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Bíblia. Parte dessa controvérsia resultou da má compreensão do termo crítica aplicado às Escrituras. Em seu sentido gramatical esse termo diz respeito meramente ao exercício do julgamento. Quando se aplica à Bíblia, é usado no sentido de exercício do julgamento da própria Bíblia. Todavia, existem dois tipos básicos de crítica, e duas atitudes básicas diante de cada tipo. Os títulos atribuídos a esses dois tipos de crítica nada têm que ver com sua importância, conforme ilustra o debate que se segue.

A alta crítica (histórica)

Quando se aplica o julgamento dos estudiosos à autenticidade do texto bíblico, esse julgamento se chama alta crítica ou crítica histórica. O assunto dessa tipo de julgamento dos especialistas dias respeito à data do texto, seu estilo literário, sua estrutura, sua historicidade e sua autoria, O resultado é que a alta crítica na verdade não é parte fundamental da matéria Introdução Geral ao Estudo da Bíblia. Antes, a alta crítica é a própria essência da Introdução Especial. Os resultados dos estudos da alta crítica, feitos pelos herdeiros da teologia herética dos fins do século XVIII, não passam de um tipo de fruto altamente destrutivo. O Antigo Testamento. A última data atribuída aos documentos do Antigo Testamento induziu alguns estudiosos a atribuir seus elementos sobrenaturais a lendas ou mitos. Isso resultou na negação da historicidade e da autenticidade de grande parte do Antigo Testamento por parte dos estudiosos céticos. Na tentativa de mediar entre o tradicionalismo e o ceticismo, Julius Wellhausen e seus seguidores desenvolveram a teoria documental, a qual propõe datar os livros do Antigo Testamento de modo menos sobrenaturalista. O resultado foi que desenvolveram a teoria JEDP sobre o Antigo Testamento. Tal teoria baseia-se em grande parte no argumento de que Israel não possuía escrita, antes da monarquia, e que um Código Eloísta (E) e um Código Javista (J) baseavam-se em duas tradições orais a respeito de Deus ("E" indicava o nome de Eloim e "J" o nome de Jeová [Yahweh]). A esses foi acrescentado o Código Deuteronômico (D) (documentos atribuídos ao tempo de Josias) e o chamado Sacerdotal ("Priestly" em inglês, de onde se origina o "p") do judaísmo pós-exílico. Essas opiniões não agradaram aos estudiosos ortodoxos, pelo que se levantou uma onda de oposição. Essa

INTRODUÇÃO BÍBLICA - COMO A BÍBLIA CHEGOU ATÉ NÓS - NORMAN GEISLER  
INTRODUÇÃO BÍBLICA - COMO A BÍBLIA CHEGOU ATÉ NÓS - NORMAN GEISLER  
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