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EDITORIAL

“Escolha seu lado” “As redes sociais dão o direito de falar a uma legião de idiotas que antes só falavam em um bar depois de uma taça de vinho, sem prejudicar a humanidade. Então, eram rapidamente silenciados, mas, agora, têm o mesmo direito de falar que um prêmio Nobel. É a invasão dos imbecis” - Umberto Eco Com estas palavras de Umberto Eco começaremos o editorial desta edição. Não, a Rock Meeting não tornou-se uma revista sobre literatura e afins, mas, seguindo a ideia da seção “Turn the Page” (que estreia este mês), que abordará assuntos relacionados à literatura x Heavy Metal, decidimos homenagear o escritor em duas frentes. Desta forma, podemos discutir e debater alguns temas polêmicos, e como vemos no mundo do Heavy Metal. Polêmica faz parte da “dieta” diária de todo headbanger, mesmo que indiretamente. Poderíamos listar diversos casos em que a imbecilidade do ser humano ultrapassa os limites da razão, mas vamos focar no que nos diz respeito. Quantas vezes você já se deparou com brigas ridículas nas redes sociais, envolvendo bandas, público ou produtores? Recentemente tivemos o caso da malfadada turnê do Exodus pelo Brasil, onde ambos os lados da história postaram suas versões no Facebook. E agora, em quem acreditar, quando um joga a culpa no outro e o público, que nada sabe, torna tudo ainda mais bizarro, comentando coisas estúpidas

a torto e a direto, como se fossem juízes e advogados? Outro ponto: vivemos em uma época em que todos querem ter a razão, mas nem se dão ao trabalho de pesquisar e verificar se as fontes são confiáveis ou não. Aliás, a falta de vontade é tanta que as pessoas não se dão ao trabalho de clicar nos links, limitando-se a sair despejando palavras errôneas somente baseadas no título de uma matéria, e ainda as interpretando mal... Um caso típico são os comentários publicados em um grande site brasileiro, local inundado de baboseiras e dignos de uma legião de idiotas, espaço este onde ideias poderiam ser forjadas para a melhoria do Metal brasileiro… Uma lástima. O headbanger brasileiro adora falar em união, mas é o que mais provoca desunião. Obviamente todos temos direito de nos expressar da forma que entendermos, assim como nós estamos colocando nossa opinião aqui no editorial e ninguém é obrigado a concordar com estas palavras. Mas, a questão é: antes de qualquer coisa, procure por fontes confiáveis antes de sair compartilhando alguns absurdos, e escolha seu lado nesta eterna e ridícula situação em que nos colocam, e na melhor das hipóteses, acredite somente naquilo que pode ser provado, afinal, quem acaba saindo perdendo deste tipo de situação? Nós! Por Maicon Leite


TABLE OF CONTENTS 09 - News - World Metal 12 - Lapada - Diga nĂŁo ao amadorismo 16 - Entrevista - Tankard 22 - Entrevista - Eutenia 32 - Entrevista - Kataphero 40 - Entrevista - Shadow od Sadness 46 - Capa - Inner Demons Rise 58 - Entrevista - AlĂ­rio Netto 64 - Entrevista - Will2Kill 72 - Entrevista - Deadpan 80 - Entrevista - In Apostasia 84 - Turn the Page - Umberto Eco 86 - Perfil RM - Antonio Araujo (Korzus)


Direção Geral Pei Fon Capa Alcides Burn

Colaboradores Alex Chagas Jonathas Canuto Leandro Fernandes Marcos Garcia Mauricio Melo (Espanha) Maicon Leite CONTATO contato@rockmeeting.net RockMeeting.Net


“Still Breaking” Além de trabalhar em seu projeto solo, o músico gaúcho Rodrigo Marenna também é o baixista da banda Hard Breakers. Após um hiato de dois anos, desde o lançamento de seu primeiro CD, “This is Hard Rock” (2013), de Caxias do Sul (RS), lançou oficialmente o seu mais novo registro: um EP contendo sete faixas, intitulado “Still Breaking”. O lançamento digital do EP se deu inicialmente através de suas redes sociais, onde a banda disponibilizou o novo registro para streaming e vendas físicas. O grupo aproveita o momento para consolidar a sua nova formação, demonstrando sua evolução musical neste novo registro. A essência continua a mesma, focada em sua maior influência que é o Hard rock puro e simples, calçado nas características mais clássicas deste estilo dos anos 80/90, visando agradar os saudosistas desse tipo de som. Ouça a banda por meio do sua página no Soundcloud. Dayanna Mello | Nicole Freitas

arte gráfica

‘Leave Your Mark’

A arte da capa para o novo álbum da banda santista Empire Of Souls já está pronta. O desenho, que constitui a obra, foi feito a mão pelo artista e tatuador Allan Luiz, seguindo como base o conceito criado por Mário Dutra e Cléber Juca, e idealizado em computador por Eugene Vitras. A horda dá início às gravações do novo álbum, ainda sem título definido, no dia 20 de março. Veja a capa AQUI.

O Abrasion acaba de anunciar oficialmente a data de lançamento de seu segundo disco completo, ‘Leave Your Mark’, que registra também o retorno do grupo. Será no dia 25 de março – aniversário de 22 anos da banda! “Queríamos que esse lançamento representasse muita coisa e celebrar nosso retorno, um álbum depois de 15 anos e ainda 22 anos de existência é realmente uma marca”.

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Foto: Edu Lawless

Debut álbum

Música nova

Os fãs de Metal mais calcado no tradicional têm mais um motivo para celebrar. A banda paulista Aeon Prime acaba de lançar seu álbum de estreia, ‘Future Into Dust’. O trabalho foi produzido e masterizado por ninguém menos que o renomado produtor Pedro Esteves (Liar Symphony) e contou com “coaching vocal” de Leandro Caçoilo (Seventh Seal). Ouça a faixa ‘Coliseum’.

Depois de uma viagem por toda a produção de ‘A Near Life Experience’, todos os fãs do Woslom e do Thrash Metal de primeira executado pelo grupo anseiam em escutar do que vem por aí. A primeira pedrada liberada pelo quarteto leva o título de ‘Underoworld Of Aggression’. “Essa música sintetiza bem o novo álbum, mais direto, rápido e ainda sim técnico”, comenta o guitarrista Rafael Iak.

Música Inédita

Foto: Synara Rocha

Enfim chegou a hora de conhecer como um dos maiores nomes do Death Metal nacional está soando quinze anos depois de seu último lançamento. O Rebaelliun e sua gravadora europeia Hammerheart disponibilizaram uma música para audição. A música tem o título de ‘Legion’ e é a segunda faixa do novo álbum, ‘The Hell’s Decrees’ que será lançado em maio pela Hammerheart na Europa. ‘The Hell’s Decrees’ foi gravado em São Paulo, produzido pelo próprio guitarrista Fabiano Penna, encarregado de captar o álbum e mixar todo o trabalho. A masterização ficou a cargo de Neto Grous do Absolute Master. A capa ficou por conta do artista Marcelo Vasco (Slayer e Machine Head). Ouça a música AQUI. 10


Relançamento

Foto: Renato Souza

Já está disponível, via Hunter Records, o relançamento de “Rotten Flesh”, primeiro álbum da banda gaúcha Carniça, lançado originalmente em 1999. “Rotten Flesh” além de ter inaugurado a discografia do grupo, também deu origem a uma tradição seguida nos discos posteriores, de gravar covers de bandas que influenciaram diretamente em sua trajetória, desta primeira vez trazendo uma versão para o clássico “Black Metal”, do Venom. Mesmo gravado de forma independente, um dos grandes apoiadores do Carniça para o lançamento do CD, em 1999, foi a tradicional loja Jam Sons Raros, de Novo Hamburgo, cidade natal da banda. Grande apoiadora da cena da região, a JAM se mostrou disposta a apostar no material e até hoje é grande referência para os apreciadores de som pesado no estado.

Videoclipe

Novo videoclipe

A banda paraibana Conclave lançou recentemente o primeiro videoclipe de sua carreira, para a música “Weak Minds Will Not Forgive”, extraída do vindouro debut álbum “Hollow Spirit”, que será lançado no Brasil pela MS Metal Records. O material contou com a produção de Bruno Pacine e Rafael Toscano, contando com tomadas no Janus Studio. Após o lançamento do álbum, a banda inicia o agendamento de shows pelo Brasil da sua atual turnê.

Buscando um som mais espacial, matemático, dinâmico, futurista e moderno, o Andragonia traz “Oxygen” que explora como as expectativas demasiadas em torno das pessoas geram decepções. Todas as letras são direcionadas a um casal e ligam as decepções e expectativas criadas. A história conta como viveram juntos em vidas passadas e, no final de cada vida, de como prometiam fazer de tudo para se acharem na vida seguinte. Confira o clipe de “Smell of January” AQUI.

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ou aos motivos que podem levar as bandas de fora a pararem de vir ao Brasil Bem, já não é segredo que o Exodus, uma das bandas mais seminais do Thrash Metal mundial (talvez seja a mais velha, de 1979), levou no lombo em dois shows no Brasil, e todos sabem: Curitiba e Fortaleza. Não, dessa vez não vou bater nos fãs, mas nos fãs que se tornam o que chamamos de promoters locais. Estes são os que compram as datas da turnê pelo país, e que muito pouco ou nada tem com a empresa que está promovendo a vinda. Exemplo: quem trouxe o Exodus para esta tour foi a Liberation Music Company. Mas os shows são comprados por promoters locais, a quem fica toda a responsabilidade de alugar equipamentos de som, local do show, divulgar o show em sua cidade, bancar translado, hospedagem e alimentação da banda e de sua equipe. Atualmente, as bandas estão vindo para cá com, no máximo, o técnico de som e um roadie. No máximo, e olhem lá. Não vou dizer que sei como é feito este tipo de transação de compra da data e como é feito o pagamento. Para ser sincero, não vem ao caso.

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O que realmente me deixa com os nervos à flor da pele é de ver o número de pessoas que se fazem de promoters, grandes ou pequenos, que anda fazendo caganças homéricas por aqui. No fundo, eles acabam queimando os cenários locais. Em Fortaleza, terminou em quebra-quebra. Economicamente, o Brasil está mal das pernas após 12 anos do PT no poder, tendo a “aliada” chamada PMDB ao seu lado, fiel e faceira.


A Lei Rouanet ajuda projetos de artistas falidos e sem nenhum tipo de posição atual na música. Ou acham que estes aí, que tanto gostam de polêmicas no Facebook, são algo? Um é de uma bandinha de um hit apenas (e de mais de dez anos), e o outro (no caso, outra) é um clone de uma famosa cantora baiana. Para eles, a lei ajuda em qualquer projetinho mixo, mas as bandas de Metal não são contempladas nisso. Voltando, as produtoras precisam ter

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capital para bancar uma data dessas sem contar com venda de ingressos. É preciso fazer caixa, ter parcerias e patrocínios, como Roberto Medina faz em todo Rock in Rio. Bingo, a jogada não falha, não erra. É só saber o que fazer. Bandas possuem exigências de equipamento, e elas precisam ser cumpridas. Precisam ter hospedagem, passagens, alimentação e uma série de gastos que necessitam de dinheiro. Óbvio que para amadores de porta de


botequim e cérebro enferrujado, falar em dinheiro é um tabu. Mas basta abrir os olhos e ver que ninguém faz nada por amor, mas por dinheiro. E isso não é errado! É preciso saber como se faz a coisa, como pode ser feita de forma barata, como captar recursos que não sejam de entradas. Tudo isso precisa ser muito bem pensado. E detalhe: calote não deveria ser uma opção, mas anda se tornando bem comum. E isso vai queimando o cenário nacional mais e mais lá fora! Lembram de Felipe Negri, Natanael

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“Desonesto” Júnior e o Metal Open Air, em 2012? Muitos já se esqueceram daquela tragédia. Eu não consigo, pois a imagem de pessoas dormindo em meio à bosta e urina de cavalos vai me atormentar por toda a vida, ainda mais com a enxurrada de bandas sumindo na hora H. Sumindo porque, como o Exodus, não foram pagas ou as exigências não forma cumpridas. Isso se chama roubo, e é uma ‘putaria’ de marca maior com a banda (que acaba se queimando em primeiro momento), com o


público (que paga a quantia estipulada), com a casa (que pode acabar sendo depredada, como ocorreu nessa tour do Exodus em Fortaleza), e com todos os envolvidos. Se não tem condições, não faça, não arque com aquilo. Indico aos leitores fazerem o seguinte: vejam quem é ou qual a empresa local que comprou o show, veja os antecedentes da pessoa, se tem muitos problemas. Se o promoter se encaixa nisso, minha dica é que se resguarde, pois pode levar na bunda. E se for o caso, eu peço-lhes que se lembrem que vocês são consumidores, com um Código de Defesa do

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Consumidor que pode pôr espertinhos em cana. Resumindo: conhecer o promoter e saber se ele é confiável é algo que todo headbanger precisa. E com isso na mão, não levar fé se o cara for traíra. Se for gente boa e der problemas, procurem saber o que houve, embora na hora que a merda fede, começa um tiroteio de acusações de todos os lados. No fundo, os desonestos deveriam ser esquecidos... mas não são!


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Por Charley Gima (FuteRock) Fotos: Banda/Divulgação

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Tankard é uma banda alemã que está há 34 anos na ativa, fazendo sempre um excelente thrash metal, com muita alusão a cervejas e festas! O FuteRock aproveitou a vinda dos caras ao Brasil para fazer esta exclusiva com o vocalista Andreas Geremia, ou simplesmente Gerre, que mostrou muita simpatia e falou sobre muitas coisas! Olá Gerre, para começar esta entrevista, eu gostaria de saber qual é o segredo do Tankard para estar tanto tempo na estrada? Gerre – Como ainda nos divertimos muito tocando a nossa música continuamos na estrada, eu realmente não poderia imaginar uma vida sem o Tankard, então saúde para os próximos 34 anos! Qual foi a coisa mais louca que você já viu e feito durante esses 34 anos no Tankard? Vimos um monte de coisas em 34 anos! Uma das coisas mais loucas foi um buraco no meio do palco na Bélgica. Aconteceu durante um show, o palco tinha quebrado, mas fomos capazes de terminar o show e dançamos em volta do buraco! Se você pudesse pedir a alguém para ouvir Tankard, para apresentar a banda, qual música você escolheria e por quê? Esta é uma pergunta muito difícil de responder, mas talvez eu escolhesse “A Girl Called Cerveza” ! É uma boa combinação de thrash, 18

linhas melódicas cativante e uma letra bem engraçada, isto é o Tankard! Você prefere beber cervejas antes ou depois dos shows? É claro que ambos!!!!!! Regras são para tolos! rs Falando sobre cervejas e Tankard, se


sua banda era uma cerveja, que tipo de cerveja seria o Tankard? O Tankard seria uma cerveja sem álcool, porque na realidade nós não bebemos nada de álcool!! É só imaginação… hahahahaha Vocês já tocaram no Brasil, quais lembranças você tem do país? Já experimentou a nossa “caipirinha”? 19

Muitos fãs amigáveis e loucos, seu amor pela música é incrível! Era sempre um grande prazer visitar o seu país! Claro que já experimentei a “caipirinha”, é muito saborosa! Algumas bandas brasileiras como Angra, Sepultura e Korzus lançaram a sua própria cerveja, você já experimentou alguma delas? Se sim, qual foi? E qual é


a sua impressão sobre isto? Não, ainda não experimentei estas cervejas, mas eu vou com certeza. É claro que já é hora para termos também uma cerveja própria do Tankard. Os shows do Tankard são muito enérgico e divertido! O que os fãs podem esperar do Tankard desta vez? Uma boa mistura de músicas antigas e novas, muita diversão e uma grande festa de thrash metal! Você está vindo para o Brasil logo após o Carnaval brasileiro, o que você sabe sobre isso? Já pensou em passar o carnaval noBrasil? Se viesse para o Carnaval, o que você faria? Sabemos que vocês comemoram o Carnaval de um jeito muito louco. Eu só vi coisas na televisão, mas da próxima vez viremos para o Carnaval e vamos festejar um pouco! Nós sabemos que você é um grande fã de futebol! Você assiste os jogos do Eintracht Frankfurt‘s jogos no estádio? Qual foi o jogo mais marcante que você já viu no estádio? Como tenho um ingresso para toda a temporada eu tento assistir todos os jogos, inclusive os jogos fora. Mas isso não é possível porque temos muitos shows nos finais de semana e eu não posso assistir a todos os jogos. Meus melhores jogos foram a conquista da European Cup (Copa da Europa) em 1980, a conquista da taça nacional em 81, e o jogo da salvação da primeira divisão em 1999, no último minuto, entrar na Liga em 2003, no último minuto e viajar a vários jogos da European Cup na década de noventa e 2013.

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O que você sente quando você vê os torcedores do Frankfurt cantando “Forza SGE“? Isso é realmente uma grande felicidade! Quando as equipes entram no estádio em Frankfurt, a nossa música “Schwarz-Weiß wie Schnee” é sempre tocada, isto é incrível, é um sonho que se tornou realidade! Temos a Alemanha como vencedor da última Copa do Mundo, o Bayern de Munique no topo, jogando extremamente bem, você acha que, hoje, o futebol alemão é o melhor e o mais forte no mundo? Sou mais torcedor de clube do que de seleção! E eu não gosto Bayern de Munique … .hahahaha. Acho que o nosso campeonato nacional é muito bom, mas tudo está ficando tão comercial que eu não gosto muito. Vamos ver o desenvolvimento do futebol nos próximos anos. O que você conhece sobre os times brasileiros? Nós temos um monte de jogadores brasileiros aqui, eu conheço times como o Palmeiras, Santos, São Paulo, Corinthians e Guarani. Eu realmente gostaria de assistir a um jogo ao vivo no Brasil, seria muito legal! Eu gostaria de agradecer-lhe para tomar o seu tempo para responder a esta entrevista. Por favor, fique à vontade para convidar seus fãs para os shows no Brasil e América do Sul e deixe sua mensagem! Muito obrigado por seu apoio nos últimos 34 anos, estamos realmente ansiosos para voltar ao Brasil para celebrar uma grande festa de thrash metal junto com nossos fãs! Saúde!

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Por Pei Fon Colaborou: Rômel Santos Fotos: Wesley Carlos

A Eutenia é uma banda relativamente nova, fundada em 2012. Por favor, apresentem-se para nossos leitores. Diego Inhof: E aí galera, temos o maior prazer em nos apresentar a vocês e à Rock Meeting! Somos a Eutenia de São Paulo-SP. Nosso grande ideal como banda é trazer uma fusão entre vários estilos do Rock e do Metal. Basicamente uma banda onde o “proibido” não existe, e onde o lance de “tribo” também não existe. Temos total liberdade de fazer aquilo que achamos bacana, desde que soe de forma interessante. Vocês conseguiram unir linhas modernas do Metalcore ao Heavy Metal clássico, aliado ao instrumental bem trabalhado e belos refrões. Quais são suas influências? E o que inspira na hora de compor? A grande influência da banda como um todo, e também a influência em comum de todos os integrantes, é o Avenged Sevenfold. A banda nasceu sendo um cover de Avenged Sevenfold e Bullet For My Valentine, só depois começamos a compor e hoje ser o que é. Porém, isso não significa que nos “prendemos” a esse estilo. Somando as influências dos nossos integrantes variamos de bandas desde Iron Maiden, Metallica, Ozzy Osbourne até coisa mais pesadas e técnicas como o Protest The Hero, e Metal Melódico como Edguy, com algo mais puxado ao Hardcore e ao Prog como Dream Theater. Não há regras nem limites para nossas composições. 24


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Em 2012, a Eutenia lançou o EP “Chymia I”, produzido por Adair Daufembach. Comentem sobre a repercussão do disco perante ao público e imprensa especializada. Foi a primeira vez que a Eutenia lançou um trabalho oficialmente, e confesso que não sabíamos muito bem o que fazer depois de ter o trabalho em mãos. A repercussão perante o que trabalhamos (certo e errado, com muito mais erros do que acertos), foi absolutamente fantástica. Pois não sabíamos bem como administrar a banda fora da música, então houve uma divulgação muito fraca. Conseguimos 26

só com o “Chymia I” boa parte dos seguidores que temos hoje, e é incrível diante do “esforço” e acertos que a banda teve para com esse álbum. Problema comum em muitas bandas, vocês tiveram várias mudanças na formação. Quais as dificuldades de encontrar músicos compromissados a investir em um projeto autoral no Brasil? O grande problema em relação à formação é que as pessoas já entram em bandas de Rock/ Metal sem saber bem o que esperar. Aconteceu com a gente também, achávamos que era


músicos não saberem bem o que esperam após entrar na banda, será que está preparado para todas essas dificuldades? Música no Brasil é difícil, mas não impossível. Se o consumidor de Rock no Brasil não existe, por que Iron Maiden, Metallica, Scorpions e outras bandas enchem estádios? As pessoas escutam Rock no Brasil, mas será que as bandas daqui lutam o suficiente para crescerem? Investem o necessário? Tiram suas horas de sono o suficiente? É difícil encontrar pessoas que possuem essa visão de que há a necessidade de cair de cabeça no sonho, para que ele deixe de ser sonho.

só estudar o seu instrumento e entrar numa banda que tudo cairia do céu e estaríamos no Rock in Rio alguns anos depois. Porém, a parte mais complicada de entrar numa banda séria é que você precisa dispor muito mais tempo e dinheiro do que imagina. Muito mais dedicação e presença do que imagina. É ceder seu tempo de família para ensaiar, compor, é ceder seu dinheiro que viajaria para o Nordeste ou para fora do país e aplicar seu dinheiro ali, na sua banda, que é uma banda de Rock no Brasil, onde todos dizem que é algo impossível. Mas não é! Em resumo, acho a rotatividade de integrantes bandas acontecem devido 27

Como chegaram aos novos integrantes Andre “Drio” Navacinsk (voz) e Yuri Alexander (bateria)? Eles contribuíram no processo de composição? O Drio foi encontrado através do YouTube em um canal que ele possui, no qual faz covers de bandas que ele curte. O método de pesquisa do nosso novo vocalista foi achar caras que faziam covers de Avenged Sevenfold no vocal, e logo chegamos a ele. E o Yuri também foi através do YouTube, pesquisando da mesma maneira, mas não era um cover que achamos, e então nos reunimos para conhecê-lo melhor e aí soubemos que ele curtia a banda e o estilo e logo iniciamos os trabalhos. Com relação à composição, boa parte do EP “Chymia II” estava pronto quando eles chegaram, mas achamos por bem rever tudo para que houvesse o toque deles nas músicas. Então, o resultado que temos hoje é 100% a cara da nossa nova formação. No início de 2016, a Eutenia lançou um novo EP “Chymia II”. Este novo trabalho também apresenta temática ligada da Mitologia Grega. Há uma ligação com o “Chymia I”? Dê-nos mais detalhes.


Com certeza! Desde o lançamento do “Chymia I” tínhamos o planejamento pronto de como seria o “Chymia II” e que ele seria uma continuação do mesmo. “O Chymia I”, na arte do disco percebe-se uma capa mais escura, com o nosso Cérberus protegendo a porta do paraíso, dando a entender que ele estava no inferno. O “Chymia II” possui a arte mais clara, e nosso Cérberus em um cenário destruído. Basicamente no “Chymia I” era o inicio de tudo, estávamos no escuro, no “Chymia II” as coisas se clarearam para nós, para que pudéssemos crescer como banda e assim foi. Isso não se remete apenas à capa, mas também no som. No “Chymia I” temos músicas mais longas, e das 4 músicas, apenas 2 possuem refrões. No “Chymia II” vemos muito mais estilos espalhados nas músicas e com refrão em todas as faixas, sem exceção, mostrando um amadurecimento de composição. Desta vez a banda produziu o disco no conceituado Mr. Som Studio, em São Paulo-SP, com Marcello Pompeu e Heros Trench. Por que optaram trabalhar com eles? Falem um pouco sobre o processo de produção. A opção de buscar um novo estúdio foi basicamente a necessidade de, após fechar a formação, lançar o quanto antes o material novo que estava guardado há 2 anos. A ideia inicial era permanecer com o Adair Daufembach, porém, o mesmo encontrava-se sem agenda para que fosse possível lançar o EP rapidamente, e isso nos forçou a buscar um novo estúdio à altura. Numa pesquisa rápida logo chegamos ao Mr. Som, com prêmios e muito conceituado. Demoramos um pouco além do que imaginávamos, porém com relação ao som vocês mesmos podem notar um resultado fantástico. Trabalhar com o Pompeu é uma diversão, é risada do começo ao fim e muito hambúrguer também, além de muito aprendizado, claro. O Heros é um cara absolutamente técnico e rápido, nitidamente ele entende muito do que faz e é muito detalhista, o que fica ótimo, pois nós também 28


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somos até chatos nessa questão. Então demorou, mas foi o som que procurávamos. A banda vai lançar uma série de vídeos de bastidores e videoclipes. Qual a importância do audiovisual para divulgação do trabalho da Eutenia? Analisando o mercado hoje, com a presença da internet chega a ser uma obrigação a banda investir e trabalhar bastante em cima de material de audiovisual. E temos uma crescente muito grande no YouTube após o lançamento do primeiro clipe “Últimas Palavras”. Fechamos uma parceria muito importante com o fotógrafo e cinegrafista Wesley Carlos, que é um cara absolutamente fantástico e técnico. Hoje ele funciona como um sexto membro da nossa formação, então podem esperar que esse ano estaremos recheados de materiais na TV Eu30

tenia. Desde vídeos voltados à música como clipes, lyric vídeos como bastidores, e outros “programas” referentes à banda. Há planos para lançamento do debut álbum? Quais os próximos passos da Eutenia? Nosso planejamento 2016 está fechado. E um álbum está previsto para o fim de 2016 ou início de 2017. Isso depende de vários fatores como shows, gravação e produção de clipes e etc. Temos meta de composição para esse ano para que dessa forma o álbum seja viabilizado para essas datas previstas. Então, os próximos passos são basicamente focar na divulgação do “Chymia II” através de shows e vídeos, a composição do álbum e também uma maior crescente da TV Eutenia.


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Por Raphael Arízio Fotos: Banda/Divulgação

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ataphero é uma banda única no cenário nacional. Com seu som complexo e diversificado lançou um grande disco chamado “From Dust”. Conversamos com Paulo Santiago (vocal e guitarra) sobre lançamento e o futuro da banda. Ano passado foi lançado de forma digital o disco “From Dust”. Como tem sido a sua repercussão? Paulo Santiago - Tivemos que lançá-lo digitalmente devido ao projeto que possibilitou a gravação do álbum. Sentimos que a repercussão ainda tem sido baixa, pois não temos, de fato, divulgado massivamente o formato digital. Fizemos apenas shows locais para mostrar o nosso novo trabalho ao vivo. A única apresentação excepcional ocorreu em São Paulo para o lançamento: como fizemos através de um edital, tivemos que tocar na íntegra o álbum no teatro do Itaú Cultural em um evento gratuito. Agora, estamos nos preparando para lançar o “From Dust” em formato físico pela Black Legion Production. Estamos ansiosos para realmente colocar o material em nosso meio e partir para outra tour a fim de compartilhar o que temos a oferecer. O disco tem uma temática interessante sobre o mito da origem humana em forma de tragédia. Como foi a escolha do tema do disco e o que a banda pode falar sobre o tema? 34

Escolhemos o tema a partir de uma ideia que o David sugeriu. Inicialmente, a proposta era literária, mas adaptamos a história para desenvolvê-la em álbum conceitual. O “From Dust” narra apenas a metade da história. A ideia de tragédia foi proposta por mim (Paulo), apenas pelo desejo de trabalhar um novo formato musical – fosse ele conceitual ou não. No final das contas, encaixamos a história no formato e vem dando certo. A história é narrada sob uma perspectiva mais humana, menos mítica, da origem da humani-


dade a partir de um homem originário. Caso fosse possível, como isso haveria de ser? Na primeira parte, “From Dust”, nos atemos mais à condição de solidão de um indivíduo que se sente único de sua espécie. Todo o seu desenvolvimento, fisiológico e psicológico, é colocado de forma intensa através de si mesmo, narradores e outras entidades. Tudo, ao nosso ver, devidamente conectado à música. A capa do disco é uma pintura rupestre criado por Genival JR e Leonardo Ma35

tos. O que a banda quis passa com essa imagem? Quisemos resumir a ideia do álbum: a solidão do indivíduo. Nas redes sociais da banda vemos fotos de um possível clipe, esse vídeo ainda será lançado? Como anda a sua produção? Sim, o clipe será lançado! Apesar de termos gravados em apenas um final de semana, em um local distante com bastante planejamento, estamos com muitos problemas para con-


cluí-lo. O principal fator foi de saúde do nosso produtor. Mas estamos com o material quase todo pronto. Alguns meses atrás recebemos uma versão beta que está sendo finalizada. Tudo indica que sairá muito em breve. O som da banda não se enquadra em nenhuma definição por possuir diversas influências em várias vertentes do metal. Quais são as influências da banda para moldar o seu som? Cada um de nós tem suas influências musicais. Para o “From Dust”, isso não foi tão decisivo porque optamos por partir de dentro do contexto, independente do resultado. Não estamos preocupados se haverá blasting beats, tremolo picking, distorção X ou Y. Nos predemos no sentimento e elementos da história para pen36

sar em como isso deve soar. Óbvio que trazemos conosco nossas influências, mas estamos procurando novas “atmosferas” musicais. Em seu disco “From Dust” temos diversos elementos orquestrais e até alguns instrumentos não muito convencionais como kalimba, teremim, daf e darkuba. Como a banda faz para passar esse som complexo para o palco? Partimos em busca de novas atmosferas. Portanto, esses elementos são cruciais para o que queremos transmitir. Infelizmente, a única possibilidade de colocarmos esses elementos musicais ao vivo é através de samples disparados pelo computador. Para realizar tudo ao vivo, demandaria muito equipamento e mais pessoas, o que talvez não fosse ideal – princi-


palmente em tour. Utilizamos esse recurso desde 2010. Para nós, é difícil ter um tecladista porque não se trata de arranjos de teclado, e sim de elementos de ambientação. Nem sempre há elementos durante as músicas. Achamos complicado “podar” um músico sugerindo onde e quando deve haver elementos. Sem contar que em determinados momentos há tantos elementos que ficaria impossível de um único tecladista executar. Enfim, essa é a nossa escolha. E não somos os únicos. A cena nordestina tem um cenário muito forte no Underground nacional. Como a banda vê a cena da sua região? O que acha que poderia ser feito para melhorar seu cenário? 37

Somos apenas um embrião de um cenário consagrado. O Nordeste tem bandas de alto nível e de muita relevância no Brasil e no mundo. Acho que qualquer tipo de melhoria deve partir das bandas e “movimentadores”. É a relação produto-produtores que faz o resultado ser atrativo ou não. Não adianta tentar fortalecer algo se o público não se sente comungado com aquilo. É um trinômio que precisa se harmonizar: geradores (bandas, produtores, selos, revistas, zines, etc), obras e públicos. Parece ser meio mercadológico, mas não se trata de simplesmente oferecer algo de qualidade, as pessoas precisam se identificar. Temos um bom desenvolvimento do cenário aqui em Natal, e até no RN como um todo. Bandas, espaços, eventos, lojas, pessoas engajadas em esferas necessárias... Tudo funciona. Provavelmente


não como queríamos, mas acredito que nós atualizamos e buscamos fazer a coisa andar. A teoria é simples, não tem mistério – o fazer tem que ser constante. O disco foi apenas lançado de forma digital no ano de 2015. Quais as maiores dificuldades enfrentadas para a banda lançar seu disco de forma física? Tem alguma previsão de lançamento? Nossa principal dificuldade tem sido com a parte gráfica, que já está pronta. Como sabemos, lançar um álbum requer muitas etapas e planejamento. Basta um deslize simples para a coisa toda desandar. Pretendíamos lançar no 38

início de 2016, mas infelizmente não foi possível. Como dito anteriormente, lançaremos pela Black Legion Production. Acredito que no primeiro semestre de 2016 o “From Dust” estará disponível. Espaço para considerações final e agradecimentos. Agradecemos o espaço para a conversa e a atenção de todos. Fiquem à vontade caso queiram entrar em contato conosco, por meio da nossa página no Facebook que tem todas as informações e atualizações. Nos vemos por aí!


Por Leandro Fernandes Fotos: Banda/Divulgação

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osta de um som inovador e suficiente para te deixar fora de órbita? Então, aposte nesta banda que o som aqui é dos melhores. Tivemos um excelente bate-papo com Christian Avon (guitarrista e vocal) que nos atendeu com muita atenção e simpatia. Aqui ele nos fala sobre os projetos da banda e também deu sua opinião sobre um fato constrangedor e vergonhoso que tivemos recentemente no Brasil. Sinta-se à vontade e leia esta descontraída entrevista. É sempre um grande prazer poder ter um conversa legal com nossas bandas e também gostaria de parabenizar pelos serviços prestados ao nosso grande Metal Nacional. Por favor, apresentem-se. 40

Salve Leandro, satisfação total nossa e obrigado pelos parabéns. Estamos na luta, tentando aos poucos destacar e levar nossa música e o metal a um patamar onde possa ser apreciado pelas pessoas de bom gosto. A Shadow of Sadness é formada por mim, Christian Avon (guitarra e vocal), Rafael Schirrmann (guitarra), Daniel Iahn (baixo) e Thiago Diniz (bateria). Como e quando surgiu a Shadow of Sadness? Surgiu em Itapema/SC, no início de 2001, quando começamos a trabalhar músicas próprias e criar nossa identidade. A partir daí, passamos a garimpar shows e divulgar a banda. Antes já existia um projeto com outro nome e os mesmos integrantes, mas era mais focado


em covers e estávamos numa fase de aprendizado musical. Algo que pessoalmente eu achei interessante e muito instigante, existe algum significado específico para “...---...”? Sim. Quando criamos o conceito para este novo álbum, que era nominar todas as músicas com as iniciais da banda, já estava certo que o álbum se chamaria “SOS”. Um dia surgiu a ideia de fazê-lo em Código Morse, em representação ao chamado de emergência. Também soava legal, o som característico emitido pelo código, tanto que inserimos em uma das músicas. Em “Save Our Souls”, ao 03:32, está lá, o código através das cordas das guitarras e baixo.

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Vocês tiveram um hiato longo na carreira de vocês, o que levou a isso? Logo após o lançamento de “Way to Hell”, iniciamos o processo de composição das novas músicas. A ideia era lançar um novo álbum em no máximo dois anos, porém vieram algumas mudanças de formação e também o período de composição se estendeu. Com o baterista morando há quase 100 quilômetros de distância, os ensaios passaram a ter que ser bem programados. Quando finalmente entramos em estúdio, em 2010, acreditamos que logo sairia o disco. No entanto, houve atraso quanto às letras, por minha culpa, pois não estava conseguindo conciliar os dois empregos que tinha na época, com vida de casado e dois filhos pequenos, e ter a mente criativa o suficiente para


se dedicar à banda. Os meses foram passando e a coisa ficou meio parada. O baixista, que é meu irmão, saiu da banda, e ficamos quase um ano sem atividade. Dai veio mais um filho (risos). A coisa só andou com entrada do novo baixista. Demos um gás, terminamos as letras e gravamos o vocal. Dai foi mais um tempo pra finalizar o álbum, pois precisava investir um dinheiro. E lá se vão onze anos (risos). Recentemente tivemos uma tour do Exodus no Brasil. A banda junto a toda sua equipe passou por algo ‘vergonhoso’ e decepcionante, que fora um “calote” que obtiveram de um organizador. Isto de fato mancha e muito o nome do Brasil e também a todos os envolvidos na cena. Qual a opinião de vocês quanto ao ocorrido? Cheguei a acompanhar alguma coisa da história por sites. Acredito que, antes de tudo, devem ser apurados todos os fatos, ouvidas as partes, testemunhas e, principalmente, o contrato que foi assinado. Se o contrato tem cláusulas ambíguas, ou que deixam o que está escrito aberto a interpretação, metade do rolo já tá feito. Se realmente houve o calote (não sei como estão os fatos), além de ser muitíssimo vergonhoso e só vir a denegrir a imagem do brasileiro, que já não é grande coisa, deve haver punição. Já existem outros exemplos de festivais (que todos estão sabendo) que deram calote, se perderam nas contas, e por consequência não cumpriram os acordos. Quem sofre mais com isso é o público, pois cria a expectativa, gasta seu suado dinheiro e só se decepciona. Vejo que existe muita vontade dos organizadores de botar o Brasil na rota de shows internacionais, mas aparentemente falta planejamento e estrutura para que tudo saia nos 42


conformes e um simples revés ponha tudo a perder. A cena do metal na região sul do país continua sempre em alta e cresce a cada ano. Ao que deve a isso? Acredito que ela está novamente em ascensão. Houve um período muito bom, que foi entre 2004 e 2006, que rolava show direto e as bandas estavam bem ativas. Após isso, muita banda acabou, sumiu sem deixar rastro. E a cena se enfraqueceu. Vários lugares onde ocorriam os shows também deixaram de existir, restando os festivais tradicionais, que também tiveram baixas. De uns anos pra cá, pelo menos em Santa Catarina, novos festivais vem surgindo, e algumas casas começaram a abrir espaço para o metal. Talvez seja a entrada de uma nova geração no mercado. Ficam os velhinhos remanescentes da geração passada e entra a turma nova pra dar um gás. E Isto tem que acontecer, senão a cena caduca junto com o pessoal (risos). Ano passado vocês lançaram três vídeos clipes. Qual foi a resposta do público? A resposta ainda está vindo. A divulgação deles vem sendo feita somente por internet, basicamente pelo Facebook. Lançamos estes clipes, frutos de idealização nossa feita de forma total independente e sem custos. Surpreendentemente o resultado ficou melhor que o esperado e a cada clipe a aceitação melhorou. Nossa ideia é lançar um clipe para cada música do álbum, a cada dois ou três meses, pois auxilia bastante para que novas pessoas conheçam nosso trabalho. Estando na ativa desde 2001, passaram por esse longo hiato e também sabemos a dificuldade que cada banda passa para 43


Foto: Carol Avon

se manter de pé. Qual o balanço que vocês fazem de todos esses anos? Fazemos o que fazemos porque gostamos e somos amigos. Se não fosse por isso a banda possivelmente já teria acabado, pois existe muito desgaste para pouco retorno e quase nenhum reconhecimento. Aquilo que é pra ser algo prazeroso de se fazer acaba ficando enfadonho. Possivelmente é o que acaba ocorrendo com a maioria das bandas que acabam. Terminam porque o sonho almejado sequer toma forma e acaba por ficar chato e desmotivador manter-se na ativa. Entre altos e baixos, nosso balanço tende a ser positivo, mas somente porque temos pensamentos conscientes e uma 44

boa união. O trabalho de vocês já está sendo executado em terras estrangeiras? Tenho conversado com algum pessoal de fora do Brasil. Taiwan, França, Estados Unidos, Croácia e Tailândia são alguns lugares onde tive contato com pessoas interessadas no nosso trabalho, recebendo vários elogios. Fora isso, não tenho informações se tem gente ouvindo nossa música mundo afora. Talvez ainda seja cedo para ter uma noção. É o primeiro trabalho que lançamos em mídia digital (Spotify, ITunes, Google Play), então deve ser algo que terá sua notoriedade com o tempo.


Qual a expectativa para 2016? A expectativa é boa. Estamos em parceria com a Black Legion Productions, prestando assessoria de imprensa e isto vai nos ajudar a ter mais visibilidade frente aos interessados. Pretendemos fechar alguns shows e, na medida do possível, tentar tocar em lugares diferentes. Esperamos lançar o álbum em mídia física, abrindo leque para o pessoal que ainda se importa com o CD/encarte, como era antes da internet modificar os modos. Agradeço imensamente pela oportunidade e desejo bastante positividade sempre a todos da banda. O espaço é de 45

vocês. Nós que agradecemos a você e a Rock Meeting pelo espaço e interesse em nos ajudar a divulgar nosso trabalho. Desejamos vida longa à revista, pois são estes os meios de conhecer bandas que de outra forma passariam despercebidas. É claro, não poderia de deixar um grande parabéns, pelo ótimo trabalho realizado. Aos leitores, esperamos que tenham interesse e se deem a chance de conhecer o trabalho da banda e, se possível adquiram nosso álbum, pois estariam apoiando imensamente a continuidade de nossa música. Que nos encontremos pelos shows. Abraços!


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Por Pei Fon (peifang@rockmeeting.net) Fotos: Diógenes Leite

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nner Demons Riser pode soar novo, de fato é novo. A sonoridade tem influência das antigas escolas, porém não deixa de soar atual. O quarteto pernambucano está em crescimento e já tem história para contar. Influenciados pelo Death Metal Old School, você também vai saber que a literatura também é outra fonte de inspiração. Conversamos com dois dos integrantes da banda, Alcides Burn e Alejandro Flores, do passado até o futuro. Confira! Olá pessoal. Este é nosso primeiro contato, peço para que não meçam as palavras. Não economizem! Alcides - Primeiro gostaria de agradecer a oportunidade de esta na Rock Meeting, valeu mesmo! Uma revista que sempre deu apoio a várias bandas nacionais e que vem crescendo a cada edição. Nesse início, pedimos para que a banda se apresente para os nossos leitores. Alcides - Nós estamos na ativa desde 2008, o único membro da formação original sou eu. Paulo PA e eu resolvemos criar a banda, hoje ele é guitarrista do Realidade Encoberta e Os Cachorros, na volta de uma viagem para Natal. A gente já vinha tirando um som antes, mas era só brincadeira. O Inner Demons Rise surgiu mesmo em 2008. Desde 2008 na ativa, algumas mudanças de formação. Agora vai? Alcides - Olha, é complicado dizer que agora vai, a gente nunca sabe o que pode acontecer, 48

por enquanto estamos bem tranquilos. Eu, Alejandro, Davi e Miguel. Estamos à procura de um novo baixista também. Alejandro - Em toda mudança de formação existem novos elementos que são adicionados à banda. Acredito que chegamos a um ponto onde nossas ideias estão bem alinhadas e isso nos da um entendimento maior sobre o que cada um está criando e já sabemos o que esperar de cada integrante nesse momento de criação. E essa sintonia é extremamente benéfica ao andamento da banda. Tipo, nossos momentos de composição são bastante produtivos, por exemplo, eu chego com umas bases novas. Ao escutar, Miguel já sabe o que vem


e já vai criando os arranjos. Alcides indica os melhores andamentos e escolhe um melhor sequenciamento das bases, onde vai caber o refrão, etc. E quando nos damos conta, a música está criada em questão de minutos a partir de alguns riffs. Mesclando agressividade e melodia, o que o Inner Demons Rise pode oferecer aos ouvintes? Alcides - A banda começou bem melódica. Podemos dizer que o Amom Amarth influenciou muito nessa decisão de fazer o som dessa forma, eu curto muito bandas melódicas, mas o meu forte é o Death Metal Old School, sem49

pre foi. Não ligamos muito a rótulos, somos influenciados por vários estilos. Alejandro - Tenho uma influência grande no Death Old School e gosto de bases agressivas e técnicas, mas não ao ponto de se tornarem ‘massantes’. Na linha criativa, tento mesclar melodia nas bases que devem ser mais brutas e isso ajuda a manter a linha inicial, dando novos rumos ao pensamento inicial, com isso vamos conseguindo mesclar sem perder a identidade. “In the name of father, and of the son and violence” será o début álbum. O que podemos esperar dele?


Alcides - Como falei anteriormente uma álbum mesclado. Na prática, um álbum de Death metal, mas com outros elementos. Vocês iniciaram a carreira fazendo um death metal melódico não muito comum no Nordeste. Depois acrescentaram influências de black metal e hoje estão numa linha bem death metal mesmo. Para onde vai o som do IDR? Alcides - Acho que estamos perto de encontrar nossa identidade. Esse CD novo nos ensinou muita coisa, já começamos a compor novos sons e está uma mistura do IDR no começo com o som de hoje, acho que está ficando bem legal. Pretendemos gravar algo no fim do ano, talvez um EP ou um Split. Alejandro - As músicas novas no CD que vamos lançar dão mais ou menos um norte do que estamos fazendo, mas não seguiremos fielmente essa linha sempre. No CD vai vir músicas com melodia, vai vir músicas totalmente brutais e mais técnicas, mas podem ir esperando uma fusão maior entre esses elementos. Mesmo sem ter lançado o primeiro álbum da banda, vocês já têm tocado as músicas nos shows. Como está sendo a receptividade do público? Alcides – Já vínhamos tocando há muito tempo essas músicas. Nós as criamos e tocamos ao vivo pra sentir como fica. A recepção tem sido ótima, o público está curtindo. Alejandro - Tocar músicas novas em shows é sempre uma incógnita. Às vezes a gente acha que não gostaram, mas na verdade, como não conheciam, ao invés de instigar e bater cabeça e tal, preferem ficar sacando a música e só depois chegam pra comentar. Mas no geral a receptividade é sempre muito boa.

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A arte da capa chama atenção por ter uma criatura meio anjo, meio demônio. Tem algum significado com as letras? Pode explicar? Alcides - Tem sim, a criatura da capa representa na verdade o ser humano. É fraco, pode ser homem ou mulher, ele está acorrentado, preso e sendo manipulado, tem a ver com religião, o bem e o mal juntos, mas no caso ela está mais pro lado do mal, da destruição e mortes que a religião cria em nome de Deus. As letras falam disso e não só dos tempos de hoje, tem coisas antigas também como a música “I See Evil”, ela fala sobre o caso ocorrido em Salém, sobre as pessoas que morreram por terem sido acusadas de bruxaria. Um caso de histeria coletiva onde os religiosos da época tinham grande poder de decidir quem morria ou não. O primeiro álbum “Darchenorden” foi inspirado no Drácula de Bram Stoker. O álbum é inspirado, também, em fatos históricos. A música, a história e a literatura podem andar juntas, não é? Alcides - Sim, claro, não só a literatura como o cinema influenciam demais. O lance de Drácula é que sempre fui fascinado pela história, tanto eu quanto Paulo, o antigo guitarrista. Então conversamos e achamos que seria legal escrever sobre ele em cima do som que estávamos fazendo na época E o resultado foi bem legal, temos planos pra regravá-¬lo daqui a dois anos quando ele completará 10 anos. Alejandro - A música é um reflexo de nossos gostos, experiências, sentimentos, etc. Isso envolve literatura, história, cinema, artes em geral. Nas composições sempre buscamos seguir um tema para dar o norte, mas é sempre um reflexo nosso. Vocês saíram da literatura para coisas reais, guerra, religião, por que a mudança? Alcides - Foi natural, nunca gostei de me prender a um tema específico e como o som da banda estava mais agressivo senti a necessidade de escrever algo mais violento.

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Vocês anunciaram há algum tempo que lançariam um álbum chamado “The Salem Witchcraft Events” e chegaram até a gravá-lo. Onde está esse disco? Ainda será lançado? Alcides - Esse Cd se passou por uma época bem conturbada. Tínhamos todos as músicas, mas estávamos sem baterista e sem um guitarrista, então começamos agravar com bateria eletrônica, mas não tava ficando legal. Daí, a banda deu uma pausa até acharmos outros membros. Quando voltamos aos ensaios estávamos tocando músicas desse CD, porém tinham coisas novas, então resolvemos compor outro CD. No álbum novo têm duas músicas que foram aproveitadas e gravadas de “The Salem Witchcraft Events”. “I See Evil” que conta com a participação de Wilfred (Will2Kill) nos vocais e “Men’s Justice”. As outras que ficaram de fora irei lançar um dia, mas como um projeto, outra banda, elas têm uma pegada mais Black Metal. Top 5. Quais bandas inspiram o IDR? Cite cinco bandas, destaque um álbum e fale um pouco sobre elas. Alcides - Não posso falar por todos da banda, mas acredito que Morbid Angel, Slayer, Decapitated, Dream Theater, Napalm Death são bem influentes na nossa música. Quanto a shows o que podemos esperar do IDR em 2016? Muito obrigada! Alcides - Já começamos o ano com uma grande responsabilidade. Iremos ser uma das bandas de abertura do ‘Visions of Rock’ em Caruaru onde o Sinister irá tocar. Responsabilidade porque o Sinister é uma lenda e fez parte da nossa escola Death Metal. Também iremos tocar no ‘Animal Fest’, festival bem tradicional em Natal, no dia 11 de setembro. Temos outro show agendando para agosto, mas ainda não posso divulgar e estamos agendando outros eventos. Estamos abertos a convites, quem se interessar é só entrar em contato pelo e-mail alcidesburn@gmail.com. Vamos fazer um show de lançamento do CD aqui no Recife, mas sem data definida ainda. Quem tiver interesse de saber mais sobre a banda, acesse nosso site. Muito obrigado a todos! 54


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screver sobre determinado álbum requer conhecimento musical, técnico e uma boa bagagem. Mas há outra vertente que consiste na sensação, da primeira impressão que fica quando se ouve. Talvez este seja a categoria que melhor enquadra esta que vos escreve, não por falta de conhecimento, mas de prática na atividade mesmo. Afinal, música é para encantar. Diante do encantamento e da surpresa, o novo é sempre convidativo a boas experiências sensitivas como ser a primeira pessoa a ouvir o novo álbum de uma banda, por exemplo. O Inner Demons Rise concedeu a liberdade de ouvir o seu novo cd e dizer o que nele tem. Vamos lá para a audição! A primeira vez que vi banda ao vivo foi um choque. Aquele 13 de dezembro de 2014 foi bastante interessante, pude ver a banda que só ouvia falar. 56

Ver os amigos no palco tem um sentido diferente, porque ali eles se transformam, afinal, música é para ser um elo entre as emoções. Mas o fato de ser a banda de conhecidos não lhe dá o direito de passar a mão na cabeça, são dos amigos que deve sair a maior crítica. Distante dos comparativos com bandas mais tradicionais, enxergo aqui um crescimento exponencial. Toda mudança de formação gera dúvida seja para melhor ou não. O IDR está mais maduro. Os músicos estão com uma pegada mais ‘responsável’, certos do que querem mostrar. “And the name of father, and of the son and the violence” é o segundo álbum e ainda não foi lançado. Esta é a primeira audição feita por uma mídia especializada. A mixagem e masterização é assinada por Fabiano Penna. A faixa-título é um belo cartão de visita. Não deixa a desejar em nada. Técnica, força, ‘cavalice’, brutalidade vocal, tá tudo lá. Por ser um som que reúne duas guitarras, talvez a sonoridade não fique tão nítida, mas não é o que acontece. Você escuta tudo no seu devido lugar. O que é bastante presente não é ‘blast beats’ ou riffs acelerados, mas como o baixo se comporta dentro de cada música. Sobressai, com toda certeza! É lindo de ouvir. “Beneath the Suffering” tem aquelas pitadas de Death, guitarras sujas e harmônicos, como é bom ouvir. Viradas e mudanças sonoras presentes, porque ninguém é obrigado a seguir uma linha reta. Ainda há tempo para algo bem mais melódico. A galera não econo-


mizou. “I See Evil” é de longe a que mais gosto. O baixo é tão marcante, que parece que consigo anular os outros sons somente para ouvi-lo. Gosto bastante disso. O baixo não é apenas um acompanhamento das notas mais graves, ele pode ser tão ‘ator principal’ quanto a guitarra geralmente é. “Men’s Justice” é, sem dúvida, a que mais gosto. Pelos motivos já falados. Na verdade, esse álbum do Inner Demons Rise, está cheio de elementos que agradam aos meus ouvidos. De verdade, o baixo nessa música conduz ao estrelato. É bem capaz de, num show ao vivo, ser muito melhor. Aposto! “Black Future” entra na mesma lista que “I See Evil”. Detalhe para harmônicos bem ‘gritantes”. “Hymn to Chaos” soa caótico mesmo. Seria até possível escrever um roteiro para um 57

curta metragem. Consigo visualizar muitas cenas de caos a cada mudança sonora. A música tem dessas coisas. Aaah, a faixa é instrumental. Há uma passagem no meio da música que me fez lembrar Arch Enemy, na fase atual. “Libertando os Demônios Internos” é uma faixa cantada em português. Quando você acha que viu o caos, é preciso libertar dos demônios que existe dentro de si. É uma angústia, uma revolta consigo mesmo. “Dogs of God” é antepenúltima faixa. Não há muito o que falar dela, porque muitos detalhes já foram apontados e ficaria repetitivo. O lance é ouvir e imaginar-se no circlepit. “Mev-1” encerra o cd com violência sonora, como foi desde o início. É coisa de gente grande. O amadurecimento veio com o tempo e está refletido tanto na arte gráfica, na qualidade da mixagem e masterização e no que mais importa: no som.


Por Pei Fon (peifang@rockmeeting.net) Fotos: Priscila Tessarini

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ontinuar o trabalho. Esse é o lema de todos que querem um lugar ao sol. Mas não necessariamente ao sol, Alirio Netto volta aos palcos diante de seu sonho. Quem acompanha a carreira do cantor, seja com o Khallice ou Age of Artemis, sabe o quanto ele é fã do Queen. Como o mundo dá voltas, eis que ele foi selecionado para fazer parte da equipe que vai apresentar, pela primeira vez no Brasil, o musical inspirado nas músicas da ‘rainha’. “We will rock you” estreia em março e Alírio atendeu ao nosso chamado, dedicou alguns minutos para nós e vai contar como está sendo o preparativo do musical e suas bandas. Mais um projeto na sua carreira. Agora sendo Galileo no “We Will Rock You”. Conte para nós como foi o processo de escolha. Alirio Netto: O processo de audição para um musical é sempre muito difícil para qualquer artista. Muitas pessoas lutando por um espaço muito pequeno, limitado. O “We Will Rock You” é uma franquia que vem de fora, então 58

quem decide tudo mesmo são os donos da franquia. Eles vêm para o Brasil na época dos testes e escolhem os atores do musical. A audição para este musical, em específico, foi muito dura e com bastantes dificuldades extras. Talvez tenha sido a audição com maior dificuldade que fiz em minha carreira. No final, acabou tudo bem eu consegui o papel, o que foi muito legal, tive uma sensação muito boa. É verdade que o próprio Brian May escolheu os atores para cada personagem? Como você se sentiu? Não tenho certeza se ele escolheu diretamente, mas ele está sim no processo de escolha da banda, orquestra, etc. Provavelmente ele escolheu alguns atores sim, pois tem uma equipe dele que vem para o Brasil para escolher os atores. Em algum momento ele participou da escolha dos atores, com certeza. Em outro, o diretor do musical mostrou para nós atores alguns e-mails do Brian May pedindo para nós realizarmos algumas coisas de acordo com as diretrizes dele em termos vocais, então, com


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certeza ele nos ouviu. É a primeira vez que o musical chega no Brasil. Qual a expectativa da produção na execução deste trabalho? A importância desse musical é que ele mistura os fãs do Queen com o teatro, o que acaba agregando mais público. Esse musical vai ser um sucesso, tenho certeza disso. O Queen é muito grande no Brasil e o público de musical está crescendo, o que ajuda muito nisso. Você é um cara que sempre foi envolvido com a música. E quem te acompanha sabe que o Queen é uma de suas inspirações. Pode-se dizer que estar neste musical é a realização de um sonho? Com certeza! O Queen é uma de minhas bandas favoritas, se não a banda que mais gosto e escuto. Estar em um musical, que é aprovado pelo próprio Brian May, é uma questão de orgulho muito grande pra mim, estou muito feliz! No “Jesus Cristo Superstar” havia uma pegada mais rock, mas o “We Will Rock You” tem uma representatividade maior. Como você pode explicar a áurea do musical? No caso do Jesus Cristo, ele é um musical atemporal, que pode ser realizado em qualquer época e ele tinha mesmo essa pegada mais rock. Já com o “We Will Rock You” o que acontece é que a áurea é toda baseada nas músicas do Queen, nas histórias que elas passam. Tenho certeza que vai emocionar muitas pessoas, pois elas vão lembrar de fatos e acontecimentos ligados a música. Será um musical muito emocionante para todo mundo. Ser protagonista não é fácil. Como você 60


está reagindo com esta responsabilidade diariamente? Está nervoso para a estreia? Realmente não é fácil. A exigência é muito grande. Como eu sou um dos protagonistas, fico no palco praticamente o tempo todo, tenho que liderar de uma certa forma todo o movimento que acontece no palco. Isso de uma certa maneira foge um pouco da minha zona de conforto, o que é muito bom para mim. Dividir o palco com grandes artistas como a Livia e o Felipe tem sido um aprendizado e tanto para mim. Descobri dois grandes amigos e excelentes atores. Porém esta responsabilidade está dividida. Como estão os ensaios com Livia Dabarian e Felipe de Carolis? Muito bons, extraordinários na verdade. São dois amigos, como te disse acima, formidáveis atores e cantores. Tenho aprendido muito com eles e eles tem aprendido comigo também, é uma troca muito bonita. Acho que quem for assistir o musical vai perceber essa amizade que criamos por causa do musical. A sua experiência vocal, de certo modo, tem ajudado os outros atores. Em que sentido esse conhecimento tem ajudado? Na verdade, todo mundo do musical é bastante experiente. Todos são excelentes cantores. É claro que quando o diretor pede uma ajuda nesse sentido eu faço o que posso para ajudar os meus amigos. Eu também tenho aprendido com todos eles. Livia fará um par romântico com Alirio no musical. Como está a química entre vocês? Fluindo naturalmente? A química entre eu e a Livia é impressionante 61


realmente. Todos os dias a gente passa o texto antes do ensaio, temos trabalhado duro nisso. Eu fiquei impressionado como nos demos bem logo de cara. Ela é uma atriz fenomenal e acho que ela vai roubar a cena do musical. É muito boa! Cite 5 músicas do Queen que são referência pra você. “The Show Must Go On”, “Love of My Life”, “Bohemian Rhapsody”, “You Take My Breath Away” e “Who Wants To Live Forever”. E as suas bandas, Alirio, elas ficam paradas enquanto estiver no espetáculo? Na verdade, as bandas vão ficar meio paradas realmente, pois não tem como fazer show com elas e o musical ao mesmo tempo. O que vai acontecer é que eu vou lançar nesse meio tempo meu álbum solo, que já está gravado. A Age of Artemis já está em fase de produção do novo CD, devo ajudar com algumas coisas nesse primeiro semestre, mas só devo entrar de cabeça mesmo quando o musical acabar. Para finalizar, o que Alirio Netto ainda vai aprontar em 2016? Sucesso e muito obrigada! Eu que agradeço pela oportunidade. Em 2016 vou lançar meu disco solo e também estamos na pré-produção do novo disco do Age of Artemis. Como o musical ainda não começou, estou bem focado nos ensaios e tudo que envolve o We Will Rock You. Queria deixar um agradecimento especial a você Pei e a todos os leitores da Rock Meeting, que sempre me deram muito carinho e boas vibrações. Muito obrigado mesmo! 62


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Por Pei Fon (peifang@rockmeeting.net) Fotos: Karla Gonçalves

Este é o nosso primeiro contato, gostaria de que vocês se apresentassem para nossos leitores. Daniel Araújo - Sou Daniel, baterista do Will2Kill. Toco bateria desde os 14 anos. Já passei por bandas com um estilo mais crossover, como a Trinca Cunhão HxCx, ou com uma pegada mais groove/fusion, como o Cuidado com Cão e Projeto 50, quando ainda morava em João Pessoa. Eddie Cheever - Eddie Cheever, baixista desde 2000. Iniciando com o Lethal Virus, banda pernambucana de thrash/death e, com particular oposição aos que tem mente fechada, transitando por projetos experimentalistas paralelo ao metal como Subchefe (jazz/rock) e Monalisa com Bigode (rock clássico). Mas sem deixar o rock de lado. Hugo Medeiros - Trinta anos, desde 2000 até 2014 toquei guitarra com a banda Lethal Virus. Minhas infuências vão do rock clássico, passando pelo blues até o metal. Wilfred Gadêlha - Bem, eu sou Wilfred Gadêlha, 42 anos, jornalista, apresentador de rádio, escritor e vocalista. Fui baterista - muito ruim - das bandas Dark Fate e Cérbero e vocalista das bandas Trophas (música regional), Datiloscopia (hardcore), Cruor (thrash) e Câmbio Negro HC. De onde surgiu esse nome Will2KIll, qual o significado? Wilfred - Bem, o nome surgiu de um projeto 66

paralelo que criei em 2011, junto com os amigos Mathias Canuto (guitarra, Desalma), Magno Barbosa Lima (baixo, Cangaço) e Flávio Cavalcanti (bateria, ex-Lethal Virus e Nobb). Mas entrei no Câmbio e ficou difícil para manter três bandas ao mesmo tempo, já que também cantava no Cruor. Só que no fim de 2014 me vi fora das duas outras bandas e pensei em reativar a ideia, só que com uma pegada de banda mesmo, já que antes era uma coisa mais solo: as músicas eram minhas, eu que bancava os ensaios e tal. Aí Gusttavo me mandou uma música para eu ouvir e eu devolvi com vocal e letra. O significado é amplo: todo mundo um dia teve vontade de matar. Não adianta negar (risos). Mas é isso: temos dentro de nós essa


coisa selvagem que precisa, uma hora ou outra, ser extravasada. No nosso caso, é via música. Eu brinco dizendo que se os caras me botarem pra fora terão que Pelo pouco que ouvi, o som de vocês beira mais para o lado do Thrash, mas com elementos mais modernos. Como você definiria o som da banda? Daniel - Uma fusão das influências dos integrantes, flertando com o thrash, outras vertentes do metal agressivo, como death, crossover, e com um tempero groove do rock´n´roll. Wilfred - Acho que temos uma peculiaridade que é o fato de Daniel não ser um baterista de metal ortodoxo. Isso nos dá a chance de explo67

rar outras sonoridades, com esse groove a que ele se refere. Por ter traços do thrash, em quem se inspiram? Fale um pouco sobre. Wilfred - Bem, o que nos uniu, inicialmente, foi o The Haunted. Sou muito fã da banda já vi três shows deles e vou ver mais um esse ano. Mas foi apenas uma coisa de início. Desenvolvemos uma lógica de trabalho e composição na qual não buscamos copiar ninguém. Obviamente, as influências afloram. No meu caso, minhas influências maiores são Vladimir Korg (Chakal, The Mist, The Unabomber Files), Peter Dolving (ex-The Haunted) e Tomas Lindberg (At The Gates, Lock Up, The Crown).


Daniel já é mais chegado em sonoridades mais HC e stoner. E Eddie é um grande fã do Sepultura. Daniel - Como baterista, eu me inspiro bastante na linha mais groove de bateristas como John Bonham e no estilo mais agressivo de bateristas como Igor Cavalera. Qual a temática das letras da banda? Wilfred - Em suma, eu escrevo sobre a sensação de ansiedade que vivemos nessa sociedade em que tudo é focado no ter, no produzir, no consumir. Esse sentimento que, a priori, parece ser individual, mas não é: é o sintoma de um mundo adoecido, moribundo, onde as pessoas não mais se entendem pelo simples fato de que acham que não vale a pena se entenderem. Paralelo a isso, estou buscando um conceito lírico em que nós estejamos mais próximos da realidade que vivenciamos no nosso dia a dia. E isso inclui a vida na cidade em que vivemos. O Recife deixou de ser uma cidade acolhedora. É um lugar assustador, que leva as pessoas aos maiores desatinos, em nome da ganância e do poder por si próprio. É o caso do poder que as empreiteiras, construtoras e empresas de ônibus têm sobre a cidade. São eles quem decidem o destino de 1,6 milhão de pessoas sem falar nos outros quase 2 milhões que vivem na Região Metropolitana. É algo doentio e que precisa e deve ser denunciado, ainda mais por nós do metal, que vivemos em uma bolha imaginária onde tudo se resume a distorção e blasting beats. Apesar disso, somos uma banda do Recife e temos orgulho disso. Tanto que usamos a hashtag #MetalDoRecifeNessaPorra sempre nas nossas redes sociais. Vocês irão lançar um material novo em março no show do Sinister, em Caruaru. Pode nos falar um pouco desse CD? 68

Daniel - Será um EP com 3 músicas, uma amostra do que está por vir. Wilfred - O EP se chamará Will2Kill e é uma maneira de apresentar a banda. São três músicas: “Will to Kill”, “Empire of Ignorance” e “Cause For Alarm”. Estamos gravando sob a produção de Mathias Canuto, do Desalma, e deverá ser lançado de maneira digital até o dia 26 de março. Nossa estreia nos palcos será no Visions of Rock, ao lado de Sinister, Nervochaos e Inner Demons Rise. Estamos empolgados e já compondo para gravar o nosso pri-


meiro full até o fim do ano. Wilfred, você é um cara das antigas na cena pernambucana, já fez parte de várias bandas, como você vê a cena do Recife atualmente? Wilfred - Eu enxergo a cena se renovando. Penso que as novas bandas estão trazendo um fôlego que a cena precisava há tempos. Tem muita gente boa fazendo trabalho de qualidade - corro o risco de ser injusto, então prefiro não citar. E isso tem empurrado muitas ban69

das mais antigas a levantar da espreguiçadeira e produzir também. Outro lance interessante é que, na periferia e nas cidades do Grande Recife, há um movimento de autogestão muito legal: as próprias bandas, reunidas via coletivos de bairro, têm produzido eventos e tal. A maioria com mais público do que os tradicionais realizados no centro do Recife. Quanto a show gringos, o dólar tá meio que apavorando os produtores. Mas há novidades a vir por aí. O que você espera daqui pra frente com


o Will2Kill? Daniel - Tocar, gravar, tocar, gravar, não necessariamente nessa ordem. Wilfred - A ideia é, depois do show de Caruaru, cair na estrada. Tocar no Recife, no interior de Pernambuco e nos Estados vizinhos. Vocês aí de Maceió nos aguardem no K’Fofo ou no Orákulo. Estive com o Cruor aí em 2011 e foi muito foda! Até o fim do ano, gravar o full. Como é o método de composição da banda, todo mundo opina ou alguém chega com tudo pronto? Daniel - O processo de criação das músicas é coletivo: o povo das cordas apresenta seus riffs, procuro encaixar meu estilo nas levadas de bateria e no final tentamos encaixar no es70

tilo de vocal e nas métricas das letras de ‘Biufred’. Wilfred - Trabalhamos em esquema de jam mesmo: gravando os experimentos e escolhendo os trechos que melhor se adequam. Eu puxo o celular no meio da jam e escrevo algo logo, normalmente uma frase. E daí é só lapidar os arranjos. Tem funcionado! Wilfred, alem de músico você é jornalista e radialista. Onde fica a banda no meio desse tiroteio? Wilfred - Rapaz, é uma loucura! Eu trabalho com assessoria de comunicação, é o trampo que paga minhas contas e, sim, eu gosto de fazer o que faço. Mas eu sou de gêmeos e gosto de fazer mil coisas ao mesmo tempo. Apesar


de às vezes parecer caótico, a minha loucura tem um método: tenho parceiros em todas as atividades. Então, o trabalho, mesmo que, na maioria das vezes, precise de minha palavra final, pode correr sem mim. Ainda vou virar cineasta também (risos) estamos esperando liberação dos recursos do Funcultura para poder começarmos a produzir o telefilme ‘PEsado - Nada além de rock’. E ainda arrumei mais sarna para me coçar: vai vir por aí um projeto com meu grande amigo Túlio Falcão, guitarrista do Realidade Encoberta, meu parceiro de Dark Fate e Cruor. Somos quase como Lennon & McCartney, Roberto & Erasmo (risos). Mas o Will2Kill é minha prioridade absoluta. Para finalizar, o que podemos esperar 71

do Will2Kill para este ano? Sucesso e muito obrigada! Daniel - A gravação de um disco com novas músicas, sempre com a pegada energética que se espera de uma banda de metal agressivo. Wilfred - A gente quer tocar. Faz mais de três anos que subi a um palco para fazer um show inteiro. Estamos ansiosos, até porque eu e Daniel tivemos problemas de saúde que adiaram a estreia da gente no ano passado. Agradecemos a confiança de Levi Byrne, da produção do Visions of Rock, e podemos dizer que não esperem nada menos do que o máximo: estamos com vontade de matar! Agradecemos a Rock Meeting pelo espaço e um abraço a todos.


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Por Pei Fon com Patrick Souza Fotos: Naiara Rech

O

riundo de Florianópolis, Santa Catarina, o Deadpan executa um Death Metal muito diferente daqueles que estamos acostumados a ver e ouvir por aí. Desde os temas líricos até em sua sonoridade, onde podemos encontrar pitadas de Thrash Metal e Metal Progressivo. A banda é conhecida pelo seu ato de estar em constante evolução e inovação, prova disso é o atual “gibi” lançado pela banda para complementar a história que o recém lançado CD “In Aliens We Trust” nos traz. Confira agora essa entrevista falando de 2016, que já começou com tudo, e quais são os planos da banda para o restante desse ano. A banda foi formada em 2011, mas apenas a partir de 2014 foi que o Deadpan se firmou realmente. Conte-nos como foi esse início e a formação atual? Gustavo: Em 2011, quando começamos a banda, sempre tivemos a ideia de fazer o nosso próprio som, até porque era uma maneira de equilibrar e deixar todo mundo satisfeito com o que está tocando, cada um tem gostos musicas relativamente diferentes. Nisso começamos a tocar desde Sepultura, Dying Fetus, Death, Cannibal Corpse, RatosDe Porao, DRI, Anthrax e outros. As letras começaram a sair e as composições também, tinhamos nessa época umas versões de Standard, A Mature Song e Unmasked Living Fizemos o primeiro show e foi bem bacana. Paramos por motivos pessoais diferentes e em uma folga fizemos um novo show, e esse foi o pior da história, para esquecer mes74


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mo. Passou mais um tempo e vimos que havia dois caminhos: largar de vez ou deixar de lado outras coisas na vida para levar a banda da maneira que ela merecia, algo que nos desse orgulho. Como tem sido a repercussão do álbum de estreia “In Alien We Trust”, desde o seu lançamento até agora? Atingiram as expectativas? A resposta tem sido muito boa, conseguimos atingir bastante gente considerando que é o nosso primeiro trabalho. Ficamos mais de um ano trabalhando em cima das músicas e ensaiando para garantir que elas fossem tocadas ao vivo da mesma maneira que esta gravada, e isso tem sido notado pelos lugares que tocamos. Decidimos por gravar poucas, mas gravar com qualidade, para não ficar tudo embolado. A primeira impressão é a que fica e sem nada gravado antes dele, o que mostrássemos seria a primeira impressão. A banda iniciou uma turnê nesse início de 2016, intitulada “In Tour We Trust”. Como vem sendo ela até então? Por quais estados brasileiros a banda passou até agora? Tem sido muito boa, conhecendo cenas pelo Brasil e tendo a oportunidade de espalhar o nosso trabalho. Passamos por SC, MG, DF e SP por enquanto e temos shows marcados no PR e na Argentina. Ainda falando da turnê, a banda recentemente confirmou alguns shows fora do Brasil. Qual é a expectativa para esses shows? E por quais países a banda passará? Com a turnê brasileira conseguimos sentir na pele o que é estar na estrada pelo 76


Underground, altos e baixos que resultam em um caos que pra te falar a verdade acabou nos viciando. As pessoas que se conhece pela estrada, as conversas pós show, os amigos que se faz, não tem como comparar com a interação que se tem pela internet, a estrada é muito intensa e o foco da nossa divulgação. Enquanto estávamos em Brasilia, recebemos uma mensagem que, resumindo, era um convite da banda catarinense Khrophus a nos juntar a eles em uma turnê pela Argentina, em comemoração aos 25 anos de história. Estão planejados cinco shows em cinco dias pelas terras dos argentinas de muito death metal e brutalização. A banda chama muito a atenção por ter uma sonoridade diferente das demais bandas de Death Metal. Quais são as influências da banda? Aí complica um pouco (risos)! Acho que nós 3 temos influências bem diferentes um dos outros. Passando por Punk e HC como Ratos de Porão, Ramones, Hatebreed até bandas mais técnicas como Atheist, Nile, Gorguts e Death por bandas mais novas como Gojira, Mastodon, Baroness, Havok e outras. Conte-nos um pouco sobre os temas abordados no EP “In Aliens We Trust”. Pode-se dizer que é um álbum conceitual? O conceito em um trabalho é algo que sempre me deixou empolgado, uma maneira de deixar mais completo e as pessoas mais curiosas também. Várias coisas passaram pela nossa cabeça, mas a que aderimos foi a que evolui naturalmente. Quando parei para pensar, todas as letras tinham o ponto em comum: a crítica a certos pontos da sociedade. A ideia de alguém, um ser, analisando uma sociedade, um ecossiste77


ma, seres interagindo, sem ter nenhum preconceito, nenhum costume, hábito desse local é muito interessante, pois o julgamento é bem mais simples e não polarizado. Levanta questionamentos! Faltava algum ser para personificar e ser o “analisador”. A vinda de ideias que pressionavam a mente só poderiam ser acalmadas quando expelidas na forma de textos, rascunhos e rabiscos foi sempre para mim como se um alienígena estive criando essa pressão e que com sua mão controla a minha mente e a aperta, criando a pressão. Juntando com o resto, o esqueleto do conceito para o CD estava lá. A ideia de um alienígena faz sentido por ser sempre uma grande dúvida de muitos e por fazer algumas analogias com pessoas que acreditam em coisas que não sabem direito o que é, ou que acreditam apenas para jogar a responsabilidade para fora de si. Surgiu então o título: In Aliens We Trust. Somente um ser extraterrestre poderia nos salvar de nós mesmos, da humanidade que cada vez se distancia mais um dos outros e do resto do planeta e fica mais fétida e podre. Ainda sobre as letras do EP. Quais são as influências líricas da banda? O dia a dia e a continua destruição que a humanidade está cometendo com ela e tudo que a cerca. O Sul do Brasil sempre revelou grandes bandas dentro do Metal Extremo, como Imperious Malevolence, Krisiun, Rebaelliun, Krophus entre outras. Como a banda vê o cenário do Sul em relação a outras regiões? Qual o diferencial para brotarem tantas bandas de qualidade nessa região? Acho que tem Metal Extremo de qualidade por 78

todo o Brasil. Já tocamos com bandas de diferentes regiões e cada uma traz algo novo e regional mantendo a base no Metal. Já citamos que a banda se encontra em uma extensa turnê. Além da turnê a banda prepara algo novo para 2016? Quais são os projetos para esse ano? A turnê foi o primeiro passo e foco de 2016. Continuamos marcando shows e ensaiando para sempre melhorar nossa performance. O


segundo foi o lançamento de um gibi que leva o nome da banda e complementa a história contada no encarte do cd e nas letras das músicas. Este trabalho tem tido uma excelente repercussão e curiosidade, o que nos deixa bem satisfeitos. Pretendemos continuar tocando o máximo possível, divulgando nosso CD e gibi e trabalhando em novas composições. Muito obrigado pela entrevista. Fica o espaço para os agradecimentos e as 79

considerações finais. A gente que agradece o tempo e espaço da Rock Meeting. É sempre uma alegria poder compartilhar um pouco da nossa história e planos. Sentimos que o metal (tanto as bandas quanto as mídias e todo mundo envolvido) está cada vez mais forte, unido e criativo. Fazer parte desse movimento é um orgulho e alegria tremenda. Obrigado! Para mais sobre a Deadpan: Facebook | Youtube | Bandcamp | Instagram | Sangue Frio Produções


Por Leandro Fernandes Fotos: Banda/Divulgação

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om um som direto, cru e agressivo nos ouvidos de quem é um bom apreciador do estilo, o In Apostasia vem ganhando o seu espaço na cena do nosso Metal Nacional. “Hail the Kings” está prestes a ser lançado. A banda encontra-se na parte final do disco que breve estará chacoalhando cérebros por aí. Conversamos com o grande Jeff que fala sobre a banda e também como tem sido os dias de hoje no nosso cenário metálico. Confiram! Obrigado pelo tempo cedido e oportuni80

dade para entrevistar a banda. Gostaria que se apresentassem aos leitores. Somos a In Apostasia. Banda de três componentes, que nasceu com o propósito de fazer um Black Metal bem “old school”, tentando ao máximo ser fiel ao que o Black Metal nasceu para ser, dentro no nosso conceito. Então, como a banda vê a cena Underground hoje no Brasil? Por um lado, muitas, muitas bandas de extrema qualidade. Brasil há muitas e não preci-


vocês acham que mudaram muito com o passar dos anos ou apenas acompanharam a evolução de tudo que nos rodeia? Definitivamente a internet veio a favorecer essa união. É uma ferramenta que permite uma conexão imediata e uma troca de valores e conceitos que é muito construtiva se usada de uma forma coerente. Porém a natureza humana tem diretrizes que pouco mudam em uma geração ou duas, e em função disso temos ainda alguns velhos conceitos de efeito negativo que também acabam por se propagar pelo uso desta mesma ferramenta, o que é lamentável. Devido ao crescimento da tecnologia, a proximidade fã/banda é algo muito natural nos tempos de hoje. Falando dessa conexão, existe algo negativo com relação a isso? É como eu disse. Tecnologia é uma ferramenta. O negativo está nas mãos de quem faz uso inadequado desta ferramenta. A tecnologia nos traz meios que possibilitam qualquer banda, por menor que seja, passar sua música e sua ideologia para o público que desejar, de forma rápida, barata e eficaz.

sa mais usar os “gringos” como referência de qualidade, tem tudo aqui. Produtores engajados, fazendo o possível dentro da realidade econômica para fazer as coisas acontecerem. Esses merecem e precisam do apoio de quem vive nossa luta! Por outro lado, uma pá de oportunistas e alguns acomodados críticos de tudo e solucionadores de nada que merecem o desprezo. Ou seja, não mudou muito nos últimos 15 anos (risos).

“Symbol of Disgrace”, mostra uma maturidade da banda? “Symbol of Disgrace” é nosso primeiro trabalho full-lenght e dentro das possibilidades nós conseguimos imprimir algo muito próximo do que desejávamos em termos de produção. Maturidade é algo muito relativo, o que é maturidade para um, pode ser percebido como falta desta para outros. O importante para nós é conseguir fazer o que desejamos e conseguir estar satisfeito com o que produzimos. Isso é o que importa no final.

Com relação a união dos bangers hoje,

E o qual o retorno dos fãs quanto a esse

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disco? Acho que as pessoas que ouviram o álbum tem conseguido compreender a mensagem, o intuito por trás do trabalho. Fomos os mais honestos e fieis possível as nossas raízes e eu creio que isso transpareceu bem no resultado final, o que acaba por ter esse impacto em quem ouve e em consequência, quase sempre uma reação positiva. Estamos satisfeitos. Com relação ao processo de gravação do novo álbum, como estão os preparativos? ‘Hail the Kings’ está pronto. Ao responder esta entrevista eu escuto o master do disco, dan82

do uma última revisada no mix, procurando ainda alguma imperfeição. Eu particularmente sou meio psicopata com isso, já é o terceiro master, ou seja, foram três mixes e três masters diferentes para finalmente ficar o mais próximo possível do que era a ideia original para a sonoridade deste álbum. O álbum inteiro foi produzido em nosso próprio Home studio, da captação do áudio, a mixagem e finalmente a masterização, e está bem interessante. Quem escutou nosso primeiro Ep e o ‘Symbol of Disgrace’ vai observar uma mudança drástica em termos de produção, não no estilo da banda, mas a produção em si está bem diferente dos trabalhos anteriores.


Queríamos algo diferente. A natureza musical em nada mudou, mas a produção em si, está bem diferente. Falando ainda do “Symbol of Disgrace”, quem assina a arte da capa? A capa foi feita por mim (Jeff) mesmo. Publicidade é meu ganha pão, então sempre gostei de fazer eu mesmo as capas, desde a época do My Threnody tem sido assim. A arte da capa deve ser uma extensão do que o álbum passa musicalmente, e eu vejo isso como uma oportunidade de ter um trabalho integralmente nosso. Existe algum feedback dos gringos? 83

Sim, certamente. Esse álbum teve proposta para ser lançado fora, não achamos uma boa ideia, pois isso envolveria exclusividade e implicaria no álbum chegar no Brasil a valores de importado, o que não é algo interessante para nós. Por isso o álbum está disponível para download em nosso website. Tenham um 2016 insano! Este espaço está livre para as considerações finais. Valeu demais o espaço e o apoio. E aos interessados no trabalho, vocês podem encontrar todo nosso material acessando nosso site. A velha chama ainda queima! Valeu!


tPor Maicon Leite

O

texto a seguir prestará uma homenagem ao escritor Umberto Eco que, infelizmente, veio a falecer no dia 19 de fevereiro aos 84 anos, em decorrência de um câncer no pâncreas. Como se não bastasse todas as mortes no meio musical, também somos assolados com inúmeras perdas em outros setores da arte, muitas delas relacionadas a esta doença. Nesta nova seção da Rock Meeting, dedicada à literatura (ou filmes derivados de livros), tentaremos relacionar algumas obras com o Heavy Metal, afinal, quem não fica cheio de ideias depois de ler um bom livro? Os músicos, criativos por natureza, tentam levar esta influência dos livros para suas canções, e muitas vezes criam obras tão grandiosas quanto as que constam no papel. No caso de Umberto Eco, esta relação 84

está ligada meio que indiretamente a uma música do Dimmu Borgir, chamada “Moonchild Domain”, do EP “Godless Savage Garden”, de 1998, com o livro O Nome da Rosa, lançado em 1980. Mas, como ligar a clássica obra do italiano com uma música do então futuro gigante do Black Metal norueguês? É de senso comum que livros te levam a lugares fantásticos e Umberto era expert nisso, principalmente no que se diz respeito à Idade Média, e quem já leu o livro ou assistiu ao filme estrelado por Sean Connery, em 1986, sabe do que se trata. O enredo intrigante, recheado de detalhes, nos transporta imediatamente à época em que a história se passa, no ano de 1327, em meio à “escuridão” sufocante da Idade das Trevas. O livro narra uma investigação comandada pelo ex-inquisidor Willliam de Baskervil-


monges, que em troca de comida, mantinham relações sexuais com estes “homens de Deus”. Na letra, o Dimmu Borgir narra: “A bruxa rainha nasceu, líder de prostitutas demoníacas - Amante profana, captora do Pecado - Juramentada para alimentar os doentes e os fracos - E trazer as suas mulheres e homens em tentação”. O fato é que, mesmo sem uma influência direta da obra de Umberto Eco, o Dimmu Borgir acabou musicando a essência da obra, criando uma espécie de trilha sonora macabra para os acontecimentos. Ainda no campo do Black Metal, o Marduk utiliza uma fala do filme na introdução da música “With Satan And Victorious Weapons”, do disco “World Funeral”, de 2004. - Because you were inspired by the devil? - Yes... that’s it I was inspired by the devil. I am inspired by Satan! le e seu jovem aprendiz Adso de Melk numa abadia italiana, onde investigam crimes brutais cometidos contra monges beneditinos. Em meio às investigações, Adso acaba tendo relações sexuais com uma mulher que vivia num vilarejo próximo, onde o povo era, como de costume, tratado de forma negligente pela igreja. O ambiente transpirava medo e opressão, dando lugar para eventuais bestialidades. Após muitas reviravoltas nas investigações, William e Adso enfrentam a presença do grão-inquisidor Bernardo Gui, dando início ao processo inquisitório que acaba sentenciando à morte na fogueira a mulher que Adso dormiu e dois monges, condenados por heresia. Diante deste fato, a letra do Dimmu Borgir, em comparação à mulher relatada anteriormente, nos leva para uma época em que as mulheres eram culpadas pelos pecados cometidos pelos 85

Por fim, o Iron Maiden também bebeu na fonte de “O Nome da Rosa” e compôs “Sign of the Cross”, do “The X Factor” (1995), baseado no clássico de Umberto, e para deixar o ambiente ainda mais condizente com a letra, inseriu cantos gregorianos na introdução da música, nos levando imediatamente para o gelado mosteiro italiano encravado na cinzenta montanha. Não sei dizer se Umberto Eco tinha conhecimento desta sua influência para o Heavy Metal, mas tudo o que temos agora são obras de qualidade inquestionáveis a serem devidamente saboreadas, e talvez encontremos mais referências do mestre italiano em outras letras e discos. Fica aqui nossa pequena homenagem a este grande escritor, que fará falta neste mundo cada vez mais vazio de seres interessados em assuntos de conteúdo.


Fotos: Pei Fon

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Apresente-se! Meu nome é Antonio, sou pernambucano de Recife, guitarrista, vocalista e adoro cozinhar e comer bem. Quem era você no começo da carreira e quem é você hoje? Sinceramente creio que o mesmo. Com mais experiência, é claro! Sou uma pessoa muito calma e centrada. Levo muito a sério tudo que me proponho a fazer e sou muito apegado aos meus sonhos. Já realizou todos os seus sonhos? Ainda falta algum? De forma alguma. Acho que uma pessoa que não tem mais sonhos ou anseios nesta vida já morreu. Quero ir sempre mais longe. Do que você tem medo? De aranhas... Bicho desgraçado. Quando era criança o que você dizia que iria ser? Tive uma época em que eu dizia que seria cirurgião plástico (risos). Mas logo que eu peguei em um violão pela primeira vez a vontade passou. Qual foi a sua maior realização pessoal? Eu não poderia deixar de citar o Rock in Rio. Tocar naquele palco foi realmente algo especial pra mim... Um momento permeado por fortíssimas emoções! Qual foi o seu pior momento? Eu sinceramente não me apego muito aos momentos ruins. Sempre esqueço deles. Gosto de ser otimista e focar minha atenção no 87

aspecto positivo da vida. Acho que os momentos ruins estão aí pra nos ensinar a evoluir. Qual cd você gostaria de ter feito? Fale sobre ele. Eu gostaria de ter participado daquela história louca do “Black Album”. Nem considero o melhor da banda. Mas certamente foi o mais importante da carreira do Metallica. E a produção sonora daquele disco é simplesmente um divisor de águas pra todo mundo que trabalha com gravação dentro do metal. O que te motiva? Eu sempre tive uma imagem mental do que gostaria de viver na música. E essa imagem permanece muito viva. Olho pra trás e vejo que já alcancei coisas incríveis. Me orgulho com os pés no chão e olho pra frente com esperança sempre. Houve algum momento na sua carreira que você pensou em desistir? Sinceramente, não. Qual são as 5 bandas que você mais gosta? - Maiden com o poderoso Powerslave. Pra mim são deuses intocáveis do metal. - Slayer, a banda mais musicalmente violenta da história. E o clássico absoluto deles, Reign in Blood. - Death, do falecido gênio Chuck, principalmente a fase mais moderna da banda, que pra mim culminou no Symbolic. - Sentenced, numa vibe mais deprê, com o álbum “The Cold White Light”. Esse som é muito especial pra mim. - Amon Amarth com sua agressividade Vi-


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king maravilhosa. O álbum “Twilight of the Thundergod” é incrível Diante de tantas dificuldades, o que te inspira a continuar na música? Muitas coisas. Primeiro fazer o que eu amo e me faz realmente feliz. E também é incrível subir no palco, todas as vezes. Adoro estar naquele ambiente, e quando o público corresponde, é melhor ainda. Uma experiência única que lava a alma. Em 2015, você foi pai. Como está sendo a experiência? Olha... Eu costumo dizer aos meus amigos que me perguntam isso que não dá pra explicar a sensação. É um amor arrebatador que a gente sente. Diferente de tudo que já senti. Quando minha filha nasceu, eu fiquei alguns dias num estado difícil de descrever. A ficha ainda estava caindo para compreender o que estava acontecendo. É emocionante até falar no assunto. Incrível! Estou adorando cada segundo da experiência. Você escolheu a guitarra. Quem foi o seu ‘mentor’? Eu comecei aos treze anos de idade Com um cara aqui de Recife chamado Cauê Cury como professor. Ele, além de guitarrista incrível, é um professor de primeira qualidade. E ficamos muitos anos juntos nessa jornada de aprender a tocar guitarra. E sigo aprendendo até hoje. Espero nunca achar que já sei o suficiente.

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Existe algum tipo de ritual antes de subir ao palco? Com o Korzus sempre fazemos um tipo de grito de guerra. Gosto de me alongar pra minimizar as dores no pescoço no outro dia. E às vezes entrar num estado mental diferente. De agressividade mesmo, coerente com o som que fazemos. É tudo muito intenso. Sempre saio do palco exausto e muito feliz. Todo mundo tem uma mania, qual a sua? Tenho algumas. Simetria com coisas em prateleiras. E outras coisas que no momento não estou lembrando. Aliás, essa é a décima sexta pergunta dessa entrevista. E 1 + 6 = 7. E eu estou respondendo isso exatamente há sete minutos. Brincadeira, acho os TOCS engraçadíssimos, me divirto com quem tem muitos (risos). Deixa aqui uma mensagem para nossos leitores. Muito obrigada! Aos amigos e amigas que estão lendo essa matéria e curtem meu trabalho, meu agradecimento. Gosto muito de interagir com vocês de igual pra igual em todos os lugares que passo, e me alimento muito dessa energia boa que vocês tão generosamente doam à nós artistas quando apreciam nosso trabalho. Sem vocês, não sei se nada disso teria sentido. E fica meu agradecimento também aos amigos da Rock Meeting e todos que fazem a imprensa especializada do metal no Brasil. Vocês certamente fazem a diferença!


Rock Meeting Nº 78  

Rock Meeting Nº 78 - Capa: Inner Demons Rise. Coluna – Perfil RM Antonio Araujo (Korzus) | Lapada | Turn the Page. News – World Metal. Entre...

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