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RODRIGO DE SOUZA NAZARETH GIORGI

INTEGRAÇÃO SOCIAL URBANA POR MEIO DO DESENVOLVIMENTO COLETIVO. CENTRO DE CONVÍVIO PARQUE DO GATO BOM RETIRO – SÃO PAULO - SP

Trabalho Final de Graduação apresentado à Faculdade de Arquitetura e Urbanismo Mackenzie como requisito de conclusão do curso de graduação de Arquitetura e Urbanismo.

PROFESSOR ORIENTADOR: LUIZ BENEDITO TELLES SÃO PAULO 2012


Devo esse trabalho a todas as pessoas que de alguma forma contribuíram para a minha formação acadêmica ao longo desses anos. Agradeço a todos os professores que fizeram parte do meu aprendizado. Em especial Luiz Benedito Telles, Pedro Nosralla Jr. e Antônio Carlos Sant’anna Jr., que me acompanharam com dedicação e incentivo durante o desenvolvimento desse trabalho. Aos meus colegas de faculdade e trabalho por terem feito parte do meu dia a dia durante esses anos. Também agradeço a minha família por todo suporte e apoio em minha vida. Especialmente minha mãe, Maria Isabel, pela força e superação. Sem ela, nada disso seria possível. Em memória de meu pai e meu irmão, os Alexandres da minha vida.


RESUMO O trabalho apresentado busca realizar um levantamento sobre o desenvolvimento urbano de São Paulo, e as conseqüências que levaram a cidade ter a configuração que hoje apresenta. A evolução da cidade expõe efeitos negativos em relação a coletividade urbana, criando espaços segregados entre classes. São realizados estudos de caso que de alguma forma influenciaram a integração social por meio de suas ações, que sugerem questionamentos e possibilidades para o futuro de São Paulo.


ABSTRACT The work presented seeks to conduct a survey on urban development of S達o Paulo, and the consequences that led the city to have the system that today presents. The evolution of the city exposes negative effects on the urban community, creating segregated spaces between classes. Case studies are performed that somehow influenced social integration through their actions, suggesting questions and possibilities for the future S達o Paulo.


1. Introdução.

SUMÁRIO 11

2. Evolução urbana de São Paulo. Uma metrópole (in)sustentável. 2.1. 1872-1899 – Surgimento da cidade. 2.2. 1899-1930 – Programa de modernização urbana: a capital do café. 2.3. 1930-1964 – Plano de Avenidas e o período pós guerra. 2.4. 1964-1985 – Verticalização urbana e crescimento periférico. 2.5. 1985-Atualmente – A cidade global.

15 19 25 31 39 47

3. Espaços segregados, limites impostos. 3.1. Favela do Moinho e os trilhos. 3.2. Favela Jardim Edith e Água Espraiada.

53 55 61

4. Referências Projetuais. 4.1. Exemplos cidades. 4.1.1. Copenhague. 4.1.2. Curitiba. 4.2. Exemplos regiões. 4.2.1. Barcelona 22@. 4.2.2. Paris Rive Gauche. 4.3. Exemplos Projetuais. 4.3.1. Centro Comunitário de Säynätsalo – Alvar Aalto. 4.3.2. Centro Cultural São Paulo – Eurico Lopes e Luiz Telles.

69 71 73 79 85 87 95 105 107 117

5. Processo de projeto. 5.1. Apresentação da área. 5.2. Projeto proposto - Centro de convívio Parque do Gato.

125 127 135

6. Considerações Finais.

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7. Bibliografia.

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8. Créditos das Imagens.

177


1.

Introdução


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INTRODUÇÃO

A cidade de São Paulo, apresenta nos dias de hoje, problemas relacionados a integração social urbana. Ao longo de sua existência como cidade, ela se expandiu de forma desenfreada e desorganizada, o que teve como consequência a segregação de zonas territoriais, caracterizando um tecido urbano desconexo, que carece de uma coletividade populacional. Em pouco mais de cem anos como espaço urbano consolidado, as transformações e decisões que deram rumo a fisionomia da cidade, demonstram que em diversos momentos ocorre um descaso com parte da população, em contrapartida fez com que a cidade adquirisse características de uma metrópole global. A evolução de São Paulo se deu por diversos motivos. Primeiro era uma pequena vila, que se expandiu para servir de moradia para os produtores de café da região. É nesse momento que a cidade começa a ser desenvolvida, com a criação de algumas infraestrtuturas que serviam de suporte para seus moradores. Com o passar dos anos, a produção manufatureira sofreu uma decadência, dando lugar a um surto de industrialização, o que fez com que a cidade rapidamente se tornasse uma das maiores do país. A busca por melhorias e avanços territoriais

fez com que a cidade procurasse alternativas para sua evolução. Porém, como a desenvolvimento do potencial econômico da cidade cresceu de forma rápida e significativa, algumas dessas soluções, que a priori pareciam resolver os problemas urbanos imediatos, com o tempo se revelaram falhas no ponto de vista coletivo. Conforme determinada região perdia seu valor para a economia da cidade, era considerável mais simples abandoná-la e procurar outro território mais propício para a implementação de um novo uso. Ações como essas caracterizam a descentralização da cidade e o significativo crescimento horizontal urbano. Quanto mais valor econômico determinada região possuía, maior era o investimento financeiro nela. O efeito que isso surtiu, demonstra a clara diferença entre classes na cidade, que conforme evoluía, mais segregada se tornava. É necessário que se supere a carência de espaços públicos com caráter de coletividade entre a população para que se tenha uma metrópole mais justa e desenvolvida. Considerando exemplos que tem como ideologia a conexão entre a população, são estudados casos que envolvem escalas macro e micro, afim de procurar soluções que possam servir de exemplo para a São Paulo futura. Os exemplos procurados


INTRODUÇÃO

abrangem casos de cidades que se reinventaram, planos urbanos que reinstituíram zonas degradadas à cidade, e projetos que servem de espaço para o convívio populacional. Sendo assim, é proposto um projeto para a região do Parque do Gato, no extremo norte do bairro do Bom Retiro, que possuiu uma deficiência de integração social causadas pela malha viária do e o abandono do entorno, que de uma certa forma, coloca ilhados os edifícios habitacionais em relação ao bairro. Como solução é proposto um centro comunitário, que possa atender tanto a necessidade dos moradores do Parque do Gato, quanto a população residente do bairro. Realizando um domínio coletivo da região, por meio da cultura, educação e serviços, com o propósito de reintegrar o território a cidade.

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2.

Evolução urbana de São Paulo: uma metrópole (in)sustentável

Imagem 1 - Vista Favela Real Parque e apartamentos residenciais – Morumbi


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Evolução urbana de São Paulo: uma metrópole (in)sustentável

Busca-se entender a cidade de São Paulo, ao longo de sua breve existência como espaço urbano, sofreu diversas mudanças e expansões em seu território. Fatos estes, que por ventura, geraram um crescimento desenfreado e desorganizado da metrópole. É perceptível que como consequência desses acontecimentos passaram a existir diversos pólos que, por sua vez, carecem de espaços de atividades coletivas afim de gerar uma integração social entre os moradores da cidade. Entre os problemas decorrentes, pode-se notar a ausência de memória, capaz de apagar a historia do lugar, REIS FILHO cometa que as referências essenciais para a experiência do ambiente urbano se perderam, dando lugar a construções vazias e por muitas vezes incoerentes. O espaço que outrora servia para um determinado uso, acaba sendo englobado, sem o seu significado ou necessidade visando somente a evolução do corporativismo urbano, transformando riqueza pública em capital, perdendo a essência do local. De modo a compensar tais atos, são gerados espaços que visam a espetacularização e que não compensam as perdas dos espaços urbanos coletivos (REIS FILHO, 1994). “No espaço de uma geração, cada obra 1 - REIS FILHO, Nestor Goulart. “São Paulo e outras cidades”. São Paulo, Hucitec, 1994 1a edição.

é reformada dez vezes, aos pedaços, sem respeito pelo projeto original, em resposta a um uso intensivo, para qual não estava preparada.” 1

Outro fator a ser analisado, resultante de tal crescimento desordenado é a evolução urbana insustentável. A urbanização em São Paulo, em certo ponto, passou a ser direcionada prioritariamente ao automóvel, deixando em segundo plano o coletivo, de tal modo que seu planejamento social fosse quase inexistente. Visto assim, a cidade passou a se tornar cada vez mais individual, sem a troca e vivências entre as pessoas, e o senso de localidade foi se perdendo, gerando uma cidade desconexa com um grande impacto em sua paisagem. Com isso, alguns espaços presentes foram sendo substituídos ou esquecidos conforme seu crescimento, e para suprir tal desenvolvimento instável, a cidade foi se espalhando pela facilidade de criação de novas polaridades geradas pela capitalização de novos recursos financeiros. A partir desse abandono, surgiram áreas com baixa infraestrutura em regiões especificas da cidade, sujeitas a uma ocupação muitas vezes não planejada, de modo que ocorresse uma rejeição destes locais, criando espaços sem interesse urbano, que carecem de locais de uso publico local. Imagem 2 - Evolução da área urbanizada de São Paulo – 1905 a 1997


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2.1.

Imagem 3 - Parque da Luz, infraestrutura urbana para cidade - final sec. XIX

1872-1899 – Surgimento da cidade


1872-1899 – Surgimento da cidade

Antes de se tornar de uma grande cidade, como cita TOLEDO (2004) São Paulo não passava de um conglomerado urbano baseado em um sistema colonial, sem contar com uma perspectiva urbanística que visasse o crescimento da cidade. Porém, alguns fatos que ocorreram durante a segunda metade do século XIX, fizeram com que São Paulo tivesse um inchaço populacional, e adquirisse uma identidade de cidade. Com a criação de uma linha férrea, em 1865, para ligar o porto de Santos com o interior do estado, São Paulo passou a ter um acesso mais confortável para que pudesse ocorrer o comércio de café. Mas somente quando João Teodoro Xavier de Matos assumiu a presidência da Província, em 1872, foi que de fato ocorreu uma transformação significativa na cidade. João Teodoro tratou de estimular fazendeiros, que antes só vinham a São Paulo para comercializar produtos a adquirirem moradias na cidade, e com a facilidade que a linha férrea trouxe, as fazendas passaram a ser moradia secundaria. Como estimulo, foram realizadas grandes obras urbanas na cidade, como abertura de ruas de interesse, calçamento de paralelepípedo em outras, abertura de largos, criação de novas linhas de bondes, Imagem 4 - Ladeira da Memória e Piques; formação da cidade - 1960

além da construção de grandes edifícios – Edifício do Tesouro Municipal, cadeia pública, entre outros – de domino público, mas sua principal intervenção foi o replanejamento do Jardim da Luz, contando com água canalizada para seu chafariz, diversas novas mudas de plantas e um embelezamento todo do parque. De acordo com TOLEDO, Prestes Maia reservaria para a gestão de João Teodoro o título de “primeiro surto urbanístico da capital”. Nas duas ultimas décadas do século XIX outras grandes mudanças começaram a ocorrer em São Paulo. Antigas chácaras começaram a ser loteadas de modo desenfreado, sem uma legislação presente, depois que viram o triunfo monetário que Frederico Glette conquistou quando mandou abrir ruas e lotear terrenos na Chácara Mauá, nos Campos Elíseos. Além dos loteamentos, a cidade ganhou duas obras de grande notoriedade nesse período. “A primeira foi a abertura da Avenida Paulista, entregue ao público em 8 de dezembro de 1891, e a outra em 6 de novembro de 1982, a inauguração do Viaduto do Chá” (TOLEDO 2004). São Paulo então passou a adquirir aspectos arquitetônicos de cidades européias, mas o urbanismo e a infraestrtura urbana ainda era modesta.

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1872-1899 – Surgimento da cidade

A Avenida Paulista idealizada pelo uruguaio Joaquim Eugenio de Lima tinha como proposta ser aberta em um dos terrenos mais altos da cidade, próximo a região central, que poderia ser facilmente confundida com certas avenidas de Nova York da mesma época. Como cita TOLEDO (2004) suas características eram novas e até então desconhecidas para a cidade de São Paulo.

se apoderar das ruas e o fluxo foi mais intensificado, começando uma nova intenção de paisagem na cidade.

“Reta, com ligeira inflexão na altura do parque Trianon, larga e plana, tronouse atração na cidade. Era servida por linhas de bonde, que permitiam o acesso da população ao “parque da Avenida”, em frente à esplanada do Trianon, de onde se descortinava vista privilegiada do centro e das serras no horizonte.” 2

O viaduto do Chá surgiu como alternativa de ligar o centro antigo, com a novo e prospero bairro que florescia na cidade. Foi o primeiro viaduto da cidade construído em estrutura metálica, com peças importadas da Alemanha, trazidas com ajuda da linha férrea, que fez nascer na região um extremo interesse comercial e urbano. Os pedestres já começavam a 2 - TOLEDO, Benedito lima de. A “segunda fundação” da cidade. Presente em “São Paulo metrópole em transito”. São Paulo, Secanc. 2004, 1a edição.

Imagem 5 - Avenida Paulista - 1898


2.2.

1899-1930 – Programa de modernização urbana: a capital do café

Imagem 6 - Capital do café; vista do viaduto do chá e ao fundo o Thatro Mvnicipal de São Paulo.


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1899-1930 – Programa de modernização urbana: a capital do café

No começo do século XX, a cidade de São Paulo aboliu o sistema de intendências vigente até então, e foi substituído pelo cargo de prefeito. Para a primeira gestão foi designado ao posto Antonio Prado – membro da família mais afortunada da cidade –, cujo o governo dura até 1911, e juntamente com seus sucessores de gestão, é estabelecido um programa de modernização urbana para a cidade, imposto pelo regime oligárquico que comandava a cidade, assumindo assim o caráter de “capital do café”. Tal programa transformou a fisionomia da capital do estado, ganhado traços claros de um perfil modernos baseados na cultura européia da Belle Époque. MALTA CAMPOS (2004) comenta que algumas medidas foram tomadas para que o programa de modernização urbana fosse aplicado na cidade. Como primeiro passo, o espaço urbano teria de ter uma salubridade física e moral, ou seja, políticas sanitaristas foram executadas, afastando os problemas das epidemias e doenças. Porém, a parcela pobre da cidade não era beneficiada com essa intervenção, uma vez que a intenção do programa de modernização urbana era voltado para a classe cafeicultura da cidade, desse modo tais políticas acabaram a vir segregar o convívio social de todas as classes, o que pode ser considerado justificável, Imagem 7 - Rua 15 de Novembro; Região central - começo do séc XX. Imagem 8 - Chácara do Carvalho, no bairro dos Campos Elísios - 1920.


1899-1930 – Programa de modernização urbana: a capital do café

levando em conta as características socioeconômicas do país na época. É durante esse período que foi priorizado a criação de uma área central com espaços e edificações de prestigio. O atual centro histórico da cidade, que até então abrigava a cidade como um todo, se transformava as poucos em um núcleo de funções de cunho terciária e com um perfil elitizado. Diversas construções de grande porte foram realizadas para abrigar instituições republicanas – modelo de governo da época – tais como a Escola Normal (atual Caetano de Campos); Liceu de Artes e Ofícios (atual Pinacoteca); o Palácio da Justiça, entre

Imagem 9 - Construção do viaduto Santa Ifigênia, 1910. Imagem 10 - Viaduto do Chá com bondes e carros.

outras. Quase sempre projetadas pelo escritório Ramos de Azevedo, que durante algumas décadas foi o principal escritório da cidade e de onde foram projetados grande parte das residenciais da elite paulistana e os principais projetos públicos da cidade. Outras grandes intervenções urbanas foram acontecendo ao decorrer dos primeiros anos do século XX como cita MALTA CAMPOS (2004). Foi realizada a primeira reforma no viaduto do chá e a inauguração do viaduto Santa Ifigênia, visando facilitar o fluxo na região central. Visando afirmar as influências da cultura européia sobre a elite paulistana, foi construído o Theatro Municipal, marco

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1899-1930 – Programa de modernização urbana: a capital do café

que remetia às fachadas semelhantes às da Ópera de Paris. Diversas construções foram surgindo na região central seguindo a vontade da elite em copiar as coisas que eram vistas na Europa. A catedral da Sé, feita originalmente de taipa, foi derrubada e substituída e aberta uma grande praça para abrigar a nova e imponente catedral de estilo neogótico. Prédios eram derrubados e erguidos outros de fachadas mais elaboras, ruas eram abertas, redes de bondes elétricos se multiplicavam pela cidade. De certo modo, a modernização urbana acontecia na cidade, mas se restringia somente ao centro e aos interesses da elite paulistana. Enquanto o centro da cidade florescia, recebendo cuidados e obras de modernização urbana, diversos bairros residenciais para a alta sociedade da cidade – tais como Higienópolis e Campos Elíseos – eram consolidados no centro e seus arredores. Emergia sobre o restante da cidade as vilas operarias, os cortiços e loteamentos populares próximos a zonas industriais, provindo da aglomeração industrial e operaria, que dava uma nova característica econômica para São Paulo. A paisagem era composta praticamente por chaminés industriais, que cresciam ao longo do cinturão ferroviário nas várzeas do Rio Tamanduateí – já em processo de

retificação – tendo como seu centro o bairro do Brás, principal produtor manufatureiro da cidade. Essa morfologia urbana dava características a São Paulo de duas cidades justapostas, podendo afirmar de acordo com RECLUS (1900) que São Paulo e Brás eram duas cidades completamente distintas. O que se percebe, entre 1900 e 1930, é que a remodelação urbana da capital paulista aprimorou a funcionalidade central, gerando qualidade estética e representativa para o local. Em contra ponto, algumas políticas de controle mais abrangentes foram deixadas em segundo plano, como a integração viária da cidade como um todo e uma ausência de um plano de desenvolvimento para as regiões periféricas da cidade. Entretanto, durante a segunda parte da década de 1920, esse modelo de modernização urbana caiu em decadência juntamente com regime oligárquico. O potencial de expansão urbana já ultrapassava os limites da elite e entrava no período de forte industrialização. Pressões de crescimento acentuadas pelo desenvolvimento fabril corrente na cidade, a decadência da cultura cafeicultora acarretada pela depressão mundial de 1929 e o grande salto demográfico, aproximado de um milhão de pessoas, fizeram com que os modelos urbanísticos


1899-1930 – Programa de modernização urbana: a capital do café

da Primeira República fossem se esgotando. O automóvel já possuía grande importância na vida paulistana nesse período. Analisando esse fato, o prefeito vigente, Pires do Rio (1926-1930), planejou políticas de estimulo ao transporte, indústria e verticalização da cidade, fatos que se tornaram determinantes para as próximas décadas da cidade.

Imagem 11 - Vista do bairro do Bráz - 1910.

Foi negado um plano de bondes expressos, alegando que tal investimento inviabilizaria outras propostas viárias. Em vez disso, foi encomendado o Plano de Avenidas de Prestes Maia, colocado em prática nos anos seguintes, que viria a consagrar o expansionismo urbano e definiria os novos rumos da cidade.

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2.3.

1930-1964 – Plano de Avenidas e o período pós guerra

Imagem 12 - Zona central de São Paulo; já presente verticalização na região do Vale do Anhagabaú.


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1930-1964 – Plano de Avenidas e o período pós guerra

Após o período da primeira república, a cidade de São Paulo passou por uma fase de extrema importância em seu processo de evolução econômica, urbana e demográfica. Tais fatos viriam a consolidar as bases de um sistema de organização espacial, que se tornariam essenciais para a característica que a metrópole viria a se tornar. Durante a década 1930, o desenvolvimento industrial na cidade já estava consolidado. A industria de base já havia tomado sua posição de importância para o país, e de acordo com SILVA (2004), dois fatores contribuíram para que isso fosse concretizado: os anos de recuperação pós crise de 1929 e o período da Segunda Guerra Mundial. Foi nesse momento que a cultura cafeicultora perdeu espaço para a produção de outros bens de consumo, e São Paulo se tornou o principal pólo econômico e industrial do Brasil. É durante esse período de desenvolvimento industrial que ocorre transformação significativa no processo de urbanização da cidade. Entre as décadas de 1900 e 1930, a cidade teve um salto demográfico expressivo, passou de pouco mais de 200 mil habitantes para um numero superior a 1 milhão de habitantes. Durante a Segunda Guerra Mundial, momento de intensa industrialização, a cidade recebeu um grande fluxo migratório interno,

o que veio a consolidar a metrópole de São Paulo. Como conseqüência, no inicio da década de 1950 a cidade já havia superado os 2 milhões de habitantes.

Imagem 13 - Quadro “Operários” da pintora Tarsila do Amaral - 1933. Imagem 14 - Migrantes Nordestinos - 1940.


1930-1964 – Plano de Avenidas e o período pós guerra

Dito isso, o processo de metropolização da cidade ocorreu de forma acelerada, tanto a expansão horizontal, quanto vertical da cidade já eram perceptíveis. Os bairros que em outra época eram isolados, apareciam conurbados à zona central devido a novos loteamentos, expandindo dessa forma a mancha urbana da cidade. A população de renda mais baixa, dispunha de um sistema de acesso à moradia popular, baseado na casa própria e na autoconstrução em lotes periféricos, muitas vezes providos de infraestrtutura mas comprados a prazo. Com isso, conforme descreve REIS (2004) ocorria um aumento proporcional de bairros populares muito pobres e iniciava-se o crescimento das favelas. Na época não eram muitas, sendo as principais delas a de Heliópolis, a de Vila Mariana e a do Jaguaré.

Imagem 15 e 16 - Cortiços - anos 1950.

“Eu, arranjei o meu dinheiro Trabalhando o ano inteiro Numa cerâmica, Fabricando pote, E lá no alto da Moóca, Eu comprei um lindo lote, Dez de frente, dez de fundos, Construí minha maloca, Me disseram que sem planta, não se pode construir, Mas quem trabalha, tudo pode conseguir, João Saracura, Que é Fiscal da Prefeitura, Foi um grande amigo, Arranjou todo pra mim.” “Abrigo de Vagabundo” – Adoniran Barbosa.

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1930-1964 – Plano de Avenidas e o período pós guerra

Para acompanhar a expansão da cidade, em 1930 foi apresentado um projeto rodoviarista, que tinha como objetivo, por meio de uma infraestrutura viária como o elemento capaz de integrar um território fragmentado e lacunar (XAVIER, 2007), consolidar uma nova fisionomia para a cidade de São Paulo. Esse projeto era o Plano de Avenidas de Prestes Maia. O que propunha Prestes Maia, era um sistemas de vias radiais concêntrico. Deste modo pretendia resolver o problema de fluxos e circulação, possibilitando um crescimento integrado através das vias radiais. O perímetro de irradiação ampliaria a área central por meio de um anel viário de acesso e distribuição, envolvendo a região do Centro Novo e superaria o congestionamento do triângulo histórico. Por meio de avenidas radiais, aconteceria a ligação com os bairros periféricos e o sistema concêntrico garantiria a articulação dessas avenidas, constituindo assim a expansão territorial da cidade. Não se pode negar a importância que o Plano de Avenidas teve para o desenvolvimento da cidade de São Paulo, porém algumas ações e conseqüências da intervenção de Prestes Maia foram cruciais para o sistema excludente que a cidade vive hoje. O plano priorizava o transporte individual, o automóvel.

Conforme depõe no curta “Entre Rios” de 2009, Marco Antônio Sávio comenta que o carro era peça chave de um discurso de modernização, entretanto, um discurso conservador, que propunha se espelhar no esquema norte americano de evolução urbana, rodeado de arranha céus e tomado por autopistas. Durante o período em que esteve no comando político de São Paulo, Prestes Maia (19378-1945) colocou em execução outras obras de grande porte. Para abrir caminho para as grandes vias radiais, foram utilizados fundos de vale, ou seja, as várzeas dos rios, espaços impróprios para a construção civil, geralmente vazios e com baixo custo para a desapropriação. Após as conclusões das obras, seu entorno sofria uma enorme valorização. Assim sendo, os antigos habitantes desses lugares, geralmente de classe baixa, eram empurrados para zonas mais periféricas da cidade, e com a valorização do terreno, eram impossibilitados de retornarem ao seu lugar original, e como o sistema do Plano de Avenidas priorizava o transporte individual, bem de consumo inviável financeiramente para essas pessoas, elas acabavam por ser excluídas do desenvolvimento da cidade. O que vem a surgir no período seguinte, entre as décadas de 1940 e 1960, é um momento Imagem 17 (ao lado) - Esquema técnico do Plano de Avenidas de Prestes Maia - 1930.


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1930-1964 – Plano de Avenidas e o período pós guerra

Imagens 18; 19 e 20 - Evolução da avenida 9 de Julho. Imagem 21 - Rua 15 de Novembro - 1945. Imagem 22 - Obras na Praça Dom José Gaspar - 1940.


1930-1964 – Plano de Avenidas e o período pós guerra

determinante para a configuração da metrópole paulistana. Enquanto a cidade se compacta, através da verticalização e ocupação de terrenos encravados em bairros já consolidados, a área urbana da cidade se expande por meio da ocupação periférica feita pela população de baixa renda, direcionada pela industria, ultrapassando as fronteiras do município (FELDMAN, 2004). Esse Período de expansão está relacionado diretamente com projetos oficias de desenvolvimento industrial. Os investimentos públicos voltavam-se para obras de infraestrtutura, de transporte e geração de energia. Pela primeira vez em sua história o Brasil se trona importante exportador de bens industriais, recebendo capital estrangeiro e importantes empresas internacionais. São Paulo, principal pólo industrial, se torna um dos principais centros urbanos mundiais, condição essa, que faz com que a cidade seja local de intensos fluxos migratórios e de contrastantes desigualdades socioespaciais. Um fator importante para o surgimento dessa nova configuração urbana foi o processo de descentralização da cidade. Durante a década de 1950 surgem novos subcentros estruturados em diversos bairros, como Pinheiros, Lapa e Santo Amaro. A elite paulistana começa a abandonar a

região central e parte em direção a zona sudoeste, onde se instalam bairros exclusivos de alta renda. Outros bairros que abrigaram a população de classes baixa e média, começaram a ter centros de comércio e serviços próprios, impulsionados pela rotina industrial presente nessas regiões. É também, durante a década de 1950, o inicio do abandono dos bairros do Brás, Mooca e Penha. As novas fábricas dependendo somente da eletricidade e das rodovias, começam a se instalar em zonas mais periféricas próximas a vias de ligações a outros municípios. A população residente, começa a seguir os passos e acompanhar a mudança de estrutura (REIS, 2004). Esse fato é o que inicia o esquecimento de antigos galpões da região central da cidade que conhecemos hoje.

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2.4.

1964-1985 – Verticalização urbana e crescimento periférico

Imagem 23 - Vista da Avenida 23 de Maio - década de 1970.


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1964-1985 – Verticalização urbana e crescimento periférico

No ano de 1964, mais exatamente na madrugada do dia 1o de Abril, o presidente constitucional do Brasil, João Goulart, sofre um golpe de Estado, e é deposto pelas forças armadas do país. Juntamente com o Ato Institucional n o 5, de 1968, é instaurado no Brasil o período ditatorial. Tal acontecimento é derradeiro não somente para a historia do país, mas também de extrema relevância para o entendimento dos fatos que ocorrem nessa época na cidade de São Paulo. A capital paulistana, no inicio da década de 1960 já ultrapassava os 3 milhões de habitantes (MEYER, 2004). O crescimento horizontal da cidade cada vez mais excedia os limites municipais, consolidando de uma vez por todas a característica de metrópole. As zonas periféricas apresentavam taxas demográficas muito superiores a da região central da cidade. É criado pela administração nacional, a Lei Federal Complementar n o 14, de 8-61073, que nomeava 8 cidades em todo território como metrópoles, São Paulo era uma dessas cidades, que juntamente com outros 29 municípios compunham sua região metropolitana, com mais de 4 milhões de habitantes (REIS, 2004). O conceito de grande São Paulo já era utilizado no começo da década de 1970, os municípios mais Imagem 24 - Vista da avenida Radial Leste - 1972. Imagem 25 - Cidade de São Caetano


1964-1985 – Verticalização urbana e crescimento periférico

afastados da cidade começavam a ter seu cotidiano articulado com a metrópole, formando um tecido urbano continuo. A construção de grandes rodovias, como a Castelo Branco, Imigrantes e Bandeirantes aumentou de modo significativo a mobilidade da população e empresas, promovendo a formação de pólos industriais mais afastados (REIS, 2004). Desse momento sociopolítico se pode concluir que existiu um forte investimento publico direcionado para grandes obras. Essas obras direcionavam seus

Imagem 26 - Avenida Faria Lima.

benefícios a classe mais abastarda da cidade, que pressionando o poder público, tinham interesses de diminuir seu tempo de deslocamento físico na cidade. Foi aprimorado o sistema viário da região sudoeste, com diversas em vias perimetrais, abrindo novas avenidas, elevados e vias expressas, fato que não aconteceu nas demais regiões da cidade. Essas vias perimetrais garantiam ao setor imobiliário uma valorização espontânea do entorno. Diferentemente das vias radiais, que conduziam o transporte ao longo de um eixo cujo o destino final eram zonas periféricas, as vias perimetrais ligavam os bairros de alto padrão entre si (VILLAÇA, 2004). Alguns exemplos dessas vias se tornaram novos centros urbanos de interesse econômico, como a Avenida Faria Lima e a Luís Carlos Berrini, com uma forte taxa de verticalização em seu entorno. Os terminais rodoviários e os de ônibus intermunicipais passaram a se instalar nas proximidades das marginais, o que facilitaria o fluxo na região metropolitana. É dessa época também, a implementação do Metrô na cidade de São Paulo, porém executado de forma lenta e atendendo basicamente o centro expandido da cidade, com exceção da linha leste vermelha, que chegava até a periferia da cidade. Ao longo das linhas era

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1964-1985 – Verticalização urbana e crescimento periférico

Imagem 27; 28; 29 e 30 - Obras do Metrô.


1964-1985 – Verticalização urbana e crescimento periférico

perceptível um adensamento populacional, assim como ocorreu com as vias do Plano de Avenidas, esses locais apresentavam um custo muito elevado, e a densidade de seu entorno era muito baixa. É a partir desse momento que se percebe a decadência do centro da cidade. Os empregos, serviços e comércio se encontravam em sua maioria no quadrante sudoeste, gerando um abandono por completo do centro pela elite. A zona leste, local mais populoso da cidade, já contava com um desenvolvimento considerável, e estava se solidificando devido ao processo que ocorreu nas décadas de 1940 e 1950, em que a população de baixa renda se abrigou nas periferias durante a implementação do Plano de Avenidas. Sendo assim, o esquema urbano de São Paulo se tornava cada vez mais um espaço segregado, onde a região sudoeste continha todas as oportunidades, o centro já não possuía o mesmo interesse e as zonas periféricas – como a zona leste – se tornavam regiões-dormitório (VILLAÇA, 2004). Com as mudanças ocorridas nesse período, juntamente com a soluções adotadas sem a visão de conjunto, São Paulo se tornou uma metrópole que apesar de ser uma potencia econômica, era dispersa e sem um desenvolvimento coletivo. A cidade acontecia

apenas para uma pequena parcela da sociedade, e os demais habitantes eram somente elementos que compunham o sistema urbano. Esses habitantes marginalizados foram absorvidos pela construção civil, pelos serviços e pelos setores indústrias. No entanto, depois da década de 1980, quando ocorre uma estagnação econômica, passaram a engrossar os contingentes de populações instaladas as margens do anel metropolitano (REIS, 2004).

Imagem 31 - Bairro dormitório - Carapicuíba.

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Imagem 32; 33; 34 e 35 Concentração insdustrial nos anos de 1930; 1950; 1970; 1997.


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2.5.

Imagem 36 - Vista de SĂŁo Paulo

1985-Atualmente – A cidade global


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1985-Atualmente – A cidade global

As dinâmicas urbanas que caracterizam a cidade de São Paulo hoje, são conseqüências de acontecimentos que ocorrerem durante toda sua evolução. É durante esse ultimo período, que São Paulo busca por necessidade um novo aspecto de cidade. A indústria que em outros tempos foi forte influente em seu desenvolvimento, passa a não possuir mais o valor que já teve no passado. A segregação espacial do tecido urbano se torna cada vez mais evidente, e o transporte individual é a principal escolha de locomoção urbana. A capital paulista ganha aspectos de cidade global, com focos em mega empreendimentos e o local onde as grandes empresas de âmbito mundial se instalam. A década de 1980 aponta uma transformação importante para a cidade de São Paulo. É iniciado um período de desindustrialização, relacionado principalmente pelo forte aumento do setor terciário na cidade. Além disso, a transformação tecnológica da industria durante os anos 1980 provocou a liberação de trabalhadores em uma escala maior, resultando no aumento progressivo das taxas de desemprego (ROLNIK, 2004). Como conseqüência, o setor de comercio e serviços passa a ter papel fundamental na economia da cidade, visto que são gerados novos tipos de

empregos que procuram atender a nova fisionomia de uma capital financeira. Esse modelo econômico é o reflexo da transformação que São Paulo passa durante esse período, que é caracterizado pela conexão da economia nacional com o resto do mundo, com atuação em um âmbito global. Com a influencia do setor terciário, surge na cidade novas territorializações. Os shoppings centers, hotéis, e grandes complexos de edifícios de escritórios se abrigam em locais próximos aos maiores focos de investimento (marginal do rio Pinheiros, av. Faria Lima e av. Paulista), constituindo uma fragmentação do território urbano, impedindo a possibilidade de partilhamento de infraestruturas de qualidade entre toda a cidade. Essas novas territorializações acarretam diversos problemas para a cidade. Providos de uma renda que possa arcar com os custos do estilo de vida das novas centralidades terciárias, grande parcela da população fica a sujeita a duas ações, ou se aloja na zona periférica da cidade, ou passa a habitar setores urbanos de baixa qualidade próximos a bairros de alto padrão. Outro fator a ser ressaltado é o esvaziamento de bairros que circundam o centro histórico, seja pela queda de numero de moradores, diminuição de domicílios alugados ou a ausência de Imagem 37 - Shopping Jk.


1985-Atualmente – A cidade global

Essas novas territorializações acarretam diversos problemas para a cidade. Providos de uma renda que possa arcar com os custos do estilo de vida das novas centralidades terciárias, grande parcela da população fica a sujeita a duas ações, ou se aloja na zona periférica da cidade, ou passa a habitar setores urbanos de baixa qualidade próximos a bairros de alto padrão. Outro fator a ser ressaltado é o esvaziamento de bairros que circundam o centro histórico, seja pela queda de numero de moradores, diminuição de domicílios alugados ou a ausência de lançamentos imobiliários (MEYER, 2004). A migração da população para zonas periféricas ocasionam fatos diversos. Por meio de um processo desorganizado de urbanização surgem como soluções conjuntos habitacionais que muitas vezes apresentam problemas de inserção urbana e social de sua população, ilhados em relação a cidade, esses conjuntos carecem de infraestrutura. É nesse momento que passam a existir os comércios e serviços irregulares em torno deles, o que acarreta o surgimento de moradias ilegais em seu entorno, dando a característica de território informal a essas regiões, nomeadas de favelas. Essa ocupação ilegal do solo se expande de tal modo que as grandes favelas da cidade passam a ter atributos de bairro. Imagem 38 - Favela de Heliópolis. Imagem 39 - Cidade Tiradents; zona leste.

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1985-Atualmente – A cidade global

A ocupação do solo da população de baixa renda próxima a bairros de alto padrão, é realizada de maneira desigual em espaços urbanos contíguos. Esse fato ocorre por algumas facilidades que o território consolidado possui, seja pelo transporte ou pela proximidade do trabalho. Porém é perceptível que não ocorre uma inclusão social ou urbana da parcela mais pobre, apesar da proximidade física dos bairros de alto padrão, uma vez que a primeira se encontra isolada da infraestrutura do sistema urbano.

Imagem 40 - Real Parque; Morumbi. Imagem 41 - Osasco.

Com o esvaziamento de bairros da zona central, ocorrem novas configurações territoriais, que colaboram para crescimento horizontal da cidade. A partir dos anos 90, trechos urbanos de rodovias que chegam a São Paulo passam a alojar tanto edifícios residências como grandes lojas de departamentos, é o caso da rodovia Raposo Tavares e o trecho da Castelo Branco entre São Paulo e Barueri. Também são consolidados subcentros regionais como Osasco e Guarulhos, que apresentaram ao longo das últimas décadas um crescimento populacional elevado. Isso fez com que essas novas cidades passassem a exercer o papel de fornecedores de posto de trabalho a cidades adjacentes.


1985-Atualmente – A cidade global

Enquanto a cidade se expande, o sistema de transportes não acompanha o crescimento urbano. Espaços de ruas e calçamentos são substituídos por novas vias para atender a demanda do transporte, que em sua maioria é feita de forma individual – a frota de veículos de São Paulo ultrapassa os 7 milhões de automóveis – o que ocasiona grandes congestionamentos devido aos fluxos diários da população para seu trabalho, tendo a necessidade de possuir um sistema de rodízio de veículos e grandes espaços para estacionamentos (ROLNIK, 2004).

Imagem 42 - Abandono da região central; Cracolândia - bairro da Luz

Esses padrões urbanísticos são o que configuram a metrópole de São Paulo no inicio do século XXI, uma cidade fragmentada especializada em transformar a riqueza pública em capital (FIX, 2007), que expressa em seu território uma grande defasagem entre o centro da cidade e as zonas periféricas.

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3.

Espaços segregados, limites impostos

Imagem 43 - Contrastes de São Paulo; Favela e condomínio residencial de alto padrão.


3.1.

Imagem 44 - Vista da Favela do Moinho durante a passagem do Trem.

Favela do Moinho e os trilhos


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Favela do Moinho e os trilhos

Localizada na região central da cidade de São Paulo, entre os bairros dos Campos Elíseos, Bom Retiro e Barra Funda, a Favela do Moinho se encontra em um terreno de difícil acesso em baixo do viaduto Engenheiro Orlando Murgel e entre os trilhos da linha 8 – Diamante da CPTM. A história da ocupação do terreno que hoje abriga a favela se inicia em meados dos 1980 com a desapropriação de uma antiga fábrica que funcionava no local. Em 1949, a Moinho Fluminense da Santista Alimentos S.A., do Rio de Janeiro se instalou no começo da linha férrea que partia da estação da Luz. Com a capacidade de moagem de 450 toneladas diárias de farinhas e com silos capazes de estocar 5.680 toneladas de trigo (PEIXOTO, 2002), a fábrica viveu seu ápice em 1956, quando inaugurou uma fábrica de massas alimentícias, com equipamentos modernos importados. Já na década de 1980, foi desativa juntamente com grande quantidades de industrias que eram presentes na região central da cidade. Durante o período anterior a ocupação irregular do solo, o local foi cenário de diversas disputas judiciais, até o momento em que o terreno ficou a encargo da Rede Ferroviária Federal – RFF, com a concessão de uso para a Companhia Paulista de Trens Metropolitanos.

Hoje, o moinho consiste em um prédio (recentemente tomada por um incêndio) de seis andares e doze silos – seis dos quais destruídos – completamente abandonado. Localizado numa área circunscrita por ramais, só é acessível por trem. É nesse cenário que se encontram os moradores da favela. O edifício do moinho central, que recentemente sofreu um grande abalo ocasionado por um incêndio, não guarda se quer vestígio de memória. Nenhum traço das atividades que ali se desenrolavam. Tudo que se tem são marcas da ocupação miserável Imagem 45 - Antiga fábrica da Moinho Fluminense.


Favela do Moinho e os trilhos

recente, da pobreza que hoje ocasionalmente habita o local. Toda a área foi deliberadamente destruída, mas aqui os destroços evidenciam não o transcorrer do tempo, mas a pura violência urbana que ocorreu durante esse período de abandono. O ramal ferroviário que cerca a favela parece uma falha no terreno, que juntamente com suas ruínas industriais são como um corte que desagrega todo o desenho urbano da área, que rompe sua homogeneidade e continuidade, levando-o ao colapso, é um vazio que se abre e engole a cidade. Áreas como a do Moinho – como as zonas de prédios abandonados ou de docas sem uso – se proliferam no organismo da cidade de São Paulo. São espaços negativos que vão brotando entre quarteirões, à beira de vias de transito. Ao se alastrar, vão degradando o mapa urbano. O histórico de ocupação irregular data do final da década de 1980. A comunidade cresceu fortemente a partir dos anos 2000, quando ocorreu um incêndio no viaduto Orlando Murgel e a desativação do casarão da Alameda Nothman que servia de cortiço (FRANCA, 2012), além da migração de cerca de 30 famílias, que viviam na antiga Favela do Gato, que em 2001, foram removidas de seu local original para a implementação de um projeto de construção de Imagens 46, 47, 48, 49 e 50 - Favela do Moinho.

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Favela do Moinho e os trilhos


Favela do Moinho e os trilhos

moradias populares e de um parque que nunca foi concluído. As famílias que não foram atendidas pelo projeto e ficaram sem moradia mudaram-se para o moinho. No inicio da ocupação, muitos moradores do Moinho trabalhavam informalmente como catadores de material reciclável e utilizavam a área da favela para a separação dos materiais. Esse tipo de atividade é uma forte característica da área. A subsistência econômica de um numero considerável de famílias está ligada a reciclagem do lixo. Como as famílias trabalhavam no local e o utilizavam diariamente, decidiram construir seus barracos de madeira, pertencendo ao local (PEIXOTO, 2002). Atualmente, mais de 400 famílias, cerca de 1600 habitantes, vivem na favela em condições bastante precárias. As ligações domiciliares de água e energia elétrica são irregulares, sendo muito difícil identificar suas origens e destinos. Além desses problemas, a favela tem sofrido diversos outros em sua história recente. No ano de 2012, dois grandes incêndios atingiram a favela, fazendo com que parte dos moradores abandonassem o local, outra parcela preferiu se manter e reconstruir sua moradia. Mas a principal dificuldade está em torno da realocação Imagem 51 (ao lado) - Bombeiro trabalhando durante incêndio na Favela do Moinho.

das famílias para que a área possa ter um plano de requalificação. A questão fundiária dificulta as ações da Sehab no local. o fato de o Moinho estar em uma área particular adiaria a busca de soluções para o espaço e para o atendimento das famílias, pois são priorizadas as intervenções em áreas públicas. No entanto, a possibilidade da execução do projeto da CPTM e a suspeita de que haja uma contaminação do solo provocada pelo antigo moinho que havia no local têm feito com que o atendimento dessas famílias seja estudado. Desde dezembro de 2011 a prefeitura informou que já gastou 35 milhões só no terreno da Ponte dos Remédios com desapropriação e retirada de entulho para poder iniciar a fundações para as moradias populares destinadas aos moradores da Favela do Moinho. Na época do primeiro incêndio a Prefeitura afirmou que conseguiria entregar as unidades de habitação num prazo de 10 meses. No entanto, até agora as obras não foram iniciadas. Um outro terreno, na Rua do Bosque, também está em processo de desapropriação para atender os moradores do Moinho (FRANCA, 2012).

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3.2.

Imagem 52 - Vista da av. Roberto Marinho (antiga Ă gua Espraiada) e Favela.

Favela Jardim Edith e Ă gua Espraiada


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Favela Jardim Edith e Água Espraiada

No final dos anos 1970, São Paulo apresentava um processo de descentralização, muitas das grandes empresas começavam a implantar novos empreendimentos em regiões mais próximas a bairros de elite, com o intuído de diminuir a distância e o tempo de locomoção entre moradia e trabalho. Além disso, como novos investimentos financeiros, a vontade dos empreendedores era de consolidar uma nova face à São Paulo, com a criação de grandes complexos de comércio e serviço com uma arquitetura semelhante a de grandes cidades mundiais, atraindo assim uma especulação financeira para a região. Se enquadra nessa situação a região da Avenida Luís Carlos Berrini, que antes de se tornar alvo do mercado imobiliário, era uma região cercada por mato e sem nenhuma infraestrtura urbana. O custo do metro quadrado era em torno de 100 dólares (FIX, 2001), o que chamou a atenção de investidores pela possibilidade de expansão pelo zoneamento, localização e a facilidade de acesso. Isso impulsionou o desenvolvimento de um novo pólo empresarial, e no começo da década de 1980 a área já contava com uma quantidade significativa de novos prédios com características inovadoras em relação aos vistos no centro da cidade e na Avenida Paulista. Já nos anos 1990, com a entrada de grandes

empresas estrangeiras na cidade, foi exigido um aumento nas infraestruturas dos edifícios, trazendo consigo avanços tecnológicos que possibilitaram construções de grandes torres com diversos níveis de subsolo nas margens do Rio Pinheiros. É nessa época que começa a aflorar outros equipamentos além das torres de escritórios, como hotéis, centros de convenções, shopping centers, restaurantes, entre outros. O alto poder aquisitivo de quem vivia na região, fez com que grandes obra viárias fossem realizadas. Largas avenidas para veículos, geralmente com Imagem 53 - Avenida Naçoes Unidas - Marginal Pinehiros.


Favela Jardim Edith e Água Espraiada

quatro faixas, serviam de ligação entre as construções, tornando o aspecto de cada edifício uma construção ilhada em seu lote. É nesse período, que começa uma ação de desapropriação agressiva sobre favelas que estavam presentes no entorno, para a implementação das melhorias necessitadas pela elite financeira. No inicio dos anos 1970, o governo do estado desapropriou diversos imóveis para a construção da avenida Água Espraiada (atual Av. Jornalista Roberto Marinho), mas o projeto foi paralisado e o território abandonado foi invadido por diversos barracos. Em 1995, existiam cerca de 68 núcleos de favelas lineares ao longo do córrego Água Espraiada, com uma população superior a 50 mil pessoas (FIX, 2001). A remoção dos barracos começa no mesmo ano, influenciadas pelo mercado, a fim de construir vias e valorizar a região. Entre a Marginal Pinheiros e a avenida Luís Carlos Berrini ficava a favela Jardim Edith, formada por aproximadamente 3 mil famílias, próximo a novos megaempreendimentos financeiros. Para a remoção dos moradores, era realizado um cadastro. Estes deveriam optar entre comprar uma moradia financiada e construída pela prefeitura, receber uma verba em dinheiro, ou ganhar uma passagem de volta a sua terra natal. A moradia oferecida pela prefeitura se

A remoção dos barracos começa no mesmo ano, influenciadas pelo mercado, a fim de construir vias e valorizar a região. Entre a Marginal Pinheiros e a avenida Luís Carlos Berrini ficava a favela Jardim Edith, formada por aproximadamente 3 mil famílias, próximo a novos megaempreendimentos financeiros. Para a remoção dos moradores, era realizado um cadastro. Estes deveriam optar entre comprar uma moradia financiada e construída pela prefeitura, receber uma verba em dinheiro, ou ganhar uma passagem de volta a sua terra natal. A moradia oferecida pela prefeitura se localizava em bairros da Zona Leste, à 50 quilômetros Imagem 54 - Favela do Jardim Edith e av. Luís Carlos Berrini.

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Favela Jardim Edith e Água Espraiada

da favela. A verba oferecida era de 1.500 reais por família, valor que era variável pois diversas famílias dividiam o mesmo barraco, ficando a encargo das assistentes sociais decidir o montante do benefício. E algumas famílias, desiludidas com a cidade de São Paulo, preferiram aceitar o convite de voltar a sua terra. A alternativa de habitação era por muitos descartada, pois teriam de arcar com o financiamento de 25 anos, pagando cerca de 60 reais mensais em um local muito distante. Como alternativa, um grupo de empresários, empenhados em remover o mais rápido a favela, adquiriu um terreno em próximo à divisa com Taboão da Serra, a cerca de 15 quilômetros da favela. Entretanto essa alternativa surtiu pouco efeito, e a grande maioria preferia aceitar o valor em dinheiro, ou ainda protestar por seu direitos pelo usucapião do solo. Entretanto, as famílias que aceitavam o beneficio, não viam outra saída a não ser se alojar em outras favelas, dando continuidade ao problema de exclusão urbana corrente na cidade de São Paulo. O dinheiro só era recebido no dia, quando todos os bens da família estivessem no caminhão de mudança oferecido pela prefeitura como “gratificação”. Conforme os habitantes deixavam suas

moradias, seus barracos eram derrubados. Essa ação serviu de pressão sobre os moradores mais resistentes, que ilhados no meio de entulhos e com risco claro de desabamento da moradia, não viam outra solução a não ser abandonar o local. Os moradores que esperavam suas novas casas serem construídas, eram encaminhados para alojamentos temporários, em que possuíam um espaço de pouco mais de 15 metros quadrado por família. Com atrasos nas obras de habitação, ocorreram manifestações para se ter uma ação de agilidade por parte da prefeitura, mas essa se limitava a dizer que casas não eram construídas de um dia para o outro.

Imagem 55 - Favela Jardim Edith.


Favela Jardim Edith e Água Espraiada

Imagem 56 - Remoção de barracos da favela.

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Favela Jardim Edith e Ă gua Espraiada

Imagens 57, 58 e 59 - Favela Jardim Edith.


Favela Jardim Edith e Água Espraiada

Enquanto isso, mais exatamente no dia 10 de janeiro de 1996, o então prefeito Paulo Salim Maluf, em seu ultimo ano de mandato, inaugurava o primeiro trecho da avenida Água Espraiada. Em seu discurso Maluf comenta: “Quero

agradecer

também

aos

favelados que moravam aqui. Não teve nenhum problema. Ninguém tirou ninguém à força, não. Todos tiveram sua vida melhorada. Eles são pobres, mas são gente que tem dignidade e tem direito a viver bem. (...) Eu agradeço, porque Deus está me vendo. Quando a gente chegar lá (na hora da morte), Deus vai dizer pra gente: ‘olha, eu vi você lá na Água Espraiada, você melhorou a vida daquele povão. Vai ficar uns dez minutinhos no purgatório e pode ir para o céu.”

3

3 - MALUF, Paulo. “Discurso de Inauguração da Avenida Água Espraiada”. em “Parceiros da exclusão”. São Paulo, boitempo, 2001, 1a edição.

Imagem 60 - Maluf em discurso inaugural da av. Água Espraiada.

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4.

ReferĂŞncias projetuais


4.1.

Exemplos cidades


4.1.1.

Imagem 61 - Cidade de Copenhague.

Copenhague


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Copenhague

Copenhague talvez seja a cidade mais conhecida do mundo que explora o fator sustentabilidade urbana. Talvez o principal responsável desse feito, juntamente com toda a população é o arquiteto Jan Gehl que durante os anos 1960 pôs em prática seu pensamento de que as cidade têm de pensar primeiro nas pessoas. Adotando essa solução, ele demonstra que uma cidade ideal não é aquela em que a pessoa tenha que passar um grande tempo dentro de um carro e sim aquela em que a cidade faça parte da vida de quem a habita. “A escala humana é uma das chaves para planejar as cidades para as pessoas. Antes de pensar em mais ruas, ciclovias, transporte público ou mesmo na escala humana, é preciso pensar na cidade que queremos. E aí o que importa são os elementos do planejamento urbano, nas coisas que faz a sociedade viver melhor.”

4

BURGIERMAN (2010) analisa que a capital dinamarquesa teve seu futuro definido depois de uma polêmica gerada em 1962, em que manchetes sugeriam o seguinte: “Nós não somos italianos”, 4 - GARCIA, N. “Jan Gehl: especialista em criar cidades melhores.” Planeta Sustentável. Disponível em < http://goo.gl/fzAsg>. Acesso em 16 abr 2012.

ou então “Usar espaços públicos é contrário à mentalidade Escandinava”. O motivo de tal manifestação era que um jovem arquiteto, no caso Jan Gehl, então recém contratado pela prefeitura meses antes, sugeriu o fechamento do transito de carros em uma rua central de Copenhague. Essa rua era o centro da vida urbana na cidade, desde seu surgimento no século XIX, com casas imponentes e comércios importantes. Quando Imagem 62 - Festival de jazz em Copenhague - 2011.


Copenhague

nos anos 1950, os carros começavam a tomar conta da cidade e o local passou a se tornar barulhento, fumaçento e perigoso para o pedestre, um local deserto com grande quantidade de estacionamentos, foi nesse momento que Gehl percebeu que a situação tinha de mudar. Alguns comerciantes locais se revoltaram, dizendo que o projeto só iria trazer consequências negativas para o lugar. Felizmente o projeto saiu do papel e assim nasceu a Strøget, um calçadão de pedestres no meio do centro de Copenhague, que até os dias de hoje é um dos principais pontos turísticos da cidade. Com o sucesso conquistado, o arquiteto continuou realizando trabalhos contribuindo com a prefeitura. BURGIERMAN (2010) retrata que os próximos passos do arquiteto foram o de não realizar um segregação entre carros, ciclistas e pedestres, e sim misturá-los. Foram realizadas ruas mistas, que nas quais os motoristas têm a sensação de serem vigiados e dirigem com mais precaução. Uma lógica simples estava presente em seu pensamento, a de que quanto mais ruas se constrói, mais trânsito acaba surgindo, o inverso ocorre com as ciclovias, que quanto mais existirem, menos carros circulam pela cidade. Imagem 63 - Rua Strøget antes da mudança. Imagem 64 - Rua Strøget após da mudança.

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Copenhague

BURGIERMAN (2010) menciona que para incentivar o uso da bicicleta foram instituídos pedágios urbanos, em que no tráfego urbano, quem tem preferência é sempre o ciclista. Hoje, Copenhague é a grande cidade européia com menos congestionamentos. 36% dos deslocamentos são feitos de bicicleta, mesmo no inverno. A região metropolitana de Copenhague possui um total de 550 mil habitantes em uma área de 88.25 km2, aproximadamente 62 hab/ha ou seja a densidade populacional é bem grande e concentrada ¬– comparando com outras capitais européias: Berlim 38 hab/ha; Madrid 53 hab/ha –, algo que facilita os fluxos e concentra todas as atividades em um raio de abrangência muito próximo. Deste modo, como comenta GARCIA (2011), é fácil de concluir que a bicicleta é o mais importante meio de transporte da cidade, e a prefeitura faz questão de garantir que continue sendo assim, por alguns motivos: as pessoas são mais felizes pedalando, a atividade é economicamente melhor para a cidade e a topografia plana da cidade contribui para o um deslocamento mais fácil. Enquanto um carro emite poluentes, gera mais acidentes e precisa de uma manutenção mais cara na infraestrutura. As ciclovias, por outro lado, são mais baratas, atraem mais turistas e fazem com que

as pessoas se exercitem e fiquem mais saudáveis.

Imagem 65 - Copenhague. Imagem 66 - Bicicleta pública para empréstimo.


Copenhague

Imagens 67, 68, 69 e 70 - Copenhague.

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4.1.2.

Imagem 71 - Cidade de Curitiba.

Curitiba


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Curitiba

De acordo com ROGERS (2001), vários exemplos de desenvolvimento urbano sustentável estão surgindo em diversas cidades do mundo. Curitiba, no Brasil, é um dos exemplos que vêm tentando se adequar a esse novo tipo de experiência urbana. A cidade, que tem uma população de pouco mais de 1,7 milhão de habitantes (IBGE – Censo 2010), teve uma rápida expansão e já sofreu vários problemas de infraestrutura urbana, mas hoje está entre as cidades mais sustentáveis do país. A participação da população da cidade, que teve que alterar seu estilo de vida cotidiana, juntamente com propostas gerais urbanas, de iniciativas pública e privada baseadas em um desenvolvimento sustentável, foram de fundamental importância para que essa meta de transformação fosse alcançada. Dois momentos podem ser considerados de extrema importância para o entendimento do que ocorreu com o planejamento da cidade de Curitiba como aponta GARCIA (2011). Em um primeiro, deve-se à presença do arquiteto francês Alfred Agache, que vindo ao Brasil na década de 1940, teve a oportunidade de percorrer diversas capitais e grandes cidades brasileiras, e realizou diversos estudos e propondo alternativas de idéias e planos de como melhorá-las. Baseado em

ideários da arquitetura e urbanismo franceses, expôs conceitos de que uma cidade, para ser próspera e justa, deveria ter um centro forte, e a partir dele a cidade deveria crescer de forma radial. Em sua passagem, Curitiba ainda era uma cidade de pequeno porte, contava com pouco mais de 140 mil habitantes, mas com potencial de crescimento. Propôs, então, a criação de diversos centros com especializações distintas – comércio, indústria, educação e convício social. Daquela época floresceram o Centro Cívico da cidade, a Universidade Politécnica, um mercado municipal e a Avenida Cândido de Abreu, importante largadouro da cidade localizada no Centro Cívico, que conta com edifícios públicos e grande fluxo de comércio.

Imagem 72 - rua 15 de Novembro - centro de Curitiba - década de 1950.


Curitiba

O segundo momento ocorreu vinte anos mais tarde, durante a década de 1960. O Brasil passava por uma fase de intensiva especulação econômica, facilitando o mercado de consumo interno, consequentemente a aquisição de automóveis. A expansão de Curitiba também já era perceptível, a cidade já havia passado dos 350 mil habitantes, e sua mancha urbana já havia propagado de modo significativo. É nesse cenário que a cidade opta por um crescimento urbano a longo prazo priorizando as pessoas ao invés dos carros. ROGERS (2001), cita como o responsável por essa mudança foi Jaime Lerner, organizador do plano diretor da cidade em 1965, e prefeito da cidade em outras diversas ocasiões. Durante sua gestão enfrentou diversos problemas pela aplicação de políticas urbanas abrangentes. Foi dele, por exemplo, a reestruturação de favelas, que não contavam com um território formal, sem saneamento básico e localizadas as margens de rios da cidade. Contando com a participação dessa população, promoveu um sistema de melhorias que se baseava na troca de lixo entregue em locais apropriados por matérias educacionais para crianças e passagens de ônibus para os adultos. Com essas melhorias, os moradores desempregados eram capazes de pagar seus gastos, Imagem 73 - Calçamento da via 15 de Novembro. Imagem 74 - Atual rua das Flores.

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Curitiba

devido a um centro de compra introduzido pelo prefeito nessas áreas, em que era possível produzir e vender produtos. Sendo assim eram gerados benefícios que se revertiam para a própria comunidade. As estratégias urbanas não eram limitadas somente um atuar nas favelas. Foi-se criado por Lerner um extenso leque de iniciativas para a cidade. Priorizou um tratamento paisagístico na cidade, com grande quantidade de áreas verdes, redes ciclovias e áreas para pedestres. Juntamente com o rápido desenvolvimento da cidade, formou um sistema público de transporte de massa visando atender à população da forma mais eficiente possível. Uma estratégia simples, porém eficaz para um plano de massas e zoneamento em uma cidade que teve um rápido crescimento foi a de que seus edifícios mais altos, residências e de escritórios, se alinhavam ao longo dos cinco principais eixos de transporte de massa, que contavam com faixas viárias dedicadas a linhas de ônibus de alta velocidade e capacidade. Ou seja, onde existe maior densidade, a oferta de transporte publico é igualmente maior. No centro da cidade, as principais vias e praças são destinadas exclusivamente a pedestres. Todos os sistemas de transporte de massa convergem para o centro, diminuindo a necessidade de deslocamento de automóveis.

Imagem 75 - Ponto de ônibus inteligente Imagem 76 - Projeto da Avenida Cândido de Abreu.


Curitiba

No entanto, o cenário urbano revolucionário que Curitiba pretendia tem passado por dificuldades de manutenção desde os anos 1990. Como cita GARCIA (2001) as ciclovias da cidade deixaram de crescer, e o sistema de transporte central ficaram contidos somente na Rua das Flores, que se manteve como única via de pedestre cortada por diversas ruas e avenidas. Em compensação, existe um projeto de transformar a Avenida Cândido de Abreu em um novo calçadão urbano, mesmo permitindo a circulação de carro, o projeto irá diminuir de oito faixas automotivas para apenas 3, o canteiro central será alargado e a avenida passará a contar com um novo mobiliário urbano e internet sem fio gratuita para que as pessoas retomem de modo coletivo a cidade.

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4.2.

Exemplos regi천es


4.2.1.

Imagem 77 - Vista ĂĄerea da regiĂŁo do plano Barcelona 22@

Barcelona 22@


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Barcelona 22@

O passado recente da cidade de Barcelona, que hoje em dia pode ser considerada uma referência em desenvolvimento urbano, mostra que ações pontuais e um planejamento ordenado podem recompor o sistema estrutural de cidade, que durante muito tempo, por diversos motivos, foi acontecendo de forma natural e desordenada. Barcelona é uma cidade européia que, assim como outras, teve um desenvolvimento industrial tardio. Durante a segunda metade do século XIX, a cidade passou por uma reformulação de seu tecido urbano. Antes a cidade estava limitada pelas antigas muralhas, o que impedia seu crescimento. Procurando alterar essa morfologia, o engenheiro de caminhos Ildefonso Cerdà, propôs e executou um plano urbano que hoje é conhecido como Plano Cerda LEMOS (2011), que procurava criar uma hierarquia viária onde pequenas ruas desembocam em ruas maiores que, por sua vez, desembocam em grandes avenidas desenhando uma grelha de ruas paralelas e perpendiculares e duas avenidas que se cruzam, a Diagonal e a Meridional, durante muitos anos depois de sua imposição funcionou de maneira clara e objetiva, conseguindo aumentar a área total da cidade, permitindo que sua expansão ultrapassasse os limites da antiga cidade medieval.

Com isso, a cidade conseguiu se desenvolver e crescer consideravelmente. O que atraiu pessoas, indústrias e elementos econômicos que atendessem à demanda de uma grande cidade. O problema foi que o planejamento da cidade não acompanhou esse crescimento, surgindo, assim, zonas deficientes com moradias erguidas de modo aleatório por seus habitantes, que não contavam nas proximidades equipamentos e espaços públicos e careciam de transporte coletivo. Outro problema decorrente na antiga Barcelona, frequente em cidades pós-industriais, é a presença de grandes setores em áreas centrais que Imagem 78 - Plano Cerdà.


Barcelona 22@

passam a ter um abandono por se tornarem obsoletas e subutilizadas pela cidade. É o caso do distrito de Poblenou, que durante a expansão da cidade, foi concretizado como uma zona industrial voltada diretamente para o setor têxtil. Durante muitos anos, era chamada de “Manchester Catalã”, referência à cidade industrial inglesa. Pessoas que trabalhavam nas industrias presentes, residiam no próprio distrito de modo precário e sem desenvolvimento urbano, característica do sistema econômico, que exigia que o trabalhador passasse grande parte do tempo no ambiente de ofício, sem a capacidade monetária de residir em outro local. É nessa região, o distrito do Poblenou (distrito 22 A) que está previsto o projeto de intervenção urbana, o Barcelona 22@. De acordo com LEITE (2012), a prefeitura municipal, pretende empregar um novo modo de cidade contemporânea, criando um bairro de uso misto de elevada qualidade urbana, necessária para o desenvolvimento de atividades intensivas voltadas para o conhecimento e alta tecnologia. É necessário que se supere a baixa densidade do local, comum em regiões industriais, para isso é pretendido um espaço denso e complexo, com diversas atividades, com a intenção de favorecer a interação entre os diversos agentes urbanos. Imagens 79 e 80 - Antigos glapões na regiao de atuação do Plano.

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Barcelona 22@

Imagem 81 - Manchestre Catal達.


Barcelona 22@

Em uma área que engloba 120 hectares de antigo solo industrial, são previstas a construção de mais de 3 milhões de metros quadrados destinados as mais diversas atividades tecnológicas, gerando cerca de 110 mil empregos, além da construção de mais de 3,5 mil unidades habitacionais entre outros diversos equipamentos urbanos. Para que não ocorra uma transformação tão drástica no tecido urbano, afim de evitar um impacto que modifique completamente a característica do lugar, é assumido a pré existência da hierarquia viária presente nas quadras do Plano Cerdà. Para que isso fosse possível de acontecer, foi criado um plano dividido em duas partes. A primeira seria atuar em áreas que pudessem ser consideradas condensadores urbanos e locais de referência, consolidando o local. Depois em uma segunda etapa, através da ação da iniciativa privada, seriam feitas transformações em áreas já demarcadas pelo gestor do plano e teriam de ter sua aprovação pelo poder local, desse modo, o processo de implementação de novos edifícios fica controlado, prevendo responder as realidades urbana, econômica e social da região, respeitando formas de edifícios e permitindo um ajuste dos distintos tipos de projetos de acordo com sua funcionalidade. Com isso, a prefeitura estima que

o prazo da conclusão da operação urbana seja entre 15 a 20 anos. A questão da sustentabilidade urbana também faz parte do processo de transformação do distrito de Poblenaou. Com explica LEITE (2012), a coexistência de espaços produtivos com espaços residenciais, gerando 30% da terra previamente industrial em novos espaços verdes públicos, favorece a necessária vitalidade do espaço urbano. Reduzindo os impactos ambientais, através de projetos de novas redes que forneçam maior eficiência energética e promovam uma gestão mais responsável dos recursos.

Imagem 82 - Usos das intervenções - programa variado.

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O procedimento de regeneração da região ainda não contempla as áreas adjacentes ao projeto, espera-se que se obtenha através de um de um processo natural de requalificação. Por enquanto as ações do projeto assumem somente um caráter pontual. Existe um esforço para que comunidade local seja envolvida em todo o projeto, porém a resistência dessa parte nas transformações, que consideram agressivas e desfigurativas do local , com medo da existência de um processo de gentrificação, dificultem algumas atuações urbanas. Resta saber se, a longo prazo, o projeto seja de fato um requalificador da área, ou somente mais um processo de desenvolvimento que vise o mercado capitalista. De qualquer modo, a intenção do plano se mostra coerente nas ações que visam agregar áreas e equipamentos de uso coletivo que possam criar uma conexão entre o existente e o novo.

Imagens 83 e 84 - Intervenções.


Barcelona 22@

Imagem 85 - Antes e depois 1996 e 1999.

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4.2.2.

Imagem 86 - Vista รกerea da regiรฃo do Plano Paris Rive Gauche.

Paris Rive Gauche


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Paris Rive Gauche

A região central de Paris, foi consolidada no século XIX pelo plano urbano de Haussmann, encomendado pelo então imperador Napoleão III aos cuidados do prefeito nomeado de Paris, GeorgeEugène, o Barão de Haussmann. Paris se encontrava em um estado crítico, onde as ruas estreitas e sem planejamento, confrontavam com um grande problema de saneamento e salubridade, grande parte da população viva na margem da miséria em grandes cortiços e pensões. Visando conter novas revoluções geradas pela insatisfação da população, foi pretendido com o plano Haussemann a melhoria da circulação e o acesso rápido a toda a cidade, que durante muitos anos funcionou de maneira organizada. Algumas intervenções como a criação de um anel viário, aberturas de novas ruas, criações de bulevares se mostraram para a cidade como reguladores do traçado urbano, transformando a imagem da cidade. Nessa época, de acordo com BENEVOLO (2011), a parte operária que representava três quartos da população parisiense, residia na margem esquerda do Rio Sena, onde estavam locadas as grandes indústrias da cidade, principal fonte de renda do período. Existiam também, em regiões mais afastadas do centro urbano, atividades que

não exerciam a função do morar, mas eram de extrema necessidade para a cidade, tais como o matadouro municipal e estações férreas de estoque de bens de consumo. O que o Plano Haussmann não previa era que a evolução socioeconômica da cidade se alteraria com o tempo, e essas atividades se tornariam obsoletas para o estilo de vida que as grandes cidades do mundo viriam a ter. Nas regiões onde outra hora essas atividades eram exercidas ficaram esquecidas na evolução da cidade. Porém, algumas intervenções urbanas Imagem 87 - Plano Haussmann.


Paris Rive Gauche

foram tomadas para requalificar essas áreas. É o que vemos nos casos do 13o e 19o arrondissements – setorização territorial administrativa que compõe a Comuna de Paris. Onde antigamente, no 19o arrondissement, se encontrava uma grande área de galpões e estoques, foram transformados na região que abriga hoje o Parq de La Villette. Já no 13o arrondissement, localizado à margem esquerda do Rio Sena, local em que a grande parcela de operários residia por conta das industrias ali presentes, nos bairros Austerlitz, Tolbiac e Massena, é a região que compreende a Operação Urbana Rive Gauche. A idéia da operação urbana tem início em 1988, quando o governo da cidade de Paris percebe que o crescimento da cidade já não suporta a demanda que região central necessita. O projeto de criar um novo bairro para uma Paris do século XXI, que conseguisse um equilíbrio entre moradias, escritórios, lojas, escolas, atividades artísticas, culturais e de lazer, ficou a encargo da SEMAPA – Société d’Étude, de Maitriste d’Ouvrage et d’Aménagement Parisienne: Sociedade para o Estudo do Controle de Negócios e Desenvolvimento de Paris. Para tal êxito, era necessário que o plano respeitasse tanto o tecido urbano da cidade e o âmbito social, quanto regras ambientais, no caso a ISO 14001, MELADO (2010), Imagem 88 - Desenho demosntrando Boulevares do Plano Haussemann. Imagem 89 - Antigo matadouro no 19o arrondissement.

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Paris Rive Gauche

impostas para a construção do novo bairro. A operação de revitalização da área da Rive Gauche consistia em criar um novo pólo econômico da cidade em uma área de aproximadamente 130 hectares. Para que fosse possível manter a característica do tecido urbano, foi criada uma plataforma artificial com mais de 26 hectares de extensão acima da linha férrea da Gare d’Austerlitz, que por falta de necessidade tinha muitos de seus trilhos desativados, assim conseguindo superar a declividade do terreno e manter a idéia de continuidade entre a região e o Rio Sena. Os números da operação são imponentes, com um investimento cerca de 3 bilhões de euros, pretende-se criar mais de cinco mil habitações, sendo um quinto destinada a estudantes, complexos de escritórios e qualificação profissional, gerando 60 mil empregos. Conta também com mais de 660 mil metros quadrados de equipamentos urbanos e comércio, sendo que mais de dois terços são voltados para a educação, como a Biblioteca Nacional da França e a Universidade 7, e 10 hectares destinados a parques, praças e jardins. Esse alto investimento em aquisições de terrenos, infraestruturas e remoções, se mostra auto suficiente, pois o custo da operação será pago através de concessões geradas Imagem 90 - Construção da plataforma sobre a linha férrea de Gare d’Austerlitz. Imagem 91 - Passarela Simone de Beauvoir e vista para a Biblioteca Nacional


Paris Rive Gauche

a escritórios, habitações, instituições privadas. Segundo MELADO (2010), no inicio do projeto a preocupação era extremamente social. A SEMAPA visando um possível processo de gentrificação, garantiu aos moradores mais antigos do bairro benefícios imediatos, sendo assim as primeiras obras executadas eram de serviços e equipamentos voltados aos que já vivam na região. Juntamente com a principal obra do Plano, a Biblioteca Nacional da França, projeto do arquiteto Dominic Perrault, creches, escolas de ensino básico, jardins, lojas, estacionamentos públicos, entre outros, foram os primeiros projetos a serem realizados. Para a execução do Plano, a região da Rive Gauche foi dividida em diversos setores, com algumas intervenções pontuais que serviriam de catalisadores e através delas obras satélites se ligariam de forma a montar um conjunto único. Outras estruturas pré existentes, que carregam algum tipo de significado para a região foram mantidas, porém tiveram seu programa modificado. É o caso da Faculdades de Química e Biologia e Arquitetura da Universidade Paris 7, que restaurou antigos galpões para abrigar salas de aulas e bibliotecas. A operação também leva em conta a questão da sustentabilidade, estabelecendo exigências que Imagem 92 - Estudos de reaproveitamento de antigos galpões. imagem 93 - Universidade Paris 7.

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100 Paris Rive Gauche passaram a determinar projetos arquitetônicos. Jardins no térreo das grandes quadras, espaço para a integração social, telhado verde, uso de luz natural, redução de resíduos, gestão de água e esgoto foram incorporadas na maioria dos projetos. O uso de transportes menos poluentes e um passeio para pedestres mais seriado, de modo a criar um percurso menos cansativo e mais convidativo, foram implementados, indo além das soluções técnicas. Com previsão de conclusão em 2015, o projeto se mostra bem encaminhado e consolidado. Os grandes equipamentos já estão em atividade e com um uso constante da população, assim como os outros diversos que constituem o complexo esquema estrutural do plano. Resta saber se as novas tipologias conseguiram agradar ao longo do tempo os cidadãos parisienses, que insistem na preferência pela arquitetura histórica e padrão da cidade.

Imagem 94 - Melhorias na infraestrutura. imagem 95 - Tipologias Habitacionais.

Imagem 96 (ao lado) - Áreas de atuação do Plano. imagem 97 (ao lado) - Corte urbano.


Paris Rive Gauche

101


102 Paris Rive Gauche

Imagem 98 - 1991


Paris Rive Gauche

Imagem 99 - 1997

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4.3.

Exemplos projetuais


4.3.1.

Imagem 100 - Entrada oeste - Centro Comunitário de Säynätsalo

Centro Comunitário de Säynätsalo – Alvar Aalto


108 Centro Comunitário de Säynätsalo A cidade de Säynätsalo é uma pequena ilha localizada no centro da Finlândia, próximo a cidade de Jyväskylä, com uma população de aproximadamente 4 mil habitantes. A cidade fundada em 1924, se desenvolveu a partir da presença de um pólo produtivo da empresa Enso-Gutzeit, uma das principais industrias madeireiras da Finlândia. Em 1945, com o final decretado da 2a guerra mundial, e seis anos após a “Guerra de Inverno” entre União Soviética e Finlândia, o país precisava ser reconstruído. A pequena cidade de Säynätsalo sofreu diversos danos com esses conflitos, e procurando novas facilidades para seus habitantes, a prefeitura lança um concurso para um plano urbano e a construção de diversos edifícios públicos. O projeto selecionado foi o do Arquiteto Alvar Aalto, FLEIG (2001) comenta que o plano envolvia a criação de unidades habitacionais, com o lote em forma de um triângulo retângulo, e a implantação dos edifícios ocupando os menores lados do lote, criando assim praças de convívio ao longo da via que seguiria até o novo centro cívico. Porém deste plano original foi realizado somente a execução do Centro Comunitário durantes oas anos de 1949 e 1952. O programa do projeto é distribuído em um quadrilátero com um pátio central, que engloba além Imagem 101 - Vista áerea de Säynätsalo. Imagem 102 - Industria Enso - Gutzeit.


Centro Comunitário de Säynätsalo

da sala de conselhos da prefeitura; um pequeno complexo com 5 escritórios, 4 lojas, uma farmácia e um banco; uma biblioteca e 7 pequenas habitações para trabalhadores civis. Cada elemento do programa ocupa um dos lados do edifico, blocos separados que podem ser circulados pelo lado de fora como um todo. Duas escadas dão acesso interior do conjunto. Através de uma escadaria larga ao lado leste, entre a biblioteca e a sala de conselhos se tem o acesso principal do projeto, e ao outro lado da biblioteca o outro acesso é realizado por uma arquibancada verde voltada para uma grande massa de árvores. Como demonstra em um vídeo explicativo, COPANS (1997), a evolução do projeto é realizado por etapas. Primeiro uma montanha artificial de terra, proveniente dos resíduos de escavação da fundação é cercada por 4 grandes blocos principais. Depois essa montanha é planificada, formando o pátio interno que pode ser visto a partir de qualquer bloco do projeto. Então uma torre de 17 metros de altura é erguida em um desses cantos marcando o principal elemento do projeto, a sala de conselhos. O intuito do vazio central é de transformar um simples edifício municipal em um elemento de importância urbana, como se fosse um pequeno distrito sem ruas ou avenidas, mas que possam gerar a integração social entre toda a cidade. Imagens 103, 104, 105 e 106 - Evolução do projeto

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110 Centro Comunitário de Säynätsalo Cada aresta da construção recebe uma geometria irregular, através de recuos e recortes e uso de paredes oblíquas, dessa maneira Aalto conseguiria absorver toda a tensão que a paisagem de seu entorno proporciona. “Um edifício é como um instrumento. Ele tem que absorver todas as influências positivas e interceptar todas as influências negativas que podem afetar as pessoas. Um edifício não pode fazer isso a menos que seja tratado com a mesma delicadeza como o meio em que está inserido” 5

Na cidade de Säynätsalo, o tijolo é um dos principais instrumentos arquitetônicos. Aalto considera esse instrumento puro e único (COPANS, 1997), e cada parede erguida é a expressão do talento do artesão que a realiza. Levando isso em conta, Aalto decide por utilizar esse material na construção. O trabalho artesanal que o arquiteto mencionava pode ser visto na composição das fachadas, com entrâncias de aproximadamente 2cm, o tijolo fez com que fosse criado um jogo de luz e sombra. Com a variação de ritmos na fixação das peças e o uso de 5 - AALTO, Alvar. “Conversaciones con Alvar Aalto” Barcelona, Gustavo Gili. 2010, 1a edição.

Imagem 107 - Vista câmara. Imagem 108 - Vista biblioteca. Imagem 109 (ao lado) - Vedação exterior.


112 Centro Comunitário de Säynätsalo tijolos escuros, geralmente descartados na inspeção de qualidade do produto, juntamente com a faixa acinzentada de argamassa, as empenas passam a ter um aspecto mais humano, onde se percebe claramente a presença de um trabalho manual. O principal elemento que compõe o complexo é a torre que abriga a sala de conselhos da prefeitura, o mais importante espaço político da cidade. Para Aalto, a torre não era uma torre, e sim uma massa unificadora, que cobre as salas de audiências que se encontram em baixo dela, portanto o símbolo principal da administração (LAHTI, 2005). O interior da câmara de conselhos é um espaço simples, uma forma pura, o quadrado. A mesa do prefeito e assessores é voltada para três fileiras de mesas de conselheiros, e ao fundo existe um espaço que abriga a população que queira assistir as assembléias. O principal elemento que compõe o ambiente são duas estruturas de madeiras em formato de “borboleta”, com uma armação principal e 16 peças secundárias, que possibilitam a ventilação entre o teto e o telhado, substituindo as tradicionais meias tesouras para um teto reclinado. Contando com poucos ornamentos internos, as duas janelas da sala são protegidas com brises de madeira reguláveis manualmente. Imagem 110 - Estrutura em formato “borboleta”. Imagem 111 - Sala de conselhos da prefeitura.


Centro Comunitário de Säynätsalo

COPANS (1997), menciona que do exterior não há informações sobre a simplicidade do interior da câmara, pelo contrário, o volume da torre possui uma fisionomia complicada. O telhado inclinado para conter neve e captar água da chuva não é centralizado, o volume é circulado em sua metade por 3 elementos que levam ao acesso da sala, esse caminho é marcado pelo sol, que através das suas pequenas aberturas cria um ambiente complexo apesar de sua brandura. Outro elemento importante que compõe o complexo é a extensa biblioteca, o único elemento que não possuiu conexão com outros, somente através do pátio interno. Ao contrário da torre, que é formada por empenas e pequenas aberturas, a biblioteca é totalmente transparente. A fachada exterior, composta de vidros com caixilhos de madeira é voltada para o lado sudeste, onde a maior incidência solar possa atingir o interior, já a fachada norte é voltada diretamente para o pátio central, podendo assim ocorre uma interação entre as parte. O espaço interno é longo e aberto, sem nenhuma separação entre os ambientes, os únicos elementos fixos são lugares para sentar, feitos de concreto, que servem para que se tenha uma percepção de divisão espacial.

A complexidade urbana expressa através articulação da implantação, as variações e proporções dos volumes, o contraste entre opacidades e transparências, e as soluções espaciais e de uso de materiais dão as características do complexo, que apesar das pequenas dimensões, constitui a função de simbolizar valores unificadores e democráticos.

Imagem 112 - Arquibancada verde.

113


114 Centro Comunitário de Säynätsalo

Imagens 113 e 114 - Croquis do autor.


Centro Comunitário de Säynätsalo

Imagens 115, 116 e 117 - Planta de cobertura; planta primeiro nível; corte, respectivamente.

115


4.3.2.

Imagem 118 - vista áerea do Centro Cultural São Paulo

Centro Cultural São Paulo – Eurico Lopes e Luiz Telles


118 Centro Cultural São Paulo A história do Centro Cultural São Paulo começa na década de 1970, quando o terreno entre a Rua Vergueiro e a Avenida 23 de Maio foi cedido para a prefeitura. Fruto das desapropriações ocasionadas pela construção do Metrô, a área de aproximadamente 22 mil metros quadrados foi alvo de diversas especulações. Em julho de 1973, na administração de Miguel Colassuono, surgiu o Projeto Vergueiro, cujo objetivo era promover a urbanização do local, onde seriam construídos um complexo de escritórios, hotéis, um shopping center e uma grande biblioteca pública. O prazo para o término das obras era de cinco anos.

Dois anos depois, a administração de Olavo Setúbal cancelou o Projeto Vergueiro, tendo que arcar com a indenização ao consórcio Prourb, que havia vencido a licitação para as obras. Do plano antigo restou somente a idéia da construção da biblioteca pública. Para isso, foi instalada uma comissão de estudos que contava com bibliotecários, professores e o arquiteto Aron Cohen. A idéia do grupo era construir uma biblioteca moderna em que o leitor tivesse livre acesso ao material, de forma que o objetivo não seria mais guardar a informação e sim escancará-la para o público. Os arquitetos Eurico Prado Lopes e Luiz Benedito Telles venceram a concorrência fechada em 1976, e as obras tiveram início em 1979. A gestão seguinte, do prefeito Reynaldo de Barros, resolveu reformular o projeto da biblioteca e adaptá-lo ao de um centro cultural multidisciplinar nos moldes dos que estavam surgindo no mundo todo como o Georges Pompidou, fundado em 1977 na cidade de Paris (França). O então secretário municipal de cultura, Mário Chamie, alegava que a localização era ideal para a instalação de uma instituição como essa. Além disso, argumentava-se que a obra era grande demais para abrigar somente uma biblioteca. Ficou decidido, então, que o centro cultural contaria com cinema, teatro, espaço para recitais e concertos,

Imagem 119 - Croqui do Projeto Vergueiro - 1973

Imagens 120 e 121 (ao lado) - Etapas de construção do Centro Cultural São Paulo


Centro Cultural São Paulo

ateliês e áreas de exposições. Os arquitetos Eurico Prado Lopes e Luiz Telles continuaram à frente do projeto. O Centro Cultural São Paulo, culminou

linguagem do concreto aparente como síntese dessa postura.(...)Nesse projeto, os arquitetos iniciaram a concepção não pelo desenho, mas por pensar e sentir os espaços, colocando-se no lugar do usuário.” 6

“Não

ha

no

Centro

Cultural,

a

preocupação com o arrojo estrutural, a estrutura é composta por pilares de aço e vigas mistas de aço e concreto, sendo que sua concepção surgiu da necessidade dos espaços que devia abrigar.”

7

Diante dessa definição, é possível compreender a criação de uma espécie de rua interna que percorre toda obra, que a partir dela, os espaços ocorrem de forma natural, sendo criados de forma sucessivas e de modo que esses sejam criados quando necessários. A concepção do centro cultural foi baseada em extensa pesquisa para entender o que significava o acesso à informação em um país como o Brasil. O edifício foi projetado com o objetivo de facilitar ao máximo o encontro do usuário com aquilo que seria oferecido no centro cultural. Dessa maneira, a arquitetura do prédio não obedeceu a padrões pré6 - ZEIN, Ruth Verde, “Centro Cultural São Paulo: Percorrendo Novas Dimensões”, revista Projeto, n58, dez 1983, p.24.

7 - BASTOS, Maria Alice Junqueira, “Pos-Brasilia: Rumos da Arquitetura Brasileira”. São Paulo, Estudos, 2003, 1a edição, p.68.

119


120 Centro Cultural São Paulo estabelecidos, privilegiando as dimensões amplas e as múltiplas entradas e caminhos. Evitar adotar soluções monumentais e sinuosas. O resultado foi um edifício baixo, onde se explora a imensidão dos espaços longitudinais e seus quatro pavimentos acompanham exatamente a forma do talude do terreno. A solução ainda resulta em imensos espaços vazados com envidraçamento usado exaustivamente, de forma a permitir uma visão complementar do ambiente externo. Por essas aberturas se tem uma quebra de rigidez do concreto, permitindo a entrada de luz natural. Com a construção de diversas entradas houve uma intenção de heterogeneidade de público decidida pelos arquitetos. Com isso os arquitetos impediam qualquer bloqueio de circulação, permitindo com facilidade de acesso a qualquer área do edifício. A relação com o exterior, embora integrasse completamente ao edifício, foi cuidadosa, pois além da leitura da paisagem urbana, havia o problema de conservação das obras. Aberturas dosadas para o exterior, e uma grande rua interna que une os dois limites do terreno, resultaram em um ambiente de intermediação entre externo e interno, sem abandonar os visuais de perspectiva urbana. A partir dessa rua interna, o usuário pode ver Imagem 122 - Biblioteca.


Centro Cultural São Paulo

todas as atividades desenvolvidas na construção, com transparências que incitam a participação e onde o próprio espaço se programa. A utilização do aço em diversos pontos, com precisão milimétrica, empregada na construção, procurou substituir a utilização do concreto, economizando as formas de madeira e garantindo a precisão das linhas e suavidade das curvas, sem comprometer as estruturas. A estrutura mista do projeto se justifica nos fatos de que livros, material de peso considerável, necessitam de estruturas solidas e resistentes, o que tornaria os pilares grandes e pesados demais se fosse utilizado o concreto. Era necessário colunas esbeltas e com ocupação mínima do espaço. A estrutura do projeto não se impõe a ele. É o projeto que exige tais formações distintas e compactas. O projeto utiliza o mínimo de iluminação artificial. Para isso os vidros e janelas, além de terem camadas duplas contra a sonorização do exterior, resultam da tentativa de se conseguir uma ligação externa, orientado a certo ponto para certa atividade. A aberturas são dominantemente zenitais e verticais, para a entrada de luz com mínima entrada de calor. A lei de criação do Centro Cultural São Paulo, estabelecia que suas funções incluíam: “planejar, Imagem 123 - Rua Interna. Imagem 124 - Iluminação Natural.

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122 Centro Cultural São Paulo promover, incentivar e documentar as criações culturais e artísticas; reunir e organizar uma infraestrutura de informações sobre o conhecimento humano; desenvolver pesquisas sobre a cultura e a arte brasileiras, fornecendo subsídios para as suas atividades; incentivar a participação da comunidade, com o objetivo de desenvolver a capacidade criativa de seus membros, permitindo a estes o acesso simultâneo a diferentes formas de cultura; e oferecer condições para estudo e pesquisa, nos campos do saber e da cultura, como apoio à educação e ao desenvolvimento científico e tecnológico”. Em 1982, São Paulo possuía aproximadamente 8,5 milhões de habitantes, grande parte deles espalhada pela periferia. A intenção do centro cultural que nascia era a de agregar essa população heterogênea, fornecendo um espaço em que todos tivessem acesso aos mais variados gêneros culturais. Mário Chamie destacou em seu discurso todo o trabalho que a obra demandou, apontando que “durante dois anos, dez meses e um dia pelas manhãs, tardes e madrugadas adentro, trabalhouse na construção desse espaço”. Segundo Chamie, era necessário abrigar em um só espaço todo tipo de cultura, e todo tipo de manifestação cultural de grupos ou comunidades as mais diversas, para

refletir “toda essa igualdade cultural brasileira que é feita justamente das diferenças”.

Imagem 125 - Centro Cultural São Paulo.


Centro Cultural S達o Paulo

Imagem 126 - Vista interna Centro Cultural S達o Paulo.

123


5.

Processo de projeto


5.1.

Imagem 127 - Base do entorno de estudo.

Apresentação da área


128 Apresentação da área Bom Retiro O bairro do Bom Retiro (PIRES, 2006), está localizado na região central de São Paulo, situado entre os rios Tietê e Tamanduateí. Até o final do século XIX, era formada por chácaras e sítios, propriedades utilizadas com retiro de fim de semana – justificando o nome do bairro – pela elite paulistana. Por estar próximo as várzeas dos rios citados, a presença de argila era abundante, o que fez que surgisse na área algumas pequena olarias. Aos poucos a região foi perdendo o caráter de lazer e passou a adquirir uma característica de pequeno centro de produção. A Olaria Manfred, de 1860, foi a primeira e mais importante a surgir. Entretanto, a principal mudança que afetou o desenvolvimento e a transformação do Bom Retiro, foi a instalação da Estrada de Ferro São Paulo Railway, conhecida como Santos-Jundiaí. A inauguração da estrada, realizada em 1867, estimulou a chegada de depósitos de estoque de mercadorias e indústrias na região. Durante a década de 1920, o Bom Retiro se configura como um bairro essencialmente operário, abrigando uma grande parcela de imigrantes italianos. Eram formadas casas simples e cortiços, alem de pequenos estabelecimentos de serviços no entorno das fábricas. É também durante essa época,

que o bairro começa a receber imigrantes judeus, que passaram a atuar no setor comercial. Porém, somente no final da década de 1930, em decorrência da 2a guerra mundial, que os judeus chegaram em maior numero. Até a década de 1960, a configuração do bairro foi praticamente a mesma, com grande parcelas de imigrantes, em sua maioria italianos e judeus. Entretanto, durante esse período, a população do bairro começa a se modificar novamente: agora são os sul-coreanos que se instalam no bairro, abrindo suas próprias lojas. Na década de 1980, quando é criada a Lei que anistia os imigrantes ilegais, a população de origem judaica, passa a residir outros bairros, como Higienópolis, é praticamente substituída por imigrantes sul-coreanos. Entretanto, apesar das constantes alterações da população residente do bairro, o Bom Retiro é um local que abriga uma mescla de diversas culturas, sendo possível encontrar estabelecimentos variados, culturais, religioso e comerciais.


Apresentação da área

Parque do Gato O Parque do Gato, antes de ter a fisionomia de hoje em dia, era uma favela de mesmo nome, situada entre a Avenida Castello Branco, na confluência dos rios Tamanduateí e Tietê, no lado oposto do Parque do Anhembi. Localizada no bairro do Bom Retiro, pertencente a subprefeitura da Sé, possui uma área de abrangência de 175 mil metros quadrados, abrigando além da Favela do Gato galpões de escolas de samba, alguns grupos desportivos e também o estádio municipal de Baseball. O inicio da ocupação da área que abrigou a favela é datada de 1993, constituída por aproximadamente 350 barracos precários sustentados por palafitas. Era caracterizada como área de risco, tanto pela proximidade das várzeas do rio Tamanduateí, quanto pela precariedade de suas moradias, além do fato de estar instalada sobre um duto de gás da empresa COMGÁS. No ano de 2001, cerca de 35 barracos foram destruídos em decorrência de um incêndio, obrigando a prefeitura a construir em uma área próxima à favela, um alojamento provisório para abrigar as famílias que sofreram as consequências do incêndio. Esse mesmo alojamento, que possuía 145 unidades, passou a abrigar também na mesma época outras 110 famílias que habitavam barracos

construídos sobre tubulações de gasoduto.

É nesse momento que se começa o processo de urbanização da favela. As obras dos edifícios residências do Parque do Gato foram realizadas em duas etapas. As primeiras laminas foram construídas em uma área livre, ao lado da favela, antes destinadas a campos de futebol. Nesses primeiros edifícios foram atendidas parte das famílias da favela que ocupavam os alojamentos. Para o segundo conjunto de blocos, foi necessário a construção de novos alojamentos para liberar o restante do terreno para obra. Os 18 conjuntos edificados somam uma quantidade de 486 novas unidades habitacionais, que variam de tipologia habitacionais de quitinetes Imagem 128 - Ocupação da margem do Rio Tamanduateí - 1993

129


130 Apresentação da área com 28 metros quadrados a até apartamentos de dois dormitórios com uma área de aproximadamente 45 metros quadrados.Além dos apartamentos, o conjunto conta com uma creche e salões de convivência. O projeto adotou o sistema construtivo de alvenaria estrutural, e sua tipologia é uma variação da tradicional planta “H”, unidos por uma escada e estrutura de elevadores metálicos.

Imagem 129 - Construção dos conjuntos habitacionais. Imagem 130 - Tipologias habitacionais.


Apresentação da área

O projeto não era apenas mais uma construção de conjuntos habitacionais destinados a famílias removidas de zonas de risco, mas sim um projeto de requalificação de uma área pública, o Projeto de Requalificação Urbana da Foz do Tamanduateí. Para a área que abriga os conjuntos, eram planejados equipamentos para uma vivencia comunitária, como playground, pista de bicicletas e passeio, além de uma creche doada pelo grupo Accor de hotelaria. Havia também a previsão de um pequeno centro comercial, para ser explorado pelos comerciantes que atuavam no interior da favela, porém nunca executado. Em torno do conjunto, nos limites do que foi a favela e abrangendo a área publica remanescente da construção das avenidas marginas aos rios Tietê e Tamanduateí, era previsto também a execução de um parque linear e a recuperação dos leitos dos rios, ação que seria fundamental para a manutenção do conjunto. Esse projeto previa a construção de um complexo esportivo no local onde se encontram os galpões das escolas de samba, e a manutenção do estádio de Baseball existente. Entretanto, o projeto foi abandonado durante a troca de gestão da prefeitura da cidade, e a potencialidade que o complexo todo poderia

ter, acabou se tornando somente uma esperança dos habitantes do Parque do Gato. Hoje, apesar da qualidade arquitetônica dos conjuntos habitacionais, o Parque do Gato se encontra abandonado, a manutenção do local é precária, e as áreas de convívio pensadas no projeto original estão jogadas ao acaso. Sem a realização da requalificação da área toda, o Parque do Gato continua ilhado entre os rios e a Avenida Castello Branco, causando mais um caso de segregação territorial urbana. O projeto proposto a seguir visa restituir a região, tomando como partido o projeto existente da Requalificação Urbana da Foz do Tamanduateí, e também a interação entre o bairro do Bom Retiro e o Parque do Gato.

131


132 Apresentação da área

Imagem 131 - Croqui dos conjuntos habitacionais Imagem 132 - Parque do Gato na época da inauguração Iamgem 133 - Croqui do Projeto de Requalificação da Foz do Rio Tamanduateí.


Apresentação da área 133

Imagens 134, 135 e 136 - Situação atual Parque do Gato.


5.2.

Projeto proposto - Centro de convĂ­vio Parque do Gato


136 Centro de Convívio Parque do Gato Conforme já mencionado anteriormente, o terreno para a intervenção proposta se encontra no extremo norte do bairro do Bom Retiro, nas proximidades da foz do rio Tamanduateí no rio Tietê. Analisando o entorno, se percebe a presença de uma grande quantidade de galpões, remanescentes do processo de êxodo das industrias para a periferia. Por meio de um levantamento no local, se pode constatar que servem as mais variadas atividades – garagem de veículos, estoque de mercadorias do setor têxtil, pequenas produtoras de artigos de vestuário, escolas de samba, entre outros. A maioria desses galpões está localizado nas margens da av. Castello Branco, cujo o fluxo de veículos é bastante intenso. Ao lado oposto da avenida estão localizados os conjuntos habitacionais do Parque do Gato, bem como o estádio municipal de baseball. Além dos citados, existe também um grande espaço vazio nas margens do rio Tietê, decorrente do abandono do projeto de requalificação urbana da Foz do Tamanduateí. O que se percebe, é que a avenida que divide os lugares citados exerce uma barreira entre eles, segregando o espaço onde se encontra o Parque do Gato do restante do bairro. Outro fator analisado é a mudança da tipologia da bairro conforme a aproximação do terreno em

questão. O interior do bairro do Bom Retiro é um local consolidado, com um histórico de evolução territorial já descrito. O uso urbano do seu solo é misto, contando com serviços, comércios, edifícios residências e institucionais. Entretanto, na região onde se encontram os galpões citados, a tipologia urbana sofre uma grande transformação. Existe a presença de pequenos sobrados, muito provável que tenham sido construídas durante a década de 1950, com o programa de incentivo de moradia popular. Os lotes geralmente possuem pouco mais de 10 metros de frente por 25 metros de fundo. Nessa região, as tipologias raramente ultrapassam os 4 pavimentos de altura. Um ponto a ser ressaltado é a grande quantidade de lançamentos imobiliários que têm surgido no local, mas a fisionomia habitacional são de pequenos apartamentos, empilhados, superando os 15 pavimentos, com infraestrutura interna semelhante a de um clube, cercados por muros. Esses condomínios de apartamentos, se isolam da região, fazendo um contraste significativo entre o entorno. Feito as considerações do entorno, a intenção de projeto, supera o objeto arquitetônico e se aproxima da necessidade do local possuir um


Partido 137

elemento de conexão entre a população local com o bairro consolidado. Para isso é proposto um centro de convívio, em que as funções do programa geral um domínio do lugar. Como partido de projeto, é resgatado a intenção do programa de Requalificação Urbana da Foz do Tamanduateí, que visa a criação de um parque às várzeas dos rios, e que possuam atividades esportivas, com o intuito de trazer ao lugar uma função urbana. As margens da avenida Castello Branco, local de escolha do terreno de intervenção, é pretendido além da criação do centro de convívio, a construção de elementos de cunho social, para que seja possível superar a barreira existente. Desse modo, com a transformação do uso urbano do local, por meio de uma integração social urbana se tenha um desenvolvimento coletivo da região.

Imagens 137 e 138 - Situação.


138 Centro de Convívio Parque do Gato

Imagem 139 - Pontos de Intervenção; em verde Projeto de Requalificação da Foz do Tamanduateí; em vermelho Parque do Gato; em amarelo, área de intervenção.


Partido 139


140 Centro de ConvĂ­vio Parque do Gato


Implantação

AV. PR

ESIDE

NTE CA

STEL

O BR

ANCO

AV. PR

ESIDE

STEL

O BR

ANCO

Á

GU

RA

A JA

RU

NTE CA

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RU

141

R

CU ZA

A RU O

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NE A IR

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RA ÇÃ O


142 Centro de ConvĂ­vio Parque do Gato


Subsolo

A JARAGUÁ

AV

.P

RE

SI

DE

NT

E

CA

ST

EL

O

BR

AN

CO

RUA MATARAZZO

S

S

S

-2.20

-2.20

ACESSO BLOCO A

LOJA

LOJA

LOJA

LOJA

VESTIÁRIO VESTIÁRIO DEPÓSITO

S -2.20

RUA BARRA DO TIBAJI

143


144 Centro de ConvĂ­vio Parque do Gato


Térreo 145

JARAGUÁ

0.00

AV

.P

RE

SI

BIBLIOTECA

DE

NT

E

CA

ST

D

EL

O

BR

AN

CO

S

RUA MATARAZZO

1.20

D

S

ÁTRIO

-2.20 0.50

S

-2.20

S

1.20

EXPOSIÇÕES

1.20 POSTO DE SAÚDE

1.20

CAFÉ

ADM

RECEPÇÃO

ADM

COZINHA

DEPÓSITO

S 0.00

0.00

S S

D

D

RUA BARRA DO TIBAJI


146 Centro de ConvĂ­vio Parque do Gato


Corte e Elevações Gerais

20.30 18.90

14.35

15.05

9.80

10.50

5.25

5.95

5.95

1.20 0.00

0.50

0.00

-2.70

147


148 Centro de ConvĂ­vio Parque do Gato


VAZIO

SALÃO DE JOGOS

SALA DE MÚSICA

BRINQUEDOTECA

ADM

ASSEMBLÉIA

ADM E CONTROLE

5.25

ÁTRIO

5.25

S

REUNIÃO

REUNIÃO

REUNIÃO

REUNIÃO

REUNIÃO

VAZIO

SALA TEÓRICA

SALA TEÓRICA

SALA TEÓRICA

SALA TEÓRICA

SALA COMPUTAÇÃO

IMPRESSÃO

ESPAÇO DE CO-WORKING

SALA COMPUTAÇÃO

SALA TÉCNICA

SALA TÉCNICA

SALA TÉCNICA

SALA TÉCNICA

9.80

9.80

S

150 Centro de Convívio Parque do Gato


VAZIO

VAZIO

SALA LÚDICA

SALA LÚDICA

SALA LÚDICA

SALAS DE ESTUDOS E CO-WORKING

SALÃO DE JOGOS

SALA DE MÚSICA

BRINQUEDOTECA SALA LÚDICA

ADM

ASSEMBLÉIA

ADM E CONTROLE

VARANDA

5.25

ÁTRIO

14.35

14.35

VARANDA

5.25

S

S

REUNIÃO

REUNIÃO

REUNIÃO

REUNIÃO

REUNIÃO

VAZIO

SALA TEÓRICA

SALA TEÓRICA

SALA TEÓRICA

SALA TEÓRICA

SALA COMPUTAÇÃO

IMPRESSÃO

ESPAÇO DE CO-WORKING

SALA COMPUTAÇÃO

SALA TÉCNICA

SALA TÉCNICA

SALA TÉCNICA

SALA TÉCNICA

9.80

9.80

S

Plantas Bloco Educacional

151


154 Centro de ConvĂ­vio Parque do Gato

18.90

14.35

9.80

5.25

0.00

0.50

-2.70


Corte e Elevações Bloco Educacional

153


154 Centro de ConvĂ­vio Parque do Gato


156 Centro de ConvĂ­vio Parque do Gato

19.40

15.05

15.05

10.50

8.50

5.95

1.20 0.00

0.00

-2.70


OQUE

S

i = 7.80%

CONTROLE

BILHETERIA

S

i = 7.80%

S

ADM

CLAUSURA

8.50

8.50

RESTAURANTE

10.50

5.95

AUDITÓRIO / SALA MULTI USO 190 LUGARES

PROJEÇÃO E TRADUÇÃO APOIO

D

DEPÓSITO

CLAUSURA

i = 7.80%

S

CONVÍVIO

i = 7.80%

S

ADM

CONT

PROD

CAFÉ

FOYER

5.95

CAMARIM

5.95

AUDITÓRIO / SALA MULTI USO 190 LUGARES

S

ESTOQUE

DEPÓSITO

i = 7.80%

CONTROLE

BILHETERIA

S

Auditório

157


160 Centro de ConvĂ­vio Parque do Gato


Detalhe

9.80 LAJE DE CONCRETO 15CM ENCAIXE BRISE VIGA METÁLICA VIGA PRINCIPAL H=70CM ALVENARIA

BRISE DE MADEIRA LEVE 4X200MM

CAIXILHO EM ALUMÍNIO COM JANELAS PIVOTANTES

VIDRO DUPLO

5.25

REVESTIMENTO DE PISO (PAVIFLEX) PISO NÍVELADO COM PASSAGEM DE CABOS

VIGA SECUNDÁRIA

PILAR METÁLICO 35X35 CM

TABICA EM GESSO

FORRO MINERAL

161


162 Centro de ConvĂ­vio Parque do Gato


Detalhe

163

TRELIÇA METÁLICA EM AÇO TELHA METÁLICA INCLINADA PARA CAPTAÇÃO DE AGUA

i = 7%

LAJE DE CONCRETO

FORRO EM MADEIRA CERTIFICADA

TABICA EM GESSO FORRO MINERAL

VIDRO COM FOLHA DUPLA


6.

Considerações Finais


166 Considerações Finais


Considerações Finais

A exploração de estratégias para combater a segregação urbana em São Paulo é a principal prerrogativa de estudos sobre a cidade. Porém, cada local requer uma atenção peculiar no que diz respeito ao projeto arquitetônico. Durante esse trabalho, foi estudado a problemática que envolve a região do Parque do Gato, mas que só se pode ter um entendimento completo dos motivos, por meio de uma analise da evolução da cidade, e os fatores que contribuíram para a criação de limites territoriais. Por meio de estudos sobre projetos que visam requalificar áreas problemáticas, foi possível observar possíveis soluções que contribuíram para a evolução do projeto proposto. Quando bem implementadas, essas soluções geram uma nova dinâmica ao tecido urbano, transformando o espaço problemático em um ambiente potencializador, onde novas oportunidades de interação possam surgir. Analisando as possibilidades que um espaço arquitetônico pode gerar em determinada dinâmica de convívio, a solução apresentada procura por meio de um programa múltiplo a interação entre a população, a fim de criar uma domínio territorial coletivo. Em momento algum, o projeto proposto procura ser a única alternativa para o local. O que

se pretende é um entendimento do lugar, para que possa ser analisado possibilidades que influenciem na integração social da população.

167


7.

Bibliografia


170 Bibliografia ALBUQUERQUE, Maria José. “Verticalização de favelas em São Paulo”. Dissertação de doutorado apresentada à Universidade de São Paulo. São Paulo, 2006.

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175


8.

CrĂŠditos das imagens


178 Créditos das imagens Imagem 01 – Presente em: São Paulo Metrópole; reprodução Imagem 02 – Presente em: São Paulo Metrópole; reprodução Imagem 03 – Presente em: São Paulo: Metrópole em Transito; reprodução Imagem 04 – Presente em: São Paulo três cidades em século; reprodução Imagem 05 – Presente em: São Paulo: Metrópole em Transito; reprodução Imagem 06 – Presente em: São Paulo: Metrópole em Transito; reprodução Imagem 07 – Presente em: São Paulo: Metrópole em Transito; reprodução Imagem 08 – Presente em: São Paulo: Metrópole em Transito; reprodução Imagem 09 – Presente em: São Paulo: Metrópole em Transito; reprodução Imagem 10 – Presente em: São Paulo três cidades em século; reprodução Imagem 11 – Presente em: São Paulo: Metrópole em Transito; reprodução Imagem 12 – Presente em: São Paulo: Metrópole em Transito; reprodução Imagem 13 – http://goo.gl/aW8ac

Imagem 14 – Presente em: São Paulo: Metrópole em Transito; reprodução Imagem 15 – Presente em: São Paulo: Metrópole em Transito; reprodução Imagem 16 – Presente em: São Paulo: Metrópole em Transito; reprodução Imagem 17 – http://goo.gl/qA6FY Imagem 18 – Presente em: São Paulo vila cidade metrópole; reprodução Imagem 19 – Presente em: São Paulo vila cidade metrópole; reprodução Imagem 20 – Presente em: São Paulo vila cidade metrópole; reprodução Imagem 21 – Presente em: São Paulo: Metrópole em Transito; reprodução Imagem 22 – Presente em: São Paulo: Metrópole em Transito; reprodução Imagem 23 – Presente em: São Paulo: Metrópole em Transito; reprodução Imagem 24 – Presente em: São Paulo: Metrópole em Transito; reprodução Imagem 25 – Presente em: São Paulo Metrópole; reprodução Imagem 26 – Presente em: São Paulo Metrópole; reprodução


Créditos das imagens

Imagem 27 – http://goo.gl/a8J4E Imagem 28 – http://goo.gl/eurH2 Imagem 29 – http://goo.gl/eurH2 Imagem 30 – http://goo.gl/eurH2 Imagem 31 – Presente em: São reprodução Imagem 32 – Presente em: São reprodução Imagem 33 – Presente em: São reprodução Imagem 34 – Presente em: São reprodução Imagem 35 – Presente em: São reprodução Imagem 36 – Tuca Vieira Imagem 37 – http://goo.gl/D6vDu Imagem 38 – Presente em: São reprodução Imagem 39 – Presente em: São reprodução Imagem 40 – Presente em: São reprodução Imagem 41 – Presente em: São reprodução Imagem 42 – http://goo.gl/fnYmz Imagem 43 – Tuca Vieira

Paulo Metrópole; Paulo Metrópole; Paulo Metrópole; Paulo Metrópole; Paulo Metrópole;

Paulo Metrópole; Paulo Metrópole; Paulo Metrópole; Paulo Metrópole;

Imagem 44 – Marcelo Camargo em: http://goo.gl/ CMZTm Imagem 45 – Presente em: Arte/Cidade; intervenções urbanas; reprodução Imagem 46 – Mariana Cavalcante em: http://goo.gl/ tVzyk Imagem 47 – Mariana Cavalcante em: http://goo.gl/ tVzyk Imagem 48 – Mariana Cavalcante em: http://goo.gl/ tVzyk Imagem 49 – Mariana Cavalcante em: http://goo.gl/ tVzyk Imagem 50 – Marcelo Camargo em: http://goo.gl/ CMZTm Imagem 51 – Marcelo Camargo em: http://goo.gl/ CMZTm Imagem 52 – Mundano em: http://goo.gl/vaDpX Imagem 53 – http://www.hiltonmorumbi.com.br/saopaulo/ Imagem 54 – Presente em: Parceiros da exclusão; reprodução Imagem 55 – Mundano em: http://goo.gl/vaDpX Imagem 56 – Mundano em: http://goo.gl/vaDpX Imagem 57 – Mundano em: http://goo.gl/vaDpX Imagem 58 – Mundano em: http://goo.gl/vaDpX Imagem 59 – Mundano em: http://goo.gl/vaDpX

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180 Créditos das imagens Imagem 60 – Presente em: Parceiros da exclusão; reprodução Imagem 61 – Base Google Earth Pro Imagem 62 – Acervo Pessoal Imagem 63 – Jan Ghel Architects em: http://goo.gl/ RT0ms Imagem 64 – http://goo.gl/sWyUB Imagem 65 – http://goo.gl/0lrCI Imagem 66 – Acervo Pessoal Imagem 67 – http://goo.gl/fA7up Imagem 68 – http://goo.gl/S2pMZ Imagem 69 – http://goo.gl/NDzZV Imagem 70 – http://goo.gl/wzcCn Imagem 71 – Base Google Earth Pro Imagem 72 – http://goo.gl/4kcWe Imagem 73 – http://goo.gl/X34Bp Imagem 74 – http://goo.gl/svPJa Imagem 75 – http://goo.gl/cmi0R Imagem 76 – http://goo.gl/QSDqz Imagem 77 – Base Google Earth Pro Imagem 78 – http://goo.gl/Q6zad Imagem 79 – 22 ARROBA BCN, S.A.U. Imagem 80 – 22 ARROBA BCN, S.A.U. Imagem 81 – 22 ARROBA BCN, S.A.U. Imagem 82 – 22 ARROBA BCN, S.A.U.

Imagem 83 – Presente em: Cidades Sustentáveis Cidades Inteligentes; reprodução Imagem 84 – Presente em: Cidades Sustentáveis Cidades Inteligentes; reprodução Imagem 85 – 22 ARROBA BCN, S.A.U. Imagem 86 – Base Google Earth Pro Imagem 87 – http://goo.gl/iNBUB Imagem 88 – http://goo.gl/dxyhK Imagem 89 – http://www.abattoir.be/fr/histoire Imagem 90 – SEMAPA Imagem 91 – SEMAPA Imagem 92 – SEMAPA Imagem 93 – http://goo.gl/r2LxI Imagem 94 – SEMAPA Imagem 95 – SEMAPA Imagem 96 – SEMAPA Imagem 97 – SEMAPA Imagem 98 – SEMAPA Imagem 99 – SEMAPA Imagem 100 – André Romitelli Imagem 101 – Base Google Erath Pro Imagem 102 – http://goo.gl/2a3GY Imagem 103 – Retirado do filme: Architectures Imagem 104 – Retirado do filme: Architectures Imagem 105 – Retirado do filme: Architectures Imagem 106 – Retirado do filme: Architectures


Créditos das imagens

Imagem 107 – http://goo.gl/1o9dr Imagem 108 – http://goo.gl/1o9dr Imagem 109 – Retirado do filme: Architectures Imagem 110 – http://goo.gl/HrULv Imagem 111 – http://goo.gl/1o9dr Imagem 112 – Presente em: Alvar Aalto; reprodução Imagem 113 – Presente em: Alvar Aalto; reprodução Imagem 114 – Presente em: Alvar Aalto; reprodução Imagem 115 – Presente em: Alvar Aalto; reprodução Imagem 116 – Presente em: Alvar Aalto; reprodução Imagem 117 – Presente em: Alvar Aalto; reprodução Imagem 118 – Base Google Earth Pro Imagem 119 – http://goo.gl/MM5nU Imagem 120 – http://goo.gl/MM5nU Imagem 121 – http://goo.gl/MM5nU Imagem 122 – http://goo.gl/Lg2rI Imagem 123 – http://goo.gl/mKdAh Imagem 124 – http://goo.gl/z7xle Imagem 125 – http://goo.gl/p0lJ1 Imagem 126 – http://goo.gl/122h2 Imagem 127 – Base Google Earth Pro Imagem 128 – Presente em: Verticalização de favelas em São Paulo; reprodução Imagem 129 – Presente em: Verticalização de favelas em São Paulo; reprodução

Imagem 130 – Presente em: Verticalização de favelas em São Paulo; reprodução Imagem 131 – Presente em: Verticalização de favelas em São Paulo; reprodução Imagem 132 – Presente em: Verticalização de favelas em São Paulo; reprodução Imagem 133 – Presente em: Verticalização de favelas em São Paulo; reprodução Imagem 134 – http://goo.gl/u3tbr Imagem 135 – http://goo.gl/gLWrA Imagem 136 – http://goo.gl/k0KDp Imagem 137 – Aplicativo Google Street View Imagem 138 – Aplicativo Google Street View Imagem 139 – Base Google Earth Pro

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INTEGRAÇÃO SOCIAL URBANA POR MEIO DO DESENVOLVIMENTO COLETIVO.