__MAIN_TEXT__

Page 1

rotas sabores

&

NÂş 18 Dezembro - Janeiro December - January

ĿĔěŢ Ţ2016 Ţ 1000 Kz

Especial Special

Delta do Okavango Uma aventura num paraĂ­so escondido

Okavango Basin An adventure in a hidden paradise

natura nature

Gabela A beleza selvagem de uma antiga rainha The wild beauty of a former queen

raĂ­zes e cultura roots and culture

AďŹ rmação e desaďŹ os da arte africana na contemporaneidade global The assertion and challenges faced by African art in the contemporary world


rotas & sabores

porta de embarque porta de embarque

índice contents

pag.

40

06Ţ 12 Ţ Carlos Renato

panorâmica overview

pessoal personal

fotografia photography: Vasco Célio

14 Ţ Explorando o Okavango especial special

Uma aventura num paraíso escondido Exploring the Okavango An adventure in a hidden paradise

24 Ţ Gabela

natura nature

A beleza selvagem de uma antiga rainha

50 Ţ Natação

The wild beauty of a former queen

32 Ţ Hotel Ekuikui I

cantos e recantos hideaways

pag.

bem-estar well-being

É Verão! Tudo para a água

24

Swimming It’s summer! Everyone in the water!

No coração da Cidade Vida

54 Ţ Sérgio Piçarra

In the heart of the City of Life

indispensável essential

36 Ţ O futuro está na arte

raízes e cultura roots and culture

A arte de criar está-lhe na alma The art of creating is in his soul

Afirmação e desafios da arte africana na contemporaneidade global

58 Ţ Charme Natura

compras shopping

The future is in art The assertion and challenges faced by African art in the contemporary world

40 Ţ Ango Fit

O nosso corpo merece o melhor Our body deserves the best

61Ţ 62 Ţ Quatro cidades do reino de Marrocos

prazeres pleasures

design design

Para uma alimentação mais saudável For a healthier diet

44 Ţ Quinta do Crasto

porta de embarque boarding gate

vinhos wines

A house with history

48 Ţ Palos

bar/cocktail bar/cocktail

Luanda em festa Luanda parties again

fotografia photography: Vasco Célio

Uma casa com história

Four cities in the Kingdom of Morocco

68Ţ 72Ţ 74Ţ

lazer leisure

postal post card

páginas amarelas contacts

Director-Geral Nuno Fernandes Director Geral–Adjunto João Pedro Mendes Directora Editorial Ana Filipa Amaro Morada Smart Village Talatona - Zona CS1 - Via AL 19A - Talatona - Luanda - Angola, Tel.: (244) 222 011 866/867, Fax: (244) 222 006 032, E-mail: edicenterlda@gmail.com Coordenadora Patrícia Pinto da Cruz patricia.cruz@edicenter-angola.com Copy Desk Octaviano Correia, Ludmila Böse (inglês) Redacção António Piçarra, Edjail dos Santos, José Pedro Correia e Sebastião Vemba Colaboradores Adjany Costa Tradução Ludmila Böse Fotografia Vasco Célio (Editor), Carlos de Aguiar e Isidoro Felismina (arquivo) Design Ana Nascimento – Executive Paginação Inês Maia Capa Projecto Vida Selvagem do Okavango/National Geographic Publicidade geral@edicenter-angola.com Secretariado Aida Chimene geral@rotasesabores.com, Tel.: (+ 244) 222 011 866 ou (+244) 925 117 849 Morada Smart Village Talatona - Zona CS1 - Via AL 19A - Talatona - Luanda - Angola Delegação em Lisboa Iona - Comunicação e Marketing, Lda, Rua Filipe Folque nº 10 J – 2 Dtº 1050-113 Lisboa, Tel.: (+351) 213 813 566/7/8 Fax: (+351) 213 813 569, iona@iona.pt Impressão e Acabamento Damer Gráfica, Luanda – Angola Distribuição Edicenter – Eunice Machado eunice. machado@edicenter-angola.com, Tel. (+244) 222 011 866/67 Tiragem 5.000 Exemplares Angola - Registo Nº 697/B/1013

03


rotas & sabores

04

editorial editorial 05

O Delta do Okavango, com graça e encanto The Okavango Delta, with grace and charm Foi no TEDxLuanda 2016 que conhecemos – e ouvimos pela primeira vez – Adjany Costa. Naquela tarde de Sábado, 16 de Julho, foi sem sombra de dúvidas a oradora do evento que mais agitou e deliciou o público presente na Academia BAI, no Morro Bento. O tema do TEDx nesta edição era “Metamorfose” e a apresentação de Adjany caiu que nem uma bomba nesta busca pela mutação do homem e do tempo. Com graça e encanto, Adjany revelou que se tinha juntado a uma equipa da National Geographic para descobrir e explorar um dos últimos refúgios de África: o Delta do Okavango. É o maior Delta interno do mundo, no qual mais de 10 km³ de água fluem todos os anos, com origem no Planalto Central de Angola. Quase toda a água que atinge o Delta é evaporada ou transpirada, disseminando-se por cerca de 15.000 km². Esta característica de não escoar para nenhum corpo de água maior confere-lhe a aparência única de uma raiz colossal, visível do espaço. Um lugar que se transforma num paraíso para a vida selvagem. Mas como raramente há bela sem senão, este paraíso está ameaçado. Embora o Delta esteja protegido, as nascentes, localizadas nas montanhas de Angola, estão vulneráveis. Assim nasceu, em 2011, o projecto “Vida Selvagem do Okavango”, que realiza expedições anuais com o objectivo de mostrar a importância das nascentes para a sobrevivência do Delta e para a conservação da biodiversidade, fazer a gestão de áreas protegidas, preservar os ecossistemas em toda a Bacia do Okavango e expandir a área considerada Património Mundial da Humanidade pela UNESCO. “Into the Okavango” é o nome da expedição coordenada pela National Geographic, que começou dia 21 de Maio de 2015, e que levou uma equipa numa jornada que percorrerá toda a extensão do rio Okavango. É com esta equipa que está Adjany, a única angolana que faz parte deste projecto e que no dia 16 de Julho, com graça e encanto, partilhou com quem a quis ouvir esta aventura que está a viver. No final da apresentação, fizemos questão de a conhecer e de nos apresentarmos. “Rotas & Sabores? Vocês são da Rotas & Sabores? Andamos para falar com vocês há tanto tempo… O pessoal da National Geographic acha que vocês são a revista certa para se juntarem a nós nesta missão de dar a conhecer o Delta do Okavango!”. Pois bem, obrigada pela confiança e não percamos tempo: embarque já connosco nesta edição onde, a partir da página 14, vai poder viver também esta aventura para a vida.

It was at TEDxLuanda 2016 that we met - and heard - Adjany Costa for the first time. On that Saturday afternoon of July 16, she was, without a shadow of doubt, the most passionate and delightful speaker of the event, moving the audience at Academia BAI, Morro Bento. The TEDx topic of this edition was “Metamorphosis” and Adjany Costa’s presentation dropped like a bomb in the room, in these times of search for change in mankind and its context. With grace and charm, Adjany revealed how she joined a team from National Geographic to discover and explore one of the last refuges in Africa: The Okavango Delta. It is the world’s biggest inland Delta, channeling over 10 cubic kilometers of water every year, all of it sprouting from the Angola Central Plateau. Most of the water that reaches the Delta is lost to evaporation, spreading over 15,000 square kilometers. The landlocked character of the Delta gives this RAMSAR area the unique appearance of a colossal root visible from space. It is a place that has become a sanctuary for African wildlife. But since every paradise has a serpent, this Eden is threatened. Although the Delta is protected, the sources, located in the mountains of Angola, are vulnerable. That is how the Okavango Wilderness project was born in 2011. It aims to show how important the sources are to the survival of the Delta and the conservation of biodiversity, manage protected areas, preserve ecosystems in the entire Kubango-Okavango River Basin and expand the area considered a UNESCO World Heritage Site. For these reasons, the project carries out annual expeditions to the Okavango. “Into the Okavango” is the name of the expedition coordinated by National Geographic, which began on May 21, 2015, and took a team to the mountains of Angola in a journey that travelled the extension of the Okavango river. It is as a member of this team that Adjany, the only Angolan woman in the project, shared, with grace and charm, the adventure she is living. At the end of the presentation, we made a point of becoming acquainted with her. “Rotas & Sabores?!”, she exclaimed, “Are you from Rotas & Sabores? We have been talking about you for such a long time!... The National Geographic people think you are the right magazine to join our mission and spread the news about the Okavango Delta!” Very well, thank you for the vote of confidence and let’s not waste time: in this edition, from page 14, join us and experience this adventure of a lifetime.

Ana Filipa Amaro Directora Editorial Editorial Director


Ir a Moçambique agora é um salto Flying to Mozambique is one jump away Finalmente já não temos que dar voltas ao continente e saltar de país em país para o atravessarmos. A TAAG - Linhas Aéreas de Angola inaugurou, no dia 9 de Novembro, o seu voo directo Luanda-Maputo, com a duração de três horas. Vários convidados provaram que agora é possível acordarmos em Luanda, almoçarmos em Maputo e adormecermos de novo em Luanda. As duas capitais lusófonas vão estar ligadas por este voo todas as quartas e sextas-feiras, com viagens de ida de manhã e regresso à noite nesses dias.

Finally, we no longer have to jump from country to country to cross the continent. On November 9, TAAG Angola Airlines started a direct Luanda-Maputo flight (3 hours). Several guest passengers have experienced that it is possible to wake up in Luanda, lunch in Maputo and land back in Luanda just in time to crash on your own bed. From now onwards, the two Portuguese-speaking capitals will be brought closer every Wednesday and Friday, with flights departing in the morning and returning in the evening.

O primeiro Ibis Styles IU Hotel é em Talatona First Ibis Style IU Hotel is in Talatona A nova unidade hoteleira, situada em Talatona, é um investimento da AAA Activos Lda, que até finais de 2017 pretende abrir em todo o país mais 20 de um total de 27 unidades da Ibis Styles IU Hotel. Este conjunto de hotéis de 3 estrelas é descrito como uma obra de arquitectura moderna que privilegia o conforto e o bem-estar. O hotel, inaugurado a 9 de Novembro, em Talatona, tem 120 quartos, salas de reuniões, restaurantes e estacionamento privativo. O grupo de hotéis que agora está a surgir por todo o país é gerido pela AccorHotels, actualmente o maior operador hoteleiro do mundo. This new hotel located in Talatona is an investment by AAA Activos, Lda., which plans to open another 20 units nationwide, in a total of 27 Ibis Styles IU hotels by late 2017. Opened on November 9, the 3-star hotel is described as modern, comfortable and welcoming. It has 120 rooms, functions rooms, restaurants and private parking. This chain making headway across the country is run by AccorHotels, the world’s leading hotel operator.


rotas & sabores

06

panorâmica overview 07

A aplicação do take-away Take-Away App Tupuca é o nome da nova aplicação para smartphone que permite encomendar comida dos seus restaurantes preferidos para que seja entregue em sua casa. O serviço de entregas ao domicílio e take-away está a funcionar em Talatona, Nova Vida, Lar do Patriota e, em breve, no centro de Luanda. Já tem parceria com vários restaurantes e novos são adicionados à aplicação semanalmente. É muito fácil de utilizar o Tupuca: basta instalá-lo no telemóvel, criar o seu perfil e escolher o que quer comer. A app inclui os menus de cada restaurante, bem como os preços e as fotos de cada prato. O pagamento é feito no acto da entrega.

Tupuca is the name of the new smartphone app that allows you to order food from your favorite restaurant and have it delivered at your doorstep. This home delivery service is running in Talatona, Nova Vida, Lar do Patriota and, soon, in downtown Luanda. Tupuca has partnerships with several Luanda restaurants and new additions are updated on a weekly basis. Tupuca is very easy to use: install it on your smartphone, create a profile and choose what you’d like to eat. The app includes menus from each restaurant, as well as prices and images of available dishes. Payment is made upon delivery.

O sucesso do Angola Restaurant Week Angola Restaurant Week was a success A terceira edição do Restaurant Week decorreu entre os dias 24 e 30 de Outubro. Durante essa semana, seis mil menus foram vendidos nos 29 restaurantes participantes e mais de três milhões de kwanzas foram arrecadados em doações ao Centro Social Santa Bárbara, na Praia do Bispo. O valor foi mais do que o dobro do que se alcançou o ano passado, apesar de ter tido menos participantes, o que revela o sucesso estrondoso que foi a edição de 2016 do projecto do portal de restauração Luanda Nightlife. Já estamos ansiosos pela próxima. The 3rd edition of Angola Restaurant Week took place between October 24-30. During that week, the 29 participating restaurants sold 6,000 menus, raising over 3 million kwanzas for the Santa Bárbara Social Center in Praia do Bispo. This sum doubled that raked in last year even with less participants. We congratulate the tremendous success of 2016 edition of this initiative started up by restaurant review website Luanda Nightlife and look forward to the next edition.


Reino do Congo a investigar Mbanza Congo Congo Kingdom investigating M’banza A ministra da Cultura angolana defendeu que todos os países que integravam o Reino do Congo deviam estar envolvidos na investigação à sua capital, Mbanza Congo, cidade do Zaire que já é candidata a Património Mundial da UNESCO e cujo centro histórico está classificado como Património Cultural Nacional desde 2013. São três os países a que Carolina Cerqueira se refere, além de Angola: a República Democrática do Congo, a República do Congo e o Gabão. Segundo a ministra, estes países também são herdeiros de Mbanza Congo e deviam partilhar os esforços de investigação dessa capital para facilitar o processo da sua candidatura à UNESCO.

A verdadeira música angolana The real Angolan music O conjunto da obra de Mito Gaspar e o seu estilo musical invulgar, muito enraizado na identidade cultural angolana, foram decisivos para que o músico recebesse o Prémio Nacional de Cultura e Artes de 2016. Segundo o júri presidido por António Fonseca, Mito Gaspar tornou-se essencial para a “preservação da ancestralidade artístico-cultural” angolana e a sua projecção na contemporaneidade. Realmente, são poucos os músicos que têm a capacidade de nos fazer sentir e viver as raízes culturais e musicais de Angola com a intensidade quase mágica com que Mito Gaspar o faz. The body of his work and unusual music style deeply rooted in Angolan cultural identity were decisive to awarding the 2016 National Prize for Arts and Culture to Mito Gaspar. According to the jury presided by António Fonseca, Mito Gaspar played a vital role in “preserving artistic and cultural heritage” in Angola, contextualizing it to our times. In fact, few musicians are able to make us feel and live Angola’s cultural and musical roots with the quasi magical intensity that Mito Gaspar puts into his work.

Minister of Culture Carolina Cerqueira has maintained that the countries that were once part of the Congo Kingdom should join efforts with Angola to conduct a scientific investigation of its former capital, M’banza Congo, the current capital of Zaire province and candidate to World Heritage Site. The Minister is referring to the Democratic Republic of Congo, the Republic of Congo and Gabon. According to the state official, these countries are also heirs of M’banza Congo and should aid Angola’s application to UNESCO’s world heritage site list. To note that the historical center of M’banza Congo was raised to the status of national cultural heritage site in 2013.


O Moët & Chandon Ice é uma das bebidas mais pedidas no Luanda Lounge. Moët & Chandon Ice is one of the most requested drinks at Luanda Lounge.

Espaço Luanda Lounge

Para que não nos falte nada Complete and lacking in nothing Já todos conhecíamos o restaurante Espaço Luanda, uma das principais referências no mundo da restauração em Talatona. Música ao vivo, decoração e ambiente muito agradáveis, um dos melhores serviços que podemos encontrar, refeições maravilhosas. O Espaço Luanda já tinha tudo para ser um dos favoritos. Agora, deu o passo seguinte, ao abrir o Espaço Luanda Lounge. Se já estávamos mal habituados só com o restaurante, agora nem se fala. Não é bem um bar, muito menos uma discoteca. O objectivo é que seja um espaço de transição entre o jantar e a próxima fase da noite, já nas pistas de dança. A partir do momento em que os clientes terminam a última refeição do dia, as luzes da esplanada começam

a baixar, o dj entra em cena, o champagne bar começa a servir e o ambiente passa de restaurante para lounge com toda a naturalidade do mundo. Isto acontece todas as Quintas (a partir das 17 horas), Sextas e Sábados (a partir das 23 horas), e estende-se até às três da manhã. Durante estas horas, a esplanada ao ar livre do Espaço Luanda é um ponto de encontro de grupos de amigos que vão ali beber um copo, comer uns petiscos (pregos, hambúrgueres, salgados ou fatiados) e ouvir boa música. O sucesso é tal que convém reservar mesa para ter a certeza de que vai ficar sentado. Como o estacionamento é privado e com seguranças a tempo inteiro, pode sentir-se totalmente à vontade. Nada pode correr mal.

Many of us are already familiar with Espaço Luanda restaurant, one of the food references of Talatona, a tasteful blend of live music, delightful decor and ambiance, excellent service and wonderful meals. In short, Espaço Luanda has spared no effort to become a trendy spot. Now, it has gone up a notch by opening Espaço Luanda Lounge. If you were already badly spoiled at the restaurant, prepare yourself for more. Espaço Luanda Lounge is neither a bar nor a nightclub. It aims to be a transit space between dinner and that stage of the evening that culminates on the dance floor. From the moment you finish that last meal of the day, the terrace lights are dimmed, the DJ starts to spin his records, the cham-

pagne bar is opened and the environment flows smoothly from restaurant to lounge. This new feature takes place on Thursdays (from 5:00pm), Fridays and Saturdays (from 11:00pm) and continues until 3:00am. During these hours, the Espaço Luanda terrace is transformed into a rendezvous for groups of friends looking for a place to drink, chat, snack (the lounge menu includes sandwiches, hamburgers and appetizers) and enjoy good music. In fact, it has become so successful that you may want to book a table to make sure you won’t spend the evening standing. The parking lot is private and staffed by security guards at all times. You are free to feel at ease. Nothing can go wrong.


rotas & sabores

panorâmica overview

Mundus Vini 2016 premeia Adega Mayor Mundus Vini 2016 awards Adega Mayor Um dos concursos de vinhos de maior prestígio a nível internacional, o Mundus Vini, reconheceu a marca portuguesa representada em Angola pela Angonabeiro, Adega Mayor, com Ouro e Prata, na sua edição de 2016, que decorreu na Alemanha. O Ouro foi atribuído aos vinhos Solista Touriga Nacional 2014 e Monte Mayor Branco 2015, enquanto a Prata foi para o Solista Verdelho 2015, o Monte Mayor Reserva Tinto 2014 e o Caiado Branco 2015. Nesta edição, estiveram em prova mais de 4000 vinhos, sendo que a atribuição de medalhas é limitada a um máximo de 40% dos candidatos. Os vinhos distribuídos pela Angonabeiro “superaram a barreira de forma espectacular”. As one of the biggest international wine competitions, the 2016 edition of Mundus Vini, this time held in Germany, awarded Portuguese winery Adega Mayor gold for Solista Touriga Nacional 2014 and Monte Mayor Branco 2015, and silver for Solista Verdelho 2015, Monte Mayor Reserva Tinto 2014 and Caiado Branco 2015. This edition sampled over 4,000 wines vying for medals given away to 40% of the participants, at most. Adega Mayor, represented and distributed in Angola by Angonabeiro, “overcame the odds in a manner most spectacular”.

texto text: Patrícia Pinto da Cruz fotografia photography: Vasco Célio, iStockphoto e Cedidas

10 11


Lunda Norte (Dundo – Barragem do Luachimo)

Na rota da luz Lunda North (Luachimo Dam, Dundo) On the power route Carlos Renato, cronista Carlos Renato, columnist

Sala kanawa! Já em terras do Império Lunda.

Sala kanawa! From the lands of the ancient Lunda Empire.

Mal chegámos à localidade de Luó (banda das pedrinhas) fomos brindados com cerca de um quilo da raiz mundonda – a Redbul com Coca-Cola, whisky velho e pó de viagra cá das Lundas. Mas segundo ouvimos, essa raiz não é a mais forte. Há ainda a raríssima e poderosíssima ankajamba, que tem um efeito maluco, a ameaçar igualar ou superar o mítico pau de Cabinda! É de acrescer que a raiz mundonda tem alguns efeitos terapêuticos diversos, faz bem à coluna e também tem sido dada aos bebés, para makas gastrointestinais. Ngury kanawa! O sol nasce cedo nesta terra acolhedora, cujo nome vem do rio Dundundo, que disseram-me significar borrachas, mas que o tuga, com preguiça de falar, caçumbulou um dos DUN e fi-

As soon as we reached Luo (the land of the precious stones) we were welcomed with nearly a kilo of mundonda root – the Red Bull-Coca Cola-old whisky-Viagra of these parts. Apparently, mundonda is not the strongest stuff you can get around here. There is yet the extremely rare and mighty ankajamba, which has the craziest effect, powerful enough to rival or vanquish the mythical aphrodisiac “pau de Cabinda” (at this stage I would like to add that mundonda has several other therapeutic properties, is good for the back and is given to babies as a remedy for colic). Ngury kanawa! The sun rises early in this hospitable land, whose name takes after the river Dundundo, meaning, as I was told, “rubber” and


rotas & sabores

12

pessoal personal 13

Essa é a terra do Luachimo, que, de tanta beleza e força, dá energia à cidade e banha os citadinos, enquanto rasga as matas verdes. This is the land of Luachimo, a force of nature of such beauty and character that it provides hydroelectric power to the city of Dundo and bathes its denizens while tearing the green forests.

cou só DUNDO! Esta cidade de gentes simpáticas e acolhedoras, que habitam casas sem muro ou cerca nos quintais ajardinados e apaixonantes, que nem as mwanapwo, com uma pele com brilho de luboya. A cidade das mangueiras mil que cobrem com as suas folhas verdes os passeantes, oferecendo uma frescura deliciosa! Esse é o Dundo, que faz fronteira em três sítios diferentes, como a República Democrática do Congo, onde os nossos vizinhos pulam a cerca às centenas, senão aos milhares, em busca de vida kanawa! Quando a fome bate, somos brindados pela kota que mora ao lado do aeroporto com uns pitéus falados e saborosos, com peixes (secos, fumados ou frescos) como mussonje, cacumbi ou panvu, carne de Seje – paca, cabra da mata, veado ou pacaça (seca, fumada ou fresca) – e, para acompanhar, uma boa kizaca, beringela e kiabos refogados com óleo de palma caseiro, macosso frito, maquenene a tira gosto, gafanhotos de jindungo picante a gosto e, é claro, sem faltar o famoso tortu-

lho (fresco ou seco) que, de tão grandes, alguns putos fazem-no de sombrinha ao longo da estrada, onde ficam a vender iguarias saborosas de lamber os muzumbos e xupar os dedos por mais nas terras do soba Samiche (por baixo da árvore). Sem esquecer que para beber é uma boa caneca de tchindjapa no ponto, para eriçar os pelos! Essa é a terra do Luachimo, que, de tanta beleza e força, dá energia à cidade e banha os citadinos, enquanto rasga as matas verdes, trazendo ao de cima o brilho das camangas que afamam a banda. São os mambos da banda das luboyas, que não são mais preciosas do que as mwanapwo de pele reluzente, num castanho lindo de fazer inveja ao ébano mais famoso. Bem, vou partir para as outras barragens, Matala, Lomaun, Gove, Biopio, Capanda e Cambambe, em busca de outras belezas que se escondem na energia das barragens. Ngury kanawa (estou bem)! Amené! Katé+

which the Portuguese, slurring the pronunciation, made off with one of the “DUN” syllables, leaving us with DUNDO. Dundo is a town of friendly and approachable people who live in houses with unwalled yards brimming with gardens as passionate as mwanapwo1 with skin shining like luboya2. It is a town deliciously shaded by countless mango trees, bordering the Democratic Republic of Congo on three sides, from where our neighbors ‘jump over the fence’ by the hundreds, if not thousands, looking for kanawa life! No sooner were we hungry than we were invited by the kota3 living next door to the airport, who suggested a fine feast of dried, smoked or fresh fish like the mussonje, cacumbi or panvu4 and/or game meat like Seje5 , deer and wild goat (also dried, smoked or fresh) served with a kizaca6, eggplant and okra sautéed in homemade palm oil and accompanied by fried macosso and maquenene, as well as the inevitable appetizers such as fried locusts doused in fire-hot jindungo pepper sauce and mushrooms so large that the

children use them as sunshades at the roadsides where they can be seen setting up stalls to sell lip and finger-licking delicacies under the protection of soba Samiche7. To top this attack on the taste buds, there is a good cup of tchindjapa8, that will make you grow hairs on your tongue! This is the land of Luachimo, a force of nature of such beauty and character that it provides hydroelectric power to the city of Dundo and bathes its denizens while tearing the green forests and resurfacing the shine of the precious stones that have made this region famous. Such were my experiences in the land of luboya, which are no more precious than the sleek-skinned mwanapwo with complexions that would shame the smoothest ebony. Well, I’m off to other dams: Matala, Lomaum, Gove, Biópio, Capanda and Cambambe. I’ll be looking for more of the beauty waiting to be harnessed by the power of these hydroelectric dams.

Ngury kanawa (I’m fine)! Amené! Katé+

1 Maiden(s); 2 Diamond(s); 3 Elderly (wo)man; 4 Local fish varieties; 5 Antelope; 6 Mashed manioc leaves cooked as a stew; 7 T.N.: expression meaning “under the shade of the tree”; 8 Fermented or distilled drink


rotas & sabores

14

especial special 15

Explorando o Okavango

Uma aventura num paraĂ­so escondido Exploring the Okavango An adventure in a hidden paradise texto text: Adjany Costa fotograďŹ a photography: Cedidas pelo Projecto Vida Selvagem do Okavango Courtesy of Okavango Wilderness Project


Alguns tiveram o privilégio de espreitar além da armadura possante da capital e foram compreendendo o porquê de Angola já ter sido conhecida como “a sala de visitas de África”. Some people have been lucky to peer beyond the capital’s imposing armor and begin to understand why Angola was once known as Africa’s “drawing room”. Angola é vista por muitos como uma metrópole em desenvolvimento constante e de um caos infinito, em que os limites de Luanda definem as fronteiras da imaginação de um mundo mais além. O “eu sou angolano” é instintivamente associado à imagem de uma selva de betão em crescimento vertical, que aos poucos engole os espaços naturais circundantes. Mas alguns tiveram o privilégio de espreitar além da armadura possante da capital e foram compreendendo o porquê de Angola já ter sido conhecida como “a sala de visitas de África”. Um país imensamente rico e de uma beleza tão contrastante que parece bipolar: em que outra parte do mundo podem coexistir logicamente florestas tropicais e desertos de dunas; planícies vastas e montanhas majestosas; cavernas escondidas e cascatas imponentes; praias infinitas e rios gigantescos?! Tantos rios… Água… A base da vida e uma das maiores riquezas de Angola. O país tem uma beleza inimaginável, que vai muito além das aclamadas 7 Maravilhas Naturais de Angola. Uns poucos privilegiados tiveram a oportunidade de explorar um mundo tão inacessível e remoto que o conceito de visitantes se tornou quase num mito ao longo dos últimos 40 anos de isolamento: A Bacia do Okavango. Um sistema transfrontei-

Angola is viewed by many as a relentless chaotic metropolis in constant development, in which the Luanda city limits define the boundaries of imagining a world beyond. Angolanity is instinctively associated to the image of a high-rising concrete jungle that gradually swallows the surrounding nature. But some have been lucky to peer beyond the capital’s imposing armor and begin to understand why Angola was once known as Africa’s “drawing room”. Angola is a country immensely rich in natural resources and of such contrasting beauty that it seems bipolar. Where else could tropical forests and desert dunes logically coexist? Vast plains combine with majestic mountains? Hidden caves meet mighty waterfalls? Endless beaches match gigantic rivers? The country has so many rivers and water being the uncontested source of life that they are one of the land’s most valuable resources. Out there, there is such unimaginable beauty that it transcends the acclaimed Seven Natural Wonders of Angola. A privileged few have had the chance to explore a world so inaccessible and remote that the concept of visitors has become a myth in the past 40 years of isolation. I am talking about the Okavango Basin, a cross-border system extending over an area of roughly 721,000 square km and connecting three countries in a 1,500 km straight line. It is one of the last pristine wild areas in the world.


riço que se estende por uma área de cerca de 721.000 km², ligando três países numa linha recta de 1.500 km. Uma das últimas áreas selvagens pristinas do mundo. Projecto National Geographic A Bacia do Okavango é alimentada pelos rios angolanos Cuito e Cubango, cujo fluxo de água rege a manutenção do rio originado da confluência de ambos, o rio Okavango. Este atravessa a faixa de Caprivi, na Namíbia, e difunde-se no deserto do Kalahari, no Botswana, formando aí um ecossistema característico, reconhecido internacionalmente, o Delta do Okavango. Qualquer acção efectuada ao longo dos rios mencionados e seus afluentes terá consequências mais abaixo do sistema. O Delta do Okavango é o maior delta interno do mundo, no qual mais de 10 km³ de água fluem to-

dos os anos, originados no Planalto Central de Angola, entre o Bié e o Moxico. A água que atinge o Delta é maioritariamente evaporada ou transpirada, disseminando-se por cerca de 15.000 km². Esta característica de não escoar para nenhum corpo de água maior confere a esta Área Húmida de Importância Internacional (área RAMSAR) a aparência única de uma raiz colossal, visível no espaço, atingindo as profundezas da areia sedenta de água. “A raiz da vida”... A existência quase milagrosa de água abundante num arredor tão árido e improdutivo permite a manutenção de populações de fauna e flora. Durante os picos de cheias, atrai animais a quilómetros de distância e cria uma das maiores concentrações de vida selvagem do mundo. Com metade dos elefantes africanos no mundo, a

Durante os picos de cheias, o Delta atrai animais a quilómetros de distância e cria uma das maiores concentrações de vida selvagem do mundo.

The Okavango Wilderness Project The Okavango Basin is fed by Angolan rivers Cuito and Cubango, whose flow governs the river created by their confluence, the Okavango. This river crosses the Caprivi Strip in Namibia and ends in the Kalahari Desert in Botswana, creating a distinct ecosystem recognized internationally as the Okavango Delta. As such, any action carried out upstream, on both the confluence and its effluents, has an impact downstream. The Okavango Delta is the world’s largest inland delta, receiving over 10 cubic km of water per year originating from the Angola Central Plateau in the region between Bié and Moxico. The water that reaches the delta is largely lost to evaporation. Spreading over 15,000 square km, this landlocked feature of the delta, that is, it does not flow into another larger body of water, gives this RAMSAR area the

appearance of a colossal water root (visible from space) reaching out to slake the thirst of the desert. It is “The Root of Life”… The nearly miraculous existence of abundant water surrounded by arid land supports populations of fauna and flora. At the peak of the rainy season, animals are drawn from distances of up to hundreds of kilometers, creating one of the world’s biggest concentrations of wildlife. With half the population of elephants in the continent, the largest population of lions and enviable biodiversity, the Okavango Delta is the pride of all bordering countries and an internationally famous tourist destination. Its magnificence, ecological importance and wildlife protection principles have guaranteed its selection as one of the Seven Wonders of Africa (2013) and the entering into UNESCO’s World Heritage List (2014). Its delicate dependency on its Angolan source and Namibian middle ground

At the peak of the rainy season, animals are drawn from distances of up to hundreds of kilometers to the Okavango Delta, creating one of the world’s biggest concentrations of wildlife.


rotas & sabores

26

natura nature 19

Ao longo do caminho, troca-se a agorafobia das grandes metrópoles pelo conceito imensurável do espaço livre sem limites. Along the way, we traded the agoraphobia of city life for the immeasurable concept of wide open spaces.

maior população de leões e a existência de uma biodiversidade invejável, o Delta do Okavango é motivo de orgulho para os seus compatriotas e um destino turístico aclamado internacionalmente. Toda a sua imponência, importância ecológica e princípios de protecção do seu mundo selvagem, asseguraram a sua selecção como uma das 7 Maravilhas de África (2013) e a sua colocação como Património Mundial da UNESCO (2014). A dependência melindrosa da sua nascente angolana e intermediário namibiano tem levantando preocupações sobre o destino do Delta. Alterações visíveis no curso de água e, consequentemente, na sua biodiversidade, já mostraram a sensibilidade extrema deste delta. Tal inquietação inspirou 15 indivíduos de diferentes nacionalidades a navegar o rio Cuito em toda a sua extensão, desde a sua nascente até à sua confluência com o rio Cubango, e daí rumar para o horizonte, onde a água do Okavango se torna internacional. Descrever o sistema “da nascente ao deserto” e perceber os riscos reais que enfrenta o Delta eram os grandes objectivos. Foi assim que nasceu o Projecto da National Geographic da Vida Selvagem do Okavango que, desde 2015, tem revelado segredos paisagísticos e de biodiversidade profundamente ocultos por entre os escombros do conflito. A exploração da porção angolana desta bacia mostrou ser um éden de transparência aquática rodeada por místicas florestas subtropicais, um verdadeiro pulmão irrigado em Angola.

has raised concerns about the future of the Delta. Visible alterations of the water courses and, as a result, of its biodiversity, have already shown the extreme sensitivity of this Delta. This issue has led 15 individuals from different countries to navigate the extension of Cuito river, from the source to the confluence with Cubango river and up to the point where the Okavango becomes international. The aim of this expedition was to document the system “from the source to the desert” and take stock of the actual risks faced by the Delta. That is how the National Geographic funded Okavango Wilderness Project was born and has, since 2015, revealed the secret landscapes and biodiversity deeply hidden among the relics of civil war. Exploring this Angolan portion of the basin has unearthed an Eden of water bodies surrounded by mystical subtropical forests, a genuine green lung irrigated in Angola. The treasures of “Mother Cuito” Our journey began in the city of Cuito and headed towards Kuemba with an overnight stay in Munhango – “the end of the road… and end of civilization”, announced some locals. We followed a footpath used only by villagers who make a living selling produce in municipal markets. Lodged deep in the forest, the village of Samboano represents the border; not only between Bié and Moxico, but also between the hidden paradise of Okavango and the rest of the world oblivious of its existence but eager to know it. We advanced for countless hours in a world beyond the notions of direction or destination, where few know which way is


A equipa demorou dois meses a navegar os 1.500 km do rio Cuito. It took the team two months to navigate the 1,500 km extension of the Cuito river.

Ao se conhecer a “Mãe Cuito”, perde-se a noção do conceito humano de tempo e espaço. As you explore and discover “Mother Cuito”, you lose track of the human concept of space and time.

Os tesouros da “Mãe Cuito” Partimos da cidade do Cuito, atravessando Kuemba e pernoitando em Munhango – “o fim da estrada... o fim da civilização”, anunciaram alguns locais. Seguimos por um caminho usado apenas por peões que sobrevivem do comércio nos mercados municipais. Embrenhada na floresta, a aldeia de Samboano representa a fronteira; não só entre o Bié e o Moxico, como entre um paraíso escondido no Okavango e o resto do mundo ignorante da sua existência e sedento do seu desvendamento. Passam-se horas infindáveis num mundo alheio de direcção ou destino, onde poucos conseguem reconhecer os pontos cardeais, que se perdem na sombra infinita da flora intocada do Miombo cerrado. Ao longo do caminho, troca-se a agorafobia das grandes metrópoles pelo conceito imensurável do espaço livre sem limites. Mas nada prepara uma mente citadina para a aparição repentina e deslumbrante da lagoa da nascente do rio Cuito. A neblina matinal nos dias de cacimbo forma um véu fino sobre o

north under the boundless shadow of the untouched Miombo forest. Along the way, we traded the agoraphobia of city life for the immeasurable concept of wide open spaces. But nothing prepares a city mind for the sudden and breathtaking appearance of the lagoon at the source of Cuito river. The early morning mist of the dry season formed a fine veil of mist over the slope that led to its margins, as if the lagoon had grown shy at the appearance of unexpected visitors. This body of water functions as a gigantic water dam, allowing the flow of the river to continue even in the dry season. It does that mainly through the dense vegetation, which regulates the amount of water channeled to the stream leading out while preventing navigation up to or from that point. The excruciating task of dragging halfton canoes over the parched terrain and under the blazing sun allowed us to appreciate every unspoilt centimeter of the majestic Cuito river valley. The dense forest becomes sporadically sparse, permitting a glimpse of the land beyond the slope. The concept of space is lost in the vastness of the open grasslands, where our imagina-


A dança hipnotizante do fogo por baixo de um infinito de estrelas apaga qualquer aflição da mente, competindo com os mais conceituados psicólogos do mundo. The hypnotizing dance of the fire under a massive canopy of stars releases the mind from any torment, rivalling the world’s most prestigious psychologists. declive que conduz às margens da lagoa, demonstrando quase que uma timidez na presença inesperada de visitantes. A lagoa funciona como um gigantesco depósito de água, permitindo que o fluxo do rio permaneça mesmo em tempo seco. Cumpre o seu dever principalmente através de bloqueios de vegetação, que regulam a quantidade de água canalizada para o riacho, e impede, portanto, a navegação das canoas. A excruciante tarefa de arrastar canoas de meia tonelada sob o sol arrasador e em solo seco permitiu apreciar cada centímetro intocado do majestoso vale do rio Cuito. A floresta densa torna-se esporadicamente esparsa, permitindo espreitar além do declive. O conceito de espaço perde-se na imensidão das chanas livres, onde a imaginação desperta os sentidos e torna-se plena. Riacho após riacho, lá engordou o rio Cuito. Tal como na vida, esta zelosa “mãe” mostrou-nos que as suas curvas e contracurvas fortale-

cem a resistência, paciência e determinação no objectivo. Nos momentos de desespero, a solução é subir pelo íngreme vale, descansar sob uma sombra sedutora e contemplar a tela de arte ao redor, com os seus meandros dengosos, carregando fervorosamente a água cristalina sob um leito de areia branca, rebordados por um misto colorido de vida. Esta “mãe” angolana relembrou-nos inúmeras vezes que os donos da casa devem ser sempre respeitados. Chitas, leões, bâmbis, seixas, palancas, leopardos, elefantes, mabecos, grous, macacos e até espécies raras como pangolins, ainda preenchem a biodiversidade regional apesar de em números reduzidos e de sobrevivência ameaçada. No rio, o medo dos crocodilos é superado pela demonstração da força inimaginável dos hipopótamos. Mas até o mais perigoso animal da selva africana mantém-se consolado quando se cumpre as formalidades ao atravessarmos o seu território. Respei-

tion enlivens the senses and reaches its plenitude. Cuito river swells up stream after stream. As in our lives, this zealous “mother” has shown us the twists and turns that have strengthened our resistance, patience and determination to reach our goal. In the moments of despair, the solution was to climb a steep hill, rest under the seductive shade and contemplate the surrounding works of nature while the river flexed its smooth curves, fervently carrying crystalline water over a bed of white sand bordered by the colorful mix of life. This Angolan “mother” reminded us over and over again that the masters of the house must be respected. Cheetahs, lions, antelopes, leopards, elephants, hyenas, cranes, monkeys, and even rare species like the pangolin, still fill the regional biodiversity though in threatened and endangered numbers. In the river, the fear of crocodiles is overcome by the show of the hippos’ incredible strength. But even the most dangerous animal in the African forest is pacified when you respect the strict formalities of crossing their

territory. Respect is indeed the word and a vital survival requirement not only for human visitors, but for the resident wildlife itself. Idyllic sceneries took shape and astonished us on a daily basis during the two months that took us to navigate the 1,500km extension of Cuito river. Its thundering waterfall is an example of the grandiosity of some of the places we visited. At 8 meters high, with a rocky bottom at its feet, it inspired the deepest jungle adventure fantasies. As you explore and discover “Mother Cuito”, you lose track of the human concept of space and time. The enclosing green forest gives you a sense of belonging, of a home shared naturally with hundreds of other species that are being dispossessed of their habitat. The hypnotizing dance of the fire under a massive canopy of stars releases the mind from any torment, rivalling the world’s most prestigious psychologists. The Okavango Basin is a natural hidden paradise worthy of being a source of pride to all Angolans, whether native or learning to love the land.


rotas & sabores

22

especial special 23

A “Mãe Cuito” relembrou-nos inúmeras vezes que os donos da casa devem ser sempre respeitados. to é a palavra de ordem e um requisito fundamental para a sobrevivência não só dos visitantes humanos, como dos residentes selvagens que ali se encontram. Cenários idílicos tomam forma e surpreendem-nos diariamente ao longo dos dois meses que demorou navegar os 1.500 km do rio Cuito. A sua cascata trovejante é um exemplo da imponência de alguns lugares que nos foram presenteados. Com 8 m de altura e de fundo rochoso, suscita os mais profundos sonhos de fantasia na floresta circundante adentro. Ao se conhecer a “Mãe Cuito”, perde-se a noção do conceito humano de tempo e espaço. O verde da floresta circundante dá um sentido de pertença, um lar partilhado naturalmente com centenas de outras espécies que têm sido desprovidas do seu espaço em Angola. A dança hipnotizante do fogo por baixo de um infinito de estrelas apaga qualquer aflição da mente, competindo com os mais conceituados psicólogos do mundo. A Bacia do Okavango... Um paraíso natural escondido capaz de orgulhar todos os angolanos, de raiz ou adoptados.

“Mother Cuito” reminded us over and over again that the masters of the house must be respected.


Gabela

A beleza selvagem de uma antiga rainha The wild beauty of a former queen texto text: Pedro Correia fotograďŹ a photography: Vasco CĂŠlio


rotas & sabores

24

natura nature 25

É uma paisagem deslumbrante interrompida aqui e ali por enormes montanhas de pedra. It is a striking scenery cut here and there by enormous rock mountains.


A viagem é agradável. De Luanda à Gabela são cerca de 400 quilómetros e, porque só pode ser feita por estradas que já conheceram melhores dias, em média dura seis horas. Em Porto Amboim, a pouco mais de metade do percurso, fazemos a pausa para o almoço. Seguimos caminho em direcção ao Sumbe e viramos à esquerda no desvio que surge 50 quilómetros depois, logo a seguir ao Instituto Nacional de Petróleos. Antes de chegar à Gabela, ao quilómetro 27 da estrada que liga o Instituto Nacional de Petróleos à sede do município do Amboim, desfrutamos de um dos grandes espectáculos da natureza naquela região, proporcionado pelas águas do rio Keve que, mais à frente, nas cachoeiras do Binga, se precipitam do alto de 150 metros para um mar de espuma que abre caminho por entre o verde da paisagem. Mas a Gabela fica ainda a cerca de 50 quilómetros percorridos por entre montes e vales verdejantes numa paisagem deslumbrante interrompida aqui e ali pelo cinza de enormes montanhas de pedra e de impressionantes aglomerados de rochas. E ao chegar, do cimo da montanha sobranceira, vemos a Gabela espraiar-se pela garganta que a divide ao meio em vales paralelos sarapintados do verde das árvores e do laranja-acastanhado das paredes das casas construídas em blocos de barro. Ao longe, a parte alta da vila guarda os edifícios mais antigos herdados da obra colonial, com a vigilância afastada de duas grandes serras de pedra cinza.

Um dos grandes espectáculos da natureza naquela região é proporcionado pelas águas do rio Keve. One of the greatest natural spectacles in the region is brought to us by Keve river.

The journey is pleasant. From Luanda to Gabela, it’s nearly 400 kilometers, and only because the roads have known better days, the trip lasts, on average, six hours. At Porto Amboim, a little over half-way, we paused for lunch. Afterwards, we continued towards Sumbe and turned left on the detour that comes up 50 kilometers later, right after the National Petroleum Institute. Before reaching Gabela, on kilometer 27 of the road that connects the National Petroleum Institute to the administrative seat of Amboim municipality, we enjoyed one of the greatest natural spectacles in the region, brought to us by Keve river, which, farther ahead, plunges into Binga Falls, a 150-meter drop into a sea of foam that cleaves a path in the lush greenery. Gabela is still another 50 kilometers of negotiating


Do cimo da montanha sobranceira, vemos a Gabela espraiar-se pela garganta que a divide ao meio. From the top of the imposing mountain, we spot Gabela sprawling at the gorge that parts it.

A cerca de 7 km da Gabela fica o povoado Boa Entrada. About 7 km away from Gabela is the little settlement Boa Entrada.

A Gabela foi, até aos anos 70, uma das mais prósperas terras de café. Um longo conflito armado depois e quase meio século passado, podemos voltar a percorrer os cafezais e os campos agrícolas onde renascem as culturas do milho, da batata e batata-doce, do feijão e da ginguba (amendoim). Ao percorrermos os caminhos para chegar à Gabela, o cheiro da fruta chega-nos da beira da estrada. Pequenos mercados florescem coloridos em bancadas improvisadas onde se amontoam sorrisos e pregões para vender a melhor banana, o ananás mais perfumado, a laranja mais colorida e a maçã mais bonita.

green hills and valleys, a striking scenery cut here and there by enormous grey boulders and massive rock piles. On reaching the top of the imposing mountain, we spot Gabela sprawling at the gorge that parts it into parallel valleys streaked by green trees and terracotta adobe houses. In the distance, uptown, we see colonial era buildings under the aloof guard of two great grey stony hills. Gabela was, until the 1970s, one of the most prosperous coffee regions in Angola. A long civil war and almost half a century later, we can return to the coffee plantations and maize, potato, sweet-potato,


Já abastecidos de fruta, subimos primeiro ao verdejante Morro do Cruzeiro, bem no centro da vila, para visitar as ruínas do velho fortim da Gabela (Séc. XIX), apreciamos depois a vista sobre uma parte da vila, no Morro da Cruz, antigo local de culto católico onde existe uma capela e a Cruz de Cristo e, finalmente, visitamos o Morro de Santo António, outro local de culto católico que guarda o Santo e onde está em construção uma igreja. Por uma escada escavada na rocha, subimos o morro para desfrutar de uma vista única, uma vista panorâmica, de 360º, sobre a nova e a velha Gabela e seus arredores espec-

bean and peanut farms. On the road to Gabela, the aroma of fruit hung heavy in the air. Small, colorful roadside markets spring up in improvised stalls where smiling vendors outbid each other to sell the best banana, the most perfumed pineapple, the brightest orange and the prettiest apple. Once well-supplied with fruit, we climbed the green hill of Morro do Cruzeiro, right in the center of town, to visit the ruins of the old Gabela fort (19th century); took in the view of one side of town at the hill Morro da Cruz, a former catholic worship site bearing a chapel and the Cross of Christ; and visited the hill Morro de Santo António, another catholic worship site that safe keeps the Saint also witnessing the construction

Por uma escada escavada na rocha, subimos o morro para desfrutar de uma vista panorâmica sobre a nova e a velha Gabela e seus arredores espectaculares. Following steps carved into the rock, we climbed the hill to enjoy a panoramic view of new and old Gabela and its splendid surroundings.


rotas & sabores

30

natura nature 31

taculares. Ao longe está outro ponto de interesse que visitamos a seguir. A fazenda CADA É a cerca de sete quilómetros do centro da vila que está a Boa Entrada, um povoado em crescimento em torno da antiga fazenda da Companhia Angolana de Agricultura (CADA). Foi no início da década de 70 que a fazenda viveu os seus melhores anos com uma grande produção de café que arrebatou prémios pelo mundo. Além do café, a CADA aglomerava dezenas de pequenas fazendas agrícolas com uma importante produção de algodão, sisal, banana e de muitos outros frutos, assim como de todo o tipo de hortícolas. A organização da grande fazenda incluía escolas, um hospital, igreja, casas de vários tipos para os funcionários e até mesmo um ramal do Caminho de Ferro de Benguela, que ficou conhecido com o nome de Caminho de Ferro do Amboim. Esta linha começou a ser construída em 1914, sob iniciativa dos fazendeiros da CADA. A ligação com Porto Amboim, de pouco mais de 100 quilómetros, ficou concluída em 1931 com o propósito principal de escoar a produção de café, sisal e algodão. A linha do caminho-de-ferro há muito que deixou de estar operacional, mas ainda hoje existe, à entrada da CADA, o edifício da estação do Amboim que está ao abandono. Durante os vários anos de conflito armado, naquela zona, a CADA esteve isolada do mundo e a degradar-se. Actualmente, e depois de reabilitados alguns edifícios, estão em funcionamento o hospital e a escola principal, a igreja e vários serviços administrativos. As casas antes destinadas aos trabalhadores da antiga fazenda são agora o lar de muitas famílias que decidiram repovoar a região e retomar pequenas produções agrícolas de subsistência. Toda a vasta área da fazenda e arredores pode ser visitada.

of a church. Following steps carved into the rock, we climbed the hill to enjoy a unique sight, the panoramic view of new and old Gabela and its splendid surroundings. In the distance, we see the site of our next visit. CADA Farm It is located at about 7 kilometers away from town center in a locality called “Boa Entrada”, a settlement growing on the grounds of the former Angola Agricultural Development Company (CADA) estate. The estate experienced its best coffee production years in the early 1970s, reaping a harvest that was awarded around the world. Apart from coffee, CADA supervised dozens of smaller farms that had a significant output of cotton, flax, bananas and other produce. The estate’s management included schools, a hospital, a church, employee housing and even a railroad track connected to the Benguela Railroad, known as the Amboim Railroad. Its construction was initiated in 1914 under the initiative of the CADA landowners. The connection with Porto Amboim, a 100 kilometers away, was completed in 1931. Its main purpose was to transport the coffee, flax and cotton production. The railroad has long since ceased to be functional but one can still be seen, at the entrance of CADA, the abandoned building of the Amboim Railroad Station. During the many years of armed conflict in the area, CADA was cut off from the world and degrading. Today, following the rehabilitation of some buildings, the hospital, main school, church and several administrative services are up and running. The houses once occupied by the former estate’s employees are now the homes of many families that decided to repopulate the area and work on small subsistence farms. The entire area of the estate and vast surroundings can be visited.

Tome Nota Como ir Não há ligações aéreas. A estrada é a única forma de se chegar à Gabela numa viagem de cerca de 400 quilómetros percorridos, em média, em pouco mais de 6 horas. Para chegar à Gabela, com partida de Luanda, deve seguir em direcção à Barra do Kwanza e apanhar a Estrada Nacional 100 que liga a Benguela. Cerca de 15 quilómetros antes da cidade do Sumbe, e junto ao Instituto Nacional de Petróleos, vire à esquerda e ainda mais 77 quilómetros para chegar à sede do município do Amboim. Onde ficar O Hotel Gabela é a única unidade hoteleira de referência na vila, apesar de existirem pequenas pensões espalhadas pela região. Onde comer Além do restaurante do Hotel Gabela há alguns restaurantes e snack-bars. Imperdível Uma visita à antiga fazenda da CADA.

Take Note How to go There are no flights to Gabela. The road is the only travel option, on an average 400-kilometer, six-hour trip. To reach Gabela, follow the Luanda – Barra do Kwanza – Estrada Nacional 100 route heading towards Benguela. 15 kilometers before the city of Sumbe, near the National Petroleum Institute, turn left and drive for another 77 kilometers until you reach the administrative seat of Amboim municipality. Where to stay Hotel Gabela is the only reference hotel in town, but there are small pensions spread around the region. Where to eat Other than the Hotel Gabela restaurant, there are some restaurants and snack bars. Not to miss A visit to the former CADA estate.


rotas & sabores

32

cantos e recantos hideaways 33

Hotel Ekuikui I

No coração da Cidade Vida In the heart of the City of Life texto text: Pedro Correia fotografia photography: Vasco Célio

Ekuikui I terá sido o sexto Rei do Bailundo. Ao revisitar a História, o actual soberano Ekuikui V conta que o Reino do Bailundo foi fundado no século XV por Katyavala Bwila (ou Katyavala I) que viajou de terras do Seles (Kwanza Sul) e se estabeleceu nas cercanias da Halavala (Montanha), terras onde hoje se situa a vila do Bailundo e de que se dizia na época serem verdejantes e fartas em caça. Neste pedaço de História pode estar o início de mais uma aventura de quem quer visitar a província do Huambo, cujas origens se confundem nos corredores do tempo e nas estórias que se contam do Reino do Bailundo e dos seus soberanos. Ao chegar de avião ou de carro à “Cidade Vida”,

Ekuikui I would have been the sixth King of Bailundo. Going back in history, the current sovereign Ekuikui V tells that the Kingdom of Bailundo was founded in the 15th century by Katyavala Bwila (or Katyavala I) who migrated to Seles (Kwanza South) and established a settlement in the vicinity of Halavala (“mountain”), the present-day locality of Bailundo and once a land of green pastures and abundant game. This piece of history may unlock the beginning of yet another adventure for those eager to discover Huambo, a province whose origins are entangled in the annals of time and tales

As paredes estão tingidas com verdadeiras explosões de cores projectadas pelos muitos quadros do pintor Isaías Sanjiyombiyo Sicato. On the walls hang genuine explosions of color, paintings mastered by Isaias Sanjiyombiyo Sicato, a local artist.


As duas suites executivas oferecem um ambiente romântico e acolhedor no topo do moderno edifício e com vista para a principal praça da cidade. The two executive suites display a romantic and cozy atmosphere at the top of this modern building overlooking the main city square.

como é agora conhecido o Huambo, uma das opções de alojamento é, precisamente, o Hotel Ekuikui I, situado bem no centro da cidade. De construção recente, esta unidade hoteleira dispõe de 70 quartos equipados com Internet (ligação sem fios que se estende a todo o hotel), televisão e frigobar, mobiliário moderno e decoração elegante ao estilo contemporâneo, com peças feitas à medida. As duas suites executivas oferecem um ambiente romântico e acolhedor no topo do moderno edifício e

com vista para a principal praça da cidade. No restaurante Longonjo (nome de um dos municípios da província do Huambo), as refeições principais transformam-se em verdadeiros momentos de prazer gastronómico. O buffet abre-se em cheiros e sabores da cozinha angolana e internacional e o serviço à la carte, também nas mãos do chef Gonçalo João, oferece iguarias como a Corvina com legumes salteados, azeite, alho e batata cozida ou o Tornedó ladeado com bacon e batatas fritas.

of the Kingdom of Bailundo and its sovereigns. On arriving by plane or car in the “City of Life”, as Huambo is now called, one of the places to stay is precisely Hotel Ekuikui I, well-located in the city center. Recently built, this hotel has 70 rooms presenting elegant decor and modern made-to-fit furniture and include wi-fi Internet connection (extensive to the entire hotel), satellite television and a minibar. The two executive suites display

a romantic and cozy atmosphere at the top of this modern building overlooking the main city square. At the hotel’s dinner room “Longonjo” (named after a municipality of Huambo province), the main courses are authentic moments of gastronomic pleasure. The buffet is a riot of smells and flavors of Angolan and international cuisine, and the service à la carte, also under the expert charge of chef Gonçalo João, offers wholesome classics such


rotas & sabores

34

cantos e recantos hideaways 35

Já o restaurante Caála (nome de outro dos municípios da província do Huambo), oferece o prazer de um pequeno-almoço buffet onde as opções passam pelo “mata-bicho” angolano, com batata-doce, mandioca, banana cozida e uma variedade de carnes e enchidos, pelo pequeno -almoço continental e pelo english breakfast, ou seja, pelo pequeno-almoço à inglesa. O bar Bailundo, situado numa sala junto à piscina exterior, tem como especialidade coloridos e saborosos cocktails servidos com decorações criativas. O ambiente descontraído mas ao mesmo tempo luxuoso e elegante da recepção do Hotel Ekuikui I estende-se aos corredores e anicha-se em cada canto das espaçosas salas que guardam verdadeiras obras de arte entre máscaras e esculturas, peças vistosas do rico artesanato angolano. As paredes, quase todas elas, estão tingidas com verdadeiras explosões de cores projectadas pelos muitos quadros do pintor Isaías Sanjiyombiyo Sicato, um artista plástico natural da Tchicala-Tcholoanga (Huambo). O Hotel Ekuikui I disponibiliza ainda os serviços de transfer, rent-a-car e babysitting, uma sala de conferências com equipamento de alta tecnologia também para videoconferências e estacionamento privativo.

as croaker with vegetables sautéed in garlic and olive oil and served with potatoes, or beef fillet garnished with bacon and served with French fries. The breakfast room “Caála”, named after yet another Huambo province municipality, runs an eclectic breakfast buffet ranging from the “Angolan breakfast” (sweet potatoes, manioc, plantain and a variety of meats and sausages) to the “continental” and “English” breakfast. The bar “Bailundo”, by the outdoor swimming pool, serves colorful and delicious cocktails garnished creatively. The simultaneously relaxed but luxurious and elegant atmosphere of Hotel Ekuikui I’s reception area extends to the hallways and nestles in every corner of the spacious rooms that exhibit veritable works of art in the form of masks, sculptures and well-executed pieces of handicraft. On nearly all the walls hang genuine explosions of color, paintings mastered mostly by Isaias Sanjiyombiyo Sicato, a local artist from Tchicala-Tcholoanga (Huambo). Hotel Ekuikui I also offers transfer, rent-a-car and babysitting services, a hi-tech functions room equipped for videoconferences and private parking.

Tome Nota Como ir A cidade do Huambo situa-se no Planalto Central de Angola, a cerca de 1800 metros de altitude. O avião é o meio de transporte mais rápido e cómodo para lá chegar, em voos TAAG que se realizam todos os dias. No entanto, as ligações por estrada oferecem a possibilidade de conhecer outras belezas de Angola, numa viagem de cerca de 690 quilómetros se tomarmos a estrada Luanda/Sumbe/Huambo e de 800 quilómetros se optarmos pela ligação que passa perto da cidade do Lobito, ou seja, Luanda/Canjala/Huambo. A terceira opção pode ser feita pela estrada que liga Luanda/Dondo/Huambo, num total de cerca de 600 quilómetros. Onde ficar O Hotel Ekuikui I fica na Avenida Torres Garcia, bem no centro da cidade do Huambo. Contactos: +244 241 220 977 ou www.hotelekuikui.com Onde comer O restaurante Longonjo, do Hotel Ekuikui, oferece uma variedade de pratos da cozinha angolana e tradicional em buffet ou serviço à la carte. Imperdível Um convívio com a família e amigos na companhia dos saborosos e coloridos cocktails do Bar Bailundo (Hotel Ekuikui I). Preços médios O alojamento com pequeno-almoço varia entre os 100.800,00 Akz das suites executivas e os 36.400,00 Akz de um quarto duplo. O quarto single custa 31.500,00 Akz. No restaurante Longonjo, o buffet custa 3.700,00 Akz por pessoa e os pratos servidos à la carte custam, em média, 3.850,00 AKz.

Take Note How to go The city of Huambo is located in the Angola Central Plateau, at an altitude of nearly 1,800 meters. Flying is the quickest and most comfortable way to get there and TAAG flights to Huambo are available every day. However, going by road gives you a chance to experience the beauty of the Angolan countryside in a trip of approximately 690 kilometers if you take the Luanda-Sumbe-Huambo route; 800 kilometers if you take the road passing near the city of Lobito, that is, the LuandaCanjala-Huambo route; and the third option is to take the Luanda-DondoHuambo road, a stretch of 600 kilometers. Where to stay Hotel Ekuikui I is located at Avenida Torres Garcia, in the heart of the city of Huambo. Please contact + 244 241 220 977 or www.hotelekuikui.com for more information. Where to eat Hotel Ekuikui’s Longonjo restaurant serves varied Angolan and international cuisine, both as buffet and à la carte. Not to miss A gathering of family and friends in the company of Bar Bailundo’s delicious and colorful cocktails (at Hotel Ekuikui). Average prices Accommodation with breakfast included varies between 100,800 kwanzas for the executive suites and 36,400 kwanzas for a double room. A single room costs 31,500 kwanzas. At Longonjo restaurant, the buffet costs 3,700 kwanzas per person and the a la carte dishes cost around 3,850 kwanzas.


Fernando Veludo/NFactos

O futuro está na arte

Afirmação e desafios da arte africana na contemporaneidade global The future is in art The assertion and challenges faced by African art in the contemporary world texto text: Paola Rolletta


rotas & sabores

36

Fernando Veludo/NFactos

raízes e cultura roots and culture 37

A arte contemporânea africana começa a circular nas grandes plataformas internacionais. Contemporary African art begins to circulate the great international platforms.

O mercado para a arte africana ainda é pequeno, mas está a crescer a olhos vistos. De Setembro de 2016 até Fevereiro de 2017, pelo menos oito feiras dedicadas à arte africana contemporânea têm lugar em todo o mundo. Segundo o African Art Market Report de 2014, as vendas em leilão de arte africana totalizaram 31 milhões de dólares. Mas o paradigma está rapidamente a mudar e podemos afirmar que a arte africana contemporânea goza de boa saúde. Há pouco tempo, fecharam as portas da nona edição da Feira de Arte de Joanesburgo com 80 exposições divididas em seis categorias, com galerias e organizações vindas de 17 países africanos, Europa e Estados Unidos de América. Abriu no mês de Outubro, em Londres, a quarta edição da Feira de Arte Africana Contemporânea, organizada por 1:54, a iniciativa criada por Touria El Glaoui em 2013. No início de 2017, a prestigiada casa de leilões Sotheby’s em Londres irá começar as primeiras vendas de arte africana moderna e contemporânea. Entre as plataformas internacionais que se dedicam a arte africana, temos espaços como a Feira de Arte Africana de Paris, há ainda os encontros continentais de alto nível – que ajudam a derrubar o gueto para onde, até agora, tem sido empurrada a arte africana – como a feira de arte de Kampala, de Dakar, de Adis Abeba, de Lagos, de Acra, de Cape Town... Em 2001, a Bienal de Veneza organizou a exposição “Authentic/Ex-Centric”, um evento histórico pela forte presença africana, pela primeira vez, na 49ª

The African art market is still small, but growing before our eyes. From September 2016 until February 2017, at least eight art fairs dedicated to contemporary African art will take place around the world. According to the 2014 African Art Market Report, the auction sales of African art totaled 31 million US dollars. However, the paradigm is rapidly changing and it is safe to say that contemporary African art enjoys good health. The recently-ended 9th edition of the Johannesburg Art Fair held 80 exhibitions in six categories, collaborating with art galleries and organizations from 17 African countries, as well as participants from Europe and the US. In London, the 4th edition of the Contemporary African Art Fair, organized by 1:54, an initiative introduced by Touria El Glaoui in 2013, opened in October. In 2017, London’s prestigious auction house Sotheby’s will initiate the first sales of modern and contemporary African art. Among the international platforms dedicated to African art, we find the Paris African Art Fair, and the intracontinental Kampala, Dakar, Addis Ababa, Lagos, Accra and Cape Town art fairs that have helped to demolish the barriers that confined African art. In 2001, the 49th edition of the Venice Biennale organized the exhibition “Authentic/Eccentric”, an historical event marked by a strong first-time African presence. At the time, it was expected to be a one-time event. However, it has kick-started the development of a mechanism for continuous African


edição da Bienal. Na altura, esperava-se que esse não fosse apenas um evento único, mas o começo do desenvolvimento de um mecanismo para a participação africana contínua nas futuras Bienais de Veneza e em outras plataformas internacionais. Foi o primeiro indício que algo estava a acontecer, o paradigma estava a mudar e finalmente os artistas continentais, sejam residentes ou da diáspora, eram chamados a amplificar as suas vozes em plataformas culturais maiores. Em 2004, foi organizada a Africa Remix para suprir a necessidade de apresentar, numa grande exposição, a riqueza da arte contemporânea africana e dos artistas da sua diáspora. A arte contemporânea africana começa a circular nas grandes plataformas e os artistas (pelo menos alguns) finalmente são considerados pela sua qualidade e não apenas pela pertença ao continente. É o reconhecimento que exige valor e isto reflecte-se nos preços. Em 2006, uma obra do artista sul-africano Gerard Sekoto, foi vendida por 174.581 dólares. Nos Estados Unidos, por exemplo, a obra do artista do Gana El Anatsui, “Paths to the Okro Farm” (2006), foi vendida por 1.5 milhões de dólares americanos em 2014. Ainda há muito por fazer, mas o interesse já não é apenas pela arte de aeroporto1 , aquela variante artesanal e local da arte contemporânea cosmopolita que circula de feira em feira, de avião certamente: produções feitas deliberadamente para diferentes públicos estrangeiros. É verdade também que, infelizmente, existem muitas plataformas que ainda definem geograficamente os espaços para os artistas, quase a criar um “à parte”, reforçando o estatuto de “exótico” que no século XXI é deveras provinciano, com o acréscimo de uma dose de politicamente correcto que envenena qualquer coisa. É interessante notar como em Portugal, por exemplo, na pertinente reflexão de Alexandre Pomar, os críticos de arte nunca tenham organizado uma exposição da colecção africana de Jean Pigozzi, considerado um “tubarão branco”, e apreciem, de forma acrítica, a perfomance de Sindika Dokolo, o milionário congolês, marido de Isabel dos Santos.

Algo está a mudar O que está a acontecer é uma atenção crítica, e económica, pela arte produzida por artistas africanos no continente e/ ou na diáspora, ainda que África seja vista como “uma identidade singular”, uma single story, para sermos mais claros. Há quem diga que seja esse o preço a pagar, “o mal necessário”, porque antes vem a visibilidade, um “ponto de venda”, depois, eventualmente, os artistas serão incluídos em exposições que não têm nada a ver com África. Um dos factores é certamente o crescimento económico, o desenvolvimento infra-estrutural, o aumento do investimento estrangeiro e, sobretudo, o crescente número de milionários no continente e a difusão – mesmo que ainda reduzida – do coleccionismo privado de arte continental.

Délio Jasse, Dak ‘Art 2016.

Anne Historical, Dak ‘Art 2016.

participation in future Venice Biennales and other international platforms. It was also the first indication that something was happening, that the paradigm was changing and that African artists, residing in the continent or in the diaspora, were finally being called to raise their voices in wider cultural platforms. 2004 witnessed the opening of Africa Remix, a large exhibition organized to supply the need for broader representation of contemporary African art and artists of African descent. African art begins to circulate the international platforms and African artists (some at least) begin to be appreciated for the quality and not only the origin of their works. It is recognition that demandes to be valued and that has been reflected in the sales’ prices. In

2006, an artwork by South-African artist Gerard Sekoto was sold for US$ 174,581. In 2014, the artwork “Paths to the Okro Farm” (2006) by Ghanaian artist El Anatsui was sold for $1,5 million in the US. There is still a long way ahead, but the interest has shifted away from “airport art”1 , that local handicraft variant of cosmopolitan contemporary art that travels from fair to fair by plane, certainly; productions made deliberately for different foreign audiences. It is true that, unfortunately, there are still many platforms that define the space for artists geographically, creating a quasi “world apart” and reinforcing the status of “exotic”, which sounds truly narrow-minded in the 21st century added to a dose of political correctness, which poisons anything. It is interesting to note how in Portugal, for example, in the opinion of Alexandre Pomar, art critics have never organized an exhibition of reputed “white shark” Jean Pigozzi’s African collection, and appreciate, acritically, the performance of Sindika Dokolo, the Congolese millionaire and spouse of Isabel dos Santos. Something is changing What is happening now is a critical and economic consideration of the art produced by African artists in the continent and/or in the diaspora, although, to split hairs, Africa is still seen as a “single story”. There are those who claim that this may be price to pay, “the necessary evil” because first comes visibility, then a “sales post” and, eventually, artists would be included in exhibitions that have nothing to do with Africa. Some of the factors for this change are tied into economic growth, infrastructural development, increase of foreign investment and, chiefly, the increasing number of millionaires in the continent and the upsurge – even if limited – of private collections of African art. Since 2006, the prices of African art have increased by 300%, writes “Ogojii” magazine citing Giles Peppiant, director of the African art department of London auction house Bonhams. And the trend points upwards since African art is still largely undervalued. At the panel discussion of the June


rotas & sabores

38

Fernando Veludo/NFactos

raízes e cultura roots and culture 39

Podemos afirmar que a arte africana contemporânea goza de boa saúde. Exposição “You Love Me, You Love Me Not – Arte contemporânea na coleção Sindika Dokolo”, na Galeria Municipal Almeida Garrett, no Porto, Portugal. Expo “You Love Me, You Love Me Not – Contemporary art in the collection Sindika Dokolo” in Galeria Municipal Almeida Garrett in Porto, Portugal.

It is safe to say that contemporary African art enjoys good health.

Desde 2006, os preços da arte africana aumentaram em 300%, escreve a revista “Ogojii”, citando Giles Peppiant, director do departamento de arte africana da casa de leilões londrina Bonhams. E a tendência é para que haja um aumento, porque a arte do continente ainda é subavaliada. Joost Bosland, director da Stevenson Gallery, no painel de discussão da Feira de Arte de Basileia (Junho de 2016), afirmou que a visibilidade da arte africana é importante do ponto de vista histórico, mas esta visibilidade não se reflete ainda em termos económicos. Existem sinais interessantes, apesar da crueldade das leis de mercado, que se aplicam também ao mundo da arte. O “combustível” injectado no mundo da arte africana, seja em termos de coleccionismo, seja em termos de financiamento, via ONG e filantropias várias, está a decrescer por causa da crise económico-financeira global. Há pequenos indícios de popularidade no mercado on-line. Há quem diga que agora a responsabilidade cabe aos próprios artistas africanos – representados nas galerias fora do continente africano – que se afirmaram crítica, económica e institucionalmente, em promover e suportar o desenvolvimento da arte no continente, porque finalmente o mundo da arte virou a atenção, com olhos atentos, para o que está acontecer no continente.

2016 Basel Art Fair, Joost Bosland, director of Stevenson Gallery, stated that the visibility of African art is important from an historical point of view, but this visibility is not yet reflected economically. There are interesting signs despite the cruelty of market laws, which also apply to the arts world. The “boost” injected into the African art world through collections, financing and the actions of various NGOs and philanthropic organizations is decreasing due to the global economic and financial crisis. There are however small indications of popularity in the online market. There those who say that the responsibility to promote and support the development of art in the continent now lies in the hands of the African artists – represented in galleries outside of the continent – that have been able to assert themselves critically, economically and institutionally because, at last, the art world has shifted its gaze to Africa.

1 Conceito proposto por Frank McEwen, no começo dos anos 60, quando, na altura das independências africanas, juntamente com Ulli Beier, Pancho Guedes e os amigos artistas negros, se interrogavam sobre o futuro da arte.

1 A concept proposed by Frank McEwen in the early 1960s when, at the time of African independences, he, along with Ulli Beier, Pancho Guedes and friends among black artists questioned themselves about the future of art.


Para comporem menus semanais, Alba e Gilmar seguem os conselhos de nutricionistas e tĂŞm a ajuda de um chef. To create weekly menus, Alba and Gilmar are aided by nutritionists and a chef.

HambĂşrguer de frango moĂ­do com molho de tomate, servido com arroz integral e legumes. Chicken burger minced with tomato sauce, served with wholegrain rice and vegetables.


rotas & sabores

40

prazeres pleasures 41

Ango Fit

Para uma alimentação mais saudável For a healthier diet texto text: Patrícia Pinto da Cruz fotografia photography: Vasco Célio

Tal como fazer exercício físico regularmente, ter uma alimentação saudável é um daqueles objectivos que praticamente todos temos mas que sentimos que nunca conseguimos atingir. Seja porque estamos sempre numa correria e não temos tempo, seja por falta de conhecimento daquilo que é mais indicado para o nosso organismo, seja por falta de imaginação, seja mesmo por simples preguiça. No caso da alimentação saudável, muitas vezes até podemos saber o que seria melhor para nós, mas temos sempre tão pouco tempo para cozinhar, ou é tão difícil ter criatividade para compormos menus saudáveis com a falta de diversidade de ingredientes que encontramos nos nossos mercados, que acabamos por escolher a opção mais fácil e rápida, que provavelmente não é a mais saudável. Felizmente, as nossas preocupações acabaram (pelo menos aquelas que têm a ver com a alimentação). Gilmar Brandão e Alba Gonçalves – há três e seis anos a viver em Angola, respectivamente – tinham esta mesma preocupação de ter mais cuidados com a sua alimentação e aconselhavam-se com nutricionistas para compor as suas refeições. Eventualmente, os amigos começaram a perguntar-lhes qual era o segredo para conseguirem manter dietas tão restritas. Conversa puxa conversa e um amigo teve a ideia de ir pesquisar e compor um plano nutricional e pediulhes que o confeccionassem. A partir daí, a ideia foi-se espalhando e crescendo, outras pessoas também foram pedindo refeições e foi assim que nasceu, em Abril de 2016, o projecto Ango Fit. Hoje em dia é tudo feito através de um grupo do WhatsApp. Gilmar e Alba publicam o menu

Just like regular exercise, maintaining a healthy diet is practically one of those goals we all have but never seem to achieve. That is due to endless pressures: we’re either rushing or running out of time; we either lack the knowledge of what is best for our body or the imagination to create spectacular meals. Sometimes, it’s down to plain laziness. In the case of healthy eating, we may know what is best for us but often we don’t have time to cook or face the challenge of creating healthy menus out of the scant variety of ingredients in the local market. We repeatedly resort to the easiest and quickest option, which is unlikely to be the healthiest. Fortunately, our troubles are over (at least those related to food). Gilmar Brandão and Alba Gonçalves - living in Angola for three and six years, respectively - shared this concern for food and healthy eating, and began to cook their meals according to nutritionists’ advice. Eventually, their friends wanted to know the secret of their strict diet. Chats turned into discussions and a friend came up with the idea to research and compile a nutritional plan, and asked them to prepare the meals. From that point onwards, the news spread and others began to ask for meals. By April 2016, the Ango Fit project was born. Today, everything is managed through a WhatsApp group. Gilmar and Alba post the weekly menu and customers place their orders. And they go one step further: if a customer has a specific dietary restriction such as a carb-free diet, he or she is able to share it with the group and the recipes are tailored to individual needs. Since they are not food specialists (Gilmar is a designer and Alba is an economist), to create weekly menus as complete and healthy as possible, Gilmar is aided by a nutritionist and Alba by an endocrinologist. The

O melhor de tudo é que mais saudável e saboroso seria impossível. Best of all, healthier and tastier would be impossible.


Os pratos preparados por Gilmar e por Alba, depois de aquecidos no forno ou em banho-maria, parecem ter sido acabados de fazer. da semana e as pessoas fazem a sua encomenda. Mas vai ainda mais além. Se alguém tem uma restrição específica, como por exemplo, não come hidratos de carbono, basta dizê-lo no grupo e as receitas são adaptadas ao pedido dessa pessoa. Já que as suas especialidades não são, de todo, ligadas à saúde (Gilmar é designer e Alba é economista), para comporem menus semanais o mais completos e saudáveis possível, Gilmar é acompanhado por uma nutricionista e Alba é seguida por um endocrinologista, além de se guiarem também pelos conselhos de amigos nutricionistas e terem a ajuda de um chef de cozinha. Devido à dificuldade na obtenção de ingredientes para as refeições, a primeira fase do processo é mesmo ir às compras e ver com o que vão trabalhar essa semana. Com muita criatividade e pesquisa, compõem o menu da semana baseado nas compras que conseguiram fazer, divulgam-no no grupo do WhatsApp e só aí podem começar a confeccionar os pratos. “Temos que atender as pessoas partindo do que encontramos. Se fizermos o contrário, partindo da dieta das pessoas, e depois os ingredientes não estiverem disponíveis no mercado, como é que fazemos?”, explica Alba.

After being warmed, microwaved or steamed, the meals prepared by Gilmar and Alba taste freshly-made.


rotas & sabores

42

prazeres pleasures 43

Os pratos são todos confeccionados durante o fim-de-semana, congelados imediatamente e entregues na Segunda-feira, para as pessoas terem as refeições já prontas para toda a semana. É tudo embalado do modo mais prático possível, num pacote com 10 refeições separadas. Isto significa que, se uma pessoa apenas janta em casa e almoça fora todos os dias, os pratos dão para duas semanas. E o melhor de tudo é que mais saudável e saboroso seria impossível. Se uma pessoa quer uma pizza, esta é feita com massa de couve-flor da Ango Fit, que é divinal, uma das melhores pizzas que já provámos. E não tem hidratos de carbono! Realmente, uma dieta não pode apenas ser restrita, também tem que ser saborosa ou arriscamo-nos a deitar tudo a perder, como explica Alba: “A dieta é um estilo de vida. Às vezes podemos ter uma dieta muito restrita e quando emagrecemos 20 quilos achamos que já está bom e voltamos a comer tudo o que comíamos antes. Aí, engordamos 40 quilos. Isso é muito complicado. Vale mais termos uma dieta equilibrada sempre e para isso temos que ter prazer naquilo que comemos”. E Gilmar continua: “Uma dieta é mesmo um estilo de vida, para toda a vida. Por isso, temos que encontrar aquela a que nos adaptamos melhor, comendo bem e de forma saudável”. Neste momento, Gilmar e Alba preparam refeições para cerca de 25 pessoas por semana, o que significa 250 pratos a serem preparados durante o fim-de-semana, tudo feito na cozinha de casa. O projecto é, em 2017, terem um espaço maior e melhor equipado para poderem atender mais pessoas, já que, com o sucesso que têm tido, a cozinha já está a ficar apertada. Só quando tiverem este novo espaço e condições para atenderem mais gente é que vão também expandir a sua visibilidade como empresa, seja através de um site ou do Facebook. Neste momento é apenas através do passa-palavra entre amigos e de conversas no WhatsApp. Os pratos preparados por Gilmar e por Alba, depois de aquecidos no forno ou em banho-maria, parecem ter sido acabados de fazer e são, aqui não há dúvidas, a melhor opção para quem quer começar a seguir uma dieta completa e saudável.

duo also relies on friends who work in nutrition and the help of a chef. As for facing the challenge of getting ingredients for the meals, the first step of the process is to go grocery shopping and consider what they can and will use in the weekly menu. With a lot of creativity and research, they compile the weekly menu based on their purchases, and post it on the WhatsApp group only when they are sure they can prepare the dishes. “We serve our customers based on what we find. If we were to approach it from our customers’ specific needs, and the ingredients were not available in the market, how could we manage it?” confesses Alba. The meals are cooked during the weekend, frozen immediately and delivered on Monday, making sure that customers have ready-made meals for the entire week. Everything is packed in the most practical way possible, in a package with 10 separate meals. This means that if a customer dines only at home and lunches out every day, the package could last two weeks. To top it, the meals couldn’t be healthier and tastier. If a customer requests pizza, it is made with Ango Fit cauliflower paste, which is divine and one of the best pizzas I’ve ever tasted. Plus, it is carbohydrate-free, proof that a strict diet can and must be tasty, as Alba explains: “A diet is a lifestyle. We may follow a strict diet, lose 20 kilos, become over-confident and start eating again as before. Then we gain 40 kilos. It becomes complicated. It’s always best to have a balanced diet and for that we must enjoy what we eat.” Gilmar adds: “A diet is truly a lifestyle, for life. We have to find a diet that suits us, and make sure we eat well and healthily.” Presently, Gilmar and Alba prepare weekly meals for nearly 25 customers, meaning 250 dishes cooked over the weekend in their home kitchen. For 2017, they plan to have more space and better equipment in order to serve more customers. Their success has outgrown the size of their kitchen. Only when they have more space and better conditions to serve more customers will they expand their visibility as a company, either through a website or Facebook. For the time being, they are a well-kept secret spread by word of mouth and WhatsApp messages. Even after being warmed, microwaved or steamed, the meals prepared by Gilmar and Alba taste freshly-made, making them an unbeatable option for those who want to start following a richer, healthier and hassle-free diet.

Alba Gonçalves e Gilmar Brandão criaram a Ango Fit em Abril de 2016. Alba Gonçalves and Gilmar Brandão created Ango Fit in April 2016.

Ango Fit Gilmar Brandão Telefone e WhatsApp: +244 913 055 818 Preços: 20 mil kwanzas o pacote de 10 refeições. As refeições são feitas e entregues na zona de Talatona, Luanda. Gilmar Brandão Mobile phone and WhatsApp: +244 913 055 818 Prices: 20,000 kwanzas per 10-meal package. Meals are made and delivered in the Talatona area, Luanda.


As referĂŞncias mais antigas Ă Quinta do Crasto de que se tem conhecimento datam do ano de 1615. The oldest known references to Quinta do Crasto date from 1615.


rotas & sabores

44

vinhos wines 45

Quinta do Crasto

Uma casa com história A house with history texto text: Patrícia Pinto da Cruz fotografia photography: Cedidas pela marca Courtesy of the brand

História e tradição são as primeiras palavras que nos vêm à cabeça quando se fala na Quinta do Crasto. As referências mais antigas a esta casa de que se tem conhecimento datam do ano de 1615, o que significa que tem mais de quatro séculos de produção vitivinícola, mas as suas origens remontam a tempos ainda mais longínquos da história de Portugal: o nome Crasto deriva do latim crastum, que significa “forte romano”. A Quinta do Crasto foi incluída na primeira Feitoria, juntamente com as quintas mais importantes do Douro. Em meados do século XVIII, o Marquês de Pombal mandou instalar no Douro 335 marcos para delimitar aquela que seria a primeira região vinícola demarcada do mundo. Uma destas pedras graníticas com dois metros de altura, 30 centímetros de largura e 20 de espessura, pode ser vista na Quinta do Crasto, junto à casa centenária. Entretanto, já no início do sécu-

lo XX, a Quinta foi adquirida por Constantino de Almeida, o fundador da marca e casa de vinhos Constantino, que ficou conhecido pela produção e exportação de Vinho do Porto e de Brandy. Após a sua morte, a Quinta do Crasto passou para o seu filho e, mais tarde, em 1981, foi a sua neta, Leonor, e o marido, Jorge Roquette, que assumiram a gestão da propriedade. Com a ajuda dos seus filhos, o casal deu início ao processo de remodelação e ampliação das suas vinhas e ao projecto de produção de Vinhos do Douro de Denominação de Origem Controlada (DOC), vinhos de mesa pelos quais a Quinta do Crasto é hoje conhecida, tanto em Portugal como internacionalmente, incluindo em Angola. A Quinta está localizada no Norte de Portugal, na Região Demarcada do Douro, entre a Régua e o Pinhão, e qualquer pessoa que a visite deixa-se arrebatar comple-

History and tradition are the first words that come to mind when referring to Quinta do Crasto. The oldest known references to this property date from 1615, meaning that it has produced wine for more than four centuries though its origins hail back to even earlier in the history of Portugal: the name “Crasto” derives from the Latin word crastum or “Roman fort”. Quinta do Crasto was integrated in the first Feitoria1 , along with Douro’s most important estates. In the mid-18th century, the Marquis of Pombal ordered the setting of 335 milestones, delimiting what would effectively become the world’s first demarcated wine region. One of these 2-meter high, 30-centimeter wide and 20-centimeter thick gran-

ite stones can be seen at Quinta do Crasto, near the centennial house. However, in the early 20th century, the winery was acquired by Costantino de Almeida, the founder of the winery “Constantinos”, which rose to prominence for producing and exporting port wine and brandy. After his death, the estate was left to his son and later, in 1981, to his granddaughter Leonor and spouse Jorge Roquette, who took over the management. With the help of their children, the couple began to remodel and expand their vineyards and initiated the project to produce Douro Wines of Protected Designation of Origin (DOC), table wines for which Quinta do Crasto is presently known, both in Portugal and worldwide, including Angola.

O nome Crasto deriva do latim crastum, que significa “forte romano”. The name “Crasto” derives from the Latin word crastum or “Roman fort”.


Jorge Roquette e os seus filhos, Tomás e Miguel Roquette. Jorge Roquette and sons, Tomás and Miguel Roquette.

Quinta do Crasto Reserva Vinhas Velhas Todos os produtos da Quinta do Crasto estão disponíveis em Angola, com destaque especial para o Quinta do Crasto Reserva. Vinificado a partir de uma selecção rigorosa de uvas provenientes de vinhas velhas, com uma idade média de cerca de 70 anos, este vinho tem em si o melhor que o Douro tem para dar. Mostra uma grande complexidade, concentração e intensidade, resultantes das baixas produções características das vinhas velhas e do envelhecimento durante 18 meses em barricas de carvalho americano e francês, a temperatura controlada. O Quinta do Crasto Reserva Vinhas Velhas é um vinho cheio, rico e muito encorpado, com um aroma complexo que incorpora muito bem a fruta, a madeira e notas de especiarias. Tendo um sabor intenso e profundo, com um final longo e persistente, é ideal para acompanhar pratos fortes de carne ou caça.

All Quinta do Crasto products are available in Angola, with distinction to Quinta do Crasto Reserva. Vinified from a rigorous selection of grapes from old vineyards (on average, 70 years old), this wine represents the best that Douro has to offer. It shows great complexity, concentration and intensity resulting from the low output typical of old vineyards and an 18-month old maturation process in American and French oak barrels at controlled temperature. Quinta do Crasto Reserva Vinhas Velhas is an opulent wine, rich and full-bodied, with a complex, well-blended aroma of fruit, oak and spices. With an intense and deep flavor and long and lasting aftertaste, it is ideal to accompany smoked meat and game dishes.


tamente pela paisagem mágica sobre a Região e o Rio Douro, que se serpenteia por entre quilómetros e quilómetros de colinas cobertas de vinhas. Dos cerca de 130 hectares da propriedade, 70 são ocupados por vinhas tipo “A” e nos seus patamares antigos, as vinhas velhas, de várias castas, têm até 90 anos de idade. Já as vinhas novas, das principais castas do Douro (Tinta Roriz, Touriga francesa, Tinta barroca e Tinto cão), foram plantadas, algumas ao alto, em patamares tradicionais. Entretanto, há cerca de sete anos, o enólogo australiano Dominic Morris juntou-se à família Roquette, começando a trabalhar na vinificação de vinhos tintos. Foi, assim, produzido, já na nova adega, o primeiro tinto Quinta do Crasto, constituído por 80% de Tinta Roriz e 20% de Touriga francesa. Hoje, a casa tem uma gama de produtos muito completa. Com Vinhos do Porto de categorias especiais, Vinhos do Douro tintos e brancos e Azeites Extra Virgem, a Quinta do Crasto posiciona-se principalmente nas gamas premium e super premium.

The estate is located in the North of Portugal, in the Protected Region of Douro, between Régua and Pinhão, and anyone visiting this property is taken aback by the magical landscape of the Region and river Douro meandering between miles and miles of vineyard-covered hillsides. Of the estate’s nearly 130 hectares, 70 are occupied by grade “A” vineyards. On the ancient terraces, the old vineyards, of different grape varieties, are up to 90 years old. As for the younger vineyards, the chief Douro grape varieties (Tinta Roriz, French Touriga, Tinta Barroca and Tinto Cão) were planted - some on high-rising - traditional terraces. And yet, close to seven years ago, Australian enologist Dominic Morris joined the Roquette family and began to work on the vinification of red wines. That is how the new winecellar came to produce the first Quinta do Crasto red, made up of Tinta Roriz (80%) and French Touriga (20%). Today, Quinta do Crasto boasts a very complete range of wines and ranks among premium and super premium producers, boasting special category Ports, red and white Douro wines and extra virgin olive oil. 1 T.N.: An estate producing of wine or olive oil


Palos

Luanda em festa Luanda parties again texto text: Patrícia Pinto da Cruz fotografia photography: Cedida e Carlos de Aguiar

Não foi há muito tempo que qualquer pessoa em Luanda conhecia o Palos e as suas famosas festas. Quando fechou foi uma desilusão e uma grande perda para a vida nocturna da cidade. As opções de discotecas ao ar livre, com vários terraços, espaço que nunca mais acaba e boa música, não são assim tão variadas como gostaríamos. É, então, com muito prazer que trazemos a notícia de que o espaço vai fazer um breve regresso durante este mês de Dezembro. Vão ser nove noites de festa que nos vão fazer regressar às míticas noitadas no Palos. Todas as festas vão ser nos fins-de-semana, sendo que às sextas-feiras o tema será “R&B set” e aos Sábados “A perfect set, a perfect night” (“Um cenário perfeito, uma noite perfeita”). As noites vão começar sempre às 23 horas e estendem-se até às 5 da manhã do dia seguinte, excepto a última festa, no dia 24 de Dezembro, que começa à 1 hora da manhã. Ao longo de todo o mês vamos poder dançar ao som dos djs Kulas, Cláudio B, Jorge Nkuvu, Vj Pir, Walgee, Bráulio Mix, Hari, Hari Jr, Lady Sam, Paulo Alves, Ricardo Alves, Lau Silva, Leandro Silva, Miss V e Gilson F. São só nove noites, aproveite.

Not long ago, anyone who knew Luanda knew Palos and its famous parties. When the nightclub closed it doors, it was a letdown and great loss to the city’s nightlife. Open air, spacious, terraced nightclubs blasting good music are not as widespread as we would think. Bearing that in mind, it is our greatest pleasure to announce the brief reopening of the nightclub this December. It will be 9 days of partying that will channel back the mythical Palos’ nights of yesteryear. The parties will take place on weekends, Fridays breaking down to “R’n’B sets” and Saturdays grooving to the theme “A Perfect Set, A Perfect Night”. Palos will open its doors from 11:00 pm to 5:00 am of the following day, excepting the final party on December 24th, to start at 1:00 am. All December long we will dance to the sound of DJs Kulas, Cláudio B, Jorge Nkuvu, VJ Pir, Walgee, Bráulio Mix, Hari, Hari Jr., Lady Sam, Paulo Alves, Ricardo Alves, Lau Silva, Leandro Silva, Miss V and Gilson F. This party special season is running for 9 nights only; make the best of it.


rotas & sabores

48

bar cocktail bar cocktail 49

Prepare o seu Magnum Cocktail Prepare your Magnum Cocktail Um regresso destes merece um cocktail à altura. Fresco e delicioso, não deixe de provar. Basta colocar tudo no shaker e servir num copo on the rocks. Ingredientes: 4 cl Magnum 2 cl Licor de café 2 cl Licor de cacau escuro 2 cl Leite 2 Bolas de gelado de baunilha 1 pá de gelo Guarnição: Topping de chocolate no rebordo do copo Chantili Canela polvilhada por cima A comeback of this level deserves a matching cocktail up. Fresh and delicious, you must try it. Pour all ingredients into a shaker, give it a twist and serve it in a glass on the rocks. Ingredients: 4 cl Magnum 2 cl Coffee liqueur 2 cl Dark cocoa liqueur 2 cl Milk 2 Scoops of vanilla ice-cream 1 Scoop of ice Garnish: Chocolate topping on the edge of the glass Chantilly Sprinkle cinnamon to taste


Natação

É Verão! Tudo para a água Swimming It’s summer! Everyone in the water! texto text: Patrícia Pinto da Cruz fotografia photography: iStockphoto

Na escrita, as referências mais antigas à natação remontam a cerca de 2000 a.C., algumas delas incluídas em obras históricas como a Ilíada, a Odisseia e mesmo a Bíblia. In writing, the oldest references to swimming remount to 2,000 BC, some found in historical works like Iliad, Odyssey and even the Bible.

De todos os tipos de exercícios físicos que podemos praticar, é do conhecimento geral que a natação é um dos que mais benefícios traz para o nosso corpo e mente. Algo que já não é do conhecimento geral é o facto de que este é um dos desportos mais antigos do mundo. Os registos mais antigos que existem, ou pelo menos de que se tem conhecimento, sobre a natação têm mais de 7.000 anos. Várias pinturas rupestres sugerem que o ser humano já sabe nadar desde os seus tempos mais primitivos, provavelmente como modo de sobrevivência, fosse para fugir de animais perigosos ou para caçar nos rios e lagos. Mesmo mais tarde, os povos antigos (egípcios, assírios, fenícios, ameríndios, entre muitos outros) eram excelentes nadadores e os estilos de natação desenvolvidos e praticados em competição nos últimos duzentos anos baseiam-se no modo como indígenas da América e da Austrália nadam há já milhares de anos. Na escrita, as referências mais antigas à natação remontam a cerca de 2.000 a.C., algumas delas incluídas em obras históricas como a Ilíada, a Odisseia e mesmo a Bíblia. Claro que, como seria de esperar, as Olimpíadas da Grécia Antiga já incluíam este desporto, principalmente devido aos seus vários benefícios para o corpo humano, mas não no sentido de natação de competição que temos hoje em dia, esta só surgiu em Ingla-

Of all physical exercises we may practice, it is generally agreed that swimming brings the most benefits to body and mind. What is not generally known is that swimming is one of the oldest sports in the world. The oldest existing records, to the best of our knowledge, claim that swimming is over 7,000 years old. Several rock or cave paintings suggest that human beings have been swimming since the dawn of time, probably as an indispensable survival skill as they ran away from dangerous animals or to hunt around or fish the rivers and lakes. Even later, the ancients (Egyptians, Assyrians, Phoenicians, Amerindians, among others) were excellent swimmers, and the various swimming styles developed and practiced competitively in the past 200 years are based in the way the indigenous men and women from the Americas and Australia swam thousands of years ago. In writing, the oldest references to swimming remount to 2,000 BC, some found in historical works like Iliad, Odyssey and even the Bible. Naturally, the Olympics of Ancient Greece already included it as a sport, mainly for its multiple benefits to the human body, but not in the competitive sense that we know today, which came about in England around 1800, in the form of the breaststroke, included in the first modern Olympic Games in 1896, in Athens. The crawl only surfaced in 1873


rotas & sabores

50 51

bem-estar well-being 51


terra, por volta do ano 1800, principalmente no estilo bruços, e foi incluída nos primeiros Jogos Olímpicos da Era Moderna, em 1896, em Atenas. O crawl só surgiu em 1873 e era uma imitação do estilo utilizado pelos nativos norte-americanos. A mariposa só foi aceite como um estilo distinto em 1952, surgindo como uma variação do bruços, na década de 1930, depois de ter sido fundada, em 1908, a Federação Internacional de Natação (FINA). Hoje em dia, existem quatro estilos oficiais de nado: bruços, crawl, costas e mariposa. Bruços, como já dissemos, é o mais antigo. O nadador está posicionado de peito para baixo e os movimentos de pernas e braços imitam os de um

and was an imitation of the style used by North American natives. The butterfly only entered as a distinct style in 1952, coming up as a variant of the 1930s breaststroke after the founding of the International Swimming Federation in 1908. Today, there are four official swimming styles: breaststroke, crawl, backstroke and butterfly. Breaststroke, as mentioned earlier, is the oldest style. The swimmer lies face down and the movements of the arms and legs imitate those of a frog, the legs providing the strongest thrust. The crawl, the fastest and most practical style, uses the arms as alternate rotating blades pushing back as the legs kick the surface of the water, also in an alternating manner. In this style,

Hoje em dia existem quatro estilos oficiais de nado: bruços, crawl, costas e mariposa. Today, there are four official swimming styles: breaststroke, crawl, backstroke and butterfly.


rotas & sabores

52

bem-estar well-being 53

sapo, sendo que as pernas dão o maior impulso. O crawl, é o estilo mais rápido e prático. Os braços formam círculos alternadamente, como hélices, empurrando a água para trás enquanto as pernas batem a superfície da água também alternadamente. Neste estilo, a velocidade é definida em 75% pela correcta posição e força dos braços. O estilo costas é muito parecido com o crawl, mas o nadador está deitado na água de barriga para cima. Esta diferença faz com que o impulso principal seja dado pelas pernas. Já na mariposa, o nadador, tal como em bruços e em crawl, está de peito para baixo. O movimento dos braços imita o de bruços enquanto os pés batem na água simultaneamente. Para muitos, este é o estilo mais complicado de nadar e é aquele que exige mais força e coordenação. Se não for bem feito, a única coisa que a pessoa consegue fazer é mesmo uma confusão de salpicos, praticamente sem sair do mesmo lugar. A natação, além de ser um desporto por si só, também é utilizada em vários outros desportos aquáticos, como o pólo aquático, a natação sincronizada, a natação em águas abertas, a natação pura, o mergulho, os saltos ornamentais, entre outros. Todos eles trazem grandes benefícios para a saúde do praticante, aliás, existem poucos desportos no mundo que sejam tão completos e saudáveis como a natação. Bebés, jovens, adultos, idosos, grávidas, toda a gente pode, e deve, praticá-la. Até pessoas que não podem exercer a maior partes das actividades físicas por problemas nos ossos ou articulações, devem fazer natação, por ser um desporto que praticamente não tem impacto nos mesmos. Trabalha todos os músculos do corpo, reduz os riscos de episódios cardiovasculares, estimula a circulação sanguínea, melhora e desenvolve o sistema respiratório, fortalece as articulações, alivia dores provocadas por artroses, relaxa e alivia o stress e, claro, sabe muito bem, principalmente durante o Verão abrasador em que estamos a entrar. Em Angola não há falta de piscinas e não é obrigatório inscrever-se num ginásio para fazer natação. Se não tiver piscina em casa ou no condomínio, deve conhecer alguém que tenha. Se não, existem vários hotéis, ginásios e mesmo alguns condomínios que permitem a utilização da piscina por pessoas de fora. Aproveite o calor e o sol para nadar um pouco e ainda absorver a vitamina D que todos adoramos.

Existem poucos desportos no mundo que sejam tão completos e saudáveis como a natação. Few sports are as complete and healthy as swimming.

speed is defined 75% by correct positioning and arm strength. The backstroke is very similar to the crawl, but the swimmer lies face up. In the butterfly, like the crawl and breaststroke, the swimmer lies face down. The arm movements follow those of the breaststroke while the feet kick simultaneously. If you don’t get it right, the best you will achieve is a lot of splashing in the same spot. Swimming, other than being a sport of its own, is also used in combination with other water sports, such as water polo, synchronized swimming, open water swimming, snorkeling and diving, to name a few. All these disciplines bring great benefits to the health of those who practice them. In fact, few sports are as complete and healthy as swimming. Babies, children, adults, elderly persons and pregnant women, everyone can and should swim. Even those who suffer from arthritis must practice swimming. It is a sport that has no impact on the bones. It works all body muscles, reduces the risk of cardiovascular episodes, stimulates blood circulation, improves and develops the respiratory system, strengthens the joints, eases arthritic pains, relaxes and releases stress and, last but not least, feels great during the hot summer season. In Angola, there is no lack of swimming pools and you don’t have to join a fitness center to swim. If you don’t have a pool at home or in your condominium, you must know someone who does. If not, there are several hotels, fitness centers and even some condominiums that allow visitors to use their swimming pools. So, take advantage of the heat and sun to swim a little and absorb some that beloved vitamin D.

Tabela Nutricional Se o seu estado natural é líquido, experimente os novos sabores Vital Equilíbrio, a maneira mais refrescante e completa de recuperar as suas energias. Os três novos sumos disponíveis recriam combinações de sabores e permitem-lhe experimentar novas sensações. Sempre com a preocupação de cuidar melhor do seu bem-estar. Alimente esta ideia… Compal. É mesmo natural. Energia: 30kcal; Proteínas: 0g; Hidratos de Carbono: 7,5g; Açúcar: 6,8g; Lípidos: 0g; Lípidos Saturados: 0g Nutritional information If your natural state is liquid, enjoy the new Vital Equilíbrio flavors, the most refreshing way of restoring your energies. Three new juices recreate flavor combinations that will delight you with new sensations always and ever aiming to bring you the best wellbeing. Feed this idea… Compal. It’s really natural. Energy: 30kcal; Protein: 0g; Carbohydrate: 7,5g; Sugar: 6,8g; Fat: 0g; Saturated Fat: 0g


Sérgio Piçarra

A arte de criar está-lhe na alma The art of creating is in his soul texto text: Pedro Correia fotografia photography: Arquivo Sérgio Piçarra Sérgio Piçarra Archive

É o criador do Mankiko, o Imbumbável, mas ao contrário desta conhecida personagem, Sérgio Piçarra não descansa e está em permanente processo de criação. He is the creator of “Mankiko, the good-for-nothing”, but as opposed to his famous cartoon character, Sérgio Piçarra does not take a break and is in permanent creative process.

É o criador do Mankiko, o Imbumbável, mas ao contrário desta conhecida personagem da banda desenhada e do cartoonismo em Angola, Sérgio Piçarra não descansa e está em permanente processo de criação. Nasceu em Luanda, em 1969, e muito cedo percebeu que criar era algo que lhe estava na alma. Ainda menino “consumia muita banda desenhada e copiava muitos desenhos” num processo que refere como de exploração, primeiro, e, depois, como de treino para o dom que acabava de descobrir. Surgiram os primeiros desenhos retirados de livros de aventuras da época, alguns westerns ou “coboiadas” (do inglês cowboy) e, depois, da banda desenhada dos super-heróis, como o Super-Homem, o Batman ou o Homem-Aranha. Foi no início da adolescência que Sérgio Piçarra tomou consciência do que para ele representava verdadeiramente o desenho e a banda desenhada, começando a criar as suas próprias personagens. Com 15 anos tornou-se colaborador do suplemento infantil do “Jornal de Angola” (JA) com a publicação de desenhos, ilustrações e até de banda desenhada de sua criação. Foi, como ele próprio diz, “o início do crescimento e amadurecimento do artista que vai desejando ser cada vez mais autónomo e afirmar a sua obra”. Confessa, no entanto, que lhe faltavam referências no mundo da banda

He is the creator of “Mankiko, the good-for-nothing”, but as opposed to his famous cartoon character and Angolan humorist figure, Sérgio Piçarra does not take a break and is in permanent creative process. Born in Luanda in 1969, early he understood that creating was part of his soul. As a child, he “consumed many comic books and copied many drawings” in a process that he describes as exploratory to begin with, later evolving into training for his self-discovered talent. His first drawings were captured from boyhood adventure stories, which included Old West comics, succeeded by comic book classics like Superman, Batman and Spiderman. In his early teens, he became aware of how much drawing and comic books meant to him, inspiring him to create his own characters. At age 15 he became a collaborator for Jornal de Angola’s children’s supplement, publishing drawings, illustrations and even cartoons of his own creation. It was, in his own words, “the beginning of the growth and maturity of myself as an artist, as I increasingly sought to become creatively autonomous and assertive”. At the time, he lacked references from the world of comics and felt “isolated”. Self-taught, he began to seek opportunities to acquire new techniques and skills related to the art of drawing. It was 1984/85 and children’s author Octaviano Correia, through fellow-writer Dario de Melo, indicated Henrique Abranches as the reference Sérgio was looking for.


rotas & sabores

54

indispensável indispensable 55

desenhada, no qual se sentia “isolado”. Autodidacta, quis encontrar novas balizas que lhe dessem as noções técnicas e estéticas do desenho. Foi nessa altura (1984/85) que o escritor Octaviano Correia, através do também escritor Dario de Melo, indicou Henrique Abranches como a referência que procurava. Sérgio Piçarra e alguns companheiros da época ligados à arte do desenho, procuraram então Henrique Abranches, escritor e antropólogo angolano nascido em Lisboa (1932-2006) e que era, na altura, a única referência da banda desenhada feita em Angola. “Foi com ele que mudámos o nosso conceito de saber desenhar, do que é ter jeito e ser artista”, conta Sérgio Piçarra que, com alguma saudade, confessa que Henrique Abranches foi fundamental no “desenhar” do futuro artista em que se tornou. Continuou a publicar no JA e, entre outros trabalhos, fez uma adaptação para a banda desenhada de um capítulo do livro “As Aventuras de Ngunga”, do escritor angolano Pepetela, também publicada no JA, mas terá sido a criação, há 25 anos, da personagem Mankiko, o Imbumbável, que marcou a sua carreira. A criação não tem lugar nem hora marcada Sérgio Piçarra é uma pessoa atenta ao que o rodeia. E conta que a inspiração pode surgir quando menos espera: na rua, no café, ao volante, a

Sérgio and some of his drawing peers visited Henrique Abranches (1932-2006), a Lisbon-born Angolan writer and anthropologist, then the only reference for comic books made in Angola. “He changed our perception of drawing, of what it takes to become an artist”, says Sérgio Piçarra, who confesses to missing Henrique Abranches, who highly influenced the drawing style of the future artist. Sérgio continued to publish drawings in Jornal de Angola and, among other works, made a comic book adaptation of one chapter of the novel “The Adventures of Ngunga” by Pepetela, also published in the same daily. However, it was the creation of character “Mankiko, the good-fornothing”, 25 years ago, that launched his career. Creativity has neither place nor time Sérgio Piçarra is receptive to his surroundings. Inspiration may come when he least expects: on the street, at the café, while driving, reading or hearing news or during conversations with friends… Since he considers that ‘the mind betrays’, he uses his mobile phone to jot ideas, to capture the situation that triggers the creative moment. He has even taken recourse to paper napkins to record the ‘flashes of inspiration’ that may lead to a cartoon. In his opinion, creativity has neither place nor time, and he recognizes that there are times that the crea-

A área em que trabalha obriga Sérgio Piçarra a acompanhar a actualidade, a política e a situação social do país. Sérgio Piçarra’s work requires him to keep up with current events and the country’s political and economic situation.


Autodidacta, quis encontrar novas balizas que lhe dessem as noções técnicas e estéticas do desenho. ler ou a ouvir as notícias, em conversas com amigos... Por isso, dá utilidade às novas tecnologias para registar a ideia. Considera que é um perigo guardar o momento apenas na memória e utiliza uma aplicação no telemóvel para anotar as ideias, as “faíscas” provocadas pela situação que desperta o momento criativo. Mas também já aconteceu registar o “click” num guardanapo de papel para que a ideia permanecesse viva e fosse transformada em cartoon. E porque considera que “a criação não tem lugar nem hora marcada”, o artista reconhece que há alturas em que o processo criativo condiciona as relações familiares e de amizade. “Porque é uma área de trabalho que consome tempo e energia, obriga a acompanhar a actualidade, o dia-a-dia, a política e a situação social de onde saem muitas ideias, o tempo, por vezes, não é bem aproveitado para estar com a família e com os amigos”. Sérgio Piçarra admite que, como acontece com muitos artistas, com muitos criativos, não tem disciplina de horários. Habitualmente, senta-se a desenhar depois das seis da tarde, altura em que normalmente as famílias se reúnem em casa. Hoje, Sérgio Piçarra divide a sua vida em curtas estadias entre Angola (Luanda) e a África do Sul, onde acompanha os estudos dos filhos e onde diz encontrar um maior sossego para dar largas à imaginação, longe do barulho do vizinho, da falta de luz e do stress do trânsito. E promete continuar a criar cartoons e tiras animadas de banda desenhada com o já muito célebre Mankiko. Em 2016 publicou uma colectânea que pretende repetir em 2017.

Self-taught, he began to seek opportunities to acquire new techniques and skills related to the art of drawing.

tive process hinders his relationship with family and friends. “It is work that consumes time and energy, that requires you to keep up with current events, the day-to-day, the political and economic situation which sparks so many ideas… Sometimes there is few and precious time to spend with family and friends.” He admits that, like many artists and creatives, he does not keep a strict timetable. He usually starts drawing after 6:00 pm, the hours customarily reserved for family time. Presently, Sérgio Piçarra shares his life between short stays in Angola (Luanda) and a home in South Africa, where he follows his children’s schooling and claims to find more peace and quiet to expand his imagination, far away from noisy neighbors, power cuts and traffic jams. He promises to continue creating cartoons and comic books featuring the much-celebrated Mankiko. In 2016, he published a collection, which he intends to do again in 2017.


rotas & sabores

58

compras shopping 59

Charme Natura

O nosso corpo merece o melhor Our body deserves the best texto text: Patrícia Pinto da Cruz fotografia photography: Vasco Célio

Quando passamos pelo corredor de lojas no Kero de Talatona, há uma que chama especialmente a atenção pelo paraíso de aromas que paira pela porta. Chama-se Charme Natura e, num relance, percebemos que é uma loja de produtos naturais. Plantas, ervas, frutas e sementes estão espalhadas por todo o lado em cestos, frascos e jarras. A decoração é muito africana e, ao mesmo tempo, leve e natural. Não podíamos deixar de entrar e averiguar. Os donos são Eurico e Vladana Adolfo. Ele é angolano e ela é checa. Foi na República Checa que se casaram e também foi lá que começou a Charme Natura, há cerca de 10 anos. Eurico contou-nos como tudo surgiu de uma forma muito espontânea e por necessidade pessoal, enquanto o seu corpo se tentava adaptar ao clima de Praga, onde o Inverno reina a maior parte do ano. Com a pele seca e problemas de insónias, os produtos que lá encontrava não tinham o efeito desejado, o que o levou a procurar a solução em receitas caseiras. O resultado foi óptimo e, em breve, o casal produzia, em casa, cremes, elixires, águas hidratantes e xaropes. “Foram os cheiros que saíam da nossa casa que começaram a trazer vizinhos curiosos, que também quiseram experimentar os nossos produtos. Muito rápido começaram a pedir cada vez mais, fosse para eles, para a família ou amigos”, contou-nos Eurico. Quando deram por si, estavam embrenhados no mundo das plantas e ervas medicinais, a tentar ajudar pessoas a curar peles secas, eczemas, insónias, queda de cabelo. Quanto mais pesquisavam, mais receitas próprias tinham. Algumas suas, outras adaptadas de receitas naturais europeias, africanas

As you walk past the small gallery leading to Kero supermarket in Talatona, there is one shop exhaling an Eden of fragrances that roots you to the spot. It’s called “Charme Natura” and that’s when you realize that it’s a natural health store. Plants, herbs, fruits and seeds are scattered everywhere in baskets, bottles and jars. The decor is at once African, light and natural. You can’t resist the impulse to go in. Eurico and Vladana Adolfo are the creators and owners of this business. He is Angolan and she is Czech. They met and married in the Czech Republic, and it was there that Charme Natura began nearly 10 years ago. Eurico told us that it all came about spontaneously while he was facing a very personal problem: his body was trying to adapt to the climate of Prague, where winter prevails most of the year. Suffering of dry skin and insomnia, the products he tried and tested gave him no relief, which led him to seek alternatives in home remedies. The result was positive and the couple was soon making creams, elixirs, toners and syrups. “The smells wafting from our house began to draw in curious neighbors, who also wanted to try our products. Very quickly they started to ask for more; for themselves, their relatives or friends,” said Eurico. All of a sudden, they were caught up in the world of medicinal plants and herbs, trying to help people heal dry skin, rashes, insomnia and hair loss. The more they researched, the more they concocted their own recipes. Some were their own creation,

Eurico e Vladana Adolfo são os donos e criadores da Charme Natura. Eurico and Vladana Adolfo are the creators and owners of Charme Natura.


A Charme Natura mistura o melhor das floras europeia e africana, à procura do melhor produto para cada tipo de pele, cabelo e organismo. Charme Natura mixes the best of European and African floras, looking for the optimal solution for each skin, hair and body type.

Os produtos da Charme Natura são 100% naturais, feitos à mão no laboratório nas traseiras da loja. Charme Natura’s products are 100% natural and hand-made in the laboratory, right there at the back of the store.

Produtos da linha de coco. Coconut products.

e mesmo asiáticas (que aprenderam em viagens pela Ásia). Os seus produtos são 100% naturais, feitos à mão a partir de óleos e manteigas que o casal e os técnicos de laboratório formados por eles extraem ali mesmo, na parte de trás da loja. Misturam o melhor das floras europeia e africana, à procura do melhor produto para cada tipo de pele, cabelo e organismo. Há cremes, sabonetes e sais de banho para as rugas, acne e eczemas; champôs para a queda do cabelo, hidratação, brilho; protectores labiais; águas hidratantes. Depois há a linha para crianças e bebés. “Hoje em dia só se encontram à venda produtos feitos a partir de químicos, o que vicia muito o organismo e não é nada indicado para os mais novos. Os ingredientes que nós usamos têm composições químicas que nós já temos no nosso organismo, o que eles fazem é estimular as células do corpo a produzirem os nutrientes necessários para o bem-estar da criança ou do bebé”, esclarece Eurico. Ainda na República Checa, Eurico e Vladana experimentaram os seus produtos e comprovaram a sua qualidade para que estivesse ao nível standard dos produtos europeus. Só então os trouxeram para Angola, onde a recepção não podia ter sido melhor. Faça uma visita para descobrir mais e aprender a cuidar de si da forma mais natural e saudável possível.

others were adapted from European, African and Asian home remedies (which they picked up on trips to Asia). Their products are 100% natural and hand-made from oils and butters that the couple, and laboratory technicians trained by themselves, extract right there at the back of the store. They mix the best of European and African floras, looking for the optimal solution for each skin, hair and body type. There are creams, soaps and bath salts for wrinkles, acne and eczema; shampoos for hair loss, moisturizing and shine; lip balms and skin toners. There is also a line for children and babies. “Nowadays one only finds industrialized products, which vitiate the body and are unsuitable for the little ones. Our ingredients are based on chemical compositions that we already have in our bodies; what they do is stimulate the body’s cells to produce the nutrients necessary for the welfare of the child or baby,” explained Eurico. Eurico and Vladana have experimented and tested their products in the Czech Republic. Their quality is proven to meet European standards. Since then, they have brought their skills to Angola, where the demand could not have been better. Pay a visit to learn more and discover how to take care of yourself in the most natural and healthiest way possible.


rotas & sabores

60

design design 61

Cadeira infantil “Trotter” em malha de aço pintado com tinta poliéster, da Magis.

Guarda-sol “Frou Frou”, da Sywawa. “Frou Frou” parasol by Sywawa.

Children’s chair “Trotter” in PVCcoated stainless steel mesh, by Magis.

Design A lógica é a mesma que a do closet: sempre que a estação muda trocamos a roupa, os sapatos e os acessórios. Os jardins merecem exactamente o mesmo cuidado. Sugestões outdoor para viver o Verão em pleno. It follows the same logic as the arrangement of your wardrobe: whenever the season changes, your clothes, shoes and accessories change. Your garden is no exception. Be inspired by our outdoor accessories and fully enjoy the rainy season.

Trolley-bar, da colecção “Aviation”, da Vintage Department. Trolley bar, “Aviation Collection” by Vintage Department.

Grelhador a carvão Äpplarö/Klasen com termómetro integrado na tampa, no Ikea. Äpplarö/Klasen charcoal grill with built-in thermometer on the hood, at Ikea.

Cadeiras de jardim em madeira, da Vintage Department. Oak garden chairs by Vintage Department.


Quatro cidades do reino de Marrocos Four cities in the Kingdom of Morocco texto text: Edjaíl dos Santos, em Marrocos in Morocco fotografia photography: Vasco Célio e iStockphoto


rotas & sabores

62

porta de embarque boarding gate 63

M’Hamid é o ponto de partida para as viagens para o Sahara, onde as dunas do deserto se estendem por 150 quilómetros. M’Hamid is the departure point for journeys into the Sahara, where the sand dunes extend for 150 kilometers.


Em Casablanca há um sem fim de lugares maravilhosos para admirarmos o pôr-do-sol e nos refrescarmos. In Casablanca there are endless amazing spots to cool down and watch the sunset. Às três horas da manhã de uma quinta-feira embarcámos para Casablanca, no reino de Marrocos. Este voo, da companhia marroquina Royal Air Marrocos, é bastante concorrido por angolanos, por habitantes de países da África francófona e do Norte do continente e por portugueses, e foram, principalmente, estas pessoas que nos acompanharam nesta viagem. Passadas pouco mais de seis horas no avião, avistávamos Casablanca, mas, como não bastava conhecer a capital económica de Marrocos, este não era o nosso único destino. Rabat, Marraquexe e Ouarzazate também aguardavam por nós. O aeroporto é bastante funcional e, apesar de nem todos os funcionários da imigração serem muito acessíveis ou dispostos a ajudar, não desanime. Solte-se e saúde “salaam aleikum” (“Que a paz esteja sobre vós”) e sentirá imediatamente a hospitalidade dos marroquinos. Para que esteja preparado, é melhor que saiba que, aqui, 40°C é a temperatura habitual. Come-se muito bem: o pão, as saladas e o chá árabe são obrigatórios em qualquer mesa, que mistura a gastronomia francesa, italiana e espanhola. Casablanca Partimos de táxi para o centro da cidade para nos fixarmos no IDOU ANFA Hotel & Spa, um hotel de quatro estrelas que mistura, na sua deco-

Mercado de Rabat. Rabat Market.

On a Thursday, we boarded the 3:00 a.m. flight to Casablanca in the Kingdom of Morocco. The flight, run by national carrier Royal Air Maroc, was packed with Angolans, francophone West-Africans, North Africans and Portuguese. Six hours later we landed in Casablanca, the economic capital of Morocco, though that was not to be our only destination. Our travel plans would include Rabat, Marrakesh and Ouarzazate. Mohamed V International Airport is very functional, but don’t count on friendly or helpful immigration officers and don’t lose heart. Relax and say “Salaam Aleikum” (“May peace be with you”) and you’ll immediately feel Moroccan hospitality. In order to be prepared to face it, be advised that the average temperature here is 40 ºC. However, the food is great: bread, salad and “Moorish” tea are mandatory at every table, in a fusion of French, Italian and Spanish cuisine. Casablanca A taxi took us to the city center, to Idou Anfa Hotel & Spa, a four-star establishment whose décor marries the modern to the historical. As the economic capital of Morocco, Casablanca is the stage for high-level business and trade transactions, comprised largely of French interests. The biggest banks are also here, hence, perhaps, the profusion of shopping malls, clubs, cafes and seaside leisure, heavenly on a hot Moroccan afternoon. Casablanca is also Morocco’s most modern city, where the land’s rich


rotas & sabores

64

porta de embarque boarding gate 65

É a herança histórica de Rabat que lhe confere o carácter único que exala. It is Rabat’s historical heritage that gives the city its unique character. ração o moderno com o histórico. Casablanca é a cidade económica de Marrocos, palco de grandes negócios e comércio, grande parte com interesses franceses. É aqui que estão os maiores bancos. Mas não se preocupe, que não há falta de grandes centros comerciais, clubs, cafés e esplanadas à beira-mar, divinais numa tarde quente como as marroquinas. Casablanca é o ponto onde o mais moderno de Marrocos vive em perfeita harmonia com a rica herança adquirida pelo reino ao longo dos séculos. A tradição arquitectónica da cidade perdura até hoje e tem como “menina dos seus olhos” a segunda maior mesquita do mundo: Hassan II, nome do anterior rei de Marrocos. Tem 200 metros de altu-

ra e consegue receber cerca de 80 mil pessoas. No centro da cidade está o famoso Parque da Liga Árabe, um jardim que existe desde 1940 e é o orgulho de Casablanca. Perto do local, estão as torres gémeas, Twin Center, vários centros comerciais onde podemos encontrar as últimas tendências da moda marroquina e europeia, e muitos, muitos bares. Tudo isto fica perto de Anfa, a zona de luxo de Casablanca. A costa da cidade financeira também atrai muitos turistas, e por boas razões. Piscinas, praias públicas, praias privadas, um sem fim de lugares maravilhosos para admirarmos o pôr-dosol e nos refrescarmos. À noite, as discotecas e os bares mantêm a cidade viva, mas tudo na maior discrição.

ancestral heritage coexists in perfect balance with modernity. The city’s architectural tradition lasts to this day and the apple of its eye is the second largest mosque in the world, the “Hassan II”, named after Morocco’s previous king. It stands 200 meters high and can accommodate nearly 80,000 people. The city center harbors the famous Arab League Park, a garden created in 1940 and the pride of the city. Nearby, in the Anfa quarter, the most luxurious in Casablanca, are the twin towers “Twin Center”, several shopping malls where you can purchase the latest Moroccan and European fashion trends and many, many bars. The coast of this financial city attracts many tourists, and for good reasons. It is a row of swimming

pools, public beaches, private beaches, and endless amazing spots to cool down and watch the sunset. At night, nightclubs and bars keep the city alive, but the revelries are carried out with utmost discretion. Rabat Rabat is the political capital of Morocco and seat of current king Mohammed VI. Here, the modern world is not as present as in Casablanca, and it is its historical heritage that gives the city its unique character. The city itself is protected by powerful and intimidating walls. Once within, you immediately come across an infinitude of sellers and marketers, blending formal and modern trade with vendors in propped-up tents or out in the open. The sale of


Rabat A capital política de Marrocos é o lar do seu actual rei, Mohamed VI. Aqui, o mundo moderno não está tão presente como em Casablanca e é a sua herança histórica que lhe confere o carácter único que exala. A cidade está protegida por muralhas poderosas e intimidantes. Depois de passarmos por elas temos uma infinidade de vendedores, numa mistura do comércio formal e moderno, com o comércio informal, em tendas com os produtos expostos ao ar livre. Há aqui um enorme destaque para os tradicionais tapetes marroquinos, um trabalho magnífico e delicado dos artesãos. O Golden Tulip Farah Rabat Hotel pode ser uma óptima opção para se acomodar, com uma vista maravilhosa sobre o Rio Bouregreg, cujas margens acolhem uma variedade de restaurantes. Entre estes, destacase o Le Dhow, por ser um restaurante, bar/lounge construído num barco

traditional Moroccan carpets reigns supreme and creates a very attractive display of their magnificent and delicate handiwork. The Golden Tulip Farah Rabat Hotel appears to offer splendid accommodation and a fine view of Bou Regreg river, whose banks boast a variety of restaurants. Among these, restaurant, bar and lounge “Le Dhow” stands out for being located on an old barge. Luckily, the place is run by a Portuguese, giving us a much needed break from the language barrier. Don’t miss an opportunity to visit the imposing Kasbah of the Udayas at the top of Rabat or the oldest mosque in the city, the El Atiga, built in 1150 in the proximity of the citadel. You can end your outing at Café Maure, where the view over the bay is breathtaking. Marrakesh It is one of Cristiano Ronaldo’s favorite getaways and it is known as

Ouarzazate é a “Hollywood de África”, concentrando vários estúdios de cinema. Ouarzazate is known as Africa’s Hollywood, congregating several film studios.

antigo. Por sinal, o espaço é gerido por um português, o que facilita a comunicação. Não deixe de visitar a imponente fortaleza Casbá dos Udaias, no topo de Rabat, ou a mais antiga mesquita da cidade, El Atiqa, construída em 1150, muito perto da fortaleza. Pode terminar o seu passeio no Café Maure, onde a vista sobre a baía é de tirar o fôlego. Marraquexe É umas das opções de relaxe do melhor jogador do mundo, Cristiano Ronaldo. Chamam-na “Cidade do Pecado”. O laranja predomina e é raríssimo ver um edifício de outra cor. Marraquexe é a harmonia entre a tradição marroquina mais antiga e os luxos mais modernos. Esta cidade pareceu-nos muito mais liberal do que as anteriores, com bares e discotecas mais parecidos com o que temos em Angola e que até passam música angolana, com destaque para o kuduro. Enquanto lá estávamos, passaram batidas como “Bela”, dos De Tróia, e “Atchuchutcha”, de Yuri da Cunha. Certifique-se que visita o Museu de Marrakech M’Nebhi Palace, construído no século XIX, onde pode admirar oito séculos de arte marroquina. Não se esqueça de dar um passeio de camelo, uma experiência imperdível. E, claro, não pode deixar de ir ao famoso Mercado de Marraquexe, que se não quiser atravessar a pé pode sempre alugar uma carruagem puxada por cavalos, um passeio que o vai fazer sentir que viajou no tempo. Ao almoço e ao jantar, não dispense a comida local, Marraquexe é conhecida também pela sua gastronomia. Ouarzazate É um oásis, uma região no deserto onde é possível descansar, refrescar-se e desfrutar da calma que apenas existe em pleno deserto. A sua arquitectura é única, com casas tradicionais do povo Berber, feitas em adobe.

the “City of Sin”. Orange dominates the cityscape and it is difficult to spot a building in another color. Marrakesh is harmony between the oldest Moroccan traditions and the most modern luxuries. Marrakesh felt much more liberal than the other cities, with bars and nightclubs similar to those in Angola, and they even play Angolan music, especially the urban Afro-Pop genre “Kuduro”. While we were there, we heard Angolan pop hits like “Bela” and “Atchuchutcha”. Be sure to visit the Marrakesh Museum M’Nebhi Palace built in the 19th century and housing eight centuries of Moroccan art. Don’t forget to go on a camel ride, an unmissable experience. And, of course, visit the famous Marrakesh Market. If you don’t wish to walk, hire a horse-drawn carriage. You will feel like you’ve travelled back in time. For lunch and dinner, try the local food. Marrakesh is known for its cuisine. Ouarzazate It’s an oasis, a place where it’s possible to rest, refresh yourself and enjoy the peace that is only found in the desert. The architecture of this city is unique and heavily influenced by the adobe traditional houses of the Berber people. Ouarzazate is also known as Africa’s Hollywood, congregating several film studios. Numerous foreign films such as “Gladiator” and “The 10 Commandments”, to name a very modest few, were shot in this location. Djebel Sahro mountain (which you must definitely visit), located south of Ouarzazate, is a bird-watching site, home of 150 bird species and nicknamed “Valley of the Birds”. A short distance away is M’Hamid, the departure point for journeys into the Sahara, where the sand dunes extend for 150 kilometers and reach heights of 150 meters.


rotas & sabores

66

porta de embarque boarding gate 67

Famoso Mercado de Marraquexe. Famous Marrakesh Market.

Marraquexe é a harmonia entre a tradição marroquina mais antiga e os luxos mais modernos. Marrakesh is harmony between the oldest Moroccan traditions and the most modern luxuries.

Ouarzazate é conhecida como sendo a “Hollywood de África”, pois concentra vários estúdios de cinema. Filmes como “Gladiador”, “Os 10 Mandamentos” e muitos outros, foram filmados aqui. Na montanha Djebel Sahro (que, mais uma vez, tem mesmo que visitar), situada a Sul de Ouarzazate, pode observar 150 variedades de pássaros, daí ser apelidada de “Vale dos Pássaros”. Aqui perto fica M’Hamid, o ponto de partida para as viagens para o Sahara, onde as dunas do deserto se estendem por 150 quilómetros e atingem uma altura de 150 metros.

Tome Nota

Take Note

Como ir A Royal Air Maroc tem voos semanais directos de Luanda para Casablanca. Onde ficar Se ficar em Casablanca, sugerimos o IDOU ANFA Hotel & Spa. Em Rabat, o Golden Tulip Farah Rabat Hotel é uma óptima opção. O Hotel Atlas Medina & Spa, em Marraquexe é excelente. Já em Ouarzazate, o Berber Palace é uma escolha de se tirar o chapéu. Onde comer Os hotéis sugeridos oferecem uma boa gastronomia marroquina, mediterrânica e internacional. Cuidados a ter Leve chapéu, óculos de sol e protector solar. Imperdível As noites de Marraquexe.

How to go Royal Air Maroc runs direct weekly flights from Luanda to Casablanca. Where to stay In Casablanca, we suggest the Idou Anfa Hotel & Spa. In Rabat, the Golden Tulip Farah Rabat Hotel is a great option. Atlas Medina Hotel & Spa, in Marrakesh, is excellent. In Ouarzazate, the Barber Palace is a choice to take one’s hat off. Where to eat Our hotel suggestions offer first-class Moroccan, Mediterranean and international cuisine. Take care Be sun-wise and wear a hat, sunglasses and sunscreen. Not to miss The nights in Marrakesh.


música music

Novo álbum de Puto Português Puto Português releases a new album

“Origens” é o nome do último álbum do cantor angolano Puto Português que foi lançado no início de Novembro passado. Segundo o músico, o disco fala das vivências de um dos melhores períodos da sua vida: “Decidi homenagear as minhas origens, o meu bairro, a minha vivência, os meus amigos de infância é a melhor parte de tudo, o que vivi nesse período da minha vida”.

“Kuzola” de Lúcia de Carvalho Lúcia de Carvalho’s “Kuzola”

“Origens” is the title of the lastest album by Angolan singer Puto Português. Released in early November, the album goes over the best times of the artist’s life and is, in his own words, “a tribute to my origins, my neighborhood, my childhood, my boyhood friends and my life experiences in that particular time of my life”.

A cantora franco-angolana Lúcia de Carvalho lançou em Outubro, em França, o álbum “Kuzola”, feito entre o Brasil, Angola e França. Trinta músicos dos três países estiveram envolvidos na produção deste disco, que ainda inspirou o documentário de Hugo Bachelet: “Kuzola, Canto das Raízes”. O disco, cujo nome significa “amar” em kimbundo, é o resultado das viagens da cantora por estes três países e o regresso às suas raízes, o que se nota pela fusão dos estilos musicais característicos de França, de Angola e do Brasil. Um álbum cheio de vida, amor e muita percussão. O documentário inspirado pelo disco foi apresentado no início de Novembro na Mediateca de Luanda da Alliance Française, inserido nas Quartas de Cinema. “Kuzola, Canto das Raízes” leva-nos pelas viagens que Lúcia de Carvalho fez, durante o ano 2015, por estes países. Residente há mais de 20 anos em França, a intérprete percebeu que tinha chegado o momento de voltar às suas origens, renascendo como artista e mulher. É este caminho fascinante que Hugo Bachelet capta e nos revela na sua obra.

In October, French-Angolan singer Lúcia de Carvalho released “Kuzola” in France. The album is a collaborative effort that involved 30 musicians from Brazil, Angola and France, and inspired Hugo Bachelet’s documentary: “Kuzola, Canto das Raízes”. The title means “to love” in Kimbundu and is the result of the singer’s travels between these three countries and her return to her roots, noted in the fusion of characteristic French, Angolan and Brazilian music styles. It’s an album full of life, love and a lot of percussion. The documentary inspired by the album was presented earlier in November at the Alliance Française Luanda Mediatheque as part of Cinema Wednesdays. “Kuzola, Canto das Raízes” follows Lúcia’s travel experiences to and from these countries in 2015. Residing in France for over 20 years, the singer knew she had to return to her roots, resurfacing as an artist and woman. Hugo Bachelet’s documentary captures and shares the singer’s intimate emotional and artistic journey.


rotas & sabores

68

lazer leisure 69

filmes

livros

movies

books

Amor e muita acção

A história do Reino do Congo

Love and a lot of action

The history of the Congo Kingdom Angola tem uma história fascinante. Quanto mais aprendemos sobre o nosso país, mais queremos saber e descobrir. Pois, aqui está mais uma oportunidade. Recentemente, a editora Mwana Afrika publicou um novo livro, “Os reis do Kongo-Angola”, da escritora angolana Kiesse/Olo. A obra integra um trabalho profundo de investigação sobre a história do Kongo, poemas da autora e vários testemunhos de pessoas que revelam agora episódios e estórias do seu passado. Um livro pedagógico e de grande interesse cultural para todos os angolanos, estudantes, investigadores ou mesmo para quem apenas queira saber mais sobre a rica história de Angola.

Depois de um assalto que deu para o torto, Casey (Nicholas Hoult) é obrigado a fugir de um gang liderado pelo sanguinário Hagen (Anthony Hopkins) e é obrigado a pedir ajuda a Geran (Ben Kingsley), o seu antigo patrão e traficante de droga, para que este proteja a sua namorada Juliette (Felicity Jones) antes que Hagen a capture. É assim que começa a perseguição louca pelas ruas e estradas de Munique, num filme de deixar o coração a mil com tanta acção, luta pela sobrevivência e paixão. “Collide” estará nas salas de cinema a partir do dia 6 de Janeiro. After a heist gone wrong, Casey (Nicholas Hoult) is forced to flee a gang led by bloodthirsty Hagen (Anthony Hopkins) and has to recourse to the help of Geran (Ben Kingsley), his former boss and drug lord, to protect his girlfriend Juliette (Felicity Jones) before Hagen gets her. That’s the setting for a mad chase through the streets of Munich, in a heart-racing movie packed with action, survival and passion. “Collide” will be in movie theaters from January 6.

A força da amizade The power of friendship Quando um executivo bem-sucedido de Nova Iorque sofre uma tragédia pessoal e entra em depressão, os seus amigos unem-se para o forçar a sair dela da forma mais drástica, surpreendente e humana possível. “Beleza Colateral” é um drama que explora como um momento de perda imensa pode também revelar toda a beleza que a vida ainda tem para oferecer. Um filme que promete, tanto pelo seu tema como pelos actores participantes: Will Smith (“Esquadrão Suicida”), Keira Knightley (“Piratas das Caraíbas”), Kate Winslet (“Titanic”), Helen Mirren (“A Rainha”) e muitos outros igualmente conceituados. Nos cinemas a 23 de Dezembro.

When a successful New York executive suffers a personal tragedy and sinks into depression, his friends unite to make him come out of it in the most drastic, surprising and humane way possible. “Collateral Beauty” is a drama that explores how a moment of deep loss can also reveal all the beauty that life still has to offer. It’s a promising film, both for its story and cast. It stars Will Smith (“Suicide Squad”), Keira Knightley (“Pirates of the Caribbean”), Kate Winslet (“Titanic”) and Helen Mirren (“The Queen”). To be screened in local movie theaters from December 23.

Angola has a fascinating history. The more we learn about our country, the more we want to know. “The Kings of Kongo-Angola” is another source of knowledge penned by Angolan author Kiesse/ Olo and recently published by Mwana Afrika. The book is the result of a thorough research of the Congo Kingdom, the author’s poems and several testimonies by persons who are now disclosing episodes and stories of their past. A pedagogical book of great cultural interest to students, researchers or anyone merely curious to learn more about Angola’s rich history.


gadgets gadgets

Fora da caixa Out of the box De todos os acessórios para telemóvel, este é um dos mais originais. O Smartphone Projector 2.0 transforma o seu telemóvel num cinema portátil. Basta escolher o que quer ver projectado, inserir o smartphone na caixa e voilá. Pode assistir a vídeos de música ou ver um filme na cama ou projectar luzes a partir do telemóvel para uma festa em casa. O Smartphone Projector é muito compacto e leve, já que é feito de cartão, e quanto mais alta estiver a luminosidade do ecrã do seu telemóvel, melhor a qualidade da projecção. Of all mobile phone accessories, this is one of the most original. The Smartphone Projector 2.0 transforms your mobile phone into a portable movie theater. You choose what you want to watch, insert the smartphone in the box and voilà! You can watch music videos or movies or even project a lightshow for a house party. The Smartphone Projector is very sturdy and light, since it’s made of cardboard, and the brighter your phone’s screen luminosity, the better the quality of the projection.

Conheça o Mi MIX de Philippe Starck Meet the Mi MIX by Philippe Starck O famoso designer francês Philippe Starck juntou-se à chinesa Xiaomi para criar um “novo conceito de telemóvel”. O que o torna diferente de todos os outros smartphones é o visor. O Mi MIX não é maior do que um iPhone 7 Plus, mas o seu ecrã é. Para ter espaço para um visor tão grande, a barra e o sensor infravermelho de proximidade, que normalmente estão na parte de cima da frente dos smartphones, não existem. Em vez disso, a Xiaomi instalou um sistema de tecnologia que produz o som e que detecta a proximidade do ouvido para o ecrã desligar durante as chamadas.

texto text: Patrícia Pinto da Cruz fotografia photography: Cedidas pelas marcas Courtesy of the brand

Iconic French designer Philippe Starck has joined hands with Chinese electronics company Xiaomi to create a “new smartphone concept”. What makes their concept different from any other smartphone is the edge-to-edge screen. Mi MIX is not larger than an iPhone 7 Plus, but its screen is. To achieve a full screen, the infrared proximity sensors usually located in the top half of the smartphone simply do not exist. Instead, Xiaomi used a technology that produces the sound and detects proximity to the ear enabling the screen to switch off during calls.


rotas & sabores

70

lazer leisure 71

gadgets gadgets

À prova de vida Lifeproof Já lá vai o tempo em que os telemóveis eram autênticos tanques de guerra e podia acontecer-lhes de tudo e era como se nada fosse. Hoje, qualquer risquinho deixa-nos com o coração nas mãos e o mundo pára se deixamos o telemóvel apanhar água. É por isso que qualquer smartphone requer uma boa capa. A capa Fre WaterProof da Lifeproof para o iPhone 6 e 6s é à prova de água, de neve, de quedas, de pó, de tudo. Já vem com película para o ecrã (à prova de dedadas) e existe em várias cores. Um acessório essencial para a vida do seu iPhone 6 ou 6s. The times are gone when mobile phones were bonafide war machines able to withstand anything and everything. Today, any minor scratch breaks our hearts and the world stops when our smartphone gets a splash of water. That’s why a good smartphone needs a good case. The Fre WaterProof from Lifeproof for iPhone 6 and 6s is water-proof, snow-proof, fall-proof, dust-proof, everything-proof! It comes with a built-in screen cover (digit-proof) in a variety of colors. It is an essential accessory to prolong the life of your iPhone 6 or 6s.

O melhor da Apple The best of Apple O telemóvel mais esperado do ano conseguiu o impossível: não desapontar. O iPhone 7 tem duas câmaras que funcionam como uma, um ecrã mais brilhante e com muito mais cores, é à prova de água e de pó (consulte http://www.apple.com/pt/iphone-7/ para mais informações sobre a sua resistência), tem um processador duas vezes mais rápido do que o seu predecessor, a bateria tem mais autonomia do que qualquer outro iPhone, e muito mais. Qualquer novo smartphone que a Apple lance entra sempre no top dos melhores telemóveis do mundo e este não é excepção. The most awaited smartphone of the year has achieved the impossible: it did not let customers down. The iPhone 7 has two cameras that function as one, a brighter screen with a lot more colors and is water- and dust-proof (check http://www.apple.com/pt/iphone-7/ to learn more about its resistance). It also comes with a processor twice as fast as its predecessor, a battery more autonomous than any other iPhone and much, much more. Any new smartphone released by Apple always ranks among the world’s best and this one is no exception.

Aromas que despertam Waking aromas Um dos sons mais odiados do mundo é o do despertador. Era bom que houvesse uma maneira melhor de acordarmos. Com o cheiro a café e a torradas, por exemplo. A boa notícia é que isto já é possível. O Sensorwake acorda-nos com os nossos cheiros preferidos. Basta introduzir uma cápsula no dispositivo e, à hora marcada, o aroma que escolheu começa a pairar pelo quarto. Até agora existem sete essências disponíveis: torradas, café, croissants, menta, relva, chocolate e beira-mar. O cheiro é suficientemente intenso para acordar, mas de bom humor e com o seu aroma favorito. One of the world’s most hated sounds is that of the alarm clock. Wouldn’t it be great if we found another way to wake up? Why not to the smell of coffee and toast? The good news is that is now possible. Sensorwake is a device that wakes you up by releasing your favorite smell. All you need to do is put a capsule in the device and at the pre-defined hour the aroma is diffused around the room. Seven essences are currently available: toast, coffee, croissants, mint, grass, chocolate and seaside. The smell is strong enough to wake you up, but this time in a good mood and surrounded by your favorite smell.


Kuima, provĂ­ncia do Zaire. Kuima, Zaire province.


rotas & sabores

72

fotograďŹ a photography: Vasco CĂŠlio

postal post card 73


bares e restaurantes bars and restaurants

contactos nesta edição

hotéis hotels

contacts in this edition

Café Da Vila

Executive Hotel Samba

Apple

Rua Vila do Gamek F8, nº19 Gamek – Luanda Tel.: +244 911 570 111

Rua da Samba – Luanda Tel.: +244 915 407 117

Em www.apple.com/pt/

Charme Natura Grande Hotel Universo

Cais de quatro Rua Murtala Mohamed, Casa do Desportista Ilha do Cabo – Luanda Tel.: +244 945 959 822

Cervejaria Fininho

Rua Cirilo Conceição Silva, nº6 – Luanda Tel.: +244 222 333 152

Via S8, Espaço Avenida, Bairro de Talatona – Luanda Tel.: +244 938 341 440

Ikea HCTA

Em www.ikea.com/pt/

Rua Luanda Sul, Talatona – Luanda Tel.: +244 226 424 300

Lifeproof Em http://www.lifeproof.com/

Rua 21 de Janeiro, nº12 – Luanda Tel.: +244 929 369 770

Hotel Alvalade Av. Cmdt Gika – Luanda Tel.: +244 222 620 299

Magis

Chill Out

Hotel Baía

Sensorwake

Avenida Dr. António Agostinho Neto Praia do Bispo – Luanda Tel.: +244 222 370 011

Em www.sensorwake.com

Rua Murtala Mohamed, Ilha do Cabo – Luanda Te.: +244 924 282 810

Espaço Bahia Avenida 4 de Fevereiro, nº183 Ingombota – Luanda Tel.: +244 222 370 610

Hotel Continental Rua Rainha Ginga, nº18/21 – Luanda Tel.: +244 222 396 396

Sywawa Em www.symoparasols.com

Hotel Epic Sana

Kitanda da Esquina

Rua da Missão – Luanda Tel.: +244 222 642 700 +244 222 642 600

Av. 1º Congresso do MPLA, nº 39/41 – Luanda Tel.: +244 941 907 090

Hotel Ilhamar

Kook Belas Business Park, Ed. Moxico – Luanda Tel.: +244 947 336 684

Lookal Cervejaria Av. Murtala Mohamed, nº13 Ilha do Cabo – Luanda Tel.: +244 936 000 018/19

Vintage Department Em www.vintage-department.com

Xiaomi Rua Murtala Mohamed, Sector Lello Ilha do Cabo – Luanda Tel.: +244 938814026 /+244 222 309 603

Hotel Kalunda Rua do Paiol, nº 14, Sumbe – Cuanza Sul Telf.: +244 935 333 837

Hotel Mundial

Restaurante Ásia Lounge

Rua Consº Júlio Vilhena, nº14 – Luanda Tel.: +244 222 337 239 +244 914 643 389

Rua da Missão, nº55 R/C, Ingombota – Luanda Tel.: +244 912 122 895 | 928 476 868

Hotel Presidente

Switch Supper Club

Largo 4 de Fevereiro – Luanda Tel.: +244 222 310 064

Epic Sana Luanda Hotel, piso -3, Rua Rainha Ginga, Ingombota – Luanda Tel.: +244 222 642 620 +244 943 814 682

Smartphone Projector Em http://www.luckies.co.uk/product/smartphoneprojector-2-0/

Galeria dos Pães Café Rua do SIAC S/N, Talatona – Luanda Tel.: +244 949 838 644/5

Em www.magisdesign.com

Hotel Trópico Rua da Missão, nº 103, Ingombota – Luanda Tel.: +244 222 370 070

Em http://xiaomi-mi.com.pt/


Profile for Rotas & Sabores

Rotas & Sabores nº 18  

A revista Rotas & Sabores nasceu de um desafio: mostrar o que há de melhor em Angola em termos de turismo, de gastronomia, de cultura, de ho...

Rotas & Sabores nº 18  

A revista Rotas & Sabores nasceu de um desafio: mostrar o que há de melhor em Angola em termos de turismo, de gastronomia, de cultura, de ho...

Advertisement