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editorial A Revista Nacional de Reabilitação é uma publicação bimestral da C & G 12 - Comunicação e Marketing S/C Ltda. Telefone (PABX): (11) 3873-1525 Fax: (11) 3801-2195 www.revistareacao.com www.revistareabilitacao.com.br cg12@cg12.com.br Diretor Responsável - Editor Rodrigo Antonio Rosso Reportagem: Maria Luiza de Araujo André Oliveira Consultores Técnicos: Romeu Kazumi Sassaki Carlos Roberto Perl Colaboradores: Suely Carvalho de Sá Yañez Adriano Bandini Neivaldo Augusto Zovico Hermes Oliveira Fabiano Puhlmann Geraldo Nogueira Mara di Maio Márcia Gori Silvia de Castro Alex Garcia Dr. Wiliam César Foto Capa: Kica de Castro Diagramação: Rodrigo Martins www.quack.art.br Marketing: Fábio Prates Depto. Comercial: Nataliane Paiva Paulo Brandão Marco Gouveia Guiliana Grimaldi Administração: Cissa de Carvalho Circulação: Angela Nunes Jairo Prates José Faustino Assinaturas: Cissa de Carvalho - Coordenação

Fone: 0800-772-6612 Tiragem: 20 mil exemplares Redação, Comercial e Assinaturas: Caixa Postal: 60.113 CEP 05033-970 São Paulo - SP É permitida a reprodução de qualquer artigo ou matéria publicada na Revista Nacional de Reabilitação, desde que seja citada a fonte.

Rodrigo Antonio Rosso Diretor/Editor

Um universo cheio de possibilidades...

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inha gente, é muito gratificante ter sido o idealizador e promotor da REATECH por 10 anos. Como todos sabem, essa feira, que é hoje a terceira maior do mundo neste setor, nasceu desta Revista. E é ainda a terceira sim, e não a segunda como alguns estão dizendo, pois não podemos deixar EUA e Alemanha para traz, afinal, ainda estamos muito longe deles. A REATECH para mim, nasceu de um sonho, de um objetivo, que só foi possível se tornar realidade, após uma parceria com o Grupo Cipa. E daí, em 2002, aconteceu a primeira edição da REATECH. E hoje, acabamos de ver acontecer a décima edição desta feira, que desde o seu início, só fez crescer. E isso muito, mas muito mesmo, me orgulha. Em 10 anos a REATECH mudou muito, cresceu demais. E para mim, perdeu um pouco da sua essência, do seu propósito inicial. E por isso, e por uma série de outras razões, acabei tomando a decisão de me desligar da REATECH, passando o total controle do evento para o Grupo Cipa, agora Cipa FM. A REVISTA REAÇÃO continua por mais 2 anos, aparecendo como “promotora” do evento, porém, a organização e comercialização, e a realização da REATECH, passa a ser agora, de total e única responsabilidade do Grupo Cipa. Todos os expositores e visitantes, a partir de agora, serão atendidos única e exclusivamente pelo Grupo Cipa. Não mais por mim e nem pela Revista, como foi durante esses 10 anos de REATECH. Quero deixar claro também, que na REVISTA REAÇÃO nada muda. Ela continua sendo feita pela C & G 12 Comunicação e Marketing Ltda, minha empresa, e por mim, e nada tem a ver com o Grupo Cipa. Somente a REATECH não é mais de minha responsabilidade. Não é mais minha. Minha parte foi passada para o Grupo Cipa, meu ex-parceiro na feira. Aproveito também aqui, para pedir desculpas a alguns expositores e para todos os queridos visitantes e palestrantes, enfim, todos os que sempre me acompanharam à frente da REATECH desde o nascimento da feira. Foram tantos anos juntos, anos de parceria e cumplicidade. Espero que compreendam minha decisão. Até porque, essa decisão foi protelada por mim por alguns anos, justamente por respeito aos parceiros, que eu não queria deixar de atender. Mas não dava mais pra adiar. Tive que tomar a decisão no final do ano passado. Quem me conhece sabe, não sei fazer nada que não me sinta bem. E a REATECH, no meu ponto de vista, tinha que retomar o seu eixo, perdido no decorrer dos últimos anos. Portanto, como percebi que isso não seria possível com ela sendo conduzida da forma que está, optei por sair da sua organização. Espero que os amigos compreendam e respeitem minha decisão pessoal. Espero que continuem ao meu lado como sempre fizeram nestes mais de 15 anos de caminhada lado a lado. E prova desta lealdade é a própria ABRIDEF, da qual estou como presidente e contando incondicionalmente com o apoio de todos. Assim, amigos, parceiros, irmãos... fica aqui o meu muito obrigado pelos 10 anos que compartilhamos da REATECH. E deixo bem claro que é um grande evento, e ela continua, mesmo sem mim... Só que agora, terei também, mais tempo para me dedicar à esta Revista, que afinal, foi a origem de tudo. A REVISTA REAÇÃO e eu, particularmente, estaremos, a partir de agora, mais do que nunca ao lado de Todos Vocês. Nosso meio tem um potencial enorme. Temos um universo cheio de possibilidades... e o que importa é que os que pensam e agem num mesmo propósito, em prol de um setor forte e, principalmente, com respeito às PcD estejam sempre juntos !!! Muito obrigado a Todos e continuem contando comigo, SEMPRE !!!

“...prosperem aqueles que te amam. Haja paz dentro de teus muros, e prosperidade dentro dos teus palácios”... twitter.com/revistareacao

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entrevista

Andrew Parsons

Atual presidente do Comitê Paraolímpico Brasileiro fala dos desafios e do futuro da entidade, já com os olhos voltados para Rio 2016...

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ste carioca de 34 anos é um apaixonado por esporte desde criança. Cursou comunicação social na UFF Universidade Federal Fluminense e teve como uma de suas primeiras atividades profissionais a assessoria de comunicação do então recém fundado CPB - Comitê Paraolímpico Brasileiro, em 1997, na cidade de Niterói/RJ. Na época, pôde unir suas duas paixões: o esporte e o jornalismo. Naqueles anos o movimento paraolímpico era desconhecido da maioria da sociedade brasileira e tratado com muita reserva pela grande mídia. Aos 24 anos, foi secretário geral interino da entidade. No ano seguinte a sede da CPB foi transferida para Brasília/DF e Andrew efetivado no cargo. Em dezembro de 2002, como parte de um processo de internacionalização do CPB Andrew se tornou também o secretário geral do Comitê Paraolímpico das Américas (APC), e a partir daí tornou-se elemento executivo essencial para toda a evolução do paradesporto brasileiro, contando com participação importante nos Jogos Parapanamericanos de 2007 no Rio de Janeiro, e na eleição do Brasil como sede das Olimpíadas e Paraolimpíadas de 2016, também no Rio. Aproveitando a presença do CPB na Reatech´2011, a Revista Reação entrevistou o titular da entidade com exclusividade, e colheu dele informações importantes sobre o futuro do CPB, que se tornará ainda mais aberto, e trabalhará com a montagem de uma vasta estrutura de base para a prática esportiva das pessoas com deficiência em todo o país. Acompanhem: REVISTA REAÇÃO - Qual o panorama e o planejamento do CPB para o ano de 2011 ? ANDREW PARSONS - O ano de 2011 será marcado pelos Jogos Parapanamericanos de Guadalajara (México), que ocorrerá em conexão

também com os Jogos Panamericanos. O aspecto positivo é que o que nós fizemos no Rio de Janeiro em 2007 ficou de legado. Então, Pan e Parapan vão ser realizados em conexão mais uma vez. Mas para nós, o importante é a participação da delegação brasileira, e 2011 é um ano também de se conquistar vagas para os jogos Paraolímpicos de Londres (2012). Então nós traçamos no final de 2009 e início de 2010, um planejamento estratégico junto com todas as confederações paraolímpicas até 2016, e o nosso planejamento está todo focado para 2016, Paraolimpíadas do Rio de Janeiro, com um objetivo secundário, Guadalajara (2011) e Londres (2012), mas secundário só no modo de dizer, pois é um objetivo muito forte nosso. RR - Qual a expectativa de colocações das delegações brasileiras nas próximas competições ? AP - Os nossos resultados dos campeonatos mundiais em 2010 indicam que nós podemos atingir a nossa meta de sermos 7º colocados na Paraolimpíada de Londres (2012). Em Pequim (2008) nós ficamos em 9º lugar e nos separaram da sétima colocação por três medalhas de ouro. Ao que tudo indica, nós temos grandes possibilidades de atingirmos esta meta e para o Rio de Janeiro em 2016, nossa meta é muito mais agressiva: queremos o 5º lugar. Para você ter uma idéia, em Pequim (2008) o quinto lugar foi obtido pela Austrália, que tem um investimento no esporte maior do que o Brasil tem hoje. Com este planejamento estratégico, feito com as confederações, nós temos procurado apoiá-las para melhores participações em seus campeonatos panamericanos e mundiais, para que nós tenhamos atletas em todas as modalidades bem preparados para disputar o panamericano, mas também para garantir as vagas em Londres em 2012. Ao que tudo indica nós vamos conseguir qualificar um número maior de modalidades que nós qualificamos em Pequim, que foram 17 modalidades de vinte, e nosso objetivo é qualificarmos pelo menos 19 modalidades agora para Londres, e acho que teremos a maior participação de todos os tempos em uma paraolimpíada. RR - Quais são as mudança de foco, projetos e planejamento que compreendem o futuro do CPB ? AP - Em primeiro lugar, nós tiramos o Comitê Paraolímpico de dentro de sua sede. Estamos tendo mais contato com governos, com parlamentares, objetivando uma melhor estrutura para o esporte paraolímpico no país. Não necessariamente o esporte de altíssimo nível de uma seleção brasileira, mas melhorando a estrutura para as pessoas com deficiência em cada estado do Brasil. Nós estamos obviamente a fomentar os esportes paraolímpicos no país, e dessa maior quantidade nós vamos extrair a qualidade. Acho que o grande salto que nós estamos iniciando é proporcionar a pessoa com deficiência do Brasil uma melhor estrutura, uma base mais sustentável para o esporte paraolímpico. O que eu quero dizer com isso ? Nós


entrevista temos promovido muitos programas para a base, e a Paraolimpíada Escolar é um exemplo. Nós retomamos a paraolimpíada escolar, que era um projeto que tinha se iniciado com o campeonato brasileiro escolar de natação no ano passado. Na competição nós tivemos mais de 800 crianças com deficiência de 23 estados da federação, no Clube Espéria e no Centro Olímpico de São Paulo, e em outros locais na cidade de São Paulo. Tivemos 10 modalidades, 22 estados da federação participando e o interessante é que a inscrição foi feita pelo estado: Rio de Janeiro, São Paulo, Goiás, Pernambuco e outros... e a gente “obrigou” que cada estado organizasse uma seletiva ou uma delegação. Fizemos com que cada estado atuasse de forma local no esporte paraolímpico e isso teve um efeito multiplicador bastante interessante. O Clube Escolar Paraolímpico é um outro programa que o CPB realiza, que abre a possibilidade, a partir de um edital, para que clubes possam pleitear recursos, limitados, mas específicos para o desenvolvimento de projetos na idade escolar e em parceria com instituições de ensino. Com isto a gente está promovendo uma base mais sólida junto a estas instituições, fazendo com que os clubes se organizem e busquem parcerias e não fiquem só esperando recursos do CPB, mas se organizem ali na sua localidade. Outro grande projeto é a Academia Paraolímpica Brasileira. RR - Conte como será e como funcionará a Academia Paraolímpica Brasileira. AP - A Academia Paraolímpica Brasileira é um programa de três pilares. Um deles é a capacitação de recursos humanos para o esporte paraolímpico, sejam eles treinadores árbitros, classificadores, ciência esportiva. Os primeiros cursos já saíram do papel, já viraram prática. Nós criamos um centro físico para aulas junto a Universidade Federal de Uberlândia (UFU). Então já temos uma estrutura física. No ano de 2011, até o final do ano nós vamos lançar uma plataforma de ensino a distância junto a Academia Paraolimpíca Brasileira porque a gente sente que precisa ter uma base maior e mais sólida de profissionais para o esporte paraolímpico. Existem modalidades que estão muito bem: atletismo, natação, judô, e algumas outras, mas existem modalidades que carecem ainda de treinadores, arbitragem, classificadores e é que nós vamos tentar, por meio deste projeto da Academia, providenciar. O CPB em parceria com as confederações vê qual é a demanda daquela modalidade específica e trabalha, seja trazendo um treinador estrangeiro para dar uma clínica, seja produzindo material didático para iniciação esportiva das pessoas com deficiência. Outro pilar da Academia Paraolímpica Brasileira será a interlocução institucional junto às universidades brasileiras. Nós já promovemos três ou quatro encontros entre este ano e o ano passado com as universidades públicas que tem a disciplina de educação física adaptada para que nós possamos influenciar de forma positiva nos cursos, e alinhar estes cursos ao Comitê Paraolímpico Brasileiro, com o que nós entendemos que seja importante para que se tenha profissionais de educação física que possam depois atender a clientela de pessoas com deficiência de uma forma melhor. É uma demanda que ainda temos, pois muitos professores de educação física que não sabem o que fazer quando chega um aluno com deficiência surge na sua sala de aula e é algo com o qual temos trabalhado para melhorar esta situação. O terceiro pilar da academia paraolímpica brasileira serão as publicações. Hoje se você buscar uma literatura um pouco mais técnica sobre o esporte paraolímpico no Brasil você não

encontra, pelo menos em língua portuguesa, e nós vamos fazer isso. Agora no ano de 2011 nós vamos publicar o primeiro livro sob a chancela da academia, em parceria com a editora Ateneu, que já publicou algumas coisas sobre o esporte paraolímpico, principalmente na área científica. A Academia Paraolímpica Brasileira vai se integrar a Academia Paraolímpica Internacional, que é a academia do Comitê Paraolímpico Internacional. Nós vamos ser como uma agência de entrega (dos cursos) não só para o Brasil, mas para a América Latina, vamos também trabalhar em língua espanhola, e da África que fala português (Angola, Moçambique, Guiné Bissau, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe). Esse é o grande salto. O Comitê Paraolímpico sempre focava no altíssimo rendimento, e foi necessário até para que a gente tornasse o esporte paraolímpico mais conhecido, mais relevante. Agora não. Nós entendemos que temos que manter estes investimentos (no altíssimo rendimento), mas temos que olhar para a base, para que a gente tenha uma sustentabilidade que não vai dar frutos só em 2016, mas em 2020, 2024, e a partir daí. RR - Em relação a visibilidade do para-desporto e do para-atleta, o que vocês fizeram e tem feito para aproximar as empresas que patrocinam o esporte do atleta e das categorias ? AP - É um conjunto de estratégias. O primeiro passo que nós demos ocorreu em 2004, quando nós compramos os direitos de transmissão das paraolimpíadas de Atenas e sublicenciamos de graça para as redes de televisão brasileiras interessadas em transmitir. O que a gente estava trabalhando naquela época, e continuamos no Rio, em 2007, e em Pequim 2008 ? Exposição. Não adiantava a gente ficar no nosso canto e reclamar que os empresários não nos apoiavam se a gente não dava a visibilidade necessária aos atletas. Conseguimos fazer isso, temos continuado com isso e a prova é o campeonato mundial de atletismo em janeiro (Christchurch, Nova Zelândia, de 21 a 30 de janeiro de 2011). O Brasil inteiro teve a oportunidade de assistir nos noticiários. Depois fomos recebidos até pela presidenta Dilma como fruto desta visibilidade, até porque obviamente acompanhou, viu, vibrou, achou interessante nos receber e por isso fez o convite. Temos também procurado fazer algumas ações estratégicas voltadas para apresentar o esporte paraolímpico para o empresariado. É parte de um processo. Não é do dia para a noite que a gente muda isso, mas acho que os bons exemplos como os programas bem sucedidos de patrocínios da Caixa, Unimed e Uniodonto, conosco, mostram para outras empresas que é possível fazer campanhas interessantes e se comunicarem com o público consumidor usando o esporte paraolímpico como veículo. Tenho dito muito que o esporte paraolímpico é um fenômeno único, porque você pode usá-lo como ferramenta de marketing tendo como ênfase a superação e a inclusão social, ou seja, tem uma forte veia social, e tem também a veia da performance, porque os resultados técnicos destes atletas são sensacionais e o Brasil agora é forte no esporte paraolímpico. Que outro veículo no Brasil você tem esta forte vertente social, que você tem resultados de altíssimo nível e em que o Brasil ainda seja vencedor ? O esporte paraolímpico agrega uma série de fatores únicos para qualquer empresa e por isso nós temos tentado convencer o empresariado disso, buscando grandes eventos onde eles se encontram para que gente possa falar com estes formadores

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entrevista de opinião. Alguns eventos ainda estão em planejamento e ainda vão acontecer, e além disso, a gente tem buscado em parceria com o Ministério dos Esportes promover a ferramenta do incentivo federal ao esporte. O empresariado ainda não se deu conta da oportunidade que está se perdendo. Tenho dito que há que se pensar no esporte paraolímpico também como um grande mercado. Numa grande feira do mercado esportivo no ano passado, tive a oportunidade de falar na abertura e disse isso. São 30 milhões de pessoas com deficiência, esses números variam e vamos ver o que vai trazer o próximo senso, mas, com família, e todas as pessoas que de alguma forma lidam com a questão da pessoa com deficiência no país, você está deixando de se comunicar com uma parcela muito grande da sociedade. Essas pessoas tem cartão de crédito, falam no celular, tomam seus refrigerantes, suas cervejas, algumas infelizmente fumam cigarros, dirigem seus automóveis, enfim, consomem. É um público que se você esquece, está minimamente tomando uma decisão empresarial equivocada. Então a gente tem tentado demonstrar isso com a nossa participação em eventos reforçando também a lei federal de incentivo ao esporte (Lei nº 11.438, de 29 de dezembro de 2006) e tentando com bons cases, mostrar para os empresários que é uma boa opção o esporte paraolímpico. E, é claro, estamos mantendo a nossa visibilidade na mídia de uma forma constante para que a gente possa tornar o nosso atleta um “produto” interessante para as empresas. RR - Na sua opinião qual a importância do paradesporto para a pessoa com deficiência e para o país ? AP - Tenho dito muito que o esporte é a ferramenta mais potente de educação e de promoção da saúde e de cidadania. Então acredito que os níveis de governo hoje no Brasil entendem que o esporte paraolímpico, que o esporte para as pessoas com deficiência são investimentos e não um gasto. Com uma atitude preventiva no esporte você evita uma série de gastos posteriores em todo o sistema de saúde e isso não afeta só as pessoas com deficiência, como também, as que não tem qualquer tipo de deficiência. É um caminho que o CPB tem buscado reforçar. Outro caminho que nós temos buscado reforçar é a questão do ídolo. Ao trazer o André Brasil, o Clodoaldo (natação), o Maurício Pommé (tênis em cadeira de rodas) para estas feiras, por exemplo, você tem o efeito do ídolo. Um dos grandes exemplos que dou sobre a

importância do ídolo é o do Mizael Conrado, vice-presidente do CPB, que como criança queria ser como o jogador Careca (ex-centro avante do São Paulo Futebol clube e parceiro de ataque de Maradona no Napoli da Itália). Ele ficou cego no início da adolescência e descobriu o futebol para cegos e que poderia ser um grande jogador de futebol, mesmo sendo cego. Não é a toa que é um campeão paraolímpico, além de um advogado bastante competente, vice-presidente do CPB e com uma atuação social absolutamente destacada. Ele sempre utiliza um termo que é a reabilitação emocional. Quando a pessoa com deficiência ela percebe que é capaz de atuar no esporte, ela percebe que é capaz de fazer uma série de coisas. De trabalhar, de ser feliz, de namorar, de ser uma pessoa produtiva. Eu sempre digo que tem muita pessoa com deficiência produtiva na sociedade e tem também aquelas que são “improdutivas”. Como também tem muita gente sem deficiência que é absolutamente “improdutiva”. Então tento fazer, através do CPB, com que o esporte desmistifique um pouco esta questão de que as pessoas com deficiência estão relegadas a sobreviver até o dia que elas deixarem este mundo. Não ! Elas podem produzir, podem ser felizes. Estes atletas deixaram de ser a preocupação da sua família, para se tornarem o orgulho de um país, de uma cidade, muitas vezes são os responsáveis pela sobrevivência financeira daquela família e é isso que a gente tem tentado ressaltar. Então a criação dos ídolos é fundamental e principalmente o reflexo que elas tem nas pessoas que não tem deficiência. Porque quando ela se percebe vibrando por um Clodoaldo Silva, por um Daniel Dias (natação), um Mauricio Pommé, ela entende que se ela pode ter uma pessoa com deficiência como um ídolo, ela pode ter uma PcD como amigo, como colega de trabalho, como chefe, como funcionário, um marido, uma esposa, um namorado. Ele é mais um integrante deste conjunto que a gente chama sociedade e eu não devo tratá-lo diferentemente por causa disso. Eu devo compreender e respeitar a diferença, mas tenho que respeitá-lo como igual. É por isso que o esporte é tão poderoso. Ele consegue mudar a percepção das pessoas em relação a uma série de aspectos da vida, inclusive as pessoas com deficiência. RR - Deixe uma mensagem para os nossos leitores. AP - Primeiro quero dizer que sou um leitor desta revista. Acompanho a revista já de muitos anos. Sou fã, leio, me informo bastante, vejo as matérias de esporte da revista. Ela tem um forte conteúdo, um posicionamento um pouco mais focado nas questões sociais da pessoa com deficiência, na inclusão, mercado de trabalho e uma série de outros aspectos. Fico feliz porque cada vez mais o esporte ganha espaço nela. E isso mostra que nós estamos trabalhado no caminho correto e que as pessoas com deficiência e sem deficiência que são leitores da Revista Reação acompanham mais de perto o esporte paraolímpico e nos vejam como parte deste universo. O CPB teve no passado uma postura um pouco distante e que nós estamos tratando de terminar com esta postura. Nós somos uma organização relevante voltada para as PcD e queremos contribuir não só na questão esportiva, mas também nas questões sociais. Somos mais um braço nesta luta positiva pela inclusão social plena e pelos direitos das pessoas com deficiência.


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coluna especial

por Romeu Kazumi Sassaki

Quem está incluído na Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência ?

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primeira resposta está, evidentemente, no nome do documento: “Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência” (daqui para frente, “Convenção da ONU”). O nome já explicita que este tratado internacional de direitos humanos versa sobre pessoas com deficiência – ou seja, pessoas que têm deficiência. Portanto, as pessoas sem deficiência não estão incluídas. A Convenção da ONU (United Nations, 2006; Brasil, 2007) não define o termo “pessoas com deficiência” e não o acrescentou dentro do Artigo 2 (intitulado Definições). Lá, os termos definidos são apenas os seguintes: “comunicação”, “língua”, “discriminação por motivo de deficiência”, “adaptação razoável” e “desenho universal”. O Artigo 1 (intitulado Propósito) também aponta somente as pessoas com deficiência como público-alvo da Convenção, ao dizer que: “O propósito da presente Convenção é promover e assegurar o exercício pleno e equitativo de todos os direitos humanos e liberdades fundamentais por todas as pessoas com deficiência e promover o respeito pela sua dignidade inerente.” (grifos meus) Logo em seguida, no mesmo artigo, há uma explicação sobre quem são essas pessoas, a saber: “Pessoas com deficiência são aquelas que têm impedimentos de longo prazo de natureza física, mental, intelectual ou sensorial, os quais, em interação com diversas barreiras, podem obstruir sua participação plena e efetiva na sociedade em igualdade de condições com as demais pessoas.” (grifos meus) Esta explicação – que, em outro documento, a ONU faz questão de frisar que não se trata de uma definição (United Nations, 2007) - merece ser analisada neste artigo por dois motivos: primeiro, porque ela ficou sujeita a interpretações as mais variadas nos meios especializados, o que determina que façamos releituras; e, segundo, porque ela contém falta de esclarecimento, erro de terminologia e equívoco de conceituação.

INTERPRETAÇÕES

São conhecidas, formal ou informalmente, as seguintes interpretações: [1] Esta é uma definição do termo “pessoas com deficiência”. [2] Os impedimentos de natureza mental e os de natureza intelectual são a mesma coisa. [3] Já não se diz “mental”, agora é “intelectual”. [4] Na tradução brasileira, consta que “Pessoas com de-

ficiência são aquelas que têm…”, mas o texto original em inglês diz: “Persons with disabilities include those who have…” (ou seja, “Pessoas com deficiência incluem aquelas que têm...”).

RELEITURAS

Contestando essas interpretações, proponho que consideremos as seguintes releituras: [1] Não é verdade. Conforme observei acima, esta é uma explicação e não uma definição do termo “pessoas com deficiência”. A Convenção da ONU não inclui uma definição de “deficiência” ou de “pessoas com deficiência” no sentido exato, preferindo oferecer alguma orientação sobre o conceito “deficiência” e a sua relevância para o documento (United Nations, 2007). Em ambos os termos, a condição de deficiência é conectada intimamente à condição de barreiras da sociedade, podendo estas ser físicas (por exemplo, arquitetônicas, ecológicas) ou culturais (por exemplo, na cultura, em atitudes, na legislação, em políticas públicas). Portanto, não mais a incapacidade (dificuldade ou impossibilidade) como algo derivado da deficiência que a pessoa tenha. [2] Não é verdade. Estes são impedimentos de naturezas diversas (mental e intelectual); portanto, diferentes entre si: uma não é sinônima da outra. Esta releitura é comentada com detalhes na seção FALTA DE ESCLARECIMENTO, letra A, mais adiante. [3] É verdade. O novo termo “deficiência intelectual” substituiu o tradicional “deficiência mental”, a partir de 1995 e prosseguindo na seguinte trajetória (Sassaki, 2007a; Sassaki, 2007b): Em 1995, a ONU - juntamente com The National Institute of Child Health and Human Development, The Joseph P. Kennedy, Jr. Foundation, e The 1995 Special Olympics World Games - realizou em Nova York o simpósio Deficiência Intelectual: Programas, Políticas e Planejamento para o Futuro. Em 2000, a Associação para o Estudo Científico das Deficiências Intelectuais, dos EUA, realizou um megaevento sobre o tema “deficiência intelectual”. Em 2002, A Confederação Espanhola de Organizações para Pessoas com Deficiência Mental substituiu a palavra “Mental” por “Intelectual” e passou a ser Confederação Espanhola de Organizações para Pessoas com Deficiência Intelectual. Em 2003, o Comitê Presidencial sobre Deficiência Mental,


coluna especial dos EUA, passou a ser Comitê Presidencial para Pessoas com Deficiência Intelectual. Em 2004, a Organização Mundial de Saúde e a Organização Pan-Americana da Saúde aprovaram a Declaração de Montreal sobre Deficiência Intelectual. Em 2006, a então Associação Americana de Deficiência Mental, cuja sigla em inglês era AAMR, divulgou o seu novo nome: Associação Americana de Deficiências Intelectual e de Desenvolvimento, cuja sigla em inglês é AAIDD. Em 2006, o termo “deficiência intelectual” foi utilizado na Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, adotada ONU através da Resolução A/61/611. Em 2007, entraram em vigor o nome American Association on Intellectual and Developmental Disabilities e a sigla AAIDD, substituindo os tradicionais nomes American Association on Mental Retardation e a sigla AAMR. Em 2007, a AAIDD anunciou que a revista Mental Retardation, uma das mais antigas do mundo, mudou de nome para Intellectual and Developmental Disabilities. Em 2008, termo “deficiência intelectual” foi utilizado na tradução brasileira da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, ratificada através do Decreto Legislativo 186, e promulgada através do Decreto 6.949, de 2009. [4] É verdade. Em uma tradução ao pé da letra, a expressão “include those who have” significaria “incluem aquelas que têm”. Mas, em consequência, alguns especialistas interpretam, equivocadamente, que o conceito “pessoas com deficiência” esteja incluindo - além das pessoas com deficiência explicadas no Artigo 1 – outras pessoas, ou seja, pessoas sem deficiência. Releitura 4.1: Essa interpretação contradiz todo o conteúdo da Convenção da ONU que, já no nome, diz tratar-se dos direitos das pessoas com deficiência. Releitura 4.2: Os documentos da ONU são geralmente redigidos nos seis idiomas oficiais que ela adotou: inglês, francês, espanhol, russo, árabe e chinês. Tomando os três primeiros, que são os idiomas com os quais os brasileiros estão mais familiarizados, constatamos que, além do texto em inglês, a tradução para o espanhol também diz (grifos meus): “Las personas con discapacidad incluyen a aquellas que tengan” (As pessoas com deficiência incluem aquelas que tenham). Mas a tradução para o francês se aproxima da que foi feita no Brasil: “Par personnes handicapées on entend des personnes qui présentent” (Por pessoas com deficiência se entende pessoas que apresentam). Releitura 4.3: A explicação inserida no Artigo 1 é includente, ou seja, está em conformidade com a letra “i” do Preâmbulo, que diz: “Reconhecendo ainda a diversidade das pessoas com deficiência” (grifos meus). Releitura 4.4: Concluindo, não há diferença conceitual entre as duas traduções (“são aquelas que têm” e “incluem aquelas que têm”), pois ambas estão delimitadas pelo nome

da Convenção da ONU e pela letra “e” do Preâmbulo, que diz: “Reconhecendo que a deficiência é um conceito em evolução” (grifos meus), o que pressupõe a noção de relatividade na explicação do termo “pessoas com deficiência”.

FALTA DE ESCLARECIMENTO

A Convenção da ONU – que, entre outras qualidades, se caracteriza pelo primoroso detalhamento de conceitos, sistemas, processos, medidas e exemplos – deixou sem esclarecimento alguns pontos muito importantes, o que propicia entendimentos equivocados por parte das pessoas que utilizam o texto para fundamentar suas opiniões. Um desses pontos está no Artigo 1, quando menciona a palavra “impedimentos”. Faltou esclarecer, por exemplo, que o conceito impedimentos se refere a “problemas de função (ou estrutura) do corpo”. E mais: “Os impedimentos de estrutura do corpo podem envolver uma anomalia, defeito, perda ou outro desvio significativo”... e... “não são o mesmo que patologia subjacente, mas são manifestações daquela patologia”. “Os impedimentos podem ser temporários ou permanentes; progressivos, regressivos ou estáticos; intermitentes ou contínuos”. Estes e outros esclarecimentos constam no documento International Classification of Functioning, Disability and Health (World Health Organization, 2001), equivocadamente

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coluna especial traduzido como Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde (Organização Mundial da Saúde, 2003). Outro ponto está na explicação das naturezas do impedimento, usando a expressão “natureza física, mental, intelectual ou sensorial”. [A] É necessário esclarecermos que a natureza mental do impedimento faz parte do quadro de saúde mental (transtornos mentais) gerador da deficiência psicossocial, enquanto o de natureza intelectual se refere ao déficit cognitivo, principal gerador da deficiência intelectual. A inserção do tema “deficiência psicossocial” representa uma histórica vitória da luta de pessoas com deficiência psicossocial, familiares, amigos, usuários e trabalhadores da saúde mental, provedores de serviços de reabilitação física ou profissional, pesquisadores, ativistas do movimento de vida independente e demais pessoas em várias partes do mundo (Sassaki, 2010; Sassaki, 2011a: Sassaki, 2011b). No documento baseado em uma palestra que ministrou em 10/10/09, o prof. Gerard Quinn, diretor do Centro de Lei e Política da Deficiência, da Universidade Nacional da Irlanda, descreve a trajetória de dois campos, o das deficiências e o da saúde mental, que se desenvolveram paralelamente no passado, mas que foram juntados em igualdade de condições no contexto da Convenção da ONU (Quinn, 2009). Proponho que a palavra “mental”, que consta no Artigo 1, seja substituída oficialmente por “psicossocial”, que diversos países já utilizavam antes da Convenção da ONU. Assim, evitaríamos a confusão com a palavra “intelectual”, além de darmos visibilidade à categoria de deficiência psicossocial. [B] O termo “natureza sensorial” é ambíguo: leitores familiarizados com os jargões utilizados no campo da deficiência sabem que esse termo se refere aos sentidos da visão e da audição, mas, a rigor, ele abrange também o tato, o paladar e o olfato – o que complicaria o entendimento sobre quais são os tipos de deficiência cobertos pela Convenção da ONU. Por que não dizer especificamente “visual” e “auditiva”, substituindo “sensorial”? [C] Faltou acrescentar, no Artigo 1, o impedimento de natureza múltipla, que é a presença simultânea de duas ou mais naturezas na mesma pessoa. ERRO DE TERMINOLOGIA Todo o texto da Convenção da ONU deixa implícito que há diferença conceitual entre os termos “autonomia” e “independência” e que eles não são sinônimos um do outro. Exemplos: [Preâmbulo:n] “autonomia e independência individuais, inclusive da liberdade de fazer as próprias escolhas”. [Artigo 3:a] “a autonomia individual, inclusive a liberdade de fazer as próprias escolhas, e a independência das pessoas”. [Artigo 16:4] “autonomia da pessoa”. [Artigo 19] “vida independente” (...) com a mesma liberdade de escolha que as demais pessoas”.

[Artigo 25:d] “autonomia (...) das pessoas com deficiência”. [Artigo 26:1] “o máximo de autonomia” (neste caso, o texto original em inglês diz “the maximum independence” e o espanhol diz “la máxima independencia”, quando o correto é “the maximum autonomy”, como está no original em francês: “le maximum d’autonomie”). Porém, o Artigo 20 (intitulado Mobilidade pessoal) diz: “Os Estados Partes tomarão medidas efetivas para assegurar às pessoas com deficiência sua mobilidade pessoal com a máxima independência possível”. Neste caso, o termo correto é “autonomia” no lugar de “independência”. Resumindo, “independência” é a faculdade de tomar decisões e fazer escolhas, enquanto “autonomia” é a capacidade de domínio no ambiente físico (coisas) e social (pessoas) para executar ações e movimentos com o corpo.

EQUÍVOCO DE CONCEITUAÇÃO

O Preâmbulo da Convenção da ONU, no parágrafo “e”, diz: Reconhecendo que a deficiência é um conceito em evolução e que a deficiência resulta da interação entre pessoas com deficiência e as barreiras devidas às atitudes e ao ambiente que impedem a plena e efetiva participação dessas pessoas na sociedade em igualdade de oportunidades com as demais pessoas; (grifos meus). Ora, em outras palavras, essa afirmação está dizendo que “a deficiência deixará de resultar (existir) se essas barreiras forem eliminadas e as pessoas com deficiência não entrarem em interação com as barreiras que continuarem existindo na sociedade”, o que constituiria um conceito equivocado, no mínimo. Proponho, então, que o parágrafo “e” do Preâmbulo tenha a seguinte redação: e. Reconhecendo que a deficiência é um conceito em evolução e que as barreiras atitudinais e ambientais impedem a plena e efetiva participação das pessoas com deficiência na sociedade em igualdade de oportunidades com as demais pessoas; Por sua vez, o Artigo 1 diz que “[os impedimentos], em interação com diversas barreiras, podem obstruir sua [das pessoas com deficiência] participação plena e efetiva na sociedade em igualdade de condições com as demais pessoas”. Repetindo, “os impedimentos podem obstruir a plena participação”. Ora, atualmente, entendemos que não são os impedimentos (presentes na pessoa com deficiência e quando interagem com diversas barreiras) que podem obstruir a participação dela na sociedade. Em sentido positivo, a remoção das barreiras existentes na sociedade abre espaços para a plena participação, seguindo o modelo social da deficiência. A deficiência continuará existindo na pessoa, mesmo após a eliminação das barreiras sociais; a pessoa com deficiência não deixará de ter essa deficiência, mas, com as barreiras eliminadas, esta pessoa já não terá de enfrentar dificuldades ou impossibilidades para


coluna especial participar plenamente da vida da sociedade. Essa ideia do Artigo 1 - de que a deficiência em si (decorrente de impedimentos que estão na pessoa) obstrui a participação da pessoa com deficiência quando entra em interação com as barreiras da sociedade - é dos tempos da segregação e da integração, segue o modelo médico da deficiência, já foi superada e é inaceitável em plena era da inclusão. Portanto, proponho que o segundo parágrafo do Artigo 1 seja substituído pelo seguinte: Pessoas com deficiência são aquelas que têm impedimentos de longo prazo de natureza física, psicossocial, intelectual, visual, auditiva ou múltipla, e cuja plena e efetiva participação social em igualdade de condições com as demais pessoas pode ser obstruída por diversas barreiras construídas, naturais e atitudinais existentes na sociedade.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BRASIL. Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência; Protocolo Facultativo à Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência. Brasília: Corde, 2007. ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE. Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde. São Paulo: Edusp, 2003. QUINN, Gerard. The United Nations Convention on the Rights of Persons with Disabilities: Towards a unified field theory of

disability. Universidade Nacional da Irlanda, 10/10/09 (www.nuigalway.ie/cdlp). SASSAKI, Romeu. Incluindo pessoas com deficiência psicossocial – Parte 2. Revista Reação, ano XIV, n. 79, p.12-19, mar./abr. 2011b. SASSAKI, Romeu. Incluindo pessoas com deficiência psicossocial – Parte 1. Revista Reação, ano XIV, n. 78, p.10-14, jan./fev. 2011a. SASSAKI, Romeu. Deficiência psicossocial: a nova categoria de deficiência. Fortaleza: Agenda 2011 do Portador de Eficiência, 2010. SASSAKI, Romeu. Deficiência intelectual e inclusão – Parte 2. Revista Reação, ano X, n. 55, p. 8-10, mar./abr. 2007b. SASSAKI, Romeu. Deficiência intelectual e inclusão – Parte 1. Revista Reação, ano X, n. 54, p.8-11, jan./fev. 2007a. UNITED NATIONS. Handbook for parliamentarians on the Convention on the Rights of Persons with Disabilities and its Optional Protocol (From exclusion to equality – Realizing the rights of persons with disabilities). Genebra: United Nations, 2007. UNITED NATIONS. Convention on the Rights of Persons with Disabilities and its Optional Protocol. Nova York: United Nations, 2006. WORLD HEALTH ORGANIZATION. International Classification of Functioning, Disability and Health. Genebra: WHO, 2001.

Romeu Kazumi Sassaki é consultor e autor de livros de inclusão social E-mail: romeukf@uol.com.br

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acessibilidade

Como será a acessibilidade nos estádios

de futebol na Copa do Mundo?

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pergunta tem preocupado bastante os torcedores com deficiência, que temem encontrar problemas para comparecer aos jogos em 2014. Reuniões em diversos níveis estão acontecendo para discutir a questão, com o envolvimento da Secretaria Nacional de Promoção dos Direitos da Pessoa com Deficiência, do Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa Portadora de Deficiência (CONADE), da Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão (PFDC - Ministério Público), do Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (CONFEA) e os diversos Conselhos Regionais (CREAS), além do Comitê Organizador Local da Copa (COL). O debate mais recente sobre o assunto ocorreu em 20/05, durante encontro do CONADE, quando algumas questões levantadas pelo Ministério Público e enviadas em ofício foram discutidas e votadas. A principal delas era se o Conselho considerava pertinente que os estádios não cumprissem integralmente com os percentuais para PcD definidos pelo Decreto 5296/2004, já que o prazo até a Copa é curto e muitas obras já estão em andamento. O decreto estabelece percentual de 4% para pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida, sendo 2% para usuários com cadeiras de rodas. De acordo com o presidente do CONADE, Moisés Bauer, nenhum dos projetos arquitetônicos para reforma ou construção dos estádios observa esse percentual, ficando com 1%, em média, e em muitos casos em torno de 0,8%. Depois de muita discussão, foi aprovado que o CONADE concorda com a formalização de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) que obrigue o cumprimento das regras do Decreto para os estádios, mas com prazos e formas específicos. Os termos do TAC ainda serão redigidos e submetidos ao parecer dos conselheiros.

Mobilização

Para a procuradora Analúcia Hartmann, coordenadora do Grupo de Trabalho Inclusão de Pessoas com Deficiência da PFDC, que também esteve presente à reunião do CONADE, há uma intensa mobilização em relação à acessibilidade para a Copa, mas as Prefeituras ainda não foram sensibilizadas de forma efetiva: “Por conta de suas atribuições urbanísticas, elas são essenciais para se alcançar resultados relevantes. Também é imprescindível que o Ministério das Cidades e os órgãos financiadores de construções - CEF e bancos de fomento, como o BNDES - adotem procedimentos específicos na matéria. Isso sem falar no enorme atraso brasileiro em relação ao transporte dessas pessoas e à acessibili-

dade em locais turísticos, monumentos históricos e museu”. Da parte do CONFEA e dos CREAS, estão sendo realizadas várias audiências públicas nas cidades - sede para o debate com profissionais da área, representantes de instituições públicas e, principalmente com a sociedade, de questões como controle social, transparência dos gastos públicos, fiscalização, mobilidade urbana, acessibilidade, telecomunicações, entre outras. “Essa foi uma forma do Sistema CONFEA/ CREA, que por meio de sua fiscalização garante a segurança da sociedade, possibilitar mecanismos para que seja possível acompanhar o desenvolvimento das obras de infraestrutura necessárias para o Mundial”, explica Jary de Carvalho e Castro, coordenador do Grupo de Trabalho Acessibilidade e Mobilidade Urbana do Colégio de Presidentes do Sistema. Ele considera que, com exceção de um ou outro estádio, como o Mineirão e o Morumbi, o Brasil deixa a desejar no que se refere ao livre acesso a todas as pessoas aos estádios. A construção da maioria deles foi em uma época em que acessibilidade não era uma questão discutida. “Precisamos melhorar muito e esta é uma oportunidade imperdível para se promover a acessibilidade nesses espaços”, afirma o coordenador. Os CREAs dos estados que sediarão os jogos estão promovendo fiscalizações, antecedendo as audiências públicas de cada Estado, até mesmo para subsidiar as discussões durante os eventos. Durante as obras, cada CREA deve dar continuidade aos processos de vistoria. A próxima audiência será na capital paulista, em 21 de junho, no Memorial da América Latina. O credenciamento pode ser feito junto ao CREA-SP.


acessibilidade Bandeirão da acessibilidade Um bandeirão amarelo com letras verdes, de 18 x 25 m, tem sido destaque nos principais jogos de futebol em todo o Brasil. Só no mês de maio, esteve presente nas finais dos campeonatos carioca, paulista, goiano e catarinense, e na abertura do Brasileirão. Carregado por adolescentes, adultos e pessoas idosas com e sem deficiência, simboliza a beleza da diversidade brasileira, exaltando a defesa do direito universal à acessibilidade. A iniciativa faz parte da “Campanha Nacional da Acessibilidade - Siga essa Ideia!”, e é coordenada pelo Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência (CONADE), órgão da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República. Tem como objetivos sensibilizar, conscientizar e mobilizar a sociedade para a eliminação das barreiras culturais, de informação, arquitetônicas e outras que impedem as pessoas com deficiência ou com mobilidade reduzida de participarem efetivamente da vida em sociedade. “Para fortalecer a mobilização e sensibilização, estamos, enquanto estratégia de marketing, associando a campanha ao esporte, em especial o futebol, paixão nacional e à cultura, em especial a música”, explica Márcia Melo, coordenadora geral do CONADE. “Começamos a entrar nos estádios de futebol em 2009, com uma faixa escrito ‘Acessibilidade - Siga essa ideia’ e hoje entramos em campo com nosso bandeirão”. Várias TVs apoiam a iniciativa, mostrando as ações aos espectadores. “Acho

importante despertar o tema acessibilidade no público porque de nada adianta ter legislação avançada e edificações modernas se o cidadão comum não tiver consciência. Recentemente vi no Terminal Rodoviário Tietê, em São Paulo, uma série de marcações, no chão da área de espera, ao lado das cadeiras, indicando que se tratava de área para pessoa em cadeira de rodas. Em cima de uma delas estava uma lixeira. A pessoa que colocou a lixeira ali com certeza não tem consciência. Este é o foco principal da campanha: a exposição da marca pode despertar a reflexão e beneficiar todo mundo que precisa de acessibilidade”, conclui Roberto Tiné, coordenador da Comissão de Comunicação Social do CONADE.

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empregabilidade

E

por Mara Di Maio

Acorda Brasil !!!

ste ano a Lei 8.213/91 está comemorando 20 anos e a pergunta que não quer calar é a seguinte: qual o progresso alcançado nesse período ? Claro, hoje já se fala em “pessoa com deficiência” e não mais em “aleijadinhos” e outros apelidos e termos constrangedores. Hoje, grande parte da sociedade admite que as PcD têm de ter o mesmo direito que as demais pessoas sem deficiência, e também, muita gente tem feito a sua parte, nesse processo. Mas ainda é muito pouco ! Qualquer transformação cultural requer tempo, evidentemente, mas 20 anos já se passaram e as conquistas ainda são muito pequenas, considerando o que precisa ser feito. Todos sabemos que existem muitos entraves para a verdadeira inclusão da pessoa com deficiência, e que essas dificuldades, em se tratando de inclusão no mercado de trabalho, encontram-se basicamente em: falta de capacitação da PcD; o benefício que a mesma recebe do governo, pois existe o receio por parte do beneficiado em abrir mão desse e ser demitido da empresa e ficar sem o salário e sem o benefício; a falta de acessibilidade em sentido amplo, mas também, a falta de vontade por parte do empresário e principalmente por parte do nosso governo. Então, queremos saber o que ainda é possível ser feito para transformarmos essa nossa cultura. Particularmente, acredito que falta mesmo é a VONTADE DE TRANSFORMAR !!! Se o governo verdadeiramente se importasse com este nosso setor e quisesse conhecê-lo realmente, entenderia que hoje, os quase 30 milhões de habitantes de nosso país possuem algum tipo de deficiência e que essa quantidade de pessoas é bastante significativa. Se não querem incluir pela sensibilidade, que tal, então prestar um pouco de atenção neste mercado e observar que no Brasil existem feiras do segmento, como a REATECH – Feira Internacional de Tecnologias em Reabilitação, Inclusão e Acessibilidade que acontece já há 10 anos, e a feira HOSPITALAR, também internacional e anual, que só este ano recebeu 91 mil visitantes e que teve dentre os seus pavilhões, um especialmente dedicado à reabilitação... e ainda, que em agosto de 2012 será realizada pela organização da mesma feira HOSPITALAR, uma outra feira, somente sobre REABILITAÇÃO ? Raciocinemos em cima de números e cifras, temas que com toda a certeza interessam: essas feiras existiriam se não fossem lucrativas ? Outra informação nesse sentido: uma pesquisa

levantada pela Revista Reação/Reatech, confirma que 42% das pessoas com deficiência em nosso país fazem parte da CLASSE A/B; 44% pertencem à CLASSE C e 14%, somente, às CLASSES D e E !!! Conforme dados da ABRIDEF – Associação Bras. das Inds e Revendedores de Prods e Serviços Para Pessoas Com Deficiência, foram vendidos mais de 29 mil veículos, com isenção de imposto para pessoas com deficiência, só em 2010 !!! Será que nem sabendo disso, nosso governo e nossa sociedade percebem o que estão perdendo, em todos os sentidos, em não considerar de verdade, as PcD como cidadãos participativos e consumidores em potencial e que merecem o nosso respeito em todos os sentidos ? Que aceitarmos o preconceito e não fazer nada para que essa situação seja modificada é, no mínimo, admitirmos a ignorância nacional e internacionalmente ? Uma vez apresentado o problema, devemos imediatamente pensar na solução e eu, enquanto cidadã, e atuante neste mercado há quase 10 anos, apresento aqui minha humilde sugestão para que agilizemos essa tão sonhada TRANSFORMAÇÃO CULTURAL: imaginemos uma campanha maciça em todos os veículos de comunicação, com a mesma intensidade da campanha feita por nosso governo, proibindo o fumo em locais fechados, com a mesma vontade política, com o mesmo rigor... Vocês não acham que, em muito pouco tempo, a sociedade se sentiria envergonhada em resistir à verdadeira inclusão, do mesmo jeito que os fumantes se sentiram constrangidos ao acender um cigarro perto de outras pessoas ? Por fim, o que precisamos é nos movimentar, mostrar, cada um do seu jeito de que queremos a INCLUSÃO SIM, mas em sentido lato ! Vamos acordar, de vez, este gigante que está adormecido pela ignorância, pela falta de atitude de seu povo e pela insensatez de muitos dos nossos governantes, fazendo cada um de nós, todos os dias, a nossa parte ! Fiquem bem !

Mara Di Maio é Bacharel em Letras e em Direito, palestrante e colaboradora da Revista Reação para assuntos de empregabilidade de PcD e superintendente da Abridef . Mande seu currículo para: mara_dim11@yahoo.com.br


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trabalho

por Adriano Bandini

Lei de Cotas completa 20 anos em julho ! Enfrentando forte pressão dos empregadores, ela depende das PcD para se manter sólida

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m Julho de 2011 a Lei 8.213/91 (Lei de Cotas) completa 20 anos. Segundo o Ministério do Trabalho e Emprego, entre avanços e retrocessos, uma informação nos preocupa: o número de PcD contratadas formalmente no Brasil, cai em comparação ao emprego formal. Veja a tabela:

Mesmo com a seriedade em que a Lei de Cotas é fiscalizada, o número de PcD contratados deixa muito a desejar. O que é necessário fazer para promovermos resultados substanciais? Em primeiro lugar, as empresas obrigadas a contratar uma porcentagem de PcD devem compreender que não adianta adiar a questão entrando na justiça para não incluir. Vejamos alguns casos interessantes: Há uma grande rede de hipermercados que briga na justiça para que cada uma de suas lojas, por ser constituída de CNPJ totalmente diferente, seja encarada pela fiscalização como uma empresa independente e, logo, teria sua cota de PcD a ser contratada calculada com base nesse único CNPJ de cada loja. Há alguns anos, um grande empregador da área financeira passou pela justiça brigando da mesma forma, com base nos mesmos argumentos. Além de transmitir uma mensagem péssima ao mercado ao brigarem na justiça contra uma lei que promove a inclusão, em ambos os casos a compreensão de que se trata sim de uma única empresa e que a cota deve ser calculada com base na soma de todos os funcionários se deu pela seguinte análise: Todas as lojas, agências, postos de atendimento etc,

atuam com a mesma marca? Todas as lojas, agências, postos de atendimento etc, atuam com o mesmo nome fantasia? Todas as lojas, agências, postos de atendimento etc, atuam como possível posto de atendimento/venda em suas propagandas? Todas as lojas, agências, postos de atendimento etc, são subordinadas a mesma matriz? A matriz contabiliza e impõe controle de trabalho (horas, metas, periodicidade, resultados etc) dos diretores e/ou gerentes de cada lojas, agências, postos de atendimento etc.? O sistema de comunicação, informática, e outros são interligados e seguem as mesmas regras? Ou seja, se a relação da matriz com as filiais - mesmo que cada uma tenha um CNPJ totalmente diferente - seja de subordinação comprovando vínculos, a justiça compreende sim que se trata de uma única empresa. O interessante é que em um dos exemplos acima, além da empresa não escapar da Lei de Cotas, a mesma foi processada em uma ação civil de interesse público por se entender que houve Assédio Moral às PcD. Nada mais nada menos que autuações de R$ 500 mil por um motivo totalmente independente da Lei de Cotas. Em segundo lugar, as PcD devem fazer a sua parte. Cada família e PcD deve se informar sobre suas possibilidades, estudar, se qualificar tecnicamente, aprender a se comportar em ambientes corporativos, entender que a Lei de Cotas não cria estabilidade e que os direitos e deveres são absolutamente os mesmos para PcD e sem deficiência.

Aula Inaugural do Programa FEBRABAN de Capacitação da PcD, projeto que conta com a parceria dos empregadores, federações, ONGs e Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida de São Paulo/SP.


trabalho Há um grande número de PcD trocando emprego ou não se dedicando como deveriam por julgarem que a Lei de Cotas os protegerá. Grande engano. É fundamental que cada pessoa se desenvolve e apresente bons resultados para a empresa que o contratou. Um dos itens mais importantes é ampliar ao máximo o grau de autonomia. Em terceiro lugar, cada prefeitura e governo estadual devem por em prática políticas públicas em caráter de urgência. Com base na “Convenção da ONU sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência”, cada administração pública tem a obrigação de oferecer aos seus munícipes determinados serviços. Para finalizar, as três etapas devem se articular em redes de parcerias para conquistar resultados substanciais em curto prazo, fortalecendo a Lei de Cotas e todos os grupos que trabalham por ações assertivas em prol a Inclusão.

Adriano Bandini Tavares de Campos é coordenador geral de Projetos de Inclusão da Secretaria Municipal da PcD e Mobilidade Reduzida da cidade de São Paulo.

nota 5° MINAS WHEELCHAIR TENNIS OPEN O tenista Marcos Vasconcelos, foi campeão no Torneio de Tênis em Cadeira de Rodas - 5° MINAS WHEELCHAIR TENNIS OPEN - na cidade de Betim/MG. Ele conquistou o título nas quadras de saibro do Teuto Esporte Clube. O evento foi organizado pela ITF - International Tennis Federation e CBT - Confederação Brasileira de Tênis, na semana de 1 a 4 de abril útlimo. Marcos conquistou dois troféus de Campeão: na chave Second Draw, na categoria simples, masculino. E de duplas, jogando com o tenista Pedro Rocha (SP). A partida final de simples foi vencida por 6/3 e 6/3, contra tenista Romulo Soares (DF). Em duplas, fez final contra Sebastião (SP) e Gustavo (MG), vencendo pelo placar de 6/1 e 6/0. Marcos é um atleta patrocinado pela Brasilprev e pelo SESI-SP. O proximo torneio está acontecendo na bela cidade de Fortaleza/CE, neste mês de junho.

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arte

Projeto une literatura, teatro e artes plásticas pela inclusão !

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Projeto Livro Falado nasceu para unir pessoas com deficiência visual e videntes. A idealizadora, AnaLu Palma, trabalha desde o ano 2000 nesse sentido e explica que a atuação abrange tanto a qualificação da pessoa com deficiência visual para a atuação em cena quanto do ledor voluntário para a feitura de livros falados, disponibilizados aos interessados. A primeira atividade foi o projeto “Voz da Academia”, junto à Academia Brasileira de Letras, produzindo livros falados de acadêmicos, distribuídos gratuitamente para todo o Brasil. Foram mais de 42 mil cópias, conta AnaLu (a lista está no site www.livrofalado.pro.br). Ao mergulhar nessa produção, a mestre em teatro pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro se aproximou do universo da cegueira: “Fui estudando e aperfeiçoando meus saberes, convivendo com cegos e divulgando seu jeito peculiar de ser e estar no mundo”, afirma. Em seguida começaram a ser ministradas oficinas, em que os participantes aprendem todo o processo de gravação. AnaLu passou das fitas cassetes ao computador, gravando livros em CDs. Mais 100 obras produzidas nas oficinas estão esperando patrocínio para entrarem no site. O próximo passo foi um projeto com o SESC-RJ de montagem cênica, pois ela também é atriz. “Dediquei-me no mestrado a buscar meios acessíveis para o ator cego e para a plateia cega. Essa pesquisa culminou com a Oficina de Arte Inclusiva, patrocinada pela Caixa Cultural RJ, onde trabalhei com atores videntes e não videntes, criando cenas sobre Édipo, Tirésias e alguns outros personagens cegos”, conta. Esse material está em fase de organização para ser colocado na página. Outra vertente foi enveredar pela reprodução de imagens, pois um dos procedimentos da pesquisa de Mestrado foi dar a conhecer

aos corpos cegos formas e posições: “Desenvolvi com atores e ledores vinculados ao meu trabalho a experiência de reproduzirem tridimensionalmente as imagens bidimensionais de quadros e fotografias”, conta AnaLu. Para criar a página acessível na internet, digitalizar todo o acervo e relançar em tinta, Braille e áudio a obra Livro Falado: Uma História para ler, gravar e ouvir, de sua autoria, AnaLu conseguiu o enquadramento do projeto na Lei Rouanet. Ela também tem outros parceiros como a Casa da Leitura, Centro Cultural Justiça Federal, Petrobras, Ministério da Cultura e UNIRIO. No momento, está procurando patrocinador para a montagem de uma peça teatral que tem no elenco um ator cego. Os cursos para pessoas que querem ler os livros duram quatro meses e são pagos. Os 350 livros já disponibilizados podem ser ouvidos gratuitamente no site, bastando um cadastro. Em um ano e meio, 7 mil pessoas se cadastraram.

AnaLu Prates em pé, Marcia Costa ministrando a oficina e aluna


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associações

ANDEF chega aos 30 anos comemorando bons resultados !!!

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o próximo mês de agosto, a ANDEF - Associação Niteroinse dos Deficientes Físicos faz aniversário com um balanço altamente positivo de sua trajetória. Fundada no Ano Internacional da Pessoa com Deficiência, instituído pela ONU, por um pequeno grupo de PcD liderado por Tânia Rodrigues, a entidade ajudou a escrever as principais leis que beneficiam pessoas com deficiência no país, além de dar vida ao Comitê Paraolímpico Brasileiro, que teve da entidade apoio administrativo e financeiro para seu crescimento. Para se ter uma ideia do trabalho desenvolvido pela ANDEF, cerca de 400 mil atendimentos foram realizados em 2010, beneficiando mais de 7 mil pessoas. Um marco nessa história é o Centro Social e Esportivo em Niterói/RJ, finalizado em 2002 num terreno de 42 mil m², que conta com: academia de dança, biblioteca, quadra de basquete, campo de futebol, pista de atletismo, ginásio poliesportivo, piscina semiolímpica e ginásio de fisioterapia, entre outras acomodações. “Por toda a história no movimento das pessoas com deficiência e nos esportes paraolímpicos, o Complexo Esportivo e Social da ANDEF traduz a nossa grandiosidade”, conta João Batista Carvalho e Silva, coordenador de gestão da entidade. O Centro tem sido sistematicamente utilizado para a realização de competições nacionais e internacionais, além de ser o Centro de Treinamento Oficial do Futebol de Cinco, bicampeão paraolímpico e tetra mundial. Atletas de renome internacional, como Clodoaldo Silva, maior nadador paraolímpico brasileiro, costumam treinar no local. A principal fonte de recursos para mover toda essa engrenagem vem de contratos de terceirização de serviços com órgãos públicos e privados que, além de fornecerem recursos para a manutenção das atividades, empregam mais de 700 PcD. O foco para o atendimento são as pessoas com deficiências físico-motoras, mas também são recebidos interessados com outras deficiências, que realizam atividades no esporte, educação e cultura, ou saúde e reabilitação. Na prática esportiva são oferecidas às pessoas com deficiência e à comunidade, diversas modalidades, como: Atletismo, Basquetebol em Cadeira de Rodas, Bocha, Futebol de Sete para Paralisados Cerebrais, Futebol para Amputados, Halterofilismo, Natação, Rúgbi em Cadeira de Rodas, Tênis em Cadeira de Rodas, Tênis de Mesa, Tiro com Arco e Voleibol Sentado. Além dos atletas de alto rendimento, também in-

Andef Clodoaldo Silva

vestem na formação de novos talentos e cidadãos. A ANDEF faz ainda atendimentos em saúde e reabilitação para seus beneficiários e comunidade em geral. Conta com profissionais especializados em Fisioterapia, Hidroterapia, Terapia Ocupacional, Fonoaudiologia, Clínica Médica, Nutrição, Psicologia e Odontologia. Na capacitação profissional, possui parceria com a Fundação de Apoio à Escola Técnica, na formação de alunos na Escola Técnica Armando Valle Leão. A unidade já recebeu mais de 10 mil alunos com e sem deficiência, em vários cursos. No total, mais de 6 mil alunos se formaram e entraram no mercado de trabalho. “A perspectiva é de continuar a contribuir com exemplos positivos para a construção de uma sociedade inclusiva, onde as pessoas com deficiência possam ser igualadas em oportunidades. O trabalho é árduo, mas para quem começou a caminhada faz 30 anos, existe a certeza de que o caminho escolhido é o mais correto”, conclui o coordenador.


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sexualidade

por Fabiano Puhlmann

Fascinação...

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egundo Francesco Alberoni, pensador italiano: “Enamoramento é uma fase do relacionamento entre duas pessoas que precede os sentimentos de amor e paixão, não é um fenômeno corriqueiro, uma sublimação da sexualidade ou um capricho da imaginação, porém, também não é um fenômeno raro, é um caso especial de movimento coletivo, onde apenas duas pessoas estão envolvidas”... Neste texto, vamos falar da essência do enamoramento: a fascinação. Fascinação... aquele sentimento especial, que acontece quase sempre de forma inesperada em nossas vidas. Um estado de completa dominação de sentimentos fortes, uma delícia de devaneio que nada consegue perturbar. O tempo ganha contornos e o espaço ganha curvas, ficamos perdidos dentro do labirinto de música e cor, sonhando acordados, acreditando nas possibilidades que o presente oferece. No estado de fascinação, as sensações são estimuladas, voltamos nossa atenção para os sentimentos e a razão diminui o controle excessivo sobre as percepções. É comum que amantes fascinados sintam que caminham nas nuvens, que conseguem sorrir com facilidade e que estão mais otimistas frente à vida, que a vida tem mais desafios e possibilidades de prazer. O corpo todo parece estar envolvido por uma aura iluminada. Na fascinação, as sensações experimentadas em nosso corpo erótico são surpreendentes, a pele, maior órgão sexual humano, viva e sensível, nos transmite mais calor, arrepios, e com suas inúmeras variações, dependendo da localização no corpo variam ao sabor de nosso contato com a pele de nossos objetos de desejo. Redescobrimos a pele, esta fantástica estrutura pulsante de contato prazer e intimidade. Cada milímetro de nossa pele se compõe de uma complexa rede eletro química ligada profundamente com nosso sistema sensorial. A pele é elástica, é quente tem diferentes texturas, é em alguns pontos, centro erótico e porta de todo prazer e dor que podemos experimentar. O rosto do fascinado, parece que foi esculpido pelos

sentimentos, recebe o toque, treme, a boca suspira, os lábios se abrem mostrando inúmeras possibilidades. Um pulsar sensível, a testa soprada levemente, a orelha repleta de reentrâncias, explorada por dedos e boca quente, sussurros despertando fantasias e liberando os poros para sentir a intensidade do contato. O beijo finaliza as palavras, favorece o fechamento dos olhos e inicia a intimidade. A verdade surge com o primeiro beijo. Fascinados, descobrimos as afinidades viscerais, e a compatibilidade sexual. De novo, a pele presente no corpo, no peito, permite o arfar dos pulmões, aquela elevação descontrolada, musical, meio sem ritmo, buscando um ritmo compartilhado, respirar e expirar em sincronia com o beijo, com a sinfonia das mãos, com o olhar, com o abraço. Mas a pele, esta maravilha sensível, continua na intimidade dos órgãos sexuais, a textura muda, desaparecem os pêlos, surge a umidade, o calor aumenta, a proximidade com as camadas profundas, a teia sensível, próxima, muito perto, muito íntima, muito vulnerável, muito gostosa, levando à entrega descontrolada, a explosão luminosa de prazer. A fascinação é o empurrãozinho do corpo para arriscarmos o envolvimento que surge com o enamoramento, a paixão e o amor Estar de bem com o amor é mais que ter grandes sensações eróticas, é ter clareza da importância de cuidar de cada pessoa que cativamos, as emoções fortes que vivenciamos. O que queremos lembrar sempre, o que queremos esquecer a todo custo, um olhar, um toque, um aperto íntimo, lágrimas de alegria e, às vezes, de


sexualidade saudade e de dor. É possível viver sem prazer, mas não é desejável. O instinto presente em todo ser vivo impele a todos para a satisfação sexual. O homem dotado de livre arbítrio pode escolher seus parceiros sexuais, pode até resistir ao desejo sexual mais intenso, pode adiar a satisfação sexual ou até mesmo escolher o momento mais conveniente para finalmente se entregar totalmente . Independente de idade, estado social, diferenças de cultura, homens e mulheres estão sempre vulneráveis, fazem escolhas afetivas a todo instante, prazer, dever, medo e nossas inúmeras responsabilidades. Aprendemos a aumentar nosso controle consciente sobre o corpo, mas se exagerarmos na dose, perdemos a capacidade de nos deixar fascinar. A fascinação pertence ao mundo dos sonhos, do devaneio, da delícia, da descoberta, das fantasias e do brincar com os limites nossos e de nossos parceiros. É preciso se conhecer profundamente para saber oque aguentamos e o que seria insuportável perder. Existe sempre um grande risco ao nos entregarmos ao prazer, podemos nos apaixonar, começar a amar e, neste movimento, perder o controle, tomar consci-

ência de que precisamos do outro para continuar vivendo, ou então, sofrer a perda de sentido e sobreviver solitário e controlado. Enfrentar os riscos do amor é prova de grande coragem, mas é também pura loucura e temeridade, os desafios vencidos lembram os tempos primordiais onde os enamorados armados de poemas e flores disputavam com astúcia o coração do ser amado. Fabiano Puhlmann Di Girolamo

é Psicólogo Formado Pela Universidade São Marcos; Psicoterapeuta Especialista Em Psicologia Hospitalar Da Reabilitação Pela Faculdade De Medicina Da USP; Especialista Em Sexualidade Humana Pelo Instituto H. Ellis; Especialista Em Integração De Pessoas Com Deficiências, Pela Universidade Salamanca, Espanha; Especialista Em Reabilitação Pela Secretaria De Saúde Do Estado De São Paulo; Educador Sexual Pela Sociedade Brasileira De Sexualidade Humana E Faculdade De Medicina Do Abc; Membro Do Corpo Docente Do Curso De Pós-Graduação da SBRASH; Membro Do Conselho Científico Das Casas André Luis Da Cidade De Guarulhos; Fundador Do Cepcos (Centro De Estudos E Pesquisa De Comportamento E Sexualidade); Coordenador Do Serviço De Psicologia Da IBNL (Instituição Beneficiente Nosso Lar) Atuação Reconhecida Nas Áreas De Acessibilidade, Ajudas Técnicas e inclusão, Participando Da Formação E Gestão De Serviços Especializados No Setor Público E No Terceiro Setor; Atua Como Psicólogo Clínico Junguiano, Articulista E Palestrante De Assuntos Referentes A Inclusão De Pessoas Com Deficiência. Atualmente É Responsável Pela Área De Acessibilidade/Ajudas Técnicas E Os Programas De Sensibilização Do Instituto Paradigma.

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momento surdo

por Neivaldo Zovico

Estudantes surdos se formam como professores de Libras – Língua Brasileira de Sinais

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conteceu no dia 11 de abril de 2011, às 19 horas no auditório da FAU – Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo – USP, a formatura de 43 alunos surdos do Pólo da USP, no curso de Licenciatura em Letras/LIBRAS à distancia. O curso, pioneiro no Brasil e no mundo, foi inteiramente ministrado e coordenado pela Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC . Esta turma, e mais oito espalhadas pelo Brasil, conveniadas com a Universidade Federal de Santa Catarina, iniciaram as aulas em 2006 e são pioneiros na obtenção do título de bacharéis em LIBRAS no Brasil e no Mundo. Como Coordenador Nacional de Acessibilidade para Surdos da Federação Nacional de Educação e Integração dos Surdos, sou um dos alunos desta turma que se formou no curso de Letras/LIBRAS juntos com outros alunos do Polo USP. A cerimônia foi realizada dentro do auditório da FAU, com a presença dos reitores, coordenadores e professores da USP e UFSC, contando com a tradução de um interprete de LIBRAS que fez a intermediação do conteúdo para os alunos. Iniciando-se em 2006, durante 4 anos os estudantes participaram de aulas presenciais que ocorriam a cada 15 dias no campus da USP aos sábados, e graças a muita tecnologia, o conteúdo era trocado entre alunos e professores pelo Brasil inteiro por vídeo-conferência. As disciplinas abordadas no curso foram: Pedagogia, Linguística, Tradução e Interpretação de texto em Língua de Sinais e vice-versa. O curso contou com professores mestres e doutores surdos e ouvintes, sendo a Coordenadora Geral do curso à distancia, a Sra. Marianne Stumpf, também surda. A LIBRAS é uma língua natural que possui estrutura gramatical própria. Os sinais são formados por meio da combinação de formas e de movimento das mãos e de pontos de referência no corpo ou no espaço. O ensino de LIBRAS para crianças surdas se dá através da visão, pois elas não escutam, mas apreendem conhecimento por esta via. O aprendizado por esta via sensorial, facilita seu

desenvolvimento linguístico e cognitivo fazendo com que o indivíduo possa construir a sua própria cultura e identidade com a língua própria de sinais. Com a criação do Decreto de LIBRAS nº 5.626 de 22/12/2005, que determina a necessidade de multiplicar professores de LIBRAS para lecionarem aos estudantes das faculdades de pedagogia, fonoaudiologia, psicologia e também da necessidade de treinamento para funcionários públicos do governo federal, estadual e municipal para o atendimento dos cidadãos surdos em diversas repartições, o mercado se abriu para estes profissionais. Os professores de LIBRAS poderão atuar no mercado de trabalho em diversas áreas ministrando cursos livres, nas escolas, nas faculdades, nas empresas e na área pública, usando o método de ensino de segunda língua para pessoas ouvintes e como primeira língua para pessoas surdas. Conforme o Decreto de LIBRAS, os cargos para professores de LIBRAS já estão sendo oficializados e os alunos formados poderão ingressar nos concursos públicos das escolas, faculdades, centro de pesquisas, através da prova adaptada conforme a recomendação Nº 001 do CONADE, que recomenda realização de provas adaptadas em LIBRAS somente para professores surdos. Esperamos que os Governos Municipal, Estadual e Federal reconheçam a importância de nossa profissão e abram concursos públicos para professores de LIBRAS lecionarem em sala de aula, ou realizarem pesquisas. No Brasil existem aproximadamente 6 milhões de surdos e o ensino da Língua Brasileira de Sinais é fundamental para o aprendizado das crianças surdas de todo o país, em escolas especiais para Surdos. Neivaldo Augusto Zovico é professor, Consultor de Acessibilidade para Surdos e pessoas com deficiências auditivas, Coordenador Nacional de Acessibilidade para Surdos da FENEIS e Colaborador da equipe do site : www.portaldosurdo.com Site: www.acessibilidadeparasurdos.blogspot.com E-mail : neivaldo.zovico@terra.com.br


por Hermes Oliveira

parakart

Acelerando forte !!!

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segunda etapa do Parakart, em Cotia/SP, no dia 9 de abril de 2011, foi vencida por Stefane Malle, “o francês”. Ele, que ficou paraplégico depois de um acidente com o caminhão de sua equipe, ainda lá na França, onde já era piloto de Kart e chegou até a competir com o Schumacher e o Raikkonen em um campeonato mundial, mudou-se para São Paulo em 2009, onde conheceu e começou a pilotar na equipe Parakart. Hoje, com 43 anos, é a 3º vez que Stefane vence uma corrida.

Na largada, ele perdeu a posição para Rony, mas na primeira volta retomou a liderança e foi até o fim... Rafael, atual campeão, ficou em 3º lugar. Eu, com problemas no motor, assisti vários pilotos me ultrapassando e cheguei em 15º. Mas, o que valeu mesmo foi a diversão e o prazer de participar dessa categoria maravilhosa e vencedora. Nesse dia, esteve presente no kartódromo, o pernambucano Cleyton Pinteiro, presidente da CBA - Confederação Brasileira de Automobilismo. Foi ele quem deu a bandeirada final e nos convidou para correr lá em Recife/PE. Nós aceitamos o convite e estamos aguardando só marcar a data ! Este ano a Parakart trouxe para a Reatech um kart indoor, que possibilitou um acompanhante sem deficiência, para quem fez trest-drive, oferecendo mais segurança às pessoas com deficiência, incluindo algumas com deficiência visual. Estive por lá no estande da Revista Reação e no da Pa-

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parakart

rakart, fiz uma apresentação pilotando o Kart e no final tirei fotos com fãs, e ainda dei uma entrevista na TV Acessitude, com o repórter Luciano, que também pilotou e disse que gostou, e que vai ser kartista. A Parakart não correu nas etapas dos dias 9 e 28 de maio, Domingos Zamora o “Mingo”, informa que todas as 8 etapas restantes vão ocorrer ainda esse ano, recomeçando em 18 de junho e 6 de agosto. E mais o Campeonato Brasileiro, 09:07:34 previsto Daiwa paraIsenções.pdf 17 de 01/06/2011 julho em São Paulo/SP. E tem ainda mais novidades... segundo ele, vai ser alugado um avião ex-

clusivo para transportar a Parakart até a festa em Recife/PE. Acompanhe as novidades no nosso site: www.parakart.com. br ou no site: www.cba. org.br. Ou diretamente comigo, no: http://hermespiloto.blogspot.com/

O piloto Ives, que anuncio a sua inclusão no Campeonato ECPA STOCKCAR JR, informa que a equipe não conseguiu concluir a adaptação do veículo para primeira prova em Piracicaba/SP, mas na próxima, em 18 de junho, afirma que estará participando.

Hermes Oliveira é paraplégico, piloto de Kart adaptado e autor do livro “Um Motorista Especial de Carreta”.


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atendimento

Comunicação Avape

SAMU/SP tem atendimento só com PcD SAMU, o interessante é que pessoas que sofreram acidentes e já necessitaram do serviço 192 hoje vivenciam o outro lado da situação, ‘ajudando’ pessoas em diversas ocasiões, completa Andrade. De acordo com Nápoli, representantes de outros serviços similares que visitaram a central aceitaram muito bem a ideia que já foi adotada, por exemplo, pelo SAMU de Guarulhos/SP.

Experiência de vida

Comunicação Avape

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uem é socorrido pela maior central de emergências da América Latina, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) da capital paulista, pode nem imaginar mas do outro lado da linha estão muitas pessoas que já usaram o mesmo serviço. Nos telefones de recepção do 192 estão pessoas com deficiências físicas das mais variadas, de nascença ou vítimas de acidentes e tiroteios. O projeto começou em 2009, com a inauguração de uma nova central de atendimento, e a Associação para Valorização de Pessoas com Deficiência (AVAPE) foi a instituição escolhida para operar. “Se idealizou a utilização desse recurso humano, tendo como premissa o fato de que essas pessoas seriam mais susceptíveis para o atendimento telefônico de pedidos de socorro da população e teriam mais sensibilidade para conduzir a conversação ligada a problemas de saúde. Essas, portanto, eram as expectativas e, decorridos dois anos, elas se concretizaram de forma altamente positiva”, afirma Domingos Guilherme Nápoli, coordenador de Relações Institucionais do SAMU/SP. “Mensalmente, atingimos todos os indicadores, sejam de qualidade ou de níveis de serviço”, concorda Siderlei Andrade, gerente de Operações e Serviços da AVAPE. Além de colocar pessoas com deficiência no mercado de trabalho, um dos principais objetivos do projeto é poder mostrar as “eficiências” dessas pessoas, principalmente em serviços de muita responsabilidade. Diariamente, a central recebe uma média de 7.500 ligações em seus 40 pontos de atendimento que funcionam em quatro turnos de seis horas. A estrutura conta com cerca de 150 colaboradores, contemplando coordenação, supervisão e a equipe de agentes de atendimento. A entidade tem um banco de currículos para atender substituições ou novas vagas e faz o treinamento para a função. “As pessoas com algum tipo de deficiência se dão bem em qualquer tipo de trabalho, desde que sejam colocadas no local correto, exercendo funções compatíveis. No caso do

“É um trabalho que exige muita atenção, carinho e dedicação, mas muito gratificante e nobre”, conta Jefferson Luís Couto Araujo, que conta receber de 50 até 100 ligações por dia. Aos 35 anos, com visão em apenas um dos olhos, ele considera importante a oportunidade de agregar novos conhecimentos. No começo do ano, por exemplo, uma equipe de paramédicos dos Estados Unidos, que atua com os bombeiros e em centrais do 191, deu um curso de primeiros socorros e os atendentes passaram por uma avaliação supervisionada. “Ao final, recebemos um certificado reconhecido pelo país deles”, lembra Jefferson que faz questão de agradecer à equipe com quem trabalha na madrugada e deixa uma mensagem às pessoas com deficiência: “Acreditem em si mesmo e quanto alcançarem o que buscam, honrem seus empregos!” A conquistas de um emprego foi fundamental na vida de Cleber da Silva Ribas, de 24, que tem focomelia (braços curtos) e um desvio em uma das pernas. Há seis meses no cargo, ele conta que é muito gratificante ouvir um obrigado e o aviso de que a ambulância acaba de chegar ao local. “Muita gente fala que tempo é dinheiro, mas no meu caso, tempo é vida”, diz Cleber. Para ele, a principal questão para PcD no mundo do trabalho é a falta de qualificação, afirmando que estuda administração e quer abrir uma empresa própria.


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direito

por Geraldo Nogueira

Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência

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Comentando o Artigo 3

Convenção como norma constitucional tem a responsabilidade de determinar as linhas gerais pela qual deve se orientar a política nacional sobre os direitos das pessoas com deficiência. Nesse diapasão, instituiu seus princípios gerais na intenção de condicionar e orientar a compreensão do ordenamento jurídico nas questões sobre deficiência, demarcando os limites de sua aplicação e integração ou mesmo balizando a elaboração de novas normas. Princípios gerais no direito são também recursos utilizados como forma de preenchimento de lacuna legal, quando não é possível aplicar a analogia e os costumes. Estes princípios quando estão dentro da lei não figuram como direitos com existência própria, e sim como uma bússola para orientar a compreensão e aplicação dos direitos garantidos. Cabe ao aplicador do direito identificá-los e aplicá-los, vedando assim o arbitramento de opinião pessoal.

ARTIGO 3 - PRINCÍPIOS GERAIS Os princípios desta Convenção são: a) O respeito à dignidade humana e à liberdade de fazer escolhas e de decidir com independência sobre a própria vida; b) Nunca discriminar; c) A participação e inclusão na comunidade em que se vive; d) A aceitação das pessoas com deficiência e o respeito por sua diferença como parte da diversidade humana; e) A igualdade de oportunidades; f) A acessibilidade; g) A igualdade entre o homem e a mulher; e h) O respeito pelas potencialidades em desenvolvimento nas crianças com deficiência e por seu direito a formar e preservar sua identidade. (Manual Compreendendo a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência da CDPD/OAB-RJ e Centro de Informação das Nações Unidas - UNIC-Rio). O princípio do respeito à dignidade humana, grafado na alínea “a” do artigo acima é o que tem maior importância, pois coloca o respeito à pessoa no centro de atenção para aplicação das normas contidas na Convenção. Este princípio, com maior abrangência, encontrar-se também contemplado no inciso III do art. 1º da Constituição Federal. Por isso, a título de exemplo, este ponto nos deterá em maiores comentários, pois que nosso objetivo é mostrar a importância dos princípios gerais dentro da Convenção e não tecer comentários sobre todas as alíneas acima colacionadas. O princípio do respeito à dignidade humana, colocado dentro

de uma norma voltada para as pessoas com deficiência, sinaliza para a condição de igualdade entre as pessoas, independentemente das características ou diferenças impostas por uma deficiência. A alínea estabelece ainda o respeito à independência, autonomia e liberdade de fazer escolhas, sinalizando o legislador internacional a importância destes princípios para uma pessoa com deficiência, pois que neste caso o principio do respeito à dignidade humana está estritamente ligado ao respeito a estes outros princípios. Tanto que o legislador os coloca em sequencia e no mesmo nível normativo. Claro que o principio do respeito à dignidade humana sobrepõe e, de certa forma, engloba qualquer outra condição, mas a igualdade social se processa por etapas e a humanidade, infelizmente ainda necessita dos limites para não se perder no preconceito e na discriminação. A autonomia do individuo com deficiência se refere à possibilidade de realização de atividades da vida diária sem o auxilio de terceiros, seja em ambientes ajustados ou não à sua condição de deficiência. Enquanto isso a independência tem a ver com o respeito a sua capacidade de fazer escolhas, sem a interferência institucional ou de terceiros. Mas essa independência não está representada na capacidade de exercer sua autonomia, mesmo que tenha uma deficiência severa, pois a independência está na capacidade de administrar a própria vida, assumir responsabilidades, tomar decisões e guiar-se por seus desejos. A liberdade de fazer escolhas, utilizada pelo legislador, está implícita no conceito de independência da pessoa, portanto, funciona como uma espécie de reforço dentro deste princípio para mostrar que a própria pessoa com deficiência, podendo, é quem deve determinar seus caminhos, orientados unicamente por seus desejos. Assim, ressalta-se que para utilização dos princípios gerais da Convenção, deverá existir uma perfeita identidade, entre a situação e o princípio utilizado, sob o aspecto da coerência e da harmonia. Por fim podemos dizer que os princípios gerais são as ideias basilares e fundamentais da Convenção, que lhe dão apoio e coerência, respaldados pelo ideal de Justiça, que envolve toda a norma.

Geraldo Nogueira é advogado, cadeirante, presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Pessoa com Deficiência da OAB/RJ Email: genogue@terra.com.br


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lição de vida

José Viturino

um ex-policial desafiando obstáculos...

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rotina é difícil: José Viturino de Macedo Neto, de 51 anos, leva a manhã toda sendo preparado para deixar a cama e passar o restante do dia em um Scooter motorizado, de onde só sai por volta de meia noite, quando é retirado por um dos filhos, com um guincho transferidor: “sem esse aparelho seria impossível um tetraplégico sobreviver. Na posição deitado não consigo nem mesmo me virar de um lado para outro, imagine sentar sem ajuda”, explica Neto. “Com esforço e força de vontade do corpo e mente, faço minhas proezas”, garante Viturino. Os vizinhos, na cidade litorânea de São Vicente/SP, já se acostumaram a vê-lo sempre motorizado, no seu Scooter Mirage Vita cor de abóbora para viagens mais longas, ou em um antigo Scooter de três rodas, usado mais dentro de casa... Mas também tem a boa e velha companheira, a cadeira de rodas modelo “S” da Freedom. Ele conta que já teve também um quadriciclo, mas vendeu. Viturino é ex-policial militar, levou um tiro em um sábado no ano de 2005, durante um assalto numa casa lotérica da cidade, e que ficava a 20 metros de uma unidade da PM. Ele tentou reagir, já que estava armado, mas levou um tiro no pescoço e caiu. O ladrão, ao fugir na garupa de uma moto, ainda disparou outros tiros que não pegaram. Socorrido inadequadamente, já que não foi colocado sequer um colar cervical, ficou tetraplégico. E nem o seguro recebeu. “Um juiz teve a capacidade de me negar isso, um absurdo irreparável. Até hoje o processo está na justiça lenta do meu Brasil, talvez morra sem receber o que é meu por direito”, conta. A recuperação foi demorada, mas ele teve a ajuda, como diz: “primeiramente de Deus”, da ex-mulher, da família, dos médicos, amigos e da fisioterapeuta Fabiana. Ele ri quando dizem que é querido por todos no bairro. “Querido por uns e detestado por outros, eu era um policial duro”, afirma. Concorda, porém, que é um exemplo. Pois luta com todas as forças e age como uma pessoa sem problemas. “Quando recebo ou peço ajuda, agradeço e sou simpático sempre, passeio o dia todo no bairro quando é possível, vou a bares, marina, bailes, festinhas, namoro, bebo cerveja e conhaque... só não uso drogas”, garante. Viturino é sócio da Associação dos Policiais Militares Deficientes Físicos do Estado de São Paulo - APMDFESP, que o

ampara com material para tratamento e locomoção, além de medicamentos. Um dos maiores desejos é que sua rotina diária fosse filmada por um profissional para mostrar a vida real de uma pessoa nessas condições. “Todos pensaram que eu iria morrer. Só lamento que no Brasil a maioria dos hospitais esteja despreparada para o atendimento com dignidade a um paciente com tetraplegia”, afirma. No hospital referência de seu convênio, já sofreu quatro erros médicos e várias humilhações. “Mas sempre dizem que sou o errado”, comenta até rindo da situação. Ele condena também a falta de acessibilidade na cidade onde mora. Para tomar um café, por exemplo, chegou a percorrer sete estabelecimentos para conseguir entrar em um. “A fiscalização do poder municipal é muito falha”, conclui.


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cidadania

Cão-Guia mais fácil !

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m passo importante para trazer mais autonomia e independência às pessoas com deficiência visual foi dado no último 20 de abril, em cerimônia no Palácio do Governo de São Paulo, com a assinatura do decreto que cria o “Programa do Cão-Guia” e o anúncio da construção do “Centro de Referência de Estudos do Cão-Guia”, que funcionará junto à Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da USP. O Centro deverá ficar pronto em um ano e, além da criação e treinamento, o programa definirá parâmetros em relação ao uso do cão-guia e métodos de treinamento. A partir dos dois meses de vida, os filhotes serão entregues a uma família adotiva, selecionada pelo programa, que cuidará do cão durante um ano. As vacinas e alimentação serão fornecidas pelo estado. A família e o cão receberão treinamento semanal. Após esse período, o cão será encaminhado ao Centro, onde passará por um adestramento intensivo, de quatro a seis meses, dependendo de sua evolução. Os habilitados serão encaminhados às pessoas interessadas, que também serão previamente selecionadas e treinadas no Centro de Referência. Todo o processo será gratuito, para a família e a pessoa cega. Atualmente é difícil conseguir um animal treinado. Poucos locais se dedicam a isso e, muitas vezes, a solução é trazê-los de fora do país. Os mais conhecidos por aqui são: o Instituto de Responsabilidade e Inclusão Social (IRIS-SP), Sambucan (SP), Escola de Cães-Guia Helen Keller (SC), Integra (Brasília) e Cão-Guia Brasil (RJ).

Quando é preciso brigar ?

Apesar da legislação que autoriza o acompanhamento de cão-guia por todos os lugares, ainda existem problemas. A advogada Deborah Prates que o diga. Ela perdeu a visão há cinco anos devido à ingestão de corticóides que aumentaram a pressão intraocular. Tentou o uso da bengala mas não se adaptou. Sem conseguir um cão-guia no Brasil, foi buscá-lo em Nova York. A chegada de Jimmy melhorou substancialmente sua qualidade de vida: “foi como resgatar minha dignidade e liberdade”, afirma.

O principal problema enfrentado foi no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, em 2009. Ela já frequentava o local há cerca de dois anos quando recebeu o convite de uma emissora de TV para fazer uma matéria sobre o trabalho do cão. Ao chegar com a equipe para gravar ficou surpresa ao ouvir do chefe de gabinete que o manual de portaria do Desembargador-Presidente à época, Luiz Zveiter, proibia a entrada do guia. Ela tentou convencer de todas as formas, voltou acompanhada de outros jornalistas e, devido à confusão armada na entrada, foi autorizada a entrar escoltada por dois policiais e um funcionário. Ela afirma que perdeu clientes, o que já estava ocorrendo por conta da cegueira, mas “quem daria uma causa para uma advogada cega e que brigava com a maior autoridade do Poder Judiciário do RJ ? Ingressei com uma ação objetivando ressarcimento por danos morais. Essa demanda está em fase de sentença”, conta Deborah. “O Desembargador-Presidente decidiu que seu manual de portaria revogaria toda a legislação federal e estadual vigente e ainda disse em um programa de rádio que o cão-guia colocaria em risco a segurança da população que transitava diariamente no local”. Vencida a batalha, Deborah e Jimmy continuam a vida. Até em bloco de rua eles saíram no último Carnaval. “Outra alegria foi nossa passagem no sábado das campeãs pelo Sambódromo. Desfilamos a convite do Grupo Anjos de Visão e integramos a Escola de Samba Embaixadores da Alegria. Pós-desfile, ficamos um tempão dando entrevistas e tirando fotos. Todos queriam chegar perto de Jimmy”, diz a advogada. Ele agora será protagonista de um curta metragem para o festival de cinema “Assim Vivemos”, com o objetivo de mostrar o grande trabalho do guia em benefício do ser humano.

O grande aliado

Luiz Alberto Melchert de Carvalho e Silva tem cães-guia há 37 anos. Agora vive com Sambucan Y, já há 6 anos. Todos os dias pode ser visto na Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP-SP), onde exerce duas coordenadorias e dá aulas na graduação e no MBA, sempre acompanhado pelo cão. Por participar do processo, ele afirma que não foi difícil treinar os cães mas sim, muito trabalhoso. Ele calcula que, do nascimento à entrega, o valor é de cerca de R$ 32 mil. O primeiro foi treinado com recursos próprios, o 2º e o 3º pela Associação Cão-Guia de Cego e o quarto por colaboração da criadora e treinadora Sandra Buncana de Camis, do Sambucan. O professor afirma que não pode resumir sua experiência diária em menos que um livro: “Ele é parte de mim como uma perna, um braço ou dois olhos”, afirma. Silva considera a ideia do governo paulista excelente principalmente porque trará meios para que mais gente se torne treinador ou instrutor, embora acredite que sejam necessários mais de 50 centros para que todos os cegos que desejem ser guiados por um cão consigam obtê-lo sem demora .


Rea Team se reposiciona no mercado de reabilitação A Rea Team, empresa de produtos de reabilitação, mobilidade e postura, passa por uma reestruturação estratégica que visa criar um canal direto de relacionamento com o cliente e usuário de seus produtos. A partir de agora, a Rea Team é uma loja multimarcas, fornecendo produtos para profissionais da área da saúde com foco em reabilitação (fisioterapeutas, por exemplo), hospitais, associações e instituições. A Rea Team segue no seu propósito, cujo principal diferencial é o atendimento personalizado, que garante a satisfação do cliente, uma vez que ele terá um produto customizado de acordo com suas necessidades. A empresa já tem o reconhecimento do mercado, que percebeu sua postura inovadora e respondeu favoravelmente com excelentes índices de aceitação, trazendo também fidelidade aos produtos. Produtos, esses, cujo mix foi incrementado por itens como: muletas, bengalas, andadores, bolas fisiobol, Thera-bands, corretores posturais, tipóias, órteses, botas imobilizadoras, entre outros. Isso porque, agora, as lojas Rea Team não se configuram tão somente pela comercialização de carrinhos com sistemas posturais, scooters e cadeiras de rodas manuais e motorizadas, além de toda a linha de produtos ortopédicos, mas sim pela excelência no atendimento e na venda de soluções em mobilidade e postura. É válido ressaltar, ainda, que a empresa oferece uma variada linha de acessórios e componentes para cadeiras de rodas, como: almofadas e encostos Jay, rodas X-Core, sistemas de suspensão e barras de apoio. Com relação à expansão da marca, a Rea Team optou por gerenciar apenas lojas próprias. Neste momento, a empresa abriu mão do plano de abertura de franquias no Brasil. “Em médio prazo, e

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com o novo posicionamento da empresa estabelecido, a ideia será espalhar a marca Rea Team em filiais pelo país”, adianta o diretor administrativo da empresa, Mário Michelon Júnior. Diante disso, as lojas de Caxias do Sul/RS, Porto Alegre/RS e São Paulo/SP seguem normalmente suas atividades. No entanto, cada Rea Team terá um funcionamento diferenciado em relação às diferentes demandas em cada mercado em que estão inseridas. A loja de Caxias terá foco principal nos produtos de ortopedia com atendimento também voltado aos profissionais que lidam diretamente com reabilitação. Em São Paulo, a Rea Team já é referência em cadeiras de rodas, sistemas posturais e acessórios, e isso será levado em conta. A Rea Team de Porto Alegre, por sua vez, vai oferecer as melhores cadeiras de rodas e os principais produtos ortopédicos do mercado. Para arrematar todas essas novidades da Rea Team, uma loja virtual será integrada ao site da empresa, cujo intuito é estender a atuação da Rea Team também ao meio virtual, atendendo, dessa forma, os quatro cantos do Brasil. “Queremos, com isso, levar para os Estados que não estavam na nossa alçada, a loja mais completa de produtos de reabilitação, mobilidade e postura do país”, almeja Mário Júnior. A Rea Team tem consciência que a busca pela liberdade de ir e vir, a qualidade de vida, a independência e a inclusão social são temas cada vez mais reais no cotidiano das pessoas com deficiência. Aliás, é justamente para esse público que a empresa investe todo seu potencial, para garantir total conforto, durabilidade e segurança aos usuários. E toda essa reformulação vem para ratificar essa afirmação.

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acontecendo

Paciente PcD entra na Justiça para poder viajar e fazer tratamento

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desrespeito a pessoas com deficiência teve mais um capítulo: Mariza Ferreira, do Rio de Janeiro, diagnosticada com Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA), foi impedida de viajar pela companhia aérea TAM, para Düsseldorf, na Alemanha, onde tinha tratamento agendado. Só conseguiu depois de brigar na Justiça. A doença, neurológica e degenerativa, é caracterizada pela paralisia progressiva dos membros superiores, inferiores e pelo comprometimento bulbar. São afetadas também as funções vocais e respiratórias. Com o diagnóstico desde abril Mariza e Cinthia Ferreira na Alemanha de 2010, a família tomou conhecimento da possibilidade de um tratamento com transplante de células tronco que, mesmo não curando, ameniza muito os problemas e proporciona melhor qualidade de vida. Por meio da ONG Viva Vida, entidade fundada em 2005 na cidade de Miguel Alves/PI, que faz a intermediação entre os pacientes interessados na terapia e o centro médico, foi marcada a viagem para 25 de abril último, com procedimento agendado para dois dias depois.

O início da luta...

Mariza precisava embarcar com dois aparelhos (BIPAP - ventilação mecânica não invasiva e aspirador de saliva), que seriam usados caso fossem necessários. “A TAM alegou, dentre outras coisas, que o aparelho de aspiração causaria constrangimento aos outros passageiros e que não haveria conexão elétrica para que fossem usados. A cada exigência feita pela empresa, nós atendíamos, comprando bateria etc. Todas essas exigências, posteriormente, se mostraram sem fundamento. Entretanto, a TAM continuou a se negar a fazer o transporte”, conta a filha de Mariza, Cinthia Cristina de Lima Ferreira. A única alternativa foi recorrer à Justiça. “Entramos com 4 liminares judiciais, sendo três mandados de prisão com aplicação de multas diárias de R$ 5 mil, R$ 30 mil e R$ 100 mil. Dois funcionários da TAM foram encaminhados à prisão e as multas de R$ 5 e R$ 30 mil, aplicadas. Eles finalmente cumpriram a liminar que impunha multa diária de R$ 100 mil e prisão de outro funcionário. Sendo assim, embarcamos no dia 25 de abril às 23h57”, lembra Cinthia, que já tinha levado o caso à televisão. “Passamos pela situação mais constrangedora e preconceituosa de nossas vidas. Lamentamos mais ainda que minha mãe tenha enfrentado isso, por estar muito doente e precisando viajar para um tratamento médico”, continua Cinthia, que não se arrepende da luta. Apesar das despesas, cerca de 18 mil Euros, ela só tem a elogiar a equipe médica do hospital e o apoio recebido da representante da ONG na Alemanha, Conceição de Maria Fortes Torres. O tratamento foi feito em 3 dias, incluindo exames, transplante das células tronco retiradas da medula óssea e angioplastia. Mais alguns dias em observação, e Mariza chegou ao Brasil em 6 de maio. Os resultados até agora são animadores: está com mais força em todos os músculos do corpo, com melhora evidente nos braços e pernas. Ela não andava nem ficava em pé e hoje se sustenta com um suporte e dá alguns passos. Os muitos espasmos musculares no corpo todo, que dificultavam a respiração, hoje são

esporádicos e mais leves. A deglutição é ainda difícil, mas a expectativa é que com o tratamento fonoaudiológico melhore. Fisioterapia também é fundamental após o procedimento. “A lição é que nunca devemos perder a esperança, ainda que as situações pareçam sem saída”, afirma Cinthia. Com a finalidade de ajudar outras pessoas, ela criou um blog com informações sobre o tratamento e para contar a melhora da mãe (mariza-ela.blogspot.com).

Opinião médica

A médica neurologista e neurocirugiã, Marcia Gravatá, tem como foco profissional as sequelas neurológicas graves, com especial interesse em portadores de paralisia cerebral. Esteve na Alemanha para acompanhar um paciente com ELA no transplante e ficou conhecendo o trabalho da Viva Vida. De acordo com ela, o procedimento é uma estratégia de tratamento a ser utilizada no sentido de restaurar tecidos lesados pela inoculação de células estaminais. “Cabe ao profissional médico, no pleno conhecimento do estado clínico de seu paciente, esclarecê-lo da efetividade da terapia para o caso especifico, pois na medicina convencional praticada em nosso pais esse procedimento ainda é experimental”, explica a médica. “Pude acompanhar também parte do tratamento realizado em Mariza e o resultado imediato, menos de 48 horas, foi extremamente acalentador e animador, pois a paciente recuperou parte de seus movimentos, melhorando seu estado geral e emocional, considerando a gravidade da moléstia”, conta Márcia. Ela também informa que tem obtido resultados de igual importância com a nutrição celular de pacientes graves. “O uso de oligoelementos, associados a minerais e complexos vitamínicos e aminoácidos, restabelecem funções importantes já prejudicadas pelo quadro de desnutrição que acompanha normalmente esses pacientes”, conclui.


nota A menor atriz brasileira

A atriz e modelo da agência Kica de Castro Fotografias, Priscila Menucci, entrou para o Rank Brasil como a menor atriz brasileira. Ela tem 36 anos, é casada e tem um filho de 5 anos, e agora em julho, vai dar a luz ao seu segundo filho. Priscila é pequena no tamanho e grande no talento. Com apenas 91 centímetros dá um show de humor por onde passa. Seja nos palcos do teatro ou em programas de humor na TV. Sempre disposta a provar o seu talento e sensualidade, ela quebra barreiras. Participou da exposição da fotógrafa Kica de Castro, “Toda Nudez vai ser Revelada”, com imagens sensuais de pessoas com alguma deficiência. Nas passarelas, onde o padrão das modelos e de aproximadamente 1,70 m, ela não deixa a desejar a nenhuma beldade. Dá um show de beleza: caras, olhares e muita atitude nas passarelas da moda desde 2010. Ela é a prova de que tamanho não é documento.

Paraolimpíadas Escolares 2011

A Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência em parceria com o Comitê Paraolímpico Brasileiro, a Prefeitura Municipal de São Paulo e o Comitê de Apoio ao Paradesporto do Estado de São Paulo, realizará de 26 a 31 de agosto, na cidade de São Paulo, as Paraolimpíadas Escolares 2011. O evento é destinado aos alunos com deficiência física, intelectual e visual, na faixa etária de 12 a 19 anos e que estejam regularmente matriculados no ensino fundamental e médio, que participam por meio de representações enviadas pelas 27 unidades da federação. Serão oferecidas 10 modalidades esportivas reconhecidas pelo Comitê Paraolímpico Internacional, e a expectativa de participação é de 1.500 pessoas entre atletas, técnicos e dirigentes de todo o Brasil. No aspecto técnico, as Paraolimpíadas Escolares 2011 é uma das principais bases de referência para a escolha de atletas de acordo com o Planejamento Estratégico do Comitê Paraolímpico Brasileiro, objetivando a formação da equipe nacional para os Jogos Paraolímpicos Rio 2016. A competição tem a chancela do Ministério do Esporte e também é o único evento que qualifica os alunos atletas com deficiência para o programa Bolsa Atleta na categoria escolar. As Paraolimpíadas Escolares é uma competição nacional e os alunos atletas devem, efetivamente, praticar a modalidade na qual se pré-inscreverem. Informações: srgsantos@sp.gov.br

“Fotografias Poéticas de um Olhar Viajante”

Sara Bentes, também cantora, compositora, repórter do Telelibras, atriz... lançou seu primeiro livro de poesias em Volta Redonda/RJ, durante a Reatech 2011, e também no Rio de Janeiro. O sarau de lançamento do livro: “Fotografias Poéticas de um Olhar Viajante”,  foi uma festa, uma celebração da arte, da música, da poesia, da beleza humana, com música, declamação, presença de artistas renomados e mídia e deixou na boca o delicioso gostinho de quero mais! Como deficiente visual diz, em seu blog, que faz parte da “turma do apagão”, com uma linguagem divertida, informativa, clara e objetiva. O lançamento do Livro ainda vai percorrer várias cidades brasileiras...

caderno de negócios

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moda e estilo

por Silvia de Castro

Moda inclusiva ??? consumidoras do vestuário: - Umas só compram as novidades, ou só as marcas, outras só pelo conforto, outras só as liquidações, outras mesclam algumas ou todas as opções anteriores, e ainda as que apresentam comprometimentos de mobilidade temporária ou não, quando então, muitas vezes, suas roupas são escolhidas e compradas por outra pessoa. E agora, observemos os diferentes estilos e formas dos corpos destas pessoas, como consumidoras do vestuário: - Umas são altas, outras com estatura mediana ou baixa... umas gordas, outras com pesos médios ou magras, umas que utilizam cadeiras de rodas, outras muletas, outras com ou sem alguma deficiência física.

A

palavra MODA, vem do latim “modus”, cujo significado é “modo, maneira”. Quando se fala em moda, esta reflete a história, a cultura de um povo e de uma época, e também é o reflexo de uma sociedade. A partir da última década do século passado, com a Internet, o mundo passou a ser globalizado, refletindo também diretamente no processo de criação das roupas, pois antes as tendências de moda, eram ditadas de uma forma mais rígida pelos estilistas, desde cores, comprimentos de calças e vestidos, largura da boca de calças... porém agora o estilista de moda, precisa mais do que nunca, estar atento nas tendências de consumo e no perfil comportamental do mercado consumidor. Hoje o consumidor tornou-se fiel aos seus próprios interesses e não necessariamente a uma determinada marca. Este mundo globalizado faz as pessoas terem a necessidade de se sentirem únicas, razão pela qual, nestes novos tempos, fala-se mais em estilo do que em moda. Mas o que é estilo ? Estilo é o reflexo da personalidade, revelada também através das roupas. O estilo é a essência de cada um, o ser, o sentir, o agir, ou até mesmo o que cada um deseja ser. Estilo é uma escolha pessoal, é a sua marca. E para construir seu estilo, é necessário o conhecimento de si mesmo, como também de seu corpo. Perceber o que lhe cai bem, as cores que gosta, o que combina com o seu trabalho, tipos de lazer, se combina com o guarda-roupa que já tem. Esta identificação, ora se faz sozinho ou com a orientação de um(a) profissional de moda, chamado de “Personal Stylist”. Agora, voltemos a falar de moda no vestuário, que é feita para as pessoas, e estas têm comportamentos e corpos com estilos e formas diversas. Primeiramente, observemos os diferentes comportamentos das pessoas, como

Mas seja qual for a característica que cada consumidor(a) apresente, é importante que as roupas sejam feitas através de criações e modelagens realmente democráticas. Ressaltemos ainda, que moda está voltada para além da estética, pois também se relaciona com a autoestima, e ainda com a praticidade no vestir e no despir, no conforto e bem-estar de quem a usa. Portanto, necessário destacar que, diante do mundo globalizado em que vivemos, marcado pela rapidez dos acontecimentos e pela diversidade das características das pessoas, sejam elas comportamentais, físicas ou intelectuais, a grande verdade é que devemos compreender as diversidades, para melhor poder atendê-las e buscar o domínio das informações, pois se a moda existe, ela existe para as pessoas. Voltemos então para o nosso título deste artigo, pois a pergunta é justamente para que cada um reflita e busque respostas, seja trocando idéias, quebrando conceitos e preconceitos, amadurecendo pensamentos. Este


moda e estilo tema abrange também a funcionalidade das modelagens, bem como a utilização de aviamentos e acabamentos especiais. Podemos citar alguns: o velcro, que facilita o vestir e o despir; a utilização de costuras mais planas e a não colocação de bolsos traseiros nas calças, para não machucar quem utiliza cadeira de rodas; ombreiras e enchimentos com finalidade estética; calças que se transformam em bermudas, facilitando a vida dos que utilizam próteses nas pernas; utilização de tecidos “inteligentes” etc... Ou seja, de forma criativa, todas estas e outras iniciativas, resultarão na facilitação e melhora de vida de muitas pessoas. Então, agora que você já ouviu falar de MODA INCLUSIVA: moda PARA a PcD (pessoa com deficiência), e também já deve ter ouvido falar de moda COM a PcD, onde as mesmas desfilam roupas variadas, vamos falar agora, de moda ATRAVÉS da PcD. Esta ação, também pode ser muito interessante, tanto para a PcD, pois o incentivo para esta opção de profissionalização aumenta para estes a chance de inserção no mercado de trabalho, como também para o setor do vestuário, diante da dificuldade para preenchimento de certas vagas, por exemplo, a função de costureira (vide “Revista Costura Perfeita”, pág. 11, de janeiro/fevereiro 2011 - reportagem com Sr. Giuseppe Tropi Somma, presidente da ABRAMACO - Associação Brasileira da Indústria e Comércio de Máquinas para Costura).

E você, o que pensa da MODA INCLUSIVA ?

Escreva para mim, entre em contato comigo e vamos discutir e trocar idéias. Acesse meu Blog: www.estiloterapia. com.br. Ou então, pelo Twitter: s_decastro Vamos descobrir e conhecer mais sobre este grande universo... E para isso, estarei a partir de agora, aqui na Revista Reação. Falando de Moda e Estilo... Sempre !

Silvia de Castro é consultora e estilista na área de moda, especializada e moda e estilo para pessoas com deficiência. E-mail: scestiloterapia@gmail.com

notas Dia Internacional da Criança Desaparecida

Aconteceu no dia 25 de maio, sob a coordenação da Secretária de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência do Governo do Estado de São Paulo, em sua sede, como Ato público, a Cerimônia de Mobilização para o “Dia Internacional da Criança Desaparecida”. Com a presença da Secretária Linamara Rizzo Battistella, a Deputada Estadual Célia Leão e a Professora de Medicina Legal da Faculdade de Medicina da USP, Gilka Gattás, entre outros. A Revista Reação esteve presente em todo o evento, que foi realizado com momentos de muita emoção, devido à gravidade dessa situação nos dias atuais. Foi divulgado que em todo o estado de São Paulo são registrados, em média, 18 mil desaparecimentos ao ano. Desses, 9 mil são crianças e adolescentes, com faixa etária até 18 anos. No Brasil, anualmente, desaparecem cerca de 40 mil. Deste total de crianças e adolescentes desaparecidos, 16% apresentam algum tipo de deficiência.  Na ocasião houve a assinatura do Decreto que institui o dia 25 de maio como o “Dia Estadual da Criança Desaparecida”, e o lançamento do livro da Dra. Gilka Gattás - “Caminho de Volta - Desaparecimento e Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes: Relatos de Pesquisa”. O decreto estabelece como obrigatoriedade a inclusão, no ato do registro, a identificação, por fotografia digitalizada, de todas as crianças e adolescentes de até 18 anos, mesmo acompanhadas por seus pais e/ou representantes legais, quando forem se matricular ou renovar a matrícula nas instituições de ensino (incluindo creches) e de saúde; nas bibliotecas; nos centros esportivos; nos abrigos e instituições de atendimento em geral e quando forem obter a isenção de transporte público. Além do Brasil, outros países também marcam a data, como Estados Unidos, Canadá, França, Holanda, Reino Unido, Polônia, Bélgica e Portugal.

3º Concurso de Moda Inclusiva

Estão abertas as Inscrições do 3º Concurso Moda Inclusiva. Até o dia 15 de julho de 2011, a Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência receberá as inscrições. O concurso tem o objetivo de contribuir para uma sociedade mais justa e inclusiva, na qual todos tenham acesso igualitário aos produtos, bens e serviços disponíveis. A finalidade do concurso é promover importante debate sobre moda diferenciada, além de incentivar o surgimento de novas soluções e propostas em relação ao vestuário para as pessoas com deficiência. O Concurso Moda Inclusiva foi o primeiro realizado no Brasil e inédito no âmbito internacional nesse formato. A primeira edição foi na sede da Secretaria, em 2009, e a segunda, no Museu da Língua Portuguesa, em 2010, ambos em São Paulo. A Comissão Julgadora selecionará os 20 melhores trabalhos, que participarão da segunda fase do concurso. Os 20 looks selecionados pela Comissão Julgadora serão apresentados ao Corpo de Jurados no momento do desfile. Podem participar estudantes matriculados em instituição de ensino superior ou escola técnica, ou profissionais formados na área de Moda. Cada participante poderá concorrer com apenas um número de inscrição, que lhe dará direito apresentar até três trabalhos (looks). Para concorrer, os participantes deverão preencher a ficha de inscrição no site: http://www.sedpcd.sp.gov.br/modainclusiva/inscricao.php e enviar  um “look” (croqui e ficha técnica) para a sede da Secretaria, na Av. Auro Soares de Moura Andrade, 564 - portão 10 - Barra Funda - São Paulo/SP - CEP: 01156-001.

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teste drive

Novo Renault Fluence Um dos principais lançamentos do setor automobilístico do ano, o novo modelo de sedan da montadora francesa foi adaptado e testado por nossa equipe. Além disso, foi um dos destaques da REATECH 2011, numa promoção conjunta com a REVISTA REAÇÃO, que movimentou o estande da publicação, onde ficou exposto, despertando o interesse e a participação dos visitantes...

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uma ação conjunta com a fábrica da Renault, a REVISTA REAÇÃO desta vez fez diferente, além de testar um modelo enviado para nossa redação, ainda foi realizada uma grande promoção com o carro: “Uma Semana com

Fluence” !!! O carro enviado para a Revista, ficou em poder de nossa redação e de nossa equipe de consultores especializados por mais de 30 dias. E em poder da pessoa que ganhou a promoção, por uma semana. O Fluence foi adaptado pela Cavenaghi, também em uma parceria com a Revista e a Renault. E foi submetido aos testes de uso diário, em situações das mais diversas no uso por uma pessoa com deficiência e sua família. O interesse pelo modelo foi visível durante a REATECH, onde ficou exposto no estande da REVISTA REAÇÃO. Milhares de pessoas passaram por lá para conferir o carro de perto. Recém lançado pela montadora, o modelo ainda é pouco visto nas ruas, e por sua beleza e design inovador, chamou a atenção, sendo uma das principais atrações da feira este ano. Do lado de fora, um outro Fluence, adaptado, foi disponibilizado para ser testado pelos visitantes da feira.

A Promoção foi um sucesso !!!

Com quase 1.500 cupons preenchidos e depositados na urna dentro do estande da REVISTA REAÇÃO na REATECH

2011, a Promoção “Uma Semana com Fluence” superou as expectativas dos seus promotores. Num cupom, os visitantes da feira, com ou sem deficiência, e seus familiares e profissionais visitantes, podiam responder à uma pergunta: “O que você faria com um carro desses sendo só seu durante uma semana inteirinha ?”... A melhor frase, a mais criativa, daria à pessoa que a criou, o direito de passar uma semana inteira com um Fluence adaptado, oferecido pela montadora e pela Revista. A frase ganhadora foi a de Dulce Malfatti Massoni Madeira, cadeirante, 44 anos, casada, moradora da capital paulista. Ela depositou na urna na feira, a seguinte frase: “Já dizem que tenho rodinhas nos pés há muitos anos. Agora, como cadeirante, imaginem... Com este carro então, nem se fala. Abafa o caso !!!”. Com essa frase criativa, Dulce levou o Fluence pra casa e ficou com ele durante uma semana inteirinha, usando-o em seu dia-a-dia. Como podemos observar nas fotos, ela aprovou o novo sedan da Renault. “Foi muito legal participar da promoção. Ganhar então, nem se fala... Adorei o carro. É fantástico ! Macio, confortável, anda bem... A adaptação ficou ótima. A altura dele é boa para a transferência, o porta-malas é sensacional... enfim, se encaixa perfeitamente para pessoas com deficiência.


teste drive Obrigado à Renault e a REVISTA REAÇÃO pela oportunidade. Adorei !”, comenta Dulce.

Acessibilidade e transferência

Nesse quesito, não só a ganhadora da promoção como todos que testaram o carro ficaram encantados. A altura do Fluence é perfeita. A abertura de porta (ângulo) é muito bom, e o espaço da entrada também é muito bom, tanto para cadeirantes como para PcD com dificuldades de locomoção ou idosos. O espaço interno para o motorista também é bom, mesmo depois de instaladas as adaptações. Na estrada ou na cidade, o Fluence é muito silencioso, parece que desliza pelo asfalto. Conduzir o modelo nas pistas da estrada é uma sensação única. Na cidade, apesar do tamanho grande, o modelo também se mostra diferenciado. Robusto e ao mesmo tempo delicado, com suas linhas modernas, o Fluence, pelo seu porte, proporciona ao seu motorista um status diferente. Passa ao condutor uma sensação de segurança e poder, domínio sobre a máquina. Os comandos do painel e controles ficam próximos e bastante ao alcance do volante, tornando muito prática a sua condução. O fato do carro não possuir chaves e sim um cartão e um botão no painel para ligar e desligar o carro, além de oferecer mais segurança ao condutor, ainda dá um certo charme e modernidade ao modelo, afinal, essa é uma tendência.

Dirigibilidade, visibilidade, conforto e desempenho

A visibilidade no Fluence, por ser um sedan, é muito boa. O modelo, por seu sistema de suspensão, é muito macio e gostoso de dirigir, o câmbio automático faz com que a sua condução fique tranquila, e as trocas de marcha não são sentidas. A regulagem dos bancos permite um dirigir mais confortável também. Pelo excelente espaço interno, as adaptações ficam instaladas (alavanca de freio e acelerador) numa posição que não atrapalha a entrada e saída do carro. E espaço interno do carro é muito bom, também para os passageiros do banco de traz. O desempenho do motor 2.0 16V Hi-Flex com 140/143 cv de potência é dos melhores, tanto na gasolina como no álcool. O carro responde bem na estrada e na cidade. O modelo ainda vem com ar-condicionado automático dual-zone, direção elétrica, airbags frontais, laterais e de cortina, ABS, EBD, AFU, rádio/ CD/MP3/AUX/USB/ Bluetooth, computador de bordo, rodas de liga leve de 16 polegadas, sensores de chuva e luminosidade e chave-cartão.

Porta-malas

Aqui está um dos pontos altos do carro. É enorme. A cadeira de rodas pode ser levada e transportada com folga, tanto inteira como desmontada. E ainda sobra espaço para muita bagagem.

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veículos e adaptações

Acelerador Eletrônico de Aro Segurança e Tecnologia

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os equipamentos para direção disponíveis atualmente no mercado, a preocupação com a segurança vem acima de tudo. O acelerador eletrônico de aro, um dos mais avançados equipamentos de direção adaptada, foi projetado para que seu funcionamento não interferisse em nada no funcionamento do “air bag” do carro, por exemplo. Inúmeros testes foram feitos para que o usuário possa se sentir seguro com seu equipamento. E para provar isso, já está disponível na internet um vídeo que mostra uma sequência de três testes realizados neste equipamento. Assista em http://www.youtube.com/watch?v=-eVSMSGT1KU ou procure por: “air bag explodindo com acelerador de aro” no youtube. Este equipamento foi projetado para que o usuário não precise tirar as mãos do volante na aceleração, o que significa mais segurança no trânsito. Há também um dispositivo que cancela a aceleração no aro em caso de uma freada brusca. Afinal, a segurança vem sempre em primeiro lugar. Além disso, o equipamento é removível, e outro usuário que não necessite da adaptação pode retirá-la com um toque de um botão. O acelerador de aro é um produto da marca italiana Guidosimplex, cuja importação é realizada pela FL Adaptações Automotivas. Para mais informações, visite www.fladaptacoes.com.br.

nota II Encontro Estadual da Organização Nacional de Cegos do Brasil – ONC, em São Paulo/SP

Mais de 250 pessoas com e sem deficiência visual, se reunirão nos dias 22 a 25 de junho próximo nas dependências da Universidade Aberta do Brasil, na cidade de Itapetininga/SP, a fim de participar do evento Inclusão e Acessibilidade - Um Direito de Todos e II Encontro Estadual de São Paulo da ONCB - Organização Nacional de Cegos do Brasil. Iniciando as atividades, será realizado o Café da inclusão, para o qual serão convidadas crianças e adolescentes entre 10 e 14 anos de idade, pertencentes a comunidade local e regional que nunca ou pouco tiveram contato com a pessoa com deficiência, a fim de participar de dinâmicas promovidas por palestrantes com deficiência visual, acerca de cão-guia, comprometimento social, acessibilidade e respeito à diferença, além de exposições sobre tecnologias utilizadas por deficientes visuais, ensaio de escrita Braille, exibição de um filme com áudio descrição (narrativa sonora de cenas visuais), e no final, todos serão convidados a  saborear um delicioso café da tarde. Já no evento Magno, com abertura dia 23 de junho, instituições atuantes na causa da pessoa com deficiência visual, e participantes cegos e com baixa visão, debaterão temas como respeito à diversidade humana e a participação da pessoa com deficiência como protagonista na sociedade. Serão discutidas ainda formas de instrumentalizar pessoas e associações a fim de construir ações que resultem em uma sociedade mais atenta e justa. O evento contará com a participação de representantes de vários conselhos, movimentos nacionais e internacionais de pessoas com deficiência visual, além de técnicos e especialistas, contando ainda com apoio logístico das seguintes associações: Avape, Ceprevi, Fundação Dorina Nowil, Laramara e outras que afiliadas a ONCB, no decorrer do encontro apresentarão produtos, recursos adaptados, projetos culturais e serviços sociais voltados às pessoas com deficiência visual. O evento conta com o apoio da Suzano Papel e Celulose S/A, Fundação Educar D’paschoal, Instituto 3M de Inovação Social, Banco Bradesco, Óticas Terceira Visão, Unimed Itapetininga e Prefeitura de Itapetininga: Secretaria de Educação e Secretaria da Promoção Social.  


notas FEBRABAN capacita PcD para mercado de trabalho

O Programa da Federação Brasileira de Bancos (FEBRABAN) de Capacitação Profissional e Inclusão de Pessoas com Deficiência no Setor Bancário abriu uma nova turma em abril. “O objetivo vai muito além da lei de cotas. Queremos incentivar a diversidade e mudar o comportamento social, mostrando que as pessoas com deficiência podem participar ativamente do processo produtivo do país”, avalia Mario Sergio Vasconcelos, diretor de Relações Institucionais da entidade. A iniciativa da FEBRABAN é uma parceria público-privada que envolve a Prefeitura de São Paulo, o governo do Estado de SP, o Instituto Tecnlógico Impacta e a Associação para Valorização para Pessoas com Deficiência (AVAPE). Foram selecionadas 444 pessoas com vários tipos de deficiência. O curso tem duração de seis meses e desde o início do Programa os selecionados já são contratados pelos bancos participantes (BANIF, Bicbanco, Bradesco, Citibank, Cruzeiro do Sul, Carrefour Soluções Financeiras, HSBC, Itaú - Unibanco, Safra, Santander e Votorantim). A FEBRABAN iniciou esse formato do projeto de inclusão em 2009, com uma primeira turma de 464 alunos e o resultado surpreendeu os organizadores, com aproveitamento de 94% deles. Agora em 2011, pela primeira vez, participam também pessoas com deficiência intelectual.

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Rio Grande do Sul aprova fundo para PcD

Os gaúchos contam agora com um Fundo Estadual para Pessoas com Deficiência e Pessoas com Altas Habilidades. O Projeto de Lei é de autoria do Governo do Estado (PL 61/2011), juntamente com a Fundação de Articulação e Desenvolvimento de Políticas Públicas para Pessoas Portadoras de Deficiência e Pessoas Portadoras de Altas Habilidades (FADERS) e parceria com outras entidades. Foi aprovado por unanimidade na Assembléia Legislativa, em abril. O Fundo é um instrumento que garantirá fontes de financiamento a políticas de inclusão e acessibilidade. Com sua criação será possível reverter multas de empresas e órgãos que infringem a legislação quanto aos direitos dessas pessoas e o dinheiro arrecadado será investido em obras de acessibilidade e projetos de capacitação. Até agora, esses recursos entravam no caixa único do Estado. Além disso, receberá valores provenientes de convênios e doações. Não há modelo semelhante em nível nacional.

“Deficiência Visual Associada à Deficiência Múltipla”   No dia 22 de abril, a Laramara - Associação Brasileira de Assistência ao Deficiente Visual, durante o I Seminário: “Deficiência Visual Associada à Deficiência Múltipla: encarando desafios e construindo possibilidades” lançou o livro: “Deficiência Visual Associada à Deficiência Múltipla e o Atendimento Educacional Especializado: Encarando Desafios e Construindo Possibilidades”, organizado por Mara Siaulys, Eliana Ormelezi e Maria Emília Briant. O livro teve seu Lançamento também durante a Reatech 2011 no estande da Revista Nacional de Reabilitação- Reação e no estande da Laramara. Parabenizamos pela excelente obra!


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cotidiano

Estacionamentos:

as vagas são demarcadas mas o respeito ainda é difícil...

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randes lojas, shoppings, supermercados... todos têm vagas demarcadas para estacionamento de pessoas com deficiência e idosos, cumprindo a legislação. O problema é que muita gente ainda ignora a determinação e usa as vagas sem qualquer cerimônia. Algumas ações estão sendo feitas pelos estabelecimentos para aumentar a conscientização, como cartazes espalhados nos elevadores e avisos pelos microfones, mas fiscalização, praticamente não existe. Da parte dos diretamente interessados, a ação mais organizada, que se espalhou rapidamente pela Internet, é a campanha: “Essa vaga não é sua nem por um minuto”, que pode ser vista no YouTube (http://www.youtube.com/watch ?v=C50FAN9bYqU&featur e=related). A ideia nasceu de um problema enfrentado em Curitiba/PR, por Mirela Prosdócimo, tetraplégica desde os 17 anos, dona da Adaptare, empresa que presta consultoria para garantir a plena inclusão. Em março, no estacionamento de um supermercado, Mirela viu quando uma mulher com um casal de filhos, que não necessitava da vaga especial, estacionou. Ela advertiu, mas não teve resposta. Falou com o gerente, que disse nada poder fazer, pois, segundo ele, a competência era do DIRETRAN. Mirella ligou para o órgão, esperou e nada. Quando a mulher voltou, ela foi conversar mais uma vez, mas a mulher quase partiu para a agressão física. O pior só não aconteceu porque apartaram a briga. Depois que ela foi embora, Mirella, já no carro, viu outro rapaz chegando e estacionando na mesma vaga, também sem necessidade. A história de vida dela, publicada em uma revista, havia interessado muito ao diretor institucional e sócio fundador da

agência The Getz, Maurício Ramos. Ele pensou em fazer uma campanha de acessibilidade em Curitiba, mas um pouco antes de colocar a ideia em prática aconteceu o problema no supermercado. “A repercussão da sociedade ao relato que ela postou no Facebook, mostrou claramente que a campanha já tinha nascido e que nossa missão era fazer uma boa embalagem e ‘viralizar’. Daí, saiu a criação do selo com a frase: ‘Esta vaga não é sua nem por um minuto’, assim como uma página no Facebook, perfil no twitter e um site com peças para serem utilizadas por empresas interessadas em lavar a campanha para dentro de suas estruturas”, conta Ramos (http://estavaganaoesua.wordpress.com). A agência está no mercado há 10 anos e já fez várias campanhas para causas sociais sem nenhum tipo de remuneração.

Ação em São Paulo

Na zona leste paulistana, um grupo também está se mobilizando para defender as vagas demarcadas, encabeçado pela jornalista Cláudia Souza e o irmão Gilberto Cândido de Souza. Ele é pai de uma menina de 10 anos com Síndrome de Leigh, que afeta a força muscular e causa problemas psicomotores, dentre outras dificuldades, o que a faz usar cadeira de rodas. Ao sair com a menina, vê constantemente as vagas ocupadas por quem não precisa. Souza tomou como exemplo a atitude dos criadores da campanha paranaense e quer formar um grupo que realizará ações de conscientização, com pessoas com e sem deficiência, para apoiá-las contra possíveis ameaças físicas. “Todos trabalharão com o


cotidiano Caso ainda sem solução...

mesmo objetivo: melhorar o trabalho da fiscalização e autuação de infratores e promover a conscientização da sociedade quanto ao respeito dos direitos das pessoas, sobretudo as com necessidades especiais”, explica. Ele faz parte de uma comunidade do Orkut chamada “Cadeirantes”, e o movimento que pensa em organizar visa tomar ações fiscalizadoras, denunciando na hora os infratores aos órgãos competentes. “Queremos acompanhar e documentar a ação dos órgãos governamentais mediante nossas denúncias visto que eles não estão nem aí para fazer as leis serem cumpridas”, conclui Souza.

A Revista Reação, em sua edição de janeiro/fevereiro de 2011, trouxe o caso do advogado Anatole Morandini, cadeirante, que foi agredido verbalmente e, segundo ele, com coronhadas pelo delegado Damasio Marino, numa rua em São José dos Campos/SP, em janeiro passado, quando reclamou dele ter estacionado numa vaga demarcada em frente a um cartório. O caso foi parar na delegacia e o Ministério Público ofereceu denúncia ao juiz da 4ª Vara Criminal. Em 17 de maio houve uma audiência em que 9 testemunhas, de acusação e defesa, foram ouvidas. A próxima, para ouvir nova testemunha e o réu, que faltou, está marcada para 28 de junho. Em 20 de maio houve uma audiência administrativa para decidir se o delegado receberia uma advertência verbal ou escrita, suspensão, redução de proventos, ou até exoneração, mas a defesa requisitou novas provas e nada foi resolvido. Vamos continuar acompanhando o desfecho do caso.

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novidade

notas

Academia da capital paulista se destaca na acessibilidade e no atendimento a PcD !

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ue a prática de esportes é benéfica a todos, isso é inquestionável... mas quando a pessoa que busca praticar esportes possui alguma deficiência, ela precisa de um local com equipamentos adequados, profissionais qualificados para orientar seus treinos, acessibilidade e conforto. Todas estas características estão à disposição dos interessados na Arena Health Center, uma academia de esportes com 1.300 m2 , localizada no Bairro do Ipiranga em São Paulo/SP. Ela ainda é dotada de estacionamento coberto, rampas, acessos a cadeirantes, elevadores e uma equipe qualificada de profissionais. Um dos alunos que aprova o trabalho da academia é o cadeirante Arnaldo Júnior, 45 anos, analista de negócios, que treina lá no mínimo 3 vezes por semana, há cerca de um ano. A grande vantagem da academia, na sua opinião, é a estrutura que oferece para um prática física completa. “Na Arena faço tanto treino aeróbico como muscular, participo de aulas de Hand Bike, devido a força que os professores dão. Faço toda parte muscular nos aparelhos da academia e graças a bicicleta que eles adquiriram, faço um bom trabalho cardio-respiratório, o que me dá resistência para meu dia a dia e também permite manter a minha saúde em dia”, explica, destacando ainda os demais diferenciais que encontrou na Arena. “Já treinei em algumas academias com poucos recursos e em algumas com boas adaptações de acessibilidade também. Encontrei boa vontade dos gerentes e professores por essas academias, mas me deparei com a dificuldade em ter um atendimento diferenciado, devido ao volume de alunos em alguns horários, mesmo os professores se esforçando muito. Aqui encontrei total empenho em me atenderem conforme minhas necessidades e dificuldades. Os efeitos são enormes. Antes de fazer atividades físicas eu não tinha disposição nem para tocar minha própria cadeira de rodas, ficava facilmente fadigado, tinha dificuldades em fazer minhas transferências diárias. Hoje tenho força e muita disposição. Reduzi meu peso em 15 Kg e também diminuí níveis de colesterol e triglicerídeos... tudo sem uso de remédios”, comemora. A Arena é um projeto da arquiteta Patrícia Totaro e tem capacidade para atender diversos PcD treinando ao mesmo tempo. Para quem está um pouco fatigado com o stress e o sedentarismo fica a dica da Revista Reação.

Fechamento de Institutos cariocas causa polêmica

Familiares de pessoas surdas e cegas se mobilizaram contra um eventual plano de alteração no perfil das atividades ofertadas pelo Instituto Nacional de Educação de Surdos (INES) e Instituto Benjamin Constant (IBC). Com sedes no Rio de Janeiro, as duas instituições têm mais de 150 anos de história, fundadas pelo imperador Dom Pedro II no século XIX. Foi no INES onde nasceu a “Libras” - Língua Brasileira de Sinais. Já o instituto Benjamin Constant foi a primeira instituição de ensino do Braille de toda a América Latina. A possibilidade de fechamento das escolas, com a matrícula de seus 780 alunos na rede regular de ensino, indignou as famílias. Em abril, houve uma reunião entre o ministro e as diretoras do INES, Solange Rocha, do IBC, Maria Odete Santos Duarte, e do Colégio Pedro II, Vera Maria Rodrigues. De acordo com nota do Ministério da Educação, o ministro esclareceu que pretende oferecer aos estudantes dessas escolas vagas em turmas da educação básica do Pedro II. “Todo estudante com deficiência tem direito à dupla matrícula, mas a escolha é dele e de sua família”, disse o ministro. As entidades apresentarão ao MEC, ainda este ano, um plano de trabalho para início de execução em 2012. De acordo com o ministro Fernando Haddad, o Colégio Pedro II pode, por exemplo, receber estudantes egressos do ensino fundamental do INES e do IBC para cursarem o ensino médio. Ao mesmo tempo, os dois institutos podem oferecer graduandos de cursos de licenciatura para trabalhar com a Libras e Braille no Pedro II. Esses graduandos, segundo Haddad, receberão do MEC bolsas de iniciação científica para desenvolver essas atividades. Na reunião, foi firmado um acordo para induzir a dupla matrícula. Desde a criação do Fundo de Desenvolvimento da Educação Básica (FUNDEB), em 2007, as escolas com matrículas de estudantes com deficiência registradas no censo escolar recebem o dobro do valor por aluno ao ano, permitindo que ele estude em classe regular em um turno e em classe especial em outro.


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política

Reativada Frente Parlamentar Mista de Defesa dos Direitos de PcD

C

riada em 2007, a Frente Parlamentar do Congresso Nacional em Defesa dos Direitos das Pessoas com Deficiência foi reativada, oficialmente, em 05 de abril. Formada por deputados e senadores de diferentes partidos, tem entre suas finalidades verificar políticas e ações que se relacionem às pessoas com deficiência; promover debates, simpósios, seminários e eventos relativos ao tema, divulgando seus resultados; procurar o intercâmbio com organismos semelhantes e entidades de outros países e acompanhar a tramitação de matérias na Câmara dos Deputados e no Senado Federal que sejam de interesse. A deputada Rosinha da Adefal, que é cadeirante, foi escolhida presidenta. No discurso de posse salientou que também é objetivo da Frente a criação de uma Comissão Permanente de defesa dos direitos das pessoas com deficiência, pois é de fundamental importância assegurar que todas as leis sejam coerentes com a Constituição Federal e com a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência. “Não há instância mais legítima para verificar esta adequação do que uma comissão que tenha por missão vigiar por estes direitos”, explicou a deputada. O senador Wellington Dias, pai de uma menina autista, afirmou que o grupo pretende “cobrar do sistema brasileiro uma rede de proteção e condições de inclusão pela via da educação especial, tratamento, acessibilidade, trabalho e previdência especial, inclusão para o lazer, esporte, cultura e fazer o Brasil cumprir a convenção internacional para a pessoa com deficiência, da qual somos signatários”. Entre as diversas lutas, acredita que como a expectativa de vida das pessoas com alguma deficiência é menor, é preciso aprovar o projeto que reduz o tempo para aposentadoria para quem trabalha. Já o deputado Walter Tosta pretende rever alguns tópicos do Estatuto da Pessoa com Deficiência que, segundo ele, apresenta algumas incoerências que precisam ser modificadas, como adequá-lo às diretrizes da Convenção da ONU e uniformizar os termos técnicos. “O terceiro ponto a ser modificado é contemplar esses mais de 200 projetos de lei que estão apensados ao estatuto, por meio de uma subemenda aglutinativa substitutiva global que, na prática, é um novo texto do estatuto incorporando ou rejeitando todas essas ideias”, afirmou. Para o senador Lindbergh Farias, “a rea-

tivação da Frente é uma forma de coordenar as ações da Câmara e do Senado em torno de um tema que passa definitivamente a compor a pauta parlamentar. Tenho o orgulho de ser partícipe de uma situação nova neste Parlamento”. Ele preside no Senado a Subcomissão de Assuntos Sociais para Pessoas com Deficiência (CASDEF). “Criamos a Frente para tomar diversas decisões importantes. E essa comissão será permanente, pois mesmo quando não estiverem mais aqui, a Mara, a Rosinha, o Walter, as discussões continuarão acontecendo”, disse a Deputada Federal Mara Gabrilli, referindo-se aos três deputados cadeirantes da atual legislatura. “É necessário que o governo ajude nessa luta, adotando políticas públicas e ações mais concretas e efetivas. Se o governo cumprir a legislação existente, estaremos a um passo de uma grande revolução”, concluiu.

COMPOSIÇÃO DA FRENTE PARLAMENTAR Presidenta: Deputada Federal Rosinha da Adefal (PTdoB/AL) Vice: Deputado Federal Romário (PSB/RJ) Coordenador Geral: Deputado Federal Eduardo Barbosa (PSDB/MG) Coordenador Adjunto: Senador Wellington Dias (PT/PI) Secretário Executivo: Deputado Federal Geraldo Resende (PMDB/MS) Coordenador da Área de Acessibilidade: Deputado Federal Walter Tosta (PMN/MG) Coordenador da Área do Mercado do Trabalho: Deputado Federal Otávio Leite (PSDB/RJ) Coordenador da Área da Saúde: Deputado Federal Luiz Henrique Mandetta (DEM/MS) Coordenar da Área da Educação: Deputada Federal Mara Gabrilli (PSDB/SP) Coordenador da Área do Esporte: Senador Lindberg Farias (PT/RJ)


polêmica

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Programa de TV satiriza autismo e provoca protestos

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oi, no mínimo, um ideia infeliz: no dia 22 de março, o programa “Comédia MTV”, apresentado por Marcelo Adnet, apresentou um quadro de três minutos, parodiando o extinto reality show do SBT, a “Casa dos Artistas”. Só que no programa de Adnet, o quadro foi intitulado como “Casa dos Autistas”. O quadro apresentava cinco comediantes gritando, esmurrando um piano e olhando para as paredes, numa simulação do que consideravam um comportamento autista. A própria emissora julgou inadequado e tirou a cena do ar na reprise da atração, mas o vídeo já estava no YouTube. As reações foram imediatas e parentes de pessoas com autismo e simpatizantes, se mobilizaram em uma petição online, angariando assinaturas para a que a MTV formalizasse um pedido de desculpas pelos atos de desrespeito, imoralidade e preconceito. O Ministério Público Federal recebeu um pedido de investigação do Deputado Federal Paulo Pimenta (PT-RS). Ele argumentou que o programa reforçava a ideia de que as pessoas

não enquadradas como “normais” devem ser motivo de piadas. A MTV, na edição seguinte do programa, pediu desculpas publicamente. “Tenho certeza de que a MTV entendeu muito bem as várias críticas que lhe foram conferidas pelo quadro. A emissora se retratou alegando a importância de se respeitar a pessoa com autismo. Uma atitude correta e que fará muitos de seus telespectadores buscarem informação sobre o assunto. É aí que retomamos a essência do nosso trabalho: o uso da informação na quebra de paradigmas”, disse a Deputada Federal Mara Gabrilli (PSDB-SP), que é tetraplégica. “Tenho certeza de que a nossa força em prol da informação de qualidade provará que somos muitos mais que ridículos estereótipos. E assim poderemos dizer que quem ri por último ri melhor”, concluiu.

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pesquisa

notas

Quantos e quem são os trabalhadores com deficiência?

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m 2010, 17,4 mil novos empregos formais foram ocupados por pessoas com deficiência. Chega-se assim, a 306 mil trabalhadores nessas condições em atividade no Brasil, crescimento de 6,2% em relação a 2009 (288,6 mil). Os dados foram divulgados em maio último, pelo Ministério do Trabalho e Emprego, com base em números do RAIS - Registro Administrativo, que obriga declaração anual de todos os estabelecimentos existentes com as informações sobre o mercado de trabalho. O Instituto da Cidadania, entidade com sede em Osasco/SP, avalia que, percentualmente, esse contingente vem diminuindo em relação ao total, atingindo menos de 1% dos trabalhadores brasileiros, conforme mostra o quadro. Ano 2007 2008 2009 2010 Evolução

Quem são ?

Total de trabalhadores 37.607.430 39.441.566 41.207.546 44.068.355 +17,2%

Trabalhadores com deficiência 348.818 323.210 288.593 306.013  

Percentual 0,93%do total 0,82%do total 0,70%do total 0,69%do total Queda de 12,3%

De acordo com os dados de 2010, pessoas com deficiência física são em maior número (54,47%), seguidas dos auditivos (22,49%), visuais (5,79%), mentais (5,10%) e deficiências múltiplas (1,26%). Empregados reabilitados foram declarados 10,90% do total. Os homens são maioria, com participação média de 65,42%. Os rendimentos médios foram de R$ 1.922,90, superiores à média dos rendimentos do total de vínculos formais (R$ 1.742,00). O diferencial apresentado entre os rendimentos recebidos por PcD e o rendimento médio nacional pode ser atribuído à remuneração média percebida pelos trabalhadores reabilitados (R$ 2.107,27), pelos trabalhadores com deficiência física (R$ 2.025,96) e pelos portadores de deficiência auditiva (R$ 1.925,67), cujos valores situam-se acima da remuneração média desse contingente de trabalhadores. Já os assalariados portadores de deficiência mental são os que apresentam rendimentos menores (R$ 772,20). Dos 306 mil empregos ocupados por pessoas com deficiência, 121 mil são trabalhadores que possuem ensino médio completo, seguido por 41 mil com ensino fundamental completo e 37 mil com superior completo.

Feira para PcD em Portugal

A cidade do Porto, em Portugal, foi palco da 13ª Feira Internacional de Ajudas Técnicas e Novas Tecnologias para Pessoas com Deficiência (AJUTEC). De 05 a 08 de maio, o evento foi realizado juntamente com a 12ª Feira da Saúde (NORMÉDICA) e o 3º Salão de Saúde e Bem-Estar, reunidos na Feira Internacional do Porto (EXPONOR). O trio de eventos reuniu cerca de 100 empresas e entidades expositoras. Segundo dados da Confederação Nacional dos Organismos de Deficientes, existem em Portugal cerca de 1 milhão de pessoas com deficiência. A indústria portuguesa que se dedica à produção de equipamentos, dispositivos médicos e ajudas técnicas já contribui com quase 1% para o Produto Interno Bruto nacional e é tido como um setor de enorme potencial exportador. A AJUTEC é referência em Portugal e reflete tanto a oferta - criadora, produtiva e comercial - como a procura de soluções, a investigação e o desenvolvimento técnico e tecnológico. A atriz e modelo brasileira, Tabata Contri, que é cadeirante, esteve presente como “embaixadora” de uma empresa que comercializa material ortopédico e hospitalar. Durante a feira, foram realizados vários eventos paralelos. O diagnóstico sobre a evolução da acessibilidade na internet, por exemplo, foi feito durante o debate “Engenharia de Reabilitação e Acessibilidade”, que constatou: a acessibilidade aos conteúdos web das mil maiores empresas portuguesas, em volume de negócios, “é ainda muito reduzida” para PcD. Já no workshop “Engenharia de Reabilitação e Acessibilidade” foi apresentado o Smart Vision, um sistema que usa o computador para apoiar o deslocamento de pessoas cegas. A etapa final da pesquisa será a criação de um equipamento comercial que possa ser adquirido a preços acessíveis. Outro painel discutiu a atual condição de acessibilidade nos municípios portugueses.


Nada como termos um 2º Encontro! II Congresso Latino Americano de Ortopedia Técnica Natal/RN – Brasil

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m 2009 na Cidade de Porto de Galinhas, Estado de Pernambuco/Brasil, foi realizado o I Congresso Latino Americano de Ortopedia Técnica, onde tivemos a oportunidade de reunir em um mesmo local mais de 500 pessoas de 16 países, dos continentes: Europeu, Asiático e principalmente do Latino Americano. Este foi um encontro inesquecível, uma oportunidade única onde os Ortesistas e Protesistas Ortopédicos de vários países, reuniram-se para buscar novos conhecimentos, conhecer novas tecnologias, fazer novos amigos e, também relaxar e aproveitar num ambiente muito festivo e acolhedor. A ABOTEC – Associação Brasileira de Ortopedia Técnica (www.abotec.org.br), após o inquestionável sucesso do I Congresso Latino-Americano de Ortopedia Técnica e, também, após inúmeros pedidos, vindos do Brasil e de outros Países, solicitando uma nova edição daquele que foi, se não o maior, um dos maiores eventos da Ortopedia Técnica da América Latina, resolveu trabalhar na realização do II Congresso Latino-Americano de Ortopedia Técnica, e cidade escolhida foi à belíssima e acolhedora Natal, no Estado do Rio Grande do Norte, Brasil, cidade esta que conta com invejável estrutura turística para acolher nossos amigos protesistas, ortesistas e demais profissionais de todos os Países. A ABOTEC quer, com este evento, solidificar sua marca de bons anfitriões convidando todos os profissionais ligados à reabilitação com órteses e próteses do mundo inteiro a nos honrar com sua presença no II Congresso Latino Americano de Ortopedia Técnica que se realizará de 27 de Setembro a 1º de Outubro de 2011.

O Hotel escolhido para o evento é o Hotel Pirâmide Natal (www.piramidenatal.com.br), com uma infraestrutura ideal para a realização de grandes eventos, realização de cursos e, também, de fácil acesso, inclusive para pessoas portadoras de necessidades especiais. Localizado à beira mar e com uma vista deslumbrante. A excelência na qualidade técnica e acadêmica das palestras, apresentações e cursos, já se tornou uma marca nos Congressos realizados pela ABOTEC, e dessa vez não será diferente, contando com a imprescindível ajuda de parceiros do Brasil e de outros Países, montamos uma grade de palestras de alto nível profissional e cientifico para o Congresso e, também, para os cursos pré-congresso que terrão conteúdo, não somente, teórico, mas também prático e se realizarão nos dias 27 e 28.


Os cursos pré-congresso são os seguintes:

• Confecção de Liner de Silicone sob Medida para Cotos Especiais; • Prescrição, Indicação, Manutenção e Marketing na Venda de Cadeira de Rodas; • Novas abordagens em soluções Ortóticas – O dia a dia da Ortopedia Técnica em busca da satisfação do Paciente; • Alta tecnologia aplicada na Ortopedia Técnica de MMII; • Novas Tecnologias em próteses de membro Superior e Inferior.

A grade preliminar de palestras e apresentações é a seguinte:

• Inovações em tecnologias Biônicas para Próteses de Membro Inferior; • Mãos Biônicas para amputações parciais de mãos e membros superiores; • Órteses Walkaide: Inovadora Estimulação Elétrica Funcional; Alternativas Protéticas para casos de amputações parciais da mão; • Experiência com I.T.A.L., internacional transradial artificial limb. • Aplicação de  novas  tecnologias “PRE PREG” na ortopedia técnica; • A participação de novas Soluções em materiais na Ortopedia Técnica avançadas; • Apresentação dos Conceitos do Axon Bus System; • Evoluções tecnológicas para os sistemas de mecatrônica para Membro Inferior; • Modernas Soluções Ortésicas de acordo com cada patologia e recursos disponíveis; • Avanços Tecnológicos na Fabricação de Órteses Plantares;

• Superfícies de suporte: Prevenção e Tratamento das Úlceras por Pressão; Como vemos, o II Congresso Latino Americano de Ortopedia Técnica traz muitas novidades em sua área técnica e acadêmica, porém não podemos esquecer sua parte social e recreativa pois, além da calorosa recepção com um coquetel de boas vindas, teremos também três noites festivas com atrações regionais e populares, e nesses eventos sociais, poderemos descontrair, trocar idéias e experiências, fazer novas amizades fortalecer antigas amizades e, sobretudo, buscarmos uma maior união e entrosamento com todos os profissionais envolvidos com a reabilitação no Brasil e de outros Países. A ABOTEC e eu esperamos ansiosos por todos em Natal/RN de 27 de setembro a 01 de outubro de 2011! As inscrições para o II Congresso Latino Americano de Ortopedia Técnica e para os cursos pré-congresso, poderão ser feitas através do site: www.abotec.org.br/ congresso. As reservas para hospedagem poderão ser feitas diretamente com o Hotel Pirâmide (www.piramidenatal.com.br) Nos vemos em Natal/RN!!

Joaquim Cunha é ortesista-protesista, graduado pela Universidad Don Bosco – El Salvador, diretor da São José Ortopédicos e presidente da ABOTEC.


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notas Bicampeão Paraolímpico lança biografia no Museu do Futebol

No dia 12 de maio Mizael Conrado lançou sua biografia! O livro narra toda sua trajetória, do menino que continuou a jogar futebol mesmo depois de perder a visão e conquistou os principais títulos da modalidade: bicampeão da Copa América, bicampeão Mundial, bicampeão Paraolímpico (Atenas 2004 e Pequim 2008)  e eleito o melhor do mundo em 1998 no futebol de 5 para cegos. Hoje, Mizael Conrado é advogado atuante, vice-presidente e secretário geral do Comitê Paraolímpico Brasileiro (CPB). Mizael aproveitou a oportunidade e doou para o acervo do Museu as suas duas medalhas paraolímpicas. O áudio do livro está disponível no site: www.callis.com.br para download gratuito.

Palestras explicam acessibilidade e bom atendimento em lojas

O que os comerciantes devem fazer para tornar as lojas acessíveis e oferecer um atendimento adequado a pessoas com deficiência ? Pensando nisso, a Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida de São Paulo (SMPED), promoveu palestras gratuitas, em 2 de maio último, para orientação sobre essas questões. “Ter uma loja acessível hoje não é apenas uma questão de cidadania, mas também pode representar um ótimo negócio”, acredita o secretário Marcos Belizário, já que essa população está cada vez mais inserida no mercado de trabalho e com maior poder aquisitivo. De acordo com Daniela Bertini Ferreira, arquiteta e urbanista, coordenadora do Curso de Educação Continuada e Capacitação em Acessibilidade da Secretaria, a finalidade da palestra foi sensibilizar os participantes e oferecer fundamentação teórica para tornar uma loja comercial acessível. Os principais conceitos transmitidos foram os princípios do desenho universal, a definição da palavra acessibilidade, legislações e normas técnicas, como as lojas podem ser adaptadas e os custos. Já a psicóloga Camila Benvenuto, assistente técnica da Coordenadoria de Projeto de Inclusão, passou aos presentes a ideia de que a pessoa com deficiência tem o direito de ser atendida como qualquer outro consumidor: “é importante quebrar a barreira do preconceito para que o atendente veja a pessoa que está à sua frente e não a sua deficiência”. Para ela, cada consumidor tem uma particularidade. Para as pessoas com deficiência física, os lojistas devem prever a acessibilidade na entrada das lojas e nos provadores. Já para deficiência visual é importante que o vendedor possa dar as informações verbalmente. Para o surdo, as dicas são sobre como falar pausadamente, tentar a escrita ou até mesmo arriscar alguns gestos que ajudam na hora da comunicação. “A palestra teve uma grande receptividade e os participantes trouxeram exemplos e tiraram duvidas”, concluiu. A Secretaria continuará a promover eventos do tipo.

Trabalho voluntário na IBM

Doar tempo, trabalho e talento para causas comunitárias e de interesse social, sem remuneração, é a essência do voluntariado. São inúmeras as entidades que se beneficiam desse esforço anônimo de milhares de pessoas empenhadas nas mais diversas causas. Uma delas é a Associação para o Desenvolvimento de Autistas em Campinas/SP (ADACAMP), que atende hoje 133 pessoas, entre 2 e 35 anos, com centro de diagnósticos, capacitação profissional e integração sensorial, entre outros projetos. Voluntários da IBM, gigante na área de tecnologia da informação, trabalham na ADACAMP. A empresa incentiva a prática entre seus funcionários em todos os países em que está presente. Só aqui, de 2003 até agora, os brasileiros já realizaram 210 mil horas de trabalho voluntário. É o que se chama “Cidadania Corporativa”. Em 2009, a IBM chegou a mais de 10 milhões de horas de trabalho voluntário desenvolvido por funcionários em todo o mundo. No Brasil, já envolveu mais de 330 ONGs e conta com a dedicação de cerca de 2.800 trabalhadores. “O funcionário escolhe a instituição, a fundação, a ONG que quiser. No final de 40 horas de trabalho voluntário, a IBM entra com uma doação para essa instituição”, explica Bruno Rondinela, gerente de projetos que trabalha na área de Cidadania Corporativa. A ajuda pode ser em dinheiro ou equipamentos, de acordo com o trabalho realizado. Se for em equipe a doação aumenta para incentivar o engajamento de um maior número de pessoas. Paulo Acir Faria, 37 anos na IBM, gerente de programas de logística em Hortolândia/SP, mora em Campinas/SP e é voluntário na ADACAMP há cerca de 7 anos. Quando começou, conta que os problemas financeiros eram muito grandes e buscaram apoio na comunidade e no Governo do Estado. Ele optou pela parte administrativa e mobilizou os colegas para festas de Natal, rifas e jantares beneficentes. Neste ano a IBM comemora o centenário e o dia 15 de junho foi escolhido para que os funcionários do mundo todo se engajem em uma atividade voluntária na comunidade. Para a coordenadora da entidade, Argene Maria Virgili, o trabalho dos voluntários é muito importante pois são os gestores que “direcionam e dão a segurança necessária para o desenvolvimento da instituição”.

Lançada Campanha sobre Cidade Acessível

A Publicidade de Utilidade Pública (PUP) “Cidade Acessível é Direitos Humanos” foi lançada em 19 de maio, durante reunião do CONADE. A campanha conta com todos os recursos de acessibilidade (audiodescrição, legenda e interprete de Libras) e está segmentada em três temas: Educação Inclusiva, Semáforos Sonoros, e Guias Rebaixadas e Ônibus Acessíveis. Com duração de 1 minuto, está disponível à imprensa para veiculação gratuita e também aos Conselhos de Direitos das Pessoas com Deficiência como material educativo. A ministra da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH/PR), Maria do Rosário, presente ao encontro, assinou na ocasião Portaria que institui uma comissão para o acompanhamento e monitoramento de políticas públicas em prol das pessoas surdas, demonstrando que as obrigações assumidas com a Convenção sobre os Direitos da Pessoa com Deficiência, do qual o Brasil é signatário, estão sendo cumpridas.


notas Braço de Ferro !

Fábio Sartori Manfrinato, pentacampeão mundial na modalidade “Braço de Ferro”, com 12 títulos paulistas e 11 brasileiros, venceu mais uma vez: em 1º de maio último, foi o melhor no X Campeonato Brasileiro Interseleções Norte e Nordeste de Luta de Braço, nas categorias braço direito e esquerdo, torneio disputado no Ginásio Poliesportivo Gabriel de Macedo (Fundação da Cidadania), em Timon/MA. Vítima de Poliomielite em seu primeiro ano de vida, Manfrinato sempre teve o apoio da família para superar os problemas. “Barreiras existem e sempre existirão. O que impulsiona ou impede o crescimento é o nosso comportamento diante das dificuldades”, explica. Logo na infância ele já se destacava entre os amigos pela força que detinha nos membros superiores, ganhando nas lutas de braço dos colegas. A brincadeira virou esporte e possibilitou a participação em campeonatos de diversos países. Além de atleta, Manfrinato é formado em Farmácia, com especialização em Bioquímica, e pós-graduado em Marketing. Trabalhou como responsável em uma grande empresa de medicamentos, mas a vontade de colaborar com as pessoas com deficiência o impulsionou para a carreira pública. Atualmente é assessor de acessibilidade na cidade de Bauru/SP e desenvolve projetos de inclusão e integração, como a Praça Paraesportiva da cidade, projetada para ser 100% acessível e que será referência no Estado.

Dois anos de Secretaria em Três Rios/RJ

O município de Três Rios/RJ completou, em maio último, dois anos da criação da Secretaria Municipal do Idoso e da Pessoa com Deficiência, comemorando 200 mil atendimentos. O projeto Planeta Vida, tem como objetivo oferecer acesso regular a programas de saúde, inclusão social e cidadania. Serviços médicos, clínico e geriátrico, de enfermagem, fisioterapia, psicologia, nutrição, fonoaudiologia e odontologia são os destaques na área de saúde. Várias intervenções também são feitas no campo do serviço social, por solicitação do Ministério Público ou queixas de maus tratos registradas diretamente nas unidades, situações em que idosos e pessoas com deficiência são libertas de cárceres domiciliares. De acordo com o secretário Wiliam César Alves Machado, as ações são norteadas pela Política Nacional de Saúde da Pessoa Idosa, Política Nacional de Saúde da Pessoa com Deficiência, Estatuto do Idoso e resoluções da Convenção das Nações Unidas sobre Direitos da Pessoa com Deficiência. “Nosso diferencial está na forma solidária, fraterna, empática e humanitária de interagir com usuários dos programas, serviços e atendimentos prestados na conjuntura da Secretaria”, garante Machado. Mais informações sobre as atividades da Secretaria podem ser obtidas no site: http://secretariadoidosoepcdtr.webnode.com.br/

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mulher

por Márcia Gori

A Era da Insensatez...

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sta última REATECH foi uma das melhores que estive, tanto em animação, programação de eventos, em gente bonita, mas também fui surpreendida com um comentário que me deixou um tanto aborrecida e reflexiva: vieram me perguntar se eu estava curtindo um lado “homo”, devido ter tomado à decisão de raspar a cabeça e curtir ficar careca. No primeiro momento, achei graça, pensando que era uma brincadeira... mas depois vi que o comentário foi maldoso e com certa inveja. Vocês vão pensar, porque ela está comentando este fato aqui, com que intuito ela vem com esta historinha ? Bom, o que me chamou atenção neste fato é que as pessoas são extremamente preconceituosas e vivem em busca de uma perfeição que está somente no campo mental de cada um... O que é belo pra você ??? Diante disso, vieram várias perguntas em minha mente, martelando e exigindo respostas objetivas e claras para satisfazer o desconforto e a minha irritação perante tal absurdo da ignorância que abate nossa sociedade... Porque o diferente incomoda tanto ? Onde está escrito e determinado que uma mulher, para ser bonita e desejada, seja obrigatório que tenha longos cabelos sedosos ? Minha sexualidade está em minha mente, espírito, ou nos meus cabelos ? Qual o padrão de beleza que devemos seguir? O que nos faz feliz e realizada ? Ou o que a mídia está enfiando goela abaixo ? O que determina a beleza, o brilho nos olhos, a energia positiva ou o corpo escultural siliconizado ? Certa vez, um amigo comentou comigo, o que chama a atenção dele em uma mulher é a sua naturalidade, gostar de si mesma, ser vaidosa em se cuidar, mas sem a neura da perfeição, em se aceitar com a celulite, a gordurinha fora do lugar e ser GOSTOSA !!! Isso que é ser deliciosa aos olhos de um homem, porque essa mulher é real e não uma mercadoria com código de barras, que se ele encostar, quebra... Nós mulheres com deficiência, em vista desta “beleza” imposta, já estamos em desvantagem na hora da conquista. Assim como o homem aproxima-se primeiro pelo visual, em segundo plano pelo papo, porque também ser bonita não é garantia do cara ficar com ela, caso abra a boca e fale besteira, é desestimulante para não usar o jargão popular. O que garante a aproximação desse homem tão visualista até essa mulher ? Os olhos, pele, sorriso, energia, cheiro ou curiosidade ? Não importa, desde que se aproxime e dê a oportunidade de conhecer para decidir se quer continuar ou não... sendo assim, onde entra o padrão de beleza imposta ? Nesta era da insensatez, do contra-senso, do imoral, falamos tanto na diversidade humana, entretanto ainda

damos crédito ao fascismo da moda e da mídia, nesse consumismo desenfreado buscando uma beleza perfeita para satisfazer um ego social doente, uma sociedade vazia e fútil que não permite espaço para o diferente, o irreverente, o descolado, o tatuado, o deficiente... embora pareça que haja essa aceitação social, contudo o preconceito ainda está lá, bem incubado. Nós, mulheres com deficiência, estamos em desvantagem em várias áreas, saúde, trabalho, e também na paquera, porque nossa beleza é muito mais profunda, não é superficial como da maioria das mulheres. Há necessidade da aproximação, da compreensão, do olhar mais intenso para descobrir a essência que existe em nossos corações e corpos, para sentir a intensidade desse encontro, desse calor humano. Então, a beleza está nos olhos e coração de quem vê ou nessa mídia consumista que apregoa o silicone, os excessos da perfeição e assim, excluí aqueles que não tem o privilégio de ter dinheiro para se refazer para acompanhar essa onda? Isso mesmo ! To falando de dinheiro, porque não existe gente feia... existe gente sem dinheiro... (risos). Porque o diferente fere tanto a normalidade do belo ? Quem ganha com tudo isso, sendo que todos têm direitos iguais ? Porque tanta insegurança dos “normais” perante a autoestima de alguém “diferente” ? Será que é por causa da ruptura do casulo de outros “diferentes”, impulsionando a queda da máscara do perfeito, para que de fato tenhamos a aceitação da diversidade no sentido real ? Fiquemos com essas questões para reflexões, mesmo porque não existem respostas para elas... por enquanto !!! Até o nosso próximo encontro !!! Márcia Gori é bacharel em Direito-UNORP, Sócia da Assessoria de Direitos Humanos São Thomas de Aquino, Ex-presidente do Conselho Estadual para Assuntos da Pessoa com Deficiência - CEAPcD/SP, atualmente é Conselheira Estadual do CEAPcD/SP, Presidente do Conselho Municipal da Pessoa com Deficiência de São José do Rio Preto/SP, membro do CAD - Clube Amigos dos Deficientes de São José do Rio Preto/SP. Apresentadora do Programa “DIVERSIDADE ATUAL” no Canal 30 – RPTV, Miss Tattoo 2010 e colaboradora do Núcleo de Inclusão Social da UNORP, palestrante sobre Sexualidade, Deficiência e Inclusão Social da Pessoa com Deficiência. E-mail: marcia_gori@yahoo.com.br Blog: http://mrciagori.blogspot.com/ Site do Programa: http://diversidadeatual.com


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espaço aberto

por Alex Garcia

Surdocegueira

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linguagem, comunicação e língua

ara compreendermos a Surdocegueira e atuarmos na Educação de Surdocegos precisamos entender claramente as matérias linguagem, comunicação e língua. O que é linguagem ? Linguagem é o conjunto de processos que podem utilizar um código ou sistema convencional que serve para representar conceitos ou para comunicá-los e que utiliza um conjunto de símbolos arbitrários e de combinações desses símbolos (Habib, 1994, Pp.197). Referindo-se à linguagem, penso que é necessário alargarmos um pouco mais a explicação. Certa ocasião, refletindo juntamente com a Dra. Isabel Amaral, de Portugal (Mestre em Educação de Surdocegos e Multideficientes pelo Boston College-USA), observamos que a Linguagem possui símbolos organizados de forma estruturada. É essa a noção que, por exemplo, destaca Chomsky. Cada língua tem a sua própria estrutura, mas há uma “estrutura profunda” que é como que uma noção que todos nascemos de que os símbolos têm que ser organizados. Quer dizer, nem só a língua tem aspectos semânticos, sintáticos, fonológicos etc. A linguagem representa a capacidade que temos de adquirir esses aspectos todos, independentemente da língua. Cada língua apenas tem formas individuais de organização semântica, sintática etc. Mas é comum a todas as pessoas a capacidade de adquirir essas estruturas. Exemplos de linguagem podem ser: dar nomes a objetos (semântica); saber a forma como combinar as palavras para cumprimentar uma pessoa (pragmática); organizar uma frase correta para exprimir uma idéia (sintaxe). Exemplos de língua são as várias línguas do mundo: Português, Japonês, Libras etc. Qualquer pessoa que utiliza mais do que uma língua, por exemplo, tem uma capacidade de linguagem única, que é independente dessas línguas, embora se demonstre através delas. Num sentido lato, podemos falar da linguagem da arte, da linguagem do corpo etc... e aí, de fato, estamos mais a focar o aspecto da comunicação do que da linguagem em si própria. Num sentido mais lingüístico, a linguagem é uma capacidade que o ser humano tem de adquirir regras de estrutura que lhe permitem, quando exposto a uma língua, adquiri-la. Pensamos que apenas os seres humanos (tanto quanto a gente sabe) conseguem detectar e desenvolver as regras da gramática? Ninguém ensina regras a uma criança pequena e elas desde cedo aprendem a usá-las sem mesmo as saber. É isso que é interessante. Independentemente da língua a que estão expostos, todas as crianças desenvolvem linguagem! Saussure, um dos primeiros linguistas da história, dizia que para ele era difícil definir linguagem, porque não se podia “ver” nem “analisar”. Mas Chomsky clarificou este aspecto dizendo que linguagem era uma

“capacidade”. Esta capacidade pode nunca se desenvolver se uma criança não estiver exposta a uma língua.  Com base nessas argumentações, podemos considerar que Linguagem – Comunicação – Língua, são matérias diferentes uma da outra, porém, uma depende da outra para existir. Linguagem como sendo o Significado Simbólico pelo qual organizamos pensamentos e os compartimos com outros. Exemplo: Símbolos e Significados de tudo o que existe e do que nos cerca. Comunicação como sendo os Modelos e Sistemas usados para transmitir e compartir com outros a Linguagem Simbólica (Significados). Língua, sob um aspecto técnico-analítico, são sistemas de comunicação estruturados, com coerência, sintaxe, semântica etc.  Uma questão importante a compreender é quando se destaca diferença e dependência entre Linguagem – Comunicação – Língua. Se existir Linguagem sempre existirá uma Comunicação e vice-versa. Se existir uma Comunicação sempre existirá uma Linguagem. Porém, a existência de Linguagem e de Comunicação nem sempre resulta na existência de uma Língua. Exemplo disso pode-se verificar em uma criança que tenha deficiências graves, como a Surdocegueira. Ela se comunica (Comunicação) através de mordidas, ou seja, ao não gostar de algo ou pessoas, e querer que se afaste, ela morde. O morder significa “Não Quero” (Linguagem). Esse morder não é uma Língua. Obviamente, se existe Língua, sempre existirá Comunicação e também Linguagem. Assim, uma Pessoa Surda usa a Língua de Sinais. Essa Língua comunica o que sua Linguagem descreve. Uma ressalva importante é observar como se adquire a Linguagem ? A Linguagem está diretamente ligada às experiências vivenciadas por uma pessoa. Quanto mais experiência uma pessoa tiver, significa que diferentes linguagens (significados) essa pessoa vai possuir. A Linguagem quem nos dá é o outro. Sempre. Pois estamos em uma constante inter-relação com outras pessoas. Assim, pode-se considerar que a Linguagem é apreendida e passa de pessoa para pessoa, tendo aspectos culturais que a condicionam. Alex Garcia

é gaúcho e Pessoa Surdocega. Presidente da Agapasm. Especialista em Educação Especial. Autor do livro “Surdocegueira: empírica e científica”. Vencedor do II Prêmio Sentidos. Rotariano Honorário - Rotary Club de São Luiz Gonzaga/RS. Líder Internacional para o Emprego de Pessoas com Deficiência pela Mobility International USA/MIUSA. Membro da Federação Mundial de Surdocegos. Site: www.agapasm.com.br E-mail: contato@agapasm.com.br


INFORME PUBLICITÁRIO

ABRIDEF comemora 1 ano de vida, participando da REATECH e da HOSPITALAR 2011 !!!

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riada há um ano com o objetivo de participar e influir em um mercado de empresas, fabricantes, lojas, distribuidores e prestadores de serviços que atendem com seus produtos um universo de mais de 30 milhões de brasileiros com deficiência, a Associação Brasileira das Indústrias e Revendedores de Produtos e Serviços para Pessoas com Deficiência (ABRIDEF) comemorou seu aniversário com duas marcantes participações em feiras de grande expressão nacional e internacional: a REATECH e a HOSPITALAR. A entidade representa grandes empresas do setor e sua atuação beneficia o consumidor, pois dá ênfase à normatização e certificação de produtos e ao cumprimento de normas legais e padrões técnicos, conforme a atividade de cada empresa associada. O mercado para pessoas com deficiência mais do que dobrou em 10 anos. Movimentava R$ 1,5 bilhão e hoje chega aos R$ 3,5 bilhões, com 42% dos consumidores situados nas classes A e B, 44% na C e 14%, D e E. Basta lembrar que, em 2010, foram vendidos mais de 29 mil carros 0K – com isenção de impostos - para PcD.

Aniversário teve bolo e presença de associados e novos interessados...

Oficialmente criada dentro da REATECH 2010, a ABRIDEF comemorou seu primeiro ano de atividades durante sua Assembleia Geral, no dia 14 de abril último, às 19 hs, dentro de um dos auditórios da REATECH 2011. Foi uma comemoração simples, que contou com a presença dos associados, da diretoria e de muitos representantes de empresas interessadas em se associar.

CAMPANHA NOVO ASSOCIADO

Com o intuito de dobrar o número de empresas associadas à ABRIDEF, foi criada a Campanha do NOVO ASSOCIADO. Cada empresa, entidade ou profissional associado à ABRIDEF, tem a partir de agora, o compromisso de apresentar nos próximos 90 dias, uma nova empresa para integrar o quadro associativo da entidade, garantindo assim a ampliação da atuação da associação e renovação constante de idéias inovadoras para todo o setor. Essa campanha também auxiliará nas ações de marketing e promocionais da entidade, bem como sua participações em eventos. Afinal, o valor integral das taxas de adesão desses novos associados irá compor um caixa de recursos para essa finalidade. Assim, todos os nossos associados estão engajados nesta campanha. E fica aqui o convite para TODAS as empresas do nosso setor. A ABRIDEF é de TODOS !!!

A entidade conta hoje com associados que atuam nas categorias: acessibilidade, serviços, plataformas e elevadores, cadeiras de roda, automóveis, sinalização, adaptações especiais, autoescolas e outras. Além da Assembleia e da comemoração do aniversário, a ABRIDEF participou da REATECH com um estande, onde também teve a oportunidade de atender empresas e pessoas com deficiência, consumidores dos produtos fabricados ou comercializados pelos cerca de 30 associados da entidade. “Este contato com o usuário, o consumidor com deficiência e seus familiares é essencial para o trabalho da ABRIDEF. Afinal, o grande beneficiado por todos os benefícios e conquistas da nossa entidade, será sempre a pessoa com deficiência... E o consumidor com deficiência também precisa saber da nossa existência, conhecer a essência do nosso trabalho, saber da ABRIDEF e o que ela pode fazer a seu favor”, comenta Rodrigo Rosso, presidente da entidade, enfatizando que o crescimento no número de empresas associadas vem crescendo mês a mês. Um dos trabalhos mais importantes da ABRIDEF será, sem dúvida, a criação do SELO DE QUALIDADE da entidade, cuja comissão interna que cuidará desta pasta, para implantar o Selo durante o ano de 2012, está sendo formada por diretores e associados. “Juntos, faremos a diferença... E vamos transformar este setor, profissionalizando-o, normatizando nossas atividades... oferecendo ao mercado e à pessoa com deficiência, produtos e serviços com a qualidade e o respeito que eles merecem”, afirma Rosso.

www.abridef.org.br

Assembléia na Reatech

Gino da Freedom

Hospitalar

ASSOCIE-SE AO NOSSO GRUPO (11) 3876-9850 ou (11) 3445-2373 ABRIDEF E VOCÊ, JUNTOS FAREMOS A DIFERENÇA !!!

Reatech


especial

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saldo da 10ª Feira Internacional de Tecnologias em Reabilitação, Inclusão e Acessibilidade (REATECH), realizada entre os 14 e 17 de abril último, na capital paulista, foi positivo. Mesmo sem apresentar muitas novidades, mais uma vez a mostra bateu a casa dos cerca de 45 mil visitantes. Segundo a CIPA FM, organizadora do evento, aproximadamente de R$ 300 milhões foram gerados em negócios durante o evento. “Este ano foi a melhor edição de todas. Se olharmos há 10 anos e agora, o mercado está mais maduro. Quando você faz uma obra hoje, por exemplo, o arquiteto já pensa na adaptação do lugar, então tudo isso faz a mudança e a feira vai crescendo com isso”, avalia Malu Sevieri, diretora de Comunicação do grupo Cipa. Reconhecida como a terceira maior feira do setor no mundo, apesar de alguns a

Feira cresceu em espaço e manteve bom público na comemoração dos seus 10 anos !!! considerarem a já a segunda (a primeira e maior feira do mundo no segmento é a REHACARE, que ocorre em Düsseldorf, Alemanha), a feira reuniu neste ano, mais de 250 expositores, das grandes empresas automobilísticas a pequenas entidades, passando por órgãos governamentais de diversas instâncias e fabricantes de médio porte. Para se ter uma ideia, só o estande da Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência (SMPD) de São Paulo recebeu cerca de 10 mil visitantes e as 15 mesas-redondas, palestras e oficinas promovidas por ela, tiveram mais de 900 participantes. A REATECH se destaca, juntamente com a área de negócios, por ser um espaço de discussão e aprendizagem com seus variados cursos, fóruns, seminários, palestras e workshops. O V Seminário Internacional de Educação Inclusiva (SEMINEDI), por exemplo, teve por volta de 200 participantes. O tema “Lei de Cotas” (Lei nº 8213/91) foi discutido no Fórum “Lei de Cotas e Trabalho Decente para a Pessoa


especial com Deficiência”, com a presença de quase 300 pessoas. As novidades deste ano foram aprovadas. De acordo com a diretora, a transferência para outro pavilhão, das atividades gratuitas, como: shows e apresentações esportivas, deixou a feira menos barulhenta e mais acessível para a pessoa com deficiência visual. Em 2012 a proposta é levar para o local também a praça de alimentação. A Reatech teve até o casamento do locutor oficial e apresentador do palco de shows, Rodolfo Ferrim. Em sua cadeira de rodas, ele só soube que era ele o noivo, na hora em que a porta do carro da noiva se abriu, e ele viu sair de lá, a esposa Raquel. Eles completaram 11 anos juntos, 5 anos de união no civil, e agora, realizaram o sonho do casamento no religioso, com direito a cerimônia no palco da feira, padrinhos, festa, bolo e champanhe.

O Futuro

A REATECH terá uma nova edição a partir do próximo ano: entre 24 e 27 de maio, a feira será montada em Milão, na Itália. Malu Sevieri conta que não há na Europa feiras desse tipo, abertas também ao público final, a não ser na Alemanha. Existem vários eventos, mas que não englobam todas as atividades da brasileira. É, inclusive, a única que tem piso podotátil dentro do pavilhão. “Vamos espalhar o conceito da REATECH para o mundo”, conta a diretora. “Depois de 10 anos trabalhando o mercado brasileiro, nos sentimos fortes, temos um formato de evento que ninguém conseguiu fazer ainda”, conclui Malu Sevieri, já sonhando em levar a feira para a Ásia e América do Sul.

Depoimentos de expositores e visitantes da REATECH 2011: Kely Ferreira – IBM “A REATECH é uma feira que tem um grande retorno para nós na divulgação do trabalho em diversidade da IBM, e para a captação de candidatos para trabalharem na empresa, que emprega atualmente cerca de 16 mil colaboradores”. Erica Marques – Usiminas “Foi a primeira vez que participamos e não tínhamos grandes expectativas de atrair profissionais com deficiência para trabalharem conosco. Mas tivemos um resultado muito bom neste sentido... bons candidatos, pessoas muito capacitadas. Ficamos surpresos com o resultado”. Ricardo Souza – Otto Bock “Para nossa empresa foi muito interessante participar. Estamos com grandes novidades na linha de cadeiras de rodas, carrinhos terapêuticos e a feira foi um propulsor de negócios para o restante do ano”. Daniele Almeida – Autoescola Javarotti “Tem algumas novidades, mas o bom da feira é que a gente sempre vê os amigos, faz mais contatos, revê os clientes antigos e cada vez nos fortalecemos, tentando renovar o mercado...” Wagner De Conto – Personal Acess Elevadores “A última REATECH que fiz como expositor foi em 2007. Fiquei neste intervalo sem ações de marketing na feira... Participar é interessante porque tem sido crescente a busca por soluções como a nossa e isso gera boas expectativas”. Mônica Cavenaghi – Cavenaghi “Como sempre tivemos excelentes resultados com as nossas promoções e soluções para veículos e estamos muito felizes... O comando de voz foi um atrativo importante para a mídia este ano... Além disso, fizeram muito sucesso a Peugeot Partner com piso baixo, as Hand Bikes fabricadas no Brasil, as cadeiras para excepcionais e as barras de apoio por sucção”. José Guedes – Sindicato das Autoescolas de SP “Esta 10ª REATECH foi ampliada, está satisfazendo bastante a todos os expositores e, logicamente, o público presente gostou das novidades. Esperamos que continue desta forma”.

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especial Artur Henrique Carvalho – Playlong “Tenho um carinho muito grande pela REATECH, e a considero como o ponto máximo do sucesso neste segmento. Conseguiu congregar todas as instituições e quase todas as empresas voltadas para a reabilitação e para o atendimento as pessoas com deficiência”. Patrícia Muñoz – Centro Paulista de Tecnologia Assistiva “O evento foi muito bom... Estamos sentido que a feira recebeu muita procura dos profissionais e para nós isso é ótimo, pois nós podemos divulgar os nossos materiais, nossa proposta e nossos produtos”. Marcos Pigatto – Neo Isenções “Este ano achei muito mais quente... Percebemos que houve mais pessoas que chegaram até nós em nosso estande em busca de informações”. Nevia Bernardes – Nevia Isenções “Foi a melhor de todas. Muito boa. Desde o primeiro dia nós tivemos muito movimento e estamos satisfeitos”. Alexandre Sayão – Koller “Temos na feira, uma grande integração entre as pessoas com deficiência e o público no geral... Para nós foi um grande prazer ter estado aqui para dar nossa parcela de contribuição”. Daniela Bertoglio – Bengala Branca “Para nós é uma oportunidade única para manter contato pessoal e direto com os clientes.”

Rodrigo Lopes – Microsom “Como em todos os anos, e já estamos participando há 3 anos, sempre dá resultados muito positivos, e sempre temos uma surpresa a cada ano... é muito importante para a troca de conhecimentos”. Juliana Frank – Andaluz Acessibilidade “Percebemos que as empresas começaram a investir muito mais neste segmento... antes as pessoas não sabiam diferenciar um produto dentro da norma e hoje elas percebem esta diferença e nos pedem produtos adequados”. Juliana Barbosa – Honda “O evento foi muito produtivo. Conseguimos falar diretamente com nosso público alvo... além de estarmos mais próximos do consumidor final”.

Murilo Golfetti – Toyota “Do ponto de vista institucional é importante nós estarmos presentes na feira”.

Leonardo Vezzali – Peugeot “Houve grande interesse pelo modelo 408 automático. É um público merecedor da nossa capacidade de atendimento e a Peugeot se preocupa muito com esse segmento”. José Galdino – Citröen “Está dentro do que nós esperávamos. Estamos felizes, acertamos com a Reatech para o ano que vem e isso mostra que nós estamos confiantes nos resultados deste ano”. Marcos Saraiva – General Motors “É um evento muito marcante no segmento das pessoas com deficiência, e nós não poderíamos deixar de marcar presença. Tivemos mais um ano de muitos contatos e muitas possibilidades de negócios.” Marcello Paixão – Ford “Temos uma avaliação extremamente positiva da exposição da marca junto ao mercado de pessoas com deficiência e de inclusão... É um público especial, com demandas especiais e nós temos que nos adequar e responder a elas”. Simone Fernandes – FIAT “A Fiat foi pioneira neste setor. Sempre é importante estar aqui... os maiores atrativos do estande foram para o Dobló, a Palio Weekend e o Novo Uno. Nós também apresentamos a nova versão do Fiat Bravo, com adaptações, e foi um grande sucesso”. Carlos Araújo – NISSAN “Uma feira de exposição da marca, mas sem grandes volumes de vendas... é um ótimo lugar para contato com o público PcD”. Marcos Harada – Signosinal “O evento foi muito bem visitado... Muitos órgãos governamentais nos visitaram em nosso estande, além do público que comparece normalmente”. Valdemir Ribeiro – Terra Eletrônica “O evento está bom... Estamos com algumas novidades que o público está recebendo bem e isso é importante. Agora, os novos governantes precisam dar mais valor na aquisição de equipamentos, principalmente os nacionais. Dar privilégio para quem produz no Brasil”. Luciano Yuiti Baba – Daiwa Isenções “Tivemos muitos contatos de empresas e o público foi muito receptivo”.


especial Frederico Viebig – ARCO Sinalização “É o primeiro ano em que estamos participando... Foi importante termos vindo para cá, fizemos muito sucesso com a linha que trouxemos”. José Tonolli – Clik Tecnologia Assistiva “Foi muito boa, como sempre, com muito movimento”.

Alexandre Iwamoto – Pulsar Travel “Superou as expectativas... muitas pessoas procurando turismo acessível”.

Darci Furquim - Auto Escola Flash “Participamos de todas as edições. Já estamos há muito tempo no mercado e acredito que este ano tivemos mais êxito”. Sérgio Batista – Alphamix “O evento foi muito proveitoso para nós, tivemos muitos contatos”.

Yury Presbytero –Orthopauher “A feira superou as nossas expectativas... sempre inovamos com o lançamento de novos produtos e isso traz um ótimo conceito para o evento. E é isso que o público quer e merece: cada vez mais qualidade e novidades sendo apresentadas aqui na feira”. Aparecido Pereira – Basic Elevadores “Todos os anos digo isso: a cada ano que passa a feira vem superando as expectativas de público e sem dúvida, de geração de futuros negócios”. Jonas Käfer – Angelus “Acho que o mercado está bem fomentado e as pessoas vieram com uma noção diferente, mais esclarecidas do que elas precisam e do que o mercado tem a oferecer”. Jonathan Hummel – Rea Team “Em termos de movimento foi muito bom... Inovamos este ano com uma estrutura um pouco mais enxuta e viemos como profissionais para demonstração e uma venda com entrega não imediata... Fizemos um trabalho de feira, de divulgação”. Marcos Antonio Gonçalves – Avape “Cresceu o movimento das pessoas com deficiência, as empresas preocupadas, a feira, a sociedade, Paraolimpíadas, Copa do Mundo, e ainda vamos ter um crescimento muito maior”.

Tiago Martins – TECassistiva “Foi uma feira muito boa. Tivemos vários representantes do governo... Foi muito proveitoso, contatamos muita gente interessante e engajada para a inclusão social”. Carlos Souza - Proaid Convaid “Tirando o calor que foi excessivo, a feira supriu as nossas expectativas. Mas não só eu, como muitos outros expositores, detectamos que aparentemente houve menos visitação, ou pelo menos, caiu em poder de compra, pois este ano não houve tantos negócios quanto se esperava”. Bruno Maciel – Mobility Brasil “Este é o segundo ano da nossa empresa aqui e o público ficou muito encantado com o estande e as cadeiras que a gente apresentou”. Valério Câmara – Seat Mobile do Brasil “A feira estava boa... nós trouxemos produtos que não tinham sido apresentados ainda nas feiras e tivemos resultados muito bons, com muita aceitação por parte dos clientes”. Raphael Chiarelli – Widex “Nós trabalhamos muito com médicos e não com o público final... visitantes vieram conhecer os nossos produtos e pudemos esclarecer as dúvidas deles. Gostamos muito do resultado”. Leandro Amaral – Deloitte “Este ano houve uma movimentação bem grande... Muitas pessoas visitaram nosso estande e tivemos parceiros em busca de novos projetos e pessoas com deficiência em busca de divulgar a nossa marca e trabalhar conosco”. Fabiana Rosa – Indra “Este é um dos principais canais que temos para difundir as nossas soluções gratuitas... nem sempre temos a oportunidade de contatarmos o usuário final e isto para nós é muito interessante”. Luana Araújo - Page Personnel “Vale não só para nós, que estamos trabalhando, mas como experiência de vida... É muito gratificante... são várias situações e histórias de superação e isso é muito válido”. Carolina Kobilanski – Jumper Equipamentos “É a primeira vez que estamos participando como empresa e estamos para expor um novo produto que é uma novidade no mercado, pois é inovador e tem uma nova filosofia... e vimos muita gente interessada”.

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notas Teletrabalho pode ser opção

O tema foi discutido no I Seminário de Teletrabalho na Cidade de São Paulo, promovido pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP) e pela Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida (SMPED). Considerado uma opção para reduzir custos no setor produtivo, oferecer qualidade de vida e incluir mais pessoas no mercado, inclusive aquelas com deficiência, o trabalho à distância ainda precisa resolver impasses legais, culturais e tecnológicos para ganhar corpo no país. Entre as principais dúvidas por parte das empresas estão a desconfiança sobre o cumprimento da jornada de trabalho e a garantia do sigilo das informações. No caso dos trabalhadores, as interrogações dizem respeito à fiscalização de direitos como horas extras, concessão de benefícios, construção de um plano de carreira e critérios para caracterização dos acidentes de trabalho. Há também questões práticas como acesso à banda larga na internet e ergonomia (adequação do local da atividade), entre outras. No caso específico da pessoa com deficiência, muitas empresas podem enxergar, equivocadamente, que o teletrabalho é uma forma de cumprir a Lei de Cotas sem investir na adequação de suas instalações. Adriano Bandini Campos, coordenador de Projetos de Inclusão da SMPED e um dos organizadores do seminário, concorda que o risco existe mas acredita que isto não descaracteriza o teletrabalho como uma opção interessante para parte do segmento. “O teletrabalho é positivo se for uma opção da pessoa com deficiência. Não pode ser algo imposto pelo empregador”, afirma.

Sonho da casa própria fica mais perto das PcD !!!

Famílias que incluem pessoas com deficiência estão entre as que terão prioridade de atendimento no programa “Minha Casa Minha Vida”, do Governo Federal. A Medida Provisória (MP) 514/10 – transformada no Projeto de Lei de Conversão (PLV) 10/11, que estabelece novas regras para o MCMV 2, também beneficia mulheres e famílias chefiadas por elas, deixando de exigir a assinatura do cônjuge nos contratos (a exceção é somente nos casos de contratos que envolvam recursos do FGTS), e famílias residentes em áreas de risco, insalubres ou que estejam desabrigadas. O Senado aprovou ainda a elevação de R$ 14 bilhões para R$ 16,5 bilhões as transferências da União para o Fundo de Arrendamento Residencial (FAR). A meta do governo nesta nova etapa do programa é a construção e a reforma de dois milhões de moradias entre 2011 a 2014. A prioridade a PcD já tinha sido votada em abril, na Câmara Federal, com destaque do deputado Otávio Leite (PSDB-RJ), que pedia a aprovação de emenda elaborada pelo ex-deputado Flávio Dino. Também foi acordado um percentual mínimo de 3% das unidades habitacionais para atender a demanda de PcD. “Essa vitória, já que estamos no início de uma legislatura, pode significar a porta aberta para o conjunto de outras conquistas em prol das pessoas com deficiência”, destacou o Deputado Federal Otávio Leite. No Mato Grosso do Sul, a partir de abril, as pessoas com deficiência ou suas famílias já têm direito a 10% do total de casas populares em programas do Governo do Estado. As moradias devem estar adaptadas nos aspectos de acessibilidade, segurança, instalação de sanitários e demais requisitos técnicos necessários.

VIATURA DE REPORTAGEM da revista reação: PARCERIA COM A FORD !!! Esta é a nova Viatura de Reportagem da REVISTA REAÇÃO. Desde março último, em uma parceria com a montadora Ford, que nos cedeu por um ano um Ecosport 2.0 – automático – a Revista ganhou uma grande ferramenta de trabalho para a equipe de jornalismo e promocional da publicação. Desde então, as matérias e ações promocionais da REVISTA REAÇÃO serão feitas graças ao apoio da nova viatura. Fica aqui nosso agradecimento à Ford pela parceria, que já está fazendo grande sucesso por onde a nova viatura passa, toda ela caracterizada com os logos da revista e do Programa Acesso Ford... Acompanhem.


por Suely C. de Sá Yanez

ponto de vista

Monitores para Pessoas com Deficiência Visual... amizade, as novidades do mercado... os dias são realmente muito cansativos, pois você não pára de andar. Mas tudo isso vale à pena !” João de Deus Gomes: “Quero agradecer pela oportunidade que me foi concedida e eu tratei de valorizá-la... fiquei muito mais voltado para a logística em todos os sentidos, tendo a gostosa experiência de guiar 5 pessoas com deficiência visual, sendo que uma, por coincidência já a conhecia... muito gratificante !”

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Reatech - Feira Internacional de Tecnologias em Reabilitação, Inclusão e Acessibilidade, como um evento anual, referencial na área de pessoas com deficiência, tem conquistado grande repercussão, inclusive na área da Deficiência Visual. Para essa população, vem sendo executado um projeto que já dura 3 anos, que é a Capacitação básica de voluntários universitários para serem guias (monitores) com o objetivo principal de acompanhar pessoas com deficiência visual, que comparecerem “desacompanhadas” no Evento. Durante toda a monitoria houve muito trabalho, muitas experiências, muitos desafios. Ainda temos muito a melhorar, mas sabemos que essa área de monitores para pessoas com deficiência visual é importantíssima. A cada ano aumenta o número de voluntários monitores e ainda assim o número é insuficiente para alguns horários de maior demanda... que também aumenta a cada ano! Neste ano, estiveram presentes 90 voluntários capacitados, alunos de Educação Física e Terapia Ocupacional. É importante investir nesse programa e conferir alguns depoimentos desses voluntários: Leonardo Oshiro: “Certamente foi de imensa valia a experiência vivida... Na minha visão pessoal, foi muito importante para desmistificar um pouco aquela imagem da pessoa com deficiência ser um excluído social ou coitado, e descobrir que além de seres humanos dotados de muitas virtudes e potencial, são verdadeiros guerreiros na luta contra o preconceito e miopia social...” Claudia Hannun: “Minha experiência vem desde o ano passado. Posso dizer que sempre é uma nova experiência, pois você conhece novas pessoas podendo até surgir uma

Amanda Bertaglia: “Adorei trabalhar ajudando as pessoas com deficiência visual...” Rebecca Martins: “... pude descobrir um mundo cheio de novas possibilidades, abrir mão de conceitos antigos e vivenciar novas experiências.” Priscilla Borges: “Tudo o que eu imaginava sobre as deficiências caíram por terra... a vida deles na maioria das vezes é muito mais movimentada e agitada que a minha... Conviver com pessoas no geral é algo muito complicado, mas quando vemos pessoas com deficiências se portando melhor e vivendo sua vida com um sorriso maior que de muita gente, paramos para pensar o que estamos fazendo de nossas vidas.” Priscila Batista: “...muito gratificante quando se faz de coração, se doando realmente para o trabalho seja ele social ou não. Fico grata de ter tido a oportunidade de poder trabalhar...” Ellen Salinas: “...troquei contato... fiz contato com pessoas que pretendo fazer algum tipo de projeto esse ano ainda, ouvi muitas experiências com a qual fiquei encantada com tudo que ouvi... Conheci um deficiente auditivo... fiquei muito interessada pela linguagem deles e vou fazer um curso de libras...” Vanessa Ildefonso Fonseca: “...as pessoas que pude guiar me ensinaram muito... quando fui embora ... mesmo sem identificação do crachá e da camiseta, ainda guiei um rapaz do metrô até as vans e foi super interessante porque percebi que não deixei de ser monitora em nenhum momento.”

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ponto de vista rica para mim em todos os sentidos, me senti muito bem, muito confiante e realizada por poder ajudar.” Aline Oliveira dos Santos: “Bom foi a experiência...” Gisele di Santi: “Gostei muito de ter participado, pois pude conhecer mais de perto a vida de uma pessoa com deficiência e os obstáculos que eles enfrentam todos os dias...” 

Carolina Torchi: “Achei muito interessante a feira e a experiência de ser monitora. Foi fácil de me localizar ao guiar o deficiente visual ...”

Luciane Rios: “É difícil descrever em uma frase o que eu senti participando esse ano. Ano passado também havia participado, mas foi um sentimento diferente... Achei muito gratificante... com cada um eu aprendi um pouquinho... sentindo como a vida é importante... pessoas que passaram por grandes dificuldades e mesmo assim estão lá felizes, visitando a feira, com autonomia e independência.” Vanessa Barreto: “... adoramos muito participar...ano que vem estaremos.”

Renan Alves: “Uma grande e inesquecível experiência para que tenhamos um olhar mais apurado na vida!!! As pessoas com deficiência têm algumas barreiras, mas não se limitam de algum modo.”

Kamile Cardoso: “... fiquei encantada com a feira, com os produtos oferecidos, gostei muito de ver de perto alguns atletas paraolímpicos... com a feira percebi que não existem pessoas deficientes e sim pessoas eficientes...”

Sonia Sampaio: “Adorei participar...foi uma experiência incrível...”

Angela Cristina Martins: “Gostei muito... de ver como pessoas com tantas deficiências vivem bem, levam uma vida normal... e reconhecem nosso trabalho. Sempre temos muito o que aprender ...”

Jeane Azevedo: “Participar como monitora foi uma experiência incrível. Aprendi a melhorar a comunicação através dos mais simples gestos, além de trabalhar com ótimas pessoas.” Isabel Vecchi: “Como já tínhamos sido avisados, foi uma experiência INCRÍVEL... conhecemos pessoas com histórias maravilhosas, vivemos momentos inesquecíveis. Será uma experiência que ficará sempre guardada na memória. Obrigada a todos que nos deram a oportunidade de participar... é um trabalho fantástico e de extrema importância...” José Batista de Souza: “... a melhor parte foi ser guia, pois gosto de trocar vivência e conversar com as pessoas... conheci pessoas que superam seus limites e são eficientes como massagistas, bancários  gerentes, tricoteiras, repórteres e tecnólogos... as tecnologias e adaptações são muito ricas em termo de funcionalidade... fico muito feliz por tudo o que aprendi desde que fizemos a vivência na capacitação...” Gabriela Santa Maria Vizioli: “...foi uma experiência muito importante, pois sempre me senti insegura, um pouco tímida com as pessoas, não sabia como deveria ser a abordagem etc. Na hora da feira... fui me sentindo mais à vontade, conheci muitas pessoas... foi uma experiência muito

Juliana Moreira: “... adorei o evento, conheci muitas pessoas... pude aproveitar ao máximo...o curso básico que vocês nos deram me ajudou muito.” Cristiane Prezoto: “Este ano achei mais organizado na parte de monitoria...” Percebemos e ressaltamos a importância do investimento nessas monitorias, constatando um aumento do índice motivacional desse segmento específico (PcD visual) para visitar a Feira (e por que não em outros eventos ?), pelo acolhimento desta população, minimizando barreiras, oferecendo-lhes acessibilidade aos estandes específicos e gerais, aos serviços de interesse no evento. Semeando... vamos colher sempre !

Suely Carvalho de Sá Yañez é Terapeuta Ocupacional especializada em Orientação e Mobilidade para pessoas com deficiência visuaL e atua na área de reabilitação.


notas STF reconhece aposentadoria especial para um trabalhador PcD

O ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), reconheceu no último mês de maio que o servidor público portador de deficiência física, Roberto Wanderley Nogueira, tem o direito de ter seu pedido de aposentadoria especial analisado pela autoridade administrativa. O ministro equiparou o caso ao de servidores públicos que exercem atividades insalubres ou perigosas, porque não existe uma lei complementar específica para regular a matéria. No caso de atividade insalubre, a contagem de tempo é diferenciada para efeitos de aposentadoria em função das atividades prestadas em condições especiais, conforme previsto no artigo 57 da Lei 8.213/91. A decisão sobre o caso do servidor portador de deficiência física ocorreu no Mandado de Injunção (MI) 1967, em que a defesa alegou omissão da Presidência da República e do Congresso Nacional em regulamentar esse tipo de aposentadoria por meio de lei complementar, conforme prevê a Constituição Federal. Para Mello, as pessoas com deficiência sofrem consequências lesivas decorrentes da omissão normativa que já se prolonga de maneira “irrazoável”. Ele afirmou, ainda, que a hipótese de omissão inconstitucional justifica, plenamente, a intervenção do Poder Judiciário, notadamente a do Supremo Tribunal Federal. “Nada mais nocivo, perigoso e ilegítimo do que elaborar uma Constituição, sem a vontade de fazê-la cumprir integralmente, ou então, de apenas executá-la com o propósito subalterno de torná-la aplicável somente nos pontos que se mostrarem convenientes aos desígnios dos governantes, em detrimento dos interesses maiores dos cidadãos”, afirmou o ministro. “A Decisão do STF foi uma grande vitória para os milhões de trabalhadores PcD. Pena que precisamos entrar na Justiça para garantir um direito previsto na Constituição. Mas, a partir de hoje, milhares de ações serão propostas para que todos os trabalhadores deficientes tenham garantido o direito a aposentadoria”, comemorou Ari Heck, servidor público federal, escritor e ativista dos direitos humanos que está engajado numa campanha nacional pela regulamentação da aposentadoria. Em seu site www.ariheck.com, criou um abaixo-assinado de apoio ao projeto do Senador Paulo Paim, que regulamenta a matéria.

Antiga CORDE tem novo titular: anunciado o nome do novo secretário para a SNPD A Secretaria Nacional de Promoção dos Direitos das Pessoas com Deficiência (SNPD) – antiga CORDE - órgão da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, tem novo titular. É Antonio José do Nascimento Ferreira. O anúncio foi feito em 19 de maio último, durante reunião do Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência (CONADE), da qual a ministra Maria do Rosário participou. Ela destacou o empenho e compromisso de Antonio José nas causas do setor, ressaltando que sua vida pessoal demonstra preparação para o exercício do cargo. O novo secretário, que substitui Humberto Lippo, tem 39 anos e vem do movimento social das pessoas com deficiência. Foi o primeiro presidente da Organização Nacional dos Cegos do Brasil (ONCB), no momento em que o movimento de cegos foi unificado. Em Recife/PE, trabalhou por 8 anos como Gestor de Política Pública para PcD. Em 2010, exerceu o cargo de coordenador-geral de Promoção dos Direitos da Pessoa com Deficiência. Em 2011, assumiu a chefia de gabinete da SNPD e, com a saída do ex-secretário Lippo, em abril passado, passou a exercer o cargo interinamente. Lippo, que é sociólogo e professor, ficou pouco mais de 3 meses no posto e pediu exoneração. Em nota dirigida aos colegas da Secretaria, alegou motivos pessoais para a decisão, afirmando que retornaria ao convívio da família e às atividades na academia. Boa sorte ao novo secretário e que ele tenha uma ótima gestão frente ao órgão máximo da PcD de nosso País !!!

Quantas são as pessoas com deficiência em São Paulo? A resposta será conhecida em breve, de acordo com o secretário municipal da Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida, Marcos Belizário, que anunciou a realização de um censo na capital paulista, durante a abertura da REATECH, em abril. Os 2,4 milhões de questionários devem ser enviados pelos Correios no próximo semestre, de acordo com o cadastro do IPTU. As perguntas poderão ser respondidas também por site. Não haverá custo para a devolução do formulário preenchido. Os primeiros dados serão conhecidos em 2012 e a apuração permitirá a montagem de um cadastro que poderá ser alterado conforme a necessidade. O censo será repetido a cada quatro anos. “A partir do momento que os dados forem liberados, todas as secretarias vão poder usar isso como uma ferramenta de inteligência de gestão”, explica Márcia Regina Marolo, vice-coordenadora do Programa Censo Inclusivo. “Hoje temos programas na cidade, de diferentes secretarias, distribuídos em diversas regiões. Com os resultados poderemos saber os programas de cada uma e as necessidades reais”. Para o Estado de São Paulo, há um projeto de lei do Deputado Estadual Rafael Silva que prevê a realização de um censo a cada três anos. “Um censo com rigor científico e metodológico garantirá precisão e riqueza de detalhes que propiciará melhor estrutura de apoio ao Governo Estadual, que poderá traçar benefícios mais precisos para as políticas públicas que deverão nortear o atendimento da pessoa com deficiência, a fim de garantir a ampla fruição de direitos, tal qual garantido nos diplomas legais nacionais”, explicou o parlamentar. O projeto 297/2011 foi publicado no Diário Oficial em 13/04. Segundo estudos realizados preliminarmente, nenhum outro Estado brasileiro realizou esse trabalho. Apenas alguns municípios, como São José dos Campos/SP e Mogi das Cruzes/SP fizeram cadastros com PcD. O projeto de Silva, depois de esperar por possíveis emendas, seguirá para pelo menos três Comissões Permanentes da Casa, que devem proferir pareceres sobre o assunto, sendo depois colocado em discussão e votação pelo plenário da Assembleia Legislativa.

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depoimento

por Dr. Wiliam César Alves Machado

Desafios para o cadeirante no transporte coletivo interestadual

A

questões de acessibilidade e desenho universal...

pós 17 anos usando veículo próprio adaptado e apenas imaginando o que representa de fato uma viagem de ônibus para pessoa com deficiência física adquirida, usuário de cadeira de rodas, cujo corpo físico apresenta quadro de espasticidade severa e substantiva mobilidade reduzida, decidi pagar para ver, embarcando em Três Rios, região Centrosul do Rio de Janeiro, com destino a São Paulo, em 15 de abril de 2011, para participar da REATECH, a maior feira de equipamentos e tecnologias inclusivas para pessoas com deficiência da América Latina. Muita ansiedade sobre como seria a viagem, as pessoas que ajudariam na subida e descida no ônibus, ajustes do meu corpo no assento, os espaços para posicionamento confortável dos pés etc, considerando-se que a lesão cerebral comprometeu apenas área motora e manteve preservada sensibilidade. Nessas situações, quase não conseguimos relaxar. Por isso mesmo, dormi pouco na noite que precedeu a viagem. Nas operações embarque/desembarque percebi que é possível, embora o sofrível procedimento de “reboque”, devido às dificuldades de manobra em espaços tão limitados como dessas viaturas. Mais adequado seria, se todo veículo para uso coletivo fosse adequado com plataformas verticais e pudesse atender a todos e sem maiores dificuldades, transtornos, sofrimento. Bastaria utilizar o que se compreende por desenho universal para humanizar o acesso aos meios de transporte de uso coletivo, garantindo a todos, prazer ao viajar com mais autonomia, conforto, segurança. Exemplos, temos em países onde somos realmente respeitados, além do discurso. A propósito, o Artigo 2 da Convenção da ONU sobre Direitos da Pessoa com Deficiência – “Definições”, esclarece que: “Desenho universal significa o projeto de produtos, ambientes, programas e serviços a serem usados, na maior medida possível, por todas as pessoas, sem que seja necessário um projeto especializado ou ajustamento. O ‘desenho universal’ não deverá excluir as ajudas técnicas para grupos específicos de pessoas com deficiência, quando necessárias”. A condição de pessoa com  mobilidade reduzida por si só impõe certo desconforto a quem se proponha viajar para longas distâncias, até mesmo em carros particulares e disso não há mesmo como fugir. A questão que se coloca é: O que se deve fazer para que os ônibus usados para transporte intermunicipais, interestaduais e internacionais sejam adequados com plataformas verticais a exemplo dos transmunicipais ? Afinal, no Brasil, maioria das pessoas com deficiência é mesmo de baixa renda e potenciais usuários desses serviços. Por que impor a essas pessoas tamanha exposição, desconforto ? No decorrer dos 1.040 Km ida e volta, os primeiros 520 Km da ida tivemos duas paradas, quando todos descem para andar, alongar, espreguiçar, tomar água, comer algo, ir ao banheiro etc. Nesses momentos, cadeirantes permaneceram sentados (exceto na parada para almoço, na cidade de Guarulhos/SP) sem desfrutar do direito dos demais, devido aos transtornos e desgaste físico que a operação

embarque/desembarque representa para eventuais voluntários a ajudar. Percurso realizado em 9 horas, devido à parada para almoço por cerca de 1 hora, além dos congestionamentos do trânsito no período da manhã na Via Dutra e na cidade de São Paulo. A viagem de volta, mais 520 Km, saindo de São Paulo/SP as 21:30 e chegando em Três Rios/RJ às 5:00 da madrugada, realizada em 7 horas e meia, estrada com melhor fluxo do trânsito, embora pontuais retenções ali e acolá. Parada apenas em Guaratinguetá/SP, na qual cadeirantes permaneceram no ônibus. Foram cerca de 24 horas sentado, ora na cadeira de rodas, ora na poltrona do ônibus. Uma prova de resistência à dor lombar, à ardência do traseiro, ao equilíbrio postural imprescindível nas frequentes e bruscas reduções na velocidade nos engarrafamentos, semáforos e quebra-molas, e atenção redobrada no controle de tudo que se ingere, tanto líquido como sólido, como medida preventiva às eliminações indesejadas e/ou acidentais. Todo esse sacrifício para participar de um dos maiores eventos de acessibilidade para pessoas com deficiência e mobilidade reduzida do mundo: a REATECH. É sempre positiva oportunidade de conhecer avanços da tecnologia assistiva, materializados em produtos e serviços disponíveis a quem possa pagar. Nesse aspecto, é importante destacar que as mercadorias e tecnologias assistivas expostas na feira, em sua grande maioria, pouco acessíveis ao poder aquisitivo de muitos brasileiros com algum tipo de deficiência. Presenciei euforia de muitos pares diante de tantas opções tecnológicas. Da mesma forma, muitas expressões frustradas diante dos orçamentos dos seus objetos de desejo. Quem sabe, se nos mobilizássemos em prol da isenção dos impostos pudesse tornar esse manancial de tecnologias assistivas mais próximo da maioria das PcD, no Brasil ? Algo precisa ser feito para que todos possam ter acesso aos avanços tecnológicos que promovem nossa qualidade de vida.

Dr. Wiliam César Alves Machado é professor e Secretário Municipal do Idoso e da PcD da cidade de Três Rios/RJ, e um colaborador constante da Revista Reação. Site: http://secretariadoidosoepcdtr.webnode.com.br/


por Kronos

artigo

Devotees Virtuais

I

por quê se escondem ?

nfelizmente existem devotees que não assumem sua predileção, pelo contrário, dizem cobras e lagartos, chegando a nos chamar de doentes. Muitos não o fazem por serem canalhas, embora esses também existam. Mas vivemos numa sociedade onde qualquer um diferente da média, ou do que a mídia endeusa, é tratado de maneira hostil e preconceituosa. Assim, as PcD são ainda tidas por muitos como assexuadas, sofrem, portanto, de um forte preconceito por não se encaixarem no dito “normal”. Então quando aparece um “maluquinho(a)”, dizendo achar bela a imperfeição, ele acaba por ver o céu caindo sobre sua cabeça (como diria o bom e velho Obelix). Não é de se estranhar que muitos tenham receio de se expor, ou ainda neguem para si mesmos essa preferência. Por outro lado, quando deixam seus desejos aflorarem, não raras vezes, se sentem como drogados experimentando uma brisa, ficam expostos demais e confundem vontade com amor. Dizem estar apaixonados, desejosos de casar, mas logo isso passa, deixando a pessoa cortejada frustrada. Culpa deles, sem dúvida, mas num tempo em que a campanha do governo diz : SIM ! A MULHER PODE – acredito que também é tempo das “defis” amadurecerem e perceberem que essa coisa de – nunca te vi sempre te amei – só funciona nos filmes e livros, na vida real o amor é construído na adversidade. Não atoa, a secular igreja católica celebra casamentos, lembrado que devem permanecer juntos na riqueza e na pobreza, na saúde e na doença. Amar alguém cheio de grana e saudável é maravilhoso, mas sabemos que existe amor de fato após várias infecções intestinais, ou períodos de dificuldades financeiras. O amor é construído aos poucos, nasce pequeno e frágil como uma pequena planta, mas com os cuidados certos fica frondoso como um pinheiro. Lembro que na faculdade divergia daqueles que vaticinavam o caráter machista da famosa “AMÉLIA A MULHER DE VERDADE”. Sempre defendi o velho comunista Mario Lago, autor da bela música, pois achar bonito não ter o que comer, longe de ser submissão, era uma maneira de apoiar seu amado na adversidade e demonstrar seu amor. Se bem, que hoje, com essa onda de magreza, algumas acham sim bonito não ter o que comer, mas apenas por poderem assim resistir aos prazeres da gula...

TURISMO SEXUAL

Não apenas no Brasil existem devotees virtuais, mas pelo mundo todo. Nosso país é hoje uma conhecida rota de turis-

mo sexual. Hoje, também devotos participam desse turismo. Não são raros devotos europeus (uma vez que nos EUA existe um verdadeiro comércio voltado a esse tema) que acabam descobrindo nossas “defis”. Eles aprendem um pouco de português, montam um perfil bonito, são articulados, uma vez que muitos são empresários, profissionais liberais, enfim, pessoas bem sucedidas na vida. Escolhem algumas “defis”, de preferência em regiões diferentes, mostram amor profundo, costumam mandar Euros, se dizem ciumentos, exigem que suas “amadas” apaguem seus perfis alegando que sentem ciúmes em ter outros homens tão perto e que as cortejem enquanto ele está cheio de amor, mas tão longe. Marcam suas férias e vem para o Brasil. Passam uma semana com cada uma das escolhidas, juram seu amor, que vão em breve voltar, mas terminado o mês de férias apagam o perfil e somem, até o próximo ano. Uma atitude condenável e típica de uma mente colonialista. Mas como diz o bom manual de jornalismo, toda história tem dois ou mais lados, algumas de nossas “meninas”, ao descobrirem que alguns deles são cuidadores incautos, contam fábulas tristes, dizendo estarem sofrendo. E não raras vezes, ganham cadeiras motorizadas, prendas diversas e, claro, alguns bons Euros. O que vale de tudo isso é percebermos que no mundo, e em especial na rede, nem tudo é o que parece ser. É necessário, acima de tudo, ter olho vivo. E por vezes, pé ligeiro, ou rodas, ou próteses, ou órteses...

KRONOS é um leitor desta revista, que não quis se identificar, mas que solicitou um espaço para colocar seu ponto de vista como Devotee, a respeito desse tema tão polêmico, após ver a coluna “Mulher”, por nós publicada na edição passada, onde o tema foi abordado sob um ponto de vista diferente por nossa articulista. E-mail: Kronos1x@ig.com.br

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sensualidade

foto: Kica de Castro

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Diego Madeira, 25 anos - Mielomeningocele Rayane Landim, 19 anos - Paralisia Cerebral   Make: Francceska Jovito



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