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editorial Rodrigo Antonio Rosso A Revista Nacional de Reabilitação é uma publicação bimestral da C & G 12 - Comunicação e Marketing S/C Ltda. Telefone (PABX): (11) 3873-1525 Fax: (11) 3801-2195 www.revistareacao.com www.revistareabilitacao.com.br cg12@cg12.com.br Diretor Responsável - Editor Rodrigo Antonio Rosso Reportagem: Maria Luiza de Araujo Consultores Técnicos: Romeu Kazumi Sassaki Carlos Roberto Perl Colaboradores: Suely Carvalho de Sá Yañez Neivaldo Augusto Zovico Hermes Oliveira Fabiano Puhlmann Geraldo Nogueira Márcia Gori Alex Garcia Silvia de Castro Vera Garcia Júlio Cesar de Souza Deborah Prates Frederico Viebig Marketing: Jackeline Oliveira Fábio Prates Depto. Comercial: Nataliane Paiva Paulo Brandão Administração: Cissa de Carvalho Circulação: Jairo Prates José Faustino Maria das Graças Santos Assinaturas: Cissa de Carvalho - Coordenação

Fone: 0800-772-6612 Tiragem: 20 mil exemplares Redação, Comercial e Assinaturas: Caixa Postal: 60.113 CEP 05033-970 São Paulo - SP É permitida a reprodução de qualquer artigo ou matéria publicada na Revista Nacional de Reabilitação, desde que seja citada a fonte.

Diretor/Editor

Unindo as forças do setor: mais conquistas para todos !!!

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Brasil está passando por um momento mágico no tocante ao universo da pessoa com deficiência. Algo nunca visto está acontecendo com nosso segmento. O governo federal, através do plano “Viver Sem Limite”, está mudando a cara e o futuro de toda a cadeia envolvida com o universo da pessoa com deficiência brasileira. Desde novembro do ano passado até 2014, muitas mudanças positivas vão ocorrer envolvendo a pessoa com deficiência, nas fábricas de equipamentos, nas universidades e centros de pesquisa, e principalmente, chegando no balcão das lojas, na ponta nos usuários de produtos e serviços, dando condições para que as pessoas com deficiências e seus familiares tenham acesso ao crédito subsidiado pelo governo, para aquisição dos itens que lhe proporcionem uma melhor qualidade de vida. Inclusive, o Banco do Brasil acaba de lançar essa linha especial de crédito num evento em Brasília/DF, onde estivemos presentes. E tudo isso só está sendo possível, porque o governo está ouvindo a sociedade organizada, as entidades do setor, tanto as que atendem a PcD, quanto as que representam as indústrias, profissionais e os serviços. Hoje sentam em Brasília/DF todos juntos para discutir a formatação e o gerenciamento do plano – sociedade, entidades e governo. São 15 ministérios do governo, juntamente com a Casa Civil e a própria presidência da República, empenhados no sucesso do “Viver Sem Limite”, encabeçado pela Secretaria Especial dos Direitos Humanos, e com grande participação do Ministério de Ciência e Tecnologia, entre outros, trabalhando duro para que cada etapa do plano seja cumprida. Entidades como a ABRIDEF – Associação Brasileira das Indústrias e Revendedores de Produtos e Serviços para Pessoas com Deficiência – da qual sou presidente – e a ABOTEC – Associação Brasileira de Ortopedia Técnica, participam ativamente de todas as decisões do governo, apoiando e dando subsídios técnicos e de mercado, e fiscalizando cada passo, indicando os pontos positivos, apontando erros, acertos e caminhos, exercendo um papel fundamental neste processo. E a força dessas entidades e do nosso mercado em si, se torna ainda maior, pois elas estão trabalhando lado a lado, em conjunto, em parceria, UNINDO FORÇAS, contando também com a participação de outra entidade, a ABTECA – Associação Brasileira de Tecnologia Assistiva. Juntas, representam mais de 400 empresas do setor, que hoje tem voz e vez dentro das decisões governamentais que regem os destinos do nosso setor. Essa UNIÃO, essa ação conjunta das entidades, nos dá força e representatividade. Tudo que nosso setor nunca teve, e agora, com essa parceria e a abertura do governo federal, está conseguindo. Isso tudo, as conquistas e projetos, beneficiam diretamente as pessoas com deficiência de todo o Brasil. E esse trabalho tão importante junto ao governo federal, só dão às entidades e ao nosso setor, o verdadeiro respeito e a grandeza que ele merece. Como diz o slogan da ABRIDEF: “Juntos, faremos a diferença !!!”. Já estava até me esquecendo... Nessa edição Você vai ver o resultado da pesquisa “O Carro do Ano para Pessoas com Deficiência” – em sua 14ª edição 2011 – e os números do mercado automobilístico, que comercializou mais de 32 mil carros 0K para PcD e familiares em 2011 e pretende crescer de 20 a 30% em 2012. Tudo isso mostra e reafirma a força e o potencial do nosso segmento. MELHOR CARRO PARA PESSOA COM DEFICIÊNCIA

Bom ano de 2012 a Todos, nos vemos pessoalmente durante a Reatech 2012 em abril, e que tenhamos muitas e muitas conquistas pela frente !!! ““Não erreis, meus amados irmãos. Toda a boa dádiva e todo o dom perfeito vem do alto, descendo do Pai das luzes... Segundo a sua vontade, ele nos gerou pela palavra da verdade, para que fôssemos como primícias das suas criaturas... E sede cumpridores da palavra, e não somente ouvintes”...

Tiago 1:16, 17, 18 e 22.

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ano

2012

Em 2012 a Ortobras quer reafirmar o compromisso de manter seu foco: o de buscar inovações para promover a qualidade de vida das pessoas, apresentando em breve novidades na linha de cadeiras de rodas.

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• Construída em liga de alumínio aeronáutico temperado. • Rolamentos blindados nas quatro rodas, inclusive no eixo vertical do garfo. • Eixos reforçados de aço. • Estofamento em nylon acolchoado, com tensionamento de assento, fixado sem parafusos. • Almofada de 5cm de espessura em espuma de alta densidade, incorporada ao assento. • Estrutura dobrável em X com barras hexagonais para maior resistência e estabilidade com sistema de fechamento com articuladores. • Apoio de pés fixo com ajuste de altura. • Capacidade de peso de 100Kg.

• Construída em liga de alumínio aeronáutico temperado. • Rolamentos blindados nas quatro rodas, inclusive no eixo vertical do garfo. • Estofamento em nylon acolchoado, com tensionamento de assento e encosto, fixado sem parafusos. • Almofada de 5cm de espessura em espuma de alta densidade, incorporada ao assento. • Regulagem de “Tilt”. • Mancal que permite regulagem de altura, mudança do ângulo do assento e anteriorização e posteriorização das rodas traseiras. • Cáster das rodas dianteiras com ajuste de ângulo para mantê-lo sempre na perpendicular em relação ao piso. • Apoios de pés com regulagem de altura e tíbio-társica. • Encosto com regulagem de altura em 2,5cm. • Capacidade de peso de 120Kg.

www.ortobras.com.br


? K3 - motorizada • Baterias 26Ah para autonomia de até 15Km . • Baterias tipo VRLA de ciclo profundo (permitida para o transporte aéreo). • Rodas traseiras de alumínio 12” com pneu antifuro. • Rodas dianteiras de alumínio 200x50mm com pneu antifuro. • Garfo dianteiro com sistema de suspensão. • Motor de 320W de corrente contínua, ímã permanente e 24V. • Freio eletromagnético inteligente. • Transmissão com engrenagens helicoidais. • Carenagens pintadas na cor da estrutura da cadeira. • Joystick e módulo de potência modelo VR2 P&G.

Aguarde. Em breve novidades!

Imagens meramente ilustrativas.

novidades


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entrevista

Marcus Aurélio de Carvalho “Marcus na escola é perda de tempo”... ouvia na infância, o gerente nacional da Rádio Globo. Hoje, aos 50 anos, professor, jornalista e radialista conhecido nacionalmente, ele conta como foi sua trajetória de desafios e conquistas com a deficiência visual...

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ntre uma e outra resposta, Marcus fica ligado nas tarefas. É interrompido por demandas da equipe da emissora, em São Paulo, e por mensagens que chegam de outras cidades, pelo celular e na tela do computador. Trabalha com o rosto colado na tela. Só assim, “sentindo o cheiro do computador” (brinca ele) consegue, com lentes especiais para pessoas com visão subnormal, arquivar alguns e responder outros dos mais de 900 e-mails por dia que chegam ao correio eletrônico dele, na gerência nacional de programação da Rádio Globo. Na mesa de trabalho, tudo tem lugar certo: canetas, grampeador, documentos que precisam ser assinados, correspondências e sugestões de pauta. Como costuma dizer: “com tudo organizado, fica mais fácil para o ceguinho trabalhar” (risos). Marcus Aurélio tem 10% de visão no olho esquerdo: “vejo tudo de forma relativamente nítida, mas muito distante” – e é cego do direito. Perdeu todo o globo ocular direito na infância, em 1969, quando tinha 8 anos, devido a um glaucoma secundado à catarata congênita. Desde então, usa prótese ocular no lado direito. A partir de

1973, passou a contar com quatro diferentes óculos especiais, um para cada função, mas que não são suficientes para garantir uma visão superior a 30% de acuidade. Ele é casado com Luciana, uma “linda relações públicas e cantora lírica curitibana” que conheceu quando dava palestra na capital paranaense, em 2001. Marcus tem 3 filhas do primeiro casamento. A segunda filha também nasceu com catarata e glaucoma, mas enxerga mais de 20% com os dois olhos. Fundou e é um dos coordenadores executivos da UNIRR – União e Inclusão em Redes e Rádio – uma instituição sem fins lucrativos, com sede em São Paulo e no Rio de Janeiro, que atua, há 17 anos, com uma equipe de 18 capacitadores. A UNIRR promove capacitação de jovens em comunidades carentes, formação para entidades da sociedade civil, aprimoramento de estudantes de jornalismo e locutores, e treinamento para pessoas com deficiência, sempre em turmas inclusivas. Desde 1990, Marcus dá palestras bem humoradas no Brasil e no exterior sobre inclusão social, motivação de equipes, expressão oral e técnicas radiofônicas. Já deu cursos e palestras em todas as regiões do país e em 18 países. Com 30 anos de atuação no meio rádio, é jornalista, radialista e professor. Dá aulas na FAAP – uma conceituada faculdade paulistana – e é gerente e apresentador da Rádio Globo. Atuou 12 anos na Rádio Tupi do Rio de Janeiro como repórter e apresentador de esportes, e seis anos e meio como âncora da Rádio CBN, abordando os mais diferentes temas. Agora, em entrevista à Revista Reação, ele conta um pouco mais da sua vida e fala sobre sua deficiência visual. REVISTA REAÇÃO – Você nasceu com catarata nos dois olhos. Como foi a atuação de sua família? MARCUS AURÉLIO – Minha mãe, Marly, meu irmão Hélio Ricardo, meu pai Elio, e a maioria dos parentes atuaram muito bem. Nunca me trataram como coitadinho nem me excluíam das brincadeiras e atividades. Ping-pong e futebol de botão com os primos eram brincadeiras constantes. Para ver televisão, sempre fiquei bem perto da tela. Amarrava um elástico nos óculos e jogava bola com meus primos ou com os colegas de escola. Nasci no Rio de Janeiro/RJ, numa comunidade que pertence ao Complexo do Morro do Alemão, no bairro de Inhaúma. Meu pai consertava aparelhos de rádio e televisão, numa oficina que ficava no quintal de nossa casa. Eu e meu irmão testávamos os equipamentos, antes de o meu pai devolvê-los para os fregueses. Os testes com os aparelhos de rádio e a natural


entrevista paixão das pessoas com deficiências visuais por esse meio de comunicação geraram em mim um fascínio pela ideia de um dia ser radialista e jornalista. A outra paixão, ser educador, descobri mais tarde. RR – Alguém tentava te desestimular a trabalhar no rádio? MA – Sim. É natural. Não faziam isso por má fé. Imaginem como era a mentalidade vigente nas décadas de 1960, 1970 e 1980 sobre inclusão da pessoa com deficiência. Vivíamos a era integracionista. Não se falava em inclusão. Alguns tios, com pena e até boas intenções, diziam para meu pai, em festas de aniversário, nos anos 1960, coisas como “manter o Marquinhos na escola é perda de tempo. Ele não enxerga direito. O máximo que vai conseguir é ser ascensorista em elevadores”. Nada contra a profissão de ascensorista. Claro que minha mãe e meu pai não deram bola para esse ponto de vista de alguns tios. Ponto de uma “vista limitada”, diria eu. Nas primeiras emissoras em que trabalhei, principalmente no começo, ainda nos anos 1980, ouvi coisas parecidas de alguns colegas. Outros, como meus ex-chefes na Tupi: Kleber Leite, Ronaldo Castro e Carlos Marcondes, me estimularam muito e valorizavam meu trabalho. E acabei atuando na Rádio Tupi como repórter esportivo, por 8 anos: de 1984 a 1992. Entrevistava os jogadores em campo, cobria o cotidiano dos clubes etc. Fiquei mais 4 anos na emissora na função de apresentador. Não guardo rancor das pessoas que tentavam impor limites. Não faziam por mal. A questão é ideológica e histórica. A sociedade inclusiva é um processo que se constrói em cada novo dia. RR – Você sempre estudou em escola regular? MA – Com certeza. Motivo de gratidão eterna. Minha mãe seguiu o conselho de meu médico, Victorino Lima: “não ponha seu filho em escola especial. Ele tem que estudar com todo tipo de criança. Não deve conviver só com PcD visuais”. Esse foi um passo decisivo em minha vida. Dona Marly de Almeida me matriculou no Colégio Municipal Olavo Josino de Salles, uma típica escola pública de subúrbio. Lá, tive o carinho dos carinhosos e a hostilidade dos hostis. Carinhosos como mais uma Marly, minha professora primária, Marly Machado, que ampliava de próprio punho os textos para minha leitura. As “Marly’s” foram decisivas em

meu desenvolvimento pessoal e profissional. Minha mãe ficava comigo em filas do antigo INPS – hoje INSS – para conseguir financiamento para meus óculos especiais, que passei a usar em 1973. Por isso, quando fui convidado a fazer um dos dois prefácios do livro: “Direito da pessoa com deficiência, igualdade na diversidade”, de autoria da Dra. Eugênia Augusta Gonzaga, em 2004, fiz questão de chamar o trabalho da procuradora do ministério público federal de “ferramenta para as Marly’s”. Foi o título do prefácio. Tive também o carinho e a solidariedade dos estudantes que, desde as primeiras séries, ditavam para mim as matérias na lousa. De um modo geral, eu tirava boas notas. Pode não parecer, mas até a oitava série, eu era um menino muito tímido. E minha primeira namorada foi Maysa, a mãe de minhas filhas. RR – E a tal hostilidade dos hostis? MA - O de sempre. Ofensas e comentários ao estilo: “olho de vidro”, “quatro olhos”, “no meu time de futebol você não vai jogar” etc. Mas até isso foi muito bom. A escola deve ser um simulacro da vida real, uma preparação para o mundo do trabalho, onde encontraria todas essas situações. Por isso, defendo que as escolas especiais têm papéis importantes para as pessoas com deficiência, mas as matérias do currículo oficial – português, matemática, história etc – devem ser dadas na escola regular. A educação inclusiva, com a convivência de todos, é ótima para a PcD, mas é melhor ainda para os demais. Muda conceitos, posturas etc. Na maioria das vezes, a criança sem deficiência aparente desenvolve, convivendo com a criança com deficiência, um animador respeito pela diversidade humana. A diferença passa a ser vista como aspecto natural da vida.

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entrevista RR – Você conseguiu se transferir de uma faculdade privada para uma pública como resultado de um movimento social? MA – Sim. Meu pai não tinha dinheiro para pagar a faculdade de jornalismo da SUAM, no bairro de Bonsucesso, Rio de Janeiro, para a qual passei no vestibular de 1980. Até então, eu só havia estudado em escolas públicas. No segundo semestre de 1980, já não tinha como continuar pagando. Meus colegas, liderados pela solidária companheira de turma Rita da Cássia Simões Araújo, fizeram um movimento para pressionar a UFRJ – Universidade Federal do Rio de Janeiro – a me aceitar em 1981. Deu certo. Foi emocionante. RR– É verdade que a primeira entrada no ar numa emissora, aconteceu num ato de ousadia? MA – De certa forma, sim. Eu comecei a estagiar na Rádio Roquette Pinto, emissora do governo do estado do Rio de Janeiro, em agosto de 1981. Fazia a redação de noticiários. Ficava todo torto para enxergar, com meus óculos de leitura, o que era passado por mim para o papel, nas velhas máquinas de escrever. Numa tarde de domingo, em outubro daquele ano, ao ouvir futebol em diferentes emissoras – um de meus principais costumes na adolescência – notei que o plantonista esportivo da Roquette – plantonista é aquele que fica no estúdio dando os resultados dos jogos pelo Brasil – não estava entrando no ar. Liguei para a emissora e o sonoplasta me avisou que o colega estava com problemas de saúde. Imediatamente, contei umas moedinhas com minha saudosa mãe para pegar um ônibus para o centro da cidade e entrei no ar, dando os resultados dos jogos. Confesso que tomei essa decisão sem consultar a chefe de jornalismo da emissora. Um risco, sem dúvida. Mas os elogios foram maiores que as broncas. E, naquele dia, começava a trabalhar como repórter e apresentador.

Da Roquette, fui para a Rádio Mauá, em 1982; para a Tamoio, em 1983, e para a Tupi, em fevereiro de 1984, onde, pela primeira vez, fui contratado com carteira assinada. Na estreia, no plantão esportivo da Tupi, de tão nervoso, ao ler os resultados do Campeonato Espanhol, chamei o Barcelona da Espanha de Barbacena. RR– Há quanto tempo vive em São Paulo? MA – Desde julho de 2007. Sempre quis vir para cá, pelo fascínio que tinha, desde a infância, pelo jornalismo e transmissões de esportes dos profissionais de rádio paulistas. Ouvia, nos aparelhos de rádio com onda curta que meu pai consertava, as emissoras de diferentes regiões do Brasil e emissoras internacionais. Era minha brincadeira preferida: ouvir e cadastrar, em meu caderno, emissoras de todas as partes do planeta. Me tornei um admirador de profissionais, como: Osmar Santos, Oscar Ulisses, turma do programa Show de Rádio e outros talentos das rádios paulistanas. E acabamos de trazer a sede da UNIRR para cá, com todo apoio do conselho gestor da instituição. RR – E como é seu trabalho na UNIRR? MA – Uma grande paixão. Não tem fins lucrativos. O dinheiro arrecadado é totalmente voltado para a auto-sustentação da entidade. Hoje, funcionamos num pequeno escritório, estrategicamente escolhido no Conjunto Nacional, na Avenida Paulista. Costumo dizer que a UNIRR é meu partido político, visto que não atuo em partidos desde os anos 1980. Damos treinamentos em quatro frentes na UNIRR: capacitação de jovens em comunidades; formação para estudantes com deficiência, misturados com quem, aparentemente, não tem deficiência; cursos para instituições da sociedade civil que querem produzir e apresentar programas de rádio; e cursos profissionalizantes, voltados para a apresentação e produção radiofônica e para a expressão oral de quem já atua no meio ou estuda comunicação. Muitos de nossos ex-estudantes são pessoas de destaque no meio rádio e em outras profissões. A cantora Karin, que atuou no grupo Rouge, foi aluna de UNIRR, em 1997, em um de nossos cursos para jovens em comunidades. Ela tinha apenas 16 anos na época. Karin diz que foi nosso curso que a ajudou a ter confiança e desinibição para se


entrevista tornar cantora. A apresentadora do programa CBN Total, Carolina Morand, foi estudante do curso Comunicador Integral, da UNIRR, em 1998. E outras tantas histórias vitoriosas, que são contadas pelos próprios ex-estudantes em nosso site: www. unirr.ogr.br. Quem quiser conhecer, pode enviar mensagem para: unirr@uol.com.br ou ligar para: (11) 3263-0736. RR – No SENAI do Brás, na capital paulista, você foi um dos palestrantes de um evento que celebrava os 20 anos da chamada Lei das Cotas, em julho de 2011. Você e o Dr. Marcos Tadeu – desembargador, que é cego – quebraram o gelo, dando um toque de bom humor e atratividade ao encontro. Há quanto tempo você se dedica às palestras ? MA – Desde 1990. Procuro fazer de minhas palestras momentos de conteúdo útil, mas também de diversão para os presentes. Conto histórias curiosas do rádio, faço imitações etc. E busco sempre interagir com a plateia. Faço palestras sobre os seguintes temas: sociedade inclusiva, expressão oral e autoestima, história do rádio (como imitações dos locutores de todos os tempos), linguagem radiofônica, texto para rádio, produção e dinâmicas de motivação para equipes de trabalho. RR – Como você analisa sua trajetória para ter uma vida pessoal e profissional significativas? MA – Sempre fui um otimista. Costumo dizer que o otimismo mobiliza e o pessimismo paralisa. Não entrei no mercado pela lei das cotas, mas sou defensor dela como etapa, e não, como um fim em si mesma, para que pessoas consideradas normais convivam que os chamados “deficientes”. Minha presença na equipe de esportes da Rádio Tupi, em 1984, e minha atuação na gerencia nacional de programação da Rádio Globo desde 2003, quando assumi a gestão da Globo Rio, estimularam outras pessoas com deficiências visuais, apaixonadas por rádio, a seguir o mesmo caminho. É na convivência da diversidade - na escola e no mundo do trabalho - que vamos aprimorar as relações humanas. O mundo caminha para a sociedade inclusiva. Muitos pais, com boas intenções, tentam isolar seus filhos com deficiência, numa lógica de exagerada proteção. O momento é outro. As tecnologias para pessoas com deficiência evoluíram muito. Minha filha do meio, Mariana, que também nasceu com catarata e glaucoma, é estudante de direito. Enxerga um pouco mais que eu, mas usa os mesmos tipos de colírio que utilizo para controlar a pressão ocular. Como advogada, poderá lutar por novos direitos humanos.

RR – Mas lutar por novos direitos não é enfrentar muitas barreiras? Que recado você deixa ? MA - É verdade. Sempre tem um preço. Sempre haverá quem diga que é impossível, que é coisa de sonhador etc. Uma vez conquistado, o novo direito se incorpora à vida das pessoas e ninguém abre mão dele. Até o início do século XX, em muitos países, mulher não tinha direito ao voto e - pasmem - isso era considerado natural pela maioria dos povos. Muitas mulheres lutadoras e persistentes se mobilizaram, naquela época, e conquistaram esse direito. Hoje, ninguém cogitaria, nesses mesmos países, a hipótese de as mulheres perderem o direito de eleger e de serem eleitas. Muitas hoje são presidentes ou têm cargos de peso nos governos e em empresas públicas ou privadas. Os movimentos que mais contribuíram para o aprimoramento das sociedades humanas foram aqueles animados pelos que lutaram, persistiram, abraçam para valer - com o coração e a cabeça, ou seja, estrategicamente - as mudanças no planeta. Como costumo dizer no “Quintal da Globo”, programa que apresento nas noites de domingo, em rede nacional: “rádio é pra ser feito com raça, garra, vontade”. Vida também é para ser levada com muita garra em busca de dias melhores para todas(os). Na UNIRR somos fãs do mestre Paulo Freire e de tantos outros que lutaram para formar gente pensante e não apenas formar seguidores. Seguidor não pensa, só repete os modelos que já existem. É de gente pensante e solidária na luta por um mundo melhor que precisamos. O slogan da UNIRR – “comunicadores pensantes e integrais” - explica nosso ponto de vista. Para os tais persistentes, sempre estará reservada muita hostilidade, deboche e descrença. Mas também existirão sempre aliados de todos os cantos da terra. Gente que não aceita injustiças. Para esses, não faltaram também as dedicadas, solidárias e emocionantes “Marly’s”.


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coluna especial

por Romeu Kazumi Sassaki

Inclusão Laboral de Pessoas com Deficiência

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Da exclusão protetora à integração

entre todos os eixos situacionais que dão sustentação à vida das pessoas com deficiência, o da “inclusão laboral” tem merecido alta prioridade nos movimentos de luta deste segmento populacional. Este fato se apresenta como algo inteiramente oposto ao que existia no mundo do trabalho antes do século 20. Segundo nos conta Ricardo M. Moragas, a humanidade considerava uma crueldade a simples ideia de que pessoas com deficiência trabalhassem. Tal ideia era incompatível com o grau de desenvolvimento até então alcançado pela sociedade em geral. Portanto, o ato de empregar pessoas com deficiência era tido como uma forma cruel de exploração que deveria ser condenada por lei. Eram crenças resultantes da ideologia protecionista e caritativa para com aquelas pessoas. Podemos chamar essa fase como “exclusão protetora”, porque foi baseada na intenção de proteger as pessoas com deficiência contra quem desejasse empregá-las. E, também, eram crenças resultantes do fato de que os profissionais da medicina, das tecnologias e das ciências humanas ainda não haviam descoberto as possibilidades laborativas das pessoas com deficiência (Sassaki, 1986). Neste artigo, não será contada a longa história dos hospitais e abrigos para pobres (entre eles, as pessoas com deficiência) que surgiram no século 6º até o século 18 e, também, a história das instituições especializadas no atendimento social e terapêutico de pessoas com deficiência, estabelecidas no século 19 e na primeira metade do século 20.

Da integração à inclusão, a grande virada

A partir do final da Segunda Guerra Mundial, vamos encontrar o incipiente movimento de defensores e praticantes da reabilitação física e profissional lutando pela colocação de pessoas com deficiência no mercado de trabalho, em parte inspirados na Declaração Universal dos Direitos Humanos, de 1948. No início, eles se baseavam no modelo médico da deficiência e no paradigma da integração, que, basicamente, consistiam em mudar as pessoas com deficiência para tentar encaixá-las nos padrões da sociedade, dos sistemas sociais comuns, sem eliminar as barreiras atitudinais, arquitetônicas, comunicacionais, metodológicas, instrumentais e programáticas. Aproximadamente a partir de 1960, nos EUA, e de 1980 em outros países, iniciou-se a luta pelo direito ao trabalho liderada por pessoas com deficiência, inspiradas no modelo social da deficiência e no paradigma da inclusão. A grande virada foi que o modelo social e o paradigma inclusivista coincidiram em suas propostas de mudar a sociedade, de tornar acessíveis e acolhedores todos os sistemas sociais comuns para que qualquer pessoa pudesse ser incluída. No final da década de 60, um estudo feito por Ronald W. Conley sobre o custo-benefício da reabilitação profissional revelou que, dividindo-se os ganhos de pessoas com deficiência profissionalmente reabilitadas, obtidos durante sua vida ativa, pelo custo social dos programas de reabilitação profissional, cada dólar investido em reabilitação gerou um retorno entre 7,90 dólares e 10,9 dólares, ou seja, uma média de 9,4 dólares. Estes dados certamente causaram impacto positivo sobre os programas governamentais e não-governamentais de reabilitação pro-

fissional que já existiam na época e também encorajaram o surgimento de mais programas.

Lei de Cotas, um resquício da integração

No Brasil, a Constituição Federal de 1988, através do art. 37, inciso VIII, reeditou, em pleno início da era da inclusão, o velho paradigma da integração ao dispor que “a lei reservará percentual dos cargos e empregos públicos” para pessoas com deficiência. Três anos depois, em 1991, esse paradigma foi reforçado pela publicação da Lei n. 8.213 que, no art. 93, estabelece que “A empresa com 100 (cem) ou mais empregados está obrigada a preencher de 2% (dois por cento) a 5% (cinco por centro) de seus cargos com beneficiários reabilitados ou pessoas” com “deficiência habilitadas na seguinte proporção: I – até 200 empregados, 2%; II – de 201 a 500 empregados, 3%; de 501 a 1.000 empregados, 4%; IV – de 1.001 em diante, 5%”. Essa lei, informalmente chamada Lei de Cotas e equivocadamente considerada a primeira lei de cotas do Brasil, constitui uma forma de flexibilização do Decreto n. 60.501, de 14/3/67, assinado pelo então Presidente da República H. Castelo Branco em 28/3/67. Este decreto, sim, foi a verdadeira primeira lei de cotas do País. E por que a Lei n. 8.213/91 é uma forma de flexibilização do Decreto n. 60.501/67? O próprio leitor poderá responder fazendo a comparação. O art. 128 do Decreto n. 60.501 estabeleceu que “As empresas vinculadas à previdência social, com 20 (vinte) ou mais empregados, são obrigadas a reservar de 2% a 5% (dois a cinco por cento) dos cargos para atender aos casos de beneficiários reabilitados, na seguinte proporção, desprezadas as frações e com o mínimo de 1 (um): I – até 200 empregados, 2%; II – de 201 a 500, 3%; III – de 501 a 1.000, 4%; IV – de 1.001 em diante, 5%”. Embora os percentuais sejam os mesmos nos dois instrumentos, o Decreto era: /1/ Mais restritivo que a Lei porque ele contemplava apenas os casos de beneficiários reabilitados da Previdência Social (portanto, não abrangendo os casos de pessoas com deficiência habilitadas, isto é, aquelas que não tinham vinculação à previdência social). /2/. Mais exigente que a Lei porque ele atingia empresas a partir de 20 (vinte) empregados e não de 100 (cem), como na Lei.

Pouca eficácia da Lei de Cotas

Segundo os estudos feitos pelo Espaço da Cidadania, do total de 15,22 milhões de pessoas com deficiência em idade de trabalhar, apenas 3,9% teriam emprego garantido se a Lei de Cotas fosse plenamente cumprida no Brasil (Clemente & Celestini, 2004). Além disso, o fator “acidentes de trabalho” tem um impacto muito forte sobre os esforços de contratação de pessoas com deficiência. Segundo o Espaço da Cidadania, “entre os anos de 2000 e 2002, somente a Previdência Social registrou no País 101.362 casos de doenças e incapacidades permanentes, resultantes de acidentes de trabalho. Excluindo-se as pessoas que morreram trabalhando, para cada 12 acidentes há 1 registro de doença do trabalho ou incapacidade permanente.” A conclusão é que essas ocorrências praticamente anulam os resultados obtidos pelo Ministério do Trabalho


coluna especial e Emprego para a inserção de pessoas com deficiência na força de trabalho. Pois a cada registro de pessoa com deficiência que conquiste um emprego no Brasil, outras 3,6 pessoas tornam-se deficientes em decorrência de acidentes de trabalho.

Discriminação inversa

Diz o advogado Ives Gandra Martins: “A criação de reserva de mercado ou de área de ação apenas para as pessoas consideradas excluídas resulta num processo inverso de discriminação, em vez de levar à eliminação de alguns preconceitos ainda não erradicados, como almejam os adeptos dessas teses. (...) O aspecto mais interessante, todavia, reside no fato de que a Constituição não permite tal proteção às avessas, pois proíbe qualquer espécie de discriminação em função de idade, sexo, cor, estado civil, deficiência física ou qualificações escolares. Desse modo, a Constituição fornece o antídoto às pretensas reservas legais de mercado, já que todas essas reservas são necessariamente discriminatórias contra aqueles que a elas não têm acesso. (...) Todos os segmentos sociais, sem reservas, devem ter acesso, sem discriminações, às oportunidades existentes.” Em outras palavras, a Lei de Cotas de 1991 não é suficientemente capaz de incluir milhões de pessoas com deficiência no mercado de trabalho. Há necessidade altamente urgente de criarmos outras estratégias que, em conjunto e a médio prazo, possam atingir essa monumental meta. Serão estratégias necessariamente baseadas nas medidas estabelecidas pela Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência (ONU, 2006; Brasil, 2008 e 2009)

(8,2%) são donos de pequenas empresas; 18 (30%) desempenham trabalho informal; e 36 (60%) estão desocupadas. Destas 36 pessoas, 18 (50%) são aposentadas e/ou sem condição de saúde para voltar ao trabalho e as outras 18 (50%) desejam trabalhar, mas não conseguem ser admitidas no mercado de trabalho. Estas 18 PcD estão na aposentadoria ou não são aposentadas, mas têm condição de saúde para voltar ao trabalho. Portanto, de cada 100 pessoas com deficiência em idade de trabalhar, 18 querem ter emprego, têm escolaridade e qualificação profissional, mas não estão trabalhando por falta de aceitação no mercado de trabalho. Aplicando-se o Censo 2010 IBGE, temos: População em 2010 = 190.700.000 habitantes. PcD = 23,9% da população geral = 45.577.300 PcD. PEA/PcD = 60% de 45.577.300 = 27.346.400 PcD. Quantos 100 existem em 27.346.400? Existem 273.464. Então, 273.464 X 18 PcD = 4.922.352 PcD. São quase 5 milhões de pessoas com deficiência fora do mercado de trabalho, aguardando vagas em empresas privadas e órgãos públicos por todo o País. Como poderia ser difícil encontrar, por parte das empresas, as pessoas com deficiência devidamente escolarizadas e qualificadas profissionalmente? Há claramente o desencontro entre empresa e pessoa com deficiência, assunto comentado na Queixa 3.

A seguir, serão apresentadas algumas respostas às sete queixas das empresas que não estão empregando pessoas com deficiência ou que estão cumprindo uma pequena parte da sua respectiva cota de contratação.

Queixa 2 - PESSOAS COM DEFICIÊNCIA TÊM ALTA ROTATIVIDADE Desde a década de 80 do século 20 até hoje, pesquisas e mais pesquisas vêm demonstrando que a rotatividade das PcD não é maior que a rotatividade dos trabalhadores sem deficiência, graças às qualidades pessoais e profissionais demonstradas pelas PcD. O exemplo divulgado em 1985 pela empresa E. I. DuPont de Nemours & Co. vem sendo comprovado nos últimos 30 anos. Esta empresa americana conduziu um estudo durante 8 meses sobre seus 1.452 empregados com deficiência. Principais conclusões: Seguro: Não houve aumento no custo dos prêmios. Adaptação física: Muitas pessoas com deficiência não necessitaram que o posto de trabalho e/ou a função em lhes fossem adaptados. Segurança: Tanto no trabalho como fora dele, 56% dos trabalhadores com deficiência obtiveram classificação acima da média obtida pelos trabalhadores sem deficiência e 40% foram clasificados na média. Privilégios especiais: Os trabalhadores com deficiência desejaram ser tratados como empregados comuns; não exigiram privilégios especiais. Desempenho profissional: 91% obtiveram classificação média ou acima da média. Assiduidade: 85% obtiveram classificação média ou acima da média dos trabalhadores sem deficiência.

Queixa 1 - É DIFÍCIL ENCONTRAR PESSOAS COM DEFICIÊNCIA Pessoas com deficiência (PcD), em idade de trabalhar e prontas para entrar no mercado de trabalho, existem em grande número. De cada 100 PcD de qualquer idade, cerca de 60 (60%) compõem a População Economicamente Ativa (PEA). Em coerência com o tema deste artigo, vamos considerar apenas as PcD que estão na faixa de 16 a 65 anos de idade, portanto na PEA. Estas 60 PcD se apresentam nas seguintes situações: 1 (1,8%) tem emprego com carteira assinada; 5

Queixa 3 - NÃO HÁ PESSOAS COM DEFICIÊNCIA COM QUALIFICAÇÃO Se uma empresa realmente desejou contratar pessoas com deficiência e não encontrou nenhuma delas com qualificação profissional, pode ter havido um lamentável desencontro. Por um lado, a empresa esteve disposta a empregar pessoas com deficiência e não as encontrou. Mas, por outro lado, muitas pessoas com deficiência devidamente qualificadas encontraram empresas que não queriam contratá-las. Juntando a necessária qualificação profissional com a necessária

Soluções inclusivas no mercado de trabalho

As ações afirmativas atuais, sem lançar mão do sistema de cotas, alinham-se com a visão de locais de trabalho acessíveis nas empresas inclusivas e com uma mente bem aberta, capaz de perceber e utilizar todas as potencialidades humanas (baseadas em inteligências múltiplas) e todas as oportunidades latentes ou disponíveis (coerentes com os valores de inclusão laboral, empoderamento, diversidade humana etc.). Esta preocupação com ambientes acessíveis, acolhedores, benéficos para todos os trabalhadores não deve ser entendida como um favor prestado pelos empregadores. Pois ela espelha a convicção das empresas no sentido de que elas também saem beneficiadas quando os ambientes humanos e físicos são adequados aos empregados, ao seu perfil multifacetado, às suas necessidades, aos seus múltiplos talentos.

Queixas para não contratar PcD

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coluna especial escolaridade, muitas pessoas com deficiência não encontraram as empresas dispostas a contratá-las ou então encontraram vagas compatíveis nas empresas que não as queriam contratar. Segundo uma reportagem de Camila Mendonça, publicada em 2011, “o número de pessoas com deficiência com ensino superior completo ou pós-graduação no mercado formal de trabalho caiu 28,2% nos últi­mos três anos”. Se considerarmos candidatos com deficiência, com qualificação profissional e com todos os níveis escolares, “a queda foi de 123%”. Revela essa reportagem que, “em 2007, quando o Ministério do Trabalho e Em­prego começou a analisar es­se mercado, 51.676 emprega­ dos com deficiência tinham de graduação a doutorado. No ano passado [2010], eles totalizavam 37.103”. Portanto, a queda na contratação de profissionais com deficiência e com ensino su­perior completo ou pós-graduação ocor­re apesar da reclamação constante das empresas sobre a falta de qualificação das pessoas com deficiência para cumprir a Lei de Cotas. Queixa 4 - PESSOAS COM DEFICIÊNCIA GERAM MENOS RESULTADOS Relatos de experiência revelam que trabalhadores com deficiência geram bons resultados. Resumindo uma compilação de pesquisas feitas no Brasil entre 2000 e 2010 pelas empresas, temos: Ganhos para as empresas em geral Baixo índice de rotatividade e absenteísmo. Pontualidade e disponibilidade para auxiliar em outras tarefas (atitude proativa). Disposição para aprender sempre utilizando inteligências múltiplas. Maior adaptação para atividades sistemáticas e repetitivas, superando as expectativas da empresa. Alta produtividade. Valorização de tarefas simples. Perfeita harmonia com as normas e a cultura da empresa. Redução nos problemas com chefias (principalmente insubordinação). Disciplina exemplar e satisfação quanto à remuneração e aos benefícios. Clientes mais satisfeitos e elogiando a atitude da empresa (imagem social).

Ganhos para os empregados

Aumento da autoestima. Ambiente de amizade e respeito mútuo. Maior concentração na execução do trabalho. Orgulho de receber o seu salário e de contribuir para a renda familiar. Consciência de cidadão produtivo. Convívio social ampliado. Maior autonomia nas atividades do dia a dia, graças à eliminação de atitudes paternalistas. Uma pesquisa feita no setor da construção civil na cidade de São Paulo em 2011 mostra que trabalhadores com deficiência geram bons resultados para as empresas, conforme os dados a seguir (SindusCon-SP): Dos gestores de obras entrevistados, 67% infor­maram que as PcD têm desempenho e produtividade 25% acima da média e 8% abaixo da média. Perguntados sobre o relacionamento intra e interpessoal,

67% consideraram bom, 16% ótimo e 17% regular. A consultora brasileira Eliana Sampaio, diretora do Conservatoire National des Arts et Métiers, em Paris, França, realizou uma extensa pesquisa em empresas francesas sobre os trabalhadores com deficiência e encontrou os seguintes resultados auspiciosos:

“O QUE PENSAM AS EMPRESAS?”

Nas empresas que não empregam PcD: Funcionários sentem: Satisfação (46%); Insatisfação (53%); Sem opinião (1%) Nas empresas que empregam PcD: Funcionários sentem: Satisfação (93%); Insatisfação (7%); Sem opinião (0%)

“O QUE PENSAM OS COLEGAS?” Os trabalhadores com deficiência:

Têm um desempenho equivalente (82%); Têm um espírito de equipe equivalente (64%); Têm boa capacidade de integração (60%); São tão assíduos quanto os outros (69%). Queixa 5 – ACESSIBILIDADE SAI CARA PARA AS EMPRESAS JAN (Job Accommodation Network) é um serviço patrocinado pelo governo federal dos EUA e organizado especificamente para informar a comunidade empresarial a respeito de como acomodar empregados que tenham deficiência. Os seguintes dados foram levantados em um estudo nacional feito em 1991 pela JAN: De cada 100 adaptações feitas nos locais de trabalho: 31% não custaram nada; 19% custaram entre 1 e 49 dólares; 19% custaram entre 50 e 499 dólares; 19% custaram entre 500 e 999 dólares; 11% custaram entre 1.000 e 4.999 dólares; 1% custou 5.000 dólares ou mais. Portanto, 50% (31% + 19%) das adaptações custaram de zero dólar a 49 dólares e 69% (31% + 19% + 19%) custaram de zero dólar a 499 dólares. Como, então, a acessibilidade sai cara? Estes dados se aplicam universalmente, desde que as taxas de câmbio sejam corretamente calculadas em cada país. Qualquer empresa, instituição, órgão governamental ou organização não-governamental poderá aplicar estes dados na definição de verbas a serem solicitadas para fins de implementação de projetos sociais envolvendo eliminação e/ou diminuição de barreiras atitudinais, arquitetônicas, metodológicas, instrumentais, comunicacionais e programáticas. Portanto, exemplos de adaptações incluem: recintos de trabalho acessíveis, reestruturação do emprego, programação modificada de trabalho, designação a uma vaga, aquisição ou modificação de equipamento ou dispositivo, ajustamento adequado ou modificação dos testes admissionais, materiais ou políticas de treinamento, qualificados ledores e intérpretes da língua de sinais. Observe-se que a natureza e os custos de cada adaptação são medidos face aos seguintes fatos principais: 1) os recursos financeiros globais do recinto, 2) o número total de empregados, 3) o montante do orçamento da empresa, 4) o número e os tipos de recintos ou instalações que pertencem à empresa, e 5) se as adaptações representariam uma ruptura na missão da empresa. Além disso, debe-se levar em conta que a maioria das acessibilida-


coluna especial des utilizadas por trabalhadores com deficiência pode ser aproveitada também pelos colegas sem deficiência, pulverizando desta forma o investimento realizado em acessibilidades. Por exemplo: portas mais largas, pisos antiderrapantes, ambientes claros, certas tecnologías (softwares, hardwares etc.) e certas ferramentas – tudo isso é útil para todos os trabalhadores. O PMAB, projeto da Associação de Empresas do Meio-Oeste, demonstrou que, para cada dólar aplicado em acessibilidade nos locais de trabalho, houve um retorno médio de 11,20 dólares para cada empresa participante. Queixa 6 – OS EMPREGADORES NÃO FORAM SENSIBILIZADOS Não podemos tomar os empregadores como um grupo homogêneo, pois existem posturas as mais diversas entre eles. Há aqueles que são absolutamente insensíveis e até contrários à participação laboral de pessoas com deficiência e apenas sabem que estão obrigados a cumprir a Lei de Cotas, estritamente no aspecto quantitativo e nunca no qualitativo. Há os que respondem positivamente às pessoas com deficiência que procuram emprego. Há os que, através do seu respectivo setor de Recursos Humanos/Gestão de Pessoas/Programa de Ações Afirmativas, saem na frente, ou seja, tomam a iniciativa de incrementar o processo de recrutamento, seleção e contratação de pessoas com deficiência, em função da referida lei. Há aqueles que, independentemente dessa lei, desejam contratar estas pessoas por realmente acreditarem no potencial laborativo delas e por terem dados técnicos sobre como a diversidade humana e as diferenças individuais tornam suas empresas mais criativas, produtivas e competitivas. Portanto, considerando este leque de posturas das empresas, é possível entender que o nível de sensibilização varia bastante. Queixa 7 – NÃO DÁ PARA EMPREGAR PESSOAS COM DEFICIÊNCIA MUITO SEVERA Mesmo no caso de possuírem uma deficiência (física, intelectual, auditiva, visual, psicossocial ou múltipla) em nível de incapacidade mais significativa, elas podem hoje competir dentro do mercado de trabalho, através do emprego apoiado, que é uma metodologia de colocação competitiva customizada. Nesta metodologia, a pessoa com deficiência é, primeiro, colocada no emprego e, depois, é treinada na própria empresa que a contratou ¾ processo conhecido como “colocar-treinar” que é o inverso do processo tradicional “treinar-colocar”. O emprego se chama “apoiado” ou “com apoio” porque o pretendente a esse emprego recebe apoio individualizado e contínuo pelo tempo que for necessário para ele, devido à gravidade da sua deficiência, possa obtê-lo, retê-lo e/ou obter outros empregos no futuro, se for o caso. Os tipos de apoio variam de caso para caso: orientação, instrução no treinamento, aconselhamento, feedback, supervisão, aparelhos assistivos, transporte etc. Eles podem ser prestados por várias pessoas: o consultor (“job coach”), o conselheiro de reabilitação (também conhecido como conselheiro profissional), familiares, colegas de trabalho, a chefia e outras pessoas. No passado, inicialmente concentrados em atender as pessoas com deficiência intelectual e as pessoas com deficiência de desenvolvimento, as colocações de emprego apoiado conseguiam mais vagas no setor de serviços (por exemplo, supermercados, restaurantes, hotéis, lanchonetes, bancos etc.). Mas hoje os empregos

apoiados são conseguidos em quase todos os setores e hierarquias de trabalho. E o movimento de emprego apoiado, ao longo de sua história, foi conquistando espaço para todos os tipos de deficiência, incluindo as deficiências psicossocial e múltipla. Alexandre Betti acaba de lançar o seu livro, no qual conta a história e os detalhes técnicos do emprego apoiado.

Referências bibliográficas:

BETTI, Alexandre Prado. Emprego apoiado. São Paulo: Edição do Autor, 2011. BRASIL. Decreto n. 6.949, de 25/8/2009. Promulga a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência e o Protocolo Facultativo. BRASIL. Decreto Legislativo n. 186, de 9/7/2008. Ratifica, com valor de emenda constitucional, a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência e o Protocolo Facultativo. CLEMENTE, Carlos Aparício; CELESTINI, Erika Charkani (coords.). Trabalhando com a diferença: Responsabilidade social, inclusão de portadores de deficiência. Osasco: Espaço da Cidadania, 2004. CONLEY, Ronald W. “A benefit-cost analysis of the vocational rehabilitation program”. Journal of Human Resources, 1969, v. IV, n. 2, p. 226-252. In: Department of Economic and Social Affairs. Rehabilitation for the disabled: the social and economic implications of investments for this purpose. Nova York: United Nations, 1977, p. 38. E.I. DuPont de Nemours & Co. National Resource Directory. Newton: NSCIA, 1985, págs. 97-98. JAN. The cost of job accommodation provisions. Washington, DC: Job Accommodation Network, 1991. MARTINS, Ives Gandra. Discriminação às avessas. Exame, São Paulo, n. 60, 3/1/96, p. 106. MENDONÇA, Camila. “Deficiente graduado perde espaço”. Folha de S.Paulo, 14/7/2011. MORAGAS, Ricardo M. Rehabilitación: un enfoque integral. Barcelona: Vicens-Vives, 1972, p.176. ONU. Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência e Protocolo Facultativo. 4.ed. Brasília: Secretaria Nacional de Promoção dos Direitos da Pessoa com Deficiência, 2011. ONU. Declaração Universal dos Direitos Humanos. Nova York: Nações Unidas, em 10/12/1948 pela Resolução 217/A-III. PMAB. Project Midwest Association of Business. Harvard Business Review, jul./ago. 1982, p. 156. SASSAKI, Romeu Kazumi. Preparação para o trabalho e determinação das condições adequadas para o exercício satisfatório das atividades. In: Anais do Seminário “Profissionalização a Pessoa Deficiente – Bolsas de Trabalho”. São Paulo: Cenesp/Apae-SP, 1986, p. 1-18. SINDUSCON-SP. Inclusão segura. Boletim do SindusCon-SP, ano 18, n. 923. Folha de S.Paulo, 25/12/2011.

Romeu Kazumi Sassaki é consultor e autor de livros de inclusão social E-mail: romeukf@uol.com.br

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momento surdo

por Neivaldo Zovico

Que absurdo !!!

Hotéis não oferecem serviços acessíveis para Surdos...

U

m dia, o Surdo ficou interessando em participar no Festival da Cultura Surda em uma cidade da região Sul do país e combinou com outros amigos surdos por videochamada. No dia seguinte, pediu para a sua mãe para ligar para o hotel para reservar, pois o hotel não tem atendimento “on-line” (chat) e ou por SMS (torpedo) para que a reserva possa ser feita pelo Surdo. Mais tarde o Surdo chegou em casa e perguntou à sua mãe se ela tinha ligado. E a mãe respondeu que tinha esquecido. O Surdo ficou frustrado, porque pensou que o hotel poderia estar lotado por causa do Festival. No dia seguinte pediu novamente para ligar, ela ligou para o hotel e reservou, avisou que o filho é Surdo, e o atendente disse que não se preocupasse, porque iam recebê-lo bem. No dia da reserva o Surdo chegou no hotel. Ele fez sinal “SURDO” para a recepcionista e ela não entendeu. O Surdo fez sinal novamente: “EU SURDO”. E ela não entendeu. O Surdo ficou irritado, pegou papel e caneta, e escreveu: “Eu sou Surdo”. Ele pensou que chegaria ao hotel, e que o hotel sabendo que teria um surdo entrando naquele dia, que então iriam atendê-lo, e se comunicar com ele em Língua de Sinais, e também que os funcionários do Hotel teriam conhecimento de LIBRAS básico e Cultura Surda para um melhor atendimento. Mas que nada... ele escreveu em um papel: “Meu nome é Jonas, reservei aqui”. A recepcionista leu e entregou a chave sem explicação nenhuma, pois sentiu dificuldade para se comunicar com o Surdo. Quando entrou no quarto, já estava exausto por causa da dificuldade de comunicação, resolveu tomar banho, tirou as roupas foi para chuveiro e viu que não tinha toalha, voltou a vestir a roupa para descer e avisar recepção que não tinha toalha, pois não tinha possibilidade de videochamada ou tablet com chat (on-line), ou SMS (torpedo) para a comunicação entre hospedes e recepcionistas. Voltou para o chuveiro, a camareira foi para o quarto e tocou várias vezes, e o Surdo não escutou, porque não tem sinalização luminosa do tipo estroboscópio, que pisca para a chamada dos Surdos. Então a camareira deixou a toalha na porta. Quando ele terminou banho e foi até a porta e achou a toalha. Foi deitar na cama, ligou o controle da televisão, de repente apareceu Plantão da Globo: o Surdo não entendeu nada que estava acontecendo no Aeroporto porque não tinha legenda ou Close Caption. Tentou mudar para outro canal que também não tem legenda, porque a televisão não tem decodificador e também as emissoras não colocam legendas no horário nobre depois das 22 hs. Ficou frustrado novamente, desligou a TV e pegou um livro para ler, a história de um Surdo que rompeu as barreiras de comunicação. O Hóspede Surdo lembrou-se que deveria acordar mais cedo para encontrar os amigos Surdos que haviam combinado. Desceu para a recepção, pediu para acordar o Surdo, pois não havia relógio despertador vibratório para ele que não escuta o som do despertador. O recepcionista ficou em dúvida: como ia chamá-lo ? Mas não falou como ia chamá-lo. Chegou a hora, o recepcionista foi até quarto, tentou chamar ele, colocou um papel embaixo da porta fazendo movimentos e pensou que tinha ele visto, mas ele ainda estava dormindo e não viu o movimento do papel. De repente levantou e viu a hora, saiu do quarto correndo, chegou e era

o último hospede a tomar café da manhã, o restaurante quase fechou. Voltou para quarto para tomar banho, preparou para ir ao encontro de seus amigos Surdos no horário, para participar na Festival da Cultura Surda. O Surdo comunicou com amigos que ia atrasar pelo envio de SMS (torpedo), quando os amigos se encontraram, houve muita reclamação e discussão entre eles sobre todos os hotéis onde se hospedaram. Nenhum se preocupava com acessibilidade para Surdos. Mesmo assim, aproveitaram muito durante o dia inteiro no Festival da Cultura Surda. O Surdo voltou do Festival para o hotel, e avisou que iria embora no outro dia bem cedo, e que precisava que alguém o chamasse. Ele explicou o que deveria ser feito para chamá-lo. Então, quando chegou a hora combinada, o recepcionista foi até no quarto, abriu a porta, ligou e desligou a luz para que o Surdo acordasse. O Surdo se preparou para a volta para sua cidade, foi até a recepção para pagar as contas usando comunicação por escrito. Já pensou quantos Surdos no Brasil estão sofrendo por causa da barreira de comunicação ? Nós Surdos pagamos impostos para o Governo e onde estão os nossos direitos de comunicação ? A Lei de Acessibilidade Nº 10.098/2000 e o Decreto de Acessibilidade Nº 5.296/2004, já existem há muitos anos. Já foram feitas diversas feiras, congressos e palestras sobre Acessibilidade para Surdos em hotéis, houve divulgação pela Associação Brasileira de Hotéis, e quase nada é feito. Quando o hotel é indagado sobre a falta de acessibilidade, alega que não sabiam das informações e também da dificuldade de encontrar os recursos para atender as regras exigentes de acessibilidade. O mais importante é que os funcionários do hotel deveriam ter conhecimento sobre a Cultura Surda e saber da comunicação com os Surdos através da Língua de Sinais. Na verdade, as situações relatadas representam a falta de interesse em prestar um melhor atendimento aos Surdos, e também a falta de consciência, não atendendo as exigências da Legislação Brasileira. Esperamos que até 2014, durante a Copa, todos os hotéis tenham implantados serviços que ofereçam acessibilidade para todos os tipos de deficiências. Neivaldo Augusto Zovico é professor, Consultor de Acessibilidade para Surdos e pessoas com deficiências auditivas, Coordenador Nacional de Acessibilidade para Surdos da FENEIS, Colaborador da equipe do site: www. portaldosurdo.com www.acessibilidadeparasurdos.blogspot.com E-mail : neivaldo.zovico@terra.com.br


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associações

CEJAM

Centro de reabilitação é modelo na zona sul de SP

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Núcleo Integrado de Reabilitação/Núcleo Integrado de Saúde Auditiva (NIR/NISA M’Boi Mirim – Centro de Reabilitação), no Jardim Herculano, zona sul da capital paulista, começou a funcionar em dezembro de 2010 e, segundo seus administradores, já é considerado o primeiro equipamento de referência de alta complexidade em reabilitação em São Paulo/SP. A entidade presta assistência especializada à pessoa com deficiência com uma equipe multiprofissional, desenvolvendo avaliação clínica e funcional, atendimento individual e em grupos em fisioterapia, terapia ocupacional, fonoaudiologia, psicologia, serviço social, nutrição e enfermagem, além de fazer a prescrição, avaliação, adequação, encaminhamento, treinamento e acompanhamento de pacientes que necessitam de próteses e/ou órteses ortopédicas, entre outros procedimentos. Com uma média de 8.500 atendimentos por mês, é resultado de um convênio entre o Centro de Estudos e Pesquisas Dr. João Amorim (CEJAM) e a Secretaria Municipal de Saúde, tendo ainda um acordo de coope-

ração técnica com o Hospital Israelita Albert Einstein para o desenvolvimento desta gestão. “Desde o início, o nosso Centro de Reabilitação vem atendendo as necessidades de pessoas que precisam de reabilitação ortopédica, neurológica e auditiva na região do M´Boi Mirim, com um atendimento de excelente qualidade. Quando estiver com seu quadro de colaboradores completo e as devidas adequações nos ambulatórios de neurologia, fisiatria e ortopedia, além da assistência odontológica, poderemos atender a demanda de toda a região Sul”, afirma Fernando Proença de Gouvea, superintendente do CEJAM.

Trajetória em atendimento à população O Centro é a primeira experiência com reabilitação física na longa trajetória do CEJAM, que começou em 1991 como uma entidade filantrópica e sem fins lucrativos para dar apoio ao Centro de Referência de Saúde da Mulher e de Nutrição, Alimentação e Desenvolvimento Infantil, do Hospital Pérola Byington. Em 2002, firmou convênio para implantação e implementação do Programa Saúde da Família na Zona Sul de São Paulo e, em 2006, foi qualificado como Organização Social de Saúde (OSS) no Município. Um ano depois, assumiu a Gestão e a Execução de todos os Serviços de Saúde da região do M’Boi Mirim. Atualmente, tem atividades nas áreas de Saúde, Educação e Responsabilidade Social em SP, Mogi das Cruzes e Embu das Artes. Em 2011, o CEJAM foi qualificado como Organização Social no Rio de Janeiro e, agora em 2012, assumirá a gestão de um Hospital no município.


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associações

educação

Governo Federal investe em atendimento a pessoas com deficiências visuais

Ainda na área de PcD, a entidade desenvolve o “Programa Deficiente Saudável”, surgido em 2002, baseado no “Programa Doutor Conforto”, que prestava atendimento e orientação a pessoas hospitalizadas, acamadas e também a seus familiares. Aproposta inicial era fazer somente uma espécie de “tira-dúvidas” para que os internautas pudessem buscar informações sobre vários tipos de deficiência, mas com o tempo, o site www.deficientesaudavel.com.br passou a contar com notícias, legislação, links, oportunidade profissionais, dicas e vários outros assuntos de interesse. Atualmente, o Deficiente Saudável tem presença ativa em ações que envolvem também o Poder Público. Participa de eventos na Secretaria Municipal e Estadual da Pessoa com Deficiência, atua junto ao Conselho Municipal, desenvolve parcerias para a capacitação de PcD e participa de ações conjuntas com diversas entidades. O Programa também presta assessoria em acessibilidade em Unidades de Saúde do CEJAM e realizou o primeiro censo de pessoas com deficiência na Região Sul. Esse trabalho, de 2009, foi inclusive utilizado pela Secretaria Municipal para servir de modelo para o Censo Inclusão, em andamento.

ABSW procura doadores A Associação Brasileira de Síndrome de Williams (ABSW), que completa 10 anos agora em 2012, está fazendo uma campanha para conseguir novos contribuintes, já que o grupo de empresários que pagava o aluguel da sede, no bairro paulista do Belém, não continuará com o apoio. A entidade congrega cerca de 1.200 membros entre familiares, crianças, jovens e adultos em mais de 18 núcleos em São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Pernambuco, Minas Gerais, Goiás, Brasília, Amazonas e Bahia. Fundada por Jô Nunes, atual presidente, que teve a filha Jéssica, já falecida, com a Síndrome, presta serviços na área da saúde, educação, hospedagens, orientações jurídicas e sociais, entre outros. Agora em fevereiro, nos dias 10 e 11, promove o V Encontro Brasileiro de Síndrome de Williams, em São Paulo. A Síndrome de Wiliams Beuren é uma deficiência genética rara, não é congênita e nem tem causas ambientais ou influências de fatores psicossociais. Provoca impacto sobre diversas áreas do desenvolvimento, incluindo cognitiva, comportamental e motora. Para mais informações e doações acesse o site: www.swbrasil.org.br

O

Governo Federal aplicou recursos de R$ 5,7 milhões para reestruturar e modernizar os 55 centros de apoio pedagógico para o atendimento à pessoa com deficiência visual (CAP) e o Núcleo de Apoio Pedagógico e Produção Braille (NAPPB), além de aumentar sua capacidade de produção. Os valores são de 2009 a 2011 e foram anunciados em janeiro deste ano, no Dia Mundial do Braille. Também foram investidos R$ 3,2 milhões em financiamento de livros didáticos, paradidáticos e complementos para os alunos das redes regulares. As ações de educação para universalizar o direito ao acesso à leitura e ao conhecimento pedagógico são desenvolvidas pelo Ministério da Educação, por intermédio do Fundo Nacional para o Desenvolvimento da Educação (FNDE) e do Instituto Benjamin Constant, em parceria com estados e municípios. Em 2009 e 2010 foram montadas 2.125 salas com recursos de acessibilidade, com o objetivo de promover o atendimento educacional especializado, no contra-turno escolar. Agora em 2012 está prevista a distribuição de 1.500 conjuntos de acessibilidade específicos às escolas com matrículas desses alunos. O total desse investimento ultrapassa R$ 26 milhões. Também a partir deste ano, as secretarias estaduais de educação poderão capacitar educadores para produção de material acessível para os estudantes e para o atendimento educacional especializado. Uma vez identificada a carência desses profissionais, o estado poderá oferecer cursos por meio do Plano de Ações Articuladas (PAR), do MEC. Em 2012, serão produzidos 228 títulos de obras didáticas do 5º ao 9º ano do ensino fundamental em formato MECDaisy. Já estão concluídas 126 obras para distribuição. O programa de computador permite converter textos no formato internacional Daisy (Digital Accessible Information System - Sistema de Informações Acessíveis Digitais) e traz o sintetizador de voz, ou narrador, e instruções de uso em português brasileiro. Para garantir a acessibilidade, entre 2009 e 2011, foram entregues 3.756 laptops acessíveis às escolas com alunos com deficiência visual, do quinto ao nono ano.


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empregabilidade

Empresas se esforçam para cumprir Lei de Cotas

M

esmo depois de 20 anos de vigência, a chamada Lei de Cotas ainda não é cumprida integralmente, apesar dos avanços nas contratações ao longo dos anos. Ela determina que as empresas, com 100 ou mais empregados, preencham uma parcela de seus cargos com pessoas com deficiência (art. 93 da Lei nº 8.213/91). Uma das justificativas mais utilizadas para o não cumprimento é a falta de mão de obra, principalmente a especializada. Algumas empresas mostram que é possível desenvolver iniciativas para receber PcD. A Atlas Copco Brasil, por exemplo, fornece produtos e serviços como equipamentos de ar e gás comprimido, geradores, equipamentos de construção e mineração, ferramentas industriais e sistemas de montagem, até pós-venda e aluguel. “Temos consciência da dificuldade que o empresariado encontra para o cumprimento da lei, porém, não leva a nada ficar somente mencionando essas dificuldades e não tomar ações efetivas”, afirma Waldir Eugênio Lúcio, gerente de Recursos Humanos. A empresa assinou um acordo coletivo com o Sindicato dos Metalúrgicos de Osasco/SP comprometendo-se a contratar e formar pessoal, iniciando com um curso de preparação educacional, de 18 meses, equivalente ao Ensino Médio, com despesas totalmente custeadas pela empresa. A validade é de 01/08/2011 a 31/07/2013 e, em linhas gerais estipula contratos de trabalho celebrados em regime de 1/2 período, podendo transformar-se em período integral antes do término do curso, com jornada e salário dobrados; salário mensal inicial de R$ 821, além dos direitos trabalhistas legais e benefícios que a empresa ofe-

curso Atlas Copco

rece aos demais trabalhadores; a empresa se compromete ainda na busca de colocação efetiva dessas pessoas durante a vigência ou término do curso. Antes da assinatura, 18 PcD já trabalhavam na empresa, principalmente em Barueri/SP. O curso, ministrado por uma entidade contratada (CAEP), teve 23 inscritos. “Considerando o compromisso de empresa cidadã da Atlas Copco, o mínimo que precisamos é cumprir a lei. Tendo em vista as dificuldades de encontrarmos oportunidades de trabalho efetivo para 40 pessoas com deficiência, que é a nossa cota, optamos por dar a oportunidade para esse grupo de pessoas”, explica o gerente. “Assim, cumprimos nosso papel social e teremos boas chances de efetivação desse pessoal, já com qualificação e preparo para as posições na empresa. Aqueles que, eventualmente, não forem aproveitados estarão melhor preparados para se colocarem em outros locais e mesmo para suas vidas”, considera.

Outro exemplo: Fertilizantes Heringer Outra empresa que também resolveu agir para formar seus trabalhadores foi a Heringer, uma das companhias pioneiras na produção, comercialização e distribuição de fertilizantes no Brasil. De acordo com o gerente de Recursos Humanos, José Lucas Alves Rodrigues, o maior desafio da companhia tem sido encontrar profissionais qualificados. Em 2011, por meio de parceria com o Instituto Eldorado, a companhia patrocinou o treinamento na área de informática para 25 pessoas com deficiência. Quatro deles já eram funcionários e foram contratados mais dois profissionais. O gerente afirma que, a partir de 2004, a empresa intensificou as ações para cumprir a Lei de Cotas. Em 2008, começou uma parceria com o Instituto Pró-Cidadania, que ficou encarregado do treinamento dos novos contratados. “No ano passado, a Heringer possuía 166 profissionais com deficiência mas


empregabilidade existem expectativas de aumentar em aproximadamente 8% este número em 2012”, informa Rodrigues. “A vantagem de desenvolver os profissionais internamente é que o fazemos buscando as competências desejadas e adequadas a cada atividade. Há o reconhecimento por parte do profissional no investimento feito em seu desenvolvimento”. Em relação aos outros funcionários, o gerente diz que não houve problemas de aceitação: “Quando iniciamos a parceria com o IPC foram feitos diversos treinamentos de conscientização sobre como lidar com PcD, e com as respectivas deficiências. Ao longo desses anos, temos observado que esse profissional apresenta um desempenho muito bom, pois são pessoas muito comprometidas”, conclui.

Um programa especial A Brasanitas, que atua na área de limpeza, conservação e jardinagem, desde 2004 tem o programa “Movimento com Sentido”, criado para compreender a diversidade dos profissionais da empresa, sendo pessoas com deficiência ou não. O processo ganhou força e volume e se tornou um departamento em 2009. “O Grupo acredita em uma sociedade diversificada, respeitamos as diferenças individuais e entendemos a inclusão Renata com Stefany Vieira de pessoas com deficiência como parte da diversidade em que todos devem ser tratados de forma igual”, explica Renata Taboada Silva, especialista em Gestão de PcD. No ano passado eram quase 400 pessoas com deficiência em atividades na empresa. Como o Movimento com Sentido, além de ser um programa, é também um departamento, permite a abertura de novas posições como aumento de quadro após a aprovação do candidato no processo de recrutamento e seleção. “Nossa preocupação não é o cumprimento da cota e sim a inclusão e adaptação desses profissionais no ambiente de trabalho”, informa Renata. A principal dificuldade na contratação, segundo ela, é a falta de profissionais disponíveis e/ou interessados no mercado: “Divulgamos vagas, convocamos candidatos e poucos comparecem às entrevistas, reflexo também do bom momento econômico do país”, analisa. A empresa se preocupa bastante com o treinamento das lideranças para que reconheçam sua responsabilidade na inclusão desses funcionários e compreendam a limitação que cada deficiência apresenta para as atividades. Fora isso, toda a estrutura é periodicamente sensibilizada pelos diversos meios de comunicação interna. “Atuar com inclusão de pessoas no mercado de trabalho é entender que a limitação é intrínseca a qualquer ser humano e que a informação é o principal caminho para igualdade”, conclui Renata.

notas Mente Livre

O livro autobiográfico Mente Livre escrito por Joice Laki, tem como objetivo mostrar aos leitores que a verdadeira felicidade está no interior de cada um e não em outros lugares, objetos e nas outras pessoas. A obra é de fácil leitura, com poucas páginas e, conta de uma forma positiva; diferente da maioria das autobiografias, a história de uma jovem de 26 anos que ao nascer teve uma falta de oxigenação no cérebro que acarretou uma Paralisia Cerebral. Mesmo com todas as suas limitações, teve várias conquistas como: estudos, graduação e reconhecimento. Também conta a luta contra a epilepsia, a trajetória até chegar à universidade e a convivência com os familiares e amigos. O leitor lerá poucos trechos sobre a deficiência da protagonista, e sim, sobre sua força de vontade, determinação e perseverança. Joice também pretende com esse livro um projeto social, onde possa ajudar pessoas a serem felizes consigo mesmo e perceber que a felicidade está nas pequenas coisas. O valor do livro é R$ 25 e mais informações podem ser encontradas no site: projetomentelivre10@gmail.com.

Cearenses PcD não pagarão mais IPVA

A isenção do Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) para pessoas com deficiência foi autorizada por decreto do governador Cid Gomes, de dezembro passado, publicado no Diário Oficial do Estado em 31/01 deste ano. Para ter direito ao benefício, o veículo, novo ou usado, deverá ser adquirido diretamente pelo interessado e, no caso de interdição, pelo curador. É necessário enviar um requerimento, junto com laudo médico emitido por prestador de serviço público ou privado (que integre o SUS) de saúde, ou pelo Detran. Serão consideradas beneficiárias as pessoas com deficiência física que apresentem alteração completa ou parcial e que acarrete comprometimento da função física. As pessoas com deficiências visuais que apresentarem acuidade visual igual ou menor que 20/200 (tabela de Shellen) e as pessoas com deficiência mental severa ou profunda, ou autistas, conforme definido no Código Internacional de Doenças, também serão beneficiados. O não pagamento do IPVA se soma à isenção do pagamento de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) que também é direito de pessoas com deficiência (Decreto n° 4.070, de 28 de dezembro de 2001).

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acontecendo

Escola de samba aposta em cadeirantes na avenida ! Fotos: Comunicação Escola de Samba Dragões

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P

Adriano Inácio dos Santos

Carnavalesco Eduardo Caetano

ela primeira vez desfilando no Grupo Especial de São Paulo, a Dragões da Real, fundada em 2000 pela torcida organizada homônima do São Paulo Futebol Clube, promete emocionar a avenida no sábado de Carnaval. Com o enredo: “Mãe, ventre da vida e essência do amor”, trará em um dos carros alegóricos 6 cadeirantes e suas mães, no meio do grupo de 18 destaques. A proposta de levar o pessoal para o Sambódromo foi do educador físico André Amaral, fundador e coordenador do “Instituto Liberdade Reabilitação e Recreação para Deficientes” que, há 7 anos, tem como objetivo reabilitar de forma lúdica, usando recreação, lazer, passeios e viagens também para incluir e sociabilizar. Ele e a sócia, a fisioterapeuta Karina Hollatz, já tinham desfilado anteriormente por outra escola e levaram a ideia até a diretoria que não acatou a sugestão. Agora, bem recebidos pela Dragões, André está confiante no resultado: “a importância dos cadeirantes no Carnaval é mostrar que eles também podem, que têm o mesmos direitos e que são capazes. Não quero mostrar isso para o público ou para a sociedade diretamente mas sim indiretamente. O mais importante é trabalhar de forma a aumentar a autoestima deles para que evoluam de acordo com a necessidade de cada um. E que ganhem um pouco mais de respeito da sociedade e do Governo”, explica o coordenador. Para viabilizar a ideia, a Casa Ortopédica, em parceria com a Ortobras, fornecerá as cadeiras na cor Amarelo Flúor, para combinar com a alegoria. O diretor comercial da loja, Luciano Santos, diz que abraçou a ideia porque a Escola e o Instituto vão colocar na avenida uma causa da qual faz parte como profissional e militante. “Mais do que a ação de fornecimento, encaro como uma lição de vida. Vejo que a pessoa com deficiência em geral, por receio

André Amaral

Maiara Regina Pereira Breto

de preconceito, falta de grupos de amigos ou dificuldades com mobilidade, acaba se isolando. A ideia do projeto é mostrar alternativas de qualidade de vida”, analisa. De acordo com o carnavalesco Eduardo Caetano, o carro em que os cadeirante sairão é um grande templo de fé com escadarias na frente, onde estarão as mães da Sé. Ao centro virão mães de adoção e, nos lados, os cadeirantes e suas mães ou representantes. “Como nosso enredo faz uma homenagem a todas as mães, não poderíamos deixar de homenagear também as mães mais que especiais (mães de filhos PcD) e, já conhecendo o André, que faz um lindo trabalho nesta linha, o caminho ficou mais fácil, viabilizando esta oportunidade”, explica. “Apesar de algumas limitações que muitos têm, isto não é motivo ou barreira para ser feliz. O carnaval nos deixa isto muito claro pois, independe de poder financeiro, cor ou estética, na avenida somos apenas foliões, todos iguais”, garante Caetano. Pelo menos no caso de Maiara Regina Pereira Barreto, de 24 anos, cadeirante há 2 anos e meio, devido a um acidente de moto, quem estará na avenida com ela não é a mãe mas a avó Lúcia, que ficou bastante empolgada com a ideia de desfilar. A estudante de Farmácia na USP nunca pensou sair em uma Escola, mas apesar de ficar na dúvida ao ser convidada, agora está muito animada: “já fui nos ensaios na avenida e na quadra e gostei bastante”, garante. Adriano Inácio dos Santos, de 41 anos, que tem amiotrofia muscular há 17, também é só animação: “é um espaço que foi aberto difícil de ver em outras escolas”, explica. Ele diz ser muito bem recebido nos ensaios, mas não tem ideia do que vai acontecer, apesar de já ser emocionante só imaginar o desfile. Para todos é uma oportunidade única, que ninguém quer perder. Agora é só experimentar as fantasias e afiar a garganta para cantar o samba-enredo na noite mágica do desfile.


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esportes

Esporte Adaptativo Novos caminhos se abrem com o esporte adaptado...

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uantas pessoas com deficiência já pensaram em passar o dia remando, ou andando de bicicleta, em contato com a natureza, além de encontrar outras pessoas e até participar de competições ? Em São José dos Campos/SP, a oportunidade existe e está em expansão, fruto da parceria de uma equipe especializada em esporte adaptado e da Faculdade de Fisioterapia da Universidade do Vale do Paraíba (UNIVAP), que desenvolve uma pesquisa científica com os participantes. Canoagem, handbike e treinamento funcional são os objetivos do grupo. As atividades são gratuitas, menos o transporte. As pessoas conhecem o projeto, em geral, por meio do Facebook, do boca a boca e, principalmente, encaminhadas pela UNIVAP, que também oferece atendimento gratuito à população e encaminha os pacientes depois de terminado o serviço de fisioterapia. O professor Mário Oliveira Lima, do Laboratório de Engenharia de Reabilitação Sensório Motora da instituição, conta que após dois anos de reabilitação no Centro de Práticas Supervisionados da Faculdade de Ciências da Saúde, os pacientes recebem alta do serviço de fisioterapia e precisam de outras atividades. “Encaminhamos para algum projeto para realizar o treinamento funcional. Muitos não querem fazer aquele esporte ou mesmo não tem estímulos, permanecendo em casa, ou seja, realizando pouca atividade e perdendo quase tudo que aprendeu (função, massa muscular, força, treino de suas atividades, condicionamento cardiaco etc). Após um ano ou dois de alta eles querem retornar ao serviço de reabilitação pois ganham peso, deformidades, dores articulares, osteoporose, aumento dos movimentos involuntários ou hipertonia, sentem-se exclusos socialmente com períodos cosntantes de internações hospitalares por infecções urinárias e respiratórias”, explica Lima. Para ele, o projeto de esporte adaptado contribui para que muitos praticantes possam fazer de seu lazer a forma correta de cuidar de suas dificuldades, “sentindo que, a cada dia, suas

limitações ficam menores do que esperam”, considera o médico.

Como tudo começou O embrião do projeto é o professor de educação física Artur Hashimoto Inoue, quando, em 2000, trabalhava em uma academia e começou a treinar um cadeirante. Em 2009, ele e um sócio abriram um espaço próprio e inauguraram o “Instituto Saúde em Evidência” (IseE), primeiro Centro de Treinamento Funcional para Cadeirantes, sem fins lucrativos. A ele se juntou Leandro Pereira, biólogo, instrutor e competidor de esportes de aventura há 11 anos, entre outras práticas esportivas, convidado por Inoue e pelo handbiker Evandro Bonocchi para levar um grupo de cadeirantes

a remar e ter um dia diferente. “Um passeio sem maiores pretensões nos proporcionou uma experiência fantástica e, dessa forma, foi inevitável ampliar a ideia para promover o bem estar social dessas pessoas, utilizando a prática desportiva e atividades vivenciais no ambiente natural como ferramenta para a inclusão social e melhor e mais rápida adaptação ao cotidiano”, conta Leandro. Com o sucesso da experiência, os três formaram uma equipe que atendeu, em 2011, 20 cadeirantes e que tem muitos planos. Leandro pensa até em descobrir talentos e prepará-los


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esportes Rio de Janeiro lança time “paraolímpico” !!!

para competições, se quiserem. Evandro Bonocchi, que sofreu um acidente de moto há 6 anos, se realiza quando recebe um novo aluno, tímido, cheio de traumas e, depois de poucas aulas, pode ver a transformação: “Isso não tem preço, tanto que usamos ‘transformando vidas’ como nosso slogan”, comenta. Afinal, ele mesmo enfrentou o problema: “Foi no esporte que encontrei a saída para o desespero que vivi no início da minha deficiência e se puder seguirei praticando até o ultimo dia da minha vida!” Thiago Alexandre Fernandes de Souza é paraplégico também devido a um acidente de moto. Está no projeto há 8 meses, praticando remo e ciclismo. “Isso nos proporciona uma grande qualidade de vida, pois o esporte é excelente para a readaptação e para a inclusão social, fazendo com que ganhemos autoestima e uma nova visão da vida”, afirma.  Luis Rafael de Almeida da Silva conheceu a equipe por indicação de seu fisioterapeuta, há 5 meses. “Os resultados são imediatos, mais disposição, mais liberdade, mais indepedência. E a importância de participar desse projeto é que ele proporciona preparo físico, mental e muita alegria”, atesta. Para poder ampliar o atendimento e capacitar pessoal, a equipe espera apoio financeiro da iniciativa privada, além de parcerias com a Prefeitura e outras entidades.

Não é preciso estranhar: “paralímpico” é a nova nomenclatura usada para designar assuntos referentes às Olimpíadas para pessoas com deficiência. A orientação para mudança de nome foi do International Paralympic Committee (IPC), com o objetivo de alinhar o Brasil mundialmente aos demais países, inclusive os de língua portuguesa. E o Rio de Janeiro montou um time “paraolímpico” em janeiro passado. São 20 atletas com apoio da Prefeitura Municipal, por meio da Secretaria da Pessoa com Deficiência, e do Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB). Os investimentos previstos são de R$ 2,2 milhões em um ano, com a possibilidade de renovação nos anos seguintes. Além de salários, que variam de dois a cinco mil reais, de acordo com o histórico e os resultados dos contemplados, os atletas terão plano de saúde e todo o apoio necessário para a melhor preparação, como nutricionista, trabalho de biomecânica e fisiologistas. Também integram o Time Rio cinco atletas-guia e equipe técnica. Entre os atletas que farão parte do grupo estão nomes como o nadador Clodoaldo Silva, o melhor velocista cego do mundo, Lucas Prado e a medalhista paralímpica no atletismo Roseane dos Santos, a Rosinha. A equipe terá ainda novos rostos, que têm se destacado em competições no exterior e são promessas para os Jogos de Londres 2012 e Rio 2016, como Caio de Oliveira (natação), Camille Rodrigues (natação), Jhulia Karol (atletismo) e Wilians de Araújo (judô). Além dos ganhos diretos no esporte de alto rendimento, a ideia é que os atletas e seus resultados sirvam de incentivo à pratica do esporte por parte de PcD. “O esporte é um catalisador de mudanças e tenho certeza de que teremos uma equipe que chegará forte em 2012 e mais forte ainda em 2016. Estes atletas servem de inspiração para pessoas com e sem deficiência. O esporte é um dos caminhos para a cidadania, para a inclusão social e para a saúde”, disse Andrew Parsons. Georgette Vidor, secretária municipal da Pessoa com Deficiência, acredita que a parceria vai gerar muitos frutos: “O maior legado será deixado por meio da capacitação de nossos professores e profissionais do esporte para deficientes no Rio, pois poderemos pavimentar o desenvolvimento do esporte paralímpico na nossa cidade.” O prefeito Eduardo Paes disse esperar que o Rio sirva de exemplo e inspiração para outros estados e municípios criarem seus próprios times, para que o Brasil chegue com uma super equipe em 2016, quando a competição será no Brasil. Foto: Beth Santos


por Júlio Cesar de Souza

É

bate bola

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Inclusão é estarmos participando juntos !!!

com imenso prazer que volto a escrever para os amigos leitores da Revista Reação... O Ano de 2011 se foi com grandes avanços em nosso setor e entra o ano de 2012 prometendo ser ainda melhor ! Há alguns dias me perguntaram se eu achava que o Brasil estaria preparado para receber a Copa do Mundo de futebol, as Olimpíadas e as Paraolimpíadas, e se os jogos trariam benefícios ao Brasil, uma vez que os gastos com a preparação estrutural seriam enormes. Respondi que o Brasil não estava preparado para eventos desta envergadura e observamos isso facilmente, olhando a situação de nossos estádios de futebol, as condições precárias de nossos ginásios esportivos e pistas de atletismo, e principalmente, nossa estrutura de turismo, que envolve hotéis, restaurantes, lazer, passeios públicos, entre outros, para receber tantas e tantas pessoas que aportarão em nosso País. Principalmente se tratando de Paraolimpíadas, onde receberemos milhares de estrangeiros portadores de deficiência. É exatamente sobre isso que quero falar ao caro leitor

nesta oportunidade. Não basta ter uma vasta rede de luxuosos hotéis, restaurantes e gastronomia de todo o mundo. Eu me pergunto se a estrutura do turismo no Brasil e tudo que ela envolve, está preparada na parte física para receber a PcD. Infelizmente nossa estrutura, inclusive a hoteleira, só está preparada dentro do que a lei exige, o que diga-se de passagem, tudo muito aquém das necessidades da PcD. Se não bastasse isso, o que me preocupa ainda mais é a estrutura dos recursos humanos, ou seja, se os colaboradores e funcionários destes locais estão preparados a atender tamanha demanda dentro da diversidade do universo que envolve cada tipo de deficiência. Estes estabelecimentos estão preparados para atender com eficácia um cliente cego, um surdo, cadeirantes ou mesmo um amputado ? Com toda certeza a resposta é NÃO !

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notas

Eis que quando eu já estava frustrado em prever tanta desilusão do turista PcD em ver suas necessidades mal compreendidas e não atendidas, aparece um “SOL” no fim do túnel ! Parece mesmo que Deus é brasileiro ! Pois fui convidado a participar de 8 encontros, culminando num Fórum, que será realizado por capitais de todo País, sobre arquitetura e turismo acessível, exatamente para começarmos imediatamente a nos preparar para atender com excelência esta enorme demanda de turistas PcD. Nosso primeiro encontro irá acontecer na cidade de Socorro/ SP, dia 23 de março, por ser esta a cidade exemplo de inclusão no Estado de SP, seguindo ainda de outros em Porto Alegre/RS, Florianópolis/SC, Curitiba/PR, Rio de Janeiro/RJ, Brasília/DF, Fortaleza/ CE, Manaus/AM , terminando com o Fórum em Foz do Iguaçu/PR. Uma iniciativa do Arquiteto Gilmar de Lima e sua equipe, juntamente com associações da hotelaria e gastronomia nacional, que promovem este magnífico Fórum internacional de acessibilidade e cidadania por todo país, com a intenção de preparar o turismo brasileiro, tanto na parte de estrutura física, quanto de recursos humanos destas empresas, a receber com excelência a PcD do Brasil e exterior, ávidos de assistir a Copa do Mundo de futebol, Olimpíadas e Paraolimpíadas em nosso País. A cada dia a PcD está mais consciente de seus deveres e de seus direitos, trabalhando e se tornando um consumidor ávido de oportunidades de passear, viajar, hospedar-se, comer bem e, obviamente, escolherão os locais que estiverem mais bem preparados para recebê-los. E se não for por uma questão filosófica de incluir a todos, que pelo menos o empresariado veja a necessidade comercial de abocanhar esta importante fatia de mercado que é a PcD, a cada dia com poder aquisitivo mais alto. Sinto-me honrado de ter sido convidado a abrir todos estes encontros e Fóruns tocando o Hino Nacional ao piano, pois mesmo estando completamente surdo e como Embaixador da Pessoa com Deficiência no Brasil, poderei mostrar a força e a capacidade que todos nós PcD temos, para junto com as pessoas comuns, construirmos um país melhor e mais humano para todos. Nestes Fóruns fiz também questão de abrir o ciclo de palestras para conscientizar o empresariado nacional da área de turismo, que nós PcD podemos e queremos estar lado a lado com a pessoa comum, trabalhando para que nosso País seja um exemplo mundial a ser seguido pelos demais, no que tange à inclusão, acessibilidade e direitos humanos ! Parabéns Gilmar e toda sua equipe ! São estas iniciativas que devem ser seguidas para mostrarmos ao mundo a força de nosso amado Brasil !!! Saiba mais sobre os Fóruns: www.hospitalidadeacessivel.com.br Júlio Cesar de Souza é ex-jogador do Corinthians, surdo aos 30 anos, desenvolveu o projeto “Educação do Surdo pelo Esporte”. É autor do livro “Jogadas da Vida”. Fundador do Instituto Jogadas da Vida, ele ainda apresenta palestras motivacionais para empresas e é uma das pessoas surdas mais ativas no movimento para promoção e a inclusão de PPDs.

Ingressos de graça para a Copa do Mundo 2014 A boa notícia chegou pouco antes do Natal, como um verdadeiro presente: durante a Copa de 2014 serão distribuídos 32 mil ingressos gratuitos para pessoas com qualquer tipo de deficiência, com direito a um acompanhante, uma média de 500 entradas por jogo. O pedido foi feito pelo deputado Romário (PSB-RJ), da Frente Parlamentar em Defesa dos Direitos das Pessoas com Deficiência, a Ronaldo Fenômeno, agora membro do Comitê Organizador da Copa (COL), e Ricardo Teixeira, presidente do COL. Serão os únicos torcedores que não precisarão pagar para entrar nos estádios. Essa distribuição será possível, pois a Confederação Brasileira de Futebol (CBF), como confederação do país sede do evento, possui o direito de comprar certa quantidade de ingressos da Federação Internacional de Futebol (FIFA), e é esse montante que será repassado. Ainda precisam ser feitos alguns ajuste na proposta, como a definição dos critérios de doação dos bilhetes, sendo consenso que deverão ser para PcD de renda mais baixa.

Premiação para escolas inclusivas Estão abertas até 16 de março próximo, as inscrições para o “II Prêmio Experiências Educacionais Inclusivas - a escola aprendendo com as diferenças”. Instituído pelo Ministério da Educação, tem como objetivo promover, difundir e valorizar experiências escolares inovadoras e efetivas de inclusão escolar de estudantes com deficiência, com transtornos globais do desenvolvimento e com altas habilidades/ superdotação, realizadas por gestores, educadores, professores e estudantes. Serão premiados relatos de experiências das escolas públicas de educação básica e das secretarias de educação e textos narrativos produzidos por estudantes dos anos finais do ensino fundamental e do ensino médio, matriculados nas escolas públicas brasileiras. Haverá ainda uma Menção Honrosa à experiência inclusiva de educação infantil que se destacar. Mais informações e inscrição: http://peei.mec.gov.br/


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novidade

Audiocrônicas descrevem o centro de São Paulo

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raça da República, Mosteiro de São Bento, Teatro Municipal... em geral as pessoas passam apressadas por esses e outros locais e nem se dão conta da beleza e história desses marcos da capital paulista. Foi pensando nisso que o publicitário Arthur Tavares resolveu colocar em crônicas suas impressões e conhecimento do cenário paulistano.

SP ganha guia inclusivo e exposição fotográfica Sair para visitar algumas das principais opções culturais que a cidade oferece e registrar a experiência em fotos foi o programa, no semestre passado, dos cadeirantes do “Grupo Interação”, da zona sul paulistana, que os leitores da Revista Reação conheceram na edição nº 82. Em parceria com a ONG Comunidade Cidadã, receberam apoio do Programa VAI (Valorização de Iniciativas Culturais), da Secretaria Municipal de Cultura. Eles tiveram noções básicas em algumas oficinas fotográficas e o resultado começou a ser mostrado no aniversário da cidade, em 25 de janeiro último, no Polo Cultural Grajaú. A fotos ficarão expostas até o Carnaval no local e depois circularão pelas estações da Linha Esmeralda da CPTM. “A ideia nasceu da vontade de refletir e registrar os diversos passeios que o grupo já realizava. Mostrar que, apesar de todos os problemas que conhecemos, a cidade também oferece opções culturais interessantes e que há necessidade da apropriação

desses espaços, principalmente por pessoas com deficiência”, conta Márcia Martins, diretora da Comunidade Cidadã. O projeto rendeu outros dois frutos: um blog (www.spinclusiva.blogspot.com) e o “Guia de Roteiros Culturais Mão na RODA”, que foi distribuído na inauguração da exposição e está disponível no formato virtual no próprio blog. Nele estão dicas de visitação em parques, museus, cinemas, centros culturais, espaço de exposições, esporte e lazer, entre outros locais que possuem condições de receber pessoas com deficiência. “Tivemos pleno acesso na maioria dos estabelecimentos visitados, exceto no andar superior do Museu Paulista (Ipiranga), que não pudemos visitar, e também não há banheiro acessível no andar térreo”, conta Paulo Scarpelli Cassia, coordenador do Interação. “Na Casa das Rosas existe na entrada uma escadaria sem acesso. Foi improvisada para nossa visita uma rampa que demandou pelo menos três seguranças para nos locomover. Na minha opinião, começaram as mudanças, alguma coisa já melhorou, mas ainda existe um enorme caminho a ser percorrido”, avalia.


novidade Cronista de vários jornais do interior e autor de quatro livros, entre crônicas, poesias, contos e um romance, ele passou para o papel suas impressões sobre os três pontos, além da Rua 25 de Março, Edifício Martinelli, Vale do Anhangabaú, Viaduto Santa Ifigênia, Mercado Municipal, Catedral da Sé e Praça da Sé. O autor teve então a ideia de gravar e disponibilizar para pessoas com deficiências visuais o áudio de suas crônicas sobre a cidade: “Era tanta beleza, tantos detalhes a serem descritos, que achei egoísmo guardar somente para meus olhos e minha memória aquela visão. Queria compartilhar com pessoas que usariam da imaginação para reconstituir as linhas das minhas crônicas”, explica Tavares. Para colocar o projeto em prática, ele teve a parce-

ria do também publicitário Adilson Brevilheri, que fez as gravações: “Queria alguém que interpretasse e não apenas lesse sem sentimentos”, conta o executivo de 60 anos, que escolheu pessoalmente a trilha sonora de cada texto, para criar harmonia entre música e locução. Tavares já tem outros 10 trabalhos prontos e está em busca de parcerias ou patrocínio, devido ao custo do procedimento. Ele gostaria, inclusive, de distribuir cópias em CD a instituições dedicadas a deficientes visuais. As dez primeiras crônicas estão à disposição para download no “Portal 123achei”, onde os áudios em Mp3 poderão ser baixados gratuitamente e ouvidos por todos aqueles que desejam fazer um passeio pelo centro de São Paulo sem sair de casa. O link para ir direto às audiocrônicas é: http://www.123achei.com.br/noticias/ colunistas/arthur-tavares/index.php

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sexualidade

por Fabiano Puhlmann

As dificuldade das pessoas com deficiência na busca de tratamento para sua sexualidade • Toda pessoa tem direito a expressão sexual plena e responsável ; • O ajustamento sexual é facilitado pela maior comunicação sexual; • A inclusão afetivo sexual é um dos aspectos essenciais da saúde plena; • A expressão sexual é um processo dinâmico, que sofre alterações de acordo com as necessidades físicas, as experiências e o meio social; • A aceitação sexual é secundaria à autoaceitação sexual; • A sexualidade somente pode ser expressa, reprimida ou suprimida.

V

iver a sexualidade é uma necessidade de todos, é como comer, dormir... quem tem dificuldades na sexualidade, tem também nos relacionamentos, no trabalho, no lazer, na vida. É preciso não dificultar o que é tão simples, o amor está na lei da vida, todos vivenciamos o amor em diferentes níveis. As barreiras somente existem quando não acreditamos em nosso potencial, amar é um ato corajoso de abertura, é arriscar, desejar alguém é experimentar sentimentos e sensações parcialmente controláveis. “A Convenção da ONU sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, ratificada pelo governo brasileiro em 2008, reitera a necessidade de que os Estados Partes tomem medidas para assegurar o acesso de pessoas com deficiência a serviços de saúde, inclusive na área de saúde sexual e reprodutiva e de programas de saúde pública destinados à população em geral. Constitui ação prioritária do Ministério da Saúde o fortalecimento da Política dos Direitos Sexuais e Reprodutivos, que vem sendo implementada através de ações intersetoriais e interministeriais. A Política Nacional de Saúde para Pessoas com Deficiência estabelece em suas diretrizes que ações voltadas para a saúde sexual e reprodutiva são elementos de atenção integral à saúde das pessoas com deficiência”. Para garantir a saúde sexual e reprodutiva de pessoas com deficiência é preciso incluir a Educação Sexual como matéria obrigatória nos Centros de Saúde e Educação abertos para este público. Um bom programa de educação sexual deve seguir os seguintes princípios:

Os programas de educação sexual de pessoas com deficiência devem se preocupar prioritariamente com a acessibilidade dos materiais de apoio: vídeos, revistas e sites educativos, eróticos e pornográficos. Quanto ao conteúdo didático, além de abordar temas tradicionais da sexualidade, tais como: anatomia e fisiologia sexual masculina e feminina; Fases do ato sexual; Concepção, Gravidez e parto; Métodos de prevenção de DSTs; Papéis sexuais; Orientação sexual; Masturbação e Erotismo; Desvios sexuais; Tratamentos de disfunções sexuais; Acessórios e recursos sexuais. Deve também abordar temas relacionados às especificidades das diferentes deficiências como: Possíveis repercussões da deficiência na função sexual; Categorias de acessibilidade: arquitetônica, do mobiliário, do material, de comunicação e atitudinal no lazer sexual adulto; Apoios à comunicação, à movimentação e ao aprendizado de limites sociais no caso específico da deficiência intelectual. Dentro da especificidade de cada deficiência existem algumas atitudes essenciais que devemos implementar quando vamos promover a inclusão afetiva da pessoa com deficiência. Nas DEFICIÊNCIAS FÍSICAS devemos estar atentos a


sexualidade acessibilidade arquitetônica e de mobiliário do lazer sexual adulto, à informação sobre tratamentos e medicações para disfunções sexuais para as deficiências físicas que tenham alterações vasculares e neurológicas. Na DEFICIÊNCIA AUDITIVA, a Educação e terapia sexual deve ser realizada em LIBRAS, seja através da formação do profissional de educação e saúde nesta segunda língua brasileira, seja na contratação de interpretes de LIBRAS e, neste caso, é também recomendada a formação dos intérpretes em educação sexual. Para implementar a comunicação sobre os inúmeros detalhes da vivencia sexual e afetiva é necessária a criação e divulgação de sinais sobre sexualidade em LIBRAS. A pessoa com deficiência auditiva precisa receber informação atualizada sobre sexualidade. A pessoa com DEFICIÊNCIA VISUAL deve ser estimulada a desenvolver suas habilidades perceptivas (olfato, paladar, tato, audição, propriocepção) a serviço da vivencia afetivo sexual. Necessitam de informação impressa em Braile ou em formato digital (usuários de sintetizadores de voz - Jaws, Virtual Vision, Dos-Vox) sobre sexualidade. Edição de Áudio livros sobre educação sexual e sobre contos eróticos. A pessoa com DEFICIÊNCIA INTELECTUAL necessita que os pais, os educadores e os terapeutas sexuais utilizem mediações pedagógicas para educação sexual, indiquem acessórios e recursos sexuais para masturbação daqueles que não conseguem

37

ter relacionamentos. E principalmente o fomento de uma rede de apoios para o relacionamento afetivo sexual. O objetivo final da inclusão do tema sexualidade nas resoluções da ONU 2006 é o aumento da autoestima da pessoa com deficiência, quanto a seu potencial, para a vivência plena da sexualidade. A meta a ser atingida é que a pessoa com deficiência valorize sua própria identidade e diferença e que a sociedade como um todo contribua com ações efetivas para a equiparação de oportunidades na paquera, sedução e manutenção de relacionamentos sexuais e reprodutivos desta população. Fabiano Puhlmann Di Girolamo

é Psicólogo Formado Pela Universidade São Marcos; Psicoterapeuta Especialista Em Psicologia Hospitalar Da Reabilitação Pela Faculdade De Medicina Da USP; Especialista Em Sexualidade Humana Pelo Instituto H. Ellis; Especialista Em Integração De Pessoas Com Deficiências, Pela Universidade Salamanca, Espanha; Especialista Em Reabilitação Pela Secretaria De Saúde Do Estado De São Paulo; Educador Sexual Pela Sociedade Brasileira De Sexualidade Humana E Faculdade De Medicina Do Abc; Membro Do Corpo Docente Do Curso De Pós-Graduação da SBRASH; Membro Do Conselho Científico Das Casas André Luis Da Cidade De Guarulhos; Fundador Do Cepcos (Centro De Estudos E Pesquisa De Comportamento E Sexualidade); Coordenador Do Serviço De Psicologia Da IBNL (Instituição Beneficiente Nosso Lar) Atuação Reconhecida Nas Áreas De Acessibilidade, Ajudas Técnicas e inclusão, Participando Da Formação E Gestão De Serviços Especializados No Setor Público E No Terceiro Setor; Atua Como Psicólogo Clínico Junguiano, Articulista E Palestrante De Assuntos Referentes A Inclusão De Pessoas Com Deficiência. Atualmente É Responsável Pela Área De Acessibilidade/Ajudas Técnicas E Os Programas De Sensibilização Do Instituto Paradigma.

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direito

por Geraldo Nogueira

AUTISMO, DIVERSIDADE E INCLUSÃO

O

s grandes avanços científicos e tecnológicos são devidos, em grande parte, à civilização ocidental. Suas inúmeras conquistas foram colocadas a serviço do bem-estar, através de instituições reguladoras da convivência social e possibilitaram enriquecer e ampliar o próprio conceito de cidadania. Foi na civilização ocidental que também se idealizou e instalaram-se importantes organizações internacionais, como a ONU, UNESCO, OIT, OMS, dentre outras. No entanto, não obstante a todo avanço científico e tecnológico, alcançados por realizações da inteligência racional, não se verifica o mesmo desenvolvimento moral, pois foi exatamente por aqui, entre a civilização ocidental, que iniciaram-se as guerras mais sangrentas e letais. Igualmente impôs-se a escravidão às comunidades materialmente mais atrasadas, com alto grau de desumanização e desculturação e, a muitos povos, foi adotada a prática do genocídio das minorias étnicas e religiosas. Essas práticas levaram ao enfraquecimento das consciências e dos valores comunitários de convivência social, dando lugar a um acentuado e perigoso individualismo. Prática esta que ainda hoje se manifesta de forma coletiva para excluir grupos minoritários. Por isso, ao longo da história estes grupos fragilizados têm-se organizado para reivindicar direitos e espaço social. As pessoas com transtornos do espectro autista, por exemplo, têm sido deixadas à margem da instituição de políticas públicas, isto por que, para este segmento social, falta uma definição que proponha a distinção entre “neurodiversidade” e “deficiências neurológicas”, bem como o reconhecimento de que a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência – CDPD, ao adotar em seu artigo primeiro a expressão “impedimentos de natureza mental e intelectual”, quis determinar que o primeiro impedimento faz parte do quadro da saúde mental, ou seja, pessoas com deficiência psicossocial (transtornos mentais), como vem sendo usado por estudiosos destas áreas; enquanto o segundo se refere tão somente ao déficit cognitivo, principal gerador da deficiência intelectual, querendo a norma internacional estender sua proteção a ambos segmentos. Entendemos que o termo autista é subjacente a expressão “impedimentos de natureza mental”, grafada na CDPD. O reconhecimento da abrangência da norma e da discriminação entre “neurodiversidade” e “deficiências neurológicas”, permitiria desenhar políticas públicas para possibilitar acesso a tratamento àqueles que desejassem e garantiria aos que dispensam o tratamento o direito de

fazê-lo, pois para alguns o autismo é um elemento fundamental da identidade, no qual não se quer que o Estado interfira sem necessidade. O desafio seria distinguir entre os dois elementos, apoiando simultaneamente a ambos, ou seja, estabelecer uma fronteira definida entre um e outro que fosse aceita por ambos os movimentos, visto que o autismo é deficiência para uns e exemplo da diversidade do cérebro humano, para outros. Acreditamos que o tema deva ser incorporado pelos movimentos das pessoas com deficiência, pois as definições de “deficiências neurológicas” e de “neurodiversidade” estão no âmbito das discussões sobre os direitos sociais das pessoas com deficiência. Dois de abril é reconhecido pela ONU como o dia mundial da conscientização do autismo, sendo uma tendência à qual precisamos nos unir, pois quando um grupo é estigmatizado pela sociedade, a sua autodeclaração de identidade constitui um processo de resgate. A afirmação “sou deficiente” (surdo, cego, autista, dentre outras) constitui uma autocategorização, um processo de formação da identidade pessoal. Esta afirmação permite o deslocamento do discurso dominante da dependência e da anormalidade para a celebração da diferença e do orgulho de ter uma identidade. Trata-se tanto de um compromisso coletivo e político de protesto contra as barreiras sociais que colocam cidadãos em desvantagem, como de uma transformação da identidade pessoal vivenciada com orgulho pelos indivíduos com alguma diferença. NEURODIVERSIDADE é uma idéia de que o desenvolvimento neurológico atípico (neurodivergente) é uma diferença humana normal, que deve ser tolerada e respeitada como qualquer outra diferença. O conceito de neurodiversidade é abraçado por alguns indivíduos autistas e pessoas com condições conexas, que consideram que o autismo não é uma doença, mas uma parte da sua identidade, de modo que curar as pessoas autistas seria o mesmo que destruir os seus personagens originais. Fonte: Wikipédia.

Geraldo Nogueira é advogado, cadeirante, presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Pessoa com Deficiência da OAB/RJ Email: genogue@terra.com.br


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redes sociais

por Vera Garcia

Aproximando ou afastando?

C

ada vez mais as Redes Sociais fazem parte de nossas vidas. Este recurso tecnológico se tornou uma extensão de vida no cotidiano de jovens, adultos e idosos. Segundo uma pesquisa da Editora Abril, jovens usam as Redes Sociais de uma forma tão intensa, que 10% ou mais deles não conseguiriam ficar sem acessar as redes, enquanto outros 10% só conseguiriam ficar desconectado por um dia. E isso não é diferente em relação aos jovens com deficiência. Muitos deles ao terem dificuldade em se relacionar fisicamente, encontram nas Redes Sociais exercícios que os ajudam no relacionamento com colegas. Uma pesquisa na Universidade de Toronto (Canadá), mostrou que a empatia de amigos na Web faz com que a autoestima aumente, influenciando positivamente o humor. Dessa forma, as Redes Sociais têm ajudado muitos jovens com deficiência, no sentido de elevar sua autoestima e a autoconfiança. Por outro lado o uso constante da Internet pode isolar ainda mais uma pessoa com deficiência que tenha dificul-

dade em se relacionar. O uso da Internet como espaço de socialização, principalmente para jovens com deficiência, cria um universo extremamente tentador pelo fato de que neste espaço, com auxílio da distância física e da falta de contato visual, esse jovem pode interagir em diferentes Redes criando a ilusão de amizades e namoros. Ou seja, ele pode assumir outra identidade e romper com a realidade de sua condição. E ao romper com a realidade, pode se afastar ainda mais do convívio social. De acordo com as pesquisadoras Ana Helena R. Soares, Martha Cristina N. Moreiral e Lúcia M. C. Monteiroll: “ao assumir uma identidade social diferente da realidade não se caracteriza como uma estratégia positiva de enfrentamento do estigma vivido”. Quando esse jovem com deficiência assume outra identidade nas Redes Sociais, geralmente é consequência da própria sociedade que o exclui. Pois, como todos sabemos, o culto ao belo, ao corpo perfeito e aparentemente saudável é algo histórico e cultural no mundo em que vivemos. Para finalizar, o que precisamos ter em mente é que as Redes Sociais são ferramentas que devem ser usadas como um meio e não como um fim. Elas foram construídas para auxiliar a vida humana e não tornar-se a própria vida. Vera Garcia é pedagoga, formada pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas e pós-graduada em Gestão Educacional pelo Centro Universitário Claretiano. Foi professora do ensino básico durante quatorze anos e vice-diretora educacional por seis, ambos da Rede Pública de Ensino. Atualmente atua como blogueira no blog Deficiente Ciente (www.deficienteciente.com.br) e é modelo da Agência Kica de Castro Fotografias. Sofreu um acidente aos 11 anos de idade o que a tornou amputada do membro superior direito. E-mail: deficienteciente@yahoo.com.br

C

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O CARRO D

PARA PESSOAS C

São 14 anos ininterrúptos de pesquisa com os leitores da Revista Reação elegendo o “melhor carro para pessoas com deficiência” do Brasil. A pesquisa, que já é tradicional entre os leitores desta revista e se tornou referência no mercado automobilístico junto às montadoras, é esperada ansiosamente pelo mercado com seu resultado ano a ano, servindo de base para o consumidor com deficiência e os fabricantes e revendedores de automóveis.


DO ANO´2011

COM DEFICIÊNCIA !!!


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pesquisa

R

ealizada junto aos leitores e assinantes da Revista Reação, formadores de opinião e usuários de veículos comercializados com isenção de impostos para pessoas com deficiências e familiares, ela é feita através do voto direto: os consumidores/leitores é que elegem o modelo de sua preferência, via carta-resposta ou pelo site... Acompanhem o resultado do ano de 2011. Como já é tradição, a partir do mês de outubro de 2011 até início de janeiro de 2012, os leitores e assinantes da REVISTA REAÇÃO puderam votar no carro de sua preferência, para eleger o “Carro do Ano para Pessoa com Deficiência” do ano de 2011. Os cerca de 2.000 votos apurados nesta 14ª edição da eleição foram frutos da pesquisa realizada no site e com a Carta-Resposta encartada em duas edições, que se encerrou em janeiro, e mostra que a média de participação dos leitores/consumidores vem se mantendo, apontada pelo número de pessoas votantes, o que mostra o grau de importância dos carros na vida e no dia-a-dia da pessoa com deficiência e de suas famílias, sendo peça fundamental para sua qualidade de vida.

O voto: um raio X do trabalho das montadoras

RESULTADO DA PESQUISA - 2011 1º LUGAR – CITY (HONDA)

21%

2º LUGAR – FIT (HONDA) / COROLLA (TOYOTA)

18,5%

3º LUGAR – DOBLÒ (FIAT) / LIVINA (NISSAN)

15%

4º LUGAR – ECOSPORT (FORD) / 207 SW (PEUGEOT)

13%

5º LUGAR – NEW CIVIC (HONDA) / FLUENCE (RENAULT)

11%

6º LUGAR – PICASSO (CITRÖEN) / NOVO VECTRA (GM)

8%

7º LUGAR – SANDERO (RENAULT) / PALIO WEEKEND (FIAT)

6,5%

8º LUGAR – MERIVA (GM) / AIR CROSS (CITRÖEN) 9º LUGAR – VOYAGE (VW) / 207 PASSION (PEUGEOT) 10º LUGAR – OUTROS

Esta pesquisa já se tornou uma tradição no setor e é referência para o mercado automobilístico nacional. Afinal, há 14 anos ela se repete e faz parte da vida das montadoras, adaptadoras de veículos e dos usuários de automóveis comprados com isenção de impostos. Todos se baseiam em seus números para compor suas campanhas e estratégias junto ao segmento de vendas especiais. Exclusivamente realizada por esta revista, a pesquisa também é tradicionalmente conhecida por ser feita pela única publicação no mundo que realiza matérias especiais de testes com carros adaptados e as publica em todas as suas edições, mostrando sempre modelos diferentes, lançamentos e novidades. A Revista Reação tem para isso, uma equipe especializada de profissionais que utilizam seus conhecimentos e sua vivência de mais de 20 anos no segmento, e avaliam cada modelo de carro enviado para a redação da revista pelas próprias montadoras (em parceria) em todos os seus detalhes de uso diário de um veículo por PcD ou seus familiares, nas mais diversas situações.

4% 2% 1%

Mais uma vez, como vem acontecendo sempre ano a ano, é perceptível que a pesquisa reflete os resultados das ações das montadoras em suas participações ativas neste segmento. Sempre as montadoras que participam mais de ações voltadas diretamente às pessoas com deficiência, acabam recebendo mais votos. Isso é natural pelo que se pôde perceber no decorrer destes 14 anos. Aquelas que realizam ações de destaque, seja publicando anúncios com frequência nas revistas especializadas, participando de eventos, enviando seus carros para testes nesta publicação, enfim... são as mais lembradas pelos leitores/consumidores no momento do preenchimento da pesquisa, e automaticamente, seus modelos tem melhor colocação no resultado final. É uma con-


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pesquisa sequência até de certo ponto justificável em um mercado fechado, porém não pequeno. Afinal, estamos falando de um universo de 45 milhões de brasileiros com algum tipo de deficiência, e estes, tem seus familiares também, o que no mínimo, eleva essa parcela de prováveis consumidores de automóveis para mais de 100 milhões de pessoas. Eles – PcD e familiares - representam um volume de cerca de mais de 32.500 carros 0K comercializados somente no ano de 2011, com isenções de impostos, entre todas as montadoras estabelecidas no País que atuam neste segmento. Um volume expressivo e extremamente considerável. E se analisarmos o fato de que muitas PcD e/ou familiares compram seus carros 0K sem usufruir do seu direito de isenção de impostos e não aparecem então nesta apuração de volume de vendas especiais, porque precisam ou querem carros de maior valor, acima do limite dos R$ 70 mil imposto pela lei vigente e podem pagar por isso, esse número de carros vendidos no ano de 2011 é, com certeza absoluta, ainda maior. Por tudo isso, este segmento é, sem dúvida nenhuma, uma grande fatia de mercado consumidor, cada vez mais respeitado e buscado pelas montadoras.

Uma eleição limpa e aberta ! A forma democrática com que a Revista Reação realiza essa pesquisa, novamente prevaleceu, e o público indicou seus modelos preferidos, em votação direta e transparente, proporcionando ao mercado subsídios importantes sobre as preferências dos usuários, tanto condutores quanto não condutores. Lembramos que aqui não estamos levando em conta nenhum tipo de adaptação, a pesquisa só elege o “modelo” do carro mais querido e desejado pelas pessoas com deficiência de todo o Brasil. A eleição reflete, de forma clara, o resultado das ações empreendidas pelas montadoras e suas respectivas redes de revendedores durante o seu ano de vigência (neste caso: 2011). É sempre assim. Fica muito fácil de notar que, conforme as ações das montadoras e concessionárias das marcas, quanto mais agressivas elas são em sua comunicação com este público, seja através de promoções, atendimento, participação em eventos ou em publicações do setor, mais votos atraem. É a lei de mercado, da expectativa, da demanda e a eficiência das ações de marketing. Como se diz: as urnas refletem o que as pessoas vivenciam no dia-a-dia. O voto é a vontade do povo ! Nesta edição da pesquisa os modelos votados e campeões do ano passado, voltaram a figurar nas primeiras colocações. Mas a novidade mesmo ficou por conta da Nissan com o Livina, e da Renault com o Fluence, que despontaram nos primeiros lugares ao lado de tradicionais modelos que sempre marcam as principais colocações. O que comprova que o investimento em mídia e em ações específicas – tanto da Nissan quanto da Renault não foram em vão - para o atendi-

mento a este mercado PcD, e realmente dão resultado direto na pesquisa. É só aparecer, é só “fazer”, que o consumidor PcD se lembra e vota !

Mais uma vez, Honda e Toyota dividem as primeiras colocações

As marcas Honda e Toyota, nestes 14 anos de pesquisa, lideraram todas as votações. Em algumas oportunidades chegaram a dividir a primeira colocação ou a segunda, como aconteceu este ano, mais uma vez com o Corolla (Toyota) e o Fit (Honda) com empate técnico no 2º lugar. Porém, a disputa sempre foi muito acirrada nessas 14 edições da eleição e em 2011 não foi diferente. O City (Honda) levou a melhor novamente e conquistou o “tri-campeonato”, liderando as pesquisas em 2009 com 27% dos votos, em 2010 com 24%, e agora em 2011, com 21% dos votos. Essa hegemonia das japonesas demonstra claramente o acerto dos projetos das montadoras para os usuários e consumidores com deficiência, e a qualidade de atendimento das suas respectivas redes de concessionárias, que tem um dos maiores índices de profissionais adequadamente qualificados por loja. Isso mostra que o nosso mercado está cada dia mais profissionalizado e que o consumidor com deficiência está cada vez mais exigente e sabendo o que quer.

Algumas boas surpresas !!! Vindo numa crescente a terceira colocação apresentou nesta edição, mais uma vez a Doblò (Fiat) dividin-


pesquisa do o posto com outro modelo, e este ano foi com a grande surpresa da pesquisa, o Livina (Nissan), com 15% dos votos. Na 4ª colocação, a francesa Peugeot se manteve. E assim como no ano passado, vem dividindo o posto. Neste ano, o 207 SW (Peugeot) divide a quarta posição com o Ecosport (Ford), modelo este que disparou na pesquisa... Saiu da 9ª colocação na pesquisa anterior, para ocupar agora a 4ª posição. Um salto de cinco posições !!! Coincidência ou não, o Ecosport (Ford), numa parceria entre a montadora e esta revista, foi durante o ano de 2011, a “viatura de reportagem” da Revista R e a ção, numa ação conjunta, onde a montadora deixou um Ecosport em comodato com a revista duViatura Revista Reação 2011 rante todo o ano. O carro foi todo

caracterizado e rodou o Brasil em eventos e participando da realização de reportagens junto ao universo da PcD. Tá provado: aparecer dá resultado ! Outro modelo que se manteve na mesma posição nas duas últimas pesquisas foi o Civic (Honda). Ele que é até hoje o modelo campeão de votos e o maior ganhador nessas 14 edições desta eleição, há dois anos vem amargando o 5º lugar da pesquisa, e sempre dividindo com outro modelo de outra montadora. Isso também é natural. O Civic ficou por muitos anos sem mudanças expressivas em seu modelo. Agora, a Honda acaba de lançar em 2012 o Novo Civic, com vários dispositivos tecnológicos e um apelo futurista bastante interessante, numa campanha de marketing de massa. Isso pode, dependendo do trabalho de marketing e divulgação da montadora no segmento de consumidores com deficiência, mesmo o carro provavelmente estando mais caro que a faixa limite dos R$ 70 mil para PcD, re-

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pesquisa fletir e muito bem no crescimento do modelo mais uma vez junto a este público. Fazendo com que ele na próxima edição da pesquisa, volte a ocupar as primeiras colocações. Junto com o Civic (Honda) na 5ª posição está também outra grata surpresa: o Fluence (Renault). Mais um exemplo de que “aparecer” dá certo ! Lançado no começo do ano de 2011, o Fluence veio como uma ótima proposta de sedan, uma boa relação custo X benefício para o segmento e ainda, participou em conjunto com a Revista Reação durante a Reatech 2011, de uma promoção que mexeu com a feira: “uma semana de Fluence” ! Nela, o visitante que fosse até o estande da Revista Reação, preenchia o cupom com uma frase contando o que faria se ficasse uma semana com um Fluence (Renault) só pra ele, usando para o que quisesse. A promoção foi um sucesso ! O resultado está aqui, nas votações.

Do 6º ao 10º: também teve novidade ! Na 6ª colocação da pesquisa, quem se manteve foi a GM (Chevrolet), porém com um modelo diferente da pesquisa do ano passado. Desta vez, quem aparece dividindo a sexta posição é o Novo Vectra (GM), acompanhado do Picasso (Citröen), que subiu uma posição. A 7ª colocação, teve outro empate. Agora entre o Sandero (Renault) – que apresentou sua versão automática em 2011 como uma opção de carro pequeno com esse tipo de câmbio, atendendo uma parcela de consumidores PcD – e tendo ao seu lado uma velha conhecida das primeiras colocações desta pesquisa: a Palio Weekend (Fiat).

Em 8ª lugar, a Meriva (GM) vem acompanhada de mais uma novidade entre os componentes do “melhor carro para PcD”: o Air Cross (Citröen). Outro recente lançamento aparece na 9ª posição: o Voyage (VW), que vem pouco a pouco conquistando uma fatia deste mercado. Ao seu ladao, caindo da terceira posição na pesquisa anterior para a nona nesta edição, vem o 207 Passion (Peugeot). E na 10ª colocação ficaram vários modelos de diversas montadoras, que pouco citados, não tiveram um número de votos representativo.

O que é levado em conta na votação A função da pesquisa, nestes 14 anos de vida, é aferir a vontade do público consumidor com deficiência e seus familiares, apontando com seus resultados, não apenas o melhor carro ou o mais bonito, mas sim aqueles veículos que, pelo seu conjunto de atributos e atendimento da rede concessionária da marca, apresentaram ao mercado as melhores condições ao seu consumidor. Os votantes levam em conta na escolha do modelo, itens como: • Beleza; • Acessibilidade aos comandos de painel; • Espaço interno e de porta-malas; • Design e estilo; • Acessibilidade e transferência; • Funcionalidade e visibilidade; • Tecnologia e acessórios; • Motor, câmbio e suspensão; • Conforto e dirigibilidade; • Preço e condições de compra; • Atendimento da rede de concessionárias.


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dica

Acampamentos para férias ótimas opções para PcD !!!

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uitas famílias que têm pessoas com deficiência podem se tornar super-protetoras, com medo das situações que elas possam enfrentar longe do convívio familiar. Cada vez mais, porém, aumentam as experiências de autonomia para PcD, como os acampamentos para as férias. O Integrarte, por exemplo, existe há 18 anos, e há 10 funciona em uma chácara em Araçoiaba da Serra/SP, sendo 15 dias em janeiro e 12 dias em julho. Podem participar dele, pessoas acima de 12 anos com deficiência intelectual. “Nossa proposta

é abordar aspectos importantes do processo de reabilitação e sociabilização, possibilitando melhorias no desempenho de diferentes áreas: saúde, resistência física, motivação, autoestima, respeito mútuo e, principalmente, estabelecer oportunidades sociais”, explica Alexandre Henrique Elias dos Santos, pedagogo especializado em educação especial e idealizador do projeto, que leva em conta o lazer e o entretenimento. O grupo tem 40 acampantes por temporada, com um monitor a cada grupo de cinco. Na equipe há fisioterapeutas, professores de Educação Física, terapeutas e enfermeiros, além de Sílvia, esposa de Alexandre, que é psicopedagoga. “O curioso é que cada um vem de uma instituição, cidade ou estado diferente, sendo assim, além de ser


dica seu momento de descanso, também for talece novas amizades”, explica Alexandre. Além do contato direto com a natureza, são oferecidas várias atividades, como gincanas cooperativas, dinâmicas de grupo, relaxamentos, atividades físicas, festas temáticas e apresentações de mágicos, cantores e covers oficiais de artistas famosos, entre outras atrações. A atriz Marlei Cevada, que interpreta a Nina da Praça é Nossa, no SBT, também já esteve por lá. “Outra curiosidade do nosso trabalho é que não fazemos propaganda, a divulgação ocorre entre os pais, uma família acaba indicando outra”, conta o organizador. Ubiratan, ou Bira, como gosta de ser chamado, tem 40 anos, Síndrome de Down e há sete frequenta o acampamento, em geral nas duas temporadas: “Lá é como uma grande família, todo mundo é amigo, brinca e dá risada o tempo todo”, afirma. De acordo com o irmão Miron, a viagem representa a oportunidade dele reencontrar a turma de amigos, relaxar e se divertir durante as férias. Nathalie tem 20 anos, é SD, e participa também há 7 anos. “Os resultados são muito satisfatórios em várias frentes: confiança, maturidade, independência, educação, entre outras”, conta o pai Arthur. “Ela gosta muito das atividades, da recreação e de estar entre iguais”. Mindel, mãe de Elias, de 40 anos, com SD, poderia alegar motivos extras para não levar o filho com fala inteligível, que se comunica só por mímica e ainda tem diabetes. Nada foi empecilho e ele frequenta as duas temporadas há 9 anos. Ela ensinou Alexandre a medir a glicemia e a dar insulina: “com o maior medo deixei o Elias ir. Foi uma sábia decisão, muito sofrida. Isto de fato abriu uma possibilidade de recreação que ele não tinha mais”, garante. “Ele adora ir !!! Quando chega a época tenho que preparar a mala 15 dias antes, tal é a expectativa. Estar junto com outras pessoas o tempo todo em atividades diferentes, quem não gosta ? Desde que se sinta seguro e bem atendido em suas necessidades e expectativas. Na volta, é incrível como ele volta mais calmo, tranquilo, disciplinado”.

APABB realiza experiência inclusiva A Associação de Pais e Pessoas com Deficiência, de Funcionários do Banco do Brasil e da Comunidade (APABB) estendeu em 2012 a realização de acampamentos reunindo pessoas com e sem deficiência a todos seus 14 núcleos regionais. A história começou com uma experiência de luta pelo espaço a PcD nos acampamentos não específicos para esse público, em 1994, em São Paulo. Em 1996, a entidade realizou o primeiro acampamento, contando também com a participação de pessoas sem deficiência, como irmãos, amigos e filhos de profissionais envolvidos na sua organização. Com o decorrer dos anos houve somente a participação de PcD. Após 15 ininterruptos, em julho de 2011, a APABB retomou o conceito de acampamento inclusivo em São Paulo, com a participação de crianças sem deficiência. Técnicos de lazer dos núcleos se reuniram para dialogar sobre o conceito de inclusão no acampamento, o que impulsionou a realização do Acampamento Inclusivo em toda a rede a partir de 2012. A ideia é trabalhar com deficientes intelectuais, visuais, auditivos e físicos. Para pessoas sem deficiência, sugere-se a partir de 8 anos de idade. Para pessoas com deficiência, principalmente a intelectual, a participação é condicionada às experiências, segurança e confiança da família em considerar que elas estão preparadas para tal distanciamento por determinado tempo. O acampamento dura três dias, mas São Paulo já realizou um de oito. São desenvolvidas atividades lúdicas a partir de uma temática que aborda o conteúdo cultural do lazer com o objetivo de proporcionar diversão, vivência de atividades de vida diária (AVDs) e das atividades instrumentais de vida diária (AIVDs), sociabilização, educação, estímulo ao exercício de valores e da autonomia. Cinco núcleos nas capitais já realizaram acampamentos em janeiro (Distrito Federal, Pernambuco, Rio Grande do Sul, São Paulo e Paraná) e em julho mais nove entrarão na lista. Mais informações no site www.apabb.org.br

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parakart

por Hermes Oliveira

Finalmente: adaptações em veículos de carga !

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pós a liberação para pessoas com deficiência poderem trabalhar como motorista profissional, que foi notificado aqui na Revista Reação na edição Nº 82, escrevi a informação no meu artigo no jornal “Gazeta Regional”, que é distribuído na Vila Maria, zona norte da capital paulista, região de muitas transportadoras e do terminal de cargas Fernão Dias. Quando fui convidado pelo meu amigo Pedro Trucão, para um bate-papo no programa dele: o Globo Estrada, no estande da Rádio Globo, montado na Fenatran - Feira Nacional de Transporte, em São Paulo/SP, na entrevista abordei também esse fato. E depois disso surgiu a pergunta: “como um paraplégico (cadeirante) vai subir em um caminhão ?” E a resposta encontrei em um site dos EUA (www. accessunlimited.com), a empresa tem para vender uma adaptação que aprovei em nota máxima, por que pode ser usado em qualquer tipo de terreno, inclusive na roça, em tratores. Outra coisa: o elevador não muda em quase nada o visual (designer) do veiculo. E o motorista tem total independência. Veja nas fotos. Agora, perante tudo isso, é minha vez de perguntar: até quando o preconceito ?!? Mas vamos falar agora da Parakart!!! A modalidade da qual faço parte, vai voltar às pistas para a temporada 2012. Já está sendo formado o Grid com previsão para início em março, como informa o organizador Domingos Zamora. Vamos aguardar e enquanto isso, nos preparar fisicamente e aquecendo os motores, com muita ansiedade !

TAXISTA NOTA 10 A prefeitura de São Paulo/SP e seu prefeito, Gilberto Kassab, ainda não liberou o meu Alvará de Táxi... que inclusão é essa ??? Dos 32 mil alvarás distribuídos gratuitamente na cidade de São Paulo, nenhum é de motorista com deficiência, pelo motivo da proibição que existia para esses motoristas poderem exercer funções remuneradas. Só que isso NÃO EXISTE MAIS !!! Isso é um mau exemplo. É andar na contramão da inclusão. É um prejuízo incalculável para as pessoas com deficiência. E uma vergonha para a maior cidade da América do Sul. Para todos que tem interesse em se tornar um taxista, assim como eu, é importante estar o máximo capacitado. No meu caso, já iniciei o curso chamdo: TAXISTA NOTA 10. Um estudo básico de espanhol e inglês para poder me comunicar com passageiros que venham do exterior. Principalmente agora com a realização da Copa do Mundo em 2014, aqui no Brasil. Eu estou fazendo a minha parte ! Agora, só falta a Prefeitura de São Paulo e o prefeito, fazer a dele. A Deputada Federal, Rosinha Matheus, já enviou para a câmera dos deputados um projeto que pede 10% das vagas para pessoas com deficiência, para poderem ser taxistas autônomos em todo Brasil. São Paulo tem a oportunidade de sair na frente e dar um bom exemplo a ser seguido para todo o País. Vamos ficar atentos... Estamos de olho !!!

Hermes Oliveira é Piloto de Kart adaptado patrocinado pela Revista Reação, escritor do livro “Um motorista especial de carreta” e estudante de logística.


EVENTOS SIMULTÂNEOS

Parceria com entidades líderes do setor garantem fórum profissional de qualidade. XXIII Congresso Brasileiro de Medicina Física e Reabilitação Associação Brasileira de Medicina Física e Reabilitação 4º Encontro Internacional de Tecnologia e Inovação para Pessoas com Deficiência Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência de São Paulo 6º Congresso de Reabilitação Profissional Centro Brasileiro de Segurança e Saúde Industrial (CBSSI) Encontros com representantes dos municípios para discutir políticas públicas Reabilitação / Hospitalar Feira e Fórum

Empreendimento

Realização

Em cooperação com

Apoio

Tel: (11) 3897-6199 • Fax: (11) 3897-6191 • reabilitacao@hospitalar.com.br • www.reabilitacao.com


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homenagem

Stephen Hawking

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aniversário de 70 anos é exemplo de luta !

os 21 anos, Stephen Hawking, nascido na cidade inglesa de Oxford, em 8 de janeiro de 1942, recebeu um duro diagnóstico: com esclerose lateral amiotrófica, uma doença neurodegenerativa que enfraquece os músculos do corpo, não deveria viver para completar os 25 anos, já que a morte costuma ocorrer entre 20 e 48 meses após o aparecimento dos primeiros sintomas. Mas contra tudo e contra todos, ele não só ele completou 70 anos em 2012 como tornou-se um dos cientistas mais famosos do mundo em sua trajetória vitoriosa de vida, ocupando durante 30 anos a Cátedra Lucasiana de Matemáticas de Cambridge. Como professor e pesquisador, especializado em física teórica e cosmologia, aposentou-se em 2009. Na sua vida privada, foi casado duas vezes e tem 3 filhos. Paralisado, obrigado a utilizar uma cadeira de rodas e falar por meio de um sintetizador de voz, ele continua envolvido com os mistérios do universo e empenhado em tornar acessíveis ao público em geral os difíceis conceitos da física. Seu livro mais conhecido: “Uma breve história do tempo”, de 1988, vendeu milhões de exemplares pelo mundo afora. Os principais estudos giram sobre os “buracos negros” do universo, a relatividade e a gravidade. “Quando Stephen não podia mais fazer uso das mãos e manipular equações no papel, compensou com o treinamento para manipular formas e topologias complexas em sua mente a grande velocidade. Esta capacidade permitiu que ele encontrasse soluções para problemas físicos difíceis que ninguém conseguia resolver e que, provavelmente, ele mesmo não teria sido capaz de fazê-lo sem esta nova habilidade”, afirmou o físico teórico americano Kip Thorne, um colaborador habitual do britânico. Seu maior feito como pesquisador, publicado em 1974, segundo os especialistas, foi combinar os dois alicerces da física, a relatividade geral e a mecânica quântica, para descobrir que “buracos negros” somem com o tempo e não continuam crescendo, como se acreditava. “As pessoas são fascinadas pelo contraste entre minhas capacidades físicas extremamente limitadas e a imensidade do universo com o qual trato”, brinca o cientista.

APAE perde um de seus fundadores

Uma vida marcada pela luta em favor das pessoas com deficiência intelectual. Esta é a história do médico Antonio dos Santos Clemente Filho, morto em 08 de janeiro. A causa foi insuficiência respiratória. Ele tinha 91 anos de idade. Juntamente com a mulher Jolinda, a conhecida Jô Clemente, e outras 10 pessoas, fundou a Associação de Pais e Amigos do Excepcional (APAE) em 1961, quando o segundo filho, Zeca, que tinha Síndrome de Down, estava com 13 anos de idade. Presidiu por dois mandatos a APAE de São Paulo e consagrou-se como defensor da inclusão da pessoa com deficiência intelectual na sociedade, discutindo estudos, pesquisas e novas tecnologias para facilitar diagnósticos. Foi cofundador e primeiro presidente eleito da Federação Nacional das APAEs (FENAPAES) e ajudou a criar as federações paulista e internacional. Nascido em São Paulo, formado pela USP em 1945, especializou-se em Raio-X e lecionou na Escola Paulista de Medicina. Estudioso e pesquisador nato, foi um pioneiro da tomografia computadorizada no Brasil. A aposentadoria veio em 2000 e o filho Zequinha, como era conhecido, morreu em 2001. Há alguns anos passou a sofrer de Alzheimer e Jô, com quem era casado desde 1947, afastou-se da APAE para cuidar dele, embora continue como conselheira vitalícia. Dr. Clemente deixa três filhos, nove netos e cinco bisnetos. Um de seus filhos, Cássio dos Santos Clemente, é hoje o diretor-presidente da APAE São Paulo. Ele conta um dos ensinamentos do pai: duas palavras movem a humanidade: “obrigada” e “por favor”.

Movimento perde Dejair...

A luta pelos direitos da pessoa com deficiência perdeu um grande batalhador: Dejair Gonçalves de Andrade morreu em 28/12/2011, vítima de um AVC. Casado, deixa 4 filhas e uma história de dedicação à causa, desde que sofreu uma amputação. Por mais de 35 anos dividiu sua vida profissional na área comercial com várias participações em entidades voltadas para o segmento. De Ribeirão Preto/SP, ele fazia parte do Conselho Estadual da Pessoa com Deficiência de São Paulo, exercendo também a vice-presidência por 2 anos. Dedicou-se a várias entidades, como a União de Pessoas com deficiência de Ribeirão Preto (UNIPED), onde exercia a presidência quando. Também fazia parte do Conselho Municipal e por 4 gestões, foi presidente do Fórum Pró-Cidadania das Pessoas com Deficiência de Ribeirão Preto/SP. Ainda trabalhou como diretor administrativo da Associação dos Amigos dos Deficientes Físicos de Ribeirão Preto (AADF) e conselheiro administrativo da União dos Deficientes Físicos de Araraquara e Região Central (UDEFA), desde 2001. Ele tinha um lema: “temos que trabalhar para que a pessoa com deficiência deixe de ser um objeto de assistência e caridade para ser um sujeito que tem direitos e deveres”.


www.abridef.org.br


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premiação

Prêmio Marca Brasil vai eleger os melhores do nosso setor !!! são colocados nos sites das revistas, com link para o cupom de votação virtual. Mensagens eletrônicas são enviadas aos leitores de cada revista, também com links para o cupom de votação. O cupom não induz a alternativas de respostas, ou seja, para cada categoria há um box em branco para o votante escrever o nome da sua marca preferida. Após preencher o cupom, o votante o remete para a organização para apuração dos votos. Só é permitido um voto por leitor. A apuração é quantitativa e valida a opinião de quem votou. Não há comissão julgadora.

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riado em 1999, após um estudo e avaliação de outras premiações semelhantes existentes no mercado na época, o Prêmio Marca Brasil surgiu com uma característica diferenciada: ele é multisetorial. Com votação direta dos consumidores, em pouco tempo ele se tornou uma referência importante de reconhecimento do mercado comprador para com o mercado fornecedor. Ele é identificado como imagem-símbolo da satisfação do consumidor para com uma marca de empresa ou produto. O Prêmio Marca Brasil é organizado e promovido pela Trio International Distinction, uma marca fantasia que simboliza uma parceria de treze anos entre a Tarcom Promoções e as Revistas Técnicas Setoriais que são utilizadas como canais de comunicação de alta credibilidade entre os mercados pesquisados e seus respectivos consumidores. A premiação é reconhecida em todo Brasil pelo mercado, sendo sinônimo de credibilidade, pela forma simples, transparente e correta com que é promovida e realizada a votação. Realizado uma vez por ano, em 2012 as votações para o “Marca Brasil” estarão abertas de 01/03/2012 até 31/05/2012. Os cupons ficarão à disposição no site. “Hoje, com o Marca Brasil, o mercado consumidor, além de conhecer anualmente as marcas que são consideradas as melhores, também tem a oportunidade de saber quem, dentre todas essas melhores, são as líderes incontestáveis em seus segmentos de atuação”, afirma Luciano Targiani, Diretor Executivo da Tarcom Promoções.

Mecanismo da premiação

Para identificação das marcas que têm a preferência dos consumidores, a organização seleciona anualmente os setores econômicos que serão abrangidos pela premiação e em conjunto com as Editoras responsáveis pelas publicações técnicas de cada setor, são determinadas as categorias de produtos e/ou serviços que serão pesquisadas juntos aos seus leitores-consumidores. Em seguida o cupom de votação é inserido no site da premiação: www.premiomarcabrasil.com.br. Aí começa o trabalho também das revistas de cada setor envolvidas na premiação. Nas páginas de cada revista, de cada setor, são divulgados anúncios chamando para o Prêmio, convidando o leitor a votar pelo site. Banners eletrônicos

A participação das revistas no processo de votação

“A participação das revistas de cada setor é fundamental, sem as quais a premiação como foi concebida não existiria, porque é através delas que as marcas que têm o respeito do consumidor e são conhecidas e reconhecidas. Elas são a ponte entre o Prêmio e o consumidor. Por isso, em cada segmento, elegemos como parceiras as principais e mais reconhecidas revistas de cada área. A credibilidade da revista dentro do seu setor de atuação é de extrema importância para o sucesso da premiação. Assim como foi o caso da Revista Reação para o universo de produtos e serviços para pessoas com deficiências”, frisa Targiani. É sempre importante ressaltar que, nem as revistas e nem a organização, têm qualquer tipo de participação na escolha das marcas laureadas. Essa é uma prerrogativa EXCLUSIVA do leitor, de cada consumidor do mercado abrangido, não havendo qualquer tipo de interferência. Cada voto conquistado por uma marca reflete uma ou mais impressões positivas que o consumidor tem a seu respeito, como por exemplo, a boa qualidade do produto ou do serviço, a sua experiência de uso ou o seu desejo de compra, a relação custo x benefício, a boa qualidade do atendimento de venda e de pós-venda, dentre inúmeros outros aspectos de caráter individual O Prêmio Marca Brasil permite que os mercados consumidores expressem suas preferências sem qualquer tipo de indução. Desde a sua criação é conduzido pela organização de forma séria e profissional. Conta com o respeito consolidado dos consumidores e das empresas laureadas. Além disso, cumpre um papel fundamental para o desenvolvimento dos mercados contemplados, porque estimula, não só os ganhadores, mas também a todas as empresas neles envolvidas a buscarem esta indiscutível imagem de distinção.

Uma ferramenta de marketing

A conquista do Prêmio Marca Brasil pode ser utilizada como instrumento de marketing, em peças de comunicação para o mercado consumidor e de endomarketing, para o público interno. Já


premiação vimos o sucesso de diversas campanhas de ganhadores utilizando o prêmio como valor agregado. A imagem do troféu e da láurea do Prêmio juntamente das peças publicitárias e promocionais da empresa que o conquista, trazem sempre excelentes resultados para sua imagem, sem contar maior credibilidade e consequentes resultados comerciais. Por tudo isso, é considerado um dos mais importantes e expressivos prêmios para o setor empresarial brasileiro.

notas Síndrome de Down terá Dia Internacional

A cerimônia de premiação

Todas as empresas classificadas em primeiro lugar são convidadas a participar de uma Cerimônia Solene, que neste ano será realizada em setembro, na cidade de São Paulo/ SP, e que tradicionalmente conta com os executivos das empresas laureadas, com os jornalistas e editores das revistas parcerias e demais veículos de imprensa que são sempre convidados. No ano passado, contamos com cerca de 300 empresários e executivos de 7 estados diferentes do país. A Cerimônia conta sempre com atrações artísticas para entreter os convidados. Ao longo desses anos, os participantes apreciaram humoristas famosos como o José Vasconcelos (um dos maiores artistas do Brasil) e o Geraldo Magela (o ceguinho, como ele se autodenomina), o Cantor de música francesa Gilbert, o Circo Spacial, dentre tantas outras atrações.

Os votos

O número de votantes vem crescendo ano a ano. E o Marca Brasil, cada vez mais se tornando mais forte, conhecido, respeitado e reconhecido no mercado. “Analisamos sempre em número de votos e não de pessoas. No passado obtivemos cerca de 45.000 votos”, conta Luciano Targiani, comentando o volume de votos apurados dentre todas as categorias laureadas. Desde o início sua história o Prêmio revela números expressivos, que atestam sua abrangência e credibilidade. Em 13 anos, foram cerca de 400.000 votos apurados, 561 categorias pesquisadas, 26 setores econômicos abrangidos e 639 marcas de empresas laureadas.

Todo mundo ganha !

No Marca Brasil, não só a empresa ou marca apontada pelos votantes é que ganham prêmios. Os participantes que deixam seu voto no site também são agraciados. “Sempre sorteamos dois prêmios para entregarmos na cerimônia de entrega das láureas, para dois votantes que participaram. No ano passado, por exemplo, entregamos 1 computador e 1 home theater”, lembra o organizador do prêmio. “Este ano, possivelmente sortearemos 1 tablet e 1 DVD Blue Ray, além de 2 convites para participação na Cerimônia de Entrega dos Prêmios, todos com direito a 1 acompanhante”, diz Targiani. Sua participação como consumidor, votando através do site, é muito importante não só para as empresas do setor, como também para você usuário dos produtos e serviços que utiliza. Um produto bom, de qualidade, confiabilidade e duradouro, merece seu voto. Um serviço bem prestado também. Nosso segmento de mercado está passando por uma fase de profissionalização, de certificação, de qualificação técnica e tecnológica... Por um processo de busca de qualidade. E você, usuário, pode ajudar a nortear esse mercado, limpando-o daqueles que não prestam um bom serviço e não fabricam ou comercializam produtos de alta qualidade. Participe da votação. Eleja a melhor marca do País dos produtos para reabilitação, inclusão, acessibilidade e colocação da pessoa com deficiência. Faça sua parte. VOTE !!!

PARTICIPE !!!

O site para sua votação é: www.premiomarcabrasil.com.br

No próximo dia 21 de março a data entrará no calendário oficial da Organização das Nações Unidas (ONU). A proposta foi do Brasil e teve apoio de mais de 80 países. O Dia Internacional da Síndrome de Down foi instituído pela Down Syndrome International em 2006, já sendo observado em mais de 60 países, inclusive pelo Brasil, que é um dos países que mais organizam eventos para a comemoração. A data é simbólica porque se refere aos três cromossomos 21 característicos da Síndrome de Down (21/3), que provoca diferentes graus de deficiência intelectual e física e problemas médicos associados. O objetivo da comemoração é disseminar informações e conscientizar a população sobre a importância dos direitos dessas pessoas. A Federação Brasileira das Associações de Síndrome de Down (FBASD) pediu em 2010 o apoio do governo brasileiro para que a data entrasse no calendário oficial da ONU. O projeto ganhou força depois que o Senador Lindbergh Farias apresentou um projeto de lei no Senado para que a data entrasse para o calendário nacional. Para comemorar oficialmente, será realizado em Nova Iorque (EUA), sede da ONU, a Conferência “Construir Nosso Futuro” que discutirá temas como educação inclusiva, participação política, vida independente e pesquisas.

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Fotos: Divulgação - Kica de Castro

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moda e estilo

por Silvia de Castro

Quer mais alegria em sua vida? Use roupas confortáveis, fáceis de vestir e que valorizem o seu visual... e tenha um amigo pet !!!

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essa edição, apresentamos a todos: Rayane Landim, estudante de Direito e modelo fotográfico da Agência de Modelos Kica de Castro, que evidenciou a importância da “pet terapia” em sua vida, trazendo “Mauro” para a sessão de fotos, um pinscher de 3 meses, filho de Alice, sua outra amiga pet há 3 anos. Segundo Rayane, estes nomes são homenagens a seus médicos. Rayane tem PC (paralisia cerebral), consequência da falta de oxigenação no cérebro durante seu nascimento num parto prematuro, o que afetou seus movimentos, e por isso, em seu dia-a-dia, usa muletas canadenses. E para longas distâncias, a cadeira de rodas. Seu estilo é jovem, alegre e descontraído, por isso criei e desenvolvi roupas com “looks” que traduzem esta personalidade, evidenciando a facilidade do vestir e agregando conforto. Desta vez, fiz também uma assessoria na escolha e compra de sandálias e fomos até um shopping de São Paulo, onde nos deparamos com situações que ainda precisam ser melhoradas, por exemplo, o espaço físico das lojas, onde em algumas delas a cadeira de rodas não consegue entrar, outra questão é a carência na variedade de modelos nos tamanhos 32/33, e ainda, apesar da grande oferta de sapatos no Brasil, foi extremamente difícil encontrar modelos de sandálias que “segurassem” os pés de Rayane sobre a palmilha. Durante as provas, assim que Rayane caminhava pela loja, percebi no movimento de seus pés que o dedo maior escorregava para fora da sandália, concluindo então, que o modelo deveria ter tiras na parte traseira para “segurar” os pés e na parte frontal levemente fechado, para “segurar” os dedos sobre a palmilha.

2º. LOOK Corpete e bermuda com tecidos de sarja. Para facilitar o vestir, as peças apresentam os seguintes detalhes: Tecidos com elasticidade; Corpete: fechamento frontal com zíper; Bermuda: fechamento frontal com velcro ao invés de botão e zíper. Resultado: Visual diferenciado, mantendo o estilo jovem.

1º. LOOK Vestido de malha estampada, levemente evasê e fácil de vestir. Resultado: Visual jovem e descontraído, indicado para o estilo da Rayane, e perfeito para um passeio com o seu cãozinho Mauro.


moda e estilo

notas Rede Lucy Montoro inaugura mais uma unidade

“Mauro” Cão de 3 meses da raça pinscher.

Com certeza foi demorado, porém, após muitas tentativas, encontramos um modelo, no qual os pés de Rayane permanecem totalmente sobre a palmilha da sandália durante o caminhar, agregando ainda conforto e fácil combinação, com variadas peças e estilos de roupas, deixando-a mais satisfeita com o resultado. Além dos “pets”, que fazem total diferença positiva na vida das pessoas, tudo o que possa facilitá-la, também a torna mais alegre. Mais uma vez, lembrando que a Moda Inclusiva é de todos e para todos, sendo sua essência a de facilitação no vestir, a praticidade das roupas e ainda a valorização do visual, independente do estilo de cada pessoa. Que esta consciência de inclusão, se torne cada vez mais comum nas criações do “mundo da moda”, e em tudo: roupas, sapatos e acessórios. Encontro vocês por aqui na próxima edição e no meu blog. Abraços a todos !!!

Silvia de Castro é consultora e estilista de moda, especializada em moda e estilo para pessoas com deficiência. Email: scestiloterapia@gmail.com Blog: www.estiloterapia.com.br

O bairro de Vila Mariana, na capital paulista, tem um novo Instituto de Reabilitação desde dezembro passado, localizado na rua Domingo de Soto, altura do 3.600 da rua Vergueiro, ao lado da estação de Metrô Chácara Klabin. A unidade foi instalada no lugar do antigo Centro de Reabilitação Vergueiro, depois Divisão de Medicina de Reabilitação do Hospital das Clínicas (DMR). Com o decreto que instituiu a Rede Lucy, a DMR passou a ser Instituto de Medicina Física e Reabilitação do Hospital das Clínicas de São Paulo (IMREA), ligado à Faculdade de Medicina da USP. A unidade Vila Mariana oferece atendimento pelo SUS, convênios e particulares a pacientes com deficiência física ou doenças potencialmente incapacitantes, que necessitem de reabilitação. Para ser atendido, é preciso apresentar encaminhamento médico da rede pública ou privada. Com investimento de R$ 44 milhões, os dois prédios têm atendimento ambulatorial e 24 leitos de internação, além de laboratórios de habilidades e oficinas terapêuticas, como jardinagem, artes plásticas, têxteis, dança e teatro. A equipe, multidisciplinar, é composta por médicos fisiatras, enfermeiros, fisioterapeutas, psicólogos, terapeutas ocupacionais, fonoaudiólogos, assistentes sociais e outros profissionais especializados. Em área de 10.372 m², a capacidade será triplicada, de 60 mil para 180 mil atendimentos anuais. Referência também em ensino e pesquisa, a unidade fará distribuição gratuita de órteses, próteses e meios auxiliares de locomoção. Totalmente modernizado e com 100% de acessibilidade, o Instituto de Reabilitação Lucy Montoro (IRLM) da Vila Mariana é uma parceria das secretarias de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência e da Saúde. A unidade deverá participar intensamente dos programas de residência médica, aprimoramento, estágios e atividades relacionadas ao desenvolvimento de pesquisas científicas. Além disso, viabilizará cursos para cuidadores, abertos à comunidade e realizará palestras para orientação de pacientes, cuidadores e familiares. A Rede Lucy Montoro foi lançada pelo Decreto 52.973/08 com objetivo de incluir a pessoa com deficiência física na sociedade, a partir do desenvolvimento de suas habilidades e potencialidades. O projeto é de 19 unidades em todo o Estado, sendo 12 já em funcionamento, na capital e interior, além de uma unidade móvel (Morumbi, Clínicas, Lapa, Jardim Umarizal, Vila Mariana, Ribeirão Preto/ SP, São José do Rio Preto/SP, Campinas/SP, São José dos Campos/SP, Jaú/SP, Presidente Prudente/SP e Santos/SP).

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mulher

por Márcia Gori

Como vão as aventuras nas redes sociais ? Vão bem ?

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onversando outro dia com uma amiga no MSN, e esta estava me contando do enrosco sentimental que vivia atualmente, e ela ainda não o conhecia pessoalmente, conversavam toda noite - “namoravam” - faziam planos de se encontrar, se curtirem e viver um lindo momento de romance... Ela com uma deficiência e ele não, ela ansiosa e cheia de expectativas, ele com problemas e protelando a situação. Dentro deste quadro existem muitas de nós, adolescentes, mulheres com deficiência, pessoas quase sem vivência de histórias de amor, poucas situações de paquera, devido todo aquele contexto social que já discutimos e pontuamos aqui (simetria da perfeição da beleza imposta pelo homem médio), mas e como fica uma situação virtual de namoro, acreditamos ou não? Olha, de verdade... Não sei. Mesmo porque são situações novas que estamos vivendo, a mulher com deficiência, devido todas as barreiras arquitetônicas que existem, sai muito pouco de sua zona de conforto para observar o mundo, viver aventuras, paquerar, resultando em uma presa fácil para algumas armadilhas. Não estou dizendo das mulheres que tem as informações nas mãos, sabem o que querem, se beneficiam disto... estas são vividas. A minha preocupação é com as mulheres que tem pouca informação, pouco tem conhecimento de vivências, tornando-se presas fáceis de romances do tipo “felizes para sempre”, às vezes até as que são espertas caem nos contos do vigário, dirá as mais inocentes. O “tour” que faço pela Internet, comunidades, redes sociais da vida, encontro pessoas ávidas em amor e sexo, custe o que custar, com contos exdruxulos escritos, se posicionando como literaturas de nível de Academia Brasileira de Letras, expondo-nos, mulheres com deficiência, como se não passássemos de um coto, uma cadeira de rodas, um par de muletas... comparando-nos a um “petisco”, que se degusta em uma mesa enquanto se está cozinhando. Talvez em outros tempos, eu riria. Talvez... Atualmente não rio de situações tão humilhantes que um homem coloca uma mulher na condição de “coisa”, de objeto de um desejo quase insano pela deficiência, como se esta não passasse de uma mera “vagina com deficiência”... ou sei lá o que ? Na 3ª Conferência Nacional de Políticas para Mulheres, em dezembro de 2011, estivemos em um número considerável, em torno de 30 mulheres com deficiência, lutando e reivindicando os nossos direitos e dizendo para todos os movimentos feministas: “olha estamos aqui e também queremos participar”... Foi lindo, emocionante, uma conquista muito grande que tivemos. Todo este trabalho está sendo feito por várias de nós, para que consigamos tirar da exclusão, da ignorância, de situações de dependência emocional muitas destas mulheres que acreditam ser normal o abuso, o descárnio, o descaso, o estupro, as agressões deste mundo para com os seus sentimentos e fragilidades. Podem dizer o que quiserem, que estas mulheres de movimentos feministas não gostam de homens, de sexo, ou seja lá o que for, mas na realidade, o que não gostamos e compactuamos são com essas situações de explorações de sentimentos, incutindo ilusões, colocando-nos em uma história como se fossemos objeto sem sentimentos, valorizando muito mais as nossas deficiências, desvalorizando nossos sentimentos e rindo de nossas dependências.

Isso tem que um dia ter um basta ! Alguns vão dizer: “mas estas mulheres sabem o que querem, elas são safadas”... Será que sabem mesmo ? Ou temos a síndrome da Bela Adormecida ? Acreditamos que estamos “adormecidas” para o amor e um dia vem o belo Príncipe Encantado em seu cavalo branco e nos acordam com um longo e apaixonado beijo ? Cuidado !!! Muitas vezes o sapo vem disfarçado em príncipe e com os recursos que temos hoje, demora-se, e muito, a descobrir que o dito cujo é um “sapo asqueiroso”, cheio de falhas de caráter, e na descoberta, nós que ficamos muito mal com nossa escolha. Mas é a verdade nua e crua que vejo e converso com muitas de nossas meninas... A decepção, a raiva, a angústia e o medo de nunca mais conseguir se relacionar com ninguém, devido às frustrações que foram causadas. E aí, vocês vão perguntar: “o que fazer então?... Deixar de viver e se arriscar para a vida ?” Justo você que há meses atrás veio nos dizer para nos arriscarmos e viver a vida intensamente ? Será que eu estou sendo incoerente ? O que presencio e digo sempre, “viver e não ter vergonha de ser feliz”, mas seja cautelosa antes de tudo com você mesma. Por ser mulher, já somos criadas em desvantagem do homem, somos criadas para silenciar e servir, com aquele ditado milenar: “ruim com ele, pior sem ele...” Uma cultura machista de séculos incutidos em nossas células, como mantras para serem seguidos e obedecidos. Sempre ame-se, cultue-se, admire-se em primeiro lugar. Porque autoestima elevada serve de antídoto a exploradores e aproveitadores. As mulheres quando tem consciência dos seus valores na sociedade, fica difícil se transformar em “petisco antes do jantar”... ao contrário, ela é predadora tanto quanto o seu caçador, tem os dentes e garras tão afiadas que retaliam qualquer situação de desvantagem e humilhação em que for colocada. Contudo, jamais será vítima por livre e espontânea vontade, jamais será algoz sozinha e nem necessitará de ajuda para degustar a sua presa indefesa, porque ela é forte e sagaz. Até o nosso próximo encontro!!! Márcia Gori é bacharel em Direito-UNORP, Idealizadora da Assessoria de Direitos Humanos - ADH Orientação e Capacitação LTDA, Ex-presidente do Conselho Estadual para Assuntos da Pessoa com Deficiência - CEAPcD/ SP 2007/2009, ex-Conselheira Estadual do CEAPcD/ SP 2009/2011, Presidente do Conselho Municipal da Pessoa com Deficiência de São José do Rio Preto/SP, membro do CAD - Clube Amigos dos Deficientes de São José do Rio Preto/SP. Idealizadora do Seminário sobre Sexualidade da Pessoa com Deficiência na 2010/2011, palestrante sobre Sexualidade, Deficiência e Inclusão Social da Pessoa com Deficiência, modelo fotográfico da Agência Kica de CastroFotografias. E-mail: marcia_gori@yahoo.com.br Blog: http://mrciagori.blogspot.com/


por Alex Garcia

espaço aberto

Surdocegueira

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da mediação à guia-interpretação

á alguns anos estou me deparando na Surdocegueira, através de minhas orientações a Surdocegos, educadores e famílias, que certas atribuições estão sendo mal interpretadas e assim observo a relação causal do não desenvolvimento real de muitos Surdocegos no Brasil. A má interpretação que destaco, diz respeito à mediação e a guia-interpretação para nós, Surdocegos. Má interpretação obviamente que possui duas faces - o interesse e o desconhecimento. Não vou questionar neste momento o interesse, e, portanto não observarei aspectos políticos da Surdocegueira, mas sim, me deterei nas reflexões e abordagens específicas da mediação e na próxima edição abordarei a guia-interpretação como fundamentais para nosso desenvolvimento. A mediação em Surdocegueira Sem dúvida, historicamente no Brasil, a grande barreira para nós Surdocegos tem sido a quase inexistência de mediadores capazes de colaborar de forma funcional com nossas primeiras interações com o meio, tendo em vista nossa condição de Surdocegos. O contato habitual de certas pessoas com o Surdocego pressupõe que elas sabem os efeitos que tem a comunicação para nós. Sabendo isso esta pessoa pode e deve agir como mediador em ocasiões

específicas e gerais, sempre buscando satisfazer a necessidade de interação que se produz naturalmente em nós Surdocegos tendo em vista nossa condição. Esta questão, obviamente deve sempre trazer duas básicas reflexões: primeiro se és mediador deve se manter como tal, e segundo, que o mediador pode ser um familiar e profissionais de outras áreas, mas devem estar de fato, unidos com o Surdocego neste papel de mediação compreendendo que a mediação e a interação que desta resulta deve ser ao máximo possível, pontual e útil ao Surdocegos. Estas duas reflexões que acabo de destacar são fundamentais no processo de mediação. Tão importante que é nelas e em sua real compreensão que repousa a “ineficiência” da mediação para Surdocegos no Brasil. O mediador e a mediação O mediador é aquela pessoa que conhece os meios de comunicação e juntamente com o Surdocego, colabora com a interação prática deste com o meio. “O mediador e sua forma de agir é uma resposta direta aos atos e necessidades da Pessoa Surdocega e ao tipo de apoio que esta precisa em cada momento” (Mclnnes, 1999). Mclnnes, 1999, também define a mediação “como um processo que tem como propósito permitir que o Surdocego estabeleça e mantenha um domínio máximo sobre o meio de acordo com o

CVV: a vida de uma ceveviana com deficiência visual !!! Olá, amigos e amigas da Revista Reação ! Chamo-me Jeisecler Maciel Boeira. Tenho 20 anos. Sou uma pessoa com deficiência visual – cegueira total. Resido na cidade de São Marcos/RS. Vou contar para vocês um pouco sobre o projeto CVV - Centro de Valorização a Vida, onde trabalho desde o dia 11 de agosto de 2011. Esse projeto se deu devido ao grande número de suicídios em nossa cidade, só em 2011 tivemos 5 registros. As pessoas ligam para o projeto CVV a fim de desabafarem. Elas têm necessidade de falar e talvez em casa não encontrem a pessoa que tire um tempo para ouvi-las. E eu estou no CVV para isso ! Todas as pessoas que trabalham no CVV são voluntárias. Minha família me dispensa total apoio para que desenvolva este trabalho e acima de tudo, fui bem recebida no CVV – Centro de Valorização da Vida. Nunca alguém questionou minha capacidade, muito pelo contrário, até no início eu achava que não seria capaz de fazer esse trabalho, mas as coordenadoras do curso fizeram questão que eu retornasse e fizesse todo o curso para assumir um plantão de 4 horas semanais. Para mim é algo maravilhoso ! A cada pessoa que atendo me sinto realizada por

saber que só o fato de ouvi-las, dizer uma palavra amiga, elas já desligam o telefone bem mais felizes. E os amigos, depois que comecei, me ligam para pedir conselhos ou até mesmo por Messenger, já colaborei com as pessoas que estavam tristes a sentirem-se melhor. Algumas pessoas sabem que sou cega, mas quando as atendo por telefone não comento, pois, não acho necessário. No meu primeiro dia, fiz um atendimento pessoal. Quando a pessoa chegou aqui estava triste e chorando e agora todas as quintas-feiras ela liga, pois encontrou em mim uma amiga em quem ela confia. Enfim, essa sim é a razão por estar hoje no CVV, mostrando as pessoas a verem mais o mundo com os olhos do coração !!!

Jeisecler Maciel Boeira Estudo da Escola Estadual São Marcos – é voluntária no CVV - Centro de Valorização a Vida.

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espaço aberto nível de sua capacidade física e seu nível de funcionamento sendo um processo que tem lugar entre o surdocego e a pessoa que apoiadora, no qual a deficiência provocada pelas perdas de visão e audição se minimiza”. Assim a mediação possui características dinâmicas que tem por objetivo romper com o isolamento do Surdocego observando-se as questões específicas: Surdocegos pré-simbólicos (congênitos) precisam receber uma mediação essencial para que desenvolvam linguagem, comunicação e fluidez em uma língua. É comum no Brasil encontramos guias-intérpretes (este tema será abordado posteriormente) atuando como mediadores destes Surdocegos. Pensa-se equivocadamente que o conhecimento de modelos alternativos de comunicação do guias-intérpretes irá favorecer, o que de fato não acontece, pois nestes casos, não se trata de capacidade comunicativa, mas sim de capacidade lingüística (signos, símbolos e significados). Surdocegos pós-simbólicos (adquiridos) precisam receber uma mediação como apoio para a adaptação, ou seja, adaptar-se a sua nova condição de Surdocego e fundamentalmente aprender um novo modelo de comunicação. O mediador, tendo o papel de intérprete, de guia, de educador, acaba por se tornar companheiro, objetivando sempre que os Surdocegos cheguem a serem capazes de fazerem escolhas e tomar suas próprias decisões de acordo com seus níveis de independência, intervindo sempre dentro de um programa organizado para atender pessoas Surdocegas e que se envolvem outros profissionais, assim o mediador apóia todo tipo de Surdocego de acordo com a mediação necessária, caso a caso.

Alex Garcia

é gaúcho e Pessoa Surdocega. Presidente da Agapasm. Especialista em Educação Especial. Autor do livro “Surdocegueira: empírica e científica”. Vencedor do II Prêmio Sentidos. Rotariano Honorário - Rotary Club de São Luiz Gonzaga/RS. Líder Internacional para o Emprego de Pessoas com Deficiência pela Mobility International USA/MIUSA. Membro da Federação Mundial de Surdocegos. Site: www.agapasm.com.br E-mail: contato@agapasm.com.br

justiça

Piadas sobre PcD rendem processo contra Rafinha Bastos

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2ª Vara Cívil de São Paulo, no início de fevereiro, concedeu liminar determinando a retirada de circulação do DVD: “A Arte do Insulto”, do humorista Rafinha Bastos. A Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE) entrou com ação por entender que houve insulto “à honra e à imagem” das pessoas com deficiência intelectual, que foram chamadas de “retardados” no vídeo. Cabe recurso. Além de retirar o material para vendas, o humorista também deverá tomar providências para que o material não seja veiculado na TV ou Internet, além de apresentar à Justiça provas de que tomou as medidas solicitadas. O juiz também estabeleceu multa diária de R$ 20 mil pelo não cumprimento e de R$ 30 mil por cada menção que fizer à APAE ou portadores de deficiências de maneira degradante, por palavras, escritos, objetos, gestos ou expressões corporais. A ação ainda se desenrola na Justiça. Se condenado, Rafinha ainda poderá pagar R$ 100 mil para a APAE, R$ 100 mil para um fundo de defesa dos direitos difusos e 10 salários mínimos (cerca de R$ 6 mil) a cada associado da instituição que se sentir ofendido pelas piadas. De acordo com os autos, a APAE reclama que, em dado momento do show, Rafinha Bastos faz a seguinte piada: “Um tempo atrás eu usei um preservativo com efeito retardante... efeito retardante... retardou... retardou ... retardou... tive que internar meu pinto na APAE... tá completamente retardado hoje em dia... eu tiro ele prá fora e ele (grunhidos ininteligíveis).” Durante os grunhidos, ele faz gestos desconexos simulando ter alguma doença mental. Com a proibição da venda, Rafinha resolveu distribuir o DVD em plena avenida Paulista, no dia 6 de fevereiro. “Vender eu não posso, mas e se eu desse de graça?”, perguntou ele no início do vídeo. Ele chegou a “presentear” policiais que faziam ronda no local. Gravada em vídeo, a intervenção também foi feita em estações do Metrô paulistano. Não é a primeira vez que humoristas se utilizam de deficiências para fazer “graça”. No ano passado mesmo, o programa Comédia MTV apresentou o quadro “Casa dos Autistas”, gerando intensa polêmica e também um processo por uma família que se sentiu ofendida. A MTV se retratou publicamente e a Justiça concedeu direito à indenização.


por Suely C. de Sá Yanez

ponto de vista

“Desorientação e Imobilidade” Reflexão...

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ste artigo é para que possamos refletir sobre algumas “sutilezas” que podem estar, a certo prazo, contribuindo para a perda ou distorção de alguns princípios e realidade, básicos, da visão de muitas pessoas sobre deficiência. Algumas situações podem passar despercebidas por estarem inseridas num contexto mais amplo, porém, não podemos ignorá-las. Hoje algumas atitudes podem parecer pequenas, sem importância, mas podem ser desastrosas!

Vamos abordar o assunto...

De alguns anos para cá por conta das políticas inclusivas, inserção e ascensão social por parte das pessoas com deficiência, muitos produtos e serviços foram criados para atenderem a esse público. Este fenômeno social fez com que surgissem várias outras práticas que envolvem diretamente a participação de pessoas com deficiência como elemento central e, portanto, fundamental para legitimar a existência de tais movimentos, pois associar suas imagens a projetos e produtos se tornou sinônimo de responsabilidade social para governos e empresas, sendo, portanto, até um marketing positivo. Muitos projetos envolvendo as PcDs, governos e empresas, de certa forma, foram bem sucedidos e renderam bons frutos para ambas as partes. Porém, não podemos deixar de olhar para algumas questões preocupantes existentes nessa relação. Como por exemplo, podemos citar a elaboração de dinâmicas envolvendo “deficientes” e “não deficientes”, desenvolvidas por pessoas que “não são profissionais da área”. Essas dinâmicas geralmente visam passar uma noção de como é o dia-a-dia das pessoas com deficiência ao serem realizadas tarefas comuns, como se servir sem enxergar na hora do almoço ou usar um banheiro não adaptado com uma cadeira de rodas, dentre outras... Algumas dessas atividades acontecem em locais fechados e se limitam aos extremos de suas dependências, mas outras são realizadas nas ruas e avenidas, expondo, algumas vezes, seus participantes a riscos desnecessários.

Vamos, com muito zelo, citar uma situação.

Dentre muitos eventos, podemos citar, por exemplo, o evento ciclístico World Bike Tour realizado no dia 25/01/2012, na cidade de São Paulo, que pela quarta vez promoveu semanas antes o chamado Evento de Inclusão. Este Evento foi e é muito importante e, sem dúvidas, uma excelente iniciativa. Trata-se de um passeio pela cidade em que pessoas são convidadas a utilizar ônibus, trens, metrô e táxi como se fossem pessoas com deficiência. Alguns têm seus olhos vendados, outros recebem cadeiras de rodas e todos partem para as ruas com o objetivo de “sentirem na pele” algumas dificuldades vividas por quem tem algum tipo de limitação física ou sensorial... Porém, na vida real, longe da fantasia e euforia de eventos dessa natureza, as pessoas que realmente têm alguma deficiência geralmente passam por algum tipo de programa de Orientação e

Mobilidade, Reabilitação, oferecidos por instituições competentes. Para encarar obstáculos arquitetônicos, falta de transportes adaptados e tantas outras barreiras que a cidade nos traz são necessários certos ‘treinamentos’, ministrados por profissionais devidamente capacitados e formados. Durante o percurso promovido pelo Evento citado acima, encontramos situações constrangedoras para os ‘deficientes de primeira viagem’. Por exemplo, uma pessoa vendada sendo guiada por outra que nunca havia guiado um cego acabou por esbarrar seguidas vezes em outras pessoas, tropeçando em escadas e declínios, batendo o rosto em postes e barras de apoio no interior de ônibus e trens. Para os ‘cadeirantes de mentira’ a tarefa de se locomoverem com a cadeira de rodas foi extremamente cansativa e lenta. Entrarem em um coletivo então nem se fala! Os pisos táteis instalados nas estações do Metrô servem para que pessoas com deficiência visual transitem com total autonomia, simplesmente caminhando ao seu lado, usando a bengala para localizá-los. No Evento de Inclusão, um cidadão vendado foi literalmente obrigado a andar em cima do piso enquanto seu guia ficava a alguns passos à frente repetindo: - Pode vir, pode vir..., pode vir, pode vir..., continue, continue..., vai, vai..., pode vir, pode vir..., não pare, não pare..., pare, pare, pare, pare..., para cá, para cá, para cá..., direita, direita, direita, foi muito! Volta, vooooolta! Concluindo: ao fim do passeio, a maioria dos deficientes de mentira declarou serem horríveis, aterrorizantes as sensações vividas e vão para casa com falsas idéias sobre o que é ter uma deficiência. Os “deficientes de verdade” não vivem se batendo nas ruas ou caindo em degraus, muito pelo contrário, sabem exatamente onde estão e para onde devem ir em seus caminhos rotineiros e quando vão para locais desconhecidos conseguem se informar e chegar em segurança, pois foram “treinados”, capacitados para isso. Manusear uma bengala ou uma cadeira de rodas requer tempo e treinamento adequado. Para guiar uma pessoa com deficiência visual basta perguntar se ela quer ajuda e, se ela quiser, é só deixar que segure em seu antebraço, acima do cotovelo e tudo estará resolvido! Por isso, devemos reavaliar alguns conceitos e estratégias inadequadas que, até sem intenção, podemos estar aplicando, semeando uma distorção no entendimento da sociedade em relação à deficiência. *Fonte: Renato José da Silva. Músico, Consultor Braille, formado em História, possui deficiência visual há 15 anos (Email: renatoerudito@hotmail.com)

Suely Carvalho de Sá Yañez é Terapeuta Ocupacional especializada em Orientação e Mobilidade para pessoas com deficiência visuaL e atua na área de reabilitação.

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evento

Reatech 2012

Feira cresce e faz versão internacional !!!

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m seu 11º ano de funcionamento, a Feira Internacional de Tecnologias de Reabilitação, Inclusão e Acessibilidade (REATECH) será realizada de 12 a 15 de abril no Centro de Exposições Imigrantes, na capital paulista. É esperado um crescimento de 10% no número de visitantes, chegando aos 48 mil, mas o de expositores deve ficar na casa dos 250 da edição passada, já que houve um forte incremento em 2010-2011. A feira é a mais respeitada no setor na América Latina, e costuma receber convidados de vários países, interessados em novos conhecimentos e soluções. Trabalhando de forma concreta para a acessibilidade, a inclusão e a reabilitação, a feira é uma referência para profissionais e o público em geral. Para se ter uma ideia do sucesso do evento, basta conferir os resultados da pesquisa realizada no ano passado com os visitantes: 96,80% dos entrevistados disseram que a Reatech superou as expectativas e 99,20% afirmaram que voltariam na próxima edição. A feira tem se consagrado também como um importante local de discussão e aprendizagem. O avanço dos congressos realizados é uma prova real do interesse dos profissionais e público em geral.

Em 2011, por exemplo, foram realizadas mais de 300 palestras em quatro dias. Para a nova edição já foram confirmados: XI Reasem Seminário de Tecnologias de Reabilitação e Inclusão; VI Seminedi – Seminário Internacional de Educação Inclusiva; Reamed – Congresso Brasileiro de Reabilitação Ocupacional; III Seminário A Sexualidade na Vida da Pessoa com Deficiência; XI Reashow – Seminário dos Expositores e III Tecfisio – Seminário de Tecnologias Avançadas em Fisioterapia. Serão realizados ainda dois eventos paralelos: a Fisiotech – IV Feira Internacional de Tecnologias em Fisioterapia e a 4ª Feira Nacional da Pessoa Idosa. O público poderá também contar com o Reafashion – Desfile de Moda Adaptada, espaço para equoterapia, test-drive de carros adaptados, quadra de esporte, pista de atletismo e muitos shows em palco especialmente montado. Neste ano o Grupo Cipa, organizador do evento, devido ao sucesso aqui no Brasil, fará seu primeiro evento internacional, a Reatech Milano, na Itália. Até o final de janeiro já foram acertados 60 expositores e está sendo organizada a grade de palestras e outras atrações. A nova feira será realizada no mês de maio.

SERVIÇO

Data: 12 a 15 de abril de 2012 Local: Centro de Exposições Imigrantes Rodovia dos Imigrantes, Km 1,5 Entrada gratuita Mais informações e crachás antecipados: www.reatech.tmp.br


ABOTEC colabora para criação do Plano Nacional da Pessoa com Deficiência ! Iniciativa prevê investimentos de até R$7,5 bi e integra ações de 15 órgãos federais sob a coordenação da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República

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Associação Brasileira de Ortopedia Técnica vai ajudar o Governo Federal a beneficiar mais de 45 milhões de pessoas com algum tipo de deficiência (IBGE 2010) e as cerca de 7 mil empresas do setor. Desde novembro de 2011, o órgão Federal vem implantando o projeto Viver sem Limite, que integra o Plano Nacional da Pessoa com Deficiência e terá a participação da ABOTEC e outras entidades ligadas ao setor. A iniciativa integra ações de 15 órgãos federais, sob a coordenação da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República. Com investimentos de até R$ 7,5 bilhões até 2014, o plano visa atender quatro diferentes eixos: educação, acessibilidade, saúde e inclusão social. Para que os recursos destinados pelo programa tenham o melhor aproveitamento possível, o Governo Federal conta com o envolvimento das entidades privadas, representadas em boa parte pelas três associações, como orientadoras das necessidades da indústria e dos consumidores dos produtos de tecnologia assistiva. Prova

disso, é a participação da ABOTEC nas comissões do Plano Nacional, como o Comitê de Ajudas Técnicas (CAT). Para Joaquim Cunha, presidente da ABOTEC, o programa do Governo poderá trazer uma série de benefícios para os consumidores e a indústria. “Com a possibilidade de obter esse microcrédito, as pessoas que possuem necessidade de tecnologia assistiva poderão ter livre escolha de procurar qual é o melhor produto, dentro daquilo que ela busca. A iniciativa vai gerar competitividade entre as empresas, estimulando a qualificação”, explica. Outra meta dentro do escopo do Plano Nacional é chegar até 2014 com um número maior de profissionais qualificados para a prestação de serviços que possam atender a indústria e as pessoas com deficiência. Nesse processo estão inclusos a criação de 19 Centros de Formação Técnica de Profissionais, cerca de 660 protesistas e ortesistas, além de 45 Centros de Referência de Reabilitação (intelectual, visual, física e auditiva). Há anos, a ABOTEC vem promovendo cursos técnicos de


notas capacitação para ortesistas e protesistas, por isso, reconhece a importância da qualificação de profissionais do setor. “Sabemos dessa necessidade, porque quando se fala de Tecnologia Assistiva nos referimos aos serviços e produtos especializados e, principalmente, personalizados. Por isso, é de extrema importância a capacitação dessas pessoas que os assistem e que produzem os equipamentos que vão auxiliá-los. Mas, o mais importante é que a política voltada para esse atendimento e assistência venha a priorizar a qualidade e não o atendimento em massa”, comenta Cunha. Com relação às atividades profissionais, será estimulado o ingresso da pessoa com deficiência no mercado de trabalho, com a garantia do retorno ao Benefício de Prestação Continuada (BPC), no caso de desemprego, e a possibilidade de acúmulo do benefício com a renda do contrato de aprendizagem. Além disso, por meio do Programa BPC Trabalho, beneficiários serão acompanhados e orientados, com o objetivo de incluí-los no mercado de trabalho.

A representatividade das entidades do setor A força e a representatividade da ABOTEC, juntamente com a ABRIDEF (Associação Brasileira das Indústrias e Revendedores de Produtos e Serviços para Pessoas com Deficiência) e a ABTECA (Associação Brasileira de Tecnologia Assistiva), no desenvolvimento de ações às pessoas com deficiência, fez com que as entidades fossem convidadas pelos órgãos do Governo Federal, por meio dos ministérios de Ciência e Tecnologia e dos Direitos Humanos, a participar do Plano Nacional, apoio esse oficializado em novembro, com a entrega do documento de intenções assinado pelas três entidades. Juntas as instituições representam diretamente cerca de 400 empresas do segmento.

Nissan patrocinará Jogos em 2016

Os Jogos Olímpicos e Paralímpicos de 2016 terão carros oficiais da marca. Cerca de 4.500 veículos da Nissan de diversos tipos, entre sedans top, sedans médios e SUVs, atenderão atletas, oficiais técnicos, mídia, equipes operacionais, Comitês Olímpicos Nacionais, Federações Esportivas Internacionais, Comitê Olímpico Internacional (COI) e parceiros comerciais. A frota priorizará energia limpa (álcool e eletricidade), apoiando os esforços do Rio 2016 para atingir as metas de sustentabilidade dos Jogos. A acessibilidade para pessoas com deficiência também foi considerada na oferta de produtos. A Nissan também desenvolverá um programa de incentivo a jovens atletas em sua preparação para os Jogos e programas de marketing destinados a disseminar a experiência Olímpica por todo o Brasil.

Tecnologia Assistiva terá grande impulso em 2012

Serão conhecidos no próximo dia 10 de julho, os resultados de uma chamada pública lançada pela Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP), do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), sobre novos projetos na área de Tecnologia Assistiva, que deverão ser apresentados em conjunto por empresas e instituições científicas e tecnológicas. Os investimentos, anunciados em dezembro passado, foram de R$ 20 milhões, que não precisam ser devolvidos, com o objetivo de desenvolver produtos, metodologias, estratégias, práticas e serviços que aumentem a autonomia e a qualidade de vida de idosos, pessoas com deficiência ou com mobilidade reduzida. Foram propostas quatro linhas temáticas, cada uma voltada para um tipo específico de deficiência: visual, auditiva, física e múltipla. Softwares de reconhecimento de voz, impressoras Braille, tecnologia nanoeletrônica aplicada a aparelhos auditivos e próteses para articulações são alguns exemplos de produtos que podem ser viabilizados por esses recursos, que fazem parte do Plano Nacional dos Direitos das Pessoas com Deficiência - Viver sem Limite - lançado pelo Governo Federal. Pelo menos 30% do montante deverão ser aplicados nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste.

Autorizado financiamento com taxas especiais para PcD

Pessoas com deficiência que ganham até 10 salários mínimos mensais poderão ter acesso a financiamentos de até R$ 30 mil com recursos do microcrédito. O Conselho Monetário Nacional (CMN) regulamentou em 26/01 a medida provisória de novembro passado que estendeu a modalidade à compra de bens destinados a pessoas com deficiência, como cadeiras de rodas e próteses. A lista dos produtos será divulgada pelos ministérios da Fazenda e Ciência e Tecnologia, além da Secretaria dos Direitos Humanos. Atualmente, os bancos são obrigados a destinar 2% dos depósitos à vista para o microcrédito, o que totaliza cerca de R$ 1 bilhão disponíveis. Parte desses recursos é que será destinada a pessoas com deficiência. Os juros efetivos não poderão ser maiores que 2% ao mês. Além disso, o valor da taxa de abertura de crédito (TAC) não deverá ser superior a 2% do valor total do empréstimo. As operações terão prazo mínimo de 120 dias. Esse prazo pode ser menor, desde que a TAC seja reduzida na mesma proporção. O chefe do Departamento de Normas do Banco Central, Sérgio Odilon dos Anjos, explicou em entrevista à Agência Brasil, que a autorização para esses empréstimos não terá impacto na concessão de microcrédito destinado a investimentos produtivos. Até julho de 2013, os bancos terão de destinar 80% da parcela de 2% dos depósitos à vista para o microcrédito produtivo orientado (MPO). “O restante poderá ser oferecido para o microcrédito para consumo ou para os empréstimos a pessoas com deficiência”, esclareceu.


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Acessibilidade, direito de todos !!! Muito se fala em acessibilidade e mobilidade urbana. O que se ouve dizer pelo Brasil a fora, é que todas as cidades do País tem que obrigatoriamente estar acessíveis até 2014. Isso procede ? Seria muito bom que fosse verdade... Será que os municípios brasileiros e seus governantes estão preparados para essa mudança ?

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odas as pessoas têm direito à acessibilidade, poder ir e vir sem ajuda, o que garante o acesso à educação, à saúde, ao trabalho, ao transporte, à moradia e ao lazer, entre outros itens. Para alguns grupos, ela é ainda mais importante, como: idosos, gestantes, crianças, obesos e pessoas com deficiências. Tornar as cidades acessíveis é um desafio urgente e que tem estado na pauta dos governos: federal, estaduais e municipais, embora ainda exista muita coisa a ser feita. Em matéria de legislação, até que o Brasil se sai bem, estando entre os países mais avançados nesse quesito. Entre as principais leis, duas são fundamentais: a Nº 10.048/00 e a Nº 10.098/00, regulamentadas pelo Decreto Nº 5.296/04. Foram assim definidos os critérios básicos para promover a acessibilidade às edificações, novas ou antigas, vias públicas, mobiliários urbanos, sistemas de comunicação, transportes de uso coletivo e prestação de serviços públicos, não só às pessoas com deficiência, mas também àquelas com mobilidade reduzida. Desde 2004 então, as autoridades governamentais das três esferas ficaram obrigadas a garantir o cumprimento das demandas estabelecidas nos textos legais. É preciso instituir políticas públicas para que as cidades sejam efetivamente acessíveis a todas as pessoas, aplicando-se o conceito do Desenho Universal e adotando as normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), que estabelecem parâmetros para projetos e execuções. O ano de 2014, com a realização da Copa do Mundo no Brasil, trouxe novas expectativas para que os edifícios públicos e os privados, destinados ao uso coletivo, assim como as cidades de forma geral, estejam efetivamente adaptadas, o que pressupõe acessibilidade e mobilidade urbanas. A questão tomou novo impulso com o lançamento do projeto federal chamado de “Viver sem Limite”, em novembro passado, que contempla ações nesse sentido. A busca pela acessibilidade nas cidades de uma forma geral, principalmente nas que serão sedes dos jogos da Copa 2014 e as chamadas cidades sub-sedes, virou uma questão de honra e de compromisso. Porém, apesar de muitas estarem se mexendo nesse sentido, algumas muitas ainda parecem não ter avaliado o prejuízo que terão, tanto

financeiro quanto social, em não estarem preparadas para receber os turistas internos e externos com alguma mobilidade reduzida, dificuldade de locomoção ou deficiência, seja ela: física, auditiva, visual, intelectual ou múltipla. O Brasil vive um momento mágico na questão da inclusão. E é muito bom notarmos também a preocupação de muitos municípios em estar adaptando suas ruas, prédios públicos e promovendo campanhas junto aos moradores, empresas e comércio local, afim de trabalhar em prol da inclusão e da acessibilidade aos cidadãos com deficiência, independentemente da Copa do Mundo sequer passar perto da sua região. Isso é conscientização, é cidadania, é respeito ao cidadão. Motivo de orgulho. Afinal, estamos vivenciando essa mudança no Brasil de hoje. Do século 21. Mas antes tarde do que nunca !

Avaliação “Percebo que acessibilidade hoje é um dos assuntos mais discutidos do momento, mais do que quando me acidentei, há quase 14 anos. Também enxergo mudanças físicas nas cidades em relação a esse assunto”, ava-lia Lu-ciene Gomes, cadeirante, arquiteta e urbanista formada na USP, mestranda na área de acessibilidade da Universidade Federal de São Carlos/SP, e sócia do escritório “Plano Livre - Arquitetura e Acessibilidade”, especializado em projetos de acessibilidade e consultoria na área. Também participa da Comissão Permanente de Acessibilidade e da Comissão de Desenvolvimento Urbano de São Carlos/SP, onde mora. “Hoje, por exemplo, vemos por vários locais vagas destinadas a PcD e idosos, apesar de nem sempre serem respeitadas, e alguns ônibus também adaptados. O ‘habite-se’ só deve ser liberado se o projeto contemplar a acessibilidade. Estou usando estes como alguns exemplos de mudanças, mas ainda estamos muito longe de termos uma situação próxima da satisfatória”, afirma a arquiteta. Para ela, o poder público é muitas vezes omisso em relação à fiscalização e adequação de seus próprios edifícios. Ela cita como exemplo de inexistência de fiscalização o fato de empreendimentos com rampas fora da norma, ou com uma porta estreita, uma vaga com dimensões er-


69 radas: “nem sempre o profissional entende de verdade do que está fazendo em relação à acessibilidade e consertar depois é sempre mais difícil”, garante Luciene. “Sinalizar erroneamente o caminho do da pessoa com deficiência visual pode causar um grande transtorno, já que a sinalização com o piso tátil pode ser sua única referência. Errar pode ser tão perigoso quanto a não existência da sinalização” explica a especialista.

Prazos e metas Fernando Antonio Medeiros de Campos Ribeiro, assessor da Secretaria Nacional de Promoção dos Direitos da Pessoa com Deficiência – antiga CORDE, de Brasília/DF, montou uma tabela com alguns prazos do Decreto Nº 5.296/2004. Sobre punição pelo descumprimento, ele lembra que a Lei Nº 10.098/2000 e o Decreto, ao contrário do que se comenta no setor, NÃO prevêem penalidades para o descumprimento dos prazos citados. Edificações de uso público ou coletivo já existentes (junho de 2007): garantia de pelo menos um acesso ao seu interior, com comunicação em todas as suas dependências e serviços, livre de barreiras e obstáculos; garantia de pelo menos um banheiro acessível por pavimento, com entrada independente; Dois por cento da lotação do estabelecimento para pessoas em cadeira de rodas, distribuídos pelo recinto em locais diversos, de boa visibilidade, próximos aos corredores, devidamente sinalizados, distribuídos pelo recinto em locais diversos, de boa visibilidade, próximos aos corredores, devidamente sinalizados,distribuídos pelo recinto em locais diversos, de boa visibilidade, próximos aos corredores, devidamente sinalizados, distribuídos pelo recinto em locais diversos, de boa visibilidade, próximos aos corredores, devidamente sinalizados, evitando-se áreas segregadas de público e a obstrução das saídas, em conformidade com as normas técnicas de acessibilidade da ABNT para edificações de uso público e dezembro de 2008 para edificações de uso coletivo; estabelecimentos de ensino de qualquer nível, etapa ou modalidade, públicos ou privados, acessíveis; transporte rodoviário com prazo máximo para frota e infraestrutura até dezembro de 2014.

edifícios públicos ou privados destinados ao uso coletivo, assim como as calçadas nas áreas públicas, loteamentos novos e nas reformas. O “habite-se” só será liberado quando todas as questões forem contempladas. Também há uma porcentagem de ônibus adaptados e o serviço porta a porta que busca a PcD com prévio agendamento. Os edifícios mais antigos, públicos ou privados de uso coletivo, ainda não estão totalmente acessíveis. Como o prazo já expirou, há uma ação civil pública em que a prefeitura da cidade se comprometeu em adaptar todos os prédios públicos municipais até novembro de 2013. De acordo com a arquiteta Luciene Gomes, as habitações sociais nos novos loteamentos são entregues com acessibilidade e desenho universal, mas sem rampas e calçadas. “As calçadas são muito ruins, as guias que devem ser rebaixadas, mesmo as que foram executadas corretamente, dificultam o acesso do cadeirante porque é muito comum que haja uma diferença entre o asfalto e a guia. Muitas não são devidamente sinalizadas e conservadas”, conta a arquiteta. Para ela, a fiscalização é insuficiente e a maioria das lojas do comércio não está preparada fisicamente para atender a pessoa com deficiência. Já as universidades estão procurando se adequar, porque são bastante cobradas. Luciene mostra vários locais da cidade de São Carlos para mostrar erros e acertos em relação à acessibilidade. As fotos foram tiradas pela mãe dela, dona Cristina Gomes. Acompanhe:

A cidade de São Paulo/SP tem nova legislação sobre calçadas Quem é cadeirante ou PcD visual está acostumado à uma verdadeira corrida de obstáculos para conseguir andar nas calçadas paulistanas. É falta de padrão, é buraco, é obstáculo para tudo quanto é lado. Em 9 de janeiro de 2012 entrou em vigor uma nova legislação

ASSIM PODE !

A experiência de São Carlos/SP Localizada no centro geográfico do Estado de São Paulo, com mais de 220 mil habitantes, a cidade de São Carlos é conhecida como “capital da tecnologia”, por seus centros de pesquisa e ensino, além de ser polo industrial e ter forte atividade agropecuária. Em 2010 foi instituída a Comissão Permanente de Acessibilidade (CPA), responsável pela elaboração de um folder que mostra como construir uma calçada adequada. O município também elaborou o Código de Obras e Edificações, que reafirma a obrigatoriedade da acessibilidade em

Passagem em nível ou faixa elevada é um ótimo recurso usado para pedestres, PcD ou não. Nesses casos não se faz necessário o uso de guias rebaixadas. Essas faixas também “obrigam” os veículos a diminuírem a velocidade.


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Guia rebaixada próxima da faixa de pedestres, identificada com cores contrastantes do piso próximo a ela. Uso correto do piso tátil de alerta, inclusive alertando a mudança de um piso de concreto para um de concreto de bloquetes.

Guia rebaixada na forma correta.

Guia rebaixada usada quando a largura do passeio não for suficiente para acomodar o rebaixamento e a faixa livre na calçada. Apesar de não serem tão usadas, talvez por falta de conhecimento dos profissionais, quando bem feitas, como a da imagem, se inserem perfeitamente nos passeios públicos.

Guia rebaixada ao lado de uma vaga para pessoa com deficiência, o que facilita o seu deslocamento com mais segurança.

Guias rebaixadas próximas à faixa de pedestres, bem sinalizadas com piso tátil de alerta. Mostra também o uso do bloquete que, neste caso, está bem conservado.

Passeio com guarda corpo na altura correta, assim como o corrimão, mesmo sendo em um local inclinado. Também é possível observar o bom estado de conservação do piso, o uso de cor contrastante e o uso de piso tátil de alerta para mostrar a mudança de piso.

A escada também deve ser sinalizada com piso tátil de alerta. O corrimão, nesse caso, está dentro da norma em relação à altura e espessura.

Piso tátil de alerta na entrada da cabine de ônibus correta. O amarelo é o tátil usado para indicar ao portador de deficiência visual que ali há perigo quanto à distância da guia, já que o local é uma parada de ônibus.


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ASSIM NÃO DÁ !

Poste impede a passagem do pedestre e pode ser perigoso para uma PcD visual. Neste caso, o mobiliário urbano está indevidamente localizado.

sobre calçadas na cidade. Entre os principais pontos está a elevação das multas por buracos e sujeira, e uma nova metragem para a área de pedestres. De autoria do vereador Domingos Dissei (PSD), a Lei Nº 14.442 foi sancionada pelo prefeito Gilberto Kassab (PSD) em setembro passado. Uma das principais mudanças é que a infração será entregue para quem ocupar o imóvel, independentemente de se tratar do inquilino, no caso de aluguel. A multa mínima para calçadas esburacadas, sujas e com obstáculos praticamente triplicou, passando para R$ 300. Não se leva mais em conta o tamanho da área danificada, mas a extensão total da calçada em metro linear. Uma calçada com 20 metros de extensão, por exemplo, terá multa de R$ 6 mil. Em caso de sujeira, a multa é de R$ 4 por m². Isso vale não só por folhas não varridas como também para sacos de lixo colocados com muito tempo de antecedência da coleta. Outro ponto da legislação é a definição de largura mínima de 1,20 m para a passagem de pedestres em calçadas (antes se fixava 0,90 m). Não pode ser obstruída por árvores, postes de iluminação nem mesmo lixeiras. As subprefeituras avaliarão os casos específicos de necessidade de mudanças em vias já existentes. Segundo o vereador responsável pela proposta, a intenção é reduzir o número de quedas. O estudo que serviu de base para a criação da lei aponta que 45% das pessoas com mais de 60 anos que fraturam o quadril após acidentes em passeio público morrem após um ano. Para atender a população e sanar as dúvidas mais frequentes quanto à nova legislação, a prefeitura de São Paulo criou o Disk-Calçadas, um programa que treinou 200 funcionários de Serviço de Atendimento ao Cidadão (SAC). O telefone é o 156

O piso mais indicado para passeios públicos é o de concreto. O ladrilho hidráulico e os bloquetes também são usados, mas precisam de manutenção constante, o que nem sempre acontece. Essas imagens mostram exatamente como um piso mal conservado, inadequado ou mal projetado pode tornar o espaço inacessível e perigoso.

Mobilidade urbana passa a ter política própria A Política Nacional de Mobilidade Urbana foi sancionada pela presidenta Dilma Roussef em 4 de janeiro de 2012 e deverá entrar em vigor depois de 100 dias desta data. A lei Nº 12.587/2012 está fundamentada no princípio da acessibilidade universal e tem o objetivo de promover a inclusão social e proporcionar a melhoria nas condições urbanas da população. Prevê a integração entre os diferentes modos de transporte e a melhoria da acessibilidade e mobilidade das pessoas e cargas. Os municípios com mais de 20 mil habitantes precisarão estabelecer Planos de Mobilidade Urbana que deverão contemplar a acessibilidade para pessoas com deficiência e restrição de mobilidade. Os municípios que não instituírem seus planos ficarão impedidos de receber recursos orçamentários federais destinados à mobilidade urbana enquanto não se adequarem às exigências da lei. O projeto original da PNMU foi apresentado em 1995, pelo então deputado Alberto Goldman, e absorveu contribuições de outras propostas. Chegou ao Senado em 2010 e foi examinado por diversas comissões até sua aprovação.


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artigo

por Deborah Prates

Cidade maravilhosa por fora e inacessível por dentro...

P

arafraseando o popular ditado: “por fora bela viola, por dentro pão bolorento”, é que, com profunda melancolia, constatei que a nossa cidade do Rio de Janeiro é maravilhosa por fora, e INACESSÍVEL por dentro ! Como assim ? Numa volta para minha casa, na direção à estação Metrô/Uruguaiana, no centro da cidade do Rio de Janeiro, ouvi: “Cuidado! Vai bater na parede!” Sabia que não era comigo, já que meu cão-guia Jimmy não me faria ir de encontro a uma parede. Notei um pequeno tumulto próximo a nós. Pois é ! Outro cego, usuário de bengala, seguindo um piso tátil, caiu numa humilhante cilada. Quem, em sã consciência, imaginaria que um piso tátil destinado a conduzir uma pessoa cega poderia terminar numa parede ? Um caminho feito pelas autoridades que termina em lugar algum ? Difícil crer, contudo, exatamente isso ! Desfeito o aglomerado, todos retornaram ao seu destino. Entrei com Jimmy no buraco do Metrô conversando com os meus botões. Pensava no rebaixamento moral a que, diariamente, estão sujeitas as pessoas com deficiência, idosas e com necessidades especiais. Inacreditável a falta de sensibilidade dos governantes, para os quais assinamos procuração no momento do voto. Lamentável constatar que estão agindo contrário a nossa vontade ! E o que fazemos ? Horrível perceber que a grande “massa” fica OMISSA. Talvez atônita, completamente perturbada, e sem direção. O que é pior ! O resultado das urnas se repete ! Vivemos num permanente enduro no asfalto. Apenas concluí o óbvio quando ceguei. Enquanto pessoa SEM deficiência não tinha olhos para ver esses desastres humanitários. Foi preciso ter sofrido um acidente de percurso - supressão do sentido da visão - para ver melhor fatos que sempre estiveram na minha cara ! Bicho estranho é o homem ! Como advogada sei que a OMISSÃO também é crime, pelo que decidi fazer a parte que me cabe como cidadã. Tenho a graça de ter um amigo arquiteto e com lentes focadas na acessibilidade da cidade. Troquei ideias com ele sobre o que “presenciei” perto da estação do Metrô. Então, Zé Carlos contou-me coisas do “arco da velha” ! Pedi ao amigo que me acompanhasse numa vistoria pelas

ruas do centro do RJ, o que foi prontamente aceito. Numa manhã de domingo, num calor de arrepiar, encontramo-nos na frente da Igreja da Candelária. Não fosse a alegria do encontro, somando-se as esfuziantes balangadas de rabo de Jimmy, estaríamos em grande pesar pelo que sabíamos que registraríamos. Câmera em punho, fomos nós. A calçada à frente da Candelária havia sido refeita não fazia cinco meses. Em alguns pequenos trechos, Zé Carlos descrevia que ainda existiam vestígios de obra recente. Não obstante sua prematuridade, a calçada já apresentava nítido desleixo da administração. Muitas pedras portuguesas pocadas. Será preciso a área transformar-se numa cratera para ser refeita novamente ? Rampas ? Somente a da entrada da Igreja ! Ainda assim, com inclinação para automóveis. Tão íngreme que um cadeirante não suportaria subir ! Deplorável que o material se sobreponha ao ser humano ! O carro tem rampa, mas o homem não ! Piso tátil ? Também não. Então o cego fica perdido com sua bengala. Rebaixamento no meio-fio ? Apenas um, também da Candelária. Sinal sonoro ou de mão para travessia dos cegos ? Claro que não. Fomos ao Centro Cultural do Banco do Brasil e, particularmente, teria que pedir ajuda para travessia se não estivesse acompanhada, ante a falta de sinal. Que coisa ! Temos sempre que ser tutelados ? E a nossa liberdade de ir e vir com independência ? Talvez você pergunte: Mas e o cão-guia não lhe atravessou ? Jimmy foi treinado na América onde, nos cruzamentos/travessias, havia sinal de mão sempre na direção de uma rampa. Então, eu apertava o sinal e Jimmy já se dirigia para rampa parando em seu início. Daí, atravessávamos com confiança e segurança, vez que os motoristas, em regra, têm educação no trânsito, bem como respeitam as pessoas com deficiência. Bastante diferente da nossa realidade. Lembro bem das recomendações do meu instrutor de mobilidade/bengala, quando me sugeria que - SEMPRE - pedisse ajuda para atravessar ruas, justamente pela má educação dos motoristas de automóveis, coletivos, triciclos, bicicletas etc... Certa feita, vinha eu andando calmamente pela calçada, quando, na porta de um supermercado, fui abalroada por um homem que saía feito alucinado. Minha bengala virou um arco !


por Frederico Viebig

Prosseguimos na direção da estação Uruguaiana do Metrô. Enormes eram os meios-fios a serem escalados para alcançar o outro lado das ruas. Impossível para um cadeirante, pessoas recém- operadas, gestantes, idosos etc. Desumano ! Absurdo ! Todavia, muito FREQUENTE o encontro de pisos táteis indo terminar em paredes, quinas e grandes orifícios. Armadilhas ? Nossa ! Tivemos que ultrapassar nesse pequeno trecho até o Metrô pegadinhas para quaisquer mortais. Meias luas terminando rente a bueiros SEM tampas, mais parecendo enormes ratoeiras a espera de presas ! Qualquer pessoa menos atenta cairia nela ! Logo me veio à cabeça pedestres que falam ao celular andando. Até hidrantes no meio de rampa foi detectado. E por falar em rampa, apenas uma CORRETA tive a honra de pisar. Enfim, lá estava a estação Uruguaiana bem ESCONDIDINHA ! Sem piso tátil como guia, bem complicado para um cego chegar.

ACESSIBILIDADE ATITUDINAL JÁ! Na verdade temos que nos unir para exigir dos Governos campanhas com o foco na acessibilidade atitudinal. Cristalino, restou pela nossa passagem na calçada NOVA em frente a Igreja da Candelária, que a administração pública não tem qualquer preparo para tratar a cidade. Se tivesse, a empresa que fez a obra teria acertado no básico ! Fico a meditar que, até pelo uso do bom senso, qualquer orientador de trabalhadores jamais deixaria pisos táteis terminarem em paredes ou quinas! Poxa ! Elementar ! Deborah Prates é advogada e delegada da Comissão de Direitos da Pessoa com Deficiência da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/RJ). Mantém um blog em que trata de questões sobre os direitos dessas pessoas (http://deborahpratesinclui.blogspot.com/)

opinião

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Liberdade, Percepção, Contraste e a Acessibilidade ! Liberdade, para ser um direito constitucional, exige acesso ao mundo globalizado através de todos os meios de interação entre cada ser humano e o ambiente que o cerca...

É

“perceber” as diferenças culturais, religiosas, espaciais, ambientais, e tantas outras classificações. É conviver democraticamente com todos estes espaços e participar ativamente no desenvolvimento físico, intelectual e espiritual. É ter acessos ilimitados a todos os agentes que formam uma sociedade que a cada dia que passa é mais universal. E como interagir com esses ambientes ? O ser humano é único no universo dotado da capacidade de acúmulo de conhecimento e, portanto capacitado a promover adequações e inovações que se traduzem em melhor qualidade de vida atual e futura. Tem a intelectualidade para debater, conciliar e elaborar meios de convivência pacífica entre todos, muito embora agressões e guerras ainda existam neste período histórico. O processo de acesso, e daí a “acessibilidade”, se dá pela percepção das diferenças ambientais ! Pelo reconhecimento dos “contrastes” destas diferenças ! Sendo o Ser Humano um Ser Social é definitivo que as diferenças sejam percebidas, reconhecidas e aceitas como meio social de convivência. “Contrastes” são percebidos pelos sentidos humanos, em especial da visão, do tato e da audição que permitem promover o reconhecimento dessas diferenças e entender a participação humana de cada um dentro de uma sociedade e mesmo entre sociedades. Há, no entanto, os excluídos do convívio social globalizado e com falta de acesso aos meios que promovem de-

mocraticamente a igualdade entre os direitos de todos. E é para essa parcela que temos hoje um movimento mundial no sentido de promover essa igualdade como meio de inclusão social. Permitir a essa parcela observar, perceber e reconhecer o ambiente, com as funções sensoriais que possuem é hoje meta universal. São grupos de todas as classes sociais uma vez que a Mãe Natureza não é seletiva. Formam grupos de Pessoas com Deficiências: cegos, cadeirantes, muletantes, obesos, idosos, grávidas, surdos, entre outros, e mais os que têm limitações de mobilidade, sejam elas permanentes ou temporárias. Como resultado, a acessibilidade deve ser para todos, PcD ou não, sejam em qualquer grau. Aí sim temos a Liberdade implantada e reconhecida como Direito Universal. Ou seja: “O Mundo Todo para Todo Mundo” !!!

Frederico Viebig é engenheiro com graduação em Produção e Marketing, com especializações no Japão, Europa e EUA e Canadá. Sócio proprietário da Spring Signs Sinal. Gráfica e Diretor Geral da Arco Sinalização Ambiental. É ex-presidente da ABSA – Associação Brasileira de Sinalização Ambiental, coordenador do GT de Sinalização da NBR 9050, junto à ABNT, CB-40, CE-01 e palestrante.


sensualidade

“Nesse carnaval, abuse da sensualidade com muita responsabilidade”...

Modelo: Jakeline Calado Idade: 28 anos Deficiência: amputação de membro inferior.

foto: Kica de Castro

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Revista Reação 84  

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