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lume Mato Grosso

Revista nº. 10 • Ano 3 • Fevereiro/2017

Com violência sexual de crianças e adolescentes não se brinca. Pag. 22

IVENS CUIABANO SCAFF NOVACKI NA RÚSSIA VERMELHO BOM, SÓ BATOM A CASA DO PARQUE RIBEIRINHO CIDADÃO VESTIDOS DE INOCÊNCIA

ISSN 2447-6838

É Hora de Dar Um Basta

................. R$13,00

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Tons de Mato Grosso

ALVORECER NA IGREJA DO ROSÁRIO CUIABÁ/MT FOTO JOSÉ MEDEIROS


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C A RTA D O E D I TO R

JOÃO CARLOS VICENTE FERREIRA Editor Geral

“P

roteja nossas crianças e adolescentes. Faça bonito e disque 100.” Com esta frase, estampada em intensa campanha publicitária, a Fundação Abrinq faz a sua parte, visando minimizar as histórias de violência sexual contra crianças e adolescentes. Esta organização sem fins lucrativos foi criada em 1990, e tem como missão promover a defesa dos direitos e o exercício da cidadania de crianças e adolescentes, nos chama à triste realidade vivida pela sociedade brasileira. Nesta edição de fevereiro abordamos esse tema com pesquisa e texto produzido pela professora Terezina Fátima Paes de Arruda, Mestre em Serviço Social. Ao lermos o artigo vamos verificar que a violência sexual contra crianças e adolescentes é um fenômeno complexo e de difícil enfrentamento, apesar deste fato ter ganhado certa visibilidade nos últimos tempos a sua compreensão e enfrentamento ainda precisa ganhar muito espaço. A violência cometida contra crianças e adolescentes em suas várias formas faz parte de um contexto histórico-social maior de violência que vive nossa sociedade. Compreende-se que o nosso mundo alcançou um nível de bem-estar e conforto nunca antes visto, porém muitos de nós vivemos socialmente isolados e não nos envolvemos em “questões problemáticas” como este tema. Não podemos nos esquecer que todos estamos sujeitos a sermos vítimas de cáftens, pedófilos, rufiões e desajustados,

que podem estar mais próximos de nossas crianças e adolescentes do que pensamos. Queremos isso para nossas vidas? LUME MATO GROSSO, em sua edição de nº 10, com a contribuição de Carlos Ferreira, traz à luz da cena Marília Beatriz de Figueiredo Leite. Na área da saúde, chamamos a atenção para a reportagem sobre um dos grandes desafios da odontologia atual, que é o de perceber que o corpo humano trabalha de forma ordenada. Foi entrevistado o dentista Rosário Casalenuovo Jr. que tem resgatado a essência medicinal da profissão, a fim de ultrapassar o conceito estético constantemente associado ao sorriso. Sempre com o propósito de bem informar, apresentamos em nossas editorias matérias inéditas e, também, releituras de nossa história e raízes, necessárias à compreensão de nossas vidas. Por isso publicamos o artigo “Vermelho Bom, Só Batom”, onde o autor Yan Carlos Nogueira cutuca que a história não deve ser esquecida, e nessa visita nos leva às mazelas da política das décadas de 1950/60. Outra editoria que nos remete à reflexão é “Vestidos de Inocência”, dividida em três pequenos episódios da história indígena, produzidos pela antropóloga Anna Maria Ribeiro. Se na edição passada visitamos a Bolívia e o Salar de Uyuni, nesta mostramos, através das lentes de Cecília Kawall, o Deserto do Atacama, e desperta vontade de conhecer. Boa leitura a todos!


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EXPEDIENTE

lume Mato Grosso

ELEONOR CRISTINA FERREIRA Diretora Financeira JOÃO CARLOS VICENTE FERREIRA Editor Geral MARIA RITA UEMURA Jornalista Responsável JOÃO GUILHERME O. V. FERREIRA Revisão AFRÂNIO CORRÊA, AMANDA GAMA, ANNA MARIA RIBEIRO, CARLOS FERREIRA, DIEGO DA SILVA BARROS, EDNA LARA, EDUARDO MAHON, ENIEL GOCHETTE, EVELYN RIBEIRO, PE. FELIZBERTO SAMOEL DA CRUZ, JULIANA RODRIGUES, LUCIENE CARVALHO, MÁRIO HERMES FERREIRA MENDES, PAULO DE TARSO, RAFAEL ALEXANDRE LIRA, ROSE DOMINGUES, TEREZINA FÁTIMA PAES DE ARRUDA, THAYS OLIVEIRA SILVA, WILLIAN GAMA, WILSON PIRES DE ANDRADE, YAN CARLOS NOGUEIRA Colaboradores ANDREY ROMEU, ANTÔNIO CARLOS FERREIRA (BANAVITA) BRUNA OBDOWISKI, CECÍLIA KAWALL, CHICO VALDINEI, HENRIQUE SANTIAN, JANA PESSOA, JOSÉ MEDEIROS, JOYCE CORRÊA, JÚLIO ROCHA, LAÉRCIO MIRANDA, LUIS ALVES, ANDREY ROMEU, ANTÔNIO CARLOS

FERREIRA (BANAVITA), CHICO VALDINEI, HEITOR MAGNO, HENRIQUE SANTIAN, JANA PESSOA, JOSÉ MEDEIROS, JOYCE CORRÊA, JÚLIO ROCHA, LAÉRCIO MIRANDA, LUIS ALVES, RAI REIS, MAIKE BUENO, MARCOS BERGAMASCO, MARCOS LOPES, MÁRIO FRIEDLANDER Fotos LUME - Mato Grosso é uma publicação mensal da EDITORA MEMÓRIA BRASILEIRA Distribuição Exclusiva no Brasil RUA PROFESSORA AMÉLIA MUNIZ, 107, CIDADE ALTA, CUIABÁ, MT, 78.030-445 (65) 3054-1847 | 3637-1774 9284-0228 | 9925-8248 WWW.FACEBOOK.COM/REVISTALUMEMT Lume-line REVISTALUMEMT@GMAIL.COM Cartas, matérias e sugestões de pauta MEMORIABRASILEIRA13@GMAIL.COM Para anunciar ROSELI MENDES CARNAÍBA Projeto Gráfico/Diagramação CRIANÇA NO BANHEIRO - FOTO: TARA JOHN Capa


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SUMÁRIO

10. 12. NOTAS

ENTREVISTA ESPECIAL

20. 56. 30. ECONOMIA

FOTOGRAFIA

SAÚDE

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60.

PARA QUANDO VOCÊ FOR

72. 70. 78. 80. RETRATO EM PRETO E BRANCO

FEVEREIROS DE NOSSA HISTÒRIA

LITERATURA

LITERATURA

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PERSONALIDADE

Ivens Cuiabano Scaff Médico infectologista, clínico geral, escritor, Professor, verseiro e poeta dos bons

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Além de escritor consagrado, que lhe valeu a entrada para a Academia Mato-Grossense de Letras, também atuou em diversas áreas do setor cultural, tanto em Cuiabá, quanto no âmbito estadual, tendo sido Coordenador de Cultura da UFMT, Conselheiro Estadual de Cultura, Conselheiro Editorial da revista VÔTE, entre outras atuações. Ivens Scaff foi best seller na Literamérica, feira literária que ocorreu em Cuiabá em 2006, quando fez parte de produção literária com tiragem de 200.000 exemplares, distribuídos para todo o Estado e para os frequentadores do evento totalmente dedicado à divulgação da literatura mato-grossense e sul-americana. Por sua destacada atuação, tanto na medicina quanto na área cultural, foi condecorado pelo governo de Mato Grosso com a medalha da Ordem do Mérito, Grau Cavaleiro, além de ter recebido inúmeras outras homenagens, condecorações e prêmios. Entre as inúmeras já obras publicadas, se destacam os títulos “Uma maneira simples de voar” e “O menino órfão e o menino rei”, na categoria infantil e, na poesia realçamos os títulos “Mil mangueiras” e “Kyvaverá”. Os dois primeiros “Uma Maneira Simples de Voar” e “O menino órfão e o menino rei”, traçam histórias com contrapontos e metáforas que apontam o imaginário das crianças com as realidades e ficções apropriadas. O seu estilo revela a competência da narrativa e a função da mensagem. Ivens Scaff acrescenta modelos novos na escritura infanto-juvenil. “Mil mangueiras” e “Kyvaverá” são as obras poéticas que nasceram para marcar, como seu, o chão cuiabano recheado da arte de poetar. Na linguagem poética a busca e o encontro pela identidade cultural da cuiabania ampliada até os paredões chapadenses.

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P

ara o poeta Ivens, o gosto pela literatura vem de infância, por influência de seus pais, que sempre enxergaram no binômio livro/leitura a porta de entrada do conhecimento e da sabedoria para o querido filho. Daí a paixão pelas letras. Cuiabano até no sobrenome, veio ao mundo em 30 de junho de 1951, sendo a sua infância vivida no bairro do Porto, na capital de Mato Grosso. Dali, daquele espaço que foi referência da Cuiabá de outrora, viu, sem se dar conta das quantas vezes, sentado na barranca do Rio Cuiabá, o vai-e-vem das antigas lanchas e vapores que singravam as águas do histórico rio. A escolaridade inicial foi realizada nas melhores escolas cuiabanas e continuada nos colégios do Rio de Janeiro. Cursou medicina na Universidade Federal do Rio de Janeiro, tendo feito, com destaque, residência médica no Hospital da Lagoa, no Rio de Janeiro, e, na sequência, cursos de pós-graduação na área da saúde, na Universidade Federal de Mato Grosso. Ao par de suas atividades médicas, atuou como professor na Universidade Federal de Mato Grosso e na Universidade de Cuiabá - UNIC, sempre com especial dedicação. A medicina caiu-lhe como uma luva, certamente por ser poeta ajudou muito, é um homem muito sensível às causas sociais. Dentro da área médica, Ivens Scaff, que é dedicado pesquisador, possui notório conhecimento técnico e científico na medicina, pois sua atualização acadêmica é constante. Ele é daqueles profissionais da saúde em que se pode confiar, pois sabe-se que isso é um elemento essencial na relação médico e paciente. É médico reconhecido nos vários hospitais onde atuou e atua, com destaque no Ambulatório de DST/AIDS/Hepatites (CERMAC-SEC de SAÚDE/MT).

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N OTA S

COMPARAÇÃO MACABRA o Observatório de Direitos Humanos da ONU, na Síria, a guerra civil, que viceja naquele país, matou 256.124 pessoas, entre março de 2011 e novembro de 2015. De acordo com esse mesmo Observatório, nesse mesmo período, no Brasil, morreram 279.567 pessoas vítimas de homicídio doloso, latrocínio, lesão corporal seguida de morte e às decorrentes de intervenção policial. Os últimos números da violência no país, nes-

»»Segundo

NO CANGOTE

»»Forma inusitada de transportar cabri-

to em Luanda, capital de Angola, país africano de língua portuguesa.

PÉ NA ESTRADA »»No mês de fevereiro o deputado e 1º Secretário da AL, Guilherme Maluf, está realizando uma série de visitas para conhecer as demandas dos municípios da Baixada Cuiabana.

te 2017, nos impele à seguinte pergunta: No Brasil, é guerra ou não é?

PRAZO ESGOTADO »»O IPHAN e a prefeitura de Cuiabá estão de brincadeira com a Casa Barão de Melgaço, sede das instituições culturais mais antigas de Mato Grosso, o Instituto Histórico e Geográfico de MT e a Academia Mato-Grossense de Letras. Obras para serem entregues em meados de 2016 até agora não foram concluídas. A desculpa agora não é falta de recursos, é falta de quem vai fazer a medição da obra, se a Secretaria de Cultura ou outro órgão. LIMA NOVA

»»Tem muito prefeito alardeando que tra-

balha quase 20h por dia. Não precisa tanto, lembrem-se, caros alcaides, de que quantidade não significa qualidade. PESCA LIBERADA

»»Governo de MT obtém decisão jurí-

dica favorável em relação à piracema.

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FOTOS: DIVULGAÇÃO


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FRASES

RUA DO RASQUEADO

»»O músico nativista Guapo vai realizar

o projeto Rua do Rasqueado, tradicional evento cultural que tem mais de 20 anos de tradição. Tem apoio decisivo do Secretário de Cultura, Leandro Carvalho.

A CULPA NÃO É DA CRISE

»»No dia 09/02, a Banda Sinfônica do Es-

tado de São Paulo foi extinta pelo governador Alckimin., sendo demitidos todos os músicos, inclusive o maestro. Criada em 1989, pela Secretaria Estadual de Cultura, a orquestra é uma das principais do país, com excelência e reconhecimento internacional. A justificativa do ato foi a realocação de recursos para área social.

“Viemos prestar solidariedade” DISSE O GOVERNADOR PEDRO TAQUES, EM VIAGEM À CAMPO NOVO DO PARECIS, SOBRE OS ESTRAGOS QUE A CHUVA FEZ NO MUNICÍPIO, DESALOJANDO 3.000 MORADORES. (SITE RDNEWS, 12.02. - 14H:51). “Não há doença que levará Mato Grosso à morte” FRASE DITA PELO MINISTRO DA AGRICULTURA, BLAIRO MAGGI, REBATENDO CRÍTICAS DE QUE O ESTADO ESTARIA “QUEBRADO”. (SITE MIDIANEWS - 11.02.2017 - 14H29) “Sou candidata à reeleição em 2018” DISSE A DEPUTADA JANAÍNA RIVA, NO SITE MIDIANEWS, EM 12.02.2017 - 14H00 “O meu ideal político é a democracia, para que todo homem seja respeitado como indivíduo e nenhum venerado”. ALBERT EINSTEIN, FÍSICO ALEMÃO

“COM A VELOCIDADE DE AVIÃO” »»Termo usado pelo presidente da Assembleia Legislativa de MT, deputado Botelho (PSB), ao referir-se à forma que o governador Pedro Taques (PSDB) deverá entrar na disputa à reeleição ao governo de MT, em 2018. A frase foi dita ao jornalista Paulo Coelho, em entrevista ao programa radiofônico, Jornal da Capital, em 8 de fevereiro, as 8h,33min. Esse programa, de grande audiência, é dirigido pelo jornalista e radialista Antero Paes de Barros, que ressaltou a fidelidade do parlamentar ao governo, ao qual, é alinhado politicamente.

“Hoje é sempre o dia certo, de fazer coisas certas, da maneira certa. Depois será tarde”. MARTIN LUTHER KING, RELIGIOSO E ATIVISTA POLÍTICO AMERICANO “O futuro dependerá daquilo que fizermos no presente”. MAHATMA GANDHI,  LÍDER PACIFISTA INDIANO

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E N T R E V I S TA ESPECIAL

Lume na Cena Contemporânea À luz da cena e ao lume da alma com Marília Beatriz de Figueiredo Leite. Carioca de nascimento e matogrossense de alma e coração, Advogada de formação, especialista em direito pela UFMT, Mestre em Comunicação e Semiótica pela PUC de São Paulo, professora aposentada da UFMT, Presidente da Academia Matogrossense de Letras, ativista cultural, escritora, atriz performer e diretora teatral. Com vocês: A MATRIARCA DA CENA! POR CARLOS FERREIRA*

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PROFESSORA MARÍLIA BEATRIZ É POSSÍVEL FAZER UM UM BREVE RESUMO DO REBENTO DO SEU PERCURSO NA CENA TEATRAL? »»Muito cedo fui levada para a cena. Pelo fato de ser extremamente tímida, minha mãe Nilce, pessoa sensível e amorosa, entendeu que devia me colocar no caminho da arte declamatória. E me veio uma sensação de plenitude! Naquele tempo desabrochou o sentido da arte em minha vida. Ainda levada por minha mãe e já vivendo no Rio de Janeiro comecei a frequentar as Óperas e os “Concertos para a Juventude” aos domingos, no Teatro Municipal. Como minha mãe tinha um gosto apurado, me apresentou para as peças de teatro recheadas com grandes atores e atrizes como Sérgio Brito, Ítalo Rossi, Maria Della Costa, Cacilda Becker, Teresa Raquel e muitos outros.

COMO FOI O SEU CONTATO COM AS PERSONALIDADES DO UNIVERSO TEATRAL CARIOCA, COM OS QUAIS TEVE AULAS, ATUOU E TRABALHOU COMO PRODUTORA CULTURAL? »»Começando meus passos no teatro no Rio de Janeiro, tive a felicidade de tomar contato mais aprofundado com Sergio Brito e Bárbara Heliodora e tive conversas que muito me enriqueceram com os dois. Com Bárbara Heliodora as conversas, a maior parte das vezes, giravam em como olhar criticamente para os espetáculos. Ela sempre destacava a direção e as adaptações que eram realizadas. Lembro perfeitamente de como ficava profundamente desgostosa com as adaptações que entendia não corresponder ao esperado. E dizia: “Melhor seria não fazer e nem tentar, pois acaba estragando o texto original”. Pior quando a peça era de

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MARÍLIA BEATRIZ NA POSSE DA ACADEMIA

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E N T R E V I S TA ESPECIAL Shakespeare. O mundo vinha ABAIXO se a adaptação não fosse adequada. Em relação a Sergio Brito toda a minha tarefa foi aprender sobre interpretação e direção. Em ambas, ele era “BAMBA”! Com ele APRENDI que dirigir é uma levada de técnica e emoção. O diretor tem que estar atento as intenções dos textos, tensões dos intérpretes e a construção dentro da moldura, seja palco italiano ou não. FALE UM POUCO DA SUA EXPERIÊNCIA TEATRAL, NA REALIZAÇÃO DE PROJETOS SOCIOCULTURAIS COM D. HELDER CÂMARA NO RIO DE JANEIRO. »»Fiz um trabalho com D. Helder Câmara, que trouxe tesouros para a minha alma, na tentativa de reabilitar, via arte cênica, os moradores da Cruzada São Sebastião. A existência des-

DOM HELDER CÂMARA

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se conjunto habitacional em plena Zona Sul carioca incomodava muito os residentes das redondezas, pelo fato de abrigar ex-favelados. Encenamos a Paixão de Cristo dentro de uma Igreja que ficava em frente a uma Delegacia de Polícia e depois fizemos um Festival de Arte e lá, conseguimos reunir Elsa Soares, Norma Benguel entre outros nomes que brilhavam na cena carioca e nacional naquela época. Com tais realizações acabamos construindo saídas para muitos do mundo do crime ou das contravenções. Tive o prazer de saber, tempos depois, que um dos atores que havia atuado na montagem da Paixão de Cristo, estava já trabalhando com o prestigiado grupo americano do Living Theater. COMO FOI A SUA VINDA PARA CUIABÁ,

MATO GROSSO E A SUA INCURSÃO PELO TEATRO AQUI NA CAPITAL? »»Ao mudar para Cuiabá, fui logo chamada pela Professora, naquela época Irmã, Theresinha de Arruda para fazer teatro no Colégio Coração de Jesus. Tive receio, mas foi outra tarefa que só me trouxe alegrias. Com ela, tive a oportunidade de fazer no Colégio de Aplicação (PUC/SP), aulas com o renomado Clovis Garcia, montando inclusive um esquete, o que acabou por colocar em mim, as verdadeiras formas de criar as cenas teatrais. Tomei a direção de duas peças no Colégio e logo na primeira que foi uma adaptação de um poema de Afonso Romano de Sant’Ana, foi intitulada “A palavra - o Homem e o Objeto”e, com ela, participamos de um Festival de Teatro na cidade de Campo Grande, hoje capital de Mato Grosso do Sul. Quando foi anunciado o Getehum de Cuiabá, fomos vaiados. Pensei: o meu povo não vai aguentar levar o espetáculo até o fim e, para minha surpresa, fomos ovacionados de pé, pelo público. No mesmo Festival, Glória Albues foi premiada como melhor atriz, a peça recebeu o 3° lugar e ainda recebi premiação como a melhor coreografia, coisa que até hoje não entendo. Em seguida no mesmo estabelecimento montei “Poluição, Poluição Galáxia 13” que


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era uma sátira, pois aqui chegavam seres de outros planetas e não entendiam fila de ônibus e tantas outras coisas que inexistiam no planeta deles. Depois fui convidada, àquela época, pela Escola Técnica Federal e realizamos no palco do Teatro daquela renomada escola, a apresentação da peça, dramatizada e escrita coletivamente pelos alunos, que contava a história de Cuiabá em seus começos. Espetáculo que encheu de orgulho os que assistiram e que ensejou outras atividades na mesma instituição. COMO FOI A SUA TRAJETÓRIA DE PRODUÇÃO TEATRAL NA UFMT? »»Já na UFMT e com a imprescindível colaboração do saudoso Professor Alcides José de Moura Lot, foram montados alguns espetáculos. Um deles, “Amazônia 2000”, participou de um projeto da Funarte, o “Mambembão”, se apresentado em cinco capitais brasileiras. E outros entraram em Circuito Universitário. Os alunos mostraram “Cuiabá, Cuiabá” nossa cidade, em vários locais do Brasil: Espírito Santo, Rondônia, Belo Horizonte, além do Rio de Janeiro, entre outros! Na UFMT fui responsável pela direção do Teatro Universitário e participei ativamente da inauguração do mesmo. Conduzi Tônia Carrero que falou sobre a im-

BARBARA HELIODORA

portância daquele evento. E assistimos ao espetáculo “Macunaíma” com a direção de Antunes Filho, encenador de primeira. Lá dirigi “Fragmentos” texto adaptado de um poema de minha autoria, com interpretação de Carlos Ferreira, Claudete Jaudy, Luiz Carlos Ribeiro, Amaury Borges, Wagton Douglas e participação das filhas das Professoras Maria

Lucia e Tânia, ambas do Departamento de Artes da UFMT, entre outros. Apoiei a encenação dos “Autos da Barca” dirigidos pelo Professor Leônidas Querubim Avelino e, ainda, ofertei alguns cursos com ênfase em história da dramaturgia e interpretação. Nessa oportunidade, trouxe o Professor, Reinaldo Cotia Braga, de Brasília, que deu um curso inovador.

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E N T R E V I S TA ESPECIAL quistaram a minha admiração. Entre eles, destaco os trabalhos de Sandro Lucose, Luiz Carlos Ribeiro, Glória Albuês, Carlos Ferreira, Juliana Capilé e Tatiana Horevicht, Liu Arruda e Vital Siqueira. Quero deixar minhas homenagens a quem tem feito muito pelo teatro, como Ivan Belém e Luiz Marchetti.

SÉRGIO BRITO

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PROFESSORA MARÍLIA BEATRIZ, DE QUE MANEIRA VOCÊ NOS FALA SOBRE OS ATRIBUTOS NO CONTEXTO TEATRAL? »»Entendo que o teatro deve acompanhar o tempo, a época e mostrar as singularidades do humano com suas contradições e suas excentricidades. Como foi na tragédia grega, com Sófocles ou com Shakespeare, ou com Brecht e entre nós, com Nelson Rodrigues e Amir Haddad. Entendo que é preciso acolher todas as manifestações teatrais, pois é assim que a dramaturgia está encantada. Dos clássicos até os contemporâneos, da arena ao palco italiano, tudo deve ser abarcado pelo olhar tarefeiro de quem faz teatro. Penso assim, pois na prática, o teatral possui características tão diferentes e técnicas, tão variadas, bem como proces-

sos ecléticos que combate qualquer rotulação. Imagino que o que importa, no contexto teatral, sejam os seguintes atributos: pensamento, memória e emoção. Vamos verificar que o pensamento em certo sentido deve estar manifestado no texto e, os dois outros atributos, têm muito mais a ver com a corporalidade dos atores. E vejo que, fisgando tais atributos no campo teatral, rasgo e combato o realismo vulgar. É POSSÍVEL ENTÃO, TRABALHAR O PENSAMENTO, A MEMÓRIA E A EMOÇÃO, SEM SE RENER À CENA MEDÍOCRE NO TEATRO CONTEMPORÂNEO? »»Dias Gomes, interessante autor da cena brasileira, não se rendeu à cena medíocre e preferiu muitas vezes, a tela da TV. E isso aconteceu com muitos aqui entre nós. Alguns exemplos con-

O QUE LHE INTERESSA ENQUANTO CONCEPÇÃO TEATRAL E DEQUE TIPO DE CONCEPÇÃO VOCÊ FOGE? »»O que neste momento interessa à minha concepção teatral são as possibilidades de uma invenção cênica que não se contamina pelos vícios dos palcos, dos textos, das interpretações pontuais. O que busco são inovações: fujo dos enredos que precisam ser demonstrados, quero um escape total dos textos especiais, pesco nas aventuras literárias-crônicas, poemas ou simples pensamentos - momentos de aguda interpretação. O que importa são as forças memoriais e de emoção que jorram dos intérpretes. Unido a isso, torno importante os movimentos físicos, som, luz, momentos improvisados e circunstâncias acidentais que, apresentados em sua totalidade, estruturam o que edifica uma nova peça, possivelmente com um signo diverso. E A INSPIRAÇÃO, ESTÁ INCLUSA EM SUAS INVENÇÕES? »»É algo que paira acima de tudo isso e é importan-


COMO VOCÊ EXEMPLIFICARIA ISSO? »»Percebo isso, na concepção do grupo, Os Crônicos. O que importa nesse grupo é que eles abraçam as manifestações menos teatrais, isto é, deixam o texto teatral de lado e buscam o literário para as suas invenções. Constroem assim, uma INSERÇÃO CÊNICA, QUE NADA MAIS É DO QUE DAR MOVIMENTO, INTRODUZIR ACASOS, ELEMENTOS QUE, NÃO SÃO ESPERADOS NUM ESPETÁCULO PRONTO. O PÚBLICO DEVE SER SURPREENDIDO, SER APANHADO POR UM SENTIMENTO DE APREENSÃO DE OUTRA DIMENSÃO. O

QUE IMPORTA NO CONTEXTO DAS INSERÇÕES É A AVENTURA, A MEDIDA MESMA DA CAPTURA DOS COLETIVOS: PÚBLICO, APANHADOS EM OUTRAS CENAS ARTÍSTICAS, ETC. CREIO MESMO, QUE OS CRÔNICOS NECESSITAM DE MAIS APROXIMAÇÕES COM OS ACASOS E OS ACIDENTES, PORQUE ISSO VAI FACILITAR O INTERCÂMBIO DOS ATORES COM O PÚBLICO. Gordon Craig é fundamental para que entendamos a importância de deixar de lado a palavra escrita, puramente teatral, para sobrelevar o ESPETÁCULO. VOCÊ CARREGA NA SUA BAGAGEM TEATRAL A GENE SANGUÍNEA DE GERVÁSIO LEITE. COMO VOCÊ DESCREVERIA ESSA HERANÇA, RECEBIDA DE UM PAI-HOMEM-CIDADÃO À FRENTE DE SEU TEMPO? »»O meu sangue é tão pleno que a minha incompletude como Marília Beatriz de Figueiredo Leite, filha de Gervásio Leite é SAGRADA e SECRETA, como deve ser qualquer incompletude. É difícil saber em que momento libero o viés Gervasiano e em qual outro preencho meu espírito e minha carne com a criatividade lançada no mundo por meu pai! Só percebo que a maioria das vezes, vou ao encontro da voz inconfundível da herança paterna, pensando que meus desacertos ficam menores.

Cultura é exatamente isso, não estar certo de nada e ir sempre adiante em busca...

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te falar: INSPIRAÇÃO! Muita gente pensa que falar de inspiração é algo fora de moda, desimportante e insípido. O fato é que, ela existe, tal como existem acessórios e artefatos cênicos. A primeira fase da inspiração é uma espécie de assombro, aquela qualidade quase inexprimível como surge na semiótica: o ícone. A outra fase é do pressentimento da inspiração. Trata-se de uma visão instantânea que se converte numa vibrante e rápida apresentação. A primeira tem a ver com o texto, e a segunda, com o trabalho do ator. O ator colhe suas vibrações e joga diante do público e a cada apresentação pode burilar sua aparição.

COMO VOCÊ ENCERRARIA AS SUAS “TRAVESSURAS” TEATRAIS? »»E assim dou por encerrada as minhas travessuras no seio do teatro na esperança de que eu possa continuar a mirada mais longa, para isso que chamo de INSERÇÃO CÊNICA e que acredito que possa mudar qualquer possibilidade da mesmice. E como disse meu pai GERVÁSIO LEITE: “NOSSA MISSÃO AQUI EM MATO GROSSO É BUSCAR O MELHOR SEMPRE E O MAIS ADEQUADO! SEM ARRISCAR, NÃO HÁ GRAÇA”!

CARLOS ROBERTO FERREIRA Mestre em Estudos de Cultura Contemporânea pela UFMT, ator e diretor teatral e professor efetivo de arte da rede pública de ensino de Mato Grosso. Contato: E-mail: robertoferreiera. cultura@gmail.com Facebook: Carlos Roberto Ferreira

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ECONOMIA

FOTO: MAPA

Na Rússia, Novacki Intensifica Relações Comerciais do Agronegócio 18


E explicou que “os resultados são alcançados sem o uso de subsídios, que tanto alavancam o abismo entre países desenvolvidos e em desenvolvimento”. O Brasil, afirmou Novacki, investe em políticas de financiamento e de acesso ao crédito com cobrança de juros mais justos e de fácil acesso, acrescentando que “as premissas que levam à alta produtividade e à inclusão social estão também alicerçaras em políticas para o pequeno e médio produtor, por meio do crédito, cooperativismo e assistência técnica. Muitos pequenos e médios produtores já estão inseridos no mercado internacional, o que ajuda a garantir estabilidade no fornecimento de produtos”, assegurou. O secretário visitou no dia 8 de fevereiro a ProdExpo, principal feira local do setor de carnes e lácteos. Esteve com expositores brasileiros, quando também recebeu a visita do vice-ministro Gromiko. “Rússia e Brasil são países que valorizam seus parceiros comerciais e buscam a reciprocidade”, disse Novacki. Segundo afirmou, o governo brasileiro deverá desenvolver ações para abrir novas oportunidades de comércio bilateral. Na véspera, liderou encontro com a Organização da Rússia de Negócios, entidade que congre-

ga produtores, exportadores e importadores. Da delegação do Mapa, participaram o secretário de Defesa Agropecuária, Luis Rangel, o secretário substituto de Relações Internacionais, Alexandre Pontes, representantes de exportadores brasileiros, da embaixada do Brasil em Moscou e da APEX. Ficou acordado que, por meio do adido agrícola do Mapa em Moscou, brasileiros poderão fazer contatos para maior aproximação com os russos. E a Organização da Rússia de Negócios possui relação com os órgãos oficiais e capacidade para auxiliar em questões de segurança jurídica e regulatória e também de operações bancárias de comércio exterior. O comércio entre Brasil e Rússia está concentrado em exportações brasileiras de grãos, carne e lácteos e, em importações, de fertilizantes com a balança comercial próxima do equilíbrio, de acordo com Alexandre Pontes. Para Novacki “a pauta precisa ser diversificada e ampliada a fim de intensificar o comércio, pois exportações e importações geram riquezas, renda e empregos”. O secretário acrescentou que “o governo tem o papel de ser um facilitador e removedor de barreiras”, mas disse que “quem faz comércio são as empresas produtoras”.

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m missão, que realiza na Rússia para ampliar o comércio bilateral, o secretário executivo do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Eumar Novacki, obteve do governo daquele país a promessa de manutenção do fluxo de comércio de grãos, carnes e lácteos do Brasil. E ouviu de Evgeny Gromiko, vice-ministro russo da Agricultura, sobre o interesse deles em fornecer trigo e carnes bovina e de aves. Gromiko deverá vir ao Brasil, em abril ou maio, e junto com representação do ministério conduzir a reunião do Comitê de Agricultura Brasil - Rússia, que acontecerá nessa data. O foco, de acordo com Novacki será “a remoção de barreiras, para intensificar o comércio e a atração de investimentos”. Novacki tem informado nos encontros oficiais com representantes de governo e também a importadores e investidores russos que o sistema produtivo brasileiro é baseado na preservação ambiental, na sustentabilidade, na qualidade e segurança sanitária e fitossanitária. O secretário apresentou o programa Agro+, implantado desde o ano passado e que tem contribuído para desburocratizar o agronegócio e aumentar a competitividade dos produtos do setor.

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ECONOMIA

Produtividade = Genética + Nutrição + Sanidade + Manejo POR PAULO DE TARSO FOTOS NICK SARBACKER

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stava em conversa com um produtor, sediado na região oeste do Mato Grosso, onde ele me comentava como produzia seu leite: à pasto e com mineral. Tudo bem, até ele me dizer que usava uma formulação com 80g de fósforo para todo o rebanho, de mamando a caducando. E sua produção média era de 7kg de leite por dia. Senti um aperto no peito e pensei: como nos dias atuais um produtor de leite ainda comete falhas básicas no seu sistema de produção. Levando a resultados econômicos pífios e em consequência, desmotivação do empreendedor rural à atividade. A produtividade, que é o quanto o produtor realiza pela unidade de área (hectare) na unidade de tempo (ano),é o resultado de uma grande equação: a soma do uso de genética adequada;a soma do fornecimento quantitativo e qualitativo de alimentos (volumoso, minerais, concentrados proteicos e energéticos, água, vitaminas e minerais); a soma de prevenção de

doenças (vacinas, cura de umbigo, uso de probióticos aos recém-nascidos, limpeza de úbere, etc) e a soma de manejo do rebanho com o foco na categoria e aptidão (produção de carne ou leite). Com o acelerado melhoramento genético dos bovinos, os níveis de produtividade têm se elevado continuamente. Em razão disso, os profissionais da área de produção e nutrição animal, estamos colocando à disposição dos produtores, tecnologias e assistência técnica na nutrição, na genética, na saúde e no manejo do rebanho, buscando uma melhor conversão alimentar, desenvolvimento saudável dos animais, máxima produção de leite e saúde do rebanho, antecipando o abate no gado de corte e estabelecendo condições corporais ideais para a fase de cobertura e possibilitando uma melhor seleção de animais para reposição ou para venda. Aí recebo um informe técnico da Semex, me comunicando sobre a Gigi EX-94. Uma vaca com 9 anos de idade, que supera a média de 92 kg de leite por dia. É a recordista mundial de produção de leite. Fantástica marca! É, este início de ano me surpreendeu.

PAULO DE TARSO Zootecnista pela UFSM-RS, especialista em produção e nutrição de ruminantes pela UFMT, premiado pelo CRMV-Z / MT “Zootecnista do Ano” em 2010 e 2012. Coordenador no programa MT Regional, instrutor no SENAR-MT, gestor técnico/comercial de empresas de nutrição e diretor da PlannerZoot, empresa de genética animal (SEMEX DO Brasil) e de nutrição de plantas (PRIME AGRO). Contato: zootpaulodetarso@gmail. com (65) 3682-1346 | 9604-8162

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ESPECIAL

É Hora de Dar um Basta

Com violência sexual de crianças e adolescentes não se brinca

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POR TEREZINA FÁTIMA PAES DE ARRUDA*


lumeMatoGrosso FOTO: ARCS MANAWATU

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enda-se, como eu me rendi. Mergulhe no que você não conhece como eu mergulhei. Não se preocupe em entender, viver ultrapassa qualquer entendimento.” Clarice Lispector

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ESPECIAL

Esta reflexão baseia-se no pressuposto de que crianças e adolescentes podem ter destinos diferentes se suas trajetórias de vida não forem marcadas por violências, sobretudo, pelo abuso sexual. Os pensamentos angustiados dos seres humanos que militam neste campo, no qual me incluo, voltam-se para alguns fatos cotidianos como: crianças e adolescentes convivendo nos dias de hoje com a influência da televisão e de novas tecnologias, com

FOTO: JR MANUELIAN’S

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a violência juvenil, a violência urbana e sexual, em uma sociedade em que a exclusão social atinge uma parcela significativa de brasileiros. Esta realidade remete às indagações: a sociedade sempre foi assim? Quando crianças e adolescentes deixarão de ser objeto para se tornarem sujeito de direitos? Quais foram os passos e entraves desse processo? O que a família, a sociedade e o Estado têm feito para protegê-las? Quais são as políticas de atenção social


vimento que vai do nascimento, ou seja, do zero aos doze anos de idade, conforme o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA/1990), pois considera-se como criança a pessoa com até doze anos incompletos, enquanto que entre os doze e dezoito anos encontra-se na adolescência. A infância é a fase da vivência e percepção do mundo, a partir do olhar, tocar, saborear sentir e agir. Tudo isso faz parte do universo infantil. Philippe Ariés, historiador francês, problematiza o conceito infância dizendo que na Idade Média, no início dos tempos modernos e por muito tempo ainda nas classes populares, as crianças misturavam-se com os adultos assim que eram capazes de dispensar a ajuda das mães ou das amas poucos anos – depois de um desmame tardio – ou seja, aproximadamente aos 7 anos de idade. A partir desse momento ingressavam imediatamente na grande comunidade dos homens, participando com seus amigos jovens ou velhos dos trabalhos e dos jogos de todos os dias. O movimento da vida coletiva arrastava em uma mesma torrente as idades e as condições sociais, sem deixar a ninguém o tempo da solidão e da intimidade. Dessa maneira, percebe-se que não havia distinção entre o mundo adulto e o infantil. As crianças viviam em meio ao universo adulto, cêntrico e falavam e se vestiam como os adultos. Além disso, todos os assuntos eram discutidos na sua frente, inclusive participavam de jogos sexuais. As crianças eram preparadas e transformadas em homens, sem passar pelas etapas da juventude. Hoje sabemos que a criança é um ser dotado de particularidades e cuidados especiais, principalmente um sujeito de direitos, historicamente adquiridos. Crianças e adolescentes tornam-se visíveis e tratadas de forma desrespeitosa. De acordo com o ECA, não mais se admite que crianças e adolescentes sejam vítimas de violência, negligência e opressão. A violência é uma forma de expressão das relações sociais e sua manifestação tem caráter plural com determinações variadas. Portanto, não é autoexplicável. Conceituar violência tem alto grau de dificuldade,

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que protegem crianças e adolescentes? São essas indagações que elenco e, por participar deste processo histórico, procuro olhar atenta-mente o passado para enxergar o hoje e fortalecer a luta pelos direitos humanos da criança e do adolescente, vítimas da violência sexual neste país. O interesse pessoal pelo tema vem da militância no movimento social de enfrentamento à violência sexual de crianças e adolescentes. A infância é um período de desenvol-

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ESPECIAL

FOTO: REPRODUÇÃO

pois existem inúmeras maneiras de defini-la. O historiador e sociólogo Yves Michaud, em produção literária de 1989, traz algumas definições, dentre elas o conceito etimológico: violência significa usar a agressividade de forma intencional e excessiva para ameaçar ou cometer algum ato. a violência se manifesta de diversas maneiras. A violência sexual ocorre desde muito tempo, numa relação de poder, ultrapassando os limites dos direitos humanos, legais, de poder e de regras sociais e familiares, sendo que a criança e o adolescente passam por um processo de desumanização, ou seja a criança torna-se um objeto para satisfazer o desejo do outro. Dentro deste contexto existem várias formas de expressão da violência: a intrafamiliar contra crianças e adolescentes, violência física, violência sexual, psicológica. Portanto, destaco, que a família apresenta-se como o primeiro grupo em que os seres humanos são inseridos e, por isso, representa o principal responsável pelo processo de socialização dos indivíduos. A violência praticada no

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meio familiar é denominada como violência doméstica. Assim, todo ato ou omissão praticado por pais, parentes ou responsáveis contra criança e/ou adolescentes que – sendo capaz de causar dano físico, sexual e/ou psicológico à vitima – implica, de um lado, numa transgressão de poder/dever de proteção do adulto e, de outro, numa coisificação da infância, isto é, numa negação o direito que criança e adolescentes têm de ser tratados como sujeitos e pessoas em condição peculiar de desenvolvimento. Podemos fazer uma reflexão afirmando que o adulto, constantemente com suas atitudes, deprecia a criança, causa tortura psicológica e, muitas vezes, causa-lhes grande sofrimento mental. Com isso, construímos adultos medrosos, inseguros, agressivos, resultado dos tipos de violência sofridos na infância. A violência sexual é considerada um problema de saúde pública, que ocasiona sérios prejuízos para as vítimas, envolvendo aspectos psicológicos e sociais. O problema é agravado pelo medo e vergonha


lumeMatoGrosso FOTO: JENALYN VILAMARIN

das vítimas que, indefesas, sofrem abusos e violências por um longo tempo. Quando finalmente criam coragem de denunciar o abusador, padecem pela pressão da família e de pessoas próximas, que muitas vezes desacreditam em suas versões, e quando não acusam de terem “provocado” os abusos ou violências. Sabemos que somente através de denúncias que poderemos enfrentar o problema, pois a omissão, além de permitir a continuidade do abuso e a impunidade do agressor, favorece a perpetuação dos crimes e produz vítimas com perturbações de toda ordem que, futuramente hão de possuir e acarretar mais problemas para toda a sociedade. E por entendermos que este relevante tema deve ser debatido por toda a população, para que autoridades, educadores, religiosos, pais, médicos, assistentes sociais, psicólogos e outros estejam aptos a identificar os sinais e sintomas do abuso ou da agressão, com a finalidade de socorrer e tratar as vítima, bem como denunciar, responsabilizar e punir o abusador ou o agressor.

Muitas vezes a criança ou o adolescente não sabe ou não tem certeza de que estão sofrendo abuso ou violência sexual, pois na maior parte dos casos os abusadores são conhecidos das vítimas e se aproveitam desta proximidade para ganhar a confiança delas, fazendo brincadeiras, oferecendo doces, brinquedos, fazendo companhia, razão pela qual as vítimas possuem geralmente grande afeição pelo abusador, o que dificultam as denúncias. A implementação de políticas públicas de atendimento às vítimas, a realização de cursos periódicos de capacitação para todos os profissionais responsáveis pela atuação e atendimento à crianças vítimas de abuso e violência sexual são fundamentais. Para a defesa dos direitos da criança e do adolescente, o ECA pressupôs a necessidade de um conjunto de atores articulado sob a forma de um Sistema de Garantias dos Direitos, o qual é integrado por Conselhos, Poder Judiciário, Poder Executivo, dentre outros. Além disso, institui o Conselho Tutelar, Artigo 131, órgão que tem a função precípua

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ESPECIAL

EXPOSIÇÃO DE CARTAZES PRODUZIDOS POR CRIANÇAS E ADOLESCENTES DE CENTROS SOCIOEDUCATIVOS EM BRASÍLIA FOTOS: SECRETARIA DOS DIREITOS HUMANOS

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jeto de qualquer forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade ou opressão, punindo na forma da lei qualquer atentado, por ação ou omissão, aos seus direitos fundamentais. No enfrentamento da violência sexual contra crianças e adolescentes, são colocados grandes desafios para toda sociedade, principalmente no que diz respeito à consolidação do ECA. A violência contra crianças e adolescentes é uma das expressões da questão social que reforça a desigualdade social. Após a promulgação do ECA, crianças e adolescentes tornam-se sujeitos de direitos e deveres civis, humanos e sociais e passam a ser considerados cidadãos em desenvolvimento que têm direito à proteção e a segurança em seu universo. Precisamos refletir sobre a importância da família em seu contexto histórico para se entender os elementos que contribuíram para que se chegasse à situação de violência. A violência sexual desorganiza a vida das pessoas envolvidas, realidade ainda vivenciada em nossa sociedade. Por isso, se faz necessária a mobilização por parte do Estado, da sociedade e da família em garantir que os direitos estabelecidos sejam realmente efetivados a partir de serviços que busquem o atendimento a essas vítimas. Dessa maneira, busca-se superar a situação vivenciada, estabelecendo um trabalho articulado e multidisciplinar que garanta que essa criança ou adolescente seja atendido em todos os aspectos e meios que os envolvem, assim como a preocupação em restabelecer e fortalecer os vínculos familiares. Violência contra crianças e adolescentes é algo que merece uma maior atenção por parte de toda a sociedade. Trata-se da violação de direitos que sujeitos que se encontram em situação de pleno desenvolvimento. Com violência sexual de crianças e adolescentes não se brinca! (*) Terezina Fátima Paes de Arruda é Mestre em Serviço Social e Coordenadora do Curso de Serviço Social do Univag – Centro Universitário de Várzea Grande

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de zelar para que a criança e o adolescente não tenham seus direitos violados e, caso isso ocorra, que se disponha de mecanismos ágeis para os encaminhamentos das situações em que ocorreu a violação. Cabe ao Estado proporcionar Políticas Públicas de Atendimento às vítimas, com o objetivo de amparar as famílias que tiveram seus direitos violados. Como resultados, a potencialização de suas capacidades de proteção aos seus membros, fortalecimento da autoestima dos indivíduos e de suas famílias para que haja possibilidade de reinserção dos membros na sociedade para enfrentamento da realidade munida com seus direitos. Também propiciará a contribuição para o fortalecimento da família no desempenho de sua função protetivo, processar a inclusão das famílias nos sistemas de proteção social e nos serviços públicos, conforme necessidades, contribuir para restaurar e preservar a integridade e as condições de autonomia dos usuários. No Brasil, as ações de enfrentamento à violência sexual se intensificaram após a criação do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), Lei Federal nº 8.069, criada em 13 de julho de 1990, dando mais visibilidade e fortalecendo ações sobre a violência sexual no âmbito doméstico. O ECA tem como base o princípio da propriedade absoluta às crianças e aos adolescentes. É considerada uma das mais avançadas do Brasil, pois trouxe uma nova referência da proteção integral, introduzindo na sociedade brasileira obrigações ao Estado e à sociedade civil, garantindo, assim, um novo trato de direitos e deveres às crianças e aos adolescentes. O ECA determina garantias contra toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão. Dispõe que o abuso sexual e violência em crianças e adolescentes devem ser de notificação obrigatória, havendo apuração de responsabilidade para aqueles que se omitirem, estando os mesmo sujeitos às penalidade legais. Em seu artigo nº 5, determina que nenhuma criança ou adolescente será ob-

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SAÚDE

Muito Mais Que um Sorriso, o Equilíbrio de Todo o Organismo 30

FOTO FREEPIK.COM


medicinal da profissão, a fim de ultrapassar o conceito estético constantemente associado ao sorriso. Ao ir além da simples troca de material e correções pontuais, o trabalho desempenhado por ele e sua equipe do Instituo Machado trazem um tratamento humanizado, firmado em estudos específicos que avaliam o paciente de maneira conjunta. “Enquanto a odontologia brasileira geralmente trata a relação paciente-médico pela ótica puramente comercial e estética, cremos que não é possível realizar qualquer tratamento sem uma avaliação plena de sua saúde. Uma vez que compreendemos o que gerou tal disfunção bucal, o profissional responsável se torna capaz de trazer todo o equilíbrio para o corpo do paciente, corrigindo além do problema aparente que, normalmente, é consequência de um desregulamento muito mais complexo que a simples dor de dente, respiração ou mastigação”, afirma o dentista. Avaliando a estrutura bucal como parte do sistema estomatognático, que engloba toda a cabeça, o pescoço e possui como característica constante a participação da mandíbula, o equilíbrio funcional vem para corrigir disfunções que resultam do mau funcionamento de toda esta parte do corpo humano. Ao invés de observar uma falha específica em um ou mais dentes, os estudos realizados ba-

seados neste conceito visam compreender com profundidade de que forma um problema segmentado pode estar gerando outras consequências como dificuldades respiratórias e deformação da musculatura. “Olhar para a saúde do rosto é muito mais que pensar que existe um sistema harmônico que, uma vez que apresenta um desequilíbrio – por menor que seja – é preciso ser corrigido em sua raiz e não em sua aparência. Criamos o conceito da Arquitetura da Face justamente por compreender, através de muito conhecimento e estudos biológicos, que a funcionalidade na saúde de todo o rosto possui efeitos transformadores. Ao realizarmos um atendimento com esse nível de profundidade, somos capazes de devolver a autoestima ao paciente em proporções avassaladoras. A odontologia funcional remodela a face, confere definições para a musculatura dando vida às maçãs do rosto e resulta em efeitos estéticos que naturalmente surgem a partir do regulamento apropriado das funções deste organismo. Pensar em odontologia não pode ser “pensar em dente”. É fundamental que a profissão trabalhe em prol do total funcionamento do paciente, devolvendo-lhe à plenitude de uma saúde completamente estável, em todos os âmbitos”, conclui Rosário Casalenuovo.

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m dos grandes desafios da odontologia atual é perceber que o corpo humano trabalha de forma ordenada. Acostumados a frequentar consultórios de dentistas para solucionar problemas pontuais como dor de dente ou até mesmo sua correção, por meio de aparelhos, os pacientes em geral não se atentam a um grande detalhe ligado ao seu sorriso: o funcionamento de todo seu organismo. E é pela busca do equilíbrio funcional que um antigo ‘novo’ modelo de odontologia tem se popularizado na Capital, a fim de garantir muito mais que belos dentes, mas sim também a perfeita harmonia em toda a face. Oriundo da Medicina Chinesa, o conceito do equilíbrio funcional por meio da odontologia observa o corpo humano não como uma máquina, mas como um organismo vivo, onde todas as suas partes se conectam para conferir o pleno funcionamento de todas as suas funções. Através do dente, é possível diagnosticar desequilíbrios que gradativamente podem afetar muito mais que o bem-estar bucal do paciente, comprometendo sua musculatura de forma muito mais ampla e até mesmo sua postura. Objetivando trazer a odontologia de volta à suas raízes biológicas, o dentista Rosário Casalenuovo Jr. tem resgatado a essência

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DESIGN DOS GUIMARÃES

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HOTEL MATO GROSSO ÁGUAS QUENTES

PROVAS 11 E 12 DE MARÇO INSCRIÇÕES

Aventura Outdoor

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» A corrida terá trajetos lindíssimos que percorrerão diferentes tipos de terrenos como asfalto, estrada de terra e trilha na mata. Subidas e descidas técnicas e um desnível muito grande. Com visual compensador a corrida irá passar por três cachoeiras. Realizada dia 12 de março pode ser feito em duas distâncias. Confira: • 10k + de 800 m de desnível acumulado • 21k + de 1350 m de desnível acumulado

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A alegria das famílias da Baixada Cuiabana que podem participar, de forma gratuita, de um final de semana de lazer, muita cultura e diversão é o principal resultado do Vem Pra Arena. Em nove edições, o evento já entrou para o calendário cultural de Mato Grosso e atraiu mais de 300 mil pessoas, movimentando a economia e o turismo da Capital.

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Organizado pela secretaria de Estado de Cultura de Mato Grosso (SEC-MT), desde a primeira edição, realizada em maio de 2015, o Vem Pra Arena foi recebido de braços abertos pela população. Nos últimos dois anos, o entorno da Arena

contou com uma programação variada e cheia de manifestações culturais e artísticas, da música ao audiovisual, passando pelo teatro, performances, dança, circo, literatura e economia criativa.


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O Vem Pra Arena também se tornou conhecido por trazer para Cuiabá grandes nomes da música nacional em shows que agradam a todos os gostos. Já passaram pelo palco as bandas Vanguart, Macaco Bong e O Terno, Almir Sater, Zeca Baleiro, Zélia Duncan, Lenine, Vanessa da Mata, Márcio de Camillo e Felipe e Ferrari, entre outros. Para os artistas regionais é uma

oportunidade única de mostrar que atrai milhares de pessoo seu trabalho para um público as do interior do Estado, tamdiversificado. bém ajuda o setor do turismo e a rede hoteleira, que oferece Além da programação artística descontos para quem se hose musical, o evento conta com pedar durante o evento, graças Feira Gastronômica e Feira de a uma parceria da SEC com a Artesanato, que contribuiu Associação Brasileira da Indúspara a geração de renda e na tria de Hotéis (ABIH) em Mato movimentação turística du- Grosso. rante o fim de semana de sua realização. O Vem pra Arena, Informe Publicitário

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trações culturais foram levadas pela Secretaria de Cultura de Mato Grosso (SEC) a cidadãos mato-grossenses que até então estavam fora do circuito de lazer e cultura do estado. Apenas no primeiro ano do projeto Circula MT, mais de 50 municípios receberam 300 ações culturais, como shows, espetáculos de teatro, exposições e atividades de formação. Os projetos culturais foram levados para os mais diversos locais, de cfidades a assentamentos rurais, quilombos, aldeias indígenas, teatros, praças, escolas, e centros culturais públicos. O Circula MT torna possível a apresentação de es-

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petáculos em lugares de difícil acesso, revelando a potencialidade da arte como instrumento transformador, e provocando a formação de uma rede de mobilização de artistas e parceiros.

Luís Segadas; as oficinas musicais “Conexões”, de Wellington Berê; o projeto “Tchapa e Cruz”, do rapper Linha Dura; o IP Dance, de Ipiranga do Norte; o Grupo Tibanaré, de Cuiabá; o Teatro Faces, de Primavera do Leste; além da circulação “Existe boa e farta produção de de exposições de Gervane de espetáculos esperando a opor- Paula, Márcio Aurélio e Watunidade de ganhar vida novamente e chegar a novos mu- nder Mello em diversos municípios. Reafirmamos nosso nicípios. compromisso com a democratização do acesso a cultura e a Em 2017, novos 34 projetos urgente necessidade de atingir artísticos de música, teatro, os extremos de nosso Estado”, dança, circo e artes visuais explica o secretário de Estado de Cultura, Leandro Carvalho. receberão apoio financeiro Entre cas iniciativas contem- para seu desenvolvimento. pladas na primeira edição estão a exposição “Eqüevo”, de


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Governo do Estado reabre espaços culturais históricos Ao longo dos últimos dois anos alguns tradicionais prédios da cultura mato-grossense foram reabertos, reestruturados, e entregues para uso da sociedade. Equipamentos culturais como o Cine Teatro Cuiabá foram reformados e reabertos ao público, enquanto atividades como o empréstimo de livros da Biblioteca Estadual Estevão de Mendonça e a retomada do Salão Jovem Arte, foram recebidos com entusiasmo pela população.

O Cine Teatro Cuiabá está novamente de portas abertas desde 2016 com novidades. Além das apresentações e eventos, o Cine Teatro também está se

tornando referência na área de educação com a criação da MT Escola de Teatro - centro de formação voltado para as profissões artísticas e técnicas relacionadas às artes do palco.

Em 2016, o Governador Pedro Taques instituiu que a partir deste ano, sempre no dia 19 de março, o município de Vila Bela da Santíssima Trindade passa a ser a sede do Governo do Estado. Em função disso, o Estado promoveu uma série de ações comemorativas e educativas no município. No dia 19 de março Vila Bela comemora 264 anos de emancipação política.

Como parte desta programação, para receber o Governador do Estado na mudança da capital para Vila Bela da Santíssima Trindade, a Secretaria de Estado de Cultura (SEC) realizou a restauração do Palácio dos Capitães-Generais. O prédio, tombado como patrimônio histórico do Estado, foi entregue à sociedade em março, no aniversário de 264 anos da cidade. A obra foi financiada pela Mineradora Apoena, localizada em Pontes e Lacerda.

Palácio da Instrução Revitalizado em 2004, o Palácio da Instrução passou por obras ao longo de 2015 para receber grandes exposições. A primeira delas foi um recorte da 31ª Bienal de São Paulo – Itinerância Cuiabá, que ocorreu pela primeira vez na região Centro -Oeste, em novembro de 2015. Mais de nove mil pessoas passaram pelo local ao longo de dois meses de exposição. Em maio de 2016, o Palácio da Instrução recebeu o Salão Jovem Arte Mato-grossense, um evento fundamental para o fomento das artes plásticas no Estado, cujas edições haviam sido interrompidas. Esta foi a 25ª edição do evento. Se as edições tivessem sido anuais e ininterruptas, o Salão estaria

em sua 39ª edição. Cerca de 40 artistas foram selecionados e apresentaram 83 obras nas categorias pintura, gravura, desenho, fotografia, vídeo-arte, arte digital, escultura e instalação.

adubada por ter surtido efeitos proveitosos na área”, observou a crítica de arte Aline Figueiredo, que é também uma das criadoras da mostra, cuja primeira edição ocorreu em 1976.

“O Salão Jovem Arte é um exemplo de estímulo às artes plásticas mato-grossenses. Revela talentos vindos de todas as partes de Mato Grosso e é uma s e m e n t e i ra que deve seraquecida e

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Biblioteca Estadual A maior biblioteca pública de Mato Grosso foi reaberta após mais de dez anos sem realizar a sua principal finalidade: o empréstimo de livros para a população cuiabana. Localizada no piso inferior do Palácio da Instrução, a Biblioteca Pública Estadual Estevão de Mendonça foi reapresentada à sociedade informatizada, modernizada e com amplo espaço para leitura,

auditório, telecentro e sala de nhecimento a diferentes regiões de Mato Grosso. digitalização. Além da consulta e empréstimo de livros, a Biblioteca oferece diversos cursos gratuitos à comunidade como braile, libras, informática para a terceira idade e espanhol e desenvolve, ainda, o projeto de Biblioteca Itinerante, que visa promover o incentivo à leitura e levar co-

Galeria de Artes Lava Pés

vos das artes mato-grossenses, Dalva tem em suas obras todos os elementos de uma grande artista. Com 350 metros quadrados de área, o local, de acesso livre, dispõe ainda de banheiros

masculino e feminino. A Galeria de Artes Lava Pés fica aberta para visitação do público de segunda a sexta, das 8h às 18h, com entrada gratuita.

Fotos GCOM MT

Localizada no piso térreo da Secretaria de Estado de Cultura (SEC), a Galeria de Artes Lava Pés é o mais novo espaço cultural do Estado, inaugurado com a exposição “Dalva de Barros 80 anos”, em 2015. Um dos nomes mais representati-

Biblioteca Estevão de Mendonça

Museu de História Natural A Secretaria de Estado de Cultura (SEC-MT) criou o Museu de História Natural de Mato Grosso com o objetivo de fomentar um centro de referência com foco nas áreas de

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Museu de História Natural

arqueologia e paleontologia com atividades variadas como exposições, oficinas, palestras, workshops, cursos variados voltados aos profissionais da área, estudantes e a sociedade

em geral. O museu está sendo instalado onde hoje funciona o Museu de Pré-História, na Casa Dom Aquino, na Avenida Beira Rio, em Cuiabá, que será integrado à nova instituição.


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ara fortalecer as artes cênicas em Mato Grosso, o Governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado de Cultura (SEC), criou, em 2015, o “Circuito de Festivais de Teatro de Mato Grosso”, integrando 7 festivais de teatro em diferentes regiões do Estado. A intenção é integrar as companhias teatrais, escentralizar o acesso a bens culturais, e ampliar e formar novas plateias.

Nas duas edições realizadas, em 2015 e 2016, dezenas de grupos regionais, nacionais e internacionais se apresentaram em 11 municípios, além de aldeias indígenas como as Pareci de Quatro Cachoeiras e Bacabal. Os festivais que integraram a programação são a Mostra Internacional de Teatro Infantil (Miti); Festival Humor do Mato; Festival de Teatro Velha Joana; Festival de Teatro da Amazônia Mato-Grossense; Festival de Teatro de Campo Novo do Pa-

recis (Femute); Festival Zé Bolo Flô de Teatro de Rua; e Encontros Possíveis - Núcleo de Pesquisas Teatrais. A cada edição, mais de quinhentos profissionais do setor, dentre atores, diretores, cenógrafos, igurinistas, e técnicos de diversas especialidades, stiveram envolvidos em aproximadamente uma centena de espetáculos apresentados quase sempre de forma aberta e gratuita.

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esde março de 2015 a Secretaria de Cultura de Mato Grosso vem realizando diversas ações comemorativas aos 150 anos do nascimento de Cândido Mariano da Silva Rondon, militar, desbravador e patrono das telecomunicações. A retomada das obras e entrega do Memorial Rondon, em Mimoso, local de nascimento do marechal, foi a primeira ação.

década da interrupção das obras. Para marcar este momento histórico, foram lançadas duas publicações, aberta uma exposição permanente e também inaugurada uma estátua em homenagem a Rondon do artista Frede Fogaça.

A exposição de inauguração do Memorial “Paisagens de Rondon” destacou o importante trabalho de resgate documental realizado pelo fotógrafo O Memorial foi inaugurado em Mário Friedlander. Ele percor2016 depois de mais de uma reu mais de 25 mil km entre

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Rondônia, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso, de carro, barco, avião e a pé, para recriar em fotografias alguns dos lugares por onde o marechal passou. A publicação ‘O Brasil pelos brasileiros: digitalização da produção científica da Comissão Rondon’, promovida pela SEC, recuperou 84 relatórios e foi finalista do prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade, promovido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) desde 1987.


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Rondon em Quadrinhos A história do Marechal Rondon também foi contada em quadrinhos. Produzido pelo Instituto Mau-

rício de Sousa, o livro As Aventuras de Rondon conta com a participação dos personagens da Turma da Mônica, abordando a história de Rondon de maneira divertida, lúdica, com uma linguagem de

fácil compreensão. A parceria do Governo do Estado com o Instituto também resultou no desenvolvimento de um guia de orientação ao professor, que será distribuído às escolas da rede pública estadual.

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alentos da literatura foram revelados pelo Prêmio Mato Grosso de Literatura criado pela Secretaria de Cultura (SEC-MT), em 2015, com o objetivo de reconhecer talentos e expoentes literários e apoiar publicações

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de jovens escritores. Com uma das maiores premiações literárias do País, ofereceu como recompensa na última edição o valor de R$ 30 mil para cada ganhador, totalizando R$ 300 mil em investimentos. “Este é o primeiro prêmio que

dá aos autores mato-grossenses o reconhecimento que é devido. O nosso olhar está levando o estímulo à literatura para todo o Estado. Previmos pelo menos metade dos prêmios para propostas do interior, com o objetivo de descentralizar os


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recursos e dar oportunidade fias”, de Gaudêncio Filho Rosa para todos”, conta o secretário de Amorim (Poxoréu); e “Rede Cultura, Leandro Carvalho. comendações de Anchieta”, de Alexandre Tarelow (AraputanNa primeira edição foram pre- ga). miados nove autores, com R$ 20 mil cada um. Entre as obras Com um total de 89 inscrições, premiadas estão o livro “Agnus a segunda edição do Prêmio Dei: no mar de água doce”, de Mato Grosso de Literatura Rui Matos, autor de Cuiabá. O se consolida como uma das romance vivenciado na déca- principais vitrines para os esda de 1930, no bucólico arraial critores residentes em Mato de Poconé, fundado em 1777, Grosso. Foram selecionadas 10 mostra uma grande paixão obras literárias que serão conque se fundiu aos mistérios da templadas com R$ 30 mil cada, maior planície alagada do Pla- totalizando R$ 300 mil em investimentos. neta. Também foram reconhecidas pela primeira edição do prêmio as seguintes obras: “Balaio Amarelo”, de Marilza Ribeiro (Cuiabá); “Liu Arruda, a travessia de um bufão”, de Ivan Belém (Cuiabá); “Não presta pra nada”, de Marta Cocco (Tangará da Serra); “Norte”, de Everton Almeida Barbosa (Tangará da Serra); “O último verso”, de Stefanie Medeiros (Cuiabá); “Prefeitos de Poxoréu: Biogra-

O 2º Prêmio Mato Grosso de Literatura é uma iniciativa do Governo de Mato Grosso, por meio da Secretaria de Estado de Cultura (SEC-MT), e faz parte do Plano Estadual de Cultura, que visa fortalecer e descentralizar as políticas públicas, fomentar a cultura de forma ampla por meio da promoção e difusão de iniciativas e incentivar a produção artística e cultural no estado.

Ao ampliar significativamente o número de obras inscritas (na primeira edição foram 58), bem como o valor total (de R$ 200 mil para R$ 300 mil), o Prêmio de Literatura se fortalece como vitrine e oportunidade para que os escritores coloquem suas obras no mercado.

10 obras selecionadas

• 2 em poesia • 2 em prosa • 4 em revelação • 2 em infantojuvenil

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Outros prêmios

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Secretaria de Cultura também idealizou os prêmios Territórios, Histórias em Quadrinhos e Grafite. O Territórios, criado para incentivar a inclusão em comunidades de baixa renda, contemplou em duas edições 24 projetos com R$ 900 mil. Na primeira edição cada um dos 15 projetos aprovados recebeu R$ 30 mil, enquanto no segundo Prêmio, em 2016, foram nove contemplados, que receberam o auxílio de R$ 50 mil, totalizando 450 mil de incentivos à atividade cultural por edição. Um dos projetos contemplados pelo Prêmio Territórios é do músico Éden Costa Barboza, do município de Poxoréu. Chão Violado: entre acordes e imagens – presente, futuro e passado tem como principal mote mostrar principalmente aos mais jovens a diversidade cultural do município. Já o Prêmio Quadrinhos MT foi

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criado em 2015 exclusivamente para estimular e apoiar financeiramente projetos de produção e publicação de histórias em quadrinhos. “Mato Grosso tem uma tradição na produção de quadrinhos que remonta a quatro décadas. A Secretaria de Cultura quer valorizá-la, já que histórias em quadrinhos são um importante instrumento de promoção do gosto pela leitura”, observa Leandro Carvalho, secretário de Cultura. Por fim, o Prêmio Grafite MT, foi lançado em julho de 2015 para fomentar a produção da arte do grafite no Estado, ampliar o espaço de atuação cultural da arte urbana e incentivar o desenvolvimento e formação artística de grafiteiros de todas as regiões. No total, foram selecionados 15 projetos de pintura artística em grafite, de tema livre, sendo oito destinados aos artistas do interior. Cada projeto foi beneficiado com um auxílio financeiro de R$ 6 mil.

O Prêmio Grafite valoriza também o enriquecimento das paisagens urbanas, e do cotidiano das comunidades.


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uma iniciativa inédita em âmbito estadual, a Secretaria de Cultura de Mato Grosso, em parceria com a Agência Nacional de Cinema (Ancine) e o Fundo Setorial do Audiovisual (FSA), fomentou a produção de 13 obras audiovisuais no valor de R$ 4,5 milhões, sendo três projetos de longa-metragem ficção, dois projetos de telefil-

me documental, e oito projetos de curta e média-metragem de ficção e pilotos de produtos para a TV. “Este edital é um novo desafio quando vemos que o estado respondia por apenas 0,6% dos recursos do Fundo em 2014 e agora esse percentual saltou para 4,5%”, afirmou Antônio Apolinário Figueiredo, diretor

da Ancine. A SEC também fomentou o desenvolvimento de projetos de obras audiovisuais seriadas e não seriadas através de chamada pública lançada no final de 2015. Os projetos foram contemplados com recursos no valor de R$ 100 mil cada, totalizando R$ 500 mil em investimentos.

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Reformulação das leis da cultura foi uma grande conquista, avalia Leandro Carvalho O novo marco legal da legislação da cultura do estado de Mato Grosso, chamado de “CPF da Cultura”, incluiu as novas leis do Conselho, Plano e Fundo, e Sistema Estadual. As quatro leis foram construídas em estreito diálogo com a sociedade através de consultas públicas presenciais e virtuais, inaugurando o site participação social do Governo do Estado, e avançando na consolidação das sugestões e alterações. “Cada lei trouxe conquistas importantes que estão se revertendo na democratização do acesso aos bens culturais, no fortalecimento dos equi-

pamentos, na ampliação de infraestrutura, em maior transparência e descentralização de investimentos, no planejamento a longo prazo e na integração do Estado ao Sistema Nacional. Trata-se de uma política pública de estado”, explica o secretário de Cultura, Leandro Carvalho. Conforme o secretário, o Fundo Estadual de Política Cultural, por exemplo, passa a ter dotação orçamentária definida por percentuais mínimos de repasse da Receita Tributária Líquida: 0,3% em 2017, 0,4% em 2018 e 0,5% a partir do exercício de 2019. Os recursos serão

administrados pela Secretaria de Cultura (SEC). “Só com posturas sérias e incisivas que conseguimos avançar. O CPF da Cultura era uma necessidade do segmento e sua aprovação representa um avanço. Estamos ansiosos pelos novos passos e por novas políticas públicas democráticas”, observou Wanderson Lana, secretário de Cultura, Turismo, Lazer e Juventude de Primavera do Leste e também ator e diretor artístico do Teatro Faces.

As quatro Leis que compõem o CPF da Cultura:

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A

s festas populares e tradicionais de Mato Grosso, na Capital e no interior, foram apoiadas pelo Governo do Estado por meio da Secretaria de Cultura. A lista dos eventos incentivados inclui a Cavalhada de Poconé; o Congo de Vila Bela; a Rua do Rasqueado, o Festival do Japão; a Festa do Senhor Divino Espírito Santos de Cuiabá; o

Encontro Indígena; e também a os mouros representados pela Grande Arena Cultura de Lucas cor vermelha. A festeira e organizadora do evento, Nataly Sodo Rio Verde. ares da Silva, explica que sem A Cavalhada tem origem por- o apoio do Governo de Mato tuguesa e acontece todo mês Grosso não é possível realizar a de junho em Poconé. Toda a festa que reuniu mais de 10 mil comunidade se envolve nos pessoas no evento. preparativos. Nela, é encenada uma luta entre mouros e cristãos, os cristãos representados ela cor azul-turquesa e

A Orquestra do Estado de Mato Grosso, uma das mais jovens do País, em sua 12° temporada, destaca-se entre as mais importantes orquestras em atividade no Brasil. A bem-sucedida combinação entre o repertório tradicional e novas composições e arranjos dedicados à instrumentos da cultura

popular mato-grossense rendeu reconhecimento ediato e estabeleceu forte conexão com o público. Conduzida pelo maestro Leandro Carvalho, a Orquestra é uma conquista da sociedade mato-grossense, sucesso absoluto que só nos últimos dois anos alcançou quase 300 mil

espectadores em Mato Grosso. Desde sua criação, em 2005, a Orquestra do Estado de Mato Grosso realizou mais de 230 Concertos Populares (apresentações abertas em praças públicas ou lugares de fácil acesso à população) em mais de 150 cidades de 23 estados brasileiros.

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Através da parceria com o British Council, a Secretaria de Estado de Cultura (SEC) juntamente com a Secretaria de Es-

tado de Educação (Seduc) está ção da música em sala de aula implantando em Mato Grosso através do mais nobres dos inso programa World Voice com o trumentos, a voz humana. objetivo de fomentar a utiliza-

GCOMMT

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Vozes do Mundo

Mapeamento A Secretaria de Cultura está realizando o Mapeamento da Cultura Mato-Grossense, em parceria com o Instituto TIM, lançando a ferramenta colaborativa MAPAS, instalação do

software livre Mapas Culturais, que permite o mapeamento colaborativo de ações, agentes, projetos e espaços culturais. Museus, espetáculos, shows, exposições, apresentações mu-

sicais, fotógrafos, grafiteiros, produtores, músicos, artistas plásticos, companhias teatrais, tudo é mapeado.

Economia Criativa de formular políticas, diretrizes e ações para o desenvolvimento da economia criativa em território mato-grossense. Foram realizadas cinco edições das Maratonas Criativas, uma das

iniciativas do Programa, abrindo espaço para os encontros, fomentando o intercâmbio de ideias.

Fotos GCOM MT

O Programa de Desenvolvimento da Economia Criativa foi criado pela Secretaria de Cultura (SEC) em parceria com diversas secretarias de Estado e o Sebrae/MT, com o objetivo

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Expediente

Pedro Taques Governador de Mato Grosso Leandro Faleiros Rodrigues Carvalho Secretário de Estado de Cultura

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Kleber Alves de Lima Secretário de Estado do Gabinete de Comunicação Redação Carlos Martins Maria Angélica Moraes Lorena Bruschi

Direção de Arte e Diagramação Wallace Ferraz Fotografia Gabinete de Comunicação


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FOTOGRAFIA E NATUREZA NA VIVÊNCIA COM LÉO ROCHA

Nos dois últimos finais de semana de Fevereiro (25, 26, 27 e 28) será realizada, em Chapada dos Guimarães, uma vivência com Léo Rocha, protagonista da série Desafio em Dose Dupla da Discovery Channel. Durante a Vivência o Fotógrafo Henrique Santian, estará documentando as atividades. E os participantes interessados podem ter a oportunidade de obter um registro fotográfico com um olhar profissional e artístico.

Informações:

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MEMÓRIA

“Vermelho Bom, Só Batom”

A história que não deve ser esquecida

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POR YAN CARLOS NOGUEIRA*


FOTO: FNDC - FÓRUM NACIONAL PELA DEMOCRATIZAÇÃO DA COMUNICAÇÃO

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ão é difícil para a população brasileira entender que estamos vivendo um dos períodos mais conturbados da história do Brasil no século XXI. Nos mais diversos meios de comunicação, diariamente vemos notícias e imagens perturbadoras sobre o país. Tais mensagens, em sua maioria, informam sobre a calamidade do serviço público de saúde, crimes de diversas naturezas, denúncias e crise política e econômica nacional. Quem nunca ouviu fa-

lar do golpe civil-militar de 1964? As torturas talvez sejam os relatos mais comuns sobre o período. Mas, como ocorreu o golpe? Porque muitos foram torturados? E mais, sobre qual justificativa? (e há justificativa para tortura?). Não é pretensão deste artigo fazer uma análise sufocante de 64, mas averiguar alguns fatos e buscar, no meu entender, uma forma simplificada, especialmente ao público do ensino fundamental e médio, dos pontos relevantes da década do golpe.

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Em 1960 a constituição vigente era de 1946. A legislação previa eleições tanto para presidente como para vice. Não que o vice fosse nomeado por ficar em segundo lugar, eram ambos eleitos separadamente. Venceu para a Presidência da República um demagogo chamado Jânio Quadros, que fizera campanha ao lado de uma vassoura. Tivera apoio de uma grande elite conservadora religiosa e de partidos direitistas como a UDN, (União Democrática Nacional) de Carlos Lacerda, sendo um sucesso de votos: cerca de 5,6 milhões, o maior número obtido até então. O vice de sua chapa, Milton Campos, decaiu sobre a popularidade do PTB (Partido Trabalhista Brasileiro), nomeando João Goulart como Vice-Presidente. Inesperadamente, 7 meses depois Quadros renunciou. Estava prestes a estourar uma das maiores bolhas ferventes na política nacional. Segundo a Carta Magna de 46, o Vice-Presidente deveria receber o cargo. Jango (como era popularmente chamado João Goulart) se encontrava na China quando soube do ocorrido e pretendia voltar para sua posse presidencial, no entanto, no Brasil, os ministros militares e forças conspiratórias de direita não queriam que isso viesse a proceder. Desta maneira, essas mesmas forças pressionaram o Congresso Nacional a votar pelo Im-

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MEMÓRIA

JANGO GOULART COM SUA ESPOSA, DONA MARIA TEREZA, EM DISCURSO

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gaúcho. A Emenda Constitucional n° 4, que instituía o Parlamentarismo, foi aprovada por 233 votos contra 55, no dia 2 do mesmo mês. Uma nota escrita por João Goulart, agora Presidente, demonstrou seu respeito pela população brasileira e se propôs a respeitar a Constituição. No final do texto, lia-se: “que Deus me ilumine, que o povo me ajude e que as armas não falem.” As águas estavam, por fim, se abaixando, mas haveria de rolar muitas tempestades neste mar. Goulart representava, para a sociedade burguesa e religiosa, “um perigo vermelho”. A imagem fora vendida pelos grandes latifundiários, donos de grandes empresas e integrantes da alta classe religiosa que entendia o Comunismo, ou o Socialismo, como um sinônimo de ateísmo e perversão. Hoje se sabe que houve uma “mão norte-americana” para difundir uma iconografia sombria de Goulart. Depois que os Estados Unidos perderam Cuba para a bandeira “Comunista”, seu presidente John Kennedy não iria aceitar, de maneira nenhuma, outro regime que não tivesse como base econômica o sistema capitalista na América Latina ou no Ocidente. O Brasil é o maior país do continente Sul-americano e nesta época já se encontrava industrializado, caso não fosse estava a caminho de ser. Um dos vários artifícios dos Estados Unidos da

América foi o de enviar dinheiro para o IPES e o IBAD, ambos os institutos financiados por grandes empresários para espalhar a ideia de que o marxismo era perigoso para a democracia, família e preceitos religiosos. Em 1962, esses institutos também tinham como objetivo difundir cartazes, panfletos e propagandas para eleger candidatos contrários ao governo nas eleições para governadores, senadores e deputados. Deu errado. Joao Goulart estava se impondo para efetivar as reformas de base, sobretudo a polêmica reforma agrária. Em maio de 1963, foi instalado na Câmara dos Deputados uma Comissão Parlamentar de Inquérito para investigar os institutos. Por meio de um decreto João Goulart derrubou o IBAD, mas o IPES acabou absolvido. No entanto, outros meios de comunicações continuaram a fazer uma propaganda antigovernamental. O jornal “O globo” foi um dos mais veementes precursores deste objetivo sendo contra o 13° salário, lei assinada pelo presidente do Brasil em 13 de julho de 1962, criada devido ao movimento sindical da época. Atualmente, é verídico afirmar que “O Globo” apoiou o golpe de 64. Terminado o ano de 1962, o ano seguinte seria decisivo para o quadro político brasileiro. Goulart encontrou uma brecha para usar a seu favor. A Emenda

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peachment de Jango, o que obviamente não aconteceu. Durante a ausência de Goulart, Ranieri Mazzilli, Presidente da Câmara dos Deputados, tomou posse interinamente. Nesta avalanche de agosto de 61, iniciou-se no Rio Grande do Sul um movimento pela legalidade democrática em apoio a Goulart, liderado pelo seu cunhado Leonel Brizola, que era até aquele momento Governador do estado. No dia 27, a junta militar ordenara que o General Machado Lopes, Comandante do III Exército, fosse até ao Palácio Piratini, no Rio Grande do Sul, para depor Brizola a base de tiro. Caso o governador viesse a resistir dever-se-ia bombardear o recinto com tanques de guerra. Nas negociações que antecederam o mês de agosto, os militares propuseram a implantação de um regime parlamentarista, o que na realidade transferia o poder para um Primeiro Ministro. Tancredo Neves, do PSD (Partido Social Democrático) foi o encarregado de levar a proposta para Goulart que estava em Montevidéu, no Uruguai (Jango fez diversas rotas para dar tempo a crise antes de voltar ao Brasil). Mesmo a contragosto, João Goulart aceitou o pedido mediante ao receio de uma guerra civil iminente que poderia eclodir caso negasse. No dia 1º de setembro Goulart pousara em Porto Alegre, quando foi recebido pela grande alegria do povo

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MEMÓRIA Constitucional n°4 previa a realização de um plebiscito no início de 1965, visando a objetividade em decidir sobre o sistema Parlamentarista. Todavia, em 15 de setembro foi aprovada sua antecipação para o dia 6 de janeiro de 1963. O sistema Presidencial fora escolhido e vencera com 82%. Jango agora estava conquistando seus poderes presidenciais. 1964 entra para ser um ano de revolução e de realização das reformas de base. A agrária, mais polêmica, consistia em dividir terras de forma “justa”. O problema era que a Constituição previa a desapropriação de terras com indenização e previamente em dinheiro, o que não iria acontecer, pois o país estava atolado de dívidas, a economia nacional indo ao buraco e o Planto Trienal, de Celso Furtado, para melhorar a inflação no Brasil, se tornara um tremendo fracasso e uma frustração. Outra ação política foi polêmica foi a eleitoral, que visava a extensão do direito

de voto aos analfabetos, e a legalização do PCB (Partido Comunista do Brasil). Em 64, os partidos de esquerda tomaram um caráter de radicalização impressionante. Talvez tenham se encorajados e se sentiram seguros para avançar sobre as forças de direitas militares e conservadoras. Mas é preciso analisar melhor. Alguns historiadores afirmam que a esquerda daria um golpe de estado para realizar seus planos reformistas e instituir o marxismo no Brasil. De fato, isso é um ponto a ser estudado com maior cautela. Porém é difícil afirmar se haveria um golpe de esquerda, pois os rumos poderiam ser outros em diversos momentos. No dia 13 de março, houve o Comício da Central do Brasil, ao lado do Ministério da Guerra, no Rio de Janeiro. No evento João Goulart discursou em praça pública, diretamente ao povo, quando se comprometeu a aceitar o apoio da ala esquerda e do PCB, que era clandestino. A UNE (União Nacional dos Estudantes) se LEONEL BRIZOLA

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fazia presente, juntamente com órgãos sindicais como o CGT (Comando Geral dos Trabalhadores) e movimentos de esquerda. O “show” obteve cerca de 200 mil pessoas em apoio ao governo e às reformas de base. O presidente nesse instante baixou dois decretos: desapropriação de terras numa faixa de dez quilômetros às margens de ferrovias e rodovias, além de barragens, e transferência para a União o controle de cinco refinarias de petróleo do país. Em resposta, a oposição organizou a Marcha da Família com Deus pela Liberdade. Manifestações que ocorreram em diversas partes do país com a finalidade de protestar contra o marxismo e alertar contra a “ameaça comunista”. Grupos como a CAMDE (Campanha da Mulher pela Democracia) saíram de verde e amarelo pelas ruas do Brasil pedindo a deposição do presidente João Goulart. Uma grande massa de mulheres ecoando: “vermelho bom, só batom”, “um, dois, três Brizola no Xadrez”, “Ave Maria cheia de graça, fora Jango”. Como se não fosse o suficiente, no dia 25 de março, Marinheiros e Fuzileiros Navais do Brasil se revoltam por direitos e melhorias. As manifestações pediam que nenhum integrante do movimento fosse punido pela hierarquia militar. Reuniram nomes de esquerda, como Leonel Brizola, na sede dos Sindicatos dos


lumeMatoGrosso JANIO QUADROS E CARLOS LACERDA SE CUMPRIMENTAM

Metalúrgicos da Guanabara para a reivindicação. Diante do vulcão aberto, o Ministro da Marinha ordenou que fuzileiros fossem até o local, mas ao invés de cumprir ordens aderiram ao movimento deixando as forças militares extremamente furiosas. No momento em que prisões e punições viriam a ser regidas, o presidente João Goulart interveio e proibiu todas as ordens de seu ministro. Um episódio triste e decisivo. Jango, certo ou errado, mexera com a hierarquia e na disciplina rígida militar. Os Marinheiros foram anistiados no dia 27 de março. Essa situação provocou nos militares conspiradores, políticos de direita, setores religiosos, civis conservadores e classe média alta a imagem de um presidente fraco e que implantaria no Brasil um sistema comunista e de uma ditadura do proletariado com base marxista. No dia 31 daquele mês eclodiu em Minas Gerais um levante para depor

Jango. Era preferível que um governo civil, no caso o do governador Magalhães Pinto, desse apoio ao levante. Liderado pelo general Mourão Filho, o movimento marchou em direção ao golpe de Estado, operação que ficou conhecida como “Popeye”. De encontro, os Estados Unidos enviaram ao Brasilum porta-aviões, seis contra-torpedos com 110 toneladas de munição, um porta-helicópteros, um posto de comando aerotransportado e quatro petroleiros que traziam 553 mil barris de combustível. Essa operação ficou conhecida como “Brother Sam” e dava apoio ao golpe. Diante às insubordinações, João Goulart vai para Brasília de onde deveria dar as ordens, o que não acontece. Acaba indo para o Rio Grande do Sul, onde Brizola planeja uma resistência ao golpe. Jango, por sua vez, prevê uma guerra civil e resolve não agir. Em Brasília, o Presidente do Senado,

Auro de Moura Andrade declara a vaga a Presidência da República sobre a justificativa de a nação estar acéfala, alegando que Goulart fugira do país. Daí em diante, os militares tomam o poder e logo nos primeiros dias do golpe já sãos casos de tortura e violência como o do comunista Gregório Bezerra que aos 64 anos foi amarrado a um jipe e conduzido pelas ruas de Recife. Ao todo meio milhão de brasileiros foram investigados, 50 mil presos, 11 mil acusados, 10 mil torturados, 5 mil condenados, 10 mil exilados e 4962 cassados. É preciso olhar para esse período e esperar que nunca mais se repita, pois absolutamente todas as atrocidades foram feitas, por incrível que pareça, em nome da democracia. * Yan Carlos Nogueira é graduando do Curso de Serviço Social do Univag Centro Universitário.

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FOTOGRAFIA

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Disseminando a Fotografia como Sensibilização em Educação Ambiental Região Noroeste do estado de Mato Grosso, o corredor da Amazônia

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POR HENRIQUE SANTIAN

ntre os dias 10 a 24 de Setembro de 2016 foi realizado a Oficina de Fotografia Olhares Perceptivos na Educação Ambiental do projeto PETRA na Fazenda São Nicolau sede da ONF Brasil em Cotriguaçu. Neste ano, a Oficina trabalhou o tema Prevenção de Incêndios, onde foram apresentadas aos alunos fotografias de queimadas como forma de trabalhar a sensibilização ao tema e estimular questionamentos sobre o mesmo. Ao final, a proposta da oficina foi trabalhar a fotografia como ferramenta/ veículo comunicativo, visando desenvolver a percepção dos alunos com o tema e outras realidades de seu dia a dia. Além

disso, mostrar como a fotografia pode ser importante não só na educação ambiental, mas como instrumento que possibilita as pessoas enxergarem a realidade em que vivem, mostrando as belezas e sua diversidade ambiental e as ações do homem sobre o meio ambiente. Após a sensibilização foi realizada uma discussão sobre as fotos promovendo uma reflexão sobre o meio que eles vivem. Onde cada aluno teve a experiência de fotografar o meio em que ele vive e trazer o seu olhar sobre o tema. Atualmente com a popularização do uso de smartphones a aplicação desta metodologia de sensibilização torna-se fácil e bastante eficiente.

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FOTOGRAFIA

FOTOS DE EZIELTON E GUILHERME ESCOLA JOSÉ LUIZ CANDIDO DIA 14 DE SETEMBRO

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lumeMatoGrosso HENRIQUE SANTIAN COM ALUNOS DO PROEJTO

A VIDA DESPERCEBIDA Na natureza podemos encontrar muitas espécies de vidas além das arvores, como insetos e animais que vivem nelas. Quando o homem queima isso tudo morre. Então devemos preservar aquilo que temos, porque quando vem o fogo tudo fica sem vida, até mesmo o ar que respiramos fica com fumaça, o que faz muito mal pra nossa saúde e pro meio ambiente. As crianças acreditam nas mudanças. O que fizemos durante o programa de ação nas escolas assentamentos e na própria

sede da ONF Brasil foi mostrar que elas podem direcionar as mudanças necessárias. Mostramos, através da fotografia, do teatro, da agro floresta e outras atividades sensitivas, que elas são agentes sociais, ambientais e culturais. Ensinamos muito durante estes dias, mas aprendemos muito mais. VEJA MAIS EM: www.flickr.com/photos/oficinasmt/ petra.eco.br/educacao-ambiental/

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PA R A Q UA N D O VOCE FOR

Deserto de Atacama no Chile

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onge de ser inerte, o deserto de Atacama é uma área de abundante energia, graças às suas culturas ancestrais acolhedoras e oásis que são a fonte da vida no deserto mais seco do mundo. Totalizando mais de 4.000 metros de altura de altiplano andino para descobrir pequenas cidades que mantêm seus costumes intactos em meio a cenários extremos que vale a pena fotografar.

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POR CECÍLIA KAWALL

Visite San Pedro de Atacama e explore paisagens únicas no mundo. Salares, geysers e lagoas de uma cor azul intensa, são parte dos lugares que encantarão você. Faça uma viagem pelas estrelas. Aprenda mais sobre os astros e as constelações em um dos múltiplos observatórios astronômicos da zona norte do país. Se você gostar dos esportes náuticos ou simplesmente gosta de tomar sol, não deixe de visitar a costa para

desfrutar das praias como areias claras, e claro, dos deliciosos produtos do mar.

Cecilia Kawall, guia de turismo regional, técnica em acupuntura, reiki master, instrutora de oki do yoga e shiatsu, produtora, fotógrafa, bailarina e mãe.


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AGENDA

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A Casa do Parque

Ponto de encontro da arte, música e gastronomia FOTOS ACERVO DONAMARIA COMUNICAÇÃO CRIATIVA

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AGENDA

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como prato principal a feijoada com toda a sua brasilidade – com sorte você ainda pode escutar o samba de Juliane Grisólia, que se apresenta com frequência. A atmosfera descontraída confere rusticidade e sofisticação ao espaço. Objetos charmosos, luz indireta, flores e muito bom gosto completam o ambiente que já conquistou uma seleta lista de fãs, que fazem reserva com medo de perder a cadeira. Com livre acesso aos visitantes, é possível conhecer a Galeria de Artes, desfrutar dos sabores do Café e Bistrô e ainda desfrutar do Espaço Juruti, que fica ao ar livre atrás da Galeria 455, com suas orquídeas e visão privilegiada das obras em exposição. A galeria traz mostras permanentes de artistas locais, nacionais e internacionais. Para apoiar o trabalho dos artistas, a Casa realiza toda a montagem e divulgação das exposições. Na vasta lista de exibições, já expuseram na Casa artistas como Humberto Espíndola, Gervane de Paula, Jonas Barros, Carlos Lopes, Clovis Irigaray, Capucine Picicaroli, Alessandra Mastrigiovanni, Rita Duarte, entre outros. No mezanino, está o Jirau Heronides Araújo, um espaço com capacidade para até 80 pessoas em formato de auditório, perfeito para a realização de palestras, treinamentos e workshops, e que agrega toda

a atmosfera cultural da Casa em eventos empresariais. A bela arquitetura associada à cuidadosa decoração faz com que o ambiente, cada vez mais, seja escolhido para celebrações intimistas. Aniversários, batizados, bodas são frequentemente realizados. Outra opção é fazer um casamento pequeno, também chamado de mini wedding. O clima aconchegante e a delicadeza dos detalhes, além do sabor do menu e tudo aquilo que for “a cara dos noivos”, fazem com que a cerimônia seja única e inesquecível. No intuito de proporcionar maior diversão e entretenimento, de terça a sábado, a agenda cultural, uma das mais disputadas da capital, conta com música ao vivo sempre a partir das 21h. Uma boa opção para relaxar depois do trabalho ou mesmo celebrar os bons momentos. Com artistas fixos ou convidados, os shows reúnem os mais variados ritmos, que vão desde MPB, bossa nova, samba, rock, pop, jazz, blues e muito mais. Todos os detalhes são minuciosamente trabalhados para garantir uma experiência única a qualquer hora do dia ou da noite. Abrindo a temporada 2017, A Casa do Parque apresenta a exposição ‘Florescer’, de Valques Rodrigues, com cerca de 13 obras que trazem o mais puro estilo naif. A mostra fica em cartaz até 1o de abril, com entrada franca

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xistem muitas formas de traduzir A Casa do Parque e a melhor delas é: um espaço cultural plural, cheio de charme. Numa rua sem saída, que chega ao Parque Mãe Bonifácia, na região central de Cuiabá, a Casa repousa pronta para receber os mais diversos eventos culturais e celebrações intimistas. Um lugar onde a música, a arte e a gastronomia se misturam e proporcionam verdadeira viagem cultural e gustativa. Com iguarias frescas e visualmente atrativas, o menu garante experimentos dignos de Proust, com funcionários simpáticos servindo delícias nas mesas que harmonizam com os selecionados rótulos de vinho, cervejas e coquetéis, além do delicioso café que pode ser desfrutado durante todo o dia acompanhado de doces ou sanduíches do chef. De segunda a sábado, no almoço e jantar, a qualidade no atendimento e o cardápio variado, que mistura sabores brasileiros e a culinária contemporânea, fazem do espaço gastronômico a melhor alternativa para todas as ocasiões. Na lista de entradas a dica são a cestas de pães, trio de pastas ou seleção de queijos. O cardápio à la carte traz receitas saborosas e autorais para bacalhau, salmão, pintado, risotos e massas frescas. Aos sábados, a Casa realiza a tradicional “Feijoadinha da Casa”, tendo

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SOCIAL

FOTOS: DIVULGAÇÃO

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Ribeirinho Cidadão no Pantanal

Projeto encerra etapa terrestre e inicia a fluvial

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POR EVELYN RIBEIRO FOTOS MAYKE TOSCANO

pós percorrer 400 quilômetros por estradas de chão, o projeto Ribeirinho Cidadão concluiu, no último dia 10/02, na comunidade Porto de Fora (Santo Antônio de Leverger), a etapa terrestre da expedição. A iniciativa leva atendimentos médicos e serviços sociais para quem vive em comunidades rurais isoladas. O trajeto, entre uma comunidade e outra, teve viagens longas, muita lama, mato, atoleiro e estradas nada fáceis de percor-

rer e, que se agravam ainda mais devido ao período chuvoso. A partir de 11/02, uma nova fase, desta vez fluvial, será iniciada, visando o benefício de muitas famílias. Conforme levantamento parcial da organização da 10ª edição do Ribeirinho, desde o dia 1º/02, foram feitos 7.922 atendimentos relacionados à saúde, cidadania e jurídico, além da distribuição de 2.966 caixas de medicamentos, ação desenvolvida em parceria com farmácias e unidades de saúde do Governo de Mato Grosso.

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SOCIAL

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de documentos de identidade, CPF e certidões. CARRETA DA CARAVANA A programação contou ainda com a carreta da Caravana da Transformação, do Governo de Mato Grosso, que disponibilizou consultas oftalmológicas realizadas por dois médicos. As consultas continuam do dia 11/02, em Barão de Melgaço, até 18 a 20/02, em Poconé. “O Ribeirinho ajuda as comunidades que não têm condições. O transporte é caro e as pessoas buscam auxílio, porque são muito carentes de atenção e serviços como estes”, afirmou a professora Creuzane Conceição de Almeida, de 48 anos. Em Mimoso, ela acompanhou o pai, Adão José de Almeida, de 82 anos, e o filho dela, de 11 anos, Vinicius Felix Almeida, para que conseguissem a segunda via do RG. O documento do idoso era antigo e já estava ilegível e, o do adolescente apresentava uma foto antiga sem o número do CPF. O Ribeirinho Cidadão é realizado desde 2008

e tem o objetivo de levar serviços essenciais como saúde, justiça e cidadania para uma população isolada e desprovida de assistência social e judiciária. Na etapa terrestre, o projeto passou por comunidades rurais de Santo Antônio de Leverger e Juscimeira. A fase fluvial é feita em barcos e é voltada para os municípios de Barão de Melgaço e Poconé e termina no dia 20/02. Essa etapa conta com os serviços do Navio de Assistência Hospitalar Tenente Maximiano, da Marinha do Brasil. São parceiros da expedição Ribeirinho Cidadão a Marinha do Brasil, Defensoria Pública, TJMT, Governo de Mato Grosso através das Secretarias de Estado de Segurança Pública e de Saúde,, Assembleia Legislativa/MT, Prefeituras, Tribunal Regional do Trabalho/MT, MPE, Juizado Volante Ambiental de Cuiabá, INSS, Ministério do Trabalho e Emprego, Receita Federal, INCRA, Secretaria Municipal de Saúde de Cuiabá e SAMU.

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“Há sempre uma expectativa por se tratar de públicos diferentes e, sem dúvidas, a parte fluvial nos dará mais ânimo ainda para continuar este trabalho de forma que corresponda também à expectativa da população”, frisa o juiz e um dos coordenadores do projeto, Antônio Bezerra Filho. Neste sentido, o defensor público e também coordenador, Air Praeiro, explica que o projeto pode também ser considerado uma lição de vida. Na edição passada, 10 mil pessoas foram atendidas. “A expressão que traduz tudo é satisfação e a consciência de dever cumprido, principalmente por conseguir atender a todos. Nosso objetivo está sendo alcançado e temos como consequência positiva o número de beneficiados já antes de encerrarmos a programação”, disse Air. A expedição abrange 70 comunidades e conta com 205 profissionais. Em 10 dias de projeto, a população ribeirinha, incluindo duas aldeias indígenas da etnia bororo, recebeu serviços de atendimento médico com clínicos gerais, oftalmologista e psicólogo, aferição de pressão, exames, vacinação, doação de óculos, confecção do cartão do Sistema Único de Saúde (SUS), casamentos, cadastramento e atualização do benefício Bolsa Família, atividades de recreação para crianças, plastificação ou solicitação

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R E T R ATO E M PRETO E BRANCO

D. Antonio Rolim de Moura

Rolim de Moura avulta na história do Oeste, como o iniciador da grande obra de conquista - como um legítimo bandeirante político, defensor das terras brasileiras, muito embora, em sua obra, possam ser apontadas pequenas falhas. Mas tudo desaparece, na apreciação do todo - grande obra que dá mérito ao administrador português

D.

Antonio Rolim de Moura, aos 37 anos de idade, foi escolhido para ser o governador e capitão de Mato Grosso e encarregado de fundar o governo colonial do Oeste, dando os primeiros passos da grande obra de conquista. Sua família era nobre. Filho de Nuno de Mendonça, 4º conde de Val. dos Reis, e de D. Leonor Maria Antonia de Noronha, filha do 1º Marquês de Ângela, D. Pedro de Noronha, Ro-

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POR AFRÂNIO ESTEVÃO CORRÊA

lim de Moura nasceu a 12 de Março de 1709. Ingressando na carreira das armas, como praça de cavalaria no regimento Alcântara, foi em 1748, escolhido para o governo da recém-criada capitania de Mato Grosso, nomeado pela carta-patente de D. João V, de 25 de setembro de 1748, patente essa registrada às fls. 2, no livro primeiro dos registros das patentes dos Governadores, do Senado da Câmera de Cuiabá, a 17 de Janeiro de 1751.

A grande obra de Rolim de Moura no Oeste foi plenamente reconhecida e premiada pelo de governo de Lisboa. Pouco tempo depois de sua chegada ao Guaporé, em 1752, foi o capitão de infantaria Rolim de Moura nomeado a Brigadeiro do Exército e, a seguir, agraciado com a comenda de Cristo e mais tarde, com o posto de Marechal de Campo dos Exército Reais. e em 1754, recebeu o título de Conde de Azambuja, lu-


ra a Governador da Armas da Corte e Extremadura. Sem dúvida, uma grande carreira política, tendo uma respeitável folha de serviços prestados a Portugal e ao Brasil. E a 8 de dezembro de 1782, aos 73 anos, falecia em Lisboa o 1º Conde de Azambuja e fundador de Vila Bela. Rolim de Moura foi uma escolha feliz do governo de Lisboa. Ainda que desmerecida por uns, que vêem apenas um aspecto, sua obra avulta na grandiosidade do Oeste.

Militar disciplinado, qualidade a que reunia um temperamento de rara energia, de caráter leal e generoso, se bem que arrebatado, misto de bondade e violência, Rolim de Moura tornava-se por isso mesmo e pela sua inteligência, um homem precioso para a colônia, naturalmente indicado para fazer frente à luta que o governo português ia abrir na parte

mais ocidental do sertão matogrossense. Não se deve desconhecer, Rolim de Moura praticou excesso na direção de Mato Grosso, mas tais desvios exigem absolvição plena, dadas as condições do meio em que teve de exercer a sua ação de governante. A posteridade, por isso, não pode julgá-lo pelos clamores de alguns interessados do seu tempo, e tal julgamento deve ser produto de exame detido das linhas gerais de sua conduta e das conseqüências delas. Assim, sem prevenções antecipadas, Rolim de Moura reclama um culto em todos os corações, e esse culto será justo, como justas foram as recompensas que em vida recebeu do severo Pombal, ao deixar as rédeas do Governo de Mato Grosso. Mas Rolim de Moura, se foi antipatizado pelo povo do seu tempo, pelas medidas drásticas que tomava, pelas exigências e opressão do seu físico, e pelas intransigências das suas resoluções, teve um grande mérito, que só mais tarde poderia ser compreendido. Ele cumpriu uma missão árdua e espinhosa, executando, fielmente, um plano previamente traçado, realizando-o contra a tenaz oposição do meio ambiente, contra a falta de recursos da época e contra a vontade das armas dos vizinhos espanhóis.

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gar de que já era Morgado. A bondade real fazia justiça ao administrador que defendia, com tanto ardor, os direitos de Lisboa nos terrenos inóspitos do Guaporé. E após quase 14 anos de fecunda administração com os seus senões, Rolim de moura deixa o governo de Mato Grosso, nomeado para o da Bahia. Deixando Vila Bela a 15 de Fevereiro de 1765, Rolim de Moura desceu o Guaporé, Mamoré, Madeira e Amazonas até Belém, chegando à Bahia a 25 de Março de 1766. Governando a Bahia até 31 de outubro de 1767, Rolim de Moura foi transferido para o Rio de Janeiro, na qualidade de Vice Rei do Brasil, em substituição ao Conde da Cunha. O administrador português fazia, assim, brilhantemente, a sua carreira na colônia de Lisboa. Como vice Rei, de 17 de Novembro de 1767 a 4 de Novembro de 1769, Rolim de Moura, cuidou, sobretudo, de fortificar o litoral brasileiro, a fim de garantir melhor a posse da coroa portuguesa. E após passar o governo ao Marquês de Lavradio, Rolim de Moura voltou a Lisboa, depois de passar 22 anos fora da sua Pátria. Em Portugal, novos postos o aguardavam. D. José e D. Maria Iª, o nomearam Presidente Primeiro do Conselho da Fazenda, Tenente General dos Exércitos, Conselheiro, de Guer-

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FEVEREIROS DE NOSSA HISTÓRIA DIA 01

»»1964.

Os Beatles têm o seu primeiro hit nos USA com a canção “I Want to Hold Your Hand”.

DIA 09

»»1969.

Ocorre o primeiro vôo teste do Boeing 747. DIA 10 »»1783. Falece, aos 102 anos de idade, Miguel Corrêa Lima, servidor público no governo de Rolim de Moura e Luís de Albuquerque. DIA 11

DIA 02 »»1943. 2ª Guerra Mundial: Fim da batalha de Stalingrado, com vitória das tropas soviéticas sobre as forças do Eixo.

do de El Pardo, entre Portugal e Espanha. »»1990. Nelson Mandela é libertado, na África do Sul, após 27 anos como um prisioneiro político.

DIA 04 »»1789. George Washington é eleito primeiro presidente dos Estados Unidos. »»1842. Nasce Manuel Peixoto Corsino do Amarante, herói da Guerra do Paraguai. »»2004. O Facebook é fundado pelo Mark Zuckerberg.

DIA 13 »»1983. Falece o colonizador Domingos Briante, fundador da cidade de São José do Rio Claro.

DIA 05

»»1971.

Astronautas pousam na lua na missão da Apollo 14. »»1857. Nasce Antônio Corrêa da Costa, Patrono da Cadeira nº29, da AML.

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»»1761. É assinado o Trata-

DIA 08 »»1952. Elizabeth II é proclamada a Rainha da Inglaterra.

DIA 14 »»2005. O YouTube é lançado por universitários.

DIA 16 »»1928. Nasce o Bispo D. Pedro Casaldáliga, notável defensor das causas sociais no Araguaia. »»2007. Falece José S. de Oliveira, ídolo do futebol de MT, conhecido por “Bife”. DIA 17 »»1787. Nasce em Portugal, Luís D´Allincourt, militar, político e historiador, Patrono da Cadeira nº8, da AML.

DIA 18 »»1909. Falece Rufino Enéas G. Falcão - Barão de Maracaju , presidente da província de MT (1879-1881). DIA 19

»»1955.

Falece o violonista mato-grossense Levino Albano da Conceição. »»2008. Falece em Cuiabá o Senador Jonas Pinheiro da Silva. DIA 21 »»1848. Karl Marx e Friedrich Engels publicam o Manifesto Comunista. »»1908. Nasce o sertanista Francisco F. S. Meireles. »»1929. Nasce Ivonildo Gomes de Oliveira, o Mestre China, notável saxofonista. »»1965. Malcolm X é assassinado em Nova Iorque por membros da Nação do Islã. DIA 23 »»1925. Nasce em Várzea Grande o empresário Antônio Moisés Nadaf. »»1947. É fundada a Organização Internacional para Padronização (ISO).

DIA 24 »»1920. O Partido Nazista é fundado na Alemanha.


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»»2008. Fidel Castro renuncia à Presidência de Cuba, depois de quase 50 anos.

O PERSONAGEM SESSENTA E CINCO ANOS DO NASCIMENTO DO SENHOR “DIRETAS JÁ” DANTE MARTINS DE OLIVEIRA Dante Martins de Oliveira cursou engenharia civil na UFRJ, nos anos 1970 e fez parte do MR-8, dissidência do PCB. Em fevereiro de 1983, Dante apresentou projeto de emenda constitucional, que se tornaria conhecida com seu nome, propondo o restabelecimento da eleição direta em todos os níveis. A campanha pelas “Diretas Já” ganhou o apoio popular. Em 1º de janeiro de 1986 toma posse como prefeito de Cuiabá. Elege-se governador de MT, em 1994, reelegendo-se em 1998. Desgastado após oito anos de mandato, perdeu eleição para o Senado em 2002. Dante, que era diabético, faleceu aos 54 anos, por complicações de uma pneumonia.

»»06/02/1952.

DIA 25 »»1932. Adolf Hitler ganha a cidadania alemã por naturalização, o que o permitiu concorrer às elei-ções para Presidente do Reich em 1932. DIA 28

»»1894.

Nasce Leônidas Antero de Mattos, Interventor Federal em MT. »»1941. Nasce Gilson de Barros, importante político e jornalista cuiabano. »»2013. Papa Bento XVI renuncia o papado da Igreja Católica Apostólica Romana se tornando o primeiro papa a fazer isso desde 1415.

DIA 29

»»1940. Hattie McDaniel é a

primeira atriz de origem africana a ser indicada e a receber um Oscar de melhor atriz coadjuvante pelo seu papel em “E o Vento Levou”.

O ACONTECIMENTO SETENTA E UM ANOS DA CRIAÇÃO DO PRIMEIRO COMPUTADOR DO MUNDO ENIAC

»»02-1946. Há 71 anos, a pedido do exército dos EUA, os

pesquisadores norte-americanos John Eckert e John Mauchly, revelavam ao mundo o primeiro computador eletrônico digital de larga escala, o Electronic Numerical Integrator And Computer, ou ENIAC. Sua construção de iniciou em plena guerra, em 1943, e apesar de ser mostrado em 1946 só foi ser ligado pela primeira vez em julho de 1947. Durante seus 10 anos de operação o ENIAC “realizou mais contas do que toda humanidade já havia feito em sua história”. Ao sair de cena o ENIAC foi desmontado e diversas de suas peças estão em exposição pelo mundo.

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ANTROPOLOGIA

Vestidos de Inocência

Três episódios da história indígena POR ANNA MARIA RIBEIRO

1550. ILHA DO BRASIL, ROUEN, FRANÇA

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No século XVI, de Rouen, porto às margens do Sena, na região histórica da Normandia, noroeste da França, partiram embarcações francesas em direção à América do Sul, especialmente para o Brasil, colônia portuguesa do “Novo Mundo”. A cidade francesa, um importante pólo europeu de tecelagem, encontrou na resina vermelha do pau-brasil a cor para tingir tecidos, enquanto indígenas a utilizavam para vestir seus corpos o ornar artefatos.

Naquela época, por não terem sido encontrados ouro e prata, a madeira vermelho-fogo do Brasil consistia no principal interesse comercial dos primeiros colonizadores europeus na Ilha de Vera Cruz, Terra dos Papagaios, Pindorama, Terra de Santa Cruz, Terra de Vera Cruz, Brazil, Brasil. O amarelo reluzente do ouro foi substituído pelo amarelo da flor do ibirapita, muirapiranga, orabutã, brasileto e tantos outros nomes. Ao cruzarem o “mar tenebroso”, esquadras francesas levaram a cor vermelha e espécies não

FESTA DE ROUEN


1882. MUSEU NACIONAL, RIO DE JANEIRO, BRAZIL

No século XIX, o Rio de Janeiro, anteriormente região de desejo da França Antártica, chegaram grandes quantidades de artefatos indígenas de diversas partes do Brasil: vasos de cerâmica, cestos-cargueiros, esteiras, redes de dormir, redes de pesca, flautas, chocalhos, buzinas, colares, brincos, cocares, arcos, flechas, bordunas e tantos outros. A pedido da direção do Museu Nacional, criado por D. João VI, em 1818, as valiosas peças precisavam comprovar a urgente necessidade de ampliar a Seção de Antropologia. A grandiosidade da produção indígena que chegava ao museu deveria encher de admiração os olhos do imperador para, então, ceder aos apelos dos organizadores que pressionavam o império do Brasil a financiar a construção de um novo museu que se dedicasse inteiramente aos estudos e pesquisas da população ameríndia. Queima de fogos. Música da banda militar. No apagar das luzes do século XIX, em 29 de julho de 1882, inaugurava-se uma grande exposição no Museu Nacional: Exposição Anthropologica Brazileira. Comemorava-se também o aniversário da Princesa Isabel. Como na Ilha Brasil, em Rouen, a festa foi dedicada especialmente à nobreza. Lá estavam o imperador Pedro II, a imperatriz Tereza Cristina e a aniversariante. Mas,

a grande atração foi a presença de índios “vestidos de inocência”, a chamar à atenção de Pedro II, o patrono e visitante número um do evento. Em carne e osso, eram os destaques nas salas do museu junto aos artefatos e fósseis, estes exibidos como troféus de “guerras justas”. Índios Coroado e Botocudo, à época vestidos dos adjetivos belicosos, ferozes e invencíveis, eram os espécimes vivos da exposição. No “zoológico humano”, mesmo com os esforços da exposição em promover imagens de uma nação integrada, representavam o degrau inferior da ciência evolucionista, primitivos exóticos e, até mesmo, a inferioridade animal. Foi inevitável o tumulto nas vitrines humanas. Naquele último sábado de julho, os índios foram retirados do local e, no mês seguinte, estavam expostos na Quinta de São Cristóvão, com apresentação de cantos e danças para um escolhido grupo de estudiosos e cortesãos. Em setembro, ao fim do evento, Botocudo e Coroado tiveram mais sorte do que os Tupi da Ilha Brasil, de Rouen. Retornaram às suas aldeias do rio Doce, em Minas Gerais.

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encontradas na Europa. Além de bichos transportaram muitos índios e índias. Expostos tal qual espécimes vivos, para lá foram “vestidos de inocência” para jamais retornarem a Pindorama. Em primeiro de outubro de 1550, Rouen ofereceu uma grande festa para Henrique II e Catarina de Médicis, reis da França renascentista. Na cidade foi construída uma estalagem, Ilha Brasil, palco cercado por paliçada, tal qual o costume Tupi, onde meia centena de índios reproduzia o cotidiano aldeão do litoral brasileiro. Índios adornados com plumas, a empunhar armas e instrumentos musicais, circulavam em meio às casas de palha, palmeiras, mamíferos, aves, especialmente papagaios falantes do francês. O cenário era a grande atração para a corte francesa, uma tentativa criada por comerciantes de Rouen para convencer o rei a investir ainda mais na pirataria dos trópicos.

CAPA DA REVISTA DA EXPOSIÇÃO ANTHROPOLOGICA BRAZILEIRA

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ANTROPOLOGIA

ÍNDIOS BOTOCUDOS BRASILEIROS

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No século XX, em Porto Seguro, na Bahia, para as comemorações dos 500 anos da chegada da esquadra de Cabral ao Brasil, em 22 de abril de 1500, foi programada uma grande festa. O chefe do Estado republicano lá estava. Trovoadas. Os índios vinham chegando “vestidos de inocência”, esta não mais caracterizada pelo nudismo que impressionou o genovês Cristóvão Colombo, mas pela simplicidade da indumentária – bermudas e sandálias de borracha – associada aos adornos plumários e às pinturas corporais de cores exuberantes. O Ministério do Esporte e Turismo, receoso de que alguns indígenas comparecessem nus diante ao presidente, tal qual encontrou Cabral, providenciou a distribuição de sungas e maiôs cor da pele, figurino oficial dos donos da festa. Os índios esperados na festa de 22 de abril pertenciam a diversas etnias. Também foram 3.000 pessoas do movimento dos Sem-Terra, que ameaçavam desestabilizar o evento com protestos a comemoração republicana. No momento em que centenas de brasileiros marchavam em direção à Coroa Vermelha e Santa Cruz de Cabrália, na Bahia, ao se aproximarem das autoridades, foram impedidos por um forte esquema de segurança, formado pela Polícia Militar da Bahia, composta por 5.000 homens que, armados, bloquearam a manifestação. Repelidos de forma violenta e desproporcional pela Polícia Militar, a manifestação se dissolveu diante de balas de borracha e da fumaça do gás lacrimogêneo, entrecruzadas por pedras e flechas. Diante à aproximação dos policiais, os índios construíram uma paliçada, tal qual os Tupi do litoral do Brasil que erguiam cercas para se protegerem dos inimigos. Mas, a paliçada edificada no asfalto não era de estacas de madeira, mas de pessoas da etnia Xavante, unidas para proteger seus amigos brancos que apoiavam a manifestação indígena. Um índio Terena avan-

çou em direção aos militares e, conforme noticiado, “se ajoelha e abre os braços em forma de cruz. Suplica aos policiais que não matem os índios. Vendo que os enfurecidos policiais continuavam sua marcha violenta contra eles, se deita no asfalto e a tropa passa por cima. O fato e a foto correram o mundo. Os povos indígenas do Brasil fizeram a grande marcha da retomada da esperança, de seus sonhos, de suas lutas.” Não se ouviram estrondos da queima de fogos de artifícios, mas o estampido de balas de borracha, semelhantes à munição. Não se via a fumaça dos fogos de artifícios, mas a do gás lacrimogêneo, arma química que faz chorar. Muita chuva. Cápsulas vazias de bombas de gás lacrimogêneo e muitos chinelos espalhados pelo chão... A imprensa internacional estampou manchetes sobre o país: “Brasil comemora 500 anos reprimindo índios” (Le Monde). O britânico The Observer: “Índios lideram protestos enquanto o Brasil festeja”. O espanhol El País: “Amargo quinto centenário no Brasil”. A festa dos 500 anos não recebeu os índios com banda militar, mas sua história ecoou na Marquês de Sapucaí. A Liga Independente das Escolas de Samba determinou que o carnaval de 2000, em comemoração aos 500 anos do “descobrimento do Brasil”, apresentasse sambas-enredos que contassem trajetórias da história do Brasil. E a “tribo-Brasil” festejou o ano 2000! “Tudo como Dantes, no quartel de Abrantes”. A carta de Pero Vaz de Caminho anun-ciou ao rei de Portugal: “Águas são muitas; infindas. E em tal maneira é graciosa que, querendo-a aproveitar, dar-se-á nela tudo, por bem das águas que tem. Eram pardos, todos nus, sem coisa alguma que lhes cobrisse suas vergonhas. Nas mãos traziam arcos com suas setas. Vinham todos rijos sobre o batel; e Nicolau Coelho lhes fez sinal que pousassem os arcos. E eles os pousaram. E todos pousaram seus arcos... E todos cobriram suas vergonhas...

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2000. PORTO SEGURO, BAHIA, BRASIL

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L I T E R AT U R A

Pela Periferia

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Pimentões recheados POR LUCIENE CARVALHO

la pegou o caldeirão que fervia sobre o fogão e nos mostrou: três robustos pimentões verdes recheados com carne moída cozinhavam num molho que espalhava um cheiro que inflamava o apetite das visitas. O olho dela brilhava de orgulho pelo cardápio que preparava. Devia ser um horário que passeava pelas 10 horas da noite e ela sorria animada e cordial, convidando as visitas inesperadas para compartilhar da janta. “Claro que nós, movidos pelo verniz das convenções, recusamos o convite do modo mais educado que pudemos, argumentando o avançado da hora, que só havíamos passado pra resolver breve circunstância”, e tchau... Ela foi comigo, residuou em indagações: moradora do Três Barras, bairro da periferia cuiabana, ela acordava 5 horas da manhã, para chegar no horário na casa da família em que trabalhava no Jardim das Américas. Duas conduções para ir e duas para voltar e naquele horário, ela preparava para ela e para a filha - dona dos mais belos e longos cabelos negros que tenho visto - pimentões verdes recheados? Enquanto eu tomava um copo de água gelada, copo retirado de uma estante perfeitamente limpa e arrumada, percebi na porta que dava para o quintal, uma máquina de lavar, desse tanquinho, batendo roupa suja a todo vapor. Pelo amor de DEUS! Onde essa mulher, que trabalhava o dia todo, encontrava energia para lavar roupas e preparar pimentões recheados? Ela brilhava de vitalidade e alegria, estrela no cenário de sua casa no Três Barras. Consciente das suas conquistas: sua liberdade, sua fibra, seus filhos, sua geladeira duplex bem fornida, seu rack enfeitado com fotos e garrafas de sidra e chandon. Era quinta a noite, no fim de semana - ela contou - saí pra dançar “noite toda”. O que dá luz a todo aquele miniverso é o que emana daquela mulher, tão uma e tão muitas. Força motriz que sustenta as periferias desse Brasil. Eu vou voltar lá , ela pensa que é para experimentar os pimentões recheados, mais eu sei que vou voltar no Três Barras, para aprender de vitalidade, aprender a me gastar, sem dó, na vida. Vou aprender a rir um riso meu e ser uma estrela na história da minha vida. Ela não é personagem não, ela mora na periferia nossa, chama-se Verônica e pode ser que, em alguma quinta a noite, você sinta um cheiro peculiar, delicioso... São os pimentões verdes e recheados da Verônica.

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L I T E R AT U R A

Aqui POR ENIEL GACHETTE*

Eu não sou daqui Mas eu gosto daqui É como se eu tivesse nascido aqui Não falo igual como as pessoas daqui Mas isso não é um motivo que significa que vou embora daqui Eu aprendi muitas coisas daqui A cultura daqui As danças daqui A beleza daqui As comidas daqui Até algumas pessoas dizem que o Haiti é aqui Isso significa de verdade que algumas pessoas gostam por eu estar aqui Então se um dia eu for para outro lugar A minha alma e o meu coração sempre estarão aqui * Eniel Gachette nasceu na capital do Haiti, no dia 22 de Setembro de 1988, no bairro Caridad. É filho de Bossuet Gachette e Viergela Jean Baptiste. É poeta, mecânico, carpinteiro, cabeleireiro, costureiro, pintor e artista plástico. Fala crioulo haitiano (ou créole), francês, espanhol e português. Chegou em Cuiabá no dia 29 de Março de 2013.

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Tons de Mato Grosso ENTARDECER NO PANTANAL POCONÉ/MT FOTO MARCOS BERGAMASCO


Com trabalho, nosso dever em 2016. 4.338 processos julgados 41 sessões plenárias realizadas 28 sessões do plenário virtual 6.536 atendimentos na consultoria técnica 1.449 chamados atendidos na ouvidoria

É dessa forma que estamos cada vez mais perto de você.


Iume#10