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revista

Entrevistas Theo Rosendorf

Eric Karjaluoto

Carlos Segura

Chris Sickels

Michael Golan

Adi Granov

Von Glitschka

Daniel Lieske


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índice Um ano de mudanças

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Theo Rosendorf

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Michael Golan

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Adi Granov

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Eric Karjaluoto

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Von Glitschka

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Chris Sickels

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Daniel Lieske

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Carlos Segura

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Lisa Keene

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Um ano de mudanças A Propósitto completou um ano quase na mesma semana que eu completei 39, e que me mudei de casa, e consequentemente de escritório. Fazer uma mudança (e eu sei bem disso, sou praticamente um cigano) é uma das atividades mais extenuantes que eu consigo conceber. Na verdade, se fossemos pensar realmente em todo o trabalho que dá mover uma vida inteira de um lado pra outro, nós simplesmente não faríamos. Se fazemos, é porque temos a certeza de que estamos mudando para melhor, ou porque fomos obrigados pelas circunstâncias. Meu caso, felizmente, é o primeiro. O interessante é que essa dificuldade de mudança pode ser percebida bem facilmente na vida da gente. Se mudar uma casa é dificil, imagine uma maneira de pensar, um hábito, um costume. Por isso é tão fácil encontrar aquelas pessoas que parecem estacionadas no tempo. Paralisadas na vida, não conseguindo sair de certas situações que para outros, que estão de fora, parecem ter uma solução tão óbvia. É só mudar… É mais fácil falar do que fazer. Acompanhem. Quando fazemos uma mudança, esvaziamos as gavetas, coloca-

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mos tudo no chão. E geralmente descobrimos que vínhamos acumulando coisas inúteis. Jogamos um monte de coisa fora. Encaixotamos o que faz sentido, aquilo que queremos pra nós na próxima etapa. Quando chegamos em nosso destino, colocamos tudo em novos armários, exibimos enfeites que nem lembrávamos que tínhamos, nos adequamos a nova situação. Pode ser uma casa maior, menor, mais longe ou mais perto. Cada uma dessas variáveis vai exigir que você readeque seus pertences. Para mudar na vida é o mesmo exercício. Nossa cabeça é um apartamento bem bagunçado. Você precisa colocar todas as suas “caixas” pra fora. Ficar nu. Selecionar os hábitos que ainda fazem sentido, ou estão ali apenas porque você se acostumou a usar. Triar amigos, descobrir que não fala com vários deles há muito tempo, e nem sabe porque. Descartar preconceitos, inimizades, mágoas e condutas que estavam bloqueando a passagem. Descobrir aqueles enfeites que você parou de usar, mas eram o que de melhor você tinha. Fazer isso de forma completa é dificil. Penoso. É muito fácil enganar a si mesmo, empacotar tudo de novo, e levar consigo pra próxima etapa de vida. Vai dar errado.


Você não abriu espaço para nada novo. Mesmo que você ache um canto, vai estar tão perdido no meio do resto, que quando precisar, não vai conseguir encontrar. Nesse último ano, primeiro eu escolhi a mudança. Ao montar a Propósitto, eu tinha a opção de reformar minha condição de empregado. Resolvi embarcar na aventura de abrir uma empresa, meio sem saber o que esperar. Eu sabia o que não queria, mais do que qualquer outra coisa. Não foi, nem está sendo fácil. Estou aprendendo a lidar com incertezas mais do que em qualquer período da minha vida. Trabalhar em casa, que no começo era uma necessidade, aos poucos está se transformando numa bandeira. Se existem grandes dificuldades, principalmente para um casal 24 horas junto dentro do mesmo ambiente, existem grandes recompensas (especialmente para o meu lado de pai). Por essas coisas, preciso agradecer a paciência, apoio e mão extra da minha esposa, que não me deixou ter nem meio segundo de dúvida nesse ano. E ao meu filho, que com sua ingenuidade acha o máximo ter o pai o acordando todos os dias da semana. Nesse ano redescobri amigos, ganhei novos, e estou cada vez mais viciado num sabor que eu pouco experi-

mentava enquanto era empregado. O gosto da surpresa. O grande medo que as pessoas tem ao empreender é também aquilo que mais me move hoje em dia. O poder da imprevisibilidade. De não ter pré-estabelecido o que posso estar fazendo amanhã. Estou mais apaixonado por design do que nunca, e de um modo extremamente prático, pragmático mesmo. No começo de 2011 vendi minha casa e comprei outra. E esta é muito próxima daquilo que sempre quis na minha vida. E fazendo um retrospecto, fica muito claro que essa mudança está muito mais que intimamente ligada às mudanças que começaram a um ano. Uma não existiria sem a outra. Portanto, (como diria o vídeo do filtro solar) como eu só posso oferecer conselhos sobre aquilo que passei em minha vida, eu digo: abracem as mudanças. O mundo vai mudar, independente de você. É sua escolha tentar fincar sua jangada em algum canto de terra enquanto as marés te puxam, ficar ao sabor da água, esperando e torcendo que ela pare em algum lugar bacana, ou aproveitar a maré baixa e construir bons remos, pra te ajudar a chegar às melhores ilhas do caminho.

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degign gráfico+tipografia

Saiba quando quebrar as regras. Saiba quando suas ideias são ruins.

Theo Rosendorf, da Matador Propósitto – Conte um pouco sobre você. Como você se tornou um Designer Gráfico? Theo Rosendorf: Eu comecei no início dos anos 90, com lápis e papel, desenhando qualquer coisa. Passei muitos dias e noites na copiadora local. Tudo isso me levou a produzir designs absolutamente horríveis para pequenos negócios locais. Eu não me tornei um Designer de verdade até que eu entendi que tipografia era o mais importante aspecto do negócio. Isso aconteceu quando eu estava fazendo tabelas financeiras para o Relatório Anual online da Coca-Cola, em 1996. Pulando direto para o presente: Eu recentemente escrevi o livro The Typographic Desk Reference (TDR) , um dicionário de termos e formatos tipográficos. O TDR está em sua terceira edição, e esperamos começar as traduções o quanto antes. No momento, estamos em busca de um editor europeu. Quanto a minha prática em Design, atualmente eu trabalho como consultor de design para minha empresa, Matador.

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Propósitto - Eu li que você trabalha da sua própria casa, isso é verdade? Qual é sua rotina? Eu vejo que você tem clientes grandes. Você já enfrenyou alguma resistência de clientes por trabalhar de casa? TR - Sim, eu tipicamente trabalho em casa, mas raramente enfrento resistência dos clientes por isso. Eu acho importante apontar que algumas coisas não podem ser feitas de casa. Se você precisa dirigir um time de designers de um cliente, você tem que ir até ele. Se o cliente está intimamente envolvido no processo de Design, reunir-se face-a-face talvez seja a única forma de se fazer. Quando um cliente solicita que eu vá até seu escritório, eu sempre honro o convite, mas reuniões posteriores são raras, já que meu time de designers é tipicamente composto de pessoas em várias cidades. No momento, estou trabalhando em projetos com talentos de Atlanta, Berlim e Nova York. Meu dia normal: 11:00 – Café da manhã + notícias + email 01:00 – Trabalho 02:30 – Comer 03:00 – Trabalho 04:00 – Reunião virtual 05:00 – Trabalho 06:00 – Comer 06:30 – Reunião Virtual 07:00 – Trabalho 09:00 – Ginástica 11:00 – Comer 12:00 – Email + estratégia + trabalho administrativo Propósitto – Fale um pouco sobre seu processo criativo. TR – Número 1: trabalho para manter a mim e ao cliente na mesma página, de maneira que nós todos estejamos comprometidos com o sucesso da companhia (ou produto). Eu aconcelho o cliente a evitar se tornar emocionalmente apegado a conceitos. Todo trabalho de Design Gráfico começa e termina com conteúdo. O conteúdo e o visual tem que dar suporte um ao outro, senão você acaba com uma paródia. É incrivel quantas soluções de Design você pode ter através de cópia/edição.

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Faça perguntas estúpidas. Sério. Eu tento encontrar o mais efetivo, mais equitativo ângulo para o conceito. Primeiro, eu começo olhando para o setor do cliente para ver o que não fazer. Então eu encontro aquilo que se sustenta sozinho, algo original, e exploro esse ângulo. Tudo isso requer um modo muito diferente de olhar para as coisas. Fazer perguntas estúpidas funciona bem para mim. Tipografia. É muito simples: maus Designers não sabem como usar tipos. Meu negócio é muito focado em tipografia. Saiba quando quebrar as regras. Saiba quando suas ideias são ruins. Propósitto – Como é a vida de um Designer nos Estados Unidos? As companhias estão realmente cientes da relevância do Design? TR - Eu presto pouca atenção ao que outros designers estão fazendo, mas acredito que atualmente está acontecendo alguma educação pública sobre o tema. Quando mais designers entram no mercado, alguns podem reclamar de homogeinização, mas é importante notar que a qualidade do todo também acaba aumentando. Aquilo que é considerado tosco hoje foi feito profissionalmente ontem. Já não se trata de alguns designers superstars, mas um exército global de profissionais. Pessoas e empresas nos Estados Unidos estão completamente cientes da relevância do Design porque Design nos dias de hoje, é uma força para se ter ao seu lado.

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Simplesmente Libertador G.D., 19 anos

Essa é a sensação quando vamos atrás do nosso propósito de vida! Para nós da Rede Ubuntu sustentabilidade tem a ver com pessoas trabalhem com o que gostam e utilizando o máximo de seus talentos a serviço do Planeta. Por isso, criamos o RUA, Rede Ubuntu de Aprendizagem, um programa de formação em EUpreendedorismo, isto é, um programa focado em provoca-lo para refletir sobre o SEU propósito de vida, e empreende-lo. Para mais informações acesse: www.redeubuntu.com.br/rua

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degign gráfico

É responsabilidade do designer fazer o melhor que puder.

Michael Golan, de Israel Propósitto - Conte-nos um pouco sobre você. Como vc se tornou um Designer Gráfico? Você trabalha sozinho, ou em um estúdio? Michael Golan - Na verdade, eu não estava realmente interessado em design gráfico. Eu queria ser um editor ou fazer comerciais. Por um algum tipo de mistura estranha, eu acabei estudando design gráfico, e acabei me apaixonando. Quando terminei minha faculdade, eu comecei a trabalhar como aprendiz no estúdio de David Tartakover’s. É um estúdio muito conhecido e respeitado em Israel e por todo o mundo (tartakover. co.il)/ Tartakover possui uma das maiores (senão a maior) coleção de gráficos Isralenses. Quando eu comecei, eu não fazendo nenhum tipo de trabalho de design, mas ao invés disso ele me pôs para arrumar seu arquivo. O que, devo dizer, foi muito mais interessante, pois tive acesso a muitos materiais que você só pode ver em museus. Eu aprendi muito sobre a história do Design Gráfico em Israel. Depois que terminei meu bacharelado eu continuei

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Propósitto - Como a empresa (Anima) contratou você? Você faz algum tipo de auto-promoção? MG - Até recentemente, eu não estava fazendo nenhuma auto-promoção. Somente agora (depois de cinco anos trabalhando como freelancer) eu estou começando a entender o quanto isso é importante. No início, eu simplesmente fazia aquilo que aparecia, rezando por projetos interessantes. Eu tinha um bom relacionamento com alguns de meus professores na faculdade, de maneira que eles me indicavam para alguns trabalhos de tempos em tempos. E assim as coisas iam acontecendo. Noga é uma treinadora de cães. Eu a conheci quando a contratamos para nos ajudar a treinar nosso cão. Tivemos uma boa conexão, e nos tornamos amigos. Sua amiga, Neomi tem uma clínica que trata cães com medicina chinesa. Elas tiveram essa ideia de comercializar a linha de produtos de cuidado para cães que elas desenvolveram ao longo dos anos, e que usavam na clínica. Então me perguntaram se eu queria fazer o Design para elas. Propósitto - Fale um pouco sobre o processo de criação deste trabalho. MG – Quando eu começo um projeto, eu normalmente dou uma navegada pela internet, procurando produtos do mesmo campo. Eu normalmente tenho uma ideia na cabeça, então tento desenvolvê-la. Acaba nunca ficando como era a princípio.

trabalhando lá, desta vez fazendo trabalhos de Design. Depois de algum tempo eu mudei para outro estúdio de design. O trabalho era muito interessante, mas a carga horária era insana. Eles costumavam a ter duas pessoas trabalhando no estúdio naquela época, mas pouco depois que eu cheguei a outra pessoa se demitiu. Então, acabei tendo que fazer o trabalho de dois, indo até as onze da noite, uma da manhã rotineiramente. Isso me convenceu a começar meu próprio estúdio. Eu não estava realmente preparado, e pra falar a ver-

Propósitto - Eu notei que você escolheu um modo bastante simples, mas muito poderoso, muito tocante. Em uma época onde as embalagens estão mais e mais complexas, você acredita que exista espaço para soluções como esta? MG – Eu acho que existe espaço para os dois casos. Meu sonho é fazer algo complexo, mas meu trabalho sempre acaba sendo “simples” no final. Nesse caso, foi uma escolha deliberada, já que eu queria que os produtos tivessem um jeito “médico” e clean, como produtos farmacêuticos. Mas para não ficar frio, eu adicionei as ilustrações dos animais, para ganhar vida e uma sensação mais aconchegante.

dade, nem fiz muito planejamento. Eu apenas “mergulhei naquelas águas”.

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não é uma questão do design ser bom ou não. É uma questão de se o cliente está feliz ou não. Existem clientes que ficam satisfeitos quando o design parece bom, mas outros, quando os prazos são cumpridos, ou se é barato etc. É responsabilidade do designer fazer o melhor que puder. Ficar por trás de seu trabalho, de uma maneira apaixonada. Assim, com certeza os clientes também irão gostar. Clientes felizes são clientes que retornam. Agora, se você estiver falando a respeito das vendas, um bom design pode afetar as vendas de um produto também. Mas não vai durar se o produto não tiver seus predicados, e se apoiar somente no design para “fazer parecer bom”. Uma pessoa me perguntou, não muito tempo atrás se “bom design pode vender um mau produto”. Eu disse a ele que o design pode convencer alguém a comprar um produto. Mas acredito que se alguém compra um produto uma ou duas vezes e vê que ele não entrega o que promete, ele não tornará a comprá-lo, mesmo que tenha um bom design. No caso da Anima, isso não foi um problema, pois os produtos são muito bons, e entregam exatamente o que devem. Propósitto - Os clientes ficaram satisfeitos com o investimento? Em outras palavras, o quanto você acha que um bom design influencia os resultados? MG -Os clientes ficaram muito satisfeitos com o resultado, e continuam me ligando quando precisam de materiais extras (como catálogos e adesivos). Mas

Propósitto – Como é a vida de um designer em seu país? As pessoas e empresas estão realmente cientes da relevância do design? MG - Não posso dizer que a vida de um designer é fácil em Israel. Pelo que eu ouvi, vocês, do Brasil, estão enfrentando os mesmos problemas. O numero de “escolas de design” em Israel está aumentando. A cada ano, aproximadamente 700 ou mais novos designers são liberados para o mercado de trabalho. Quando você começa, normalmente trabalha por longas horas, por salário mínimo. Sempre haverá alguém mais barato que você. E a maioria dos clientes estão mais preocupados com o preço do que com a qualidade do trabalho. Eu nem me lembro quantas vezes eu ouvi um cliente me dizer “mas eu posso conseguir o mesmo por um terço do que você cobra”, e leva tempo para aprender a deixar pra lá. Quando você é independente, você precisa aprender a ser uma pessoa de negócios também. E nem todo mundo consegue isso. Eu amo design. E quando você trabalha por si só, de repente você se encontra cuidando de contas, números, prospectando clientes etc. Acaba sobrando pouco tempo para o design. E isso pode ser bem cansativo.

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liderança

carreiraestudo

futuro famíliaempresa negóciosempresa

desenvolvimento

equilíbrio

Lideranca e performance num contexto de alta complexidade.

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ilustração + concept art

Não importa o que você faz, qualidade e consistência são a chave, e vão abrir muitas portas

Adi Granov, da Marvel Studios

Propósitto – Desde que idade você desenha? Você frequentou alguma escola de Artes? Adi Granov - Comecei a desenhar muito cedo. Era um jogo divertido para mim, então eu desenhava sempre que podia. Eu frequentei uma escola de artes na Bósnia, onde nasci, onde estudei ilustração e design, e então fui para um curso de ilustração em uma faculdade em Seattle, nos Estados Unidos. Propósitto – Quais são suas principais influências em design e ilustração? AG – Quadrinistas europeus, como Moebius e Libera-

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tore, e ilustradores de posters de filmes americanos, como Richard Amsel e Drew Struzan. O designer Syd Mead tem sido uma grande influência também. Mais recentemente, eu tenho me inspirado pelos artistas japoneses Terada and Tanaka, e também por ilustradores mais contemporâneos, como Adam Hughes ou Travis Charest. Sempre fui influenciado por algo que capta meu olhar, e recentemente eu estou muito tocado por esculturas clássicas e sua poderosas representações da forma humana, que podem ser vistas bem claramente no meu trabalho de minhas capas mais recentes.


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Propósitto – Conte-nos um pouco sobre seu processo criativo. Como é seu dia normal de produção? AG - Quase todo dia é um dia de produção para mim, já que meu trabalho é inseparável do resto da minha vida. Eu geralmente gasto um logo tempo rabiscando ideias, já que eu quero criar a melhor ilustração possível, de maneira que eu apresento os melhores rascunhos para o cliente. Eu faço meus rascunhos digitalmente, o que deixa mais fácil para fazer quaisquer mudanças que sejam pedidas. Depois que o rascunho foi escolhido, eu faço um layout mais preciso baseado nele, que então imprimo do tamanho do papel que eu quero utilizar. Copio levemente o layout em papel, usando uma mesa de luz. A imagem então é desenhada em detalhe e finalizada em tons de cinza até que o trabalho tonal de luz e sombra esteja completamente finalizado. Eu então o escaneio, usando Photoshop, e trabalho as cores. Geralmente leva de dois a três dias para fazer uma ilustração com qualidade para capa. Obviamente, as vezes imagens mais simples levam apenas algumas horas, e outras, muito mais complexas podem chegar a 4-5 dias. Propósitto - Sua arte é muito refinada, algumas pessoas chegam a pensar que você é um artista 3D. De onde você pega referências? AG - Em meu trabalho antigo eu costumava a fotografar referências muito mais, e tentava atingir um resultado fotorealístico. Eu não estou muito preocupado com isso mais, e tento alcançar um visual bem mais estilizado, mas preciso. Eu creio que o nível de deta-

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lhamento faz as pessoas acreditarem que é realístico, mas na verdade, eu somente baseio o trabalho de sombreamento na realidade, enquanto que as figuras são muito mais estilizadas. Eu experimentei usando 3D e fotografias em meu trabalho, mas não fiquei muito contente com os resultados, então eu tendo a não fazê-lo mais. Eu uso bonecos articulados, assim como modelos 3D e fotos para referência, mas não os uso na arte em si. Propósitto – Como foi a experiência de participar da produção de um blockbuster como Homem de Ferro? Quais são as grandes diferenças entre as indústrias de quadrinhos e de filmes? Da minha perspectiva, o trabalho não é tão diferente de nada que eu já faço. Eu só tentei fazer o melhor que eu pude, com os objetivos do projeto. Obviamente é sempre muito excitante estar envolvido em algo tão grande, especialmente quando o primeiro filme foi tão bem-sucedido. A grande diferença entre filmes e quadrinhos é que você passa muito tempo tentando criar o design perfeito, o que leva meses, enquanto que, nos quadrinhos você tem que seguir em frente muito rapidamente, e não tem tempo de explorar tantas direções. Propósitto – Você está fazendo concept-art para outros filmes da Marvel? Pode dizer em quais futuros projetos você está envolvido? AG - Eu estou neste momento trabalhando em outro grande filme da Marvel, mas infelizmente, não posso falar a respeito. Porém, tenho certeza que as pessoas


podem adivinhar que projeto é, baseado em notícias divulgadas na internet*. (*) Nota da Propósitto – nossa aposta é que Adi Granov esteja atualmente trabalhando no filme dos Vingadores. Só um palpite. Propósitto – Fora os quadrinhos, você tem algum outro projeto? Se não, você pensa em fazer outros tipos de ilustração? AG - Eu estou fazendo quase somente ilustrações para video games e filmes no momento. Quadrinhos estão na espera, até que eu termine o trabalho com esse filme que eu mencionei, assim como o video game que estou ilustrando a embalagem. Eu tenho uma série de quadrinhos aguardando, que eu vou ilustrar depois. Eu gosto de fazer diferentes tipos de coisas, pois mantém o trabalho e a vida mais interessantes, e é uma fantástica experiência de aprendizado, que transforma tudo que eu faço em produtos melhores.

de menor de trabalhos realmente bons do que uma enorme quantidade de coisas medíocres. Também é importante saber qual parte da indústria você quer trabalhar. Ter um estilo forte é vantajoso nos quadrinhos, mas as vezes é melhor conseguir fazer vários estilos se você quer trabalhar com video games. Mas no fim, não importa o que você faz, qualidade e consistência são a chave, e vão abrir muitas portas. Propósitto – Você conhece algum ilustrador brasileiro? AG- Eu só conheço um artista, João Ruas, através de uma comunidade de artistas que eu sou membro. Ele faz um lindo trabalho.

Propósitto – Você tem algum conselho para pessoas que estão entrando na profissão? AG - Trabalho duro sempre recompensa. Nunca é fácil começar e tentar ser um artista profissional, mas bom trabalho rapidamente se transforma em sucesso, então é importante continuar produzindo o melhor trabalho que você pode. É melhor ter uma quantida-

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design + sustentabilidade

Nós precisamos ser a geração que se levanta para o desafio, e para designers, que oportunidade é melhor para criar um legado para gerações futuras?

Eric Karjaluoto, criador do projeto Design Can Change Propósitto – Como você se tornou um designer? Qual é seu background em educação nesse sentido? Eric Karjaluoto – Eu acho que sempre fui um designer – só levou algum tempo para descobrir isso. Quando criança, eu desenhava logos e criava revistas amadoras e quadrinhos com lápis e papel. Quando eu terminei a escola pública, eu escolhi estudar pintura na Universidade Emily Carr, em Vancouver. Enquanto completava meus estudos lá (com apenas uma classe de design) eu gastei vários anos trabalhando como pintor. Isso envolvia pintar o dia inteiro, e trabalhar na produção de um jornal de noite. Esta foi uma época muito interessante, na qual eu tive a oportunidade de trabalhar em minhas pinturas, e também aprender as entradas e saídas dos softwares de design, pré-impressão e procedimentos de gráfica. Depois de cinco anos disto, no entanto, eu decidi que queria fazer uma coisa bem feita, ao invés de correr atrás de duas buscas distintas. Foi quando comecei a falar com meu amigo (e hoje meu parceiro de negócios) Eric Shelkie sobre o quão excitante era a Web, e a possibilidade de começar um estúdio concentrado

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nela. Pouco tempo depois nós estávamos em nosso caminho, e foi quando nossa educação de verdade começou. Propósitto – Quando você começou a trabalhar em assuntos relacionados com sustentabilidade? Em que ponto esse assunto se tornou uma preocupação real para você? EK - Sustentabilidade é algo que eu sempre fui conhecedor, mas por um longo tempo, me faltaram os recursos para fazer algo a respeito. Eu acho que meus humores, e meu pensamento podem ser bem paradoxais; se por um lado eu sou um otimista a respeito de muitas coisas, por outro também me torno cínico e um pouco medroso às vezes. Este tem sido certamente o caso quanto se trata de consumo. Mesmo quando eu era mais jovem, eu olhava para o quanto nós consumimos (e gastamos) e me perguntava por quanto tempo nós conseguiríamos nos manter com este tipo de comportamento. Em 2006, minha esposa e eu esperávamos o nascimento de nosso primeiro filho. (Nós sabíamos que, quando ele chegasse, teríamos menos oportunidades de assistir filmes em cinemas, então estávamos vendo assistindo quanto mais pudéssemos). Um deles foi “Uma Verdade Inconveniente”, do Al Gore, e teve um enorme impacto em mim. Na minha mente, Gore fez algo com esse filme que nunca tinha sido feito antes. Não foi como se ele tivesse falado algo que nunca tinha sido dito antes. O brilho do filme era largamente em como ele havia feito. Primeiro de tudo, não havia sido feito para os “verdes”, mas ao invés disso, para a população geral. Enquanto isso, a escolha do formato foi crucial. Ao começar com um filme, e então ganhar mais profundidade em um livro, ele conseguiu que o assunto fosse palatável para qualquer um que quisesse se engajar. Mais que isso, penso, ele colocou luz sobre coisas que todos temos que estar atentos, ao mesmo tempo que sugeria o que podemos fazer para mudar as coisas para melhor. Uma coisa é falar sobre o quanto nós estamos fodidos, e bem diferente é encontrar esperança e colocar as pessoas na posição de agir. Meu único problema com o filme é que ele mal fala alguma coisa sobre design. Provavelmente por conta da natureza generalista do público, mas parecia que ele tinha perdido alguma coisa grande, que talvez não devesse.

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Propósitto – Explique o conceito por trás do projeto “Design can Change” EK - Por volta da época em que eu vi esse filme, nós estávamos procurando por recursos em desin gráfico sustentável. Fora o Re-nourish, de Eric Benson, e a iniciativa Design by Nature, anunciada na Austrália, existia dolorosamente pouca informação disponível. Se não me falha a memória, não se conseguia encontrar um livro nas prateleiras que lidasse com esse tópico específico. (Eu devo dizer que já não é mais o caso.) Então, nossa primeira prioridade se tornou criar um site que pudesse servir como um ponto de partida para designers interessados em empregar mais práticas de sustentabilidade em seus trabalhos. A ideia tem alguma facetas em si. Uma, como notado, foi simplesmente começar uma discussão. Outra foi facilitar conexões entre compradores de serviços de design e designers que estavam comprometidos com práticas mais sustentáveis. A outra foi servir como vitrine de projetos de design sustentáveis. Infelizmente, tivemos que em boa quantidade, “deixar a bola cair” nesse último ponto. Propósitto – Hoje em dia parece que todo mundo

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quer se proclamar “verde”. Mas quando cavamos um pouquinho, normalmente descobrimos que a maioria dessas mudanças são pouco mais do que marketing. Como podemos convencer nossos clientes a fazer mudanças reais? E como separar uma coisa da outra? EK – Esse é um assunto enorme e muito complicado. Parte dele se relaciona com a intenção. Algumas organizações são simplesmente ignorantes sobre a questão, e sobre o que eles podem fazer a respeito. Outras estão preocupadas, mas inadvertidamente brandas, a despeito das boas intenções, porque elas não entendem as implicações do que estão dizendo ou fazendo. E então, existem aquelas organizações que simplesmente não ligam. Eles entendem perfeitamente que o que fazem causa danos ao meio-ambiente, mas fazem simplesmente uma “roupagem verde” para proteger suas marcas. Todos esses grupos – fora o último – podem ser trabalhados. O desafio deles é em larga escala sua própria ignorância. Eu quero ser claro aqui: Eu não estou dizendo que seja estupidez, eu digo que eles simplesmente não tem a informação necessária para agir de


modo mais efetivo e de forma frutífera. Então, para responder sua questão, é nosso trabalho como comunicadores, aprender o máximo que pudermos nesse tópico, e então dividir esta informação com nossos clientes, tanto diretamente (em discussões pessoais) quanto indiretamente (através de liderança). Fazendo isso, nós damos a eles os meios para mudar de verdade. A para aqueles que se dizem “verdes” com intenções mais nefastas, precisamos de outra tática. Em última análise, eles são o inimigo, e devemos atacá-los. Nós podemos fazer isso tanto através de informação quanto por ação. Ao pedir à população que pense criticamente a respeito das mensagens com as quais eles são confrontados, nós podemos separar melhor essas mensagens que são dúbias por natureza. Eu sinceramente acredito que a maioria das pessoas se importa com essa questão, e fará boas escolhas uma vez que a trilha esteja clara. Saber quais organizações estão doentes pode habilitar os consumidores a boicotar aquelas marcas e demandar opções sustentáveis. Propósitto – Depois que você fez desse assunto algo tão público, você notou um aumento, ou diminuição na quantidade de trabalho em seu estúdio? EK – Fora alguma publicidade associada com esse esforço, Design Can Change teve muito pouco impacto em nosso core-business – para melhor ou pior. Eu penso que esse esforço tem sido um ótimo “bônus” para alguns grupos que colocaram seus serviços na lista, mas acho que na maior parte, os dois negócios são vistos como atividades independentes (e largamente não-relacionadas).

para fazer a diferença. Seria bom fazer parcerias com organizações que fazem da sustentabilidade uma preocupação central em suas operações. Propósitto - Agora que você vê essas mudanças acontecendo de dentro, você é um otimista ou um pessimista a respeito de mudanças climáticas? EK – Minhas emoções nesse ponto vacilam bastante. A dificuldade para mim é que, apesar de sentir uma responsabilidade de agir nesse tópico, me falta muito do conhecimento pertinente para falar de um ponto de vista devidademente acadêmico. Eu não sou um cientista, nem um expert em clima, de modo que tudo que sei é através do que leio. Ultimamente eu tenho lido alguns livros que pintam um quadro bem negro para o próximo século. Apesar de apontarem algumas potenciais soluções de larga escala, meu medo é que o coletivo ainda não exista. Esta é uma observação que parece uma piada; é que quando eu ouço as discussões que a maioria está tendo, e a limitada mudança que estamos realmente prontos a fazer, eu temo que nós não estejamos levando esse assunto a sério o suficiente. Nós somos uma espécie incrivelmente inovadora e que parece se adaptar muito rapidamente quando os desafios se apresentam. Tecnologias estão sendo desenvolvidaas, gente muito esperta está falando, e mudanças estão acontecendo… mas parece que lentamente demais. De novo, o que precisamos é que exista vontade de acelerar esses esforços. Acho que vai precisar de ficar muito ruim antes que

Isto se deve, em parte, a uma decisão deliberada. Durante um tempo, pensamos que pudesse parecer um auto-serviço se colocásemos o SmashLAB e o Design Can Change muito próximos. Nossa preocupação era que, se não fossemos cuidadosos, os visitantes poderiam enxergar nosso esforço como uma trama para trazer trabalho para nosso estúdio. Apesar de não precisarmos nos preocupar dessa forma, também não queríamos correr o risco de comprometer a mensagem de modo algum. De todo modo, eu preciso dizer que estamos nos soltando um pouco mais ultimamente. No futuro, eu gostaria de falar mais abertamente sobre nossos pensamentos sobre esse tópico, e amarrá-los com o expertise que podemos canalizar em nossa agência

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a maioria das pessoas decida agir mesmo, e aí talvez seja (se já não for) tarde demais. Minha sensação é que, quanto agirmos, encontraremos maneiras de seguir adiante. Tragicamente, no processo, algumas das populações mais vulneráveis devem sofrer consequencias devastadoras. Propósitto – Que conselho você daria a designers que querem ser mais efetivos em assuntos de sustentabilidade? Por onde devem começar? EK - Minha primeira sugestão é que comecem a ler. Agarrem um ou dois livros sobre mudança climática e comecem a cavar a respeito do que aquilo significa. O fato é que muitos designers pensam que o tópico é limitado a escolher papéis recicláveis e usar tintas a base de vegetais, quanto na verdade é um desafio enorme, sistêmico. Em minha experiência, quanto mais eu aprendo, mais eu quero aprender….e mais sofisticado fica meu pensamento. É um tópico fascinante, e talvez o desafio mais interessante que nós jamais enfrentaremos como espécie. Minha segunda sugestão é para designers que perguntam de que lado da batalha eles querem estar. Será que eles querem um papel na sobrevivência da raça humana? Ou será que eles estão nessa por si próprios, e ninguém mais? Por um longo periodo de tempo, nossa indústria esteve presa no último papel. Nós fizemos lindos desenhos para ajudar a vender mais coisas que alguns de nós jamais precisaremos. Claro, isto é um pouco simplificado, mas não totalmente inverdade, acho que vocês devem concordar.

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Bilhões de dólares são gastos em propaganda todo ano, para estimular o consumo de combustível. A maioria disso serve ao único propósito de ajudar alguns poucos a acumular uma riqueza absurda. A despeito do que alguns foram levados a acreditar, isso tem um custo muito real. E frequentemente, esse custo é pago por todo o resto do mundo – mais ainda pelos mais pobres – sem mencionar todas as outras formas de vida desse planeta. Nós precisamos ser a geração que se levanta para o desafio, e para designers, que oportunidade é melhor para criar um legado para gerações futuras? Talvez, por um momento, nós possamos colocar de lado nosso trabalho de vender refrigerantes, tênis, e “os últimos e melhores” gadgets, e trabalhar no mais importante campanha de publicidade de todos os tempos: a educação e mobilização dos habitantes da Terra em extender seu tempo nesse (formidável) planeta. Propósitto – Você conhece algo sobre o Brasil, ou algum designer daqui? Qual sua perspectiva em o que está acontecendo por aqui? EK – Nunca tive o privilégio de visitar o Brasil, e me fico embaraçado em dizer que sei muito pouco a respeito do que os designers daí estão fazendo. Então, vou virar a mesa. Em seu novo blog, talvez você possa escrever alguns posts sobre o que está acontecendo por aí, de maneira que pessoas como eu possam ficar mais educados sobre o estado do design sustentável no Brasil. O que você acha?


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Muitos que estão saindo das escolas de arte agora têm um ar de superioridade que só vai fazer sua busca por liberdade criativa mais frustrante

Von Glitschka, Designer Ilustrativo

Propósitto: Desde quando você desenha? Qual é o seu background em educação? Von Glitschka: Eu tenho desenhado desde que era um moleque. Eu costumava assistir desenhos animados, e então passava horas desenhando-os. Cresci amando a revista MAD e ficção científica. Eu frequentei o Instituto de Arte de Seattle, e me formei em seu

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curso de Arte Comercial. Propósitto: Você sempre quis ser um designer, ou pensou em trabalhar apenas como ilustrador? VG: Eu me refiro a mim como um “Designer Ilustrativo” porque eu faço ambos todos os dias. Eu faço bastante desenvolvimento de logo e marcas, mas a maioria do meu design tende a puxar um quê ilustra-


tivo para ele. Então esta meio que se transformou em minha especialidade. Eu faço ilustração pura de tempos em tempos, mas a maioria dos meus projetos são de design que requerem uma aproximação ilustrativa. Eu nunca quis realmente ser apenas ilustrador, eu amo design demais para fazer isso. Então eu curto fazer os dois. Propósitto: Você se apresenta como “Designer Ilustrativo”. Você acha que isso o ajudou a se diferenciar ou pode ter limitado seu campo de opções? VG: Eu penso que se aproximar da comunidade criativa como um tipo único de criação pode limitar você. Se tudo que eu vendesse de mim fosse um ilustrador eu não seria contratado para trabalhar com logo e trabalhos de branding. Eu me vendo como ambos porque eu gosto de fazer ambos. Eu gosto de experimentar coisas novas também. Eu fui contratado ano passado para fazer um padrão repetitivo para uma companhia, e eles repararam que eu fazia logos também eles me chamaram para um serviço de re-branding. Mais tarde, eu redesenhei toda a parte colateral impressa deles, e os ajudei a encontrar o tom certo para sua campanha de marketing.

Eles se transformaram em um de meus maiores clientes, então se tudo que eu tivesse vendido de mim fosse um ilustrador eu teria limitado a mim mesmo. Eu gosto de trabalhar nos grandes desafios com o clientes, ajudá-los na sua estratégia e pensar em seus modos de se apresentar no mercado. Propósitto: Você trabalhou em vários estúdios antes de abrir o seu próprio. Como você avalia a importância de ter sido parte de um time, antes de liderar um time? Em outras palavras, você acha que é válido uma pessoa sair da faculdade e imediatamente abrir um estúdio? VG: Boa pergunta. Eu trabalhei para outras pessoas por 15 anos antes de iniciar meu próprio negócio. Você nunca pode substituir experiência com simples criatividade. Eu acho que um designer será muito melhor trabalhando no contexto de um time, para que ele aprenda todos os detalhes de um processo criativo e as relações que seguem com ele, de modo a melhor entenderem a si próprios, suas forças, suas fraquezas e aprender com isso. Trabalhe cinco anos nesse tipo de trabalho, e então você pode considerar em montar seu próprio negócio.

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Muitos que estão saindo das escolas de arte agora têm um ar de superioridade que só vai fazer sua busca por liberdade criativa mais frustrante, e eles somente vão conseguir irritar aqueles que potencialmente poderiam lhes dar trabalho, e com os quais eles poderiam aprender uma rica e realista experiência. Propósitto: Como a crise financeira está afetando o negócio de design nos EUA? Você sentiu algum aumento/ diminuição na quantidade de trabalhos? VG: 2009 foi muito ruim para todo mundo, incluindo para mim. 2010 tem sido muito melhor, mas isso prova para mim que nós precisamos ser mais versáteis do que rigidamente especializados. Querer aprender novas coisas, conhecer nossas forças e fazer parcerias com aqueles que fazem coisas melhores que nós, e fazer times com eles em nossos projetos. Propósitto: Qual é o balanço da sua companhia entre grandes e pequenos clientes, e qual é a importância de ter pequenos clientes? VG: É mais ou menos meio-a-meio para mim. A agência trabalha para grande clientes corporativos globalmente e pequenos proprietários de negócios que me contratam para ajudá-los. Eu gosto de ambos. Realmente, não tenho uma preferência. Propósitto: Como é o seu processo? Você tem algum tipo de rotina? VG: É bem metódica. Vocie poder ver o passo a passo de alguns projetos pelos meus tutoriais em http://www.illustrationclass.com Propósitto: Qual tipo de trabalho você gosta mais? VG: Eu adoro desenvolver e desenhar logos e projetos de identidade. Esse é provavelmente meu tipo favorito de trabalho. Propósitto: Você já esteve no Brazil? Conhece alguém ou alguma empresa de design daqui? O que você acha? z VG: Eu falei com algumas pessoas de uma Universidade daí no ano passado a respeito de uma palestra, mas acabou não dando certo, por causa da economia. Eu adoraria fazer uma palestra e fazer um workshop seria muito bom. Se você conhecer alguma Universidade ou Escola de Artes, aponte-os para cá: http://www.vonglitschka.com/speaking/

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ilustração + escultura

Uma vez me disseram que meu processo de trabalho era como assistir a alguém fazer salsicha. Se você vê como é feito, não vai querer comer.

Chris Sickels, ilustrador e escultor Propósitto:(Eu sempre pergunto isso) – Qual é seu background em educação? Como você começou? Chris Sickels: Eu me formei na Academia de Artes de Cincinnati, Ohio – EUA durante 1992-96. Foi no meu segundo ano de faculdade quando fui apresentado a profissão de ilustrador, até então eu só tinha noção real de design de produto e artes plásticas. Propósitto:Quais são suas maiores influências? CS: Alexander Calder, especialmente seus primeiros circos. Tim Hawkingson, animação em stop motion, e muitos outros artistas e coisas. Propósitto: Você sempre sentiu que a escultura era sua midia ideal? Ou procurou outros campos, como pintura ou design? CS: Eu me formei como pintor, e curti todos os aspectos das classes na escola, das marcenarias, fotografias, gravuras, escultura, design, tipografia, e foi depois de 4, 5 anos anos após a escola que eu realmente comecei a integrar meu amor pela escultura com minha paixão por ilustração.

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CS: Sou só eu, apesar de que meus filhos geralmente me acompanham no estúdio.

Reps (outra agência de ilustração) para produzir um catálogo/revista anual, The Artalog de novos trabalhos de ilustradores nos dois grupos e recursos para trabalhos em novos mercados.

Propósitto: Você mesmo faz prospecção de clientes, ou tem um agente (isso se ainda precisar de fazer prospeção)?

Propósitto: Eu ouvi dizer que, até recentemente, você ainda não usava uma câmera digital para fotografar seu trabalho. Isso é verdade? Porque?

CS: Definitivamente eu ainda preciso prospectar clientes! E sim, eu tenho um agente fantástico, Magnet Reps, com quem eu tenho trabalhado por 10 anos. Colaboração em malas diretas para clientes, junto com a promoção do website e blog pela agência da Magnet Reps, a até colaboração com Frank Sturges

CS: Até a metade de 2008 eu estava fotografando cromos de 4X5 polegadas. Mesmo depois que o laboratório local parou de revelar filmes desse tamanho, eu comprei uma mesa processadora alemã e revelava meus próprios filmes na lavanderia de casa. Quando a Polaroid parou de produzir o filme que eu usava para

Propósitto: No estúdio Red Nose você trabalha sozinho ou tem um time com você?

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a iluminação preliminar e composição eu decidi que estava na hora de desistir, e começar a migrar para as digitais. Eu admito que gosto das forças do que as câmeras digitais podem produzir, mas ainda sinto falta dos dias em que segurava um slide de 4X5 na mesa de luz, curtindo a magia e o mistério do filme. Propósitto: Alguns dos trabalhos mais impressionantes que vi nos ultimos tempos vem de ilustradores. Existe uma discussão sem fim a respeito de se a ilustração é ou não arte. Qual a sua opinião a respeito? E como você vê o mercado de arte hoje em dia? CS: Isso pode ser uma resposta cliché, mas vou dizer por mim: Eu faço coisas, porque eu preciso disso. Se eu sou pago para fazer algumas coisas para um cliente, e em retorno eu ganhou aquecimento e comida para meus filhos, então eu acho ótimo. Se alguém quer dizer que isso é ou não arte, é com eles. Eu só quero fazer essas coisas. Propósitto: Que tipo de trabalho você aprecia mais fazer: editorial ou publicidade? CS: Eu gosto de trabalhos onde o diretor de arte e eu temos uma confiança mútua em o que fazemos. Apesar de que publicidade tende a pagar melhor, que pode compensar pela falta de outras coisas em um trabalho particular RT: Você tem uma rotina? Pode explicar como é seu processo criativo? CS: Eu tento fazer meu trabalho em horário comercial, sempre que possível. Das oito as cinco, seis da tarde. Desse modo eu tenho tempo para minha família. Um bom amigo uma vez me disse que meu processo de trabalho era como assistir a alguém fazer salsicha. Se você vê como é feito, não vai querer comer. Propósitto: Que tipo de materiais você usa em suas criações? CS: Qualquer coisa, e tudo que eu puder. Eu já de tudo, de madeira, arame, espuma, comida, água em spray, peixes (tanto vivos quanto mortos), um amassador de alho, metal e lixo, pra citar alguns. Propósitto: Você já esteve no Brasil? Conhece algum artista ou designer daqui? CS: Infelizmente nunca estive no Brasil (ainda).

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A Propósitto agradece outros vários parceiros, amigos e clientes, que de uma forma ou de outra, estiveram presentes em nossa história. Valeu!

PRODU ÇÕES MU SICAIS

APAE

São Roque

CJJ ENGENHARIA

Soluções em Gestão de Pessoas

Engemídia

Softon 31


ilustração + concept art

Seu trabalho vai se espalhar muito mais amplamente se for gratuito e o único limite for a qualidade dele

Daniel Lieske, criador do Wormworld Saga Propósitto: Como você começou sua carreira de ilustrador? DL: Quando eu saí da escola, em 1998 e tinha terminado meu serviço militar, eu consegui um estágio em um estúdio de desenvolvimento de games. Após o término do estágio, me ofereceram um emprego de tempo integral, e aí eu comecei a criar ilustrações profissionalmente. Propósitto: Que tipos de trabalhos você faz normalmente? Tem algum tipo que você gosta mais? DL: Eu estou trabalhando como artista de games, e meu trabalho vai da arte conceitual em 2D, modelagem 3D, criação de texturas e design de interface. De todos estes, meu favorito é a arte conceitual, porque fica mais próximo da minha paixão, que é pintura digital. Propósitto: Você tem alguma rotina? Como é? DL: Quando eu chego em casa do meu trabalho diário, de noite, eu janto com minha esposa e nosso pequeno filho, e então eu vou pro meu estúdio, e trabalho na saga de Wormwolrd por duas horas. Eu tento manter os finais de semana livres, mas nem sempre funciona.

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Propósitto: Falando em quadrinhos. Você já trabalhou para grandes editoras, como a Marvel, a DC ou outra? DL: A saga de Wormworld é meu primeiro projeto de quadrinhos, e eu nunca trabalhei para editoras. E não acho que eu gostaria de trabalhar como um artista contratado para editoras como Marvel ou DC. Eles mantém os direitos de tudo que você faz para eles, e você só fica com uma fração do dinheiro que eles fazem com sua arte. Propósitto: Nós estamos vivendo uma explosão de novas tablets entrando no mercado. Isso afetou sua decisão sobre qual trilha você deveria usar para fazer sua Graphic Novel? DL: Quando comecei a saga de Wormworld, o iPad não tinha sido anunciado ainda. Mas quando foi, eu imediatamente soube que poderia ser o equipamento perfeito para se ler minha graphic novel. Estou muito feliz em saber que haverão tantas tablets diferentes no mercado em pouco tempo, porque será uma grande

oportunidade para apresentar meu trabalho na melhor forma possível para muitas pessoas. Propósitto: Você acha que nos próximos anos iniciativas como a sua podem redefinir o modo que lemos quadrinhos? DL: Uma coisa especial sobre a saga Wormworld é que ela foi desenhada como um produto estritamente digital, desde o começo. O layout padrão para livros tem uma série de limitações do ponto de vista criativo, e se ater a esse formato vai limitar as possibilidades dos quadrinhos. Eu vejo muitas versões digitais de quadrinhos que que são apenas transcrições das versões de papel, e eu acho que isso é um desperdício de oportunidade. Eu espero que minha visão possa inspirar outros artistas para criar quadrinhos virtuais de verdade. Isto vai dar a eles mais opções de criação, mas também uma grande oportunidade de se auto editar de maneira fácil. Propósitto: Que conselho você pode dar a novos autores e artistas que estão procurando auto editar seus trabalhos? Você acha que será possível fazer dinheiro de verdade nesse mercado? DL: Eu diria para eles jogarem fora a ideia de “todo mundo que quiser ver meu trabalho tem que pagar”. Seu trabalho vai se espalhar muito mais amplamente se for gratuito e o único limite for a qualidade dele. ISSO é a real medida do seu sucesso. Se seu trabalho não se espalhar, isso é simplesmente porque não é bom o bastante, e você terá que trabalhar mais duro. Mas quando seu trabalho é bom, você vai descobrir que existem pessoas querendo te dar suporte. Hoje em dia, meus fãs me doaram mais dinheiro do que qualquer editor teria me pago para publicar meu trabalho.

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Propósitto: Você conhece o Brasil, ou algum artista daqui? DL: Não conheço muito sobre o Brasil, Mas eu fiquei muito surpreso em quantos fãs daí se ofereceram para traduzir a Saga Wormworld para sua língua. Eu recebi dez vezes mais ofertas do Brasil do que de qualquer outro país e realmente me fez pensar que eu preciso visitar seu País em algum ponto no futuro. Talve exista alguma convenção de quadrinhos, ou algo do tipo. Eu adoraria visitar a América do Sul. Minha esposa tem parentes no Chile e na Argentina. Propósitto: Bom, acho que é isso, obrigado por seu interesse! DL: Obrigado pelo SEU interesse. Fico feliz em poder espalhar a ideia mais ainda pelo Brasil!

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design + tipografia

Mentes pequenas matam grandes ideias.

Carlos Segura, da Segura Inc. Propósitto: Como você decidiu se tornar um designer gráfico? Quando você percebeu sua paixão por tipografia?

as pessoas soubessem onde nós estaríamos tocando (um pouco parecido com os flyers de raves de hoje em dia).

Carlos Segura: Quando eu estava crescendo em Miami, bem jovem, eu me tornei membro de um grupo musical chamado Clockwork, como roadie do bateris-

Mais ou menos doze anos depois, quando eu deixei a banda, eu tinha um portfolio cheio dessas criações, e meu padrinho sugeriu que eu fizesse uma entrevista

ta, e eventualmente acabei o substituindo. Esta banda era um negócio de verdade, e nós a tratávamos desta forma, tínhamos dois serviços de gerenciamento, um formato bastante estrito, procedimentos e calendários. Nós eramos bem grandes no cenário musical de Miami nos anos setenta, éramos agendados com dois anos de antecedência.

numa firma de design. Eu fiz, e consegui meu primeiro trabalho real numa empresa de engenharia em Nova Orleans como seu designer chefe.

Isto nos deu muitas responsabilidades, mas também um monte de deveres, e os meus eram três… eu era o baterista, dirigia o caminhão dos equipamentos e promovia nossos shows. Nessa época eu não tinha a menor ideia de que estava fazendo “design gráfico” (já que eu nem sabia o que isso era). Eu estava simplesmente fazendo que

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Enquanto eu trabalhava lá, eu respondi a um anúncio de jornal de Baton Rouge que procurava por um diretor de arte para uma pequena agência, e consegui o trabalho. Durante meus nove meses lá, nós fizemos inúmeros projetos, entramos na competição do Clube da Propaganda, e ganhamos mais prêmios do que várias outras agências naquele mercado, então a questão apareceu: “quem é este cara que nós nunca ouvimos falar?”. Uma revista da área fez uma pequena estória sobre a controvérsia, e uma agência de propaganda em Chicago leu a respeito, me contatou, me fez


uma oferta, e lá fui eu para Chicago em 1980. Mas de alguma forma, meus flyers estavam indo para o topo das mais reconhecidas promoções de bandas da época, e eu fiquei conhecido por esses impressos em preto e branco. Propósitto: Você trabalhou em várias das maiores agências dos Estados Unidos. Como foi o processo de decisão de partir para carreira solo? Como foram os primeiros dias como um dono de estúdio? Eu entrei no ramo da publicidade puramente por acaso, e simplesmente pelo fato de que nunca tive nenhum treinamento formal ou educação no assunto, eu realmente não sabia a diferença entre publicidade e design. Eu apenas queria um meio para expressar minha criatividade e precisava de um emprego, então eu apenas procurei um lugar para trabalhar. Enquanto estava lá, eu tive bastante treinamento sobre “o trabalho”, e comecei a ver as diferenças, na maior parte em como (ou o processo criativo) me fazia me sentir. Design começou a parecer mais como uma expressão pessoal e uma experiência orgânica versus o metódico, o empacotado  – e frequentemente

focado nas necessidades das massas – mercado da criação publicitária. Não quero desrespeitar nenhuma carreira, mas é simplesmente diferente. Então, por anos eu pensei em largar tudo e começar minha própria loja, mas esses eram os bons velhos tempos do negócio de publicidade, e as coisas estavam bem. Muito bem. Eu fiquei confortável demais e aguentei mais do que deveria, mas minha infelicidade tirava o melhor de mim, e em 1990 eu me demiti, e comecei a Segura Inc. Eu fiquei ocupado desde o primeiro dia. Eu tinha sorte. Durante meu tempo no mundo da publicidade, eu escolhi me especializar em impressos. Isso, numa época em que a televisão era a rainha (com spots de TV de 60 segundos como norma) e o “multimídia” começando a ver a luz do dia. Cada diretor queria sair para gravar um comercial. Eu queria produzir um anúncio (e nessa época, era tudo feito a mão). Até hoje, existe uma alegria particular que vem de dirigir arte, desenhar, elaborar e dirigir a criação de tipos – é um meio de comunicação que é muito especial e que eu não encontro em outras formas de expressão.

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Uma vez que um layout vem a vida, você sente que é parte de você. Eu gosto dessa sensação. E tenho essa reputação. Quando a notícia de que eu tinha saído, e que era, em essência, um “agente livre”, eu recebi chamados das agências pedindo para que eu fizesse seus impressos, e fiquei grandemente envolvido em seus nichos de negócios. O fluxo de trabalho continuava crescendo cada ano, e apesar de ter simplesmente coisas demais para mencionar, era basicamente trabalho de agência no começo, e então foi mudando para direção de arte para clientes de todo lugar do mundo. Propósitto: Quais são as grandes diferenças de trabalhar para grandes corporações e ser dono de seu próprio negócio? CS: Quando você é dono do seu negócio, você faz tudo. Você tem que fazer. Ter o seu próprio negócio será a coisa mais recompensadora que você fará na sua vida. Mesmo se você deixar de lado as recompensas finaceiras, as liberdades e opções que isso traz a sua vida não têm preço. Apenas saiba que nunca trabalhará mais duro em sua vida, porque, de repente, tudo será problema seu. Propósitto: Eu imagino que hoje em dia você seja um executivo, não apenas uma força criativa em seu trabalho. Como você divide seu tempo entre tarefas administrativas e o processos criativos? CS: É um pouco do que eu falei acima, mas controlar seu tamanho é a melhor forma de gerenciar seu tempo e tarefas. Não cresça para ser grande, cresça para ser formidável. Faça as coisas que são mais importantes, que signifiquem mais para você e tenha algo de artesão, de qualidade neles. Fazer pelo menos um pouco desses por ano será uma afirmação muito mais poderosa do que fazer centenas de pequenos e típicos projetos. Isso, qualquer um pode fazer. Propósitto: Com a explosão na venda de tablets, as pessoas tem lido cada vez mais coisas diretamente na tela. Quais são, na sua opinião, as maiores diferenças em desenhar fontes para telas? CS: Existe um bocado de óbvias diferenças tecnológicas, mas a “verdade” da tipografia está no tipo, não no veículo que o entrega. O que eu quero dizer é que se você planeja usar uma tipografia para texto, ela precisa fazer o trabalho dela como tal, seja em um jornal,

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seja num iPad. Propósitto: Quando estive em sua palestra, você falou em experimentar coisas radicais (me lembro de uma capa de CD que usou um esquilo morto escaneado). Você ainda encontra espaço para esse tipo de experimentação? CS: Com certeza. Criação vem de tudo. Todos os dias, criativos pensam dos mais variados modos. Eu tendo a processar pensamentos por um bom tempo antes de chegar no coração da matéria, e o modo que faço isso é fechar meus olhos e “escapar”. Para mim, é quando eu começo o processo de ir dormir. Eu tropeço nesse lugar temporário de “pensamentos” que eu frequentemente não consigo visitar durante meus dias ocupados. É bastante sossegado, e muito otimista, porque me faz sentir como se eu pudesse fazer tudo. Aparte de todas as limitações “reais” que o mundo coloca em mim.

CS: Não é bem “quem”, mas mais “o que”, e a resposta é meio cliché. Tudo. Eu acho que meio limitante excluir varias fontes como inspiração. Não é o que criativos fazem, já que eu acredito que todos os criativos tendem a ser influenciados pelos seus arredores como um todo. Eu estou em meu computador quase o dia inteiro exceto quando dormindo). Eu faço uma quantidade tremenda de posts em blogs (para todos os meus sites), então a quantidade de inputs fica quase surreal. Me expõe a todas as grandes coisas que os humanos podem fazer, e isso é bem impressionante. Propósitto: Existe algum trabalho de sonho que você ainda não fez? O que seria? CS: Eu sempre quis ser um engenheiro de som ou editor. Qual é o seu conselho para jovens designers que querem construir uma carreira em tipografia?

As ideias nascem desse sentimento autêntico, e não “preparado” ou “forçado” por causa de uma tarefa ou prazo.

Olhe tudo de muitos ângulos e rapidamente você terá um ângulo próprio. Não deixe coisas acontecerem com você. Faça coisas acontecem com você. Se você for sonhar, sonhe grande, é de graça.

Em dois exemplos específicos, foi assim que eu dei a luz a nossas companhias irmãs, http://www.5inch.com and http://www.t26.com.

Eu tenho alguns, mas um recente comentário de Chris Economaki faz tudo fazer sentido… “Não gaste tempo ficando pronto. Esteja sempre pronto”.

Propósitto: Quem são suas maiores influencias em design e tipografia? E quais outras atividades inspiram você?

Lembre-se….mentes ideias.

pequenas

matam

grandes

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ilustração + concept art

Se te inspira, e fala ao apreciador e traz algum valor de felicidade, eu chamo de arte.

Lisa Keene, concep artist da Disney

Propósitto: Qual é a sua formação artística? Lisa Keene: Eu amava desenhar quando era criança, e me inscrevi em todas as classes de arte que pude enquanto estava na escola. Meu pai também me levava a um cavalheiro que me ensinou pintura a óleo, era nosso tempo de pai/filha. Foi daqui que eu decidi que queria fazer uma carreira em arte, mas ainda não sabia como fazer isso. Eu frequentei a University do Sul da California por um ano, tirando assim minha educação formal do caminho, e então me transferi para

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para o Centro de Artes e Design e consegui minha licenciatura em Artes Plásticas. Propósitto: Como voce começou a trabalhar na indústria do entretenimento? Lisa Keene: Foi meio que por acidente. Eu não gostava de história da arte, que era um requerimento na escola, era tão árido. Mas eu descobri que poderia ganhar os mesmos créditos requeridos se eu frequentasse História do Cinema, que era muito mais divertido. Então, combinar meu amor por assistir filmes da


Disney quando criança e agora meu conhecimento de cinema, foram uma óptima combinação quando fiz minha entrevista e fui contratada. Eu nunca sai da Disney, e estou lá por quase 30 anos. Propósitto: Você poderia explicar como o trabalho de Concept Art é feito? Como é a interação entre o artista e o diretor do filme? Lisa Keene: Isso difere de diretor para diretor. Por exemplo: alguns podem ter uma ideia clara do estilo que querem usar, digamos art noveau, e querem um visual bastante influenciado pelo tempo. Ou o director pode não ter uma ideia, e então é deixado para os artistas de desenvolvimento visual para propor estilos que inspirem a direcção. Eu já estive dos dois lados, e ambos tem seus desafios. Daí, é ler o script e imaginar momentos que reflitam o filme no estilo escolhido,

para inspirar e informar a produção. Este processo interativo pode se extender por um bom tempo. É um processo muito colaborativo, não apenas com o diretor, mas com seus companheiros artistas também. É meio como uma pirâmide onde há uma grande base de arte, e enquanto nós trabalhamos juntos e nos inspiramos uns aos outros, o diretor faz escolhas e ficamos mais e mais perto do topo, e das respostas finais. Propósitto: Você trabalha tanto na industria de filmes quanto na área das Artes visuais. Você enxerga uma separação entre os dois campos? Em outras palavras, você considera ilustração como arte? Lisa Keene: Esta é uma ótima pergunta, e uma que tem sido ponto de discussão e argumento por todo o tempo. Eu acho que nós esquecemos que os artistas

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que nós vemos pela história faziam arte pelo pagamento. Do teto da Capela Sistina ao retrato de famílias ricas, artistas têm que vender seus trabalhos para poder sobreviver. Então, qualquer arte que é vendida por dinheiro reduz a arte a ilustração, minha mente. Ilustração é feita para comunicar uma ideia, uma história, um produto etc. Então o que é exatamente Artes Plásticas? Eu acho que está no olho do observador. Se te inspira, e fala ao apreciador e traz algum valor de felicidade, eu chamo de arte. E, quando passar o tempo, se a arte continuar a trazer essa felicidade e inspiração, talvez os críticos chamem de arte. Propósitto: Eu notei que o estilo da sua arte varia da anatomicamente perfeita até o estilo cartunesco. Você acha que um ilustrador deve ter um estilo muito definido? Ou deve acomodar seu traço dependendo do trabalho? Lisa Keene: Eu tenho dois pontos de vista aqui. Depende se ficar empregado é importante para o artista. Se ele quer ficar consistentemente empregado e ser útil a indústria, então ele precisa se flexível e adaptável. Isso não quer dizer abrir mão de seu estilo pessoal, quer dizer desenvolver uma habilidade de entender o que um diretor gostaria que ele entregasse. Ás vezes um artista é tão altamente considerado que não importa se seu estilo ofusca a direção visual. Eles são respeitados pelo que fazem, e foram procurados por seus estilos pessoais. Algumas vezes esses estilos podem ser acusados de serem modismos, e quan-

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do as pessoas se cansam de ver aquilo, querem algo novo. É um perigo dessa indústria. Então, como artistas, devemos manter nosso estilo fresco e inspirador, isso nos ajuda a continuar a bordo também. E também precisamos pintar para nossas próprias almas. Arte que faz o artista feliz! Então, respondendo de maneira rápida à pergunta: os dois! Propósitto: Você trabalhou em projetos como o Rei Leão e a Bela e a Fera, que era primariamente desenhados à mão. Agora, os desenho feitos por computador quase totalmente dominam a indústria. Quanto o trabalho de concept art mudou depois do advento do CGI (Computer Graphics Imagery)? Lisa Keene: Bem, em vários aspectos, não muito. Nós trabalhamos bem no começo do processo, então o meio que o filme será produzido importa muito pouco. Porém, dito isto, o padrão estabelecido está muito alto actualmente. Com a animação em 3D, e o cruzamento entre lie action e híbridos, muitas portas foram abertas, e tornaram o trabalho muito mais divertido e desafiador. Propósitto: Os Estados Unidos são a força principal no mundo da animação. Você vê outros mercados no mundo aparecendo, em outro países? Lisa Keene: Claro! Com todos os softwares e disponi-

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bilidade e queda nos preço para fazer filmes, qualquer um com talento, em qualquer lugar do mundo pode produzir e mostrar seu trabalho, e inspirar outros diretores. Frequentemente olhamos para outros artistas em outros países para nos influenciar e inspirar, de maneira que a arte não fique travada. Então, outros mercados estão fazendo um grande impacto na forma da arte. Propósitto: Quais são suas influencias principais? O que inspira você? Lisa Keene: Uma questão gigante, mas com uma resposta simples. O mundo ao meu redor. Tudo de arte, simplesmente sair, internet, fotografia… e está constantemente mudando. Ser uma artista é sempre estar um pouco insatisfeita com seu próprio trabalho. É o que nos mantém sempre tentando novas coisas, e movendo em frente. Propósitto: Você tem algum trabalho com o qual você sonhe e ainda não realizou? O que seria? Lisa Keene: Eu acho que algum dia eu gostaria de pintar o que eu quiser, e me divertir fazendo. Eu não ligo para o que seja, só estar feliz com arte é o melhor sonho. E viver disso, o que é importante. Propósitto: Você conhece algum artista do Brasil? Lisa Keene: Não, ou pelo menos acho que não.


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As Famosas Palavras Finais Seria uma injustiça dizer que todos aqueles que fizeram parte do ano da Propósitto estão aqui nessa revista. Muito pelo contrário, acho que a maior parte das pessoas que influenciam no dia-a-dia de uma empresa não aparecem aqui, por uma questão de que eu jamais conseguiria fazer justiça a todos, e em seu devido tamanho de contribuição. Afinal, cada amigo que a gente encontra, uma mensagem no Facebook, um retweet concedido na hora certa, muitas vezes por pessoas que você nem conhece, fazem a roda girar, e as vezes um dia chato pode se transformar num grande acontecimento, porque alguém te disse algo no momento exato. O certo é que sozinhos, não iremos longe. E no próximo ano, com certeza essa verdade se repetirá, talvez com mais força ainda. Podemos estar cada um em seu polo de trabalho, mas estamos cada vez mais conectados. Se no passado já diziam que ninguém é uma ilha, hoje então essa é uma afirmação quase óbvia. É por isso que, ao desejar os melhores votos de alegria e prosperidade para todos os nossos parceiros, amigos, parentes e aqueles que, mesmo sem dar muita atenção, passearam por nossas vizinhanças, queremos ser muito enfáticos. Queremos de verdade que todos vocês tirem o máximo de cada segundo de 2012. Pois mesmo que distantes, mesmo que dissonantes, somos parte de uma mesma rede. E sempre é mais fácil mover algo grande se muitos ajudarem. Em suma, sua prosperidade faz a nossa. Feliz 2012! Essa mensagem não seria justa se não guardasse um espaço especial para agradecer àqueles que viveram mais de perto todas as emoções, alegrias e porque não, as decepções de 2011. Minha esposa e grande batalhadora, Gabriela, e meu filho e minha força motriz, Francisco. Obrigado. É por vocês que eu acordo e em vocês que estou pensando a cada fim de dia. Eu amo vocês. Que estejamos mais fortes, mais juntos e mais felizes em 2012.

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produtivo feliz autêntico criativo lucrativo tranquilo

Desculpem. Não deu pra desejar uma coisa só pro ano novo.

próspero divertido

2012

movimentado pacífico memorável incrível surpreendente

A Propósitto espera que seu ano novo tenha tudo isso, e mais. Que em 2012, possamos realizar e construir os melhores sonhos. E se pudermos ajudar em alguns deles, conte conosco.

www.propositto.com.br


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Propositto entrevistas  

Reunião de um ano de entrevista com grandes designers que o blog da Propósitto fez. Gente como Adi Granov, Theo Rosendorf, Carlos Segura e...

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