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Relatório de Viagem

O Brasil Seco pede atenção Conferência mundial dá voz às regiões áridas e semiáridas: oportunidades e desafios

1. Identificação Rodrigo Germano Rodrigues Consultor em Comunicação Unidades Assistidas: Recursos Naturais e Meio Ambiente RIB Fortaleza - CE De 13 a 21 de agosto de 2010 2. Propósito da Viagem: Apoio à Comunicação e Assessoria da II ICID+18 3. Resumo do Trabalho Realizado 4. Atividades desenvolvidas pelo consultor 5. Álbum de Fotos 6. Clipping de Notícias 7. Anexos

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odas as atenções estiveram voltadas para o semiárido de 16 a 20 de agosto, no Centro de Convenções do Ceará, em Fortaleza, com a abertura oficial da Segunda Conferência Internacional sobre Clima, Sustentabilidade e Desenvolvimento em Regiões Semiáridas, ICID +18. O encontro reuniu mais de 2000 pessoas, entre elas, pesquisadores do desenvolvimento, especialistas em mudanças climáticas, cientistas sociais e decisores políticos de mais de 90 países. Na ocasião, o secretário executivo da UNCCD, Luc Gnacadja, lançou mundialmente a Década da ONU sobre Desertos e de Combate à Desertificação (UNDDD). De acordo com o diretor da Conferência, Antônio Rocha Magalhães, quatro mensagens fundamentais nortearam as atividades da ICID: a oportunidade de transformar as negociações globais de

Copenhagen em resultados práticos de desenvolvimento, de elaborar de diretrizes para a aplicação de ações de mitigação, adaptação, financiamento e preservação a fim de reduzir a vulnerabilidade nas regiões semiáridas, de reunir pela primeira vez, em um evento de climático, uma grande quantidade de cientistas sociais para analisar os impactos do aquecimento global nas vidas das milhares de pessoas que vivem em aéreas em risco de desertificação, e finalmente, de influenciar e subsidiar a realização da Rio +20, no Rio de Janeiro, em 2012. A ICID + 18 foi organizada pelo Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE) - em parceria com os ministérios do Meio Ambiente e da Ciência e Tecnologia, o Governo do Ceará, o Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA) e outras entidades governamentais e de pesquisa nacionais e internacionais.


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Sumário Dia 16 II ICID recebe representantes do Semiárido Mundial 10 anos para pensar no combate à Desertificaçao Sessões Temáticas Clima e Sociedade O desafio da desertificação e desernvolvimento sustentável em regiões semiáridas Promoção de resiliência Uso racional e reuso da água servidas em regiões semiáridas Variabilidade climática no nordeste brasileiro e teleconexões tropicais Clima, desertificação e desenvolvimento sustentável Lições sobre a experiência brasileira Energia sustentável para o desenvolvimento das terras secas Alterações climáticas, adaptação e governança no setor de água Educação e desenvolvimento em regiões semiáridas Índices de vulnerabilidade e impactos Desertificação e mudanças climáticas Sinergias entre as convenções das Nações Unidas

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Dia 17 Ciência e tecnologia para o semiárido Vulnerabilidade, impactos e adaptação às mudanças climáticas A importância da comunidade, cultura, identidade e equidade em estratégias de adaptação às mudanças climáticas Desenvolvimento das regiões semiáridas Artigo de Ignacy Sachs para ICID+18 Governança das águas em terras secas Índice de pobreza hídrica Vulnerabilidade e adaptação da África e América Latina Impactos e adaptação na agricultura Distorção política agrava situação nas regiões secas, diz Jeffrey Sachs

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Dia 18 Estratégias de financiamento para o desenvolvimento sustentável em regiões áridas e semiáridas Interligações de bacias em regiões semiáridas Segurança alimentar, mudanças climáticas e desenvolvimento em regiões do semiárido Biodiversidade mudança climática e desenvolvimento em terras secas e sub-úmidas Vulnerabilidade e adaptação Vulnerabilidade e luta nas zonas rurais Clima Evolução do clima na áfrica ocidental Rede global de institutos de pesquisa sobre a seca

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Dia 19 Dos impactos à vulnerabilidade: inserindo as mudanças climáticas na agenda do Desenvolvimento Estratégias de adaptação nas terras secas Vulnerabilidade, impactos e adaptação nas terras secas Sistema de alerta precoces de seca Pesquisa em ciências sociais agenda em resposta às mudanças climáticas Governança internacional das instituições ambientais Lições aprendidas do projeto Áridas Declaração de Fortaleza 2010 Atividades desenvolvidas pelo consultor Atividades desenvolvidas pelo consultor Álbum de Fotos Clipping de Notícias Anexos

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eu início no dia 16 de agosto a Segunda Conferência Internacional: Clima, Sustentabilidade e Desenvolvimento em Regiões Semiáridas (ICID 2010) com a participação de mais de 2000 pesquisadores, técnicos, políticos e sociedade, em Fortaleza, Ceará. Estiveram entre os presentes, na mesa de abertura do encontro, o Governador do Estado do Ceará, Cid Ferreira Gomes; José Machado, Secretário Executivo do Ministério do Meio Ambiente (MMA); Luc Gnacadja, Secretário Executivo da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação; e Antônio Rocha Magalhães, Diretor da ICID 2010. Para Magalhães, “a reunião não é apenas sobre a mudança climática ou a desertificação, mas também sobre a análise dos desafios que enfrentam as regiões semiáridas e combinado com a identificação de oportunidades e caminhos a serem seguidos”. David Santos, de 10 anos de idade, foi chamado pela organização da ICID de representante da juventude de regiões semiáridas do Brasil, ele é prefeito-mirim de Maracanaú. David fez uma alerta: “cada município, estado e país deve fazer sua parte, assim como nosso município, que lançou o Protocolo Maracanaú mais Verde. Esperamos que outros municípios possam imitar nossa experiência”. A segunda representante da nova geração, Bianca Macedo, 10 anos de idade, leu um clamor por atenção às áreas secas do planeta. “Se o mundo pudesse falar talvez pedisse socorro, e se fosse uma criança como eu estaria de mãos estendidas esperando ser ajudado por

II ICID RECEBE REPRESENTANTES DO SEMIÁRIDO MUNDIAL alguém”, afirmou Bianca. Várias organizações parceiras da ICID 2010 apresentaram relatórios das reuniões preparatórias. Embaixador Alan Charlton, Reino Unido, o Departamento para o Desenvolvimento Internacional (DFID) descreveu reuniões na África sobre a proteção da agricultura das incertezas climáticas. Michel Laurent, Diretor Geral, Instituto de Pesquisa para o Desenvolvimento (IRD), destacou as parcerias norte-

conscientização sobre a desertificação em todos os setores devido a ICID 2010. Eduardo Sávio Martins, da Fundação do Ceará sobre Meteorologia e Recursos Hídricos, Brasil, destacou a importância do conhecimento sobre a adaptação e a necessidade de estrutura para internalizar tal conhecimento. Luiz Antônio Elias, do Ministério da Ciência e Tecnologia, destacou discussões realizadas em reuniões preparatórias sobre estratégias para a educação, planejamento, gestão pública e controle de zoneamento para assegurar uma gestão eficiente da água. Dalton Melo Macambire, da Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos do Piauí, descreveu parcerias já existentes para recuperação de áreas degradadas e demonstrou apreciação pelas atividades de fornecimento de recursos financeiros e compartilhou experiências sobre melhores práticas. “A cooperação regional em questões de adaptação às alterações climáticas e mitigação é de extrema importância, e lamento a lacuna existente entre vontade política e discussões científicas”, ressaltou José Almir Cirilo, da Secretaria de Recursos Hídricos do Pernambuco.

sul de pesquisa gerando conhecimentos sobre o desenvolvimento sustentável das regiões áridas. Jesse Ribot, Universidade de Illinois, disse que a aprendizagem e discussão sobre alterações climáticas, fenômenos climáticos extremos e seus efeitos devem continuar. José Sydrião de Alencar Júnior, do Banco do Nordeste, destacou uma maior

O pesquisador e geógrafo Hervé Thery apresentou o resultado do estudo Desertos e desertificação, que apontou dados sobre a desertificação em diversas regiões do mundo. Thery destacou que “o Nordeste brasileiro, apesar de ter problemas com o clima, não está entre os locais que vão estar no limite dentro de 50 anos. A principal área atingida está nos continentes africano e asiático”.


Dia 16

10 anos para pensar no combate à Desertificação

incluindo a gestão de inundações e o plantio de variedades vegetais resistentes à seca.

Também na abertura da ICID 2010, Luc Gnacadja, o secretário-executivo da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação, lançou a Década das Nações Unidas para os Desertos e Luta Contra a Desertificação 2010 – 2020. Para ele, a década é uma campanha a longo prazo para combater a desertificação.

Sahibzada Kahn, do Departamento de Planejamento e Desenvolvimento da Província do Noroeste, no Paquistão, fez uma apresentação sobre a gestão dos escassos recursos hídricos nas terras áridas do Paquistão, descreveu esforços para recuperar terras degradadas utilizando valas de contenção e estabilização de dunas de areia. Ele ressaltou desafios que incluem sistemas de pastoreio livre, intervenções de grande incentivo, estratégias utilizadas de mobilização social, consenso da comunidade e as diferenças entre abordagens regionais e locais.

Anualmente, 12 milhões de hectares viram desertos no mundo, segundo a ONU. Se nada for feito, esse número poderá aumentar. “Uma vez degradado, não podemos saber quanto e quão rápido será a expansão da degradação”, alertou Gnacadja. Os principais problemas são causados pela degradação contínua do solo devido às mudanças climáticas, à exploração agrícola desenfreada e à má gestão dos recursos hídricos. O secretário executivo da Convenção da Combate à Desertificação, o secretário Geral da ONU, Ban Ki-moon, ressaltou, em carta lida no encontro, que mais de 2 bilhões de pessoas moram em áreas secas. A maioria ganha menos de um dólar por dia e quase não tem acesso à água potável. Por isso, segundo Ki-moon, gestão de recursos hídricos, combate à fome e às mudanças climáticas são os desafios extraordinário - mas não são impossíveis - no enfrentamento da desertificação. IMPRENSA PARTICIPA DE COLETIVA COM PRINCIPAIS PAINELISTAS Após a abertura oficial da ICID+18, cerca de 30 representantes dos principais meios de comunicação do país e do mundo entrevistaram as autoridades da Convenção que apontaram os principais desafios da ICID no combate à desertificação, os impactos das mudanças climáticas no semiárido e a meta de incluir estes temas na agenda internacional de debates. Luc Gnacadja foi questionado sobre a importância da Década da Desertificação. O Secretário-executivo da UNCCD destacou que “com a assinatura deste documento que oficializa a década autoridades e população voltam suas atenções à defesa de medidas de proteção e gestão adequada das regiões atingidas pela seca”.

SESSÕES TEMÁTICAS CLIMA E SOCIEDADE: PREENCHENDO O VAZIO ENTRE CIÊNCIA E APLICABILIDADE O auditório principal do Centro de Convenções de Fortaleza foi palco do primeiro painel de debate que tratou do CLIMA E SOCIEDADE, presidido pelo Diretor do INMET, Terceiro Vicepresidente da OMM, Antônio Divino Moura. Para o professor da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), Guilhermo Gamarra, o Estado do Ceará tem várias áreas sofrendo esse fenômeno. “Na realidade, o processo se caracteriza como a modificação da Caatinga. Temos ICID + 18 l 5  l Agosto 2010

o empobrecimento do solo e a perda da biodiversidade”, destaca o professor. De acordo com Guilhermo, o deserto humano é consequência do processo de degradação, já que o local se torna improdutivo e sem condições de sobrevivência. De acordo com Gamarra, “é possível reverter os processos de degradação, mas o desafio está em investir numa educação contextualizada no semiárido. Por meio da agricultura familiar é possível evitar a desertificação”. Edineida Cavalcanti, pesquisadora da Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj), participou do debate e apontou que as políticas públicas criadas propõem soluções iguais para espaços diferenciados, o que se caracteriza como um problema que vem intensificado o processo de degradação. “Precisamos de políticas que dialoguem, ações preventivas e de combate com adaptação ao cenário de mudanças climáticas a que está sujeito o Nordeste brasileiro”, observa Cavalcanti. “Além disso, a sociedade pode se preparar para enfrentar o problema. Quando é possível unir a previsão com a preparação se tem um benefício maior”, disse o diretor do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), Antônio Divino Moura. O DESAFIO DA DESERTIFICAÇÃO E DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL EM REGIÕES SEMIÁRIDAS O debate sobre o desafio da desertificação e desenvolvimento sustentável em regiões semiáridas foi presidido por Luc Gnacadja, Secretário Executivo da UNCCD. Wadid Erian, do Centro de Estudos Árabes de Zonas Áridas, participou do painel e apontou a degradação e a desertificação das terras na região árabe. “Grande parte da população é afetada, destacando que as secas estão aumentando”, disse Erian. Ele ressaltou o trabalho de adaptação que está sendo realizado,

Ricardo Marques, do Projeto de Desenvolvimento Hidroambiental (PRODHAM), observou que a área de um projeto hidroambiental no município de Canindé, no Ceará, contava com a agricultura e a pecuária como geradoras de renda e sofria com falta de água durante as estações de seca. O PRODHAM é coordenado pela Secretaria de Recursos Hídricos do Ceará. Marques mostrou as técnicas utilizadas no projeto, incluindo barragens, cordões de pedra em contorno, incentivos para práticas de agricultura mais sustentável, atividades de reflorestamento em florestas secundárias e minibarragens. “A metodologia proposta pelo Projeto procura estabelecer um modelo de gestão participativo dos recursos hídricos, realizando para isso, investimentos em capacitação dos diversos atores sociais envolvidos (técnicos, organizações comunitárias, produtores rurais, jovens, professores etc) das áreas trabalhadas, objetivando introduzir a cultura preservacionista dos recursos naturais, especialmente o solo, a água e vegetação”. PROMOÇÃO DE RESILIÊNCIA Don Nelson, da Universidade da Geórgia, presidente da sessão que tratou do tema Adaptação com Visão de Longo Prazo. O painel alertou para a necessidade de ver a resiliência através de uma lente que conte a trajetória do desenvolvimento. Carol Roncoli, da Universidade de Emory, fez uma apresentação sobre alterações climáticas, pobreza rural e política de resiliência no Quênia. Ela observou vários fatores necessários para restaurar a memória e a confiança e, assim, gerar capacidade de adaptação. Roncoli mostrou o estudo realizado em cinco distritos do país, e concluiu que a “visão de longo prazo de adaptação exige a compreensão da vulnerabilidade como um emaranhado de crises”. Linha Gordon, do Centro de Resiliência Estocolmo, na Suécia, discutiu a resiliência na construção através de inovações do sistema de água nas zonas áridas, lembrando que populações desnutridas vivem em grande parte das terras secas mundiais. “As inovações do sistema de água são importantes em


todos os modelos de projeções para o futuro, especialmente na África Sub-sahariana, e que tecnologias adequadas e colaboradores relevantes” variam. Sobre o futuro do milho no México, Hallie Eakin, da Universidade do Arizona, reiterou a necessidade de prestar atenção à trajetória futura da mudança em termos de adaptação, a fim de melhor influenciar os tipos de capacidades de adaptação. Ela observou as tendências de mudança na gama de opções referentes aos modos de produção, os quais têm sido favoráveis aos produtores de milho comercial, mas às vezes têm causado mudanças de estilo de vida desfavoráveis aos agricultores de milho em pequena escala. USO RACIONAL E REUSO DAS ÁGUAS SERVIDAS EM REGIÕES SEMIÁRIDAS O painel presidido por Erwin de Nys, do Banco Mundial, tratou da otimização do uso dos recursos hídricos para regiões semiáridas. A manutenção e a ampliação de oferta para suprir as necessidades diretas para o consumo humano e animal, além das atividades econômicas, como industriais agrícolas e de serviço, passam por práticas consistentes de uso racional e reuso da água. “O objetivo desse painel é disseminar e consolidar a cultura do uso racional da água e da utilização de técnicas exitosas de reuso, examinar as vantagens competitivas da agricultura irrigada nas regiões semiáridas, o papel regulador dos poderes públicos e de que maneira o reuso de águas servidas na agricultura irrigada contribui para a melhoria da qualidade ambiental e reduz custos de produção”, ressaltou Nys. O gerente de Água e Solo da Agência Nacional de Águas (ANA), Devanir Garcia dos Santos, apresentou o Produtor de Água, programa de pagamento por serviços ambientais que remunera produtores rurais que adotam práticas e manejos e conservam a água e solo de suas terras. O Produtor de Água foi adotado em seis municípios de Minas Gerais, Espírito Santo e Rio de Janeiro. Segundo Garcia, o Programa prevê apoio técnico e financeiro a ações como construção de terraços e bacias de infiltração, readequação de estradas vicinais, recuperação e proteção das nascentes, reflorestamento das áreas de proteção permanente e reserva legal, etc. A remuneração aos produtores rurais é proporcional ao serviço ambiental prestado e depende de prévia inspeção.

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VARIABILIDADE CLIMÁTICA DO NORDESTE BRASILEIRO E TELECONEXÕES TROPICAIS O painel que tratou da variabilidade do Nordeste Brasileiro e Teleconexões tropicais foi presidido pelo Diretor de Pesquisa em Mudança Climática e fenômenos naturais do Instituto de Pesquisa para o Desenvolvimento (IRD, sigla em francês), teve como foco nos debates entender a variabilidade espacial e temporal da precipitação e seus mecanismos produtores sobre o nordeste do Brasil. Participaram do painel o professor Eduardo Góes Neves, que é autor de um estudo sobre a história da Amazônia, incluindo suas ofertas naturais; a pesquisadora Gisele Daltrini Felice, que tratou sobre a situação vivenciada no estado do Piauí; debatendo com as experiências brasileiras Lhoussaine Bouchaou, representante da Associação Internacional de Hidrogeologistas (IAH, sigla em inglês), apresentou o cenário de Marrocos. Participou ainda o diretor-adjunto do Locean-IRD, Luc Ortlieb. CLIMA, DESERTIFICAÇÃO E DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL Esta sessão foi presidida por José Geraldo de Souza Sobrinho, da Universidade de Brasília (UnB). Maria Manuela Morais, da Universidade de Évora, Portugal, discutiu a questão da disponibilidade de água. Ela disse que a falta de água já é uma realidade em algumas regiões, constituindo uma ameaça tanto para a humanidade e a biosfera, representando riscos para a saúde e impedindo o desenvolvimento econômico e social. Maria do Carmo Sobral, Universidade Federal de Pernambuco, Brasil, discutiu um estudo sobre a proteção das microbacias do Planalto da Borborema, terra natal de seis importantes rios. Ela sugeriu que, utilizando Áreas de Proteção Ambiental (APAs) em vez de Áreas de Preservação Permanente (APPs), todas as principais microbacias hidrográficas poderiam ser protegidas, permitindo a ocupação humana. Manuel Serrano Pinto, Universidade de Aveiro, Portugal, defendeu que políticos e tomadores de decisões devem levar em consideração as contribuições dos geocientistas no desenvolvimento de políticas públicas relativas a georrecursos (minerais, água, solo e paisagem física). LIÇÕES SOBRE A EXPERIÊNCIA BRASILEIRA Egon Krakhecke, Secretário Nacional de Extrativismo e Desenvolvimento Sustentável do Ministério do Meio Ambiente (MMA) coordenou a mesa de debates, que mostrou exemplos de programas do Governo Federal brasileiro e contou com a presença de José Machado, Secretário Executivo do MMA; Adoniram Sanches Peraci, Secretário Nacional da Agricultura Familiar do Ministério do Desenvolvimento

Agrário (MDA); Athadeu Ferreira da Silva, da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Paraíba (CODEVASF); Igor Arsky, coordenador geral de Acesso a Água do Ministério do Desenvolvimento Social (MDS); e José Luiz de Souza, do Ministério da Integração Nacional (MI). Krakhecke apresentou os esforços do MMA no combate ao desmatamento, no monitoramento via satélite do Bioma Caatinga do nordeste do país, na promoção do acesso à água e ao desenvolvimento sustentável dos recursos hídricos, e na implantação do Plano Nacional de Ação sobre a Desertificação. Para o secretário “é preciso criar uma nova comissão nacional, presidida pelo MMA, para coordenar os muitos ministérios e agências que lidam com as regiões do semiárido nos âmbitos federal e estaduais”. Adoniram destacou o papel do MDA na promoção da agricultura familiar nas regiões semiáridas por meio de financiamento e créditos especiais, seguro agrícola, assistência técnica e estabelecimento de mercados. “Há mais trabalho a ser feito para ampliar a cobertura e melhorar os mecanismos de compensação ambiental”, destacou. Sobre o programa de Acesso à Água do MDS, Arsky ressaltou que o “Cisternas nas Escolas é uma nova ação do Ministério, ação desenvolvida em parceria com o Governo da Bahia e o Ministério da Educação”. ENERGIA SUSTENTÁVEL PARA O DESENVOLVIMENTO DAS TERRAS SECAS Larry Simpson, consultor do Banco Mundial, observou que muitos consideram as energias renováveis não-confiáveis. “Para o uso em larga escala de energias renováveis, a energia deve ser armazenada e recuperada com perdas razoáveis, as baterias não são viáveis”, destacou Simpson. Ele enfatizou a possível adequação de energia renovável para as áreas secas e rurais devido a baixa manutenção. O coordenador de Energia e Comunicação da Secretaria da Infraestrutura do Ceará (Seinfra), Renato Walter Rolim Ribeiro, descreveu a história das energias renováveis na matriz de energia elétrica do Estado do Ceará.


“Juntos, os parques eólicos representam uma economia anual de água em torno de 2,1 bilhões de metros cúbicos para o sistema energético do São Francisco, que abastece o nordeste”, aponta Rolim, que destaca ainda a necessidade de incentivos para a adoção de tecnologias renováveis. “A energia das ondas poderia ser utilizada para dessalinização das águas do mar, que seria útil para as regiões semiáridas do Ceará”. Emílio La Rovere, do Programa de Planejamento Energético da COPPE da Universidade Federal do Rio de Janeiro, apresentou o programa piloto de combate à desertificação e degradação de terra no nordeste do Brasil, descreveu os objetivos do projeto, incluindo modernização dos sistemas de produção, pesquisa aplicada sobre estratégias de adaptação e potencial de criação de canais de comercialização para insumos agrícolas e assistência técnica. Ele disse que os próximos passos do projeto incluem aumento da capacidade de adaptação, acompanhamento e avaliação dos projetos em andamento e consolidação de métodos utilizados anteriormente. ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS, ADAPTAÇÃO E GOVERNANÇA NO SETOR DE ÁGUA Jamie McEvoy, professor da Universidade do Arizona, presidiu a sessão de adaptação à mudança climática e de governança no setor da água. Maria Carmen Lemos, professora da Universidade de Michigan, explicou o papel do desenvolvimento e gestão de riscos em resposta a desastres, planejamento de gestão da agricultura e da água em resposta à seca no Ceará, Brasil. Ela ressaltou a necessidade de sair de um ciclo vicioso de adaptação ineficaz em direção a um ciclo virtuoso de adaptação eficaz. Em relação à dessalinização como resposta adaptativa ou inadequada para as alterações climáticas, McEvoy ressaltou impactos indiretos da dessalinização, a saber: reforço do nexo de energia da água; maior desenvolvimento e aumento da centralização dos processos políticos. A professora afirmou que, garantindo a implantação de medidas de conservação, dessalinização solar e desenvolvimento de melhores práticas de gestão, poderia reduzir os riscos.

Rio Choquecota, parte do município de Palca, da província Murillo, e suas estratégias de adaptação. Ela advertiu que uma estratégia que é adaptável a um fator estressor pode não ser adaptável a um estressor futuro. EDUCAÇÃO E DESENVOLVIMENTO EM REGIÕES SEMIÁRIDAS Neste painel, o tema mais abordado pelos palestrantes foi a educação contextualizada para a convivência com o Semiárido. Além da apresentação de trabalhos teóricos acerca do tema, também foram relatadas experiências práticas que têm como base esse modelo de educação. Antônio Gomes Pereira, do Banco Mundial; Sílvio Rossi, do Instituto Nacional do Semiárido (INSA); Ladislaw Dowbor, da PUC de São Paulo; Lúcia Araújo, coordenadora do programa Convivência com o Semiárido; Luciana Nóbrega, da Rede de Educação do Semiárido Brasileiro/RESAB; e Washington Bonfim, da Universidade Federal do Piauí participaram do painel. Pereira, Rossi e Dowbor apresentaram o conceito de educação contextualizada como instrumento de transformação social. Abordaram as características desse modelo de educação, que prima por uma aprendizagem contextualizada à realidade do Semiárido, integrando à ciência e à tecnologia ao ensino, e desfragmentando o currículo escolar. Também discutiram como essa forma de educar pode promover o desenvolvimento local, formando sujeitos ativos que promovam a mobilização social. Luciana Nóbrega e Lúcia Araújo apresentaram experiências na aplicação dessa educação contextualizada no Semiárido. O programa Convivência com o Semiárido, apresentado por Araújo, prioriza a educação como forma de promover o desenvolvimento sustentável do Piauí. Além de desenvolverem formas de captação e armazenamento da água, investem na formação da consciência ambiental de crianças e adolescentes, através da educação contextualizada. Luciana falou sobre as atividades da RESAB, que buscam promover espaços de articulação política regional da sociedade organizada, também tendo como primórdio a educação como forma de desenvolvimento local.

Barbara Lynch, do Instituto de Tecnologia da Georgia, discutiu desafios do recuo dos glaciares, aumento da poluição e aumento da demanda na Bacia Hidrográfica de Puna e Quebrada Hondo, Peru. Ela enfatizou que questões sobre demanda e qualidade da água devem ser enfrentadas, além do atual foco singular na oferta. Lynch disse que a governança da água vai se tornar mais justa se os mais vulneráveis “falarem mais alto.”

Finalizando o ciclo de apresentações, Washington Bonfim falou sobre os desafios da educação no Semiárido Brasileiro, apresentando dados sobre o desempenho das escolas das regiões semiáridas do Nordeste. As pesquisas mostram que o nível escolar dessas instituições de ensino ainda está abaixo da média nacional. Assim, alertou para a urgência de políticas efetivas da União e dos estados, que auxiliem os municípios do Semiárido, a fim de que promovam melhorias na educação infantil.

Sobre a vulnerabilidade de adaptação e acesso concorrente a recursos na Bolívia, Julia McDowell, do Centro de Apoio à Gestão Sustentável da Água e Meio Ambiente (Agua Sustentable), descreveu os vários estresses enfrentados pelas comunidades agrícolas na Bacia boliviana do

ÍNDICES DE VULNERABILIDADE E IMPACTOS Troca de experiências de políticas públicas em favor do semiárido, índices de desertificação e seus impactos na agricultura e investimentos em ciências e tecnologia para o desenvolvimento regional, foram estes os temas principais

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debatidos no painel coordenado pelo Diretor do Centro de Gestão de Estudos Estratégicos (CGEE), Fernando Rizzo. DESERTIFICAÇÃO E MUDANÇAS CLIMÁTICAS O painel que aprofundou o tema do fenômeno da desertificação e sua relação com as mudanças climáticas foi coordenado pela professora Eneida Rabelo Cavalcanti, da Fundação Nacional Joaquim Nabuco (Fundaj). Cavalcanti ressaltou que “a participação popular na elaboração de políticas públicas sobre o assunto e a superação do modelo tradicional de desenvolvimento por outro mais sustentável”. SINERGIAS ENTRE AS CONVENÇÕES DAS NAÇÕES UNIDAS Luiz Alberto Figueiredo Machado, do Ministério das Relações Exteriores. Manifestando a esperança de que esta reunião fosse ajudar a definir a agenda do Rio+ 2012 (Cúpula da Terra), ele lembrou aos participantes que as Convenções do Rio (Convenção das Nações Unidas sobre a Diversidade Biológica, Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação e Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas), todas derivam do conceito-base chamado desenvolvimento sustentável. Uma mensagem de vídeo de Christiana Figueres, Secretária Executiva da CQNUMC, elogiou a discussão de sinergias entre as Convenções do Rio e sugeriu melhores práticas de gestão da água em âmbito local como uma das maneira de aproxima as Convenções. Antônio Magalhães, Diretor da ICID 2010, leu uma mensagem de Ahmed Djoghlaf, Secretário Executivo da CDB, que traçou as interrrelações entre as três Convenções do Rio, salientando que os impactos das mudanças climáticas afetam a gestão sustentável dos solos e da biodiversidade. Djoghlaf pediu a inclusão dos povos indígenas e comunidades locais nas negociações em curso sobre a criação de sinergias entre as Convenções.


Sérgio Zelaya, UNCCD, em nome de Jaime Webbe, CBD, fez uma apresentação sobre a biodiversidade, observando apelos para uma cooperação reforçada entre as convenções em suas respectivas Conferências das Partes (COP) e descreveu as iniciativas futuras, incluindo a propositura de grupos conjuntos de ligação, peritos e organismo científico, bem como uma sessão conjunta extraordinária das COPs das Convenção do Rio, na próxima Cúpula da Terra (Rio +20). Nora Berrahmouni, da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO), apresentou sobre as sinergias entre as Convenções do Rio em relação ao caso das florestas de terra firme. Alertando contra planos de ação nacionais e paralelos em seTores específicos, ela chamou a atenção para planos de ação integrados que garantam as bases de recursos, conserve e preserve vidas, e que mitiguem e se adaptem à mudança climática. Ela recomendou a colaboração dos regimes de terra nos âmbitos nacional e regional, gestão sustentável nos âmbitos da paisagem (como por exemplo bacias hidrográficas), ampliação de projetos bem-sucedidos de sistemas comuns de acompanhamento integrado entre as Convenções e financiamento sustentável. Sobre as respostas à mudança climática na América Latina, Walter Vergara, Banco Mundial, observou as localizações de três climas particularmente vulneráveis atualmente enfrentando desafios: Amazônia, Cordilheira dos Andes e corais no Caribe. Ele enfatizou a importância de uma melhor compreensão dos custos e benefícios de diferentes abordagens de adaptação e observou que o atual financiamento para a adaptação é de alcance limitado. Luc Gnacadja, Secretário Executivo da CQNUMC, disse que a questão das sinergias “parece ser como um fantasma - todos sentimos a sua necessidade, mas nós nunca realmente o vimos,” e apelou para “derrubar as torres de marfim” que cercam os processos de execução no âmbito das convenções individuais. Ele pediu um maior investimento em terras sustentáveis e gestão de recursos hídricos para garantir a segurança alimentar, diminuir a taxa de mudança do clima, aliviar a seca e evitar a mais perda da biodiversidade. No debate que se seguiu, participantes discutiram, dentre outros assuntos: o potencial da segurança alimentar nas zonas áridas, os problemas enfrentados no Bioma Caatinga no Brasil, a necessidade de aumentar a participação da sociedade civil na discussão de sinergias, a importância de uma maior partilha de ICID + 18 l 8  l Agosto 2010

informação sobre o trabalho das Convenções do Rio, e inclusão dos direitos humanos na discussão de sinergias. Durante todo o dia, 18 sessões de painéis temáticos se reuniram para tratar de questões relacionadas com adaptação às alterações climáticas, vulnerabilidade e desenvolvimento sustentável. Além desses grandes temas, painéis abordaram estudos de casos específicos e alguns deles focados em elementos como recursos genéticos, setor da saúde, índices de pobreza, sensoriamento remoto, papel da cultura e da educação. Uma seleção das sessões é apresentada abaixo.

Dia 17

CIÊNCIA E TECNOLOGIA PARA O SEMIÁRIDO A coordenadora da mesa, Lucia Melo, presidente do Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE), defendeu políticas ousadas que mudem o paradigma vigente. “Temos que incorporar na agenda das regiões menos desenvolvidas novas políticas e tecnologias para o desenvolvimento”. A dirigente defende o abandono do viés assistencialista para o semiárido brasileiro e enfatizou a importância da pesquisa de fronteira especificamente voltada para essas regiões, desenvolvida por pesquisadores e instituições locais. Aldo Malavasi, da Moscamed, falou sobre sua experiência no Vale do São Francisco com a esterilização de moscas para o melhoramento do plantio de frutas na região. O objetivo da organização é desenvolver um sistema integrado para o controle das moscas de frutas na região do semiárido e assim aumentar a qualidade final da produção dessas frutas no Nordeste do país. “Vinte por cento do que se vende no supermercado é orgânico”, avalia. Malavasi também defende a fruticultura para a geração de empregos, e reconhece que atualmente a produção não é tão importante como antes. “Hoje existem outros fatores que elevam o custo final do produto, como a sustentabilidade, os marcos regulatórios, a saúde alimentar, as implicações sanitárias e o turismo”. Outro tema abordado na palestra foi o uso racional da bioenergia no semiárido brasileiro. Luis Augusto Horta, professor da Universidade Federal de Itajubá (Unifei), colocou a questão da produção de energias renováveis nessas regiões como instrumento para a promoção do desenvolvimento. Segundo ele, a maior população semiárida do mundo é a do Brasil, com 27 milhões de habitantes e indicadores econômicos muito baixos comparados ao resto

do país. “Romper isso certamente passa pelo uso de fontes energéticas mais adequadas”, afirma. Horta coloca que hoje o desafio é levar energia elétrica para todas essas populações. De acordo com ele, a queima e o uso irracional da lenha é o grande vilão para o desenvolvimento sustentável e o bom uso de energia renovável nessas regiões. De acordo com a apresentação de Horta, são consumidos 25 milhões de metros cúbicos de lenha. “Em 2004, só nas festas de São João de Campina Grande foram consumidos 1400 m3 de lenha”, exemplifica como curiosidade. O pesquisador aponta como solução incrementar o uso da lenha e usá-la de maneira mais eficiente. O último palestrante dessa plenária foi também o único estrangeiro a compor a mesa, Mohamed Hassan, presidente da Academia de Ciências para os Países em Desenvolvimento (TWAS). De acordo com ele, somente a África tem 14 classes de zonas ecológicas, que variam de regiões secas a desérticas e de úmidas a florestas tropicais. Hassan listou alguns desafios enfrentados pelos países que sofrem com a desertificação: água, energia, saúde, agricultura e biodiversidade e futuramente mudanças climáticas. E fez ao público algumas perguntas: Como melhorar o acesso à água e a sua gestão? Como levar energia às comunidades rurais e explorar a energia renovável no semiárido? Como reduzir os múltiplos impactos das mudanças climáticas? Como solucionar problemas de saúde pública e pobreza no semiárido? O dirigente defende, entre outras medidas, pesquisas sobre Foto: Jefferson Rudy

Margarita Astralaga, Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), descreveu a evolução do debate sobre as sinergias no âmbito da governança ambiental internacional, destacando que as Convenções do Rio podem aprender com outros processos em que a abordagem sinérgica já está sendo implementada, especificamente entre a CBD e as convenções sobre produtos químicos.

purificação de água e a produção de células nanosolares mais baratas e mais eficientes. Ao final da sessão, cada palestrante apontou, em uma frase, uma proposta para compor a Carta de Fortaleza, que será elaborada no último dia da ICID+18. Aldo Malavasi propôs a formação de recursos humanos especificamente voltados para o semiárido. Luis Augusto Horta sugere o desenvolvimento de energias renováveis perenes a partir de algumas espécies oriundas do semiárido brasileiro. Para concluir, Mohamed Hassan sugere que, com o apoio da TWAS, sejam identificados os programas em andamento que atuam no semiárido de países em desenvolvimento com o propósito de aprimorálos. Além disso, sugere a formação de uma rede de excelência para pesquisa entre esses países.


VULNERABILIDADE, IMPACTOS E ADAPTAÇÃO ÀS MUDANÇAS CLIMÁTICAS NAS REGIÕES DO SEMIÁRIDO Em uma sessão da manhã, Jürgen Kropp, do Instituto Potsdam para Pesquisa do Impacto Climático, da Alemanha, argumentou que há um problema de gestão do conhecimento sobre as mudanças climáticas. “Os dados coletados por si só não bastam, as experiências devem ser compartilhadas e o conhecimento complexo interpretado para uso dos tomadores de decisões”, destaca Kropp. Para Paulo Nobre, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, “os estudos sugerem que a mudança climática fará com que o Nordeste do Brasil seja mais quente e árido, com chuvas irregulares, perda de produção agrícola e tenha impactos negativos nos emprego”. Ele sugeriu respostas, tais como, programas de emprego para recuperar a paisagem natural do Bioma Caatinga, reflorestamento às margens de rios e promoção de irrigação com energia solar de culturas de alto rendimento. Otamar de Carvalho, consultor e economista, discutiu o efeito das secas, inundações e variações climáticas sobre os agricultores pobres no nordeste semiárido. Ele também explicou que grande parte da produção econômica nordestina e da população é afetada pela desertificação. Usando exemplos do Brasil, China, Haiti e África sub-sahariana, Gnadlinger Johann, do Instituto Regional da Pequena Agropecuária Aplicada (IRPAA), discutiu a possibilidade de utilizar várias formas de aproveitamento das águas pluviais na adaptação às mudanças climáticas. Jagadish Baral, do Ministério das Florestas e Conservação do Solo do Nepal, discutiu os impactos positivos e negativos das mudanças climáticas na planície semiárida de Mustang, no Nepal. A IMPORTÂNCIA DA COMUNIDADE, CULTURA, IDENTIDADE E EQUIDADE EM ESTRATÉGIAS DE ADAPTAÇÃO ÀS MUDANÇAS CLIMÁTICAS Carol Farbotko, da Universidade de Wollongong, Austrália, observou que o aquecimento do planeta aumentará a migração de refugiados do clima. Farbotko lamentou as políticas reacionárias para refugiados do clima em face de desastres naturais, especialmente aquelas que reduzem a circulação transfronteiriça. A professora observou ainda, a necessidade de ferramentas equitativas para avaliar processos de migração climática. Julian Rebotier, da Universidade do Québec, no Canadá, falando sobre questões de justiça e mudanças climáticas em cidades latino-americanas, observou que a “crença na mudança climática não advêm da fé, uma vez que a mudança climática é um fato mensurável. A falta de conhecimento detalhado do clima no âmbito ocal para assegurar uma adaptação eficaz”. Jonathan Ensor, da ONG Practical Action, do Reino Unido, sobre a adaptação baseada na comunidade e na cultura, destacou que as normas sociais e a cultura podem condicionar os processos de adaptação. “A Practical Action trabalha com comunidades da África, Ásia e América Latina no desenvolvimento de suas habilidades e conhecimento e utilização de tecnologias adequadas para ajudá-los a desenvolver uma vida mais segura, lidar com os riscos que enfrentam e adaptar as suas vidas para cumprir com êxito os desafios do futuro”, destacou Ensor. Renata Marson Teixeira de Andrade, da Universidade Católica de Brasília, e Andrew Miccolis, da Consultoria ComSensos, apresentaram dados da vulnerabilidade às mudanças climáticas no Brasil, observando que o plano de mudança climática brasileiro enfatiza o uso de combustíveis renováveis e aumenta a utilização de biocombustíveis. Renata lamentou a falta de estudos que avaliem os impactos e as vulnerabilidades existentes nas comunidades locais e a falta de recomendações sobre estratégias para uma boa adaptação.

DESENVOLVIMENTO DAS REGIÕES SEMIÁRIDAS Antônio Galvão, Diretor do Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE), coordenou a mesa de debates o desenvolvimento das regiões ICID + 18 l 9  l Agosto 2010

semiáridas. Antônio Galvão leu uma mensagem de Ignacy Sachs, do Centro de Pesquisa para o Brasil Contemporâneo, destacando que a humanidade tem dois grandes desafios: pobreza e mudança climática. LEIA O ARTIGO ABAIXO. “O desenvolvimento do semiarido carece de um aporte mais decisivo em linhas de pesquisa para o semiárido, mas há enormes desafios para áreas emergentes”, destacou Galvão. Ivan Silva Lire, da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL), falando sobre as regiões semiáridas da América Latina, observou que 11% das regiões economicamente ativas geram 55% do produto interno bruto, salientando que essas regiões são caracterizadas pela desigualdade. Ele disse que as regiões com alto crescimento exploram os recursos naturais que estão ligados à economia mundial. Tania Bacelar, professora da Universidade Federal de Pernambuco, apontou que há mais oportunidades do que ameaças ao se tratar de mudanças climáticas. “As regiões semiáridas do Brasil enfrentam diminuição das colheitas e aumento da urbanização crescente”, destaca Bacelar. José Eli da Veiga, da Universidade Estadual de Campinas, chamou a atenção para a importância do intercâmbio eficaz de conhecimentos e do incentivo e transferência de tecnologia na região, a fim de aumentar as atividades econômicas das comunidades. Para Veiga, “que o preço das tecnologias deve diminuir para aumentar a aceitação e o uso de novas tecnologias”.

Artigo de Ignacy Sachs para ICID+18

EM BUSCA DE SOLUÇÕES TRIPLAMENTE VITORIOSAS Os desafios da conferência de 2012 das nações unidas sobre o meio ambiente e o desenvolvimento sustentável A segunda Conferência Mundial, programada para 2012, reunir-se-á novamente no Rio de Janeiro no limiar da terceira grande transição na longa coevolução da espécie humana com a biosfera. A primeira transição, conhecida como a “revolução neolítica” (Gordon Childe ), começou há doze mil anos e foi marcada pela domesticação de várias espécies vegetais e animais, pela sedentarização das populações humanas e pelo surgimento das primeiras cidades. A segunda transição, associada ao aumento de combustíveis fósseis, teve início no final do século XVII e conduziu à Revolução Industrial, que mudou completamente a face da nossa civilização. A atual transição deveria libertar-nos tão rapidamente quanto possível da nossa dependência excessiva do petróleo e do carvão, de modo a reduzirem-se as emissões de dióxido de carbono responsáveis pelo aquecimento da atmosfera e pelas consequentes mudanças climáticas deletérias. De acordo com Paul Clutzen, ganhador do Prêmio Nobel, entramos numa nova era geológica — o Antropoceno — na medida em que as atividades humanas têm crescido a um ponto em que elas têm um impacto significativo sobre os ecossistemas da Terra. Cabe a nós, os passageiros da “espaçonave Terra”, mostrar que somos capazes de agir como autênticos “geonautas” para preparar uma saída ordenada no século XXI fora da idade do petróleo e, possivelmente, da era da energia fóssil por completo. Mais genericamente, devemos


limitar a “criação destrutiva” do modo convincente descrito por Schumpeter, embora a abissal disparidade de consumo entre as minorias ricas e todos aqueles que sobrevivem em níveis de subsistência nos impeça de parar o crescimento material e passar para o estado estacionário visualizado por John Stuart Mill , a despeito do que os defensores da teoria do decrescimento possam dizer. Quanto mais justa a distribuição da renda, menor será o nível de GNP em que será possível parar o crescimento do rendimento de material; não existem limites para o crescimento não-material — serviços, atividades culturais etc. A capacidade de antecipar é uma característica específica do cérebro humano e o planejamento é uma ferramenta importante nas mãos das sociedades modernas que desejam ser revividas nas circunstâncias do presente, além do fato de que saímos da era do ábaco para a era dos computadores, e que o planejamento pode ser conduzido por meio de um diálogo democrático quadripartido entre o Estado, os empresários, os trabalhadores e a sociedade civil organizada. De fato, devemos confrontar em nossos planos dois desafios simultâneos: a já mencionada mudança climática, ameaçando o próprio futuro da humanidade a longo prazo; e o escândalo da pobreza — quantos, entre os passageiros da “espaçonave Terra”, vão para a cama famintos, apesar do fato de que a produção mundial atual poderia satisfazer as necessidades de todos se a distribuição de renda fosse menos enviesada? É por isso que devemos abraçar as soluções triplamente vitoriosas: a que inclui socialmente; a que é ambientalmente sustentável; e a que é economicamente viável. Sendo a última uma precondição para que as outras duas sejam realizadas. Um comentário está sendo feito aqui sobre a maneira como esses dois desafios se relacionam: os pobres são as primeiras vítimas da mudança climática. Vivendo com o mínimo possível, eles não possuem os recursos para atenuar ou para se adaptar à adversidade climática. Os holandeses podem enfrentar trabalhos públicos caros para fortalecer e aumentar os diques que os protegem do mar, mas o mesmo não pode ser dito sobre os bangladeshianos, e sem mencionar os habitantes das Ilhas Maldivas. DE ESTOCOLMO PARA O RIO DE JANEIRO A reunião de 2012 deve ser colocada em uma perspectiva histórica. Completar-se-ão 40 anos desde a fecunda conferência de Estocolmo, que foi bem-sucedida em adicionar o meio ambiente na agenda das Nações Unidas e foi seguida pela criação da UNEP. Muitos países criaram Ministérios do Meio Ambiente. Alguns até mudaram suas constituições. A Comissão Mundial do Meio Ambiente e do Desenvolvimento, presidida pela Primeira-Ministra norueguês Gro Harlem Brundtland, fez uma contribuição importante para a definição de desenvolvimento sustentável e construiu o palco para o Earth Summit de 1992, que se reuniu no Rio de Janeiro

com a presença de 110 chefes de Estado e um impressionante fórum paralelo organizado pela sociedade civil. O encontro no Rio preparou uma impressionante Agenda 21. Entretanto, essa carta não teve o impacto merecido. Após a queda do Muro de Berlim e a implosão da União Soviética, a contrarreforma neoliberal emergiu. A Conferência de Joanesburgo em 2002 foi incapaz de reverter essa tendência. Alguns observadores concluíram que Joanesburgo, longe de ser Rio +10, foi, por sua vez, Rio -10. A crise de 2008 e seus resultados mudaram novamente o cenário no qual a próxima conferência acontecerá, mais uma vez no Rio de Janeiro. No lado positivo, o mito dos mercados autorregulados foi seriamente abalado, apesar de não totalmente indeferido. Entretanto, uma crise é sempre uma oportunidade para mudanças. Eu fui informado que, em chinês, a palavra weiji para crise é escrita com dois caracteres — o primeiro significa perigo, e o segundo, oportunidade. Por outro lado, a União Europeia, até agora, não conseguiu ajudar alguns de seus membros mais seriamente afetados. Além disso, vários países estão envolvidos em políticas de austeridade, esquecidas pelos princípios fundamentais do keynesianismo. Sem falar na necessidade urgente de esclarecer a diferença entre as interpretações de políticas de esquerda e de direita dessa doutrina: intervenções do Estado, custeadas pelo déficit, podem atingir objetivos diferentes desde financiar habitação pública até promover corrida armamentista. Acima de tudo, os cientistas do Painel Intergovernamental em Mudanças Climáticas (Intergovernmental Panel on Climate Change) estão inflexíveis: o tempo deixado para mitigar a mudança climática está muito curto; nós devemos pensar ao máximo em termos de décadas. Isso ressalta a importância de um futuro encontro no Rio. Sem mencionar que essa conferência será a nossa última chance; nós não podemos dar-nos ao luxo de desperdiçar essa ocasião para dar um novo rumo não somente à economia, bem como à política social. Com o objetivo de vencer, nós devemos adotar um procedimento que reduza a probabilidade de impasses aparecerem nas negociações fragmentadas conduzidas entre quase duzentos

países, como, recentemente, aconteceu em Copenhague. No que se segue, uma abordagem de três frentes é sugerida. Todos os Estados-membros da ONU devem ser convidados a apresentar, digamos em dois anos, estratégias globais de desenvolvimento a longo prazo presentes nos planos, fazendo uso dos seguintes conceitos: • a pegada ecológica, começando com a pegada de energia ; • o reforço da biocapacidade; • novos paradigmas de energia caracterizados por maiores sobriedade e eficiência, bem como pela substituição de combustíveis fósseis por energias renováveis ; • a geração de oportunidades para um trabalho decente, na aceitação do conceito da ILO, com especial referência a temas como segurança alimentar e energética, explorando as fronteiras da Revolução Verde e Azul, bem como a perspectiva de sistemas agroflorestais, a fim de avançar para uma economia caracterizada por baixas emissões de carbono; • habitação, urbanização e sistemas de transporte adaptados aos diferentes ecossistemas. A próxima etapa deverá consistir na coordenação desses planos de forma a gerar sinergias positivas entre elas. Em paralelo, as Nações Unidas deveriam estabelecer um Fundo das Nações Unidas abundante para o desenvolvimento sustentável a fim de ajudar os países menos desenvolvidos. O Fundo seria financiado pelas receitas de um imposto sobre os combustíveis fósseis, completado pela transferência de, digamos, meio por cento do PIB dos países desenvolvidos para os menos desenvolvidos. Finalmente, as redes de cooperação C & T devem ser organizadas de acordo com uma nova geografia, com biomas como uma matriz, promovendo desta forma a cooperação entre os países situados em latitudes baixas. Isso nos traz de volta ao tema da Conferência ICID 2010. ALGUMAS PRIORIDADES DE INVESTIGAÇÃO PARA OS PAÍSES SEMIÁRIDOS A definição de bioma, baseada em redes de cooperação entre países que partilham condições climáticas semelhantes e dotação de recursos naturais, permite fazer bom uso das diferenças culturais, de aprendizagem a partir das definições dos parceiros da organização, das práticas gerenciais, bem como das inovações técnicas. Os seguintes pontos destacam-se entre as prioridades para investigações cooperativas e troca de experiências: USO E CONSERVAÇÃO DE ÁGUA Por razões óbvias, cada gota d’água — o recurso mais escasso — deve ser conservada e usada racionalmente, sendo reutilizada sempre que possível.


Daí, a importância de se equipar cada casa com uma cisterna para armazenar a água da chuva, concomitantemente à construção de reservatórios de água de vastos lagos e açudes em instalações subterrâneas que minimizem a perda de água por evapotranspiração. Por outro lado, as regiões semiáridas oferecem condições excepcionais para pomares, vinhedos, hortas, cultivo de flores e colheitas tais como a da cana-de-açúcar ao longo dos rios, de reservatórios construídos pelo homem e de canais. Os impactos sociais dessas produções laboriosas intensas estão no ápice quando os perímetros irrigados são administrados pelas cooperativas de pequenos produtores. Daí, a enorme importância de uma agenda para a reforma agrária, indispensável para o progresso da Evergreen Revolution, nas palavras de M.S. Swaminathan, também conhecida como “Revolução Duplamente Verde”. A diferença entre a primeira Revolução Verde associada ao nome de Norman Borlaugh e a Evergreen Revolution está em seus impactos sociais. A Revolução Verde original beneficiou apenas aqueles poucos sortudos com capital suficiente para comprarem sementes e fertilizantes, e com acesso à água para irrigação. A Evergreen Revolution é direcionada à maioria de pequenos fazendeiros da primeira geração da Revolução Verde.

GOVERNANÇA DAS ÁGUAS EM TERRAS SECAS O objetivo da palestra Governança da água entre regiões áridas e semiáridas foi unir pesquisadores para que pudessem sugerir e fornecer propostas para a utilização da água em bacias, lençóis e rios dos semiáridos africanos, sul e norte americanos. O representante da Agência Nacional das Águas (ANA), Ricardo Andrade, palestrou sobre o Programa Nacional de Desenvolvimento dos Recursos Hídricos (Próágua). “O Próágua inovou ao atrelar os investimentos. Acordos no Rio Grande do Norte, Pernambuco e Sergipe foram feitos diretos com o Banco Mundial”, destacou Andrade. Já o professor da Universidade do Texas, Jurgen Schmandt, destacou a importância que proporciona um estudo mais aprofundado do fluxo dos rios e como eles influem na vegetação semiárida. “Nós devemos investir, desenvolver e abrir estudos de agricultura irrigada para o melhoramento em pesquisas com plantas que sejam propícias ao clima semiárido e que tenham capacidade de resistência à água”, disse Schmandt. Benjamin Ngoubou Ngatcha, professor da Universidade Ngaoundere (Camarões), falou sobre variedade climática e os impactos que estas podem provocar na Terra, além de alertar sobre as consequências futuras, caso as bacias e os lençóis do semiárido africano não sejam investidas pesquisas.

Uma terceira geração está se distanciando da base, associada ao uso de carvão como catalisador de processos metabólicos no solo e renomeada para a ocasião como biochar . Práticas ancestrais de algumas tribos indianas na região amazônica, responsáveis pelo surgimento das férteis “terras negras”, estão sendo reproduzidas agora para gerar hortas de alta produção e baixa demanda de água. No que diz respeito ao Brasil, não temos uma estimativa precisa do potencial para a agricultura irrigada nas regiões semiáridas. Quantas Petrolinas ainda virão? Quantos pequenos fazendeiros podem se beneficiar delas, levando em consideração que os futuros perímetros de irrigação serão distribuídos àqueles organizados em cooperativas? FONTES DE ENERGIA RENOVÁVEIS E URBANIZAÇÃO Onde a água não está disponível, ainda assim, é possível aproveitar um recurso abundante, a energia solar, e, em muitos locais, a energia eólica, destinando para bom uso as vastas porções de terra inapropriadas para a agricultura, e produzindo vastas quantidades de energia para além das necessidades locais. Essa energia excedente pode ser mais bem aproveitada na criação de indústrias na região, transformando matéria-prima oriunda do semiárido da região próxima e das áreas tropicais, e incentivando o desenvolvimento de centros urbanos, colocando lado a lado todos os

”É preciso apoiar trabalhos que proporcionem estudos em bacias africanas. Como administrar uma pesquisa que ficamos só em uma parte da superfície? É necessário mais trabalho de mudanças globais. É preciso integrar, hidrólogos, geólogos, geógrafos e biólogos. È preciso de análises de universidades para resolver a problemática da água na região. Temos que nos preparar para as consequências até 2025”, alertou Ngatcha. O professor da Universidad Del vale, na Colômbia, Oscar Buitrago Bermúdez, fez uma reflexão sobre água, liberdade e a propriedade nas culturas do limite de terra como construção histórica.”Precisamos falar do desenvolvimento como requisito para alcançar a liberdade. Para isso, é fundamental o desenvolvimento político das comunidades. É preciso que as comunidades se organizem politicamente, para que possam demandar atitudes às autoridades locais. Que estes aspectos sejam contemplados para a construção de uma nova sociedade”, indagou Bermúdez. ”Precisamos falar do desenvolvimento como requisito para alcançar a liberdade. Para isso, é fundamental o desenvolvimento político das comunidades. É preciso que as comunidades se organizem politicamente, para que estass possam demandar atitudes ás autoridades locais, que estes aspectos sejam contemplados para a construção de uma nova sociedade”, indagou Bermúdez.

tipos de serviços — saúde, educação e pesquisa. Tirando conclusões a partir da experiência negativa de países como o Egito , devemos dar atenção especial para evitar que terras agrícolas sejam invadidas pelo crescimento urbano. É mais fácil e mais e barato serem construídas cidades no deserto que desertos serem transformados em campos. As lições positivas decorrentes do Egito demonstram que as terras áridas podem ser ricas em recursos minerais e, como mencionado anteriormente, oferecerem uma vasta área para serem controladas as energias solar e eólica em condições favoráveis. Agrupamentos urbanos em terras áridas e semiáridas podem gerar muitos problemas desafiantes para arquitetos, urbanistas e especialistas em sistemas de transportes urbanos, abrindo um vasto campo para o intercâmbio de experiências entre países em desenvolvimento. Graças ao seu potencial de pesquisa, o Brasil e a Índia surgem como duas locomotivas de uma rede de países com extensas regiões semiáridas. Esperançosamente, o ICID fará uma importante contribuição para a consolidação da rede de países que enfrentam o difícil desafio de criar estratégias de desenvolvimento ambientalmente sustentáveis e socialmente inclusivas nas regiões áridas e semiáridas. Uma abordagem semelhante deve ser seguida por cada um dos principais biomas.

Por último, o consultor Otamar de Carvalho citou o sociólogo Gilberto Freyre em seu discurso e alertou para o risco de desertificação dos Estados nordestinos. “Quarenta e sete por cento do PI, CE, RN, PB, PE, AL, SE e BA são propícias à desertificação. Pode-se medir a carência de água comparando a disponibilidade e a capacidade de armazenamento dos açudes. Gilberto Freyre, sociólogo, um dos melhores do Brasil, provou a falência da hipótese de que o produtor rural isolado pode ser adequamente ajudado”, expôs Otamar.


ÍNDICE DE POBREZA HÍDRICA

Um estudo apresentado em 2002 por especialistas do Reino Unido cruzou diversos dados sobre desenvolvimento humano, disponibilidade, distribuição e acesso à água e resultou em um mapa-múndi que mostra a situação do recurso natural em cada território. A análise serviu como base para um projeto cearense que busca melhorar a vida de famílias que vivem em uma área bastante seca e pobre do Estado. O Índice de Pobreza Hídrica foi coordenado pela pesquisadora britânica Caroline Sullivan, que participou da ICID 2010 (Segunda Conferência Internacional: Sustentabilidade e Desenvolvimento em Regiões Semiáridas) que acontece nesta semana em Fortaleza, no Ceará. - Qualquer país nunca para de se desenvolver. Então, o índice serve para que as políticas públicas e as iniciativas sejam incentivadas a todo tempo. Em 2003, a divulgação dos países mais bem colocados no ranking revelou a liderança da Finlândia. O Brasil apareceu em 50º lugar, ou seja, mesmo tendo água em abundância, nem sempre ela é própria para o consumo e consegue chegar às regiões que mais necessitam. Renata Mendes Luna, professora do Departamento de Engenharia Hidráulica e Ambiental, da Universidade Federal do Ceará, usou o Índice de Pobreza Hídrica com informações sobre desenvolvimento humano na bacia do Salgado, sudeste do Estado do Ceará. A região semiárida tem 23 municípios, chuvas irregulares, e muitas famílias vivem com renda mensal de até meio salário mínimo. O índice coordenado por Caroline foi estudado por Renata e somado às informações da bacia do Salgado, como oferta e demanda por água, acesso a ela e número de mortes por doenças ligadas ao consumo de água poluída. “A região tem diversidade fitoecológica e populações diferenciadas do ponto de vista sócio-econômico. A partir das variáveis de desenvolvimento humano foram montados os indicadores de recursos de uso, de disponibilidade, de acesso e meio ambiente”, conta a professora. Com um conjunto enorme de índices, ela criou um para cada município. A ideia é um importante passo para definir a quantidade de Caroline Sullivan, Gertjan Beekman, Maria Eugênia e Renata Luna: IICA coordenou painel

recursos públicos que podem ser investidos em cada cidade e a urgência em recebê-los.

Apresentando sobre o papel dos mercados na abordagem das mudanças climáticas nas terras áridas e semiáridas do Quênia, David Miano Mwangi, Kasal, enfatizou a necessidade de incluir a comercialização sustentável na agenda de desenvolvimento sustentável.

Mesmo com o avanço, Renata conta que a pesquisa sobre a situação real dos municípios ainda tem problemas.

Frederick Kahimba, Sokoine Universidade de Agricultura, Tanzânia, destacou respostas tradicionais e convencionas viáveis à adaptação à seca e concluiu que em épocas de eventos climáticos extremos, práticas agronômicas devem ser mantidas.

“Os dados sobre o desenvolvimento de cada região vêm do IBGE [Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística], então não temos esses dados de imediato, com a atualização necessária das informações que servirão para criar projetos”, destaca Renata. Antes dela, as pesquisadoras Elena Maria Abraham e Maria Eugênia Fusari, do Iadisa (Instituto Argentino de Investigações sobre as Zonas Áridas) fizeram um trabalho semelhante que monitora os recursos hídricos em Lavalle, na Província de Mendoza. A região corre sérios riscos de desertificação e, por isso, vem sendo estudada com muito cuidado.

VULNERABILIDADE E ADAPTAÇÃO DA ÁFRICA E AMÉRICA LATINA O painel coordenado por David Miano Mwangi, doPrograma de Pesquisa das Regiões Áridas e Semiáridas do Quênia (Kasal), contou com a participação de Maria Carmen Beltrano, do Conselho Italiano de Pesquisa Agrícola. Carmen falou sobre um sistema tecnológico inovador de alerta e previsão de calor para o gado e descreveu um índice de umidade efetiva da temperatura, que tem sido utilizado para previsão de eventos extremos de calor, poupando os agricultores perda de gado leiteiro.

David Barkin, da Universidade Autônoma Metropolitana do México, apresentou as novas estratégias para a sustentabilidade na construção civil, sublinhando a necessidade de mudança da ciência tradicional para uma nova ruralidade comunitária, que requer maior envolvimento da comunidade e incentiva a criação de riqueza e preservação ambiental. ICID + 18 l 12  l Agosto 2010

Stephen Mureithi, da Universidade de Nairobi, no Quénia, descreveu um projeto participativo para treinar comunidades no noroeste do Quênia sobre as melhores técnicas de planejamento do uso dos recursos. Ele chamou a atenção para a localização da gestão do ciclo de seca e de uma abordagem regional para a gestão de recursos compartilhados.

IMPACTOS E ADAPTAÇÃO NA AGRICULTURA

Justine Ngoma, ZBU, Zâmbia, destacou as medidas de adaptação implantadas no setor agrícola às mudanças climáticas na Zâmbia. Ela disse que as respostas políticas primárias para a adaptação incluem diversificação de culturas, uso de culturas tolerantes à seca, técnicas de agricultura de conservação e melhoria dos serviços de extensão agrícola. Christina Rosera, do Ministério da Agricultura, Pecuária, Aquicultura e Pesca do Equador, destacou dentre outros os desafios apresentados pelos ecossistemas afetados pela agricultura não planejada e pelo acesso limitado à água. Rosera enfatizou a importância de democratizar o acesso aos recursos produtivos (terra, água e crédito) e processos participativos que sejam culturalmente aceitáveis. Falando sobre comunidade agrícola, Ganesh Parida, do Centro de Juventude e Desenvolvimento Social da Índia, explicou que trata-se de uma prática de agricultura ambientalmente sustentável que promove a utilização adequada do solo, garante a segurança alimentar de famílias pobres e cria espaço para a adaptação tecnológica. Steven Nagume, Coalizão de Ação para a


Mudança Climática de Uganda, ressaltou desafios agrícolas de adaptação às mudanças climáticas, incluindo a natureza latente e lenta dos impactos observados, a falta de dados, competição de interesses pelo uso da terra e falta de planos de gestão abrangendo áreas específicas. Ele destacou as estratégias de adaptação, incluindo práticas de manejo de rebanho. José Lemos, da Universidade Federal do Ceará, discutiu os efeitos da mudança dos padrões de precipitação sobre a produção agrícola no estado do Ceará. Peter Odjugo, Universidade de Benin, destacou os desafios agrícolas no oeste africano, observando que as mudanças atuais estão assustadoramente esmagando a capacidade adaptativa existente. Ele chamou a atenção para a importância do investimento em irrigação, uso de culturas resistentes à seca, desenvolvimento de políticas nacionais para mudança climática e informações adequadas para os agricultores sobre o clima e as estratégias de adaptação.

DISTORÇÃO POLÍTICA AGRAVA SITUAÇÃO NAS REGIÕES SECAS, DIZ JEFFREY SACHS

A visão distorcida dos políticos e insistência dos Estados Unidos em resolver as diversas questões de conflitos nas regiões áridas e semiáridas do planeta com força militar são mais cruciais para seus habitantes do que os entraves e os problemas acarretados pelas mudanças climáticas. Este foi o foco central da palestra do economista Jeffrey Sachs, conselheiro especial do Secretário Geral das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, hoje (18), na 2ª Conferência Internacional: Clima, Sustentabilidade e Desenvolvimento em Regiões Semiáridas (Icid+18), em Fortaleza (CE). Sachs disse que não há dúvida de que as regiões secas são as mais afetadas pelas alterações do clima e que esse fator também contribui para os conflitos que elas abrigam, “mas não é despachando tropas militares para preservar a política de interesses dos países ricos nessas áreas que os problemas serão

“mas não é despachando tropas militares para preservar a política de interesses dos países ricos nessas áreas que os problemas serão resolvidos”, resolvidos”, completou. Na opinião do economista, estamos muito próximos de uma situação climática irreversível para o planeta. “Todos serão afetados indistintamente”, ressaltou Sachs, que também é professor de Desenvolvimento Sustentável, e de Política de Gestão da Saúde da Universidade Columbia, dos Estados Unidos. Em sua apresentação, Jeffrey Sachs disse que os Estados Unidos deveriam melhorar seus conhecimentos sobre as áreas conflituosas do mundo, que são exatamente aquelas inseridas das regiões áridas e semiáridas, onde estão as populações mais pobres e necessitadas. “Nelas, os engenheiros militares seriam ICID + 18 l 13  l Agosto 2010

mais úteis ensinando a cavar poços para a procura de água do que desenvolvendo artefatos bélicos”, opinou. O especialista pediu que lhe seja enviada uma cópia da Carta de Fortaleza, documento que deve reunir as questões sugeridas pela Icid 2010 para a Rio+20, em 2012, para que ela seja incorporada na próxima reunião do Conselho de Segurança da ONU, agora em setembro. “Tenho certeza que a sugestão será acatada pelo secretário Ban Kimoon, que é sensível as questões climáticas em nível mundial, disse Sachs. Ele também sugeriu a criação de um órgão que congregue líderes e governantes de países que estão nas regiões áridas e semiáridas para que pressionem os países desenvolvidos a que dediquem mais recursos, apoio, ciência e tecnologia às suas áreas como forma de ajuda para resolver seus problemas, “que embora locais, refletem em todo mundo”, disse Sachs.

Dia 18

ESTRATÉGIAS DE FINANCIAMENTO PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL EM REGIÕES ÁRIDAS E SEMIÁRIDAS

José Sydrião de Alencar Júnior, Diretor de Gestão do Desenvolvimento do Banco do Nordeste (BNB), abriu a sessão ressaltando a importância do financiamento para o desenvolvimento em regiões semiáridas. A geógrafa Branca Bastos Americano, diretora de Mudanças Climáticas da Secretaria de Mudanças Climáticas do Ministério do Meio Ambiente (MMA), foi objetiva. Ela afirmou que o Fundo Nacional sobre Mudança do Clima já tem R$ 200 milhões assegurados para 2011. O fundo é o primeiro no mundo a utilizar recursos do lucro da atividade petroleira para pesquisas e ações de redução e adaptação às mudanças climáticas. Quando a Política Nacional sobre Mudança do Clima (PNMC), instituída pela Lei Nº 12.187/09, foi sancionada, em dezembro do ano passado, o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, disse que o fundo (um dos dispositivos que ainda aguarda normatização) teria orçamento de R$ 800 milhões a R$ 1 bilhão por ano, proveniente de 10% do lucro do petróleo. Branca Americano afirmou que as pendências legais devem ser resolvidas até o final deste ano. O Fundo deve virar um projeto de lei ou um decreto presidencial. A notícia foi apenas uma entre as colocações da mesa redonda que reuniu ainda Mark Lundell, coordenador do Banco Mundial para a área ambiental no Brasil; Rommel Acevedo, secretário-geral da Associação Latino Americana de Instituições Financeiras de Desenvolvimento (Alide); e o chefe de Operações do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Jaime Mano. Mais do que discutir, os representantes das instituições deixaram claro que as questões climáticas e de sustentabilidade são prioridades no que diz respeito aos investimentos, principalmente em infraestrutura. “Uma nova estratégia está sendo desenhada pelo banco e claramente o problema de campo climático, a energia sustentável e a sustentabilidade serão áreas prioritárias. Teremos novas autoridades federais e um País crescente com dinamismo. Com demanda por investimento e banco capitalizado, criam-se as condições mais favoráveis”, avisou Jaime Mano, do BID. “Os bancos sofreram mudanças nos últimos 20 anos”, confirmou Rommel Acevedo, da Alide, explicando que uma das vertentes hoje trata de financiamentos para regiões áridas e semi-áridas. Mark Lundell, do Banco Mundial, lembrou ainda que, dentre as ações de redução dos impactos climáticos está o incentivo ao aumento da renda. “Queremos assegurar que as pessoas estejam sendo beneficiadas pela gestão dos recursos hídricos”. Lundell citou programas como o Crediamigo, do Banco do Nordeste, como uma das inovações na geração de emprego e renda para a população rural.


INTERLIGAÇÕES DE BACIAS EM REGIÕES SEMIÁRIDAS

O painel Transposição de Bacias em Regiões Semiáridas discutiu as necessidades que devem ser observadas nesses empreendimentos frente aos desafios da expansão econômica, sustentabilidade social e ambiental e mudanças climáticas. A transposição de bacias e a consequente introdução de sistemas de regularização decorrente da administração de estoques e fluxos de água, como solução para regiões que sofrem com as secas, proporciona as ferramentas para desenvolvimento econômico e social e sustentabilidade ambiental. As transposições podem reduzir a incerteza da oferta hídrica, viabilizando investimentos. O superintendente de Outorga e Fiscalização da Agência Nacional de Águas (ANA), Francisco Viana, apresentou as características do Projeto de Transposição do Rio São Francisco (Pisf ). Segundo ele, a maior preocupação da ANA não é com relação ao volume de água transportado para o Nordeste Setentrional, mas com a solidez do arcabouço institucional que o empreendimento requer. “A grande questão é quem vai operar de maneira sustentável a transposição. Nunca houve uma preocupação com a oferta de água, que é mais do que suficiente”, disse. O ciclo hidrológico está diretamente vinculado às mudanças de temperatura da atmosfera e ao balanço de radiação. Com o aquecimento da atmosfera, de acordo com o que sinalizam os estudos disponíveis, espera-se, entre outras conseqüências, mudanças nos padrões de precipitação (aumento na intensidade e variabilidade das chuvas), o que poderá afetar significativamente a disponibilidade e distribuição nos rios. Em outras palavras, os eventos críticos, como secas e enchentes, poderão tornar-se mais freqüentes. Por isso, atenção especial deve ser dada às regiões semiáridas. As perspectivas de mudanças climáticas tornam as transposições ainda mais importantes, no entanto, aumentam a necessidades de planejá-las. De acordo com Peter Van Nierck, especialista da África do Sul, além de integração e instituições, as regiões semiáridas precisam de planejamento. “É preciso planejar antes que os problemas aconteçam. É preciso incluir no planejamento, além de transposição, ações de dessalinização e reciclagem”, disse. O painel abordou ainda questões relacionadas à avaliação dos efeitos positivos e negativos das interligações nas bacias doadoras e nas bacias receptora e tecnologias que podem favorecer e garantir o desenvolvimento sustentável das áreas beneficiadas.

SEGURANÇA ALIMENTAR, MUDANÇAS CLIMÁTICAS E DESENVOLVIMENTO EM REGIÕES DO SEMIÁRIDO

O presidente da mesa, Abdou Kaza, Ministro da Água, Meio Ambiente e da Luta Contra a Desertificação, Níger, abriu a sessão, lembrando que a segurança alimentar é uma das grandes preocupações do nosso tempo e que a falta de alimentos pode comprometer o desenvolvimento em regiões pouco desenvolvidas. “Para a Níger é uma oportunidade de participar também como um país que sofre com a desertificação. Nosso país possui 77% de sua área desertificada, sofre com os grandes períodos de seca e com as chuvas, que devastam a região. “Depois da seca, as chuvas são violentas, levam animais, inundam e destroem plantações, levando as sementes plantadas”, lamenta Kaza. Ghani Chehbouni, Instituto Francês de Investigação e Desenvolvimento (IRD), Egito, disse que a segurança alimentar é um direito básico e necessidade de todos os seres humanos. Ele notou a incerteza nas previsões de mudanças climáticas e as previsões de chuva, e chamou a atenção para a troca de conhecimentos, pesquisas e idéias. Eduardo Delgado Assad, Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Brasil, destacou exemplos de projetos brasileiros de redução de perdas na agricultura através do uso de projeções e notou que alguns municípios possuem projeções especificando os usos do solo que culturas poderão ser plantadas com sucesso em determinadas áreas. Cheikh Oumar Ba, Iniciativa Prospectiva da Agricultura Rural (IPAR), Senegal, ressaltou a importância da agricultura para a produção de alimentos, criação de empregos e aumento da atividade econômica. Ele observou que o governo senegalês reforçará os investimentos socioeconômicos, bem como permitirá o acesso aos mercados estrangeiros para compensar a diminuição da produção de alimentos. Patrick Caron, Investigação Agrícola para o Desenvolvimento (CIRAD), França, salientou que não há necessidade de aumentar a produção agrícola, todavia são necessários melhorias no acesso aos alimentos e outras necessidades básicas. Ele chamou atenção para a governança eficaz de mercado e destacou a necessidade de produzir alimentos de melhor qualidade com mais eficiência e mais diversidade. Ministro do Ensino Superior e Investigação Científica, Amadou Tidiane Ba, Senegal, disse que não há solução para a questão da segurança alimentar e sugeriu que o problema possa ser resolvido levando em consideração condições locais. Ele enfatizou a importância da disponibilidade de água para a segurança alimentar e chamou atenção para a importância de assistência técnica de outros países, como o Brasil.

ICID + 18 l 14  l Agosto 2010


BIODIVERSIDADE MUDANÇA CLIMÁTICA E DESENVOLVIMENTO EM TERRAS SECAS E SUBÚMIDAS

Nesta sessão presidida por Sérgio Zelaya, UNCCD, Aderbal Corrêa, do Centro Internacional de Estudos sobre Terras Áridas e Semiáridas dos EUA (ICASALS), discutiu métodos de ensino referentes aos valores do desenvolvimento de meios de subsistência baseados na biodiversidade. Zelaya comparou e contrastou a história da borracha e com a do cultivo de açaí no Brasil. Ana Maria Orozco Guacho, de Guaman Poma Ayala, no Equador, falou sobre a sua jornada pessoal em trabalhar com recuperação de terras semiáridas no Equador conhecida como Mama Loma Dona, em grande parte, sem assistência externa, usando o conhecimento tradicional e espécies vegetais nativas. Ana pediu que todos trabalhem juntos para intervir diretamente na proteção da biodiversidade e recuperação de áreas degradadas, e não esperar que as negociações internacionais produzam resultados concretos. Quanto a políticas públicas e investimentos Ana Maria acredita que a solução é dar uma resposta prática a problemas internacionais relacionados a pobreza e a fome. “Estou vendo que os estudiosos, governos, gente que diz que a terra não valem, mas não fazem o que devem fazer, não há políticas de governos pois não sentem o que os povos sentem, que a terra é para nós a mãe”, alerta a indígena. Zelaya fez uma apresentação em nome de Jaime Webbe, CBD, sobre como enfrentar as ligações entre a perda da biodiversidade, mudanças climáticas e degradação do solo por meio de três abordagens básicas: restauração de ecossistemas, melhoria na gestão de áreas protegidas, e uma abordagem ecossistêmica para adaptação. Ele disse que maximizar os benefícios requer o estabelecimento de linhas de base, usando ferramentas existentes e realização de avaliações econômicas, priorizando ações e praticando uma gestão adaptativa. Zelaya também fez uma breve apresentação explicando a iniciativa “ONU Terra” em terras globais áridas que será oficialmente lançada com um relatório orientado para a CQNUMC COP 16, em Cancún, México, em Dezembro de 2010.

VULNERABILIDADE E ADAPTAÇÃO - IMPLICAÇÕES DAS MUDANÇAS CLIMÁTICAS na CHINA NOS ÂMBITOS MACRO E MICRO

Nengzhi Qian, da Administração Florestal Estatal da China, apresentou medidas-chaves e realizações no setor florestal chinês para combater as mudanças climáticas. Qian disse que a China “espera ter reflorestado 47 milhões de hectares em 2050, e registrou o aumento da conscientização sobre a importância das florestas para atividades de mitigação dos impactos das mudanças climáticas no âmbito local”. Zhang Yue, da Universidade Agrícola da China, apresentou sobre a vulnerabilidade dos agricultores à mudança climática em regiões semiáridas chineses, delineou algumas estratégias de adaptação local, incluindo o desenvolvimento “anti vulnerabilidade” e elogiou o governo apoiar medidas de adaptação locais. Lamentando a falta de comunicação efetiva entre cientistas do clima e comunidades locais, Xiuli Xu, Universidade Agrícola de Pequim, China, perguntou “o que significa a mudança climática para a população local”, observando que o discurso teórico sobre mudança climática não é facilmente traduzido para as comunidades locais. Ela enfatizou a inclusão de narrativas locais de agricultores sobre as mudanças climáticas no contexto mais amplo do discurso sobre mudanças climáticas, notando que muitas medidas de adaptação são realizadas “inconscientemente”, como por exemplo as pessoas se adaptarem às mudanças por uma questão de disciplina. Caizhen Lu, Academia Chinesa de Ciências, falou sobre adaptação ICID + 18 l 15  l Agosto 2010

e vulnerabilidade em relação às secas no sudoeste da China, descrevendo o impacto da escassez de água e aumento dos preços dos alimentos, e chamou a atenção para a participação dos moradores nos processos nacionais de tomada de decisões. Sobre a descentralização e adaptação local às mudanças climáticas na província de Yunnan no sudoeste da China, He Jun, Centro Mundial Agroflorestal (ICRAF), China, observou que as diferenças políticas prejudicam as medidas de adaptação local. Ele chamou a atenção para a institucionalização e ampliação da participação local acoplada ao efetivo poder de transferência a partir do âmbito nacional ao local.

VULNERABILIDADE E LUTA NAS ZONAS RURAIS

Angela Küster, da Fundação Konrad Adenauer, discutiu os esforços para promover a agroecologia no nordeste brasileiro para ajudar os ecossistemas do semiárido e os agricultores de pequena escala. Ela explicou que a agroecologia enfatiza certos valores sócio ecológicos, tais como redução de insumos externos, utilizando práticas agrícolas alternativas e a concepção do agro-ecossistemas. Ela advertiu que há uma necessidade urgente de desenvolver um conjunto de indicadores que definam agroecologia antes que o termo seja mal utilizado. Joy Obando, Universidade Kenyatta, Quênia, apresentou os resultados de um estudo de redução de vulnerabilidade das comunidades pastoris em relação às mudanças climáticas e a variabilidade no norte do Quênia. Ela disse que seus resultados indicam que o aumento das secas e enchentes afetará negativamente a subsistência pastoral, direta e indiretamente, através da perda de animais, e que as políticas nacionais sobre mudanças climáticas devem incluir orientações sobre a adaptação no âmbito dos sistemas pastoris, abordando questões tanto relacionadas às opções alternativas de subsistência quanto a praticas pecuárias. Woldetinsac Tewolde, Universidade Asmara, Eritréia, discutiu medidas de redução da variabilidade do clima no semiárido de seu país, incluindo: capacitação da comunidade local por meio de “células de gestão ambiental”; novas formas de cooperação simbiótica entre pastores e agricultores comerciais; regimes florestais comunitários; programas escolares baseado em arborização; e criação de um sistema de alerta para as terras semiáridas capaz de prever os impactos climáticos sobre a produção agrícola.

CLIMA

O painel que tratou especificamente sobre o tema do clima foi presidido pela Secretária do Ministério do Meio Ambiente (MMA) Branca Americano. “O Fundo Nacional de Mudanças Climáticas já conta com R$ 200 milhões para investimentos em ações de mitigação e adaptação aos efeitos das mudanças climáticas no Brasil em 2011”, informou Branca. “60% dos recursos serão do petróleo. Isso não implicou em nova carga tributária. Era um dinheiro que já existia. Então, foi mudada a lei do petróleo sobre impactos ambientais, que agora direciona parte dos recursos para esse fundo”, explicou a secretária. O chamado Fundo Clima terá recursos garantidos todos os anos e contará com um comitê gestor ainda em 2010. Criado ao final de 2009, o mecanismo é o primeiro do mundo a usar recursos provenientes da exploração de petróleo no combate às mudanças climáticas. Com um orçamento que poderá chegar a R$ 1 bilhão por ano, o dinheiro será aplicado em pesquisas e ações de mitigação e adaptação às alterações do clima. O MMA pretende que estes recursos ajudem regiões vulneráveis, como a semiárida e os litorais, que sofrem com a seca e os alagamentos, respectivamente. Branca Americano ressaltou, ainda, que o combate às mudanças


climáticas está em consonância com o desenvolvimento sustentável, o crescimento econômico, a erradicação da pobreza e a redução da desigualdade social. “Isso significa ter um novo padrão de desenvolvimento para a região”.

Aberta, Reino Unido, presidiu a sessão. Sheona Shackleton, Universidade de Rhodes, África do Sul, em relação conceito-quadro para a integração de aprendizagem social no ensino superior e na pesquisa, salientou que a educação para a adaptação às mudanças climáticas deve ser interdisciplinar, centrada na resolução de problemas, envolver estudos sociais e artes e procurar por soluções integradas.

Segundo ela, o Brasil deverá aproveitar o potencial natural para reduzir os impactos no país, principalmente na região Nordeste. “Vão aumentar variabilidades e vulnerabilidades. As chuvas serão mais concentradas e poderão vir em momentos ruins para plantações e terão anos ainda mais secos”.

Mphemalang Ketholiwe, da Universidade do Botswana, e Tichaono Pasanyi, da Comunidade Sul Africana de Desenvolvimento, falaram sobre o Projeto de Parceria das Universidades Africanas para Meio Ambiente Integração e Sustentabilidade. Eles destacaram os resultados do programa, incluindo: a importância da educação para o desenvolvimento sustentável, a concepção e aplicação de abordagens inovadoras de ensino, pesquisa e serviços comunitários, e desenvolvimento e aplicação de estratégias inovadoras para fortalecer a capacidade institucional.

Como alternativa, Branca citou o sistema Redução de Emissão por Desmatamento e Degradação (Redd), que é um estímulo ao reflorestamento por gerar crédito de carbono. “Pensar em adaptação é uma oportunidade para agir. E isso é fundamental, porque as mudanças climáticas vão atingir de forma perversa a região”.

Carolyn Palmer, da Fundação de Pesquisa Nacional (NRF), na África do Sul, fez uma apresentação sobre pesquisa e aprendizagem social nas políticas e práticas para a sustentabilidade. Ela observou que a NRF criou um novo departamento sobre pesquisa aplicada para aumentar a inovação na cadeia de valor, focar em questões relacionadas ao bem público comum e aos recursos naturais.

EVOLUÇÃO DO CLIMA NA ÁFRICA OCIDENTAL – GOVERNANÇA TRADICIONAL E FORMA

Peter Hochet de Burkina Faso, do Institut de Recherche pour le Développement (IRD), presidiu essa mesa, que introduziu a sessão e fez uma breve descrição da investigação em curso sobre manejo de recursos naturais nos países do Sahel, Senegal, Burkina Faso e Mali. Cheick Oumar Ba, IPAR, Senegal, fez uma apresentação sobre a governança na gestão dos recursos naturais, descrevendo estratégias iniciadas pelo estado para reduzir a degradação dos recursos, mas alertou que tais estratégias não terao êxito sem o envolvimento da comunidade. Djiré Moussa, Universidade de Bamako, Mali, apresentou um estudo de caso sobre a gestão participativa de recursos naturais sustentáveis, apelando para o envolvimento direto da comunidade e salientando que todas as políticas deverão representar as realidades locais. Sobre a gestão dos recursos naturais e os direitos à terra, Luigi Arnaldi, Laboratoire-Citoyennetés, Burkina Faso, destacou a degradação dos recursos naturais devido ao afluxo de populações migrantes do Sahel. Ele pediu aos estados e parceiros de desenvolvimento para ajudar a regulamentar os recursos naturais em áreas com grandes populações imigrantes. O Presidente da Mesa Hochet falou sobre as políticas em Burkina Faso favorecendo mais aos agricultores que aos pastores de uma região tradicionalmente pastoral de Burkina Faso, observando que o governo foi incapaz de realizar uma investigação adequada e, assim, tomou uma decisão uniforme. Ele lamentou que a implementação desta política agravou o conflito já existente entre agricultores e pastores.

APRENDENDO SOBRE CAPACITAÇÃO TÉCNICA E SOCIAL - ENSINO SUPERIOR DE CAPACIDADE DOS PROCESSOS DE DESENVOLVIMENTO PARA AS MUDANÇAS CLIMÁTICAS NA ÁFRICA Na parte da tarde, John Colvin, Universidade ICID + 18 l 16  l Agosto 2010

Mphemelang Kethilowe, da Universidade de Gaborone, em Botswana, falou sobre as questões a serem consideras quando da integração da educação no desenvolvimento sustentável em relação as mudanças climáticas e observou que uma pesquisa realizada na região semiárida de Botswana, analisou os aspectos de gênero na mudança climática. Ele disse que as comunidades tinham desenvolvido novos conhecimentos, além daqueles tradicionais. Ele observou uma ênfase na cooperação entre as comunidades para sustentar os recursos e aumentar a resiliência à mudança do clima, em grande parte influenciadas pelo aprendizado social.

REDE GLOBAL DE INSTITUTOS DE PESQUISA SOBRE A SECA

Nesta sessão, presidida por Roberto Germano, presidente do Instituto Nacional do semiárido (INSA), foi abordada a importância da pesquisa sobre os desafios enfrentados pelas terras secas. Uriel Safriel, Instituto Jacob Blaustein de Pesquisa sobre Desertos (BIDR), Israel, debateu a Rede Global de Institutos de Pesquisa sobre a Seca (GNDRI), observando que seus objetivos são promover a troca de informações e idéias, reduzir a duplicação, bem como realizar pesquisas conjuntas e identificar oportunidades de financiamento. Elena Abraham, Instituto Argentino de Estudos sobre Terras Áridas (IADIZA), Argentina, observou que a rede é relativamente jovem e que a capacitação deve ser priorizada. Sergio Roig, IADIZA, Argentina, destacou os objetivos de sua instituição, incluindo o aumento do conhecimento dos ecossistemas secos e melhoria da utilização sustentável dos recursos naturais e culturais. Ahmed Amri, Centro Internacional para Pesquisa Agrícola em Zonas Áridas (ICARDA), Síria, observou que a segurança alimentar, redução da pobreza e proteção das bases de recursos naturais são tratados pelo ICARDA através de: pesquisa sobre gestão da água; sistemas de produção agrícola para os pobres mais vulneráveis; políticas econômicas e sociais; biodiversidade; e diversificação de culturas. Hari Upadhyaya, Pesquisa Internacional de Cultivos para os Trópicos semiáridos (ICRISAT), Índia, destacou “coleção mini core” do ICRISAT que oferece um portal para os recursos genéticos, identificando traços para se criar culturas adaptadas ao clima. Aderbal Correa, ICASALS, EUA, enfatizou que o caráter interdisciplinar dos desafios da seca requer educação interdisciplinar para enfrentar seus desafios. Na ocasião, Roberto Germano, informou que o INSA poderá ser o 13º membro da Rede Global de Institutos de Pesquisa sobre Terras Secas (GNDRI, na sigla em inglês). A GNDRI foi fundada em 2007 e reúne-se a cada dois anos. Seu segundo encontro será em novembro, em Israel, em paralelo à III Conferência Internacional sobre Terras Secas, Desertos e Desertificação, no Instituto Jacob Blaustein para Pesquisas sobre o Deserto (BIDR, em inglês), vinculado à Universidade Ben Gurion, em Israel. O BIDR está na primeira coordenação temporária (por três anos) da GNDRI. Integram a rede 12 instituições de dez países: Austrália, Alemanha, Argentina, Egito, Espanha, Estados Unidos, Índia, Israel, Japão e Namíbia. O Insa seria o 13º membro. O principal critério de admissão de membros é que os institutos tenham como missão a pesquisa científica sobre ecossistemas áridos, semiáridos ou subúmidos secos e tenham estrutura e institucionalidade permanentes.


“O foco dos institutos associados à GNDRI é aumentar e consolidar o conhecimento científico sobre um ecossistema específico”, definiu Uriel Safriel, pesquisador afiliado do BIDR e coordenador da GNDRI, em sua fala no painel desta quarta-feira.

climáticas. Ela observou que os governos devem: reconhecer a desapropriação histórica através dos direitos de propriedade florestal; permitir direitos de acesso para as comunidades vulneráveis, e permitirparticipação em decisões políticas, concepção e implementação.

Após os debates, o pesquisador afirmou em entrevista que o principal resultado da GNDRI em seu curto tempo de existência é o fato de os institutos terem estabelecido um diálogo. Segundo Safriel, o nível de troca de informação entre os centros de pesquisa era baixo e resumiase ao acompanhamento da produção científica por meio de artigos e congressos.

Dawit Abebe, daUniversidade de Greenwich, no Reino Unido, falou sobre a variabilidade climática e capacitação sócio-ecológica pastoral na Etiópia, “O aumento da variabilidade do clima, além da restrição de mobilidade, causa perda de recursos pastorais, políticas de assentamento, acesso aos mercados e conflito na região, que fizera com que os pastores não pudessem aplicar suas estratégias adaptativas”, destaca Abebe.

No sentido da cooperação científica, a primeira iniciativa do GNDRI será organizar um curso de duas semanas, em 2011. A ideia, informou Safriel, é escolher um tema emergente, juntar um corpo de especialistas entre os pesquisadores dos institutos e selecionar de 20 a 25 alunos, também de todos os países. O primeiro curso será em Mendoza, no Instituto Argentino de Pesquisas das Zonas Áridas (IADIZA). Outra ação de médio prazo a ser tomada pela rede de institutos é fazer um levantamento sobre a infraestrutura laboratorial de cada um dos membros, para identificar oportunidades de cooperação.

Dia 19

DOS IMPACTOS À VULNERABILIDADE: INSERINDO AS MUDANÇAS CLIMÁTICAS NA AGENDA DE DESENVOLVIMENTO

Lisa Schipper, do Stockholm Environment Institute (SEI), na Tailândia, coordenou este painel que apontou o por que a adaptação não poderia ser implementada sem desenvolvimento. Netra Chhetri, da Universidade do Estado do Arizona EUA, discutiu abordagens sobre pequenos agricultores para aumentar a resiliência do sistema. Observando os resultados de um estudo de caso no Nepal, Netra enfatizou que os programas de adaptação deverão: “incorporar o conhecimento local; inovar em relação a tecnologias de localização específica, acompanhados por mudanças políticas e iniciativas locais de uso da biodiversidade e desenvolvimento tecnológico”. John Morton, da Universidade de Greenwich, no Reino Unido, ressaltou que as mudanças climáticas insistituiram a necessidade de ir além da classificação dos pastores como vítimas ou adaptandes da mudança climática. Ele pediu: uma visão mais ampla dos impactos, promoção de discussões relativas aos presentes ciclos de seca, e uma maior compreensão da complexidade do mundo real e dos sistemas de produção pastoral. Purabi Bose, da Universidade de Wageningen, na Holanda, apresentou a adaptação baseada na comunidade de mulheres na Índia tribal em regiões semiáridas para as mudanças ICID + 18 l 17  l Agosto 2010

Schipper concluiu o painel apontando exemplos de adaptação e ressaltou que os profissionais devem: “ver o que eles estão tentando alcançar com as ações de adaptação; que a adaptação deve ser utilizada apenas quando se refere à mudança climática e equacionar o desenvolvimento com a adaptação”.

“O aumento da variabilidade do clima, além da restrição de mobilidade, causa perda de recursos pastorais, políticas de assentamento, acesso aos mercados e conflito na região, que fizera com que os pastores não pudessem aplicar suas estratégias adaptativas”

ESTRATÉGIAS DE ADAPTAÇÃO NAS TERRAS SECAS

Nesta sessão, Coumba Ndoffène Diouf, Universidade Cheikh Anta Diop, Senegal, discutiu o manejo florestal local nas bacias hidrográficas como forma de enfrentar o risco climático. Olurunfemi Felix,Instituto de Pesquisa Social e Econômica, Nigéria, falou sobre vulnerabilidade e adaptação a eventos climáticos extremos, observando que programas bem-sucedidos incluem: melhoria do contexto de vulnerabilidade e seus estressores, reconhecimento e mediação de interesses de adaptação diferentes, e investimentos no conhecimento local e capacidade. Shailendra Kumar Mandal, Instituto Nacional de Tecnologia de Patna, Índia, disse que projetos requerem ação coletiva local, bem como um esforço integrado por governos, sociedade civil e setor privado. Ele disse que a tomada de decisões deve ser inclusiva e consciente. Mogodisheng Sekhwela, Universidade do Botswana, ressaltou as modernas técnicas agrícolas de riscos climáticos e notou a necessidade de aumentar soluções, tais como a diversificação, reduzindo a pressão da colheita através da criação de produtos de valor agregado e compreensão das interações entre os serviços do ecossistema. José Luis Gonzalez Barrios, Centro Nacional de Pesquisa sobre Água, Solo, Plantas e Atmosfera (Cenid-raspa), México, descreveu um estudo de caso, que conserva o solo, a erosão controlada e ajuda a captar águas da chuva.

VULNERABILIDADE, IMPACTOS E ADAPTAÇÃO NAS TERRAS SECAS

Renato Ferreira, do Ministério do Meio Ambiente (MMA), foi o monitor do painel que contou com a participação de Dungumaro Esther, da Universidade de Dar es Salaam, da Tanzânia, que fez uma apresentação sobre os desafios e

oportunidades de alterações climáticas e instou os tomadores de decisões a apoiar as ações em âmbito local, em vez de criar novos políticas “de cima para baixo”. No mesmo debate, Andrei Marin, da Universidade de Bergen, na Noruega, apresentou a construção do desenvolvimento no âmbito das alterações climáticas na Mongólia árida e sublinhou a necessidade de adaptação no quadro das circunstâncias econômicas e políticas em cada região. Ferreira falou sobre a política brasileira em áreas semiáridas no que diz respeito à água, descrevendo um projeto chamado dessalinização de Àgua Doce. Ele descreveu a formação das comunidades na manutenção do equipamento de dessalinização, mas observou que o processo será ameaçado nos próximos anos devido ao aumento da temperatura e aumentou das taxas de evaporação. Tcharbuahbokengo Nfinn, da Federação do Ambiente e da diversidade ecológica para a agricultura, de Camarões, apresentou sobre as alterações climáticas e o sector do cacau, observando que a capacidade de adaptação das comunidades rurais de agricultura do cacau está ameaçada pela pobreza e pela falta de conhecimento e informações. Nicolino Trompieri Neto, do Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica (IPECE), fez uma apresentação técnica sobre o impacto da precipitação sobre a economia do Ceará, comparando concentração pluvial com produção agrícola a partir de terras irrigadas, e contrastando o produto interno bruto da região com a do país, concluindo que as


terras irrigadas são mais rentáveis para a região, mas não necessariamente para o país, devido ao aumento dos custos de produção.

SISTEMAS DE ALERTA PRECOCES DE SECA

A sessão sobre os sistemas de alerta precoce de seca foi presidida por Don Wilhite, da Universidade de NebraskaLincoln, nos EUA. Wilhite observou que componentes essenciais dos sistemas de alerta incluem redes de monitoramento, sistemas de recuperação de dados, dados de controle de qualidade e análise de dados. Mike Hayes, do Centro Nacional de Mitigação da Seca, nos EUA, observou que a compreensão dos impactos das secas é essencial para a compreensão dos componentes de sistemas de alerta precoce de seca. Para Paulo Cesar Sentelhas, da Universidade de São Paulo, “além das condições relativas a atmosfera, umidade e precipitação são considerados na avaliação das condições de seca”. Sentelhas falou sobre os sistemas de monitoramento da seca na América do Sul. Bob Stefanski, da Organização Meteorológica Mundial, observou que a oficina de Nebraska-Lincoln chamou a atenção para a utilização de índices e indicadores para o acompanhamento e avaliação das condições de seca em todo o mundo prevendo: serviços nacionais de meteorologia e hidrologia para usar o índice de precipitação padronizada, além de ferramentas atuais, desenvolvimento de um manual de implementação e índices e sistemas de alerta precoce tendo o usuário final em mente. Richard Heim,da Agência Nacional Oceânica e Atmosférica, nos EUA, apresentou sobre o desenvolvimento de uma câmara seca internacional. Ele disse que o portal da seca global de monitoramento seria a base da câmara, com aspectos continentais, regionais e nacionais levados em consideraçãoa. Ele ressaltou que a câmara: preparara mitigação da seca, apoio e resposta, bem como decisões de gestão da água, fornecimento de uma ferramenta para a educação da seca, e a visualização e análise de dados climáticos e hidrológicos.

PESQUISA EM CIÊNCIAS SOCIAIS AGENDA EM RESPOSTA ÀS MUDANÇAS CLIMÁTICAS

O Presidente da Mesa, Jesse Ribot, Universidade de Illinois, EUA, questionou o painel sobre um papel maior e mais produtivo para os cientistas sociais nos debates sobre clima. Mônica Amorim, da Universidade Federal do Ceará (UFC), propôs novas abordagens para a adaptação e diversificação, que combinam a sabedoria local com o conhecimento científico. Togtokh Chuluun, da Universidade da Mongólia, assinalou a necessidade de uma maior coordenação entre os pesquisadores para a produção de cenários de maior resolução sobre mudanças climáticas que seriam mais úteis para o planejamento. Hallie Eakin, da Universidade do Arizona, nos EUA, enfatizou a necessidade de análises mais sistemáticas das necessidades de adaptação e estudos sobre os mecanismos de transferência de risco e resposta. Papa Faye, do Instituto Superior de Gestão (ISM), no Senegal, estudou a relação entre a adaptação e a democracia. Ele disse que a política de adaptação tende a não envolver decisões verdadeiramente coletivas e que a democracia ainda paira como uma dúvida das pessoas. ICID + 18 l 18  l Agosto 2010

Michael Glantz, da Universidade de Colorado EUA, argumentou que o Prêmio Nobel recebido pelo Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática (IPCC) representou uma mudança no debate sobre os impactos, o que significa um papel mais importante para as ciências sociais. Renzo Taddei, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, analisa as dimensões sócio-culturais de convencer as populações que entendem que a mudança climática é real e que realmente merecem respostas sérias. Zuo Ting, da Universidade Agrícola da China, analisou as formas de explicar os desafios e as implicações das alterações climáticas em estudos de desenvolvimento rural. Dijire Moussa, da Universidade de Bamako, de Mali, discutiu a análise da governança, nomeadamente as regras e instituições, e sua adequação às alterações climáticas. Lisa Schipper, SEI, Tailândia, questionou se os cientistas sociais poderiam trabalhar em estreita colaboração com os cientistas naturais de uma forma verdadeiramente transdisciplinar.

GOVERNANÇA INTERNACIONAL DAS INSTITUIÇÕES AMBIENTAIS

Max Falque, da França, discutiu a governança da água e da agricultura em França, observando as mudanças ao longo do tempo em terra e uso da água, a evolução dos sistemas de irrigação e os quadros legais que os regem. João Luis Nogueira Matias, da UFC, falou sobre a governança da agricultura em seu país e disse que a agricultura sustentável exige revolucionar a produção, tecnológica, econômica e institucionalmente. Maria Teresa Farias, do CONPAM, descreveu o projeto Mata Branca para o desenvolvimento sustentável do Bioma Caatinga, dizendo que inclui capacitação nas áreas de educação ambiental, instituições apropriadas para a gestão integrada, utilização de espécies nativas, controle de incêndios florestais e gestão de silvicultura. Ela destacou as estratégias para proteger a biodiversidade, como a criação de áreas protegidas, monitoramento e estabelecimento de corredores ecológicos. Na ocasião do encontro, a presidente do Conselho de Políticas e Gestão do Meio Ambiente (Conpam), Tereza Farias, termo de parceria com o Ministério do Meio Ambiente (MMA), por meio da Secretaria de Biodiversidade e Florestas, com apoio da Associação Caatinga, para criação de 3 Unidades de Conservação (UC) na Caatinga cearense. Segundo Tereza Farias, através da parceria, duas áreas prioritárias estão em processo de estudo com recursos do Projeto Mata Branca no Ceará: a Estação Ecológica de Aiuaba, no Sertão dos Inhamuns, e a Bacia do Banabuiú, no Sertão Central. Além do estudo destas áreas, está prevista, ainda, conforme a presidente, a criação de uma Unidade de Conservação no município de Monsenhor Tabosa. Para Tereza Farias, o Estado tem se destacado nas questões ambientais, especialmente nas políticas públicas voltadas para o Bioma Caatinga. “Nós pretendemos criar um corredor ecológico nas nascentes dos rios Poty e Jaguaribe, por entendermos que as nascentes são a origem dos rios e são também a garantia hídrica para essas regiões semiáridas”, ressaltou. Além da presidente do Conpam, estiveram presentes na mesa redonda sobre áreas protegidas para o desenvolvimento sustentável nas regiões semiáridas o presidente da Associação Caatinga, Rodrigo Castro, a representante da ICRISAT da Índia, Piara Singh, a representante da NNF da Namíbia, Chis Brown, e Shirley Hauff.


Carlos Miranda, especialista em Desenvolvimento Rural Sustentável do IICA, que coordenou a mesa, ressaltou que no processo de discussão com as comunidades locais, “foi importante considerar e respeitar o sentimento de identidade e pertencimento das populações, para a criação e implementação de políticas públicas”. Ramon Rodrigues, Diretor do Departamento de Aproveitamento Hídrico Agrícola, apresentou os resultados do estudo temático realizado pelos consultores do Áridas na área de Recursos Naturais e Meio Ambiente (GT1). Usou como insumo de sua intervenção a publicação Memória e Acervo: Projeto Áridas, preparado pelo Ministério da Integração Nacional (MI), Ministério do Meio Ambiente (MMA) e IICA.

LIÇÕES APRENDIDAS DO PROJETO ÁRIDAS

O IICA coordenou um painel na II Conferência Internacional do Clima (ICID+18), em Fortaleza, Ceará, que apresentou e informou os participantes sobre o projeto Áridas, que lidou com o desenvolvimento sustentável nas regiões semiáridas do Brasil. Antônio Magalhães, Diretor da ICID 2010, falou sobre a metodologia de condução do projeto Áridas, observando que a comissão de criação do primeiro projeto definiu o futuro desenvolvimento das regiões semiáridas, em termos de sustentabilidade econômica, ambiental e social. Ele enfatizou que o projeto Áridas teve como objetivo inicial erradicar a pobreza e as desigualdades no Nordeste do Brasil.

“Vários estudos foram realizados nas áreas de Recursos Naturais e Meio Ambiente; Recursos Hídricos; Desenvolvimento Humano e Social; Organização do Espaço Regional; Economia, Ciência e Tecnologia; Políticas de Desenvolvimento e Modelo de Gestão; e Integração com a Sociedade”, ressalta Ramon. O diretor concluiu afirmando que “os recursos hídricos estão em estado crítico no nordeste do Brasil, e medidas como a construção de barragens adicionais para assegurar a sustentabilidade são importantes para futura consideração, principalmente porque haverá um aumento na deficiência hídrica, devido ao crescimento populacional”.

Iries Mayorga, da Universidade Federal do Ceará (UFC), contou a história do Áridas, delineando suas raízes para a primeira reunião da ICID em 1992. Ela elogiou o projeto por ser socialmente progressista, economicamente viável e ambientalmente sustentável, e apreciou os esforços de vários parceiros e intervenientes. “Nesta segunda Conferência, ao preparar o conjunto de propostas, que chamaremos de Carta Fortaleza 2010, com certeza, podemos extrair da experiência do Áridas grandes contribuições, levando em consideração os Objetivos do Milênio, em especial o de acabar com a Fome e Miséria, além das Metas do Bicentenário da Independência”, alertou Mayorga. O consultor do IICA Leonel Leite participou do painel e mostrou o processo de formação do Plano Regional de Desenvolvimento Sustentável do Estado do Rio Grande do Norte. Nesse processo, o IICA foi parceiro para a montagem do Plano. “Desenvolvemos um método participativo, que envolveu inclusive as comunidades locais, e permitiu articulação institucional e resultou em propostas de ações concretas para a região”, destacou Leonel. Leonel salientou a necessidade de instrumentos legais para institucionalizar o desenvolvimento sustentável em regiões áridas, nos âmbitos nacional e local. ICID + 18 l 19  l Agosto 2010

O IICA coordenou o painel, na II Conferência Internacional do Clima (ICID+18), em Fortaleza, Ceará, que apresentou o Projeto Áridas


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Dia 20

Declaração de Fortaleza Por ocasião da primeira ICID há 18 anos atrás, a mudança climática era apenas uma forte hipótese. Hoje trata-se de uma realidade comprovada e amplamente reconhecida como uma questão fundamental para o desenvolvimento e não apenas uma questão ambiental. Avanços significativos foram realizados no conhecimento científico e na compreensão dos atores públicos, no que se refere às interelações entre clima, sustentabilidade e desenvolvimento. A comunidade internacional também se colocou de acordo quanto as Metas de Desenvolvimento do Milênio (MDM), concebidas para ajudar a orientar esforços no combate à pobreza, no aumento do acesso aos serviços básicos, na conquista da equidade de gênero e na promoção da sustentabilidade ambiental.

Apesar do progresso e das boas intenções, os desafios para a redução efetiva da pobreza, da mitigação e adaptação às mudanças climáticas e do alcance do desenvolvimento sustentável continuam a ser enormes. E o compromisso político e os recursos necessários para alcançar tais objetivos permanecem insuficientes. Esses desafios são especialmente críticos nas regiões áridas, semiaridas, secas subumidas (ou coletivamente terras secas) que são frequentemente negligenciadas e subrepresentadas politicamente. As terras secas concentram o maior número de população pobre do planeta e sofrem grandes ICID + 18 l 20  l Agosto 2010

pressões sobre seus recursos naturais, incluindo água, solos e biodiversidade. Suas populações são as mais vulneráveis face aos efeitos adversos das variações e mudanças climáticas, e as menos capazes de lidar com as mesmas. Estima-se que aproximadamente um bilhão de pessoas terão suas condições de vida prejudicadas apenas pela desertificação. A menos que a sustentabilidade das terras secas seja assegurada, todo o planeta estará ameaçado. Erros do passado, políticas mal concebidas e práticas predatórias levaram muitas terras secas, cuja produtividade natural já é mais baixa do que as regiões áridas do mundo, a atingir o limite da sua capacidade produtiva. Isso tem provocado situações que não podem ser facilmente revertidas sem o substancial desenvolvimento de esforços e dispêndios financeiros nos níveis nacional e internacional. Um conjunto de questões precisa ser enfrentado: declínio da produtividade dos recursos naturais, persistência das condições de pobreza e variabilidade climática, assim como grandes desigualdades e fraquezas institucionais. A resposta adequada a essas questões tornou-se cada vez mais urgente ao longo do tempo. Eventos climáticos extremos em muitas partes do globo, incluindo China, Índia, Paquistão, Rússia, amplas partes da África e aqui no Nordeste do Brasil, são testemunhas disso. Seus impactos econômicos e sociais


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Declaração de Fortaleza incluem a redução acentuada da produção e da produtividade, destruição de infra- estrutura, interrupção dos serviços básicos, deslocamento maciço das populações, além do crescimento dos conflitos, da violência e da miséria, especialmente nas partes mais pobres do mundo. Os países industrializados também são, ou serão em breve, cada vez mais suscetíveis a tais fenômenos. Assim, essas questões são claramente de importância global. A boa notícia é que as áreas secas do mundo possuem muitos ativos importantes, incluindo suas valiosas sociedades e culturas. Ao mesmo tempo, existem muitas oportunidades para o desenvolvimento futuro, especialmente investimentos em energia solar renovável. Além disso, muitas das ações necessárias para enfrentar as mudanças climáticas são também necessárias – e benéficas – para o crescimento econômico de longo prazo e redução da pobreza. Ou seja, são importantes para o desenvolvimento sustentável. Se, no entanto, não for conferida muito maior atenção para os problemas e as potencialidades das áreas secas, o alcance das Metas de Desenvolvimento do Milênio em muitos dos países mais pobres do planeta corre um risco significativo. Dessa forma, as regiões secas requerem atenção prioritária tanto por parte dos governos nacionais como pela comunidade internacional. Nesse contexto, por volta de

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2000 participantes originários de uma centena de países incluindo autoridades públicas, cientistas de áreas sócias e físicas, representantes do setor privado e agências internacionais, membros de organizações não-governamentais e de entidades da sociedade civil reuniram-se em Fortaleza, Brasil, entre 16 e 20 de agosto de 2010. O objetivo era a troca de informações e lições apreendidas ao longo dos últimos 20 anos e a formulação de recomendações de políticas para serem levadas em consideração na reunião de cúpula Rio+ 20 sobre meio ambiente e desenvolvimento, que ocorrerá em 2012, bem como em outros eventos que ocorrerem. Com base em tais discussões, propomos o seguinte: Desenvolvimento Sustentável e Mudança Climática : Desafios e Oportunidades 1. Desenvolvimento sustentável das regiões secas – e, sobretudo, o fortalecimento da governança nessas áreas conjuntamente com o aumento da qualidade dos meios de vida, maior participação, tomada de poder e representação política das populações, especialmente a pobre, deve ser o principal objetivo das ações nos planos internacional, nacional e local. 2. Os desafios para o alcance desses objetivos se tornarão ainda maiores nas décadas seguintes com o aumento da vulnerabilidade das regiões secas e de suas populações, dado o impacto das oscilações e mudanças climáticas. Portanto, intervenções tendo por finalidade


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Declaração de Fortaleza o desenvolvimento sustentável, do nível local ao nível global, devem ser aceleradas e multiplicadas.

3. Oportunidades importantes com base neste paradigma de desenvolvimento devem ser reconhecidas, incluindo aqui o potencial de sinergias e possibilidades de ganhos mútuos. Estratégias de adaptação climáticas, por exemplo, devem procurar reduzir a vulnerabilidade e aumentar a resiliência local através da construção de ativos para as populações pobres, contribuindo para o desenvolvimento sustentável de longo prazo. Esses esforços promoverão a participação da sociedade civil e grupos de base nos processos de tomada de decisão e implementação de atividades que busquem o desenvolvimento. 4. Mecanismos que criem condições favoráveis ao desenvolvimento sustentável das regiões de terras secas deverem ser criados ou reforçados por meio de ações integradas para combater a degradação do solo, mitigar os efeitos das secas, conservar a biodiversidade e adaptar-se para as mudanças climáticas. Ao mesmo tempo, devem procurar assegurar os esforços internacionais e nacionais necessários para melhoria das águas e gestão das terras, redução da pobreza e desenvolvimento sustentável das áreas de terras secas. 5. Oportunidades de investimento para explorar as vantagens comparativas naturais das áreas de ICID + 18 l 22  l Agosto 2010

terras secas, como para a geração de energia solar e outras fontes de energia alternativas e renováveis, devem ser aproveitadas, assim como as técnicas para captura de água da chuva, aperfeiçoamento dos sistemas de saneamento e a reutilização da água residual na agricultura irrigada. Regiões áridas deveriam ter também assegurado pleno acesso a tecnologias de baixa emissão de carbono, economia de água e de energia e outras tecnologias amigáveis ao meio-ambiente. Nesse contexto, medidas para facilitar a cooperação internacional e para a transferência de tecnologias apropriadas devem ser reforçadas, inclusive com estímulo a cooperação tripartite e a estruturação de laboratórios / observatórios locais. Representação Política em Múltiplas Escalas 6. As preocupações dos povos das terras secas não estão representadas de forma adequada nos processos de política no âmbito internacional. Em muitos casos seus interesses são pouco ouvidos mesmo internamente em seus países. É necessário institucionalizar a participação local na tomada de decisões e aumentar a representação das populações das terras secas na elaboração de políticas nos planos local, nacional e global. 7. Para promover o reconhecimento dos interesses e o bem estar das populações das terras secas, as sérias implicações da interface clima-pobrezasustentabilidade em terras secas


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Declaração de Fortaleza devem ser amplamente discutidas. Além disso, a capacidade dos países de terras secas em influenciar o desenvolvimento global e a agenda do meio-ambiente deverá ser significativamente reforçada.

8. As Nações Unidas deverem urgentemente considerar a atual situação de risco das regiões das terras secas, especialmente na África subsaariana, na Ásia do Sul e no Oriente Medio, mas também em partes da América do Sul, do Caribe, da América do Norte, Ásia Oriental e no Pacífico – incluindo os riscos para a segurança global associados a seu empobrecimento e insegurança alimentar crescentes, aumento da vulnerabilidade a desastres naturais e mudanças climáticas, elevação dos conflitos internos e violência, e a interação entre eles. 9. Atividades preparatórias para o Rio + 20 devem ser organizadas em uma base dos ecossistemas globais, incluindo a convocação de uma reunião de cúpula sobre o tema do desenvolvimento sustentável das terras secas, definindo claramente opções de política para as necessidades das terras secas em todo o mundo. 10. Uma nova aliança geopolítica deve ser formada entre os países com terras secas para aumentar os esforços de resolver seus problemas e identificar e aproveitar suas oportunidades comuns em relação a clima, desenvolvimento e sustentabilidade.

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11. Esforços devem ser intensificados entre os países de terras secas para elevar a preocupação interna a respeito desses problemas e oportunidades, além de gerar apoio para a ação. Isso deve incluir o desenvolvimento e a implementação de estratégias no nível das comunidades voltadas para educar população local, bem como os tomadores de decisão e de políticas e os meios de comunicação, a respeito das implicações reais das mudanças climáticas e sua variabilidade, incluindo seus possíveis impactos econômicos, sociais e de saúde. Sinergias entre Iniciativas Globais Ambientais e de Desenvolvimento 12. Estratégias e esforços de desenvolvimento das regiões de terras secas devem priorizar o uso sustentável da biodiversidade, assim como sua conservação. As necessidades de recuperação de áreas degradadas e de prevenção da deterioração ambiental daquelas que ainda estejam preservadas deve também ser priorizada. As interações com a mudança climática e a desertificação também devem ser identificadas claramente. 13. As sinergias devem ser maximizadas entre as intervenções de natureza global, nacional, regional e local para mitigar e adaptar às mudanças climáticas, para conservar a biodiversidade e para desacelerar o processo de desertificação, incluindo esforços para harmonizar a implementação das respectivas convenções da ONU.


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Declaração de Fortaleza A execução de tais acordos deve também estar integrada, o tanto quanto possível, aos esforços para combater a pobreza e promover a sustentabilidade em todos os níveis. O Financiamento do Desenvolvimento Sustentável Sensível ao Clima 14. Atividades de desenvolvimento sustentável sensível ao clima necessitarão fontes financeiras adicionais. Parte desses custos devem ser absorvidos pelas economias nacionais, enquanto o restante deve ficar sob responsabilidade internacional, em razão de sua característica de bens públicos globais.

15. Compromissos financeiros préviamente assumidos por parte dos países industrializados, com o objetivo de apoiar os esforços do desenvolvimento sustentável, devem ser cumpridos. Os instrumentos financeiros atualmente existentes devem também ser expandidos e tornados mais eficientes, e outros instrumentos inovadores devem ser criados. O desembolso de recursos concessionários nos Fundos para Investimento e para Adaptação ao Clima, recentemente criados, por exemplo, deve ser acelerado, assim como devem ser reforçadas as capacidades locais e nacionais para utilizá-los de maneira efetiva. 16. As inovações financeiras para avançar desenvolvimento sustentável sob condições de mudanças climáticas poderiam incluir: i) fundos específicos para ICID + 18 l 24  l Agosto 2010

financiar a adaptação e atividades associadas ao desenvolvimento sustentável em regiões de terras secas, a exemplo do proposto Fundo para a Caatinga no Brasil; ii) pagamento para serviços ecológicos e de natureza ambiental nas regiões de terras secas, incluindo o estabelecimento de um fundo para e redução das emissões relacionadas à degradação das terras e a desertificação, semelhante aos fundos para a redução das emissões relacionadas à degradação das terras e desmatamento em áreas tropicais (REDD); e iii) instrumentos de seguro e compensação de danos relacionados ao clima. Educação para o Desenvolvimento Sustentável 17. Educação de qualidade em todos os níveis deve ser uma prioridade nas áreas de terras secas. Além de representar um investimento de alto retorno em capital humano, deve ser visto no contexto de possibilitar a elevação do conhecimento das populações locais e sua compreensão em relação às conexões entre mudança climática, pobreza, e sustentabilidade, potencializando a voz e a representação desses grupos nos processos de decisão no que concerne o futuro das regiões secas. Essa ação deve se enfocar prioritariamente nos jovens que, em conjunto com as gerações futuras, serão os mais beneficiados ou prejudicados pelas ações tomadas ou não tomadas em relação às mudanças climáticas, e que serão os tomadores de decisão do amanhã.


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Declaração de Fortaleza Intercâmbio de Conhecimento e Informação. 18. Considerando-se que sociedades em regiões de terras secas devem adaptar-se a mudanças climáticas, e que sua gestão pode ser aperfeiçoada com informação climática, é necessário a concepção de um programa integrando pesquisa, observação, modelagem e aplicações associadas ao clima. O objetivo seria informar os administradores de recursos, os formuladores de política e os planejadores nas escalas necessárias para adaptação às mudanças climáticas. 19. Tanto a informação tecnológica como as bases de conhecimento sobre as complexas causas das mudanças do clima avançaram significativamente nas últimas décadas. No entanto, maiores insumos oriundos das ciências sociais são necessários. Este é especialmente o caso dos estudos relacionados aos aspectos políticos e sociais da vulnerabilidade e sobre o impacto da variação do clima nas regiões secas. 20. A distância entre a investigação científico-tecnológica e o conhecimento sobre os sistemas de produção assim como as práticas específicas pertinentes às regiões secas, por um lado, e a institucionalidade associada à governança local e a processos de tomada de decisão, por outro lado, precisam ser reduzidos e preferencialmente eliminados. Os esforços para o desenvolvimento sustentável nas regiões secas

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precisam incorporar o conhecimento das populações indígenas, nativas e locais que vivem há séculos nessas áreas. 21. Ao longo dos últimos anos, os estudiosos e os tomadores de decisão das terras secas aumentaram seu intercâmbio de conhecimento, que também foi um dos propósitos desta Conferência. Não obstante, maior intercâmbio é necessário, especialmente entre os países em desenvolvimento que enfrentam desafios e oportunidades similares. Redes de conhecimento precisam ser expandidas e reforçadas com bases em dois objetivos: (i) nas esferas do conhecimento científico e das pesquisas aplicadas - acelerar a troca de informação, a discussão de metodologias, a comunicação de descobertas científicas, impulsionando as atividades de pesquisas compartilhadas voltadas para o desenvolvimento; e (ii) a criação de fóruns de diálogos e de trocas de experiências entre especialistas, governos e a sociedade civil, para melhor monitorar e avaliar as intervenções e seus resultados e impactos, alimentando os processos de planejamento participativo e desenvolvimento sustentável. Planejamento Integrado e Implementação dos Programas e Estratégias de Desenvolvimento 22. A compartimentalização das estratégias e programas de desenvolvimento, sobretudo quando direcionados a alvos populacionais em territórios específicos, devem ser corrigidas. A fragmentação


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Declaração de Fortaleza das ações setoriais tem sido uma prática comum no nível subnacional, sobretudo em programas de combate a desertificação, de adaptação a mudanças climáticas, de conservação da biodiversidade, de segurança alimentar e de redução da pobreza, assim como com relação aos instrumentos legais, institucionais e de financiamento.

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Respostas Urgentes 23. Finalmente, a urgência em responder às questões do clima, do desenvolvimento e da sustentabilidade perante os desafios e as oportunidades que se colocam para as regiões secas, especialmente as menos desenvolvidas, não pode ser suficientemente enfatizada. Faz-se necessária ação decisiva da comunidade internacional. E o momento dessa ação é já!


Atividades desenvolvidas pelo consultor Atendendo uma das contrapartidas do IICA na realização do II ICID, o Consultor Rodrigo Germano Rodrigues participou das atividades da Assessoria de Comunicação do evento, para tanto executou, nos cinco dias de evento a função de coordenador da TV Web da ICID+18. Equipe de profissionais envolvidos na atuação da TV Web ICID+18: Coordenação Jornalística: Cadija Tissiani (ICID 2010) Coordenação Editorial: Rodrigo Germano (IICA) e Aline Guedes (INSA) Coordenação de Produção Audiovisual: Tatiana Madeira (F3 Produções) Câmera e Assistente: Carlos Félix e Jonas Barbosa (F3 Produções) Edição: Tiago Nobre (F3 Produções) A equipe realizou diariamente reuniões de pautas para proposição de temas relevantes ao público do ICID 2010. Foram produzidas matérias e entrevistas dentro do pavilhão onde ocorreram as palestras, oficinas e exposição. O material editado e publicado está disponível, no link: http://www.youtube.com/user/icid18

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Ă lbum de Fotos

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Clipping de Notícias Clima: ICID 2010 reúne especialistas de 100 países no Brasil Diário Digital - 15 ago. 2010 http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?section_id=114&id_news=464564 Conferência discute desafios das regiões semiáridas Terra Brasil http://noticias.terra.com.br/ciencia/noticias/0,,OI4626047-EI238,00-Conferencia+discute+desafios+das+regioes+se miaridas.html ICID+18 inicia debate sobre desertificação para Rio+20 Ceará http://www.ceara.gov.br/index.php/component/content/article/1703/1703 Delegação do Parlasul participa da ICID 18 em Fortaleza Vermelho http://www.vermelho.org.br/ce/noticia.php?id_noticia=135007&id_secao=61 Diário do Nordeste http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=833422 Aqui Acontece http://www.aquiacontece.com.br/index.php?pag=meio_ambiente&cod=764 R7 - 20 ago. 2010 http://noticias.r7.com/tecnologia-e-ciencia/noticias/conferencia-termina-com-recomendacoes-para-melhorar-asituacao-das-pessoas-que-vivem-em-regioes-secas-20100820.html Sachs defende aliança entre países atingidos Diário do Nordeste http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=834697 Desertificação não é fenômeno restrito ao semiárido Agência Senado http://www.senado.gov.br/noticias/verNoticia.aspx?codNoticia=104005&codAplicativo=2 Desertificação ameaça mil milhões de pessoas Diário de Notícias Lisboa http://dn.sapo.pt/inicio/ciencia/interior.aspx?content_id=1646024&seccao=Biosfera Ceará http://www.ceara.gov.br/index.php/component/content/article/14-lista-de-noticias/1728-governo-do-estadoassina-protocolo-de-cooperacao-na-luta-contra-a-desertificacao Icid ainda não acaba por aqui Diário do Nordeste - 20 ago. 2010 http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=836895 Aqui acontece - 20 ago. 2010 http://www.aquiacontece.com.br/index.php?pag=meio_ambiente&cod=750


Ceará - 20 ago. 2010 http://www.ceara.gov.br/index.php/component/content/article/14-lista-de-noticias/1683-icid18-divulgararesultado-de-reunioes-preparatorias Plantio de árvores neutraliza emissões de carbono durante conferência EPTV http://www.aquiacontece.com.br/index.php?pag=meio_ambiente&cod=750 Icid+18 2010 - Agricultura pode ser reduzida em R$ 7 bi Rádio Tabajara - 19 ago. 2010 http://tabajara.am.br/main/content/view/973/165/ ONU lança no Brasil esforço R7 - 16 ago. 2010 http://noticias.r7.com/tecnologia-e-ciencia/noticias/onu-lanca-no-brasil-decada-para-combater-formacao-dedesertos-20100816.html ONU quer pressa em combate à desertificação de regiões semiáridas Grande Prêmio - IG http://economia.ig.com.br/onu+quer+pressa+em+combate+a+desertificacao+de+regioes+semiaridas/ n1237750582261.html Fortaleza acolhe reunião da ONU sobre desertificação combater formação de desertos EcoAgencia http://www.ecoagencia.com.br/?open=noticias&id=VZlSXRFWwJlYHZETTxmWaN2aKVVVB1TP Números que mostram mudança de atitude Jornal de Santa Catarina - 3 dias atrás http://www.clicrbs.com.br/jsc/sc/impressa/4,1914,3022068,15393 Cid Gomes não vai a debate em TV de Tasso Estadão - 13 ago. 2010 http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20100814/not_imp594990,0.php Conta Social: Combate à desertificação O Dia Online - 7 ago. 2010 http://odia.terra.com.br/portal/cienciaesaude/html/2010/8/conta_social_combate_a_desertificacao_101672. html Inácio Arruda: “Todos deveriam preocupar-se com a desertificação” Vermelho - 24 ago. 2010 http://odia.terra.com.br/portal/cienciaesaude/html/2010/8/conta_social_combate_a_desertificacao_101672. html Folclore cearense é tema da programação cultural da ICID+18 Vermelho - 7 ago. 2010 http://www.vermelho.org.br/ce/noticia.php?id_noticia=134606&id_secao=61

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Desertificação deve ser debatida a cada dois anos Aqui Acontece - 18 ago. 2010 http://www.aquiacontece.com.br/index.php?pag=meio_ambiente&cod=767 Educação deve ser repensada Diário do Nordeste http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=834012 Economista americano diz que EUA destroem o mundo e falham na luta ... R7 - 20 ago. 2010 http://noticias.r7.com/tecnologia-e-ciencia/noticias/economista-americano-diz-que-eua-destroem-o-mundo-efalham-na-luta-contra-mudanca-climatica-20100820.html Organização ajuda africanos a recolher e a reutilizar a água R7 - 19 ago. 2010 http://noticias.r7.com/tecnologia-e-ciencia/noticias/organizacao-ajuda-africanos-a-recolher-e-a-reutilizar-aagua-20100819.html Desertificação na pauta mundial: ação política é urgente! Revista Época - 26 ago. 2010 http://colunas.epoca.globo.com/viajologia/2010/08/26/desertificacao-na-pauta-mundial-acao-politica-eurgente/ Ceará vem sofrendo com o processo de desertificação Diário do Nordeste - 16 ago. 2010 http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=833539 Desertos avançam sobre 12 milhões de hectares por ano Fatima News - 19 ago. 2010 http://www.fatimanews.com.br/canais/noticias/?id=104730 Fome é uma ameaça mundial Diário do Nordeste - 18 ago. 2010 http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=834686 Brasil aprende com México a reutilizar água em regiões secas R7 - 17 ago. 2010 http://noticias.r7.com/tecnologia-e-ciencia/noticias/brasil-aprende-com-mexico-a-reutilizar-agua-em-regioessecas-20100817.html Desenvolvimento do sertão pode passar pelos pés dos franceses Economia - iG - 16 ago. 2010 http://economia.ig.com.br/desenvolvimento+do+sertao+pode+passar+pelos+pes+dos+franceses/ n1237749418838.html Preocupação oficial com áreas ameaçadas de desertificação se ... Correio Braziliense - 10 ago. 2010 http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia182/2010/08/10/brasil,i=206881/PREOCUPACAO+OFICIAL+COM +AREAS+AMEACADAS+DE+DESERTIFICACAO+SE+RESTRINGE+AO+SEMIARIDO+DO+NORDESTE.shtml ICID + 18 l 31  l Agosto 2010


Inpe: desertificação no Semiárido é inevitável - Terra Brasil EcoAgencia http://noticias.terra.com.br/ciencia/noticias/0,,OI4615645-EI238,00-Inpe+desertificacao+no+Semiarido+e+inevita vel.html Planos são necessários nos Estados do semiárido Diário do Nordeste - 16 ago. 2010 http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=833537 12/08/2010 - Veículo elétrico, alternativas para o meio ambiente Motonline - 12 ago. 2010 http://www.motonline.com.br/default.asp?cod=15281&categoria=5 Governo propõe criar fundo Diário do Nordeste - 19 ago. 2010 http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=835743 Prêmio internacional ao sertão Diário do Nordeste - 3 dias atrás http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=842239 Inácio Arruda: Semiárido Brasileiro eo Desenvolvimento Nacional Vermelho - 20 ago. 2010 http://www.vermelho.org.br/ce/noticia.php?id_noticia=135406&id_secao=61 Mudança climática deve aumentar desigualdade entre Sudeste e ... R7 - 19 ago. 2010 http://noticias.r7.com/tecnologia-e-ciencia/noticias/mudanca-climatica-deve-aumentar-desigualdade-entresudeste-e-nordeste-do-brasil-20100819.html ‘EcoSenado’ mostra conferência que discutiu desertificação no mundo Agência Senado - 5 dias atrás http://www.senado.gov.br/noticias/verNoticia.aspx?codNoticia=104127&codAplicativo=2 Governo investirá R$ 200 milhões em combate à mudança climática EFE - 19 ago. 2010 http://www.google.com/hostednews/epa/article/ALeqM5j2s2eHlUBrwx07tRBOSdPACoXmGg Brasil já tem R$ 200 milhões para combater os efeitos das mudanças ... Aqui Acontece http://www.aquiacontece.com.br/index.php?pag=meio_ambiente&cod=771 Cid promete construir hospital de emergência Diário do Nordeste - 19 ago. 2010 http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=836318

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Relatório de Viagem IICA - Fortaleza