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R$ 5,90 ano II nº 03 2007

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o melhor m de negócios

JOÃO CLAUDINO perfil de investidor

DERpasseio passeiopor poruma umaTeresina eTresina moderna NIEMEYERpor porKaki KakiAfonso Afonso abrindo caminhos parapara o desenvolvimento PONTE DO SESQUICENTENÁRIO abrindo caminhos o desenvolvimento tendências 2007 ESPELHOS DE MILÃO tendências 2007 AMARANTEcidade cidadedo dopoeta poeta


tendências 2007

ESPELHOS DE MILÃO

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ilão é como aquela velha máxima de Lavoisier que a gente aprende no colégio, estudando química: Nada se perde nada se cria. Em Milão tudo se transforma. A começar pela cidade que já foi a capital do poderoso e ousado Império Romano nos idos dos anos 4 e 5 depois de Cristo. Passou pelo apogeu do império industrial e hoje é palco de um dos cenários mais surpreendentes e inusitados do design do mobiliário mundial. O Salão Internacional do Móvel é um celeiro de tendências, que apresenta em cada edição, novidades mil que afetam diretamente o setor da arquitetura e decoração de interiores. E movimenta milhões de euros. Mas, a bela Milão, palco da moderna arqueologia urbana, consegue conviver pacificamente, lado a lado, com os antigos canais artificiais de circulação de água - muitos deles desenhados pelo"arquiteto" italiano Leonardo da Vinci quando ali morou - criados para facilitar o transporte de pessoas e mercadorias. Hoje, esses canais foram quase todos substituídos ou transformados em calçadas e ruas. Porque em Milão tudo se transforma o tempo todo. Urbanisticamente falando, a cidade - uma planície aos pés dos Alpes - é plana, não tem colinas e nem ladeiras, o que facilita esta metamorfose: velhos balcões de fábricas vão sendo transformados em espaços culturais e condomínios residenciais; vias -ou ruas -renascem das cinzas da Segunda Guerra Mundial; prédios moderníssimos se impõem perante palácios e castelos medievais. Até a Feira de Milão mudou de endereço e se transformou num dos símbolos da arquitetura moderna de Massimiliano Fuksas: um imponente prédio em forma de vela, todo ele em vidro e aço. Em Milão tudo lembra o passado ou o futuro. Não tem meio termo. O passado pode ser tanto o "Monte Stella", criado a partir mercadodoimóvel 38

dos escombros de prédios, casas e palácios (isto mesmo, palácios) bombardeados pela Força Aérea Britânica, na Segunda Guerra, como pode ser o Palácio Triennale, símbolo da arquitetura (e design) fascista. Ou ainda os muros medievais que abrigam o Castelo Sforzesco, resquícios de uma Milão renascentista. Mas, pode ser também a Duomo, maior catedral gótica da Itália. Ou até um velho hábito que os milaneses não dispensam: a famosa "siesta" depois de "mangiare". O futuro pode ser visualizado através do design arrojado das cadeiras de plásticos dos modernos e silenciosos eurotrans verdes (meio de transporte público) ou do próprio modelo vencedor dos setores do design de móveis e da moda, resultado de uma parceria bem sucedida entre artesãos italianos e da boa vontade dos empresários italianos em investir em pesquisa desse tipo. Foi assim que o país arrasado dos escombros da guerra levantou-se: valorizando e acreditando na força das pequenas e micro empresas e transformou-se nessa potência, onde Milão é, apenas, um pequeno reflexo. Uma lição para o mundo.


MILÃO É UMA FESTA Este ano a Mostra chegou à sua 46ª edição e trouxe de volta o Euroluce, salão paralelo, dedicado, exclusivamente, à iluminação. A tecnologia, como ferramenta de criação, é um recurso muito explorado pelos designers europeus. Uma das grandes tendências apresentadas na Feira, e logo deverá estar aportando no Brasil, é a de móveis de inspiração mais retrô, que estabelecem uma ponte entre o futuro e o passado, em uma releitura de estilos, com novos acabamentos, cores, técnicas e materiais. Uma das grandes preocupações do Salão este ano foi com o aquecimento global, a manutenção das florestas e com o design sustentável traduzido nos elementos expostos como materiais reciclados, resinas cortadas à laser, com motivos rendados, além das formas orgânicas que fizeram a cabeça do pessoal mais "cabeça" do mundo do design. Nos pavilhões clássicos, desenhos rococonescos nos

móveis, acabamentos de ouro e madeira talhada com metais nobres, fizeram a festa dos árabes acumulando cifras altíssimas de negócios. Em outros pavilhões "menos nobres", os nomes mais conhecidos como o de Phillippe Starck, Zaha Ron Arad, Tom Dixon e Antonio Citterio, indicam as principais tendências: despontando nas linhas de produção, bases metálicas para os sofás, dando a sensação de flutuar no espaço e certo ar retrô anos 60 para as chaises-longues. Os tons são pastéis, o preto, o branco, o bege, o cinza e, finalmente, o amarelo para alegrar essa turma bem comportada. As linhas são retas, a fibra é sintética e as formas, como já foi dito antes, são orgânicas amebóides para o bem do Planeta Terra. As luminares são enormes, com lustres exuberantes, mostrando que tamanho, nesse caso, é documento sim, desde que as formas sejam arredondadas. O alumínio, o gesso e os tecidos, além do aço, também serviram de base para os lightdesigners.

OS NÚMEROS DA FEIRA Segundo dados da organização da Feira, cerca de 270 mil pessoas passaram pelo Salão Internacional do Móvel de Milão (Saloni), que aconteceu este ano, entre os dias 18 e 23 de abril. Este número cresceu 21,07% em relação à edição do ano passado, que registrou a presença de 223 mil pessoas. Se compararmos com a edição de 2005, o crescimento é ainda maior: 28,8%. No total foram 2,4 mil expositores, em uma área de 342 mil metros quadrados. A 46ª edição da Feira teve, entre os destaques, a Euroluce, uma mostra de soluções em iluminação, com 542 expositores, dos quais 170 eram de 22 países diferentes, ocupando um espaço de 50 mil metros quadrados. O Salão Satélite que mostra novidades feitas por estudantes e escritórios de design chegou este ano à 10ª edição e teve 160 estantes que abrigaram 500 novos designers, sendo que 368 eram estrangeiros de outros 37 países.

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MILÃO SOB O OLHAR DO DESIGN como arte, assim como a literatura, a música, as artes plásticas. Como exemplo disto tivemos nos eventos paralelos ao Salão do Móvel em Milão 2007 a exposição espetáculo DECODEELEMENTS que comemorava os 100 anos da Editora Mondadori, que publica a Revista Interni, uma das principais revistas italianas de Design. O espetáculo que encenava e projetava trechos dos principais autores da literatura universal, como Sheakspeare, Cervantes, Lewis Carol, Borges estava associado a uma série de instalações inspiradas na leitura e dedicado aos elementos primários: Água, Ar, Fogo, Madeira, Luz, Metal e Terra. Grandes nomes do design mundial foram chamados a interpretar esses elementos na exposição do Castelo Sforzesco, como Ettore Sottsass, Massimiliano Fuksas, Ron Arad, Ingo Maurer, entre outros. Na exposição da Lilia Design tentamos mostrar um pouco do móvel de design que a loja trabalha. No espaço central trabalhamos com a Kartell , fábrica italiana que agora completa 50 anos de fundada, com o lançamento de um livro e exposição sobre os seu fundadores Giulio e Anna Castelli. A Kartell se destaca no cenário do design mundial por ter conferido dignidade ao material plástico. Grandes nomes do design como o francês Philippe Starck, com a sua já clássica cadeira Louis Ghost; a espanhola Patricia Urquiola e o italiano Ferruccio Laviani levam a Kartell à vanguarda do design. Ana Márcia Moura e Mariana Parente O design brasileiro vem ganhando espaço no cenário mundial. Temos como representantes os Irmãos Campana, “Vivemos hoje numa época em que a casa é vista cada vez mais como uma segunda pele. A violência urbana nos faz pensar naque desenham para a fábrica italiana Edra ,móveis "sensoriais" como o sofá BOA, com suas cobras em veludo como que acolhe casa como um lugar ao qual queremos sempre voltar. A experiência dos sentidos (a visão; luz e cor; o tato: materiais quem nele se deita. Na nossa exposição apresentamos a para serem tocados e sentidos; o som; os cheiros) orienta os cadeira Célia dos Campana, feita em OSB, um material antes relegado a segundo plano pela indústria. Apresentamos, projetos pra criar uma atmosfera aconchegante e segura. A experiência, as sensações, as emoções são buscadas natambém, Carlos Mota, designer carioca, que com seu trabalho relação da pessoa com o seu ambiente e com os objetos que oprimoroso em madeira, nos apresenta o móvel com produção em pequena escala, sem pretensões de atender ao grande povoam.É neste contexto que entra em cena o design. O design é a arte do objeto. O objeto, o móvel, transcende o funcional público. O mineiro Porfírio Valadares e a paulistana Baba para ganhar status de obra de arte. O design é hoje cultivado Vacaro também estão presentes com suas criações".

A vitrine principal da Mostra "Vitrines de Milão" na loja Lilia Design foi projetada pelos arquitetos João e Gustavo Almeida, baseada nas novas tendências João e Gustavo Almeida lançadas na Feira Internacional do Móvel de 2007, em Milão, Itália. "A Itália e, principalmente, a Feira de Milão, são o berço mundial das tendências em design. Nós procuramos sempre trazer o que há de mais novo em termos de decoração para nossos clientes e nessa vitrine da Lilia não podia ser diferente. Os conceitos vistos em Milão foram digeridos, filtrados e adaptados, nunca copiados, de forma que a nossa identidade permanece viva no nosso trabalho final. Isso transparece no mapa de Teresina adesivado no fundo dos dois grandes nichos da vitrine, nas peças de cerâmica da Fátima Campos e no tapete da Trapos & Fiapos, trabalhos tipicamente regionais aplicados, de forma extremamente sofisticada e antenada com as mais recentes tendências internacionais.” mercadodoimóvel 40

foto: Antonio Quaresma

foto: Antonio Quaresma

Para mostrar e discutir os conceitos e as novidades da Feira, a Lilia Design reuniu em exposição, que começou dia 25 de maio último, alguns dos mais conceituados profissionais da arquitetura, design e decoração de Teresina, para expor os últimos lançamentos da indústria mundial sob diferentes aspectos, como a diversidade de estilos e propostas e o sensorialismo que cada produto transmite com suas múltiplas linguagens. A seguir, o resumo de cada um dos quatro espaços da exposição pela ótica dos arquitetos.


Nosso espaço na última mostra da Lilia Design se subdivide em quatro, mais a vitrine da Rua das Tulipas. No primeiro espaço tons de cinza iluminados pelo branco brilhante da mesa de jantar que tem uma mescla inusitada de cadeiras e bancos de design variado ao seu redor, conferindo ao ambiente um ar mais despojado.Nas paredes, quadros assinados por José Ribeiro e Yamara Santos reforçam o tom contemporâneo da proposta e fornecem pinceladas de cor. No segundo espaço, o mix de preto e branco impera, seja em peças de uma cor ou da outra, ou ainda no grafismo das poltronas listradas, das gravuras vindas de Milão, da cortina dupla face em papel rendado que o setoriza e do quadro de efeito óptico, criado para este espaço, que tem a sofisticação como tônica. No terceiro espaço, tons de bege. Uma grande estante se estende por toda uma parede, nela livros revistas e objetos acumulados imprimem um clima acolhedor reforçado pelo mobiliário em madeira clara com acabamento natural, pelo sofá em linho cru, as almofadas em materiais naturais e as lanternas japonesas estilizadas sobre o aparador. O painel criado para este ambiente usa um patchwork de imagens variadas, com estampas e cores que reforçam o clima da proposta. No quarto e último espaço a monocromia do marrom domina o ambiente de caráter mais sóbrio. A cor está em todos os móveis, nos objetos, no tapete e, também, no biombo que simula uma parede de pedra (com adesivos da Max Comunicação Visual). Para dar mais leveza ao espaço, uma base clara e o grande lustre pendente desenhado pelo nosso escritório e montado pelo Empório da Luz são peças fundamentais. Acima do sofá mais um trabalho de nossa autoria. Na vitrine da Rua das Tulipas o efeito gráfico do preto e branco reaparece no mix de peças, que vão do clássico ao contemporâneo. A frase "elegance is an attitude", escrita na vitrine, define o conceito de toda a proposta que apostou na diversidade de temas para mostrar um pouco da nova coleção da Lilia Design, sob uma ótica contemporânea, cosmopolita e, sobretudo elegante.

foto: Antonio Quaresma

José Ribeiro e Yamara Santos

Laline Mendes e Geraldo Lustosa O estilo adotado foi baseado em recente viagem à Feira Internacional de Design em Milão, que traz as novas tendências de mobiliário e iluminação. A ambientação do espaço reflete um conceito contemporâneo em tons de cinza, preto e "bege rosado" e no uso de móveis com formas puras e de rápida leitura visual. Como complemento e equilíbrio, utilizamos composições de objetos variados em texturas e formas. Os móveis traduzem beleza, conforto e elegância registrando trabalhos de designers, a exemplo do aparador Jaqueline Terpins, cama Graça Cazan, mesa lateral Sarineen e sofás Ronconi.

design luz interior 86-9422-4021 lorenzotajrav21@hotmail.com


Revista Mercado do Imóvel - número 3  

revista editada pela Editora Zahle

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