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catĂĄlogo com versĂŁo online adaptada com acessibilidade para pessoas com deficiĂŞncia visual


apresenta

ARTE PRA SENTIR de 4 de agosto a 30 de setembro de 2018 Curadoria: Isabel Sanson Portella

CAIXA Cultural SĂŁo Paulo


A noção de participação, criada no neoconcretismo com Lygia Clark, Hélio Oiticica e Lygia Pape, trouxe para a arte uma abertura poética a partir da qual a obra se tornou processo, diálogo e, sobretudo, vivência. Os trabalhos buscavam exercitar a percepção, provocar o público com estímulos os mais diferentes. A partir dessas poéticas, o espectador passou a ser entendido como parte da obra e sua relação com o artista ganhou nova dimensão, ampliando-se o diálogo entre os dois. “Experimentar o experimental” – palavra de ordem de Hélio Oiticica – virou lema, assim como a frase de Mario Pedrosa, “exercício experimental da liberdade”, que potencializava o ato da experimentação num tempo em que já não se aceitava o conformismo cultural, político, ético e social. Todas as experimentações dos artistas dos anos 70 caminhavam no sentido de promover o encontro da arte com a vida. A divisão entre mente e corpo não validava mais o sistema de produção artística. Criar obras que demandavam a quebra das estruturas anteriormente concebidas tornara-se tarefa instigante, dada a necessidade da adequação do material à dissolução da forma e, junto a isso, a possibilidade da participação do espectador. ‘Arte pra sentir’ é a exposição das obras de seis artistas que buscam, por meio de prática inclusiva, levar o espectador a uma experiência que vai além do olhar. A criação não pertence apenas ao autor e só estará completa com a participação do público que poderá também apreciar as obras por meio do tato, da audição e do paladar. É o corpo multissensorial que é convidado a se envolver e a se transformar com a experiência estética. Assim o objeto deixa de ser o fim último e a tônica incide sobre a provocação de uma sensação direta. É pela exaltação sensorial que se busca uma transposição dos limites perceptivos. A hegemonia da visão cede espaço para a multissensorialidade. Carolina Ponte, Ernesto Neto, Flávio Cerqueira, Floriano Romano, OPAVIVARÁ!, Pedro Varela: seis artistas com propostas bem distintas foram instigados a apresentar sua experiência estética e produzir no público uma nova maneira de perceber e sentir a obra. Suas intervenções apontam para uma transformação mais ampla do ponto de vista sensorial e sugerem diferentes leituras e investigações. O espectador abandona então a contemplação, passando a ter uma atitude mais participativa e criadora. O objetivo é a partilha, a troca e a aprendizagem coletiva. É, entretanto, na subjetividade do espectador que reside a potência a ser contaminada pelo objeto de arte e, para isso, contribuirá


tanto a proposta dos artistas como as condições oferecidas para sua exploração. Além das peças táteis, a exposição conta com recursos de sinalização, audioguias, audiodescrição e informações em Braille sobre as obras expostas. Assim o espectador, com sua diversidade cultural, econômica e social, e com suas especificidades sensoriais, motoras e psíquicas, poderá se integrar nesse espaço de fruição, mediação e criação. ‘Arte pra sentir’ tem como desafio a entrega efetiva do espectador às obras apresentadas. Frente à superexposição visual que atinge a todos no mundo contemporâneo, podemos pensar nos limites da própria visão e no papel da arte para sua ampliação.

curadora e crítica de arte Isabel Sanson Portella


The notion of participation, created in the neo-concretism movement by Lygia Clark, Hélio Oiticica, and Lygia Pape, brought a poetic opening to art in which the artwork became a process, a dialogue and, mainly, an experience. The artworks pursued the exercise of perception and aimed to provoke the public through different kinds of stimulations. Following these poetics, the observer is now comprehended as part of the artwork and his relation to the artist gains new dimension, increasing the dialogue between them. “To experiment the experimental”, a watchword by Hélio Oiticica, became a motto as well as Mario Pedrosa’s “the experimental exercise of freedom”, which enhanced the act of experimentation in a time when cultural, political, ethical and social compliances were no longer acceptable. Experimentations by 70’s artists were all directed towards the encounter of art with life. The division between mind and body no longer legitimized the artistic production system. Creating artworks that demanded the breakdown of previously designed structures became an exciting task, given the need to adapt the material to the dissolution of form, and, in addition, the possibility of the viewer’s participation. ‘Art to be felt’ presents artworks by six artists leading the spectator to a beyond sight experience through inclusive practices. Creation does not belong solely to the author and is only completed with the audience involvement, which will be able to appreciate the artworks through touch, sound, and taste. The multisensory body is invited to get involved and to be transformed through the aesthetic experience. Thus, the object ceases to be the aim, and focus is emphasized upon a direct feeling. Transposition of perceptive limits is sought through sensory exaltation. The hegemony of vision gives way to multi-sensoriality. Carolina Ponte, Ernesto Neto, Flávio Cerqueira, Floriano Romano, OPAVIVARÁ!, Pedro Varela, six artists with very distinct propositions that were instigated to submit their aesthetic experiences and to generate a new way of perceiving and feeling the artwork. Their interventions aim at a wider transformation from a sensorial point of view and suggest different readings and investigations. The spectator puts the contemplation aside and develops an engaging and creative attitude. The goal is the exchange and the collective learning. However, the power to be contaminated by the art object lies in the


observer’s subjectivity, which will contribute to the artists’ proposition as well as the offered conditions for its exploration. In addition to tactile pieces, the exhibition features signage resources, audio guides, audio description and pieces of information about the works in Braille. Therefore, the viewer, with all its cultural, economic and social diversity, and with its sensorial, physical and psychic specificities, will be able to fit into this space of enjoyment, mediation, and creation. ‘Art to be felt’ has as a challenge the viewer’s effective dedication to the presented artworks. With visual overexposure in the contemporary world, we can think about the limits of vision itself and the role that art plays in its expansion.

curator and art critic Isabel Sanson Portella


Carolina Ponte Sem título, 2018 Crochê e tapeçaria Aprox. 250 × 300 × 150 cm


O trabalho da artista Carolina Ponte, formada em Gravura pela Escola de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro, tem como referência principal a integração do uso de técnicas artesanais, desenho e escultura em uma produção contemporânea. Desenhando com linhas e agulha, a artista cria obras que invadem o espaço, em diferentes combinações de padronagens, cores e ritmos. A maciez das lãs e linhas utilizadas e o colorido vibrante dão o tom lúdico à obra e atraem o olhar do visitante que se perde em meio aos variados pontos e enlaces. Sua obra remete a práticas ancestrais em que fios eram trabalhados para agasalhar e proteger. A partir do crochê, que a artista domina com perfeição, surgem formas que podem ser tocadas e que respondem ao toque com maciez e calor. Com partes planas e tubos tridimensionais pendentes, os desenhos surgem dos nós e pontos, crescem e procuram novas expressões. Em ARTE PRA SENTIR, exposição que explora os cinco sentidos de percepção, as obras de Carolina Ponte ocupam o lugar do toque afetivo, da experiência de abraçar e se deixar envolver, de sentir as texturas, o calor, a proteção. O colorido vibrante aproxima e certamente desperta a atenção criando conexões. Nuvem (2018), obra criada para a exposição, paira sobre a cabeça dos visitantes e, como uma imensa nuvem colorida, despeja uma chuva de pingos coloridos e tridimensionais. É nuvem e arco-íris, é chuva e o que vem depois da chuva.

The work by artist Carolina Ponte, a graduate in printmaking by the School of Fine Arts of the Federal University of Rio de Janeiro, has as main reference the integration of craft techniques with drawing and sculpture in a contemporary production. Drawing with threads and needles, the artist creates artworks which invade the space in different combinations of patterns, colors and rhythms. The softness of the wools and threads with the vibrant colors set a playful tone to the artwork, attracting the spectator's attention which gets lost between so many spots and interlocks. Her artwork refers to traditional practices in which threads were made to shelter and to protect. Through crochet, which the artist masters with perfection, shapes can be touched and are able to answer with softness and warmth. With flat parts and three-dimensional tubes, the drawings emerge from the knots and dots, grow and seek new expressions. In ART TO BE FELT, an exhibition that explores the five senses of perception, Carolina Ponte's artworks occupy the place of emotional touch, of the experience of hugging and allowing yourself to get involved, of feeling the textures, the warmth, the protection. The vibrant colors approach the visitor and certainly draws attention, creating connections. Nuvem (2008) [Cloud], artwork created especially for the exhibition, hangs over the visitor's heads, and like a huge colorful cloud, pours rain made of vibrant and three-dimensional colors. It's cloud and rainbow, it's rain and what comes after rain.


Descrição da foto: Foto quadrada colorida, apresenta uma parte da obra presa em uma parede branca e a outra parte sobre um piso de madeira marrom. A obra é feita de crochê e tapeçaria, mede aproximadamente dois metros e meio de comprimento, três metros de altura e um metro e meio de largura, a parte que está presa na parede é composta por um tapete oval contornado por pontos em bico largo rendado na cor pink, no meio deste tapete há vários prolongamentos multicoloridos, com formato semelhante a “sacos”, de diferentes tamanhos e comprimentos, no canto direito destaca-se um prolongamento mais comprido com franjas na ponta, que fica pendurado em uma prateleira forrada de papel estampado com folhas verdes. Na parte inferior central da obra, outro prolongamento bem mais comprido e fino vai até o chão, a sua extremidade abre-se formando um tapete redondo com diversas cores, que está sobre o piso de madeira. Fim da descrição


Carolina Ponte Sem título, 2018 Crochê e tapeçaria Aprox. 250 × 100 × 20 cm

Descrição da foto: Foto quadrada colorida, que apresenta a obra presa numa parede branca. A obra é feita de crochê e tapeçaria, mede aproximadamente dois metros e meio de altura e um metro de largura. A parte superior da obra, está presa na parede, é composta por um círculo de crochê nas cores vermelho, laranja, azul e amarelo. Logo abaixo vários círculos menores de crochê estão interligados ao círculo maior, deles saem nove prolongamentos multicoloridos, que vão até o piso de madeira marrom. Fim da descrição


Carolina Ponte Nuvem, 2018 Crochê e tapeçaria Aprox. 300 × 220 × 160 cm

Descrição da foto: Foto colorida retangular na horizontal, com fundo de parede branca, apresenta a obra pendurada no teto, feita de crochê e tapeçaria, com medida aproximada de três metros de extensão, dois metros e vinte centímetros de altura e um metro e sessenta de largura. A parte superior da obra é composta por uma estrutura horizontal de bordas arredondadas e recoberta por crochê multicolorido, das bordas até o centro saem onze prolongamentos de crochê multicoloridos, com formato semelhante a “sacos”, de diferentes tamanhos e comprimentos, até quase tocar o piso de madeira marrom. Fim da descrição


Ernesto Neto Tambor... pa pa... do dois, 2013 Crochê de corda de poliéster e polipropileno, instrumento musical e bolas de madeira 400 × 330 × 450 cm


Ernesto Neto é natural do Rio de Janeiro, onde vive e trabalha. Estudou escultura na Escola de Artes Visuais do Parque Lage e realizou cursos de intervenção urbana e escultura no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro. Em sua carreira passa a expandir a prática da escultura utilizando-se como principais materiais, na maior parte das vezes, de tecidos com elasticidade, temperos e isopor e da força da gravidade como elemento determinante. A interação física é outro aspecto fundamental de seu trabalho. O espectador é convidado a participar ativamente, tocando, cheirando ou adentrando o espaço da escultura. Na mostra ARTE PRA SENTIR, o trabalho de Ernesto Neto Tambor pa pa...do dois (2013) propõe a brincadeira: tocar e sentir a obra. O crochê surge como uma pele e serve para conter um tambor suspenso que tem à sua frente bolas de madeira também suspensas, uma de cada lado do tambor. Deficientes auditivos que visitam a exposição captam as vibrações sonoras da obra e podem perceber, em toda a sua intensidade, a proposta do artista. Como todos os outros espectadores, são convidados a se relacionar com a obra, pratica recorrente nas apresentações de Ernesto Neto. Experimentar, sentir, participar e explorar são ações que o artista incorpora aos seus projetos e que proporcionam uma maior fruição por parte do público, que, assim, entende a obra como algo que ele ajuda a construir.

Ernesto Neto was born in Rio de Janeiro, where he works and lives. He studied sculpture at the Parque Lage Visual Arts School and took courses in urban intervention and sculpture at the Museum of Modern Art of Rio de Janeiro. In his career, the artist expands the practice of sculpture, using elastic fabric, spices, and styrofoam as his main materials and the force of gravity as the decisive element. Physical interaction is another fundamental aspect of his work. The spectator is invited to actively engage through touching, smelling or entering the sculpture. In ART TO BE FELT, Ernesto Neto’s work Tambor pa pa...do dois (2013) proposes a playful game: touching and feeling the artwork. The crochet emerges like a skin and holds a suspended drum which has two wooden balls at the front, one in each side of the drum. The hearing impaired that visits the exhibition will be able to capture audio vibrations from the artwork and may realize the artist’s proposition in all its intensity. All spectators are invited to interact with the artwork, a recurring practice in Ernesto Neto’s productions. To experiment, to feel, to participate and explore are actions embraced by the artist in his projects, offering more enjoyment to the spectator, who understands the artwork as something he helps to build.


Descrição da foto: Fotografia colorida retangular na vertical, apresenta a obra presa no teto, medindo aproximadamente quatro metros de altura e três metros e meio de largura. A obra é feita de tecido em macramê, uma técnica de tecer fios com corda de poliéster e polipropileno, tingido nas cores amarelo e rosa. Na parte superior da imagem a obra está presa no teto por fios trançados e fixados em pinos de madeira, como uma teia de aranha, de cada lado, duas cordas pendentes do teto com uma bola de madeira em suas extremidades, descem até a parte inferior da foto. Na parte central e descendo do teto, dois prolongamentos de fios trançados sustentam e envolvem um grande tambor que está na horizontal. No fundo da imagem, uma parede branca destaca a obra. Fim da descrição


Flávio Cerqueira Amor entre dois diferentes, 2016 Bronze 90 × 23 × 39 cm


Artista plástico e escultor, Flávio Cerqueira nasceu na cidade de São Paulo e concluiu em 2005 o curso de Educação Artística na Faculdade Paulista de Artes. Suas obras integram acervos dos principais museus brasileiros. Trabalha com o processo tradicional da escultura em bronze tendo a figura humana como protagonista e tema central das suas muitas obras. Momentos de introspecção e reflexão transparecem nos trabalhos e dialogam com objetos do cotidiano, procurando criar uma relação entre mundo e espectador. Na mostra ARTE PRA SENTIR, Flávio traz, com extrema sensibilidade, observações do mundo que o cerca, suas próprias lembranças e inquietudes. O bronze, rude e trabalhado com a técnica tradicional, ganha uma delicada aparência de porcelana que lhe confere falsa fragilidade. Em Iceberg (2012), o menino sentado com as sandálias nas mãos e a camisa cobrindo as pernas tem o olhar perdido, o pensamento distante. O espectador, que utiliza as mãos ou os olhos para sentir as formas, vai certamente se emocionar com a nostalgia que envolve a obra. Já no outro trabalho apresentado, Amor entre dois diferentes (2016), em bronze, é o encantamento da descoberta que sobressai. A mesma delicadeza, a sensibilidade à flor da pele, tão marcantes nas obras de Flávio, estão presentes em ambas, sempre envolvendo, entretanto, múltiplos questionamentos sociais, culturais e reveladores das complexidades da vida e do mundo.

Visual artist and sculptor, Flávio Cerqueira was born in São Paulo and graduated in the Arts at Faculdade Paulista de Artes. His artworks are part of several important museum collections in Brazil. Flávio works with the traditional bronze sculpture process, focusing on the human figure as the protagonist and his main theme. Moments of introspection and reflection appear in his work as they interact with everyday objects, seeking the creation of a relationship between the world and the spectator. In the exhibition ART TO BE FELT, Flávio brings observations about the world around him, his own memories and concerns with extreme sensitivity. The bronze, rough and processed with the traditional technique, gains a delicate appearance of porcelain, which grants a false fragility to the artwork. In Iceberg (2012), the boy sits with his sandals in his hands, the shirt covers his legs, he has a lost gaze, his thoughts are distant. The spectator, which uses the hands or the eyes to feel the shapes, will certainly be moved by the nostalgic feeling involving this artwork. In his other presented work, Amor entre dois diferentes (2016) [Love between two different], through bronze the enchantment of discovery stands out. The same delicacy, the sensitive feeling which is so striking in his artworks are present in both, and always involving multiple social, cultural and revealing questions about the complexities of life and of the world.


Descrição da foto: Foto colorida retangular na vertical, apresenta uma escultura de bronze com patina, tipo de oxidação esverdeada, mede aproximadamente noventa centímetros de altura. A obra retrata um menino em pé sorridente segurando com as duas mãos uma grande concha, bem de frente do seu rosto. O garoto tem cabelos curtos e lisos, usa camiseta de manga curta, calça comprida e sapatos sem cadarço. A obra está sobre uma base branca, tendo ao fundo uma janela fechada por um vidro escuro. Fim da descrição


Descrição da foto: Foto quadrada colorida, apresenta uma escultura de bronze com pintura eletrostática branca, medindo quarenta e cinco centímetros de altura, trinta centímetros de largura e 45 centímetros de profundidade. A obra retrata um menino sentado no chão, com as pernas dobradas e joelhos próximo do peito, usa camiseta de mangas curtas que cobrem suas pernas, deixando aparecer somente seus pés descalços, o braço direito está abraçando os joelhos e o outro braço esquerdo está sobre o ombro direito, ele está com uma sandália da marca “Havaianas” calçada em cada uma das mãos. A obra está sobre uma base branca e ao fundo uma janela com vidros escuros. Fim da descrição Flávio Cerqueira Icerberg, 2012 Pintura eletrostática sobre bronze 45 × 30 × 45 cm


Floriano Romano Mar sobre Mar, 2018 Oca feita de ripas de madeira e alto-falantes Ă˜ 5 x 4 metros de altura


Floriano Romano, artista visual e sonoro, é pioneiro em obras que mesclam instalação, performance e rádio em espaços urbanos. Para a mostra coletiva ARTE PRA SENTIR, Floriano Romano criou a obra Mar sobre mar (2018), que traz um espaço de convivência e escuta do ruído do mar. Presas a uma grande estrutura de madeira que lembra um abrigo ou uma oca, caixas de som amplificam gravações de instantes diferentes captados em praias diferentes, que se sobrepõem como o movimento das ondas do mar. O ruído é a expressão do mundo, é indeterminado, por isso toca diretamente os sentidos, fala com a pele, com o corpo. Cada espectador ouve os sons de suas memórias pessoais, de suas praias e mares que remetem a momentos felizes ou não. A partir da criação de territórios sonoros, Floriano explora com o público os limites das artes visuais. Com o avanço tecnológico, o som faz parte cada vez mais dos trabalhos na arte contemporânea ou nas interações com outras áreas. Ocupar um espaço e atingir os habitantes de uma cidade é a proposta do artista. No espaço interno da instalação sonora todos podem ouvir/sentir as vibrações e, a partir daí, construir sua própria experiência.

Floriano Romano, a visual and sound artist, is a pioneer in artworks that mix installation, performance, and radio in urban spaces. For the exhibition ART TO BE FELT, Floriano Romano created the artwork Mar sobre mar (2018) [sea upon sea], which brings an interaction space with the sounds of the ocean. Attached to a big wooden structure, which reminds us of a shelter or a hut, sound cases amplify the recordings of different moments captured at different beaches that overlap as the movement of the waves. Noise is an expression of the world, it’s undetermined, that’s why it touches directly on the senses, it speaks to the skin and to the body. Each spectator will hear sounds of personal memories, of beaches and seas that reminds them of happy or not so happy moments. Through the creation of audible territories, Floriano explores the limits of visual arts with the public. With technological advances, the sound is increasingly present in contemporary art or in interactions with other areas. The artist’s proposal is occupying a space and reaching the residents of a city. Inside the sound installation, everyone can hear/feel the vibrations and, from then on, built its own experience.


Descrição da foto: Foto quadrada colorida, apresenta uma instalação construída com ripas estreitas de madeira clara,medindo aproximadamente 4 metros de altura e 5 metros de diâmetro. A foto mostra a obra com vista de cima para baixo, a parte superior central em formato octogonal de onde saem, nas laterais, 10 braços articulados, que descem até o chão, sugerindo o corpo de uma aranha. No alto, na parte interna dos braços articulados de madeira encontram-se fixados 10 alto falantes. A obra encontra-se apoiada em um piso de cor clara. Vê-se ao fundo, detalhes de colunas escuras de granito localizadas na parte superior da imagem. Fim da descrição


OPAVIVARÁ!

Fonte de refrescos, 2015 Mesa de inox hexagonal com 6 refresqueiras + corante alimentício nas cores amarelo, azul, vermelho, laranja, verde e roxo 200 × 200 × 150 cm

Descrição da foto: Foto colorida retangular horizontal, apresenta quatro refresqueiras grandes com recipiente de acrílico transparente, base de inox, uma ao lado da outra em círculo, sobre uma mesa hexagonal de aço inox. A obra mede aproximadamente 2 metros de largura, 2 metros de profundidade e 1 metro e meio de altura. Cada cuba de acrílico é preenchida por um liquido colorido, da esquerda para direita nas cores: azul, vermelho, amarelo e verde. Na parte da frente de cada refresqueira uma bandeja pingadeira e um acionador de torneira, ao lado de cada máquina, copos descartáveis transparentes. Fim da descrição


OPAVIVARÁ! é um coletivo de arte fundado em 2005, composto por cinco artistas visuais, que desenvolve ações em locais públicos da cidade, propondo inversões dos modos de ocupação do espaço urbano através de experiências coletivas. As ações devem gerar fluxos de arte e poesia no espaço ocupado, no qual o público não só é convidado a interagir com o trabalho, mas a se tornar um agente fundamental da execução do mesmo. O propósito do grupo é gerar alterações de ordem perceptiva e política sobre o universo das relações, desencadeando um questionamento reflexivo sobre as experiências cotidianas. Estão abertos a todo tipo de experiência, mas não abrem mão de sua filosofia base: ser e pensar o coletivo. Procuram sempre compartilhar, conviver e cooperar.

Fonte de refrescos (2015), obra do grupo para a mostra ARTE PRA SENTIR, consiste em seis refresqueiras contendo líquidos com cores diferentes e instigantes. As cores primárias e secundárias são obtidas com a adição de corantes comestíveis à água, que pode ser consumida pelos espectadores. O lúdico e a participação são propostas evidentes que proporcionam ao público a possibilidade de misturar cores, testar o paladar e a visão. Que gosto tem uma cor? Que cor resulta da mistura de duas ou mais tonalidades? A obra não acontece sem as pessoas, sem a diversidade, sem o imprevisível. Está aberta para ser explorada, tocada e sentida.

OPAVIVARÁ! is an art collective founded in 2005, composed of five visual artists which develop activities in public spaces of the city, proposing inversions in the use of urban space through the creation of relational devices that provide collective experiences. These actions must result in art and poetry flows, in which the public is not only invited to interact with the artwork but is a fundamental agent in its execution. The group’s purpose is to generate changes in perceptive and political order about the universe of relations, triggering a reflexive interrogation about daily experiences. They are open to any kind of experience, but they don’t give up on their basic philosophy: to be and to think the collective. Always sharing, coexisting and cooperating.

Fonte de refrescos (2015) [Refreshment Fountain], artwork presented at the exhibition ART TO BE FELT, consists of six juice cooling machines containing liquids with different and instigating colors. The primary and secondary colors are obtained through edible pigments added to the water which can be consumed by the public. Interaction and participation are clear proposals which provide the possibility of mixing the colors and experimenting with taste and vision. What does a color tastes like? What color derives from the mixture of two or more shades? The artwork doesn’t exist without people, without diversity, without the unpredictable. It’s open to being explored, touched and felt.


Pedro Varela Sem título (Cidade das memórias perdidas), 2018 Maquete de MDF com fragmentos de textos em braille 200 × 100 × 200 cm


Graduado em Gravura pela Escola de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro em 2005, Pedro Varela sempre procurou referências numa busca pela construção do imaginário. Seu desenho sai do espaço bidimensional, vai para um campo ampliado e encontra um caminho que lembra a escultura e a arquitetura. Para a exposição ARTE PRA SENTIR, Pedro criou duas obras que convidam o público a tocar e explorar as diferentes texturas. Com vinil adesivo recortado e outros materiais que vão desde lixas até pelúcias, ásperos e macios, o artista criou personagens e paisagens que se misturam formando um grupo divertido, muito colorido e bastante instigante. Os desenhos assim obtidos, aplicados sobre as paredes, conduzem à outra obra criada por Pedro Varela: uma maquete em madeira e papel de uma pequena cidade, onde os diferentes prédios estão dispostos sobre uma mesa baixa. Tudo para ser explorado e experimentado pelos deficientes visuais com as mesmas oportunidades que os videntes. Como um flâneur que se perde e se encontra, buscando memórias, o espectador irá percorrer as ruas e descobrir os pequenos textos em braile que se encontram pela cidade em miniatura. Cidade das memórias perdidas (2018), obra cuja delicadeza emociona, proporciona um número infinito de toques e percepções. Tudo nessa obra é absolutamente branco com detalhes aplicados tão delicados quanto filigranas.

Graduated in printmaking by the School of Fine Arts of the Federal University of Rio de Janeiro in 2005, Pedro Varela has always sought for references in his pursuit of his construction of the imaginary. His drawing leaves the two-dimensional space, for an amplified field that finds a path that reminds us of sculpture, and of architecture. For the exhibition ART TO BE FELT, Pedro created two artworks which invite the public to touch and explore different textures. With cut adhesive vinyl and other materials ranging from sandpaper to stuffed toys and from coarse to soft, the artist created characters and landscapes that mix, forming a very fun, colorful and thought provoking group. The drawings obtained by this process are applied directly to the wall and lead to another artwork created by Pedro Varela: a small town in a wood and paper model where different buildings are placed on top of a low table. All to be explored and experimented by the visually impaired with the same opportunities as those with perfect vision. Like a wonderer (Flaneur) that is lost and then found while seeking memories, the spectator will stroll through the streets and discover small texts in Braille which are found across the city. Cidade das memórias perdidas (2018) [City of lost memories], a work whose delicacy thrills the spectator, provides an infinite number of feelings and touches. Everything in this artwork is absolutely white with applied details as delicate as filigrees.


Descrição da foto: Foto colorida retangular na horizontal, apresenta uma maquete de madeira toda pintada na cor branca, medindo aproximadamente 2 metros de comprimento e 1 metro de largura, fixada sobre uma base branca com vários recortes de papel colado. A obra representa uma cidade com vários formatos de prédios pontiagudos, torres com alturas diferentes e telhados inclinados, outros com curvas e saliências. Entres eles espaços vazios representam as ruas, na faixada dos prédios frisos e desenhos em relevo. Ao fundo da imagem uma parede branca e o piso de madeira marrom. Fim da descrição


Descrição da foto: Foto colorida retangular horizontal, apresenta duas paredes brancas vistas na diagonal com cinco figuras coloridas coladas na parede. A obra possui diversas dimensões e formatos abstratos, cada figura é composta por vários recortes com formas representando figuras humanas (mãos, braços e pernas), elementos da natureza (folhagens e flores) e asas de cores e texturas diversas. O artista utiliza como material: vinil adesivo, tecido com pelúcia, papel camurça, retalho de tecido e outros materiais. Fim da descrição


Pedro Varela Sem título, 2018 Colagem sobre parede Dimensões variáveis


ARTE PRA SENTIR EXPOSIÇÃO | EXHIBITION Artistas | Artists Carolina Ponte Ernesto Neto Flávio Cerqueira Floriano Romano OPAVIVARÁ! Pedro Varela Curadoria | Curator Isabel Sanson Portella Palestrantes | Speakers Amanda Tojal Isabel Sanson Portella Lívia Motta Coordenação | Coordination Cláudio Rosado Torres Produção | Production Isabella Schmidt Produção Local | Local Production Fabrícia Jordão Ass. de Produção | Production Ass. Adriano Trindade Expografia | Exhibition Design Rosado Torres Produções Culturais Acessibilidade | Accessibility Amanda Tojal – Arte Inclusão Cláudia Aoki – Arte Inclusão Cassiano Gimenez – Seal Acessibilidade Luiz Tiago da Silva – Seal Acessibilidade Lívia Motta – Ver com Palavras Programação Visual | Design Lucas Sargentelli Assessoria de Imprensa | Press Liaison Tiago Santos – Tremma Comunicação Montagem | Art Mounting Brenno de Castro

Carlos Antonino de Souza Isaac Lira Josué Torres Luís Fernando Rocha Marcelo Cardoso Robson Affini Sinalização | Signposting Sign Vision Museologia | Museology Erick Santos – São Paulo Valéria Sellanes – Rio de Janeiro Iluminação | Lightning Rosado Torres Produções Culturais Transporte | Transportation Art Quality Seguro | Insurance Affinité CATÁLOGO | CATALOG Organização | Organization Cláudio Rosado Torres Isabel Sanson Portella Isabella Schmidt Texto | Text Isabel Sanson Portella Editora | Publisher Coletivo Garupa Design Gráfico | Graphic Design Lucas Sargentelli Imagens | Images Adriana Moreno Ass. Imagens | Images Ass. Rodrigo Marzano Tradução | Translation Isabella Schmidt Revisão de Texto | Text Revision Ananda Alves Juliana Travassos Lorenna Mattos

CAIXA Cultural São Paulo ARTE PRA SENTIR / curadoria de Isabel Sanson Portella - Rio de Janeiro: Edições garupa, 2017 80 p. 23 x 21 cm [Catálogo da exposição coletiva ARTE PRA SENTIR, realizada de 4 de agosto a 30 de setembro de 2018 na CAIXA Cultural São Paulo] ISBN 978-85-5986-012-2 1. Arte Contemporânea - Século XXI. 2. Pinturas e instalações de arte. 3. Arte Brasileira - Século XXI - Exposições. I. Portella, Isabel Sanson II. CAIXA Cultural São Paulo. III. Título.

CDD 709.81

Impressão | Printing Athalaia Agradecimentos | Acknowledgments Ateliê Nave Carolina Torres Fabrícia Jordão Galeria A Gentil Carioca Galeria Fortes D’Aloia & Gabriel Juliana Travassos – Garupa Laura Moritz Lívia Motta

FSC

Caixa Cultural São Paulo Praça da Sé, 111 – São Paulo/SP CEP 01001-001 Prefira o transporte público Tel: (11) 3321-4400 Distribuição gratuita. Comercialização proibida


produção

Rosado Torres Produções Culturais

patrocínio

GOVERNO FEDERAL

Livro/catálogo ARTE PRA SENTIR São Paulo, versão digital acessível através de softwares inclusivos  

ARTE PRA SENTIR, uma exposição de arte sensorial, exibida na CAIXA Cultural São Paulo, de 04 de agosto a 30 de setembro de 2018, uma mostra...

Livro/catálogo ARTE PRA SENTIR São Paulo, versão digital acessível através de softwares inclusivos  

ARTE PRA SENTIR, uma exposição de arte sensorial, exibida na CAIXA Cultural São Paulo, de 04 de agosto a 30 de setembro de 2018, uma mostra...

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