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EDITORIAL

Calote

“Substantivo masculino. 1.Fam. Dívida não paga, e/ou contraída sem intenção de pagamento.”

lá tocar e não tem do que reclamar. Opa, para o mundo que queremos descer! Tá tudo errado!

Recentemente a página do Ratos de Porão no facebook postou sua indignação sobre a situação ocorrida em Aracaju, quando foram tocar lá e não havia nada do que tinham pedido, nem sequer receberam seus pagamentos. Atribuíram a culpa para o produtor local. Nesta postagem diz o seguinte: “produtor safado e ameaçador se fazer de vítima sendo que nós fomos as vítimas blz .... apesar de tudo é sempre compensador o carinho do público e a energia foda que rola a cada show .... viva o Nordeste e o povo que curte um som fudido”. Em seguida, choveu comentários dos mais variados possíveis, dentre eles o produtor explicando o que houve. Vale ressaltar dois pontos: 1 – Se a banda não toca é estrelinha, só pensa em dinheiro. 2 – “Ah, eles sabiam das condições e, ainda assim, foram lá tocar”. Estes foram os comentários que mais chamaram atenção. Afinal, qual é a postura que a banda deve ter? Não tocar porque o que foi pedido não estava lá ou tocar, mesmo nas condições adversas, em respeito ao público que foi lá, pagou o seu ingresso e não tem nada a ver com isso? Ainda assim, o produtor os culpa porque eles foram

Pilantra Adjetivo de dois gêneros. 1.Que gosta de apresentar-se bem, mas não tem recursos bastantes para isso. 2.Diz-se de pessoa de mau caráter, desonesta. Tá tudo errado. Como assim a banda que foi lá tocar com o que não estava em contrato não tem do que reclamar? Se a banda vai tocar é porque ela tem sim respeito pelo seu público. E se ela não tocasse, também estaria no seu direito, ora, nada do que estava ali apresentado era o que tinha sido combinado, logo, não teria condições de tocar. Aí a culpa sempre cai para a banda. E o (pseudo) produtor é um santo e merece ser canonizado? Tá tudo errado! Enquanto fica aí com briguinhas de ideologias, muitos outros caloteiros estão sujando o nome da cidade e da cena e você não tem feito nada para acabar com isso. É seu amiguinho? Pois seja amigo dele agora e fale a verdade: “Bicho, tome vergonha na cara e faça as coisas direito”. Ou melhor, ao invés do conselho, vá lá e ajude a limpar a sujeira que o cara fez.


TABLE OF CONTENTS 07 - Coluna - Doomal 11 - News - World Metal 14 - Entrevista - Lyria 18 - Opiniテ」o - Mimimi de cada dia 22 - Coluna - Movie 26 - Entrevista - Indiscipline 32 - Capa - Marty Friedman 40 - Entrevista - Cartoon 46 - Entrevista - Rastros de テ電io 54 - Review - Royal Blood 60 - Perfil RM - Castor 64 - Coluna - O que estou ouvindo?


Dire巽達o Geral Pei Fon Revis達o Rafael Paolilo Capa Alcides Burn

Colaboradores Jonathas Canuto Leandro Fernandes Mauricio Melo (Espanha) Vicente de A. Maranh達o CONTATO contato@rockmeeting.net


Por Vicente de A. Maranhão

Funeral Doom: Aspectos visuais e líricos mais explícitos da morte e do funéreo

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partir dos anos noventa, um subgênero do doom metal, conhecido como funeral doom, começa a se formar. Não se sabe ao certo se seu sinistro nome deriva do estilo do grupo norueguês “Funeral” ou de uma estreita relação com a música fúnebre. O funeral doom surge “oficialmente” em 1991 com o lançamento da demo Fhtagn nagh Yog-Sothoth, do grupo finlandês Thergothon o primeiro grupo dentre os pioneiros do subgênero. Skepticism da Finlândia também inicia suas atividades em 1991; mas, ape-

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nas lança sua primeira demo Aeothe Kaear três anos mais tarde. O grupo norueguês Funeral também se forma nesse ano e lança sua demo Tristesse em 1993. Em 2003, seu baixista e compositor — Einar Frederiksen — comete suicídio, fato que se repete algum tempo depois na história de outro grupo do gênero. Nos anos de 1992 e 1993 surgem dois novos projetos marcados pela influência pioneira de Thergothon: Evoken nos EUA e o australiano Mournful Congregation, banda esta que lança sua demo Weeping apenas em 1994. Ainda nos anos 90, aparecem mais dois projetos importantes: Corrupted do Japão,


Thergothon -Fhtagn nagh Yog-Sothoth (Considerado o 1º registro de Funeral Doom)

que inicia suas atividades em 1994, e os americanos do Asunder cujo principal trabalho é A Clarion Call (2004). Os destaques da década de 2000 para o funeral doom ocorrem com a estreia dos alemães do Ahab cujas letras são inspiradas em, Moby Dick, de Herman Melville; e Colosseum (Finlândia, 20062010), que “performatiza” um funeral doom melancólico e etéreo. Seu compositor, vocalista e guitarrista, Juhani Palomäki, também comete suicídio ao finalizar a trilogia de álbuns Chapter 1: Delirium (2007), Chapter 2: Numquam (2009) e Chapter 3: Parasomnia (2011). A expressividade do funeral doom, bem como as alusões do simbolismo sonoro conseguido com suas técnicas e escolhas mu-

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sicais justificam a proposição de se determinar quais técnicas sonoras o gênero funeral doom metal utiliza e como elas são tratadas a fim de transformar poesia fúnebre em “som” fúnebre. Os projetos executados pelos primeiros grupos de funeral doom, no entanto, se distinguem do doom metal por privilegiarem a temática da melancolia, da falta de esperança e da finitude da vida. Assim como as imagens mórbidas nas capas dos álbuns e a nas letras das canções, as imagens sonoras criadas pelas bandas de funeral doom são projetadas para produzir no ouvinte os mesmos estados de alma lamentosos de seus músicos e letristas. A manipulação dos sons de instrumentos musicais tendo em vista a criação de um ambiente sonoro melancólico se faz de modo tão expressivo quanto o fazer poético.


Colosseum

Mournful Congregation

Funeral

Skepticism

O som intenso e grave do funeral doom tráz, em si, a exaltação da ideia de “peso” sonoro: uma alusão ao pesar. O tempo musical lento evoca uma longa tradição de marchas fúnebres, o passo do cortejo, o som do relógio a subtrair as horas da vida humana; mas, também, os estados mórbidos: a falta de vitalidade, os ritmos cardíacos e respiratórios lentos do indivíduo depressivo. O efeito de distorção na guitarra e na voz constitui uma atitude musical em que o cantor se recusa a cantar melodiosamente, revelando seu estado de espírito monotônico, lutuoso e desarmônico. A dissonância, a combinação de frequências desagradáveis ao ouvido, é usada para o mesmo efeito: o trítono, ou diabolus in música, um intervalo de três tons inteiros, era evitado na Idade Média

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não só por despertar emoções intensas; A lentidão — associada à depressão — constitui uma das palavras-chave da poética do funeral doom, juntamente com a dissonância. A ambientação sonora do funeral doom evoca estados depressivos (chuva, riacho e sua associação às lágrimas) e estados de agitação emocional (tempestades, vendavais). Esses sons ambientes visam conduzir o ouvinte ao estado de espírito metaforizado pelo som. Aspectos visuais e líricos mais explícitos da morte e do funéreo, embora empregados com parcimônia na maioria dos projetos de funeral doom, surgem, algumas vezes, através da representação de ossadas, de cerimonias funerárias e dos estados de agonia mortal.


Em recuperação O Iron Maiden postou na sua página no Facebook uma atualização sobre o estado de saúde do vocalista, Bruce Dickinson. “Nos últimos dias, Bruce viu especialistas para novos exames, incluindo visuais. Estamos muito felizes de atualizar todos que a situação ainda permanece extremamente otimista para uma recuperação completa. Nós ainda não teremos uma confirmação definitiva de que o câncer foi erradicado completamente até que Bruce faça uma tomografia em maio, como previamente foi anunciado pela mensagem de Rod aos fãs neste mesmo local, e o período de recuperação completa vai ainda continuar por alguns meses.” “Nós só queríamos compartilhar essas últimas e ótimas notícias com todos os fãs do MAIDEN e, como sempre, vamos continuar a manter todos atualizados de forma oficial sobre o progresso de Bruce através do ironmaiden.com”.

Brutallian

Novo guittar

O Brutallian divulgou capa do primeiro álbum de estúdio, intitulado “Blow on the Eye”, com previsão de lançamento para o mês de maio pela Voice Music. O disco foi produzido, mixado e masterizado por Felipe Hyily e Cid Campelo no Base 17, em São Luis/MA. A capa e arte foi criada pelo artista Fabio Matta (Bar de Ideias).

A banda paulista de Thrash/Death Metal Chaos Synopsis oficializou a entrada do guitarrista Luiz Ferrari para o lugar de Marloni Santos. Atualmente o grupo encontra-se gravando o novo álbum de estúdio, intitulado “Seasons of Red”, que terá como temática a história de 9 conquistadores em várias épocas e culturas, abordando aspectos como a violência, o temor das vítimas e religião.

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Rock in Rio

“Back to fuck you up!”

O metal nacional retorna ao palco do maior festival de música do mundo. O Angra irá apresentar no dia 19 de setembro no Palco Sunset um show histórico em comemoração aos 30 anos do Rock in Rio Brasil. Apresentando a “Secret Garden World Tour” de maneira eletrizante e gerando novas tendências ao anunciar a participação do ícone Dee Snider e da rainha do rock Doro.

“Back To Fuck You Up!” será o título do segundo e novo álbum de estúdio do Noturnall. O disco está sendo gravado no Estúdio Fusão em São Paulo e chega às lojas em Maio. A capa de “Back To Fuck You Up!” foi mais uma vez assinada por Carlos Fides da Artside Studio - com quem o grupo já havia trabalhado no disco de estreia - em colaboração com Pedro Sena (Lordigan).

cancelado O Ozzfiesta, um festival de cinco dias com Ozzy e Black Label Society no México foi cancelado. A organização do evento divulgou uma declaração explicando que Ozzy precisará passar por uma cirurgia após a turnê na América do Sul. Não houve nenhuma explicação sobre a situação de saúde de Ozzy. Confira abaixo a declaração oficial do Ozzfiesta: “Como vocês, estávamos muito animados com o evento. Ozzy, no entanto, passará por uma cirurgia, marcada para Maio, após a sua turnê na América do Sul. Ele precisará de quatro semanas de recuperação. Estamos muito decepcionados por ter que cancelar. Vamos oferecer o reembolso nas próximas semanas. Pedimos desculpas pela inconveniência e esperamos que entendam as razões pelo cancelamento” 12


Dvd ao vivo A Imago Mortis divulgou em sua fanpage oficial que tem estudado uma maneira de adquirir fundos para reunir a formação clássica da banda e gravar um DVD. A notícia repercutiu e causou expectativa nos seguidores dessa velha conhecida banda do metal nacional que por algum tempo permaneceu em standby e retomou nos últimos dias anunciando essa boa novidade. Opções como artistsignal ou crowdfunding estão sendo analisadas com calma. De qualquer forma este é um primeiro chamado para reunir os fãs da banda para esta ousada empreitada. Enquanto isso, o vocalista Alex Voorhees promete finalizar o CD “LSD” com recursos próprios. Um novo single será anunciando em breve para aguçar ainda mais a curiosidade. O CD completo ainda não tem data para lançamento.

“We are the law”

“Ignited”

A banda King Of Bones iniciou o processo de pré-produção do sucessor de “We Are The Law”, que vem sendo feita com o produtor Brendan Duffey, que também cuidará da gravação dos vocais, mixagem e masterização. “Definimos a produção geral com ele no próprio Norcal, que foi relocado para Davis, no Norte da Califórnia (EUA). Já começamos o processo e faremos as sessões por Skype até fechar tudo”, explica Júlio Federici.

Com seu primeiro CD, ‘Ignited!’, já disponível para venda, o guitarrista Nando Moraes não só apresenta uma nova música, mas também anuncia o show de lançamento do álbum! A nova música liberada trata-se da faixa-título do álbum. Confira AQUI. Anteriormente a música ‘The Voyager’ já havia sido liberada para audição na sua página no SoundCloud, escute AQUI. O evento será no dia 11 de abril em sua cidade natal, Amparo, na Casa do Teatro. Infos AQUI.

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Por Leandro Fernandes – leandro@rockmeeting.net Fotos: Edney Suiter

Obrigado pela atenção a essa entrevista. Então, gostaria que se apresentassem. Olá, obrigada pela entrevista. Eu sou Aline Happ, vocalista do Lyria. Somos uma banda de metal alternativo sinfônico do Rio de Janeiro. Eliezer Andre é o baterista e Thiago Zig o baixista. Lançamos nosso primeiro álbum, intitulado Catharsis, no fim do ano passado, através de uma campanha mundial de financiamento coletivo. =) A banda está na ativa desde 2012, se trata de um projeto recente. Como tem sido esses dias de lá pra cá com relação a shows, membros...? Sim, é bem recente. Zig e Eliezer entraram para a banda em 2013. Lançamos nosso CD no fim de 2014 e agora é a hora de divulgá-lo com shows. Falando em membros, sabemos que a banda já passou por reformulações. Isso deixa o trabalho um coeso ou algo do tipo? Sim, o Lyria já teve algumas formações e essa troca realmente atrasava um pouco o traba15

lho, mas isso foi antes do CD. Aline, pelo que podemos notar com relação à elaboração das músicas e também com a voz impecável que você tem, pergunto, você se considera perfeccionista? Se sim, isso atrapalha ou ajuda com relação aos trabalhos? Obrigada! Sim, mas até certo ponto. Sempre busco fazer o melhor possível, eu tenho que estar satisfeita com o trabalho, isso é o mínimo. Mas é preciso também identificar quando as coisas estão prontas, quando o perfeccionismo acaba se tornando um capricho e pode se tornar uma barreira. Sobre as composições, qual seria a fonte de inspiração? Pois as letras são realmente cativantes. Obrigada. Minha fonte de inspiração é a vida, coisas que senti ou vejo ocorrer. Gosto de passar boas mensagens para as pessoas, mensagens nas quais elas possam buscar força e se identificar. Como tem sido a aceitação do trabalho da banda no exterior?


Muito boa, mas queremos ficar cada vez mais conhecidos (rissos). Na verdade, temos mais reconhecimento lá fora do que aqui, por enquanto. O pessoal sempre pergunta quando estaremos em seus países.

balho está num patamar tão elevado.

Já existe algum contato de lá para ter o Lyria? Algumas coisas estão rolando, mas nada concreto por enquanto.

O espaço agora é de vocês! Desejo muito sucesso. Obrigada! E novamente obrigada pela entrevista. Convido aos leitores que ainda não conhecem nosso trabalho a darem uma chance para nosso som. Deixo aqui alguns links para que possam nos conhecer melhor. E, para os fãs que quiserem entrar em contato, é só enviar uma mensagem para a gente. Vai ser um prazer! Lyria | Site | YouTube | Aline Happ

O estilo da banda é um Symphonic Metal. A comparação com as bandas europeias é quase que inevitável, isso chega a incomodar? Pelo contrário, é sempre bom ser comparado a bandas de qualidade. Na verdade, é uma honra receber um retorno de que nosso tra16

Como tem sido os planos para 2015? Divulgar, divulgar, e divulgar! Através de shows, internet e tudo que pudermos.


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que chamamos de “mimimi” é uma referência direta ao célebre seriado “Chaves”, que acredito que a maioria conhece muito bem. E quando falamos em “mimimi”, estamos falando do insuportável e chato hábito que o brasileiro, em sua maioria, tem de reclamar de tudo e todos. A pergunta que é feita ao ver uma matéria com essa em uma revista é: “Por que patavinas ele resolveu falar disso”, e a resposta é simples: PQP, larguem de ser chatos! Não sei se o caro leitor tem o hábito de acessar o Facebook todos os dias. Se o tem, vai ver sempre alguém enchendo a paciência reclamando de algo que ocorre dentro do cenário. Cito um exemplo recente: surgiram boatos que Kiko Loureiro, do Angra, deve ser o novo guitarrista do Megadeth. Pronto, bastou isso e veio uma enxurrada de recalques e ofensas ao trabalho de Kiko. E isso sem ser uma notícia confirmada! Quando este autor viu estas manifestações, e mesmo um debate em um grupo no Facebook, que começou muito bem, com bas18

tante respeito e educação da parte de todos, dos que concordam e discordam, logo virou uma festival de ofensas a Kiko e aos fãs do Angra, e as comparações dele com o Marty Friedman foram muitas. Houve até um fã que quis falar mal de Yngwie Malmsteen, só para sentirem o nível intelectual de algumas pessoas (no fundo, não devem tocar nada além de bronha mesmo). Mas, já que falamos de Marty Friedman, vale ressaltar que, na época, houve um festival de reclamações de fãs do Megadeth justamente pela entrada dele. Marty já era conhecido por ser um guitarrista excepcional, um autêntico guitar hero graças aos trabalhos com Jason Becker no Cacophony e seu primeiro disco solo, “Dragon Kiss”. O número de fãs reclamando em sessões de cartas em revistas e zines era absurdo, mas bastou sair “Rust in Peace” que todos se calaram. E o mais engraçado: quando Marty deixou a banda, os mesmos mimizentos de antes choraram a saída dele, dizendo que “nenhum outro será melhor que Marty...”, e como vimos depois, não foi bem o caso.


Antes de tudo, é preciso dizer que Dave Mustaine, pelo que já conhecemos de longa data, não vai dar a mínima atenção a esses choros e lamentações de internet. Se ele achar que Kiko se encaixa naquilo que ele deseja para a banda, vai ser assim. Aceitem que é mais simples, porque lá fora, muitos fãs do Megadeth vão aceitar de boa e continuar gostando da banda, enquanto os fãs “anti-Angra” vão continuar o choro. O mesmo choro contra Blaze no Maiden (chegou a ser irritante esse aqui), que velou noites em claro pelo Judas sem Rob Halford (como se Ripper não fosse um excelente vocalista). E se eu voltar um pouco mais no tempo, ainda lembro-me de fãs de Paul Di’Anno reclamando, dizendo que Bruce deveria sair e dar lugar a ele! Sim, os chorões chegam a ultrapassar os limites do ridículo! Ainda existem outras classes de chorões: os saudosistas dos anos 80 (esse grupo é abominavelmente tosco e chato! Por 19

favor, doem calendários a eles...), os fãs da Tarja que imploram para ela voltar ao Nightwish (sendo que a Anette fez um trabalho ótimo, que apenas pecou por ser diferente), os que clamam pela volta de Max ao Sepultura, e outros que são facilmente identificáveis. Já que citamos o Sepultura, é outro que vive tendo que aturar o choro alheio: quando não é pelo Max, é devido aos trabalhos paralelos de Andreas com músicos de fora do Metal. Jovens, aprendam: Andreas precisa sustentar uma família, logo, precisa trabalhar, e muito, para isso! E nada mais justo que seja com dinheiro vindo de seus trabalhos! Mas estranho que muitos que ficam de mimimi na net aplaudiram a banda no Rock in Rio de 2013, quando fizeram uma Jam com Zé Ramalho (que foi ótima, diga-se de passagem). Bem, os casos são por aí, e se o Pai Marcão aqui fosse falar de todos, teríamos que usar umas 20 edições da Rock Meeting


Foto: Lawiane

para isso, e não é este o objetivo. Antes de tudo, óbvio que todos têm direito a ter uma opinião, e mesmo o de expressá-la. Mas usá-la como um murro dado na cara dos fãs do trabalho dele não é um direito de ninguém. E não use o argumento de “liberdade de expressão” para sua defesa, chorões, pois seu choro é sintoma mais que claro que vocês não respeitam o direito de cada um ser o que é, a fazer o próprio trabalho como lhe bem convier. Gostar ou não do que vem é direito de cada um, como seu direito a uma opinião e a expressá-la. Usem suas palavras com sabedoria, antes de causarem problemas 20

e arrumarem confusões desnecessárias. Ainda mais na internet, onde todos (empresários de shows, inclusive) estão vendo. E se não consegue se expressar de forma inteligente, o remédio é que deve engolir a sua opinião você mesmo, pois ela não faz falta. No fundo, isso mostra os defeitos de formação (cultural e moral) de muitos, e defeitos assim necessitam de soluções drásticas e urgentes, logo, não seja um chorão chato na net ou no seu círculo de amigos, e nem imite o Chaves (o finado Roberto Bolaños já nos deu um perfeito). É chato e desnecessário.


Por Vicente de A. Maranhão - Thrasher, cinéfilo e se emociona toda vez que assiste Cliff ‘em All!

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eavy Metal. Pornografia. Queimar coisas no chão. Estas são algumas das coisas favoritas de Hesher. E são estas coisas que Hesher (Joseph Gordon-Levitt) traz para a vida do garoto de 13 anos de idade, TJ (Devin Brochu) e seu pai, Paul (Rainn Wilson) quando ele, inesperadamente, passa a residir em sua garagem sem ser convidado. A história contada através dos olhos do TJ, “Hesher - Juventude em Fúria” é um conto de fadas obscuro sobre um andarilho excêntrico e desequilibrado que aparece para ajudar a lidar com a perda de família da forma menos convencional possível. O Gordon-Levittt está quase irreconhe-

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cível fisicamente, e apesar de seu personagem ser asqueroso e imprevisível, vai ganhando nossa simpatia ao longo da obra. Rainn Wilson, que interpreta Paul, o pai, também merece menção por sua atuação sensível e tão sincera. Natalie Portman participa como atriz coadjuvante em uma versão desarrumada e pobre, mas com aquele sorriso encantador que já estamos acostumados. Curiosamente, a mesma é produtora do filme. A direção do filme aposta em uma fórmula que escapa da maioria das produções de Hollywood, muito preocupadas com o politicamente correto. “Hesher – Juventude em Fúria” não é nada politicamente correto. O


filme não maquia os efeitos da perda de uma pessoa fundamental na vida de uma família. De forma bastante peculiar, o roteiro do diretor Spencer Susser, escrito juntamente com David Michôd, baseado em uma história de Brian Charles Frank, questiona as saídas mais usuais para o luto. Hesher mexe com o cotidiano daquela família destroçada. Torna alguns dias de T.J. desafiantes, ensina para o garoto os piores exemplos – como de que é legítimo queimar o carro de um desafeto – e se mostra o único capaz de enxergar e ouvir a cansada avó Madeleine. Mesmo assim, analisada por um prisma lógico, a permanência de Hesher na resi-

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dência é deveras absurda - e embora a inércia de Paul seja obviamente um dos temas do filme, é inexplicável que, depois de um primeiro momento, o homem nunca volte a questionar a estadia do headbanger na residência. Ainda nesse sentido, tanto a amizade de T.J. com a caixa de supermercado Nicole (Natalie Portman) quanto a atração da mulher pelo metalhead soam forçadas, já que as circunstâncias normalmente apontariam para direções exatamente contrárias. A realização do diretor estreante Spencer Susser apresenta situações pouco criveis, mas cresce com os sentimentos representados, não de forma utópica, muitos deles bem


perto da realidade, de forma conflitante, o que traz os personagens para muito perto do expectador, podendo comover, mesmo com algumas situações constrangedoras. O diretor também consegue dar uma bem vinda áurea pop à produção, usando muito bem a trilha sonora heavy metal que marca os momentos mais dramáticos e engraçados, talvez até pela experiência com direção de videoclipes. O epílogo é algo marcante, na minha opinião, um dos momentos mais emocionantes do filme. A influência do Metallica no filme do diretor Spencer Susser pode ser notada de forma imediata pelas letras que consagraram o logotipo da banda e foram usadas também no lettering do cartaz internacional para o filme. Além disso, várias músicas da banda, que foi uma das precursoras do Thrash Metal, formam a trilha sonora do filme o que é raro, já que os integrantes do Metallica não costumam autorizar o uso de suas músicas. O que faz deste filme uma exceção é que o personagem Hesher (Joseph Gordon-Levitt) foi inspirado extremadamente idêntico a Cliff Burton, o genial baixista que morreu em um acidente com o ônibus da banda em 1986, onde a atuação brilhante de Gordon-Levitt cumpre seu papel de maneira visceral prestando uma homenagem visual ao “Bass Hero” que já foi imortalizado no imaginário da cena underground mundial.

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Lembrando estéticas curiosas de Vistor Q e Teorema, “Hersher – Juventude em Fúria” se destaca não só apenas pela temática em si, no qual é abordada de uma maneira bem crua, cheia de analogias maravilhosas nos quais nos lembram que a vida é dura, mas que tem que seguir em frente. A agressividade e o visual intencionalmente sujo merecem aplausos por fugir da praga do “politicamente correto” que tem atingido a maioria das produções nos últimos anos. “Hesher – Juventude em Fúria” ao mesmo tempo é emocionante e duro, conseguindo ser um terreno mais pessoal para se explorar esse talento que o cinema “blockbuster” por muitas vezes oculta. Uma joia do cinema independente onde poucos saberão a verdadeira simbologia da brutal “Motorbreath”, música tema do filme. “Hersher - Juventude Em Fúria” é um hino de rebeldia, a fúria traduzida em amizade e um grande foda-se ao mundo! Juventude em Fúria (Hesher, 2010/2012 – 106 min) Drama Dirigido por Spencer Susser com roteiro de David Michôd, Spencer Susser e Brian Charle Frank. Estrelando: Joseph Gordon-Levitt, Devin Brochu, Rain Wilson, Piper Laurie, Natalie Portman e John Carroll Lynch.

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Por Leandro Fernandes – leandro@rockmeeting.net Fotos: Alessandra Tolc - PhotoLC

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m trabalho bem feito e a base de muita dedicação e esforço, podemos citar a “Indiscipline” sem exageros. As meninas cativam pelo excelente Rock que fazem o trio mostra que pode voar alto e conseguir cativar fãs nos quatro cantos do país. Em uma entrevista muito simpática e divertida, Maria Fernanda e Alice nos contam mais um pouco de tudo e detalha certos pontos interessantes. Confira! Obrigado pelo tempo cedido a essa entrevista! Então, uma pergunta que sempre me surpreende pela resposta, irei fazê-la a vocês. Uma banda feminina tocando rock seja ele pesado ou não, ainda gera preconceito por parte das pessoas? Alice: As pessoas ficam admiradas por só ter mulheres na banda, pelo fato de não ser algo comum. Maria Fernanda: De certa forma acho que o preconceito existe quando as pessoas esperam mais de uma banda apenas porque é formada exclusivamente por mulheres. Sinto que, pra nós, é mais difícil porque sempre parece que temos que provar alguma coisa. Por exemplo: se uma banda só de homens sobe no palco com uma guitarra desafinada, ou um timbre ruim de baixo, as pessoas relevam. Só que quando é mulher, aí é “mulher não sabe nem afinar” ou “mulher não sabe regular amplificador”. É foda. Ao mesmo tempo, é muito gratificante quando as mesmas pessoas que te olhavam torto e desconfiavam da sua capa28


cidade no fim do show vêm elogiar seu show e falar que se surpreenderam positivamente. Ale De La Vega é a mais nova integrante da banda. O que ela trouxe de diferente para a Indiscipline? Alice: Alê foi um grande achado. Ela é muito carismática e veio com tudo. Cheia de ideias e querendo muito que o trabalho dê certo. E isso se afinou com nossas energias. Acreditamos que nos trouxe muito mais foco e força pra buscar o melhor dentro da banda. Por ser uma banda completamente feminina, em quem vocês mais se inspiram dentro do Rock /Metal? Maria Fernanda: Todas as mulheres que tocam metal são nossas musas! Mas aqui eu tenho que citar a banda sueca Crucified Barbara, da qual eu pessoalmente sou muito fã. Outros grupos 100% femininos que são grandes inspirações são Nervosa, L7, Girlschool e Thundermother. Pra vocês, o rock hoje no país está em uma grande fase ou já viveu essa grande fase no passado? Maria Fernanda: O fato é que as coisas estão diferentes agora. A era das grandes bandas acabou. Não teremos nunca mais grupos como Metallica, AC/DC, Iron Maiden, Black Sabbath, que só fazem turnês em estádios. Não existe mais “indústria” da música. Dentro do underground, existe a ideologia do “do it yourself” (faça você mesmo), porque de forma geral, sempre fomos “esquecidos” pela mídia mainstream, e sempre tivemos que nos virar (aidna bem!!!). Isso não mudou. São os artistas que têm que produzir os próprios eventos, turnês, clipes, discos... uma galera aqui do Rio sempre fez isso e ago29


ra essa mesma mentalidade está se espalhando também para outras cenas, abrangendo até artistas que flertam com o pop. Então eu diria que a fase da grana, da música mainstream, já passou, e não vai existir mais. Estamos na fase da liberdade, que é duradoura, e não vai acabar. O poder está nas mãos dos artistas para fazerem o que bem entenderem. Como está sendo o retorno de “In My Guts” para a banda? Maria Fernanda: Maravilhoso! Tão bom que mal podemos esperar pra lançar o full-length. rs. “In My Guts” foi um sonho que se tornou realidade e somos muito gratas pela ótima recepção que ele teve com a galera. Sobre as composições, vocês preferem seguir uma linha mais aleatória, que no final acaba se tratando do cotidiano, de fato. Procurar trabalhar dessa forma se torna mais interessante e deixa o trabalho mais amplo ou não tem muito a ver essa questão? Maria Fernanda: Tem influência de todas as integrantes nas nossas músicas e isso é essencial. Isso se reflete no estilo da banda, que é algo indefinido, não dá pra rotular. Já ouvimos que é metal, hard rock, hard n’ heavy, e até prog rock (risos). Adoramos isso. Agora, uma opinião que não muda é que nosso som é pesado. Que bom, porque é exatamente o que queremos (risos). Sobre as bandas atuais, existe alguma ou algumas que vocês estão sempre acompanhando os trabalhos? Maria Fernanda: Acompanho muito de perto os trabalhos das já citadas Thundermother e Crucified Barbara (faço parte do fã-clube de ambas). Além dessas três, curto e pro30

curo sempre ver as novidades da Girlie Hell, Lacerated and Carbonized, Unearthly, dentre muitas outras. Sobre o EP “In My Guts”, o mesmo já está em outros países? Maria Fernanda: Siiim!! Já enviamos CDs para vários países da América do Sul, Europa, Estados Unidos, Ásia… Além isso, o EP é distribuído digitalmente através do iTunes, Deezer, Spotify e diversos outros serviços, e já tivemos nossas músicas compradas por pessoas de muitas nacionalidades.


Façam um rápido balanço sobre essa metade de primeiro semestre desse ano para a banda. Maria Fernanda: Estou convencida de que 2015 é o ano das mudanças. Pra nós começou assim e pra muita gente que conhecemos também. Trocamos de baterista. Fizemos um show super importante (O Festival Roque Pense!, em Duque de Caxias), e por causa dele aparecemos no RJ TV, na Globo. Estamos compondo pro CD full-length e conversando com a maior galera! A Indiscipline tem estado bastante ocupada neste início de 31

ano e só temos a agradecer, pois é assim que gostamos, rs. Muitas glórias e sucesso! Deixo o espaço livre para as considerações. Alice: Bom, gostaríamos de agradecer a todos que nos apoiam e acreditam no nosso trabalho. Estamos procurando sempre melhorar a cada apresentação e sempre temos um aprendizado. Este ano queremos realizar e consolidar algumas coisas então continuem nos acompanhando que tem muito para vir!


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Texto e Fotos: Pei Fon (peifang@rockmeeting.net)

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o último dia 17 de março, Maceió nunca esperava receber um guitarrista do calibre do americano, quase japa (por que não?), de Marty Friedman. Numa breve apresentação do cara, Friedman foi guitarrista do Megadeth por 10 anos e nos períodos áureos quando lançou o aclamado “Rust in Peace”, por exemplo. O teatro do Centro Cultural Arte Pajuçara recebeu um público tímido, porém muito interessado no que a atração teria a mostrar e contar também, houve pausas para perguntas. Antes que ele fosse para o palco, os outros guitarristas, o alagoano Edu Silva e o paulistano Douglas Jen, fizeram as honras, mesmo que com poucos minutos, de suas habilidades, experiências e muito feeling. Cada um mostrou suas influências. Para Edu Silva, guitarrista conhecido em Maceió, a cultura nordestina é mesclada com os riffs, o que torna mais moderno. Já Douglas Jen trouxe as músicas de sua banda, SupreMa. Banda de Heavy Metal, daquelas que os riffs estão bem presentes e você ouve tudo no seu lugar e intensamente. Numas das breves pausas para perguntas, Jen contou sobre a banda, as dificuldades e as minúcias de seu equipamento: das cordas ao amplificador. Da madeira ao jeito de tocar. Sim, haviam muitos guitarristas presentes, apaixonados pelas seis cordas e fãs da música instrumental. Pouco mais das nove da noite a atração chegou ao palco. Sem muitas palavras, o pequeno grande homem veio com uma porrada “Inferno”, faixa título de seu recente álbum, onde ele promove nas mais de 20 datas marcadas pelo Brasil. 34


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E sem pausa para a conversa veio “Hyper Doom”. É uma porrada daquelas, sabe? Deu nem tempo para aceitar a pedrada inicial e veio com outra. Do que se pode imaginar do “Inferno” é que ele é bem perturbador, no bom sentido. Musicalmente falando, é técnica e transborda sentimento. Já para as pausas para a conversa, Marty Friedman estava num bom humor inesperado. Que carinha engraçado. Quando perguntado se ele teve dificuldades em aprender as músicas quando ele entrou no Megadeth, Friedman, sutilmente, balançou a cabeça e disse: Não, nenhuma dificuldade. Bom, para os demais guitarristas essa resposta fez arregalar os olhos, numa pergunta comum: como assim, cara? Mas Friedman é sobrenatural. O pequeno notável, que se esconde nas suas madeixas, por sinal, alguém chegou a dizer: “poxa, cara, seu cabelo é incrível. Queria um igual ao seu. O que você usa, cara?”. Deixou Friedman surpreso: “meu cabelo é o mesmo desde adolescente, nunca fiz nada”, rindo ele. As perguntas eram sempre com base no Megadeth. Todos gostariam de saber porquê ele saiu. Foi um processo natural, contou ele. Muito embora, boatos rolam de que ele poderia voltar, mas são só boatos. Mas custava nada, não é? O interrogatório continuou. Até sobre Cacophony foi perguntado, das músicas feitas e sua relação com Jason Becker, a quem rasgou elogios e desabafou: “Gostaria de ter vindo ao Brasil nesse tempo”. Num dado momento das conversas, um fã perguntou: “Será que poderia tocar ‘Hangar 18’”. Marty frisou o cenho e disse: “Não me lembro mais da música, quer vir tocar?”, desafiou. Daí, o burburinho tornou-se numa confusão de sentimentos e palavras, ninguém 36

Edu Silva


Douglas Jen

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queria chegar lá e tocar, mas impulsionado pelos amigos, Cleber Amaral, que já teve uma banda cover do Megadeth, levantou-se, pegou a guitarra do Marty e tocou a introdução da música. Marty ficou só olhando o que ele estava fazendo e o aplaudiu. Momento épico e diverto que certamente Cleber nunca vai esquecer. Tudo documentado: em fotos e vídeos (Veja aqui). Não foi só de porrada. Ainda houve momento para a balada. Do seu álbum, “Inferno”, a lindíssima e expressiva “Undertow” foi tocada e tocou a todos. Sentimento é o que define essa música. A única baladinha, por assim dizer, do álbum, para apaziguar os sentidos. Dentre outras músicas, ele fez um passeio pela sua discografia como “Amag Goe”, “Barbie”, “Devil take tomorrow”, “Meat hook”, “Stigmata”. Fechando as quase duas horas de conversa e música, “Amazing Grace”, na sua versão técnica e feeling. De fato, a sua vinda ao Brasil tem sido uma verdadeira graça. Músico excepcional e atencioso. O que começou no “Inferno”, terminou com muita graça. Veja como foi este workshop. AQUI.

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Por Pei Fon - peifang@rockmeeting.net Fotos: Vitor Maciel

Primeiro de tudo. Quem é o Cartoon? Apresentem-se para nós. Khadhu Capanema (voz/baixo): Cartoon é uma banda de rock brasileira, estrelada por 4 personagens animados, que fazem o trabalho heroico de tentar salvar o mundo através da música. O que há por trás do nome da banda? O nome da banda exalta nossa paixão pelos desenhos animados e nos ajuda a criar um universo ilimitado de possibilidades pra nossa música se expandir. Como já dissemos na primeira música de nosso primeiro disco: “Somos 4 personalidades inspiradas na pessoa superior que nos habita e, lá do alto, nos excita o coração. Temos 8 mil anos de idade, não ligamos para quem não acredita, nossa história está escrita na canção” (“Abertura” do disco “Martelo” de 1999). Já são 18 anos de estrada. Qual é o retrospecto que vocês podem fazer desde o primeiro CD lançado até o atual, “Unbeatable” (2013)? Foram muitos anos de dedicação constante, histórias, sonhos, conquistas e desafios que, até hoje, temos que enfrentar. A cada trabalho lançado chegamos mais perto de um objetivo que vai sempre mudando. Assim como nós mudamos como pessoas, nossa música também evolui e se torna um reflexo de nós mesmos. Como um retrato (ou melhor, um desenho) de como estamos naquele momento. Duas conquistas foram muito importantes: primeiro, o carinho e o respeito do público, segundo, a qualidade técnica que 42

conseguimos imprimir em nossas gravações, que melhora a cada trabalho. Continuando no “Unbeatable”, como tem sido a receptividade do público? Muito boa. Como era nosso objetivo, este disco conseguiu alcançar um público bem maior dentro e fora do Brasil. As críticas da imprensa especializada também foram muito positivas. Para quem ainda não ouviu o álbum, como podem apresentar “Unbeatab-


le”? É um disco de rock, mas com todos os elementos que marcam o som do Cartoon: arranjos bem elaborados, harmonias vocais e incorporação de elementos que vão além do rock. A novidade é que neste disco usamos menos instrumentos pra dar uma ênfase maior a maneira de tocar de cada um. O som ficou mais “claro”. Ano passado Cartoon se apresentou nos EUA e Europa. Como foram os shows? 43

Os shows no exterior foram fantásticos. A experiência de tocar em outros países nos uniu ainda mais e nos deu mais confiança no trabalho que fazemos. Fizemos muitos amigos e novos fãs que tem nos ajudado a propagar o som da banda pelo mundo afora. Existe a possibilidade de retorno este ano? Sim. A princípio temos uma turnê marcada pela costa oeste dos Estados Unidos e Canadá em julho/agosto deste ano.


Já pensam no sucessor de “Unbeatable”? Já estamos produzindo a todo vapor. Neste momento já temos umas 15 músicas praticamente prontas e várias outras na fila. Nunca produzimos com tanta intensidade como agora. Queremos que o próximo disco seja o melhor de todos os tempos! (risos) A sensação que dá ao ouvir a faixa “Until I Found You” é cinematográfica. Aquele momento que o cara olha para uma fotografia de alguém que tem saudades e vocês tocando ao fundo, numa visão vintage. Opa, já pode ser um novo vídeo da banda... 44

(risos) Sempre temos a ideia de emocionar com as músicas. Criar histórias é uma maneira de fazer isso. É como levar uma pessoa a um cinema. Fornecemos a trilha sonora, o clima, a história, porém, as imagens ficam por conta da sua imaginação. É sempre muito bom saber quem ou quê inspira a banda. De onde vem a inspiração? A inspiração vem dos nossos sentimentos, das coisas que vivemos e como elas nos afetam. Pode ser um relacionamento com alguém (uma mulher, ou um filho), pode ser a insatisfação com as coisas da vida, pode ser o anseio por um mundo melhor, a vontade de ver algo inusitado como um lagarto voador,


ção da música mexe nas entranhas do sujeito. Os projetos da banda são realizados por meio de Leis de Incentivos Culturais. Qual a importância destes incentivos? Infelizmente, nem sempre conseguimos o apoio das Leis de Incentivo. Dos nossos 4 discos, 2 foram feitos com projetos de Lei de Incentivo, os outros foram com recursos próprios, na raça. As leis são muito importantes e ajudam muito, mas não podemos depender exclusivamente delas, temos que produzir a qualquer custo. Top 5. Quem são as bandas que influenciam o som do Cartoon. Cite um álbum de cada e defina em poucas palavras o que representa. São muitas influências e é triste deixar tanta gente de fora numa lista dessas. Seguem alguns (tive que passar de 5, foi mal):

ou simplesmente a alegria de ver libélulas voando sobre uma caixa d’água... enfim. Pode ser qualquer coisa desde que isso mexa com você o suficiente pra te fazer pegar o instrumento e criar. Existe algum personagem por trás de “Unbeatable”? Estamos dizendo isso pra você! Como eu disse, fazemos música pra tocar as pessoas. Queremos que elas se identifiquem com o que estamos falando e que isso possa ajudá-las a seguir em frente. Não é isso que nos faz amar a música? Os personagens podem ser reais ou inventados, o importante é que as pessoas possam se identificar com eles e que a emo45

The Beatles - Abbey Road Genesis - Selling England by the pound Beto Guedes - Contos da lua vaga Queen - A night at the Opera Crosby, Stills, Nash & young - Deja Vú Beethoven - 9ª sinfonia Elton John - Tumbleweed Connection Para finalizar, o que podemos esperar do Cartoon para 2015? Muito obrigada, sucesso e perseverança a todos! Muita música! Queremos lançar um novo álbum o mais rápido possível. Estamos muito animados com as novas músicas e com as novidades que elas vão trazer. Já tem um videoclipe prestes a ficar pronto também. Enfim, o trem não para!!!


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Foto: Cleia Neves

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Por Leandro Fernandes – leandro@rockmeeting.net Fotos: Divulgação

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inas Gerais é um dos principais centros no país onde se nascem bandas que criam um som realmente pesado e intenso. Essa nova safra que surge promete sim impactar muita gente e conquistar mais ainda o seu lugar ao sol, a banda Rastros de Ódio segue esse caminho. Mostrando um som de atitude e pegado, Cleuber Toskko nos contou como anda a cena no estado e aproveitou pra falar do disco que está a caminho, “Mundo Podre”. Confiram! É um prazer falar com banda e desejo já uma longa carreira de sucesso! Então, pra galera se familiarizar com vocês, se apresentem, por favor. Cleuber Toskko: O prazer é nosso! Satisfação poder estar aqui, dando essa entrevista. Bom, fundei a banda Rastros De Ódio em 2012 aqui em Belo Horizonte. A banda teve mudanças na bateria e no baixo e a formação atual está com o Marconate na Bateria, Leandro no Baixo, Rafael Zbra na guitarra e eu nos vocais. No próximo disco, vou tocar guitarra também. Nosso som é uma fusão dos gêneros Thrash, Death, Grind, Hardcore e Punk. Em resumo, um Metal Punk ou Death Metal-Punk. Vocês são da terra de bandas como Sepultura, Overdose, Holocausto, Eminence, Sacórfago... isso ajuda a banda em algum aspecto? Bicho, crescemos ouvindo essas bandas e vi48


ramos metaleiros ainda crianças (risos). Eu com 10 anos de idade já tinha o Bestial Devastation do Sepultura. Na minha infância eu já ouvia metal pesado e todas essas bandas, enquanto os garotos da escola cantavam Menudo e Xuxa, então dá pra imaginar o que viria no futuro de um garoto como eu, né?! (risos). Essas bandas moldaram nosso comportamento e nossa filosofia de vida. A influência delas foi de total importância, então vejo que sim, ajudou a formar minha própria banda e ser quem eu sou hoje. Quando garoto tive mais influências das bandas locais que de outros países.

Cleuber Toskko - Vocalista Fotos: Carla DC

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Sobre o som que vocês produzem uma mescla de Hardcore, Thrash e Punk, poderia se descrever como um Crossover ou não gostam muito de serem rotulados? Não temos nada contra rótulos. Eu até acho necessário. É como você entrar numa biblioteca e procurar por um livro que não está catalogado, você fica perdido, sem referências. Nós começamos fazendo essa mescla de Hardcore, Punk e bases de Metal, com vocal gutural que é mais familiar ao som extremo e não ao Punk, por isso definimos o som da banda como Metal Punk. Agora, com essa nova formação, estamos mesclando ainda mais influências de Death e Thrash Metal. Desde o início, intentei perfazer canções mais técnicas e pesadas, em nossos shows sempre foi possível observar essa tendência, pois executamos as velhas músicas com muito mais peso e velocidade que originalmente foram gravadas. Mas essas mudanças sonoras só vieram a amadurecer após a chegada do Marconate e do Leandro que são músicos com mais experiências técnicas. Isto casou muito bem com o que eu e o Zbra já estáva-


Foto: Anderson Pereira

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mos fazendo juntos e que os outros músicos que passaram pela banda não estavam conseguindo acompanhar. Creio que essa atual formação passou a exprimir melhor essa busca, criando assim uma mescla ainda mais ensurdecedora, forjando o ódio eminente de horrores e tormentos em nossas novas criações. No nosso próximo trabalho, que será lançado ainda este ano, o público vai ter maior clareza dessa fusão. Então acho que crossover não seria uma boa definição porque nossa busca é cada vez mais pra um som brutal sem muitas nuances. Talvez podemos ser definidos como uma banda Death metal-Punk ou simplesmente Metal punk. Vejo que nas composições vocês se preocupam bastante em usar temas fortes e fatos que sempre ocorrem no mundo. Isso pode se considerar uma marca registrada da banda? As propostas de nossas mensagens sempre foram e sempre serão políticas, direta ou indiretamente dizendo. Tenho uma atenção toda especial nessa parte, pois me preocupo com a mensagem que a banda passa. Contestamos as injustiças praticadas no mundo, confrontamos a inércia do ser humano, o conformismo, a ignorância e as mais diversas formas de intolerância. A banda nascera a pouco tempo, antes de o “Rastros de Ódio” quais eram suas ocupações? Eu sempre estive envolvido com bandas desde 1992, inclusive eu e o Marconate já tocamos juntos em outros projetos no passado e hoje estou muito feliz dele fazer parte do Rastros De Ódio, o Leandro tem uma banda de grindcore, o Mata Borrão, e toca guitarra nela, o Zbra está tendo a primeira oportunidade de 51

estar numa banda e é um guitarrista que admiro demais. É um cara muito esforçado e focado. Todos da banda sempre mexeram com música, porém somos pião, temos que ralar sol a sol e cuidar de nossas famílias e lutamos muito pra manter a banda viva, mesmo com o pouco dinheiro que ganhamos em nossas profissões. Temos garra, foco e muita determinação. Então pra gente não existem obstáculos! Sobre o EP “Bem Vindos ao Brasil”, o mesmo fora lançado aqui e também no exterior. Como tem sido a recepção de onde o disco tem chegado? “Bem vindos ao Brasil”, foi lançado em novembro de 2014 de forma independente por nosso próprio selo a Sinfonoise Distro Records e depois de três meses foi lançado nos Estados unidos pela Give Prise Records. Lá fora esse Ep saiu como full álbum. A Give Prise pegou nossos dois Ep’s; O mundo em estado de óbito, (2013) e Bem vindos ao Brasil (2014) e juntou num só disco que acabou ficando com treze músicas. A versão nacional tem seis músicas. E, até onde eu sei, a divulgação desse disco lá fora está bem legal. A receptividade do disco aqui no Brasil também está sendo ótima. O lançamento foi no estúdio Hanoi do Arnaldo Brandão no Rio de Janeiro e de lá pra cá temos vendido bastantes cópias pra todo país e pro exterior. Muita gente entrando em contato, nosso clip também ajudou muito na divulgação, a galera canta as músicas nos shows o que pra gente é o maior pagamento. É legal ver o trabalho sendo reconhecido depois de tanta luta pra lançá-lo. Já com esses dois lançamentos, incluindo o primeiro “O mundo em esta-


do de óbito”, como está sendo a agenda de shows? Vamos tocar em Iuna (ES), no dia dois de Maio no 4° Metal Resistence. Estaremos também no palco principal do Roça ‘N’ Roll em Varginha (MG), no dia seis de junho. Beagá (Belo Horizonte), temos três shows agendados entre maio e junho e estamos começando a fechar nossa agenda da tour que faremos para o nosso próximo disco que vai ser lançado no segundo semestre deste ano. O título do álbum é : Mundo Podre. Vai ter músicas em espanhol e em português... Ai vamos voltar a tocar em São Paulo, Rio de Janeiro e em outros estados que ainda não tocamos. Sobre o underground mineiro, cada banda vai seguindo seu rumo e a criatividade tem sido algum muito espetacular. É legal saber que hoje Minas Gerais não é apenas lembrada pelo Sepultura, quando se fala de metal? É ótimo Beagá não ser lembrada apenas por existir o Sepultura. Claro que foi uma banda muito importante e que deu projeção ao estado mineiro, porém sempre tivemos outras referências sonoras de grande prestígio em diversas vertentes como o Atack Epiléptico, que foi uma das primeiras bandas punks a fazer grind na America latina ainda no início dos anos 80, o Sarcófago, que sempre foi a maior representação do Black Metal do país, o Holocausto, que foi considerado a primeira banda do mundo a fazer War-metal, enfim.... Na atual cena temos ótimas bandas de todos os gêneros. Já existe alguma possibilidade de excursão pelo exterior? Já tivemos duas propostas de ir pra Europa, mesmo assim não teríamos condições no mo52

mento de arcar com as despesas de passagens, transportes locais, e tal, coisa que a galera de lá também não teria e a grana que poderíamos ganhar lá não cobriria essas despesas. Pra viajar pra fora, na atual condição da banda, o esquema seria underground mesmo, o que é massa pra caralho. É como fazemos no Brasil e lá não seria diferente. A galera ajuda a organizar as gigs, dá carona, arruma rango, lugar pra dormir, dependendo da organização, dá para cobrar cachê, mas não é algo garantido. Mesmo que seja não é um valor que no final vai cobrir todas as nossas despesas então tem que ir com uma grana pra se locomover, alugar uma van e até mesmo pros imprevistos que sempre rolam na estrada. Acaba ficando muito caro e é uma condição que não temos no momento. Muitas das bandas que conheço que foram pra lá voltaram com mais dívidas do que quando saíram daqui e isso é foda pra


uma banda pobre. A realidade é essa. Uma banda de pião como nós, fazer isso não é fácil, temos muita vontade, estamos trabalhando pra que um dia tenhamos essa condição. Passar aperto lá é normal já estamos acostumados com isso aqui mesmo no Brasil, todo brasileiro esta acostumado com dificuldades, mas ir tocar em vários países onde você não conhece ninguém, tudo é negociado na base da confiança verbal, várias línguas diferentes, tem que planejar mesmo pra não dar merda. Porque o esquema pra bandas undergrounds como nós é tocar em clubes pequenos, bares, residências, etc... Não é nem de longe a estrutura e o conforto de uma banda do mainstream então tudo é arriscado. As turnês de bandas undergrounds é casca grossa mesmo, bicho! Incertas, seja aqui ou lá fora, por isso que muitas bandas desistem pelo caminho, a estrada underground é tensa, nem todo mun53

do suporta essas dificuldades. Agradecendo pela entrevista, deixo o espaço livre para a banda. Quero aproveitar e falar um pouco mais sobre o novo disco que estamos gravando chamado: Mundo Podre que será lançado em formato de vinil 7’’ no segundo semestre deste ano, com a ajuda de diversos selos nacionais. Este novo trabalho vai trazer a tona as novas composições na linha mais Death metal-Punk, vai ser um disco brutal, ensurdecedor. Quero agradecer a revista Rock Meeting por nos ceder este espaço tão importante. Agradecer as pessoas que nos acompanham e sangrar os tímpanos nos nossos shows, sem vocês nossos rastros seriam apagados. Quem quiser conhecer mais sobre a banda e ficar por dentro do novo disco é só procurar nossa página no facebook ou no nosso site AQUI. Grande abraço a todos, força e humildade sempre!


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Texto e Fotos: Mauricio Melo

Banda: Royal Blood Data e Local: 31/03/2015 Sala Apolo - Barcelona Promotor: Primavera Sound

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mês de Março reservou para o último dia, ou melhor, para as últimas duas horas referente a 2015 para mostrar à Barcelona o porque da dupla Royal Blood ser, na atualidade, o duo mais aclamado do “The Next Big Thing” que frequentemente presenciamos. Mas, ao que tudo indica, o Royal Blood veio para ficar e, sim, a vaga para a próxima grande banda já está disponível, pois a dupla é uma realidade. Após presenciar o show, não me estranha que Jimmy Page tenha adorado, que o Foo Fighters os tenha chamado para abrir suas apresentações durante a turnê de 2015, que toquem no Rock in Rio no dia do Metallica e que já tenham experiência suficiente em grandes festivais como Reading, Glastonbury, Download, Osheaga e T in the Park. A dupla já havia sido apadrinhada pelos Arctic Monkeys (banda grande na Europa) mesmo antes de lançar seu primeiro single. Quando o fez com “Little Monster”, não foi nada mais do que a confirmação do favoritismo. Aquela dupla tocando num subsolo minúsculo com riffs extraídos de um “tuneado” baixo já era um sucesso mesmo antes do vocalista abrir a boca. Um EP (Out Of The Black) ainda estava sendo gravado. Não demorou para o autointitulado álbum sair e, só para terem uma ideia da velocidade, há três meses o show estava agendado para uma sala que comporta 300 pessoas. Não sabemos exatamente se a banda teve que adiar a apresentação ou se a sala maior, para 1100 pessoas, não havia disponibilidade para aquele momento. Sim, a banda triplicou a venda de ingressos e para esta apresentação. O cartaz de Sold Out já era exibido com semanas de antecedência. Para os fotógrafos de plantão, a quantidade de luzes em posição contrária era um mal sinal e nada mais começar a quantidade de fumaça complicou de vez. Ao mesmo tempo foi compreensível que a banda quisesse recriar o cenário habitual

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de seus vídeos diante de novos 1100 fãs. As músicas de seu único e solitário disco foram cantadas como se grandes e históricos sucessos se tratasse. A bateria de Ben Thatcher situada ao lado direito e no alto do palco massacrava a turma do gargarejo enquanto Mike Kerr arrancava irados riffs recheados de efeitos e distorção muito bem assessorado por um pedal board de primeira. E foi exatamente com a música “Hole”, presente no EP, que a dupla abriu a noite. Não demorou para os riffs de “Come On Over” soassem nas paredes de amplificadores espalhados pelo palco. O mesmo podemos dizer de “Figure it Out”. O público estava completamente entregue, havia rode de pogos e suor para todos os lados. “Better Strange” veio para dar uma acalmada, um respiro antes de “Little Monster” levantar de vez o público e literalmente estremecer as bases da sala, já estive muitas vezes na Apolo, já assisti a shows de variados estilos mas poucas vezes presenciei o chão se mover embaixo da sola dos sapatos, ontem foi uma delas. Sabemos que os baixos poder tranquilamente fazer papel de guitarras com distorcidos riffs, Cliff Burton foi um mestre nisso mas o que este jovem faz em “Careless” e “Ten Tones Skeleton” tocando ao vivo, merece uma boa atenção. Para encerrar em alta tivemos “Out Of The Black” e da posição que estávamos, no segundo andar da sala, a visão era perfeita para chegarmos a conclusão de que o rock continua a salvo. Pelo andar da carruagem, já não poderemos assistir a um show do Royal Blood em uma sala como estas tão cedo. Assim como outras duplas de sucesso como o The White Stripes e The Black Keys, o Royal Blood se reinventa dentro do cenário e encontra facilmente seu espaço. Vai ao Rock in Rio? Pois aí está um bom representante desta palavra que dá título ao festival e como gritava o público ontem, “Royal Rock!”, “Rock Blood!” ou simplesmente “Royal Blood!” 58


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Apresente-se! Castor, baixista do Torture Squad Quem era você no começo da carreira e quem é você hoje? O mesmo headbanger. A essência continua a mesma. Já realizou todos os seus sonhos? Ainda falta algum? Sempre estou realizando. A cada show, álbum, composição, é um sonho que se realiza. Estar numa banda trabalhando, Estou conquistando os objetivos da minha vida! Do que você tem medo? Da ignorância do ser humano! O que costuma fazer quando não está em turnê? Dormir por mais tempo? Ver filmes e assistir documentários sobre ufologia e civilizações antigas. Não sou de dormir muito, o suficiente apenas. Quando era criança o que você dizia que iria ser? Piloto de avião! O que você faria se não fosse músico? Piloto de avião! (risos) 60


Fotos: Flavio Hopp

Qual foi a sua maior realização pessoal? Ter feito o álbum Esquadrão de Tortura! Qual foi o seu pior momento? Morte de um amigo de infância. O que te motiva? Quando supero algum desafio. Houve algum momento na sua carreira que você pensou em desistir? Não. Quais são as 5 bandas que você mais gosta? Cite um álbum e fale deles. Kiss – Creatures of the Night foi o álbum responsável por eu ser fã de Metal! Iron Maiden – Killers, Steve Harris fez eu escolher meu destino com esse álbum. Ozzy Osbourne – Speak of the Devil foi primeiro álbum que tirei de ouvido quando comecei a tocar baixo. Rudy Sarzo arregaça nesse álbum! Black Sabbath – Master of Reality, na mi61


nha opinião, é um álbum que soa atual até os dias de hoje! Ele trouxe toda a fórmula do Heavy Metal, Thrash, Death, Doom, etc…ou seja, representa muito pra mim! Morbid Angel – Altars of Madness, foi o pimeiro álbum de Death Metal que eu ouvi e me influencia muito até os dias de hoje! Coroner – Mental Vortex, esse álbum e banda tem uma grande influência na carreira do Torture Squad. Grande inspiração!!! É uma pergunta delicada, mas quando o Vitor anunciou a saída da banda, o que você pensou? Qual foi o seu sentimento naquele momento? Quando o ele anunciou sua saída, pensamos logo em arrumar uma solução e dar continuidade aos projetos da banda. Queriamos deixar a chama acessa e seguir em frente! Meu sentimento foi que o Torture Squad é maior do que qualquer membro! Pra mim, isso foi apenas mais um dos obstáculos que surgiu assim como vários outros na nossa carreira pra encararmos e resolvermos como sempre fizemos na nossa vida! Já aconteceu algo no palco que foi tão absurdo que foi difícil de continuar? Problemas de energia num show que fizemos em Guanambi/ BA que, infelizmente, conseguimos tocar 4 músicas apenas. Nesse caso não tivemos como prosseguir. Se houvesse um meio de voltar no tempo, o que mudaria? Ou deixaria como está? Avisaria o Cliff Burton pra não trocar de lugar no tour bus na turnê do Master of Puppets em 1986! Todo mundo tem uma mania, qual a sua? Dormir com a TV ligada. (risos) Deixa aqui uma mensagem para nossos leitores. Muito obrigada! Agradeço a você Pei por ceder mais uma vez o espaço aqui na Rock Meeting, e também não vemos a hora de voltar pra Maceió e sentir a vibe dos headbangers alagoanos que sempre nos receberam muito bem em toda passagem da banda pela cidade! 62


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Doom METAL

Leandro Fernandes - Rock Meeting

Bom, depois de “degustar” bastante coisa dentro do rock/metal, foram fases que realmente marcam e deixam boas lembranças. Nesses 23 anos acompanhando toda essa maravilha musical, fases como o Heavy Metal Tradicional, Punk, Hard Rock e até mesmo o Gothic Metal sempre estiveram presentes. O Black Metal também é um estilo que pode-se enquadrar , pois existem bandas e bandas, por se tratar de um estilo que antes continha uma certa limitação, hoje temos bandas que conseguem mesclar o lado negro do Black Metal com elementos Folk, progressivos e também algo que beira o industrial. Bandas como Dimmu Borgir, Marduk, Hexvessel (essa já entra mais em uma linha Folk/ Pagão) são de suma importância, assim também como a turma “old school”: Venom, Possessed, Celtic Frost, etc. Procurando encontrar algo que se encaixasse um pouco dentro de tudo aquilo que 64

sempre ouvira, apareceu a perfeição do Rock Progressivo, bandas como Jethro Tull, Pink Floyd, Uriah Heep são primordiais e achando isso pouco, as raízes foram fincadas no carregado e denso Doom Metal, estilo no qual se encaixa de maneira perfeita até mesmo no cotidiano (em certos momentos, óbvio). Essa coisa soturna e mórbida que o estilo impõe deixa mente e alma com certa leveza. Type O Negative, Anathema, Katatonia e a grandiosa The Foreshadowing, são coisas que não saem da playlist. No meio de toda essa “turma”, ICS Vortex (Dimmu Borgir, Borknagar) consegue emaranhar dos mais extremos dos sons até o mais trabalhado e lapidado Progressivo, mostrando ser um artista eclético e completo. Sendo assim, o Doom Metal vem ajudando a “desbravar” coisas ainda jamais vistas e ouvidas. Recomendado a quem realmente tem a mente aberta para poder se conectar aos subgêneros que o Metal nos proporciona.


Blues Pills – Blues Pills 2014 Por Pei Fon - Rock Meeting

Certa vez meus amigos comentaram sobre a sensação do momento, Blues Pills. Disseram o quão maravilhoso é. Na outra semana, em nossas reuniões noturnas dominicais, outro amigo confirma o quanto a banda é incrível. Guardei o nome. Muito tempo depois fui lá no Youtube ver qual era da banda, mas parece que você escolheu a música “errada”, saca? E não foi lá muito com a cara. Postei num grupo de uns amigos e não escutei mais. Passou um belo período, desde então, até que num belo dia, olhando as postagens no meu perfil do Facebook, vejo que um outro amigo postou um vídeo da banda num show ao vivo no RockHard. Pensei: “vou ver qual é de novo”. A música é “Devil Man”. Rapaz, né que gostei. Fiquei impressionada com a potência vocal da moça. Sim, a banda tem uma mulher cantando. O novo mimo dos rockers vem com tudo, Blues Pills resgata a sonoridade seten65

tista com altas pitadas de Blues, Rock e psicodelismo. E não distante desse desejo pelo passado, a banda caiu no gosto dos mais antigos e dos mais novos. E no meu (risos). O primeiro álbum da banda, autointitulado, já rendeu muito. E não vai ser difícil uma turnê pela América. Esse álbum é uma bela demonstração vocal da Elin Larsson. A guitarra é por conta do novinho, do carinha de 18 anos, Dorian Sorriaux. Baixo com Zack Anderson e bateria André Kvarnström. Só tenho a aconselhara a audição que sempre me remete a uma viagem pela estrada afora, ouvindo o som no mais alto volume. Seria perfeito para trilha sonora de algum filme. Do álbum destaco tudo, porque tudo é muito bom! Escute! Não vai se arrepender, ou se você realmente não gostar do estilo! Mas quer um aperitivo? Clique AQUI e ouça a música que me arrebatou.


Gorgoroth

Black Metal Norueguês – 1991/1996

Por Marcos “Big Daddy” Garcia - Metal Samsara

Bem, eu tenho envolvimento sentimental com o Black Metal, é algo que não consigo negar. Nem pretendo, para ser franco. Voltando à primeira metade dos anos 90, quando a cena norueguesa estava em ebulição, com bandas e mais bandas surgindo e aderindo aquele modelo de estética “anti-estética”, como citado por Varg Vikernes no documentário “If the Light Took Us”. Sim, não existia a preocupação em fazer gravações perfeitas, ou mesmo grandes trabalhos artísticos para capas. Tudo era muito orgânico e simples, buscando refletir o lado musical mais soturno, mais atmosférico e negro. Uma contraposição ao Death Metal, que já estava em uma maior exposição no underground. De outro lado, o Black Metal realmente ganha escopo nos 90. As bandas dos anos 80, como Venom, Hellhammer, Bathory, Sarcófago, e outros, tinham um espectro musical 66

que, no fundo, eram indicativos do que viriam, mas não eram o Black Metal que conhecemos. Podemos dizer que o Black Metal tomou como modelos o vocal e riffs de guitarra do Bathory do “Under the Sign of the Black Mark” e os aprimorou (basta repararem no estilo de tocar de Euronymous, do Mayhem, criador da forma de se fazer riffs no Black Metal e aboliu os solos), a velocidade e climática (além do visual pesado) do Sarcófago da fase “I.N.R.I.”, mais a personalidade dos músicos. E assim, acabou influenciando as cenas grega e sueca do gênero (e um pouco da finlandesa também). Entre os anos de 1990 e 1995, surgiram Demo Tapes, discos e EPs que moldariam o gênero e mudariam a cara do Metal extremo mundial. Basta ver o quanto são seminais e influentes discos como “Under a Funeral Moon” (do Darkthrone), “Live in Lei-


pzig” (do Mayhem), “Det Som Engang Var” (do Burzum), “In the Nightside Eclipse” (do Emperor), “Dark Medieval Times” (do Satyricon), e em outras cenas, “Thy Might Contract” do Rotting Christ e “His Majesty at the Swamp” do Varathron na Grécia; “Dark Endless” do Marduk, “Obscuritatem Advoco Amplectére Me” do Abruptum e “Journey into Darkness” do Ophtalamia na Suécia; “Tol Cormpt Norz Norz Norz...” do Impaled Nazarene e “Drawing Down the Moon” do Beherit na Finlândia; além das bandas da LLN (Les Légions Noires) e do próprio Songe D’Enfer com a Demo “My Visions in the Forest” no Brasil. Cada um deles tem uma longa história. Ainda existem as questões polêmicas como assassinatos, queima de igrejas e violações de túmulos (não só na Noruega, para os que não sabem da coisa direito), mas são 67

assuntos aos quais não pretendo examinar em detalhes. Cada um tem que saber o que quer para si. Sem críticas ou apologias, apenas neutralidade. Outro ponto é que, graças a projetos paralelos como Storm, Wongraven e Isengard, estilos como Viking Metal e Folk Metal vão ganhar corpo e consistência, deixarão de ser apenas Metal com temas diferentes. Em suma: é bom ouvir esta fase do Black Metal, permitir que a mente volte ao passado para conhecer sua história e polêmicas, e recapitular as raízes de um movimento que realmente mudou (e muito) a face do Metal. No fundo, continua mudando, sem perder sua força após mais de 20 anos. Ame ou odeie, é impossível ficar indiferente ao estilo...



Revista Rock Meeting Nº 67