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Instituto Superior de Ciências da Informação e da Administração

PÓS GRADUAÇÃO - CURSO DE FORMAÇÃO ESPECIALIZADA EM EDUCAÇÃO ESPECIAL Domínio Cognitivo e Motor

Educação para o empreendedorismo e os alunos com necessidades educativas especiais

Discente: Rolanda Pires Dias Gaspar (8245) Aveiro, Novembro 2012

Instituto Superior de Ciências da Informação e da Administração

PÓS GRADUAÇÃO - CURSO DE FORMAÇÃO ESPECIALIZADA EM EDUCAÇÃO ESPECIAL Domínio Cognitivo e Motor

Educação para o empreendedorismo e os alunos com necessidades educativas especiais

Trabalho de Investigação apresentado ao ISCIA com vista à obtenção do grau de especialista em educação especial: domínio cognitivo e motor sob a orientação do Professor Orientador: Doutor Horácio Pires Gonçalves Ferreira Saraiva

Discente: Rolanda Pires Dias Gaspar (8245) Aveiro, Novembro 2012

"Seja a mudança que você quer ver no mundo” (Dalai Lama)

Resumo

O empreendedorismo é um tema bastante atual que parece ter conquistado um espaço privilegiado em vários anéis da sociedade. É muitas vezes referido como um componente principal e resolutivo do desenvolvimento económico da sociedade. Para criar uma sociedade mais empreendedora é preciso mudar as mentalidades e essa mudança tem que começar de base. Este estudo debruça-se sobre a temática do empreendedorismo na educação e em particular na educação especial. Pretende-se com este estudo conhecer a opinião dos professores sobre esta temática, saber até que ponto os professores consideram que são capazes de educar e criar cidadãos mais empreendedores. Este trabalho inicia-se com uma revisão da literatura sobre a história, os conceitos e as características do empreendedorismo. Prossegue com uma breve análise histórica sobre a educação especial e a educação inclusiva e por fim debruça-se sobre o empreendedorismo na educação especial. No que diz respeito ao estudo, este foi elaborado tendo como base um inquérito distribuído por uma amostra de 167 professores de diferentes níveis de ensino onde os objetivos principais foram conhecer a sua opinião sobre a temática, se consideram ou não importante, se usam ou não metodologias empreendedoras, se consideram ou não importante dotar os alunos com necessidades educativas especiais com capacidades e características empreendedoras. A análise dos dados permitir-nos-á construir as considerações finais e uma reflexão crítica sobre a temática exposta.

Palavras chave: empreendedorismo, educação especial.

Résumé

L'entrepreneuriat est un sujet très actuel qui semble avoir gagné une place privilégiée dans plusieurs anneaux de la société. Il est souvent considéré comme un composant principal et de résoudre le développement économique de la société. Pour créer une société entrepreneuriale nous devons changer les mentalités et que le changement doit commencer de base. Cette étude se concentre sur le thème de l'entrepreneuriat dans l'éducation et en particulier dans l'enseignement spécial. Le but de cette étude était de connaître l'opinion des enseignants sur cette question, dans la mesure où les enseignants se sentent qu'ils sont en mesure d'éduquer les citoyens et de créer davantage d'entrepreneurs. Ce document commence par une revue de la littérature sur l'histoire, les concepts et les caractéristiques de l'esprit d'entreprise. Elle se poursuit par une brève analyse historique de l'éducation spéciale et l'éducation inclusive et se concentre enfin sur l'entrepreneuriat dans l'enseignement spécial. En ce qui concerne l'étude, cela a été élaborée sur la base d'un questionnaire distribué à un échantillon de 167 enseignants de différents niveaux scolaires où les principaux objectifs étaient de connaître leur opinion sur le sujet, s’il considére comme important ou pas, s’ils utilisent les méthodes entrepreneuriales, s’il juge important de doter les élèves avec des besoins éducatifs particuliers les capacités avec des caractéristiques entrepreneuriales. L'analyse des données nous permettent de construire les considérations finales et la réflexion critique sur le thème exposé.

Mots-clés: entrepreneuriat, enseignement spécial

Agradecimentos

Há contributos de carácter distinto que não podem e nem devem deixar de ser salientados. Por essa razão, desejo expressar os meus verdadeiros agradecimentos: Ao Professor Doutor Horácio Pires Gonçalves Ferreira Saraiva, meu orientador, pela competência científica e acompanhamento do trabalho, pela disponibilidade e generosidade reveladas ao longo da pós graduação e do curso. Aos meus colegas de curso que sempre demonstraram amizade, colaboração e espirito de equipa. A todos os professores que muito gentilmente me reponderam ao questionário. Ao meu marido que me estimula a crescer científica e pessoalmente. Acima de tudo, pelo incalculável apoio familiar que preencheu as diversas faltas que fui tendo por força das circunstâncias. Às minhas filhas, pela compreensão e carinho que sempre expressam apesar da minha ausência ou presença pouco ativa.

Índice geral

Introdução........................................................................................................................17 Capítulo 1 - O empreendedorismo...................................................................................21 1.1. Análise histórica...................................................................................................21 1.2. O conceito.............................................................................................................23 1.3. Características de um empreendedor....................................................................26 1.4. Mitos.....................................................................................................................27 Capítulo 2 - A Educação Especial...................................................................................29 2.1. Conceitos e visão histórica...................................................................................29 2.2. Um olhar sobre a Educação Inclusiva..................................................................30 Capitulo 3 - Promover o espirito empreendedor nos alunos com necessidades educativas especiais através do ensino e da aprendizagem...............................................................34 3.1. O empreendedorismo nas escolas.........................................................................34 3.2. Metodologia “Abordagem por Projeto”...............................................................36 3.3. A escola inclusiva e a metodologia “Abordagem por Projeto”............................40 Capítulo 4 – Metodologia de investigação......................................................................44 4.1. Justificação do tema..............................................................................................44 4.2. Objetivos do estudo..............................................................................................45 4.3. Problemas, hipóteses e variáveis..........................................................................46 4.4. Instrumentos e procedimentos..............................................................................49 4.5. Caracterização da amostra....................................................................................50 Capítulo 5 – Apresentação dos resultados.......................................................................51 Capítulo 6 – Discussão dos resultados............................................................................72 Conclusão........................................................................................................................78 Linhas futuras de investigação........................................................................................80 Referências bibliográficas...............................................................................................81 Websites...........................................................................................................................83 Documentos Oficiais.......................................................................................................84

Índice de tabelas

Quadro 1 – Desenvolvimento do conceito de empreendedorismo e do termo empreendedor. Adaptado (HISRICH, 1986)............................................................................................23 Quadro 2 – Definições de empreendedorismo................................................................25 Gráfico 1 - Género...........................................................................................................52 Gráfico 2 - Idades............................................................................................................52 Gráfico 3 – Habilitações académicas..............................................................................52 Gráfico 4 - Tempo de serviço em anos............................................................................53 Gráfico 5 - Situação profissional.....................................................................................53 Gráfico 6 - Tem experiência com alunos com necessidades educativas especiais?........54 Gráfico 7 - Compreende o conceito de Educação para o empreendedorismo?...............54 Gráfico 8 - Utiliza na sua prática docente métodos de ensino centrados na aprendizagem cognitiva (expositivos/demonstrativos/interrogativos)?..................................................55 Gráfico 9 - Utiliza na sua prática docente métodos de ensino baseados na descoberta, onde os alunos adquirem competências através da construção da sua própria aprendizagem?55 Gráfico 10 - Empreendedor é aquele individuo capaz de sonhar e transformar o seu sonho em realidade, bem como gerar e distribuir riquezas. (Dolabela, 2003)...........................56 Gráfico 11 - Ser empreendedor exige gosto pelo risco, ambição, autoconfiança, liderança, criatividade, espírito de equipa, organização, capacidade de decisão, vitalidade, perseverança e resiliência................................................................................................57 Gráfico 12 – As características do empreendedor ou do espírito empreendedor são um traço de personalidade e não podem ser trabalhadas/educadas.......................................57 Gráfico 13 - Empreendedorismo é o estudo voltado para o desenvolvimento de competências e habilidades relacionadas à criação de um projeto..................................58 Gráfico 14 - Educar para o empreendedorismo é promover e estimular nos alunos capacidades empreendedoras...........................................................................................58 Gráfico 15 - Educar para o empreendedorismo é promover e estimular nos alunos qualidades de iniciativa, coragem, decisão, visão, espírito crítico, trabalho em grupo...59 Gráfico 16 - Professores empreendedores ajudam a formar alunos empreendedores.....59

Gráfico 17 - A metodologia de “Abordagem por projeto” caracteriza-se por ser centrada no ensino pela descoberta, no aluno e no seu desempenho e por os alunos escolherem as suas aprendizagens..................................................................................................................60 Gráfico 18 - A metodologia de “Abordagem por projeto” procura evitar a aprendizagem passiva, teórica promovendo a participação ativa dos alunos na conceção, elaboração implementação e avaliação de projetos...........................................................................61 Gráfico 19 - A metodologia de “Abordagem por projeto” procura restabelecer um vínculo entre a aprendizagem que acontece na escola e a vida dos alunos, pois os projetos que eles escolhem partem, inevitavelmente, de questões relacionadas à sua vida e à sua experiência e sobre as quais eles se interessam em aprender mais.....................................................61 Gráfico 20 - A metodologia de “Abordagem por projeto” motiva os alunos e desenvolve características de "saber fazer", autonomia, capacidades de tomar decisões, capacidades de gestão do tempo, estimula o espírito crítico e trabalho em equipa..................................62 Gráfico 21 - Um aluno com necessidades educativas especiais não tem características empreendedoras...............................................................................................................62 Gráfico 22 - A metodologia de “Abordagem por projeto”, porque requer a participação ativa dos alunos, não deverá ser usada em alunos com necessidades educativas especiais.63 Gráfico 23 - A metodologia de “Abordagem por projeto” desenvolve nos alunos atitudes empreendedoras...............................................................................................................63 Gráfico 24 - A metodologia de “Abordagem por projeto” porque desenvolve nos alunos atitudes empreendedoras promove as aprendizagens de alunos com necessidades educativas especiais.........................................................................................................64 Gráfico 25 - O espírito empreendedor desenvolve-se num ambiente que encoraje as formas ativas de aprendizagem....................................................................................................64 Gráfico 26 - Os docentes estão preparados pedagogicamente para trabalhar a metodologia de “Abordagem por projeto” com alunos com necessidades educativas especiais.........65 Gráfico 27 - A Escola deve caracterizar-se por os membros da sua comunidade educativa, serem eles próprios empreendedores e incentivados a adquirirem e/ou desenvolverem uma atitude empreendedora na sua vida intra e extra-escolar.................................................66 Gráfico 28 - Uma educação para o empreendedorismo facilita a inserção na vida ativa.66

Gráfico 29 - Uma educação para o empreendedorismo facilita a inserção na vida ativa alunos com necessidades educativas especiais................................................................67 Gráfico 30 - Uma das dificuldades dos alunos com necessidades educativas especiais é a inserção na vida ativa......................................................................................................67 Gráfico 31 - É importante educar alunos com necessidades educativas especiais com características de "saber fazer"........................................................................................68 Gráfico 32 - A metodologia de “Abordagem por projeto” é facilitadora da inclusão dos alunos com necessidades educativas especiais no ensino regular...................................68 Gráfico 33 - O ensino tradicional é facilitador da inclusão dos alunos com necessidades educativas especiais no ensino regular............................................................................69 Gráfico 34 - Uma educação baseada na metodologia de “Abordagem por projeto” não melhora a inserção na vida ativa......................................................................................70 Gráfico 35 - Os métodos de ensino centrados na aprendizagem cognitiva (expositivos/demonstrativos/interrogativos) não funcionam com alunos com necessidades educativas especiais.........................................................................................................70 Gráfico 36 - Os métodos de ensino baseados na descoberta, onde os alunos adquirem competências através da construção da sua própria aprendizagem não funcionam com alunos com necessidades educativas especiais................................................................71

Índice de gráficos Quadro 1 – Desenvolvimento do conceito de empreendedorismo e do termo empreendedor. Adaptado (HISRICH, 1986)............................................................................................23 Quadro 2 – Definições de empreendedorismo................................................................25 Gráfico 1 - Género...........................................................................................................52 Gráfico 2 - Idades............................................................................................................52 Gráfico 3 – Habilitações académicas..............................................................................52 Gráfico 4 - Tempo de serviço em anos............................................................................53 Gráfico 5 - Situação profissional.....................................................................................53 Gráfico 6 - Tem experiência com alunos com necessidades educativas especiais?........54 Gráfico 7 - Compreende o conceito de Educação para o empreendedorismo?...............54 Gráfico 8 - Utiliza na sua prática docente métodos de ensino centrados na aprendizagem cognitiva (expositivos/demonstrativos/interrogativos)?..................................................55 Gráfico 9 - Utiliza na sua prática docente métodos de ensino baseados na descoberta, onde os alunos adquirem competências através da construção da sua própria aprendizagem?55 Gráfico 10 - Empreendedor é aquele individuo capaz de sonhar e transformar o seu sonho em realidade, bem como gerar e distribuir riquezas. (Dolabela, 2003)...........................56 Gráfico 11 - Ser empreendedor exige gosto pelo risco, ambição, autoconfiança, liderança, criatividade, espírito de equipa, organização, capacidade de decisão, vitalidade, perseverança e resiliência................................................................................................57

Gráfico 12 – As características do empreendedor ou do espírito empreendedor são um traço de personalidade e não podem ser trabalhadas/educadas.......................................57 Gráfico 13 - Empreendedorismo é o estudo voltado para o desenvolvimento de competências e habilidades relacionadas à criação de um projeto..................................58 Gráfico 14 - Educar para o empreendedorismo é promover e estimular nos alunos capacidades empreendedoras...........................................................................................58 Gráfico 15 - Educar para o empreendedorismo é promover e estimular nos alunos qualidades de iniciativa, coragem, decisão, visão, espírito crítico, trabalho em grupo...59 Gráfico 16 - Professores empreendedores ajudam a formar alunos empreendedores.....59 Gráfico 17 - A metodologia de “Abordagem por projeto” caracteriza-se por ser centrada no ensino pela descoberta, no aluno e no seu desempenho e por os alunos escolherem as suas aprendizagens..................................................................................................................60 Gráfico 18 - A metodologia de “Abordagem por projeto” procura evitar a aprendizagem passiva, teórica promovendo a participação ativa dos alunos na conceção, elaboração implementação e avaliação de projetos...........................................................................61 Gráfico 19 - A metodologia de “Abordagem por projeto” procura restabelecer um vínculo entre a aprendizagem que acontece na escola e a vida dos alunos, pois os projetos que eles escolhem partem, inevitavelmente, de questões relacionadas à sua vida e à sua experiência e sobre as quais eles se interessam em aprender mais.....................................................61 Gráfico 20 - A metodologia de “Abordagem por projeto” motiva os alunos e desenvolve características de "saber fazer", autonomia, capacidades de tomar decisões, capacidades de gestão do tempo, estimula o espírito crítico e trabalho em equipa..................................62 Gráfico 21 - Um aluno com necessidades educativas especiais não tem características empreendedoras...............................................................................................................62 Gráfico 22 - A metodologia de “Abordagem por projeto”, porque requer a participação ativa dos alunos, não deverá ser usada em alunos com necessidades educativas especiais.63 Gráfico 23 - A metodologia de “Abordagem por projeto” desenvolve nos alunos atitudes empreendedoras...............................................................................................................63

Gráfico 24 - A metodologia de “Abordagem por projeto” porque desenvolve nos alunos atitudes empreendedoras promove as aprendizagens de alunos com necessidades educativas especiais.........................................................................................................64 Gráfico 25 - O espírito empreendedor desenvolve-se num ambiente que encoraje as formas ativas de aprendizagem....................................................................................................64 Gráfico 26 - Os docentes estão preparados pedagogicamente para trabalhar a metodologia de “Abordagem por projeto” com alunos com necessidades educativas especiais.........65 Gráfico 27 - A Escola deve caracterizar-se por os membros da sua comunidade educativa, serem eles próprios empreendedores e incentivados a adquirirem e/ou desenvolverem uma atitude empreendedora na sua vida intra e extra-escolar.................................................66 Gráfico 28 - Uma educação para o empreendedorismo facilita a inserção na vida ativa.66 Gráfico 29 - Uma educação para o empreendedorismo facilita a inserção na vida ativa alunos com necessidades educativas especiais................................................................67 Gráfico 30 - Uma das dificuldades dos alunos com necessidades educativas especiais é a inserção na vida ativa......................................................................................................67 Gráfico 31 - É importante educar alunos com necessidades educativas especiais com características de "saber fazer"........................................................................................68 Gráfico 32 - A metodologia de “Abordagem por projeto” é facilitadora da inclusão dos alunos com necessidades educativas especiais no ensino regular...................................68 Gráfico 33 - O ensino tradicional é facilitador da inclusão dos alunos com necessidades educativas especiais no ensino regular............................................................................69 Gráfico 34 - Uma educação baseada na metodologia de “Abordagem por projeto” não melhora a inserção na vida ativa......................................................................................70 Gráfico 35 - Os métodos de ensino centrados na aprendizagem cognitiva (expositivos/demonstrativos/interrogativos) não funcionam com alunos com necessidades educativas especiais.........................................................................................................70 Gráfico 36 - Os métodos de ensino baseados na descoberta, onde os alunos adquirem competências através da construção da sua própria aprendizagem não funcionam com alunos com necessidades educativas especiais................................................................71

Introdução

Justificação do estudo Na conjetura internacional e nacional em que nos encontramos atualmente, em que o desemprego não deixa de crescer, incomoda-nos a ideia de estar a educar os alunos de uma forma errada, de não os dotar das ferramentas que necessitam para poderem alcançar o sucesso na vida ativa. A temática “empreendedorismo” tem sido muito abordada por economistas, sociólogos, e começa a ser abordada por pedagogos. O empreendedorismo é referido como um componente essencial e decisivo do desenvolvimento da sociedade contemporânea. No entanto, a educação para o empreendedorismo não regista ainda um grau de implantação satisfatório. A criação de uma

comunidade

mais

empreendedora

passa

por

uma

mudança,

quer

de

comportamentos quer a nível cultural. Esta mudança tem que surgir desde cedo, é necessário educar para o empreendedorismo. E educar para o empreendedorismo é educar para o sucesso, para a criatividade e para a solidariedade.

Se a conjetura internacional e nacional em que nos encontramos é preocupante para o futuro ativo dos nossos jovens mais ainda será para aqueles que por um ou outro motivo são portadores de uma deficiência. Este trabalho é um humilde estudo sobre o empreendedorismo na educação, mais especificamente na educação especial. Qual o grau de conhecimento dos professores sobre a temática do empreendedorismo, quais as metodologias a usar para o sucesso nas aprendizagens, para melhorar a sua inclusão na sala de aula e na vida ativa. Ou seja, a aplicação de metodologias educacionais empreendedoras aos alunos com necessidades educativas especiais e a opinião dos professores sobre esta temática. O estudo desenvolve-se no ISCIA, no âmbito do curso de especialização em Ensino Especial, domínio cognitivo e motor (2012 – 12ª Edição). O campo do empreendedorismo pode ser considerado como aquele que estuda o empreendedor. Qualquer que seja a definição usada em empreendedorismo, corre-se o risco de discordância, pois o estudo científico é muito recente e necessita de definições consistentes e científicas. Objetivos Os objetivos deste trabalho são obter a opinião dos professores sobre a temática, se consideram ou não importante, se usam ou não metodologias empreendedoras. Se consideram ou não importante dotar os alunos com necessidades educativas especiais com capacidades e características empreendedoras. Hipóteses e questões de investigação Com base nos objetivos do estudo construiu-se o seguinte conjunto de hipóteses: •

Hipótese 1

A educação para o empreendedorismo é impulsionadora de aprendizagens para os alunos com necessidades educativas especiais. •

Hipótese 2

A educação para o empreendedorismo melhora a inclusão dos alunos com necessidades educativas especiais no ensino regular. •

Hipótese 3

A educação para o empreendedorismo facilita o processo de ingresso dos alunos com necessidades educativas especiais na vida ativa. •

Questões de investigação

Será que uma educação para o empreendedorismo melhora as aprendizagens e a inclusão dos alunos com necessidades educativas especiais na sala de aula e no mundo do trabalho? Estarão os docentes preparados para usarem metodologias de ensino empreendedoras com alunos com necessidades educativas especiais? Será que os docentes possuem uma visão positiva face a esta filosofia e recorrem a diferentes instrumentos facilitadores desse processo? Limitações do estudo Em qualquer estudo, as limitações podem e devem ser avaliadas como oportunidades para melhorar o trabalho realizado. Sendo assim, estas limitações devem ser encaradas como possíveis linhas de investigações futuras. Seguidamente são apresentadas algumas limitações que este estudo pode conter. O tempo para a realização deste trabalho foi limitado e portanto passível de conter algumas falhas na sua elaboração. Os estudos sobre o empreendedorismo advêm de área muito distintas, principalmente da economia e portanto não existem muitos estudos na área das ciências da educação.

As informações encontradas sobre a importância do empreendedorismo para crianças com necessidades educativas especiais foram muito escassas o que tornou este estudo mais limitado, pois os autores que se debruçam sobre o tema são muito poucos.

Parte I – Revisão da literatura

Capítulo 1 - O empreendedorismo

1.1. Análise histórica A palavra empreendedor (entrepreneur) tem origem francesa e quer dizer aquele que assume riscos e começa algo de novo. Para Dornelas (2001), um exemplo de definição de empreendedorismo pode ser creditado a Marco Polo. Marco Polo tentou estabelecer uma rota comercial para o Oriente. Marco Polo teve uma visão empreendedora ao assinar um contrato com um homem bastante rico para vender suas mercadorias, hoje mais conhecido como capitalista. Enquanto o capitalista era alguém que assumia riscos de forma passiva, o aventureiro empreendedor assumia um papel ativo correndo todos os riscos físicos e emocionais. Na Idade Média, o termo empreendedor foi utilizado para definir aquele que geria grandes projetos de produção. O empreendedor nesta época não assumia grandes riscos pois utilizava os recursos disponíveis geralmente provenientes do governo do país. Os primeiros indícios de relação entre assumir riscos e empreendedorismo ocorreram no século XVII, em que o empreendedor estabelecia um acordo contratual com o governo

para realizar algum serviço ou fornecer produtos. Richard Cantillon, importante escritor e economista do século XVII, é considerado por muitos como um dos criadores do termo empreendedorismo, tendo sido um dos primeiros a diferenciar o empreendedor (aquele que assume riscos), do capitalista (aquele que fornecia o capital). Richard Cantillon teria utilizado a palavra empreendedor em contexto de negócios, referindo-se à pessoa que compra mercadorias para revender assumindo o risco da obtenção de lucro. No século XVIII o capitalista e o empreendedor foram finalmente diferenciados, provavelmente devido ao início da industrialização que acontecia no mundo devido à Revolução Industrial. No final do século XIX e início do século XX, os empreendedores foram frequentemente confundidos com os administradores (o que ocorre até os dias atuais), sendo investigados meramente de um ponto de vista económico, como aqueles que organizam a empresa, pagam empregados, planeiam, dirigem e controlam todas as ações desenvolvidas na organização, mas sempre a serviço do capitalista. O empreendedorismo irá, cada vez mais, mudar a forma de encarar o mundo. No momento atual, o ensino do empreendedorismo tem tomado maior proporção, não apenas por moda, mas por vontade de formar cidadãos capazes de mudar a realidade da situação económica do país e do mundo. O quadro que se segue, adaptado de Hisrich (1986), fonte Dornelas (2001) é uma síntese histórica do desenvolvimento do conceito de empreendedorismo e do termo empreendedor.

Idade média Século XVII

Participante e pessoa encarregada de projetos em grande escala Pessoa que assumia riscos de lucro (ou prejuízo) em contexto de valor

1725

fixo com o governo Richard Cantillon – Pessoa que assume riscos é diferente da pessoa

1803

que fornece o capital Jean Baptiste Say – Lucros do empreendedor separados dos lucros do

1876

capital Francis Walker – Distinguiu entre os que forneciam fundos e recebiam

1934

juros e aqueles que obtenham lucro com habilidades administrativas Joseph Schumpeter - O empreendedor é um inovador e desenvolve

1961

tecnologia que ainda não testada David McClelland – O empreendedor é alguém dinâmico que corre

1964 1975

riscos moderados Peter Drucker – O empreendedor maximiza oportunidades Albert Shapero - O empreendedor toma iniciativa, organiza alguns

1980

mecanismos sociais e económicos e aceita risco de fracassos Karl Vésper – O empreendedor é visto de modo diferente por

1985

economistas, psicólogos, negociante e políticos Robert Hisrich – O empreendedorismo é o processo de criar algo diferente e com valor, dedicando tempo e o esforço necessário, assumindo os riscos financeiros, psicológicos e sociais correspondentes e recebendo as consequentes recompensas da satisfação económica e pessoal

Quadro 1 – Desenvolvimento do conceito de empreendedorismo e do termo empreendedor. Adaptado (HISRICH, 1986)

1.2. O conceito Dolabela (1999) diz que, empreendedorismo é um neologismo traduzido da palavra entrepreneurship e serve como arcabouço para designar todos os estudos referentes ao perfil, origens, atividades, compreendendo o amplo universo do procedimento do empreendedor. Há muitas definições do termo empreendedorismo, principalmente porque são propostas por pesquisadores de diferentes campos, que utilizam os princípios das suas áreas de interesse para construir o conceito. Ainda para Dolabela (1999), duas correntes principais tendem, no entanto, a conter elementos comuns à maioria delas. São as dos precursores do empreendedorismo: os economistas,

que

associaram

o

empreendedorismo

à

inovação,

e

os

comportamentalistas (psicólogos, sociólogos, psicanalistas, entre outros), que associam a aspetos como a criatividade e a intuição.

Na opinião de Fernando Dolabela1, professor e escritor com grande experiência no ensino do empreendedorismo, o termo empreendedorismo em seu sentido amplo, deve ser considerado uma forma de ser, e não de fazer. Assim, deverão estar incluídos nesse conceito, por exemplo, o empregado empreendedor, o pesquisador empreendedor, o professor empreendedor, o funcionário público empreendedor, etc. O que importa é a maneira de se abordar o mundo, qualquer que seja a atividade abraçada. Também segundo Dolabela (2003), o empreendedorismo é uma forma de ser e empreendedor é aquele indivíduo capaz de sonhar e transformar o seu sonho em realidade, assim como gerar e distribuir riquezas. Segundo a Wikipedia2 muitas são as definições: "Empreendedorismo é aprendizado pessoal, que impulsionado pela motivação, criatividade e iniciativa, busca a descoberta vocacional, a perceção de oportunidades e a construção de um projeto de vida ideal." "Empreendedorismo é um movimento educacional que visa desenvolver pessoas dotadas de atitudes empreendedoras e mentes planejadoras". "Empreendedorismo é a arte de fazer acontecer com motivação e criatividade." "Ser empreendedor é preparar-se emocionalmente para o cultivo de atitudes positivas no projeto da vida. É buscar o equilíbrio nas realizações considerando as possibilidades de erros como um processo de aprendizagem e melhoramento. Ser empreendedor é criar ambientes mentais criativos, transformando sonhos em riqueza." “O empreendedor é uma pessoa que imagina, desenvolve e realiza visões.” “O empreendedor é alguém capaz de identificar, agarrar e aproveitar oportunidade, buscando e gerenciando recursos para transformar a oportunidade em negócio de sucesso.”

1 2

http://fernandodolabela.wordpress.com/about acedido a 13-10-2012 http://pt.wikipedia.org/wiki/Empreendedorismo acedido em 14- 11-2012

“O empreendedor é aquele que conhece profundamente o que faz e ao mesmo tempo ama o que faz, se dedicando ao máximo a sua atividade e sempre buscando novos caminhos que o leve ao sucesso em seu empreendimento.” “O empreendedor como capaz de formar outro profissional melhor que ele.” “O empreendedor como sendo aquele que deteta uma oportunidade e cria um negócio para capitalizar sobre ela, assumindo riscos calculados.” "Alguns homens veem as coisas como são, e perguntam: Por quê? Eu sonho com as coisas que nunca existiram e pergunto: "Por que não?" Pinheiro (2001) apresenta um conjunto de conceitos e pensamentos sobre o empreendedorismo. O quadro é adaptado e apresenta algumas considerações por ordem cronológica. Autor Shumpter

Definição Empreendedor é aquele que destrói a ordem económica existente,

(1934)

pela introdução de novos produtos e serviços e pela criação de novas formas de organização ou pela exploração de novos recursos materiais. O empreendedor é aquele que realiza coisas novas e não

Filion (1986) Lance(1986)

necessariamente aquele que inventa. Um empreendedor é um individuo imaginativo. Empreendedor é uma pessoa que congrega riscos, inovação, liderança, vocação artística, habilidade e perícia profissional em uma

PRODE

fundação sobre a qual constrói uma equipa motivada. Empreender é exercer a capacidade de imaginar, planejar e por em

Sebrae (PR)

prática seus sonhos e projetos. E resumo é fazer acontecer.

(1998) Quadro 2 – Definições de empreendedorismo.

1.3. Características de um empreendedor Serão as características de um empreendedor inatas, ou podem ser desenvolvidas?

Os estudos na área do empreendedorismo mostram que as características do empreendedor ou do espírito empreendedor não é um traço de personalidade. Segundo Dolabela (1999, 34) “O empreendedor é um ser social, produto do meio em que vive (época e lugar). Se uma pessoa vive em um ambiente em que ser empreendedor é visto como algo positivo, então terá mais motivação para criar o seu próprio negócio.[...] É um fenómeno regional, ou seja, existem cidades, regiões, países mais - ou menos empreendedores do que outros. O perfil do empreendedor (fatores do comportamento e atitudes que contribuem para o sucesso) pode variar de um lugar para outro.” Para Drucker (1974) empreendedorismo, não é nem ciência, nem arte. É uma prática. O empreendedorismo é o estudo voltado para o desenvolvimento de competências e habilidades relacionadas à criação de um projeto. Isso quer dizer que o empreendedor não “nasce pronto”, não há comprovação de herança genética que forme o empreendedor. Por que, então, há regiões mais empreendedoras que outras, há famílias mais empreendedoras que outras? A resposta é simples e podemos recorrer a um ditado popular para ilustrá-la: “Diz-me com quem andas e direis quem és”, ou seja, a convivência, as relações familiares e sociais, os modelos de comportamento são importantes na formação do empreendedor. Dolabela (1999, p.33) afirma: “empreendedores que nascem prontos, não é por razões genéticas, mas sim porque o nível primário de relações o influenciou. ” Da mesma forma que podemos aprender a administrar e a ser bons líderes, podemos aprender a ser empreendedores de sucesso. Como os conceitos sobre empreendedorismo refletem várias abordagens também as características empreendedoras são variadas e em geral complementares. Sendo assim formam

um

conjunto

de

características

aplicáveis

ou

não

a

determinados

empreendedores. Segundo Chiavenato (2004) existem três características básicas que identificam o espírito empreendedor: Necessidade de realização, disposição para assumir riscos e autoconfiança.

Para Dolabela (2003), segundo os autores Timmons (1994) e Hornaday (1982), e de uma forma resumida, as características de um empreendedor podem ser resumidas por: •

Tem um modelo, uma pessoa que o influência

Tem iniciativa, autonomia, autoconfiança, otimismo, necessidade de realização.

Tem perseverança e tenacidade para vencer obstáculos.

Considera o fracasso um resultado como qualquer outro, pois aprende com os próprios erros.

É sonhador realista: é racional, mas usa também a parte direita do cérebro.

Conhece muito bem o ramo em que atua.

Cria um método próprio de aprendizagem. Aprende a partir do que faz.

É inovador e criativo.

Assume riscos moderados.

Define o que quer e aonde quer chegar e depois busca o conhecimento que lhe permitirá atingir o objetivo.

Traduz o pensamento em ações.

Segundo Dornelas (2001) os empreendedores de sucesso: são visionários, sabem tomar decisões, são indivíduos que fazem a diferença, sabem explorar ao máximo as oportunidades, são determinados e dinâmicos, são dedicados, são otimistas e apaixonados pelo que fazem, são independentes e constroem o próprio destino, são líderes e formadores de equipas, são bem relacionados, são organizados, planejam, possuem conhecimento e assumem riscos calculados.

1.4. Mitos Como em todas as áreas, também nesta existem mitos.

O empreendedor nasce, não se faz.

Qualquer um pode iniciar um negócio

São jogadores/apostadores/assumem riscos excessivos

Necessidade de protagonismo

São "patrões" de si próprios

Trabalham muito

Iniciam negócios de risco

Apenas para os ricos

Idade é uma barreira - os empreendedores são jovens e enérgicos

Motivados pelo dinheiro

Procuram o poder e o controlo sobre os outros

Se tiverem talento, o sucesso chega em 1 ou 2 anos

Qualquer pessoa com uma boa ideia pode enriquecer

Tendo dinheiro é fácil falhar

Sofrem de stress

Capítulo 2 - A Educação Especial

2.1. Conceitos e visão histórica “Educação especial é um conjunto de recursos específicos (método de ensino, currículos adaptados, apoio de materiais ou de serviços de pessoal especializado), que pretende dar resposta adequada às necessidades educativas especiais de todos os alunos.” (Torres et al, 2010:4) A educação especial visa promover o desenvolvimento das potencialidades de pessoas com necessidades educativas especiais e a sua inclusão educativa, emocional e social. O conceito de necessidades educativas especiais (NEE) surge especificado pela primeira vez, em 1978, no relatório Warnock, «Special Educational Needs: Report of the Committee of Enquiry into the Education of Handicapped Children and Young People» (London: Her Majesty’s Stationery Office, 1978) presidido por Mrs. Hellen Mary Warnock. Este relatório refere que uma percentagem significativa de alunos apresenta durante o seu percurso escolar problemas na aprendizagem, precisando por isso, da intervenção da educação especial. Entende-se também que estes problemas podem assumir um carácter permanente ou temporário no percurso escolar do aluno, uma vez que não decorrem necessariamente de deficiências no sentido tradicional do termo, mas de um conjunto diversificado de fatores. Ou seja, um aluno com necessidades educativas especiais é aquele que apresenta, em comparação com a maioria dos alunos na mesma faixa etária, significativas diferenças físicas, sensoriais ou intelectuais, decorrentes de fatores inatos ou adquiridos que conduzem a obstáculos à sua aprendizagem e à sua integração na comunidade educativa. Este relatório veio alterar determinadamente a organização da educação especial, particularmente a nível das respostas educativas para os alunos com necessidade

educativas especiais, uma vez que procura desvalorizar a deficiência e valorizar as necessidades específicas que a pessoa apresenta e necessita. Este relatório contraria o recente Decreto-Lei 3/2008 que remete para a educação especial apenas os alunos com deficiência de carácter permanente com limitações a nível da atividade e participação. Nos anos oitenta, outras definições do conceito de NEE surgiram com o intuito de procurar a sua operacionalidade e nas quais é mais evidente a preocupação em abranger, não só os alunos tradicionalmente portadores de deficiências físicas, sensoriais, motoras e mentais, mas também todos os que apresentam dificuldades na aprendizagem, decorrentes de causas várias, durante o seu percurso escolar. Na Declaração de Salamanca (1994), o conceito de necessidades educativas especiais abrange “todas as crianças e jovens cujas necessidades se relacionam com deficiências ou dificuldades escolares” que surgem em determinado momento de escolaridade. Em 2008, o Ministério da Educação português redefine o conceito de necessidades educativas especiais através do decreto-lei nº3. Neste decreto-lei, consideram-se alunos com necessidades educativas especiais os alunos que apresentam “limitações significativas ao nível da atividade e da participação, num ou vários domínios de vida, decorrentes de alterações funcionais e estruturais, de carácter permanente, resultando em dificuldades continuadas ao nível da comunicação, da aprendizagem, da mobilidade, da autonomia, do relacionamento interpessoal e da participação social.”

2.2. Um olhar sobre a Educação Inclusiva “A Educação Inclusiva não surgiu ao acaso ela é um produto histórico de uma época e de realidades educacionais contemporâneas, uma época que exige que nós abandonemos muitos dos nossos estereótipos e preconceitos, na identificação do verdadeiro objeto que está a ser delineado, o ser humano.” (Silveira & Almeida:2005) De uma maneira muito primária poderíamos resumir o conceito de Educação Inclusiva como sendo uma “Educação para todos” ou ainda como “Um sistema de qualidade educativa para todos os alunos”. Isto significa que a educação tem de representar um

papel mais ativo na luta contra as diferenças sociais, promover novas capacidades, atitudes e comportamentos e estimular novas formas de desenvolvimento pessoal e comunitário. Sempre com o objetivo de aumentar a igualdade na educação sem perder a sua excelência. Segundo Bénard da Costa (1999:25) “A Educação Inclusiva não se justifica hoje simplesmente porque é eficaz, porque dispensa os elevadíssimos custos das escolas especiais, porque corresponde ao desejo dos pais. Embora todas estas sejam verdades inegáveis, a razão última que a baseia consiste na defesa do direito à plena dignidade da criança como ser humano, livre e igual em direitos e dignidade”. O Estado deve garantir a todas as crianças o acesso a oportunidades iguais na educação. Isso significa que algumas crianças podem precisar de mais apoio e de condições especiais. As crianças com necessidades educativas especiais, por exemplo, têm o direito às condições necessárias de apoio à sua aprendizagem, como terapeutas, língua gestual, tecnologia específica, currículos adaptados, metodologias de ensino diferente, etc. A Declaração Universal dos Direitos Humanos afirma explicitamente que a educação deve “visar à plena expansão da personalidade humana e ao reforço dos direitos do homem e das liberdades fundamentais e deve favorecer a compreensão, a tolerância e a amizade entre todas as nações e todos os grupos raciais ou religiosos (…)”. A Convenção sobre os Direitos da Criança afirma ainda, sobre o tipo de educação a que todas as crianças têm direito, que esta deve: “ Promover o desenvolvimento da personalidade da criança, dos seus dons e aptidões mentais e físicos na medida das suas potencialidades” e “preparar a criança para assumir as responsabilidades da vida numa sociedade livre, num espírito de compreensão, paz, tolerância, igualdade entre os sexos e de amizade entre todos os povos, grupos étnicos, nacionais e religiosos e com pessoas de origem indígena”. O caminho para a inclusão e para o pleno respeito pelo outro, com todas as suas diferenças, é longo e, embora não fosse desejável, exige que a todo o momento se reitere o que está inscrito na Declaração Universal dos Direitos Humanos.

A filosofia da inclusão parece trazer vantagens para toda a comunidade educativa, não discrimina, não marginaliza, contribui para a construção de uma sociedade fundada em valores como o respeito pelo próximo, pela individualidade e pela diferença, valorizando aquilo que faz de cada um de nós únicos e fundamentais. Os alunos com NEE têm “direito de aprender junto com os seus pares sem NEE, o que lhes proporciona aprendizagens similares e interações sociais adequadas”, retirando-lhes também “o estigma da deficiência, preocupando-se com o seu desenvolvimento global dentro de um espírito de pertença” (Correia, 2005:15). Este pensamento inclusivo traz também vantagens para os alunos sem NEE, isto porque coloca a tónica no respeito pela diferença, na amizade, na tolerância, na partilha e potencia a aprendizagem de que “cada um de nós, sejam quais forem os nossos atributos, terá sempre algo de valor a dar aos outros” (Correia, 2005: 15). Em 1994, reuniram-se em Salamanca representantes de variadíssimos governos e organizações internacionais com o intuito de conseguir “escola para todos”, que incluíssem todas as pessoas e aceitassem as diferenças no seio escolar. Assim, a Declaração de Salamanca (1994: 6) proclama que “as crianças e jovens com necessidades educativas especiais devem ser incluídos nas estruturas educativas destinadas à maioria das crianças”. Os currículos devem ser flexíveis e adaptar-se à necessidade de cada criança e não o inverso (Declaração de Salamanca, 1994: 22), pois o objetivo da escola inclusiva passa pelo sucesso educativo de todas elas. A Lei de Bases do Sistema Educativo estabelece o quadro geral do sistema educativo e, no artigo 7º, alínea j), afirma como objetivo “assegurar às crianças com necessidades educativas específicas, devidas, designadamente, a deficiências físicas e mentais, condições adequadas ao seu desenvolvimento e pleno aproveitamento das suas capacidades”. Com o objetivo de promover a igualdade de oportunidades, o decreto-Lei nº 3/2008 de 7 de Janeiro vem revalorizar a escola inclusiva e garantir a equidade educativa, a igualdade e a individualização e personalização das estratégias educativas.

Sendo a escola inclusiva uma forma de assegurar a todas as crianças com necessidades educativas especiais o acesso a uma educação que lhes promova o pleno aproveitamento das suas capacidades e que lhes estimule novas formas de desenvolvimento pessoal e comunitário, a educação para o empreendedorismo assenta nesta visão.

Capitulo 3 - Promover o espirito empreendedor

nos

alunos

com

necessidades educativas especiais através do ensino e da aprendizagem

3.1. O empreendedorismo nas escolas “É essencial repensar e redefinir as prioridades da educação europeia – direcionando-a para as necessidades e desafios do futuro, e não para o legado do passado. A longo prazo, os únicos verdadeiros recursos da Europa serão os seus cidadãos.” (ERT, 1993). O termo empreendedorismo mostra-se cada vez mais frequente no quotidiano, frente às dificuldades socioeconómicas que devastam o país e reduzem as oportunidades para aqueles que estão ou querem ingressar no mercado de trabalho. É um conceito que tem vindo a conquistar um lugar de crescente relevo na opinião pública sobre o futuro económico do país. Ser empreendedor é fundamentalmente encarar a realidade como um conjunto de oportunidades de mudança, renovação e realização. Alguns estudos sugerem que existe uma correlação positiva entre o empreendedorismo e o crescimento económico de um país. Os países com aumento do empreendedorismo apresentam, em muito casos, descidas das taxas de desemprego. Existe a consciência generalizada de que a escola deve promover atitudes de empreendedorismo nos jovens, considerando-se que essa orientação constitui uma

dimensão crítica na educação das novas gerações e no desenvolvimento sustentado de Portugal. Portugal desenvolveu um projeto, O projeto “Educação para o Empreendedorismo” que consistia numa proposta para o desenvolvimento de ações empreendedoras ao nível das escolas. Este projeto foi lançado pelo Ministério da Educação e visava promover o espirito

empreendedor

nos

alunos.

Pretendia

que

as

escolas/agrupamentos

desenvolvessem uma cultura empreendedora, traduzida pelo desenvolvimento de projetos dinamizados por grupos de alunos, devidamente enquadrados pelo currículo nacional e que se traduzam em resultados percetíveis. A metodologia base de aprendizagem deste projeto é aprender fazendo, ou seja uma metodologia assente na resolução de projetos. Esta forma de trabalhar é centrada e orientada no e pelo próprio aluno, adquirindo as competências curriculares através da prática. Para que tenham a possibilidade de tomar decisões, de construir os seus projetos de trabalho, de planear, de analisar, de errar, desenvolvendo assim o seu espírito empreendedor, aos alunos deverão ser possibilitadas condições favoráveis. Os professores têm um papel fundamental no impulso ao empreendedorismo, promovendo a elaboração de projetos que integrem aprendizagens curriculares dos programas das áreas disciplinares, valorizando o esforço dos seus alunos, analisando cuidadosamente as suas propostas, propondo metodologias de trabalho que sejam motivadoras e orientadoras e que permitam a realização desses mesmos projetos. Conseguir ou não depende essencialmente da vontade, atitude, dedicação e da abertura a novas formas de trabalho. “Se, por um lado, qualquer ação empreendedora é uma oportunidade de aprendizagem, pelo outro lado, qualquer aprendizagem deve ser uma oportunidade de desenvolvimento do empreendedorismo.”

Eduardo Marçal Grilo, no prefácio do guião de implementação do projeto “Educação para o Empreendedorismo”3 nas escolas, considera: “A capacidade para inovar e para criar não está seguramente gravada no DNA nem faz parte do genoma dos Seres Humanos. É no entanto reconhecido, nos dias de hoje, que a inovação e a criação são fatores críticos do desenvolvimento que dependem muito da atitude e dos comportamentos de cada indivíduo numa lógica de que os que conseguem inovar e os que são capazes de criar são aqueles que atingem os mais elevados padrões de realização pessoal e que paralelamente mais contribuem para o desenvolvimento das sociedades em que se integram tanto no campo da economia como nas áreas da cultura, da política ou das artes.”

3.2. Metodologia “Abordagem por Projeto” Iremos abordar a metodologia de ensino “Abordagem por Projeto”, metodologias assente na descoberta, no aprender fazendo. Esta metodologia assenta em princípios semelhantes aos do empreendedorismo. Visa promover nos alunos o espirito crítico, o trabalho em equipa, desenvolver a criatividade e o gosto pela descoberta. Características que vulgarmente se atribuem a um empreendedor. A metodologia de ensino “Abordagem por Projeto” é uma metodologia investigativa centrada na resolução de problemas reais É uma metodologia indireta de ensino baseada no ensino pela prática e pela descoberta. Assenta na ideia de que há mais sucesso quando o aluno está ativo durante o processo de ensino. Estimula os alunos a colocar questões, formular hipóteses e a encontrar soluções. Uma das características mais marcantes desta metodologia é o papel do aluno no processo de aprendizagem. O trabalho está centrado nos alunos porque são eles que escolhem os temas a desenvolver e que gerem o trabalho e desta forma a aprendizagem. Aos professores cabe acompanhar, coordenar e avaliar a atividade e a aprendizagem. Os professores são orientadores, ajudam os alunos a seguir o caminho traçado.

3

http://www.dgidc.min-edu.pt/educacaocidadania/index.php?s=directorio&pid=48 acedido em 15-10-2012

Segundo Mateus (1995) a metodologia de “Abordagem por Projeto” está inerente uma nova forma de aprender, em que a prática cria vontade de agir e de refletir. Uma aprendizagem constante que envolve perigo, porque parte à descoberta e se arrisca. Cria-se uma nova relação entre a prática e a teoria, entre os saberes escolares e os saberes sociais. Nesta perspetiva, o aluno constrói o seu próprio saber, tem um papel ativo, prepara-se para o futuro, torna-se mais exigente em relação a si, aos outros e à realidade envolvente, torna-se mais capaz de intervir socialmente. Segundo Barbier (1991) a metodologia de “Abordagem por Projeto” carateriza-se por ser desenvolvida em equipa, com pesquisa no terreno, por dinamizar a relação teoria e prática e aprender, num processo aberto, produzir conhecimentos sobre os temas em estudo ou intervir sobre os problemas identificados. Todo o desenvolvimento parte de uma planificação flexível e passível de ser alterada segundo as necessidades do projeto. Na teoria integra conhecimentos adquiridos e desencadeia a aquisição de novos conhecimentos e experiências. Experiências destas reforçam a autonomia, o gosto pela descoberta, o gosto pelo risco, o sentimento de poder e a afirmação de uma identidade própria. Características que normalmente são atribuídas à figura do empreendedor. Castro e Ricardo (1994) afirmam que a metodologia de projeto assenta numa ordem lógica de procedimentos e operações que se interligam. Transformar um problema em projeto e concretizá-lo é, em última análise, o objetivo da pedagogia de projeto, entendendo-se por problema a diferença entre uma situação existente e uma outra que é desejada. No dizer de Leite, Malpique e Santos (1989) esta metodologia passa por várias etapas que vão desde a identificação e formulação de problemas, passando pela pesquisa e produção, até à apresentação, globalização e avaliação final.

Ao longo destas etapas, deve sempre estar presente um forte espírito de equipa e uma firme liderança rumo aos objetivos. Uma preocupação permanente com a qualidade e com a avaliação é também um fator muito importante. O trabalho projeto pode desenvolve-se nas seguintes fases4: •

Identificação da situação-problema: Esta fase corresponde à escolha da situaçãoproblema que constituirá o projeto a desenvolver pelo grupo de trabalho.

Formulação de problemas parcelares: A situação-problema deve ser descrita, enquadrada, caracterizada, o que permitirá o seu desdobramento em problemas parcelares.

Esboço de planificação de trabalho: Nesta fase procede-se ao levantamento dos recursos e limitações condicionantes do desenvolvimento do trabalho. São definidas as tarefas a levar a cabo pelos diferentes elementos do grupo, a escolha dos métodos e técnicas de pesquisa e a respetiva calendarização. Este esboço de planificação está sujeito a várias reformulações.

Investigação e produção: O contacto com o meio através do trabalho de campo é o momento privilegiado da recolha de dados que depois terão de ser tratados. É a partir dos dados recolhidos e trabalhados, da integração dos conhecimentos relacionados com a realidade estudada, que se concretiza o produto ou os produtos. Estes refletem a articulação entre a teoria e a prática, entre o saber e o saber-fazer.

Apresentação dos trabalhos: Os produtos finais são apresentados à comunidade podendo assumir formas diversas: relatórios, filmes, exposições, dramatizações, objetos, maquetes, etc.

Avaliação: A avaliação é feita ao longo do desenvolvimento do projeto. A avaliação contínua – auto e heteroavaliação – permite reformular estratégias e refletir sobre a dinâmica do grupo de trabalho. A avaliação do produto final é uma avaliação global – do processo e do produto

1 Identificação da situação problema

2 3 Formulação Esboço de de planificação problemas de trabalho 4 parcelares Baseado em “Área de Projeto, Guia do aluno” de Manuela Matos Monteiro

4 Investigação e produção

5 Apresentaçã o dos trabalhos

6 Avaliação

O Professor deverá não só garantir o produto da atividade dos alunos, a aquisição de conhecimentos e a solução do problema, mas deverá garantir, analogamente, o desenrolar do processo de produção desses conhecimentos e das soluções dos problemas (Mateus, 1995). Deverá assumir, também, papéis diversificados. Ser líder de grupo, coordenador, tutor, recurso, facilitador de contactos, encenador, proporcionando o alargamento da sua capacidade de atenção sobre o real físico, social e relacional, assim como sobre o desenvolvimento intelectual e sócio - afetivo dos alunos (Mateus, 1995). Segundo Mateus (1995) existem enumeras vantagens na utilização desta metodologia, tais como: dar lugar à construção pessoal do saber de uma forma interativa, dinâmica, com autonomia e responsabilidade; estimular atitudes investigativas como observar, refletir, criar hábitos de trabalho, planificar, gerir o tempo e os imprevistos, aprender a ser mais solidário, a ter opiniões, a ser mais imaginativo, a criticar, a estar mais atento. O trabalho de projeto, dadas as suas caraterísticas, é, segundo Mateus (1995), uma metodologia que deve, sempre que possível, ser utilizada pelos professores. A metodologia de projeto integra-se nas novas perspetivas que se abrem aos professores, é mais uma tentativa para atravessar o fosso que tem separado os teóricos e os práticos na investigação em educação.

Segundo o Dicionário geral de ciências humanas, esta metodologia requer a participação de cada membro de um grupo, segundo as suas capacidades, com o objetivo de realizar um trabalho conjunto, decidido, planificado e organizado de comum acordo. O professor não deve fechar-se na sua disciplina e nos seus métodos de ensino. Deve estar atento e aberto a novas saberes, novas experiências e metodologias. É benéfico que os professores mudem e que vão de encontro aos ideais aconselhados por esta forma de ensinar, mais aberta à realidade da vida, mais aberta às diferenças, mais aberta à educação inclusiva.

3.3. A escola inclusiva e a metodologia “Abordagem por Projeto” Qualquer escola que deseje seguir uma política de Educação Inclusiva terá de desenvolver práticas e culturas que respeitem a diferença e a contribuição ativa de cada aluno para a construção de um conhecimento partilhado. A inclusão de alunos com necessidades educacionais especiais (NEE) requer professores capazes de promover a sua aprendizagem e participação. A educação inclusiva só existe se forem introduzidas nas salas de aula estratégias e práticas diferentes daquelas que tradicionalmente se praticam (Sanches, 2005). Estas dependem largamente da atitude, conhecimento, competência e capacidades dos professores para inovarem e criarem contextos para um ensino que vá de encontro às necessidades e potenciais dos seus alunos. Criar uma sala de aula inclusiva é um desafio. Os professores devem criar ambientes de aprendizagem que valorizem a criatividade, o potencial individual, as interações sociais, o trabalho cooperativo, a experimentação e a inovação. É importante notar que a atitude dos professores é um elemento fundamental no sucesso da inclusão na sala de aula. Atitudes positivas dos professores perante a inclusão

refletem-se nos seus comportamentos na sala de aula inclusiva (Leatherman & Niemeyer, 2005). E aí surgem as questões: Os professores estão preparados para assumir tal responsabilidade? Qual a metodologia de ensino mais apropriada? A metodologia escolhida pode ser fundamental no sucesso do processo ensino-aprendizagem? Quando falamos em metodologias de ensino-aprendizagem eficazes com alunos NEE e facilitadores de uma educação inclusiva, a metodologia abordagem por projeto, assente no método de ensino indireto, ensino pela descoberta, no aprender fazendo parece ser uma metodologia que vai ao encontro dos autores, pois as suas práticas enquadram-se na opinião dos autores sobre os métodos de ensino eficazes para estes alunos e para os seus pares: "O conjunto de métodos didáticos que visam tornar a aprendizagem tão dinâmica e tão centrada no aluno, quanto possível." (Neves e Graça, 1987) "uma didática assente no ritmo dos alunos, contrária a formalismos e a programas rígidos" (Reizinho, 1981, citado e adaptado por Neves e Graça, 1987) “A investigação-ação aplicada no campo educativo, numa perspetiva de educação inclusiva, traz vantagens à situação em particular e ao sistema e aos implicados”. A organização do trabalho em pequenos grupos, onde os alunos com necessidades educativas especiais estão integrados, com a responsabilização de todos os seus elementos e com a diversidade das tarefas e dos materiais a utilizar, pode ser construído o clima favorável ao desenvolvimento da igualdade de oportunidades para todos e para cada um dentro do grupo. Quando os vários elementos do grupo dependem uns dos outros para alcançar o sucesso final, todos se esforçam para um bom desempenho, promovendo a cooperação, a colaboração, a solidariedade, a amizade, a integração e desta forma aprendizagem, quer emocional quer cognitiva. O Projeto IRIS (Improvement Through Research In The Inclusive School) 5 aponta a importância que a aprendizagem por projetos pode ter na educação inclusiva. 5

http://www.irisproject.eu/teachersweb/PT/docs/TT_Estrategias_e_Praticas_WD_PT.pdf

Aprendizagem por projetos é definida como um método de ensino sistemático que envolve os alunos na aquisição de conhecimentos e capacidades através de um projeto alargado de investigação, estruturado e complexo, com questões autênticas, produtos e tarefas cuidadosamente desenhadas. Este processo pode prolongar-se por períodos de tempo distintos e pode estender-se a múltiplas áreas. A aprendizagem por projetos pode implicar a colocação de questões, debater ideias, desenhar planos de concretização bem delineados no tempo e espaço, recolher a analisar dados, criar produtos, apresentar e avaliar esse processo etc. O professor deve explicar cuidadosamente todas as tarefas que devem ser realizadas, fornecer orientações detalhadas para o desenvolvimento do projeto na turma, estar preparado para responder a questões e encorajar a motivação dos alunos. Geralmente, os alunos trabalham em grupos pequenos e colaborativos quando se trata do modelo de aprendizagem por projetos. Eles encontram fontes, conduzem a pesquisa, atribuem entre si a responsabilidade pela aprendizagem e a finalização das tarefas. Todos os alunos, mesmo os que têm necessidades educativas especiais, aprendem se o seu processo educativo é dirigido, planificado e avaliado de forma sistemática (Meijer, 2003). Os alunos com necessidades educativas especiais têm necessidade de um programa educativo adaptado às suas necessidades, desenvolvido junto dos seus colegas com a mesma idade, na escola de todos. A utilização de métodos de ensino conscientemente poderá facilitar ou dificultar a aprendizagem do aluno, principalmente dos que apresentam alguma necessidade especial, para isso é necessário o conhecimento e a flexibilidade na escolha desses métodos para atender as situações específicas de aprendizagem. Ensinar é “fazer com que o outro saiba” e isso apenas ocorre quando há o comprometimento do professor em entender as diversas maneiras de ensinar e as diversas formas de aprender. Não esquecer que empreendedorismo6 é visto como um estudo voltado para o desenvolvimento de competências e habilidades relacionadas à criação de um projeto. Para Drucker (1974) empreendedorismo, não é nem ciência, nem arte. É uma prática.

6

http://www.suapesquisa.com/o_que_e/empreendedorismo.htm

Parte II – Estudo

Capítulo

4

Metodologia

de

investigação

4.1. Justificação do tema Antes de iniciar o estudo é importante justificar o tema escolhido e enquadrá-lo na atualidade. O estudo desenvolve-se no âmbito do curso de especialização em Ensino Especial, domínio cognitivo e motor (2012 – 12ª Edição) promovido pelo ISCIA. Na conjetura internacional e nacional em que nos encontramos atualmente, em que o desemprego aumenta assustadoramente, atormenta-nos a ideia de educar os alunos de uma forma errada, de não os dotar das ferramentas que necessitam para poderem ter sucesso na vida ativa. Mais ainda nos alunos com necessidades educativas especiais que, já à partida, têm mais dificuldade de integração na vida ativa.

Inserido nos contextos mais recente sobre a importância do espírito empreendedor nos jovens e na inclusão nas escolas do ensino regular de crianças com necessidades educativas especiais, este estudo pretende averiguar se os docentes possuem uma visão positiva face a esta filosofia e se recorrem a diferentes instrumentos facilitadores desse processo. Com este estudo pretende-se aprofundar o conhecimento dos docentes sobre o empreendedorismo na educação e sobre as metodologias facilitadoras desse processo. Sobre o seu uso na educação especial, mais especificamente, no campo de ação da educação inclusiva. Esta investigação centra-se no contributo que a educação para o empreendedorismo pode dar a crianças com necessidades educativas especiais.

4.2. Objetivos do estudo Os objetivos do estudo devem descrever de forma clara e sucinta as metas que se deseja atingir. Objetivos gerais O objetivo desta investigação é averiguar a importância da educação para o empreendedorismo no sucesso, na inclusão na sala de aula e na vida ativa de crianças NEE e qual a visão dos docentes face a este tema. Objetivos específicos Compreender a visão dos docentes para a temática do empreendedorismo. Compreender o conhecimento dos docentes sobre a temática. Saber se os docentes usam a metodologia de ensino abordagem por projeto, facilitadora da educação para o empreendedorismo.

Saber se consideram a metodologia abordagem por projeto assertiva no que concerne à educação para o espírito empreendedor. Compreender se os docentes se sentem preparados para o uso da metodologia abordagem por projeto. Averiguar a importância da educação para o empreendedorismo na inclusão dos alunos com necessidades educativas especiais na sala de aula no ensino regular. Averiguar a importância da educação para o empreendedorismo no sucesso das aprendizagens. Averiguar a importância da educação para o empreendedorismo na inclusão na vida ativa.

4.3. Problemas, hipóteses e variáveis 4.3.1 - Formulação da pergunta de partida Quando se inicia um projeto, o investigador depara-se com um problema central de todo o processo, saber como começar, saber traduzir o seu interesse ou a sua preocupação, encontrar um fio condutor claro e conciso para poder iniciar o seu trabalho e estruturá-lo com coerência. É a partir daqui que surge a investigação, a pergunta de partida, pois é através dela que se irá expor o que se pretende. Partindo deste prossuposto, antes de iniciar esta pesquisa, sentiu-se a necessidade de se criar um fio condutor de toda a investigação. E foi nesse sentido que se formularam as perguntas de partida: Será que uma educação para o empreendedorismo melhora a inclusão dos alunos com necessidades educativas especiais na sala de aula e no mundo do trabalho? Será que os docentes possuem uma visão positiva face a esta filosofia e recorrem a diferentes instrumentos facilitadores desse processo?

4.3.2. Formulação das hipóteses Após a formulação da pergunta de partida e tendo por base os objetivos deste trabalho, primeiro passo da pesquisa científica é a colocação de uma ou mais hipóteses A hipótese é uma suposta resposta ao problema inicial colocado, será confirmada ou refutada após ter sido devidamente testada. É toda aquela que se estabelece provisoriamente como base numa investigação e que pode confirmar ou negar a autenticidade da mesma. A elaboração das hipóteses representa um papel fundamental no processo de investigação pois elas apresentam-se sobre a forma de proposições de resposta à pergunta de partida. Perante um conjunto de dados que foi surgindo ao longo da pesquisa, surge a necessidade de criar critérios de seleção sob a forma de hipóteses. Assim construiu-se o seguinte conjunto de hipóteses: Hipótese 1 A educação para o empreendedorismo é impulsionadora de aprendizagens para os alunos com necessidades educativas especiais Hipótese 2 A educação para o empreendedorismo melhora a inclusão dos alunos com necessidades educativas especiais no ensino regular. Hipótese 3 A educação para o empreendedorismo facilita o processo de ingresso dos alunos com necessidades educativas especiais na vida ativa. No final do estudo empírico, através dos dados obtidos, verificar-se-á se estas hipóteses levantadas serão confirmadas ou não.

4.3.3. Variáveis As variáveis são as características que são medidas ou manipuladas numa pesquisa. Após a colocação de hipóteses existe a necessidade de verificar em cada uma delas as suas variáveis, as dependentes e as independentes. A variável independente define-se como sendo a que afeta a outra variável mas que pode não existir relação entre ambas A variável dependente define-se como sendo aquela que é afeta ou explicada pela variável independente, isto é, terá modificações de acordo com as mudanças da variável dependente. Assim numa pesquisa quando se coloca as hipóteses o investigador, faz o prognóstico da primeira para a segunda-feira analisando as hipóteses colocadas ao longo desta investigação as variáveis das hipóteses são: Hipótese 1 A educação para o empreendedorismo é impulsionadora de aprendizagens para os alunos com necessidades educativas especiais •

Variável dependente: A aprendizagem dos alunos com necessidades educativas especiais

Variável independente: Tipo ou método de ensino usado.

Hipótese 2 A educação para o empreendedorismo melhora a inclusão dos alunos com necessidades educativas especiais no ensino regular. •

Variável dependente: A inclusão dos alunos com necessidades educativas especiais

Variável independente: Tipo ou método de ensino usado.

Hipótese 3

A educação para o empreendedorismo facilita o processo de ingresso dos alunos com necessidades educativas especiais na vida ativa. •

Variável dependente: O ingresso na vida ativa dos alunos com necessidades educativas especiais

Variável independente: Tipo ou método de ensino usado.

4.4. Instrumentos e procedimentos Tendo em conta a viabilidade deste estudo optou-se por um método através do qual se procura fazer uma análise mais alargada à visão dos docentes em relação ao tema. Desta forma, recorreu-se ao método quantitativo com recurso a um questionário selecionando uma amostra a mais diversificada possível. Estes questionários foram elaborados no Google Docs. Este questionário foi enviado especificamente, via email, a todos os docentes do Agrupamento de Escolas de Aveiro, Educadores, Docentes do 1º, 2º e 3º ciclos e secundário. Foi também preenchido por alguns colegas do grupo 550, assim como por alunos do curso de especialização em Ensino Especial, domínio cognitivo e motor (2012 – 12ª Edição) promovido pelo ISCIA. O preenchimento do inquérito foi efetuado online, ou seja, sem a presença do investigador. O questionário está dividido em duas partes: a primeira diz respeito aos dados pessoais e à caracterização da amostra; e a segunda parte diz respeito às conceções dos professores face ao empreendedorismo e à estratégia de ensino “Abordagem por projeto” assim como à sua aplicabilidade nos alunos com necessidades educativas especiais e consequente inclusão destes na sala de aula e na vida ativa.

Na elaboração do instrumento de recolha de informação optou-se por ser de respostas fechadas, uma vez que permite maior rapidez e facilidade na resposta, uma maior uniformidade, rapidez e simplificação na análise das mesmas. A desvantagem da aplicação desta metodologia na investigação pode prender-se com a facilidade na resposta dos inquiridos mesmo que este não saiba ou que sinta dificuldade acrescida em responder a uma determinada questão, condicionando de certa forma os resultados. Partindo de um modelo teórico, formulou-se um conjunto de intenções teóricas e metodologias que serviu para a construção do instrumento de investigação. Como se pretende medir as opiniões do público-alvo a que se destina este instrumento foi elaborado segundo a escala de Likert, em que se apresenta uma série de cinco posições das quais o inquerido opta por selecionar uma. Antes de ser operacionalizado este questionário foi testado num grupo de docentes exterior à amostra e posteriormente distribuído pelos diversos docentes. Os questionários recolhidos foram submetidos a um tratamento informático, recorrendo ao programa Microsoft Office Excel. Com a aplicação deste instrumento e com a respetiva recolha de dados tentar-se-á validar ou refutar as hipóteses que se considerou pertinentes colocar e inferir necessidades e pontos de reflexão.

4.5. Caracterização da amostra O questionário foi distribuído por vários docentes (aproximadamente 170) de diferentes níveis de ensino, de diferentes áreas disciplinares e de diferentes faixas etárias. A amostra selecionada tem grande valor nesta investigação, já que é bastante diversificada e esta irá permitir fazer uma análise transversal às metodologias de ação e analisar como os docentes encaram a educação para o empreendedorismo adaptando as estratégias educativas às necessidades dos alunos.

Capítulo

5

Apresentação

dos

resultados

O questionário está dividido em duas partes: a primeira relacionada com os dados pessoais e a caracterização da amostra; e a segunda relacionada com opiniões dos professores sobre a temática. As percentagens apresentadas estão arredondadas por excesso a zero casas decimais. A amostra é constituída por 167 professores do Ensino Regular, dos quais 76% são do sexo feminino e 24% do sexo masculino.

Gráfico 1 - Género

Na sua maioria, a amostra é constituída por professores com idades compreendidas entre os 31 e os 50 anos de idade.

Gráfico 2 - Idades

As habilitações académicas dos professores inquiridos são na sua grande maioria a licenciatura, no entanto responderam ao inquérito professores com mestrados e doutoramentos.

Gráfico 3 – Habilitações académicas

Relativamente ao tempo de serviço e em concordância com a idade, 12 inquiridos tem poucos anos de serviço, entre 0 e 5, 62 inquiridos, entre 6 a 15 anos de serviço, 51 inquiridos, entre 16 e 25 e 42 inquiridos mais de 25 anos de serviço.

Gráfico 4 - Tempo de serviço em anos

Relativamente à situação profissional em que se encontram os inquiridos 105 estão em quadro de escola, 15 em quadro de zona pedagógica, 36 são contratados e 11 tem outra situação.

Gráfico 5 - Situação profissional

Quando questionados sobre a experiência com alunos com necessidades educativas especiais 78% responderam que tinham experiência contra 22% que não tinham experiência com estes alunos. Os docentes do secundário têm menos experiência com estas crianças.

Gráfico 6 - Tem experiência com alunos com necessidades educativas especiais?

Quando questionados sobre a temática em causa, “Compreende o conceito de Educação para o empreendedorismo?”, 138 inquiridos responderam que sim e 29 responderam que não, correspondendo a 83% e 17% respetivamente.

Gráfico 7 - Compreende o conceito de Educação para o empreendedorismo?

Para o estudo era importante saber qual o método de ensino que usavam, assim, na pergunta formulada com este intuito, “Utiliza na sua prática docente métodos de ensino centrados na aprendizagem cognitiva?” responderam que sim 93% e que não 7%.

Gráfico 8 - Utiliza na sua prática docente métodos de ensino centrados na aprendizagem cognitiva (expositivos/demonstrativos/interrogativos)?

E na pergunta, “Utiliza na sua prática docente métodos de ensino baseados na descoberta, onde os alunos adquirem competências através da construção da sua própria aprendizagem?” responderam 95% que sim e 5% que não.

Gráfico 9 - Utiliza na sua prática docente métodos de ensino baseados na descoberta, onde os alunos adquirem competências através da construção da sua própria aprendizagem?

A segunda parte do questionário diz respeito às ideias dos professores do Ensino Regular sobre a temática. Tendo por base a revisão da literatura e os autores de referência, fiz várias afirmações sobre a temática do empreendedorismo na educação em geral e na educação especial em particular e solicitei que os professores indicassem o seu grau de concordância (em escala Lickert).

1. ”Empreendedor é aquele individuo capaz de sonhar e transformar o seu sonho em realidade, bem como gerar e distribuir riquezas”. (Dolabela, 2003). A grande maioria dos inquiridos concordou com a afirmação (60%), 23% concordou totalmente, 4% discordaram e 13% não concordaram nem discordaram.

Gráfico 10 - Empreendedor é aquele individuo capaz de sonhar e transformar o seu sonho em realidade, bem como gerar e distribuir riquezas. (Dolabela, 2003)

2. Ser empreendedor exige gosto pelo risco, ambição, autoconfiança, liderança, criatividade, espírito de equipa, organização, capacidade de decisão, vitalidade, perseverança e resiliência. No que diz respeito a esta afirmação, verificamos se existe um grau de concordância de 95% e que apenas 2% dos inquiridos discordam que ser empreendedor é possuir estas características.

Gráfico 11 - Ser empreendedor exige gosto pelo risco, ambição, autoconfiança, liderança, criatividade, espírito de equipa, organização, capacidade de decisão, vitalidade, perseverança e resiliência.

3. As características do empreendedor ou do espírito empreendedor são um traço de personalidade e não podem ser trabalhadas/educadas. (Pergunta elaborada pela negativa e baseada em Dolabela, 1999). No que diz respeito a esta afirmação, verificamos que existe um grau de discordância de 67%, 33% dos inquiridos ou não tem opinião ou concordam com a afirmação, logo discordam do autor, ou seja, consideram que as características de um empreendedor são inatas e não podem ser trabalhadas.

Gráfico 12 – As características do empreendedor ou do espírito empreendedor são um traço de personalidade e não podem ser trabalhadas/educadas.

4. Empreendedorismo é o estudo voltado para o desenvolvimento de competências e habilidades relacionadas à criação de um projeto (baseada em Drucker 1974). No que diz respeito a esta afirmação, verificamos que existe um grau de concordância de 69%, havendo 31% dos inquiridos que ou não tem opinião ou discordam do autor.

Gráfico 13 - Empreendedorismo é o estudo voltado para o desenvolvimento de competências e habilidades relacionadas à criação de um projeto

5. Educar para o empreendedorismo é promover e estimular nos alunos capacidades empreendedoras. No que diz respeito a esta afirmação, verificamos que existe um grau de concordância de 90% e10% dos inquiridos ou não tem opinião ou discordam.

Gráfico 14 - Educar para o empreendedorismo é promover e estimular nos alunos capacidades empreendedoras.

6. Educar para o empreendedorismo é promover e estimular nos alunos qualidades de iniciativa, coragem, decisão, visão, espírito crítico, trabalho em grupo. No que diz respeito a esta afirmação, verificamos que existe um grau de concordância de 96% e que 4% dos inquiridos não tem opinião.

Gráfico 15 - Educar para o empreendedorismo é promover e estimular nos alunos qualidades de iniciativa, coragem, decisão, visão, espírito crítico, trabalho em grupo.

7. Professores empreendedores ajudam a formar alunos empreendedores. No que diz respeito a esta afirmação, verificamos que existe um grau de concordância de 83%, que 15% dos inquiridos não tem opinião e 3% discorda.

Gráfico 16 - Professores empreendedores ajudam a formar alunos empreendedores.

8. A metodologia de “Abordagem por projeto” caracteriza-se por ser centrada no ensino pela descoberta, no aluno e no seu desempenho e por os alunos escolherem as suas aprendizagens. No que diz respeito a esta afirmação, verificamos que existe um grau de concordância de 71%, que 24% dos inquiridos não tem opinião e 5% discorda.

Gráfico 17 - A metodologia de “Abordagem por projeto” caracteriza-se por ser centrada no ensino pela descoberta, no aluno e no seu desempenho e por os alunos escolherem as suas aprendizagens.

9. A metodologia de “Abordagem por projeto” procura evitar a aprendizagem passiva, teórica promovendo a participação ativa dos alunos na conceção, elaboração implementação e avaliação de projetos. No que diz respeito a esta afirmação, verificamos que existe um grau de concordância de 82%, que 15% dos inquiridos não tem opinião, 2% discorda e 1% discorda totalmente.

Gráfico 18 - A metodologia de “Abordagem por projeto” procura evitar a aprendizagem passiva, teórica promovendo a participação ativa dos alunos na conceção, elaboração implementação e avaliação de projetos.

10. A metodologia de “Abordagem por projeto” procura restabelecer um vínculo entre a aprendizagem que acontece na escola e a vida dos alunos, pois os projetos que eles escolhem partem, inevitavelmente, de questões relacionadas à sua vida e à sua experiência e sobre as quais eles se interessam em aprender mais. No que diz respeito a esta afirmação, verificamos que existe um grau de concordância de 77%, que 18% dos inquiridos não tem opinião e 5% discorda.

Gráfico 19 - A metodologia de “Abordagem por projeto” procura restabelecer um vínculo entre a aprendizagem que acontece na escola e a vida dos alunos, pois os projetos que eles escolhem partem, inevitavelmente, de questões relacionadas à sua vida e à sua experiência e sobre as quais eles se interessam em aprender mais.

11. A metodologia de “Abordagem por projeto” motiva os alunos e desenvolve características de "saber fazer", autonomia, capacidades de tomar decisões, capacidades de gestão do tempo, estimula o espírito crítico e trabalho em equipa. No que diz respeito a esta afirmação, verificamos que existe um grau de concordância de 87%, que 11% dos inquiridos não tem opinião e 2% discorda.

Gráfico 20 - A metodologia de “Abordagem por projeto” motiva os alunos e desenvolve características de "saber fazer", autonomia, capacidades de tomar decisões, capacidades de gestão do tempo, estimula o espírito crítico e trabalho em equipa.

12. Um aluno com necessidades educativas especiais não tem características empreendedoras. No que diz respeito a esta afirmação, verificamos que existe um grau de discordância de 81%, que 14% dos inquiridos não tem opinião, 2% concorda e 2% concorda totalmente.

Gráfico 21 - Um aluno com necessidades educativas especiais não tem características empreendedoras.

13. A metodologia de “Abordagem por projeto”, porque requer a participação ativa dos alunos, não deverá ser usada em alunos com necessidades educativas especiais. No que diz respeito a esta afirmação, verificamos que existe um grau de discordância de 78%, que 16% dos inquiridos não tem opinião e 7% concorda.

Gráfico 22 - A metodologia de “Abordagem por projeto”, porque requer a participação ativa dos alunos, não deverá ser usada em alunos com necessidades educativas especiais.

14. A metodologia de “Abordagem por projeto” desenvolve nos alunos atitudes empreendedoras. No que diz respeito a esta afirmação, verificamos que existe um grau de concordância de 81%, que 17% dos inquiridos não tem opinião e 2% discorda.

Gráfico 23 - A metodologia de “Abordagem por projeto” desenvolve nos alunos atitudes empreendedoras.

15. A metodologia de “Abordagem por projeto” porque desenvolve nos alunos atitudes empreendedoras promove as aprendizagens de alunos com necessidades educativas especiais. No que diz respeito a esta afirmação, verificamos que existe um grau de concordância de 72%, que 25% dos inquiridos não tem opinião, 2% discorda e 1% discorda totalmente.

Gráfico 24 - A metodologia de “Abordagem por projeto” porque desenvolve nos alunos atitudes empreendedoras promove as aprendizagens de alunos com necessidades educativas especiais.

16. O espírito empreendedor desenvolve-se num ambiente que encoraje as formas ativas de aprendizagem. No que diz respeito a esta afirmação, verificamos que existe um grau de concordância de 92%, que 7% dos inquiridos não tem opinião e 1% discorda.

Gráfico 25 - O espírito empreendedor desenvolve-se num ambiente que encoraje as formas ativas de aprendizagem.

17. Os docentes estão preparados pedagogicamente para trabalhar a metodologia de “Abordagem por projeto” com alunos com necessidades educativas especiais. No que diz respeito a esta afirmação, verificamos que existe um grau de discordância de 61%, que 34% dos inquiridos não tem opinião e 5% discorda. Os docentes inquiridos, na sua grande maioria, acreditas que os docentes em geral não estão preparados para trabalhar com a metodologia “Abordagem por projeto” com os alunos com necessidades educativas especiais.

Gráfico 26 - Os docentes estão preparados pedagogicamente para trabalhar a metodologia de “Abordagem por projeto” com alunos com necessidades educativas especiais.

18. A Escola deve caracterizar-se por os membros da sua comunidade educativa, serem eles próprios empreendedores e incentivados a adquirirem e/ou desenvolverem uma atitude empreendedora na sua vida intra e extra-escolar. No que diz respeito a esta afirmação, verificamos que existe um grau de concordância de 74%, que 20% dos inquiridos não tem opinião e 5% discorda.

Gráfico 27 - A Escola deve caracterizar-se por os membros da sua comunidade educativa, serem eles próprios empreendedores e incentivados a adquirirem e/ou desenvolverem uma atitude empreendedora na sua vida intra e extra-escolar.

19. Uma educação para o empreendedorismo facilita a inserção na vida ativa. No que diz respeito a esta afirmação, verificamos que existe um grau de concordância de 92%, que 8% dos inquiridos não tem opinião.

Gráfico 28 - Uma educação para o empreendedorismo facilita a inserção na vida ativa.

20. Uma educação para o empreendedorismo facilita a inserção na vida ativa alunos com necessidades educativas especiais. No que diz respeito a esta afirmação, verificamos

que existe um grau de concordância de 80%, que 17% dos inquiridos não tem opinião e 2% discorda ou discorda totalmente.

Gráfico 29 - Uma educação para o empreendedorismo facilita a inserção na vida ativa alunos com necessidades educativas especiais.

21. Uma das dificuldades dos alunos com necessidades educativas especiais é a inserção na vida ativa. No que diz respeito a esta afirmação, verificamos que existe um grau de concordância de 92%, que 6% dos inquiridos não tem opinião e 3% tem um grau de discordância.

Gráfico 30 - Uma das dificuldades dos alunos com necessidades educativas especiais é a inserção na vida ativa.

22. É importante educar alunos com necessidades educativas especiais com características de "saber fazer". No que diz respeito a esta afirmação, verificamos que existe um grau de concordância de 97%, que 3% dos inquiridos não tem opinião e 1% discorda.

Gráfico 31 - É importante educar alunos com necessidades educativas especiais com características de "saber fazer".

23. A metodologia de “Abordagem por projeto” é facilitadora da inclusão dos alunos com necessidades educativas especiais no ensino regular. No que diz respeito a esta afirmação, verificamos que existe um grau de concordância de 62%, que 31% dos inquiridos não tem opinião e 7% tem grau de discordância.

Gráfico 32 - A metodologia de “Abordagem por projeto” é facilitadora da inclusão dos alunos com necessidades educativas especiais no ensino regular.

24. O ensino tradicional é facilitador da inclusão dos alunos com necessidades educativas especiais no ensino regular. No que diz respeito a esta afirmação, verificamos que existe um grau de discordância de 65%, que 27% dos inquiridos não tem opinião e 14% mostra concordância.

Gráfico 33 - O ensino tradicional é facilitador da inclusão dos alunos com necessidades educativas especiais no ensino regular.

25. Uma educação baseada na metodologia de “Abordagem por projeto” não melhora a inserção na vida ativa. No que diz respeito a esta afirmação, verificamos que existe um grau de discordância de 75%, que 17% dos inquiridos não tem opinião e 8% concorda.

Gráfico 34 - Uma educação baseada na metodologia de “Abordagem por projeto” não melhora a inserção na vida ativa.

26.

Os

métodos

de

ensino

centrados

na

aprendizagem

cognitiva

(expositivos/demonstrativos/interrogativos) não funcionam com alunos com necessidades educativas especiais. No que diz respeito a esta afirmação, verificamos que existe um grau de discordância de 41%, que 31% dos inquiridos não tem opinião e 28% concorda.

Gráfico 35 - Os métodos de ensino centrados na aprendizagem cognitiva (expositivos/demonstrativos/interrogativos) não funcionam com alunos com necessidades educativas especiais.

27. Os métodos de ensino baseados na descoberta, onde os alunos adquirem competências através da construção da sua própria aprendizagem não funcionam com alunos com necessidades educativas especiais. No que diz respeito a esta afirmação, verificamos que existe um grau de discordância de 73%, que 17% dos inquiridos não tem opinião e 11% apresenta um grau de concordância.

Gráfico 36 - Os métodos de ensino baseados na descoberta, onde os alunos adquirem competências através da construção da sua própria aprendizagem não funcionam com alunos com necessidades educativas especiais.

Antes de proceder à discussão dos resultados é de referir que elaboração do inquérito, a distribuição e respetiva recolha de dados foi feita de forma criteriosa utilizando os métodos adequados. O tratamento estatístico foi elaborado usando software próprio e os resultados foram apresentados na forma de gráficos. Assunto já abordado anteriormente.

Capítulo

6

Discussão

dos

resultados A discussão dos resultados visa a sua interpretação, avaliação, significado e examina implicações. Neste capítulo ir-se-á analisar e refletir sobre os principais resultados deste estudo, com base nos dados recolhidos através dos inquéritos, tendo presente a revisão da literatura. Ou seja, o que representam os resultados, como se relacionam com os autores referenciados e que caminhos abrem para novos futuros. A amostra caracteriza-se por ser em grande parte feminina, 76%, com grande incidência de idades entre 30 e 50 anos, cuja experiência de ensino é já vasta e com uma situação profissional, na sua maioria, estável (63% dos inquiridos encontram-se já em quadro de escola). Antes de introduzir o tema deste questionário considerou-se importante saber algumas informações. Uma das questões que se considerou pertinente foi saber se os inquiridos tinham experiência com alunos com necessidades educativas especiais. Como resposta obteve-se 78% de inquiridos com experiência com estes alunos e 22% sem experiência. Atribuiu-se este resultado ao facto de alguns inquiridos serem professores do ensino secundário, logo terem menos contactos com estes alunos pois só agora é que a grande maioria irá começar a frequentar este nível de ensino. Quando questionados sobre se compreendiam o conceito de educação para o empreendedorismo foi verificado, com agrado, que a esmagadora maioria compreendia este conceito, 83%. Considerou-se ainda importante questionar sobre o método de ensino que praticavam, método de ensino centrado na aprendizagem cognitiva (93% sim, 7% não) ou centrado na descoberta onde os alunos adquirem os conhecimentos através da construção da sua própria aprendizagem (95% sim, 5% não). Onde se concluiu que a grande maioria utiliza os dois métodos de ensino.

Sendo assim, o ponto de partido é um universo cuja maioria conhece a temática em estudo “A educação para o empreendedorismo”, que utiliza métodos de ensino que estimulam características empreendedoras nos alunos, no entanto, cerca de 25% deste universo não tem experiência com alunos com necessidades educativas especiais. Passando agora à segunda parte do questionário, as questões específicas sobre a temática abordada. Esta secção do questionário começa com afirmações ou adaptações de conceitos e de opiniões

de

autores citados

na revisão

da literatura,

sobre o

conceito

de

empreendedorismo. Na questão ”Empreendedor é aquele individuo capaz de sonhar e transformar o seu sonho em realidade, bem como gerar e distribuir riquezas”. (Dolabela, 2003). A grande maioria dos inquiridos concordou com a afirmação 60%, 23% concordou totalmente, 4% discordaram e 13% não concordaram nem discordaram. Conclui-se que a percentagem de inquiridos que não concorda ou não tem opinião sobre a citação do autor é semelhante à percentagem de inquiridos que referiu que não conhecia o conceito de educação para o empreendedorismo. No entanto esta realidade contrasta em parte com a realidade das questões relacionadas com as características que se imputam a um empreendedor. Na questão “Ser empreendedor exige gosto pelo risco, ambição, autoconfiança, liderança, criatividade, espírito de equipa, organização, capacidade de decisão, vitalidade, perseverança e resiliência.” No que diz respeito a esta afirmação, verificamos se existe um grau de concordância de 95% e que apenas 2% dos inquiridos discordam que ser empreendedor é possuir estas características. Ou seja, há inquiridos que não conhecem, discordam ou não têm opinião sobre o conceito de empreendedorismo mas reconhecem características empreendedoras num indivíduo. Isto mostra que os inquiridos estão mais fortemente relacionados com as características dos empreendedores do que, propriamente, com os conceitos. O que vai ao encontro da questão de existirem várias definições de empreendedorismo e nem todas serem concordantes pois surgem de áreas de investigação diversas, principalmente da área de economia que não é de todo a área dos inquiridos.

A pesquisa centra-se não só na opinião dos docentes sobre os conceitos e características de empreendedorismo mas também na sua aplicação à educação. Se conhecem as metodologias apropriadas, se as usam, se acreditam que estas funcionam, etc. Quando se direciona subtilmente as questões para empreendedorismo na educação, especificamente para a metodologia de ensino “Abordagem por projeto”, através da questão “Empreendedorismo é um estudo voltado para o desenvolvimento de competências e habilidades relacionadas à criação de um projeto”, (baseada em Drucker 1974) 69% revela concordância, no entanto, 22% não tem opinião e 9% discorda. Mas quando mais especificamente se questiona se educar para o empreendedorismo é estimular capacidades empreendedoras, tais como a iniciativa, coragem, visão, espírito critico e trabalho em grupo o grau de concordância é de 96% contra 4% de inquiridos sem opinião. Mais uma vez se mostra que quando se fala de capacidades ou características empreendedoras os inquiridos estão mais de acordo com os autores. Quando os inquiridos foram questionados sobre afirmações e conceitos, baseados em autores como Mateus (1995), sobre a metodologia abordagem por projeto, tais como, “A metodologia de “Abordagem por projeto” caracteriza-se por ser centrada no ensino pela descoberta, no aluno e no seu desempenho e por os alunos escolherem as suas aprendizagens” ou “A metodologia de “Abordagem por projeto” procura evitar a aprendizagem passiva, teórica promovendo a participação ativa dos alunos na conceção, elaboração implementação e avaliação de projetos” o grau de concordância com os autores é de cerca de 75%. Quando estas afirmações dizem respeito às características que a metodologia abordagem por projeto estimula nos alunos já encontramos graus de concordância a rondar os 90%, como exemplo “ A metodologia de “Abordagem por projeto” motiva os alunos e desenvolve nestes características de “saber fazer”, autonomia, capacidades de tomar decisões, capacidades de gestão do tempo, estimula os espírito crítico e o trabalho em equipa”.

Quando questionados sobre a relação desta metodologia ao empreendedorismo, a maioria mostrou concordância com os autores, no entanto 17% não tinham opinião e 2% não concordou. No entanto é de referir que quando os inquiridos foram questionados sobre se “As características do empreendedor ou do espírito empreendedor são um traço de personalidade e não podem ser trabalhadas/educadas”. (Pergunta elaborada pela negativa e baseada em Dolabela, 1999). No que diz respeito a esta afirmação, verificamos que existe um grau de discordância de 67%. Mas 33% dos inquiridos ou não tem opinião ou concordam com a afirmação, logo discordam do autor, ou seja, consideram que as características de um empreendedor são inatas e não podem ser trabalhadas. Esta percentagem é bastante elevada principalmente quando comparada com questões que abordam os resultados da aplicação do método de ensino “Abordagem por Projeto” no desenvolvimento de características empreendedoras aos alunos. Continuando a análise dos resultados, passaremos agora a questões relacionadas com o empreendedorismo na educação especial, na inclusão na sala de aula e na vida ativa. Os inquiridos foram questionados, de forma direta, se consideravam que os alunos com necessidades educativas especiais não tinham características empreendedoras. 4% dos inquiridos concordou com a afirmação, ou seja, 4% considera que, independentemente do aluno, este não possuem características empreendedoras. Quando questionados sobre os métodos de ensino a usar e facilitadores de aprendizagens, em alunos com necessidades educativas especiais. Métodos baseados na descoberta, onde se engloba o método de ensino “Abordagem por projeto”, ou ensino tradicional, os inquiridos são de opinião que os métodos tradicionais, centrados na aprendizagem cognitiva funcionam menos que os métodos baseados na descoberta onde o aluno é o centro da aprendizagem. Quando questionados sobre qual o método de ensino mais facilitador da inclusão dos alunos com necessidades educativas especiais no ensino regular, 9% concorda que o ensino tradicional é facilitador deste processo, 27% não concorda nem discorda e 65%

discorda. Em relação à metodologia de ensino “Abordagem por projeto” já 62% concorda, 31% não tem opinião e 7% discorda. Estes resultados estão de acordo com os autores quando consideram esta metodologia facilitadora do processo de inclusão dos alunos com necessidades educativas especiais no ensino regular. Os inquiridos concordam em 92% que uma das grandes dificuldades dos alunos com necessidades educativas especiais é a inserção na vida ativa, no entanto, 92% concorda que a educação para o empreendedorismo de alunos do ensino regular é facilitador desse processo mas só 80% concorda que uma educação para o empreendedorismo facilita a inserção na vida ativa a alunos com necessidades educativas especiais. Mas por outro lado a grande maioria 97% concorda que é importante educar estes alunos com características de “saber fazer”. Passando a questões mais centradas no docente, os inquiridos acreditam, num grau de concordância médio de 85%, que professores empreendedores ajudam a formar alunos empreendedores, que o espirito empreendedor se desenvolve em ambientes que encorajam as formas ativas de aprendizagem e que a escola deve caracterizar-se por os membros da comunidade educativa serem eles próprios empreendedores e incentivados a adquirirem e ou desenvolverem uma atitude empreendedora na sua vida. No entanto, os inquiridos quando questionados sobre o seu grau de concordância em relação à questão “Os docentes estão preparados pedagogicamente para trabalhar a metodologia de “Abordagem por projeto” com alunos com necessidades educativas especiais” só 5% dos inquiridos concordou com a afirmação, 95% discorda ou não tem opinião. Conclui-se

que

é

importante

usar

métodos

de

ensino

que

favoreçam

o

empreendedorismo nos alunos com necessidades educativas especiais. Dotá-los de características/ferramentas impulsionadoras de aprendizagens, facilitadoras de inclusão na sala de aula e na vida ativa. Conclui-se que é urgente preparar os docentes pedagogicamente para trabalhar desta forma com os alunos do ensino especial.

Deslocando a análise dos resultados para a testagem das hipóteses formuladas, podemos concluir que: Hipótese 1 A educação para o empreendedorismo é impulsionadora de aprendizagens para os alunos com necessidades educativas especiais Foi validada, verificando-se que os professores consideram a educação para o empreendedorismo, usando o método de ensino baseado no investigação-ação “Abordagem por Projeto”, bastante benéfico no que concerne ao estimular e efetivar aprendizagem aos alunos com necessidades educativas especiais. Hipótese 2 A educação para o empreendedorismo melhora a inclusão dos alunos com necessidades educativas especiais no ensino regular. Foi validada, verificando-se que os professores consideram que a educação para o empreendedorismo, usando o método de ensino baseado na investigação-ação “Abordagem por Projeto”, melhora a inclusão dos alunos com necessidades educativas especiais no ensino regular. Hipótese 3 A educação para o empreendedorismo facilita o processo de ingresso dos alunos com necessidades educativas especiais na vida ativa. Foi validada, verificando-se que os professores consideram que a educação para o empreendedorismo, usando o método de ensino baseado na investigação-ação “Abordagem por Projeto”, facilita o processo de ingresso dos alunos com necessidades educativas especiais na vida ativa. As hipóteses levantadas foram todas validades.

Conclusão O empreendedorismo e a educação para o empreendedorismo são temas bastante atuais, face aos problemas económicos e sociais que o país enfrenta. É importante educar os jovens para que estes, no fim do seu percurso escolar, estejam preparados para os seus projetos de vida, para os conduzirem com gosto, criatividade, confiança e determinação. Considera-se que o desenvolvimento de competências empreendedoras é de extrema importância para os alunos com necessidades educativas especiais. São estes que, em geral, terão mais dificuldades no fim do seu percurso escolar a realizar os seus projetos de vida e desejos. O exercício de uma cidadania ativa na sociedade atual passa pela inclusão de competências empreendedoras no desenvolvimento integral do individuo. Assim, é de extrema importância para estes alunos que lhes seja dada a oportunidade de desenvolver esta dimensão da sua formação no âmbito do seu percurso. Este trabalho foi o estudo do papel dos professores na criação de uma escola mais empreendedora e verificar se esta educação empreendedora também deverá ser efetuada a nível da educação especial, de forma a potenciar as suas aprendizagens, a criar novas oportunidades quer na inclusão na sala de aula quer na sua integração na vida ativa. Aos professores é pedido que utilizem métodos apropriados, que encontrem a formação necessária e que eduquem as nossas crianças da melhor forma possível. Na opinião de Dolabela7 toda a gente pode empreender. Os mitos, os conceitos e as definições acabam por complicar. Mas de uma maneira muito simples e descomplicando: O homem nasce com potencial empreendedor que é desenvolvido através de estímulos e 7

Retirado de uma entrevista efetuada num programa de televisão.

conexões sociais e ele pode ou não ser inibido. Na maioria dos países a família e a escola são os principais fatores de inibição. Segundo este pensamento a família e a escola não estão a cumprir o seu papel. Ainda é preciso atuar em diversos campos para tornar os jovens mais empreendedores e para que estes possam construir uma sociedade mais tolerante, mais criativa, mais confiante e mais dinâmica. Concluo lembrando que o desenvolvimento da humanidade é o testemunho da vida e prática de uma infinidade e heterogenidade de empreendedores.

Linhas futuras de investigação Este trabalho de investigação pretende ser mais uma contribuição para a temática da educação para o empreendedorismo e a sua aplicação em crianças com necessidades educativas especiais. Este estudo não está de forma alguma concluído, pois o assunto abordado é particularmente vasto e complexo. Após a conclusão desta investigação fica-se com a noção clara que diversas linhas de investigação ficam em aberto, tais como: Fazer estudos de caso. Abordar esta temática por ciclos de ensino. Abordar esta temática por áreas disciplinares.

Referências bibliográficas Barbier, J. M. (1993). Elaboração de Projectos de Acção e Planificação. Porto: Porto Editora. Bénard da Costa, A. M. (1999). Uma Educação Inclusiva a partir da escola que temos. In Uma Educação Inclusiva a Partir da Escola que temos (relato de seminários e colóquios). Conselho Nacional de Educação – Ministério da Educação, pp.25 – 36. Castro, L. e Ricardo, M. (2003). Gerir o trabalho de projecto: guia para a flexibilização e revisão curriculares. Lisboa: Texto Editora. Chiavenato, I. (2004). Empreendedorismo. São Paulo: Saraiva. Correia, L. M. (2005). Inclusão e Necessidades Educativas Especiais. Um guia para educadores e professores. Colecção Necessidades Educativas Especiais. Porto: Porto Editora. Demo, P. Metodologia científica, São Paulo, Editora Atlas, 1980 Dolabela, F. (1999) O Segredo de Luísa. São Paulo: Cultura Editores Associados. Dolabela, F. (2003). Pedagogia Empreendedora - O Ensino do Empreendedorismo na Educação Básica, voltado para o Desenvolvimento Sustentável. São Paulo: Editora de Cultura. Dornelas, J. C. A. (2001). Empreendedorismo: Transformando ideias em negócios. Rio de Janeiro: Campus. Leite, E.; Malpique, M. e Santos, M.R. (1989). Trabalho de Projecto I – Aprender por Projectos Centrados em Problemas. Porto: Edições Afrontamento. Mateus, M.N. E. (1995). Área-Escola, Educação Ambiental e Pedagógicas Inovadoras. Tese de Mestrado em Extensão e Desenvolvimento Rural: Vila Real: UTAD

Monteiro, M. M. (2007). Área de Projecto, Guia do Aluno. Porto: Porto Editora, pp. 87-90. Pinheiro, L. (2001). O comportamento empreendedor. Pós graduação Latu Sensu em Metodologia do Ensino Superior. Balneário Camboriú: UNIVALI. Silveira, M. & Almeida, R. (2005). Caminhos para a inclusão humana: valorizar a pessoa, construir o sucesso educativo. Porto: Edições Asa. Torres, C. R., Vilaça, I. B., Silva, L. M., Rosa, M. I. (2010). Educação Especial Manual de Documentos

e

Procedimentos

in

http://www.aeceleiros.pt/attachments/article/183/Manual_da_Educacao_Especial.pdf acedido a 7-9-2012. UNESCO, “Declaração de Salamanca e Enquadramento da Acção na Área das Necessidades Educativas Especiais”, Lisboa, Instituto de Inovação Educacional, 1994 (tradução da 1ª ed., UNESCO, 1994).

Websites

http://fernandodolabela.wordpress.com/about acedido em 13-10-2013 http://www.dgidc.min-edu.pt/educacaocidadania/index.php?s=directorio&pid=48 acedido em 15-10-2012 http://www.ecommerce.tv.br/vamos-educar-as-criancas-para-serem-empreendedoras/ acedido em 22-10-2012 http://www.suapesquisa.com/o_que_e/empreendedorismo.htm acedido em 23-10-2012 http://www.irisproject.eu/teachersweb/PT/docs/TT_Estrategias_e_Praticas_WD_PT.pdf acedido em 5-11-2012 http://deficienciavisualsp.blogspot.pt/2009/04/blog-post.html acedido em 12-11-2012 http://pt.wikipedia.org/wiki/Empreendedorismo acedido em 18-11-2012

Documentos Oficiais

Declaração de Salamanca e Enquadramento da Acção na área das necessidades educativas especiais (1994) Salamanca: UNESCO. Declaração Universal dos Direitos dos Homens de 10 de Dezembro de 1948. In http://dre.pt/util/pdfs/files/dudh.pdf acedido a 12-09-2012. Decreto-lei nº 3/2008 de 7 de Janeiro. Lei nº 49/2005 de 30 de Agosto (Lei de Bases do Sistema Educativo). WARNOCK et al. (1978). Special Education Needs Report of Committee of Enquiry into the Education of Handicapped Children and Young People. London: Her Majesty’s Stationery Office.

Anexos

Anexo A – Inquérito

Educação para o empreendedorismo e alunos com necessidades educativas especiais *Obrigatório Exmo(a). Senhor (a) Professor (a), caro (a) colega: Sou aluna do Instituto Superior de Ciências da Informação e da Administração (ISCIA) do Curso de Formação Especializada em Educação Especial: Domínio Cognitivo e Motor. Este trabalho de investigação realiza-se no âmbito da unidade curricular de Projeto Final de Curso, sob a orientação do Professor Doutor Horácio Pires Gonçalves Ferreira Saraiva. Tenha em consideração o facto de não existirem nem boas nem más respostas. Por favor, indique apenas a sua opinião, expectativas, sentimentos e atitudes, independentemente de serem ou não aquelas que prefere ou acha mais adequadas. Solicito a sua colaboração sincera e ponderada, pois dela depende a validação da investigação. Muito grata pela sua colaboração! Género * Feminino Masculino Idade * 20-30 31-40 41-50 51-60 >60 Habilitações académicas * Bacharelato

Licenciatura Mestrado Doutoramento Tempo de serviço (em anos) * 0-5 6-15 16-25 >25 Situação profissional * QE QZP Contratado Outra Tem experiência com alunos com necessidades educativas especiais? * Sim Não Compreende o conceito de Educação para o empreendedorismo? * Sim Não Utiliza na sua pratica docente métodos de ensino centrados na aprendizagem cognitiva (expositivos/demonstrativos/interrogativos)? * Sim Não Utiliza na sua prática docente métodos de ensino baseados na descoberta, onde os alunos adquirem competências através da construção da sua própria aprendizagem? * Sim Não Assinale apenas uma opção de acordo com o seu grau de concordância * Não Discordo Concordo Concordo Discordo Concordo Totalmente Nem Totalmente Discordo Empreendedor é aquele individuo capaz de sonhar e transformar o seu sonho em realidade, bem como gerar e distribuir riquezas.

Não Discordo Concordo Concordo Discordo Concordo Totalmente Nem Totalmente Discordo Ser empreendedor exige gosto pelo risco, ambição, autoconfiança, liderança, criatividade, espírito de equipa, organização, capacidade de decisão, vitalidade, perseverança e resiliência. As características do empreendedor ou do espírito empreendedor são um traço de personalidade e não podem ser trabalhadas/educadas. Empreendedorismo é o estudo voltado para o desenvolvimento de competências e habilidades relacionadas à criação de um projeto. Educar para o empreendedorismo é promover e estimular nos alunos capacidades empreendedoras. Educar para o empreendedorismo é promover e estimular nos alunos qualidades de iniciativa, coragem, decisão, visão, espírito crítico, trabalho em grupo. Professores empreendedores ajudam a formar alunos empreendedores. A metodologia de “Abordagem por projeto” caracteriza-se por ser centrada no ensino pela descoberta, no aluno e no seu desempenho e por os alunos escolherem as suas aprendizagens. A metodologia de “Abordagem por projeto” procura evitar a aprendizagem passiva, teórica promovendo a participação ativa dos alunos na conceção, elaboração implementação e avaliação de projetos. A metodologia de “Abordagem por projeto” procura restabelecer um vínculo entre a aprendizagem que acontece na escola e a vida dos alunos, pois os projetos que eles escolhem partem, inevitavelmente, de questões relacionadas à sua vida e à sua experiência e sobre as quais eles se interessam em aprender mais.

Não Discordo Concordo Concordo Discordo Concordo Totalmente Nem Totalmente Discordo A metodologia de “Abordagem por projeto” motiva os alunos e desenvolve nestes características de "saber fazer", autonomia, capacidades de tomar decisões, capacidades de gestão do tempo, estimula o espírito crítico e trabalho em equipa. Um aluno com necessidades educativas especiais não tem características empreendedoras. A metodologia de “Abordagem por projeto”, porque requer a participação ativa dos alunos, não deverá ser usada em alunos com necessidades educativas especiais. A metodologia de “Abordagem por projeto” desenvolve nos alunos atitudes empreendedoras. A metodologia de “Abordagem por projeto” porque desenvolve nos alunos atitudes empreendedoras promove as aprendizagens de alunos com necessidades educativas especiais. O espírito empreendedor desenvolve-se num ambiente que encoraje as formas ativas de aprendizagem. Os docentes estão preparados pedagogicamente para trabalhar a metodologia de “Abordagem por projeto” com alunos com necessidades educativas especiais. A Escola deve caracterizar-se por os membros da sua comunidade educativa, serem eles próprios empreendedores e incentivados a adquirirem e/ou desenvolverem uma atitude empreendedora na sua vida intra e extra-escolar. Uma educação para o empreendedorismo facilita a inserção na vida ativa.

Não Discordo Concordo Concordo Discordo Concordo Totalmente Nem Totalmente Discordo Uma educação para o empreendedorismo facilita a inserção na vida ativa alunos com necessidades educativas especiais. Uma das dificuldades dos alunos com necessidades educativas especiais é a inserção na vida ativa. É importante educar alunos com necessidades educativas especiais com características de "saber fazer". A metodologia de “Abordagem por projeto” é facilitadora da inclusão dos alunos com necessidades educativas especiais no ensino regular. O ensino tradicional é facilitador da inclusão dos alunos com necessidades educativas especiais no ensino regular. Uma educação baseada na metodologia de “Abordagem por projeto” não melhora a inserção na vida ativa. Os métodos de ensino centrados na aprendizagem cognitiva (expositivos/demonstrativos/interrogativos) não funcionam com alunos com necessidades educativas especiais. Os métodos de ensino baseados na descoberta, onde os alunos adquirem competências através da construção da sua própria aprendizagem não funcionam com alunos com necessidades educativas especiais.


Projeto versão final