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Editorial

“E o Brasil vai ficar rico, vamos faturar 1 milhão”

B

rasil... que terra abençoada, não é? Tantas belezas, recursos naturais, diversidade cultural, pulmão do mundo. Não tem terremoto, maremoto, furação, tufão, guerra étnica. Êta país bonito! Todo mundo joga futebol, quase todo garoto sonha em ser jogador e ajudar a família. Êta Brasil lindo! Que pensa no próximo, ajuda aos necessitados. E a segurança então? Exemplo... Só que não! Sátiras de lado, você sabe quando paga de imposto diariamente? Você tem noção do que acontece no Senado e na Câmara Federal? Não estamos inflamando um clamor político, mas só para acordar para algumas coisas. Inflação. Você tem percebido como tudo neste país está sob inflação? Alimentos, bebidas, roupas, lazer. Tudo custando mais

caro. Lazer... Tudo o que gostaria era se divertir, mas, até para isso, cada cidadão está desembolsando mais. Vide o valor dos ingressos dos shows. R$ 600, R$ 400, R$ 700? Tá achando caro, né? A inflação superfaturou os ingressos dos espetáculos. Quem hoje quiser ver o Iron Maiden tem que desembolsar R$ 450. E Black Sabbath? R$ 600. Bon Jovi, já viram? R$ 680. Os promotores de eventos estão usurpando você que só quer se divertir. Não se sabe até quando isso irá persistir. Mas assistir show, hoje, está inviável. Black Sabbath tá empacado, sabia? É... com um valor desse, sem condições! Fiquem de olho! Chega de preços abusivos!


Table of Contents 07 - Coluna - Doomal 11 - News - World Metal 16 - MatĂŠria - Danko Jones 20 - Entrevista - A Wilhelm Scream 27 - Capa - Legion of the Damned 39 - MatĂŠria - Drowned 48 - Review - Primavera Sound 56 - Coluna - Review 61 - Coluna - O que estou ouvindo?


Direção Geral

Pei Fon

Revisão Breno Airan Katherine Coutinho Rafael Paolilo Capa

Alcides Burn

Diagramação Pei Fon Conteúdo Breno Airan Daniel Lima João Marcelo Cruz Jonas Sutareli Lucas Marques Colaboradores Igor Miranda Mauricio Melo (Espanha) Vicente de A. Maranhão Wesley Varjão Agradecimentos Ellen Maris Sandro Pessoa Rafael Nagano CONTATO Email: contato@rockmeeting.net Facebook: Revista Rock Meeting Twitter: @rockmeeting Veja os nossos outros links: www.meadiciona.com/rockmeeting


Draconian - Gothic/Doom

Por Sandro Pessoa (Sunset Metal Press)

As Curiosas Faces do Doom Metal Músicas lentas e de longa duração, abordando uma tristeza imensa a ponto de fazer o ouvinte por hora pensar até mesmo em se matar, devida tamanha depressão. Será mesmo? De acordo com um grande número de pessoas, fãs de metal, essa é a definição mais comum na hora de descrever o que é Doom Metal. Porém, quem realmente gosta e busca conhecer as origens e evoluções do gênero sabe que definições generalizadas do tipo são vagas e pobres, partindo de pessoas que, pode-se dizer, mal conhecem o estilo. Hoje o Doom Metal - devido aos seus diversos subgêneros - tornou-se um dos estilos mais amplos do Heavy Metal. Você pode encontrá-lo desde o formato mais épico e tradicional de bandas oitentistas até mesmo no violento e obscuro Black Metal. O que impor-

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ta é que todos trazem consigo determinados elementos que os arremetem aquela característica primordial que constrói o gênero. Portanto, estarei tratando de alguns destes subgêneros, a fim de mostrar quão grande é a amplitude do Doom Metal dentro da música e, consequentemente, livrar alguns dessa ideia vaga que acomete. Epic e Doom tradicional: apesar de não serem necessariamente as precursoras desta linhagem musical, foram responsáveis pelo desenvolvimento do termo “Doom” e estabelecimento das características básicas deste. O período era o auge dos anos oitenta, acarretando uma forte levada “Heavy” nos som destas bandas


profundamente influenciadas por artistas como Black Sabbath. Bandas como Trouble e Saint Vitus exemplificam bem esta época e até mesmo o que necessariamente é chamado de Doom Metal Tradicional. Alguns anos depois, na segunda metade dos anos oitenta, surge o Epic Doom, trazendo os elementos do Doom Tradicional carregados de lirismo e dramaticidade. Uma época extremamente importante, pois com o lançamento de Epicus Doomicus Metallicus da banda Candlemass a bandeira do Doom Metal enfim é levantada oficializando de vez o termo. Exemplo de bandas: Trouble, Saint Vitus, Candlemass e Solitude Aeturnus. No Brasil: Imago Mortis.

Paradise Lost: Doom/Death

Doom/Death Metal: Surgindo no fim dos anos oitenta, este pode ser considerado um dos mais populares subgêneros associados ao Doom Metal. Bandas como Asphyx

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Candlemass: Epic/Doom

e Autopsy, já influenciadas por bandas de Doom Tradicional, passam a incorporar em suas músicas elementos do Death Metal da época, como vocais guturais, afinações graves e palhetadas velozes. A conclusão disto foi o surgimento de várias outras bandas seguindo pelo mesmo caminho, como por exemplo: My Dying Bride, Paradise Lost e Anathema. O Doom/Death Metal tem como outras características o ritmo lento, pesado e sombrio, com altas explosões de velocidades, incluindo blastbeats. Além das bandas já citadas, destacamos os brasileiros da Mythological Cold Towers, Soul’s Silence e Apocalyptichaos. Funeral/Doom Metal: partindo da escola do Doom/Death Metal, algumas bandas se aventuraram a promover um tipo de som bem mais minimalista e dramático, eliminando aquela velocidade outrora trazida pelo Death Metal, explorando apenas os vocais guturais e afinações literalmente graves,


promovendo uma sonoridade de desespero total de longas durações, abrindo espaço para uma grande diversidade em termos de som que varia entre a crueza e o atmosférico. É considerado o estilo mais depressivo e melancólico presente no Doom. Exemplo de bandas: Thergothon, Shape of Despair, Skepticism. No Brasil: Helllight e De Profvndis Clamati.

Eletric Wizard: Stoner/Doom

Gothic/Doom Metal: mais outra vertente oriunda do Doom/Death Metal logo no início dos anos noventa, tornando-se um gênero híbrido através da incorporação do imaginário gótico clássico. É tipicamente romântico ou depressivo com atmosfera mórbida, podendo incluir passagens sinfônicas e muitas vezes vocais femininos no estilo “Bela e a Fera”. Exemplo de bandas: Draconian, As Divine Grace. No Brasil: Les Memóires Fall e

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Silent Cry. Stoner/Doom: com origem nos anos noventa, esse gênero é bem peculiar em relação aos demais estilos. Carregado de influências psicodélicas e também bebendo da fonte do Blues, o Stoner/Doom apresenta canções por hora carregadas de efeitos, como flangers, Phasers, Fuzz, distorções e Reverbs, além de abordar tonalidades graves e bem pesadas. Exemplo de bandas: Electric Wizard e Cathedral.

Crowbar: Sludge/Doom

Sludge/Doom: originalmente uma vertente do Hardcore, sofreu influências do Doom Metal e do Blues, desenvolvendo um som com ritmos mais espaçados, sujo e com bastante groove. Exemplo de bandas: Crowbar e Cultura Tres.


Black Sabbath: Proto/Doom

Proto/Doom: Trata-se das bandas que traçaram as características fundamentais daquilo que porventura serviria de base para posteriores bandas de Doom Metal. Bandas cujo início data das décadas de sessenta e setenta, com o uso de guitarras altamente distorcidas (para a época) em níveis extremos de volume, ritmos lentos, utilizando-se de escalas menores e o uso do trítono, umas das principais características do estilo, além de um visual mais obscuro que influenciou fortemente as bandas de Doom Metal tradicional. Exemplo de bandas: Black Sabbath e Pentagram. Foram citados aqui os gêneros mais populares e que com certeza, mesmo que

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ainda não saibam, muitos já escutaram e sequer imaginaram que no fundo era mais uma banda do grupo pertencente ao Doom Metal. Além destes ainda há outros subgêneros, como o Atmospheric, o Avantgarde, o Drone, o Industrial, o Black, dentre outros não menos importantes, pertencentes a nichos musicais menores. Concluindo, podemos afirmar que o Doom é bem mais amplo do que muitos pensam, tendo suas principais características enraizadas em diversos tipos de sons. Seja de forma deprimida, agressiva, psicodélica ou sombria sempre haverá uma espécie de Doom que você irá se adequar e gostar. Fontes: www.doom-metal.com


O velho Priest Com a saída do guitarrista K.K. Downing, o Judas Priest se viu num momento importante: o de se reinventar. Com a entrada de Richie Faulkner, a banda se focou em fazer da alegria dos fãs a meta maior. “Não estamos com pressa [de lançar o próximo trabalho de estúdio]. Ela ficará pronto quando ficar. Nós podemos dizer que sentimos que é muito importante seguir ‘Nostradamus’, o último lançamento, e este era um conceito experimental e foi um real sucesso para nós e os fãs o amaram, mas eu acho que nossos fãs e nós mesmos como uma banda, gostaríamos de voltar ao lado do PRIEST que não ouvimos em alguns anos, e enfatizar e refazer estes grandes pronunciamentos de Heavy Metal de novo”, diz o vocalista Rob Halford, que garante que o novo CD sai ainda este ano.

Longe do inferno

Toto sux

Completando 30 anos de carreira neste 2013, o Stryper está revigorado. A banda, em março último, lançou o benquisto “Second Coming”, que recebeu boas críticas e o apreço dos fãs do estilo. Mas este trata-se apenas de uma coletânea. Já o novo álbum deles, foi anunciado no final do mês passado. Ele se chamará “No More Hell To Pay” e já está finalizado. O disco será lançado via Frontiers Records. Segundo comunicado oficial da banda, a data de lançamento será anunciada em breve.

Prestes a iniciar uma nova turnê, o guitarrista Steve Lukather falou sobre algo que sempre o incomodou no Toto: o nome. “A verdade é que sempre o achei uma merda. Preferia o original, Still Life, mas fui voto vencido junto a Jeff Porcaro e David Paich. Fomos alvos de piadas, mas rimos por último, vendendo 35 milhões de cópias. Somos parte da cultura Pop, as pessoas cantam nossas músicas em todo o mundo. E hoje em dia há nomes piores”, disse ele à uma rádio.

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Todos em cima

Luto no Rock

Em entrevista a um site especializado, Jerry Cantrell e Sean Kinney, respectivamente guitarrista e baixista do Alice in Chains, falaram sobre o significado das iniciais LSMS, presentes n o kit de bateria de Kinney, em homenagem aos ex-companheiros de banda falecidos, o cantor Layne Staley e o baixista Mike Starr. Jerry disse: “Significa Layne Staley, Mike Starr, eles estão com a gente.” Sean disse: “Houve seis pessoas na banda, e estão lá no palco.” Jerry acrescentou: “E todos nós estamos lá em cima no palco”.

Ray Manzarek, tecladista e membro fundador do The Doors, morreu no dia 20 de maio, aos 74 anos na Alemanha, depois de “uma longa batalha contra um câncer no ducto biliar”, segundo um comunicado publicado na página da mítica banda de Rock no Facebook. Manzarek formou o grupo com Jim Morrison em 1965 quando os dois se conheceram por acaso em Venice Beach, Califórnia, e morreu rodeado da esposa, Dorothy, e de seus irmãos, Rick e James, em uma clínica de Rosenheim, Alemanha. Entre os sucessos da banda conhecidos internacionalmente estão, entre outros, “Light My Fire”, “L.A. Woman” e “Riders on the Storm”.

Entrevista perdida Uma entrevista perdida com Freddie Mercury, em que ele fala sobre os 20 anos do Queen, foi achada e estará no no DVD/Bluray Queen On Fire: Live at the Bowl. Freddie Mercury, que morreu de pneumonia em decorrência da AIDS em 1991, sentou-se com uma equipe de TV alemã em Munique, em 1982, para um bate-papo. Bebendo cerveja e com um cigarro, refletiu sobre como seria o 20º aniversário de sua própria banda, que ele não viveria para ver. Mercury disse: “Seria bom se as pessoas continuassem comprando nossos registros (daqui há uns 10 anos).” Durante a entrevista de oito minutos, Freddie fala também sobre se tornar uma estrela do rock fora dos palcos.

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Novo em outubro Em uma postagem no Facebook, onde comenta a recente passagem do grupo pela Europa, o incidente com Eloy Casagrande e até a morte de Jeff Hanneman, o guitarrista Andreas Kisser fala sobre o novo álbum do Sepultura: “Em junho iremos para Los Angeles gravar o novo material com Ross Robinson e Steve Evetts, a ser lançado em outubro. Mal posso esperar, será nosso trabalho mais intenso. Temos treze canções próprias mais duas releituras, uma do Death e outro do Chico Science e Nação Zumbi. Manterei vocês informados sobre as gravações”.

Não tem idade

Stone sem Scott

Fazer 91 anos não deveria ser um obstáculo para lançar um CD de metal. Pergunte ao Christopher Lee. O icônico ator, conhecido por seu trabalho em clássicos do cinema como “O Senhor dos Anéis” “Star Wars”, “Drácula” e “O Hobbit” está pronto pra celebrar seu 91º aniversário com o lançamento de seu segundo álbum de metal. Entitulado “Charlemagne: The Omens of Death”, o segundo álbum do ator sairá dia 27 de maio trazendo um total de 10 faixas arranjadas pelo guitarrista do Judas Priest, Richie Faulkner.

O membros do Stone Temple Pilots, Robert DeLeo (baixo), Dean DeLeo (guitarra) e Eric Kretz (bateria) entraram com uma ação contra o seu ex-vocalista Scott Weiland, alegando que ele sabotou a turnê de aniversário de 20 anos da banda por estar sempre atrasado para as performances e não ter comparecido a shows promocionais. Eles também alegam que Weiland se recusou a se comunicar com os outros membros. A banda demitiu Weiland oficialmente em fevereiro deste ano, depois de semanas de boatos a respeito de sua situação. Essa foi a segunda vez que a banda se separou do seu muitas vezes conturbado frontman, sendo que a primeira vez foi em 2002.

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Não é 100%

Prontos pra vaia

Apesar da melhora no estado de saúde de Tony Iommi desde o diagnóstico de câncer no início de 2012, o icônico guitarrista do Black Sabbath tornou públicas notícias infelizes. Acreditando estar livre do linfoma, Iommi foi informado recentemente por seu médico que ele muito provavelmente nunca estará completamente livre do câncer. Desde sempre, ele agradece aos fãs e aos amigos por todo o apoio que tem recebido. Com o lançamento do novo álbum “13”, mais uma fase difícil, mas gloriosa, passa por seus dias.

Cadu Pelegrini, vocalista da banda Kiara Rocks revelou que mal consegue dormir graças à expectativa e ao trabalho que está dando preparar um show especial para a apresentação na noite de encerramento do Rock in Rio, em setembro próximo. Essa apresentação, aliás, tem gerado muita discussão, pois eles precederão ao show da banda americana Slayer, que tem por tradição ser uma pedra no sapato dos músicos que abrem seus shows. Segundo o cantor, a banda tem ciência do que pode acontecer e está se preparando para tudo, inclusive para as vaias.

Do fundo do coração O vocalista do Black Sabbath, Ozzy Osbourne, falou recentemente com uma revista britânica sobre “13”, o primeiro álbum do Sabbath após 35 anos a tê-lo, o guitarrista Tony Iommi e o baixista Geezer Butler tocando juntos. “Não estive feliz assim com um álbum em anos”, diz Ozzy. “Não estou tentando me vender. Se esse álbum estivesse só bacana, eu diria isso. Mas, honestamente, do fundo do coração, é uma das melhores coisas que já fiz na minha vida inteira”, completa. Ozzy também deu, na entrevista, sua opinião sobre a situação que envolve o baterista original do Sabbath, Bill Ward, que deu pra trás na reunião da banda no ano passado. 14


DAN

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NKO JONES Sala Music Hall - Barcelona

Fotos e Texto: Mauricio Melo (Correspondente - Espanha)

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M

ais uma noite de rock em Barcelona, mais uma noite do Danko Jones diante de seu público fiel na Espanha. Público este que não perde a visita anual do power trio canadense e a oportunidade de gritar “DanCojones”, algo como “Dan Culhões”, ao Mr. Rock and Roll. Ir a um show de Danko é o mesmo que ir ao The Hives repetidas vezes, no quesito animação, é claro. Aquele velho roteiro, as mesmas piadinhas e o mesmo escracho, mas que ao final - ainda que para quem já o assistiu não represente nenhuma novidade - te arranca os esperados sorrisos. É como assistir ao Jules (Samuel L. Jackson) na primeira parte do filme Pulp Fiction, comendo o cheeseburguer e bebendo o refrigerante de sua futura vítima, pouco antes de recitar sua pseudo-passagem bíblica de Ezequiel 25:17 e fuzilar o par de jovens metido a malandros, que tentam dar uma volta no mafioso. É impossível não rir do cinismo de Jules ao vê-lo beber o refrigerante até que o som de copo vazio surja diante do silêncio na cena. Há quase vinte anos assisto esta cena e me parto de rir. Pois é exatamente assim: anualmente assisto ao Danko Jones e escuto suas piadas, ainda que já saiba o que vai acontecer, entro no jogo e dou risada. O único que não estava no script era o atraso por problemas técnicos na sala Music Hall, coisa pouco habitual por aqui. Também podemos incluir como ponto negativo que, ainda com o atraso, Danko falou pelos cotovelos fazendo com que uma meia dúzia gritasse “menos conversa e mais rock and roll”. Danko se pôs de acordo e desceu a lenha nas guitarras. Foi um repasso de seus seis discos, ainda que muito calcado nos mais recentes e porque não dizer no Rock And Roll is Black 18


And Blue? Ainda que abrisse o set com “Had Enough” não foi suficiente, mas queríamos e recebemos um som satisfatório. Com “Play the Blues”, de Born A Lion, no segundo posto e fazendo a linha de frente bater cabeça. Mais pra frente, tivemos Danko em uma “Sticky Situation” e explicando com detalhes através de gestos sua peculiar história em um primeiro encontro em “First Date” e, mesmo que em calendário, estamos oficialmente na primavera, não para de chover e faz frio nos últimos dias em Barcelona. JC e o recém incorporado Atom (ex-Rocket From The Crypt e Social Distortion) ajudaram a Danko a cantar “Just a Beautiful Day”. Voltou a fazer piada com o rock e dançamos ao som de “Dance”. Em seguida, conhecemos os “Code of the Road”, nos empanturramos de “Sugar Chocolate” e ficamos com “Full of Regret” na sequência. O ritmo foi forte, Atom fez um bom solo de bateria, o trio brincou com covers de Queens of the Stone Age e só parou quando descobriu um público bastante ateu, pois a reação do mesmo diante de um de seus novos hits, “I Believed in God” foi algo decepcionante, apenas alguns braços erguidos mostrava uma meia dúzia de crentes. Na volta para o bis com “I Think Bad Thoughts”, “Legs” e Mountain” ainda presenciamos todo o amor que Danko possui pela bebida vegetal Orxata (de Xufes em catalão), o que lhe rende outro apelido por aqui, o Dankorxata, além do já mencionado acima e do mundialmente famoso Mango Kid. Vamos Danko…te esperamos de braços abertos e com litros de sua bebida favorita no ano que vem. Próxima parada: Primavera Sound 2013. 19


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Começamos o mês de Maio com o pé no acelerador. Além dos bons shows que tivemos a oportunidade de cobrir, ainda houve algumas entrevistas e encontros com velhos amigos que passam mais da metade de suas vidas viajando e tocando em palcos em diferentes pontos do planeta. Por falar em acelerador, se há uma banda na cena punk-rock /hardcore melódico atual que preza por velocidade, esta é a A Wilhelm Scream. Além de uma técnica apurada, também esbaldam simpatia, amizade, paciência... No dia em que visitaram Barcelona, uma vez mais acompanhados pela lenda de Hermosa Beach, chamada Pennywise, nos reservamos um tempinho para um rápido bate-papo com o vocalista deste quinteto de Boston. O filho de portugueses Nuno Pereira nos acompanhou até a esquina próxima à sala Razzmatazz e, com sua mistura de português da terrinha e o inglês, nos contou detalhes do disco novo, a experiência de estar sempre rodeado de lendários grupos e das boas lembranças que tem do Brasil, além das suas influencias, a volta de Jim Lindberg ao Pennywise e reuniões de lendárias bandas. Com vocês, Nuno Pereira de A Wilhelm Scream. Texto e fotos: Mauricio Melo (Correspondente - Espanha) Não podíamos começar diferente né? Disco novo? O disco novo já está quase feito, estamos trabalhando na capa e hoje (dia da entrevista), estão masterizando. Está quase pronto e acho que será muito bom. Porque desde 2009 que a banda não lança nada… Sim, quase cinco anos ou seis, se considerarmos um álbum completo. Sim, mas teve o EP Australias? Sim, o EP foi divertido também. É que passamos tempo com turnês, seis, sete e até oito meses por ano e acaba sendo difícil de escrever, ensaiar. Tínhamos três meses para fazê-lo. Era escrever as letras, compor e tocar no mesmo dia, foi difícil, porém fácil, quando conseguíamos estar juntos.

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O novo disco seguirá o formato dos outros – no quesito estilo - ou a banda apresentará algo diferente? Acho que grupos de Punk Rock ou Hardcore não podem ficar parados sempre no mesmo estilo, mesmo som. Também gostamos de experimentar um pouco de tudo. Então, é um disco do A Wilhelm Scream, que será punk rock, terá barulho, será rápido e tudo o que já somos. Também temos a Mike Supina escrevendo as músicas. Ele é muito técnico. Possivelmente o público não gostará na primeira vez que ouvir, mas vai melhorando com o tempo. E o produtor? Trevor e Mike estão produzindo. É divertido trabalhar com estes caras, porque nos amamos como irmãos e é muito cômodo.


Vejo você vestido com um casaco do Hot Water Music eme pergunto se essa é uma de suas influências. Quem mais além de Hot Water Music influenciou o Nuno? Já que dentro da banda as influências são diversas. Hot Water Music, Propagandhi, Bad Religion ou bandas antigas de skate punk são grandes influencias. Mas também gosto de coisas como Manu Chao, grupos de Reggae e músicas que em geral me deixam feliz. Praticamente posso resumir minhas influências em bandas que transmitem algo positivo, bandas com muita energia. Hot Water Music por exemplo. Quando você os vê tocando, percebe que eles realmente se divertem e ao final espera um dia ser como estes caras. Então sou um sortudo, porque estou numa banda assim e todos temos diferentes influências. Como você vê reuniões de bandas, como por exemplo o Black Flag, com duas formações diferentes, uma que é o Flag e outra o Black Flag? Há poucos dias tocamos com o Flag. Não quero me meter nisso, mas muita gente diz que o Flag é melhor mas não quero opinar, falar besteira. É a segunda vez que os vejo e que os entrevisto. Em ambas, acompanhados com o Pennywise. Qual é a sensação de estar com Fletcher, Jim Lindberg…* É incrível né? É muito bom ter Jim de volta. Estes caras são muito legais, tudo funciona e tentamos ter uma atmosfera familiar quando estamos em turnê. Assim, podemos estar juntos, ser amigáveis e, com uma banda como o Pennywise, é muito fácil, porque são tão amigáveis e estão sempre em turnês. En23


tão, quando estamos em turnê e eles também, eventualmente temos que nos encontrar, é como um mandatário. Adoramos tocar com o Pennywise, é fenomenal, seja com o Pennywise ou somente nosso grupo sendo o principal é excelente, ainda mais porque Barcelona é uma das cidades mais maneiras da Europa, por musica, vida, atmosfera, condições climáticas, garotas, árvores… Falando em mulheres. Da última vez que passaram por Barcelona, estive com Robinson e vocês estavam com uma turnê marcada para o Brasil, era a primeira vez da banda por lá. Como foram as coisas por lá, à parte das mulheres? Espetacular! Eu tenho mulher, então… tudo tinha alegria, cheio de vida. Acho que muita gente no Rio, São Paulo ou Curitiba tem um lado “joie de vivre”, como se diz em francês. Comidas, bebidas, tudo foi muito bom. Voltamos para tocar no Wros Fest e foi espetacular. Alguma banda de Portugal que te chama atenção? Devil in Me, que é muito boa banda além de boas pessoas. Nos conhecemos através do Comeback Kid. Comeback Kid tocou aqui dois dias atrás com Scott Wade no vocal… E como foi? Diferente, mas igualmente bom. Então, Devil in Me foi muito bom quando estivemos em turnê no Canadá e conseguimos um computador para assistir ao jogo do Ben-

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fica. Mudando um pouco de assunto: Recentemente Boston foi alvo de ataques terroristas. Como a banda encara situações como esta, já que vocês são praticamente de lá? Se você mora próximo a Boston, tem família lá, amigos, como tudo é muito próximo, da a sensação de que poderia ser eu, você ou sua namorada. As pessoas vão curtir férias, fim de semana, era um feriado e um bom negócio para a cidade. É vergonhoso que um par de loucos, dois garotos, tenham estragado tudo. Recentemente, vi uma série de reportagens falando em conspirações, que ao final não eram estes rapazes e sim haviam outros interesses, etc, etc… Como aconteceu no 11 de Setembro. Não acredito nestas teorias. Foram estes caras que estão de saco cheio do mundo, de saco cheio dos Estados Unidos. São pessoas que viveram nos Estados Unidos por 10 anos e não tinham nenhum amigo. Simplesmente não entendo. É triste, uma tragédia e por outro lado é bom ver todos unidos na causa. Quando algo acontece em uma cidade, como disse, pequena, faz com que as pessoas se unam. Foi um bom sentimento depois que pegaram os culpados, pessoas fazendo doações para as pessoas que foram atingidas, que perderam um familiar ou membros do corpo. Estas pessoas agora tem uma imensa conta no hospital. Ao final foi algo que, apesar de triste, serviu para unir as pessoas e, ao mesmo tempo, temos o Boston Bruins e Boston Celtics avançando para as eliminatórias.


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Algum contato com o Dropkick Murphys? Sim, sou amigo de alguns integrantes. Crescemos tocando em alguns shows, conhecemos algumas outras bandas. Sou mais amigos de uns do que de outros, mas todos são legais. Falávamos dos Canadenses Comeback Kid, mas recentemente vocês também tocaram com o Belvedere, não? Sim, tocamos. São antigos amigos que temos. Foi no ano passado, não foi? No Canadá a banda é grande, uma lenda. É divertido, porque pessoas de todas as idades vão ao show. Normalmente quando vamos a estes shows são todos muito jovens, mas quando o show é de reunião, todos os hardcores aparecem… Você vem ao Pennywise e a maioria do público é jovem, mas também encontra caras como eu, com 40. Ou até mesmo Jim Lindberg, com quase 50. Isso é o que tem o punk rock e sua energia. Você pode continuar para sempre. Enquanto houver pessoas indo aos shows, não há razão para não tocar. Então é interessante ver os veteranos junto aos jovens. Como deveria ser em todos os lugares… Exatamente! Últimas palavras para a galera do Brasil em especial? Esperamos voltar em breve, já com o disco novo, e fazer shows muito loucos. Espero ver todos em nossas apresentações e vamos zoar!!! 26


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“Nossos fãs merecem uma segunda chance e é por isso que estamos voltando” Por Pei Fon e Daniel Lima (@rockmeeting | contato@rockmeeting.net) Foto: Divulgação (LOTD Official) Tradução: Mario Barbosa Revisão: Jonas Sutareli

Já estamos em junho, minha gente! E este mês a banda holandesa de Thrash Metal Legion of the Damned desembarca no Brasil para sua segunda turnê. Em uma entrevista longa e super humorada, conversamos com Maurice Swinkles, vocalista da banda. Uma pessoa bastante adorável que pudemos conhecer. Nesta segunda passagem pelo Brasil, Maurice nos conta sobre o fiasco Metal Open Air, o novo álbum, seu Top 5, os fãs brasileiros e a tour, obviamente. Acompanhe agora esta entrevista em parceria com o Staff do fanpage do Legion of the Damned Brasil no Facebook.

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E ai Maurice! Gostaria de agradecer a você por gastar seu tempo conosco. Não economize suas palavras, fique a vontade. Claro que você é um músico conhecido e não precisa se apresentar, mas dê um oi para nossos leitores. Olá metal maniacs brasileiros! Eu gostaria de me apresentar - até porque podem haver pessoas que não conheçam a banda. Meu nome é Maurice Swinkels e sou vocalista da Legion of the Dammed. Estou com a banda faz 23 anos. Nós só ouvíamos falar de você na Europa. É primeira vez que vocês saem de “casa” e vêm para o Brasil. Qual foi a reação da banda com relação a isso? Absolutamente incrível! Eu não pude acreditar quando vi o convite para o São Luis Metal Fest. Nós recebemos convites nesses 20 anos, mas nenhum deles foi realmente sério e a maioria era um desastre financeiro. São Luis nos ofereceu coisas legais, tornando possível a nossa ida. Foi um sonho que virou 30

realidade e nós ficamos realmente empolgados com isso! Chegando no Brasil, quais foram as primeiras impressões do país e das pessoas? Prestativas e amorosas! Mas, vendo os fãs brasileiros no aeroporto de São Luís tirando fotos da chegada da banda, eu tive certeza que os fãs brasileiros de metal eram devotados e verdadeiramente dedicados a apoiar qualquer banda, não importando se eles são conhecidos ou não, eles apoiam o METAL!!! A turnê Sul Americana terá cinco shows, três deles no Brasil. O que vocês trazem de novidade para o público brasileiro comparando com o show do ano passado? Primeiro uma energia melhor. Em São Luís teve muito stress o dia inteiro. Nós fomos para a área do festival algumas vezes e o organizadores disseram que talvez não iriamos tocar, foi estressante e MUITO desapon-


tador. Nós falamos para os organizadores que não importasse o que acontecesse, nós iriamos tocar mesmo que fosse no campo cru do festival com metade do nosso equipamento de bateria! No final, quando chegamos no palco, nosso baterista só conseguiu colocar metade do kit de bateria, ele geralmente usa vários cymbals, mas só três conseguiram chegar no palco e estavam quebrados, danificados e todos tinham a mesma medição, foi um desastre! E nosso técnico de som não pode ouvir o som adequadamente porque eles colocaram o PA no palco, então ele não conseguia ouvir nosso som. Mas... conseguimos fazer nosso show, mesmo com a merda que estava o som, nós estávamos lá pelos fãs que pagaram para ver o Legion! Nossos fãs merecem uma segunda chance e é por isso que estamos voltando, para fazer as pazes com eles. Estamos trazendo também merchan para todos que irão ao show, falaremos com os fãs, beberemos cerveja e apertaremos mãos. Nós estamos realmente empolgados com isso e esperamos que nossos fãs também. É inevitável não falar sobre o Metal Open Air. Tantas pessoas foram na fanpage do LOTD e falaram sobre o festival (de mentira) e para saber um pouco mais sobre o processo de contratação da banda. O que vocês podem nos falar sobre o MOA? Não poupe palavras. É meio complicado. A pessoa que teve contato comigo e que nos trouxe ao Brasil foi a mesma que contratou as bandas, ela não foi responsável pelos danos, só contratou as bandas. Para falar a verdade, ela que foi responsável no final por a Legion of the Damned 31

tocar. Eu disse que a Legion estava disposta a tocar de qualquer jeito e essa pessoa fez a parada acontecer. Ela me ligou enquanto estávamos comendo num restaurante perto do hotel. Eu deixei meu jantar e corri de volta para o hotel para nos encontrarmos e finalmente decidir o que seria feito. Acabou sendo: Legion of the Dammend iria tocar! O festival não teria camarim e talvez muitos equipamentos não estivessem mais lá, então isso seria bem rock n’ Roll, mas e dai? Nós tocamos assim mesmo! Por mais triste que isso seja, nossa banda não teve problemas, estávamos em um hotel legal e fomos pagos adiantados e foi por isso que nos sentimos ainda piores pelo que ocorreu. O pro-


moter pagou as bandas do seu bolso, mas não pode tê-las tocando no festival. Nós falamos com alguns fãs que estavam em restaurantes perto do hotel e nos sentimos muito mal por eles! Nós só nos sentimos melhores porque tocamos e não deixamos eles na mão, mesmo que as condições fossem ruins! Depois ouvi um monte de historias de porque o festival tinha sido cancelado e ainda não sei o motivo exato das coisas acabarem daquele jeito. Reforçando, nós pedimos desculpas aos fãs pelo que aconteceu, especialmente porque os metal maniacs brasileiros merecem festivais desse tipo, eles são realmente dedicados ao metal e não deveriam ser enganados como 32

ocorreu no festival. Muito ruim isso! Vocês conheceram alguns fãs no MOA. O que você achou da galera, e especialmente, do show que fizeram? Haha! Foi incrível! Absolutamente incrível! Os fãs pulavam na gente, tiravam fotos e, no fim, nos divertimos demais! Nós conversamos com alguns fãs no hotel, no restaurante e no backstage e tomamos algumas cervejas! Absolutamente incrível! O show me deu arrepios. As pessoas mereciam ver uma banda internacional. Nos falaram depois que outras bandas internacionais tocaram, mas depois eu ouvi que a Legion of the damned foi a unica banda internacional que tocou na-


quele dia. Uma fanpage foi criada somente para LOTD aqui no brasil. O que achou da ideia e você já viu a página? SIM! Claro que conhecemos a pagina e também a pessoa que a atualiza. Eu a mando coisas para que ela atualize-a. Recentemente, ela disse que teria menos tempo para atualizações por causa das aulas. Eu gostei demais e nós ficamos honrados por ter algo assim! É um começo incrível para se construir uma boa base de fãs no Brasil. Algumas pessoas estão dizendo que o heavy metal está passando por uma crise, você realmente acredita que isto está acontecendo? Metal ainda vive, mas devo dizer que essas coisas de downloads prejudicam e muito, porque as bandas tem orçamento cada vez menores para fazer álbuns incríveis, orçamento para gravações ou fazer sessão de fotos e vídeos diminuem também. Porém, é algo que não podemos parar e só está ficando pior. Entretanto, vendo o festival na Alemanha percebemos que o Metal continua grande e vivo. Muitos festivais acontecem anualmente em diversos lugares. Tem algum festival que a Legion of the Dammend gostaria de tocar, mas não tocou ainda? Onde? A maioria deles fora da Europa. Tem alguns festivais na Indonesia, Chile, Dubai, Canadá e EUA. Seria realmente incrível tocar nesses festivais! Nós já tocamos na maioria dos festivais de metal na Europa uma ou mais vezes.

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As bandas de metal brasileiras tem se destacado na Europa. Quais bandas brasileiras vocês conhecem? Além da Nervosa, tem também a Napalm Records, ótima banda! Nós iremos fazer um show com eles em São Paulo! Claro que eu curto bandas brasileiras das antigas como Sarcófago e Sepultura! Seria legal conhecer algumas bandas quando chegarmos ai. Eu também estou curioso em saber quais bandas irão tocar com a gente. BANDA A LOTD foi criada com o final da Occult. No que essa mudança afetou a banda musicalmente e sonoramente? Para falar a verdade, não muito! Nós só mudamos o nome, sempre tocamos Trash Metal. Mas as pessoas pensavam que nós tocávamos black metal, por causa do nome Occult. Depois de umas merdas com nossa gravadora, decidimos mudar o nome e foi a melhor decisão que tomamos! Como tem sido a experiência de trabalhar com dois guitarristas pela primeira vez? Não temos ideia! O primeiro festival com os dois guitarrista ainda irá acontecer, 23 de maio, como numero principal no Extreme Fest aqui na Alemanha. Mas os ensaios com dois guitarristas já estão sendo muito bons! Então estou complemente confiante que vai ser incrível e irá soar mais poderosa que antes! Você quis ligar para seu antigo guitarrista, Richard Ebisch, quando você decidiu ter dois guitarristas? Não, ele deixou a banda porque perdeu 34


o interesse nela. Era demais, tocava demais, tinha pouco tempo e foi o bastante para ele depois de tantos anos. Richard também não era muito favorável em ter outro guitarrista, a ideia cresceu novamente quando tivemos Twan na guitarra. Nosso empresário e a agencia disseram logo no começo para contratarmos outro guitarrista, mas nós éramos a Legion fo the Dammend e foi na época que não queríamos mudar nada. Porém, depois de anos e anos nós sabíamos que alguma coisa precisava ser mudada para termos um novo começo e foi perfeito acrescentar outra pessoa quando Twan entrou no grupo. O novo guitarrista, Hein Willekens, participou da composição do novo álbum? 35

Não! Ele entrou na banda depois, o álbum já estava pronto. Me refiro à parte de composição. No estúdio nós trabalhamos pesado na partes que envolviam a segunda guitarra, mas ele não participou de nenhuma estrutura musical. O que podemos esperar de “Ravenous Plage”? Ravenous será, de todos até agora, o nosso álbum mais diversificado! É maduro e algumas vezes soa mais como Death Metal. Também tem uma parte melódica, algo que é novo para Legion of the Dammed. Dá para ouvir influências de black metal, mas mantendo o estilo e a vibe típica da banda. Terá algum algum tributo no novo ál-


bum ao baixista falecido Twan Fleuren? Não! Nós fizemos um lançamento completo para ele, com fotos antigas e até mesmo com fotos do tumulo. Já lançamos um álbum tributo incrível, hora de seguir em frente, por mais triste que seja. Sobre o split com Kreator, o que você pode nos contar dessa experiência? A ideia veio depois que eu adiei os vocais. Nós queríamos lançar pelo menos uma música, antes do longo período de silencio que viria até o lançamento do novo álbum, quem mais poderia ser nosso parceiro do que Kreator? Eles são uma banda formada por pessoas incríveis. O single sairá em edição limitada (1000 copias) e nossa faixa será cha36

mada Summon All Hate. O lado B (ou lado A) para o Kreator será uma faixa ao vivo de uma música de seu último álbum! Killer! Maurice, o que você gosta de ouvir? Qual seu Top 5 de bandas? De todos os tempos? Ou recentes? Difícil... tem tantas bandas que eu gosto... vamos fazer os dois: De todos os tempos: 1: Slayer - Reign in blood 2: Kreator - Pleasure to kill 3: Sodom - Persecution Mania 4: Slayer - Show no mercy 5: Possessed - Seven Churches O que eu posso dizer sobre esses cinco álbuns que foram gravados enquanto eu crescia, eles ainda tem sobre mim aquela química


majestosa antiga, quando eu os ouço me sinto de volta aos anos 80, eles ainda são os álbuns mais importantes da minha vida. Recentemente, tenho ouvindo muito esses álbuns: 1: Witchcraft – Novo Album 2: Rotting Christ – Novo Album 3: Legion of the damned - Ravenous Plague 4: Kreator – Novo Album 5: Ouvindo recentemente um monte de bandas desconhecidas dos anos 80 como Deathrow, Iron Angel e outras. Deixe uma mensagem para seus fãs

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brasileiros. Muito obrigado por essa entrevista, nós realmente agradecemos a você. Sucesso sempre. E nos vemos em breve. Obrigado pela entrevista e por dedicar um tempo para a Legion of the Damned e a promovê-la! Agradecemos demais! Eu desejos a todos muita saúde! E eu espero que nossos fãs nos deem uma segunda chance para o show, que eles vejam toda a força da Legion of the Dammed nos três shows que acontecerão no Brasil. Não percam, será incrível para nós e os fãs! Espero ver todos vocês logo Sons of The Jackal!


“Procuramos nos in copiar formulas j 39


nfluenciar e não já construídas” 40


Por Daniel Lima (@daniellimarm | daniel@rockmeeting.net) Fotos: Divulgação (Drowned Oficial)

Muito obrigado pela entrevista e, inicialmente, gostaria que apresentasse a banda. Fernando: Sou eu quem agradece pela entrevista. A banda hoje é composta por mim, nos vocais, Kerley Ribeiro e Marcos Amorim nas guitarras, Rafael Porto no baixo e Beto Loureiro na bateria. A primeira demo da banda saiu em 1999 e de lá até hoje, muitas bandas influenciam ao longo do tempo. De que maneira a sonoridade delas acrescentaram no som do Drowned? Nós sempre escutamos muitas bandas e de estilos diferentes dentro do Metal. Desde Heavy MetaL tradicional até Metal Extremo. Na época da demo e do Bonegrinder estávamos ouvindo, além de Judas, Iron e Mercyful Fate muitas bandas de Death Metal como: Dismember, Entombed e Carcass. Outra influencia também era o Thrash Metal como: Kreator, Exodus e Sodom. Lembro também que ouvíamos muito uma banda alemã, o Night in Gales. Hoje em dia, as influências são basicamente as mesmas. A gente filtra cada elemento dessas influências para formar a massa sonora do Drowned. Procuramos nos influenciar e não copiar formulas já construídas. A primeira turnê internacional da banda ocorreu em 2006, passando por 5 países e mostrando o Death Metal brasileiro na Europa. Como eles reagiram? Já aconteceram outras? 41

As pessoas da Europa foram muito receptivas com o Drowned e fizemos ótimos shows. O fato da banda ser brasileira já atraia muitas pessoas para nos assistir, pois eles consideram o Metal brasileiro como um dos melhores do mundo. Fizemos muitos fãs e amigos nesta tour. Faremos outra tour Europeia para divulgar o Belligerente. Ainda não tem data definida, mas logo saberemos quando será. Muitas bandas têm problemas com relação ao MP3 e vocês disponibilizam no site, álbuns, tanto para baixar como


para audição, além de poder comprá-los. Como surgiu essa ideia? Eu acho que o MP3 oficial é bom. Além de ser um presente para os fãs, é uma maneira das pessoas conhecerem nosso som. Geralmente, disponibilizamos álbuns ao vivo para download e o nosso trabalho mais recente para streaming. A ideia surgiu justamente para presentear os fãs com um trabalho de boa qualidade e ao mesmo tempo grátis. Futuramente disponibilizaremos mais trabalhos para download. Minas Gerais é bastante conhecida pe42

las bandas que saíram do estado e vocês são uma delas. Como está o cenário underground em MG e quais bandas podem destacar? O cenário aqui de Minas, apesar de todos os problemas que nem vou citar aqui, continua muito fértil e sempre surgem boas bandas de Metal. Cada uma ao seu estilo, mas sempre de boa qualidade. Algumas que me vieram a mente agora são: o Dunkell Reiter, Tormento, In Nomine Belialis, Scourge, Deathraiser, Bonecrusher, Facinora, Payback e muitas outras.


No Brasil, quais bandas atuais podem ser destacadas? Aqui no Brasil, além das bandas daqui de Minas, gosto muito do Distraught, Psychotic Eyes, Grave Desecrator, Violator, Retalliatory, Scream of Death entre várias. O público do Metal está mudando ao longo dos anos. Quais as mudanças notadas? O público hoje é mais jovem, os antigos continuam? Basicamente, eu acho que o público hoje tem muito mais acesso a bandas do que a uns 10 ou 15 anos atrás. A internet possibilita que o fã conheça bandas underground de todas as partes do mundo com grande facilidade. Antes tínhamos que ir à loja para saber dos lançamentos, adquirir fanzines e revistas para saber mais sobre uma banda e esperar muito até conseguir uma gravação ou para adquirir o LP de uma banda underground. Como não tínhamos muitos shows de Metal acontecendo no país, qualquer um que rolava enchia e a massa metal comparecia em peso. Hoje, como a oferta é grande, as bandas internacionais vêm aqui quase todo ano e o público ficou mais seletivo devido ao dinheiro e tempo, não temos grandes audiências nos eventos. O público é mais jovem, claro, pois está se renovando, felizmente. Porque, se não houvesse essa renovação, não existiria mais a cena. Nossa função como banda é ganhar o público que vem se renovando para o ciclo continuar. O público mais velho também é presente e importante, porém, tem outras obrigações da vida e não podem mais se dedicar como antes, mas estão presentes. As gravações do “Belligerent” aconteceram entre março e agosto de 2011. 43


Com o tempo mais longo ficou mais fácil para se produzir os dois álbuns? Sim, com certeza pudemos fazer os álbuns como queríamos e ficou muito acima da média. Foram músicas muito bem produzidas. Eu diria que o tempo foi importante para fazer tudo que queríamos no estúdio. O album “Belligerent” foi dividido em duas partes, “Belligerent Part I - The killing state of the art” e “Belligerent Part II - Where death and greed are united”. Por que dividir e não lançar tudo em um álbum só? Porque são muitas músicas. Um álbum de Death Metal, com mais de uma hora ficaria muito cansativo. Sou fã de álbuns como “Reign Blood” e “Once Upon the Cross”, meia hora de pancadaria e pronto. De que maneira a experiência adquirida na estrada ajudou na hora de compor o “Belligerent”? As estrada deixa a banda mais entrosada musicalmente, mas também deixa as ideias mais afiadas. E como já gravamos 4 álbuns e um EP antes dos Belligerent’s, adquirimos mais experiência em estúdio e por isso já entramos para gravar com uma noção melhor do que fazer para conseguir o resultado esperado. A sonoridade do último álbum é muito forte e com letras impactantes que falam basicamente da auto-destruição humana, banalização da violência pela mídia e corrupção. Apesar de ser algo recorrente, é difícil de sintetizar tanta banalidade? Cara... foram as letras que eu escrevi com mais ódio em toda minha carreira. Era só 44


lembrar fatos ou assistir ou ler algum jornal ou simplesmente andar na rua que o sangue talhava e o ódio tomava conta da mente. Foi um combustível para escrever e criar as linhas vocais do Belligerent. Claro que eu não consegui escrever sobre tudo, mas creio que consegui escrever sobre muitas coisas repugnantes dessa sociedade escrota que vivemos. A volta de Rafael Porto (anteriormente guitarrista e agora baixista) ajudou de que maneira nas composições e melodias das músicas que compõe os dois álbuns? O Rafael entrou na banda quando já tí-

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nhamos praticamente um álbum pronto, mas ele contribuiu para os arranjos de baixo das duas partes, pois foi ele quem gravou e participou das composições das músicas da outra parte do Belligerent. “Blood Trail” é uma faixa instrumental gravada com violões e alguns efeitos de fundo. Como surgiu a ideia para tal música que dá um ar de calmaria no meio do álbum? Acho legal essas interferências, momentos mais climáticos. Fazemos esse tipo de coisa desde o Bonegrinder, com a faixa “Blood Send”, por exemplo.


Manter-se vivo no underground por tanto tempo no Brasil não é fácil. O que motiva a banda a continuar na estrada e compor novos álbuns? Acho que isso está no sangue. Ter uma banda, compor, gravar e fazer shows é uma realização e enquanto eu tiver conseguindo berrar e esbravejar estarei na estrada (risos). O importante é você tocar porque gosta e com seus amigos. Amizade nestes casos é muito importante e se divertir com a banda. Criar é importante para renovar as energias. A banda está perto de completar 15 anos, o que virá de especial para o pú-

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blico? Não sei. (risos) São tantas ideias que teremos que selecionar algo realmente legal que marque bem esta data, mas podem ter certeza que virá algo legal. Muito obrigado por nos conceder esta entrevista e sucesso para o Drowned. Agradeço a você mais uma vez. Quero agradecer também ao Maicon Leite e a todos os nossos fãs e pessoas do Metal que sempre nos apoiaram.


Primavera Sound 2013 Parc del Forum - Barcelona Fotos: Mauricio Melo Texto: Gustavo Melo, Mauricio Melo e Ana Paula Soares

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expectativa gerada pelo anuncio antecipado (23 de janeiro) do cartaz completo para a edição deste ano do Primavera Sound foi tão grande quanto seu êxito e, de mesmo tamanho, coisas que com um pouco de paciência e consideração merecem ser corrigidas. Pela primeira vez em seis participações, podemos confessar que passou pela cabeça a sensação de que o festival poderia ter mudado de nome, já que neste ano de 2013 de Primavera tivemos pouco, uma vez que o gélido vento que vinha do Mar Mediterrâneo golpeou com força nossas orelhas e caixa craniana. A ameaça de chuva foi constante. Utilizamos casacos, toucas, cachecóis, caminhamos, cansamos, demos uma volta na roda gigante, etc. O que sim tivemos muito foi o Sound do Primavera e aí, neste momento, tudo vale à pena. Ter a oportunidade de estar frente à frente com verdadeiros mitos da música índie, além de muitas e promissoras novidades. Rir das figuras alheias, fazer rir porque também somos figuras… Tudo começou de mansinho, na quarta-feira 22 de maio, dia em que o festival abriu suas portas de maneira gratuita para o público em geral. Horário oficial para o primeiro acorde se deu às 18h e para quem chegou com a intenção de assistir os jovens do The Bots, acabou surpreendido com a energia oferecida pelos “locais” do Aliment. Grupo este que acaba de publicar o primeiro disco (Holy Slap) e que fez bonito com seus três acordes de seu garage/punk/rock, com uma atuação que de cara te faz lembrar os Ramones. Músicas rápidas, bem tocadas e, se aguçássemos os ouvidos, até dava para escutar o 1, 2, 3, 4, entre uma música e outra. Já a duplinha 49

mencionada acima é totalmente influenciada por The White Stripes e Black Keys e prezou por sua mistura de rock, blues e punk. Após deslumbrar os Estados Unidos e arrebatar o prêmio do All Indie Music Awards ano passado, Mikajah e Anaiah Lei desceram a madeira na galera. Mas quem definitivamente não deu respiro algum foi o The Vaccines. Quem acompanhou nossa cobertura da versão de inverno do evento, chamado Primavera Club e mais ainda quem esteve presente na recente passagem da banda em terras tupiniquins sabe do que estamos falando. Atitude de palco, musicas emendadas uma nas outras e seus refrões “chicletes”, daqueles fáceis de decorar e que


funcionam muito bem ao vivo, como “Wrekin’ Bar (Ra Ra Ra)”, “If You Wanna” e “I Always Knew”. Foram pouco mais de quarenta minutos em cima do palco, o suficiente para saírem ovacionados pelo grande público que já havia se formado no palco Ray-Ban para assisti-los, antes de finalizar a noite com Delorean, mas que não acompanhamos por considerar que tínhamos uma verdadeira maratona nos dias que estavam por vir. Faremos então um breve resumo dos artistas mais destacados no evento. Podemos começar por Dinosaur Jr., que atravessou o oceano uma vez mais e tocou para seus velhos fãs músicas como “The Lung” e “No Bones”, passeou por “Feel the Pain” e brilhou com 50

“Out There” e sua linda distorção melódica nas guitarras de J. Mascis. Apesar do fundo de palco exibir a capa de seu último lançamento (I Bet On Sky) apenas “Rode” fez parte do set e ainda tivemos a participação do vocalista da banda Fucked Up em uma de suas músicas. Conferimos também o bom show de Bob Mould. O ex-Sugar e Husker Du mostrou mais uma vez que está em ótima forma. O único ponto negativo que podemos ressaltar, e já antes de começar a apresentação, foi a proibição de fotógrafos na barricada, que cá entre nós, nesta altura do campeonato, com uma carreira sólida construída aos riffs de


guitarra que só Mr. Mould pode oferecer, esse pequeno detalhe ofuscou sua visita. Talvez tenha se redimido por tocar meio álbum do Sugar já de cara. Na mesma sequência de estúdio, Copper Blue deu o tom primaveral que todos esperávamos, fazendo-nos esquecer do frio, cansaço e fomos cantar e relembrar bons momentos vividos em que este disco foi a trilha sonora favorita de uma geração. Para quem não lembra da sequência, deixaremos por escrito “The Act We Act”, “A Good Idea”, “Changes”, “Helpless” e “Hover Dam”, covardia com os cardíacos de plantão. Assim como o Dinosaur Jr., Mould chegou ao festival com o recém-lançado Silver Age, porém poucas canções foram aproveitadas, entre elas “The Descent” e “Star Machine” e sim, tivemos sequência de Husker Du em reta final de apresentação. Outro momento esperado foi a apresentação do The Breeders, tocando na íntegra seu disco de maior sucesso: Last Splash, que sopra vinte velinhas. Como as coisas mudam de um dia para outro, melhor dizendo, de alguns anos para outros. Há poucos a banda tocou num já extinto festival espanhol, numa tarde ensolarada do mês de julho e com apenas alguns curiosos dispostos a conferir o que as irmãs Deal tinham a oferecer. Já naquela ocasião, boa parte do Last Splash foi tocado e as palmas foram tímidas. Desta vez a força das palmas foi mais forte e o show foi à altura de sua celebração. Disco tocado do inicio ao fim e com direito a algumas canções para completar o setlist, entre elas “Shocker in the Gloomtown” do Guided By Voices, além da beleza de Invible Man para fugir um pouco do clichê de que Last Splash ser considerado álbum de um único sucesso, Cannonball. Antes da apresentação do The Jesus and Mary Chain, a palavra receio era a mais 51


latente na mente de muitos. Primeiro, havia uma cruz com luzes ao fundo do palco, para os fotógrafos o grande medo era de que aquelas fossem as únicas lâmpadas a serem acesas durante toda a apresentação, o que seria um desastre fotográfico. Segundo, considerando todas as “desgraças” que falaram das últimas apresentações dos irmãos Reid nos últimos anos, a coisa piorava porque além de não conseguir imagens ainda íamos conferir um show ruim. Nada disso aconteceu e o sofrimento por antecipação foi desnecessário. O show, em nossa opinião, foi de bom nível, com acordes bem encaixados em suas devidas distorções, a iluminação de palco esteve entre as melhores das aceitáveis e ainda tivemos a participação de Bilinda Butcher do My Bloody Valentine nos vocais de “Just Like Honey”, talvez a única oportunidade de escutar a feminina voz em questão, já que durante o show de sua banda, ou o microfone estava desligado ou foi completamente soterrada pelas distorções de Kevin Shield, optamos pela segunda conclusão. “Snakedriver”, “Head On” e “Cracking Up” foram algumas do bom cardápio oferecido ao público. Como de hábito, o público metal não fica sem seu presente primaveral e este ano quem disse “hola” foram os californianos do Neurosis, exibindo a criatividade que os diferenciam das demais bandas do estilo e com dez discos no currículo. Talvez escutar ao Neurosis na sala de casa possa parecer uma eterna viajem, para alguns algo chato, porém no palco entendemos em definitivo o significado e a proposta da banda. Apenas seis músicas ocuparam os 60 minutos da banda no palco ATP, que com certeza não passou desapercebida. Foi um completo luxo ter a oportunidade de conferir as três primeiras 52


músicas no fosso dos fotógrafos e registrar com tranquilidade e dedicação boas imagens deste grupo, que está prestes a completar três décadas de existência. Já na primeira viagem com “At The End of The Road” com Steve Von Till, um dos guitarristas/vocalistas da banda, com expressões de espasmos durante os riffs de guitarra que ele mesmo cria, foi o suficiente para valer a noite. Nas músicas seguintes, como “Eye” e “My Heart is Deliverance”, o protagonismo fica por conta de Scott Kelly. Uma apresentação para ser admirada e entendida e não é sempre que topamos com uma destas. Não faremos rodeios, apenas confirmaremos que o quarteto britânico Blur fez o show mais redondo do festival (para quem gosta do estilo). A banda sabia exatamente o que o público esperava deles e vice-versa. Damon Albarn e companhia ofereceram festa já na abertura com “Boys & Girls”, um som mais rápido com “Popscene”, uma volta ao passado da geração Madchester com “There’s No Other Way”, apesar de não pertencerem oficialmente a este movimento. Proporcionou gritos aos primeiros acordes de “Beetlebum”, sorrisos abertos em “Coffee & TV”, emoção em “Tender” e retorno à festa com “Parklife”. Damon, Graham, Alex e Dave confirmaram de vez que são os donos do Britpop, comandaram com maestria um grande público e não demonstraram estrelismo, tudo honestamente declarado até o grande final ao som de “Song 2”, quando público e banda se deram por satisfeitos. Chegar a um sábado de Primavera Sound após maratonas de shows, fotos e vídeos amadores como pequenos registros de sua existência, passa a ser um ato heroico. To-

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talmente derrotados pelo cansaço, frio, joelhos e tornozelos estourados de tanto subir e descer escadas, caminhar na terra, cimento... Uma das soluções oferecidas pelo evento este ano e que embarcamos de vez na ideia foi um serviço de “taxi”. Carros de diferentes modelos da marca Mini à disposição do público e que facilitava o deslocamento entre os palcos principais, num circuito que passava pelo backstage e que em alguns momentos foi de grande ajuda na economia de força motora humana para finalizar o evento. A partir daí tivemos força para finalizar o fim de semana e destacar o show do Nick Cave and the Bad Seeds, que foi marcado por restrições. Uma delas era mais do que esperada, já que muitos sabem que o velho australiano declaradamente odeia os fotógrafos. Havia um contrato a ser assinado onde Cave, sua banda e empresa recebia o direito de, em caso utilizar uma de suas fotos em benefício próprio, pagaria ao fotógrafo a bagatela de 1 Libra. Além disso, apenas 60 fotógrafos entrariam na barricada, o que nos obrigaria fazer fila por mais de uma hora na tentativa de fotografar Mr. mal-humorado Cave. Encaramos como piada, dispensamos a fila e assistimos ao show sem estresse, já que o senhor em questão visita Barcelona com certa frequência e tudo fica adiado para a próxima. Em cima do palco, os Bad Seeds deram um show à parte junto a Nick que, apesar de seus 56 anos, exibe uma energia Iggy Popiana, hora dançando e jogando a perna ao melhor estilo Michael Jackson, hora tocando piano antes de se levantar com microfone em punho e descer ao público, que o recebeu de braços abertos. Lamentamos nos haver confundido com os horários e perder o show do

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Meat Puppets, que rolou ao palco ao lado. My Bloody Valentine chegou ao festival com seu recém-lançado MBV debaixo dos braços, mais de vinte anos após lançar o incomparável Loveless. Assim como na edição de 2010, Kevin Shields e sua turma vetaram os fotógrafos. Ainda assim, registramos um par de imagens para a posteridade. Abriram com “I Only Said” soterrando vozes, estourando tímpanos e vimos até algumas pessoas saindo aborrecidas no meio do show, talvez por não escutar uma só letra do que era cantado, talvez por não aguentar a porrada que a parede sonora dava no público. Nós não arredamos pé e por muitas vezes achamos lindas as melodias oferecidas, já valia tudo. “When You Sleep” apareceu junto a “New You” do disco novo, mas o público gosta mesmo é de receber “Only Shaloow” e “You Never Should”. Só achamos que o quarteto poderia ter tocado mais cedo, porque diante do frio e do cansaço, o público já era reduzido. Sempre lembrando que este ano o evento reuniu 170 mil pessoas, somando os quatro dias de festival. Ainda que pareça pouco se compararmos com outros megafestivais que existem pelo mundo afora, temos que considerar que são bandas pouco convencionais e que apenas uma pequena parcela destas tem vagas em rádios e televisão. Não estamos falando de um festival que reúne bandas do mundo mainstream, salvo algumas exceções. Por esta e outras é que o Primavera Sound continua sendo e será por muito referencia em matéria de festival independente. Até.

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Furia Louca Por Daniel Lima

O Maranhão vem aparecendo cada vez mais no cenário nacional com suas bandas de diversas vertentes e dessa vez é a galera da Fúria Louca que surgiu em 2004 e faz uma mistura de Hard Rock com Heavy Metal. A sonoridade lembra bastante as bandas dos anos 80, mas com as peculiaridade que a banda possui. A Fúria está com a mesma formação desde 2009, composta por Henrique Sugmyama (voz), Hugo Maia (guitarra), Allex Kyel (guitarra), Dani Mamede (bateria) e Tiago Guinevere (baixo). Esse é o primeiro álbum da banda que é se chama “Fúria louca” e contém 10 faixas, tendo sido lançado no ano passado. A faixa “The Criminal Novel” é quem dá as boas vindas e foi exatamente essa a primeira música a rolar na internet após serem anunciados para o M.O.A. É bem marcante, principalmente o início, que vem com um “fade in” bem anos 80. Outras músicas que se destacam foram “Rock Fever”, “On the Croup of the Sinner” e Wild Horse Sitting Bull” (que lembra bastante 56

Gun’s ‘N Roses nos seus dias de glória), além da baladinha “Heart, Mind and Soul”. Um detalhe que tenho notado é que, por mais que as bandas cantem em inglês, elas estão produzindo mais letras em português, como é o caso da faixa “Cohatrac City”. Vale resaltar a qualidade do áudio, com tudo bem equalizado. Isso é um grande avanço e mostra que as bandas estão se preocupando mais com isso. A capa é bem simples, apenas com o nome do grupo - que também é o título do álbum. Grandes produções estão sendo lançadas e aparecendo aos poucos, muitas vezes a quantidade de bandas que estão aparecendo e/ou lançando coisas novas no mercado é grande e isso é muito bom, pois assim o público tem bastante opção de sons para curtir. O Fúria Louca vai por um caminho que não é tão explorado no Brasil, o Hard Rock, mas que ao mesmo tempo é bastante amado pelos fãs do Rock.


NW 77 Por Jonas Sutareli

“Pô eu vou mostrar um esquema pra vocês aqui ó. Ó isso aqui, isso aqui é rock.” Tupá Tupá Tupá Tupá Tupá Tupá Tupá. E a pancadaria tem início. “Doomsday Countdown” já começa explodindo mentes. Esse disco da NW77 tem músicas constantes, bem características do Crossover. Apesar do álbum ser constante (o que facilmente deixa um disco chato) esse não é. Ele é constante no fato de todas as músicas terem a cara da banda, mas não são iguais. Alguns monólogos antes das músicas deixam um ar cômico e são uma alternativa diferente para incrementar as ideias que são expostas nas músicas. Com um vocal cru e uma guitarra muito suja, o Crossover desse disco é de muito respeito e vale a pena ser ouvido. Destaque para as faixas 1, 3, 7 e 8. “Youth Explosion” é tão pancadaria quanto “Doomsday Countdown”. Ele tem um pouco mais de peso por diversificar entre um crossover mais puxado para o lado do Thrash metal e também conter algumas faixas que são puro grind. Destaques para as faixas 1, 2 e 3. Em suma, NW77 é uma banda que não tem conversinha pra boi dormir. É porrada e pronto! Quem curte Thrash e crossover com certeza vai gostar dos discos. Aposto que a galera do hardcore também pode curtir o som. Dá uma conferida, baixe o “Doomsday Countdown” AQUI (link disponibilizado pela própria banda).

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Slippery Por Igor Miranda

Desde o lançamento do EP “Follow Your Dreams”, em 2007, o Slippery vem se destacando entre as bandas nacionais. Não à toa, ela foi responsável pela abertura dos shows de Jimi Jamison, Jeff Scott Soto e L.A. Guns no Brasil. O trabalho competente e profissional feito por Fabiano Drudi (voz), Dragão e Kiko Shred (guitarras), Erico Moraes (baixo) e Rod Rodriguez (bateria) tem nível internacional. Mas a banda é de Campinas-SP e dá um tapa na cara de todos os críticos aversos às produções nacionais. O primeiro full-length do grupo, intitulado “First Blow”, de 2012, chegou para afirmar o Slippery de vez entre os grandes nomes do Hard melódico contemporâneo. “First Blow” é um verdadeiro resgate aos anos 1980, com bons ganchos melódicos, andamentos instrumentais incríveis, cozinha presente e pouco coadjuvante, refrões grudentos e vocalizações magníficas de Fabiano Drudi, que tem um timbre original – diferente de outros cantores do estilo, que costumam ser bem genéricos. Todos os músicos 58

demonstram segurança e experiência ao longo do álbum. É notável que a banda procurou soar uniforme em todas as composições do registro, o que é fundamental quando se analisa uma obra completa. Nesse aspecto, deve-se parabenizar a produção de Átila Ardanuy, irmão de Edu Ardanuy (Dr. Sin), que efetivou um trabalho minucioso e tentou (e teve sucesso ao) resgatar timbres oitentistas para os instrumentos. Os destaques de “First Blow” vão para a grudenta abertura “Follow Your Dreams”, para a excelente “Run For Reaction” e para a hardíssima “Out Of The Light”, além do cover inusitado de “Night Of The Demon”, do Demon. Talvez a única crítica ao Slippery é justamente se focar demais nos elementos oitentistas, mas creio que essa questão pode ser resolvida com tranquilidade no próximo lançamento, visto que os músicos já comprovaram sua competência aqui. No mais, trata-se de um deleite para os fãs de Hard Rock melódico.


Obskure Por Daniel Lima

O Death Metal está ganhando muito adeptos nos últimos tempos. Este não é um gênero novo, mas que vem evoluindo bastante. Muitas bandas estão surgindo e outras estão na estrada a bastante tempo. É o caso da banda Obskure, que está na estrada a mais de duas décadas e são oriundos do Ceará. “Dense Shades Of Mankind” é o segundo álbum da banda. O álbum foi lançado ano passado e com muita louvor. A produção foi independente e conta com a participação de Claudine Albuquerque na faixa “Hidden Essence Rescue” que mistura o gultural de Germano Monteiro com a delicadeza da voz de Claudine. Um contraste que ficou perfeito e muito bem executado. O impacto já vem na primeira música. Outras participações foram do guitarrista Marcelo Barbosa (Almah) na faixa “Unsticked” e Wilker D’Angelo junto com Jolson Ximenes na faixa “Barren Evolution”.

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Um detalhe que chamou a minha atenção foi a variação rítmica nas músicas, isso deixa o ouvinte mais confortável por não ser uma coisa reta e enjoativa. É um álbum que você aperta o play e deixa tocar até o final sem pular nenhuma faixa. O teclado faz muita diferença na sonoridade melódica, torna o som mais obscuro e ao mesmo tempo agressivo apesar da bateria ditar o rítmo e o segmento. As guitarras junto com o baixo traz o peso que completa o vocal. Mesmo sem intenção, a pessoa termina batendo cabeça ao som do Obskure. Posso dizer, com certeza, que esse foi o melhor álbum de Death Metal que ouvi nos últimos tempos e isso é uma grande evolução para o Metal brasileiro que vem se tornando cada vez mais forte. Sem contar que o Nordeste está se destacando bastante no underground nacional. Parabéns para a banda Obskure pelo excelente trabalho e quem venham outros.


DragonForce - Twilight DEMENTIA Pei Fon (@poifang | peifang@rockmeeting.net) Esperei uma edição para escrever sobre o que eu realmente estava ouvindo (risos). Sempre ouvi falar do Dragonforce, mas nunca parei um tempinho para ouvir. Até por conta dos meus momentos mais sonoramente “brutais”, que acabava me impedindo de ouvir algo mais puxado para o Heavy. Sempre escutei sobre a qualidade técnica da banda, da velocidade dos riffs, porém não tinha escutado. “E tudo não passou de uma brincadeira”, minha irmã mais nova jogando o Guitar Flash no facebook me despertou. Primeiro ouvi um harmônico e fui ver de quem era, para a minha grata surpresa era do Dragonforce. Claro que viciei no joguinho! Sou dessas! (risos) Por mais que eu não entenda nada de técnicas musicais, o som do DF me encanta. A velocidade, claro, é o chamariz. Nuss, como eles são rápidos! Estava vendo uns shows no Youtube, como eles são divertidos.

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Gostaria de ver uma apresentação da banda... Sério! Enfim, como eu estou passando a conhecer o DF, destaco o álbum ao vivo “Twilight Dementia”, lançado em 2010 ainda com o vocalista ZP Theart. Este foi o álbum que busquei referência da banda para iniciar minha trajetória no DF. O atual vocalista, Marc Hudson, pode até ser legal, mas ZP é muito mais cantor do que ele, creio. Enfim, é uma outra situação para ser falado mais no futuro. Agora é passado. Do “Twilight Dementia” aponto “Heroes of our time”, “My spirit will go on”, “Operation ground and pound”, “Reason to live”, “Fury of the storm”, “Valley of the Damned”, “Fields of despair”, “Strike of Ninja” e “Through the fire and flames”. Ou seja, só clássicos! Este álbum reúne as principais canções, é o suprassumo do Dragonforce. Diria que muito grata.


Iron Maiden - Piece of Mind Igor Miranda (igormiranda93@gmail.com)

O ano de 1983 foi crucial para o Iron Maiden, pois houve mudanças no grupo. Já começando pela troca de integrantes: o baterista Clive Burr saiu da banda por conta de problemas pessoais e pelo cansaço das turnês para a entrada de Nicko McBrain, que permanece na line-up até hoje. Musicalmente falando, o trabalho lançado no ano em questão (há exatos 30 anos, para ser mais exato), “Piece Of Mind”, é o primeiro a ser notavelmente mais complexo. A fórmula do Maiden ficava mais recheada. As composições, tanto líricas quanto melódicas, são mais rebuscadas do que nos trabalhos antecessores. As letras, influenciadas por livros e filmes, e as melodias, que mostram destreza técnica dos músicos, comprovam fatalmente o que afirmo. Toda essa maturidade de “Piece Of Mind” se aliou ao brilho e à energia característica do quinteto inglês. Bruce Dickinson, em grande fase, cantou como nunca e passou a colaborar com as composições. Dave Murray e Adrian Smith, uma evolução da 62

dupla de guitarristas do Judas Priest, Glenn Tipton e K.K. Downing, apresentam entrosamento incrível. E Nicko McBrain, ponto decisivo para a adição de técnica ao grupo, se entendeu muito bem com Steve Harris. Aliás, quem é que não se entenderia bem com um dos maiores baixistas do Heavy Metal? Nessa época, o Iron Maiden não era acomodado como vem sendo desde a sua volta há mais de dez anos. A fome dos integrantes possibilitou que “Piece Of Mind” fosse uma perfeita sequência ao clássico “The Number Of The Beast”, com evidente evolução. Inclusive comercial: o álbum atingiu posições mais notáveis nas paradas de outros países, consumando principalmente a tal “invasão britânica” aos Estados Unidos iniciada alguns anos anteriores. O último degrau dessa escada foi o sucessor “Powerslave”, de 1984. A partir daí, o grupo alternou entre momentos geniais e terríveis “reboladas”.


Savatage - GutterBullet Breno Airan (@brenoairan | breno@rockmeeting.net)

“GutterBullet”, 1989. Eis o chamado Ópera Rock em seu introito, pelo menos em se tratando de Savatage. A banda difundiu o que se chama hoje de Power Metal, mas neste ótimo play, o progressivo fez alguns pliés e relevés. No álbum seguinte de 1991, o conceitual “Streets”, essa vertente continua. Isto porque o cabeça da banda, Jon Oliva (vocais e teclados), havia assistido um espetáculo do clássico “O fantasma da ópera” e se empolgou um pouco. E não é que deu certo?! (Adoro esses clichês...) A banda deu uma moldada em sua sonoridade e conseguiu várias críticas positivas tanto dos especialistas como do grande público. O que o leitor tem em mãos – ou no som – é um clássico. Logo de cara, “Of rage and war”. Fenomenal. Riffs, gritos e bela cozinha. O baixo de Johnny Lee Middleton está impecável. A letra também. Em seguida, a faixa-título. Fenomenal, uma vez mais. Riffs, gritos e bela cozi-

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nha. Sem falar no belo trabalho harmônico dos teclados com as guitarras de Criss Oliva e do quase xará Chris Caffery. A intimidade de Jon com os teclados é mostrada em “Temptation revelation”. Destaque também para a balada-chiclete “When the crowds are gone”. Linda; uma das melhores! “Silk and steel” mostra como os dois rapazes das seis cordas estão devidamente entrosados. Em sequência, três pedradas no cocuruto: “She’s in love”, “Hounds” e The unholy” nos remetem ao Savatage do comecinho. Como sempre, o excelso baterista Steve Wacholz deixa a sua marca. Até que chegamos em “Mentally yours”. A princípio, uma belíssima balada, mas-porém-contudo somos enganados — a tríade (riffs, gritos e bela cozinha) aparece de novo. “Summer’s rain”: aí sim, uma belíssima balada. E pra finalizar, a bem trabalhada “Thorazine shuffle”. Criss Oliva está impossível neste play, definitivamente. Na verdade, a banda toda!


Raimundos - Tributo Daniel Lima (@daniellimarm | daniel@rockmeeting.net) É comum fazer tributo para bandas que colaboraram de alguma forma para o crescimento e/ou desenvolvimento da música e o Raimundos foi homenageado com um que se chama “Tributo Raimundos, Bandas Independentes – Rumo Ao Roda Viva”. 15 bandas independentes se reuniram para relembrar grandes sucessos que marcaram a história dessa, que é uma das maiores bandas dos anos 90 no Rock nacional. Bandas de vários estados do Brasil participaram desse tributo: Tortisse (MG), Gonorants (DF), Viralata Rex (SP), Mary Stuart (DF), Insumos HC (RJ), Seu Miranda (RJ), Marmitex SA (DF), Enigma 77 (PR), Gnomos da Jamaika (DF), Frangos Suburbanos (RJ), Ozmanilla (CE), DZP (RJ), Bad Cookies (SP), Guilhotina HC (PR) e Elite 23 (SP). O que mais gostei, foi o fato de cada banda ter criado versões e não ter feito regravações como estão nos álbuns do Rai-

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mundos. “Me Lambe” foi gravada pela banda Viralata Rex e ficou muito diferente. O baixo ficou muito bem trabalhado e, está bem na cara, que a tornou um pouco mais dançante que a original. Destacam-se também as versões de “Nariz de Doze” – Gonorants, “A Mais Pedida“ com Tortisse, que ficou mais pesada e é a faixa inicial. Foi uma das que mais gostei. Além de “Baile Funky”, com a banda Insumos. Quem é fã de Raimundos, com certeza, ficou muito satisfeito com essa homenagem à banda, que trilhou uma carreira de muito sucesso. Apesar do que muitos pensam, o Raimundos nunca parou de tocar. Eles sempre estiveram na estrada, mesmo com a saída do Rodolfo que hoje trilha o caminho inverso ao da banda. Parabéns para todos os grupos que tiveram a honra de participar dessa homenagem. Álbum recomendadíssimo para os amantes do rock nacional.


Revista Rock Meeting #45  

Revista Rock Meeting #45 - Destaques: Legion of The Damned, Doomal, O que estou ouvindo?, World Metal, Matéria – Danko Jones, Primavera Soun...

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