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REDES SOCIAIS

SUA EMPRESA SABE O QUE ESTÃO FALANDO DELA NA INTERNET?

COMPORTAMENTO

COMUNICADORES MOSTRAM PORQUE SÃO APAIXONADOS PELO CARRO ALEMÃO MAIS POPULAR DO MUNDO

TURISMO

ACONCHEGO AO PÉ DA SERRA É TUDO O QUE PRECISAMOS PARA ALIVIAR O ESTRESSE DO DIA A DIA

SOMOS COZINHEIROS... Para exercer o Jornalismo não é preciso mais a formação acadêmica, segundo o Supremo Tribunal Federal. Mas como fica a situação do curso, das faculdades e do mercado? Os profissionais formados perderam todos os seus direitos com a decisão equivocada do Poder Judiciário?


Bonito, hei n?

Parou em f atraPalhou ila duPla e o trânsito . A BHTRANS e a Pr

efeitura de Bel o Horizonte tr para diminuir abalham o número de in fr aç ões, melhorar e prevenir acid o trânsito entes na cidade . Além de ser um parar o veículo a infração, em fila dupla at rapalha a circul causar acidente ação e pode s. Respeite as leis. Porque tu faz no trânsito d o que você acaba voltand o pra você.


Participe com a gente! Mande hoje mesmo sua opinião ou comentário para cartas@pqn.com.br Sua opinião é muito importante. Sugestões de pauta também serão bem-vindas. Aguardamos seu contato! “Felicitações e cumprimentos pelo trabalho que vem sendo realizado à frente da Revista e ao público PQN. Parabenizo a todos pelo compromisso, seriedade e arrojo pela conquista. A publicação está sempre bem elaborada, diagramação e distribuição de cores dando leveza ao produto final. Fatores como estes fazem da PQN uma revista presente no mercado da Comunicação”. Mário Martins Gerente de Comunicação e Marketing do CCAA Sete Lagoas/MG “Acabei de ler a PQN 12. Como já previra, pela capa, as matérias e artigos estão sensacionais, em especial a do Márcio Reis. Simples, mas de uma força muito grande e nos faz pensar sobre o nosso envolvimento social na comunidade. Parabéns a todos os repórteres, articulistas e colunistas dessa edição”. Luciana Sabino Rádio Alvorada – BH/MG “Gostaria de parabenizá-los pela importante reportagem de capa da edição número 12 da PQN – “Uma Repórter Especial”. Certamente, Fernanda mostrou que para exercer o trabalho de repórter não existem fronteiras. Basta ter comprometido

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com o que fazemos, ter paixão, garra, sem esquecer nossos valores. Conhecer o trabalho desta profissional foi uma lição que levarei para o resto da vida, principalmente para todos nós, jornalistas formados que, às vezes, desistimos em qualquer obstáculo. E ela, sendo uma portadora da Síndrome de Down, nos proporciona este tapa de luvas. Parabéns pelo cuidado na matéria, já que estamos frágeis em relação a nossa profissão”. Liliane Martins Belo Horizonte/MG “Bela PQN 12. Adoro seu cuidado e zelo em todas as edições. Tem muita, muita coisa boa. Mas é claro que corri para ler a capa.Tânia Miranda brilhou na matéria da repórter down. Mesmo não tendo formação, pelo fato de ser uma portadora da síndrome, seu editorial deixou claro a importância da exigência do diploma em nossa categoria. É essa lucidez da PQN que nos aproxima! Linda página da Paula Rangel em homenagem ao Marquinho. Merecido! Ele era realmente uma figura especial. Gracinha da Valéria Flores na coluna PQN Cidadão. A matéria da Priscila Armani ficou muito bem feita, principalmente quando entrevistou Jaider Batista da Silva, uma pessoa séria e muito bem

intencionada. Como representante da Comissão de Comunicação, representando o Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Minas Gerais, pude conhecer de perto essa pessoa extraordinária”. Fátima Oliveira Belo Horizonte/MG

“A PQN 12 ficou, sem sombra de dúvida, cativante. Realmente impressionante a história de superação da repórter da TV Brasil, Fernanda Honorato. A reportagem de capa da Tânia Miranda, trouxe um retrato real das dificuldades pelos quais passam aqueles que possuem alguma necessidade especial. A matéria de Brisbane, de Ludimilla Fonttainha, me fez ter vontade de viajar para a Austrália e conhecer um pouco mais daquele país e seus costumes”. Francisco Tovo Guia BH - BH/MG

“É interessante saber dos investimentos das intituições de ensino nos cursos de Comunicação Social de todo o Brasil. A única coisa triste é ver que devido a tanta concorrência, muita gente acaba pendurando o diploma como um quadro na parede. Um caro quadro na parede com perspectivas de também se amarelar com o tempo, já que estamos sem tantas boas ofertas de emprego. Mas não podemos desistir. Se eles estão investindo tanto assim é porque esperam uma reação do mercado contratante. Tem uma vaguinha na PQN aí?” Jussara Borges Relações Públicas São Paulo - SP


ESSA NOVELA AINDA NÃO TERMINOU! Bom, já vou começar a reclamar da decisão do STF, pois cozinheiro eu já era bem antes da fala do ministro. E eu achando que ganharia outro título depois de perder meu diploma suado, musicado e caro. Muito caro para agora não valer quase nada. Mas uma coisa é certa: o que nos aconteceu foi apenas a legitimação do que já ocorre no mercado brasileiro há décadas. O STF mostrou, assim como a sociedade, a falta de respeito, baixos salários e assédio moral que nós, jornalistas por formação, enfrentamos diariamente. Confesso que não fiquei surpreso com a decisão. Minha sensação de tristeza foi mais para aqueles que estão ainda nos bancos das escolas e os recém-formados que viraram mão de obra mais barata que a dos estagiários. Mas ainda há uma luz no fim do túnel com a instalação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que alguns parlamentares estão pretendendo apresentar. Será que vai resolver? Será que teremos nossos direitos profissionais assegurados? O diploma continuará valendo? As faculdades, que ficaram omissas o tempo todo, manterão os cursos? Estamos cheios de “serás” na cabeça. Tudo ainda é muito recente e, se a PEC passar na Câmara e depois no Congresso, tudo voltará à mesma? Passando, vamos continuar com os problemas de antes? Se o diploma voltar a ser exigido, nossa profissão vai precisar passar por um bom diagnóstico para tentar curar suas feridas abertas. E depois dessa lenhada toda do STF, temos que ter aprendido pelo menos uma coisa: que a união da categoria pode melhorar muita coisa. O povo só deu o berro na hora em que o ministro falou. Antes, poucos estavam se mobilizando. Pontos para a Fenaj e para os sindicatos, que em nenhuma hora deixaram a peteca cair e tudo ir para o esquecimento. Vamos torcer e acompanhar o que estão falando da gente por aí. Essa questão é muito importante e a PQN é a favor do diploma, do exercício legal da profissão e tudo mais a que tivermos direito. Sou a favor da formação acadêmica hoje e sempre. E tem gente que nem sabe o que está acontecendo, assim como algumas empresas não sabem o que estão falando delas, sobre suas marcas. É o pecado no novo século que anunciou velozmente que precisamos estar atentos ao que se passa no mundo virtual. É preciso saber o que estão falando da gente, para quem e como. É quase um lead do terceiro milênio, porém com Duracell. Ou seja, não vai acabar nunca e você ainda terá que monitorar as informações o tempo todo. Hoje, o que falam da gente mostra a credibilidade que temos no mercado. Danado boca a boca! Mas vamos ficar atentos e nos unir mais. Conte com a PQN, porque essa novela ainda não terminou!

Boa leitura!

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Robhson Abreu Editor

EXPEDIENTE editor-chefe: Robhson Abreu edição: Robhson Abreu e Pedro Paulo Taucce revisão: Pedro Paulo Taucce Projeto gráfico e diagramação: Robhson Abreu Artes: Lúcio Carvalho e Robhson Abreu cOLABOrAdOres: André de Abreu - Fátima de Oliveira Francisco Tovo - Jeniffer Cardoso José Aloise Bahia - Lúcio Carvalho Priscila Armani - Márcio Reis - Paula Rangel Robson Fraga - Rodrigo Capella - Rodrigo Cogo Valéria Flores sucursAIs: BAhIA: Cândida Silva nOrdeste: Rodrigo Coimbra rIO de jAneIrO: Tânia F Miranda SÃO PAULO: Daniel Zimmermann sOrOcABA: Douglas Lara VALe dO AÇO: William Saliba

“Todos os textos publicados na revista PQN tiveram seus direitos autorais doados pelos seus autores, não tendo esta publicação qualquer ônus por parte de cada autor. As reportagens redigidas pelos estudantes de Comunicação foram orientadas pelo editor-chefe”. PuBLIcIdAde: Para anunciar: (31) 8428-3682 ou 2127-4651 publicidade@pqn.com.br AssInAturA: assinar@pqn.com.br Pessoa física: R$ 70,00 para 4 edições Pessoa jurídica: R$ 120,00 para 4 edições CARTAS À REDAÇÃO: cartas@pqn.com.br

Acesse o site: www.pqn.com.br A Revista PQN - Pão de Queijo Notícias é uma publicação da Publicità Comunicação e Propaganda Ltda., CNPJ: 00.727.861/0001-76.


A

decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), de desregulamentar a obrigatoriedade da exigência do diploma para o exercício legal do Jornalismo, foi como um balde de água gelada em toda a categoria. Ainda mais pelo comentário infeliz do ministro, ao dizer que o jornalista não precisa de formação, “basta possuir um dom”, como cozinheiros e artesãos. Mas, de uma certa forma, ele estava certo. Nossa profissão é tão ampla que precisamos ser um pouquinho de cada profissional para melhor informar à sociedade. E como fica a situação dos cursos de jornalismo? As empresas vão continuar exigindo o diploma na contratação? Nossa profissão vai acabar? CAPA: Arte - Lúcio Carvalho

ENTREVISTA

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Em momentos de crise, recuar em Comunicação pode ser um grande erro das empresas. Mas o que fazer? Como comunicar de forma eficaz sem perder a credibilidade e ainda continuar gerando bons resultados no competititvo mercado.

É importante estar atento a todas as novas tecnologias, fazendo o processo de comunicação fluir na grande rede.

Alguns comunicadores tratam o Fusca não como um meio de transporte, mas como parte vital de suas vidas.

O Parque da Serra do Rola- Moça é uma boa opção para o final de semana.

PQN Cidadão - 8 José Aloise - 9 Francisco Tovo - 10

INTERNET

Márcio Reis - 18

Muitas palavras são utilizadas na grande rede. Mas nem sempre sabemos o que elas significam. As nomenclaturas podem ser mais complexas do que aparentam à primeira vista.Também não se pode esquecer que nas mídias interativas o poder está todo nas mãos do usuário.

PQN Digital - 19

VOCÊ É PIRATA?

Petrônio Souza - 48

Levante a mão agora, sem pensar duas vezes, quem nunca assistiu a um filme pirata. As cópias piratas estão ficando cada vez melhor, impulsionadas, em muitos casos, pelos ótimos programas de computador, que permitem melhor resolução e reprodução quase exata. Além de ser, é claro, muito mais barato que fazer um programa cultural indo ao cinema e desembolsando algumas dezenas de reais.

Nordeste - 49

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Robson Abreu - 20 Vale do Aço - 36 Acontece em Sorocaba - 44

Dendê - 50 Calçadão - 51 PQN RP - 52 Fora Nosso - 54 7


Cresce consideravelmente o número de organizações sociais preocupadas com a criação e a profissionalização de seus setores de comunicação. Quem disse que investir em Comunicação e Marketing, na área social, é pecado ou antiético? Ninguém! Esse pensamento equivocado é resultado de um consenso demagógico impregnado no universo do segmento. Comunicação é ferramenta de transparência, mobilização, multiplicação e, portanto, de sustentabilidade dos projetos e ações. E por isso, como qualquer outra área de uma organização, merece atenção e qualidade na sua produção. Que seja bela e honesta, ou seja, planejada com ética e estética. Participe, envie suas sugestões ou notícias para o meu e-mail: pqncidadao@pqn.com.br

Valéria Flores Divulgação

Divulgação

OFICINEIRO

Depois de atuar por três anos como coordenador editorial da Agência de Notícias dos Direitos da Infância (ANDI), em Brasília, o jornalista Adriano Guerra retornou no ano passado a Belo Horizonte para assumir a secretaria executiva da Oficina de Imagens – Comunicação e Educação - e a coordenação do projeto Novas Alianças. Ele ressalta que a organização acumulou uma grande experiência nessa área nos últimos anos, a partir de experiências como a campanha para a ONG Visão Mundial, voltada para o enfrentamento da violência sexual, e a campanha nacional de comemoração dos 18 anos do Estatuto da Criança e do Adolescente, produzida no ano passado em parceria com a Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República.

EMPREGO VERDE Por acaso o seu trabalho ou emprego é verde? Esse é um dos mais novos conceitos utilizados pelos“especialistas” em sustentabilidade para os profissionais que atuam em área afim, ou seja, em setores ligados às ações de responsabilidade social empresarial (RSE). Esse conceito deve ser ampliado, ou melhor, bastante ampliado. É justo que todas as pessoas (não somente as ligadas às áreas de RSE das organizações, mas todo trabalhador ou profissional que se paute pelos valores humanos e éticos além de agir de acordo com as normas políticas e ecologicamente corretas) devem, sem a menor sombra de dúvida, ser incluídas no rol dos profissionais “verdes”. Quem se habilita?

GENTE NOVA O jornalista Guilherme Torres é o novo subeditor do caderno EU ACREDITO!, do jornal mineiro Hoje em Dia.Além de pautar as matérias mais relevantes do cenário de responsabilidade social, ele também assina a coluna Circuito Cultura que traz dicas de arte-educação, cultura e entretenimento acessível à população e com viés transformador. Divulgação

IMPACTO POSITIVO

Ao desenvolver seu trabalho, a área de Assuntos Corporativos da TIM, que responde pelas demandas de imprensa e coordenação de projetos de sustentabilidade e responsabilidade social, Maurício Bianco busca na comunicação uma aliada para atingir a transformação social dos envolvidos e, também, aprendizado para as organizações e entidades participantes. Para ele, a imprensa é aliada nas estratégias de Comunicação, já que também tem a sua parcela de responsabilidade social, comunicando e criticando construtivamente o investimento social privado.

OBJETIVOS DO MILÊNIO I Agora,projetos sociais brasileiros entrarão em um banco de dados da internet que reunirá iniciativas de países da América Latina sobre os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM).Trata-se de uma série de metas socioeconômicas que os países da ONU se comprometeram a alcançar até 2015. A Rede de Intercâmbio e Difusão de Experiências Exitosas para alcançar os ODM (IDEEA-ODMs) é um banco de boas práticas, que divulga ações sociais em áreas relacionadas aos ODM, como o combate à pobreza e à fome, melhorias na educação, na saúde da mulher e da criança.

OBJETIVOS DO MILÊNIO II O Brasil passa a participar agora como resultado de um acordo que o governo está assinando com a CEPAL. A Secretaria Geral da Presidência, responsável pela negociação, promoverá o banco de boas práticas no país e estimulará ONGs ou setores do governo e de administrações locais a se cadastrarem. O país já entra com o maior número de ações cadastradas - 52 iniciativas. De início, estão sendo cadastradas na Rede IDEEA as iniciativas que estiveram no Prêmio ODM Brasil, realizado pela secretaria em parceria com movimentos sociais e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).

TERCEIRO SETOR Entre os dias 30 de novembro e 01 de dezembro, acontece em Belo Horizonte o 6º Encontro Nacional do Terceiro Setor em Minas, promovido pelo Instituto de Governança Social (IGS) e Centro Mineiro de Alianças Intersetoriais (Cemais), do Governo do Estado. Além do Fórum de Governança Social com representantes dos três setores (ONGs, empresas e governos), haverá palestras e cases concretos de experiências de gestão intersetorial de sucesso efetivo, como o da Associação de Proteção e Assistência aos Condenados (APAC), que acontece em várias cidades mineiras. Será lançado o Selo de Responsabilidade Empresarial 2010. E, de forma inédita, a edição 2009 do Prêmio Cidadãos do Mundo, realizado pelo HOJE EM DIA, através do caderno EU ACREDITO!, acontecerá durante o 6º Encontro Nacional do Terceiro Setor. A sociedade conhecerá os nove programas ou projetos agraciados, entre os 43 projetos inscritos. Serão reconhecidas, divulgadas e premiadas iniciativas socioambientais, efetivadas em parceria por governos, empresas e organizações da sociedade civil, além dos destaques para as categorias Menção Honrosa e Projeto Piloto. Participe!

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JOSÉ ALOISE BAHIA Jornalista, escritor e ensaísta.Graduado em Comunicação Social e pós-graduado em Jornalismo Contemporâneo (UNI-BH). Autor de Pavios Curtos (poesia, anomelivros, 2004) e Em Linha Direta.

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eterminados livros possuem características imaginativas e singulares, são dinâmicos. Refazem ou confirmam, de modo criativo, os acontecimentos históricos dos seus personagens principais. Ou, ainda, de maneira aguda, podem “ser o machado para o mar enregelado que temos dentro de nós”. É o caso do recente lançamento Kafka e a Marca do Corvo (Geração Editorial, São Paulo, SP, 2009, 186 Páginas, R$ 26,00), de autoria da premiada escritora brasileira Jeanette Rozsas, diretora da União Brasileira de Escritores (UBE), que levou três anos em pesquisas e viagens ao exterior, para escrever a primeira biografia romanceada de Franz Kafka (1883-1924). O interessante são os diálogos metamorfoseados na construção dos trechos, extraídos dos próprios livros, diários e cartas do gênio de Praga, histórica e muito antiga, a cidade das torres, capital da atual República Tcheca, banhada pelo rio Vltava. “A idéia era fazer não mais um livro de tese, mas um romance biográfico. E voltado ao público jovem e também ao adulto não acadêmico, portanto a linguagem não deveria ser nem infantil demais nem intelectualizada em excesso. Fora que eu precisei contextualizar: a época em que K. viveu, as paisagens, as viagens, a política reinante, a religião, enfim, dar ao leitor um relato o mais próximo possível do que foi Praga em fins dos séculos XIX e o ambiente no qual o escritor cresceu e viveu”.A autora revela a luta de um homem contra os seus próprios demônios, o amante que tem medo do amor, e o principal: o nome Kafka, em tcheco, significa corvo. Uma marca, nódoa e sinal para sempre na sua existência. Kafka e a Marca do Corvo tem apresentação do crítico e também ficcionista Nelson de Oliveira. “Kafka continua vivo graças a seus

escritos e principalmente aos escritos de outros escritores que, magnetizados pelo absurdo kafkiano, transformaram o escritor tcheco no protagonista de outra aventura literária: sua própria vida”. E acrescenta sobre o livro: “revela, com as cores enfáticas e cativantes da arte romanesca, o labirinto de angústias, impasses, realizações e paixões de Kafka”. Observa-se também, pelos agradecimentos da escritora, a presença iluminada do paulista Modesto Carone, ganhador do Jabuti 1999 com o romance Resumo de Ana (Cia. das Letras, São Paulo, SP, 1998), ex-professor de literatura da Universidade de Viena (Áustria), UNICAMP e USP, um dos maiores estudiosos, conhecedores da vida e grande tradutor da obra de Kafka. No mesmo nível, não podemos esquecer, uma raridade nos melhores sebos, o sempre útil Kafka: vida e obra (Editora Paz e Terra, Rio de Janeiro, RJ, 1979, 5ª. Edição) do pensador, pesquisador, filósofo e escritor fluminense Leandro Konder. Para Jeanette Rozsas, - perguntada no final do ano passado, quais os três livros mais bacanas que leu em 2008, respondeu de maneira enfática que “Os três, hmmm... deixa ver. Já sei: Kafka, Kafka e mais kafka. Por quê? Leiam que vocês saberão.” -, a literatura do tcheco “é, no mínimo, perturbadora. Por meio de situações intoleráveis, Kafka dá voz à penosa condição humana num mundo que já começava a se esfacelar. Sua obra parece profética ao anunciar o abandono, o sofrimento, o espanto diante do inexplicável, do tenebroso, do absurdamente sem sentido. Felizmente a morte o colheu antes dos horrores a que estaria, sem dúvida, condenado nos campos de concentração, onde morreram suas irmãs, sobrinhos, cunhados e muitos dos seus amigos. O campo de concentração é a materialização do pesadelo kafkiano.”

Por mais que determinados fatos sejam abordados, comentados e repetidos, sempre há maneiras diferentes para contá-los. O pai de Kafka, autoritário, as quatro paixões de sua vida - quatro mulheres surpreendentes -, o grande amigo e confidente Max Brod (responsável pela não destruição e posterior divulgação da obra de Kafka), a mãe, as irmãs, a cidade de Praga, são apresentados com emoção numa ficção cativante. Também o menino tímido, o jovem inseguro e hesitante, o adulto magro, alto, desajustado e estranho que se debate à procura do sentimento infinito e salvador da liberdade e os absurdos da penosa condição humana, relatados de maneira concisa, cruel, absurda e seca em seus livros. Outro fato interessante: a autora não se limita a descrever o conhecido, mas incorpora à história a chama da genialidade irreal, moderna, na qual autor e obra se confundem, numa narrativa simples, cronológica, cinematográfica, pontuada pela “intensa e meticulosa pesquisa que alicerça toda a construção”, como bem observa Nelson de Oliveira. Maior que a morte, o mito Kafka continua vivo no discurso onisciente e triunfante, magistral no exemplar da espontânea Jeanette Rozsas, ricamente ilustrado com imagens da época do escritor e obras consultadas, no final da publicação.

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Jornalista, formado em Comunicação Social pelo Unicentro Newton Paiva (BH) desde 2004. Pós-graduando em Produção de Mídias Digitais, desenvolvedor de conteúdo para Internet e analista de mídias sociais.

PLÁGIO NA INTERNET Plágio: o ato de se apropriar indevidamente de uma obra, texto, parte de texto, ou até mesmo frase sem a devida licença ou autorização prévia do autor. O plagiador toma para si o conteúdo e assina como se fosse o próprio autor.

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ato de plagiar, pela lei brasileira, incide em crime contra a propriedade intelectual. Em artigo intitulado “O plágio na pesquisa acadêmica: a proliferação da desonestidade intelectual” , o advogado autoralista Rodrigo Moraes informa que, no Brasil, o direito autoral é protegido desde 1889, com a chamada Lei Medeiros e Albuquerque. Mas a primeira lei específica de proteção à obra intelectual data de 1710, na Inglaterra. Tal prática, que deveria ser algo distante de nosso cotidiano, infelizmente se torna cada vez mais comum na Internet. Podemos observar a proliferação de cópias não autorizadas de conteúdos,sejam eles textuais ou áudio-visuais, em diversos sites, incluindo o Youtube. Algumas empresas fonográficas chegaram a retirar do ar clipes de seus contratados devido ao direito autoral de exibição. Só assim os administrados do site mantiveram uma rígida fiscalização sobre tudo o que é postado. Mas não são raros os vídeos plagiados nas páginas do Youtube. Plagiam-se artigos, obras, livros, textos, piadas, monografias e até mesmo teses inteiras de doutorado. Tal prática aparenta fazer parte do cotidiano da web. O que assusta neste ponto é que boa parte das pessoas não vê qualquer tipo de problema em copiar algumas frases para repassar aos amigos. Um exemplo são aqueles e-mails recheados de mensagens motivacionais ou mesmo cartões comemorativos. Boa parte deles utiliza frases históricas que podem ser

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encontradas em livros, mas sem qualquer referência às suas reais origens. Mais grave do que os e-mails motivacionais plagiados, são os sites que anunciam serviços de redação de monografia, dissertação e tese por precinhos “camaradas” e com ressalva de sigilo absoluto. Em sites como www. monografiasprontas.com, www.trabalhos-prontos-escolares.com e www.mundoacademico.com. br encontramos trabalhos prontos, bastando pagar para que o usuário possa apresentá-lo como conclusão de curso. E muitos o fazem. Este ano, vários foram os casos de plágio, destaque para uma estudante de Direito em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, que, além de plagiar toda a monografia, processou o orientador após ser reprovada. A alegação foi de que “o orientador submeteu-a a situação de constrangimento e vexame...”, conforme relata o blog Estudando o Direito (http://estudandoodireito. blogspot.com/2009/09/correio-forense-alunaflagrada-em.html). O fato de a Internet haver se transformado no grande campo democrático para a proliferação de ideias no século XXI, como podemos verificar pela enorme quantidade de sites pessoais existentes, mais de um milhão ajudaram a popularizar algumas práticas que, no mínimo, podem ser consideradas antiéticas como o próprio plágio em si. Por trás da velocidade e da cultura Mash-Up (remix de conteúdo que se popularizou nas mídias digitais) da rede, existem usuários mal intencionados que se apropriam do conteúdo alheio para os mais variados objetivos. É obvio que a prática já existe há bastante tempo, não raro encontramos passagens históricas que muito se aproximam do ato de plagiar. Um caso famoso de plágio que chocou a opinião pública foi o que envolveu o premier britânico Tony Blair, acusado de plagiar

trechos de uma tese acadêmica no relatório que forneceu sobre o Iraque. O advogado Rodrigo Moraes cita esse caso no artigo mencionado no início deste texto. Roberto Pompeu de Toledo, no artigo “Do revólver fumegante à boca na botija” (http://veja.abril. com.br/190203/pompeu.html), também cita o episódio de Blair. De fato, os plagiadores encontraram na Internet um campo fértil para expandir suas práticas. Isso ocorre devido à quantidade de informações que circula na rede sem qualquer tipo de controle. Até mesmo porque, devido às características desse meio, qualquer ferramenta ou mecanismo de controle seriam ineficientes e imprecisos. É bastante difícil provar a autoria do plágio na Internet, já que as noções de tempo e espaço não se aplicam na grande rede como se aplicam nas mídias impressas. Mas se você quiser descobrir se um conteúdo é plagiado na rede, basta acessar sites como www.copyscape.com e http://plagiarism.org. Às vezes uma simples consulta aos buscadores Google ou Bing, com partes do texto, pode indicar ou identificar um plágio. Mas isso não serve, por si só, como prova, pois o plagiador pode alegar que é autor do conteúdo, posicionando-se como se fosse a vítima. De acordo com o advogado Alexandre Atheniense, especialista em Direito da Tecnologia, um processo envolvendo plágio, principalmente no Brasil, pode durar vários anos, já que depende da Justiça provar quem é realmente o réu e quem é a vítima. Logo, a melhor maneira de coibir o plágio é adotar uma postura ética na divulgação das informações, indicando fontes, bibliografia, créditos e, sobretudo, jamais se apropriar de conteúdo de terceiros. Nesse caso, a educação é a melhor maneira de ajudar na proliferação de boas práticas.


NEGÓCIOS

REDES SOCIAIS: QUANDO A COMUNICAÇÃO PODE TIRAR PROVEITO E TRANSFORMAR

ESSA FERRAMENTA EM GRANDES OPORTUNIDADES? O mundo on line apresenta várias opções de acesso, de públicos e de portais sociais, aqueles onde o cidadão fornece conteúdo. Mas, qual o melhor e mais eficaz? É importante estar atento a todas as novas tecnologias, fazendo o processo de comunicação fluir na grande rede. ROBSON ABREU E RODRIGO COGO

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s redes sociais vêm ocupando um importante papel para empresas do mundo inteiro. Saber a quem se fala, como se fala e quais os melhores canais para conquistar públicos tem sido o principal objetivo dos profissionais de Comunicação. As assessorias de imprensa, que possuem um espaço cativo na gestão da comunicação corporativa, são as portas de entrada para o bom relacionamento com públicos de interesse. Mas nem sempre os comunicadores têm consciência de que é neste ambiente digital que esse novo processo de comunicação vem ganhando novos adeptos e criando novas oportunidades de negócios e divulgação de marcas, empresas, conceitos e, o mais importante, a quebra de paradigmas de quem detém a informação.


Para Ricardo Gandour, diretor de Conteúdo do Grupo Estado, a mídia possui um importante papel na mobilização social na abordagem dos pilares do jornalismo moderno na sustentabilidade da comunicação. Os stakeholders, ou seja, todos os que interagem de alguma forma com as organizações, dão à imprensa a centralidade do processo da comunicação. Desta forma, criam a ruptura de paradigmas de funcionamento da comunicação, como o capitalismo da sociedade em suas necessidades cotidianas e informativas e sua junção em movimentos civis organizados, com reflexo direto nas pautas, além da diversificação de fontes, dada a pulverização da confiança entre diferentes interlocutores que precisam agora ser contemplados. A consolidação das empresas como fontes, afirma Gandour, não só como anunciantes, é outra constatação da atualidade, e isso não pode estar ausente da cobertura jornalística, já que as corporações são um dos grandes protagonistas contemporâneos. “Essas partes interessadas sustentam o valor de uma organização”, avalia o diretor. A insustentabilidade do sistema se daria, afirma, quando a crença de algum público não corresponde à crença de todo o conjunto. Num futuro de maior número de canais de difusão de fatos e opiniões, será essencial a presença do jornalista como selecionador das notícias, no que pode ser denominado de “valor da edição”. A imprensa, avalia Gandour, não pode abandonar o seu papel de revelar o Fotos: Samuel Ivenberg

Gandour: a mídia possui um importante papel na mobilização social da comunicação

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Carina: na Internet, quando há o endosso de terceiros, a credibilidade de uma organização pode ser muito maior

oculto, de incomodar e de instigar. “Mas é uma obra humana, falível. Só que não podemos deixar de entregar aquilo que as pessoas não querem. Isso em uma postura educativa e conscientizadora da imprensa, para não cair na atenção às trivialidades das coberturas ou temas menos densos, ainda que mais populares”, pondera. Outra preocupação reside na velocidade de atualização de conteúdos, condenando a informação à efemeridade e à sobrecarga, que lhe retiram o significado e o impacto. Para Carina Almeida, sócia-diretora da Textual Comunicação, e Jaíra Reis, diretora da Casa do Cliente e do portal Nós da Comunicação, o ambiente digital impele à verdade e à postura de idoneidade das pessoas e empresas. As versões de fatos não podem mais ser sustentadas com a proliferação dos meios de registro e de difusão de conteúdos, os quais põem à prova as narrativas produzidas sobre os acontecimentos, sejam em sites ou nas famosas redes sociais. E, para comprovar este quadro, em recente pesquisa promovida pelo Google, verificou-se que 26% dos conteúdos gerados na web sobre as 20 maiores corporações do mundo são feitos por terceiros. Uma pesquisa promovida com 124 jornalistas de nove estados brasileiros sobre o que influencia na boa reputação mostrou que 35% dos profissionais da imprensa interessam-se sobre o quê e o quanto produz a organização e 31% deles sobre como ela se relaciona com a

comunidade e o meio-ambiente. Apenas 21% dos entrevistados têm preferência pelo desempenho financeiro e 10% pelo relacionamento com funcionários. Em um cenário de crise e para manter a boa reputação, os jornalistas preferem valorizar a transparência da comunicação de resultados e cortes, ao ato de não demitir. E essa sensação de veracidade só pode ser alcançada com uma mudança na postura dos porta-vozes, os quais têm de ser melhor preparados para responder a demandas em exposições públicas e ainda ter consciência do papel do indivíduo como “pessoa jurídica”.


Fotos: Samuel Ivenberg

Foard: hoje as empresas estão perdendo o controle sobre suas marcas e sobre como os consumidores estão vendo o mercado

Para o vice-presidente da Ketchum Atlanta, Patrick Foarde, as empresas estão perdendo o controle sobre suas marcas e também sobre como os consumidores a estão percebendo no mercado. Segundo ele, é preciso identificar os “hackers da marca”, ou seja, aqueles que produzem conteúdos sobre empresas e seus produtos, buscando uma política de aproximação produtiva. Quatro de cada cinco posts em blogs tratam de marcas e corporações, de acordo com os resultados do Technorati State of the Blogosphere, o maior indexador de blogs do mundo, que mede como está o universo de blogs e blogueiros nos mais diversos aspectos. Já o Media Myths Realities, que mede o mercado blogueiro frente aos mitos e verdades do que é veiculado na internet, constatou que o número de consumidores norte-americanos que leem blogs dobrou de 2006 para 2008, sendo que 16% deles dizem não confiar em dados de blogs corporativos. Esse panorama mostra a complexidade do trabalho dos comunicadores. O cidadão desenvolve um senso de propriedade sobre a marca e cada vez mais deseja participar da criação e de seu posicionamento no mercado. Neste sentido, as corporações precisariam

ser autênticas e transparentes e então, saber empregar essa inteligência coletiva em proveito da reputação. Segundo Carina, quando há o endosso de terceiros à performance da organização, a credibilidade é muito maior. Outro canal - aponta a sócia-diretora - é a capacidade da comunicação de disseminar internamente as mensagens estratégicas com agilidade. Jaíra aposta na quebra do velho paradigma de que comunicação é transmissão de informações. Isso, alerta, serve para entender que Comunicação é relacionamento, que pressupõe bilateralidade e diálogo constante para estabelecer vínculos fortes.“É aumentar a capacidade de ouvir para gerar respostas positivas do outro”, explica Jaíra. Disso depende a efetividade da comunicação, porque é a base da avaliação de resultados posteriores. Num mundo hiperconectado, a extensão dos atos é indefinível, e o que seria brincadeira ou descontração pode virar um caso de crise. Uma boa saída, afirmam as especialistas, é a comunicação integrada que, se bem resolvida e de resultados, pode criar “embaixadores da marca”, fundamentais para a reputação. “Estamos vivendo um excesso de mundo.Até o boca a boca deve ser levado em conta nas organizações”, diz Jaíra, que se mostra preocupada sobre a quantidade e velocidade de informações que, por sua vez, só saturam e não agregam valor à organização.

BOcA A BOcA POde trAZer cOnFIABILIdAde Para John Bell, diretor da Ogilvy Public Relations, dos Estados Unidos, mais do que publicidade e editoriais, o boca a boca traz às empresas grande confiabilidade. E, em uma era de transparência, é preciso se readequar e preparar todas as estratégias de comunicação organizacionais. Segundo Bell, cada pessoa está exposta a mais de três mil mensagens comerciais entre o ato de acordar e dormir, numa evidente saturação de informações. Se a regra é participar de conversas e não entregar ou querer controlar mensagens, monitorar essa conversação digital é essencial nas relações de hoje. Em um mundo de contribuição P2P (peer-to-peer), de explosão de aplicativos e distribuição de conteúdo mobile, é sempre importante identificar os influenciadores. O time do boca a boca digital precisa ser integrado por uma propaganda criativa, relações públicas, search marketing, marketing direto, monitoramento digital, ativação de vendas e também um engajamento na gestão de mídias sociais. A importância do engajamento é obter a disposição das pessoas em dedicar seu tempo e energia a uma marca, formando os “embaixadores do boca a boca”. Há um novo modelo de mensuração de resultados na área, dividido entre alcance (awareness e avaliação), preferência (engajamento) e ação (conversão e

Bell: o boca a boca pode trazer mais credibilidade às empresas, até mais que a publicidade e editoriais

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lealdade). É preciso entender o conceito do “beta perpétuo”, ou seja, uma condição e permanente recriação de produtos, serviços e relacionamentos, abrindo chance de experimentação e colaboração para aprimoramento das informações. “Mesmo que os chefes sejam céticos sobre as mídias sociais, logo serão obrigados a compreender”, enfatiza Bell, e completa:“estamos falando de relacionamentos, não de transações comerciais”. Para o diretor da Ogilvy, um dos bons exemplos de sucesso de boca a boca foi o da montadora Ford. Quarenta blogueiros foram contatados e passaram um mês com algum modelo de carro para relatar em seus canais suas experiências, com liberdade de abordagem e julgamento. Outro exemplo foi a Lenovo, que contratou 100 atletas olímpicos de 25 países para documentar suas experiências nos Jogos da China, através de notebooks da marca, em blogs, álbuns de fotos e vlogs (video logs) no projeto “Voices of the Summer Games”, com alta repercussão. Já a Lance Armstrong Foundation, na proposta de tornar o tema “câncer” uma prioridade mundial, aplicou Twitter, blog, Facebook, móbile SMS, álbuns de fotos, numa verdadeira “escada do engajamento” em suas campanhas. “O engajamento é a grande moeda, sendo que a fórmula das conversações em redes sociais passa pela repercussão em escala por influenciadores, multiplicadores e difusores/replicadores. Estas ações são realizadas com indivíduos e grupos muito focados e restritos, para chegar depois a um público mais vasto”, argumentou Bell.

leitores de blogs, em um panorama de 53,9 milhões de usuários de Internet – sendo 35 milhões deles cadastrados no Orkut. Na verdade, Bell reconhece que, se o desejo é alcançar a grande massa, o caminho sempre será a utilização da TV. A Internet atinge hoje exatamente os influenciadores, em outro encadeamento de difusão de mensagens. Mesmo não podendo controlar a mídia social, é importante criar um processo integrado de ouvir, planejar e engajar as informações. Essa falta de controle permite ainda interações bastante produtivas. Alguns canais institucionais com esse perfil são wiki.beingpeterkim.com, www.360digitalinfluence.com e www. thedailyinfluence.com . Outro dado expressivo e comprovado, segundo o Ibope Ratings, é de que 34% do tempo gasto na rede vem das redes sociais, chegando a 90% dos internautas brasileiros. O número de usuários da Internet cresceu 24% em um ano, mas a freqüência às redes sociais cresceu na faixa de 100%. Por “redes sociais”, entende-se qualquer mídia em que o usuário possa produzir conteúdo, canais que reúnem pessoas com os mesmos interesses e opiniões. Nelas, o boca a boca adquire outra dimensão: enquanto no off-line um consumidor satisfeito conta a outra pessoa sua realidade e o insatisfeito conta para 10 pessoas, na rede a conversação chega a 220 pessoas, em média, nos casos negativos.

no mundo de hoje?

Para convencer os setores de marketing das empresas a investir nesse enfoque, ele sugere a apresentação de números nacionais da Internet: no Brasil há 677 mil twitteiros, 700 mil blogs, 12 milhões de

O que é ser coerente

Para Marília Stabile, diretora-geral da CDN Análise e Tendências, atualmente o nome do jogo é a coerência entre imagem e identidade, entre discurso e ação. É preciso, segundo ela, passar por um “teste de realidade” junto a uma opinião pública com melhor nível intelectual e que cobra posturas, onde a imagem é construída e fixada a ponto de ser reconhecida como reputação. A fluidez dessas relações, pondera a diretora, é amparada pela credibilidade junto aos diversos públicos. A formação de opinião a partir da mídia é ainda muito importante. Todavia, nem sempre a cobertura jornalística se aplica ou combina com a opinião da sociedade, que reage às parcialidades.


nOVAs mudAnÇAs e POsturAs

Fotos: Samuel Ivenberg

As corporações estão passando para uma análise de mensagens da mídia como forma de monitorar seu desempenho, comparando as imagens transmitidas, percebidas e introjetadas, consideradas ativos intangíveis com alto valor estratégico. A grande questão é: como transformar essa intangibilidade em valor monetário? A análise das mensagens é feita dentro de um contexto social, da fonte veiculadora, sua autoria e de uma série de características estruturais que influem na visibilidade e ainda no impacto junto ao público, com dimensões como competência (equilíbrio econômico-financeiro e governança), legalidade (cumprimento do papel além da legislação e liderança) e legitimidade (social, ambiental e economicamente responsável). “Isso ajuda a formar um diagnóstico composto por metas, análise e uma auditoria de imagem diárias, cenários de riscos e oportunidades, avaliação de resultados e auditoria de imagem mensal. A observação deve ser feita frente ao objetivo de comunicação, metas e instrumentos selecionados”, afirma Marília.

Maria Cláudia: Comunicação não é uma ciência exata e a mídias sociais requerem um relacionamento pertinente e relevante

tem todo o poder. Estas alterações chegaram à mídia convencional, que se move rapidamente para o ambiente online. Afinal, como divulgou a comScore Mediametrix, os 50 maiores jornais norte-americanos atingem a 21 milhões de pessoas, e somente o portal Yahoo! News chega a 37 milhões por dia. Pesquisa do

Instituto FSB, feita em 2008 com 563 jornalistas, mostrou que a Internet tem 56% da preferência como fonte, ficando apenas 27% para os jornais. A diretora da FSB afirma que no ambiente online há uma potencialização de pesquisa, diálogo, relacionamento, exposição e transparência. E com ferramentas adequadas é possível, na rede, ouvir sem filtros, mapear questões e necessidades, conseguir repercussão e receber feedback, falar diretamente com públicos estratégicos sem intermediários e construir uma “camada de proximidade e boa vontade”. “O relacionamento com as mídias sociais requer pertinência e relevância, foco e adequação da mensagem e entendimento das regras. Não há fórmula pronta, afinal, Comunicação não é uma ciência exata, há ativos e passivos a considerar em cada caso”, avalia Maria Cláudia. Dentro da cultura da mídia social, a ideia é sempre dizer a verdade, ser transparente. E com isso, aliar uma postura de diálogo e entendimento profundo de necessidades,

Para Maria Cláudia Bacci, diretora da FSB RP Digital, o mundo está mudando rapidamente,tanto na maneira de comprar e trabalhar quanto de pensar, comunicar, obter e dividir informação. A internet seria a protagonista dessa mudança, com seu caráter democrático, sem hierarquia e filtros, interativa, customizável e sem limite de espaço e tempo onde o indivíduo

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o que se obtém por um monitoramento da internet. O fornecimento de conteúdos de interesse é outro pilar desse novo cenário para envolver pessoas com consistência e longevidade. Os conteúdos vão gerar interações, afora todas as postagens que prescindem de uma emissão oficial corporativa prévia e a todas elas é necessário responder. Segundo Maria Cláudia, esse é um processo dialógico intenso e que requer uma negociação de narrativas. “É preciso saber ouvir, arriscar, interagir e respeitar”, pondera a executiva.

Fernandes: os jornalistas de todo o mundo estão vendo uma proliferação de conteúdos, coisa que antes não era vista na geração analógica, já que eles eram os únicos detentores da informação

Segundo o diretor da revista Bites, Manoel Fernandes, a geração analógica convivia com uma informação escassa e exclusiva e, atualmente, os tempos digitais são constituídos por abundância. Os jornalistas, que antes eram intermediários entre as fontes e os leitores, agora veem a proliferação de difusores de conteúdo, dos repórteres cidadãos. É uma nova dinâmica de circulação de informações e geração de conhecimento. Em 1999, o Manifesto ClueTrain pregava que os mercados são conversações entre seres humanos e não setores demográficos e econômicos, decretando ainda que não podiam existir segredos no mundo corporativo e que o tratamento para os protagonistas das redes sociais deveria ser distinto dos jornalistas convencionais. Novas lógicas de criação de materiais aliadas à indexação passaram a vigorar, tendo palavras-chave destacadas para atingir os mecanismos de busca online que organizam e hierarquizam a avalanche informativa. Essas características de relevância reais e para efeito dos algoritmos, constituem uma nova aprendizagem, na qual qualquer interferência comercial é malvista. Outra

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novidade, informa Fernandes, é o poder de acessos públicos à rede, pagos (lan-houses) ou governamentais, existentes em todas as camadas sociais (pontos gratuitos dentro dos programas de inclusão social), em que a predominância da procura por redes sociais é evidente. Estima-se que no Brasil existam mais de 780 mil lan houses, principalmente em pontos freqüentados pelas classes C, D e E. De acordo com pesquisa do Cetic. br, as regiões com mais usuários de lan house são o Norte e o Nordeste do

país, com 68% e 67% do total de internautas, respectivamente. Vinte e quatro por cento dos usuários têm acesso no trabalho e 15% na escola. Os centros gratuitos respondem apenas por 6% dos acessos. O total supera 100% porque cada internauta pode utilizar a rede em mais de um local. Outro ponto importante demonstrado pela pesquisa é que, pela primeira vez, metade dos usuários domésticos utiliza sistemas de banda larga. Dos 40% em 2006, o índice subiu dez pontos no último ano. Centro-oeste e Sul são as regiões com


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a melhor estrutura de tráfego de dados, com 68% e 58% de acessos em banda larga, respectivamente. O estudo pode ser conferido no site www.cetic.br

RECOMENDAÇÕES Rebecca: todas as empresas que vão trabalhar com as redes sociais devem primeiro procurar saber o que as pessoas estão falando sobre suas marcas e onde estão falando

Para as empresas que desejam trabalhar, divulgar e conhecer um pouco mais sobre as redes sociais, Rebecca Mayo,

diretora da agência Lansons da Inglaterra, recomenda que elas procurem encontrar o que as pessoas estão dizendo sobre a sua marca e onde, ou seja, quais as redes mais utilizadas. É fundamental descobrir onde os públicos-chave estão para saber as prioridades e os pontos de melhoria, ou melhor, quais as ferramentas que serão utilizadas eficazmente. Rebecca afirma que é necessário entender o marketing do mundo contemporâneo e focar os esforços nos canais mais relevantes. Segundo ela é sempre bom rever as páginas de entrada do próprio website corporativo, no sentido da transparência e da atualização das informações, assim

como readequar conteúdos ofertados, por filtros de relevância e atratividade. Nesse sentido, Rebecca acredita ser uma vantagem empregar jovens nativos digitais, ou seja, aqueles que já nasceram na era digital, para dar suporte às estratégias de relações públicas. “Mas não se pode esquecer do planejamento estratégico para enfrentar situações de crise e o investimento em governança e políticas para minimizar ou evitar desperdício de tempo”, avalia a diretora.

Robhson Abreu e Rodrigo Cogo participaram do 12º Congresso Brasileiro de Comunicação Corporativa, realizado em São Paulo, a convite da Mega Brasil.

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Jornalista, formado em Comunicação Social pela UNESA (RJ) desde 2005, e escritor amador. Atualmente trabalha na Coordenadoria de Comunicação Social da Prefeitura de Itapevi (SP). Também faz alguns serviços freelancers para jornais e revistas de São Paulo.

SONHO X REALIDADE... PODE?

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auxiliar de pedreiro Nicolau Gonçalves, de 33 anos, acordou cedo. Às cinco da manhã já estava de pé, preparando as últimas coisas para a tão sonhada mudança, marcada para as 9 horas. Por alguma razão do destino, ele foi escolhido para ser o primeiro morador a dar adeus à maior favela da cidade e ocupar definitivamente sua nova casa em uma área com condições dignas de moradia.“Chegou o dia, irmão. Por incrível que pareça, chegou o dia”, comentou ao passar por mim, carregando um armário velho e arranhado para pôr dentro do caminhão. Quando cheguei à favela, minutos antes, a impressão que tive era de que todos os cerca de mil moradores estavam na rua. Uma verdadeira multidão acompanhava o ir-e-vir dos trabalhadores transportando os móveis. Estavam felizes com a mudança de Nicolau, talvez por representar um sinal de que havia uma esperança para eles. O projeto de urbanização implantado na favela já havia perdido credibilidade há meses, com o atraso das obras. As famílias que seriam transferidas para um lugar melhor, até aquele momento, não tinham expectativa de que isso de fato pudesse acontecer. A mudança de Seu Nicolau, porém, dava novo fôlego e reacendia as esperanças de um futuro melhor para centenas

de pessoas. Como ele, nos próximos quatro dias, outras 93 famílias deixariam a favela para também ocupar casas dignas em outro ponto da cidade. Por alguns segundos, pude ver o jovem pedreiro parado, dentro do barraco vazio, como que a olhar e rememorar tudo que passou ali. Mas não havia qualquer sinal de tristeza em seu rosto. O modo como olhava cada canto das paredes fazia-o transpirar um sentimento de profunda alegria. Afinal, não era apenas do barraco de dois cômodos, que dividia com mulher e filha, que Nicolau se despedia.A mudança também representava o fim das péssimas condições de higiene em que era obrigado a viver - resultado da falta de saneamento básico – e das enchentes que alagavam sua rua e invadiam a sala de sua casa todos os anos. Ao entrar no caminhão, rumo ao novo endereço, Nicolau marcava o início de uma vida nova, em uma moradia digna, com rede de esgoto, eletricidade regularizada e longe da violência existente na comunidade. E Deus parecia abençoar aquela manhã. Como em um passe de mágica, em meio a uma longa temporada de chuvas, naquele domingo não havia uma nuvem no céu. Os temporais que poderiam impedir que o

trabalho fosse realizado, deram lugar ao sol, que iluminava, majestoso, a saga da família Gonçalves. “Agradeço a Deus, por ter preparado isso para nós”, comentou Marcília, a esposa, já em frente à casa nova. Fernanda, a filha de oito anos, ajudava do jeito que podia. Carregava uma cadeira de cada vez, já que uma de suas mãos estava ocupada sempre segurando Lulu, o gato da família. Ainda pude trocar algumas palavras com Seu Nicolau, que, sem parar de ajudar a descarregar os móveis, me confessou que tudo aquilo contrariava seu pessimismo quanto ao projeto. “Quando ouvia falar que iriam melhorar as condições da favela e que algum de nós ganharia uma casa digna em outro bairro da cidade, não acreditava. Agora me vejo aqui, abrindo a porta de minha casa própria”, disse-me. Antes de ir embora, ainda pedi para fazer uma imagem da família Gonçalves. Interromperam a mudança e, satisfeitos, se agruparam em frente à porta de entrada de seu novo lar. Passados alguns dias, a foto estaria nos jornais da região. Representando o sucesso do projeto de urbanização, lá estavam, abraçados e felizes, Seu Nicolau, Marcília, a menina Fernanda... e o gato Lulu.


O FUTURO ATENDE POR TRÊS LETRAS: RDF

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m todo o mundo, o brasileiro é o indivíduo que passa mais horas em frente ao computador, de acordo com o Ibope. Em julho último, o internauta brasileiro médio passou 71 horas e 30 minutos em frente ao micro, enquanto os norte-americanos ficaram “apenas” 67 horas e 30 minutos usando seus PCs. Porém, apesar de todos os avanços dos últimos anos, o jornalismo pouco mudou. Antes que me apedrejem, explico: o jornalismo digital evoluiu muito, porém, o suporte no qual ele repousa – ou seja, os publicadores de conteúdo e os mecanismos de busca – pouco evoluíram. Tanto é que alguns autores, como Lourival Sant’Anna, apontam como um dos motivos da crise da imprensa os próprios veículos. Diante de tudo isso, uma das possíveis soluções seria a chamada web 3.0, a web da inteligência e dos significados. A despeito da definição esotérica, essa nova internet se materializa em torno de dois conceitos: Resource Description Framework (RDF) e microformatos. Esses dois formatos permitem que mecanismos de busca consigam entender, por exemplo, a palavra “amor” – independentemente da maneira como ela é descrita, seja por meio da imagem de um coração ou pela sequência de letras C-O-R-A-Ç-Ã-O.

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Cada vez mais a notícia se torna uma commodity e o comportamento do internauta em ter um grande portal como referência para iniciar sua navegação web afora já não existe. Hoje, as portas de entrada são os mecanismos de busca e a tendência é que o internauta passe a frequentar espaços mais segmentados de acordo com seus interesses e necessidades. Desse modo, é muita pretensão nossa achar que as pessoas continuarão vindo ao nosso site de notícias. ivo

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ANDRE DE ABREU Especialista em Jornalismo Multimídia pela PUC-SP, coordenador do portal corporativo da TAM, professor de jornalismo digital da Universidade Anhembi Morumbi e jurado das categorias digitais do Prêmio ABERJE. (www.andredeabreu.com.br)

Da mesma forma que as pessoas não compram mais CDs – pois é mais interessante “montar” seu próprio álbum formado apenas com as músicas favoritas – é questão de tempo para que o internauta deixe de ter a coleção de notícias genéricas e de massa chamada jornal como principal referência noticiosa no dia a dia. Por esse motivo, é urgente que o jornal repense sua estratégia. Ao invés de investir verba na atração de mais leitores genéricos para notícias genéricas, seria mais interessante mapear onde seu leitor está e se fazer presente nesses espaços. O seu jornal é a grande referência de mountain bike? Por que não iniciar um diálogo e divulgar suas notícias na principal comunidade dedicada a esse tema no Orkut, ao invés de sair em uma busca desenfreada atrás de leitores? Certamente os membros da comunidade serão mais propensos ao seu veículo do que a massa de internautas. Para que isso seja viável, a saída é fazer uso da tecnologia de RDF e dos microformatos. O RDF ajudará o seu site a aparecer em uma melhor posição nos mecanismos de busca. No caso dos microformatos, eles levarão suas notícias até onde seu público na web se encontra. Para conhecer mais sobre ambos os formatos, vale a pena acessar www. w3.org/RDF/ e www. microformats.org. Com a união dessas duas tecnologias, finalmente conseguiremos ser, cada vez mais, úteis às necessidades dos nossos leitores e, com isso, teremos uma audiência verdadeiramente engajada.

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Treze edições de PQN. Maravilha. Obrigado a todos os colaboradores, leitores e anunciantes que me ajudam a tranformar nossa revista na melhor publicação para os comunicadores. É muito gratificante saber que estamos contribuindo com a história da Comunicação no Brasil. Bom demais! E não esqueça, participe com a gente, envie seu e-mail: robsonabreu@pqn.com.br

PODEROSAS Liliane Pizzane, amiga de longa data desta PQN, assumiu a assessoria de comunicação da Belotur. Na bagagem, ela traz a experiência de anos na BHTrans e também todo o seu carisma. Além disso, Liliane vem sendo muito bem assessorada pela competente Ana Beatriz, minha querida “neguinha pop”.

CONGRESSO INTERNACIONAL Pelo terceiro ano consecutivo, a FSB Comunicações será a representante da comunicação corporativa brasileira na maior conferência internacional de comunicação e relações públicas, a 2009 PRSA International Conference, que acontecerá em San Diego, Estados Unidos, entre os dias 07 e 10 de novembro. Na ocasião, basta conferir os debates pelo hotsite www.fsb.com.br/prsa. A cobertura do evento, que reunirá profissionais de 200 nacionalidades diferentes, também será feita pelo twitter @fsbprdigital (twitter.com/fsbprdigital).

NIVER A agência de comunicação e criação Mapp comemora em setembro seu 10º aniversário com uma festa para 300 convidados na casa noturna San Sebastian Zahi Club, em São Paulo. A agência paulista, especializada nas áreas de TI e Pharma, também aproveitará a oportunidade para apresentar ao mercado seu mais novo sócio, Luiz Carlos Betti. Com grande experiência no setor de TI e sempre ocupando cargos de destaque, o profissional atuou no HSBC, Banco Bradesco e também foi vice-presidente da área de TI do Bank Boston. Depois de décadas no setor financeiro, Betti resolveu apostar no mercado publicitário e aceitou o convite de Patricia Bittencourt e Alek Franceschini e será responsável pelos novos negócios da divisão digital da agência.

PROMOÇÃO Fernando Penteado acaba de ser promovido ao cargo de Diretor Geral de Criação Digital da agência McCann. Durante sua estadia na empresa, o profissional participou da criação de cases como o do Vectra GT e Alice, para a HBO (Prêmio de Mídia Estadão). Entre seus outros trabalhos estão Projeto Carona, Espaço DR e Astra 2010 para a GM e Portal Nestlé. Há mais de um ano na McCann, ele tem 13 anos de experiência em Publicidade.

Arquivo pessoal

MEUS PUPILOS Priscila Armani e Salomão Terra, ela minha pupila e ele, meu amigo, casaram em setembro em uma cerimônia bonita e emocionante na igreja de Santo Antônio, aqui em BH. A festança foi em um casarão na Pampulha com direito a boite e tudo mais. Fiquei muito feliz em ser o padrinho da noiva. Parabéns para vocês e, quero ser tio logo eim!

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MAIS QUE MERECIDO

Divulgaçã

Meu amigo Marco Rossi, da MegaBrasil, faturou o 4º Prêmio RP do Brasil na categoria Profissional de mercado. A iniciativa foi promovida pelo portal RP Bahia com o apoio do Intercom, Abrapcorp e ABRP. A entrega aconteceu em cerimônia realizada no Auditório da Universidade Positivo, durante o Intercom. Este é o primeiro prêmio que Rossi, o homem da rádio MegaBrasil On Line, recebe em reconhecimento à sua carreira na Comunicação, a qual teve início há exatos 30 anos. Parabéns, amigo!

DE CASA NOVA A equipe criativa da Loducca, liderada por Guga Ketzer, anunciou a contratação de Wolfgang F. Covi como seu novo redator. Formado em publicidade pela ESPM, o profissional já trabalhou em agências como Talent e McCann Erickson. Covi também teve a experiência de trabalhar por quase um ano em Bucareste (Romênia) na agência Mercury360º. Covi já foi premiado pelo One Show, London Festival, ABP, anuário do CCSP, além de trabalhos publicados na Lürzer’s Archive.


COMPORTAMENTO

EU TENHO... VOCÊ NÃO TEEEM!...

Besouro, bolha, corcunda, barata, fuscão. Com diferentes apelidos, o velho e econômico Volkswagen Sedan, mais conhecido como Fusca, conquistou o planeta e também o mundo da Comunicação. Alguns comunicadores tratam o veículo não apenas como um meio de transporte, mas como parte vital de suas vidas. E juram que não trocariam o simpático fusquinha por nenhum outro carro! LÚCIO CARVALHO

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Gandra: a paixão pelo Fusca vai até às miniaturas do carro mais popular da VW

Flávio Pinto

arece mentira, mas a paixão pelo Fusca é tanta que tem dono de jornal com a frota composta de fusquinhas; há também colecionadores de miniaturas e, ainda, aqueles que turbinam os “fusquinhas” para dar-lhes um ar de modernidade. Nem a própria VW acreditava que aquele modelo encomendado por Adolf Hitler, na época da Segunda Guerra Mundial, agüentaria o “tranco” por tantas décadas, ultrapassando gerações e gerações e sendo tema de música brega.


Além dos laços emocionais, a relação entre custo e benefício é um dos argumentos mais utilizados pelos comunicadores para justificar a predileção pelo Fusca. Gabriel Marazzi, editor da revista paulista “Auto & Técnica”, afirma que o Volkswagen Sedan é um veículo simples, barato e fácil de dirigir. “Como eu viajava bastante com o carro na época da minha adolescência, o Fusca sempre apresentava problemas de funcionamento. Porém, qualquer mecânico, em qualquer cidade no mundo, consegue consertar um fusquinha. Isso me ajudava bastante”, lembra o editor. A história de Marazzi ao lado do carro de formas arredondadas, começou em 1967, quando o avô comprou um Fusca zero quilômetro. “Foi amor à primeira vista! Tenho ótimas lembranças de viagens e passeios com ele. Quando completei doze anos de idade, comecei a dirigir escondido após voltar da escola”, rememora o editor. Hoje, aos 50 anos, Gabriel Marazzi tem sete Fuscas na garagem. O preferido, claro, é o modelo herdado do avô, Expedito Marazzi, um dos fundadores do Clube do Fusca do Brasil, com sede em São Paulo. No entanto, nem todas as pessoas se “apaixonam” pelo antigo Sedan à primeira vista. O jornalista curitibano Willian Boruki, detestava o veículo, mas, mesmo assim, se deixou influenciar pela mãe e acabou adquirindo um modelo. “Eu não gostava de Fuscas, sequer havia entrado em um. Considerava o carro pequeno demais para a minha altura. Após um tempo, comprei um Fusca que foi de uma amiga da minha mãe e, desde então, não vo qui

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consigo pensar em outro carro”, lembra o curitibano Boruki. Eleno Mendonça, diretor de Comunicação e Relações Governamentais da DPZ Propaganda, em São Paulo, afirma gostar de vários modelos de carros antigos, mas confessa uma predileção pelo Volkswagen Sedan. Proprietário de veículos como Mercedes 69, Jeep 78 e um Buggy 76, o publicitário possui um zelo especial pelo Fusca, de 1969. Assim como grande parte dos colecionadores, Mendonça procura manter a originalidade do carro, característica necessária para a obtenção da almejada Placa Preta. “Quando completei 18 anos, adquiri um Fusca modelo 72. Era lindo, deixei impecável. Depois, tive um 76. Fiz o mesmo. Porém, sempre desejava adquirir um Fusca mais antigo, histórico. Então, comprei meu fusquinha atual. Para se ter Placa Preta, as condições básicas são o carro ter mais de 30 anos e 80% de originalidade. Adquiri as peças gradualmente, até deixá-lo como hoje, Placa Preta, novinho”, explica o publicitário paulista. O diretor de comunicação da DPZ afirma que a simplicidade e o design antigo são os elementos mais marcantes do Fusca. “O jeito totalmente antigo, diferente daquilo que a gente vê hoje nas ruas, faz do Fusca um carro original em todos os aspectos. É um veículo perfeito em tudo,

tão bem projetado que permaneceu vários anos sem nenhuma mudança significativa. Meu fusquinha é uma graça. Ele representa para mim um marco, uma recordação legal, uma curtição com meus filhos, um prazer pessoal”, diz Eleno, em um tom bem apaixonado.

um cArrO DE GERAÇÕES Também por influência da família foi que Jary Cardoso, editor de opinião do jornal “A Tarde”, de Salvador, Bahia, simpatizou pelo valente Volkswagen Sedan. Ele conta que, como a esposa dele é natural de Juiz de Fora, Minas, e o Fusca era um carro muito popular por lá, foi influenciado a adquirir um modelo quando foram morar em Salvador. Na Bahia, afirma, o Fusca é um carro bastante valorizado e popular. “Comumente recebo propostas para vender o meu modelo, de 1969, que não é muito bem conservado. O carro já foi retificado, foi para a funilaria e possui alguns remendos laterais que não podem ser consertados. No entanto, o motor e a parte mecânica estão excelentes”, diz Cardoso que confessa gostar de dirigir em alta velocidade pelas ruas de Salvador. “Ainda mais quando as pessoas se espantam ao ver no retrovisor um fusquinha ultrapassando todos”, brinca o editor. Ao contrário de Jary Cardoso, o “fuscamaníaco” mineiro Toninho Almada, repórter fotográfico do jornal “Hoje em Dia”, de Belo Horizonte, possui uma grande preocupação com a conservação de seus dois Fuscas. Mas o predileto é o modelo na cor preta, ano 1995. “Lavo meus fusquinhas quase todos os dias e procuro reparar qualquer tipo de

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Gabriel: qualquer mecânico no mundo sabe consertar um Fusca

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problema o mais rápido possível. Fico bastante zangado quando meu filho faz algum estrago na lataria do Fusca azul, apesar de ela ser muito mais forte se comparada com a de automóveis mais modernos. Já houve casos em que algum motorista bateu no meu carro, mas o veículo dele ficou bastante danificado e o meu saiu sem nenhum arranhão”, comenta o repórter. Na medida em que os anos passam, os “fuscamaníacos” desenvolvem uma relação emocional com o carro. Muitos dos modelos acabam fazendo “parte” da família, ganham apelidos carinhosos e recebem, às vezes, mais atenção que um membro da família. “É simplesmente apaixonante!”, diz Almada. Quando questionado se trocaria seu Fusca por um New Beetle, o repórter é categórico: “O New Beetle é um carro charmoso... mas não troco meu pretinho por dinheiro nenhum desse mundo”, diz emocionado.

PAIXÃO INCONDICIONAL e PrOFIssIOnAL Ser apaixonado pelo Fusca parece não ser privilégio apenas de alguns motoristas comunicadores. Até mesmo empresas se renderam aos benefícios da boa mecânica, peças de reposição com fartura e a economia no combustível que o velho VW Sedan oferece. Em Formiga, cidade localizada a 200 quilômetros da capital

Fonseca afirma que, em termos de negócio, o Fusca atende perfeitamente às demandas de uma empresa,principalmente no quesito economia e mecânica. O carro se adapta perfeitamente a todas as estradas – terra, asfalto, ladeiras e também as esburacadas. A relação entre custo e benefício, informa o diretor de “O Pergaminho”, é excelente e a manutenção bastante acessível. “É possível consertar um Fusca com um pedaço de arame e um pouco de barbante”, brinca Fonseca, que também é um dos fundadores do Clube do Fusca de Formiga, grupo que atualmente tem 480 filiados na cidade. Além da frota da empresa, o jornalista possui mais de 150 miniaturas do veículo. Sua paixão com o carro começou há 28 anos, quando ganhou o primeiro. Já em Uberlândia, no Triângulo Mineiro, o diretor de jornalismo da TV Integração (afiliada da Rede Globo), Paulo Eduardo Vieira, possui afeição especial pelo carro desde criança. Na infância, seu pai possuía um Fusca ano 1969. Na época, eles moravam em Brasília e o fusquinha era o meio de transporte para visitar os parentes em Goiás e em São Paulo. “Passávamos várias horas dentro daquele pequeno carro apertado. No entanto, por incrível que pareça, esse ambiente de ‘aperto’ do Fusca hoje me traz muitas saudades”, diz Vieira.

cAusOs de FuscA tOdO mundO tem! Para Paulo Toscano Costa, repórter fotográfico da Assessoria de Comunicação da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro (Ascom/PCERJ), a história do Fusca é um de seus maiores diferenciais. Apaixonado pelo carro, Toscano batizou seu Fusca ano 72 de “Cartier Bresson”. O jornalista explica que, para ele, além do passado rico e do design inigualável, o veículo também é um elemento de sociabilidade. “Se ele enguiça, sempre aparece alguém com a intenção de ajudar. Foi em uma situação dessas que conheci um de meus grandes amigos”, lembra Costa. A antiga dona de “Cartier Bresson”, rememora o repórter, queria R$ 2.400,00 pelo veículo. Com os detalhes acertados, Costa entrou no carro para ir até a agência bancária na qual sacaria o dinheiro. No entanto, o Fusca enguiçou no meio do caminho. Indignado, ele ligou para a dona do veículo e ofereceu uma quantia bem menor, que foi aceita. Atualmente, Costa se orgulha de possuir um Fusca.“Não teria o mesmo sentimento se tivesse adquirido um BMW. O Fusca é o exercício da simplicidade. Ele é um Gandhi de quatro rodas. Simples, poético, guerreiro, amigo, pacífico e humilde”, diz o carioca. No entanto, nem todas as pessoas pensam como o jornalista. “Uma mulher que eu paquerava recusou-se a entrar no carro porque, segundo ela, não andava de Fusca. Então, deixei-a a pé”, lembra o repórter fotográfico. Casos é o que na faltam na vida de um fuscamaníaco. O diretor de jornalismo da TV Integração, Paulo Eduardo Vieira, afirma que o veículo

O diretor de jornalismo possui atualmente um Fusca ano 79 que foi comprado da tia. Após a aquisição, o carro passou por uma reforma completa: foi desmontado, as peças foram catalogadas, a pintura restaurada, a ferrugem lixada e os estofados consertados. Arquivo pessoal

Divulgação

Eleno: o desing antigo e a simplicidade do Fusca é o que mais chama a minha atenção

mineira, o jornal “O Pergaminho” optou por ter uma frota formada somente por Fuscas. O proprietário do diário, o jornalista Manoel Gandra Fonseca, explica que seu envolvimento emocional com o carro ultrapassou o lado pessoal e ganhou a garagem da empresa. Ao todo, sete Fuscas servem aos profissionais da redação.

Jary: mesmo remendado nas laterais, o motor e a parte mecânica do carro estão ótimos

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Assim como os outros apaixonados pelo Fusca, Toninho Almada, repórter fotográfico do jornal Hoje em Dia, lembra uma passagem segundo a qual ele e um amigo decidiram passear em uma cidade próxima a Viçosa, no interior das Gerais. Na ocasião, houve uma chuva forte e eles se depararam com vários carros atolados no final de uma descida, em uma estrada de terra. Ele decidiu acelerar ao máximo na longa reta que antecedia o “atoleiro” e, quando superou o obstáculo, diminuiu a velocidade do carro. “As pessoas que estavam com os veículos parados ficaram boquiabertas. Algumas chegaram a gritar e bater palmas para o fusquinha”, diz, orgulhoso, o fotógrafo. Eleno Mendonça, diretor de comunicação e relações governamentais da DPZ Propaganda, embora seja um ávido defensor do Fusca, admite ter passado por uma série de problemas e situações imprevistas a bordo do Volkswagen Sedan. Problemas mecânicos repentinos em grandes avenidas paulistanas, falhas na embreagem durante viagens e até mesmo uma cegueira temporária fazem parte das anedotas que o publicitário vivenciou junto ao Fusca. “Uma vez fui trocar o escapamento de um fusquinha. Fiquei embaixo dele e, como estava enferrujado,

Arquivo pessoal

representa para ele uma maneira curiosa e divertida de ligação com o passado. “Recordo-me sempre de um episódio da minha infância. Em certa ocasião, o Fusca do meu pai ficou atolado uma noite inteira em uma estrada de terra. Tivemos que dormir no carro, pois não restavam alternativas e mal sabíamos onde estávamos. No dia seguinte fomos acordados por uma vaca, que lambia o vidro do carro. Foi um dos mais engraçados sustos que já sofri na vida, além de ser também um episódio que marcou minha relação com esse carro”, gargalha Vieira.

Paulo Eduardo: o Fusca traz boas recordações da infância em Uberlândia junto aos meus pais

comecei a martelar para que a peça se desprendesse. Quando saiu, ‘cuspiu’ toda a fuligem que foi toda para os meus olhos. Fui parar num hospital. Felizmente nada aconteceu”, relata. Mesmo com as intempéries, Mendonça afirma que não trocaria o Fusca por nenhum outro carro, tampouco pensa em adquirir um New Beetle, que, do seu ponto de vista, segue uma proposta totalmente diferente do bom e tradicional fusquinha. “O Fusca apaixona a todos. Faço muito sucesso nas ruas entre os que gostam de carros antigos, principalmente os apaixonados por Fuscas”, afirma Eleno com orgulho.

FuscA e desIGn Não é só a mecânica simples e a boa relação entre custo e benefício que atraem os usuários do Fusca. As formas arredondadas e o design peculiar são parte do imaginário coletivo de várias gerações. Uma das formas encontradas para explorar essa questão é o Projeto Karawane, proposta criada a partir da Arquivo pessoal

Canastra: é interessante ver como ainda existem muitos Fucas rodando no Brasil

troca de cartas entre estudantes alemães e brasileiros. A intenção é promover uma série de intervenções artísticas e culturais em várias cidades do Brasil, utilizando como principal elemento uma caravana de fuscas. O projeto conta com a participação de alunos da Unicamp, Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ) e Hochschule für Bildende Kunste (HBK), segunda maior instituição de ensino da Alemanha. Adilson Siqueira, coordenador do projeto na UFSJ, informa que a idéia surgiu em 2006, quando estudantes e professores da HBK foram fazer a primeira caravana, na África. “A utilização dos fuscas se dá por aquilo que eles representam para o povo alemão. O Fusca é um carro raro e incrivelmente respeitado naquele país. Além disso, possui um design incrível”, explica Siqueira. O coordenador diz que as intervenções artísticas são promovidas primeiramente em uma praça central, por meio de um cortejo. Posteriormente, são realizadas performances com fuscas customizados. “O objetivo do projeto Karawane é, antes de tudo, o de fomentar uma parceria entre as três universidades envolvidas. O Fusca pode ser considerado como o símbolo da união entre o Brasil e a Alemanha”, avalia. O design do Fusca é algo que se destaca também para o português Nuno Canastra. Nascido na cidade do Porto e com formação acadêmica na área de arquitetura, o “fuscamaníaco” decidiu se especializar na área audiovisual. Quando mudou para Florianópolis, em 2007, criou o projeto ‘FuscaAtivo’, que no

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começo era uma proposta audiovisual e posteriormente mudou o foco para a produção editorial. Atualmente com duas edições publicadas, a revista FuscaAtivo prtetende realizar um material denominado pelo próprio editor como esteticamente “arrojado, atrevido e dinâmico”, principalmente na forma como as fotografias são trabalhadas. “A ideia surgiu para homenagear um carro pelo qual sou apaixonado e que há muito tempo não via desfilando pelas ruas”, diz Canastra. O português afirma ter ficado surpreso ao ver a quantidade de fuscas que circulam diariamente pelo Brasil, pois o carro não é comum na Europa. “Ter um fusca aqui em Portugal é quase como ter um tesouro, porque são poucos os que ainda estão em bom estado para poderem dar resposta às apertadas leis européias de conservação dos automóveis”, observa o português. No entanto, mesmo com as divergências legais, o editor diz que o sentimento gerado pelo Fusca é o mesmo em qualquer lugar do mundo. “É isso que torna o Fusca um mito. O carro desperta um forte sentimento de alegria e bem-estar às pessoas, levando-as a tratá-los como membro da família. Acho que tem a ver com a forma arredondada que predomina nas linhas e a aura simpática que tornou o carro tão carismático, aliado à sua robustez e desempenho”, garante Canastra.

Após quatro anos de estudos, Porshe conseguiu criar o protótipo de um carro barato e com o motor refrigerado a ar, assim como havia sido encomendado por Hitler. O motor, colocado na traseira do veículo, foi o responsável pelo design peculiar do carro: o capô arredondado e a traseira levemente mais achatada. Em 1938 o Fusca começou a ser produzido em série e um ano depois foi utilizado como veículo militar na Segunda Guerra Mundial. Entre as estratégias de marketing destinadas à comercialização civil, destaca-se o fato da Volkswagen alemã ter distribuído fuscas gratuitamente para diversas auto-escolas européias, para que os alunos se familiarizassem, conhecessem e aprendessem a dirigir o veículo. Com o fim da guerra, a produção em série do Fusca acabou subitamente e seus projetistas simplesmente “desapareceram”. O veículo ficou “esquecido” até que o major Ivan Hisrt redescobriu o

Em 1974, ano recorde de compras do veículo, foram vendidos 239.393 fuscas no Brasil. No entanto, a produção foi temporariamente suspensa no país em 1986. Retomada em 1993, por intermédio do então presidente Itamar Franco, foram produzidos cerca de 40 mil novos carros. No entanto, o projeto não durou muito tempo: em julho de 1996 foi anunciado oficialmente o fim da fabricação do Fusca no país. No total, foram vendidos 3,3 milhões de unidades em nosso país.

um POucO de HISTÓRIA Karawane: o Fusca é o símbolo da união entre o Brasil e a Alemanha e a parceria entre as três escolas Divulgação

O Fusca foi desenvolvido por Ferdinand Porshe a pedido de Adolf Hitler. A proposta do “Volkswagen” (carro do povo) era acelerar a economia com um modelo simples e barato, que teria como intuito contribuir para o fim da recessão econômica que assolava a Alemanha, após a Primeira Guerra Mundial. Na época (meados de 1935, quando o Fusca foi oficialmente lançado), a Alemanha era o país com menor número de automóveis per capita da Europa: um para cada 100 habitantes. Para divulgar o carro, panfletos produzidos pelo NSDAP (Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães) eram distribuídos nas ruas.

Volkswagen e estimulou a volta da fabricação em série do produto. Em 1956 existiam 25 mil Fuscas nos EUA, sendo 4.400 destinados à exportação. Apenas três anos depois, a marca Volkswagen já possuía filiais em várias partes do mundo, inclusive no Brasil. Inaugurada em 1959 por Juscelino Kubitscheck, a VW Brasil foi uma das grandes empresas que ajudaram a consolidar o Fusca no mercado. Foi também o ano de uma das campanhas mais importantes e revolucionárias da história da propaganda, a “Think Small”, produzida por Bill Bernbach, que posicionou o Fusca como um carro econômico e de fácil manutenção.


ENTREVISTA

EM MOMENTOS DE CRISE, RECUAR A

COMUNICAÇÃO É UM GRANDE ERRO JENIFFER CARDOSO

C

omo na Comunicação tudo acaba tendo solução, nas relações empresariais não poderia ser diferente. Principalmente quando uma empresa entra em crise, seja de imagem ou de comunicação corporativa. Pode até parecer que seus dias estão contados, mas nada como boas práticas e conselhos eficazes para fazer com que uma empresa se recupere. “Sobreviva à crise - Manual de Gerenciamento de Crise”, é um livro de cabeceira para todos os stakeholders, CEOs, comunicadores e afins, que trata desse assunto com primor. O livro foi escrito pela jornalista e especialista em comunicação corporativa, media training e marketing, Sulamita Mendes, em parceria com Karin Vilatore, especialista em Marketing Empresarial. Sulamita está no mercado há mais de 25 anos. Atuou na área de comunicação e marketing do Sebrae/PR por 15 anos, sendo responsável pelo reposicionamento da marca e conseqüentemente pelo prêmio Top de Marketing ADVB - 2006. Foi gerente de comunicação e marketing do ISAE/FGV e ministrou aulas na UNIFAE.

Assessorou por quase 10 anos o Sinca/PR, onde também foi a editora da revista “Apoio ao Varejo”. Foi consultora empresarial em comunicação interpessoal e de liderança em técnicas de gestão e motivação do Senac em empresas como Petrobras, Telepar (hoje Brasiltelecom) e o Porto de Paranaguá. Atualmente, ela promove consultorias e palestras e é Conselheira do Casem/ ACP - Conselho de Ação para a Sustentabilidade Empresarial da Associação Comercial do Paraná. A jornalista falou exclusivamente para a Revista PQN sobre quais são os objetivos do Manual e também o que as empresas devem fazer para contornar os quadros da crise.

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Sulamita Mendes e Karin Villatore: sobreviver é mais

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PQN – O Manual é livro de cabeceira para muitos empresários e profissionais da Comunicação que precisam enfrentar a crise com criatividade. Mas como contornar os momentos críticos? Sulamita Mendes – Fomos observando que essa crise mundial econômica estaria resultando também em uma crise de imagem e uma crise de comunicação corporativa. Vimos uma oportunidade de orientarmos tanto o profissional de comunicação como o empresariado em geral sobre qual seria a maneira de contornar essa situação. Uma crise pode afetar toda a imagem de uma empresa e também resultar numa crise financeira e de imagem. E a crise de imagem é irreversível. Às vezes você não tem nem como optar por outro negócio ou outra ação porque a sua imagem já estará comprometida. PQN – Então uma das ideias do manual é mostrar como é possível sobreviver a essa crise econômica sem diminuir o investimento em comunicação, certo? Sulamita – Essa é uma grande falha, um grande erro empresarial. Em um momento de crise, um dos primeiros cortes é feito na comunicação. E é comprovado que, em algumas situações, os grandes grupos que investiram em comunicação tiveram o oposto e apareceram muito mais. Eles tiveram muito mais chance de sobreviver. Um exemplo simples: se alguém é visto constantemente na imprensa, o leitor, ouvinte ou telespectador tem sempre a impressão que já conhece essa pessoa. Então, veja: num momento de crise, recuar a comunicação é um erro. A empresa deve pensar o investimento, mas não tirar a comunicação do foco do seu investimento. PQN – Se pensarmos bem, em momento de crise, as pessoas diminuem o consumo e investem na marca ou na empresa que estiver mais presente em seu subconsciente. E, geralmente, isso acontece com as empresas que investem mais em comunicação, não é? Sulamita – Exato. E aqui nós estamos lembrando só da imprensa. Temos que pensar em termos de comunicação corporativa como um todo.Tem a questão da comunicação interna. Se não tivermos um trabalho claro de comunicação

interna, o próprio funcionário vai começar a pensar que a empresa está em crise e que logo ele perderá seu emprego. Isso afeta determinantemente o resultado do negócio. Então, é preciso pensar em comunicação de um modo geral. Não só a questão da imprensa, nem só a publicidade ou a comunicação interna, mas o todo. É a comunicação integrada, uma ação complementa a outra.

sustentabilidade empresarial. O sucesso de uma empresa não está baseado apenas no sucesso econômico. Se você não pensar em ações internas junto aos funcionários e fornecedores, a crise atinge o negócio muito mais violentamente.

PQN – Existe uma receita de ação? Como o Manual de Gerenciamento de Crise está estruturado?

Sulamita – A questão é: falo ou não falo? Finjo que não está acontecendo ou tomo alguma decisão? O manual aborda tudo isso. Em qual momento é preciso de um porta-voz, quando trabalhar o assunto internamente e externamente e como informar à imprensa. O que falar e o que não falar e, infelizmente, a questão do off ainda pega muita gente. O empresário mal preparado ou até mesmo o assessor, na hora de dar a entrevista, pode fazer uma brincadeira e isso virar manchete. Nós, jornalistas, temos que enfrentar muitas vezes essa questão.

Sulamita – Antes mesmo da crise, fatores que podem determinar se uma crise econômica ou de imagem estão se aproximando. Nós temos no início um capítulo que fala diretamente sobre a crise empresarial. Por exemplo: você tem um setor de finanças, então precisa saber quem está cuidando desse setor e se esse colaborador é de confiança. Outro caso: no setor de RH começam a vazar informações. Esses casos são situações empresariais e podem resultar numa crise lá na frente. O início do manual tem esse alerta, com as causas internas que podem gerar uma crise. Depois disso há quadros onde o empresário vê a divisão de investimentos e o que ele pode fazer e pensar. PQN – A crise pode ser percebida rapidamente pelo empresário? Sulamita – Acontecem muitos casos onde os empresários nem percebem que estão caminhando para uma crise e isso se chama “não-prevenção”, ou seja, não há gerenciamento. Se você se programa antes, é possível se organizar e depois direcionar esforços. Uma ação sugerida é a criação de um comitê emergencial, com a orientação do funcionário para que ele seja um defensor das ações da empresa. Enfim, se você começar antecipando todas as possibilidades, a crise pode vir, mas muito mais amena. A possibilidade de te pegar de surpresa é muito menor. PQN – A prevenção contra a crise realmente vem sendo cada vez mais discutida como essencial para agir como um amortecedor de crises iminentes? Sulamita – Sim. Inclusive, essa crise econômica mundial reforça a necessidade das empresas pensarem cada vez mais em

PQN – Como as empresas devem proceder depois que a crise se estabeleceu?

PQN – E quando enfrentamos de frente a crise, precisamos também mudar nossa postura perante a imprensa. As atitutes podem influenciar no que será publicado no dia seguinte? Corremos o risco do ‘tiro sair pela culatra’? Sulamita – O que é importante entender é que você está em crise e não está dando uma entrevista corriqueira sobre um produto ou serviço.Você está falando que está em crise, então sua atitude tem que ser velada, discreta e sem brincadeiras. Falamos sobre desde cuidados básicos, como os tipos de roupas e o quê vai falar, até questões atuais como a tecnologia. Basta pensar que um simples celular pode gravar ou fotografar e, no mesmo instante, mandar tudo para a web. As suas atitudes têm que ser muito mais comedidas do que no passado, quando tínhamos cinco minutos de fama. Agora, no manual, falamos que você corre o risco de ter cinco minutos de “desfama”. Um dedo no nariz (desculpe o exemplo) pode ilustrar uma matéria negativa sobre a sua empresa. Em um momento de crise o jornalista se liga ainda mais na imagem do empresário. Qualquer atitude errada ou inadequada pode acabar com a imagem desse empresário e de seu negócio.

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CAPA

Somos cozinheiros, economista psicólogos, nutricionistas, advo pedreiros... mas, antes de t

Artes: Lúcio Carvalho

somos Jorna por formação! no calor da decisão do supremo tribunal federal (stf) de desregulamentar a profissão de jornalista, muitas declarações foram dadas, inclusive pelo ministro Gilmar mendes, que comparou a atuação do profissional de Jornalismo à de cozinheiro ou artesão. segundo ele, jornalista não precisa ter formação específica, mas sim o dom para escrever. Exatamente como o cozinheiro possui o dom para criar um prato e o artesão para criar suas peças. fazendo uma analogia com o que foi dito pelo ministro, até que ele está certo, pois todo jornalista acaba tendo que saber um pouco de outras profissões para se manter no mercado. porém, exercer atividades da carreira alheia é outro ponto, assim como as demais categorias não podem exercer a função de jornalista, de repórter. após três meses do ocorrido, ainda lutamos para derrubar a decisão do stf. lÚCio CarValHo, prisCila armani E roBson aBrEU

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as, engenheiros, médicos, ogados, donas de casa, tudo,

alistas E !

ntramos no terceiro mês de angústia após a decisão do STF de desregulamentar a profissão de Jornalista e quebrar a exigência do diploma de curso superior para exercê-la. De julho até agora, muita coisa passou pela cabeça de todos nós: o que será da categoria? Os salários vão baixar? A qualidade do ensino vai piorar ainda mais? Teremos um Jornalismo de qualidade, pautado pela ética e exatidão das informações? Até o momento, o que temos é uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que precisa ser aprovada pela Câmara dos Deputados e depois pelo Senado. Só assim reaveremos nossos direitos. Mas, enquanto isso não acontece, algumas instituições de ensino tiraram o Jornalismo da grade curricular e profissionais de todo o país fazem previsões catastróficas. Em países como Estados Unidos, Argentina, Chile, Alemanha, França, Portugal, Japão, Marrocos e Austrália, o diploma não é exigido. Será que poderemos seguir o mesmo exemplo, já que em alguns desses países a imprensa apresenta grande credibilidade? Tudo pode acontecer, principalmente se a PEC não conseguir aprovação. Para mudar esse quadro, entidades sindicais e patronais estão promovendo movimentos em todo o Brasil. A intenção é mobilizar a sociedade, em destaque os profissionais formados e também os estudantes, público que será mais prejudicado caso a decisão do STF prevaleça para sempre em nosso país. Inclusive foi criado o Fórum Paulista em Defesa do Jornalismo, durante reunião promovida na ECA-USP, em agosto, com a participação de entidades de profissionais, professores e estudantes de Jornalismo. A iniciativa foi do professor José

Coelho Sobrinho, idealizador do Núcleo de Pesquisa em Jornalismo e Interesse Público da ECA. O grupo deixa claro que fazer a defesa do Jornalismo de imediato significa lutar pela volta da exigência da formação específica. E a categoria vem mobilizando vários setores, inclusive o Poder Legislativo. No final de agosto, a deputada Rebecca Garcia (PP/ AM) encaminhou à Mesa Diretora da Câmara dos Deputados um requerimento com 203 assinaturas, número superior ao necessário para a constituição da Frente Parlamentar em Defesa do Diploma. A instalação da Frente está prevista ainda para setembro. A Frente tem por objetivo ampliar o debate sobre a questão do diploma e de outros temas relacionados à profissão de Jornalista, como uma nova legislação, de caráter democrático, para regular as relações entre os veículos de comunicação, os profissionais e a sociedade, após a derrubada pelo Supremo Tribunal Federal, em junho, da Lei de Imprensa e da exigência da obrigatoriedade de diploma em curso superior para o exercício do Jornalismo. Em reportagem no portal de notícias da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), Valci Zuculoto, diretora da FENAJ e membro da Coordenação da Campanha em Defesa do Diploma, disse que tem certeza de que outros parlamentares podem e devem aderir a essa Frente, como também apoiar a tramitação das PECs na Câmara e Senado. “Mas para isso é preciso que os esforços de sensibilização dos parlamentares e de cada vez mais setores da sociedade prossigam”, observa. Ela recomenda que todos os


E NOS OUTROS PAÍSES?

ARGENTINA

Não é necessário ter o título universitário para exercer o jornalismo na Argentina. A profissão está regulamentada pelo Estatuto Del Periodista.

CHILE

No país prevalece a tese de que qualquer pessoa, só por ter nascido tem o direito a se comunicar, sem distinção que uma coisa é a liberdade de expressão e outra o exercício profissional do jornalismo. Os meios de comunicação só estão proibidos de contratar pessoas condenadas.

COLÔMBIA

Necessário ter a carteira profissional de jornalista expedida pelo Ministério da Educação mediante prévia apresentação de diploma.

JAPÃO

Existe o curso de Comunicação Social, mas para exercer a profissão não há exigência legal de ser diplomado em jornalismo.

profissionais promovam contatos com os parlamentares integrantes das Comissões de Constituição, Justiça e Cidadania da Câmara e do Senado, bem como com deputados que ainda não aderiram à Frente Parlamentar. Além da instalação da Frente Parlamentar, a diretora lembra que, em reunião ampliada da direção da FENAJ com representantes dos Sindicatos de Jornalistas, em julho, ficou definido que o dia 17 de cada mês é Dia Nacional de Luta, em alusão à data da decisão do STF que derrubou a exigência do diploma (17 de junho). O Sindicato dos Jornalistas do Piauí já programou para 17 de setembro uma grande manifestação em Teresina, com a participação de estudantes, professores e jornalistas em defesa do diploma. Após a decisão, em todo o país a indignação foi unânime. Nas ruas, centenas de estudantes e profissionais formados realizaram movimentos em defesa do restabelecimento da exigência do diploma para o exercício profissional do Jornalismo. Em Belo Horizonte, a mobilização foi bastante tímida, já que poucos profissionais, sendo eles em sua maioria diretores do Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Minas Gerais (SJPMG), compareceram ao ato em defesa do diploma no dia da visita do ministro Gilmar Mendes ao Centro Integrado de Apoio ao Adolescente (CIAA). Apesar disso, a entidade sindical obteve apoio de vereadores, deputados, e outros órgãos de classe como o Conselho Regional de Economia e OAB-MG.

FIM DO CURSO? Em Campinas, no interior paulista, a Facamp (Faculdades de Campinas), acabou com o curso de Jornalismo oferecido desde 2002. A direção da faculdade afirma que a decisão foi motivada pelo fim da exigência de diploma de Jornalismo para o exercício legal da profissão. Em nota distribuída aos alunos, a instituição disse que: “a recente abolição da obrigatoriedade do diploma de jornalista para o exercício dessa profissão impôs a reorientação dos cursos de Jornalismo do Brasil”, mas garantiu que manterá as turmas existentes. Com formação prevista para 2012. Somente

não abrirá novo vestibular em 2010 para o curso. Inclusive a graduação foi retirada da página da instituição na Internet. A ideia da Facamp, que já obteve o conceito cinco no Enade (Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes) em 2006, o mais alto dado pelo Ministério da Educação (dados divulgados pelo MEC em 31/08), é criar um curso de pós-graduação em Jornalismo e continuar investindo na área. “A formação de jornalistas de alto nível, comprometidos com o interesse público, continua sendo um objetivo fundamental desta instituição de ensino”, diz uma nota divulgada pela Facamp, que é considerada como a 12ª melhor instituição de ensino superior do Brasil e cuja mensalidade da graduação em Jornalismo é de cerca de R$ 2.000,00. Com o término do curso, a instituição continuará a ofertar a graduação em Propaganda e Marketing. Mesmo que também a publicidade não seja reconhecida como profissão, a procura é intensa. Robson Abreu

Em Belo Horizonte: mobilização mesmo só por parte do Sindicato da categoria, embora os profissionais tenham sido avisados da visita do ministro Gilmar à capital mineira

Outra instituição que não abriu turma de Jornalismo para o segundo semestre de 2009 foi a Universidade de Uberaba (UniUbe), em Minas Gerais, devido ao número insuficiente de alunos. A instituição atribui a baixa procura ao fim da exigência do diploma na área. Houve apenas 14 candidatos inscritos para as 30 vagas, o que inviabilizou a oferta do curso. Mas, para o vestibular 2010, o curso, que tem mensalidade média de R$ 700,00, será oferecido normalmente. E a UniUbe garante que não houve evasão por causa do fim da exigência do diploma, já que os alunos apostam que as grandes empresas vão continuar pedindo formação na área.


Mas em Salvador, Bahia, a Faculdade da Cidade, no Comércio, também não abriu turma esse semestre. A escola teve apenas 20 alunos matriculados e foi uma decisão administrativa não abrir turma com essa quantidade de estudantes, apesar do vestibular ter corrido normalmente. No Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Distrito Federal, estados que concentram as grandes escolas de ensino superior de Jornalismo, o curso será mantido, já que as instituições preferem aguardar os resultados dos acontecimentos até 2010. “Ainda é muito cedo para qualquer decisão”, afirmou Sueli Maria Baliza Dias, reitora do Uni-BH, uma das escolas mais tradicionais da capital mineira, que já formou mais de 50 mil jornalistas desde a década de 70. Para o coordenador do curso de Jornalismo da Faculdade Cásper Líbero, Carlos Costa, isso reflete uma falta de serenidade por parte do STF para julgar a questão. “Essa discussão foi feita de maneira muito emocionada, tanto da parte do STF quanto pelos jornalistas. Acredito que o ministro Mendes foi especialmente influenciado pela campanha negativa que a mídia vinha movendo contra ele. Era

uma determinação que precisava ter sido mais discutida e tomada com mais calma”, argumenta o professor da faculdade de Jornalismo mais antiga do país. A Universidade Tiradentes (Unit), em Sergipe, também deixou clara a posição contrária à não exigência do Diploma de Jornalismo e lançou campanha criada pela agência baiana Objectiva, em prol do mesmo: “O mercado exige mais do que o diploma, exige formação”. A instituição contou com a parceria dos veículos de comunicação e do engajamento de seus alunos. Segundo o professor Jouberto Uchôa, reitor da Unit, a instituição que dirige está de mãos dadas no movimento em defesa do diploma de Jornalismo. “Estamos em um momento delicado em virtude das últimas decisões que o Supremo Tribunal Federal tomou a respeito do diploma de Jornalismo, mas continuaremos atuando na linha de frente e apoiando a luta da classe jornalística que busca apenas seu merecido respeito e direito perante o conceito de democracia que vivemos”, disse. “Podemos ter, em nome da liberdade, jornalistas sem diplomas. Da mesma forma que não precisaria de diploma de advogado para

GRÉCIA

O curso de jornalismo é ministrado em faculdades privadas e na Universidade Pública de Pantios (em Atenas), sem ser um requisito obrigatório cursá-las para exercer a profissão por lá.

AUSTRÁLIA

Não existem exigências legais para ser jornalista na Austrália, contudo há códigos de conduta e leis que regulam várias áreas da comunicação.

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Carlos Costa: a discussão do diploma foi feita de maneira emocionada tanto pelo STF quanto por nós jornalistas

EUA

Nos Estados Unidos não é obrigatório o diploma para se exercer a profissão de jornalista, embora a demanda seja grande em todo o país.

CHINA

O candidato a jornalista deve dominar as teorias e conhecimentos básicos da ciência do Jornalismo, e conheecer bem os princípios orientadores e políticos sobre divulgação jornalística do governo da China. Também, deve possuir a capacidade de recolher notícias e de retransmiti-las.


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Uchôa: a Unit vai continuar mobilizando a sociedade contra a precarização do jornalismo

ser ministro. Eu mesmo, há muito anos, já fui rábula (aquele que advoga sem possuir diploma)”, completa o reitor. Uchoa afirma que a sociedade precisa de informação produzida de forma competente e responsável. A concorrência entre os meios de comunicação vai exigir um produto diferenciado e as empresas continuarão a buscar profissionais qualificados. Portanto, avalia o reitor, essa qualificação é adquirida durante a graduação, quando o aluno percorre um caminho marcado por discussões, reflexões teórico-práticas e demais projetos existentes no meio acadêmico.

DIPLOMA SERÁ UM DIFERENCIAL Para Carlos Costa, coordenador do curso de Jornalismo da Faculdade Cásper Líbero, de agora em diante os estudantes deverão

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aproveitar todas as oportunidades que puderem para conseguir um diferencial no currículo, principalmente com estágios na área, sejam voluntários ou não. Sobre a graduação da Cásper, ele afirma que após três meses da decisão do STF, a procura pelo Jornalismo não reduziu. “Nosso curso é muito bom. Já vi muita gente largar curso em faculdade federal pela Cásper. A pessoa sai um profissional preparado. Temos bom conteúdo tanto teórico quanto prático”, garante. A faculdade concorda que podem ser criados cursos profissionalizantes de dois anos, além de mestrados, para auxiliar aqueles que quiserem se qualificar para exercer as práticas jornalísticas. Em 2010 a instituição oferecerá esse tipo de curso. Já o repórter do iG e da revista Brasileiros, Ricardo Kostcho, aconselha que os estudantes não devem desistir da idéia da graduação em Jornalismo. “Eu diria a eles que fizessem a faculdade, porque assim eles terão um melhor preparo. E o diploma ainda será bastante valorizado. O próprio STF fez um concurso público e tem vagas para jornalista. Detalhe: eles exigem o diploma. Então vale a pena investir numa melhor qualificação”, pondera. Sem a Lei de Imprensa e a desregulamentação da profissão, o editor-executivo do portal Terra e do jornal Gazeta Esportiva, Alec Duarte, alerta que o nível dos alunos precisa melhorar urgentemente, principalmente com as mudanças na grade curricular e nas faculdades. Ele conta que já em 2010 novas especializações deverão ser oferecidas nas universidades brasileiras, algumas de até um semestre de duração.

Para o jornalista, investir ainda mais na formação profissional pode ser a solução, um caminho a ser seguido. “Temos muitos alunos sem contato com o noticiário diário ou sem ideias novas para a profissão, mas também é verdade que a qualidade insuficiente do ensino não colabora para reverter esse quadro. A grade atual é engessada e ficou ainda mais com a paridade com cursos de Publicidade e Relações Públicas”. Guilherme Sá Freire, aluno do terceiro período de Jornalismo da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), em entrevista ao portal Nós da Comunicação, afirmou que, independentemente da decisão do STF, ainda existe estímulo para prosseguir com o curso. Além disso, confessa, mesmo com o fim da obrigatoriedade, a faculdade ainda é fundamental para a formação de um bom profissional. O graduando afirma que as empresas de comunicação de qualidade continuarão a exigir o diploma. Mas o fim da obrigatoriedade será uma desvalorização da profissão e, inevitavelmente, gerará uma queda na qualidade da informação, além de uma possível diminuição nos salários da categoria. “Essa decisão não tem embasamento, os argumentos não se sustentam. A situação prejudica não só os jornalistas, mas principalmente a sociedade, que tem direito a informação de qualidade. Temos que pressionar para a PEC passar pelo Senado”, disse o futuro profissional ao site. Para Marco Antônio de Jesus, presidente da Central Única dos Trabalhadores


de Minas Gerais (CUT/MG), o fim da exigência do diploma para a atividade jornalística é uma medida que poderá tornar precárias as relações de trabalho e ainda prejudicar os direitos adquiridos pelos jornalistas. No entanto, ele crê que o bom senso prevalecerá e que as empresas e entidades, sobretudo as grandes, continuarão a investir e a apostar no profissional com formação acadêmica. “Que as pessoas com o dom do Jornalismo busquem também se certificar, pois isso é bom para todos. Para quem contrata os serviços desses profissionais e para quem é o prestador de serviço. Não se pode abrir mão da formação em detrimento da qualidade da informação”, afirma.

TERRA DE NINGUÉM Talvez seja mais complicado do que parece chegar a um consenso em relação a uma legislação para o Jornalismo. Isso porque dentro da categoria existem diferentes opiniões sobre o tema. O repórter do iG e da revista Brasileiros, Ricardo Kotscho, por exemplo, não é diplomado, mas foi contrário à decisão do STF. Com 45 anos de carreira, ele acredita que a questão mais crítica envolvendo o Jornalismo é a falta de regulamentação e ressalta que, sem a Lei de Imprensa, que já foi derrubada pelo STF no final de abril deste ano, e sem a obrigatoriedade do diploma, a profissão virou uma “terra de ninguém”, sem nenhum tipo de legislação. Segundo Kotscho, “a questão do diploma era que Divulgação

Kotcho: mesmo não tendo frequentado uma universidade sou a favor do Jornalismo por formação. O diploma é muito importante

nem a do jogo do bicho: todo mundo sabia que era ilegal, mas ninguém obedecia. As redações sempre foram recheadas de pessoas sem diploma. Agora eu acho que vamos precisar, mais do que nunca, de uma fiscalização. Sou a favor da autorregulamentação. Acho que os jornalistas precisavam de uma entidade como o Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar) para acompanhar o desempenho dos profissionais”, observa. Ele ressalta que falta ao Jornalismo uma espécie de “exame de admissão”, semelhante ao que é feito pela Ordem dos Advogados do Brasil. E vai mais além: a classe precisa de uma entidade como o Conselho Federal de Medicina, que possa defender a sociedade brasileira da imprensa. Segundo ele, é um absurdo que um país não tenha, sequer, o direito de resposta regulamentado. Em alguns dos veículos o direito é dado; em outros, nem sempre. O coordenador editorial Web da Revista Brasileiro, Fernando Figueiredo Mello, por outro lado, foi a favor da decisão de acabar com a obrigatoriedade do diploma. Para ele ser graduado em Jornalismo não é uma condição para se exercer a profissão. O imprescindível, afirma, é escrever bem, com total domínio da língua portuguesa. Além disso, é necessário possuir conhecimento em outras áreas, como História, Geografia e cultura geral. “Quem reúne essas características e é capaz de colocar tudo em uma reportagem, pode ser um repórter. Isso exclui os cargos que exigem domínio específico de algum assunto, como acontece com as editorias de economia e tecnologia, por exemplo. Ter domínio do assunto e escrever bem, com clareza, é o necessário para o fazer jornalístico”, pondera Mello. O editor-executivo do portal Terra e do jornal Gazeta Esportiva, Alec Duarte, endossa a opinião de Mello. Em entrevista ao portal Nós da Comunicação, ele deixou claro seu apoio à medida do STF por acreditar que ela só foi a oficialização de uma situação há muito existente. Segundo ele, o avanço tecnológico permitiu às pessoas ter acesso aos mesmos dispositivos antes quase exclusivos dos jornalistas, como a capacidade de apurar, difundir e analisar informações.

PORTUGAL

Qualquer candidato necessita ter o 3º grau. Após a entrada no mercado, solicita-se com a emissão da carteira de jornalista profissional. Durante 2 anos, com o estatuto do estagiário e após como jornalista. A carteira será retirada sempre que o profissional exerça outras funções.

ALEMANHA

Não é uma exigência legal, mas existe uma forte tendência à profissionalização. O país possui várias faculdades de jornalismo e cursos de pós-graduação. Hoje a teoria e a prática caminham juntas, com destaque para os estágios.

FRANÇA

A profissão é acessível a todos, com forte preferência para os diplomados. Bom nível cultural e um diploma superior, ou experiência são exigências do mercado de trabalho.

ITÁLIA

A atual legislação não exige o diploma. FONTE: www.ojornalista.com.br


Divulgação

Fernando: não vejo qualquer alteração nas condições de trabalho dos com formação

Duarte acredita que, ao contrário do que muitos têm dito, a decisão do STF pode ajudar a melhorar a capacitação do profissional. “As faculdades que só oferecem como contrapartida um diploma irão desaparecer, enquanto resistirão as que ampliarem a oferta de mão de obra especializada”. Duarte disse também que o mercado continuará em busca dos jornalistas com a melhor formação, seja em universidades ou cursos técnicos, e que a decisão do STF não trará grandes modificações na forma de contratação.

MUITO BARULHO POR NADA? Apesar de toda a polêmica, há quem acredite que a decisão não gerará modificações nos atuais padrões impostos pelo mercado de trabalho. Max Gehringer mesmo, em seu programa, respondeu a um professor que vale a pena continuar com o curso. Segundo ele, no Brasil existem 100 milhões de potenciais administradores de empresas. Não há nenhuma lei que obrigue uma empresa a contratar um profissional de Administração diplomado para uma vaga na área administrativa. Mas as empresas, por decisão delas, exigem o diploma. A mesma coisa acontecerá com os jornalistas. “Conversei com algumas figuras do ramo e o diploma de Jornalismo continuará a ser exigido nas contratações”. Carlos Costa, coordenador do curso de Jornalismo da Cásper Líbero, compartilha

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da mesma opinião que o colunista da CBN. A posição da faculdade é acreditar que os bons empreendedores que queiram fazer uma publicação ou programa de rádio vão procurar profissionais qualificados. “O mais importante de se estar numa graduação é adquirir aprendizado e não apenas o diploma”, diz. Ele ressalta que sempre haverá “malandros” que tentarão se beneficiar desse novo contexto da profissão para contratar pessoas por um salário menor, mas isto é algo que já acontecia antes da decisão do STF. “É preciso ficar atento e evitar propostas de emprego cujo principal atrativo será o “prestígio” que aquela ocupação gerará, ao invés de um salário decente”, salienta. Ele acredita que salário precisa ser uma premissa a ser levada em consideração, principalmente quando se fala de boas condições de trabalho. Fernando Figueiredo Mello, coordenador editorial Web da Revista Brasileiro, afirma que o fim da obrigatoriedade do diploma não trará qualquer tipo de piora às condições de trabalho dos jornalistas formados. Ele sequer consegue enxergar relação entre as duas coisas. As condições de trabalho, informa, variam de lugar para lugar. Cada empresa, como tendo um tipo de ambiente, uma hierarquia (mais rígida e vertical em alguns lugares, mais horizontal em outros) terá sua tabela de salários. Damaris Lago, diretora presidente da Atitudepress Comunicação, mostra-se contrária à decisão do STF e não pretende mudar seus critérios de seleção para a contratação de jornalistas profissionais. Segundo ela, todos os jornalistas que trabalham em sua empresa são diplomados, o que ela julga importantíssimo. Apesar disso, Damaris acredita que o segmento da Comunicação merece uma formação específica para a área. O que acaba não sendo suficientemente suprida pelos cursos de Relações Públicas e Jornalismo que estão sendo oferecidos atualmente nas faculdades. Kotscho também não acredita que, na prática, isso irá gerar grandes mudanças em um primeiro momento, mas não arrisca um palpite mais concreto. Mesmo depois de três meses após a decisão do STF, é difícil prever o futuro, garante o jornalista. “Antes, pelo menos todos

eram obrigados a passar pelas escolas. Está certo que tem muita faculdade por aí que é uma porcaria. Mas também tem muita escola boa. E agora o STF transformou todo mundo em emissor e receptor de notícias. Meu medo é que essa medida faça a qualidade piorar ainda mais. Sem passar pelas escolas será mais complicado”, ressalta. Costa acha que toda essa discussão em torno da obrigatoriedade do diploma não vai durar, principalmente se a PEC for aprovada na Câmara e depois pelo Senado. “Acho que eles vão voltar atrás quando virem um aumento no número de matérias mal feitas circulando. Não dou nem um ano para isso”, prediz.

VALE QUANTO PESA? A graduação de Jornalismo na Cásper Líbero começou em 1947, sendo o primeiro curso do País. Quando ela foi criada, o diploma ainda nem era exigido. A intenção da faculdade era dar uma boa formação para aqueles que quisessem ser jornalistas. Carlos Costa concorda com o ministro Gilmar Mendes quando este diz que ter diploma não é garantia de ser bom profissional e propõe um aprofundamento do debate. “Precisamos discutir quais serão os critérios para dar o registro profissional a partir de agora. Precisamos ter novos critérios. Senão o cozinheiro do Gilmar também vai querer ter registro. O próprio Gilmar não seria um bom jornalista de TV, porque fala demais. O STF não acabou com o diploma e eu acredito que boas escolas serão ainda mais necessárias e os futuros Divulgação

Damaris: sou contrária à decisão e vou continuar exigindo o diploma no processo de seleção profissional na empresa


Daniel da Cerqueira/O Tempo

Max: o diploma continuará valendo como sempre valeu no mercado profissional

jornalistas precisarão ser ainda melhor preparados por elas para garantirem um lugar no mercado”. Para o colunista da rádio CBN, Max Gehringer, jornalista precisa saber escrever. Não somente com estilo, mas principalmente com correção. Atualmente são raros os cursos superiores que tem a preocupação de não permitir que seus formandos saiam pelo mercado de trabalho trucidando o Português. E o Jornalismo é o principal deles. “Portanto, para quem quiser ser jornalista, o diploma continuará valendo o que sempre valeu”, afirma ele. O Jornalismo, informa o colunista, é uma das profissões mais saturadas do mercado profissional. As poucas vagas que aparecem são preenchidas por indicações de outros jornalistas. Não é difícil prever que os jovens que se formarem a partir de agora irão atribuir à decisão do STF o fato de não conseguirem um emprego na área. “Isso poderá ser um autoconsolo, mas não será verdade. Ser formado em uma faculdade de Jornalismo de renome continuará pesando muito. E conhecer um jornalista que possa fazer uma indicação, mais ainda”, observa. Damaris Lago, diretora presidente da Atitudepress Comunicação, conta que viu um advogado dizer em um debate na TV que o Jornalismo pode ser aprendido em casa, lendo-se livros. “Ora, geólogos, biólogos, psicólogos e professores também podem aprender através de livros. Claro que existem pessoas autodidatas. Existem até hoje parteiras que colocam crianças no mundo sem nunca ter aplicado uma injeção. Elas podem fazer isto? Podem! Pode dar certo? Pode! Mas é o ideal?”, questiona.

Carlos Costa concorda com Max Gehringer quando ele afirma que a contratação de um Jornalista envolve uma soma de fatores. Segundo ele, ser bem preparado pela faculdade é importante, mas a indicação também. O ideal é fazer um teste sempre, mesmo que seja uma pessoa indicada, para não se contratar ‘no escuro’. “A indicação serve para que a empresa evite treinar alguém do zero. Quando os alunos me pedem para ser indicados, eu dou oportunidade. Mas muitos acabam percebendo sozinhos que não dão conta do recado”, afirma o coordenador. Ricardo Kotscho lembra que sua experiência profissional no Jornalismo começou com uma indicação para o jornal O Estado de São Paulo, uma prática corriqueira, comum em todas as áreas profissionais. Segundo ele, não adianta ser indicado para um cargo se o candidato não está à altura dele. “A indicação abre portas, mas não garante que você ficará muito tempo no emprego. Se eu não soubesse escrever bem, jamais teria sido bem sucedido como repórter. O ideal era que acontecesse uma espécie de seleção natural pela qualidade e que os melhores fossem permanecendo”, pondera. Fernando Figueiredo Mello, coordenador editorial Web da Revista Brasileiro, acredita que tanto o currículo quanto a indicação pesam muito no mercado de trabalho, isso em qualquer lugar do mundo. Para ele, uma boa indicação é uma forma do jornalista “entrar pela porta da frente no novo emprego” e iniciar o trabalho com tranquilidade. Depois é que a rotina vai mostrar se a experiência profissional é suficiente para ocupar aquele cargo e para as obrigações que ele exige. “O passado aparece, sem dúvida. É preciso provar sua capacidade, sua competência, mesmo com indicações. Às vezes, é até mais difícil provar o seu valor com uma indicação”, argumenta o coordenador editorial web.

NADA MUDOU! Em BH a não obrigatoriedade do diploma para exercer o Jornalismo parece não ter alterado a postura dos jovens que aspiravam à profissão. É isso o que revelaram os cursinhos de pré-vestibular, nos quais grande parte dos alunos não

transpareceu nenhum tipo de frustração ou vacilo quanto à decisão de fazer Jornalismo. Além disso, a maioria dos cursinhos não vê diferenças significativas no número de alunos que ingressou no segundo semestre de 2009, para conseguir uma vaga em uma faculdade que oferecesse habilitação em Jornalismo. O Rio de Janeiro, por sua vez, mostrou uma postura diferente perante a decisão do Supremo Tribunal Federal. Ao analisar os alunos de cursos pré-vestibular que almejavam a profissão, foi constatada certa falta de motivação advinda da “queda” do diploma. De acordo com dirigentes do Curso Marechal, os alunos ficaram desmotivados, pois acreditam, em grande parte, que possuir contatos profissionais influentes na área é um dos principais motivos para se obter um emprego satisfatório. “Sem a validade efetiva do diploma, eles creem que a situação piorou. Os cursinhos abrangem jovens entre 17 e 23 anos e, nessa faixa etária, a maioria dos alunos está indecisa em relação à escolha profissional. Muitos desistiram do Jornalismo e, daqueles que permaneceram , a maioria está indecisa”, informou a direção da escola. Em São Paulo as opiniões encontram-se divididas. Em alguns cursinhos, as assessorias de imprensa foram orientadas a não comentar o assunto. Em outras instituições, foram confirmadas algumas desistências. Porém, na maioria delas, não foi constatada desistência dos alunos em função da não obrigatoriedade do diploma. Jaime Alves, do setor de políticas públicas da Educafro, cursinho gratuito que possui como público-alvo os jovens carentes moradores de periferias, disse que a decisão não afetou os estudantes. “Aqui na Educafro, nossos alunos não desistiram dos cursos. Pelo contrário, a demanda continua intensa porque nossa gente sabe que para ingressar no mercado as dificuldades são multiplicadas por dois para aqueles que não nasceram em berço de ouro. Aqueles que possuem o privilégio de não precisar de diploma nos setores da mídia de massa são artistas ou profissionais liberais da classe média”, disse Alves. “A decisão do STF, por meio do ministro Gilmar Mendes, é baseada em uma falácia que salta aos olhos”, acrescenta.

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Fotos: Carta de Notícias

FestAnÇA

O jornalista Zé Vicente de Souza receberá, mais uma vez, no seu tradicional Almoço de Natal ZVS, personalidades das artes e do jornalismo regional. O local e a data já foram escolhidos – dia 12 de dezembro, no Restaurante Santorini, no Hotel Real Minas, em Governador Valadares. Zé é diretor do jornal Gente Quality e colunista do Jornal de Domingo.

ITATIAIA MUDA DE MÃOS O jornalista Emanuel Carneiro transferiu o controle da Rádio Itatiaia Vale do Aço para o empresário Nassaralla Abílio Jorge Neto. A emissora, com sede em Timóteo, continuará transmitindo a programação da Rede Itatiaia e também a produção local.

usImInAs O jornalista José Edvar Lima é o novo superintendente de comunicação social da Usiminas. Há cinco anos atuava na sucursal da revista Veja, em Belo Horizonte. Ele sucede Ana Gabriela Dias Cardoso, que atuou no grupo siderúrgico por vários anos.

Dois atuantes na Comunicação da Cenibra: a coordenadora Leida Horst e o assessor de imprensa José Roberto Gonçalves.

GrAnde VALe A Rádio Grande Vale FM comemorará seus 10 anos de mercado com muita festa e ação social. Será realizado no dia 15 de novembro um super-show no Kartódromo de Ipatinga, com a apresentação de 52 duplas sertanejas, do meio dia à meia noite. A entrada, além do ingresso, será a doação de um quilo de alimento não perecível. O gerente da emissora, Haroldo César Araújo, garante que os alimentos arrecadados serão distribuídos entre 36 instituições beneficentes do Vale do Aço, com o apoio do Rotary Clube Ipatinga Norte.

BOAs nOVAs O relações públicas da Cenibra, Cristiano Augusto Lopes, lançará, em novembro, na Leitura Mega Store, no Shopping do Vale, em Ipatinga, o seu segundo livro: Marketing das Boas Novas. Cristiano, professor e relações públicas, já ministrou palestras sobre sua obra em Teófilo Otoni e Governador Valadares. O lançamento também será promovido em São João Evangelista; no Unileste-MG, em Coronel Fabriciano; na Escola Técnica Vale do Aço e no Colégio John Wesley, em Ipatinga.

APOsentAdOrIA Vanilson Cândido dependurou as chuteiras. Ele se aposentou, depois de atuar por vários anos como assessor de imprensa da Usiminas, em Ipatinga.

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O jornalista Raimundo Serrinha, diretor do Jornal dos Bairros, ladeado pelo prefeito interino de Ipatinga e sua filha, Robson Gomes da Silva e Patrícia Silva.

A jornalista Penélope Portugal e o seu marido Filipe Araújo. Ela é coordenadora do Usicultura, em Ipatinga.


TURISMO

ACONCHEGO AO PÉ DA SERRA FÁTIMA DE OLIVEIRA

Fátima de Oliveira

Passe pela porteira do Parque Estadual da Serra do Rola-Moça. Fica a 25 quilômetros de Belo Horizonte e é o terceiro maior parque em área urbana do país e abriga alguns dos mananciais que abastecem a cidade. Ah, e não se esqueça de olhar para os lados.Você verá o encanto de serra coberta e preservada pela vegetação do Cerrado mineiro. Árvores curtas e tortas, cascudas, enegrecidas pelo tempo ou vitimadas pelos inúmeros incêndios. Ao lado delas, mais vegetação rasteira, os velhos “campos”, capim que serve de boa pastagem para o gado. A bela paisagem se junta ao bom gosto de inúmeras pousadas, entre elas a Santa Vista da Roça, perto de Brumadinho, meu roteiro de final de semana.


P

artindo de Belo Horizonte, o acesso a Casa Branca é feito pela BR 040, sentido Rio de Janeiro. Ao chegar no Posto Chefão, é só virar à direita e seguir as placas para o Parque Estadual do Rola-Moça e Casa Branca. Nós fomos lá. Seguindo a sinalização e caminhando um pouco mais, a temperatura começou a mudar. Um friozinho acolhedor nos recebeu – a mim e ao José Carlo Alexandre.Afinal, estávamos a uma altitude superior ao da cidade de Belo Horizonte. Um cheiro de verde, meio seco, até meio agreste, invadiu nossas narinas. Cheirava a ar puro e a sensação era ótima. Não teve jeito, paramos um pouco, pois a paisagem que nos rodeava era de uma beleza especial, ímpar. Lá embaixo estava Brumadinho, cheinha da casas e serras que entrecortam o horizonte. As nuvens pareciam lamber a cidade, vista deste ponto da estrada do Parque. Parecia até meio européia. Linda de se ver, mas o destino ainda não estava no fim. Voltamos para a estrada, pois estávamos distante da ainda desconhecida Casa Branca. Pensamos que se tratava apenas de uma casa, grandona, de janelas azuis como as da época do Império. Mas, somente após a descida lenta, estreita, meio perigosa para quem não a conhece, o mistério se apresentou. Aproveitando as encostas foi construída uma estradinha, cheia de contornos nas curvas do pé da serra, curvas sinuosas como as de uma moça bem feita de corpo.

QUASE CHEGANDO LÁ! A ansiedade de chegar faz a gente pisar no acelerador, mas devagar, pois em alguns pontos a estrada não comporta dois automóveis. Mas, de repente, ela se abre. Vemos postos de gasolina, haras, edificações danificadas, vegetação densa, pois aqui o cerrado foi misturado a outras árvores mais produtivas, de mais sombra. De repente a estrada agora é rua fina, meio torta, mas calçada, facilitando a passagem dos carros. Do lado direito de quem chega, casas bonitas, nem todas brancas, dão lugar a pousadas com piscina, grandes restaurantes e preços altos. Bem, civilização! Tem armazém e pracinha completa. Adiantamos a marcha e buscamos o endereço indicado. ”Ô moço cê sabe onde é a pousada do jornalista Luiz Carlos”? Todos sabem, a cidade inteira sabe. “Entrem nessa rua ruim aí e a pousada tá lá mais adiante, do lado direito”, diz o moço acostumado a dar informações e achar que rua sem asfalto é “ruim demais”. Deixamos a pequena civilização encontrada até agora e vamos para a pousada do amigo. Cor-de-rosa misturado ao verde do Fotos: Fátima de Oliveira

Deste ponto vemos uma aglomeração de casinhas. “Parece um presépio fincado no meio da vegetação, gente!”, comentamos, encantados e felizes com o achado, com a visão da pequena

cidade de Casa Branca, um lugarejo ainda incógnito para mim e para meu esposo, os novos visitantes. Paramos o carro para podermos reparar melhor. No início, pareciam ser casinhas brancas mesmo, mas, ao reparar melhor, observamos outras cores suaves, como rosa, azul e o amarelo claro. É tudo tão suave que dá vontade de seguir mais lento ainda. Quem sabe haveria mais surpresas antes de chegarmos?

Acomodações: os quartos têm vista para a Serra do Rola-Moça, um convite ao descanso

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Até o orquidário nos caules dos eucaliptos conferem um grande charme junto a vegetação nativa da Serra do Rola-Moça

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JosĂŠ Carlo Alexandre

Vinhos: as bebidas australianos sĂŁo uma das mais apreciadas em todo o mundo devido a alta qualidade

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gramado, à madeira marrom das escadas e sacadas, ao cinza das pedras decorativas, ao azul da piscina. Achávamos que lá era tudo branco, afinal estávamos na famosa Casa Branca. Mas a pousada não era branca, nem por isso era feia, afinal a edificação de dois andares se mostrava imponente e nos recebia em quartos aconchegantes.Tudo meio artesanal, revelando o bom gosto do proprietário, um jornalista experiente, criativo e boa praça. Adereços e pinturas em quadros delicados nas paredes revelam uma pessoa sensível à arte, à cultura mineira, ao gosto pelas coisas simples. No revisteiro, uma surpresa, nossa PQN era a primeira, convidando o turista a uma leitura mais que prazerosa. Os funcionários nos recebem como se estivéssemos na casa deles, não em uma pousada comercial. “Quê ca senhora qué cumê”?, pergunta a gerente Tunica, moça jovem, com um longo vestido que cobria todo o corpo. O cabelo, amarrado em coque, a envelhecê-la um pouco mais. E ela é feliz e passa felicidade. “Quê que tem pra comê”? Indaguei com a mesma linguagem com medo de pedir um prato que não é do lugar. “Hoje tem galinha caipira, gosta”? E, sem pestanejar, respondi: “Adoro!”.

Aconchego: a varanda é um ótimo local da pousada para as reflexões e sem perder a vista de todo o parque estadual

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nA POusAdA Um gosto de vidinha boa nos acolhe e aconchega. O lugar é de uma beleza ímpar. O nome da pousada não poderia ser outro: Santa Vista da Roça. Uma beleza inigualável.Seguimos olhando tudo. Que vista, meu Deus! Que beleza! Coisa de Deus mesmo! A Serra aparando a paisagem justifica o nome escolhido. Lugar bom, tão simples e tão gostoso. O quarto, rústico, porém chique para os turistas, que adoram conforto. Colchas de tear, quadro, cama e criado de alvenaria e um abajur completam a decoração. Simples, mas que nem dá vontade de sair. A cama convida a uma longa soneca. Na varanda, redes para um balanço cheio de poesia. Quase um entardecer de eternos namorados. À tarde, a piscina era limpa apenas para os novos hóspedes. Começava a escurecer e foi servido o lanche, lá dentro da casa do patrão. Então, me bateu uma curiosidade: como será o jornalista Luiz Carlos D’Àvila na intimidade? O homem culto e estudioso, a julgar pelas estantes de uma biblioteca pequena, mas recheada de clássicos da Literatura. O violão está

A dois: o local é ótimo para recarregar as energias perdidas no corre-corre do dia-a-dia

Detalhe da simplicidade e requinte dos quartos

PATRIMÔNIO NATURAL

Os 3.941,09 hectares do Parque Estadual da Serra do Rola-Moça são habitat natural de espécies da fauna ameaçadas de extinção como a onça parda, a jaguatirica, lobo-guará, o gato-do-mato, o macuco e o veado campeiro. O Parque está situado numa zona de transição de Cerrado para Mata Atlântica, rico em campos ferruginosos e de altitude. A vegetação diversificada proporciona ao Parque um colorido especial e um relevo peculiar, sendo encontradas espécies como orquídeas, bromélias, candeias, jacarandá, cedro, jequitibá, arnica e a canela-de-ema, que se tornou o símbolo do Parque. Recentemente descrito pela geologia, o Campo Ferruginoso é muito raro, sendo encontrado apenas em Minas Gerais, no quadrilátero ferrífero, e em Carajás, no Estado do Pará. O Parque abriga seis importantes mananciais de água - Taboões, Rola-Moça, Bálsamo, Barreiro, Mutuca e Catarina - declarados pelo Governo Estadual como Áreas de Proteção Especial. Eles garantem a qualidade dos recursos hídricos que abastecem parte da população da região metropolitana de Belo Horizonte. Para assegurar a proteção destes mananciais, esta área não está aberta à visitação pública.

INFRAESTRUTURA

Na entrada de Nova Lima, o Parque possui um Centro de Visitantes com auditório, para 90 pessoas, salas para reuniões e para Polícia de Meio Ambiente. Na entrada

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pelo Barreiro, em Belo Horizonte, há outro Centro de Visitantes com auditório para 60 pessoas, salas da administração, além de residências para funcionários e casa do Grupamento de Polícia de Meio Ambiente.

VISITAÇÃO:

O Parque não possui área de camping e a visitação deve ser feita no período diurno. Horário de funcionamento: 07 às 17h Telefone para contato: (31) 3581-3523

COMO CHEGAR:

Saindo de Belo Horizonte, pegar a BR- 040 no sentido Rio de Janeiro. Entrar à direita no Posto Chefão, segunda rua à direita (Montreal), no bairro Jardim Canadá. Prosseguir até a portaria principal do parque. A distância do Posto Chefão ao parque é de cerca de 3 km, em estrada de terra.

DISTÂNCIA DE BELO HORIZONTE AO PARQUE: 25 km

FONTE:

Instituto Estadual de Florestas - IEF http://www.ief.mg.gov.br/component/content/198?task=view


sem cordas, mas escutamos uma canção folclórica. É disso que ele gosta. Nas paredes a revelação de um homem que gosta de viajar, de juntar peças de arte, de dividir cultura com os amigos. Ficamos ali, comendo um pãozinho com café fresco. E estava muito bom!

Lazer: é difícil escolher qual o melhor local da pousada para descansar

À noite, com o friozinho, nada melhor que uma rodada de caldos, todos elaborados com ervas e segredinhos da turma da cozinha de Santa Vista da Roça. “Faço da pousada a extensão da minha casa, onde gosto e sinto prazer em receber meus amigos. O Jornalismo continuo exercendo, mas agora com mais qualidade de vida e respeito pela natureza, pela sustentabilidade”, afirma D’Ávila. Na manhã de domingo, após descansar no banco feito com um tronco de madeira, fui conhecer o orquidário da pousada.

Quantas espécies raras cultivadas ao longo dos eucaliptos, o que conferia uma raridade ainda maior. Além das orquídeas, a beleza da vegetação nativa cunhada no Rola-Moça. Tudo nos encantava – da paisagem ao conforto - e, o melhor, o preço em conta. Na pousada, cada cantinho é uma agradável surpresa. Um pequeno e charmoso restaurante, com decoração delicada, fogão a lenha e música de qualidade completam o ambiente aconchegante. Para aqueles que gostam de uma boa leitura, sofás ao estilo japonês convidam para uma pausa. RESERVAS: (31) 3575-3170 - 9194-2777 - 9112-4834 pousadasantavistadaroca@gmail.com Pacotes especiais para feriados e finais de semana prolongados. BLOG: pousadasantavistadaroca.blogspot.com

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Doze edições da nossa querida revista PQN. É um orgulho fazer parte desta publicação que cresce a cada dia. Mostrar Sorocaba para todo o Brasil é a minha grande missão e, graças a PQN, estamos conseguindo fazer com que os comunicadores enxerguem nossa maravilhosa cidade. Parabéns para todos nós que, a cada edição, transformamos a nossa PQN na melhor revista da Comunicação! E parabéns aos novos colunistas - Rodrigo Coimbra e Cândida Silva. Sejam bem-vindos à nossa comunidade!

O cAÇAdOr de mILAGres O lançamento do livro de Wagner Ferreira marcou a sua estréia literária como escritor. A obra é um romance místico com uma narrativa ficcional, poética, com matrizes de espiritualidade, de ensinamentos de yoga, reiki, gnose e outros para compor uma trama, rica de personagens singulares, simples e sábios.

MÚLTIPLAS AtIVIdAdes I Helio Rubens de Arruda Miranda é outro que não se desliga das atividades jornalísticas e culturais. Ele, a webdesigner Sonia Orsiolli e a colega jornalista Cintian Moraes, formam a empresa Hágente de Comunicações. Hélio está envolvido com três eventos que serão realizados em cidades da região: a ‘Semana do Meio Ambiente Inteiro’, a ‘Semana do Escritor’ e a ‘Semana das Artes’. Além disso, edita o jornal eletrônico ROL – Região On Line e representa em Sorocaba e região a Aliança Internacional de Jornalistas, movimento cuja ‘bandeira de luta’ é a ética no Jornalismo.

LIVrO nOVO O jornalista e radialista Anderson Santos acaba de lançar o livro “Função Social da Propriedade Urbana – Regularização Fundiária”, no salão de exposições da Fundec. A obra é fruto do trabalho realizado junto à Prefeitura de Sorocaba, que motivou a elaboração de um projeto de pesquisa, executado no Curso de Mestrado em Direito Político e Econômico da Universidade Presbiteriana Mackenzie.

Divulg

ação

sOnIA OrsIOLLI NÃO PARA A artista plástica e web-designer Sonia Orsiolli não deixa mesmo a peteca cair. Logo depois de ter participado da administração da 5ª Semana do Escritor de Sorocaba, em julho, já está empenhada em duas outras grandes atividades culturais: a caravana de Sorocaba às cidades gaúchas de Bagé e Bento Gonçalves, conhecidas por sediarem o 17ª Congresso Brasileiro de Poesia. Além disso, Sonia ainda tem tempo para cuidar da empresa, a Hágente de Comunicações, especializada em eventos culturais. Haja fôlego!

AcAdemIA de LetrAs Ângela Barros, atriz e diretora teatral radicada em São Paulo, é a mais nova Sócia Correspondente da Academia Sorocabana de Letras. Ângela iniciou sua carreira teatral em Sorocaba integrando, ao lado de Carlos Roberto Mantovani, a montagem de Celso Ribeiro para a peça Entre Quatro Paredes, de Jean Paul Sartre. Em 1974, fixou-se na capital, onde desenvolveu fecundas experiências em projetos pioneiros, como a dos educadores de rua.

MÚLTIPLAS ATIVIDADES II “Erotíssima” é o nome do livro de poemas da jornalista, escritora, psicóloga e poeta Clevane Pessoa de Araújo Lopes, lançado durante a XIV Bienal Internacional do Livro do Rio de Janeiro, pela Oficina Editores. Neste livro, ela abre as comportas de um sutil erotismo, onde busca estar no limiar entre a sensualidade plena, sem ultrapassar limites que descambem para a pornografia. Isso não significa moralismos de qualquer espécie, apenas obedece à sua estilística.

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Jornalista, assessor de imprensa, ministra oficinas de TV, além de escrever para o jornal Sem Fronteiras. Confira seu blog pelo http://robsonfraga.uniblog.com.br

ESCREVENDO PARA A WEB

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m dia um aluno me perguntou: o que quer dizer webwriter? Fiquei meio atônito, porque poderia dizer, simplesmente, que o termo significa “escrever para web” ou definir quem é este profissional e qual suas funções. Eis aqui uma questão de nomenclatura que pode ser mais complexa do que aparenta à primeira vista. Como definir o nome de sua atividade? Webwriter? Redator de web? Jornalista? Conteudista? Tudo depende, em grande parte, do tipo de serviço que você é capaz de oferecer ao cliente. Quando um profissional é contratado para administrar todo o conteúdo (jornalístico e publicitário) de um portal é convencionalmente chamado de Editor ou Gerente de Conteúdo. Já o colega que tem a função de correr atrás das últimas notícias continua sendo um repórter do portal para o qual trabalha. Existem ainda aqueles jornalistas incumbidos de produzir textos opinativos - artigos - ou simplesmente de formatar o site utilizando testículos e ícones que facilitem a navegação, como FAQs. Embora divididos em funções, todos podem ser considerados webwriters. Assim sendo, este é mais um caso onde a praticidade supera o preconceito. Como a profissão ainda é nova, muitos criadores de conteúdo preferem se apresentar simplesmente como redatores, o que não deixa de ser elegante e discreto. O mais importante é que você esteja bem à vontade com a definição que escolher. Porque o nome de sua profissão é tão importante quanto a expectativa depositada nele por você e por seus clientes.Veja o que

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diz o jornalista Bruno Rodrigues, autor do livro Webwriting. “...Webwriter é o profissional que atua em mídias digitais, tendo como objeto de trabalho não só o texto propriamente dito, mas também toda e qualquer informação textual ou visual que seja veiculada. Sendo assim, sua preocupação não deve estar restrita à precisão, qualidade e criatividade do texto, mas também a questões ligadas à organização e à facilidade de acesso à informação. Tendo em vista atuar em um segmento típico da Era do Conhecimento, necessita adotar uma postura diferenciada em relação aos redatores tradicionais, assumindo um paradigma construtivista, onde promover, instigar e facilitar o diálogo sejam uma prioridade constante...” “...Também não pode esquecer que nas mídias interativas o poder está todo nas mãos do usuário, o que faz com que seu texto precise assumir sempre uma postura persuasiva. Assim, conhecimentos de marketing são fundamentais para um bom desempenho profissional, bem como intimidade com o meio digital. Conhecimentos de estatística e domínio de softwares de medição de audiência também são importantes...” Dicas para melhorar seu webtexto! HIPERTEXTO O grande diferenciador de linguagem na Internet é o hipertexto. Ele cria uma nova sintaxe porque num mesmo texto você pode se remeter a vários outros, oferecendo ao leitor uma gama variada de conteúdos.

QUALIDADE O critério de qualidade do texto vale tanto para a Internet quanto para o papel. Não há linguagem nova que desobrigue o texto de ser bom, legível, compreensível. O texto só ganha vida quando é consumido e entendido pelo leitor. DIMENSÃO Um texto para internet tem que ter o tamanho que a informação exigir. Na informação rápida não se pode esquecer de um ponto crucial: o porquê. Quem entra na Internet quer saber o porquê dos fatos. A velocidade não supera a qualidade da informação, tem que ser um “plus”. A internet deve funcionar como um banco de dados e não apenas como um veículo de informação. RACIOCÍNIO Antes de se sentar ao computador e blablablá, blablablá, pare e pense! Forme um raciocínio. Você não vai escrever direito na web se não pensar direito. APERFEIÇOAMENTO A alma do webwriting é a busca de aperfeiçoamento; webwriting é um raciocínio constante de como distribuir informações pelos ambientes digitais. A isso damos o nome de arquitetura da informação: o principal caminho do webwriter no futuro. Não esqueça: se o texto não for persuasivo, adeus! Seja objetivo e agregue boa navegabilidade ao seu conteúdo. Coloque as informações onde o usuário quer encontrá-las.


ROTEIROS É muito importante conhecer a estrutura de um roteiro, saber contar uma história. CADÊNCIA O texto na internet deve ter cadência como uma boa música: envolva o internauta para que ele se sinta atraído a ler a idéia seguinte. É preciso, o tempo todo, estar próximo do leitor, levando em conta que as pessoas navegam de forma intuitiva e não racional. Escreva textos envolventes, soltos, sintéticos; respeite a pontuação e saiba explorar os atributos de uma marca quando seu objetivo for publicitário e não jornalístico. A idéia principal deve estar em evidência logo no começo do texto. SINTONIA Quanto às ferramentas de propaganda online, o pop-up, por exemplo, dá muito resultado, mas é preciso respeitar o consumidor, acertar o passo com o usuário. PORTUGUÊS É importante estar atento ao Português. Embora o Inglês seja a língua dominante na rede, não é nossa língua nativa. Por isso, mais de 90% do tráfego na internet acontece dentro do país. Há uma preferência por sites de língua portuguesa. INTERPRETAÇÃO O webwriter pode trabalhar a notícia online agregando à instantaneidade um tratamento de colunismo, de comentário. Na rede, há um excesso de informação que o webwriter pode capturar e traduzir para o internauta. Mas é preciso muito cuidado com textos longos, por isso, usar bem os links é uma questão vital.

COMBINAÇÃO Entre o texto jornalístico e o publicitário (predominantes na Internet) há uma linguagem escrita própria da rede que agrega estas duas características, entre outras. Quanto melhor a mistura, maior a eficiência do texto. Uma boa receita pode ser a seguinte: um texto comprometido com os fatos, com a verdade, mas com um toque muito pessoal de persuasão. PARCERIA Não existe webwriting sem webdesign. A palavra conteúdo vem do inglês content, que designa o conjunto de informações veiculadas via Internet, a soma entre texto e design. A harmonia entre os dois é o ideal e depende da qualidade da parceria entre o webwriter e o webdesigner. OBJETIVIDADE Economizar tempo é chave na rede. Vá direto ao assunto. Torne acessível a informação que o internauta procura. Use o princípio da pirâmide invertida, em que a informação principal vem logo no primeiro parágrafo. CONCISÃO Dê preferência a textos curtos. Mas não deixe faltar informações. Se o tema abordado for complexo, utilize o link, a principal ferramenta do webwriter. A habilidade em usar os links é o ponto fundamental para um texto conciso e com informações completas. Habitue-se a focar o que é estritamente relevante numa informação, lembre-se da tecnologia Wap: O tempo é curto e o espaço pequeno. INTERATIVIDADE É o princípio básico da rede. Converse com seu leitor. O bom texto para a Net é um convite para que o internauta participe, seja lá como for. VISIBILIDADE Normalmente, o internauta não lê o texto, ele escaneia o texto procurando pelo pontochave da informação. E a poluição visual não está só nas ruas das grandes cidades. Está na Web também! O excesso de informações numa página deixa o internauta confuso e cansado. Há diversos recursos tecnológicos para resolver este problema: home pages intermediárias, menus pull-down e banners criativos são alguns deles. NAVEGABILIDADE A precisão desta característica depende da qualidade da parceira entre webwriter e webdesigner. O texto não pode ser tratado

como uma peça isolada numa webpage, ele deve integrar-se ao design tornando acessíveis e atraentes as informações. Assim é muito mais fácil fisgar o visitante! A utilização correta do link é a maior responsável pela boa navegabilidade de um site. Use toda a tecnologia disponível a favor do seu texto! ARQUITETURA A grande ferramenta para melhorar a visibilidade de seu texto é a “Arquitetura da Informação”, ou seja, refletir sobre a melhor maneira de disponibilizar as informações num site criando um projeto adequado para organizá-las, como numa obra de cimento e tijolos. Coloque uma idéia em cada parágrafo, use títulos, subtítulos, intertítulos e sumários. LINGUAGEM Dê preferência a uma linguagem informal, leve, coloquial. Se puder, escreva como se estivesse conversando. Mas não tenha isto como uma regra imutável. Há casos (como em sites corporativos ou trabalhos acadêmicos) nos quais é necessário usar a forma culta ou formal. ORTOGRAFIA Todo mundo está te olhando. Se a sua profissão é escrever para a Internet, você pode criar neologismos e usar os jargões e gírias próprios da rede, mas não pode cometer erros gramaticais. Estude gramática! HUMOR O ambiente da Web é predominantemente bem-humorado. Dê preferência ao texto leve, mas sem exageros. O importante é que o humor seja criativo e acima de tudo muito bem dosado. CRIATIVIDADE É preciso ser criativo ao redigir um texto para a Web. Pense e repense sobre a construção dos textos e como distribuí-los melhor no site. Procure soluções criativas, inove, crie, mas não viaje demais, principalmente se o assunto for conteúdo corporativo ou para intranets onde o webwriting tem características específicas. CONCLUSÃO Esqueça tudo que você leu até agora e aprenda a pensar... pensar... pensar... Escrever na Internet é um exercício constante de refletir sobre o conteúdo. É estar antenado o tempo todo com tudo que está acontecendo no mundo online. Não esqueça: Nada na rede é definitivo!

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Escritor e jornalista, tem dois livros publicados: “Quando a curva faz a vida do rio” e “Memórias da casa velha”. Mantem coluna semanal sobre política em mais de 40 jornais brasileiros e escreve reportagens especiais para a revista “Vida Simples” da Editora Abril.

AVE, PALAVRA! N o princípio era o verbo. Sem o verbo, haveria homens, não haveria história. A Humanidade é a soma de seus sonhos e seus sinais, signos, palavras e sentimentos, a tradução de seu tempo. Sem o repasse das experiências traduzidas em palavras, signos e sinais, a sociedade não seria um todo, mas várias, formando um corpo indefinido. A linguagem é o tangível e o intangível, a materialização do pensamento e a busca pelo que não foi arquitetado. É a busca pelo que não foi vivido, mas só sentido em palavras, descrito pela linguagem, que move a humanidade.

A linguagem nasce no presente, vive no passado e se redimensiona no futuro, com toda carga semântica e suas impossíveis possibilidades. A eternidade dos avatares é a própria materialização da linguagem, a partilha viva do impossível, do improvável, do imponderável. Sem o aramaico e a transcrição de Paulo, Cristo seria um mártir, não o patrono de uma civilização. Só ela e por ela se sobrevive às guerras, impérios e civilizações. Porque o

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verbo é o princípio, o meio e o eterno. Sem ele, não existiria a compreensão da eternidade, porque ela é feita de incompreensões, mas impregnada de imagens, sensações e história. Senhora da cultura, do pensamento humano, além de raça, credo ou religião. Em tudo, identifica-se uma civilização. Nas obras, casas, nas ruas e vielas. Mas é na linguagem que ela se consolida, se materializa, sobrevivendo ao tempo e espaço. A Inconfidência Mineira, sem a poesia de Thomás Antônio Gonzaga, seria um acontecimento, não seria um marco. Da revolução industrial ficaram fotos, mas sem as legendas elas seriam incompreensíveis, porque a imagem sem a palavra é temporal, mas a palavra sem a imagem é atemporal. Com o avanço da linguagem,da manifestação do pensamento, possibilitou-se o acúmulo e a transcrição de experiência, chegando ao livro, e daí criando a plataforma para o desenvolvimento humano em

várias frentes. É após a criação do livro, do condensamento do pensar e do descobrir, que o homem se tornou um ser tecnológico, passando o conhecimento de gerações a gerações, o que inaugurou uma nova fase da Humanidade, saindo do primarismo das ações repetidas e passando ao inusitado de novos e pioneiros experimentos. Com o partilhamento por meio da linguagem impressa, da materialização do pensamento em letras, ícones e símbolos, e a comunicação a outros por meio de livros, o mundo futuro foi seguindo uma escada ascendente em direção a um novo tempo, culminando com a perda da materialidade e a crescente conquista do virtual. A cada minuto experimentamos a criação de novas linguagens e até a desconstrução daquela que foi edificada ao longo das gerações. A linguagem é o registro do seu tempo, para todo o sempre.


RODRIGO COIMBRA

Maravilha! Olha eu aqui de novo: garoto bonito, de sobrancelhas grossas e sorriso maroto. Mas chega de falar de mim, o que interessa é que nossa coluna está fazendo o maior sucesso aqui no Nordeste.Tem gente ligando querendo aparecer, isso é legal demais. Mostra que a nossa PQN também agradou essa terra cheia de gente boa de serviço. Participe da coluna, mande suas sugestões para nordeste@pqn.com.br Tô esperando eim!

ISO 9001 NA VSM

Mantendo o tradicional pioneirismo, a VSM se tornou a primeira empresa do setor no Brasil com a certificação ISO 9001. Após minuciosa auditoria, o selo de qualidade internacional foi confirmado pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). Criada em 1º de janeiro de 1989, a VSM Comunicação é a agência pioneira na área de Comunicação Corporativa no Ceará, atuando há 20 anos no mercado.

LÂMPADA DE BRONZE

A Teaser Propaganda foi premiada na 35ª edição de um dos mais importantes eventos na área, o Festival Brasileiro de Propaganda – realizado no Rio de Janeiro, em setembro. A agência faturou a “Lâmpada de Bronze” na categoria mídia exterior, em que criou um belo case do casal João e Lica para a GW Comunicação Visual. Organizado pela Associação Brasileira de Publicidade (ABP), o festival reúne os tops do mercado. A Teaser ficou atrás apenas das gigantes DM9DDB e AlmapBBDO, mostrando que este bronze brilha como ouro.

PRÊMIO SETRANSP

Outra instituição sergipana que também lançou um prêmio para homenagear a produção jornalística foi o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros (Setransp), de Aracaju. Com o objetivo de incentivar o debate sobre a necessidade e importância do transporte coletivo para mobilidade urbana, a iniciativa premiou produções jornalísticas que abordaram o tema “O Transporte Público no contexto social e econômico da cidade”. Os vencedores receberão R$ 3.000,00 (1º lugar), R$ 1.500,00 (2º lugar) e R$ 500,00 para o terceiro lugar.

VSM VENCE O PRÊMIO ABERJE

A VSM Comunicação (Fortaleza) comemora mais uma conquista. A agência acaba de se tornar a primeira cearense a vencer a etapa nacional do Prêmio Aberje 2009, na categoria “Pequenas e Médias Organizações - Comunicação e Relacionamento”, com o Programa Qualidade de Vida na Construção (PQVC), desenvolvido em parceria com o Sindicato da Indústria da Construção Civil do Ceará (Sinduscon-CE). O prêmio foi recebido pela Gerente Corporativa da VSM, Mônika Vieira, no Espaço Rosa Rosarium, em São Paulo.

PRÊMIO EM JORNALISMO CIENTÍFICO

A Fundação de Apoio à Pesquisa e a Inovação Tecnológica do Estado de Sergipe (Fapitec/SE) lançaram o Prêmio em Jornalismo Científico, com o intuito de incentivar a divulgação da ciência no Estado. Um total de R$ 6 mil será destinado aos profissionais e estudantes de Jornalismo que desenvolvam conteúdos da área para rádio, TV, impresso e Internet. As inscrições vão até o dia 3 de novembro.

BICAMPEÕES DE FUTEBOL

Trabalhadores da comunicação de diversas empresas de rádio, jornal e televisão do Estado se enfrentaram para disputar o II Torneio de Futebol da Imprensa, organizado pelo Sindicato dos Jornalistas de Sergipe, e ainda, levar para casa o Troféu Jornalista “Jurandi Santos”. Nesta segunda edição do torneio, a novidade foi a parceria inédita com a Fundação Municipal de Cultura, Turismo, Esporte e Lazer (Funcaju). A final foi muito disputada, terminando empatada em 2 a 2, com gols de Beto e Marcílio Nocrato, para a TV Sergipe, e Denisson Carvalho e Acácio, para TORNEIO | IMPRENSA o Cinform. Na decisão por pênaltis, também apertada, em cobranças alternadas, vitória para a TV Sergipe, por 3 a 2. Os trabalhadores da emissora sagraram-se, assim, bicampeões do torneio.

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A PQN está dando o que falar aqui na Bahia. Foi até difícil escolher as notas para a coluna de tantas notícias que recebi. Acho que devemos ganhar mais uma página por aqui! Escrevam para mim: candida@darana.com.br

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MAIS RÁPIDOS A eliminatória regional no Nordeste do LG Mobile WorldCup 2009 selecionou em Salvador os quatro melhores e mais rápidos digitadores de SMS da região para a semi-final e final nacional, que acontecem em SP. A final nacional contará com os selecionados nas eliminatórias de Salvador (BA), Brasília (DF), Porto Alegre (RS), Belo Horizonte (MG), Rio de Janeiro (RJ) e São Paulo (SP). Eles disputam o prêmio de R$ 10.000,00. O 2º colocado brasileiro ganhará R$ 5.000,00 e o 3º receberá R$ 3.000,00. Todos receberão um celular LG GT360, o LG Messenger. Os felizardos na etapa nordeste são: 1º lugar - Agatha Sampaio de Santana Santos; 2º lugar Carim Bahia Santos; 3º lugar - Laura Nascimento dos Santos e 4º lugar - Igor Lirio Almeida. Essa é a segunda edição do evento e a competição foi expandida para 16 países, incluindo Rússia, Indonésia, México, África do Sul, Espanha, China e Coréia.

ATENÇÃO PROFESSORES No dia 15 de setembro, às 11h, o Fórum da AD’s participará de uma seção ordinária na Assembléia Legislativa de Salvador, na sala da Comissão de Educação para expor sua pauta emergencial em prol da melhoria do ensino superior. A pauta tratará de questões como: abertura imediata de concurso para docentes e servidores técnico-administrativos; respeito à autonomia universitária; revogação da Lei 7176/97; cumprimento do estatuto do Magistério Superior; cumprimento da solicitação orçamentária das UEBA - Universidades Estaduais da Bahia; implementação de Política de Permanência Estudantil e outras pendências antigas ainda não solucionadas pelo governo. O debate contará com a presença de Associações Docentes, do ANDES-SN, dos técnicos – administrativos e alunos das UEBA, bem como de deputados e autoridades.Vamos ficar de olho gente!

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A RX30 Produtora finalizou o novo VT de 30’’ do Jornal Correio intitulado “Perfis” para a PROPEG. O filme mostra diferentes perfis de leitores em variadas situações se informando, de maneira satisfatória, através do jornal. Com a direção de Augusto Henrique Veit e edição de Alexandre Sepúlveda, a produção contou com cerca de 35 profissionais na parte da equipe externa. Dentre os equipamentos de câmeras foram utilizados uma HD Cam F 900, além do jogo de lentes 35mm Digi Prime.

MAXIMÍDIA De 6 a 8 de outubro, no WTC São Paulo, comunicadores de todo o Brasil estarão reunidos no MaxiMídia 2009. O evento este ano contará com o Fórum Internacional de Marketing e Comunicação, uma grande feira de negócios e relacionamentos e um valorizado Prêmio de Criatividade em Mídia. Além disso será transmitido ao vivo, via satélite, para mais de 20 cidades em todo o país. Palestram este ano grandes profissionais como Sérgio Valente (DM9DDB), J. Hawilla (Traffic) John Gerzema (Y&R - EUA), Eduardo S.Melzer (Grupo RBS), Mike McGraw, (Bigfuel - EUA), Stephen Kanitz (Consultor) e Francesco Morace (Future Concept Lab - ITA). Divulgação

enem Para auxiliar os mais de 440 mil estudantes baianos inscritos no Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) na preparação para a prova, o Grupo A TARDE lança uma série de especiais sobre o ENEM em seus veículos. Ao todo serão quatro cadernos encartados no jornal A TARDE, um canal de informações exclusivo no Mobi A TARDE (via celular) e uma novidade: a realização de um simulado virtual no portal A TARDE On Line, iniciativa inédita no Nordeste que busca auxiliar na complementação do conteúdo abordado em sala de aula. Os interessados em participar do simulado virtual podem fazer sua inscrição pelo www. atarde.com.br/simuladoenem, bastando informar o código impresso nos cadernos especiais e o número do CPF. O simulado estará no ar de 27 a 29/09 no site.


O Rio de Janeiro continua lindo e a nossa Calçadão bombando como sempre! Estou esperando por você aqui! Envie sua nota para mim: taniafmiranda@pqn.com.br o

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TÂNIA F MIRANDA POrtAL destAque rj Mais um veículo chega ao mercado carioca da comunicação online – o Portal Destaque SP –, um dos mais acessados em São Paulo. A página é liderada pela competente jornalista Cleo Tassitani. Destaque para a estréia da editoria especial para a Cidade Maravilhosa. Confira no: www.destaquerj.com

ArquIteturA sOcIALmente RESPONSÁVEL

A equipe de comunicação da Decorarte Arquitetura recebeu reforço com a contratação da coleguinha (capa da PQN 12), Fernanda Honorato. Como única repórter com Síndrome de Down no Brasil, Nanda encantou os visitantes na Casa Cor Rio, entrevistando personalidades e colegas de profissão. Pautas como inclusão social, moda e sustentabilidade, ela tira de letra...

cOntA nOVA A Loja Comunicação ganhou a concorrência do Metrô Rio e é a nova agência da empresa de transporte público. O primeiro trabalho da equipe do diretor criativo Marcelo Giannini é a venda dos ingressos especiais de Réveillon. Além de informar sobre a operação especial do Metrô para a data, toda a campanha terá caráter solidário.

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Não apareceu nenhum interessado em arrematar o fabuloso arquivo fotográfico pertencente à massa falida de Bloch Editores, no leilão realizado no átrio do Fórum, centro do Rio de Janeiro. Com lance inicial de R$ 2 milhões, o acervo chegou a ser ofertado pela metade deste valor, mas não houve lance. O leiloeiro Fernando Braga considerou normal o fato de não aparecer arrematante e demonstrou otimismo com relação a um segundo leilão. ação

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JOGOS OLÍMPICOS A Zada Criação & Design assina o projeto cenográfico da ação que o jornal O Globo iniciou em setembro para promover a candidatura do Rio de Janeiro como sede dos Jogos Olímpicos de 2016. A empresa montou espaços em formato de pódio olímpico em locais como Praia de Copacabana, Maracanã, Central do Brasil, Praia do Arpoador e Largo da Carioca.

cOLunIsmO sOcIAL InteLIGente

A jornalista Lu Lacerda, que trabalhou na Rede Globo praticamente desde a infância, leva adiante seu site de entretenimento com muita dedicação. Antenadissima, ela está por dentro de tudo o que acontece no mundo fashion. Lu, como é conhecida pelo mercado, e também fora dele, passou pelo Jornal O Dia, Revista Quem, e ainda escreveu dois livros, um deles “131 Posições Sexuais”, pela Editora Best Seller. A obra pode ser encontrada em várias livrarias. Quer aparecer no Rio? Pauta no www.lulacerda.com.br

JN FINALISTA NO EMMY INTERNACIONAL DE JORNALISMO Carlos Henrique Schroder, diretor de jornalismo da Globo, e William Bonner, editor-chefe e âncora do Jornal Nacional, estiveram presentes em Nova York para a cerimônia do Emmy Internacional de Jornalismo. O Jornal Nacional, que já concorreu antes, foi finalista pela quinta vez em sete anos. Agora concorreu na categoria “Notícia” com a cobertura do caso Eloá, seqüestro que terminou em tragédia, em outubro de 2008.

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O número 13 tem algo cabalístico que eu gosto muito! É muito bom passar das 10 primeiras edições e ver que nossa revista está cada vez melhor, com novos colunistas e colaboradores. Aqui em São Paulo, PQN é sinônimo de qualidade, credibilidade e de Comunicação séria e competente. É muito gratificante fazer parte desta família. Obrigado a todos que participaram e continuo esperando sua colaboração! Quer participar? Então envie um e-mail para mim: dzzimer@pqn.com.br tecnOLOGIA Divulgação

PRÊMIO MARIA APARECIDA OLIVeIrA A coordenação do curso de RP da Uniso institucionalizou o Prêmio Maria Aparecida Oliveira em homenagem à relaçõespúblicas que trabalhou na Eletropaulo e no Senac, professora e primeira coordenadora do curso na instituição, já falecida. Ela foi responsável por lutar pelo curso e divulgálo na região. O Prêmio está dividido em quatro categorias: Projetos Experimentais, ExpoRP, Alunos Destaques e Incentivo RP. Nesta última categoria, três premiações foram feitas. O troféu de Incentivo à prática das Relações Públicas foi para o atual presidente da ABRP, Luiz Alberto de Farias: o troféu de Incentivo à Pesquisa em Relações Públicas foi para o professor Osvando Moraes, coordenador do Mestrado em Comunicação da Uniso; e o troféu principal de Incentivo às Relações Públicas foi para o atual reitor da Uniso, professor Aldo Vannucchi, pela atuação em defesa da criação do curso e defesa da profissão na região de Sorocaba.

HISTÓRIA Este ano tive a oportunidade de, mais uma vez, estar entre os jurados do Prêmio ABERJE, em uma das categorias que mais me encanta, a de Responsabilidade Histórica e Memória Empresarial. O vencedor nacional foi o Projeto “Vale Registrar” da Vale. A iniciativa foi desenvolvida pelo Bureau Santa Rosa. O nível dos trabalhos finalistas que foram vencedores em suas regiões foi fantástico e poderiam muito bem ser vencedores nacionais. A Votorantim Industrial, com o Projeto “Espaço Votorantim Projeto Memória Votorantim” e a Cepimar com o Projeto “Caminhos do Transporte no Ceará - Nas Rodas do Tempo”. Parabéns à ABERJE, às empresas e aos profissionais de comunicação que valorizam a história, cultura e memória de suas empresas e de nosso povo. Divulgação

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O iMasters InterCon 2009, evento sobre business, tecnologia, criação e inovação, que acontecerá no dia 07 de novembro, em São Paulo, contará com a participação de quatro palestrantes internacionais: Charles Leadbeater, autor do livro “We Think”, que defenderá teorias sobre inovação que levaram a algumas das maiores organizações mundiais a repensarem as suas estratégias; Matías Feldman, CEO da Workrooom, falará sobre Cross Talent - Auto-organização e criação interativa no ambiente Inovação e Empreendedorismo Digital; Angel Aldana, gerente sênior de Alianças e Soluções da RIM para América Latina e responsável pelo recrutamento de novos parceiros de negócios para serviços relacionados a Treinamento, Instalação, Suporte e Desenvolvimento de Aplicações na plataforma BlackBerry,abordará A Revolução das “Application Stores”, e Jeff Arbour, vice-presidente de Integração Mobile da Hyperfactory, responsável por ajudar a definir estratégias e ações domésticas e globais para marcas como Toyota, JCPenney, Motorola, DHL e Wendy’s, palestrará sobre a Realidade Aumentada no Celular. Acesse: www.cinemada.iviweb.com.br

ABrP PremIA tALentOs A Associação Brasileira de Relações Públicas promoverá em outubro, no auditório da UniSant’anna, a 27ª edição do Prêmio ABRP. Este ano foram mais de 100 trabalhos, representando instituições de ensino superior de todo o país. O processo de avaliação incluiu professores, pesquisadores e profissionais das cinco regiões brasileiras, permitindo a diversidade de olhares e de avaliações. Além da classificação de cada finalista, será anunciado o vencedor do Troféu Abertura, premiação oferecida pelo Conrerp SP/PR, para o melhor trabalho na categoria Projetos Experimentais presente no Prêmio ABRP, e que será entregue durante a cerimônia de entrega do Prêmio Nacional de Relações Públicas (POP).


Arquivo Pessoal

Jornalista, escritor e poeta. Autor de vários livros, entre eles “Transroca, o navio proibido”, que está sendo adaptado para o cinema, e “Rir ou chorar”, que desvenda os bastidores do cinema brasileiro.

VAMOS VER QUEM VENCE! L evante a mão agora, sem pensar duas vezes, quem nunca assistiu a um filme pirata. Ninguém? Não vou fazer aqui apologia ao crime, como teoricamente fez o jornalista Roger Friedman ao publicar uma crítica afirmando que assistir a uma cópia de X-Men Origens: Wolverine, é mais divertido do que pegar chuva para ir aos cinemas. Acabou, é claro, sendo demitido.

Meu caro leitor, não pretendo seguir esse caminho tortuoso e muitas vezes sem volta. Portanto, fique tranquilo. Até porque o intuito desta discussão – conforme definido na reunião de pauta - é apenas chamar a sua atenção para um fato curioso: as cópias piratas estão ficando cada vez melhor, impulsionadas, em muitos casos, pelos ótimos programas de computador, que permitem melhor resolução e reprodução quase exata. É natural, então, que a indústria cinematográfica mostre uma dose de preocupação com o ambiente virtual. Talvez, por isso, insista em fazer muitos filmes sobre o “velho” jornalismo ao invés de retratar as redações digitais, com jornalistas copiando conteúdos em DVDs, assistindo a filmes gravados em pen drives e escrevendo notícias simultâneas para mais de um veículo on-line, com pouco tempo para procurar pistas ou checar informações recebidas. Entre os mais famosos longas sobre “velho” jornalismo, podemos citar Todos os homens do presidente, muito bem protagonizado por Dustin Hoffman e Robert Redford. Com muita investigação – coisa rara hoje em dia -, os repórteres protagonizam a história que levou à renúncia do presidente Nixon. Já em Os gritos do silêncio, um repórter arrisca

sua própria vida para cobrir a Guerra do Camboja. E em A trama, um jornalista tenta solucionar a morte de um senador.

Nesta mesma lista, poderia entrar também Em defesa da verdade, no qual um repórter investiga autoridades públicas após descobrir um escândalo médico. Destaque para a interpretação de Gabriel Byrne. Outro longa, na mesma linha do “velho” jornalismo, chama-se Medo e delírio, interpretado por Benicio Del Toro e Johnny Depp. O filme reforça o instinto de repórter ao mostrar a iniciativa de um jornalista em cobrir uma corrida de moto. Neste ano, a indústria cinematográfica colocou no mercado “Intrigas de Estado”. Utilizando alguns elementos dos filmes jornalísticos anteriores, este longa mostra mais uma investigação. Desta vez, um repórter quer solucionar a morte de um menor infrator, mas se depara com um caso maior ainda. No meio da história, há uma curiosa crítica à mídia on-line e também aos blogs, acusados de falta de comprometimentos e de responsabilidade. Estaria a indústria cinematográfica criticando o ambiente virtual por temer que, em poucos anos, as pessoas deixem de ir ao cinema? O “velho” jornalismo, nesses casos, estaria sendo utilizado para iludir os cinéfilos, que, de certa forma, se assustariam

com a correria e modo de produção do “novo” jornalismo? Qual seria o principal objetivo? A indústria cinematográfica teria interesse com a divulgação dos métodos de produção de notícia antigos?

São perguntas que valem um milhão de dólares e que, muito em breve, devem ser respondidas. O próprio público já demonstra sua inquietude em relação ao “velho” jornalismo que ainda resiste e sobrevive. Muitos jornais norte-americanos, por exemplo, tiveram quedas de vendagem e o governo propôs ajuda. Inicialmente, criou o “Ato de Revitalização dos Jornais” (as publicações podem atuar como organizações sem fins lucrativos, isentas, portanto, de impostos) e, na sequência, lógico, tirou dinheiro do bolso. Agora é esperar as cenas do próximo capítulo ou aguardar o lançamento de mais um filme sobre o “velho” jornalismo. Vamos ver quem vence essa guerra!


É, gente, nossos “causos” não param e não têm como parar. Comunicador que se preze tem sempre que dar um fora. Foca ou experiente, não tem jeito. A gargalhada é garantida. Mas, pra gente rir, você precisa enviar seus “foras” para o meu e-mail: paularangel@pqn.com.br ILUSTRAÇÕES: LÚCIO CARVALHO

Paula Rangel QUE BURACÃO!

Letícia Sá Motta, que trabalhava na Rede Globo Minas e era repórter de rede, segue com a equipe para Sete Lagoas, na Região Metropolitana de BH, onde uma enorme cratera tinha tomado conta de parte da cidade, por causa da chuva. Na pressa da viagem, a repórter esqueceu-se de levar papel para escrever e anotar.Tocou a campainha em uma casa, e pediu à senhora que a atendeu: “Por favor, a senhora tem papel? Eu sou da TV e vim cobrir o buraco”. A mulher respondeu na hora: “Ah, mas você vai precisar de muuuuito papel. O buraco é muuuuito grande...”

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Um ex-produtor da CBN Minas, Menotti Andreotti, redigiu um flash que entraria no ar em instantes, mas, como estava atrasado para um compromisso, o então âncora Mozahir Salomão ofereceu-se de boa vontade para entrar no ar para o colega. Pegou o texto e, ao entrar, leu tudo.Tudo mesmo. Até o nome: reportagem, Menotti Andreotti...

PÉROLAS DO LAUDÍVIO Laudívio Carvalho, da Rádio Itatiaia, certa vez, abrindo o jornal da Itatiaia que começava ao meio-dia, ao rodar a vinheta, entrou rapidamente: “Meia-Noite”. Percebeu o engano e consertou: ... “no Japão. Em Belo Horizonte, meio-dia...” Abrindo o Itatiaia Patrulha, roda a vinheta, e, com sua poderosa voz, Laudívio anuncia: “Boa tarde, agora são cinco horas e cinco bandidos”... Percebendo o erro, resolve começar de novo e não tem dúvidas, avisa no ar: “Vamos começar de novo? Roda a vinheta! “Então, boa tarde, Cinco horas e cinco minutos”...

O mesmo Laudívio, ouvindo uma rádio no Rio de Janeiro, o locutor, que pelo jeito não conhecia nada de francês, leu o seguinte texto comercial: “E nas compras acima de R$ 50, o cliente ganha grátis um boquete!” Longa pausa, e a correção: “acima de R$ 50, o cliente leva um bouquet, um bouquet de flores...”.

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Outra manchete que abalou a fauna e as relações diplomáticas num flash do Laudívio: “Atenção, atenção. Navio afunda e mata dez papagaios”. Ninguém entendeu nada. Até ele consertar: “afunda e mata dez paraguaios...”


Nada melhor que reunir os amigos ‘ para contar que a família cresceu. Wäls Quadruppel. A mais recente criação da Wäls para os apreciadores da boa cerveja. Primeira cerveja nacional no estilo, a Wäls Quadruppel é maturada em carvalho francês e na genuína cachaça mineira, proporcionando aroma e sabor suavemente amadeirados, com um toque brasileiro. Como parte final do processo, a Wäls Quadruppel é refermentada na própria garrafa.

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Nem todos estão preparados para usar as ferramentas da internet. Mas qualquer cidadão, empresa, escola, associação, sindicato ou departamento governamental pode inovar nos processos econômicos, políticos e sociais utilizando a Web 2.0. O TEIA MG está aí para ajudar nesse processo. O Governo de Minas, por meio da Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, coloca à disposição de todos uma rede de conhecimento e prestadores de serviços para capacitação de pessoas em ferramentas e aplicativos na internet. Para mais informações, entre no site. Participe.

www.teia.mg.gov.br Projeto TEIA – Tecnologia, Empreendedorismo e Inovação Aplicados. Mais uma ação do Governo de Minas para gerar emprego e renda para a sociedade.


Revista PQN nº 13