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Divulgação

Nesta Edição: 02 03 04 06 09 15

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Conversa de Luluzinha Darth Jeder Dead Fish World Metal Capa: Varial O que estou ouvindo?

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Memorial Maionese Show Ben Perfil RM Eu Estava


l Dio e 2º dia neficente M Lá

Expediente Direção Geral Pei Fang Fon Fotografia Pei Fang Fon Revisão Jonas Sutareli Pei Fang Fon Yzza Albuquerque Capa Lucas Marques Pei Fang Fon Equipe Daniel Lima Jonas Sutareli Lucas Marques Pei Fang Fon Yzza Albuquerque

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Agradecimentos Charlene Araújo PopFuzz Vitória Alcântara

Contato

Email: contato@rockmeeting.net Orkut: Revista Rock Meeting Twitter: @rockmeeting Veja os nossos outros links: www.meadiciona.com/rockmeeting

As matérias são de responsabilidade de quem assina e não reflete, necessariamente, a opinião da Revista.


Editorial Lembranças: s. f. 1. Ato ou efeito de lembrar. 2. Coisa própria para ajudar a memória. 3. Memória. 4. Recordação que a memória conserva por certo tempo. S. f. pl. Cumprimentos, recordações, expressões de amizades. Nome forte que expande os pensamentos, as vontades, os desejos e que perduram ao infinito. O tempo é o senhor absoluto para dar continuidade à vida sem esquecer o passado e dar uma trégua às perdas. Esta edição traz uma reflexão do que é a lembrança. Do que ela é capaz de fazer com o ser humano. Da solidariedade. Do viver. Do continuar e não esmorecer. Quando olhamos para trás parece que muitas situações aconteceram ontem, pois a lembrança é mais forte do que desejaríamos que fosse. Esta força que nos diz quem somos e como nos sentimos, que traça os nossos caminhos. Qualquer pessoa pode dizer do que sente falta, do que se lembra em tal momento de sua vida. Dificilmente esquecerá, pois aquele instante foi único e é algo que não acontecerá novamente. As lembranças são únicas e distintas. Talvez você esteja achando que se trata de uma perda familiar, por exemplo, eis que também pode ser neste aspecto, mas as lembranças contemplam um amplo lugar na memória afetiva de cada um de nós. Não são apenas as perdas de um ente, mas também de um período que aconteceu e que não voltará, a não ser, que alguém o resgate. Resgatar o que já houve um dia requer boas doses de bom senso e, principalmente, paciência. A paciência seria, segundo o dicionário, a pessoa que espera com calma. Calma? E quem a tem? Esquece. Viveremos de lembranças antes que elas sejam mais presentes do que as nossas ações.


Vitória Alcântara - Pra Fazer Bonito

Fotos: Pei Fon

Pegada Rock Que tal compor o visual com bolsas, carteiras e mochilas com pegada Rock and Roll? Caveiras, cruz e tachas dão as peças um estilo único, cheio de personalidade. Se a ideia é aproveitar um show sem se preocupar com peso, as bolsas compactas a tiracolo são ideais. Se o passeio exige algo além de carteira e batom, que tal a mochila em formato de guitarra? A cor roxa garante que você vai se destacar e dificilmente será esquecida. Preços: De R$ 40 a R$ 48 Peças: Loja PepperShop (82) 3317-9472

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Jeder Janotti Jr. - Headbanger e professor da UFAL-UFPE

O que é, afinal , peso no heavy metal?

Parece fácil, sabemos que o rock que ouvimos é pesado, mas quando perguntado sobre o que é peso no metal, titubeei. Em um primeiro momento comecei a achar que pesado é a sonoridade grave, presente nas marcações do bumbo e nos baixos do heavy metal. Mas, pasmem! Freqüências graves é uma característica marcante do pagode baiano, da música axé e do forró eletrônico, então não pode ser por aí. Até porque Deep Purple, os primeiros álbuns do Metallica e boa parte do metal melódico não se utilizam do grave como força expressiva. Então pensei no meio tom ou em um tom abaixo usado para afinar os instrumentos de cordas de bandas como Black Sabbath. Talvez essa sonoridade mais grave, das cordas frouxas aliadas aos graves do bumbo e dos tons, marque o peso do metal. Mas isso ainda me pareceu pouco. Lembrei-me dos vocais guturais, mas aí o velho ídolo Ozzy estaria na categoria dos leves, bem leves, e olha que o madman é um dos maiores ícones do “rock pesado”. Ao escrever essas linhas estou ouvindo “Sad But True” do Mettalica, começo então a pensar que o pesado pode

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estar ligado ao fato de ouvirmos canções que falam também do peso de nossa existência, de um lado obscuro da vida que é simplesmente ignorado pela maioria das “músicas de bunda pra cima” ou das “baladinhas açucaradas” que povoam boa parte da paisagem sonora atual. Mas aí não seria uma sonoridade pesada e sim, um universo de letras e temáticas de parte do metal. Estou encucado, pois sempre associei a ideia de peso à sonoridade do heavy metal. Então onde me perdi? Na verdade, acredito que todos os elementos que citei acima acabam contribuindo para que possamos sentir uma experiência de “peso” diante da música que ouvimos. Há uma mistura de temas, letras, afinações, jeito de tocar, preferências pela cor preta, vocais e até os inferninhos em que vamos ver as bandas da cena local que acabam contribuindo para essa tal vivência em torno do peso do heavy metal. Uma música que não se quer açucarada, não se quer confundida com o colorido dos carnavais, com a leveza das musiquinhas tudo bem. Afinal, a vida é bem mais dura do que nos fazem crer essas “musiquinhas”. “Sad but true”.


Mais um show memorável na terra dos Marechais Dead Fish não decepciona e representa o Hardcore Por Jonas Sutareli (@sutareli | jonas@rockmeeting.net) Fotos: Pei Fon (@poifang | peifang@rockmeeting.net) O dia 12 de maio foi bastante nostálgico para os que estavam presentes na casa de shows Orákulo, que aguardavam o Dead Fish e frequentavam a cena do rock alagoano entre oito e seis anos atrás. O line up do evento contou com Zé Caveira, The Doses, Chicones (CE), Combustão, Varial e Dead Fish. A Zé Caveira abriu o show, com pouca gente no local, mandando uns covers de Zumbis do Espaço como “Espancar e Matar”. Todavia, a fila lá fora estava grande e o pessoal já ia entrando pra curtir o show. Logo após, The Doses sobe ao palco, com seu teor etílico, por assim dizer, tocando músicas próprias e fazendo cover de Matanza. A essa altura, já tinha um pouco mais

de gente se aglomerando no local, mas a fila não diminuía e o pessoal ainda ia entrando. Em seguida, Combustão subiu ao palco, mas leia ao final. A Chicones, de Fortaleza, assumiu os lugares e mandou seu Hardcore cru e direto para os presentes. Um show um pouco mais curto que os demais. Durante o show da Chicones, a casa já estava quase lotada. A partir daí, com muita gente no local, o show começou a ficar mais quente e empolgante do que já estava.


Combustão canta Mutação A Zé Caveira tem um guitarrista que fez parte da formação da banda Mutação, que acabou há alguns ano. Combustão assumiu o posto logo após a The Doses, tocando somente Mutação. A Combustão tem dois integrantes da formação original da Mutação. Esse foi um dos motivos da nostalgia. Tanta gente importante, que contribuiu bastante para a cena do rock alagoano, fazendo parte de um show muito legal. Combustão abriu o show logo com a música “Odisseia”, enlouquecendo os presentes e causando um frisson de nostalgia na galera “das antigas”. Combustão seguiu com ‘Busca Moderna’, ‘Bom dia’, ‘Lei que encobre’, ‘Crimes de ódio’, ‘Aos homens da Rua’, ‘Otimismo aparente’, ‘Otimismo aparente II’, ‘Autodestruição’, ‘Porquê’, ‘Bullyng’, ‘Prefiro continuar assim’, ‘Nosso dia’ e ‘Na roda’. Esse foi o setlist da Combustão, que durante todo o show, não deixou ninguém parado. Muitos moshs e circlepits, o público ensandecido com as músicas. Foi um show muito energético, nostálgico e bem executado. Logo após a Combustão, a Varial assumiu o palco. Um show bastante energético, como sempre e com o público quase que inteiro cantando todas as músicas, mostrando a força da Varial com seu público. Então, Dead Fish sobe ao palco. Moshs, circle pits, público ainda ‘fora de si’. Um show impulsivo, que não deixou a desejar, causando mais nostalgia ainda pelo fato de o Dead Fish ter feito a maioria do repertório com músicas dos seus trabalhos antigos. Um show longo, como esperado, com os maiores hits da banda. O único ponto negativo da noite foi o som estar um pouco alto e o microfone um pouco baixo, deixando uma impressão, às vezes, de não ouvir a voz de quem cantava. Fora isso, foi uma noite de ‘flash back’, enlouquecida e que valeu muito a pena para quem foi curtir o show. 05 Rock Meeting


Symphony X: confirmado show da banda em Manaus

O Symphony X, através de seu myspace, divulgou mais uma data no Brasil. A banda norte-americana fará uma turnê pela América do Sul a partir de junho, onde passará também pelo país. O grupo também se apresentará na cidade de Manaus (AM). O show acontecerá no dia 3 de junho, no Teatro Direcional. Informações sobre ingressos e pontos de venda serão divulgadas em breve.

U2: “último disco fracassou”, admite produtor

O célebre produtor da banda irlandesa U2, Steve Lillywhite, disse que o último disco da banda, ‘No Line on the Horizon’ não alcançou o que se propôs a alcançar e que seu relativo fracasso afetou a banda. O disco, lançado ano passado, vendeu apenas uma fração de seus antecessores e recebeu resenhas apenas simpáticas no geral, apesar de ter obtido a cotação de cinco estrelas na revista Rolling Stone. Lillywhite, que foi co-produtor do disco juntamente

Pink Floyd: trailer de Dark Side Of The Moon Immersion Box

Foi divulgado o trailer de ‘The Dark Side O f The Moon Immersion Box’, com lançamento previsto para 26 de setembro. O box contará com 3 CDs e 3 DVDs, sendo um deles com a histórica apresentação em Wembley, no ano de 1974, e um livreto de 40 páginas com fotos da banda. Confira o preview AQUI

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Hammerfall: veja “Send Me The Sign”, novo clipe da banda

Confira o novo clipe do Hammerfall, “Send Me The Sign”. Clique AQUI

com Brian Eno e Daniel Lanois, disse que ‘No Line on the Horizon’ não tinha nenhuma canção realmente grandiosa e que a ambientação Norte – africana que ele tentou recriar não funcionou. “No fim das contas, o público está sempre certo, especialmente quando você tem uma base tão grande como o U2”, ele disse. “Claro que isso os afeta. Eles são apenas humanos. Eles colocam seus corações e almas em tudo que fazem, mas as vendas não foram o que eles esperavam que fosse porque eles não tinham uma canção que despertasse a imaginação das pessoas.”

Trivium: divulgada música de novo álbum da banda Depois de dois anos, o Trivium entrou em estúdio para a gravação do álbum até agora chamado de “Album V”; a primeira música já foi divulgada, veja AQUI.


Yes: mais detalhes do novo álbum de estúdio Gravado em Los Angeles no ano passado, “Fly From Here”, o novo álbum de estúdio do Yes depois de 10 anos conta mais uma vez com a arte de Roger Dean para a capa. O álbum também estará disponível nos seguintes formatos: CD; CD + DVD Digipak; LP (FR LP 520); box set with CD, vinyl + DVD; DVD: making-of documentary (25 minutes); “We Can Fly” videoclip.

Dimebag Darrel: lançado DVD instrucional do guitarrista A Alfred Music Publishing, maior editora sobre ensino musical do mundo, lançou o DVD “Dimebag Darrell: Riffer Madness”. O DVD possui métodos de ensino contendo riffs de Dimebag Darrell. Nick Bowcott (ex-Grim Reaper), um grande amigo de Darrell, ajuda a passar a “tocha” de Dime para a próxima geração neste DVD tão esperado. Nick tem 97 de riffs de Dime. Esses riff´s ajudarão guitarristas a tocar suas músicas favoritas, e o mais importante, entender a criatividade, a atitude, e o sentimento. As aulas incluem: killer rhythm

Kiss: banda entra novamente para o Guinness Gene Simmons e Paul Stanley do Kiss, participaram de um evento que entrou para o Guinness. Os músicos criaram um Chat e se comunicaram com pessoas de todo o mundo, em mais de 100 países. O evento, chamado de Live Kiss and Global, foi apresentado e oferecido pelo Ortsbo.com, em tempo real e com tradução simultânea.

guitar, power grooves, pick squeals, psychotic syncopation, holes of silence, chromatics, diabolical dyads e muito mais. O DVD também inclui um livreto de 28 páginas com tablaturas, todos os 97 riffs e exemplos. Ainda possui extras como aulas ministradas por Darrell, uma entrevista com sua antiga namorada, Rita Haney, um “Tributo à Dime” - por Nick Bowcott, e muito mais. O DVD “Dimebag Darrell: Riffer Madness” está disponível por US$24,99 na alfred. com. Também está disponível o “Riffer Guitar World Presents Dimebag Darrell Madness”, livro e CDs, vendidos separadamente. Veja um trailer da video aula. AQUI

Paul Di’Anno: turnê brasileira em setembro e outubro A produtora Abstratti anunciou o retorno ao Brasil de Paul Di’Anno, o primeiro vocalista do Iron Maiden. Após cumprir condenação na Inglaterra o músico está livre novamente para mais uma turnê brasileira, apropriadamente intitulada”Running Free Again”, onde apresentará ao vivo as músicas que marcaram sua fase no Iron Maiden, além de sons de sua carreira solo. Paul pertenceu à formação original do grupo gravando os dois primeiros álbuns que impulsionaram a carreira desta que é tida por muitos como a maior banda de heavy metal da história da música.

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Evergrey: informações sobre o show de São Paulo Os suecos do Evergrey estarão pela terceira

vez no Brasil no mês de julho deste ano divulgando o albúm Glorius Collision, lançado no Brasil pela Hellion Records. A banda se apresentará na capital paulista no dia 29/07, sexta feira, no Carioca Club. O single do novo álbum, intitulado “Wrong” rendeu a banda o disco de ouro em seu país. Os ingressos já estão à venda no site da Ticket Brasil.


O que há de novo? Depois de um hiato de mais de um ano, a banda Varial volta aos palcos com formação e música novas. Confira esta entrevista feita com o baixista da banda, Carlos Peixoto.

Por Jonas Sutareli (@sutareli | jonas@rockmeeting.net) Fotos: Pei Fang Fon (@poifang | peifang@rockmeeting.net)

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A pergunta, que já é de praxe, nunca foi tão importante! Apresentem os integrantes. Queremos saber também sobre os novos! Carlinhos – A formação atual é a seguinte: Léo (Vocal), Derick (Guitarra), Carlos (Baixo), Igor (Guitarra) e Junior (Ivalter) na Batera. Igor e o Junior são os novos integrantes da banda. O Igor já tinha tocado na banda há alguns anos e agora está de volta e o Junior entrou um mês atrás para fazer seu primeiro show com a Varial. Como surgiu a ideia do nome da banda? De quem foi? Tem algum significado? Carlinhos - A banda começou com o nome Lost em 2002, mas depois de um tempo mudamos para Varial (que é o nome de uma manobra de Skate adaptada para o Surf), a ideia inicial para a mudança do nome foi do Derick junto com o Pompeu (produtor dos 2 Cds da banda) isso em 2005, todos na banda tem ou já teve alguma ligação com esses esportes e achamos o nome ideal, foi nesse período de mudança de nome que nós começamos a gravar o CD Equilíbrio. Quanto tempo vocês têm de estrada? Como surgiu a banda? Carlinhos – Começamos no inicio de 2002, já são 9 anos de banda, eu e o Derick, que já tínhamos uma banda juntos (3Nuts, que seguia uma linha de Hardcore melódico dos anos 90), começamos a criar algumas músicas em casa, usando nossos instrumentos com uma afinação mais baixa e procurando uma sonoridade mais pesada, foi nesse período que resolvemos levar a sério o projeto. Quando já tínhamos umas oito músicas prontas sentimos a necessidade de ir para o estúdio e chamamos o Léo para os vocais, ele já era um grande amigo na época, foi vocalista de uma banda de Thrash Metal chamada Avoid, que eu gostava muito, e tinha um estilo de vocal que se identificava com essas músicas, variando muito entre vocais agressivos e melódicos, e também chamamos um baterista (o Diogo nessa época). Cara... já no primeiro ensaio a gente viu que era aquilo que nós estávamos procurando, o entrosamento foi muito rápido e essa era a sonoridade que queríamos passar. Vocês têm dois discos lançados, muito bem aceitos, por sinal. Como foi a produção e trabalho inicial desses dois discos? Carlinhos – Nós gravamos várias Demos no início da banda, e um CD, intitulado Atitude, em 2003 ainda na fase de Lost. Em 2005 a gente estava em um processo de criação e composição bem acelerado tínhamos bastante material, e começamos a fazer uma pré-produção das músicas já com a ideia de gravar um CD bem produzido. Foi nesse período que o Marcelo Pompeu (produtor e vocalista da banda Korzus) entrou em contato com o Derick, ele ouviu nossas músicas antigas no MySpace da banda e curtiu muito a linha de som. O Derick também passou para ele o nosso material novo (toda a pré-produção do cd que foi gravada em casa mesmo), foi assim que surgiu parceria, Pompeu veio para Maceió no inicio de 2006 e entramos em estúdio para gravar o CD Equilíbrio. O processo foi muito rápido, gravamos em 5 dias as 10 músicas desse trabalho, e toda mixagem e masterização foi feita em São Paulo pelo Heros Trench. O CD Equilíbrio foi lançado de forma totalmente virtual, pela ZonaPunk Records (onde rolou uma grande divulgação da banda a nível nacional) e pela TramaVirtual.

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Já o CD Refúgio nós gravamos em São Paulo, no estúdio MRSOM, contando mais uma vez com a produção de Marcelo Pompeu e mixagem e masterização de Heros Trench (ambos do Korzus). Gravamos dez músicas, que juntando com todo o processo de mixagem e masterização duraram três semanas, onde nós ficamos morando no estúdio em São Paulo. O resultado do Equilíbrio já tinha agradado muito a todos da banda, mas para conseguir tirar o som que a gente realmente queria foi preciso gravar tudo em SP mesmo, desde o inicio da banda nós sempre procuramos fazer gravações com qualidade, sempre fazemos uma pré-produção das músicas para escolher o que vai entrar no CD ou não, e nesse CD, o Refúgio, a gente conseguiu deixar a sonoridade da banda como nós realmente queríamos. O CD “Refúgio” foi lançado pelo Selo/distribuidora paulista Voice Music em Outubro de 2008. Depois dos dois discos, vocês vão lançar um EP agora. Como está a préprodução e quais as expectativas? Carlinhos – O objetivo para 2011 é esse, nós já lançamos um single (Sempre Foi Assim) que é uma prévia do material que vêm por ai. Vão ser cinco músicas incluindo esse single que foi lançado no show do dia 12 de maio com Dead Fish aqui em Maceió. A sonoridade ficou mais rápida e pesada que nos CDs anteriores, mas, sem perder as características antigas da banda a fusão de peso com melodias. O Derick, é surfista, trabalha com isso e viaja muito a trabalho. Dá pra conciliar legal banda, trabalho e lazer? Já rolou contratempo com a banda por conta de alguma atividade de trabalho, de qualquer integrante? Carlinhos – Nunca rolou nenhum contratempo em relação a isso, a gente sempre programa tudo com bastante antecedência para não ter nenhum problema nas viagens e nos compromissos com a banda. Aproveitando a pergunta anterior, o que vocês acham de bandas das quais os integrantes têm que ter trabalhos comuns para sobreviver, pois não conseguem a visibilidade necessária para conseguir viver só de música? Carlinhos – Cara é bem complicado manter a duas coisas, mas a gente sempre viveu essa situação, desde quando montamos a banda, até hoje, a ideia sempre foi fazer o som que a gente gosta, passar tudo o que nós acreditamos em nossas letras, fazer o lance por amor mesmo acho que esse é o espírito que mantém a Varial na ativa até hoje. Ganhar grana, viver de música vêm como consequência, pode rolar ou não. Nunca montamos a banda pensando nisso, o objetivo foi sempre passar uma mensagem em forma de música e fazer isso com qualidade.


Vocês já tocaram em outros estados. Já quebraram a fronteira de Alagoas. Como é tocar fora do seu estado e como foi a aceitação? Já tocaram fora do País? Carlinhos - A banda fez uma mini-tour Sul/Sudeste em 2005 tocamos em São Paulo, Taubaté e Curitiba, foi muito foda! Uma experiência única. Foram shows com bandas bem conhecidas no underground de lá, eventos bem organizados, estrutura de palco incrível, público grande; crescemos muito com essa experiência, deu outra visão de palco e de qualidade ao vivo para a Varial. Isso fez a gente evoluir bastante e a aceitação do público foi bem positiva. Em 2006 e 2007 também rolou bastante show pelo nordeste, Natal, Fortaleza, Recife que também foram muito bons e bem energéticos, tocar pelo nordeste é sempre bom. Atualmente fizemos shows pelo interior de Alagoas: União dos Palmares, Ibateguara, Branquinha. E no festival Palco do Rock em Salvador, em todos os shows a aceitação foi bem positiva a galera tem comprado o CD Refúgio e sempre encontramos pessoas que conhecem ou já ouviram falar da Varial. Cantam as músicas dos dois CDs, isso é o que realmente faz a gente continuar na correria. Quais as influências que são mais explícitas no som da Varial? Carlinhos - Cada integrante da Varial tem influências bem diferentes um do outro, acho que isso contribui muito quando vamos criar nossas músicas. A gente procura sempre misturar diferentes estilos ao nosso som e isso sai de uma forma bem natural, fica até difícil rotular o som da Varial. No meu caso, tenho bastante influência do HardCore dos anos 80 e 90 (Bad Brains, Suicidal Tendencies, Gorilla Biscuits, Pennywise, Good Riddance, Face to Face, Strung Out.. etc.), mas as bandas que me influenciaram diretamente para tocar na Varial foram o Boy Sets Fire, Thrice, Finch e até Killswitch Engage que curto bastante, não que nosso som tenha algo parecido com essas bandas, mas são bandas que procuram sempre misturar sonoridades diferentes em suas músicas, e isso é o que a gente procura fazer na Varial. Vocês têm um público fiel por aqui. Como é a relação da banda com eles

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nos shows? E fora daqui, onde tocaram, algum público teve reação negativa? Carlinhos - Depois do lançamento do Equilíbrio, em 2006, nossos shows só melhoraram, as pessoas começaram a procurar material da banda, comparecer em todos os eventos que a Varial toca, cantando as músicas do início ao fim, trocando ideias com gente depois dos shows, pela internet em nossos meios de divulgação, sempre mantemos essa relação com a galera que curte a banda. A gravação do clipe Quebrando o Silêncio foi um exemplo dessa relação, com o lançamento do Refúgio. A aceitação foi bem maior, as vendas dos CDs principalmente aqui em Maceió aumentaram. Saber que a pessoas se identificam com nossas músicas e letras é o que realmente faz a gente continuar com a banda. De todos os shows que a gente fez não me lembro de nenhuma reação negativa do público.

renomados filmes de surf nacionais (Hang-Loose (Quintal de casa) e o Que!LifeStyle).

Contem algumas curiosidades sobre a banda. Curiosidades sobre shows, momentos dos integrantes, curiosidades em geral sobre a banda Carlinhos - A banda já teve o vídeo clip da música “Para Sempre” exibido no canal Multishow (No Programa ZeroKm) e na MTV (No Programa LABbr) e também já foi trilha sonora de 2

Deixem uma mensagem livre. Muito obrigado e sucesso! Carlinhos - Em breve, vamos lançar nosso novo EP e organizar uma Tour logo após o lançamento. Valeu a vocês da Rock Meeting pelo espaço e pela divulgação do nosso trabalho, obrigado mesmo!! Valeu a todas as pessoas que têm ido aos nossos shows e nos apoiado. Grande Abraço!!!

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A Varial tem letras bastante interessantes. Quem é o letrista e como costumam compor as letras e músicas? Carlinhos – No Equilíbrio e no Refúgio eu e o Derick escrevemos todas as letras, já o novo single o Léo veio com a ideia e o tema inicial e construiu junto com a gente, nossas letras expressam a nossa realidade. Raiva, frustrações, desejos, alegrias, etc.. Escrevemos sobre o que acreditamos, sem privações, de forma agressiva ou melódica a gente procura passar mensagens, sempre foi assim desde o inicio da banda. Já as músicas, toda a parte instrumental, nós criamos com a banda toda em estúdio, alguém vem com uma ideia inicial e a gente coloca em pratica juntos.


Alter Brigde

Por Jonas Sutareli (@sutareli | jonas @rockmeeting.net) Me ocorreu por esses dias, que eu nunca mais tinha ouvido a banda americana Alter Bridge. Essa banda nasceu quando o Creed (banda que particularmente sou muito fã e costumo ser criticado bastante por isso -risos-) deu um tempo e Mark Tremonti (guitarrista), se uniu com Brian Marshall (baixista) e Scott Phillips (baterista), todos ex-membros do Creed e chamaram Myles Kennedy (ex-Mayfield Four), formando assim o Alter Bridge. Eles têm três discos lançados (One Day Remains, Black Bird e AB III), muito bons. Me identifiquei com o som da banda da primeira vez que ouvi, fui conhecendo a fundo, ouvindo todas músicas e me apaixonando cada vez mais pelo som, fusão de peso e melodia e o vocal do Myles, que é simplesmente perfeito no som do Alter Bridge. Enfim, haviam alguns bons meses que eu não escutava esse som, ultimamente decidi parar para ouvi-los novamente. As sensações são as mesmas, a música é apaixonante. Gosto muito de todos os discos, mas algumas faixas em particular me cativaram mais ainda, como a faixa-título do disco ‘Black Bird’. Oito minutos de puro sentimento. ‘Ties that bind’, a faixa que abre este mesmo álbum. Sensacional. Continuando com o ‘Black Bird’, curto muito também ‘Coming Home’, ‘Brand New Start’ e ‘White Knucles’. Do primeiro álbum, destaco a faixa título, One Day Remains, ainda também ‘Broken Wings’, ‘In Love Memory’, ‘Watch Your Words’, ‘Shed my Skin’ e ‘The End is here’. O álbum mais recente, mas não menos importante, tem sua faixa de abertura de uma produção e composição extraordinárias para abrir um álbum de uma banda que mistura um som pesado com melodia. Com exceção de três ou quatro músicas, o álbum todo me chamou atenção positivamente. Destaque para as faixas ‘Isolation’, ‘All Hope Is Gone’, ‘Wonderful Life’ e ‘I Know It Hurts’.

Bullet Bane

Por Lucas Marques (@lucasmarx | lucas@rockmeeting.net) Dessa vez eu vou falar de uma banda que está há uns 3 meses na minha playlist, a Bullet Bane. Banda paulista de Hardcore que vem se destacando dentro do cenário nacional. A banda acabou de mudar de nome, antigamente chamada de Take Off The halter. Suas composições em inglês e seus riffs muito criativos fazem seu som ser realmente VICIANTE! Não há um dia em que eu não ouça, ao menos uma vez, a música “Gas Chamber”, ou fique cantarolando o refrão de “Men Down”, músicas de seu primeiro EP “We took Off”, lançado em 2009. A banda está prestes a entrar em estúdio para a gravação do primeiro álbum. Confiram o som dos caras no Myspace: http://www.myspace.com/bulletbane

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Resolvi radicalizar totalmente! Eu já escutava, mas havia arquivado nas minhas memórias mais profundas e Por Pei Fon (@poifang | peifang@rockmeeting.net) belas. Voltei a escutar o cd ‘Levanta-te Jerusalém’ pela carga emocional que este álbum tem para mim. A música é um dos poucos artifícios que consegue coagular vários sentimentos em minutos de audição. Para mim, deixou de ser apenas música e virou uma sensação afetiva forte o bastante e bem presente que me faz voltar o que vivi antes. Agora falando um pouco do cantor estaduniense, Paul Wilbur é compositor de música judaica-messiânica. Ele é conhecido em seu país, em Israel e no Brasil. Já fez parcerias com as cantoras Aline Barros e Cristina Mel e com o grupo ministerial mais conhecido na América Latina, o Diante do Trono, bem aos moldes do grupo australiano, Hillsong, que tem vários cantores, faz uso de coral e grupo de dança em suas apresentações. O cd em questão, ‘Levanta-te Jerusalém’, tem a parceria de Cristina Mel, e foi lançado em 2002. Cantando em português pelo americano, o sotaque é um detalhe a mais nas canções, mas mesmo assim, bem cantado. Em algumas passagens ele arrisca algumas frases em português e continua a sua conversa em inglês com o apoio de Cristina, traduzindo. As músicas são o puro reflexo da apropriação de elementos judaicos, é impossível não notar, além de serem canções traduzidas para o português e tendo sua versão em outros idiomas. Muito além de ser um álbum de caráter cristão, a expressão da calmaria, da esperança e da alegria estão ‘estampados’ a cada faixa de se ouve. ‘Shalom Jerusalém’ é a canção de abertura que representa, para mim, o início de todas as coisas boas que possam vir, e a admiração do instrumental tipicamente judaico. É uma sequencia incrível que pode observar a relação do americano com a cultura dos judeus. Mas a música marcante é ‘Sejas bendito’. Nela eu posso sentar e ouvir várias vezes a doce voz de Cristina Mel cantando em português e algumas partes em hebraico. Para sair bem das músicas ‘from hell’ e obedecer o meu lado cristão, eis ‘o que estou ouvindo’ nestas últimas semanas. Uma viagem à memória e o fortalecimento da minha crença.

Paul Wilbur

Fleetwood Mac

Por Yzza Albuquerque (@yzzie | yzza@rockmeeting.net) Fleetwood Mac é mais uma daquelas bandas históricas que todo mundo deveria conhecer, mas que, por algum motivo inexplicável, acabam caindo um pouco no esquecimento. O grupo existe, entre mudanças de membros e períodos de hiatos, há mais de 40 anos, e é, desde 1974, liderado por duas das figuras mais reverenciadas do Rock: o guitarrista, cantor, compositor e produtor Lindsey Buckingham (sim, ele tem nome de menina), e a cantora e compositora Stevie Nicks (sim, ela tem nome de menino), que é, em minha opinião, dona de uma das mais incríveis e inconfundíveis vozes da história da música (de uma época em que vocal feminino significava muito mais que a quantidade de notas atingidas). O Fleetwood Mac tem uma discografia extensa: são 18 álbuns de músicas inéditas, mais uns quatro de apresentações ao vivo e outras tantas compilações. “Rumours” foi o 11º disco do grupo, com lançamento de fevereiro

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de 1977. Faça as contas: o álbum tem 34 anos. Tempão, não é? Mas, ei: não é esse um dos fatores que determinam a real qualidade da música? Ela soar incrível, independente de quanto tempo passe desde sua criação? Aclamadíssimo tanto por parte do público quanto da crítica especializada, “Rumours” foi destaque em muitas listas de sucesso do mundo, na época de seu lançamento (ficou por 31 semanas consecutivas no topo da lista de 200 maiores sucessos da Billboard), e mais de


10 milhões de cópias do LP foram vendidas, ao total. Até hoje, o álbum é incluído em listagens de críticos mundo afora, do tipo, “Melhores discos da história”, e seu legado é incalculável, assim como é imprevisível: recentemente, o seriado musical americano Glee, famoso por homenagear artistas da música Pop, dedicou um episódio inteiro a ele. “Rumours”, para mim, é uma obra-prima do Rock Clássico, e deveria ser reconhecido pelas novas gerações como tal. Das minhas faixas preferidas, destaco “Dreams”, “Go Your Own Way” e “You Make Loving Fun”.

Red Hot Chili Peppers'

Por Daniel Lima (@danielimarm | daniel@rockmeeting.net) Ouvir música e viajar sem sair de lugar é algo comum, mas, ouvir um álbum inteiro e fazer essa sensação acontecer não é nada fácil. Poucas bandas conseguem fazer isso e os californianos do Red Hot Chili Peppers conseguiram essa façanha no clássico de 1999, chamado Californication. Um CD que tem músicas para se divertir, pensar e até para ocasiões mais íntimas Este álbum marcou época não só na minha vida, mas de milhares de pessoas. Sou mais um daqueles que conheceu o RHCP na era Californication. Este começa com um riff bastante marcante de “Around the World” que foi o primeiro clip a ser gravado desse álbum. Uma música que inicia com um momento de êxtase, que em seguida fica dançante para que no refrão se torne suave. É meio Louco e se não fosse dessa maneira não seria um CD dos Peppers. Passando ”Parallel Universe” chegamos a um dos clássicos deste álbum chamado “Scar Tissue”. Esta ficou bastante conhecida por tocar em uma novela na época. Outra música que caiu no gosto da galera vem em seguida que é “Otherside”, ela também tem vídeo clipe e é uma daquelas músicas que até quem não sabe tocar instrumento de corda aprende o riff dela, igual a “Come as You Are” do Nirvana, você pode não conhecer a música e nem saber qual é a banda ou artista, mas sabe tocar aquele trecho. A próxima é “Get on Top”, bem no estilo do RHCP. A faixa título do álbum, “Californication”, também tocou bastante nas rádios e as pessoas comentavam muito por causa do clip que é um game dos Peppers. Em seguida vem ‘Easly’, ‘Porcelan’ (que é uma verdadeira viajem para quem ouve), ‘Emit remmus’, ‘I Like Dirt’, ‘This Velvet Glove’, ‘Savior’, ‘Purple Stain’, ‘Right On

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Time’ (ficou bastante conhecida por que o RHCP fazia a introdução de “London Calling” do Clash antes da música, já que originalmente ela não tem um riff inicial ou introdução). Para encerra, mais uma que rolou vídeo clip. “Road Trip” é uma música basicamente feita com John Frusciante no violão, Flea no baixo e Anthony Kiedis no vocal, Chad Smith não participa da música, mas está presente no vídeo. Digo basicamente pelo fato de que no meio da música entram violinos para preencher um pouco mais e dar aquele clima mais suave. Esta música é uma daquelas típicas de luau entre amigos com uma fogueirinha. Estilo que não condiz normalmente ao RHCP, mas que foi muito bem feito. Esses caras não precisam ser apresentados, basta apenas falar o nome da banda que músicas, vídeos, álbuns vem a cabeça. Turbulências aconteceram e eles não desistiram, estão na ativa e em setembro desembarcarão no Rio de Janeiro para tocar no dia 24 no palco principal do Rock In Rio, dia dedicado ao Rock. Uma boa oportunidade para aqueles que curtem o som deles e aqueles que não conhecem ouvir um pouco desse som que mistura Rock, Psicodélica e bastante técnica, principalmente para quem toca baixo pelo fato de que Flea tem uma maneira impar de se apresentar e fazer o seguimento da música.


Um ano que o Heavy Metal está órfão Já se passaram 365 dias sem o principal ícone do metal mundial, Dio se foi e deixou um legado para os que não o conheceram Por Pei Fon (@poifang | peifang@rockmeeting.net) Fotos: Divulgação

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‘I cry for magic, I feel it dancing in the light It was cold, lost my hold To the shadows of the night’ - Shadows in the night


16 de maio de 2010. 7h45. O mundo do Heavy Metal lamentara pela perda de seu principal expoente do estilo. Vítima da doença que assola o mundo, Dio faleceu por conta de um câncer no estômago, diagnosticado em novembro de 2009, em estágio inicial. Ronald James Padavona nasceu em Portsmouth, New Hampshire (EUA). 67 anos. Desde os anos de 1970 que ele começou a se mostrar para o mundo da música, tendo destaque no Rainbow e, claro, Black Sabbath quando substituiu ninguém menos que Ozzy Osbourne, em 1979. Foram quatro CDs gravados com o Black Sabbath, dentre eles o aclamado ‘Heaven and Hell’ considerado por muitos o melhor álbum de todos os tempos. Permaneceu na banda até 1983, e no ano lançou seu primeiro single solo ‘Rainbow in the dark’ do cd Holy Diver, a música é o grande sucesso de Dio. Não podendo esquecer que, Ronnie James Dio, é considerado o precursor dos tão famosos ‘chifrinhos’ do mundo do Heavy Metal. Como ele mesmo conta no documentário ‘Metal – A Headbanger Journey’, por ele ser descendente de italianos, a sua avó fazia tal gesto para afastar o ‘mal olhado’, Dio, observara isso enquanto criança e, posteriormente, adotou o tal símbolo parental para afastar, também, as energias negativas que pudessem vir sobre ele. No mínimo, virou o maior gesto de identificação do estilo no mundo. Já o Dio, surgiu de um mafioso italiano, Jhonny Dio.

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A luta pela vida Para quem já passou e quem esteve presente durante o tratamento de alguém que fora diagnosticado com câncer, sabe o quanto é doloroso, cansativo, sofrido e traumático vivenciar toda a fase da quimioterapia e radioterapia, para alguns momentos felizes e outros nem tanto, já que duas pessoas da equipe da revista, inclusive que escreve, sabem bem como é tudo isso. São momentos de agonia, incertezas e esperança. Infelizmente, como também no meu caso, a perda foi inevitável. Para o Heavy Metal, foi um pai, um exemplo de liderança, vontade e superação. Dio vinha sendo tratado no Hospital de Houston no Texas, quando foi diagnosticada a doença, em estágio inicial, tão logo diminuiu a agenda de shows para se dedicar ao tratamento. No entanto, seis meses depois ele foi vencido e silenciou-se. Em nota no site do Dio, Wendy (sua esposa), havia dito que

ele sabia que era muito amado por todos que o conheciam. E muitos já haviam o visitado antes mesmo do dia fatídico. Dio no Brasil Muito antes de saber da doença, e no auge do ‘Heaven & Hell’, a banda esteve no Brasil em três shows, dois em São Paulo e um no Rio de Janeiro. E foi em maio de 2009 que ele se fez presente e arrebatou centenas de fãs aos locais do evento. A formação da banda contava com dois integrantes da antiga Black Sabbath, o guitarrista Tony Iommi e o baixista Geezer Butler, além de Dio e o baterista Vinny Appice. Em muitos sites de notícias, que fizeram os reviews da passagem do ‘Heaven & Hell’, afirmam que foi uma explosão de emoções e de historicidade, tocando os grandes clássicos do Black Sabbath, sem deixar as composições próprias da banda.


O Metal no Maionese Por Pei Fon (@poifang | peifang@rockmeeting.net)

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O Coletivo PopFuzz tem organizado em Maceió algumas intervenções culturais para alavancar e dar oportunidade a produção independente da cena alternativa, por assim dizer, a cena underground. Eles são vinculados ao ‘Circuito Fora do Eixo,’ que é uma rede que agrupa os produtores culturais dos mais variados cantos do país, na busca de informações, troca de experiências e afins, facilitando a divulgação das bandas locais. Uma dos eventos organizados pelo coletivo é o Festival Maionese. Durante alguns anos o Festival trouxe bandas de rock alternativo nas suas mais variadas vertentes e propostas, principalmente. Mas na edição de 2011, mudaram as bandas e o som, mas o objetivo continuou. Nesta edição, o evento ocorreu no Armazém Usina, no bairro de Jaraguá. Foram dois dias de música e diferentes versões para mostrar os trabalhos locais e dos convidados. Mas o que chamou a atenção foi o segundo dia. Bandas derivadas da linha do Metal marcaram presença no festival, foram elas: Autopse (AL), Morcegos (AL), Desalma (PE), Monster Coyote (RN). O Punk esteve representado por duas bandas: Misantropia (AL) e Renegades of Punk (SE). O rock clássico fez presença com a Necronomicon (AL). E o Hardcore com o Merda (ES).


O Evento A Rock Meeting esteve presente no segundo dia para conferir as atrações do Metal no Maionese, conhecido principalmente, por atrair bandas mais alternativas. Em 2011 foi diferente. Apesar de se fazer presente na metade do evento perdendo assim, o início show, o que fora visto até então já era o suficiente para apreciar e ficar impressionado. Com dois palcos montados no Armazém Usina, o público não dava para ‘descansar’ do som de uma banda que logo a outra já iniciara a sua apresentação. Ou seja, as pessoas foram bombardeadas com música o tempo todo. O Festival começou criteriosamente no seu tempo e respeitando os horários estipulados. Ponto positivo! O outro era a climatização do ambiente de show, alguns até sentiram frio, ao que era possível constatar. De calor o público não poderia reclamar muito. Som e iluminação foram dois pontos importantes, apesar de que o som estava alto em demasia, mas nada que pudesse tirar a áurea das bandas. Além das bandas locais, Autopse chamou atenção e muitos burburinhos foram ouvidos. Positivamente. Na voz agressiva do rosto angelical de Dani Serafim não se poderia imaginar que de um corpo tão franzino, da mãe de Igor, pudesse vir uma voz tão ‘ameaçadora’ e imponente, causando espanto e fazendo os carinhas bater cabeça. Tocando suas novas canções do CD ‘Descontrole Mental’, a banda iniciou a fase mais agressiva do Maionese.


Já a banda Morcegos, que finalizou o evento, trouxe os seus vinte anos para o palco do festival. São três integrantes, dois deles que estão na banda desde o início, mostraram o sua força com um som sujo e carregado de história. Mas os destaques da segunda noite de apresentações foram as bandas Desalma (PE) e Monster Coyote (RN). A banda potiguar mostrou o seu stoner metal que, em alguns momentos, lembrou banda estaduniense, Black Label Society, do renomado guitarrista Zakk Wylde. Bons riffs e breakdowns que não podem passar despercebidos. O som típico de quem deseja entrar nos circlepits ou ‘balançar

seus cabelos’. Já a banda pernambucana, que outrora havia tocado num dos festivais mais importantes do nordeste – Abril Pro Rock –, não decepcionou quem esperava em vê-los tocar. No seu bom death metal de presença, o trio mostrou sua força e seu poder com vocal agressivo e rasgado e muita, mas muita velocidade na execução do som. Para os adeptos do estilo foi uma ótima pedida. No fim das contas o Maionese conseguiu executar bem o seu papel de disseminadora de projetos independentes, mesclando e trazendo novas bandas para que o público alagoano tenha conhecido que está sendo feito em seu próprio estado.


Headbangers se reúnem em torno de uma causa: ajudar Por Daniel Lima (@daniellimarm | daniel@rockmeeting.net) Fotos: Pei Fon (@poifang | peifang@rockmeeting.net)

O ser humano tem a mania de achar que nada acontece com ele, apenas com os outros e todos sabem que a realidade não é exatamente essa. Quando acontece com alguém próximo ou com nós mesmo isso parece não ser real, é algo que ao ver imaginamos cenas de filmes de guerra ou terror. É nessa hora que a bomba explode na cabeça e foi isso que aconteceu com Marlus, guitarrista bastante conhecido no underground alagoano. Uma enchente invadiu a casa dele causando prejuízo e tristeza. Amigos sabendo do fato reuniram-se para organizar um show e arrecadar fundos para ajudá-lo. As bandas Raiser, Imdy Project, Powerslave, Slayer Cover e Anesthesia reuniram-se na noite do dia 21 de maio no velho e conhecido K’fofo que fica localizado no Jaraguá não apenas para mais um show e sim para serem solidários. O show atrasou um pouco, mas nada que viesse a atrapalhar a apresentação da Raiser que foi a primeira banda a tocar. Fazendo uma junção no repertório de músicas próprias e covers. Durante a apresentação, Luis Henrique (vocalista da Anesthesia que faz cover do Metallica) e Dey Matos (baterista da Mastermind e Hellbound) subiram ao palco para fazer alguns clássicos do Heavy Metal. Iniciou com ‘Hangar 18’ do Megadeath, em seguida ‘Walk’ do Pantera e para encerrar ‘Raining Blood’ do Slayer. A banda não estava se importando se o público estava pequeno, eles fizeram um show como se o K’fofo estivesse lotado. 25 Rock Meeting


A próxima banda foi Imdy Project que faz cover do Iron Maiden na era Paul D’ianno. Clássicos da Donzela como ‘Wrathchild_’, ‘Killers’, ‘Prowler’ e ‘Running Free’ estiveram presentes no repertório. Os presentes cantavam as músicas do Iron e dessa maneira correspondia a Imdy Project. Dessa vez o público ouviu músicas próprias o que diferenciou bastante o show deles. São bastante empolgantes e bem no estilo Iron Maiden de ser. Entre as músicas citadas do repertório está a que encerrou a apresentação que foi ‘Running Free’. Bastante conhecida, todos cantavam e no final aplaudiram. Em seguida outra banda que faz cover do Iron Maiden sobe no palco do K’fofo, Powerslave toca músicas gravadas com Bruce Dickinson no vocal. O repertório ficou basicamente nos anos 80 e poucas da década de 90. ‘22 Acacia Avenue’, ‘Helloween be Thy Name’, ‘Die With Yours Boots’, são algumas dos anos oitenta que estavam no repertório além da música ‘Deja Vu’ do álbum ‘Somewhere In Time’ que nunca foi tocada pelo Iron Maiden em nenhuma turnê desde o seu lançamento. Partindo para os anos noventa o destaque ficou por conta da música ‘Fear Of The Dark’, a Powerslave ainda não havia tocado antes esse clássico em nenhuma de suas apresentações. A essa hora o público já estava um pouco maior, as pessoas começaram a chegar meio tarde nesse evento. A quarta banda foi Slayer Cover e finalmente depois de várias bandas as rodas começaram a acontecer. A essa hora já passava da meia noite e o mundo não havia acabado como disseram e foi noticiado nos jornais. Se o mundo tivesse hora para acabar seria justamente durante essa apresentação, Thrash Metal puro e público empolgado na maior pancadaria nos clássicos do Slayer. Durante a apresentação da banda Marlus pegou o microfone e falou que dava para contar as pessoas que estavam lá mas aquele era o melhor show da vida dele e que de oitenta e cinco a noventa por à noventa por cento do público era feito de amigos. Para encerrar tocaram ‘Angel of Death’ e ‘Raining Blood’ e a galera continuava empolgada como se fosse a primeira. Muito aplaudido eles deixaram o palco para o Thrash Metal continuar.

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Anesthesia foi a última banda a se apresentar, já passava de uma hora da manhã quando eles começaram a apresentação com a música ‘Creeping Death’ do álbum ‘Ride The Lightning’. ‘For Whom the Bells Toll’, ‘Battery’, ‘Master Of Puppets’, ‘Enter Sandman’ estavam no repertório da Anesthesia. Problemas na pedaleira do guitarrista Fabinho incomodava o mesmo, mas nada que viesse a atrapalhar a apresentação da banda. ‘Seek And Destroy’ foi a música que encerrou a apresentação da Anesthesia e a apresentação das bandas. O público presente não se arrependeu de esperar para ver a apresentação dos caras, eles realmente detonaram. A maior lição que se tirou desse evento não é aquela que sempre é discutida nas conversas sobre estrutura, som, iluminação, público ou coisas do tipo, foi que é preciso ajudar ao próximo sem pensar em quem. Assim como aconteceu com o Marlus poderia ser com qualquer outra pessoa. Não é a primeira vez que é feito um evento para ajudar pessoas já que aconteceram alguns arrecadando alimentos, mas para ajudar uma pessoa que sofreu um abalo como aconteceu com ele só mostra que o Marlus realmente tem amigos. A equipe que faz a revista Rock Meeting abraçou a causa e desejamos que ele possa se recuperar desse fato o mais rápido possível.


Perfil RM O perfil não poderia ser outro. Jefferson Santos conta um pouco sobre ele, seus projetos, suas bandas e o futuro. Confira o que o baixista da Imdy Project e Powerslave tem a declarar.

Ainda com a música, o Iron Maiden representa o que para você? Como foi que conheceu a banda?

Apresente-se. Sou Jefferson Santos, natural do Rio de Janeiro, tenho 41 anos, e papai feliz e orgulhoso de cinco filhotes!! Sou servidor público federal e baixista das bandas Imdy Project e Powerslave. Sobre a música, como foi que surgiu o seu envolvimento com ela e, principalmente, por instrumentos? Quem gosta de rock, principalmente se começar cedo como eu, sempre sonha em tocar numa banda. Não foi diferente comigo, mas nunca tive muito tempo devido às escolhas profissionais que fiz. Um fato, porém, foi marcante: operei o joelho em 2003 e peguei uma infecção hospitalar que me deixou hospitalizado por 30 dias. Durante aquele tempo pensei muito na vida, e o quanto estava deixando de lado meus sonhos de garoto em função do trabalho. Prometi que sairia dali e aprenderia um instrumento. Daí até o início do IMDY foram três anos, e eu tocava guitarra nessa época (mediocremente...). Virei baixista por “necessidade de mercado”, visto que tivemos três antes e não funcionou. Assumi as quatro cordas, os caras passaram a me chamar de “chefe” e fomos em frente. A partir daí, a banda se estabilizou (risos).

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Todo mundo diz que fã do Iron é “xiita”... e não me excluo disso... Conheci em 1982, e a primeira música que ouvi foi ‘Hallowed Be Thy Name’. Posso dizer que a banda sempre fez parte da minha vida, desde então acompanhei fases fantásticas, outras mais obscuras, mas sempre me identifiquei com os trabalhos, pois quando escuto uma música procuro entender a mensagem que ela quer passar. Estive junto nas mudanças de formação, nos sucessos e fracassos, mas sempre tem algo em qualquer dos álbuns que me diz algo ou me atrai. Isso me faz hoje um fã bastante tranquilo, que entende o momento atual da banda, sem achar que essa ou aquela fase é a melhor. Estive em “Hellcife” mês passado, e curti tanto ‘The Talisman’ e ‘The Final Frontier’ quanto ‘The Evil That Men Do’ e ‘The Number of the Beast’ Sendo um carioca da gema, por que Alagoas? Hehehe... Não sou bem “carioca da gema”... na verdade, sou de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, a cidade mais bonita do Brasil e única da América Latina a ter um vulcão!! Meu saudoso pai era natural de Murici, se mudou para o Rio na década de 50, mas nutria a vontade de retornar. Quando saí da Força Aérea em 92, ele me chamou pra iniciar o processo de retorno da família para Alagoas, e viemos para as primeiras providências. Porém, o processo sofreu vários entraves, e ao final, só eu fiquei!!! Constitui família, passei num concurso público e estou aqui até hoje.


Ultimamente, você tem se aventurado no Twitter. Como é ser o ‘weather man’? Sou fã de tecnologia e de suas possibilidades. Trabalho num serviço de utilidade pública, e o Twitter é a bola da vez. Criei a página do meu trabalho, e depois o meu perfil pessoal. Fico feliz em ver o retorno que os seguidores têm dado e entendo que com isso estamos sendo úteis. Você e outras pessoas estão se mobilizando/organizando um evento em prol de um amigo que perdeu seus bens na chuva. Como surgiu a ideia e o que tem representado o evento para todos? A ideia veio do vocalista do IMDY, o Daniel DaVoiz. Encampei de imediato, pois em 2004 eu mesmo fui afetado, e contei com a solidariedade dos colegas de trabalho. Para nós, representa poder retribuir um pouco do que o Marlus já fez pela cena do rock aqui na cidade. O cara é batalhador, vem de muito tempo fazendo o seu trabalho com um monte de coisas contra, e além de tudo tem uma família maravilhosa, que sempre nos recebeu muito bem. Como um maiden maniac, qual a sensação de tocar as músicas da banda que você mais gosta? O que poderia dar como exemplo desta sensação? Pra um cara que só conseguiu isso “depois de velho”, é indescritível. Não sei, talvez, possa dizer que é uma viagem no tempo, um rejuvenescimento. Uma fã da Powerslave deixou o seguinte recado ao ver fotos dos nossos shows: “Você demonstra prazer quando toca. A expressão de seu rosto evidencia a satisfação de realizar algo pessoal. Você parece concentrar todas as energias nesse instrumento, e observa o público como se estive no topo do planeta”. Isso mais do que resume a sensação! Top 5. Quais as cinco músicas da sua playlist que não sai de maneira alguma? Explique em poucas palavras. Caramba... cinco?? Isso é uma injustiça com

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pelo menos duas dezenas de músicas!!! Vamos lá: ‘Hallowed Be Thy Name’: a primeira que ouvi, clássico absoluto. ‘Aces High’: sou fanático por aviação e estava na Força Aérea nessa época. ‘Sign of the Cross’: tensa! Andamento marcante, forte. Um “terror militarizado”. Sempre volto a escutar. ‘Infinite Dreams’: que letra é aquela, bicho? Que arranjo de baixo é aquele? Que dobra de solo é aquela? Que mudanças de andamento são aquelas? O que é aquilo??? ‘The Talisman’: novinha, mostrando que se pode evoluir sem deixar de ser você mesmo. Qual o show que foi inesquecível para você? Conte-nos um pouco sobre ele. Já tive a sorte de ver Judas Priest, Megadeth, Queensryche, Scorpions, ACDC, Deep Purple e mais alguns por aí, mas a primeira vez “frente a frente” com o Maiden não vai se apagar... “Hellcife” 2009... após aquela explosão dos fogos e eles entrarem tocando ‘Aces High’, as lágrimas desceram... Para finalizar, o que podemos esperar da Imdy Project este ano? Sucesso. Parabéns. Muito obrigado! O IMDY está focado em desenvolver seu trabalho autoral agora. Temos quatro músicas finalizadas, e mais umas 15 letras/ideias em desenvolvimento. Fizemos essa opção devido ao fato do nosso repertório ser bem restrito, pois são apenas dois álbuns com o Di’Anno, e não queríamos soar repetitivos. Nosso som reflete bem nossas influências, algo bem tradicional, com algumas linhas melódicas e muitos duelos de guitarras!!! Falamos de problemas sociais, viagens, vidas em diversos planos... A Powerslave estará sempre procurando renovar o repertório, sem abandonar os clássicos. Parabéns a vocês pela manutenção desse projeto, como única publicação voltada para o nosso meio aqui no Estado. Muito sucesso e progresso! Obrigado pelo espaço e o privilégio de estar aqui.


Eu estava lá

O ‘Eu estava lá’ desta edição para o leitor algumas imagens do show beneficente realizado no Kfofo. O evento teve o intuito de ajudar ao guitarrista da Imdy Project/ Powerslave/Raiser, uma vez que ele perdeu seus bens materiais numa enchente. Confira algumas fotos do evento e veja o álbum completo na página do Facebook da Rock Meeting. Fotos: Pei Fon


Revista Rock Meeting #21