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rotas & sabores Nº 19 Fev - Mar

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Nº 19 Fevereiro - Março February - March

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Uíge Nº 19 • BIMESTRAL • 2017 • 1000 Kz

Lugar de feitiços, lendas e maravilhas

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A place of spells, myths and wonders raízes e cultura roots and culture

porta de embarque boarding gate

Ritmos diferentes para uma dinâmica nova

Visitámos a “melhor cidade do mundo”

Casa das Artes

Different rhythms towards a new tendency

Lisboa

We’ve visited the “best city in the world”

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rotas & sabores

porta de embarque porta de embarque

índice contents

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pag.

48

06• 10 • João Nunes

panorâmica overview

12 • Uíge

fotografia photography: Vasco Célio

pessoal personal

natura nature

Lugar de feitiços, lendas e maravilhas

A place of spells, myths and wonders

20 • Hotel Continental

cantos e recantos hideaways

Parte da história de Luanda Part of the history of Luanda

26 • Casa das Artes

42 • Nelo Teixeira

Different rhythms towards a new tendency

A talent that stems from respect for everything around him

30 • ArtBurger

46• 47• 48 • Lisboa

Ritmos diferentes para uma dinâmica nova

prazeres pleasures

Onde a gula não é pecado Where gluttony is not a sin

34 • Maison Ackerman vinhos wines

38 • Gin Bar

bar/cocktail bar/cocktail

O novo lounge de Luanda The new cocktail lounge in Luanda

40 • O desafio dos 30 dias

bem-estar well-being

Um mês para perder os quilos a mais The 30-Day Challenge One month to lose extra kilos

indispensável essential

Um dom que vem do respeito por tudo o que o rodeia

pag.

42

compras shopping

design design

porta de embarque boarding gate

Visitámos a melhor cidade do mundo Lisbon We’ve visited the best city in the world

54• 56• 58•

lazer leisure

postal post card

fotografia photography: Carlos de Aguiar

raízes e cultura roots and culture

páginas amarelas contacts

Director-Geral Nuno Fernandes Director Geral–Adjunto João Pedro Mendes Directora Editorial Ana Filipa Amaro Morada Smart Village Talatona - Zona CS1 - Via AL 19A - Talatona - Luanda - Angola, Tel.: (244) 222 011 866/867, Fax: (244) 222 006 032, E-mail: edicenterlda@gmail.com Coordenadora Patrícia Pinto da Cruz patricia.cruz@edicenter-angola.com Copy Desk Octaviano Correia, Ludmila Böse (inglês) Redacção António Piçarra, Edjail dos Santos, José Pedro Correia e Sebastião Vemba Colaboradores Catarina Madeira e Hildérico Coutinho Tradução Ludmila Böse Fotografia Vasco Célio (Editor), Carlos de Aguiar e Isidoro Felismina (arquivo) Design Ana Nascimento – Executive Paginação Inês Maia Capa Vasco Célio Publicidade geral@edicenter-angola.com Secretariado Aida Chimene geral@rotasesabores.com, Tel.: (+ 244) 222 011 866 ou (+244) 925 117 849 Morada Smart Village Talatona - Zona CS1 - Via AL 19A - Talatona - Luanda - Angola Delegação em Lisboa Iona - Comunicação e Marketing, Lda, Rua Filipe Folque nº 10 J – 2 Dtº 1050-113 Lisboa, Tel.: (+351) 213 813 566/7/8 Fax: (+351) 213 813 569, iona@iona.pt Impressão e Acabamento Damer Gráfica, Luanda – Angola Distribuição Edicenter – Eunice Machado eunice.machado@ edicenter-angola.com, Tel. (+244) 222 011 866/67 Tiragem 5.000 Exemplares Angola - Registo Nº 697/B/1013

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editorial editorial 05

Na idade dos “Porquês” The age of “Whys” Dizem os especialistas que, aos três anos, as crianças iniciam uma fase de grande curiosidade. É a idade dos “Porquês” em que a criança adquire a capacidade de questionar tudo e todos. É também nesta idade que começa a formar-se a sua identidade. Começa a aperceber-se que o mundo, afinal, é enorme e que há uma diversidade de coisas e de pessoas com que tem que viver. Aos três anos, uma criança já é autónoma em algumas coisas e mais confiante: já consegue subir escadas alternando os pés, gosta de saltar os degraus e já consegue andar de triciclo. Os três anos são realmente especiais. É assim que nós, Rotas & Sabores, nos sentimos, ao chegar ao terceiro ano de vida: mais confiantes, preparados para arriscar mais e cada vez mais curiosos. É por essa razão que, de dois em dois meses, descobrimos lugares únicos em Angola, desbravamos caminhos para lá chegar e contornamos as dificuldades para termos sempre as melhores reportagens, as melhores estórias para contar aos nossos leitores. São estes, aliás, juntamente com os nossos parceiros, que nos dão a mão para subirmos mais degraus e nunca perdermos o equilíbrio nos maiores desafios. Já temos a nossa identidade, já sabemos quem somos e que existe muita coisa à nossa volta que não podemos ignorar. E é daí que surgem os porquês. Ainda é difícil viajar em Angola, porquê? Ainda é difícil ter acessos de qualidade às maravilhas que o país tem, porquê? Ainda são parcas as infra-estruturas turísticas, porquê? O turismo doméstico ainda não é uma realidade de relevo para o país, porquê? O turismo internacional é praticamente inexistente, porquê? O investimento privado ainda não acredita na potencialidade turística do país, porquê? Os organismos públicos ainda não caminham todos para o mesmo lado, porquê? Ainda não demos todos as mãos, porquê? À semelhança de uma criança, continuaremos a questionar, continuaremos a descobrir, continuaremos a arriscar. Somos serenos, acreditamos que o futuro é risonho e por isso continuaremos, de dois em dois meses, a publicar a primeira e única revista de turismo feita em Angola. Parabéns a todos os que são Rotas & Sabores.

Experts say that at the age of three, children enter a phase of great curiosity. It is the age of “Whys”, in which a child acquires the ability to question everything and everyone. It is also at this age that their identity begins to form. The child begins to realize that the world is, after all, enormous, and that there is a diversity of things and people with whom a child has to live. At the age of three, a child is already, in some aspects, independent and more confident: he or she can already climb stairs by moving one foot after the other, likes to skip steps and can already ride a tricycle. The age of three is truly special. This is how we, Rotas & Sabores, feel as we reach the third year of our existence: more confident, ready to take more risks and increasingly curious. That is why, every two months, we discover unique places in Angola, venturing down trails and overcoming difficulties to bring you the best articles and the most spellbinding stories. It is you, as well as our partners, who help us go up a few more steps and never lose balance when facing big challenges. We already have our identity, we already know who we are and that there is a lot around us that we cannot ignore. That’s where the whys come from. Why is it still difficult to travel in Angola? Why is it still difficult to have quality access to the country’s natural wonders? Why is the tourism infrastructure still scarce? Why isn’t domestic tourism yet a major reality for the country? Why is international tourism into the country practically non-existent? Why doesn’t private investment believe in the country’s tourism potential? Why are public sectors still not walking side by side? Why haven’t we already joined hands? Like a child, we will continue to ask questions, we will continue to discover, we will continue to take risks. We are calm. We believe that the future is bright and so we will continue to publish, every two months, the first and only tourism magazine made in Angola. Congratulations to all who are Rotas & Sabores.

Ana Filipa Amaro Directora Editorial Editorial Director

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O protector das palancas The Protector of the Giant Sable O angolano Manuel Sacaia, que actualmente trabalha para a Fundação Kissama e colabora no programa “Pastor das Palancas”, recebeu das mãos do naturalista e apresentador de televisão Sir David Attenborough o Prémio da Tusk do “Melhor Fiscal do Ano” como reconhecimento da sua dedicação à protecção da palanca negra gigante, símbolo da fauna angolana. Em Londres e perante o Príncipe William, Manuel Sacaia disse que a protecção da nossa biodiversidade exige coragem, dedicação e muito sofrimento, acrescentando: “Que este prémio mostre que juntos podemos fazer mais”. Angolan Manuel Sacaia, who currently works for the Kissama Foundation and provides assistance to the “Pastor das Palancas/Giant Sable Shepherd” program, has received the Tusk Wildlife Ranger Award at the hands of the naturalist and television presenter Sir David Attenborough in recognition of his dedication to protecting the giant sable antelope, the beloved national symbol of the Angolan fauna. In the presence of Prince William, in London, Manuel Sacaia stated that safeguarding our biodiversity requires courage, dedication and enduring a lot of hardship, adding: “Let this prize show that together we can do more.”

Girafas em perigo de extinção Giraffes in danger of extinction As nossas amigas mais altas entraram oficialmente na lista vermelha dos animais em perigo de extinção. Neste momento existem cerca de 97 mil girafas em todo o mundo, um número alarmante que não pára de diminuir. Os culpados são os suspeitos do costume: poluição, caça furtiva e destruição de espaços selvagens para expansão do território do Homem. Estas acções, segundo um estudo da Living Planet Index, farão com que cerca de dois terços dos animais selvagens de todo o mundo estejam extintos até 2020. Um triste destino que ninguém parece conseguir combater.

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Our tallest friends have officially entered the red list of endangered animals. At the moment, there are nearly 97,000 giraffes worldwide, an alarming number that continues to decrease. The culprits are the usual suspects: pollution, poaching and destruction of natural habitats as human expansion encroaches upon wildlife territories. According to a Living Planet Index study, these continued actions will bring about the extinction of approximately two-thirds of the global wildlife by 2020, a sad fate that no one seems to be able to stave.

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panorâmica overview 07

A associação da gastronomia angolana The Angolan gastronomy association

Foi em Novembro passado que foi proclamada a Associação dos Profissionais de Cozinha e Pastelaria de Angola, que vem unir os profissionais do ramo e impulsionar todo o sector da gastronomia do país. Na cerimónia da proclamação da associação, o ministro da Hotelaria e Turismo, Paulino Baptista, referiu que a gastronomia angolana, pela sua diversidade e riqueza, desempenha um papel muito importante na promoção e divulgação do país como destino turístico. A nova associação tem como presidente o chef Helt Araújo. The Association of Angolan Gastronomy Professionals came into being last November, bringing together the experts of this field and giving the country’s gastronomy sector a much needed boost. The ceremony was attended by Minister of Tourism, Paulino Baptista, who declared that the diversity and richness of the local cuisine gives it a very important role in promoting and advertising Angola as a tourist destination. The association is to be headed by Chef Helt Araújo.

2017 começa com novo restaurante em Luanda 2017 starts with a new restaurant in Luanda Restaurante Expresso é o nome do novo espaço inaugurado em Janeiro pelo Grupolider. Fica na Via Expresso, em Benfica, e especializa-se em almoços rápidos com uma relação preço/qualidade muito equilibrada e várias opções de escolha em buffet ou à la carte. O novo espaço é muito agradável, com um design moderno, clean e minimalista que pretende transmitir frescura, conforto e confiança. Tudo isto, além da esplanada ao ar livre e do estacionamento com segurança privada, já é suficiente para o Restaurante Expresso merecer uma visita. “Restaurante Expresso” is the name of the latest space for lunch breaks. Opened in January by Grupolider, it’s located at the expressway “Via Expresso” in Benfica and it specializes in quick lunches, offering a very balanced price/quality ratio and a varied menu available as buffet or a la carte. This new venue aims to please with its modern, clean and minimalist look that creates a confident atmosphere of freshness and comfort. It includes an outdoor terrace and secured private parking. It’s worth visiting during your next lunch break.

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O primeiro parque aquático de Luanda The first water park in Luanda Chama-se Kool Park e fica no Patriota. Ao contrário da maioria dos parques de diversões, este tem um pouco de tudo: piscina, claro, várias áreas desportivas, restaurantes, discoteca e muitos espaços de lazer, tanto para crianças como para adultos. Um mundo de lazer pensado para famílias, escolas e grupos de amigos que procurem espaços de entretenimento diferentes. O Kool Park está aberto todos os dias das 8 horas à meia-noite (excepto a piscina, que encerra às 18 horas). Não deixe de fazer uma visita.

It’s called Kool Park and it’s located in the Patriota neighborhood. Unlike most amusement parks, this one offers a bit of everything: the quintessential swimming pool, several sports courts, restaurants, nightclub and areas for both children and adults. It is a world of leisure designed for families, schools and groups of friends looking for different sorts of entertainment. Kool Park is open every day from 8:00 a.m. to 12:00 a.m. (excepting the swimming pool, closing at 6:00 p.m.). Be sure to pay a visit.

2017: Ano do Turismo 2017: The Year of Tourism A Organização das Nações Unidas (ONU) declarou que 2017 será o Ano Internacional do Turismo Sustentável para o Desenvolvimento, já que o mesmo é muito importante para que haja mais compreensão entre os povos, maior consciência da herança das várias civilizações e uma “melhor apreciação dos valores inerentes de diferentes culturas, contribuindo assim para o fortalecimento da paz no mundo”. Assim, este ano a Organização Mundial do Turismo (OMT) vai trabalhar com os governos, com a ONU e com outras organizações para aumentar a contribuição do sector à economia, à sociedade e ao ambiente. The United Nations has proclaimed 2017 the International Year of Sustainable Tourism for Development, as it becomes increasingly important to have more understanding among peoples, greater awareness of the heritage of the various civilizations and a “better appreciation of the inherent values of different cultures, therefore contributing to the strengthening of peace in the world”. Thus, this year the World Tourism Organization (WTO) will work with governments, the UN and other organizations to increase the sector’s contribution to the global economy, societies and environment.

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panorâmica overview 09

Novo ano, nova cara New year, new image A TV Record reinventou a imagem que apresenta aos angolanos (que agora terá uma programação com mais produção local) e ainda os premeia com um novo programa totalmente produzido em Angola. Com estreia em Março, a “Escola da Moda” vai ter como apresentadores Mell Chaves e o produtor de moda Hadjalmar El Vaim (Hadja), que vão seleccionar pessoas em locais públicos ou através de inscrições pelas redes sociais e vão dar-lhes uma transformação completa em cabelo, maquilhagem e vestuário. TV Record has reinvented its image broadcasted to Angolans, who will from now on enjoy programs with more local content, including a new TV show fully produced in Angola. Débuting in March, “Fashion School” will have Mell Chaves and fashion producer Hadjalmar El Vaim (Hadja) as the presenters who will select guests in public places or through social networks registrations and give them a complete hair, make-up and clothing make-over. texto text: Patrícia Pinto da Cruz fotografia photography: Vasco Célio, Carlos de Aguiar e iStockphoto

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Experimentar eternamente novas rotas e sabores To experience new routes and flavors forevermore João Nunes, Director Criativo do Grupo Executive João Nunes, Executive Group Creative Director

Gosto de cozinhar para a minha família e de viajar com os amigos; adoro cozinhar para os amigos e viajar com a família. Viajar e comer – as rotas e os sabores – sempre foram inseparáveis no meu imaginário. Que melhor forma pode haver para conhecer um novo lugar do que através dos seus aromas e paladares? Olho para as minhas viagens e as histórias que revejo vêm sempre entrelaçadas com as refeições que por lá experimentei. Chiang Mae, na Tailândia? Revivo um caril verde, um Buda reticente e bananas. Fortaleza? Um carro atolado numa estrada miserável, uma família prestável e uma carne de sol inesquecível. Tulum, no México? Uma vaca a espreitar na janela do hostal – e fajitas de iguana (que sabiam a galinha, é certo...). Colombo, no Ceilão? Gente a mostrar-me BI’s com apelidos portugueses e um caril estupida-

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I like to cook for my family and to travel with my friends; I love to cook for my friends and to travel with my family. Travelling and eating – routes and flavors – have always been inseparable in my imagination. Is there a better way to know a new place than through its aromas and flavors? When I look back at my travels, the stories that come to mind are always linked to the food I ate wherever I went. Chiang Mae, Thailand? Green curry, a reticent Buddha and bananas. Fortaleza, Brazil? A car stuck on a miserable road, a helpful family and unforgettable sundried beef. Tulum, Mexico? A cow sticking its head through the hostel window and iguana meat fajitas (which tasted like chicken, naturally...). Colombo, Sri Lanka? People showing me ID cards with Portuguese

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Bebiam, com moderação mas evidente prazer, um bom vinho alentejano, e só interrompiam a conversa quando algum dos pitéus que não paravam de chegar lhes tolhiam as palavras. They drank, moderately, but with evident pleasure, a good Alentejo wine, breaking the flow of their conversation only when the food that was continuously delivered to their table demanded their full attention.

mente picante, comido à mão num shopping popular. Jericoacoara, no Ceará? Crepes de marisco, ostras frescas e a noite mais estreladamente romântica que é possível imaginar. Luanda? Um mufete – aquele feijão de óleo de palma… – no Bairro Operário, sentado ao lado dos meus pais entre muitas caras amigas. Os exemplos podiam suceder-se até encher esta página (esta revista...?). Metade do prazer de uma viagem está na sua antecipação. Nos planos que se fazem (e depois, muitas vezes, não se cumprem); nos trajectos que se desenham em mapas virgens; nos itinerários que se discutem e negoceiam, etapa a etapa, com os comparsas viajantes; nas aventuras, revelações e descobertas que se antevêem com excitação – e não pouca inocência. Há todo um percurso que começa muito antes de metermos os pés à estrada, uma viagem da mente e da imaginação em que o coração se treina para resistir aos palpitares mais fortes que se avizinham. A comida está lá também, nessa pré-viagem. Procurando os pratos típicos que se deverão provar; ouvindo conselhos sobre os restaurantes obrigatórios; listando as receitas novas que é imperativo descobrir e os

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ingredientes que terão de encontrar lugar na bagagem de volta. É por isso que, muito antes de ter qualquer viagem agendada, já sonho com o dia em que irei comer sushi de madrugada no mercado do peixe de Tóquio. Que quase consigo sentir a textura perfeita de um bife de chorizo no ponto, degustado em Buenos Aires ao som de uma milonga borgesiana. Que mal posso esperar para saborear uma tajine de borrego no Sahara, enquanto admiro as dunas a perder de vista. Na primeira vez que levei a minha mulher a conhecer as belezas de Évora, em Portugal, jantámos num dos espaços incontornáveis da cidade, o Fialho. Ao nosso lado destacava-se um casal brasileiro, de idade avançada. Ele, elegantíssimo, ouvia com atenção os planos que a esposa, mais elegante ainda, fazia para o dia seguinte. Bebiam, com moderação mas evidente prazer, um bom vinho alentejano, e só interrompiam a conversa quando algum dos pitéus que não paravam de chegar lhes tolhiam as palavras. Por alguns momentos antevi imagens de um futuro que não me importaria de viver: com tempo, saúde e dinheiro para, na companhia da mulher que amo, continuar eternamente a experimentar novas rotas e sabores.

names and a stupidly hot curry eaten with the hands at a very local shopping mall. Jericoacoara, Ceará? Seafood crepes, fresh oysters and the most romantic starry night you could possibly imagine. Luanda? A “mufete” – those beans cooked with palm oil… - at Bairro Operário, sitting next to my parents and surrounded by many friendly faces. The examples could fill this page (and who knows, the entire magazine…?) Half of the pleasure of travelling is anticipating it. The plans that are made (and often not followed through); the routes drawn on virgin maps; the stops argued over and negotiated with travel companions every step along the way; the adventures, revelations and discoveries that are met with excitement – and plenty of naiveness. There is a whole path that starts long before we put our feet on the road, a journey of the mind and imagination in which we train our hearts to resist the strongest impending jolts. Food is also a part of the pre-journey. Looking for local dishes to try; hearing advice about unmissable restaurants; making lists of new recipes to discover and ingredi-

ents that will have to be squeezed into the returning luggage. That is why, long before any scheduled trip, I already dream of the day I will eat early morning sushi at the Tokyo fish market. Why I can almost feel the perfect texture of a chorizo steak savored in Buenos Aires to the sound of a Borgesian Milonga. Why I can hardly wait to enjoy a lamb tagine in the Sahara while gazing at dunes stretching beyond the horizon. The first time I took my wife out to explore the splendors of Évora, in Portugal, we dined at one of the city’s irresistible restaurants, the Fialho. The table next to ours was occupied by an elderly Brazilian couple. He, very elegant, listened carefully to the plans his even more elegant wife traced for the following day. They drank, moderately, but with evident pleasure, a good Alentejo wine, breaking the flow of their conversation only when the food that was continuously delivered to their table demanded their full attention. For a few moments, I glimpsed a future that I would not mind living: time, health and money to experience new routes and flavors forevermore in the company of the woman I love.

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Mais do que resguardadas pela frondosa floresta, as Grutas do Nzenzo estĂŁo protegidas por guardiĂľes ancestrais. Sheltered by the flourishing rainforest, the Nzenzo Caves are said to be protected by ancestral guardians.

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Uíge

Lugar de feitiços, lendas e maravilhas A place of spells, myths and wonders texto text: Pedro Correia fotografia photography: Vasco Célio

Mais do que resguardadas pela frondosa floresta que domina as belas paisagens do Norte de Angola, as Grutas do Nzenzo estão protegidas por guardiões ancestrais cuja idade se perde na memória dos tempos. E os segredos ali fechados só podem ser revelados aos viajantes autorizados pelos espíritos dos antepassados que habitam este lugar místico. A visita às Grutas do Nzenzo, uma das 7 Maravilhas Naturais de Angola, foi um dos principais propósitos da nossa viagem ao Uíge. Com a logística preparada partimos de Luanda em direcção à capital da província que é conhecida como “a terra do bago vermelho”. O Uíge foi, em tempos, uma das regiões de Angola mais ricas em café. As fazendas de muitos e muitos hectares foram deixadas à sua sorte durante os anos de conflito, mas algumas delas começam agora, passo a passo, a ver renascer os cafezais. Também em marcha muito lenta caminham as perspectivas de desenvolvimento de projectos turísticos na região, qual tímido raio de sol que, por entre a tempestade, ilumina a semente plantada a um canto da frondosa floresta. Ainda assim, quisemos desbravar caminhos e descobrir as rotas e os sabores das ricas terras do café, da jinguba (amendoim), mandioca, batata-doce e da banana.

Sheltered by the flourishing rainforest typical of the densely wooded landscapes of northern Angola, Grutas do Nzenzo (“Nzenzo Caves”) are said to be protected by ancestral guardians since time immemorial. The story goes that the secrets of these caves can only be revealed to visitors allowed to enter by the spirits of the ancestors who inhabit this mystical place. Visiting the Nzenzo Caves was one of the reasons for our trip to Uíge. So, after making all necessary logistic arrangements, we left Luanda en route to the capital of Uíge Province, also known as “the land of the red coffee bean”. Uíge was once one of the most prosperous coffee regions in Angola, home of extensive farms spreading over hectares of fertile soil. Left to their fate during the lengthy civil war, today, some of these estates are beginning to take tentative steps towards the revival of coffee culture. The development of tourism in the region is also facing a very slow start-up, much in the manner of the timid ray of sunshine in a storm that illuminates the seed planted in a corner of the leafy forest. Nevertheless, we were undaunted by these prospects and determined to clear paths and discover the routes and tastes of the lands rich in coffee, peanuts, cassava, sweet potatoes and banana.

A Lagoa do Feitiço A viagem entre Luanda e o Uíge dura pouco mais de 4 horas e meia. São perto de 300 quilómetros percorridos em asfalto com algumas zonas de curvas apertadas, sobretudo no troço a seguir à

The Spellbound Lagoon The trip from Luanda to Uíge takes a little over four and a half hours. There are about 300 kilometers of paved road with some very tight curves, especially in the stretch after the town of Caxito.

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As Grutas do Nzenzo são uma das 7 Maravilhas Naturais de Angola. The Nzenzo Caves are one of the seven natural wonders of Angola.

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contam, por exemplo, a desgraça do desaparecimento da aldeia de Ngungo Indua e dos seus 1500 habitantes por não terem ajudado um homem misterioso que passou pelo lugar e previu a tempestade do dia seguinte que apenas poupou a vida de duas crianças e de seus pais, os únicos que lhe prestaram assistência. Da Lagoa, antes conhecida como Ujia Ya Mbuila, conta-se também a estória de um fazendeiro português, José Dinis, que terá dado o nome à Lagoa do Feitiço depois de, há muitos anos, ter feito um piquenique nas margens da lagoa. Apesar de alertado, ignorou os avisos de perigo e a desgraça abateu-se sobre a sua família. Hoje, a Lagoa do Feitiço é um lugar protegido e só pode ser visitada com a permissão das autoridades tradicionais da região, que devem ser contactadas ali perto, na aldeia Dambi à Ngola, para a realização dos rituais que dizem ter o poder de acalmar os espíritos que ali habitam. Mesmo assim, diz a lenda, não se pode sequer tocar na água sem autorização expressa dos mais velhos da aldeia porque quem o fizer pode simplesmente desaparecer.

Por entre o verde da paisagem luxuriante, surgem pequenos pontos de vida em aldeias que se dedicam à pequena agricultura e à pesca. There are signs of life amid the lush green landscape. Farming and fishing communities sprout here and there. cidade de Caxito. Úkua e Quitexe são as grandes localidades que podemos encontrar pelo caminho. Aqui e ali, por entre o verde da paisagem luxuriante, surgem pequenos pontos de vida em aldeias que se dedicam à pequena agricultura e à pesca nos muitos rios que atravessam a floresta. E é por entre as árvores da beira da estrada da comuna de Aldeia Viçosa, no município do Quitexe, a pouco mais de 50 quilómetros da cidade do Uíge, que se esconde a Lagoa do Feitiço. Um lugar igualmente místico e cheio de estórias de muitos séculos que

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Úkua and Quitexe are the largest villages along the way. However, there are signs of life amid the lush green landscape. Here and there, farming and fishing communities sprout from the banks of the many rivers that cross the forest. Further on, we spotted the “Spellbound Lagoon” through the tree-lined main street of Aldeia Viçosa, a village in the Quitexe municipality some 50 kilometers from the city of Uíge. Known in Portuguese as Lagoa do Feitiço, this place is as mystical as the famed caves and the source of

As Pedras do Encoge Se a floresta ajuda a guardar os segredos das Grutas do Nzenzo e da Lagoa do Feitiço, as Pedras do Encoge protegem as ruínas da Igreja e do Forte de São José, edificações que têm mais de 300 anos. As Pedras do Encoge são, na verdade, designadas Matadi Mankosi, em Kikongo, que em português se traduz por “as pedras do leão”. Há muitos anos, as gigantescas pedras existentes no caminho que se desvia à esquerda na estrada para o Ambuíla, eram o esconderijo dos leões que povoavam aquela região. O “aportuguesamento” de Mankosi deu então nome às Pedras do Encoge, como são hoje conhecidas estas imponentes e invulgares serras que dominam a paisagem daquela zona. Por trás das enormes montanhas de pedra, e agora perdidas entre a vegetação, estão a Igreja de São José e o Forte com o mesmo nome ali construídos em meados do século XVIII. São testemunhos do movimento migratório colonial que por volta de

innumerable age-old tales, such as that recounting the tragic demise of Ngungo Indua village and its 1500 inhabitants for not having helped a mysterious man who passed by foreseeing the storm that would come the following day and wipe out the entire community, sparing only the lives of the two children and their parents who gave him shelter. The Lagoon, formerly called “Ujia Ya Mbuila”, also sprang the tale of Portuguese farmer José Dinis, who named the body of water “Spellbound Lagoon” after picnicking on its banks despite being cautioned not to do so. As he ignored the warnings of impending danger, misfortune fell upon him and his family. Today, the “Spellbound Lagoon” is a protected place and can only be visited with the permission of the traditional authorities of the region, who can be contacted in the nearby village of Dambi à Ngola to perform the rituals they claim to have the power to calm the spirits that live in the lagoon. Even so, the legend goes that one cannot as much as touch the water without the express authority of the village elders, for whoever does it may simply disappear. The Encoge Rocks If the forest helps to conceal the secrets of the Nzenzo Caves and the “Spellbound Lagoon”, Pedras do Encoge (“Rocks of Encoge”) protect the ruins of the São José Church and Fortress built over 300 years ago. The Encoge Rocks are, in fact, called “Matadi Mankosi” in the Kikongo language, which in English can be translated roughly as “The Lion Rocks”. Many years ago, these gigantic rocks on a secondary road leading away from Ambuíla were a hiding place for the lions that once roamed the region. The acculturation of the word “Mankosi” by the Portuguese originated the expression “Encoge”, the present name of these impressive and unusual boulders rising out of the local landscape. Behind these boulders, now lost among the vegetation, are the mid 18th century remains of the São José Church and Fortress. They are testimonies of the colonial migratory movement

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that, by 1750, tried to penetrate Uíge Province bearing Christianity in one hand and military power in the other. There is a lot more to visit in Uíge, but there was not enough time to explore this province’s many sights. We spend the night in the capital city. On the next day, we set out to discover the high point of our journey.

A Lagoa do Feitiço é um lugar protegido e só pode ser visitada com a permissão das autoridades tradicionais. 1750 tentava entrar no interior da província do Uíge com a fé cristã numa das mãos e o poder militar na outra. As Grutas do Nzenzo No Uíge há muito mais a visitar, mas a estadia curta não permitiu outras viagens pelo interior da província. Tínhamos de regressar à cidade do Uíge, onde ficámos hospedados, e preparar a jornada do dia seguinte que nos reservava uma das mais emocionantes visitas. As Grutas do Nzenzo são uma das 7 Maravilhas Naturais de Angola. Situam-se no município do Ambuíla, cuja sede está a pouco mais de uma centena de quilómetros da cidade do Uíge. Para quem sai de Luanda, as grutas ficam a cerca de 350 quilómetros em direcção ao Uíge. É preciso chegar à vila de Quitexe e alguns quilómetros depois (na direcção Luanda/Uíge) virar à esquerda para uma estrada de terra batida. Até aqui terão sido percorridos perto de 250 quilómetros. Do asfalto à sede municipal do Ambuíla são mais 76 e outros 17 quilómetros percorridos em picada dali até à aldeia situada à entrada das grutas, rodeada por enormes montanhas conhecidas como as Pedras do Bombo. Para lá chegar, no entanto, é preciso avisar as autoridades municipais através de contactos prévios feitos junto do Governo provincial do Uíge. A administração municipal, por sua vez, pede que as autoridades tradicionais da aldeia de Bombo, nas proximidades das grutas, permitam a visita dos viajantes, que à chegada ao povoado e junto da entrada das grutas devem cumprir um rigoroso ritual. Só depois destes rituais e de um breve diálogo entre o seculo da aldeia (uma das autoridades tradicionais) e os espíritos que guardam as grutas se pode começar a breve caminhada para estes refúgios de pedra protegidos pela densa vegetação e por sentinelas de muitos metros, árvores gigantescas cujos troncos e copas mantêm o lugar numa misteriosa penumbra e deixam no ar odores a madeira molhada. Ao longe um som ininterrupto anuncia uma queda de água. Atravessamos a pequena ponte de madeira e descemos a ladeira inclinada. Por entre as sombras abrem-se finalmente as portas das Grutas do Nzenzo, um espectáculo raro que desperta os nossos sentidos. A água fresca jorra incessante de uma fenda situada no tecto das grutas qual gárgula ali construída para afastar os maus espíritos. Dizem os habitantes que ali perto não passa nenhum rio nem riacho, não há lagos nem lagoas, mas a água corre sempre, sem parar, durante todo o ano e da mesma maneira. Uma misteriosa fonte inesgotável que dá vida ao lugar onde muitas vezes são avistados animais que os mais velhos caçam para alimentar as famílias.

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The Nzenzo Caves The Nzenzo Caves are one of the seven natural wonders of Angola. They are located in the Ambuíla municipality whose administrative seat is nearly 100 kilometers away from the city of Uíge. For those leaving Luanda, the caves are about 350 kilometers in the direction of Uíge. Upon reaching the village of Quitexe, turn left onto a unpaved road a few kilometers later (direction Luanda - Uíge). Up to this point, you will have travelled almost 250 kilometers. From the tar road to the municipal seat of Ambuíla is 76 Kilometers plus another 17 kilometers covered in dirt roads until the village of Bombo located at the entrance of the caves, whose name takes after the large surrounding boulders known as Pedras do Bombo (“Bombo Rocks”). Be advised that to visit the caves, it is necessary to notify the municipal authorities by contacting the Uíge provincial government in advance. The municipal administration will, in turn, ask the traditional authorities at the village of Bombo receive visitors who, upon arriving at the village, must follow a rigorous ritual near the entrance of the caves. Only after these rituals and a brief dialogue between the Seculo - one of the traditional authorities of the village - and the spirits who guard the caves, can you begin the short walk to these stone refuges protected by dense vegetation and high-rising sentinels; gigantic trees whose trunks and treetops keep the place in a mysterious penumbra and infuse the air with the smell of wet wood. In the distance, an uninterrupted sound announces a waterfall. We cross a small wooden bridge and walk down a steep slope. Through the shadows, the gates of the Nzenzo Caves are finally opened to us; a rare and breathtaking sight. Fresh water gushes incessantly from a crack in the cave vault, like a gargoyle built to ward off evil spirits. The inhabitants say that there are no nearby rivers or creeks, and neither lakes nor ponds, but that the water runs steadily, nonstop, all year round. A mysterious and inexhaustible source of life attracting wild animals that elderly village men hunt to feed the families.

The Spellbound Lagoon is a protected place and can only be visited with the permission of the traditional authorities.

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Nas Grutas do Nzenzo a água fresca jorra incessante de uma fenda situada no tecto, qual gárgula ali construída para afastar os maus espíritos. In the Nzenzo Caves, fresh water gushes incessantly from a crack in the vault, like a gargoyle built to ward off evil spirits.

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Tome Nota

Take Note

Como ir Apesar de a cidade do Uíge ter um aeroporto, apenas pequenas aeronaves o utilizam não existindo actualmente voos regulares da TAAG para a capital daquela província. De carro, a saída de Luanda faz-se em direcção a Caxito. Atravessada a capital da província do Bengo, as maiores localidades encontradas pelo caminho são o Úkua e Quitexe, numa viagem até ao Uíge de cerca de 300 quilómetros, percorridos em pouco mais de 4 horas e meia devido à sinuosidade de parte da estrada entre Caxito e Úkua. Onde ficar Porque não existem estruturas hoteleiras pelo caminho, a hospedagem terá de ser feita na cidade do Uíge que tem uma oferta diversificada de hotéis e pensões. O Hotel Bago Vermelho é uma das mais recentes unidades hoteleiras da cidade. Fica situado mesmo no centro, na Avenida Dr. António Agostinho Neto, nº 27. Poderá reservar através do telefone +244 944 411 164/94. Visite o site www.hotelbagovermelho.com ou o Facebook: Hotel Bago Vermelho. Onde comer A cidade do Uíge oferece uma vasta rede de restaurantes, bares e cafés. Cuidados a ter A floresta tropical tem sempre imensos mosquitos. Um repelente e roupa apropriada são sempre necessários. Outros cuidados devem ser observados em caminhadas pela floresta para evitar encontros indesejados com outros insectos e animais rastejantes. Imperdível Uma visita às Grutas do Nzenzo. Preços médios Se optar pelo Hotel Bago Vermelho, o alojamento com pequeno-almoço incluído varia entre os 17 mil e os 20 mil kwanzas. Os serviços de buffet do hotel (disponíveis também aos não-hóspedes) custam 3 mil kwanzas por pessoa.

How to go Although the city of Uíge has an airport, it is used only by light aircraft. At the moment, there are no regular TAAG flights to the capital of Uíge. By car, depart Luanda in the direction of Caxito. After crossing the capital of Bengo province, the largest localities along the way are the villages of Úkua and Quitexe. Uíge is around 300 kilometers away from Luanda, traveled in approximately four and a half hours due to the sinuous stretch of road between Caxito and Úkua. Where to stay Because there are no hotels along the way, you will have to seek accommodation in the city of Uíge, which offers a variety of hotels and pensions. Hotel Bago Vermelho is one of the newest hotels in the city. It is located right in the center, on Avenida Dr. António Agostinho Neto, 27. Bookings are available through +244 944 411 164/94. For more information, please visit www.hotelbagovermelho.com or Facebook: Hotel Bago Vermelho. Where to eat The city of Uíge has an attractive array of restaurants, bars and cafés. Take care The rainforest is always full of mosquitoes. Insect repellent and adequate clothing are always advised. Other precautions should be observed when trekking through the forest to avoid unwanted encounters with other insects and crawling animals. Not to miss A visit to Nzenzo Caves. Average prices If you choose to stay at Hotel Bago Vermelho, accommodation with breakfast included ranges from 17,000 to 20,000 kwanzas. The hotel’s buffet services (also available to non-guests) cost 3,000 kwanzas per person.

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Hotel Continental

Parte da histรณria de Luanda Part of the history of Luanda texto text: Pedro Correia fotografia photography: Carlos de Aguiar

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Por quatro anos consecutivos o Hotel Continental ganhou para Angola os prémios World Travel, conhecidos como os Óscares do Turismo. For four consecutive years Hotel Continental has won World Travel Awards, also known as the “Oscars of Tourism”.

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Situado em plena baixa, numa das zonas mais antigas de Luanda, e com vista panorâmica sobre a baía, o Hotel Continental ostenta uma arquitectura que o mantém discreto por entre os edifícios que o rodeiam, alguns já envelhecidos pelo tempo e outros mais modernos, alguns até acabados de construir nesta área nobre da cidade. Orgulha-se da sua história de mais de 60 anos, do conforto e da qualidade que oferece aos seus clientes e, sobretudo, dos homens e mulheres que todos os dias dão vida ao hotel, grande parte deles com as suas próprias vidas e carreiras profissionais construídas nos seus corredores ao longo de várias décadas. Esta unidade hoteleira de três estrelas, uma das mais antigas de Angola, foi inaugurada em 1955 e desde logo se tornou numa referência. A sua história inicial está ligada à história da aviação civil portuguesa em Angola, ao ter sido o hotel seleccionado para hospedar as tripulações dos primeiros voos comerciais realizados pela TAP. Tem igualmente uma forte ligação com o café, já que na altura do grande desenvolvimento da cafeicultura hospedou distintos homens de negócios e muitas figuras políticas e sociais da época. O projecto inicial do Hotel Continental tinha 71 quartos, restaurante, bar, sala de leitura, solário, estação de serviço e loja. Mais tarde, as primeiras obras incluíram melhoramentos nos quartos, no restaurante e no bar, assim como nas áreas de serviço. No piso térreo foram criadas uma discoteca e uma pastelaria e, no 4º andar, surgiu uma esplanada com vista panorâmica para a baía e para a Ilha de Luanda.

Located right in the center of Luanda, in one of its oldest quarters, Hotel Continental offers a sweeping view of the bay and displays an architecture that keeps it discreet among the surrounding urban landscape of ageing buildings, modernist apartment blocks and new skyscrapers built on prime land. It is proud of its more than 60 years of history, of the comfort and quality it provides to its guests, and especially of the men and women that work in this establishment. Most of them have dedicated decades of their lives and careers in the corridors of this three-star hotel. One of the oldest in Angola, was inaugurated in 1955 and soon became a reference. Its early history is linked to the history of Portuguese civil aviation in Angola, as it was selected to host the crews of TAP’s first commercial flights to the country. It has besides a strong connection with coffee. It hosted distinguished businessmen and many political and social figures during the era of the coffee boom.

O Hotel Continental orgulha-se da sua história de mais de 60 anos, do conforto e da qualidade que oferece aos seus clientes. Hotel Continental is proud of its more than 60 years of history, of the comfort and quality it provides to its guests.

O restaurante Caravela serve cozinha internacional e angolana. The “Caravela” restaurant serves international and Angolan cuisine.

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Em 2001 o hotel beneficiou de novos melhoramentos. A discoteca foi transformada em recepção e surgiram outras áreas com a construção de salas de reuniões. Ainda com 71 quartos, o Hotel Continental deu início, em 2006, ao processo de certificação ISO 22000, relativo à segurança alimentar, implementando de seguida um sistema de Gestão de Qualidade. Em 2008 voltou a fazer a diferença ao ser o primeiro hotel de Angola a obter a Certificação Internacional ISO9001. A grande procura levou a novas obras e, em 2007, o hotel aumentou

a sua capacidade para 83 quartos, incluindo oito suites (quatro seniores e quatro juniores) e um quarto para pessoas com mobilidade reduzida. Dois anos depois o restaurante ganhou novos espaços para dar resposta ao maior número de clientes. Preservar e modernizar Ao passarmos pela entrada do Hotel Continental, os aromas, parte do mobiliário e da decoração levam-nos numa viagem pelo tempo e quase podemos ver pelos corredores o passo apressado dos comandan-

The hotel was initially projected to accommodate 71 rooms, a restaurant, bar, reading room, solarium, service station and a store. Later, the first remodeling works included improvements in the rooms, restaurant, bar and service areas. A nightclub and café were added to the ground floor. The 4th floor became a terrace with a panoramic view of the bay and Luanda Island. In 2001, the hotel underwent more improvements. The nightclub was transformed into a reception area and functions’ rooms. Still at 71 rooms, in 2006, the hotel management in-

itiated the ISO 22000 certification process, related to food safety, and implemented a quality management system. In 2008, it set a new standard for being the first hotel in Angola to receive the ISO9001 International Certification. A rise in the demand led to new upgrades and in 2007, the hotel increased its capacity to 83 rooms including eight suites (four senior and four junior) and a room for people with reduced mobility. Two years later, the restaurant was expanded to meet the growing number of customers.

Os aromas, parte do mobiliário e da decoração, levam-nos numa viagem pelo tempo, mas a modernidade está presente nos recantos equipados e decorados com peças contemporâneas. The smells and some of the furnishings and décor take guests on a journey back in time, but modernity makes its presence felt in the spaces equipped and decorated with contemporary pieces.

Tome Nota Onde ficar O Hotel Continental situa-se em plena baixa da cidade de Luanda, na Rua Rainha Ginga, nº 18-21. Está a cinco quilómetros do aeroporto internacional 4 de Fevereiro. Onde comer O hotel dispõe do bar Equador, para 26 pessoas, da esplanada-bar Navio, situada no último piso com vista panorâmica para a baía e para a Ilha de Luanda, e do restaurante Caravela, com uma centena de lugares, onde todos os dias é servido um buffet com iguarias da cozinha internacional e angolana. Os pratos tradicionais angolanos são servidos com exclusividade à 5ª feira. O restaurante dispõe também de serviço à la carte. Imperdível Todas as sextas-feiras, a esplanada panorâmica Navio, no 4º piso, oferece o sunset com happy-hour a partir das 18 horas. E-mail reservas@hotelcontinentalluanda.com geral@hotelcontinentalluanda.com Telef. +244 222 334 241/2/3/4, 222 396 396 +244 222 392 735 +244 923 097 424 Website http://www.hotelcontinentalluanda.com Preços médios Os preços dos quartos standard não ultrapassam os 42 mil kwanzas e o preço máximo das suites está fixado em 99.000 kwanzas (com pequeno-almoço ao estilo buffet americano). O preço das refeições (buffet) é de 9900 kwanzas e o serviço à la carte tem preços médios que rondam os 6500 kwanzas.

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Take Note Where to stay Hotel Continental is located right in the heart of Luanda, at Rua Rainha Ginga, 18-21. It is five kilometers from 4 de Fevereiro International Airport. Where to eat The hotel caters “Bar Equador” seating 26 people, scenic rooftop terrace bar “Navio” and the Caravela restaurant seating a 100 and serving a buffet based on international and Angolan cuisine. Traditional Angolan cuisine is served exclusively on Thursdays. The restaurant also serves à la carte. Not to Miss Every Friday, the panoramic terrace “Navio”, on the 4th floor, offers happy hour sundowners starting at 6:00 pm. E-mail reservas@hotelcontinentalluanda.com geral@hotelcontinentalluanda.com Ph. +244 222 334 241/2/3/4, 222 396 396 +244 222 392 735 +244 923 097 424 Website http://www.hotelcontinentalluanda.com Average prices Prices for standard rooms do not exceed 42,000 kwanzas and the maximum price for the suites is set at 99,000 kwanzas (American buffet breakfast incl.). The fixed price for buffet meals is 9,900 kwanzas and meals à la carte are priced around 6,500 kwanzas.

tes e suas tripulações e o andar cauteloso de homens de gravata e chapéu-de-coco à procura do melhor negócio. No entanto, a modernidade está igualmente presente noutros recantos equipados e decorados com peças contemporâneas. Um ambiente que preserva o antigo e destaca o moderno, na recepção, nos corredores do hotel cuidadosamente decorados com quadros de várias cores e em todos os quartos onde o ambiente austero dos anos 50 é harmoniosamente incorporado numa atmosfera contemporânea. Qualidade e reconhecimento As certificações internacionais de qualidade aliadas às características do hotel, à capacidade de atendimento, à gestão e a todas as outras particularidades ligadas à hotelaria que coloca o cliente em primeiro lugar, fazendo-o sentir-se em casa, levaram o Hotel Continental a receber várias distinções. Por quatro anos consecutivos (2013, 2014, 2015 e 2016) concorreu e ganhou para Angola os prémios World Travel, conhecidos como os Óscares do Turismo, criados para certificar, premiar e celebrar a excelência em todos os sectores da indústria turística e hoteleira. A manutenção de certificação da qualidade em todas as áreas tem sido, aliás, a preocupação do hotel que faz investimentos sérios na formação dos seus quadros e na aquisição de novas tecnologias, tentando manter-se na vanguarda face à forte competitividade do mercado. Instalações e serviços Com Internet sem fios grátis por todo o edifício e serviço de rent-a-car, o Hotel Continental hoje tem também um ginásio que oferece a possibilidade aos clientes de trabalharem a forma física operando equipamento moderno e diversificado. As salas Mussulo e Chicala, cada uma com 35 lugares, permitem a realização de reuniões e outros eventos sociais e o business lounge reúne as condições para quem procura realizar negócios.

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Old and modern As we walk through the lobby of Hotel Continental, the smells, some of the furnishings and décor take us on a journey back in time. In the hallways, we can almost sense the hurried pace of captains and their crews or the cautious gait of men in suits and fedoras looking to do business in a foregone era. However, modernity makes its presence felt in the spaces equipped and decorated with contemporary pieces. There is an environment preserving the old and highlighting the modern at the reception, the hotel corridors are thoughtfully decorated with colorful pictures and all rooms bear the austere atmosphere of the 1950s harmoniously blended into a contemporary ambiance. Quality and recognition The international quality certifications, combined with the hotel’s characteristics, service, management and all the other features expected of the hospitality business, which aim to put the guest first and make him or her feel at home, have earned Hotel Continental several distinctions. For four consecutive years (2013, 2014, 2015 and 2016) the hotel has competed for and won World Travel Awards for Angola. This recognition, known as the “Oscars of Tourism”, was created to certify, award and celebrate excellence in all sectors of the tourism and hotel industry. Maintaining the quality certifications in all areas is one of the hotel’s biggest concerns. The management invests continuously in staff training and new technologies, aiming always to be at the forefront of a strongly competitive market. Facilities and services With free wireless internet throughout the building and a rent-a-car service, today’s Hotel Continental has also a gym which offers guests the opportunity to keep up their workout routines with modern and diversified equipment. The Mussulo and Chicala functions’ rooms, with 35 seats each, offer the possibility to host conferences and other social events. There is also a business lounge for private meetings.

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Casa das Artes

Ritmos diferentes para uma dinâmica nova Different rhythms towards a new tendency texto text: Pedro Correia fotografia photography: Carlos de Aguiar

Em cada movimento elegante do ballet ou nos mais vigorosos saltos do hip-hop, nas notas da canção interpretada com sentimento, no gesto perfeitamente calculado da capoeira ou na mímica encenada no teatro da vida levado ao palco, está o futuro de cada criança, de cada jovem disposto a morar na Casa das Artes. A nova Casa começou a ser erguida em 2007 pelas mãos de Maria João Ganga, uma mulher apaixonada pelo cinema, pelo teatro, pela cultura. A realizadora do filme “Na Cidade Vazia” decidiu dar corpo ao sonho que realizou nove anos depois, em Outubro de 2016, com a inauguração de um espaço de características únicas em Angola. Na Casa das Artes, situada em Talatona (Luanda), o trabalho desenvolve-se a ritmos diferentes mas com uma dinâmica nova, surgindo como um projecto cultural pluridisciplinar, onde se congregam diferentes manifestações artísticas numa “confluência de expressões e de actividades com a intenção de atingir um público novo: os jovens”. O edifício construído de raiz reúne as condições consideradas essenciais para o desenvolvimento do projecto. “A menina dos olhos” é o auditório de 270 lugares que alia a comodidade a todas as condições técnicas de espaço, luz e de som necessárias à exibição de filmes e peças de teatro, à realização de espectáculos de música e dança, conferências e debates.

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Every elegant ballet movement or vigorous hip-hop jump, well-performed note or perfectly calculated capoeira move or act staged in the theater holds the future of each child and young adult willing to make Casa das Artes his or her second home. The construction of this new House of Arts began in 2007 at the helm of Maria João Ganga, a woman passionate about cinema, theater and culture. The director of “In the Hollow City” remained determined to pursue a dream that she realized nine years later, in October 2016, by opening a unique space in Angola. At Casa das Artes, (located in Talatona, Luanda) the workflow embraces different rhythms, but follows a new tendency, arising as a multidisciplinary cultural project converging various artistic manifestations in a “confluence of expressions and activities aiming to reach out to a new audience: the young.” The new building gathers the conditions deemed essential to take the project forward. The apple of its eyes is the 270-seat auditorium joining comfort to the requirements for space, light and sound necessary for it to function as a movie theater, concert hall and conference room. Several multidisciplinary rooms allow the simultaneous education of children and youths in theater, music and dance, as well as basic training in other fields such as light and sound engineering, one

Na Casa das Artes o trabalho desenvolve-se a ritmos diferentes mas com uma dinâmica nova, numa “confluência de expressões e actividades com a intenção de atingir um público novo: os jovens”. At Casa das Artes the workflow embraces different rhythms, but follows a new tendency in a “confluence of expressions and activities aiming to reach out to a new audience: the young.”

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A Casa das Artes não se esgota na formação. Os espectáculos, as exposições, as iniciativas literárias, são fundamentais para a vida do novo espaço. Na forja está mesmo a criação de um cineclube.

Casa das Artes isn’t solely focused on education. The shows, exhibitions and literary launches are vital for the survival of this new cultural center. There is even a plan to host a film club.

As várias salas multidisciplinares permitem a formação simultânea de crianças e jovens nas áreas do teatro, da música e da dança, assim como a transmissão de conhecimentos noutras vertentes, nomeadamente, nas que estão relacionadas com a operação dos meios técnicos que dão vida aos espectáculos, ou seja, de luz e som, considerados fundamentais para um trabalho sustentado, mais agradável e de qualidade. Maria João Ganga, a promotora do projecto, explica que a preocupação maior foi a de criar um espaço físico com o mínimo de condições onde as pessoas possam sonhar, exprimir os seus sentimentos, as suas alegrias e frustrações, as suas dinâmicas e vontades, onde possam estar todos juntos a fazerem o que querem e o que sabem. O objectivo é, essencialmente, estimular o gosto das crianças e dos jovens pelas artes cénicas, pela música e pela dança, pela capoeira e pela banda desenhada, e, através da partilha destas linguagens e dinâmicas, criar artistas capazes de, no futuro, frequentar escolas capacitadas para dar formação superior e, desta forma, transformarem-se em verdadeiros

of the backbones of well-supported and enjoyable quality performances. Maria João Ganga, the project promoter, explains that the biggest concern was creating a physical space offering the minimum conditions for people to dream, express their feelings, joys, frustrations, energies and wishes, where aspiring performers could share their knowledge and potential. The main aim is to stimulate the love of arts in children and young adult, in music, dance, capoeira or comics. By sharing these languages and tendencies, it is her highest hope that the school will train artists capable of attending higher schools and becoming committed, talented professionals. Should they wish to, Casa das Artes would gladly welcome them back as future teachers, thus guaranteeing the continuity of the project. However, Casa das Artes isn’t solely focused on education. The shows, exhibitions and literary launches are vital for the survival of this new cultural center. “We want to create a new cultural tendency that engages pupils, teachers and reputed artists. We also want to cultivate and engage our public”, says Maria João Ganga.

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profissionais. E, se a isso estiverem dispostos, a permanecerem como novos formadores, dando continuidade ao projecto. Mas a Casa das Artes não se esgota na formação. Os espectáculos, as exposições, as iniciativas literárias, são fundamentais para a vida do novo espaço. “Queremos criar uma nova dinâmica cultural que envolva formandos, formadores e artistas já consagrados, queremos trazer e fidelizar o público para a Casa das Artes”, diz Maria João Ganga. Entre os espaços criados estão salas de exposições para pintura e escultura e para lançamentos de obras literárias que podem ser acompanhados por debates e tertúlias a realizar no auditório entre o público e os escritores. Este espaço, o auditório, vai também ser utilizado para a projecção de filmes e de documentários, preferencialmente com a presença dos realizadores para uma troca de ideias com a assistência. Na forja está mesmo a criação de um cineclube da Casa das Artes. Nesta dinâmica cultural há igualmente espaço para um projecto que ficou adiado: uma biblioteca que Maria João Ganga pretende abrir logo que seja possível.

Bolsas para a Casa das Artes A impulsionadora deste projecto cultural multidisciplinar revela que os actuais alunos da Casa das Artes provêm, na sua maioria, das camadas sociais menos favorecidas, o que a levou a recorrer à criação de bolsas de estudo capazes de dar resposta à paixão pelas artes e ao empenho demonstrados logo nas primeiras aulas. Maria João Ganga confessa que foi uma “verdadeira surpresa” ver chegar de bairros afastados crianças e jovens “que demonstraram uma sede de pertencer a um projecto como este”, pelo que foi necessário estabelecer um acordo de atribuição de bolsas com o banco BIC, de que já beneficiam 47 crianças e jovens dos 40 inicialmente previstos, integrados nas áreas de teatro infantil e juvenil, dança clássica e capoeira. A Casa das Artes, cuja criação contou com o apoio de José Massano, que lidera a Comissão Executiva do banco BAI, está também a considerar a criação de outras facilidades para o público jovem, nomeadamente, para os estudantes universitários, que poderão beneficiar de descontos na compra de bilhetes para os espectáculos.

Of the different spaces the house offers, there are exhibition rooms for painting and sculpture and literary releases that can be followed by discussions and talks between readers and authors in the auditorium. This hall has already been used to screen films and documentaries, though there is a preference for screenings attended by directors willing to debate their project with the audience. Casa das Artes also plans to host a film club. In the whirl of this cultural energy, there is even room for a project that has been postponed: a library Maria João Ganga intends to open as soon as feasible. Scholarships for Casa das Artes The driver of this multidisciplinary cultural project reveals that most of the current students of Casa das Artes come from largely underprivileged backgrounds. This has encouraged

her to create scholarships to respond to their passion for the arts and engagement shown from the first day in class. Maria João Ganga confesses that it was a “real surprise” to see children and young adults from outer city neighborhoods “show such eagerness to belong to a project of this nature”. To meet this demand, it was necessary to establish a partnership agreement with bank BIC. Today, 47 children and young adults, of the initially projected 40 beneficiaries, attend children’s and young adult theater classes, as well classical dance and capoeira. Casa das Artes, whose coming into being counted on the support of José Massano, the chief officer of bank BAI’s Executive Board, is also considering other potential benefits for young audiences, chiefly university students, such as discount prices for play or concert tickets.

As várias salas multidisciplinares permitem a formação simultânea nas áreas do teatro, da música e da dança. Several multidisciplinary rooms allow the simultaneous education in theater, music and dance.

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ArtBurguer

Onde a gula não é pecado Where gluttony is not a sin a healthier diet texto text: Patrícia Pinto da Cruz fotografia photography: Carlos de Aguiar

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Os hambúrgueres artesanais são de comer, chorar por mais e ainda ir para casa sonhar com eles. É mesmo na Baía de Luanda que está uma das melhores hamburguerias da cidade. O ArtBurguer ainda é relativamente recente, não tem muito mais de um ano, mas já conquistou o coração dos luandenses com os seus hambúrgueres artesanais que são de comer, chorar por mais e ainda ir para casa sonhar com eles. Naquela esplanada maravilhosa junto ao mar, Avareza, Gula, Inveja, Ira, Luxúria, Preguiça e Vaidade não são pecados, são hambúrgueres e, como o próprio lema do ArtBurguer diz, “pecado é não comer”. Mas há muitas mais opções além destas sete, incluindo o enorme Monster Burguer, um quilo de hambúrguer, só mesmo para quem pode (e não paga quem o conseguir comer em 15 minutos). Apesar de o restaurante ter uma energia e um ambiente muito ocidentais (numa mistura de europeu com americano), as refeições são bastante angolanas. Nascido e criado em Angola, o chef Cordeiro faz questão de inserir os ingredientes e sabores nacionais nos seus hambúrgueres, molhos e acompanhamentos. Assim, claro que não vai faltar a pasta de quitaba ou a banana pão frita com chutney de manga. Uma delícia, principalmente quando é tudo acompanhado da famosa limonada de morango do ArtBurguer. Mas antes de ficarmos cheios, vamos voltar um bocadinho atrás e olhar à volta. Sim, porque, fora os hambúrgueres (que já chegámos à conclusão

The traditional burgers that are to eat, cry for more and still go home daydreaming about them.

The Luanda Bay waterfront harbors the best hamburgers in the city. ArtBurguer is still relatively new, not more than a year old, but it’s already conquered the hearts and bellies of Luanda with its traditional burgers that are to eat, cry for more and still go home daydreaming about them. On this wonderful place by the sea, Avarice, Gluttony, Envy, Wrath, Lust, Sloth and Vanity are not sins; they are burgers and according to ArtBurguer’s motto, “the sin is not to eat”. But there is more to this kitchen than the bad seven. The humongous 1 kilo Monster Burger is challenge reserved for those with great appetite (and if you can eat it in 15 minutes, you get it for free). Although this small restaurant has a very western feel and atmosphere (mixing European and American themes) the meals are quite Angolan. Born and raised in Angola, Chef Cordeiro is keen to add local ingredients and flavors to his hamburgers, sauces and side-dishes. You must try the “quitaba” paste, a kind of toasted peanut butter or the fried bananas with mango chutney. A real delight, especially when accompanied by ArtBurguer’s famous strawberry lemonade.

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de que são fora de série), uma das melhores características do espaço é mesmo o ambiente. Descontraído, jovem, alegre e dinâmico. A decoração é muito baseada no estilo rústico e nas madeiras, com pormenores artesanais. São estes pormenores que lhe dão o ar de Angola. De resto, o espaço (tanto interior como a esplanada) é claramente inspirado nos cafés-restaurante de Portugal ou mesmo americanos, o que nos dá a sensação de estarmos num sítio completamente diferente daquilo a que estamos habituados aqui em Angola. Na esplanada do ArtBurguer, com o mar ali ao lado, o caminho vermelho de bicicletas por onde vão passeando cal-

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mamente algumas pessoas, podíamos perfeitamente estar num restaurante à beira-praia da Marginal de Lisboa. Dito isto, é aqui que as parecenças terminam, já que a marca faz questão de lembrar a sua nacionalidade, que é 100% angolana. O Bar Candongueiro na esplanada é um toque muito especial que faz sorrir qualquer pessoa. É um candongueiro verdadeiro que foi pintado com as cores da marca e é ali que vamos buscar os cocktails maravilhosos que o ArtBurguer nos dá a saborear. Aliás, para uma hamburgueria, tradicional ou não, encontramos aqui escolhas muito interessantes. Não faltam as caipirinhas, os mojitos ou os daiqui-

But before we fill our bellies, let’s go back a little bit and take a good look around. That’s right, because other than the burgers (which we’ve already rated as outstanding), one of the best features of this place is the atmosphere: relaxed, youthful, joyful and dynamic. The décor is rustic with stylish touches of woodwork and handcrafted details, giving it an Angolan edge. Moreover, both the indoor and outdoor areas of this place are clearly inspired in the café-restaurants of Portugal or even America, making us feel as if we were in a completely different place when compared to what we are used to in Angola. As we sit in

the outdoor area gazing at the sea or watching people stroll calmly by, we could perfectly well be in a seaside restaurant at the Lisbon waterfront. That said, this is where the likenesses end since the brand makes a point of staying true to its nationality, which is 100% Angolan. The outdoor “Candongueiro” Bar, named after Luanda’s notorious blue-and-white taxis, is a very special touch that makes anyone smile. It’s a real Toyota Hiace van painted with the colors of the brand and that’s where we get the delicious ArtBurguer cocktails. Incidentally, this place offers a lot of interesting options for a quasi-traditional burger house. There is no lack of caipirinhas, moji-

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Fora os hambúrgueres (que já chegámos à conclusão de que são fora de série), uma das melhores características do espaço é mesmo o ambiente descontraído, jovem, alegre e dinâmico. Other than the burgers (which we’ve already rated as outstanding), one of the best features of this place is the atmosphere: relaxed, youthful, joyful and dynamic.

ris, os martinis, o porto tónico, o gin tónico, vodkas e whiskies. Em termos de sumos, há sempre o sumo natural do dia, o sumo detox, a limonada de morango (prove!) e os chás gelados. Há também o vinho a copo (tinto ou branco), algo que é relativamente raro em Angola. E depois, claro, há vinhos rosé, champanhe, cervejas e várias sangrias que também não pode deixar de provar, até porque eles próprios dizem: “A nossa sangria é melhor do que a da tua tia!”. Depois de tudo isto, e de ficar a saber que o estacionamento é privado e com segurança, de que razões precisa mais para visitar o ArtBurguer? Vá e deixe-se levar pela gula.

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tos, daiquiris, martinis, port tonic, gin tonic, vodkas and whiskeys. As for juices, there is always the pressed juice of the day, the detox juice, the strawberry lemonade (try!) and the iced teas. There are also the red or white house wines by the glass, something relatively rare in Angola, and finally the rosé and sparkling wines, beers and several types of sangrias that you will have to try at some point, because, as they say at ArtBurguer’s: “Our sangria is better than your aunt’s!” So now that you know all this, plus the advantage of safe private parking, get ready to go and let yourself be carried away by gluttony!

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Maison Ackerman texto text: Hildérico Coutinho, escanção/sommelier Clube Nómada enologist/sommelier at Clube Nómada fotografia photography: Cedidas pela marca Courtesy of the brand

Em 1838, durante uma feira industrial em Angers, o júri presenteou um espumante Ackerman com a medalha de ouro e elogiou a sua qualidade, comparando-a à dos melhores champagnes. In 1838, during an industrial fair in Angers, the jury awarded an Ackerman sparkling wine a gold medal and praised its quality, comparing it to that of the best champagnes.

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Tive o privilégio de ter sido convidado para ser embaixador dos vinhos do Loire em Angola. No âmbito dessa acreditação, tive a felicidade de poder visitar o Vale do Loire durante uma semana, em Setembro passado, uma altura óptima para se visitar França, dado o clima ameno que lá se encontra nessa altura do ano. Muitos foram os produtores visitados a merecerem este destaque e, por certo, outras oportunidades aparecerão, mas dada a história, a qualidade e o tipo de vinho produzido nesta casa, a escolha pareceu-me óbvia. Champagne foi a primeira região francesa a produzir espumante, mas desde há muito que não é a única. Os espumantes produzidos fora daquela região não podem, por motivos óbvios, ser chamados de champagne. O mais famoso entre eles será, por certo, o Crémant de Loire, cuja história começa precisamente nesta casa, única produtora nesta região ao longo de 40 anos, desde os primórdios do século XIX. Jean-Baptiste Ackerman, o fundador, um flamengo filho de um rico banqueiro, estava ciente da qualidade dos vinhos brancos do Loire, condição fundamental para se poder criar um grande espumante. Antes, porém, de aportar em Saumur, o jovem Jean-Baptiste foi, em 1810, para Champagne aprender tudo o que podia sobre a produção do já célebre vinho. Saumur revelou-se uma escolha fantástica dada a sua importância histórica, chegou a ser a capital dos huguenotes durante o reinado de Henrique IV, e a sua posição privilegiada junto a um rio navegável ajudava, e muito, a escoar os vinhos naqueles tempos. O clima ameno com influência marítima permite a produção de vinhos leves, frescos e com boa acidez, e, não menos importante, o solo com rochas suaves, conhecidas por tuffeau,

I had the privilege of receiving an invitation to become the ambassador of Loire wines in Angola. Within this accreditation, I was fortunate to visit the Loire Valley for a week last September, a splendid time to visit France on account of the mild weather characteristic of the season. I visited many producers worth mentioning and I am sure that there will be other opportunities to write about them. However, given the history, quality and type of wine produced by this house, it appealed to me as the obvious choice. While Champagne was the first French region to produce sparkling wine, it has long ceased to be the only to do so. Naturally, the sparkling wines produced outside of that region cannot be referred to as “champagne”. Nonetheless, one of the most esteemed sparkling wines, the Crémant de Loire, hails from Maison Ackerman, established in the early 19th century and once Loire’s uncontested wine producer for a period of forty years. Jean-Baptiste Ackerman, the founder of the house and son of a wealthy banker from Antwerp, was well-acquainted with the quality of the white wines from the Loire, the imperative to make a great sparkling wine. Nevertheless, before planting roots in Saumur, the young Jean-Baptiste went to Champagne in 1810 to learn everything about the making of this celebrated wine. Saumur proved to be a fantastic choice due to its historical significance. It had been the Huguenot capital during the reign of Henry IV, and its privileged location by a navigable river was, at the time, instrumental to flow the region’s produce. The mesoclimate with maritime influence favors the production of light, crisp fruity wines, and, no less important, the soft rocky soil known as tuffeau

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Os vinhos, produzidos, na sua larga maioria, com a versátil Chenin Blanc, deram origem a espumantes de bolha muito fina e mousse muito suave, que parece fazer festinhas na nossa língua. The wines, produced largely out of the versatile Chenin Blanc variety, have originated sparkling wines of such fine bubbles and soft mousse that they seem to caress your tongue as you drink. permite a construção de longos túneis que formam caves ideais para a conservação do vinho. Na época, a região estava completamente esventrada, com mais de 1000 quilómetros de galerias subterrâneas. Jean-Baptiste comprou 7 km de algumas das melhores galerias, estrategicamente localizadas em cima do rio Loire e com capacidade para armazenar mais de 6000 pipas de vinho. Estas caves só parcialmente podem ser visitadas, já que algumas galerias se encontram encerradas. A dimensão grandiosa de algumas delas e a história deste vinho valem a visita. Os vinhos, produzidos, na sua larga maioria, com a versátil Chenin Blanc, deram origem a espumantes de bolha muito fina e mousse muito suave, que parece fazer festinhas na nossa língua. Sugestivamente conhecidos por fines bules. Com um pendor menos mineral, menos manteiga e fermento, deixa os aromas a flores

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e a frutas aparecerem de uma forma mais notória e faz destes espumantes uns dos meus preferidos. Em 1838, durante uma feira industrial em Angers, o júri presenteou um espumante Ackerman com a medalha de ouro e elogiou a sua qualidade, comparando-a à dos melhores champagnes. Abriu-se, assim, a porta para que outros produtores aparecessem neste fabuloso vale cheio de maravilhosos castelos, alguns deles a inspirarem contos de fadas e princesas. Não pode deixar de visitar. No final da visita às caves provei dois espumantes que tenho de realçar: o Cuvée Privée Blanc Brut, elaborado com Chenin Blanc (60%), Chardonnay (30%) e Cabernet Franc, apresenta aromas a fruta branca fresca e flores do campo. Na boca é suave, de uma acidez viva, cristalina e límpida que apetece não parar de beber. O outro é um espumante especial, com estágio muito prolongado, que

facilitates the construction of the long tunnels that are ideal wine cellars. By Jean-Baptiste’s time, the region was completely burrowed, with over 1,000 kilometers of underground galleries. He bought 7 kilometers of some of the best galleries strategically located above the Loire River and capable of storing more than 6,000 casks of wine. Visitors are welcome to tour some of these cellars, since many are already closed. Yet the majesty of these galleries, as well as the history of this wine, makes them worth visiting. The wines, produced largely out of the versatile Chenin Blanc variety, have originated sparkling wines of such fine bubbles and soft mousse that they seem to caress your tongue as you drink. Suggestively known as fines bules, they are less mineral, buttery and yeasty in character, allowing the aromas of flowers and fruits surface

more distinctly. They feature among my favorite sparkling wines. In 1838, during an industrial fair in Angers, the jury awarded an Ackerman sparkling wine a gold medal and praised its quality, comparing it to that of the best champagnes. It was the turning point that allowed the emergence of other producers from this fabulous valley full of wonderful fairy tale chateaus. A sight not to miss. At the end of my tour of the wine cellars, I tasted two notable sparkling wines: Cuvée Privée Blanc Brut Chenin Blanc (60%), Chardonnay (30%) and Cabernet Franc - carrying aromas of fresh white fruit and wild flowers. It is soft to the palate and has such an irresistible vivid, crystalline and limpid acidity that it makes you feel as if you couldn’t stop drinking it. The other is a special sparkling wine, with prolonged maturation of up to 3-5 years. When I tasted it, it was close to peak maturity. I am

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pode ir de 3 a 5 anos, sendo que o que eu bebi estava no limite máximo. Trata-se do Royal Ackerman Crémant de Loire produzido com Chardonnay (60%), Chenin Blanc (20%) e Cabernet Franc, é um espumante na linha dos que mais aprecio, quando as notas minerais, de levedura, de pão brioche, de frutos secos amargos como as amêndoas, se transformam em aromas e sabores que lembram o Natal, mel, frutas, passas, bolo-rei líquido com sabores tropicais também, como as mangas e os mamões. Quando será que o comum dos apreciadores de espumante vai conhecer e apreciar as delícias de um espumante envelhecido?

speaking of the Royal Ackerman Crémant de Loire produced with Chardonnay (60%), Chenin Blanc (20%) and Cabernet Franc. It is the kind of sparkling wine that I most enjoy, balanced to the point when the mineral notes, yeast, brioche and bitter dried fruits like almonds are transformed into aromas and flavors evoking Christmas, honey, crystallized fruits, raisins, liquid Christmas cake blended with the tropical flavors of mangoes and papayas. Ah, when will the average enophile learn and appreciate the delights of an aged sparkling wine?

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Centro de vinificação da Ackerman. Ackerman vinification centre.

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Gin Bar

O novo lounge de Luanda The new cocktail lounge in Luanda texto text: Patrícia Pinto da Cruz fotografia photography: Carlos de Aguiar

O mundo do gin está lentamente a invadir o mundo. Ou se calhar não tão lentamente assim. Por todo o lado, existem bares especializados apenas nesta bebida. Claro que era uma questão de tempo até que Luanda também tivesse o seu próprio bar de gins e, finalmente, a nossa espera terminou. Com os melhores gins de todo o mundo, incluindo o de Angola, o Gin Bar é a melhor oferta que os apreciadores da bebida vão encontrar em Luanda. Aliás, a variedade é tanta que o menu tem mais de cinco páginas, organizadas por tipo e sabor de gin. Mas esta não é a única oferta do Gin Bar. Petiscos e tostas acompanham as bebidas, que não têm que ser obrigato-

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riamente à base de gin, já que existem várias outras opções. Até porque, apesar de esta ser a especialidade da casa, não é, de todo, a única razão para a visitar. O espaço em si é uma grande razão por si só e não podia ser mais agradável. Tem dois andares e dois layouts diferentes. No rés-do-chão o ambiente está mais pensado para dois, com mesas e sofás confortáveis, enquanto o 1º andar é para grupos, mas em ambos os andares a energia é de lounge, descontraída e calma, perfeita para relaxar, beber um copo e conversar. Não se esqueça de provar a nossa sugestão quando for às Ingombotas, em Luanda, visitar o Gin Bar.

The gin is slowly taking over the world, or maybe not so slowly. Everywhere there are bars specializing only in this cocktail. Naturally, it was only a matter of time before Luanda had its own gin bar. Our wait is finally over. With the best gins from around the world, including Angola, Gin Bar is the best offer lovers of gin cocktails will find in Luanda. In passing, the variety of cocktails is such that the menu is over five pages long, organized by gin type and flavor. But this isn’t Gin Bar’s only offer. Snacks and toasties accompany the drinks, which don’t have to be necessarily gin-based, as there are

several other options. Though gin is the specialty of the house, that shouldn’t be your only reason to go there. The place itself is very pleasurable and worth a night out. It has two storeys and two different layouts. On the ground floor, the atmosphere is more set for two, with comfortable tables and sofas, whereas the first floor is for groups. However, both floors carry the lounge ambiance, casual and calm, perfect for relaxing, enjoying a drink and chatting. Don’t forget to try our suggestion when you go to Ingombotas, in Luanda, to become acquainted with the Gin Bar.

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Prepare o seu cocktail Prepare your cocktail Não é apenas um gin com fruta, é uma explosão de sabores que se juntam numa harmonia perfeita. Parece que estamos a beber um sumo natural bem fresquinho de frutas tropicais. Ingredientes: Gin Kianda q.b. Sumo de laranja e maracujá a gosto Sumo de limão a gosto Açúcar q.b. Rodela de laranja Rodela de limão Folha de manjericão It’s not just a gin with fruit, it’s an explosion of flavors which come together in perfect harmony. It feels like you’re drinking a very fresh-pressed juice of tropical fruits. Ingredients: Kianda Gin to taste Orange juice and passion fruit to taste Lemon juice to taste Sugar to taste 1 Slice of Orange 1 Slice of Lemon 1 Basil leaf

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O desafio dos 30 dias

Um mês para perder os quilos a mais The 30-Day Challenge One month to lose extra kilos texto text: Patrícia Pinto da Cruz fotografia photography: iStockphoto

Toda a gente adora Dezembro. O Natal, o perú, o bacalhau, os enchidos e todas aquelas sobremesas deliciosas. São vários dias seguidos em que não existem dietas e parece não haver limites para a quantidade de sonhos e filhoses que conseguimos comer de uma só vez. Mas agora que a época das festas terminou, chegou o momento que toda a gente receia: a luta para recuperar a linha e perder os quilos que ganhámos no último mês do ano. A boa notícia é que é possível consegui-lo em pouco tempo. Outra boa notícia é que só custa a primeira semana. Uma terceira boa notícia é que provavelmente vai ganhar gosto e acabar

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por perder muito mais do que o peso que planou perder no início. Outra é que nem sequer tem que sair de casa, se não quiser. Não há más notícias. Estamos a falar nos desafios de 30 dias, claro. Começaram como uma série de desafios diários de exercício físico pensados para uma pessoa perder peso rapidamente e criar uma rotina de treino saudável e fácil. Entretanto, estes desafios tomaram conta da Internet e das aplicações para telemóvel e são tão variados como as pessoas que os praticam. Todos os desafios começam no nível mais fácil e leve possível e o nível de dificuldade vai aumen-

tando, mas a resistência física e o gosto pelo exercício também: primeiro dia - cinco agachamentos; segundo dia - 10 agachamentos; terceiro dia - 15, e por aí fora. Ou primeira semana - 20 agachamentos, 10 abdominais, 10 flexões; segunda semana - o dobro de cada. Existe uma infinidade de aplicações para o smartphone com desafios de 30 dias, algumas para serem praticadas ao ar livre, outras em casa. Basta escolher a sua preferida, definir a sua meta e meter mãos à obra. Pode até compor os seus próprios desafios ao seu gosto. O mais importante é não desistir, vai ver que só custa no início.

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Tabela Nutricional Para complementar o seu exercício, deve ingerir vitaminas ricas em potássio, que ajudam na recuperação dos músculos. Por isso, a Compal aconselha o seu Sumo Vital + sabor a Manga, Tangerina e Banana. Energia: 37kcal; Proteínas: 0g; Hidratos de Carbono: 9g; Açúcar: 8g; Lípidos: 0g; Lípidos Saturados: 0g

Nutritional information To complement your workout you should eat potassium-rich food, because it will help your muscles recover more quickly. Hence, Compal recommends its Vital Juice + Mango, Tangerine and Banana. Energy: 37kcal; Protein: 0g; Carbohydrate: 9g; Sugar: 8g; Fat: 0g; Saturated Fat: 0g

Everyone loves December. The Christmas hubbub, the juicy turkey, the creamy codfish dishes, the sausages and all the delicious desserts. It is a row of diet-free days and a seemingly limitless amount of delightful soft, sweet pastries to savor. But now the holiday season is over and the time everyone fears has come: the fight to recover your shape and lose the inevitable kilos gained in the last month of the year. The good news is that you can do it in a short period of time. The other good news is that the greatest push is undertaken during the first week. A third piece of good news is that you will enjoy

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this and end up losing far more weight than you planned. And finally, you don’t even have to leave your home if you don’t want to. There are no bad news. Naturally, I am talking about the 30-day challenge. It began as a series of daily challenges designed to make you lose weight quickly and create a healthy and easy fitness routine. However, these challenges have taken over the Internet and mobile phone apps and are as varied as the people that practice them. All challenges begin at the easiest and lightest level possible. As the level of difficulty increases

so does your resistance and enjoyment of the exercises. So it goes: day one – five squats; day two – 10 squats; day three – 15 squats, and so forth. Or else, week one – 20 squats, 10 abdominals, 10 push-ups; week two – twice the previous week’s repetitions. There is an infinity of smartphone apps offering 30-day challenges, some outdoor, others indoor. All you need to do is chose your favorite, set your goal and off you go. You can even customize some challenges to your needs. It is vital not to give up and you will see that the hardest effort is taking the first step.

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Nelo Teixeira

Um dom que vem do respeito por tudo o que o rodeia A talent that stems from respect for everything around him texto text: Patrícia Pinto da Cruz fotografia photography: Carlos de Aguiar

Entramos na casa e no atelier do artista plástico Nelo Teixeira e percebemos logo uma das principais características da sua personalidade. Há tralha por todo o lado. Pedaços de madeira, chapas, portas partidas, cadeiras, mesas, telas. A sua vida é o trabalho e, claramente, o seu material de eleição é aquele que a maior parte das pessoas considera lixo. “Gosto de conservar as coisas, de respeitar o trabalho dos outros. Todos os objectos foram feitos por alguém que gastou tempo, energia e trabalho para os fazer. Eu gosto de respeitar isso e de conservar esses objectos. Por isso é que às vezes pego em coisas que estão estragadas na rua (caixas, cadeiras, portas partidas), trago-as para casa e arranjo-as.

On entering the home and studio of plastic artist Nelo Teixeira, we immediately notice one of the main traits of his personality. There is junk everywhere. Pieces of wood, metal, broken doors, chairs, tables and canvases. His life is his work and clearly, his favorite material is what most people consider trash. “I like to preserve things, to respect other people’s work. All objects were and are at some point made by someone who put(s) time, energy and effort into making them. I appreciate that and therefore I preserve these objects. That’s why I often pick up broken things that I find on the street (crates, chairs, broken doors) and bring them home. It’s something that’s part of my life. My house and studio are full of junk. I am addicted to fixing and preserving things”, explains the artist. Nelo works only with recycled materials. Wherever he goes, whether in Angola, Portugal or Spain, he finds materials on the street, things that most

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“Estava rodeado de vários artistas com muito talento e aos poucos comecei a inspirar-me, a experimentar e a descobrir-me”. “I was surrounded by very talented artists and little by little, I began to be inspired, to experiment, to discover myself.”

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É algo que faz parte da minha vida. Toda a minha casa e o meu atelier estão cheios de tralha. Sou viciado em arranjar e conservar as coisas”, explica o artista. Nelo trabalha só com materiais reciclados. Por onde vai passando, Angola, Portugal, Espanha, encontra material na rua, coisas que as pessoas só vêem como lixo, e leva-o consigo. “Ando sempre cheio de tralha. Aqui, em Luanda, temos lixo por todo o lado, as ruas estão cheias de lixo que ninguém vai limpar por nós. Então eu faço questão de tirar esse lixo todo da rua, tornar a cidade mais limpa e mais bonita, para as pessoas terem mais qualidade de vida. Seja papelões, caixas, garrafas, chapas. Não falta lixo por aí e sempre foi o meu material de eleição”. Nelo vive na Chicala II, numa casa/ atelier totalmente construída por si, e, realmente, não se vê um único espaço que não esteja repleto de tralha, sendo que se nota perfeitamente a preferência pelas madeiras. O que não é de espantar, visto que tudo começou mesmo com a madeira. Desde muito pequeno que Nelo ajudava o tio a esculpir madeira e marfim. “Essa prática começou a criar uma sensibilidade em mim, nas minhas mãos, e gosto por esse trabalho, principalmente com madeira, carpintaria”, recorda. Tinha cerca de 20 anos quando o seu amigo Lino Damião o convidou para fazer um trabalho para ele na União Nacional dos Artistas Plásticos (UNAP). Ficou fascinado com a arte que lá encontrou, com as cores, as técnicas, as pessoas, e acabou por ficar. Ajudava os artistas, observava e aprendia as técnicas. Durante muito tempo, apenas se concentrou em conhecer aquele mundo, “em

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“Estamos todos ligados, somos todos uma família e temos todos que olhar uns pelos outros porque se nós não olharmos, quem vai olhar por nós?”. “We are all connected, we are all one family and we must look after each other. If we don’t look after others who is going to look after us?” observar os artistas e em beber um pouco de cada um”. Naquele tempo ainda não pensava que um dia também poderia vir a ser artista plástico. Já era artista, mas como carpinteiro, com aquilo que tinha aprendido com o tio, ainda não pensava que um dia viria a fazer aquele tipo de arte que eles faziam. “Nos tempos livres ainda tentava fazer algumas coisas, mas ninguém ligava muito”, lembra Nelo Teixeira. Um dia resolveu apresentar duas das suas peças numa exposição que houve na UNAP pelo Haiti, pelas vítimas das cheias que assolaram o país em 2010. Os elogios que essas peças receberam levaram o artista a aventurar-se mais e a querer experimentar outros materiais. “Os meus colegas trabalhavam em papel, em tela, com spray… Eu estava rodeado de vários artistas com muito talento e aos poucos comecei a inspirar-me, a experimentar e a descobrir-me”. Hoje em dia, Nelo só vive da arte. Já participou em várias exposições internacionais de renome, como a Bienal de Veneza. Mas o seu interesse não está apenas nas artes plásticas, mas também no cinema, no teatro, na televisão e, claro, a carpintaria está lá sempre. “Por um lado posso ter exposições mas, por exemplo, ainda agora vim do Kilamba, onde

regard as trash, and takes it home. “I always walk around with a piece of junk or another. In Luanda, trash is everywhere. The streets are full of trash that no one will clean it up for us. So I make a point of picking up all the usable trash that I find, to make the city cleaner and prettier so that people have more quality of life. I make no distinction between pieces of cardboard, crates, bottles or sheets of metal. There is no lack of trash around here and trash has always been my medium of choice.” Nelo lives in Chicala II in a house/ studio built wholly by his own hands and, truly, there is not a single space that is not filled with junk, wood being the dominant material. Which doesn’t surprise us since it all began with wood. As a child, Nelo would help his uncle to sculpt wood and ivory. “That infused a certain sensibility in me, in my hands. I like this kind of work, especially to woodwork or carpentry”, he recollects. He was nearly 20 years old when his friend Lino Damião invited him to do a job for him at the National Plastic Artists’ Association (UNAP). He was fascinated by the artworks that he encountered, by the colors, techniques and the people. He ended up staying. He would assist artists, while observing and learning their techniques. For a long time, his only drive was to know that world, “to observe artists at work and absorb

a little from each of them”. At the time, he did not think he would one day become a plastic artist. He was already an artist, as a sculptor and carpenter, a trade he had learned from his uncle. But he had not yet thought that he could do the kind of art the others did. “In my spare time I tried to do some things, but no one paid much attention to me.” One day, he decided to show two of his pieces at an exhibition held in UNAP on behalf of the victims of the 2010 Haiti floods. The compliments earned by his pieces encouraged him to explore and experiment with other materials. “My peers were working with paper, canvas, spray paint… I was surrounded by very talented artists and little by little, I began to be inspired, to experiment, to discover myself.” Nowadays, Nelo lives off art. He has participated in several prominent art exhibitions such as the Venice Biennale, but his interests do not stop at art alone. He is also keen on cinema, theater, television and, of course, carpentry – his old passion. “I can hold or participate in exhibitions, but, as an example, I have just returned from the Kilamba quarter, where I am doing the woodwork for a bar.” Presently, his main life goal is to pass his knowledge to his four apprentices. “In this country, education is something that is carried out half-heartedly. The way I see it, if we have the possibility to educate others, it is our duty to do it.” This respect that Nelo has for others, sharing what he can with those around him, valuing and preserving the work of others, is a part of him, of his way of thinking and his way of life. “We are all connected, we are all one family and we must look after each other. If we don’t look after others who is going to look after us?”

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“Gosto de conservar as coisas, de respeitar o trabalho dos outros”. “I like to preserve things, to respect other people’s work”.

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estou a fazer um bar, a parte da carpintaria, que continua a ser a minha paixão”. Actualmente, o seu principal projecto de vida é transmitir a educação que recebeu ao longo da vida aos seus assistentes, que neste momento são quatro. “A educação é algo que neste país só funciona a meio gás, por isso, se nós temos a possibilidade de a transmitirmos a quem precisa, temos o dever de o fazer”. Este respeito que Nelo tem pelos outros ao querer partilhar o que pode com os que o rodeiam, ao querer respeitar e conservar o trabalho de outras pessoas, é algo que faz parte de si e de todo o seu modo de pensar e viver: “Estamos todos ligados, somos todos uma família e temos todos que olhar uns pelos outros porque se nós não olharmos, quem vai olhar por nós?”.

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Compras

Pólo Fred Perry. Fred Perry polo shirt.

Shopping Verticais, horizontais e diagonais. As riscas voltaram em força à moda mundial e desenham uma nova tendência. Vertical, horizontal and diagonal. Stripes have made a comeback in the fashion world, drawing in a new trend.

Lenço Maliparmi, na Loja das Meias. Maliparmi scarf, at Loja das Meias.

Carteira Lavin, na Loja das Meias. Lanvin handbag, at Loja das Meias.

Óculos de sol Fendi, na André Ópticas. Fendi sunglasses, at André Ópticas.

Sandálias com cunha Ipanema.

Macacão Celine, na Loja das Meias.

Ipanema wedge-heel sandals.

Celine jumpsuit, at Loja das Meias.

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Jarra da colecção “Christian Lacroix Arts de la table – Love Who You Want collection by Neil Bicknell”, da Vista Alegre. Jar from the “Christian Lacroix Arts de la table – Love Who You Want” collection by Neil Bicknell, at Vista Alegre. Candeeiro de pé alto a imitar um holofote de cinema, na Vintage Department. Industrial free standing lamp, at Vintage Department.

Cadeira de pé alto, da Pantone. Panton chair.

Design Uma sala não precisa de ser toda especial. Basta um apontamento que marque a diferença. Sugerimos-lhe cinco. A room doesn’t have to completely special. A single highlight can make the difference. We suggest five.

Candelabro de chão “Officina” em ferro forjado, com três braços e três suportes para velas, desenhado por Ronan & Erwan Bouroullec, da Magis.

Mesa “Ikon” da Pedrali, na Moyo Concept.

Floor candle holder “Officina” in wrought-iron with three arms, designed by Ronan & Erwan Bouroullec for Magis.

“Ikon” table from Pedrali, at Moyo Concept.

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Lisboa

Visitámos a melhor cidade do mundo Lisbon We’ve visited the best city in the world texto text: Catarina Madeira, em Lisboa in Lisbon fotografia photography: Vasco Célio

Parece que estávamos a adivinhar. No dia de fecho desta edição da Rotas & Sabores, para a qual escolhemos Lisboa como sugestão de viagem internacional, a capital portuguesa foi eleita a “melhor cidade do mundo” pela prestigiada revista “Wallpaper”. A publicação destaca o novo museu MAAT, a ARCOLisboa e a Trienal de Arquitectura, e ainda elogia o hotel Memmo Príncipe Real e o novo terminal de cruzeiros. A primeira incursão pela Cidade das 7 Colinas começa agora. Boa leitura! Lisboa acorda clara e silenciosa, vista da varanda do Miradouro das Portas do Sol. O ar fresco da manhã empresta-nos a energia de que vamos precisar para calcorrear o sobe e desce da cidade. Mas a esta hora deixamo-nos invadir pela calma, enquanto os olhos desper-

tam primeiro para a vista panorâmica sobre o casario, o Mosteiro de São Vicente de Fora, o Panteão Nacional e a Igreja de Santo Estêvão. Depois para o Tejo. E, ao fundo, para o nevoeiro que apenas nos deixa perceber o contorno dos edifícios na outra margem do rio. Nos bairros típicos, com o avançar do dia, começa o frenesim de tuck-tucks. Nos últimos anos, conduzir estes veículos importados da Tailândia tornouse uma profissão cool entre os jovens portugueses e estrangeiros residentes na cidade. As pequenas motoretas empoleiram-se sobre as sete colinas, que competem entre si pela melhor vista para o Tejo. Fazemo-nos às ruas antigas e empedradas a pé (sapatos rasos e confortáveis são obrigatórios) e deixamo-nos surpreender pelos poucos edifícios que resistiram ao grande terramoto de 1755 ou pela vista que,

We’re becoming good futurologists. At the closing day of this edition of Rotas & Sabores, for which we suggested Lisbon as a international travel destination, the Portuguese capital was elected “the best city in the world” by the prestigious “Wallpaper” magazine. This publication highlights the new MAAT museum, ARCOLisboa and the Architecture Triennale, and praises Hotel Memmo Príncipe Real and the new cruise ship terminal. The first incursion into the City of 7 Hills has begun. Enjoy your reading! Lisbon wakes up clear and silent, seen from the porch of the Portas do Sol viewpoint. The fresh morning air lends us the energy we will need to climb up and walk down the city. But at this hour, we let ourselves be taken by the calm, while our eyes

awake first to the panoramic view of picturesque old houses, the Monastery of São Vicente de Fora, the National Pantheon and the Church of Santo Estêvão. Then the Tagus River, known in Portuguese as the “Tejo”, and in the background, the mist, which lets us perceive only the outline of the buildings on the other side of the river. As the day progresses, the tuk-tuk frenzy begins in the old quarters. In the last few years, driving these vehicles imported from Thailand has become a fashionable profession for young Portuguese and foreigners living in the inner city. The little motorbikes perch on the seven hills, which jostle with one another for the best view of the Tejo. We tread the ancient cobbled streets on foot (flat, comfortable shoes are mandatory) and are surprised by the occasional sight of buildings that

Fazemo-nos às ruas antigas e empedradas e deixamo-nos surpreender pela vista que, no final de uma rua estreita, desagua de forma inesperada no azul do rio, sob a luz única e clara da cidade. We tread the ancient cobbled streets and are surprised by the view that, at the gorge of a narrow street, ends unexpectedly in the blue river under the unique and clear light of the city.

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O novo museu MAAT é um dos locais destacados pela revista “Wallpaper” no seu artigo sobre Lisboa. The new MAAT museum is one of the places featured in the Wallpaper magazine’s article about Lisbon.

no final de uma rua estreita, desagua de forma inesperada no azul do rio, sob a luz única e clara da cidade. Ainda na zona velha, deparamo-nos com uma longa fila para o eléctrico que se esgueira soltando pequenas faíscas. Não desistimos de conseguir um lugar apertado entre os passageiros. A experiência – que nalgumas curvas apertadas e ruas mais ingremes se assemelha muito à volta numa montanha russa – valerá certamente a pena. O eléctrico 28, que liga o Cemitério dos Prazeres à Praça do Martim Moniz, é um ex-libris da zona histórica da cidade, com passagem pelo Castelo de S. Jorge. Em Alfama, um dos bairros mais típicos e (também por isso) um dos que mais atrai os visitantes, os alojamentos para turistas alternam, porta sim, porta não, com as habitações da gente do bairro. Ao lado de varandins enfeitados com bonitas sardinheiras de um vermelho vivo, pendem peças de roupa já poidas pelo sol. Ao cair da noite, afinam-se as guitarras. De porta em porta, há vozes que cantam a alma portuguesa. É o fado vadio que percorre as ruas estreitas e pouco iluminadas do bairro, que foi ponto de encontro de pescadores, varinas e marinheiros dos quatro cantos do mundo. Nas mesas, à luz das velas, faz-se silêncio. Os fregueses são maioritariamente estrangeiros. Vêm conhecer a canção de Lisboa, que nasceu no bairro vizinho da Moraria. Aí viveu e morreu Maria Severa, a cantadeira que deu fama ao fado. A Casa da Severa, na Rua do Capelão, é passagem obrigatória para quem quiser explorar as raízes da mais tradicional das músicas portuguesas, que teve o seu expoente máximo na inter-

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survived the great earthquake of 1755 or by the view that, at the gorge of a narrow street, ends unexpectedly in the blue river under the unique and clear light of the city. Still in the old city, we encounter a long queue for the tram that sneaks away releasing small sparks. We don’t give up until getting a cramped spot among the passengers. The experience - which on some tight corners and steep streets resembles very much being on a roller coaster – is certainly worth it. Tram 28, which connects the Prazeres Cemetery to Martim Moniz Square is an ex-libris of the city’s historical area, which includes the unsurmountable São Jorge Castle. In Alfama, one of the oldest quarters and therefore most sought-after for temporary accommodation, guest houses alternate at every second door with the homes of long-standing residents. Balconies adorned with beautiful bright red geranium shoulder washing lines laden with clothes bleached by the sun. At nightfall, the guitars are tuned. From door to door, there are voices singing the Portuguese soul. It is the stray Fado that runs through the narrow and dimly lit streets of the quarter, which once was a meeting point for fishermen, fishwives and sailors from the four corners of the world. At the candlelit tables there is silence. The customers are mostly foreigners. They come to drink in the song of Lisbon, which was born in the immediate quarter of Moraria. There lived and died Maria Severa, the singer who popularized Fado. The “Casa da Severa”, at Rua do Capelão street, is a must for anyone wanting to explore the

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pretação de Amália Rodrigues e, hoje, percorre o mundo pela voz de artistas como Mariza, Ana Moura, Carminho ou Raquel Tavares. Mesa de Frades e Sr. Fado são duas das mais recomendadas casas de fado de Alfama. A Baixa está repleta de restaurantes, cafés, hotéis, hostels, lojas de souvenires. Uma das mais recentes inaugurações é o PortoBay Marquês, que abriu as portas em Junho de 2016. Este é o mais recente hotel do grupo PortoBay Hotels & Resorts, que, em Lisboa, ainda tem o PortoBay Liberdade, de cinco estrelas, perto da Avenida da Liberdade. Resistimos às compras, mas não às castanhas assadas a estalar nos fogareiros. Ali perto, não perdemos a oportunidade de visitar o MUDE - Museu do Design e da Moda e o também recente Museu do Dinheiro, ambos com entrada gratuita. Na extremidade sul da Rua Augusta, que já foi a rua do comércio por excelência, é possível subir ao topo do Arco Triunfal, mais conhecido como Arco da Rua Augusta, mandado erigir pelo Marquês de Pombal, e disfrutar de uma vista privilegiada sobre o Terreiro do Paço, uma das maiores praças da Europa, com cerca de 36 000 m², e considerada o centro do Governo do país com todos os imponentes edifícios que albergam vários ministérios. Com

roots of the most traditional Portuguese music, which reached its apogee in the voice of Amália Rodrigues and today travels the world carried by artists like Mariza, Ana Moura, Carminho or Raquel Tavares. “Mesa de Frades” and “Mr. Fado” are the two most recommended Fado houses in Alfama. Downtown Lisbon, the eponymous “Baixa”, is full of restaurants, cafes, hotels, hostels and souvenir shops. The latest and trendiest hotel is the brand new CR7 Pestana. The hotel results from a partnership between Portuguese Cristiano Ronaldo, the world’s most famous football player, and the Pestana hotel chain. We resisted the shopping, but not the stove-roasted chestnuts. And we did not miss the opportunity to visit the neighboring MUDE – the museum of design and fashion, and the recent Museum of Money, both with free entrance. At the southern end of Rua Augusta, a vital commercial street in the past, it is possible to climb to the top of “Arco Triunfal”, a triumphal arch-like historical building. It is best known as “Arco Triunfal da Rua Augusta” and was built by the Marquis of Pombal. It affords a privileged view of Terreiro do Paço, one of the largest squares in Europe, at 36,000 m², and considered the center of the country’s govern-

O eléctrico 28, que liga o Cemitério dos Prazeres à Praça do Martim Moniz, é um ex-libris da zona histórica da cidade, com passagem pelo Castelo de S. Jorge.

Tram 28, which connects the Prazeres Cemetery to Martim Moniz Square is an ex-libris of the city’s historical area, which includes the unsurmountable São Jorge Castle. a requalificação, concluída em 2010, a praça perdeu o trânsito automóvel, ganhou largos passeios, restaurantes com grandes esplanadas, discotecas e uma nova vida, passando a ser palco de vários eventos de música, espetáculos de luz e fogos-de-artifício e até da projeção de jogos de futebol das grandes competições internacionais. Junto ao rio, aproveitamos a nova praia urbana da Ribeira das Naus para nos estendermos sob o sol morno de Outono que brilha intensamente quando se encontra com o azul da água. No coração da cidade pombalina – nome que deriva do Marquês de Pombal,

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ment. It hosts an array of imposing buildings that function as the headquarters of several ministries. Under the urban requalification completed in 2010, the square lost its automobile traffic, gained broad sidewalks, terraced restaurants, nightclubs and new life, becoming the arena of music concerts, light shows, firework displays and even screenings of major international soccer matches. Next to the river, we take advantage of the new urban beach of Ribeira das Naus to stretch ourselves under the warm autumn sun that shines brightly when it meets the blue water.

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o grande mentor da reconstrução de Lisboa após o terramoto de 1755 – encontramos mais quatro praças com uma curta distância entre si, a saber: a Praça da Figueira, o Rossio, os Restauradores e o Martim Moniz. Juntas, constituem um dos eixos mais movimentados da cidade e são o espelho da sua cada vez mais colorida multiculturalidade. Ali muito perto, inicia-se uma das artérias principais da cidade: a Avenida da Liberdade é a rua mais cara do país, a 35ª mais cara do mundo e o paraíso das compras para os amantes das griffes nacionais e internacionais de luxo. Marcas como Chanel, Cartier, Prada, Louis Vuitton, Gucci e Michael Kors competem pelos melhores lugares nesta avenida larga e arborizada, onde também é possível ouvir música ao vivo em várias esplanadas ou jantar em alguns dos mais concorridos restaurantes de Lisboa. Apesar da sua riqueza histórica, a capital portuguesa não vive apenas do passado. O futuro da cidade desenha-se a cada esquina. É hora de sentirmos o pulsar da Lisboa trendy. Encontramo-lo no eixo Chiado-Bairro Alto-Príncipe Real. As lojas de design, marcas nacionais e internacionais, galerias, cafés e restaurantes que fazem a ligação entre o melhor da tradição gastronómica nacional com as últimas tendências da cozinha gourmet, dão

a esta zona da cidade um look casual chic. Se a Brasileira, com o seu eterno Fernando Pessoa de bronze na esplanada, e a Pastelaria Benard são pontos de passagem mais tradicionais para os turistas, há muitos mais locais para descobrir. Junto ao Rio Tejo, de onde no passado saíram as caravelas portuguesas para descobrir o mundo, encontramos uma nova Lisboa a nascer. No mesmo bairro de Belém convivem, de forma harmoniosa, o imponente Mosteiro dos Jerónimos, o Palácio de Belém (residência oficial do Chefe de Estado), o Padrão dos Descobrimentos, a Torre de Belém e um novo núcleo museológico moderno que inclui o Centro Cultural de Belém, o novo Museu dos Coches e o mais recente MAAT - Museu de Arte, Arquitectura e Tecnologia. Também ali, o edifício futurista da fundação Champalimaud serve de casa a investigadores de biomedicina de todo o mundo, focados em especial nas áreas do cancro e das neurociências. A cidade adormece devagar. Voltamos às colinas de Lisboa, ao Miradouro da Graça, para ver o sol cair nos braços do rio. Levamos os pastéis de Belém ainda mornos que comprámos à tarde e uma manta leve para nos aquecer as costas, enquanto o esplendor da cidade nos aquece a alma. Amanhã ainda haverá tanto para descobrir...

In the heart of “Pombaline City” a name deriving from the Marquis of Pombal, the great mentor of the reconstruction of Lisbon after the 1755 earthquake - we find four more plazas within a short distance of one another, namely the Figueira, Rossio, Restauradores and Martim Moniz Squares. Together, they make up one of the busiest thoroughfares of the city and mirror its increasingly colorful multiculturalism. Close by, begins one of the main arteries of the city: the boulevard Avenida da Liberdade. It is the most expensive street in the country, the 35th most expensive in the world and a shopping paradise for lovers of local and international luxury brands. Chanel, Cartier, Prada, Louis Vuitton, Gucci and Michael Kors compete for the best spot on this wide tree-lined avenue, where you can also listen to live music on several terrace cafés or dine in some of the swankiest restaurants in Lisbon. Despite its historical richness, the Portuguese capital does not only live on its past alone. The future of the city is drawn at every corner. It is time to feel the pulse of trendy Lisbon. We find it in the Chiado - Bairro Alto - Príncipe Real route. Designer stores, local and international brands, art galleries, cafes and restaurants fusing the best of traditional Portuguese food with the latest

tendencies in gourmet cuisine give this area a casual chic look. Though the bistro Café Brasileira, with its eternal bronze icon of Fernando Pessoa, and Patisserie Benard are favorite tourist waypoints, there are, in fact, many other places to discover. Next to the Tejo, where once Portuguese caravels departed on journeys to discover the world, we find a new Lisbon rising. In the quarter of Belém, we can visit the majestic Jerónimos Monastery, the Belém Palace (the official residence of the Head of State), the Monument to the Age of Discoveries, the Belém Tower and a modern museum complex that includes the Belém Cultural Center, the new Stagecoach Museum, and the contemporary MAAT – Museum of Art, Architecture and Technology. Another prominent feature of this quarter is the futuristic building of the Champalimaud Foundation, a center for international biomedical researchers, focused especially on oncology and neuroscience. The city falls asleep slowly. We return to the hills of Lisbon, to the Graça Viewpoint, to see the sun nestling into the arms of the river. We took the still warm Belém pastries that we bought in the afternoon and a light blanket to warm our backs, while the splendor of the city warmed our souls. Tomorrow there will still be so much to explore…

Vista para o Rio Tejo. View of the Tejo river.

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Apesar da sua riqueza histórica, a capital portuguesa não vive apenas do passado. O futuro da cidade desenha-se a cada esquina. Despite its historical richness, the Portuguese capital does not live on its past alone. The future of the city is drawn at every corner.

Tome Nota

Take Note

Como ir A TAAG e a TAP asseguram voos diretos e regulares diários entre Luanda e Lisboa, a partir de 120.000 Akz. Onde ficar O PortoBay Marquês, situado na Rua de Palmela, mesmo ao virar da esquina com a Praça Marquês de Pombal, a passos da Avenida da Liberdade. Onde comer No Bairro do Avillez, aberto todos os dias das 12h às 00h, surpreende com uma oferta gastronómica imperdível desenhada por um dos mais populares chefs portugueses. Cuidados a ter Lisboa é em geral uma cidade segura, mas atenção aos carteiristas que actuam sobretudo no eléctrico 28. Não se esqueça de usar sapatos confortáveis, de preferência com sola de borracha, a calçada portuguesa pode ser muito escorregadia. Imperdível Os arraiais dos santos populares nos bairros, antes e depois do feriado de Santo António que se celebra a 13 de Junho. No Verão, são vários os festivais de música a acontecer na rua e aos quais se pode assistir de graça, como o Out Jazz ou o Lisboa na Rua.

How to go TAAG and TAP provide daily direct and regular flights between Luanda and Lisbon, at prices upwards from 120.000 Akz. Where to stay Bairro Alto Hotel, next to Luís de Camões Square and two steps away from Chiado Square (220 euros per night in a double room). Santiago de Alfama Boutique Hotel, a five-star establishment in the heart of the quarter (165 euros). The accommodation platforms also offer a wide range of options. Where to eat Bairro do Avillez opens every day from midday to midnight and it dazzles with unmissable cuisine designed by one of the most popular Portuguese chefs. Precautions Lisbon is a generally safe city, but beware of pickpockets who work mostly on tram 28. Don’t forget to wear comfortable shoes, preferably with rubber soles; cobbled sidewalks can be very slippery. Not to miss The local festivities for the popular saints held in the old quarters before and after the Santo António holiday commemorated on June 13. In summer, there are many free music festivals happening on the streets, such as Out Jazz or “Lisboa na Rua”.

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filmes movies

música music

Além do género e da raça

O quinto álbum de Anselmo Ralph

Beyond gender and race

Anselmo Ralph releases fifth album

“Elementos secretos” conta a história verídica de Katherine Johnson (Taraji P. Henson), Dorothy Vaughn (Octavia Spencer) e Mary Jackson (Janelle Monae), três mulheres negras que trabalham na NASA e foram os cérebros de uma das maiores operações da história: o lançamento do astronauta John Glenn para o espaço. Nos cinemas durante o mês de Fevereiro.

O álbum é novo mas o sucesso já é enorme. Chama-se “Amor é Cego” e conta com as participações de Laton, Dream Boyz, Plutonio, Manda Chuva e Paulo Flores. A obra relata a história de uma relação amorosa e as suas músicas mostram os vários momentos dessa relação cheia de amor, paixão, traição, encontros e desencontros.

“Hidden Figures” tells the true story of Katherine Johnson (Taraji P. Henson), Dorothy Vaughn (Octavia Spencer) and Mary Jackson (Janelle Monae), three black women who work at NASA and were the brains of one of the biggest operations in space exploration history: the launch of astronaut John Glenn into space. In the movie theaters in February.

The album is fresh but already hugely successful. It’s called “Amor é Cego/ Love is Blind” and features Laton, Dream Boyz, Plutónio, Manda Chuva and Paulo Flores. The album tells the story of a love affair and the songs portray the various moments of a relationship full of tenderness, passion, betrayal, reconciliations and disagreements.

livros books

Três décadas de poesia Three decades of poetry “Cal & Grafia” é o nome da mais recente obra do escritor angolano José Luís Mendonça. O livro é uma antologia cuidadosamente seleccionada dos seus poemas, que celebram mais de 30 anos desde “Chuva Novembrina” (1981) – poema com que o autor se apresentou ao mundo das letras.

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“Cal & Grafia” is the title of the most recent work by Angolan writer José Luís Mendonça. The book is a carefully selected anthology of his poems, celebrating over thirty years since the publication of “Chuva Novembrina/November Rain” (1981), the poem that launched the author’s into the literary world.

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gadgets gadgets

Telefone sem mãos Hands-free phone

A app para quem tem medo de voar The app for those who are afraid to fly Se tem medo de andar de avião vai gostar de saber que há uma aplicação para iPhone feita a pensar em si. SkyGuru tem um objectivo: aclamar os passageiros que ficam nervosos no avião dando-lhes todas as informações sobre o voo em tempo real. É como se estivesse sentado ao lado do piloto. Experimente na próxima vez que viajar. If you are afraid to fly you will be happy to know that there is an iPhone application made just for you. SkyGuru has one goal: to cheer passengers who get nervous on an airplane by giving them all the flight information in real time. It’s like sitting next to the pilot. Try it the next time you travel.

A primeira característica que notamos no auricular Jabra Stone 3 é o design. Ao contrário da maioria dos headsets por Bluetooth que têm um microfone que se estende na direcção da boca, este Jabra Stone tem um design minimalista de uma banda que apenas curva à volta da orelha direita. Muito elegante e discreto. The first feature you notice in the Jabra Stone 3 is the design. Unlike most Bluetooth headsets that have a microphone which extends towards the mouth, the Jabra Stone has a minimalist design of a strip which just curves around the right ear. It is very elegant and discreet.

O próximo nível The next level

A Playstation 4 Pro, mais do que uma evolução da sua antecessora, é um “refrescar a meio da geração”. Traz grandes melhorias na CPU, GPU e largura de banda sobre a actual PS4 e um grande upgrade a nível visual, apesar de se notar que são da mesma família pelo design e menu. À venda nas lojas NCR. Playstation 4 Pro, more than an evolution of its predecessor, is a “mid-generation refreshment”. It brings great improvements in CPU, GPU and bandwidth over the current PS4, as well as a great visual upgrade, though you can tell that they stem from the same family by the design and menu. It is on sale at NCR stores.

texto text: Patrícia Pinto da Cruz fotografia photography: Cedidas pelas marcas Courtesy of the brand

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Nas margens do Rio Cuebe, Kuando Kubango. On the bank of Cuebe River, Kuando Kubango.

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fotografia photography: Vasco CĂŠlio

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bares e restaurantes bars and restaurants

contactos nesta edição

hotéis hotels

contacts in this edition

Café Da Vila

Executive Hotel Samba

André Ópticas

Rua Vila do Gamek F8, nº19 Gamek – Luanda Tel.: +244 911 570 111

Rua da Samba – Luanda Tel.: +244 915 407 117

Em www.andreoticas.com

Cais de quatro

Grande Hotel Universo Rua Cirilo Conceição Silva, nº6 – Luanda Tel.: +244 222 333 152

Kero - Xyami Shopping Av. Pedro de Castro Vandunem-Loy – Luanda Tel.: +244 226 433 400

HCTA

Ipanema

Cervejaria Fininho

Rua Luanda Sul, Talatona – Luanda Tel.: +244 226 424 300

Rua 21 de Janeiro, nº12 – Luanda Tel.: +244 929 369 770

Hotel Alvalade

Kero Talatona Rua Centro Convenções S8, Talatona – Luanda Tel.: +244 226 433 460

Chill Out

Av. Cmdt Gika – Luanda Tel.: +244 222 620 299

Jabra

Hotel Baía

Loja das Meias

Avenida Dr. António Agostinho Neto Praia do Bispo – Luanda Tel.: +244 222 370 011

Em www.lojadasmeias.pt

Rua Murtala Mohamed, Casa do Desportista Ilha do Cabo – Luanda Tel.: +244 945 959 822

Rua Murtala Mohamed, Ilha do Cabo – Luanda Te.: +244 924 282 810

Espaço Bahia Avenida 4 de Fevereiro, nº183 Ingombota – Luanda Tel.: +244 222 370 610

Hotel Continental

Fred Perry

Em www.jabra.com

Magis Em www.magisdesign.com

Rua Rainha Ginga, nº18/21 – Luanda Tel.: +244 222 396 396

Moyo Concept

Hotel Epic Sana

NCR

Kitanda da Esquina

Rua da Missão – Luanda Tel.: +244 222 642 700 +244 222 642 600

Av. Do 1º Congresso do MPLA, nº 7/9 – Luanda Tel.: +244 222 338 641

Av. 1º Congresso do MPLA, nº 39/41 – Luanda Tel.: +244 941 907 090

Hotel Ilhamar

Em www.bitangra.com

Galeria dos Pães Café Rua do SIAC S/N, Talatona – Luanda Tel.: +244 949 838 644/5

Kook Belas Business Park, Ed. Moxico – Luanda Tel.: +244 947 336 684

Lookal Cervejaria Av. Murtala Mohamed, nº13 Ilha do Cabo – Luanda Tel.: +244 936 000 018/19

Vintage Department

Hotel Kalunda

Vista Alegre

Rua do Paiol, nº 14, Sumbe – Cuanza Sul Telf.: +244 935 333 837

Rua Joaquim Kapango, nº 83 r/c, Largo da Sagrada Família – Luanda Tel.: +244 222 710 755 Telm.: +244 926 386 348

Hotel Mundial

Restaurante Ásia Lounge Rua da Missão, nº55 R/C, Ingombota – Luanda Tel.: +244 912 122 895 | 928 476 868

Hotel Presidente

Switch Supper Club

Largo 4 de Fevereiro – Luanda Tel.: +244 222 310 064

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Pantone

Rua Murtala Mohamed, Sector Lello Ilha do Cabo – Luanda Tel.: +244 938814026 /+244 222 309 603

Rua Consº Júlio Vilhena, nº14 – Luanda Tel.: +244 222 337 239 +244 914 643 389

Epic Sana Luanda Hotel, piso -3, Rua Rainha Ginga, Ingombota – Luanda Tel.: +244 222 642 620 +244 943 814 682

Em www.moyo.pt

Em www.vintage-department.com

Hotel Trópico Rua da Missão, nº 103, Ingombota – Luanda Tel.: +244 222 370 070

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rotas & sabores Nº 19 Fev - Mar

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Uíge Nº 19 • BIMESTRAL • 2017 • 1000 Kz

Lugar de feitiços, lendas e maravilhas

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A place of spells, myths and wonders raízes e cultura roots and culture

porta de embarque boarding gate

Ritmos diferentes para uma dinâmica nova

Visitámos a “melhor cidade do mundo”

Casa das Artes

Different rhythms towards a new tendency

Lisboa

We’ve visited the “best city in the world”

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Rotas & Sabores nº 19  

Rotas & Sabores (R&S) was born out of a challenge: to showcase the best there is in Angola in terms of tourism, gastronomy, culture, hotels,...

Rotas & Sabores nº 19  

Rotas & Sabores (R&S) was born out of a challenge: to showcase the best there is in Angola in terms of tourism, gastronomy, culture, hotels,...

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