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Caminhada estóica  PDF 776        Era  preciso  ter  muita  coragem  para  fazer  uma  caminhada  histórica  pelas  ruas  de  Natal.  A  questão  histórica  não  era  o  problema,  já  que  as  ruas  de  uma  cidade  contam  a  história  ao  longo  do  tempo.  Mostram  as  depredações  históricas,  necessidades  de  um  momento,  e  arquiteturas  de  determinadas  épocas.  O  poder  se  impõe  sobre  povo  por  uma  arquitetura,  de  imponente  a  dinâmica.  Somente uma  cidade  criada:  desde  a  sua  idealização,  desde  seu  planejamento  e  desde  a  sua  construção,  não  guarda  registros  históricos  ao  longo  de  ruas  e  avenidas,  de  épocas  passadas.  O  grande  exemplo  é  Brasília  com  assinatura  de  Niemeyer,  o  arquiteto  que  fazia  rabiscos  no papel, para os engenheiros se  virarem  com  suas  técnicas,  de  concreto  armado  e  projetado.  Qualquer  lembrança  antes  de  1960,  estará  registrada  nas  ruas  de  Brasília,  com uma escultura importada, vinda de outra cidade. Brasília já  nasce   completa,   estruturada.   Outras   cidades   começaram   com   modestos   arruamentos.    Com  épocas  anteriores  e  ao  longo  de  sua  formação,  a  evolução  da  cidade,  podem  estar  registradas  nas  ruas.  E  Natal  tem  uma  história  ao  longo  do  tempo,  desde  a  presença  de  indígenas  ocupando  as  terras,  e  a  chegada  de  povos  estrangeiros  se  instalando  em  um forte, uma fortaleza para alguns, com  objetivos  militares  e  econômicos.  Para  defesa  das  terras,  explorando  suas  riquezas  de  origens  diversas.  Um  forte  na  esquina  do  continente,  como  um  marco  Norte,  o  início  de  um  domínio.  Natal  surge  como  uma  necessidade,  de  abrigar  uma  população  em  torno  do  forte.  Talvez  uma  estratégia 


militar, de  ter  um  povo  bem  próximo,  quando  precisar  de  um  recrutamento,  e  juntos  defenderem  a  terra.   Mais   tarde,   a  necessidade   de   uma   capital   estadual   próximo   à  costa,   contrapondo­se   a  Mossoró.    Um  antigo  político  é  conhecido  como  Nero  de  Natal,  lembrando  Nero  em Roma. Dizem que incêndios  eram  promovidos,  em  Natal,  para  abrir espaço ao novo. Como o incêndio no mercado, abrindo espaço  ao  modelo  econômico,  construindo  um  banco,  que  possibilita  remessa  de  valores.  Um  líder  italiano  mandou  uma  pedra  de  metralha  como  presente  para  a  cidade,  que  chegou  por  via  aérea.. A pedra já  passou  por  vários  lugares,  onde  foi  agredida  e  pichada.  O  velho  ainda  se  impõe  ao  novo,  como  um  marco   histórico,   de   amizade   entre   povos.    E  uma  multidão  estava  presente,  em  uma  praça,  com  ânsia  de  conhecimento, sem se importar com o  que  seria  encontrado  no  caminho,  diante  do  conhecimento  que  seria  oferecido.  A  oportunidade  de  saber  o  que  existe  do  lado  de  fora,  quando  transitam  em  seus  carros,  com  os  vidros  fechados.  Abrigados  da  violência,  do  calor  e  do  povo  pedinte,  com  ar  condicionado,  e  vidro  escuro.  O  veículo  como  uma  armadura  para  enfrentar  a  cidade,  um  gibão  motorizado  para  se  defender  dos  espinhos  urbanos.  A  caminhada  parece  ser  um  ambiente  seguro,  com  muita  gente  e  algum  policiamento.  Pastoradores  poderiam  cuidar  dos  carros,  enquanto  seus  donos  dariam  uma  volta  histórica e cultural,  com   olhos   abertos,   ouvidos   atentos   e  domínio   das   pernas...    Os  problemas  esperados,  e  os  problemas  encontrados,  são  de  épocas  mais  recentes,  do  século  passado.  Uma  prefeitura  omissa e repetida, que não soube se atualizar com critérios de acessibilidade  e  de  inserção  de  pessoas  em  condições  diversas  ou  especiais  (a  nomenclatura  varia  com  o tempo, o  modelo  de  conhecimento).  Imperfeições  no  calçamento  que  podem  oferecer  torções  e  luxações  aos  que  caminham  pelas  ruas  ou  calçadas.  Mas  de  um  modo  estratégico,  o  itinerário  da  caminhada,  era  em  uma  rua  em  rampa,  partindo  do  Alto  até  a  Cidade  Baixa,  favorecendo  a  algum  cadeirante,  que  precisaria  de  ajuda,  apenas  no  percurso  de  volta.  O  piso tátil, já gasto e encardido,  estava distribuído  á  vontade  sobre  as  calçadas,  com  níveis  diferentes,  sem  parâmetros  e  sem  critérios.  Com  riscos  de  levar  ao  encontro  de  uma  árvore,  um  poste  ou  um  degrau,  sem  aviso  prévio.  O  desordenamento  em  volta  da  prefeitura,  e  na  praça  dos  três  poderes.  Prédios  antigos,  com  aspecto  de  velhos  e  abandonados,  combinavam  esteticamente  com  as  calçadas.  As  copas  das  árvores  fechadas  sobre  a  rua,  e  fazendo  sombra,  completavam  o  cenário.  E  a  prefeitura  se  fecha  em  copas,  lembrando  um  baralho   de   cartas   marcadas.    O  local  ideal  para a partida, a praça onde se encontra o marco zero da cidade. A praça histórica com o  marco  geográfico,  e  o  Instituto  Histórico  e  Geográfico  (IHGRN).  A  proximidade  da  igreja,  a  antiga  catedral.  Prédios  que  já  funcionaram  como  cadeias  e  quartéis  estavam  em  volta.  Na  tal  cidade,  que  dizem  nunca  ter  sido  um  povoado,  e nunca ter sido uma vila. Já nasceu como cidade, pulando épocas  de  lugarejo,  de  povoado  e  de  vila.  A  cidade  perdeu  um  pedaço  de  sua  história,  a  sua  infância.  Não  construiu  totalmente  a  sua  história,  não  criou  suas  raízes.  E  por  isso  Natal,  seja  sempre  uma  cidade  aberta,  recebendo  diversos  povos  que  chegassem  e desembarcassem. Atracassem, com seus barcos  e  suas  caravelas,  nas  navegações  marítimas.  Chegando aos aviões com as navegações aéreas. Hoje 


ainda recebe  e  acolhe  pessoas  e  povos  diversos.  Até  o  narrador  do  percurso,  tem  raízes  paulistas,  com   resquícios   indígenas   do   Tatuapé   e  do   Anhangabaú.    E  além de muitas pessoas dispersas na praça, aguardando o início da caminhada, também podiam ser  encontrados  inúmeros  carros,  todos  mal  estacionados  pelos  arredores  da  praça.  Muitos  dos  que  pretendiam  fazer  a  caminhada,  não  se  sensibilizaram  em  deixar  seus carros em casa. O espaço atrás  da  velha  catedral,  já  se  transformou  em  rua  e  estacionamento,  faz  tempo.  Um  espaço  que  julga­se  e  espera­ser  ser  tombado,  com  fluxo  intenso  de  carros,  destruindo  a  pavimentação  junto  a  parede  da  igreja.  Colocando  pedestres  em riscos. Da janela do prédio anexo do IHGRN é possível observar tudo.  O   IHGRN   olhando   pelo   vidro,   o  que   deve   ser   preservado.    Calçadas  foram  ocupadas  além  de  vias,  com  carros  dos  dois lados da pista, impedindo a sonorização  expositiva,  com  trio  elétrico,  de  iniciar  o  percurso..  Na  concentração  os  primeiros  problemas,  os  arquétipos  da população em amarrar a montaria, em frente à bodega. Uma grande maioria motorizada,  com  oferta  de  alimentos  em  prol  de  instituições  necessitadas.  Dois  quilos  de  alimentos  na  sacola  e  alguns   quilos   de   monóxido   de   carbono   foram   deixados   nos   ares.     Papa  Mike  estava  QAP  no  local,  na  hora  marcada,  aguardando  um  QSL  do  evento.  Mas  os  coloridinhos  da  secretaria  municipal  não  estavam  à  postos,  na  data  e  no  local  marcado,  atrasando  o  início  da  caminhada,  parecia  um  QTA  do  evento.  E  já  indicando  as  falhas  da  prefeitura, o evento que  fora  compartilhado  nas  redes  sociais,  pelo  próprio  prefeito,  exaltando  o  Natal  em  Natal.  Perdeu  a  oportunidade  de  desfilar  em  cima  do  trio  elétrico,  podendo  ser  filmado  por  um  drone.  O  Rei  Carlos  Eduardo  também  não  estava  presente.  Não  é  adepto  a  caminhadas,  mas  sim  de  carreatas,  para  tumultuar  mais  o  trânsito.  Não  quer  sua  YSL  cheirando  a  suor  do  povo.  A  caminhada  iria  passar  em  frente  ao  seu  palácio,  que  no  momento  estava  com  as  portas fechada. E ele não apareceu na sacada  para  acenar  a  seus  súditos,  que  apoiaram  nas  urnas.  Dispensou  o  uso  do  parlatório  localizado  na  esquina.    No  caminho  várias  casas  foram  apontadas  como  residências  de  nomes  ilustres  e  antigos  moradores  na  capital  norte  riograndense.  De Pedro Velho a Câmara Cascudo, passando por Januário Cicco. Dois  solares  foram  apontados,  que  constam  na  história  serem de um mesmo casal de proprietários, onde a  esposa  que  era  alérgica,  pediu  ao  marido  construir  outra  casa  (nota  de  um  pesquisador  Papa  Mike  durante  o  percurso).  Uma  casa  para  ser  usada  enquanto  a  outra  entrasse  em reforma, amenizando a  sua  alergia,  ao  ver  trabalhadores,  quebrando,  lixando  e  pintando.  Na  casa  antiga  de  Cascudo,  seu  genro  neto  estava  na  porta,  para  saudar  a  caminhada.  Enquanto  a  Cascudinha  devia  estar  ocupada  com  os  afazeres  da  casa.  O  citado  Papa Mike não importa, já que segundo ele, Cascudo também não  citava.    Natal  já  foi  delimitada  por  cruzeiros,  que  marcavam  o  início  e  fim  da  cidade,  marcando  a  era  da  presença  religiosa.  Já  foi  delimitada  por  grossas  correntes,  marcando  a  presença  de  americanos  em  período  de  guerra.  Hoje  está  cercada  por  outros  municípios,  com  um período de urbanização intensa,  sem  área  industrial  ou  rural.  Não  há  espaço  para  um  aeroporto,  precisa  usar  o  espaço  de municípios 


adjacentes. Só  lhe  resta  o  mar  como  área  de  expansão,  de  ideias  e  de  implantações  do  poder  econômico.  E  como  capital  de  um  estado,  segue  a  nova ditadura imposta por outros povos, a de viver  de  sal,  turismo  e  vento,  Com  os  ares  da  brisa  marinha  e  os  mesmos  ventos  que  trouxeram  as  caravelas..    E  a  caminhada  histórica  chegou  na  Ribeira, o bairro histórico onde chegaram no passado passageiros  e  cargas  por  navios,  trens  e  transportes  rodoviários.  Hoje  é  a  região  das  boemias,  com  espaços  variados  para  tribos  diversas.  Na  grande  praça  aumentada  ao  longo  do  tempo,  com  aterros  e  calçamentos,  não  podia  deixar  de  ser  diferente  da  cidade,  e  ter  carros  sobre  o  calçadão  destinado  a  pedestres.  Carros  na  calçada,  estacionados  em  frente  a  um  museu  e  em  frente  a  um  botequim,  a  antiga  rodoviária.  O  grande  espaço  aberto,  o  palco  e  o  espaço  da  plateias,  com  shows  para  grandes  públicos   com   histórico   de   algumas   discriminações,   tal   como   escrito   e  descrito   em   Festa   na   FLINstones.        Texto   em:  http://pelasruasdenatal.blogspot.com.br/2016/11/caminhada­estoica.html   

20/11/2016

Roberto   Cardoso   (Maracajá)    #BLOGdoMaracajá  

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