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Rochas & Equipamentos | 1º Trimestre 2010 | Nº 97 | XXV Anos | Preço: € 8.00


Índice de Anunciantes Índex ABRESSA 31 AIREMÁRMORES 7 ANTÓNIO JACINTO FIGUEIREDO 33 CARRARA MARMOTEC 21 CASA DOS DIAMANTES 15 CEVALOR 72 CFM 57 CIMERTEX 37 C. MATA EXPORT 3 CO.FI.PLAST 41 CONSTRUAL 43 DELLAS 1 DIAPOR 39 DRAGÃO ABRASIVOS 78 DIAMOND SERVICE 29 EQUIMÁRMORE 45 EUROGRANIPEX Capa | 67 EZEQUIEL FRANCISCO ALVES 14 FIGALJOR 47 FRAVIZEL 69 GH 17 GRANIPLAC 13 GRANITRANS 23 GRUPO FRAZÃO 79 GRUPO GALRÃO 19 HUSQVARNA PORTUGAL 49 JORGE CRUZ PINTO 68 LIEBHERR 88 LUXIMAR 80 MANUAL DA CALÇADA PORTUGUESA 87 MARBRITO C.Capa MARFILPE V.C.Capa MARMOZ V.Capa MOCAMAR 81 POEIRAS 51 RABAÇAL MARTINS 46 RE/MAX 30

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1° Trimestre 2010 - N° 97

ROCHAS&EQUIPAMENTOS SEW SICRÉ TWO URMAL URMI VARIOGRAMA VISA WIRES

2 | 73 59 58 53 48 56 77 11 55

PROGRAMA EDITORIAL 2010 | 2011 EDITORIAL PROGRAM

Nº 98 - 2|2010 Nº 99 - 3|2010 Nº 100 - 4|2010 Nº 101 - 1|2011 Nº 102 - 2|2011 Nº 103 - 3|2011 DISTRIBUIÇÃO EM FEIRAS 2010 FAIRS DISTRIBUTION Vitória Stone Show - Brasil Xiamen Stone Fair - China Marble - Turquia Stonetech - China Stone+Tec - Alemanha CarraraMarmotec - Itália Marmomacc - Itália Pedra - Portugal Piedra - Espanha


Sumário Summary Editorial Editorial

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Sopa da Pedra The Stone Soup

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OS SABORES DA PEDRA

EDITORIAL Estudos Studies

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“OS SIG E A SELECÇÃO DE ÁREAS COM POTENCIAL MINEIRO”

Boas Práticas Best Practices

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CANAL ABERTO Documentos Documents

Feiras & Congressos Fairs & Congresses

Informação Information

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CONTRIBUTO PARA O RELANÇAMENTO DO SECTOR GLOBAL DAS ROCHAS ORNAMENTAIS 16

AGENDA 2010 / 2011 2ª BIENAL DA PEDRA

Mercados Markets

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GUIA DE APLICAÇÃO DE ROCHAS EM REVESTIMENTO DRIVECONFIGURATOR - O NOVO CONFIGURADOR ONLINE DA SEW-EURODRIVE

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O AUTOR ERNESTO MATOS LANÇA NOVA OBRA SOBRE A CALÇADA PORTUGUESA

ROCHA ORNAMENTAL PARA O MAGREBE

SEMINÁRIO SOBRE A APLICAÇÃO DE EXPLOSIVOS INDUSTRIAIS E OPERAÇÕES DE DESMONTE WORKSHOP “TECNOLOGIA DE PONTA NA INDUSTRIA PORTUGUESA VITÓRIA STONE SHOW 2010

Entrevista Interview

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GESTÃO DOS RESÍDUOS DAS INDUSTRIAS EXTRACTIVAS

ENTREVISTA DR. MIGUEL GOULÃO Empresas Companies GLOBAL STONE CONGRESS 2010

EUROGRANIPEX

R & E Buyers Guide R & E Buyers Guide

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BUYERS GUIDE

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REVISTA DA INDUSTRIA DA PEDRA NATURAL NATURAL STONE INDUSTRY MAGAZINE PUBLICAÇÃO TRIMESTRAL Nº 97 - 25º ANO 1º TRIMESTRE 2010 JANEIRO | FEVEREIRO | MARÇO EDIÇÃO - 1|2010 DIRECTOR NUNO HENRIQUES C..I.P. Nº 2414 nuno@rochas.info PROPRIEDADE COMEDIL - COMUNICAÇÃO E EDIÇÃO, LDA. NIPC - Nº 502 102 152 EDITORES: COMEDIL - COMUNICAÇÃO E EDIÇÃO, LDA.

CAPA: EUROGRANIPEX

Empresa Jornalística Registada no Instituto de Comunicação Social nº 223679

EDITOR EXECUTIVO: NUNO HENRIQUES DESIGN E PRODUÇÃO: CRISTINA SIMÕES DIR. ADMINISTRATIVA: M. JOSÉ SOROMELHO REDACÇÃO: MÓNICA GIROTTO DEP. COMUNICAÇÃO E ASSINATURAS: M. JOSÉ SOROMELHO IMPRESSÃO: OFFSET MAIS - Artes Gráficas, S.A. Rua Latino Coelho Nº6 - Venda Nova | 2700 - 516 Amadora Telf.: 21 499 87 00 | Fax: 21 499 87 17 Email: dc.offsetmais@netcabo.pt www.offsetmais.pt PRODUÇÃO FOTOGRÁFICA: COMÉDIL, LDA. ASSINATURA ANUAL: PORTUGAL: 32 Euros TIRAGEM: 3000 Ex. COLABORADORES NESTA EDIÇÃO COLABORATORES Victor Lamberto Octávio Rabaçal Martins A. Casal Moura Sofia L. D. C. Sobreiro Alfredo Martini Visa Consultores

ADMINISTRAÇÃO, REDACÇÃO E PUBLICIDADE: Rua das Enfermeiras da Grande Guerra, 14-A 1170 - 119 LISBOA - PORTUGAL Telef.: 21 812 37 53 | Fax: 21 814 19 00 E.mail: rochas@rochas.info www.rochas.info ROCHAS&EQUIPAMENTOS E A SUA DIRECÇÃO EDITORIAL PODERÃO NÃO CONCORDAR NECESSARIAMENTE COM TODAS AS OPINIÕES EXPRESSAS PELOS AUTORES DOS ARTIGOS PUBLICADOS OU POR AFIRMAÇÕES EXPRESSAS EM ENTREVISTAS, COMO NÃO SE RESPONSABILIZA POR POSSÍVEIS ERROS, OMISSÕES E INEXACTIDÕES QUE POSSAM EVENTUALMENTE EXISTIR. ROCHAS&EQUIPAMENTOS NÃO É PROPRIEDADE DE NENHUMA ASSOCIAÇÃO SECTORIAL. DISTRIBUIÇÃO NACIONAL E INTERNACIONAL: EMPRESAS EXTRACTORAS E TRANSFORMADORAS DO SECTOR DA PEDRA NATURAL, FABRICANTES E REPRESENTANTES DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS, ABRASIVOS, FERRAMENTAS DIAMANTADAS, ACESSÓRIOS, ARQUITECTOS, CONSTRUTORES, DESIGNERS, ENGENHEIROS, GEÓLOGOS, EMPRESAS DE CONSTRUÇÃO E SERVIÇOS, ENTIDADES OFICIAIS, ENTIDADES BANCÁRIAS, UNIVERSIDADES, INSTITUTOS E FEIRAS SECTORIAIS. PREÇO: €8,00 DEP. LEGAL Nº 40622/90 REGISTADO NO I.C.S. Nº 108 066 ROCHAS & EQUIPAMENTOS É MEMBRO DAS ASSOCIAÇÕES JORNALÍSTICAS:

CORRESPONDENTES: Cid Chiodi Filho - Brasil Fernando Cabral - Angola Manuel Santos Guedes - Porto Paulo L. Flório Giafrov - Brasil Sérgio Pimenta - Bélgica Marco Selmo - Itália BÉLGICA

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Editorial Editorial Caros Leitores, Nuno Esteves Henriques

nuno@rochas.info

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Portugal começa o ano de 2010 como acabou o de 2009, com os indicadores internos a anunciarem melhorias que não se observam, e os externos a serem-nos desfavoráveis. Fomos isso sim, filiados a um “clube restrito” – hoje já não tão restrito – que sãos os PIGS (Portugal, Irlanda, Grécia e Espanha). Mas não foi por entrar em “clube restritos”, que se registou qualquer alteração no estado de inércia comercial em que se encontra o sector, sendo que esta, difere conforme a região e/ou os materiais, resultando num diferente enquadramento, estratégia e soluções. O Alentejo tem especificidades, problemas e soluções diferentes, das do Norte. Assim como a zona da Serra de Aires e Candeeiros apresenta outras completamente distintas, e em exemplo de produto na mesma região, uma exploração de Moca Creme ou de Calçada Portuguesa, diferem tanto nos problemas como em soluções, apesar da sua localização geográfica. O que também demonstra a riqueza geológica única que o nosso país possui, requerendo por isso mesmo uma maior ponderação, trabalho e união. E aqui entra a maior dificuldade da sociedade portuguesa: o associativismo. Seja através de parcerias, associações, cooperativas, conglomerados, etc. O facto é que, temos este espinho cultural que só sai quando nos encontramos perante uma adversidade épica. E este tem sido o nosso fado. Mas o presente acarreta uma realidade que todos partilham, só com o mercado interno será complicado sobreviver. Isto claro, se quisermos ter as fábricas e as pedreiras “legais”, pagar aos fornecedores, ao estado, etc. Pois aqueles que não cumprem as suas responsabilidades, não só hipotecam o seu futuro, como dos restantes parceiros económicos e mesmo do sector em que trabalham. É imperativo que subsista uma estratégia sustentável, inovadora e comercialmente agressiva para bem do sector da rocha ornamental portuguesa. Sem descorar a importância dos aspectos ecológicos, tecnológicos, empresariais e legislativos, sem uma estratégia comercial e promocional do país, empresas e produtos, o futuro reserva um stock a aumentar e uma facturação a diminuir. Se a rocha ornamental partilha muitos aspectos técnicos e legais com a rocha industrial e restante sector extractivo, no aspecto comercial as similitudes são com materiais concorrentes. Embora numa observação mais profunda, o material mais concorrente da rocha ornamental é a própria rocha ornamental, e não os materiais de revestimento de baixo valor. Já os aglomerados sim, pois apesar de muitas vezes se apresentarem com custo superior, são verdadeiros concorrentes da rocha ornamental, em especial do granito. Hoje com um vasto leque de produtos e um marketing agressivo, os aglomerados absorvem 80%

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do mercado de bancadas de cozinha. O sector terá que adaptar-se e absorver esta linha de produtos sintéticos, pois eles estão cá para ficar. E se olharmos para o crescimento que estes têm demonstrado em países como a China e os EUA, é na diferenciação e certificação que temos que apostar. O sector da cortiça anunciou que a solução para a sua crise passa pelo fornecimento desse material para a construção de aviões. O nosso sector para já, não terá a mesma sorte, não teremos uma solução única, eu pelo menos não creio, mas sim um conjunto de pequenas soluções, que terão que ser debatidas sem demora. Temos empresários experientes, técnicos mundialmente reconhecidos, associações, centros de formação e tecnologia e uma tutela pronta para ouvir o sector. O que realmente falta é uma voz única. O país precisa tanto do sector como o sector do país. Os recursos geológicos são estratégicos para equilibrar a balança comercial nacional. Se o nosso governo não se sensibilizar com as nossas necessidades, é porque a mensagem carece de alteração. Segundo a análise económica do “Economic Watch” para 2010 os recursos de Portugal são: Peixe, floresta (cortiça), minério de ferro, cobre, zinco, estanho, tungsténio, prata, ouro, urânio, mármore, argila, gipsita ou pedra gesso, sal, terra para cultivo e energia hídrica. Porventura alguns não serão assim tão estratégicos e outros estão em falta nesta lista, mas é notório a importância dos recursos geológicos para o país. O laisse-faire não resulta, Alan Greenspan chegou a essa conclusão um pouco tarde, e observámos aquilo que foi a crise do subprime, afastando ainda mais, vários países emergentes do modelo americano para o modelo chinês que visa a rápida liberdade económica, mesmo que esta seja em prol da liberdade social. Vários países hoje seguem o modelo industrial chinês de rochas ornamentais, com destaque para os países do norte de África, que com baixo custo de transformação e com investimentos auspiciosos em tecnologia, se transformaram em fábricas nacionais. Este fenómeno aumenta a procura mundial de blocos, mas desloca geograficamente a indústria de transformação. É óbvio que no imediato fornece uma rentabilidade fácil, mas a longo prazo, nos casos que se conhecem, foram sempre prejudiciais para as regiões que se apoiaram exclusivamente neste comércio. Um equilíbrio seria o ideal para Portugal, que com algumas regras manteria o seu comércio de blocos - essencial para algumas empresas que não têm muitas alternativas imediatas, como a venda de pedra para a China - e apostava fortemente na criação de redes comerciais bilaterais e apoiadas, para mercados de produto acabado. O futuro não será fácil meus caros, é exportar ou morrer. Nuno Esteves Henriques

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Estudos Studies

“OS SIG E A SELECÇÃO DE ÁREAS COM POTENCIAL MINEIRO” Autor: Sofia L. D. C. Sobreiro Geóloga

INTRODUÇÃO A selecção de áreas com potencial mineiro não depende apenas da existência do recurso geológico com interesse económico (massa mineral ou depósito mineral), existindo outros factores determinantes para a viabilização de uma unidade extractiva, tais como o ordenamento do território e as condicionantes de carácter biofísico, ambiental, social e cultural. Deste modo, torna-se imprescindível recorrer a diversos elementos cartográficos da especialidade (como cartas topográficas e geológicas, Rede Natura 2000, áreas protegidas, espaços naturais, instrumentos de gestão territorial, entre outros), cujo cruzamento permitirá avaliar o potencial mineiro e estudar a viabilidade de exploração de uma determinada área.

permitem definir zonas de defesa de acordo com a legislação vigente; executar pesquisas por áreas (áreas sem condicionamentos ambientais ou resultantes do planeamento do ordenamento do território); obter pesquisas cronológicas e visualizar o seu resultado de forma gráfica. A base de dados criada pode ser constantemente actualizada, possibilitando uma visão global e evolutiva da área alvo de estudo.

METODOLOGIA A selecção de áreas com viabilidade para a abertura de uma pedreira ou mina incorpora um conjunto de estudos em que o recurso aos Sistemas de Informação Geográfica resulta em mais valias importantes para a gestão, designadamente ao nível económico e operacional, do bom aproveitamento do jazigo e no respeito pelo ambiente, permitindo um tratamento de dados integrado, célere e com a geração de modelos que apoiam a tomada de decisão. Os Sistemas de Informação Geográfica possibilitam a organização da informação espacial por temas e, de forma expedita, efectuam operações que

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Figura 1 - Elementos cartográficos organizados por temas. A metodologia de trabalho a desenvolver para a selecção de áreas com potencial mineiro através da utilização de um SIG envolve geralmente 6 fases de trabalho:

1.Recolha bibliográfica e da informação disponível Consiste na recolha de informação com interesse para o estudo, designadamente artigos científicos,


cartas geológicas, cartas de recursos minerais, cartas de concessões mineiras, cartas militares, planos de ordenamento de áreas protegidas, planos directores municipais, fotografias aéreas, entre outra documentação.

ambientais, obtendo-se áreas sem condicionantes; 3. Realização de trabalho de campo para validar a informação existente. No trabalho de campo é necessário verificar o interesse económico das litologias em questão, através da realização de prospecção e pesquisa (sanjas, poços, sondagens mecânicas, recolha de amostras para análises fisico-mecânicas e/ou químicas), seleccionar os melhores acessos às áreas e verificar a presença de possíveis obstáculos ambientais para uma futura área mineira (existência de edificações nas proximidades e qualidade visual da área em estudo).

Fotografia aérea Planta de Ordenamento do PDM de Palmela (fonte: www.cm-palmela.pt)

Figura 2 - Exemplo de Informação necessária para o estudo.

2. Entrada e armazenamento de dados (Input) Toda a informação recolhida será introduzida num programa SIG e transformada em formato vectorial (com a localização dos elementos no espaço) de forma a poder relacionar a informação entre si.

3. Organização dos dados e selecção da informação relevante Num SIG, a organização da informação deverá ser efectuada por áreas temáticas, tais como: geologia, ordenamento do território, concessões existentes, ocupação do solo, tipologia de acessos, entre outras relevantes para o estudo.

4. Análise e avaliação dos dados Esta fase apresenta diversas etapas, nomeadamente: 1. Selecção das litologias com interesse para o estudo; 2. Cruzamento das litologias com as condicionantes do ordenamento de território e condicionantes

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Figura 3 - Vala e sondagens mecânicas 4. A informação obtida do trabalho de campo é inserida na base de dados, sendo necessário voltar a relacionar a informação de modo a obter as áreas com as litologias desejadas e sem condicionantes de ordenamento do território e ambientais. 5. Hierarquização de áreas com potencial mineiro e pesquisa dos resultados Com base nos objectivos inicialmente definidos pelo utilizador para a selecção de áreas com potencial mineiro, por exemplo a composição química, as reservas ou a distância aos locais de consumo, é efectuada uma pesquisa na base de dados e seleccionadas áreas com potencial mineiro hierarquizadas de acordo com os objectivos definidos.

6. Saída de resultados (Output) A saída de resultados pode ser feita através de peças desenhadas, relatórios, gráficos e imagens.


CONCLUSÕES

Figura 4 - Mapa de cruzamento de pedreiras com o Ordenamento do Território

A aplicação de um SIG na selecção de áreas com potencial mineiro é determinante para a avaliação dos aspectos ambientais e de ordenamento do território. Não basta caracterizar o recurso mineral, é essencial avaliar as condicionantes ao licenciamento da actividade extractiva. Deste modo, os SIG permitem a interligação entre a cartografia existente e as condicionantes e características de uma determinada região. A base de dados criada poderá ser constantemente actualizada e georeferenciada, possibilitando uma visão global do território e da interdependência entre os vários descritores e áreas temáticas analisadas.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Figura 5 - Mapa de declives e hipsométrico da área alvo de estudo

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GUERREIRO, H.; MEIRA, J., FERREIRA, N., SOBREIRO, S. (2007). Ferramentas Informáticas no Apoio à Actividade Mineira. Boletim de Minas, Vol.42, n.º1. p.51-64. Lisboa. www.cm-palmela.pt


Feiras & Congressos Fairs & Congresses

AGENDA 2010 / 2011 2011

2010 ABRIL STONETECH - R&E* 6 - 9 ABRIL SHANGHAI - CHINA STONEX (MOSBUILD) 6 - 9 ABRIL CROCUS EXPO MOSCOVO - RUSSIA INTERKAMIEN 9-11ABRIL KIELCE - POLÓNIA BAUMA 19 - 25 ABRIL MUNIQUE - ALMANHA TECHNIPIERRE 22 - 25 ABRIL LIEGE - BELGICA COVERINGS 27 - 30 ABRIL ORLANDO - FLORIDA - U.S.A. MAIO PIEDRA - R&E* 05 - 08 MAIO MADRID - ESPANHA TEKTÓNICA - R&E* 11 - 15 MAIO LISBOA - PORTUGAL

EXPOSTONE 22-25 JUNHO MOSCOVO - RÚSSIA JULHO IRANCONMIN 5 - 8 JULHO TEHRAN PERMANENT FAIRGROUND IRÃO 4TH QINGDAO STONE FAIR 16 - 19 JULHO QINGDAO - CHINA AGOSTO CACHOEIRO STONE FAIR 24 - 25 AGOSTO CACHOEIRO DE ITAPEMIRIM ESPIRITO SANTO - BRASIL SETEMBRO 45º MARMOMACC - R&E* 29 SETEMBRO - 2 OUTUBRO VERONA - ITÁLIA OUTUBRO FINNBUILD 6 - 9 OUTUBRO HELSINKI EXHIBITION CENTER - FILANDIA NOVEMBRO

ASTANA BUILD 19 - 21 MAIO ASTANA - CASAQUISTÃO

KAMIEN STONE 10 - 13 NOVEMBRO POZNAN - POLÓNIA

CARRARAMARMOTEC - R&E* 19 - 22 MAIO CARRARA - ITALIA

BAUMA CHINA 2010 23 - 26 NOVEMBRO SHANGHAI - CHINA

STONE EXPO 22 - 25 MAIO UCRÂNIA

NATURAL STONE 25 -28 NOVEMBRO ISTAMBUL - TURQUIA

JUNHO

DEZEMBRO

INTER BUILD 17-21 JUNHO C.I.C.C. GIZA - EGIPTO

ERBIL INTERNATIONAL FAIR 2010 6 - 9 DEZEMBRO IRAQUE

EGYPT STONJE EVENT 2010 17 - 21 JUNHO CAIRO - EGIPTO

EUA THE BIG 5 21 - 24 DEZEMBRO DUBAI

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JANEIRO STONEMART 20 - 23 JANEIRO JAIPUR - ÍNDIA STONEEXPO MARMOMACC AMERICAS 26 - 28 JANEIRO LAS VEGAS - E.U.A. FEVEREIRO MADE EXPO FEVEREIRO MILÃO - ITÁLIA VITORIA STONE FAIR FEVEREIRO VITÓRIA - BRASIL MARÇO MADE EXPO 6 - 9 MARÇO XIAMEN - CHINA TECHNIPIERRE - R&E* 31 MARÇO - 3 ABRIL LIÈGE - BÉLGICA MARBLE - R&E* 23 - 26 MARÇO IZMIR - TURQUIA JUNHO STONE+TEC - R&E* 22 - 25 JUNHO NUREMBERGA - ALEMANHA NOVEMBRO BATIMAT 7-12 NOVEMBRO PARIS - FRANÇA

R&E* DISTRIBUIÇÃO E REPORTAGEM


2ª Bienal da Pedra

Nos dias 5, 16 e 17 de Outubro vai realizar a 2ª Bienal da Pedra em Marco de Canaveses. O município de Marco de Canaveses está geograficamente localizado numa zona de forte actividade extractiva e transformadora de granitos e derivados. Neste sentido o seu município promove mais uma edição da Bienal da Pedra. Este evento visa promover a divulgação deste nobre material assim como criar um maior dinamismo na sua comercialização, valorizando a região e o concelho. O evento tem ainda como objectivo a promoção de equipamentos e serviços. Paralelamente irão decorrer actividades de cariz científico e cultural. Para mais informações podem contactar a Câmara Municipal através de correio electrónico (info@cmmarco-canaveses.pt) ou telefone (255 538 800).

Seminário sobre a aplicação de explosivos industriais e operações de desmonte Numa colaboração entre o Departamento de Geociências da Universidade de Évora e a AP3E – Associação Portuguesa de Estudos e Engenharia de Explosivos realiza-se no dia 27 de MAIO de 2010 (Quinta-Feira), pelas 14:30, no Colégio Luís António Verney, Universidade de Évora um Seminário sobre Explosivos e Operações de Desmonte. O referido Seminário prevê o desenvolvimento dos seguintes temas e oradores:

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1. Explosivos de uso civil: suas propriedades e colocação no mercado Prof. José Carlos Góis (DEM-FCTUC) 2. Aplicação de explosivos em operações de desmonte de rocha. Engº António Vieira (ISEP) 3. Controlo de impactes ambientais decorrentes da aplicação de explosivos. Prof. Pedro Bernardo (IST) 4. Aspectos legislativos relacionados com o sector dos explosivos. Dr. Victor Rodrigues (MAXAMPor, SA) 5. Importância do acompanhamento técnico, a nível do desempenho e do controle de impactes ambientais, em desmontes de rocha com explosivo. Engª. Ana Rita Borralho (SEC, SA) Pode aceder à ficha de inscrição através do nosso site (www.rochas.info).

Workshop “Tecnologia de ponta na industria Portuguesa A empresa FrontWave desenvolveu o Workshop “Tecnologia de ponta na industria Portuguesa – Uma nova idade da pedra”. Esta acção tem como objectivo apresentar os novos serviços da área de Inovação Industrial ao Sector das Rochas Ornamentais. A sua realização irá também contemplar os novos desenvolvimentos de caracterização e classificação de ferramentas diamantadas. Tendo como destinatários os: Industriais das rochas ornamentais, produtores de ferramentas, engenheiros e arquitectos. Os interessados deverão efectuar uma pré-inscrição preenchendo, para o efeito, a ficha de inscrição que se encontra no site www.frontwave.pt. Para mais informações visite www.rochas.info.


Vitória Stone Show 2010 Vasco Fernandes Coutinho partiu de Lisboa numa embarcação com cerca de sessenta homens a bordo, entre os quais se incluíam dois nobres: D. Jorge de Menezes e D. Simão Castelo Branco. No dia 23 de Maio de 1535 desembarcou na actual Prainha de Vila Velha. Como era o domingo de Pentecostes, o navegador baptizou a terra de Espírito Santo, em homenagem à Santíssima Trindade. O Espírito Santo é um dos 27 Estados federais do Brasil. Está localizado na Região Sudeste e tem como limites o Oceano Atlântico a leste, a Bahia a norte, Minas Gerais a oeste e noroeste e o estado do Rio de Janeiro a sul, ocupando uma área de 46.077,519 km². A sua capital é o município de Vitória. Onde se realizou a ultima edição da Vitória Stone Show nos dias 23, 24, 25 e 26 de Fevereiro. Esta edição da feira de Vitória revelou-se um caso de sucesso numa altura de grandes dúvidas no sector. A feira de Vitória é hoje uma das 5 feiras mais importantes do mundo e a maior da América Latina, apesar de contar apenas com 370 expositores, sendo que 15%, são expositores internacionais oriundos da Itália, Argentina, Egipto, China, Portugal, Paquistão, Holanda, Índia e Turquia.

A feira começou com sentimento de esperança diante da retoma nas exportações em Novembro de

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2009. Um ano bastante complicado para o Estado Capixaba, marcado com a queda de 22,17% nas exportações. Pois se em 2008 as exportações de Pedra Natural cifraram-se nos 630 milhões de USD, em 2009 ficaram-se nos 490 milhões de USD. Contudo em Dezembro de 2009 as exportações aumentaram 9,45% em comparação ao mesmo mês do ano transacto, atingindo os 70 milhões de USD.

A retoma de exportações que se começou a sentir em Novembro passado, em muito é alcançada, pelo aumento da venda de blocos para China – uma tendência mundial, que deve ser debatida – assim como a atenção de outros materiais que não os


granitos exóticos, sendo que estes materiais, abrem portas para outros mercados.

No leque de novos produtos deslumbram-se ardósias ou lousas – como defendem os técnicos na Europa – os arenitos e em especial os quartzitos, dos

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quais destacamos, o quartzito azul da Bahia, que é vendido a um preço médio de 300 euros. Apreciámos também , o granito Midnight Blue – do Brasil, não da Índia, por vezes é dado o mesmo nome a pedras similares dos dois países – que dentro dos granitos azuis, apresenta características muito apreciáveis. Observamos várias novidades que ainda não tinham nome, tendo sido levados para a feira, apenas para receber o feedback do mercado. Pois a riqueza geológica deste país é vasta. O sector brasileiro conta ainda com o suporte de um mercado interno forte, com tendência ainda a crescer com os vários projectos internacionais que o Brasil vai organizar, sente-se já nas contratações de novos funcionários – sendo que o ordenado mínimo no Brasil ronda os 200 Euros. Mas as empresas brasileiras revelam um nível de profissionalismo, capacidade técnica e tecnológica equiparável às em-


presas do velho continente. É hoje um dos maiores consumidores de máquinas multi-fio. Em declarações exclusivas à Rochas & Equipamentos, Emílio Brocco, proprietário da Co.Fi.Plast, líder mundial de máquinas multi-fio, “O Brasil é o segundo maior consumidor mundial, logo a seguir à Itália”.

Mas a feira de Vitória, assim como a indústria do

Estado Capixaba, vive essencialmente do mercado norte-americano. Sendo que dos 24.124 visitantes 30% são de origem norte-americana. Os restantes 70%, englobam uma variedade de 63 países, dos quais se começam a destacar os países do Médio Oriente e Norte de África, sem excluir a Europa e claro, como em todo mundo, o maior importador mundial, a China, embora esta última só compre em blocos e os seus agentes funcionem directamente nos círculos extractivos. Mais importante que uma feira ter muitos metros quadrados ou ter muitos e diversos visitantes como é apogeu das organizações destes eventos, é a feira resultar em negócio ou em hipótese de negócio. A feira de Vitória, segundo a maioria dos expositores, conseguiu exactamente isso, se tivermos em conta, a situação precária que ainda se encontra o seu principal parceiro, que está a atravessa um período

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de abstinência no mercado da construção imobiliária.

Mas centrando as atenções na feira. A sua localização no centro do pólo de transformação do Brasil é a escolha acertada. Captando 90% dos investimentos brasileiros aplicados no sector da Pedra Natural, Vitória é o estado líder na extracção e transformação. Em resumo: • 2º maior pólo industrial do mundo no sector. • 50% da produção de todo o mercado nacional. • 65% das exportações brasileiras. • Maior extractor, transformador e exportador do Brasil. • 1,5 milhão de toneladas de blocos e chapas exportadas. • 130 mil empregos directos e indirectos. • 800 mil metros cúbicos de Pedra Natural extraídos anualmente.

Mais de 90% dos investimentos no parque industrial brasileiro do sector da Pedra Natural são realizados no Estado de Espírito Santo. O Estado é líder absoluto na produção nacional de Pedra Natural, ficando em segundo o Estado de Minas Gerais. Espírito de Santo irá captar um investimento de 43.000 milhões de euros, nos diferentes segmentos industriais, revelando um crescimento do PIB 3% maior que o resto do país, fixando-se entre os 9% e os 10%.

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O mármore e o granito na construção industrializada, promovido pelo Crea-ES, teve como objectivo o reforço da cooperação entre os arquitectos, designers e engenheiros. Destacamos ainda:” Mercado Italiano – Operações Estruturadas”, “Radar – Habilitação no Siscomex”, Fachadas de pedra com ventilação” e o “Programa Ex-imbank Americano – Linhas de Financiamento”.

Dentro da estratégia de consolidação da feira como centro de negócios e informação, o congresso apresentou variados temas, com principal destaque para a discussão do Novo Marco Regulatório da Mineração Brasileira, em que as entidades representativas da exploração em minas, pedreiras de Rocha Ornamental, Industrial e complementares, juntaram-se para discutir uma legislação de 1967, de maneira a conceber mudanças que compreendam a preservação do meio ambiente, desenvolvimento social, mas acima de tudo valorizar a livre iniciativa como elemento fundamental para a manutenção da competitividade do sector extractivo.

A apresentação do Guia de Aplicação de Rochas em Revestimentos, pelo Dr. Cid Chiodi. O sector de rochas ornamentais nos Estados Unidos, pelo Senhor Vice-presidente do Marble Institute of America, Gary Distelhorst. Financiamento nos mercados exteriores, promovido pelo Banco Espírito de Santo.

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Portugal como vem sendo hábito, esteve presente no evento, não só como visitante, mas também como expositor. A MVC-Marmores de Alcobaça que acompanha a propensão do mercado interno brasileiro usar calcários e consequentemente uma procura cada vez mais intensa dos materiais portugueses, dos quais destacamos o Moca Creme. Já a Fravizel fez a sua estreia, apresentando um stand bem estruturado, com uma boa montra de produtos e já com uma estratégia comercial bem definida e apoiada. O que é essencial, para entrar e vencer, no mercado brasileiro, que reúne uma serie de dificuldades extra geográficas e tributárias. Pela sua localização, acabou por ser um ponto de encontro de portugueses.

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Global Stone Congress 2010 Entre 2 e 5 de Março em Alicante (Espanha), ocorreu o Global Stone Congress 2010. Com participação de técnicos de todo o mundo entre os quais o Dr. Casal Moura do LNEG, o congresso debateu a actual situação do sector à escala mundial. Através de um fórum multidisciplinar, foram dissecados os principais avanços tecnológicos e científicos do nosso sector de actividade. Tendo como objectivo a disseminação do conhecimento da Pedra Natural. As sessões foram estruturadas em conferências, apresentações, workshops e discussões de mesa redonda. Reportagem do congresso em www.rochas.info

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Sopa da Pedra The Stone Soup

OS SABORES DA PEDRA

Victor Lamberto 1 Nesta coluna, que percorre ligações entre as pedras e os sabores, apresentamos, agora, num país de sopas e de caldos, como é indubitavelmente Portugal, a SOPA DE PEDRA... Este prato, característico de Almeirim, começou a ser popularizado, a partir dos anos 60 do século passado numa mercearia, local onde se situa actualmente o Restaurante Toucinho, localizado nesta cidade. O presente texto basear-se-á, assim, nas receitas disponibilizadas por José Manuel Toucinho e Hélia Costa (www.cm-almeirim.pt, www.ribatejodigital.pt), proprietários do dito restaurante. Tomemos, em primeiro lugar, para a confecção desta SOPA DA PEDRA para 8 a 10 convivas, os ingredientes necessários, um conjunto diversificado de ingredientes regionais: água; 1 l de feijão encarnado; 1 orelha de porco; chispe; 150 g de toucinho entremeado; 2 cebolas; 2 dentes de alho; louro; colorau; piripíri; sal; pimenta;

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1 chouriço negro de sangue (morcela); 1 chouriço de carne; 1 farinheira; 750 g de batatas; 1 molho de coentros… Segue-se a confecção deste manjar, que obedece aos seguintes passos: 1. colocar o feijão de molho durante algumas horas (se for do ano não precisa ser demolhado); 2. escaldar e raspar a orelha de porco; 3. levar o feijão a cozer numa panela, juntamente com água, a orelha, o chispe, o toucinho, as cebolas, o alho, o louro, o colorau, o pipipíri, sal e pimenta; 4. adicionar água se for necessário (que deverá estar a ferver); 5. a meio da cozedura adicionar os enchidos; 6. retirar a carne quando estiver cozida e cortar em bocadinhos; 7. deixar o feijão cozer; 8. introduzir as batatas, cortadas aos quadradinhos, e rectificar os temperos; 9. deixar cozer a batata; 10. retirar a panela do lume, verter para uma terrina e introduzir as carnes, previamente cortadas aos bocadinhos, uma PEDRA (seixo de rio ou pequena pedra), bem lavada, e os coentros, picados.

(www. blogoparati.blogspot.com)


Refira-se que, para a confecção desta sopa, poderá ser considerada a seguinte informação adicional: modo de preparação: lume; tempo aproximado de preparação: 75 min; doses: 8 a 10; grau de dificuldade: difícil; época de confecção: todo o ano. Aconselha-se, para que este prato regional se apresente em todo o seu esplendor, que seja degustado na “capital da sopa da pedra”, e acolitado por uma «caralhota» (pão tradicional), por um bom vinho tinto ribatejano e por aprazível companhia, e rematado com um gostoso melão de… Almeirim! Todavia, e para que possamos saborear plenamente este acepipe, importa referir a sua proximidade a uma lenda, recolhida por Teófilo Braga, escritor e político, nos seus “Contos Tradicionais do Povo Português”, em 1883… Um frade andava ao peditório; chegou à porta de um lavrador, mas não lhe quiseram aí dar nada. O frade estava a cair com fome, e disse: “Vou ver se faço um caldinho de pedra...” E pegou numa pedra do chão, sacudiu-lhe a terra e pôs-se a olhar para

ela para ver se era boa para fazer um caldo. A gente da casa pôs-se a rir do frade e daquela lembrança. Diz o frade: “Então nunca comeram caldo de pedra? Só lhes digo que é uma coisa boa.” Responderamlhe: “Sempre queremos ver isso!” Foi o que o frade quis ouvir. Depois de ter lavado a pedra, pediu: “Se me emprestassem aí um pucarinho…” Deram-lhe uma panela de barro. Ele encheu-a de água e deitou-lhe a pedra dentro. “Agora, se me deixassem estar a panelinha aí ao pé das brasas…” Deixaram. Assim que a panela começou a chiar, disse ele: “Com um bocadinho de unto, é que o caldo ficava de primor!” Foram-lhe buscar um pedaço de unto. Ferveu, ferveu, e a gente da casa pasmada para o que via. Diz o frade, provando o caldo: “Está um bocadinho insosso; bem precisa de uma pedrinha de sal.” Também lhe deram sal. Temperou, provou e disse: “Agora é que com uns olhinhos de couve o caldo ficava que até os anjos o comeriam!” A dona da casa foi à horta e trouxe-lhe duas couves tenras. O frade limpou-as, e ripou-as com os dedos, deitando as folhas na panela. Quando os olhos já estavam aferventados disse o frade: “Ai, um naquinho de chouriço é que lhe dava uma graça…” Trouxeram-lhe um pedaço de chouriço; ele botou-o à panela, e enquanto se cozia, tirou do alforge pão e arranjou-se para comer com vagar.

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O caldo cheirava que era um regalo. Comeu e lambeu o beiço; depois de despejada a panela, ficou a pedra no fundo; a gente da casa, que estava com os olhos nele, perguntou-lhe: “Ó senhor frade, então a pedra?” Respondeu o frade: “A pedra levo-a comigo para outra vez.” E assim comeu onde não lhe queriam dar nada.

(www.ribatejodigital.pt) Esta lenda, que se encontra em várias culturas ocidentais, evidencia que a cooperação pode levar a resultados inesperadamente bons, que a soma de pequenos contributos pode originar algo engenhoso, sobretudo num contexto de escassez… Saliente-se, também, que a pedra, aparentemente sem valor, se assume, afinal, como elemento imprescindível para a prossecução do objectivo do frade! Que lições poderão os envolvidos com o sector da pedra natural tirar desta pequena lenda?!

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Desta forma, e com o auxílio de uma suculenta e muito apreciada refeição, com “sabor a pedra”, onde esta surge associada a conceitos como produto local, cooperação e engenho humano… prosseguimos, uma vez mais, a degustação dos sabores da pedra… lentamente, com produtos regionais e com prazer, como defende o movimento global Slow Food!!! 1

Eng.º Geólogo, Mestre em Planeamento Mineiro, leader

do Convivium Alentejo - Slow Food; vlamberto@gmail.com

slowfoodalentejo@gmail.com


Documentos Documents CONTRIBUTO PARA O RELANÇAMENTO DO SECTOR GLOBAL DAS ROCHAS ORNAMENTAIS Autor: Eng. Octávio Rabaçal Martins Engenheiro de Minas Assessor Principal

1 - Introdução O momento económico mundial caracteriza-se pela contracção, que atingiu inevitavelmente a indústria da edificação e daí também o SECTOR GLOBAL DAS ROCHAS ORNAMENTAIS, cujo mercado parece denominado em 75% pela construção de casas. Contudo os empresários do nosso SECTOR e as suas Associações não podem nem devem cruzar os braços perante a actual crise que afecta muitos países, incluindo Portugal, nem tão pouco as Instituições governamentais de tutela, às quais compete a tomada de fogases, pertinentes e oportunas medidas de política tendentes a fomentar o RELANÇAMENTO das actividades pétreas decorativas, a começar pela construção atempada das necessárias e imprescindíveis infra-estruturas, sem as quais não há progresso. Esta problemática abrange muitas áreas de intervenção, mas este nosso trabalho limita-se a abordar alguns temas de candente actualidade, a saber: a) A Importância actual do Sector Mundial das Rochas Ornamentais; b) Contracção da Economia Mundial e Reflexos no Momento Pétreo; c) Aposta na Reactivação do Desenvolvimento Pétreo Decorativo; d) Atitude Construtiva Expectante; e) Optimização da Produtividade; f) Pedra e Memória;

2 - A Importância Actual do Sector Mundial das Rochas Ornamentais O volume de negócios do nosso SECTOR movimen-

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ta na Economia Mundial, excluindo as passagens intermédias e o seu induzido tecnológico, isto é, o ramo fabril colateral, atinge a ordem de grandeza de 13 mil milhões de Euros na exportação, a que corresponde uma facturação de idêntico valor na importação, o que assume relevante significado. Estes dados têm como proveniência as fontes oficiais do sistema informativo da ONU, que entre outras coisas permitem acrescentar como as expedições dos três países de vanguarda – China, Itália e Índia – lograram representar 47% da totalidade em valor, com uma incidência ainda mais elevada em termos ponderais. Bastante menos fácil se apresenta o cálculo da importância dos mercados domésticos, mas levando em consideração um emprego global substancialmente superior ao do intercâmbio, que ascende a mais de 700 milhões de metros quadrados equivalentes à espessura convencional de 2 centímetros, daí resulta que as estimativas devem ser aumentadas de mais de dois terços, elevando-se a 23 mil milhões de Euros, a que deve acrescentar-se, entre outras coisas, o montante referente aos serviços directamente ligados, não só à venda, mas também aos trabalhos de colocação em obra. Em definitivo, afigura-se razoável fazer referência a um fluxo comercial da ordem de 25 mil milhões de Euros, que constitui um a cifra notável também com respeito ao valor “per capita” à escala do nosso planeta, já bastante povoado. Para uma população mundial um pouco superior a 6 mil milhões de pessoas, facilmente se chega à relação actual de 4,2 Euros, tanto mais apreciável quanto em muitos países do Terceiro Mundo a utilização


de Rochas Ornamentais permanece ainda marginal, por razões evidentes de carácter económico; afigurase banal observar que o Afeganistão, com um rendimento unitário anual da ordem de 163 Euros, de modo nenhum pode aspirar às utilizações da Noruega ou da Suiça, no topo da escala mundial do Produto Interno Bruto( BIP ) “per capita”, com altos padrões de qualidade de vida. A situação conjuntural fez desacelerar um desenvolvimento que nos anos procedentes se apresentara muito rápido - especialmente à custa das arrancadas dos gigantes pétreos asiáticos ( China, Índia, Irão e Turquia ) e do Brasil, mas tendo este caído actualmente em recessão, devido à crise da edificação norte-americana - , levando à queda da taxa de crescimento da facturação pétrea decorativa global em 2008 para apenas 2,8 %, contra os 19% de 2007, o que representa o maior declínio da recente história lítica. Contudo a expansão global, sobretudo mercê do comportamento da China e da Índia, não surgiu interrompida em 2008, confirmando uma tendência ascendente de longo prazo testemunhada pelo facto de que no início do século XXI o intercâmbio dera lugar a um volume de negócios da ordem de 4,2 mil milhões de Euros; daí resulta que em poucos anos se apresentou efectivamente triplicado, com um aumento de preço médio que emerge do confronto com as quantidades expedidas, cujo crescimento, embora significativo, se mostrou inquestionavelmente mais contido. Importa sublinhar como estes números, bem longe de trem uma simples valência estatística, embora significativa, demonstram que o SECTOR MUNDIAL DAS ROCHAS ORNAMENTAIS continua vivo e de boa saúde, não obstante os recuos patentes em diversos países, tais como a Itália, Portugal e o Brasil, apesar das previsões nem sempre favoráveis que por vezes vêm sendo formuladas por este ou aquele analista. Pelo contrário, progressos globais como os conseguidos pelas ROCHAS DECORATIVAS, embora por via de regra com taxas de crescimento muito diferentes de país para país, não deixam lugar para interpreta-

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ções problemáticas mas confirmam que a secular tradição de sucesso dá sinais de prosseguir, certamente com pequenos recuos aqui mas grandes avanços acolá, tanto mais quanto busca fundamento em valores naturais únicos, exclusivos, inimitáveis e irrepetíveis, mas também nas prodigiosas conquistas da Ciência, da Técnica e da Tecnologia, cuja evolução se mostra imparável, tendo contudo presente que apenas DEUS é o Senhor da História e portanto da evolução da Humanidade em particular e do Universo em geral, regido pelos célebres dez anéis constantes físicas, às quais mais recentemente se vieram juntar as descobertas por Albert Einstein referentes à Mecânica Relativista, por Max Planck e Niels Bohr no campo da Mecânica Quântica e as respeitantes à teoria atómica, que vieram revolucionar o nosso Mundo.

3 - Contracção da Economia Mundial e Reflexos no Momento Pétreo As previsões do FUNDO MONETÁRIO INTERNACIONAL (FMI) sobre a evolução da Economia Mundial durante o presente ano não se apresentam tais que levantem fáceis entusiasmos, de resto fora de lugar, ainda que não falte uma tímida clarificação. Segundo as mais credíveis estimativas, no final de 2009 o Produto Interno Bruto ( PIB ) mundial deverá regredir cerca de dois pontos percentuais, com perdas máximas no Japão, onde se espera uma queda de 6,2%; na Europa Comunitária, onde se conta com uma retirada de 4,2%; e nos Estados Unidos da América, aguardando a contracção de 2,8%. De nada serve acrescentar que a Economia Mundial se encontra em condições de reduzir as perdas mercê do contributo decisivo da China e da Índia, para onde estão calculados aumentos respectivamente de 6,5% e de 4,1%, certamente inferiores aos anos anteriores de reconhecida euforia, mas largamente superiores aos melhores alcançados no Ocidente. A Itália manifestou em 2008 um crescimento nulo e estima-se para 2009 um mergulho de 4,4%, superior ao dos outros maiores países comunitários, com excepção da Alemanha, o tradicional motor propulsi-


vo da Economia europeia, onde se espera uma queda de 5,6%. Mas isto não chega: em 2010, sempre segundo avaliações levadas a cabo pelo FMI, deverá assistir-se a uma inversão de tendência e o PIB mundial poderá retornar a marcha ascendente, com um crescimento de quase dois pontos percentuais, devido uma vez mais ao contributo prioritário da China e da Índia; os E.U.A. permanecerão estacionários; e a Europa Comunitária iniciará a recuperação, mas não sem duradouro sofrimento, sobretudo na Itália e na Alemanha, onde se aguardam os declínios respectivamente de 0,4% e 1%. Se estas previsões vierem a confirmar-se, não há razões para contentamento, porque se trata de quedas que vão acrescentar-se às precedentes, com inevitáveis efeitos negativos do género cascata nos domínios laboral, aumentando o desemprego, e dos consumos. De facto caindo o poder de compra das famílias, o comércio de bens de consumo definha. Neste momento, ninguém sabe bem quais poderão ser os remédios, restando apenas a antiquíssima atitude de lançar o coração contra o obstáculo, arregaçando as mangas e procurando da melhor maneira colher nas dificuldades da conjuntura as ocasiões mais apropriadas para a modernização gestional, técnica e tecnológica em condições competitivas, segundo um modelo popular muito conhecido, que seria quase evidente se não tivesse que contar com as permanentes dificuldades creditícias e com a substancial impossibilidade de financiamento próprio, devido à queda do volume de negócios e assim dos proveitos, com frequência com perdas maiores. Assim sobressai uma forte razão que justifica as medidas de apoio em favor do mundo financeiro, mas que não mostra contrapartida na real disponibilidade da banca para vir ao encontro das exigências dos produtores e dos distribuidores. Em tais condições, não fica despropositado presumir que, depois de ter atirado o coração contra o obstáculo, ninguém se arrisca a ultrapassar a estacada, a dar um salto em frente, com grande regozijo para os numerosos abutres prontos para devorar a presa.

Metáfora à parte, nada de novo surge no horizonte ao dizer que a recessão já deixou ao longo do caminho numerosas vítimas, especialmente no âmbito das pequenas e médias empresas (PME); embora dolorosa, ocorre uma autêntica selecção natural (darwinismo económico), que a longo prazo poderia revelar-se vantajosa para os raros sobreviventes, mas que entretanto acaba por agravar as consequências da crise. E assim não é possível dizer que estão completamente enganados aqueles que pensam na hipótese de deslocalização das suas fábricas para os países em vias de desenvolvimento e de reenvio dos investimentos, tendo em vista também a redução do pessoal e também com o objectivo de ir apalpando o caminho à frente, especialmente quando se verifica que aqueles que aplicam as medidas anti-cíclicas, são sempre, geralmente suspeitos. Estes factos assumem particular relevância no SECTOR DAS ROCHAS ORNAMENTAIS. Figuram nos antípodas os casos da Itália e da China: enquanto a primeira perde terreno em termos absolutos e relativos, a segunda tem revelado avanços espectaculares. De facto a Itália vem perdendo quotas de mercado, de tal maneira que referente ao produto acabado caiu de 42% em 1994 para 7% em 2008, enquanto a China viu crescer a sua quase exponencialmente. A fase reflexiva italiana em números absolutos evidencia uma situação de difusa incomodidade que não pode ser atribuída à conjuntura recente, ainda que a estagnação mundial se faça sentir. As ROCHAS DECORATIVAS foram atingidas pelas consequências de uma procura global regressiva de maneira menos dramática do que aconteceu noutros sectores, demonstrando que o ramo pétreo à escala mundial goza de boa saúde e pode dispor de forte capacidade reactiva. A regressão patente nalguns países, como a Itália e Portugal, tem muito a ver com a carência das necessárias e imprescindíveis infra-estruturas, as dificuldades creditícias, a solução técnica e económica do problema dos resíduos, melhor dizendo hoje rejeitados, quer da extracção quer do processamento,

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a ausência substancial de uma política promocional orgânica e partilhada, sabendo-se que até agora na melhor das hipóteses se procede de maneira isolada, dispersa, com iniciativas de curto alcance e com carácter episódico. Um exemplo entre tantos outros diz respeito ás regiões produtivas, geralmente de costas voltadas, que á luz do específico interesse público deveriam estar ao serviço de todas as empresas e beneficiar do suporte institucional de todas as forças políticas e sociais, mas que na prática conduzem a um esquema que não funciona, arrastando-se penosamente numa apagada e inútil sobrevivência por falta de meios humanos e materiais. Muitos industriais pétreos, recorrendo à metáfora precedente, lançaram o coração contra o obstáculo, e fizeram-no várias vezes, apesar das desilusões e das incompreensões de tal maneira pertinazes que levaram bastantes operadores a considerá-los à beira da traição. Afigura-se provável que voltam a fazê-lo, mas prosseguindo desta maneira não será fácil perseverar, dada a ocorrência de muitos enganos, portadores de desastres. Perante estes factos, urge actuar com sagacidade e com rapidez, de modo a prevenir novos e mais aparatosos soçobros, conducentes á ruína económica.

4 - Aposta da Reactivação do Desenvolvimento Pétreo Decorativo A crise que em 2009 atingiu o nosso SECTOR, na linha do declínio da Economia Global, embora com forte impacto, em primeiro lugar psicológico, não deve fazer esquecer que a expansão mundial da actividade lítica ornamental, testemunha pelo seu andamento histórico, vem manifestando uma tendência mais favorável que a de todo o sistema económico. De 1995 em diante, exceptuando os acontecimentos de 2008 e de 2009, a tendência de crescimento tem sido constante, embora com algumas oscilações mais ou menos significativas da taxa de desenvolvimento: os próprios eventos de maior relevância, po-

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tencialmente negativa, como os atentados contra as torres de Nova Iorque e o Pentágono, ou na guerra do golfo Pérsico, não acarretaram com sequências de vulto sobre a produção pétrea decorativa mundial, sobre no intercâmbio e sobre as utilizações. Há muito tempo se vem dizendo que as ROCHAS ORNAMENTAIS são produtos de paz, e afirmação e certamente verdadeira; mas pode acrescentar-se que, exactamente enquanto tal, têm demonstrado saber superar melhor que outros materiais o impacto das mais variadas turbulências, se outras razões não houvesse, porque podem contar com um mercado universal; de facto já vivem na terra mais de 6 mil milhões de pessoas, que precisam de casas. Esta realidade justifica a hipótese de uma prossecução do desenvolvimento por tempos indefinidos, bem para além da duplicação da produção útil e das utilizações actuais, que já foram estimadas para o ano 2015 e propostas em estudos anteriores. Não aconteceu por acaso que se estimou para daqui a dez anos – quando a população mundial, segundo as projecções da Onu, terá ultrapassado os 9 mil milhões de pessoas – um volume de utilizações pétreas decorativas superior a 5 mil milhões de metros quadrados equivalentes á espessura convencional de 2 centímetros. Trata-se de um objectivo que hoje parece bastante ambicioso, mas que no entanto resta muito inferior aos actuais níveis produtivos e distributivos da cerâmica concorrente. De nada serve propor metas pré-estabelecidas, ainda que realisticamente exequíveis. Torna-se necessário, pelo contrário, procurar soluções válidas para os graves problemas que persistem em opor-se ao progresso do nosso SECTOR, que a manterem-se acarretam a impossibilidade de alcançar aqueles ambiciosos objectivos. Revela-se assim imperioso cuidar da dotação de infra-estruturas funcionais, da armazenagem, valorização e aproveitamento económico dos resíduos, melhor dizendo, hoje rejeitados, da aposta na necessária e imprescindível qualificação profissional, sem a qual as máquinas automáticas computoriza-


das não funcionam, da obtenção a custo contido do financiamento dos investimentos indispensáveis para a modernização técnica e tecnológica capaz de incrementar as produções e as utilizações. Em certos países, especialmente do Terceiro Mundo, o nosso SECTOR assume importante carácter estratégico, já reconhecido na Índia, mas também nalguns povos menores, onde foi assimilado ao dos materiais de primeira categoria, produzidos pela indústria mineira. Não se trata da uma realidade de pequena importância, uma vez que a classificação superior subentende o reconhecimento de normativas mais garantistas e incentivantes. Está reservado ao nosso SECTOR resolver problemas de grande relevância, mas não faltam de um modo geral reservas geológicas de qualidade e em grande quantidade, sendo típica por exemplo a realidade da Turquia, onde já foram evidenciados volumes de rocha útil de muitas centenas de milhões de toneladas, e tendo presente a sua fraca dependência energética, o papel de uma tradição irrepetível, e também a função propulsiva das feiras e dos certames, que no último meio século forneceram um suporte promocional de ampla relevância internacional. Muito resta fazer no campo associativo, onde as ROCHAS ORNAMENTAIS pagam dolorosamente as consequências uma excessiva parcealização empresarial, diremos mesmo pulverização – na Itália a ocupação média situa-se em cinco trabalhadores por unidade produtiva, sendo estas condições análogas em diversas nações desenvolvidas - , acrescido isto da falta de organizações internacionais em condições de poder influenciar o poder político, catalogando e assumindo os problemas comuns, procurando encontrar as melhores soluções. Todavia nem tudo estará mal; de facto a reduzida dimensão das empresas pode assegurar alguns valores positivos, porque promove um empenhamento directo do momento empreendedor, põe a render os dotes de criatividade e de fantasia que desde sempre lhes são reconhecidos, e permite concretizar um diálogo directo com os fabricantes de tecnologia, e so-

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bre tudo com o utilizador pétreo final, de que resultam colaborações construtivas e de comum interesse. As ROCHAS ORNAMENTAIS vêm sendo aproveitadas e utilizadas há milénios, logo vêm de longe e poderão chegar longe; as dificuldades e os problemas existem, mas a pedra sobreviverá. Os industriais pétreos ornamentais afirmam com sérios motivos estar bastante preocupados com o andamento da actual situação económica, cujos problemas mostram gravidade maior ou menor conforme o país atingido, mas de um modo geral pondo em prática juízos de valor muito semelhantes, uma vez que as condições são análogas. Para muitas nações o ano de 2008 caracterizou-se pela estagnação pétrea, e nalgumas, como a Itália e Portugal assistiu-se ao declínio. Por outro lado alguns mercados propulsores, especialmente o norte-americano, manifestaram grave crise, em relação com o forte retrocesso da edificação, sabendo-se que a crise ianque-generalizada a quase todos os povos do planeta – teve início com escandalosa especulação imobiliária. Estes factos bastam para comprovar a presença de um momento difícil, que deve ser enfrentado de maneira consciente e incisiva, com argúcia, coragem e determinação, sem medo excessivo, com razoável realismo, e apostando sempre na modernização técnica e tecnológica. Cruzar os braços, lamentar-se sem nada fazer de positivo, constituiria uma desastrosa estratégia, que mais não faria senão agravar uma crise já penalizante. No Sector Pétreo Decorativo a experiência comprova a falência de semelhante atitude, uma vez que as estéreis lamentações não encontram o melhor acolhimento por parte das instituições governamentais; estas fazem ouvidos de mercador, e o seu erro fica a dever-se prioritariamente – e isso encontra justificação no desastrado e frequentemente pouco influente comportamento das associações da classe, quer na Europa, quer por esse mundo fora – à recusa em acreditar na importância estratégica do nosso SECTOR.


No estado actual da evolução pétrea, torna-se absolutamente necessário arregaçar as mangas e desenvolver um sagaz, pertinente e oportuno leque de iniciativas, começando pela renovação gestional e tecnológica, pela inovação em termos de métodos, esquemas, sistemas, práticas, processos e modelos, por ganhos de produtividade e portanto de competitividade, passando por estudar e pôr em prática novas e revolucionárias técnicas de “marketing” e culminando com intervenções promocionais de amplo espectro, em oposição á mera causa individual. Não se apresenta menos relevante o lançamento da marcação de qualidade a nível mundial, bem como de outras assinaladas iniciativas que facilitariam o comércio internacional. Protestar é compreensível, pelo menos como legítimo desabafo, mas não basta para resolver os graves problemas patentes. Torna-se absolutamente neces-

sário integrar os legítimos protestos com sagazes e oportunas propostas, bem estruturadas, credíveis, válidas e exequíveis.

5 - Atitude Construtiva Expectante Os últimos resultados conhecidos sobre o sector Mundial das ROCHAS ORNAMENTAIS colocam em evidência uma situação estagnante, e nalguns casos mesmo de retirada, como sucedeu por exemplo em Itália e em Portugal, com mergulhos maiores ou menores. Esta realidade encontra-se relacionada com a crise da Economia do nosso Planeta, que arrastou consigo o descalabro da Edificação, principal utilizadora da pedra decorativa (75%). Contudo outros sectores colaterais acusaram perdas globais bastante mais acentuadas.

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O fiel da balança continua a ser a China, em medida ainda mais volumosa do que no passado, mercê da alta incidência de 26% na produção pétrea decorativa global, pouco inferior ao nível do intercâmbio, onde se verificam ulteriores incrementos, contidos em quantidade, mas mais notórios em valor, beneficiando de apreciável subida de preço médio. As coisas vão menos bem na Europa, designadamente em Portugal e em Itália, tendo aqui às perdas no âmbito das quotas de mercado vindo a juntar-se outras mais graves em números absolutos. Com espanto se constata que a Itália retrocede em quantidade. Não faltam contudo alguns sinais que permitem prever balanços futuros mais satisfatórios: antes de mais, importa referir o bom comportamento das tecnologias, e em particular das máquinas, que em 2008 manifestaram o incremento das exportações em qualidade e quantidade, confirmando que diversas empresas estrangeiras vêm aproveitando a oportunidade conferida pela estagnação para levar a cabo a sua indispensável modernização técnica e tecnológica, privilegiando a automatização computorizada. A Itália continua a beneficiar de altas cotações do seu produto acabado, bastante superiores ás de outros países, confirmando que a qualidade italiana continua a ser muito apreciada e em muitos casos preferida pela sua excelência. Os transalpinos esperam ainda que o declínio das suas vendas no mercado norte-americano não ultrapasse as quedas relativas e absolutas de outros grandes exportadores, como o Brasil nas rochas siliciosas e a Turquia nos travertinos . A sensação prevalente é que os negócios se limitam ao curto prazo, pondo de lado toda e qualquer programação a grande distância no tempo, dada a incerteza da evolução económica, actuando os empresários à defesa flexível, diremos mesmo elástica, que procura tirar o melhor proveito das oportunidades ainda agora oferecidas pelo mercado, devendo empenhar-se exaustivamente, em cada caso mais do que nunca, em conseguir algum proveito para acudir às carências de tesouraria.

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De resto, não é só a Itália que atravessa uma conjuntura crítica; idêntico fenómeno, embora com proporções diferentes, se verifica em Portugal e em Espanha; aqui existe uma forte queda nas vendas imobiliárias, da ordem de um milhão de unidades sem comprador, a edificação está paralisada, e o mercado interno atravessa a fase mais difícil dos últimos trinta anos, subindo o desemprego a mais de 4 milhões de trabalhadores, representando 18% da população activa, a taxa mais alta da União Europeia. Somente raros países podem vangloriar-se da posse de condições económicas semelhantes às exibidas pela China; no campo pétreo ornamental a Coreia do Sul e o Japão evidenciam a queda quase total da respectiva actividade extractiva e transformadora, em consequência da importação maciça de artefactos líticos chineses. Um velho adágio sustenta que a melhor defesa consiste no ataque, mas importa sempre saber se o adversário o consente. Se a desproporção de forças for grande, o adágio fracassa. Efectivamente trata-se de uma táctica ao alcance de poucos contendores; à parte a China, o maior extractor, o maior transformador, o maior importador, o maior exportador e o maior utilizador mundial de ROCHAS ORNAMENTAIS – mas por enquanto com um baixo “ratio per capita” - , apenas poucos povos podem seguir-lhes o exemplo, devendo destacar-se o Egipto, mercê de uma exportação de blocos (na sua maioria adquiridos pela China) em rápida ascensão; o Irão que dispõe de um mercado interno capaz de absorver a esmagadora maioria da produção; a Turquia, um dos maiores produtores mundiais de travertino, mármore e calcário sedimentar bastante apreciado. Também alguns países de segunda faixa progrediram, mercê de amplas e intensivas campanhas de prospecção, pesquisa, reconhecimento, valorização e aproveitamento de apreciáveis recursos geológicos com rochas de qualidade e em quantidade, não obstante as dificuldades do mercado. Atacar sem instrumentos adequados e capazes seria contraproducente, e equivaleria a fazer o jogo da concorrência; basta dizer que em Itália são muito


realçadas mesmo as armas promocionais, ainda que tratando-se das mais acessíveis, e que na melhor das hipóteses não vêm sendo utilizadas da melhor maneira, faltando adequada coordenação e assumindo um carácter individual e episódico, sem impacto global, desperdiçando não poucas das escassas disponibilidades. Por outras palavras, não restam muitas alternativas à defesa flexível, ainda que comportando o risco de deixar pelo caminho algumas vítimas de conhecido valor. Em todo o caso, torna-se necessária a posse de uma ampla visão estratégica, no sentido de que se revela imperioso para cada operador dotar-se de adequadas armas e bagagens em cada momento para poder aproveitar, da melhor maneira possível as oportunidades oferecidas pela retoma, que chegará mais cedo ou mais tarde. Torna-se então necessário pôr em prática planos unitários, encetar o diálogo construtivo com as esferas governamentais, construir a paz sindical, em oposição ao confronto demagógico e estéril, recuperar a dinâmica empresarial a cargo de gestores sagazes, competentes e experientes, capazes de planear, projectar, programar e combinar a melhor maneira possível os factores produtivos, e naturalmente de arriscar.

6 - Optimização da Produtividade Os custos continuam a subir sem interrupção, a começar pelos referentes à mão de obra e à energia, que representam a maior incidência no domínio da indústria pétrea. Pode dizer-se que actual conjuntura, sob este pronto de vista, não induziu consequências significativas, com algumas excepções que confirmam a regra, como a de alguns fretes marítimos nas grandes e longínquas rotas internacionais. Salários e facturas constituem uma variável independente agora mais do que nunca, realçando a marginalidade de bastantes empresas, e dando lugar, nos casos extremos, à terminação das relações de traba-

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lho e à suspensão dos fornecimentos. À parte os aspectos contraditórios que se podem verificar, não se descobrem alternativas fora do aumento dos preços ou do crescimento da produtividade. A revalorização das cotações pétreas, como comprovam os últimos resultados das exportações de artefactos por parte dos maiores países do mundo lítico, constitui uma estratégia já existente, que está mudando as opções precedentes, embora com as limitações impostas pela concorrência, não esquecendo nunca que em muitos casos se trata de ajustamentos aparentes, na medida em que escondem variações da composição dos lotes comercializados ou então simples flutuações cambiais, especialmente entre o Euro, o dólar e algumas moedas asiáticas. A intervenção mais viável consiste em recorrer à produtividade, mesmo se em diversos países bastantes empresas já adoptaram este expediente, procurando optimizar os rendimentos das máquinas, reduzir os tempos mortos, baixar a produção de resíduos, melhorar o manuseamento e promover transportes internos mais funcionais e mais rápidos, sem descurar a imprescindível qualidade do produto e a segurança. Em teoria são sempre possíveis novos espaços de melhoria, mas presumem elevados investimentos, que a actual conjuntura torna problemáticos, tanto mais quanto o desenvolvimento do controlo numérico computorizado e da automatização já fizeram enormes progressos, conduzindo a saltos de qualidade muito relevantes. Devem também ter-se presentes os avanços no campo da robótica. Aumentar a produtividade constitui um autêntico imperativo, mas no Sector Pétreo Decorativo, caracterizado por excessiva parcelização, bem comprovada por uma ocupação média que em Itália não ultrapassa os cinco trabalhadores por empresa como já referimos, encontra um limite objectivo na estrutura de um grande número de empresas artesanais, onde o desiderato vem sendo conseguido na maioria das vezes, pelo alongamento dos tempos de trabalho fabril, envolvendo o titular, os seus familiares ou os


sócios; também nestes casoscom manifestos limites, e não sem alguns riscos devido à excessiva confiança, ao facilitismo, ou à simples fadiga, especialmente na dura e penosa faina extractiva. O objectivo é alcançável através de uma maior utilização da capacidade produtiva das máquinas que no nossos SECTOR se apresenta alta, mas que na prática não pode ser total, por causa da especificidade de certas encomendas, executadas prioritariamente nas pequenas empresas. O mesmo pode dizer-se para a tendência de tirar o máximo proveito dos consumíveis e em primeiro lugar dos abrasivos e dos discos diamantados, ainda que com alguns problemas de compatibilidade das rochas a tratar, devido a possíveis defeitos de corte e de polimento. Afigura-se compreensível que a actual situação económica não permita cuidada e atenta reflexão e antes exija soluções de emergência, mas é também verdade que seria oportuno, usando uma linguagem bastante gasta, trabalhar em conjunto, fazer sistema, no sentido de tentar economias de escala, levando a cabo aquisições em comum de bens instrumentais e de outros factores produtivos em condições competitivas. Seria também muito útil governar o fenómeno sindical com acordos colectivos vincolantes pelo menos a nível sectorial; cuidar do acesso em grupo ao crédito bancário e confrontar-se com o poder financeiro em condições mais igualitárias; estudar e pôr em prática eficazes iniciativas promocionais de carácter global, pondo de lado meras acções individuais – embora por vezes válidas – e substituindo-as por trabalhos de grupo, associando-se convenientemente, sem o tradicional medo de favorecer a concorrência. Trata-se certamente de iniciativas de impacto por vezes reduzido quando consideradas individualmente, mas juntamente podem assumir reconhecida eficácia. É um facto que o futuro da Indústria das ROCHAS ORNAMENTAIS, particularmente nos países mais desenvolvidos, se joga sobre a capacidade de optimizara oportunidade, que de modo nenhum significa actu-

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ar sobre os tempos de depreciação do equipamento, descurar a segurança e o ambiente de trabalho, prescindir de adequada, permanente e exaustiva qualificação profissional em todo o ciclo produtivo, mais rigorosa nas pequenas unidades produtivas onde a osmose entre as obrigações é a regra. Pelo contrário, um rendimento maior pode ser alcançado através do conhecimento e da consciência de que existem sempre oportunidades para melhorar: por exemplo, com um diálogo mais frequente entre o industrial pétreo e o fabricante de máquinas, com a aquisição atempada de inovações tecnológicas que favorecem a competitividade, e por último, mas não o menos importante, com a efectiva unidade do nosso SECTOR; de facto a união faz a força.

7 - Pedra e Memória Definir o produto pétreo decorativo como especial, o que frequentemente acontece, é antes redutivo, ainda que as ROCHAS ORNAMENTAIS tenham todo o direito a tal qualificação. De facto os produtos líticos possuem a capacidade de conservar as suas excepcionais características tecnológicas ao longo de milhões de anos e de proporcionar à espécie humana um valor civil de inegável relevância e rara significação como o da memória. Com efeito estes materiais com um valor inestimável são protagonistas do futuro e constituem a prova de uma sugestiva história geológica verdadeiramente universal através dos fósseis que abundam nas rochas sedimentares, constituindo restos, rastos ou impressões de seres vivos animais ou vegetais, na maioria dos casos extintos. Ao mesmo tempo desempenham uma função insubstituível como instrumento de comunicação: sem as mensagens postas na parede muita informação sobre a Evolução da Humanidade ter-se-ia inevitavelmente perdido, uma vez que pode reviver nos objectos, nos sarcófagos, nos monumentos comemorativos e assim fornecer esclarecimentos acerca da nosso história que de outro modo seria impossível possuir, e de maneira iniludível.


Nos nossos dias o papel da comunicação torna-se ainda mais importante, valorizando ulteriormente o emprego da pedra, que tem sido facilitado através das prodigiosas conquistas da Ciência, da Técnica e da Tecnologia, a que atrás fizemos referência. Tenham-se presentes as obras de arranjo urbano e a dotação dos espaços verdes com elementos estruturais construídos com ROCHAS DECORATIVAS, com realce para bancos, fontes e mesmo algumas áreas de lazer para crianças e adultos, recantos de relaxação ou de gáudio, escorregadouros, taboleiros de xadrez – à semelhança da realização famosa de Marostica – e outros jogos ao ar livre, para além de pavimentos e o embelezamento de várias áreas de uso comum, em que se destacam as obras de arte e de bom gosto, como as estátuas. Também isto constitui um contributo para a memória dos momentos felizes, embora breves e bastantes raros, e para o prosseguimento de um estilo de vida à dimensão humana, cuja exigência, dada a actual era de competição é cada vez mais necessária. Tais utilizações do material pétreo decorativo, a que vêm juntar-se as de natureza funerária, em que a rocha acaba por perder o carácter estrutural para assumir o simbólico tornando-se matéria estritamen-

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te ligada à recordação, fazem dela um produto que deixa de ter qualquer valência anti-decomposição e estática. Pelo contrário, assume um conteúdo vivo e cheio de energia, inspirando-se, sob este aspecto, nalgumas grandes obras primas da arte plástica e na ideia de movimento contínuo. Cumpre acrescentar que estas realizações não são possíveis de levar a cabo sem planificação, projecto e programação bastante inteligentes e flexíveis, em que a exigência prática se coloque lado a lado com a decorativa, e sem uma execução profissionalmente empenhada, confiada a fábricas em condições de poder talhar com medidas rigorosas as peças especiais da estrutura ou do pavimento em mosaico. Requerem-se ainda equipas de assentadores competentes e escrupulosos; e sempre que necessário, instaladores – cortadores capazes de combinar a técnica e a criatividade. Trata-se de criar, basicamente, infra-estruturas de serviço público à disposição dos cidadãos, e assim de promover, juntamente com realizações conformes ao estado da arte,uma gerstão e uma manutenção óptimas geralmente a cargo da Administração pública. Está-se em presença de uma tarefa importante,


quer na perspectiva da memória, quer na exigência não somente cultural de chamar a sensibilidade comum para o apreço concreto de materiais como as rochas, autênticos, genuínos, únicos, inimitáveis e irrepetíveis produtos da Natureza, em condições de eliminar muita confusão, incerteza e desinformação, destruindo ineptos preconceitos. Ainda uma vez, o material pétreo decorativo, mercê de aplicações exclusivas de enorme relevância também a nível quantitativo para além do respeitante ao valor, pode comprovar a sua aptidão para levar a cabo realizações de índole funcional e decorativo, e ao mesmo tempo para prosseguir objectivos de desenvolvimento tanto mais actuais numa situação económica bastante difícil como a presente. Pensar que obras projectísticas e profissionais de prestígio como aquelas referenciadas possam vir a contribuir decisivamente para a substancial melhoria dos estilos de vida e prestar um bom contributo à memória das futuras gerações, é certamente admirável e sugestivo, e constitui uma prerrogativa praticamente exclusiva da pedra, e que precisamente por esta razão deve ser inteiramente cultivada, valorizada e aproveitada.

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Referências Bibliográficas 1 - BELATTI, Luciano – World Economic Recession and Repercussion in Stone Moment. <<International Stone Magazine>>, nº281, Settembre-Ottobre, 2009. 2 - DANESI, Renato – A Feasible Development. << I. S. Magazine,>> nº 281, Settembre – Ottobre 2009, Faenza (Itália) 3 - DAVINI, Pietro – Appropriate Plans of Action. << I. S. Magazine>>, nº 281, Settembre – Ottobre 2009, Faenza (Itália) 4 - GRECO, António – A Broad Strategic Vision. << I.S. Magazine>>, nº 281, Settembre – Ottobre 2009, Faenza (Itália) 5 - LOSI, Mattia – Increasing Productivity. <<I.S. Magazine>>, nº 281, Settembre – Ottobre 2009, Faenza (Itália) 6 - MARTINS, Octávio Rabaçal – Bases para o Desenvolvimento do Sector Pétreo Decorativo Mundial. Lisboa, Setembro de 2009. Em vias de publicação. 7 - MONTANI, Carlo – Stone 2009. World Marketing Handbook. Faenza Editrice, Faenza (Itália), 2009. 8 - MONTANI, Carlo – Importance of WORLD Stone Sector. <<I.S. Magazine>>, nº 281, Settembre – Ottobre 2009, Faenza (Itália). 9 - NAPOLI, Silvana – Stone Sector 2008. Italian Industry and International Trends. Internazionale Marmi e Macchine Carrara, S.P.A., Carrara 2009. 10 - PONCI, Roberta – Stone and Remembrance. <<I.S. Magazine>>, nº 281, Settembre – Ottobre 2009, Faenza (Itália).


Mercados Markets

ROCHA ORNAMENTAL PARA O MAGREBE Por Alfredo Martini, CRESME*

e infra-estruturais que devem começar em breve e uma afluência forte de capital estrangeiro, sobretudo da Índia e da China. Em comparação, o crescimento mundial está estimado em +3,3%. Nos últimos anos, o sector de construção civil vivenciou na África um boom constante: empurrado pelo formidável desempenho da economia e contando com grandes projectos e infra-estruturais, os investimentos nos últimos oito anos cresceram a um ritmo de +8,5%, alcançando uma receita de 167 bilhões de euros (341 euros per capita). Em 2008 o crescimento foi de 9,4%, o que é comparável a países como China (12,6%) ou Índia (14,9%). Em 2009, enquanto nos países industrializados foi observado um grave recuo nos investimentos (na Europa -7,9% e nos EUA -14,4%), e no conjunto da economia mundial um decréscimo de -2,6%, os números do “Sistema Informativo Mondiale sul mercato delle Costruzioni” (SIMCO), medidos até Outubro, apontam para um claro crescimento de 6% na África. O SIMCO é um sistema informático mundial focado no mercado da construção, administrado pelo CRESME. Para 2010 desenha-se, segundo esses prognósticos, uma aproximação da dinâmica verificada nos anos anteriores, da ordem de +7,6%. A razão de tal crescimento é investimento nos grandes projectos

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Em todos os países africanos em torno do Mediterrâneo, verificou-se uma extraordinária dinâmica no ramo da construção e mesmo a médio e longo prazo as perspectivas apresentam tendências positivas no que diz respeito aos investimentos. Isso vale não apenas para as obras de engenharia, que lucram com grandes projectos, mas também para a construção de imóveis privados, sobre os quais recaem um quarto dos investimentos na região. Para 2009 espera-se mais uma vez um crescimento acelerado na construção de imóveis privados. Entretanto, cuidado com os números: o crescimento prognosticado de +22% também se deve a uma queda de -14% em 2008. Sobretudo no Magreb, que compreende os países francófonos Marrocos, Argélia e Tunísia, o sector da construção civil registou entre 2007 e 2009 uma trajectória extremamente vivaz e movimentada. Junto com os extraordinários resultados do conjunto das nações norte-africanas, seus acordos económicos e a vindoura Zona de Livre Comércio Euro-Mediterrânica, a região oferece grandes condições para o sector de construções italiano e seus fornecedores.


dados preliminares do instituto estatístico italiano Istat apontam para um crescimento de +14% na exportação de pedras naturais em relação ao mesmo período no ano anterior. Esse crescimento contudo se deve exclusivamente ao aumento nos preços médios dos produtos, pois no que toca ao volume exportado houve um claro recuo de -36%. Atrás disso pode ser que se esconda um deslocamento de demanda na direcção de produtos de maior valor agregado.

Isso atinge especialmente o ramo de pedras naturais. Especialmente no sector de construção de imóveis privados … existe um tremendo potencial. Os produtores italianos devem olhar com grande atenção o mercado norte-africano não apenas em razão dos prognósticos positivos para a construção civil ou para a economia em geral, mas também porque ali já existem empresas italianas activas, que podem melhorar suas condições de sucesso em outros projectos. Isso se aplica especialmente aos países francófonos. As estatísticas de exportação comprovam que o sector já se movimenta nessa direcção e que já reconheceu o potencial do mercado magrebino. O valor das pedras naturais beneficiadas que rumam da Itália para o Magreb cresceu entre 2001 e 2008 em média +17% e alcançou a cifra de 55 milhões de euros. De fato, o índice de crescimento em 2008 correspondeu à média dos anos anteriores, mas mostrou um ímpeto menor do que em comparação com os resultados espectaculares de 2007 (+44% em comparação com 2006). Em relação ao volume, o índice de crescimento médio entre 2001 e 2008 foi de +13%. Para os primeiros sete meses do ano de 2009, os

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Para a indústria de pedras naturais Italianas o potencial de crescimento na África em torno do Mediterrâneo é ainda maior. Em 2008 toda essa região representou uma participação de 5% nas exportações de pedras naturais italianas. Para o Magreb especificamente o percentual dessas exportações foi de apenas 3,2%. A penetração no mercado africano até aqui manteve-se surpreendentemente pequena em relação ao enorme potencial do continente: dos pouco mais de 104 milhões de euros exportados para lá, 84% teve como destino essa região norte. Apenas 17 milhões de euros destinaram-se à parte subsaarianas. Esses dividiram-se sobretudo entre Nigéria, África do Sul, Guiné Equatorial e Senegal. Resumidamente, o Norte da África apresenta-se como uma região de grande potencial de crescimento económico e social, com um grande mercado de mais de 157 milhões de pessoas e um sector de construção de mais de 40 bilhões de euros. Esse sector cresce anualmente a uma média de +7%. A indústria de pedras naturais italiana, fomentada também pelo extraordinário sucesso na exportação para essa região nos anos recentes, deve olhar com mais interesse para o mediterrâneo africano, almejando uma diferenciação mais forte nesses países É possível afirmar que esses países sempre vão desempenhar um papel importante no plano internacional. Nesse contexto fundem-se por exemplo os acordos de 1995 da Conferência Euro-Mediterrânica, que determinaram para 2010 a criação de uma


zona de livre comércio na região. É possível que esse prazo não seja definitivo. Em todo caso, com cerca de 40 estados e 600 milhões de consumidores, essa zona de livre comércio representará uma das maiores regiões económicas do mundo. * CRESME é uma organização sem fins lucrativos que desde 1962 pesquisa o sector da construção civil.

NOTA DO EDITOR2: O mercado do Magreb é neste momento um mercado estratégico para Portugal e em especial para o sector da Rocha Ornamental Portuguesa. O Primeiro-ministro, Eng. José Sócrates, afirmou - Os países do Norte de África são para Portugal uma prioridade política e económica, num discurso na capital da Tunísia. A região representa 6.000 milhões de euros em exportações, 2% do total das vendas portuguesas ao exterior.

através da mobilização dos organismos oficiais e Instituições da sociedade civil, para se assumir como ponte no intercâmbio de conhecimentos, promoção de iniciativas e concretização de programas com vista a apoiar os esforços de desenvolvimento regional no Magrebe. Este papel não está limitado ao Estado e deverá essencialmente abranger todas as instituições da sociedade civil, nas mais variadas áreas de actividade e da investigação.” Para este papel destinado a Portugal a Facilidade Euro-Mediterrânica de Investimento e Parceria (FEMIP), é fundamental. E segundo as informações do Ministério das fianças: “A Facilidade Euro-Mediterrânica de Investimento e Parceria (FEMIP), criada em Outubro de 2002 e inserindo-se no mandato externo do Banco Europeu de Investimento (BEI), visa fundamentalmente a promoção do desenvolvimento económico e a estabilidade política e social dos Países Parceiros Mediterrânicos (PPM), incidindo a sua acção sobretudo no apoio ao desenvolvimento do sector privado e à criação de um ambiente favorável ao investimento. Estão abrangidos por este Instrumento os seguintes países: Argélia, Egipto, Faixa de Gaza/Cisjordânia, Israel, Jordânia, Líbano, Marrocos, Síria e Tunísia.

O Grupo de Estudo Euro-Med-Atlântico publicou um estudo denominado “O PAPEL DE PORTUGAL NO MAGREBE - UM CAMINHO PARA UMA PARCERIA EURO-MED-ATLÂNTICA” da autoria de Pedro Esteves1, este conclui que “Portugal reúne as condições,

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Relativamente às facilidades e instrumentos ao serviço da FEMIP, destacam-se: (i) o Mandato ENPMED, com garantia comunitária (2007-2013), (ii) a Facilidade para a Parceria Euro-Mediterrânica II, sem garantia comunitária (2007-2013), (iii) o envelope de capital de risco e assistência técnica, proveniente do orçamento comunitário (2007-2010), (iv) o Fundo de Assistência Técnica, e (v) o Trust Fund da FEMIP, com recursos provenientes das contribuições dos Estados-membros e da Comissão Europeia. A estrutura da FEMIP organiza-se da seguinte forma: (i) o Conselho Ministerial, de nível Ministe-


rial, reúne uma vez por ano, afigurando-se como um quadro formal de debate de reformas no que concerne ao desenvolvimento na região Mediterrânica; (ii) o Comité FEMIP, no qual estão representados os Estados-membros, os países parceiros e a Comissão Europeia, está incumbido de debater a estratégia da FEMIP e o relatório anual, bem como tecer opiniões e comentários relativamente à estratégia sectorial da FEMIP e à disponibilização de novos produtos financeiros; reúne 2 a 4 vezes por ano, desde 2007; e (iii) realizam-se igualmente algumas conferências temáticas, sobre questões consideradas relevantes para o desenvolvimento dos PPM.

(i) Empréstimos: em forma de (a) linhas de crédito concedidas aos parceiros financeiros do BEI a nível local para posterior afectação a investimentos de PME, na forma de empréstimos a longo prazo ou tomadas de participação, e (b) empréstimos individuais, para apoio ao desenvolvimento de infraestruturas nos PPM, com especial ênfase concedida ao crescimento do sector privado e à criação de um ambiente favorável ao investimento. A FEMIP poderá igualmente recorrer ao Envelope Especial FEMIP, enquanto mecanismo de apoio a operações de risco mais elevado do que o habitualmente aceite pelo Banco;

A FEMIP disponibiliza essencialmente três tipos de produtos:

(ii) Contribuições de capital, com vista a reforçar os capitais próprios das empresas e catalisar a par-

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ticipação de parceiros em co-empresas, e também para apoiar a implementação de fundos de investimento ou de fundos participantes locais; e (iii) Assistência técnica, baseada em dois instrumentos: (a) o FEMIP Support Fund, que visa apoiar projectos já previamente identificados, podendo este apoio ser providenciado nas várias fases do projecto, e (b) o Trust Fund FEMIP. O Trust Fund, cuja constituição data de 2004, visa sobretudo o desenvolvimento do sector privado nos PPM, incidindo a sua actividade no apoio a projectos que, dado o seu tipo, risco e dimensão, não se enquadram no tipo de operações financiadas com base em recursos do orçamento comunitário. O Trust Fund presta o seu apoio os PPM na forma de assistência técnica e estudos, bem como através de operações de capital de risco, em especial operações que envolvem micro financiamento, fundos para constituição de PME e micro empresas, sendo concedida particular atenção aos sectores financeiro, energia, água e saneamento, transportes e re-

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cursos naturais. No final de 2008, o montante total deste Trust Fund ascendia a EUR 34 516 milhões, tendo Portugal efectuado uma contribuição de EUR 1 milhão. A participação de Portugal, quer no Comité FEMIP, quer na Assembleia de Doadores do Trust Fund da FEMIP, é assegurada pelo Gabinete de Planeamento, Estratégia, Avaliação e Relações Internacionais, do Ministério das Finanças e da Administração Pública. Por seu turno, o Conselho Ministerial FEMIP conta com a presença do Senhor Ministro de Estado e das Finanças.” Membro do GEEMA. Mestre em Ciência Política e licenciado em Relações Internacionais. Entre os cursos de formação complementar, destaca-se o Course on International Security (1996) na University of St. Andrews (Escócia). Publicou trabalhos de investigação e proferiu palestras no âmbito do Centro de Estudos do Magrebe (CEMAG). Trabalhou no Magrebe, em especial em Marrocos e Argélia. Consultor. 2 Revista Rochas & Equipamentos 1


Entrevista Interview

ENTREVISTA DR. MIGUEL GOULÃO forma, isso obrigou-me a estabelecer contactos e a ganhar um maior conhecimento sobre o sector. Mais tarde, quando saí, fui convidado para ocupar o cargo de secretário-geral da ASSIMAGRA. O projecto era muito aliciante. Um novo e grande desafio. Hoje, aqui estou. E, quando olho para trás, vejo como é reconfortante todo o conhecimento que eu adquiri e como isso me permite ter uma abordagem em relação a muitos outros assuntos completamente diferentes dos que eu estava habituado a lidar. Tenho que reconhecer que este sector ensina-nos muito, aprendi muito, e quando chegar o dia de partir vou concerteza levar muitos amigos comigo, conheci gente notável neste sector, com grande capacidade, grande coragem e dedicação, aproveito para agradecer a todos aqueles, que todos os dias me ajudam neste percurso, que nem sempre tem tido dias fáceis. Miguel Goulão, Vice-Presidente da ASSIMAGRA, em conversa com a Rochas & Equipamentos, fala da importância da internacionalização do sector, do reconhecimento do Cluster e da necessidade de união para vencer os desafios. Rochas & Equipamentos – Pode contar-nos um pouco do seu percurso até assumir a vice-presidência da ASSIMAGRA? Miguel Goulão – Vou-me apenas cingir ao último ano antes de assumir funções de secretário geral na associação, e na realidade, eu pouco conhecia sobre este sector de actividade. Mas, enquanto ocupei o cargo de chefe do gabinete do secretário de Estado do Ambiente e do Ordenamento do Território, deparei-me com um conjunto de problemas que o sector vivia na altura, como, por exemplo, os licenciamentos de pedreiras, areeiros, Barreiros e afins. De certa

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R&E- Quais foram os objectivos que traçou para a ASSIMAGRA quando aqui chegou? Miguel Goulão – Bem, quando aqui cheguei, a minha principal missão foi concluir todos os projectos que a Associação tinha em mãos, estávamos em final de quadro comunitário de apoio, existiam compromissos, era importante cumpri-los. Depois dessa tarefa cumprida, à cerca de 2 anos começámos a organizar uma nova estratégia. Estratégia essa que começará a ser visível no decurso deste ano de 2010, visível na perspectiva dos resultados. E penso que quando o sector a apreender verdadeiramente vai sair mais fortalecido e capaz de enfrentar os grandes desafios da competitividade. R&E- Quais são os desafios que a ASSIMAGRA tem pela frente?


Miguel Goulão – Os desafios são muitos. A Associação tem parcos meios para fazer muita coisa ao mesmo tempo. E é por isso imperioso definir com muita clareza quais são as nossas prioridades. Necessitamos de recorrer a recursos externos para permitir a execução das nossas tarefas o que por norma sucede através dos quadros comunitários de apoio para termos uma ideia mais clara, os mesmos correspondem a 84% das receitas totais da Associação. Mas, sem dúvida, o primeiro desafio da Associação é representar o sector da pedra natural na sua globalidade, contribuindo para a satisfação dos nossos Associados, disponibilizando o que necessitam e preferem no mais curto espaço de tempo, criando valor e fazendo-o melhor que todos os outros. R&E – E quais são os projectos da Associação? Miguel Goulão – Entre muitos, talvez o mais importante, seja o projecto de internacionalização do sector da pedra natural. É um grande objectivo. Portugal tem que ganhar capacidade de exportar. Só assim teremos viabilidade. O nosso modelo de desenvolvimento económico não pode ser outro. E quando falamos de um sector que tem dentro de si, por exemplo, os mármores do Alentejo, que têm aceitação em todo o mundo. Um produto natural, com características únicas, com uma identidade muito própria. Que por isso à partida lhe confere uma competitividade enorme, não poderemos deixar de ter outra postura que não o de apoiar fortemente a internacionalização do Sector. Mas isto confere-nos depois outra responsabilidade que é a da sustentabilidade ambiental. Este, outro grande desafio do Sector, e que tem merecido da nossa parte uma atenção enorme. Confesso que tenho um sonho que gostaria de concretizar, ajudar o sector a não ter desperdícios. E acredite que acho que é possível tal desiderato. Mas para que isso aconteça, teremos que ter a capacidade de valorizar aquilo que hoje é considerado um resíduo no sector, para isso importa valo-

rizar toda a fileira da pedra da forma mais correcta, fugindo ao modelo tradicional de a montante a exploração para efeitos ornamentais e a juzante a exploração para efeitos indústrias e ponto final tudo o resto é desperdício e vamos deixando-o amontoado sem ter a capacidade de o valorizar. Esse é sem dúvida um grande desafio que o Sector terá que vencer. Temos dado alguns passos decisivos nesse caminho, hoje o sector tem já constituídas 3 entidades gestoras de resíduos, mas ainda existe um longo caminho a percorrer, e é precisamente aí que nos encontramos actualmente na busca de soluções inovadoras para a resolução destes problemas, estou em crer que em breve teremos boas novidades, mas não queria ainda adiantar muito sobre as soluções que estamos a estudar para implementar. R&E- Além da internacionalização e do ambiente, quais são os outros projectos? Miguel Goulão – Como sabe, somos um sector fortemente consumidor de energia eléctrica, gostaríamos de ser olhados como um sector que se preocupa em encontrar soluções alternativas ao actual paradigma de consumo de energia. É por isso que estamos neste momento, a elaborar um estudo que visa conhecer o modelo de fornecimento energético do sector, através de medições de consumo e comportamento das maquinas mais usuais na indústria, de modo a termos a factura de consumo energética do sector. Assim, teremos em mãos mais uma ferramenta para avaliar uma alternativa de energias de fontes renováveis que se apliquem melhor ao sector da pedra. No final do ano, o estudo estará concluído. Também, não posso deixar de falar de uma grande vitória que o sector alcançou. A aprovação do Estatuto Reconhecimento do cluster do sector da pedra natural, que dessa forma, pretende dinamizar e promover todas as actividades com ele relacionado. Temos consciência que não temos a dimensão

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e o apoio que outros sectores têm. Mas tivemos a capacidade de conseguir um reconhecimento que nos dá condições de mostrar que o nosso sector é fundamental para a economia portuguesa. Este processo de reconhecimento do Cluster é uma ferramenta fundamental para requalificar e reorganizar o sector.

jo também ele necessita de uma particular atenção, até porque um Alentejo pujante e forte significa um sector mais capaz de corresponder aos desafios da competitividade, estou profundamente convencido que o Mármore do Alentejo vai conhecer de novo os tempos áureos, dos quais todos temos saudades, uns por umas razões outros por outras.

O Cluster da Pedra Natural foi o resultado da concertação estratégica de todos os actores que intervém directa ou indirectamente no Sector da Pedra Natural, foi sem sombra de dúvidas uma das grandes virtualidades da estratégia delineada para esta vitória.

R&E - Qual é a percentagem das empresas no Alentejo associadas à ASSIMAGRA?

R&E - Acha que o Alentejo precisa de uma atenção especial da ASSIMAGRA neste momento? Miguel Goulão - Não só o Alentejo. Pêro Pinheiro, por exemplo, está a atravessar uma crise tremenda e aí com maior dificuldade por parte da nossa intervenção porque o quadro comunitário não apoia projectos desenvolvidos nesta região. Portanto, tudo que quisermos desenvolver em Pêro Pinheiro tem que ser financiado pelas empresas. O sector da pedra natural é muito específico com questões de impacto ambiental muito próprias. Pêro Pinheiro precisa de uma zona industrial que requalifique todo o sector. Podemos criar condições de requalificar o sector. Através de uma política de ordenamento do território adequada em Pêro Pinheiro consegue-se financiar o sector. Por outro lado urge criar uma zona de protecção ao Lioz sob pena da construção desmesurada se encarregar de acabar com o que ainda existe. Outra zona à qual temos dado particular importância é a zona das serras de Aire e Candeeiros, no que concerne a toda a política de ordenamento do território, temos tido uma intervenção muito forte, penso que claramente reconhecida pelo sector. Mas voltando à sua questão, é óbvio que o Alente-

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Miguel Goulão – Posso dizer-lhe que, das pedreiras em funcionamento no Alentejo quase todas são nossas associadas. Ao nível da transformação isso não se verifica. Há um conjunto de empresas de dimensão diminuta que não é associada da ASSIMAGRA. R&E- Qual é a relação que a ASSIMAGRA mantém com as empresas do Norte? Miguel Goulão – A Associação não tem uma Delegação no norte do País e essa ausência ditou um afastamento entre nós. Para que as relações fossem melhores era fundamental estar lá. A ASSIMAGRA tinha um selo de ser uma associação do Sul e tinha razão de ser. Agora, ao iniciarmos este novo ciclo, acredito que vai ser possível criar um processo de aproximação entre todos. É provável, que com este projecto de internacionalização se consiga estabelecer uma primeira relação e ultrapassar as barreiras. Com a ANIET, isto tem vindo a ser alcançado, e, temos, inclusive, trabalhado em projectos comuns. Mas, há ainda um longo caminho a percorrer porque existem outras associações. E a essas ainda não chegámos lá. Mas, no futuro, creio que alcançaremos a unidade do sector da pedra natural do ponto de vista associativo. R&E - Acredita numa futura fusão entre a ASSIMAGRA e a ANIET? Miguel Goulão - Estou certo que uma união en-


tre as Associações serve melhor o sector. Embora sejam duas realidades completamente diferentes. A ANIET representa sobretudo o ramo industrial e mineiro, e nós, ASSIMAGRA, a rocha ornamental. Este processo de fusão visará a melhoria da qualidade dos serviços prestados aos associados. Juntos, passaremos a representar todo o conjunto da indústria extractiva e transformada em Portugal, com uma maior capacidade de influenciar, de corresponder melhor assim às expectativas dos Sector. Penso que o sector merece uma maior capacidade de intervenção, e estou certo que essa fusão a acontecer, ajudará nesse desígnio, se os associados da ASSIMAGRA o desejarem, estarei na primeira linha dessa união. R&E - Qual é a análise que faz sobre a Lei das Pedreiras - Decreto-Lei 340/2007 de 12 de Outubro?

uma certidão que garanta que numa futura revisão de PDM´s, aqueles locais vão ser alterados para a indústria extractiva. Mas, para tal acontecer, é necessário criar as condições para que o ordenamento seja modificado, e aí estamos a trabalhar de uma forma integrada e com uma estratégia clara que penso que já tem dado os seus frutos, mas que no médio prazo, esses frutos serão muito mais evidentes. R&E - Que mensagem deixa aos empresários do sector da pedra? Miguel Goulão - Somos um sector que tem que olhar para os problemas em conjunto. Temos que ter uma capacidade de união para vencer os desafios. Gostaria que Associação pudesse ser esse veículo de união, com um objectivo em mente “ganhar hoje e vencer sempre” para que todos ganhem todos os dias.

Miguel Goulão - A lei tem um princípio muito positivo. Este diploma prevê a compatibilização do ordenamento do território com o estatuto da actividade. O nosso sector depende, como é do conhecimento de todos, do ordenamento do território em grande medida. Mas, os instrumentos de gestão do território estão desactualizados, caducos. Aquilo que tem acontecido, na prática, e não são alguns casos pontuais, com esta nova adaptação, é que muitas das pedreiras ultrapassaram os limites concessionados, com necessidades efectivas e prementes de adaptação a um novo ordenamento para o território, que infelizmente urge em entrar na ordem do dia das entidades competentes. Na prática e em suma o sector não encontrou neste decreto-lei a ajuda que necessitava, e que se pressuponha no inicio de todo o processo, por isso o balanço que faço é muito negativo. O que temos feito, para ultrapassar tais situações, é no caso a caso, o que nem sempre é a melhor solução. Uma possível solução, para este impasse, é a criação de uma licença provisória com base em

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Empresas Companies

EUROGRANIPEX “Achamos que o sector pode ser mais atractivo se houver uma maior união entre as empresas de pedras visando a projecção internacional.” Armando de Sousa A revista Rochas & Equipamentos foi conhecer a Eurogranipex, filial europeia do Grupo GranipexArar, o grupo com sede localizada no Rio de Janeiro, próximo do porto como o nome da cidade é um dos maiores portos do Brasil, o grupo apresenta-se com um eficiente programa de logística que distribui os seus materiais para todo o mundo. O grupo é sinónimo de qualidade e beleza dos produtos que exporta para o mundo inteiro. Ardósias, Quartzitos, Granitos e pedras naturais brasileiras.

O Grupo Granipex ARAR foi fundado em 1968 por um jovem imigrante português, Arlindo de Sousa, que foi para o Brasil e atraiu-se com a diversidade de rocha ornamental brasileira. Abriu uma empresa de comércio de pedras para revestimento na cidade

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do Rio de Janeiro. Com a expansão dos negócios, investiu em pedreiras próprias, consolidou-se no mercado interno e externo e é hoje uma das principais exportadoras de ardósias e quartzitos brasileiros. Exporta para mais de 35 países, nos cinco continentes, e continua em constante crescimento e escolheu Portugal para abrir sua primeira sede fora na Europa. O grupo possui de momento 8 pedreiras e 3 unidades industriais – uma em Felixlândia, uma em Caxambu e uma em Congonha do Norte, todas no Estado de Minas Gerais, Brasil - e um escritório central na cidade de Rio de Janeiro. Contamos agora com uma nova pedreira de quartzitos que vai lançar a linha dos quartzitos Savanah e Platinium. Para melhor conhecer a Eurogranipex e a sua estrutura, conversámos com o Sr. Armando de Sousa, vice-presidente do grupo.


R&E – Que filosofia segue a empresa? Armando de Sousa - A filosofia do Grupo Granipex-Arar, é oferecer um produto de alta qualidade, com serviço, que garanta a satisfação total do nosso parceiro comercial. Toda linha de trabalho é dirigida e efectuada por pessoal altamente qualificado e uma linha de equipamentos moderna de maneira a responder a todas as exigências do mercado. Todo o material é embalado com madeira Pinus Elliotis, proveniente de programas de reflorestamento. Possuímos ainda um programa de restauração ambiental, num compromisso com o meio ambiente. O nosso grupo tem muito orgulho de como se posiciona perante a responsabilidade social. Para além de acções sociais junto de creches de comunidades carentes no Rio de Janeiro, promovemos eventos educacionais para a comunidade em Minas Gerais, como concursos de redacção, bolsas de estudo e a organização de eventos desportivos. Criando uma sinergia na comunidade que nos serve, dos nossos empregados e suas famílias, pautando por uma gestão familiar transparente mas sempre pró-activa na identificação das necessidades do mercado.

Temos a sensibilidade para retribuir à natureza uma parte do que ela nos fornece. O grupo possui hoje uma reserva ecológica de 150 hectares, não utilizamos produtos químicos na extracção e transformação das pedras naturais e os líquidos

resultantes passam por um processo de reaproveitamento e reciclagem. Mais de 80% da água utilizada é reaproveitada através de uma bacia de decantação. Os detritos de quartzito são todos reaproveitados e parte são doados para o município local para melhoramentos de ruas e calçadas. R&E - O que os levou a criar a Eurogranipex? Armando de Sousa – A Eurogranipex foi criada para melhor atender a necessidade dos nossos clientes e do mercado que cada dia mais precisa de um stock permanente para entregas rápidas e manter ao alcance do cliente toda variedade de cores, tamanhos e acabamento dos nossos produtos e divulgação de toda linha de nossos produtos. Através do nosso armazém na Venda do Pinheiro, Lisboa, interagimos com os nossos clientes, damos o suporte técnico e alternativas para todos projectos, além de apresentar soluções de logística desde a nossa pedreira para toda a Europa ou mesmo para todo o mundo.

R&E – Que materiais e produtos agregam o leque de oferta da Eurogranipex? Armando de Sousa – A Eurogranipex conta com uma larga gama de materiais, no leque actual de ofertas posso mencionar as Ardósias de cor verde, vinho, preta, cinza, multicor e exótica; Quartzitos amarelos, rosa, verde e branco; contamos ainda com o Gnaisse, Pedra Sabão, Calcários e temos ainda um a Morayma ou Morisca. Produzimos ladrilhos, chapa, telhas, peças cut

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to size, pavimentação vária e cacos. Com todos os tipos de acabamento disponíveis no mercado e material calibrado, produzimos e exportamos ardósias de alta qualidade de acordo com as normas internacionais.

R&E - O que deferência neste momento a Eurogranipex? Armando de Sousa - Controlamos todo o processo dentro de nossa empresa, desde a pedreira, transformação, acompanhamento logístico na saída do material nos portos Brasileiros e a chegada da carga na Europa, através do Porto de Lisboa, garantido assim a qualidade total dos produtos e serviços. R&E - Porquê neste momento e porquê Portugal? Armando de Sousa - Esse projecto de expansão para Europa já existe a algum tempo, mas vimos nesse momento de crise actual no sector, uma oportunidade para avançar, já que através da Eurogranipex oferecemos um stock permanente aos nossos parceiros, podendo assim contribuir para a redução de custo e desenvolvimento de novas oportunidades de negócio. Porque Portugal? Para os empresários Brasileiros, Portugal é a considerado a porta de entrada da Europa, por ser um país magnífico com laços muito fortes com Brasil, além de ter uma grande tradição no sector de pedras com reconhecimento mundial. R&E – Que dificuldades observaram até ao momento e quais têm sido a as vantagens? Armando de Sousa - As dificuldades foram mais no sentido da crise mundial no sector do que real-

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mente em estabelecer o negocio. A grande vantagem de estar em Portugal, é estar em um sector de rochas ornamentais muito desenvolvido, com grande tradição e experiencia na transformação, pelo que já estamos construindo forte parcerias. R&E - O que falta para este ser ainda mais atractivo, na sua opinião? Armando de Sousa - Achamos que o sector pode ser mais atractivo se houver uma maior união entre as empresas de pedras visando a projecção internacional. Também é necessário desenvolver novas tecnologias para que, cada vez mais, consigamos através da Pedra Natural, criar oportunidades para uma arquitectura sustentável. R&E - Como tem sido a resposta do mercado europeu aos vossos produtos? Armando de Sousa - As pedras Brasileiras tem uma grande aceitação na Europa que já importa esses materiais a muitos anos e o mercado tem se mostrado crescente. R&E – É vosso objectivo no futuro transformar os vossos materiais em Portugal? Armando de Sousa - O nosso projecto na Europa através de Portugal é fundamentalmente de distribuição e divulgação de nossos produtos e desenvolver parcerias com empresas de transformação.


R&E - Qual a vossa resposta em termos de encomendas? Armando de Sousa - Estamos atentos as todas as oportunidades, desde os projectos de arquitectura aos stocks dos nossos parceiros e procuramos nos antecipar às necessidades de materiais reduzindo assim o tempo de entrega.

R&E - Além da Europa, têm em mente outros mercados? Armando de Sousa - Além do projecto comercial na Europa, temos ainda como projecto a divulgação e exportação de pedras Portuguesas para as Américas, Ásia e África.

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R&E – Para findar a nossa entrevista gostaria de saber como antevêem o futuro do sector a nível global nos próximos anos, qual será a vossa estratégia? Armando de Sousa - Acreditamos que nos próximos anos haverá uma “retomada” no sector imobiliário mundial com destaque para o Brasil e nossa estratégia e estar cada vez mais próximos da necessidade dos clientes e das grandes oportunidades. Para tal assumir um serviço de excelência na satisfação de nossos clientes e apresentação de soluções sustentáveis.


Boas Práticas Best Practices

CANAL ABERTO Coordenação: A. Casal Moura Colaboração: Laboratório do INETI e Cevalor

Estou com dificuldades em elaborar o Manual de Controlo da Produção em Fábrica que me é exigido pelas actuais disposições legais. Poderá indicar-me que rubricas deverei contemplar? Um esquema orientativo para a estrutura de um Manual de Controlo da Produção em Fábrica aplicável à pedra natural é o seguinte: − Disposições gerais − Organização − Responsabilidade, autoridade e competências − Gestão da produção − Diagrama(s) de produção − Controlo das matérias-primas em bruto − Controlo do equipamento de produção − Processo de produção − Inspecções e ensaios de controlo − Generalidades − Os ensaios e o equipamento de ensaio − Frequência das verificações de controlo e dos ensaios − Controlo de documentos e registos − Controlo de produtos não conformes − Marcação CE e rotulagem O Manual não obedece a uma redacção rígida, até porque será variável consoante o estabelecido em cada Norma de produto, mas, no entanto, deve focar o seguinte: − Disposições gerais Neste ponto deve ser referido o objectivo e âmbito de aplicação do manual e convém constar uma breve descrição das instalações, o que se produz e como se produz e uma representação esquemática do “lay-out” da fábrica. As páginas do Manual devem ser autenticadas com a rubrica do responsável máximo. − Organização Apresentar um organigrama funcional que contenha os diversos níveis de responsabilidade e indicar o principal responsável pelo controlo da produção. − Gestão da produção - Indicar o(s) Diagrama(s) de produção; - Identificar o Pessoal ao serviço em cada sector, respectivas atribuições e os responsáveis sectoriais; - Indicar os Procedimentos para o controlo das matérias-primas em bruto e da sua origem; - Indicar o(s) Procedimentos para o controlo do equipamento de produção (manutenção e regulação do

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equipamento); - Descrever as diversas fases de produção, bem como as verificações a realizar em curso de produção e nos produtos acabados. − Inspecções de controlo e ensaios Este capítulo deve conter as seguintes rubricas: − Generalidades, onde, para além da enumeração das acções de inspecção e dos ensaios de controlo, deve ser indicado quem está habilitado para as realizar; − Frequência mínima dos ensaios de tipo inicial, em conformidade com as indicações fornecidas em cada uma das Normas de produto, e indicação de quem os realiza; - Procedimentos para verificações e ensaios durante a produção, tendo em conta as Frequências mínimas das amostragens, das verificações de controlo e dos ensaios indicadas nas secções das Normas de produto que tratam do Controlo da Produção em Fábrica; - Equipamento e aparelhagem existente para ensaios e designação do pessoal habilitado para efectuar cada um dos ensaios requeridos. O equipamento e a aparelhagem devem ser identificados, periodicamente calibrados e utilizados de acordo com procedimentos documentados. − Controlo de documentos e registos Deste capítulo deve constar: - O Arquivo dos registos das calibrações do equipamento e da aparelhagem de ensaio; - O Arquivo dos registos dos resultados do Controlo da Produção em Fábrica, com a informação dos sectores onde se realizou cada amostragem, a data, a hora e os produtos ensaiados, tal como quaisquer outros factos relevantes, mas, pelo menos, o seguinte: a) identificação do produto ensaiado; b) informações sobre a amostragem: - local e data e hora da amostragem; - identificação do lote da produção amostrado; - frequência das amostragens; - formato e quantidade de elementos amostrados; c) métodos de ensaio utilizados; d) resultados dos ensaios efectuados. - Os Procedimentos com vista à conservação dos registos pelo menos durante o período de tempo fixado pelos regulamentos vigentes (normalmente um mínimo de 2 anos para os registos de produção e inspecção e de 5 anos para os registos de transacções); - As Acções empreendidas caso o produto inspeccionado ou ensaiado não satisfizer os requisitos prefixados (por exemplo, a adopção de medidas correctivas para alterar o processo de produção, seguidas da repetição da verificação ou do ensaio (ou dos ensaios) em que foi detectada a não conformidade: - O Registo e tratamento de eventuais reclamações. − Controlo de produtos não conformes Este capítulo deve conter: - O Registo de todos os casos de não conformidade, da investigação da causa e da decisão tomada (reprocessar os produtos, reclassificá-los ou rejeitá-los); - Os Procedimentos de identificação inequívoca e de controlo das existências de produtos não conformes ou reclassificados. − Marcação CE, rotulagem e armazenagem

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Este capítulo engloba: − Os Procedimentos para marcação, rotulagem e embalagem de acordo com as indicações fornecidas na secção pertinente da Norma de produto aplicável; - Os Procedimentos para o controlo dos produtos durante a armazenagem (por exº, para verificar se o produto se deteriorou ou não) e para assegurar a rastreabilidade dos produtos armazenados (pelo menos o conhecimento da(s) data(s) de fabrico e as quantidades existentes). Sublinha-se que, entre os requisitos para o Controlo da Produção em Fábrica de todas as Normas dos produtos de construção em pedra, também está incluído o controlo das características do aspecto através de exame visual (comparação com uma amostra de referência), a realizar em cada lote produzido. Embora seja uma tarefa que, certamente, irá dar algum trabalho, estou certo que a redacção do Manual estará ao seu alcance porque já possuirá disposições internas para o cumprimento de muitas das rubricas referidas. Bastará enquadrá-las devidamente no documento!

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Informação Information Guia de Aplicação de Rochas em Revestimentos

Na última edição da feira de Vitória, no Brasil, foi apresentado o “Guia de Aplicação de Rochas em Revestimentos”, obra da autoria dos geólogos Cid Chiodi Filho e Eleno de Paula Rodrigues, que visa uma melhor aplicação e utilização da rocha ornamental. Uma obra que vem no seguimento do que vem sido publicado em Portugal através de várias obras publicadas pelas instituições Portuguesas, realçando, o “Manual da Pedra Natural para a Arquitectura”. A obra abraça o universo de Pedra Natural brasileiro, que como sabemos além de extenso, é também único em características e diversidade. Num momento em cada vez mais, ambos os paí-

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ses estabelecem pontes comerciais dentro do sector, esta obra é fundamental para as empresas portuguesas que pretendem trabalhar com materiais brasileiros, sendo que, a obra apenas foi editada na língua portuguesa. Cid Chiodi Filho, um dos mais reconhecidos consultores do sector no Brasil, com um largo curriculum de obras, estudos e inúmeros projectos técnicos, faz o resumo de uma obra, que, não só vai de encontro ao perfil de conhecimento e estratégia do empresário brasileiro, mas é também, uma ferramenta para o empresário português que deseja trabalhar este leque de produtos. “…os materiais rochosos naturais notabilizam-se pela diversidade e beleza de seus padrões estéticos. Tais padrões são resultantes da interacção de diferentes estruturas (desenhos/movimentos), texturas (dimensão e arranjo dos cristais constituintes) e feições cromáticas (dependentes da mineralogia e quimismo da rocha). Mesmo as rochas mais resistentes, a exemplo de qualquer outro material sólido utilizado em revestimentos, não estão, contudo, isentas de agressões físico-mecânicas e químicas, incidentes nos diversos ambientes de aplicação. As principais patologias dos revestimentos referem-se a manchamentos, eflorescências, fissuras e desgaste abrasivo, manifestados tanto pelo contacto com produtos de limpeza, alimentos, bebidas, cosméticos, tintas, óleos, graxas, etc., quanto pela poluição atmosférica, inclusive chuvas ácidas. As patologias não são usualmente decorrentes de problemas ou deficiências da própria rocha, mas sim da sua inadequada especificação aos ambientes desejados e técnicas incorrectas de aplicação nesses ambientes. A maior parte das patologias pode ser, portanto, prevenida mediante conhecimento das propriedades tecnológicas das rochas e selecção de argamassas de assentamento e rejuntamento. São também importantes a adopção de técnicas apropriadas de aplicação, o manuseio e acondicionamento controlados das peças na obra, procedimentos sistemáticos de limpeza e, quando devido,


as recomendação de uso de produtos impermeabilizantes e/ou selantes. A obra objectivada compõe uma referência auxiliar para a correcta especificação, aplicação e conservação das rochas de revestimento, colocando-se como um guia para fornecedores, especificadores, construtores e consumidores finais. As indicações e recomendações expressas foram compiladas de diversas normas e trabalhos publicados, no Brasil e exterior, reflectindo o conhecimento comum existente a respeito do tema enfocado.” Não queria deixar de agradecer ao Dr. Cid pelo agradecimento público que fez na cerimónia de apresentação à Revista Rochas & Equipamentos e à minha pessoa, pela colaboração a esta obra e deixar aqui patente, que a mesma estará sempre disponível.

DriveConfigurator – O novo configurador online da SEW-EURODRIVE

Fig. 1 – DriveConfigurator (Ferramenta Online) O projecto e configuração de arquitecturas de accionamento constituem um autêntico desafio. Nem os mais elevados níveis de competências técnicas e de experiencia podem prevenir na sua totalidade erros e mal entendidos. O novo DriveConfigurator da SEW-EURODRIVE é uma ferramenta online eficiente que torna o processo de configuração de accionamentos mais rápi-

do, simples, e, acima de tudo, prático. O DriveConfigurator da SEW-EURODRIVE está acessível directamente a partir do portal de clientes DriveGate (www.drivegate.biz/com/). Disponível sem custos e para uso sem restrições, o DriveConfigurator oferece funções práticas e inovadoras, com design amigável e inovador. Para aceder a esta ferramenta, o utilizador simplesmente tem que entrar na DriveGate e seguir directamente o procedimento usando a função “new login”. São necessários poucos passos para usufruir sem quaisquer restrições de toda a funcionalidade do DriveConfigurator. Adicionalmente, o DriveGate da SEW-EURODRIVE disponibiliza muitas outras ferramentas, designadamente para projecto e uma extensa gama de documentos. Graças à concepção lógica e a operação intuitiva, o DriveConfigurator é a ferramenta ideal para a criação e verificação profissionais de configurações de accionamentos. São disponibilizados desenhos, listas de peças e uma abrangente gama de documentos para todos os componentes seleccionados, sejam eles motores, moto-redutores, Conversores de Frequência ou Variadores Tecnológicos. Toda esta informação pode ser livremente descarregada e usada em qualquer projecto de clientes. Uma das maiores vantagens do DriveConfigurator da SEW-EURODRIVE é o facto de oferecer uma opção para rápida verificação de plausibilidade. Esta abrange a verificação online dos accionamentos, a funcionalidade e viabilidade de construção. Pode também ser feito um pedido de cotação online, possibilitando ao utilizador uma visão clara da configuração e total transparência de custos. Todas as ferramentas disponibilizadas no DriveGate (incluindo o DriveConfigurator) podem ser combinadas. Cada elemento compreende uma solução enquanto que, a combinação de vários módulos cria um package completo de soluções que pode ser usado para optimizar processos internos com a máxima eficiência.

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O autor Ernesto Matos lança nova obra sobre a Calçada Portuguesa Projecto de 264 páginas, capa dura e sobrecapa faz um levantamento generalizado aos principais empedrados em calçada portuguesa no território de Macau, incluindo a Taipa e Coloane. Além de um excelente registo fotográfico o autor recolhe ainda um conjunto de elementos que se centram no impacto que estes verdadei-

ros tapetes de calçada fizeram na cultura tradicional do território, nomeadamente na numismática, filatelia, lai-sis, postais, etc. Este livro prefaciado pela Dra. Ana Paula Laborinho, está traduzido nos seus principais textos para inglês e chinês. Além de textos do autor conta ainda com a colaboração literária de Jorge Arrimar, António Correia, Alberto Estima de Oliveira, Lao Zi, Confúcio, Maria Anna Acciaioli Tamaginini e de Pedro Miranda Albuquerque. O livro foi lançado no dia 6 de Abril, em conjunto com a inauguração da exposição “Calçada Portuguesa de Macau”, este foi o tema da exposição fotográfica realizada pela Delegação Económica e Comercial de Macau e o Centro de Informação e Promoção Turística de Macau integrada no ciclo “Sentir Macau”, que foi inaugurada no espaço de exposições do Centro de Informação e Promoção Turística de Macau. Esta exposição foi composta por 17 fotos da autoria de Ernesto Matos. A obra está disponível nas principais livrarias do país.

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Gestão dos resíduos das indústrias extractivas

Através do Decreto-Lei n.º 10/2010, de 4 de Fevereiro, os responsáveis por explorações de depósitos e massas minerais passam ter de cumprir novas regras relativas à gestão dos respectivos resíduos, a partir de dia 19 deste mês, data em que entra em vigor o regime que transpõe para Portugal uma directiva comunitária nesta matéria. Por seu lado, os operadores das instalações de resíduos têm que se adaptar às novas obrigações que lhe são impostas até 1 de Maio de 2012. Este novo regime revoga o regime anterior, de 1999, e estabelece medidas de prevenção, valorização e deposição final dos resíduos em condições adequadas de estabilidade, segurança, integração

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no meio envolvente e de protecção do ambiente e da saúde pública, obrigando os operadores a assegurar que essas condições são cumpridas, mesmo depois do encerramento das instalações de resíduos. Refira-se que quando estejam integradas em explorações de depósitos minerais e de massas minerais, as instalações de resíduos são autorizadas no próprio licenciamento dessas explorações. No entanto, este licenciamento integrado não substitui o necessário título de utilização de recursos hídricos. O licenciamento de instalações de resíduos está sujeito ao pagamento de taxas, a fixar pelo Governo, relativas à aprovação do projecto, emissão da licença, vistorias realizadas e reavaliação e actualização da licença. As entidades licenciadoras divulgam nos respectivos sites os valores destas taxas em vigor para cada ano. Actividades abrangidas: 1. O regime aplica-se à gestão dos resíduos resultantes directamente da prospecção, extracção, tratamento, transformação e armazenagem de recursos minerais, bem como da exploração das pedreiras. 2. Aplica-se também às antigas áreas mineiras degradadas e abandonadas. A Direcção-Geral de Energia e Geologia vai inventariar estas instalações em todo o país até 1 de Maio do próximo ano, para


lhes aplicar um plano de reabilitação de acordo com as novas metodologias e técnicas disponíveis. 3. Não se aplica aos resíduos resultantes da prospecção, extracção e tratamento de recursos minerais, ao largo, abrangendo a zona de mar e do fundo marinho que se estenda para além da linha de baixa-mar das marés normais ou médias, nem à injecção de água e reinjecção de águas superficiais bombeadas. Operadores responsáveis pela gestão de resíduos: 1. É proibido o abandono, a descarga ou o depósito não controlado de resíduos de extracção. 2. Todo o sistema se baseia na adopção e implementação de um plano de gestão de resíduos de extracção do qual constam as medidas necessárias para a prevenção e valorização dos resíduos, monitorização e minimização dos seus impactos, bem como na obrigatoriedade de ter os meios financeiros

para suportar todos os encargos decorrentes. 3. O responsável pela gestão dos resíduos de extracção é o operador, pessoa singular ou colectiva que deve assegurar o cumprimento das regras durante a armazenagem temporária dos resíduos, bem como nas fases de funcionamento e de pós-encerramento da instalação de resíduos. 4. É ao operador que cabe elaborar o plano de gestão de resíduos, obrigatoriamente revisto a cada cinco anos, cujas exigências aumentam em função do tipo de resíduos ou perigosidade de substâncias neles contidas. 5. Este plano tem de garantir a eliminação segura dos resíduos de extracção no curto e no longo prazo, tendo particularmente em conta, durante a fase de projecto, o modelo de gestão a observar durante o funcionamento e no pós-encerramento da instalação.

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6. Deve também conter as medidas preventivas a tomar, os procedimentos de controlo e monitorização, e o plano proposto para o encerramento, incluindo reabilitação, procedimentos pós-encerramento, monitorização posterior e encargos financeiros. 7. É ainda o operador quem tem de garantir que a instalação de resíduos é construída no local mais adequado e satisfaz todas as exigências. 8. A monitorização e inspecção regular às instalações de resíduos cabe ao responsável técnico no caso de explorações de massas minerais, ou ao director técnico, no caso de explorações de depósitos minerais. 9. Uma instalação de resíduos só pode iniciar o procedimento de encerramento se tiver obtido licença para o efeito por parte da entidade licenciadora. 10. O encerramento definitivo ocorre apenas depois da entidade licenciadora realizar uma vistoria final ao local, aprovar todos os relatórios apresentados pelo operador, certificar a reabilitação dos terrenos afectados pela instalação e comunicar ao operador a aprovação do encerramento. 11. Depois, o operador mantém-se responsável pela manutenção, monitorização, controlo e implementação de medidas correctivas na fase de pós-

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encerramento, durante o prazo que a entidade licenciadora lhe fixar. 12. Para assegurar o cumprimento destas condições, o regime prevê a obrigatoriedade da constituição de uma garantia financeira por parte do operador. Os operadores já em funcionamento devem cumprir esta exigência até 1 de Maio de 2014. Os novos devem assegurá-la mais cedo, até Maio de 2012. Prevenção de acidentes graves: 1. No caso de instalações de resíduos que, cumulativamente, sejam classificadas na categoria A, ou seja, perigosas, e não estejam abrangidas pelas regras já em vigor relativas à prevenção de acidentes graves devem ser cumpridas exigências suplementares. 2. O operador tem de garantir que existe uma política de prevenção de acidentes graves (PPAG) e implementar um sistema de gestão de segurança (SGS) em conformidade com os elementos agora definidos por este regime. Este requisito deve ser cumprido logo aquando do pedido de licenciamento. 3. Estas regras aplicam-se para além das prescrições mínimas de saúde e segurança previstas para as indústrias extractivas por perfuração a céu aberto ou subterrâneas. 4. Estas instalações devem ainda estar apetrecha-


das com um plano de emergência interno, de acordo com as orientações fornecidas no Portal da Agência Portuguesa do Ambiente e um plano de emergência externo, de acordo com as orientações aprovadas e divulgadas pela Autoridade Nacional de Protecção Civil, com as medidas a tomar fora do sítio em caso de acidente. 5. Em caso de incidente ou acidente ligeiro, o operador accionará o plano de emergência interno e aplica as medidas correctivas definidas pela entidade licenciadora. Em caso de um acidente grave, o operador tem ainda de avisar imediatamente a autoridade de protecção civil territorialmente competente, a entidade licenciadora e a Inspecção-Geral do Ambiente e do Ordenamento do Território. Sanções: 1. O novo regime prevê sanções a aplicar na sequência de contra-ordenações como o incumprimento de vários deveres na implementação dos planos de emergência e dos deveres de comunicação de toda a informação relevante às autoridades em

caso de acidente. Estas contra-ordenações e respectivas coimas aplicáveis as entidades abrangidas por este regime, incluem ainda a transmissão da licença sem decisão, expressa ou tácita, da entidade licenciadora. 2. São também estabelecidas especificamente contra-ordenações ambientais leves (como as falhas relativas a informações e registos) graves e muito graves, que vão punir uma longa lista de condutas. 3. Os operadores que não cumpram o plano de gestão de resíduos, não elaborem os planos de emergência ou não comuniquem à entidade licenciadora alterações na instalação de resíduos, cometem uma contra-ordenação ambiental grave. 4. As coimas a aplicar foram revistas em Setembro passado e situam-se, para pessoas colectivas, entre 3.000 euros e um máximo de 2.500.000 euros, em caso de actuação dolosa muito grave. Será o caso de um operador que faça gestão não controlada dos seus resíduos ou explore uma instalação não licenciada.

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R & E Buyers Guide R & E Buyers Guide PLANT EQUIPMENT

CUT TO SIZE

QUARRY EQUIPMENT

TILES

LIMESTONE

SLABS

GRANITE

BLOCKS

MARBLE

DIAMOND TOOLS

SLATE

ABRASIVES

OTHER STONES

SERVICES

EMPRESA GRUPO ABRESSA ABRASIVOS

EMPRESA AIREMÁRMORES – EXTRACÇÃO DE MÁRMORES, LDA.

CONTACTO Central: Barcelonès, 39 – Pol. Ind. El Ramassar 08520 Les Franqueses del Vallès Barcelona (Spain) Tel.: (34) 93 846 58 75 Fax: (34) 93 846 80 29 E-mail: ae.abressa@abressa.com www.abressa.com

CONTACTO OFFICE AND FACTORY: Rua dos Arneiros – Ataíja de Cima 2460-712 Alcobaça – Portugal Tel.: (+351) 262 508 501 | (+351) 938 383 600 Fax: (+351) 262 508 506 E-mail: geral@airemarmores.pt

EMPRESA ANTÓNIO JACINTO FIGUEIREDO, LDA

EMPRESA CASA DOS DIAMANTES LINO A. FERNANDES, LDA

CONTACTO Apartado 2, Estrada Nacional, 9 – Cruz da Moça 2715-951 Pêro Pinheiro – Portugal Telfs.: 00 351 21 927 01 00 | 00 351 21 967 82 10 Fax: 00 351 21 927 16 27 E-mail: commercial@ajfigueiredo.pt | a.j.figueiredo@mail.telepac.pt www.afigueiredo.pt

CONTACTO Lugar de Rio Tinto - 4720-632 Rendufe – Amares - P.O. BOX 451 EC Avenida - 4711-914 Braga - Portugal Tel.: +351 253 311 300 Fax: +351 253 311 400 E-mail: casadosdiamantes@mail.telepac.pt www.cdd.com.pt

EMPRESA CFM - PROJECTO E CONSTRUÇÃO DE MÁQUINAS, LDA.

EMPRESA CIMERTEX

CONTACTO Av. Da Aviação Portuguesa, nº5 - Apartado 14 – Fação – 2715-901 Pêro Pinheiro – Portugal Tel.: + 351 219 678 280 Fax: +351 219 678 289 E-mail: geral@cfm-maquinas.pt www.cfm-maquinas.pt

CONTACTO Rua Abade Mondego, 165-4455-489 Perafita MTS – Portugal Tel.: +351 220 912 600 Fax: +351 220 912 665 E-mail: marketing@cimertex.pt www.cimertex.pt

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EMPRESA CO.FI.PLAST

EMPRESA GRUPO CONSTRUAL - CONSTRUTORA MECÂNICA, LDA

CONTACTO ABRADIAM, LDA Estrada Nacional 378 - Rua Pinheiro Grande, Nº 8 2865-020 Fernão Ferro Tel.: 21 212 11 26 Fax: 21 212 22 27 E-mail: abradiam@sapo.pt

CONTACTO Av. Da Aviação Portuguesa, nº 5, Apartado 14 - Fação 2715 901 Pêro Pinheiro – Portugal Tel.: 00 351 219 678 280 Fax: 00 351 219 678 289 E-mail: construal@construal.pt www.construal.pt

EMPRESA DELLAS

EMPRESA DIAPOR – DIAMANTES DE PORTUGAL, S.A.

CONTACTO Official Dellas Seller: Lino A. Fernandes, Lda - Lugar de Rio Tinto - 4720-632 Rendufe - Amares - P.O. BOX 451 EC Avenida - 4711-914 Braga - Portugal Tel.: +351 253 311 300 Fax: +351 253 311 400 www.dellas.it

CONTACTO Rua 8 – Zona Industrial de Rio Meão Apartado 412 – 4524-907 Rio Meão – Portugal Tel.: +351 256 780 400 Fax: + 351 256 780 409 E-mail: geral@diapor.pt www.diapor.pt

EMPRESA DRAGÃO ABRASIVOS

EMPRESA DIAMOND SERVICE PORTUGUESA, LDA

CONTACTO Rua Dragão Abrasivos, 595 4536-906 Paços de brandão Tel.: 227 442 007 Fax: 227 448 739 E-mail: dragao@mail.telepac.pt

CONTACTO Zona Industrial – Lote 1 e 2 – Apartado 50 7160-999 Vila Viçosa – Portugal Telf.: +351 268 980 555 Fax: +351 268 989 525 E-mail: diamond.service@netc.pt www.diamondservice.pt

EMPRESA EQUIMÁRMORE, LDA

EMPRESA EZEQUIEL FRANCISCO ALVES, LDA.

CONTACTO E.N. 9 – Apartado 22 - 2715-901 Pêro Pinheiro – Portugal Tel.: 00 351 219 671 197 Fax: 00 351 219 271 964 E-mail: comercial@equimarmore.pt

CONTACTO Office and Factory: Avª Marquês de Pombal, nº 247 Falimas – Morelena - 2715-005 Pêro Pinheiro – Portugal Tel.: + 351 21 027 07 97 Fax: + 351 21 927 97 05 E-mail: efa.lda@mail.telepac.pt www.efa-marmoresrosa.com/

ROCHAS & EQUIPAMENTOS

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EMPRESA FIGALJOR

EMPRESA INDÚSTRIAS ELECTROMECÂNICAS GH, S.A.

CONTACTO Av. Liberdade, 168 - 170 – Apartado 1 2715-007 Pêro Pinheiro Tel.: 21 927 99 14 | 21 927 98 89 | 21 927 95 52 Fax: 21 967 27 24 E-mail: GERAL.PP@FIGALJOR.PT www.figaljor.pt

CONTACTO Zona Industrial do Soeiro, Lote 9 4745-460 S. Mamede Coronado Portugal Tel.: +351 229 821 688 Fax: + 351 229 821 687 E-mail: geral@ghsa.com www.ghsa.com | www.pontesrolantes.pt

EMPRESA GRANIPLAC, LDA. | GRANITOS DO CENTRO, LDA

EMPRESA GRANITRANS – TRANSFORMAÇÃO DE GRANITOS, LDA.

CONTACTO Zona Industrial – Apartado 26 3150-194 Condeixa-a-Nova – Portugal Telf.: 351 239 942 430 Fax: 351 239 941 051 E-mail: graniplac@graniplac.pt www.graniplac.pt

CONTACTO Cerrado – Negrais – 2715 Pêro Pinheiro Tel.: 21 967 10 16 | 21 967 71 27 Fax: 21 967 08 01 E- mail: info@granitrans.pt www.granitrans.pt

EMPRESA GRUPO FRAZÃO

EMPRESA MÁRMORES GALRÃO, S.A.

CONTACTO Zona Industrial Norte – Pê da Pedreira – Apartado 67 2026-901 Alcanede - Portugal Tel.: + 351 243 400 598 Fax: + 351 243 400 606 E-mail: grupofrazao@grupofrazao.com www.grupofrazao.com

CONTACTO Av. Da Liberdae, 153 Apartado 6 2716-922 Pêro Pinheiro – Portugal Tel.: (+351) 219 270 302 Fax: (+351) 219 279 912 E-mail: galrao@galrao.com www.galrao.com

EMPRESA DIAMANT BOART - HUSQVARNA PORTUGAL

EMPRESA LUXIMAR – TRANSF. EXP. IMP. DE MÁRMORES E GRANITOS, LDA.

CONTACTO Edíficio Diamant Boart – Lagoa – Albarraque 2635-595 Rio de Mouro Tel.: (351) 219 254 700 Fax: (351) 219 254 720 E- mail: teresa.bernardino@electrolux.pt

CONTACTO Alm. Henrique Pousão 15 7160-262 Vila Viçosa – Portugal Tel.: 268 980 526 Fax: 268 980 549 Parque Ind.: Tel.: 268 999 280

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ROCHAS & EQUIPAMENTOS


EMPRESA MARFILPE – MÁRMORES E GRANITOS, S.A

EMPRESA MARBRITO

CONTACTO IC2 Casal da Amieira, Apartado 174 2440-001 Batalha Portugal Tel.: (351) 244 768 030 | 244 768 120 Fax: (+351) 244 768 342 E-mail: geral@marfilpe.pt www.marfilpe.pt

CONTACTO Head Office – Factory: AP.54 7160 -999 Vila Viçosa – Portugal Tel.: +351 268 889 550 Fax: +351 268 889 569 E-mail: marbrito@marbrito.com www.marbrito.com

EMPRESA MARMOZ

EMPRESA MOCAMAR – MÁRMORES DE ALCANEDE, LDA.

CONTACTO Edifício Marbrito – Ap. 54 7160-999 Vila Viçosa – Portugal Tel.: +351 268 889 550 Fax: + 351 268 889 569 E-mail: marmoz@marmoz.com www.marmoz.com

CONTACTO Zona Industrial – Pe da Pedreira – Apartado 46 2025-161 Alcanede – Portugal Tel.: +(351) 243 400 687 | 243 400 275 | 243 408 879 Fax: + (351) 243 408 892 E-mail: mocamar@mail.telepac.pt www.mocamar.com.pt

EMPRESA EUROGRANIPEX LDA

EMPRESA POEIRAS – MÀQUINAS E FERRAMENTAS

CONTACTO Núcleo Empresarial da Venda do Pinheiro 2665-602 Venda do Pinheiro - Lisboa - Portugal Tel. 219 662 039 E-mail: comercial@eurogranipex.com Skype: eurogranipex

CONTACTO Zona Industrial – Lote 1 e 2 – Apartado 50 7160-999 Vila Viçosa – Portugal Tel.: +351 268 889 380 Fax: +351 268 889 389 E-mail: poeira.lda@mail.telepac.pt www.poeiras-mf.pt

EMPRESA SICRÉ – SOCIEDADE PORTUGUESA DE GRANITOS, LDA.

EMPRESA URMAL – JOAQUIM DUARTE URMAL & FILHOS, LDA.

CONTACTO Sede e Granitos: Facão – Apartado 4 – 2716 Pêro Pinheiro Tel.: 21 927 01 22 Fax: 21 927 03 58 Mármores – Pedra Furada: Apartado 28 – 2726 Pêro Pinheiro Tel.: 21 927 66 11 Fax: 21 927 07 50

CONTACTO Apartado 16 2716 Pêro Pinheiro – Portugal Tel.: 219 677 580 Fax: 219 279 172 E-mail: urmal@urmal.com www.urmal.com

ROCHAS & EQUIPAMENTOS

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EMPRESA URMI – UNIDADE DE REPARAÇÕES DE MÁQUINAS INDUSTRIAIS, S.A.

EMPRESA WIRES

CONTACTO Escritorio e Instalações Fabris: Parque Industrial da Beijoca Rua do Rio, 24 – EN 250-1, km 6,6 – Algueirão 2725-524 Mem Martins – Sintra – Portugal Tel.: + 351 219 266 800 Fax: + 351 219 266 820 E-mail: urmi.sa@urmi.pt | www.urmi.pt

CONTACTO ABRADIAM, LDA Estrada Nacional 378 - Rua Pinheiro Grande, Nº 8 2865-020 Fernão Ferro Tel.: 21 212 11 26 Fax: 21 212 22 27 E-mail: abradiam@sapo.pt

EMPRESA LIEBHERR MÁQUINAS DE CONSTRUÇÃO PORTUGAL, LDA

EMPRESA C. MATA EXPORT - MÁRMORES E GRANITOS LDA.

CONTACTO Estrada do Contador s/n, Apartado 12 2131-901 Benavente Tel.: + 351 263 518 010 Fax: + 351 263 518 012 E-mail: info.lpo@liebherr.com www.liebherr.com

CONTACTO Casais Robustos, Apartado 67 2396-909 Minde Codex - Portugal Tel.: 249 890 652 Fax: 249 890 660 E-mail:cmata@cmataexport.com www.cmataexport.com

EMPRESA CEVALOR

EMPRESA JORGE CRUZ PINTO & CRISTINA MANTAS, ARQUITECTOS LDA.

CONTACTO Estrada Nacional nº 4 - km 158 - EC de Borba - Apartado 48 7151 912 Borba Tel.: 268 891 510 Fax. 268 891 529 E-mail: geral@cevalor.ptwww.granipex.com.br www.cevalor.pt

CONTACTO R. Banco 4 Monte Estoril, Estoril 2765-397 Lisboa Tel: + 351 21466 12 90/1 E-mail: cruzpinto.com www.cruzpinto.com

EMPRESA SEW-EURODRIVE PORTUGAL

EMPRESA RE/MAX LUMIAR - FCGM - SOC. MEDIAÇÃO IMOBILIARIA, SA

CONTACTO E.N. 234 - Apartado 15 - 3050-901 MEALHADA Tel.: + 351 231 209 670 Fax: + 351 231 203 685 Serviço de Emergência 24/24h: 935 987 130 E-mail: infosew@sew-eurodrive.pt www.sew-eurodrive.pt

CONTACTO Alameda das Linhas de Torres, nº 60 B 1750-147 Lumiar, Lisboa Fax: + 351 217 520 649 TM: 96 170 65 64 E-mail: aesequeira@remax.pt

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ROCHAS & EQUIPAMENTOS


Rochas & Equipamentos N. 97  

A revista Rochas & Equipamentos é uma revista de informação especializada em recursos geológicos ornamentais, mármores, granitos, ardósias...

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