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EDITORIAL

Piada

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iada é tão engraçado, não é mesmo? Mas sabe quando é mais engraçado? Quando o foco da brincadeira não é

você. Em poucos dias, todos os residentes no Brasil ficaram perplexos em ver pseudo promotores de eventos acabarem com o sonho de muitos fãs de um estilo musical. E sabe o que mais lamentável? Ainda ler nas redes sociais, blogs e sites pessoas que brincam com a condição dos que foram lesados por pessoas sem qualquer compromisso com o próximo, com a vida e com a música. Este fato, ocorrido em São Luís, foi, se não o maior, absurdo ocorrido em terras brasileiras quando se falado em Metal. Milhares de pessoas enganadas por acreditarem num sonho que se tornou um verdadeiro pesadelo. Parte da equipe desta Revista esteve

no Metal Open Air e pode conferir de perto o que não foi feito pela organização do evento. Falta de esclarecimentos era o que matava a todos. Agora se pergunte bem antes de sair tirando piada para quem foi ao evento: você sabe por quanto tempo aquele seu amigo, colega, conhecido, parente ou vizinho passou para juntar todas as suas economias e ver os shows que foram prometidos? Não, né? Portanto, reveja suas atitudes e, ao invés fazer chacota da situação dele, compartilhe sua solidariedade. E sobre a repercussão do vergonhoso evento, volta o questionamento sobre a cena brasileira e suas figuras épicas. Até quando vamos tapar o sol com a peneira e não enxergar estes lobos em pele de cordeiro? Quem será que está certo? Quem está errado? Vejamos suas ações e julgue você mesmo...


CONTENTS 05 Doomal 10 Guns’n’roses 12 World Metal 16 Diário de Bordo - Paul McCartney no Recife 24 capa - Nervochaos 32 Abril pro rock 42 Mythological Cold Towers 48 Metal Open air 58 Desalma 62 Warcursed 68 O que estou ouvindo?

EXPEDIENTE Direção Geral Pei Fon Revisão Yzza Albuquerque Capa Pei Fon Equipe Daniel Lima Jonas Sutareli Lucas Marques Pei Fon Yzza Albuquerque Colaboradores Breno Airan João Marcello Cruz Rodrigo Bueno Thiago Santos (Ilustração) Agradecimentos Alexandre Santos e Lula Mendonça Rádio Rock Freeday CONTATO Email: contato@rockmeeting.net Facebook: Revista Rock Meeting Twitter: @rockmeeting Veja os nossos outros links: www.meadiciona.com/rockmeeting

Divulgação


Por Rodrigo Bueno

(Funeral Wedding | requiem@funeralwedding.com)

Novos Rumos do Doom no Brasil

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ando continuidade à história do Doom Metal no Brasil que iniciamos na edição anterior, chegamos ao final da década de 90 com o nascimento da Lachrimatory. O que no início a banda fazia um Death/Doom com passagens funeral onde gravaram a demo que hoje está disponível em seu site, e que na época foi engavetada por não ter agradado aos integrantes e também havia entrado na banda o violoncelista, dando uma roupagem inteiramente nova para as canções. No início dos 2000, mais precisamente em Curitiba, tivemos o nascimento de uma cena jamais vista em todo território brasileiro voltado ao Doom e vertentes. Para qualquer amante dessa sonoridade a cidade oferecia além da boa música, um clima perfeito para os dias de “depressão”, e nessa época tivemos o surgimento de bandas como My Suffering, Sarx Thanatos, De Profvndis Clamati. Nessa época também acontecia algumas baladas “gothic” e que sempre era incluído no set do DJ algumas sonoridades Doom Metal e a medida que esses eventos iam adquirindo novos adeptos, mais a cena ia crescendo. Por volta de 2006 foi dado início a um projeto audacioso que visava divulgar tanto a “cena Doom” do sul do país (nada de bairrismo, mas por questão de logística) quanto o estúdio AvantGarde, cuja a ideia era mostrar a cara do Doom Metal brasileiro e tendo toda uma produção própria com um produtor envolvido com a cena. Após todo o projeto gravado, acabou sendo engavetado pois na época começaram as gravações para o début da banda Lachrimatory, além dos serviços do próprio estúdio. Ao final de 2006, tivemos ,o que pode ter sido um dos últimos eventos voltados ao Doom Metal naquela região, chamado “Overmetal Obscure Edition” com a participação das bandas: Vulkro (SC), Lachrimatory (PR), Dying Embers (PR), Hermetic Vastness (PR), Sarx Thanatos (PR) e Lemuria (PR) encerrando o ano de forma positiva, enchendo de planos para o ano seguinte, mas o que ninguém esperava aconteceu. A cena Doom foi morrendo aos poucos e tendo nos dias de hoje uma pequena parte que lutam aos trancos e barrancos para não deixar a chama apagar.

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A mesma movimentação que ia acontecendo em Curitiba, simultaneamente iam aparecendo bandas em diversas regiões do país. Em São Paulo, tivemos o surgimento de Dying Embrace em 2002 e, em 2003, o Abske Fides. No Ceará tivemos, em 2005, o nascimento da Lacryma Sanguine, tendo seu EP lançado em 2008 e sendo distribuído pelo selo norte americano Killzone Records, obtendo uma boa aceitação nacional e internacional. Para 2009, a banda começou os preparativos para o lançamento de seu début, mas parece que uma nuvem negra pairou sobre eles e o projeto acabou estacionado devido a alguns integrantes que deixaram a banda e também um problema com o estúdio que acarretou todo o impasse. Mas para esse ano, ao que tudo indica, a banda irá lançar o tão aguardado début pelo selo chileno FunerART. Vindo de Goiás temos a “In the Shadows” que surgiu em 2000, tendo sua demo “Nas Sombras” lançada em 2002. Em 2010 foi lançado o full-lenght “Bleeding Tears” contendo as faixas da demo e 2 bônus. Também, em Goiás, temos o nascimento da Apocalyptichaos, tendo seu som calcado no Doom/Death Metal com a inserção de alguns vocais femininos. A faixa, que tem disponível em seu Reverbnation, me lembrou bastante o Paradise Lost da época do Gothic, mas com um algo a mais. Agora nos resta esperar pelo début que deverá chegar no final do ano. Novos Rumos O ano começa com um projeto idealizado pela vocalista Ellen Maris (Apocalyptichaos) que é a União Doom Metal Brasil, que visa o fortalecimento do grupo/cena, onde o primeiro passo já foi dado que é a coletânea “Doomed Serenades”, que conta com 10 bandas ativas da cena nacional e tendo seu lançamento previsto para o próximo mês. Segue abaixo a entrevista que fiz com Ellen e que nos dá um melhor entendimento sobre a União Doom Metal Brasil. Como surgiu a idéia para a União Doom? Aconteceu de forma natural. Tenho uma banda, a Apocalyptichaos. Assim como a maioria das bandas de Doom no Brasil, eu tinha muita vontade de conseguir levar nossa música aos quatro cantos do país, mas enfrentávamos bastante dificuldades até mesmo para encontrar shows que “coubessem” bandas nesse estilo. Era mais fácil conseguir um espaço no exterior do que em nosso próprio país. Em Goiânia, onde moro, temos vários festivais, mas nenhum deles é voltado ao Doom. Os produtores ficam temerosos em relação a aceitação do público, enfim. Tivemos a sorte

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de encontrar outra banda de Doom por aqui, a In The Shadows, que passava pelas mesmas dificuldades que nós e, dessa forma, passei a atentar sobre a tal situação no Brasil, para bandas como a minha, como a de meus amigos, que tinham uma bruta qualidade, porém poucas chances de poder mostrar o que sabe, ao vivo, em festivais. O primeiro passo foi pedir colaboração aos produtores de eventos locais, oferecendo apoio e parceria em troca. E a partir de então, começamos a tocar dentro do estado, em festivais com o mais variado tipo de público e, para nossa surpresa, a aceitação foi muito boa. E como você vê esses 4 meses de grupo? Superou todas as expectativas. Eu contava com colaboração, mas sinceramente, achava que fosse acabar tendo que fazer o trampo todo sozinha. Mas não foi assim. A União é um grupo de pessoas com “sangue nos olhos”, ansiosas para ver a coisa funcionar, para ver acontecer. A maioria ali tem corrido atrás todos os dias, fazendo divulgação, criando novas ideias, colocando em prática nossos planos e metas. A verdade é essa. Muita gente com vontade se uniu e resolver fazer a vez do Doom Metal acontecer no Brasil. A coletânea “Doomed Serenades” foi o primeiro grande passo da União, e existem algumas bandas que devido aos contratempos acabaram ficando de fora dessa primeira edição. Para quando você acha que sairá esse segundo volume? Muitas bandas ficaram de fora mesmo. No início de tudo, nos preocupamos muito em não deixar as coisas saírem do controle, pois a ideia é boa e tem tudo para dar certo. Dessa forma, tivemos o cuidado de antes fortalecer a ideia, depois expandi-la. Lidar com várias pessoas ao mesmo tempo nunca é fácil. Temos por volta de 15 bandas fazendo parte da União Doom Metal Brasil hoje. Mais do que isso, no começo, seria muito complicado. E acredito que foi o mais

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coerente, pois, conseguimos nos fortalecer em poucos meses e hoje já podemos abrir as portas à outras bandas de Doom que queiram fazer parte da União. A próxima coletânea está prevista para o ano que vem, com novas bandas. Certamente, com as próximas bandas que entrarem na União a partir de agora. O que você acha que ainda falta melhorar no cenário para encararem o Doom como uma vertente do metal e não um “bando de gente chorona”? Acho que o primeiro passo foi dado, a partir da “União”. Somos uma vertente do Metal em busca de respeito e reconhecimento pela qualidade de nosso trabalho. Acho que, ao invés de ficar reclamando que não temos espaço, que não somos aceitos, que não temos uma “cena” Doom verdadeira no país, como já disseram, estamos indo à luta e marcando nosso território, fortalecendo o estilo a partir do apoio mútuo que tem acontecido entre as bandas do gênero. Assim como o Eclipse Doom que é realizado em Joinville e é um evento voltado totalmente para o estilo. Você acha que com a União vários eventos desse porte surgirão para colaborar com o crescimento dessa vertente? Acredito que sim. É uma das propostas da União, o surgimento de eventos por todo o país a partir da organização das próprias bandas e apoiadores que estão agregados ao projeto. Penso que desta maneira, muitas bandas que ja chegaram a existir e hoje estão paradas por conta da dificuldade absurda que enfrentavam e ainda enfrentam para se manterem ativas aqui no Brasil, venham a se levantar, assim como novas bandas surgirão. Obrigado Ellen por essa pequena entrevista, e sinta-se livre para suas últimas considerações. Gostaria de agradecer pelo espaço cedido à entrevista e mais uma vez dizer a todos, aproveitando o momento, que a União está aberta a quem realmente quiser ajudar. Bandas, fãs de Doom, produtores... Entrem em contato através do email: uniaodoom@gmail.com e aguardem novidades. Em breve, teremos o site oficial da União Doom Metal Brasil.

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Film Magic

Sem Axl, Guns N’ Roses é induzido no rol da fama do rock Cantor foi vaiado pelo público; apresentação aconteceu com os exintegrantes da banda com Myles Kennedy nos microfones Por Breno Airan (@brenoairan | brenoairan@hotmail.com)

Por volta da 1h da madrugada do dia 15 do mês passado, Jack Dawson – personagem vivido por Leonardo DiCaprio no “Titanic”, de James Cameron – congelava no mar gélido do Atlântico Norte, há exatos 100 anos. E o grande iceberg (pleonasmo?) da noite do Rock and Roll Hall of Fame – ocorrido na mesma hora da tragédia do Titanic –, em Cheveland, no estado de Ohio, nos EUA, foi o polêmico W. Axl Rose. A cerimônia era justamente para a indução do Guns N’ Roses, julgada umas das mais importantes e perigosas bandas do estilo. É, essa festa do Rock and Roll Hall of Fame é sempre badalada. Mas os organizadores e críticos votantes que ninguém sabe quem são direito - veem nesse evento uma das maiores referências do que é realmente épico ou não. Bem, o Van Halen e o Alice Cooper penaram para serem de fato reconhecidos como lendas, segundo os preceitos de quem 10

faz e organiza essa cerimônia; por mais de dez anos esperaram pela tal indução. Copiosamente, o rol da fama chamou o Guns N’ Roses na esperança de juntar todo mundo. De fazer uma reunião. Essa era a real pretensão. No entanto, o cantor, compositor e único remanescente da formação original, Axl – Dizzy Reed ainda está nos teclados, mas chegou depois –, mandou uma carta para a organização, dizendo que não iria. E pronto. Pode-se citar na mesma oportunidade o Red Hot Chili Peppers, que acabou de lançar um excelente play, o “I’m With You”, que foi induzido ao rol e tudo ocorreu bem. Mas, espere, leitor. Não estavam lá Dave Navarro nem John Frusciante, guitarristas anteriores do grupo de Funk Rock, mas sim o atual, o fabuloso Josh Kilnghoffer. Nem por isso o público vaiou ninguém. Da mesma forma o Faces, que não teve a presença de Rod Stewart.


Já no discurso pré-indução, feito pelo líder do Green Day, Billie Joe Armstrong, quando foi falado o nome de Axl, vários suspiros negativos vieram na platéia. Antes de mais nada, o ‘mestre de cerimônias punk’ mandou todo mundo calar a boca. Afinal, Rose tem seu valor e canta com o coração e a alma, o que pouca gente faz hoje em dia, segundo ele. E estavam lá, Slash, Duff McKagan, Matt Sorum, Gilby Clark e Steven Adler, ovacionados depois de o grupo tocar “Mr. Brownstone”, “Sweet Child O’Mine” e “Paradise City”. Para os microfones, foi chamado o cantor do Alter Bridge e da banda solo do Slash – em consenso dos gunners –, Myles Kennedy, que deixou sua marca em cada canção. Izzy Stradlin, praticamente o criador dos riffs do primeiro CD da banda, o épico “Appetite for Destruction”, de 1987, não pôde comparecer – ele estava no Egito – e

agradeceu aos fãs. Axl, também. Ele esclareceu que aquilo, aquele comunicado, não se tratava de um press-release e que era sua voz ecoando. Agradeceu, surpreso, o apoio de alguns fãs por sua decisão e disse que “sinceramente, não queria desapontar ninguém. Cansa ser o fora-da-lei, mesmo quando ‘it’s only rock and roll’”. Sobre o rol da fama, o cantor, que tenta levar o nome da banda em shows demorados , comentou que “certamente não há informação suficiente para se fazer um julgamento [sobre as bandas que entram]”. Bem, a exemplo disso, o Rush, uma dos power trios mais cultuados do rock progressivo, não foi ainda induzido e a artista pop Madonna já. E olhe que o evento carrega “Rock and Roll” no nome! Muitas bandas boas estão de fora do rol, ainda. Espero que elas não congelem no mar gélido do ostracismo a caminho de Cheveland... USA Today

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Musical de rock O cartaz do musical “Rock of Ages” foi divulgado. O filme ganha as telonas em meados de junho e tem como protagonista o astro Stace Jaxx, interpretado pelo experiente Tom Cruise, que aprendeu a cantar e tudo para o papel. No longa do diretor Adam Shankman, de “Hairspray”, haverá canções de bandas como o Twisted Sister, Def Leppard, Journey, Foreigner e Poison. A história vai se passar nos idos de 1987. O elenco ainda conta com Alec Baldwin, Paul Giamatti e Catherine Zeta-Jones.

De volta aos quadrinhos O terceiro álbum do Kiss, “Dressed to Kill”,

foi ‘quadrinizado’ e deve chegar às bancas de revistas ainda neste mês de junho pela editora IDW. A ‘Parte 1’ da nova série de HQ foi feita pelo quadrinista Chris Ryall e tem quatro capas diferentes. Recentemente, o vocalista Paul Stanley afirmou que o novo álbum da banda, o “Monster”, que também tem previsão para sair em junho, é um dos melhores registros que o quarteto fez em décadas. Voo solo

O vocalista do System Of A Down, Serj Tankian, está com seu mais novo álbum pronto para chegar às prateleiras. “Harakiri” deve ser lançado no dia 10 de julho pela Reprise Records/Serjical Strike. No final do mês passado, o músico disponibilizou na internet o single “Figure It Out”.

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Bruce nas nuvens B r u c e Dickinson, vocalista do Iron Maiden, está criando a sua própria empresa de reparos em aeronaves, com base no sul do País de Gales, no Reino Unido. Dickinson, que também é um experiente piloto de aviões comerciais, fechou um contrato de leasing com o governo galês para instalar a Cardiff Aviation em um terreno de 12.000 metros quadrados no hangar de Twin Peaks, em Saint Athan, zona empresarial do País de Gales.


Glee estragando tudo O seriado de TV estadunidense Glee vai, em sua nova temporada, interpretar mais clássicos do rock. Dessa vez as ‘vítimas’ são as músicas “School’s Out”, do Alice Cooper; “We Are The Chmapions”, do Queen; “Forever Young”, do Bob Dylan; “Good Riddance (Time Of Your Life)”, do Green Day; e “Glory Days”, do Bruce Springsteen. Gafe olímpica Os organizadores das Olímpiadas de Londres, que acontecem este ano, entraram em contato com o empresário Bill Curbishley para agenciar uma possível participação do baterista Keith Moon no encerramento do evento. O único detalhe é que o ex-integrante do The Who faleceu há mais de 34 anos, vítima de uma overdose de remédios. O empresário respondeu ao chamado de forma descontraída, comentando que, se quisessem, os organizadores poderiam ir até o crematório de Golders Green, no Reino Unido, e tentar falar com ele através da ‘brincadeira dos copos’. Torture Sad O vocalista e compositor Vitor Rodrigues deu adeus ao Torture Squad após 19 anos de estrada, seis álbuns de estúdio e um DVD, mostrando toda a força do quarteto. Por ora, o grupo brasileiro deve ficar como um Power trio, com o guitarrista André Evaristo assumindo os vocais.

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Hating Courtney Frances Bean Cobain, filha da cantora do Hole, Courtney Love, com o ícone grunge Kurt Cobain, do Nirvana, comentou em seu Twitter que sua deveria ser banida daquela rede social. Sua genitora teria insinuado que o vocalista do Foo Fighters e ex-baterista da banda de seu falecido marido, Dave Grohl, estaria paquerando Frances. “Nunca tive nenhuma aproximação com Dave. Minha mãe devia ser banida do Twitter”, postou ela. Grohl, que recentemente tocou no Brasil, inferiu que aquelas afirmações eram infundadas.


Alice Book O lendário cantor e compositor Alice Cooper, o precursor do Horror Rock, terá uma biografia lançada no dia 1º de setembro deste ano. O livro se chamará “Welcome to My Nightmare” e contará desde a infância do garoto Vicent Damon Furnier e a paixão pela música e a temática obscura que carregou para seus shows performáticos até sua consagração artística. Novo single do Rush O trio canadense Rush acaba de lançar seu mais novo single do tão esperado novo álbum, “Clockwork Angels”, com previsão de lançamento para o dia 12 de junho deste ano. Outras duas canções já haviam sido lançadas nos últimos dois anos: as “Caravan” e “BU2B”. A disponibilizada “Headlong Flight” mostra um grupo engajado em sempre diversificar quando se fala em Hard Rock Progressivo. Enquanto isso, clique AQUI para ouvir a “Headlong Flight”.

Ouvindo no Face Para quem tem preguiça de acessar alguma rádio de rock especializada, o Facebook resolveu facilitar mais uma vez as coisas. A rede social, desde a noite desta terça-feira (17), começou a adicionar nas páginas de artistas e bandas o recurso “Ouvir”. Os usuários do Brasil poderão escutar as canções de seus grupos preferidos

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por meio do serviço de streaming Rdio, que é disponível aqui no país - nos EUA, por exemplo, são usados os Spotify e MOG.


Luto no rock Jim Marshall, que ajudou a moldar o som do rock and roll com seus projetos inovadores de amplificação, morreu. Ele tinha 88 anos. Seu filho Terry Marshall disse que ele morreu em um hospital na Inglaterra, na manhã desta quintafeira (5) após sofrer de câncer e várias derrames graves. Jim Marshall era conhecido no mundo da música por ter fundado a empresa que fabrica os amplificadores Marshall, que modificaram a música após a sua introdução em 1960. Van Halen com câncer “Não falei sobre isso antes simplesmente porque não me senti à vontade”, declarou. Em entrevista recente, o guitarrista Eddie Van Halen revelou que se submeteu a duas cirurgias ano passado para retirar novas células cancerígenas. A primeira foi na garganta e a segunda novamente na língua, onde o guitarrista já tinha feito operações anteriores. Questionado sobre o que seu falecido pai pensaria o vendo tocar com seu filho, Wolfgang,

Eddie se emocionou. “Não me faça chorar… Às vezes penso que Wolfie é ele reencarnado. Ele teria muito orgulho”. O Van Halen lançou um CD de inéditas, o “A Different Kind of Truth”, em fevereiro último. Ele marca a volta do vocalista David Lee Roth.

Jack inovando Depois de ter dito que nunca mais voltará com seu projeto primeiro The White Stripes, o vocalista, guitarrista e compositor Jack White teve uma ótima ‘sacada’; verdadeiro marketing apurado. É que da sacada de alguns prédios dos EUA, por exemplo, dava para ver alguns balões cheios de gás hélio ganhando o céu. Neles, em cada, um flexidisc contendo o primeiro single de seu álbum solo “Blunderbuss”, sem falar num cartão postal que vem junto. A canção “Freedom at 21” estará no disco a ser lançado no próximo dia 23 de abril, inclusive, produzido pelo próprio White. O músico disse que o play não é nada parecido com o que fez anteriormente.

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Marcos Hermes

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Sir Paul McArretado Ex-beatle fez mais de 50 mil pessoas no Recife se emocionarem com um show de quase três horas de clássicos. E eu estive lá... Por Breno Airan (@brenoairan | brenoairan@hotmail.com)

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Eu acho que sempre existiu essa, se me permitem, idiotice de que Beatles é melhor que Rolling Stones. E vice-versa. Particularmente, fui um desses garotos que não queria saber dos Fab Four. “Eles são muito engomadinhos”, pensava eu, com meus 16 anos. Mas o quarteto de Liverpool era perfeito. Demorei pra entender isso. Usavam o mesmo cabelo, a mesma roupa. A melodia encaixava em cada lacuna de nossas cabeças. E essa era a graça. As vozes de Paul McCartney e John Lennon tinham uma linha rítmica que poucas bandas podiam tentar imitar. A julgar os Stones. E a graça era essa: os Rolling Stones não tentavam ‘parecer’ com os Beatles. Mick Jagger possuía um quê de soul music. Suas vocalizações seguiam no caminho dos negros. Não havia uma trilha específica. Ele só ia falando com entonação. Os Stones, desta feita, não eram perfeitos. Desajeitados e desafinados aqui e ali, contudo, com a mensagem: “A gente pode fazer rock; você também”. E foi mais ou menos essa a máxima usada pelos Beatles depois que eles visitaram a Índia, em meados dos anos 1960. O som da banda mudou, a ideia de mundo, o contato com entorpecentes. E, à medida que o grupo crescia por dentro, se fechava por fora e uns não se davam mais com os outros – foi cogitada até a substituição de George Harrison no lugar de ninguém menos que Eric Clapton. Mas não. O sonho havia acabado em 1970.

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Palco principal. Estádio do Arruda em Recife

Tickets de acesso ao show de Paul McCartney


Os projetos de cada um foram aparecendo e o que mais se destacou foi o meu ex-bealte preferido: o sir Paul McCartney. O trabalho que fez com a banda Wings é primoroso. E ele mostrou isso ao vivo, no Recife, nos dias 21 e 22 do mês passado. Era a primeira vez dele no Nordeste. A prova disso era a interminável fila do lado de fora do Estádio José do Rego Maciel, o Arruda, que foi na verdade o anticlímax de toda a festa que estaria por vir. Bem, o que posso dizer é que virei fã do Paul depois desse espetáculo. Há uma simpatia única em cada um de seus gestos e tentativas de falar em português. “Pernambucanos! Recifianos [sic]! Povo arretado...”, arriscou ele, sendo ovacionado, sobretudo com risadas. O cantor e compositor aguentou, com a eterna ajuda de seus suspensórios, um show de quase 3h de duração. Pontualmente, como todo bom inglês, entrou no palco, amparado por dois gigantes telões na vertical, com “Magical Mystery Tour”. Eram 21h37 e o fôlego do teria que ser suficiente até a 0h15 do dia seguinte. McCartney, sem delongas, já emendou com a excelente “Junior’s Farm”. E assim o foi. Hit atrás de hit. “Jet” acendeu a galera, até o show chegar a uma parte mais acústica, onde foram tocadas as belas “Dance Tonight”, “Blackbird”, “Here Today” (dedicada ao amigo John Lennon), “The Night Before” (a primeira vez que ela foi tocada no Brasil) e “The Long and Winding Road”.

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Como eu, apenas 7% do público presente – mais de 50 mil pagantes – era oriundo de Alagoas. E como eu, pôde-se ver 100% dos celulares alçados para cima quando “Hey Jude” começou. As luzes dos aparelhos e o coro de ‘Na na na’ convenceram e fizeram muita gente verter lágrimas que não mais achavam que tinham. Eu não fui uma delas. Não naquele momento. “Let It Be” fez todas as gerações cantarem junto, bem como “Something”, uma das minhas prediletas dos Beatles, dedicada especialmente para o companheiro George Harrison, falecido há 10 anos. Falando nisso, o show realizado no Recife, no dia 21 – o que eu fui –, foi apenas quatro dias depois do ‘aniversário de morte’ da esposa do Paul, a Linda McCartney. Há 14 anos, ela, uma ótima fotógrafa, morria de

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câncer. E o sonho (quase) acabava para o sir Paul. Incubido deste luto necessário, o intérprete de “Yesterday” tocou não somente esta, mas “Maybe I’m Amazed” em homenagem à Linda. O fato é que ele não parou no tempo e já arrumou outro amor – e o ex-beatle tem muito a dar, mesmo prestes a completar seus 70 anos de idade. A milionária – creio que dinheiro não importe ao Paul – Nancy Shevell também ganhou uma singela homenagem: a mais nova música de amor dele, “My Valentine”, do recente álbum “Kisses On the Bottom”. Um petardo, sem dúvidas. E o público não se cansava. Talvez você, leitor, mas a plateia estava realizando e vivendo um sonho.


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Daí, vieram “Got To Get You Into My Life”, “Paperback Writer”, “Let Me Roll It”, “I’ve Got A Feeling”, a entusiasmada “Obla Di Obla Da”, o rifferama de “Day Tripper” e “Helter Skelter” e, enfim, a esperada “Live and Let Die”, um dos pontos altos da noite. Nunca gritei tanto na minha vida. Talvez pra sobrepor o barulho dos fogos de artifício que inundaram aquele ‘mar de gente beatlesque’. Copiosamente, eu e minha namorada, Mariana, fomos nos dando conta de que o espetáculo ia chegando ao

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fim. Paul e sua trupe – que o acompanha há dez anos – saíram e voltaram umas três vezes. Grande parte do desempenho do espetáculo se deu por conta Paul Wickens, nos teclados; Abe Laboriel Jr., nas baquetas – fantástico!; Rusty Anderson, nas guitarras; e Brian Ray, que se revesava na guitarra e no baixo. O público investiu mais um “Paul! Paul! Paul! Paul! Pow! Pow! Pow!”, cada vez mais rápido, parecendo onomatopéias para ‘pancadinhas’, no final. E ele voltou. “Até a próxima!”, inferiu McCartney.


Um “nãããããããããão” grandioso foi ouvido até nos estádios dos times adversários. O do time do Santa Cruz tinha/tem um eco maravilhoso... O que foi notado quando todo mundo cantou junto “Eleanor Rigby”, “A Day In the Life” e “Give Peace a Chance”. E, num xeque-mate primoroso em três jogadas – ou três belas canções do álbum “Abbey Road”, de 1969 –, Paul colocou todo mundo para se abraçar forte (falo dos casais) com “Golden Slumbers”. Algumas lágrimas fingiram fugir do meu rosto, mas eu apertei minha namorada

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e disse: “Vou cantar essa música pro nosso filho!”. E as lágrimas voltaram. Aquele momento era meu. Logo depois veio “Carry That Weight” e a magistral “The End”. Uma chuva de papel amarelo e verde e algumaoutra-cor-que-não-percebi veio em nossa direção. O show tinha valido todo o sacrifício. O sacrifício era ínfimo diante de uma realização como essa. Entrou pra história. Pelo menos, vou contar isso pros meus netos fãs de Rolling Stones...


Entrevista

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De passagem pelas terras alagoanas, os paulistas do Nervochaos conversou um pouco conosco sobre sua nova turnê, shows e sua vinda para Maceió. Acompanhe a entrevista feita com Edu Lane, baterista. Por Pei Fon (@poifang | peifang@rockmeeting.net) Fotos: Divulgação

Inicialmente gostaríamos de agradecer por esta oportunidade e, já dando início, quem é o Nervochaos? Apresentem-se para os nossos leitores. O Nervochaos foi formado em setembro de 1996 com a idéia de fazer um som nervoso e agressivo sem se prender a rótulos pré-estipulados e indo contra o modismo que assola a cena. Temos 3 demo-tapes lançadas, 5 CDs e diversas participações em coletâneas e tributos ao longo destes anos. Já fizemos diversas turnês pelo Brasil, América do Sul, e também pela Europa e Ásia. Tocamos ao lado de grandes nomes do cenário mundial, tais como Agnostic Front, Biohazard, Deesd of Flesh, Disgorge, Kreator, Monstrosity, Cannibal Corpse, Dismember, Vulcano, Krisiun, Possessed, Venom, Ragnarok, Belphegor, Carcass, Asesino, Divine Heresy e muitas outras mais. Este ano, estamos lançando o nosso novo (6º) CD “To The Death” via Cogumelo e também dando início a nossa mais nova turnê.

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Vocês começaram em 1996. Já são 15 anos de banda. Quem eram ontem e o que são hoje? Como vocês enxergam o passado? Nós estamos sempre em busca de evolução com a banda, em busca da nossa sonoridade própria, mas jamais deixamos (ou deixaremos) de ser fiéis as nossas raízes e a nossa proposta inicial. Ao longo destes 15 anos de banda, aprendemos muito, conseguimos evoluir bastante e estamos próximos de conquistar nossa sonoridade própria. Quando começamos, jamais imaginavamos lançar tantos CDs ou fazer turnês na Europa ou Ásia... Hoje vemos o quanto foi importante toda essa escola, esse aprendizado, em especial estar tocando ao vivo. Acredito que uma banda se faz ao vivo e procuramos seguir isso a risca, tocando em todos os lugares possíveis. Atualmente existem várias facilidades que no passado não existiam. O sucesso para nós é estarmos na ativa, lançando material, fazendo turnês... Sabemos que o estilo de música que fazemos não é para as massas, muito menos para qualquer pessoa. É algo


“Mal podemos esperar para chegar em Maceió”. muito especial para aqueles que realmente levam isso como um estilo de vida e não como modismo.

Um novo CD está saindo. Perspectivas, sensações... O que estão esperando com “To The Death”? Olha, é sempre muito gratificante lançar um novo CD, em especial com músicas inéditas. Temos muita curiosidade de como será a reação e a recepção do novo material por parte do público e também por parte da imprensa especializada. Fazemos o que gostamos, para quem gosta e não nos preocupamos em fazer parte de um determinado rótulo ou agradar uma cena em especial. Posso dizer que esse é o nosso melhor CD até o momento, com músicas bem trabalhadas mesclando peso e brutalidade na medida certa. São 13 músicas inéditas neste CD e temos participações especiais de guitarristas como Ralph Santolla (Deicide/Obituary), Jão (Ratos de Porão), Zhema (Vulcano), Antônio (Korzus), Bolverk (Ragnarok) e Cherry (Hellsakura). A capa foi feita pelo mestre Joe Petagno (Pink Floyd, Led Zeppelin, Nazareth, Krisiun, Angel Corpse,...) e

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o lay-out do CD foi feito pelo grande Fernando (Drowned). O material foi masterizado na Ítalia pelo Alex Azzali (Rotting Christ, Dismember, Grave, Marduk,..) e pela primeira vez teremos este CD lançado em formato de LP também.

Vocês estiveram poucas vezes no Nordeste. É uma região a ser conquistada? Estranho isso... Mas o país é tão grande que com certeza poderiamos ter uma melhor distribuição do nosso material. Nós fazemos shows pelo Nordeste desde 1997, quando fizemos a nossa 1ª turnê por aí, ao lado do Krisiun. É verdade que havia um intervalo muito grande entre as turnês pela região, mas isso já faz parte do passado, uma vez que temos visitado o Nordeste todos os anos. Com certeza qualquer região é uma região a ser conquistada e isso é uma batalha constante que travamos. Nunca nos damos por satisfeito e estamos sempre trabalhando forte para nos superar. Claro, ainda há muitas cidades pelo Nordeste e Norte do país que buscamos uma oportunidade de nos apresentar pela primeira vez e outras que procuramos sempre retornar.


E sobre os shows no Nordeste, no próximo mês vão pisar em Maceió pela primeira vez. O que esperam? E o que podemos esperar com o “To The Death Tour”? A cena no Nordeste do país é única e muito especial para nós. Somos sempre muito bem recebidos quando tocamos por aí e será uma enorme honra para nós podermos nos apresentar pela primeira vez em Maceió. Faremos um apanhado geral da nossa carreira nestes shows, passando por todos os CDs da banda, inclusive apresentando material do novo CD. A galera que já conhece pode conferir a banda ao vivo e os que nunca tiveram a oportunidade podem conferir a banda naquilo que fazemos de melhor, que é tocar ao vivo. Mal podemos esperar para chegar em Maceió.

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Ainda sobre os shows. Já fizeram muitos fora do país, abrindo o show para bandas importantes no cenário do Metal. Que sensação é esta que nós, meros leitores, não conseguimos entender? É bem difícil explicar isso em palavras... tente imaginar algo que você deseja demais, que você luta e se dedica muito para que se concretize. Daí, quando você consegue atingir o seu objetivo, há aquela sensação de conquista, de objetivo atingido. Fora isso, a troca de energia entre público e banda é algo indescritível também. Estar no palco, tocando


muito similar no mundo todo. São muitas nações mas há apenas um underground. O Metal desconhece fronteiras, culturas, religião, idiomas... Isso não é um modismo e sim um estilo de vida.

o nosso material para aquelas pessoas que curtem e nos apoiam é algo fantástico que não tem preço. Para nós não importa se é no Brasil ou no exterior, sempre damos 120% de nós em todos os shows.

Há diferença entre a receptividade do público lá fora com o brasileiro? Ou é o mesmo em qualquer lugar? O metal fala todos os idiomas? Headbanger é headbanger em qualquer local, com qualquer raça, religião ou condição social. Existem as diferenças culturas entre as nações, mas os headbangers tem uma postura

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É inevitável não falar sobre, mas nesse mês marcou o início/ fim do que seria o maior festival de Metal realizado no Brasil. Como se sentiram com o que não foi feito pela organização do festival? Não acho que é o primeiro festival de Metal realizado no país e só o tempo irá fazerr esquecer o evento... E não posso deixar de mencionar outros festivais excelentes (onde o direcionamento é para o estilo musical em questão) que acontecem anualmente no Brasil, tais como o Abril Pro Rock, Focaos, Porão do Rock, Zoombie Ritual, Setembro Negro e por aí vai.


Gostaria de saber de vocês: Top 5 das bandas que influenciam o som do Nervochaos. Explique um pouco sobre cada banda e destaque o álbum que faz a diferença para a banda. São várias bandas que influenciam a nossa sonoridade, mas vou citar cinco: 1. Motorhead – Banda clássica de sonoridade única capitaneada pelo avô do Metal Lemmy. Album: Iron Fist 2. Slayer – Banda clássica pais do estilo Death/Black Metal. Também possuem uma sonoridade única. Album: Reign in Blood 3. Cannibal Corpse – Banda clássica do Death Metal, certamente um dos pais do estilo. Album: Vile 4. Napalm Death – Banda clássica do

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Grindcore e também um dos pais do estilo. Album: Utopia Banished 5. Sepultura – Banda clássica, nacional e os responsáveis por apresentar o Brasil ao cenário METAL mundial. Album: Beneath The Remains

Por fim, com tantos questionamentos vagos que o Metal morreu e que não morreu, o que você pensa a respeito? Sucesso e nos veremos em breve. O Metal não morrei e jamais morrerá. Quem afirma isso não sabe o que fala. Obrigado pela excelente entrevista e pelo espaço cedido ao Nervochaos. Visitem: www.nervochaos. com.br


Abril Pro Rock 20 anos de pe 32


k, eso! 33


Sete mil pessoas prestigiaram o segundo dia, dedicado ao rock pesado. Por Daniel Lima (@danielimarm | daniel@rockmeeting.net) João Marcelo Cruz (@jota_m | jomarcelo_@hotmail.com) Fotos: Rafael Passos - Flickr

O Metal brasileiro passou recentemente por uma grande turbulência devido ao caos que se instaurou no Metal Open Air. Mas paralelamente a isso, o Abril Pro Rock completou 20 anos demonstrando a força que construíram ao longo de todos esses anos. Com muita maturidade e know-how, o festival deste ano trouxe bandas que, com toda certeza, tornaram esse aniversário inesquecível. O segundo dia do evento, contou com a participação de nove bandas, dentre elas três gringas. Apresentaram-se, respectivamente, Pandemmy (PE), Test (SP), Firetomb (PE), Leptospirose (SP), Hellbenders (GO), Cripple Bastards (ITA), Ratos de Porão (SP), Brujeria (MEX) e Exodus (EUA). Os pernambucanos da Pandemmy ficaram com a responsabilidade de dar as boas vindas à todos no APR 20. Eles fizeram um repertório baseado nos três EP’s da banda (Self Destruction, Idiocracy e Dialectic), mostrando o trabalho para aqueles que não conheciam a banda e a apreciação dos fãs que estavam presentes. O público ainda estava chegando e era pequeno, mas bastante empolgado. Na plateia tinha várias pessoas com a camisa da banda, um apoio à banda que estava tocando em casa. Pandemmy encerrou o show com a música “Troops Of Doom” do Sepultura. Mas, bom mesmo é coisa simples. Hardcore é bom mesmo em palco pequeno. No entanto, sendo no festival como o APR, de boa, a estrutura é legal pra ver as bandas em palco grande. Mas foi somente no final da primeira banda que começou o burburinho, “vamo nessa o Test vai tocar no chão!!”. Logo, fomos nos aproximando dos equipamentos enquanto os caras ainda estavam se ajeitando. Nosso pensamento era um só “Caraio! Que foda! O Test vai tocar aqui no chão no meio da galera!!” Só podia ser o Test mesmo, famoso por tocar em qualquer canto, principalmente na rua. Test pra quem não conhece é a banda-duo dos veteranos João Kombi e Barata (inclusive já escrevemos sobre eles aqui na edição #28).

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Test se apresentou no mesmo nível do público.

Acho que o fato do show ter sido cedo colaborou para que não houvesse um grande tumulto em volta dos caras. Mas mesmo assim uma quantidade legal de pessoas chegou junto, e uma galera mais seleta que já conhecia cantou e instigou muito ao som daquele grind/metal extremo, gostoso. Todo mundo junto e misturado, a energia era intensa. Por vezes os dançarinos mais instigados esbarravam em João. Houve ainda uma participação especial de James, do Facada, em uma música. Como de costume e se já não o suficiente, mais tarde, enquanto o Exodus ainda tocava lá dentro, a dupla ainda tocou mais uma vez do lado de fora do Chevrolet Hall, entre barracas de lanche e táxis. Sensacional! Os acordes soaram e a terceira banda já estava no palco. Firetomb era mais uma 35

banda representando Pernambuco no APR 20. Thrash Metal com uma pegada bem clássica e técnica. Na plateia, era possível ver que a banda já tem seu público. Que começavam a inflamar os primeiros circle pits, com o incentivo da própria banda. Os músicos pareciam muito bem entrosados e ensaiados. Classificaria como um show bem coeso. Hellbenders foi a quarta banda a se apresentar, foi a banda que mais fugia da linha metal/punk. Talvez por isso o público deu uma caída. Os goianos fazem um stoner com umas pegadas garageira. Aliás, Goiás tem se destacado por revelar bandas com essa pegada stoner. Foi um show bom, a banda cumpriu seu papel. Tem tudo pra se destacar justamente pelo fato de não se apegarem a algum público específico.


Na sequencia, sem dar nem tempo de voltar da fila da cerveja, o Leptospirose já começa no outro palco. Já conhecemos esse trio de outros carnavais. Os caras passaram aqui em Maceió na tour nordeste de 2008, tocaram na selvageria do Estacionamento Dimensão (Antigo cine Ideal). Foi ali que esses caras nos conquistaram. Então a expectativa pra esse show já era enorme. E a profecia se fez como previsto, dois zero um dois, depois de quatro anos, a fúria insana ressuscita outra vez. Confesso que em um primeiro momento foi estranho vêlos ali naquele palco imenso, mas a cada música pirávamos mais naquela insanidade rápida e muito bem tocada, digase de passagem. Pra quem não sabe, os caras são músicos de verdade, ao contrário da maioria dentro do Hardcore. Quique Brown comanda uma escolinha de música (se não me engano, Velhote e Serginho também dão aulas) lá na cidade deles, Bragança Paulista. Outro fato que vale destacar é que Velhote, o baixista, é um dos melhores do Brasil dentro da proposta oferecida pela banda. O cara toca incrivelmente rápido e com muita técnica e precisão, sem palheta, só no dedão. O público, após se dispersar no Hellbender, começava agitar as rodas novamente ao som daquele hardcore/fast/ powerviolence. Aposto que a banda surpreendeu muitos que não a conhecia. A simpatia de Quique e os títulos lisérgicos das músicas divertia a galera. Muitas músicas inclusive são mais curtas que o tempo que leva para pronuncia-las, como por exemplo, “O instrumental desse som vai pro I Shor Cyrus e a Letra que se foda pra quem é, nem vale a pena tocar nesse assunto”. Mas a música que traduz o que realmente foi o show é “Não é absolutamente necessário ter ritmo e melodia para haver música”.

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Leptospirose iniciou os momenots insanos do APR

Depois do Leptos, mais um presente aos amantes da música extrema! Sobe ao palco a primeira atração estrangeira, os italianos do Cripple Bastards. Foram cerca de 20 músicas em aproximadamente 30 minutos de muita raiva musical. Dias antes do show, o Cripple gerou uma série de comentários polêmicos sobre suas posturas ideológicas, eu (João) mesmo tenho um pé atrás com essa banda. Porém 37

não dá pra ignorar toda aquela raiva e ódio que saia pela boca do psicopata Guilio The Bastard. É impressionante como todo mundo ficou achando Guilio com cara de psicopata, e realmente sua postura no palco chegava a assustar. O show foi uma paulada atrás da outra, sem conversa. Nessa hora a roda já estava bem mais agressiva e violenta, só entrava quem tinha “as manha”.


Após os italianos, veio uma das atrações mais esperadas da noite. O show que comemorava os 30 anos do Ratos de Porão. Não há palavras certas para descrever aquela catarse. Destruidor, Bruto e Insano. Todos gritavam o nome da banda e os caras corresponderam à altura tocando clássicos como “Sofrer”, “Amazônia Nunca Mais”, “Morrer”, “Crise Geral”, “Beber Até Morrer”, Agressão/ Repressão” e “Crucificados Pelo Sistema”. Na metade do show João Gordo pergunta: “Vocês querem ouvir o que?” centenas de pedidos são gritados e sem entender nada ele disse “Vamos agradar gregos e troianos, vamos tocar Ramones. “1, 2, 1, 2, 3,4”. E a porrada começou. Como se não bastasse o set ainda teve espaço pra mais um cover de primeira “Bullshit Propaganda”, do Extreme Noise Terror. Foi o show que teve a maior roda entre todas as bandas que se apresentaram. A agressividade e o tamanho da roda impressionavam. Porrada do começo ao fim. Gordo fez questão de lembrar e desabafou sobre o festival que acontecia simultaneamente em São Luís, no qual o Ratos cancelou a participação. “Tem que ir pra cadeia, fudeu com a história de 30 anos que nós fizemos com os gringos”, disse. O show do Ratos definitivamente foi o melhor da noite, e só prova que mesmo com seus 30 anos a banda ainda continua sendo uma das melhores bandas de Hardcore da América Latina!

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Guto Zafalan

Cripple Bastards

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Brujeria

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Exodus


O México iria invadir o palco do Abril Pro Rock com Brujeria. Os caras subiram com toda energia e colocando o Chevrollet Hall para pular. Logo, a fúria da banda contagiou aos fãs que se faziam presentes. O ponto alto da apresentação foi a presença de João Gordo (Ratos de Porão) cantando “La Migra” com Brujeria. O público veio abaixo e retribuiu a altura. Os caras fizeram um show insano e bastante aplaudido. A banda que encerrou com chave de ouro foi Exodus (EUA). Eles demoraram um pouco para iniciar o show, mas a produção do evento tratou de avisar que a demora iria acontecer para que o público tivesse a melhor apresentação possível. E foi mesmo, os caras mostraram para o público como é que se faz Thrash Metal de verdade. No meio do show o vocalista Rob Dukes pediu para um dos seguranças se retirar da frente do palco e seu pedido foi atendido pela organização do evento. Vai lá saber o que aconteceu. Quando o público achava que tudo o que tinha para acontecer já havia rolado, os caras surpreenderam com o famoso “Wall Of Death” na música “Stike Of The Beast”. O público mostrou como é que se faz no Circle Pit, foi muito insano. No geral, apesar de probleminhas que algumas bandas tiveram com o som, não há o que reclamar do festival. Um preço justo e acessível, estrutura impecável. Estandes que serviam para distrair e interagir o público. Banquinhas de merchandising de diversas bandas. Um exemplo a ser seguido. Ano que vem tem mais Abril Pro Rock, e é difícil imaginar se eles vão conseguir se superar mais uma vez.

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Entrevista

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Por Rodrigo Bueno - Funeral Wedding Blog Fotos: Divulgação

O álbum Immemorial foi lançado no final do ano passado, gostaria de saber como está a aceitação dele, se vocês estão tendo um feedback legal desse play? Está bem satisfatória, pois a “Cyclone Empire” está fazendo um ótimo trabalho em divulgá-lo. O álbum saiu em outubro de 2011, mas antes disso o selo enviou várias promos para diversos veículos ligados ao underground. Sendo assim, tivemos ótimas resenhas acerca de “Immemorial”, que foi muito bem aceito tanto pelos apreciadores de Doom Metal como na cena Metal underground. Este novo álbum fecha a trilogia iniciada pelo Remoti Meridiani Hymni, mas sonoramente ele se aproxima muito do debut “Sphere of Nebaddon”, sei que não foi algo pensado, mas como foi o processo de composição dele? Aconteceram diversas coisas após o lançamento do penúltimo CD, The Vanished Pantheon, entre elas, mudanças na formação do Mythological Cold Towers. Então, começamos a pensar na proposta de um novo álbum. Queríamos uma sonoridade que estivesse mais próxima do Doom/Death, mais frio e desolador que os álbuns anteriores, mesmo mantendo as características épicas sempre exitentes durante a longa jornada da banda. Desta forma, o resultado foi o que esperávamos, um álbum que resgatassem a profunda essência do Doom Metal, como nos velhos tempos, do início dos gloriosos anos 90. A sonoridade de “Immemorial” foi relativamente associada ao primeiro álbum, “Spheres Of Nebaddon”, justamente por ter essa característica fria, moribunda e austera de ambos os CD’s. Como estão os ensaios para o show na Europa, mesmo sabendo que o baterista Hamon está morando na Irlanda? Ensaiamos com o áudio da bateria de Hamon. Sendo assim, estamos tranquilos quanto a isso e os ensaios estão bem executados. E como está a expectativa/ansiedade para esse show? Estamos ansiosos para tocar na Europa, onde muitos fãs de Doom Metal terão a oportunidade de nos assistir pela primeira vez. Há tempos planejávamos esta tour e agora acreditamos que seja o momento certo, devido a grande aceitação de nosso novo álbum que consolidou o nome da banda na cena Doom Metal mundial e por estarmos bem estruturados para que isso ocorra. Será memorável para nós e para a cena Doom Metal brasileira. 44


desconhecido e, algumas vezes, denegrido. Então essa boa repercussão que o álbum está tendo, fez com que muitas pessoas que não nos conheciam antes, ouvissem e respeitassem o nosso trabalho.

Já possuem alguma outra data agendada ou somente esta por enquanto? Por enquanto somente estas datas estão confirmadas, mas estamos trabalhando para que surja mais eventos em outros países. Assim que tivermos algo concreto anunciaremos em breve. Estava vasculhando por alguns blogs pela net, “Tenho mais discos que amigos”, e nele continha o novo álbum como um dos melhores discos lançados em 2011, vocês chegaram a ver sobre essa nota? Sim, nós vimos essa matéria. Ficamos muito satisfeitos porque acreditamos que, com o álbum “Immemorial”, nós alcançamos a nossa identidade como música e conceito e num país onde o Doom Metal é quase 45

Mudando um pouco de assunto, já faz um bom tempo que venho reparando naquele ícone na logo de vocês e cada álbum ele muda, começando com aquela torre, que acredito que era a ideia original, passando por vários outros símbolos. Quais seus significados e como se deu a idéia para isso? Cada símbolo transmite uma espécie de ícone do contesto de cada álbum. No primeiro álbum, o símbolo é uma torre que marca a emersão do nome Mythological Cold Towers na cena underground. No segundo, trata-se de um guerreiro inca, que simboliza a mitologia sulamericana. Já no terceiro álbum, o ícone simboliza o rituais sacrificiais das antigas raças pré-colombiana meso americanas. E no “Immemorial”, o símbolo sintetiza as lendas e raças que viveram nas profundas e frias florestas amazônicas.


Sabendo de sua grande atuação na cena nacional, gostaria que você citasse seu atual playlist e qual banda que você destacaria dentro do estilo. Difícil fazer uma lista, mas vou tentar listar o que tenho escutado ultimamente: - TENHI - Savio - ALCEST - Les Voyage de L’ame - MY DYING BRIDE - The Barghest O’ Whitby - DAVID GALAS - The Cataclysm - TRIARII - Piece Heroique - THE MOURNINGSIDE - TreeLogia - ANKHAGRAM - Where are you now - RAVENTALE - Mortal Aspirations - SWALLOW THE SUN - Emerald Forest and the Blackbird - SHATTERED HOPE – Absence Como pôde notar, são várias bandas de estilos diferentes, difícil destacar uma em particular, pois elas tem sua importância pra cada estilo que elas seguem. Por um período vocês estiveram diretamente ligados com a banda Spell Forest. Foi as conhecidas “diferenças musicais” que puseram o fim da parceria entre vocês? Minha saída foi por motivos de falta de tempo mesmo. Devido ao meu trabalho e faculdade, decidi me dedicar integralmente ao Mythological Cold Towers. Não havia diferenças musicais, pois nós gostamos de ouvir boas bandas de Black Metal também. Sabendo que você sempre foi um batalhador pela cena underground,

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gostaria que você fizesse um comparativo da cena do início dos anos 90 com os dias atuais. O que mudou? O que continua igual? O que deveria ser feito para melhorar? A cena underground como um todo melhorou no sentido que há um público relativamente maior, mais estrutura, mais veículos de divulgação e a internet tem contribuido satisfatoriamente com isso. O problema é que, naquela época, as bandas, as pessoas que batalhavam na cena, eram mais perseverantes. Hoje em dia, por ser tudo mais fácil, as pessoas parecem que não dão o devido valor ao que realmente importa e muita coisa boa passa despercebido na cena, devido a grande concorrência e surgimento de muita coisa banal e clichê, falando de música pesada. Pouca coisa se salva. Em se tratando de Doom Metal, a cena no Brasil sempre foi algo isolado, sempre houve um descaso do público e da mídia especializada que nega ou faz do estilo, algo depreciativo. Mas estamos ai, junto com outras bandas de Doom, pra transformar essa imagem negativa e erguer a cena e resgatar o seu merecido respeito. Agradeço pela entrevista e deixo o espaço aberto para suas últimas considerações. Agradecemos o espaço cedido ao Mythological Cold Towers. Força total ao Funeral Weeding blog/Rock Meeting, continuem apoiando o cenário Doom Metal. Aos leitores e fans de Doom, adquirem nosso último álbum, Immemorial, uma saga repleta de lendas vindas das profundas e úmidas florestas Amazônicas!


Quand um passo que as 48


do se dรก o maior pernas 49


Meses de preparação e grand que este seria o maior event para o Metal. Nã Texto e Fotos Pei Fon (@poifang | peifang@rockmeeting.net)

N

em precisamos dizer que o Metal Open Air foi um verdadeiro fiasco. Nem o mais pessimista/crítico/infeliz poderia imaginar que acabasse de forma tão trágica prejudicando milhares de fãs, equipe técnica, bandas nacionais e internacionais, uma cidade e a si próprios. Desde novembro de 2011 se ouvia rumores sobre um festival aos moldes do precursor, Wacken Open Air. A notícia chegou de maneira torta e repleta de incertezas. Bandas foram anunciadas ao longo de três meses com aprovações e desafetos, o lineup foi montado e apresentado em definitivo. Ingressos já estavam sendo vendidos, bem como, passagens aéreas e reservas no hotel. Grupos paralelos foram criados para auxiliar os amantes do Metal a se aproximarem, trocarem ideias e fazer dele o ponto de encontro virtual, já que o evento não se tornava real. No entanto, fortes insinuações já eram ouvidas, por debaixo dos panos, e que não foram dadas

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Exciter abriu o primeiro dia de apresentações com 7 hor


des expectativas cercaram o to dedicado, exclusivamente, ão foi bem assim.

ras de atraso

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tanta atenção assim, cabendo, até, explicações da organização, das poucas vezes que manifestavam para tal. E falando sobre esta, como na gíria virtual, foi o maior troll que já existiu. Depois de tantas discursões a cerca da união da cena brasileira, à morte desta mesma cena, regiões seriam mais favorecidas e outras não, talvez, o MOA pudesse ter sido um apaziguador. Muito embora, foi o empurrão que faltava para abrir ainda mais este abismo que se tornou discutir Metal no Brasil. O bairrismo aumentou, a desconfiança também e farpas rolando à solta na internet, enquanto milhares ficam sem saber o que fazer, como se posicionar e, principalmente, em quem acreditar. Então, aproveite o momento para ler o que vem logo a seguir. Não são cópias de outras leituras virtuais, mas de quem esteve no local e presenciou tudo.


Orphaned Land, segunda banda a tocar no 1º dia do MOA

MOA

Foram 135 dias e 3240 horas esperando acontecer o festival que tinha tudo para ser incrível. Tinha. Toda a expectativa gerou aumento no turismo na cidade de São Luís, aumento no fluxo de viagem nas empresas aéreas e rodoviárias, trabalhos diretos e indiretos gerados em torno do entretenimento. Antes de seguir viagem até a capital do Maranhão, notícias de cancelamentos já estavam rondando o MOA. Antes de sair a lista completa de bandas, algumas já havia noticiado a sua saída, o que gerou protestos. Até este dado momento era “normal”, só não imaginávamos que se tornaria uma avalanche. Já em São Luís, acabando de aterrissar, tivemos a informação que os usuários do camping só haviam tido acesso ao local no 52

início da tarde. Havia muita desinformação, desorganização e falta de segurança, em todos os aspectos. Um pouco mais tarde, através do Facebook, as notícias corriam. Cancelamento atrás de cancelamento. Bastou a banda Hangar anunciar a problemática para que todos, que tinham acesso à internet, pudessem ter uma noção do agravante. Bandas brasileiras estavam sendo canceladas por falta de pagamento, não havia reservas no hotel, nem passagens aéreas. Depois que o Hangar anunciou a sua desistência, as demais bandas brasileiras tomaram coragem e fizeram seus pronunciamentos. Talvez, a manifestação a priori pudesse ser um caso isolado, mas viu que não foi. Enquanto isso, nada de informação oficial da produção. O dia que antecedeu o evento foi um dos mais


tensos, as incertezas já pairavam antes mesmo de começar o que seria o maior festival. O que havia de certeza é que boa parte das bandas brasileiras não iriam tocar mais. Somente na chegada ao Parque Independência é que os fãs do Metal puderam ter uma noção exata da bagunça que se instaurou. A troca do eticket pela “pulseira” de acesso era o mais revoltante. Pareciam as fitas baianas do Senhor do Bonfim, a diferença estava na durabilidade. As baianas, sem dúvida, duram mais. Filas e mais filas se amontoavam fora da entrada do Parque. As pessoas não eram revistadas, faltava estrutura de trabalho para os prestadores de serviço, até água para a equipe de apoio que sempre recorriam até a bilheteria para pedir água, sem êxito. Dentro não era as mil maravilhas. E é neste ponto que vamos engrossar a voz.

Almah com participação de Victor Cutrale, Furia Inc.

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Promessas Durante toda a divulgação do festival foram feitas inúmeras promessas na estrutura para acomodar os visitantes. Praça de alimentação com uma churrascaria, supermercado, caixas eletrônicos, cidade temática, lago artificial, estúdio de tatuagem, tirolesa, camping, linhas diferenciadas nos coletivos urbanos, fora a estrutura de som e iluminação para as bandas. Num dá para imaginar gigante? Doce ilusão. A realidade era outra. Das que foram citadas, só havia o camping, que merece um capítulo à parte, e a estrutura de som e iluminação. Desde o cancelamento das bandas já havia uma quebra no serviço, beirava a propaganda enganosa. O público presente nem sabia do que


Panorâmica do show do Exodus, palco 2

estava acontecendo. As informações eram transmitidas através do velho “boca-a-boca” e quem tinha smarthphone ficava sabendo pelas redes sociais. E no campo das promessas ficaram muitos sonhos para trás, muito investimento e angariando muita revolta de todos que estava lá para se divertir e trabalhar. Camping Quando se vendiam os lotes para o camping, os usuários acreditavam que seria uma aventura acampanhar no festival, não ter problema com o translado de hotel/Parque Independência. Não foi bem assim. Talvez, seja este o ponto principal da falta de humanização da organização do Metal Open Air. Os campistas estavam alojados em estábulos para cavalo. Usavam as baias para

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cuidar de sua higiene pessoal. No dia 19, quando abriu os portões para recebê-los, estava tudo mal esclarecido e desorganizado. Não havia fiscalização nem revista, qualquer pessoa que dissesse que estava no camping poderia entrar. Não tinha água nem energia. O cheiro do lugar era terrível. Só cheirava e se via esterco por qualquer lugar. Isso para o pessoal que ficou no alojamento coberto. Para os que ficaram no lado de fora, além da precariedade do terreno, enfrentaram a chuva, milhares de mosquitos, já que ali era um estábulo e mosquitos era recorrente. “A situação no camping nada mais era do que deplorável, faltava água, segurança, guarda volumes, na quinta-feira (19) só ligaram a energia quando anoiteceu, deixando a galera um tempão no escuro, isso sem falar nos ‘privilegiados’ do camping indoor, que ficaram na merda, literalmente”, relata Felipe


Santana. E completa: “Na quinta, a energia estava mal instalada. Teve uma hora que houve um estouro na rede elétrica instalada e quase atingiu um campista que ia passando, isso pouco tempo depois de uma equipe de reportagem ter saído do local”. Fim do festival Após o primeiro dia dos shows do Exciter, Orphaned Land, Almah, Anvil, Shaman, Destruction, Exodus, Symphony X e Megadeth, todos acreditavam que o festival iria continuar mesmo com os cancelamentos. Porém as notícias vieram na velocidade da internet. Às 13h, no segundo dia, pelo facebook, já se declarava o fim do festival. Foi uma surpresa. Um choque! Ninguém, absolutamente, ninguém estava sabendo. O que viam era um

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dos palcos sendo desmontado. Até que parte da organização resolveu falar com o público e dar um breve anúncio apaziguando os fãs de quem o festival continuaria. Mas, a partir daquele instante, meio da tarde, o fim já estava declarado. As bandas daquele dia estavam desistindo uma a uma. Não havia como voltar atrás. Ácido, Dark Avenger, Legion of the Damned e Korzus subiram ao palco, em respeito aos que foram prejudicados e fizeram seus shows. Infelizmente, não houve qualquer informação oficial, nem produtores nem qualquer responsável subiu ao palco para dizer que o evento fora cancelado de uma vez. Soubemos da notícia através dos seguranças que, até aquele momento, não havia recebido. Frustração, raiva e engano foram os sentimentos naquele sábado que seria tão grande... e grande foi a queda.


Meu vizinho que se dane D

esde o anúncio do que seria o maior festival dedicado ao Metal, em novembro de 2011, gerava muita polêmica por conta do lugar onde seria realizado. Região Nordeste. Muitas críticas saíram dos locais que já se imaginavam: Sul e Sudeste. No calor do anúncio, outras discursões estavam em voga, inclusive sobre a região citada. Foram vários comentários preconceituosos de muitos fãs inconformados pela realização do festival fora da sua zona de conforto. É inigualável que a região Sudeste, em especial São Paulo, possui um suporte maior para a realização de qualquer evento. No entanto, a organização, que parte dela é de São Paulo, conseguiu maior apoio no estado do Maranhão e por lá tentaram realizar o evento. Com o passar dos meses os questionamentos cessaram e o evento recebeu pessoas dos mais diversos lugares e países, reunindo-os para uma celebração. Com o fracasso total, os amantes do Metal compartilharam da mesma dor e revolta, extrapolando qualquer barreira de linguagem e cultura. Em virtude do fiasco do MOA, a discussão ganhou força, muito embora uma nova forma foi atribuída para tirar proveito da infelicidade alheia. Enquanto o público presente em São Luís lamentava a desistência das bandas brasileiras, movimentos na rede social Facebook já faziam piada com o evento, e muitos das charges ofensivas eram compartilhadas para aqueles que estavam presentes no festival, gerando certo desconforto. As notícias corriam seguindo a velocidade da internet, os noticiários locais e nacionais já anunciavam os problemas ocorridos no festival. As ofensas continuavam na rede social e o problema se agravava. Não se sabe ao certo o motivo das piadas, aparentemente havia uma corrente contra o sucesso do festival. Ao menos este era o sentimento daqueles que comentavam sobre as piadas que estavam sofrendo. Com o cancelamento total do MOA, as piadas continuaram, porém com outro foco. Manifestações de todos os lugares do país eram compartilhadas, bem como fora do país, nos principais sites dedicados ao Metal. Vergonha total pelo fracasso e voltou, mais uma vez, o bairrismo. Mas os que criticam o vexame, não esqueçam que parte da organização é de São Paulo e foi para o Nordeste criar problema. O sentimento é geral: justiça!

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Destruction

Symphony X

Legion of the Damned

Anvil

Exodus

Destruction

Megadeth

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Entrevista

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Os pernambucanos do Desalma retornam à Maceió após um ano de sua primeira estada. Com nova formação, a banda promete vir com força de sobra. Confira o que o guitarrista, Mathias Canuto, falou para nós. Acompanhe! Por Pei Fon (@poifang | peifang@rockmeeting.net) Foto: Divulgação

Inicialmente, apresentem-se para os nossos leitores. Ae galera aqui quem fala é Mathias Canuto, guitarrista do Desalma. O Desalma é uma banda de Metal que tenta fugir de rótulos em busca de sua identidade. Atualmente a banda é formada por Dartelly Lins(Voz) Mathias Canuto (Guitarra), Pedro Diniz(Baixo) e Renato Corrêa(Bateria e Voz). Desde 2007 vocês estão trilhando o caminho do Desalma. O que mudou na sonoridade e no comportamento da banda? O Desalma surgiu da vontade que eu (Mathias/Guitarra) e Renato(Bateria) tínhamos em fazermos uma banda juntos, desde então muita coisa mudou, passamos a levar a banda mais a sério e estamos sempre em busca de uma identidade própria. As mudanças de integrantes sempre alteram a sonoridade da banda mas estamos sempre na tentativa de soarmos diferentes, vamos sempre em busca disso. Já foram vários shows, tour com o Claustrofobia e, recentemente, 11 shows em São Paulo. O que

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acrescentou a banda em relação à vivência? Passamos por muita coisa juntos, fizemos o nome da nossa banda circular pelo Brasil, acho que isso vem nos fortalecendo como conjunto e nos dando mais consciência da música que fazemos e do mercado que atuamos. Ainda sobre shows, será a segunda passagem pela capital alagoana. Quais as expectativas? O que ficou na memória na vinda anterior? Nossa primeira passagem em Maceió foi excelente, tocamos no Festival Maionese pra um público muito receptivo ao nosso som. Agora nesta segunda passagem esperamos fazer um show mais porrada, nosso som mudou um pouco desde a nossa primeira vez em Maceió, agora temos 2 novos integrantes que entraram na banda com muito gás, então esperamos poder fazer um show melhor que o primeiro. O primeiro álbum da banda já tem nome e data de lançamento? Tem sim, mas ainda estamos segurando


Vivemos dentro do cenário underground há muito tempo, todos nós tocamos desde muito cedo, vemos muito amadorismo tanto por parte das bandas como dos produtores, e batalhamos em busca de um mercado mais organizado e consciente.

esse nome para o dia do lançamento do álbum. Estamos batalhando pesado para lançarmos o disco em Setembro. Top 5. Quais são as 5 bandas que representa bem as influências do Desalma. Explique um pouco sobre cada uma delas. Essa pergunta é muito difícil, mas vou tentar responder: Pantera: Apesar de não ter muito haver com o nosso som, o Pantera é uma banda que todos da banda gostam muito e certamente nos influencia muito. Sepultura: Grande nome do metal nacional, influenciou toda uma geração de bandas brasileiras e com certeza nos influencia muito até hoje. Alice in Chains: Fomos formados no grunge e depois partimos pro metal, o Alice in Chains é uma banda que escutamos muito até hoje. Vader: Death Metal de primeira, riffs animais, cadencias mais thrashs e bate cabeças violentíssimos, acho que de forma meio inconsciente absorvemos muita coisa do Vader. Ratos de Porão: Espírito podreira! Acho que isso combina muito com o Desalma,

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somos uma banda de metal com uma alma bem Punk/Hard-Core.

Fora dos palcos alguns de vocês atuam no crescimento do cenário underground com projetos e shows. Como surgiu essa ideia e onde querem chegar? Vivemos dentro do cenário underground há muito tempo, todos nós tocamos desde muito cedo, vemos muito amadorismo tanto por parte das bandas como dos produtores, e batalhamos em busca de um mercado mais organizado e consciente. A idéia veio de forma natural depois de muito sofrimento pelas roubadas que já passamos não só com o Desalma, mas com outras bandas. O lugar onde queremos chegar não é muito longe, só buscamos um underground mais organizado, onde bandas se respeitem e exijam isso dos produtores que os contratam.

Por fim, o que podemos esperar de vocês nesta segunda visita? Sucesso e nos veremos em breve. Podem esperar por uma banda muito motivada, disposta a sentar a porrada e fazer de tudo para que o caos impere no Orákulo Chopperia!!


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Pela primeira vez em Maceió. Por Pei Fon (@poifang | peifang@rockmeeting.net) Fotos: Divulgação

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No próximo dia 19, os paraibanos do Warcursed pisarão em Alagoas para a sua primeira apresentação, no Metal Force Trauma 2. Confira agora uma entrevista com o baterista Marsell Senko. Conheça-os.

Olá a todos do Warcursed. Peço para que não economizem nas palavras. Pequem pelo excesso. Nesse primeiro contato, apresentem-se para os nossos leitores. Primeiramente, nós queríamos agradecer pela oportunidade que nos deram para mostrar nosso trabalho em Maceió-AL e por essa entrevista para Revista Rock Meeting, pois é um imenso prazer e estamos ansiosos por esse show. Nós somos a Warcursed, banda de Death/Thrash Metal formada na Paraíba em 2004 sob a denominação Post Mortem, passando por algumas mudanças de integrantes. Hoje a formação consiste em Jean Philippe Sauvé no vocal e baixo, Richard Senko e Eduardo Victor nas guitarras e Marsell Senko na bateria. Estamos iniciando a turnê de lançamento de nosso primeiro álbum, “Escape from Nightmare”.

Iniciando sobre a banda, como surgiu o nome “Warcursed” já que se chamavam “Post Mortem”? Por que houve a mudança? O nome Warcursed surgiu depois de uma longa e custosa procura para substituir Post Mortem, pois este nome já existia e pertence a uma banda americana que voltou à ativa e existe desde 1982. E como queríamos lançar nosso full-length, nada melhor do que um nome único.

As mudanças realizadas refletiram de que maneira no som e, por consequência, no primeiro full-length? A mudança no nome não fez com que mudássemos o estilo nem a maneira que tocávamos, pois além de já estarmos com as músicas do CD todas prontas, os temas e formas que tocamos, já estavam bem focados. E o nosso novo nome até ficou mais adequado ao que queríamos.

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Beatriz Gonçalves

O nosso baterista já visitou a cidade enquanto estava acontecendo o show do Korzus. Na ocasião, ele disse que presenciou uma das rodas de pogo mais insanas que ele já havia visto no Nordeste

E sobre o primeiro CD, de que tipos de pesadelo estão escapando?

Estamos fugindo da nossa própria loucura!! Nós buscamos falar muito sobre a insanidade humana, na maioria das vezes queríamos fazer sobre duas pessoas, com ideias diferentes, ideologias diferentes, mas isso sempre ocorrendo na cabeça de uma só pessoa. Sempre temos um pouco de esquizofrenia nas letras, misturamos muito os delírios com a realidade e às vezes até tentando desfocar isto para não ter certeza aonde estamos. Fazendo com que o foco dependa de quem lê as nossas letras, assim ela poderá querer fugir da própria realidade, pois vive num intenso pesadelo constante.

Agressividade e letras fortes marcam este álbum. Está do jeito que idealizaram? Comente um pouco sobre as faixas. Com certeza este nosso primeiro full -length saiu do modo que imaginávamos, principalmente após anos de luta, pois nosso processo gravação teve diversos problemas desde o início de nossa demo que acabou nem sendo divulgada. Cada faixa deste CD 65


fala muito sobre a insanidade humana, como foi comentado, com isso também buscamos uma sonoridade mais agressiva para obter um perfeito invólucro entre a insanidade e agressividade.

cena de Metal Nordestina é bastante fiel.

Saindo um pouco do álbum e entrando nos shows. Vocês estiveram em alguns festivais pelo Nordeste. Em maio, estarão pela primeira vez em Maceió. Quais as expectativas?

Nós ouvimos mais comentários de outras bandas que passaram por Maceió e sempre comentam que o público é foda. O nosso baterista já visitou a cidade enquanto estava acontecendo o show do Korzus. Na ocasião, ele disse que presenciou uma das rodas de pogo mais insanas que ele já havia visto no Nordeste. Nós realmente esperamos que o público seja insano!

Estamos ansiosos para conhecer o público alagoano, pois como você disse, já tocamos em algumas cidades do Nordeste, mas ainda não tivemos a oportunidade de passar em Maceió. Nossas expectativas são as melhores possíveis, tendo em vista que todas as bandas falam muito bem do público e da cena de Metal. Se bem que em todo Nordeste a cena de Metal é muito forte, por todas as cidades que passamos percebemos isto. A 66

Vocês têm alguma referência sobre o público alagoano? As bandas que passam por aqui comentam que são insanos...

No início a banda faziam covers do Megadeth. Será que poderemos ouvir alguns covers no Metal Force Trauma? Em relação aos covers, podemos dizer que é sempre um prazer tocarmos músicas


daquelas bandas que nos influenciaram e influenciam até hoje. Ultimamente nosso foco tem sido outro, pois a ideia principal é sempre aproveitar o máximo para divulgar o nosso trabalho. Mas é claro que isso não impede que apareça uma pequena surpresa durante nossa passagem em Maceió!

Top 5. Quais as cinco bandas que influenciam o som do Warcursed. Destaque um álbum de cada banda, explicando sobre a importância deles. Uma das nossas maiores influencias com certeza é o Megadeth, até porque tocamos algumas músicas deles por muito tempo. Mas várias outras bandas foram e serviram de inspiração, se fosse dizer todas acho que nunca acabariam. Mas para especificar algumas outras acredito que o Carcass, Death, Exodus e o Kreator foram bastante importantes para a banda em geral, 67

talvez pelo fato de já termos tocado algumas músicas destas bandas em alguns shows. Se for para citar alguns álbuns destas bandas talvez estes que citarei serviram de inspiração para a Warcursed: Carcass - Heartwork Death - Individual Thought Patterns Exodus - Bonded By Blood Kreator - Violent Revolution Megadeth - Youthanasia

Por fim, haverá surpresas para Maceió? Muito obrigado pela oportunidade. Sucesso. Até breve! Muito obrigado à Revista Rock Meeting pelo espaço e atenção que nos deram. Com certeza vamos levar alguma surpresa para os curseds de Maceió, será uma grande satisfação tocarmos no Festival Metal Force Trauma. Tem tudo para ser uma grande noite!


H2O João Marcelo Cruz (@jota_m | jomarcelo_@hotmail.com) Melhor tracklist para um cd de covers! Começo logo assim merrrmo. Se o título desse cd já não fosse muitíssimo adequado, também poderia se chamar “Só Crassicos”, como o do Ratos. Pra quem não conhece o H20 (ou eitxuou como recentemente aprendi a falar) é a banda dos irmãos Todd e Toby Morse, o último foi roadie do Sick of it All por muitos anos e tours, e já vinha participando em algumas vozes nos shows do SOIA quando finalmente decidiu formar sua própria banda. Resumindo a banda em tags: Irmandade, PMA(Positive Mental Atittude), Straight Edge e Otimismo. Tudo isso desde 1995. Falando do disco, acho difícil algum cidadão que se identifique com Punk/ Hardcore não gostar desse disco, afinal, são 15 aulas práticas com toda a essência do bagulho. O que faz esse CD soar tão bem é o fato do H20 possuir hoje todas as condições de regravar as músicas com a perfeição dos atuais aparatos tecnológicos. Ou seja, uma bela de uma mixagem e pós-produção. Não desmerecendo de forma alguma a rusticidade das bandas homenageadas. O que acontece é que agora dá pra ouvir tudo com mais clareza. Todas as músicas foram executadas muito bem e com muito vigor. ‘Atittude’ do Bad Brains e “Satyagraha” do 7 Seconds abrem o com primazia trazendo nostalgia por todos os lados. Na sequencia “Pride” do Madball cai como uma luva. Traduz todo o aquele espírito 68

marrento do hardcore nova-iorquino. Rende boas danças no circle-pit. Entre as bandas mais melódicas homenageadas a versão mais inusitada é ‘Get The Time’ do Descendents. Não ficou ruim, só que o espírito do Descendents é outro. Já “Said Gun” do Embrance e “Safe” do Dag Nasty ficaram muito boas. Um dos pontos que não gostei e que classifico com negativo foi o fato dos caras terem mudado a letra de “I Wanna Live” dos Ramones onde ao invés de cantar ‘I´m a gypsy prince’ colocaram “I’m a drug free prince”. Também mudaram a letra de “Sick Boy’’ do Social Distortion transformando em algo mais politicamente correto. Tipo, ‘Beleza, eu sei que vocês são Straight Edge, mas não precisava mudar a letra dos RAMONES!’ Pela analisada geral que dei nas letras, os caras tomaram a liberdade de modificar mais umas palavrinhas aqui e acolá. Bom, apesar de achar certas coisas desnecessárias, eu não condeno totalmente essa liberdade para mudar as letras ou até mesmo a execução geral das músicas. Até porque isso mostra que a banda tem personalidade e não se limita a tocar uma versão exatamente igual. No geral, vale sim a pena conferir o cd. Me fez lembrar de muitas épocas boas e relembrar as sensações dod bons shows de hardcore de verdade!


Tracklist: 1) Bad Brains - Attitude 2) 7 Seconds - Satyagraha 3) Madball - Pride 4) Descendents - Get The Time 5) Embrace - Said Gun 6) Ramones - I Wanna Live 7) Gorilla Biscuits - Cats and Dogs 8) Mighty Mighty Bosstones - Someday I

Metallica Jonas Sutareli (@xSutarelix | jonas@rockmeeting.net)

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Suppose 9) Rancid - Journey to the End 10) Dag Nasty - Safe 11) Social Distortion - Sick Boy 12) Sick Of It All - Friends Like You 13) The Clash - Train in Vain 14) Warzone - Don’t Forget The Struggle, Don’t Forget The Streets

Sejamos sinceros... Metallica dispensa apresentação e qualquer tentativa de contar ou resumir a história dos camaradas, já que estou lidando com leitores especializados no assunto. Então, não vou “perder” tempo falando sobre eles aqui já que vocês sabem de cor e salteado tudo sobre os caras! Bateu uma saudade, sabe? Daquelas coisas que você nunca mais teve contato, ai do nada, vem na sua mente aquela sensação: “poxa, isso é tão legal, sinto falta”. Foi exatamente o que aconteceu. Metallica na cabeça, Metallica aos ouvidos! Também, estou organizando meu TCC para falar do Metallica enquanto marca. Isso deve ter ajudado com as lembranças. Mas isso não vem ao caso agora. O caso é que, decidi ouvir o material mais precioso que tenho do Metallica. Aquele box quadruplo, com dois DVDs e dois CDs, que foram resultados de três dias de shows no México. Simplesmente maravilhoso. Fazem meus olhos brilharem. Minha banda predileta é Megadeth, mas eu também amo Metallica. Ouço muito Metallica! E como dizem aí, em uma imagem que está rolando pela internet “Keep calm and ‘Kill em’ all’”!


Amaranthe Pei Fon (@poifang | peifang@rockmeeting.net) Estava preocupada sem saber o que escrever nessa edição. Ouvi tantas coisas aleatórias que perdi o foco. Clássicos do Hard Rock estavam relutando com fervor na minha playlist. Scorpions, mais uma vez, marcando presença. Então, resolvi parar de ouvir fragmentos e partir para um todo. Estive de volta às “músicas de mulherzinhas”: Within Temptation, Leaves’ Eyes, Nightwish, até Sarah Brightman. E resolvi conceder a vez para Amaranthe (Heavy Metal), que já era para ter sido mencionada nesta coluna. Conheci a banda no final do ano passado e foi uma surpresa tão boa. Em meio a tanta mesmice, achei o grupo sueco-dinamarquês por acaso em meio às indicações numa rede social. O primeiro álbum leva o nome do grupo e, em tão pouco tempo de banda, apenas dois anos, Amaranthe já abriu para Kamelot, Megadeth, Hammerfall e Motörhead. Este ano tocarão no Wacken Open Air, tamanho é o destaque que estão tendo na Europa. “Amaranthe” foi lançado em abril de 2011 e 70

contou com a participação do baixista Peter Iwers (In Flames) e do tecladista Rickard Zander (Evergrey). A banda destoa um pouco da proposta de outros grupos com vocal feminino. Nesta há três vocalistas: gutural, vocal limpo e feminino. Cada um com a sua parte bem definida. Confesso que bastava um vocal para fazer o gutural e limpo, porém a iniciativa está dando super certo. Para a minha surpresa, acreditei que o vocal de Elize Ryd seria mais um lírico chato, enfadonho e semelhante aos que já tem, quando não é. Ela já cantava no Kamelot e fundou a banda junto com Andy Solvestrom, Morten Lowe e Johan Andreassen, vocalista, baterista e baixista, respectivamente. E som da banda vem agradando bastante. É bem clichê, admito, mas são tão legais. As canções são do tipo chiclete. A primeira ouvida é viciante. As músicas que destaco são “Leave Everything Behind”, “Hunger”, “Automatic”, “Amaranthine”, “It’s All About me” e “Enter the Maze”.


Madame Saatan Daniel Lima (@daniellimarm | daniel@rockmeeting.net) Olá caros leitores. Muita banda nova está despontando e as antigas que os amantes do Rock não param de ouvir naquele velho “tudo ao mesmo tempo agora”. Ouvi bastante coisa diferente, mas uma que chamou a minha atenção foi Madame Saatan. Oriunda de Belém, capital do estado do Pará, a banda nasceu em 2003 misturando muito elementos do Rock, Metal e música regional. Madame Saatan já possui dois álbuns gravados (Madame Saatan -2007 e Peixe Homem – 2011) e uma demo chamada “O Tao do Caos” de 2004. Entre os prêmios que a banda ganhou estão dois Latin Grammy e Melhor Álbum de Metal London Burning 2007. A banda é formada por Sammliz (vocal), Ed Guerreiro (guitarra), Ícaro Suzuki (baixo) e Ivan Vanzar (bateria). O Tao do Caos (demo) tem cinco músicas e todas bastante consistentes. Este já mostra bastante sobre a linha que a banda seguiu nos dois álbuns que vieram depois. Duas faixas que se destacaram bastante, na minha opinião, foram “Prometeu” e “Apocalipse” que são as duas primeiras. “Pão e Círculo” tem uma pegada bastante brasileira. As outras faixas são “Vingança” e ” Messalina Blues”. O primeiro álbum de estúdio é autointitulado Madame Saatan, um disco com 10 faixas e entre elas estão três que fizeram parte da demo 71

(“Apocalipse”, ”Messalina Blues” e “Prometeu”). Algumas faixas que se sobressaíram quando ouvi foram “Molotov”, “Vela” e “Cine Trash”. Este é um álbum muito bom, daqueles que você aperta o play e deixa tocar até a última música. O álbum traz elementos já mostrados na demo com continuidade e transparência do que é a banda. Quatro anos após lançarem o primeiro disco, a banda coloca na praça o segundo e mais recente álbum chamado Peixe Homem. O disco contém doze faixas e inicia com “Respira”, como se dissesse ao público para respirar fundo que lá vem Rock’n Roll. Este álbum rendeu até o momento dois vídeo clips das músicas “Respira” e “Até o Fim”, esta que é a terceira faixa. “Sete Dias”, “Invisível”, “A Foice” e “Rio Vermelho” são faixas que gosto bastante. Para o Rock não há fronteiras e brota de onde menos se espera, Madame Saatan surgiu no norte do país onde as pessoas costumam ouvir falar noutros estilos como Techno Brega, Lambada e esquecem que a música naquela localidade não se resume apenas nisso. Tem muita coisa para ser explorada, basta apenas ter oportunidade para mostrar seu trabalho para o público. Madame Saatan faz um trabalho excelente e essa banda eu recomendo.


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Revista Rock Meeting #32  

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