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Unimed Cerrado

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INFORMATIVO DA FEDERAÇÃO DAS UNIMEDS DOS ESTADOS DE GOIÁS, TOCANTINS E DISTRITO FEDERAL

Nº 75 - ANO XX - FEVEREIRO 2014 www.unimedcerrado.com.br

IV SIMPÓSIO DA UNIMED CERRADO

Edição de 2013 consolida o sucesso do evento

José Abel Ximenes

O Simpósio da Unimed Cerrado teve sua quarta edição realizada entre os dias 12 e 14 de dezembro de 2013. Debates, apresentações e a participação expressiva de grandes lideranças do cooperativismo marcaram o evento e consolidaram o sucesso do simpósio.

Danúbio Antonio de Oliveira

Valdmário Rodrigues Júnior

Osvair José Rodovalho

Luiz Antônio Fregonezi

Sizenando da Silva Campos Jr.

Eudes de Freitas Aquino

Márcio Lopes de Freitas

Haroldo Max

Luiz Carlos de Oliveira

Roberto Rodrigues

Tarciso Dagoberto Borges

Américo Utumi

José Mário de Freitas

Walter Cherubin

Tabajara Trindade

Personagem do Cooperativismo: José Mário de Freitas


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PALAVRA DO PRESIDENTE

O cooperativismo de saúde brasileiro é ímpar e deve ser exemplo para o mundo A demanda por serviços na área da saúde no Brasil e no mundo é cada vez maior e, seguramente, o setor público sozinho não consegue suprir as necessidades da população. Medidas adotadas, como a recente importação de médicos, chegam como soluções paliativas e parciais para garantir assistência aos brasileiros que dependem da rede pública de saúde na periferia dos grandes centros e nos locais mais longínquos e carentes do País. Então, quais seriam as saídas para os problemas já crônicos e crescentes do setor de saúde ? Por tratar-se de desafios complexos e multifacetados exige-se uma abordagem multissetorial, multiprofissional e multidisciplinar com ações integradas, sinérgicas e harmônicas de todos os interessados, responsáveis e comprometidos na busca da superação destes desafios. “Vamos ajudar a Neste contexto, o Sistema Unimed, seguramente, eleger candidatos tem uma grande contribuição a dar a todos os brasileiros. que reconhecem o valor Nós somos a maior cooperativa de trabalho médico do do setor cooperativo e mundo. Aliamos o conhecimento técnico de nossos méabraçam a nossa causa” dicos cooperados e demais profissionais de saúde que conosco trabalham ao ideal e aos princípios cooperativistas, que nos permitem associar trabalho, geração de emprego, renda e compromisso socioambiental na prestação de nossos serviços de atenção a saúde aos nossos clientes. Estamos presentes em 85% do território brasileiro. Temos potencial, conhecimento, competência, experiência, responsabilidade social e temos vontade de ajudar. Estamos certos que o Sistema Unimed, o cooperativismo de trabalho médico, tem condições de contribuir para que todos tenham oportunidades iguais na área da saúde. Durante o IV Simpósio da Unimed Cerrado, realizado em Goiânia de 12 a 14 de dezembro último, tivemos a oportunidade de, mais uma vez, apresentar o potencial do Sistema Unimed e de reafirmar nossa disposição em colaborar com a construção de um sistema de saúde mais eficiente e justo para todos os brasileiros. Não temos dúvidas que o modelo de cooperativismo de saúde é uma alternativa aos modelos atuais de organização da atenção à saúde no Brasil e em outros países. Em recente artigo publicado no portal Sou Agro, nossa grande liderança cooperativista, Roberto Rodrigues, ressalta o potencial brasileiro na área do agronegócio e garante que o País é um exemplo para o mundo. Vamos além e afirmamos, com segurança, que na saúde o cooperativismo brasileiro também é um exemplo para o mundo. Temos, pois, o desafio de mostrar esse potencial do setor cooperativista à sociedade, aos gestores públicos, aos parlamentares. Neste ano eleitoral, temos outra tarefa: ampliar nossa representatividade no Congresso Nacional, reeleger e eleger candidatos comprometidos com o cooperativismo. Por isso, conclamamos nossas cooperativas, seus dirigentes e cooperados a avaliarem os candidatos com perfil cooperativista e ajudarem a eleger aqueles que reconhecem o valor do setor cooperativo e abraçam a nossa causa.

Índice

O sucesso do Simpósio da Unimed Cerrado

n Com uma rica programação e a participação de grandes lideranças cooperativistas, a quarta edição consolidou o sucesso do Simpósio da Unimed Cerrado. Páginas 3 a 5

Entrevista – Eudes Aquino

n Em entrevista a Unimed Cerrado em Foco, o presidente da Unimed do Brasil, Eudes de Freitas Aquino, fala um pouco sobre as conquistas do Sistema Unimed em 2013, os desafios e as eleições de 2014. Páginas 6 e 7

Personagem José Mário de Freitas

Saudações cooperativistas, Dr. José Abel Ximenes Presidente da Unimed Cerrado

Federação das Unimeds dos Estados de Goiás, Tocantins e Distrito Federal Rua 8-A, número 111 Setor Aeroporto, Goiânia (GO) CEP 74075-240 Fonefax (62) 3221 5100 www.unimedcerrado.com.br

Diretoria Diretor Presidente: Dr. José Abel Ximenes Diretor Administrativo-Financeiro: Dr. Danúbio Antonio de Oliveira Diretor de Mercado: Dr. Luiz Antônio Fregonesi

Unimed Cerrado em Foco

Órgão informativo da Unimed Cerrado Número 75 Ano XX – Fevereiro 2014 Edição: Santa Inteligência Comunicação Jornalista Responsável: Rosane Rodrigues da Cunha MTb 764/JP Fone (62) 9903 0935 santainteligencia@terra.com.br Fotos: Unimed Cerrado e Allisson Hugo Arte e Impressão: Gráfica Única Tiragem: 5 mil exemplares As matérias assinadas são de responsabilidade de seus autores e não refletem, necessariamente, a opinião de Unimed Cerrado em Foco

n Apaixonado pelo cooperativismo, o médico e fundador da Unimed Goiânia, José Mário de Freitas, é o personagem desta edição da série “Memória do Cooperativismo”. Páginas 8 e 9

Cooperando com responsabilidade social n Colaboradores da Unimed Cerrado participam como voluntários em projetos sociais desenvolvidos pela Federação, dando um exemplo de solidariedade, cooperação e cidadania. . Páginas 10 e 11

AINDA NESTA EDIÇÃO

Recursos próprios...............................Página 12 Melhores do IDSS...............................Página 13 Lena Castello Branco..........................Página 16


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IV SIMPÓSIO DA UNIMED CERRADO

Intercooperação, Integração e Inovação no IV Simpósio da Unimed Cerrado Com mesas-redondas, amplos debates, oficinas técnicas, uma diversificada feira de negócios e uma justa homenagem a lideranças cooperativistas, a quarta edição do Simpósio da Unimed Cerrado consolidou o sucesso deste evento, que teve como tema a Intercooperação, Integração e Inovação Realizado em Goiânia entre os dias 12 e 14 de dezembro, o IV Simpósio da Unimed Cerrado reuniu cerca de 300 pessoas entre dirigentes, cooperados, colaboradores e parceiros do Sistema Unimed em Goiás, Tocantins e outros Estados e autoridades, entre elas, representantes da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) e do governo estadual. A quarta edição do evento consolidou o sucesso do simpósio, realizado pela primeira vez em 2008, e foi considerada muito produtiva pelo presidente da Unimed Cerrado, José Abel Ximenes, e pelos diretores Luiz Antônio Fregonesi (Mercado) e Danúbio Antonio de Oliveira (Administrativo-Financeiro). O tema central do IV Simpósio da Unimed Cerrado foi “Intercooperação, Integração e Inovação”. Em sua mensagem

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Bruno Sobral (ANS), Eudes de Freitas Aquino, José Abel Ximenes e Antonio Faleiros: abertura do IV Simpósio da Unimed Cerrado no Centro de Convenções de Goiânia

de abertura do evento, José Abel Ximenes afirmou estar convicto que o Brasil está preparado, através do cooperativismo de saúde, em especial nas áreas médica e odontológica, para dar a sua contribuição para a superação da crise do setor saúde, que atinge países ricos e pobres, indiscriminadamente. “O setor público isoladamente não conseguirá suprir as necessidades e demandas da população na área da saúde. Através de uma parceira com o setor público, o Sistema Unimed poderia atuar como um prestador de serviços ao Sistema Único de Saúde (SUS), proporcionando uma assistência de qualidade a brasileiros que atualmente dependem das superlotadas unidades públicas”, disse. Representando o governador do Estado na solenidade,

o então secretário Estadual de Saúde, Antonio Faleiros, apoiou a proposta de parceria. “O poder público sozinho não consegue dar toda a assistência à população”, concordou. O presidente da Unimed do Brasil, Eudes de Freitas Aquino, parabenizou a Unimed Cerrado pelo conteúdo

do simpósio, ressaltando que o debate dos temas escolhidos engrandece o cooperativismo. Eudes Aquino observou que o Sistema Unimed está em processo de mudanças e que o simpósio contribui para a educação e a atualização dos dirigentes e cooperados. Ele destacou que 2013 trouxe benefícios para o Sistema Unimed, como a decisão sobre a cobrança do PIS/Cofins das cooperativas e o fim da pendência entre as Unimeds e o Cade, e disse esperar que 2014 também chegue ao fim com um resultado positivo.

Música e confraternização na abertura

Após a abertura oficial do IV Simpósio da Unimed Cerrado, os participantes puderam se confraternizar e assistir a apresentação do cantor Dablio Moreira, que, ainda adolescente, estreou no cinema, interpretando o cantor Zezé Di Camargo no filme “Dois Filhos de Francisco”. O clima de confraternização esteve presente em todo o evento.

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IV SIMPÓSIO DA UNIMED CERRADO

Mesas-redondas proporcionaram amplos debates Educação, medicina preventiva, a visão da ANS sobre as Unimeds da região, os avanços do Sistema Unimed foram temas de mesasredondas realizadas durante o simpósio O ciclo de cinco mesasredondas do IV Simpósio da Unimed Cerrado foi aberto no dia 13 com o tema “Unimed do Brasil Prestando Contas”. O presidente da Unimed do Brasil, Eudes de Freitas Aquino; o diretor de Integração Cooperativista e Merca-

do, Valdmário Rodrigues Júnior; o assessor Jurídico, José Cláudio Ribeiro Oliveira; e o diretor Administrativo, João Luís Moreira Saad, participaram da mesa. Eudes Aquino destacou os avanços do Sistema Unimed desde 2009, quando assumiu a diretoria. Entre esses avanços está a melhoria do relacionamento com a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) e com o Congresso Nacional, uma conquista atribuída à intensa atuação da Assessoria Político-Institucional, coordenada pelo presidente da Unimed Cerrado, José Abel Ximenes.

O exemplo da França na saúde integral

A Atenção Integral à Saúde foi o tema da terceira mesa-redonda e a médica sanitarista Bruna Alves de Rezende apresentou a experiência do modelo francês. Radicada na França há dez anos, Bruna destacou que o sistema de saúde precisa atender às necessidades

A segunda mesa-redonda foi presidida pelo diretor Administrativo-Financeiro da Unimed Cerrado, Danúbio Antonio de Oliveira, e apresentou o “Panorama das Unimeds do Centro-Oeste e Tocantins” na visão da ANS e da Unimed do Brasil. Presidente da Unimed Rio Verde e secretário da mesa, Martúlio Nunes Gomes, observou que o Sistema Unimed vem aprendendo a lidar com as exigências da ANS. Os representantes da ANS, Bruno Sobral, diretor de Fiscalização, e Bruno Martins Rodrigues, da Gerência de Acompanhamento das Ope-

radoras, afirmaram que a participação em eventos como esse aproxima a agência das operadoras. “Inicialmente, tivemos uma fase de embate e, agora, a ANS está em uma fase de diálogo com o setor”, disse Bruno Rodrigues, ressaltando que se trata de um setor de riscos elevados. Bruno Sobral destacou que os riscos são maiores quando envolvem pequenas operadoras. Segundo ele, pequenas Unimeds devem avaliar se vale a pena continuar atuando como operadoras. “Trabalhar apenas como prestadora não reduz a importância da Unimed”, disse.

O papel da educação no cooperativismo

da população e ser viável. O médico Heitor Tognoli e Silva falou sobre o programa de “Gestão de Assistência e Promoção à Saúde da Unimed BH”, que oferece uma atenção básica, multiprofissional e diferenciada ao usuário e remuneração também diferenciada ao médico.

“O cooperativismo precisa ser repensado”, diz Roberto Rodrigues No dia 14, Roberto Rodrigues, uma das maiores lideranças do setor cooperativista no Brasil e no exterior; o presidente da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), Márcio Lopes de Freitas; e o presidente do Sistema OCB/Sescoop-Goiás, Haroldo Max, foram os expositores da mesa-redonda “Visão Panorâmica do Cooperativismo no Mundo e no Brasil”. Roberto Rodrigues (foto) enfatizou a importância econômica e social do cooperativismo e a força representada pelas cooperativas em períodos de crise. Defensor da indicação do cooperativismo para o “Prêmio Nobel da Paz”, ele também observou que o sistema precisa ser repensado. “As cooperativas precisam rever seu modelo de gestão, a relação com o Estado, a forma de apresentação de seus serviços e produtos e as parcerias”, disse.

A mesa-redonda sobre “O Papel da Educação no Sistema de Cooperativismo de Saúde” encerrou a programação do IV Simpósio da Unimed Cerrado. Nemízio Antônio de Souza ressaltou o papel transformador da educação no sistema cooperativo de saúde. O coordenador do Núcleo de Telemedicina da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Goiás (UFG), Alexandre Taleb, falou sobre diferentes formas de ensino e a educação à distância. O então reitor da UFG, Edward Madureira (foto), falou sobre a parceria entre a universidade e a Unimed Cerrado e ressaltou que a instituição quer se aproximar mais da sociedade.


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IV SIMPÓSIO DA UNIMED CERRADO

Unimed Cerrado homenageia lideranças cooperativistas

Roberto Rodrigues, Eudes de Freitas Aquino, José Abel Ximenes e Américo Utumi

No encerramento de seu quarto simpósio, a Unimed Cerrado prestou uma homenagem a expoentes do cooperativismo brasileiro e mundial Um dos maiores nomes do cooperativismo brasileiro e mundial, o advogado Américo Utumi foi homenageado no dia 14 de dezembro, durante o IV

Simpósio da Unimed Cerrado. Também receberam a homenagem prestada pela Unimed Cerrado a grandes lideranças cooperativistas, o médico José Mário de Freitas, um dos fundadores da Unimed Goiânia; e o ex-presidente da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) Goiás, Antonio Chavaglia, que foi representado na solenidade pelo atual presidente da OCB/GO, Haroldo Max. Os troféus foram entregues pelo presidente da Unimed Cerrado, José Abel Xi-

Seminários de Mercado e de Recursos Próprios marcaram a programação Além das mesas-redondas, do Workshop de Auditoria e de oficinas técnicas nas áreas Contábil, Jurídica, de Regulação, de Responsabilidade Social e de Tecnologia da Informação, a programação do simpósio incluiu o V Seminário de Mercado, que debateu as tendências mercadológicas do setor de saúde suplementar. “Buscamos reunir técnicos do Sistema Unimed e de outros setores para debatermos e orientarmos as Unimeds para enfrentarem a concorrência do mercado”, disse o diretor de Mercado da Unimed Cerrado, Luiz Antônio Fregonesi. A Uni-

med do Brasil apresentou o serviço Saúde Ocupacional Unimed, apontado como um promissor produto. Uma das novidades desta edição do simpósio foi a realização do I Seminário de Recursos Próprios, que debateu a verticalização da rede de atendimento. A Unimed Regional Sul/Itumbiara e a Unimed Goiânia relataram suas experiências positivas, respectivamente, com o hospital e com recursos de diagnóstico próprios. Para o diretor Administrativo-Financeiro da Unimed Cerrado, Danúbio Antonio de Oliveira, o seminário cumpriu seu papel e terá novas edições.

José Mário de Freitas, José Abel Ximenes, Tarciso Dagoberto Borges e Roberto Rodrigues

José Abel Ximenes, Haroldo Max, Roberto Rodrigues e Márcio Lopes de Freitas

menes; pelo embaixador especial da FAO para as cooperativas e liderança cooperativista, Roberto Rodrigues; pelo presi-

dente da Unimed do Brasil, Eudes de Freitas Aquino; e pelo presidente da OCB, Márcio Lopes de Freitas.

FLASHES

Palestras - “Paradesporto: o esporte onde todos ganham” foi o tema da palestra ministrada, no dia 13, pelo diretor de Marketing do Instituto Superar, Roberto Trinas, e pelo velocista e campeão paralímpico Lucas Prado (foto). Também no dia 14, Roberto Rodrigues ministrou uma palestra sobre cooperativismo.

Feira de Negócios - Com estandes de cooperativas, como a Uniodonto, Bordana e Unicred, a Feira de Negócios foi uma atração a mais no IV Simpósio da Unimed Cerrado. Os expositores mostraram seus produtos e serviços e nos intervalos da programação proporcionaram muita diversão aos participantes, com brincadeiras e sorteios de brindes.

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ENTREVISTA

Eudes de Freitas Aquino: 2014 será um ano promissor para o Sistema Unimed O ano de 2013 vai ficar na história do Sistema Unimed. Entre os motivos, estão duas importantes conquistas: o acordo com o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), que pôs fim à cobrança de uma multa milionária imposta às cooperativas, e a definição da nova base de cálculo do PIS/Cofins, com a redução da tributação, uma antiga reivindicação do sistema. E 2014, segundo o presidente da Unimed do Brasil, Eudes de Freitas Aquino, traz boas perspectivas para as cooperativas Unimeds. Nesta entrevista a Unimed Cerrado em Foco, ele fala um pouco sobre os avanços conquistados, os desafios de 2014, o cenário político nacional e as eleições deste ano.

Acho que o quadro político brasileiro precisa de um rearmamento moral, porque a política do País está abaixo da crítica, principalmente no quesito ética

Um das vitórias do Sistema Unimed em 2013 foi o acordo e o fim de uma longa pendência com o Cade. Como o sr. avalia essa negociação? Foi o desfecho de um trabalho longo. O resultado de sete anos de negociações. Desde que eu era presidente da Fesp, vinha tentando convencer o Cade que as cooperativas não formam um cartel, que elas trabalham em rede porque essa é a essência do cooperativismo. E o Cade tinha essa dificuldade de entendimento porque a experiência acumulada por eles é mais com empresas mercantis. Fomos ao Cade e fizemos uma palestra sobre cooperativismo, o que mudou a percepção deles sobre o sistema cooperativista e facilitou o desfecho das negociações. Havia multas pesadas contra o Sistema Unimed, mais de R$ 80 milhões, e isso foi revertido. Com esse acordo firmado com o Cade, com a participação judicial, o que valida mais ainda a negociação, tiramos esse fantasma das costas dos dirigentes das cooperativas. Outra conquista das cooperativas Unimeds foi a publicação da lei que define a nova base de cálculo do PIS/ Cofins para as operadoras de planos de saúde. O que essa mudança representa para o Sistema Unimed? A negociação sobre a base de cálculo do PIS/Cofins foi outra novela, que terminou com uma grande conquista. Se com o Cade, a negociação já

foi difícil, com o Governo Federal, que tem um viés totalmente extrativista, foi mais trabalhosa ainda e envolvia uma quantia próxima a R$ 1 bilhão. A cobrança retroativa, que vinha sendo feita pelo Governo, representaria um desastre para a grande maioria das cooperativas. Foi feita uma negociação, teve um componente político forte, além do convencimento técnico. Prevaleceu o convencimento, mas a soma de forças políticas viabilizou a edição do decreto normatizando a cobrança junto às cooperativas. O sr. falou em componente político e o Sistema Unimed tem se aproximado do Congresso Nacional. Os resultados deste trabalho estão dentro do que o sistema espera? Estão, mas esse resultado político ainda é frágil. O país é formado por um mosaico de partidos políticos e esses partidos, com raras exceções, não se calcam em ideologia e, sim, em interesses eleitoreiros para as próximas eleições. As coisas são feitas já com compromissos para as eleições futuras e isso é péssimo. Em princípio, ninguém entra no mérito do pleito. Para apoiar uma determinada causa, o político avalia que vantagens ele pode tirar, que rendimentos eleitoreiros poderá obter mais adiante. Isso é muito ruim para qualquer segmento da sociedade, para a população. Não é uma forma correta de se fazer política, porque os políticos são eleitos para trabalhar pelo

que é justo, pela sociedade. De qualquer forma, nós temos um time na Frente Parlamentar do Cooperativismo (Frencoop), que vem nos ajudando. Em uma proporção não a desejada, mas razoável. Qual tem sido a estratégia de atuação do Sistema Unimed junto ao Congresso Nacional? A Unimed do Brasil tem uma linha própria de atuação, uma estratégia de ir direto à fonte, começando o embate pela fonte, pelo foco do problema e, só depois, é que busca apoio político. Já chegamos no Congresso com o posicionamento técnico sobre nossas reivindicações. Em 2014, teremos eleições. Qual será o posicionamento do Sistema Unimed? Ainda não discutimos, mas acredito que temos de respeitar as diferentes tendências partidárias existentes no sistema, como em toda sociedade. Acho que o quadro político brasileiro precisa de um rearmamento moral, porque a política do País está abaixo da crítica, principalmente no quesito ética. Então, temos de ter muito cuidado na escolha de nossos representantes. Não sou pregador do voto nulo, acho o voto nulo um ato de anticidadania, acho que a gente tem de participar, mas a escolha fica cada vez mais estreita. É difícil encontrar candidatos que tenham um perfil bonito, que possam desenvolver um tra-


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balho social competente e que trabalhem pela sociedade. Ainda não discutimos os apoios, mas devemos, principalmente nos níveis estaduais e regionais, apoiar candidatos com um perfil mais cooperativista. O sr. foi eleito em 2013 para o conselho mundial da Aliança Cooperativa Internacional (ACI), o que essa eleição significa para o sr. e para o Sistema Unimed? Significa a presença do Brasil na direção da entidade máxima do cooperativismo mundial, que é a ACI. São 15 conselheiros, na função de diretores, que têm a tarefa maior de implantar as ações da década do cooperativismo, que começa em 2014, e de prospectar em países carentes, principalmente com enormes lacunas sociais a serem preenchidas, necessidades que a ACI vai trabalhar para suprir dentro de um dos objetivos do cooperativismo, que é uma sociedade mais igualitária e mais justa. Quais a perspectivas para o Sistema Unimed em 2014? São boas. Eu costumo dizer que nada resiste ao cooperativismo e ao trabalho. Quando trabalhamos bem, com afinco, bem direcionados, com foco, as coisas terminam acontecendo. Estou muito otimista, temos pendências grandes ainda, não da magnitude do PIS/Cofins e do Cade, mas problemas que precisam ser equacionados. Por exemplo? O redimensionamento do sistema na relação operadora/ prestadora. Para mim, é um quesito fundamental. Tem também o estabelecimento de Parcerias Público-Privadas, que é uma tese que defendo há mais de cinco anos, inclusive tem um trabalho que virou livro e foi distribuído a políticos de diferentes correntes ideológicas para ajudar neste processo de melhoria do quadro de saúde brasileiro. Tem várias tarefas em andamento e 2014 será um ano promissor.

Nada resiste ao cooperativismo e ao trabalho. Quando trabalhamos bem, com afinco, bem direcionados, com foco, as coisas terminam acontecendo

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MEMÓRIA DO COOPERATIVISMO – PERSONAGENS

José Mário de Freitas: “o cooper Nascido no Maranhão, em 5 de julho de 1929, José Mário de Freitas traçou um longo caminho até, enfim, se radicar em Goiânia, onde está desde 1972. Saiu de sua cidade natal, Barra do Corda, aos 10 anos para se mudar com os pais para Pedro Afonso, hoje no Estado do Tocantins. Foi lá que teve o primeiro contato com a medicina e se encantou pela “magia” da profissão. Cursou o colegial em Porto Nacional (TO), fez faculdade em Curitiba (PR), estagiou em São Paulo, voltou para Curitiba para se casar, morou em Porangatu (GO) por nove anos, retornou a São Paulo para se especializar em psiquiatria e, enfim, elegeu Goiânia como seu verdadeiro lar. De fala mansa e espírito pacífico, José Mário é exemplo tanto profissional quanto pessoal. Casado há mais de 50 anos com a curitibana Maia Sílvia de Freitas, tem cinco filhos, mas nenhum deles médico. “A medicina é muito sofrida”, diz ele. Apesar disso, não consegue se imaginar fora da rotina de consultório. É o que o deixa feliz, admite. Com paixão pelo cooperativismo, José Mário acredita que a sociedade é necessária, mesmo que complicada. Seu histórico comprova: fundou a Unimed Goiânia, a Unicred e foi vice-presidente da Organização das Cooperativas Brasileiras na década de 80. Por 12 anos esteve na administração da Unimed Goiânia, onde exerceu os cargos de presidente (o primeiro, inclusive), vice -presidente e superintendente. Por tudo isso, José Mário foi homenageado pela Unimed Cerrado em dezembro passado. “O cooperativismo está no meu sangue”, afirma o personagem desta edição do Projeto Memória do Cooperativismo, lançado pela Unimed Cerrado.


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rativismo está no meu sangue” Vontade de ajudar os outros “Quando eu morava em Pedro Afonso (TO), trabalhei como assessor de um médico carioca que atendia na cidade. Eu achava aquele trabalho maravilhoso, essa coisa de ajudar os outros era algo mágico. E veja que na época os recursos eram escassos. A medicina avançou muito com o tempo e drogas eficazes surgiram para curar doenças que, até então, não tinham cura, inclusive psiquiátricas. Meus pacientes me procuram para sarar algo que os incomodam. As causas mais diversas trazem o paciente até mim.”

Os primeiros passos na profissão “Depois de formado e do estágio em cirurgia na Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, me mudei para Porangatu, na época um fim de mundo. Nem médico tinha na cidade. Eu fui o primeiro. Fundei um serviço de saúde e construí um hospital. Morei lá por nove anos, mas conforme os filhos foram crescendo, quis dar uma melhor educação para eles, além de ter uma dívida com minha esposa: havia prometido que a vida no interior seria temporária. Assim, levei-os para Curitiba, onde moravam meus sogros, deixei-os bem instalados e fui novamente para São Paulo, fazer o curso de psiquiatria. Foi dolorido sair de Porangatu, eu gostava muito de lá, tinha uma clientela boa.”

Apoio da família “Quando em São Paulo pela segunda vez, fiquei um ano separado da família, visitando-a nos fins de semana. No último ano de psiquiatria, contudo, resolvi levar a esposa e os filhos para São Paulo também. Concluído o curso, vim com todo mundo para Goiânia e me instalei aqui, em 1972. Tinha afinidade com a cidade e sempre a coloquei em meus planos. Meus pais e irmãos ainda moravam em Goiás e quis ficar próximo deles. Minha esposa sempre foi muito solidária, sempre me acompanhava sem objeção. Quando a gente está apaixonado, a gente mora até debaixo da ponte.”

A rotina no consultório “Eu nunca parei de atender em consultório, mesmo quando fundei a Unimed Goiânia e a presidi, mesmo com as viagens para congressos, encontros, aperfeiçoamentos. Hoje eu atendo pouca gente, o suficiente para me atender emocionalmente. Não é por dinheiro, até porque trabalhei muito por mais de 50 anos. Eu preciso de contato com o paciente, preciso me sentir útil e a clínica me faz bem. Tentei me aposentar, mas não consegui. Só quem se aposenta sabe a dificuldade que é. Quando se para de trabalhar, parece que se perde valor.”

A gente deve fazer o que gosta e é preciso viver para saber se acertou na escolha

A dificuldade da profissão “A medicina ainda hoje é muito penosa. É difícil trabalhar com o sofrimento, a mor te, a dor... Se algum filho meu quisesse fazer medicina, eu tentaria convencê-lo do contrário. Tenho cinco filhos e nenhum deles quis ser médico. Talvez eu tenha passado uma ideia muito sofrida da profissão.”

O contato com o cooperativismo “Em 1977, meu colega contemporâneo de faculdade, Edmundo Castilho veio a Goiânia pregar sobre o cooperativismo. Ele foi o fundador da primeira Unimed do Brasil e viu em mim um talento para o assunto. O cooperativismo está no meu sangue. O hospital que eu fundei em Porangatu era uma sociedade de colegas da cidade. Eu sempre fui muito associativo, acho que a sociedade é necessária, mesmo que seja complicada.”

O início da Unimed Goiânia “A maior dificuldade inicial foi a financeira. Não tínhamos dinheiro para pagar aluguel e contratar funcionários, mas tivemos a adesão de uns 60 colegas para a fundação. O cooperativismo hoje melhorou muito. Principalmente a parte de informatização, porque antigamente era tudo no papel e caneta.”

Mensagem para os colegas “A gente deve fazer o que gosta. Devemos buscar no nosso horizonte particular o que realmente nos atrai. Não hipoteticamente ou imageticamente, mas o que comprovadamente nos satisfaz. É preciso viver para saber se acertou na escolha. Meu primeiro trabalho como médico foi na área cirúrgica, mas vi que aquilo não era para mim. Procurei, portanto, uma especialidade que fosse clínica e a psiquiatria se encaixou perfeitamente. Fazendo o que gosta, a vida fica mais leve. Será que existe algo melhor do que fazer o que gosta? Eu acho que não.” (Texto/Edição: Raisa Ramos/Rosane Rodrigues da Cunha)

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RESPONSABILIDADE SOCIAL

Colaboradores da Unimed Cerrado são voluntários em ações sociais A participação voluntária dos colaboradores em projetos sociais desenvolvidos pela Unimed Cerrado traz benefícios para a comunidade, os trabalhadores e a Federação Um dos princípios do cooperativismo, o compromisso com o desenvolvimento da comunidade sempre fez parte da pauta de trabalho da Unimed Cerrado e, a cada ano, vem ganhando reforço. Para a realização destas ações de sustentabilidade e de responsabilidade social, a Federação conta com importantes aliados: seus colaboradores. Voluntariamente, os colaboradores da Unimed Cerra-

do têm participado de ações em prol da comunidade, dedicando parte de seu tempo à realização de trabalhos que contribuem para o desenvolvimento de crianças, jovens e adultos, para a valorização da educação, a preservação do meio ambiente, a promoção da saúde, enfim, para transformar e melhorar a sociedade. O trabalho desenvolvido com o apoio dos colaboradores voluntários ajudou a Unimed Cerrado a conquistar, pelo segundo ano consecutivo, o Selo de Responsabilidade Social 2013. Concedido pela Unimed do Brasil, o selo é um reconhecimento ao trabalho social e de sustentabilidade realizado pela Federação. Com esses trabalhos ganha a comunidade e ganha também a Federação e seus colaboradores. Gerente de Recursos Humanos da Unimed Cerrado, Fabiana Daniel Neves, observou que o envolvimento dos

Fabiana (ao centro): voluntariado reforçando conceitos

colaboradores em programas de voluntariado e ações sociais é de extrema importância para o desenvolvimento organizacional da Federação. “Através destas ações, os colaboradores conseguem reforçar os conceitos de cooperativismo, respeito ao próximo, interesse pela comunidade. Além de contri-

buirmos para o desenvolvimento da comunidade em que estamos inseridos, este aprendizado é internalizado pelo nosso colaborador, alterando o seu comportamento organizacional, melhorando suas relações interpessoais, empatia e, consequentemente, remetendo ao trabalho em equipe”, disse.

Gincana do Cerrado arrecada mais de 1,5 mil livros infantis

Mais de 1,5 mil gibis e livros infantis arrecadados em uma prova cumprida pelos colaboradores da Unimed Cerrado com muita animação, diversão e solidariedade. Esse foi o resultado do primeiro desafio da Gincana do Cerrado, organizada pela Gerência de Recursos Humanos e a Biblioteca Buriti da Unimed Cerrado com o objetivo de arrecadar livros para serem doados a crianças assistidas por instituições filantrópicas de Goiânia. A gincana começou em setembro, quando o desafio de arrecadar o maior número de livros foi lançado aos colaboradores.

Divididas em quatro grupos, as equipes não perderam tempo: valeu recolher livros em casa, pedir doações a amigos e até fazer uma “vaquinha” entre os membros do grupo para a compra de novos livros e gibis. O resultado foi conhecido em outubro e, além do material arrecadado, outros exemplares foram adquiridos pela Unimed Cerrado. Nos dias 16 e 17 de outubro, os livros e gibis foram entregues a três instituições que atendem crianças. A primeira etapa da gincana fez par te do Projeto Ler para Crescer, que marcou as comemorações do Dia da Criança.

Diretores e colaboradores: gincana de livros


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RESPONSABILIDADE SOCIAL

O que dizem os colaboradores “Essas ações são importantes para os colaboradores, pois é um meio de integração entre as equipes. Interagimos com colaboradores de outros departamentos, seja na organização ou na realização da ação. Para mim, a participação nestes projetos é muito importante, pois é um momento em que deixo minha rotina e conheço as histórias de outras pessoas e isso é um momento único na vida de qualquer ser humano”. Irene de Souza, analista de Treinamento/Unimed Cerrado

“Participei de campanhas, como a de doação de sangue e da gincana com prova de arrecadação de livros infantis. Foram ações importantes dentro da cooperativa e que mobilizaram os colaboradores e nos motivaram a praticar uma ação solidária. Vejo como benefícios a união do grupo, o exercício da boa vontade e a reflexão pessoal sobre temas delicados, como doação, ajuda ao próximo, cidadania, ética, empatia, etc. Em minha opinião, ações como essas são importantes no ambiente de trabalho por facilitar a adesão de voluntários a programas que já existem e muitas vezes são carentes de apoio.” Carlos Silva, analista de Tecnologia da Informação/Unimed Cerrado

“É gratificante poder participar de ações sociais promovidas pela Federação. Sempre quis realizar trabalhos voluntários, já visitei algumas instituições, mas minha jornada de trabalho nem sempre permite uma dedicação maior. Tive a oportunidade de participar da gincana de arrecadação de livros e fiquei muito emocionada em poder ajudar crianças que necessitam de apoio, que estão em situação vulnerável. Quero participar de muitas outras ações”. Joelma Dias , secretária da Diretoria/Unimed Cerrado

Ação de voluntários beneficia 233 estudantes

Distribuição de brinquedos e de alegria a crianças Programa Nosso Mundo: incentivando o empreendedorismo

Voluntárias: entrega de brinquedos a crianças da Acedevida

Os colaboradores da Unimed Cerrado fizeram a alegria de um grupo de crianças durante o Natal de 2013 com a doação de brinquedos arrecadados em mais uma gincana promovida na Federação. Foram arrecadados e doados cerca de mil brinquedos. A distribuição beneficiou crianças atendidas em instituições, como o Instituto Pestalo-

zzi de Goiânia, Acedevida, Paróquia Nossa Senhora Aparecida e o abrigo provisório Dom Fernando. Essa gincana fez parte de um trabalho social desenvolvido pelos colaboradores, que se dividiram em equipes e, mais uma vez, não mediram esforços para ajudar quem necessita. Com mais uma missão bem cumprida, as equipes já planejam novas ações para 2014.

Colaboradores da Unimed Cerrado, voluntários da parceria firmada entre a Federação e a organização Junior Achievement para o desenvolvimento de ações voltadas para crianças e adolescentes, participaram, em 2013, de três projetos educativos, que beneficiaram 233 estudantes. Firmada em 2012, a parceria inclui os programas “Nosso Mundo”, que apresenta a estudantes do 7º ano do ensino fundamental noções do comércio global; “As vantagens de se permanecer na escola”, que mostra a alunos a impor tância dos estudos em uma carreira de sucesso,

e o “Vamos falar de ética”, que estimula os estudantes a refletirem sobre os benefícios de uma conduta ética em sua formação como cidadãos e em suas vidas pessoal e profissional. Ao longo do ano, 19 colaboradores da Unimed Cerrado participaram dos projetos, alguns deles em mais de uma ação. Juntos, eles doaram 184 horas ao desenvolvimento dos projetos. Uma das ações aconteceu no dia 24 de setembro, quando os voluntários levaram o programa “Nosso Mundo” a 135 alunos do Colégio Estadual Criméia Oeste, em Goiânia.

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SINGULARES EM FOCO

Unimeds Anápolis e Rio Verde terão hospitais próprios As cooperativas anunciaram a construção de seus hospitais próprios, que devem gerar mais emprego para os cooperados e ampliar o atendimento aos clientes

A Unimed Anápolis terá seu primeiro hospital próprio. O projeto foi aprovado em Assembleia Extraordinária Geral, realizada em dezembro, e a obra será construída em um terreno de 22 mil m², de propriedade da cooperativa, localizado próximo ao setor industrial da cidade, às margens da BR-060.

O presidente da Unimed Anápolis e diretor Administrativo-Financeiro da Unimed Cerrado, Danúbio Antonio de Oliveira, explicou que o hospital será muito importante na região, pois a cidade tem um déficit na rede hospitalar. “Anápolis está crescendo muito e diversos hospitais estão fechando, por isso a construção deste hospital vai trazer uma melhoria muito grande para a comunidade em geral”, disse, ressaltando que os médicos cooperados também serão beneficiados com essa obra. “A cooperativa ganha em termos de melhoria na qualidade de atendimento e controle de custos e, com isso, esperamos aumentar os honorários dos cooperados. Além disso, esse hospital vai melhorar muito o ambiente de trabalho dos médicos, tendo

Unimed Gurupi conquista registro definitivo na ANS Após quase sete anos de espera e de cumprir todas as exigências legais para o funcionamento de uma operadora de planos de saúde, a Unimed Gurupi conquistou o registro definitivo na Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). A concessão da Autorização de Funcionamento da Unimed Gurupi foi divulgada em setembro passado pela ANS. O registro foi concedido após a conclusão da análise do processo de autorização de funcionamento pela Diretoria de Normas e Habilitação das Operadoras (Diope) e pela Diretoria de Normas e Habilitação dos Produtos (Dipro). A notícia foi recebida com festa pela Singular tocantinense fundada em 2 de abril de 1996. O presidente da cooperativa, Mário Tadeu Kroeff, lembrou que a espera foi longa, as exigências foram muitas e nem sempre fáceis de serem cum-

pridas. “Mas, a Unimed Gurupi conseguiu”, comemorou, ressaltando que a Singular agora trabalha com certeza de estar seguindo todas as normas da ANS e do cooperativismo de trabalho médico. Com cerca de 8,5 mil usuários e 87 cooperados, a Unimed Gurupi está pronta também para alçar novos voos. “Vamos buscar aumentar nossa carteira e o número de cooperados”, adiantou o presidente Mário Tadeu Kroeff, que dividiu a conquista do registro definitivo com todos que acreditaram, trabalharam e sempre apoiaram a Unimed Gurupi. A diretoria da Unimed Cerrado também recebeu a notícia com grande satisfação e parabenizou a Unimed Gurupi pela conquista do registro, que confirma a seriedade, a solidez e a organização da Singular federada.

Danúbio Antonio de Oliveira: benefícios para a população e para os cooperados de Anápolis

em vista a deficiência da rede na região”, afirmou. A Unimed Anápolis já trabalha no projeto da obra, que deve ter um custo de cerca de R$ 20 milhões, adquiridos com fontes de financiamento de juros baixos. A Singular pretende inaugurar o

hospital em dois anos e, inicialmente, a ideia é que a unidade seja de pequena e média complexidade, com módulos para crescimento futuro. Com previsão de entrega para dezembro de 2014, a Unimed Rio Verde (GO) já iniciou as obras da primeira fase de construção de seu hospital, que deve começar a funcionar em março de 2015. O presidente da Singular, Martúlio Gomes, explicou que o projeto, planejado em três fases, poderá ter 96 leitos. Segundo ele, o hospital próprio da Unimed Rio Verde só trará resultados positivos. “Haverá ganho no fortalecimento da marca Unimed, no controle de custos assistenciais, na fidelização do cliente e, claro, na melhoria da rede hospitalar do País”, explicou. (Com informações: Unimed do Brasil)

Unimed Goiânia inicia construção do Centro de Diagnóstico Prosseguem as obras de construção do Centro de Diagnóstico da Unimed Goiânia, que vai ampliar a rede de recursos e serviços próprios da cooperativa, garantindo aos beneficiários do Plano UniFácil 12 tipos diferentes de exames, além daqueles já realizados pelo Laboratório Unimed. O novo prédio está sendo erguido ao lado da sede administrativa, na Avenida T-7, em Goiânia. A construção terá duração de dois anos e é custeada com recursos do capital de giro da Unimed Goiânia, enquanto aguarda a liberação de financiamento solicitado ao FCO. “A expansão de nossos recursos

e serviços próprios é mais uma alternativa de controle de nossos custos assistenciais, com consequente melhoria do ganho de nossos cooperados. A medida não interferirá nas boas parcerias que desenvolvemos com nossa rede prestadora”, garantiram os integrantes do Conselho de Administração da Unimed Goiânia. (Fonte: Assessoria de Imprensa/Unimed Goiânia)


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ENTRE AS MELHORES

IDSS coloca a Unimed Cerrado entre as melhores operadoras de planos de saúde A operadora Unimed Cerrado foi classificada como boa e muito boa em todos os quesitos avaliados pela ANS A Unimed Cerrado está entre as melhores operadoras de planos de saúde do País, de acordo com o Índice de Desempenho da Saúde Suplementar (IDSS) divulgado pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) no dia 2 de dezembro. Operadora das carteiras de clientes das Unimeds Goianésia, Porangatu, Norte Goiano (Uruaçu) e Vale do São Patrício (Ceres), a Unimed Cerrado novamente foi classificada como boa e muito boa, as maiores classificações do índice, em todos os quesitos avaliados pela ANS.

Em uma pontuação que vai de zero a 1, o IDSS da Unimed Cerrado alcançou 0,7963. No Índice de Desempenho de Atenção à Saúde (Idas), a nota foi 0,6999. No Índice de Desempenho de Estrutura e Operação (Ideo), a nota da Unimed Cerrado foi 0,8135. No Índice de Desempenho de Satisfação dos Beneficiários (Idsb), mais uma nota muito boa: 0,8053. No Índice de Desempenho EconômicoFinanceiro, a Unimed Cerrado teve nota 0,9628, superior ao da última avaliação, que foi 0,9165. O resultado do IDSS referente ao desempenho das operadoras em 2012 mostra que a Unimed Cerrado encontra-se em uma posição econômico-financeira sólida; oferece aos clientes uma boa rede de consultórios, hospitais, ambulatórios, laboratórios e centros

CUMPRIMENTOS Dr. Ximenes Ao pesquisar o IDSS das nossas operadoras parceiras divulgado pela ANS, foi com grande satisfação que notamos a Unimed Cerrado se destacar com “avaliação máxima”, certamente resultado da seriedade com que o sr. a conduz. A Euroamerica parabeniza ao sr. e a todos os funcionários, certa de que fizemos a escolha correta ao longo destes 7 anos de relacionamento. Parabéns. Alvair Bernardo Euroamerica / No Risk / Reali Corretoras de Seguros Prezado dr. José Abel Ximenes, Em nome da Ahpaceg (Associação dos Hospitais Privados de Alta Complexidade do Estado de Goiás) parabenizamos a Unimed Cerrado pelo excelente resultado no Índice de Desempenho da Saúde Suplementar (IDSS). Entendemos que a avaliação feita pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) reflete o bom trabalho que vem sendo realizado pela diretoria, prestadores de serviços e colaboradores da Unimed Cerrado. Dr. Gustavo Gabriel Rassi Presidente Ahpaceg

Unimed Cerrado, José Abel Ximenes, a posição alcançada no IDSS é fruto de muito trabalho realizado com o objetivo de oferecer o melhor aos clientes. “A boa classificação da Unimed Cerrado no IDSS mostra também o reconhecimento de pessoas e empresas que confiam na operadora e na marca Operadora Unimed Cerrado: Unimed para cuimuito trabalho e bons resultados no IDSS dar de seu maior diagnósticos; desenvolve boas bem: a saúde”, ações de promoção, prevenção diz, ressaltando que esse ree assistência à saúde e é bem sultado também estimula a avaliada pelos usuários. Unimed Cerrado a continuar Para o presidente da trabalhando.

Saiba mais sobre o IDSS

O IDSS é um dos componentes do Programa de Qualificação da Saúde Suplementar da ANS e é de extrema utilidade para o consumidor que precisa, por exemplo, contratar novos planos ou conferir como estão avaliados os serviços de sua operadora. O índice varia de 0 a 1 (zero a um), abrangendo a soma dos diversos indicadores para a avaliação global do setor. O IDSS considera quatro dimensões: assistencial

O SistemaOCB trabalha pelo

cooperativismo. E o cooperativismo de

saúde trabalha pelo Brasil.

(40%), econômico-financeira (20%), estrutura e operação (20%) e satisfação do beneficiário (20%). Ao todo, 33 diferentes indicadores dessas quatro dimensões são avaliados em cada uma das operadoras. Essa avaliação do desempenho é realizada desde 2008 e as operadoras são classificadas em muito ruim (zero a 0,19), ruim (0,20 a 0,39), regular (0,40 a 0,59), bom (0,60 a 0,79) e muito bom (0,80 a 1,00).


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MEDICINA PREVENTIVA

Medicina Preventiva da Unimed Cerrado lança Boletim Ativo Online Os clientes da Unimed Cerrado contam, desde janeiro, com um novo canal de comunicação que, a cada semana, divulga informações e dicas para uma vida mais saudável Visando incentivar e promover mudanças saudáveis e melhorias na qualida-

de de vida dos clientes Unimed, o Depar tamento de Medicina Preventiva da Unimed Cerrado está editando semanalmente o Boletim Ativo Online. A primeira edição do informativo eletrônico foi enviada em 24 de janeiro. O primeiro número trouxe dicas para quem está de dieta, mas não consegue emagrecer, aler tando os leitores sobre as ciladas “escondidas” no cotidiano das pessoas que podem não só

comprometer o emagrecimento, mas também fazê-las ganhar peso. A segunda e a terceira edição, enviadas respectivamente nos dias 31 de janeiro e 7 de fevereiro, também destacaram a impor tância de uma alimentação saudável. A coordenadora de Gestão de Planos de Saúde e do Depar tamento de Medicina Preventiva da Unimed Cerrado, Lucijane Costa, ex-

plica que os leitores também podem ajudar a elaborar as pautas do informativo, que circula a cada sexta-feira. Para isso, basta que enviem suas sugestões para a Unimed Cerrado, preenchendo o formulário disponível em cada edição. Quem ainda não recebe o informativo, pode se cadastrar enviando um e-mail com seu endereço eletrônico para lucijane@unimedcerrado.com.br.

Unimed Cerrado na Sipat: atendimentos preventivos e orientações

Unimed Cerrado na Sipat do Rio Quente Resorts A Unimed Cerrado, através de seu Setor de Medicina Preventiva, participou, nos dias 27 e 28 de novembro, de mais uma edição da Semana Interna de Prevenção de Acidentes no Trabalho (Sipat) do Rio Quente Resorts, um dos maiores complexos turísticos do País, localizado no município de Rio Quente (GO). As ações contaram com a parceria da Unimed Caldas Novas. Foram realizados testes de bioimpedância, glicemia, avaliação de peso e altura, aferição de pressão arterial e outros. O médico Júlio César ministrou uma palestra sobre a Saúde do Homem, com orien-

tações sobre a prevenção de doenças, como o câncer de próstata. Na Tenda da Saúde e Balcão de Informações da Unimed Cerrado, os colaboradores do Rio Quente Resorts também receberam orientações e folders informativos sobre temas, como tabagismo, obesidade, hipertensão, câncer e diabetes, além de esclarecimentos sobre o uso do guia médico - como localizar médicos, clínicas, hospitais e laboratórios para realização de consultas, exames e outros procedimentos-; autorizações de atendimento e como utilizar seu plano de saúde.

Morrinhos: promoção da saúde em praça pública

Mais de 200 atendimentos na Tenda da Saúde em Morrinhos Mais de 200 pessoas foram atendidas na Tenda da Saúde instalada em Morrinhos (GO), no dia 18 de dezembro, dentro do Programa de Medicina Preventiva e Atenção Integral à Saúde da Unimed Cerrado. A ação foi desenvolvida em parceria com a Unimed Morrinhos, Prefeitura Municipal da cidade e Usimed e apoio do grupo Rio Quente Resorts, cliente da Unimed Cerrado. Durante todo o dia, quem passou pelo posto de atendimento, montado na Praça do Mercado, recebeu panfletos com dicas de saúde e de prevenção de doenças, ga-

nhou brindes e, principalmente, pode verificar como estava sua pressão arterial, glicemia e peso. Uma equipe formada por enfermeiros, técnicos em enfermagem e agentes de saúde também orientou o público sobre os riscos de doenças, como diabetes e hipertensão. Maria Francisca passava pelo local, foi atendida e aprovou o projeto. “Nunca encontramos um tempinho pra cuidar da saúde e aqui, na praça, não tem desculpa. Passei vi o movimento e aproveitei a oportunidade,” disse. (Com informações: Assessoria de Imprensa/Unimed Morrinhos)


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MEDICINA PREVENTIVA

Atenção à saúde dos colaboradores da Unimed Cerrado

A promoção da saúde e a prevenção de doenças entre os colaboradores da Unimed Cerrado estão entre as metas do Setor de Medicina Preventiva, que já realizou várias ações neste sentido

O combate às DSTs e aids

Cozinha Brasil: alimentação saudável e sem desperdício

Palestra orienta sobre alimentação saudável Palestra: tema relevante e orientação aprovada

Uma palestra sobre DST/Aids marcou as celebrações do Dia Mundial de Luta contra a Aids, comemorado em 1º de dezembro. A palestra foi ministrada no dia 17 de dezembro, no Centro de Desenvolvimento Humano da Unimed Cerrado, pela enfermeira Ana Cecília Coelho Melo e contou com a par ticipação de 22 colaboradores.

Chefe da Divisão de Agravos Transmissíveis Crônicos da Secretaria Municipal de Saúde, Ana Cecília, abordou os sintomas, incidência e formas de prevenção das Doenças Sexualmente Transmissíveis (DSTs) e da aids. Os colaboradores aprovaram a iniciativa e a escolha do tema considerado de grande impor tância.

Um grupo de 35 colaboradores da Unimed Cerrado participou, nos dias 16 e 17 de dezembro, de uma atividade diferente. Sob a coordenação da nutricionista Cecília Stefan Gebrim, eles foram para a cozinha e puderam colocar em prática as orientações recebidas antes, em uma palestra sobre alimentação saudável promovida pelo Setor de Medicina Preventiva dentro do projeto Cozinha Brasil Alimentação Inteligente.

Adesão à campanha Novembro Azul Depois de participar da campanha Outubro Rosa, de prevenção ao câncer de mama, a Unimed Cerrado aderiu à campanha Novembro Azul, uma mobilização mundial que visa a conscientização da sociedade e, principalmente dos homens, sobre a importância da prevenção e do diagnóstico precoce do câncer de próstata. A Unimed Cerrado aproveitou o dia 19 de novembro, Dia Internacional do Homem, e presenteou os colaboradores

com um laço azul, representando uma gravata, símbolo da campanha preventiva. Além do laço, o Setor de Medicina Preventiva entregou um cartão a cada colaborador, alertando sobre a importância de se informar e conhecer os sintomas e formas de prevenção do câncer de próstata. “Cuidar de si é coisa de homem, sim senhor”, dizia o cartão. Para incentivar os colegas, as colaboradoras também aderiram à campanha Novembro Azul, usando um laço azul no uniforme.

A maioria dos participantes aprovou a palestra, ministrada na sede da Unimed Cerrado, e que incluiu orientações sobre alimentos de baixo custo e alto valor nutricional, o aproveitamento integral dos alimentos e o combate ao desperdício. Todos os alunos receberam certificados de participação e livros de receita para que continuem pondo em prática o aprendizado sobre hábitos alimentares saudáveis.


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ARTIGO - Lena Castello Branco

Ainda ontem... * Lena Castello Branco é doutora em História, professora Titular (aposentada) da Universidade Federal de Goiás, sócia emérita do Instituto Histórico e Geográfico de Goiás, sócia fundadora da Sociedade Brasileira de História da Medicina. (lenacastelo@uol.com.br) Temos o costume de reclamar dos dias de hoje e idealizar os de ontem. Em verdade, ao fazê-lo, estamos a lembrar de nós mesmos, da força, alegria e entusiasmo da juventude, quando éramos moços, ágeis e entusiastas. Entretanto, do ponto de vista de cuidados médicos, como tudo era difícil e precário há apenas algumas décadas! Guardo na memória a recordação de uma velha prima lutando para ler uma carta à luz do lampião: chegava o papel próximo à chama, colocava e tirava os óculos e finalmente desistia: “Maldita catarata que não amadurece nunca!”. Além da espera para que a catarata “amadurecesse”, sofria-se com a incerteza do resultado da cirurgia e a antevisão dos complicados e demorados cuidados pós-operatórios, além do risco de infecção, pois não havia antibióticos. Na memória familiar, conta-se o caso de um menino de quatro anos, Pacifinho, submetido a um procedimento

Do ponto de vista de cuidados médicos, como tudo era difícil e precário há apenas algumas décadas

desse tipo, em 1892. O pai falecera há pouco; a viúva, D. Filó, e os filhos pequenos moravam no Desígnio, nome invulgar da fazenda da família, no interior do Piauí – como se ali estivesse traçado o destino dos que a habitavam e dela extraíam o sustento. Pacifinho brincava perto do curral quando foi atingido no olho por um coice de bezerro. De nada valeram remédios caseiros, compressas e meizinhas. Em busca de assistência, D. Filó partiu com ele para Parnaíba, mas o único médico da cidade estava viajando. Como o menino não melhorasse, seguiram por via marítima para um centro maior, São Luiz do Maranhão. Viajar era algo difícil e complicado, com longos preparativos e inevitáveis demoras. Chegando finalmente ao destino, hospedaram-se com parentes; foi chamado o médico , que logo veio, examinou a criança e suspeitou de catarata; fez um curativo e mandou que o pequeno paciente permanecesse em local escuro. No dia seguinte, voltou com um aparelho (qual seria?); depois de novo exame, concluiu que o diagnóstico preliminar estava correto. E que se fazia necessário operar o menino. Na manhã subsequente, voltou com um colega, para ajudá-lo; em casa mesmo, o garotinho foi cloroformizado e submetido à cirurgia. Não é difícil imaginar a cena: no ambiente de angústia e expectativa, a mãe rezando pelo filhinho, juntamente com familiares e serviçais que invocavam Santa Luzia, a protetora dos olhos.

Não se conhecem detalhes da operação, mas o cirurgião deu-se por satisfeito: fora um sucesso. Seguiram-se dias de cuidados meticulosos, com estrita proibição de qualquer esforço, devendo o pequeno paciente permanecer com a cabeça imóvel, em um quarto escuro. Quando finalmente foi retirada a venda, o médico achou que Pacifinho reagia bem e poderia movimentar-se, ainda com restrições. Mais uma semana e a criança já brincava e conversava, fazia pequenas tra-

Nos dias de hoje, a despeito da precariedade do sistema de saúde, é provável que o pequeno paciente tivesse sobrevivido

vessuras e dizia estar enxergando “um pouco” do olho doente. Dois meses se tinham passado quando Pacifinho teve alta. D. Filó tomou o caminho de casa; embarcou com o filho em um navio, fazendo o percurso de volta para Parnaíba, de onde

seguiriam para a fazenda. A pequena embarcação em que viajavam jogava furiosamente. Debilitado, Pacifinho vomitava sem parar; nenhum alimento lhe ficava no estômago. Ao chegarem a Parnaíba, foi diagnosticada febre amarela e receitado um vomitório, com o que o doentinho piorou consideravelmente. A dolorosa saga de Pacifinho está narrada em um manuscrito que me chegou às mãos. Eis as palavras finais do comovente relato, escrito por sua mãe: “Nesta ocasião notei que ele estava com a orelha e mão direita muito arroxeada e conheci que o Doutor estava sem esperança, e às 2 e meia deste dia expirou o meu inditoso Pacifinho me deixando angustiada de dor e saudades!” Mesmo buscando recursos médicos, D. Filó não conseguiu salvar o filho. A cirurgia de catarata foi bem sucedida, mas vitimou-o outra fatalidade: a febre amarela, endêmica na região e quase sempre mortal. Nos dias de hoje, a despeito da precariedade do sistema de saúde, é provável que, com a visão recuperada, o pequeno paciente tivesse sobrevivido. Referências: 1) Caderno com Anotações manuscritas de D. Philomena (D. Filó) Fernandes Castello Branco. 1892. Acervo da Fazenda Santa Cruz. Brejo (MA). D. Filó foi a terceira esposa (então viúva) do coronel Pacífico da Silva Castello Branco, bisavô da autora.

Unimed Cerrado – Rua 8-A, 111, Setor Aeroporto, Goiânia-GO, CEP 74075-240

Unimed cerrado em foco 75  

Confira a nova edição de Unimed Cerrado em Foco (75) e boa leitura.

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