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resgate

Aos mestres Em uma sociedade historicamente acostumada a não valorizar o idoso, a Adpec vai na contramão desse cenário e promove uma troca de experiências que se pauta no resgate da memória da associação e na participação de quem ainda tem muito a contribuir

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com respeito O

respeito por quem ajudou a construir a história da Defensoria Pública do Estado do Ceará fortalece a relevância das lutas responsáveis pelo que hoje é direito de todos os defensores públicos. Com base nessa perspectiva, a Adpec vem realizando uma série de atividades voltadas aos defensores aposentados. De quebra, a associação promove o resgate de um passado pertinente não só àqueles que o viveram, mas sobretudo a todos que reconhecem nos mais experientes um espelho para as novas gerações. De acordo com a presidente Sandra Sá, a base da estratégia de aproximação da Adpec com os defensores aposentados gira em torno de uma sistemática em que destacam-se encontros mensais na sede da associação para troca de experiências, além de passeios, e uma comunicação direta por meio de informativos sobre as pautas da categoria. “Toda última sexta-feira do mês, por exemplo, realizamos o café com os aposentados. É gratificante

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porque além de ser um momento de convivência, podemos saber a percepção de cada um deles sobre os temas que envolvem os defensores. Essa troca é imprescindível”, ressalta Sandra. Para 2014, a expectativa da Adpec é adicionar aos passeios e encontros mensais, outras ações como: curso de dança, de redes sociais, entre outros. O cenário empolga a diretora de aposentados Maria Ocileide Saraiva. Mas ela faz uma ressalva. “Embora tenhamos a presença de vários defensores aposentados, ainda é uma dificuldade juntarmos um grupo maior, já que alguns estão com cuidados redobrados com a saúde e os demais possuem outras agendas. É verdade também que antes os defensores se sentiam um pouco relegados, mas isso está mudando, então acredito na adesão de mais participantes, pois todos têm motivos para participar”, avalia a diretora. Minha História, Nossa Luta A combinação entre reconhecimento, troca de experiências e diversão vem garantindo à Adpec um feedback positivo por parte dos defensores aposentados a essa nova dinâmica de atuação. Outra estratégia bem sucedida nesse processo é a série de crônicas compostas a partir dos relatos dos defensores, batizada de Minha História, Nossa Luta. Trocando em miúdos, trata-se de uma seção pu-

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“Embora tenhamos a presença de vários defensores aposentados, ainda é uma dificuldade juntarmos um grupo maior, já que alguns estão com cuidados redobrados com a saúde e os demais possuem Ocileide Saraiva, outras agendas” Maria diretora de aposentados blicada semanalmente no site da Adpec com o intuito de homenagear os defensores aposentados e contar aos que estão na ativa, histórias de um passado que direta ou indiretamente permitiu a consolidação da Defensoria Pública no Ceará. A golpes de um esforço descritivo às vezes comovente, às vezes bem humorado, ou simplesmente informativo, cada defensor conta a sua interpretação dos fatos e ajuda a compor um mosaico que se delineia mais e mais a cada história. Tome-se, por exemplo, a crônica sobre a defensora Nívea de Matos Nunes Rolim, em que ela comenta a institucionalização da De-


fensoria Pública. “Foi a nossa redenção. Houve muita briga e murro de mesa para conseguirmos isso. Muitos achavam a Defensoria Pública uma coisa menor. Até a institucionalização, tínhamos um recurso de 200 reais, que destinávamos a consertar maquinários doados por outros órgãos. Cheguei a ver um atendido de joelhos sendo assistido no antigo prédio, porque lá não havia cadeiras suficientes”, recorda. Perguntada sobre como se deu a criação do Minha História, Nossa Luta, a presidente Sandra Sá revela que tudo começou a partir de uma crítica. “Em um evento realizado logo após eu assumir a Presidência da Adpec, encontrei a Dra. Aspásia (Cristina Dias Soares) e a convidei a freqüentar mais a associação, ao que ela disse: ‘Sinto que há uma divisão entre os velhos e os novos. Você sabia que eu participei da primeira Diretoria da Adpec? Deveria saber’”, conta Sandra, que de imediato decidiu fazer algo para resgatar toda a memória da Adpec e da atuação dos defensores. Aspásia fica lisonjeada. “Foi uma conversa muito breve. Não imaginei que ela iria levar a sério. Parabenizo-a pela iniciativa. A Adpec está se aproximando dos mais velhos”, diz.

Emoção a flor da pele Reviver o passado é tarefa para os fortes. Não à toa, é comum certa resistência inicial por parte de um ou outro defensor em participar da seção. Mas o resultado parece agradar a todos, como ilustra José Ernaldo Rodrigues da Silva. “Fiquei muito envaidecido em ter participado. A repercussão foi excelente, gratificante. Também tenho lido as histórias dos colegas e vejo tudo isso de muito bom grado. Considero essa exposição dos aposentados um grande avanço da associação”, diz. Um ponto previsível e comovente é que cada entrevista vem carregada de muita emoção à medida que o defensor mexe nas gavetas da sua história. Que o diga Maria Áurea da Costa Graça. “Você acha pouco?”, diz, bem humorada. “Minha família também gostou muito. É uma ideia muito interessante, mesmo, até porque passamos a conhecer melhor a história dos nossos colegas defensores. Sim, pois defensor não é só quem ocupa o cargo hoje. A Adpec está no caminho”, ressalta. De acordo com a presidente da Adpec, Sandra Sá, no final de 2014 será lançado um livro com todas as crônicas do Minha História, Nossa Luta. “Olhar o passado ilumina os caminhos à frente”, conclui.

Francisco das Chagas de S. Fontenelle, Maria Ocileide Forte Ramos Saraiva, Aspásia Cristina Dias Soares, Maria de Loreto Bandeira, Francisco Bezerra de Oliveira e José Evandro e Silva

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Revista adpec materia idosos  
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