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Nº 40 - JUNHO DE 2017

Especulação a todo gás A promessa de um porto em Macaé mascara a especulação imobiliária e grandes negócios que envolvem empresários, vereadores e agentes públicos


editorial Grandes negócios e ótimas jogadas

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om a extração de petróleo em queda nos poços maduros da Bacia de Campos, o hidrocarboneto promete ser a segunda onda nesta região. Se o óleo cru vai ficando escasso, sobra gás natural, de forma que chegam a ser desperdiçados nas plataformas. Para escoar esta produção, basta construir dutos. Esta nova perspectiva deverá ser tema da próxima Feira Brasil Offshore, que acontecerá entre os dias 20 e 23 de junho, no Centro de Convenções Jornalista Roberto Marinho (leia mais na coluna de Waleska Freire nas páginas 10 e 11). É uma perspectiva alvissareira para os investidores, porque, se está sobrando gás, está faltando o produto no mercado. Isso talvez explique o interesse de multinacionais como a Shell em se instalar na cidade de Macaé, no Norte Fluminense. Por outro lado, também ajuda a explicar os interesses que cercam o novo projeto de zoneamento da cidade, que

volta ao debate na Câmara de Vereadores. A reportagem de capa desta edição abre as cortinas para mostrar os interesses privados e figuras públicas associadas na intenção de definir um planejamento urbano que buscaria favorecer um empresário que teve enlaces comerciais com o encrencado Eike Batista e que contratou a consultoria de um ex-diretor da Petrobras para consumar o zoneamento dos seus sonhos. Caso fosse aprovado, ele seria o Midas no próximo ciclo de desenvolvimento da cidade. Outra reportagem oportuna é sobre a situação da Usina Paraíso S.A., na cidade de Campos dos Goytacazes. A indústria centenária está em recuperação judicial, mas, curiosamente, os sócios do grupo econômico estão entre os maiores credores. O que demonstra que recuperação judicial no Brasil pode ser um ótimo negócio. Boa leitura!

expediente VIU ONLINE www.viuonline.com.br E-mails: Redação - contato@viuonline.com.br Publicidade – publicidade@viuonline.com.br P. R. Barbosa Mídia e Publicidade Ltda. CNPJ: 06.968.064/0001-67 Redação Diretor Executivo – Roberto Barbosa E-mail: robertobarbosa@viuonline.com.br

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Campos dos Goytacazes – Avenida Senador José Carlos Pereira Pinto, 569 Bairro – Calabouço CEP: 28083-101

Circulação Impressa – Estado do Rio de Janeiro, Norte e Noroeste Fluminense, Região dos Lagos, Região Serrana, Região Oceânica


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RobertoBarbosa

Jornalista / robertobarbosa@viuonline.com.br

A morte do governo O governo Temer acabou. É um cadáver insepulto. O laudo da necropsia revela a existência de impopularidade, indícios fortíssimos de corrupção, clamor das ruas e pressão de um segmento relevante da sociedade civil organizada. Até a última semana de maio, já estavam protocolados na Câmara dos Deputados 17 pedidos de impeachment contra o presidente. Um deles é o da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), por conta do conteúdo das delações dos executivos da JBS, que revela um grau de cumplicidade inquestionável entre o presidente e a corrupção que assola o país.

O corpo está na sala Neste momento, o cadáver saiu da mesa do médico legista e foi levado para a sala. Os amigos enlutados e descompassados estudam a hora de fazer o enterro e onde enterrar o defunto. Eles levarão o corpo até a sepultura, mas não entrarão no túmulo com ele. Resumindo: Temer está entregue à própria sorte.

Não sabe de nada A classe política da cidade de Campos dos Goytacazes sofre da síndrome de corno. É sempre a última a saber de tudo. Uma canetada da Secretaria de Estado de Administração Penitenciária está transferindo internos da facção criminosa Amigos dos Amigos (ADA) para os presídios da cidade.

Guerra anunciada Os detentos locais estão sem transferidos para outras unidades longe de casa. Enquanto isso, vereadores locais ficam de fuxico nas redes sociais. A transferência dos presos é de extrema gravidade, porque vai jogar combustão na guerra de facções criminosas que operam no município e arredores.

“Deu ruim” Advogado dos réus na Operação Chequinho, na cidade de Campos dos Goytacazes, no Norte Fluminense, o advogado Fernando Fernandes está sapateando sobre os vícios que contaminaram o processo que investiga o uso do programa de renda mínima da Prefeitura de Campos na captação ilícita de votos na última eleição.

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Pode piorar Entre os réus da Operação Chequinho, está o ex-governador Anthony Garotinho. Várias decisões de primeira instância já foram anuladas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que definiu algumas decisões emanadas da 100ª Zona Eleitoral como “teratológicas”. É um indicativo de que a Chequinho caminha para ser um dos maiores pombos sem asa a fazer um voo rasante no Fórum Maria Teresa Gusmão.

O gás é nosso É declinante a produção de petróleo na Bacia de Campos. A produção da Bacia de Santos está próxima de se tornar a maior fonte de extração do país. Mas não espere que isso represente o fim da era dos royalties no Norte Fluminense. O litoral, até 2020, estará nadando em hidrocarbonetos.

Feira de Petróleo Se por um lado está faltando petróleo nas plataformas, por outro lado tem gás para dar e vender, justamente no momento em que estará faltando esta fonte de energia no mercado. Esta commodity promete ser a grande vedete da próxima Feira de Petróleo e Gás (Macaé Offshore). O evento acontecerá no Parque de Convenções Jornalista Roberto Marinho, em Macaé, no mês de junho.


política

Aije Decisões da justiça eleitoral e as noites de insônia da mídia provinciana

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jornal Folha da Manhã e o instituto de pesquisa PRO4 perderam mais uma ação no Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RJ). A Corte negou recurso especial nos embargos de declaração contra a decisão que penalizou as duas empresas ao pagamento de multa no valor de R$ 50 mil cada uma por irregularidade na divulgação do resultado de uma pesquisa de intenção de votos no município de Quissamã, no Norte Fluminense, na campanha eleitoral do ano passado. Em denúncia formulada à Justiça Eleitoral no período, o Partido Ecológico Nacional (PEN) apontou uma série de incorreções numa sondagem pelo PRO 4 e divulgada pela Folha da Manhã. A pesquisa no período gerou controvérsias. Os números apon-

tavam vitória do ex-prefeito Armando Carneiro (PSB) no pleito, mas a vencedora foi a atual prefeita Fátima Pacheco (PTC). Contra a decisão do TER-RJ ainda cabe recurso no TSE. A Folha da Manhã e o Instituto PRO4 também são réus numa Ação Judicial de Investigação Eleitoral (AIJE) que tramita na justiça de Campos dos Goytacazes. A primeira audiência da AIJE está marcada para o dia 2 de junho. Também figura no polo passivo o Jornal Terceira Via, do grupo de saúde IMNE. Diante de decisões recentes no âmbito do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RJ) e Tribunal Superior Eleitoral (TSE), AIJE envolvendo veículos de comunicação em cidades do interior é sempre alvo de preocupação paras os empresários. Existem decisões mantidas pela Corte em Brasília que chegam a implicar em multas de até R$ 1 milhão para cada diretor de empresa de

Corra que ela vem aí

comunicação envolvida em crimes eleitorais como abuso do poder da comunicação e abuso do poder econômico, crimes que, segundo a acusação, teriam sido praticados por essas empresas na campanha do ano passado. Em Campos também, nas recentes sentenças dos réus da Operação Chequinho, que apurou uso do programa de renda mínima para captar votos na eleição, sentença de primeira instância foi rigorosa e, no curso do processo, o juiz da 100ª Zona Eleitoral, Ralph Manhães, chegou a decretar a prisão de acusados. Em uma cidade onde decisões judiciais já cassaram o mandato de um prefeito – Carlos Alberto Campista, em 2005 – e afastaram dois - Alexandre Mocaiber em 2008 (ficou fora do cargo por 45 dias) e Rosinha Garotinho (afastada por 45 dias em 2011) -, litígios na justiça eleitoral é motivo de sobra para provocar insônia nos réus.

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Dia a Dia Açúcar & Álcool

O fim das concessões

O portal VIU! , versão eletrônica da revista impressa, iniciou uma série de reportagens sobre o setor sucroalcooleiro. A safra foi iniciada em maio, com perspectivas de retomada em relação aos últimos três anos. No período, o setor foi castigado por seca, falta de financiamento oficial e queda na produção de matéria-prima.

No mundo, estima-se que mais de 1 bilhão de pessoas estejam conectadas à plataforma de Mark Zuckerberg. Não é preciso muito esforço para imaginar onde tudo isso vai parar. Sem contar que, para fazer um bom live, não é necessário um aparato tão grande quanto o que é utilizado pelas TVs. Já é possível prever que, num futuro bem próximo, concessões de rádios e TVs – monopólio do governo – serão coisas obsoletas.

Retomada financeira As três usinas em operação no Norte Fluminense (Sapucaia, Paraíso e Canabrava) estão localizadas no município de Campos dos Goytacazes, no Norte Fluminense. Juntas, deverão gerar 8 mil empregos diretos e indiretos, além de movimentar R$ 250 milhões em sete meses. A boa notícia para o setor é o que açúcar e o álcool melhoraram a cotação no mercado. Você pode conferir a série Açúcar & Álcool no site da VIU!

Remédio contra Aids

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epública em chamas

No portal VIU ONLINE, você também pode acompanhar o dia a dia da crise política no Brasil. A série República em Chamas traz atualizações diárias sobre os acontecimentos provocados a partir das delações dos executivos da JBS no âmbito da operação Lava Jato. É uma subeditoria de Política, exclusivamente voltada para a cobertura desses acontecimentos.

O Sistema Único de Saúde vai distribuir o antirretroviral Truvada para a população que está mais exposta ao risco de contrair Aids. Evidências científicas disponíveis demonstram que o uso de antirretrovirais pode reduzir o risco de infecção por HIV em mais de 90% dos pacientes, desde que seja ingerido corretamente, já que a eficácia está diretamente relacionada à adesão. A substância, entretanto, não substitui o uso da camisinha.

Virando o jogo Pesquisa realizada pelo Instituto DATAVIU em duas cidades do Norte Fluminense (Campos dos Goytacazes e Macaé-RJ), mostra que a televisão já não é mais o principal veículo de informação da população. Apesar de continuar liderando como plataforma de informação, a telinha divide audiência com a internet. Não vai tardar e a internet vai virar o jogo por uma razão simples: smartphones e Iphones. Segundo pesquisa recente do IBGE, o celular já é o principal meio de conexão à internet. Plataformas como Facebook difundem vídeos, lives e até formatos de programas televisivos.

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Nitroglicerina virtual Quem tem iniciativa não precisa de mandato. Com a classe política atingindo o mais alto índice de descrédito, quem surfa nas redes sociais é o ativismo crítico. O empresário no ramo de combustíveis Thiago Rangel é desses ativistas que incendeiam o Facebook. Com lives semanais, bate picos de engajamento, soltando petardos contra o governo do prefeito de Campos, Rafael Diniz (PPS).


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economia

A Usina Paraíso, na localidade de Tocos, foi a leilão na Justiça Federal em 2014, mas não foi arrematada por falta de investidores

Nas trilhas da Paraíso S.A. A

s vésperas de iniciar a produção sucroalcooleira de 2017, a centenária Usina Paraíso, na cidade de Campos dos Goytacazes, no Norte Fluminense, é um dos casos mais controvertidos sob o ponto de vista trabalhista e judicial no setor sucroalcooleiro do Estado do Rio de Janeiro. O nome da indústria sucroalcooleira que pertenceu ao patriarca Geraldo Hayem Coutinho, que dá nome ao escritório regional da Federação das Indústrias do Estado do Rio (Firjan), no Parque Leopoldina, zona de classe média na cidade, representa uma mistura de sagrado e profano. No livro de Gênesis, na Bíblia, é o nome do jardim que abrigou Adão e Eva antes de degustarem a maçã pecaminosa. Já

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no que se pode definir como pecado da carne, até o final da década de 80 deu nome ao prostíbulo (Paraíso Perdido) que proporcionou bons momentos à sociedade masculina local, sob o comando da famosa cafetina Dadá. Quanto à empresa comandada pela família Coutinho, o que se traduz em termos de gestão é um inferno. A usina já foi a leilão na Justiça Federal em 2014 com preço inicial de R$ 88 milhões, mas não foi arrematada por falta de investidores. Os recursos seriam destinados ao pagamento de tributos com a União. Posteriormente, a indústria foi inserida em um plano de recuperação judicial, o que lhe permite um parcelamento de dívidas, incluindo os 1.073 ex-funcionários, que representa o menor montan-

Em recuperação judicial, Usina tem os donos entre os maiores credores

te. Os nomes que aparecem como maiores credores no processo de recuperação são os sócios do grupo econômico, o diretor-executivo Geraldo Hayem Coutinho, seus irmãos Mauricio Hayem Coutinho, Marcelo Hayem Coutinho, Luiz André Hayem Coutinho, Maria Christina Hayem Coutinho e a empresa Faria Corretora Ltda., que atua como intermediária na venda do álcool produzido pela indústria. Só esta empresa detém um crédito acima de R$ 2,191 milhões. O proprietário da empresa, Amaro Ribeiro do Nascimento Júnior, seria uma figura do círculo íntimo de Geraldo Coutinho. O que se conclui, no entanto, é que usina aparentemente vai muito mal, mas seus proprietários vão muito bem.


GRUPO ECONÔMICO A Usina Paraíso S.A. integra um grupo econômico que inclui outras empresas no setor agroindustrial. A maior parte das outras empresas são fazendas. Uma delas, a Tocos Agrocanavieira S.A., proprietária da fazenda Sertão, já figurou na “lista suja do trabalho escravo” do Ministério do Trabalho e Emprego, em 2011, por ter mantido 53 trabalhadores atuando em condições análogas à escravidão. Para gabaritar-se ao plano de recuperação judicial, a empresa informou que realiza trabalhos sociais na comunidade de Tocos, na zona rural de Campos dos Goytacazes, com projetos na área de educação e atividades esportivas. “Todas as usinas têm um campo de futebol ou escolas. Mas o campo apenas é utilizado pela comunidade e as escolas, geralmente, são mantidas pela prefeitura”, destaca o presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria e do Álcool, Walter Mendonça. Na série de reportagem iniciada pelo Portal VIU ONLINE sobre o setor sucroalcooleiro do Norte Fluminense, a Usina Paraíso é apontada como uma

AMBIENTE POSITIVO A safra sucroalcooleira de 2017 é uma das mais promissoras dos últimos anos. Com duas usinas em operação (Coagro e Paraíso) e uma terceira (Canabrava) em vias de produzir, o setor espera movimentar R$ 250 milhões e gerar cerca de 8 mil empregos nos próximos sete meses. No que pese a crise econômica e falta de financiamentos oficiais, as perspectivas são positivas em função de previsão de chuvas, mais oferta de matéria-prima e preços em alta. O açúcar e o álcool estão mais valorizados no mercado. O açúcar, inclusive, está com cotação 20% melhor do que o álcool.

Geraldo Coutinho é sócio e um dos maiores credores da usina

das mais problemáticas no que se refere ao pagamento de direitos trabalhistas. “É uma usina muito problemática, mas, infelizmente, todas em Campos têm débitos com trabalhadores”, disse o sindicalista. O escritório do advogado Sérgio Bermudes, com notório trânsito nos tribunais em Brasília, representa os interesses da Paraíso. O processo de recuperação judicial corre na 4ª Vara Cível de Campos dos Goytacazes. No cartório, o acesso é dificultado à imprensa. A recuperação judicial é administrada pelo escritório de contabilidade Gustavo Licks, com sede no Rio de Janeiro.

“Mas o álcool também recuperou valor de mercado, depois que o governo adotou uma política de preços mais realista para os combustíveis. A tabela passou a ser de acordo com o mercado, e não o tabelamento imposto para segurar o índice inflacionário. Com isso, a gasolina teve reajuste e o preço do álcool, que tradicionalmente é cotado em 70% do valor da gasolina, também ganhou melhor cotação”, explica o presidente do Sindicato dos Produtores de Açúcar e do Álcool do Norte Fluminense, Frederico Paes, que também é presidente da Cooperativa Agroindustrial do Estado do Rio (Coagro), proprietária da Usina Sapucaia.

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Conexão

Waleska Freire contato@viuonline.com.br

Olhando o futuro A recente sanção da Lei 13.365/2016, que permite a exploração nas áreas de pré-sal por outras operadoras, além da Petrobras, assim como a provável adesão do regime de concessão, são fatos que estão trazendo novas perspectivas para o setor, desde a exploração em águas profundas ao preço do barril do petróleo. É um conjunto de mudanças geram novas oportunidades para as diversas cadeias desse segmento.

Contagem regressiva

Empregos temporários

A Feira Brasil Offshore 2017, que acontecerá entre os dias 20 e 23 de junho, das 14h às 21h, no Centro de Convenções Roberto Marinho - Macaé Centro vai apontar as tendências do mercado petrolífero na Bacia de Campos. É o reencontro de expoentes do mercado para a troca de informações e rodada de negócios. É um ambiente onde os especialistas do setor encontram as novas tecnologias, além de produtos e serviços especializados.

Em toda edição da Feira Brasil Offshore, que acontece a cada dois anos, surgem oportunidades de empregos temporários. É grande a procura por profissionais que falam inglês. Portanto, qualificação continua na ordem do dia.

Espaço gourmet A parceria do Macaé Convention & Visitors Bureau com a Reed Exhibitions Alcântara Machado, organizadora da Feira Brasil Offshore, bolou um espaço gourmet com restaurantes de Macaé que irão integrar a Praça de Alimentação. Estarão por lá o Bem Natural, Kebab Store, Picanha do Zé, Sancho Panza, Street Burger, Casa da Bel, P&P, Casarão Bistrô, Fromage e Ponto de Encontro. Os dez estabelecimentos fazem parte dos Polos Gastronômicos Praia dos Cavaleiros e Macahé Antiga.

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A feira em números A nona edição da Brasil Offshore poderá ser o ponto de retomada das negociações no setor. A estimativa para este ano é receber 550 marcas expositoras, 53 mil visitantes e movimentar R$ 250 milhões em negócios. A Brasil Offshore é o terceiro maior evento de petróleo e gás do mundo e o maior do Brasil.


Gastronomia em Búzios

Aquecendo o comércio

Os restaurantes de Búzios, na Região dos Lagos, terão seis dias de badalação gastronômica. O Festival Gastronômico será realizado nos dias 7, 8, 9, 14, 15 e 16 de julho. O evento movimenta a economia local durante o inverno.

Dia dos Namorados, festas juninas e exposições agropecuárias são as apostas do comércio nesta fase de vacas magras. Os empresários estão mais otimistas com o mês de junho por conta desses calendários. Comemorado em 12 de junho, o Dia dos Namorados é uma data com apelo para estimular vendas nas lojas e restaurantes. Para atrair público, os empresários já estão investindo em decoração de vitrines e na disponibilidade de promoções e lançamentos.

Viva São João Os artigos para enfeites das festas juninas e as tradicionais roupas de São João movimentam as lojas de festas, tecidos e aluguel de roupas. Já as sapatarias vendem muitas botas para as exposições agropecuárias.

A Rasa topou Para este ano, uma das novidades é que, pela primeira vez, o bairro da Rasa participa do circuito. Nas sextas e sábados, das 20h a meia-noite, as degustações acontecem no Centro (Rua das Pedras, Manoel Turíbio de Farias e Orla Bardot) e no Porto da Barra, em Manguinhos. Já nas tardes de sábado e domingo, será na Rasa, na Praça do Inefi, das 16h às 22h . Nas tardes de sábado e domingo, happy hours a partir das 16h até às 21 na Praia dos Ossos.

Ação solidária A Associação de Proteção aos Alunos Excepcionais (APAE) participa do Festival Gastronômico de Búzios numa iniciativa de inclusão social. Vale a pena passar e se encantar com as crianças, que servirão uma receita exclusiva para quem estiver no balneário. O Festival Gastronômico de Búzios atrai pessoas do Brasil e do mundo, ocupando 90% da rede hoteleira.

Feriadão top O Polo Gastronômico Praia dos Cavaleiros promove a terceira edição do Beer Beach Burger durante os quatro dias do feriadão de Corpus Christi, entre os dias 14 até 17 de junho. O festival terá 15 tipos de hambúrgueres, seis marcas de cervejarias artesanais e shows. Cada hambúrguer leva o nome de uma banda de rock e será comercializado por R$15. viu

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opinião

MarcosPedlowski

contato@viuonline.com.br

Pezão, a corrupção e o massacre O histórico da crise no Rio vem acompanhado do cinismo parlamentar

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recente aprovação do aumento da contribuição previdenciária dos servidores do Estado do Rio está sendo justificada de forma cínica por parte dos deputados que “votaram a favor como um esforço para colocar os salários atrasados em dia”. A esta altura, esses deputados não merecem nem o direito da dúvida, pois sabem muito bem que seu voto não teve nada a ver com a condição trágica em que se encontram mais de 200 mil servidores. Enquanto os deputados tentam se justificar com argumentos insustentáveis, o (des) governador Pezão continua enviando projetos que irão aprofundar o massacre financeiro ao qual o conjunto dos servidores já está sendo submetido. Com certeza, estes projetos serão aprovados pela base (des) governista com o uso das mesmas justificativas cínicas que já usaram para aprovar outros projetos enviados pelo ainda (des) governador Pezão. Deixando de lado os deputados que votam favoravelmente a tudo que interessa ao (des) governador Pezão, que tal olharmos para as reais causas da hecatombe financeira que se abateu sobre o Rio de Janeiro? Além dos bilhões perdidos nos múltiplos casos de corrupção cometidos pelo ex-governador Sérgio Cabral e seus secretários, vivemos a herança maldita dos megaeventos esportivos que somaram várias centenas de bilhões de dólares à dívida pública. E, pior, o cenário social e econômico criado pela sucessiva destes eventos bilionários é de um aumento exponencial

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na incapacidade do Estado em atender a serviços básicos, sem que haja alternativas que possam dinamizar os pilares da economia real. Em outras palavras, ficaram apenas as dívidas. Mas não foram apenas os casos de corrupção e os megaeventos esportivos que nos colocaram nesta situação. Temos ainda uma crescente sangria com a guerra fiscal que resultou numa fábrica de isenções que já causaram perdas superiores a R$ 200 bilhões, e que continuam crescendo. Como nas medidas aprovadas sob o codinome de “Recuperação Fiscal dos estados” não houve um travamento significativo dessa sangria, o mais provável é que continuaremos a oferecer benesses fiscais às grandes corporações. Como último ingrediente da poção maligna, temos a incompetência que caracteriza Pezão e a maioria dos seus (des) secretários. Ouvir ou ler as declarações de Pezão chega a ser doloroso, tão evidente a sua inépcia enquanto chefe do executivo da segunda economia da federação. Ao ouvi-lo falar, parece que estamos vivendo em algum daqueles países mais atrasados do planeta. Pezão é claramente o homem errado para uma hora decisiva na história do nosso estado. A única explicação para ainda termos sua incompetência é que ele permanece sendo útil para quem está ficando mais rico com a desgraça coletiva. Como não espero que a situação mude positivamente a partir dos canais institucionais, o único caminho que nos resta é unificar a demanda de “Fora

Temer” com a de “Fora Pezão”. É que Pezão é o principal sustentáculo das políticas de destruição do Estado que estão sendo executadas por Temer, e um não vive sem o outro. O problema aqui será vencer a dinâmica eleitoral que vem guiando a ação dos principais partidos de oposição que dizem lutar contra Michel Temer, mas se unem a Pezão para aprovar as suas medidas de arrocho. É a velha história de ruge como leão com um e mia como um gatinho com outro. A história já mostrou que, sob a pressão das ruas, até direções vacilantes adotam as bandeiras corretas, ainda que por puro oportunismo. Por isso, é importante apoiar todas as medidas que coloquem a demanda de que Temer e Pezão sejam removidos o mais rapidamente possível dos cargos que ocupam. A outra opção, que é a inércia, será a erupção de uma gravíssima convulsão social, e os sinais já estão presentes e se manifestando. Finalmente, não sei se existe alguém no (des) governo Pezão que ainda se preocupe com o futuro do Rio de Janeiro. Se existir, há que se pesar o impacto que todo este arrocho terá sobre a disposição da maioria dos servidores. É que a apatia e a letargia óbvias frente aos ataques que estão sendo realizados contra servidores que estão sem salários poderão ter como resposta a perigosa opção de simplesmente abandonar quaisquer compromissos com a qualidade dos serviços prestados. Esse movimento poderá aprofundar ainda mais a crise que estamos vivendo. A ver!


capa Com promessa de construir um porto em Macaé, empresário corre contra o tempo para aprovar um zoneamento urbano que lhe dará o título de dono da cidade

De olho no gás E

speculação imobiliária, perspectivas de negócios milionários e um lobby que envolveria dois vereadores e um secretário da administração do prefeito Dr. Aluízio tentam nortear o debate em torno do novo projeto de zoneamento urbano da cidade de Macaé, no Norte Fluminense. Operando com desenvoltura neste ambiente regido por interesses insondáveis, está Fabiano Crespo, um rico empresário que vendeu a Marina da Glória, no Rio de janeiro, para o encrencado

Eike Batista. Este negócio naufragou por intervenção da justiça. Atualmente, ele é dono de uma área licenciada para a criação de um Complexo Logístico, CLIMA, próximo à BR-101. Como peça auxiliar, está o ex-diretor da Petrobras José Eduardo Carramenha, que já foi alvo de investigação por parte do Ministério Público Federal e Tribunal de Contas da União por celebração de contratos suspeitos entre a estatal e a empresa Manchester, que seria de propriedade do senador

Eunicio Oliveira (PMDB). A trama em Macaé estava perfeita, com os protagonistas e coadjuvantes desse grande negócio atuando na penumbra e vendendo a ilusão de um Porto na praia do Barreto para justificar a aprovação do novo zoneamento, que, se consumado, deixaria o novo ciclo de desenvolvimento econômico da cidade na mesa da Empresa Brasileira de Terraplanagem e Engenharia (EBTE). A empresa tem como proprietário o mesmo Fabiano Crespo. viu

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Caminhos da trama O novo terminal portuário (TEPOR) de Macaé se tornou uma mentira. Previsto para ser construído na praia do Barreto, na zona periférica do município, o projeto deste empreendimento foi comprado da Queiroz Galvão por cerca de R$ 10 milhões pela Empresa Brasileira de Engenharia e Terraplanagem (EBTE), de propriedade de Fabiano Crespo. A partir daí, dificilmente sairia do papel por questões que vão das implicações ambientais às reviravoltas no mercado de exploração de petróleo e gás. A produção de petróleo segue em queda crescente na Bacia de Campos, zona que já respondeu por 70% da extração de petróleo em todo território nacional, mas que atualmente divide o protagonismo com a Bacia de Santos. Para os próximos quatro anos, o grande negócio na Bacia de Campos deverá ser extração de gás, uma matriz energética que está faltando no mercado e que ainda existe em abundância no litoral Norte Fluminense. Para comercializar o gás, no lugar dos navios, a cidade vai precisar de dutos. O dono da EBTE sabe disso, assim como o mercado. Pelo novo zoneamento proposto em nome do Porto que não existirá, os dutos passariam obrigatoriamente por terras do empresário Fabiano numa área localizada atrás do terminal de Cabiúnas, na zona rural. É possível imaginar as cifras que este arguto e bem relacionado empresário obteria com o novo zoneamento. “É sempre assim. Esses investimentos portuários funcionam como cortina de fumaça. Isso tudo, na verdade, é uma jogada fundiária. Estão de olho na terra, com aconteceu no Açu, em São João da Barra, como acontecerá em Presidente Kennedy, no Espírito Santo, e fatalmente em Macaé. No Açu expulsaram os produtores de suas terras e a empresa que explora o porto ganha mais com aluguel de terras. Por conta do porto de Kennedy estão tentando expulsar os quilombolas das terras em São Francisco de Itabapoana”, explica o professor da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) Marcos Pedlowski. Macaé está às vésperas de receber 14 viu

grandes investimentos privados de empresas que já enxergaram o potencial da produção de gás. Entre elas está a Shell. Todas teriam que comprar as terras para instalar dutos ou pagar dividendos pelo uso das propriedades. O que seria um excelente negócio para o empresário, produziria um efeito colateral na política social, porque os pequenos proprietários de terras deixariam de pagar ITBI, imposto para propriedades rurais, passariam a pagar IPTU compatível com uma zona industrial. Dificilmente sobreviveriam. Estariam fadados ao mesmo destino dos pequenos proprietários de terras na praia do Açu, em São João da Barra, após a construção do porto de Eike Batista, atualmente sob controle da Prumo Logística. Pequenos produtores perderam suas terras e até brigam por indenização na justiça. “Nessas situações, a comunidade precisa ficar de olho nos empresários que estão por detrás desses negócios. É necessários enxergar as digitais dos financistas, amigos e lobistas”, diz o advogado Antônio Maurício Costa, atua como defensor dos pequenos proprietários rurais que tentam reaver terras espoliadas pelo governo do Estado para o Porto do Açu. São apontados como braço político desta operação arriscada na Câmara de Vereadores de Macaé os parlamentares Maxwell Vaz e Luiz Fernando. Eles atuam como entusiastas do novo zoneamento, atuando em nome do porto que não existirá. Isso talvez explique o que levou o personagem José Eduardo Carramenha a ser condecorado com título de Cidadão Macaense por indicação de Maxwell. Já no governo de Dr. Aluízio, o homem que demonstra entusiasmo pelo novo zoneamento é o procurador geral do Município, Augusto César Salgado. Ele é apontado como um “abre portas” do dono da EBTE. Nos negócios, assim como na vida cotidiana, costuma-se dizer que não existe almoço grátis. A grande curiosidade em Macaé é dimensionar o tamanho do lucro ou prejuízo de todos os atores (empresários, vereadores, agentes públicos e a população de Macaé) o com zoneamento urbano dos sonhos da ETBE.


Pergunta e resposta Por meio da assessoria de imprensa da EBTE, a reportagem de VIU! encaminhou perguntas sobre o empreendimento de Macaé. Confira as respostas: VIU! - O empresário Fabiano Crespo é apontado como especulador. Teria comprado o projeto de um porto que não sairá do papel. O interesse, na verdade, seria um zoneamento para valorizar terras que servirão para instalação de dutos de gás natural e o Complexo Logístico Clima. ETBE - O empresário Fabiano Crespo não é especulador. É um empresário do ramo da construção Civil, através de sua Empresa EBTE, com mais de 65 anos de existência, cujo portfólio de obras pode ser conferido no site da empresa. Não possui terras na área do Porto. O CLIMA já possui a Licença de Instalação para inicio das obras do Complexo Logístico, pois se encontra em zona industrial conforme a lei de zoneamento atual, não dependendo de um novo zoneamento. Qualquer valorização da área do CLIMA só ocorrerá com o desenvolvimento do empreendimento TEPOR, que trará aumento de demanda e crescimento para todos em Macaé e Região. VIU! - A empresa EBTE estaria contando com lobby de vereadores e de figuras ligadas ao governo de Dr. Aluízio. ETBE - A EBTE nunca fez lobby para seus projetos. Na verdade entende que a discussão sobre o novo Código de Urbanismo da Cidade é uma prerrogativa da sociedade macaense, tomando o cuidado de ficar afastado da cidade neste período para não interferir nessa discussão, aceitando os

desfechos que vierem a ocorrer. VIU! - Eduardo Carramenha, um dos homens ligados ao negócio, é um ex-diretor da Petrobras que já foi investigado pelo Ministério Público Federal e TCU por conta de contratos com a empresa Manchester, que seria de propriedade do senador Eunicio Oliveira. EBTE - O Sr. Eduardo Carramenha informa que nunca foi diretor da Petrobras, que é consultor técnico do projeto do Tepor e não é sócio do empreendimento. A denúncia citada foi julgada improcedente pelos ministros do TCU. VIU! - O zoneamento de interesse do empresário estaria mais ligado a uma espoliação fundiária do que propriamente à construção de um porto. EBTE - Não procede! Nem a EBTE, nem seus sócios, possuem terras na área do entorno do Tepor. Os atuais sócios do TEPOR já são proprietários do CLIMA, que é um loteamento projetado para a implantação de empresas com mais de 4.000.000 m2 de área privativa de terrenos, totalmente licenciado. Não teria cabimento especular em outras áreas concorrentes do CLIMA, quando atualmente Macaé, sem um Porto, não tem mercado para venda de terrenos para empresas. O projeto foi adquirido com a localização já definida, e totalmente transformado através do aprofundamento de uma série de estudos para sua viabilização sem os impactos ambientais levantados em audiências públicas anteriores, o que já demandou investimentos na ordem de R$ 25.000.000,00. Os atuais proprietários do TEPOR reafirmam seu interesse em construir o referido Porto se essa for a vontade da sociedade macaense. viu

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opinião

RanulfoVidigal Economista, mestre e doutorando em políticas públicas, estratégias e desenvolvimento pelo Instituto de Economia da UFRJ

Cena do filme “Germinal”: lutas da sociedade capitalista

Mentiras, lutas e distorções

N

a Dinamarca, político anda de bicicleta e ganha salário que não supera 20% do ganho de um pedreiro. O filme “O Germinal” (1993), aborda as relações de trabalho, as lutas de classe existentes na sociedade capitalista, o processo de instalação do capi-

A paralisação de 28 de abril teve como maior disputa as narrativas hegemônicas da mídia nativa e a contra-hegemonia das teses sociais presentes nas redes da internet talismo nas cidades e o ritmo da produção e da exploração dos trabalhadores pelos patrões através do trabalho desumano nas minas de carvão francesas, retratando claramente as severas transformações sociais impostas pelo modo de produção capitalista. A diminuição dos salários foi a gota d’água que causa a rebelião retratada na película. Esta se inicia na mina de carvão e vai se agravando ao longo do tempo. A principal consequência da greve é a falta

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de condições básicas, causada pela privação de salários. A paralisação de 28 de abril teve como maior disputa exatamente as narrativas hegemônicas da mídia nativa corporativa muito poderosa, e a contra-hegemonia das teses sociais presentes nas redes da internet. Um caso de alta complexidade. Somente o tempo dirá se houve vencedores e vencidos, pois o conflito aberto tende a manter-se. Na Dinamarca, país com menor percepção de corrupção do planeta, os políticos são apenas pessoas comuns, andam a pé, de bicicleta, transporte público, e o salário de um político e um agente público (cargo comissionado) não supera 20 por cento do ganho de um pedreiro. Na terra da jabuticaba, um deputado ganha mais de 30 salários mínimos e o salário médio de um trabalhador na iniciativa privada é de apenas dois. Tem cidade pequena e média pelo interior do país em que um agente público se acha no direito de ganhar muito, quando deveria ser uma honra servir sua comunidade ganhando apenas o justo. Reflitamos, pois.


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Cidades

O luxo também lava dinheiro

O

mercado de drogas ilícitas não conhece crise. Mesmo que o mundo despenque, neste ambiente rola dinheiro, se compra joias, imóveis, paga arrego e consome artigos de luxo. O problema é que a turma neste ramo gosta de se exibir, principalmente nesses tempos de badalação virtual. O dinheiro turbina a vaidade. Foi por meio de um trabalho de inteligência, com imersões nas redes sociais, que a polícia do Rio desvendou o endereço e identificou personagens de uma organização criminosa que movimentava cifras milionárias. A Polícia olhou o Facebook, Instagram e seguiu a trilha do dinheiro para descobrir de onde vinha o “carvão” para alimentar um estilo de vida cinematográfico mesmo em tempos de vaca magra. Foi desta forma que a Delegacia de Combate às Drogas (Dcdo) chegou à lavanderia do dinheiro do Terceiro

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Polícia desvenda organização que vendia drogas e movimentou cifras milionárias

Comando Puro (TCP), uma das maiores facções criminosas que operam no Estado do Rio de Janeiro. No dia 26 de maio, uma operação da Dcdo chegou ao núcleo apontado como responsável pela parte financeira e contabilidade da facção criminosa. A Polícia define o núcleo como o cérebro da organização, responsável por legalizar o lucro do tráfico por meio de empresas de fachada, restaurantes, compra de imóveis e até com a fabricação de joias caras, muitas delas usadas por jogadores de futebol e celebridades do mundo artístico. O esquema de lavagem de dinheiro revelou como funciona a estrutura financeira do TCP. Os responsáveis pela movimentação financeira do bando, segundo a polícia, são Fábio Fernandes da Silva, conhecido como Parrudo, e Tiego Raimundo dos Santos, o TH, dono da marca TH Jóias. De acordo com o jornal O DIA, Entre os laranjas


Ostentação nas redes sociais Nas redes sociais, os presos apareciam em fotos em hotéis, resorts, camarotes no Sambódromo e a bordo de lanchas. Um deles é proprietário de uma empresa de joias e em seu perfil na rede social aparece ao lado de diversos jogadores de futebol famosos, além de músicos e artistas de televisão, que usavam as peças feitas por ele, algumas avaliadas em R$ 120 mil. A Justiça expediu mandados de prisão temporária para a dupla e para mais três pessoas que atuariam como laranjas da quadrilha, com imóveis e veículos em seus nomes. Foram apreendidos computadores, tablets, celulares e anotações de contabilidade.

À esquerda, dinheiro, joias e celulares apreendidos. Acima, a equipe da Dcdo, comandada pelo delegado Felipe Cury

do bando estão o pai e a irmã de Fábio e pessoas que exercem cargos importantes na estrutura e ‘emprestavam’ nomes para registrar imóveis, empresas e veículos de luxo, além de movimentaram valores milionários em suas contas. Com autorização da Justiça, foram quebrados os sigilos fiscais de várias pessoas físicas e jurídicas envolvidas no esquema, que movimentou R$ 7 milhões em dois anos. As investigações duraram seis meses, coordenadas pelo delegado Felipe Cury, da Delegacia de Combate às Drogas (Decod). No dia 26 de maio, foram executados cinco mandados de prisão, um de condução coercitiva e 34 de busca e apreensão contra os integrantes da quadrilha. “Foi um trabalho de seis meses de investigações, houve quebra de sigilos fiscais dos envolvidos, descobrimos os laranjas usados. Esses dois são os principais elos entre a facção criminosa e a lavagem do

dinheiro. Eram responsáveis pela lavagem do lucro da venda de drogas”, disse Cury. Os dois suspeitos presos dirigiam carros de luxo. Um dos veículos, segundo o delegado, foi comprado à vista em uma concessionária, por R$ 400 mil. Cury disse que a quebra de sigilo fiscal mostrou que, em dois anos, os envolvidos movimentarem cerca de R$ 7 milhões em contas bancárias. Segundo o delegado, o montante pode ser três vezes maior por causa do dinheiro que não passou por bancos. “Fizemos um trabalho de inteligência para atacar a parte fundamental do tráfico, que é a financeira. Conseguimos quebrar as pernas dessa facção criminosa, pois esses dois eram os principais lavadores de dinheiro do tráfico. Eram pessoas acima de qualquer suspeita, pois andavam pela sociedade em eventos, ostentando padrão de vida incompatível com o que declaravam no Imposto de Renda”, disse o delegado. viu

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CarlosFrederico Marca registrada A arquiteta Babi Teixeira assina dois momentos de novo visual de apartamentos de duas queridas do colunista. A ginecologista Viviane Monteiro, campista, competência em sua área no RJ, entregou obra na sua casa para a conterrânea, assim como a socialite e empresária mineira Maria Vitória (Toya) Braz. Babi em breve também assina toda a obra que vai acontecer no duplex da derma das estrelas Karla Assed e do cirurgião plástico André Barbosa, na Delfim Moreira, no Leblon.

Pele Festejada todos os dias e principalmente no seu aniversário, a dermatologista Ana Maria Pellegrini recebeu grupo de amigos no restaurante Madison, na Pelinca. Muitas presenças, acredito que a maioria, entrega a ela os cuidados para com a pele, por ser umas das mais consagradas profissionais desta área médica em Campos. Ana, que chegou recentemente de Nice, de congresso de dermatologia, agora esteve em São Paulo para o Congresso Brasileiro de Cirurgia Dermatológica.

Verão europeu A campista Jackeline Louzada Alviani, na porta de sua Osteria, em Roma, onde recebe junto do marido, Stefano Alviani, celebridades de todas as partes do mundo. Agora estão pela Sardenha, em Porto Cervo, em clima de temporada de verão por lá, onde vão comandar o Why Not restaurante na Costa Smeralda. Um dos sonhos do casal é abrir um restaurante no Brasil. Já pensaram em Rio e Búzios.

Realeza Nossa Fernanda Motta, top internacional, passou a data de seu aniversário em Mônaco, no sul da França, com o marido Roger Rodrigues e grupo vip de amigos. Acontecia em seus dias no principado o Grande Prêmio de Fórmula 1. Assistiu, a bordo de barco de muitos pés, ao nosso Felipe Massa na pista chegando em nono lugar. 20 viu

Em Campos A dermatologista das estrelas, Karla Assed, que tem na sua lista de pacientes nomes famosos como Xuxa, Deborah Secco, Grazi Massafera, Cláudia Leite, Raica de Oliveira, Angélica e Luciano Huck, pela primeira vez dará em Campos, sua terra natal, uma palestra a convite da Faculdade de Medicina de Campos. Dia 11 de agosto, véspera de Dia dos Pais, ela retorna como convidada especial na mesma casa de ensino onde se formou antes de fazer residência em dermatologia com o professor Azulay na Santa casa de Misericórdia do RJ, onde conheceu o marido André e onde aprendeu a profissão com os mestres campistas tão exatos.


Obra-prima

Giro Social

A cidade de Muriaé-MG ganhou um Cristo Redentor anexo a uma imensa obra de pátios e imensa igreja que rege uma missa a cada mês, sendo um cartão postal, com a vista panorâmica do lugar. Foi um presente do Sr. José Braz, empresário e presidente do poderoso Grupo Líder no Brasil, que já teve sua gestão no governo muriaeense, para a mulher, D. Lédia Braz, que tinha esse sonho a realizar e a cidade orgulhosa do feito. O ponto alto religioso tende a se transformar em santuário de peregrinação. O tempo e a quantidade de pessoas em oração dirão. O Grupo Líder detém em Campos as empresas Bracon, Recreio, Hyundai e Toyota, e mais uma quantidade pelos estados do Rio, Espírito Santo, Minas Gerais...

Expo Agro O presidente da Fundação Rural de Campos, Ronaldo Arêas, em entrevista coletiva, revelou que as providências para a realização da 58ª Exposição Agropecuária e Industrial do Norte Fluminense já estão sendo tomadas. Algumas reuniões já foram realizadas com órgãos da Prefeitura de Campos e instituições de segurança para garantir a execução de ações, tornando o parque mais seguro e atrativo. A Expoagro acontece de 6 a 16 de julho.

Larissa Chaban e Lia Miriam Aquino Cruz, em noite de festa Cristina Giraud e Francis Pauly, da maison Ville Ferradura Corale, a mais bacana de Búzios, na Praia da Ferradura

O colunista carioca Zé Ronaldo Muller, sendo festejado no Rio, pelo niver. Ele edita o site Zé Ronaldo, que mostra sobre o luxo de viver na sociedade do eixo Rio São Paulo. A estilista de acessórios luxo Rosana Bernardes e a mulher da moda Marina Felfelli. viu

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opinião

CaioVianna Desenvolvedor de sistemas da informação

Um país que se devora

A

ntes de voltar ao pó, o Brasil viveu ciclos de amargura, euforia e grandeza. Uma rápida pesquisa sobre a economia e os índices sociais do Brasil na década de 80 nos revela um país que viveu um ciclo de entusiasmo, ao sair de uma ditadura militar reconquistando o direito de eleger presidentes, e um país desesperançado e descrente, ao final da mesma década, com uma hiperinflação e um fluxo migratório de trabalhadores para os EUA sem precedentes.

O Brasil volta a ser pó. Somos um país dividido, tencionado, um flagelo que nos deixará sequelas por pelo menos duas décadas. Somos, literalmente, um país autofágico A mão de obra vazava, porque por aqui faltava o básico, sobretudo emprego. Doutores formados em nossas universidades se davam por satisfeitos entregando pizza em Miami ou Nova Iorque. Ganhavam mais com essas tarefas na América do que lecionando numa universidade pública brasileira. A lógica era a seguinte: o norte-americano não ganhava bem. Ganhava o justo. No Brasil pagava-se (e ainda se paga) mal. Foi uma fase sombria, que não deixou saudades. Era uma década pós-ditadura, um país completamente descrente em seu futuro, com denúncias de

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corrupção estampadas em jornais e um índice de Cena do filme “Germinal”: miséria que expunha as vísceras de nosso subdelutas da sociedade capitalista senvolvimento, o que levou os saudosistas do ciclo militar a ensaiar um “a gente era feliz e não sabia”. Mas quem viveu a ditadura debaixo de tortura, certamente, não sente saudades. O quadro mudou a partir da segunda metade da década de 90, com o controle inflacionário no advento do Plano Real, posteriormente a valorização de nossas matérias-primas no mercado internacional e os programas de renda mínima acentuado no governo Lula, que reduziu a miséria e nos levou aos Brics, conjunto de nações em desenvolvimento formado por Brasil, China, Índia, Rússia e posteriormente África do Sul. O estágio posterior e atual é o Brasil contemporâneo. Um país conturbado aos extremos. Não aproveitou o ciclo de dinheiro farto para fortalecer a indústria nacional, não converteu capital em tecnologia e pesquisas para que saíssemos da condição de manufatureiros. Menosprezou a indústria nacional, o potencial tecnológico e cientifico. Agora retrocedemos a periferia econômica. Somos devastados por uma enxurrada de denúncias, julgamentos, delações e decisões que dificultam identificar até onde vai o que é ficção, as manobras ou realidade. O Brasil volta ao pó. Somos um país dividido, tencionado, um flagelo que nos deixará sequelas por pelo menos duas décadas. Somos, literalmente, um país autofágico.


informe publicitário

2º Módulo do Curso de Formação Política e Sindical da Fesep

A Federação dos Servidores Públicos Municipais no Estado do Rio de Janeiro (Fesep) deu início ao 2º módulo do Curso de Formação Política e Sindical dos Servidores Públicos, em Paty de Alferes. Com a duração de três dias, o curso tem o objetivo de capacitar o servidor público sindical para organizar a base e entender melhor o que é o sindicalismo, bem como sua história e forma de organização. Além disso, os participantes aprendem sobre oratória e técnicas de negociação coletiva. O curso é realizado em parceria com o Centro Nacional de Estudos Sindicais e do Trabalho (CES) e com a Confederação dos Servidores Públicos do Brasil - CSPB. A participação para o 1° módulo do curso é aberta a todos os dirigentes sindicais, que também indicam participantes da base. “A ideia é formar cada vez mais pessoas que não sejam necessariamente diretores do sindicato”, explicou o presidente da Fesep, Marco Correa. Já para participar do 2° módulo, é imprescindível a participação no primeiro, já que se trata de uma formação continuada e mais aprofundada. “Nos dois módulos, o sindicalista tem aula de manhã, de tarde e de noite. É um curso com bastante conteúdo e um módulo complementa o outro. Entendendo a história do sindicalismo é possível representar ainda melhor o servidor”, falou o presidente da Fesep.

CONTEÚDO E AULAS DINÂMICAS Durante o curso, o sindicalista consegue parar suas atividades cotidianas rotineiras para estar em um local mais recluso onde é possível refletir sobre as práticas e atividades sindicais. Com uma carga robusta de conteúdo e aulas dinâmicas, os participantes adquirem mais conhecimento para reivindicar os direitos dos cidadãos. “Estes momentos são significativos para que o sindicalista entenda suas deficiências e aprimore o que ele já fazia bem. Além disso, ele consegue compreender qual é o seu papel no mundo enquanto pessoa e sindicalista”, declarou Renato Bastos, professor e pesquisador do Centro de Estudos Sindicais. Para os participantes, o curso é fundamental para a realização de um bom trabalho no meio sindical. “O movimento sindicalista tem passado por muitas questões complicadas, principalmente neste momento em que vivemos, por isso, aprender a negociar é muito importante para desenvolvermos bem nossas ações. A gente nunca sabe

tudo e esta troca de conhecimento agrega muito”, afirmou Luis Felipe Ferreira, presidente do Sindicato de Valença e participante do encontro. A Fesep estimula, por meio da formação, a construção de uma política sindical a médio e longo prazo. “A Federação faz a leitura de um movimento conservador onde os trabalhadores estão perdendo voz. Os dirigentes precisam ser firmes e a consciência de classe é adquirida através de ações como esta. Todo o conteúdo é voltado para o sindicalismo”, completou Katia Gaivoto, presidente do CES. Não há idade mínima para participar da formação continuada e é importante lembrar aos sindicatos que já está programado para outubro deste ano a formação de mais uma turma para o 1° módulo. “Serão duas turmas e podemos ampliar para mais quatro dependendo da demanda. E no final de 2018 vamos repetir o 2º módulo para garantir a formação do dirigente sindical”, finalizou Marco Correa, presidente da Fesep.

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nutrição

LeonardoGama Nutricionista clínico esportivo, com pós-graduação e doutorado pela Uenf

Cautela com os suplementos Mais uma vez sou informado da internação de um paciente para realização de hemodiálise devido a estresse renal agudo. A causa foi a ingestão de vários suplementos de base proteica (em grandes quantidades) concomitantemente. Segundo o pai do rapaz, de 20 anos, ele compareceu à consulta com uma nutricionista da cidade de Campos dos Goytacazes, Norte do Estado do Rio, há dois meses,e a profissional recomendou “um lote” de suplementos. Apesar de contrariado com o exagero (e os valores!), o pai acabou cedendo à insistência do rapaz.

Riscos imediatos O Whey protein, albumina, BCAA, creatina e HMB, vários suplementos que resultam em formação de amônia e ureia pelo fígado, devem ser excretados pelos rins. O problema é que a capacidade renal de lidar com essa enxurrada de compostos nitrogenados tem limite. Agora existe o risco de o paciente ser levado a realizar hemodiálise para remover o excesso de compostos tóxicos da circulação sanguínea, sob risco de óbito, ou de se tornar doente renal crônico. Muitos autointitulados nutricionistas esportivos (digo autointitulados porque não singraram nem uma pós-graduação) ganham percentual sob a venda de suplementos. Obviamente existe o interesse em que se use o máximo de suplementos, convencendo o paciente a utilizar. Cautela! Pesquisem o histórico e currículo do profissional que forem contratar/consultar.

Pressão baixa e chá não combinam

Para emagrecer, durma bem

Está se tornando cada vez mais frequente a cheAo contrário do que muitos pensam, os chás gada de pacientes com queixas de insônia, sono irpodem trazer riscos à saúde. Indivíduos que apre- regular ou insuficiente. Observa-se uma correlação sentem pressão arterial baixa devem ter cuidado direta entre o consumo dos chamados alimentos com a ingestão dessas substâncias diuréticas, como termogênicos e esses sintomas. Toda e qualquer os chás hibisco e cavalinha. Toda substância com substância com ação termogênica age excitando o ação diurética reduz o volume de líquidos corpo- organismo. Desse modo, se você usa chá verde, verchá preto, chá mate, café, gengibre (incluindo Cena isso do filmemelho, “Germinal”: rais, induzindo queda da pressão arterial. Caso o chá), canela, pimenta, chocolate amargo, etc., após da consociedade capitalista ocorra em situações que exijam atenção,lutas como dução de veículos, subir e descer escadas, etc., um as 17 e 18 horas está contribuindo de forma determinante para um ciclo de sono instável e insatisfatório. acidente pode ser iminente. Contudo, temos ainda temos inúmeros colegas (nutricionistas) recomendando a ingestão dessas substâncias para os pacientes antes de dormir, porque, segundo eles, “o organismo queimará calorias duFique de olho rante o sono”. Dormir bem reduz a ansiedade, um dos grandes causadores de compulsão alimentar. Os sintomas de queda na pressão arterial Por isso, priorize seu sono.insistência do rapaz. podem variar de confusão mental, náuseas e calafrios até a perda súbita da visão e desmaio. Algumas pessoas relatam a sensação de desânimo com o uso regular desses chás, isso também se deve à redução na oxigenação cerebral, que ocorre na pressão baixa.

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internacional

A soberba no andar de cima A lemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido formam a elite financeira do mundo. Juntos, esses países representam as economias mais industrializadas do planeta, detendo 32,2% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial. Entre os dias 26 e 27 de maio, o último final de semana do mês das mães, os líderes desses países, o chamado G7, se reuniram na cidade de Taormina, no estado italiano da Sicilia, para tratar de três temas indigestos para a cúpula: refugiados, protecionismo e acordo climático, aquele celebrado em Paris para reduzir a emissão de gás carbônico, apontado como acelerador do efeito estufa. Sobre negócios, os magnatas se entendem. Os líderes do G7 se comprometeram a combater o prote-

cionismo após os Estados Unidos terem superado suas reticências a incluir esta menção na declaração final da cúpula. Sobre os refugiados que protagonizam um das maiores crises humanitárias na história da humanidade, o G7 vai devolver o problema aos países de origem. O texto final do encontro diz com todas as letras que os países são soberanos para controlar suas fronteiras. Esse controle é um assunto muito explorado por diferentes membros do G7, como o Reino Unido, e com maior veemência pelo presidente dos EUA, Donald Trump, que planeja construir um muro na fronteira do seu país com o México, entre outras medidas. Posição estratégica. Um dos motivos para a cúpula ter sido realizada em Taormina foi a posição geográfica da cidade, que se

Países ricos fecham pacto para derrubar barreiras protecionistas, mas viram as costas para os refugiados de guerra encontra no centro do canal migratório do Mediterrâneo Central, pelo qual cerca de 181 mil imigrantes alcançaram o litoral italiano em 2016. Por isso, a presidência italiana deu importância às relações com a África, convidando à mesa do G7 cinco países do continente: Tunísia, Quênia, Níger, Nigéria e Etiópia. O núcleo rico encerrou o encontro vociferando mais uma vez contra o líder russo Vladimir Putin, desta vez, por conta do conflito na Ucrânia. A Rússia participou durante anos do G7 (então denominado G8), mas foi excluída em 2014, após anexar a península ucraniana da Crimeia, motivo pelo qual em julho desse ano também foram impostas sanções ao país. É a velha cantilena da soberba diante de um mundo cada vez mais dividido entre ricos e pobres. viu

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crônica

DenevalSiqueira Escritor

Na era da pós-verdade

Definição britânica e o principal papel das mídias no apelo às emoções

A

lmoçando com a querida Profa. Dra. Arlete Sendra, no Opção 21, usamos a “pós-verdade”, como domínio do papo contemporâneo que tivemos lato-sensu. Essa nova palavra entrou para o léxico mundial em 2016 e está este ano 2017 em alta, frequentando as mais diversas bocas e páginas do mundo político e jornalístico. A “pós-verdade” é “um elegante étimo composto que pode parecer fruto da mais refinada filosofia contemporânea, mas não vai muito além de “tucanar” a mentira, naquele antigo e consagrado sentido de falar difícil, com sotaque tecnocrático, o que pode ser dito de forma simples e direta.”(Oxford Dictionary) A “pós-verdade” despontou para a fama graças ao Dicionário  Oxford, editado pela universidade britânica, que anualmente elege uma palavra de maior destaque na língua inglesa. Oxford definiu a acepção e mostrou a evolução do termo, observando que ele não foi cunhado neste annus horribilis  da história humana, mas seu uso cresceu 2.000% nele. O Google registra mais de 20,2 milhões de citações em inglês, 11 milhões em espanhol e 9 milhões em português, uma ideia de seu sucesso. Na definição britânica, “pós-verdade” é um adjetivo “que se relaciona ou denota circunstâncias nas quais fatos objetivos têm menos influência em moldar a opinião pública do que apelos à emoção e a crenças pessoais”. Não seria então, exatamente, o culto à mentira, mas a indiferença com a verdade dos fatos. Eles podem ou não existir, e ocorrer ou não da forma

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divulgada, que tanto faz para os indivíduos. Não afetam os seus julgamentos e preferências consolidados. A mídia golpista faz gato e sapato dela. O termo, diz a Oxford, foi empregado pela primeira vez em 1992 pelo dramaturgo sérvio-americano Steve Tesich, em um ensaio para a revista  The Nation. Em 2004, o escritor norte-americano Ralph Keyes colocou-o no título de seu livro The Post-Truth Era: Dishonesty and Deception in Contemporary Life. Mas quem mais contribuiu para a sua popularização mundial foi a revista The Economist, desde quando publicou, em setembro passado, o artigo “Arte da mentira”. (https://www.cartacapital.com.br/revista/933/a-era-da-pos-verdade. Acesso em 26/05/2017) No texto de The Economist, o mundo teria entrado em uma era política de pós-verdade, especialmente depois que os britânicos ignoraram os alertas sobre o “Brexit”. No Brasil, a “pós-verdade” está na mídia golpista, em que cada notícia “é um lance no jogo, cada escândalo é um movimento tático. Na pós-verdade, analisar a atual conjuntura do país não é ler notícia. É especular sobre a estratégia que justifica cada movimento tático do complexo financeiro-empresarial (do qual a mídia faz parte) ditado pelo grande capital, a fim de obviamente poder e ter poder para reagir também de maneira estratégica. Sua intenção é, por conseguinte, tornar as leis e a administração do país, no caso do Brasil, totalmente favoráveis para suas metas de maximização dos lucros. Capital Federal às avessas.


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VIU!  

Edição de junho de 2017

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