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Publicação Romer Labs®

Como as plantas GM conquistaram o mundo Os 7 Pecados do Teste OGM Como Mudar o DNA de uma Planta


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Conteúdo

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Como as Plantas GM Conquistaram o Mundo

Foram apenas 30 anos até que os Organismos Geneticamente Modificados cobrissem mais de 185 milhões de hectares em 26 países em todo o mundo. Spot On olha mais de perto essa revolução na produção de alimentos. Por Donna HOUCHINS, Especialista em Pesquisa & Desenvolvimento, Romer Labs® EUA

Spot On é uma publicação trimestral da Romer Labs Division Holding GmbH, distribuída gratuitamente. ISSN: 2414-2042

Editores: Joshua Davis, Cristian Ilea, Simone Schreiter

Colaboradores: Kurt Brunner, Donna Houchins, Pavlo Futernyk Gráfico: GraphX ERBER AG Pesquisa: Kurt Brunner

Editora: Romer Labs Division Holding GmbH Erber Campus 1 3131 Getzersdorf, Áustria Tel: +43 2782 803 0 www.romerlabs.com

©Copyright 2018, Romer Labs® Todos os direitos reservados. Nenhuma parte dessa publicação pode ser reproduzida em qualquer material para fins comerciais sem autorização por escrito da titular dos direitos autorais. Todas as fotos apresentadas são de propriedade da Romer Labs ou são usadas com autorização.

Romer Labs faz parte do Grupo ERBER

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Como Mudar o DNA de uma Planta Um rápido olhar em Agrobacterium tumefaciens e biolística (“gene gun”), duas das formas mais comuns para transformar o DNA de plantas agrícolas.

Vírus do Mosaico da Couve-Flor Em 35S, o vírus fornece aos cientistas um promotor eficaz, mas também representa riscos para as plantas crucíferas.

Proteínas GMO importantes para a Indústria de Grãos e Sementes Como são chamados e o que fazem.

Os 7 Pecados do Teste OGM

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O uso de culturas GM está crescendo, assim como os riscos e desafios que elas trazem para a indústria de disgnósticos. Um especialista fala sobre o que não fazer nessa área que se encontra em rápido desenvolvimento. Por Pavlo FUTERNYK, PhD, Diretor Geral, Romer Labs® Ucrânia

Spot On Questão 6


Editorial Usando a ciência para ajudar a alimentar o mundo Confiamos na agricultura para fornecer alimento suficiente para sustentar a vida. Embora a população mundial esteja crescendo, as terras disponíveis para o cultivo e a criação de gado não está aumentando. Na realidade, em algumas áreas, o crescimento está cada vez menor. Aumentar o plantio em espaços menores é um problema permanente para a indústria agrícola, especialmente diante da crescente pressão das mudanças climáticas e ambientais. Condições climáticas adversas e uma variedade cada vez maior de doenças pressionam a produção agrícola. Com os avanços na tecnologia, as culturas agora podem ser geneticamente modificadas para que expressem características como tolerância aos herbicidas e a seca e resistência às doenças, promovendo a sobrevivência e maximizando a produtividade. As possibilidades para modificação genética são infinitas, mas qualquer mudança na lavoura traz um novo conjunto de desafios sobre como analisálas. Se os regulamentos e leis de rotulagem servem de alguma indicação, o mundo está longe de chegar a um consenso sobre organismos geneticamente modificados (OGMs), com países optando por controles rigorosos e outros adotando uma abordagem mais liberal. Em vista dessa diversidade na opinião internacional, nunca foi tão importante para os produtores de alimentos e rações testarem os ingredientes GM em seus produtos. Nesta edição da Spot On, os especialistas da Romer Labs apresentam uma visão geral dos OGMs, destacando o seu uso ao redor do mundo e as possibilidades que oferecem à indústria agrícola. Apresentamos também algumas ideias para o segmento de análises, compartilhando o que nossa experiência tem mostrado ser os “sete pecados” do teste de OGM. Esperamos que essas sugestões possam ajudar você a prevenir que seu laboratório caia em algumas armadilhas comuns, garantindo resultados precisos e confiáveis. Aproveite a leitura em Spot On.

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Kurt Brunner

DI Dr., Diretor da Divisão de Pesquisa, Romer Labs®

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Spot On QuestĂŁo 6

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Como as Plantas GM Conquistaram o Mundo Por Donna Houchins - Especialista em Pesquisa e Desenvolvimento, Romer Labs® EUA

Organismos geneticamente modificados (OGMs) são amplamente utilizados na agricultura proporcionando às plantas características benéficas, como tolerância aos herbicidas e resistência ao ataque de insetos, bem como a otimização do crescimento e o teor nutricional. Testado pela primeira vez na década de 1980, o uso de OGM é hoje bastante difundido, com mais de 185 milhões de hectares plantados em 2016.

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Algumas plantas GM podem expressar características de qualidade que as tornam tolerantes às condições ambientais, como a seca, ou melhoram seu teor nutricional.

O que são os OGMs? Organismos que são geneticamente modificados passaram por alterações em seu material genético em um processo conhecido como engenharia genética. Essas alterações fazem com que o organismo expresse uma ou mais características que não ocorreriam naturalmente naquele organismo. Os OGMs estão atualmente presentes em bactérias, animais e plantas, e são usados em uma ampla variedade de aplicações, incluindo pesquisa biológica e médica, a produção de produtos farmacêuticos e agricultura.

Por que OGMs? Os OGMs são amplamente utilizados em culturas de importância agrícola. A alteração do material genético da planta é frequentemente realizada pela introdução de sequencias de DNA de um outro organismo. Isso

faz com que a planta (e quaisquer sementes colhidas da planta) apresente novas características, como tolerância a herbicidas, resistência a insetos ou tolerância à seca. Por exemplo, modificações genéticas foram realizadas em plantas para torna-las tolerantes a herbicidas, como o glifosato ou glufosinato, permitindo a pulverização da lavoura eliminando as ervas daninhas sem prejudicar a plantação. A modificação genética também pode envolver a transferência de uma ou mais características que permitem a planta produzir endotoxinas originadas da bactéria do solo Bacillus thuringiensis, conhecida como “Bt”. Isso confere resistência aos insetos. As endotoxinas têm sido usadas como inseticidas aerosol desde os anos 1920. Elas possuem como alvo certas espécies de insetos, ao mesmo tempo que não apresentam efeito em

Como Mudar o DNA de uma Planta

O uso da bactéria Agrobacterium tumefaciens fornece um mecanismo natural para a transformação. A bactéria infecta o tecido lesionado da planta e transfere o seu plasmídeo Ti para o cromossomo. O plasmídeo Ti naturalmente contém genes que fazem com que os tecidos da planta superexpressem hormônios e nutrientes vegetais para a bactéria, causando tumores na planta. O plasmídeo Ti pode ser modificado para excluir efeitos indesejados e adicionar características benéficas, juntamente com um marcador selecionável, que é então integrado no cromossomo da planta durante a infecção bacteriana. Contudo, nem todas as espécies são susceptíveis à infecção por essa bactéria. Na última década, um segundo método de transformação se tornou mais popular do que o Agrobacterium: a biolística, também conhecida como “gene gun”. Neste método, o DNA do plasmídeo é revestido por microparticulas de tungstênio ou ouro. As micropartículas são então “atira-

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A transformação das plantas pode ser realizada de diversas maneiras. Dois dos métodos mais comuns na agricultura são o uso de Agrobacterium tumefaciens e a biolística (“gene gun”).

das” para dentro do tecido da planta. Algumas das células vegetais podem incorporar o novo DNA com sucesso e integrá-lo a um cromossomo. Esse método provou ser eficaz ao integrar o DNA no núcleo da célula, bem como em organelas tais como os cloroplastos, e funciona n maioria das espécies pesquisadas. Outros métodos que foram usados incluem microinjeção e eletroporação. Spot On Questão 6


espécies que não alvo, como humanos, animais silvestres e insetos benéficos. Quando ingeridas, as endotoxinas formam poros no epitélio do intestino médio das larvas das espécies de insetos susceptíveis (que se alimentam das culturas causando prejuízos). Isso causa paralisia intestinal e o inseto para de se alimentar o que o leva à morte. Espécies nãoalvo não possuem receptores intestinais para a endotoxina e, portanto, não apresentam efeito sobre elas. Além disso, as plantas GM podem apresentar outras características de interesse como tolerância às condições ambientais (seca) ou melhoramento do seu teor nutricional.

Convenções de nomeação de OGM Os OGMs podem ser nomeados de três maneiras diferentes. Primeiro, podem ser identificados pelo nome do evento, que é o nome do experimento de recombinação de DNA único que ocorreu em laboratório, no qual a célula de uma planta incorpora o gene de interesse. Essa célula é subsequentemente usada para regenerar plantas inteiras e é a “base” de uma cepa OGM. Por exemplo, um nome de evento para milho tolerante a herbicida é NK603. Segundo, os OGMs também podem ser identificados pela proteína única que eles expressam. No caso do evento NK603, a proteína apresentada é a CP4 EPSPS. Em terceiro lugar, o OGM pode ser identificado pelo nome comercial sob o qual é vendido comercialmente.

Culturas GM ao redor do mundo – depois e agora A produção atual de OGMs compreende, principalmente, quatro culturas: soja, milho, algodão e colza/canola. O comércio global dessas culturas e seus principais derivados é dominado pelo material de origem OGM sendo que o plantio inclui uma porcentagem muito alta de sementes produzidas por biotecnologia (78% de soja, 64% de semente de algodão, 33% de milho e 24% de colza/canola; ISAAA 2016). O cultivo de plantas GM é crescente em todo o mundo, assim como a utilização de eventos estaqueados que inclui dois ou mais genes na mesma planta. Os primeiros estudos em campo de plantas GM foram iniciados nos Estados Unidos e na França em 1986, com tabaco resistente a herbicida. O primeiro país a permitir a comercialização de plantas GM foi a China, que introduziu um tabaco resistente a vírus em 1992. A primeira cultura GM aprovada para o mesmo fim nos EUA foi o tomate FlavrSavr no 1994. No mesmo ano, a União Europeia aprovou para comercialização sua primeira planta GM, tabaco tolerante a herbicida. O cultivo comercial de plantas GM, como milho e algodão, teve início em 1996. Em 2016, 11 tipos diferentes de culturas GM foram comercialmente cultivadas em 457 milhões de acres (185 milhões de hectares) em 26 países diferentes ao redor do mundo.

O comércio global de soja, milho, algodão e colza/canola é dominado por material geneticamente modificado.

Vírus do Mosaico da Couve-flor Genes que codificam proteínas (traços) precisam de elementos genéticos chamados promotores para iniciar o processo de expressão. Um promotor bastante eficaz é o 35S, derivado de um vírus vegetal comum – o vírus do mosaico da couve-flor (CaMV). A detecção do promotor 35S ao invés dos genes codificadores é uma prática comum em testes baseados no DNA, uma vez que diferentes modificações genéticas usam o mesmo promotor. O problema é que as plantas não modificadas podem ser infectadas pelo verdadeiro vírus do mosaico da couve-flor. As plantas seriam positivas para OGM em uma análise com base no DNA, sem nunca terem sido transgênicas. As infecções causadas pelo vírus do mosaico da couve-flor são bastante comuns entre as plantas crucíferas, incluindo canola. Como garantia é preciso fazer o rastreamento do vírus na análise do DNA. P u b l i c a ç ã o R o m e r L a b s ®

Cauliflower mosaic virus, Brunt et al. (1997): Plant Viruses Online: Descriptions and Lists from the VIDE Database. Retirado de http://sdb.im.ac.cn/vide/descr184.htm

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Os OGMs mais comumente aprovados são os tolerantes aos herbicidas. Desde 2007, o número de aprovações para eventos estaqueados

Os principais produtores de culturas GM A Tabela 1 mostra o cultivo global de OGMs em 2016. As taxas de adoção de culturas GM nos países em que são plantadas geralmente são altas. Dados do USDA (2016) mostram que a soja, algodão e milho tolerantes aos herbicidas compreendem, respectivamente, a 94%, 93% e 92% da área plantada nos Estados Unidos. As lavouras de milho compreendem 3% de variedades resistentes a insetos, 13% tolerantes a herbicidas e 76% de variedades estaqueadas resistentes insetos/tolerantes a herbicidas. As plantações de semente de algodão compreendem 4% de variedades resistentes a insetos, 9% tolerantes a

tem sido maior do que para eventos únicos.

Tabela 1. Lista de países onde as culturas GM são cultivadas Posição 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26

País

Estados Unidos

Brasil

Argentina

72.9 49.1 23.8

Canadá

11.6

Paraguai

3.6

Índia

Paquistão China

África do Sul Uruguai Bolívia

Austrália Filipinas

Birmânia Espanha Sudão

México

Colômbia

10.8 2.9 2.8 2.7 1.3 1.2 0.9 0.8 0.3 0.1 0.1 0.1 0.1

Vietnã

<0.1

Chile

<0.1

Honduras Portugal

Bangladesh Costa Rica

Eslováquia

República Checa

Fonte: Resumo ISAAA 52-2016

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Área (milhões de hectares em 2016)

<0.1 <0.1 <0.1 <0.1 <0.1 <0.1

Proteínas OGM importantes para a Ind • CP4 EPSPS A expressão da proteína transgênica CP4 EPSPS em plantas resulta na tolerância aos herbicidas de glifosato. Essa proteína é expressa em variedades comerciais da forrageira agrostis stonolifera, beterraba, colza/ canola, soja, algodão, alfafa, batata, trigo e milho.

• Bt-Cry1F A expressão da proteína transgênica Bt-Cry1F resulta em resistência a insetos. A proteína é eficaz contra as larvas de lepidópteros, como lagarta-das-maçãs, lagarta-da-beterraba, lagarta falsa medideira, Helicoverpa, broca europeia do milho, broca grande da cana-de-açúcar, lagarta do cartucho e lagarta rosca. Essa proteína é expressa em variedades comerciais de milho e algodão. • Bt-Cry34Ab1 A expressão da proteína transgênica Bt-Cry34Ab1 em plantas de milho resulta em resistência a insetos. A proteína promove a resistência as larvas de coleópteros, como a lagarta-da-raiz do milho.

• Bt-Cry1Ab, 1Ac, & 1A.105 A expressão da proteína transgênica Bt-Cry1Ab, Cry1Ac e/ou 1A.105 resulta em resistência a insetos. As proteínas são eficazes contra larvas de lepidópteros tais como broca europeia do milho, lagarta-das-maças, Helicoverpa, lagarta rosada do algodão, lagarta-da-beterraba e lagarta falsa medideira da soja. Essas proteínas são expressas em variedades comerciais do milho, algodão e tomate.

herbicidas e 80% de variedades estaqueadas resistentes insetos/tolerantes aos herbicidas. Os EUA também plantaram soja transgênica (tolerante aos herbicidas), canola, beterraba, alfalfa, entre outros. No Brasil, aproximadamente 96,5% da soja era transgênica sendo 36,7% da área plantada tolerante a herbicidas e 59,8% estaqueadas resistentes a insetos/tolerantes a herbicidas. No algodão, 79% das sementes também eram modificadas geneticamente. Aproximadamente 88,4% do milho do Brasil é transgênico, sendo que a maioria contém genes estaqueados. No Canadá, aproximadamente 93% da área plantada com colza/canola é tolerante a herbicidas. 94% da cultura de soja, 92% de milho, e quase 100% de beterraba são transgênicas. Na Índia, aproximadamente 96% do algodão plantado é modificado pela bactéria Bt. Na China, o algodão transgênico compreendia 95% da área em 2016. No Paraguai, o milho GM foi o primeiro a ser comercializado

Spot On Questão 6


As culturas GM

ndústria de Grãos e Sementes • Bt-Cry3Bb1 A expressão da proteína transgênica Bt-Cry3Bb1 resulta em resistência a insetos. A proteína é eficaz contra as larvas de coleópteros, tais como a lagarta-da-raiz do milho. Essa proteína é expressa em variedades comerciais do milho.

• eCry3.1Ab A expressão da proteína transgênica eCry3.1Ab resulta em resistência a insetos (coleópteros e lepidópteros) em lavouras de milho. • Bt-Cry2Ab A expressão da proteína transgênica Bt-Cry2Ab resulta em resistência a insetos em lavouras de algodão. A proteína é eficaz contra as larvas de lepidópteros, como a larva do algodão (Helicoverpa), lagarta rosada do algodão e lagarta-das-maçãs.

• PAT A expressão da proteína transgênica PAT em plantas está relacionada a tolerância aos herbicidas com fosfinotricina (PPT), especificamente glufosinato de amônia. Frequentemente, também é usada como marcador selecionável para transformação genética. Essa proteína é expressa em variedades comerciais do milho, colza/ canola, algodão, chicória, beterraba e arroz.

• VIP3A A expressão da proteína transgênica VIP3A resulta em resistência a insetos em variedades comerciais de milho e algodão. A proteína é eficaz contra as larvas de lepidópteros tais como a larva do algodão/milho (Helicoverpa), lagarta-das-maçãs, lagarta rosada do em 2013, e a taxa de adoção já era de 44% em 2016. No Paquistão, 97% da área cultivada com algodão era transgênico.

Várias aprovações

Muitos outros países não cultivam OGM, mas possuem liberação para importação de alimentos e ração animal. Em 2016, por exemplo, foram contabilizadas 251 aprovações sendo 115 para alimentos, 87 para ração e 49 para cultivo. As aprovações estão divididas entre 87 eventos de sete culturas. Os OGMs mais comumente aprovados são os eventos tolerantes a herbicidas. Desde 2007, o número de aprovações para eventos estaquiados tem sido maior do que para eventos únicos, e em 2016, 82,6% dos eventos aprovados foram estaquiados. A distribuição dos eventos aprovados em 2016 foi a seguinte: 14% resistentes a insetos, 15% de qualidade de produto, 19% tolerantes a herbicidas, 6% tolerantes a herbicidas + controle de polinização, 3% tolerantes

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algodão, lagarta do cartucho, lagarta-da-beterraba, lagarta falsa medideira da soja, lagarta plusia, lagartaminadora-das-folhas, lagarta rosca e Striacosta albicosta (tipo de lagarta-de-rosca).

• PMI A proteína PMI (fosfomanose isomerase) é expressa por um gene derivado da E. coli. Essa proteína permite o crescimento na presença de manose e é frequentemente usada como marcador selecionável em milho GM. • NPTII A proteína NPTII (fosfotransferase de neomicina) é expressa por um gene derivado da E. coli. Essa proteína permite resistência aos antibióticos aminoglicosídeos, tais como canamicina, neomicina, paromomicina e geneticina (G418). É um marcador selecionável comumente utilizado.

tornaram-se componentes de estratégia para muitos países e empresas que procuram alimentar populações que crescem rapidamente.

• cspB A proteína cspB (proteína de choque frio B) apresenta-se por um gene derivado do Bacillus subtilis. Essa proteína permite um melhor desempenho em condições de estresse hídrico. • DMO A expressão da proteína DMO (mono-oxigenase de dicamba) resulta em tolerância ao herbicida dicamba em variedades comerciais de soja e semente de algodão.

• aad-12

A proteína ariloxialcanoato dioxigenase (AAD-12 ) confere tolerância ao herbicida 2,4-D (ácido 2,4- Diclorofenoxiacético) em variedades comerciais de algodão e soja.

a herbicidas + qualidade do produto, 3% resistentes às doenças, 3% resistentes aos insetos + resistentes à doenças, 31% tolerantes a herbicidas + resistentes aos insetos, e 6% outros. O uso global de culturas transgênicas é crescente e a tecnologia de transformação genética pode ajudar no desenvolvimento de culturas com maior produção, resistência às doenças e às condições ambientais adversas além de um maior valor nutricional. Contudo, a opinião mundial sobre o valor dos OGMs é dividida. No entanto, é indiscutível que as culturas GM são componente estratégicos para muitos países e empresas que procuram alimentar populações que crescem rapidamente.

Referência ISAA brief. (2016). Global Status of Commercialized Biotech/GM Crops: 2016 ISAAA Brief 52-2016, 23 de fevereiro de 2016. Obtido em 12 de outubro de 2017.

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É fundamental limpar minuciosamente todo o equipamento de moagem após o uso, uma vez que a contaminação cruzada é um grande problema nos testes de OGM.

Os Pecados dos Testes de OGM Por Pavlo Futernyk, PhD – Diretor Geral, Romer Labs® Ucrânia

O uso de culturas geneticamente modificadas (GM) é crescente em todo o mundo o que proporciona muitas oportunidades para a indústria agrícola, ao mesmo tempo em que traz inúmeros desafios à indústria de diagnóstico. Um especialista da Romer Labs compartilha o seu conhecimento sobre teste de culturas GM para que você evite cometer erros comuns em seu laboratório. 1. Identificação do alvo errado

Faça o seu dever de casa: talvez este seja o hábito mais básico que qualquer cientista pode aprender. Isto é particularmente necessário para testar organismos geneticamente modificados (OGM), onde fazer a lição de casa significa saber quais eventos compreendem os seus alvos para que você possa evitar falsos positivos e resultados incorretos. O problema está relacionado a traços. Um traço é uma proteína derivada de uma modificação genética que confere uma qualidade especial à planta. As modificações genéticas podem estar presentes em diferentes combinações que produzem traços semelhantes ou completamente diferentes. Entre os elementos mais populares das modificações genéticas estão os promotores (p35S, FMV), terminadores (NOSt), genes codificadores para certas características úteis (cp4 epsps, pat, bar, Cry1A, entre outros) e genes que codificam marcadores seletivos (NPTII, PMI). Os técnicos precisam considerar diferentes fatores ao definir o alvo para qualquer análise de OGM, como o território de onde o produto se origina, se os eventos estão autorizados na região e se a planta de interesse tem traços transgênicos comercialmente disponíveis. Pode ser complicado: às vezes a modificação existe, mas não é autorizada ou plantada em certas regiões mas pode ser amplamente utilizada em outra região. Além disso, houve casos de eventos não aprovados que saem do isolamento e fazem o seu caminho para o campo.

2. Escolha de um método deficiente ou insuficiente Pode ser uma decisão arriscada: qual deve ser o escopo de qualquer triagem de OGM? Os laboratórios podem mirar limitadamente alguns elementos genéticos ou proteínas, ou podem expandir o escopo para vários eventos ou proteínas, o que pode ser caro. Encontrar o método que se adapta às

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suas necessidades e garante resultados precisos é essencial. Os métodos com base no DNA são demorados e dependem da extração de DNA de alta qualidade e controles apropriados. A variação no número de cópias e poliploidia também podem causar problemas nas amostras e devem ser levadas em consideração ao realizar a análise do DNA. Exemplo: No caso da soja, não é suficiente testar apenas para os promotores e terminadores, uma vez que apenas alguns dentre os 15 potenciais eventos da soja contêm esses elementos genéticos comuns. O milho é uma história diferente: analisar amplamente os promotores e terminadores é praticamente suficiente uma vez que a maioria dos eventos no milho contêm esses elementos. Enquanto os métodos com base no DNA são caros e usados somente em laboratórios de serviços analíticos, a identificação da proteína é relativamente barata e útil na triagem de traços comuns. A maioria dos eventos GM tem o seu próprio nível de expressão de proteína modificada. É necessário ter cautela ao realizar a análise de proteína da soja e canola com o mesmo dispositivo de fluxo lateral (LFD). A Tabela 1 destaca diferentes taxas de expressão de CP4 EPSPS, tornando necessário o uso de diferentes métodos de detecção de LFD. A abordagem correta usa diferentes testes e ajusta a sensibilidade para diferentes produtos para alcançar um nível semelhante de detecção.

3. Não compreender completamente os diferentes graus de sensibilidade do teste Os métodos com base no DNA são muito sensíveis e capazes de detectar uma única cópia do gene alvo. A sensibilidade é limitada pelo número de sementes testadas. Geralmente, é 0,01% ou uma semente geneticamente modificada (GM) em um conjunto de 10.000 sementes não GM. Essa sensibilidade é mais do que o suficiente para proporcionar 99,9% de certeza de qualquer nível específico de detecção abaixo de 0,1%. Por outro lado, os métodos com base nas proteínas têm um Spot On Questão 6


Tabela 1. Diferentes taxas de expressão de CP4 EPSPS em soja e canola. Produto Soja Soja

Canola

Evento

Proteína

Nível Médio

GTS-40-3-2

CP4 EPSPS

280 ug/g

GT73

CP4 EPSPS

28 ug/g

MON89788

CP4 EPSPS

Fonte: Fundação de Pesquisa ILSI, 2010.

140 ug/g

limite de detecção (LOD) tão baixo quanto 0,1%, ou 1 semente GM em 1.000 sementes não GM. Essa sensibilidade não é suficiente para garantir um resultado com 99% de certeza. O melhor que se pode obter com o teste de uma única proteína com um LOD de 0,1% é um nível de 0,46% com confiança de 99%. A distribuição não uniforme das sementes em amostras reais causa essa discrepância. Para ter 99% de certeza de que o nível de contaminação OGM é inferior a 0,1%, recomendamos a realização de pelo menos quatro testes de 1.000 núcleos a uma sensibilidade de 0,1% cada. Para confiança de 95% a 0,1%, realizar três testes de 1000 núcleos, todos com resultados negativos.

4. Retirada das impurezas ou tratamento das amostras Os laboratórios de grãos frequentemente removem as impurezas das amostras antes de realizar o teste. Contudo, a purificação das amostras OGM não é permitida. Resíduos contendo traços de plantas GM deixados nas amostras devem ser detectados. Por exemplo, se uma amostra de milho tiver resíduos de soja GM (núcleos, cascas, poeira), a lavagem e limpeza manual irão removê-los e produzir um resultado incorreto. Não submeter as amostras a qualquer tipo de tratamento térmico, nem mesmo para retirar o excesso de umidade. Para métodos baseados em proteína, o calor poderia resultar na desnaturação da molécula levando à perda completa da sensibilidade do teste, uma vez que a proteína alvo seria modificada. Os anticorpos usados nessas aplicações não seriam mais capazes de reconhecer os seus alvos.

5. Uso de procedimento inapropriado para preparar a amostra O método de isolamento do DNA deve ser cuidadosamente desenvolvido e seguido para evitar a degradação do material, o que poderia prejudicar os resultados. Portanto, é importante verificar a qualidade e a quantidade do DNA purificado. Além dos reagentes de extração usados, o método de trituração também é muito importante. Os moinhos de lâminas apresentam os melhores resultados, pois trituram fino o suficiente para permitir a extração do DNA. No entanto, é essencial limpar A Romer Labs® Publication

completamente qualquer equipamento de moagem após o uso, uma vez que a contaminação cruzada é um grande problema nos testes de OGM. Os equipamentos que não são devidamente limpos podem produzir resultados falsos negativos em lotes subsequentes. A extração de proteína requer uma moagem mais grossa. Basta simplesmente esmagar todas as sementes da amostra. Se você moer as sementes de forma muito fina, demorará muito para que o extrato se assente, e a amostra conterá muitas partículas sólidas, que se fixarão com as LFDs e inibirão o fluxo de líquido. A forma do recipiente de extração também deve ser considerada: não deve ser horizontal e é recomendado o uso de recipientes descartáveis para evitar a contaminação cruzada. Os misturadores são muito comumente usados para moagem em testes de proteína porque são fáceis de limpar evitando problemas de contaminação cruzada.

Certifique-se de ler atentamente todas as embalagens e documentação.

6. Customização dos procedimentos de teste ou falha ao ler o manual Este pode ser o pecado mais grave que os operadores cometem. Embora os laboratórios de referência utilizem analistas treinados durante o ano todo, os laboratórios de grãos frequentemente possuem uma política de emprego sazonal e, portanto, utilizam mão de obra com menos experiência. Isso pode fazer com que o procedimento de teste seja equivocadamente lido, incorretamente seguido ou alterado podendo afetar todas as fases do teste, como a etapa de extração, os tempos de desenvolvimento e os procedimentos de análise. Certifique-se de ler cuidadosamente toda a documentação e a embalagem antes de realizar qualquer análise garantindo, assim, resultados confiáveis.

7. Limpeza insuficiente do equipamento (causando contaminação cruzada) Certifique-se de que o moinho utilizado para a análise de OGM seja de fácil de limpeza. A melhor maneira é usar lâminas e frascos removíveis para que você possa limpá-las separadamente do motor do moinho. Cada componente do equipamento deve ser lavado separadamente. Os misturadores são comumente usados para moagem de amostras OGM, pois são fáceis de limpar. Lavar todo o equipamento com sabão líquido e enxaguar com água em seguida. Não usar etanol como agente de limpeza; seu único uso é acelerar o processo de secagem. Cada laboratório deve validar seu procedimento de limpeza para garantir a eficiência. Recomendamos o uso de luvas ao manusear todas as amostras. Trocar as luvas e lavar as mãos entre as amostras também ajudará a evitar a contaminação cruzada. Certifique-se de limpar as ferramentas que possam ter entrado em contato com material do solo. Outra solução é usar o máximo possível de equipamentos descartáveis.

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Spot On #06 - Como as plantas GM conquistaram o mundo  
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