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O M E L H O R E S PA Ç O D E N E G Ó C I O S D O P I A U Í

Fórum de ideias: O Piauí que nós queremos

A virada da economia piauiense

O segredo de Laurentino Gomes, o autor de 1822


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Piauí: o mapa da mina

a riqueza do turismo piauiense

normas de desempenho: o que muda na área de imóveis

25 Fórum de Ideias: o Piauí que nós queremos

34 Perfil industrial: João Claudino Junior

38 A virada da economia piauiense

50 E-Commerce: a nova onda da economia Marta Tajra DRT 130/PI Editora e Publisher

52 Cacique: eleita uma das melhores, pelo Guia Você S/A – Exame

Marta Tajra David Tajra Direção executiva

58 Imóveis: Piauí atrai novos investimentos na construção civil

Tupy e Wilker Lacerda Projeto gráfico e diagramação WJ GRÁFICA Impressão

65 Brasileiros negociam na Project Lebanon, a feira da construção de Beirute

66 Cultura: O segredo de Laurentino Gomes, o autor de 1822

Tábata Michele Colaboradora

Caio Bruno Thiago Amaral (Arquivo Cidade Verde)

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A Revista Imóveis&Negócios é um periódico semestral da Editora Zahle CNPJ 02.189.730/0001-08. Os artigos assinados e os conceitos emitidos em entrevistas e artigos desta edição são de inteira responsabilidade de seus autores, assim como qualquer conteúdo publicitário e comercial. Não é proibida a reprodução desta obra, desde que cite a fonte.

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AGRONEGÓCIO SUZANO MINERAÇÃO ZPE ENERGIA TRANSNORDESTINA FRUTICULTURA IRRIGADA TURISMO

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rimeiro foram os gaúchos que chegaram com malas e cuia, ou melhor, com malas e chimarrão, e fincaram acampamento nos campos abertos da denominada “última fronteira agrícola do Brasil”. Agora, foi a vez dos chineses. Um grupo de 60 deles passou, recentemente, pelos belos cerrados piauienses interessados na compra de terras para plantar soja. O Grupo Santista também disputa o mesmo interesse com os chineses, ao lado de um pool de investidores que se prepara para aterrissar bem no meio daqueles hectares de soja, considerada o novo petróleo da humanidade. Além da terra que produz em abundância os grãos de soja, algodão, milho, arroz, o Piauí é rico, melhor dizendo, riquíssimo em minério de ferro, níquel, mármore, diamante, gás natural e, desconfia-se, até em petróleo. Nessa reportagem, fizemos uma radiografia do estado. E o resultado mostra um verdadeiro mapa do tesouro. Vamos explorar juntos?

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foto: Arquivo Cidade Verde

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produção de grãos é uma das mais importantes do país: tem soja, milho, arroz e algodão à balde, ou melhor, em toneladas. Os cerrados piauienses, ou a última fronteira agrícola do país, contribuem e muito para essa posição de destaque. É do sudoeste piauiense de onde saiu cerca de 73% da produção de grãos do Piauí em 2010, segundo o IBGE. Dados divulgados pela Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB) no último levantamento indicam que a produção de grãos 2010/2011 deve alcançar um total de 2.385 milhões de toneladas, um aumento de 72,3% em relação à safra passada. E o aumento do volume de grãos é uma tendência para os próximos anos. Para o presidente da Federação de Agricultura e Pecuária do Estado do Piauí (FAEPI), Carlos Augusto Carneiro, dentro de alguns anos o Brasil vai ser o celeiro do mundo, e “o nosso estado será a quarta ou quinta potencia nessa estrutura”. De acordo com Carlos Augusto, a multinacional Bunge, que beneficia a soja em Uruçuí, é responsável pela maior parte da exportação de grãos do estado. Porém, a produção atende ainda o mercado consumidor interno, inclusive o Norte e Nordeste do país. Uma das apostas para desenvolver ainda mais o agronegócio no estado são as câmaras setoriais, fóruns de discussão entre diversos segmentos das cadeias produtivas, numa parceria entre empresários e o setor público. A Federação da Agricultura vai coordenar a parte temática de grãos para saber quais medidas implantar para proteger a cadeia de produção. “As câmaras são importantes porque são elas que vão definir as políticas do estado para defesa do próprio interesse”, disse o presidente. Ainda em relação às exportações, não se pode deixar de destacar que, além da soja em grãos, outros dois produtos estão na pauta de exportação do estado: a cera de carnaúba e o mel. Somados, os três produtos representam 90% do total de exportações do Piauí, que tem como maiores parceiros comerciais a China, seguidos pelos EUA e Japão.

Carlos Augusto Carneiro: “o Brasil será o celeiro do mundo e o nosso estado, a quarta ou quinta potencia nessa estrutura”.

PAULISTAS E GAÚCHOS NOS CERRADOS: PIONEIRISMO Um dos primeiros produtores a se instalar nos cerrados piauienses foi Sérgio Bortolozzo. Descendente de italianos, Sérgio fez o inverso da maioria dos migrantes brasileiros que deixam o Nordeste em busca de uma vida melhor. Ele saiu, com três irmãos (Amilton José Roberto e Ângela) de São Paulo para o Piauí com a ideia de procurar terra para plantar, motivado por um amigo que já tinha plantação aqui. Isto aconteceu em 1988. E lá se vão mais de 30 anos “Quando a exploração dos cerrados começou, já existia no Maranhão e no oeste baiano dois polos mais antigos, e o Piauí apresentava as mesmas características, só que com menor infraestrutura e, consequentemente, terras mais baratas. Começamos com 60 hectares de terra”, relatou. Ao perceber que o plantio dava certo, Sérgio e os irmãos foram comprando mais terras. “Já são 15 mil hectares de lavouras de soja, milho, algodão e mais 10 mil hectares de reflorestamento de eucalipto”, citou. Depois de tantos anos, Botolozzo, apesar do estrangeirismo no nome e do sotaque paulista que ainda conserva, se considera mais piauiense que os próprios piauienses e mais do que amigo, diz que há uma relação de compadrio com Carlos Augusto, da Federação da Agricultura. Sérgio é o vice-presidente dessa entidade, e um dos diretores da

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capa Canel, Central Agrícola Nova Era Limitada, juntamente com os dois irmãos e o cunhado, Hélio. Em seu escritório, no décimo primeiro andar de um edifício de ares modernistas que dá de frente para o Rio Poty na zona lesta de capital, ele observa, no final da tarde, o movimento dos pescadores ao jogar a rede e a tarrafa na captura de peixes: “esta cena meio bucólica me traz paz e me faz lembrar o quanto sou grato por esta terra ter me acolhido tão bem”, diz ele emocionado. Numa região conhecida pela presença dos gaúchos, tidos como os maiores investidores, Bortolozzo garante que, nos cerrados, os piauienses também têm espaço. “O índice de desemprego é quase zero e isso se deve à demanda. A maioria dos empregados é piauiense, e procuramos qualificá-los”, complementou dizendo que o trabalho desqualificado (ou escravo) não tem vez: “Para acabar com trabalho desqualificado, temos que qualificar e gerar trabalho aqui mesmo”. Se a condição de trabalho é um dos pontos mais abordados quando se fala em cerrados, o que se dirá da discussão (necessária) com os ambientalistas? Para Sérgio, o aumento da população mundial requer uma demanda maior de alimentos, além de geração de emprego e renda, o que será proporcionado

Sérgio Bortolozzo: pioneiro no agronegócio do cerrado piauiense

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pela exploração do setor primário da economia. “Toda a cadeia depende disso. Percebemos que há muito oportunismo, pessoas que usam este tema para aparecer, mas não apresentam soluções. Com os ambientalistas conscientes não temos problema, porque eles nos ajudam a fazer projetos ambientalmente sustentáveis”, relatou Sérgio. O vice-presidente da FAEPI explica, ainda, que a meta para os próximos anos, é aproveitar mais a região, mas sempre respeitando o meio ambiente. “A área total dos cerrados é de quase 8, 5 milhões de hectares, mas, respeitando todos os critérios ambientais, como manancial, cabeceira de rio, mata ciliar, vamos ter uma disponibilidade de 5 milhões de hectares. Atualmente, utilizamos 500 mil hectares, ou seja, 10% da capacidade de produção dos cerrados. Só com essa capacidade já conseguimos mudar o perfil econômico do estado, saindo do perfil de estado mais pobre da Federação”, relatou. Mesmo que a capacidade de utilização dos cerrados para produção não seja total, o crescimento já é notado em algumas cidades importantes desse polo agroindustrial, como Uruçuí. “Esse município é o segundo em arrecadação de impostos do Piauí, atrás somente de Teresina. Isso mostra o quanto a região é importante do ponto de vista das mercadorias que circulam”, frisou o vice-presidente da Federação. Segundo Bortolozzo, a atração de investimentos pode ser explicada pela lei de incentivos fiscais, que facilita a chegada de novas empresas. A parceria público privada também tem tudo para se fortalecer. Uma prova disso é o projeto que está sendo desenvolvido, pelo governo, para a pavimentação da rodovia Transcerrados (PI 397), a qual será a primeira unidade de Parceria Público Privada (PPP). “Quando o governo lançar o projeto, as empresas saberão como concorrer no processo licitatório”, disse. A empresa que ganhar a licitação fica responsável pela pavimentação e administração da Transcerrados por um tempo determinado, para depois ser controlada pelo Estado. A logística da Transcerrados vai permitir a ligação com a Transnordestina, interligando a região produtora e dois dos principais polos de consumo do Nordeste, que são Ceará e Pernambuco. “Quando a Transnordestina ficar pronta, vai estar a 80 km do terminal da ferrovia. Para se ter uma idéia disso, a soja do Mato Grosso, para chegar numa ferrovia, roda 1500 km”, comentou Bortolozzo.


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FLORESTAS REPLANTADAS NO NORTE DO ESTADO: NOVA FRONTEIRA AGRÍCOLA

ferro vai ser aproveitada pela siderurgia, em indústrias de foice e machado onde o ferro é usado, e o restante será exportado”, explicou o geólogo, que de uma hora para outra, passou de funcionário público federal para acionista (minoritário) de uma das melhores minas de ferro do Brasil: “vendi a maior parte das ações para o banqueiro Daniel Dantas, o que me proporcionou uma vida completamente diferente do que eu levava antes.” Vivendo folgadamente por causa da venda das ações, João Cavalcante ascendeu socialmente e hoje faz parte da classe média alta de Teresina. Estima-se que o investimento é da ordem de 35 milhões de dólares. De acordo com ele, há uma demanda muito grande de ferro no mundo. A China, por exemplo, é um dos países que mais consome ferro. Ele garantiu que dentro de alguns anos, o estado piauiense estará contribuindo para a produção e o fornecimento de chapas de aço para as indústrias da construção civil e automobilística. Mas, como garantir que o minério chegue ao exterior? De acordo com o geólogo, a vantagem é a localização das minas e as futuras instalações que irão facilitar o escoamento. “De início, há a ferrovia Transnordestina, que vai ligar o sul do Piauí aos portos de Pecém (CE) e Suape (PE), além de garantia de água e energia para instalação de grandes empresas”, relatou João Oliveira. Porém, o potencial do estado não se esgota nas reservas de ferro. No Piauí, há ocorrências de vários minérios que estão sendo exploradas por outras grandes empresas. Em Capitão Gervásio Oliveira, por exemplo, há uma jazida com aproximadamente 25 milhões de toneladas de Ocelo Rocha: uma nova fronteira agrícola está surgindo no norte do Piauí.

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capa níquel (outro mineral metálico, como o ferro), sendo explorada, em fase experimental, pela Companhia Vale do Rio Doce. “O Piauí é dotado de todos esses metais que dariam para produzir ligas de alto valor econômico”, ressalta o diretor de recursos minerais. Além dos minerais metálicos, o estado também tem grande potencial para pedras preciosas, como turmalina, esmeralda e diamante. “Nossas rochas estão aflorando diamante”, enfatiza João. Prova disso é o município de Gilbués, onde há uma jazida com aproximadamente dois milhões de quilates de diamante. Além desses já citados, há abundância também em mármore, amianto, crisotila, argila, calcário, ardósia, talco e vermiculita. GÁS: OUTRA RIQUEZA NATURAL Estudos prévios constataram que existe gás associado (ou seja, gás associado com petróleo) na Bacia do Parnaíba, no lado do Piauí. Essa é a mesma bacia onde foi detectada a presença do gás no Maranhão. E, claro, já apareceram grandes empresas interessadas na área, como a OGX, do bilionário Eike Batista. Tudo começou quando a Agência Nacional do Petróleo (ANP) fez pesquisas por essas bandas de cá e além do petróleo (sim, é quase certeza que temos petróleo também!) acabou descobrindo indícios do gás in natura. Agora descobertos, os blocos prospectados serão colocados em leilão marcado para agosto. “Os poços estão à disposição do leilão. A empresa que arrematar vai realmente explorar o que tem. Sendo explorado, vamos utilizar todo o potencial que for necessário pra desenvolver nosso mercado”, explicou Gustavo Xavier, presidente da Companhia de Gás do Piauí (GASPISA). Segundo Xavier, o gasoduto do Nordeste acaba em Fortaleza. O Piauí e Maranhão, que ainda não estão no mesmo ritmo de desenvolvimento dos outros estados, podem se beneficiar com a exploração. “Isso é forte indício que o gás natural é fator de desenvolvimento, pois pode ser usado na indústria, como a automotiva (gás natural veicular, o GNV), no comércio, nas residências, com tubulação de gás para você não ter que trocar botijão de gás”, explicou didaticamente Xavier. Quais as vantagens de utilizar o gás natural? A mais conhecida é que ele é um produto que não gera resíduos tóxicos para o meio ambiente e, com ele, as indústrias podem fazer o crédito de carbono. Gustavo cita ainda que “o preço é mais barato, o poder calorífico é mais alto e o acabamento final dos produtos fabricados nas indústrias é melhor, pois ele dá uma chama contínua, diferente do que acontece num forno a lenha”. Confirmando-se o investimento, e existindo uma quantidade razoável de poços, o passo seguinte será lançar uma rede de distribuição, na qual, a partir de um tronco principal, haverá dutos interligando os municípios que tiverem necessidade do gás. “Quem trabalha com gás natural puxa linha para dentro da empresa, não precisa ficar reabastecendo”, disse o presidente da GASPISA. Como exemplo de setor que pode ser beneficiado com a distribuição de gás natural está o parque industrial de cerâmica, já que “a cerâmica esmaltada só poder ser fabricada com queima a gás, ou GLP, ou gás natural. Como gás natural é mais barato, seria uma vantagem muito grande para as indústrias de cerâmica daqui”, finalizou Gustavo Xavier.

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João Cavalcante de Oliveira: geólogo ficou rico com descoberta de minas de ferro.

TRANSNORDESTINA: A ESPINHA DORSAL DO ESCOAMENTO DAS RIQUEZAS Uma das principais obras para facilitar o escoamento da produção mineral e dos Cerrados é a ferrovia Transnordestina. Como muita gente sabe, essa é uma obra privada (que tem construção sob responsabilidade da empresa Odebrecht), com ações financiadas pelo Governo Federal, e que liga a cidade de Eliseu Martins, nos confins do sertão piauiense, aos portos de Pecém, no Ceará, e Suape, em Pernambuco. No Piauí, a ferrovia tem aproximadamente 400 km de extensão e corta nada mais, nada menos que 19 municípios. Muito se tem comentado sobre a paralisação desta gigantesca obra que, quando estiver pronta, será uma espécie de espinha dorsal do escoamento de toda a riqueza piauiense para o mundo. Sem ela, tudo o que se disse aqui nesta Gustavo Xavier, da GASPISA reportagem ficará apenas como uma doce lembrança do que o estado poderia ter sido um dia, em matéria de desenvolvimento. No entanto, Mirócles Veras, coordenador estadual do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), afirma categoricamente que nada está parado. “Alguns canteiros de obras estão desativados por conta da espera da liberação do alvará para que a empresa continue a construir na área”, disse. Nesse caso, como a obra é


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muito grande, será necessário desapropriar algumas terras e, por isso, tem-se que esperar a decisão judicial. Esta parte, a de desapropriações, ficou a cargo do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), que tem convênio com Secretaria de Transportes (SETRANS). Quando o impasse for resolvido, Mirócles espera que as obras continuem a todo vapor: “O Governo do Estado já tem em seu planejamento, de imediato, uma estrada de ferro ligando a Transnordestina a Teresina, e de Teresina a Parnaíba, cortando o Piauí ao meio, para que essa riqueza saia também pelo porto do Piauí. Sem a Transnordestina, essa ligação seria inviável. Então, o mercado é que vai regular por qual porto será melhor escoar a produção dos grãos”, disse o coordenador estadual do PAC. Mirócles Veras adiantou ainda que é esperada a contratação de cerca de 4500 pessoas para a frente de serviço da obra no Piauí. “Ela já está mudando as características das cidades. Naturalmente, quando o empresário perceber que a produção terá facilidade de escoamento de produção de grãos, os investimentos serão mais intensos e com uma rapidez maior”, relatou. ZPE: 'MADE IN PIAUÍ' Você sabe o que significa uma Zona de Processamento de Exportação (ZPE)? Não, ela não é algo novo. A ZPE foi

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imaginada ainda no final da década de 80, no Governo do presidente José Sarney, uma experiência trazida de outros países, como a China, para estimular o desenvolvimento das cidades facilitando a exportação de produtos. Naquela época, 17 ZPE´s foram criadas no país, inclusive em Parnaíba, no Piauí. Só que a ideia não vingou e, só recentemente, com o expresidente Lula, foi regulamentada a lei para implantação das ZPE´s. Imagine que, desde essa época, já existia uma área, em Parnaíba, para a instalação da ZPE. Mesmo assim o negócio empacou e foi necessário procurar uma nova área para que o negócio alavancasse de vez. Resolvido o problema, Parnaíba pode-se dar ao luxo de dizer que conta agora com uma área de 306 hectares para receber indústrias de exportação. Como nos velhos tempos. Segundo o diretor técnico da ZPE Parnaíba, Dinarte Porto, “de todas as ZPE´s, a nossa é uma das que está em estágio mais avançado no Brasil, pois já apresentou ao Conselho Nacional das ZPE´s um projeto para que uma empresa se instale na área. A empresa Vegeflora terá dois projetos lá dentro, um na linha que já atua hoje, na produção de farmoquímicos, e outra que está ligada à produção de acerola nos Tabuleiros Litorâneos, para preparação de acerola em pó para exportação”, declarou Porto. A ZPE do Piauí é diferente da maioria das outras. Enquanto a do Ceará, por exemplo, é específica para indústrias siderúrgicas, a de Parnaíba é multifacetada, pode receber qualquer investimento, desde que permitido pela Legislação Brasileira e não agrida o meio ambiente: “Dentro da legalidade, tudo que for possível produzir dentro da ZPE, as

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capa empresas vão poder instalar. Naturalmente, temos foco. Como temos os Tabuleiros Litorâneos, a ideia é ir gerando uma produção muito grande para aproveitar esse potencial. Outra peculiaridade é a flora muito rica em plantas que podem ter aproveitamento na produção de farmoquímicos, na produção de cera de carnaúba”, disse o diretor técnico. A Zona de Processamento é uma zona primária de exportação, como se fosse um porto. Tudo que for produzido dentro da ZPE está exonerado de qualquer imposto, assim como insumos que ela importa, que entram exonerados. “Uma das características é que os produtos terão isenção do Imposto de Exportação para, com isso, eles se tornarem competitivos no mundo inteiro”, considerou Mirócles Veras, que também é presidente da ZPE de Parnaíba. Para Mirócles, um dos fatores positivos nessa história toda é que essa será uma atividade econômica que vai desenvolver a região de Parnaíba, inclusive com uma tradição na área industrial. “A implantação está atrelada de imediato às culturas de produção local. Isso vai impactar na cultura de toda região, possibilitando voltar àquela cultura de exportação”, contou. A ZPE de Parnaíba é uma empresa de economia mista em que governo do Estado detém 90% das ações e a Federação das Indústrias do Estado do Piauí (FIEPI), 10%. “A empresa pode vender ações para a iniciativa privada, apresentando grupos que realmente tenham interesse em investir na própria empresa para atrair empregos, mas sabemos que o momento é de incentivar o desenvolvimento na região para que ela seja instalada e venha o retorno, que é geração de emprego e de renda”, explicou Mirócles Veras, complementando que a previsão para o início de funcionamento da ZPE de Parnaíba será daqui a 15 meses. ENERGIA PARA GARANTIR UM DESENVOLVIMENTO SAUDÁVEL. SEM ELA, NÃO HÁ COMO! Para garantir a instalação de novas indústrias, é fundamental que haja infraestrutura, isso é óbvio. Mas, na hora de trazer investimentos econômicos, a distribuição de energia é um critério essencial levado em conta pelas grandes empresas. No Piauí, a Usina Hidrelétrica de Boa Esperança, gerenciada pela Companhia ZPE de Parnaíba é destaque em Agência de Notícias Brasil ÁrabeHidroelétrica do São Francisco (CHESF), ANBA responde pela maior parte da geração de A Zona de Processamento de Exportação de Parnaíba foi destaque no site da Agência de Notícias Brasil Árabe. O site trata de temas nacionais de interesse do mercado árabe como economia, energia. turismo, política e sociedade. O superintendente regional da CHESF, A matéria abordou os principais produtos exportados pelo Estado e como a instalação da ZPE de Airton Feitosa, explicou que o Parnaíba modificará e impulsionará as exportações. A Agência de Notícias também frisou o funcionamento da Usina de Boa Esperança andamento do empreendimento. Na publicação é possível conhecer o perfil exportador do Piauí voltado para o mercado árabe. De (localizada no município Guadalupe), no acordo com o site “no ranking de estados exportadores para o mercado árabe, o Piauí aparece na começo da década de 1970, propiciou a 22ª colocação, com US$ 4,8 milhões no ano passado. Os piauienses venderam soja e cera vegetal vinda de grandes indústrias ao Piauí, em para os árabes. A receita com exportação de ceras, porém, foi de US$ 39 mil”. especial ao Polo Industrial de Teresina. Para o presidente da Companhia Administradora da ZPE de Parnaíba, Mirocles Veras, a divulgação em um site de grande visibilidade é benéfica. “A proposta do site é ser uma ponte entre o Brasil e A CHESF já investiu em transmissão, os árabes. Essa matéria pode ser uma oportunidade para os primeiros contatos com empresas entre os anos de 2003 e 2010, árabes interessadas em se instalar na ZPE”, explicou. aproximadamente 288, 6 milhões de reais no Piauí. Só no nosso estado, existem 2002 km de linhas de transmissão em alta tensão e oito subestações instaladas. Uma das áreas beneficiadas durante essa fase de investimentos foi a subestação de Eliseu Martins, em 2007, para atender principalmente a produção dos cerrados. “A subestação permitiu o atendimento desse mercado, que tinha uma demanda reprimida e melhorou substancialmente o atendimento dos consumidores industriais, em particular a Bunge, que já estava

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capa instalada naquela região”, comentou Airton Feitosa. A previsão de investimentos da CHESF, em 2011, é de aproximadamente 54, 9 milhões de reais. Para possibilitar ainda o atendimento às grandes indústrias, além da instalação de subestações e ampliação das linhas de transmissão, o superintendente da CHESF garante que a usina será totalmente modernizada em dois anos. “Depois de 41 anos de funcionamento, estamos modernizando Boa Esperança, passando de uma operação analógica para digital”, disse. O orgão está ainda com projetos de estudos de viabilidade com o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) para a instalação de mais empreendimentos no Piauí, além da Usina de Boa Esperança. “Estamos esperando a licença prévia para leilão de mais cinco novos empreendimentos. Nossa prioridade é assegurar um desenvolvido sustentável, com respeito ao meio ambiente, permitindo que novas indústrias se instalem no estado” comentou Airton Feitosa. Os empreendimentos são as Usinas de Ribeiro Gonçalves (113 MW), Uruçuí (134 MW), Cachoeira (63 MW), Estreito (56 MW) e Castelhano (64 MW). Além da Boa Esperança, o sistema de geração de energia elétrica do Piauí é composto ainda por quatro usinas térmicas, pertencentes à iniciativa privada, instaladas em Altos, Campo Maior, Marambaia e Nazária. Já uma das principais apostas para a produção de energia limpa e renovável é a fonte eólica. Por essa razão há, em Parnaíba, o Parque Eólico Pedra do Sal, aproveitando os ventos favoráveis do litoral. Mas os investimentos em energia eólica não param por aí. Outra usina esperada é o Parque Eólico Porto do Delta, também em Parnaíba,

Mirócles Veras: a implantação da ZPE vai impactar no desenvolvimento econômico da região de Parnaíba.

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capa sob responsabilidade da empresa Tractebel Energia S.A. e que, de acordo com o Governo do Piauí, terá capacidade instalada de 30 MW.

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UVAS E MAÇÃS NO SEMIÁRIDO DO PIAUÍ? QUE HISTÓRIA É ESSA? Não só uva e maçã, mas também melancia e banana. Quem diria, há alguns anos, que seria possível produzir esses tipos de frutos em pleno semiárido piauiense? Aproveitando os investimentos em estruturação feitos pelo Departamento Nacional de Obras Contras as Secas (DNOC) no Piauí, a CODEVASF achou importante investir em agricultura irrigada, seguindo exemplo do trabalho em irrigação feito em Petrolina (PE) e Juazeiro (BA), na região do Vale do São Francisco, e que mudou o perfil econômico dos municípios. O pilar para o desenvolvimento na área se deu com atração de investidores, formação de produtores e comercialização do produto. Contudo, esse pilar só foi estabelecido por conta das características das terras piauienses: solos férteis, profundos, grandes reservatórios de água subterrânea e baixa pluviosidade. “Irrigação não se conecta muito bem com chuva. Se chove o ano todo, prejudica o processo. Pode-se exemplificar a região de São João do Piauí, com parte do solo com muita boa qualidade e com pouca chuva”, relatou Ocelo Rocha. A produção das uvas começou com a implantação do projeto Comunitário de Irrigação de Marrecas pela CODEVASF, em parceria com o governo do Estado e a Associação dos Produtores Irrigantes de Marrecas (APIM), em 2004. O projeto mudou a vida de várias famílias de produtores, que passaram a explorar 22 hectares de fruticultura irrigada com variedades como caju, manga, goiaba, contando, ações facilitadas com as pesquisas realizadas pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA). As características positivas resultam na qualidade do fruto. As uvas de São João do Piauí já renderam até nome de evento na cidade (um dos melhores do estado), o Festival da Uva. “Há 30 anos não se falava em uva no Nordeste. Fizemos estudo inicial com uva de São João do Piauí e ela deu excelente qualidade, podendo ser comparada com as de Petrolina e Juazeiro”, comentou o superintendente Ocelo Rocha. A fruta produzida em São João tem um sabor mais doce e é chamada “uva de mesa”. Essa iniciativa elaborada pela CODEVASF culminou com o Projeto Marrecas/Jenipapo, orçado na faixa de 40 milhões de reais, que prevê a irrigação de mil hectares de terras para a fruticultura, beneficiando 200 famílias. O projeto começa com a capacitação de produtores, transporte de água, construção de canais, estações elevatórias, e outras obras estruturantes.

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capa Ufa! Mas, o que será produzido ali? “O projeto e o perfil dos produtores selecionados é quem define isso, não adianta chegar e implantar mil hectares de uva, ou implantar 500 hectares de banana se o perfil não é conhecido. Espera-se, com o projeto, atrair investidores para a região porque foi detectado que há solo, água e possibilidade de irrigação”, ressaltou Ocelo. O assentamento fica praticamente a 300km do maior polo de fruticultura do Brasil, em Petrolina/Juazeiro, o que poderá atrair investidores àquela região. CAPITAL BRASILEIRA DO MEL Não só a uva produzida no Piauí é considerada uma das mais saborosas do Nordeste. Um dos arranjos produtivos apoiados pela Codevasf é a produção de mel na região sul. As condições climáticas, vegetação nativa e o trabalho dos produtores fazem da cidade de Picos a “capital brasileira do mel”. “Quem conhece a microrregião de Picos sabe o que era apicultura há dez anos e o que é hoje. Para se ter uma ideia, a Central de Cooperativas, apoiada pela CODEVASF, foi a que mais exportou no ano passado. A Cooperativa tem certificado de comércio justo, certificação orgânica e é referência nessa atividade no exterior. Ela vende mel para os Estados Unidos, Alemanha, Itália, que é um mercado extremamente exigente”, relatou Ocelo Rocha. A região norte, nos municípios de Piracuruca e Piripiri, também vem se destacando na produção. A opinião sobre a qualidade do trabalho que vem sendo desenvolvido em Picos é dividida com Cláudio Galeno, exsecretário de Desenvolvimento Econômico e atual presidente da Câmara dos Dirigentes Lojistas de Picos. “A Central de Cooperativas Apícolas do Semiárido (Casa Apis) congrega uma séria de cooperativas na fronteira com Pernambuco e Ceará, e nela são realizados o processamento e envasamento do mel. Em Picos é agregado o valor para que possa ser exportado, principalmente aos Estados Unidos”, frisou. De acordo com a SEDET, as exportações de mel tiveram incremento de 15% no primeiro semestre de 2011 em relação ao mesmo período de 2011. O desafio, segundo o superintendente regional da CODEVASF é, além de trazer mais investimentos, atingir o consumo mercado local. “Temos que passar a consumir mais mel. Isso tem que ser transformado para baratear os custos, e para que pessoas tenham acesso a essa alimentação de qualidade”, disse ele. Mel, uva, maçã, melancia, arroz, algodão, soja, milho, diamantes, ferro, níquel, gás natural, opalas, mármore, turmalina, esmeralda, argila, calcário ...o que mais podemos esperar de uma terra como essa? O desenvolvimento, claro! A geração de empregos, óbvio! O completo e absoluto envolvimento das autoridades em conjunto com os empresários do setor para que nada disso fique apenas no papel e na burocracia que emperra a vida. Somos privilegiados, os anfitriões do homem pré histórico que por aqui chegou a, pelo menos, cem mil anos. Somos a porta de entrada do único delta a céu aberto das três Américas. A sorte está lançada... Quem viver, verá!

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E-commerce a nova onda da economia

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mundo se transformou numa aldeia global com o e-commerce. De bicicletas a fogões (sim, até fogões), de geladeiras a condicionadores de ar, passando por celulares, perfumes, produtos esportivos, comida e até animais, o chamado e-commerce, ou comércio eletrônico, via internet, começa a balançar as compras e o consumo dos piauienses. Não chega a ser uma revolução, mas o negócio tem tudo para engrenar e preocupar dirigentes lojistas, que já chegaram a questionar sobre o imposto desses produtos que é descontado em sua origem, com prejuízo do estado destinatário. E você, (vamos, confesse!) o que anda comprando pela internet?

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uem já não comprou ou conhece alguém que já tenha feito compras pela internet, sejam elas de bens de consumo ou serviço? A variedade de produtos vendidos no chamado comércio eletrônico é inúmera. Hoje, as redes sociais e os sites de compras coletivas, por exemplo, ajudam a impulsionar esse comércio, divulgando marcas ou oferecendo descontos em produtos. No Piauí, as lojas virtuais ainda não são muitas, já que exigem uma estrutura para se manter, como fornecedores e distribuidores. Mas, o que podemos realmente esperar desse mercado? A característica do comércio eletrônico no Piauí é de consumir mais objetos que vendê-los, quem garante isso é uma autoridade no assunto. “A maioria, quase 99%, da carga que é entregue vem de fora do Piauí, mas existem empresas, como uma do interior, na cidade de Picos, que exporta peças de moto para outras localidades”, revelou Benedito Martins, gerente de vendas dos Correios no Piauí. Nesse caso, a empresa utiliza o serviço Esedex, disponibilizado, em contrato com os Correios, para atender o comércio pela internet. Por mês, o E-sedex já compromete aproximadamente 26% do total de encomendas expressas enviadas pelos Correios ao estado. E esse número pode crescer muito mais, afirma Benedito Martins, principalmente com o acesso de mais pessoas aos cartões de crédito. “As classes C e D, hoje, têm acesso ao cartão, existem bandeiras específicas para atender esse público. Por conta disso, cada compra que uma pessoa faz é um extrato gerado, e os Correios fazem a entrega do produto”, disse o gerente. No entanto, nada impede que uma empresa de menor porte vá até uma agência dos Correios para fazer postagem para outros estados. É exatamente isso que faz Roselandi Sousa, proprietária de uma loja de lingerie e produtos sex-shop, em Teresina. A empresária, que assume o “vício” de comprar todos os tipos de produtos pela internet, teve a idéia de expandir o negócio da Absoluta Lingerie para o mundo virtual em fevereiro de 2010.

Benedito Martins: Gerente de vendas dos Correios do Piauí.

“Alguns fatores específicos me influenciaram na decisão. Um deles foi agregar valores à loja física e o segundo foi que não havia uma loja virtual no Piauí para vender esse segmento. Aliado a isso, muitas pessoas pediam para que eu fosse deixar o produto nas casas delas e pagar com cartão de crédito, o que é possível através do site”, falou a empresária. Roselandi Sousa garante que com a loja virtual há mais oportunidades de vendas. “As vendas são maiores para fora do Piauí, com Brasília, Santos (SP), Rio de Janeiro (RJ). A gente já fechou também parceria com uma fabricante de lingeries de Minas Gerais”, contou. Como interagir com esses clientes, já que não há contato direto? Para fazer o atendimento, principalmente os que não moram no estado, a empresária utiliza, além do telefone, as redes sociais, ferramentas que permitem ainda divulgar a loja e seus produtos. Ela acredita que muitas empresas não aderiram à loja virtual ainda por conta das despesas para mantê-la, mas com organização, isso é possível. Já para o gerente de vendas dos Correios, Benedito Martins, lojas que comercializam produtos pela internet no Piauí, apesar de ainda serem poucas, em breve serão uma tendência. “Acredito que seja um movimento que vai começar a crescer porque as pequenas empresas vão seguir as lojas de grande porte, que tem tanto loja física como virtual, além do fato de mais consumidores estarem se inserido nesse mercado”, comentou. Em Teresina, as encomendas são separadas por região. Os Correios proíbem a comercialização de animais silvestres, drogas e outros itens, mas o pessoal que trabalha na área garante que até ossada humana já passou por ali, embora este tipo de “mercadoria” esteja na lista dos proibidos. Assim como a variedade de produtos, os remetentes também são os mais eqüidistantes possíveis. China, Hong Kong, Taiwan e, acredite, até o velho e bom Paraguai, tornaram-se nossos vizinhos próximos, depois do e-commerce.

Roselandi Sousa: lingerie e produtos sex-shop pela net.

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Foto: Arquivo Meio Norte

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Piauí possui o sexto metro quadrado mais barato do país Segundo o IBGE e a CEF o custo da construção por metro quadrado no Estado é de R$ 735,80

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Piauí possui o sexto metro quadrado mais barato da construção civil em todo o país. De acordo com levantamento realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em convênio com a Caixa Econômica Federal (CEF), o custo da construção por metro quadrado no Estado é de R$ 735,80, maior apenas do que o observado em Sergipe, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Amapá e Espírito Santo. Segundo o Índice Nacional da Construção Civil, divulgado ontem, o preço do metro quadrado da construção civil no Piauí registrou um aumento de 0,14% em junho, em relação a maio. A variação só foi maior do que a verificada em Roraima, Pará, Amapá, Ceará, Rio Grande do Norte, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Distrito Federal. O preço do metro quadrado na construção civil no Piauí é menor do que a média praticada no Nordeste (R$ 754,27) e no país (R$ 795,64). A variação do preço em relação a maior observada no Estado também foi inferior a nordestina (0,48%) e a nacional (0,60%). Estes resultados são calculados mensalmente pelo IBGE por meio de convênio com a Caixa Econômica Federal, a partir do Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil (Sinapi). O Sinapi, criado em 1969, tem como objetivo a produção de informações de custos e índices de forma sistematizada e com abrangência nacional, visando à elaboração e avaliação de orçamentos, como também acompanhamento de custos. Em 2002, o Congresso Nacional aprovou através da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) a adoção do Sinapi como referência para delimitação dos custos de execução de obras públicas. A construção civil no Piauí teve um crescimento elevado nos últimos anos. Obras públicas e iniciativa privada fizeram com que muitas obras fossem postas em prática no Estado. Isso faz com que aumente o número de empregos nesta área em específico, porém, a mão de obra no Piauí tem migrado para outros Estados, principalmente aqueles que irão sediar a Copa do Mundo e as Olimpíadas. Fonte: IBGE

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uem trafega por algumas das principais vias de Teresina, atualmente, observa um cenário diferente na arqueologia urbana da capital de alguns anos atrás. Num abrir e fechar de olhos surgem novos prédios residenciais e comerciais, além de hotéis e outros empreendimentos imobiliários, surpreendendo o próprio teresinense e transformando a paisagem da ex-bucólica e pacata Teresina de poucas décadas atrás. Grandes lojas e supermercados aterrissam por aqui, disputando, metro a metro, nosso espaço urbano.

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economia

COMÉRCIO: ELES CONTINUAM CHEGANDO (ALGUNS JÁ ESTÃO CONFORTAVELMENTE INSTALADOS) É claro que esta mudança não está acontecendo aleatoriamente. Tudo isso faz parte da dinâmica do mercado e da economia do país, que deu também uma reviravolta surpreendente nos últimos tempos, passando ao largo da chamada e alardeada crise econômica mundial. Além disso, esforços por parte do governo municipal, estadual e até federal, são vistos como fatores positivos no sentido de captar investidores e facilitar a chegada desses novos visitantes ao nosso estado. Em nível estadual, este projeto faz parte de um novo conceito ou uma nova mentalidade em superar uma velha e antiga concepção que sempre via o estado como uma espécie de “salvador da pátria”. Jorge Lopes, coordenador de Projetos Estratégicos do Estado, resume bem esta questão: “atrair a iniciativa privada para comandar o processo de desenvolvimento é o foco do governo piauiense hoje, inclusive com parcerias em obras de infraestrutura”, arremata o piauiense que também é da iniciativa Jorge Lopes: a iniciativa privada comanda o desenvolvimento. privada. Começando pelo setor comercial, que desde fevereiro Teresina vem recebendo fortes investimentos com a inauguração de vários empreendimentos do setor supermercadista. Como Arquivo pessoal

Franquias de restaurantes e hotéis com grifes internacionais, idem. Enfim, tudo indica que um novo ciclo econômico começa a se desenhar em nossa economia, sem prazo para acabar. Os exemplos podem ser largamente vistos e sentidos (principalmente sentidos) nas Avenidas Presidente Kennedy e João XXIII, reforçando a predominância do setor terciário (comércio e serviços) e aumentando ainda mais o poder de comercialização da zona leste da capital piauiense. Isso é bom ou ruim? É o que o leitor vai saber agora.

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CONCENTRAÇÃO POR METRO QUADRADO Duzentos e cinquenta milhões de reais: este é o número exato do investimento que juntamente com as três grandes redes de supermercados – Extra, Wal-Mart e Carrefour - um pool de oito indústrias e empresas do estado de Goiás pretende investir na capital piauienses com a implantação de lojas e fábricas. O prefeito de Teresina Elmano Férrer, disse em entrevista que, oito empresas de Goiás, das cidades de Anápolis e Goiânia,

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Mas, quem tem medo da concorrência? Reginaldo e Van Carvalho, respectivamente presidente e vicepresidente do Grupo Carvalho, controlador da rede de supermercados Comercial Carvalho, garantem que não tem. Mesmo com a concorrência direta de várias redes atacadistas e varejistas em Teresina, a empresa fundada em 1986, na capital, continua avançando e expandindo o negócio no ramo de supermercados. “Nós não tivemos e não temos medo da concorrência porque sempre nos preparamos pra isso. Sabemos que o mercado é pra quem faz o melhor, então só tivemos mesmo que procurar melhorar em termo de infraestrutura, profissionalização e capacitação dos funcionários”, relatou em entrevista, Van Carvalho, que mantém sob a sua batuta 7.800 empregados diretos. Mesmo com tantas redes estreando em Teresina, uma grande vantagem para o Grupo Carvalho é que dificilmente essas empresas de fora vão se instalar em bairros mais afastados, ou cidades do interior. “Mas, nossa preocupação em ir para os bairros não foi pensando somente na concorrência, mas uma forma da gente estar bem distribuído na cidade e atender melhor os clientes”, disse a vice-presidente, demonstrando segurança em sua fala. O Grupo conta hoje com 52 lojas espalhadas pelo Piauí e Maranhão, e com vistas a aumentar esse número nos próximos anos. Só em Teresina existem 40 unidades do Supermercado Carvalho, e no Maranhão há lojas em Timon, Caxias a Bacabal. Alguns projetos incluem ainda a instalação de uma filial em Codó, também no estado vizinho, e a reconstrução a loja do bairro Dirceu Arcoverde, na capital piauiense, que já tem mais de 12 anos e não cobre mais a demanda daquela comunidade. Com uma média de crescimento atual de 20% ao ano, os números mostram que o Grupo Carvalho está posicionado entre as maiores empresas do país. E quem indica isso é a publicação Melhores e Maiores, da Revista Exame, que classificou o Comercial Carvalho entre as 500 principais empresas do setor varejistas do país em 2009. Só no ano passado, com a junção das lojas de atacado e varejo, o Grupo faturou 1 bilhão e 500 mil reais. “O Carvalho sempre procurou estar bem preparado. Mesmo quando estávamos sozinhos no mercado, procuramos manter um preço justo e buscamos novos mercados. Não vamos dizer que somos 100%, mas oferecemos mais variedades e damos mais comodidade ao cliente, mas sabemos que sempre precisamos melhorar”, explicou Van Carvalho. Entre a variedade de produtos e serviços oferecida pelo Grupo dentro das lojas está a marca Diamantina, que vende joias dentro das principais filiais do Comercial Carvalho, e os restaurantes. “Quando a gente pensa em colocar um novo negócio, colocamos dentro do supermercado para ver a aceitação. Um dos nossos planos é abrir um espaço de entretenimento, na filial da Avenida Presidente Kennedy, com jogos, para levar para dentro da loja tanto o público jovem quanto o adulto”, revela Van Carvalho, vice presidente do Grupo com uma calma de dar inveja a qualquer monge Zen. foto divulgação

exemplos há o Hipermercado Atacadão, rede atacado-varejista do grupo multinacional Carrefour, que foi construído em área comprada do empresário Raimundo Rios (Casa Rios), ligada a um terreno doado pela prefeitura na Zona Norte, com sete mil metros quadrados, num espaço pouco maior que dezoito mil e oitocentos metros quadrados e avaliado em R$ 2,3 milhões. O local da área é chamado de Lagoinha, e sofre enchentes quando as chuvas são mais rigorosas em Teresina. Por isso, foi feita negociação com a Procuradoria Geral do Município que concluiu a celebração de um Termo de Contrato para que o Carrefour comprasse as bombas e evitasse essas enchentes. O valor das bombas? Quase o valor do terreno: R$ 2,7 milhões de reais. O Maxxi Atacado somou aos outros empreendimentos do grupo Wal-Mart na cidade, com as lojas Bompreço e Hiper Bompreço. Este último com investimento na ordem de 65 milhões de reais e com promessa de expandir mercado para algumas cidades do interior do estado. Consideradas “eco eficientes”, estas lojas devem consumir menos 25% menos energia e 40% menos água. O local onde está instalado hoje o novo Bom Preço foi sede do tradicional Piauí Esporte Clube e também um dos gramados mais utilizados para treinamento de escolinhas de futebol. Uma unidade do Extra Hiper, inaugurada em 2010, pertencente ao Grupo Pão de Açúcar, também reforçou a chegada desses grandes grupos. O Grupo, aliás, considera Teresina como opção para investimentos com resultados certos. Há 28 anos atua na capital, com quatro lojas da bandeira Pão de Açúcar, e recentemente inaugurou o Extra Hipermercado, que teve investimentos na ordem de R$ 30 milhões de reais ocupando uma área construída de quase seis mil metros quadrados e gerando, com as duas bandeiras, cerca de 1800 empregos diretos e indiretos. Para quem não lembra mais, o local onde está fincada a bandeira do grupo de Abílio Dinis, era o antigo Clube das Classes Produtoras do Piauí. Lá pelas décadas de 70 e 80, o clube fazia seus famosos bailes ao som de “Os Geniais”, banda da cidade de Amarante que movimentava o lugar, além das marchinhas carnavalescas e bailes de nomes pitorescos como o famoso “Clube do Bolinha”, as festas do Caju (que elegiam a sua rainha) e bailes que elegiam a beleza negra da cidade, o “Miss Escurinha”, promovido pela famosa colunista social Elvira Raulino. Isso tudo ficou para trás pelo valor de 20 milhões de reais. A negociação foi feita em 2009. Em 2011, em apenas três dias, as ruínas do que um dia foi um clube foram abaixo e deram lugar ao imponente Extra Hiper que agora emoldura a Avenida Kennedy. Houve protestos por parte dos ambientalistas que consideravam a área como uma das últimas reservas florestais da área urbana de Teresina. Quem conheceu o velho clube, sabia que ele guardava algumas características de um parque florestal abrigando animais silvestres ameaçados de extinção como os soins.


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já fizeram contato com a prefeitura e o governo do Piauí para instalação de suas indústrias, uma delas na área farmacêutica. Ele afirmou também que a prefeitura se compromete a entregar a essas empresas 50% da infraestrutura de água, esgotos e energia. O governo deverá entrar com os outros 50%. Analisando com cuidado os critérios para que esses grandes empreendimentos se instalem por aqui, podemos listar o poder aquisitivo da população, a quantidade de habitantes por região e, é claro, a concorrência. Segundo o economista Flávio Germano, por origem, essas empresas começaram a se instalar nos grandes centros urbanos, como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Brasília. Quando essas cidades começaram a ficar “congestionadas” de supermercados, elas passaram a “investigar” o mercado em regiões mais distantes de suas sedes. “Teresina está com mercado em crescimento. Nessa nova década, as cidades menores são as que mais crescerão. Isso faz com que tenham uma maior visibilidade e melhor situação para conseguir aumentar a renda dessas lojas com ampliação de suas filiais”, explica o economista. O problema é que as empresas, ao se instalarem em Teresina, geram uma concentração por metro quadrado na chamada zona nobre da cidade, elitizando ainda mais a zona leste e dificultando o crescimento de outras zonas mais populares. Apesar da chegada de grandes empresas aumentarem a concorrência, as empresas locais têm a vantagem de implantarem lojas em praticamente todos os bairros, a exemplo do Comercial Carvalho, que opera também no interior do estado. “No geral, as empresas locais têm a opção de ir para o interior. Elas vão a Picos, a Parnaíba, Floriano... para as cidades onde não há muita concorrência. Isso faz com que haja espaço para todo mundo”, explicou Flávio Germano. Um dado importante: no ano passado, justamente quando a maioria dessas empresas se instalou na capital, o Piauí teve a segunda maior taxa de crescimento do emprego formal do Brasil, o que correspondeu a mais de 22 mil vagas abertas. A informação é do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED). Os setores que mais empregaram foram a construção civil e o comércio.

CHUVA DE INVESTIMENTOS PUXA A SETA DA ECONOMIA PARA CIMA E não é só o setor de supermercados que puxa para cima a seta dos investimentos feitos no Piauí. O comércio de Teresina tem perspectiva de se desenvolver mais ainda com a chegada de novos centros comerciais, como a construção de um novo shopping pelo Grupo Sá Cavalcante, além da ampliação de outros centros comerciais já existentes, como o Teresina Shopping. Este último terá, depois da reforma, 210 lojas satélites, lojas âncoras e megalojas instaladas num complexo com escadas rolantes, elevadores e edifícios garagem com capacidade para receber 2.400 veículos. O novo shopping, do Grupo Sá Cavalcante – que se chamará Rio Poty – será um complexo multiuso (mistura shoppings centers a torres de escritórios e edifícios residenciais), construído na Avenida Marechal Castelo Branco, um local de fácil confluência principalmente depois da inauguração da Ponte Estaiada, e tem previsão de inauguração para 2013. Com um investimento que beira R$ 1 bilhão de reais, inclui a urbanização de um bairro inteiro. Uma novidade em termos imobiliários no Piauí. Fundada no Maranhão há 36 anos por Walter de Sá Cavalcante Júnior, a firma começou no ramo da construção civil. Entrou no setor de Shoppings Center em 1996, quando adquiriu um conjunto comercial falido no Rio de Janeiro. Em entrevista a Revista Valor, o empresário Walter de Sá Cavalcante, presidente do grupo e filho do meio do fundador, afirma que o grupo Sá Cavalcante planeja construir sete novos shoppings em cinco anos no Brasil e em 2013 pretende inaugurar dois deles: um em Teresina e outro na capital fluminense. Na área do varejo de eletrodoméstico houve também uma “invasão” de grandes empresas, como a Insinuante, Magazine Luiza e Lojas Maia, num segmento que era dominado praticamente por grupos locais deste ramo. Por que isso aconteceu? De acordo com o economista Flávio Germano, antes, uma população dominada pelas classes C, D não tinha como adquirir eletrodomésticos e móveis em razão dos prazos que eram muito curtos e dos juros que eram muito altos. Com a estabilização da economia e da inflação, hoje, as ofertas são muito maiores. “É possível dividir em até 18 vezes, praticamente sem juros, produtos como eletrodomésticos, o que gerou um poder de compra muito grande e aumento na oferta de crédito. Quase todo mundo possui, também, cartão de crédito e os supermercados abriram oportunidades para comprar mais ainda com os próprios cartões das lojas. Isso dá um poder aquisitivo muito grande”, relatou Flávio Germano. Para incrementar este quadro, a prefeitura de Teresina, recebeu neste primeiro semestre, a visita do empresário português Manoel Moutinho Cardoso, interessado em investir na construção de edifícios garagem na capital, principalmente no Centro, que está congestionado e com falta de estacionamentos, devido o aumento de veículos. Cardoso manifestou interesse em viabilizar uma parceria público privada nesse sentido. Ele é titular da empresa CODEGIR, da região do Porto, em Portugal e já mantém empreendimentos no vizinho estado do Ceará.

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Presente já em 15 cidades de todo Brasil

Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico e Turismo (SEMDEC): “existe um hotel em construção, com 200 quartos, pertencente ao grupo Manuel Arrey que vai incorporar uma bandeira internacional. Além disso, existem outros grupos de fora que estão interessados em investir aqui, como um de São Luís”. O Grupo R. Damásio tem pretensão de construir mais três hotéis em Teresina, passando a atender um público maior e atingindo os segmentos de 4, 3 e 2 estrelas. Por telefone, o diretor comercial do grupo, Danilo Damásio, disse que não só tem a intenção, mas já tem até o dinheiro para construir os hotéis, faltando apenas desenrolar alguns trâmites burocráticos juntos aos órgãos públicos municipais. Já o Grupo Arrey investe num hotel que, ao que tudo indica, será o maior da capital. Com 200 apartamentos distribuídos num prédio de cinco andares, o hotel terá ainda um auditório para 1.500 pessoas, piscinas e será localizado no bairro de São Cristovão, na zona leste. Será um hotel para executivos, mas com padrão acima do oferecido por outros hotéis na capital. Sobre a bandeira que será incorporada ao empreendimento, discute-se ainda se será a Holyday Inn Brasil, que pertence à rede inglesa InterContinental Hotels Group (IHG), uma marca forte e reconhecida no mundo inteiro, ou se terá bandeira própria. O investimento no setor também vai ajudar no fortalecimento do turismo. Para o economista Flávio Germano, quem pousar no Brasil por conta da Copa do Mundo, em 2012, vai aproveitar para conhecer as belezas não só das sedes, como Fortaleza, mas das cidades próximas “É preciso montar uma estrutura para que as pessoas visitem o Piauí, já que, além de Teresina, existe o

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HOTELARIA DE GRIFE COM BANDEIRAS INTERNACIONAIS Um dos ramos que promete um grande crescimento nesta jogada é, sem dúvida, o hoteleiro, tanto para grupos locais como para grupos de fora do estado e até internacionais. Um dos exemplos mais recentes foi a chegada do Blue Tree Hotels que incorporou o Rio Poty Hotel, às margens do rio do mesmo nome. Numa negociação inédita até agora no Piauí, a rede Blue Tree, de propriedade da nissei Chieko Aoki, que antes teve passagem como vice-presidente do Citibank, disse em Teresina que está apostando em estados com novas economias, referindo-se ao agronegócio que começa a tomar fôlego no Piauí. Apostando em perfis de hotéis de negócios, a nova administração já começou com algumas mudanças na área de eventos, que tornam o hotel propício para isso: “essas mudanças são feitas para que novos segmentos possam vir”, afirmou ela em sua passagem pelo Piauí. A negociação envolveu somente a parte administrativa do hotel, que continua pertencendo ao empresário Paulo Guimarães, mas com lucros divididos ao meio. O empreendimento foi lançado como uma franquia da rede no estado. Conhecida por ser uma cidade de negócios e eventos, a atual oferta de hotéis decididamente não atende a quantidade de pessoas que visitam Teresina. Para isso, a prefeitura está oferecendo incentivos fiscais, como redução de ISS (Imposto Sobre Serviço) para a instalação de empresas hoteleiras na capital. Dois grandes grupos que já atuam no setor - Manuel Arrey e R. Damásio – pretendem investir pesado no ramo hoteleiro em Teresina. Segundo o secretário Alexandre Magalhães, da

Criada em 1997 com o slogan Blue Tree Hotels - acolhimento mais que personalizado, a rede de hotéis, comandada pela dama da hotelaria Chieko Aoki, conquistou o posto de rede de hotéis mais conceituada do país pela elegância, estilo próprio, inovação e excelência dos serviços oferecidos, produtos e pessoas. Motivada pelo seu crescimento natural e pela carência de hotéis com alto padrão de serviços, a empresa entrou, já no começo de sua atuação, nos segmentos de business, luxo e resorts. A estratégia da rede é adaptar seu estilo de atendimento, que privilegia o encantamento do cliente, em todos os hotéis que administra, independente da categoria em que estão inseridos. Hoje, a empresa está presente em 15 cidades brasileiras, operando 25 hotéis e também na Argentina, operando tanto hotéis voltados para o mercado de viagens de negócios quanto completos empreendimentos de lazer, nos resorts que administra.

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economia litoral, o turismo ecológico e arqueológico. Então, quem fizer isso melhor terá mais condição de receber o fluxo de turistas e trazer investimentos pra toda essa região”, disse. Sobre este assunto, há atualmente uma celeuma em torno do aeroporto internacional de São Raimundo Nonato, com obras iniciadas pela Construtora Sucesso, mas paralisado por falta de repasse de verbas do governo. De acordo com a arqueóloga Niède Guidon, presidente da Fundação Museu do Homem Americano (FUMDHAM), e administradora do Parque Nacional da Serra da Capivara, que guarda os primeiros vestígios do homem americano em solo piauiense, há grupos de investidores interessados em privatizar o aeroporto, assim como construir hotéis, museus e parques temáticos na Warton Santos: 16 novas indústrias se instalaram no Piauí em 2011. região: “um deles é o Royal Emirates Group, o mesmo da Cia Aérea Emirates, o outro é um grupo de origem chinesa”, revelou a arqueóloga para a revista Imóveis&Negócios. E vem aí o primeiro Habib's, rede de restaurante famosa por seus quitutes da cozinha árabe. Quem traz a franquia para o Piauí é o empresário Francisco Joacir Sampaio da Rede de Farmácias Lusitânia, vendida recentemente para o Grupo Jorge Batista. A franquia será instalada até o final deste ano e aumentará o número de franquias de restaurantes recém instalados em Teresina, tais como o Vignoli e o Babbo Giovanni, localizados na Avenida Nossa Senhora de Fátima, provavelmente local do novo Habib's.

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economia SETOR INDUSTRIAL VISLUMBRA UM NOVO PIAUÍ Se o comércio está “bombando”, o que dirá a chegada de grandes indústrias no Piauí? Só no ano de 2011, 16 indústrias conseguiram o aval para se instalar no Piauí, de acordo com a Secretaria Estadual de Desenvolvimento Econômico e Tecnológico (SEDET) Warton Santos. Esse número significativo revela que o setor industrial da região vem recebendo vários investimentos. Entre os atrativos estão cerca de 8,5 milhões de áreas agricultáveis no cerrado piauiense. No semiárido, há o boom da descoberta potencial mineral, como ferro, níquel e opala. No norte, os tabuleiros litorâneos oferecem várias áreas com potencial para agricultura irrigada. “Estamos visando mais o setor industrial porque não tínhamos esta vocação. O Piauí tem muitas potencialidades e estamos querendo aproveitar isso”, comentou o secretário. A Lei Estadual de Incentivo Fiscal pode também ser apontada como um fator que permite a crescente visibilidade do Piauí em receber indústrias, o que já fez com que empresários de países como Portugal e China visitassem o estado. “Temos a questão dos incentivos fiscais, o ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços) que você dispensa em algumas situações. Temos também os distritos industriais, a exemplo de Picos e Teresina, onde damos energia, água, arruamento e local para a implantação das indústrias”, explicou o secretário estadual. A região de Picos, que fica num dos maiores entroncamentos rodoviários do Brasil, é uma das áreas onde há a maior instalação de novas indústrias. Entre as fábricas que já se instalaram neste distrito, está a Pincol, de fabricação de postes. De acordo com Warton Santos, além de incentivar os empresários a investirem no Piauí, pretende-se reerguer empresas como a Piauí Têxtil, uma usina de beneficiamento de algodão.

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foto divulgação SEMCOM

Polos Industriais de Teresina Antes de uma indústria se instalar em qualquer lugar, há a análise de diversos aspectos, como o interesse da cidade no setor explorado, o mercado consumidor e a receita da cidade. Contudo, além de produzir e ter mercado, é necessário escoar a produção: saber pra onde ela vai e de que forma sairá. Mas, isso não é problema por aqui: “Teresina está bem localizada geograficamente. A proximidade de dois portos, de Itaqui, no Maranhão, e Pecém, no Ceará, e a interligação com duas BRs (BR 343 e BR 316) facilitam o escoamento”, explicou Alexandre Magalhães, da Semdec. Em Teresina, o grande atrativo para quem quer investir são os Polos Industriais Norte e Sul, onde existem terrenos disponíveis para a instalação de grandes indústrias. As áreas produzem uma variedade grande de produtos, que passam pelo setor alimentos, como mel, milho, arroz, até indústrias de cosméticos e artefatos metálicos. Entre as empresas que já estiveram na capital piauiense para analisar a infraestrutura disponível estão a Hope Lingerie e uma multinacional de ração animal, a Fri Ribe. “A fábrica Hope está realmente muito interessada. Já veio aqui, prospectou, viu galpão no Polo Industrial e está em fase de formalização de sua vinda. Outra é a fábrica de rações, uma multinacional que quer construir uma das maiores fábricas do Nordeste no Polo. Essas empresas vêm, prospectam, formalizam processo, até a gente encontrar as condições ideais para se instalarem”, explicou o secretário municipal. Com a instalação da Hope, as expectativas de serem gerados cerca de 500 empregos imediatos, além da projeção de mais mil postos de trabalho em cinco anos, animam as autoridades municipais. Daniel Czerwinski garantiu sua intenção de montar aqui uma das maiores fábricas do Brasil: “Vamos começar com o nome da fábrica que vai se chamar Hope Brasil Ltda”. A propósito, quem esteve também fazendo uma visitinha de cortesia também para o prefeito Elmano Férrer neste primeiro semestre de 2011 foi o embaixador chinês Qiu Xiaoqi, que pretende fazer acordos de cooperação nas áreas de mineração, alimentos como a soja e energia. Negócio da China, made in Piauí!

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Empresários da Hope em visita a Prefeitura


expansão

Ampliação do Teresina Shopping conheça passo a passo este processo

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primeira etapa da obras de expansão do Teresina Shopping avança e chega a sua segunda fase, até o final desta etapa da obra serão realizadas, ainda, as fases de cobertura, fechamentos, instalações, acabamentos, pintura, limpeza que culminarão com a entrega da obra. Nesta segunda fase da obra será realizada a colocação dos pilares, das vigas e da laje, todos fabricados em material pré-moldado, o que facilita a implantação e, também, garante rapidez e segurança à obra. Antes de iniciar propriamente a obra, a equipe formada por sete engenheiros, três arquitetos e mais de quatrocentos operários realizou a Pré-Obra, um conjunto de atividades que envolveram a construção do canteiro de obras, da nova casa do lixo, do estacionamento externo e, ainda, a abertura de novas vagas de estacionamento em áreas antes não utilizadas e o deslocamento dos quiosques, que antes ocupavam a parte externa, próximo ao Hiper Bom Preço e, agora, estão numa nova área externa, próximo à Praça de Alimentação. Uma grande preocupação da equipe foi evitar a perda de vagas de estacionamento com o avanço da obra. “Para que não houvesse perda de vagas de estacionamento em virtude da obra de ampliação, deslocamos as vagas hoje ocupadas pela obra para outras áreas. Parte das vagas foi realocada no local onde é realizada a Praia de Verão, próximo ao Armazém Paraíba, cerca de quatrocentas vagas foram abertas no local onde funcionava a antiga casa do lixo, próximo ao Espaço Saúde. Também construímos um estacionamento externo, na arena show, com capacidade para mil veículos, e que conta com a mesma segurança e infraestrutura do estacionamento interno, mas com a vantagem de ser gratuito. Tivemos, ainda, a preocupação de construir passarelas cobertas, ligando o estacionamento externo ao Teresina Shopping, protegen-

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do assim os visitantes e funcionários do sol e da chuva durante o deslocamento”, explicou o engenheiro Fabrício Amaral. Após o período de Pré-Obra, a equipe debruçou-se sobre um novo desafio, a fase de infraestrutura, a primeira fase da obra propriamente dita. Neste momento inicial os operários realizaram a locação, trabalho que consiste na delimitação das áreas da obra, na limpeza do terreno realizada através da remoção do jardim, calçadas e meio-fios e na colocação dos tapumes. Nesta fase também foi realizada a perfuração do solo para fixação das estacas e concretagem dos blocos, com destaque para o emprego de um equipamento moderno monitorado por computador, a estaca hélice contínua, um dos grandes diferenciais da obra do Teresina Shopping. “Está é a primeira vez que uma obra no Estado utiliza este equipamento, com ele alcançamos profundidades de variam de 10 a 14 metros”, explicou o engenheiro. Com o início da segunda fase da obra, no dia 27 de maio, a construção finalmente passará a ser visível aos olhos curiosos de lojistas, clientes e da comunidade em geral. Isto porque, as estacas e os blocos foram construídos no nível abaixo do solo, já os pilares, as vigas e a laje, que integram essa segunda fase da obra, batizada de super-estrutura, rompem o solo em direção ao alto. Esta segunda fase também reserva novidades ao ramo da construção civil do Estado. Todos os itens nela utilizados têm a vantagem de ser pré-moldados. Outro diferencial é a utilização central de concreto, uma usina onde é fabricado todo o concreto da obra. A obra é muito grande e tem uma demanda por concreto crescente, isso compensou o deslocamento de uma central de concreto para o canteiro de obras. Essa central tem a capacidade de produzir 50 m3/h. Em apenas 4 meses, de fevereiro a maio, foram consumidos mais de 5 mil metros cúbicos de concreto e mais de duzentas toneladas de aço ”, explicou o engenheiro. O tamanho do canteiro de obras antecipa a dimensão da obra de ampliação do Teresina Shopping. O canteiro possui 31.184,40 m2 e é equipado com escritório, refeitório, áreas de vivências - vestiário, banheiros e uma área destinada ao descanso dos funcionários - estacionamento, almoxarifado, centrais de carpintaria, ferragens, concreto, estacionamento e pátio para estoque de materiais. Nesta fase, a obra conta com 413 operários, mas a expectativa é que no pico da obra chegue-se a ter seiscentas vagas de trabalho diretas e outras seiscentas vagas indiretas. O cronograma de execução da obra está sendo plenamente cumprido. “Cada fase da obra foi programada com a preocupação de atender as necessidades dos lojistas e dos clientes. Obedecemos rigorosamente o calendário comercial do Shopping, para garantir o seu pleno funcionamento durante a obra, e o mínimo de interferência na rotina de toda a comunidade envolvida”, assegurou o engenheiro Fabrício Amaral.


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A riqueza

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do turismo piauiense

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que mais atrai você no momento de escolher um lugar para visitar: o contato com a natureza, os lugares históricos, a cultura local? A diversidade das belezas é um dos fatores que fazem do Piauí um estado singular para o turismo. Ao Norte, temos a menor faixa litorânea do Brasil, com apenas 66 km de extensão, mas em compensação somos a porta de entrada para o Delta, o único em mar aberto das Américas, além de praias que fazem você querer ficar até o pôr-do-sol. Ao Sudeste, a Serra da Capivara, em São Raimundo Nonato, mais conhecida como o berço do homem americano. Sim, foi aqui mesmo que o primeiro homem americano botou o pé pela primeira vez. São mais de 25 mil pinturas nos 300 sítios cadastrados que testemunham esta odisséia préhistórica. Se você ainda não conhece esses ou outros pontos turísticos, sinta-se à vontade para fazer uma breve leitura antes de fazer as malas.

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litoral piauiense tem vários pontos que merecem ser visitados. Aliás, gente de todas as partes do mundo principalmente o europeu, costuma dar o ar da graça por nossas praias paradisíacas. Os torneios de Kit-Surf já estão no calendário e na agenda dos atletas e admiradores do esporte. Um dos redutos desse tipo de esporte é a Praia do Coqueiro e Barra Grande, que tem ventos a favor. Além do pequeno braço do Atlântico que permite essa prática. No começo de 2011, a orla de Atalaia, uma das praias mais visitadas do litoral, foi totalmente reestrutura pra dar mais conforto aos turistas. “As pessoas ficam encantadas com a orla do nosso estado, é pequena, mas muito bonita”, comentou Castro Neto, secretário estadual de Infraestrutura. Avaliada em R$ 7.523.267, 67, a obra, sob responsabilidade da Seinfra, urbanizou 2 km da praia com pavimentação e sinalização viária, além de construir banheiros públicos, quiosques, entre outras áreas. Ainda no litoral, a cidade de Parnaíba é considerada porta de entrada para o Delta do Parnaíba, o único em mar aberto das Américas, localizado na divisa com o Maranhão. No Delta, o cenário paradisíaco fica por conta das dunas, dos mangues, as lagoas costeiras e os espelhos d´água. Por isso, a prática do ecoturismo é comum no litoral, que tem ainda Cajueiro da Praia e Ilha Grande como os destinos mais procurados. Ah, não dá para esquecer as peças de rendas e outros objetos artesanais produzidos no litoral pelas rendeiras do Morro da Mariana e que atraem turistas interessados em objetos que agregam beleza e representam a cultural local.

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Deixando o litoral e desbravando o interior do estado, um dos pontos turísticos mais visitados, e divulgados na mídia nacional, é o Parque Nacional Serra da Capivara. Ali está a maior concentração de pinturas rupestres do mundo, cerca de 25 mil pinturas em 300 sítios cadastrados. Com o título de Patrimônio Cultural da Humanidade, declarado pela UNESCO, em 1991, a Serra tem à frente na conservação (junto a outros órgãos, como o Ibama) e pesquisa a arqueóloga Niède Guidon, presidente da Fundação Museu do Homem Americano (Fundham). A Serra da Capivara, considerada um verdadeiro paraíso ecológico em plena região de Caatinga, guarda indícios, com desenhos rupestres, que o homem chegou às Américas há 50 mil anos. Mas há outros indícios que constatam que esta passagem por aqui há pelo menos 100 mil anos. Nada mal, heim? Com isso, podemos dizer que somos os anfitriões pré-históricos do Brasil e das Américas. No Parque, além dos sítios arqueológicos e suas inscrições rupestres, o turista pode visitar o Museu do Homem Americano, que guarda utensílios e desenhos que identificam como viviam e os rituais do homem primitivo. Aí sim, neste museu, pode-se ter uma idéia do trabalho da equipe da arqueóloga e do que foi encontrado durantes 38 anos de pesquisa. A entrada que dá acesso ao museu – pasme – custa apenas 3 reais. Um preço tão simbólico como este é capaz de transformar você, visitante, num arqueólogo de um momento para outro. Com um auxílio de um pincel, você pode tocar na tela e entrar no mundo mágico das escavações da Serra da Capivara. Entre uma pincelada e outra, vão aparecendo diante de seus olhos, objetos, esqueletos, urnas funerárias, machadinhas, arcos e flechas...enfim, pinturas pitorescas, engraçadas, e às vezes inexplicáveis... o mundo primitivo da mente humana.

Porém, apesar da importância, não é só na Serra da Capivara que se encontram sítios arqueológicos no Piauí. Todo o estado é cravejado de vestígios arqueológicos, entre os mais visitados estão, o Parque Nacional Serra das Confusões, na região de Caracol, próximo a São Raimundo Nonato, e o Parque de Sete Cidades, ao Norte do Piauí. Nesta última, há toda uma mística em torno das pedras e paredões rochosos que se formaram a milhares de anos, dando um aspecto de que ali viveram civilizações muito antigas. Há, inclusive livros de pesquisadores estrangeiros que aqui viveram, descrevendo o assunto. Um dos mais conhecidos: “Eram os deuses astronautas?” Do suíço Erich Von Danikem. Vale a pena conhecer este Piauí pré-histórico de grandes riquezas naturais!

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