Rock Meeting Nº 140

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WORDS OF EDITOR

1 2 A N O S C O N ECTA N D O P E S S OA S E B A N DA S

C . PEI FON @PEIFON JORNALISTA, FOTÓGRAFA E DIREÇÃO GERAL DA ROCK MEETING

hegou a hora de

ras ‘perdidas’, de energia,

exaltar o presente.

de paciência, de persever-

Porém ao olhar

ança.

para trás é perceptível que

Hoje é tão diferente. Da

a caminhada foi e continua

primeira página à últi-

sendo árdua. Chegamos no

ma. Da logo à fonte. Tudo

patamar desejado? A res-

mudou, mudamos, as pes-

posta é bem simples, não!

soas também mudaram e a

Rock Meeting continua.

Tentando lembrar

de tudo o que aconteceu

Ainda lá atrás inici-

nesses últimos 12 anos,

amos uma vanguarda dos

vem à mente a primeira

periódicos virtuais, quan-

entrevista. Vem a primeira

do essa discussão ainda

edição, a primeira capa, o

estava no começo. Acom-

primeiro de tudo. São doze

panhamos as mudanças do

anos de muito trabalho, de

consumo da leitura e hoje

muitas entrevistas, de ho-

ainda questionamos como


deve ser.

saíram e outras chegaram

Não existe uma verdade,

e assim continuará sen-

tampouco o caminho

do para trilhar conosco a

certo, o que se sabe é que

nossa nova realidade.

nesses doze anos a RM fez

o melhor a cada edição,

apenas um trabalho de

dentro do seu limite e

faculdade que mal sabia

chegando a lugares cada

se teria continuidade. En-

vez mais distantes.

tre altos e baixos, estamos

firmes. Muito obrigada a

Hoje, um ano após

Há doze anos era

a nossa mudança de linha

todos que passaram por

editorial, enxergo que,

aqui e aos que colaboram

ainda relutante no início,

conosco hoje. Sem vocês

o progresso dessa escolha

essa revista não seria o

vai sendo colhida a cada

que é. A Rock Meeting

mês. Ouvimos as mais

segue caminhando e, em

variadas opiniões sobre

breve, novos voos. Aguar-

o novo caminho que es-

dem!.

tamos trilhando, pessoas

. PEI FON @PEIFON JORNALISTA, FOTÓGRAFA E DIREÇÃO GERAL DA ROCK MEETING


SUMÁRIO 2021

13

67

39 06. G I A N T W A L K E R TOP 10 INFLUENCIAS

27

13. L E V E L S "É UMA GRANDE FAMÍLIA" 27. S E N T I N E L S SEM LIMITES PARA O SOM 39. M I S S T I Q FAZENDO O QUE AMA 67. I N V E N T A N I M A T E "THE SUN SLEEPS, AS IF IT NEVER WAS"

06

77. S U N F A L L ESPERAR O INESPERÁVEL 91. R A C H E L L E R E A C T S A MÚSICA FAZ PARTE DA VIDA


DIR EÇÃO GER A L Pei Fon DIR EÇÃO EXECUTI VA Felipe da Matta FOTO CA PA Alexander Bemis

COLA B OR A DOR E S Barbara Lopes Fernando Pires Gustavo Tozzi Kayomi Suzuki Marta Ayora Mauricio Melo Murilo da Rosa Rafael Andrade Uillian Vargas

53 SPIRITBOX A SENSAÇÃO DO METAL MODERNO

CONTATO contato@rockmeeting.net

W W W. R O C K M E E T I N G. N E T


ARTICLE. GIANT WALKER

10 BANDAS QUE INFLUENCIARAM O

GIANT WALKER BY PEI FON PHOTOGRAPHY PROMOTION

6 // ROCK MEETING // OUTUBRO. 2021



ARTICLE. GIANT WALKER

T

odo o fã da música pesada fica imaginando quais bandas servem de inspiração para a formatação de um som. É sempre bom saber dessas influências e isso pode explicar muito sobre o caminho sonoro de uma banda. E não seria diferente para os ingleses do Giant Walker. Formado por Steff, Jamie, Jordan e Alex, eles lançaram seu début álbum em 2020 com temas sobre distopia e auto isolamento. O quarteto compartilha uma paixão comum com bandas clássicas do Rock/Metal internacional. Levando em consideração a diversidade musical e pessoal, o grupo listou as 10 bandas que inspiram o Giant Walker. Pluralidade é a palavra de ordem para esse quarteto. SOUNDGARDEN Soundgarden são mestres de profundidade e nuances quando se trata de emoção e composição.

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Eles têm algumas das marcações de compasso estranhas dos sentimentos mais naturais e sua exploração de afinações alternativas tem sido muito influente para nós. Vocalmente, Chris Cornell consegue entrelaçar algumas das performances vocais mais surpreendentes, com letras sombrias, sinistras e melodias assustadoras. Em todos os aspectos, o Soundgarden oferece uma fonte infinita de inspiração. KARNIVOOL O Karnivool teve um impacto enorme em nós musicalmente - a ponto de todos nós podermos nos lembrar do momento exato em que eles começaram a moldar nosso som. Eles são mais um exemplo de uma banda que usa sofisticação harmônica e rítmica de maneiras tão sutis para criar uma paisagem emocional que é sombria


e profunda. Uma das coisas mais interessantes sobre o Karnivool é a natureza abstrata de suas estruturas musicais - eles são mestres na criação de altos e baixos, que o levam em uma jornada para a qual você não pensava que estava pronto. QUEENS OF THE STONE AGE É sempre inspirador ouvir Queens of the Stone Age porque não há realmente nenhuma outra banda que soe como elas. Eles combinaram sem esforço tantas vibrações diferentes ao longo dos anos, mantendo um som relaxado, mas poderoso e corajoso. Josh Homme tem um jeito com melodias que não é convencional, mas ainda assim cativante - elas são definitivamente uma das


ARTICLE. GIANT WALKER

maiores influências na composição de nossas melodias. RADIOHEAD Quando se trata de criar músicas que representam perfeitamente as emoções mais obscuras, realmente não há ninguém melhor do que Radiohead. Suas músicas transcendem a harmonia básica e se tornam quase cinematográficas existem muito poucas bandas que pintam imagens tão vívidas em sua cabeça com base no que você está ouvindo. As paisagens sonoras melancólicas e de variação de gênero do Radiohead e seus conceitos líricos profundos são sempre uma fonte de inspiração.

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RAGE AGAINST THE MACHINE A intensidade absoluta de Rage Against the Machine é algo que nos esforçamos para replicar, especialmente quando estamos escrevendo riffs. Sua habilidade de manipular as sutilezas dentro de um groove e a rigidez de sua seção rítmica não podem ser subestimadas. Acreditamos firmemente que são essas sutilezas que criam os riffs mais pesados e cheios de groove, e isso é algo de que puxamos muita inspiração. DEFTONES Deftones tem um som único, combinando alguns dos riffs mais pesados com paisa-


gens sonoras atmosféricas calmantes. Ao contrário de seus predecessores Nu-Metal, eles conseguiram permanecer novos e emocionantes, com cada álbum oferecendo algo diferente do anterior. Dos sons de bateria icônicos de Abe Cunningham ao falsete prateado de Chino Moreno, eles criaram algo verdadeiramente único no mundo do metal, do qual é difícil não se inspirar. METALLICA Embora não pareçamos muito com o Metallica, é difícil rejeitar a influência que eles tiveram em nosso desenvolvimento inicial como músicos. Eles influenciaram fortemente nosso desenvolvimento ini-

cial como músicos em um nível técnico, e por isso é seguro dizer que não soaríamos iguais sem eles. THE CONTORTIONIST The Contortionist tem sido uma grande inspiração ao compor ideias rítmicas, especificamente partes de bateria. Joey Baca tem uma capacidade incrível de tocar exatamente o que é necessário, mas ainda mantém um alto nível de tecnicidade em suas partes de bateria, sem ofuscar a música de forma alguma. Os álbuns “Language” e “Clairvoyant” demonstram isso perfeitamente e têm sido ouvidos regularmente durante o processo de composição.


ARTICLE. GIANT WALKER

BIG WRECK

TOOL

É raro encontrar uma banda que incor-

Seria errado considerar nossas influências sem tirar o chapéu para um dos pilares do rock progressivo. Tool não tem medo de romper os limites das estruturas musicais tradicionais para criar uma história com sua música, muitas vezes envolta em ambiguidade. Da profundidade de cores e texturas vocais de Maynard James Keenan à manipulação de Danny Carey de um riff ou fase usando polirritmos, o Tool se solidifica como uma força motriz em nosso processo criativo.

pora todos os sons clássicos que conhecemos e amamos, e ainda soa fresco e emocionante. As músicas de Big Wreck são muito acessíveis, mas quando você vai um pouco mais fundo, há muitas nuances rítmicas e harmônicas que você pode não ter notado na primeira vez. Também adoramos que eles não tenham medo de um bom anzol; algo que às vezes é evitado em gêneros mais pesados.

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INTERVIEW. LEVELS

B Y G U S TA V O T O Z Z I PHOTOGRAPHY K E L LY N K E N N E R L

N

a edição deste mês a RM dá sequência na procura de bandas promissoras do Metal Moderno e recebeu o privilégio de conversar com o pessoal da Levels. Formada ainda em 2015, em Conway, Arkansas (EUA), por Dalton Kennerly (Bateria), Rob Mathews (guitarra), Jager Felice (guitarra), Jack Sanders (vocalista) e Jacob Hubbard (baixo), a Levels, mesmo definida como uma banda de Djent/ Metalcore, o som intenso, agressivo e harmônico de suas composições habilitou a banda, em sua formação original, a entrar em turnê já em 2016. Em 2020, após a saída de Jack Sanders, abriram-se as portas para o ingresso de Kolby Carignan, depois de um período conturbado em função da pandemia de Covid-19. Com o lançamento de “Chauvinist” como single de estreia de Kolby, a Levels atingiu mais de 370k em streamings. Este ano, formando uma “grande família”, a Levels lançou o single “Eon”, música que revela o contraste entre a política/elite e a sociedade. Aproveitem o bate-papo recheado de detalhes com Rob, Dalton e Kolby.

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INTERVIEW. LEVELS

ACREDITAMOS QUE TAMBÉM É EXTREMAMENTE IMPORTANTE PARA NÓS CRIAR CONTEÚDO DE QUALIDADE ATRAVÉS DA NOSSA MÚSICA

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Levels começou no final de 2015, teve sua turnê de estreia em junho de 2016, lançando os EPs “Exist” e “Slip” ainda no final do mesmo ano. Como foi o processo de formação da banda? Rob - No final de 2014, Dalton e eu queríamos começar um projeto influenciado pelo Djent/Metalcore. Nós começamos a escrever e construir um estúdio em um dos quartos em minha casa imediatamente. Após escrever alguns pedaços de trilhas, nós precisávamos começar. O melhor jeito de fazer isso era adicionar mais alguns membros para solidificar um novo som através das nossas influências e as deles. Convenientemente os componentes dos quais precisávamos estavam frequentando a mesma universidade que nós ao mesmo tempo. (Jager Felice e Jack Sanders) com quem erámos associados com nossa cena musical local. De lá Jager nos apresentou ao baixista (Jacob Hubbard). Mesmo definida como uma banda de Progressive Metalcore/Djent no site oficial, percebe-se uma variedade de estilos que conferem a banda uma sonoridade própria, unindo peso e melodia. Quais são/foram as


INTERVIEW. LEVELS

maiores influências para a banda e seus membros? Rob - Periphery, The Contortionist and Erra. Kolby - Existem tantas para mim, mas algumas das bandas de metal mais recentes estão na minha cabeça como Rogue, After the Burial, Shrine of Malice, Resolve, Wepping Hour, Invent Animate, Spiritbox. Dalton - Para mim é Northlane, Like Months To Flames, Erra Como avaliam o feedback que receberam após o lançamento do debut álbum “Exist” (2016) e “Levels” (2018)? Atingiu positivamente suas expectativas? Rob - Surpreendentemente, sim; entretanto, era nosso primeiro compromisso e ainda estávamos tentando achar nossa música “Mind” com a participação de 18 // ROCK MEETING // OUTUBRO. 2021


Myke Terry do Volumes nos deu um lugar na playlist do Spotify (Got Djent) que atribuiu um grande número dos nossos streams um tremendo feedback dos ouvintes que vieram com isso. Com a saída do vocalista Jack Sanders (2020), o cancelamento da 1ª turnê internacional em razão da pandemia do Covid-19, vocês usaram o período de restrição social para procurar um novo vocalista. Como foi enfrentar tantos “problemas” simultaneamente? Rob – Muito parecido como enfrentamos a maioria das coisas como uma banda, nós abordamos um problema com uma mentalidade de um resultado otimista. Pareceu bem assustador por um tempo. Nós tentamos com um monte de vocalistas extremamen-

te talentosos, mas ainda faltava algo. Procurávamos alguém que não tivesse apenas talento, mas alguém que aproveitasse estar em volta e que nós recebêssemos na nossa irmandade. Levels é uma grande família e depois que conhecemos Kolby, ele preencheu aquela vaga e excedeu nossas expectativas 100%. A Covid-19 foi um grande revés para tantos. Não poder ter nossas malas e mentes em nossa primeira turnê foi um grande desapontamento. Contudo, nós somos gratos por poder ter tido o tempo e estabilizar nossa situação sob as circunstâncias. Com o ingresso de Kolby nos vocais (2020), a banda já deu sequência aos trabalhos e no mesmo ano proporcionou ao seu público uma das músicas de maior destaque ao Levels, o single “Chauvi-


IINTERVIEW. N T E R V I E W . LMISSTIQ EVELS

nist”, com quase 370k plays. Foi um novo recomeço para vocês? Rob - Absolutamente. Queríamos voltar com uma paulada. Foi razoavelmente bem estabelecido aos nossos fãs que nossa procura por um novo vocalista foi um processo contínuo. O melhor jeito de fazer isso era entrar imediatamente no estúdio, lançar um vídeo para assegurar a eles que a busca tinha terminado e que estávamos prestes a lançar algo quente. “Eon”, lançado no final de agosto, representa bem o som da banda que combinam agressividade e uma ambientação sonora em plena harmonia com a temática. Como foram os trabalhos e o processo desta nova composição? Rob - Muito obrigado, trabalhar em “Eon” foi um processo desafiador. Principalmente porque era pra ser. Ja-

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ger e eu preparamos nossas aspirações para remoldar o modo que tocamos guitarra por aspecto técnico e oferecer aos fãs algo que queríamos fazer já há algum tempo. Nós sempre gostamos das músicas que lançamos no passado pela Levels. Como guitarristas ou músicos em geral, é uma coisa bem natural querer MAIS. Para nós “Eon” foi uma plataforma em crescimento tão grande que planejamos espelhar no futuro. Kolby – Obrigado pelas gentis palavras sobre “Eon”! Nós gostamos de pensar que trabalhamos duro ao extremo pelo resultado disso! A dinâmica de trabalho para “Eon” foi um pouco mais suave para mim do que “Chauvinist”. Simplesmente porque “Chauvinist” pareceu um pouco mais apressada e a pressão que tinha por trás me deixou mais tenso

do que não. Vindo para a banda como minha música de estreia, foi definitivamente um desafio. Entretanto, “Eon” era numa vibração mais calma quando estivemos no estúdio. Eu também pude ter muito mais tempo para escrever e me preparar para esta. Funcionou mais eficiente desta vez. Em conexão com a pergunta anterior: analisando o vídeo “Eon”, em conjunto com a letra, demonstra a oposição ao contexto que envolve política e o contraste social. Qual a posição de vocês sobre o assunto? Kolby - Embora todos nós tenhamos nos dedicado ao ouvinte que interpreta as músicas em suas vidas de acordo e com a forma que eles sentem necessários, acreditamos que também é ex-


INTERVIEW. LEVELS

tremamente importante para nós criar conteúdo de qualidade através da nossa música. Dito isso, pessoalmente queria realmente me concentrar num vislumbre da minha interpretação da discórdia da política moderna. Há tantas mentiras dos políticos/elites que somos alimentados com força para digerir como as massas. Algumas vezes somos impotentes para esses tiranos e reconhecemos isso, mas somos obrigados a escrever sobre isso no processo. Esperamos um dia viver em harmonia com o resto do mundo. “Eon” já faz parte dos planos para o novo álbum da banda? Rob - Não posso te contar isso, mas você pode esperar no mínimo um EP num futuro próximo. Kolby – ““Eon” definitivamente será incluída no próximo EP a ser lançado.

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Atualmente o Levels tem como produtor Jeff Dunne, nome de relevância em se tratando de música pesada. É possível mensurar o quanto ele agregou para a sonoridade e o crescimento da banda? Rob – Jeff tem sido revolucionário para nosso som na maioria dos lançamentos recentes. Nós sabemos que som estamos esperando e ajuda a ter um terceiro confiável para ajudar tornar tudo realidade. Ele não é tímido quanto a dar os feedbacks que é uma das principais razões por que amamos trabalhar com ele. Jeff também é extremamente inteligente, ele vai mandar três amostras de guitarra e perguntar-nos para adivinhar qual referência ele está usando. Resumindo, nós temos um momento “nerd” e quase sempre ficamos maravilhados. Eu o recomendaria para qualquer um! Kolby - Jeff deveria levar os créditos por uma grande porção do porquê a mú-


INTERVIEW. LEVELS

sica da Levels soa desse jeito na minha opinião! Com suas críticas positivas e paciência, ele sempre está disposto a ouvir nosso palpite numa trilha nova e nos dar o feedback que precisamos/ queremos. Sua abordagem “sem bobagem” alinha em perfeita harmonia com nossas expectativas e nunca nos desaponta! Ansioso para trabalhar com ele futuramente com certeza! E nesse retorno aos palcos, a banda está pensando na volta aos shows? Como está a agenda nesse sentido? Rob – – Nossa agenda é arrebentar e anotar nomes. Brincadeira, mas não, sério. Nós estamos morrendo aqui para voltar ao palco. Nós somos extremamente gratos pelo tempo que tivemos para achar um vocalista incrível e aprimorar nosso som. Não tem nada como aquele sentimento de retorno aos palcos e a energia que um público ao vivo gera. Aquela adrenalina é uma droga em si. Nosso principal plano é abraçar cada minuto disso, porque está demo-

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rando muito. Kolby – A banda está super ansiosa para retornar aos palcos. Seguindo minha entrada na banda, algumas semanas depois nós aprendemos que não iríamos sair na nossa turnê internacional como atração principal devido à Covid, que foi uma chatice de mais de 18 meses. Nós fantasiamos a vida nos palcos/turnês por quase 2 anos juntos, agora estamos excitados em finalmente fazer isso em breve nos próximos meses! Vocês já dividiram o palco com Beartooth, Attila e The Devil Wears Prada, entre outros. Teria alguma banda em especial que vocês gostariam de dividir o palco nesta retomada dos shows? Rob – Por Deus, sim. Eu sei que muitos dos rapazes são grandes fãs de Northlane, eu adoraria dividir o palco com eles além de Currents, Veil of Maya, All that Remains, Bleed From Within, The Contortionist... honestamente, eu tenho uma bíblia de lista e espero poder cruzar


INTERVIEW. LEVELS

a maioria deles na lista. Kolby - Há tantas bandas para incluir, mas eu diria que todas as bandas que listei antes como influências mais Northlane, Make them Suffer, Thornhill, Crystal Lake, Silent Planet, Veil of Maya, e muitas, muitas mais! Para finalizarmos: no site oficial consta que vocês estão focados no som e esperam mandar mensagens positivas através da sua música. Qual mensagem vocês deixariam para os leitores da RM? E agradecemos por disponibilizarem seu tempo e torcemos por vocês! Rob - Obrigado pelo seu tempo e interesse nesta leitura, mas o mais importante, esperamos fazer isso para você(s) em bre26 // ROCK MEETING // OUTUBRO. 2021

ve! Como uma banda pequena de Djent Metalcore dos EUA, estamos realmente agradecidos pelo seu apoio e feedback incríveis. Nós vivemos para ir a lugares inacreditáveis e conhecer pessoas incríveis como vocês. Obrigado! Kolby – Eu adoraria expressar minha gratidão e agradecimento pela oportunidade de colocar meus pensamentos em revista(s) como esta novamente. Faz um tempo desde que fui entrevistado! Se você está lendo isto, nós amamos vocês e não podemos esperar para tocar para vocês num futuro próximo. O feedback positivo/amoroso de todos para nossos lançamentos recentes é verdadeiramente humilde e abundante. Somos insanamente sortudos de estar onde estamos por causa de vocês!



INTERVIEW. SENTINELS

BY MURILO DA ROSA PHOTOGRAPHY JAMES PERRY

C

onceitos artísticos dramáticos que se sincronizam com a beleza visceral do Metalcore Progressivo. Frases intensas e pesadas que encontram espaço em meio a um espetáculo técnico de performance instrumental. Sentinels é uma banda capaz de conquistar qualquer fã (ou não-fã) desse estilo logo na primeira música. O quinteto de New Jersey mantém um equilíbrio de qualidade em toda a sua discografia e agora, com seu mais novo lançamento a caminho, os fãs já estão mais do que ansiosos. E por um bom motivo. Com as 4 músicas que saíram de “Collapse by Design” até agora, podemos ter uma noção melhor do que nos espera. Acompanhando esse momento de novidades que vem, a Rock Meeting aproveitou para bater um papo com os caras do Sentinels e saber mais sobre o que eles têm a nos contar sobre esses novos singles, suas curiosidades, peculiaridades e quais são as expectativas para o primeiro álbum.

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INTERVIEW. SENTINELS

TODOS NÓS AMAMOS MÚSICAS SUPERPESADAS E SOMBRIAS, MAS GOSTAMOS DE COISAS MELÓDICAS E ATMOSFÉRICAS DA MESMA FORMA

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Está cada vez mais próximo o momento de conhecermos o primeiro álbum do Sentinels, “Collapse by Design”. Como tem sido a trajetória da banda até esse lançamento? Foi bastante agitado, honestamente. Parecia que, na maior parte, o mundo estava contra nós. Já sendo uma pequena banda, nos separando de nosso primeiro vocalista no meio da gravação do álbum e tendo que lutar para encontrar um novo vocalista, tudo isso lidando com uma pandemia mundial perdendo turnês planejadas. Foram 18 meses difí-

ceis, mas o futuro parece brilhante. A arte da capa apresenta uma figura humanoide em meio a um cenário pós-apocalíptico, no qual a devastação deixou tudo em ruínas. De que forma essa ilustração representa as músicas que compõem o novo álbum? Todas as letras e temas do álbum são da minha perspectiva, então fez sentido mostrar uma figura principal na arte. Em cada música, estou falando sobre diferentes situações e relacionamentos que vivi


INTERVIEW. SENTINELS

e que me deixaram com a sensação de não ter nada de positivo na vida. Então, eu queria que a arte fosse uma representação direta de como eu me sentia naquela época. A banda utiliza de símbolos e estilos de pinturas digitais que remetem à arte barroca. Como esse conceito visual dialoga com os argumentos implícitos nas canções do grupo? Esse estilo de arte tinha muito potencial para capturar perfeitamente os humores e temas dentro das

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músicas e das letras. O esquema de cores sombrias e monocromáticas, de certa forma, representa a falta de realização na vida do personagem principal. O que temos até então são quatro singles que representam o novo álbum que está por vir, “Albatross”, “To Wither Away”, “Tyrant” e, por fim, “Inertia”. Qual a ideia narrativa estabelecida entre essas músicas? “Inertia” te leva para a mente de alguém que luta contra pensamentos suicidas e todas as bata-

lhas internas que vêm com isso. Você acha que isso vai acabar com a dor, mas então se pergunta: "Será que todos vão pensar menos de mim?". “Tyrant” é bastante autoexplicativo. Você está cansado de lidar com o controle de alguém com poder, que só o usa para oprimir. “To Wither Away” discute relacionamentos tóxicos e o quanto eles podem mudar você como pessoa. “Albatross” fala sobre a culpa e como ela pode consumi-lo de uma forma tremenda. Também diz respeito a separar-se do seu lado escuro para progredir espiritualmente.


INTERVIEW. SENTINELS

Entre os drops graves e trechos melódicos de guitarra presentes nesses últimos singles, notamos também alguns trechos mais obscuros que gera uma certa tensão no ouvinte. Qual a ideia por trás dessas modulações? Nunca queremos nos limitar a apenas um som. Todos nós amamos músicas superpesadas e sombrias, mas gostamos de coisas melódicas e atmosféricas da mesma forma. Fundir influências em nossa música, de uma forma que funcione, sempre foi algo pelo qual nos esforçamos. “Severed from my former self” é uma das passagens mais impactantes de “Albatross”, mais recente single a ser lançado para o novo álbum. Além desse constante conflito interno do ser humano, quais outros temas estão inseridos nessa canção? Para acrescentar ao que mencionei anteriormente sobre isso, “Albatross” detalha fortemente uma época da minha vida em que eu estava lidando com a culpa e a tristeza. A

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passagem "Com minha visão distorcida, estou cercado por meus medos" é quando a dor ficou tão forte a ponto de eu achar que estava tendo alucinações. Foi uma época muito sombria na minha vida. No clipe de “Inertia” percebemos a permanente presença de uma figura sombria, a qual manipula os integrantes do grupo numa demonstração de controle total. Quais outros elementos podem ser citados nesse clipe que dialogam diretamente com a letra dessa música? A figura e as mãos que você vê no vídeo representam pensamentos suicidas. Eles rastejam lentamente e, em seguida, o consomem totalmente, para onde é tudo o que você pensa. A camisa de força que Josh está usando no vídeo simboliza ser mantido cativo por esses pensamentos. No final, ele se liberta, embora ainda tente se firmar. E bem como em “Inertia”, o clipe de “To Wither Away” também é marcado por uma presença pitoresca, estilizada como uma entidade an-


INTERVIEW. SENTINELS

tiga que assombra os demais personagens. Como surgiu a ideia de ilustrar os argumentos dessas novas músicas através dessas intrigantes figuras? Este personagem é uma representação de Talona, a deusa do veneno/decadência. Quando ela está perto de Josh, ela tenta roubar sua visão e drenar sua vida. Em “To Wither Away” vocês falam sobre alguém encontrando conforto em outro indivíduo, mas por isso acaba caindo em perdição, sem nem perceber. Quais referências foram abordadas na composição dessa música? Tudo vem da experiência da vida real. Vinha de lidar com um relacionamento tóxico e sentir que não era mais o meu velho e feliz eu. Achei que literalmente tudo de bom em mim havia desaparecido. Estamos acompanhando os avanços da prevenção contra a COVID-19, de forma que as turnês estão finalmente retornando ao cotidiano

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de bandas como a Sentinels. Para vocês, como é a sensação de finalmente voltar aos palcos? É surreal, honestamente. Estamos todos incrivelmente entusiasmados por ter a oportunidade de fazer uma turnê novamente, mas ainda estamos tomando todas as precauções adequadas para nos proteger e prevenir a propagação do vírus. A música “Tyrant” pode ser considerada como uma das mais intensas e agressivas entre esses últimos singles. Qual a intenção de vocês por meio do peso dessa canção em específico? Assim como todas as nossas músicas, elas começam com um riff ou ideia particular e evoluem a partir daí. Não havia uma intenção definida. Mas quando chegou a hora das letras, fui atraído por aquela natureza agressiva, que parecia certo com a música em si sendo muito intensa e agressiva. Além desse tão aguardado projeto, quais outras novidades vocês têm para o público? Muito obrigado pela atenção


INTERVIEW. SENTINELS

de vocês e todo o sucesso nessa nova jornada! Estaremos na estrada com Lorna Shore, Enterprise Earth e Crown Magnetar de 15 de setembro a 3 de outubro. Também temos alguns pacotes de pré-encomenda de álbuns doentios disponíveis no site de Sharptone, bem como Impericon para todos os pedidos internacionais. Portanto, certifique-se de pegar o disco e mergulhar nele conosco. Obrigado pelos votos de boa sorte e por mostrar interesse em nós!

Foto: Rickelle Tavares

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INTERVIEW. MISSTIQ

BY PEI FON PHOTOGRAPHY PROMOTION

M

isstiq. Com um conhecimento vasto na música, a australiana é muito mais que um rosto bonito, ela cria versões e remixes de músicas conhecidas no metal trazendo uma versão surpreendente. Ela chama atenção pela sua criatividade e conhecimento musical e pelo humor, quem a acompanha sabe como é divertido ver o seu processo de criativo. Piano, sintetizadores, orquestra... Ela se garante! Enquanto mulher, sofre com assédios constantes e algumas vezes até expõe essas personas para pedir mais respeito e para encorajar outras garotas a exigir o mesmo. Sem querer alongar, conversamos com a Misstiq sobre música, business, feminino, futuro e sonhos. Acompanhe. Piano. Synths. Metal. R&B. Como a música entrou na sua vida? Conte um pouco sobre isso. Meus pais me inscreveram no piano aos 6 anos de idade e eu continuei envolvido com a música enquanto crescia - eu cantava no coral da escola, ti-

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INTERVIEW. MISSTIQ

nha aulas de bateria, tocava bateria e piano em uma banda de concerto, tocava teclado na produção da minha escola, andava na moda dança de lúpulo, tocava bateria em uma banda punk, era acompanhante de piano no coro litúrgico da minha escola - provavelmente há mais, mas vou encerrar a lista por aí! Eu não estava me aproveitando de todas as oportunidades relacionadas à música, pois era muito tímido, apenas participava de tudo o que me sentia atraído naturalmente. Todas essas experiências ajudaram a moldar meu conhecimento sobre música e artes e como as entendo. A primeira vez que conheci o seu trabalho foi por meio do Instagram e chamou muita atenção o seu conhecimento musical em pegar uma música já conhecida e dar o seu toque especial. Como surgiu essa ideia? Sempre fui uma pessoa muito curiosa musicalmente. Voltando ao

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meu eu de 15 anos, quando ouvi um solo de guitarra melódica, me perguntei “Eu me pergunto como isso soaria no piano”. Com minha experiência no piano, fui capaz de aprender facilmente solos de guitarra de ouvido de bandas como Bullet For My Valentine, Avenged Sevenfold e Parkway Drive. Minha próxima pergunta foi "Eu me pergunto como soaria se minha mão esquerda (a mão não solo) tocasse em um estilo como Chopin (que eu estaria estudando para minhas


EU QUERO ENCORAJAR OUTROS A IREM LÁ E MOSTRAR A ELES QUE SIM, SEMPRE HAVERÁ INIMIGOS, VOCÊ APENAS TEM QUE CONTINUAR FAZENDO O QUE AMA


INTERVIEW. MISSTIQ

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provas de piano). Minha curiosidade acabou me levando a fazer interpretações completas de canções de metal (também conhecidas como "covers") no YouTube, que foi o início de Misstiq. Até hoje, todos os dias, tenho dezenas de “maravilhas”. O complicado é ser capaz de traduzir a mensagem em um vídeo envolvente para que outras pessoas assistam. A sua versão ‘apimentada’ na música do Impending Doom rendeu muitas visualizações e chamou a atenção da imprensa. Você imaginava que poderia ter essa repercussão? Eu sabia que este vídeo teria um bom desempenho online, pois meus vídeos anteriores desse tipo ganharam um engajamento muito positivo. No entanto, eu não esperava que ele acumulasse tantos milhões de visualizações em tão pouco tempo. Eu amo e odeio receber milhões de visualizações em meus vídeos. ‘Amor’ porque, você sabe, é uma grande conquista, especialmente porque 99% do feedback que recebo é tão adorável. ‘Ódio’ porque não quero que as pessoas esperem apenas esse tipo de vídeo de mim e fiquem desapontadas quando eu enviar outro tipo de vídeo. O seu jeito de mostrar o seu processo criativo é bastante lúdica e

divertido, você informa de uma maneira que parece até ser fácil. Você pretende ensinar música ou algo do tipo? Uma das maneiras mais eficazes de aprender é por meio de um meio divertido e envolvente, e estou muito feliz por poder me conectar com as pessoas da maneira que faço. Já tenho uma grande história de ensino, que poucas pessoas conhecem, e certamente planejo trazê-la a bordo como Misstiq por meio de aulas, tutoriais e cursos online em 2022. Ensinei piano por 9 anos e decidi parar em março de 2021 fazer Misstiq em tempo integral. Construir conexões fortes e genuínas com meus alunos de piano e ser capaz de guiá-los através, não apenas de sua vida musical, mas da infância / adolescência em geral foi muito inspirador e saudável para mim e para eles. Como eu estava ensinando na escola de música local 5 dias por semana, criando conteúdo e cumprindo trabalhos de clientes como Misstiq, sem mencionar que estava no meu quinto ano de ensino substituto em várias escolas como professor totalmente registrado, eu sabia que tinha que dar algo acontecendo. Quando um capítulo termina, outro se abre. Em 2022, espero receber novos alunos como Misstiq por meio de um novo site que estou atualmente em construção. Não vou apenas ensinar piano / teclado,


IINTERVIEW. NTERVIEW. M ISSTIQ MISSTIQ

mas também criação de batidas, percussão, teoria musical (sou um grande nerd nessa área), estratégias de mídia social, autodisciplina e motivação. Quais os critérios para a escolha da música? Alguma canção te deu muito trabalho para pensar numa versão ‘Misstiq’? Ao escolher músicas de metal a partir das quais criar conteúdo, mantenho meus ouvidos atentos ao espaço sônico apropriado (também conhecido como as faixas de frequência usadas por cada instrumento). Eu prefiro usar detalhamentos em meu conteúdo, pois sempre há pequenos momentos de "oportunidade" para minhas adições brilharem. Seções ambientais em canções de metal também são ótimas para escrever, mas as rupturas sempre parecem se dar muito bem com o meu

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público. Pelo contrário, trabalho com alguns artistas (clientes) por semana em uma ampla variedade de estilos - ou seja, metal, acústico e hip-hop. Quando se trata do meu conteúdo pessoal, conforme mencionado acima, tenho mais liberdade de escolher uma música para incorporar minhas adições, pois há tantas músicas legais por aí com a quantidade certa de espaço. No entanto, quando se trata de trabalho do cliente, pode ser um pouco mais complicado. Às vezes, sou solicitado a adicionar partes orquestrais a algumas músicas de metal que não apenas soam "bagunçadas", mas também mal mixadas. Como é meu trabalho satisfazer o cliente, faço o que posso para que meus instrumentos orquestrados sejam ouvidos na mixagem. Eu cuidadosamente equalizo minhas cordas, coros, teclas e outros instrumentos e aplico as quantidades apropriadas de reverberação para que o que escrevo possa realmente ser ouvido. Quando uma faixa em que estou presente é lançada, não há nada mais decepcionante do que ouvi-la e você não consegue ouvir minhas adições! Por meio de suas versões, algumas bandas fizeram parceria contigo para dar aquele toque especial nas músicas. Esse era o caminho que quis trilhar enquanto musicista e produtora ou tudo foi

acontecendo? Esta é definitivamente uma surpresa agradável que eu não esperava. Certamente não aconteceu por pura sorte; exigiu muita estratégia e autodisciplina. Crescendo com a música sendo meu principal interesse, gravitei em torno disso como minha carreira. O caminho que eu queria seguir era me sentar em frente ao computador, criar música e fazer parte de alguns projetos com outras pessoas. Comecei com a criação de conteúdo, então eu tinha bandas me enviando mensagens com “ei, você pode fazer isso com a nossa próxima música também?”. Estar no centro das atenções nunca foi minha praia, mas eu ainda queria ser valorizado, reconhecido por meu forte envolvimento e dizer o que quer que eu estivesse fazendo. Agora, poder trabalhar de casa em projetos legais com outros artistas e empresas, criar conteúdo divertido e não PRECISAR estar em lugar nenhum é um sonho que se torna realidade. Em 2020 você lançou o álbum “Nostalgia” que traz temas de jogos de videogames mundialmente conhecidos. Qual a sua relação com esses jogos? Seria um tipo de homenagem? Para muitos de nós, os videogames foram uma grande parte de nossas infâncias. Ouvir as trilhas sonoras des-


II N T E R V I E W . M I S S T I Q

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ses jogos infantis como The Legend of Zelda (meu favorito) e Super Mario me leva de volta a muitas memórias felizes. Recriei algumas canções de videogame conhecidas na forma de um álbum, chamado ‘Nostalgia’, para celebrar e lembrar os dias em que a vida era simples. Como estamos agora em caminhos diferentes de vida, sinto que relembrar essa música nos aproxima e ajuda a nos acalmar, ainda mais agora com a situação mundial atual. Muitas bandas desconhecem o poder que os sintetizadores têm e como podem ser bem utilizados. Ao que se deve essa resistência das bandas tradicionais ao adotar meios que possam trazer ainda mais vida à música? Quando se trata de sintetizadores e esses tipos de sons, pode ser um pouco assustador, pois há tantos sons para escolher. É por isso que adoro criar conteúdo que pode inspirar outros músicos a sair de sua zona de conforto. Muitos artistas podem hesitar em incorporar sintetizadores e tonalidades em suas músicas, pois temem que isso possa alterar sua marca e imagem (o que também pode ser uma coisa boa, é claro). No entanto, se incorporados corretamente, esses sintetizadores podem trazer mais emoção à música e permitir que o artista se destaque da multidão.

Falando de mulher para mulher. Você postou uma mensagem significativa sobre o engajamento de um trabalho e o corpo. Qual a importância em dialogar que a exposição do corpo e o conhecimento não precisam andar no mesmo caminho? Muitas mulheres sentem a pressão de se vestir de forma provocante para que seus vídeos tenham sucesso. Eu li entrevistas, assisti mensagens do IG e Tik-Toks onde as mulheres admitem não ter metade do envolvimento quando cobrem seu corpo. Essas mulheres querem saber o que pode ser feito para "recalibrar" seu público ou atrair um novo que valorize qualquer roupa que ela use. Eu teria muito mais engajamento, visualizações e seguidores se filmasse com uma camiseta de renda preta? Claro, eu faria. Não vou pensar, pois não é isso que me sinto confortável em usar online. Quando assisto aos meus vídeos virais, penso comigo mesmo: "Ei, me senti como eu lá". Prefiro ser alguém que inspira outras pessoas com minhas habilidades musicais e conhecimento do que agir como um colírio para os olhos para satisfazer alguém por um breve momento. Quando você vir uma mulher mostrando um pouco de pele em seu conteúdo, é muito importante lembrar que ela pode realmente se sentir confortável com aquela roupa ou que é sua marca / imagem - não


INTERVIEW. MISSTIQ

apenas presuma que ela está fazendo isso "pelas visualizações". As redes sociais hoje são uma importante ferramenta para difusão de trabalhos. Porém é um terreno vasto para atitudes inconsequentes e até criminosas. Quão importante é denunciar esse comportamento na busca pelo respeito coletivo das mulheres? Existem algumas personalidades realmente nojentas na internet, com certeza. Muitos dos meus fãs me dizem para ignorar os comentários de ódio, no entanto, eu respondo a eles como retorno a qualquer pessoa. Ao responder a comentários de ódio (e capturar alguns para minha história de IG, o que pode ser uma boa risada), posso lançar luz sobre as atitudes negativas que as pessoas têm. Eu quero encorajar outros a irem lá e mostrar a eles que sim, sempre haverá inimigos, você apenas tem que continuar fazendo o que ama. Além disso, é uma forma de mostrar às pessoas que não sou um saco de pancadas em que elas podem deixar sua raiva fluir. Não levo esses comentários para o lado pessoal - nunca fui

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para a cama pensando em algo negativo que alguém me disse. Se qualquer coisa, eu repasso os comentários positivos em minha cabeça. Algumas vezes, criei conteúdo a partir de comentários de ódio que realmente deram muito certo em termos de engajamento e recebi muitas mensagens, especialmente de mulheres, me agradecendo por esclarecer esse comportamento. Em seus vídeos, você possui um dresscode próprio e essa identidade foi para a sua loja virtual. O que essa vestimenta representa para a imagem do feminino? Você pensa em expandir a sua marca? Sempre gostei de usar roupas confortáveis, às vezes superdimensionadas, e é muito adequado para a minha marca. Muitas das minhas fãs femininas dizem que têm um estilo semelhante e podem imaginar o quão confortável devo me sentir enquanto produzo. Na verdade, estou planejando isso agora. Não vou falar muito, mas este será um estilo de imagem e música original que lançarei em 2022, algo em que venho pensando há algum tempo e finalmente pensei em colocar uma ação nesse sentido. Quanto à minha loja online de produtos, já tenho novos designs a caminho, que irão expandi-la ainda mais do que nunca. Espero anunciar isso em algumas semanas. Pensando atualmente na cena musical, especialmente do Metal,


INTERVIEW. MISSTIQ

você tem acompanhado as bandas que têm mulheres? Quais você destacaria? Na minha adolescência, lembro-me de ter dezenas de pôsteres em todas as minhas paredes, com alguns deles sendo bandas lideradas por mulheres como Arch Enemy, Nightwish e Avril Lavigne. Isso me fez sentir validado por gostar de música pesada. Eu realmente adoro o som, a estética geral e a justaposição de ‘BABYMETAL’. Atualmente, estou acompanhando principalmente produtoras (como Lil Cece) e lendo sobre como elas chegaram até onde chegaram, suas lutas, dicas e truques na indústria etc. Para finalizar a nossa conversa, quais os artistas que gostaria de

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fazer parceria? E por quê? Agradeço desde já pelo seu tempo. Sucesso! Eu adoraria colaborar com Corey Taylor (Slipknot), M. Shadows (Avenged Sevenfold) e Matt Tuck (Bullet For My Valentine), e há muito mais também. Esses frontmen foram muito proeminentes para mim, especialmente durante minha adolescência e seria muito saudável revisitar as canções conhecidas de sua banda como uma versão Misstiq com seus vocais. Ou crie uma música totalmente nova com eles, eu não reclamaria! Outros dois artistas com quem gostaria de escrever são Drake e Ghostemane. Emocionante jornada pela frente! Muito obrigado por essas perguntas benéficas, Pei! Eu aprecio muito isso.



INTERVIEW. SPIRITBOX

B Y PEI FON PHOTOGRAPHY TATJ A N A B R A U N & T R AV I A S H I N N

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á um ano conversávamos com o Spiritbox e apresentamos aos nossos leitores esse trio canadense. Dissemos à época que a banda iria fazer muito barulho e seria a nossa aposta para o metal moderno. Acertamos! Durante esse período acompanhamos cada passo que a banda deu e todos fomos testemunhas desse crescimento exponencial. O direcionamento que fizeram para se firmar como a mais nova banda do cenário musical não foi à toa, os resultados estão aí, só não vê quem não quer. É imensurável o quanto o Spiritbox tem conquistado espaço. Estratégia. Marketing. Posicionamento na imprensa e mídias sociais. É planejar para ter resultado. O trio acabou de lançar seu début álbum. Foram mais de dois anos de construção, de planejamento e de muito trabalho. “Eternal Blue” está no topo mais alto das principais rádios, playlists, serviços de streaming no âmbito geral. Spiritbox é uma das poucas bandas de metal a estar em posição de altíssimo destaque disputando até mesmo com grupos e cantores do pop. Tivemos a oportunidade de con-

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versar com a vocalista Courtney LaPlante novamente e reafirmar as nossas palavras ditas um ano atrás. Sobre essa trajetória, “Eternal Blue”, passado, presente e futuro, você acompanha agora essa entrevista cheia de verdades. Faz um ano desde a nossa última conversa e muita coisa aconteceu. Como vocês avaliam tudo o que tem acontecido para o Spiritbox? Courtney Realmente não tenho palavras... parece que estou assistindo um filme sobre mim, como se não estivesse realmente acontecendo. Quando nos falamos já havia sido lançado “Holy Roller” e “Constance” e continuaram na campanha de lançamento de singles e compilando em EP. Em que momento vocês viram que era hora de lançar seu début? Nunca decidimos um tempo específico. No segundo em que fomos capazes de nos

Foto: Travis Shinn


INTERVIEW. SPIRITBOX

(CONSTANCE) A MÚSICA ME AJUDOU A ENCONTRAR ALGUM TIPO DE ENCERRAMENTO, JÁ QUE A PANDEMIA ME IMPEDIU DE FICAR COM MINHA FAMÍLIA OU DE IR AO FUNERAL DA MINHA AVÓ.

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reunir para gravar o que gravamos, concluímos e descobrimos o quão rápido poderíamos lançá-lo e fazer com que o vinil fosse feito a tempo, embora ainda o lançássemos em 2021. Ficamos basicamente em espera por um ano, sempre cancelando e reprogramando devido à pandemia. “Constance” ganhou um lindo destaque internacional por mostrar que o metal pode ser pesado e bastante emotivo. Por ser uma música mais pessoal, como foi contar e cantar sobre uma doença que viu tão de perto? Na verdade, eu não escrevi a música sobre demência. A música é sobre mim lidando com a perda da minha avó. O diretor do vídeo, Dylan, cuja avó se chama Constance, criou uma história homenageando a experiência de sua família com a demência de Constance. A música me ajudou a encontrar algum tipo de encerramento, já que a pandemia me impediu de ficar com minha família ou de ir ao funeral da minha avó. Vocês fizeram uma apresentação de uma versão acústica de “Constance” no Grammy Collection: Live Series e teve uma resposta muito positiva. Vocês


INTERVIEW. SPIRITBOX

imaginavam que teriam tamanha repercussão? Fiquei muito curiosa para ver o que as pessoas pensariam disso, já que nunca lançamos uma música acústica. Foi minha primeira vez tocando a música ao vivo! Nem mesmo tivemos tempo para praticar! Em abril desse ano vocês lançaram “Circle With Me” e anunciaram “Eternal Blue”. Um novo ciclo estava sendo iniciado e isso fez com que vocês se firmassem na cena musical. Como está sendo esse caminho para o Spiritbox? Tem sido realmente excitante, surreal, e um pouco como uma faca de dois gumes, já que parte dessa música está gravada há mais de dois anos. Eu sabia que muito disso não seria aceito pelos gêneros que originalmente abriram seus braços para nós, e estou bem com isso, só que nunca tive a intenção de ter um crescimento tão grande! A antecipação é a reação de ter que esperar para gravá-lo, já que todos nós moramos em países diferentes e houve uma proibição de viajar.

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A parte inicial de “Sun Killer” me fez lembrar de uma das influências vocais de Courtney, Amy Lee. É uma música muito interessante para iniciar o álbum e que nos surpreende na parte final com a agressividade característica da banda. Esse breakdown já prepara o ouvinte para o que está por vir, não é? Essa música realmente é uma homenagem a Amy, vocalmente! Estou tão feliz que você se sinta assim, já que esta realmente foi feita para ser uma música de introdução, para definir o tom do que se pode esperar do álbum. Em “Sun Killer” você diz que ‘nasceu para quebrar’ e em “Hurt You” você fica feliz quando machuca. Essas duas pessoas são face da mesma moeda, mas como realmente se sente? Quando escrevi a linha “nasci para quebrar”, imaginei mais como uma onda quebrando em um oceano tempestuoso, rompendo o “paraíso raso” como confortos de nível superficial, ou vaidade. As letras das minhas músicas sempre têm um pouco da minha própria experiência nelas, mas são quase uma terra de fantasia para eu escrever sobre meus sentimentos, como um mundo de sonho.


IINTERVIEW. N T E R V I E W . SMISSTIQ PIRITBOX

“Yellowjacket” conta com a participação de Sam Carter (Architects) e é uma das músicas que seria interessante ver ao vivo. Quando compuseram essa canção já tinha o nome dele em mente? Não, a música já estava em demo e Sam se ofereceu para cantar em nosso álbum porque estava ouvindo algumas de nossas músicas, então, no impulso do momento, ele fez Yellowjacket, pois sentimos que ele poderia realmente brilhar e parecia uma música que poderia ser uma conversa entre duas personalidades, mesmo dentro da própria cabeça. Ainda sobre “Yellowjacket”, sem dúvida vocês pesaram a mão e nos surpreenderam com um conjunto de riffs pesadíssimos e vocais que dialogam com a melodia. Vocês não cansam de surpreender os ouvintes? (risos) Estou tão feliz que você se sinta assim! Espero que sempre tragamos isso, mas de surpresa para nossos ouvintes, sem depender de novidades.

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“Silk in the Strings” é disparada a música mais pesada que vocês já fizeram, é uma das músicas que devem fazer parte do setlist. Quão ansiosos estão para apresentar essas novas músicas para o público? Mal posso esperar para voltar para casa e começar a praticar todas essas músicas. Em breve todos poderemos estar no mesmo país e poderemos ensaiar juntos! Nós fomos capazes de praticar entre os festivais que estamos fazendo agora, e Zev e Michael estavam casualmente tocando alguns riffs do álbum, e isso me deixou muito feliz em ouvir isso! Tem mais de um ano que “Holy Roller” foi lançada e fez com que as pessoas aguardassem o momento de ter essa experiência num show ao vivo. Como está sendo tocar essa música com o retorno das apresentações? Abrimos o set com “Holy Roller” e é muito divertido! Parece um bom quebra-gelo! Acho que gostaria de abrir com “Sun Killer” em breve! “We Live In a Strange World” é a que mais se sobressai com ambiências eletrônicas misturadas


INTERVIEW. SPIRITBOX

aos riffs pesados. Com a afinação baixa, a guitarra fica agressiva e é acompanhada de uma voz mais suave. Acredito que é uma fórmula que tem feito o grande público ouvir metal, como se sentem em ser essa ponte? Eu nunca penso nisso, realmente... só acho que é bom ter picos e vales em um corpo de trabalho... as partes tranquilas fazem as partes barulhentas se destacarem ainda mais para mim. A música apenas leva Michael para onde ele quiser, é quase como se ele demorasse muito e não tentasse conduzir o navio de volta a um território familiar. Ajuda-nos a sentir que nada está fora dos limites! “Halcyon” têm ótimos grooves e a voz da Courtney está cada vez mais limpa, suave e sinto como se trouxesse conforto ao coração. Porém o black hole na parte final é o ponto alto da música. Parabéns! Já está no setlist? (risos) Obrigado! Esse é outro que mal podemos esperar para tocar ao vivo, só temos que ter mais algum tempo juntos para trabalhar nisso!

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Foto: Travis Shinn


INTERVIEW. SPIRITBOX

“Circle With Me” me impactou tão positivamente que até escrevi um editorial na edição 137 sobre a música. Vocês têm mostrado versatilidade musical a cada lançamento. Como é criar músicas diferentes e manter a essência que faz o Spiritbox único? Acho que é muito mais fácil fazer uma música que supere as expectativas de todos quando não há expectativa definida para nós! Espero que continuemos a não nos preocupar com as expectativas das pessoas em relação a nós, para que possamos continuar apresentando coisas que pareçam autênticas para nós. É meu maior objetivo. Após ouvir “Eternal Blue” todo, tenho a impressão de que deixaram 64 // ROCK MEETING // OUTUBRO. 2021


o melhor para ser ouvido após o lançamento. É um maravilhoso début álbum e que superou as expectativas: uma soma de breakdown, com vocais versáteis e emoção. Como se sentem ao lançar seu primeiro álbum enquanto banda? Estamos muito aliviados por finalmente resolver isso, pois é realmente hora de seguirmos em frente, de forma criativa. Temos mantido a maior parte desse recorde por mais de dois anos e meio! Em 2021 as vozes de Courtney estiveram presentes nas músicas de outras bandas. Você imaginaria que estaria fazendo essas participações? A maioria das coisas não está super pensada no momento, são apenas banFoto: Travis Shinn


INTERVIEW. SPIRITBOX

das que colaboram e se divertem!

sentimento por enquanto, eles são muito especiais para nós.

É impressionante a quantidade de covers das suas músicas, de crianças a professores de música, de playthrough a reacts. Como esses vídeos servem para medir o alcance de suas canções? Vocês costumam assistir? Assistimos muitos deles, pois é realmente uma das únicas conexões que temos com nossos ouvintes. Não fomos capazes de tocar para eles no palco e ver suas reações na vida real, então todos esses vídeos incríveis ajudam a substituir esse

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Para finalizar a nossa conversa, onde o Spiritbox quer chegar? Muito obrigada por estar conosco novamente e continuaremos acompanhando vocês. Sucesso! Nós apenas queremos continuar crescendo e chegar a um nível onde possamos realizar completamente nossa visão criativa e construir uma vida gratificante escrevendo músicas e fazendo turnês pelo mundo!



INTERVIEW. INVENT ANIMATE

BY PEI FON PHOTOGRAPHY SARAH HOLICK

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nvent Animate é uma das bandas que todo fã da música pesada já ouviu e que hoje tem motivo para escutar todos os dias. O quarteto americano presenteou os fãs com o EP “The Sun Sleeps, As If it Never Was”, três músicas que carregam a identidade que os fez se destacarem no cenário musical. Atualmente é formada por Marcus Vik (vocal), Caleb Sherradan (baixo), Keaton Goldwire (guitarra) e Trey Celaya (bateria) e já lançou três full álbuns. Em uma entrevista exclusiva para o Brasil, a Rock Meeting teve a oportunidade de conversar com o vocalista Marcus Vik e saber dele a repercussão das novas músicas, um pouco do passado presente e sobre a legião de fãs que os acompanha.

Após um ano sem músicas inéditas, vocês presentearam os fãs com “The Sun Sleeps”. Como tem sido a respostas dos

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INTERVIEW. INVENT ANIMATE

ouvintes? Marcus - A resposta tem sido incrivelmente boa e eu realmente sinto que os ouvintes tomaram este EP como se fosse seu, em certo sentido. Há essa seção de guitarra repetitiva em particular no refrão de "The Sun Sleep" que realmente parece ressoar com eles, e isso simplesmente coloca um sorriso no meu rosto toda vez que alguém menciona isso. “How do you sleep at night,

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with a war inside you”. Acredito que não há uma pessoa no mundo que não tenha enfrentado essa guerra consigo mesmo. Como se vencer essa guerra cantada em “The Sun Sleeps”? Pessoalmente, sempre tento sair de mim mesmo para ver a situação com mais clareza. Os momentos em que geralmente damos o primeiro passo na direção certa é quando encontramos o caminho


EU NÃO PODERIA PEDIR UMA BASE DE FÃS MAIS HUMILDE. SEM ELES PROVAVELMENTE NÃO EXISTIRÍAMOS HOJE


INTERVIEW. INVENT ANIMATE

que não pode ser visto de dentro. Todo mundo não pode fazer isso e nem mesmo funciona para todos, mas falando por mim, esta é a única coisa que geralmente me projeta de um lugar escuro quando me sinto preso. Esse novo single está cheio de frases interessantes e destaco “The simple forms the complicated”. Se trazer para a nossa atual realidade da pandemia, nunca foi tão bem aplicado. Por que é tão difícil fazer o que é simples? Eu geralmente complico os problemas que enfrento, porque os problemas tendem a despertar emoções. Essas emoções aumentam o peso do obstáculo e o fazem parecer mais pesado (leia-se complicado) do que realmente é. Algumas pessoas são mais carregadas emocionalmente do que outras, ambos os lados têm seus prós e contras, mas ambos precisam ver o problema pelo que ele é e não pelo que parece. “The Sun Sleeps” é aquela

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INTERVIEW. INVENT ANIMATE

música que você destaca várias frases que impacta a vida do ouvinte. Não é fácil compor uma canção que tenha tanta identificação com o mundo externo. Como dialogar com dois mundos distintos usando uma linguagem linear? Para identificar uma situação, sempre haverá um compromisso emocional. Se pegarmos dois indivíduos com uma abordagem diferente tentando se comunicar e resolver o que precisa ser resolvido, o único truque que acho que funcionaria melhor é primeiro ouvir um ao outro com atenção, reconhecer o que impulsiona a emoção da outra pessoa sobre o assunto e, em seguida, identificar os detalhes. A partir daí, está tudo em movimento, agora é a hora de eliminá-los um por um e começar a avançar de forma produtiva. Esse ano completou um ano de “Greyview” e para comemorar essa data foi lançada a versão instrumental. Ainda que seja

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uma ação já comum na banda, qual a percepção de vocês sobre esse consumo da música? Os ouvintes desse gênero que costumam falar sobre nossa música são, em sua maioria, músicos e uma grande parte da identidade dessa banda é puramente detalhes dos próprios instrumentos. Os vocais tendem a esconder os detalhes no fundo quando há tanto acontecendo na música, então dar aos ouvintes uma versão da música sem eu gritar por todo lado permite que eles ouçam as músicas de uma perspectiva totalmente nova. Eu vi pessoas falando sobre como se apaixonaram pelas músicas novamente depois de ouvir os instrumentais detalhados e isso faz com que valha a pena oferecê-los. O Invent Animate tem uma base de fãs bem apaixonada, o reflexo disso veio com a venda antecipada de todo o novo merch da banda. É possível mensurar essa paixão dos seus ouvintes?


INTERVIEW. INVENT ANIMATE

Como se sentem? Temos alguns personagens que nos seguem desde muito antes de eu entrar na banda e muitas vezes vejo pessoas nas redes sociais que mencionam que acabaram de nos descobrir e se identificam como fãs nossos, vendo o grupo de pessoas apaixonadas que nos seguem através dos nossos shows me dá pura alegria e eu não poderia pedir uma base de fãs mais humilde. Sem eles provavelmente não existiríamos hoje.

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B Y G U S TA V O T O Z Z I PHOTOGRAPHY PROMOTION

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essa expedição musical que RM vem fazendo em busca de talentos do metal moderno, tivemos a honra de conversar com os rapazes da Sunfall. Formada por Oliver Welzen-James (guitarra – Carbine/ex Bound in Fear), Sam Worsfold (vocalista), James Titcomb (baixo) e Ryan Woods (bateria) em 2018, Surrey (Inglaterra), a Sunfall apresenta uma sonoridade particular, combinando brutalidade com quebras insanas, demonstrando as influências que inspiram a Banda, desde o Nu-Metal ao Deathcore. Neste ano, a banda lançou 2 novos singles (‘Harakiri’ e ‘Quiet Kid’), apresentando ainda mais versatilidade ao introduzir elementos que transitam do hip-hop/rap ao Groove Metal, sempre com uma marca de agressividade. Deleite-se com o que o pessoal da Sunfall partilhou com a RM em entrevista exclusiva. Sunfall surge em 2018, lançando o single “Extremis”. Poderiam contar aos leitores da RM como a banda se formou?

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Foto: Black Box Photo


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Oli - Sunfall originalmente começou como um projeto solo meu que estava reunindo para lançar online e na realidade não teria uma banda por trás. Um dia fui abordado por nosso baterista original, Jacob, que havia ouvido de alguém que eu tinha demos e que ele realmente gostava da sonoridade. Nos encontramos num pub local e escutamos juntos as demos, concluindo que ambos queriam levar isto “ao vivo” como uma banda. Eventualmente, através de post e mais posts em várias páginas do Facebook, atraí Sam (vocalista) e James (baixista) para a banda. A esta altura boa parte de nosso debut EP já estava escrito, mas Extremis era uma trilha muito espontânea que escrevi do nada e concordamos que seria uma ótima faixa para nos apresentarmos. Ouvindo as músicas da Sunfall se nota uma versatilidade em se tratando de estilos, desde Nu-Metal até Deathcore, com uma marca própria de brutalidade. Quais foram/são as maiores influências dos membros da banda? Oli - Eu acho realmente encorajador ver que as pessoas estão ouvindo a versatilidade na nossa música. É uma das maiores metas que

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temos para nossa música. Nosso EP original foi bem inspirado em bandas como Architects, Bound in Fear e Fit for An Autopsy. Então nós temos inspirações que vem das nossas raízes na música, como Slipknot, Korn, Metallica, Deftones e por aí vai. Isso à parte, poderíamos listar muitas páginas cheias de bandas e artistas que nós nos inspiramos, pois abrangem muitos gêneros. O EP “Serenity” (2019) reúne os 3 primeiros singles de 2018 e tem em “Deathbreaker” a música de destaque (+ de 40k em streamings) ... Vocês esperavam por isso em pouco tempo? James - Resumindo, não esperávamos nada assim. O apoio e as mensagens que recebemos de amigos e fãs em relação a este EP tem sido avassalador, e não podemos agradecer a todos o suficiente pelos plays, compartilhamentos e comentários. Os últimos dois singles lançados neste ano – “Quiet Kid” e “Harakiri” - já atingiram mais de 100k em streamings. Vocês tinham essa expectativa desde “Extremis” (2018)? Qual a sensação após atingirem tal marca? James - Pessoalmente, estou im-


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pressionado, comecei a sentir como se estivéssemos começando a cair fora do circuito com nossa própria cena, então decidimos colocar algo para ficar na mente das pessoas, sempre aspiramos a obter 100.000 streamings em algum material, mas agora que estamos aqui, acho que há um sentimento unânime entre nós de que só queremos ir mais longe e avançar para o próximo marco. Estamos chamando a atenção de algumas plataformas, gravadoras e pessoas dentro da indústria que nós simplesmente não pensamos que teríamos realmente a chance de mostrar nossa música. É estranho porque os lançamentos de Harakiri e Quiet Kid foram muito diferentes, Harakiri pareceu que levou muito tempo para sair, enquanto Quiet Kid pareceu que foi escrita e lançada em um curto período, e os plays meio que refletiram isso, Harakiri demorou mais para “explodir”, enquanto Quiet Kid parece ter feito isso de forma insana já no primeiro mês de lançamento. Começando pelo último single “Quiet Kid” (29/07/2021), essa canção explora uma te-

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mática bem particular. Vocês buscaram dar ênfase ao lado sombrio que se passa na mente de um garoto que sofre bullying, sem deixar de criticar o próprio sistema de educação. Como surgiu a ideia? Sam – A ideia surgiu pela experiência pessoal crescendo como o “garoto quieto” no ensino fundamental e no começo do ensino médio. Eu usei as emoções e negatividades que eu experienciei daqueles tempos e descarreguei-as na trilha. A partir disso, alguns elementos da narrativa foram adicionados que ajudaram a amarrar a faixa e contar a história de um menino quieto que já teve o suficiente. “Quiet Kid” é uma música com uma intensidade já característica da Sunfall, com um verso final que simplesmente explode (n)os ouvidos numa fusão de rap/ hip-hop com Deathcore/ Post-Metalcore. É algo que a Sunfall pretende incorporar cada vez mais nas suas composições? Sam – As influências do hip-hop e rap irão definitivamente ser uma


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parte maciça para o futuro do som da Sunfall. Nós todos crescemos com o Nu-Metal e eu sempre fui um verdadeiro fã de rap, escrever letras rápidas e fluídas é tão divertido para mim quanto colocar guturais e vocais pesados. Então, faz sentido para mim, incorporar ambos os estilos quando eu vejo se encaixar em nossas músicas. Sempre esperem o inesperável. Sobre “Harakiri”, single lançado no início do ano (11/03/2021). O título do single aponta para o ritual suicida samurai que era praticado como uma espécie de honraria para evitar a desonra de uma execução pública, por exemplo. Como foi o processo de criação desta música? Ryan – Haha! Esta é a primeira vez que alguém captou essa referência samurai em uma entrevista. A criação da letra desta música se deu a partir de uma reflexão da sociedade. Eu vejo pessoas vivendo de jeitos que causam danos a si mesmos e aos outros, entretanto as pessoas estão felizes em viver desse jeito. Por exemplo, as pessoas trabalham até morrer com um sorriso na cara e tristeza em seus corações. Nós sabemos que algo está errado, 84 // ROCK MEETING // OUTUBRO. 2021


mas não conseguimos trazer para nós mudanças para melhor. Nós saqueamos este planeta, sabemos que é errado, e ainda há um sorriso com os produtos que o saque traz. Para mim é insano, mas há algo ritualístico sobre essa via que nós trazemos quanto a nossas mortes, física e espiritualmente, que é de onde surgiu o título “Harakiri” e a referência. “Dezessete zero dois” (1702) é em referência ao “incidente Ako” onde ocorreu o Harakiri em massa por 47 Ronin como uma referência ao nosso ritualístico “Suicídio” que é cometido pela maioria dos humanos. O aspecto real da composição da música se juntou muito facilmente para ser honesto, foi a minha primeira música que escrevi para a banda, então eu me inspirei muito nos sons principais de Sunfall e do EP Serenity, e depois misturei com meus próprios gostos pessoais. O processo de produção foi a primeira vez que tivemos que gravar/produzir uma faixa remotamente e foi a primeira vez que eu também fiz isso. Ryan - Tivemos a ajuda de alguns amigos na Austrália para fazer os vocais de Sam (em especial Marco da Crypt Crawler) e eu gravei guitarras para essa, pois era uma música que eu tinha contribuído mais, e por ser um fluxo de traba-


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lho mais fácil. Houve alguns problemas com o processo, mas definitivamente abriu um caminho para nós trabalharmos em todo o país/no mundo, que tem sido uma necessidade para nossas outras canções. Além disso, nós conseguimos a masterização por Will Putney, que era uma espécie de sonho pessoal se tornando realidade. “Harakiri” tem um videoclipe que transmite uma mensagem importante, ainda mais se analisada junto com a letra da música, na frase: “All I bleed was f*** Heroin”. O que a banda pensa sobre essa questão tão complexa? Oli – Em referência à explicação da letra na pergunta anterior, essa frase é especialmente sobre como nós vivemos num constante estado de satisfação em nossa morte. É como se estivéssemos sangrando, mas há euforia nisto. Para visualizar isso, eu lembrei da cena do Senhor dos Anéis onde Sméagol finalmente tem o anel e está tão feliz... enquanto também queima vivo na lava, é este tipo de justaposição que eu busco chegar. E é um grande problema para o

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espírito dos humanos. Muitos de nós vivem vidas vazias, e Sam referendou isto em “Deathbreaker”, onde ele fala sobre pessoas viverem pelo final de semana, que é um tema que acabo retomando. O videoclipe também começou a forjar outra narrativa, não sei quantos pegaram sobre isso, mas trouxemos a obra de arte para o EP "Serenity" à vida em "Harakiri". E há uma história por trás de "Serenity" que tem um significado profundo para a banda, e especialmente para Sam. É demais para explicar agora, mas esperamos continuar essa narrativa com vídeos musicais no futuro em algum momento e dar algum sentido a ele. O single “Industrial” tem previsão de ser disponibilizado no início do próximo mês. O que a Sunfall poderia adiantar para os fãs? Oli – É outra virada na música da Sunfall, com certeza. Eu tentei realmente dessa vez fazer a diferença atendendo à mistura de gêneros. Me inclinei longe nas minhas influências de hardcore e beatdown junto com meu Nu-Metal, Groove Metal e mesmo Deathcore para esta música. Então com a bateria de Ryan ainda trouxe um pouco


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das influências de Drum and Bass/ Breakbeat. Há mais ainda também tocando em minhas influências eletrônicas. Com este lançamento, pareado com Quiet Kid, vocês irão realmente ter um sentimento para um espaço musical que nós estamos atualmente como banda. Junto com isso, vocês estão recebendo um videoclipe estranho como o inferno e único/poderoso, cortesia do rei da animação "Beeple". Aproveitando a pergunta anterior, a Sunfall já tem em mente quando virá o debut álbum? Oli – Para ser honesto, realmente não. Será quando for o tempo certo. Neste momento nós temos material e ideias suficientes para durarem alguns álbuns, mas nós apenas queremos focar em compartilhar nosso som com o mundo, trazendo atenção para isso. A melhor forma para uma banda do nosso tamanho fazer isso atualmente é apenas lançando singles, então é isso que temos em mente para o próximo bloco da existência da Sunfall. Eu também acho que fazendo isso, ao tempo que nós pegarmos e lançar um álbum, nós teremos um entendimento sobre nós mesmos, música e sonoridade

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de um modo que nós possamos realmente colocar o melhor álbum juntos. No site oficial há informação sobre a Sunfall subir aos palcos novamente em 2022. Vocês devem estar tão ansiosos quanto os fãs. Poderiam antecipar algum detalhe sobre este aguardado retorno? Oli – Não existem quaisquer detalhes oficiais já que estamos bem longe do show acontecer, contudo estamos querendo fazer o show inicial em Guilford onde foi nosso primeiro show como banda. Nós provavelmente iremos pegar as bandas de amigos envolvidos também. Também será nossa chance de tocar um set maior onde nós podemos tocar um monte do que será nosso catálogo musical quando o tempo dos shows for retomado. Eu imagino que nós tocaremos algum material de Serenity que nós não tocamos por um período, assim como tocar nossas músicas mais novas. O Sunfall já teve oportunidade de participar de shows com bandas já destacadas na cena do metal moderno, como Monuments e Hacktivist. Com que banda vocês sonham tocar juntos? Oli – Seria absolutamente explosivo tocar com bandas como Korn ou


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Architects ou qualquer outra grande banda que nos inspirou a perseguir a música, seria o show dos sonhos para nós. Pra finalizarmos: quais as metas a curto e longo prazo da Sunfall? A RM agradece por disponibilizarem seu tempo e torce por vocês! Oli - A curto prazo, nosso plano é lançar muito mais música. Temos um line-up de músicas que alinhamos para lançar que vai expandir bastante o som da banda e realmente deixar as pessoas confortáveis e familiarizadas com o quão amplo 90 // ROCK MEETING // OUTUBRO. 2021

queremos ser musicalmente enquanto uma banda. Em termos de planos de longo prazo, é finalmente chegar ao palco novamente e realmente obter alguns grandes shows e performances. Um objetivo contínuo para nós é apenas obter mais e mais pessoas expostas à nossa música e realmente ver que comprimentos podemos empurrar as coisas. Queremos agradecer muito por seu tempo para nos entrevistar! A qualidade das perguntas foi incrível, e não poderíamos estar mais honrados que você tenha tomado o tempo e o esforço para realmente nos conhecer.



INTERVIEW. RACHELLE REACTS

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Q

uem nunca viu um react? Só quem está alheio com o que está acontecendo no mundo. Esse mundo é relativamente novo e ganhou mais proporção durante a pandemia. Sem shows, essas ‘reações’ são o novo meio de saber como a música está atingindo os ouvintes. De músicos a entusiasta da música, você encontra de tudo. Homens, mulheres, jovens e idosos, não existe gênero ou idade, é só fazer. E um desses perfis que a Rock Meeting tem o prazer de falar é Rachelle Reacts. Rachelle é americana e fala especificamente sobre o Metal Moderno. Com uma linguagem simples e de fácil entendimento, as suas análises aproximam a música pesada dos seus expectadores e os faz compreender cada detalhe. Sobre como iniciou o seu trabalho com reacts, bandas favoritas, colecionadores de vinil, shows e muita música, conheça Rachelle agora mesmo. As pessoas conhecem ‘Rachelle Reacts’ e suas análises sobre música. Mas como foi que Rachelle entrou para esse

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universo musical? Oi Pei, é tão maravilhoso fazer parte disso! Muito obrigado por me incluir, eu não poderia estar mais animada! A música sempre foi uma grande parte da minha vida de alguma forma. Sempre foi o melhor meio de conexão para mim, desde que eu era jovem. Lembro-me de andar por aí com um Walkman quando estava na escola primária e simplesmente me perder nos poucos CDs que eu conseguia colocar em minhas mãos na época. O Linkin Park foi um daqueles CDs, nunca vou esquecê-lo. Sobre como me envolvi na comunidade, quando tudo começou a fechar em 2020 por causa do COVID, alguns dos meus amigos estavam me dizendo (provavelmente porque eu falo muuuuuito sobre música para eles) que eu deveria começar um canal no YouTube e colocar minha paixão lá. Eu não tinha certeza no começo, para ser honesta. Eu estava nervosa com a internet e como as pessoas podem ser más, mas, honestamente, tem sido incrível. Fiz tantos novos amigos com isso e todos nós compartilhamos essa paixão pela música que é tão linda para mim. Você é colecionadora de vinis e frequentadora de shows. A música é o ponto que une o mundo da coleção e as experiências sensitivas. Qual a performance ao vivo e o vinil mais marcantes para você? A experiência ao vivo mais memorável que já tive é difícil, eu vi tantos shows incríveis, felizmente! É realmente di-


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fícil colocá-los um contra o outro, mas considerando tudo, eu teria que dizer que a Trilogy Tour do Silent Planet em 2020 foi uma das melhores que eu já estive. Foi também (desconhecido para mim na época) meu último show antes de tudo ser fechado para COVID. A formação foi a abertura de Greyhaven, eles são uma banda incrível e fizeram um show ao vivo enérgico que eu amei, então Invent Animate que é minha banda favorita, depois Currents que está lá no topo para mim também, com Silent Planet como atração principal. O Silent Planet surpreendeu como sempre, eles trazem muita paixão e emoção para sua música. Além disso, com o Invent Animate, foi a primeira turnê que eles fizeram com seu novo vocalista Marcus, então eu fiquei muito feliz em vivenciar isso. Para o vinil, eu diria que minha impressão mais memorável é provavelmente a primeira impressão de Greyview da Invent Animate. Foi provavelmente o primeiro disco que eu fiquei muito animada em receber depois de começar minha coleção de verdade. Tive alguns discos por muitos anos, mas nunca me afeiçoei a colecionar até

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o início de 2020. Conseguir uma cópia de uma edição limitada de minha banda favorita foi muito emocionante! Era a variante cinza com respingos de rosa, limitada a 200 cópias. Ficou lindo! Eu tenho todas as três variantes desse álbum, mas essa é a minha favorita. Hoje o review escrita divide espaço com as reações em vídeo. De que modo o react pode ajudar as bandas a ter a dimensão do impacto que a música pode causar no ouvinte? Eu acho que os vídeos de reação são legais porque você pode ver as expressões no rosto da pessoa enquanto ela está ouvindo a música, essa foi uma grande parte do motivo pelo qual meus amigos estavam me dizendo que eu deveria começar meu canal. Acho que sempre tive uma espécie de rosto animado, tenho dificuldade em esconder minhas emoções porque meu rosto diz tudo. Tentei escrever resenhas este ano, devo dizer que é difícil. Eu acho que para mim, eu gosto de reagir porque posso ouvir música do jeito que eu normalmente faço e simplesmente deixar isso me


atingir. Ao escrever, senti um pouco mais de pressão para dissecar enquanto ouvia, em vez de experimentar e, em seguida, analisá-lo... provavelmente foi apenas uma coisa minha. Acho que ter o aspecto visual disso faz com que o criador do conteúdo possa experimentar a música e deixar as emoções da música atingi-los e você também tem o espaço para falar mais sobre o que gostou ou não gostou. A sua proposta de react vai muito além da impressão que a música pode causar em você. É feita uma análise técnica e sistemática e isso ajuda aos seus seguidores a compreender mais sobre esse mundo. De onde veio a sua inspiração para essa linguagem mais dinâmica e de fácil entendimento? Quando iniciei meu canal, senti que realmente não queria fazer uma pausa durante a música. Recebi uma resposta mínima sobre isso, mas


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na maioria das vezes as pessoas estão aceitando. Gosto muito de sentir música quando ouço, não acho que as músicas foram feitas para serem ouvidas com pausas que interrompem o fluxo. Então, eu tinha que ser tipo "ok, bem, eu realmente não vou dizer muito durante os vídeos, o que vou fazer?" e a opção lógica parecia ser falar um pouco depois de ter a chance de realmente entrar na música pela primeira vez. Reconheço que, quando comecei a fazer os vídeos, tive que parar muito para filmar essas partes porque estava muito nervoso para falar na frente da câmera. Ajudou muito ter o canal, porque agora não preciso mais fazer isso, geralmente consigo passar por um final sem ter que cortar, a menos que meus cachorros estejam latindo para o carteiro ou algo parecido. Gostei muito da ideia de ter os outros onde falo sobre a música porque depois de ouvir uma música, normalmente são essas as coisas para as quais olho. “Uau, isso foi incrível! Por quê?" Tipo de ser capaz de mergulhar no que eu gosto e não gosto na música que acabei de ouvir, agora que não estou ouvindo as músicas sozinho ou com amigos que não compartilham o mesmo gosto musical que eu, posso compartilhar isso com outras pessoas que também acabaram

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de ouvir a música. Top 5. Quais seriam as cinco bandas que mais escuta? Fale brevemente sobre cada uma delas. Minha banda favorita número um é Invent Animate. Desde a primeira vez que ouvi a música “Naturehold” eu simplesmente me apaixonei por eles, e já se passaram anos. Eles têm um tom lindo e limpo em seus riffs, eles trazem muito ambiente para sua música, e eu me conectei com muitas de suas letras em um nível pessoal. Acho que cada álbum é perfeito. Além disso, um grupo tão legal de pessoas. Eles têm sido super gentis comigo. Em segundo lugar, o Sleep Token está sempre tocando aqui. Eles são uma banda única, eles trazem uma certa quantidade de groove e soul para a música, mas também vão te pegar com o peso pesado também. Eu diria que eles coçam uma coceira difícil de descobrir de outra forma. Estou muito animado porque no momento da entrevista, o novo álbum será lançado em apenas alguns dias. “This Place Will Become Your Tomb” é um dos, senão o meu mais aguardado álbum para este ano. Terceiro, Left To Suffer é uma banda que encontrei este ano e que


foi direto para o topo das minhas paradas de audição. Muitas vezes, com música tão pesada, não a encontro na minha rotação diária. Irá para a lista de reprodução de dias alternados ou para a lista de reprodução de exercícios, mas com essa banda, estou sempre com disposição para eles. O EP que eles lançaram este ano, chamado “On Death”, é realmente algo especial. Os vocais de Taylor realmente se destacam para mim, e os instrumentais vão te impressionar também. Quarto lugar, este teria que ser The Contortionist. Eu repeti o Clairvoyant o ano todo. Eu cheguei um pouco atrasado para a festa ao encontrar essa banda, mas eu coloquei aquele disco no chão e ainda não me canso dele. Michael Lessard tem a voz do anjo e, instrumentalmente, os contorcionistas são prog de primeira linha. Eles abrem seus instrumentais para se encaixar perfeitamente na voz de Michael em Clairvoyant, mas eles têm uma variedade de sons no catálogo anterior. Além disso, o EP Our Bones está fora deste mundo. Em quinto, eu terei que


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ficar com Cherry. É difícil reduzir para apenas cinco porque eu ouço muita música, mas acho que essa banda traz algo um pouco diferente e especial para a mesa. Esta é mais uma banda que terá a música lançada no dia 24 de setembro, seu primeiro EP “Safe In Your Stare”. Eu realmente amo a suavidade que Cherry traz, há algo tão envolvente nos vocais e os instrumentais são simplesmente adoráveis. É certamente um novo lado da voz de Jacob (Thornhill) que estou gostando muito. Não acho que todas as pessoas que assistem ao meu conteúdo vão gostar disso, mas acho que alcançaria uma boa quantidade delas porque são apenas performances musicais muito sólidas ao redor. Todo dia tem música nova sendo lançada. Como é feita a seleção das músicas para o react? Em média, quantos você faz por semana? Bem, isso mudou um pouco desde que comecei o canal. Eu costumava fazer vídeos do canal com base no que os assinantes queriam, incluindo músicas que não eram novas, mas estamos vivendo em uma época em que cada semana é repleta de músicas novas, então isso não é mais tão fácil. O que você está vendo agora no canal são

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principalmente bandas que estão no radar e que estão lançando novas músicas ou bandas que entraram em contato por conta própria ou por meio de suas gravadoras / relações públicas. As transmissões ao vivo assumiram o papel de "mostre-me novas músicas" e os vídeos do canal são mais bandas das quais estou animado para conferir novas músicas ou que acho que realmente merecem mais hype. Vou sair do meu caminho para colocar essas bandas menores no canal em vez de uma banda que eu sei que terá milhões de visualizações de qualquer maneira. Pelo menos é assim que fazemos o nosso melhor para executá-lo! Dentre as novas formas de divulgação de música, o seu canal participou de um song premiere mais react/ review. Como foi essa experiência e quanto tempo teve para se preparar para esse momento? Essa experiência foi incrível para mim. Eu não posso falar o suficiente sobre Dreambound e Blueshift. Foi ridiculamente legal tê-los estendido a mão sobre isso porque, com ambos, eu amo o que

eles estão fazendo. A Dreambound faz um trabalho alucinante ao promover novos talentos na cena. Chegou a um ponto em que, quando estou fazendo transmissões ao vivo e vejo que a solicitação foi enviada por meio da Dreambound, parece que algum tipo de pré-requisito foi atendido. “Ah, se a Dreambound gosta, então provavelmente será um banger!”. Blueshift é uma daquelas bandas que mencionei antes, que eu faria de tudo para promover porque acho que eles merecem mais atenção do que receberam ... ainda. Eu tinha encontrado a música deles antes de iniciar meu canal, então ainda não havia conseguido fazer uma reação verdadeira para a música deles. Eu os apresentei em um vídeo “On Repeat” porque fiquei tão atraída pelo som deles e queria encontrar uma maneira de colocá-los no canal quando já tinha ouvido todas as suas músicas. Eles entraram em contato cerca de um mês antes da estreia para avaliar meu interesse, e eu tive uma boa semana para preparar o vídeo, que foi adorável! Verdadeiramente, um dos momentos marcantes da canalização para mim.


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Em um de seus reacts, você comenta sobre a nova música do Invent Animate, a pegada vocal do Markus, os riffs e toda a vibe que essa canção traz. Como fã da banda, era isso que você esperava deles? Ah, estou tão feliz que você trouxe isso à tona. Algo sobre o qual eu pudesse falar... provavelmente muito. Os riffs e a vibração ambiente da música são absolutamente o que eu espero do Invent Animate como fã. A marca ambiente em seu selo de gênero “ambient-metalcore” é a chave em seu som. Acho que eles estão fazendo um trabalho maravilhoso em manter isso como parte de seu som enquanto ainda evoluem. Os riffs de Greyview e a nova faixa realmente tocaram naquele som limpo de que estou falando com os riffs. Pense em Cloud Cascade. Direi que os vocais não foram exatamente o que eu esperava porque acho que Markus trabalhou para melhorar algumas coisas desde o lançamento de Greyview até o que ouvimos em The Sunleep. Ele mostra mais alcance, bate um pouco mais em seus baixos. É ótimo ver. Este EP é algo que estou ansioso para ver. Sentinels. Outra banda interessante que você comen100 // ROCK MEETING // OUTUBRO. 2021

tou recentemente. Frisando a performance vocal e o instrumental insano, o que achou dos quatro singles que eles lançaram até agora? Esses singles realmente chamaram minha atenção. A primeira música que ouvi deles foi “Inertia” e foi requisitada em uma transmissão ao vivo, essa música é um exemplo perfeito de tudo que eu amo na banda. Ainda é minha faixa favorita deles até agora, mas todos os singles me deixaram animado. Há algo nos padrões vocais, o salto nas cordas com o ambiente arejado ao fundo. Em seguida, eles o levarão direto às avarias repetidamente. Há muito o que amar com essa faixa, acho que será difícil de bater no álbum. Eu acho que conforme os singles continuaram saindo, eles continuaram chamando minha atenção. Pegue “Albatross” por exemplo, acho que eles realmente tocaram em algumas das minhas preocupações, considerando os singles anteriores. Sendo que não estávamos vendo muito alcance vocal, embora os vocais soem fantásticos nas faixas existentes, eu estava pensando que um álbum inteiro sem variedade nos vocais poderia ser um problema. Então eles lançaram o Albatross e eu senti como se tivéssemos visto um pouco dessa extensão, embora ainda quisesse ver


mais. Ainda temos o resto do álbum e tenho a sensação de que vale a pena cuidar dele. Spiritbox. É uma das bandas preferidas atualmente. Todo o hype em “Eternal Blue” tem superado as expectativas. O que você achou desse début? Ah cara, eu estava TÃO feliz que este álbum ainda conseguiu superar as expectativas insanamente altas. Fiquei extremamente feliz com essa estreia. Eu faço transmissões ao vivo da reação do álbum para os álbuns que estou realmente entusiasmado, este foi um que eu tinha planejado desde o início. Acabou sendo um dos meus streams favoritos que já fizemos porque eu estava muito animado e enquanto ouvia cada música, percebi que o álbum realmente iria entregar o hype. O fato de que os singles eram tão bons quanto eram, mas minhas três músicas favoritas do álbum acabaram sendo não-singles fala por si. Minhas favoritas acabaram sendo Sun Killer (uma das melhores faixas de introdução que eu ouvi em algum tempo), a faixa-título Eternal Blue e Halcyon. Ainda falando do Spiritbox, tive a sensação de que eles guardaram o melhor para ser ouvido quando o álbum fosse lançado.


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O que você achou das músicas “Yellowjacket”, “Silk In The Strings” e “Halcyon”? Eu concordaria totalmente que eles guardaram o melhor para ser ouvido no álbum real, e estou tão feliz que foi o caso! Todas essas três músicas, eu amo. Yellowjacket é maravilhoso, um ótimo uso de um recurso e ... um ótimo recurso. Achei que realmente parecia que Courtney deu um passo para trás e deixou Sam dirigir essa faixa vocalmente, o que é legal, embora eu ame a voz dela. Acho que ela ainda provou seu valor neste álbum e teve espaço para fazer aquela voz mais robótica junto com algumas gotas. Eu amo o refrão, sei que na minha transmissão algumas pessoas ficaram divididas, mas pessoalmente, é provavelmente o top 5 do álbum para mim em termos de refrão. Sam traz os pontos baixos que muitas pessoas estavam tentando extrair dele no álbum mais recente do Architects, mas eu senti que o refrão ainda era capaz de acenar um pouco com sua óbvia mudança de som sem ser tão leve quanto algumas coisas no Para quem deseja existir. Silk In The Strings é definitivamente a faixa que pode competir com Holy Roller em peso, mas eu senti que foi executada um pouco melhor. Não há sombra para Holy Roller porque essa é uma fera de uma faixa, mas quando considerada no contexto com o resto do álbum, eu acho que a maioria das outras músicas estão em outro nível e Silk definitivamente se encaixa nisso. Vem 102 // ROCK MEETING // OUTUBRO. 2021


direto com essa energia e o riff de som deslizante, vocais agressivos, mas eu sinto que a faixa também traz alguns outros elementos que ligam melhor essa faixa ao resto do álbum. Como o pré-refrão, as notas lentas abertas que você está ouvindo na guitarra. Então você ainda consegue alguns daqueles graves deformados de Courtney como “diiiisgustinggg” e aquele versículo inteiro, na verdade. É uma faixa energética extremamente bem-feita. Como mencionei, Halcyon acabou sendo uma das minhas favoritas, então não tenho nada além de ótimas coisas a dizer sobre essa faixa. Os vocais e instrumentais de abertura são simplesmente perfeitos e bonitos, a transição para o refrão é perfeita porque abre lentamente, e o refrão tem esse tipo de groove lento também. É um refrão excelente. A guitarra não principal em toda a faixa soa tremeluzente, se isso faz sentido. É um toque muito bom. O colapso foi inesperado para mim na primeira audição, eu pensei que o pré-colapso era o que eles estavam fazendo ao invés de realmente abandoná-lo, mas eu estava errado. Eu realmente amo isso neste álbum, houve momentos em que eu disse “oh, é mesmo? Eu amo isso". Eles realmente se superaram com esse lançamento, espero que isso dê a eles tudo o que eles merecem. Por fim, se uma pessoa hoje quiser fazer reacts, qual o conselho que você dá para o iniciante? Muito obrigada e continue nos trazendo bons conteúdos. Sucesso!


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Meu primeiro conselho seria: Faça! Meu segundo conselho seria: seja você mesmo! Fiquei muito tempo com a ideia e, de verdade, sem ser influenciada e sem o bloqueio acontecendo no ano passado, provavelmente nunca teria começado este canal. Isso teria mudado muito as coisas para mim, estou muito feliz por ter sofrido um pouco de pressão dos meus amigos e decidido ir em frente porque acho que me ajudou de uma forma que eu nunca percebi que iria. Para alguém como eu, que costuma ser bastante ansioso, descobri que consigo ganhar um pouco de serenidade nesta comunidade e com a confiança que as pessoas demonstram em meu gosto musical. Por mais bobo que possa parecer, estamos vivendo em tempos difíceis e a comunidade construída desde o início do canal me aju-

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dou e me ajudou a crescer ao longo do último ano e meio. Então, se você deseja iniciar um canal e está indo e voltando, meu conselho seria apenas fazê-lo. Você nunca sabe o que vai ganhar ou quem pode ajudar a fazer o mesmo. Acho que a parte do conselho "seja você mesmo" é igualmente importante. Você não vai ganhar nada fingindo ser alguém ou algo que não é, e acho que há um certo nível de pressão quando você está na internet para ser algo que às vezes não é. Sempre haverá pessoas que não gostam do que você está fazendo ou que têm algo maldoso a dizer, mas se você sabe que está sendo você mesmo e está fazendo algo que ama, quem se preocupa com isso. As pessoas positivas superam de longe as negativas se você for apenas genuíno e se permitir ser você. Parece clichê, mas acho muito triste quando vejo as pessoas agindo de determinada maneira porque pensam que é isso que vai fazer com que sejam aceitas. Você não precisa de tudo isso, as pessoas certas aceitarão você e seu conteúdo como você é, e você florescerá a partir daí. Muito obrigado por nos contactar! Foi muito divertido falar sobre algo pelo qual sou tão apaixonado. Continue com o ótimo trabalho, você está alcançando uma tonelada de bandas realmente incríveis!