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Ganapati Ecologia - Vegetarianismo - Ética - Espiritualidade

DISTRIBUIÇÃO GRATUITA - 2.000 EXEMPLARES

JULHO/AGOSTO 201 3

O que estamos impondo aos Reinos da Natureza?

Hora de abolir os zoológicos! Caique Botkay - pag. 04 Somos Todos Terráqueos Earthlings - pag. 08 O Manifesto de Cambridge e o veganismo Adriana Miranda - pag. 10 Ensinamentos: A Encruzilhada da Ciência Dalai Lama - pag. 11 Gaia, a Terra Mani Alvarez- pag. 12 O que fazer com a Raiva? Antônio Guinho pag. 13


Pesca

Editorial por Simone Nassar

Caique Botkay

Gaia, PlanetaTerra, Nossa Casa, seja como for chamada, é o nosso Lar. É o lugar perfeito para existirmos e nos desenvolver como espécies. Encontramos aqui todas as condições favoráveis para a manutenção da vida e coexistindo com vários outros seres, dos diversos reinos existentes, demonstra uma equação perfeita de equilíbrio e que necessita de atitudes e posturas firmes de cada parcela da equação para que a mesma não fique insolúvel, pondo em risco a nossa sobrevivência. Respeitarmos a vida é o básico. A nossa e dos outros habitantes de Gaia.

e mesmo se retirado, causa lesões, infecção e dor, que os impedem de alimentar, levando à inanição e morte. Também o sangramento atrai outros predadores. Quando a pesca esportiva se difundiu, imitando os norteamericanos, passou-se a imagem de ser uma boa ação devolver à água os peixes capturados, desconsiderando a dor e o stress provocados no animal, até sua morte.

Nós, da Revista Ganapati, não estamos aqui para impor posturas e sim para oferecer informações para que possamos pensar sobre nossa responsabilidade diante dos abusos praticados por alguns seres irresponsáveis, desarmonizando a Sinfonia Divina, com a destruição em massa da fauna e flora. Dessa necessidade de esclarecer e informar é que decidimos reunir matérias e artigos para instigar reflexões sobre ecologia, espiritualidade, vegetarianismo e ética. O depoimento do Padre Frank Mann, informações recentes sobre pesquisas como os peixes sentem, a necessidade de abolir os zoológicos, ensinamentos de vários pensadores e educadores e diversas frases proferidas por personagens conhecidas. Leiam, apenas leiam e reflitam. É fundamental que na era das comunicações tenhamos o maior número de veículos que possam nos trazer esperança e nos ajudar a sermos seres melhores. Namastê!

Produzido e publicado pelo Grupo Ganapati. Equipe: Adriana Miranda, Conceição Cavalcanti, Ioná Ponce, João Asfora Neto, Romero Morais, Sérgio Pires e Simone Nassar. Para contato: João Asfora (081)9697.6629 , Romero Morais (081)9996.4765 / e-mail: jornalganapati@gmail.com

Veganismo dentro da Igreja

Fonte: ANDA primeira vez, no que realmente diferenciava um e outro. “A mensagem saltou e agitou-se na minha alma. Por que amo um, mas como o outro? No dia seguinte, deixei de comer carne de qualquer animal (incluindo peixes). Continuando a olhar a mensagem do outdoor, pelo que parecia ser uma eternidade, eu pensei comigo mesmo: são porcos, vacas, galinhas e perus muito diferentes de gatos e cães?” O religioso, através de seu contato com as pessoas, decidiu levar, além da palavra cristã, o amor e a compaixão aos animais em seus discursos.

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rank Mann, um padre de Nova York, está causando uma verdadeira revolução em sua igreja. Recentemente, ele teve um despertar pessoal profundo para o sofrimento dos animais e, desde então, incorporou o veganismo e a defesa dos direitos animais em sua vida espiritual, visando um mundo mais justo e pacífico, inspirado por visionários como Dorothy Day e Thomas Merton, que têm mostrado compaixão e liderança moral em face da injustiça contra animais. O padre afirma que, um dia, viu um outdoor na rua com duas imagens: um filhote de cão e um leitãozinho. Observando as duas imagens, o padre diz ter pensado, pela

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s oceanos fornecem milhões de toneladas de peixes e crustáceos anualmente e apenas uma parte é consumida pelo homem. Outra parte, tartarugas, golfinhos e moluscos caídos nas redes, não têm valor comercial, sendo descartados ou usados como ração para outros animais. A pesca industrial e predatória esgota as cadeias alimentares marinhas, danificando seriamente os ecossistemas oceânicos e pluviais. Estudos declararam que os peixes sentem dor e estresse, tendo semelhante quantidade de terminações nervosas em suas bocas que os humanos têm em seus genitais. Eles usam a boca como órgão sensor geral e de alimentação. Fisgar um peixe pela sua boca, garganta ou olhos e trazê-lo à superfície, causa-lhe dor imensa, asfixia e sangramento das guelras, sendo extremamente sofrível para um animal senciente. Os peixes possuem um sistema nervoso complexo, demonstrando inteligência. Seus sistemas de defesa, espetaculares, sugerem consciência para fugir do pescador. Na modalidade de pesca esportiva, acha-se normal pescar e retorná-los à água. Muitas vezes o peixe engole o anzol,

“O que me angustia, no entanto, é a falta intrigante e angustiante de qualquer oposição clara e vocal à crueldade animal, dentro da Igreja. A Igreja sempre foi um campeão forte para a dignidade da vida humana em meio a uma cultura de morte e estou um pouco decepcionado e triste com a ausência de qualquer forma significativa, inspiradora e motivacional de pregação pelos animais, para escrever e ensinar questões tão urgentes como os direitos animais e seu bem-estar e segurança”, escreveu o padre no site The Tablet.

Os peixes criados em tanques são submetidos às mesmas atitudes e são expostos em muitos restaurantes para serem escolhidos pelos fregueses. Em muitos pesque-pagues, os peixes são descamados, cortados e são eviscerados ainda vivos! Caranguejos e lagostas são grelhados vivos! A lagosta é retirada de um tanque e colocada diretamente na brasa com um peso por cima. Ela passa da cor verde/azul para vermelha. A carne dos peixe e crustáceos possuem proteínas, vitaminas, minerais e ômega 3. Muitas toxinas, inclusive a botulínica, adrenalina e hormônios atenuadores da dor. Existem alternativas saudáveis e gostosas a estas carnes, como bons pratos preparados com legumes, verduras e temperos verdes. Divertir-se com o sofrimento e a dor alheios, só faz aumentar a violência em nossa sociedade, tornando-nos frios insensíveis. Precisamos respeitar mais aqueles que nos cercam, para que possamos também ser respeitados. Precisamos dar o respeito para sermos respeitados. Será nosso paladar tão importante assim na ordem das coisas? Nos divertimos de forma tão primitiva, assim? Nós, humanos, temos direito a isso?

Fonte: www.direitoanimal.org

O Journal of the National Cancer Institute recentemente publicou um artigo que demonstra uma ligação entre o ômega-3 extraído de peixes e as chances de se desenvolver câncer de próstata. Segundo o estudo, o consumo de ácidos graxos ômega-3 de animais marinhos aumentou em 43% o risco deste tipo de câncer masculino em pessoas com altas concentrações. O estudo foi liderado por Theodore Brasky da Ohio State University Comprehensive Cancer Center. O estudo vai de frente com a última recomendação do Dietary Guidelines for Americans, que sugere o aumento do consumo de comida marinha e peixe. Fonte: Vegnews

Padre Frank é um bom exemplo de como a compaixão e a consciência do direito à vida de cada animal faz parte, também, de uma vida espiritual sadia, independente de uma religião, crença ou seita.

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Os animais fazem parte de nossa vida e escolher fazer parte, positivamente, da vida de cada um deles está nas suas mãos. Seja vegano e lute pelo fim da tortura e sofrimento de todos os animais. ��

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quinta-feira, 12 de maio de 2011 19:58:08

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Hora de abolir os zoológicos!

Caique Botkay

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ncarceramento de outras espécies revela arrogância humana, consagra “superioridade” primitiva e deseduca crianças. Para conhecer vida selvagem, já temos aparatos audiovisuais. A relação do Homem com a natureza é historicamente controversa. De modo geral, a espécie humana nutre o sentimento de posse absoluta do planeta, não só quanto ao uso abusivo de seus recursos naturais – gás, óleo, pedra, madeira, minerais – como quanto à sua atitude frente à infinidade dos demais seres vivos. O conceito de Gaia vem sendo discutido há tempos; a consciência de uma Terra coletivamente interdependente em seu equilíbrio já não é novidade alguma. Entre os incontáveis desastres ambientais que a espécie humana promove seguidamente há séculos, venho levantar uma questão que considero básica: qual a razão lógica que nos dá o direito de aprisionarmos animais de outras espécies? Não me refiro aqui à questão alimentar: essa é uma outra discussão, que pode gerar argumentações tais como a sobrevivência. O que me chama a atenção é a facilidade que temos de aprisionar animais para mera exibição como se fosse uma atitude perfeitamente natural, em âmbito universal. Não é. Apenas demonstra uma deformação prepotente, ignorante e autoritária. À luz da psicanálise, deve ser fácil associar alguma forma de psicopatia a tal hábito, que de tão corriqueiro tornou-se aceito em todos os continentes. A evolução, no sentido do crescimento de uma consciência de manutenção equilibrada do planeta, aponta contra tal anacronismo.

Ninguém, em sã consciência, pode defender o fato de que tirar um animal de seu habitat natural e confiná-lo em cubículos ou espaços restritivos seja um direito humano. Mesmo a tênue argumentação de que é um fator educativo mostra-se indefensável. Os atuais recursos tecnológicos permitem que não só os animais sejam mostrados em diversos ângulos, mas também vivendo em seu berço natural, de onde jamais deveriam ter sido retirados. Mas o que mais importa, causando danos irreversíveis, é que as crianças, sendo estimuladas a visitar os zoos, começam, desde muito cedo, a serem educadas segunda a ideia de que fazem parte de uma “raça superior”. Essas últimas palavras me foram literalmente ensinadas no colégio, não faz tanto tempo assim. Como se essa “raça superior” tivesse sido ungida com o direito de aprisionar em celas, de forma vil e covarde, a própria natureza que gera tantas preocupações para sua sobrevivência atual e futura. É óbvio que será muito mais difícil formar consciência ecológica na mente de jovens que participam dessa cerimônia medieval de visita ao zoo. Quem pode prender uma onça, ou qualquer outro animal, pode perfeitamente cortar as árvores que desejar, assim como desviar rios, derreter geleiras. Pode tudo, inclusive matar seus semelhantes. Pelo fim programado dos zoológicos de todo o mundo, por sua substituição por aparatos tecnológicos, pelo absoluto cuidado com os animais que ainda permanecem enclausurados até que o derradeiro encerre sua existência. Encerrará assim também uma fase humana que será considerada primitiva, desinformativa e cruel no futuro.

“No Zoológico, os animais não vivem; são vividos pelos olhos dos visitantes.” Carlos Drummond de Andrade

O despertar da consciência

Rildo Silveira

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carne chega às nossas mesas, empacotada numa embalagem colorida, estampando uma foto ou desenho do animal sorrindo, como se ele estivesse feliz com a marreta que esmagou seu crânio, a faca que cortou sua garganta e finalmente ceifou sua vida. Com esse disfarce, quem come um frango, um porco ou um boi, dificilmente se pergunta como viveu ou como chegou até sua mesa aquele animal. Se soubesse, certamente não comeria. Após muitos dias, ou meses, a carne mantém sua cor vermelha devido à impregnação de produtos clorados, disfarçando-lhe a deterioração. É questionável a afirmação daqueles que dizem sentir prazer pelo seu sabor. Novamente, outro disfarce, o da arte da culinária e dos temperos, mascaram seu sabor original de sangue. Não se come carne, como se comem os vegetais, senão através desses artifícios. Afirmação semelhante é a de que o homem, atualmente, está preparado pra comer carne. Mas é levado em conta, que há todo um processo industrial e oculto, no processamento dos animais. Entretanto, precisaríamos analisar se o ser humano, no estado evolutivo de suas faculdades intelectuais, morais, espirituais e físicas, está apto a caçar um animal por suas mãos, destroçá-lo com seus dentes, e comê-lo, ali mesmo, sem a ajuda da industrialização e da culinária.

Em épocas, ou lugares remotos, a afirmação é tão verdadeira quanto necessária. Receosos de mudar seus hábitos arraigados culturalmente e abrir mão de seus “direitos” em detrimento do direito dos outros, o mais comum é as pessoas afirmarem que comem carne, justificando, porém, que o fazem muito raramente. Aqueles que demonstram essa “boa-intenção” assumem inconscientemente, conflitos íntimos a esse respeito, como se evidencia na sua própria declaração, sugerindo que não é natural, mas algo que vai contra a parte mais profunda de nossa natureza, que é o desejo de não matar. Justificativa contundente é alegar ser moral matá-los para alimento, abrindo caminho para a violência, a injustiça, e a falta de humanidade. Crianças visitam empresas das mais diversas esferas, pois acreditam seus educadores, que essa interatividade pode aprimorar-lhes o seu desenvolvimento. Desconhecido é o fato de que alguma escola, em qualquer parte do mundo, tenha levado seus alunos para visitarem um abatedouro e conhecer todo o processo envolvido no abate. Aqueles mesmos pais que justificam ser moral abater animais, em seu juízo perfeito, nunca deixariam seus filhos visitar essas empresas, pois sabem que isso poderia trazer às crianças, conseqüências psicológicas funestas. Muitas pessoas que tiveram a oportunidade de presenciar um abate se tornaram vegetarianas por não quererem mais ser cúmplices desse sistema. E a sua consciência, continuará adormecida?

“A humanidade é uma só e este pequeno planeta é nossa única casa. Se temos de proteger esta casa, cada um de nós precisa experienciar um sentimento vivo de altruísmo universal.”

Dalai Lama

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Veganismo versus domesticação

Conceição Cavalcanti

Lobo Pasolini

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processo pelo qual a maioria dos animais explorados pelo homem é subjugada chama-se domesticação. É contra esse sistema global, cruel e invisível que o veganismo se posiciona. Domesticar é muito mais do que simplesmente criar para servir. Esse processo resulta na desfiguração do sujeito animal. O animal domesticado é um animal infantilizado, dependente, mutilado, seus instintos bloqueados e a satisfação de suas necessidades negadas. O animal domesticado perde sua autonomia e vive a mercê de seus mestres. Se o mestre for afável e o amar, sorte dele. Se não for ou o enxergar apenas como uma fonte de renda, ele não passa de um objeto. Mas mesmo o mestre amoroso tem poder total sobre a vida de seu animal/ escravo/dependente. O animal domesticado é um simulacro do seu equivalente livre. Aí se encontra uma das grandes perversidades da domesticação. Ela converte um ser vivo em peça de museu com funções biológicas, um tipo de bioartefato. Domesticar é estancar e reverter o processo evolutivo de uma espécie, negar aos seus indivíduos a possibilidade de enfrentar perigos naturais, os elementos, usufruir de independência e encarar suas conseqüências, boas ou ruins. Não é por coincidência que o animal domesticado considerado ideal geralmente é dócil e inofensivo. O mundo é um grande campo de concentração de animais domesticados. A utopia vegana é erradicar essa aberração moral e ética. Ao boicotarmos carne, ovos, leites e quaisquer

Conexão

Ser Mestre de sua própria vida

outros produtos de origem animal, boicotamos o produto da domesticação. Alguns dizem: “Se não consumirmos esses animais, eles cessarão de existir.” A tal afirmação eu res-pondo: “Que assim o seja.” O que deixa de existir é um simulacro criado pelo homem. Uma vida domesticada não vale a pena, embora duvido que não haverão santuários que abrigarão alguns sobreviventes do holocausto. Os animais tidos de companhia oferecem um desafio à parte. Eles não podem ser beneficiários dos direitos animais porque j�� perderam sua autonomia. Devemos, portanto, acolhêlos como refugiados e evitar que eles se reproduzam para não promovermos a entrada de mais escravos no mundo. Campanhas de castração são abolicionistas. Para terminar cito a advogada e ativista americana Lee Hall, diretora legal da Friends of Animals, uma organização vegana sediada em Connecticut. Segundo Hall, o objetivo dos direitos animais é permitir que eles possam viver “em seus próprios termos”. Isso significa que temos que simplesmente deixá-los ser, obviamente em seus habitats onde eles possam se tornar adultos independentes e realizados. O que queremos é que eles sejam animais exercendo autonomamente os direitos do qual tanto falamos, vivendo em seu estado natural, não-domesticado, de acordo com as regras que a natureza os impõe, e não o ser humano. Lobo Pasolini é um ativista vegano, jornalista, escritor e curador. baseado em Vitória/ES.

Cap. Paul Watson

Existe uma conexão sólida entre comer carne e a destruição da vida em nossos oceanos. A indústria de peixes e frutos do mar está literalmente saqueando a vida dos oceanos e aproximadamente cinquenta por cento dos peixes capturados dos oceanos é usado para alimentar vacas, porcos, ovelhas, galinhas etc, na forma de farinha de peixe. São usados cerca de 50 peixes capturados no mar para alimentar um salmão criado em cativeiro.

Todos os eventos no universo têm causas e condições. Causas e condições geram o sucesso ou o fracasso de todos os acontecimentos. Pode parecer que o sucesso ou o fracasso de algo que eu faça tenha sido gerado por outra pessoa, mas a verdade é que todos os eventos que me afetam são gerados por causas que eu mesmo criei em algum momento passado. A aparência de que alguém está me fazendo alguma coisa não passa disso – aparência. Quem compreender bem esse ponto vai se sentir alegre e contente em todos os momentos e não experimentará ressentimento nem necessidade de reclamar” Mestre Yin Kuang.

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fácil assimilar e aceitar o ensinamento acima? Desde muito cedo aprendemos que tudo tem uma causa externa a nós. Agindo mal seremos castigados por um Deus que nos olha de cima e a palavra culpa vai nos acompanhar durante toda nossa caminhada. E claro, que logo cedo aprendemos a transferir para outros essa palavra mágica: a “culpa” é sua por eu ter agido dessa forma. Ah! Como é bom não ser responsável por aquilo que se considera feio, fracasso ou indigno. Queremos o mérito dos bons resultados, dos bo ns frutos, do sucesso. Como processar e aceitar de bom grado que somos responsáveis pelo que acontece de positivo, mas também de negativo em nossas vidas? Que criamos as condições de felicidade ou de infelicidade e que nossas esco-lhas determinam os frutos a serem colhidos. Pensar nessa perspectiva nos mostra o quanto somos livres, mas nos diz também o quanto somos responsáveis. Acostumamos-nos a uma educação que nos diz o que é certo e o que é errado, que limita a nossa capacidade de discernir e decidir com autonomia, que não ensina a ser livre, que condiciona nossa inserção na sociedade de acordo com o quanto somos capazes de nos adaptarmos e nos adequarmos aos valores vigentes e ao modo de vida estabelecido. Crescemos percebendo o mundo e suas condições como algo externo e como tal nos colocamos na condição de coadjuvantes. Sem papel principal, sem assumir o protagonismo da própria vida vamos colocando nas mãos das pessoas, das situações e das circunstâncias a responsabilidade pelo que acontece conosco, pelo que sentimos, por nossa alegria ou tristeza, pelos amores que vivemos, pelos dissabores, pela amargura, pela falta de amigos, de perspectivas, pela falta de bom humor. Enfim, vamos culpando o sistema, o governo, os pais, a escola, o planeta, o ar poluído, Ufa! A falta de sono para justificar

nossa não ação no mundo, nossa imobilidade diante da dor do outro, diante da “preguiça” para mudar pequenos hábitos, substituir alguns pensamentos e ampliar o olhar em relação ao- que estamos colhendo. Quando olhamos para a vida em seu movimento, em qual ponto nos enxergamos? Eu e você o quanto assumimos de responsabilidade pelos caminhos trilhados até agora? Será que comandamos nossas ações, pensamentos, sentimentos, atitudes e comportamentos? Ou pensamos ser esse conjunto que nos constrói e confirma como indivíduos no mundo o resultado das ocorrências, dos “acasos” e das pessoas que surgem em nossos caminhos e que nos afetam com seus conjuntos formativos? Aceitamos a idéia de que atraímos pessoas, situações e lugares de acordo com aquilo que sentimos e pensamos? Ser mestre da própria vida e de si mesmo implica em fazer escolhas, assumir compromissos e responsabilidades. Implica em atenção plena ao que ocorre ao nosso redor, mas em especial, ao que ocorre dentro de nós. Implica em sair do sono profundo causado pela ausência do movimento natural de reagir, perceber e sentir. Um corpo vivo é um corpo que reage que sente e que vibra. Uma mente desperta é a que está em vigília, alerta aos impulsos internos e externos. É a que se auto-observa, é o Olho que tudo vê. Somos sujeitos das nossas histórias e, portanto, responsáveis e livres pelo que realizamos. Cultivadores dos frutos recebidos. Então, qual a sua escolha: ser protagonista ou coadjuvante?

Poesia do mes Alma Minha

Sérgio Pires

Eu falo contigo Mas você me procura no silêncio Eu te convido pra entrar Mas você só vem quando é necessário Eu abro a porta Mas ela é estreita para teu tamanho Eu limpo a casa Mas você ainda encontra pó Eu lhe convido para sentar Mas você prefere ficar no alto Eu lhe ofereço alimento Mas você já está pleno

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Somos Todos Terráqueos

Texto do filme Terráqueos (Earthlings) - www.terraqueos.org

aqueles que não o têm. Pode o mesmo ser verdade para como os humanos tratam os outros animais? Ou outros terráqueos? Sem dúvida, existem diferenças, uma vez que humanos e animais não são iguais em todos os aspectos. A questão da igualdade usa outra face. Concordamos que esses animais não têm todos os desejos que um humano tem. Concordamos que eles não compreendem tudo que nós, humanos, compreendemos. No entanto, nós temos alguns desejos em comum e compreendemos coisas que eles também compreendem. O desejo por comida e água, abrigo e companhia, liberdade de movimentos e de não sentir dor.

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ma vez que todos nós habitamos a Terra, somos todos terráqueos. Não há sexismo, racismo ou especismo no termo “terráqueo”. Ele abrange cada um de nós: de sangue quente ou frio, mamífero, vertebrado ou invertebrado, pássaro, réptil, anfíbio, peixe e humanos. Humanos, então, não sendo a única espécie no planeta, compartilham este mundo com outros milhões de criaturas vivas, já que todos vivemos aqui juntos. Entretanto, é o terráqueo humano que tende a dominar a Terra. Frequentemente tratando outros terráqueos e seres vivos como meros objetos. Isso é o que significa “especismo”. Por analogia ao racismo e ao sexismo, o termo “especismo” é um preconceito ou atitude tendenciosa em favor dos interesses dos membros de sua própria espécie e contra os membros de outras espécies. Se um ser sofre, não há justificação moral para se refusar e levar esse sofrimento em consideração. Não importa a natureza do ser, o princípio de igualdade requer que um sofrimento deva ser considerado igual a um sofrimento semelhante de qualquer outro ser. Racistas violam o princípio de igualdade, dando maior valor aos interesses de sua própria raça, quando há conflito entre os seus interesses e o interesse de outra raça. Sexistas violam o princípio da igualdade, favorecendo os interesses de seu próprio sexo. De forma similar, especistas permitem que os interesses de sua própria espécie sobreponham interesses maiores de membros de outras espécies. Em cada um dos casos, o padrão é idêntico. Eles estão entre os números da família humana que reconhece a imperativa moral do respeito: todos humanos são alguém e não coisas. Moralmente, tratamento desrespeitoso ocorre quando aqueles que se encontram no poder e têm uma relação de poder tratam os menos poderosos como se fossem meros objetos. O estuprador faz isso com a sua vítima. O pedófilo faz isso com as crianças que ele molesta. O senhor com seu escravo. Em cada um e em todos estes casos, humanos que têm poder exploram

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Esses desejos são compartilhados por animais nãohumanos e humanos. Como os humanos, muitos animais não-humanos entendem o mundo no qual vivem. Senão, eles não poderiam sobreviver. Então, apesar de todas as diferenças, há igualdade. Como nós, esses animais incorporam o maravilhoso mistério da consciência. Como nós, eles não somente estão no mundo, mas estão cientes dele. Como nós, eles são o centro psicológico de uma vida que é somente sua. Nesses princípios fundamentais, humanos estão lado a lado com os porcos, vacas, galinhas e perus. Qual é a nossa obrigação com esses animais e como devemos tratá-los moralmente são perguntas cujas respostas começam com o reconhecimento da nossa semelhança psicológica com eles. “No seu comportamento em relação aos animais, todos os homens são nazistas. A presunção com a qual o homem pode fazer o que quiser com outras espécies exemplifica as teorias racistas mais extremas: a lei do mais forte”. A comparação com o holocausto é intencional e óbvia. Um grupo de seres vivos angustia nas mãos de outro. Embora alguns possam argumentar que o sofrimento de animais não possa ser comparado ao sofrimento dos judeus e escravos, há, de fato, um paralelo. E, para os prisioneiros e vítimas desse assassinato em massa, o seu holocausto está longe do fim. Nós precisamos de um conceito mais novo, sábio e, talvez, mais místico dos animais. Longe da natureza e vivendo através de artifícios complicados, o homem na civilização vigia as criaturas através do vidro do seu conhecimento e vê, portanto, os detalhes de uma pena, mas uma imagem geral distorcida. Nós os padronizamos por serem incompletos, pelo seu trágico destino de terem se formado tão abaixo de nós. E nisto nós erramos gravemente. Pois os animais não podem ser avaliados pelo homem. Num mundo mais velho e mais completo que o nosso, eles se movem completos e confiantes, dotados com extensões dos sentidos que nós perdemos ou nunca possuímos, guiando-se por vozes que nós nunca ouviremos.

Austrália: dieta vegana opção viável para todos

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Conselho Nacional de Saúde e Medicina do governo da Austrália reconheceu recentemente que a dieta vegana (que exclui todos os produtos e ingredientes de origem animal) é uma opção viável para toda a população. No recém-lançado Australian Dietary Guidelines (2013), que traz as novas diretrizes nutricionais elaboradas por um corpo de especialistas, os alimentos de origem vegetal são dados como alternativas saudáveis aos alimentos de origem animal. As orientações sugerem que alimentos como nozes, sementes, legumes, feijões e tofu podem aumentar a variedade na dieta e fornecer uma valiosa fonte acessível de proteína e outros nutrientes encontrados também nas carnes. Com a nova publicação a Austrália segue um caminho já apontado por outros países, como os EUA e o Canadá. Um dos mais famosos estudos neste tema foi o realizado em 2009 pela Academia Americana de Nutrição e

Adriana Miranda

Dietética, que concluiu pela adequabilidade de uma dieta vegana para pessoas de qualquer idade, incluindo bebês, adolescentes e mulheres gestantes e lactantes. O mesmo estudo também concluiu que este tipo de dieta é adequado para atletas. No Brasil, em 2012, o CRN-3 (Conselho Regional de Nutrição dos Estados de SP e MS) emitiu um comunicado afirmando que todos os tipos de dietas vegetarianas, incluindo a vegetariana estrita (vegana), são viáveis sob o ponto de vista nutricional. Aqueles que excluem carne, leite e ovos do cardápio e aumentam a ingestão de alimentos de origem vegetal tendem a comer menos gorduras saturadas e mais fibras, reduzindo a incidência de obesidade, diabetes tipo 2, hipertensão, colesterol alto e alguns tipos de câncer, entre outros inúmeros benefícios à saúde. Adriana Miranda - colaboradora do Ganapati.

Consciente do sofrimento causado pelo consumo irresponsável, eu me comprometo a cultivar a boa saúde, tanto física quanto mental, para mim, minha família e minha sociedade, praticando a alimentação, a ingestão de líquidos e o consumo com plena consciência. Somente ingerirei ítens que preservem a paz, o bem estar e a alegria no meu corpo, na minha consciência e no corpo coletivo e na consciência da minha família e da minha sociedade.” Os Cinco Treinamentos da Plena Consciência - Thich Nhat Hanh

Eles não são irmãos, eles não são lacaios. Eles são outras nações, presos conosco nesta vida e neste tempo, prisioneiros do esplendor e trabalho da terra.

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Ensinamentos: A Encruzilhada da Ciência

O Manifesto de Cambridge e o veganismo

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á um ano um grupo de neurocientistas afirmou no Manifesto Cambridge sobre a Consciência em Animais Não Humanos, assinado por 25 cientistas renomados, com apoio do físico Stephen Hawking, que “as evidências apontam que os humanos não são os únicos a possuírem os substratos neurológicos que geram a consciência”. O manifesto, lançado em Julho de 2012 em uma conferência sobre as bases neurais da consciência na Universidade de Cambridge (Reino Unido), trouxe à tona mais uma vez a base para a discussão sobre os direitos dos animais, ao afirmar, baseado em um conjunto de evidências, que “todos os mamíferos e pássaros, e muitos outros, incluindo os polvos” possuem as faculdades neurológicas geradoras de consciência. “Enquanto cientistas, nós sentimos que tínhamos um dever profissional e moral de relatar essas observações para o público”, afirmou na época Philip Low, neurocientista da Universidade Stanford e do MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts).

da área de neurobiologia experimental do Instituto de Neurociências, em San Diego e um dos cientistas que assinaram o manifesto. De lá para cá muitos animais continuam sendo explorados para diversos fins, como alimento, vestimenta, transporte, “diversão” (circos, rodeios, vaquejadas), ensino (vivissecção), confinamento (zoológicos), testes farmacêuticos, comercialização, entre outros. No entanto, cada vez mais pessoas aderem ao veganismo como princípio ético e atitude política em suas vidas, abolindo o uso de produtos e atividades que envolvam a exploração animal. Se desejamos viver em um mundo de paz devemos aprender a respeitar todas as formas de vida, compreendendo e aceitando as semelhanças entre os animais humanos e não-humanos e tratando estes com igualdade e valorização de seus interesses. Segundo Philip Low “se vivemos em uma sociedade que considera dados científicos ao pensar suas atitudes morais em relação aos animais, então o manifesto poderá iniciar mudanças”.

Para os ativistas pelos direitos dos animais as afirmações não surpreenderam tanto, mas trouxeram mais um dado científico a ser utilizado para rebater aqueles que afirmam que os animais não possuem consciência como justificativa para seu uso como fonte de alimentação, por exemplo.

O veganismo é um modo de viver sem violência, respeitando todos os seres. Que cada vez mais pessoas encontrem suas razões e modifiquem seus hábitos, partindo do princípio da não-exploração dos animais, tão conscientes da vida e desejosos de liberdade quanto nós.

“É difícil tornar o animal um objeto se evidências apontam que aquele animal está consciente de seu mundo - e, mais ainda, de que aquele animal está consciente de estar consciente.”, afirmou David B. Edelman, pesquisador

Como afirmado na época do lançamento do manifesto: não é mais possível dizer que não sabíamos.

Pensando ...

Adriana Miranda: médica veterinária e colaboradora do Ganapati

Milan Kundera

“O homem atrelado à carroça de um marciano – eventualmente grelhado no espeto por um visitante da Via-Láctea – talvez se lembrasse da costeleta de vitela que tinha o hábito de cortar em seu prato. Pediria (tarde demais) desculpas à vaca”.

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Dalai Lama

Adriana Miranda

seres, consideração pelas necessidades dos outros e uso responsável do conhecimento e do poder, princípios estes que transcendem as fronteiras entre correntes religiosas e, também, de não-crentes.

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oje em dia, penso que a humanidade está numa encruzilhada crítica. Os avanços radicais que ocorreram na neurociência e, particularmente, na genética, próximo do final do século vinte, levaram-nos para uma nova era na história humana. Nosso conhecimento do cérebro e corpo humanos, ao nível celular e genético, com as consequentes possibilidades tecnológicas de manipulação genética, alcançaram tal estágio que os desafios éticos desses avanços científicos são de grande porte. É mais do que evidente que nosso pensamento moral simplesmente não foi capaz de se manter passo-a-passo com um progresso tão rápido na nossa aquisição de conhecimento e poder. Contudo, as ramificações dessas novas descobertas e suas aplicações são de tão longo alcance que se relacionam à própria concepção da natureza humana e à preservação da espécie. De modo que não é mais adequado adotar a visão de que nossa responsabilidade como sociedade é simplesmente apoiar o avanço do conhecimento científico e ampliar o poder tecnológico, deixando a escolha do que fazer com tal conhecimento e poder nas mãos de indivíduos. Precisamos encontrar maneiras de introduzir considerações humanitárias e éticas fundamentais na definição da direção do desenvolvimento científico, em especial nas ciências ligadas à vida. Ao invocar princípios éticos básicos, não estou defendendo a fusão da ética religiosa com a pesquisa científica. Estou, isto sim, falando do que chamo de “ética secular” que abarca os princípios éticos essenciais, tais como compaixão, tolerância, cuidado com os demais

Eu, pessoalmente, gosto de imaginar todas as atividades humanas, incluindo a ciência, como dedos individuais de uma mesma mão. Enquanto cada um destes dedos estiver conectado com a mão da empatia e do altruísmo básicos do ser humano, continuarão a servir ao bem-estar de todos. Nós verdadeiramente vivemos em um único mundo. A moderna economia, os meios de comunicação eletrônicos, o turismo internacional, bem como os problemas ambientais, todos eles nos lembram, a cada dia, da profunda interconexão existente no mundo inteiro atualmente. As comunidades científicas desempenham um importante e vital papel neste mundo interdependente. Por razões históricas, sejam quais forem, os cientistas desfrutam de um grande respeito e confiança da sociedade, mais até do que disciplinas tradicionais como filosofia ou religião, terreno onde eu atuo. Apelo aos cientistas que introduzam no seu trabalho profissional os ditames dos princípios éticos básicos que todos nós compartilhamos como seres humanos. Dalai Lama, 2005, Washington, DC, EUA. Do site http://www.dalailama.org.br/

“A verdadeira compaixão não vem de querer ajudar aqueles menos afortunados do que nós mesmos, mas de perceber o nosso parentesco com todos os seres.” Pema Chodron

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Gaia, a Terra

Mani Alvarez

A Grande-mãe

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a antiguidade, todas as culturas reverenciavam a Terra como a uma deusa. Havia a deusa Nut para os egípcios, Deméter para os gregos, Ashtar para os babilônios. Depois da grande revolução da agricultura, o princípio mais festejado era a abundância e a fertilidade da terra, a colheita, a fartura dos alimentos. Por isso, reverenciavam a Grande Mãe como a representação simbólica da Vida. Esta concepção é tão arquetípica que os índios norte-americanos da tribo Wanapum, em pleno século XIX, se recusaram a preparar a terra para o cultivo, dizendo: “Devo pegar um facão e rasgar o seio de minha mãe?” Mas, em algum momento da história, uma facção da humanidade se revoltou contra essa ideia e decidiu cortar o cordão umbilical que a ligava ao princípio feminino da Terra. Era meados do século dezessete. Um intenso movimento cultural começou a ganhar força e poder com argumentos convincentes e promissores. Nasciam os filósofos da ciência. Por princípio, eles recusavam veementemente a ideia de seus antepassados de que tudo na natureza era vivo e inteligente e demonstravam leis que provavam ser o mundo uma grande máquina que funcionava mecanicamente. Bastava saber manejar seus controles e ela agia conforme a vontade do maquinista. E bem depressa esqueceram a “alma” da natureza, sua inteligência e finalidade. A ideia de que a Terra possuía uma alma foi abandonada como ingênua, mística, primitiva. Gaia deixava de ser sagrada. Como uma coisa inerte e sem vida própria, passou a ser explorada, consumida, usada, devassada, vendida.

O delírio de poder da ciência

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abemos que a revolução científica foi necessária até certo ponto, mas, em seu extremo, ela abriu as portas para um delírio faustiano de poder. Dr.Fausto, personagem central de um romance de Goethe, tinha um obsessivo desejo de saber e poder. Mas, para obter isso, era preciso fazer um pacto com o diabo. Este é o dilema faustiano que estamos vivendo. Este parece ser o espírito que predomina nas fantasias da genética, das clonagens, da produção transgênica, do tecnologismo industrial, das armas nucleares, do lucro a todo custo. Só que esse pacto demoníaco está levando a Terra de volta ao Caos... O debate entre essas duas formas de ver a Vida ultrapassou há muito os muros da ciência e da filosofia. Hoje faz parte da política. Sobreviver virou um ato político. A começar pelos alimentos que ingerimos. Na década de 90, agricultores tradicionais indianos, apoiados por consumidores europeus, promoveram um espetacular boicote aos alimentos transgênicos e uma volta da agricultura orgânica. A repercussão em países do primeiro mundo foi grande e gerou o comprometimento de alguns grandes supermercados europeus de eliminarem de suas

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prateleiras os transgênicos. Um estudo feito pelo Banco Mundial e pela FAO relacionou a produção de alimentos no mundo com a degradação ambiental e a fome. Eles constataram que a utilização progressiva, sobretudo da carne bovina, tem gerado um alto custo em termos de terra, água e energia. Além disso, é necessário produzir cada vez mais uma grande quantidade grãos que vão ser usados para alimentar os animais. No Brasil, 44% da cultura de grãos são destinados ao rebanho bovino que, por sua vez, vai alimentar uma pequena parcela da população com poder aquisitivo para se alimentar de carne. Mas tudo isso reflete a perda dos parâmetros do sagrado que sustenta a Vida. Um animal que é abatido para exploração comercial nada mais é que uma peça inerte que não sente nem sofre. Uma árvore a mais que cai sob a fúria das motosserras é apenas lucro. Um rio poluído pelas toneladas de lixo tóxico das indústrias não faz diferença. O que está em jogo é uma mudança de visão de mundo.

Chardin, estamos indo em direção a um ponto situado para além do plano material. A humanidade é apenas um elo de uma cadeia evolutiva que segue além em busca do ponto Alfa-ômega. Este ponto é a espiritualidade. Este é o olhar além que buscamos. Mani Alvarez é psicanalista de orientação Transpessoal, diretora de Planejamento do Instituto Humanitatis - www.humanitatis.com e colaboradora do site www.floraisecia.com.br

O Que Fazer Com a Raiva? Antônio Guinho

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raiva, bem como as demais emoções perturbadoras, tem, em sua base, uma função protetora do organismo, pois, ao mobilizar os sistemas endócrino, respiratório, circulatório e nervoso central, possibilita que o animal apresente respostas rápidas, intensas e precisas no sentido do afastamento ou destruição do agente agressor. Com a civilização dos seres humanos, a expressão da raiva passou a ser vista como algo indesejável, sendo, pois, esperado, que ela seja reprimida ou recalcada. Quando, todavia, colocamos simplesmente uma pedra em cima da raiva, ela tende a fermentar, avolumar-se e a se transformar em algo muito perigoso, que pode se tornar corrosivo, quando não explosivo, causando grande perturbação e mesmo doenças à pessoa por ela acometida. Por outro lado, quando a raiva é expressa, o seu objeto tende a revidar, dando início a uma bola de neve (ou de fogo) que só faz aumentar. Ou seja, se correr o bicho pega, se ficar o bicho come. O que fazer, então?

A Terra é viva

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cosmonauta russo Aleksandrov, ao ver lá do alto a Rússia e as terras da América, compreendeu o absurdo que é uma guerra entre países. Ele disse: “Fiquei impressionado ao ver que todos nós somos filhos da Terra! Não importa para qual país você olha. Todos somos irmãos!” Esta é a tese de James Lovelock que, após estudar os efeitos químicos da atmosfera, das atividades geológicas e químicas dos oceanos, afirmou: “Em Gaia, somos apenas uma outra espécie, não somos nem os proprietários nem os administradores deste planeta. Nosso futuro depende muito mais de um relacionamento correto com Gaia do que com o drama infindável dos interesses humanos.” Pode parecer incrível que em tão pouco tempo de vida neste planeta tenhamos criado tamanhos transtornos, diria que quase de dimensões cósmicas! Na consciência está, apesar de tudo, a solução. Se a evolução caminhou até hoje num sentido horizontal, biológico, agora ela avança no sentido vertical, da consciência. Como preconizou o Pe.

“O cultivo do amor e da compaixão é a verdadeira essência de todas as crenças. O importante é que, em sua vida diária, você pratique as coisas essenciais e, nesse nível, quase não existe diferença entre budismo, cristianismo, judaísmo, islamismo ou qualquer outra fé” Dalai Lama

O caminho do meio parece ser reconhecer a raiva, acolhê-la, observá-la, investigá-la, experimentá-la em toda a sua inteireza e compreendê-la, sem nenhum julgamento. Se assim fizermos, com sinceridade, ela tenderá a se dissolver. A possibilidade de controle das emoções perturbadoras advém, primeiramente, da clareza e da honestidade de admitirmos que, como seres humanos, temos uma natureza animal, provida de instintos, pulsões, emoções e sentimentos, aos quais estamos sujeitos, até por uma

A quem temer?

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questão de sobrevivência do organismo, do grupo e da espécie. Mas, além disso, somos igualmente seres de cultura, capazes de controle desses mesmos instintos, pulsões, etc, podendo escolher o objeto, o local e a circunstância adequados à expressão, ou não, dessas manifestações psicofísicas. Como exemplo, não nos atiramos em cima do primeiro objeto de atração sexual que surge à nossa frente, mas, antes, nos perguntamos: esse é o objeto adequado? Este é o melhor local para isto? Este é o momento adequado? De acordo com as respostas, partimos ou não para a expressão dessa manifestação psicofísica, podendo atualizá-la, adiá-la ou simplesmente reprimí-la. Todavia, para além do fato de sermos seres animais e seres de cultura, tornamo-nos também seres de espiritualidade e, portanto, seres éticos, o que significa dizer, capazes de colocar o bem-estar do outro acima do nosso próprio. Assim, antes de qualquer ação, nos perguntamos: qual é a minha motivação? Isto é para o bem do outro ou lhe trará algum sofrimento? Este é o momento adequado? Esta é a forma adequada? Contudo, ao procurar desenvolver nossas dimensões de cultura e espiritualidade, devemos reconhecer e aceitar a nossa dimensão de animalidade e não escondê-la debaixo do tapete. Só assim poderemos integrar as três dimensões. O que não é nada fácil... Antônio Guinho - Psicoterapia dos Transtornos da Psicoterapia Facebook: Desenvolvimento Infantil

J. Krishnamurti

imos um pássaro morrendo, ferido por um homem. Ele voava com uma batida rítmica e lindamente, com liberdade e sem medo. E a arma o acertou; caiu na terra e toda a vida saiu dele. Um cão foi buscá-lo, e o homem juntou outros pássaros mortos. Ele conversava com um amigo e parecia completamente indiferente. Tudo que

interessava a ele era abater muitos pássaros e para ele bastava. Estão matando no mundo todo. Aqueles maravilhosos, grandes animais do mar, as baleias, são mortas aos milhões, e o tigre e muitos outros animais estão agora se tornando espécies em extinção. O homem é o único animal a ser temido.

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VEDDAS | PE - Plantando sementes

Adote bem - Um espaço para adoção de animais

Tiago Freire

escola ou faculdade. Nosso objetivo é plantar sementes, pois sabemos que cedo ou tarde elas germinarão.

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VEDDAS (Vegetarianismo Ético, Defesa dos Direitos Animais e Sociedade) é uma organização sem fins lucrativos que atua pela defesa dos direitos animais e pela difusão de um estilo de vida livre da exploração de seres sencientes. A ONG já existe há seis anos em São Paulo, pouco mais de um ano em Natal - RN e agora também está em Recife, conscientizando centenas de pessoas nas ruas da cidade. Em suas ações, o VEDDAS-PE busca criar oportunidades para que as pessoas dispostas a colaborar com este trabalho se organizem e possam assim fazer a diferença por uma sociedade mais justa para todos aqueles que prezam por sua vida, liberdade e integridade física. É possível gerar uma mudança efetiva no respeito que a nossa sociedade dirige aos animais, usando para isso a via da sensibilização e conscientização individual. Acreditamos na difusão do veganismo para toda a sociedade, para todas a classes sociais e faixas etárias. Buscamos fazer um ativismo inclusivo, onde todos possam ter acesso à informação, principalmente aqueles que teoricamente nunca iriam se interessar pelo tema, tampouco ir a uma palestra sobre libertação animal. Por isso estamos nas ruas, falando com pessoas que estão por ali, resolvendo coisas do trabalho, indo para casa, para a

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A ONG existe graças ao empenho de voluntários e ativistas, sempre dispostos a promover um estilo de vida livre de exploração animal. O VEDDAS atua pelas seguintes vias: conscientização e educação – VEDDAS CARTE e VEDDAS-MÓVEL (conscientização nas ruas da cidade); produção e distribuição de materiais informativos – panfletos e vídeos e materiais multimídia; capacitação de ativistas na forma de oficinas, palestras e seminários e em protestos e ações judiciais contra as indústrias que exploram animais. Todos podem fazer parte do VEDDAS e ajudar de uma maneira mais ativa os animais, basta ter o veganismo como objetivo e entendê-lo como solução para a libertação animal, preservação do meio ambiente e saúde humana. Venha nos ajudar a plantar sementes de conscientização nas ruas do Recife! Tiago Freire – Coordenador do VEDDAS | PE Facebook: www.facebook.com/veddaspe E-mail: veddaspe@veddas.org.br

Romero Morais

O Adote Bem é um espaço no Ganapati para promover a adoção de cães e gatos resgatados das ruas, em situação de risco, e assim contribuir para a melhoria da vida desses animais. Todos os animais aqui anunciados receberam tratamento veterinário e estão prontos para adoção. Você pode ajudar a mudar uma vida: adote um animal resgatado e passe adiante essa ideia! Não compre animais, adote!

Gato de 7 meses, castrado, vermifugado e vacinado. Contato: Lena 8899-6597 lenacarvalho@gmail.com

Nininha, canina, castrada, porte grande, pelo curto aproximadamente 4 anos. Contato: Luiz 8793-7599

Emília, canina, castrada, cinza, porte médio e com aproximadamente 4 anos. Contato: Luiz 8793-7599

Trica é uma gata muito carinhosa, castrada e tem pelagem em três cores. Contao: Ariene 8751-8445

O Projeto de Extensão Adote um Vira-Lata da UFPE atua há 5 anos em prol do bem-estar de cães e gatos em situação de vulnerabilidade. Para saber mais sobre o projeto e conhecer outros gatos e cães disponíveis para adoção, acesse: www.adoteumvira-lata.com

A Brala luta pelo bem-estar animal e defende a proteção do Meio Ambiente há cinco anos. A ONG não resgata animais de rua, mas acompanha e cobra dos governantes Políticas Públicas para o bem estar animal; também promove ações de conscientização para o respeito da fauna e da flora. Hoje temos vários animais especiais resgatados do Núcleo de Cirurgia Experimental do Centro de Ciências da Saúde da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), antes da aprovação da Lei Arouca. Saiba mais em www.brala.org.br

Chope, cão castrado, mestiço de poodle com aproximadamente 4 anos. Contato: Luiz 8793-7599

Lelo, gato extremamente dócil, castrado, com pelagem branca e amarela. Contato: Ariene 8751-8445

Sofia, felina castrada, com aproximadamente 2 anos e pelagem mista. Contato: Ariene 8751-8445

Jade, cadela castrada, de pequeno porte, pelagem marron clara, com aproximadamente 4 anos. Contato: Luiz 8793-7599

Negão, cão castrado, porte grande, pelo médio, brincalhão, esperto, e com aproximadamente 6 anos. Contato: Luiz 8793-7599

Neguinha, canina castrada, porte médio, pelo curto, com aproximadamente 5 anos. Contato: Luiz 8793-7599

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Jornal Ganapati - julho agosto 2013