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Sumário


surf

WCT RIO resumo do campeonato

Kelly Slater cai na semifinal, mas assume a lideranรงa do ranking na temporada (Foto: Marcello Cavalcanti)

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O

público compareceu em peso. Quem esteve na praia da Barra da Tijuca nesta segunda-feira para acompanhar a quarta etapa do Circuito Mundial de surfe não viu um brasileiro, nem Kelly Slater ou Mick Fanning na final. Os espectadores presenciaram o segundo título do ano de Michel Bourez, que bateu o americano Kolohe Andino por 13.84 a 10.93 e faturou o WCT do Rio de Janeiro. O taitiano já havia vencido em Margaret River, na Austrália, na segunda prova do ano. - Foi a primeira final com o Kolohe. Fiquei feliz por ele chegar à decisão. Mas se ele ganhasse, eu perderia, né. E eu queria muito ganhar - disse o campeão. Mesmo sendo eliminado nas semifinais após um tubo nota 10 nas quartas contra Mineirinho, Kelly Slater, 11 vezes campeão do mundo, tem o que comemorar no Brasil. O americano somou 6.500 pontos no Rio, desbancou o brasileiro Gabriel Medina, até então líder da temporada, e assumiu o topo do ranking 2014. Agora, ele tem 23.400 pontos, contra 22.750 do australiano Taj Burrow, vice-líder. Joel Parkinson é o terceiro (22.400), Bourez pulou para quarto (22.250), e Medina caiu para quinto (20.950). Adriano de Souza, o Mineirinho, aparece logo atrás, em sexto, com 19.700. Na final, as primeiras ondas foram favoráveis a Michel Bourez, que conseguiu um 7,17 e um 6,60 em suas duas primeiras manobras. Com apenas 6,33 de pontuação nos 10 primeiros minutos da decisão, Andino foi para a metade da bateria precisando de um 8,84 para ficar em vantagem. Apesar da necessidade de buscar boas ondas, o americano seguiu com dificuldades para desenvolver o seu surfe. A três minutos do fim, ele chegou a ensaiar uma manobra, mas acabou “engolido” pela onda. Quando o resultado parecia definido, Andino conseguiu uma boa manobra. Entretanto, os 6,67 obtidos não foram suficientes para tirar o título do taitiano.

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viagem Por Leandro Bittarw

DE V

a

ESTR

Com o fim do inverno na Europa, começam as provas mais maravilhosas do ciclismo de estrada – veja aqui as novidades deste ano para as Grandes Voltas da modalidade.


VOLTA para

RADA


viagem

Giro D’italia De 9 de maio a 1º de junho

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A prova Depois de uma edição épica em 2013, com muita neve e frio, a primeira grande volta ciclística do ano apresenta um percurso mais “humano” e um dia a mais de descanso (três, no total) ao longo de suas 21 etapas. A disputa da maglia rosa (camisa rosa de primeiro colocado) vai começar em uma sexta-feira, com um contrarrelógio por equipes em Belfast, na Irlanda do Norte, e termina 3.450 quilômetros depois, em Trieste, no nordeste da Itália. O traçado atende a todo tipo de ciclista, com oito etapas planas para os velocistas, três contrarrelógios (um por equipes, um individual e uma crono-escalada) e nove chegadas em subida. Mesmo assim, o campeão será um grande escalador. O temido Monte Zoncolan, com trechos de 25% de inclinação, na penúltima etapa, será o auge da disputa.


Os caras O atual campeão Vincenzo Nibali (da equipe Astana) abdicou de defender o título para lutar pela camisa amarela do Tour de France (TdF). Assim a grande estrela do Giro deste ano é o escalador colombiano Nairo Quintana (da Movistar), vice-campeão do TdF e um dos mais empolgantes ciclistas da atualidade. Dois rivais na disputa pela camisa rosa são o colombiano Rigoberto Urán (da Omega Pharma Quick-Step) e o australiano Richie Porte (do Team Sky), que lutarão em benefício próprio depois de anos trabalhando para a dupla de britânicos Bradley Wiggins e Chris Froome (ambos vencedores do TdF). Correm por fora os veteranos Joaquim Rodriguez (da Katusha), Cadel Evans (da BMC) e Ivan Basso (da Cannondale).

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viagem

Por que assistir

Giro D’italia De 9 de maio a 1º de junho

Più bella, più dura. A linda paisagem italiana, favorecida pela época do ano, ainda com neve nas montanhas, torna o Giro d’Italia uma das Voltas mais interessantes de se acompanhar, mesmo para quem não entende nada de ciclismo. As duras montanhas garantem embates acirrados até o final. Não à toa, a organização define esta prova como a mais dura e mais bela da modalidade. Se você só tiver uma chance para confirmar isso, assista à 18ª etapa (dia 29 de maio), que percorrerá os míticos Passo di Gavia e Passo dello Stelvio, antes da escalada final, no Val Martello.

Marco Pantani

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Este ano, a prova homenageia os dez anos da morte do ciclista Marco Pantani, o maior ídolo da história recente do país. O poderoso escalador será lembrado em duas montanhas duríssimas que brilhou: a Oropa (14ª etapa) e o Montecampione (15ª).


Barolo A volta italiana possui inúmeras referências da cultura italiana, e poucas coisas revelam tanto do país quanto sua gastronomia. O decisivo contrarrelógio individual na 12ª etapa selecionará quem está apto ao título deste ano; o vencedor dessa etapa será recebido na cidade de Barolo com um belo brinde do vinho mundialmente reconhecido pelo mesmo nome.

Novo ídolo Entre os melhores ciclistas do mundo, existem alguns ainda mais especiais. Um deles é Nairo Quintana. O jovem colombiano de 24 anos pode fazer história ao levar seu país ao topo do Giro pela primeira vez. Com uma grande equipe para ajudá-lo (a Movistar), Quintana pode surpreender. Um título em uma grande volta é um passo importante para ele se firmar como um dos grandes nomes do esporte – e, ele vencendo ou não, com Quintana o espetáculo é garantido. Onde assistir ESPN, Gazzetta.it e RAI Site oficial http://www.giroditalia.it

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viagem

Tour de France De 5 a 27 de julho

A prova A mais famosa volta ciclística do planeta começa na Inglaterra, em Yorkshire, e roda pela Grã-Bretanha até a terceira etapa, que terá final em Londres. Depois do enorme sucesso de 2007, quando três milhões de espectadores acompanharam o Tour na terra da Rainha, espera-se novamente um grande público graças ao sucesso recente dos “locais” Bradley Wiggins e Chris Froome, campeões em 2012 e 2013, respectivamente. Froome, aliás, é o grande favorito. O percurso lhe favorece, principalmente o crono individual de 54 quilômetros, na penúltima etapa. A grande preocupação será sustentar esse favoritismo durante três semanas (3.656 quilômetros totais), incluindo alguns dias críticos, como o quinto, que percorrerá trechos de paralelepípedos da prova Paris-Roubaix, e a 18ª etapa, que passa pelo mítico Col du Tourmalet e termina na escalada do Hautacam, montanha famosa por ter decretado o fim do domínio do espanhol Miguel Indurain no Tour de France, no ano 1990.

Os caras O britânico Chris Froome (Team Sky) é o grande favorito, porém o Tour de France reúne sempre os melhores ciclistas da temporada, e neste ano não será diferente. A ausência mais sentida será do vice-campeão de 2013, o colombiano Nairo Quintana (da Movistar). Joaquim Rodriguez (da Katusha), que completou o pódio em 2013, também

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não estará na disputa. Campeão do Giro no ano passado, Vincenzo Nibali (da Astana) é considerado o principal rival, seguido dos espanhois Alberto Contador (da Tinkoff) e Alejandro Valverde (da Movistar). Há ainda novos nomes que rejuvenesceram a lista dos “top 10” do evento, como os norte-americanos TJ Van Garderen (da BMC) e Andrew Talansky (da Garmin), que correm por fora na disputa por um lugar entre os melhores.

Por que assistir Não existe evento mais importante para ciclistas, equipes, patrocinadores ou qualquer outra pessoa ligada ao ciclismo de estrada. Só para se entender a dimensão desta volta, o campeão do Tour do ano passado recebeu da organização uma premiação cinco vezes maior do que o campeão do Giro (450 mil euros contra 90 mil euros), e todos os ganhos indiretos acompanharam aproximadamente a mesma proporção. O nível da disputa é altíssimo, o que, inevitavelmente, transforma a competição em um jogo de xadrez cheio de estratégias para ver quem é o melhor.

Pavés Vários trechos de paralelepípedo do percurso da mítica prova Paris-Roubaix, como o Carrefour d’Arbre, estarão no traçado da 5ª etapa deste ano, somando 15,4 quilômetros de trepidações e pânico para os líderes. Eles sabem que esse tipo de terreno aumenta os riscos de queda e pode tirá-los da disputa pelo título, como aconteceu em 2010, quando o luxemburguês

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viagem Frank Schleck quebrou a clavícula e Lance Armstrong teve um pneu furado.

Mulheres Atendendo aos pedidos das ciclistas profissionais, a organização do Tour realizará uma disputa feminina antes da última etapa da volta francesa, na avenida Champs-Élysées, em Paris. Uma grande conquista para elas e um aquecimento mais do que especial para o encerramento da competição.

Tour de France De 5 a 27 de julho

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Onde assistir ESPN, TV5 e na internet (links em www.steephill.tv) Site oficial http://www.letour.com


A prova Última grande volta da temporada, a Vuelta é a “prima pobre” entre as três. Na maioria das vezes com menos estrelas e mais jovens promessas, a competição tem um menor nível técnico. Porém se trata de um evento repleto de surpresas, ataques e reviravoltas. A edição de 2014 será a mais curta das grandes voltas, com 3.181 quilômetros e toda disputada em solo espanhol, com largada no Sul, em Jerez de la Frontera, e final no norte, em Santiago de Compostela. Sua característica mais marcante na história recente são as duras montanhas. Neste ano, por exemplo, serão 40 escaladas categorizadas e oito finais em subida. A última etapa será um contrarrelógio individual com dez quilômetros de extensão. Talvez seja pouco para alterar algo na classificação geral, no entanto vale lembrar que o campeão de 2013, o norte-americano Chris Horner, tinha apenas três segundos de vantagem para o rival Vincenzo Nibali no último dia de disputa pela camisa vermelha.

Os caras Com o percurso selecionado e a agenda dos rivais definida, o grande favorito para a Vuelta 2014 é Joaquim Rodriguez (da Katusha). Aos 35 anos, ele tem a melhor oportunidade de sua carreira para realizar o feito, que escapou de suas mãos em 2012. Os compatriotas Alejandro Valverde e Alberto Contador despontam como principais rivais, porém a briga pelo título da Vuelta sempre guarda surpresas, como ocorreram durante as vitórias recentes de Juan José Cobo (2011) e Chris Horner (2013).

Vuelta a España De 23 de agosto a 14 de setembro

Por que assistir Por pura emoção. Nos três últimos anos, foi sem dúvida a grande volta mais emocionante na disputa pelo título, como o embate entre Froome e Cobo, em 2011, o ataque surreal de Contador em 2012 e a milimétrica guerra entre Nibali e Horner na última edição.

Ataques Uma série de fatores torna a Vuelta menos tensa que suas co-irmãs. Algumas equipes já cumpriram seus

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principais objetivos, outras já estão fisicamente no limite e várias estão pensando na temporada seguinte. Jovens nomes, atletas que tiveram imprevistos durante o ano (um acidente, por exemplo) e veteranos em busca de um último contrato disputam a competição de peito aberto, e o que se vê é uma briga mais acirrada do que nos demais eventos. Revelações Leopold König, Warren Barguil e Kenny Elissonde foram alguns dos jovens que venceram etapas na última edição, mostrando que a Vuelta tem se tornado um palco de promissores talentos.

Vuelta a España De 23 de agosto a 14 de setembro

Ancares A Vuelta sempre reserva uma subida colossal para a penúltima etapa. Este ano será Ancares, uma montanha com 17 quilômetros de extensão e 7% de inclinação média. Porém, como sempre dá para apimentar um pouco mais, a subida final será precedida de outras seis (!) montanhas categorizadas (geralmente são quatro categorias de dificuldade, além das ‘hors catégorie’, as mais longas e difíceis de uma competição). Onde Assistir ESPN e na internet (links em www.steephill.tv) Site oficial http://www.lavuelta.com

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Maior expoente brasileiro do surfe em ondas grandes, o pernambucano Carlos Burle esteve em Florianópolis na semana passada para cumprir compromissos com patrocinadores. Aos 46 anos, o surfista

profissional passou sua experiência para os acadêmicos da UFSC em palestra realizada no Centro Sócio Econômico da universidade e prestigiou coquetel da Loja Uber Store, representante da marca Redley, na Capital. Entre um compromisso e outro, Burle ainda achou tempo para remar de stand up paddle em Jurerê, e pagar ondas nas praias de Garopaba e no Pico do Riozinho, no Sul da Ilha. Conversei com ele na sexta-feira à tarde e falamos sobre vários assuntos,

como a experiência e a repercussão da sessão de 28 de outubro em Nazaré e a expectativa para a indicação para o Billabong XXL, o oscar das ondas grandes.

Outside - Como foi essa experiência em Nazaré e ao que você atribui o fato da Maya Gabeira ter caído (falta de experiência, azar) e como foi lidar com essa situação? Burle – O nosso esporte não é como o de quadra ou automobilístico, que você pode ter a melhor equipe, o melhor equipamento e treina na hora que quiser. Nós dependemos da natureza, e no caso de ondas gigantes, mais ainda. E você tem que estar no lugar certo, na hora certa para aproveitar, para evoluir. E o que aconteceu naquele momento foi justamente isso. Eu estava com aquele time, com idade média de 25 anos. Eles querem evoluir, precisam, então ficam se masturbando mentalmente, vou pegar uma onda de 100 pés, vou pegar uma onda gigante e aconteceu. Eles estavam lá, tinha um mar gigante e para evoluir você tem que se expor. E a Maya está evoluindo, tem treinado bastante, mas ainda não chegou no auge dela, não tem toda a técnica. Ela tem muito trabalho físico e psicológico. Ela caiu naquela onda e eu acho que outros surfistas poderiam ter caído naquela onda também. Agora, a melhor coisa que ela fez foi pegar aquela onda, porque vai demorar muito para ela pegar uma onda daquela, para passar por aquela situação, para aprender, para evoluir. O que aconteceu naquele dia foi justamente isso. Ela precisou se Entrevista com expor numa situação que não conhecia para evoluir e ajudar na evolução o bicampeão do esporte, não só na performance, como na segurança. Todo universo mundial de ondo surfe de ondas grandes parou para se perguntar “o que que uma das grandes mulher está fazendo ali dentro?”, “ela não tinha capacidade?”, vários comentários, mas ela mostrou que tem preparo físico, pois tomou duas ondas grandes na cabeça. Nunca ninguém havia passado aquilo e ela sob reviveu. Então, na realidade quem salvou a Maya foi a própria Maya. Eu estava ali, tive a atitude também para ajudar nesse resgate, as pessoas me ajudaram a leva-lá pra praia, mas basicamente isso, a gente precisa se expor. A condição podia ser melhor, poderia, se o investimento fosse maior, se tivesse helicóptero, um barco, mais jet skis, mais equipe, mas a condição perfeita não existe. Perfeito não existe. Acho que o mundo perfeito está no céu.

CARLOS BURLE

Outside – A repercussão foi tão grande quanto a onda surfada em Nazaré? Carlos Burle - Eu acho que o ingrediente da Maya (Gabeira) fez o diferencial. Tudo que aconteceu fez daquele dia um dia pra sempre, como escreveu o Tulio Brandão (colunista do site Waves). Acho que foi a história de surfe mais comentada no mundo porque aconteceu tudo, as ondas grandes, o que a Maya fez, surfou aquela onda enorme, as pessoas tem que se lembrar disso. Ela passou por aquela dificuldade porque ela surPor Laura O’Donnel

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“Ela precisou se expor numa situação que não conhecia para evoluir e ajudar na evolução do esporte”

fou a maior onda já conquistada por uma mulher. Depois eu voltei para a água para ver o Gordo (Felipe Cesarano) e o (Pedro) Scooby porque eu estava de olho neles, e aconteceu aquilo. O Gordo pegou as ondas gigantes, o Scooby também e eu consegui pegar uma onda boa. Então foi um momento histórico para gente, para o Brasil e para o esporte. Então Nazaré trouxe tudo isso para minha vida, mais responsabilidade, comprometimento, mais prazer de fazer a coisa certa, mas também muita coisa ruim. Não é possível fugir dos seus obstáculos, do seu medo. Se eu fugir, ele vai aparecer de novo ali na frente. Aconteceu tudo aquilo com a Maya, eu vou pegar essa onda e acho que foi um presente que a natureza, que Deus me deu. Essa onda de Nazaré foi um presente. Outside — Na palestra você disse que a repercussão na comunidade do surfe foi muito negativa. Porque? É muita vaidade, ego? Burle — É, eu acho que é muito ego, mas é o normal. O ego é importante para a evolução do ser humano. A competição vem do ego, um quer ser melhor do que outro. Agora, quando você coloca sua emoções e sentimentos acima do bem comum, acho que a coisa perde um pouco do sentido. Noventa por cento ou até mais da comunidade não entendeu. A recepção foi muito difícil, muitas críticas, muita inveja porque a gente explodiu. Meu nome aqui no Brasil ficou fortalecido, o da Maya também. Mas os surfistas infelizmente tem uma mentalidade muito limitada, de tribo mesmo. Esse lance do localismo, do meu pico. Então tudo de bonito que o esporte tem – relação com a natureza, seu corpo, autoconhecimento saúde – que está na hora de compartilhar, tudo isso acaba. E você não compartilha só com surfistas, você compartilha com bodyboarder, banhista, kitesurfista, e o espaço é muito reduzido. E o surfista tem essa tendência de se proteger. A gente demorou um tempo para entender o que estava acontecendo. Você comentar e entender a situação de uma forma totalmente diferente é compreensível. Mas começaram a inventar um bocado de coisas. Inventaram que eu havia pedido para a minha assessoria para falar que a minha onda era maior. Tinha 500 pessoas em cima do cliff (rochedo), tudo acontecendo ao vivo, e aconteceu isso.

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Outside — Houve um comentário de que o tornozelo da Maya havia sido quebrado quando você passou com o jet ski por ela, no momento do resgate… Burle — Milhões de coisas aconteceram que não fazem parte daquele dia e eu sei que isso é muito da mente do ser humano. Eles tentam criar desculpas para justificar de alguma forma a falta de sucesso, não sei. Isso me tira um pouco de tesão, porque será que não dá para entender que seria melhor que a gente trabalhasse junto, remasse junto para um lugar só. No fundo, se o meu maior competidor ganhar mais, eu ganho mais. O que a galera do surfe parece não entender é que quanto mais medíocre o esporte, quando menor o pensamento, pior para tudo mundo. Na hora de renovar contrato eu falo “olha você sabe quanto o Pato (Everaldo Teixeira) ganha, o Rodrigo (Resende), o Eraldo (Gueiros), o Danilo (Couto) ganha?. Se essa galera não ganhar bem, é ruim para mim. Eu não preciso apagar ninguém, para mim é o contrário, eu tenho que levantar todo mundo, entendeu. Se eu não tiver um paralelo de pessoas positivas, bem sucedidas, que eu possa me comparar, para mim é horrível. Agora minha maior felicidade é saber que a Maya está super bem, deu a volta por cima, apesar de ter recebido muitas críticas.


Outside – A indicação para o prêmio Billabong XXL, o oscar das ondas gigantes, deve sair nos próximos dias. Qual a sua expectativa? Burle — Eu acho que eles vão colocar a gente como concorrente, mas eu não acho que a gente vai ganhar. Teve (o swell provocado pela tempestade) Hércules, e depois teve aquela onda do Andrew Cotton (também em Nazaré), e na realidade, a comunidade não quer me dar nada. Já foi um ano muito bom para a gente. Já foi um ano onde a Maya teve uma outra oportunidade de vida, não quero pedir mais nada, acho muito egocentrismo e egoísmo eu sair pedindo mais alguma coisa. Outside - O Felipe Cesarano, o Gordo, um dos seus pupilos, fez um desabafo via Facebook, de forma respeitosa, falando que a onda surfada por ele é maior do que a sua. Como você recebeu esse desabafo? Burle — Totalmente natural. Eu acho que naquele dia tinha 10, 12 surfistas na água. Cada um vai achar que sua onda é melhor que a outra. Isso que é legal. O importante é que eu não falei que a minha onda era maior. Tinha 500 pessoas no cliff, no dia antes acho que tinha duas mil pessoas em um domingo de sol, só que o swell atrasou e bateu na segunda-feira, e as 500 pessoas que viram o que aconteceu falaram aquilo. O surfe é um esporte muito subjetivo e eu já estou meio velho para ficar com essa história. Mas está tranquilo, não muda a minha relação com ele. Acho até pior se ele achasse e não falasse e a coisa ficasse guardada. Ele foi verdadeiro. Outside - Nesta temporada havaiana você teve a oportunidade de conversar com o havaiano Laird Hamilton, que o criticou via CNN pelo fato da Maya Gabeira ter surfado em Nazaré. Como foi esse encontro? Burle — Foi na casa dele, no mar, em Jaws (ilha de Maui). E foi interessante porque ele se mostrou maduro também. As vezes as pessoas até brigam, brigam por coisas que nem acreditam. Ele foi conversar comigo e eu disse que o comentário dele havia sido muito profissional, cada um fala o que pensa. Mas em contrapartida eu estou indo em um caminho que eu tenho certeza que é o correto, o caminho que eu plantei lá atrás quando eu ainda era surfista em Recife. Eu não quero que o esporte tenha essa imagem atrelada a vagabundos que não sabem se expressar. 19

“Se eu não tiver um paralelo de pessoas positivas, bem sucedidas, que eu possa me comparar, para mim é horrível”

Ela está sendo considerada uma super atleta, nomeada para prêmio e daqui a pouco você vão ver ela em várias campanhas na televisão e isso é bom para a gente. Isso é bom para o esporte da gente. O que eu faço tem tudo a ver com aquele pensamento de garoto quando saí de Recife, eu quero melhorar a imagem do esporte. O que eu faço em um quarto, diz respeito a mim. O nariz é meu eu faço o que eu quiser. Quando eu sou referência de um esporte eu tenho que ter cuidado o que eu falo, com as coisas que eu penso, com as minhas ações, quando eu estou no público. Eu estou representando meus patrocinadores, meu esporte e meu país. Essas coisas tem que ser levadas em consideração e parece que o surfe ainda tem aquele problema, geográfico, de localismo e tudo. Mas as coisas estão melhorando.



Revista Outside