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OBSERVATÓRIO DA INTERROGAÇÃO Proposta: Pesquisa Amoral Nome: Raísa Inocêncio Resumo: A performance mistura entrevista e um sutil interrogatório. Decorre dos anos que trabalhei como entrevistadora de mercado pro IBOPE, entre outras empresas. Por outro lado, sou acadêmica, estudo filosofia. Buscava uma ação que pudesse contemplar cinco minutos que fossem uma pergunta, uma dúvida, aporia. É um poema para ser lido e respondido. É uma crítica a pesquisa de mercado, que estratifica e desumaniza o próprio outro. É uma homenagem ao ceará, minha família, o amor pelo saber e, de certa maneira, ao jeito orgânico de fazer as coisas. Que só se aprende, dançando. Sim, existe uma preocupação política. E, por isso, o método socrático se mostra útil e possível. Comparando com os métodos da estatística convencional, o parto de idéia é o que quero propor.

APRESENTAÇÃO Renato Cohen no seu livro Working in progress na cena conteporânea nos fala de um conceito chamado campo mítico. Cohen analisa as encenações que já mesclavam performance, quebra da quarta parede, instalações sonoras, como também conceitua. A própria conceituação já é o sentido do processo. [Pequeno parênteses sobre o mito. O mito é a criação de nossas crenças que comportem – por ora no presente – o sentido da existência. Por exemplo, os gregos para a questão do amor, criaram uma cosmogonia em que é um mito anadyomeno. Onde Afrodite nasce no mar, nascida do esperma de Urano – também chamado de Céu, foi castrado pelo filho Cronos – na espuma do mar. A malemolência é o instrumento que Afrodite utiliza para mediar forças dúbias do amor.] Influenciado pelo pensamento grego, Cohen nos mostra que o conceito de campo mítico é o conjunto de nossos ritos, símbolos, leitmotives existenciais1 que comportam nossas crenças. 1 Leitmotive: figura de repetição, tema, desteatraliza a cena.


Arriscarei a conceituar a pesquisa amoral a partir do que penso ser o campo mítico. É a construção segura do cotidiano. É a nossa casa, cama, lugar de sonho e descanso. Só mais uma vez, o campo mítico é a construção dos nossos hábitos, baseados nas crenças e mitos, é o lugar onde depositamos nossa fé. A pesquisa de mercado costuma nas suas entrevistas propor momentos de singela felicidade com o produto que está sendo analisado. Propondo que ali seja o lugar da fantasia e subjetividade. A aparência, o cheiro, a disponibilidade técnica do produto são as mediações de como ele deve ser segundo o sonho da consumidora. Os consumidores não são homogêneos. São divididos em classes, cores e também segundo sua geografia. Mulheres, homens, crianças, homossexuais, tudo se separa em grupos – caixas – de estereótipos. Porém, basicamente essas divisões se dão sócioeconomicamente. A quantidade de coisas tanto que você tem ou tanto que você estudou fazem com que você faça parte da classe a, b, c, d ou e. A pesquisa de mercado e a estatística fazem da nossa fé um instrumento de dominação econômica. Cria hábitos, manipula modas e estéticas. Restringe o pensamento a um tecnicismo desumano. Entrevista sobre sua felicidade, confundindo-a com uma geladeira. O problema é mais complexo, porque como toda rede, várias entidades e fatores estão presentes e inseparáveis. Contudo, explicito aqui o porquê de se utilizar do formato da pesquisa de mercado para a performance. Quero usar o mesmo método, com o meu intuito. Sou da filosofia. Desde minha mãe e minha avó. A pesquisa Amoral surge como uma experiência que visa relembrar o jeito Forrest Gump da minha avó, a sabedoria que minha mãe passa durante mais de trinta anos como professora e minha própria busca por uma filosofia traduzida nas ruas.

PERFORMANCE PESQUISA AMORAL Um poema para ser lido e respondido


A pesquisa de mercado geralmente ocorre de duas maneiras: ! Pontos estratégicos de comércio como o centro ou a rodoviária. ! Bairros residenciais, mais próximos do campo.

Pro observatório da interrogação proponho que haja uma simulação de pesquisa de mercado, dessa vez com perguntas de realismo fantástico. A pesquisa Amoral pode ocorrer em qualquer tempo e espaço. Situações que envolvam o festival, outras performances e intervenções também serão campo para pesquisa. Necessito: ! Câmera para registro. ! Uma pessoa que possa por um tempo registrar a distância. Pago uma cerveja no

final do expediente.

Vou levar o crachá, os questionários e também gravarei em áudio as entrevistas. A forma do registro será de escolha do entrevistado.


Links: Portfólio, com registro pesquisa amoral: http://raisainocencio.wix.com/carnedecaju Blog: http://opao.blogspot.com.br/ Pesquisa Amoral online: http://semnomeperformance.blogspot.com.br/p/pesquisa-­ amoral.html

Telefone: (21) 8367 7684 Skype: raisa.ino

BIBLIOGRAFIA Santaella, L. (2008). A Estética Política das Mídias Locativas. In Nómadas, n.. 28. Abril 2008. In


http://bibliotecavirtual.clacso.org.ar/ar/libros/colombia/iesco/nomadas/28/12estetica.pdf - acessado em maio e junho de 2011. FEITOSA, CHARLES. Por uma Filosofia Pop. Charles Feitosa, in: Nietzsche e Deleuze, Rio de Janeiro, Relume Dumará, 2001. PLATÃO. O Banquete. Platão, Rio de Janeiro, Nova Cultural, 1991. Flusser, Vilém. Fenomenologia do Brasileiro: Em busca de um novo homem. Rio de Janeiro. Editora UERJ, 1996 Cohen, Renato. Working in progress na cena contemporânea. São Paulo. Perspectiva/Edusp, 1988. http://www.youtube.com/watch?v=cWZgjRWmW00- Trecho do filme Comizi D'Amore [Documentario]. Pier Paolo Pasolini, 1965. http://www.youtube.com/watch?v=bESrAdqNSiw – Chronique d’un été [Documentario legendado]. Jean Rouch e Edgar Morin, 1961. Outros filmes: “William Reich: Mistérios do Corpo”, direção de Dušan Makavejev (1971). “A Cidade das Mulheres”, direção de Frederico Fellini (1980).


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