mudar seus próximos dias. Será fácil conseguir? Provavelmente não. Mas qual o pior que poderia ter acontecido se você tivesse tomado a decisão de hoje um ano atrás? O tempo vai passar de qualquer forma. Então, faça agora.

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ATITUDES ACERTADAS Seu estado mental coordena seu sucesso

Comecei a estudar para concursos há mais de 10 anos. Há mais de 10 anos, a vida do concursando era diferente. Havia menos oferta de conteúdos, menos materiais. O Ponto dos Concursos estava começando. Usávamos apostilas. Editoras voltadas para o ramo não eram tão famosas e tão consolidadas, não havia tantos cursos preparatórios. Comecei a estudar há mais de 10 anos. Hoje, poderia ser juiz, promotor, delegado, consultor legislativo. Poderia ser o que eu quisesse. Mas não sabia disso. Demorei tempo demais para aprender uma das lições mais importantes:

Sua atitude mental coordena seu sucesso. Fernando Mesquita

A uma certa altura, pensei que poderia ter feito faculdade de Direito. Poderia ser delegado (sonho antigo). Alguns anos depois, achei que poderia ter feito Letras (para ser revisor de textos do Senado). Em outro momento, achei que poderia ter começado a estudar aos 17 anos, para ter mais vantagens em termos de tempo e de experiência. Deveria ter

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terminado a faculdade antes. Deveria ter me preocupado mais com o futuro, deveria ter trabalhado mais, estudado mais. Mas, ao longo de tudo isso, pensei que talvez não desse certo. Ia levar tempo demais, dinheiro demais, era longe demais, difícil demais, e por aí vai. Você vê onde quero chegar? Nunca há momento certo, momento perfeito. Para mim, o melhor momento para estudar teria sido 12 anos atrás (quando estava prestes a ser publicado o concurso para Consultor da Câmara dos Deputados de 2002). O segundo melhor momento foi na década de 1970, quando meu pai entrou para o serviço público e os servidores ganhavam R$ 30 por mês, não eram valorizados e o serviço público era uma bagunça – mas as questões da prova eram seu nome, português e matemática. Hoje, se eu quisesse ser AFT, teria de estudar quase 20 matérias, mas ganharia R$ 15.000,00 e teria um trabalho significativo. Todo momento histórico compromete algo. Você tem de fazer escolhas – algumas delas que obviamente não podem ser feitas (como começar a estudar um ano atrás).

Sucesso nos concursos de A a Z

Você pode se achar velho demais ou novo demais. Gordo demais ou magro demais. Inteligente demais ou burro demais. Pobre demais ou rico demais. Mas se você está aqui, lendo o que eu tenho a dizer, você certamente está procurando aprovação em algum concurso (ou querendo-a para outra pessoa, o que é um caso à parte). Talvez esteja procurando mudar de vida, talvez ela não esteja como você gostaria e você tem um desejo intenso (às vezes secreto) de mudar. E a partir do momento em que você acredita que sua situação pessoal te impede de ser conseguir o que quer que seja, sua mente ganhou. E ela não deveria controlá-lo, você que deveria estar no controle. Nosso cérebro (assim como nossa família, nosso passado, nossa situação financeira e nossa força de vontade) pode nos ajudar ou nos atrapalhar, mas o grau em que isso é determinante na sua vida só depende de você. É você que escolhe aquilo que te ajuda e aquilo que te atrapalha; aquilo que te impulsiona e aquilo que te prende; aquilo que te faz ser bem-sucedido ou te faz remoer o que sente – pelo resto da vida. A uma certa altura, eu achei que não seria capaz. Até que ignorei o que achava que pensava e comecei a construir o processo de aprovação, comecei a construir minha corrente. Eventualmente, consegui. Mas a

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batalha que teve de ser vencida não era física, não era estrutural, não era familiar: era mental.

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Sua atitude mental te ajuda a levantar todos os dias e estudar em prol de uma meta. Te ajuda a entender que não são seus livros, seus cadernos ou seu computador que conquistam a aprovação, mas sim sua própria consistência em direção a um objetivo. Te faz vencer a prova que só tem uma vaga e te mostra o caminho quando tudo parece perdido. Se você não gosta do resultado que vem obtendo, mude sua atitude. Seu comportamento molda seu pensamento. Você não gosta de estudar? Leia todos os dias. Seu concurso não chega nem tem data prevista? Prepare-se como se a prova fosse daqui a 45 dias. Você não sabe por onde começar? Pergunte, pesquise, comece. Você encontra problemas em toda iniciativa? Comece a procurar soluções para toda objeção. Atitude mental é a diferença entre quem é aprovado (mesmo que não amanhã nem no ano que vem) e quem morre na praia, desistindo e chorando porque não consegue o que quer (mesmo sem ter dado 200% – que é o mínimo que se espera).

Toda meta que vale a pena ser buscada será concorrida. Cabe a você ser mais resistente que a concorrência e fazer tudo que for necessário para ser bem-sucedido. Qual a sua atitude?

Sucesso e bons estudos. Fernando Mesquita 7

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BASICAMENTE O retorno à essência como estratégia vencedora

No cotidiano de qualquer atividade, é fácil esquecer do que realmente importa. Pode ser em um relacionamento, no trabalho, nos estudos. Toda atividade tem seus pontos básicos, que no dia-a-dia acabam sendo negligenciados, quando poderiam muito bem ser utilizados como apoio quando não sabemos mais o que fazer. Com os estudos, isso não é diferente. Se você estuda há algum tempo, deve ter entendido que há no máximo 3 (quiçá 4) pontos que são os mais importantes e que englobam toda a preparação para os concursos. Esses pontos são utilizados em maior ou menor grau pelos candidatos e, não raro, determinam a velocidade e a qualidade de sua aprovação. Mas o básico é fácil de esquecer, porque ele fica submerso em uma pilha de técnicas, habilidades, conceitos e sugestões que muitas vezes ouvimos. Termos jogados no ar, como “horas líquidas”, “mapas mentais”,

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“habilidades”, “áreas”... Tudo isso parece às vezes muito complexo, mas muitas das pessoas que passam em concursos – pasme – não chegam a ouvir nada disso. Elas reconhecem, de forma quase intuitiva, que há essas quatro atividades – o básico – que coordenam a aprovação dos candidatos. Nomeei essa sequência, carinhosamente, de Ciclo EARA.

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Um ciclo não tem fim. Ele continua indefinidamente, até que algum evento crie uma quebra na estrutura dele. No nosso caso, essa quebra é a aprovação no concurso desejado, que virá mais rápido do que você espera. O ciclo EARA compreende

Estudo -> Aplicação -> Revisão -> Adaptação. A lógica é simples: Estudo é tudo aquilo que estabelece os primeiros contatos com um conteúdo ou o aprofundamento nos tópicos estudados. Você lê um livro, um artigo, assiste uma aula, uma palestra. Aplicação é a transformação do estudo em ação – aplicar aquilo que estudou em uma atividade voltada à fixação e à prática. Exercícios objetivos, redações, questões discursivas. Como mostram diversos estudos sobre o assunto, a aplicação é fundamental no processo de fixação dos conteúdos estudados. Repare que a aplicação deve ocorrer, de forma ideal, após o estudo e antes da revisão, para que seja o mais eficaz possível.

Adaptação, por fim, é o final e o reinício do processo e é uma fase que muitos negligenciam. Ela é fundamental para qualquer processo. Refere-

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Revisão é o resgate do conteúdo estudado e tem duas funções: recuperar o conhecimento e preencher lacunas de compreensão e de aprendizado que porventura existam. Em um mundo ideal para os concursos, nós passaríamos a menor parte do tempo estudando e a maior parte dele aplicando e revisando o que foi estudado. Isso porque é importante otimizar seu tempo, cuidar para que cada hora estudada seja uma hora armazenada, seja por meio de resumos, seja por meio de mapas mentais, comentários de questões, esquemas, desenhos ou o que quer que funcione para você.

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se a aproveitar o que é bom, ajustar o que está errado e procurar reforçar aquilo que funciona e descobrir novas práticas. O processo pode parecer complexo a princípio, mas é importante reconhecer que quase tudo é complexo pela primeira vez, até que se entenda o básico. E o básico é isso. Todo o resto está ali dentro, acredite ou não. Qualquer técnica, qualquer comportamento, qualquer teoria está inserida em algum desses quatro pontos. Como uma luz no horizonte, isso serve para te guiar e para orientar seus esforços. Fixe o básico. Quando tudo parecer estranho ou perdido, use-o como uma estrutura, como um porto seguro para reorganizar as ideias.

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Sucesso e boa base.

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CACOFONIA Cuidado com a linguagem

Cacofonia- Gram. Modo de falar ou de combinar sons, geralmente da fala, com efeito desagradável. Pode ser que você reconheça o tema deste artigo de outros carnavais, principalmente se você prestava atenção às aulas de literatura e de gramática. Não, não sou professor de português, mas na qualidade de escritor, sempre me impressionei e me emocionei com as possibilidades do idioma. Uma dessas possibilidades é exatamente a cacofonia, que nada mais é do que a combinação de sons que têm uma qualidade desagradável aos ouvidos. São exemplos: • Ela tinha medo de ser feliz (latinha) • Vi ela passando pelo comércio ainda há pouco (viela) • Nosso hino foi cantado repetidas vezes na Copa (suíno)

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Claro que isso é a acepção puramente gramatical do termo. Minha preocupação, entretanto, é com um caráter mais psicológico-neurológicopragmático do problema: aquele que envolve a sua pessoa. Não foram poucas as vezes que, diante de um desafio mal-sucedido ouvi alguém dizer: Sou incapaz de... Não bom o suficiente para... Minha vida é muito difícil porque... Vou desistir... Não consigo... Não preciso completar as frases. Esses trechos apenas já carregam todo o potencial nocivo que a linguagem pode ter.

 O PROBLEMA DA LINGUAGEM Pesquisas na área da neurolinguística mostram consistentemente que a forma como você se comunica reflete-se na forma como você se sente.

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Isso foi muito abordado no filme O Segredo (que, se você não viu, recomendo – não pela “magia” que é sugerida, mas sim pela força do comportamento e do foco que são sugeridos pela autora – esses, sim, capazes de mudar muitos dos problemas que encontramos cotidianamente). Pense no que você quer, não naquilo que não quer. Diga o que você pretende, não aquilo que quer evitar. São mensagens do filme. “Quero passar em um concurso” é muito diferente de “quero me livrar da iniciativa privada”. Muito diferente. Ouço pessoas dizendo o tempo todo “Não tenho dinheiro”; “Não consigo fazer nada”; “nada do que faço dá certo”. Isso é muito, muito triste, porque essas pessoas não percebem que o próprio fato de afirmar isso as faz reforçar inconscientemente o comportamento.

 A SOLUÇÃO Esse tipo de conduta se expande para os estudos e provoca problemas sem precedentes. Uma pessoa que, após uma prova mal-sucedida diz

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