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M ÉRTOLA , Plano de Desenvolvimento Turístico

Este documento é o resultado do trabalho realizado no âmbito da unidade curricular Planeamento e Gestão Estratégica do Turismo. Consiste num projecto de desenvolvimento turístico para uma zona do Baixo Alentejo Interior, onde a vila de Mértola ocuparia papel central numa das regiões menos desenvolvidas da Europa.

Romeu Maciel Paiva Oliveira 05-05-2009 Instituto Superior Novas profissões


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CONTEÚDO

Indice ....................................................................................... Erro! Marcador não definido. CONTEXTUALIZAÇÃO ........................................................................................................... 2 INTRODUÇÃO ........................................................................................................................... 4 CARACTERIZAÇÃO GEOGRÁFICA E SOCIAL ................................................................ 6 INFRA-ESTRUTURAS E EQUIPAMENTOS ..................................................................... 7 ACESSIBILIDADES ................................................................................................................. 8 PRINCIPAIS ACTIVIDADES ………………………………………………………………………...9 ALOJAMENTO TURÍSTICO………………………………………………………………………..10 EMPRESAS DE ANIMAÇÃO TURÍSTICA………………………………………………………..14 PATRIMÓNIO……………………………………………………………………………………….…15 VISITANTES DE POSTO DE TURISMO…………………………………………………………16 ANÁLISE SWOT……………………………………………………………………………………….16 PROMOÇÃO…………………………………………………………………………………………….19 INCENTIVOS AO INVESTIMENTO TURÍSTICO………………………………………………20 CONCLUSÃO…………………………………………………………………………………………..21

Bibliografia ............................................................................................................................... 243

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MÉRTOLA, Plano de Desenvolvimento Turístico

CONTEXTUALIZAÇÃO

Em Portugal, desde há longas décadas, existe uma tendência conjuntural de desenvolvimento de duas grandes cidades que condicionam praticamente todo o território. Através de uma análise superficial percebe-se imediatamente que existe em território nacional apenas duas metrópoles. São pólos de atracção política, de atracção de serviços e de pessoas, esta conjuntura reflecte-se na competitividade do restante território e deste atrair actividades económicas que acrescentem valor às regiões. Repare-se que existe países que possuem uma capital política/administrativa, uma capital financeira e em alguns casos uma cidade fortemente industrializada ou uma capital turística/cultural. Esta diversidade de centros especializados é importante para o efeito multiplicador do turismo. No caso de Portugal, todos estes pólos de atracção localizam-se na mesma cidade ou a poucos quilómetros, existindo uma segunda metrópole que desempenha um papel de segunda capital para os mesmos pólos de atracção. Os indicadores sobre turismo nacional (excepto região do Algarve e Arquipélago da Madeira) indicam que a indústria turística, ganha ou perde importância se a região ou cidade é mais ou menos especializada. A indústria turística na maioria dos casos desenvolve-se no raio de atratibilidade destes grandes centros agregadores de serviços, partindo do princípio que o turismo é uma actividade de curta duração nunca superior a um ano, a aposta no desenvolvimento turístico de um local ou região caracteriza-se pela especialização em produtos associados às atratibilidades que a cidade oferece. Repare-se no caso de Lisboa, durante o verão é um destino para o turismo cultural e histórico, as suas Facilities actuam ainda como complemento à região da Costa do Estoril. No Inverno é um destino competitivo para o Meeting and Incentives e para as viagens de negócios ou sector Corporate, frequentes nesta altura ocupam um papel muito importante nas taxas de ocupação dos hotéis da cidade, cabendo à cidade oferecer um pouco mais que a necessidade basilar de alojamento e restauração, finalmente ao fim-de-semana ombreia com outras cidades europeias apetecíveis para os Short-breaks. Concluindo, os vários pólos de atracção de Lisboa, centro cultural, centro económico, capital e imagem de um país, são atratibilidades que se complementam. Então o que sobra para o restante território? No que toca a actividades que sejam alavancas para um contínuo fluxo de turistas, sobra muito pouco ou quase nada. Como pode uma vila do interior de Portugal, numa das zonas mais pobres da Europa, caracterizada por um isolamento natural, fundamentar o seu desenvolvimento na actividade turística? O nosso país depois de vários anos, seguindo o caminho de outros países, inspirando-se em exemplos de modelos de desenvolvimento turístico de países que na data obtinham aumentos sem precedentes das receitas provenientes da actividade turística, particularmente da oferta massificada do produto Sol e Mar, nunca as regiões se precaveram em relação ao futuro. Este paradigma de desenvolvimento teve como consequências irreparáveis, uma costa marítima para sempre destruída, hotéis a escassos

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metros do mar e outros afins1 apenas para citar o problema das costas marítimas. Actualmente e apesar de haver argumentos contrários, deparamo-nos numa situação de estagnação da indústria turística, incapaz de competir por exemplo com países europeus com as mesmas características climáticas e geográficas de Portugal, e com outros destinos emergentes a nível global. Os países europeus do mediterrânico apesar de cada um ter características muito próprias, apresentam semelhanças com Portugal em vários aspectos, particularmente a Grécia, Espanha e Itália, países que por coincidência ou não, apresentam problemas sociais e de desenvolvimento económico não muito diferentes de Portugal, porém no sector do turismo apresentam-se como destinos de Top a nível mundial. Actualmente, Portugal em quanto destino, multiplica-se em acções empreendedoras, de inovação e arriscamos a dizer de grandes investimentos a todo o custo. Será também esta a aposta dos nossos concorrentes? Teremos novamente capacidade de ombrear com eles? Pensamos que não. Quando e onde iremos ter um propósito consistente de desenvolvimento turístico sustentável? Não será esse o caminho que devemos seguir? Se o turismo é global devemos posicionar o nosso país no mercado mundial, Portugal é um país de pequeno tamanho, com população a decrescer e de diminutos recursos financeiros e Mértola apresenta as mesmas características do país e em alguns casos está ainda numa fase mais atrasada de desenvolvimento.

Só a escassos anos se percebeu os problemas criados no Algarve, não directamente relacionada com a falta de qualidade da oferta turística, mas sim pelo aumento da educação em Portugal e qualidade de vida das populações residentes, que chegados ao momento em que desejam uma contínua melhoria do seu bem-estar, vêem-se inseridos numa região turístico-dependente. 1

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INTRODUÇÃO

Chegados ao momento chave é necessário responder à pergunta: Que tipo de turismo queremos para Mértola? Tomamos como exemplo duas diferentes estratégias, a primeira de médio longo prazo, apoiada numa rede de alojamento temático/alternativo e na aposta em produtos alternativos como o turismo de natureza, turismo arqueológico ou Arqueoturismo2 ser alternativa por exemplo a um projecto turístico3 que tem por base a construção de um enorme conjunto turístico que incorpora aldeamentos turísticos, hotéis e campo de golfe, capaz de gerar lucros brutais num curto espaço de tempo e empregando um grande número de mão-de-obra. Actualmente é incontornável o estudo e debate desta temática de desenvolvimento. O desafio deste trabalho é ajudar na resposta sobre o futuro turístico de Mértola, porém mais uma vez o que está em causa são dois modelos de ocupação turística amplamente reconhecidos, por um lado, a adaptação do território a projectos turísticos (turistíficação do território), por outro, o desenvolvimento de uma actividade turística que se adapte às condicionantes do território (territorialização do turismo). Provavelmente a solução poderá já estar um pouco por todo o Portugal a muito tempo. O tão popular ditado “um pequeno jardim a beira-mar plantado” remete-nos para uma ideia de um país de pequena dimensão e harmonioso. Não será a sustentabilidade mais fácil nestas características? Poderá ser este o argumento chave para a aposta em um desenvolvimento equilibrado. Mértola apresenta-se num futuro próximo como um destino promissor, a aposta na nossa opinião não passa por grandes investimentos de pompa e circunstância, mas sim na melhoria do destino na perspectiva de ser uma unidade territorial reconhecida pela diversidade da oferta. Mértola há já algum tempo soube inovar através de uma aposta e investimento de risco a longo prazo, pondo a descoberto a história e o vasto património de uma vila perdida do Alentejo, essa aposta começa a demonstrar hoje resultados, e o melhor exemplo é o interesse de um grupo estrangeiro em investir no concelho. Pensamos que a mesma estratégia, adaptada ao desenvolvimento do turismo seria também uma boa solução e deste modo continuar a criar bases para o progresso equilibrado da região. Quando se pensa num grande investimento turístico para uma região pouco desenvolvida, rapidamente encontramos possíveis benefícios e prejuízo. Empregabilidade directa e indirecta antes e durante o projecto, criação e investimento em infra-estruturas e atractivos turísticos, em fim, desenvolvimento económico e melhor estar social. Mas será capaz a região de absorver todos os benefícios de projectos de grande escala? Vejamos o seguinte: Existe na região uma empresa competente para assegurar a construção do projecto e deste modo arrecadar o benefício de tal obra? Em Mértola não existe nenhuma empresa de grande dimensão, as empresas de construção civil são poucas e pequenas, seria impossível o projecto ser entregue a uma empresa local. Terá a região mão-de-obra especializada disponível? Não, num conselho onde apenas existe 1 escola secundária e uma Arqueoturismo “consiste no processo decorrente do deslocamento e permanência de visitantes a locais denominados sítios arqueológicos, onde são encontrados vestígios remanescentes de antigas sociedades, sejam elas pré-históricas e/ou históricas passíveis de serem visitadas por meio terrestre ou aquático” (Manzato, 2005). 3 Segundo notícia da Agência Lusa em 10-08-2008, poderá arrancar em 2009 a construção de um empreendimento turístico no valor de 180milhões de euros, que prevê 6 aldeamentos, 1 aparthotel, 1 campo de golfe e 300 postos de trabalho directos, em 236 hectares. 2

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escola profissional não existe formação capaz de responder rapidamente às necessidades. Se houver necessidade de importar mão-de-obra de outras regiões, serão os actuais salários praticados em Portugal suficientes para atrair e manter a desejada mão-de-obra. Os ordenados pagos no sector de hotelaria não variam muito entre as unidades hoteleiras, seria ainda necessário alojar a mão-de-obra importada, existiria oferta imobiliária suficiente em Mértola para alojar a mão-de-obra? Estarão os efeitos ambientais completamente acautelados, nomeadamente o impacto da construção de acessos, do tráfego automóvel no corredor que liga o empreendimento à vila e a outros acessos? Face a isto, pensamos que para o desenvolvimento da região, deve ser a população de Mértola a chamar a si a responsabilidade. Não somente na hotelaria se deve desenvolver o turismo, mas numa indústria criativa de produtos e serviços, onde a população deve usar da sua criatividade para reinventar o destino, sobretudo deve ser dado à comunidade, a possibilidade de pensar globalmente e de agir localmente. No caso de Mértola, uma região com diversos recursos turísticos naturais, culturais entre outros, deve ter como um dos seus mais importantes objectivos a sua defesa e preservação de forma a garantir a sua sustentabilidade e a qualidade. (João Martins Vieira, 2007, p.105), porque o importante é o comportamento, não a quantidade de visitantes (McCool, 1996). Por fim, inclui-se neste documento alguns indicadores de capacidade de carga de natureza geográfica, pretende-se pois, demonstrar que apesar de possuírem interesse no que concerne a quantificação de «quantos são demasiados», são insuficientes porque no caso de Mértola, um dos maiores concelhos de Portugal, a questão não é saber a quantidade, que será sempre bastante se for proporcional ao tamanho do território, mas sim quais os limites de mudança toleráveis, outra perspectiva seria obter um desenvolvimento cujos indicadores sejam alvo de análise durante o processo de tomada de decisão.

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CARACTERIZAÇÃO GEOGRÁFICA E SOCIAL

Mértola localiza-se se na Região do Baixo Alentejo, Distrito de Beja,, ocupa uma área de 1279 km2 tornando Mértola um dos maiores concelhos do país. A Nordeste encontra-se encontra Serpa, a Noroeste Beja e Castro Verde, a Sudoeste Almodôvar, a Sul Alcoutim e por fim a Este Espanha, tornando Mértola um dos concelhos da Raia Alentejana. Se pensarmos noo facto de que o Alentejo é desde sempre a zona mais despovoada de Portugal e se a isto juntarmos mos a tradicional falta de atratibilidade das regiões regi raianas ou a falta de acessos como é exemplo a falta de uma via rodoviária com características de autoauto estrada ou mesmo uma via de caminho de ferro, estes factores fazem do município um dos mais atingidos pelo despovoamento e pelo desinvestimento contínuo.. Se S isto não fosse suficiente, há ainda as características geográficas que outrora fizeram da Região de Mértola um local inexpugnável. A Este, Este o grande Rio Guadiana faz a fronteira entre o Alentejo e a Andaluzia, a Sul ul a Serra do Caldeirão separa uma das regiões turísticas mais desenvolvidas desenvolvida da Europa de um das zonas turisticamente menos menos desenvolvidas de Portugal. A serra do Caldeirão forma nesta região uma paisagem muito peculiar, onde as elevações arredondadas, os cerros, são cortadas por uma densa rede hidrográfica que na sua maior parte é constituída por cursos de água temporários, temporários, o relevo é por esse motivo muito acidentado em certos pontos. Região com clima do tipo mediterrânico, a influência climática da serra no efeito de barreira de condensação para os ventos húmidos do Sul resulta num clima com influências continentais, continentais já quee a região fica exposta aos ventos do Norte e nem sempre recebe a humidade do mar a Sul. Sul

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Desde 1930 (26310 habitantes), a região tem perdido população incessantemente. Actualmente o concelho de Mértola possui uma população residente de 8712 habitantes (censos 2001). A população activa por sector de actividade em 2001 era a seguinte: Sector Primário 18,9%, sector secundário 23,5%, sector terciário 57,7%. A Taxa de Desemprego de 12,3% espelhava a dificuldade na criação de emprego e fixação da população. Actualmente Mértola é um dos concelhos com maior Taxa de Crescimento Natural Negativo. O nível de ensino apresenta ainda algumas disparidades em relação ao país, como resultado de uma percentagem de 22% de analfabetismo, quanto ao ensino superior apenas 4% possuem essas habilitações.

Taxa de Crescimento Natural em Portugal

INFRA-ESTRUTURAS E EQUIPAMENTOS

NÚMERO DE ESTABELECIMENTOS DE ENSINO: → → → → →

Pré-escolar: 9 1º Ciclo: 16 2º e 3º Ciclo: 1 Secundário: 1 Escola Profissional: 1

UNIDADE DE SAÚDE: → Centro de saúde com unidade de internamento em Mértola. → Farmácias: 2 INFRAESTRUTURAS BÁSICAS: → → → →

Electricidade: população servida 97,7% (2001) Água: população servida 95% (2002) Saneamento: população servida 25,4 % (2002) Parque de Telefone: 2841 (1999)

EQUIPAMENTOS SOCIAIS: → → → →

Cineteatro: 1 Sala-Auditório: 1 Biblioteca: 1 Museus: 9

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→ → → → → → → → → →

Piscina Coberta: 1 Campo de Ténis: 1 Gimnodesportivo: 1 Polidesportivo: 3 Campo de Tiro: 4 Centro de Educação Ambiental: 1 Rampa de Descolagem de Parapente: 1 Espaço Jovem: 4 Clube Náutico: 1 Centro de Interpretação: 1

ACESSIBILIDADES

ACESSOS RODOVIÁRIOS: Principais Redes Viárias: → → → → → →

EN122/IC17 . Beja a Castro Marim (atravessa a Vila). EN267 Mértola a Almodôvar. EN123 Mértola a Castro Verde A2 - 52km Espanha a 36km Espanha A499 a 62km

DISTANCIAS A:

Cidade:

Mértola

Beja Faro Sines Sevilha Lisboa

52 117 120 222 232

REDE DE TRANSPORTES COLECTIVOS: Rodoviária: Tipo Regional Expresso

Freguesia Servidas Todas Mértola

Frequência Diária Diária

NÚMERO DE TAXIS: 8

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PRINCIPAIS ACTIVIDADES

As actividades económicas em Mértola não são muito diversificadas. O sector terciário recolhe cerca de 58% da população activa empregada. Este sector tem crescido nos últimos anos tal como na região do Alentejo à custa da diminuição de activos na agricultura. Porém a administração pública local é a principal criadora de emprego na área dos serviços. Partindo do princípio que os recursos económicos não são ilimitados, este “investimento” na criação de emprego tem com revés a falta de capacidade para benefícios fiscais ou apoio económico para apoiar e incentivar a criação de micro, pequenas e médias empresas, essas sim capazes de criar riqueza. Em 2004 estavam sedeadas no concelho 831 empresas, 29% desenvolviam a sua actividade no domínio do comércio, a agricultura, produção animal, silvicultura e pesca representam 27% das empresas. A construção civil suporta 15% da estrutura empresarial, por fim o alojamento e a restauração representam 12% do tecido empresarial. ARTESANATO LOCAL: → → → → → →

Mantas Alentejanas Tecelagem Ourivesaria Cestaria Calçado Artesanal Cadeiras de Buínho

AGRO-ALIMENTARES: → → → → → →

Mel Queijo de Ovelha Queijo de Cabra Pão Caseiro Plantas Aromáticas e Medicinais Vinhos

ANIMAÇÕES: → → → → → → →

Canoagem Passeios de Barco pelo Rio Guadiana Caça Equitação Percursos de Bicicleta e Pedestre Parapente Praia Fluvial (Tapada da Mina de S. Domingos)

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ALOJAMENTO TURÍSTICO Os últimos dados4 apontavam que Mértola apresentava algumas infra-estruturas de alojamento, perfazendo no total 110 camas. Ao abrigo do último regime jurídico dos Empreendimentos Turísticos de 7 de Março de 2009, a maioria do alojamento no Concelho de Mértola pertence a nova tipologia de “Alojamento Local”. Actualmente existe 4 empreendimentos de TER, 1 empreendimento de Apart. Turístico e uma nova Pousada como resultado do cancelamento da categoria Estalagem, estando em fase de licenciamento 1 empreendimento de TER e 2 empreendimentos de Turismo de Natureza. Existe ainda o projecto para um conjunto turístico (Resort) que prevê a construção de 6 aldeamentos turísticos, 1 aparthotel e um campo de golfe, porém não foi possível confirmar se sua construção será uma realidade. Como se contacta nas páginas seguintes, através de uma análise dos quadros retirados do PROT (Plano Regional do Ordenamento do Território), observa-se que o concelho de Mértola se depara numa situação de enclave, vejamos a situação posicional do concelho: a Sul o Algarve, desde a longos anos uma das regiões com maior densidade de empreendimentos turísticos, a Oeste observe-se que o Litoral Alentejano nomeadamente o extremo norte do Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina é actualmente uma das regiões com mais atratibilidade para investimento turístico como se justifica pelos vários projectos PIN5 que estão em fase de avaliação, por fim os concelhos limítrofes a Beja e a própria cidade, oferecem uma capacidade maior de alojamento turístico face a Vila de Mértola. Urge a necessidade de criar uma oferta consolidada e diversificada e deste modo aumentar a competitividade do destino a nível regional e porque não, a nível nacional. Não é de todo viável apostar na criação de atratibilidades, sem existir capacidade de hospedar os visitantes e no caso de Mértola é fundamental, primeiro porque as regiões contíguas à excepção de Beja, não apresentam capacidade hoteleira complementar, repare-se que o concelho de Almodôvar não possui nenhum alojamento de TER, segundo porque uma aposta no TER nos modelos que actualmente conhecemos apenas irá conduzir a oferta idêntica ao que oferece outros destinos, não sendo possível competir com destinos por exemplo mais próximos, ou que apresentem outra oferta como Praia, Montanha, Lagos etc. Por outro lado a consolidação é necessária pois transmite confiança ao destino. A oferta deve trabalhar em equipa, especificamente na criação de canais de distribuição e de promoção conjunta. Não é aconselhável permitir que novos alojamentos sejam criados sem antes serem analisados com detalhe os planos de negócios, bem como se estes prevêem as dificuldades reais do mercado, bem como se possuem uma estratégia de Marketing segura. Há alguns anos os empreendimentos de TER desapareciam tão depressa como surgiam, já que entre outros aspectos, não possuíam uma estratégia de aproximação ao cliente nem o cliente se sentia interessado neste tipo de alojamento, actualmente o TER consegue a sua consolidação entre outras razões à revolução que a Internet permitiu na aproximação ao cliente.

Segundo o documento “Informação por Concelho” da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Alentejo.

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Procurar projectos pin no sudoeste alentejano.

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Capacidade Total dos Estabelecimentos

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Capacidade de Alojamento em E.H.

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NĂşmero de Estabelecimentos de TER

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EMPRESAS DE ANIMAÇÃO TURÍSTICA

Actualmente e segundo as fontes consultadas, existe uma única empresa que exclusivamente se dedica à animação turística em Mértola, mas sobre a qual não foi possível obter qualquer informação. Existe porém outras empresas que fazem animação aproveitando as características do seu ramo de actividade ou função. Existe um empreendimento de TER que a par da oferta de alojamento acrescenta algumas actividades dentro do modelo do turismo activo, porém não foi possível saber se o faz através de um acordo com uma empresa especializada em animação. Existe ainda o Clube Náutico local que tendo como objectivo principal a dinamização de actividades desportivas ligadas ao Rio Guadiana, ocasionalmente aluga equipamento para passeios no rio. A situação actual é no mínimo desesperante, já que a se trata de uma Região situada num Parque Natural dos mais belos do País e não é de mais sublinhar que os parques naturais são classificados segundo critérios muito específicos no que toca a envolvente natural, cultural e social. As características naturais da região permitem um número razoável de actividades, porém é necessário conhecer bem a realidade local. As actividades náuticas que encontram no Rio Guadiana elevado potencial, apenas são possíveis a partir de Mértola para Sul, já que o rio só é navegável por pequenas embarcações apenas até Mértola e só quando a Maré está no seu ponto mais elevado, isto porque o efeito da maré prolonga-se até bem perto de Mértola. A montante e a jusante de Mértola o rio não tem a forma serena que apresenta em frente a vila, estas características poderiam ser aproveitadas para actividades como Raftin, Escalada, Rapel e até mesmo o Canyoning aproveitando a queda de agua do Pulo do Lobo, a maior queda de água do Sul de Portugal. O aproveitamento de outras actividades de voo livre, poderiam ser conciliadas de modo a utilizarem a rampa de Parapente local. As opções para trilhos pedestres são inúmeras, dentro Parque Natural, nas imediações de Mértola nomeadamente a utilização da Via Romana que ligava as Minas de S. Domingos ao Porto Fluvial de Mértola, ou subindo os vários ribeiros que desaguam no rio Guadiana, estas seriam uma mais-valia para a descoberta de uma singular paisagem. Segundo as pesquisas realizadas, não existe um Centro Equestre/Hípico local que proporcione passeios. A região do Alentejo é uma das regiões de Portugal com maiores capacidades para a criação de percursos equestres e se estes forem organizados de modo a tirar partido da envolvente paisagística e cultural desta região alentejana, acrescentaria valor ao destino. Não existe dúvidas que existem várias actividades que poderiam ser criadas e organizadas regularmente para dinamização do local, porém são na sua maioria sempre iniciativas públicas do município, e é necessário relembrar que o município tem como objectivo proporcionar momentos de convívio social entre a população, mas não cabe a este desenvolver actividades de animação turística. Essas actividades poderiam ser concebidas por empresas locais especializadas e com conhecimento profundo da actividade. Estas sim poderiam ser as fornecedoras para as entidades públicas e para o público. Actualmente existem várias empresas que criam actividades em Mértola porém não estão sediadas no concelho nem criam emprego na região, são no fundo empresas externas que utilizam recursos internos ou locais, ou seja exploram os recursos da região.

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PATRIMÓNIO CULTURAL

“A A arte é o resumo da natureza feito pela imaginação.” imaginação Eça de Queiroz

A vila de Mértola apresenta condições para se tornar um paradigma no aproveitamento turístico da herança histórica e patrimonial que possui. Calcula-se Calcula que existem ainda muitos outros locais no interior da vila e nas imediações que ainda não foram suficientemente estudados, prevendo-se prevendo que o património poderá ser aumentado no futuro. Actualmente é o concelho português com maior número de museus por habitante6, na escala de 1 museus por 900 habitantes. habitantes Património atrimónio arquitectónico, património arqueológico, legado muçulmano, romano, medieval, medieval enfim, o potencial é enorme. O aproveitamento proveitamento do conjunto das Minas de São Domingos na vila com o mesmo mesmo nome, para turismo industrial nomeadamente com a criação de um centro de acolhimento do visitante, recuperação do primeiro troço de caminhos--de-ferro ferro construído em Portugal, que serviu para o transporte do minério ate ao porto do Poceirão no rio Guadiana, Guadiana, ou em alternativa a criação de um caminho pedonal ou ciclovia. via. Recuperação de alguns moinhos de vento e azenhas de água, manutenção e colocação de informação para o visitante sobre a via romana na imediação da vila.

Núcleo Antigo de Mértola

O museu de Mértola possui 8 núcleos museológicos sobre temas e períodos históricos diferentes, tes, localizados em vários pontos da vila: núcleo romano, visigótico ou lapidar, núcleo de arte sacra, núcleo islâmico, núcleo de tecelagem, núcleo paleo-cristão, paleo cristão, núcleo do ferreiro, achada de S. Sebastião, ebastião, museu da água (convento S. Francisco), núcleo eo de S. Miguel do pinheiro e um museu etnográfico: moinho de vento (integ. no ciclo do pão) 6

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VISITANTES NO POSTO DE TURISMO

VISITANTES NACIONAIS

ANO 2000 2001 2002 2003 2004

7690 8966 10995 10795 7318

VISITANTES ESTRANGEIROS

3192 6086 7769 7938 6773

TOTAL 10882 15052 18764 18733 14091

Fonte: Informação por Concelho CCDRA

INDICADORES O estudo dos dados recolhidos permitiu uma breve abordagem à concepção de indicadores de natureza turística para a região de Mértola. O ano de referência foi 2004. Superfície (Km2) 1279,40

Área Protegida (Km2) 601

População

Turistas

Quartos

7996

14091

110

Fonte: Informação por Concelho CCDRA; Instituto Nacional de Estatística,

ÍNDICE DE INTENSIDADE TURÍSTICA ESPACIAL: Relaciona-se o número de turistas, com a área do destino. 14091 / 1 279,40 km² = 11,01 ÍNDICE DE FUNÇÃO TURÍSTICA: Relaciona-se o número de camas turísticas com o número de habitantes locais. 110 / 7996 hab = 0,013 ÍNDICE DE RISCO DE DESTRUIÇÃO ECOLÓGICA: Pretende-se encontrar uma relação entre o número de turistas com área protegida. 14091 / 601 km2 = 23,4

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ANÁLISE SWOT:

STRENGTHS

WEAKNESS

-Sentimento Sentimento de Partilha.

-Isolamento Isolamento Geográfico.

-Localização. Localização. -Diversidade Diversidade Paisagistica. -Clima. Clima.

-Incapaz Incapaz de atrair investimento -Falta de mão--de-obra e massa critica.

-Local Local de "culto".

-Inexistência Inexistência de InfraInfra estruturas.

Análise SWOT THREATS OPPOTUNITIES

-Vulnerabilidade Vulnerabilidade para Investimentos Megalomanos.

-Aproveitamento Aproveitamento de novos segmentos.

-Concorrência. Concorrência.

-Novas Novas acessibilidades.

-Entraves Entraves ao turismo

-Investimentos Investimentos em zonas interiores

-Risco Risco de massificação e degradação

STRENGTHS: Sentimento de partilha comum e boa cooperação entre entidades locais, nomeadamente a Câmara Municipal, Campo Arqueológico de Mértola e Associação de Defesa do Património de Mértola. Mértola Localização privilegiada dentro de um Parque Natural e região com paisagens pouco modificadas e zonas sem presença de ocupação humana. Diversidade paisagística como Serra, Planície, Rio Navegável.

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Clima de características mediterrânicas, elevado número de horas de sol, pouca pluviosidade e temperaturas agradáveis. Verões quentes e solarengos, Outono e Primavera de temperaturas amenas, Inverno frio mas pouco chuvoso. Estas características permitem uma calendarização intensa do programa turístico da região. Apesar de não ser considerado um destino turístico consolidado, Mértola é uma referência nacional e internacional no que toca à investigação arqueológica, local rico em história e património, é um exemplo de valorização do património local.

WEAKNESSES: Isolamento geográfico resultante da falta de acessos rodoviários com características de auto-estrada bem como acesso ferroviário. Incapacidade de até ao momento atrair investimento em infra-estruturas turísticas nomeadamente alojamento e animação. Falta de mão-de-obra especializada e falta de massa crítica local. Incapacidade ou Inexistência de infra-estruturas de apoio à actividade turística, nomeadamente serviço de saúde 24h, sistema de tratamento de águas residuais; sistema de encaminhamento de resíduos.

THREATS: Vulnerabilidades para projectos de investimento megalómanos, que apresentem oferta de postos de trabalho porém não sustentáveis para a região e criadores de desigualdades. Concorrência e adiantamento por parte de destinos que concorram com Mértola por segmentos de mercado idênticos. Entraves ao desenvolvimento da actividade turística por parte de entidades públicas e ou privadas. Risco de degradação do ambiente do parque natural e património. Massificação da actividade e consequências e consequências na qualidade de vida.

OPPORTUNITIES: Potencial para aproveitar o desenvolvimento de segmentos como o Turismo Cultural e Turismo Activo. Destino privilegiado para a organização de “Incentivos”.

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Caso de concretize o novo Aeroporto Internacional de Beja como complemento ao Aeroporto de Faro e Aeroporto de Lisboa, Mértola será um destino a desenvolver para criação de Short-Breaks, Circuitos Temáticos entre outros. Crescimento dos produtos relacionados com a natureza nomeadamente EcoTurismo, bem como Turismo Rural, acompanhado pela perda de importância do produto Sol e Mar. Os investimentos e a criação de emprego no sector têm beneficiado, tendencialmente, regiões menos desenvolvidas, promovendo a fixação demográfica e desenvolvimento global equilibrado. Aproveitamento do Rio Guadiana para incentivo ao turismo náutico nomeadamente para passeios pelo rio, bem como a criação de ancoradouros que permitam ao viajante visitar o concelho utilizando outro meio de transporte. Estando a região do Algarve muito próxima e sendo a região onde o turista passa em média mais noites, existe a possibilidade de oferecer Mértola como destino alternativo de uma noite como complemento ao produto Sol e Mar. Criar condições para que o turista que visita Mértola possa se alojar no Concelho. Oportunidade de desencravamento da região utilizando o turismo.

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PROMOÇÃO A C.M. Mértola criou a algum tempo uma empresa municipal de Turismo denominada Merturis. Actualmente Mértola está integrada no itinerário de turismo cultural de “Terras da Moura Encantada” e itinerário arqueológico do Alentejo e Algarve. A criação de um doss festivais mais interessantes a nível nacional é o resultado de um elevado potencial que a região apresenta. O Festival Islâmico é um bom exemplo que tem tido um enorme sucesso. Deve ser objecto de estudo para promover circuitos locais por parte do sector de turismo e cultura da câmara municipal, bem como por parte dos players locais nomeadamente as empresas de animação turística. Esta iniciativa deveria se prolongar por varias alturas do ano e porque não incluir as unidades de alojamento que poderiam ser parte activa na iniciativa. Existe necessidades tais como:

Criação de circuitos temáticos e multi--temáticos, históricos, património, natureza ...

Aumentar a sinalética incluindo informação para o turista.

Utilização dos novos meios de comunicação, ex. um canal de TV por internet para divulgação e promoção; Podcast; newsletter electrónica

Cooperação com os players locais para abordagem regular de jornalistas e opinion makers para visita ao concelho.

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INCENTIVOS AO INVESTIMENTO TURÍSTICO

Inclui-mos os actuais projectos de incentivos disponibilizados pelas entidades institucionais portuguesas, numa breve análise rapidamente se levantam dúvidas sobre se existe uma estratégia planeada para o território, ou apenas um levantamento superficial de recursos, repare-se que no PDM a nível indicativo, define-se a Mesquita como local de vocação turística. Existe ainda outros meios de captação de incentivos, nomeadamente através do QREN (Qualificação e Internacionalização das PME´s) Através do pouco consensual PENT (Crédito ao Investimento Turístico - Protocolo Bancário). FAME – Fundo de apoio às microempresas no concelho de Mértola que tem como área prioritária o turismo. Existe um gabinete para acompanhamento de projectos da C.M. Mértola. A Câmara Municipal apoia ao nível de promoção e divulgação de potencialidades e oportunidades de investimento na área turística. Zonas geográficas especialmente destinadas para instalação de empreendimentos turísticos: no PDM não há nenhuma zona exclusivamente destinada a empreendimentos turísticos, no entanto, existem algumas indicações orientadoras de áreas com potencialidades para este fim:

Plano Director Municipal de Mértola: Resolução do Conselho de Ministros n.º 162/95, de 6/12, DR n.º 281, I Série B Mértola – existem espaços incluídos no PGU, (está em revisão) Resolução do Conselho de Ministros n.º 162/95, de 6/12, DR n.º 281 – I Série B; Mina de S. Domingos – no PGU da Mina e Pomarão (em vigor) Declaração n.º 295/2000, de 13/09, DR n.º 212 – II Série; Pomarão – no PGU da Mina e Pomarão (em vigor) Declaração n.º 295/2000, de 13/09, DR n.º 212 – II Série; Mesquita – no PDM a nível indicativo sugere-se vocação turística. Plano de Ordenamento do Parque Natural do Vale do Guadiana (Resolução do Conselho de Ministros n.º 161/2004, de 20/11) Enquadramento estratégico PNVG – enquadramento dos principais potencialidades para o desenvolvimento do turismo de natureza nesta área protegida – em cumprimento artº 5º da Portaria nº1214-B/2000, 27/12 (SIVETUR). Plano de Acção do PNVG – define linhas estratégicas para o desenvolvimento do turismo sustentável na área protegida e em áreas contíguas em cumprimento do nº2 do artº 6 da Portaria nº 1214-B/2000, 27/12 (SIVETUR)

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CONCLUSÃO

Actualmente Mértola não é um concelho/região desprovida de turistas ou de actividade turística, existindo outros próximos, como por exemplo o município de Almodôvar onde a actividade turística se encontra numa fase menos desenvolvida, arriscamos a dizer que permanece em fase de descoberta a longos anos. Globalmente o turismo tem de deixar de ser visto como um fim em si mesmo, mas como um caminho entre vários, para um desenvolvimento que se quer sustentável, despojado de ilusões de enriquecimento especulativo rápido e da descaracterização dos valores regionais. Aqui seria interessante, perceber qual é a estratégia de desenvolvimento do concelho e ao mesmo tempo perceber se o turismo é visto apenas como uma de outras actividades a desenvolver ou como eixo central de uma estratégia de desenvolvimento. Cabe aos habitantes de Mértola e a Câmara Municipal de Mértola em nome da população escolher a sua estratégia para a região, convém nesta fase declarar que, qualquer decisão previamente legitimada pelos habitantes, é passível de ser aplicada. Assim, participação da população é fundamental para a definição dos LMT (Martins Vieira, 2007, p.112), conseguindo-se construir uma relação de aceitação mútua. Devido às suas características de pequeno concelho a nível económico e populacional e por grande parte do concelho estar dentro de um parque natural seria aconselhável haver uma participação dos residentes na criação de estratégias, inclusive para o turismo já que a região possui massa crítica conhecedora da região e perfeitamente integrada. Apesar de qualquer dos dois projectos de desenvolvimento turístico da região expostos neste trabalho, precisamente a aposta em grandes conjuntos turísticos ou a posta numa rede de alojamento alternativo, serem passíveis de agregar valor, deveria ser a população ser parte activa, já que no futuro será ela a sentir o seu impacte. Posto isto, é nossa opinião que este concelho do interior do Alentejo tal como muitos outros concelhos, apresenta um legado histórico rico, porém Mértola destaca-se por possuir uma imagem única, passível de se concretizar numa experiencia irrepetível. Vários factores influenciam a nossa opinião, nomeadamente a envolvente paisagística da região dentro de um parque natural e a relação com o grande rio do Sul, o Guadiana, a componente histórica e patrimonial, os produtos tradicionais entre outros. Assim no caso de Mértola o problema não é encontrar recursos potenciais para promover, mas sim como os promover e ainda se será possível promove-los a todos. A criação de dois pontos de vista distintos sobre uma estratégia a seguir na região, serviu para averiguar as potencialidades e riscos de cada reflexão. Por um lado a aceitação do mega investimento na região de 180 milhões de euros, é atraente não só a nível local mas sentir-se-ia a nível de todo o Baixo Alentejo e Serra Algarvia principalmente ao nível do emprego e possível fixação da população. Outras empresas poderão se desenvolver para a prestação de serviços ao conjunto turístico e aos turistas que iram usa-lo, é também necessário referir que este investimento irá aumentar os impostos e a carga fiscal, beneficiando o município. Existe contudo alguns factores negativos na escolha deste tipo de desenvolvimento, repare-se que a criação de por exemplo um campo de golfe na região e a necessária manutenção requer uma grande quantidade de água, que é, desde sempre um bem raro e precioso em todo o Baixo Alentejo. É nossa opinião que tal situação poderia criar alguns atritos entre os vários municípios limítrofes e acima de tudo, a incapacidade de o turismo funcionar como complemento para o desenvolvimento, já que irá competir com a

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agricultura e com outras actividades não só pelo espaço mas também pelos recursos, neste caso a água. Repare-se que não podemos pedir a um agricultor com 40 anos de idade, que de um dia para o outro deixe a agricultura e encontre emprego num empreendimento turístico porque o recurso natural água será utilizado para outro fim. Este tipo de complexo turístico, poderá também ser causador de desigualdades sócias já que os seus utilizadores serão provenientes de uma classe social abastada capaz de despender grandes quantidades de dinheiro nas suas férias, por outro lado, Mértola é uma região pobre e onde se sente grandes contrastes para outras regiões principalmente na oferta de serviços essências e com qualidade como por exemplo a saúde, se uma parte significativa do alojamento do conjunto turístico se transformar em 2ª residência, estará o concelho preparado no que concerne a infra-estruturas, para aumentar a sua população em algumas centenas de pessoas durante um período do ano? Seria interessante avaliar se a população de Mértola está informada sobre as discrepâncias entre o nível educacional da população residente e o nível educacional dos utilizadores deste conjunto turístico e o que eles esperam desta região, da diferença entre o salário médio da população local e o dos potenciais visitantes, dos seus hábitos e costumes. Outro aspecto a reter, baseia-se nas tendências do turismo actual, denominado de Pós-Turismo, os turistas actuais cada vez mais procuram, não apenas um alojamento adequado, padronizado, onde um quarto é exactamente igual ao próximo e onde o recepcionista tem os mesmos procedimentos que o recepcionista do hotel a 5000km de distância, mas sim uma experiência de alojamento onde por exemplo o dono ou responsável pela casa, possa ter 15 minutos de conversa com o visitante e que lhe conte a sua história de vida e a história daquela casa, não apenas uma refeição típica, mas sim uma prato local com a explicação do como se faz, a sua origem etc. As tendências actuais vão mais longe e assistimos ao “back to basics”, o regresso às origens se bem que em outro contexto, faz parte da história pessoal de cada indivíduo passível de ser bem aproveitado pelo turismo, por outro lado é possível a diferenciação na recuperação das identidades um pouco perdidas. É nossa opinião, que é necessário perceber de que forma poderá o turismo ajudar o desenvolvimento da região e que este deve ser feito a longo prazo, dotando a região de mecanismos eficazes para avaliar problemas emergentes e futuras opções de gestão. Se o futuro do turismo em Portugal como se vem defendendo, passa pela inovação e diferenciação, porque não cortar definitivamente com os modelos anteriores e implementar conceitos novos. No caso da região de Mértola, poderia passar pela criação, porque não, de um «Parque Cultural», um novo paradigma de classificação e gestão territorial, que junte o aspecto natural com o legado histórico e cultural, dentro de um objectivo muito concreto de aproveitamento do potencial turístico desta região.

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BIBLIOGRAFIA COMISSÃO DE COORDENAÇÃO E DESENVOLVIMENTO REGIONAL DO ALENTEJO, Informação por Concelho, (2000) COMISSÃO DE COORDENAÇÃO E DESENVOLVIMENTO REGIONAL DO ALENTEJO, Mapoteca – Base Económica Regional. ( 2009). ICNB - INSTITUTO DE CONSERVAÇÃO DA NATUREZA, Parque Natural do Vale do Guadiana, Valores Culturais, Portal consultado em 15 Abril 2009. INSTITUTO NACIONAL preliminares, ( 2009).

DE

ESTATÍSTICAS,

Actividade

Turística

2009

dados

INSTITUTO NACIONAL DE ESTATÍSTICAS, Anuários estatísticos regionais (2008) INSTITUTO NACIONAL DE ESTATÍSTICAS, O território, Região do Alentejo 2007. (2009). INSTITUTO NACIONAL DE ESTATÍSTICAS, Retrato Territorial de Portugal, (2005). JOÃO MARTINS VIEIRA, Planeamento e Ordenamento Territorial do Turismo. (2007). MANZATO, Fabiana –Turismo Arqueológico: Arqueoturismo, Vol.5 Nº1 Pags 99-109 (2007)

Análise

e

diagnóstico

do

produto

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Plano de desenvolvimento turístico para Mértola