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  Imagem   de   origem:   https://www.google.com.br/search?q=garrafa+vinho&biw=1225&bih=580&source=lnms&tbm=isch&sa=X&ved=0ahUKEwiky9LC86fQAhURPJAKHTgbCAsQ_A UIBigB#q=garrafa+vinho&tbm=isch&tbs=isz:l&imgrc=YdLFZXJgMaXmcM%3A 

 

Na bodega de Militana  PDF 774 

  Na  bodega  de  Dona  Militana,  a  marujada  se  preparava  para  mais  um  embarque  na  nau  Catarineta,  bebendo  vinho  e  acompanhando  a  apresentação  de  romanceiros,  e  da  música  com  a  dança do Coco  de  Zambê.  E  aqui  uma  liberdade  artística  e  poética  para  mesclar  expressões  artísticas  e  culturais.  A  mesclagem  de  conhecimentos,  informações  mais  outros  tantos  elementos,  distribuídos no tempo e no  espaço  geográfico.  Tema  para  excursionistas  culturais,  a  partir  do  sistema  “S”,  (Severino,  Sesc,  Sebrae…)   com   as   curvas   na   estradas.     


E  assim  foi  a  viagem  cultural  dos  alunos  do  segundo  curso  de folclore do estado do RN, completando  uma  carga  horária,  mesclada  de  informações  e  conhecimentos.  Um aculturamento ao vivo, diante das  apresentações   dos   grupos   que   antes   combinados,   aguardavam   os   excursionistas.     Com  o  rumo  em  direção  ao  sul  partiram  de  Natal  para  visitar  cidades  vizinhas,  onde  é  possível  encontrar  manifestações  folclóricas  por  grupos  culturais,  pessoas  que  preservam  histórias,  ouvidas  e  contadas,  ao  longo  do  tempo.  Embarcaram  em  um  ônibus  rodoviário,  cobertos  por  apólices  de  seguros,  e  da  TV  Assembleia,  que  seguia  com  sua  equipe  a  bordo.  O  registro  de  imagens  e  os  depoimentos,   para   um   futuro   e  outras   tantas   pessoas,   pela   telinha.    A  oportunidade  única,  daquele  momento,  de  ver  ao  tudo  ao  vivo,  em  um  mesmo  plano  e  com  os pés  no  chão,  sem  palco  e  sem  cobrança  de  ingresso.  Sem  muitos  recursos  tecnológicos.  No  estilo  garganta,  memória  e  capela.  Foi  a oportunidade de observar as expressões artísticas; sem a pesquisa  e  sem  a formatação, com o norteamento acadêmico. Com e sem as teorias de um ou de outro, mestre,  doutor  ou  pesquisador.  E  lembrando  uma  expressão  comum  ao  fim  das  discussões  entre  Sartre  e  Simone,  “vocês estão enclausurados”. A cultura não se perde, não se faz, ela simplesmente acontece,  e  somos  apenas  seus  elementos,  sujeitos  às  suas  nuances  e  vontades.  O  índio,  no  meio  da  floresta  conserva  sua  cultura,  ocultando­se  da  urbanização,  que  não  passa  de  um  controle  de  ordenação  da  população   de   uma   sociedade,   focada   no   desenvolvimento,   sem   observar   o  seu   rastro.    A  oportunidade  de  ver  ao vivo,  in loco . Sem um filme na tela com a visão e a descrição de quem narra,  influenciado  pela  própria  formação de conhecimentos e de cultura ­ do narrador ­ influenciado pelo que  percebe  e  seus  objetivos,  o  que  percebe  com  seus  próprios  sentidos…  Toda  narrativa  é  influenciada  pelo   narrador,   que   insere   seus   pontos   de   vistas.    Os  corpos  dos  pertencentes  aos  grupos,  estavam  presentes  como  uma  mídia  de  conhecimento,  com  informações  coletados  durante  anos,  com  o  passar  dos  séculos.  Seus  gestos  e  suas  vestes  eram  informação.  A  cultura  tem  suas  estratégias,  para  passar  por  momentos  impostos  pela  sociedade  tecnológica  e  urbana.  Por vezes ela se mascara e por vezes ela se oculta, podendo usar elementos de  um  momento  atual.  Para  então  surgir  em  outro  momento,  com  suas  raízes  e  seus  comportamentos  primitivos.   Ela   lida   com   o  que   encontra,   é  a  sua   persistência,   a  sua   resiliência.    E  a  turma  seguiu  pelas  estradas,  Transpassou  Parnamirim,  Nísia  Floresta  e  São  José  de  Mipibu.  Parada  na  estrada,  para  um  embarque  daqueles  que  vinham  de  Lagoa  de  Pedras,  Monte  Alegre  e  Salto  da Onça. A companheira de viagem em cadeiras aos pares, era de Vera Cruz. Próxima parada, o  primeiro  destino.  Senador  Georgino  Avelino,  o  menor  município  do  estado.  Formou­se  um  leque  da  maior  cidade,  a  capital,  ao  menor  município  estadual.  E  a  primeira  apresentação,  artística,  folclórica,  histórica  e cultural, foi um estilo romanceiro, vindo de outras terras, desde a colonização, mas presente  na  memória,  daqueles  personagens em uma pequena cidade. Uma apresentação com músicas e falas  que  culminou  com  o  romance  de  Juliana  e  Dom  Jorge.  E  nos  faz  lembrar  um  tempo  e  um  lugar  que  não  havia  rádio,  nem  televisão  e  nem  mesmo  teatro.  Apenas  representações  para  pequenos  grupos 

 


que trocam de posições e de personagens, ora artista e ora espectador. E até coordenador das danças  e   dos   eventos.    Seguiram  para  Arês,  com  o  antigo  refúgio dos holandeses na Ilha do Flamengo. Foram recebidos pelo  padre  em  uma  igreja  dos  idos 1600. O padre contou histórias de portugueses e holandeses, do estado  e  da  cidade,  da  religião  e  da política; história e geografia. Arês, a cidade que expõem uma arte, de um  momento   histórico,   nos   muros   do   cemitério.     Finalizado  o  contorno  da laguna, com passagem em Goianinha, foi a vez de Tibau do Sul com a dança  do  coco.  E  não  teve  jeito,  a  jornalista  chefe  da  TV  Assembleia,  largou  o  microfone  que  a atrapalhava  seus  movimentos,  e  os  fios  que  poderiam  se  enroscar  em  suas  pernas,  aguardou  ser  convidada  por  meio  de  um  componente  “mengando”  e  caiu  na  dança  ao  som dos batuques com o zambê e o chama  (tambores de pau furado), junto com a lata, como instrumento alternativo e de marcação. Era Cristiane,  da  terra  da  garoa,  quem  entrou  na  roda,  e  fotos  comprovam  o  fato.  O  chama  é  menor  que  o  zambê,  tem  o  som  mais  agudo,  e  chama  os  componentes  para  dançar.  Instrumentos  primitivos  e  artesanais  feito   com   formões   e  martelos.   O  dono   do   terreiro   era   Mestre   Geraldo.    A  comitiva  motorizada  com  ar  condicionado,  e  de  olhos  abertos,  partiu  para  outra  cidade,  com  os  movimentos  internos  involuntários  e  roncos  estomacais,  para  a  próxima  escala  em Canguaretama. E  foram  baixar  em  outro  terreiro,  diria  Cascudo.  Saberes  e  sabores  estão  associados,  fazem  parte  da  cultura  de  um  povo.  Chegou­se  então  a  um  local amplo e arborizado, com piscinas de águas naturais,  sem  aditivos  ou  conservantes.  O  restaurante  fazia  parte  do  cenário,  onde  era  possível  começar  um  conhecimento com os olhos, o cheiro da mata e seus sons característicos. O primeiro conhecimento do  homem   com   seus   sentidos   e  suas   atividades   organolépticas.     Refeição  rápida:  bombordo,  boreste  e  porão,  foi  o  estilo da mastigação. O navio não espera, tem hora  para  partir,  precisam  cumprir  suas  escalas.  Com  o  porão  cheio,  a  escala  derradeira,  na  praça  da  cidade,  onde  a  nau  Catarineta  já  estava  atracada  próximo  a  calçada,  da  praça  junto  à  igreja  e  o  mercado. Marinheiros a postos junto ao costado do navio. Oficiais já estavam no portaló para conferir a  carga  e  a  tripulação.  Tinha  capitão  de  gravata  e  capitão  de  corneta,  mestre  e  contramestre,  e  o  comandante   era   mar   e  guerra.    E como é de praxe, primeiro as homenagens e condecorações pelos habitantes da cidade visitada, aos  forasteiros  que  ali  desembarcavam. E foram homenageados as lideranças da caravana, Rita, Severino  e  a  Cascudinha,  dá­lhe  Ana!  As  apresentações  artísticas  e culturais aconteceram no cais improvisado  para a nau Catarineta, que navega por mares e por ruas. O hobby e a diversão preservam uma cultura,  onde   grumetes   já   estão   sendo   encaminhados,   pela   prancha   que   dá   acesso   ao   navio.     Apresentações  desembarcadas  e  prático  a  bordo.  Atenção  senhores  passageiros,  queiram  ocupar  os  seus  lugares  no  ônibus.  Todos  a  bordo  e  retorno  ao local de origem. Mas o conhecimento gera outras  dúvidas,   outras   teorias   sobre   outros   fatos   e  outros   elementos.     


Durante  a  viagem  muitas  histórias  foram  contadas  pelo  guia,  histórias  que  dizem  ser  lendas,  não  serem  teorias  comprovadas  pela  ciência  e  pela academia. Mas são histórias e lendas que se repetem,  tal  como  as  pesquisas  da  academia.  A  academia  procura  repetições  para  estabelecer  regras  que  confirmem  a  fé  na  ciência,  baseada  em  acontecimentos  repetitivos.  E  as  histórias  contadas  se  repetem   em   diversas   cidades.    Histórias  ou  lendas  de  baleias  foram  contadas,  baleias  enterradas,  que  podem  se  revirar  em  seus  túmulos.  E  até  os  dias  de  hoje  muitas  baleias  ainda  encalham  no  litoral  potiguar.  Algumas  praias  próximas  a  Natal,  possuem  rochas  que  lembram  o  esqueleto  de  enormes  baleias  encalhadas  e  fossilizadas,  mas  a  geologia  contesta  a  hipótese.  Mas  quem  sabe  um  dia,  uma  nova  ciência  ou  pesquisa,  se  descubra  que  um  dia  em  Eras  remotas,  enormes  baleias  ali  encalharam,  e  com  o  vento  empurrando  as  areias  sobre  seus  cadáveres,  se  formam  as  dunas.  E  então  justificaria­se  as  lendas,  que   se   transformam    em   história.    E  alguém  dirá  agora,  isto  não  passa  de  invencionice  do  autor,  não  tem  fundamentação  científica  e  o  texto  é  apenas  uma  crônica,  não  segue  as  regras  de  um  artigo  científico.  Mas  também,  os  mesmos  admitem  que  Cascudo  era  especialista  em  folclore  e  estudava  lobisomens.  Além  de  admitir  que  tudo  que  foi  visto  na  viagem  foi  preservado  e  transmitido  em  memórias  e movimentos do corpo. Os grupos  exibiram  coisas  que  não  estavam  escritas,  apenas  repetiram  os  textos  e  os  versos,  que  viram  e  ouviram   em   outras   épocas,   e  de   outras   pessoas.    Existem  histórias  que  não  foram  registradas,  ou  grafadas,  bem  antes  do  descobrimento,  antes  de ser  inventada  a  ciência.  E  pelo  olhar  da  fenomenologia,  proposto  pelo  matemático  tcheco,  Edmund  Husserl  (1859­1938),  a  consciência  não  é  um  espaço  vazio,  e  ela  tem uma intencionalidade. Husserl  propõe   uma   inovação   na   teoria   do   conhecimento.     Os  indivíduos  perpetuam  a  suas  sociedades  e  a  repetem  quando  necessário.  E  outros  ainda  diriam,  que   são   coisas   de   Deus. 

  Roberto   Cardoso   (Maracajá)  RN,   15/11/2016    Texto   em  http://umabodegapotiguar.blogspot.com.br/2016/11/na­bodega­de­militana.html  http://www.publikador.com/turismo/roberto­cardoso­(maracaja)/na­bodega­de­militana         

 

 


VINHO* 

Dom Jorge  Produzido com uvas do tipo Juliana  (*)

Poucos entenderão a relação entre os nomes citados: Dom Jorge e Juliana. Então cabe aos interessados fazer uma pesquisa. 

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