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O fim é só começo A famigerada corrida presidencial no Brasil revelou o quanto o país é dividido. Passamos a ver de perto o peso das palavras que foram distorcidas, dos posicionamentos não compreendidos, das amizades desfeitas. Onde tudo isso vai chegar? Essa discussão infinita só fez ampliar, ainda mais, o desrespeito pela opinião do outro. O mundo não foi feito de iguais. Ele foi feito de diferenças e elas devem ser respeitadas, por mais loucas que sejam. E nada do que diga vai fazer o outro mudar de ideia, só vai criar mais faíscas. Diante do que vimos nas últimas semanas, dissociar a imagem de uma pessoa do trabalho com a pessoal foi complicado. A pergunta é: você consegue separar as coisas? E não parece que, com o fim das elei-

ções, isso ficará para trás. É só o começo. E já está muito chato, por sinal. Uns jogando contra os outros. Vai ser assim daqui pra frente. No fim, todos esqueceram o que realmente nos uniu, a música. (O que nos une atualmente?) O Heavy/Rock sempre foi marginalizado socialmente, mas foi a música que juntou essa galera. Pessoas diferentes que querem se unir em prol do som que escutam, compartilham e disseminam para outras pessoas. Não é nenhum exército da ‘salvação’, na verdade é um grupo que entende quem ‘são os outros’ e que respeita o diferente. Onde foi que o respeito ficou na linha do tempo? Se bem que isso não é algo que define um grupo específico, isso define o ser humano.


06 - Lapada - Ode aos meus ídolos 12 - Live - Eyehategod 18 - Entrevista - Eminence 28 - Skin - Homem é tudo igual? 34 - Live - Laura Jane and The Devouring Mothers 42 - Entrevista - Jackdevil 52 - Capa - Arch Enemy 66 - Live - Pitacos de Barcelona 76 - Entrevista - Gosotsa 86 - Review - Vídeo 94 - Live - Flogging Molly 102 - Entrevista - Impiedoso

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DIREÇÃO GERAL Pei Fon CAPA Alcides Burn Jonathan Canuto

COLABORADORES Bruno Sessa Edi Fortini Marcos Garcia Marta Ayora Mauricio Melo Renata Pen Samantha Feehily

CONTATO contato@rockmeeting.net www.rockmeeting.net


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política no Brasil é de tão baixo nível e tão infecciosa como a peste negra. Desde o dia em que começou a disputa pelo segundo turno das eleições, começou um autêntico tsunami de lixo ideológico no Facebook e outros. E mesmo alguns ícones do Metal acabaram sendo arranhados por conta da cegueira de muitos. Ícones que eu respeito e gosto desde que era apenas um adolescente nos anos 80. Por isso, resolvi, em moldes semelhantes aos de Platão, a fazer uma apologia aos meus ídolos. Para quem não sabe, apologia vem do grego Απολογία, e significa “defesa”, “justificação”. Caso 1: Todos sabem do ocorrido no show do Korzus em Recife, no dia 13/10/2018: Marcello Pompeu faz um discurso sobre a questão política atual, e houve a invasão do palco por um fã que queria tirar satisfações com o vocalista. Tudo porque, conforme atestado pelo autor Renan Soares nesta matéria. Minha pergunta é: que tipo de coisa leva um fã a fazer isso? De acordo com boatos na internet, o mesmo estava com camisa do PT (como eu disse, é boato, não falo com certeza). Se for por ideologia política, quem te disse que é obrigatório crer nas mesmas coisas que você? A ele e a outros headbangers de meia pataca: o discurso foi isento de lados, cha-6-


Foto: Leandro Almeida

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mando os Headbangers (com letra maiúscula) a se unirem e mandarem os políticos se ferrarem. E “isento” significa “livre de concepções”, das concepções de um bando de panacas que acham que sabem de tudo! Acompanho o Korzus desde de 1986, quando comprei o segundo volume da SP Metal. Ou seja: “Príncipe da Escuridão” e “Guerreiros do Metal” fazem parte da minha raiz musical. Vi o grupo passar por poucas e boas que, se eu começar a citar, pode ficar algo gigantesco. E você defendendo canalhas que nem mesmo sabem que você existe! Pompeu te olhará nos olhos sempre, mas e os outros? Sabia que Pompeu (junto com Dick) segura essa barra desde 1983, quando a maioria dos leitores nem havia nascido? Pode falar para seu professor doutrinador (eles existem, nem adianta negar) ir para a Venezuela, e você pode ir junto. Eu fico com o Korzus. Você não é Headbanger que honra as calças. Não é um de nós! Na lata: você nunca lançou um “Sonho Maníaco”, “Mass Illusion” ou um “Ties of Blood”, lançou? Então, você não tem direito a falar. Também andei vendo publicações sobre Wagner, do Sarcófago. Não sei de muita coisa (e nem me preocupo), mas parece que ele apoiou Bolsonaro, e sinceramente? Danem-se! Bolsonaro, Haddah, macaco Tião, touro Ferdinando ou Seu Madruga, qualquer um tem a liberdade de apoiar e fazer campanha para quem ele desejar, e não é da conta de ninguém. “Ah, mas você acha certo o cara que gravou (...) apoiar um...” é a frase que alguns idiotas fala-8-


Foto: Marta Ayora

riam. Minha resposta é simples: se você não gravou “INRI”, “Rotting”, “The Laws of Scourge” ou “Hate”, você não fala. Vou mais longe: a banda de quem está falando mal é importantíssima para a consolidação do Death/Black Metal europeu, de forma que alguns músicos bem notórios já me falaram (fora de entrevista) que “INRI” é um clássico. Se fala apesar disso, não é um Headbanger. Aliás, Dr. Wagner, pois ele é professor universitário de Economia, com prêmios e participa de programas de pós-graduação na UFMG. Ou seja, ele não é qualquer mané que basta um paspalhão dizer que sua opinião importa. É sua, seu direito, mas não me importa. Você não é um de nós! O terceiro e último, que nem é brasileiro, é Tom Araya, do Slayer. Tom fez uma postagem em seu perfil no Instagram. Pronto: começa o pessoal a falar asneiras, a velha mania de meterem o dedo na cara do outro (por isso sou a favor de jogar a responsabilidade total da educação sobre os pais). Minha pergunta é simples: vocês acham realmente que possuem o direito de controlar a opinião alheia? Caramba, o que li tem contornos de algo que, embora real, tem um toque de ironia evidente. E novamente: Tom tem o direito de acreditar/falar o que bem desejar. Aliás, os conservadores que tantos odeiam fizeram mais pela economia e por seus países que Che Guevara e o bando que cisma que são heróis. Aliás, conservadores e liberais econômicos, no século XIX, são pais inclusive do modelo de bem-estar social visto no Norte da Europa (que era uma oposição ao modelo socialista da época) que a esquerda brasileira cisma que é socialista (Ah, a Noruega, -9-


uma monarquia parlamentar, é de esquerda? Monarquia? Vocês andam bebendo demais). Novamente: você lançou um “Show No Mercy”, “Hell Awaits” ou “South of Heaven”? Ou, pelo menos, um “Diabolus in Musica”? Sua banda marcou a história do Metal com “Reign in Blood”, um disco que é A Planta Baixa do Death Metal norte-americano? Então, você não fala. Você não é um Headbanger. Não é um de nós. Pode parecer que estou defendo as ideias deles. Não, não estou. O que pratico, inicialmente, é “posso não concordar com nenhuma das palavras que você disser, mas defenderei até a morte o direito de você dizê-las”, frase do filósofo Iluminista Voltaire.

Sua militância ou sua mania de censura politicamente correta é algo seu, não de todos, e especialmente, não te dá direito de se meter na vida alheia e dizer aos outros o que devem dizer/falar. Você pensa e age conforme achar melhor, os outros, a mesma coisa, e cada um no seu espaço. Agora, se insistir nisso, torno a dizer: Wagner, Pompeu e Tom, como outros, são Headbangers, e os defenderei como os valores que aprendi lá nos anos 80 pedem que eu o faça: Metal acima de tudo, e assim, não me importa etnia, ideologia política, gênero, nada. Agora, se quer debater, apesar de tudo, você não é um de nós... - 10 -


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Texto e Foto Thiago Almeida

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produtora Abraxas que realiza turnês nacionais e internacionais com um cast de mais de 50 bandas e celebrou em outubro a comemoração dos cinco anos de existência com a realização do festival Abraxas Fest em São Paulo e no Rio de Janeiro. Na capital Paulista, o line-up contou com respeitadas bandas e nomes em ascenção no cenário musical, como o grupo paulista Noala para a abertura da noite, a banda de doom metal brasiliense Into the Dust, conhecida como ITD e também a alemã Samsara Blues Experiment com seu stoner rock psicodélico. Escolhidos como headliners do festival e pela primeira vez no país, o conjunto de New Orleans, Eyehategod traz seu heavy metal para o palco do Fabrique Club. A banda que é referência para todas as bandas do subgênero sludge e percursora de uma carreira de mais de 30 anos com álbuns reconhecidos em seu estilo iniciou a apresentação com “Agitation! Propaganda!”, na sequência “Jack Ass in the Will of God” e a pesada “Parish Motel Sickness”. Em sua atual formação: Jimmy Bower (guitarra), Mike Williams (vocais), Brian Pat- 14 -


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ton (guitarra), Gary Mader (baixo) e Aaron Hill (baterista que entrou em 2013 no lugar do falecido membro original Joe LaCaze) fizeram uma apresentação visceral e intensa com um set-list que passou por diversas fases de sua carreira. O Eyehategod, cujo trocadilho do nome soa perturbador e insano em todas as suas definições, trouxe na sua estreia para o Brasil um show cru, com sonoridade suja, densa e agressiva, mas muito bem aproveitado pelos fãs de carteirinha que já aguardavam a passagem da banda pelo país há muito tempo. Mesmo não sendo conhecedor profundo da banda, nem do estilo, a missão que eles tiveram, além de massagear os ouvidos dos que os conheciam, é conquistar mais fãs. Para esse que vos escreve, posso acrescentar que eles fazem um papel importante, me conquistaram. Não saberei dizer se virei fã, mas ganharam meu total respeito pelo o que vi no palco. Eyehategod já pode voltar ao Brasil?

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Texto Samantha Feehily | Foto Banda/Divulgação

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onversei com o Bruno Paraguay, vocalista da banda Eminence, sobre o lançamento do EP Minds Apart, que além das novidades, falou um pouco sobre os planos e história da banda. Primeiramente gostaria de agradecer pela oportunidade, o Eminence é uma banda que tá na estrada desde 95, desde a fundação da banda até agora, na sua opinião o que mudou desde a sua entrada na banda? Eu que agradeço em poder falar um pouco da minha história e da banda. Muito obrigado! Voltando ali no final da década de 90, início do século XXI, estava eu e alguns amigos ouvindo várias bandas gringas e nacionais. A gente costumava se juntar e levar as bandas, músicas que descobríamos e compartilhar. Daí o som aumentava e nos víamos moshando na sala! haha Foi divertido. E no meio desse medley sonoro estava o “disco verde” do Eminence, regravado em alguma tape. “Chaotic - 20 -


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System”. Lembro ter achado sensacional, eu e meus amigos, achávamos que era uma banda gringa, saca? Daí só depois do lançamento do álbum Humanology, em 2006 (Na época já tinha um pouco mais de acesso à internet) que fui descobrir que os caras eram Mineiros, logo ali... Belo Horizonte. E de lá até minha entrada eu era apenas um fã que ia aos shows, colava na grade, mas achava péssima a falta de informação da banda, material na internet, variedade de merch e etc. E foi exatamente nisso que acho que deu uma mudada. Pois passei a cobrar e incentivar a geração de material, contato maior com o público além de ter trago um sangue novo, pois tem ai duas gerações diferentes de vivencias e influências musicais dentro da banda o que acabou também afetando um pouco o som. O que inspiraram vocês a compor o EP Minds Apart? Creio que inspiração não faltou. Já estávamos de um hiato de quase cinco anos do lançamento do anterior, The Stalker. A banda estava indo muito bem desde o lançamento. Fizemos duas ótimas turnês passando por quase todos os continentes do mundo entre 2013 e o final de 2015. Mas em 2016 a banda acabou presa na construção do studio, Eminence Studio, além de termos perdidos alguns familiares e amigos o que tornou inviável continuar com a loucura e ritmo que estávamos. A banda meio que parou de shows e até de ensaiar por um tempo, mas aí aquele sentimento que estava ali guardado dentro da gente, mais a ânsia de tocar, nos fez compor esse novo material, menos músicas, mas verdadeiro, pesado e trazendo uma nova cara pra banda sem deixar de ser o Eminence, saca? Esse EP acabou abordando muito esses assuntos como depressão, ganância e mensagens de autoajuda, porém de uma - 22 -


forma mais ‘in your face’, bruta de se dizer. A música que mais me marcou nesse EP novo foi a Obey, música que vocês escolheram pra gravar o clipe, que é sensacional na minha humilde opinião. Qual música pra vocês é a mais especial e que pode se encaixar no atual momento em que vivemos? Acho que eu escolheria duas. Minds Apart & Obey. São músicas que completam a outra. Que trazem uma mesma mensagem no final... Buscar seus sonhos, lutar contra as pessoas e coisas que te puxam pra baixo e obedecer seu coração. Acredito que cada vez mais, nesse mundo loco, rápido e incerto as pessoas tinham que se preocupar menos com bens, discursos de ódio e procurar entender melhor o real sentindo de sociedade, comunidade. Se ajudarem, perder menos tempo com coisas que te fazem mal e se jogar no que amam. Hoje em dia estamos passando por um momento de merda, você acha que a música ajuda a manter as mentes da galera separadas do que é certo ou errado? Acredito demais. Porém tenho visto cada coisa... Às vezes nós músicos brasileiros temos que cantar em português mesmo e o mais inteligível possível. Porque o que vi de hipocrisia por aí... gente pagando língua, se contradizendo, botando dedo na cara. Falando merda de bandas. Enfim... Acho que tem gente prestando atenção só nos riffs, velocidade de bumbo e/ou só tentando ser rockeiro descolado. Já estão pensando em gravar um full? Se tudo der certo... 2019 sai! \o/ Pretendem lançar algo em português? Pouquíssimo provável de acontecer. A banda - 23 -


tem um foco internacional desde de 1995 e temos colhido bons frutos. A ideia é chegar no máximo de lugares possíveis. Não só os riffs e a barulheira... mas a mensagem também. Como está sendo o retorno do público com o EP? Por enquanto tem sido algo bem surpreendente. Temos recebido muitas mensagens de lugares que a banda não tinha chegado antes. Estamos embarcando pra nossa segunda tour no México em 20 anos. Mais shows na América do Norte e Brasil. Views e plays aumentaram consideravelmente. Todavia só tivemos um feedback em 2 shows por enquanto. Então estamos ansiosos para começar essa tour do EP e ver como será olho no olho. O que você acha da cena metal nacional ultimamente? Cada vez mais nascem bandas excelentes. É um mercado, uma paixão que acredito que nunca deixará de existir. E tenho visto as bandas já chegando com um pouco mais de estrutura, se preocupando mais com a gravação, composição, imagem... qualidade em geral. Bom... ao menos tentam. É uma parada que o mundo digital meio que te “obriga” a ter. Hoje em dia é muito mais fácil gravar e ter seu som mais audível do que sei lá... 10 anos atrás ou mais. Já não é algo financeiramente exorbitante para começar. Mas o problema que isso gera muito imediatismo, o oba oba, e algumas pessoas esquecem que música sai de dentro pra fora. Além de faltar o lance do Empreendedorismo... Acredito que muitas bandas podem melhorar nesse aspecto também.

Nervosa, DJAMBÊ, Oceania & Desalmado. A cena mineira em especial é berço de muitas bandas que se destacaram do cenário metal/rock, como vocês, Sepultura, Sarcófago, Pense, Skank e por aí vai, como tá esse cenário local e o que Minas tem pra fabricar tanta banda boa? Será que é o feijão tropeiro? hahahahaha. Acredito que é tipo você crescer em um ambiente onde tem um nivel elevado de cultura, educação de exemplos bem sucedidos. A probabilidade de dar bom pra quem está crescen-

Quais bandas do cenário atual que você destacaria? Black Pantera, Pense, Riviera, Far from Alaska, Project 46, Expurgo, Ego Kill Talent, Carahter, - 24 -


Foto: Dedé Moreira

com eles e como foi o show? E nem preciso perguntar se eles são influências para vocês. Sempre foi e sempre serão. Não sei dizer exatamente, mas essa foi provavelmente a 5a vez que tocamos com o Sepultura. Tocar com uma das maiores bandas do mundo não é fácil, a responsabilidade é enorme. Porém toda essa ânsia e aflições acabam sendo, geralmente, recompensadas com a energia do público. O show na Audio Club foi incrível, tinha muita gente que não nos conhecia, então ao longo das músicas eu olhava pra cara da moçada e

do nesse meio é maior. E em Minas tem muito isso... Bandas como o Sarcófogo, Sepultura, Overdose, Chakal e tantas outras abriram o caminho. BH é considerada a capital do metal da América Latina. Décadas passadas tocar em Minas era o ápice do rolê. E quem fez isso foram eles junto com o público e produtores da época. Nos deixaram a inspiração e sempre saiu e sai coisas boas daqui. E claro aquela cachaça pra juntar isso tudo. hehehehehe Dia 27/10 vocês abriram para o Sepultura em São Paulo, como é dividir o palco - 25 -


Bom, pra finalizar, deixa um recado pra galera e o que podemos esperar do Eminence daqui pra frente, muito obrigado pela oportunidade. \m/ Mais uma vez agradecer o espaço, por esse “bate papo”. Sempre falo isso mas é real... Pessoas como vocês que fazem fomentar a cena! Não Para. Pra quem leu até aqui o meu muito obrigado também em nome dos meus manos da banda. E meu... sair de casa faz bem, menos shows em youtube e mais mosh pit na cara. Nos vemos por aí. Grande abraço!

eles pareciam meio tímidos com os olhos arregalados, daí a gente ficava meio sem saber o que estava rolando na real. Mas aí toda vez que acabava uma música rolava aquele grito da galera trazendo aquela energia pra gente. Foi foda! Depois de tantos anos de estrada ainda rola aquele nervosismo ou vai de boa? Sempre rola. Independente do show, rola. No dia que perdemos isso não haverá mais graça de estar em cima de um palco. - 26 -


Por Samantha Feehily (Wonder Girls )

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discurso comum que justifica as más escolhas amorosas resume-se a falta de sorte nas relações. Ouve-se frequentemente que gente assim, com pouca sorte, possui o “dedo podre”. Esta é uma expressão popular que define o comportamento repetitivo de indivíduos de boa índole escolher sempre pessoas de caráter duvidoso para se relacionar. Quando não temos experiência suficiente, não conseguimos reconhecer imediatamente as características de um amor destrutivo, e aceitamos que o mesmo entre em nossas vidas. Entretanto, se estas escolhas se repetem com frequência é preciso aceitar o fato de que não são em nada casuais. É provável que exista uma parcela de responsabilidade daquele que aceita se envolver constantemente em relacionamentos com considerável risco emocional. Esta parcela individual precisa ser reconhecida, pois

enxergar a si e os próprios conflitos possibilitará experiências amorosas mais gratificantes no futuro e o amor bem sucedido poderá deixar de ser uma aspiração mística para se tornar opção. As pessoas entendem que para evitar a solidão terá que encontrar um companheiro, pois em sua última frase diz que teme envelhecer cuidando da família. Quem tem uma família para cuidar, normalmente, não se sente solitária. De outro lado, parece consciente de que nem todo homem é um bom companheiro e sabe que pode ser melhor ficar sozinha do que mal acompanhada. Entretanto, quando uma pessoa decide viver com outra, se não for apressada, ansiosa e má observadora, ela terá tempo de conhecer melhor aquele com quem quer ficar, o que aumenta as chances de que o relacionamento possa dar certo. Será que “ser feliz no amor”, ainda tem o sentido de encontrar uma espécie de “prín- 28 -


Mahge Mariotto

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cipe encantado”, cheio de qualidades e sem defeitos? Será que espera muito do que o amor pode lhe dar, e não investe seu interesse em outros setores de sua vida? É importante para os dois que cada um tenha também seus interesses pessoais, como trabalho, hobbies, expectativas que, para serem alcançadas, só dependam do esforço de cada um. Expandindo seus interesses não irá focar excessivamente seu companheiro e, assim, ele não precisará ser perfeito para agradar-lhe. Observe melhor os homens pelos quais se interessar para que não diga depois que está “mal acompanhada”. Sobre o pavor da solidão, aconselho-a a ficar sozinha consigo mesma, a sair sozinha para um shopping, por exemplo, ou para ir ao cinema, pois talvez descubra que nem sempre estar só é tão desagradável; ao contrário, pode ter suas vantagens também. Como as mulheres podem mudar o radar que sempre aponta para os caras errados? Aprendendo com os erros. Se as experiências se repetem muito aponta-nos um conflito. Fazer escolhas azaradas faz parte da busca amorosa. No entanto, se isto for padrão de comportamento é preciso entender o que pode estar encoberto. E o que pode estar encoberto podem ser muitas coisas. Para mudar o radar que sempre aponta para os caros errados é necessário dar um basta, e isto só é possível (no caso destas mulheres) quando as mesmas conseguem ter um insight, que geralmente só acontece quando elas chegam ao esgotamento físico e emocional provocados por esta relação. O cansaço pode motivá-las a querer mudar o rumo das próprias vidas. Mas não é preciso chegar em situações limites não. Basta saber procurar ajuda. Perceber que o ‘padrão de escolha e comportamento’ é sempre o mesmo exige

percepção e tem que vir de dentro. Pode-se conversar, mostrar com dados da realidade que comprovam a infelicidade no relacionamento e os riscos emocionais que a relação traz, mas nada adianta se ela não entender isto internamente. Por que os “caras errados” são tão atraentes? Porque os “caras errados” dificilmente se vinculam de verdade. Conquistar aquele que não se submete a nenhuma mulher é muito atrativo, pois mostra o poder que se pode ter enquanto mulher. Os caras errados, muitas vezes, possuem um apelo erótico forte e sabem muito bem como jogar com isto. Aconteceu uma vez, duas, três. Você saía com um rapaz cheio de características que não te agradam, mas se acostumou, acabou gostando. Saiu desse relacionamento e entrou em outro igual. Se relacionar com o homem errado acaba se tornando um vício, quase uma doença. Uma vez que você se relacionou com alguém assim, vai buscar, mesmo que inconscientemente o que ele tinha em outros homens. Então, na verdade você acaba procurando eles, não é necessariamente você que atrai os errados – você os escolhe entre a multidão. Homens assim se caracterizam das mais diversas maneiras. Pode ser um homem muito egoísta, agressivo, ciumento demais, entre tantos outros adjetivos negativos. Para saber se seus relacionamentos costumam acontecer com o “cara errado”, basta analisar quantas vezes você se vê reclamando sobre ele e quantas vezes as pessoas já perguntaram: “Mas se ele é assim, por que ainda continua com ele?” e a resposta geralmente é “Não sei”. Acredita-se que algumas mulheres se - 30 -


Samantha Feehily

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Ari

sintam atraídas pelos homens errados porque eles desalinham a ordem da vida delas. Mulheres com a vida estável financeiramente e bem resolvidas também podem cair nas garras do homem errado, afinal já estão com a vida em ordem e precisam de um pouco de desordem para dar um toque diferente ao seu cotidiano. Porém, muitas coisas na vida você pode deixar em ordem, mas depois que começou o relacionamento com o homem errado, não adianta querer que ele mude, que ele se ordene por você. Se você se vê sempre nessas situações, se relacionando com homens que têm uma personalidade que não te agrada,

mas que sempre dão um jeito de te manter ligada neles, fique atenta e não caia mais nessa. O primeiro passo é se valorizar e lembrar que você não precisa de um homem para estar completa ou se sentir “alguém”. O segundo passo é evitar encontros com esses homens, fuja deles ao primeiro sinal de que ele possa ser o homem errado. O terceiro passo é mudar um pouco os hábitos, por exemplo, em vez de procurar um namorado no barzinho, por que não experimenta outra maneira de conhecer novas pessoas? Mude de ares. Se mesmo assim você continuar entrando em relacionamentos duvidosos, com homens que - 32 -


não te respeitam, talvez o ideal seja buscar aconselhamento de um psicólogo. Esse tipo de relacionamento que você busca inconscientemente pode estar ligado à outros fatos da sua vida e precisam ser analisados por um ângulo profissional para que você possa tomar o rumo certo e se livrar dessa dependência. Há também quem diga que mulher gosta de ser maltratada, porém essa é uma afirmativa um tanto duvidosa. Mulher gosta de carinho e atenção e, sobretudo, de ser respeitada. Quantas vezes você já ouviu alguém dizer que foi insultada pelo marido ou namorado e gostou disso? Espero que nenhuma.

Para um relacionamento ter mais chances de dar certo, é importante que ele seja fácil, que não dê muito trabalho, que um não fique querendo mudar o outro. Sendo assim, busque relacionamentos respeitosos, com homens que tenham uma personalidade compatível com a sua. Lembre-se, o homem errado de uma pode ser o homem certo para outra. Portanto não há porque se preocupar, achando que vai ficar sozinha, não tenha medo disso. Tenha medo de viver uma vida infeliz, busque a sua felicidade, mesmo que para isso seja preciso passar um pouco mais de tempo sozinha – em busca do parceiro ideal para você. - 33 -


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Texto e Foto Edi Fortini

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mês de outubro foi muito especial para os fãs de punk rock. Além dos shows do Flogging Molly que aconteceram em algumas cidades (fizemos a cobertura do show em São Paulo também nesta edição), os brasileiros também puderam contar com três shows do grupo americano Against Me!, nas cidades de São Paulo, Natal e Curitiba. Parafraseando as antigas propagandas de uma loja de departamentos: E não é só isso! De quebra, a vocalista mais querida por todos, Laura Jane Grace aproveitou para fazer um show com seu novo projeto, o trio Laura Jane and The Devouring Mothers no Centro Cultural São Paulo, fazendo da ocasião uma apresentação intimista e amistosa. Como se não bastasse, os fãs ainda tiveram um bônus: no mês de setembro foi lançada no Brasil a autobiografia de Laura, “Tranny: Confissões da Anarquista mais Infame e Vendida do Punk Rock”, e aproveitando essa ocasião, duas noi- 36 -


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tes de autógrafo em eventos gratuitos foram agendadas em São Paulo (evento que antecedeu seu show com o The Devouring Mothers) e Rio de Janeiro. A autobiografia de Laura narra sua trajetória durante sua transição para mulher transgênero, causa de qual Laura é conhecida por ser ativista, além de também ser feminista, vegana e anarquista. Assunto não falta com a Laurinha, como é conhecida por seus fãs brasileiros, que estiveram em peso em todas as apresentações agendadas. O show no CCSP começou com um pouco de atraso, pois Laura fez questão de atender a absolutamente todos os fãs que estiveram ao lançamento de sua autobiografia. Esse atraso não foi problema: todas as pessoas esperavam pacientemente sentadas no auditório até que o Laura e seus músicos adentraram o palco. A causa era bem válida. O trio é composto por Laura, Atom Willard (baterista) e Marc Jacob Hudson (baixista) e lançará seu primeiro álbum de estúdio, Bought to Rot, no dia 9 de novembro. O show em São Paulo teve pouco mais de uma hora, contou com 17 músicas e bastante conversa entre Laura e seu público apaixonado. Num determinado momento, uma fã entregou para Laura um cartaz com os dizeres: “#Elenão”, em alusão ao candidato eleito como novo presidente da república do Brasil, Jair Bolsonaro, que em entrevistas manifesta-se como homofóbico e contra as questões da comunidade LGBTQ+. Laura mencionou que por todos os lugares em que ela passou, aquele cartaz foi entregue e que se tratava de uma questão importante. Esses primeiros shows do Against Me! e desse seu novo projeto foram muito bem sucedidos, com casas cheias e público bem empolgado, o que marcou uma excelente sintonia entre público e banda, juntos nos mesmos pro- 38 -


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pósitos. Esperamos que Laura e seus músicos não demorem mais tantos anos para retornar ao país, assim como esperamos (e lutaremos para) que os direitos das pessoas LGBTQ+ e de outras minorias não sejam cerceados, pois somos todos igualmente seres humanos! Laura Jane é uma verdadeira inspiração para todos nós!

5. The Friendship Song 6. Amy AKA Spent Gladiator 1 (The Mountain Goats cover) 7. Screamy Dreamy 8. China Beach 9. Dilaudid (The Mountain Goats cover) 10. Born In Black 11. I Hate Chicago 12. Vancouver Divorce (Gordon Downie cover) 13. The Hotel Song 14. Valeria Golino 15. The Acid Test Song 16. The Airplane Song 17. The Apology Song

Setlist: 1. Manic Depression 2. Amsterdam Hotel Room 3. Conceptual Paths (Laura Jane Grace song) 4. Apocalypse Now (& Later) - 40 -


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Texto Pei Fon | Foto Banda/Divulgação

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volta dos que não foram. Cai até bem no contexto, mas o que falar da volta do Jackdevil? É de concordar que seria difícil ver outras caras nesse quarteto maranhense. Pois bem, pra quê mexer em time que está ganhando? O retorno de dois integrantes recolocou a banda de São Luís de volta ao circuito Metal e já chegaram com música nova e propostas para o futuro. Um salve galera. É metal do Nordeste. Confira o que Ric Mukura falou para nós. Primeiro de tudo galera. O que fez o Andre Nadler e Filipe Stress voltarem? Primeiramente, gostaria de agradecer pelo apoio, pela divulgação e o espaço cedido aqui! Quanto a pergunta, eu diria que foi uma soma de fatores. Nos perdoamos por algumas mágoas passadas, passou-se um tempo para ajudar a organizar questões pessoais, bateu a saudade... Nós quatro vivemos e lutamos pelo Jackdevil por anos, de maneira ininterrupta. Tem muito suor dos quatro nessa banda. Sempre tivemos uma ligação muito firme; hoje vejo que esse retorno era natural e inevitável. No retorno vocês falam de uma ‘missão a cumprir’. Que missão é essa? - 44 -


Foto: Kel Commim

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A missão de continuar lutando pelo metal, manter o grito de resistência, levar pra frente a música que nós amamos. Não deixar a chama apagar! Música nova no pedaço, podemos presumir que virá o terceiro álbum. O que pode nos adiantar sobre? Com certeza. O lançamento do disco está previsto para o primeiro semestre de 2019, e o que posso adiantar é que ele vem mais rápido, mais agressivo, mais maduro. Mantemos nossas influências do Thrash old-school, do Heavy Metal oitentista e do Speed Metal. Acima de tudo, como acho que o single demonstra bem, o Jackdevil se mantém como Jackdevil, não fugimos de nossas raízes. “Metal Madness” está disponível para a audição. Como tem sido a resposta do público com esse novo play? Extremamente positiva, felizmente, o que nos mantém com uma expectativa muito boa para o próximo álbum. Acho que conseguimos manter a essência do nosso som, mas com uma boa evolução, sem se estagnar. Isso faz com que quem gosta do estilo da banda goste do material novo – ainda é o tipo de coisa que esperam ouvir da gente, mas sem ser apenas mais do mesmo; sem ser um “cover do Jackdevil”, por assim dizer. Também vimos uma resposta muito positiva sobre a qualidade da gravação, trabalho da Atom Music Lair, parceria do Filipe Stress com Chris Wiesen. O Filipe já produzia nossos materiais desde o Evil Strikes Again, o que facilita muito na hora de chegar ao som que queremos.

Pessoalmente, fiquei feliz que a resposta foi tão positiva como tem sido. Particularmente, aprecio muito os memes que vi de “eu quando ouço que o Jackdevil voltou com a formação original” hahaha.

Vocês pegaram o povo de surpresa, o que vocês leram por aí? Foi divertido, ficaram espantados, impressionados com algo?

Diante do atual cenário brasileiro de caos político e econômico, o que vocês têm a dizer sobre? E esses ataques ao Nordeste, como enxergam esses atos de - 46 -


xenofobia até mesmo de gente da própria cena? Acho uma lástima. Ver um candidato fascistóide não me surpreende, mas é uma pena ver tanta gente do nosso meio se aliando a esses ideais. Ver minorias idolatrando um ser que diz que “as minorias têm que se curvar às maiorias”... Enfim, o povo nordestino historicamente sempre viveu debaixo de uma opressão muito forte, mas ainda assim encontra espaço

para sorrir e mostrar o seu valor. Os xenófobos estão mostrando a verdadeira face. Quando eventualmente esse momento atual passar, o que foi dito continuará como uma mancha na vida deles. Isso só nos motiva a nos mantermos firmes e de cabeças erguidas, a lembrar do caminho que trilhamos até aqui. Nós sempre lutamos muito para conquistar nosso espaço numa cena cujo eixo está, essencialmente, no Sul e Sudeste; não é um punhado de acéfalos - 47 -


que vai nos desestimular de seguir em frente e manter a luta. ‘O grito de resistência’ de vocês surge até nesse momento mais complicado que vivenciamos. O fã da música pesada pode soar antagônico para aquilo que sempre pregou, mas que agora, nessa eleição, se mostra o contrário? Não acho que seja obrigação de ninguém se tornar militante ou se envolver com política de alguma forma direta simplesmente por curtir som pesado, mas de fato existe uma veia ideológica muito forte no gênero, e quem escuta deveria no mínimo estar ciente disso. O ser humano é um animal político. O grito de resistência do Heavy Metal é um ato político. Não fazemos esse tipo de música em busca de dinheiro; se fosse o caso, eu estaria tocando sertanejo universitário ou algum outro estilo mais vendável para as massas. Direta ou indiretamente, é através do metal que nós nos expressamos. Por mais que um indivíduo discorde do posicionamento dele, reclamar que o Roger Waters faça uma manifestação política no meio do show é, para não usar outros termos, incoerente. Vejo outro grande exemplo de incoerência quando alguém que escuta som extremo, se proclama inimigo do cristianismo, mas vota em um candidato que se diz contra o estado laico e a favor do Brasil como um Estado cristão. Nunca apoiaremos um candidato que almeja impor sua religião acima dos nossos direitos. Isso é uma mensagem muito fácil de se encontrar entre quase todos os artistas do nosso segmento. Voltando para a banda. Quais os planos para esse restinho de 2018? Temos algumas datas fechadas para novembro, em São Luís, Teresina e Paraíba, marcando a volta da formação original aos palcos. De - 48 -


Foto: RogĂŠrio Sousa

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Muito obrigada sempre. Fica aqui o espaço livre para as considerações finais. Sucesso! Obrigado novamente pelo apoio, esse trabalho é essencial para o fortalecimento da cena como um todo. Gostaria de agradecer também a todos que vem nos acompanhando, e pedir para que fiquem de olho nas nossas redes sociais que em breve lançaremos mais notícias a respeito do disco e da próxima turnê. Abração a todo mundo!

resto, é continuar trabalhando no disco novo, que atualmente está em fase de pré-produção. E já pensando em 2019, pode vir uma turnê, algo em especial como dvd? Certamente! O plano é lançar o álbum no primeiro semestre e então sair em turnê. Estamos acertando os detalhes ainda, mas quando tivermos datas mais concretas anunciaremos. Nenhum plano atualmente para um DVD, mas é algo que temos interesse sim de produzir. - 50 -


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Texto Bárbara Lopes e Fotos Katja Kuhl

C

om 23 anos de carreira, a banda sueca de death metal melódico Arch Enemy lançou seu décimo disco, intitulado “Will to Power”, segundo com a vocalista Alissa White-Gluz e primeiro com o guitarrista Jeff Loomis. Com uma formação sólida e um material que retoma as essências do Arch Enemy, a banda está em turnê e passará pelo Brasil neste mês. Conversamos com o icônico baterista Daniel Erlandsson, que entrou em detalhes sobre esse álbum e toda a carreira da banda. Oi, Daniel! Aqui é a Barbara, jornalista do Rock Meeting. Estou tão feliz em poder conversar com você! Daniel Erlandsson - Legal falar contigo. Como você está? Eu estou bem, melhor agora! E você? Eu estou bem! Eu tenho feito algumas entrevistas, e esta é a última por hoje. Então, vamos conversar um pouco? “Will to Power” retoma a essência pura - 54 -


Foto: Banda/Divulgação

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do Arch Enemy e nos mostra uma banda consistente. Em comparação a “War Eternal”, é mais forte e pesado, enquanto “War Eternal” soa um pouco experimental. Você acha que é uma fase “madura” do Arch Enemy? Eu acho que sim. Eu acho que esses dois álbuns representam a época em que nós os fizemos, se você voltar para “War Eternal”, foi uma época meio turbulenta para a banda. Nós tivemos mudanças na formação, especialmente apresentando uma nova vocalista, o que é um grande negócio para a banda, sabe. Naquela época, nós não sabíamos o que esperar do futuro realmente. É muito denso e tem várias coisas acontecendo naquele álbum. Enquanto isso, “Will to Power” tem um som mais aberto. Eu acho que a banda se sente um pouco mais confiante agora, a formação é mais sólida com Alissa e Jeff Loomis, nós estamos com essa formação há alguns anos e eu acho que por isso que “Will to Power” veio da forma como veio, porque é um pouco mais confiante. Você acha que a banda finalmente se encontrou nessa formação? Sim, no momento eu acho que a formação está bem sólida e forte. É bem difícil imaginar outra pessoa na banda agora. Você é coautor e coprodutor desse álbum. Como você contribuiu, especificamente? Durante o processo de composição desse álbum, eu e o Michael nos reunimos várias vezes por causa das guitarras. Eu toco um pouco de guitarra, o suficiente para fazer parte do processo de composição. Nós sentamos e gravamos ideias, criamos demos, criamos várias pecinhas desse quebra cabeça, desse grande quebra cabeça, e ao final as músicas estavam prontas para o estúdio. E agora, quando vamos - 56 -


ao estúdio, é basicamente apenas a banda. Nós não trabalhamos com um produtor externo. É basicamente eu gravando com os outros caras. Como você se sentiu e você já colaborou antes? Na minha opinião, eu acho que a maior parte dos álbuns do Arch Enemy foram similares durante o processo de composição, apenas nesse “Will to Power” que foi eu e Michael dedicando bastante nosso tempo nisso. Você gostaria de falar um pouco sobre o processo de criação? Bom, é como eu disse, eu posso tocar um pouco de guitarra hoje, o que me permite estar mais presente durante o processo de composição, porque quando escrevemos as músicas, na maior parte das vezes é começado com uma ideia na guitarra e todo o resto vem depois. Começa com um riff ou uma melodia, e geralmente é Michael quem vem com essas coisas, sabe, às vezes ele tem uma melodia e alguém descobre os acordes sob a melodia. E nesse aspecto, eu acho que o processo de composição tem sido o mesmo por toda a história da banda. Arch Enemy tem vários clássicos, como “Diva Satanica”, “Nemesis”, “We Will Rise”. Vocês já chegaram a pensar que essas músicas seriam um hit como são hoje? Não, essa é a resposta curta (risos). Quer dizer, quando nós estamos escrevendo as músicas é impossível de imaginar isso. Eu não sei, 20 ou 15 anos depois alguém diria que aquela é uma música clássica do Arch Enemy. No momento em que você está trabalhando com a música, você está apenas focando na melhor versão dela, sabe. Você consegue mensurar os impactos depois que a música é lançada? - 57 -


Não, especialmente porque quando a Alissa entrou na banda e nós lançamos “War Eternal”, o clipe foi o maior que nós tivemos, sabe, teve muita atenção e foi basicamente porque ela era nova na banda e houve mudanças de formação, e muitas pessoas estavam interessadas em ver o que estava acontecendo. Então, eu esperava que quando “Will to Power” fosse lançado, e quando nós lançamos o vídeo de “The World is Yours”, eu esperava que recebesse um pouco menos de atenção, porque Alissa já não é mais nova na banda, mas teve ainda mais atenção! Então, isso só mostra que a banda tem se tornado maior, o que é uma coisa ótima, são muitos anos de carreira, mas nós continuamos dando passos à frente. Em todos esses anos em que você está no Arch Enemy, você tem alguma experiência memorável que gostaria de compartilhar conosco? Você sabia que é bem difícil ter uma memória em 20, 23 anos? É difícil de lembrar. Quer dizer, além de que minha memória é bem ruim (risos), mas eu acho que a coisa mais gratificante sobre estar na banda, agora, é que nós somos sortudos o suficiente para sermos capazes de crescer. Quero dizer, como em muitas bandas, quando elas têm 20 anos de carreira, a banda começa a decair um pouco em sua popularidade. É a forma natural das coisas, sabe, evoluir. Mas eu fico bem contente que nós ainda somos capazes de continuar crescendo e evoluindo, o que é o principal para mim.

rias músicas, e eu acho que se a plateia está reagindo bem à música e a atmosfera está boa no show, qualquer musica é a minha favorita, se você me entende. Por exemplo, se estivermos tocando “The World is Yours” e a plateia está enlouquecendo, então vai ser a minha música preferida do momento. Eu não sei se isso faz sentido, mas é como eu sinto.

Você tem uma música preferida do Arch Enemy? Eu não tenho mais uma faixa preferida, mas eu gosto de tocar “First Day in Hell”, é uma nova música que começamos a tocar ao vivo. É divertido tocar ao vivo e tal, mas, sabe, quando nós estamos tocando, obviamente tocamos vá-

Claro, gostei muito da sua resposta! Eu já assisti a banda duas vezes aqui no Brasil e a atmosfera é incrível! Mas, vamos continuar. Você gostaria de falar um pouco sobre o Black Earth? Como - 58 -


Foto: Banda/Divulgação

vão as coisas? Bom, nós estamos planejando algumas coisas, mas eu não posso te contar muito porque ainda é segredo (risos). Mas, de qualquer forma, eu posso te dizer que fizemos uma pequena turnê no Japão alguns anos atrás para comemorar o aniversário de 20 anos da banda, foi essa a razão por trás. E logo menos será o aniversário de 20 anos de “Burning Bridges”. Talvez possamos anunciar algo em breve. Não posso te contar mais (risos).

Eu sempre espero que possamos visitar a América do Sul e o Brasil também, mas eu não sei se teremos as propostas certas. Eu acho que basicamente estamos tão ocupados com o Arch Enemy. Essa é a maior razão pela qual isso não está acontecendo. Você está trabalhando em projetos paralelos? Não, no momento, não estou. Mas eu fiz um show com minha antiga banda chamada Eucharist, um show de reunião há uns dois anos, e nós estávamos falando sobre continuar isso, mas eu não tenho tempo o suficiente, infeliz-

Ok, mas há alguma possibilidade de virem ao Brasil? - 59 -


Foto: Banda/Divulgação

mente. Se você ver nossa agenda de turnês do Arch Enemy, então você vai entender o motivo (risos).

sa mais irada a dizer, mas continua sendo um bom álbum (risos). O que mais posso dizer? Eu gosto de Kreator, com quem vamos tocar, é uma boa banda. Nós também estamos fazendo alguns shows fora do Brasil com o Helloween.

Você tem tempo de escutar algo novo? Você tem escutado alguma coisa ultimamente? Você poderia me dar um “top 5” do que tem escutado? É uma pergunta difícil porque é muito difícil eu escutar algo novo, principalmente quando é metal, mas eu ouço alguns new metal que eu gosto. Eu não tenho escutado nada novo que tenha me deixado realmente impressionado. Por exemplo, hoje eu estava ouvindo “High ‘n’ Dry”, do Def Leppard. E eu sei que não é a coi-

Desculpa, você quer uma lista de 5 músicas recentemente escutadas? Sim, eu gostaria que você compartilhasse conosco, se tiver uma. Ok, vamos dizer que eu estou ouvindo “High ‘n’ Dry” do Def Leppard (risos). É um bom álbum! - 60 -


É um dos primeiros álbuns que eu ouvi na minha vida. Então, eu acho que ele é bom.

anos, provavelmente mais de mil, eu não sei, talvez. E tem se tornado mais que apenas uma banda pra mim. É parte da sua vida quando você passa tanto tempo trabalhando em algo, sabe? Eu acho que é isso, é como eu penso.

Uma pergunta profunda agora, voltando ao Arch Enemy, é uma pergunta que eu sempre quis fazer a algum membro. Depois de todos esses anos de Arch Enemy, como você vê a banda agora? É uma pergunta complicada porque tem se tornado mais do que era quando começamos. No começo era, sabe, como uma reunião, como um projeto basicamente e nós não sabíamos se iria continuar e isso foi evoluindo ao longo dos anos, nós atraímos muitos fãs ao longo do caminho, fizemos muitos shows ao longo dos

Eu tenho outras perguntas. Na verdade, é uma curiosidade. Em 2012, nós ouvimos rumores sobre um novo DVD ao vivo. Além disso, ouvimos que os shows da turnê de “Khaos Legions” seriam gravados para esse suposto DVD ao vivo, incluindo o show de São Paulo. Era verdade? Nós podemos ainda esperar por esse suposto DVD? Sei que exis- 61 -


tem outros dois DVDs lançados com a Alissa, mas nós gostaríamos de saber sobre esse DVD da turnê de “Khaos Legions”. Sim, entendo o que você diz e eu lembro também daquela época. Mas acontece que aquela era acabou e a Angela parou de cantar na banda, nós gravamos alguns shows naquela turnê e nós tínhamos todo material, e tinha um material muito bom do Brasil, inclusive. Mas nós não temos mais a Angela na banda e não temos certeza se queremos lançar um DVD, porque a formação nem é mais a mesma que temos agora, se você me entende. Então, quando Alissa entrou na banda nós decidimos então apenas olhar para frente, e continuar trabalhando em direção a algo novo no futuro. Nós ainda temos esse material da turnê de “Khaos Legions”, mas eu não sei se ele vai ser lançado. Talvez, não sei. Sobre suas roupas de palco, eu percebi que vocês sempre mudam e é tipo de um “uniforme”. Quem teve essa ideia e quem cuida disso? Bem, tem sido diferente ao longo do tempo. Quero dizer, quando Angela estava na banda nós começamos a fazer isso. Eu acho que por volta de “Khaos Legions” nós começamos a desenhar roupas. E naquela época ela teve algumas ideias. Mas nós sempre trabalhamos juntos com alguém de fora, como um designer ou algo assim. Nós temos essas ideias e “o que você acha disso?”, e então você começa a colaborar com alguém, eles têm uma sugestão também, e eventualmente você vem com algo junto. É como tem sido, mas nós geralmente só temos uma ideia sobre, como um esboço de como queremos parecer, entende? E também como não queremos (risos). E Angela, como está? Ela está bem? Sen- 62 -


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timos falta dela! Ela continua sendo a empresária da banda, você sabia, certo? Nós temos contato com ela quase todos os dias, então ela está bem e está muito feliz trabalhando como empresária. Ela começou a trabalhar como empresária enquanto ela ainda estava na banda nos últimos anos. Ela percebeu que queria focar nisso em vez de fazer turnês e estar na estrada. Então, eu acho que está tudo bem, acho que ela está mais feliz como empresária que quando ela estava na banda. Ela está começando a gerenciar outras bandas também, recentemente ela fechou com uma banda chamada Amaranthe, é uma banda sueca.

Foto: Banda/Divulgação

O que você faz nas suas horas vagas? Quer dizer, você tem horas vagas? Bom, na verdade nós tivemos uma pequena pausa agora e é meio que a primeira em vários anos, mas normalmente é sempre o mesmo, tocando bateria e guitarra, sabe. Sem hobbies malucos. Você gostaria de me contar quais são suas influências e inspirações? Quando eu era mais novo e comecei a ouvir músicas mais pesadas, eu curtia muito a cena inicial do death metal. Como Morbid Angel e esse tipo de banda, sabe, e isso foi o que me inspirou a tocar como toco, inicialmente. E então, passados os anos, eu comecei a ouvir outros tipos de música, mas, sabe, parte de ser um músico é quando você toca por muitos anos e depois de um tempo você começa a desenvolver sua própria forma e, de qualquer forma, é que você comece a desenvolver seu próprio tom e é isso que eu estou considerando estar fazendo agora. Faz sentido? Não sei (risos).

plo, tem o cover do Megadeth (Symphony of Destruction), tem um cover incrível do Scorpions, The Zoo, e por aí vai. Existem vários e o que você pensa disso? Você gosta de gravar esse tipo de coisa? Sim, eu gosto. Gosto quando temos a chance de, na verdade, não só gravar um cover, mas também fazer algo diferente na música. É divertido também. Mas geralmente nós gravamos alguns covers na maioria das vezes, pra ser sincero, porque a gravadora quer que façamos isso, na maior parte das vezes. Mas nós somos sempre muito cuidadosos selecionando quais músicas estávamos tocando e eu não sei se você ouviu no último álbum, fizemos alguns

Você gosta de gravar covers? Por exem- 64 -


covers de bandas punks suecas. Essa ideia veio da época quando Michael e Sharlee eram jovens e tocavam punk antes de irem pro metal. Os dois eram crianças punks.

vamos procurando, mas quando começamos a trabalhar com Patric Ullaeus tudo se tornou bem mais fácil, e eu acho que ele é um pouco mais profissional nesse sentido. Eu acho que todos os vídeos que fizemos com ele são bons. Mas eu realmente gosto dos últimos vídeos feitos, como “The Eagle Flies Alone”, é um bom exemplo.

E sobre gravar video clipes, você gosta? Você tem um clipe favorito do Arch Enemy? Nós começamos a trabalhar com um sueco, Patric Ullaeus, há algum tempo, mas antes de trabalharmos com ele, nós sempre tivemos uma má experiência porque gravar um clipe pode ser muito exaustivo, sabe, você pode estar num set de filmagem, gravar e filmar por muito tempo e tocar a mesma música umas 50 vezes. Então é algo que facilmente não está-

Muito obrigada por responder essas perguntas, obrigada pela sua paciência, obrigada pela sua atenção. Eu estou bem feliz! Vou vê-los aqui em São Paulo. Ok, eu estou ansioso pelo show e talvez eu te veja lá. Quem sabe? - 65 -


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Texto e Foto Mauricio Melo

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abemos que estamos em “dívida” com nosso leitor que, de alguma maneira, acompanha nossas coberturas na Espanha. Diante de diversos contratempos acabamos por cobrir os shows no velho continente, mas sem conseguir encaixar uma publicação de qualidade. Para não dar o material como perdido e atualizar a galera. Estamos juntando tudo numa grande galeria com direito a “pitacos” sobre as bandas.

Bandas: Icarians, Malestar Social e Panellet Local: Razzmatazz 3 – Barcelona Data:29/09/2018 Para abrir nossa galeria temos três bandas para os fãs do Punk Rock Melódico. Um coletivo bastante animado chamado Icarians, na verdade o estilo da banda está mais para Ska do que para o Punk Rock. No segundo plano tivemos o Malestar Social, banda local que anda parada há algum tempo e apesar de não serem o grande nome da noite, boa parte do público estava na sala Razzmatazz 3 para vê-los. Um dos motivos da inatividade da segunda banda é a presença de um de seus membros no Panellet que, por estar mais ativo e ter mais público, acabou priorizando esta banda. O motivo da noite não foi nada mais nada menos que o lançamento de seu disco, Sputnik. - 68 -


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Bandas: Soziedad Alkoholika & Anal Hard Local: Razzmatazz 1 – Barcelona Data: 30/09/2018 No dia seguinte, subimos de sala. Passamos para a Razzmatazz 1, já comentado por aqui anteriormente, mas nunca é demais dar um repasso. Lendária sala onde foram gravados (entre outros) Loco Live dos Ramones e o vídeo oficial do Sepultura, Under The Siege. Desta vez tivemos a oportunidade de conferir o Soziedad Alkoholika, toda uma instituição na Espanha e que sempre reúne um bom e numeroso público. A abertura da noite ficou por conta do Anal Hard, hardcore puro e duro da localidade de Masnou e um dos grandes representantes da cena local.

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Bandas: Idolos del Estrarradio, Penny Cocks & The Movement Local: Estraperlo Club del Ritme – Badalona Data: 05/10/2018 Nosso Estraperlo Club del Ritme, que este mês estará completando 10 anos, recebeu, no início de outubro, a visita do trio alemão The Movement e suas letras anti-fascistas... Mas pera aí, alemães anti-fascistas? Mas o Hitler não era comunista e/ou socialista que no fundo é tudo a mesma coisa? Ah rapazes... A abertura ficou por conta do Penny Cocks que, ofereceu seu último show e a primeira banda da noite a pisar no palco foi a Idolos del Estrarradio com seu punk rock bem cru.

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Banda: The Baboon Show Local: Sala Razzmatazz 2 – Barcelona Data: 11/10/2018 Lamento mesmo não aproveitar a emoção e o calor do show para escrever uma resenha a altura, que é o que realmente este grupo merece. A apresentação do The Baboon Show é, nos dias atuais, a melhor e mais empolgante do continente. Há pouco mais de um ano, o quarteto sueco não passava de mero desconhecido quando tocaram no Barna N’ Roll (2017), como uma das bandas de abertura do festival, e foi justamente depois daquela apresentação que os espanhois descobriram e se apaixonoram por eles. Puro rock and roll, militante, com refrãos pegajosos e letras consideradas perigosas nos dias atuais em alguns países do mundo já que defendem o feminismo, a classe trabalhadora (explorada) e por conseguinte, as minorias. A banda está a todo vapor e não para de crescer. Após o já mencionado festival, meses depois lotaram o Estraperlo Club del Ritme e desta fez (um ano depois) fizeram o mesmo com a Razzmatazz 2, o que é um mérito e tanto.

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Texto Rômel Santos com Pei Fon | Foto Vinisius Zen

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Gosotsa é um impressionante grupo paulista que unificou música, artes plásticas, artes cênicas, literatura e performance, de forma consistentemente e coesa. Após a excelente repercussão do EP “O Sol tá Maior II” (2016) e do álbum de estreia “O Sol tá Maior III” (2018) nas plataformas digitais, preparam o lançamento do primeiro livro. Drannath, líder e principal mente criativa, nos conta mais sobre a carreira e os próximos passos deste audacioso projeto. Drannath, sendo a primeira vez do Gosotsa em nossas páginas, faça um breve resumo do início das atividades até o lançamento do álbum de estreia “O Sol tá Maior III” (2018). Drannath - Fala Galera! O Gosotsa veio para sacudir as esfinges corroídas pelo tempo e que consolidaram a pasteurização e ortodoxia da produção de arte em geral. Aqui, a ousadia não tem limites e a vergonha inerente às tradições lateja horror ao triste momento em que as artes, em geral, atravessam no momento. Lançamos nosso primeiro vídeo-single, ‘Tocar de Luas’, em 2011, que provocou certo alvoroço, devido à má impressão que o vídeo suscita, e lançamos mais dois vídeos no ano seguinte.

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Em 2014, gravamos um show/performance com poesias e duas músicas ao vivo. Em 2016, saiu o EP “O Sol Tá Maior II” e este fez bastante barulho na mídia e entre o público, com o vídeo de “Bjoo Polícia” atingindo mais de 530 mil visualizações no facebook. Agora lançamos o álbum “O Sol Tá Maior III” e estamos preparando cinco vídeos 100% ao vivo.

nifestações artísticas. Pra mim, um quadro tem tanto ritmo e melodia quanto uma música, quanto um texto literário e etc. O que fazemos tem uma coesão de linguagem estética, conceitual e energética tamanha que os quadros traduzem em cores e formas nossas músicas, por exemplo, ou vice-versa. Não são obras aleatórias, são complementares umas às outras e todas trazem o conceito, sensorial e estético, de “O Sol Tá Maior”. Difícil explicar em poucas palavras, é preciso conferir pessoalmente, mas é tudo muito forte, agitado, profundo.

Você é o líder e grande mente criativa do projeto Gosotsa, que abrange diversas expressões artísticas, dentre elas música, quadrinhos, pintura, teatro, literatura e outros. Conte-nos como todos esses elementos se encaixam dentro de um conceito. Eu realmente não vejo diferença entre as ma-

Após os lançamentos do EP “O Sol tá Maior II” (2016) e o primeiro álbum “O Sol tá Maior III” (2018), o quão é importante a expressão visual, como por - 80 -


exemplo, os vídeos “Tocar de Luas”, “Peito Aberto, Absorto”, “Ave Santa Acidez” e “Bjoo Polícia”? O Gosotsa é uma banda muito louca e carece de grande respaldo artístico para ser plenamente apreciado. Portanto, a expressão visual é de suma importância no Gosotsa, assim como as demais manifestações artísticas. No caso dos vídeos, estes amplificam a significação e a estética das obras, seja escancarando o que está nas entrelinhas das músicas, seja atribuindo-lhes novos significados. A música ganha muita força e o vídeo, com a música, se transforma em outra obra, com vida própria.

ções no facebook, obteve variados tipos de reações do público. Como você avalia essas impressões para continuidade do trabalho? Tivemos todo tipo de comentários. Desde os mais entusiasmados e vislumbrados até os mais raivosos e inflamados. Achamos muito legal esse tipo de reação, pois jamais houve indiferença conosco, mas, na prática, isso não interfere em absolutamente nada para a continuidade do trabalho. Não utilizamos os comentários positivos para estabelecer “fórmulas do sucesso” e nos dar o conforto de nos repetir, tampouco fazemos concessões para agradar aos haters. A variedade está no DNA do Gosotsa e cada lançamento é completamente diferente do anterior. Já temos o pró-

Destes, o videoclipe “Bjoo Polícia”, que já conta com mais de 530 mil visualiza- 81 -


ximo disco todo composto e já estamos compondo o seu sucessor, sem contar que faremos lançamentos com música eletrônica e também com música erudita, com sinfonias, quartetos de cordas e peças para piano. “O Sol tá Maior III” é o primeiro álbum do Gosotsa. Comente sobre as inspirações e processo de produção com Henrique Canalle. Este disco é o mais rico e variado do Gosotsa, e também o mais colaborativo. Tem letra do Élitra, nosso batera, tem guitarra da Malu, e também cada música foi composta de forma diferente. Teve música que foi composta no papel, na partitura, teve composição na base do improviso ao vivo, teve música feita no violão, no piano, a partir de uma letra… Também acho que é o mais maduro da banda, onde executamos as peças melhor do que nunca. Eu trabalho com o Canalle há uns 18 anos, começamos juntos (ele na produção e eu com banda) então a gente tem uma afinidade monstruosa, pois ele sabe dos meus gostos e entende de cara minhas expectaticas. Desta forma, a gravação deste disco fluiu muito fácil, sem patinações, em linha reta rumo à finalização, assim como o Sol II.

está meio que pronto para depois pensar em parcerias.

Na ficha técnica do álbum está explicito sua liderança. Você está aberto a colaborações e/ou parcerias com outros artistas? Claro que sim! Inclusive acabamos de compor uma música eletrônica em parceria com o DJ e produtor Bob Toscano. A questão, creio eu, não é estar aberto ou não à parcerias, o fato é que eu produzo muito e mal dou conta de executar e finalizar tudo que crio, que dirá entrar em parcerias. Infelizmente o tempo é escasso e a grana é curta, então é preciso ir finalizando tudo que é criado, se livrar disso tudo que já

Agora uma curiosidade, vocês lançaram o EP “O Sol tá Maior II” e o álbum “O Sol tá Maior III”. Entretanto, falta a parte I da trilogia. Porque essa inversão na ordem de lançamentos? Quando iremos conferir o “O Sol tá Maior I”? O volume I está gravado desde 2011 e tem 3 faixas inéditas, além das 3 lançadas na época no youtube. Eu gravei todos os instrumentos, sozinho. Como ele é muito louco, eu achei que era necessário ele ter mais respaldo artístico para sua melhor compreensão, conforme cita- 82 -


sical e comente sobre cada um. 1. Charles Ives: este realmente é meu maior ídolo na música de todos os tempos. É um compositor americano de música erudita do século XX e que, ao meu ver, fez a música mais avançada que existe até hoje. Ele deu a passagem do atonalismo, polirritmia e outras loucuras para o Gosotsa! 2. Chopin: suas peças de piano, cheia de sutilezas e detalhes e riquíssima harmonias abriram minha mente para criar música erudita. 3. AC/DC: a banda que eu mais ouvi na vida. Tinha diversos postes do Angus Young na parede e imitava seus movimentos na frente do espelho quando ensaiava com as bandas da

do anteriormente. Foi aí que escrevi livro, desenhei os quadrinhos com a letra de uma das suas músicas, pintei quadros etc. Nisso, o tempo foi passando e tivemos a primeira formação com músicos, e eu já tinha as músicas do volume II. Então gravamos e lançamos, trocou a formação e fomos seguindo em frente. Acho que já chegou o momento do Sol I e este deve ser lançado ainda este ano. O Top 5 Rock Meeting é uma pergunta tradicional em nossas entrevistas. Sendo a primeira vez do Gosotsa em nossas páginas, faça um top 5 das bandas ou músicos que influenciam seu gosto mu- 83 -


adolescência. 4. Raimundos: foi a única banda que eu realmente vivi, desde o primeiro lançamento no rádio onde vc levanta as orelhas, para tudo e se pergunta: “Que Banda É Essa?” até esperar o lançamento do último disco. 5. Bon Jovi: minha escola é toda do Hard Rock, era o que eu ouvia quando entrei na primeira banda, era como eu me vestia na adolescência. E o Jon Bon Jovi é uma grande influência vocal pra mim.

Iremos lançar uma série de vídeos ao vivo, cinco no total. Também lançaremos nosso livro, que estará disponível em breve para download para leitura em tablets, smartphones e kindle, e também lançaremos o EP “O Sol Tá Maior I”, finalmente! Estará disponível em todas as plataformas de streaming a partir de 11 de dezembro. Para o primeiro semestre de 2019, teremos lançamento de música eletrônica e erudita, além das gravações do nosso próximo álbum. O ano promete! Obrigado ao Rock Meeting e a todos os leitores, o trabalho de vocês é lindo e imprescindível para que a arte cresça e chegue ao público. Muito obrigado mesmo! Grande abraço.

Quais os planos do Gosotsa para os próximos meses? Obrigado pela entrevista. Deixe um recado aos nossos leitores. - 84 -


wHITESNAKE - 1987

Marcos Garcia é formado em Física pela UFF/RJ, Mestre e Doutor em Geofísica pelo ON/MCTIC/RJ. Headbanger desde 1983, é redator-chefe do Metal Samsara, colaborador da Rock Meeting, Metal Temple (Europa) e The Black Planet (Europa). Tem apreço pelos bangers e bandas mais jovens, respeitando o passado, esperando o futuro, mas sempre com a mente no presente.

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Axecuter - A Night of Axecution

Marcos Garcia é formado em Física pela UFF/RJ, Mestre e Doutor em Geofísica pelo ON/MCTIC/RJ. Headbanger desde 1983, é redator-chefe do Metal Samsara, colaborador da Rock Meeting, Metal Temple (Europa) e The Black Planet (Europa). Tem apreço pelos bangers e bandas mais jovens, respeitando o passado, esperando o futuro, mas sempre com a mente no presente.

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Mysteriis - About the Christian Despair

Marcos Garcia é formado em Física pela UFF/RJ, Mestre e Doutor em Geofísica pelo ON/MCTIC/RJ. Headbanger desde 1983, é redator-chefe do Metal Samsara, colaborador da Rock Meeting, Metal Temple (Europa) e The Black Planet (Europa). Tem apreço pelos bangers e bandas mais jovens, respeitando o passado, esperando o futuro, mas sempre com a mente no presente.

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Rotting Christ - Triarchy of the Lost Lovers

Marcos Garcia é formado em Física pela UFF/RJ, Mestre e Doutor em Geofísica pelo ON/MCTIC/RJ. Headbanger desde 1983, é redator-chefe do Metal Samsara, colaborador da Rock Meeting, Metal Temple (Europa) e The Black Planet (Europa). Tem apreço pelos bangers e bandas mais jovens, respeitando o passado, esperando o futuro, mas sempre com a mente no presente.

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Noturnall - 9

Marcos Garcia é formado em Física pela UFF/RJ, Mestre e Doutor em Geofísica pelo ON/MCTIC/RJ. Headbanger desde 1983, é redator-chefe do Metal Samsara, colaborador da Rock Meeting, Metal Temple (Europa) e The Black Planet (Europa). Tem apreço pelos bangers e bandas mais jovens, respeitando o passado, esperando o futuro, mas sempre com a mente no presente.

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HellArise - Functional Disorder

Marcos Garcia é formado em Física pela UFF/RJ, Mestre e Doutor em Geofísica pelo ON/MCTIC/RJ. Headbanger desde 1983, é redator-chefe do Metal Samsara, colaborador da Rock Meeting, Metal Temple (Europa) e The Black Planet (Europa). Tem apreço pelos bangers e bandas mais jovens, respeitando o passado, esperando o futuro, mas sempre com a mente no presente.

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Foto: Pablo Teixeira e Charles da Silva

Zombie Cookbook - Outside the Grave

Marcos Garcia é formado em Física pela UFF/RJ, Mestre e Doutor em Geofísica pelo ON/MCTIC/RJ. Headbanger desde 1983, é redator-chefe do Metal Samsara, colaborador da Rock Meeting, Metal Temple (Europa) e The Black Planet (Europa). Tem apreço pelos bangers e bandas mais jovens, respeitando o passado, esperando o futuro, mas sempre com a mente no presente.

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Texto e Foto Edi Fortini

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esse mês de outubro, tivemos o imenso prazer de contar com o retorno dos americanos (de alma irlandesa) do Flogging Molly para três shows no Brasil, nas cidades de Curitiba, São Paulo e Rio de Janeiro, durante a turnê de divulgação de seu mais recente trabalho, “Life is Good”. Em São Paulo, o show aconteceu no Carioca Club, no dia 06 de outubro, às vésperas do primeiro turno das eleições para presidente, senador, governador e deputados no país e contou com uma casa cheia e com um clima muito festivo, como sempre acontece nos shows do grupo. Para início e aquecimento da noite, os paulistas do Rebels & Sinner cumpriram muito bem a missão de introduzir o clima celta na galera que aos poucos foi enchendo a casa, com um som muito coerente, festivo, bem feito e com músicos muito bem engajados. A apresentação foi bem curta e deixou um gostinho de “quero mais”. Espero que essa abertura seja a porta de entrada para outros shows do grupo por aqui, pois vale muito a pena. - 96 -


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O grupo é formado por Fernanda Pfaffenbach nos vocais e violinos, Renato “Gordo” dos Santos nos vocais, guitarra e violão, Jonathas Peschiera no baixo, Felipi Silva na guitarra e Gabriel Vacari na batera e apresentou com um repertório de apenas 8 músicas, com direito a algumas versões, como a de Bella Ciao, que recentemente ficou conhecida como tema de abertura do seriado Casa de Papel, mas que se trata de um hino anti-fascista, utilizado na guerra civil italiana entre 1943 e 1945. Ficou o recado do grupo. A temática principal das composições trata de toda a história dos confrontos no reino unido traçando uma linha do tempo, desde o período celta até as batalhas lutadas pelo IRA. Pouco tempo após a pausa da abertura, é hora dos reis da noite adentrar o palco, com muitas palmas, gritos, cerveja e ótimas vibrações. Formado em 1997 pelo cantor irlandês Dave King, o grupo ganhou notoriedade ao lotar casas da América do Norte, Europa e Ásia e atualmente conta com: Dave King (voz/guitarra), Bridget Regan (flautim/violino), Dennis Casey (guitarra), Matt Hensley (acordeom), Nathem Maxwell (baixo) e Mike Alonso (bateria). O repertório deu conta de boa parte da trajetória do grupo, se iniciou com “(No More) Paddy’s Lament”, seguida de “The Hand of John L. Sullivan”, já emendando com “Drunken Lullabies”, certamente uma das mais aguardadas da noite. O público na noite fez um show à parte, acompanhando a cada acorde, cada palavra, o que tornou fácil a vibração ressonante entre público e banda. King é sempre um cara muito carismático, que conversa muito com a plateia e a mantém acesa do primeiro ao último segundo no palco. Ainda da noite, ele também comentou sobre as vésperas das eleições, pedindo consciência e equilíbrio aos brasileiros. - 98 -


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Com mais de duas horas de show, após uma breve pausa, o grupo ainda voltou para o bis, que contou com um tributo à Aretha Franklin, “Crushed (Hostile Nations)” e “Salty Dog”, que fechou oficialmente o show, logo quando Denis Casey e Nathen Maxwell se jogaram nos braços dos fãs. Setlist Rebels and Sinners: - Julie Delaney - Till the bottle strikes me dead - Poison Heart - Follow me up to Carlow - Mother Tree - Zombie - Bella Ciao - Day’s just Begun Setlist Flogging Molly: 1. (No More) Paddy’s Lament 2. The Hand of John L. Sullivan 3. Drunken Lullabies 4. The Likes of You Again 5. Swagger 6. The Days We’ve Yet to Meet 7. Requiem for a Dying Song 8. Life in a Tenement Square 9. Float 10. The Spoken Wheel 11. Black Friday Rule 12. Life Is Good 13. Rebels of the Sacred Heart 14. Devil’s Dance Floor 15. If I Ever Leave This World Alive 16. What’s Left of the Flag 17. Seven Deadly Sins Bis: 18. Aretha Franklin tribute 19. Crushed (Hostile Nations) 20. Salty Dog - 101 -


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Texto Valtemir Amler- Roadie Crew Foto Banda/Divulgação

O Impiedoso surge das cinzas do Imperium Tenebrae. O que vocês podem nos contar sobre os tempos do Imperium Tenebrae, como era o dia a dia em uma banda que ajudou o black metal a dar os primeiros passos em Santa Catarina? Nahash - Éramos todos bem jovens no início da década de 90, cheios de energia e revoltados contra uma sociedade que tinha seus princípios éticos baseados no que as igrejas ditavam. O Imperium Tenebrae era uma afronta direta e crua contra isso, e enfrentamos muitos problemas aqui na região por conta disso. Houve uma época em que o simples fato de andar pelas ruas da cidade usando roupas pretas era motivo para ser abordado e interrogado pela polícia. Calúnias e difamações contra aqueles que viviam o Black Metal aqui na cidade eram frequentes em rádios e jornais locais. Qualquer crime que acontecia aqui era imediatamente e infundadamente atribuído ao “pessoal de preto”. Era um verdadeiro caos, foram tempos complicados, mas lutamos e sobrevivemos (risos). Duas importantes bandas nascem com o fim do Imperium Tenebrae. Falando assim chega a ser estranho pensar que

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a banda acabou, é algo como o Nihilist, da Suécia, que deu origem a alguns dos principais nomes de lá. Por que a banda acabou, e como é a relação do Impiedoso com o Luciferiano? Nahash - Também sempre achei que não houve um “fim” para o Imperium Tenebrae. Tudo aconteceu de forma amigável, e sempre permaneceu assim. Simplesmente decidimos seguir por caminhos diferentes, mas paralelos. Então, pelo fato de termos o mesmo objetivo, nossa relação com os membros do Luciferiano é ótima, não vejo porque deveriam existir brigas entre as bandas de Black Metal... Nosso inimigo é outro! Ainda falando dos velhos tempos, pouca gente pensa o quanto o metal extremo é tradicional em solo catarinense, a maioria lembra apenas das bandas de power metal de SC. Mas black, thrash, death, grind, tudo floresce no Estado. Como você vê a cena extrema em SC, e, na sua opinião, o que leva os catarinenses a se identificarem tanto com o metal extremo? Nahash - Realmente, a cena extrema por aqui é fortíssima e vem de longa data, mas nunca parei para pensar sobre o porquê disso. Acredito que as outras regiões também tenham muitas bandas voltadas a esses estilos, apenas decidiram não se expor tanto, digo isso porque conheço muitas bandas, daqui e de outras regiões, que estão na ativa há muito tempo, e pouquíssimas pessoas conhecem, simplesmente optam por cercear o acesso à elas, levando a palavra extremismo ao pé da letra.

sido a repercussão do disco, e como se sentem hoje a respeito dele? Nahash - O disco foi muito bem recebido por todos os fãs de Metal. Ouvimos e lemos muitas críticas positivas sobre ele. O disco saiu exatamente como queríamos: cru e impiedoso. Então creio que atingimos nosso objetivo. Embora lançado em 2017, Reign in Darkness captura instantaneamente os fãs do black metal noventista, pois mantém intacta a aura e a sonoridade típicas da época. Essas características foram buscadas por vocês? Como chegaram nessa sonoridade?

Agora, chegando aos melhores dias. Acho que podemos dizer ‘melhores dias’, já que Reign in Darkness é realmente um disco avassalador. Como tem - 106 -


Nahash - Acho que posso dizer que conseguimos, de certa forma, saciar o desejo que muitos tinham de ouvir um Black Metal contemporâneo, mas que remete às origens do gênero. Impiedoso é, e sempre será, uma banda com essas características. Felizmente é algo que flui naturalmente na horda. Temos as raízes bem fincadas nos primórdios.

no que esse som venha tanto das velhas influências, que transitavam entre o hemisférios, quanto dos anos de experiência da banda, que soube moldar seu som, concorda? Nahash - Sim. Você conseguiu captar exatamente o que queremos: ao ouvir nosso som, ter certa dificuldade em comparar com outra banda. Quando compomos as músicas, tomamos extremo cuidado para que, mesmo de forma inconsciente, não estejamos “copiando” algo. Se compormos uma música hoje, por exemplo, você só irá ouvi-la daqui a um ou dois anos. Vamos ouvir ela incontáveis vezes primeiro, e lapidá-la (ou descartá-la) até acharmos que

Outra coisa bem interessante é que não é possível ‘geolocalizar’ o Impiedoso. Não é algo tipicamente brasileiro, nem algo nos moldes escandinavos... É uma mistura de tudo ao mesmo tempo, é black metal puro, sem delimitações. Imagi- 107 -


ela está “com a nossa cara”.

mas músicas na língua “universal”.

Em Reign in Darkness temos composições em português e em inglês. Ter composições em português é ainda um diferencial, pois embora as bandas estejam voltando a se interessar por isso, ainda é muito mais comum o inglês. Qual é o papel das composições em português para o Impiedoso hoje? Nahash - Preferimos, sem dúvida, fazer composições em português. Tem um poder de impacto muito maior aqui onde vivemos. Mas também acreditamos que o metal não tem fronteiras, e esse é o motivo de termos algu-

Reign in Darkness é também um disco longo, algo não incomum para o estilo, principalmente para uma banda que não pensa em tocar nas FM’s, certo? (risos). Mas, para vocês, qual é o equilíbrio perfeito entre a urgência sonora e as partes climáticas, ambas características típicas do black metal, e que aparecem de forma soberba em Under the Moon’s Domain, por exemplo? Nahash - Quando ouvimos uma música, qualquer que seja, é despertado ou enaltecido algum tipo de sentimento. Pode ser de ódio, - 108 -


Nahash - Temos a assessoria da Sangue Frio Produções para nos auxiliar nas divulgações, além das parcerias com a Impaled Records e Violent Records. Já temos shows marcados, mas queremos fechar uma turnê nacional para divulgar o álbum e comemorar os 20 anos de Impiedoso. Em breve anunciaremos as datas e locais.

tristeza, serenidade, enfim, qualquer coisa. E em nossas composições procuramos criar algo que desperte a fúria e também traga à tona aqueles sentimentos sombrios que todos carregamos. Não encontramos nenhuma fórmula mágica para balancear tudo isso em uma mesma música. Mas tentamos fazer o melhor que pudemos para ter essa combinação, essa essência maligna em cada uma delas.

Sabemos que vocês estão trabalhando em novas composições, certo? Elas deverão fazer parte de um novo ‘fulllength’, ou existem outros planos? Quando deveremos conhecer essas novas músicas?

E como tem sido o trabalho de divulgação de Reign in Darkness? Existem parcerias para a divulgação do álbum no exterior? E como tem seguido a agenda de shows de vocês? - 109 -


Nahash - Já temos músicas para um novo full, mas temos a intenção de lançar primeiro algum material em vinil, provavelmente umas duas músicas em um compacto. E uma delas será uma música do Imperium Tenebrae. Isso deve acontecer ainda esse semestre. Sobre o lançamento do novo álbum, tudo vai depender de como será nossa agenda de shows. Não vamos deixar de tocar ao vivo, pelo menos neste ano, para se dedicar totalmente às gravações. Mas na pior das hipóteses, será lançado no início do próximo ano. E para o pessoal ir conhecendo como ficará o novo trabalho, de tempos

em tempos lançaremos alguns ‘teasers’ sobre o que está por vir. Obrigado pela entrevista. Por favor, indique outras bandas catarinenses que os fãs do Impiedoso devem procurar ouvir. Nahash - Nós que agradecemos a oportunidade de estar aqui. Existem diversas bandas boas em SC, e fica difícil lembrar de todas. Vou citar as primeiras que lembro agora: Luciferiano, Great Vast Forest, Conspiracy 666, Orthostat, The Torment, Spiritus Diabolis, Oculto... - 110 -


Rock Meeting Nº 110  
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