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Entrevista

Taddy Blazusiak

e r p m se no lazusiak é um B y d d a T . o ã n ... ou talvez nómenos da fe s re io a m m s o d lista máximo e a ci e sp E . e d a atualid a duas rodas e lv o v n e e u q o tudo ouco e polaco um p otiva. st e , o sc ri o it u m om os daquilo que doido falou-n KTM e Arquivo no Laranjeira, Nu ranjeira Fotos: Texto: Nuno La

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. . . e t i lim

em um ar simpático e brincalhão, e uma história incrível. Em 2007 Taddy era, praticamente, um perfeito desconhecido do Mundo do Enduro e das provas denominadas Extreme. Tudo iria mudar no Erzberg. Blazusiak, um estreante, na prova mais radical do mundo que, na altura, lutava seriamente pela sua estadia no mundo da competição O polaco chegou a uma das provas mais duras do mundo e saiu de lá coroado como o rei do Erzberg, algo que nunca tinha sido feito. Na altura Blazusiak era apenas um piloto de trial, e deslocou-se ao Erzberg para assistir à prova, mas cedo percebeu que poderia ter alguma palavra a dizer, caso pudesse participar. Assim foi, a KTM cedia “gentilmente” uma moto a um perfeito desconhecido, mal sabendo que tinha nas suas mãos uma futura estrela. O resto é “history”, como dizem os ingleses. Taddy venceu a prova em 2007 perante a incredulidade de meio mundo e, desde então, a vitória no Erzberg nunca mais lhe escapou, bem como nas provas de Enduro Cross onde se especializou. Mas Taddy também já pagou caro o facto de por vezes arriscar em demasia nas provas. Em 2008 uma queda forte deixou-o fora das pistas durante meio ano, numa altura em que se pensava que o polaco ia abandonar, de vez, as corridas. Moto Verde: Após a tua terrível queda em 2008, mesmo antes do começo do Enduro Cross nos Estados Unidos, o que é que te foi passando pela cabeça durante todo aquele período de recuperação? Taddy Blazusiak: Bom, para ser honesto nunca pensei muito sobre o meu estilo de pilotagem durante aquela altura. Acho que a minha queda foi apenas uma coincidência de fazer corridas. Penso que a minha técnica de condução deu um pulo enorme em 2008, e terei, provavelmente, descurado uma análise mais profunda dos riscos, o que me terá levado a cair. No tempo que estive parado só pensava, mesmo, em voltar para cima da minha moto, mas é óbvio que havia muitas coisas a passarem-me pela cabeça,

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principalmente porque estava muito chateado com a situação toda. A recuperação foi muito difícil. A queda foi muito forte e durante três meses tive de voltar a reaprender muita coisa, porque tive imensos problemas de equilíbrio por causa do violento traumatismo. No dia em que senti a 100% pedi ao meu mecânico para me trazer a moto, fomos até à pista de treinos para dar umas voltas: continuava rápido como sempre, isso foi um grande alívio para mim, apenas me faltava condição física para aguentar mais tempo em cima da moto. MV: Mas voltaste à competição diretamente para o Erzberg, precisamente a prova que te coroou de glória em 2007. Como é que lidaste com a pressão, mesmo sabendo que ainda estavas em recuperação? Foi aquela vitória a chave para renasceres de novo? TB: De certa forma foi, vencer é sempre uma fonte de motivação extra e na


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Taddy Blazusiak

altura faltava-me muita para continuar nas corridas. Antes do Erzberg tinha conseguido vencer no Enduro Cross, por isso tinha a noção que estava a voltar a ganhar rapidez, embora estivesse completamente de rastos no fim, porque a forma física estava muito má, mas mesmo assim não desisti. Em relação ao Erzberg, esta é uma corrida singular. É muito complicada porque se tem de andar muito depressa durante apenas umas horas e, acima de tudo, não se pode cometer erros. MV: Gostávamos de saber se te esqueceste dos teus momentos mais difíceis, aqueles em que estiveste fora por lesões, porque por vezes parece que só conheces uma posição no acelerador? Ou será que esses dias ficaram para trás e já te acalmaste um pouco mais? TB: Esses dias ficaram para trás. O meu acidente foi terrível porque durante muito tempo não sabia quem era nem onde estava. Porém, sempre que me sento em cima da moto o que tento é ir o mais rápido possível; confio na minha moto a 100%, tenho confiança em mim próprio, acho que muitas vezes nem penso em nada disto... O risco faz parte da competição, e se queremos ser profissionais temos de estar cientes disto todas as vezes que nos sentamos em cima da nossa moto. Temos um compromisso e esse compromisso implica que andemos a 100%, e caso comeces a reservar uma percentagem para andar com muita segurança então já não estás a andar depressa... MV: Em 2008 foste vice campeão no Campeonato do Mundo de Enduro Cross, mas voltaste para os EUA para vencer e desde então nunca mais paraste. Tinhas noção, na altura, que os teus adversários iam ser tão difíceis de bater? TB: Para mim é simplesmente admirável conseguir continuar a vencer no Enduro Cross após estes anos todos num campeonato onde o nível tem vindo a subir de forma exponencial. Para mim a chave é focar-me a 100% em mim e no treino. Tento estar na

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Taddy é um piloto de trial experimentado, embora nunca tenha provado o sucesso nesta modalidade ao mais alto nível. Aqui em ação no Pavilhão Atlântico, numa das edições do Trial Indoor. Em baixo vemos o polaco em ação naquela que é a sua prova de eleição, o Erzberg

O que reserv a o futuro?

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adeusz Blazus iak, nome de nascimento Taddy, levant de a o véu sobre o futuro, e es o que lhe reserv te ano o gran a de desafio se onde o polaco rá nos EUA, irá tentar venc er uma nova de ouro nos Xmedalha Games, mas de sta feita no co do Step-Up. ncurso Para além dist o, Taddy não es conde a grande cia por estar pr apetênesente num pr ova do estilo numa moto de do Dakar, Rally, e quando postas de lado as de forma defin motos estiverem motores irá co itiva, a paixão ntinuar com pelos os ca dalidade onde já deu os prim rros de rally, moei carro preparad ros passos co m um oa alguns rombo rigor, mas que lhe tem prov s nas finança ocado s, assim o diz.

melhor forma física possível, e em prova, para mim, tudo se resume a elevar o ritmo de competição para ultrapassar os limites da minha técnica de pilotagem, só assim se evolui. Depois, não me posso esquecer que sou um piloto profissional, e que a preparação da moto em conjugação com o meu mecânico é um factor que ajuda a manter a fasquia elevada, porque o que queremos é passar cada vez mais rápido pelos obstáculos. É uma batalha constante para ir cada vez mais depressa sem perder a concentração, e sem pensar muito sobre aquilo que os meus adversários estão a fazer. MV: Acredito seriamente nisto, e que faz parte da tua estratégia para te manteres competitivo: estar sempre um passo à frente dos outros. É verdade? TB: Se queres realmente saber não existe estratégia nenhuma. Existe um plano, que consiste em estar sempre na melhor forma possível e evoluir sempre em termos de pilotagem. Não sou aquele tipo de atleta que se mata no ginásio a treinar, e que não bebe uma cerveja ou outra porque o pode afetar fisicamente. Trabalho no duro e sei que continuo ser suficientemente talentoso para dar o meu melhor, mesmo após ter comido um hamburger com batatas fritas para o jantar. O mais importante de tudo é ter uma vida organizada. Precisamos de ter as pessoas certas à nossa volta, ter uma moto perfeitamente afinada, ter os mecânicos certos para as nossas motos. Não sou uma pessoa obsessiva no que toca às corridas, gosto, simplesmente de ter tudo muito bem organizado. Posso ser a pessoa mais simpática do mundo e ir divertir-me com os meus amigos e com a equipa, mas quando se trata de trabalho, se as coisas não estão como eu quero então o caldo está entornado... MV: Queres-nos explicar como é consegues manter a tua forma física num patamar tão elevado? TB: Bom, tenho seguido um programa ao longo dos últimos anos, mas que não vou poder pormenorizar como deves entender

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(risos). Basicamente envolve muita bicicleta, um bocado de ginásio para aumentar a resistência e muito tempo em cima da moto. É uma mistura saudável disto tudo, mas infelizmente não vou poder especificar. Posso dizer que passo uma boa parte do dia a treinar, porque isto é o meu trabalho, mas não o faço como se fosse um emprego normal, tipo com sessões de treino de 6 ou mais horas por dia como alguns pilotos dizem que fazem. Fazer mais em termos de treino não significa que seja melhor. MV: Tens-te dedicado nos dois últimos anos ao Enduro, participando em algumas corridas do Mundial .O que é que ganhas com isso em termos de técnica de pilotagem? TB: Para mim é bom fazer um pouco de cada coisa, embora no motocross não participe em corridas. Basicamente faço mangas na pista de motocross, para ganhar endurance e rapidez, e no Enduro Mundial tenho tentado evoluir. Acho que há uma aproximação em termos de técnica de pilotagem no Enduro, Motocross e Endurocross. Se fores ver o Endurocross tem muito mais a ver com o motocross, porque tens de ser rápido sobre obstáculos típicos do enduro, o próprio formato das corridas é muito próximo do MX.

Muito para além do talento que exibe TaddyBlazusiak, é um piloto que sabe dar espetáculo nas provas em que participa, surpreendendo tudo e todos com uma enorme espetacularidade, que lhe trouxe milhares de fãs

MV: Há quatro anos dizias que esperavas ver mais pilotos de trial nas provas de Extreme Enduro, mas neste momento os teus adversários são cada vez mais pilotos de motocross e enduro. Qual é a tua perceção da evolução das provas de Extreme e Enduro Cross? TB: Neste momento penso que as provas de Extreme e Enduro Cross deixaram de ser compatíveis. Penso que no Enduro Cross os pilotos de trial deixaram de ter vantagem. A tecnicidade das provas ainda é elevada, mas a rapidez conta cada vez mais, e neste momento continuo a ser o único ex-piloto de trial envolvido em provas deste estilo, e ainda faço provas do Mundial e Extreme. MV: Nos dois últimos anos mudaste de moto, deixando para trás a tua mais que provada dois tempos e passaste a utilizar a 350 EXC-F, moto que te deu dois títulos indoor. Porquê? TB: Por parte da KTM não houve pressão alguma para passar a usar a 350. Falámos um pouco mas não houve ordens nesses sentido, porque a KTM não é uma empresa que trabalhe assim. Basicamente eles querem que tu tenhas as condições para vencer, e se eles pensassem que era melhor continuar com a dois tempos então tinha continuado. Porém, aquela EXC 250 estava tão bem afinada após quatro anos de corridas, que inicialmente tive dúvidas, mas no meu subconsciente sabia que a moto a 2 tempos não tinha potência suficiente para bater as 4 tempos no Enduro Cross. O que é certo é que quando experimentei pela primeira vez a EXC-F, completamente de origem, fui desde logo mais rápido do que na minha moto de corridas.

A vitória surpresa da Blazusiak no Ezrberg em 2007 catapultou-o para a ribalta, e desde então o polaco nunca mais concedeu a vitória naquela prova a ninguém

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MV: 2012 foi um ano grande para ti com vitórias no Enduro Cross em dois continentes e ainda conseguiste uma medalha de ouro nos X-Games . Qual foi, para ti, o momento mais alto da época? TB: Penso que a vitória na prova final do Campeonato do Mundo de Super Enduro, na Polónia, tenha sido o momento mais emocionante da época. A prova foi disputada num estádio na Polónia que estava a rebentar pelas costuras com fãs. Normalmente não costumo estar na Polónia, mas o facto de estar rodeado de tantos amigos e com a minha família, a minha mãe, o meu irmão, tornou o momento ainda mais especial. Senti que o público estava totalmente comigo em termos de apoio, e essa sensação ficará para sempre gravada na minha mente. Os organizadores locais fizeram um trabalho notável, tendo em conta que foi a primeira vez que organizaram uma prova na Polónia de Super Enduro.

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