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A Cultura de terno e gravata PDF 777      Representantes  eleitos,  e  escolhidos  pelos  seus  principais,  vestem seus ternos e viajam para Brasília.  Não  se  importam  com  o  tempo  gasto,  as  escalas  necessárias,  e  as  distâncias.  Partem  de  Natal,  necessitando  de  um  transporte para chegar em um aeroporto distante (lembrando os holandeses NAT:  New  Amsterdam  Terminal).  Um  terminal  em  outro  município,  por  estradas  não  terminadas  e  não  sinalizadas.  Embarcam  em  equipamentos aéreos, escolhendo entre Boeing e Airbus de JJ, AV, ou G3;  do  B737  ao  B777,  do  A320  ao  A380.  Seus  assessores,  providenciam  tudo:  passagens,  traslados,  alimentação   e  estadia.    Embarcam  com  a  possibilidade  de  fazer  uma  escala,  transbordo  ou  transferência  em  GRU  ou  CGH,  raramente  em  VCP,  para  chegar  a  BSB.  Podem  até  necessitar  de  um  deslocamento  terrestre,  atravessando  marginais  de  rios,  no  conturbado  trânsito  de  São  Paulo,  para  trocar  de  aeroporto,  prosseguindo  a  viagem.  Mas  querem  mesmo,  é  chegar  em  Brasília  para  fazer  uma  foto  e  colocar em  redes  sociais,  para  dizer  que  estão  trabalhando em nome de uma cidade, em nome de um povo, e em  nome  da  cultura.  É  pelo  olhar  do  outro  que  percebemos  e  identificamos  a  nossa  existência,  e a partir  desta  teoria,  esbanjam  as  fotos,  para  que seus seguidores vejam, compartilhem e curtam. Ver, curtir e  compartilhar,   a  regra   básica   dos   amigos.   


Uma foto  em  um  sofá  de  cor  branca,  limpíssima, alvíssima, que destaque seus ternos, encenados por  um  corpo  vivo,  e  suas  poses  com  sapatos  engraxados,  provavelmente  na  porta,  antes  da  entrada,  prevendo  uma  foto,  que  mostrem  seus  pés,  na  cor  neutra  de  sapatos  e  meias.  São  todos  iguais  da  cabeça  aos  pés,  um  comportamento  robotizado,  ao  controle  do  Big  Brother,  que  comanda  por  uma  telinha,   desde   1984.    E  desembarcando  em  Brasília,  precisam  de  transportes  e  acomodações,  um  traslado,  em  carro  fechado  com  ar  condicionado,  não  usam  transportes  coletivos,  nem  em  sua  cidade.  Precisam  de  um  local,  para  no  mínimo  uma  pernoite.  Um  local  para  se  refazerem  de  uma  viagem.  Fazer  um  lanche,  podem  estar  cansados  de  comer  amendoins,  e  algumas  barrinhas  de  cereais. Precisam de um banho  e  de  mudarem  de  roupas,  para  então  atravessar  a  cidade  planejada  e construída no Planalto Central,  as  margens  de  um  lago  artificial  Tudo  é  artificial  em  Brasília,  da  paisagem  aos  prédios.  Precisam  inclusive  se  precaver  em  não  deixar  seus  lábios  rachados,  dada  a  secura  das  coisas,  do  ambiente  e  das  pessoas.  A  artificialização que influencia os comportamentos. Ali encontramos homens produzidos  em série, com ternos e gravatas de cores sóbrias, com paletó e gravata, engomados e endurecidos, no  estilo  impecável.  E  com  ares  de  sérios,  vão  ali  discutir  assuntos  restritos,  em  lugares  fechados,  o  destino  de  um  povo.  Mas  não  é  possível  discutir  a  cultura,  já que ela mesma traça os seus caminhos.  E   tudo   corre,   voa   e  anda,   é  deglutido   e  defecado,   pago   com   o  suor   do   povo.    Na  foto  um  trio  de  nordestinos,  sem  gibão  e  sem  chapéu  de  couro,  sem  chinelos  ou  alpercatas,  que  registrem  uma  cultura  em  seus  corpos,  produzida  pelos  séculos,  que  se plantaram na terra. Sentados  em  ambientes  confortáveis  para  discutir  e  negociar  a  cultura  de  um  povo.  Um  estado  onde  existem  cidades  e  bairros,  que  eles  não  conhecem  as ruas e avenidas. Desfilam a pé com seguranças e fotos,  na  tentativa  de  mostrar  que  fazem  parte  do  povo.  Andam  a  pé  com  suas  esposas,  à  frente  da  procissão  para  ser  o  primeiro  plano,  ao  tirar  uma  foto.  Querem  se  destacar  entre  os  eclesiásticos,  na  romaria   da   padroeira   da   cidade.   Uma   antiga   parceria   da   igreja   e  do   estado.    A  cultura  emana  de um povo, e por ele se perpetua. Surge em um local de acordo com o ambiente. De  acordo  com  uma  geografia  de  tempos  e  climas.  De  acordo  com  o  que  a  terra  oferece,  da  vegetação  silvestre  ao  que  é  plantado.  Do  que  possa  ter  disponível  para  preparar  um  alimento.  Com  utensílios  possíveis,  com  o  tipo  de  fogo  criado,  do  triscar  de  pedras  ao  uso  de  fósforos.  E  com  tudo  que  é  comível  e comestível, e entrar na panela. No plantar e no colher, as danças e as cantorias. É com o cio  da  terra  que  se  produz  uma  cultura,  sem a necessidade de pegar um avião e ir na capital federal, com  o   pires   na   mão.   Mendigar   valores   e  obedecer   critérios   impostos,   dizendo   o  que   é  e  o  que   não   é  cultura.    Até  mesmo  Cascudo,  o  escritor reconhecido na sua terra, não estudou a cultura com grandes viagens.  Pesquisou  o  comportamento  do povo a partir de sua janela, e de suas caminhadas. Viajou pelo interior  do  estado,  pelos  trilhos  do  trem,  dentro  de  uma  locomotiva,  movida  a  vapor,  comendo  bananas  assadas  na  chapa  da  locomotiva,  e  tomando  água  quente.  Não  foi  com  terno  e  gravata  que  reconheceu  e  descreveu  a  cultura  do  povo. Não foi viajando grandes distâncias. O que precisava para  suas   pesquisas,   resolvia   tudo   por   cartas.   E  se   questionados   idolatram   Cascudo. 


Os governantes  atuais  desconhecem  o  uso  de  e­mail,  de custo barato, requerendo tempo de escrita e  leitura,  reflexão  de  ideias  e  temas.  Preferem  viagens,  para  ver  e  viver  coisas  belas;  rever  parentes  e  amigos.  Tudo  pago  com  o  dinheiro  do  povo.  E  dizem  que  fazem  economia  reduzindo  salários,  e  postergando  alguns  pagamentos.  Estão  muitos  ocupados  em  fazer viagens e ficar longe da prefeitura,  longe  dos  problemas.  No  final  do  ano  iluminam  a  cidade,  para  com  o  período  de  confraternização  mostrar  que  ela  é  bela,  a  partir  do  uso  das  cores,  com milhares de lâmpadas, que não são usadas ao  longo   do   ano.    Não  há  como  discutir  cultura,  de  terno  e  gravata.  De  terno e gravata, posam para que disparem fotos,  para  contar  as  histórias  de  suas  calamidades,  tal  como  Pedro  Abelardo.  Em  um  futuro, colocam suas  fotos  com  grandes  empreendedores  de  pontos  alcançados.  E  para  reforçar  a  imagem  da  foto  como  mídia,  não  economizam  esforços e valores, para produzir efeitos especiais, para colocar suas imagens  em  destaques,  a  partir  de  orientadores  do  estudo  da  imagem e da semiologia. O arquiteto de Brasília,  já  foi  colocado  em  condições  desproporcionais  em  uma  foto,  para  o  prefeito  ficar  em  destaque,  bastando  ficar  em  pé,  enquanto  o  idoso  estava  sentado,  na  idade  que  sua  coluna  já  se  encurvava. E  uma   foto   de   um   tamanho   enorme,   foi   colocada,   cobrindo   uma   parede.     

Blog do Maracajá ­ Fórum do Maracajá ­ Missão Survey   Entre Natal/RN e Parnamirim  Em 24/11/2016    #BLOGdo Maracajá #FORUMdoMaracajá #MissãoSurvey    Texto em:  http://umabodegapotiguar.blogspot.com.br/2016/11/a­cultura­de­terno­e­gravata.html     

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