Page 1

confluências urbanas INTERVENÇÕES E COSTURA NA avenida francisco junqueira


RODRIGO BORGES RODRIGUES RIBEIRÃO PRETO - 2016


CENTRO UNIVERSITÁRIO ESTÁCIO UNISEB TRABALHO FINAL DE GRADUAÇÃO BACHARELADO EM ARQUITETURA E URBANISMO Relatório Técnico de Desenvolvimento do Trabalho Final de Graduação apresentado ao Centro Universitário Estácio UniSEB de Ribeirão Preto como parte dos requisitos para obtenção do grau de Bacharel em Arquitetura e Urbanismo.

Orientador: Dr. César Muniz

CONFLUÊNCIAS URBANAS INTERVENÇÕES E COSTURA NA avenida francisco junqueira


ESTE TRABALHO É DEDICADO AO TEMPO.

DEDICATÓRIA


Agradeço a todos os mestres que passaram por minha vida. Em especial, agradeço ao Mestre Prof. César Muniz, por acreditar em mim mesmo quando tudo o que eu nha fosse uma ideia na cabeça, três palavras na boca e alguns desenhos no papel. Agradeço ao saudoso Mestre Prof. Francisco Gimenes, pela inspiração e por sempre acreditar haver mais de mim do que eu pudesse pensar. E agradeço a Mestra Prof. Ana Ferraz, por sempre em nossas conversas, ser o combus vel que me faz acreditar poder arriscar e sair do usual. Agradeço aos meus amigos pelas intensas noites de lamentos e sorrisos: Marcela Merigo, Melina Balsamo, Lídia Caçola, Flávia Villas Boas, Priscila Savoya, Leiz Passari e Natana Char. Agradeço a minha família e a todos que já confiaram em

Aos mestres jedi AGRADECIMENTOS


01 DEDICATÓRIA

03 06 AGRADECIMENTOS SUMÁRIO SUMÁROO INTRODUÇÃO PROBLEMÁTICA 02 07 04

08

OBJETIVO

REFERÊNCIAS PROJETUAIS

10


14

20

UMA REFLEXÃO SOBRE O HOMEM PÚBLICO X PRIVADO X ESPAÇO

A QUESTÃO DE RIBEIRÃO PRETO

22

24 O ENCONTRO DA AVENIDA

36 COSTURA

51

PROPOSTA PROJETUAL E ENCONTROS CONCLUSÃO BIBLIOGRAFIA

34

49

sumário

04


Apesar das dúvidas sobre a capacidade efe�va da arquitetura “influenciar” seus usuários de modo significa�vo, encontram-se algumas teorias que apontam o contrário, ou pelo menos não tão cé�cas quanto ao assunto. Como por exemplo considerar a existência humana em diferentes escalas de interação com o ambiente e na relação do impacto que essa interação é capaz de oferecer à vida deste ser (ZMYSLOWSKI, 2009).

Ou ainda o reconhecimento de padrões de projetos capazes de estabelecer conexões �sicas, sensoriais e de iden�ficação com seus usuários (CHRISTOPHER ALEXANDER, 2013). Sendo assim, este trabalho surge da intenção em abrigar novamente a a�vidade do encontro de pessoas em uma das avenidas mais importantes da cidade, a Dr. Francisco Junqueira, que através dos anos vem se distanciando de seus transeuntes devido a

uma perda de interesse pela área somada ao conturbado histórico de enchentes e alteração na paisagem. Inves�gar a capacidade da Arquitetura e o Urbanismo em influenciar e ou ques�onar esta realidade que é o obje�vo deste trabalho. Par�ndo da elaboração de um projeto que seja capaz de promover encontros, aproximar, estreitar a interação humana.

INTRODUÇÃO

06


Este trabalho é realizado em razão do entendimento da importância em estudar a intensidade de capacidade da Arquitetura e Urbanismo em influenciar o comportamento de seus usuários, reconhecendo nessa possibilidade uma grande ferramenta de planejamento destes campos. Além disso, une estes conhecimentos à necessidade de revitalização e reaproximação do público da avenida Dr. Francisco Junqueira em Ribeirão Preto - SP.

problemática 07


Este trabalho tem como obje�vo geral explorar a capacidade de influência do espaço construído no comportamento do indivíduo e as relações que este estabelece com ele, u�lizando-se da restruturação e revitalização da avenida Dr. Francisco Junqueira na cidade de Ribeirão Preto – SP como método de aplicação teórica. Entende-se a ação do encontro de indivíduos como uma pra�ca a ser incen�vada e busca-se traze-la de volta à avenida degradada.

objetivo

08


ARQUITETO: ZONES URBAINES SENSIBLES LOCALIZAÇÃO: LUCHTSINGEL, ROTERDÃ, HOLANDA ANO: 2013

The Luchtsingel “Do arquiteto. A Luchtsingel é uma ponte de pedestres em Rotterdã que está sendo construída com a ajuda da população, por meio de uma iniciativa chamada de crowdfunding, um meio interessante de financiamento no qual a população doa dinheiro por meio de uma plataforma online (para uma ideia que está para ser realizada essencialmente) para tornar um projeto realidade. A Luchtsingel, da qual o slogan diz "quanto mais você doar, mais longa será a ponte", tem estimulado a imaginação pública e superado as metas iniciais de arrecadação de fundos, tornando-se uma das mais importantes áreas urbanas de Roterdã.”


UM CONDUTOR URBANO ASPECTOS RELEVANTES:

referências projetuais

10


ARQUITETO: NEXT ARCHITECTS LOCALIZAÇÃO: CHANGSHA, HUNAN, CHINA ANO: 2014

The lucky knot “A construção, com as conexões que se interseccionam, se baseia no princípio do anel de Möbius", declara Michel Schreinemachers. "Por outro lado, a ponte remete a um nó chinês oriundo de uma antiga arte folclórica do país", acrescenta o arquiteto John van de Water.


AMARRAÇÃO E COSTURA ASPECTOS RELEVANTES:

referências projetuais

12


Explorar as possibilidades de interação dos usuários com seu ambiente, construído ou abstrato, pode ser considerada a essência máxima dos campos da Arquitetura e do Urbanismo. Sendo que, uma vez entendidas as interações, um estudo de suas ar�culações possíveis para beneficiar ou se ater à prováveis falhas com o usuário, se faz quase consequente, revelando um ins�nto sempre presente de u�lizar a arquitetura como

estratégia. Tornando assim, o quanto esta interação tem efeitos na vida do usuário, uma questão crí�ca. Então qual seria o impacto do ambiente edificado no homem? Como ele se dá? Um grande fator na influência da construção sobre o homem, pode residir na sua vulnerabilidade a ela. Ou pelo menos na maneira contemporânea de u�lizá-la. Pode ser considerada uma tendência o crescente enclausuramento do

homem contemporâneo. Acreditamos viver uma época de volta da rua para a casa. Passamos mais da metade de nossos dias em ambientes fechados e definidos — De casa para o carro, do carro para o trabalho, do trabalho para o shopping e de volta para a casa — E por fim sujeitos de nossos espaços. Esse fenômeno pode ser alinhado ao pensamento de Marc Augé (1994) quando este descreve espaços como lugares com os quais

estabelecemos conexões não só �sicas, mas sociais e emocionais, ou seja, lugares então de significado para o usuário: Uma parte essencial dele. Algo que pode ser ainda relacionado a outro conceito, oferecido pela pesquisadora em design e ergonomia para a sustentabilidade, Susana Barreto Mar�ns, a par�r da leitura das Cinco Peles de Hunderwasser, no ar�go escrito para o livro Pires (2008) sobre a sobrevivência do homem em


sua existência na terra: “Correspondem as Cinco Peles: a primeira pele – a epiderme, a segunda pele – a ves�menta, a terceira pele – a casa do homem, a quarta pele – o meio social e a iden�dade e a quinta – a humanidade, a natureza e o meio ambiente”. (PIRES, 2008) Dividir a posição do indivíduo em seu ambiente por algo tão ín�mo ao corpo como uma pele, nos reforça a ideia já oferecida por Augé sobre a

relação sensi�va de pessoas e lugares. E ainda nos permite observar uma proposta de diferentes �pos e níveis de interação com o meio. “Pensar um humano com cinco peles é, de alguma forma, sugerir outras possibilidades para seus limites e suas fronteiras”. (ZMYSLOWSKI, 2009) O espaço então como uma extensão de seu corpo. Afirmação que nos oferece uma compreensão mais

ampla do quão longe pode ir a interação do homem com a arquitetura, mas também nos revela a possibilidade de pensar em que medida a interferência nessa arquitetura tem impacto em seu ser. Principalmente quando dizemos sobre intervir em suas camadas mais ín�mas. Este impacto, que em muitas vezes pode ser posi�vo ou nega�vo, nos leva a ressaltar o início deste capítulo, onde afirmamos a preocupação con-

UMA refLEXÃO SOBRE O HOMEM

stante de trabalhar o espaço arquitetônico de maneira ar�culada e estratégica. Ou seja, um projeto que estabeleça relações específicas com o usuário, busque um sistema que ele entenda e com o mesmo estabeleça a relação de iden�dade, acima descrita, citada por Augé.

ESPAÇO

14


Se considerarmos o espaço construído planejado/ar�culado como um es�mulo (nos retendo novamente a uma conotação mais biológica como a de Mar�ns), e a reação, a�vando posi�va ou nega�vamente às expecta�vas predispostas, obteremos de certa maneira um sistema interligado. Em outra analogia, como em uma conversa, temos um locutor (a arquitetura), um interlocutor (o usuário) e uma mensagem (o espaço

construído). O idioma (ou estratégia) u�lizado nesta conversa e o entendimento dele, além do feedback, consolidam esta analogia, estabelecendo uma linguagem¹. E se observarmos essa linguagem como método bem-sucedido, consolidado na interação, de construir algo, não fica di�cil imaginar sua replicação. Trataríamos então de um padrão essencial, não só de execução, mas principalmente de

reconhecimento, ou mais especificamente, empa�a². Tal concepção que traduz o trabalho de arquiteto e matemá�co Christopher Alexander em seu livro A Pa�ern Language (Uma Linguagem de Padrões). Nele, Alexander e sua equipe buscam elencar justamente estes padrões de linguagem/projeto que foram capazes de realizar a conexão aqui discu�da com seus indivíduos. Tal ação teria a intenção

de propagar uma maneira arquitetônica carregada fortemente na iden�dade do usuário e nas conexões realizadas por ele para com o lugar. Com esta constatação foi possível observar em campo e reproduzir alguns prováveis padrões capazes de realizar essa aproximação e buscar por um elemento essencial que jus�ficasse essa relação, um ponto gerador dessa influência.


Os sketches foram feitos em momentos e lugares aleatórios da cidade de Ribeirão Preto e revelaram questões curiosamente su�s sobre a situação. Como no caso de um grupo de pessoas que se protegiam do sol numa tarde quente sob a fina sombra solitária de um único poste. Ou ainda a intensa interação gerada por uma mesa comunitária em uma hamburgueria, onde enquanto algumas se man�nham em silêncio

comendo, outras pessoas, intencionalmente ou por acaso se viam conhecendo novas, ou simplesmente dialogando com desconhecidos. E entre casos mais comuns, como um grupo crescente de pessoas se abrigando na maior marquise de uma avenida em um dia chuva inesperada, houveram também casos em que uma mudança rela�vamente su�l provocou, ou possibilitou, uma onda maciça de interesse por uma área. Foi

o caso de uma praça extensa em um bairro residencial, que possuía sua pavimentação deteriorada e quase nenhum interesse sequer da população imediata a sua posição, mas ao simples ato de alisar-se e re�ficar este pavimento, a espaço sofreu um gigantesco boom de interesse e passou a ser u�lizada intensamente por pessoas inclusive não tão vizinhas próximas dali.

UMA refLEXÃO SOBRE O HOMEM

ESPAÇO

16


O UM ENCONTRO resultado


É possível então perceber a existência de padrões de projeto capazes de estabelecer variados �pos de relações com pessoas e, ao mesmo tempo, revelar a possibilidade destas relações se aplicarem de modo a convergir para o assunto deste trabalho: Em que medida a arquitetura influencia o comportamento dos indivíduos? Com ênfase em aproximar pessoas. As questões levantadas por estas

observações exemplificam ar�culações naturais, acidentais ou intencionais capazes de alguma maneira influenciar, ou pelo menos ins�gar a aproximação de indivíduos. Poderíamos citar facilmente os elementos �sicos chave para seu acontecimento: Sombras, bloqueadores de intemperes, pavimento liso, ou mesmo a possibilidade, ou obrigatoriedade de estar próximo a estranhos. Mas o que é mais su�l é a per-

cepção de que estes elementos são a tradução �sica das principais necessidades essenciais exigidas pelos usuários nas ocasiões, como: Salubridade, proteção, privacidade ou possibilidade de interação, ser bem-vindo, acessibilidade, conforto, entre outras. Estes sim, os verdadeiros fundamentos para uma possível influência de comportamento.

UMA refLEXÃO SOBRE O HOMEM

ESPAÇO

18


Como proposto neste trabalho, a relação estabelecida entre usuário e espaço construído pode alcançar diferentes níveis de interação, sendo que esta pode estar baseada numa relação de iden�dade essencial do usuário em reconhecimento às caracterís�cas do lugar. Com isso podemos considerar a existência de dois canais majoritários para a ocorrência destas interações: O público e o privado. Ainda de

acordo com a definição expressada por Susana Barreto Mar�ns, esta então seria a quarta pele do ser humano: O meio social e a iden�dade. E, portanto, também parte importante, além de extensão mais abrangente de seu corpo. Uma vez que aqui serão feitas as conexões com outras iden�dades em um espaço compar�lhado ou não. Algo que pode ser diretamente observado na atual situação das

cidades, é uma possível desvalorização geral do público em relação ao privado. O que ganha ainda mais força quando observamos, por exemplo, sobre a recente explosão dos condomínios fechados, sobre os mundos privados que estes vêm criando para abrigar a vida social de seus moradores. Ou no âmbito comercial, como as lojas de shoppings ainda se sobrepõe em preferência as lojas de rua. Ou seja, um isolamento,

uma carência de abrigo, diante a um meio externo que se pressupõe degradado. Sendo importante ressaltar que esta carência de abrigo, como uma fuga de um espaço construído para outro lugar, poderia também ser considerada uma resposta nega�va à interação aqui proposta, quando ela, não estabelece uma conexão sa�sfatória e comunicável com a iden�dade do usuário.


Mas quando nos referimos a um espaço público pressupostamente degradado, vamos de encontro a análise proposta pelo ar�go Privado e Público: Inovação Espacial ou Social? De Angela Lúcia de Araújo Ferreira e Sonia Marques, onde a degradação desse pode estar sendo declarada prematuramente em nome de um desejo de revitalização.

público

privado

20


Ribeirão Preto é uma cidade do interior do estado de São Paulo com uma área territorial de 650,916km², aproximadamente 600 mil habitantes e IDH de 0,8 (IBGE, 2010). Sendo já, em 2014, considerada a 28ª cidade mais rica do país, com um PIB (produto interno bruto) de R$ 20,3 bilhões (FOLHA DE SÃO PAULO, 2014).

de fazendeiros para criação do patrimônio de São Sebas�ão (santo de devoção da época) e construção de uma capela em sua honra (Figura 3), com razão de validar suas propriedades segundo exigência da Lei da Terra, Ribeirão Preto então viu crescer através dos anos a sua área e iden�dade urbana.

Nascida da doação conjunta de terras

Marcada profundamente pelas trans-

formações ocorridas graças ao astronômico sucesso da produção cafeeira até a quebra da bolsa de valores de Nova York em 1929 e mais tarde a consolidação como grande produtora mundial de açúcar e álcool, a cidade chegou a ser apelidada de a Califórnia Brasileira em razão de um suposto padrão de vida elevado em comparação a outros municípios. Fato é que tais transformações foram

responsáveis por inúmeras alterações no espaço urbano, além da chegada e ida de mais ainda inúmeras pessoas através do tempo. E quando consideramos que a cidade se estabeleceu como um centro de comércio e serviços, inclusive referência na região, podemos apontar o seu próprio centro como elemento importante e chave da situação. Conformado hoje pela posição das quatro avenidas: Jerônimo


Gonçalves, Nove de Julho, Independência e Dr. Francisco Junqueira. Ele que foi origem e todo da cidade, podemos afirmar que abrigou os mais diversos �pos de interações sociais e espaciais como as citadas por Alexander e Augé. E ainda o faz.

Apesar de uma “morte” prematura-

mente declarada, comum aos centros da maioria das cidades brasileiras ansiosas por uma revitalização, como já discu�mos a par�r do pensamento exposto no ar�go de Ângela Ferreira e Sonia Marques, é notável que o quadrilátero central de Ribeirão Preto ainda é cheio de muita vida. Estabelecendo suas próprias dinâmicas internas expressas, por exemplo, em seus comércios novos e an�gos, pontos de encontro como o calçadão

e praças, ou mesmo no uso residencial remanescente. Além é claro, de ser um importante eixo de conexão da cidade, origem de acesso à todas as áreas. Ou seja, o centro de Ribeirão pode ser considerado sem dúvidas o seu maior ponto de encontro em potencial como os que vem sendo abordados neste trabalho.

A QUESTÃO DE RIBEIRÃO PRETO

22


Par�ndo desta ó�ca, mas dessa vez nos atentando aos lugares onde estes encontros estão majoritariamente deixando ou deixaram de acontecer, podemos destacar a já citada

Avenida Dr. Francisco Junqueira. Sendo uma das

avenidas limítrofes do quadrilátero central, esta via já foi plateia e palco para inúmeros acontecimentos e transformações não somente de si,

mas de toda a cidade também, garan�ndo assim sua importância histórica para com ela e reforçando uma iden�dade construída com o tempo. Um possível espaço lugar como os propostos por Augé, potenciais de estabelecer conexões emocionais com os usuários. Mas o êxodo residencial do centro somado ao aumento das a�vidades de comércio, intenso fluxo de trafego

no transito com poluição sonora e visual, além de uma carga, histórica também, de problemas graves com enchentes, foram por entre os anos descredibilizando e afastando a vitalidade da área. Os indivíduos foram deixando de estabelecer as conexões de proximidade necessárias com o local, podendo-se dizer então que a Av. Dr. Francisco Junqueira se tornou distante... Distante da vontade da maioria dos cidadãos

Adicionado à um apresso pessoal, tal conformação, faz desta área um objeto de trabalho muito jus�ficável a par�r do desejo em trazer de volta o encontro para este espaço.

O ENCONTRO DA AVENIDA

24


UM ESTUDO MAIS APROFUNDADO Desta maneira, foram realizadas leituras sobre a área da avenida para que se pudesse estabelecer um quadro mais claro da situação. Sendo primeiro, as leituras morfológicas de seu entorno. Escolheu-se o trecho limitado entre as duas outras avenidas componentes do quadrilátero central, av. Jerônimo Gonçalves e av. Independência, por acreditar-se que este seja o mais carregado da iden�dade result-

ante das transformações da área central da cidade, além de mais imediata a ele e suas dinâmicas de u�lização diária.

USO DO SOLO

Com a avaliação do mapa de uso do solo, se fez possível a iden�ficação de alguns pontos chaves da área, além de uma reflexão inicial. São eles:

- Predominância do uso de serviços; - Quanto mais próximo da avenida, mais serviços; - Lado leste da avenida onde há mais predominância residencial; - Altos edi�cios acumulam o uso residencial do lado oeste;

- Menos pontos de predominância comercial com troca efe�va de produtos; - Lazeres resumidos a pequenos bares, restaurantes, SESC e bosque municipal; - Área verde extensa pela avenida, bosque municipal e traços aleatórios pelas quadras. Com um histórico de enchentes, pode ser este um dos mo�vos da área


ter perdido o comércio de produtos para o de serviços em sua maioria (provavelmente para que houvessem menos perdas materiais). Assim como também o uso residencial evadido. São observadas inúmeras construções caracterizadas em grande parte como casas do final do séc. XIX, antes moradias e agora comércio e serviços. Elementos somados estes, possivelmente sejam boa parte da razão

deste espaço ter perdido a sua caracterís�ca de encontro.

O ENCONTRO DA AVENIDA

26


GABARITO

A par�r da observação do mapa de gabarito, também foram feitas algumas observações importantes a serem destacadas: - Predominância geral de edificações baixas; - Construções de 2 e 4 pavimentos geralmente são des�nadas a edi�cios ins�tucionais, como escolas, e igrejas, além de equipamentos culturais; - Sendo a maior parte da área comercial e de serviços, os pontos mais altos encontrados são pertencentes aos usos residenciais, tornando-se assim quase que como ilhas de moradia; - O gabarito baixo, mais precisamente ao longo da avenida em si, pode ser explicado pela sua �pologia mais comum: Pequenos galpões.

A área central da cidade, de maneira geral, pode ser considerada como sujeito sobrevivente das várias alterações do espaço urbano com o tempo. Os diferentes usos e ocupações através dos anos imprimiram na região uma caracterís�ca quase como a de um mosaico. Formado de várias peças remanescentes de outros todos, esta conformação expõe uma variabilidade facilmente encontrada nas formas das edificações de acordo com seus usos, além de que, se observarmos uma dessas peças, ou seja, um evento específico, encontramos que possivelmente o gabarito baixo predominante na área deve-se ao uso residencial de outrora e hoje habitados em sua maioria por comércios pequenos e serviços.


OCUPAÇÃO Ao estudar a área sob a ó�ca da ocupação do solo, podemos notar que a mesma possui grande adensamento e que isso pode se traduzir na, já citada, forte herança do uso residencial na área. Sendo composto de pequenas residências, principalmente situadas nas quadras não faceadas à avenida. São pontos de destaque:

- Área muito densa; - Herança residencial iden�ficável; - Existência de pequenas edificações além de prédios e galpões - Ocupação densa de edi�cios baixos predispondo um acesso visual de edi�cios altos; - As menores densidades são carac-

terizadas pela presença de lotes vazios. Além disso, a densa ocupação torna di�cil a abertura de espaços livres sem grande impacto no preexistente, mas destacando-se também a presença de lotes vazios u�lizáveis em alguns locais. É interessante também destacar a possibilidade de incorporação de edi�cios desa�vados ao longo da avenida à uma proposta de projeto.

O ENCONTRO DA AVENIDA

28


VEGETAÇÃO Apesar do centro de Ribeirão Preto ser bastante adensado, é notável a presença de focos de vegetação espalhados por toda a região. Mesmo tratando-se em maioria de pequenos espaços separados, ainda se encontram aglomerações verdes de grande impacto na paisagem urbana e clima imediato da área, sendo a maior delas a vegetação densa pertencente ao bosque municipal Fábio Barreto em conjunto com o complexo cultural espor�vo da Cava do Bosque e Morro do São Bento. Além dela, ainda é

importante citar a linha de vegetação que se segue ao longo da avenida e junto ao córrego Re�ro Saudoso. Sendo uma das mais arborizadas, das avenidas componentes do quadrilátero central, esta caracterís�ca evoca não só uma iden�dade a ser preservada, mas um par�do jus�ficável a ser seguido em uma proposta.


Foi realizado o mapeamento dos edi�cios vazios, desa�vados ou com algum potencial de projeto para que se pudesse uma visão mais profunda do cenário existente e principalmente as possibilidades de ar�culação do espaço urbano da avenida. Podemos notar a existência de muitos edi�cios vazios ao longo da via, sendo alguns deles de grande porte, a ponto de abranger quase ou toda a quadra. São exemplos os edi�cios vazios 1,4 e 10. Estes

EDIFÍCIOS

podem vir a servir como possibilidade de expansão do horizonte a par�r de sua remoção. Além disso, ainda são encontradas edificações com grande de pequeno potencial, sendo o grande no caso de equipamentos culturais e de lazer, como o complexo espor�vo cultural da Cava do Bosque, o Sesc e as futuras instalações do shopping Buri�s nas ruínas da an�ga cervejaria Antár�ca. Ainda pode ser citado o Ponto do Triangulo (n. 14),

que apesar de não de tratar de um equipamento, foi observada sua importância como um dos poucos remanescentes pontos de encontro e estadia na avenida, abrigando ainda um ponto de transporte interurbano. Os pequenos e demais edi�cios potenciais podem ainda fornecer ampliação de espaços, assim como o abrigo de novos usos para suas edificações. Conclui-se que a presença de um número considerável de construções com alguma

vocação de alteração de uso ou caracterís�cas capazes de adicionar novas dinâmicas ao espaço, se faz indispensável para a construção de um projeto embasado na própria iden�dade da via. São listadas a baixo, as fachadas dos edi�cios:

O ENCONTRO DA AVENIDA

30


A IDENTIFICAÇÃO Ao analisarmos todas as informações dispostas através do quadro de referências até então, podemos concluir que a capacidade real da arquitetura em influenciar ou não o comportamento de indivíduos ainda é um campo turvo, mas algo que se pode afirmar, é que esta influência pode acontecer em diferentes níveis, muitas vezes inclusive, impercep�vel. A ar�culação de espaços para que alcancem anseios da população, ou mesmo o design de determinado corpo arquitetônico que com o tempo veio a se acostumar ser u�liza-

do de específica maneira, e tal comportamento foi repe�do por muitos usuários até que esta arquitetura fosse taxada capaz desta habilidade, são exemplos de uma influência indireta resultado de uma junção de fatores, inclusive psicológicos, mas somadas à um ser arquitetônico. Talvez sozinha, a arquitetura e seus espaços não possam alcançar algum �po de controle sobre seus usuários, mas certamente pode ser considerada uma inspiração, algo que Augé cita e aqui repito, nossa capacidade de ligarmo-nos com espaços através de

nossas emoções, imprimem nestes objetos inanimados, vida. A iden�dade de um edi�cio ou espaço pode ser considerado o reflexo da própria iden�dade de seus habitantes, assim como sua história... Quanto mais complexa e profunda, mais se comunica com a nossa própria. E assim, como num ciclo, o respeito, o entendimento. Deve se ressaltar que tais habilidades não somente pertencem a edificações e ambientes de pesada bagagem histórica, mas também a representa�vos de uma boa prá�ca,

um conhecido projeto bem-sucedido. É o que Alexander exprimi ao dizer que um padrão de linguagem, um padrão de projeto é reconhecido sempre devido a sua eficiência não somente prá�ca, mas como também emo�va. E par�ndo desta reflexão, a u�lização da capacidade da Arquitetura e do Urbanismo em inspirar o comportamento e a empa�a como par�do arquitetônico, para a ar�culação de uma vontade revitalizadora do espaço construído, como o encontro, pode ser considerada um grande


DOS NÚCLEOS instrumento no planejamento de projetos. Algo que vai de encontro a situação exposta de Ribeirão Preto e sua avenida Dr. Francisco Junqueira. Um local onde a a�vidade do encontro sofreu grande perda de intensidade, e sendo o trajeto histórico de avenida que é, anseia profundamente pela reaproximação dos sujeitos de sua existência. Para tanto, após todas as leituras já realizadas, opta-se pela reestruturação da avenida através de um eixo iden�ficável, formados pela

notação de núcleos de interesse primários observados a par�r do mapeamento dos edi�cios capazes de receber alguma interversão. A união dos bene�cios trazidos pelos equipamentos culturais e de lazer mais destacados se faz o ponto inicial desta intervenção.

proposta projetual

32


DO espaรงo

proposta projetual

34


ordenamento Iden�ficados os núcleos (áreas com maior aglomeração de edi�cios potenciais de intervenção), estes foram demarcados representando o par�do de estruturação do eixo de revitalização da avenida. São eles considerados centros que conectados, interligarão os principais edi�cios iden�ficados na área. Estes núcleos contarão com a abertura de novos espaços livres através dos edi�cios desa�vados, onde acontecerão as a�vidades de maior porte ou aglomeração delas. Seu maior obje�vo será funcionar como uma

extensão dos equipamentos destacados já existentes, trazendo novas dinâmicas de a�vidades e reforçando já apresentadas por eles. Além disso, serão estes nós conectados entre si por uma intervenção mais linear de projeto, contando apenas com pequenos espaços de lazer e de apoio em sua extensão.


LEGENDA

QUADRAS AFETADAS

cava do bosque

bosque municipal

posto triângulo

cônego barros

SESC

cine kaiser

SHOPPING BURITI

feira noturna

pontos da costura mapa sintese

AGLOMERAÇÃO DE PESSOAS

CIRCULAÇÃO DESEJADA SOBRE A AVENIDA

ÁREA RESIDENCIAL

ACESSO VISUAL

NÚCLEOS DE PROJETO


Como par�do arquitetônico desta intervenção, são escolhidos 5 pontosconsiderados pontos de atração para concentração de pessoas. São eles:

POSTO TRIÂNGULO, CAVA DO BOSQUE, ZOOLÓGICO MUNICIPAL, SESC E FUTURAS INSTALAÇÕES DO SHOPPING BURITI. Estes núcleos são escolhidos como chave para o

norteamento da proposta projetual. A par�r deles, se estabelece a intervenção de conexões entre suas a�vidades de encontro para que estas não somente sejam interligadas, mas também tenham suas possibilidades aumentadas no que diz respeito a qualidade do espaço urbano em que acontecem.

ao longo de todo o leito do rio e outra crusando perpendicularmente esta em lugares estratégicos quando próximos aos núcleos, visa-se uma costura da malha urbana. O reencontro dos dois lados do rio. Sendo este o palco para este encontro e não mais uma barreira urbana.

Usa-se o termo COSTURA, pois com dois níveis de intervenção, uma

costuras e encontros

36


Sendo o assunto desta intervenção, a interligalção de pontos em uma malha urbana, ou como já citado, uma costura. Para a execução de tal projeto é escolhida como elemento principal a treliça. Tal escolha é feita em reforço às discussões aqui alcaçadas, sendo que este elemento constru�vo é uma tradução �sica para a situação do encontro, inclusive se valendo dele para exercer a sua função estrutural.

A treliça também pode ser citada pela sua modularidade capaz de repe�ção de acordo com seu desenho. Para todas as intervenções aqui citadas, será u�lizada a treliça como elemento módulo. Mais especificamente, é projetado um módulo de uma caixa que será o volume primário do projeto, podendo ser extrudado ou movimentado em qualquer direção, de acordo com a necessidade do espaço.

O projeto se valerá de dois elementos de ligação formados pela unição destas caixas módulo. Serão: Um elemento de circulação con�nua ao longo do rio e outro elemento de ligação aéro, por sobre este primeiro e perpendicular.

costuras e encontros

38


modularidade treliรงa overlock


costuras e encontros 10

50

40

100

N


modularidade treliรงa overlock


núcleo buriti um novo olhar

IMPLANTAÇÃODO NÚCLEO BURITI


O núcleo Buri� é escolhido neste trabalho pela razão primeira de ser um futuro grande ponto de atração de pessoas com o grande impacto de sua construção na área. Desta maneira este projeto tem como premissa a u�lização do shopping como agente financiador do projeto. Podendo contribuir parcialmente ou integralmente, uma vez que a execução dessa intervenção somente lhe bonificaria. Quanto ao projeto em si, ele segue as premissas modulares do trabalho em que consiste na abertura de passagens entre os lotes dos quarteirões pré estabelecidos. Assim, com a criação de espaços de estadia e lazer capazes de contribuir benéficamente para os fluxos da area. Ainda além disso, posiciona-se a passarela de pedestres como ato de valorização destes e uma alterna�va para a a�vidade do encontro.

PLANTA DA PASSARELA BURITI

VISTA DA PASSARELA BURITI

costuras e encontros

42


núcleo sesc apoio e estadia

IMPLANTAÇÃO DO NÚCLEO SESC


No caso do núcleo do Sesc, o maior destaque para o projeto fica com a passarela, aqui podemos ver que sua função nesse projeto modular é a não só de ligar um lado ao outro da avenida, como também de criar uma possibilidade ampla de acontecimentos no espaço. Sem mobiliário, el fica em espera para o evento que possa abrigar.

PLANTA DA PASSARELA CAVA

VISTA LATERAL DA PASSARELA SESC

costuras e encontros

44


núcleo cava possibilidades

IMPLANTAÇÃODO NÚCLEO CAVA DO BOSQUE


PLANTA DA PASSARELA CAVA

VISTA LATERAL DA PASSARELA CAVA

O projeto de implantação de duas áreas abertas logo imediatamente a frente da cava do bosque funciona como um grande respiro da avenida e trás a ela dois espaços que como vem sendo discu�do, trazem a caracteris�ca da versa�lidade. O projeto aqui quer tornar a avenida o palcopara o reencontro da cidade. Algo que fica ainda mais claro aqui, devido as grandes possibilidades de acesso visual da área pela sua topografia.

costuras e encontros

46


VISTA LATERAL DAS CAIXAS MODULARES AO LONGO DO LEITO DO RIO

Ao longo do leito do rio, seguem as estruturas em caixa modular, se extendendo entre rampas e plataformas, mudando apenas seu distanciamento ver�cal e horizontal. De acordo com o conjunto de rampas e caixas, são formados também espaços de parada e descanço entre a linha de fluxo.

costuras e encontros

48


núcleo posto triângulo extensão e leito do rio

IMPLANTAÇÃODO NÚCLEO POSTO TRIÂNGULO

Ao chegarmos no núcleo do Posto Triangulo. Aqui encontramos uma peculiar aglomeração de pessoas em diferentes horários e para diferentes funções. Para abastecer, para u�lizar o transporte público intermunicipal e para u�lizar a loja de conveniência do posto. Diante disso, as intervenções no leito do rio, como também na abertura do espaço verde do outro lado da avenida, possibilitam uma melhor condição aos acontecimentos da área.


CONCLUSÃO50


CONFLUÊNCIAS URBANAS A par�r deste trabalho pode se concluir que apesar da a�vidade do encontro ter desxado de acontecer majoritariamente na avenida Francisco Junqueira, esta não deixou de exis�r. A polarização de equipamentos e pontos e interesses, polarizou tambémconcentração de pessoas em volta deste. Além disso, a visão predominante da avenida como uma barreira, como

um lugar a ser evitado também contribuiu para o es�gma deste elemento urbano. Algo que representou uma quebra e neste momento esta proposta de projeto sujere a união outra vez desas questões polarizadas . Costurar a avenida, pode representar a recuperação do ferimento que ela se tornou.

A expressão CONFLUÊNCIAS URBANAS, se torna a grande conclusão deste trabalho. É o caminho que leva ao encontro da descoberta da cidade.


. AUGÉ, M. Não Lugares. Introdução a uma antropologia da super modernidade. São Paulo: Papirus, 1994. CHRISTOPHER ALEXANDER, S. I. M. S. M. J. I. F. Uma Linguagem de Padrões. 1. ed. São Paulo: Bookman, v. 1, 2013. FOLHA DE SÃO PAULO. Co�diano. Folha de São Paulo, 2014. Disponivel em: <h�p://www1.folha.uol.com.br/co�diano/ribeiraopreto/2014/12/1560785-ribeirao-sobe-2-posicoes-no-ranking-do-pib-em-2012-e-e-a-28-cidade-mais-rica-do-pais.shtml>. Acesso em: 26 Maio 2016. IBGE. IBGE Cidades. IBGE, 2010. Disponivel em: <h�p://cidades.ibge.gov.br/xtras/perfil.php?lang=&codmun=354340&search=||infogr%E1ficos:-informa%E7%F5es-completas>. Acesso em: 25 Maio 2016. PIRES, D. B. Design de moda: Olhares diversos. 1ª. ed. São Paulo: Estação Das Letras, 2008. ZMYSLOWSKI, E. M. T. Sustentabilidade no design de interiores. 2º Simpósio Brasileiro de Design Sustentável. São Paulo: Rede Brasil de Design Sustentável, RBDS. 2009.

bibliografia

51


rodrigo borges rodrigues trabalho final de graduação

teste  

test

Read more
Read more
Similar to
Popular now
Just for you