Issuu on Google+

;.


Traduzido por Uly Santos

Traduzido,editado e revisado por: Uly Santos Contatos: Facebook https://www.facebook.com/ully.downey?hc_location=stream Twitter https://twitter.com/ullydowney Email uly_s@hotmail.com Google+ https://plus.google.com/u/0/106393318367553441551/posts?partnerid=gplp0

2

2


Traduzido por Uly Santos

Sinopse Se alguém conhecesse a verdade sobre a vida na casa de Beth Risk, enviariam sua mãe pra cadeia e Beth, de dezessete anos, a quem sabe onde. Então, ela protege sua mãe a todo custo. Até o dia em que seu tio intervém e obriga Beth a escolher entre a liberdade de sua mãe e a sua própria felicidade. E assim é como ela termina vivendo com uma tia que não a quer e indo a uma escola onde ninguém a compreende. Em absoluto. Com exceção do único garoto que não deveria entendê-la, mas ele o faz… Ryan Stone é o garoto de ouro do povo, uma popular estrela do beisebol com segredos que não pode contar a ninguém. Nem se quer para os seus amigos com quem compartilha tudo, incluindo os constantes desafios que os levam a cometer loucuras. O desafio mais louco? Convidar pra sair a Skater Girl que não poderia estar menos interessada nele. Mas o que começa com um desafio se transforma em uma intensa atração que nem Ryan e nem Beth esperavam. Subitamente, o garoto de imagem intacta arrisca seus sonhos—e sua vida—pela garota que ama, ela a garota que não permite que ninguém se aproxime demais, desafia a si mesma a querer tudo… Pushing The Limits, #2

3

3


Traduzido por Uly Santos

A Deus — Isaías 61:1 Para Dave — Porque ainda tenho o boné de beisebol com o qual te vi pela primeira vez.

4

4


Traduzido por Uly Santos

Ryan Não estou interessado no segundo lugar. Nunca estive. E nunca estarei. Não é o estilo de qualquer pessoa que queira jogar nas grandes ligas. E por causa da minha filosofia pessoal, este momento é uma merda. Meu melhor amigo está á segundos de obter o número de telefone da garota que trabalha no balcão do Taco Bell, colocando-o na liderança. O que começou como um desafio simples acabou se tornando um jogo durante a noite toda. Primeiro Chris me desafiou a perguntar o numero de telefone da garota na fila do cinema. Depois eu desafiei o Chris a pegar o número da garota na gaiola dos batedouros. Quanto mais sucesso tivemos, mais vontade nos dava de ganhar o jogo. É uma vergonha que o Chris tenha um sorriso de derreter os corações de todas as garotas, incluindo as que têm namorados. Odeio Perder. A Garota Taco Bell cora quando Chris pisca pra ela. Vamos. Eu a escolhi porque ela nos chamou de perdedores caipiras quando fizemos o pedido. Chris repousa seus braços no balcão, se aproximando mais da garota. Enquanto eu me sento e vejo a tragédia se desenrolar. Ela não deveria estar tendo uma epifania agora mesmo? Se não, ela não poderia encontrar algum respeito próprio e dizer pro Chris cair fora? Cada músculo na parte de trás do meu pescoço enrijece no momento em que a garota do Taco Bell ri e escreve algo em um pedaço de papel e o desliza para ele. Droga. O resto do nosso grupo uiva com risos e alguém me dá uma tapinha nas costas. Esta noite não se trata de números de telefones ou de garotas.

5

5


Traduzido por Uly Santos

É sobre aproveitar a nossa última noite de Sexta-Feira antes do inicio das aulas. E eu já provei de tudo, a liberdade do ar quente de verão no Jeep com os painéis baixos, a paz de estradas escuras que levam à interestadual, o brilho excitante das luzes da cidade quando tomamos a rota de trinta minutos de carro até Louisville, e, por fim, o gosto de dar água na boca de um fast-food gorduroso, taco à meia-noite. Chris levanta o número de telefone como um árbitro segurando a luva do campeão de um prêmio. — É, Ryan. — Vá em frente. — Não há nenhuma maneira de eu ter chegado até aqui para deixar que o Chris me supere. Ele desliza em seu assento, joga o papel na pilha de números que temos recolhido ao longo da noite, e puxa seu boné da Bullitt County High* de beisebol sobre o seu cabelo castanho. — Vamos ver. Essa coisa tem de ser pensada. A garota deve ser escolhida com cuidado. Atraente o suficiente para que ela não vá se apaixonar por você. E não pode ser um cão, porque se não ela vai ficar animada porque alguém deu-lhe um osso. Imitando-o, me acomodo na cadeira, estendo as pernas, e dobro as mãos sobre meu estômago. —Tome o seu tempo. Eu tenho a eternidade. Mas não temos, Após este fim de semana, a vida muda, minha vida e a do Chris. Na segunda-feira, Chris e eu seremos alunos do último ano começando nossa última liga de beisebol de outono. Eu só tenho pouco mais que alguns meses para impressionar os olheiros de beisebol profissional ou o sonho em que eu venho trabalhando a minha vida inteira vai se transformar em cinzas. Um empurrão no meu pé me traz de volta ao aqui e agora. — Pare com a merda séria. — Logan sussurra. O júnior solitário na mesa é o melhor maldito apanhador no estado, acena em direção ao resto do grupo. Ele conhece minhas expressões faciais melhor do que ninguém. Ele deveria. Nós temos jogado juntos desde que éramos crianças. Eu lançando. * Colégio em que eles estudam e jogam Beisebol.

6

6


Traduzido por Uly Santos

Ele capturando. Graças ao Logan, eu ri de uma piada que Chris disse, mesmo eu não ouvido a piada. — Fechamos em breve. — A garota Taco Bell limpa uma mesa perto da nossa e dá um sorriso para o Chris. Ela quase parece muito com o brilho do neon vermelho Drive-Thru Sign Open. — Talvez eu ligue pra ela. — Chris diz. Eu levanto uma sobrancelha, ele adora sua namorada. — Não, você não vai. — Eu faria se não fosse por Lacy. — Mas ele tem Lacy, e a ama, então nenhum de nós continua a conversa. — Eu tenho mais uma tentativa. — Eu faço um show ao olhar ao redor do salão roxo com decorações mexicanas. — Que garota você está escolhendo para mim? A buzina do drive-thru anuncia a chegada de um carro cheio de garotas quentes. O Rap se é ouvido de longe do carro e eu juro que uma garota pisca pra gente. Eu amo a cidade. A morena no banco traseiro me cumprimenta. — Você deve escolher uma delas. — Claro. — Diz Chris com sarcasmo. — Na verdade, porque eu não te entrego o titulo agora? Dois caras da nossa mesa saltam para fora de seus assentos e saem, deixando-me sozinho com Logan, e Chris. — Última chance para Meninas quentes da cidade antes de dirigir de volta para Groveton, Logan. Logan não diz nada de um jeito ou de outro, nem seu rosto se move um centímetro. Esse é o Logan impassível por qualquer coisa. A não ser que se trate de alguma façanha associada com a morte. — Lá está ela. — Os olhos de Chris se iluminam quando ele olha para a entrada. — Essa é a garota que eu escolho pra você.

7

7


Traduzido por Uly Santos

Eu puxo uma respiração profunda. Chris soa muito feliz por esta menina para ser uma boa notícia. — Onde? — Acabou de entrar, está esperando no balcão. Eu arrisco uma olhada. Cabelo preto. Roupas rasgadas. Skater Girl* Total. Droga, essas garotas são duronas. Bato minha mão contra a mesa e nossas bandejas mudam. Por quê? Por que essa Skater Girl tinha que estar no Taco Bell hoje à noite? Chris da uma gargalhada que não ajuda em nada a minha agitação crescente. — Admita a derrota e você não terá que sofrer. — De jeito nenhum. — Eu me levanto, me recusando a perder sem uma luta. Todas as garotas são iguais. É o que digo a mim mesmo a caminho do balcão. Ela pode parecer diferente das garotas de casa, mas todas as garotas querem a mesma coisa: Um cara que se mostre interessado. O problema é que os caras não tem bolas para fazer isso. Bom pra mim, porque eu tenho. — Oi, sou Ryan. Seus longos cabelos negros escondem seu rosto, mas seu corpo é esbelto com uma pitada de curvas que me chamam a atenção. Ao contrário das meninas em casa, ela não está usando roupas de marca ou de grifes. Não.. Ela tem seu próprio estilo. Sua blusa preta mostra mais pele do que cobre e sua calça jeans justa abraça todos os lugares certos. Meus olhos permanecem em um único rasgo nela, diretamente abaixo de sua bunda. Ela se inclina sobre o balcão e o rasgo se alarga. A Skater Girl vira a cabeça para mim e para o drive-thru. — Será que alguém vai pegar a porra do meu pedido? * Garota que anda de skate ou no caso dela que tem todo o estilo de uma.

8

8


Traduzido por Uly Santos

A risada do Chris de nossa mesa do canto me empurra de volta à realidade. Eu retiro meu boné de beisebol, passo a mão pelo meu cabelo, e enfio o chapéu de volta no lugar. Por que ela? Porque hoje à noite? Mas há um desafio e eu vou ganhar. — O Contador está um pouco lento esta noite. Ela olha pra mim, como se eu fosse um pouco lerdo. — Você está falando comigo? Seu olhar duro me desafia a desviar o olhar, e um homem menor faria. Eu não sou menor. Continue olhando, Skater Girl. Você não me assusta. No entanto sou atraído por seus olhos. Eles são azuis. Azul escuro. Eu nunca teria pensado que alguém com um cabelo tão negro poderia ter esses olhos brilhantes. — Eu lhe fiz uma pergunta. — Ela descansa o quadril contra o balcão e cruza os braços sobre o peito. — Ou você é tão estúpido quanto parece? Sim, punk puro: atitude, piercing no nariz, e um sorriso de escárnio que pode matar instantaneamente. Ela não é meu tipo, mas ela não tem que ser. Eu só preciso de seu número. —Você provavelmente teria um serviço melhor se cuidasse da sua linguagem. Uma pontada de diversão toca os seus lábios e dança em seus olhos. Não é o tipo de diversão que faz você rir com. É do tipo insultos. —A minha linguagem te incomoda? Sim. — Não. — As meninas não usam porra. Ou não deveriam. Eu não me importo com a palavra, mas eu sei quando estou sendo testado e este é um teste. — Então, a minha linguagem não te incomoda, mas você disse — Ela levanta sua voz e se inclina sobre o balcão de novo — Que eu poderia ter alguma porra de serviço, se eu cuidasse da minha linguagem. Não faria mal. Hora de mudar de tática. — O que você quer? Sua cabeça se vira abruptamente para cima, como se tivesse esquecido que estava lá. — O quê?

9

9


Traduzido por Uly Santos

— Para comer. O que você quer comer? — Peixe. O que você acha que eu quero? Eu estou na diretoria do taco. Chris ri novamente e desta vez Logan se junta a ele. Se eu não resgatar isso, eu vou ouvir suas piadas todo o caminho até em casa. Desta vez, eu me inclino sobre o balcão e cumprimento a menina que trabalha no drive-thru. Dou-lhe um sorriso. Ela sorri de volta. Tome nota Skater Girl. É assim que deveria funcionar. — Posso ter um minuto? O rosto da garota do Drive-Thru se ilumina, ela levanta um dedo enquanto continua com uma ordem no exterior. — Já, já estarei ai. Prometo. — Eu volto para Skater Girl, mas em vez do agradecimento que eu deveria estar recebendo ela balança a cabeça, claramente irritada. — Atletas. Meu sorriso vacila. O dela cresce. — Como você sabe que eu sou um atleta? Seus olhos vagueiam sobre o meu peito e eu luto com um sorriso. Escrito em letras pretas sobre minha camisa cinza está: Bullitt County High School, campeões estaduais de beisebol. — Então você é estúpido. — Ela diz. Estou acabado. Eu dou um passo em direção à mesa, mas então eu paro. Eu não perco. — Qual é o seu nome? — O que devo fazer para você me deixar em paz? Esta é a minha deixa. — Dê-me o seu número de telefone. O lado direito de sua boca se curva. — Você está brincando. — Eu estou falando sério. Dê-me o seu nome e número de telefone, e eu irei. — Você deve ter o cérebro danificado. — Bem-vindo ao Taco Bell. Posso anotar o seu pedido?

10

10


Traduzido por Uly Santos

Nós dois olhamos para a garota do Drive-Thru Chick. Ela sorri para mim, depois se encolhe quando olha para a Skater Girl. Com suas pálpebras abatidas, ela pergunta novamente: — O que eu posso fazer por você? Eu retiro dez dólares a minha carteira e bato sobre o balcão. — Tacos. — E uma Coca-Cola. — diz Skater Girl. — Grande. Já que ele está pagando. — Oookay. — A garota do Drive-Thru Anota o pedido, e desliza o dinheiro para fora do balcão, e retorna para a janela de pedidos. — Eu acho que um agradecimento seria bom. — Eu digo. —Eu nunca pedi que você pagasse. — Dê-me o seu nome e número de telefone, e estamos quites. Ela lambe os lábios. — Não há absolutamente nada que você possa fazer que faça eu te dar o meu nome ou meu número. Toca o sino. Hora de terminar com essas palavras. Propositadamente invado seu espaço pessoal, eu roubo um passo em direção a ela e coloco a mão sobre o balcão ao lado de seu corpo. Isso a afeta. Eu posso dizer. Os olhos dela perderem a diversão e os braços abraçam seu corpo. Ela é pequena. Menor do que eu esperava. Sua atitude é tão grande que eu não tinha notado sua altura ou tamanho. — Eu aposto que posso. Ela levanta seu queixo. — Não pode. — Oito tacos e uma Coca grande. — diz a menina de trás do balcão. Skater Girl arrebata o pedido e gira em seus calcanhares antes que eu possa processar estou à beira de perder. — Espere! Ela para na porta. — O quê? Este "o que" quase não tem nenhuma raiva em comparação da sua atitude anterior. Talvez eu esteja chegando a algum lugar.

11

11


Traduzido por Uly Santos

— Dê-me o seu número de telefone. Quero ligar pra você. Não. Eu não irei. , mas eu quero ganhar. Ela está oscilando. Eu posso dizer. Para não assusta-la enterro a minha excitação. Nada me deixa mais alto do que ganhar. — Eu vou dizer uma coisa. — Ela abre um sorriso que tem uma mistura de fascínio e maldade. — Se você puder me levar até o meu carro e abrir a porta para mim, eu vou te dar o meu telefone. Posso. Ela dá um passo em direção à noite úmida e pula pela calçada até o estacionamento. Eu não teria atrelado esta menina com uma saltadora. Salto como ela faz e a sigo, provando o doce sabor da vitória. A Vitória não durou muito tempo. Eu congelo a meio passo na calçada. Antes que eu possa saltar para além das linhas amarelas que fazem fronteira com um carro velho e enferrujado, dois garotos ameaçadores saem de dentro dele e não parecem felizes. -— Tem alguma coisa que eu possa fazer por você, cara? — Pergunta o mais alto com tatuagens correndo ao longo de seus braços. —Não. — Coloco as mãos dentro dos bolsos e relaxo a minha postura. Eu não tenho nenhuma intenção de entrar em uma briga, especialmente quando estou em menor número. O garoto com tatuagens atravessa o parque do estacionamento, e ele provavelmente continuaria seguindo, se não fosse pelo outro cara com o cabelo cobrindo os olhos. Ele para na frente do garoto de tatuagem, interrompendo seu trajeto, mas sua postura sugere que ele também lutaria. — Existe algum problema, Beth? Beth. Difícil de acreditar que essa garota tão forte tenha um nome tão delicado. Como se estivesse lendo meus pensamentos, seus lábios deslizam em um sorriso perverso.

12

12


Traduzido por Uly Santos

— Não, mais. — Responde, enquanto salta para dentro do banco traseiro do carro. Os dois garotos caminham para o carro, mantendo um olho em mim, como se eu fosse o suficientemente estúpido para ir atrás deles. O motor ruge para a vida e o carro vibra como se uma fita adesiva o mantivesse unido. Com nenhuma pressa para entrar e explicar a meus amigos como perdi, fico na calçada. O carro se move lentamente e Beth pressiona sua palma contra a janela do copiloto. Escrito no marcador em negro, estão as palavras que dizem a minha derrota: Não Pode.

.

13

13


Traduzido por Uly Santos

Beth Não há nada melhor do que a sensação de estar flutuando. Leve e quente. Um edredom tirado da secadora. O calor de uma mão forte sobre o meu rosto, correndo através do meu cabelo. Se a vida somente pudesse ser desta maneira… para sempre. Poderia ficar aqui para sempre, no sótão da casa da minha tia. Todo feito de paredes. Não há janelas. O exterior se mantém lá fora. As pessoas que amo dentro. Noah— seu cabelo escondendo seus olhos, evitando que o mundo veja sua alma. Isaiah��� um bando de lindas tatuagens que assustam o normal e atraem a liberdade. Eu— a poeta em minha cabeça quando estou alta*. Vim para esta casa por segurança. Eles vieram porque o sistema de proteção de menores ficou sem casas. Nós ficamos porque éramos peças extraviadas de outros quebra-cabeças, cansados de não encaixar nunca. Há um ano, Isaiah e Noah compraram o sofá, o colchão tamanho King e a televisão na Legião da Boa Vontade. Merdas que alguém jogou fora. Puxando para baixo um lance de escadas para as profundezas da terra, eles fizeram uma casa. Eu tenho uma família. — Eu usava fitas — digo. Minha própria voz soa estranha. Fazendo eco. Muito longe. E falo outra vez, assim posso ouvir a estranheza da minha voz. — Um montão delas. — Eu adoro quando ela faz isso — diz Isaiah para o Noah. Nós três relaxamos na cama. *Alta – Ela quer dizer “drogada”

14

14


Traduzido por Uly Santos

Terminando outra cerveja, Noah fica no final da cama, com as costas contra a parede. Isaiah e eu nos tocamos. Só nos tocamos quando estamos altos ou bêbados, ou ambos. Podemos nos tocar porque assim não conta. Nada conta quando se está elevado. Isaiah passa sua mão pelo meu cabelo outra vez. O suave toque me instiga a fechar os olhos e dormir para sempre. Felicidade. Isto é felicidade. —De que cores? —As arestas do tom normal de Isaiah desaparecem, deixando suavidade sem fundo. —Rosa. —E? —Vestidos. Eu adoro os vestidos. Sinto como se estivesse virando minha cabeça na areia para ele. Minha cabeça descansando em seu estômago e sorrio quando o calor que irradia através de sua pele passa por sua camisa e bate no meu rosto. Ou talvez eu esteja sorrindo porque Isaiah é o único que pode me fazer sorrir. Eu adoro seu cabelo escuro, seja raspado perto do coro cabeludo. Adoro seus bondosos olhos cinza. Adoro os brincos de suas duas orelhas. Adoro que… ele é quente. Quente quando está alto. Ele é tragicamente quente quando está sóbrio. Eu deveria escrever isso. — Você quer um vestido, Beth? — Pergunta Isaiah. Nunca tira sarro de mim quando recordo minha infância. Na verdade, é uma das poucas vezes que me faz perguntas sem fim. — Você me compraria um? —Não sei por que, mas o pensamento ilumina meu coração. A pequena parte sóbria do meu cérebro me lembra que não me ponho vestidos e que desprezo as fitas. O resto da minha mente perdida em uma nuvem de maconha desfruta do jogo, a

15

15


Traduzido por Uly Santos

perspectiva de uma vida com vestidos e fitas e alguém disposto a fazer meus sonhos mais selvagens realidade. —Sim — ele responde sem vacilar. Os músculos ao redor da minha boca ficam mais pesados e o resto do meu corpo, incluindo meu coração, segue seu exemplo. Não, não estou pronta para a crise. Fecho os olhos e desejo que ela se vá. —Ela está quebrada. —Noah não está alto e parte de mim se ressente por isso. Abandonou a maconha e deixou de ser despreocupado quando se graduou e está levando o Isaiah com ele. —Temos esperado tempo demais. —Não, é perfeito. —Isaiah se move e coloca minha cabeça sobre algo suave e esponjoso. Deu-me uma almofada. Isaiah sempre cuida de mim. —Beth? —Seu hálito quente está perto do meu ouvido.

16

—Sim. —É um sussurro aturdido. —Mude-se conosco. Na primavera passada Noah se graduou na escola secundaria e do sistema de proteção de menores. Está se mudando e Isaiah vai com ele, mesmo que ainda oficialmente não possa deixar a proteção do sistema até que se gradue no próximo ano e cumpra dezoito anos. Pra minha tia não importa aonde vive o Isaiah, sempre que continue recebendo os cheques do Estado. Tento sacudir a cabeça para negar, mas não funciona muito bem na areia. —Estivemos conversando e você pode ficar com um quarto e nós compartilharemos o outro. Eles estão nisso por semanas, tentando me convencer a sair com eles. Mas ha! Mesmo alta posso frustrar seus planos. Eu vibro com os olhos abertos

16


Traduzido por Uly Santos

— Não funcionará. Precisará de privacidade para o sexo. Noah ri. — Temos um sofá. — Ainda estou na escola secundaria. — Igual ao Isaiah. No caso de que não tenha se dado conta, os dois estão no último ano. Espertinho. Eu olho para o Noah. E ele simplesmente se limita a dar goles em sua cerveja. Isaías continua. — Como é que você vai para a escola? Você vai ir no ônibus? Claro que não. — Você irá para levantar sua bunda gorda mais cedo Para me buscar. — Você sabe que eu vou — Ele murmurar. E acho uma indicação de minha felicidade novamente. — Por que você não vai morar com a gente? Noah pergunta. Sua pergunta direta me faz ficar sóbria. Por que. Grito em minha mente. Eu viro para o meu lado e me enrolo como uma bola. Segundos depois algo macio cobre meu corpo. Um cobertor,dobrado até abaixo do meu queixo. — Agora, ela se foi — disse Isaiah.

*** Minha bunda vibra. Eu me estico antes de tirar meu telefone do bolso traseiro. Por um segundo me pergunto se o garoto bonito do Taco Bell de algum modo conseguiu arranjar meu número. Sonhei com ele — O garoto do Taco Bell. Estava de pé junto a mim, parecendo todo arrogante e lindo com sua mata de cabelo louro arenoso e seus olhos marrons. Desta vez não tentava jogar comigo para conseguir meu número. Sorria como se de verdade eu importasse. Como disse — só um sonho.

17

17


Traduzido por Uly Santos

A imagem desaparece quando vejo a hora no identificador de chamadas do meu celular: 3:00 a.m Bar The Last Stop. Desejando que minha bebedeira nunca tivesse passado aceito a chamada. — Espera. Isaiah está dormindo ao meu lado, seu braço sobre meu estômago sem nenhum pedido. Suavemente o levanto e escapulo de debaixo dele. Noah está desmaiado no sofá, com sua namorada, Echo, estreitamente apertada contra ele. Merda, quando ela voltou pra cidade? Em silencio, subo as escadas, entro na cozinha e fecho a porta do sótão. — Sim. — Sua mãe está causando problemas outra vez — disse uma irritada voz masculina. Infelizmente, conheço essa voz: Denny. Camareiro e proprietário do The Last Stop. — Você a deteve? — Não posso impedir que os tipos lhe comprem bebidas. Olha, garota, você me paga para que te chame antes que chame a policia para coloca-la atrás das grades. Você tem quinze minutos para tirar sua bunda dai e arrasta-la até aqui. Ele desliga o telefone. Denny realmente precisa trabalhar nas suas habilidades de conversação. Caminho dois blocos até o centro comercial, o qual conta com todas as comodidades que o lixo branco pode desejar: uma lavanderia, uma loja de tudo a um dólar, loja de licores, um mercado de merda que aceita vales alimentação e vende pão duro de uma semana, uma loja de cigarros, uma de penhores, um bar de motoqueiros. Oh, e um escritório em ruínas de advocacia no caso de você ficar preso ou for pego roubando alguma das lojas anteriores. As outras lojas fecharam horas atrás, colocando as barras de madeiras sobre as suas janelas. Grupos de homens e mulheres se amontoam em

18

18


Traduzido por Uly Santos

torno das dezenas de motocicletas que enchem o estacionamento. O mau cheiro rançoso de cigarros e o doce aroma de cravo mesclado com maconha se misturam no ar quente de verão. Denny e eu sabemos que ele não chamará a policia, mas não posso arriscar. Mamãe foi presa duas vezes e está em liberdade condicional. E mesmo se ele não chamar a polícia, ele vai chutá-la para fora. Uma explosão de risos masculinos me lembra de por que isso não é uma coisa boa. Não é um riso feliz ou alegre ou mesmo sã. Quero dizer, você tem uma vantagem, e almeja a dor de alguém. Mamãe sempre se relaciona com doentes. Não entendo. Não tenho que entender. Basta apenas limpar bagunça. As lâmpadas maçantes que pairam sobre as mesas de bilhar, as luzes de néon vermelhas sobre o bar e dois televisores pendurados na parede criam a única barra de luz. A placa na porta indica duas coisas: não é permitida a entrada de menores de vinte e um anos e sem cores de gangues. Mesmo na escuridão eu posso ver que nenhuma das duas regras se aplica. A maioria dos homens usam coletes com emblemas de suas gangues de motociclistas claramente visíveis e a maioria das meninas penduradas nestes homens é menor de idade. Empurro entre dois homens para chegar até onde está Denny servindo as bebidas no bar. — Onde ela está? Denny, com sua típica camisa vermelha, está de costas para mim derramando vodka em copos shot*. Ele não vai falar e servir ao mesmo tempo — pelo menos não comigo. Obrigo meu corpo a permanecer estoico mesmo quando uma mão aperta minha bunda e um tipo que cheira a álcool se inclina até mim. — Você quer uma bebida? — Cai fora, idiota. *http://www.imigrantesbebidas.com.br/festas/images/copo-shot.jpg

19

19


Traduzido por Uly Santos

Ele ri e me da outro apertão. Concentro-me no arco Iris das garrafas de licor alinhadas atrás do bar, fingindo estar em algum outro lugar. Com alguém mais. — Tira sua mão da minha bunda ou arranco as suas bolas. Denny bloqueia minha visão das garrafas e desliza uma cerveja até o tipo segundos antes de ele perder sua virilidade. — Ela é menor de idade. O idiota se afasta do bar enquanto Denny acena para a parte de atrás. — Ela está no lugar de sempre. — Obrigada. Eu atraio olhares e risos ao longo do caminho. A maioria dos risos pertence aos frequentadores. Sabem por que eu estou aqui. Eu vejo o julgamento em seus olhos. Diversão. Piedade. Malditos hipócritas. Continuo andando com a minha cabeça e ombro erguidos. Eu sou melhor que eles. Não importa os sussurros e provocações. Fodam-se eles.

20

Fodam-se todos. A maioria do pessoal na sala paira sobre um jogo de pôquer perto da entrada, deixando o resto da sala vazia. A porta para o beco permanece aberta. Eu posso ver o complexo de apartamentos da minha mãe e sua porta da frente daqui. Conveniente. Mamãe está sentada em uma pequena mesa redonda no canto. Duas garrafas de uísque e um copo ao seu lado. Ela esfrega seu rosto, em seguida, puxa a mão. Dentro de mim, a raiva irrompe. Ele bateu nela. Mais uma vez. Seu rosto está vermelho. Coberto de manchas. A pele debaixo de seu olho está inchada. Esta é a razão pela qual eu não posso morar com Noah e Isaiah. A razão pela qual eu não posso ir embora. Preciso estar a duas quadras da minha mãe.

20


Traduzido por Uly Santos

— Elisabeth. — Mamãe articula mal, bêbada faz gestos na minha direção. Pega uma garrafa de uísque e a inclina, mas não sai nada. O que é bom, porque ela ia perder o copo por um centímetro. Vou até ela, agarro a garrafa e a deixo na mesa ao nosso lado. — Está vazia. — Oh. — Ela pisca seus olhos azuis — Seja uma boa menina e vá buscar mais. — Tenho dezessete. — Então consiga algo. — Vamos, mãe. Mamãe alisa os cabelos loiros com a mão trêmula e olha em volta, como se ela tivesse acabado de acordar de um sonho. — Ele me bateu.

21

— Eu sei. — Eu bati nele de volta. Não duvido que ela bateu nele primeiro. — Nós temos que ir. — Eu não culpo você. — Essa declaração me atinge de maneira que nenhum homem pode. Eu solto um longo suspiro e procuro uma forma de aliviar a dor de suas palavras, mas não consigo. Eu pego a outra garrafa, grata pela quantidade lamentável restante, despejo em um copo, e engulo. Em seguida, despejo em outro copo e o empurro na direção dela. — Sim, você faz. Mamãe olha para a bebida antes de traçar a borda do copo com o dedo do meio. Suas unhas estão roídas até a carne. As cutículas crescem acima. A pele ao redor de suas unhas está seca e rachada. Eu me pergunto se minha mãe já foi bonita alguma vez.

21


Traduzido por Uly Santos

Ela joga a cabeça para trás enquanto bebe. — Você está certa. Eu faço. Seu pai nunca teria me deixado se não fosse por você. — Eu sei. — A queimação do uísque suprime a dor da memória. — Vamos. — Ele me amava. — Eu sei. — O que você fez ... forçou ele a ir embora. — Eu sei. — Você arruinou a minha vida. — Eu sei. Ela começa a chorar. O choro de bêbado. O tipo de choro onde tudo sai às lágrimas, o muco, a saliva, a terrível verdade que você nunca deve se dizer a outra alma. — Eu te odeio. Eu recuo. Engulo. E me lembro de respirar. — Eu sei. Mamãe pega minha mão. Eu não me afasto. E não retribuo o aperto. Eu vou deixá-la fazer o que ela deve. Nós estivemos nessa estrada várias vezes. — Sinto muito, querida. —Mamãe limpa o nariz com a pele nua de seu antebraço. — Eu não quis dizer isso. — Eu te amo. Você sabe que eu faço. Não me deixe sozinha. Ok? — Tudo bem. —O que mais eu posso dizer? Ela é minha mãe. Minha mãe. Seus dedos traçaram círculos na palma da minha mão e ela evita o contato visual. — Fica comigo esta noite? — Este é o lugar onde Isaías traçou uma linha. Na verdade, ele desenhou a linha mais para trás, obrigando-me a prometer distância dela por completo depois que seu

22

22


Traduzido por Uly Santos

namorado me deu uma surra. Eu tentei manter a promessa de ir morar com minha tia. Mas alguém tem que cuidar da minha mãe para ter certeza de que coma, que tenha comida e que pague suas contas. Afinal a culpa é minha que meu pai a deixou. — Deixa eu te levar pra casa. Mamãe sorri sem se dar conta de que eu não respondi. Algumas vezes, à noite, sonho com ela sorrindo. Era feliz quando papai vivia com a gente. E então arruinei sua felicidade. Seus joelhos balam enquanto ela se levanta, mas mamãe pode andar. É uma boa noite. -— Aonde você vai? — Eu pergunto quando ela começa a andar em direção ao bar. — Pagar minha conta. Impressionante. Ela tem dinheiro. — Eu vou. Fique aqui mesmo. Eu irei te levar em casa. Em vez de dar-me o dinheiro, mamãe encostada na porta dos fundos. Genial. Agora eu fiquei com a conta. Pelo menos no Taco Bell o garoto me comprou a comida e eu tenho algo para dar ao Denny. Eu empurro as pessoas no meu caminho para o bar e Denny sorri quando me vê. — Leve-a para fora, menina. — Ele está fora. Quanto é a sua conta? — Já está paga. Gelo corre nas minhas veias. — Quando? — Agora.

23

23


Traduzido por Uly Santos

Não. — Por quem? Ele não encontra os meus olhos. — Quem você acha? Merda. Quase caio, tropeçando sobre as pessoas, tirando-as do meu caminho. Ele vai bater nela novamente. Irá fazê-lo novamente. Eu corro com todas as minhas forças em direção à porta dos fundos, para o beco e não vejo nada. Nada de sombras escuras. Nada de iluminação pública. O som dos grilos é envolvente. — Mãe? Cacos de vidro. Vidro quebrado novamente. Gritos horríveis ecoam da frente do complexo de apartamentos da mamãe. Deus, ele a está matando. Eu sei disso. Meu coração está batendo contra minhas costelas, está difícil de respirar. Eu tremo - mãos, pernas. A visão do que eu vou ver quando eu chegar ao estacionamento come a minha alma: Mamãe transformada em uma pasta de sangue e o imbecil de seu namorado em pé ao lado dela. Lágrimas ardem nos meus olhos e eu tropeço quando viro ao redor do canto do edifício, raspando as palmas das mãos no asfalto. Eu não me importo. Eu preciso encontrá-la. Minha mãe Minha mãe balança um bastão de beisebol e quebra o vidro traseiro da merda de um El Camino.* — O que... o que você está fazendo? — E onde ela conseguiu um bastão de beisebol? — Ele. —Ela balança o bastão e quebra mais um vidro. — Me enganou. Eu pisco, sem saber se eu quero abraçá-la ou matá-la. — Então termine com ele. —Você, sua puta louca de merda! — O namorado da minha mãe vem do espaço entre os dois edifícios voando até ela e lhe dá uma tapa na cara com a mão aberta. A tapa de sua mão contra sua bochecha faz a minha pele vibrar. O taco de beisebol cai de suas mãos e quica três vezes, com a ponta para baixo contra o asfalto. *Um modelo de carro.

24

24


Traduzido por Uly Santos

Cada rachadura no oco da madeira aumenta meus sentidos. Ele permanece no chão e rolar até os meus pés. Ele grita. Todas as maldições, mas suas palavras são misturadas com um zumbido na minha cabeça. Ele me bateu no ano passado. Bateu na minha mãe. Ele não vai bater em nenhuma de nós duas outra vez. Ele levanta as mãos. Mamãe levanta os braços para proteger o rosto e se ajoelha diante dele. Eu pego o bastão. Dou dois passos. Balanço o bastão desde o meu ombro e... — Policia! Largue o bastão! Para o chão! Três agentes uniformados nos rodeiam. Maldição. Meu coração bate com força contra meu peito. Deveria ter pensado nisto, mas não pensei e o erro vai me custar. Os policias patrulham regularmente o complexo. O idiota faz sinal pra mim. — Ela fez isso. Esta maldita garota louca destruiu meu carro. Sua mãe e eu tentamos detê-la, mas então ela ficou louca! —Deixe cair o bastão! Mãos sobre a cabeça. Aturdida por sua mentira descarada, eu havia esquecido que ainda segurava o bastão. Sinto o aperto da madeira áspera contra minhas mãos. O deixo cair e escuto a mesma pancada oca outra vez quando ele volta a cair no chão. Colocando as mãos atrás da minha cabeça, abaixo o olhar até minha mãe. Esperando. Esperando que ela explique. Esperando que nos defenda. Minha mãe está ajoelhada na frente do imbecil. Sua cabeça sutilmente e a boca formam as palavras, por favor. Por favor? Por favor, o que? Amplio os olhos, lhe suplicando para que se explique. Ela gesticula duas palavras mais: Liberdade Condicional.

25

25


Traduzido por Uly Santos

Um oficial chuta o bastão para longe de nós e me abaixa. — O que aconteceu? — Eu o fiz — lhe digo. — Destruí o carro.

26

26


Traduzido por Uly Santos

Ryan O suor cai do meu couro cabeludo e corre pela minha testa, obrigando-me a secar antes de recolocar o chapéu. O sol da tarde bate em mim como se eu estivesse fervendo na assadeira do inferno. Os Jogos de agosto são os piores. Minhas mãos suam. Eu não me importo com minha mão esquerda, que está vestindo a luva. É a mão de arremesso eu a esfrego repetidamente na perna da minha calça. Meu coração bate em meus ouvidos e eu luto contra uma onda de tontura. O cheiro de pipoca queimada e cachorros-quentes que vem das barracas, e as cãibras no estômago. Eu fiquei fora até muito tarde ontem à noite. Dou uma olhada no placar, e vejo como a temperatura sobe de 95 graus para 96. O índice de calor tem que ser mais de cem. Em teoria, se a temperatura atingir 105 o árbitro deve terminar o jogo. Em teoria. Não importa se a temperatura estivesse abaixo de zero. Meu estômago ainda iria ter cãibras. Minhas mãos ainda iam suar. A pressão— se constrói continuamente, torcendo meu interior ao ponto de implosão. — Vamos, Ry! — Chris, nosso shortstop*, grita entre a segunda e terceira. Seu solitário grito de guerra instiga chamados do resto da equipe,os que estão no campo e aqueles que estão sentados no banco. Eu não deveria dizer sentado. Todo mundo no banco está com os dedos apertados ao redor da cerca. *No beisebol, o interbases (SS), ou shortstop, é o jogador que ocupa a posição entre a segunda e a terceira base.

27

27


Traduzido por Uly Santos

No final da sétima, nós estamos acima por uma corrida, e dois outs, e eu estraguei tudo e levei um corredor a primeira. Maldita bola curva. Eu lancei um strike e duas bolas com o rebatedor atual. Não há mais espaço para erros. Mais dois strikes e o jogo acaba. Mais duas bolas e troco um rebatedor, dando a outra equipe um corredor em posição de pontuação. A multidão se junta a nós. Eles aplaudem, assobiam e comemoram. Ninguém mais alto do que o meu pai. Segurando a bola com força, eu respiro fundo, envolvo o meu braço direito atrás das costas e me inclino para frente para ler o sinal do Logan. O estresse deste próximo passo paira sobre mim. Todo mundo quer que este jogo acabe. Ninguém mais do que eu. Eu não perco. Logan se agacha em posição atrás do rebatedor e faz algo inesperado. Ele puxa para cima a máscara sobre a cabeça, apoia as mãos entre as pernas e me mostra o dedo.

28

Maldito Bastardo. Logan ostenta um sorriso e um lembrete e faz com que os meus ombros relaxem. É apenas o primeiro jogo da temporada de outono. Um jogo de linha de base. Aceno e ele desliza sua máscara sobre seu rosto e me mostra o sinal de paz duas vezes. É uma bola rápida. Eu olho por cima do ombro em direção pela primeira vez. O corredor vai de cabeça na caça pela segunda, mas não rápido o suficiente para conseguir rouba-la. Inclino meu braço para trás e lanço com uma descarga de poder e adrenalina. Meu coração bate duas vezes com o doce som da bola colidindo com a luva do Logan e as palavras “Strike dois” saindo da boca do árbitro. Logan lança a bola de volta e não perco tempo em me preparar para o seguinte lançamento. Será este. Minha equipe pode ir pra casa— vitoriosa. Logan tem o mindinho e anelar juntos. Eu balanço minha cabeça. Quero terminar este jogo e uma bola rápida servirá. Não uma curva.

28


Traduzido por Uly Santos

Logan hesita antes de mostrar-me dois sinais de paz. Esse é o meu garoto. Ele sabe que posso fazer. Mantendo sua mão entre suas pernas, ele para, logo aponta até o rebatedor, dizendo-me que minhas bolas rápidas estão desviando para fora. Aceno. Um acordo para manter a direção em mente com minha velocidade. A bola voa para fora da minha mão, atinge a luva do Logan bem no meio e o árbitro grita: — Bola! Deixo de respirar. Isso foi um strike. O portão faz barulho enquanto os meus companheiros de equipe batem nele, gritando injustiça. Gritando com o árbitro, o técnico fica à beira da terra de ninguém entre o banco de reservas e o campo. Meus amigos no campo silvam pela chamada ruim. A multidão murmura e vaia. Na arquibancada, com a cabeça para baixo as pessoas fazem orações, mamãe agarra as pérolas que pairam em torno de seu pescoço. Maldição. Arranco com força a estampa do meu chapéu, tentando acalmar o sangue correndo em minhas veias. As chamadas ruins são um saco, mas acontecem. Eu tenho mais uma chance para acabar com isto. Mais uma... — Isso foi um strike. — Pai sai pra fora das arquibancadas e vai para o portão atrás da equipe. Os jogadores e a multidão silenciaram. Papai demanda a justiça. Bem, a sua versão de justiça. — Volte para as arquibancadas, Sr. Stone — diz que o árbitro, todo mundo na cidade conhece meu pai. — Voltarei para o meu lugar, quando tivermos um árbitro que possa fazer uma chamada justa. Você fez chamadas ruins o jogo inteiro. — Mesmo que ele tenha dito alto o suficiente para todo o parque ouvir, ele nunca levantou a voz. Papai é um homem imponente é uma pessoa que toda esta cidade admira.

29

29


Traduzido por Uly Santos

Por trás da cerca, papai está sobre o pequeno e gordo árbitro e espera que alguém faça bem o que ele vê como errado. Somos cópias de carbono um do outro, meu pai e eu. Cabelo arenoso e olhos castanhos. Pernas longas. Tudo, os ombros e braços. Minha avó disse que pessoas como papai e eu foram construídas para o trabalho pesado. O papai disse que foram construídas para o beisebol. Meu treinador entra em campo junto com o treinador da outra equipe. Concordo. O árbitro tem feito chamadas muito mal, para ambos os lados, mas acho irônico que ninguém teve coragem para dizer nada até que papai declarou guerra. — Seu pai é o cara. —Chris caminha até o monte do lançador. —Sim. —O cara. Olho para a mamãe de novo e o espaço vazio onde meu irmão mais velho, Mark, deveria se sentar. A ausência do Mark ainda dói mais do que pensei que faria. Estendo minha luva até Logan, que avançou pra longe dos quatro homens discutindo a autenticidade das chamadas. Ele lança automaticamente a bola de volta. Chris olha a multidão. — Você notou quem veio ao jogo? — Não me incomodo em olhar. Lacy sempre assiste aos jogos de Chris. —Gwen — disse com um sorriso do gato que comeu o canário. —Lacy escutou que está interessada em você de novo. Reajo sem pensar e giro minha cabeça para buscar por ela na arquibancada. Por dois anos, Gwen e o beisebol foram minha vida completa. A brisa sopra através do longo cabelo loiro de Gwen e, como se pudesse sentir meu olhar, ela olha pra mim e sorri. No ano passado, amei esse sorriso. Um sorriso reservado só para mim.Vários meses se passaram desde esse tempo. Mamãe ainda a ama. Não estou certo de como me sinto. Um tipo sobe a arquibancada e põe seu braço ao redor dela. Sim, esfregue-se, imbecil. Estou muito ciente de que Gwen e eu terminamos. —Joga a bola! — A voz de um novo árbitro resoa desde a caixa do rebatedor. O velho árbitro aperta as mãos com papai no outro lado da grade. Como disse, papai acredita na justiça e também acredita que a justiça deveria ser servida com o orgulho de um homem ainda intacto. Bom,

30

30


Traduzido por Uly Santos

para todo homem que não seja meu irmão. Todos no campo aplaudem e observam meu pai voltar a seu lugar. Algumas pessoas estendem sua mão até ele. Outros dão tapas em suas costas. Fora do campo, papai é o líder desta comunidade. No campo, eu sou o cara. Fora da caixa do rebatedor, o rebatedor da uns giros de pratica. Dois strikes. Três bolas. E o garoto sabe que posso fazer. Assovio e faço gestos para Logan. Ao meu lado, Chris ri. Sabe que não planejo nada bom. Logan se aproxima com a máscara de receptor acima de sua cabeça. — Que tal, chefe? — Fale comigo. Isto é o que um grande receptor faz. — O rebatedor era lento, mas ele teve um descanso, o que quer dizer que dará tudo o que tem. Sua velocidade foi mostrada e ele sabe disso. Rodo a bola em meus dedos. — Estará esperando uma rápida? —Se eu fosse ele, esperaria que lançasse rápido — disse Chris. Encolho meu ombro e os músculos gritam em protesto. — Façamos uma mudança. Ele o lerá tão rápido que não terá tempo suficiente para reajustasse. Um sorriso desliza no rosto de Chris e põe sua luva sobre sua boca. — Você vai disparar pra fora. —Nós vamos disparar — repito, escondendo meus próprios lábios com minha luva. Eu viro para frente do campo e assobio para chamar a atenção de todos. Chris volta para o shortstop, desliza a mão aberta no meio de seu peito e dá uma tapa em seu braço esquerdo com a mão direita duas vezes. O meio de base corre até nossa segunda base e passa a mensagem. Até o momento eu enfrentar o rebatedor, Logan já enviou a mensagem ao primeiro e terceiro.

31

31


Traduzido por Uly Santos

Logan põe sua máscara sobre seu rosto, se agacha em posição e levanta sua luva para o lançamento. Sim, vou acabar com isso.

*** —Te vejo á noite, cara. —Chris chuta meu pé enquanto passa caminhando. Tem embalado seu bastão em uma mão e a mão de Lacy na outra. Chris e eu conhecemos Lacy quando nossas escolas trocaram no sexto ano. Eu gostava dela no dia em que esfolou o joelho jogando futebol com os meninos. Chris se apaixonou por ela no dia que ela o empurrou no playground depois que ele a marcou no beisebol. Eles têm sido um casal desde o segundo ano — o ano em que ele cresceu um par e finalmente a convidou pra sair. Lacy puxa um elástico de seu pulso e prende seu cabelo castanho em um coque bagunçado. Amo que não seja uma garota feminina. Para manter o ritmo comigo, Chris, e Logan, uma menina tem que ter a pele grossa. Não me interpretem mal — ela é quente como o inferno, mas Lacy não dá a mínima para o que os outros pensam dela. —Vamos a festa esta noite. Quero conversas e pessoas e dança. Há mais coisas na vida do que gaiolas de batedores e desafios. Com nossos dedos congelados em desamarrar nossos sapatos, Logan e eu levantamos de estalo nossas cabeças. O rosto do Chris fica branco. —Isso é um sacrilégio, Lace. Retire o que disse. Ao meu lado, Logan enfia seus pés em seu Nike e lança seus sapatos em sua bolsa. — Você não conhece a emoção de ganhar um bom desafio. — Os desafios não são divertidos — ela diz. Repreensão clara em seu tom. — Eles são loucos. Atearam fogo em meu carro. Logan levanta suas mãos. — Abri a janela a tempo. Em minha defesa, apenas o estofado está marcado. Chris e eu rimos com a lembrança de Lacy gritando enquanto ia a quarenta em uma curva.

32

32


Traduzido por Uly Santos

Resumo da historia: um invólucro de hambúrguer, um isqueiro, um cronômetro, e um desafio. Logan acidentalmente deixou cair o invólucro em chamas que rolou sob o assento de Lacy. Um pontapé e um olhar de Lacy é o suficiente para que nós dois façamos silencio. — Desejo que você arrume uma namorada para que ela possa conduzir o seu traseiro louco por ai. — Eu não posso. —Logan sacode as sobrancelhas. — Sou eu que dou asas para o Ryan. —Você dá asas pra ele. — Ela cospe a frase, em seguida aponta uma unha brilhante para ambos, Logan e eu, mas não passa por alto como se mantém em mim. — Um de vocês precisa encontrar uma garota e se comprometer. Estou cansada de toda esta testosterona. Lacy odeia os tipos de garotas com as que saí no verão. Está cismada de que influenciarei o Chris a deixá-la, apesar de que deveria saber mais. Chris venera seu traseiro como sua própria religião. — Você não aprovou a garota com quem me comprometi na última vez. — digo. — Por que deveria tentar de novo? — Porque pode achar coisa melhor do que o demônio. —Baixo meu tom. — Gwen não é o demônio. — Gwen e eu terminamos, mas não há razão para falar mal dela. —Falando do demônio — murmura Logan. —Olá, Ryan. —Giro minha cabeça para ser testemunha de Gwen em toda sua glória. Um vestido de algodão azul se move ao redor de suas pernas bronzeadas e usa um novo par de botas de cowboy. Cachos feitos a mão ressaltam as pontas de seu longo cabelo loiro. Rodeada por três de suas melhores amigas, ela flutua, mas mantém seus olhos verdes em mim. —Gwen — digo de volta. — Alcançando a barraca de comida, move seu cabelo sobre seu ombro enquanto volta a focar sua atenção. Continuo olhando, tentando lembrar por que terminamos. — Drama! —Lacy bloqueia de propósito minha visão do traseiro de Gwen. — Ela não era nada mais que drama. Lembra-se? Você disse:

33

33


Traduzido por Uly Santos

“Lacy, não há nada real sobre ela,” e eu disse: “eu sei,” e felizmente lancei um: “eu te disse” em sua cara. Então você disse: “Não me deixe voltar com ela,” e eu disse: “Posso arrancar suas bolas se você tentar” e você disse… —Não. — Digo não, porque Lacy realmente o faria e prefiro minhas bolas coladas, mas eu lhe pedi para me lembrar dessa conversa se eu estivesse fraco. Logan e eu deveríamos convidar algumas garotas para o cinema no próximo fim de semana. Inferno, se a Skater girl tivesse me dado seu número poderia ter considerado ligar pra ela. Deus sabe que ela era sexy como o inferno e quando se trata de Gwen, uma distração sempre ajuda. —Vamos, Logan — disse Chris. — Te darei uma carona até em casa. Perto do suporte, papai envolve um braço ao reder da mamãe enquanto os dois falam com o treinador e um homem vestido com uma camiseta polo e cáquis. Me pergunto se alguém mais nota como mamãe se inclina levemente longe do corpo do papai. Provavelmente não. Mamãe está em modo bem-vindo, toda sorrisos e risos. Sobre seu ombro, papai indica que deveria me unir a eles, ele me dá um de seus raros sorrisos de estou orgulhoso de você. Isso me tira o equilíbrio. Sim, ganhamos, mas ganhamos um monte de vezes. É o que os campeões estaduais fazem. Por que o fluxo de orgulho então? Digo que papai e eu somos clones, exceto pela idade e a pele. Anos de chuva, sol, calor e frio danificaram seu rosto Possuir uma empresa de construção requer muito tempo nos elementos. —Ryan, este é o senhor Davis. O Sr. Davis e eu oferecemos nossas mãos ao mesmo tempo. Ele é alto, magro, e possivelmente da idade do meu pai, exceto que o Sr. Davis não parece afetado pelo clima. —Me chame de Rob. Felicidades pelo jogo bem jogado. Você tem um

34

34


Traduzido por Uly Santos

inferno de uma bola rápida. — Obrigado, senhor. — Eu já tinha escutado isso antes. Mamãe disse a todos que Deus me deu um presente e enquanto eu não estou certo do que pensar perto dele, não negarei que desfrutei do passeio. Pena que meu pai e eu não poderíamos angariar qualquer interesse em próeliminatórias de beisebol. Estou acostumado às reuniões e apresentações. Porque papai tem sua própria empresa e tem um acento no conselho da cidade, está na interconexão. Não me interpretem mal — papai não é do tipo faminto por poder. Rejeito ser prefeito várias vezes, ainda que a mamãe tenha lhe implorado considerar isso por anos. Ele está só realmente interessado na comunidade. Rob inclina sua cabeça para o campo. — Você se importaria de lançar um par pra mim? Mamãe, papai e o treinador compartilham sorrisos conhecedores e sinto como se alguém tivesse dito uma piada e me deixado fora da graça. Ou talvez eu seja a graça. — Claro. Rob puxa uma arma radar e um cartão de visita para fora da bolsa. Ele mantém a arma radar na mão esquerda e me entrega o cartão. —Vim hoje para observar o jogador da outra equipe. Não vi o que buscava nele, mas creio que encontrei algo prometedor em você. Papai palmeia minhas cotas e sua pública demonstração de afeto me tem o olhando. Papai não é um homem de tato. Minha família — não somos assim. Mantenho o cartão em minha mão e toma tudo o que tenho para não praguejar na frente da minha mãe. O homem se dirigindo para trás do home plate* é Rob Davis, caçador de talentos para os Cincinnati Reds. * http://farm2.staticflickr.com/1199/1464635081_1d36c77f85.jpg

35

35


Traduzido por Uly Santos

— Eu te disse que essas provas de primavera não eram o final. — Papai faz gestos para que eu siga o Rob. — Anda faça-o voar.

36

36


Traduzido por Uly Santos

Beth O guarda mais velho da prisão, amigável, caminha ao meu lado. Não colocou as algemas super apertadas como o outro guarda idiota. E não está no meu rosto, tentando me assustar também. Não está tentando recriar a cena de Cops*. Somente está caminhando ao meu lado, ignorando a minha existência. Estou a favor do silencio depois de escutar uma garota despertar de uma má viagem à noite. Talvez foi hoje. Não tenho ideia de que horas é. Me deram café da manhã. Discutiram o almoço. Deve ser de manhã. Talvez meio dia. O guarda abre a porta a qual só posso descrever como uma sala de interrogatórios. Além da cela que compartilhei com a de quinze anos que é nervosa demais para meu gosto, aqui é onde tenho passado a maior parte do meu tempo desde que me prenderam por destruição de propriedade. O guarda relaxa as costas contra a parede. Me sento na mesa. Preciso de um cigarro. Muito. Incrivelmente muito. É como se eu pudesse arrancar meu próprio braço para conseguir um. — Do que você está caindo? — O guarda olha para os meus dedos. Deixo de bater na mesa. — Nicotina. — Isso é difícil. — diz ele. — Eu nunca poderia parar. — Sim. É fodidamente difícil... O oficial de policia que me prendeu a noite —esta manhã— entra na sala. —Ela fala. *Documentário de televisão americana que segue e grava agentes de polícia e xerifes por cerca de 140 cidades dos EUA durante patrulhas e outros policiamentos.

37

37


Traduzido por Uly Santos

Sim. Não foi minha intenção. Fechei minha boca. A noite, esta manhã —quem demônios sabe — eu me fixei em permanecer em silencio quando me fizeram perguntas sobre minha mãe, minha vida em casa, o namorado de minha mãe. Neguei-me a falar, me neguei a dizer uma palavra, porque se eu fizesse, poderia dizer algo errado e mandar mamãe pra prisão. Não há forma de que eu possa viver com isso. Não tenho ideia do que aconteceu com ela ou seu namorado, depois de que puseram as algemas em meus pulsos e me sentaram na parte traseira da patrulha. Se Deus está escutando orações de mim, então talvez mamãe esteja a salvo e o idiota está compartilhando um urinol com os outros delinquentes do mês. O oficial se parece com Johnny Deep de vinte anos, e cheira a limpeza de sabão com um toque de café. Não foi ele quem falou comigo a noite. Só o tipo que me prendeu. Ele se acomoda na cadeira a minha frente e o guarda se vai. —Sou o Oficial Monroe.

38

Olho pra mesa. O Oficial Monroe estica a mão, abre as algemas, e as desliza a seu lado da mesa. — Por que não me diz o que realmente aconteceu à noite? Só um trago. Oh Deus, seria melhor que um profundo beijo de um garoto realmente sexy. Mas não vou beijar um garoto sexy e não tenho um cigarro, porque atualmente estou sendo interrogada no purgatório. — O namorado de sua mãe, Trent… sabemos que é má noticia, mas é inteligente. Nunca tivemos o suficiente para prendê-lo. Talvez você possa nos ajudar, e a si mesma. Ajude-nos a por ele na prisão, então ele vai estar longe de você e de sua mãe. Estou de acordo… ele é o Satanás. Além do fato de que é limpo ele foi um jogador de futebol, que lida com agressores masculinos no campo, bate a merda para fora das mulheres, porém, não tenho nada a dizer-

38


Traduzido por Uly Santos

lhes além de rumores que eu ouvi na rua. Os policiais que andam na parte sul estão bem cientes das nossas histórias de ninar sobre o idiota conhecido como Trent. A piada tentadora de bate em mim e na mamãe, poderia nos conseguir um pedaço de papel com as palavras Pedido de Proteção de Emergência na cabeceira, mas os delinquentes de violência doméstica raramente se sentam dentro de uma cela por muito tempo, e também Trent queima EPOs* e cachorrinhos por diversão. Inclusive antes da minha mãe se envolver com o Trent, a policia estava atrás dele, mas ele é a versão da vida real que caminha e fala de um transbordamento de petróleo, impossível de recolher uma vez que foi liberado. Ajudar a policia só traria o lodo e sua ira doentia mais rápida a nossa porta. —Vive no mesmo complexo de apartamentos que sua mãe não é verdade? Não seria bom viver com ela de novo, e não ter que se preocupar por ele? Sem ter ideia de como sabe que não vivo com minha mãe, luto fortemente para no olhá-lo. Negando-me a lhe indicar que tinha razão. —Nem se quer sabíamos que estava saindo com sua mãe. Ele, eh, vê outras mulheres. Contenho-me para não rolar os olhos. Que surpresa. —Elisabeth — disse, depois de minha falta de resposta. —Beth. — Odeio meu nome de batismo. — Meu nome é Beth. —Beth, sua chamada telefônica tem estado na entrada desde as cinco da manhã. Isaiah! Meus olhos se dirigem aos do Oficial Monroe. As paredes que construí para me proteger caem e fadiga em conjunto com a frieza que tenho agarrado toda a noite derrete. *EPOs - Espécie de poliestireno.

39

39


Traduzido por Uly Santos

O medo e a mágoa passam a tomar seu lugar. Quero o Isaiah. Não quero estar aqui. Quero ir pra casa. Pisco me dando conta que a sensação de piscar são lágrimas. Limpando meu rosto, trato de encontrar minha fortaleza — minha resolução, mas só encontro um pesado vazio. — Quando posso ir pra casa? Alguém chama na porta. O Oficial Monroe a abre, e troca uns poucos sussurros acalorados antes de assentir. Segundos depois, minha tia, uma versão mais velha e mais limpa de minha mãe, entra. — Beth? O Oficial Monroe sai, fechando a porta atrás dele. Shirley vem direto até mim. Me levanto e a deixo me abraçar. Cheira a lar: cigarros velhos e amaciante de lavanda. Enterro meu rosto no ombro da minha tia, desejando nada mais que estar encostada na cama em seu sótão, durante uma semana. O cigarro está em segundo lugar. — Onde está o Isaiah? — Ainda que eu esteja agradecida por minha tia, meu coração estava empenhado em ver o meu melhor amigo. — Lá fora. Me ligou no momento que escutou sobre você. — Shirley me aperta antes de romper nosso abraço. — Que desastre. — Eu sei. Tem visto mamãe? Assente, e logo se inclina e sussurra em meu ouvido: — Sua mãe me disse o que realmente aconteceu. Os músculos ao redor da minha boca se contraem, e trato de fazer com que meu lábio inferior deixe de tremer. — O que eu faço? Shirley passa suas mãos por meus braços. — Continue com sua historia. Eles iram trazer Trent e sua mãe para interroga-los. Se você não falar, não podem encontrar nada para prendê-los. Sua mãe está nervosa, contudo. Se você falar, a enviaram para prisão por violar a liberdade condicional e destruição de propriedade. Tem medo de ir pra prisão.

40

40


Traduzido por Uly Santos

Eu também, mas mamãe não pode ir pra prisão. — O que vai acontecer comigo? Seus braços caem a seu lado, e ela põe a mesa entre nós. São só uns poucos passos, mas cria um vazio parecido com um desfiladeiro. Fiz dezessete, mês passado. Antes de hoje, eu me sentia como um adulto: velha e grande. Eu não me sinto mais tão grande. Agora eu me sinto pequena e muito, muito sozinha. — Shirley? — Seu tio e eu não temos dinheiro para um advogado. Isaiah e Noah, inclusive essa garota com quem Noah anda, ofereceram o que tinham, mas seu tio e eu nos assustamos quando a policia nos disse que você levantou um bastão contra o Trent. Então, tive uma ideia. Meu coração afunda como se alguém tivesse puxado um alçapão logo abaixo dele. — O que você fez? — Eu sei que você não quer ter nada a ver com o lado de seu pai, mas seu irmão, Scott, ele é um bom homem. Deixou a equipe de beisebol e se tornou um homem de negócios. Ele tem um advogado. Um ideal. — Scott? — Minha boca se abre. — Como… O que…? — Minha respiração se torna superficial conforme eu tento dar sentido a insanidade saindo dos lábios da minha tia. — Impossível. Ele foi embora. — Ele fez. — diz ela lentamente. — Mas ele se mudou de volta para sua cidade natal no mês passado e ele me chamou para encontrá-lo. Ele queria que você fosse morar com ele e sua esposa, mas nós explodimos com ele. Sua mãe falou com ele quando ele chegou persistente e ela lhe disse que você fugiu. Meu lábio se enrola com o pensamento dele perto de mim. — Boa escolha. Então, por que envolver Scott agora? Nós não precisamos dele. Podemos dar um jeito nisso sem ele ou seu advogado ideal. — Eles disseram que você ia bater no Trent com um bastão. — Shirley repete enquanto torce as mãos. — Isso é sério e eu pensei que precisava de ajuda.

41

41


Traduzido por Uly Santos

—Não. Me diga que você não fez isso. — Estou no inferno. Ou muito, muito perto. — Havíamos respeitado seus desejos sobre ele, mas logo isto aconteceu e… Eu o chamei. Ouça-me, ele tem uma grande vida agora. Muito dinheiro e te quer. Eu começo a rir. Só que não é engraçado. Não está nem perto de ser engraçado. É a maldita coisa mais triste que eu já ouvi. Eu desmorono no banco e descanso minha cabeça em minhas mãos. — Não, ele não o faz. — Ele conseguiu retirar as acusações. Nenhum sinal de felicidade pode ser encontrado em sua voz. Eu mantenho o meu rosto escondido, incapaz de olhar para ela para ver qualquer verdade que esteja vindo. — O que você fez? — Pergunto de novo. Shirley se ajoelha ao meu lado e baixa a voz baixa. — Quando liguei para ele, seu tio Scott foi ao apartamento de sua mãe. Ele viu coisas que ele não deveria ter visto. Coisas que podem prejudicar a sua mãe. Eu rolo para o lado como se tivesse sido atingida por uma onda, e o som de ser absorvida pelo redemoinho oceânico correndo em meus ouvidos. O meu mundo está desmoronando ao meu redor. Ele foi para o meu antigo quarto. Mamãe me disse para nunca entrar lá, depois que fui morar com Shirley. Eu nunca entrei. Ali há coisas que nem eu quero saber. — Ele não contou a polícia. — diz ela. — Impressionado com sua revelação, a olho por entre meus dedos. — Sério? Os lábios de Shirley se curvam para baixo e ela franze a testa. — Sua mãe não tinha escolha. Ele entrou na estação com o seu advogado e fez a demanda... ela deu a guarda para ele, ou ele iria contar à polícia o que viu. Minha tia me olha, seus olhos sombrios. — Ela assinou à custódia. Ele é seu tutor legal agora.

42

42


Traduzido por Uly Santos

Ryan Graças aos chuveiros do centro comunitário não há necessidade de ir para casa. Limpo e vestido com roupas de rua, eu volto para o céu. Todo mundo deixou o estádio. As arquibancadas estão vazias. As barracas de comidas fechadas. Kenny Chesney soa desde o estacionamento, o que significa que Chris me ignorou quando lhe disse que o veria depois. Chris é realmente bom em três coisas, jogar em campo como shortstop, amar sua garota, e saber o que preciso quando eu mesmo não sei. Ao menos a maior parte do tempo. A partir da piscina da comunidade, as crianças pequenas gritam de alegria no tempo, com os sons de splash da água e do salto do trampolim. Meu irmão Mark e eu passamos a maior parte de nossos verões nadando naquela piscina. Na outra parte passamos jogando beisebol. Eu estou no monte do lançador, só que desta vez eu estou de calça jeans e com a minha camiseta favorita dos Reds. O céu no início da noite se desvanece de azul para amarelo-alaranjado. Não está fazendo mais um milhão de graus e a brisa se move do sul para o norte. Esta é a minha parte favorita do jogo o tempo sozinho depois dele. A pressa de ganhar e o conhecimento que tenho um olheiro interessado em mim ainda permanecem no meu sangue. Meus pulmões se expandem com o oxigênio limpo e meus músculos perdem a tensão que me pesou durante o jogo. Sinto-me relaxado, em paz, e vivo. Eu fico olhando para o home plate e na minha mente eu vejo Logan agachado na posição e o rebatedor balançando seu bastão. Meus dedos curvados como se eu estivesse segurando a bola. Logan pede uma curva, eu aceito, só que desta vez eu... — Eu sabia que você estaria aqui. — Em suas botas de cowboy marrom de couro e vestido azul, Gwen oscila ao redor do portão para o banco de reservas. — Como? — Eu pergunto. — Você errou a curva. — Em um movimento suave, Gwen se senta no banco no banco e dá um tapinha na madeira ao lado dela. Ela está jogando um jogo. Um que eu vou perder, mas dane-se se os meus pés

43

43


Traduzido por Uly Santos

não se moverem. Ela parece bem. Melhor do que bem. Linda. Eu me aproximo dela e ela balança seus cachos loiros para trás do ombro. — Eu me lembro que você me explicou o básico neste banco. A melhor conversa de beisebol que já tivemos. Eu me inclino para frente e junto minhas mãos. — Talvez você tenha perdido parte da conversa, porque eu não estava explicando o beisebol. Gwen pisca seu sorriso brilhante. — Eu sei, mas ainda assim desfrutei da demonstração. Nossos olhares se cruzam por um momento e eu olho para longe quando o calor se arrasta ao longo de minhas bochechas. Gwen é a única garota com quem tive qualquer experiência real. Ela costumava corar quando ela falava sobre qualquer coisa sexual, mas não o fez hoje. Náuseas rolam através do meu intestino. Que novas bases Mike lhe ensinou? — Você parecia distraído durante o jogo. — O material de seu vestido se move enquanto cruza a perna e chega seu corpo pra perto do meu. Nossos músculos se tocam agora, criando calor. Me pergunto se ela nota. — Está tendo problemas com seu pai de novo? Gwen e eu passamos incontáveis tardes e noites neste banco. Ela sempre sabia quando papai me pressionava demais com os árbitros, ou se eu jogava muito mal, eu vinha pra cá clarear. —Não. —Então, o que aconteceu? Tudo. Mamãe e papai brigando. A ausência do Mark. Eu e o beisebol profissional. Meu relacionamento de amigos/não amigos com Gwen. Por um momento, penso em lhe dizer sobre o Mark. Como o resto do povo, ela felizmente permanece inconsciente. A olho nos olhos e busco a garota que conheci no primeiro ano. Não havia jogado comigo então.

44

44


Traduzido por Uly Santos

Lamentavelmente, desde então me tornei seu passatempo favorito. — Não estou com humor para jogar, Gwen. Gwen levanta a mão e gira seu cabelo ao redor de seu dedo. O brilho de um grande anel com uma pedra vermelha me atinge como um picador de gelo. Movo-me para que nossos músculos não se toquem mais. — Mike lhe deu seu anel de graduação. Deixa cair sua mão e a cobre com a outra, como se esconder o anel me fizesse esquecer de que está ali. —Sim —disse em voz baixa. — Ontem a noite. —Felicidades. —Se eu pudesse ter deixado vazar mais raiva teria feito. — O que era suposto eu fazer? —Não sei. — Minha voz se eleva com cada palavra. — Para começar, não estar aqui jogando comigo. Ignora meu comentário enquanto sua voz endurece. — Mike é um cara bom e sempre está perto. Não vai o tempo todo e não tem milhões de compromissos como você. Em todas as nossas pausas e términos, nunca brigamos. Nunca levantamos a voz um para o outro. Antes, nunca considerei gritar com Gwen, agora é a única coisa que quero fazer. — Te disse que te amava. O que mais você queria? — Para começar. O beisebol sempre estava em primeiro lugar. Deus!O quanto mais claro você queria que a imagem fosse? Terminei com você no começo das suas temporadas. Me levanto, sem ser capaz de me sentar a seu lado. O quanto mais claro eu queria que a imagem fosse? Obviamente necessitava instruções escritas com desenhos detalhados.

45

45


Traduzido por Uly Santos

— Podia ter me dito que se sentia assim. — Iria mudar alguma coisa? Você teria renunciado ao beisebol? Enrosco os dedos no metal da cerca e olho para o campo. Como poderia fazer esse tipo de pergunta? Por que uma garota pediria a um garoto que renuncie a algo que ele ama? Gwen está jogando jogos agora mesmo e eu decidi fazer o lançamento que acaba o turno do jogo. — Não. Ouço sua brusca respiração de ar e a culpa de feri-la me golpeia no estômago. — É somente o beisebol — diz ele imediatamente. Como posso fazer com que ela entenda? Mais para trás do monte, um caminho de terra que conduz a quatro bases, todas rodeadas por um campo verde. É o único lugar onde eu sinto que pertenço. — O beisebol não é só um jogo. É o cheiro de pipoca flutuando no ar, a visão de insetos zumbindo em torno das luzes do Stadium, a rugosidade do solo sob seus tacos. É a expectativa que se constrói em seu peito quando o hino é tocado, a adrenalina quando o rebatedor atinge a bola, e o fluxo de sangue quando o árbitro grita strike após o lançamento. É uma equipe completa de caras que apoiam você em cada movimento, uma arquibancada lotada com pessoas torcendo. É a vida... Os aplausos a minha direita me fez pular de susto. Com o cabelo rosa e um maiô para nadar, minha professora de Inglês do primeiro ano, perto do meu professor de Inglês do ano passado fazem um barulho irritante e levantam as mãos até o queixo como se estivessem em oração. — Isso foi poesia, Ryan. Gwen e eu compartilhamos um olhar de “Que diabos” antes de voltar

46

46


Traduzido por Uly Santos

nossos olhares até a Sra. Rowe. —O que está fazendo aqui? — eu lhe pergunto. Recolhe sua bolsa de praia do chão e a move. — A piscina já fechou. Vi você e a Srta. Gardner e decidi lhes lembrar de que seu primeiro teste individual é para Segunda-Feira. As botas da Gwen se selam no chão e ela troca suas pernas de novo. Há um mês, a Sra. Rowe tratou de arruinar as férias de todos com uma tarefa de verão. —Estou tão emocionada pra lê-los — continuou ela.— Assumo que já fizeram as suas? Nem se quer comecei. —Sim. Gwen se levanta e reajusta o anel do Mike em seu dedo. —Tenho que ir. — E ela se vai. Sem outra palavra. Coloco as mãos nos meus bolsos e movo os pés, esperando que a Sra. Rowe siga Gwen. Tenho um ritual para completar. Obviamente sem intenções de ir, a Sra. Rowe apoia seu ombro contra a entrada da canoa. — Não estava brincando sobre o que você disse Ryan. Você mostrou muito talento na minha aula ano passado. Entre isso e o que acabo de escutar, diria você tem voz de escritor. Eu bufei uma risada. Claro, a classe era mais interessante do que a matemática, mas... —Sou um jogador de beisebol. —Sim, e pelo que escutei um muito bom, mas isso não significa que não possa fazer ambos.

47

47


Traduzido por Uly Santos

Sra. Rowe está sempre à procura de mudar os livros. Ela até começou um clube literário na escola no ano passado. Meu nome não está nessa lista. —Tenho um amigo me esperando. Olha sobre seu ombro até a van do Chris. — Por favor, diga ao Sr. Jones que seu teste também é para SegundaFeira. — Claro. Mais uma vez espero ela ir. Mais uma vez ela não vai. Continua ali de pé. Desconfortável, murmuro um adeus e me dirijo para o estacionamento. Eu tento sacudir a coceira irritante que se instalou no meu pescoço, mas eu não posso. Esse momento no monte é sagrado. Uma necessidade. Um dever. Minha mãe o chama de superstição. Vou chamar como ela quiser, mas, para poder ganhar o próximo jogo, eu tenho que ficar no monte de novo — sozinho — e descobrir o erro que eu cometi com a minha bola curva. Se não, isso significa má sorte. Para a equipe. Para o meu lançamento. Para minha vida. Com a cabeça inclinada para trás e os olhos fechados, Chris está sentado em seu velho Ford preto. As portas abertas. Chris trabalhou duro para esta van. Ele arou o milharal do avô neste verão em troca de um entediante van que saiu de linha quando tínhamos sete anos. — Eu lhe disse para ir para casa. Ele mantém os olhos fechados. — Eu te disse para esquecer o lançamento ruim. — Eu esqueci. — Nós dois sabemos que eu não fiz.

48

48


Traduzido por Uly Santos

Chris volta a vida, fecha a porta, e liga o motor. — Entre. Temos uma festa pra ir, caso você tenha esquecido. —Tenho que ir. — Faço um sinal até meu Jeep, estacionado ao lado de sua van. — Meu objetivo é me certificar de que você não vai estar apto para ir pra casa. — Ele engata ré para sair. — Vamos.

49

49


Traduzido por Uly Santos

Beth O oficial Moroe empurra a parede no momento em que eu saio do quarto de banho das garotas. —Beth. Não quero falar com ele, mas eu realmente não estou aturdida pela longa reunião com o tio perdido também. Faço uma pausa, cruzando os braços sobre meu peito. — Pensei que estava livre. — Você está. — O oficial Monroe claramente domina os olhos de cachorrinho de Johnny Depp. — Quando estiver pronta para me dizer o que aconteceu ontem a noite, quero que ligue. — Suspende um cartão. Nunca vai acontecer. Prefiro morrer antes de mandar minha mãe pra cadeia. Passo adiante dele e entro no vestiário. Ferindo meus olhos, o sol brilha através das janelas e das portas de vidro. Piscando pra longe e vejo o Isaiah, Noah, e Echo. Isaiah se coloca de pé, mas Noah põe uma mão em seu ombro e lhe sussurra algo, acenando para a esquerda. Isaiah se mantém quieto. Seus olhos cinza de aço me imploram que vá até ele. Queria fazê-lo. Mais que nada. Duas pessoas cruzam o caminho de Isaías, e a dor corta em meu peito. É a minha mãe. Como uma espécie de bebê macaco louco se agarrada ao seu namorado estúpido. Seus olhos estão desesperados. Chupa suas bochechas como se ela estivesse tentando segurar as lágrimas. Aquele desgraçado a engoliu em sua vida nojenta. Eu juro por Deus, eu vou arrastá-la para fora. Trent a puxa para fora. Não acabou idiota. Nem se quer está perto. Estou a ponto de dar um passo até Isaiah quando o escuto. — Olá, Elisabeth. — Um calafrio serpenteia por minha espinha dorsal.

50

50


Traduzido por Uly Santos

Essa voz me lembra meu pai. Eu dou a volta para enfrentar o homem que está empenhado em destruir minha vida. Se parece com meu pai na aparência: alto, cabelo castanho escuro, olhos azuis. A diferença principal é que Scott está construído como um atleta, enquanto que meu pai tinha a massa corporal de uma cabeça com metanfetamina. — Me deixa em paz. Recebo o julgamento de Isaiah novamente. — Creio que te deixaram muito tempo sozinha. —Não finja se importar. Conheço suas promessas, são uma merda. —Por que não saímos daqui, agora que você está livre pra ir. Podemos falar em casa. Scott põe uma mão em meu braço e não vacila quando me afasto. — Não vou a lugar nenhum com você. —Sim — disse em um tom irritado. — Você irá. Os músculos das minhas costas tencionam como um gato arqueando as costas para miar. — Acabou de me dizer o que fazer? Dedos envolvem o meu pulso gentilmente me puxando para esquerda. Isaiah paira sobre mim e fala baixinho. — Precisa de um lembrete de que você está em uma delegacia de polícia? Dou uma olhada e vejo o Oficial Monroe e outro policial vendo nossa reunião familiar disfuncional. Meu tio olha para o Isaiah e a mim com interesse, mas mantém sua distancia. Meu corpo não é nada mais que raiva. Ira. Acerta meus pulmões, causando estragos em meu sangue. E Isaiah está de pé aqui me dizendo que freie? Tenho que deixa-lo ir porque me consome.

51

51


Traduzido por Uly Santos

— O Que você quer que eu faça? Isaiah faz algo que nunca fez sóbrio. Coloca sua mão em minha bochecha. Sua palma se sente quente, forte e segura. Me apoio nela enquanto a ira é drenada com seu simples toque. Uma parte de mim anseia a ira. Não me importa o vazio assustador que deixei pra trás. — Me escuta — sussurra. — Vá com ele. —Mas… —Juro por Deus que vou cuidar de você, mas não posso fazê-lo aqui. Vá com ele e espere por mim. Você entendeu? Assinto quando finalmente compreendo o que ele está tentando me dizer sem falar. Ele virá por mim. Um brilho de esperança quebra através do vazio e eu caio na segurança dos braços protetores do Isaiah, nossos corpos apertados um ao outro.

52

52


Traduzido por Uly Santos

Ryan No campo traseiro que faz fronteira com três fazendas, uma festa de campo arrasa sem mim, Logan, e Chris. As festas são ótimas. Tem garotas, garotas que bebem cerveja, dançam, garotas que gostam de dançar, e garotos que odeiam dançar mas fariam qualquer coisa com a esperança de estar com as garotas que bebem cerveja. Lacy está com humor pra dançar, Chris está com humor para evitar dançar, e eu continuo queimado pela Skater Girl da noite passada, e Logan sempre está em um jogo estúpido e louco. Dez minutos na festa, Lacy estava dançando e nós três estamos em um desafio. Na verdade, eu estou com um desafio. Perdi noite passada e não perco. Chris e Logan estão ao longo do caminho. —Não pode levantar isto. — Chris caminha ao meu lado enquanto nos dirigimos até os carros estacionados de forma ordenada em uma linha. A lua cheia dá ao campo um brilho prateado e cheiro de fumaça da fogueira flutua no ar. — Isso é porque você não tem imaginação. Por sorte, tenho um montão e sei que um par e eu sei que um casal de rapazes se divertem fodendo com os amigos. — Isso vai a ser doce — diz Logan quando troca de curso e se dirige até um grupo de atacantes defensivos desfrutando de sua própria festa privada. Tim Richardson tem o tamanho de um mamute caminhão-matança de ozônio, o que é bom, porque os quatro rapazes sentados nas cadeiras do gramado facilmente pesam 124 quilos cada. — O que está acontecendo, Ry?

53

53


Traduzido por Uly Santos

— Nada. — Ponho a lata fria sobre a porta traseira. Nada de cerveja pra mim. Tenho negócios a tratar. — Não está com humor para festa? Seu caminhão é um dos poucos que pode subir em cima da colina atrás do campo. — A garota ali está irritada comigo — murmura Tim. — Toda vez que eu chego perto dela, ela não consegue manter a boca fechada. Logan bufa e Chris bate na parte de trás de sua cabeça. Irritada seria um eufemismo. Rumores na escola dizem que a ex-namorada do Tim encontrou ele beijando sua irmã gêmea. Tim lança um olhar de advertência em Logan e depois se vira para mim. — Como está seu irmão? A equipe tem ele em mente. Ele prometeu que iria ajudar na prática de verão, enquanto estivesse em casa da faculdade. Odeio este tipo de perguntas, mudo minha postura e coloco as mãos nos bolsos. Papai deixou bem claro que não dissesse a ninguém o que aconteceu com Mark. — Ele tem estado ocupado. — Antes que Tim tivesse a oportunidade de investigar mais, mudo de tema. — Vocês garotos gostariam de me ajudar com uma… situação? Tim se inclina pra frente enquanto seus companheiros atacantes riem. — O que você quer agora? Movo a cabeça pra trás e pra frente como se o que eu estivesse pedindo que não é grande coisa. — Nada do outro mundo. Rick me desafiou a mover seu carro. Tim encolhe os ombros porque não soa como um grande problema. — Sem as chaves — diz Chris. Tim abaixa a cabeça, e suas risadas profundas ressoam em seu peito. — Vocês três são a definição de loucura. Sabem disso, certo? — Disse o tipo que derruba outros por diversão — digo. —Está dentro ou fora? A cadeira do Tim se move quando ele se levanta. A medida que chega

54

54


Traduzido por Uly Santos

a sua altura máxima, a cadeira naufraga no fundo do caminhão com um som metálico ruidoso. — Dentro.

*** Meus dedos se enroscaram miseravelmente no metal da embreagem e minhas costas e coxas queimam de dor. Sete caras, um carro de 1.088 quilos e mais um centímetro para avançar. — No três — digo com os dentes apertados. —Um… —Três — grita Logan e apenas aperto meus dedos no para-choque do Chevy Aveo de duas portas quando os outros seis caras botam o carro no solo. A armação do carro azul salta como um Slinky antes de vir para descansar. — Agitação boa — diz Logan. O suor encharca minha camisa. Respiro ofegante, me agacho e pondo minhas mãos nos joelhos. A agitação de ganhar corre por minhas veias e rio em voz alta. Logan admira nossa obra. — A dois metros e agradavelmente estacionado em paralelo entre as duas árvores. Agradavelmente significa para choques dianteiro e traseiro beijando o córtex. O peito do Tim palpita como se estivesse sofrendo um ataque do coração. — Você é um louco filho de puta, Ry — arqueja — Como demônios Rick vai mover este pedaço der merda? — Chris, Logan e eu vamos ficar. Uma vez que ele fique louco, vamos levantar a parte traseira e move-la para que ele possa tirar. Tim ri enquanto sacode a cabeça. — Te vejo na escola Segunda-Feira. — Obrigado, cara. — A qualquer hora. Vamos garotos. Preciso de uma cerveja. Me afundo no solo e me apoio em uma árvore perto do para choques.

55

55


Traduzido por Uly Santos

Chris desliza na porta do passageiro até que seu traseiro atinge a terra. Ambos olhamos o Logan, esperando que se una a gente, mas está ocupado estudando as duas árvores de carvalho fixado no carro. Em qualquer círculo que não me envolva, Chris, Lacy e Logan são conhecidos pelo silencio e o constante estado de tédio. Neste momento, tão silencioso, a mente de um garoto chato está girando como a de um menino com um alto nível de açúcar. É irônico: na escola, as pessoas pensam que sou um viciado em adrenalina porque admiro um bom desafio. Demônios, não estou buscando isso, eu só gosto de ganhar. Logan, por outro lado, vive na extremidade. Você tem que amar um cara assim. Não sou o único que notou que Logan tem uma paixão louca por árvores. Os olhos de Chris são cautelosos. — Que demônios você está fazendo, Junior? Logan pisca pra mim. — Eu estarei de volta em um segundo, chefe. — Ele corre para o velho carvalho. Pequenas ramas mortas que não podem sustentar seu peso caem através das ramas até o solo. Chris se inquieta. Não quer admitir, mas as alturas o assustam como uma merda e o medo de Logan o assusta ainda mais. —Traga seu traseiro de volta aqui. — Tudo bem — diz Logan em algum lugar alto da árvore. Nego com a cabeça. — Não deveria ter dito isso. De cima, os galhos das árvores rangem e quebram e folhas saem voando como se uma brisa forte passasse por eles. Não é vento. É o Logan, e um destes dias ele vai se matar. Um redemoinho de sujeira acompanha a batida no chão. O corpo de Logan pressionado no meu pé. Em suas costas seu cabelo preto está cheio de folhas rasgadas, Logan convulsionado com o riso. Obviamente, esta não é à noite em que estava destinado a morrer. Vira sua cabeça para olhar o Chris. — Aqui.

56

56


Traduzido por Uly Santos

Chuto forte o Logan quando tiro o pé de debaixo do seu traseiro. — Você é o louco filho de puta, não eu. — Louco? — Logan da a volta para sentar-se. — Não sou que está seguindo uma garota psicopata em um estacionamento por seu número de telefone. Esses garotos poderiam ter chutado seu traseiro. Maldição. Tinha esperança de que eles tivessem esquecido. — Poderiam ter chutado. Eles eventualmente poderiam chutar meu traseiro, mas eu teria dado alguns golpes de volta. Dois contra é má probabilidade. — Não é o momento — diz Logan. — Já que você mencionou. — Chris tira seu boné de beisebol e o coloca sobre seu coração. — Eu vou este momento e recordar a todos, que eu ganhei. —Ganhei esta noite. Assim que estamos mano a mano outra vez. Chris empurra seu boné. — Não conta. Tem razão, não conta. Os únicos desafios em que empatamos são aqueles que competimos um com o outro. — Desfrute o breve sabor da vitória. Ganharei da próxima vez. Caímos em silencio, o que está bom. Nossos silêncios nunca são incômodos. Diferente das garotas, os caras não tem que falar. De vez em quando, escutamos os risos ou gritos da festa. De vez em quando, Chris e Lacy se mandam mensagens. Ele gosta de lhe dar espaço, mas não confia nos caras bêbados perto de sua garota. Logan joga com um grande galho que caiu no solo. — Papai e eu fomos a Lexington esta manhã para ver a U de K. Prendo a respiração, esperando que esta conversa não se dirija aonde creio que está se dirigindo. Logan teve essa visita programada há

57

57


Traduzido por Uly Santos

meses. É um maldito gênio e terá todas as universidades batendo a sua porta no próximo ano, incluindo a Universidade de Kentucky. — Como foi? —Vi o Mark. Esfrego a parte posterior da minha cabeça e trato de ignorar a dor persistente no meu interior. — Como ele está? —Bem. Perguntou por você. Por sua mãe. — Faz uma pausa. — Por seu pai. —Ele está bem. Isso é tudo? —Não se ofenda, mas foi estranho. Está bem já que é seu irmão e fez suas próprias decisões, mas não iria falar de seus problemas familiares especialmente quando ele tinha uma plateia. — Uma plateia? — faço eco. —Sim — diz Logan. — Seu namorado suponho. A pressão normalmente reservada para os jogos atingem meu estômago. Subo meus joelhos sob a minha cabeça. — Como você sabe que era o namorado dele? Logan franze o rosto. — Eu não sei. Ele estava de pé ao lado de outro cara. —Poderia ser seu amigo. — diz Chris. — O cara parecia gay? — Mark não parece gay, imbecil — espeta Logan. — Quem teria adivinhado que o maldito atacante defensivo deu o time da casa*. E claro, o outro cara poderia ter sido um cara normal. Mas, como demônios vou saber? Escutá-los discutir sobre meu irmão gay e seu possível namorado gay é Home Team: Outra for de dizer gay

58

58


Traduzido por Uly Santos

Tão incomodo como convencer minha mãe uma e outra vez que prefiro as garotas e suas partes femininas. Nada te faz pensar que pode precisar de anos de terapia para dizer a palavra seios diante de sua mãe. —Podemos terminar esta conversa? Considero caminhar de volta a caminhão do Tim e recolher cerveja. Só estive com uma cara de merda por estar sóbrio duas vezes em minha vida. A primeira vez quando Mark disse à família que era gay. A segunda vez quando papai o expulsou por esse anuncio. Ambos os incidentes ocorreram em um lapso de três dias. Lições aprendidas: não diga ao papai que você é gay e se embebedar não faz com que deixe de ser verdade. Só faz com que te doa a cabeça de manhã. Com um estalo alto, Logan quebra o galho em sua mão. Está buscando coragem, o que significa que vou odiar as palavras que sairão de sua boca. — Mark foi enigmático, mas ele disse que você sabia o que ele queria dizer. Disse que não podia vir e que esperava que você entendesse o por que. Os músculos de meu pescoço se apertam. Meu irmão nem se quer tem bolas para me dizer ele mesmo. Enviei-lhe uma mensagem na semana passada. Francamente desafiei meus pais e lhe enviei uma mensagem. Eu pedi pra ele que viesse jantar amanhã à noite e nunca respondeu. Em troca, assumiu a forma covarde e usou o Logan. No principio do verão, papai lhe deu um ultimato: enquanto Mark escolher garotos, não faz mais parte de nossa família. Mark se foi, sabendo o que significava ir: deixar mamãe… me deixar. Nunca considerou ficar em casa e brigar pra manter nossa família junta. — Ele fez sua escolha. Logan baixa a voz. — Ele sente sua falta. —E se foi — me quebro. Chuto o pneu traseiro do carro. Estou raiva. Com raiva do papai.Com raiva do Mark. Com raiva de mim mesmo. Por três dias seguidos falei com Mark. Disse as mesmas coisas uma e outra vez. Ele continuava sendo Mark. Meu irmão. O filho da mamãe. Me disse que passou anos confundido porque queria ser como eu. Queria ser

59

59


Traduzido por Uly Santos

como papai. E quando lhe pedi que ficasse, quando lhe pedi que se mantivesse firme… se foi. Empacotou sua merda e se foi, deixando a mim e a destruição da família pelas costas. — Pra merda com a conversa seria — diz Chris. — Ganhamos hoje. Ganharemos a temporada de outono e primavera. —Vamos nos graduar vitoriosos e quando o fizermos, Ryan será profissional. —Amém — diz Logan. De seus lábios aos ouvidos de Deus, mas algumas vezes Deus escolhe não escutar. — Não se iluda. O caça talentos de hoje poderia ser só de hoje. Na próxima semana eles poderiam encontrar alguém mais para amar. — Deveria saber disso. Isso aconteceu nas provas profissionais da primavera passada. — Uma merda — diz Chris. — O destino chama a sua porta, Ry, e precisa levantar seu traseiro para responder.

60

60


Traduzido por Uly Santos

Beth Adormeci. Ou isso, ou meu querido e velho tio Scott, me drogou. Eu fico com o adormeci. Scott pode ser um idiota, mas se arrisca para manter os garotos fora das drogas. Eu devia saber. Em uma ocasião me trouxe fitas vermelhas e uma mascote da policia na pré-escola. Eu amo a ironia. Vejo reflexos da lua através das cortinas de renda branca penduradas em uma haste de metal marrom artística. Sento-me e um cobertor de crochê rosa cai. A roupa de cama embaixo de mim ainda perfeitamente feita e estou usando a mesma roupa que eu usava na sexta-feira à noite. Alguém ordenadamente colocou meus sapatos no chão de madeira ao lado da cama. Inclusive sóbria, não o teria feito. Não limpo. Inclino-me e acendo uma lâmpada. Os cristais que decoram a borda inferior tilintam juntos na sombra. A luz escura me chama a atenção para a pintura púrpura dolorosamente alegre na parede. Fechando meus olhos, conto os dias. Vamos ver. Na sexta à noite saí com Noah e Isaiah e pus o garoto do Taco Bell em seu lugar. Na madrugada de sábado, mamãe se converteu em uma delinquente. No sábado pela manhã, Scott arruinou minha vida. Fingi estar dormindo no carro, assim não teria que falar com ele, mas eu realmente adormeci. Scott me acordou, eu acho, e meio que me levou para a casa. Merda. Por que eu não coloco uma placa na minha cabeça e anuncio que eu sou uma garota perdedora que precisa de ajuda? Abro os olhos e olhar para o relógio na mesa de cabeceira. Doze e quinze. Domingo. É madrugada de domingo.

61

61


Traduzido por Uly Santos

Meu estômago ronca. Eu passei um dia completo sem comer. Não seria a primeira vez. Não será a última. Me deslizo da cama e ponho minha imitação de Chuck Taylor de em meus pés. É hora de ter um momento de verJesus com o tio Scott. Quer dizer, se estiver acordado. É melhor se estiver na cama. É meu jeito de fugir sem a luta. Talvez eu vá fazer um pouco de comida antes de ligar para o Isaiah. Com um quarto como este, com certeza compram cereais de marca. A casa tem um cheiro fresco de serragem recém-construída. Fora do quarto há um saguão em vez de um corredor. Uma grande escadaria, do tipo que pensava que só existia em filmes, e há corrente no segundo piso. Um lustre real pendurado no telhado. Adivinha, o beisebol paga bem. —Não... — A voz de uma mulher soa na parte traseira da casa. Posso dizer que continua falando, mas baixou seu tom. Se casou ou continua Com uma foda na mão, como fazia quando era um garoto? Tem que ser uma foda. Ouvi Scott dizer a papai uma vez, que nunca se casaria. Sigo as vozes baixas até a borda de uma grande sala aberta e me detenho. Toda a parte posterior da casa, perdão, mansão, é uma enorme parede de janelas. A sala de estar passa direto para a cozinha. — Scott — há exasperação no tom da mulher—, isto não é o que concordei. — No mês passado você estava de acordo com isto — diz Scott. Una parte de mim se sente reivindicada. Ele perdeu sua mente calma de ontem. —Sim, quando me disse que queria voltar a se contatar com sua sobrinha. Há uma diferença entre a reconexão e ela invadindo nossa vida. — Você estava bem com isso quando te liguei mês passado de Louisville e te disse que queria que vivesse conosco. A mulher explode. — Isso foi depois que você me disse que fugiu. Na verdade não acreditava que a encontraria. Quando você me contou o

62

62


Traduzido por Uly Santos

inferno em que ela vivia, pensei que havia desaparecido. É uma criminosa. Espera que eu me sinta segura com ela em minha casa? Suas palavras que me quebram. Eu não sou tão ruim. No sou um gatinho nem um carneirinho, mas não sou tão má. Olho para baixo pra minha roupa. Jeans. Regata. Meu cabelo preto cai na frente do meu rosto. Não importa. Ela fez sua decisão antes que me conhecer. Eu enterro a dor, passo para a sala, e saúdo a raiva. A olho. — Você pode querer ouvi-la. Eu sou uma porra de uma ameaça. A expressão de assombro em suas caras quase vale a pena estar aqui. Quase. Aperto os lábios para não rir doe Scott. Usa um par de calças e uma camisa de manga curta de botão. É muito diferente da roupa que costumava usar quando era garoto: calças jeans estilo Rapper que mostravam sua roupa interior. A mulher não é nada como as garotas com as que Scott saia quando tinha dezoito anos. Seu cabelo é louro natural ao em vez de tingido. É magra, mas não de dieta com álcool, e parece um pouco inteligente. Inteligente, no sentido de que provavelmente terminou a escola secundaria. Ela senta em uma ilha enorme no centro da cozinha. Scott se inclina sobre o balcão em frente a ela. A olha e então fala comigo. —É tarde, Elisabeth. Por que você não vai pra cama? Nós falaremos pela manhã. Meu estômago dói, e uma onda de enjoos nubla meu cérebro. — Você tem comida? Se ajeita. —Sim. O que você quer? Posso facer alguns ovos. Scott sempre me fazia ovos mexidos cada manhã. Os ovos estão na lista aprovada de WIC. A lembrança doe e é quente ao mesmo tempo. Odeio os ovos. —Oh.

63

63


Traduzido por Uly Santos

Oh. O homem é um gênio da conversação. — Tem cereal? — Claro. —Entra em uma dispensa e me sento em um banco da ilha tão longe como é possivel da garota do Scott. Ela fica olhando a um ponto justo na minha frente. Ha. Divertido. Estou perto de um bloco cheio de facas de açougueiros. Posso imaginar os pensamentos que atravesam por seu único neurônio cerebral. Scott coloca as caixas de Cheerios, Branflakes e trigo triturado na minha frente. — Você tem que estar fodidamente brincando. Onde demônios estão os cereais da marca Lucky Charms? —Bonita linguagem — diz a mulher. —Obrigada — respondo. —Não o disse como um elogio. — Acha que me importa uma merda? Scott desliza uma tigela e uma colher para mim, logo vai até a geladeira pelo leite. —Vamos baixar o tom. Escolho os Cheerios e uns poucos círculos tostados caem sobre o balcão. Scott está sentado em uma cadeira junto a minha e os dois me olham em silencio. Bom, algum silencio. Minha é mais forte que a explosão de uma bomba nuclear. —Scott me disse que você tinha o cabelo loiro — diz a mulher. Bebo, mas é difícil de fazer quando minha garganta se aperta. A menina que costumava ser, com o cabelo louro, morreu há anos e odeio pensar nela. Era muito agradável. Era feliz. Não era alguém... Que quero lembrar. — Por que você tem o cabelo negro? — ornamento do gramado, no outro extremo da ilha tornou-se oficialmente irritante. — Quem você é exatamente? —pergunto. — É minha esposa, Allison.

64

64


Traduzido por Uly Santos

Os Cheerios grudam em minha garganta, me engasgo e tusso na mão. — Você está casado? —Dois anos — diz Scott.Ugh. Em seguida põe esse olhar de desejo que Noah faz com Echo. Deslizo outra colher de cereal em minha boca. — Quando eu terminar —crunch, crunch, crunch—, vou pra casa. —Esta é a sua casa agora. — Scott se acalmou de novo. —O inferno que é. Sinto o olhar de Allison em mim como dardos e facas. Sim, senhora, um par de horas na cadeia e mudei de a destruidora de propriedade para sociopata. —Talvez você devesse escutá-la — diz Allison. —Sim —lhe digo através de mais trituração. — Talvez devesse me escutar. Sua esposa está preocupada se eu vou com o Manson* e cortarei sua garganta enquanto dorme — sorrio para dar efeito. A cor é drenada de seu rosto. Às vezes, eu gosto de ser eu. Scott olha pra mim começando pelo cabelo preto, e depois vai para as unhas pretas, piercing no nariz e, finalmente, a roupa. Então ele se vira para a esposa. — Podemos ter alguns minutos a sós? Allison vai sem dizer uma palavra. Coloca mais cereal na colher deliberadamente para falar com a boca cheia. — Você teve que comprar a correia para ela ou veio com o pacote? — Você não vai desrespeitar ela, Elisabeth. —Vou fazer o que você fodidamente quiser, por favor, tio Scott — imito seu falso tom altivo. — E quando terminar de comer meus cereais de merda ligarei para o Isaiah e vou pra casa. Permanece em silencio. Eu, crunch, crunch, crunch. *Manson – famoso serial killer Americano.

65

65


Traduzido por Uly Santos

— O que aconteceu com você? — pergunta em voz baixa. Bebo o que está em minha boca, deixo a colher e empurro o prato de cereal metade comido. — O que você acha que aconteceu? Scott, mestre dos longos silêncios. — Quando você foi embora? —pergunta. Não precisa ser um adivinho para saber que está perguntando por seu irmão caloteiro. O esmalte negro em minhas unhas sai pelos cantos. O raspo mais. Oito anos mais tarde e ainda tenho um momento difícil em dizer. — No terceiro grau. Se move no assento. — E sua mãe? — Ela caiu no dia em ele se foi. — O qual deveria lhe dizer muito. — O que aconteceu entre eles? Não é da sua conta. — Você não veio por mim como prometeu. — E deixou de ligar quando fiz oito anos. O refrigerador bate sucessivamente. Raspo mais o esmalte. Scott enfrenta o fato de que seu irmão é um idiota. —Elisabeth. —Beth — o interrompo. — Respondo por Beth. Onde está o telefono? Eu vou pra casa. — A policia confiscou meu celular e o deu para o Scott. Disse-me no carro que o jogou no lixo porque “não preciso de contato com minha antiga vida”. — Você acabou de cumprir dezessete anos. — Eu fiz? Uau. Devo ter esquecido já que não me fez uma festa. Ignorando-me, continua: — Esta semana meus advogados vão me garantir sua tutela legal. Até que cumpra dezoito anos, vai viver nesta casa e obedecerá as minhas regras.

66

66


Traduzido por Uly Santos

Bom. Se não vai me dar o telefone, eu vou encontrar. Salto da cadeira. —Eu tenho mais seis anos e você não é o centro do meu universo. De fato, considero que é um buraco negro. —Suponho que se irritou quando me fui.... Irritada? —Não, não estou irritada. Você não existe pra mim. Não sinto nada por você, assim que me diga onde está o maldito telefone para que eu possa ir pra casa. —Elisabeth... Não entende. Não me importa. —Vai pro inferno. Não há telefono na cozinha. — Você tem que entender.... Caminho para a sala de estar de luxo com sua mobília luxuosa em busca de seu telefono de luxo. — Pegue o que tem que dizer e enfie no traseiro. — Só quero falar.... Levanto minha mão no ar e a agito como se fosse a boca de um fantoche. —Blah, blah, blah, Elisabeth. Só irei por um par de meses. Blah, bla,bla, Elisabeth. Vou fazer dinheiro suficiente para sairmos fora de Groveton. Blah, blah, blah, Elisabeth. Nunca vai crescer como eu. Blah, blah, blah, Elisabeth. Me assegurarei de que tenha um pouco de comida de merda para comer. — Eu tinha dezoito anos. — Eu tinha seis anos! — Eu não era seu pai! Lanço meus braços. —Não, não era. Era suposto que seria melhor que ele! Parabéns, você se transformou oficialmente em uma réplica de seu irmão sem valor. Agora, onde diabos está o maldito telefone?

67

67


Traduzido por Uly Santos

Scott bate a mão no balcão e ruge: — Sente o seu traseiro, Elisabeth, e cale a boca! Tremo no interior, mas estive tempo suficiente ao redor dos namorados imbecis da minha mãe para não tremer no exterior. — Uau. Você pode tirar o garoto do parque de trailers e vesti-lo com um bonito uniforme das Grandes Ligas, mas não pode tirar o parque de trailer do garoto. Ele respira fundo e fecha os olhos. — Sinto muito. Estava fora de mim. — Que seja. Onde está o telefone? Noah me disse uma vez que tenho um dom que limita com a reputação de um super vilão com capacidade para empurrar as pessoas para além do limite da sanidade. Pela maneira com que Scott solta o ar e esfrega a testa me diz que estou empurrando com força. Bom. Scott tenta fazer com que esse tom desagradável seja uniforme de novo, mas posso escutar uma ponta de irritação nele. — Quer ir ao parque de trailers? Posso ir ao parque de trailers. Vai viver em minha casa com minhas regras ou enviam sua mãe para a cadeia. — Eu quebrei as janelas do carro. Não ela. Não tem nada contra ela. Scott estreita os olhos. — Quer discutir comigo o que há no apartamento de sua mãe? Meu corpo tomba para a esquerda e o sangue escoa fora do meu rosto, deixando pra trás uma sensação turva e de formigamento. Shirley já me advertiu, mas ouvi-lo ainda é shock. Sabe o que eu não quero saber. O segredo da mamãe. — Me pressione, Elisabeth, e vou ter a mesma conversa com a policia. Tropeço enquanto tento me manter de pé. As partes posteriores das

68

68


Traduzido por Uly Santos

minhas pernas chocam com uma mesa de café. Sinto que perco a batalha. Justo a meu lado há um telefone e tanto quanto eu quero, não posso toca-lo. Ele me tem. O bastardo trocou minha vida pela liberdade da minha mãe.

69

69


Traduzido por Uly Santos

Ryan Eu me inclino contra a porta de trás da van fechada de papai e escuto a dois pontos de distancia do estacionamento, enquanto meu pai diz a um grupo de homens vadiando fora da barbearia cada detalhe do nosso encontro com o caça talentos na noite passada. Alguns ouviram a história na igreja esta manhã. A maioria dos ouvintes são agricultores de geração e este tipo de notícia vale a pena ouvir de novo, mesmo que isso signifique estar de pé, com o calor de agosto, onde você pode sentir o cheiro de acre de asfalto derretido. Na minha visão periférica, eu observo um homem parar na calçada e avaliar o anel de ouvintes e meu pai contando histórias. Eu não presto atenção aos turistas e se ele fosse um local, ele se juntaria ao grupo. É melhor deixar os turistas sozinhos. Se você olha para eles, eles falam. Groveton é uma cidade pequena. Para atrair turistas, papai convenceu os outros membros do conselho a chamarem os antigos edifícios de pedra que datam de 1800 Históricos e em seguida, adicionar as palavras Shopping District. Quatro Bed & Breaksfast* e novos passeios da antiga destilaria bourbon posteriores, e o povo da cidade enfrenta quinze quilômetros de estrada sinuosa do país a partir da auto estrada. Ele pode fazer estacionar puta nos fins de semana, mas dá muitas boas pessoas empregos quando o dinheiro fica apertado. — Qual é a fofoca local? — O homem pergunta. Ele está falando e ainda fez contato visual. É ousado para um turista. Cruzo os braços sobre o peito. — Beisebol. — Não me diga. — Há um declínio em seu tom que atrapalha minha atenção. Viro minha cabeça e sento meus olhos se abrem em câmera lenta. De jeito nenhum. — Você é Scott Risk. Todos nesta cidade sabem que é Scott Risk. * Pousadas que oferecem lugares que inclui um pequeno-almoço por um preço aceitável.

70

70


Traduzido por Uly Santos

Seu rosto é um dos poucos da população estudantil que estão na parede da fama na Bullitt County High. Como shortstop, levou sua equipe da escola para o campeonato estadual duas vezes. Foi as Maiores diretamente da High School. Mas a verdadeira conquista, a verdadeira façanha que fez dele um rei nesta pequena cidade, foi os onze anos que passou com os Yankees de Nova Iorque. É exatamente o que todo cara de Groveton sonha em se tornar, inclusive eu. Scott Risk usa um par de calças cáqui, uma polo azul e um bom sorriso natural. — E você é? —Ryan Stone — responde papai por mim enquanto aparece do nada. — É meu filho. O círculo de homens fora da barbearia nos olha com interesse. Scott estende sua mão ao papai. —Scott Risk. Papai a sacode com um sorriso presunçoso mal reprimido. — Andrew Stone. — O conselheiro Andrew Stone? — Sim — di papai com orgulho. — Ouvi rumores de que estava voltando pra cidade. Ouviu? Esse é o tipo de noticias que papai deveria compartilhar. —Esta cidade ama as fofocas — Scott mantém o olhar amavel, mas o tom leve parece forçado.Papai ri. —Algumas coisas nunca mudam. Escutei que estava pensando em comprar alguma propriedade privada. —Comprei — diz Scott. — Adquiri a velha granja Walter na primavera passada, mas eu pedi o agente imobiliário para manter em segredo a venda até que mudasse para a casa que construímos mais para trás na propriedade.

71

71


Traduzido por Uly Santos

Minhas sobrancelhas se dispararam pra cima e a de papai também. Essa é a fazenda próxima a nossa. Papai dá um passo mais pra perto e angula as costas para fazermos os três nosso próprio círculo. — Eu sou o proprietário do imóvel a cerca de uma milha abaixo da estrada. Ryan e eu somos grandes fãs de seus — Não, ele não é. Papai respeita Scott porque é de Groveton, mas odeia qualquer um dos Yankees. — Exceto quando joga com o Red’s. A equipe da casa tem prioridade. —Não esperava outra cosa. — Scott nota meu boné de beisebol. — Você joga? —Sim, senhor. — O que exatamente digo ao homem que eu adorei toda minha vida? Posso pedir seu autógrafo? Posso lhe implorar para que me diga como mantém a calma durante um jogo quando tudo está no limite? Devo olhá-lo como um idiota porque não posso encontrar nada mais pra dizer? —Ryan é um lançador — anuncia papai. — Um caça talentos de grandes ligas o observou em um jogo ontem à noite. Pensa que Ryan tem o potencial para ser escolhido pelas menores depois da graduação. O riso fácil de Scott decai em algo mais sério enquanto me olha. — Isso é impressionante. Tem que lançar sobre 80mph. —Noventa — diz papai. — Ryan lançou três partidas seguidas em 90mph. Um flash louco chega aos olhos de Scott e ambos sorrimos. Entendo essa faísca e a descarga de adrenalina que a acompanha. Nós compartilhamos uma paixão: Jogar a bola. —Noventa? E acaba de conseguir a atenção de um caça talentos? Reajusto meu boné. — Papai me levou ao Try-out* de campo dos Red na primavera passada, mas… Papai me interrompe. — Disseram ao Ryan que precisava realizar um grande trabalho. * Um try-out é um teste que equipes amadoras ou profissionais fazem. Para entrar é necessário avaliar as capacidades de um jogador.

72

72


Traduzido por Uly Santos

— Tem que ter escutado — diz Scott. —Quero jogar. — Peso dez quilos mais que na primavera passada. Corro todos os dias e levanto pesos a noite. Algumas vezes papai o faz comigo. Este sonho também lhe pertence. —Qualquer coisa pode acontecer. — Scott olha sobre meu ombro, mas seus olhos tem aquele brilho longe, como se estivesse vendo uma lembrança. — Depende do quanto você queira. O quero. Muito. Papai olha seu relógio e logo estende sua mão outra vez ao Scott. Está ansioso por recolher algumas novas brocas antes do jantar. — Foi um prazer conhecê-lo oficialmente. Scott aceita sua mão. — Igualmente. Se importaria se eu tomar emprestado seu filho? Minha sobrinha vive comigo e vai começar na Bullitt County High amanhã. Creio que a transferência será más fácil para ela se tiver alguém que lhe mostre os arredores. Claro se isso estiver bem com você, Ryan. — Seria uma honra, senhor. — E seria. Isto está pra lá dos meus sonhos mais selvagens.Papai me mostra seu sorriso de que tudo sabe. — Sabe onde me encontrar. — O público perto da barbearia se afasta como quando Moisés separou o mar vermelho enquanto papai passeia até a loja de ferragens. Scott vira sua costas para o publico, uns passos mais perto de mim, e pausa uma mão sobre seu cara. —Elisabeth… — Faz uma pausa, posando suas mãos em sua cintura, e começa outra vez. —Beth é um pouco arisca ao redor dos demais, mas é uma boa garota. Poderia arranjar alguns amigos. Assinto como se entendesse, mas não o faço. O que quer dizer com arisca ao redor dos demais? Continuo assentindo porque não me importa. É a sobrinha de Scott Risk e me assegurarei de que esteja feliz.

73

73


Traduzido por Uly Santos

Beth. Uma estranha inquietação se instala em meu estômago. Por que esse nome soa familiar? —Vou lhe apresentar os arredores. E me assegurarei que se encaixe. Meu melhor amigo, Chris, também está no equipe. — Porque tentarei introduzir Chris e Logan em qualquier conversa que tenha com o Senhor Risk. —Tem uma grande garota que estou certo de que sua sobrinha vai adorar. — Obrigado. Não tem nem ideia do muito que isto significa pra mim.— Scott relaxa como si deixasse cair uma bolsa de cem quilos de comida. A campainha sobre a loja de roupa toca. Scott coloca uma mão em meu ombro e faz gestos até a loja. — Ryan, eu gostaria de apresentar minha sobrinha, Elisabeth. Caminha para fora da loja e cruza seus braços sobre seu peito. Cabelo negro. Piercing no nariz. Figura magra com um toque de curvas. Camisa branca com somente quatro botões interligados entre seus peitos e umbigo, extravagantes calças jeans, e uns olhos rodando no momento em que me vê. Meu estômago cai como si engolisse chumbo. Este é possivelmente o pior dia da minha vida.

74

74


Traduzido por Uly Santos

Beth — É um prazer te conhecer — Diz o garoto arrogante do Taco Bell como se nunca tivéssemos nos encontrado. Talvez não se lembre. Os atletas no geral não são inteligentes. Seus músculos fazem um banquete com seus cérebros. — Tem que estar fodidamente brincando. Estou no inferno. Não há duvida disso. Esta é a versão ruim da cidade de Deliverance* é sem duvida quente como o inferno. O calor neste lugar abandonado tem uma neblina estranguladora que me envolve e se apodera de meus pulmões. Scott limpa a garganta. Um lembrete sutil de que foder já não é uma palavra aceitável para mim em público. — Eu gostaria que conhecesse Ryan Stone. Era uma vez, Scott costumava dizer palavras como qual foi? E doente. Variantes de foder eram os únicos adjetivos e advérbios em seu vocabulário. Agora, ele soa como um arrogante, vestindo terno, arrogante cara rico. Oh espere, ele é. — Ryan se ofereceu pra te mostrar os arredores na escola amanhã. — Mas é claro que ele fez — murmuro. — Porque minha vida não foi absorvida o suficiente nas últimas quarenta e oito horas. Deus deve ter decidido que não havia terminado de foder comigo ainda. Não havia terminado de foder comigo quando Scott me chantageou para viver aqui. Não havia terminado de foder comigo quando a esposa de Scott comprou esta roupa tragicamente conservadora. Deliverance é um filme de 1972 produzido e dirigido por John Boorman, e interpretado por Burt Reynolds, Jon Voight, Ronny Cox e Ned Beatty. Ele é baseado no romance de mesmo nome por James Dickey.

75

75


Traduzido por Uly Santos

Não havia terminado de foder comigo quando Scott me disse que ia me inscrever no povoado local, a escola Children of the Corn*. Não, não havia acabado de foder comigo ainda. A maldita cereja deste bolo é o presunçoso imbecil parado diante de mim. Ha, fodido ha. Me fez de piada. — Quero minha roupa de volta. — Que? —pergunta Scott. Bom, ferrei com sem praguejar. — Ele não está vestido como um idiota, por que eu estou? — Faço sinal até o projeto de jeans e a camisa engomada de colegial católica desonrando meu corpo. A pedido de Scott de jogar limpo com Allison, sai do provador para ver esta atrocidade no espelho de corpo inteiro. Quando voltei, minhas roupas haviam desaparecido. Esta noite, estou em busca de um par de tesouras e descolorante. Scott me censura sutilmente sacudindo sua cabeça. Tenho cerca de um ano inteiro com este homem diante de mim, e a mulher a qual estou tratando de proteger nem se quer posso vê-la — minha mãe. Uma parte do meu cérebro formiga de pânico. Como ela está? Seu namorado bateu nela outra vez? Está preocupada comigo? — Você vai adorar este lugar — diz o garoto do Taco Bell, quer dizer Ryan. — Mas é claro que sim. — Meu tom indica que vou a amar este lugar tanto como gostaria de receber um tiro na cabeça. Scott limpa a garganta outra vez e me pergunto se ele se importa que a gente assuma que está doente. — O pai do Ryan é dono de uma empresa de construção na cidade e está no governo municipal. — Mensagem subliminar pra mim: não foda este momento. — Claro. — Claro. A minha maldita historia de vida. Ryan é menino rico que tem tudo. O papai que é dono da cidade. O papai que é dono de empresa. Ryan, o garoto que pensa que pode fazer o que quiser por causa disso. *Filhos do milho

76

76


Traduzido por Uly Santos

Ryan pisca uma espécie de sorriso descontraído que é hipnotizante. Como se ele tivesse criado só para mim. É um sorriso glorioso. Perfeito. Pacífico. Com uma pitada de covinhas. Ele promete amizade e felicidade e alegria e isso me faz querer sorrir de volta. Meus lábios começam a curvar em resposta e eu me paro abruptamente. Por que eu faço isso comigo mesma? Caras como ele não vão para garotas como eu. Eu sou um brinquedo para eles. Um jogo. E esses tipos de caras, todos eles têm as mesmas regras de jogo: sorriso, me enganar para pensar que eles gostam de mim, em seguida, me jogam de lado uma vez que eu já tenha sido usada. Com quantos incontáveis perdedores eu tenho que fazer para apenas estupidamente me arrepender de manhã? Nos últimos anos, muitos. Mas ao ouvir Ryan facilmente divagar em uma conversa com Scott sobre beisebol, eu juro que chega de caras perdedores. Chega com a sensação de ser usada. Apenas chega. E desta vez, eu não vou quebrar a promessa, não importa quão solitária eu esteja. Ryan quer impressionar Scott. Adivinha o quê? A miséria adora companhia definitivamente. Minha vida não deve ser a única que é uma merda. — Ele me feriu. Silêncio enquanto minhas palavras matam a conversa beisebol imbecil. Scott esfrega os olhos. — Você acabou de conhecê-lo. — Agora não. Na sexta feira à noite. Ele me feriu e ficou olhando minha bunda enquanto fazia. Alegria. Alegria total. Ok, não total, mas a única alegria que eu tive desde sexta-feira à noite. Ryan puxa o chapéu, passa a mão através de sua confusão de cabelo cor de areia, e empurra o chapéu de volta. Gosto mais dele com o chapéu. — Isso é verdade? — pergunta Scott. —Sim — gagueja Ryan. — Não. Quer dizer sim. Eu pedi seu número de

77

77


Traduzido por Uly Santos

telefone, mas ela não me deu. Mas fui respeitoso, eu juro. — Ficou olhando minha bunda. Muito. — Me viro e me inclino um pouco para poder dar uma demonstração. — Lembra-se, havia um rasgo ininterrupto aqui. — Deslizo o dedo ao longo da parte posterior da perna. — Me comprou tacos depois. E uma bebida. Assim que estou assumindo que deve ter desfrutado da vista. Eu ouço comentários masculinos abafados e olho para a multidão de homens na calçada abaixo. O primeiro sorriso genuíno desliza pelo meu rosto. Scott vai amar o show. Talvez se eu empurrar com força suficiente, eu vou estar em casa em Louisville para o jantar. — Elisabeth. —Scott baixa sua voz no parque de trailers irritado. — Virese. Doze diferentes tons de vermelho mancham as bochechas de Ryan. Nem se quer olha minha bunda, só a meu tio. — Bom... Sim, a convidei pra sair. Scott o olha de novo. — A convidou pra sair? Hey agora. Por que ele está surpreso? Não sou um cachorro. —Sim —diz Ryan. — Queria leva-la a um encontro? Uh-oh. Scott parece feliz. Não, eu não vou estar feliz. —Sim. —Ryan estende suas mãos. — Pensei... pensei... — Que eu ia a ser fácil? — o interrompo e Scott faz uma careta. —Que era divertida — diz Ryan. Sim. Estou certa de que isso é exatamente o que pensou. — Você bem que pensou que seria divertido foder comigo. Ou simplesmente foder.

78

78


Traduzido por Uly Santos

— Basta — silva Scott. Seus olhos azuis se estreitam com raiva até mim enquanto eu coloco as mãos nos bolsos rígidos do jeans novo. Scott baixa a cabeça e aperta a ponta de seu nariz antes de forçar esse sorriso relaxado e falso em seu lugar. — Me desculpo pela minha sobrinha. Ela teve um fim de semana difícil. Não quero que se desculpe por mim com ninguém. Especialmente não com este imbecil arrogante. Minha boca se abre, mas o breve olhar que me lança Scott a fecha. Scott se transformou de novo no Sr. superficial. — Entendo se não quiser ajudar Elisabeth na escola. Ryan tem esta expressão em branco, dessa maneira bastante inocente. —No se preocupe, Sr. Risk. Eu adoraria ajudar a Elisabeth. — Olha pra mim e sorri. Este sorriso não é verdadeiro ou reconfortante, mas sim arrogante como o inferno. Vá em frente garoto atleta. Sua melhor tentativa não será suficientemente boa.

79

79


Traduzido por Uly Santos

Ryan As paredes da nossa cozinha costumavam ser Borgonha. Quando crianças, Mark e eu gostávamos de correr para casa do ponto de ônibus e quando entrávamos na cozinha éramos saudado pelo aroma de biscoitos recém assados. Mamãe nos perguntava sobre o nosso dia, enquanto mergulhávamos os bolinhos no leite quente. Quando meu pai chegava em casa do trabalho, ele ia varria mamãe em seus braços e a beijava. O sorriso de mamãe nos braços de papai era tão natural como Mark e minhas brincadeiras constantes. Com um braço ainda ao redor de sua cintura, ele se viraria até nós e diria: — Como estão meus garotos? Como se Mark e eu não existíssemos sem o outro. Graças às renovações que papai terminou na semana passada as paredes da cozinha são cinza agora. E graças ao anuncio do meu irmão e a reação do meu pai neste verão, o som mais alto na cozinha é o tilintar de facas e garfos contra a porcelana. — Gwen foi ao seu jogo — diz mamãe. É só a terceira vez que menciona isso nas últimas vinte e quatro horas. Sim, com Mike. —Uh, huh. — Coloco um pedaço de carne assada em minha boca. —Su mãe me disse que ela ainda fala de você. Me detenho a meio caminho beber e olho pra mamãe. Orgulhosa de ganhar uma reação de mim, ela sorri. — Deixe-o em paz — diz papai. — Não precisa de uma garota o distraindo.

80

80


Traduzido por Uly Santos

Mamãe pressiona seus lábios e entramos em outros cinco minutos de tilintar. O silencio pica… como se tivesse congelado. Incapaz de suportar a tensão durante muito tempo mais, limpo a garganta. — Papai te disse que nos reunimos com Scott Risk e sua “psicótica” sobrinha? —Não. — Minha mãe corta o tomate cherry colocando ao redor de seu pote de salada. No momento em que corta a pequena roda de vegetais, mamãe olha o papai. — Tem uma sobrinha? Papai mantém seu olhar com irritada indiferença e continua com um gole de sua cerveja. —Te dei um capo de vinho — lhe recorda mamãe. Papai deixa a cerveja, a qual pinga por condensação, ao lado do referido copo na madeira da mesa — sem um porta copo. Mamãe se movimenta em seu lugar como um corvo em descanso. A única coisa que falta é o grito irritante. Nos últimos meses, papai e eu temos estado comendo nosso jantar na sala enquanto vemos televisão. Mamãe renunciou aos alimentos depois de que Mark se foi. Eles começarão a ir a uma conselheira matrimonial faz umas semanas, ainda que não tenham me dito diretamente. A necessidade de projetar perfeição não os permitiria admitir que um defeito em seu matrimonio necessita de ajuda de uma fonte externa. Em seu lugar, descobri da mesma maneira em que descubro o que seja nesta casa: os escutei brigando na sala enquanto eu estava recostado na cama durante a noite. Na semana passada, sua conselheira matrimonial lhes recomendou que tentem fazer algo como uma família. Brigaram por dois dias sobre o que deveria ser até que estabelecerão o jantar de domingo. E esse é o porquê eu convidei o Mark. Não temos tido um jantar juntos desde que ele se foi e se ele aparecesse, talvez nós quatro poderíamos encontrar a maneira de reconectar.

81

81


Traduzido por Uly Santos

Me pergunto se mamãe e papai sentem o vazio na cadeira junto a mim. Mark usaria este encanto que continha meus pais de brigar. Se brigavam entre eles, Mark contaria uma historia ou uma piada para romper o gelo. O inverno ártico em minha casa nunca existia quando ele estava em casa. —Sim, tem uma sobrinha — digo, com a esperança de levar a conversa em diante e preencher o vazio dentro de mim. — Seu nome é Elisabeth. Beth. — E está fazendo da minha vida um inferno; não muito diferente ao sofrimento nesta jantar. Puxo um biscoito e unto em um pouco de manteiga. Beth me envergonhou na frente do Scott Risk e perdi um desafio por causa dela. Deixo cair o biscoito — o desafio. Uma faísca se acende em meu cérebro. Chris e eu nunca estabelecemos um limite nele, o que significa que ainda posso ganhar. Mamãe acomoda o guardanapo em seu colo, interrompendo meus pensamentos. — Deve ser amigável com ela, Ryan, mas mantenha a distancia. Os Risk tenham uma má reputação há alguns anos. A cadeira de papai raspa contra o novo azulejo e ele faz um barulho de desgosto em sua garganta. —O Que? — demanda mamãe. Papai dá de ombros e se fixa em seu bife no lugar de responder. — Você quer dizer algo — pressiona mamãe —, diga. Papai tira o garfo de seu prato. — Scott Risk tem alguns contatos valiosos. Digo que se aproxime dela, Ryan. Mostre os arredores. Se fizer um favor a ele, estou certo de que ele te fará um. — Mas é claro — diz mamãe. — Dê um conselho que vai diretamente contra mim. Papai começa a falar por cima dela e seus gritos combinados fazem com que minha cabeça lateje. Perdendo o apetite, me deslizo pra fora

82

82


Traduzido por Uly Santos

do meu lugar na mesa. É perfurador escutar a aniquilação constante de minha família. Não há absolutamente nenhum som pior sobre a face da terra. Até que toca o telefone. Meus pais ficam em silencio enquanto os três olhamos até o balcão e vemos o nome Mark aparecer no identificador de chamadas. Uma inexplicável combinação de esperança e dor cria uma sensação de peso em minha garganta e estômago. —Deixe-o ir — murmura papai. Mamãe se põe de pé no segundo que soa e meu coração bate em meus ouvidos. Vamos, mamãe, atende. Por favor. — Podíamos falar com ele — diz enquanto olha o telefone. — Dizer que enquanto mantenha em segredo pode vir pra casa. —Sim — digo, esperando que um deles mude de opinião. Talvez desta vez Mark escolhesse ficar e lutar, no lugar de me deixar pra trás. —Deveríamos responder. O telefone toca uma quarta vez. — Não em minha casa. — Papai nunca deixa de olhar seu prato. E a secretária eletrônica responde. A alegre voz da mamãe anuncia que estamos longe no momento, mas que por favor deixe uma mensagem. Então há um beep. Nada. Nenhuma mensagem. Nada de estática. Nada. Meu irmão não tem bolas para me deixar uma mensagem. E não sou estúpido. Se ele quisesse falar comigo, poderia ter ligado pro meu celular. Isto foi uma prova. O convidei pra jantar e estava ligando para ver si eu era o único que o queria em casa. Suponho que todos falhamos. Mamãe agarra as perolas ao redor de seu pescoço e a esperança

83

83


Traduzido por Uly Santos

dentro de mim se desvanece em arranhando com raiva. Mark se foi. Me deixou para lidar com esta destruição por conta própria. Lanço-me para fora da cadeira e minha mãe se gira para me olhar. —Aonde vai? —Tenho uma lição de casa pra fazer. O quadro de cortiça sobre a minha mesa do computador vibra quando eu bato a porta do meu quarto. Eu ando pela sala e pressiono as mãos contra a minha cabeça. Eu tenho uma tarefa de casa maldita e a clareza e a calma de um barco que está sendo lançado pelas ondas. O que eu preciso fazer é fugir da raiva, e levantar pesos até que meus músculos queimem, fazer arremessos até meu ombro cair. Não deveria estar escrevendo quatro malditas páginas de inglês de nada que “quero”. A cadeira em frente à minha mesa reverte quando me atiro no banco. Com um simples toque de um botão o brilha a vida. O cursor pisca para mim zombando das páginas em branco. Quatro páginas. Espaçamento simples. Margens de uma polegada. As expectativas do meu professor são muito altas. Especialmente desde que ainda tecnicamente é férias de verão. Meus dedos batem nas teclas. Eu joguei bola desde que eu tinha três anos. E deixo de teclear. Beisebol… isso é sobre o que deveria escrever. É o que conheço. Mas as emoções se agitando em meu interior necessitam ser liberadas. Papai e mamãe se transformaram em touros furiosos se escrevo sobre o real estado de minha família. As aparências são tudo. Aposto que eles nem se quer disseram a conselheira matrimonial a verdade sobre o porquê vão vê-la. Uma crescente compreensão alivia algo da ira. Não deveria fazê-lo. Se qualquer um descobre, estaria ferrado, mas agora mesmo necessito tirar todo este ressentimento. Limpo a primeira linha e dou as palavras a

84

84


Traduzido por Uly Santos

emoção que necessita ser liberada.

George acordou com uma vaga lembrança do que costumava ser, mas um olhar a esquerda provocou uma terrível compreensão de qual era sua nova realidade. Ou em que, especificamente, havia se tornado.

85

85


Traduzido por Uly Santos

Beth — Eles podem se lembrar de mim. — Segundas são um saco e o mesmo acontece com o primeiro dia de aula em Hicksville, EUA. Eu me inclino contra as janelas no escritório do conselheiro de orientação e olho em volta. Uma decoração por volta de 1970: falsos painéis de madeira, mesa e cadeiras compradas no Wal-Mart. O cheiro de mofo paira no ar. É uma escola rústica em sua melhor aparência. — Esse é o ponto, Elisabeth. —Scott navega em um cronograma de horários. — Sua antiga escola primária é uma das três escolas que se alimentam aqui. Você vai conhecer algumas das pessoas e reacender velhas amizades. Que tal Início Ec? Você e eu costumávamos assar biscoitos algumas vezes, lembra-se? — Beth. Eu respondo por Beth. — É como se o homem estivesse aprendendo. — E a última vez que assei algo, eram brownies e pus… — Colocaremos Home Ec na seção não. Mas prefiro o nome Elisabeth. Como era o nome de sua melhor amiga? Costumava te levar a sua casa. E brincávamos com bonecas. Uma e outra vez. Sua mãe nos deixava utilizar suas canecas reais para as festas de chá. Tinham uma casa real com camas reais e amava ficar para jantar. Sua comida estava quente.Era difícil de engolir. —Lacy. —Isso é Lacy Harper. A porta da sala se abre e aparece a cabeça do conselheiro. —Só mais uns minutos, Senhor Risk. Estou no telefone com a secundaria Eastwick. Scott deixa cair esse sorriso piegas. —Tome seu tempo. Há alguma Lacy Harper nesta escola?

86

86


Traduzido por Uly Santos

Que alguém atire em mim. Agora mesmo. —Sim,sim há. A diversão não para de chegar. Scott me olha. — Não é genial? Finjo demais minha resposta. —Genial. Ou bem opta por ignorar meu sarcasmo o acredita em minha emoção. — Senhor Dwyer, poderia colocar Beth em uma das classes de Lacy? O Sr. Dwyer praticamente cai no chão de admiração. —Sem duvida tentarei. — Se retira de sua própria sala e fecha a porta. — Bateram em algum lugar com um bastão na sua cabeça? — Não posso acreditar que Scott espera que eu frequente esta escola. — Só quando tinha cinco anos e nos dias que terminam em y* — murmura, ainda folheando o cronograma. Sua resposta pisca em meu peito. Faço todo o possível para bloquear essa parte de minha infância. O vovô, seu pai, costumava espancar a ele a meu pai. Scott o impediu de fazer o mesmo comigo. — E quanto ao espanhol? Na verdade sorri. — Meu amigo Rico me ensinou algo de espanhol. Se um homem é muito delicado posso dizer… — Temos espanhol. Maldição. Isso poderia ter sido divertido. — Sério, Scott. De verdade quer que vá a escola aqui? Você pensou nisso? Sua mascote com o anel de casamento… —Alison. Seu nome é Allison. Vamos dizer juntos. All-i-son. Viu, não é tão difícil. — Que seja. Ama a forma como todo mundo te adora. Quanto tempo vai durar quando lembrarem que era um pobre lixo de classe baixa do parque de trailers de um par de quilômetros fora de Groveton? *Todos os dias em inglês terminam com a letra Y

87

87


Traduzido por Uly Santos

Se detém a folhear o cronograma. A pesar de que seus olhos fixos no papel, posso dizer que já não está lendo. — Já não sou esse garoto. As pessoas só se preocupam pelo que sou agora. — Quanto tempo acredita que vai levar para que as pessoas lembrem de mim e da mamãe? — Quis dizer mal, como uma ameaça, mas saiu suave e me odeio por isso. Scott me olha e me repugna a simpatia em seus olhos. — Lembrarão de você eu, uma linda garota que amava a vida. Irritada por manter a discussão sobre essa pobre e patética garota, rompo o contato visual. — Ela morreu. —Não, não morreu. — Faz uma pausa. — E quanto a sua mãe, se mudou da cidade em seu segundo ano e a abandonou quando tinha quinze.As pessoas não se lembraram. Náuseas me golpeiam e minha mão se contrai contra meu abdômen. Scott não estava lá quando chegou a policia ao trailer e ele não estava lá para secar minhas lágrimas. Este é um povo pequeno e todos se conhecem. Apesar de que se comprometeram a manter em segredo essa noite, estou certa de que alguém disse. —O que acontecerá com nós dois quando alguém se lembrar de papai? — pergunto. — Ninguém vai te adorar depois. Isto é um grave erro Scott. Me manda pra casa. —Senhor Risk. — O conselheiro de Hicksville coloca a cabeça na sala. Linhas de preocupação estouram em sua testa demasiada grande e seus dedos com nós brancos seguram um fax. Eu disse que me especializei em detenção enquanto estava em Eastwick. — Posso falar um momento com você? Inclino minha cabeça, sabendo que palavras dizer para que o Sr. Dwyer se sinta incomodo. — Qual era essa classe que queria me por?Hmm… — Toco com o dedo meu queixo — Honras Inglesas? —Sente-se, Elisabeth. — Scott está se tornando muito bom nisso de exigir

88

88


Traduzido por Uly Santos

coisas em voz baixa. —Está bem, Sr. Dwyer, vamos discutir o horário de Beth.

89

89


Traduzido por Uly Santos

Ryan Damas e cavalheiros, inclinem suas cabeças e digam um Amém. A sobrinha de Scott Risk está frequentando a Bullit County High e o desafio está de volta em jogo. Cruzo através do corredor cheio de gente, com uma mola extra em meu passo. Derrota é uma palavra desagradável. Uma palavra que já não tenho que aceitar. Meu humor vai até as estrelas quando vejo Chris imprensando a Lacy contra um armário. Sua cabeça se inclina para baixo e a dela se levanta. Não é uma boa posição para estar com assistente do Diretor saindo de sua sala. No ano passado deu uma palestra a turma de 3° ano sobre nossos hormônios, impulsos carnais e as consequências para aqueles que romperam a barreira do limite do corpo. Em simples inglês: se você está imprensado sobre de uma pessoa do sexo oposto, então passará um dia na detenção. Prática requerida para campeonatos estaduais de costas-com-costas, sem detenção. — Os assentos traseiros dos carros servem pra isso. — Me movo até o outro lado do Chris e Lacy para bloquear a visão do assistente do Diretor. — Preferivelmente fora do campus. Chris grunhe quando Lacy coloca uma mão em seu peito e o empurra até que estão a uma distancia “aceitável”. Ela deixa escapar um suspiro de frustração. — Bom dia, Ry. — Fora daqui — diz Chris. —O assistente do Diretor está rondando e não vamos mudar a prática como fizemos ano passado porque você estava sentado na detenção. Chris deixa sair um suspiro idêntico ao de Lacy. — Você precisa de uma namorada. — Exato! — Lacy atira seus braços no ar. — Eu tenha estado dizendo isso

90

90


Traduzido por Uly Santos

por meses. Não uma namorada malvada. Não te buscaremos uma namorada malvada de novo. Estava cansada de usar crucifixos. Considerei levar água benta, mas então teria que furtar em uma igreja e logo… — É o Suficiente — lhe digo. Sempre teve animosidade entre Gwen e Lacy, mas sai uma vez com Gwen. Não tolerarei ninguém a desrespeitando. O primeiro sinal de alerta toca, e os três nos dirigimos a inglês De pé por si só, resumindo perpetuo tédio, Logan espera por nós na linha entre os armários dos d 4º ano e os do 3º. Os quatro vamos juntos a quantas classes pudermos. Por diversão. Por companheirismo. Para que Lacy e Logan ajudem a Chris e eu com as tarefas. Porque o homem é mais inteligente que Einstein e a maioria dos garotos nesta escola são mais burros que um polvo, Logan toma cursos do 4º ano. No próximo ano não terá nenhuma classe suficientemente avançada para ele, assim que as probabilidades são que o empurrarão a uma esquina escura da biblioteca e fingirão que não existe. Olho ao redor do corredor tentando encontrar a Beth. —Sobre o desafio de sexta, ele continua. — Se refere a aposta que perdeu na sexta. — Chris entra na sala e reclama nossos usuais assentos na janela. Lacy permanece no corredor para fazer sua coisa de bate-papo de garotas. —Não, a aposta que vou ganhar. Chris desliza um sorriso incrédulo. — Logan, escutou a besteira que ele está falando? Logan cai em seu assento e se recosta nele. — Você perdeu, Ryan. Gravemente. — Gravemente? — pergunto. — A maior diversão que tivemos em semanas — diz Chris. — De fato, revivamos o momento. Olá, sou Ryan, quero seu número de telefone. — Estira sua mão até Logan.

91

91


Traduzido por Uly Santos

— Deixe-me pensar — diz Logan. — Ela tinha esta forma elegante de falar. Ah, sim, creio que sua resposta foi: “foda-se”. —Seu nome é Beth. —Obter seu nome não era o desafio. Determinado a impedir que a Sra. Rowe tome posse de cada chapéu que tomou como no ano passado. Chris empurra seu chapéu em seu bolso traseiro. — Perdeu. Seja homem. Supere. Ou permita nos continuar zombando de você. Qualquer dos dois que funcione. — Eu gosto de zombar dele — diz Logan. Baixo minha voz e me inclino até o corredor para que só Logan e Chris possam ouvir. Tenho uma pequena janela de oportunidade e quanto mais tempo as pessoas permaneçam na escuridão sobre seu tio, melhores são minhas probabilidades de conseguir seu número. Scott é um Deus nesta escola, o que automaticamente a faz uma semi Deusa. —Seu verdadeiro nome é Elisabeth Risk e é a sobrinha do Scott Risk. —Beth. —Um livro se choca em minha mesa e os três nos encolhemos e levantamos o olhar. Cabelo negro, piercing no nariz e uma camisa branca justa e imprudentemente desabotoada em áreas onde os garotos olham. Bom, ao menos onde eu olho. Bom Deus Todo poderoso, a garota é quente. —Vou dizer isto lentamente e usarei palavras pequenas com a esperança de que você possa me acompanhar. Se me chamar de Elisabeth de novo, me assegurarei de que nunca possa ter filhos. Diga a alguém mais de quem sou sobrinha e estará sugando ar por um tubo em sua garganta. Chris dá risadas e é do tipo profundo e gutural que me diz que a merda em que estamos entrando é ruim. — É um prazer te conhecer. Ryan acaba de nos dizer o quanto que queria te ligar, não é assim, Ry?

92

92


Traduzido por Uly Santos

Ding-ding, Chris tocou a campainha para o segundo round e está em direta violação do jogo por interferir. Boa jogada, porque eu haveria feito a mesma maldita coisa. — Tentei te buscar esta manhã, mas a secretaria disse que estava em uma reunião com o Sr. Dwyer. Seus olhos azuis me perfuram e uma sobrancelha lentamente se arqueia até a linha de seu cabelo. O silencio se estirando entre nós se torna insuportável. Chris se move em seu assento e Logan se recosta baixando uns centímetros mais. Quero que se vá, mas necessito de sua presença para ganhar o desafio. Me concentro em manter meu rosto relaxado. Se eu se quer respiro, a Skater Girl saberá que tem o controle. —Uh-huh — responde finalmente. — Estou certa de que o fez. Os perseguidores fazem esse tipo de coisas. Este é o trato. Eu te evito, você me evita e quando meu tio perguntar se me ajudou hoje, eu rirei totalmente como uma dessas garotas patéticas paradas no corredor e falaremos de como a pobre e indefensa eu não podia fazer nada na grande e má escola sem o grande e forte Ryan me ajudasse. — Você pode rir? — pergunta Logan. Ela o olha. Ele se encolhe e da de ombros. — Não me parece do tipo de risadas, só dizendo. Demônios, Logan entrou no jogo também, o que significa que vai querer apostar dinheiro neste desafio. Tempo de salvar. — Estes são Chris e Logan. Jogam beisebol comigo. Chris tem uma namorada a quem estou certo de que você vai amar e se quiser, pode sentar conosco hoje durante o almoço. —Querido Deus, na verdade você tem dano cerebral. O sino toca e a Skater Girl se dirige ao lado oposto da sala e se esconde no canto. Isso estava bem. Meus dois amigos tem sorrisos que me fazem querer chutar o traseiro deles. — Vinte que te insulta no almoço — diz Chris. —Trinta que te mata no almoço — acrescenta Logan.

93

93


Traduzido por Uly Santos

—Vou ter seu número. — Ambos riem, e os músculos de meus bíceps se tencionam ao pensar em outra derrota. O papel em meu caderno range em meu punho. — Não acreditam que tenha o jogo? —Não jogo suficiente para isso — diz Logan. —Te demonstrarei o contrário. — Por rabo de olho vejo Beth. Com sua cabeça para baixo e seu longo cabelo negro escondendo seu rosto, rabisca em seu caderno com uma caneta em sua mão esquerda. Ah, canhota. Chris sacode sua cabeça. — Sinto muito, amigo. Beth frequenta a Bullit High é um evento que muda as regras. Veja, os números de telefone são para pessoas que nunca voltaremos a ver. Tem meses para trabalhar nela. Quer uma vitória, então as apostas se elevam, tem que convida-la pra sair e ela deve aceitar. —E o encontro deve ser em um lugar publico por pelo menos uma hora — acrescenta Logan. —Já sabe, para mantê-lo real. No deveria fazê-lo. Se arruíno isto poderia irritar o Scott Risk; mas, de novo, se faço com que funcione, poderia ter Scott Risk comendo na palma da minha mão. Ele quase me implorou para que me tornasse amigo daquele feto de Satanás. Além do mais, se deixo esta oportunidade, significa que perdi e não perco. — De acordo — digo. — Desafio aceito. Que comece o jogo, Skater Girl. Que comece o jogo.

94

94


Traduzido por Uly Santos

Beth Preciso de um cigarro e um fumante que confiará em mim. Por desgraça, não encontrei nenhum deles em minhas quatro horas vivendo a versão adolescente de a Deliverance. A distancia, enquanto os juniors e seniors se dirigem para o almoço, sigo dois garotos com o cabelo longo e calças caídas. Espero que possa convencer um deles a me dar um trago. Fico em torno de um canto e lhes dou um segundo. Se me aproximo antes que eles acendam, vão fingir de maneira fria como se não estivessem fazendo nada. Então não haverá nada que eu possa dizer para convencê-los de que não vou delatar. Inferno, eu não acreditaria em mim. A garota nova em uma camisa branca com botões. Lhes dei tempo suficiente. Dou a volta no canto, preparada para dizer pra eles ficarem frios, mas as palavras se atrapalham em minha boca. Não estão ali. Se trata de um corredor pequeno com portas duplas que conduzem pra fora. Corro até a janela e vejo como os dois caras de pato se mergulham através do estacionamento. Minha cabeça roça a porta. Droga. Eu nunca pensei que eles iam pular. Primeiro dia. Isso é intenso. Ao som de uma batida, meu coração chuta para fora do meu peito e com um olhar pela janela se derrete. É ele. Meu corpo cede com alívio. É realmente ele. Eu pressiono a porta aberta e no momento em que o sol quente de verão acaricia meu rosto, Isaiah me recolhe em seus braços. Normalmente, eu não faria isso, toca-lo tão consciente. Hoje, não me importa. De fato, me enterro nele. —Está tudo bem. — Isaiah beija meu cabelo e acomoda suas mãos na parte de trás da minha cabeça, mantendo-me perto. Me beija. Este abraço deveria me irritar e eu deveria empurra-lo. Não nos conectamos

95

95


Traduzido por Uly Santos

assim. Não sóbrios. Hoje, seu toque me tenta a abraça-lo com mais força. — Como você sabia? — murmuro contra o material de sua camisa. —Imaginei que sairia pra fumar em algum momento. Este é o único lugar onde alguém pode fazer isso. Seu coração tem um ritmo forte e constante. Houve momentos, em minha busca de leveza, que pressionei demais. Bebi demais. Inalei mais do que deveria. Estive com garotos que não eram bons pra mim. Iria mais pra lá da leveza como um globo com uma corda que havia sido agarrada, deixando só um espantoso abismo. Com um só toque, Isaiah pode me conectar com a terra. Mantendo-me flutuando com seus braços como minha âncora. Seu constante pulsar é um lembrete de que nunca o deixaria ir. De má vontade, ponho espaço entre nós. — Como sabia que estaria nesta escola? —Te explicarei mais tarde. Vamos antes que te impeçam. — Levanta sua mão até mim. — Onde? — Continuo o jogo, sabendo o que será a resposta. Quero a fantasia, ainda que seja só por um segundo. — Onde quer que você deseje. Uma vez você disse que queria ver o oceano. Vamos ir ao oceano, Beth. Podemos viver lá. O oceano. A cena toma vida em minha mente. Eu em um par de velhos jeans desbotados e uma camiseta sem mangas. Meu cabelo soprando violentamente na brisa. Isaiah com o cabelo curto e camisa larga, suas tatuagens assustando os turistas enquanto passam. Eu sentarei descalça sobre a areia quente e observarei as ondas quebrando enquanto ele me olha. Isaiah sempre mantém seus olhos em mim. Me rodeio com meus braços e agarro a bainha da minha camisa para

96

96


Traduzido por Uly Santos

evitar de me agarrar a ele. — Não posso. Mantém seu braço estendido, mas o peso de minhas palavras o fazem vacilar. — Por que não? —Porque se fujo, se quebro as regras do Scott, vai mandar a minha mãe pra cadeia. Isaiah aperta sua mão em um punho e seu braço cai ao seu lado. — Que se foda. — Minha mãe! —Que se foda, também. De fato, por que você inclusive estava com ela sexta à noite? Você me prometeu que se manteria longe dela. Ela te faz mal. — Não, foi seu namorado. Mamãe nunca me faria mal. — Ela permitiu que assumisse sua merda e ficou pra trás enquanto ele te utilizava como uma maldita pinhada. Sua mãe é um pesadelo. Uma porta de carro fecha com um golpe no estacionamento, e nos escondemos nos cantos opostas da porta. —Temos que conversar, Beth. Estou de acordo. Temos. Aceno até os pinheiros. —Vamos pra lá. Isaiah levanta sua cabeça e escaneia a zona. Agita sua mão para que eu vá. Não corremos. Caminhamos em silencio absoluto. Uma vez que estamos suficientemente profundo, eu giro, esperando a pergunta que tem que o está destroçando. — Você mentiu pra mim. — Isaiah coloca as mãos no bolso dos jeans e fica olhando as agulhas do pinho marrom no solo. — Me disse que não sabia sobre seu pai. Bem. Não é uma pergunta, e sim uma acusação. Uma que me mereço.

97

97


Traduzido por Uly Santos

— Eu sei. — Por quê? — Não quero falar do meu pai. Continua olhando essas malditas agulhas. Faz uns anos, eu disse pro Isaiah a mesma mentira que disse a todos os demais com respeito a meu pai. Isaiah se sentiu tão comovido que me disse algo que nunca havia dito a ninguém: que sua madre não tinha ideia de quem era seu pai. A mentira que disse a Isaiah me ligou para a vida. No momento em que me dei conta da solidez de nossa relação, que ele acreditava que ambos tínhamos grandes marcas de interrogação no lado paterno, já era tarde demais para dizer a verdade. — Já sabe como são as pessoas. —Não gosto do desespero em minha voz. — Adoram uma fofoca e se há uma historia, vão cavar, e eu não queria voltar a pensar no filho da puta de novo. Quando te disse que não sabia quem era meu pai, não tinha nem ideia de que era sua realidade. Não sabia que era a historia que nos faria amigos. Seus olhos se fecham na palavra amigos y sua mandíbula salta como se tivesse dito algo para machucá-lo. Mas somos amigos. É meu melhor amigo. Meu único amigo. —Isaiah... —Tenho que lhe dar algo. Algo que o permita saber o que significa para mim. — O que aconteceu com meu pai... — Doi respirar.— Quando eu estava no terceiro grau... — Diga já! Os olhos cinza do Isaiah se encontram com os meus. A bondade neles se desvanecem a medida que se tornam um pouco selvagens. — Seu pai está perto? — Com um movimento predador de uma pantera, toma vários passos pra perto de mim. — Você está em perigo? Nego com a cabeça. — Não. Ele se foi. O tio Scott e papai se odiavam. Scott nem se quer sabia que papai foi embora. — Seu tio? — É um idiota, mas nunca colocaria uma mão encima de mim. Eu te juro.

98

98


Traduzido por Uly Santos

Ele pisca e a ira se desvanece, mas seus músculos ainda ondulam de raiva. — Eu confiava em você. Suas quatro simples palavras me destroçam. — Eu sei. — Agora posso lhe dar honestidade. — Gostaria que pudesse ir com você. — Então faça-o. —Ela é minha mãe. Esperava que entendesse. — É um golpe baixo. Fico em silencio, imóvel, esperando que se entregue a seus demônios. — Eu entendo — diz com uma voz forte —, mas isto não significa que estou de acordo. Bom. Me perdoou. A culpa ainda me corroí, mas ao menos meus músculos do estômago relaxam enquanto a culpa faz a festa. — Bonita camisa — diz, e sorrio ante seu tom zombeteiro.

99

— Vá a merda. — Aí está minha garota. Me perguntava se sugaram sua personalidade no primeiro periodo. —Não está longe. — O tempo está acabando. Já perdi tanto. Não posso perdê-lo. —O que vamos fazer? — Quais são os termos do seu tio? — Não sair correndo e não ver mais você e o Noah. — Scott disse que queria que me esquecesse por completo de minha vida anterior. Que a única maneira que teria para começar de novo era fazer um corte limpo e se eu não estava disposta a amputar o passado, então ele o faria por mim. Isaiah faz uma careta. — E?

99


Traduzido por Uly Santos

— Não deixar a escola. Não faltar com respeito a sua esposa ou professores ou pessoas. — Está fodida. — Vá a merda outra vez. — Eu também te amo, raio de sol. O ignoro. — Boas notas. Não fumar. Sem drogas. Não beber. E... não entrar em contato com minha mãe. — Hmm. Estou de acordo com o último. Pode fazer com que aconteça desta vez? Eu o fulmino com o olhar. Ele me devolve apagado. Deus, é grave. — Sem praguejar. Manter o toque de recolher. Sua cabeça levanta. — Está te deixando sair? — Provavelmente com um GPS costurado em minha testa. Tem que autorizar cada segundo de cada saída. O que está pensando? — Estou pensando que você é uma garota brilhante que poderia manipular o diabo por uma passagem para sair do inferno. Tem que sair desta casa e virei te buscar. Qualquer dia. Qualquer momento. E te terei a salvo em casa para o toque de recolher. Me enche de esperança, contudo, não é suficiente. Preciso de mais do que Isaiah. Necessito algo mais. Jogo com a bainha da minha camisa. — Me levaria para ver minha mãe? Suspira. — Não. Ela não é boa pra você. — Ele vai matar ela. — Deixe pra lá. Ela fez suas decisões. Tropeço pra trás como se tivesse me dado um soco. — Como pode dizer isso?

100

100


Traduzido por Uly Santos

A ira volta a seus olhos. — Como? Faz uns meses, deixou que sangrasse diante dela. Como pode voltar com aquele bastardo? Como pode permitir que tomasse a culpa por ela? Não jogue o cartão de simpatia em mim. Ninguém se mete com você. Me entende? Assinto para acalmá-lo, mas vou encontrar outra maneira. Isaiah tem razão. Posso manipular Scott, manter Isaiah, e encontrar uma maneira de cuidar da mamãe. Tira algo do bolso traseiro e o coloca diante de mim. Ele pegou um brilhante novo celular de cor cinza. — Vimos Scott destroçar seu celular, assim que comprei um novo pra você e te pus em meu plano. Sorrio. — Você tem um plano? Encolhe os ombros. — Noah e eu temos um plano e te botamos nele. Mais barato dessa maneira. —Como... — Echo o inspirou. — Adulto. —Sim. Noah tem estado fazendo muito disso. — Como sabia? Que eu estaria aqui? Em Groveton? Na escola? Isaiah se fixa nas árvores. — Echo. Na estação de policia, se sentou suficientemente perto de seu tio e sua mãe para ouvir o que estava acontecendo. Logo Echo falou com Shirley para nos dar o resto da informação. Scott disse a Shirley seus planos. — Genial — murmuro. — Estou em divida com a cachorra psicopata. — No momento em que o digo, sinto uma pontada de remorso. Não é de um todo uma louca, mas a verdade é que nossa relação é tensa. É doce e é agradável e faz Noah feliz, mas atraiu mudanças... mudanças demais... e como posso gostar disso? Se move de um lado ao outro. Isso não é bom. — O que mais, Isaiah? — Echo vendeu uma pintura. Levanto as sobrancelhas. — E? — Echo tem vendido suas pinturas desde

101

101


Traduzido por Uly Santos

a primavera passada. Coloca a mão no bolso de trás de novo e tira um maço de nota. Santa mãe de Deus, vou começa a pintar. — Era um de seus favoritos. Algo que pintou para seu irmão antes de morrer. Noah enlouqueceu quando soube. — Me oferece o dinheiro. — Ela o fez por você. Irritada. Estou mais do que irritada. — Não quero sua caridade. —Não o fez por mim. O fez por Noah e Isaiah, mas principalmente, fez para que eu a devesse e ela sabe que o orgulho é uma das poucas coisas que é meu por direito. Isaiah fecha a distancia entre nós e coloca as notas em meu bolso de trás antes que eu tenha a oportunidade de dar um passo de distancia. — Tome-o. Quero saber que você tem dinheiro em caso de necessidade rápida. É minha divida para pagar. O maço de notas pesa em meu bolso traseiro. Ainda que esteja decidida a terminar este ano, também sei que a vida é uma merda. O melhor é estar preparada. Toca o sinal, assinalando o final do almoço. — Tenho que ir. Enquanto caminho a diante dele, Isaiah envolve uma mão ao redor do meu braço. — Mais uma coisa. — Seus olhos escurecem nas sombras. — Me ligue. Em a qualquer momento. Te juro, vou atender. — Eu sei. — Necessito de um segundo para reunir coragem para dizer, mas é meu melhor amigo e digno das palavras. — Obrigada. — Qualquer coisa por você. — Isaiah me libera, e enquanto caminho de volta a escola meus dedos rastreiam a zona em minha pele que continua ardendo desde seu toque. Ele é meu amigo... meu único amigo. Puxo a maçaneta da porta pela qual saí e meu coração afunda, quando a porta permanece fechada . Não. Eu quebrei a regra fundamental de escapamentos: Certifique-se sempre de que você pode pular pra dentro. Mexa na alça. Nada . Mexo na maçaneta da outra porta. O mesmo resultado. O medo se instala no mais profundo em meu estômago e torna-se um lampejo de pânico num piscar de

102

102


Traduzido por Uly Santos

olhos . Eu não posso voltar, o que significa que eu vou ser pega quando eu não estiver presente para o próximo período . Quando Scott descobrir, ele vai estourar um vaso sanguíneo . Com as duas mãos , eu segure a alça novamente. — Vamos! — Chuto. A porta cede. Uma mão sai voando, agarra meu braço, e me arrasta até o edifício. Olho para o meu salvador e meu interior se torna líquido quando vejo os mais belos olhos de cor marrom claro me olhando. Arruinando o momento, seu proprietário fala. — Não estou certo de que isto é o que seu tio queria dizer com te mostrar os arredores. —Maldição, minha vida é uma merda — murmuro. É Ryan. Eu realmente odeio esta cidade.

103

103


Traduzido por Uly Santos

Ryan Skater Girl está do lado perdedor neste momento. Puxa seu braço pra longe de minha mão e me olha com esses olhos azuis sem piscar. — Não quero sua ajuda. A sensação de vitória é incrível. Maravilhosa. Me enche de adrenalina mais que nada no mundo. A ansiedade e a pressão que tenho sentido… se vão. Ganhar faz com que meus músculos relaxem, me faz levantar a cabeça no alto, e caramba se não me faz sorrir. — Pode ser que não a queira, mas a necessita. O segundo sinal toca e Beth empurra meu braço enquanto passa por ele. Vinte dólares que acredita que chegará tarde na aula. — É só o segundo sinal. Vacila e tenciona os ombros. — Quantos são? — No almoço? — Caminho casualmente a seu lado. Isto é muito divertido. — Três. Uma que avisa que a hora do almoço começou. Outra soa dois minutos antes que termine. Logo está a terceira, que avisa que já é tarde. Deixa escapar uma suave corrente de ar de seus perfeitos lábios, e o alivio relaxa suas bochecas. Esta garota é sexy, mas também é rude. Se não tivesse aceitado o desafio, me manteria longe dela como se fosse a peste. — Qual é sua próxima aula? — Vá pro inferno. — Beth acelera seu passo e a persigo a um ritmo mais pausado. Os armários se abrem e fecham com um ruído metálico. O corredor está cheio. As pessoas param e olham Beth caminhar. Caminhar, isso é exatamente o que a garota faz. Mantém sua cabeça no alto e abre

104

104


Traduzido por Uly Santos

meio caminho no corredor. Algumas pessoas têm sido transferidas para esta escola desde meu primeiro ano, mas passam suas primeiras semanas tratando de se mesclar com a pintura. Beth não. Seus quadris balançam com tanta elegância que chama a atenção de todos os homens, incluindo eu. Beth checa os números sobre os armários, sem duvida buscando o seu antes que comece a aula. Apresso meu passo e a alcanço quando tira seu horário mal dobrado de seu bolso traseiro. Seu polegar roça a lista até que encontra sua seguinte aula: Saúde/Educação Física. As probabilidades de ganhar aumentam a meu favor. Essa também é minha seguinte aula. — Posso te mostrar como chegar. — Você está me seguindo? Se for assim, terá seu traseiro chutado. — Por quem? O cara com quem você estava entre as árvores? — Eu tenho dificuldade em acreditar que um homem como Scott Risk permita que sua sobrinha saia com um cara tatuado, mas quem sabe seja por isso que a mudou de escola. Você tem que amar um homem que cuida da família. — Lamento dizer, mas posso cuidar dele. Beth me fulmina com o olhar. —Ameace Isaiah de novo e eu chutarei seu traseiro. Eu rio entre os dentes ao pensar nesta pequena garota de cabelo escuro tentando me dar um golpe. Seu punho se sentiria como se um coelhinho tentasse morder a um leão. Pela maneira com que pressiona seus lábios juntos, posso dizer que meu riso a irrita. É hora de por um fim nisso. — Estou tentando te ajudar. — Me ajudar? Você quer dizer que está tentando ajudar a si mesmo. Você é apenas um pênis andante do meu tio. Um músculo perto do meu olho se contrai. Em raras ocasiões, os coelhos podem desenvolver raiva e Scott havia me advertido que ela era dura nas bordas. Não mencionou as lâminas de barbear que também tinha. Minha boca se abre para perguntar qual é o seu problema, quando Lacy se desliza entre nós. Me lança um olhar de advertência. — Já é

105

105


Traduzido por Uly Santos

tarde. — Vamos amigo. — Chris agita suas sobrancelhas e compreendo que enviou Lacy para nos interromper, pensando que isso joga a seu favor. — Vamos pra aula. —Sim. — Aula. Quero ganhar o desafio, mas isso não acontecerá se perco meu temperamento. Sigo Chris, disposto a fazer qualquer coisa para escapar de Beth.

106

106


Traduzido por Uly Santos

Beth No momento em que Ryan me da às costas, me afundo contra o armário púrpura. O cheiro acre da tinta fresca enche meu nariz. Olho, o maldito armário está recém-pintado e terei tinta púrpura em meu traseiro. Um corredor cheio de estranhos adolescentes que me olham como se eu fosse um animal enjaulado no zoológico. Trago saliva quando duas garotas riem enquanto passam. Ambas levantam seu pescoço para conseguir uma visão melhor do novo monstro da escola. As pessoas julgam. Estão me julgando agora. — Seu cabelo costumava ser loiro — diz Lacy. Qual o problema das pessoas desta cidade com o meu cabelo? Apenas reconheço a garota que uma vez declara como amiga. Nos separamos em inglês, tratando de averiguar se a outra era realmente a que pensávamos que era. Lacy tem o mesmo cabelo castanho de quando éramos meninas. Igualmente longo, mas não tão fibroso. Agora é grosso. Ela acena para o Chris, o amigo de Ryan, indicando que deveria seguir Ryan pra classe e ele o faz. — Costumava passar o tempo com pessoas legais — digo. O canto direito de seus lábios levanta. — Costumava passar o tempo com você. — Isso é o que acabo de dizer. O sinal toca e os poucos que restaram para trás correm para a aula. Sorte a minha, compartilhar outra classe com Ryan. Empurro contra a parede, comprovo a pintura e me sinto fora de equilíbrio quando Lacy

107

107


Traduzido por Uly Santos

me segui. As gangues se separam tão rápido como as baratas quando se acende uma luz. Ryan e um par de outros garotos relaxam as costas em uma mesa próxima como se fossem um presente de Deus para as mulheres. Seus jeans e essas camisetas caras que usam suas equipes idiotas favoritas gritam atletas totais. Estendo minha ficha de inscrição a um professor enroscado em uma conversa com mais dois atletas. Discutem sobre beisebol, futebol, basquete. Blah, blah, blah. Deve ser algo de homens falar sobre jogos com bolas. Lacy salta de uma mesa vazia e chuta uma cadeira para que eu me junte a ela. — Ryan disse que você atende como Beth. Sento na cadeira e dou uma olhando em Ryan. Ele rapidamente aparta seus olhos. Meu sangue formiga, estava de verdade me olhando? Já chega. A fumigação se apaga. Mas é claro que estava. Você é o animal estranho, lembra-se? — O que mais te disse o Ryan? —Tudo. Que se encontrou com você na sexta à noite. E ontem com Scott. Merda. — Assim que toda a maldita escola sabe. — Não — diz pensativa. Lacy me olha e posso dizer que está buscando a garota patética que fui há muito tempo. — Somente disse a mim, a Chris e a Logan. O de cabelo escuro sentado junto ao Ryan é meu namorado, Chris. — Meus pêsames. — Vale a pena. — Faz uma pausa. — A maior parte do tempo.

108

108


Traduzido por Uly Santos

Durante quatro classes, as pessoas me ignoraram. Ajudei na situação, sentando-me na parte posterior de cada aula e olhando para todos que me olharam por mais de um segundo. Lacy tamborila seus dedos contra a mesa. Dois elásticos de cabelo negros envolvem seu pulso. Usa uns jeans de corte baixo e uma camiseta retro impressa em cor verde com um desenho de um trevo de quatro folhas branco. — Pra quantas pessoas você disse? — lhe pergunto. Ela para de tamborilar. — Disse o que? Baixo minha voz e recorro ao esmalte negro que está em minhas unhas. — Quem eu sou e por que fui embora da cidade? — Estou buscando. Devido a ficha de inscrição, ninguém me chamou pelo nome na classe nem ninguém mencionou a meu tio. Por hoje, sou anônima, mas quanto vai durar isto? Também estou testando a extensão das fofocas da cidade. O pai de Lacy era um oficial de policia e foi o primeiro a entrar no trailer aquela noite. — Ninguém — diz. — Fale para as pessoas sobre seu tio quando estiver pronta. É repugnante. Ninguém dava uma merda por Scott até a Serie Mundial. E agora, todo mundo o adora. Um grupo de meninas rompe em uma gargalhada. O mesmo tipo de bolsa repousa sobre a mesa na frente de cada menina tão bem cuidada. Claro, as cores e os tamanhos das bolsas são diferentes, mas o estilo é o mesmo. A loira rindo mais alto continua me olhando e eu lanço meu cabelo por cima do ombro como um escudo. Eu sei quem é ela, e eu não quero que ela se lembre de mim. — Gwen ainda está olhando. — diz Lacy. — Pode demorar alguns dias para que a roda de hamster que gira em seu cérebro faça o círculo completo, mas ela vai descobrir quem é você em breve.

109

109


Traduzido por Uly Santos

Eu poderia apreciar seu sarcasmo se eu não estivesse distraída com a loira. Gwen Gardner. No verão antes do jardim de infância, a mãe de Lacy sugeriu a Scott que eu fosse com Lacy a Escola Bíblica de Férias. Coloquei meu vestido favorito, um dos dois que eu possuía, com tantas fitas quanto eu podia, em meu cabelo, e pulei para o quarto. Um grupo de meninas em vestidos bonitos e macios me cercou quando eu me apresentei. Ao som de risos e cochichos das outras meninas, Gwen começou a apontar todos os buracos e manchas do meu vestido amado. Esse foi o ponto mais alto de meu relacionamento com Gwen. Desde esse dia, foi por água a baixo. — Ela continua sendo uma vadia? — pergunto. — Pior. — O tom de Lacy diminui. — Todo mundo acreditando que é uma santa. — E eu que pensava que o terceiro grau ela era um saco. Lacy bufa. — Imagine o ensino fundamental e a formação de seios estava com ela. Eu juro que a menina floresceu em um G entre o quinto e sexto grau. Graças a Deus, Ryan finalmente rompeu com ela na primavera passada. Não poderia suportar estar a uns centímetros dela nenhum momento mais. Mas é claro que Ryan namorou Gwen. Tenho certeza de que o termino é temporário e que eles vão se casar em breve e criar toneladas de outras pequenas desovas perfeitas de Satanás, a fim de torturar outras gerações de pessoas como eu. Caímos em um silencio incomodo. É estranho falar com Lacy. Costumávamos ser as duas contra o mundo. Então eu me fui. Supus que, em minha ausência, se converteria em uma delas, as garotas que eram perfeitas. Tinha o potencial para ser uma. Seus pais tem dinheiro. Sua mãe lhe comprava roupa. Lacy era bonita e divertida. Por alguma

110

110


Traduzido por Uly Santos

louca razão, ficou apegada a mim, a garota que tinha dois trajes e vivia no parque de trailers. Raspo o esmalte restante. Ontem, Allison me trouxe esmalte de unhas com um irritante tom de malva. Como pode alguém me olhar e pensar em malva? — O que disse seu pai? O dedo mindinho de Lacy bate na mesa repetidamente. — Que havia um chamado em sua casa e que mais tarde você se mudou para outra cidade. Surpreendida, levanto o olhar para captar a sinceridade em seus escuros olhos. — Isso é tudo? — Todo mundo pensa que Scott interviu e te salvou. Papai e outros caras que responderam nessa noite deixaram esse rumor em pé. — Sua testa se enruga. — É o que aconteceu, não? Tem estado vivendo com Scott? Arranho a bochecha, tratando de esconder qualquer reação que pudesse ser vista. Posso mentir e dizer que sim, mas isso seria como estar envergonhada de mamãe. E não estou envergonhada. A amo. Se que devo. Contudo, há vezes… — Chorei durante três meses quando você se foi — continua Lacy. — Era minha melhor amiga. Também chorei. Muito. Graças a mim e minhas estúpidas decisões, me custou tudo de minha mãe e perdi a minha melhor amiga. Típico de mim, um furacão que não deixa nada mais que destruição. —Vá sentar com seus amigos, Lacy. Sou má noticia. — Nesta aula, esses dois caras sentados alí são os únicos amigos de verdade que tenho. — Lacy tamborila seus dedos uma vez mais. — E você.

111

111


Traduzido por Uly Santos

Levanto uma sobrancelha. — Sua vida deve ser uma droga, então. Ela ri. — Não na verdade. É uma boa vida. O professor chama atenção da classe e distancio um centímetro meu assento do de Lacy. Um invisível e incomodo pulso se aperta em meu peito. Pessoas normais não gostam de mim. Eles não querem ser meus amigos e aqui está alguém oferecendo-me sua amizade voluntariamente. À medida que o professor faz a chamada, o nome de Ryan lido e ele responde com um profundo e calmo: — Aqui. Aproveitando a oportunidade, dou uma olhada em sua direção e o encontro me olhando outra vez. Sem sorriso. Sem ira. Sem petulância. Só uma expressão atenta mesclada com confusão. Ele coça a nuca e me sinto atraída por seus bíceps. Meu estômago traidor se agita. Deus, o garoto pode ser um imbecil, mas certamente é muito bom. E os garotos como ele não vão com garotas como eu. Somente me usam. Obrigo meus olhos a ir pra frente da classe, puxando meus joelhos contra meu peito e envolvo meus braços ao redor deles. Lacy invade meu espaço e sussurra: — Me alegro tenha voltado, Beth. Um vislumbre de esperança foge passando por minhas paredes e bate na entrada. A emoção é malvada. As pessoas que me fazem sentir são piores. Me consolo na pedra dentro de mim. Se não sinto, não dói.

112

112


Traduzido por Uly Santos

Ryan Esperando no jantar de domingo, posso observar uma grande quantidade de coisas do meu lugar no sofá na sala de estar da casa do prefeito. Por exemplo, o gesto grave da boca do meu pai e o ângulo de seu corpo sugere que está falando de negócios com o Sr. Crane. Negócios importantes. Mamãe, por outro lado, está lançando sorrisos e risos ao mesmo tempo em que está de pé ao lado da esposa do prefeito e da esposa do pastor, mas a maneira que mexe em suas pérolas me diz que ela está inquieta. Isso significa que alguém fez uma pergunta sobre Mark. Mamãe sente falta dele. Igual a mim. O poder de observação. É uma habilidade que precisa para o beisebol. Será que ele tem oportunidade de roubar o corredor na base? O rebatedor irá bater a bola para fora do estádio ou irá bater um fly de sacrifício* a fim de marcar o corredor na terceira? É a Skater Girl a garota dura que penso que é? Nas duas últimas semanas, eu vi Beth vaguear pela escola. É interessante. Nada como as meninas que eu conheço. Ele se senta sozinha na hora do almoço e come uma refeição completa. Nada de salada. Nem uma maçã. Uma refeição completa. Uma entrada, prato principal e sobremesa. Mesmo Lacy não come isso. Beth fica na parte inferior de cada classe. Exceto Saúde / Educação Física, onde Lacy pacientemente fala coisas sem importância, mas Beth fica em silêncio. Às vezes Lacy consegue fazer com que Beth esboce um sorriso, mas é raro. Eu gosto quando ela sorri. Não que eu me importe se ela está feliz ou algo assim. O que eu acho mais interessante é que mesmo que ela sendo a Srta. Anti social, ela não evita pessoas. Sim, um monte de garotos se escondem da vista de todos. *Elevada volta ao fundo do campo, que um jogador faz quando atinge a terceira base e menos de 2 outs permitindo ao corredor pontuação.

113

113


Traduzido por Uly Santos

Se escondem na biblioteca antes da escola ou durante o almoço. Evitam o contato visual e caminham nas sombras como se pudessem ir a escola e nunca ser notados. Beth não. Mantém sua postura. Dona do espaço que a rodeia e sorri com superioridade se alguém se aproxima demais, como se os desafiasse a enfrenta-la. Um sorriso de superioridade que ousa me excitar. — Está preparado para a prova de amanhã? A Sra. Rowe, minha professora de inglês, descansa contra o braço do sofá. Acontece que ela é também a filha do prefeito. Enquanto todos os demais usam calças de pano, laços ou trajes conservadores, a Sra. Rowe usa um vestido hippie com um estampado de margaridas. Hoje, seu cabelo é roxo. Considerando as brigas que minha família havia tido contra Mark, tenho curiosidade sobre as brigas que ocorrem a portas fechadas nesta casa. Quem sabe outras famílias encontram um modo de aceitar uns aos outros. — Sim, senhora. — Para desencorajar a conversa fiada, eu enfio um camarão envolto em bacon na minha boca. O meu pai gosta desses encontros ocasionais de domingo. Eu sou útil quando os homens discutem sobre esportes. Costumava ser mais prático quando eu namorava Gwen. O pai dela é o chefe de polícia, além de ser amigo da minha mãe achava que éramos "fofos juntos." — Detestava essas coisas quando tinha sua idade. A Sra. Rowe continuou. Comi outro camarão e assenti. Se ela as odiava, creio que recordaria que esta inútil conversa é psicologicamente dolorosa. — Meu pai me fazia participar de cada jantar que ele dava. Engulo e percebo que nenhuma só vez em meus quatro anos de idade suficiente para representar a família tinha visto a senhorita Rowe ocupar-se com essas funções. Considerei perguntar por que está aqui esta noite, então eu me lembrei de que eu não me importo. Lá vai uma almôndega.

114

114


Traduzido por Uly Santos

— Li seu trabalho, diz. Dou de ombros. Ler meu trabalho é seu dever. — É bom. De fato, é muito bom. Meus olhos se movem rapidamente até os seus e praguejo internamente quando sorri. Maldição, não deveria importar se era bom. Queria jogar beisebol, não escrever. Notoriamente desvio o olhar para a direção contraria. — Já pensou em convertê-lo em um conto? Tinha uma resposta para isso. — Não. — Deveria — diz. Dou de ombros novamente e começo a revisar a sala por um possível motivo de escape — como as cortinas pegando fogo. Um sorriso malicioso se espalha por seu rosto. — Escute, eu tenho uma boa notícia e estou muito feliz por não ter que esperar até amanhã para contá-la. Lembra-se do projeto de literatura em qual nós trabalhamos no ano passado? Seria difícil de esquecer. Ano passado devoramos livros e filmes . Em seguida, os divimos em pedaços, como máquinas para que pudéssemos ver que as partes trabalharam em grupo para criar uma história. Depois disso, a Sra. Rowe ficou rígida e nos fez escrever algo por conta própria. A maldita aula mais difícil que já tive e eu amei cada segundo. A odiei também. Quando eu me tornei muito interessado e entusiasmado, os caras da equipe me trataram de maneira rude. — Lembra que inscrevi todos no concurso estadual de literatura? Eu balanço a cabeça em afirmação, mas a resposta é não. Só porque eu amava a classe não significa que ouvi tudo que você disse. — Por quê? Será que Lacy ganhou? Ela tinha uma grande história.

115

115


Traduzido por Uly Santos

-Não... Lá vai outra almôndega . Isso é uma merda. Lacy ficaria emocionada se ganhasse. — Você é finalista, Ryan. A almôndega desliza e se enterra em minha garganta e me engasgo.

*** Deixando de lado o roupa forma para um par de calças de atletismo e uma T-shirt do Reds, eu me inclino para trás na cadeira na minha mesa e olho para o trabalho de casa que a Sra. Rowe de. Em quatro páginas, o pobre George acordou para descobrir que ele havia se tornado um zumbi. Minha frase favorita é a última do papel:

Olhando para baixo até suas mãos, mãos que provavelmente algum dia matariam, George assimilou o repugnante conhecimento de que havia se tornado absolutamente impotente. Por que é minha favorita, não sei. Mas cada vez que leio algo se move dentro de mim, algum tipo de sentido de justificação. Corro uma mão sobre meu cabelo, incapaz de compreender que sou finalista em um concurso de literatura. Quem sabe mais tarde esta noite o inferno se congelará e os burros começarão a sair voando do meu traseiro.

116

116


Traduzido por Uly Santos

Tudo parece possível a esta altura. Giro a cadeira e examino o quarto. Troféus, medalhas e prêmios por jogar beisebol se encontram dispersos na parede, nas prateleiras e minha cômoda. Uma flâmula dos Reds paira sobre minha cama. Conheço o Beisebol. Sou bom nele. Deveria ser. Tem sido a mi vida toda. Sou Ryan Stone — jogador de beisebol, atleta, líder da equipe. Mas Ryan Stone — escritor? Rio para mim mesmo enquanto recolho a papelada da mesa. Tudo isso descreve em detalhes como continuar para a próxima fase da competição de escrita, como ganhar. Nenhuma vez na minha vida eu recuei de um desafio... Mas isso... isso está além do que eu sou. Eu lanço os papéis para baixo novamente. Preciso manter o foco no que é importante e escrita não é.

117

117


Traduzido por Uly Santos

Beth Educação física é uma abominação para a autoestima. Enquanto a mudança para fora da blusa branca com babados para a camiseta rosa e short combinando que é exigida na educação física da Bullit County , faço um inventario das outras garotas.Elas fofocam enquanto se trocam. A maioria escova seu cabelo. Algumas retocam sua maquiagem. Todas magras. Todas em forma. Todas lindas. Eu não, contudo. Sou o suficientemente magra, mas não bonita. As garotas que realmente me irritam são as que Deus deu tudo: dinheiro, olhares e um peito tamanho G. Gwen é a pior. No momento em que entra no vestiário, tira a camisa e caminha livremente em seu sutiã de renda. Sua recordação não verbal que nossos tamanhos B são inferiores. Saindo do vestiário, relaxo quando vejo que o ginásio está vazio. A maior parte da escola é uma zona sem-celular, mas não no ginásio. Necessito desesperadamente falar com minha mãe. Já faz duas semanas desde a última vez que falei com ela, e suas últimas palavras para mim foram esse patético “por favor… liberdade condicional” no estacionamento. Trent não permitiria que ela se despedisse na estação de policia. Deus, o odeio. Me agacho debaixo das grades, tiro o telefone do bolso da minhas calças curtos e marco o número da minha mãe. Chama várias vezes nas últimas duas semanas, mas nunca é respondido. Em qualquer momento, depois das quatro, ela havia estado no bar. Mamãe me disse uma vez que só se é um alcoólatra se beber antes do meio dia. Menos mal que mamãe nunca acorda antes das Três. O telefone toca mais uma vez e logo três fortes bipes respondem. Uma voz calma e irritante sentencia uma mensagem : Desculpe, o número chamado está indisponível.

118

118


Traduzido por Uly Santos

O arrependimento se converte em um peso em meu estômago. O mês passado, podia ter pago a fatura de eletricidade com o cheque de invalidez da mamãe ou podia pagar a fatura de telefone. A companhia de eletricidade enviou uma notificação de desconexão. Pensava que teria mais tempo com o telefone. Escolhi a fatura de eletricidade. Minha garganta se sente sufocada e meus olhos queimam. Merda, minha mãe. Eu errei. De novo. Imagina isso. Devia ter pago a fatura de telefone. Devia ter encontrado uma forma. Devia ter ficado mais horas vendendo na Tenda do Dólar. Podia ter engolido meu orgulho e pedir a Noah ou Isaiah dinheiro. Podia ter feito tantas coisas e não fiz. Por que sou eu a que sempre arruína? De repente, eu queria que fosse dez da noite. Isaiah e eu nos falamos, toda noite. Normalmente, não é por muito tempo. Só uns poucos segundos ou algo assim. Ele não é um falador por telefone por natureza, mas na primeira vez que eu liguei, ele me pediu que ligasse toda noite e eu o faço. Sua voz é a única coisa que me mantém sã. Deslizo o telefone em meu bolso enquanto todos entram em fila no ginásio. Eles falam e riem, longe dos problemas reais do mundo real. Tenho que encontrar um taxi para Louisville e tenho que encontrar um rápido. Uma pontada de dor aguda atravessa minha cabeça e ameaça se transformar em uma enxaqueca quando Lacy se distancia de Chris e Ryan, para unir-se a mim. Não estou com humor para isto, não hoje. — Você se trocou rápido — diz Lacy. — Está tudo bem? Você parece irritada. — Estou bem — mas coço para enxugar os olhos. De alguma maneira, estão úmidos e cheios, e me nego a toca-los com Lacy ao redor ou alguém mais. Nunca choro e nunca deixarei que ninguém acredite que sou capaz de fazer o estúpido ato. — Cinco minutos! — chama o senhor Knox, nosso saudável professor.

119

119


Traduzido por Uly Santos

Usa um apito brilhante ao redor de seu pescoço. — No quadro de anúncios está cada exercício que devem realizar para receber crédito para esta classe. Passaremos três dias no ginásio e dois na sala. Alguns exercícios podem fazer por sua conta. Outros requerem trabalho em equipe. Vocês têm duas oportunidades para me impressionar, assim que sugiro que usem seu tempo sabiamente e não venham até mim por créditos, a menos que tenham praticado o tema até a perfeição. — O olhamos em silencio. O senhor Knox sacode seu polegar atrás dele. — Mãos a obra. Me lanço pra trás dos outros, rezando que a maioria dos exercícios possam ser feitos por minha conta. Minhas entranhas se retorcem quando vejo as pessoas se dividindo em grupos de dois ou três para completar suas tarefas. Uma vez sozinha, vou furtivamente até o quadro e suspiro tão forte que o papel publicado se move. Seguramente posso convencer o senhor Knox que sou, dentro de mim, uma pirâmide de quatro apoios. — Pode fazer a atividade comigo. Meu coração gagueja ao som da voz de Ryan. Droga, por que eu tenho que achar tudo sobre este cara atraente? Sua voz, seu rosto, seu bíceps, seu ab... pare com isso! Cruzo os braços sobre o peito e viro para encará-lo. — Eu pensei que tínhamos um acordo. — Não. Você deu um chilique no primeiro dia de escola. Isso não constitui um acordo. Ryan não está usando seu boné de beisebol e eu adoro isso. Seu cabelo cor de areia tem um tom dourado. É um estilo-sem-estilo na desordem de não muitos cachos que chutam para fora em várias direções. Controle-se, Beth. Caras quentes não vão para garotas perdedoras. — Deixe-me em paz. Me afasto de Ryan porque não mostra sinais de que irá se afastar de mim. Pilhas de equipes estão alinhadas na parede no outro lado do ginásio. Uma das quatro atividades que posso completar por minha conta é pular corda. Posso fazer isso. Acho. Costumava pular corda quando era uma menina. Agarro uma das cordas e outras vinte caem para fora da caixa

120

120


Traduzido por Uly Santos

junto com ela. Todas estão entrelaçadas. Gwen e um grupo de garotas riem quando me olham. Me pergunto se ainda estariam rindo quando girasse e batesse nelas com essa corda com um nó do inferno. — A confiança cai. — Lacy magicamente se teletransporta em frente a mim. Ainda segurando o trem de cordas, a olho. — O Que? — A confiança cai. Os garotos e eu estamos fazendo e você vai fazer com a gente. — Não, eu não. —Sim, você sim. Os requisitos dizem que temos que ter ao menos duas garotas no grupo. Pisco duas vezes. — Vá perguntar a uma das garotas cuidando uma da outra como macacos. — Essas não são garotas. São abutres. Ryan e Chris nos observam. O outro estuda a plataforma de um metro e meio da que se supõe que “cairemos”. Pergunto: — O que o cara com cabelo negro está fazendo nesta classe? — Ele não estava na semana passada, mas está na minha classe de inglês e teve bolas para caçoar de mim no meu primeiro dia. O garoto plataforma tem sorte de estar vivo. Lacy faz um gesto até ele. — Esse é Logan. Aprovaram suas matemáticas e trocaram seu horário e o resto não é totalmente importante. Vamos. — Agarra minha mão e a corda se arrasta comigo até que recordo de deixá-la cair. Me libera quando chegamos a plataforma. Ryan me da um sorriso condescendente. — Mudou de opinião? Não se preocupe, a maioria das garotas o fazem quando se trata de mim. Eu gostaria de ter uma jaqueta que pudesse me tirar dos arredores e me ocultar. Mas não tenho, assim que faço a seguinte melhor coisa. — Você teve que subornar essas garotas com tacos ou isso era reservado

121

121


Traduzido por Uly Santos

para mim? Chris e Logan riem e Ryan angula seus ombros pra longe de mim. No outro lado do ginásio, Lacy carrega um grande colchonete de espuma. Os garotos a ajudam, levantando o gigantesco colchonete no ar como se não pesasse nada, então o atiram diante da plataforma. Uma faísca de pânico fere meus pulmões. — Para o que é isso? — No caso de que te deixemos cair — diz Logan. —No caso de que vocês o que? — Freneticamente, olho a plataforma de madeira que me lembra um trampolim de uma piscina pública. Não posso nadar e não salto. —Te deixemos cair — repete. Lacy golpeia a nuca de Logan. — Fique tranquila. Não te deixaremos cair. Mas é claro que não, porque não vou a saltar. Dou um passo pra trás. — Qual é o problema, chefe? — pergunta Logan quando olha pro Ryan. Bufo e Ryan me olha. Mas é claro, veem Ryan como seu intrépido líder. Ryan reorganiza o colchonete para centra-lo com a plataforma. — Cada um de nós tem uma sessão de prática. Aperfeiçoamos nossa técnica e logo a mostramos ao treinador. Logan, você primeiro. Dessa forma, se temos a técnica equivocada, deixaremos cair a um garoto e não a uma garota. Chris, Ryan e Lacy se reúnem ao redor do colchonete. Permaneço plantada em meu lugar. — Se você é o chefe, então por que não vai primeiro? — Porque Logan está louco e iria primeiro inclusive se eu não perguntasse. Ao menos agora há alguém aqui para pega-lo. — É verdade — acrescenta Lacy. — Logan é inteligente demais para o

122

122


Traduzido por Uly Santos

sentido comum. — Medo. — Logan se senta na plataforma. Suas pernas suspensas ao longo da borda. — Inteligente demais para o medo. Lacy se encolhe os ombros. — Potayto, potahto*. A mesma coisa. —Não, não é. —Sim, sim é. — Cale-se — diz Ryan. — Vamos Beth. Você e Lacy ficam com área dos pés. Chris e eu nos encarregaremos de suas costas. — Por que, para que possamos receber um chute na cabeça? Isso é muito valente. — Não — diz Ryan com paciência forçada. — Logan tem muito corpo na parte superior do corpo. Chris e eu vamos ficar com a parte mais pesada. Logan golpeia seu peito com seu punho. — Parede sólida, bebê. — Menos papo, mais saltos — diz Chris. —Vamos, velho. Tomo meu lugar em frente a Lacy. Sem me dar muita opção, Lacy pega minhas mãos e segundos mais tarde nos agarramos com mais força quando pernas pesadas caem em nossos braços. — Filho da puta, Junior — pragueja Chris. — Se supunha que você contaria antes de saltar. Soltem seu lamentável traseiro. De acordo. Lacy e eu o soltamos e Logan cai resto do que resta até o colchonete. Ele ri enquanto se levanta. — Me pegaram bem. — Minha vez! — Lacy salta sobre o colchonete e sobe na plataforma. *Jogo de palavras que indica que não importa que se escrevam diferentes ao final tem o mesmo significado.

Ryan toma o lugar de Lacy a minha frente e me oferece suas mãos. As

123

123


Traduzido por Uly Santos

olho fixamente. Não toco nas pessoas e elas não me tocam. Quero dizer, Lacy o fez, mas é diferente. Costumávamos ser amigas, inclusive isso foi há muito tempo. O suor se forma nas minhas palmas e as esfrego contra minhas calças curtas e coloco minhas mãos nas do Ryan. Seus dedos se entrelaçam com os meus. Sua pele é a exata mistura de força e calor, e seu toque envia calafrios através de meu corpo. Já se passaram duas semanas de tortura sem um cigarro e realmente desejo um agora mesmo. — Tudo bem, Lace — diz Ryan com essa voz profunda e tranquilizadora. — Quando estiver pronta. Ryan e eu estamos nos dando às mãos por cinco minutos. — Está um pouco alto. — Lacy está de pé na borda da plataforma. Um pouco do fogo que vive constantemente em seus olhos diminui. Ryan me da esse glorioso sorriso— bonito com uma pitada de covinhas. Um calor envolvente se propaga em minha corrente sanguínea. Maldição, eu gosto desse sorriso. — Pode fazê-lo, querida — diz Chris. O polegar de Ryan se move sobre a parte superior de minhas mãos e cada célula de meu ser se converte em uma corrente ativa. Temos estado de mãos dadas por dez segundos. — Eu sei. — Lacy não se parece como se soubesse. Parece tão pouco segura como eu me sinto de pega-la. — Talvez um de vocês devesse ir. — Vire-se, Lace, e caia de costas. — Ryan usa um tono suave mas autoritário. A pesar de falar com Lacy, mantém esses olhos de cor marrom claro cravados em mim. Seu polegar faz outra caricia sobre minha mão que faz meu coração saltar. — Você tem que fazer e sabe que te pegaremos. Me pergunto como seria se ele me segurasse em seus braços? Me sentiria tão viva como me sinto agora? —Tem razão — suspira ela. — Me de um segundo. Minhas mãos suam de novo e não quero mais pensamentos de meu

124

124


Traduzido por Uly Santos

corpo encostado junto ao seu ou visões de suas mãos em minha pele ou esperar que seu sorriso seja para mim. Já não quero ninguém me tocando. Especialmente garotos que são fortes e quentes e um pouco lindos e que podem fazer que meu coração gaguejar. Tento me afastar, mas Ryan reforçar seu aperto. — O que está fazendo? —Ela não pode fazê-lo — lhe digo. — E não deveria fazê-lo. Ryan me estuda por um segundo. — Sim, pode. Lacy pode fazer o que seja que se proponha. Tento tirar meus braços de novo, mas o agarro de Ryan é apertado demais. — Isto é estúpido. — O pânico inunda meu cérebro e me faz sentir um pouco louca. — Tudo isto é estúpido. Qual é o estúpido ponto? — Aprender como trabalhar juntos como uma equipe e por nossa confiança nos demais. — A voz de Ryan se torna um bálsamo calmante em meu pânico até que me dou conta do muito que quero escutar. Isto não é bom. Não é bom em absoluto. Não é assim como o flautista de Hamelín trabalhava? Não tocava algo tranquilizador e todos os ratos se afogavam? —Não sou parte de sua estúpida equipe. — Eu sei, mas vamos fingir por uns segundos que você é. — Está pronta — diz Chris. Uma fração de segundo mais tarde, os Nikes de Lacy estão a centímetros de meu rosto. Descansando segura em nossas mãos, Lacy ri. — Isso foi incrível. Vamos fazer de novo. Ryan me solta e ajuda os garotos a abaixar Lacy. Dou um passo para trás e trato de esfregar pra fora qualquer traço de Ryan em minhas roupas. Não quero mãos fortes segurando meus braços. Não quero ser

125

125


Traduzido por Uly Santos

parte de uma equipe, e estou muito certa de que não tenho que provar nada saltando da plataforma. — Continue você, Beth — diz Ryan. —Não. — A palavra sai automaticamente. — Vai ter que fazer algo, assim que façamos agora. —Juro que não é tão mal. — Lacy voa até meu lado. — Primeiro eu estava como “de maneira nenhuma” e logo Ryan disse: “Você pode” e logo pensei: “Não posso” e depois pensei: “Estes garotos nunca me deixariam cair” e eu estava como “De acordo” e depois o fiz e foi tão depressa. Logan e Chris me olham com receio. Eles me deixariam cair. Justo como Ryan definitivamente me deixaria cair. — Que tipo de jogo está jogando? — pergunto a Ryan. Ele estreita os olhos. — Que? — Você usou a Lacy para me atrair até aque. Era seu plano me fazer acreditar que podia confiar em você e logo me deixar cair assim todos poderiam rir? — Com cada palavra, minha voz se eleva e meu coração bate mais rápido em meu peito. Ryan nega com a cabeça. — Não. Dou a volta em meus calcanhares e me dirijo ao vestiário. Direi que tenho cólicas e sangramento e períodos e tampões e continuarei dizendo palavras como menstruação até que o professor me deixe sair da classe. Justo a ponto de entrar no vestiário, a grande figura de Ryan paira diante de mim. —A onde pensa que vai? — Fique longe — lhe digo. Ryan faz sinal pra mim. — Você é parte desta equipe e nos ajudará até que esta tarefa se acabe. — Não — digo entre dentes. — Não sou parte de sua perfeita equipe.

126

126


Traduzido por Uly Santos

— Volte pra lá. — Esta é a beleza de viver na América. Você não pode me obrigar a fazer uma maldita coisa. — Golpeio meu corpo contra o seu e entro na segurança do vestiário.

127

127


Traduzido por Uly Santos

Ryan O treinador nos mandou aos vestiários mais cedo e me apressei para me vestir. Beth seria uma das primeiras garotas a sair, já que foi uma das primeiras a entrar. Ela e eu... temos assuntos pendentes. Deixou minha equipe em apuros alem de que arruinou meu plano para Convida-la para sair. Na parte superior da arquibancada de madeira, está sentada com as costas contra a parede dos blocos de cimento e as pernas estiradas. Seu cabelo negro está atrás de seus ombros e tecla em seu celular com seus polegares. Um pequeno sorriso curva seus lábios. Há um olhar em Beth, um que não tinha visto antes... algo quase pacífico. Escalando a arquibancada, subo de duas em duas filas por vez. O golpe de meus passos faz ecos no ginásio vazio. Beth fecha seu celular e o coloca em seu bolso traseiro. O pequeno sorriso e tranquilidade se desvanecem enquanto oficialmente saca as garras. — Não são vocês os populares os que se supõe que alegram a multidão com sua presença no vestiário, deixando a nós os perdedores nos escondermos em paz? — Temos que conversar. — Bom, quero estar sozinha. Tomei nota, mas ela estando sozinha não me ajudaria a ganhar o desafio. — Este será um ano muito longo se você se mantiver distanciando a todos. Posso te ajudar a se encaixar, você sabe. Em um movimento lento e sexy, Beth desliza seu sedoso cabelo pra trás de sua orelha. — Estou vendo. Está em obras de caridade. Admirável,

128

128


Traduzido por Uly Santos

mas acredito que vou deixar passar. Como o faz, eu não sei, mas tem este vai e vem hipnotizante e uma sedutora voz que podem me fazer esquecer por uns segundos por que não gosto dela. Então, meu cérebro reproduz de novo seus comentários sarcásticos. Fazendo caso omisso da minha admiração por seu corpo e que adoro o som de sua voz, me sento na fileira debaixo dela. Beth agita seus dedos no ar. — Vamos — diz como se estivesse falando com um cachorro. — Shoo. Jogo genial. Eu o fiz muitas vezes. Tiro o encanto. Passo por cima o fato de que me rejeitou quando a perguntei sobre passar o tempo comigo durante o ginásio. Pretendo não ter que recorrer a Lacy com a finalidade de conseguir meu objetivo. Repito várias vezes que eu não me importo que ela deixou uma equipe dependendo dela. — Você está bonita. Olho para a sua roupa, calças pretas apertadas e elegantes e uma camisa com botões, exceto que ele recolheu as mangas. Definitivamente não é o estilo que ele estava usando quando eu a conheci. Em Gwen, aquelas roupas parecem que saíram de um desfile de moda. Em Beth... faz me sentir falta dos jeans com buracos. — Bonita para um palhaço em um circo itinerante. Em que ângulo Você está jogando? Para ela me dar uma maldita pausa. — Saia comigo. — Está tratando de se envolver com a sobrinha para impressionar o Scott ou é uma estupidez para impressionar seus amigos? Um músculo em minha mandíbula salta e tudo em seu olhar o capta. Estou começando a detestar esse sorriso malvado. Tenho que ser agradável. Mesmo se ela não é. Me irritar não me ajudará a conquista-la. Além do mais, não está longe da realidade.

129

129


Traduzido por Uly Santos

— Há uma festa no campo sexta-feira à noite. Seria uma boa oportunidade para conhecer gente no lugar de afasta-los. Se inclina e aspiro o aroma inconfundível de rosas. — Te contarei um segredo. Eu desfruto de afastar as pessoas. Vai bem com minha atitude de “esta escola pode comer merda e morrer.” O que diabos acontece com esta garota? Beth relaxa de novo na grade. — Perguntarei de novo, qual é o jogo garoto atleta? —Nenhum jogo — digo muito rapidamente e trato de acalma-la. As porta dos vestiários se abrem e ouço risos quando as pessoas entram no ginásio. Tenho segundos para impressiona-la antes que a arquibancada se encha. — Você é bonita, Beth. — De repente é difícil olhar pra ela. É bonita. Mais que bonita. Permaneço olhando meus sapatos. Controle-se, Ryan. Ela é um desafio. — Sou bonita? — Beth levanta sua voz e vislumbro os outros estudantes que sobem as arquibancadas e tomam seus assentos. Sua conversa se detém e olham pra nós dois. Esta não é a forma que este momento deveria ser. — Sou bonita — repete o suficientemente alto como para que todo o ginásio escute. O brilho maligno em seus olhos me informa que está desfrutando do linchamento social. — Essa é a melhor linha que pode chegar a ter? Vamos avançar rapidamente com toda esta conversa para que eu possa deixar de perder meu tempo. Levanta a palma de sua mão e apesar de que as palavras tenham ido, continuo vendo minha derrota. Não pode. Tim Richardson imita o som de uma bomba caindo do céu e usa suas

130

130


Traduzido por Uly Santos

mãos para criar a explosão. — Estouros e fogo, Ry. É bom saber que a garota nova tem algumas normas. Quando tiver terminado de jogar com o jogador de beisebol Beth, pode vir jogar comigo. — Fique longe, Tim — digo de forma clara e baixa, advertindo. Se Tim quer me arruinar tudo bem, mas que deixe a Beth fora disso. As garotas devem ser tratadas com respeito. — Não finja que está tentando me defender. — Os olhos de Beth se estreitam. — Está irritado porque não estou caindo a seus pés em adoração igual ao resto desta patética escola. Mais risos da multidão. Idiotas. Ela também podia colocá-los em seu lugar. — Você não pode me acompanhar — sussurra. — Fique malditamente longe de mim. Ao diabo, posso fazer qualquer coisa. O treinador sopra seu apito e toda a classe se vira até ele. — Último trabalho de hoje. Necessitamos de uma garote do último ano e um garoto do último ano nominados para a corte do baile de boas vindas. Vamos comer com os garotos. Há várias mãos levantando pra mim. Não posso te acompanhar? Está tão equivocada. — Levantem suas mãos se querem a Tim Richardson. — O treinador acena para cada mão que conta. Eu sou o rei nesta escola. Posso ganhar qualquer desafio, em qualquer momento. Ganhar qualquer jogo. Se você quer jogar, vamos jogar. Ela não quer que o mundo saiba que é sobrinha de Scott Risk. A Skater girl me humilhou e está a ponto de aprender que a reviravolta é jogo limpo. — Agora, para as garotas — diz o treinador.

131

131


Traduzido por Uly Santos

Minha mão se eleva no ar ao mesmo tempo que todos os demais, mas não darei a ninguém a oportunidade de fornecer outro nome. —Beth Risk. As mãos caem. Todos os olharem alternam entre Beth e eu. Seus pés caem do assento, um atrás do outro... Plop, plop. — O que você disse? — Você disse Risk? — pergunta Tim. — Como Scott Risk? Igual ao Deus do beisebol que acaba de se mudar de novo para nossa cidade? Uma orla de rumores se espalha entre os estudantes sentados nas arquibancadas, o nome de Beth é o tema de cada conversa em voz baixa. Fazendo caso omisso de Tim, enfrento Beth. Seus olhos azuis brilham como chamas gêmeas em uma tocha. Quem não está mantendo o ritmo agora? —Te nomino, Beth Risk, para a corte do baile. —Não. — Nega com a cabeça. — Não pode. —Sim. — Adora ganhar. — Eu posso. — Eu a segunda. — diz Gwen com um sorriso brilhante estampado em seu rosto, e bandeiras vermelhas subindo. Ela queria a coroa do baile de boas vindas desde que ela tinha três anos. Beth se sacode e bate o pé contra a arquibancada como uma criança lançando um ataque. — Não, você não pode. Nomear si mesma. — Está tudo bem. — diz Gwen. — Eu já estava nomeada no primeiro e

132

132


Traduzido por Uly Santos

segundo período. — Como eu. — Eu levanto minhas sobrancelhas para Beth. —Nós poderíamos caminhar no campo juntos. Não vai ser divertido? Beth fica completamente imóvel, a boca ligeiramente aberta, estende as mãos para os lados com os dedos espalhados. Eu finalmente ferrei a garota que tem me ferrado por semanas. O treinador aplaude para chamar nossa atenção. — Todos os que estão a favor da adição de Beth a corte do baile de boas vindas de futebol, levantem a mão. Com todos os olhos sobre Beth, toda a classe levanta suas mãos. Todo mundo, exceto Lacy. Seu olhar fixo jogar agulhas de fogo através de mim, mas ainda assim mantém sua boca fechada. — Alguém se opõe? — diz o treinador. — Eu — grita Beth. Sorrio. Eu amo ganhar. — Parabéns — diz o treinador em uma voz entediada. — Está na corte do baile de boas vindas. — Que merda está mal com vocês? O treinador aponta até ela. — Sente-se no seu lugar e olhe sua linguagem. O sinal toca. Beth agarra sua mochila e se dirige até mim. — Você está fodidamente morto.

133

133


Traduzido por Uly Santos

Beth O garoto arrogante está indo baixo. Blah. É irritante a maneira como o adoram. Ryan isso. Ryan aquilo. Ryan é um Deus. Ryan é um babaca. Conheço caras como ele. Inferno, eu fodi com um. Em vez disso, um me fodeu. Eu não sou mais uma garotinha idiota e eu não vou mais cair por coisas que se parecem bonitas. Nossa professora de cálculo, com seu zombeteiro cabelo dos anos oitenta, nos observa através de seus gigantescos óculos. — Quando eu disser seu nome, venham à frente e anotem seu trabalho no quadro. — Dá uma olhada na classe. — Morgan Adams, Sarah Janes, Gwen Gardner e Beth Risk. A parte posterior da minha cabeça golpeia a parede. Foda-se. Isto é culpa do Scott. O estúpido conselheiro lhe disse que não podia me manter de dia nesta classe, mas Scott insistiu em me por no programa de honra. Scott me explicou mais tarde nessa noite, sobre o tofu e a merda verde que sua mulher insistiu em chamar de jantar, que estava aumentando minhas expectativas de mim mesma. — Assim então é verdade — diz alguém na parte dianteira da classe. — Seu sobrenome é Risk. Clank. Clank. O som das correntes espremendo meus pulmões ecoa na minha cabeça. Desde a pequena performance do Ryan no ginásio, a escola inteira tem sussurrado enquanto eu passo e desta vez não é porque eu sou a aberração da escola. Não, eles sussurram por razões muito pior. Seus olhos invejosos levantam julgamentos sobre mim, porque eles querem saber de mim, ou melhor, do meu tio. — Você é parente do Scott Risk? — pergunta uma garota de cabelo castanho curto. Todo mundo na aula me observa. Minhas mãos começam a suar.

134

134


Traduzido por Uly Santos

— Senhorita Risk? — pergunta nossa professora. Não estou certa do por que me pressiona deste modo, por ser a única que não saiu para ir pra frente ou porque não respondi a pergunta. Observo meu caderno sem nada escrito. O pânico faz com que meu coração se pressione contra minha caixa torácica. O que eu faço? Os lábios de minha professora formam um curto sorriso. — Por que não se levanta e satisfaz a curiosidade de seus companheiros de classe? — No primeiro dia de aula, Scott teve uma reunião privada com meus professores para “se assegurar de que estava nas melhores mãos possíveis”. A bruxa flertou com Scott até que ele lhe deu um autógrafo. Provavelmente tem seu rosto tatuado em seu traseiro. O suor escorre pela minha nuca enquanto o mundo balança. Tem sido mudanças demais. Perder a mamãe. Perder Isaiah. Perder minha casa. Eu tenho tentado. Realmente tenho. Eu vagava pelos corredores como o show de horrores solitário. Esta resposta vai mudar tudo de novo.

135

— Sim. Sussurros e comentários correm pela classe como o vento de uma tempestade que se aproxima. Nossa professora se torna estranhamente alegre. — Estou certa de que Beth estará encantada de responder todas as perguntas sobre seu tio fora da aula. Agora, senhorita Risk, poderia vir e escrever sua resposta para a equação de hoje? — Não — digo sem pensar. Não a ambas as frases. Não vou responder as perguntas de ninguém e não vou escrever uma resposta. Minha resposta silencia a classe. — Desculpe? — pergunta. Olho de novo pra minha folha em branco. Não há nenhuma maneira no inferno de que eu vá até lousa para que toda a escola seja testemunha de que a sobrinha do grande Scott Risk falha porque é uma idiota.

135


Traduzido por Uly Santos

— Eu não vou escrever minha resposta. O sinal toca e a expressão de minha professora me proporciona um novo significado do termo cólera. Um quilo a mais de correntes se acomodam em meu estômago. Eu fui e fiz. Quebrei as regras do Scott de uma forma muito pública. Como pude fazer isto a mamãe? — Senhorita Risk — me chama de seu escritório enquanto o resto da classe sai em fila. Vou, sabendo que o nível de merda na que estou metida é tão profunda que ela não permitirá que haja audiência. — Vamos a discutir um par de regras. Ela “discute” bastante tempo, e quando finalmente me deixa ir, me apresso escada abaixo. Scott deixou perfeitamente claro que nunca perdesse o ônibus. Os ônibus parados me saúdam através da janela quando alcancei o primeiro degrau. Tinha dez segundos antes que se fossem. Um assobio agudo chama minha atenção. Ryan se apoia contra o último armário com um sorriso de idiota em seu rosto. Levanta a mão direita e me mostra a palma. Ali está escrito a palavra que me faz querer vomitar: Posso. Os ônibus abandonam o lote. Ryan abaixa a mão e se dirige a porta.

136

136


Traduzido por Uly Santos

Ryan Profundas e guturais risadas enchem o ginásio quando Chris arranca a nota onde diz “Me chute” que Logan pôs em suas costas. As risadas crescem quando Chris amassa o papel, e o lança em Logan, e lhe mostra o dedo do meio. — Está bem, senhoritas. — O treinador golpeia um dos armários para atrair nossa atenção. — Tenho a lista semanal da sala de estudo. As risadas se transformam em gemidos. O treinador leva a serio nossas qualificações. Cada semana incomoda os professores para conseguir um informe de nossas qualificações e, ver que nossas notas caíram um pouco, ficamos com tutores depois da escola. Limpo as mãos em uma toalha e me preparo para receber minhas notas. Não sou Logan, mas as mantenho a um nível decente.

137

— Allen, Niles e Jones. Chris joga a cabeça pra trás e se queixa. — Maldita ciência. Golpeio a toalha contra ele. — Divirta-se. — Nada pode acabar com meu estado de animo. Finalmente tive a melhor sobre Beth. E era questão do maldito tempo. Ninguém me supera a longo prazo. — Foda-se, Ryan. — E sem outro olhar, Chris sai do ginásio. — Stone! — Chama o treinador. — Sim? O treinador me olha com estranheza e faz sinal para o lugar por onde Chris acaba de ir. — Sala de estudo. — Por quê? — Minhas notas estão boas. Ele dá de ombros. — Sua professora de inglês te chama.

137


Traduzido por Uly Santos

Continuar falando implicaria flexões o voltas, então engulo os comentários, saio do ginásio e passo pelos corredores vazios. Quando finalmente chego a sala de estudo, sou imediatamente saudado pelo riso de Chris. Se inclina em sua cadeira, ignorando o livro de ciências em frente a ele. — Minha vida acaba de melhorar. Se não fosse pelos tutores e professores que há na sala, lhe diria onde pode meter isso. — Por aqui, Ryan. — A senhora Rowe me faz sinais como si estivesse do outro lado de um estádio. Hoje, seu cabelo tem uma tinta verde. A saúdo com um movimento de queixo e caminho até seu escritório. Me deslizo na cadeira em frente da dela. — Passei no exame e entreguei meus trabalhos. Sua mão se agita no ar. — Oh, não estamos aqui por suas qualificações. Meus olhos se estreitam enquanto meus músculos ficam tensos.

138

— Então, por que estou aqui? Move uma pilha de papeis, procurando algo. Possivelmente sua mente. — Seu treinador disse que podíamos te chamar por qualquer razão acadêmica. Não tem por que ser ruim. Deixe de ser tão pessimista. Pessimista? — Estou perdendo o treinamento com pesos. — Assim que você... — diz enquanto tira meu conto de George o Zumbi dentre os papeis. — Não entregou seus documentos para o concurso de escrita. Deverias estar preocupado é de perder sua oportunidade de obter uma bolsa de estudo universitária. Se ganhar esta competição, receberá dinheiro para frequentar a qualquer universidade de Kentucky que escolher. Não é uma bolsa de estudo completa, mas é algo. —Não vou ir a Universidade — digo com toda clareza.

138


Traduzido por Uly Santos

Ela se congela e me olha como se tivesse anunciado sua iminente morte. — Por que não? Faço um gesto para minha camisa. Está mulher fala serio? — Sou um jogador de beisebol. Vou ir jogar beisebol. — Pode jogar beisebol na universidade. Ryan... — Titubeia uns segundos, logo coloca meu conto na minha frente. — Esta é a peça de escritura mais linda que já vi de um estudante de secundaria. Nunca antes. Você pesou em que fosse mais que um jogador de beisebol? Minha boca se abre para responder, mas nada sai e a fecho de um golpe. Minha mente está em branco. Sou um jogador de beisebol. Um malditamente bom. Isso não é suficiente? — Você se quer leu a informação que te dei da competição estadual? Durante três anos tenho te visto obsecado com ganhar. Não quer ganhar isto, também? Não digo nada enquanto meu rosto fica vermelho. Rowe acaba de me chamar à atenção e tem razão. Não li os folhetos. Nem se quer havia considerado até que na outra noite me disse que era finalista. — Tenho a sensação de que desfrutaste escrevendo isto. É bastante bom para que não desfrutasse. Tem razão outra vez. Eu desfrutei. Encontrando essas palavras, estando na cabeça de George… Olho as páginas impressas… Parecia libertador. Igual quando estou em posição no pitcher antes do jogo e a pressão comece. Esse momento em que só estou eu,a bola e uma luva para jogar.

E se perguntou o que acontecia com o mundo ao seu redor. Também caíram no caos? Havia tudo deixado de existir,

139

139


Traduzido por Uly Santos

como sua vida, em um colapso até o nada? Ou o resto do mundo continuava igual porque, a final, sua posição no mundo não importava? As palavras que escrevi me olham com acusação. Uma dor lancinante puxa minhas entranhas. Tenho orgulho dessas palavras e negando ir a competição é como negar parte de mim. Na frente do meu computador, não havia segredos, não havia complicações, apenas um mundo que eu podia controlar. — A fim de ser considerado para o prêmio, — a Sra. Rowe continua, você precisa completar uma história curta e transformá-lo em uma semana antes do evento. Sua presença ainda é necessária naquele dia, já que é quando você vai ter críticas ao seu trabalho e se reunir com membros do corpo docente de universidades em todo o estado. É um dia. Apenas um sábado. Escuto a voz do meu pai na minha cabeça. —Tenho partidas nos sábados. — Olho até Chris, que está me olhando com receio. Quanto desta conversa pode escutar? — Minha equipe depende de mim. Acaricia as páginas que descansam na minha frente. —Vamos começar pouco a pouco, de acordo? Mude este inicio de quatro páginas para um conto de verdade. Posso te tirar de cada levantamento de pesos ou pode me prometer que o escreverá em seu tempo livre em casa. A escolha é sua. E é um acéfalo. — O farei em meu tempo livre. — Bom — seus olhos se iluminam—, mas, contudo você ficará pela próxima hora. Quero que comece já.

140

140


Traduzido por Uly Santos

Beth Allison tem uma Mercedes. Interior de couro. Jet-preto do lado de fora. Isaías iria ficar todo quente e incomodado pelo o lixo sob o capô. Ela dirige rápido nas estradas backcountry e um par de vezes meu estômago cai como se estivéssemos em uma montanha russa.. — Você cheira a cigarro. — Allison veste um traje vermelho e saltões de agulha negros. Seu cabelo loiro está preso em um coque, apertado dolorosamente. Talvez por isso esteja tensa. Enquanto esperava por Allison se arrastar pra longe do Comitê de Planejamento das Senhoras, eu fumava um dos cigarros que eu peguei de um menino drogado antes do incidente em Cálculo. Eu esperava que fosse me ajudar a superar a briga que tive com Ryan. Eu não sei por que, mas a gritar com ele me fez sentir um lixo. Mais ou menos como eu fico depois que eu brigar com Isaías — Deve estar em sua cabeça. — Você cheira a cigarro quando você chegar em casa da escola. Scott pode optar por ignorá-lo, mas ele não está ignorando a sua pequena proeza em sala de aula. — Allison se detém na calçada enorme rodeado por bosques e percebe quando eu olhar para ela. — Exatamente. Sua professora ligou. Merda. Não tenho nem ideia de como sair disto. Scott e Allison vivem em uma casa branca de dois andares com uma varanda envolvente. Assemelha-se a algo que você veria em um filme de guerra civil cheia de ricos proprietários de plantações. Parte da casa está rodeada por bosques. A outra parte enfrenta um pasto aberto com um celeiro. Allison estaciona o carro fora da garagem para quatro carros e agarra

141

141


Traduzido por Uly Santos

meu pulso antes de eu ter a chance de fugir. — Tem alguma ideia do envergonhada que estava ao sair da reunião porque você ligou? Se trata de uma pequena cidade. Seus professores pertencem a nossa igreja. Quanto tempo acha que vai passar antes de que todo mundo saiba a ameaça que você é? Não permitirei que você arruíne nossa vida. — Tire as mãos de cima de mim . — Meus olhos alternam de seus dedos em meu pulso a seus olhos. Ninguém me toca. Deixa cair meu pulso como se estivesse tocando fogo. — Por que você não vai embora? Inclusive Scott sabe que você é miserável. Aposto que Scott sabe que ela também é miserável. Nunca o havia imaginado com alguém como ela. Cuidada. Polida. Sem coração. — Você ficou surpreso que ele não era difícil de cair na armadilha? — O que? — Quando você… — Faço aspas no ar—, “disse a ele” que estava grávida, te surpreendeu o quão rápido que ele te propôs? Scott sempre teve uma fraqueza por bebês. Se não por que iria casar com você? Ondas de sangue chegam até sua clavícula e suas mãos trêmulas vão até o pescoço. — Nem se quer sei o que está me perguntando. — Limpa a garganta, obviamente nervosa. — Scott não tem fraqueza com bebês. Ela se quer teve uma conversa com o homem com quem se casou? — Se não fosse por minha mãe, ele teria casado com a metade das garotas grávidas em nosso parque de trailers. — E ele nem se quer era o pai.

142

142


Traduzido por Uly Santos

Suas mãos baixam lentamente a seu colo e juro que deixa de respirar. — O que você disse? — Você me ouviu. Seus lábios se torcem em um sorriso forçado. —Vá. — Com muito prazer. — Abro a porta de seu carro, e a fecho com um golpe, e repito o processo com a porta da casa de Scott. Antes que inclusive possa chegar ao quarto de hospedes que Scott declarou meu, Allison chega atrás de mim e fecha a porta com tanta, se não mais, força que eu. Scott abre a porta de seu escritório, a sala em frente ao vestíbulo do meu dormitório. Veste sua nítida camisa com botões. Merda. Chegou cedo em casa de seu “trabalho de vendas” na fábrica de tacos em Louisville. Suas sobrancelhas se juntam. — O que diabos está acontecendo? Allison faz um sinal pra mim. — Livrar-se dela. Scott coloca suas mãos sobre seus quadris. —Allison... — Deixava garotas grávidas no parque de trailers? Em minha defesa, isso não é o que eu disse, mas nem se quer sei quando manter a boca fechada. O rosto de Scott se torna vermelho, logo roxo. —Não. Allison puxa o cabelo em sua cabeça e solta seu coque perfeito.

143

143


Traduzido por Uly Santos

— Esqueça o parque de trailers. Eu não acredito que você disse a ela. Você prometeu que nunca iria contar a ninguém. — Uma mão para em baixo no seu abdômen. Maldição. Eu tinha razão… mais ou menos. Ela havia lhe dito que estava grávida, mas não estava mentindo como eu havia suposto. Estava grávida e perdeu. Se eu soubesse, nunca teria dito essas coisas. A culpa me dá náuseas. —Espera. Eu não disse. —Scott se aproxima de Allison e sua mão se congela no ar quando ela dá um passo pra trás. Ele estende sua mão outra vez, e quando ela aceita o toque, envolve seus braços a seu redor, aproximando-a a ele. Scott baixa a cabeça até seu ouvido e posso dizer que está sussurrando. Os ombros de Allison tremem e me sinto como uma intrusa neste momento íntimo. Me deslizo pra dentro do quarto e trato de fechar a porta sem fazer ruído. O sol brilha desde as duas paredes de janelas. Me arrastando até o centro da cama, abraço meus joelhos e me enrosco em mim mesma. Odeio esta casa. Há janelas demais. Desde o solo até o teto. Todas abertas. Todas me fazem sentir... exposta.

144

144


Traduzido por Uly Santos

Ryan Na garagem, me detenho em frente ao escritório de papai e me preparo para a conversa iminente. Os papeis de inscrição para a competição de escrita estão enrolados fortemente em minha mão esquerda. Bato na porta duas vezes, suavemente e papai me diz que entre. Com exceção da cadeira onde se senta, ele fez tudo nesta sala: o mesa de cromo e armário correspondência , a base da impressora , a longa mesa de arte onde estão os planos de projetos para clientes atuais. Matou os dois alces pendurados na parede. A ventilação central começa e uns quantos papeis sobre a grade de ventilação se enrugam uns nos outros. Papai mantém um escritório bem organizado, limpo e controlado. Seus olhos vão do manual sobre sua mesa até mim. Ele tirou a gravata, mas ainda usa a camisa branca de trabalho. — O que posso fazer por você Ryan? Sento-me na cadeira em sua frente e busco as palavras. Antes de Mark ir embora, nunca havia tido problemas falando com papai, as palavras saiam com facilidade. Agora me dava trabalho. Olho os papeis em minha mão. Isto está mal. Desde que Mark se foi, escrever as palavras fez a vida ligeiramente tolerável. — Lembra-se a tarefa do ano passado de escrever uma pequena historia? Me da um olhar em branco e coça a nuca. — Você estava chateado porque era durante as eliminatórias da primavera — Eu lembro. A lâmpada contínua quando ele balança a cabeça e volta ao manual.

145

145


Traduzido por Uly Santos

— Não escreveu sobre um lançador voltando dos mortos ou algo assim? — Na verdade, ele era um lançador que vendeu sua alma ao diabo em troca de uma temporada perfeita, mas eu não estou aqui para discutir. — Sua professora de Inglês fez-lhe passar por um mal bocado? Sangue demais? Eu tenho a boca seca e engulo. —Não. Eu… eh… terminei como finalista em uma competição de escrita. Isso chamou sua atenção. — Você entrou em uma? — Não, a Sra. Rowe inscreveu a classe inteira na competição estadual. Era uma convocação aberta para todos os estudantes desta primavera que não se graduou. Leram tudo este verão e terminei entre os finalistas. Pisca e um sorriso aparece lentamente e termina se formando em sua boca. — Parabéns. Já falou pra sua mãe? Ela adora quando você vai bem na escola. — Não senhor, ainda não. Queria te dizer primeiro. — Eu teria dito quando estivessem juntos, mas desde que Mark partiu não suportam estar na mesma sala. — Deveria dizer. — O sorriso desaparece e olha até o outro lado. — A fará feliz. — Eu direi. — Sugo ar, posso fazer isto. — Há outra rodada da competição em um par de semanas em Lexington, tenho que estar lá para ganhar. — A Sra. Rowe disponibilizará o transporte ou a escola permitirá que você dirija? — É um sábado assim que posso ir por minha conta. — Um sábado — repete. — Estava irritada a Sra. Rowe quando lhe disse que não poderia ir? Se for assim, falarei com ela. Não há razão para que deva ter isto contra você. Talvez outro de seus estudantes possam

146

146


Traduzido por Uly Santos

tomar seu lugar. Relaxa em sua cadeira e entrelaça as mãos sobre seu estômago. — Vi Scott Risk em seu jogo ontem. Não ficou muito devido a obrigações familiares, mas viu seu lançamento e estava impressionado. Mencionou um acampamento que os Yankees poderiam fazer este outono. Sei o que vai dizer “os Yankees não”, mas uma vez que você tenha provado a si mesmo, pode mudar de equipe. Minha mente da voltas. Scott Risk me viu jogar, o quão incrível e estranho isso é. Incrível porque Scott conhece gente, mais especificamente, recrutadores. Estranho porque apostaria que Beth me crucificaria ante seu tio. Não é importante. Oh, Sim é, mas não agora. Vim aqui para discutir o concurso de escrita. Uma competição que papai nunca considerou. — Acho que devo competir. Posso jogar quinta feira e deixar que um dos outros dois pitchers da equipe jogue por mim no sábado. Papai enruga a testa. — Por que faria isso? As equipes que valem a pena estão programadas para jogar no sábado. Dou de ombros. — A Sra. Rowe disse que um monte de recrutadores de universidades estarão na competição e que muitos finalistas ganham bolsas de estudo. Imagino que posso conseguir alguma bolsa atlética e combina-la com qualquer que possa ganhar neste evento, assim não terá que pagar muito. Papai levanta a mão. — Espere, espere. Recrutadores de universidade e bolsas de estudo? Desde quando isso te importa? Até minha conversa com a Sra. Rowe, nunca. — Você e Mark visitaram universidades. Não temos discutido, assim que pensei que seria uma boa oportunidade para… O rosto de papai fica vermelho e esculpe as seguintes palavras. — Ele era diferente. Não pode entrar na NFL acabando de sair do high school. Tinha que ir primeiro a universidade. Você pode entrar direto nas ligas menores quando sair do colégio. Diabos, Ryan. Até pode ir direto aos maiores.

147

147


Traduzido por Uly Santos

— Mas Mark disse… — Não diga esse nome outra vez em minha presença. Você não vai a competição. Fim de historia. Não, não é o fim da historia. — Papai… Recolhe um papel sobre a mesa e me lança. — Um pagamento de duzentos dólares mensais de um carro, assim que você pode ir as práticas e os jogos. O papel aterrissa em meu colo e minha garganta fica tensa. — O seguro do carro, os honorários, os uniformes, os custos de viagens, os honorários da liga… — Papai… — Quero que se detenha, mas não o fará. — Combustível para o Jeep, lições privadas… Tenho te apoiado por dezessete anos! A ira em meu interior estoura. — Te disse que conseguiria um trabalho! — Este é seu trabalho! — Golpeia a mesa com seu punho, justamente como faz um juiz na corte para terminar toda a discussão. Um monte de papeis que estava na borda cai no chão. Silencio. Nós olhamos um pro outro sem piscar. Sem nos movermos. A tensão enche o ar. Seus olhos varrem a mesa e inala profundamente. — Você quer jogar fora quatro anos de sua vida indo a escola quando poderia estar no campo jogando beisebol por dinheiro? Dê uma olhada em Scott Risk. Veio do nada e viu em o que se tornou? Você não está começando assim. Tem oportunidades que ele nunca teve. Pensa no que pode fazer com sua vida. Meu punho fica tenso ao redor dos papeis de inscrição e estes enrugam. É justo? É justo comigo, ainda que seja somente um jogo, me afastar de algo pelo que meus pais se sacrificaram e trabalharam tanto? Alem do mais, é beisebol. O beisebol é minha vida… minha

148

148


Traduzido por Uly Santos

própria escolha. Por que se quer discutimos? — Ryan… — a voz de papai se rompe e ele esfrega o rosto com as mãos. — Ryan… sinto muito. Por gritar. — Faz uma pausa. — As coisas no trabalho… com sua mãe… Meu pai e eu… nunca discutimos. É estranho, suponho. Sei de muitos garotos que discutem com seus pais. Eu não. Papai nunca me colocou toque de recolher. Acredite que sou bastante responsável para decidir em que quero me meter e diz que, se vou aos extremos, sou o suficientemente inteligente para sair deles. Me deu valor em cada passo do beisebol, muito mais do que fariam muitos pais alguma vez. Papai cuida de mim y isto… isto é ele cuidando outra vez. Eu aceno com a cabeça varias vezes antes de falar, concordando em algo, mas não sei o que. Qualquer coisa para fazer com que esta confusão se detenha. — Sim, de acordo. Isso foi sobre mim. — Enrugo os papeis na mão. — Você tem razão. Isto… — Levanto a bola enrugada. — Não é nada. Estúpido até. Força um sorriso. — Está tudo bem. Vá e diga a sua mãe. Ficará encantada. Me levanto para ir e tento ignorar o vazio em meu peito. — Ryan — diz papai. Me viro para olhá-lo da porta. — Faça-me um favor… não diga a sua mãe sobre essa última rodada da competição. Ela tem estado irritada ultimamente. — Certo. Qual seria o ponto em lhe dizer? Mamãe tem um modo de saber quando minto e não estou disposto a descobrir que as palavras que acabo de dizer a meu pai são uma mentira.

149

149


Traduzido por Uly Santos

Beth O relógio marca nove e quarenta e cinco, e Isaiah sai do trabalho as dez. Meu dedo, que está sobre o botão de discagem rápida, se entorpece. O sol se pôs faz pouco tempo, deixando o quarto escuro. Não me movi do meu lugar na cama.Scott não veio. Tampouco Allison. Não veio para me dar sermão sobre a escola ou para me repreender por gritar com Allison ou para me chamar para jantar. Eu o esgotei duas vezes. Scott vai enviar a mamãe pra prisão. Provavelmente já chamou a policia. A parte irônica desta grande pegadinha? Eu tentei. Eu tentei e falhei. Quem haveria dito. As dez, ligarei para Isaiah e lhe direi que venha me buscar. Iremos a praia. Fugiremos. Bastante ruim é que não posso convencer a mamãe a ir conosco. Isaiah e eu poderíamos localiza-la antes que o façam os policiais. Levanto minha cabeça e uma onda de esperança inunda meu corpo, me fazendo marear. Poderia convencer mamãe para que venha. Poderíamos ir… juntos. Alguém toca a porta. Deslizo o telefone debaixo dos lençóis. — Sim. Scott entra no quarto e acende a luz. Veste uma camiseta negra e uns jeans. Pela primeira vez, vejo um indicio do garoto que cuidava de mim quando eu era mais jovem e, estupidamente, meu coração responde. Saio da cama. Tenho que lhe dizer que sinto muito. —Scott… Centrando-se no tapete, me interrompeu: — Eu não estou com humor para ouvir você, cachorra. Se alguma vez você falar com Allison assim de novo, eu vou fazer com que você se arrepender. Ela é a minha esposa e eu a amo. Aceno com a cabeça, mas Scott não me olha para ver. Puxa sua carteira e solta bruscamente um cartão sobre a cômoda. O

150

150


Traduzido por Uly Santos

nome e o número pertencem ao agente de liberdade condicional da mamãe. — Falei com ele esta tarde. Cara legal. Sabia que sua mãe cumprirá uma sentença de dez anos, se arruinar a liberdade condicional?Dez anos. Isso sem contar os encargos que lhe acusarão, quando lhes disser o que sei. Sua escolha, Elisabeth. De qualquer maneira, vai viver aqui até que cumpra os dezoito. Suas ações decidem se sua mãe vai pra prisão. O alivio se estende através de meu corpo e me debilita. Ele não enviou a minha mãe pra prisão. Não ainda. Ainda posso fazer com que isto funcione. As possibilidades tem a minha mente acelerada. Terei que encontrar uma forma em Louisville, para convencer a mamãe a ir comigo, e logo subir a bordo com Isaiah… — Última oportunidade. — Scott interrompe meus pensamentos. — Quero perfeição desta vez. Golpeia sua mão contra a cômoda e o último cigarro que fumei, roda do carpete até o piso. Merda. Scott se agacha e olha fixamente o cigarro, antes de recolhe-lo. Age como se fosse um conjunto, ao invés de tabaco. Merda. Poderia também ser uma agulha cheia de heroína. — Posso explicar. — Na verdade, não posso. Mas escutei Noah usar essa frase com Echo uma vez, e lhe deu tempo. Enquanto se colocava de pé, sua mão treme. As mãos de papai costumavam tremer. — Isto é uma mentira. Você trouxe a minha casa. — Duvida, e posso vê-lo tentando controlar a ira. Me assusta que não vá voltar a me olhar — Te dou um lar, e você nem se quer tem a decência de tratar de seguir minhas regras. A ira silenciosa me afunda. Os bêbados, os idiotas, aqueles que se irritam facilmente, a eles posso manipula-los. Sei quando sair de seu caminho. Os que reprimem a ira, os homens que pensam no que fazem e como fazem, são os que me assustam. São os que causam dano. Uma pequena voz, uma voz que soa um pouco como a mim quando era um bebê, docemente sussurra que Scott nunca me machucaria. Que era nosso guardião. Antes. Não conheço a este homem.

151

151


Traduzido por Uly Santos

— Eu tentei —sussurro. — Mentira! — grita Scott tão forte, que faz o cristal do abajur tilintar. Me encolho e retrocedo. — Você tem feito tudo o que pode para fazer a Allison e a mim, miseráveis. Engulo. O namorado de mamãe, Trent, começou desta forma. Entrou no apartamento todo calmo e tranquilo, com a ira fervendo no fundo. Então, gritou. Depois, deu o golpe. Papai tinha esta ira, também. Assim como avô a tinha. Meu coração golpeia selvagenmente em meu peito, enquanto Scott esmaga o cigarro em sua mão. Pela primeira vez, me olha diretamente. — Jesus, você está tremendo. Se aproxima de mim e dou um passo em retirada. Minhas costas golpeiam a janela e minhas mãos saem voando em busca de algo, para me proteger. — Sai daqui! A ira se foi,avisa a pequena menina em minha cabeça, mas a ignoro. Ela morreu junto com meu amor pelos laços, vestidos e a vida. Não é mais do que um fantasma. — Sinto muito — diz lentamente e põe espaço entre nós. — Não me deu conta de que te assustei. Estava furioso. Allison estava machucada. Odeio vê-la chorar e seu professor ligou… mas estou calmo. Eu juro. Eu tentei. De verdade, o fiz. Eu tentei e aqui é onde vim parar. Trancada em um quarto cheio de janelas com um homem que se parece meu pai. Papai também costumava dizer que estava calmo, mas nunca estava. — Vá embora! — Elisabeth… — Fora! — Minhas mãos se agitam no ar na minha frente, fazendo sinais para que se vá. — Fora daquí!

152

152


Traduzido por Uly Santos

Os olhos de Scott se abrem como pratos de maneira anormalmente grande. — Não vou te machucar. — Isto é sua culpa! — grito e quero parar, mas se me detenho, chorarei. Uma estranha umidade queima meus olhos. Meu lábio está tão pesado que treme. Não posso chorar. Não vou chorar. Acolhendo a ira, abro minha boca de novo. Maldito, seja ele se me fizer chorar. — Você que me arrastou até aqui. Não é o suficiente me afastar de casa? Tem que me humilhar na escola? — Te humilhar? Elisabeth, do que está falando? — Não sou Elisabeth! Olhe pra mim! — Agarro a roupa em meu corpo com uma mão e tiro meu caderno de cálculo fora da mesinha de cabeceira com um outro, e o lanço direto em sua cabeça. Ele se agacha e o livro faz um forte ruído surdo quando bate na parede. — Você quer eu seja alguém mais. Não quer que eu seja eu. Você é justo como papai! Quer que me vá! Meu peito esta agitado e luto por ar. O silencio que cai entre nós é pesado estou me afogando debaixo de seu peso. — Isso não é verdade. — Scott se detém, como se estivesse esperando uma resposta. Recolhe o livro de texto e o põe sobre a cômoda. Justo ao lado do cartão do agente de liberdade condicional de mamãe. — Durma um pouco. Falaremos de manhã. Não, não o faremos. Ele vai para o trabalho antes que eu desperte para a escola. Scott amavelmente fecha a porta. Corro através do quarto, fechando-a com chave, apago as luzes, e então puxo os lençóis da cama, buscando meu telefone. Meus dedos tremem enquanto pressiono os números. Meu pulso golpeia em meus ouvidos a tempo com o nome da pessoa que necessito: Isaiah. Uma batida. Isaiah. O telefone toca. Isaiah. — Olá. — Ante o som de sua despreocupada voz, me inclino contra a porta do armário. — Tinha me preocupado. São dez e cinco. Você chegou tarde para nosso minuto de conversa.

153

153


Traduzido por Uly Santos

Esperando que meu lábio deixe de tremer, fecho os olhos e obrigo as lágrimas a irem embora. É em vão. Se falo, chorarei e eu não choro. — Beth? —Preocupação aparece em seu tom. — Estou aqui — sussurro de volta e essas únicas palavras são quase minha perdição. Isaiah e eu… não temos conversas telefônicas. Nunca as tivemos. Víamos televisão. Tínhamos festas. Nos sentávamos um ao lado do outro, vivíamos. Como estar só em um telefone? E isso é o que necessito. Necessito de Isaiah só para viver. — Beth… — duvida. — Está esse garoto Ryan se metendo com você outra vez? Engulo um possível caroço. Não chorarei. Não o farei. — Um pouco. — E Allison, e meu tio, e a escola, e tudo; e sinto que as paredes estão se desmoronando, uma avalanche se preparando para me sepultar. Isaiah está em silencio. Eu mordo o lábio quando uma lágrima cai por meu rosto. — Quer que eu te deixe ir? — Maldição. Só maldições, eu não choro. — Porque sei que não conversa. Quero dizer nós. Nós. Nós não conversamos. — praguejo em voz baixa. Minha voz treme. Saberá que estou machucada. Ele saberá. Silencio outra vez. O ar rugindo na linha. Quando me deixar ir, desmoronarei. Não terei nada ao qual me agarrar. Nada para me sustentar. Serei exatamente o que todo mundo quer que eu seja… nada. — Estou bem com o silencio, Beth. Ainda estou aqui nesta casa, no quarto com janelas demais. Ainda estou exposta, em carne viva e vivendo no inferno. Mas tenho a Isaiah, e está me sustentando. Me deslizo pela parede até que possa estar em posição fetal no chão. — Preciso de você.

154

154


Traduzido por Uly Santos

— Estou aqui. — E nos permanecemos em silencio.

Ryan Sentado em minha cama, leio a mensagem de texto. Primeiro a briga com papai, e logo, às dez da noite, Gwen me envia isso: Beth Risk??? Espera no outro extremo por minha resposta. Pelo menos quando jogo beisebol, posso agarrar as bolas lançadas até mim. Papai e Gwen? Estavam me irritando como o inferno. Não deveria responder. Deveria pretender que nunca tivesse lido a mensagem. Ela ama o drama. Eu amo o beisebol. Ela odiava meus jogos e eu odiava os dela. Paramos de nos beijar, nos tocar e sair, mas de alguma maneira, como aquela noite no centro comunitário, nunca paramos com os jogos. Eu: O que acontece com ela? A espera por sua resposta se estende até a eternidade. Olho pra longe do telefone como se isso fosse fazer que responda mais rápido. Este verão, depois que Mark se foi, minha mãe pintou de azul meu quarto. Ela adora decorar tanto quanto papai adora construir. Costumavam trabalhas juntos em projetos, mas isso foi antes que nosso mundo viesse abaixo. Gwen: Me diz você. Odeio as mensagens de texto. Nunca se sabe o que a pessoa está realmente tratando de dizer. Assumo o risco. Um que me fará um idiota e a ela um macaco que se enforca se fizer caso omisso de meu pedido. Eu: Me ligue.

155

155


Traduzido por Uly Santos

Meu coração se recolhe em um par de batidas. Ligará ou me deixará esperando? Desde nossa separação, quando jogamos o jogo dos textos, eu a ligo. Meu celular toca e sorrio. No terceiro toque, respondo. —Gwen. — Stone —diz sem muita emoção. — O que há? — É uma dança torpe. Uma que desprezo. Costumávamos passar horas ao telefone falando, e agora sobre analisarmos cada palavra e o fazemos pausado. — Sabia quem era ela o tempo todo. Há um indicio de acusação em sua voz. Trabalho em permanecer indiferente. — E se o fizesse?

156

— Poderia haver me dito. Permaneço olhando os cartazes de minhas equipes favoritos. Por que lhe haveria dito que Beth é sobrinha de Scott Risk? Elas compartilham classes juntas. Foram a mesma escola primaria. Ela poderia ter falado com Beth por si mesma. — Por que a nomeou? — pergunta. A ouço um barulho. O som que indica que Gwen está caindo sobre as almofadas. Tem cinco delas na cama e se encosta na última. Posso imaginar seus cabelos de ouro ventilando pra fora. — Você Sabe quanto significa para mim ser a Rainha das Boas vindas — diz. Eu sei. Costumava escutar enquanto tagarelava sobre seu sonho de

156


Traduzido por Uly Santos

ganhar essa brilhante tiara. Na verdade, eu fingia interesse, logo pretendia escutar. — Você apoiou sua candidatura. — Porque haveria parecido uma má perdedora se não o tivesse feito, e agora tenho que lutar pelos votos. Isto haveria sido muito mais fácil se tivesse me dito antes que era sobrinha de Scott Risk. Realmente, Ryan, pensei que éramos amigos. — O que te importa? Ninguém a conhece e ela não quer amigos. Suspiro de frustração me deixa os músculos em tensão. — É uma celebridade imediata e por alguma louca razão certa gente pensa que é incrível. Você a nomeou e todos na escola sabem que a convidou pra sair, pelo que lhe dão credibilidade. Se tivesse me dito quem era desde o principio, poderia ter feito um pouco de controle de danos. Ser amiga dela ou algo assim. Por sua culpa, tem a oportunidade de ganhar. Nos separamos e eu não deveria ter que lidar com isto. Eu vou com a resposta velha: — Sinto muito por haver arruinado sua vida, Gwen. Na próxima vez que fizer algo vou me assegurar de obter sua permissão. —Ela não é seu tipo — espeta. Pisco. — Que? — Beth é um pouco, não sei, monstruosa. Quero dizer, é algo bonita se você gosta da estranha beleza “minha-vida-é-um-quarto-escuro”. Suponho que estou te dizendo que não será capaz de dar a atenção que necesita. Já sabe, por causa do beisebol. Suponho que só estou dizendo... ela não. Ela nãp. A ira estrangula minhas entranhas. E estamos de volta na conversa do beisebol arruinando nossa relação. —Nos separamos e agora você está com Mike. Posso ouvir o sorriso de Gwen. — Mas você prometeu que seríamos amigos. Estou sendo uma boa

157

157


Traduzido por Uly Santos

amiga. Amigos. Odeio essa palavra. — Tem razão. Beth é linda. — Tem um anel no nariz. — Gwen perde o sorriso em sua voz. — Acho que é sexy. — Eu acho. — Eu escutei que fuma cigarrillos. — Está tentando de deixar de fumar. — Sim, o inventei. — Eu escutei que tem uma tatuagem na parte baia das costas. Interessante. — Não cheguei tão longe, mas te deixarei saber se o fizer, desde que somos amigos e tudo isso. Uma imagem joga em minha mente. Eu levantando a parte posterior da camisa de Beth para revelar sua pele, minha caricia a fazendo sorrir. Aposto que sua pele é suave, como pétalas. Meus dedos brincam com o desejo de tocar Beth e meu sangue aquece com o pensamento dela sussurrando meu nome. Droga. A garota realmente me excita. Eu corro a mão sobre a minha cabeça, tentando livrar a minha mente do pensamento. Mas que diabos? — Ryan. Não estou brincando. Não é o seu tipo. — Então me diga quem é. — O digo com mais ira do que o previsto, mas estou cansado do jogo. — Ela não, de acordo? — suplica Gwen. A imagem de tocar Beth me confunde. Três golpes rápidos na porta, e mamãe entra. — Eu tenho que ir.

158

158


Traduzido por Uly Santos

— Boa noite — diz Gwen com decepção. Mamãe veste uma jaqueta azul e saia combinando. Foi a um jantar só para mulheres com a esposa do prefeito esta noite. — Estou interrompendo? —Não. — Ponho meu telefone na mesa, ao lado da cama. — Você parecia um pouco irritado. — Mamãe caminha até minha cômoda, avalia seu reflexo no espelho, depois reajusta seu colar de perolas. — Podia te ouvir do corredor. Nego com a cabeça. —Só era Gwen. Suas mãos se congelam em seu colar e um sorriso curva seus lábios.

159

— Estão juntos outra vez? —Não. — Mamãe amava Gwen e creio que o rompimento foi mais difícil para ela. Continua se arrumando. — Deveria considerar. Eu escutei que você e Gwen foram nominados para a corte de boas vindas. — As noticias viajam a velocidade de um raio em nossa cidade. —Sim. — Sabe? Seu pai e eu fomos nominados para a corte, também. No outono e no inverno. —Sim. — Ela mencionou. Um milhão de vezes. E ganharam em ambas as ocasiões. Continua narrando os fatos que não refrescam minha memória, quadros pendurados na sala, deles dançando com coroas, é um bom lembrete.

159


Traduzido por Uly Santos

— Também escutei que a sobrinha de Scott Risk foi nominada. — Aham. — Se mamãe sabe de tudo, então, por que me incomoda? — O que você pensa dela? Sua tia, Allison Risk, pediu para ser nominada para o assento vazio no evento do comitê da igreja. E ai está minha resposta. A respeitabilidade. Se Beth é uma pária, então os guardiões de Beth seriam considerados como maus pais. Mamãe quer o prestigio de nominar a esposa de Scott Risk, mas não quer o escândalo de nominar a tutora da “garota má”. As famílias de mamãe e papai tem sido membros desta comunidade desde que os primeiros cimentos da casa e da igreja se colocaram, centenas de anos atrás. Os Stone são um legado. — É interessante. Mamãe se vira. —Interessante. O que significa isso? Dou de ombros. Isso significa que Beth está em meu caminho de ganhar uma aposta. Significa que tira minha paciência. Significa que quero ver sua tatuagem. —Interessante Mamãe esfrega a testa em sinal de frustração. — Está bem. É interessante. Se você descobrir uma palavra a mais, já sabe onde me encontrar. Sim, eu sei. Se é em público, ela estará justo ao lado de papai. Em privado, tudo ao contrario. Mamãe se detém no enquadramento da porta. — E Ryan, falei com a Sra. Rowe esta noite. Eu mergulho minha cabeça e fecho os olhos brevemente.. Não é bom.

160

160


Traduzido por Uly Santos

Não é bom em absoluto. — Uh-huh. — Está curiosa sobre quando você vai entregar sua documentação para a final da competição de redação em Lexington. Maldição. Levanto a cabeça, mas meus ombros permanecem baixos quando olho a minha mãe. — Eu não vou fazer. Interfere no beisebol. Mamãe fica rígida. — Foi decisão do seu pai ou sua? — Minha. — A palavra sai rápido. A última coisa que quero é que entrem em outra briga de doze assaltos, sobre mim. — Estou certa de que foi. — Mamãe faz um gesto desdenhoso. Algo dentro de mim se quebra. — Logan viu Mark em Lexington faz umas semanas. Ele perguntou por nós. Mamãe se vira, estranhamente quieta. — Logan sabe, mamãe. O mesmo acontece com Chris. Fúria pisca em seu rosto. — Se seu pai se inteira de que você disse a alguém... Se alguém se inteira na cidade... —Não vão dizer nada. Fecha os olhos por um segundo toma ar. —Por favor, lembre-se que o que acontece nesta casa, fica nesta casa. Chris e Logan são seus amigos. Não são família. Uma ira latente se instala na parte inferior do meu estômago. Como ela

161

161


Traduzido por Uly Santos

pode se fechar para as suas emoções para seu filho mais velho? — Você não sente falta dele? —Sim. — Sua resposta imediata me pega com a guarda baixa. — Mas há muito em jogo. — O que significa isso? —pergunto. Mamãe escaneia meu quarto. Seus olhos se detém em meus cartazes. — Acho que vou decorar de novo seu quarto. O azul não é sua cor.

162

162


Traduzido por Uly Santos

Beth Boom. Boom. Boom. Meus olhos piscam abertos e meu coração bombeia em meus ouvidos. Os policiais. Não, o namorado. Algumas vezes ele bate na parte da manhã para me confundir a abrir a porta. Eu pisco quando eu vejo a sombra de cortinas contra uma janela. Cortinas. Eu não estou em casa. Aspiro e o oxigênio fresco mistura com a adrenalina em minha corrente sanguínea. Velhos hábitos custam a morrer. — Elisabeth. — diz Scott atrás da porta. — Acorde . Merda . Seis da manhã. Porque ele não pode me deixar em paz? O ônibus não chegam até as sete e meia. Meia hora é tempo suficiente para se preparar para a escola. Eu rolo para fora da cama e caminho descalça até a porta. A luz brilhante do corredor machuca meus olhos então eu olho para o lado , fazendo com que apenas seja capaz de entender que Scott está colocando um saco na minha mão. — Aqui está. São as suas coisas. Eu limpo o sono dos meus olhos. Scott usa a mesma camisa e jeans da noite anterior. — Que coisas? Me lança seu olhar de " questão séria " e meus lábios dão um puxão para cima . É o mesmo olhar que ele me deu quando eu era pequena, especialmente quando não comia meus vegetais ou quando eu implorava para que ele lesse pra mim. A resposta sorridente de Scott está hesitante . — Eu fui a sua tia e eu tenho as suas roupas. Esse cara Noah estava lá ontem à noite e ele disse o que era seu. Desculpe se eu perdi alguma coisa . Talvez se você me dizer que está faltando algo específico para buscar por lá depois do trabalho. Olho a bolsa. Minhas coisas. Ele trouxe as minhas coisas e conversou

163

163


Traduzido por Uly Santos

com ... — Como está Noah? A alegria em sua voz vacilante desaparece. — Não tivemos uma conversa muito íntima. Elisabeth, isso não muda nenhuma das minhas regras. Quero que você fique aqui em Groveton e deixe ir sua velha vida. Confie em mim desta vez, de acordo, querida? De acordo, querida. É como sempre me chamava e encontro a mim mesma assentindo sem notar. Um hábito de infância, momento em que acreditava que Scott sustentava a lua e manejava o sol. Um mal hábito para una adolescente. Deixo de assentir. — Posso usar minhas roupas? — A pele deve estar coberta, e nada de rasgos em lugares indecentes. Desobedeça-me nisto e queimarei cada costura desse bolso. — Scott inclina sua cabeça até a cozinha. — O café da manhã estará pronto em trinta minutos. Embalo a bolsa em meus braços como um recém-nascido. Minhas coisas. Minhas. — Obrigada. — A gratidão é seca e incomoda, mas me deem crédito, ao menos eu disse.

*** Deslizo o desgastado e baixos jeans azul por minha cintura e um suspiro de alegria escapa de meus lábios. Como senti sua falta, velho amigo. Jeans que se ajustam um pouco mais do que o normal. Pequenos rasgos nas pernas. O outro par, o que realmente amava, que tem rasgos em baixo do meu traseiro, está debaixo do meu travesseiro, Scott o afogaria em gasolina. Com cuidado os dobro cuidadosamente e guardo em meu closet. Pela primeira vez em duas semanas, me sinto como eu. Camiseta negra

164

164


Traduzido por Uly Santos

de algodão que chega até minha cintura. Brincos de prata em meus ouvidos. Troco o piercing em meu nariz por um com diamante falso. Enquanto me olho no espelho, me deleito com a leveza porque sei que no momento em que eu botar um pé na cozinha, voltarei a ficar pesada de novo. As seis e trinta em ponto entro na cozinha. O vermelho deixa respingos através da madrugada pelo céu. Scott cozinha presunto na cozinha e o cheiro me provoca água na boca. Allison está perfeitamente ausente. Tomo meu lugar na mesa que tem um copo de suco de laranja e um prato. Assumo que o outro prato e copo são para ele. Entre os pratos há uma pilha de torradas com manteiga e hamburguês. — É peru, o tofu, ou seja lá o que você tenta ingerir em vez de comida? Tudo em sua casa é saudável. Pego a torrada e sinto o cheiro. Mmm. Pão branco e cheira como a manteiga. Estiro minha língua lambo para saber se é de verdade. Scott ri. Envergonhada, rodo minha língua pra dentro da boca e fecho meus olhos em êxtase. Mmm. É manteiga de verdade. — Não, não é peru. É real. Estou cansado de não te ver comer. — Coloca um prato de ovos e presunto entre nossos pratos e se senta. — Se provasse a comida de Allison veria que não é tão ruim. Mordisco a torrada e falo enquanto mastigo. — Esse é o ponto. A comida não deveria ser ruim. Deveria ser completamente boa. Scott me avalia atentamente antes de se servir ovos mexidos. — Gostei do diamante. Quando furou o nariz? — Quando fiz quatorze. —Me serve presunto e salsichas enquanto observava os ovos.

165

165


Traduzido por Uly Santos

Scott fazia uns ovos incríveis quando eu era menina. Uma pena que eu lhe disse que os odiava. — Sua mãe queria um. Falou de conduzir até Louisville para colocar um varias vezes. — Mamãe gostava de falar com Scott enquanto ele me criava. Se mudou para trailer do vovô quando papai a engravidou e sua mãe a expulsou de sua casa. Scott tinha doze anos quando nasci. Minha coração se afunda. Mamãe nunca me contou que queria um piercing no nariz. Nem se quer notou quando perfurei o meu. Por que me incomoda, não sei. Mamãe não me disse um monte de coisas. Golpeio meu garfo contra a mesa. Ao diabo. Comerei ovos. Quem sabe quando terei uma comida decente. Scott me mostra um sorriso presunçoso quando coloco ovos em meu prato. — Essa é uma coisa do beisebol? — pergunto. — O que? — Ryan tem o mesma sorriso de “eu sei tudo” quando acha que está na minha frente. Scott bebe seu suco de laranja. — Você e Ryan tem estado juntos na escola? Dou de ombros. Juntos. Irritando um ao outro. A mesma coisa. — Algo assim. — É um bom garoto, Elisabeth. Te faria bem fazer mais amigos como ele. Noah é um bom garoto. Isaiah é o melhor, mas Scott não quer escutar isso. — Respondo como Beth. Como se eu não tivesse dito nada, faz outra pergunta. — Como vai na escola? — Vou reprovar. Deixa de comer e eu levo mais comida a minha boca. Começo a odiar estes silêncios.

166

166


Traduzido por Uly Santos

— Você ao menos está tentando? — pergunta. Medito minha resposta enquanto saboreio outro pedaço de presunto. Com minha última mordida decido dizer a verdade. —Sim. mas não espero que acredite em mim. Lançando seu guardanapo em seu prato vazio me olha com seus sinceros olhos azuis. Ambos temos os olhos da vovó. Papai também o tinha, com exceção que os dele nunca pareciam amáveis. — Não sou inteligente. Posso lançar uma bola, pega-la e rebatê-la. Me fez um homem rico, mas é melhor ser inteligente. — Que ruim pra mim não poder fazer nada disso. Nem se quer ser inteligente. — Allison é inteligente — diz e levanta sua mão quando rodo meus olhos. — É realmente inteligente. Tem um mestrado em inglês. Deixe-a te ajudar. — Ela me odeia. Scott nos deixa cair em outro de seus longos silêncios. — Deixe eu me ocupar com isso. Você foque na escola. — Que seja. — Observo o relógio de ponteiro: seis e quarenta e cinco. Nos conseguimos ter uma conversa sem gritar durante quinze minutos. — Você não deveria estar indo ao trabalho? — Hoje trabalharei em casa. Faremos isto todas as manhãs. Quero você levantada as seis e na mesa as seis e trinta. Se vai cozinhar, não vou discutir. — De acordo. Scott pega seus pratos e se dirige até a pia. — Sobre ontem à noite…

167

167


Traduzido por Uly Santos

E as coisas estavam indo tão bem… — Não falemos sobre isso. — Você estava tremendo. Me colo de pé, me sentindo um pouco nervosa. — Deveria ter minha mochila pronta. — Alguém tem te machucado? Fisicamente? Os pratos. Os pratos devem ir pra lava louças. — Realmente preciso de ajuda com cálculo. Quero deixa-lo. — Por que estou lhe dizendo isso? Scott tira os pratos das minhas mãos e não gosto que me deixe sem nada. Os coloca sobre a mesa e cruza seus braços sobre seu peito. — O que aconteceu depois que deixei a cidade? Meu pai morreu e foi enterrado. Meu irmão tomou seu lugar como o bastardo da vez? Estou tremendo de novo. Isso ou estamos tendo um terremoto. Minha cabeça se volta pra trás quando a realidade do que deixei passar a noite me golpeia na cabeça como um caminhão gigante. Sou uma idiota. Ele manipulou espertamente através de minhas paredes. — Vá pro diabo. Espero que Scott grite e me repreenda. Em vez disso, ri entre dentes. — Ainda é a mesma teimosa de quando tinha quatro anos. Vá e apronte suas coisas para a escola. Te levarei hoje. Eu o odeio. — Pegarei o ônibus. Scott me da às costas e enche a lava louças. — Vou cozinhar panquecas amanhã. — Não comerei. Ele ri de novo. — Sim, sim você vai. Alison cozinhará uma panela de tofu com queijo de cabra esta noite.

168

168


Traduzido por Uly Santos

Ryan Estaciono meu jeep no estacionamento de estudantes atrás do carro de Chris. Ele se apoia no para enquanto Lacy está uns bons três metros de distância dele perto do capô. Ela tem seus livros perto de seu peito e me esnoba ao dobrar seu corpo em direção a escola quando eu desligo o motor. Não é um bom sinal. Eu respiro fundo e me preparo. Lacy tem um inferno de um temperamento. Meus ouvidos zumbiam por dois dias após a última vez que discutimos. Chris me saúda quando abro a porta. — Ela está irritada com você, amigo. — Posso ver isso. Antes de que possa chegar a ela, Lacy se vira ao redor. — Um desafio? Você humilhou a Beth ontem no ginásio por um desafio? Estou tentando fazer amizade com ela, e você, Chris e Logan fazem dela um alvo de uma aposta. Maldito seja todos os infernos, Chris. — Você contou como uma menina com a mão pega na botija, não é? — Sinto muito — diz ele, arrependido. — Suas táticas são brutais. Os infantes da marinha poderiam usá-las. Lacy se enfia entre nós, sua mão agitando no ar. — Não ria disso. Não sabe nada de Beth. Não sabe como era a vida para ela. Não sabe que tipo de amiga era para mim. Você está arruinando tudo. Fixo o olhar nela, surpreso. As lágrimas nadam em seus olhos. Não está só irritada. Está furiosa. — Não é mais que um desafio, Lace. A convidei pra sair. Tem a opção de dizer sim ou não. Não estou fazendo dano a ninguém.

169

169


Traduzido por Uly Santos

—Sim, você está. — Olha pra longe. — Está me fazendo dano. — A garota que considero uma de minhas melhores amigas sai correndo até o interior da escola. —Tenho que ir atrás dela — diz Chris. — Eu sei. — Quero que ele vá. — Está irritado com isto. Mas não se preocupe, acho que está com TPM. Sim. Lacy é emocional às vezes, mas meu instinto me diz que ela poderia estar certa. — Ryan? Chris e eu nos viramos para ver Beth. Meu coração para. É ela. A Skater Girl do Taco Bell. Deixou pra trás a roupa de moda. Voltou a seu próprio estilo. Sua camisa negra que abraça sua pele, jeans com rasgos. Todas as curvas de cair de joelhos. Ela parece tão sexy como na primeira noite em que a conheci. — Podemos conversar um segundo? — Sua voz doce e sedutora ronrona sobre minha pele e estou absolutamente hipnotizado. A garota tem que ser um mago. — Mas é claro. — Espero que Chris se lembre que tem que ir atrás de sua própria garota, mas está ocupado demais admirando o traseiro de Beth para se dar conta de que Beth e eu queremos que se vá. Dou a ele um lembrete evidente. — Lacy precisa de você. — Sim — diz Chris como se estivesse despertando de um sonho. — Lacy. Até mais, amigo. Você também, Beth. Ela tamborila seus contra sua coxa como uma despedida. Chris vaga para o prédio, enquanto eu tento entender a mudança na atitude de Beth. Ontem, a garota havia sido a principal suspeita de meu assassinato. Esta manhã, e quente e acolhedora. Falando sobre mudanças de humor.

170

170


Traduzido por Uly Santos

A culpa se converte em um sussurro em meu cérebro. A humilhei na escola. É hora de fazer as pazes. — Ontem, no ginásio… — Que seja — me interrompe Beth. — Eu estava pensando que você tem razão. Devo fazer amigos e eu gostaria que sejas você que me ajude. Posso. Suprimo o sorriso nas arestas do meu rosto. Não há necessidade de esfrega-lo. Por que Lacy não podia estar aqui para ver isso? — Vai ir comigo a festa na sexta? —Sim, mas há uma armadilha. — Que tipo de armadilha? — Deveria me concentrar mais na palavra armadilha, mas não posso fazê-lo quando Beth morde o lábio inferior. Adoro esses lábios. — Meu tio é um pouco controlador e quer falar com você. Este dia melhorou. Ganho o desafio e ainda vou falar com meu herói. Além do mais, tenho a oportunidade de passar o tempo com Beth. Quem sabes Lacy tem razão. Talvez haja algo mais nela. — Mas é claro. Posso ir nas primeiras horas de sexta. Beth reajusta a mochila que está pendurada em seu ombro. — Na verdade, me perguntava se você poderia vir esta noite e se reunir com ele. Talvez poderíamos passar um tempo depois. Eu amo minha vida. A garota está me convidando pra sair. —Sim, claro. — Maldição.Minha mente se torna um caos quando lembro de meus planos. — Espera. Eu adoraria, mas tenho que praticar com a equipe e depois a prática de lançamento em Louisville esta noite.

171

171


Traduzido por Uly Santos

Baixa a cabeça. — Oh. Tudo bem, suponho. Se não pode, não pode, mas esta noite é a noite que Scott vai estar em casa. Não estou suportando esta mudança de coração. Se é como Lacy, ela poderia ter uma mudança no estado de animo total em três minutos. — Posso ir depois da prática e conhecer seu tio e então você poderia vir comigo pra Louisville. Poderíamos ir comer depois do treinamento. Quer dizer, se você estiver de acordo com ficar sentada durante uma hora me vendo lançar. Levanta a cabeça e me mostra esse sorriso glorioso. — Se você não se importar. Me importar? Não posso pensar em nada que queira mais. Acabo de ganhar o desafio.

*** De pé em frente da varanda de Scott Risk, eu arranco o meu chapéu de basebol e limpo as minhas mãos em minhas calças esportivas. É isso. Estou prestes a entrar na casa do meu herói. Dois golpes e a porta se abre. Olhando para mim, vestido com calça jeans e uma camiseta, está Scott Risk. — Boa tarde, Ryan. — Suas sobrancelhas se levantam e dão a impressão de que está surpreso. — Boa tarde. — Esfrego a parte de trás da minha cabeça quando a tensão começa a se formar em meu pescoço. — Está, uh, Beth aqui? Um sorriso se estende por seu rosto. — Seria melhor que esteja, mas a fiz se irritar. Talvez não seja uma má ideia comprovar para ver se não pulou pela janela.

172

172


Traduzido por Uly Santos

Como não tinha ideia do que dizer em resposta, coloco minhas mãos nos bolsos. Ele ri. — Elisabeth e eu não trabalhamos bem juntos em seu dever de casa.Vamos entra, ela disse que você fizeram planos, mas tenho que admiti que estava me perguntando se estava jogando comigo. — Ela está pronta, Sr. Risk? — Assombrado e deslumbrado, caminho para dentro. Este lugar é enorme. — Me chame de Scott — diz, então grita: — Elisabeth. Algo duro golpeia a porta a nossa direita. — Foda-se. Suspiro pesadamente e um nó se forma entre minhas omoplatas. O pendulo oscila no espectro do estado de animo. Suponho que estamos de volta na loucura. Não posso nem esperar para ver o que a noite de sexta trará. — Você tem visita. Silencio. A porta range enquanto lentamente se abre. — Olá, Ryan. — Beth apoia seu quadril contra a moldura da porta e meu coração gagueja. Ela trocou a camiseta por um top negro, deixando descoberto uma pitada do belo decote. — Viu. Eu disse que ele ficava olhando. Maldição. Eu olho. E estou fazendo isso justo na frente de Scott Risk. Scott bate palmas atrás de mim. — Está bem. Mas trate de não olhar demais na minha frente. Em algum momento vou deixar de achá-lo divertido e poderia ter que chutar seu traseiro. E Elisabeth, Foder não está permitido. Ela dá de ombros, claramente sem se preocupar com o que está permitido. —Volte e se troque — diz Scott a Beth. — Vou falar com Ryan um pouco, depois você pode ir.

173

173


Traduzido por Uly Santos

Beth olha sua roupa. — Estou bem. — Vejo pele. Muita. Volte e saia quando houver menos pele. Suspira e se gira lentamente. À medida que entra em seu quarto, seus quadris tem este domínio fácil que me faz olhar mais uma vez. — Recebi ontem algo que você apreciará. —Scott cruza o vestíbulo até a sala de frente ao quarto de Beth e faz sinal para que o siga. No momento em que entro no escritório grande fico assombrado. Beisebol. Em todos os lados. Jerseys em molduras de cristal. Bolas. Tacos. Os cartazes nas vitrines. Scott, tira uma caixa transparente e me dá. Minha boca cai. — Babe Ruth. Você tem uma bola de beisebol autografada por Babe Ruth? —Sim. —Scott, esboça um sorriso, desses que entendo, este escritório é terreno sagrado. O telefone toca sobre sua grande mesa de mogno. — Me de um segundo. Começo a sair quando Scott me detém. — Fique. Isto não tomará muito tempo. Eu adoro este homem. Poderia passar horas neste escritório rodeado por suas coisas. Falando em uma gramática correta e uma voz de negócios, Scott fala no telefone. Me arrimo sobre um taco autografado por Nolan Ryan. Esta poderia ser meu escritório algum dia. Infernos não. Este vai ser meu. No outro lado da sala, há uma mesa de fotografias emolduradas. Scott e Pete Rose. Scott e Albert Pujols. As molduras estão ligeiramente inclinadas até o centro da mesa. Cada pessoa na moldura é mais importante que a anterior. Ao chegar na metade, vejo uma foto do casamento de Scott e sua esposa, e cresce meu respeito pelo homem. Valoriza sua família. Franzo o cenho quando vejo a pequena foto. É de um garoto e Scott. Ao menos acho que é Scott. O reconheço. É jovem e parece tonto usando a versão da velha escola de um uniforme de beisebol do

174

174


Traduzido por Uly Santos

Condado de Bullitt. Está levantando uma menina. De apenas alguns anos de vida. Talvez cinco. Entrelaçadas e cobertos em todas as partes por seu longo cabelo loiro há fitas de cor rosa. O vestido branco esponjoso a faz parecer com uma princesa. Tem seus braços ao redor do pescoço de Scott. Seu sorriso é contagioso e seus olhos são de um profundo azul de oceano, quase exatamente igual... —Elisabeth amava as fitas — diz Scott atrás de mim—, as comprava para ela em cada oportunidade que podia. De maneira nenhuma. — Esta é Beth? Toma a moldura de mim e suavemente a coloca de novo como a imagem central da mesa. —Sim. O diz com o peso de um homem de luto. Inferno, eu acho que ele está de luto... Beth está muito longe de ser a menina feliz dessa foto. Volta o alegre tom de Scott. — Ontem a noite busquei a Allison de um jantar e me encontrei com sua mãe. Me disse que você é finalista em uma competição estadual de escrita. Meus olhos piscam. Papai deve amar que todos na cidade saibam. — Sim. — Seu pai disse que está decidido a se tornar um profissional fora da escola, mas há uma grande quantidade de universidades que morreriam para ter um pitcher com seu potencial. Especialmente si tem talentos acadêmicos. — Obrigado. — Não sei mais o que dizer. — Quer me dizer o que está rolando com você e minha sobrinha? Me congelo. Isso é o que chamo de dar uma troca de velocidade. Scott, perde seu sorriso afável e me dou conta de que tem os mesmo olhos de Beth. Não pisca tampouco. Tempo para deixar o homem sair. — Eu a convidei pra sair. — Por causa de uma aposta. — E disse que sim.

175

175


Traduzido por Uly Santos

Ela disse que você gostaria de se encontrar comigo em primeiro lugar. — Aonde a levará esta noite? — A minha lição com meu treinador e depois a onde ela queira ir para comer. Há um... —Taco Bell, deveria omitir isso—... McDonald e um Applebee perto. Scott assente como si estivesse processando a forma de realizar uma cirurgia cerebral. — Aonde vai leva-la na sexta? — Não muito longe. Na verdade, perto de sua propriedade e da do meu pai. Meu melhor amigo vive no outro lado daqui e nós convidamos amigos para passar o tempo. Scott luta com a diversão e a tensão ao mesmo tempo. — Está levando a minha sobrinha a uma festa de campo. Trago saliva. Eu cresci a 15 milhas de Groveton — diz Scott. — Eu sei como é uma festa de campo, tendo participado de mais de algumas. Encurralado. — Eu pensei que seria uma boa oportunidade para ela passar o tempo com os meus amigos. Scott esfrega o queixo. — Eu não sei. Eu tenho que dar mais. Muito mais. — Eu gosto de Beth. É bonita. — Sim, ela é. — É mais do que agradável. Não é como qualquer garota que eu já conheci antes. Beth me mantém no limite. Com ela, eu não tenho nenhuma ideia do que vai acontecer e me parece... Emocionante. Divertido. Scott não diz nada de novo e eu estou feliz. Eu disse para ele palavras, palavras que eu pensei que eu estava criando para impressiona-lo. Eu não tinha a menor ideia de que fossem verdade. Uma voz sexy, que eu conheço muito bem, faz o meu estômago começar a levitar como se estivesse no topo de uma montanha-russa, e então eu caindo em uma pirueta. Beth ouviu cada palavra.

176

176


Traduzido por Uly Santos

— Você está brincando. — É má educação escutar as escondidas. — Scott se mantém de costas para ela e com seus olhos fixos em mim. — Eu não disse fodidamente brincando. — Responde. Ele inclina a cabeça para a direita, como se fosse concordar que era uma grande concessão. — Quando? — Quando o quê? — Eu pergunto. — Quando é que você vai buscá-la na sexta-feira? — Ás Sete. — Eu quero que ela em casa às nove esta noite. Meia-noite na sextafeira. — Sim, senhor. Scott se volta para Beth. — O que você vai fazer enquanto ele estiver praticando? — Olhar. Scott balança a cabeça em descrença. Beth suspira profundamente. — Ok. Eu vou fazer o trabalho. Eu vou ser estudiosa e adicionar " idiota gorda" no meu " rótulo de aberração". É o que você quer, certo? — Isso é tudo que eu sonho. Vá em frente. Divirta-se. Ele entra no lobby e os lábios de Beth se transformam naquele sorriso malvado. Onde diabos eu me meti?

177

177


Traduzido por Uly Santos

Beth De vez em quando, o destino sorri a meu favor. Sim, eu sei, é difícil de acredita, mas hoje é um desses raros dias. Na semana passada, Lacy me disse que Ryan dirigia até Louisville por lições de treinamento as quartas, e ontem me disse que a instalação se encontra no lado sul de Louisville, docemente escondido a um quilometro da minha casa. Fora de um grande armazém de metal, Ryan puxa um saco cheio de sua merda de baseball da traseira de seu Jeep e eu faço o meu melhor para ele não ser incomodado. Meus nervos tornam difícil ficar quieta. Estou tão perto de minha mãe que eu quase posso provar o cigarro. Calma, Beth. Esta é uma mão que você tem que jogar com cuidado. — Quanto tempo dura a prática? — Uma hora. Talvez um pouco mais. — Ryan desliza sua bolsa por cima do ombro. Eu juro, esse cara tem ombros mais largos do que qualquer garoto de escola que eu já conheci. Usa uma camisa apertada e meu estômago se agita quando sua camisa, levanta expondo seu abdômen. Piscando longe de meus pensamentos. As características de lindo e decente não se misturam com me amar. E enquanto Ryan possa ser um caipira, ele é... decente. Não é preciso ser um gênio para perceber que o que estou fazendo com ele está errado. Errado, mas necessário. Além disso, tudo o que está acontecendo entre nós é uma espécie de jogo. Ainda não descobri suas intenções. Não que isso importe. No final da noite, Ryan me odiará e Scott também. Embora eu não me sentirei mal por Scott. Ele é o único que me arrastou para essa bagunça e estará muito mais feliz sem mim. Em uma hora eu vou ter chegado a minha mãe, Isaiah contactado, e vamos estar fora da cidade. As horas

178

178


Traduzido por Uly Santos

são apertadas, mas factível. — Aonde você gostaria de ir para o jantar? Há um Applebee perto de um T.G.I. Fridays . Com sorte a conversa do jantar vai ser muito melhor que o silêncio — pausa — do caminho. Nós podemos ir para o fast food se você preferir. Eu sei o quanto você ama tacos. A primeira brisa fria de outono sopra através da área de estacionamento e arrepios sobem em meus braços. Dentro de uma hora, eu vou ir para a praia. — Beth, eu disse tacos. Onde está o "foda-se" que normalmente o segue? Olho em seus olhos e pisco. Eu estou fazendo isso. Na verdade, estou fugindo. As sobrancelhas de Ryan se juntam e ele se aproxima de mim, bloqueando a brisa, ou talvez seja o calor que sai do seu aquecendo meu corpo. — Você está bem? — Sim, eu estou bem. — Ele é mais alto que eu Gigantescamente. Eu não vou vê-lo novamente, então me deixe notar como Ryan realmente é. Ele é sensual, quente com os ombros largos, músculos curvos, um bom pedaço de cabelo cor de areia está pra fora na parte de trás de seu boné de beisebol e tem lindos olhos castanhos quentes. Eu finjo por um segundo que a sinceridade neles é real, e por mim. O vento sopra de novo, desta vez mais forte, e os meus grandes fios de cabelo se movem para o meu rosto. Ryan está concentrado neles. Seus dedos sussurram no meu rosto, em seguida, para baixo para a pele sensível do meu pescoço enquanto ele escova os fios por cima do meu ombro. Seu toque faz cócegas e queima ao mesmo tempo. Calor corre meu rosto e as minhas mãos imediatamente cobrem minhas bochechas. Mas que diabos?

179

179


Traduzido por Uly Santos

Eu estou corando. Os meninos não me fazem corar. Os rapazes não querem me fazer corar. Confusa com a minha reação, dou um passo me afastando e alcanço o meu bolso de trás para pegar um cigarro que peguei de um garoto viciado na escola. — Dê-me um par de dias, Ok? — Se você ficar entediada na sala de espera e quiser olhar, vou pedir ao treinador, se puder... Eu balanço minha cabeça. — Não. Ryan aperta os lábios e vai para a entrada. Eu dou uma olhada para sua forma enquanto ele se afasta e meu coração cai. Seja qual for o bagunçado momento que acabamos de viver nada muda. Ryan vai para garotas como Gwen e arruína garotas como eu. Você não muda o destino escrito. Isso só acontece em contos de fadas. Eu sinto muito por ele. Scott vai matá-lo até o final da noite. — Ryan? Olha sobre seu ombro. O que eu digo? Foi muito divertido mexer com você, mas eu tenho que salvar a minha Mãe, eu lamento que quando você voltar pra Groveton novamente esta noite será sem mim, meu tio vai arrancar suas bolas e minha tia te servir para o jantar com algumas algas ? — Obrigada. — A palavra tem um gosto estranho na boca. Ele tira o boné de beisebol e passa a mão pelo seu cabelo, e coloca de volta no lugar. Desvio o olhar para distanciar a culpa que me mata. — Desculpe. — Ele diz. Pisco, sem saber por que se desculpa, mas não posso pedir uma explicação. Digo-me Ele disse que é sua. Nós estamos quites. Um adolescente sai do prédio e abri a porta para Ryan. Ele entra, enquanto o outro cara faz tilintar as chaves de seu carro. Obrigada,

180

180


Traduzido por Uly Santos

boa sorte, me por me dar uma mão. Volto para o cigarro coloco a mão no bolso de trás e sorrio de uma maneira que faz você pensar que o cara que tem uma oportunidade. — Posso pegar uma carona?

*** Nervos vibram no meu estômago e continuo a tomar respirações profundas. Não importa quantas vezes eu inale, ainda luto para encher meus pulmões com o ar. Por favor, Deus, só desta vez, por favor deixe o estúpido ir. E, por favor, por favor, por favor, permita que Isaiah concorde com o meu plano maluco depois uma vez que vou levar a minha mãe a tiracolo. Pensei em contar o meu plano com antecedência, mas no fundo eu sabia que não concordaria em deixar a minha mãe sozinha. A culpa pelos problemas na minha vida, mas conheço Isaiah. Quando eu me mostrar com ela, implorando para não deixá-la, ele não me decepcionará. Levaria nós duas. The Last Stop está vazio, mas dê-lhe uma ou duas horas e o bar estará cheio. Mesmo durante o dia, o local é escuro como um calabouço. No seu típico jeans e uma camisa de flanela, Denny está sentado em seu bar pairando sobre um laptop , dando a seu rosto um brilho azulado. De lado de olho, ele me vê. — Eu ouvi que sua mãe perdeu a guarda . — Sim. — Sinto muito, menina. — Como ela tem passado? — Minha boca está seca e leva tudo de mim para agir como se a sua resposta não importasse para mim. — Você realmente quer saber? — Não. Eu não. — Quanto eu te devo? Fecha o seu laptop. — Nada. Volte para o lugar de onde você veio. Qualquer lugar tem que ser melhor do que esse. Saio pela parte traseira. É a maneira mais rápida de chegar ao

181

181


Traduzido por Uly Santos

apartamento da mamãe. À noite, o lugar é assustador em sombras . Durante o dia, o complexo de apartamentos em decomposição parece triste e patético. Mantendo porções pintadas com spray dos tijolos alaranjados de1970 para cobrir as pichações . É um esforço inútil. Os meninos de primaria voltam a pintar as palavras na noite seguinte. Como a maioria das janelas estão quebradas, moradores usam papelão cinza e fita adesiva para cobrir o vidro, exceto para as janelas com o ar condicionado rugindo pingando água como torneiras. Mamãe e eu nunca tivemos um desses. Nunca fomos tão ricas ou sortudas. O idiota do Trent vive no complexo cruzando o estacionamento do da mamãe. A única coisa em seu estacionamento é o ponto preto longo de vazamento de óleo do seu carro quando estaciona. Certo. Eu inalo novamente para acalmar o meu tremor interior. Certo. Antes de pai nos deixar , mamãe e eu mudamos para Louisville oficialmente nos tornamos ciganas, que se mudam para um novo apartamento a cada seis ou oito meses. Alguns eram tão ruins que deixamos voluntariamente . Outros nós eramos expulsas quando a mamãe não pagava o aluguel. Trailers em Groveton e o porão da minha tia Shirley são as únicas casas estáveis que conheço. O apartamento perto de Shirley é onde a mamãe ficou mais tempo em um lugar e Trent é a razão que é faz ser uma merda. Eu bato suavemente. A porta treme enquanto a mamãe abre várias fechaduras, como eu ensinei, deixa a correntequando você abre a porta a alguns centímetros.Mamãe aperta os olhos como se ela nunca tivesse visto a luz solar . Está mais branca que o normal o cabelo loiro na parte traseira de sua cabeça está como se ela não tivesse escovado a dias. — Quem é? — Ela ladra. — Sou eu, mãe. Ele esfrega os olhos. — Elisabeth? — Deixe-me entrar — e vamos te tirar daqui.

182

182


Traduzido por Uly Santos

Mamãe fecha a porta, enquanto a corrente tilinta desbloqueia a porta e a abre. Em questão de segundos , ela está com os braços em volta de mim Suas unhas são pregadas no meu couro cabeludo. — Querida? Oh, Deus , bebê. Eu nunca pensei que a veria novamente . Seu corpo treme e eu ouço a familiar fungada que acompanha o seu material chorando. Eu descansar minha cabeça em seu ombro. Cheira estranho combinação de vinagre , maconha e álcool. Parece vinagre extraviado. Parte de mim está animado por vê-la viva . A outra parte além de irritada. Eu odeio que esteja drogada. — O que você usou? Mamãe se afasta e passa os dedos pelo meu cabelo com movimentos sucessivamente muito rápidos. — Nada. Noto os olhos vermelhos e as pupilas dilatadas e curvo minha cabeça. — Bem, só um pouco de maconha. — Ela sorri enquanto uma lágrima corre pelo rosto. — Você quer um pouco? Temos novos vizinhos e estão compartilhando. Vamos. Agarro a mão da mãe , passo por ela e entro no apartamento. — Você tem que arrumar as malas. — Elisabeth! Não! — Mas que diabos? — O lugar é um lixo. Não como o lixo normal. Isto está além de pratos sujos, chão coberto de lama e embalagens de Fast food envolto no mobiliário. As almofadas do sofá se encontram no tapete puído , muito rasgado. A mesa do café poderia ser usado agora como lenha.O Interior da pequena TV de mamãe estão expostos a cerca de um metro da cozinha. — Alguém entrou aqui. — Mãe fecha a porta atrás dela, bloqueando um das fechaduras. — Mentira. — Eu me viro e eu enfrento. — As pessoas não vêm para roubar suas merdas e você não tem merdas para ser roubadas. E o que diabos é esso fedor ?

183

183


Traduzido por Uly Santos

Uma vez tingi ovos de Páscoa com Scott e nosso trailer eu cheirava vinagre por alguns dias. — Eu estou limpando. — diz mamãe. O banheiro. Eu fiquei doente mais cedo. Suas palavras me batem duro .O vômito pode significar overdose. Me pior pesadelo para minha mãe. — O que você fez? Ele balança a cabeça e ri nervosamente. — Eu disse a você, a maconha. Um pouco de cerveja. Eu estou apenas enjoando . Ah, inferno. — Você está grávida? — Não. Não. Eu estou tomando estes comprimidos . É ótimo que você tenha encontrado uma maneira de chegar a mim por correio. Amasso meus olhos com as palmas das mãos , eu envio ao meu cérebro. Nada disso importa. — Vá pegar suas coisas. Nós estamos indo. — Por quê? Eu não recebi qualquer aviso de despejo. — Somos ciganas, lembra? — Eu digo, tentando aliviar meu humor. — Nós nunca ficamos paradas. — Não, Elisabeth. Você tem a alma de um cigano, eu não. Sua declaração me para e eu espero que se explique. Mamãe balança de um lado para o outro. Que seja. Está drogada e não tenho tempo para isto. Me encosto na mesa de café destruída. — Isaiah se ofereceu para me levar para a praia e você vem com a gente. Vamos passar desaparecido até que eu complete 18 anos no próximo verão e , em seguida, nós estamos fora de perigo . — E Trent?

184

184


Traduzido por Uly Santos

— Ele te bate. Não precisa desse idiota! Eu vejo um par de sacos de plástico no canto. Estes irão funcionar. Mamãe tem algumas coisas que valem a embalagem. — Elisabeth! — Mom chuta os restos da mesa do café, enquanto começa a correr atrás de mim. Agarra meu braço. — Pare! — Parar? Mãe, temos que ir. Você sabe que se o Trent voltar e me encontra aqui ... Me interrompe e corre os dedos pelo meu cabelo novamente. — Ele vai te matar. Seus olhos se enchem de lágrimas e funga novamente. — Ele vai te matar. — repete. — Eu não posso ir. Todo o meu corpo vai ao fundo como um rápido e preocupante velocidade. — Você tem que ir. — Não, querida. Eu não posso ir agora. Dê-me um par de semanas. Eu tenho alguns negocias para cuidar e, em seguida, iremos juntos. Eu prometo . Negócios ? — Nós estamosindo. Agora. Seus dedos se enrolam no cabelo e apertam, puxando ao ponto de sentir dor. Ela se inclina e apóia a testa na minha. O cheiro de cerveja se sente em seu hálito. — Eu prometo. Eu prometo que eu vou com você. Ouça. Eu tenho que resolver algumas coisas. Dê-me algumas semanas, então nós vamos. A fechadura se move e o meu coração começa a soprar forte. Ele voltou . Mãe pega minhas mãos dolorosamente forte. — Meu quarto. — Me arrasta através do apartamento e perde o equilíbrio ao subir sobre as peças quebradas dos móveis. — Vá pela janela. Minha bile sobe na minha garganta e começar a tremer.

185

185


Traduzido por Uly Santos

— Não. Não sem você . Deixar mamãe aqui é como assistir a um relógio de areia se esgotando enquanto eu estou acorrentada à parede, incapaz de me virar. Algum dia, Trent irá tão longe a ponto de não ser apenas uma contusão ou um osso quebrado. Ele vai tirar a vida de seu corpo. O tempo com o Trent é um inimigo. — Sky! — Grita Trent quando entra no apartamento. — Eu te disse que mantivesse a porta destrancada. Minha mãe me abraça com força. — Vá querida. — Sussurra. —Volte a me encontrar em um par de semanas. Ela rasga o papelão do vidro e salto quando uma mão sai em desparada pela janela aberta. — De-a para mim. Isaiah enfia a cabeça e suas mãos estão coladas ao meu corpo. Deixo de respirar e percebo que , de uma forma ou de outra, um desses caras vai me matar.

186

186


Traduzido por Uly Santos

Ryan Balanço meu braço para a frente. Com um só golpe , a bola vai para fora da caixa com fita laranja na bolsa de lona preta que serve como alvo . Minha mente não está nele hoje e eu preciso que esteja. Ajustar meus arremessos é a prioridade. Se Logan diz pra dentro, eu devo bater dentro . Se Logan diz pra fora , eu tenho que bater para fora. Se aponta para baixo , eu tenho que acertar isso também. Continuo pensando em Beth. Parecia tão malditamente pequena e perdida. Eu queria levá-la em meus braços e proteger o mundo . Definitivamente não é uma reação que eu pensei que teria com a Skater Girl. Eu bato minha luva contra a minha perna. Eu vou descobrir o que está acontecendo com ela no jantar. O silêncio não será mais aceito. Eu rodo meu ombro , em um esforço para encontrar um pouco de vida sobre isso, mas eu venho de mãos vazias . Tenho lançado durante a última hora e os meus músculos do braço são tão úteis quanto gelatina. O centro de treinamento não é muito grande, apenas um armazem com tapete de grama verde e ar condicionado soldada ao telhado. A unidade de cima vibra e em poucos segundos cria rachaduras em forma morcegos. Meu treinador , John empurra a parede de metal. — Bom, mas você ainda está jogando com o braço. Seu poder consistente virá das pernas. Como está o braço ? Cansado . Beth deve odiar este lugar . Um armazém cheio de caras batendo bolas nas redes e jogando sacos. Uma parte de mim está desapontado. Ela não tem sido cuidada.

187

187


Traduzido por Uly Santos

— Eu posso jogar um par a mais se desejar. — Esteve descansando seu braço como discutimos? — Sim, senhor. — Não tanto quanto eu deveria. Eu posso identificar a localização exata do meu manguito rotador*: aproximadamente dois centímetros abaixo do topo do meu ombro e, agora, dói. — Vamos acabar agora. Rolo a bola sobre meus dedos. Beth não é a única razão que me afetou nessa prática e não importa o quanto eu tente ignorar os pensamentos continuam voltando. — Posso fazer te uma pergunta? — Manda. — Se você tivesse que escolher para jogar no nível de faculdade e jogar no ensino médio, o que você escolheria? John coça a bochecha enquanto me olha com uma mistura de perplexidade e confusão. — Quer ir para a faculdade? Eu não sei. — Se você pudesse escolher, o que teria feito? — Eu não tive essa opção. O secundário foi a minha única opção. — Mas se tivesse? — Eu teria me tornado um profissional. Acerto a bola na luva . Exatamente. Cada um com a sua própria conversa de faculdades e concursos de redação está me incomodando. — Obrigado. — A questão não é o que eu teria feito. A questão é, o que você quer fazer?

188

188


Traduzido por Uly Santos

*Manguito Rotador: Articulação do Ombro

Beth Isaiah envolve seu braço firmemente ao redor da minha cintura e me levanta pela janela. Olhos vazios azuis de minha mãe têm uma dor inesquecível enquanto me olha uma última vez antes de fechar de um golpe o vidro e colocar o papelão sobre a janela novamente. — Não! Eu deixei para trás. Mais uma vez. Seu aperto de aço torna-se mais forte enquanto eu tento subir de costas para a janela , para o apartamento de mamãe, mas me afasta. Meu coração está literalmente quebrando . Tem que ser assim , porque o meu peito dói como se vidro tivesse rasgado através dele. Minhas pernas estão entrelaçados com as de Isaiah. Segura firmemente meus ossos do quadril e me agarra delicadamente, levantando e movendo-se na direção oposta à minha mãe. Eu me esforço para voltar ao chão , chutando suas canelas , batendo meus joelhos contra os seus. — Isaiah, Trent está lá. Vai mata-la. — Vamos. — Seu rosnado faz burburinhos em meu ouvido. — Você ouviu? — Eu não podia fazer. Isaiah nunca me deixaria morrer, então eu nunca poderia deixar a minha mãe. A única pessoa que eu preciso. — Sim. — Ele pressiona contra mim e os meu pequeno corpo cede contra o seu.Não. Meus cotovelos se dobram para trás e com a palma das mãos abertas golpeio seu peito. Meu coração convulsiona com cada tapa de minhas mãos contra seu corpo. Eu bati nele, o meu melhor amigo. Eu vou fazer isso de novo, se não me deixar ir. — Eu te odeio!

189

189


Traduzido por Uly Santos

— Bom. — ele diz. Suas narinas ligeiramente abertas quando balanço os quadris . — Então eu não vou me sentir mal quando eu puxar você sobre meu ombro e te jogar no maldito carro. Minhas mãos ainda coçando para acertá-lo descansa em seu peito. Seu coração bate violentamente, combinando com o louco brilho em seus olhos. Isaiah quer dizer o que diz. Eu também. — Eu não vou sem ela. — Entra no carro antes que eu te obrigue. Suas mãos se apertam. Um aviso. Uma ameaça. Meu peito se contrai, o que torna impossível respirar. Impossível pensar. — Ele bate nela. Digo isso como se fosse um segredo. Porque ele é. O meu segredo. O segredo escondido de todos. O segredo que conduz ao meu pior segredo: Ele me bate. Isaiah já sabe, mas é diferente. Se digo em voz alta estou fazendo isso realidade. E eu estou pedindo que ele me salve. Estou pedindo que ele a salve. Isaiah pressiona seu rosto incrivelmente perto do meu. — Ele nunca te tocará novamente. Minha garganta está inchada e minha voz sai pequena. — Vou denunciá-lo se você a salvar. Um tremor visível passa através de seu corpo e suas mãos soltam minha cintura.Tornando-se uma parede de tijolos , Isaiah planta os pés no chão e cruza os braços sobre o peito, praticamente me desafiando a ir além dele. Eu dou um passo para a esquerda. Isaiah dá um passo comigo. Dou um passo para a direita. O movimento é refletida. — No carro, Beth. Agora. — Saia do meu caminho! — Ele não sai e me sinto como um gato preso em uma caixa. Agarro seu peito. O empurro. Golpeio. Xingo.Amaldiçou. Até que minhas mãos se estendem contra ele novamente e novamente.

190

190


Traduzido por Uly Santos

Frustrada. Zangada. Traída. Seus braços se entrelaçam através do meu ataque, colocando as palmas quentes de sua mão contra meu rosto. Remove a umidade nas minhas bochechas . Umidade que não entendo. Bato seus braços pra longe de mim. — Se você fosse meu amigo... você se importaria, me ajudaria! — Droga, Beth, eu estou fazendo isso porque eu te amo! Meu coração bate uma vez o mundo se torna horrivelmente quieto. Eu vejo isso nos seus olhos a sinceridade. Eu balanço minha cabeça. — Como um amigo. — Sussurro. — Você me ama como um amigo. Olhamos um para o outro . Nossos peitos subindo e descendo rapidamente. — Diga Isaiah. Diga-me que você me ama como amigo. — Está calado e minha mente se sente como se estivesse prestes a quebrar. — Diga! — Eu não quero lidar com isso. Eu não tenho tempo para isso. Caminho ao seu redor. — Eu vou busca-la. — Foda-se isso — sussurra enquanto se inclina. Seu ombro se encontra com a minha cintura e, em segundos, a minha cabeça paira sobre suas costas, chutando meus pés. Grito e olho através da visão turva, enquanto mais distância se cria entre a minha mãe e eu. A porta do carro faz clic. Aberta. Isaiah desliza meu corpo por cima do ombro, cobrindo minha cabeça, e usa sua força e tamanho para me empurrar no banco de trás, enquanto impedi minha fuga. Isaiah fecha a porta e tem um aperto de morte no meu pulso. Minha cabeça abruptamente se move para a esquerda. A outra porta. Está fechada. Puxo meu pulso para ganhar liberdade, para abrir a outra porta, mas Isaiah mantém o seu aperto. O carro é colocado em ré e o motor geme quando acelerado. — O que diabos você estava pensando, Beth? Meus olhos se abrem. Noah se inclina para a porta do passageiro com

191

191


Traduzido por Uly Santos

uma mão no volante. Ele nem sequer esperou por uma resposta. — Isaiah disse que você ia voltar para sua mãe, mas eu pensei que talvez você teria o bom senso para ficar longe. Jesus, ao menos você é previsível. Você acha que não lembraríamos que comprava maldito dono do bar antes de nos mudássemos para o apartamento? Isaiah, lembre-me de pagar Denny um adicional por chamar tão maldito rápido. Denny. Traidor. Imbecil. Ele disse a Noah e Isaiah que eu vim para a mamãe. — Como você chegou a Louisville? — Isaiah pergunta, sua voz estranhamente silenciosa. Foda-se. — Ele me disse que me amava. Um suor frio escorre em minha pele e meu corpo começa a tremer. Meu melhor amigo disse que me ama. E a minha mãe. Ele obrigou-me a deixar a minha mãe. — Você convenceu o bastardo do Ryan, que joga com você, para a te trazer? Dou uma olhada para Isaiah e amaldiçoou. Puxo meu pulso de seu aperto. — Fiquem longe de mim. A raiva queima nos olhos escuros de Isaiah e se não fosse ele, eu me assustaria. Ele a tem calma. Controlada . O tipo que se quebra se pressionado muito duro por muito tempo. — Não até que eu saiba está pensando como uma idiota e fazendo coisas estúpidas. Você poderia ter se matado. Trent tem falado no bar durante semanas sobre como rasgará membro a membro, se ele vê-la novamente. Ele culpa você, pela polícia ter ido ao seu apartamento depois que você foi para Groveton. No entanto, ele esqueceu que tem inimigos em todos os lugares. Eu ouço o clique dentro da minha cabeça e meu corpo inteiro estremece. Eu falei com Isaiah todas as noites e ele nunca mencionou isso fofoca local. Fofoca que teria me levado a agir mais rápido. Se Trent me culpa, então ele vai culpar a mamãe, e adora bater sem qualquer razão. Isaiah me levou embora e deixou-a lá com aquele idiota .

192

192


Traduzido por Uly Santos

A mão de Isaías ainda tem o meu pulso e não quero um traidor apunhalador de costas me tocando. Eu levanto meu pé e lhe bato novamente e novamente. — Deixe-me ir! Deixa de lado o meu braço para puxar meu pé pra longe. — O que é isso? — Eu a deixei lá para morrer! Isaías bate no banco de trás e Noah e cai o assento. Sua cabeça cai para trás e coloca o seu polegar e indicador sobre os olhos fechados. As notas lisas e amargas de uma música do Nine Inch Nails soa no rádio e eu afundo no meu canto do carro, puxando minhas pernas para o meu peito. Meu coração dói com a letra. É uma frase incorporando na minha alma, uma letra que fala sobre as pessoas que você ama e como no fim... elas vão. Isaiah me tirou da minha mãe, e não me ajudou a salvá-la... disse que me ama. Ele costumava ser o meu relacionamento mais forte e tornouse murcho como uma folha de videira, morrendo em decomposição. Suponho que tudo na vida realmente termina.

193

193


Traduzido por Uly Santos

Ryan Já faz dez minutos que sai da prática e não posso encontra-la. Enquanto estou aqui de pé decidindo o que fazer, Beth se encontra fora se divertindo um monte com seus amigos. Entrei em pânico, me pergunto se devo ligar para o Scott, pra policia, ou papai. Penso na dor de Scott e me imagino o quão irritado estaria meu pai quando se inteirar de que perdi de vista a sobrinha do herói do nosso povo. Mas acima de tudo eu me preocupo com Beth. Tenho medo de pensar que alguém pode tê-la levado. Eu oro para que não esteja ferido ou com medo. Eu me sinto como um idiota. Há poucos minutos, um carro estacionou em minha frente. Beth discute com o cara tatuado que eu tinha visto antes. Eu não me atrevo a mover um músculo, ele aterroriza-me correr até ela e arrancar cada cabelo de sua cabeça. Tenso, ao lado de meu jipe, eu vejo como Beth e seu amigo valentão, continuam a discussão aquecida. Ela jogou comigo como nunca ninguém tinha. Eu cometi um erro terrível. Eu até tentei gostar dela. Foda-se. Que faça o que quiser com a sua vida. Já concordou em ir comigo para a festa na sexta-feira. Ganhei a aposta. O trabalho está feito. Beth salta do carro em um acesso de raiva. — Beth! — O garoto tatuado puxa ela por sua calça. — Você não está indo embora. Não assim Eu vacilo, mas me forço a ficar quieto. Ela quer esse cara. Ela me deixou para ficar com ele.

194

194


Traduzido por Uly Santos

— Então mantenha sua promessa para mim, Isaiah. Vamos. Esta noite. Seus olhos olham buscam Isaiah e o desespero refletido em seu rosto faz olhar cena torna-se desconfortável para mim. Qualquer que seja a resposta que ela está esperando, ele não a tem. Vira a cabeça com o olhar para baixo. O outro cara fecha a porta do seu lado e lentamente se aproxima deles, mas mantendo sua distância. Ótimo, estou de volta ao dois contra um. Isso no caso de eu me importar o suficiente para intervir. Não vai acontecer. Isaiah olha para o outro cara. — Você sempre disse que queria uma casa, e agora você tem. Beth pisca furiosamente, afastando toda lágrima de seus olhos. —- Não falava dessa. Eu me endireitei. A atitude que a caracteriza desapareceu. Agora ela é pequena. Muito pequena. Especialmente quando está em pé na frente de dois caras de tamanho ameaçador. Não só parece pequena, mas também parece estar bastante... perdida. — Espere até você se formar. Apenas um par de meses. Noah e eu nós conversamos e ... Com o nome Noah, a cabeça de Beth sobe de repente e raiva resplandece em seus olhos azuis. — Você prometeu. — Beth... — O outro cara, eu acho que é Noah, usa um tom calmo para se referir a ela, mesmo eu sei que ela está sobrecarregada. —Você pertence à Groveton. Como um raio, ela corre até Noah. Sua mão está levantada, e acerta o rosto dele com toda a sua força. O som ecoa nas paredes do galpão. O peito de Beth sobe e baixa enquanto tentar puxar o ar. — Foda-se!

195

195


Traduzido por Uly Santos

Eu me afasto do jipe. Mas que diabos? O garoto, Noah, toca no rosto com cuidado, em seguida, inclina a cabeça como se estivesse tentando aliviar a tensão. — Eu estava começando a me sentir excluído após o pequeno show que você faz no apartamento. — Isso é tudo culpa sua! — Beth grita. — Você e Echo, e sua nova vida. Isaiah está contra mim, porque você está com muito medo de ser autêntico. Você quer continuar a ser uma farsa, você está empenhado em continuar representando o seu papel. Assim como sua garota. O garoto tatuado — Isaiah — coloca a mão sobre o braço de Beth e a puxa bruscamente para longe de Noah. Inferno não. Punk ou não punk, uma menina está em sérios apuros se ela bate em um homem e um homem nunca deve tocar uma garota. Meus punhos se apertaram quando me aproximo. — Afaste-se dela! — Em Groveton, — diz ele, me ignorando — com o seu tio. É exatamente aonde você pertence. — Ele aponta para o sul, longe de Louisville, em direção ao que se supõe ser casa. — Se você realmente estava falando sério quando disse, — diz ela rosnando baixo — manterá sua promessa agora. Uma sombra parece cobrir o cara, e eu apresso meu passo. — Disse pra ficar longe dela. — Meu coração bate com força dentro do peito. Dois contra um. As possibilidades de sair desta completamente limpo são baixas, mas eu os enfrentarei. — Não se atreva a jogar isso na minha cara — diz Isaiah, então, desvia o olhar de Beth, e se concentra em mim. — Isto não tem nada a ver com você irmão, então se afaste. — O inferno que isso não tem nada a ver comigo. Ela veio comigo e vai ir pra casa comigo. Tudo o que acontece com ela no meio disso é meu problema. Isaiah vira seu corpo em minha direção. — Você diz isso como se ela fosse sua.

196

196


Traduzido por Uly Santos

— Isaiah... — ela murmura. — Não! Com apenas meio metro entre nós, eu me aproximo mais um passo, com cada um dos músculos do meu corpo pronto para a luta. — Ela se tornou minha no momento em que coloquei a mão sobre ela. Eu fecho o espaço, e entre nós e agora estamos cara a cara com o seu rosto a centímetros do meu. Todo o seu corpo irradia raiva. — Não é sua. É minha e eu não gosto como você a trata. Um pequeno braço desliza através de nossos corpos. — Isaiah — diz Beth. — Chega! — Como é o negócio? Será que esse cara está chapado? Beth não parece querer você. — Ryan , pare por favor. — Eu nunca ouvi falar Beth rogar, gostaria de olha-la neste momento e confirmar que essas palavras realmente saíram da sua boca, mas não me atrevo. Eu mantenho um sólido contato visual com o idiota em frente a mim. Um sorriso demente se espalha por seus lábios. — Você acha que ela quer você? É isso que você acha? Que você é algum tipo de homem de verdade que a tortura na escola? Porque você divulga os seus segredos? Porque a humilha? Acredita que ela quer um cara que faz a chorar? — Isaiah! — Beth grita. Seu braço se estende para trás, e o meu faz o mesmo. Uma figura enorme vem do meu lado esquerdo, e em vez do golpe que eu me encontro pronto para receber em minha direção, Isaiah empurra Noah no carro. — Chega, irmão. — Como você pode! — Espero ver o olhar gelado e acusatório Beth em mim. Mas em vez disso, seu olhar está fixo em Isaiah. Todo o seu corpo treme e esfrega seu braço esquerdo com a mão direita. E faz mais uma vez. — Como você pode dizer isso? Ele pisca e a raiva desaparece de seu corpo. — Beth...

197

197


Traduzido por Uly Santos

Beth corre para o jipe. —Vamos! Você não tem que pedir duas vezes. As chaves estão prontas para incendiar o carro antes mesmo de fechar a porta, eu vou a toda velocidade do Estacionamento. Entrando na estrada, ajusto o cinto de segurança enquanto Beth deita a cabeça contra a janela do passageiro. Buscando raiva que eu sentia antes, tento encontrar uma forma de culpa-la. Ela foi à única que fugiu. Ela foi à única que foi sair com os dois rapazes. Mas o único pensamento que passa pela minha cabeça é a acusação que Isaiah me cuspiu: Eu a faço chorar.

198

198


Traduzido por Uly Santos

Beth Viver é como estar acorrentado no fundo de uma lagoa rasa com os olhos abertos e sem ar. Eu posso ver as imagens distorcidas de felicidade e luz, até mesmo ouvir o riso abafado, mas tudo está fora do meu alcance como eu minto e sufoco em agonia. Se a morte é o oposto da vida, então eu espero que a morte seja flutuante. Nunca briguei com Isaiah e Noah assim. Nunca pensei que Isaiah iria me trair, mas ele fez. Eu confiei a meu melhor amigo segredos que nunca disse a outro ser vivente. Ele sabe sobre meu pai, ele sabe sobre a minha mãe, ele sabe quantas vezes um homem bateu com a mão no meu rosto... ele sabe de Ryan, do jeito que oferece amizade quando eu sei que ele só quer brincar comigo,e como dói. Apoio a minha testa contra o vidro da janela que fica do lado do passageiro e assisto as linhas brancas desenhadas na Middle Road ao alterar a velocidade. Na estrada de duas pistas levando a casa meu tio, Ryan passa um caminhão de reboque, facilmente a 60 em 45 . De certa forma eu queria ter coragem o suficiente para abrir a porta e me deixar cair . Iria doer, mas a dor termina quando morre. Toda a dor. A dor indescritível que pesa no meu peito, na minha cabeça, o nó em minha garganta, tudo iria. Estamos viajando em silêncio. Eu não tenho certeza se é um silêncio incomodo, eu estou à beira de dormência. Luto por ela. Eu amo estar neste estado. Eu quero estar drogada. O Jeep vira à esquerda e começar a viagem na longa estrada. Meu estômago ronca. Eu não comi. Quando chegamos em casa, Ryan coloca o carro no local designado e desliga o motor imediatamente. Odeio o campo. Sem luzes, florestas e campos tornaram-se o playground dos meus pesadelos. Eu tenho arrepios na pele com o pensamento do diabo me esperando no escuro para me arrebatar e

199

199


Traduzido por Uly Santos

expulsar para o nada. Há tantas coisas que Ryan pode fazer. Ele pode gritar. Ele pode entrar e contar a Scott tudo. Este último o faria o garoto honrado que ele quer que eu seja. Também esmagaria os poucos restos de que eu conheço como vida. Enviaria mamãe para a prisão. E eu? Eu quero morrer. Quatro horas atrás, o meu orgulho não me deixou dizer uma palavra, mas, neste momento, agora, não há nada dentro para me impedir de fazê-lo. — Sinto muito. Rãs coaxam perto do riacho que margeia a fazenda de Scott. Ryan não diz nada de volta e eu não o culpo. Não há realmente nada para ele dizer para uma garota como eu. Ele examina as chaves em suas mãos. — Você jogou comigo por um passeio em Louisville. — Sim. — E se o meu plano tivesse funcionado, eu teria ido, e meu tio o teria responsabilizado. — Você planejou se encontrar com aquele cara em vez de passar o tempo comigo. — Sim. — Respondo. Merece a minha honestidade e esta é a resposta mais honesta que posso lhe dar. Vira as chaves em torno de seu dedo. — Desde o momento em que você entrou no Taco Bell, não mais do que um desafio. Chris e Logan me desafiaram a pegar o seu número de telefone e, em seguida, me desafiaram a ter um encontro. As palavras machucam, mas eu lutava para manter a dor sob controle. O que mais eu poderia esperar? Ele é tudo o que é bom no mundo. E eu sou totalmente o errado. Caras como ele não vão atrás de garotas como eu. — Eu quase entrei em uma luta por você.

200

200


Traduzido por Uly Santos

— Eu sei. — E eu digo essas palavras raras novamente: — Eu sinto muito. Ryan gira a chave do carro para a posição e liga o motor. — Você me deve. Vou buscá-la as sete na sexta-feira. Não haverá jogos nesta ocasião. Uma noite sem complicações. Vamos à festa. Ficaremos durante uma hora. Ganho a minha aposta e, em seguida, te levo para casa. Você vai voltar para me ignorar. E eu vou fazer o mesmo. — Ok. — Eu deveria estar feliz, mas eu não estou. Isto é o que eu pensei que eu queria. Por trás do choque espera uma dor, pronto para torturar. Abro a porta do Jeep e fecho, sem olhar para trás.

201

201


Traduzido por Uly Santos

Ryan A lei estadual me impede de jogar mais de quinze turnos por semana. Estou apenas entro nos jogos de quinta-feira, se os nossos outros dois arremessadores cavam um buraco. Três turnos atrás, quando o treinador me colocou no jogo, estávamos tão profundamente longe que eu não podia ver a luz do dia. Não que a chuva ajudasse. Tem chovido durante duas semanas. Duas semanas equivalentes a jogos cancelados. Duas semanas equivalentes de festas cancelas. Duas semanas de Beth e eu ignorando um ao outro. Todo mundo está antecipando que a chuva vai acabar hoje à noite e eventualmente, a festa será realizada amanhã. Eu também estou pronto e ansioso para vencer o desafio e ter Beth oficialmente fora da minha vida. Sob o sétimo, com o placar empatado, eu preciso manter este último rebatedor para enviar o jogo para os turnos extras. A garoa esfria o calor no meu pescoço. Grupos de gotas caem na borda do meu chapéu. A bola está escorregadia. Como a minha mão. Odeio jogar na chuva, mas os garotos nas maiores fazem isso o tempo todo. A intensidade da chuva aumenta. Apenas posso ler os sinais de Logan. Por força do hábito, dou uma olhada para o corredor na primeira, mas não posso ver nenhuma maldita coisa. O vento volta e o som da mudança da natureza intervém: trovão e relâmpagos. — Fora do campo! — O árbitro grita. Meus pés afundam na lama enquanto caminho para os bancos. Este é o terceiro atraso de jogo pela chuva. Não haverá outra. O jogo terminou. — Bom trabalho, rapazes. — O treinador nos dá tapas em nossas costas encharcadas enquanto entramos. — Conduzam com cuidado pra

202

202


Traduzido por Uly Santos

casa. O mau tempo está avançando. A chuva bate no telhado. Eu não vejo o ponto de um telhado se tudo Abaixo dele está molhado. Os Assentos. A equipe. Nossas malas. Eu rapidamente mudo os sapatos, amarrando meu Nike forte e mais rápido que o normal. Conhecendo-me melhor do que ninguém, Chris encosta seu grande corpo sobre o banco ao meu lado. — Nós não perdemos. Cancelamentos de chuva não contam. —Tampouco ganhamos. — Você nos teria trazido pra frente. — Talvez. — Eu me levanto e coloco minha bolsa no meu ombro. — Mas nunca iremos saber. O resto da equipe conversa, muda os sapatos e espera na cabine para terminar o pior da chuva. Eu não estou com animo para companhia e estou molhado. A chuva está batendo nas minhas costas enquanto me dirijo para o estacionamento. — Hey! — Chris corre para me alcançar. — Qual é o seu problema, cara? — Nada. — Não me venha com essa merda — grita através da chuva. — Você tem estado de mal-humorado por duas semanas. Abro a porta do meu Jeep e jogo minha bolsa no banco de trás. Beth. Foi o que aconteceu, mas eu não posso dizer a Chris. Estou terminando minhas derrotas consecutivas amanhã, quando a chuva se for e Beth vá comigo para a festa. — Talvez ele me diga. — Ao lado de Chris, Lacy aparece como um rato afogado com o cabelo preso em seu rosto. Quando a chuva começou há uma hora atrás, ela buscou refúgio no carro de Chris. — Leve-me para casa, Ryan.

203

203


Traduzido por Uly Santos

A última coisa que eu quero é estar preso em um carro com ela. — Eu não sou seu namorado. — Não. — grita enquanto vibra um trovão no céu. — Você é meu amigo. Lacy beija Chris na bochecha e corre para o lado do passageiro. Eu olho para Chris e ele assente. — Ela não queria ficar com raiva de você nunca mais. Salto para dentro do Jeep e colocá-lo a marcha. No estilo Lacy trabalha em acender a calefação, e muda a estação de rádio para sua estação de Country favorita antes de abaixar o volume. — Você e Beth tiveram uma briga? Os limpadores de assobiam a um ritmo mais rápido enquanto deixo o estacionamento. Eu me pergunto o que Lacy sabe. Eu não contei a ninguém que Beth e eu fomos para Louisville. — Foi isso que ela disse? — Não. Eu finalmente consegui o número de sua casa na semana passada e seu tio me disse que estavam fora . Calculo como isso afeta a aposta. — Você disse a Chris ? — Não é o meu assunto para contar. Você a levou para Louisville pelo desafio? — Sim. — Então, o desafio está feito. É por isso que você a está ignorando? Silêncio. Por que Lacy está me fazendo sentir como um idiota? Beth é a única que me ferro. Ela me deve isso. — Ela te trata como lixo, Lace. Por que você se importa? Lace não vive longe do estádio. Me acomodo em sua garagem e assisto as samambaias penduradas na varanda da frente, soprando no vento.

204

204


Traduzido por Uly Santos

— Ele era minha amiga. — Foi! Ela era... Lacy estende suas mãos. — Pare. Ouça. Eu não sou você. Eu nunca fui como você. Você anda em qualquer situação e é automaticamente perfeito. Eu não sou perfeita. Eu nunca fui. O que você está falando? Se Lacy soubesse como minha família é quebrada, como desde que Mark se foi estamos morrendo lentamente. — Não. Eu não sou perfeito. — Quer calar a boca! Deus, eu não posso conseguir que vocês digam uma merda metade do tempo e em seguida, cada vez que eu tento dizer algo que realmente vale a pena dizer um de vocês me interrompe. Assim cala a boca! Eu faço um gesto com a mão para ela continuar. — Ninguém gostava de mim, Ryan. Papai foi transferida para Groveton quando eu tinha quatro anos e eu sabia que ninguém gostava. Minha mãe tentou uma e outra vez com playgrounds com outras crianças e eu me inscrevi para pré-escolar e não importa o que, me consideravam uma intrusa. Eu não sou você. Não sou Logan. Eu não sou o Chris. Eu não posso traçar minhas raízes para aos pais fundadores. Eu não posso comer frango no domingo com a minha avó depois da igreja, porque eles não vivem na propriedade ao lado, mas sim três estados de distância. Eu esfrego meu pescoço, sem saber se deveria falar ou se o fizesse, o que eu digo. Lacy nunca parecia se importar com o que as pessoas pensavam dela. — Nunca te tratamos diferente. Ele suspira profundamente. — Por que você acha que eu estava saindo com vocês desde a sexta série? Você acha que eu gosto tanto de beisebol? Eu rio entre os dentes. — Não deixe Chris ouvir você dizer que não é

205

205


Traduzido por Uly Santos

uma super fã. — Eu adoro — diz, e eu entendo que isso significa que também ama tudo o que ele ama. — De qualquer forma, o ponto é que a Beth eu agradava. Quando Gwen significava para mim... Minha boca se abriu em protesto. Ele aponta e estreita os olhos. — Não diga uma palavra. Um, eu lhe disse para calar a boca. Dois, este é o meu monólogo e não o seu. Três, ela é uma vadia. Como eu estava dizendo , quando Gwen mostrou o seu verdadeiro eu e ela deixou cair a fachada de "Eu estou fingindo ser perfeita, e todo mundo vai me amar " fez minha vida um inferno. Fui rotulada estranha antes de entrar no jardim de infância, apesar de tudo Beth gostava de mim. » — Quando Gwen me fez chorar, Beth pegou minha mão e disse: que ela me amava. Quando os amigos de Gwen me disseram que eu não podia brincar nos balanços, Beth os empurrou e me disse que os balanços eram meus. Beth me ensinou o significado de ter amigos. Eu não sei o que diabos aconteceu entre a terceira série e agora, mas sou grata por ela estar aqui a coisa é : eu te amo e eu a amo, mas eu juro por Deus que eu vou chutar o seu traseiro se você machucá-la. Lacy tinha jogado demais para processar , então eu me concentrei no que sabia. — Você vai chutar meu traseiro? Ela abri um sorriso. — Ok, talvez não, mas eu vou ficar com raiva e não gosto de ficar com raiva de você. Eu não gosto que ela esteja com raiva de mim. — Ela vem comigo para a festa. A decepção nublando seu rosto. — Desafio ou encontro? — Desafio. — Não estou mentindo para os meus amigos. — Mas Beth sabe. — Se ela sabe, não que quebra as regras? Eu dou de ombros. — Nós não temos um livro de regras.

206

206


Traduzido por Uly Santos

A luz da varanda foi acesa e a porta se abre. Através da chuva, apenas vejo a mãe de Lacy. Aceno com a mão. E segundos depois, me cumprimenta de volta. — Ela acha que tudo é Chris e eu fazemos é nos carros. — Lacy agita a mão descartando qualquer discussão sobre ela e Chris se beijando em carros, o que está bom pra mim. Prefiro pensar em Beth. Quem é ela? A garota que Lacy jura ser um verdadeiro amigo? A menina com o cabelo loiro que amava fitas e fantasias? A garota que se arrasta sob a minha pele e fica? A garota que é forte o suficiente para me dizer o que realmente pensa de mim? A garota que parece tão pequena e indefesa que às vezes me pergunto se ela pode sobreviver no mundo em por sua conta? Lace pode me odiar por estas palavras, mas tem de ser ditas. — Talvez Beth não seja quem você pensa que é. — Engraçado — Lacy diz. — Eu estava prestes a dizer o mesmo.

207

207


Traduzido por Uly Santos

Beth Ryan muda de velocidade quando o pavimento termina e as rodas do Jeep batem no cascalho. O vento chicoteia meu cabelo em meu rosto e pescoço, me picando como os minúsculos tentáculos de uma água-viva. Ele acende os faróis quando o sol se põe mais baixo no oeste, fazendo com que os bosques que nos rodeiam caiam em sombras. Além das saudações felizes forçados que nós trocamos sob o olhar atento da minha tia, Ryan e eu não dissemos nada ao outro desde que ele me pegou. As coisas que ele pronunciou para mim há duas semanas, ainda dói, eu não era nada mais do que um desafio. As ofertas de amizade, os sorrisos, as palavras agradáveis— tudo jogos. No fundo, eu sempre soube disso, mas parte de mim esperava mais. Eu me permiti esperança. Estúpida Beth cometendo outro erro estúpido. A história da minha vida. — Você sabe, é rude mandar mensagens de texto enquanto você está saindo com outra pessoa. — Ryan repousa uma mão em cima do volante e se inclina confiante em direção à porta. — Especialmente quando te salvei. Ignoro Ryan e olho para o meu celular. Devendo a ele, eu concordei em passar uma hora com ele na festa. Eu nunca concordei com conversar. A imersão constante e o balanço no Jeep faz a leitura dos textos de Isaiah quase impossível. É a primeira vez que eu tive a coragem de abrilos. Cada mensagem diz a mesma coisa: Eu sinto muito. Eu também. Lamento que confiei nele. Lamento que me traiu. Lamento que pensei que poderia ler sua mensagem sem que meu coração palpitasse como se um enxame de abelhas o atacasse. Quero que esse pesar desapareça. Quero que a dor desapareça. Como posso perdoalo por dizer a Ryan meu segredo? Como posso perdoa-lo por me forçar

208

208


Traduzido por Uly Santos

a deixar a minha mãe? E pior ainda, como posso falar com ele agora que sei que me ama e sei, mais além das palavras, que não sinto o mesmo? Minha garganta se aperta. Isaiah é meu seguro. Sempre foi. É esse lugar onde caio quando o mundo se torna um caos. Houve ocasiões onde pensei que, quem sabe podíamos ser mais, mas então… me congelei completamente. Isaiah e eu estávamos destinados a ser amigos e agora estou perdendo a meu único amigo. O telefone vibra em minhas mãos. É como se ele sentisse que finalmente estou no outro lado. Ligue. Atenda. Por favor. Jogo o celular no piso do Jeep de Ryan. Responder a Isaiah só incrementaria a dor— para ambos. Ryan se concentra no caminho, parecendo metido em seus pensamentos. Desejaria ter sua vida. Sem dor. Sem problemas. Só alegria e liberdade. — Você está bem? — Ryan me apanha olhando fixamente. Eu me lembro que a sinceridade derretendo nos seus olhos castanhos não é real. Atletas são bons em fingir. Seu cabelo se destaca por trás do boné de beisebol que ele usa para trás. Ele desloca as engrenagens novamente e os músculos de seus braços ondulam com o movimento. É uma espécie sexy. Não um movimento sexo, Ryan é sexy. — Por que estamos em uma estrada de terra? Será que vamos chegar oficialmente ao fim da civilização? — É uma estrada de cascalho. — diz Ryan. — Este é o caminho para a minha casa. Sua casa. Por favor. Esse bastardo do Luke de minha antiga escola me “mostrou” sua casa também. — Não estou fodendo com você. — Você fala tão bonito. Você deve ter tido a todos os garotos comendo na ponta de seus dedos em Louisville. — Flexiona seus dedos e retoma ao volante antes de falar com-total-naturalidade. — Este é o caminho mais rápido para a festa.

209

209


Traduzido por Uly Santos

Ryan me odeia e não o culpo. Me odeio. O que odeio mais neste momento é essa parte de mim que gosta de Ryan. Ele se arriscou por mim como o príncipe faz pela princesa nos livros de contos de fadas que Scott costumava ler pra mim quando era menina. Não sou uma princesa, mas Ryan é um cavalheiro. Só que pertence a alguém mais. — Tem certeza de que está bem? Você está pálida. — Estou bem. — Eu odeio o quão acentuada as palavras saem. Fabuloso. Eu gritei para ele. Agora eu posso sentir um lixo por isso também... Ryan passa como uma brisa pelo que suponho que é a sua casa é grande de um andar com uma garagem enorme ao lado dela, e muda de velocidade novamente quando atingi a grama. O Jeep sacode para a frente, me jogando no banco como se eu estivesse em uma montanha russa. Eu me agarro ao teto do lado do passageiro e Ryan ri. Um sorriso louco ilumina seu rosto e mais uma vez, encontro a mim mesma atraída por ele. Não mais se afastando de mim, Ryan senta direto, com uma mão no volante, outra na marcha à medida que descemos uma colina com um riacho. O Jeep acelera como se fosse uma bola de neve à beira de uma avalanche. Eu posso ver as possibilidades. A colisão. A água. Os empurrões. A sujeira. Meu coração bombeia mais rápido no meu peito e, pela primeira vez em semanas eu me sinto viva. O motor ruge e ele pressiona mais o acelerador. O Jeep atinge as rochas. Ryan e eu gritamos e gritamos enquanto sprays de água atigem o para-brisa, nos deixando cegos. Ele empurra o jeep para a frente, mais rápido, além do riacho, sobre as rochas. Ousa continuar, mesmo quando eu não tenho nenhuma ideia do que está do outro lado. Os limpadores de para-brisa ganham vida, limpando a nossa visão, e Ryan empurra o volante para a direita evitar uma árvore esguia. Ele entra em uma clareira e desliga o motor. Eu ouço o riso e sugo uma respiração quando eu percebo que é meu... e dele. Juntos. Parece bom. Como um tipo de música. Ryan tem aquele sorriso novamente. Aquele verdadeiro que faz meu estômago virar. Ele tinha no Taco Bell. Ele tinha quando Scott nos

210

210


Traduzido por Uly Santos

apresentou. Ele faz isso com tanta facilidade e por um segundo eu acredito que o seu sorriso é para mim. — Você está sorrindo. — diz ele. Eu distraidamente toco meu rosto como se estivesse surpresa com a notícia. — Você deve fazer isso mais vezes. É lindo. — Ele faz uma pausa. — Você é linda. Meu coração faz esta estranha vibração. Como se estivesse parando e começando ao mesmo tempo. Calor rasteja acima do meu pescoço e termina em meu rosto. Mas que diabos? Estou corando de novo? — Eu sinto muito. — Ryan mantém o sorriso permanente, mas este fica um pouco arrependido e seus olhos baixam, de forma tímida. — Não, isso foi divertido. — O mais divertido que tive em semanas. O mais divertido que tive sóbria... minha mente volta no tempo e eu venho de mãos vazias. A vida é uma merda sóbria. — Yeah. — Seus olhos se tornam distantes e o sorriso permanece no rosto, mas posso dizer que é um pouco forçado. Ele pisca e o sorriso torna-se natural novamente. — Sim. O riacho. Eu deveria ter dito que estava por vir. Ou ter ido mais lento. Por que não posso manter contato visual com ele por mais de um segundo? Eu não sei. A timidez atípica me faz sentir ae um pouco... afeminada? Eu entrelaço minhas mãos e me concentro nelas. — É sério. Está tudo bem. Eu me diverti. — Beth? — Ele hesita. — Podemos começar de novo? Eu olho para ele da cabeça aos pés. Ninguém tinha nunca tinha me oferecido fazer um novo começo antes. Acho que ninguém achava que eu merecia. Um estranho puxão dentro de mim levanta meus lábios e provoca uma sensação de flutuar durante cerca de três segundos. Bem consciente de que tudo na vida é curto, eu sinto o sorriso retornar e a tristeza cair. Ainda assim, aceito a oferta. — Claro.

211

211


Traduzido por Uly Santos

O som de um cara gritando chama a nossa atenção. Mais adiante da clareira um círculo de caminhonetes com faróis acesos e uma fogueira no meio. Os garotos da escola estão por toda parte. O que eu estou fazendo aqui? — Você está pronta? — pergunta. Não, mas fodi tudo quando tentei escapar. — Eu acho que sim. Enquanto não sou uma virgem de festas, uma festa no bosque com uma fogueira é uma primeira vez para mim. Um grupo dança na frente de um grande Jeep enferrujado. Outros pendurados perto da fogueira ou nas portas traseiras de caminhões. A instalação inteira tem uma qualidade de O senhor das moscas. Pelo menos a versão cinematográfica do livro. Ryan e eu andamos através da grama até o joelho e essa esmaga sob meu sapatos de imitação. Algumas das plantas mais longas esmagam contra mim, cortando a pele nua exposta por meu jeans rasgado. Odeio o campo. Quanto mais nos aproximamos da festa, mais lento eu ando e Ryan corresponde ao meu ritmo. A cada passo, ele preenche a distância entre nós e um par de vezes seus dedos roçam os meus. Borboletas vibram através do meu sangue e a parte da pequena garota estúpida dentro de mim queria que ele me tocasse. A outra parte o golpearia se o fizesse. — As festas te fazem se sentir incomoda? — pergunta. — Quando não me fazem sentir como Daniel caminhando para dentro da caverna do leão. Tento conter o meu sorriso quando ouço a surpresa em sua voz. — Você conhece a história? Graças à minha curta estadia na Escola Bíblica de Férias com Lacy, posso recitar a Bíblia, o Antigo e Novo Testamento, e alguns

212

212


Traduzido por Uly Santos

outros versos de forma aleatória. — Até o diabo sabe quem é Deus. — Você não é o diabo, Beth. — Você tem certeza? Aquele sorriso doce ilumina seus lábios. — Não. Rio. É uma boa risada. O tipo que vai fundo para baixo entre meus dedos dos pés e fazem cócegas em mim. O que sinto é ainda melhor é o som dele rindo comigo. — Vamos. Eu prometo que não vão te comer. Metade das garotas afirmam ser vegetarianas e eu posso cuidar dos garotos. — Faz a única coisa que eu esperava e temia: sua mão entrelaça com a minha e ele me puxa suavemente para segui-lo. Eu gosto do toque de sua mão. É quente. Forte. E eu sinto essa parte de mim que amava as fitas vive por alguns segundos e entrelaço meus dedos com os dele. Se eu aprendi uma coisa na Escola Bíblica de Férias, é que ressuscitar dos mortos é possível. Ryan caminha para uma van onde Cris e Logan estão sentados na porta dos fundos. Eles riem muito alto, em seguida, param quando me veem. Escondida entre as pernas de Chris, Lacy me dá um sorriso amigável. — A lama te chamou outra vez, Ryan? — Lacy pergunta. Ryan ri. — Sim. Lama? Como é que Lacy ... ? Eu olho para o minha roupa. Lama, por todos os lugares. Simplesmente ótimo. — Demônios. — diz Chris. — Você realmente a convenceu a aparecer. Você deu o seu número também?

213

213


Traduzido por Uly Santos

Pisco. — O quê? — Você está segurando sua maldita mão. Certo. Eu estou. Estúpido de minha parte. A aposta. Primeiro, o número de telefone. Depois o encontro. O passeio de Jeep me desorientou a uma momentânea perda de memória. Dor pica no meu coração e eu empurrar a menina com fitas para os recantos sombrios de minha mente. Algumas coisas nunca deveriam renascer. Me libero de sua mão. E para a oferta de Ryan para começar de novo. — Não deixe que ele leve você. — diz Chris enquanto passa um dedo pelo braço de Lacy. — Ryan é um sedutor. Noah toca Echo assim. É óbvio que Chris está apaixonado por Lacy desde a escola. Alguns caras tocam garotas que amam. Outros tocam garotas que usam. Os piores tocam garotas que ferem. Eu fico olhando para Chris e considero lhe dizer para ir se foder. No entanto, eu não consigo encontrar a raiva. Eu sou a idiota que entrou nesta situação. — Não deixe Chris chegar até você. — retruca Ryan. — Ele está irritado porque a merda sai de ambos os lados. Chris dá uma gargalhada. Ryan desliza um braço em volta do meu ombro e me leva pra longe do grupo. Hum- não. Eu posso ter caído em dar as mãos antes, mas eu não estou caindo por qualquer outra coisa. — Tire seu braço de cima de mim antes que eu arranque ele fora e bata a merda fora de você com ele. Estamos indo para a fogueira. Sinto-me pequena debaixo de seu braço maciço, como uma menina, e tal vulnerabilidade me deixa desconfortável. Em vez de deixar ir, Ryan facilmente me enfia debaixo de seu ombro. — Quando você beija os rapazes, eles caem mortos do veneno que

214

214


Traduzido por Uly Santos

vomita para fora de sua boca? — Eu gostaria, porque eu teria te beijado há dias. Eu não estou brincando, tire essa merda. — Não? Você tem desejo de morrer? Ryan caminha além da fogueira, e o pânico me varre quando ele me guia no meio da multidão espessa de pessoas dançando. — Você me deve uma hora. Lembra? Rap golpeia tão alto de uma caminhonete que o chão abaixo de nós vibra. Em torno de nós pessoas dançam. Se sacodem. Agitam. E ri. Eles se movem em ritmos hipnóticos. Pele contra pele. Corpo contra o corpo. Meu estômago se embrulha e estou sobrecarregada com a vontade de vomitar. — Vá se ferrar. Eu não estou fazendo isso. Ryan corre na minha frente, detendo meu retrocesso. — Que tal um acordo? Uma dança e sua dívida está paga. — Eu não danço. — É verdade. Não faço isso. Precisamente mais verdadeiro? Eu nunca dancei com um garoto. Ryan levanta uma sobrancelha cética. — Você não dança? — Não. A luz do fogo cintila contra a pele de Ryan , dando a seu rosto um brilho bonito de bronze. Ouro brilha em seu cabelo. Ele é lindo. Honestamente, ele é, e ele quer que eu dance. Poderia este dia ficar pior? Ryan para mais perto e pisca um sorriso sabe-tudo que o faz adorável e a mim fraca. Eu o odeio e eu me odeio por querer que ele me toque novamente. A música muda do super rápido para um pouco mais lento. Sua batida forte imita a batida frenética no meu peito. Ryan repousa a mão no meu quadril e seu calor se infiltra em minha pele e causa arrepios em minha corrente sanguínea. Ele abaixa os lábios na minha orelha e seu

215

215


Traduzido por Uly Santos

hálito faz cócegas em minha nuca. — Dance comigo Beth. —Não. — Eu definitivamente estou aprendendo a enfraquecer. Eu sussurrei a resposta. Poderia também ter os olhos aterrorizados. Isso é um erro, Beth. Um enorme erro gritante. Basta correr! Ryan coloca a outra mão na parte inferior das minhas costas e molda seu forte corpo contra o meu. Inalo e dou boas vindas para a essência da terra quente e chuva de verão. Ryan cheira... delicioso. — Isso funcionaria melhor se você me tocasse. — Ele diz. Descanso as mãos em seus ombros. Da maneira que eu vi Echo fazer uma vez quando Noah a puxou da cama para dançar. Minha pele formiga. Tocar Ryan, oh Deus, é muito... muito íntimo. — Estou fazendo isso só porque eu lhe devo. — Está tudo bem. — No ritmo, Ryan move os quadris de um lado para o outro. Sua mão desliza de um centímetro mais baixo e a pressão suave que exerce sobre minha coxa desperta meu corpo para balançar a tempo com a seu. Nossos pés nunca saíram do chão, mas, eu juro, eu estou voando. Ryan murmura novamente: — Eu estou dançando com você porque eu amo o olhar em seu rosto. Imagine. — Você adora assistir me fazer de boba? — Não. Amo olhar a garota que Scott e Lacy dizem que você pode ser.— Me olha fixamente como se estivesse vendo por debaixo de minha pele e meu coração bate fora de meu peito tão violentamente que ele tem que sentir. Meus nervos se transformam em carne viva. De alguma maneira, Ryan está me vendo e estou exposta, como se eu estivesse nua diante de uma grande janela aberta. Minhas mãos escapam de seu pescoço, mas quando eu tento dar um passo para trás, ele agarra minha cintura, rejeitando a minha fuga.

216

216


Traduzido por Uly Santos

— Ryan! Eu me perguntava quando você havia chegado aqui. O som de uma voz muito familiar cria o mesmo choque elétrico de quando eu enfiei meu dedo em uma tomada na parede, quando eu tinha quatro anos. Meu corpo retoma o controle, em seguida, se afasta de Ryan. Gwen usa um vestido de verão vermelho com estampa de flores brancas. Seus lábios se curvam ante meus sapatos de imitação, meus jeans usados e camiseta negra. Conecta seu braço com o de Ryan. — Você não se incomodaria se eu roubar o Ryan por um momento, não é verdade? Há algumas coisas que precisamos discutir. Eles parecem bem juntos. Bem combinados. Como um casal deveria ser. — Ele é seu.

217

217


Traduzido por Uly Santos

Ryan Segundos atrás, Beth e eu compartilhamos alguma coisa ... Um momento, uma conexão. Eu vi isso em seus olhos. Algo real. Agora que ele se foi. Beth se afasta de mim e vai na direção de Lacy, Chris, e Logan. — Beth. Espere. Ela me encara novamente, mas caminha para trás, longe de mim. — Não se preocupe. — Ela diz com um a voz um pouco aguda. — Eu não vou desaparecer. — Deixe-a ir. — diz Gwen. — Você pode conversar com ela mais tarde. Deixo Beth ir, mas só porque eu me lembro do quão persistente Gwen pode ser. Ela vai me seguir até que ela complete sua missão. — O quê? — Você não tem que ser arrogante. — Ela repreende. — Eu não sou. — Perto da linha das árvores, noto Tim Richardson e Sarah Janes. Sarah balança e ri um pouco alto demais. — Sim, você é. Conversas inúteis. Essa é outra razão pela qual terminamos. — Sarah está bêbada? Gwen olha por cima do ombro para Sarah e depois se foca em mim. — Yeah. Ela estava bêbada antes de chegarmos. Então, eu estava pensando, deveríamos caminhar no campo de futebol juntos para a festa de boas vindas. A multidão gosta de casais. — Nós não somos um casal. — Tim coloca a mão na bunda de Sarah e ela para de rir. — Sarah e Tim estão saindo? — Não. Ela acha ele sujo, mas ela está bêbada e, bem, ele é o Tim. De

218

218


Traduzido por Uly Santos

volta para mim e para você. Éramos um casal e talvez devêssemos tentar de novo. Você sabe, quando você tiver terminado de experimentar com Beth. Quero dizer, você não tem que ir a todas as suas práticas, não é? Ryan... Ryan? Por que você continua olhando por cima do meu ombro? Sarah coloca as mãos sobre o peito de Tim e o empurra. Ele não se move, mas eu sim. — Com licença. — Murmuro para Gwen. Ela bloqueia o meu caminho e eu paro, irritado por ela ainda está aqui. — O quê? — Você ouviu o que eu disse? Algo sobre o baile de boas vindas e Beth. — Podemos falar sobre isso depois? — Sarah empurra Tim outra vez. — Sua amiga precisa de ajuda. Quando Gwen da um passo para o lado e avanço até a linha das árvores. Tim se torna mais suscetível e Sarah continua o golpeando. — Ei, Tim — digo. — Acho que Sarah quer voltar pra festa. — Não, estamos bem — responde Tim. Sara golpeia suas mãos pra longe. — Me Solte. — Tim — digo em um tom baixo. Confirmarei minhas palavras com ações e ele sabe. Tim solta Sarah e seu peito incha enquanto a observa tropeçando de volta para a festa. Me preparo ampliando minha postura. Tim possui uma reputação por sua dedicação a equipe de futebol e por sua ira de quando está bêbado. — Qual é seu problema, Ryan? — Nenhum enquanto você de a Sarah seu espaço. Ele descuidadamente faz sinal pra mim, e cambaleia. — Você a fez

219

219


Traduzido por Uly Santos

pensar que queria espaço. — Vamos, Tim. Vamos voltar pra festa. Tim roda seu braço para trás. Está buscando uma briga. Eu não. — Sabes o que eu acho? — pergunta. — Acho que deveríamos voltar. — Acho que você tem problema com as garotas. Minhas costas endurecem. — O que você disse? Seus lábios se elevam em um sorriso. — Sim — diz — Você tem um problema com as garotas. Você largou Gwen e ela é quente. Você é gay, cara? A raiva acende dentro de mim enquanto meus músculos apertam para correr adiante, dedos delicados se envolvem ao redor do meu braço. — Não vale a pena — diz Beth em uma voz suave. Chris e Logan deslizam entre eu e Tim, uma barreira de pele, músculo, e osso entre o cara que quero golpear e eu. Tim continua a me insultar. — Homens de verdade não são salvos por garotas. — Está bêbado — anuncia Logan em uma voz entediada. Do outro lado de Logan, Tim estende as mãos. — Venha me pegar, Ryan. Prove que você é um homem. Meus punhos se apertam e dou um passo mais perto. — Estou no jogo. Vamos fazer isso. Chris empurra contra meu peito, mas a pressão não faz quase nada para me conter. Ele grita para Beth: — Tire-o daqui!

220

220


Traduzido por Uly Santos

Seus dedos se entrelaçam com os meus e essa suave voz feminina atravessa a raiva. —Vamos. — Meus olhos alternam até ela. — Ryan — diz —, por favor. Seu único por favor, atravessa o caos desorientando meu cérebro o suficiente para me impulsionar na direção oposta a de Tim. Reforço meu aperto na mão de Beth e a levo de volta a meu jeep, mas não antes de agarrar um six-pack de cerveja da geleira. Seus dedos continuam entrelaçados aos meus enquanto caminhamos através da grama alta sem dizer uma palavra. Eu a solto quando chegamos ao jeep e ambos subimos. Meu coração sangra e a raiva amaldiçoa em minhas veias. Ligo o motor e saio a toda velocidade da clareira. Meu irmão se foi. Meu irmão é gay e se foi e nunca vai voltar. Meu pai age como se ele nunca tivesse existido. Minha mãe é miserável. Meus pais — pessoas que uma vez se amaram— odeiam um ao outro. Conduzindo ao lado de um riacho, espero por uma parte um pouco mais rasa antes de atravessar. Já torturei Beth demais. Com este jeep. Com minha presença. Isaiah disse que a fiz chorar. Meus dedos se apertam no volante. Beth tem razão — sou um idiota. Vou levá-la para casa, em seguida, vou para o campo atrás da minha casa. E vou beber. Por mim mesmo. Beber não pode desfazer a história, mas vai me fazer esquecer por algumas horas. Eu empurro o volante para a esquerda quando ouço o barulho do riacho em retração. A água lambe os pneus enquanto eu atravesso, mas no momento em que alcanço o outro lado, eu sei que estou ferrado. Lama. Muita lama. Lama profunda. Eu pressiono o acelerador e puxo o volante para a direita para tentar forçar os pneus dianteiros em terra firme antes que a traseira se afunde, mas é tarde demais. Os pneus traseiros lamentam e detém todo o progresso.

221

221


Traduzido por Uly Santos

— Merda! — Eu bato minha mão no volante. Sabendo que o conflito vai nos arrastar mais fundo, eu cortei o motor. Eu estou preso. Eu arranco o chapéu da cabeça e jogo no chão. Isso resume tudo, estou no fundo e eu estou preso. Minha perna afunda o pé na lama. Beth vai estar cheia de palavras coloridas quando eu disser a ela que vamos ter que andar. A lama atua como concreto de secagem lenta tornando cada passo quase impossível. Minha calça jeans esfregar e chapinha na imundície. Sou um completo desastre, mas eu não tenho que deixar Beth ficar suja. Eu não fui muito um cavalheiro com ela. Na verdade, eu tenho sido o oposto. Não que a sua personalidade brilhante tenha facilitado. Eu abro a porta e abro os braços. — Venha aqui. Sua testa enruga. — O quê? — Eu vou levá-la para fora da lama. Ela levanta uma sobrancelha incrédula. — O espetáculo acabou, Bat Boy. Já não tem mais que ser legal comigo. Sem humor para sua boca o um argumento, deslizo meus braços debaixo de seus joelhos e a levanto para fora do assento. Ela não estará me irritando todo o caminho até em casa porque arruinei seus sapatos. — Espera! — Beth se sacode em meus braços e agarra o jeep. Não pode permitir que eu seja agradável pelo menos uma vez? — Maldição, Beth, deixa eu te ajudar. Me ignorando, Beth se inclina no lado do passageiro. A parte de trás de sua blusa sobe, expondo sua pele suave e símbolos chineses tatuados ao longo de sua coluna. Meus olhos seguem o caminho dos símbolos até que desaparecem em seus jeans. Rápido demais para mim, ela se reclina em meus braços, com dois six pack de cervejas aninhados em seu peito. Meus olhos alternam entre a cerveja e Beth. Ela da de ombros. — Um six não é suficiente.

222

222


Traduzido por Uly Santos

Para mim, é suficiente. Não quero um companheiro para beber esta noite e se quisesse, não seria com ela. Chuto a porta para fecha-la e nos movemos para fora da lama. Beth é leve. Pesa quarenta e cinco, talvez quarenta e sete molhada. — Você está obsecado em me tocar — ela diz. Empurro Beth para ela se calar. As latas de cerveja fazem um som metálico juntas quando ela as manipula para que não caiam de seu colo. — Reajustando. Beth se cala, mas posicionou sua cabeça perto da minha. Olho fixamente para frente e tento não me focar na doce essência de rosas vagando em seu cabelo. — Você está obsecado em me tocar. Poderia ter me descido a muito tempo. Perdido em minha própria cabeça, não havia notado que havíamos entrado no bosque de seu tio. — Me desculpe. Ponho Beth sobre seus pés, arranco ambos os six-packs de suas mãos, e sigo na direção de sua casa. Scott fez tudo exceto comprar sinais publicitários anunciando que o álcool estava fora dos limites para Beth. Para sorte dela, dirigi ao longo do córrego da propriedade do Scott. Se não, poderia ter sido um inferno de uma caminhada — para ela. Algo me diz que ela não é do tipo amante do ar livre. Ela fica uns passos atrás de mim e aprecio o silencio. Os grilos de outono cantam e uma leve brisa sussurra através das folhas das árvores. Direito ao longo da próxima colina está o pasto de Scott e seu celeiro atrás. Um galho se encaixa atrás de mim enquanto Beth corre para o meu lado. — Para onde vamos? — Estou te levando pra casa.

223

223


Traduzido por Uly Santos

Um aperto leve puxa meu bíceps. — O inferno que você está. Eu paro, não por causa do toque de Beth, mas porque acho sua tentativa de me parar fisicamente divertida. — Você cumpriu sua obrigação. Você veio para a festa, agora eu vou te levar para casa. Estamos quites. Eu não tenho de ver você. Você não tem que me ver. Beth morde o lábio inferior. — Eu pensei que nós estávamos começando de novo. Mas que diabos? Não é isso que ela queria ser deixada em paz? — Você me odeia. Beth não diz nada, não confirma nem nega o que eu disse, e o pensamento de que as minhas palavras sejam verdadeiras faz meu coração se apertar. Dane-se. Eu não tenho que entendê-la. Eu não preciso dela. Eu viro as costas para ela e avanço-através da grama alta do pasto, em direção ao celeiro vermelho. — Alguma vez você já bebeu sozinho? — Ela pergunta. Eu congelo. Quando eu não respondo, ela continua. — É uma merda. Eu fiz isso uma vez, quando eu tinha quatorze anos. Faz você se sentir pior. Sozinho. Meu amigo... — Ela vacila. — Meu melhor amigo e eu concordamos que nós nunca beberíamos sozinhos novamente. Nós prometemos que cuidaríamos das costas um do outro. É estranho ouvir Beth falar tão abertamente e parte de mim deseja que ela volte a ser boca suja e rude. Ela parece menos humana. — Existe uma razão para você está me dizendo isso? A grama range enquanto ela agita. — Seis dessas cervejas são minhas e eu tenho um pouco mais de quatro horas para o toque de recolher. Eu acho que eu estou dizendo que poderíamos ter uma trégua por hoje à noite e nem um de nós tem que ficar sozinho. — Seu tio Scott iria me crucificar. — O que ele não sabe não vai machucá-lo.

224

224


Traduzido por Uly Santos

Eu olho por cima do ombro e observo como ela serpenteia através do fluxo de grama para chegar até mim. — Eu juro que tenho mais a perder do que você. Ele não vai saber. Lama mancha seu rosto, endurecem nas pontas de seu cabelo, e mancham suas roupas. Metade dessa lama Beth ganhou em nossa viagem dentro do riacho. Eu deveria ter dito a ela como estava antes de irmos para a festa, mas Beth estava rindo. Eu egoistamente resisti no momento. Acima de tudo isso, Isaiah disse que a fiz chorar. Avalio a pequena beleza na minha frente. Há mais nela, sei que há. O vi em seus olhos quando ria comigo no jeep. O senti em seu toque quando dançávamos. Devo estar ficando louco. — Uma cerveja.

225

225


Traduzido por Uly Santos

Beth A palha é macia para se deitar. Mais ou menos áspera. Confortável. Ótima para flutuar. Cheira a mofo e poeira e sujeira. Os cantos dos meus lábios vacilam em um momento de alegria. Mofo. Poeira. E sujeira. Essas palavras fluem bem juntas. Olhando fixamente para as sombras da luz criada pela lanterna de acampamento que Ryan encontrou no canto do celeiro de Scott, eu inalo profundamente. Estou finalmente drogada. Não drogada de erva. Ryan é muito puritano para isso. Flutuando por álcool seria uma descrição melhor. Três cervejas. Isaiah iria rir pra caramba. Três cervejas e eu estou flutuando. Acho que é o que acontece quando você ficar sóbria por um par de semanas consecutivas. Isaiah. Meu peito doi. — Meu melhor amigo está irritado comigo e eu estou irritada com ele. — Sou a primeira a romper o silencio alem dos clics e dos silvos das latas de cerveja se abrindo e os sussurros e murmúrios dos pássaros no teto. — Meu único amigo. Em câmera lenta, Ryan gira sua cabeça para me olhar. Sentado no chão com o tronco inclinado descuidadamente em uma pilha de feno embalado. Um brilho cobre seus olhos castanho-claros. Eu lhe dou um grande reconhecimento. Um pacote de seis cervejas, e o garoto me tem bêbada debaixo da mesa.

226

226


Traduzido por Uly Santos

Correção sob os fardos de feno. — Qual deles? — Isaiah. — digo— E meu coração se retorce. — É a cara com as tatuagens. — O outro é seu namorado? Eu queria rir. Em vez disso, saiu como um grunhido e um soluço. Ryan ri de mim, mas eu estou tão alta que não me importo. — Noah? Não, ele é loucamente apaixonado por uma garota louca. Além disso, Noah e eu não somos amigos. Nós somos mais como irmãos. — Sério? — Descrença escorre de Ryan. — Vocês não se parecem. Eu aperto minha mão freneticamente no ar. — Não. Nós não somos família. Noah não me suporta, mas me ama. E defende. Como irmãos. Amor. Deliberadamente bato minha cabeça contra o chão em frustração. Isaiah disse que me amava. Buscando nos corredores cheios de tarântulas minhas emoções e tento imaginar amando-o também. Tudo que eu vejo é um buraco vazio. É isso é que é o amor? Vazio? Ryan estreita os olhos em uma expressão profunda, mas seis cervejas em uma hora me dizem que ele, provavelmente, está perdido no espaço. —Então você não tem namorado? — Não. Ryan abri outra cerveja. Eu começo a protestar porque ele se infiltrou no meu estoque, mas decido não fazer. Quero ficar alta, não vomitar. Eu tenho que voltar para Scott em três horas e coerência será necessária. — Por que Isaiah está irritado com você? — pergunta. — Ele me ama — digo sem pensar e imediatamente me arrependo. — E outras coisas. — E você o ama também? — Isso é o mais rápido que Ryan respondeu desde sua segunda cerveja.

227

227


Traduzido por Uly Santos

Suspiro profundamente. Eu amo? — Me atiraria na frente de um ônibus para empurra-lo para fora do caminho. — Se isso o salvasse. Se o fizesse feliz. Isso é amor, certo? — Eu faria isso por muitas pessoas, mas isso não significa que as ame. — Oh. — Oh. Então não tenho nem ideia do que é o amor. — Que outras coisas? — Ele me incita. Outras coisas? Ah sim, Ryan perguntou por que Isaiah está irritado comigo. Sacudo minha cabeça pra frente e pra trás, fazendo rangir a palha. — Você não entenderia. Meus problemas… —Minha mãe —… Minha família não é perfeita. Temos problemas. Ryan ri e bebe sua cerveja. Me apoio em meus cotovelos. — O que é tão engraçado? Ryan inclina para trás a cerveja e eu assisto o movimento de sua garganta enquanto ele engole. Ele esmaga a lata vazia na mão. — Perfeito. Família. Problemas. Irmãos gay. Obviamente já não estamos falando de Isaiah e de mim. — Você está bêbado. —Bom. — Mesmo bêbado, a dor que vi antes quando me carregava fora de seu Jeep escurece seus olhos. — É por isso que você estava na defensiva com o idiota do futebol? — Eu pergunto. — Porque você tem um irmão gay? Ryan joga a lata perto das outras vazias e esfrega os olhos. — Sim. E se você não se importa, eu prefiro não falar sobre isso. Ou falar sobre qualquer coisa. — Tudo bem. — Eu posso fazer silêncio. Meus braços caem sobre minha cabeça enquanto eu me atiro de volta para a palha. Isaiah me deixava falar. Eu poderia falar sobre qualquer coisa... fitas e vestidos, e ele me

228

228


Traduzido por Uly Santos

aplacaria quando eu questionasse se era muito dura com Noah. Às vezes eu penso sobre como a vida seria se eu desse a Echo uma pausa. Quero dizer, ela faz Noah feliz e Isaiah gosta dela. Às vezes, ela é legal. — Você está falando. — diz Ryan. — Na verdade, você tem falado desde que você terminou a sua primeira cerveja. Eu pisco e fecho minha boca, não tinha me dado conta que eu havia dito algo. Um pássaro preto bate suas asas, criando uma sombra sobre o teto. Imagens de um anjo da morte vindo para destruir a todos nós entra em minha mente. O pássaro se torna mais agitado e os outros pássaros voam para uma viga do lado oposto do celeiro. Ele decola para o alto e bate na parede, mergulha, voa através do celeiro, e se choca na parede oposta. Meu coração retumba com cada batida. Observo com os olhos arregalados e mãos trêmulas. — Nós temos que ajudá-lo. Eu salto para cima e tropeço em direção a porta do celeiro. Lutando para manter o equilíbrio, eu forço uma das portas abertas com um rangido alto. Eu me inclino contra a moldura da porta e espero o pássaro que está danificando a si mesmo uma e outra vez escapar. — Vá! Saia daqui! — Feche a porta. — diz Ryan. — Os pássaros são estúpidos. Se você quer isso, você vai ter que prendê-lo e arrastá-lo para fora. Eu gesticulo descontroladamente para a porta aberta. — Mas a porta está aberta! — E o pássaro está tão em pânico que ele nunca vai ver a abertura. Tudo o que você está fazendo é convidar o seu tio para vir aqui e nos encontrar. A menos que você esteja pronta para ir pra casa, feche a porta. O pássaro bate na parede de novo e uma das vigas nas proximidades vibra. Ele bate suas asas uma e outra vez, e então finalmente guarda suas asas para descansar. Meu estômago revira em tortura. Por que o pássaro não pode ver a saída?

229

229


Traduzido por Uly Santos

— Quem é Echo? — Pergunta Ryan. — Mas o pássaro... — Eu digo, ignorando sua pergunta. — Não entendo por que você está tentando ajudar. Se qualquer coisa, ele vê como uma ameaça. Agora, me diga, quem é o Echo? Respiro fundo e fecho a porta. Quero que o pássaro encontre a liberdade, mas eu não estou pronta para voltar para onde Scott está. Graças ao meu estado debilitado, a meio caminho, vou tropeçando até minha cama de palha. Maldito pássaro. Por que algo não pode ser fácil? — A namorada de Noah. — É um nome ferrado. — Ele diz. Eu rio. — Ela é uma garota ferrada. — Paro de rir e me lembro como Noah a olhava: como se ela fosse a única pessoa no planeta, o único que importava. — Mas Noah a ama. Isso deve ser amor: quando tudo mais no mundo poderia explodir e você não se importaria sempre e quando tivesse essa pessoa a seu lado. Isaiah está errado. Por muitas razões. Não me ama. Não pode. Para começar, não me olha da forma que Noah olha Echo. Além do mais, não sou digna desse tipo de amor. O pássaro esconde sua cabeça em baixo de sua asa. Entendo esse sentimento de desejar que o mundo fique longe. Se eu tivesse asas também me esconderia debaixo delas. — É só um pássaro, Beth. Ele vai encontrar o seu caminho para fora eventualmente. Algo profundo, escuro e pesado dentro de mim me diz que ele não vai. O pobre pássaro morrerá neste maldito celeiro e jamais verá o céu azul de novo. A palha se agita e Ryan cai ao meu lado, mandando poeira pro ar. Ele desajeitadamente rola para o meu lado para me encarar. Seu corpo quente toca o meu e seus olhos têm uma estranha intensidade. — Não faça isso.

230

230


Traduzido por Uly Santos

Meu coração tropeça sobre si mesmo. Ryan continua com o chapéu e eu gosto mais do que devia. Seu cabelo se estica loucamente na parte de trás e dá um charme juvenil para um rosto que pertence a um homem. — Fazer o quê? — Eu pergunto, envergonhada por minha voz que sai um pouco sem fôlego. Suas sobrancelhas se juntam e ele move sua mão perto do meu rosto. Ele para e minha respiração também. Ryan olha para os meus lábios e depois acaricia meu rosto. — Você faz muito isso. — Seu dedo desliza solidamente até a ponta da minha boca. Minha pele formiga sob seu toque. — Faz você parecer triste. Eu odeio isso. Sua boca se move para baixo. Suas bochechas perdem todas as cores. Você perde tudo sobre você que a faz...você. Lambo meus lábios e juro que ele está me observando. Seu dedo para antes de traçar outro provocador caminho por minha bochecha. Meu pulso acelera e um calor se propaga por meu corpo. Seu toque, oh Deus, é uma sensação boa. E a quero de verdade. Demais. Mas não quero ele. Ao menos, acho isso. — Me está me assediando? Seus lábios se transformam em um brilhante sorriso e ele retira sua mão. — Bem vinda de volta. — O que se supõem que isso significa? Ryan faz isso de novo, seu sorriso. O que faz meu estômago virar. — Eu gosto de você. — diz ele. Eu levanto uma sobrancelha. Ele deve ter fumado um pouco de crack mais cedo, ou talvez ele esteja usando essa porcaria de esteroides. O que eles chamam? Anabolizado. É. O garoto está definitivamente anabolizado. E bêbado. — Você gosta de mim?

231

231


Traduzido por Uly Santos

Ele balança a cabeça e é uma mistura desajeitada estranha de sim e não ao mesmo tempo. Ryan está bêbado. — Eu não sei. O seu jeito de falar. A sua maneira de agir. Sei o que vou conseguir de você, mas logo não sei. Quero dizer, você é imprevisível, mas eu sei que qualquer reação que você vai me dar é real, sabe? Oficialmente cortando ele, eu deslizo algumas de suas cervejas restantes e as escondo no feno enquanto ele tenta manter seus olhos em mim. Sua declaração de "gostar" o colocou na categoria de além de intoxicado e não há nenhuma maneira de que eu possa arrasta-lo para casa. — Você quer dizer que você gosta de saber que nossas conversas vão acabar comigo dizendo para você ir se foder? Ele ri. — Exato. — Você é estranho. — Igual a você. Ai ele tem razão. — Há algo que você não perfure? — Ryan olha para o meu umbigo. Minha camisa deve ter subido, expondo a joia vermelha pendurada no meu umbigo. No meu aniversário de dezesseis anos, Isaiah pagou pelo meu piercing no umbigo. Aos dezessete anos ele pagou pela minha tatuagem. Ambas as vezes que ele veio com o "consentimento". Isaiah é astuto assim. —Talvez sim. Talvez não. Os olhos de Ryan piscam para os meus e posso ver que ele entende a insinuação. Eu rio quando suas bochechas ficam vermelhas. — Quem é você, Ryan? — Você acaba de me perguntar quem eu sou? Concordo com a cabeça. — Por que um atleta estaria escondido comigo em um celeiro, bebendo cerveja, quando ele poderia estar transando com metade da população feminina da escola? Você não está se encaixando no perfil. Seus olhos procuram o meu rosto e ele ignora minha pergunta. — O que significa sua tatuagem?

232

232


Traduzido por Uly Santos

— É um lembrete. — Significa liberdade. Algo que eu nunca vou ter. Meu destino foi construído para mim antes mesmo de eu puxar minha primeira respiração. —Você está fazendo isso de novo. — diz Ryan. E ele me toca novamente. Desta vez, no meu estômago, mas seus olhos seguram os meus. Seu dedo levemente explora as bordas do piercing. Me faz cócegas. Me fascina. Levando minha nevoa interior para o alto. E é ai exatamente para onde quero ir, para o alto. — O que você diria, Ryan, se eu disse que não quero ficar sozinha? Seus dedos deslizam para o meu lado e sua mão quente se agarra à curva da minha cintura, levando a mim e a meu corpo lentamente em direção ao céu. — Eu diria que eu não quero estar sozinho também.

233

233


Traduzido por Uly Santos

Ryan A luz da lanterna treme, criando sombras sobre o rosto de Beth. Não há maneira de eu confundir a sugestão em seus olhos azuis cheios de maquiagem negra ou o convite de seus dedos ao traçar a curva do meu bíceps. Com seu cabelo escuro estendido sobre o feno dourado, me lembra uma versão moderna da Branca de Neve — lábios tão vermelhos como as rosas, pele tão branca como a neve. Acaso um beijo traria Beth da morte? Esta noite ela me mostrou breves resquícios da garota escondida debaixo de toda essa fachada. Quem sabe posso puxa-la ainda mais. Talvez se a beijar… não, nada de beijos. Não sou nenhum príncipe e este não é um conto de fadas. Esfrego minha cabeça, tentando conseguir alguma sensatez. — Você está bem? — ela pergunta. —Sim. — Não. Os pensamentos dentro de minha cabeça saltam e se afundam como ondas no oceano. Cada pensamento mais difícil de controlar que o anterior. — Está tudo bem. — A voz de Beth se torna suave, como se ela estivesse lançando um feitiço. — Você está pensando demais. Apenas relaxe. Devemos conversar. — Eu digo em uma corrida antes que o pensamento se afaste, mas a minha mão desenha outro círculo preguiçoso em seu estômago. Seus músculos ganham vida sob o meu toque, um arrepio de prazer, e eu desejo de agradá-la. — Não, nós não deveríamos. — ela responde. — Falar é superestimado. E eu aceno de acordo, mas o pensamento flutua de volta para a superfície: devemos falar. Eu lutei durante toda a noite, inferno, eu lutei desde que eu a conheci, mas eu gosto quando Beth fala, porque ela se torna real, ela se torna mais. Eu gosto de mais. Eu gosto dela. O que eu realmente gosto é a forma como a sua pele suave brilha à luz

234

234


Traduzido por Uly Santos

da lanterna, como ele se sente mole contra meus dedos. Beth lambe os lábios de novo e minha cabeça se inclina na expectativa. Sua boca brilha agora e eu memorizo a forma perfeita enquanto imagino seus lábios roçando os meus. O feno agita sob Beth quando ela levanta a cabeça. Meus sentidos são inundados com o cheiro de rosas. — Beije-me. — diz ela. Apenas um beijo e seu feitiço escuro, que tem sido aperfeiçoado ao longo do tempo, que a funda constantemente, será quebrado.

235

235


Traduzido por Uly Santos

Beth Minha blusa se levanta ainda mais quando Ryan acaricia a pele nua do meu estômago. Ele se angula para mais perto de mim e imediatamente estou esmagada pelo tamanho de seu corpo. Meu sangue se vibra com a emoção. — Você é suave — Sussurra. Entrelaço meus dedos em seu cabelo, guiando sua cabeça até a minha. — Você fala demais. — Eu faço — ele concorda e seus lábios finalmente encontram os meus. É um beijo inocente a principio. Um suave encontro de lábios; uma delicada pressão que cria um lento ardor. O tipo de beijo que se da a alguém que significa algo. Este não é o tipo de beijo que se desperdiça comigo. Mas ainda assim, o prolongo tomando seu lábio inferior nos meus e tocando seu rosto liso. Durante este único segundo, o sentirei. Permitirei a mim mesma fingir que Ryan se preocupa comigo. Que sou a garota digna deste tipo de beijo, e justo quando sinto a emoção se fazer cada vez mais forte, ganhando terreno, me separo. Ryan traga saliva e permanece me olhando. Pressiono meus lábios com os dele inocentemente uma última vez, depois deslizo minha língua entre seus lábios. Faíscas chiam no ar imediatamente quando abrimos nossas bocas, famintos por mais. É uma tempestade de raios de beijos famintos e sons de felicidade. Cada um de nós se alimenta do outro, simplesmente construindo uma tempestade maior — uma nuvem de tempestade a ponto de explodir. Minhas mãos vagam por suas costas, agarrando a borda de sua camiseta, desejosa de explorar os gloriosos músculos debaixo dela. Ryan segue meu exemplo e fica no ritmo. Ar frio pica em minhas costas enquanto ele passa o braço por debaixo de mim e tira minha blusa por cima da minha cabeça.

236

236


Traduzido por Uly Santos

Ryan se detém por um segundo. Seus olhos encontram os meus hesitantes, rapidamente reclamo seus lábios. Ele responde, mas por pouco. Está pensando outra vez e se seguir seus pensamentos perderei minha oportunidade de algo maior. Eu passo minha mão por sua espinha, um leve toque, uma dança que atravessa para o lado de sua cintura, sobre seu quadril, e à direita, os dedos fazendo círculos, Ryan geme e ingressa novamente no jogo. Minha boca se inclina sob o seu beijo. Eu amo o som de seu gemido. Eu amo como suas mãos memorizam minhas costas e ousam mais baixo para as minhas coxas. Eu amo como nós já estamos além do pensamento coerente. Eu amo flutuar. Nós rolamos e eu ajudo Ryan a perder sua camisa. Em questão de segundos, nossas pernas estão entrelaçadas. Minhas mãos entrelaçam em seus músculos enquanto Ryan generosamente trilhas beijos quentes ao longo da minha nuca. Ele se torna ousado, baixando pouco a pouca a alça do meu sutiã. E recompenso a ousadia. Nós perdermos o controle rapidamente, tão rápido que passamos de flutuando para voar. Aspiro e tudo que eu cheiro é Ryan: o doce aroma de chuva de verão. Estou tão tonta que eu poderia quase rir, estou finalmente alta. Mais alta do que eu já estive, sem drogas, mais alta do que eu já estive com outro cara, mais alta do que... A mão de Ryan desliza para embalar meu rosto, com a palma da mão quente toca meu rosto. Sua cabeça continua e nós dois tentamos respirar enquanto ele descansa sua testa contra a minha. Ele está fazendo uma pausa e eu não gosto de fazer uma pausa. Pausa significa pensar. — Você é linda. — diz. Suas mãos ainda exploram, seus lábios ainda exercem uma leve pressão contra a minha pele. Talvez ele não esteja parando. Talvez ele esteja... o que? O que ele está fazendo? Seu corpo diz uma coisa, mas sua boca diz outra. — Sem falar. Eu não quero falar. Eu quero subir mais. Eu quero ir mais além. Ryan escova meu cabelo para longe do meu rosto e meu coração

237

237


Traduzido por Uly Santos

vibra. — Eu gosto de você. — diz ele no meu ouvido. — Eu gosto de você, Beth. Todo o movimento para quando os cantos dos meus lábios puxão para um sorriso tímido. Ele gosta de mim. Ele gosta de mim e eu gosto dele e... Todo o ar corre para fora do meu corpo, deixando meus pulmões em uma luta dolorosa pelo ar. Meus dedos enrolar em um punho e eu empurrar o peito de Ryan. — Deixe-me ir. Em vez disso, seu poder sobre mim aperta. Seus olhos claros embaçam e jogam dardo sobre o meu rosto, procurando o problema. — O que há de errado? — Deixe-me ir! — Eu grito e ele imediatamente me libera. Com minhas mãos e joelhos, eu luto para longe dele... longe de mim... apenas distância. Eu sou estúpida. Tão estúpida. Ryan não gosta de mim. Ele não faz. Como eu poderia deixar minhas emoções se envolver? Por que eu não poderia apenas usá-lo para ir mais alto? Agarro minha blusa e saio pela porta. Atrás de mim ouço o farfalhar do feno enquanto Ryan luta em seu estado debilitado para se por de pé. — Beth… espera! Sinto muito! Por favor. Na porta, eu hesito. Os outros caras, os que eu usei para sentir algo físico, nunca se desculparam. Eles nunca me pediram para ficar. Eu arrisco um olhar sobre o meu ombro e meu estômago torce quando vejo a agonia em seu rosto. Ryan tem uma mão estendida para mim. — Por favor. Fale comigo. Falar, é o que me levou a esta situação. É o que transformou o que deveria ter sido nada em algo. Parte de mim implora para ficar e falar. Em vez disso, eu fujo para a noite escura. Ficar vai doer e correr é a minha única opção.

238

238


Traduzido por Uly Santos

Ryan Nós ganhamos hoje e eu não tenho nenhuma ideia de como. Durante todo o jogo, o sol machucava meus olhos. Minha cabeça martelou em um ritmo dolorosamente irritante. Por duas vezes, eu vomitei entre turnos. Jogar com ressaca levou o inferno para outro nível. Mesmo agora, eu luto contra a vontade de puxar o Jeep mais pro lado da estrada, deixar a minha cabeça bater no volante, e descansar, mas eu não posso. Eu gosto dela. Eu realmente gosto de Beth. No momento em que ela sorriu para mim no jeep depois que atravessamos o riacho, eu sabia. Sim, ela é dura, mas, ao mesmo tempo, ela não é. Ontem à noite, suas paredes racharam. Segurando-a enquanto nós dançamos, eu a vi — a bela garota que amava fitas. Quando ela entrelaçou os dedos com os meus para me impedir de lutar contra Tim, eu vi a menina que protegia Lacy na escola primária. No celeiro, eu escutei ela divagar sobre sua vida: Isaiah, Noah, Echo, e praias. Ao ouvir, eu encontrei uma pessoa leal àqueles que ama. Foi o primeiro vislumbre inédito em uma garota que mantém tudo dentro de si. Estou apaixonado por ela. Muito. E eu estraguei tudo no momento em que a toquei. Como pude ser tão estúpido? A luz do sol se infiltra através das árvores grossas que revestem a longa entrada de Scott Risk. Eu repeto as palavras que eu vou dizer quando Scott atender o porta. Eu não tenho uma desculpa para ver Beth. A verdade não vai ajudar: Oi. Peguei sua sobrinha ontem à noite, fiquei bêbado, fiquei com ela até que ela saiu correndo do celeiro, e eu aprecio a oportunidade para pedir desculpas a ela e convencê-la a dar-me um tiro. É. Eu vejo que a conversa vai bem. Inclinada para frente, com a cabeça entre as mãos, Beth está sentada na escada da varanda da frente. Meu estômago cai no chão do jeep. Eu fiz isso com ela. Beth me espreita pelo cabelo enquanto eu estaciono

239

239


Traduzido por Uly Santos

na frente da garagem. Ela se endireita e envolve seus braços em torno de seu estômago. — Hey. — eu digo quando me aproximo. — Como você se sente? — Como uma merda. — Ela está com os pés descalços e veste uma camisa de algodão roxo profundo que abraça sua cintura e um par de jeans excessivamente rasgados. Sua camisa desliza fora de seu ombro, expondo seu sutiã preto. Eu forço os olhos para olhar para longe. Torneime muito familiarizado com esse sutiã tentador noite passada. Eu paro no pé da escada e enfio minhas mãos em meus bolsos. Será que ela se sente como uma merda, porque ela também está de ressaca, ou porque ela se arrepende do que fez comigo? — Minha cabeça martelou durante todo o dia. Beth suga lentamente no ar e o libera, soprando alguns fios de seu cabelo em seu rosto. — O que você quer? — Você saiu correndo na noite passada. —Imagens da nossa noite juntos piscam na minha mente. Suas mãos puxando a minha camisa, quente na minha pele, mexendo no meu cabelo. Lembro-me de meus lábios em seu pescoço e o gosto doce de sua pele. A curva de seu corpo contra as minhas mãos. Suas unhas provocando minhas costas. — Eu queria ter certeza que você está bem. — Eu estou bem. — diz ela. Beth recua para trás na parede de tijolos. Fechada. Emoções cimentadas. Eu olho para ela. Ela olha para mim. Eu não tenho nenhuma ideia do que dizer. Ontem à noite, nós não estávamos realmente em um encontro. Foi um acordo. Ela não era minha namorada que eu lentamente trabalhei através das bases. Ela não era uma garota que levei para jantar algumas vezes e a beijei um pouco demais por muito tempo. Com Beth, eu cruzei linhas que um homem de verdade não haveria cruzado. — Eu sinto muito. — Pelo que?

240

240


Traduzido por Uly Santos

Seu olhar me faz sentir como se eu estivesse de pé na frente de um pelotão de fuzilamento, à espera de minha frase. — Porque... — Por que eu sinto? Por tirar sua camisa? Por beija-la até que pensei que ia a perder a cabeça? Toca-la? Senti-la? De todas as coisas em mi vida pelas quais posso estar sentindo, não estou sinceramente arrependido por nada disso. — Por me aproveitar de você. A ponta direita de sua boca levanta para cima, depois para baixo, e logo lentamente para cima outra vez. — Não fizemos sexo ontem à noite. O calor se estende até meu pescoço e me concentro em meus sapatos. — Eu sei. Uma parte de mim se sente agradecida de que ela se foi. No momento em que meus lábios encontraram seu corpo, rapidamente nos transformamos em um vulcão em erupção. Quente e rápido. Muito rápido.Tão rápido que eu haveria lhe dado minha virgindade.

241

— Então, por que se desculpa? Recolho minha coragem e a enfrento. — Você se foi. Apressada. E o que fiz... estávamos bêbados. Não fico bêbado e não tiro vantagem das garotas. Você se foi irritada. Cruzei linhas, e a forma com que você se foi... sinto muito. Beth clareia a garganta. —Ryan — estira meu nome, como se estivesse se dando tempo para pensar. — Fui eu a que se aproveito de você. Continuo. — Não, não se aproveitou. As garotas não se aproveitam dos garotos. Os garotos é que tomam vantagem das garotas. Seus lábios se franzem e se torcem para o lado enquanto nega com a cabeça. — Não. Me lembro claramente de te dizer que não queria estar sozinha. — E esse era o momento em que eu deveria ter me afastado. — Não queria que tivesse.

241


Traduzido por Uly Santos

— Mas deveria ter feito. É o que um homem honrável faz. Especialmente por uma garota que gosta. Beth me faz sinal com um dedo. — Olha, ai, é a onde você está confundido. Você não gosta de mim. Por que ela está fazendo esta desculpa tão complicada? Por que faz tudo tão complicado? —Sim, eu gosto. — Não, não gosta. Está dizendo a si mesmo que gosta. Eu fico louco encontrando uma maneira de escapulir por baixo da pele. — Isso não tem sentido. — Você se sente culpado por se conectar comigo, então está tentando se sentir melhor convencendo a si mesmo que gosta de mim, quando não é assim. — Que... — Quanto mais ela fala, mais minha mente se torna um caos desordenado. — Eu gosto. Eu. Gosto. Admito, você é irritante. Às vezes me leva a beira da loucura, mas pode me trazer de volta como ninguém mais. Quando você ri, me da vontade de rir. Quando você sorri, quero sorrir. Infernos, quero ser quem te faz sorrir. E você é bonita. Não, você é sexy, e ontem a noite foi... — Pare. — Beth estende a mão. — Você é um cara bom e você não quer pensar que você poderia ter feito algo que não é bom, certo? O que fizemos não foi ruim. Não era saudável, mas não foi ruim. Não leia mais nada para isso. — Os belos olhos azuis de Beth estão me suplicando. Suplicando! Ela quer que eu concorde com ela. — Se realmente se sente assim, então por que saiu correndo ontem a noite? A porta dianteira se abre e, com os olhos estreitos, Scott me olha do outro lado da contra porta. Beth o olha por cima do ombro e mantém seu olhar. Ele se afasta, deixando a porta aberta. Um nó se forma entre minhas omoplatas. Isso não é bom. — Você deveria ir — diz Beth. Provavelmente, mas não posso. Não com Beth me dizendo que não

242

242


Traduzido por Uly Santos

gosto dela. Não quando honestamente acredita. — Saia comigo outra vez, um encontro real desta vez. — Que? Subo três degraus e me sento a seu lado. Estávamos tão perto ontem à noite. Pele contra pele. Está a centímetros de mim, mas sinto como se estivesse a quilômetros. Minha mão se torna pesada com a necessidade de toca-la, consola-la. Levanto a mão. E a deixo cair. Vamos, não tive problemas em toca-la ontem à noite. A levanto outra vez e ponho minha mão sobre a sua. Debaixo dos meus dedos, Beth fica rígida. Meu coração bate uma vez contra meu peito, criando dor. Não quero que odeie meu toque. — Começamos tudo ao contrário. Eu gosto de você. Vamos a ver o que acontece. — Sair com você? — pergunta. — Sair comigo. — Como amigos... —Beth enruga a cara em desgosto —, ...com benefícios? Quase posso sentir seu corpo debaixo do meu outra vez e sacudo pra longe a lembrança. Eu não vou provar que gosto dela se repetirmos o que aconteceu noite passada. — Não. Amigos que saem juntos. Eu pago. Você sorri. Às vezes nos beijamos. Levanta uma sobrancelha cética sobre a palavra beijamos e volto atrás imediatamente. — Mas, saímos primeiro, por um tempo. Amigos que gostam um do outro e querem sair. — Nunca disse que gostava de você. Eu rio e um formigamento quente entra no meu sangue, quando ela dá aquele pequeno sorriso, tranquilo. — Você não disse que você me odeia. — Amigos que saem. — diz ela, como se estivesse tentando encontrar o

243

243


Traduzido por Uly Santos

significado oculto na frase. — Amigos que saem. — repito e aperto seus dedos. Beth fica tensa e retira a mão. — Não. — Ela desce as escadas com os pés descalços. — Não. Não é assim que as coisas funcionam. Garotos como você não saem com garotas como eu. De que ponto você está jogando? Isto é pelo desafio? Suas palavras me fazem vacilar, mas não são uma surpresa. Ontem à noite, a pressionei longe demais. Não lhe mostrei nenhum respeito. Não tem por que acreditar em mim, mas quero que acredite. — Não. O desafio acabou. — Por que você ganhou ontem à noite? Não, não ganhei. O desafio requeria que Beth e eu ficássemos na festa durante uma hora. Apenas duramos quinze minutos. — Acabou, Beth. Eu não jogo com pessoas que gosto. Um olhar de emoções cruzadas passa por seu rosto, como se estivesse lutando com Deus e o diabo. — Você poderia estar jogando comigo. Se isto é um desafio, apenas me diga. — Eu te disse. O desafio terminou. — Eu disse a Lacy que ninguém sai ferido em meus desafios. Especialmente neste. Como pude ser tão cego? Pensei que Beth deixou a queda de confiança porque queria me prejudicar. Pensei que queria ver minha equipe perder. Errei. Beth não saltou porque não confiava e, devido a este desafio, arruinei qualquer confiança que ela poderia ter tido em mim. — Você ganhou então? — Beth teimosamente se apega ao desafio. — Estava desafiado a se agarrar comigo? — A dor cede lugar ao pânico. — Maldito idiota, você jogou comigo, não é? Todo mundo na escola já sabe? Está aqui para obter pontos adicionais? Tratar de foder a garota, e dizer a seus amigos, então convencê-la de que quer mais? —Não! — grito, então recordo a mim mesmo para me controlar. Eu criei a duvida quando aceitei o desafio. — Não. O que aconteceu entre nós ontem a noite não se tratava de qualquer desafio. Não planejei e nunca diria a ninguém.

244

244


Traduzido por Uly Santos

— Então sou um segredo. Teremos encontros em privado, mas não em público. Não, obrigada. Maldição. Não posso ganhar. Esfrego minha mão sobre minha cabeça. — Quero estar com você. Aqui. Na escola. Onde seja. E não jogar com você. Só confie em mim. Beth dobra seu corpo pra longe de mim. Confiança deve ser a palavra mais feia em seu vocabulário. Desesperado por deixar tudo bem, deixo escapar. — Peça-me qualquer coisa e eu farei. Confie em mim com algo. Vou demonstrar que sou digno de confiança. Me avalia: primeiro os sapatos, jeans azuis, camiseta dos Reds, depois meu rosto. — Me levaria para Louisville outra vez? As náuseas com qual lutei toda a tarde voltam. Qualquer coisa menos isso. — Beth... — Não vou desaparecer de novo. Preciso que me deixe em um lugar e te juro que vou estar no mesmo lugar que me deixou no momento exato que me diga para aparecer. Você está me pedindo que confie em você, bom... vai ter que confiar em mim em primeiro lugar. Não parece justo, mas justo saiu pela janela no momento que a toquei ontem à noite. Possivelmente se foi pela janela no momento em que aceitei o desafio no Taco Bell. — Eu confiei em você. — Minha boca se fecha e tudo dentro de mim se endurece. As palavras tem sabor amargo em minha língua. — Te falei do meu irmão. Beth morde o lábio inferior. — É um segredo? Assinto com a cabeça. Realmente não quero falar de Mark. Linhas de preocupação saturam sua testa. — Confissões de bêbado não equivalem à confiança. Suspiro pesadamente. Tem razão. — Está bem. Tenho um jogo em duas semanas a partir do sábado em Louisville, mas você estará sentada

245

245


Traduzido por Uly Santos

durante ele. Não abrirei mão deste requisito. É pegar ou largar. O rosto de Beth explode nesse sorriso radiante e seus olhos azuis brilham como o sol. Meu interior se derrete. Este momento é especial e não quero deixa-lo ir. Sou o que pus esse olhar ali. — Sério? — pergunta. Quero que venha a meu jogo? Quero ter a oportunidade para que veja que sou mais que um atleta idiota? — Sim. Não jogue comigo, Beth. — Porque estou apaixonado por você, mais do que deveria, e se me trair outra vez, doerá como o inferno. O sorriso se desvanece e responde com solenidade. — Não o farei. Quando estivermos em Louisville, só preciso de uma hora para mim mesma. Uma hora. Para fazer o que? Ver Isaiah? Suponho que pode. Eu só a pedi que saíssemos. Provavelmente fugiria se eu disse a palavra relacionamento, mesmo embora eu não tenha nenhum interesse em ver qualquer outra pessoa. Fui muito rápido com ela ontem à noite. Desta vez, vou ir devagar. — Vou te dar uma hora sozinha em Louisville. Depois vamos a um encontro real, ainda que nos mate. Beth ser junta a mim na escada. Sua bochecha descansa contra a minha e caímos no silencio. No general, o silencio com as garotas me faz sentir incomodo, mas este não me incomoda. Ela não tem nada pra dizer. Eu também não. Não estou pronto para ir e parece que ela não está pronta para que eu vá. Beth, de todos, me diria o que realmente queria ou pensava. Finalmente rompe o silencio. — Como posso tirar meu nome da lista do baile de boas vindas? É necessário o voto de terceiros da população estudantil ou tenho que pedir a alguém no escritório central? Pânico ondula através de mim. — Fique na corte. — De.Maneira.Nenhuma — Faça-o comigo. Estarei a seu lado todo o tempo. — Por ela na corte foi minha maneira de irritá-la, mas agora a quero ali, comigo. — Esse é seu mundo. Não o meu.

246

246


Traduzido por Uly Santos

Mas podia ser seu mundo, se tentasse. — Nada vai acontecer com o baile de boas vindas em outro mês. Que tal isso, se puder encontrar uma maneira de te impressionar por completo então, você aceita permanecer na corte e se eu não puder então te ajudarei a sair. Fica em silencio enquanto contempla a informação. — Está me pedindo que te desafie a me surpreender? Inclusive eu vejo a ironia. —Suponho que estou. — Devo te recordar que tem um histórico péssimo comigo sobre os desafios? Me endireito no lugar. — Não vou perder. Scott toca na porta de novo e aponta para seus olhos e depois para mim. E sai novamente. Diabos. — Você chegou bêbada em casa ontem à noite? — Na última vez que Scott e eu falamos, ficamos bem. Algo mudou. — Não, mas você me deixou isso. — Beth vira seu cabelo por cima do ombro e revela uma mancha vermelha e azul em seu pescoço. Tudo dentro de mim quer se desintegrar e se esconder debaixo da varanda. Eu lhe dei um chupão. Eu não faço isso com uma garota desde o primeiro grau. — Ele me odeia — digo. Beth ri. — Algo assim.

247

247


Traduzido por Uly Santos

Beth Eu bombeio minhas mãos mais forte contra seu peito e ignoro o mundo ao meu redor. Meus pulsos doem, mas eu tenho que manter o coração batendo. Vinte e sete, vinte e oito, vinte e nove, trinta. — Respire! — grito. Lacy inclina a cabeça para trás e sopra em sua boca. O peito se move para cima, em seguida, para baixo. Lacy começa a se afastar. — Não, Lacy, verifique os sinais vitais. — Ela coloca sua orelha perto da boca e do nariz. Espero. Ela coloca os dedos contra a artéria no pescoço. Espero novamente. Lacy balança a cabeça. Nada. — Sua vez. — digo a ela. Tenho medo de não ser capaz de dar ao pressão coração suficiente. Lacy se lança em direção ao seu peito e eu deslizo meu corpo perto da cabeça. Ela conta em voz alta cada compressão. Um longo apito vem da equipe ao lado. — Linha plana. — diz Knox. — Sim! —diz Chris. — Essa é nossa! De toda nossa classe de saúde, estamos Lacy e eu contra Ryan e Chris. Com as mãos entrelaçadas, Ryan bombeia o peito do manequim. — Respira! —diz Lacy. Sopro ar na boca do manequim, comprovo os sinais vitais, e me

248

248


Traduzido por Uly Santos

congelo. Com meus dedos no pescoço, eu sinto alguma coisa. É fraco, mas há. Lacy faz gestos para eu bombear, mas eu faço que não com a cabeça. Nosso manequim ele está vivo! Os garotos começam as compressões de novo e um ruído horrível ressoa de seu aparelho. O Sr. Knox desliga o parelho. — Vocês garotos esqueceram de comprovar os sinais vitais. Chris amaldiçoa e Ryan cai de bunda no chão. Superem, meninos. Acostumem-se a perder. O Sr. Knox me da uma olhada. — Parabéns, Lacy e Beth. São as únicas que mantiveram vivo seu paciente. Boa decisão de verificar os sinais vitais, Beth. Boa decisão de verificar os sinais vitais. O senhor Knox se afasta como se este não fosse o momento mais incrível da minha vida. Fiz algo. Salvei uma vida. Bom, não realmente, mas salvei um manequim. Mas fiz algo bom. Esta sensação indescritível e irresistível de... não sei... nunca experimentei antes... este sentimento de… alegria...? De todos os modos... me inunda. Cada parte de mim. Eu —Beth Risk— Fiz algo bom. Lacy aponta para Chris, e depois para Logan levantando seu boneco morto. — Ganhamos. — Em sua posição sentada move seus ombros em uma pequena dança louca. — Ganhamos. Ganhamos. Ganhamos. — Sua garota é uma ganhadora irritante. — Logan se aproxima de nós. — É meio quente embora — diz Chris. — Agora que experimentou a sensação de vencer, vai aceitar mais desafios nossos, baby? Lacy ri. — Eu não aceitei o desafio. Beth o fez. Logan e Chris assentem pra mim em apreço. Encolho de ombros em resposta. Durante a última semana, temos estado conhecendo uns aos outros. Lacy fala comigo. Ryan fala comigo. As vezes, respondo. Na segunda, cedi a seu desafio e comecei a me sentar com eles no

249

249


Traduzido por Uly Santos

almoço. Quando Ryan se sente valente, pega minha mão. Quando me sinto mais ousada, seguro sua mão de volta. Ante a menção do desafio, pego um marcador negro da minha mochila. As últimas palavras de Ryan antes de começar a RCP foram que Lacy e eu não poderíamos resistir; que éramos fracas demais para sobreviver a ele e a Chris. Escrevo as sete letras mais lindas em minha mão e me viro para ver Ryan: Não pode. Enquanto se inclina na parede, aquele sorriso brilhante se espalha pelo rosto de Ryan e ele nega com a cabeça. Um arrepio corre nas minhas veias. Eu adoro esse sorriso. Talvez até demais. — Não estou impressionada. — digo. — Já se passaram quatro dias desde o acordo e Ryan não fez nada para me "impressionar". Seu sorriso torna-se preso e eu tenho que admitir que eu gosto desse sorriso também. — Tenho tempo.

*** Do lado oposto do bar, Scott oberva enquanto coloco outra colherada de cereal em minha boca. Eu falo através das triturações. — E então eu senti o pulso e Lacy pensou que deveria bombear novamente e eu balancei minha cabeça . — Então o que aconteceu? — Pergunta Scott. Eu me sinto como se fosse explodir . — Ganhamos. Quero dizer, nós salvamos o boneco e o Sr. Knox disse que eu fiz bem. — Eu fiz a coisa certa. Ainda não consigo acreditar. — Isso é ótimo. Não é, Allison? São oito horas da noite . Allison está localizado na extremidade oposta do bar e não se preocupa em olhar para cima do último brinquedo que Scott comprou pra ela na semana passada: Um e-reader. —Ótimo. — Ele faz eco de uma voz que me diz que não acredita.

250

250


Traduzido por Uly Santos

Coloco outra colherada de cereal na minha boca para me impedir de dizer meus pensamentos exatos. Eu deveria ter esperado para contar a história pro Scott no café da manhã , quando somos só nós dois, mas eu estava muito animada. — É essa que é a sensação de ser uma enfermeira? — Pergunto a Scott.—Você se sente poderoso e no controle. E ter alguém me dizendo que fiz bem ? Minha mente corre com as possibilidades. Talvez poderia ser uma enfermeira. O sangue não me incomoda . Nem me faz vomitar. Também posso trabalhar em permanecer quieta, eu coloco minhas mãos sobre o balcão, eu poderia realmente fazer isso. — Você deve se destacar em ciência para ser uma enfermeira. — diz Allison com uma voz entediada. — E suas notas no último relatório, sugerem que poderia ser um problema para você. Meu rosto fica vermelho como se eu tivesse levado um tapa. Gostaria de poder pensar em algo inteligente, mas às vezes, a pura verdade é boa o suficiente. —Você realmente é uma cadela. — Contenha-se, Elisabeth. — diz Scott. — E Allison, suas classificações estão melhorando . Bem, foda- se, Scott repreendeu a mulher.Eh. Allison tira seus olhos do ereader. Poderia desfrutar da glória neste momento, mas eu decidi a semanas que ela não vale o meu tempo. Eu me viro para Scott. Chega de sonhar acordada. Tenho problemas reais. — Preciso de tinta de cabelo preta. — Por quê? — Pergunta Scott. Ele está cego? Eu balanço o cabelo e abaixo a cabeça para que ele possa ver minhas raízes. Minhas raízes. O loiro pica para fora do meu cabelo negro como raios irritantes do sol. Jogo meu cabelo pra trás por cima do meu ombro. — Você vai comprar? Se eu comprar qualquer coisa com o dinheiro que Isaiah me deu, Scott

251

251


Traduzido por Uly Santos

vai ficar em cima de mim como moscas em cima da merda. Eu não estou pronta para mostrar que tenho dinheiro. Além disso, ele está sempre querendo fazer algo por mim, agora pode. — Não. — diz ele. Hum... Será que eu entendi errado? — Não? — Não. — Eu não vou ser loira. — É o que você é. Por que você quer mudar algo tão bonito? — Então, só loiras são bonitas? Scott fecha os olhos. — Eu nunca disse isso. — Então me compre a tinta. Reabre os olhos e me estuda com um dos seus patenteados longos silêncios. — Eu vou comprar algo que irá corresponder a sua cor de cabelo original. — Eu não quero ser loira. — Me de uma boa razão para não ser. — Eu prefiro preto. — Não é bom o suficiente. Olho pra Allison de propósito. — Eu odeio loiras. — Ainda não é bom o suficiente. Ele cruza os braços sobre o peito e eu olho pra ele. Eu também posso fazer longos silêncios. — É isso, Elisabeth? Quer ter o cabelo preto. Só porque sim. Não tem razão. Você quer o que quer. — Sim. — Eu não gosto de seu tom de voz ou a forma como os seus

252

252


Traduzido por Uly Santos

olhos azuis olham através de mim. — Quando foi a primeira vez que você tingiu? — Ele pergunta. — Oitava série. — Meu instinto grita para mim a correr. — Por quê? Minha garganta fica seca e desvio o olhar. — Porque sim. — Por que, Elisabeth? Porque um dos namorados da minha mãe me confundiu com ela no meio da noite. — Diga-me. — Scott está olhando através de mim. — Diga-me por que você pintou o cabelo. Isaiah sabe. Eu disse a ele uma vez, quando ele estava muito drogado para manter segredos. O namorado da minha mãe saiu a tropeços para fora do nosso único quarto no meio da noite. Ele se sentou no chão ao lado do sofá onde eu dormia. Ele ergueu minha mão, a beijou, e me chamou pelo nome da minha mãe. Ele me bateu quando eu gritei e me bateu de novo quando ele percebeu que eu não era minha mãe. As memórias se apressam e não posso empurrá-las para longe. Elas precisam ir embora. Preciso de alguém para enterra-las. Eu preciso de alguém para apagar as más recordações. Eu não perdoei o Isaiah ainda por me trair. Eu não falei com ele nas últimas semanas e eu não tenho certeza se estou pronta para isso. Mesmo se não fosse pelo que aconteceu recentemente entre nós, não tenho certeza de que quero Isaiah. Por alguma razão, estou ansiosa por alguém mais... e isso me assusta, e estar assustada só dá força para as memórias. Na minha cabeça, eu posso ouvir a voz do desgraçado. Eu posso sentir o toque do bastardo. Meus dedos agarram minha cabeça. Fora, fora, fora! Me levanto de forma tão abrupta que o banquinho oscila e cai no

253

253


Traduzido por Uly Santos

chão. — Foda-se, Scott. Vou comprar a tinta por mim mesma.

Ryan ... E George olhou para a garota com novos olhos. Não-não com novos olhos, mas talvez com os olhos que ele possuía em outra vida. Com os olhos que pertenciam não a cabeça, mas ao seu coração. Seu sorriso acariciava como se seus dedos tivessem deslizando por seu braço. Ela constantemente o maravilhava, uma humano disposta a fazer amizade com um zumbi. O oposto dele de alguma forma, dava a esta horrível nova vida sentido. Mas o que

254

254


Traduzido por Uly Santos

realmente maravilhava George foi que ela concedeu-lhe a graça de uma segunda chance. Satisfeito comigo mesmo, me encosto na cadeira e junto as mãos em cima do meu estômago. Acontece que a vida de George era mais confusa do que ele poderia ter imaginado. Primeiro acorda como um zumbi. Depois descobre que os outros zumbis esperam que ele seja um líder, depois encontra a si mesmo amando seu novo poder. E então aparece a garota. As garotas sempre complicam as coisas. Meus lábios sobem quando penso em Beth. Sim, o fazem, mas de uma maneira boa. Meu telefone vibra e olho a identidade de quem está ligando. É um número desconhecido então deixo cair na mensagem de voz. Segundos mais tarde o telefone toca, me dizendo que tenho uma mensagem. Agarro o telefone e sorrio: Amigos, certo? —Beth. Eu: Sim. — Então me deixe entrar. — A sexy voz de Beth se escuta do outro lado da minha janela aberta. Olho o relógio, onze. Mamãe e papai estão na cama. Para ficar seguro, passo a chave na porta do meu quarto antes de levantar o painel e levantar a janela. — O que você está fazendo aqui? Beth passa uma perna até meu quarto, em seguida passa a outra, com tal segurança que penso que ela já havia feito isso antes. — Eu fiquei entediada. — Poderia ter me ligado. — Colocar o painel na janela não é tão fácil como tira-la. — Eu liguei. — Beth avalia meu quarto. Pega uma bola de beisebol do

255

255


Traduzido por Uly Santos

meu armário, a joga no ar, e quase não consegue pega-la. — Você não atendeu. — Você ligou há trinta segundos. Coloca a bola de volta no meu armário. — Mas liguei. A realidade do momento me atinge quando ela toca a lâmpada de lava que parou de funcionar há um ano. Sua pele suave e sua tatuagem se espreitam para fora quando sua blusa sobe. Aspiro e me concentro em qualquer outra coisa que não seja toca-la. — Sei tio sabe que você aqui? —Não. — Beth caminha até o computador. — Em que está trabalhando? — Escrevendo uma tarefa de criatividade. Aperta os lábios enquanto deixa cair a cabeça. — Merda. Temos uma? Quando encerra a entrega? Oh merda, Scott vai me rasgar por isso. E aqui eu pensava que finalmente estava me pondo em dia. Merda. Até agora, não tinha por que dizer a ninguém. — Não, não é uma tarefa de classe. É algo… extra… sim. Algo que a Sra.Rowe me pediu que fizesse. Os ombros de Beth relaxam como se tivesse recebido o perdão de uma sentença de morte. — Posso ler? Além da minha professora, ninguém havia me perguntado se podia ler minhas coisas antes e faço uma pausa… tempo suficiente para que Beth levante suas sobrancelhas. Se alguém fosse ler isto, iria preferir que fosse ela. Algo me dizia que o entenderia. —Claro.

256

256


Traduzido por Uly Santos

— Imprima-o para mim. — Beth se atira pra cima da minha cama e se acomoda entre minhas almofadas. Seus olhos azuis me avaliam enquanto ela me provoca com um olhar sonolento. Minhas calças jeans ficam apertadas e eu quero me juntar a ela na cama, muito, mas vou mostrar moderação, embora ela vai me matar no processo. — Têm planos ou vai ficar por um tempo? — Você tem outros planos? Não. — Vou ir dormir em breve. Temos escola amanhã. — Já compartilhei uma cama muito mais pequena que esta pelos passados três anos. Confie em mim, sou a rainha de não tocar se é o que te preocupa. Vamos, imprima isso. — Não tocava e compartilhava com quem? Beth ri e balança a cabeça ao mesmo tempo. — Muito ciumento? Acho que você estava imprimindo alguma coisa para mim. Simplesmente deixe ir, Ryan. Como todos os predadores, Beth pode sentir o cheiro do medo. Sem outra palavra, imprimir as páginas e ela pega a minha mão. Eu fico olhando para ela. Ela me olha. — Eu não vou ler com você olhando pra mim. É estranho. — Você está no meu quarto, Beth. Andou meio quilometro para estar aqui. Em um domingo. No meio da noite. Sem ser convidada. — Tinha que a fazer ver o estranho que era. — Quer que eu vá? —Não. — Não quero. De alguma forma nada nunca me pareceu tão certo. Esse malvado sorrio aparece em seu rosto. — Sou a primeira garota a estar em sua cama? Sim. Respiro profundamente e volto ao computador. Já sai com garotas. Fui exclusivo com algumas e fui o suficientemente respeitador para passar lentamente por cada base. Há algumas bases que ainda tinha

257

257


Traduzido por Uly Santos

que alcançar. Uma garota em minha cama é uma delas. Se ela estava determinada a estar aqui, eu estava determinado a estar bem com isso e não deixar que meus nervos se mostrassem. Suponho que meu zumbi encontrou uma garota que ele gostava e queria estrangular ao mesmo tempo.

*** — Isto está bom, Ryan. — A voz distante de Beth me puxa para fora da historia e minha mão para de teclar. — Obrigado — respondo. Beth está de bruços apoiada sobre seus cotovelos. Seu decote deliciosamente exposto. Meus olhos se dirigem para o chão. —Não, sério. É boa. Como se pudesse estar em uma boa livraria. Totalmente entendo este garoto. Sim, eu também. — Fui classificado em uma competição de escrita do Estado. — As palavras saíram de mim de forma natural, como se normalmente contasse este tipo de coisas. Beth passa as paginas. — Posso entender por que. Quem quer que julgou o ganhador deveria de estar drogado pra não haver te escolhido. Olhei ao redor do quarto, esperando que um raio me atingisse. Ela havia me feito um elogio? — O ganhador não foi anunciado. Há outra rodada da competição em um par de semanas. — Oh — diz. — Então estou certa de que você vai ganhar. Meu estomago se agita enquanto desligo meu computador. Sim, estava escrevendo o conto, mas ainda não havia me inscrito para essa fase da competição. Como poderia? Tenho que jogar nesse dia e papai…

258

258


Traduzido por Uly Santos

Meus pensamentos se dispersam. Estava saindo de uma competição, um evento que poderia ganhar. Poderia a satisfação de haver ganhado uma competição de escrever ser a mesma que a de ganhar um jogo de beisebol ou uma aposta? Suponho que nunca vou saber. Quando dou a volta, Beth está deitada de costas, com a cabeça contra as almofadas. Havia tirado seus sapatos e havia posto suas mãos em seu estômago. O piercing de seu umbigo brilha na luz. Deixou minha historia de forma ordenada em minha mesa de cabeceira. Estamos saindo. Amigos que saem e que acabam se beijando eventualmente. Quatro dias pode ser considerado, eventualmente... sim, mas eu não sou estúpido o suficiente para acreditar nisso. — Estou indo pra a cama. — eu digo, dando-lhe a oportunidade de sair. — Você normalmente dorme com todas essas roupas? — pergunta ela. Não. Eu costumo tirar a camisa. — Assim é mais seguro. — Tudo bem. Okay. Eu apago a luz e subo na cama. Tomando a sugestão de Beth, fico em cima das cobertas. O calor de seu corpo aquece o meu. Ela está certa. Ela pode deitar na cama sem me tocar. Aspiro e seu doce perfume me envolve. No ano passado, o nosso professor de ciências eliminou o mito de que o sexo atravessa as mentes dos homens a cada sete segundos. Eu vou ter que discordar com ele sobre isso. Meus dedos coçam com a necessidade de acariciar a pele macia de Beth. Eu quero meus lábios sussurrando contra a dela. — Então, eu tenho um amigo. — diz ela na escuridão. —Isaías. Você já o conheceu. — Yeah. — Meus músculos ficam tensos e a imagem de seu corpo em movimento contra o meu desaparece. Eu entendo que sair significava que estou deixando em aberto a possibilidade de que ela possa ver

259

259


Traduzido por Uly Santos

outros caras, mas eu não gosto da ideia dela discutindo desses caras enquanto ela está deitada na minha cama. — Ele me traiu e eu não sei o que fazer. Em Louisville, ele era o único amigo que eu tinha e quando cheguei aqui ele me comprou o meu telefone. Nós conversamos todas as noites ou mandávamos mensagens ou ambos, e ele ainda liga todos os dias e me manda textos um milhão de vezes. Recuso-me a lhe responder e acho que a nossa amizade acabou e então eu falei com Scott esta noite e a conversa não foi como eu planejei e eu não sei... Minha pele se arrepiou. É mais do que Beth estar perto de mim. É mais que a necessidade e atração que se alastrou no meu corpo. Beth estava no limite de me dizer alguma coisa. À beira de ir para fora da parede. Eu insisto. — Não sabe o que? — Tudo era tão fácil em Louisville. — diz suavemente. A tristeza em sua voz é difícil de contornar. — Sinto falta do fácil. Depois do meu jogo, vou deixá-la. — Eu odeio esse pensamento, mas estou determinado a conquistá-la. — Então, depois, vamos jantar e, em seguida, talvez ver um filme. O que você acha? Eu a ouço engolir. — Eu acho que eu gostaria. Eu inalo. Uma respiração limpa, cheio de ar, sinto como se fosse a primeira respiração que eu tomei em dias. — Às vezes. — diz ela, em seguida, faz uma pausa. É uma pausa pesada e sua luta por palavras me faz querer confortá-la. — Às vezes eu só quero... O que ela quer? Eu sei o que eu quero: que ela confie em mim, para ela se sentir o que eu sinto. Mas o que eu realmente quero agora é que ela fique bem. Dirijo o meu braço do outro lado da cama na direção de Beth, tomando cuidado para não tocá-la. — Eu estou aqui se você precisar de mim. Uma batida de coração. Outra. Beth fica completamente rígida e a parte escura de mim se pergunta se esta noite é parte de um sonho.

260

260


Traduzido por Uly Santos

Seu corpo roça contra o edredom enquanto ela se move. Uma polegada em minha direção. Hesita. Em seguida, avança mais um centímetro. Meu sangue formiga com antecipação. Este momento é enorme, sem dúvida. Estou pedindo para se apoiar em mim e Beth está realmente considerando. Vamos, Beth , você pode confiar em mim. Finalmente, em um movimento rápido, ela deita a cabeça no meu peito e enrola o resto de seu corpo ao meu redor. Necessidade bate em mim e se sua mão se deslocar para baixo uns três centímetros, ela vai saber. Eu quero tocá-la, mas não me atrevo? Sua faz respiração cócegas em meu peito enquanto ela sussurra: — Eu gosto de você, Ryan. Eu fecho meus olhos e comemoro as palavras. Ela gosta de mim. — Eu gosto de você também. Muito. E desejo ela, mas eu me recuso a deixar a parte inferior do meu corpo tomar as decisões. Lentamente, propositalmente, eu a embrulho em um braço ao redor dela e coloco a outra mão em minha barriga bem a seu lado. Esta é a minha melhor tentativa de amigos-que-saem e se tocam. Parte de mim quer acariciar o rubor quente que aparece na sua pele bonita quando eu olho para ela com desejo. Essas mesmas partes me imaginam colocando a mão no queixo e inclinando sua cabeça para que eu possa beijá-la. As partes estão tentando falar "lógica" para o meu cérebro. Beijar pode ser bom. Eu adoro beijar seus lábios carnudos e eu adoro seus gemidos suaves. Eu poderia beijá-la até que ela se esquece de Isaiah. Eu poderia beijá-la até que eu me esquecesse de que sou virgem. Meu aperto em seu ombro aperta. Ela está me matando. Eu estou me matando. — Sandy Koufax era canhoto como você. Ele foi o mais jovem arremessador introduzido no Hall da Fama do Beisebol. — Essa é possivelmente a coisa mais estranha que eu já ouvi você dizer.

261

261


Traduzido por Uly Santos

— ela murmura. É verdade, mas mantém minha mente fora do pensamento de beijá-la. — Eu não sou o único que fala em código. — Você me pegou. O corpo de Beth relaxa e se molda ao meu. O silêncio se estende de segundos a minutos a mais e eu me pergunto se ela adormeceu. Parte de mim deseja que pudesse dormir. Então eu não iria fantasiar sobre tocá-la ou beijá-la ou tocá-la um pouco mais. Mas, então, eu também quero ficar acordado. Eu gosto disto, abraçala. — Ryan. — ela sussurra. — Sim. — sussurro de volta. — Posso ficar? Eu defini o alarme para quatro da manhã, então eu vou estar de volta antes do Scott sentir minha falta. Eu distraidamente esfrego minha mão para cima e para baixo em suas costas e ela se desloca para perto de mim. — Claro. Beth roça a cabeça no meu peito como um gato enrolando em uma bola para o sono. Seu braço pressiona em mim e eu me deixo enganar por um segundo quando acaricio seu cabelo com a mão e beijo o topo de sua cabeça. Eu poderia dizer a mim mesmo que os amigos que saem fazem isso, mas é muito tarde e eu estou muito cansado para mentir.

262

262


Traduzido por Uly Santos

Beth Trinta minutos observando Ryan se contorcer no sofá em frente a Scott foi o suficiente para ele permitir que Ryan me arrastasse para a maratona de jogos no estádio. Scott finalmente me deixou ir com Ryan só depois que ele ameaçou matar Ryan se eu chegar em casa com alguma marca no meu corpo. Eu não tenho certeza se eu vou admitir isso para Ryan, mas este tem sido o meu melhor sábado desde que fui condenada ao inferno. No caminho até Louisville, Ryan me explicou o beisebol. A maioria das coisas eu conhecia, mas de alguma forma, Ryan tornou interessante. O esporte ganhou vida quando ele descreveu um jogo que é mais do que um taco e uma bola e algumas bases. Ele disse que se tratava de trabalho de equipe e confiança. Enquanto sento na arquibancada e assisto ao jogo, eu aprecio a graciosidade dos movimentos de sua equipe. Uma rede de sinais e olhares e entendimentos não ditos. O que eu realmente acho incrível é Ryan. A intensidade crua na forma como ele se move. A força de seus ombros largos e a energia que explode a partir de seu corpo quando ele joga a bola. Ryan é uma força completamente própria. A força que me puxa para ele. Uma atração que se enrola com o calor do meu corpo. Ele possui um toque simples que é forte o suficiente para me manter ligada, mas suave o suficiente para me fazer tremer. Nós somos amigos. Apenas amigos. Eu suspiro. Mesmo com um amigo, ele merece mais do que eu. Ele parece que teima em gostar de mim. Que teima em sair comigo. Por quê? O que ele ganha por estar com uma garota que todo mundo tem jogou fora? Chris dispara uma bola ao campo esquerdo e a outra equipe a pega na terceira base. Ryan está no banco e me pisca um olho antes de

263

263


Traduzido por Uly Santos

entrar em campo. Em resposta um sorriso se forma em mim. Você está se preparando para um mundo de dor, Beth. Por exemplo, quando comecei a sair com Luke aos quinze anos. Luke me chamou de bonita. Luke disse todas as palavras corretas. Mas, por outro lado, Luke nunca me levou a um lugar tão público como este. Talvez Scott tenha razão. Tenho uma borracha e uma conta nova. Talvez devesse aproveitar isso. Talvez devesse desfrutar disso enquanto dure. Depois de tudo, em breve irei embora com minha mãe. Cada dia que ela fica com Trent é um dia mais perto de sua morte. Hoje, depois da partida, minha mãe e eu vamos trabalhar em um plano para ir embora, mas até então, talvez devesse desfrutar do que está diante de mim. Ryan gosta de mim ao menos ele acredita que sim. Por que estou tão apressada para estar com o próximo garoto que me trate como Luke ou um que me trate como Trent trata a mamãe? Posso ser a garota que mostre algumas coisas ao Ryan. A garota que quando ele ri não cora. Posso ser a garota que, no futuro, quando estiver casado com uma garota boa e tenha três bebês agarrados a sua perna, possa recordar e sorrir das recordações. Depois vai ver sua esposa e vai estar agradecido que o deixei quando o fizer. Agradecido por não estar comigo. — Você é a namorada do Ryan? — Um cara alto estatela ao meu lado na arquibancada e observa como Ryan joga a bola. Esse cara está perto. Super perto. Não perto como suficiente para tocar, mas ele quebrou a barreira tácita de quão perto completos estranhos devem estar. A pele do meu braço pica. — E você é? Gira sua cabeça e me da um sorriso que me lembra o de Ryan. De fato, se parece muito com Ryan, mas um pouco mais velho. — Mark. Sou seu irmão mais velho. — Olá. —Poderia ser esse o irmão de Ryan que o fez ficar destroçado no

264

264


Traduzido por Uly Santos

celeiro? Mas a curiosidade da lugar aos nervos. Eu nunca conheci a família de um cara e eu não sei nada sobre etiqueta. — Prazer em conhecê-lo. — Não é isso o que as garotas adequadas dizem? — Está certa disso? Eu vi minhocas em ganchos mais felizes do que você. Meus lábios se curvam. — Sou Beth e somos só amigos. —Amigos que estão tendo encontros, mas não preciso transmitir minhas inseguranças. — Hum — murmura. — Ryan não traz amigos aos jogos. Diz que as pessoas são uma distração. No estou certa de como responder, então me centro no jogo. Mark baixa a voz. — Estou fazendo você se sentir incomodada? Também posso ser honesta. Não é como se eu pudesse passar por uma garota respeitável por muito tempo. — Os homens que invadem meu espaço pessoal em general me fazem sentir incomodada, mas não te culpo. Ryan tem problemas de espaço também. Deve ser genético. Mark ri e é uma risada ruidosa que faz com que as pessoas olhem inclusive Ryan desde o montículo. Os olhos de Ryan alternam entre seu irmão e eu. Uma sombra cruza seu rosto enquanto se centra em Mark. Não gosto da dor que vejo nele, o saúdo com um olá indiferente e ele me dá o seu sorriso de parar o coração. Calor se arrasta ao longo da parte de trás do meu pescoço e marca o meu rosto — Sim — diz Mark. — Vocês dois são só amigos. — Não pedi sua opinião — murmuro. Mark volta a ri, mas não tão forte. — Minha mãe tem que te odiar. Deveria me sentir insultada, mas não estou. Se alguma vez me conhecesse, ela provavelmente o faria. — Não sei. — Está tudo bem. Eu gosto de você.

265

265


Traduzido por Uly Santos

—Você não me conhece. Mark gesticula para o placar. — Nós temos mais alguns turnos para corrigir isso. Então, me diga, como você conheceu meu irmão?

266

266


Traduzido por Uly Santos

Ryan Desamarro meus sapatos, e olho para as arquibancadas. Mark está aqui e ele está falando com Beth. Na verdade, ele está rindo com Beth. Ciúme da guinadas dentro de mim e eu estou irritado com os dois. Eu mandei mensagens e liguei para Mark durante meses e obtive merda. Beth sorri uma vez e está parecendo soar como se estivesse em um talk show. E ainda por cima de tudo isso, Mark conversou com ela por 20 minutos inteiros e Beth já está rindo. Levei semanas para fazê-la rir comigo. Eu bato meu sapato contra o banco para bater a sujeira. Mark é meu irmão, portanto ele não iria roubar minha garota. Sem falar que ele gosta de homens. Vários dos caras olham para mim quando eu bato meu sapato contra o banco novamente. Logan levanta uma sobrancelha. Eu balanço minha cabeça para ele não vir falar comigo. Descanso os braços sobre os joelhos, e tento engolir isso. Beth não é realmente a minha garota. Somos apenas amigos que saem porque eu estraguei tudo com ela desde o início. — Ryan? — O treinador me faz sinais até ele. Eu enfio meus pés nos meus Nikes e atiro minha bolsa por cima do meu ombro. Ele provavelmente tem muito a dizer para mim. Levei o jogo, mas nos custou duas corridas no último turno. Mark e a interação amigável com Beth me distraíram. — Sim, senhor. — O treinador acena para um homem na casa dos trinta e uma mulher que está ao lado dele. Eles estão vestidos com roupas informais, jeans casual e camisas agradáveis. — Eu gostaria que você conhecesse Pete Carson e sua esposa, Vickie. Eu aperto a mão do Mr. Carson em primeiro lugar, em seguida, a de sua esposa. — Prazer em conhecê-los. — Pete é um observador da Universidade de Louisville.

267

267


Traduzido por Uly Santos

Eu olho para o treinador e trato de ocultar a surpresa em meu rosto. Ele sabe como papai eu me nos sentimos sobre jogar beisebol depois de me formar. Mr. Carson limpa a garganta. — Ryan, eu estive pesquisando para o projeto inicial e seu nome é o único em todos os lábios. Eu queria saber se você teve qualquer pensamento sobre a nossa escola. — Não, senhor. Estou pensando em me unir ao profissionalismo depois da graduação. — Isso seria um desperdício. — As palavras saem precipitadamente da boca de sua esposa. Os três nos fixamos nela e ela ri nervosamente. — Sinto muito, mas é a verdade. Deveria me apresentar apropriadamente, sou a Dra. Carson, decana do Departamento de Inglês na Universidade Spalding. —Uh-huh. —Uma não gramaticalmente resposta correta. Por que me sinto encurralado? — A Sra. Rowe, sua professora de inglês, é uma boa amiga minha. Me mostrou alguma coisa de sua escrita. Você é muito talentoso. Tanto no campo quanto fora. A universidade Spalding oferece um maravilhoso curso para Escritura Criativa e muitos de nossos estudantes continuam seu mestrado em Belas Artes... O Sr. Carson põe sua mão sobre o braço de sua mulher. — Você o está recrutando. Pensei que eu havia ganhado o sorteio. — Você não falou o suficientemente rápido. — Ela acaricia a mão que ele acabou de colocar nela. — Spalding tem uma equipe de beisebol também. Abro um sorriso falso porque todo mundo o faz, mas minha inquietação aumenta. Aqui de pé os escutando me faz sentir que estou traindo meu pai. O Sr. Carson solta a esposa. — Spalding é uma escola com Três Divisões. A Universidade de Louisville é a Divisão Um. Vários de nossos jogadores passaram a ser recrutados por profissionais. Você tem talento que não podem te ensinar, mas tem que assegurar seus lançamentos e alguns e

268

268


Traduzido por Uly Santos

problemas com a sua colocação. Meus treinadores podem trabalhar com você e levar seus arremessos para outro nível. Vamos prepará-lo para os profissionais mais você vai estar indo embora com um grau. — Está me oferecendo uma bolsa de estudos? — Spalding vai. — diz a Sra. Carson. Ela sorri sem se arrepender quando o marido faz uma careta. Mr. Carson troca um olhar cauteloso com o treinador. — Eu preciso saber se você estiver interessado. Eu tenho espaço para um lançador na minha equipe e eu estou buscando oferecer uma bolsa para alguém durante o período de assinatura no início de novembro. Novembro, o que significa que se eu quiser ir para a faculdade, eu tenho um pouco mais de um mês para decidir. Sem pressão. O Senhor e a Sra. Carson descrevem a vida na faculdade, enquanto eu finjo ouvir. O que meu pai diria se ele descobrir? Ambos me entregam cartas, para desgosto de Sr. Carson, e se despedem, deixando-me sozinho com o treinador. Aguardo as Carsons estarem fora do alcance da voz antes de eu fazer a pergunta que está me incomodando. — Você tem falado com a Sra. Rowe? — Nós conversamos no mês passado. Eu acho que é melhor para você explorar todas as suas opções. — Você não acha que eu posso ser profissional? — Este é o homem que me encorajou quase tanto quanto meu pai. — Não. — diz ele lentamente. — Eu acredito que você pode, mas eu também sei que seu pai não está apresentando-lhe tudo sobre a mesa. Seu pai é um bom homem, mas eu o considero um dos meus filhos e eu não estaria ajudando você, se eu não fizesse essa introdução. Meu mundo da voltas. O Treinador e pai sempre veem tudo da mesma forma. Por que a mudança? — Eu não estou fazendo o concurso de escrita.

269

269


Traduzido por Uly Santos

— Ryan, — diz o treinador com um suspiro exasperado. — vamos discutir isso mais tarde. Você tem companhia. Seu olhar vagueia por cima do meu ombro e medo se instala em meu intestino. Mark me espera na parte inferior da arquibancada enquanto Beth se mantém em seu assento na parte superior. Faço uma varredura da zona para me segurar de que ninguém da cidade está perto para ver esta reunião. — Olá — diz Mark. — Você jogou um inferno de um jogo. Eu inspiro profundamente , tentando encontrar um centro . Mark se foi. Papai olhou diretamente nos olhos dele e pediu-lhe para escolher. Meu irmão não me escolheu. Pedi-lhe para ficar e lutar e ele não o fez. Pedi-lhe para voltar para casa e não o fez. E agora ele acha que pode aparecer aqui e tudo vai ficar bem. Adivinha o quê? Não está bem. — O que você está fazendo aqui? Mark joga como linebacker* para a Universidade de Kentucky. Em seu primeiro ano, ele ganhou 11 kg de músculo. Ele é um grande filho-da puta. — Eu quero conversar, Ry. — Eu acho que o seu silêncio desde este Verão, disse tudo. — Eu passo por ele e faço gesto para Beth sair das arquibancadas. — Eu queria entrar em contato com você, mas cada vez que eu tentei, e não podia. Eu fiquei pensando sobre a mãe e o pai e eu precisava de espaço. Espaço. Por que ele não só me da uma joelhada na virilha? Olho para os meus braços. — Você conseguiu o que queria, não é? — Não tem que ser dessa maneira. — Mark diz alto o suficiente para os poucos espectadores restantes ouvirem. — Sim. — Eu continuo caminhando. — Tem. * Linebackers são membros do time de defesa que se posicionam pelo menos 4 metros atrás da linha de scrimmage, atrás dos homens da linha defensiva.

270

270


Traduzido por Uly Santos

Em passos firmes e letárgicos, os pés de Beth batem contra o metal das arquibancadas enquanto ela vagueia para baixo. — O que você está fazendo? — Precisamos ir. Você precisa de uma hora, lembra? E então nós vamos sair para jantar. — Nós temos tempo. Vá falar com o seu irmão. — Está tudo bem, Beth. — Mark responde para mim em um tom que indica um pedido de desculpas. — Eu estou feliz que eu tive a chance de conhecê-la. Não deixe Groveton te sufocar até a morte. Ela dá-lhe um de seus raros sorrisos genuínos e eu quero bater em alguma coisa forte. — Boa sorte com o seu jogo na próxima semana. — Mark enfia as mãos nos jeans enquanto sai. — Você sabe onde me encontrar quando estiver pronto, Ry. Beth observa-o até que ele está fora de vista. — O que diabos está errado com você? — Você não entenderia. — Eu sigo para fora em direção ao estacionamento e atiro as minhas coisas no jeep. Beth bate a porta do passageiro fechada e eu respondo sua raiva batendo meu próprio. — Diga-me onde eu deveria estar levando de você. — No shopping center a um quilômetro antes da sua instalação de lançamento. Minha cabeça da um solavanco. Esse lugar é um passo acima de gueto. — Eu não vou deixar você lá. — Eu não pedi sua aprovação. Você fez um acordo comigo. A decisão é sua, se você quiser mantê-lo. Seus olhos azuis congelados me perfuram. Eu arranco com força o meu chapéu e entro na estrada principal. Ela

271

271


Traduzido por Uly Santos

está com raiva. Eu estou com raiva. Ficamos em silêncio enquanto eu dirijo os 30 minutos para o outro lado da cidade. Há eletricidade suficiente no ar para impulsionar o carro sem gasolina. Uma palavra de qualquer um de nós poderia causar uma explosão. Beth, obviamente, gosta de brincar com fogo. — O seu irmão é um daqueles caras que podem ser incríveis com estranhos , então se transformar em um completo idiota em particular? Será que ele mijava em seus Cheerios todas as manhãs antes de ir para a escola? — Não. — digo. — Ele foi um grande irmão. — Então o que está errado com você? Ele disse que vocês não se falam há três meses e que ele estava ali para vê-lo. O que é tão importante que você não pode tomar três segundos do seu dia para dizer oi? Eu ligo o rádio. Ela desliga. Eu bato minha mão contra o volante. — Eu pensei que você estava com pressa para sua uma hora de liberdade em Louisville. — Esperar 15 minutos para que você possa conversar com seu irmão não vai arruinar a minha uma hora. Vamos tentar de novo. O que está acontecendo? — Ele é gay. Beth pisca. — Você já me disse isso. Ponha-me na parte de você sendo idiota. Eu não sou um idiota. Toda a razão para este dia era para ela ver que eu não sou um idiota. — Ele se foi, ok? Ele se foi e ele deixou claro que não vai voltar. Ela angula seu corpo em minha direção. — Diga-me que essa é uma decisão auto- imposta que Mark fez. Beth não me diz nada sobre a sua família, mas ela espera perfeição da minha. — Meu pai o fez e Mark nem sequer tentou ver o que aconteceria se ele ficasse. Você está feliz agora?

272

272


Traduzido por Uly Santos

— Não. Então, o seu pai é um bastardo homofóbico. Qual é a sua desculpa? A raiva explode fora de mim. — O que você espera que eu faça? Ir contra o meu pai? Ele disse a mim e a minha mãe que não estamos autorizados a falar mais dele. Ele é meu pai, Beth. O que você teria feito? Eu não me incomodo em dizer a ela que eu tentei chegar a ele ou que Mark não me respondeu... até agora. Agora, quando é tarde demais. — Ter um par de bolas, é o que eu teria feito. Deus , Ryan , você é um idiota. Seu irmão é gay e você o jogou para fora de sua vida, porque você é muito pouco homem para enfrentar seu pai. Entro no shopping center em um parque na parte de trás do lote. Este lugar é uma merda. Mais abaixo na lavanderia, um cara com uma camisa sem mangas grita com uma garota de cabelo loiro tingido com um bebê de fraldas em seu quadril. Meninos da minha idade fumam cigarros, enquanto deliberadamente andam de skate sobre garotas entrando e saindo de lojas. Alguém tem que ensinar-lhes respeito. Beth pula para fora do jipe. Seu cabelo sopra na brisa atrás dela enquanto ela caminha em direção ao shopping center. Porque essa garota sempre está se afastando de mim? Eu salto para fora atrás dela, pego sua mão, e a giro para me encarar. Eu pensei que tinha irritado Beth quando a nomeei para rainha do baile. O fogo ardente em seus olhos me dizem que essa raiva está em um nível completamente diferente. Ela precisa me ouvir e entender meu pai - entender a minha família. — Mark nos abandonou. — Besteira! Você o abandonou. — Ela força um dedo no meu peito. — Você e eu. Nós somos um erro. Você é um abandonador. Meu pai me deixou, até o santo Scott me deixou, e eu nunca vou ser deixada novamente. No entanto, Beth é a única que me abandona. Ela vai em direção ao

273

273


Traduzido por Uly Santos

centro comercial e desaparece na mercearia. Ela me disse no caminho até Louisville para deixá-la e voltar mais tarde. Eu nunca tive a intenção de deixar Beth, mas suas palavras me balançaram. Ela está certa? Será que eu abandonei Mark?

274

274


Traduzido por Uly Santos

Beth Eu atravesso no supermercado, e mergulho de volta para fora, é o caminho mais curto para o The Last Stop, evitando o grupo de skatistas. Eu cuidadosamente, guardo o dinheiro de Echo no bolso de trás da minha calça jeans. Há mais batedores de carteira aqui do que pessoas com diplomas do ensino médio. Denny bate a mão no balcão quando eu entro no bar. — Saia, garota. Bolas de bilhar batem umas contra as outras enquanto um cara de calça jeans e um colete de couro joga solo. Dois homens mais velhos em uniformes azuis de fábrica estão desleixados sobre cervejas no bar. Meu coração drena qualquer resquício de esperança que eu tinha ganhado em Groveton quando vejo a bagunça de cabelos loiros na mesa no canto. Segurando meu orgulho, eu deslizo sobre o bar. — Tudo o que Isaías está pagando, eu vou pagar o dobro para manter a boca fechada. Ele ri sombriamente. — Essa é a mesma oferta que me deu sobre você. Vá brincar com seu namorado e não entre no meu bar. — Isaiah não é meu namorado. Usando um sorriso imbecil, Denny pega um copo molhado de um balde e o seca com uma toalha. — Você disse isso a ele? Quando não digo nada em resposta, Denny faz gestos em direção a minha mãe. — Ela está chorando hoje. Trent foi preso pela polícia ontem noite por dirigir embriagado e seu carro foi confiscado. Leve-a para fora e passe algum tempo com ela. Oba e maldição. Sem Isaiah a bordo, eu preciso de um carro e o

275

275


Traduzido por Uly Santos

pedaço de merda da minha mãe é a nossa única maneira de sair de Louisville. Sobre o raro lado positivo, eu não preciso me preocupar com Trent bater a merda fora de qualquer uma de nós hoje. — Da próxima vez que você entrar no meu bar, eu estarei ligando para Isaiah pra arrastá-la de volta. — diz Denny. — Mesmo que ela esteja chorando. Ao lado de uma garrafa meio vazia de tequila, a cabeça de mamãe encontra-se em seus braços cruzados. Ela está mais magra. A corrida de emoções cria uma sensação de tontura. Esta pobre criatura patética é a minha mãe e eu tenho falhado completamente com ela. — Vamos, mãe. Ela não se mexeu. Eu varro o cabelo de seu rosto. Vários dos fios caem no chão e aderem a minha mão. Deus, ela tem comido alguma coisa? Manchas amarelas e marrons estão do lado esquerdo de seu rosto. Em seu pulso direito, mamãe usa uma cinta preta. Eu cutucar ela com um toque macio. — Mãe, é Elisabeth. Suas pálpebras tremulam abertas e seus profundos olhos azuis parecem perdidos. — Bebê? — Sou eu. Vamos para casa. Mamãe vem a mim como se eu fosse um fantasma. Seus dedos mal escovam minha perna antes de seu braço cair a seu lado. — Você é um sonho? — Quando foi à última vez que você comeu? Com a cabeça ainda em seus braços, ela me examina. — Você costumava comprar comida para mim e fazê-la, não é? Presunto e queijo branco com mostarda escondido na geladeira. Isso foi você. Minhas entranhas murcham como uma planta sem água.

276

276


Traduzido por Uly Santos

Quem ela acha que cuidou dela? Eu fecho os olhos e procuro minha sanidade mental. Estar com Scott me fez mole. Eu preciso ser mais consciente para mim e para a mãe. — Vamos. Eu coloco um braço ao redor de seus ombros e puxo seu corpo. — Vamos. Você precisa se levantar. Eu não posso te arrastar para casa. — Eu odeio quando você grita, Elisabeth. — Eu não gritei. — Mas eu estou sendo uma cadela. Como a maioria das crianças, mamãe obedece a uma reprimenda forte. Também como a maioria das crianças, muitas vezes ela obedece à pessoa errada. — Sim, você fez. — ela murmura. — Você está sempre com raiva. Mesmo comigo a segurando, ela ainda oscila de um lado para o outro. A porta da sala de trás está fechada. Inferno. Isso significa que nós vamos ter que sair pela da frente. Os passos de bebê são uma luta para ela e eu calculo quanto tempo vai levar para levá-la para casa, neste ritmo. Tantas coisas para fazer antes de me encontrar com Ryan na mercearia, descobrir como tirar o carro do deposito de infrações, e definir uma data para partir. Mamãe tropeça quando encontramos a luz do dia. Tenta proteger os seus olhos, mas isso afeta o seu equilíbrio frágil e tem que usar minhas mãos para mantê-la na posição vertical. Ela está certa. Eu estou sempre com raiva, agora mesmo um vulcão está em ebulição dentro de mim. — O que mais você está tomando? — Nada diz muito rápido. Claro. Nada. — Essa garrafa de tequila não estava vazio. Você está se tornando leve? Ele não diz nada e eu deixo passar, lembrando-me de que algumas coisas é melhor serem ignoradas. A arrasto para frente e, eventualmente, ela levanta os pés para ajudar a mantê-la na calçada. Vários caras com quem eu costumava ir para a escola passam voando

277

277


Traduzido por Uly Santos

em skates. Dois assoviam para mim e perguntar se voltei para ficar. O outro... Ele se levanta de seu skate e leva uma nota de dez dólares do bolso — Você está sem dinheiro de novo, Sky? Eu vou querer um boquete nesse momento. Vergonha aquece o meu rosto, mas eu me forço a manter a cabeça erguida enquanto puxo minha mãe em direção a casa. — Vá se foder. — Eu senti falta de ver você por perto, Beth, mas sua mãe é mais divertida sem você como babá. — Ele solta o skate e sai rolando para longe. Sim, estar com Scott me amoleceu e fez esta experiência um milhão de vezes pior. Desejo que Scott tivesse me deixado em paz. — Vamos nos mudar para a Flórida. — Nós lentamente passamos pela casa de penhores. — As praias de areia branca. O ar quente. O som da água batendo na praia. Minha mãe não é uma prostituta. Não é. Por favor Deus, não deixe que ela seja. — Nós ficaremos sóbrias e vamos conseguir um trabalho. — Nós vamos? — Ou alguma coisa. Porque Scott tem a minha custódia vamos ter de ter cuidado. Ou eu vou ser rotulada como uma fugitiva. — Vamos para o oceano. Dê-me uma data e vamos embora. — Eu tenho que pagar a fiança do Trent primeiro. — sussurra mamãe. — Depois tirar o carro do deposito. — Foda- se o Trent. Que ele apodreça na cadeia. — Eu não posso. — Mamãe puxa meu cabelo para ficar em pé e a dor me faz querer gritar. Em vez disso, eu mordo meu lábio. Gritar vai chamar mais atenção para nós. Chegamos ao final do passeio. Mamãe cai pra frente quando ela perde o passo, e cai na calçada.

278

278


Traduzido por Uly Santos

— Vamos, mãe! — Eu não quero nada mais do que sentar no chão e chorar, mas eu não posso. Não com as pessoas assistindo. Não com a mamãe aqui. — Levanta-se! — Eu a tenho. — A voz profunda e suave faz com que o meu coração e os meus pulmões congelem. Isaiah sem esforço pega minha mãe em seus braços. Sem esperar por mim, ele vai direito para o prédio da Mamãe. Isaiah. Eu pisco. Meu melhor amigo. Meu coração bate duas vezes e ambas as batidas doem. Mamãe perde e recupera o sentido enquanto Isaiah a leva. Quando chegamos a sua porta, deslizo o colar de chaves que costumava usar como um colar na escola primaria ao redor do pescoço da mamãe. Eu brevemente olho para Isaiah e me acovardo com a dor em seus olhos. Ele veste a camisa do uniforme da garagem que ele trabalha. Graxa e óleo de mancham o material azul. Todos os dias, durante três semanas, Isaiah mandou mensagens, ligou e eu não lhe respondi. Eu enterro a culpa. Ele é o único que me traiu e não há nada que eu possa fazer a não responder a ele agora. Um odor rançoso horrível me bate quando eu abro a porta. Estou tonta de pavor. Eu não quero saber. Só não quero. Nós estamos indo para a Flórida. Nós estamos fugindo. Isaiah me segue e pragueja. Ao odor, ao dano, ou o lixo, eu não sei. Nada mudou desde a última vez que estive aqui, exceto a porta da geladeira aberta. — Você se esqueceu de pagar a senhora da limpeza? — Isaiah

279

279


Traduzido por Uly Santos

pergunta. Eu meio que sorri para a sua tentativa de acalmar a situação. Ele sabe que eu odeio que alguém mais veja como minha mãe vive. — Ela só aceita dinheiro e minha mãe insistiu em usarmos os cartões de crédito para as milhas de voo. Atravesso sobre o lixo e os pedaços de móveis e levo Isaiah para o quarto da mamãe. Ele gentilmente a coloca na cama. Esta não é a primeira vez que ele me ajudou com a minha mãe. Quando tínhamos quatorze anos, Isaiah me ajudou a pegá-la no bar. Ele está acostumado com as rachaduras na parede, o carpete verde desgastado, e a imagem minha e dela gravada sobre seu espelho quebrado. — Dê-me alguns minutos. — eu digo. — Então eu vou fazer compras. Ele acena com a cabeça bruscamente. — Eu vou esperar na sala de estar. Eu tiro os sapatos da mamãe de seus pés e sento na cama ao lado dela. — Acorde mamãe. Diga-me o que aconteceu com a sua mão. — Como se eu já não soubesse. Seus olhos quase não abrem e ela se enrola em posição fetal. — Trent e eu tivemos uma briga. Ele não fazer dizer isso. — Ele nunca quer. — Quanto mais rápido ficarmos longe dele o melhor. — Ele me ama. — Não. Não ama. — Sim, ele o faz. Vocês dois não se conhecem verdadeiramente bem. — O conheço o suficiente. — Sei que usa um anel que dói como o inferno quando me deu uma bofetada na cara. — Você vai comigo, não é? Porque si não, não poderei cuidar de você. Quero que diga que sim e que diga rapidamente. A pausa aparece

280

280


Traduzido por Uly Santos

como se alguém rasgasse meus intestinos através do meu umbigo. Finalmente, ela fala. — Você não entende. É uma cigana. E ela está bêbada. — Você vai ir comigo? —Sim, querida — murmura. — Eu vou com você. — De quanto precisamos para tirar o carro do depósito? — Preciso de quinhentos para tirar Trent da cadeia. Trent pode morrer na cadeia. — O carro. Quanto é para pegar o carro? Não posso te levar de Louisville e não posso cuidar de você sem deixar a cidade. Ela da de ombros. — Um par de centos. Mamãe começa a cantar uma velha canção que o vovô costumava cantar antes que bebesse para dormir. Enrugo minha testa. Precisamos desse maldito carro e precisamos de um maldito plano. Mamãe e eu deveríamos ter ido há semanas, mas Isaiah arruinou isso. Minhas janelas de oportunidade se mantêm fechadas e não estou certa de quanto tempo mamãe vai durar por sua conta. Tiro o dinheiro de Echo e coloco a metade na mesa junto à cama de mamãe. Ela para de cantar e fica olhando o dinheiro. — Me escuta, mamãe. Você precisa estar sóbria pra tirar o carro do depósito. Também quero que pague a fatura de telefone. Nós partiremos em breve. Entendeu? Mamãe continua olhando o dinheiro. — Scott te deu esse dinheiro? — Mãe! — grito e ela estremece. — Repita o que tem que fazer. Mamãe tira um velho bicho de pelúcia meu de debaixo de sua almofada. — Durmo com isso quando sinto sua falta.

281

281


Traduzido por Uly Santos

Dormi com essa pelúcia toda noite até que cumpri treze anos. É o único que meu pai me deu. O fato dela continuar tendo ele me quebra em pedaços. Não posso me concentrar nisso agora. Preciso que mamãe se lembre o que tem que fazer. Sua vida depende disso. — Repita o que eu disse. — Pegar o carro. Pagar a fatura de telefone. Eu levanto e mamãe agarra minha mão. — Não me deixe sozinha outra vez. Não quero estar sozinha. O pedido alimenta minha culpa. Todos nós temos nossos medos. Aquelas coisas que existem nos cantos escuros da nossa mente que nos aterrorizam inacreditável. Este é o dela. O meu medo? É deixá-la. — Eu preciso comprar comida pra você. Vou fazer alguns sanduíches e colocá-los na geladeira. — Fique. — diz ela. — Fique até eu cair no sono. Quantas noites quando eu era uma criança pedia a ela para ficar comigo? Eu deito na cama ao lado dela, passo os dedos pelos seus cabelos, e ela continua a música de onde parou. É seu verso favorito. Um que fala de aves, liberdade e mudança.

*** Eu fatio o último sanduíche ao meio e coloco o prato cheio na geladeira, junto com os restos de presunto e queijo que Isaiah comprou enquanto eu cantava para mamãe dormir. Isaiah se ocupa, colocando as caixas de cereais e biscoitos na despensa. Ele comprou comida que mamãe pode fazer facilmente. — Você não me castigou o suficiente? — Isaiah pergunta. As correntes que permanentemente carrego se tornam mais pesadas.

282

282


Traduzido por Uly Santos

— Você vai me jogar sobre seu ombro e me forçar a sair de novo? — Não. — diz ele. — Todo mundo sabe que Trent está na cadeia. A pior coisa que vai acontecer com você aqui... — Ele olha para a porta fechada do meu antigo quarto. — Talvez eu devesse jogá-la por cima do meu ombro novamente. Este lugar não é bom para você, Beth. — Eu sei. — E é exatamente por isso que quero ir embora... com a minha mãe. Uma pequena parte de mim está curiosa para saber o que Isaiah sabe que eu não sei. Eu poderia abrir a porta para o meu antigo quarto e descobrir, mas eu sacudo para longe o pensamento. Eu não quero saber. Eu realmente, realmente não quero. — Você deve voltar ao trabalho. — eu digo. Ele mudou suas roupas de trabalho para a sua camiseta preta e jeans favorito, o que significa que ele tem a intenção de ficar por aqui. Eu não quero ser responsável por ele perder o emprego que ele ama. A garagem onde ele trabalha está do outro lado da rua do shopping center, o que explica como ele me alcançou tão rapidamente. — Eu saí há uma hora. Fiquei ao redor por que quis e consertei um novo Mustang alguém trousse para dentro. Ele é muito bonito. Eu acho mesmo que você gostaria dele. Eu senti falta isso. Isaiah me contando sobre o seu dia e seu tom animado quando ele fala sobre carros. Com seus olhos cinzentos, Isaiah me olha. Eu senti sua falta. De sua voz. Suas tatuagens que cobrem os braços. Sua constante e firme presença. O último é o que eu mais sinto falta. Isaiah é o relacionamento que eu nunca tive que questionar. A única relação que eu não queira saber se iria mudar quando eu acordasse de manhã. Dou dois passos e envolvo meus braços em torno de seu peito. Um braço de cada vez, Isaiah me abraça. Eu amo o som de seu coração. Assim constante. Tão forte. Por breves segundos, as correntes se elevam. — Eu senti sua falta. — digo.

283

283


Traduzido por Uly Santos

— Eu senti sua falta também. — Isaiah repousa a cabeça contra o topo da minha. Uma mão se estende para cima e cobre minha nuca. Seus dedos roçam minha bochecha e minha coluna se endireita. Nós já nos tocamos muitas vezes ao longo dos últimos quatro anos. Todas as vezes que nos tocamos que estávamos drogados. Desde a minha prisão, Isaiah me tocou sóbrio vezes demais. Uma noite, no ano passado, fomos muito longe quando estávamos drogados. Mais ou menos como eu e Ryan. Ao contrário de Ryan e eu, Isaiah e eu fingimos que nada aconteceu. Se não fosse por Ryan, eu provavelmente teria amnésia forçada da nossa noite juntos no celeiro. E então eu me lembro... Isaiah me disse que me amava . — Quando se formar, Beth, eu prometo que vou levá-lo para longe daqui. — Tudo bem. — digo, sabendo que eu vou estar muito longe antes da formatura. Eu escorrego de suas mãos e me pergunto se eu entendi mal Isaiah. Talvez ele não me disse que me amava. Talvez ele tenha feito e mais uma vez nós estamos ignorando as coisas. — Denny te ligou de novo? — Sim, e ele vai continuar me ligando. Faça-nos um favor e me ligue pela primeira vez. Se você tem que ver a sua mãe, deixe-me estar ao seu lado quando você fizer isso. Vou matar Trent se ele te tocar novamente e eu prefiro não ir para a cadeia. — Claro. — Mesmo que eu não vá ligar. A próxima vez que eu entrar em Louisville, vai ser para pegar minha mãe e deixar a cidade para o bem. — Rico vai dar uma festa esta noite. — Isaiah continua. — Noah vai estar lá. Prometo que voltaremos para seu tio antes que possa sentir sua falta. Um vazio profundo habita em minha alma. Eu bati em Noah. — Ele está com raiva de mim?

284

284


Traduzido por Uly Santos

Isaiah balança a cabeça. — Está com raiva de si mesmo. Do mesmo jeito que eu estou. — Nós deveríamos ter feito uma abordagem diferente com você, mas chegamos logo após Trent. Noah e eu estávamos aterrorizados, Trent ia machucá-la novamente. Pego meu celular e verifico a hora. Eu tenho cinco minutos para voltar para Ryan. Passando a mão pelo meu cabelo, eu considero minhas opções. Eu quero ver Noah e eu quero passar um tempo com Isaiah. Eu gostaria de empurrar Ryan na frente de um ônibus pelo o que ele fez com o irmão. Meu coração tropeça em si. O que eu realmente anseio é que Ryan que me dê seu lindo sorriso e me diga que ele cometeu um erro terrível. O que há de errado comigo? Eu mordo meu lábio inferior e enfrento Isaiah. — Eu preciso falar com Ryan em primeiro.

285

285


Traduzido por Uly Santos

Ryan Beth sai do decaído complexo de apartamentos, Isaiah sobre seus calcanhares. O mesmo mantra circula no meu cérebro: Eu não estou perdendo Beth. Eu não vou desistir de nós. Eu poderia ter me aproximado dela mais cedo, mas eu decidi respeitar Beth e ficar com o nosso plano original: ir tomar banho e mudar de roupas na instalação de pitching, então buscá-la uma hora depois. Eu modifiquei uma parte do seu pedido, estou pegando-a onde eu vi pela última vez. Uma hora atrás, eu assisti como Beth seguiu Isaiah para este edifício com uma mulher adulta desmaiada em seus braços. Dar a Beth espaço sabendo que ela estava com ele e não comigo, foi um das malditas coisas mais difíceis que eu já fiz. Mas eu vou continuar com Beth. Independentemente das palavras que eu lhe disse, ela é a minha garota. Beth para quando me vê encostado na porta do passageiro do meu Jeep. Seus olhos se arregalaram e seu rosto empalidece. — O que você está fazendo aqui? — Temos planos para jantar. Ela pisca e Isaiah endurece atrás dela. Ele pode estar à procura de uma luta, mas eu não estou. — Podemos falar por um segundo, Beth? —Eu fico olhando para Isaiah. — A sós. — Eu vou só se ela me diz para ir. — Isaiah tem um comportamento legal, quase amigável, mas tudo isso é forçado. — Isaiah. — diz Beth. — Eu preciso falar com ele. Por trás dela, Isaiah coloca uma mão no ombro dela, beija o topo de sua cabeça, e olha diretamente para mim. A Bile sobe na minha garganta. A única coisa que me mantém longe de socá-lo é a

286

286


Traduzido por Uly Santos

expressão de Beth. Seus olhos marcantes tornar-se demasiado grandes para seu rosto. Boa garota. Eu gosto de saber que ela não esperava um movimento como esse partindo dele. Isaiah pula em um velho Mustang e olha para mim como ele liga o motor. Ele revolve imediatamente com um estrondo furioso. Ele da a ré e deixa o lote. Beth amassa os punhos contra os olhos. Um milhão de perguntas flutuam no meu cérebro, mas agora eu só estou interessado em nos salvar. — Eu sinto muito. Ela abaixa lentamente as mãos. — Pelo quê? Por esta espelunca decadente ser sua vida anterior. Por ela não confiar em mim o suficiente para me deixar ajudá-la com seus problemas. Por eu ter sido estúpido o suficiente para pensar que ela não era nada mais do que uma criança mimada que vivia com o tio. Por ser o babaca, que ela me disse que eu era semanas atrás. — Mark era meu melhor amigo. — digo a ela. — Quando ele se foi, eu senti que levou parte de mim com ele. Quando meu pai o expulsou, eu não conseguia entender por que ele não iria ficar e lutar, se não fosse por ele, então por mim. Eu nunca disse isso a ninguém que antes. Nem mesmo Chris ou Logan. Beth é a primeira pessoa a chamar pra fora algo tão importante, tão pessoal. Eu mereço toda a ira que virá depois. Com um suspiro pesado, Beth cai na calçada do estacionamento em ruínas. — Eu entendo. — Ela parece pequena e perdida de novo e meu coração rasga em meu peito. Me sento perto dela e todo meu mundo ganha sentido quando ela descansa sua cabeça sobre meu ombro. Passando um braço ao redor dela, fecho os olhos brevemente quando coloca seu corpo quente junto ao meu. Aqui é aonde Beth pertence, junto a mim. — Mas ainda assim você foi um idiota com Mark — ela diz.

287

287


Traduzido por Uly Santos

— Sim. — O arrependimento come meu estômago. — Mas, o que devo fazer? Ele é meu pai. Os dois estão desenhando as linhas de batalha. Se supõe que deva escolher ou um ou outro, mas eu preciso dos dois. Silencio. Uma suave brisa dança por todo o estacionamento. — Ela é minha mãe — diz Beth com o mesmo peso que havia escutado na voz de Scott quando falava de Beth como um garoto. — No caso de você se perguntar. — Eu estava. — Mas não estava pronto para pressiona-la. Meus dedos ligeiramente traçam seu braço e juro que ela se pressionou mais perto de mim. Eu adoraria beijá-la agora. Não o tipo de beijo que faz com que seu corpo fique vivo. O tipo de beijo que mostra a ela o quanto eu me importo, o tipo que envolve minha alma. Beth levanta a cabeça e eu largo o meu braço. Ela precisa de seu espaço e eu preciso aprender a lhe dar. — Nós somos péssimos em encontros. — diz ela. Eu ri. Nós estragamos tudo. Esperando por um momento perfeito, eu ia esperar até depois do jantar para dar a ela o que eu trouxe comigo, mas a única coisa que estou aprendendo com Beth é que a perfeição nunca vai acontecer. Enfio a mão no bolso, tiro o fino material de cetim e seguro na frente dela. — Este é o meu presente para você. Este é o meu “Uau”. Beth pisca uma vez e sua cabeça se inclina lentamente para a esquerda, enquanto ela olha para a fita. Como os outros garotos fazem isso? Como é que eles dão presentes para as garotas que têm sentimentos e conseguem manter a sanidade? Eu quero impressiona-la, assim ela vai ficar no Baile de Boas Vindas, mas... Eu quero este presente para provar que a conheço e que eu vejo além do cabelo preto, anel no nariz e jeans rasgados. Eu a vejo como ela realmente é... A vejo como Beth. — Você me comprou uma fita. — ela sussurra. — Como você sabia? Minha boca está seca. — Vi uma foto sua quando era jovem no

288

288


Traduzido por Uly Santos

escritório de Scott e você falou sobre isso... no celeiro. Suas palavras eram hipnóticas. — Fitas. — ela disse em uma voz peculiar. — Eu ainda amo fitas. Sem perder tempo, em um movimento metódico, Beth estende o pulso. — Ponha ela em mim. — Eu sou um garoto. Eu não sei como colocar fitas no cabelo de uma garota. Beth sorri de uma forma que uma parte é riso e outra parte é malvada. — Amarre-a no meu pulso. Eu não tenho certeza se você notou, mas eu não sou exatamente o tipo de garota que usa fitas no cabelo. Enquanto eu amarro a longa fita de pano ao redor de seu pulso e tento o meu melhor para fazer um nó aceitável, eu to coragem para perguntar. — Você está impressionada? Sua pausa é debilitante. — Sim. — diz um pouco sem fôlego. — Estou impressionada. Beth me dá um presente raro: seus olhos azuis tão suaves que me lembram do mar, com um sorriso tranquilo que me lembra do céu. — Vamos sair para jantar. — digo. A expressão de Beth cresce muito inocente. Ele morde o lábio inferior e os meus olhos estão fixos sobre seus lábios. Eu tento de novo. Na parte de trás da minha mente, bandeiras vermelhas são levantadas, mas eu não me importo. Faria qualquer coisa para mantê-la me olhando assim para sempre. — Na verdade. — diz ela. — Eu tenho outra ideia.

***

289

289


Traduzido por Uly Santos

A Duas quadras do shopping, entrou no território de uma gangue bem definida. Ouvi rumores sobre o lado sul da cidade, mas eu nunca acreditei. Eu pensei que eles eram lendas urbanas criadas por meninas em festas do pijama. Eu estive nas principais estradas da região uma centena de vezes com os meus amigos. Eu comi em restaurantes de fast food e compartilhei a mesa com os meus pais. Eu nunca soube que por trás das cores brilhantes e paisagismo bem cuidado fora da faixa principal haviam minúsculas casas em caixa e viadutos de autoestrada repletos de graffiti... Na varanda, Isaiah ri com dois meninos latinos, então acena para o meu jeep estacionado na rua atrás de seu Mustang. Ele para de rir. Eu aceno. Eu não estou vendo nenhum pouco de humor nesse cenário. — Este lugar não é bom. — Eles são meus amigos. — diz Beth. — Scott me levou e eu nunca tive a chance de dizer adeus. Se você quiser, pode ficar no carro. Basta me dar 20 minutos, 30 no máximo. E então nós vamos sair. Eu juro. Não há nenhuma maneira no inferno que a deixe lá sozinha. Eu posso registrar o nível de ameaça do bairro e dos caras na varanda. — Eu não posso te proteger aqui. — Não, eu não estou te pedindo isso. Disse que você espera... Eu a cortei. — Quando você disse que queria parar e dizer adeus para alguns amigos. Esse garoto está vestindo cores de gangues. Ela bate a cabeça contra o assento. — Ryan. Eu provavelmente nunca vou vê-los novamente. Por favor, você pode me deixar dizer adeus? Essas palavras, eu nunca vou vê-los novamente e dizer adeus são as únicas razões para eu estar dizendo isso. — Então eu vou com você . — Ok. — Ela salta pra fora e eu a sego. Ela pode viver sob qualquer ilusão que queira, mas ela não está mais segura aqui do que eu estou e irei baixo, antes que alguém a machuque. Chegamos à varanda da

290

290


Traduzido por Uly Santos

frente e vejo que Isaiah desapareceu. É esperar demais que ele tenha dado esta noite por terminada? O interior da casa é menor do que eu esperava, e eu esperava apertada. A cozinha e a sala de estar são uma só e são separadas pelo ângulo do mobiliário. Adolescentes sentados em todos os lugares, em móveis no chão. Outros se apoiam contra a parede. Uma névoa de fumaça permanece na sala. A fumaça do cigarro. Outros tipos de fumaça. Vejo os olhares de quase todos, mas continuam suas conversas. Os garotos me medem. Os olhos das garotas fixam através de meu peito. Algumas olham mais baixo. Beth entrelaça sua mão com a minha , então acaricia os dedos suaves contra minha bochecha, me seduzindo a baixar a minha cabeça para a dela. — Fique perto de mim. — ela sussurra. — Não fale e não olhe. As coisas serão melhores no quintal. Durante dias, eu sonhava em ter Beth tão perto de mim de novo, mas agora eu só posso me concentrar sobre os muitos pares de olhos observando cada movimento nosso. Beth se vira, agarra minha mão mais forte e me leva até a sala de estar e depois para a porta dos fundos da cozinha. Várias cordas de luzes de Natal estão penduradas em três árvores espalhadas no pátio estreito. Um pedaço de grama cresce no canto mais distante. O resto é uma mistura de ervas e sujeira. No centro de um círculo de cadeiras de jardim desgastadas, Isaiah conversa com Noah, uma garota ruiva perto de Noah e um dos garotos latinos da entrada. Noah quebra o grupo quando ele vê Beth. Ela me soltou e cai em seus braços que a esperam. Eles sussurram um para o outro. Eu não gosto do jeito que se agarra a ela e todo o tempo que a abraça. Isso não se parece com amor fraternal para mim. Eu fico olhando para sua namorada. Por que está tão malditamente feliz de ver seu namorado abraçando outra pessoa? Quando ele a solta, Noah estende a mão para mim. — E aí, novidades? — Eu aperto sua mão um pouco mais do que o habitual.

291

291


Traduzido por Uly Santos

-— Nada. E você? No momento em que eu aperto, Noah sorri e aperta de volta. -— Calma mano. Beth diz que você é bom, por tanto isso nos faz ficar bem. Beth abraça o cara Latino e ri quando ele alegremente fala em espanhol. -— Este é Rico. -— diz Noah. -— Relaxa. Cobriremos a suas costas. -— É Beth que me preocupa. Ela não deveria estar aqui. Noah perde a expressão tranquila. -— Não, ela não deveria. Beth olha por cima do ombro e pisca pra mim com aquele sorriso alegre que eu vi apenas um punhado de vezes. -— Ela está usando uma fita? -— Noah pergunta em clara descrença. Sentindo-me orgulhoso, eu respondo: -— Eu dei a ela. -— Fodidamente maravilhoso. -— Noah murmura enquanto ele olha Isaiah. -— Não fique muito tempo. Noah retorna ao grupo e puxa sua namorada em para uma rede amarrada ao longo de dois polos no chão. A rede balança suavemente para trás e para frente, quando eles se encostam juntos. Apoiados em um cotovelo, Noah se concentra nela. -— Echo, este é Ryan. Ryan, esta é a minha garota. Mensagem recebida. Mexo com sua namorada e ele vai me ferrar. -— Prazer em conhecê-la. Echo se senta, mas Noé serpenteia um braço em volta da cintura e a arrasta de volta para baixo. -— Beth trouxe um cara que tem bons modos. Echo brinca com ele. — Veja, não é tão difícil. Noah empurra seu cabelo por cima do ombro, em seguida, desliza um

292

292


Traduzido por Uly Santos

dedo ao longo de seu braço. -— Eu tenho boas maneiras, baby. -— Não. -— Ela esmaga a mão dele e ri. -— Você não tem. Nojo tece através de mim quando eu registro o que eu estou vendo. Cicatrizes cobrem os braços de Echo. Eu esfrego a mão sobre meu rosto. O que diabos aconteceu com ela? Noah continua a provocar Echo e ela continua a rir, mas seu tom de voz, quando ele se dirige a mim é ameaçador. -— Olhe por mais tempo, Ryan, e eu vou chutar o seu traseiro. -— Noah. -— repreende Echo. -— Não. Beth retorna para mim. -— O que eu disse sobre olhar? -— Peço desculpas. -— digo diretamente a Echo. Echo sorri. -— Está vendo? Modos. -— Vamos lá. -— diz Beth. -— Vamos pegar uma cerveja antes de você dar a eles uma boa razão para chutar sua bunda.

293

293


Traduzido por Uly Santos

Beth Eu senti falta de rir. Na maioria dos dias posso encontrar algo divertido que faça com que meus lábios se curvem para cima. As vezes é suficientemente engraçado para me fazer rir. Mas senti saudade de rir. Realmente rir. Rir ao ponto de que meu interior possa doer, meu peito dói, e meu rosto fique exausto de tanto rir. Para efeito, Rico está situado no meio do círculo de cadeiras de gramado e em câmera lenta encena como Isaiah e eu o impedimos de ser preso por beber neste verão distraindo um par de policiais com uma rotina de mímica muito ruim. — Estou escondido nos arbustos e se a policia voltasse, estariam em cima de mim. Beth estava apenas lá parada. — Rico sufoca entre risadas. — Seu braço estava rígido no ombro e seu antebraço se balançando para cá e para lá como um pendulo. O policial perguntou se ela precisava de ajuda médica. Pensaram que ela estava tendo um ataque. Todos, incluindo eu, estavam rindo. Rico se serena para no soltar el resto. — E ela rompeu seu silencio autoimposto para dizer “Sou uma mímica, idiota. Por que você acha que estou fazendo todos esses movimentos retardados?” Todo mundo ri ainda mais alto e enquanto nosso grupo ofega por ar, Rico olha para Ryan. — Incluso el niño blanco se está riendo.* Não sou fluente em espanhol, mas sei o suficiente para captar as palavras “garoto branco” e “rindo”. Meu coração estremece quando pego Ryan no final de um suave riso. *Até o garoto branco está rindo.

294

294


Traduzido por Uly Santos

Ele é sempre bonito, mas é de tirar o fôlego quando ri. Rico leva a cerveja aos lábios, em seguida, ele a joga em todo o quintal. — Eu estou fora. Isaiah faz sinal para o refrigerador. — Todos estamos, cara. — Isaiah, me ajude a pegar alguma bebida do esconderijo do Antonio, então depois vamos lhe dar a mota. Mota. A maconha. A camada entre a minha pele e os músculos coçam. Quero um trago. Mais do que isso, desejo sentir o cheiro em torno de mim o fumo queimando em meus pulmões, a sensação de liberdade e leveza. Oh Deus, mais do que qualquer coisa que eu quero flutuar. Isaiah fica de pé Rico e bate em meu pé ao passar. — Está dentro, certo Beth? Me mata negar com a cabeça. — Toque de recolher. Dou uma olhada em Ryan. Será que ele sabia o que era Mota? O sorriso caiu de meus lábios ao lembrar as histórias que contamos. Oh merda, eu me sinto doente. A bebida. As drogas. As festas. Ele ouviu tudo isso. Meu estômago fica abalado. Sabe o que eu sou. — Beth. — diz Isaiah. Ele espera até que eu olhe. — É um material leve. Você vai ficar sóbria antes do toque de recolher. —Isaiah — adverte Noah. Isaiah nunca me levou para o mal caminho. Se disse que estarei sóbria em uma hora, então assim será. Sabe minha vontade de chegar a leveza. Um forte barulho de algo se chocando vem da casa. Conheço essas pessoas. Ryan não. Não posso deixa-lo indefenso. —Não, estou bem. — Faça o que quiser. — Rico se dirige para a casa. Isaiah me olha e não entendo o brilho em seus olhos. Abruptamente, Segue o Rico.

295

295


Traduzido por Uly Santos

Na rede, Noah começa a beijar Echo. Ambos estarão perdidos em seu próprio mundo pelo resto da noite e Isaiah facilmente estará fora por dez minutos. A noite tem sido divertida, mas também me amarrou em um invisível cabo de guerra e soltou. Ryan se senta do meu lado. E Isaiah do outro. É estranho estar junto dos meus dois melhores amigos e do garoto que realmente gosto. Por que Isaiah não pode ver que nós somos apenas amigos? Apenas amigos. Eu preciso falar com ele antes de ir embora. Preciso arrumar toda essa bagunça. Honestamente, eu só preciso ouvi-lo dizer que ele não quis dizer isso e que ele ainda é meu melhor amigo. Ryan se levanta, e caminha até a árvore no lado oposto do quintal. Eu olho por cima do ombro para a casa. Estive tendo cuidado para não esfregar Ryan na cara de Isaiah, mas eu preciso ter certeza de que Ryan está bem também. Sim, Isaiah vai ficar fora por um tempo. Rico é um excursionista lento. Vou até Ryan. — Você não tem que se mover por causa de Noah e Echo. Centenas de luzes de Natal estão penduradas na árvore. Sua pele beijada pelo sol fica linda sob seu brilho. — Eu não me movi por causa deles. Eu levanto uma sobrancelha. — Então, por quê? Ryan inclina a cabeça e seus olhos percorrem o meu corpo como se estivesse saboreando a vista. — Você é linda quando ri. Calor arde em meu rosto e eu romper o contato visual. Ryan estende a mão e me toca. Seus dedos permanecem em meu pescoço, o sussurro de sua carícia em minha pele aquece meu sangue. — Você deveria rir mais. — diz ele. Eu engulo. — A vida não me deu muito motivo para rir. — Eu poderia mudar isso. — Ryan invade o meu espaço pessoal e cada parte dele se conecta com uma parte de mim.

296

296


Traduzido por Uly Santos

Aspiro e ele cheira ao delicioso aroma de terra depois da chuva. — Você cheira bem. — digo. Sua mão desliza ao longo da curva da minha coluna e no meu cabelo. Calafrios passam por meu corpo. — Você também. Você sempre cheira a rosas. Eu rio com a ideia de ter um cheiro doce e mordo o lábio para parar com reação feminina. — Ninguém nunca me disse isso antes. Os lábios de Ryan formam esse glorioso sorriso com covinhas e meu sangue formiga direto para os meus dedos. Este sorriso é para mim e só para mim. — Há muitas coisas que eu quero dizer a você, Beth, e eu quero ser o primeiro a te dizer. Fome intensa brilha em seus olhos. Eu vi o mesmo olhar em outros caras, mas em Ryan é diferente. Esse olhar tem mais profundidade, mais significado, como se ele estivesse vendo dentro de mim. — Eu quero te beijar. — ele murmura. — Você quer me beijar? Meu coração bate mais rápido. Oh, Ryan pode me beijar. Eu fiquei acordado a noite reproduzindo seus lábios contra os meus. Seus beijos são fortes como ele, possessivos e exigentes. Ryan disse coisas bonitas para mim no celeiro e ele me tocou de uma forma que eu só sonhava que alguém pudesse me tocar. Meus dedos tocam seu cabelo espesso. — Sim. Ryan abaixa a cabeça e eu fecho meus olhos. A antecipação deste momento cria uma energia que fervilha no ar de outono. Eu vou fazê-lo. Vou beijar Ryan, sóbria. — Porra, Beth. — Atrás de mim, Isaiah cospe as palavras. Eu viro e apenas tenho um vislumbre dele trancando a porta de volta para o beco. Noah sai da rede e corre atrás dele. Eu preciso ir atrás de Isaiah, não Noah. Dou vários passos, mas o riso que vem da casa me para. Eu não posso deixar Ryan. — Noah!

297

297


Traduzido por Uly Santos

— Vá para casa, Beth. — diz ele enquanto caminha em direção ao beco. — Volte para Groveton e não volte. Esse é o acordo que fizemos. Quando nos abraçamos e pedimos desculpas um ao outro, Noah prometeu me deixar ficar e apreciar a minha noite se , quando tudo acabasse, eu fosse embora e nunca mais olhasse para trás. Não era uma promessa difícil de fazer. Em poucas semanas, eu vou embora por bem. — Eu não posso ir sabendo que ele está chateado. — Porque depois de hoje à noite, poderia nunca voltar a vê-lo novamente. — Basta ir. — diz Noah. — Não! — Eu agarro Noah e passo na frente dele. — Ele está com raiva de mim. Eu sei que ele fica chateado quando fico com outros garotos, mas Ryan não é um cara qualquer. Eu tenho que explicar isso a ele. Eu tenho que explicar a Isaiah que ele não está apaixonado por mim. — Mas eu não posso ir atrás de Isaiah e deixar Ryan aqui. Você sabe o que vai acontecer se algum dos amigos de Rico vir Ryan sem você ou eu. Noah esfrega os olhos. Sim, ele sabe. Ryan não faz parte do nosso círculo e é um alvo fácil para uma boa surra. Noah faz gestos para eu ir atrás de Isaiah. — Quinze minutos, Beth. Eu quero dizer isso. Você precisa voltar para Groveton e terminar a sua vida lá. Eu me viro e vacilo ao encontrar Ryan perto de pé com as mãos enfiadas nos bolsos. Dor emana de seus olhos castanhos que brilhavam com a promessa de momentos antes. — Ryan. — gaguejo. — Ele é meu melhor amigo e ele está chateado e... — Vá atrás dele. — Ryan cruza os braços sobre o peito. — Mas não me deixe esperando, se é a ele quem você quer. — O quê? — Eu balanço minha cabeça. Ryan não entende. — Isaiah e eu... nós não somos assim.

298

298


Traduzido por Uly Santos

Mas não vou perder tempo em pé aqui discutindo com Ryan sobre questões estúpidas de ciúme quando meu melhor amigo está chateado. Passo por Noah e corro para o beco. A poucos passos para a escuridão, mãos fortes agarram meus braços. Eu sugo ar para gritar, mas sou silenciada por uma voz profunda e familiar. — Você mudou. — Como se quisesse provar seu ponto, Isaiah empurra meu pulso na frente do meu rosto e me mostra a fita rosa de Ryan. — Você também. O Isaiah que eu conhecia teria fugido comigo e com minha mãe quando eu pedi. Você deixou minha mãe com Trent e ele quebrou o pulso dela! É como se já não te conhecesse. Você costumava cuidar de mim! — Minha pulsação faz um ruído surdo nos meus ouvidos enquanto eu empurro Isaiah. Um farol anexado a um envelhecido poste telefônico pisca ligando e desligando. Com cada raio de luz, uma mistura de raiva e tristeza atravessa o rosto de Isaiah. — Você costumava me deixar cuidar de você. Agora você arranjou um atleta idiota para fazer suas vontades. Uma quente raiva pisca através de mim. — Deixe Ryan fora disso. Você é o único com TPM igual a uma garota. Primeiro você quer fugir comigo. Então você não quer ter nada a ver comigo. Então você quer fugir comigo após a graduação. Então você continua me dizendo para viver a minha vida em Groveton. Então você vai e me diz que me ama quando nós dois sabemos que você não ama. Meu coração salta do meu peito quando ele golpeia seus punhos fechados contra a cerca de arame atrás dele. O metal vibra. — Droga, Beth. Isaiah agarra a cerca e se inclina como se estivesse pronto para vomitar. Nenhuma vez em quatro anos o vi assim tão emocional. Minhas mãos tremem com a adrenalina. — Não entendo. Jura suavemente em voz baixa. — Estou apaixonado por você. Gelo congela meus músculos. Ele disse… outra vez. — Não, não está.

299

299


Traduzido por Uly Santos

Ele vira e segura meu rosto com suas mãos. Não sinto calor. Só sinto frio. Frio e confusão. Ele abaixa a cabeça de tal maneira que seu rosto está mais perto do meu. — Estou apaixonado por você desde que tinha quinze anos. Não era homem suficientemente para te dizer, então Luke se aproveitou disso. Você ficou tão ferida depois que ele te usou que jurei protegê-la até que pudesse escutar o que eu tinha pra dizer. Estou apaixonado por você. Meus pulmões se apertam. Deus, não posso respirar. Me ajude a respirar. — Você é meu melhor amigo. — E você a minha. Quero mais de você e estou começando a te pedir por favor que me dê mais. Minha garganta arde e lentamente incha. — Mas, você é meu melhor amigo. Seus dedos se movem suavemente contra minha bochecha. — Você quer sair, eu vou. Vou levá-lo agora. Vamos entrar no meu carro, encontrar a sua mãe, e nunca mais olhar para trás. Seus termos. Não os meus. O que você quiser. Tudo o que você precisa. Basta dizer as palavras. Por favor, diga. Eu o amo. Essas palavras. Minha mão aperta contra o peito dele. Seu coração continua na mesma batida constante que eu vim a depender. Isaiah é a minha rocha. A corrente que me mantém inteira quando estou pronta para desmoronar. Ele é a âncora que me impede de flutuar para longe quando eu vou longe demais. Seu coração tem sido um ritmo constante na minha vida e eu não quero deixá-lo ir. — Eu te amo. Isaiah enfia o queixo em direção ao seu peito e eu forço o ar em meus pulmões quando ele limpa a garganta. — Você tem que dizer isso.

300

300


Traduzido por Uly Santos

Eu tento sacudir fisicamente as lágrimas se formando, mas seu domínio sobre meu rosto faz com que seja impossível. Nós não falamos há semanas, mas eu sabia que, nos recessos profundos da minha mente, que a nossa separação era temporária. Isso de alguma forma a faz muito real e isso significa que este adeus pode ser concreto. Eu não posso perdê-lo. Eu não posso. — Eu quero dizer isso. Eu te amo. Como um amigo. Tal como o meu melhor amigo. Antes de Groveton, eu nunca entendi o amor e agora... eu ainda não entendo. Mas eu sei que não é o vazio, eu sei que não é deixar um cara me usar, eu sei que existem diferentes tipos e o que eu sinto por Isaiah... não é o que sinto quando estou com Ryan. Isaiah descansa sua testa na minha. — Como você o ama. Diga-me que você me ama tanto quanto você o ama. Ryan. Eu sou apaixonada por ele? O pensamento provoca pânico. Apenas o som de seu nome faz com que o meu coração tropece em si. Eu amo o jeito que Ryan me faz sentir. Eu amo suas palavras. Eu amo suas mãos no meu corpo. Eu amo o jeito que o seu olhar me faz corar. Mas eu tenho que deixar Ryan logo, para proteger a minha mãe. Se eu disser as palavras certas, Isaiah vai comigo. — Isaiah, eu... Houve uma vez, em que me perguntava se eu estava me apaixonando por Isaiah. Echo lhe abraçou e ele alegremente a abraçou de volta. A dor e o ciúme que percorreu meu corpo surpreenderam até a mim. Mas eu não estava apaixonada por ele. Eu estava com medo de Echo. Com medo das mudanças que ela estava trazendo para nossas vidas. Mudanças que teriam acontecido mesmo se ela nunca tivesse existido. Eu olho em seus olhos cinzentos. Isaiah está errado, ele não me ama. Não da maneira que ele pensa. A verdade é que, em seus olhos. Ele não olha para mim do jeito que Noah olha para Echo ou como Chris olha pra Lacy. Ele não olha para mim do jeito que Ryan olha... — Eu te amo... Eu amo a segurança de Isaiah e amo sua calma. Eu amo sua voz e a sua risada. Eu amo a sua constante e firme presença. Mas se o mundo

301

301


Traduzido por Uly Santos

estivesse chegando ao fim, ele não é a pessoa que eu quereria ao meu lado. Eu o amo. Eu o amo tanto que sei que ele merece ter uma garota que se desmorone ao seu toque. Ele merece ter uma garota cujo coração pare de bater cada vez que ele olhar para ela. Ele merece alguém que “esteja" apaixonada por ele. — ...Como um amigo. Do mesmo jeito que você me ama. Isaiah balança a cabeça, como se isso fizesse com que as minhas palavras sejam menos verdadeiras. — Você está errada. Ele pressiona seus lábios contra minha testa. Meu lábio inferior treme enquanto eu embolo o material de sua camisa na minha mão. Eu estou perdendo ele. Estou perdendo meu melhor amigo. — Não estou. — digo. — E um dia você vai entender. — Se você mudar de ideia... — Há uma tristeza em sua voz, e uma parte de mim morre no pensamento dele com tanta dor. Ele toca os lábios na minha testa mais uma vez, a carícia é mais duradoura, a pressão mais intensa. Isaiah se afasta de mim e desaparece na escuridão. — Eu não vou. —sussurro, enquanto fecho os olhos e desejo que um dia, ele mude a sua.

302

302


Traduzido por Uly Santos

Ryan Beth pediu tempo. Quanto tempo ela precisa? Um dia? Uma semana? Horas? Qualquer quantia é muito longa quando a garota por quem estou me apaixonando tinha lágrimas em seus olhos. Qualquer quantia é muito longa quando me pergunto se ela se importa comigo. Eu não vou vê-la até terça-feira. Amanhã é reunião de pais e professores. Hoje é domingo e meus pais estão organizando um churrasco para o prefeito, o conselho da cidade, e alguns outros amigos da nossa família. Eu estou vestido e fazendo o papel perfeito. Perfeito. Foi do que Lacy me chamou quando explicou por que ela nunca iria se encaixar em Groveton.

303

Perfeito. Foi o que Beth cuspiu em mim quando recusou a queda de confiança. Perfeito. É a palavra que Gwen só utiliza quando discutimos como ela quer que nós caminhemos para o campo de futebol, juntos para o baile de boas vindas. Perfeito. Olhando nosso quintal, não vejo nada, apenas a chata perfeição. O gramado perfeitamente cortados três polegadas. Arbustos perfeitamente cortados sob a forma de bolas redondas. Os potes de crisântemos de outono que revestem a borda do pátio perfeitamente posicionados a um pé de distância. Pessoas perfeitas que cresceram nesta cidade e perfeitamente enchem os sapatos de seus pais. Na outra ponta da mesa, minha mãe inclina a cabeça para Gwen.

303


Traduzido por Uly Santos

Aproveito a deixa não verbal e volto minha atenção para minha "parceira de jantar." Gwen me dá um sorriso que é mais uma coisa perfeita para o quintal. — Isso não seria incrível, Ryan? Não, caminhar para o campo com ela no meu braço no baile de boas vindas não seria fantástico. Quero compartilhar esse momento com Beth. — Não tenho certeza de que podemos decidir com quem caminhamos. Gwen ignora o meu comentário. — Você poderia me servir mais um pouco de água? Eu alcanço o jarro na minha frente e faço o que ela pede. Esta é a minha obrigação para com os meus pais. Meu trabalho é encher o copo de Gwen quando ele estiver vazio, remover seus pratos quando ela acabar, e entretê-la. Déjà vu passa por minha cabeça e nada com uma revelação que se afunda. Este mesmo momento exatamente igual a quando Gwen e eu começamos a sair. A mãe de Gwen bebe seu vinho. Seu rosto está mais rigoroso do que era no ano passado. — Precisamos tomar uma decisão sobre Allison Risk e o comitê de evento da igreja. Mamãe agita seu colar de pérolas. Ela odeia decisões desconfortáveis. — Allison é uma jovem doce. — Você é a favor de sua adesão, Miriam? — A mãe de Gwen pergunta. Estranhamente, minha mãe derrama vinho no seu copo de água vazio. — Eu não sei. Os Risks eram pessoas terríveis. Você se lembra dos pais de Scott? O homem era um meio bêbado e a mulher não era muito melhor. — Mas Scott não é seus pais. — eu digo e todos na mesa me olham. Minha mãe me lança um olhar de advertência, mas meu pai coloca a mão em seu braço para que ela retroceda. Mamãe tira o braço debaixo de seu toque. E eu continuo: — Ele se

304

304


Traduzido por Uly Santos

tornou o melhor jogador de beisebol do Yankees que já vi em 20 anos. Por que sua esposa tem que ser punida pelos erros de seus pais? Os olhos de pai estreitam na última frase. Sua própria advertência privada para mim de que eu posso ter ido longe demais. — Eu tenho que ser honesta, — diz a mãe de Gwen. — Eu gosto muito de Allison, mas é a sobrinha dele que me preocupa. — Como assim? — Pergunta minha mãe enquanto eu endureço. — Você já ouviu falar alguma coisa sobre ela? — Eu ouvi que ela fuma, foi desrespeitosa com um professor, e juro. Todos os traços que nós não podemos tolerar, e colocando Allison no comitê irá refletir sobre a nossa igreja. O que é muito triste, já que Allison é uma querida e a sobrinha é... A mãe de Gwen agita os dedos no ar. — Selvagem. É óbvio que a menina não foi com Scott como se esperava após o incidente com o pai. Minha mente desperta. As pessoas nesta mesa sabem o que aconteceu com Beth. Estou dividido em dois. Parte de mim quer defender Beth. A outra metade quer saber o que aconteceu com ela quando criança. Se eu falar agora, eu vou perder a minha oportunidade de conhecer a verdade. — Liza, — o pai de Gwen interrompe. Eu não tolerarei que faça fofoca sobre aquela criança. Vermelho mancha as bochechas da Sra. Gardner e ela força um sorriso no rosto. — Não estou fofocando e ela não é mais uma criança. A comissão de evento é um desdobramento de um problema maior. Estou preocupada com a influência da garota. Estou com medo que todos estejam tão imersos em seu tio que não irão ver a ameaça na frente deles. Você quer que sua filha fale palavrões, fume ou fale mal dos professores? — Não acho que isso vai acontecer. — responde o Sr. Gardner.

305

305


Traduzido por Uly Santos

— Por que não? — Ela argumenta. — A classe sênior já nominou Beth para o baile de boas vindas e Ryan está saindo com ela. Transformo-me em pedra. Esta não é a maneira como eu queria que meus pais descobrissem. — O quê? — A pergunta rápida e irritada da minha mãe silencia o grupo. Meus olhos piscam para Gwen. De que está com os olhos arregalados e pálida, Gwen fica perfeitamente imóvel e olha para os restos mortais de seu cordon bleu de frango. Sua mãe mal esconde sua presunção atrás de sua taça de vinho. — Eu sinto muito, Miriam, eu assumi que Ryan tivesse dito. — Ela coloca a mão sobre a de Gwen. — Peço desculpas a você também, querida. Eu não sabia que o que você me disse era um segredo. Mamãe coloca o guardanapo na mesa. — Quem está pronto para a sobremesa? Estou, precisando dar o fora daqui. — Eu vou buscá-la. Mamãe se deixa cair na cadeira com um aceno. O que eu não esperava é Gwen pulando para cima e se voluntariando: — E eu vou te ajudar. Incapaz de olhar para ela, eu giro em direção a cozinha. Os rápidos cliques dos saltos de Gwen me informam que ela está bem atrás de mim. — Ryan. — ela diz que no momento em que a porta está fechada para que nenhuma das orelhas espione. — Ryan, eu sinto muito. Eu não tinha ideia de que minha mãe iria humilhá-lo assim. Mas não é culpa minha. Como eu ia saber que você estava mantendo Beth em segredo? — Eu não estou. — digo. Gwen se parece com um estranho para mim nesta cozinha. Talvez seja porque eu ainda não estou acostumado com as paredes cinzentas ou os balcões de granito ou os armários em

306

306


Traduzido por Uly Santos

mogno. Ou talvez seja porque eu nunca a conheci, para começar. Ela cruza os braços sobre o peito e seu vestido vermelho roda com o movimento. — Você quase me enganou. Quero dizer, vamos lá, Ryan, seus pais vão odiá-la e por uma boa razão. — Você não conhece Beth. — A ironia desta conversa não me escapa. Lacy disse uma vez as mesmas palavras para mim. Gwen perde o brilho perfeito sobre ela e faz uma coisa muito incaracterística, ela se afunda contra o balcão. — Eu sei mais do que você pensa. Eu aposto que sei mais do que você. — Ela faz uma pausa e nervosamente agita as mãos. Mas que diabos? Gwen nunca fica nervosa. E foi aí que notei o local nu em seu dedo. O Anel de Mike não está lá. — Eu te amo. Na verdade, eu sempre te amei. Gwen olha o chão para os azulejos cinza. — E, por alguma razão estúpida você se importa com ela. Eu acho que você estava certo no banco, eu não era clara sobre o que eu precisava de você. Talvez a razão pela qual não estamos juntos agora é porque eu não tentei o suficiente. Minha testa franze. Se ela tivesse dito essas palavras, há seis meses... Nego com a cabeça, não teria importado. O que eu sinto por Beth é cem vezes mais forte do que já senti por Gwen. — Nós nunca teríamos dado certo. Gwen se endireita e levanta o queixo. — Você está vendo tudo errado. Eu. Beth. Tudo. Acho que você está ciente de que você e Beth não pertencem um ao outro e essa é a razão pela qual você nunca disse a seus pais. Mas não se preocupe, Ryan. Eu sei o que eu fiz de errado e não vou cometer os mesmos erros duas vezes. Em um movimento gracioso, Gwen sai com o bolo do balcão e segue para a porta da cozinha. Aspiro e deixo minha cabeça cair para trás. Eu

307

307


Traduzido por Uly Santos

não sei o que diabos aconteceu, mas cada célula do meu corpo grita que é ruim e que eu vou odiar as consequências.

*** Minha avó deixou seu relógio de pêndulo para minha mãe. Ele está pendurado na parede atrás de mamãe. A cada balanço, o relógio faz tic-tac. São nove horas da noite. O último dos convidados se foi há uma hora. Eu deveria estar me perguntando por que meus pais me chamaram aqui, especialmente porque eles estão voluntariamente na mesma sala. Em vez disso, eu estou querendo saber o que Beth está pensando. Mamãe senta na minha frente na nossa mesa da cozinha enquanto meu pai se inclina contra a moldura da porta que leva a sala de jantar formal. A temperatura, como sempre é fria. — A Sra. Rowe tem a impressão de que você ainda está participando da competição de redação. — diz papai. Eu olho para ele. — Estou pensando nisso. — Não há nada a considerar. Você estará jogando contra Eastwick neste final de semana e os rankings desse jogo irá decidir que estará indo para a temporada de primavera. Eastwick é a única equipe que nos venceu durante o jogo da temporada regular na primavera passada. — Estamos jogando contra os Northside nesta segunda-feira e eles estão invictos este ano. O treinador pode querer me lançar nesse jogo. — Talvez. — diz papai. — Mas você ainda vai ser capaz de jogar um par de turnos na segunda-feira. Eles vão precisar de você para fechar o jogo. Mamãe tira seu colar de pérolas. — Eu conversei com a Sra. Rowe na semana passada. Ela disse que Ryan tem um talento raro. — Ele tem. — diz papai. — Para o Beisebol.

308

308


Traduzido por Uly Santos

— Não. — morde mamãe. — Escrever. Papai esfrega os olhos. — Explique para sua mãe que você não está interessado na escrita. — Ryan, diga ao seu pai que a Sra. Rowe me disse. Diga a ele o quanto você gosta de sua classe. Meus ombros se contraem com a raiva. Eu odeio suas brigas constantes. Eu odeio o fato de ter causado mais brigas entre eles. Eu odeio que eles estejam brigando por mim. Mas o que eu odeio mais é a sensação de que todo mundo está controlando minhas escolhas. — Eu adoro o beisebol. Papai lança um suspiro de alívio. — E eu adoro escrever. E quero ir para a competição. Pai pragueja baixinho e vai para o frigorífico. Sento-me em minha cadeira para encará-lo. — Nunca deixei de lado uma competição antes e eu não gosto da sensação de desistir. Vou perder um jogo. E este é um jogo de liga recreativa. Seria diferente se fosse a temporada de primavera. Papai abre uma garrafa de cerveja e toma um gole. — O que acontece se você ganhar o concurso de escrita? Você vai desistir do arremesso contra o melhor time do estado por um pedaço de papel que diz parabéns? — Eu quero saber se eu sou bom. — Jesus, Ryan. Por quê? Que diferença isso faz? — Já me ofereceram a chance de uma bolsa de estudo para jogar na faculdade. Papai olha para mim e para a máquina de lavar louça que entra no ciclo de lavagem. — Você foi falar com olheiros universitários pelas minhas costas?

309

309


Traduzido por Uly Santos

Sim. Não. — O que o recrutador disse fazia sentido. Ele disse que seu treinador pode me ajudar com meus problemas de colocação e me ensinar como superar o sinal em meus arremessos. Eles vão pagar para eu ir para a escola e eu posso conseguir treinamento livre. Posso treinar com eles por quatro anos e, em seguida, ir para os profissionais. Cerveja derrama da garrafa quando deixa cair seus braços. — O que acontece se você se machucar? O que acontece se, em vez de melhorar, você perde a sua vantagem? Você é um lançador. Não há melhor momento para você ir atrás de seus sonhos do que agora. — E se... Ele espreita do outro lado da cozinha e bate a cerveja na minha frente. — Será que eu preciso lembrá-lo de quanto dinheiro investimos em você? Você acha que o treinamento que já pagou ao longo dos anos é barato? Você acha que o equipamento, o Jeep que compramos eram de graça? Meu intestino dói como se ele me desse um soco. — Não. Eu não acho que eles foram de graça. Eu me ofereci para conseguir um emprego. — Eu não estou esperando que consiga um emprego, Ryan. Eu estou esperando que você faça alguma coisa com o seu talento. Eu estou esperando que você faça um nome para essa família. Eu quero saber que os anos que eu e sua mãe nos sacrificamos financeiramente e emocionalmente não foram em vão. Mamãe calmamente cruza as mãos sobre a mesa. — Ele tem talento, Andrew. Você está com raiva por que ele não quer o que você quer. Você está com raiva que ele está escolhendo algo diferente. — O beisebol é o que ele quer! — Os nos dos dedos do meu pai ficam brancos quando ele pega a parte de trás da cadeira. — Você não tem ideia do que qualquer um nessa família quer. Sua voz treme quando ele fala. — O que você quer Miriam? O que vai,

310

310


Traduzido por Uly Santos

finalmente, fazer com que você seja feliz? Você sempre quis que eu me candidatasse a prefeito e eu concordei com isso. Você queria que eu expandisse o negócio e eu estou. Eu tenho feito de tudo para te fazer feliz. Apenas me diga o que você quer. — Eu quero minha família de volta! — Mamãe grita. Nos últimos meses, minha mãe foi sarcástica e rude com o meu pai. Mas, em 17 anos, eu nunca tinha a visto gritar. O choque desaparece do rosto de papai. — Você não pode ter tudo! Você quer que seus amigos saibam que o seu filho é gay? Quer que sua igreja saiba que seu filho é gay? — Mas poderíamos falar com Mark. Talvez se ele concordar em manter isso em segredo... — Não! — Meu pai ruge. Eu me inclino para trás em minha cadeira, revoltado com eles. Desgostoso comigo mesmo. Desde que Mark foi embora, fiquei tão obcecado com o fato de que ele me deixou que eu nunca realmente ouvi o que meus pais estavam dizendo. Isso me faz perceber que eu provavelmente nunca ouvi Mark também. Não é à toa que ele foi embora. Como alguém poderia viver com tanto ódio? Um nauseante asco me golpeia e eu fico tonto. Será que Mark acredita que eu me sinto da mesma maneira como os meus pais? Papai arrasta a cadeira da mesa, em seguida, caminha para longe. — Mark fez a sua escolha. Você queria falar com Ryan esta noite, fale com ele. Eu estarei em meu escritório. Mamãe fica de pé. — Ele deveria ouvir isso de você. Na moldura da porta, ele faz uma pausa e olha para mim. — Eu vou estar me preparando para a minha festa de nomeação para prefeito na primavera. Sua mãe e eu não queremos que você saia com Beth

311

311


Traduzido por Uly Santos

Risk. Seja amigo dela na escola, mas não podemos arriscar a má publicidade se ela é encrenca. Você entendeu? Minha mente corre para processar. Papai está se candidatando a prefeito. Mamãe quer Mark de volta em casa. Eu decepcionei meu irmão. Ambos querem que eu deixe Beth. — Você disse que você nunca queria ser prefeito. Mas minha mãe queria que ele fosse. Seu pai era prefeito. Seu avô foi prefeito. É uma tradição que ela sempre almejou continuar. Nem mamãe nem pai olham para mim ou para o outro, e nem parecem querer discutir sua nomeação. — Sobre Beth... — eu digo. Papai me corta. — A menina está fora dos limites. — Você deve namorar Gwen novamente. — diz mamãe. — O pai dela vai apoiar seu pai. Empurro o assento debaixo de mim quando eu fico em pé e meu movimento brusco faz mamãe recuar. Eu fico olhando para os dois, à espera que um deles dê sentido a tudo o que eles disseram. Quando eles permanecem em silêncio, eu finalmente entendo por que Mark foi embora.

312

312


Traduzido por Uly Santos

Beth Eu não possuo uma jaqueta. Nunca tive. Eu sempre disse a Isaiah e a Noah que a temperatura do meu corpo continua subindo, quando na verdade ele está se esgotando. Em Kentucky, o clima de outono pode ser uma vadia. Quente à tarde. Frio à noite, esta manhã o orvalho escorregadio que cobre o pasto de Ryan se infiltra em meus sapatos e corre para as minhas meias desgastadas. Poucas coisas sugam mais que o frio, os pés molhados. Detenho meus passos. Perder o meu melhor amigo é uma porcaria. Me permito sentir a dor, em seguida, continuo em frente. Um dia, Isaiah vai perceber que nós somos apenas amigos. Um dia ele vai me encontrar, mesmo eu estando no oceano. Amizades como a nossa, são fortes demais para morrer. Hoje é reunião de pais e professores, e eu não consigo pensar em uma maneira melhor para passar um dia livre da escola do que com o Ryan. Na verdade, eu não consigo pensar em uma maneira melhor de passar qualquer dia. Meu tempo com Ryan está acabando e eu quero aproveitar ao máximo cada momento com ele. Thump. A primeira vez que ouvi esse som foi quando saí da floresta. A cada poucos segundos, o som se repete. Thump. Em vez de ir direto para a casa de Ryan, eu decidi seguir as batidas e estou feliz que por ter feito isso quando vejo a bonita e brilhante pele beijada pelo sol. Vestindo apenas um par de calças de nylon atléticas, Ryan gira seu braço para trás, em seguida, lança uma bola em direção a um alvo pintado em um pedaço de madeira compensada. Thump. A bola bate no meio do alvo. — E você se pergunta por que as pessoas pensam que atletas são estúpidos. — digo. Ryan gira ao redor com os olhos arregalados e eu continuo: — Estão uns 10 graus aqui fora e você não está vestindo uma camisa.

313

313


Traduzido por Uly Santos

Uma brisa fria sopra através do cerrado, causando arrepios em meus braços. Ok, talvez não a linha de abertura mais inteligente desde que eu estou esfregando meus braços, seria a definição de ambos hipocrisia e ironia. Ryan agarra a camisa do chão e caminha até mim. Os raios matinais destacam as curvas dos músculos de seu abdômen. Meu coração palpita como um pássaro sacudindo a água de suas asas. Deus, ele é lindo. Sexy. Uma visão. Muito perfeito para alguém como eu. — Eu estou me refrescando. — diz Ryan. Dou uma olhada para o seu corpo, tenho que fazer uma pausa para lembrar o que eu finalmente disse. Ryan me dá um sorriso arrogante e para minha mortificação, eu coro. O que está acontecendo comigo e tudo essa coisa de corar? Ryan acaricia minhas bochechas coradas, e meu coração treme novamente. — Eu adoro quando você faz isso. — diz. Recobre a compostura, Beth. Não é por isso que você está aqui. Ryan tem lidado o suficiente com meu lixo ao longo dos últimos dois meses, e por alguma razão ele insiste em olhar para mim como se eu fosse a princesa para o seu príncipe. Ele é um príncipe. Eu não sou uma princesa, mas posso ajudar com o seu felizes para sempre antes de eu deixar sua vida para sempre. Ryan retira a sua mão, mas permanece irritantemente perto ainda sem sua camisa. — Você nunca se cansa de beisebol? — Pergunto. — Não. — Ryan finalmente puxa a camisa sobre a cabeça. — Eu acordo todas as manhãs as seis, corro duas milhas, então faço lançamentos. Não há uma manhã isso fique velho. Sua rotina se encaixa nele. Perfeitamente. Mas então eu penso nele em

314

314


Traduzido por Uly Santos

seu computador. Seus dedos voando sobre o teclado. Seus olhos veem um mundo além do que o seu corpo pertence. — Você escreve todas as noites? Ryan penteia meu cabelo com os dedos e minhas raízes giram. O que normalmente é um movimento que envia arrepios na minha espinha em vez de trazer uma sensação de pavor. Seus olhos estreitam nas minhas raízes e sei o que ele vê: um meia polegada de cabelo loiro platinado. Ele aparta seus olhos para longe e faz um bom trabalho em fingir que a malformação não existe. — Devido a este conto? Sim, eu escrevo todas as noites. — Ryan da de ombros e olha para o chão. — E eu acho que eu poderia continuar quando a história estiver pronta. Eu não sei, talvez iniciar outra. Bom. É a imagem que eu vou levar comigo quando me for: Ryan lançando bolas de manhã e perdido em suas palavras bem escritas durante a noite. Eu chuto o chão. — Você tem planos para hoje? — Tenho se envolver você. Eu tento esconder o meu sorriso, mas eu não posso. — Limpe-se e me pegue em uma hora. Fazendo cócegas em minha pele, os dedos de Ryan roçam a fita rosa ainda amarrada ao meu pulso. — Sim, senhora.

315

315


Traduzido por Uly Santos

Ryan — Você é um covarde. — Minha pequena ameaça de cabelos negros folheia o diretório estudantil da Universidade de Kentucky. — Você pode mover um carro através de um pasto, mas você não pode ver o seu próprio irmão. — Isso é diferente, — eu digo. — Eu mudei o carro num desafio. Do lado de fora dos dormitórios dos atletas homens, procuro ficar na frente de Beth enquanto ela procura o número do quarto do meu irmão. Beth usa uma camiseta de algodão que abraça sua forma esguia e termina meia polegada acima de seu jeans de cós baixo. Com sua pele lisa me tentando em lugares muito certos, ainda que errados, apostaria meu jeep que a roupa não tem o selo de aprovação do Scott. Não me interpretem mal, eu adoro, e o mesmo acontece com todos os caras entrando e saindo dos dormitórios. Ela é a minha garota e eu prefiro ser o único a olhar para ela. Minha garota. Não era oficial -não ainda-, mas Beth disse quatro palavras fundamentais quando subiu no meu Jeep esta manhã: — Eu deixei o Isaiah ir. O que significa que ela está comigo e não com ele. Mais tarde hoje, estou pedindo Beth para sermos exclusivos. Beth assinala bruscamente com seu dedo no livro. — Prêmio principal. — Ela rabisca o número do quarto na palma de sua mão. — Eu dobro se você aceitar o desafio de falar com o seu irmão. — Você não sabe nada sobre desafios? — Pergunto, enquanto dava um olhar de ódio para cara que estava olhando para os contornos da cintura de Beth. — Você não pode dobrar um desafio a menos que eu desista do inicial.

316

316


Traduzido por Uly Santos

Ela arqueia a sobrancelha. — Estamos realmente indo falar de semântica? Eu coloco uma mão em seu quadril e a apoio contra a parede. — Essa é uma grande palavra, Beth. Talvez você deva explicá-la. Um sorriso perverso toca seus lábios e o desejo cru se instala em seus olhos, mas em vez de fundir-se a mim assim como eu nela, Beth me empurra e passa por debaixo do meu braço. Um cara sai do edifício e Beth pega a porta antes que ela tenha a chance de se fechar atrás dele. — Significa que você é um idiota se pensa que vou te deixar falar e sair desta. Faz gestos para que eu entre no saguão e eu faço. — Não ia falar. Ia te beijar e sair dessa. Você tem ideia de quanto tempo passou desde que nos beijamos? — Se falar com seu irmão, vamos nos beijar. Muito. — Que tal se nos pularmos isso e passarmos diretamente a nos beijar? Ela me ignora e estuda o grande mapa de distribuição dos dormitórios na parede. — Oficialmente te desafio a falar com seu irmão. Cruzo os braços sobre meu peito enquanto endireito minhas costas. Beth oficialmente lançou o desafio. — Bom, e o que eu vou obter se ganhar? Seu cabelo negro azabache cai como cataratas enquanto inclina sua cabeça até mim. Uma faísca sexy ilumina seus olhos. — O que você quer? Você. Mas isso não é o que permito sair da minha boca. — Quero que você passe o resto do dia comigo. Sem celulares. Sem amigos. Nada além de você e eu. — Feito.

***

317

317


Traduzido por Uly Santos

Beth habilmente manipula nossos passos pelo Assistente Residente guardando a entrada do piso de Mark. Eu o havia chamado de idiota, mas eu estou bem ciente de que ela usou as mesmas habilidades de manipulação que usou para me convencer a dirigir até Lexington. Para meu horror, Beth bate na porta do meu irmão sem perguntar se estou pronto. Qualquer esperança de que Mark estivesse em aula termina quando a maçaneta gira e a grande, e ameaçante figura de Mark está na moldura da porta. Beth abre um sorriso perverso. — E ai, Mark. Como foi o jogo contra a Florida? Ele sorri hesitante enquanto seus olhos alternam entre Beth e eu. — Saqueei* o zagueiro duas vezes. Você viu as noticias? Ela da de ombros. — Não. Estou fingindo que me importo com futebol para quebrar o gelo. Estarei no saguão. — Beth despreocupadamente faz seu caminho por onde viemos. Mesmo quando a porta do final do corredor se fecha, continuo olhando. Depois de arrastar meu traseiro até aqui, nunca pensei que me deixaria fazer isso sozinho. Mark se afasta da porta e força alegria. — Quer entrar? —Sim — imito seu tom. Mark e eu nunca forçamos nada antes deste verão. O quarto da residência de estudantes do Mark está igual ao ano passado. Poderia dizer que tinha o mesmo companheiro de quarto pelos pôsteres de Star Wars pendurados na parede. — Onde está o Greg? — Em aula. Quer algo para beber? Abre um pequeno frigorifico. — Gatorade, água? Minha boca se parece como o deserto, mas não quero prolongar isto. — Sinto muito. Mark fecha o frigorifico e senta na parte de baixo do beliche. Seu falso sorriso desaparece e enfio as mãos em meus bolsos. O método BandAid é um saco para os dois. Eu gostaria de poder fazer o nosso

318

318


Traduzido por Uly Santos

relacionamento forte novamente. Mark foi a primeira pessoa para qual eu disse quando lancei uma bola impossível de ser rebatida, quando fiz minha primeira função como estrela do time, e quando beijei uma garota. Agora, nem sabia que próximas palavras balbuciar. — Como estão mamãe e papai? — Ele pergunta. Como estão mamãe e papai. Eu posso responder isso. Sento-me no sofá de dois lugares ao lado dos beliches. — Estão bem. Papai está ocupado. Ele está expandindo o negócio de construção e ele planeja concorrer para prefeito. — Uau. — Sim. Uau. — E a mamãe? — Envolvida em seus clubes sociais e eventos como sempre. Almoços. Jantares. Chás. — Faço uma pausa, perguntando se eu deveria dizer o que eu estou prestes a dizer. — Ela sente sua falta. Mark se inclina para frente e mantém suas mãos juntas entre seus joelhos dobrados. — Alguma vez papai me menciona? A esperança lutando para emergir no rosto de Mark faz com que olhálo seja doloroso. Se respondo com um simples sim, crio falsas esperanças, ou poderia dizer a verdade. Nenhuma das respostas são as que queria dar. — Alguma vez você quis fazer outra cosa além do futebol? Mark raspa seus dedos contra seu queixo antes de dar um tapa em um livro deixado em sua cama e atirar para mim. Agarro o livro no ar. — Planos de aula para educação física de alta qualidade? — Estou estudando essa carreira.

319

319


Traduzido por Uly Santos

— Desde quando? — Desde… — Mark tamborila os dedos entrelaçados de suas mãos—… Sempre. Fingindo interesse nas páginas, folheio através do livro. — Pensava que Você estava em pré-medicina. — Isso é o que papai queria que eu me especializasse. A universidade para o papai não era nada mais do que um passo para a NFL. A prémedicina era para caso eu me lesionasse. Mamãe queria que algum de nós fosse médico. Esse era o modo de papai fazê-la feliz. Mark organizou sua mesa igual ao ano passado: laptop, carregador do iPod. Depois da primeira partida de futebol universitário de Mark, mamãe queria que alguém tirasse uma foto familiar no campo. Ele pregou a fotografia na parede ao lado de seu horário de treinamento. Algumas coisas são as mesmas. Outras não. — Você odeia o futebol? —Não. Eu adoro o futebol e quero jogar. De fato, quero chegar a ser treinador de futebol de secundaria. Papai sabia disso. Não estava de acordo comigo, mas sabia. Pensei que se continuasse a corrente, que se fingisse que… — Se interrompe. Vim aqui. Saquei o tema. Posso terminar a oração por ele — Aceitariam quem você é? Mark concorda. —Yeah. — Nós dois continuamos sentados em silêncio. Meu estômago torce e gira como se eu estivesse em um barco à beira de naufragar. Minha vida era perfeita e eu apreciei cada segundo. As duas pequenas palavras de Mark "Eu sou gay" derrubou meu mundo. Talvez eu entenda por que ele se foi. Talvez não. De qualquer maneira, a raiva continua aumentado, e se eu estou fazendo isso, estou fazendo isso. — Você me deixou. — O que você queria que eu fizesse? — Ressentimento engrossa seu tom. — Eu não posso mudar quem eu sou.

320

320


Traduzido por Uly Santos

Eu preciso me mover. Bater em alguma coisa. Jogar alguma coisa. Em vez disse me paro. — Não saísse. Você disse que fingiu antes. Por que você não podia fingir de novo? Ou você poderia ter ficado e lutado e, eu não sei, convencer a mãe e o pai a deixá-lo ficar. Mark olha calmamente enquanto eu caminho de um lado para o outro ao longo do pequeno quarto. Clareia sua garganta. — Algum dia, você vai ver como mamãe e papai controlam e manipulam nossas vidas. Você vai se dar conta de como nos fazem acreditar que seus sonhos são nossos sonhos. Ditam cada respiração. Pense nisso, você tem alguma ideia de quem é sem eles? Mamãe me sentou ao lado de Gwen a noite e me pediu que atendesse especificamente suas necessidades durante a noite. Assim como ela me pediu para cuidar de Gwen quando eu tinha quinze anos. Depois desse primeiro jantar, mamãe me incentivou a convidá-la para sair e eu o fiz. Mas o beisebol é minha opção. Sempre foi. Papai entende o beisebol. Por isso, manejou cada parte da minha carreira: os treinadores, as ligas. Diabos, inclusive faz frente para os árbitros. Faz tudo por mim. Certo? As preocupações de papai e mamãe, toda pressão que fazem, é porque me amam. Mas me disseram para não sair com Beth, a pesar dos meus sentimentos por ela, e não esperam nada menos que obediência. — Você vai fazer um buraco no meu tapete — diz Mark. Não, Mark está errado. Tem que estar errado. — Sou um bom jogador. — E sou. O melhor. — Você é. Papai fez isso bem. Não nos forçou em um esporte que não tínhamos talento. Tomou seu tempo e encontrou o esporte no qual

321

321


Traduzido por Uly Santos

cada um de nós era bom. A pergunta é: Para quem você está jogando, Ry? Para você ou para o papai? Entre a porta e as camas, me congelo. — O que se supõe que significa isso? — Papai quer perfeição. Esqueça isso. Papai quer perfeição na aparência assim todos os demais podem vê-lo. Mamãe também. Pra eles é indiferente se estamos destroçados por dentro, sempre e quando o resto do mundo nos inveje. Todos em Groveton assumem que mamãe e papai tem o casamento perfeito. A rainha do baile se casou com o zagueiro astro. A portas fechadas, papai e mamãe se odeiam. Pensei que superariam. Agora… — Eu aprendi muito jogando futebol universitário — diz Mark. — O que você faz na escola secundaria no é merda. Pode ser o melhor jogador de beisebol em sua escola. O melhor no país ou estado, mas quando chegar à universidade vai conhecer outros cinquenta caras que podem presumir o mesmo. Vai conhecer garotos melhores que você, mais fortes que você, mais rápidos que você e logo enfrentará equipes melhores. O mundo muda quando você sai de Groveton. Quando eu sair Groveton. As decisões precisam ser feitas antes que isso possa acontecer: profissionais, faculdade, concursos literários, bolsas de estudo. — Por que você está me dizendo isso? — Gostaria que alguém houvesse me dito, mas tive que averiguar por minha conta. Você não está sozinho, Ry. — Sim, estou. — E meus olhos queimam. Os fecho rapidamente e contenho a respiração. Ele se foi. O casamento de mamãe e papai está caindo aos pedaços e tudo o que alguma vez conheci e amei está se tornando cinzas. — Nunca te abandonei. — Mas você não voltou pra casa. Nunca responde minhas mensagens de texto.— A voz que sai da minha boca não é minha. É cansada. Dura.

322

322


Traduzido por Uly Santos

A beira de quebrar. — Sinto muito, mas você tem que entender, até que mamãe ou papai me contatem, não posso voltar. Eu admito, os deixei. Mas agora entendo. Devia ter me esforçado mais quando se tratava de você. Devia ter ligado. Eu estraguei tudo, mas juro, nunca te abandonei. Tiro meu chapéu e passo minha mão por meu cabelo. Nunca me abandonou. Beth tinha razão—eu o abandonei. Minha garganta se aperta. — Senti sua falta. — Sacudo a cabeça, procurando encontrar um modo de dizer as seguintes palavras. — Nunca me importou você ser gay, mas me importou que você… que você se foi. —Sim. — Sua voz se tornou roca. — Eu sei. Está tudo bem, Ry. Você e eu, estamos bem. Ele fica de pé e a ação me pega desprevenido. Somos Stones e os homens Stone não se tocam, mas no momento em que põe sua mão em meu braço, hesitante, aceito e permito que ele me puxe para seu corpo. Nossos braços se apertam fortemente por um breve segundo. Estreito os olhos para combater as lágrimas e quando nos soltamos, ambos nos retiramos para lados opostos do quarto. — Então — Mark clareia sua garganta e bate palma—, me fale sobre Beth.

323

323


Traduzido por Uly Santos

Beth Eu fiz bem. Eu, Beth Risk fiz uma boa ação. Eu teria sido uma escoteira malditamente boa e então deveria ganhar uma medalha de “Reúna sua espécie de –namorado- atleta com seu irmão-atleta-gay”. Se eles não fazem essas medalhas, eles seriamente deveriam. Ryan vai olhar para trás daqui a vinte anos e não vai pensar na garota que saiu na calada da noite. Não, ele vai se lembrar da garota que lhe deu de volta o seu irmão. Eu fico olhando para as nuvens cinzentas que atravessam o céu. Ryan e eu estamos deitados sobre as margens de um grande lago localizado na parte de trás da propriedade de seu pai. Assim como tudo o mais sobre Ryan, este local é perfeito. Este dia é perfeito. Apoiado em um cotovelo, Ryan enfia um fio de cabelo atrás da minha orelha, causando uma quente cócega ao acariciar meu pescoço. Eu vou me divertir hoje. Eu vou rir. Vou sorrir. Vou soltar as correntes que me arrastam para baixo. Ryan é um grande cara e, e por algum motivo, ele está realmente afim de mim. Ou melhor, ele está realmente afim da miragem que ele criou. — Você é linda. — diz ele. — Você também. — Ele realmente é. Eu pego o boné de beisebol que ele está usando para trás de sua cabeça. Ele é quente, com o chapéu. Ele é lindo com e sem ele. Seu tufo de cabelo cor de areia sopra com a brisa. Quando tiro o chapéu para fora do seu alcance, Ryan entrelaça sua mão forte com a minha. Forte é um eufemismo. Esta mão pode fazer uma bola voar mais rápido do que a maioria dos carros nunca irá. Sua mão na minha pele faz com que ondas de calor cheguem em áreas muito particulares de meu corpo. —Assim que… — diz Ryan enquanto olha pra longe e tenta parecer indiferente. Sei o que o incomoda. No caminho de volta de Lexington,

324

324


Traduzido por Uly Santos

me deu mais de sua historia de zumbis para ler. Esperar para saber minha opinião o deixa louco. — Acredito que George e Olivia acabarão juntos. Cinco minutos. Não podia aguentar nem cinco minutos fora do Jeep sem perguntar. Tento não sorrir, mas falho miseravelmente. Ele vê e sua testa se enruga. — O Que? Dou de ombros. — Você é adorável quando está ansioso. — Não estou ansioso. — É algo que gosto de você. — Eu gosto de tudo em Ryan. — A historia era fabulosa. De verdade. Me absorveu quando a li, mas não estou de acordo com você. George e Olivia não acabaram juntos.

325

— Por que não? —Vivem em dois mundos diferentes e são duas criaturas diferentes. Quero dizer, ele é um zumbi e ela não. — Mas ele a ama — diz obstinadamente. — E ela o ama. — George não vai deixar de ser o líder dos zumbis por ela — digo. — Vamos lá, ele tem querido tanto ser líder que atravessou seu melhor amigo pelo título. E você honestamente acredita que Olivia vai deixar sua família por ele? — Sua família é um saco. — Ryan sorri para mim como si tivesse ganhado. Meu estômago dói como se tivesse sido apunhalado. — Sim, mas ainda é sua família. Não acredito que eu possa gostar de Olivia se ela se for. O que isso diz de uma pessoa?

325


Traduzido por Uly Santos

— Acredito que diz que quer viver sua própria vida. Sobre nós, gansos canadenses voam em forma de V e se dirigem até o sul para o inverno. Eu partirei em breve, mas, me sentirei tão livre como elos parecem ser? — Acho que ela é egoísta. Como pode abandonar seu pai? Ele precisa dela. — Ele a usa — diz Ryan. Dou de ombros outra vez, não sou uma fã das conversas que não vão a nenhuma parte. Ryan afrouxa seu aperto em minha mão e começa a traçar a fita amarrada em meu pulso. Está nervoso e algo dentro de mim me diz que não se trata da historia. — O que está acontecendo? Meu nível de ansiedade aumenta quando Ryan continua delineando a fita. —Quero que a gente seja permanente — diz. — Não gosto da ideia de você sair com outros garotos. O pânico se apodera de meu peito e de repente me sinto claustrofóbica. Eu vou partir. Breve. Tão breve mamãe consiga o carro que está retido. O suor invade minhas mãos e imediatamente rodo para longe de Ryan. Preciso de ar. Montes e montes de ar. Tropeço na beira do lago e agarro a mim mesma evitando cair a dois pés da água. Os peixes gato nadam perto da superfície. Não posso me desfazer das correntes, não importa quão duro eu tente. Hoje ia a ser o primeiro dia que não me sentiria como se estivesse me afogando. — O que há de errado? — pergunta Ryan atrás de mim. — Nada — digo. — Beth — se detém e logo começa de novo. — Realmente me preocupo com você e esperava que você sentisse o mesmo.

326

326


Traduzido por Uly Santos

Uma única gota de chuva golpeia o lago e forma ondas sobre a água. Não pode ter sentimentos por mim. Não pode. Estar juntos é uma coisa, os sentimentos são outra. Não encaixa com o plano. Não. Não é assim que se supõe que deve ser. Esfrego meus olhos com minhas mãos. Merda, Beth, como pensava que ia acabar? Sabia que estava se apaixonando por ele, mas se supunha que ele não se apaixonaria por você. Suas palavras fazem tudo real. Demasiado real. Giro ao redor e cuspo a acusação que se converteu em meu mantra. — Os homens como você não se apaixonam por garotas como eu. — O que? Não posso me apaixonar por uma garota linda com uma boca inteligente? Ele não entende. — Sou uma puta. A cabeça de Ryan estremece como se eu tivesse dado uma bofetada. Pretendendo que não me importa o que pensa de mim, levanto meu queixo. Os contos de fadas acontecem, só que não para mim. Hora de contar ao príncipe que resgatou a garota errada. — Faz dois anos, o cara com que cada garota sonha passou todo um verão fazendo eu me sentir especial. Uma semana antes de começar as aulas, me disse que me queria, e lhe dei minha virgindade. Quando começou a escola, ele disse a seus amigos que eu era uma puta. Ryan se aproxima e eu me afasto. Há dores que não estão destinadas a ser compartilhadas. Fui a idiota que acreditou em Luke. Fui a que honestamente pensou que era o suficientemente especial para ser amada. — Ele se aproveitou de você. — Um sobre-Tom de ira surge em sua voz.— Isso não te transforma em uma puta, mas transforma ele em um idiota. Está perdendo o ponto.

327

327


Traduzido por Uly Santos

— Bebo. Fumo erva. Antes de vir a Groveton, estava drogada o tempo todo. Não sou a garota com a qual você quer estar para sempre. Você não me vê pelo que eu sou. — Sei que rejeitou a oportunidade de fumar maconha sábado. Sei dos rumores na escola que dizem que você rejeitou os garotos que fumam essa merda sem parar. Sei que caminha em uma linha mais reta que a maioria dos garotos da escola. Esta é uma cidade pequena, Beth. Não se pode respirar sem que alguém saiba. Não sei quem você pretendia ser em Louisville, mas vejo a garota que realmente é agora. A forma com que me olha, é como se nem se quer visse o exterior. Seus olhos me perfuram como se pudesse ver minha alma e a ideia me aterroriza. Não pode se apaixonar por mim. Não pode. — Você acredita que é o único com quem sai porque queria sentir alguma coisa? — Eu era diferente — diz com confiança. Engulo, olho para o outro lado e minto: — Não, não era. Ryan da um passo até mim e dou um passo para trás. Não está reagindo como se supõe que deveria. Ryan deveria estar enojado de mim. Deveria estar fugindo de mim, e não se aproximando. Esperança ilumina seu rosto. —Você é a única pessoa que tem uma conversa completa com alguém a olhando nos olhos e nunca pisca. O faz, ainda que esteja mentindo. Olhe nos meus olhos e me diga a verdade. Você se apaixonou por mim naquela noite no celeiro. Meus olhos se movem para os seus e amaldiçoou internamente quando ele sorri. — É por isso que você se assustou. Como pode alguém sentir tanta alegria quando estou em agonia? Por a caso não entende que não vai funcionar? — Você sentia algo por mim e não queria fazê-lo. Queria uma relação

328

328


Traduzido por Uly Santos

sem sentido, mas isso explodiu bem na sua cara. Posso ver a lembrança dessa noite em seus olhos, e meu peito dói. Está a ponto de averiguar. Suas sobrancelhas sobem. — Te assustei quando sussurrei seu nome. Você sentia algo por mim nesse momento, não é assim? Minha cabeça se move para frente e para trás enquanto sussurro:— Não. Alivio suaviza seu rosto e uma pitada de esperança levanta seus lábios. — Você está se apaixonando por mim como eu por você. É por isso que está me empurrando pra longe de você com tanta força. — Me deixa em paz! — A necessidade de fugir me conduz. Se eu correr o suficientemente rápido, posso deixar pra trás as terríveis lembranças do meu passado e as lindas palavras de Ryan nunca poderão terminar seu caminho para minha alma. Dou um passo no ar. Meu coração vai até minha garganta ao cair pra frente. No lago. Aterrorizada pela água, grito. Braços fortes se enrolam ao redor da minha cintura e me levam a terra firme. Apoio minhas costas no peito de Ryan e agarro seus braços. Minhas unhas se cravam em sua pele como ganchos. Se eu caio na água, me afogarei. O peso sobre mim é muito pesado para que eu me mantenha flutuando. Minha única opção é afundar. Sugo umas poucas respirações com dificuldade e depois de sugar uma mais longa, Ryan abaixa a cabeça em meu ouvido. — Você está bem? — Estou bem. — Você está tremendo. Se estivesse bem não tremeria. — Não sei nadar, mas agora estou bem.

329

329


Traduzido por Uly Santos

— Não sabe nadar — repete. —Não. — Uma gota de chuva cai sobre minha cabeça desliza por meu coro cabeludo. — Temos que ir. O dia está arruinado. Vai chover. Ryan afrouxa seu aperto sobre mim e em um segundo, estou no ar e me embala contra seu peito. Meu rosto está devastadoramente perto do dele. Eu pisco várias vezes. — O que você está fazendo? Em vez de responder, salta para o lago. Fico tonta e minha pressão sanguínea aumenta. A água emerge e golpeia meu rosto, meu cabelo, minha roupa. Meus braços apertam seu pescoço. Eu vou me afogar. — Ryan! — Eu te tenho — diz em um tom tranquilo. — Está tudo bem. Entra mais profundamente na água fria. A gravidade me chama para deslizar pra fora de seus braços e fundir-me a água. Fico sem respirar com meus olhos abertos. Meu aperto sobre ele se torna mais forte. — Leve-me de volta. A água penetra meus sapatos, meus jeans e a parte de trás da minha camisa. Derrama no meu estômago e eu fico cada vez mais pesada. A umidade fria zomba da minha pele provocando um riso detestável. Eu enterro minha cabeça na curva do pescoço dele. Eu não quero morrer. Eu não quero. Ele para e sussurra em meu ouvido: — Olhe pra mim. Não tenho força para levantar a cabeça. Em seu lugar, a apoio em seu braço e abro os olhos. — Vou te ensinar como flutuar.

330

330


Traduzido por Uly Santos

Aperto meu punho. —Você vai me matar. — Confie em mim. — Não posso — sussurro. Confiei em Scott, na minha mãe e no meu pai. Confiei em Luke, minha tia, e Isaiah. Todas as pessoas que me deixaram. Todas as pessoas que desapareceram no escuro. Meu coração tem sido roubado varias vezes e cada vez tenho que repara-lo por minha conta. Conheço meus limites e se alguém quebrá-lo outra vez, nunca vou encontrar forças para recolher os pedaços. Seus olhos marrons se aquecem com intensidade e suavemente me Abraça. Me tira o fôlego. Ryan está fazendo. Ele está me dando o mesmo olhar que Chris dá para Lacy. O mesmo olhar que Noah dá a Echo. Talvez possa fazê-lo. Meu coração retumba enquanto agarro o cabelo encaracolado perto da base do pescoço de Ryan.

331

— Não me deixes cair. — Não o farei. A voz de Ryan é tão relaxante, tão segura, quase acredito nele. Talvez possa acreditar. Não me deixará cair. Vai me segurar. Ryan pragueja. — É hora de se soltar — diz. Uma respiração. Outra. Ele não vai me deixar cair. Afrouxo meu aperto e Ryan imediatamente abaixa seus braços. A água molha meu corpo e colo contra seu peito. Levanto bruscamente minha cabeça, chuto e borrifo água para me manter flutuando. O pânico domina meus pulmões. Ele é mais alto que eu, o que significa que eu não seria capaz de estar de pé na água. — Leve-me de volta. Ryan apoia sua testa na minha. Sua respiração quente ventilando em meu rosto.

331


Traduzido por Uly Santos

— Nunca vou te deixar ir. Não me deixará ir. Não o fará. — Okay. Ryan roça seu nariz ao longo da minha bochecha e a pele do meu pescoço fica arrepiada. Ele puxa a cabeça para trás. E eu luto contra o desejo de me agarrar a ele. Ryan disse que não iria me soltar e ele não vai. Ele não vai. Meu cabelo se torna sem peso na água e gruda em meu rosto. Os braços fortes de Ryan reafirmam sua promessa para mim. — Incline a cabeça para trás. — diz. Respiro e faço o que me pede. A água entra em meus ouvidos e meus músculos se estremecem de medo. Ryan mantém seu aperto firme. — Estenda seus braços para os lados e arqueie as costas. Deixe que suas pernas flutuem. Quando sigo suas instruções, Ryan da um passo para trás. Me sacudo em direção a ele. — Ryan! Nega com a cabeça. — Não vou te deixar. Estou te dando espaço. Mantenha a cabeça inclinada para trás. Cabeça inclinada para trás. Braços e pernas espalhadas. Meu pulso pulsa em meus ouvidos. A voz de Ryan está abafada, mas posso ler seus lábios. — Relaxe. Respire. Relaxe. Cabeça inclinada para trás. Braços e pernas espalhadas.

332

332


Traduzido por Uly Santos

Respire. Eu fico olhando para as nuvens e as árvores que pairam sobre a lagoa. Relaxe. Cabeça inclinada para trás. Braços e pernas espalhadas. Respire. Um par de pássaros circula no céu. É uma dança alegre. Eles abrem suas asas e deixam o vento suave puxá-los para cima. Para baixo e ao redor. Deus, eu anseio ser livre. Eu queria ser um pássaro flutuando na brisa. Eu fecho os olhos e finjo que sou um pássaro. Meus músculos derretem. A água faz com que uma melodia sibilante rítmica toque nos meus ouvidos. Longe e perto. Longe e perto. Sou pássaro flutuando na brisa. Um pequeno empurrão na parte de trás da minha mente sussurra que eu conheço esse sentimento. Eu possuí este sentimento durante anos. Este sentimento de deriva, balançando, flutuando. Eu estou flutuando. Através da água que eu ouço a doce voz abafada de Ryan: — Você está fazendo isso. Abro os olhos e vejo aquele sorriso glorioso em seus lábios. O sorriso que é para mim. Só pra mim. Eu vou sorrio de volta e percebo que eu já estava. Eu estou sorrindo. Meu estômago aperta e as correntes retornam. Oh Deus, não. Eu me apaixonei por ele. Já fiz isso. Dei-lhe poder sobre mim.

333

333


Traduzido por Uly Santos

Ryan Beth é uma linda visão flutuante. Seu cabelo preto deriva na superfície da água e o sorriso tranquilo que eu amo enfeita seus lábios. Seus olhos já não estão vidrados em guarda. Eles são tão calmos e profundos como o oceano. Pela primeira vez na história, Beth está me deixando ver sua alma e se eu tinha alguma dúvida antes, elas se foram. Eu estou apaixonado por Beth Risk. Beth pisca e o sorriso se desvanece. Várias gotas de chuva chocam na lagoa e ao som da tempestade bate contra as árvores. Beth afunda e eu a pego antes que a cabeça caia. — Deixe-me ir! — Seu aperto não é tão apertado enquanto eu a levo para a margem. A chuva torna-se constante e rapidamente encharca o meu cabelo. Coloco Beth em seus pés e meu coração despenca. Ela subiu suas barreiras. Ela gira em torno de seus pés e segue em direção à linha de árvores de Scott. Beth confiou em mim na água. Ela se importa comigo. Eu sei disso. A promessa que fiz a ela é para sempre, não vou deixá-la ir. Eu a persigo e a agarro pela cintura antes que se meta no bosque. —Droga, Beth! Pare de fugir de mim! Meu pulso martela pelo meu corpo. Ela está fugindo de mim desde o momento em que a conheci. Não importa o quanto eu tente agarra-la, ela encontra uma maneira de escapar do meu alcance. Não mais. Não hoje. Água desliza pelo seu rosto e seu cabelo se agarra a sua cabeça. Ela treme violentamente na tempestade quente de outono. Eu esfrego minhas mãos para cima e para baixo em seus braços. — Deixe-me ir. — ela grita de novo sobre a chuva.

334

334


Traduzido por Uly Santos

— Não. — Eu movo minha mão por sua bochecha. Aqueles olhos que pareciam momentos antes tão pacíficos estão loucos com o pânico. Eu quero que ela confie em mim. Eu quero que ela sinta o que estou sentindo. — Eu estou apaixonado por você. — Não! Por favor. Só não faça isso! — Seu lábio inferior treme e ela golpeia sem sucesso a mão com que estou segurando sua cintura. — Diga-me por que você está lutando contra mim. Do que você tem medo? As unhas de Beth cravam na pele do meu braço. — Eu não tenho medo de nada. — Eu te amo. — eu digo novamente e o pânico de Beth sobe com intensidade. Ela empurra meus braços. As palavras a assustam. Ela está com medo do amor. — Eu te amo, Beth. Ela levanta seu rosto e seus olhos ardem em fúria. — Pare de dizer isso! — Por quê? — Sem querer, eu a sacudo gentilmente. Eu quero que ela diga de volta. — Eu estou apaixonado por você. Diga-me por que eu não posso dizer a você. — Porque você vai partir! — Ela grita. O peito de Beth arfa como se ela corresse em uma maratona. Meu agarro sobre ela aperta. A chuva bate contra o lago e as árvores, criando uma estranha surdez do mundo que nos rodeia. — Eu não poderia. — Nunca. Deixa-la seria como arrancar meu próprio braço. Eu nunca estive apaixonado antes. Eu pensei que tinha estado, mas eu não estava. Esse sentimento que me abrange esmagadoramente é amor. Não é perfeito e é confuso como o inferno. E é exatamente o que eu preciso. Ela dá um passo para trás e com a chuva se torna impossível manter o meu aperto sobre seus braços lisos, mas eu faço o meu melhor para segurar. Meu coração dói.

335

335


Traduzido por Uly Santos

Beth está fazendo de novo. Ela está indo embora. O desespero se apodera dos meus músculos. Se ela se for, eu vou perdê-la e eu não posso. Não quando eu a encontrei. — Não se afaste de mim. — Eu tenho alma de cigana. — Beth puxa as mãos para fora do meu alcance e tropeça para trás. — Nós não vamos dar certo. Por que ela está sempre escorregando por entre meus dedos? — Você é a pessoa que me deixa. Não o contrário. Ela envolve as mãos sobre seu estômago enquanto continua andando para trás. — Eu sinto muito. A raiva irrompe dentro de mim e assume o controle. Eu não perco e não vou perdê-la. Beth se vira e corre para a floresta. Ela é rápida, mas eu sou mais rápido. Eu agarro Beth pela cintura, e a giro para me encarar, passo meus dedos em seu cabelo, e a beijo. Ela tem gosto de chuva fresca e cheira a rosas moídas. Não me importa que ela não esteja beijando de volta. Eu movo meus lábios contra os dela e abraço seu corpo ao meu. Eu amo Beth e ela precisa saber disso. Saber disso em sua cabeça. Mais importante ainda, saber disso em seu coração. Seus dedos levemente fazem cócegas em meu pescoço enquanto eu provo seus lábios quentes. Ela responde hesitante beijando meu lábio inferior. Beth inclina a cabeça e nós dois abrimos a boca. Sua língua encontra a minha e eu juro que o mundo explode em torno de nós. Suas mãos emaranham em meu cabelo molhado e ela pressiona seu corpo em mim. Sua mão percorre minhas costas, e os meus dedos avidamente tocam os contornos suaves de sua cintura, então deriva para baixo, deslizando ao longo das curvas de suas coxas. Eu não vou deixá-la ir. Eu não vou. Eu a amo. Beth ofega por ar enquanto puxa minha cabeça para mais perto de seu corpo. Meus lábios trilham beijos em seu pescoço e eu saboreio cada delicioso sabor de sua pele. Suas mãos deslizam para o meu peito, enrolam em punhos, e ela me

336

336


Traduzido por Uly Santos

empurra enquanto ela dá um passo para trás. — Eu não posso fazer isso! — E ela foge pela chuva.

*** Tenho estado olhando o computador desde ás dez. Ás onze ainda estou olhando. O cursor pisca, acendendo e apagando. Não tenho palavras. A decisão tem que ser feita. George o zumbi e Olivia a humana se apaixonam e permanecem juntos, ou Beth tem razão? Estou forçando meus personagens a serem algo tão irreal que nenhum leitor jamais iria acreditar? Meu celular vibra de novo. Dou uma olhada com antecipação. Talvez seja Beth. Me afundo mais na minha cadeira. É Gwen. Mas uma vez. Gwen: Por que não responde? Porque não estou apaixonado por você. Não está acostumada a ser rejeitada. Eu não costumava rejeita-la e seu constante bombardeio de mensagens e ligações ao longo de toda a noite afunda a faca na minha traqueia. Eu estou apaixonado por uma garota que não me corresponde. Parte de mim quer responder Gwen e voltar para minha vida anterior. Nada era complicado antes. Nada machucava ou parecia muito confuso. Tudo era planejado. Perfeito. Isto é, no exterior. Como sinto falta disso se meu interior era um desastre? Meus pais. Mark. Gwen e eu. Lacy. Chris são uma bagunça? Logan? Quantos de nós estamos fingindo uma fachada? Quantos de nós estamos pretendendo ser algo que não somos? Melhor ainda, quantos de nós temos coragem de sermos nós mesmos, independentemente do que os outros pensam? Apago a tela do meu computador e a luz do teto, tiro minha camisa e me encosto na cama, ainda que eu saiba que o sono não virá.O problema de sentir demais é a forma com que a dor consume cada parte de mim. Uma lenta batida agonizante faz com que me doa a cabeça. A chuva continua batendo contra o teto. Se suponha que a tempestade chegaria amanhã, mas alcançou a zona hoje e se

337

337


Traduzido por Uly Santos

estagnou na cidade. Uma parte de mim não quer que se acabe. Esta é nossa chuva—minha e da Beth. — Posso entrar? Me levanto rapidamente até o doce som da voz de Beth que vem do outro lado da minha janela aberta. Meus dedos se atrapalham com a tela e ela bate contra a casa, uma vez que cai no chão. Eu estendo minha mão para Beth e a ajudo enquanto ela balança uma encharcado perna vestida de jeans sobre a armação da janela, e depois a outra. A tênue luz do meu relógio despertador projeta uma sombra azul estranha sobre Beth enquanto ela treme incontrolavelmente ao lado da janela. Seu cabeço úmido se agarra a cabeça e a roupa parece unida ao seu corpo. As gotas de chuva deslizam por suas bochechas e seus dentes batem — Eeuu tiiiinhaa qquee tee vveeer. — Aqui, use esta toalha para se secar. — Coloco uma manta sobre seus ombros, olhando-a para me convencer de que está realmente aqui. Tateando através da minha gaveta, tiro uma camisa e um par de calças de moletom de algodão e entrego a ela. Num movimento rápido, eu me viro. — Troque-ser. Prometo não olhar. Ainda que eu queira. Está aqui e farei qualquer coisa para evitar que saia correndo. Beth se parece com esta tempestade. Constante e persistente no conjunto, mas quanto mais me aproximo e procuro agarrar as gotas de chuva individuais, mais água cai das minhas mãos. Ouço o som de material úmido se movendo obstinadamente contra sua pele e logo o som de algodão sendo arrastado por sua cabeça. — Está bem — diz com um fio de voz. Sugo uma respiração e reprimo um gemido. Ela está me matando. Minha camiseta termina na metade de suas coxas nuas. — Você vai por a calça? Beth dá de ombros. — Elas apenas vão cair. Ela está certa. Eu forço os olhos para o seu rosto. — Estou feliz por você

338

338


Traduzido por Uly Santos

estar aqui. Eu estive preocupado com você. — Com a gente. Beth agita a bainha da minha T-shirt. — Eu não posso dizer isso de volta. E ela me esmaga para o nada. — Mas eu quero. Esperança. Um único fio existe e ele mantém Beth e eu vivos. — Porque você quer me amar ou porque você o faz? Ela endireita a camisa e corre os dedos pelos cabelos. — E se eu o fizer? Me sentir dessa maneira? — Eu deixo as palavras dela afundarem dentro de mim Beth me ama. Meu coração se instala e eu engulo para me orientar. — Porque se eu o fizer... — Ela começa a tremer e eu me pergunto se o tremor é do frio ou de suas emoções. — E você... — Beth suga o ar, em seguida, levanta a cabeça para que seus olhos suplicantes se encontrem com o meu. — Eu não posso dizer isso, mas eu... eu quero estar aqui ...com você. Nós ainda estamos em terreno instável - Beth e eu. Se eu fizer a coisa errada, ela vai fugir. A chuva aperta e bate com mais força contra o teto. Minha fita se adere a seu pulso. Beth não acredita no invisível. Ela precisa de um lembrete físico de que eu quero dizer o que eu digo. Meus olhos rodam ao redor da sala e descubro um objeto perfeito na minha cômoda. Eu roço em Beth ao passar, agarro a garrafa transparente, e despejo os restos escassos da colônia fora da janela. — O que você está fazendo? — Ela pergunta como se eu tivesse perdido minha mente. Quem sabe, eu provavelmente perdi. Eu mantenho o frasco na chuva e vejo como o fluxo constante o preenche lentamente. Quando está cheia o suficiente, o suficiente para que Beth possa ver claramente, eu fecho a garrafa e entrego a ela. Ela levanta uma sobrancelha cética, mas aceita a garrafa. — É a nossa chuva, Beth.

339

339


Traduzido por Uly Santos

Sua cabeça apenas se agita para mostrar sua confusão enquanto eu esfrego a parte de trás do meu pescoço e procurando coragem. — Eu te disse que te amava na chuva e quando você duvidar das minhas palavras, eu quero que você olhe para esta garrafa. A testa de Beth enruga e ela olha para o presente que dei a ela. — Eu não... — ela começa. — Eu não tenho nada para te dar. — Você está aqui — Lhe respondo. — É tudo o que quero. Seus dedos se apertam ao redor da garrafa. — Mesmo assim não posso dizer. — Não me importa. Beth se arrasta sobre minha cama e eu a acompanho como fizemos na primeira noite em que veio a meu quarto. Se ela precisa de espaço, lhe darei espaço. Desta vez, Beth coloca imediatamente a cabeça sobre mim. A pele nua do meu peito grita em protesto pelo cabelo úmido e frio. Me concentro em não vacilar e nem tremer. Não vou dar a ela uma razão para retroceder. Seus braços relaxam em cima do meu estômago e sua mão está agarrada a garrafa com a chuva. — Estou assustada — diz. Acabaram-se os seus dias de correr? Estou dando o meu coração a uma garota que vai quebrá-lo? Prefiro não pensar nisso, e em seu lugar envolvo meus braços fortemente ao seu redor e a aproximo de mim. — Eu também estou, mas vamos ficar bem. Te prometo. — Você realmente poderia me machucar se quisesse. — Mas não o farei. — Diga outra vez — sussurra, e há uma sinceridade em sua voz que me diz tudo o que quero ouvir. Meu coração explode e um calor crescente e poderoso corre por minha corrente sanguínea. Ela me ama. Sei que o faz. — Eu te amo. — Eu beijo o topo de sua cabeça, me sentindo tão completo como nunca me senti na vida.

340

340


Traduzido por Uly Santos

— Posso ficar? — Ela pergunta. — Sim. Ela deliberadamente molda seu corpo ao meu. Nós nos aconchegamos mais juntos e eu fecho os olhos, acolhendo o sono. Beth está aqui e ela é minha e eu silenciosamente prometo nunca deixa-la ir.

341

341


Traduzido por Uly Santos

Beth Sentados na cama do caminhão de Logan, Ryan me mantém acolhida entre as pernas e suas mãos nas laterais do meu quadril. O moletom de Ryan envolve meu corpo, como um vestido curto e o calor de seu corpo me protege do frio da sexta-feira de outono. Ele me envolveu em uma pequena bolha, quente. A madeira da fogueira crepita e cria um aroma que me relaxa. Eu afago contra ele, e as profundas vibrações rítmicas de sua voz me acalmam, me levando a um estado de paz. Ele criou essa sensação de calor confortávelacabado-de-sair-da-secadora. Ele passa a mão pelo meu cabelo e sussurra: — Você está caindo de sono. Quer que eu te leve para casa? — Eu estou acordada. — Finjo que ele vai me segurar para sempre. Hoje, liguei para mamãe antes do ginásio. Como sempre, uma boa notícia vem com uma ruim. Ela pegou o carro, mas ela também tirou Trent da cadeia e ela estava de alguma forma chocada que a prisão não mudou seu caráter tempestuoso. Ela me pediu para ir buscá-la daqui a uma semana, na segunda, depois que seu cheque de segurança social chegasse, eu tenho dez dias restantes com Ryan. Ryan beija o topo da minha cabeça e retorna para a mesma discussão que ele e seus amigos tiveram todos os dias no almoço - eliminatórias de beisebol. Lacy se senta ao meu lado na mesma posição com Chris. Bebe de uma garrafa. — Estou feliz por Ryan e você estarem juntos. É legal estar perto de alguém que nunca diz a palavra beisebol. — Toma outro gole e sacode a cabeça. — Retiro isso. Não alguém. Fico feliz que seja você. Me alegro que esteja de volta. Está agitada. Eu não. É estranho estar em uma festa e não estar bêbada. As últimas duas semanas têm sido estranhas. Agora que Ryan fez o que quer que seja que as pessoas populares fazem para anunciar seus compromissos, seus amigos me tratam como um deles e eu não sei como me sinto sobre isso.

342

342


Traduzido por Uly Santos

Quero dizer, todos são atletas. Todos os garotos que estão ao redor ou sentados na caminhonete são grandes, enormes, atletas não-possodeixar-de-falar-de-beisebol. Nem um deles me fez sentir inconsequente ou como uma aberração. Eles não são nada como Luke e seus amigos, que bebiam a cada chance que eles tinham. Não, nem um desses caras tocou em álcool esta noite. Ryan e seus amigos tem um jogo no início da manhã e querem estar cem por cento. Lacy move sua mão até que a seguro. — Estou feliz por ter uma melhor amiga outra vez. — Tudo bem. — Chris balança Lacy em seus braços. — Já está sentimental, o que significa que é hora de dançar. — Com ela rindo descontroladamente, eles se vão para a multidão dançando perto da fogueira. Os lábios de Ryan roçam em minha orelha, enviando arrepios sedutores pelo meu corpo. — Andamos um pouco? Em qualquer lugar. — Ok. Salta da cama do caminhão e quando me movo para o final, coloca as mãos em meus quadris para me ajudar a descer. Não preciso de ajuda. Sou perfeitamente capaz de sair sozinha, mas eu gosto da sensação de suas mãos em mim. Seu calor queima através da roupa e fica em minha pele. Ele me levanta e meu corpo desliza contra o seu. Eu quero beijá-lo, fome queima em seus olhos, ele sente o mesmo. Pega minha mão e me leva pra longe do fogo, longe das pessoas, me leva para a floresta, para o nosso próprio mundo. A lua cria um brilho prateado e o murmúrio do riacho dá ao clima um aspecto místico. A escuridão não é tão assustadora com Ryan. Com ele eu posso acreditar que sou uma princesa com uma coroa de flores e laços na cabeça, e que ele é meu príncipe, que jurou me proteger de todos os males da noite. Ryan solta minha mão e vira o boné de beisebol para trás, um sinal claro de que ele vai me beijar. Minhas entranhas vibram. A arrogância duradoura que exala de Ryan desaparece e ele enfia as mãos nos

343

343


Traduzido por Uly Santos

bolsos, enquanto muda de posição. — Eu não ia participar do concurso de escrita, mas agora eu vou. Falei com o treinador hoje e disse a ele que não estou jogando no próximo sábado. — Por que não ia participar da competição? — Estou confusa. Ryan tem um dom. Por que não o usaria? — Meu pai, ele não queria… — Sacode a cabeça. — Não é importante. Você abriu meus olhos para um monte de coisas e queria que você soubesse que você é uma grande parte disso. Uma parte enorme. — Ele encolhe os ombros e, pela primeira vez vejo Ryan inseguro. É uma coisa estranha de se ver em alguém que está sempre nada mais nada menos que na perfeição. — Você vai ser perfeito. — Algumas vidas são abençoadas. A sua é. A minha não. Não estou certa de como ajudei, mas ao menos terá outra boa recordação de mim. Tenho dez dias para armazenar o máximo de recordações boas que pudermos. Para ambos. Não quero que me odeie para sempre. Quero que olhe para trás, em nosso tempo juntos e sorria. Ryan suga uma respiração profunda e seu contínuo caminho ao desconforto me deixa inquieta. — Meus pais vão estar fora da cidade por uma semana a partir de amanhã. Eles não vão estar de volta até o próximo domingo. Maravilhoso. — Eu posso usar a porta da frente? — Sim. Se quiser. Não me interprete mal, quero que venha… quero dizer, quero que durma comigo… quero dizer… — Ryan jura sob sua respiração. — Eu quero você na minha casa, se você quer estar lá. Se fosse qualquer outra pessoa tropeçando por esse constrangimento, eu iria rir, mas é Ryan, então eu engasgo com as risadas. — Você está me pedindo para fazer sexo? Seus olhos se arregalam. — Não. Eu nunca pediria isso. Quer dizer, eu iria. Algum dia. Agora, se eu pudesse. Mas não. Não. Vamos esperar. Ah inferno, Beth, tem como eu foder ainda mais com tudo isso?

344

344


Traduzido por Uly Santos

Sorrio ante a palavra foder e Ryan pega. Ele disse uma palavra que eu pensei que só saia da minha boca. As bochechas de Ryan ficam vermelhas e o blush em seu rosto me faz corar. Deus, estamos aqui agindo como dois virgens. Na verdade, toda esta semana temos agido como virgens. Fazemos essa incomoda dança quando eu escorrego em seu quarto e subo em sua cama. Ele espera uma eternidade para me beijar, não importa quantos sinais eu dou. E quando nos beijamos, o fogo entre nós é mais quente do que as chamas do inferno. Então chegamos a determinados pontos onde nenhum de nós parece querer cruzar a linha. Estou acostumada com caras que pressionam. Acho que eu poderia atravessar as linhas, mas o pensamento me assusta. Esse sentimento de menina delicada faz eu querer me bater. Não é como se eu nunca tivesse visto o pênis de um cara antes. Ryan reajusta seu chapéu e inclino a cabeça, enquanto entendo a agonia que cruza seu lindo rosto. — Você é virgem — digo. Maldiçoou-me internamente enquanto Ryan vira o chapéu e puxa sobre seu rosto. Vá em frente Beth, envergonhe o garoto um pouco mais. Por que você não pergunta se ele tem um pênis pequeno também? Falando em foder as coisas. Esta não é a memória que quero que Ryan tenha de mim, mas o conhecimento que me deu, irá garantir que eu posso dar algo que ele nunca esquecerá: sua primeira vez. Fecho a distancia entre nós dois. Ele fica tenso quando envolvo meus braços ao seu redor e pressiono a bochecha contra seu peito. —Não me importa. De fato, te faz mais perfeito. Suspira com força, mas seu corpo relaxa sob meu toque. Suas fortes mãos me acariciam as costas e se movem pelo meu cabelo. — Não sou perfeito, Beth. — Sim, você é. — Ryan! — grita Chris perto da linha das árvores. — Traga seu traseiro aqui. Logan aceitou um desafio. — Mas é claro que ele o fez — murmura Ryan. Coloca seu braço em volta do meu ombro e me leva de volta ao prado.

345

345


Traduzido por Uly Santos

Logan está de pé ao lado de Chris e leva um sorriso demente no rosto. — Ainda se lembra onde está seu Jeep? — Sim — responde Ryan com vacilação. Um brilho de excitação que me assusta brilha nos olhos de Logan. — Genial. Vamos. Chris e Logan se dirigem até os carros estacionados. Eu cutuco Ryan quando ele ainda permanece aqui. —Vai. Traça círculos em meu braço. — Só será por alguns minutos. — Não me incomoda se quiser passar um tempo com seus amigos. A sinceridade nada em seus olhos. — Mas eu vou te deixar sozinha. — Não sei se você se deu conta, mas às vezes prefiro estar sozinha. Mais uma vez vira o chapéu, se inclina e seu beijo esquentam áreas que as camisetas não podem tocar. No segundo que seus lábios deixam os meus, ele tira o chapéu e o põe em minha cabeça. Ele ri quando a ponta do boné cai para frente e cobre meu rosto. Não querendo que ele o leve de volta, eu viro o boné e o uso para trás. — Você tem uma cabeça grande. — Nah — ele diz. — Você que é pequena. Com orgulho, eu assisto Ryan passar pelo pasto. Ele é um atleta natural, com ombros largos e braços fortes. Meu coração dança. Pelos próximos dez dias, ele é meu. — Eu não acredito que você deixou Ryan pôr esse chapéu em sua cabeça. Ele sua nisso. — Gwen emerge da escuridão e eu penso imediatamente no meu medo de demônios que esperam nas sombras, prontos para me pegar na calada da noite. — Isso não me incomoda. — Se eu fosse você iria querer esconder o meu cabelo também. — diz ela, de pé incrivelmente perto de mim.

346

346


Traduzido por Uly Santos

Sou suave demais se ela acha que é seguro falar comigo desse jeito. Allison adoraria essa garota. Elas compartilham o mesmo gosto horrível de roupa. — Lembro-me de te empurrar para o chão e fazer você chorar na escola primária por foder com Lacy. — Eu me lembro de você usando o mesmo maldito vestido com buracos e essas fitas patéticas. Ela olha para o meu pulso, e depois para o meu jeans. — Vejo que seus gostos não mudaram. — Não. — eu digo. — Mas os de Ryan sim. Seu rosto fica vermelho e eu sorrio. Droga, eu realmente gosto de ser eu. Tenho que dar crédito para Gwen, ela rapidamente se junta ao jogo. — Olha, eu estou tentando te ajudar. O rumor na escola diz que Ryan está com você por um desafio. Ryan e seus amigos levam desafios muito a sério e ele lhe daria falsas esperanças, a fim de ganhar. Não me interprete mal, ele é um bom rapaz, mas ele é um cara, sabe? Eu odiaria ver você levar um tombo, uma vez o desafio estiver completo. Todo o meu corpo enrijece. É a verdade. Ele me pediu para sair em um desafio, mas eu não sou um desafio mais. Eu não sou. — Uau, Gwen. Obrigado por sua preocupação. É agora que você me pede para trançar o seu cabelo e depois vamos rir sobre como chegar na primeira base com um menino? Gwen entrelaça seu cabelo dourado em torno de um dedo. Eu deveria leva-la para Scott como prova A do porque odeio loiras. — Eu estou tentando ser sua amiga, Beth. — Se você quiser ser minha amiga, você não teria tentado enfiar sua língua na boca de Ryan na última terça-feira quando o encurralou depois do treino de beisebol. O sangue é drenado do seu rosto e eu sombriamente rio e me deito em sua vergonha. Ela não achava que ele iria me dizer. — Será que eu soo como um desafio agora? — Por que você não saiu da corte do baile de boas vindas ainda? Eles

347

347


Traduzido por Uly Santos

vão tirar fotos para o anuário na próxima semana, assim que esta seria a hora de sair. — Eu não vou desistir. — Eu vou sair em breve, mas eu não vou desistir. Ryan me impressionou e eu perdi o desafio. Tenho dez dias para manter a minha palavra para ele. Os olhos de Gwen me olham friamente. — Eu pensei que você não queria que a nomeação. Eu dou de ombros. — Eu mudei de ideia. — Você não vai ganhar. — diz ela. — Algumas pessoas não gostam de você. Minha coluna se endireita. — Eu pareço que dou alguma porra para o que as pessoas pensam de mim? — Você deveria. — diz ela. — Porque Ryan dá. Se você se importasse com ele, você iria embora. Gwen não espere por minha resposta. Ela joga o cabelo amarelo repugnante por cima do ombro e vai para longe, pavoneado como se ela fosse uma rainha. Demônios indesejados correm em minha mente, me provocando com suas palavras. Eu sou apenas um desafio. Ryan não me ama. Eu não sou boa para ele. Talvez ela esteja certa. Talvez ela esteja errada. Nada disso importa. Estou aqui por dez dias e, mesmo que esse não fosse o caso, eu tenho uma garrafa de chuva para provar que ela estava errada.

348

348


Traduzido por Uly Santos

Ryan Chris e eu passamos por uma mulher com três crianças gritando e um velho guardando os carrinhos de compras. É terça-feira à noite e por insistência de Chris, eu dirigi até Louisville para que pudéssemos fazer compras no Super Wal-Mart. — Você quer me dizer por que estamos aqui? — Eu pergunto. Temos um Wal-Mart, perto da auto estrada de volta em Groveton, mas é uma versão muito menor e trinta anos mais velha. — Nós conhecemos todas as pessoas que trabalham em nosso WalMart. Mais importante, os nossos pais conhecem as pessoas que trabalham lá. — Chris oscila para a direita, longe da seção de alimentos e para a farmácia. — E dai? — Você quer manter Beth em segredo de seus pais, certo? Eu tremo quando ele diz isso dessa forma, mas, no final, é a verdade. Quero que Beth seja minha garota em todos os aspectos da minha vida, mas eu preciso escolher minhas batalhas. Eu vou participar da competição de escrita, tomar a decisão se vou para as profissionais ou para a faculdade, e então confessarei que estou com Beth. — O que isso tem a ver com o Wal- Mart? Chris corta em um corredor e assinala com a mão a mercadoria na frente dele. — Isto. — Preservativos. Em todos os lugares. Eu esfrego a parte de trás do meu pescoço e tento pensar em alguma coisa para dizer, mas não há nada que poderia tornar este momento menos desconfortável. — Você precisa de preservativos. — diz Chris. Chris e eu engoli todo o corredor apertado em frente à farmácia. A mulher de meia-idade com os três olhos infantis nos como ela anda

349

349


Traduzido por Uly Santos

passado. — Eu estou indo devagar com Beth. — Devagar não era a posição que eu peguei vocês dois ontem. Estou feliz que você esteja feliz, mas nenhum de nós vai ser feliz se pequenos Ryans e Beths saírem dessa garota. Bom ponto. Sexo pode não estar nos planos, mas é melhor estar preparado. — Qual você usa? Ele dá de ombros. — A merda normal. Você vai fazer isso? O concurso de escrita? — Yeah. — A merda normal. Isso reduz as possibilidades. Eu examino as variedades ante mim. Coloridas, com nervuras, lubrificadas, e porque esta experiência não é horrível o suficiente, eles têm tamanhos. — Nós precisamos de você contra Eastwick. — Chris diz categoricamente. — Nós estamos um jogo atrás do Northside por isso precisamos de duas vitórias, para ficarmos em primeiro lugar. Se não vencermos Eastwick no sábado, então não importa se ganhamos ou perdemos contra Northside na segunda-feira. — Eu não posso jogar totalmente em ambos os jogos de qualquer maneira. Há uma lei estadual sobre quantos turnos posso lançar, lembra? Como diabos eu deveria saber de que tamanho eu sou? Eu não saio por aí olhando os paus dos caras. Não acho que o meu seja pequeno e eu com certeza não iria comprar pequenas, mesmo que eu fosse. Um cara tem que ter um pouco de orgulho. — Mas você poderia nos garantir a vitória no sábado contra Eastwick, em seguida, jogar os turnos posteriores contra o Northside. Você terá nos cavado para fora de um buraco antes dos últimos turnos e se formos mal nesta segunda-feira, você pode nos cavar. Pegue os que brilham no escuro. Aposto Beth está em algo estranho. Meu estômago aperta. — Beth não está em algo estranho. — Eu vi a tatuagem dela. Ela é uma espécie de garota de coisas estranhas. Olha, eu entendo que você não quer desistir de uma

350

350


Traduzido por Uly Santos

competição, mesmo que seja de escrita, mas eu não vou mentir. Você está assustando a equipe. Você é o líder, cara, e o que eles dizem quando nosso líder sai de um jogo? Os caras estão começando a questionar se você está perdendo seu partido. Eu me concentro em Chris. — O que significa isso? Chris encontra meu olhar e eu descubro que ele é um dos "caras". — Eu nunca vi você sair de um desafio na minha vida e você saiu de um com Beth. Você simplesmente desistiu. — Eu não desisti. Eu me apaixonei por ela. — Exatamente. Você poderia ter acondicionado o desafio, trazendo-a para a próxima festa, mas você jogou a bandeira branca no momento em que você ficou com ela. Ela te tem e eu quero ter certeza de que ela vale a pena. Não estou gostando do tom desta conversa, eu cruzo os braços sobre o peito. — O que você está tentando dizer? Os músculos de Chris se movem quando ele está a polegadas de mim. — Você mudou desde que ela veio para Groveton e eu não tenho certeza se eu gosto. Éramos nós e o beisebol, o que costumava ser importante. Então ela vem e é: eu, você, Beth, escrever, e às vezes beisebol. Você nunca falou sobre ir para a faculdade e agora você quer sair das profissionais. Quem diabos é você? Quem diabos sou eu? Quem diabos o cara na minha frente? Tomo distância me balançando e, pela primeira vez na minha vida, eu estou disposto a bater no meu melhor amigo. — Eu sou o mesmo maldito cara que levou a equipe ano após ano e sou o mesmo maldito cara que te encorajou a sair com nossa melhor amiga. Eu não posso ajudá-lo se você nunca olhou perto o suficiente para ver que eu poderia ser mais do que um cara com uma bola e um taco.

351

351


Traduzido por Uly Santos

Nós olhamos um para o outro. Sem piscar.Imóveis. Até que Chris flexiona seus dedos e faz gestos para uma caixa de preservativos com pregos. — Isso é algo estranho também. Eu puxo a ponta do meu chapéu. Mas que diabos? Parte de mim quer dar um soco nele. Parte de mim quer perguntar o que aconteceu entre nós. Eu vou pelo caminho mais fácil e deixo Chris fora do gancho. — Mostre-me a que você compra. E se ela estiver envolvida em algo estranho? E se ela quiser com nervuras? Quando você precisa de lubrificada? Eu não quero nem pensar sobre o tipo que diz que vai fazê-la vibrar. — Ela tem alergia ao látex? Isso podia acabar mal se ela tiver. Já ouvi histórias de meninas inchando como baiacu e ter que serem levadas às pressas para a sala de emergência.

352

Meu coração para. — Sério? — Não, eu estou brincando com você, mas eu perguntaria sobre a alergia ao látex antes de colocá-la. Duas adolescentes caminham pelo corredor. Uma saboreia sua gelada e torce seu cabelo. Elas olham uma para a outra e riem. Calor sobe na parte de trás do meu pescoço. — Eu não sou você, Ry, — diz Chris depois que elas dão a volta no corredor. — Eu não estou indo para a faculdade e eu não tenho os profissionais batendo na minha porta. Ganhar a estadual este ano, esse é o meu sonho, e eu preciso de você, para completá-lo. Prometa-me que você não vai deixar que nada fique no caminho disso. Desde que eu tinha sete anos olhei para a minha direita e vi Chris me apoiando entre a terceira e a segunda. Ele salvou jogos que fodi por causa do meu lançamento. Minhas entranhas torcem com a surpreendente revelação, independentemente do caminho que eu

352


Traduzido por Uly Santos

escolher, virá à graduação, Chris não vai ser o cara à minha direita mais. — Vocês podem ganhar Eastwick sem mim e você sabe disso. Northside é a equipe com os batedores. Na primavera, vamos a estadual. O único jogo que vou perder é o sábado e eu iria se não acreditasse que vocês têm tudo sob controle. Chris me estuda e eu silenciosamente lhe peço pra ficar bem com isso. Ele é meu melhor amigo e eu preciso que estejamos bem. Ele me oferece sua mão e eu exalo. — Jure cara. Aperto a mão dele. — Jurado. Um sorriso simples se espalha por seu rosto. — Escolha algo e vamos cair daqui. Eu tento mais uma vez. — Diga-me qual você compra. Chris coloca as mãos nos quadris. — Eu nunca comprei preservativo antes. Lacy quer esperar até nos formarmos.

353

353


Traduzido por Uly Santos

Beth É sexta-feira à noite e eu inalo profundamente antes de bater. Eu tenho três dias restantes até ir embora. Ryan merece alguém melhor do que eu, mas hoje eu posso fingir que sou boa o suficiente. A porta se abre e meu coração corre, para, e salta sobre si mesmo quando Ryan pisca aquele sorriso glorioso com a mistura certa de calor e covinhas. — Oi. — diz ele. Sua voz só cria arrepios agradáveis em meus braços. — Hey. — Eu vou fazer amor com você esta noite. Sentindo-me tímida, eu olho para longe e quero me chutar. Onde está a garota que poderia assustar os jogadores de futebol com um olhar? — Você está adiantada. — Ryan fecha a porta e eu passo direto para o seu quarto. Por duas vezes, Ryan tentou me convencer a ficar em outra sala, mas estar em qualquer outro lugar em sua casa perfeita me lembra que não estou a sua altura. — Scott e Allison foram para a cama mais cedo. — Eu me inclino contra a moldura da porta de seu quarto e tento acalmar as milhares de penas que rodam no meu estômago. — Chris não está passando por aqui, não é? — Não. Ele sabe que eu estou vendo você hoje à noite e que eu tenho que acordar cedo para o meu concurso de escrita. — Ryan pega minha cintura com a mão. E seu polegar foge para debaixo da minha camisa e desenha círculos sobre a minha pele. Percebo um maço de papéis amarrados com duas fitas cor de rosa no meio de sua cama. — O que é isso? Ryan coloca algum espaço entre nós, mas desliza os dedos nos meus. — Uma cópia final de “George e Olivia”. É seu. Assim como as fitas. — Legal. — Porque é. Ryan vai fazer bem tantas coisas quando se

354

354


Traduzido por Uly Santos

formar. — Dê uma olhada na página de título. — Ryan me solta e eu imediatamente sinto falta do seu toque. Eu caio na cama, desato o nó e pisco... Dedicado à garota que amo: Beth Risk. Meus dedos roçam a página como se acariciando as palavras a tornassem mais real. George era um conto para a classe. Olivia veio à vida porque Ryan não conseguia parar de pensar na história. Dedicou-a para mim, porque... porque ele realmente me ama. Uma pontada de dor atinge meu peito. Eu poderia ser feliz aqui em Groveton. Scott não é tão ruim. Na verdade, eu meio que gosto de acordar de manhã e dizer-lhe sobre a escola. Eu aprecio quando Scott acena enquanto eu falo e quando eu paro, quando ele faz perguntas para mostrar que ele ouviu o que eu disse. Eu adoro sentar na sala de aula ao lado de Lacy e ouvi-la divagar sobre fofocas inúteis. Eu amo as aulas de saúde e apesar do que Allison disse, eu estou me tornando apaixonado por ciência. Eu gosto de ver Logan, Chris, e Ryan um contra o outro. Eu gosto... eu gosto... Eu corro a minha mão sobre o papel novamente. Eu amo Ryan. Eu sou apaixonada por ele. Eu adoro a forma como ele sorri. Eu adoro a forma como ele se move. Eu amo suas mãos no meu corpo e seus lábios nos meus. Eu adoro a forma como ele ri. Eu adoro a forma como ele me faz rir. Eu adoro a forma como ele pode suavizar a aspereza e me faz sentir como alguém digno de amor. — É perfeito.

355

355


Traduzido por Uly Santos

Ryan No meio da minha cama, Beth toca a página de título pela terceira vez. Ela gosta do presente. A ansiedade e o enjoo que eu tive todo o dia se desvanecem. O colchão afunda quando me sento ao lado dela. Carmesim mancha suas bochechas enquanto eu escovo meus dedos contra sua pele. É difícil de acreditar que ela é a mesma garota do Taco Bell. Beth estava dura e fechada naquela noite. A menina na minha cama está aberta e macia. As diferenças físicas são óbvias. Eu corro minha mão através dos elegantes fios sedosos e ela se afasta. Ela odeia o que eu vejo, mas eu não. Uma polegada de louro-dourado se estende desde suas raízes. O loiro se destaca na escuridão do resto de seu cabelo. Eu amo o preto. Eu amo o loiro. Eu odiaria ver qualquer um deles partir. De alguma forma, ambos se adéquam a ela. Eu tiro o manuscrito dela e o coloco na mesa de cabeceira. Suas mãos tremem e ela morde o lábio inferior. Ela está nervosa e eu não sei por quê. — Você está bem? Ela acena com a cabeça, mas recusa o contato visual. — Eu queria ser perfeita para você. — Você é perfeita para mim. Beth descansa a mão na minha coxa e seus dedos lentamente traçam a costura da minha calça jeans. Fogo corre através de mim e as chamas lambem áreas muito perto de seus dedos. Beth começa novamente. — Não, eu queria... — e para. Mesmo que parte de mim não queira nada mais do que ela me

356

356


Traduzido por Uly Santos

tocando, eu forço minha mão sobre a sua. Quando Beth luta com palavras, isso significa que ela está prestes a dizer alguma coisa que vale a pena ouvir. Suas emoções a confundem. Talvez esta noite, ela vá finalmente encontrar coragem para dizer as palavras que desejo ouvir. — Eu gostaria... — Ela suspira. — Eu gostaria de nunca ter tido relações sexuais com Luke. Eu gostaria de poder ter de volta tantas coisas, mas eu não posso. Eu gostaria que eu pudesse ser alguém digno de você. Beth está na minha cama. O corpo dela está perto do meu e seus dedos se seguram em mim, mas algo em sua voz me faz sentir como se ela estivesse indo embora de novo. — Eu não sou perfeito. — digo a ela. — E você é exatamente o que eu quero que você seja, você. — Eu quero que você seja feliz. — diz ela e mesmo que ela está fisicamente perto de mim, eu olho em seus olhos e ver o esmalte criando uma parede. Beth desliza uma perna por cima do meu corpo e me atravessa. Suas partes estão bem em cima das minhas e o fogo ameaça tornar-se um inferno. Ela emaranha os dedos no meu cabelo, enviando arrepios ao longo do meu pescoço e na minha espinha. Seus lábios roçam minha orelha, seguido de um puxão suave com os dentes. Seu hálito quente faz cócegas no meu ouvido. — Deixe-me te fazer feliz. Minha mente está uma bagunça e uma pequena voz grita comigo que ela está partindo. Mas ela não pode estar. Ela está aqui, na minha frente, me deixando louco, pressionando seu corpo contra o meu. Minhas mãos agarram seu quadril em movimento, mantendo-a fisicamente perto. Ela agarra a barra da minha camisa e eu deixo puxá-la sobre minha cabeça. Suas unhas sussurram contra os músculos do meu abdômen e o pensamento claro não existe mais quando ela explora mais baixo. Nós caímos para trás em cima da cama e Beth continua a se mover comigo. Gemo quando seu cabelo escova meu peito e seus lábios

357

357


Traduzido por Uly Santos

beijam meu pescoço. Contra a minha pele, sua boca se inclina em um sorriso. Minhas mãos vagueiam para baixo de sua camisa. Seu corpo está queimando sob o meu toque e eu quero sua pele roçando a minha. Eu arranco sua camisa sobre a cabeça e beijo aquele ponto abençoado direito entre os seios. Beth suspira e eu já não quero que ela esteja no controle. Eu quero isso. Eu quero ser o único a fazê-la feliz. Eu quero fazê-la se sentir bem. Envolvendo meu braço em torno de seu estômago, eu giro a nós dois, e a obrigo a virar sobre suas costas na cama. Eu amo a sensação dela debaixo de mim. Ela emaranha sua perna com a minha e seus dedos enrolam no meu cabelo, me tentando novamente. Minha mão desliza ao longo da curva de sua cintura e eu quero tocar lugares que sei que vai fazê-la se mover no ritmo comigo. Meus dedos derivam contra seu estômago e hesito quando eles entram em contacto com o seu piercing no umbigo. Nossa primeira noite juntos no celeiro se infiltra em meu cérebro. Fiz-lhe uma pergunta naquela noite e ela nunca respondeu. Eu escorrego para longe dela, embora suas mãos me pressionem para ficar. — O que a sua tatuagem significa?

358

358


Traduzido por Uly Santos

Beth O que significa sua tatuagem? Cinco segundos atrás meu corpo estava em chamas e cinco palavras me congelaram como um vento ártico. Ryan escova meu cabelo do meu ombro e inclina a cabeça enquanto espera por uma resposta. Eu mantenho contato visual enquanto o diabo dentro de mim luta com o meu desejo de contar a Ryan algo que eu nunca disse a ninguém antes. — Significa que a liberdade. Ryan se reajusta para que seu corpo toque o meu. Seus músculos abdominais ondulam quando ele se move. Oh meu Deus, ele é incrível e eu estou sem camisa na cama dele e ele quer ter uma conversa. Ryan pode ser tão... tão.... frustrante. — Por que você escolheu essa tatuagem? Eu olho para longe e sopro ar através de meus lábios. Há alguns segredos que são meus e só meus. Por que Ryan não pode cooperar comigo? Por que ele não pode me deixar lhe dar esta noite? Me inclino e beijo seus lábios. Ryan pressiona de volta, mas ele mantém o contato breve. Eu me deixo cair de volta na cama. —Você é direto, certo? Ryan ri. — Muito. — E para provar seu ponto, ele faz os meus pés enrolarem quando ele desliza o dedo no estreito vale entre meus seios, no meu estômago, e toca a ponta dos meus jeans de cintura baixa. — Eu estou morrendo agora. Recusando-me a lhe dar a satisfação de fechar os olhos de prazer. Deveria ter outra medalha pra mim. — Então por que estamos falando? — O que você sabe sobre mim? — Ele pergunta. Eu dou de ombros. — Muito.

359

359


Traduzido por Uly Santos

— Conte-me um pouco. Oookaaay. — Você ama o basebol e escrever. Seu irmão gay pode chutar as bundas da maioria dos homens. Ryan ri e eu sorrio. Eu amo sua risada. Ela me lembra música. Uma dor escurece seus olhos e sua mão para o flerte com o elástico da minha calcinha. — Você sabe muito mais do que isso. — Eu sei. — Eu conecto meus dedos com os dele e gostaria de poder levar a sua dor. Eu sei que seus pais se odeiam e que esta viagem é uma tentativa de salvar seu casamento. Eles não vão se divorciar, mas é uma tentativa de reacender a chama. Eu também sei que assistir a queda de sua família está matando Ryan. Mais importante ainda, para além de toda a dor que o incomoda, eu sei consigo um sorriso para o seu rosto e eu sei que ele me ama. — Eu sei muito pouco sobre você e quero saber tudo. E terminamos. — Você sabe muito. Ele sabe o suficiente. Eu rolo para chegar até minha camisa no travesseiro ao lado dele. Ryan a pega e a joga no outro lado do quarto. — Você não vai fugir de mim nunca mais, Beth. Raiva flui quente através de minha corrente sanguínea. — Eu não estou fugindo. Pensei que íamos desfrutar um do outro esta noite, mas obviamente, você não está pronto pra isso. — Conte-me sobre o seu pai. — diz Ryan estirando-se preguiçosamente sobre a cama enquanto eu endireito minha coluna junto às almofadas. Como ele pode ser tão arrogante a ponto de pensar que ele merece respostas de mim? — Isso não é da sua conta. — Isso não é da conta de ninguém. — Vamos. Diga-me alguma coisa. Conte-me sobre sua mãe. — Sua voz torna-se provocadora e eu enrolo minhas pernas em meu peito.

360

360


Traduzido por Uly Santos

— O nome dela é Sky. — pronto, dei-lhe alguma coisa. — Você pode fazer melhor que isso. — Raiva se arrasta em seu tom paciente. — Diga-me por que Scott não vai deixa você vê-la. Diga-me alguma coisa. Qualquer coisa. Você me disse uma vez que não têm medo de nada. Agora eu vejo que é uma mentirosa, porque você está com medo. Levanto minha cabeça rapidamente. — Vai se foder. Ryan não pestanejou. — Diga-me por que você está de volta em Groveton. Por que ainda não está em Louisville com sua mãe? — Fui presa, ta bom? — Meu pulso troveja em cada ponto de pressão do meu corpo. Vai ser isso? O golpe final que o afasta de mim? Três dias. Eu tenho três dias até ir embora e não é assim que esta noite deveria ser. Não esperando resposta, as sobrancelhas de Ryan se juntam. Náuseas correm no meu estômago. Ele está me julgando. Eu sei disso. Ryan agarra meu tornozelo antes que eu possa pisar no chão. — Você já sabe a minha opinião sobre fugir. Por que você foi presa? O suor irrompe em minha pele. Posso imaginar os pensamentos em sua cabeça e seu julgamento iminente. — Isso importa? Afrouxa seu aperto enquanto os dedos deslizam lentamente para cima da minha perna e a massageia minha panturrilha através do meu jeans. — Eu não me importo com quem você era em Louisville, porque estou apaixonado pela garota que você é agora. Apaixonado. Essa palavra sua faz o meu coração vibrar e minha cabeça doer. — Então por que você quer saber? — Porque eu quero que você confie em mim. Blah. Confiança. — Estou seminua em sua cama. Nós poderíamos estar fazendo tantas outras coisas.

361

361


Traduzido por Uly Santos

O lado direito da boca de Ryan sobe. — E se você me disser, talvez nós possamos voltar a essas coisas. Eu puxo meu cabelo pra frente. O que eu digo a ele? A história oficial ou a história real? Ele me contou sobre seu irmão e seus pais. Eu posso confiar isso a ele. — Minha mãe quebrou as janelas do carro de seu namorado babaca depois que ele bateu nela. Ele ia bater nela de novo, então eu peguei o bastão e estava balançando-o por cima do ombro para acertá-lo quando os policiais apareceram. Mamãe está em liberdade condicional, por isso, tomei a culpa pela destruição de propriedade. Minha tia chamou Scott para me socorrer então... — Eu aceno minha mão no ar. —Aqui estou. Silêncio. Odeio silêncio. Silêncio significa pensar e pensar significa julgamento. Ryan se aproxima para mais perto de mim e tira meu cabelo do meu rosto. — Você deixou a polícia prendê-la em vez de sua mãe? Sentindo falta da minha camisa, eu puxo meus joelhos para cima.

362

— Você não faria o mesmo? — Beth. — Eu ouço a hesitação tensa em sua voz. — O que você fez é admirável, mas não é normal. Você não deveria ter que levar a culpa por sua mãe. Você não deveria ter que pegar um taco de beisebol para defendê-la... ou qualquer um. Ele endireita e eu vejo como a nossa viagem até Louisville ganha sentido. — Na verdade, você nem deveria estar cuidando de sua mãe. Você sabia que ela estaria no bar, não é? Você sabia que seriam contra. Isso está fodido. Sua mãe deveria estar cuidando de você. Não o contrário. Minha garganta aperta. Não há nenhuma maneira que ele poderia entender. — É o que eu faço. Ela precisa de mim. Ryan passa a mão sobre o rosto e se desloca para fora da cama. Seu corpo pulsa com uma energia perigosa enquanto ele anda. — Sobre o que você estava brigando com Isaiah naquela noite fora das instalações de treinamento?

362


Traduzido por Uly Santos

— Nada. — Dou a resposta muito rápido, e o clarão pontas de Ryan me diz que ele sabe que eu estou escondendo a verdade. Ele continua circulando pela sala. — Eu o ouvi dizer que você pertencia Groveton, e foi aí que você enlouqueceu. Você ia fugir naquela noite, não é? É por isso que você estava brava com ele. Ele te impediu de ir. Pânico surge através de meu corpo e eu pulo para fora da cama. Onde é que ele jogou minha camisa? Tenho que sair antes que ele compreenda. Uma mancha preta encontra-se no canto do quarto. Dou dois passos e braços fortes agarram minha cintura. — Eu já disse que não vai fugir. — Os olhos castanhos claros de Ryan perfuram os meus. — Desde o momento que comecei a gostar de você, eu sempre me senti como se você estivesse indo embora. Às vezes, quando você me beija sinto que você está dizendo adeus. Eu ficava dizendo a mim mesmo que isso era da minha cabeça. Que você estava com medo de me amar e por isso retirava. Mas é mais do que isso, não é? Scott não deixa você ver sua mãe porque sabe que você está planejando fugir com ela. Dez minutos atrás, eu não queria mais nada do que seu corpo perto do meu. Agora sua proximidade é demais. Eu preciso de espaço e eu não posso me mover. Seus dedos pressionam apertado em minha pele. — Quando? Minha boca fica seca e eu olho para o chão. Isto não é como se supõe que esta noite deveria ser. Ryan levanta a voz e grita: — Quando? Eu não quero mentir para ele. — Em breve. Ryan move as mãos de meus quadris e me enrola em seu corpo. Um corpo que alguns segundos antes era sólido em raiva. Meu coração se quebra pelo desespero de sua derrota. Sua testa repousa contra a minha e os suas mãos no meu cabelo. — Fique, Beth. Eu fecho os olhos e me enrolo em torno dele. Eu vou perder isso: a força de Ryan, seu calor, seu amor. — Eu amo você, Ryan. — Sussurro, meio que esperando que ele não ouça. Por que tudo dói tão fodidamente

363

363


Traduzido por Uly Santos

demais? Seu corpo enrijece e meu coração para. Talvez ele tenha me ouvido. Ryan coloca suas mãos sobre os meus ombros e gentilmente empurra meu corpo ao dele. Seus olhos perfuram meu rosto. — Eu não perco. Você está me ouvindo? Eu não perco e isso inclui te perder. Eu estou cansado de ser mantido no escuro. Estou cansado de sentir que você está escapando de mim. Você não está se despedindo de mim. Eu estou apaixonado por você e você me ama também. Você vai ficar. Ryan diz que como se fosse uma decisão fácil. Como se eu pudesse abandonar minhas responsabilidades. Como se essas correntes que tem me estrangulado por anos possam ser facilmente quebradas. — Eu não posso. Raiva e confusão escorrem de seu rosto e a calma e o controle que só vi enquanto ele estava no monte de arremessador toma o comando. — Eu não vou deixar você ir. Eu pisco. Como se ele pudesse me parar. —Você não vai me deixar ir. — Não, eu não vou deixar você ir. Você é minha e eu não perco. — Ele descansa as mãos nos quadris e vejo a mesma arrogância do Taco Bell, como se me dizer para eu deixar minha mãe para morrer não fosse diferente de pedir meu número de telefone. — Isto não é um jogo para ser ganho ou perdido. Há coisas na minha vida que foram colocadas em movimento antes que eu tivesse a minha primeira respiração. Eu não tenho uma escolha nisto. — Isso é besteira. Todo mundo tem escolhas e eu fiz a minha. Não há nenhuma maneira de que você esteja indo embora. Ele está tão confiante que parte de mim acredita nele. — Eu não estou? — Não... Três meses atrás, você não tinha raízes aqui, mas agora, você as tem. — Raízes.

364

364


Traduzido por Uly Santos

— Raízes. — ele repete. — Você está na corte do baile de boas vindas, está começando a ir bem na escola. Meus amigos te amam. Você está mais próxima de Scott. Você tem uma melhor amiga em Lacy. Minha mente corre e o mesmo faz minha respiração. Fiz uma vida aqui em Groveton. Uma vida que eu gosto. Uma vida que eu poderia manter. Ryan puxa para ele. Ele baixa a cabeça quando seus dedos deixam um caminho de queimação na minha bochecha. — Você tem a mim. A emoção pura em sua voz me faz tremer. Eu poderia tentar construir um muro, mas a intensidade do seu olhar me diz que ele iria ver através de qualquer coisa. Os segundos entre nós se prolongam. Seus lábios vêm perigosamente perto dos meus, mas ele os mantém longe. Com sua mão quente no meu rosto, e o nariz roça a linha da minha mandíbula e eu procuro inalar para regular meu pulso. Ryan puxa o cós da minha calça jeans e me guia de volta para a cama. Tomando minha mão, ele me pede para deitar ao lado dele. Sua calça jeans estão penduradas bem ao longo de seus ossos do quadril e eu engulo. Eu estou apaixonada por ele. Hoje à noite eu estava indo lhe dar uma memória de mim. Eu tinha confiança de que estava no controle. Meu coração gagueja. Eu perdi meu controle. Eu perdi a minha confiança. Minha mão treme quando eu toco seu peito nu. — Eu quero que você confie em mim. — Ryan roça a mão pelo meu braço e eu tremo. Os sinais que ele envia são inconfundíveis. Há vezes em que você está à beira de momentos tão importante, que você sabe que vai se lembrar dele para sempre. Este é o momento para mim e para o Ryan. Eu não vou seduzi-lo. Ele não está me seduzindo. Em vez disso, estamos escolhendo estar juntos. Eu sugo uma respiração e saio correndo para dizer as palavras antes que eu perca a coragem de dizê-las. — Eu confio em você. — E, por favor, por favor, não use isso contra mim. — Estou apaixonado por você. — ele sussurra.

365

365


Traduzido por Uly Santos

— Você está com medo? — Pergunto a ele. Porque eu estou. Aterrorizada. No início eu estava nervosa, mas não com medo. Não estou lhe dando uma lembrança. Estou lhe dando o meu coração. — Eu não quero te machucar. Diga-me se eu estiver e vamos parar. — Ryan desliza o dedo sobre o lábio inferior. O calor derrete o medo. Incapaz de falar, eu aceno. Nos movimentos dolorosamente devagar, Ryan abaixa a cabeça para mais perto e molda seu corpo em cima de mim. Seus lábios pressionam suavemente contra os meus e enquanto eu ofego por ar sussurro as palavras para ele novamente: — Eu te amo.

366

366


Traduzido por Uly Santos

Ryan Eu nunca estive tão perto de uma pessoa. Pele tocando pele. Pernas e braços enrolados e firmemente em torno um do outro. Deitada em minha cama, Beth sobre meu peito e ela corre lentamente as unhas para cima e para baixo no interior do meu braço. Eu beijo o topo de sua cabeça de novo, e deleito-me com o aroma de rosas, e luto contra a vontade de fechar os olhos. Cada músculo adormeceu e minha mente vagueia preguiçosamente, mas eu quero agarrar este momento um pouco mais. — Você tem certeza que eu não te machuquei? Ela respondeu antes, mas a ansiedade ainda se arrasta dentro de mim. Beth olha para mim por baixo de seus longos cílios escuros. — Eu estou bem. O nível de ansiedade aumenta. Fomos de muito bem para bem. — Eu te machuquei. Diga a verdade. — Ardeu um pouco, mas eu estou bem. Não é como se você fosse... — ela se detém. Calor abraça o meu rosto e meu pescoço. Não é como se eu fosse experiente. — Eu vou ficar melhor. Vai levar um pouco de prática e então nós dois vamos nos sentir bem. Beth ri e sua felicidade alivia minha ansiedade. — Prática? Você nunca desliga o atleta? — Devemos criar uma agenda. Talvez esticar de antemão. Ela ri alto e o som doce aperta meu coração. Beth raramente permite que a felicidade a domine e como se na sugestão, ela libera um suspiro pesado. Seu corpo fica mais pesado contra o meu e eu a puxo mais apertado para mim. Beth está absolutamente errada, se ela acha que

367

367


Traduzido por Uly Santos

pode me deixar. — Eu estava pensando... — Seus dedos começam a traçar meu braço de novo, mas desta vez o toque dela é duro e apreensivo. — Talvez eu pudesse falar com Scott sobre a minha mãe. Talvez ele pudesse me ajudar a ajudá-la. Eu beijo sua cabeça de novo, fecho os olhos queimando, e limpo minha garganta. Eu vou conseguir ficar com ela. Minha Beth. — Essa é uma ótima ideia. — Você precisa ir dormir, — ela murmura grogue no meu peito. — A competição de escrita é amanhã. — Eu te amo — Sussurro em seu ouvido. Seu abraço se aperta mais sobre mim e eu percebo o idiota que sou. Vou contar a meus pais sobre Beth, assim que eles chegarem em casa e vou andar no campo para o baile de boas vindas com ela no meu braço. Foda-se o que a mãe e o pai pensam. Foda-se o resto da cidade. Fodase a perfeição. Esta garota é minha.

368

368


Traduzido por Uly Santos

Beth Eu desperto com o som dos pássaros conversando alegremente e feixes de luz solar destacando as partículas de poeira dançando no ar. Um canário descansa em um arbusto do lado de fora da janela do meu quarto na casa de Scott. A ave bate as asas e sobe para o céu em liberdade. Eu me pergunto se o pássaro no celeiro escapou. O cheiro de bacon e cebolas derivam no ar. Scott prometeu cozinhar batatas fritas esta manhã. Eu pulo da cama e eu estou surpresa com a imagem no espelho. Eu estou sorrindo. E mais do que isso, estou diferente. Ontem à noite me fez diferente. Meus olhos brilham como os do Scott quando ele está por perto de Allison. Na verdade, todo o meu rosto brilha e eu estou com fome. Morrendo de fome. Por mais do que alimentos. Eu quero perguntar a Scott se ele pode ajudar a mamãe. A esperança inunda o meu corpo e me faz sentir leve. Eu posso me acostumar com a esperança. Eu faço um coque em meu cabelo e vou para a cozinha. Scott olha para mim enquanto ele paira sobre o fogão. — Bom dia, Elisabeth. — Bom dia, Scott. — Quase rio da forma de como soo alegre. Eu, rindo. Isso em si é engraçado. Ele me olha duas vezes quando me sento no balcão e seu irritante sorriso eu-sei-de-tudo se estende de orelha a orelha. — Qualquer que seja o lado da cama que você levantou esta manhã é o que você deveria usar todo dia. — Muito engraçado. Do outro lado da ilha, Allison me estuda, mas não com tanto desprezo quanto o normal. Parece que ela está prestes a dizer algo, então se concentra no jornal na frente dela.

369

369


Traduzido por Uly Santos

O celular de Scott toca. E ele enfia a mão no bolso de trás e mantém o telefone contra seu ombro para responder enquanto ele vira as batatas fritas na panela. — Alô. Seu rosto escurece e ele empurra a frigideira para uma boca apagada antes de desligar o fogão. Ele se vira e seus olhos azuis conturbados me encontram. Minha esperança desliza pra longe. — Nós vamos já para aí. — diz ele.

370

370


Traduzido por Uly Santos

Ryan Há um zumbido baixo de conversação preenchendo o auditório. Hoje foi estimulante e torturante. Eu conheci professores universitários que me deram incríveis comentários sobre "George e Olivia." Eu escutei palestras sobre a escrita, aprendi novas técnicas, e passei o dia inteiro suando pelo próximo momento. Eu levaria um dia frio e chuvoso no monte de lançamento do que isto, estou vestindo minha melhor roupa de domingo enquanto espero para saber se minha história é suficientemente boa ou não. Me curvo para frente na cadeira dobrável com as mãos entrelaçadas. Meus pés não deixam de se mover. A única coisa que me mantém meio sã são minhas recordações da noite anterior. No momento em que eu sair daqui, irei comprar duas dúzias de rosas e me dirigirei diretamente para casa de Beth. Quero lhe demonstrar que não sou nada como o filho da puta que terminou com ela no dia seguinte. Eu sou o cara que sempre vai estar ao seu lado para sempre. A senhora Rowe tira o marcador de posição do assento ao meu lado e deixa cair. — Está nervoso? Olho pra ela em resposta e esfrego minhas mãos juntas. É assustador o quanto eu quero isso. É muito mais assustador pensar no que vai acontecer se eu ganhar. Se eu perder, então saberei o meu caminho: ser um profissional de beisebol. Se eu ganhar... as possibilidades se ampliam. Possibilidades de que sou bom em algo mais do que com a bola, que sou bom em escrita também. Então, terei decisões a tomar. — É uma pena que seus pais não puderam assistir a isso — diz ela. — Eu aposto que está matando eles não estarem aqui. — Sim. — Possivelmente mataria eles estarem perto um do outro. Minhas

371

371


Traduzido por Uly Santos

esperanças não são altas pra acreditar que uma semana de férias vai corrigir os problemas entre eles. O divórcio não é uma opção em cima da mesa, especialmente desde que o pai considerou concorrem para prefeito. Talvez eu devesse ser grato, mas não tenho certeza de quanto mais silêncio gelado eu posso aguentar. — Tenho certeza que eles estão orgulhosos de você. — ela continua. — Claro. — Mesmo que eles não tenham ideia de que estou aqui. Através do guincho de comentários, uma mulher em um terno de negócio preto pede ao público por silêncio. Enquanto ela nos agradece por nossa vinda, a Sra. Rowe se inclina até mim. — Independentemente de qual seja os resultados, Ryan, foi uma grande honra estar na final. Concordo com a cabeça, mas o que ela não entende é que eu não gosto de perder. —... Então, com isso, estamos prontos para anunciar os vencedores. Eu inalo profundamente para acalmar os nervos. Cinquenta de nós chegou à última rodada. Todos nós entramos na final, apenas três lugares restam para uma vitória e, para ser honesto, estou interessado apenas no primeiro lugar. — A vencedora em terceiro lugar é Lauren Lawrence. A multidão aplaude e eu me inclino para trás em minha cadeira, mais ansioso do que antes. A garota anda incrivelmente devagar e leva ainda mais tempo para passar pelas pessoas no palco para entregarlhe o prêmio. A locutora limpa a garganta antes de começar de novo. — O segundo lugar vai para... Parte de mim anseia por ouvir o meu nome e a outra parte não. Primeiro é o melhor. O primeiro é o que eu desejo, mas pela primeira vez na

372

372


Traduzido por Uly Santos

minha vida, eu acho que poderia ser feliz com o segundo. —... Tonya Miles. Todos aplaudem novamente. Pelo menos essa garota é mais rápida. Eu curvo para frente novamente, imaginando como seria a sensação de uma perda como essa. Eu poderia ter sido feliz com o segundo. Possivelmente o terceiro. E, eu finalmente percebi, eu não quero o caminho mais fácil... Eu quero a escolha. Quero possivelmente ir para a faculdade. Ou não. Eu não sei. Mas eu sei que eu quero esta vitória. —... E o nosso vencedor do primeiro lugar é... — Ela faz uma pausa para o efeito dramático. Eu abaixo a minha cabeça enquanto meu intestino aperta. E se eu não sou bom o suficiente? — Ryan Stone. Adrenalina corre nas minhas veias enquanto eu levanto a cabeça para olhar para o palco. A multidão aplaude e a Sra. Rowe faz gestos para eu subir no palco, dizendo palavras que eu não entendo. Eu cambaleio para frente, me perguntando se eu ouvi direito. Isso está acontecendo? Será que eu realmente ganhei? No palco, uma senhora aperta minha mão e me oferece uma placa e um certificado. Sentir o peso em minhas mãos é surpreendente. Eu fiz isso. Eu ganhei um concurso de escrita. Sra. Rowe está de pé. E também alguns dos professores universitários que tinham lido a minha história. E enquanto os aplausos crescem, um nó se forma na minha garganta e afundo. Os meus pais não estão aqui. E mesmo se eles soubessem sobre a competição, eles ainda não estaria aqui. Eu aceno para a multidão, e depois volto para as escadas. Os aplausos morrem, exceto por um aplauso alto na parte de trás da sala. Um grito estrondoso e profundo ganha a minha atenção e a parte de mim que estava afundando, de repente voa mais alto.

373

373


Traduzido por Uly Santos

Faço uma pausa no palco e Mark sorri. Ele leva as mãos à boca e grita: — É isso aí, Ry! Como eu pude ser tão cego? Ele nunca me abandonou. Meu irmão, ele nunca se foi.

374

374


Traduzido por Uly Santos

Beth Existem memórias existentes em minha mente, que são tão claras que se eu focar nelas o suficiente eu praticamente podia revivêlas. O céu estava azul como o oceano e duas pombas estavam no telhado do reboque do vovô quando Scott me ensinou como jogar uma bola. A mão calejada do pai de Lacy estava fria no dia que ele me levou para a parte traseira de seu carro da polícia. Mamãe me comprou um cupcake na hospedaria na primeira noite que passamos sozinhas em Louisville. Esses momentos foram impressos na minha mente enquanto os vivia, eu sabia que iria lembrar deles sempre. Quando Scott me ensinou a jogar beisebol, o tempo perdia todo o significado. Eu segurei a bola na minha mão mais do que o necessário para que eu pudesse lembrar da superfície arredondada. Eu hesitei quando o pai de Lacy me disse entrar no carro para que pudesse tirar uma foto mental de nosso trailer. Passei meia hora mordiscando a cereja do cupcake antes de dar uma mordida, sabendo que a mamãe deu todo o seu dinheiro para o nosso novo senhorio. A sala de emergência assume a mesmo ritmo em câmera lenta enquanto eu corro através das portas de correr. Scott passa por mim e fala com uma enfermeira na estação. Meu coração bate forte em meus ouvidos. Um enfermeiro passa e olha para a minha cabeça. Eu não escovei meu cabelo. Eu não fiz nada. A enfermeira olha acima de seu computador e faz movimentos em direção às portas fechadas da sala de emergência. Grandes letras em grandes sinais me avisam para ficar de fora, mas se é aí que minha mãe está, ninguém pode me parar. Minha mão dói quando eu bato na porta de vaivém e eu mal registro meu nome sendo chamado atrás de mim. Ambos os lados do corredor são preenchidos com cortinas.

375

375


Traduzido por Uly Santos

Máquinas apitam e as pessoas sussurram baixinho. Caminhando no corredor, a enorme figura que atormenta meus sonhos vira a esquina. Eu o persigo. Trent. Raiva corre através de mim e me impulsiona para frente. Passado as camas. Passado a enfermeira perguntando se eu precisava de ajuda. Nada que me passa é sensato ou racional. No final de um longo corredor, desolado, ele entra em uma das salas. Os outros quartos que o rodeiam estão vazios. Não há enfermeiros ou médicos em guarda. Trent fica perto da cama da minha mãe. Ele não me vê, nem vê o punho que aparece e lhe dá um soco na mandíbula. — Vai se foder! Meus dedos palpitam e dor atira através do meu pulso, mas ele não me para. Tudo é um borrão. Minhas mãos batem novamente e novamente. Trent me dá um tapa no rosto, puxa meu cabelo, e eu grito quando um joelho martela meu estômago. Ele me joga como uma boneca de pano e bate e o ar escapa dos meus pulmões quando eu colido com a parede. Eu tento me reorientar e ir atrás dele novamente. Se eu lhe der tempo suficiente, ele vai me bater de novo e me destruirá. Ficar no mesmo solo que Trent é um mal lugar para se estar. Ele prefere chutar. Ouço um golpe seguido pela visão de Trent tropeçando pelo chão. — Elisabeth, você está bem? — Scott se mantém de costas para mim. Ele segura os braços ligeiramente para os lados esperando por retaliação. — Elisabeth! — Sim. — Eu balanço pra longe o estupor. — Eu estou bem. O sangue escorre do nariz de Trent. Boa Scott. Ele quebrou. Trent olha pra mim, fazendo com que Scott dê um passo em direção a ele. — Toque na minha sobrinha de novo e eu te mato. Trent ignora Scott e o idiota careca se mantém olhando para mim. — Eu sei que você está tentando tirar o que é meu. Coloque esses

376

376


Traduzido por Uly Santos

pensamentos em sua cabeça novamente e os paramédicos não serão capazes de salvá-la da próxima vez. — Seu maldito filho da puta. — Eu salto em direção a ele e Scott envolve seus braços em volta da minha cintura, praticamente me levantando do chão para me impedir de machucar Trent. — Eu deveria ter te batido com o taco quando tive a chance. — Eu gostaria de ter tomado o ritmo. — Eu queria que você estivesse morto. — Saia daqui antes que eu chame a segurança! — Scott grita com Trent. Os olhos de Trent se estreitam com um meio sorriso enquanto ele passa. Scott aperta seu abraço quando tento ir atrás dele novamente. Trent não vai me perdoar por tentar fugir com a mamãe. Ele vai querer vingança e se ele não pode extrair sua vingança de mim, então ele vai usar mamãe como pagamento. Scott bloqueia a porta e me libera.

377

— Que porra está acontecendo? Aponto para o corredor. — Ele bate nela. Ele me bate. Ele é um traficante de merda que usa a minha mãe e, se não fosse por você e suas regras estúpidas e sua chantagem estúpida ela não estaria aqui, porque eu teria ficado lá para protegê-la. Uma enfermeira aparece na porta e eu dou as costas para ambos. — Há algum problema aqui? — Ela pergunta em voz baixa, de forma rápida, e em um tom que indica que ela sabe que todo mundo nesta sala está fodido. — Está tudo bem. — diz Scott. Ele fala um pouco mais, mas a sua voz e a da enfermeira se tornam abafadas enquanto eu olho para a criatura patética na cama. Há algumas horas, todo o meu mundo estava certo. Ryan me segurou em

377


Traduzido por Uly Santos

seus braços e eu me convenci de que tudo ia ficar bem. Isto é o que acontece quando você acredita na esperança. O karma vem para destruí-la. Sento-me na cama e toco os dedos frios da mamãe. Isto é como se parece a morte. — Será que ela morreu? — A conversa atrás de mim para. — Ela parou de respirar, diz a enfermeira. — Mas os paramédicos lhe deram naloxona e isso neutralizou os efeitos da heroína. Heroína. Meu coração para e meus pulmões doem. Heroína. Meus dedos seguem a linha de seu IV, mas eu propositalmente ignoro as marcas de faixa que pontilham os braços. — Há quanto tempo ela está usando? O manguito de pressão sanguínea silva quando é esvaziado. A enfermeira limpa a garganta. — Nós não sabemos.

378

— Quando ela pode ir para casa? — Ela está dormindo agora. O médico irá verificar quando ela acordar e enquanto ela estiver bem, vai deixá-la ir. — Ela sussurra algo para Scott. Scott sussurra de volta. — Elisabeth, — diz ele. — Eu estou indo preencher alguns papéis. Significa que ele vai pagar suas contas. Por enquanto. Como eu pude não ter notado as marcas em seu braço antes? — Tudo bem. A sala torna-se muito quieta, exceto pela batida constante do monitor cardíaco de mamãe. Desde o momento que minha tia Shirley ligou para Scott, eu me senti como se eu estivesse dando voltas no feriado de Groveton. Se eu pudesse, iria rastejar direito para o esquecimento e desapareceria. Eu estou cansada e tudo o que eu quero é sair dessa viagem maldita.

378


Traduzido por Uly Santos

— Qual de vocês deu um soco em Trent? — Shirley pergunta atrás de mim. — Ambos. Bom trabalho em cuidar de sua irmã. — Eu entrelaço meus dedos com os da mamãe. Será que ela sabe que estou aqui? Provavelmente não. Mamãe nem percebe que estou com ela quando ela está um pouco coerente. — Onde você estava? — Estava dando uma pausa para fumar. — Shirley sua tosse de fumante e mamãe se encolhe em seu sono. — Quem você acha que encontrou sua mãe e arrastou sua bunda para o beco antes de ligar para o 911? Se a polícia entrasse no apartamento de sua mãe estaríamos em uma merda maior do que estamos agora. Mãe se mexe e eu desejo que ela acorde e me diga que ela está triste. —Obrigado por ligar para Scott. — Ele tem dinheiro. Certifique-se de que ele use para pagar as contas. A Passos leve Shirley se aproxima da cama e descansa a mão no meu ombro. Eu mantenho meus olhos em mamãe, apavorada, se eu olhar para longe ela vai desaparecer. — Dois dias atrás, sua mãe me contou uma história engraçada. Era o tipo que poderia começar com era uma vez, — diz Shirley. — Ela disse que você estava chegando em breve para levá-la embora. A parte triste foi que ela também contou para todo o bar e alguém lá disse para Trent. E ele ficou um pouco chateado. Um pouco chateado? Contusões frescas cobrem o lado direito do rosto da mamãe. Conhecendo-a, ela usou a heroína para esquecer a surra, para aliviar a dor. — Você sabe que eu não acredito em contos de fadas. — Eu nunca deveria ter deixado minha mãe. Nunca. Eu deveria ter encontrado uma maneira de fugir a semanas. Isto é minha culpa. — Isso é uma pena, — diz ela. — Porque eu teria pago para ver isso. — Eu levanto a cabeça para olhar pra ela.

379

379


Traduzido por Uly Santos

— Em dinheiro, — diz Shirley. — Ela não vai durar muito tempo do jeito que ela está indo. A decisão é sua . Ela é sua responsabilidade. Shirley sai da sala. Tento inspirar, mas é praticamente impossível com o fardo me pesando para baixo. Desde que eu tinha oito anos, a responsabilidade de minha mãe está comigo. Eu cuidei dela. A troquei. A alimentei. Fiz com que ela passasse a trabalhar ou a ajudava a encontrar emprego. Mas agora, o que eu quero mais do que tudo é minha mãe para cuidar de mim. Eu estou farta de ser a adulta. Por alguns minutos, eu queria ser a garota. Eu quero minha mãe. Eu só quero a minha mãe. Um leve toque move minha mão. — Não fique triste, Elisabeth. — murmura minha mãe. Fungo pelo nariz. — Eu não estou triste. — Eu sonhei com você. Você e seu pai. Eu sinto falta dele. — Seus dedos levemente agarram meu pulso. — Eu sinto sua falta. Você era um bebê lindo. — Por quê? — Um emaranhado de raiva e tristeza e felicidade tecem em torno de minha alma e estrangulo o grito lutando para sair da minha garganta. Ela está viva, mas ela quase morreu. —Por que você tem que fazer tudo tão difícil? — Venha aqui. Eu gosto mais de você triste. Eu odeio quando você está com raiva. — Ela puxa meu pulso e ignora minha pergunta. — Eu quero segurar meu bebê. Eu sinto que estou com cinco anos enquanto rastejo na cama e descanso minha cabeça entre a curva de seu braço e peito. Seus dedos fracamente pegam no meu cabelo. — Você nasceu em uma terça-feira. Eu fecho meus olhos para a dor ir embora, mas ele não vai. Ela me apunhala uma e outra vez. Eu estou tão cansada. Tão malditamente

380

380


Traduzido por Uly Santos

cansada. Eu não quero pensar sobre Trent ou heroína ou fugir ou sobre a responsabilidade que eu pensei que poderia abandonar. — Era um dia muito quente. Você estava tão bonita, mas tão minúscula. O médico não me deixou segurar você por três semanas porque você era prematura. Seu papai te amou então. Ele veio ao hospital duas vezes antes de seu avô nos levar para casa. Scott estava animado para segurar um bebê pela primeira vez. Seus dedos ossudos relaxam contra minha cabeça e eu queria que ela me dissesse que me ama, porque eu a amo. Ela pode ser uma viciada em drogas e alcoólatra e ela é provavelmente uma prostituta, mas ela é minha mãe. Minha mãe. — Eu adorava levá-la para o shopping. As pessoas me paravam e me diziam o lindo bebê que você era. Eu os deixava te segurar e eles tentavam adivinhar o seu nome. Você era tão bonita e você nunca chorava. Você era a minha própria boneca pessoal. Eu envolvo meu braço em torno dela e tremo quando sinto as costelas cutucando através de sua pele. Mamãe suspira e continua: — Eu te dei o mesmo nome da minha mãe, na esperança de que ela mudasse de ideia e amasse a nós duas. Minha mãe me abandonou, Elisabeth, mas eu nunca te abandonei. Nunca. Não, minha mãe nunca me deixou e esta é a razão pela qual eu devo a ela. Eu cresci sabendo o sacrifício que ela fez em meu nome. Prendo a respiração para impedir o meu corpo de tremer com os soluços. Minha mãe precisa de mim e eu não posso ser razoável por mais tempo. Eu fiz isso com ela. Eu a deixei para trás. — Você ainda está vindo me buscar, certo, Elisabeth? Na segundafeira?

381

381


Traduzido por Uly Santos

Ryan Em uma polo amarrotada e um par de jeans, Scott se inclina contra a parede no final da sala de emergência. Ele levanta uma sobrancelha quando me vê, mas, em seguida, a baixa como se estivesse muito cansado para se importar. — Como você sabia que ela estava aqui? — Sua esposa me disse. — Eu vim direto da competição para a casa de Scott para que pudesse compartilhar minhas notícias e dar a Beth as rosas. Mas, meu mundo desabou quando Allison disse aquelas sete palavras: A mãe de Beth teve uma overdose. Eu olho para dentro do quarto e imediatamente desvio o olhar. A visão de Beth enrolada na cama com a mãe é muito intima para que alguém presencie — inclusive eu —Há quanto tempo ela está lá? — Há um tempo. — Scott amassa os olhos com os punhos, igual Beth faz quando ela já teve tudo o que pode suportar. Eu vejo um monte de Beth em Scott. — Como foi a competição de escrita? E, assim como Beth, ele vai evitar o elefante sangrando na sala. — Eu ganhei. Se ele não estivesse tão cansado, o sorriso em seu rosto pareceria natural. — Parabéns. Como sua equipe foi contra Eastwick? — Eles ganharam também. — Assim como eu sabia que fariam. Eles são um grande time e tenho orgulho de fazer parte dele. — Bom. A diferença entre mim e os Risk? Eu não tenho problemas em discutir elefantes. — Como está a mãe de Beth?

382

382


Traduzido por Uly Santos

— Ela está viva. Faço uma pausa. — Como está a Beth? Scott balança a cabeça. O silêncio cai entre nós, mas nós dois viramos nossas cabeças para a sala quando ouvimos um choro abafado. Beth está quebrando meu coração e pela dor no rosto de Scott, está fazendo o mesmo com o dele. Mais silêncio entre nós. Uma fungada vem do quarto e meus dedos coçam para segurar Beth e de alguma forma arrumar seu mundo. Eu não vou deixá-la usar isso como uma desculpa para correr. Eu vou falar com ela e fazê-la perceber que agora é a hora de envolver Scott. — Elisabeth diz que você está tentando decidir entre a faculdade e as profissionais. — diz ele. Concordo com a cabeça. A escolha é mais difícil agora que eu ganhei a competição. — Posso te dar um conselho não solicitado? — Ele pergunta. Eu levanto minha cabeça. — Eu adoraria seu conselho. — Decida o que o beisebol significa para você, porque se você está jogando para ganhar dinheiro, então você vai ficar muito desapontado. Apenas uma pequena porcentagem de jogadores recrutados jogam um dia nas maiores e você ganha mais trabalhando no McDonalds do que se você jogar nos menores. Uma enfermeira passa entre nós e deixo a parte de trás da minha cabeça bater na parede. — Você foi profissional. — Quando eu tinha dezoito anos, o beisebol foi a minha única opção. Pelo que Elisabeth diz você tem várias opções. Se o beisebol é o que você quer mais do que qualquer coisa, então vai valer a pena o sacrifício. Se indo as profissionais é um meio para um fim, eu estou dizendo a você que as probabilidades estão contra você. E então Scott fica com aquele brilho louco nos olhos. O brilho que eu entendo. — Se o beisebol é o que você vive, respira, e

383

383


Traduzido por Uly Santos

morre, eu estou lhe dizendo que você precisa correr para esse campo. Eu nunca experimentei algo como isso. — Obrigado. — eu digo a ele. Seus comentários são bem recebidos, mas não é útil. Não estou nem perto de tomar uma decisão. Com o canto do meu olho eu espreito para dentro do quarto. Os olhos de Beth encontram os meus. — Passe algum tempo com ela, — diz Scott — Mas Elisabeth vai para casa comigo.

384

384


Traduzido por Uly Santos

Beth A mão de Scott em minhas costas me incita a ir em frente, enquanto eu assisto a minha tia Shirley ir de carro com a minha mãe. É tarde, eu acho. O sol se pôs. As estrelas cintilam no céu. Ryan veio e se foi, mas eu poderia dizer que ele não queria sair. Ele me ama. Eu sei disso. De alguma forma eu me pergunto se o seu amor é a única coisa que me impediu de perder a cabeça. — Vamos para casa. — diz Scott. Casa. O meu quarto com as minhas roupas e minha caixa de Lucky Charms na despensa. Casa. Pode ser a minha casa, se Scott ajudar a minha mãe. As luzes traseiras vermelhas do carro de Shirley desaparecem quando ela vira à esquerda para a rua principal. Eu expiro todo o ar para fora do meu corpo e me voltar para Scott. — Nós precisamos conversar. Ele balança a cabeça em concordância, enquanto coloca o braço em volta do meu ombro. Há três meses, eu o teria golpeado por me tocar. Agora, saúdo o abraço. Com exaustão enfraquecendo meus joelhos, eu me inclino para o meu tio. — Vamos conversar amanhã. — Scott continua a me levar para o carro.— Agora você está exausta. Estamos a meio caminho de seu carro quando um momento de déjà vu me acerta. Como se eu estivesse vendo algo que eu já vi antes, uma memória em câmera lenta. Eu empurro a cabeça para a direita e percebo que não é uma memória, mas realidade. Eu recuo e paro e Scott para junto comigo. — O que há de errado?

385

385


Traduzido por Uly Santos

— Isaiah. — digo não para Scott, mas para mim mesma. Meu melhor amigo está aqui. Inclinando contra o capô de seu Mustang preto, Isaiah observa Scott e eu à distância. Ele mergulha a cabeça quando ele me vê olhando para ele. Dou um passo em direção a ele e Scott agarra meu braço. — Não, Elisabeth. Minha cabeça chicoteia. — Só por um segundo. Apenas um segundo. Por favor. Seu aperto solta na palavra por favor. Quando ele finalmente me libera, eu vacilo. Estou desgastada fisicamente, emocionalmente, mas eu procuro forças. Eu tenho que falar com o Isaiah. Isaiah fica onde está, nem se preocupando em nem se quer me encontrar no meio do caminho, e fala antes de eu chegar até ele. — Shirley me contou sobre sua mãe. Você está bem? Sua pergunta me para sobre a distância do carro dele. Dor derrama de seus olhos, e todos os músculos do meu abdômen apertam. Minha proximidade realmente lhe provoca dor e esse fato me dá um tapa na cara. — Sim. — respondo, e então penso nisso. — Não. Ela é viciada em heroína. Isaiah olha para longe e uma bola de chumbo cai no meu estômago. — Você sabia. Ele encontra meus olhos novamente. — Ela é uma má notícia, Beth. Você não vai mudá-la. Ela vai mudar. Scott vai me ajudar. Eu sei disso. — Como você está? — Eu estou sobrevivendo. — Isaiah examina o céu noturno, em seguida, empurra para longe de seu carro. — Tenha uma boa vida. — Isaiah... — digo, sem saber como nos fazer ficar melhor. — Isto não é um adeus. — Sim, — ele responde enquanto destrava a porta do lado do

386

386


Traduzido por Uly Santos

motorista. — É. — Se você acreditasse nisso não estaria aqui agora mesmo. — Eu estou estimulada por um segundo fôlego quando as palavras me afundam. — Somos amigos. Para a vida. Ele esfrega a mão sobre o rosto antes de correr para o carro, fechando a porta e ligando o motor com um rosnado furioso. A breve explosão de energia é drenada de mim, começando na minha cabeça e escorrer pelos meus dedos. Dói saber que eu causei dor em Isaiah, mas um dia ele vai realmente se apaixonar e descobrir que tudo que temos sido é amigos.

*** Eu abro meus olhos e maldiçoou. Essa é a segunda vez que fui patética, adormecendo, e Scott teve que me levar para dentro assim como na primeira noite em casa, o cobertor está dobrado em torno de mim e meus sapatos estão bem colocados perto da cama. Está escuro e eu não me incomodo em olhar para o relógio. Eu deixo de lado o cobertor, saio da cama, e siga para o foyer. Na cozinha, Scott fica na ilha e olha para a bancada. Eu caio pesadamente no sofá de couro confortável. Eu vivi nesta casa por três meses e nunca sentei aqui. — Sofá legal. — Já era hora de você experimentar. — diz Scott. Ele veste uma camiseta dos Yankees e um par de jeans. Scott age tão adulto que às vezes esqueço que ele não tem nem trinta ainda. Ele desliza para fora do banco e se junta a mim na sala de estar. — Quer me atualizar sobre Trent? — Não. — Deixe-me reformular. Atualize-me sobre Trent.

387

387


Traduzido por Uly Santos

Scott bateu no bastardo. Eu limpo o sono dos meus olhos e tento encontrar a explicação mais simples e mais rápida. — O filho da puta é a semente de Satanás e alguém precisa de apunhalar o bastardo no coração, rasga-lo em pedaços, em seguida, jogar os pedaços em uma fogueira. — Ou fazer bater em sua cabeça com um taco de beisebol? — Ou isso. — Eu sorrio fracamente e Scott dá o mesmo sorriso fraco d volta. Eu disse a Ryan que ficaria. Passo o dedo no material liso da fita amarrada ao redor do meu pulso. — Por que você nos deixou? Você não deixou só a mim. Você deixou a mamãe também. — Você está pronto para discutir isso com calma ou você está em busca de uma briga de gritos? — Falar. — Eu acho. — Quando saí Groveton, eu quis dizer o que disse. Eu tinha toda a intenção de voltar para você. Eu sei que eu era jovem, mas eu amei você como se você fosse minha filha. Eu o amava como se fosse meu pai. Puxo meus joelhos para cima e envolvo meus braços ao seu redor. — Então por que você não voltou? — Porque... — Ele começa e para várias vezes como se as palavras ficassem atrapalhadas em sua boca. — Porque eu não teria feito isso se eu voltasse. Eu não podia levá-la na estrada comigo se escolhesse você, então eu teria que parar com o beisebol. — Se eu ficasse em Groveton, não tenho nenhuma dúvida de que eu teria me tornado o meu pai. Seu pai me jurou que ele nunca seria papai, e no dia em que se formou no colegial, ele se tornou o mesmo bastardo que nosso pai. Eu não queria parques de trailers e não queria garotas viciadas em drogas e não queria passar o resto da minha vida machucando as pessoas que eu disse que amava. Se eu ficasse, teria

388

388


Traduzido por Uly Santos

me tornado o meu pai e um dia eu iria te machucar. Eu balanço minha cabeça. Scott nunca teria me machucado. Ele não era capaz disso. — Eu estava tão malditamente com medo que quando comecei a correr, não podia parar. Eu estava com medo de enfrentá-la novamente. Medo se eu visse você, eu ficaria e me transformaria em meu pai. Scott jura e mantém suas mãos juntas como se estivesse rezando. Eu mordo meu lábio quando Sua voz falha. — Quando mudei para cá, cada vez que eu olhava para você eu via seu velho. Eu vi sua raiva saindo de seus olhos. Vi amargura de seu pai envolvida dentro de você. Por mais que eu me odiasse por deixando-a para trás, eu não me arrependo. Se eu tivesse ficado nunca teria me libertado e toda a raiva e a amargura que eu vejo em você estaria dentro de mim. Eu conheço a raiva e a amargura de que ele está falando. Eles são as correntes que me pesam e ameaçam me afogar diariamente, pelo menos até que eu encontrei Ryan. Mas essas correntes voltaram com o telefonema de Shirley e elas estão deslizando mais apertado em volta do meu pescoço. — Uhul pra você. Você se libertou e eu me fodi. Scott se inclina para frente. — Eu sei que parece desse jeito, mas eu me libertei para você, também. Eu fodi tudo. Eu deveria ter voltado quando assinei com os Yankees e arrastado você para Nova York comigo. Eu não fiz e me desculpe, mas eu estou aqui agora e isso... — Ele move as mãos pela casa. — Este espaço é seu, menina. Este é o seu beisebol. Tudo que você tem a fazer é confiar em mim e levá-la. O que você quiser, é seu, mas você tem que deixar o passado ir embora. Scott fala sobre esperança e esperança é um mito. Ele age como se fosse fácil deixar minha mãe. Como se eu pudesse facilmente entregar os demônios nos meus pesadelos e de alguma forma com o farfalhar de uma varinha mágica, tudo ficaria bem. — E quanto a mamãe? Ele não responde imediatamente. Ao contrário, ele encara uma fina cicatriz em sua mão direita, onde ele me disse que o vovô havia lhe

389

389


Traduzido por Uly Santos

cortado com uma faca quando ele era criança. — Ela não é minha responsabilidade, e ela não é sua também. — Não. É aí que você está errado. Mamãe é minha responsabilidade. A culpa é minha de ela ser miserável. — Você está errada. — Tanto faz. Eu estive pensando, talvez você possa dar-lhe algum dinheiro. Poderíamos colocá-la em um daqueles lugares de reabilitação e quando ela estiver limpa, poderíamos levá-la em algum lugar mais agradável. Mamãe costumava trabalhar e poderíamos arranjá-la outro emprego. Ela está fora do ar por tanto tempo e eu sei que ela mantém Trent, porque ele tem dinheiro. Se você ajudá-la, eu tenho certeza que ela pode ficar melhor. — Eu não posso. Minha cabeça voa para trás como se ele tivesse me dado um tapa. — O que quer dizer com não pode? — Eu fiz isso. Eu vim para lhe pedir ajuda. Eu estou confiando nele e ele está jogando isso na minha cara? — Eu mesmo e Allison fizemos um monte de promessas quando nos mudamos para Groveton e mais importante quando eu trouxe você de volta na minha vida. Sua mãe é uma linha que eu não possa atravessar. Não, não, não, não. NÃO! Isto não é como a nossa conversa era para ser. — Mas você tem. A sala torna-se de repente restritiva e eu levanto. Preciso sair. Onde quer que eu vire há uma janela ou uma entrada para outra sala. Não há uma maldita porta para o exterior neste enorme maldito quarto. — Elisabeth, — diz Scott lentamente. — Por que você não se sentar? — Você tem que ajudá-la! — Porque eu não posso, e a compreensão racha minha sanidade. — Mande-a para uma clínica de reabilitação. Limpe-a. Ela vai ser melhor, então. Você não entende . Ela nunca teve uma chance. Nós nunca tivemos nada. Ninguém nunca nos ajudou.

390

390


Traduzido por Uly Santos

— Eu enviei dinheiro. — Scott diz suavemente. Há um rugido em minha cabeça e eu congelo a meio passo. Estou na cozinha e eu não tenho nenhuma ideia de como fui parar aqui. — O que você disse? Scott vai até a ilha. — Enviei dinheiro a sua mãe todos os meses. Eu abri uma conta bancária para ela e todos os meses ela a esvaziou. Eu não era homem o suficiente para te chamar, mas fui homem o suficiente para pagar pelos meus erros. Allison encontrou a conta há um par de meses atrás, e pensou que eu estava tendo um caso. Trouxe-a aqui, para Groveton, para provar que não estava mentindo sobre você ou sua mãe e quando cheguei aqui eu não gostei do que encontrei. Por isso, ficamos, mas eu prometi a Allison que me distanciaria de sua mãe. Ela, obviamente, não estava usando o dinheiro para ajudar a qualquer uma de vocês. — Você está mentindo. — Eu bato minha mão contra o balcão. — Você é uma porra de um mentiroso! — Ele tem que ser. — Eu posso lhe mostrar os extratos da conta, se você quiser. Eu não consigo respirar. Eu não consigo... Eu não consigo respirar. Eu não consigo. — Elisabeth, — diz Scott. — Sente-se. Tento sugar o ar, mas meus pulmões não se expandem. Agarrando o lado do balcão, eu me curvo em busca de oxigênio. Scott está errado. Ele tem que estar errado. Mamãe nunca teria feito isso comigo. Nunca. Por que não consigo respirar, porra? — Elisabeth. — Scott empurra um banquinho para fora do caminho e me pega enquanto eu caio no chão. Ele se senta ao meu lado enquanto eu abaixo a minha cabeça em minhas mãos. — Apenas respire. — ele comanda. Minha inspiração soa como um chiado e eu sinto como se a minha mente estivesse dividida em duas metades.

391

391


Traduzido por Uly Santos

— Está tudo bem. — me diz Scott. Mas não está. Nada está bem.

392

392


Traduzido por Uly Santos

Ryan Beth não apareceu ontem à noite. Eu não estou surpreso. Meus pais estão de volta à cidade, além de Beth ter passado o dia inteiro e à noite no hospital sábado e precisava de um dia para descansar. Eu esperava que ela viesse embora. Eu só a vi por alguns segundos no sábado e quando estava na frente de Scott. Ela parecia tão quebrada. Eu preciso abraçá-la e dizer a ela que eu a amo e preciso ouvir as palavras de volta. Vou pegá-la antes do início da escola e passar o dia tentando colocar um sorriso em seu rosto. Lacy, Chris, e Logan vão querer ajudar. Entre os quatro poderemos distraí-la. Abro a geladeira, retire um Gatorade, pego minhas chaves do balcão, e desvio para evitar colidir contra minha mãe. — Desculpe. Nos vemos no jogo mais tarde. E oficialmente apresentarei Beth como a minha garota para os meus pais. Não há nenhuma maneira de qualquer um deles fazer uma cena em público. — Ainda é cedo. Sente-se. — Mãe passa por mim. Ela está vestida para o dia. Veste calças. Conjunto de suéter. Pérolas. Mamãe vai estar espreitando um almoço no clube social. Papai entra na cozinha da sala de jantar formal e mal olha para a mamãe. As férias era para salvar seu casamento. Ontem à noite, eles dormiram em quartos separados. Minhas chaves tilintam em minha mão. — Eu tenho algumas coisas para fazer antes de escola. Podemos falar mais tarde? Mamãe se senta em um lugar à mesa e faz gestos para eu fazer o mesmo. Eu apoio meu quadril contra o marco da porta em seu lugar.

393

393


Traduzido por Uly Santos

— Tudo bem. — Mamãe abre a mão direita e como um acordeão meus preservativos voam sobre a mesa. — Você se importaria de me explicar isso? Minhas chaves cavar minha mão quando eu tento manter minha raiva reprimida. — Você mexeu no meu quarto? — Nós somos seus pais. Nós temos o direito . Eu levanto enquanto papai pacientemente me olha do outro lado da sala. Pânico combinado com náuseas e adrenalina passam por mim, mas que me fodam se eu demonstrar em meu rosto. Quanto eles mexeram? Eles encontraram a minha placa de campeão do desafio de escrever? Será que eles mexeram em meu computador? Eles encontraram as minhas histórias? Isto é exatamente como eles trataram Mark quando ele veio pela primeira vez em casa depois da faculdade neste verão. Logo antes de ele lhes contar que era gay. — Eu as contei, — diz a mãe. — Está faltando uma. Eu nunca odiei minha mãe antes e, agora, eu faço. — O que você quer? — Quem é a garota? — Eu não vou dizer. — Não quando a mamãe vai degradar Beth como a garota com quem usei camisinha. Mamãe vai transformar algo que foi bonito e torcê-lo em algo sujo. — É uma garota? — Papai pergunta. Meu aperto no Gatorade intensifica. — O que está errado com você? Papai empurra para longe do batente da porta com os músculos tensos. Mamãe pula para fora de seu assento e entra diretamente no caminho entre papai e eu. — Nós ouvimos um boato ontem, quando fomos para o jantar. Eu sei que tem que ser falso, porque você nunca iria contra os nossos desejos. Eu teria discutido com você ontem, mas

394

394


Traduzido por Uly Santos

você estava fora. Eu fiz o que tinha que fazer para obter algumas respostas. — Você devia esperar por mim, mãe. Você não precisava mexer nas minhas coisas. — Você está namorando Beth Risk? — Ela exige. — Ou ela é a garota que você está experimentando? — Pergunta o papai. Mamãe gira. — Andrew! — Algumas garotas você namora. Outras você tem relações sexuais. Garotos fazem isso. — Estou ciente de seu comportamento na escola, — diz a mamãe. — Mas meu filho não vai dormir com uma garota e namorar outra em público. Gwen merece algo melhor do que isso. Eu merecia mais do que isso! — Pare com isso! — Estou cansado da briga. — Foi uma noite, Miriam! — Papai grita. — Há vinte e cinco anos atrás. Eu jogo o Gatorade no outro lado da sala. O Vidro estilhaça na cristaleira e mamãe põe as mãos sobre a cabeça. — Vocês estão ouvindo o que estão dizendo? Vocês se incomodaram mesmo em ouvir Mark? Vocês ainda me ouvem? Eu não estou namorando Gwen e deixe Beth fora disso! —Ryan! — Papai berra, mas mamãe coloca a mão para silenciá-lo. — Ryan, — diz ela lentamente. Sua mão joga com as pérolas no pescoço. — Beth Risk não é quem você pensa que é . Gwen ficou preocupada quando você continuou a sair com Beth na escola, mesmo depois de termos o proibido de vê-la , então ela foi para seus pais ... de novo. Amaldiçoou em voz baixa. Gwen nem sequer entende a destruição que

395

395


Traduzido por Uly Santos

ela criou. Mamãe continua: — Não fique com raiva de Gwen. Ela se preocupa com você e ela fez a coisa certa. Veja, seu pai sabe a verdade sobre Beth. Ela não se mudou para Nova York com Scott todos aqueles anos atrás . Seu pai foi preso e a mãe mudou-se com Beth para Louisville. A mãe de Gwen conhece a secretária assistente da velha escola de Beth em Louisville. » Eu sinto muito , Ryan , mas às vezes as crianças estão destinados a tornar-se seus próprios pais. Beth é uma usuária de drogas . Ela foi presa e sua reputação com os meninos em sua antiga escola... Eu não espero para ouvir mais nada. — Gwen sabe algo disso? Porque antes não sabia. De outra forma, teria me dito para tentar nos separar. —Sim. Estava presente quando seus pais nos contaram ontem. Com minhas chaves apertadas em minhas mãos, lhe dou as costas. — Ryan! — chama mamãe da cozinha. — Volte! É tarde demais. Corro até a garagem, ligo o Jeep, e arranco. Se Gwen sabe, então significa que dirá ao resto da escola.

396

396


Traduzido por Uly Santos

Beth Scott puxa para um local ao lado da entrada principal da escola e coloca o carro no estacionamento. Chegamos cedo. Nenhum de nós falou muito durante o café da manhã. Eu não comia. Nem ele. — Tem certeza que você quer ir hoje? — Ele pergunta pela décima vez. — Eu estou bem, se você ficar em casa. Allison e eu ouvimos você andando no andar de baixo, então eu sei que você não dormiu nas últimas noites. Ela está preocupada com você e eu também. Estou condenadamente demasiado cansada para rolar os olhos para a mentira de Allison estar preocupado comigo. Era suposto mamãe eu irmos embora hoje. Eu ia matar a escola e tomar um táxi até Louisville. Em seguida, mamãe e eu teria partido. Minhas entranhas se sentem atormentadas, golpeadas e feridas. Mais ou menos como se Trent tivesse aberto meus órgãos. A pior sensação é a tensão em meus pulmões, a sensação de afogamento. Toco a fita no meu pulso. — Não. Eu quero ir para a escola. — Eu preciso ver o Ryan. Ele disse que eu tinha raízes aqui. Eu preciso ouvi-lo dizer isso de novo. Eu preciso rir com Lacy. Eu quero sorrir quando Logan e Chris atirarem ovos um no outro. Eu quero ser aprovada no exame de anatomia em ciências. Eu quero saber que não estou cometendo o pior erro da minha vida, deixando minha mãe para trás. Minha mochila está assentada sobre o piso, e eu mantenho o meu livro de ciências sobre o meu peito. Eu sou boa em ciência. Muito boa. A minha professora gosta de mim. Em vez de gritar comigo quando eu acidentalmente amaldiçoou, dando uma resposta, ela ri e me da uma piscadela. Depois da aula ela

397

397


Traduzido por Uly Santos

me diz para cuidar da minha porra de linguagem. Eu ganhei um B no meu último relatório de progresso e na semana passada a minha professora disse que eu estou perto de um A. Eu, Beth Risk - eu poderia conseguir um A. — Eu nunca quis falar sobre o dinheiro. Eu balanço minha cabeça e Scott para de falar. Eu prefiro não pensar nisso. Ainda dói muito. Eu tento acabar com os pensamentos de mamãe e o dinheiro e como eu estou deixando -a para trás com Trent . Em vez disso, tento me concentrar em Lacy. Ela me chamou de sua melhor amiga e me pediu para passar a noite na próxima semana. Desde que saí de Groveton com a idade de oito anos, eu nunca tive uma festa do pijama com uma amiga. Ela disse que comeríamos glacê e assistiríamos filmes. Eu tenho uma melhor amiga que é uma garota. — Você não parece bem, menina. Eu bati em Trent sábado, o que significa que ele vai bater nela. Eu engasgo enquanto tento respirar. Como posso fazer isso? Eu não posso deixá-la para trás. — Mamãe me jurou que ela nunca mais usaria heroína. — Eu sinto muito. — diz ele de uma forma simples. Mais ou menos como quando uma criança descobre que Papai Noel ou o coelhinho da Páscoa não existe. Ele sente muito que a fantasia acabou, mas feliz que entrei na realidade. Mamãe não revida quando Trent bate nela. Eu deveria estar em Louisville. — Pai usou heroína. Vendeu-o também. Scott desliga o carro. — Eu não sabia. Estou deixando mamãe para trás, mas eu devo a ela. Ela nunca me deixou. — Ele não era mal quando se injetava. Ele dormia a maior parte do tempo. As agulhas me assustavam. Mamãe ficava muito nervosa, se eu chegasse muito perto delas. — O que aconteceu? Por que a mamãe não lhe disse? Ou Shirley? Por que eu tenho que fazer

398

398


Traduzido por Uly Santos

isso? — Meu pai não me quer. — Seu pai era jovem. Ele não sabia o que ele queria. Não tinha nada a ver com você. Verdade. Papai tinha dezessete anos quando eu nasci. Mamãe tinha quinze anos. Papai sabia que ele a queria. Ele a levou e me fez. Mas Scott está perdendo o ponto. — Ele me disse, ele mesmo , porque eu... cometi um erro. — Eu sou um erro. Scott olha para mim com aqueles olhos azuis que são muito mais suaves do que os de papai e muito mais cheio de vida do que os da mamãe. Eu não quero raiva e amargura nos meus. — Quando eu estava na terceira série, um cara veio para o trailer e no início estava tudo bem, mas depois ele e meu pai começaram a discutir. O cara chegou na parte de trás de sua calça jeans e puxou uma arma. —Um arrepio percorre meu corpo. Meus olhos se movem rapidamente. Vejo a minha mochila, o piso, o aparelho de som no carro, mas o meu corpo reage como se eu estivesse de volta no trailer. — Ele apontou para meu pai e quando meu pai riu ele apontou a arma para mim. Ele estava tão perto. Muito perto. Perto o suficiente, eu podia sentir o metal na minha testa. Mamãe gritou e urina quente escorria de minhas pernas para o chão. — Elisabeth. — Scott insiste em voz baixa. — Eles discutiram um pouco mais e ele armou o gatilho. — Ele fez um clique com o som, clitch assustador. Eu esfrego os arrepios formados em meus braços. Eu sabia que ia morrer e eu me lembro de orar a Deus para que ele não me fizesse mal. Mamãe gritava e gritava e gritava. — Pai jogou um saco de dinheiro para ele. Ele desengatilhou a arma e a abaixou. — Eu corri. Passando mamãe, que caiu no chão chorando.

399

399


Traduzido por Uly Santos

Passando por papai, amaldiçoando o homem. Passando o banheiro e indo para o quarto da mamãe e do papai. — Eu me escondi debaixo da cama e liguei para a polícia. Scott balança a cabeça enquanto olha para fora do para-brisa até a entrada da minha escola. — Quanta heroína tinha na casa? — Eu não sei. — sussurro. — Mamãe me encontrou no telefone e ela percebeu o que eu tinha feito.Papai ainda estava tentando jogar a heroína no vaso sanitário quando o pai de Lacy colocou as algemas em seu pulso. — Eles algemaram mamãe também e ela chorou tanto que seu corpo tremia. Enquanto eles revistaram a casa, mamãe e papai estavam de joelhos na sala de estar. — Elisabeth. — É uma suplica, mas eu não tenho certeza do que ele espera de mim. — Elisabeth está morta, Scott. Por favor, pare de me chamar assim. — Eu me lembro o olhar de meu pai quando o pai de Lacy me passou por eles . Eu morri com ele naquele momento. — Mamãe foi posta em liberdade condicional. Papai cumpriu seis meses. Depois que ele saiu, ele dirigiu até Louisville para me ver. Ele ficou de joelhos, me olhou nos olhos e me disse que eu era a pior coisa que já aconteceu com ele. Ele se colocou de pé. Diante de minha mãe e perguntou se ela estava indo com ele. Mãe decidiu ficar comigo. — E ele foi embora. E a mamãe não me deixou, porque ela me escolheu. Mesmo ela amando meu pai, ela ficou. Eu lhe devo. Scott liga o carro de volta. — Eu vou te levar para casa. — Não! — Eu preciso obter um A em ciências. Eu preciso ver o Ryan, ir para o seu jogo, e saber que estou tomando a decisão certa. Eu tenho uma vida aqui em Groveton e eu preciso estar bem com isso para deixar minha mãe ir. — Eu tenho um teste hoje, depois o jogo do Ryan após a escola. Deixe-me fazer isso.

400

400


Traduzido por Uly Santos

— Se é o que você quer, tudo bem. Mas iremos falando sobre isso quando chegar em casa . Casa. Eu não tenho ideia do que essa palavra realmente significa.

*** O sinal toca como eu escorrego para dentro do prédio e eu passo pelo corredor cheio de alunos. Minha própria pele se sente estranho no meu corpo. Quase como se ele fosse muito apertado e precisasse tirá-la. Durante anos eu me concentrei em matar aula e hoje eu lutei para ir à escola. O que há de errado comigo? Uma garota corre esbarra em meu ombro e ri no momento em que ela vê que ela com quem colidiu. — É ela. — sua amiga sussurra audivelmente. O cabelo na parte de trás do meu pescoço se eriça. Sou eu. O que significa isso? Eu continuo pelo corredor e um grupo de rapazes para de falar e me olham quando eu passo. Aperto o livro de ciência como um escudo. Eu nem sequer chamei tanta atenção no meu primeiro dia. Ao diabo com eles. Eu quero encontrar Ryan e ir para a aula de ciências. Ele venceu o concurso de escrita e ele tem seu último jogo esta tarde. Eu nem sequer o parabenizei corretamente. Dou a volta na esquina e paro no momento em que detecto uma multidão de pessoas perto do meu armário. Um garoto do último ano acena com a cabeça em minha direção. — Ela está aqui. Os sussurros e as risadas cessam e as pessoas abrem caminho mim e meu armário. O terror força toda a esperança para fora do meu corpo. Escrito em meu armário está as palavras que mais temo: Puta. Puta.

401

401


Traduzido por Uly Santos

Eu dormi com Ryan na sexta-feira à noite. Puta. Mas ele foi ao hospital no sábado. Ele mandou mensagens e ligou no domingo, mas eu estava exausta demais para ligar de volta. Ryan se importa. Puta. Eu giro sobre os calcanhares e tento escapar pelo corredor para longe de meu armário, longe dos sussurros e das risadas. Eu viro em um canto e bato em uma amiga de Gwen. — Bem, veja quem é Beth Risk. É verdade que você foi presa em Louisville? A única pessoa que sabia era Ryan. — Vá para o inferno. Seus amigos riem e ela sorri. — Gwen tentou avisá-la. Ryan e seus amigos levam seus desafios a sério. O que fez você pensar que era mais do que isso? Ryan me deu uma garrafa de chuva. Ele me disse que me amava. Ele não quis dizer às pessoas que dormimos juntos ou que eu estive presa em Louisville. Ele não iria me chamar de puta. — Eu não sou um desafio. — Sério? Então como é que os pais de Ryan não sabia que vocês estavam namorando? Na verdade, sua mãe disse à minha mãe que o proibiu de namorar você semanas atrás. O gelo chega direto em meu coração me deixando sem palavras e eu dou um passo para trás, mas não é o suficiente. Ela olha para seus amigos, em seguida, estreita os olhos para mim. — Você não só foi um desafio, mas como também era o pequeno segredo sujo de Ryan.

402

402


Traduzido por Uly Santos

Ryan Estaciono o jeep atrás do caminhão de Chris e salto para fora. Eu tenho que encontrar Beth e eu preciso encontrar Gwen. Eu vou entregar a Gwen o baile de boas vindas. Vou dizer a ela que Beth e eu vamos cair fora, enquanto Gwen guardar os segredos de Beth. Chris e Logan estão encostados na porta da bagageira e sorriem quando me notam. Hoje pode ser um pesadelo para Beth e eu vou precisar de sua ajuda. — Você viram a Beth? Ambos negam com a cabeça . — Você viu Lacy? — Pergunta Chris. — Ela deveria me encontrar aqui. Eu examino o estacionamento e vejo Lacy trancando as portas laterais . — Lá está ela. Chris se endireita quando ele a vê correr para nós. — Alguma coisa está errada. Ela ignora Chris, estende a mão, e me dá um tapa no rosto. A dor é uma porcaria, mas a pior parte são as lágrimas escorrendo pelo rosto de Lacy. — Como você pôde? — Ela sufoca. Lacy nunca me bateu antes. Ela nunca bateu em ninguém antes. Chris coloca-se entre mim e Lacy enquanto Logan grita com as pessoas que testemunharam o show para se manterem em movimento. — Lacy, mas que diabos? — Diz Chris. Lacy empurra Chris e os empurrões se transformam assustadoramente perto de golpes. — Que diabos? — ela grita. — O que diabos está errado com você? Você deveria ser seu amigo.

403

403


Traduzido por Uly Santos

Por trás dela, Logan puxa suas mãos para os lados. — Devagar, Lace. Diga-nos o que está errado. Lágrimas transbordam de seus olhos, enquanto ela me olha. — Você me prometeu que não iria machucá-la. Você prometeu que não era mais um desafio. Beth. Ela quer dizer Beth. — Ela não era. Quer dizer, ela era, mas você sabe que eu desisti. Ela sacode os braços para fora do alcance de Logan, mas ele fica perto, caso ela decida atacar novamente. — Todo mundo está dizendo que Chris e Logan o desafiou para dormir com ela. Eles disseram que você ganhou quando você levou Beth para a floresta durante a última festa de campo. Eles disseram que você dormiu com ela e que ela lhe contou sobre seu passado. Todo mundo sabe o que aconteceu com ela em Louisville. Todo mundo sabe. Gwen. Eu bato meu punho para o lado do caminhão de Chris. —Você já viu Beth? Lacy balança a cabeça. — Diga- me você não fez. Por favor. Chris, hesitante toca seu rosto. — Não, querida. O desafio terminou na noite que Ryan se apaixonou por ela. Ela limpa as lágrimas do rosto. — Alguém escreveu puta em seu armário. Logan corre as duas mãos sobre o rosto, enquanto Chris amaldiçoa. O pesadelo já começou.

*** Eu procuro Beth pelos corredores e venho de mãos vazias. O primeiro aviso de campainha toca e do lado oposto do corredor Lacy balança a cabeça. Droga. Eles não podem encontrá-la também. Logan bate no meu ombro. — Ela acabou de entrar na sala de aula.

404

404


Traduzido por Uly Santos

Finalmente. Eu disparo pelo corredor e entro na sala de aula direto quando a campainha toca atrasada. Lacy, Chris, e Logan trilham atrás de mim. Chris bate nas minhas costas e os três nos dirigimos para nossos lugares. Alguém sussurra e ri enquanto todo mundo me olha. Eu estudo Beth. Ela recuperou o lugar no canto da sala, em vez do que havia tomado ao meu lado há semanas. Assim como o primeiro dia de escola, o cabelo de Beth esconde seu rosto e ela faz rabiscos em seu caderno. Minha fita já não enfeita seu pulso. Um adulto que não conheço limpa a garganta. Devemos ter um substituto hoje. — Você se importa de tomar o seu lugar? Beth olha para mim, em seguida olha para baixo. É como se eu tivesse engolido facas. Ela ouviu os rumores e ela acredita neles. Perfeição. É o que todos esperam de mim. Tomar o meu lugar. Fazer o meu trabalho. Ir para o treino. Jogar bola. Mantenha tudo engarrafado e deixe seu interior apodrecer enquanto por fora pareça perfeito. — Beth. Ela mantém a cabeça baixa e o substituto aparece em minha linha de visão. — Ou encontrar um lugar ou vai para a detenção, esta tarde. — Ryan. — diz Chris. — O jogo. O jogo contra o Northside. Prometi a Chris que não iria perder mais um jogo e a detenção iria me impedir de manter essa promessa. Relutantemente, eu tomo o meu lugar e viro para olhar para Beth, desejando que ela olhe para mim. — Nós vamos pegá-la depois da aula. — Chris sussurra para mim do

405

405


Traduzido por Uly Santos

outro lado do corredor.

*** A campainha toca e é uma corrida de quem pode sair de seu assento mais rápido. Beth é a primeira a chegar na porta seu tamanho faz com que seja possível para ela se abaixar e tecer através da massa de corpos que se aglomeram no corredor. Minha próxima aula é na direção oposta de onde ela está indo, mas eu não me importo. Ela corre para o corredor de história e eu agarro seu braço antes que ela entre na segurança da sala de aula. Eu me inclino e olho diretamente em seus olhos. — Você sabe que eu te amo. Seus olhos procuram meu rosto e ela parece quebrada como ela estava há dois dias no hospital. — Você fodeu comigo para ganhar um desafio? Eu luto contra os desejo de sacudi-la. — Eu não fodi com você, eu fiz amor com você. Não faça isso, Beth. Não transforme o que foi belo entre nós e em algo feio. Água enche seus olhos e meu coração fica em milhões de pedaços. Beth não é uma chorona e eu a estou fazendo chorar. Eu pensei que fazer amor com ela ia provar o quanto eu a amava. Provar que podia confiar em mim, e isso é o que está me matando saber que o ato pode ser o que está nos destruindo. — Eu lhe dei minha palavra de que o desafio havia terminado. Quando foi que eu menti para você? — Sobre os degraus da frente da casa de Scott que você me prometeu que eu não seria um segredo. Estou aqui quebrando as regras de DPA*, segurando-a perto de mim. Como ela pode acreditar que eu menti? *Demonstração pública de afeto

406

406


Traduzido por Uly Santos

— Eu disse a todos na escola. Eu te trouxe para os jogos. Eu te levei as festas. — Diga-me que você disse aos seus pais. Diga-me que, quando seus pais te confrontam sobre nós, você disse que somos um casal. Meu aperto se solta e ela empurra meu braço pra longe. Como ela poderia saber isso? Sobre o ombro de Beth vejo uma mancha, Gwen se escondendo no final do corredor. Ela olha para mim, logo em seguida desvia o olhar dela. Droga. Beth amassa os olhos com as mãos. — Eu me apaixonei pelo atleta novamente. A pior parte é que eu lhe disse como jogar comigo. Convença-me que você me ama e eu vou cair na sua cama. Estou tão fodidamente estúpida. O aviso da campainha toca e vejo em choque enquanto Beth se transforma. Não. Ela não pode acreditar nisso. — Eu te amo. Beth faz uma pausa no batente da porta e oro para que ela vá dizer que acredita em mim. — Não, você não ama. Você não quer se sentir mal por ganhar o desafio. Ela anda em direção à aula e a campainha dos atrasados toca. O segundo professor do período de Beth me avalia. — Vá para a aula. — E então fecha a porta na minha cara. Sentindo-me entorpecido, eu viro na direção da minha próxima aula. Eu fiz amor com Beth e a perdi. Eu engulo enquanto meus olhos ardem. Era muito cedo. Ela não confia em mim o suficiente. O que fizemos juntos foi muito, muito rápido. Eu corro a mão sobre minha cabeça e tento compreender como tudo explodiu para fora de controle. — Ryan! — Chama Gwen atrás de mim. — Ryan! Por favor, espere! Raiva brota em minhas veias enquanto eu giro em sua direção e a enfrento. — Você está finalmente feliz, Gwen ? Parabéns, você conseguiu o baile de boas vindas. Espero que valha a pena. Seus olhos se arregalam e ela recua. — Eu não fiz isso pelo baile de boas

407

407


Traduzido por Uly Santos

vindas. — Então, por quê? Por que você iria me machucar desse jeito? Ela pisca. — Machucar você? Eu não disse nada sobre você. — Se você machuca Beth, você me machuca. Eu a amo. O rosto de Gwen empalidece. — Você só pensa que a ama. Eu só... Eu só disse a algumas pessoas. Apenas o suficiente para que as palavra chegassem a você, porque eu sabia que você não iria me ouvir . Eu não sabia que eles iam chamá-la de puta. Eu não sabia sobre o armário. Eu juro, Ryan. Eu me sinto horrível. Eu faço. Eu não tinha ideia que cairiam tão baixo. Quando eu ângulo meu corpo longe dela, ela tenta chegar até mim. — Por favor, você tem que acreditar em mim. Ryan... Eu saio de seu alcance e seus dedos pairam no ar por um segundo antes de cair para o lado dela. — Ela é toda errada para você. Eu pensei que se você ouvisse, talvez de outras pessoas, você veria o que ela realmente é e então você... Náuseas rastejam até minha garganta. — O quê? O que você achou que eu ia fazer? Lágrimas se reúnem em seus olhos e ela dá de ombros. — Voltar pra mim. Eu estalo meu pescoço, tentando aliviar a tensão, mas parece que isso não fez nada para ajudar. — Nós terminamos muito antes de Beth vir para esta escola. Se você não consegue entender isso, tente isto: Eu a amo, Gwen. Eu a amo. Eu viro as costas e sigo em direção a minha próxima aula. Esta escola não é tão grande e, por causa disso, Beth não será capaz de se esconder de mim por muito tempo.

408

408


Traduzido por Uly Santos

Beth Eu sabia essa matéria semana passada. Eu sei que sim. Estudei todas as noites e Scott me interrogou quase todas as manhãs. Mas eu estou desenhando espaços em branco. As palavras misturam enquanto eu as leio, o que significa que o meu papel está em branco. A campainha toca. — Por favor, tragam seus testes para mim. — diz a Sra. Hayes. A mão segurando meu lápis sua. Eu escrevi o meu nome. É isso aí. Minha cabeça cai para frente. Eu falhei. Mais uma vez. Isto é o que eu estava destinada a ser. — Beth. — diz a Sra. Hayes. Ela caminha de volta para o meu lugar depois de todos entregaram os seus testes e se foram. — Você está bem? — Não. — Eu sou uma puta e sou estúpida. Eu pego minha mochila e deixo o teste em branco na minha mesa. — Eu não estou bem. Eu saio da classe. Groveton é um erro. Eu sou um erro. Ryan mentiu para mim. Ele me usou. Eu era um desafio . Eu não sou nada mais do que uma puta estúpida que comete erro após erro após erro. Assim como a minha mãe. As pessoas riem quando eu passo. Eles estão me julgando e seus julgamentos são uma marca. Eu não pertenço aqui. Eu nunca pertenci. Eu não posso ir almoçar e não posso lidar com o pensamento do ginásio. Eu não quero ouvir Ryan mentir para que ele possa se sentir melhor, a risada de Gwen, porque eu sou o lixo que ela quer que eu seja, ou para os pedidos de Lacy para falar com ela. Ryan rodeia o canto e eu fujo pelo corredor onde eu vi Isaiah no meu primeiro dia de escola. Deus, eu fodi tudo. Eu perdi o meu melhor amigo, porque eu me apaixonei por um atleta estúpido que não me

409

409


Traduzido por Uly Santos

amava. Entrelaço meus dedos no meu cabelo e puxo com força para causar dor. Estúpida, estúpida, estúpida. Por que eu não podia fazer uma coisa certa na minha vida? Se eu tivesse ido embora com a minha mãe semanas atrás, nada disso teria acontecido. Eu paro de respirar. Eu ainda posso ir. Arrumei o meu dinheiro restante e uma muda de roupa na minha bolsa na semana passada. A mochila pesa sobre mim. Os livros eu posso largar no meu armário. Os outros itens que eu guardei como lembranças também podem ser deixados, mas não aqui. Eu sei exatamente onde eu posso descarregálos no meu caminho para fora da cidade.

410

410


Traduzido por Uly Santos

Ryan SMACK. A bola colide com a minha luva. A parte baixa do sexto e o jogo está empatado. Eu mexo os dedos de minha mão de arremesso para mantê-los quente por causa do frio. Final de outubro e é o dia mais frio do ano. Jogos com o clima frio traz estranhas sensações. O vento queima minhas bochechas e os dedos, mas o suor se forma pelo calor preso sob a gola falsa do meu uniforme. — Vamos, Ryan! — Papai grita das arquibancadas. Interpretando a esposa e mãe perfeita, mamãe fica bem ao lado dele com um cobertor de lã que cobre as pernas. Meus olhos varrem as arquibancadas novamente. Beth não está aqui e ela não vai estar. Um apito estridente se origina do home plate. O novo batedor está tomando seu tempo para o terceiro passo em que eu assumo que é uma tentativa de me paralisar. Logan dá passos para a esquerda da caixa do batedor e faz movimentos para eu lance. Ele me quer em movimento para que meus músculos fiquem quentes. Estou distraído e lancei o jogo mais porcaria da minha vida. Meu braço se move para trás, lança, e eu amaldiçoou quando a bola voa dois pés à esquerda da luva de Logan. Logan puxa a máscara do apanhador para o topo da sua cabeça e caminha em direção ao monte. — Nós vamos encontrá-la. — diz Chris quando se aproxima de mim a direita. — Lacy já está procurando para ela e depois do jogo eu, você, e Logan vamos fazer o que tiver que fazer para ela ouvir. Beth pulou aulas. Eu deveria ter ido atrás dela, em seguida, mas o

411

411


Traduzido por Uly Santos

treinador teria me impedido de jogar. — Não consigo me concentrar. — Sim, você consegue, — diz Chris — Você tem água gelada em suas veias quando você lança. Vá para aquele lugar e você vai ficar bem. Como explicar que nunca tive água gelada nas veias quando eu lanço? Que existe uma pressão que queima constantemente e ameaça destruir meu lançamento, mesmo quando não estou distraído. — Seu lançamento, — Começa Logan quando chega no monte — está em toda parte. Controle-o e você vai chegar a ela mais rápido. Ele está certo. Eu vou. Chris amaldiçoa baixinho e eu sigo seu olhar inquieto até a cerca da primeira base. Lacy está no lado oposto com a mochila de Beth em seu ombro. Logan atravessa minha visão. — Um lançamento. Mais um lançamento. — Temos outro turno. — Chris protesta. Logan lança-lhe um olhar. — Um lançamento. Eles retornam a seus lugares e rebatedor enterra suas chuteiras na areia. Esse é para Beth. Logan faz dois sinais de paz seguidos. Aceno com a cabeça, olho por cima do meu ombro esquerdo, e percebo uma sombra em movimento. Cruzando o meu braço direito sobre minha esquerda, eu jogo a bola para a primeira base, e ouço as doces palavras saírem da boca do arbitro: — Fora. A multidão aplaude e eu corro para fora do campo, até o dogout, e saio pelo outro lado. Os olhos de Lacy estão arregalados com pânico e ela estende a mochila de Beth para mim. — Eu não sei o que isso significa. Abro a mochila enquanto Lacy continua falando. — Fui até sua casa, mas não tinha ninguém. Depois dirigir ao redor da cidade e não consegui nada. Então fui pra casa, na esperança que talvez tivesse ligado para o telefone fixo e encontrei isso.

412

412


Traduzido por Uly Santos

A pressão que sempre me ameaça explode e eu lanço a mochila no chão. Minha mão garra a garrafa de água da chuva com as fitas amarradas a ela. Eu sugo uma respiração antes de desenrolar a nota dobrada entre as fitas: Eu pensei que poderia, mas não posso. Droga. A mãe dela. Ela foi atrás da mãe, e Beth teve tempo suficiente para encontrar um caminho para Louisville. Corro de volta para o banco de reservas e pego minha bolsa morcego. — Ryan? — O treinador me chama do outro lado do banco. — Eu sinto muito. Eu tenho uma emergência. Coloque Will em meu lugar. Eu deslizo a garrafa de água na minha bolsa e a jogo por cima do meu ombro. Chris envolve uma mão sólida em torno de meu braço. —Aonde você vai? Temos mais um turno e o jogo está empatado. Will não pode controlar esses batedores como você. — Beth fugiu. Se eu não impedi-la, vou perdê-la. Chris põe mais força em seu aperto. — Você me prometeu que nunca mais sairia de um jogo. A água gelada pela qual Chris orou finalmente entra em minhas veias.—Deixe-me ir antes que eu fisicamente remova sua mão do meu braço. — Você está escolhendo ela ao invés de nós? Logan se angula entre mim e Chris. — Deixe-o ir, Chris. Ele nunca te incomodaria se você escolhesse Lacy ao invés de um jogo. — Isso é diferente, — grita Chris — Eu amo Lacy. — Dê uma olhada para ele. Logan faz gestos para mim. — Ele é apaixonado por Beth. Você e Lacy não são os donos da emoção. Chris me olha e eu vejo a guerra dentro dele. Ele arranca o chapéu da cabeça e se vira. Eu o estou decepcionando, mas decepcionei Beth primeiro. Logan acena para mim e lhe dou um rápido aceno de

413

413


Traduzido por Uly Santos

agradecimento de volta. A multidão explode em uma conversa enquanto eu saio do banco. Eu mantenho a minha cabeça para baixo e ignoro como as pessoas olham e até mesmo o gritam ocasionalmente. Perfeito Stone está fazendo uma coisa muito imperfeita e eu não dou uma merda para o que os outros pensam a respeito. Ouço passos altos batendo no piso das arquibancadas metálicas. Se eu tiver sorte, posso escapar até o meu jipe antes que papai chegue ao estacionamento. Mas como no resto do dia, eu não tenho sorte. — Ryan! Não tenho tempo para isto. Abro a porta do Jeep e lanço minha bolsa na parte de atrás. Papai agarra a porta. — O que você está fazendo?Você vai ficar para o outro turno o jogo está empatado. —Beth está em problemas e vou ir atrás dela. — Não, não vai. Vai terminar esse jogo. — O rosto de papai fica vermelho e ele coloca suas mãos no quadril. Em vinte e cinco anos serei seu clone se continuar no meu caminho atual. Em toda a minha vida não desejei nada mais do que ser ele. É incrível como a vida muda. — Se eu não for atrás dela ela vai partir. — Deixe que ela vá. Ela precisa ir. Desde que entrou em sua vida você perdeu a concentração de tudo o que é importante. Está decepcionando sua equipe, Ryan. Está destruindo sua carreira solo. Tudo pelo que trabalhei tão duro! Uma estranha mescla de gelo e fogo luta em minhas veias enquanto me aproximo e fico frente a frente com meu pai. — Você não trabalhou duro para isso! Eu trabalhei. Esta é minha vida. Não a sua. Se quero jogar beisebol, jogarei. Se quero ir pra Universidade, irei. Se quero falar com meu irmão, falarei. Se quero ir atrás Beth, isso farei. Você não irá decidir por mim nunca mais.

414

414


Traduzido por Uly Santos

Saliva voa fora de sua boca enquanto grita pra mim: — Vai destruir sua vida por uma vida com uma drogada? Poder sobe através de mim e meu punho acerta seu rosto. Adrenalina sacode meu corpo e observo enquanto meu pai cambaleia para trás. — Nunca mais volte a chama-la assim. Salto para dentro do Jeep, ligo o motor e piso no acelerador. Eu não perco e não vou perdê-la.

415

415


Traduzido por Uly Santos

Beth Eu esfrego minhas mãos e as sopros, por possivelmente pela trigésima vez . Escondida em um beco atrás do bar, eu olho para o apartamento de mamãe. Trent entrou logo depois que eu cheguei e ele esteve lá por três horas. Eu não tenho escolha a não ser esperar. Ele vai me matar se ele me vir outra vez. A porta do apartamento se abre e o idiota careca finalmente tropeça para fora. Fodidamente fabuloso. Ele está tweaking*, o que significa que ele vai estar em um estado de humor horrível. Vou levar um usuário de heroína pesado sobre um tweaker* qualquer dia. Descansando seu peso contra a porta do carro, Trent se atrapalha com suas chaves, e as deixa cair, em seguida mergulha para baixo para pegá-las de volta. Sim, idiota, você pertence a um volante. Espero que você dirija até uma parede e morra. Seu carro não pega imediatamente. O motor geme quando ele o liga mais duas vezes. Vamos. Na terceira vez que o motor geme a vida. O carro treme quando ele da a ré e segue para a estrada principal. Corro em frente ao estacionamento e bato na porta da minha mãe que eu tento abri-la com a maçaneta. Não consigo, mas eu ouço mamãe desfazer as correntes do outro lado. Ela abre a porta e vacila quando me vê. — Elisabeth. Eu empurro pra dentro — Você já fez as malas? — Não, — diz ela. — Eu não tenho certeza de que devemos fazer isso. *tweaking - Pessoa que está em um estado de psicose induzida por substâncias que vão de paranóia tóxica da cocaína, a demência causada por inalantes, e transtorno amnésico causado pelo álcool . *tweaker- É o nome dado para um usuario de metanfetamina.

416

416


Traduzido por Uly Santos

Deus, esse cara é um pateta. Suas roupas estão em toda parte e assim estão os pequenos pacotes vazios que possuem sua metanfetamina. Eu pego um saco de lixo e sigo para o banheiro. — Do que você precisa? Ela me segue e esfrega seu braço nu. Lembro-me de meu pai fazer isso. Isso significa que ela está desejando a droga. A abstinência com ela vai ser uma merda. — Trent cuidou de mim depois que eu vim para casa do hospital. Ele diz que está arrependido pela forma como ele me trata e quer começar de novo. — Trent está cheia de merda. — Eu colo no saco sua escova de dentes, escova de cabelo, em seguida, faço uma pausa quando vejo uma pequena bolsa marrom atrás dos tampões da mamãe . — O que é isso? — Eu não sei. — Sua mão se move para cima e para baixo em seu braço novamente. — Shirley colocou ai quando ela me trouxe para casa. Eu arrebato o saco. — Eu pensei que você tinha dito que Trent cuidou de você quando chegou em casa. — Eu quis dizer que ele veio aqui esta manhã. Dentro da bolsa marrom estão um rolo de notas de cinquenta e um frasco da prescrição do medicamento necessário para ajudar a mamãe a se desintoxicar da heroína. Obrigado, Shirley . Eu tento não pensar sobre o que ela vendeu ou o que ela fez para conseguir o dinheiro. Está aqui e eu preciso dele e isso é bom o suficiente para o momento. Eu jogo tudo no saco de lixo e vou para seu quarto. As colheitas são escassas no departamento de roupas e eu atiro as roupas menos manchadas e rasgadas dentro do saco. — Elisabeth, — diz mãe em um gemido — Talvez a gente deva adiar por um dia ou dois. — Nós não estamos adiando por um dia ou dois, vamos embora. Onde

417

417


Traduzido por Uly Santos

estão as chaves do carro? — Eu... não...sei. — O que significa que ela sabe. Eu balanço o saco cheio de coisas e bato suas garrafas de bebidas alcoólicas para fora da mesa de cabeceira. O vidro estilhaça contra a parede. — Isso é o que Trent vai fazer com a sua cabeça um dia destes. Vamos sair daqui! Frustrada, eu espreito para fora da sala e olho rapidamente para o quarto de hóspedes. A porta está aberta e mais uma vez e eu congelo. — Você tem que estar brincando comigo. Eu descanso minha cabeça contra o marco da porta muito tonta com a decepção para conseguir ficar de pé por conta própria. Em uma mesa de café antiga que encontrei perto de uma lixeira um par de anos atrás, estão vários sacos de pó branco. Saquinhos e balões menores estavam no chão. Eu mal posso sussurrar as palavras. — Você está vendendo heroína. Mamãe me empurra para fora do caminho e fecha a porta. — Não. Trent está. Eu costumava deixá-lo mantê-lo aqui durante a noite, às vezes, mas depois da noite em que você quebrou as janelas, a polícia começou a se meter com ele, assim ele a trouxe e deixou aqui de vez. Era o mínimo que eu poderia fazer. Meus dedos abrem e fecham. — Você quebrou as janelas do carro de Trent. Tomei a culpa para que não a mandassem para a prisão. — Finja que você não viu, Elisabeth. Trent vai ficar louco por você saber. Ele acha que você o denunciou à polícia. — O que diabos está errado com você? — Eu grito na cara dela. — Você não se lembra do resultado de nossa última experiência com heroína? Formando uma arma com os dedos, aponto para a minha testa. — Ele ia me matar, mãe. Eu tinha oito anos! Ele apontou a arma contra a

418

418


Traduzido por Uly Santos

minha cabeça e armou o maldito gatilho. Mamãe sacode a cabeça muito rapidamente e não para. —Não, ele não teria. Seu pai disse que ele estava apenas tentando nos assustar. Seu pai disse que você estava segura o tempo todo. Ele jurou. Como ela pode mentir para si mesma com tanta facilidade? Como ela pode continuar a ser afastar da verdade de novo e de novo? Então mamãe esfrega seu braço. Eu tropeço para trás e bato na parede. Deus, eu não sou diferente. Todos os sinais de um usuário de heroína estavam lá, por semanas, se não mais, e eu ignorei cada um. Mas eu não estou ignorando a verdade, não mais. Eu vou para a sala e começo a jogar o lixo para fora do balcão da cozinha para encontrar as chaves. Eu vou arrastá-la para fora pelos cabelos, se for preciso. A maçaneta da porta da frente se vira e meu coração aperta e cai. Eu demorei tempo demais e Trent vai me matar.

419

419


Traduzido por Uly Santos

Ryan Beth pisca rapidamente quando eu entro. De pé em uma pequena cozinha, ela segura um saco de lixo. Eu nunca estive tão aliviado de ver alguém na minha vida. E também nunca desejei tanto sacudir alguém. — Indo para algum lugar? — Concentro-me em permanecer calmo. Beth não reage bem a ameaças ou a raiva ou a qualquer um que entre em seu caminho. Beth vira as costas para mim e joga papéis e lixo no chão. — Saia. — Por mim tudo bem. Vamos. Nós viemos em Louisville duas vezes para jantar e ainda temos que ter esse encontro. Beth sai da cozinha e vasculha uma mesa de jogo. Suas mãos tremem e seu rosto está muito pálido contra seu cabelo preto. — Eu não estou jogando, Ryan. Mamãe e eu estamos indo embora hoje. Esse tem sido o plano o tempo todo, lembra-se? — Era — Meus olhos se movem ao redor da sala confinada tentando identificar a ameaça que aterroriza Beth. Adrenalina corre em minha corrente sanguínea, me preparando para o ataque invisível. — Mas você mudou de ideia no sábado. Uma mulher entra na sala de estar. Bastante magra. Cabelos loiros fibrosos. É a primeira vez que vejo a mãe de Beth de perto. — Quem é você? — Ela pergunta. Eu me forço a olhar em seus olhos planos. Eles são da mesma cor que os de Beth, mas sem o brilho. — Eu sou o namorado de Beth, Ryan. Seus lábios se esforçam em um sorriso fraco. — Você tem um namorado, Elisabeth?

420

420


Traduzido por Uly Santos

Beth joga uma garrafa de plástico de dois litros vazia no chão. — Exnamorado. Ele fodeu comigo e então contou a sua mãe e seu pai, que me odiava. Onde estão as malditas chaves, mãe? Minha calma se rompe. — Eu nunca faria isso com você. Se você me der uma chance eu vou explicar sobre os meus pais. — Mãe! — Beth grita e sua mãe se encolhe. — As chaves. Agora! —Ok. — ela diz e caminhando pelo corredor. Beth gira e suas narinas se abrem. — Saia, Ryan! — Não sem você. Seus punhos enrolam e ela bate a perna junto com as palavras —Minha. Mãe. É. Uma. Alcoólatra. E uma viciada em heroína. O passatempo favorito de seu namorado é bater a merda fora de mim e se eu não estou por perto ele não tem nenhum problema, em descontar toda sua raiva sobre minha mãe. Tenho talvez minutos para tirá-la daqui antes que ele volte e mate a todos nós. Uma estranha calma cursa através de mim. Ninguém machuca minha garota. — Ele bate em você? — Sim, Ryan. Ele me bate e me chuta e me dá tapas. Eu sou o seu próprio videogame violento pessoal. Se eu não tirar a minha mãe daqui que ele vai matá-la e se ele não o fizer, então a heroína vai. Cada palavra que Beth diz é provavelmente verdade, mas eu não me importo com sua mãe. Beth é a minha única preocupação. — O que vai acontecer com você se eu deixar você sair por esta porta com a sua mãe? Você honestamente acha que ficar em um carro e dirigir para uma cidade diferente vão melhorar as coisas?

421

421


Traduzido por Uly Santos

Beth — Sim. — eu automaticamente respondo, mas uma voz no fundo da minha cabeça grita não. — Tem que ser. Olhando para fora do lugar em seu uniforme de beisebol, Ryan ocupa quase toda a sala de estar graças ao seu grande corpo. — Sabe o que eu acho? — Eu acho que você mentiu para mim. — Ele mentiu e eu tento desesperadamente me agarrar a isso. — Eu estraguei tudo. Eu não sou perfeito. Eu menti para meus pais sobre nós, mas já sabem que eu saia com você. Eles sabem que eu te amo. São as palavras certas, mas... — Agora é muito tarde. — Besteira! — Ira queima para fora de seus olhos. — Durante meses, eu pensei que você fosse a pessoa mais corajosa que conhecia. Você nunca se desculpou por ser você mesma, mas aqui agora, percebo que você é uma covarde. Você está tão aterrorizada de sentir alguma coisa que você prefere desistir de tudo que é bom em Groveton , a fim de se sentir segura. Minha cabeça sacode para o lado e meus olhos se estreitam. — Segura ? Estou aqui em uma porra de um antro de drogas tentando salvar minha mãe de um namorado que vai estar feliz em me matar, para então depois tortura-la. Não há nada seguro sobre isso. — Este é o seu seguro. Você iria lutar nesta vida, em vez de viver em Groveton. — Ele olha para a miséria do apartamento. — Você tem sentimentos em Groveton. Nesta vida, você não tem que se sentir e isso faz de você um covarde. Eu deixo cair o saco da minha mão e levo minha mão tremula a testa. Ele está errado. Ele tem que estar. Não é por isso que eu estou correndo.

422

422


Traduzido por Uly Santos

Preciso salvar minha mãe, porque se eu não o fizer quem o fará? Ryan fecha a distância entre nós. Meu coração gagueja quando ele coloca a mão em minha cintura. — Gostaria de poder dizer que eu sou o único que a levou para longe, mas não foi. Não tenho esse poder. Você está correndo desde o momento em que te conheci e aposto que você estava correndo antes disso. Você é muito parecida com aquele pássaro no celeiro. Você está com tanto medo de ser enjaulada para sempre que você não pode ver a saída. Você bate contra a parede de novo e de novo e de novo. A porta está aberta, Beth. Pare de correr em círculos e saia. Sua outra mão escova o cabelo do meu rosto e meu lábio inferior começa a tremer. —Se eu a deixar ela vai morrer. — Meu intestino torce e os meus olhos ardem. Ele acaricia meu rosto com as mãos e eu me inclino ao seu toque. Ryan pode me fazer isso sempre, me fazer sentir segura. E continua: — Se você ficar isso vai matá-la. Fisicamente talvez não, mas você vai morrer no interior. Se você não me quer, eu vou dar-lhe o seu espaço, mas você construiu muito mais em Groveton além de mim. Desista de nós se necessário, mas não desista de você. O instinto é fugir. Em vez disso, me agarro em seus braços. Meu aperto está cheio de medo e não gosto de como isso faz eu me sentir nua. — Eu estou com medo. Ryan abaixa a testa na minha. — Eu também, mas eu vou ter menos medo quando sairmos daqui. A porta da frente se abre. A luz do sol brilhante, brilha através da porta e uma rajada de ar frio anuncia a entrada do diabo. A figura enorme de Trent espreita para a sala. Perco o controle do meu corpo, eu sinto minhas mãos caírem ao meu lado enquanto meu coração pula para minha garganta. Ryan põe seu

423

423


Traduzido por Uly Santos

corpo na frente do meu. Trent bate a porta atrás dele e ri quando me vê. Seus olhos se movem para o saco em meus pés. —Você deveria ter ficado longe. Atrás de mim, eu ouço os suaves passos de minha mãe. — Elisabeth estava de saída. Estimulando-me em direção a porta, Ryan aperta a mão nas minhas costas. Minha mente grita corre. Meus pés parecem de cimento no chão. Não importa se eu me mover ou não. Trent não me deixará sair por aquela porta de novo. — Vamos Ryan, vá. — Eu digo isso como um apelo e Trent abre um sorriso. É a primeira vez que lhe peço algo e ao bastardo desfruta. Trent abre uma caixa de cigarros, coloca um em sua boca, e o acende. Ele suga uma longa tragada e sopra a fumaça enquanto olha para mim. Eu tremo enquanto observo as cinzas incandescentes. Na última vez, Trent desfrutou de me ouvir gritar enquanto ele queimava buracos em meus braços. —Vá em frente, rapaz. Saia. Meu problema não é com você. — Não sem Beth. — A ira treme a voz de Ryan. Eu amo Ryan apesar de tudo, e se não fosse por mim, ele não estaria aqui. Empurrando as mãos contra o peito dele, eu o empurro pra longe. — Vá! Ryan enfrenta Trent e Trent faz o mesmo com ele. — Saia pela porta, Beth, — diz Ryan — Ele não vai tocar em você. Trent ri. Ryan é robusto, forte e jovem. Trent é maior, mais velho, e um bastardo. No ano passado, Isaiah e Noah o enfrentaram e os dois só sobreviveram porque meu tio ameaçou Trent com uma arma. Meu tio não está aqui e eu não tenho a sorte de possuir uma arma. Ryan me empurra até a porta. Seus olhos nunca deixam Trent. —Vamos.

424

424


Traduzido por Uly Santos

Meu pulso bate em meus ouvidos. Talvez a gente possa sair. — Mãe? — Não se atreva a se mover, Sky. — diz Trent. Eu estendo minha mão para ela. — Venha com a gente. Ryan grita meu nome quando os braços voam na minha frente. Dor corta minha cabeça. O chão corre em direção ao meu rosto. Uma combinação de escuridão e luz pisca por trás de minhas pálpebras fechadas. Os ruídos se fundem em zumbido alto enquanto um líquido quente escorre de cima da minha sobrancelha até a ponta do meu nariz. Eu lambo meus lábios e estremeço com o gosto salgado de sangue. Minhas pálpebras vibram e eu luto para mantê-las abertas . A sala se desloca e gira. Forçando os olhos a se concentrar, eu vejo os destroços do candeeiro de mesa da minha mãe no chão ao meu lado. O zumbido desaparece e eu viro minha cabeça ao som de uma luta e grunhidos. Ryan empurra Trent para a porta da frente, atacando-o na cintura. Trent responde rapidamente acertando Ryan no estômago. A cerâmica corta minha mão enquanto eu rastejo em direção a eles. — Parem. — Minha voz sai suave e rouca. Ryan tropeça, mas é capaz de bloquear um golpe, então consegue um segundo socando Trent na mandíbula. Eu forço pressão sobre as minhas pernas para que eu possa ficar de pé, mas eu caio. Sentada em posição fetal, do outro lado da sala, mamãe balança pra frente e pra trás no chão. Eu engulo e forço as palavras da minha garganta em carne viva. — Ajude Ryan, mãe. — Eu não posso. — Ele vai nos matar! Mamãe abaixa a cabeça até os joelhos e continua a balançando.

425

425


Traduzido por Uly Santos

— Mãe! — Eu grito. — Por favor! Mãe cantarola alto e meu coração se rompe . Ela nunca vai mudar. Não importa o que eu faça. Não importa o quanto eu tente. Minha mãe sempre será esse desperdício patético pobre de vida. Eu não vou ser ela. Eu não posso. Eu me agarro a uma cadeira virada e forço meus pés. Trent aborda Ryan e ambos caem no chão. — Deixa ele em paz! Trent fica de joelhos, e soca Ryan no rosto e Ryan cai mais uma vez. Choro lágrimas de pânico. Ele vai matar Ryan na minha frente. O filho da puta vai tirar tudo que eu amo. Eu me lanço até ele e esbofeteio, bato e arranho. Ele pega meu pulso e o gira de uma forma que não é fisicamente possível. O osso do meu braço estala e quebra. Um grito se desgarra pelo meu corpo quando a dor chega até mim. Ele me solta e eu caio de joelhos em agonia. Meu grito se converte em silencio quando Trent aperta os dedos ao redor do meu pescoço. Eu sugo e aspiro ar. Mas nada acontece. Pensamentos passam pela minha cabeça em um ritmo frenético. Eu preciso de ar. Ele vai me matar. Minhas mãos vão para os dedos que esmagam minha garganta, mas eu não posso tira-los. Ele é mais forte e poderoso do que eu, ele vai ganhar. Trent se sacode e seus dedos afrouxam. Ryan detém Trent em uma chave de braço enquanto eu entro em colapso no chão e puxo ar para meus pulmões em chamas. Minhas mãos vibram perto do meu pescoço e cobrem onde seus dedos marcaram a minha pele. — Bebê! — A mão da mamãe se junta a minha em minha garganta. — Você está bem?

426

426


Traduzido por Uly Santos

Aturdida, aceno. Mamãe segura em meus bíceps e os puxa, em um esforço para me tirar do chão. —Vamos. Ryan amaldiçoar e eu, sem sucesso luto para ficar em pé. —Ajude-o, mãe. Ryan bloqueia o outro braço ao redor do pescoço de Trent e grita : — Vai, Beth ! —Trent batalha contra a retenção de Ryan e seu rosto fica tenso enquanto ele luta para manter sua aderência. Mamãe balança a cabeça. — Vamos. Agora . Ele vai me machucar. Trent cotovela Ryan no intestino, oscilando em torno do rosto de Ryan cai com o golpe. — Não! — Gritos e suplicas voam de minha boca. Sangue cobre o rosto de Ryan. Trent se levanta e ataca Ryan no estômago. Eu grito de dor quando coloco peso no meu braço esquerdo. — Ajude-o, mamãe! — Nós temos que ir agora, Elisssabeth. — Mãe calmamente insulta meu nome. — Eu quero sair. Eu vou com você agora. Viro a cabeça e olho para a imagem fantasmagórica da minha mãe. Seus olhos cansados com as suas pupilas contraídas olham para mim como se eu fosse uma sombra em vez de sua filha. Mamãe aperta minha mão novamente. Pela primeira vez, ela não está esfregando o braço. Embalando meu braço esquerdo perto do meu corpo, eu seguro a mesa e me puxo para os meus pés. — Você aplicou? Fico de pé, e mamãe cai no chão. De vergonha? Muito exausta? Muito drogada? Eu não sei. Recusando-se a ver Ryan morrer, recusando-se a fazer contato visual comigo, mamãe cobre a cabeça com os braços e balança mais uma

427

427


Traduzido por Uly Santos

e outra vez. Sangue cai sobre meu olho e minha visão oscila enquanto o meu corpo balança para o lado. Meus dedos acidentalmente batem no telefone sem fio da mamãe perto da borda da mesa. Heroína. Me destruiu há nove anos e um telefonema me custou o meu pai. Heroína. Se eu ligar, minha mãe vai para a cadeia . Heroína. Meu dedo desliza contra os números e como há nove anos eu escuto o telefone tocar uma, duas, uma terceira vez. O mundo fica preto, em seguida, reaparece em um túnel difuso. Meus joelhos se dobram e eu forço a consciência por mais alguns segundos. — Nove- um-um, qual é a sua emergência?

428

428


Traduzido por Uly Santos

Ryan Eu defini o meu celular para o toque mais alto e o coloco no meu peito antes de descansar minha cabeça em meu travesseiro. Beth deveria vir para casa do hospital hoje e por isso eu me recusei a tomar medicação para dor. Eu quero ouvir sua voz do outro lado da linha e saber que ela está a apenas uma milha abaixo da estrada em vez de 30 minutos afastada em Louisville. Então, pela primeira vez em mais de uma semana, posso dormir profundamente. Meu corpo tem uma lenta dor latejante. Cada ponto de pressão pulsa no tempo com o meu pulso. Costelas quebradas, todo machucado, e cortes. Toda e qualquer lesão valem a pena para salvar Beth. — Você pode me dizer por quê? — A voz do meu pai viaja na sala. Meus olhos se abrem e eu viro a cabeça para vê-lo encostado na moldura da porta com o olhar preso ao chão. São as primeiras palavras que ele me disse desde que eu bati nele. Ele tem estado em torno. Presente, mas não fala. Eu não me sinto mal com isso porque eu tampouco falei com ele... até agora. — Por quê? — Por que você arriscou tudo para essa garota? — Porque eu a amo. E o nome dela é Beth. Sem resposta. Às vezes me pergunto se o papai sabe o que é o amor. — Scott ligou, — diz ele com firmeza — Ele queria lembrá-lo que existem regras agora. Ele está com raiva de vocês dois e ele não irá deixá-la sair de casa tão cedo. Eu volto meu foco para o teto. Sou capaz de lidar com regras, desde que eu tenha Beth. Scott tem estado em uma mistura de gratidão e chateado. Em retrospecto, talvez eu deveria tê-lo chamado quando eu

429

429


Traduzido por Uly Santos

encontrei a nota de Beth, mas eu não acho que Beth teria ouvido a ele. Ela precisava de mim. — Eu não acho que você deve continuar a vê-la. — diz papai. — Não me lembro de perguntar. Há silêncio e quando eu olho com o canto do meu olho, meu pai se foi. Quem sabe se nós dois podemos consertar o que foi quebrado. Meu celular vibra e meu estômago cai quando eu noto o nome de Beth acima do texto. Ela prometeu que ia ligar. Amigos, certo? Eu meio sorrio. Este foi o primeiro texto que ela me enviou. Sempre. A campainha toca e eu esfrego meus olhos. Estou exausto demais para os visitantes, mas eles continuam chegando: meus amigos, o time de beisebol, os meus treinadores, professores, amigos dos meus pais. Mamãe e papai levantaram ligeiramente o tom em seguida eles estão discordando sobre alguma coisa, e eu não me importo o suficiente para descobrir o problema. Espero que eles continuem o argumento, mas o que eu não espero é a voz da minha mãe na porta do meu quarto. — Porque eu disse isso. Ela joga um olhar para o corredor antes de se dirigir a mim. — Ryan, você tem uma visita. Antes que eu possa perguntar quem é, Beth entra no meu quarto com o braço esquerdo na tipoia. A respiração sai de um golpe do meu corpo. Ela está aqui. Esquecendo meus ferimentos, eu corro para me sentar e estremeço. O cheiro de rosas me atinge e eu olho para cima para ver Beth ao meu lado. — Você se parece com o inferno. Você tem descansado? O lado direito da minha boca puxa pra cima.

430

430


Traduzido por Uly Santos

— É bom ver você também. — Estou falando sério. — Em Beth não fica bem preocupação e a dor no rosto dela me incomoda. Eu capturo a mão que ela usa para tentar me empurrar para baixo, a trago para os meus lábios, e beijo a palma de sua mão. Deus, eu senti falta dela. Um clareamento de garganta e noto Scott de pé ao lado da minha mãe na porta. — Só alguns minutos, Beth, então nós estamos indo para casa. Beth acena com a cabeça e vejo a reação da minha mãe a uma menina no meu quarto. Ela nos estuda, quase como alguém vendo uma pintura que não consegue entender. Não há nenhuma malícia em sua expressão, apenas curiosidade. — Estou deixando a porta aberta. — Obrigado. — digo e quero dizer isso. Mamãe está tentando agora, não só comigo, mas com Mark, e tenho de agradecer a Chris por isso. Ele ligou para o Mark quando o serviço médico de emergência me levou para a sala de emergência. Mark e mamãe se falaram pela primeira vez, enquanto eu estava no raio-X. Ambos estão em silêncio sobre a conversa que eles tiveram, mas eles estão se falando de novo. É um começo. Scott inclina a cabeça, quando mamãe sai e olha diretamente para Beth. — Comporte-se. Ela revira os olhos. — Claro, porque no momento que você sair, vamos agir como animais selvagens. Por favor. — Ela assinala com o braço. — Os ossos quebrados e as contusões são tão atraentes. Scott balança a cabeça enquanto segue minha mãe para a sala de estar e Beth espelha seus movimentos. Será que eles têm qualquer noção de que eles são clones um do outro? Beth afunda na cama e vira a cabeça em minha direção. Eu não gosto de como ela olha. Além dos cortes no rosto e na cabeça, além dos

431

431


Traduzido por Uly Santos

hematomas, ela está muito pálida e olheiras cobrem a parte inferior dos seus olhos. Querendo saber se eu estou sonhando, eu estendo a mão e esfrego seu cabelo entre meus dedos. É sedoso e real. Eu deixo os fios caírem e encontro o seu olhar. — Como você está? Eu odeio a maneira como sua testa enruga e a dor pesando em suas características. Ela fecha os olhos por alguns instantes. — Eu sinto muito. A culpa é minha que ele te machucou. — Não, não vou ouvir isso. — Eu pego a mão de Beth e a convenço a deitar-se na cama comigo. Ela resiste. — Mas sua mãe— O que ela vai dizer? Estou ferido. Você está ferida. Estava cansada e deitou-se. Eu quero te abraçar assim pela primeira vez na sua vida você pode não lutar contra mim? — Uau. Alguém está irritado. — Pode crer que estou. — Mas meu intestino torcer e os nós começam a destorcer quando eu descanso e Beth envolve seu corpo em torno do meu com cuidado. Ela está hesitante, testando as áreas primeiro para confirmar que o contato não vai me ferir, e eu sou cuidadoso quando coloco o braço em volta dela, para assim não empurrar seu braço. Quando estamos acomodados, eu fecho meus olhos e expiro. Eu sonhei com isso por sete dias. Quem sabe, eu provavelmente estou sonhando agora. Se estou, talvez Beth vai fazer alguma coisa que é difícil para ela, talvez ela vai me dar respostas. — Por que você acreditou em Gwen sobre mim?

432

432


Traduzido por Uly Santos

Beth Eu me reajusto, aconchegando para mais perto de Ryan, mas estou atenta para os sinais que o machuca. Eu posso ouvir seu coração agora, e também a inspiração e expiração de o ar de seus pulmões. Se eu não estivesse tão cansada, poderia chorar. Eu pensei que tinha perdido ele no apartamento de minha mãe. Ryan passa a mão pelo meu cabelo e eu lambo meus lábios, em busca de coragem. Ele merece uma resposta. Se não for porque arriscou sua vida para me salvar, porque eu amo ele então. — Eu não confiava em você. Seu coração bate várias vezes antes de falar de novo. — Por quê? Porque eu era estúpida. — Eu não sei... — Não podia encontrar as palavras para Ryan. Eles são difíceis para mim. Difícil. São muitas as emoções. — Eu acho que foi mais fácil acreditar que você me usou, em vez de que me amava. Para ser honesta... eu não entendo. Por que alguém como você quer estar com alguém como eu? Ryan levanta meu queixo, de modo que tenho que olhar nos olhos dele. — Porque eu te amo. Beth - você é tudo que eu quero ser. Você é viva e vive sem pedir desculpas. Eu nunca teria feito amor com você, se eu pensasse que você não confiava em mim... ou me amava. E eu nunca teria feito isso se eu não confiasse em você e te amasse. Me apoio em meu cotovelo e meu coração praticamente dispara em meu peito pela dor em seus olhos. — Eu te amo, e quero confiar em você .... É só que... Eu tento.... E... Maldição . Eu bato minha mão boa na cama. Por que eu não consigo explicar isso? Por que estou tão debilitada? — Hey. — A autoridade em seu tom me faz encontrar seu olhar. Meu

433

433


Traduzido por Uly Santos

coração quase explode quando Ryan acaricia meu rosto com um dedo e, sob seu toque, minha pele fica vermelha. Eu senti falta disso. Eu senti falta ele. Talvez eu não tenha fodido com isso tudo. — Respire. — ele instrui. — Está tudo bem. Leve o seu tempo, mas apenas continue falando. Continue falando. Na verdade, eu mostro a minha língua em desgosto e Ryan luta contra um sorriso. Se eu não estivesse tão ferida já teria socado seu braço. Eu sopro uma corrente de ar e tento novamente. — Eu não sei...Eu só... não...confiei em mim. — Eu pisco e o mesmo faz Ryan, e isso parece um pouco assustador por que eu disse algo tão bruto. Ele esfrega o meu braço, pedindo-me para continuar, e eu não sei como continuar. Isso é besteira. Eu só não quero continuar. Mas isso está além do que eu quero. Trata-se de mim e Ryan. — Eu não quero fazer más escolhas mais. — Eu olho para ele, esperando que esteja fazendo sentido, porque eu não tenho certeza de que estou.—E acho que qualquer tipo de escolha é ruim porque estou fazendo isso e então eu o conheço e você é grande e é maravilhoso e me ama e eu te amo e eu só estou tão malditamente com medo de estragar tudo... Eu fecho meus olhos e meu lábio inferior treme. — E eu fiz. Eu estraguei tudo de novo. Ryan acaricia meu rosto com sua mão. Eu me inclino para ele e abro os olhos. — Estou contente que tenha acontecido. — ele diz. — Eu pensei que eles tivessem feito uma ressonância magnética em sua cabeça. Seus olhos riem. — Eles fizeram. Só me responda isso - antes de Trent chegar, você ia sair comigo? Eu engulo e estou balançando a cabeça antes de responder. — Sim.

434

434


Traduzido por Uly Santos

— Por quê? Meus olhos estreitam enquanto eu tento entender a pergunta. — Não, Beth. Não pense sobre isso. Apenas me dê a primeira resposta que vem à mente. Por que você ia sair comigo? Meus olhos piscam para os seus e minha boca se abre. Não, isso não é possível, porque se for, então é a primeira vez para mim. A mesma esperança que eu já vi um milhão de vezes em Ryan aparecem em seu rosto. É possível que eu já soubesse o tempo todo? — Diga isso, Beth. — Eu te amo. — Essas costumavam serem palavras duras, mas agora elas são mais fáceis. Eu exalo e o ar se congela, como se quisesse sair da minha boca a toda pressa. — Boa tentativa. — diz. — A outra coisa. Diga. — Ryan... — Minha garganta seca e suor se forma ao longo da minha testa. — Eu estou com medo. — Eu sei. — Ele enfia o meu cabelo atrás da minha orelha. — Mas está tudo bem. Seus dedos lentamente arrastam pelo meu braço, por cima da minha tipoia e ele descansa as pontas dos dedos contra os meus. Um calor se desenrola dentro de mim, começando no meu coração e fluindo através do meu sangue. Ele cria uma sensação estranha de correntes destravando e me libertando. É quase como se eu estivesse flutuando. — Eu confio em você — digo. — Eu ia sair com você porque eu confio em você. Ryan fica em silêncio, mas o pequeno sorriso, pacífico no seu rosto me faz sorrir de volta. Gostaria de saber se meu sorriso parece com o dele. Eu confio nele. Ryan. É um pouco assustador, mas não tanto quanto eu pensei que

435

435


Traduzido por Uly Santos

seria. Talvez seja isso, talvez este seja o início do qual Scott falou sobre por meses, uma lousa nova. — Foi tão difícil? — Ele pergunta. — Sim. Ryan toca meu cabelo novamente. É como se ele quisesse um contato para confirmar que eu não sou um fantasma. — Você precisa aprender a começar a confiar em si mesma. Deito minha cabeça para trás de moda que ela repousa no travesseiro ao seu lado. Ryan se move lentamente para se acomodar. Nossos rostos estão tão perto que nossos narizes quase tocam. Meu braço começa a doer e eu tenho um pressentimento de que Scott vai chegar em breve, porque ele programou o cronograma do meu remédio para dor em seu telefone. — Você se importa se eu me curar antes de voltar a abordar mais problemas emocionais? Ryan inclina a cabeça e eu silenciosamente praguejo. Aparentemente, nós não terminamos ainda. — Você está brincando comigo, né? — Scott disse Isaiah foi ao hospital. — ele começa. Concordo com a cabeça, preferindo não entrar nesse assunto agora... ou nunca. Noah me visitou várias vezes enquanto eu estava no hospital, uma vez com Echo, e duas vezes por conta própria. Ele me disse que Isaiah ficou na sala de espera até que ele soube que eu ia ficar bem, então ele saiu. Meu melhor amigo foi embora. — Acho que devemos falar sobre isso. Os dedos da minha mão esquerda tenta apertar, mas a explosão de dor me impede de fazer um punho. Eu silvo de dor e Ryan se aproxima mais.

436

436


Traduzido por Uly Santos

— Você está bem? — Sim, — digo por fim. — É só que... Eu já te disse que eu ele não somos assim. — Eu acredito em você. Minha testa começa a enrugar e eu paro quando os pontos na minha testa puxam. Droga, eu nunca vou ser capaz de me mover novamente. — Então, por que falar sobre isso? Ryan contém uma respiração e posso dizer que essa conversa está corroendo-o, tanto quanto a mim. — Você vai vê-lo de novo? Não. Sim. — Se ele me deixar. Mas ele deixou o hospital sem falar comigo. Eu não sei o que isso significa. Não sei se eu o arruinei. — Sim, é claro que eu vou vê-lo novamente. Isaiah e eu somos amigos e ele vai perceber que, mesmo se eu tiver que atormentá-lo. Ele parece dividido entre um sorriso e um suspiro. — E você quer saber por que eu estou preocupado. — O que isso quer dizer? — Você tem que admitir, que a vida que você viveu em Louisville é diferente da que você tem agora. Estou com medo de que, se você tiver um lugar para correr, uma pessoa para correr, quando as coisas ficarem difíceis você irá. — Ryan estende os dedos da minha mão esquerda que tinham começado a apertar novamente. — Sempre vai haver alguém pra duvidar de nós, Beth, e não posso com isso, se você está sempre fugindo. — Sem mais fugas. Eu prometo. — É quase doloroso deixar de lado o meu orgulho para dizer o resto. — Você estava certo... em Louisville... sobre eu ter uma vida em Groveton . Eu tenho você ... mas eu também tenho Scott e Lacy e a

437

437


Traduzido por Uly Santos

escola. Eu gosto de quem eu sou aqui. — Eu também. — diz ele, como se para provar o ponto. — Mas Isaiah e eu nos conhecemos há muito tempo para eu abandoná-lo. Eu estou aqui. Coração. Alma. Corpo. Groveton é minha casa, mas eu nunca vou abandonar um amigo, especialmente o meu melhor amigo. Eu fico olhando para o edredom debaixo de nós. — Eu preciso que você esteja bem com isso, porque eu não negociarei quando se trata dele. Depois de alguns instantes de silêncio, corro o risco de um olhar. Ryan eventualmente relaxa. — Tudo bem. Ele é seu amigo. Se você está confiando em mim, então eu vou confiar em você. Eu chuto meus sapatos e esfrego meu dedo contra seu pé. É o melhor que posso fazer com um braço na tipoia. — Feito. Eu te amo e... — Eu engulo meu medo e me obrigo a dizer. — Eu confio em você. — Bom. — Os músculos de Ryan visivelmente relaxam e sua pálpebras vibram. — Bom. — repito, me permitindo relaxar junto com ele. — Você sabe que eu quero ouvir novamente. Ryan se aproxima, envolve um braço protetor em volta da minha cintura, e fecha os olhos. — Eu confio em você. — Boa tentativa. — Eu o golpeio suavemente com o meu cotovelo engessado e seu peito se move por sua risada. É tão bom brincar com ele novamente. — A outra coisa. Diga. — Eu te amo. Desfrutando de seu calor e força, e derreto com ele e fecho os meus próprios olhos. — Mais uma vez.

438

438


Traduzido por Uly Santos

— Eu amo você. — sussurra. — Mais uma vez. — Mas desta vez a minha mente voa enquanto eu ouço a sua declaração suave. Quero exigir as palavras de novo, mas depois minha cabeça encontra o seu peito. Seu coração bate no meu ouvido de forma constante e eu tenho a minha resposta. Ambos Ryan e eu nos perdemos um no outro e caímos no sono.

439

439


Traduzido por Uly Santos

Ryan Um ano atrás, eu tinha a minha vida completamente planejada. Acontece que, ninguém sabe o futuro. Eu deslizo meus braços através do paletó e reajusto os ombros de modo que o paletó vai encaixar corretamente no meu corpo. As contusões e cortes desapareceram, mas as minhas costelas ainda doem até o final do dia. Especialmente se ponho muita pressão sobre mim mesmo. — Sua gravata está torta. — Mamãe inclina um ombro contra a porta e dá um aceno de desaprovação quando ela olha para a minha garganta. — Venha aqui. Me afasto da minha cômoda e mamãe desfaz o nó. — Você está bonito. — diz ela.

440

— Exceto pela gravata. Os Lábios de mamãe inclinam para cima e ela desliza a gravata para medi-la contra meu peito. — Exceto pela gravata. Como você se sente? — Bem . Linhas preocupar cobrem seus olhos e ela se esforça para manter o sorriso. — Eu sei que o médico te liberou para começar a praticar, mas eu acho que você deve esperar mais uma semana ou duas. Só para ter certeza de que tudo está corretamente curado." Mãe habilmente tece a gravata em um nó e o aperta até minha garganta. Ela olha para ele por um segundo antes de deixar sua mão tocar meu rosto, um gesto físico raro para nós dois. — Estou feliz que você está bem. Ela se retira. — Eu falei com seu irmão novamente esta manhã. Ele

440


Traduzido por Uly Santos

perguntou como você estava. Mark sabe como eu estou. Falamos ao telefone todos os dias desde que eu fui liberado do hospital. Mark ainda deve estar se sentindo estranho em falar com a mamãe e procura a conversa mais fácil de ter. Eu me ocupo com abotoar os punhos da minha camisa. — O que você disse a ele? — Que você é teimoso como seu pai e não me diria se estivesse com dor. — Eu estou bem, mãe. Mamãe brinca com suas pérolas. — Se tivéssemos escutado naquela manhã... Se tivéssemos escutado semanas antes ... Se eu tivesse enfrentando seu pai, quando Mark nos disse... nada disso teria acontecido. — Está tudo bem. — Eu gostaria que eles tivessem me escutado na manhã que Beth fugiu. Gostaria que tivessem me escutado semanas antes, quando eu lhes disse que me importava com ela. Gostaria que mamãe enfrentasse o papai para manter Mark em nossa família, mas nada disso aconteceu. Mesmo se o fizesse, não há como dizer se teria parado o pesadelo que ocorreu. Beth fugiu porque viver em Groveton a aterrorizava. Ela teria corrido independentemente do que aconteceu entre nós e porque eu amo ela, eu a teria seguido. Mamãe suspira e entra em modo social. — Mark está voltando para casa para o jantar no domingo. Pensei que poderia mantê-lo simples . Só eu, você , Mark ... espero que o seu pai. — Parece ótimo. — Mesmo que nós dois saibamos que o pai vai para a cidade, enquanto Mark estiver em casa. Papai ainda se recusa a reconhecer que Mark existe. Nada mudou muito entre o casamento de meus pais. Mamãe escolheu Mark e a mim,

441

441


Traduzido por Uly Santos

e o papai abandonou a ideia de concorrer para prefeito. Mas ele ainda está em casa e eles ainda estão indo para a terapia. Como eu disse, quem sabe o que o futuro pode trazer. — Não se esqueça do buquê. — Mamãe desliza para fora da sala. Eu pego as chaves do carro, o buquê de rosas vermelhas, e me dirijo para a garagem. Do canto do meu olho, eu vejo meu pai sentado atrás de sua mesa em seu escritório. Nós não falamos desde aquele dia no meu quarto e eu acho que hoje não vai ser o dia que qualquer um de nós vai quebrar o nosso silêncio. Enquanto eu abro a porta do meu Jeep, ouço o grito de sua cadeira e passos no chão de cimento. Papai caminha para seu banco de ferramentas e peneira e olha através das caixas de parafusos e porcas. — Sua mãe me disse que assinou uma Carta Nacional de Intenção* de jogar para a Universidade de Louisville. Meus músculos ficam tensos, em preparação para uma luta. A carta exigia que um responsável assinasse comigo, e eu pedi a minha mãe para ajudar. —Sim, senhor. — Ela disse que você está pensando em jogar com a equipe por um ano, então reavaliar se você está ou não pronto para ir para as profissionais. Sentindo-me nu sem meu boné, eu esfrego a parte de trás da minha cabeça. Eu poderia ir pelo caminho mais fácil e dar-lhe um simples sim, mas eu termino dizendo ou fazendo o que for preciso para apaziguá-lo. — No final do meu primeiro ano, eu vou decidir se eu sou bom o suficiente para ir para as profissionais. Eu também estou indo para especialização em escrita criativa. Eu amo escrever e beisebol e eu quero dar uma oportunidade a ambos. Papai fecha uma gaveta cheia de pregos e acena. —Você lhe

442

442


Traduzido por Uly Santos

comprou um buquê?As garotas gostam de flores. Eu levanto a caixa transparente em minha mão. — Sim. — eu digo, e levanto-o para que ele possa ver. — Você me ensinou isso.

443

443


Traduzido por Uly Santos

Beth O quarto de Scott e Allison é demasiado berrante para o meu gosto. As cortinas são de seda azul e as coisas têm babados, como flores e pinturas de flores decorando todo o espaço disponível. A cama está além de maciça. Scott e Allison não tem que ir para quartos separados, se brigarem, pois eles podem rolar algumas vezes e estar em diferentes códigos postais. Sento-me na cadeira excessivamente almofadado na frente da penteadeira de Allison e vejo como ela fixa o cabelo na minha cabeça. Eu odeio coque alto, mas eu não posso reclamar. Uma hora atrás, ela tingiu seis listras de cor preta temporárias no meu cabelo. Agora o meu cabelo é uma polegada e meia de louro-dourado nas raízes, fluxos pretas sobre os meus ombros, e listras pretas combinando. — Scott vai ficar irritado. —Sim —diz— Ele vai, mas eu me encarregarei disso. Meus lábios se elevam, e quando Allison me olha no espelho, sorri também. Temos tido uma trégua instável desde que cheguei em casa do hospital, e as vezes tenho medo de dizer algo errado e leva-la ao limite. — Por que está sendo boa comigo? Allison levanta o babyliss de novo e me lança um olhar quando me movo nervosamente. Ela torce alguns fios que se recusam a fazer parte do seu plano. — Porque Scott te ama. Ele me amou antes, mas isso não a impediu de odiar cada célula do meu corpo. Não era como se eu não ajudasse também. — Me desculpe, eu acusei você de dar o golpe nele.

444

444


Traduzido por Uly Santos

O babyliss puxa a raíz do meu cabelo e eu mordo meu lábio. Ela solta o cabelo e pequenos cachos dançam na parte de trás do meu pescoço. Ok, eu mereço que ela puxe os cachos.Talvez agora nós vamos estar quites. Allison coloca o babyliss em sua penteadeira. — Eu sinto muito... bem, eu sinto muito. Eu não queria você aqui. Eu pisco. Isso foi direto, mas honesto. — Scott me contou sobre o seu passado, mas era fácil fingir que era uma história até que você entrou em cena. Eu prefiro a vida limpa e simples. Você fez Scott complicado. — Scott sempre foi complicado. Allison lança spray de cabelo em mim. — Eu sei disso agora. Scott limpa a garganta e ambas Allison e eu nos viramos para vê-lo entrar na sala. Eu levanto e Scott sorri quando me vê de vestido preto sem alças com uma saia que termina na altura dos joelhos. Ele franze a testa novamente quando vê meu cabelo. — Eu fiz isso, — diz Allison sem um pingo de culpa. Os olhos de Scott aumentam. — Você fez isso? — Você disse a ela na semana passada que ela poderia usar aqueles sapatos horríveis com seu vestido e eu lhe disse que você iria se arrepender. Eu me remexo no meu oficial Chuck Taylors. — Eu estou usando meiacalça. — Essa foi uma grande concessão da minha parte. — Você deve colocar um suéter. — diz Scott. — Ela não vai vestir um suéter. — o repreende Allison. — Ficaria horrível. — Eu não me importo em como ela vai ficar. Eu me importo com o quanto de pele está mostrando.

445

445


Traduzido por Uly Santos

Allison se inclina para frente e Scott beija seus lábios. Eu olho para longe. Eles tem feito isso mais vezes desde que cheguei em casa do hospital. Não apenas se beijando, mas beijando como se querem de verdade. Beijando porque eles realmente se amam. Ela sai da sala e Scott enfia as mãos nos bolsos. Eu resisti à vontade de coçar minha têmpora que ainda está se curando. — Ela cobriu o corte com a maquiagem. — Eu notei. — Ele aponta para a mão esquerda. — Como está se sentindo? Eu dou de ombros. — Tudo bem. — O gesso negro é temporário. Trent quebrou muitos dos ossos da minha mão, punho e braço. Eu vou ter outra cirurgia em duas semanas. Meus dedos tamborilam contra a minha perna. Eu pensei que eu poderia ir sem perguntar, mas eu não posso. — Como foi na audiência da mamãe? — Mamãe e Trent tiveram audiências preliminares ontem. Eu disse a Scott que não queria saber o que aconteceu, mas a curiosidade está me comendo viva. — Não há problema em querer saber. — Ele encontra os meus olhos enquanto eu luto com milhões de emoções me puxando em diferentes direções. Concordo com a cabeça e ele continua: — Ela aceitou o acordo judicial e estará servindo seis anos. Trent declarou inocente contra a recomendação de seu advogado. O promotor acredita que pode fazêlo servir quinze anos. Uma bola de pavor se forma em meu estômago e eu afundo de volta na cadeira. — Logo, haverá o julgamento. Scott abaixa a cabeça. Todos nós tinhamos esperança de evitar isso. — Sim. Ryan e eu vamos ter que enfrentar Trent novamente quando testemunharmos. Eu respiro fundo para me acalmar. — Você falou com

446

446


Traduzido por Uly Santos

a mamãe? — Pergunto. Ele balança a cabeça e eu não sei como me sinto sobre isso. Eu não sei como me sinto em relação a minha mãe em tudo. Seis anos. Minha mãe vai para a prisão por seis anos e eu sou a única que a colocou lá. — Você fez a coisa certa, querida. — Eu sei. — digo baixinho. Eu sei, mas isso não significa que doa menos. A campainha toca e o medo começa a desaparecer. Ryan está aqui. Um sorriso bem-humorado se instala no rosto de Scott. — E o Príncipe Encantado aguarda. — Ei, Scott? Ele faz um gesto para eu continuar. — Como você pode manter a heroína para si mesmo? Quero dizer, isso é um segredo bem grande. Eu sei que você queria algo para me chantagear, mas era heroína. Scott coça atrás da orelha. — Eu estava no processo de contratação de detetives particulares para encontrá-la quando sua tia ligou. Quando cheguei à delegacia de polícia, não havia nenhuma maneira de você estar indo para casa com ninguém além de mim. Um olhar para a sua mãe e eu sabia que as coisas estavam ruins. Ele suspira. — Ela estava tão nervosa em torno dos policiais que eu percebi que ela estava escondendo algo. Eu teria dito qualquer coisa para ficar com você. Mas eu nunca usei a palavra heroína com você ou sua mãe e nunca fui para o apartamento de sua mãe. Imaginei que ela tinha um segredo e blefei. E eu meio que me sinto como uma idiota. Uma idiota feliz, mas uma idiota, no entanto. — Boa jogada. Ele sorri. — Eu acho que sim.

***

447

447


Traduzido por Uly Santos

No aviso prévio de dois minutos minhas mãos começam a suar inclusive a engessada. O verão índigo em Kentucky tem uma estranha maneira de fazer com que novembro pareça julho. À medida que caminhamos para o campo aberto atrás do placar, Ryan segura minha mão e não parece se importar que esteja fria e úmida. As pessoas gritam e berram das arquibancadas e o locutor informa ao publico que nossa equipe é a primeira e dez— seja lá que diabos isso signifique. Os outros casais nominados se encontram junto ao poste de luz, mas vacilo muito antes de chegar, e Ryan me segue. — Gwen não vai te incomodar — Ele diz. — Eu sei. — Tem razão. Não me incomodará. Desde que Ryan e eu voltamos para a escola, ela tem estado menos frígida, mais calada e nas sombras. Se desculpou com nós dois, mas isso não significa que eu deva me dar bem e nem que deva estar perto dela. Perfeitamente penteada, Gwen se encontra afastada do grupo. — Me sinto um pouco mal por ela. A culpa é uma emoção horrível. Eu sei mais que qualquer um. — Poderíamos ir conversar com Carly e Brent — Ryan brinca. — Ela é uma grande admiradora sua. Rodo os olhos. — Carly e eu fomos colocadas como companheiras de laboratório hoje. —Viu? Já são melhores amigas. Lacy ficará irritada por alguém estar invadindo seu território. — Isso é exatamente o que vai acontecer — digo com sarcasmo. — Carly é legal. — É super animada. — É a mesma coisa.

448

448


Traduzido por Uly Santos

— Legal é legal. Animada é irritante. — Deveríamos ter um encontro duplo com eles. Meus olhos quase saem do meu rosto. — Está brincando? Estou a ponto de caminhar até esse estádio de futebol e me envergonhar por completo e você quer que eu considere ter um encontro duplo com a Senhora e o Senhor Animados? Você perdeu a cabeça? Ryan ri e depois pisca. — Só queria te provocar. Enrugo o nariz. — Você é irritante. Solta minha mão, desliza seus braços ao redor da minha cintura, e me aproxima de seu corpo forte. — Você é linda. Os cantos de minha boca se elevam e deslizo meu braço direito ao redor de seu pescoço. — Sinto falta de te tocar com ambas as mãos. — É estranho ver a fita em seu outro pulso — Ele diz. Tremo quando Ryan acaricia a pele sensível por cima do meu gesso, e roça minhas costas. Calor feliz e tortuoso se espalha por meu corpo. —Eu nunca a tiro. — Sinto sua falta na minha cama — murmura tão baixo que só eu posso ouvi-lo. Meu sorriso cresce e o rosto de Ryan fica vermelho. — Não foi isso o que quis dizer. Me referia a que sinto saudades de dormir com você. Sei ao que se referia. — É difícil escapar com uma mão quebrada. Inclina a cabeça até a minha e me segura com mais força. — Lamento não ter te protegido melhor. — Ryan, não. Teria sido morta se não fosse por você. — Mas tudo isso já acabou — murmura contra mi boca.

449

449


Traduzido por Uly Santos

Separo meus lábios com expectativa para seu beijo. — Sim. — Sr. Stone. Srta. Risk — chama o diretor assistente. — Um pouco mais de espaço entre os dois, e prestem mais atenção. É hora de que avançarem para o campo. Eu relaxo e envolvo minha mão no braço dobrado de Ryan, para que ele me acompanhe até o campo debaixo das luzes ofuscantes. Queria que Ryan me beijasse. Preciso que ele me beije. Anunciam nossos nomes e Ryan me dirige até a metade do campo. As pessoas gritam e berram, os gritos mais fortes são os que vem da sessão onde deixamos Lacy, Chris e Logan. — Quando ganhar — diz Ryan—, não esqueça que você disse que usaria essa tiara em sua linda cabeça toda a noite. Meus olhos se abrem ao me dar conta de como posso conseguir exatamente o que quero. Nos detemos no meio do campo e me viro para ele. — Me beija. Não só um selinho. Um beijo de verdade. Ryan olha para as arquibancadas cheias de centenas de pessoas. — Como é? — Eu, Beth Risk, te desafio duplamente a me beijar na frente de toda esta gente. Os olhos de Ryan se abrem e esse sorriso arrogante que faz com que meu coração tropece sobre si mesmo, se estende por todo seu rosto. — Está esquecendo as regras dos desafios? Tem que desafiar antes de dobrar o desafio. Rodo os olhos. — Está bem. Te desafio a me beijar. — E o que acontece se eu fizer? —Se eu ganhar como rainha do baile, o qual não ganharei, usarei essa fodida tiara por toda uma semana. Segura meu rosto com ambas as mãos. Seus lábios murmuram contra os meus e anseio que me beije. Minha mente se queixa de que ele não

450

450


Traduzido por Uly Santos

vai, mas logo ele mordisca meu lábio inferior. Sua boca se separa, e ambos movemos nossas bocas com fome, sincronizados um com o outro. Em meio a suspiros de ar, nossos nomes são chamados como os ganhadores. Sinto os lábios de Ryan se expandir em um sorriso antes de ele dizer uma palavra: — Posso.

Fim. 451

451


Traduzido por Uly Santos

N達o perca a historia de Isaiah, CRASH INTO YOU, Em breve por Katie McGarry e Herlequin Teen!

452

452


Traduzido por Uly Santos

Crash into You A Garota com as notas mais altas, roupas de grife e a vida perfeita, isso é o que as pessoas esperam é Rachel Young. Assim que a aluna do último ano da escola particular guarda segredos de seus pais ricos arrogantes e irmãos arrogantes... e acaba de adicionar mais dois em sua lista. Um envolve corridas de rua com estranhos em estradas rurais escuras em seu Mustang GT . O outro? Isaiah Walker de dezessete anos um cara com quem ela nem deveria estar falando. Mas quando o garoto adotado com tatuagens e intensos olhos cinzentos vem a seu resgate, não pode tirá-lo de sua mente. Isaiah também tem segredos. Sobre onde mora, e como ele realmente se sente sobre Rachel. A última coisa que ele precisa é perder-se por uma moça rica que quer se juntar aos bairros do lado sul por diversão, não importa o quão angelical seu olhar seja. Mas quando o seu amor por corridas de rua coloca suas vidas em perigo, eles tem seis semanas para chegar a uma saída. Seis semanas para descobrir até onde eles vão para salvar um ao outro.

453

453


Traduzido por Uly Santos

Playlist de Dare You to: Tema Geral: “Dirt Road Anthem” by Jason Aldean “F**kin’ Perfect” by Pink Desafio do Taco Bell: “Summertime” by Kenny Chesney “U + Ur Hand” by Pink A mãe de beth no bar: “Farmer’s Daughter” by Crystal Bowersox Beth acordando na casa de Scott: “Heart Like Mine” by Miranda Lambert Ryan na cidade: “Back Where I Come From” by Kenny Chesney Quando Isaiah se oferece para fugir com Beth: “Somewhere with You” by Kenny Chesney Quando Isaiah trai Beth levando ela para longe de sua mãe: “Hurt” by Nine Inch Nails Quando Ryan leva Beth para a festa de campo: “My Kinda Party” by Jason Aldean Na dança de Ryan e Beth: “Just a Dream” by Nelly Quando Beth passa a noite com Ryan: “Don’t You Wanna Stay” by Jason Aldean and Kelly Clarkson Música que Beth cantou para sua mãe dormir: “Free Bird” by Lynyrd Skynyrd Beth tenta afugentar Ryan com a verdade: “Don’t Let Me Get Me” by Pink

454

454


Traduzido por Uly Santos

Ryan ensinando Beth a flutuar: “Broken Arrow” by Rod Stewart Quando Beth e Ryan são brevemente felizes: “Teenage Dream” by Katy Perry No confronto final de Beth com sua mãe: “25 to Life” by Eminem Canções escritas para Dare You To por Angela McGarry: “Ribbons and Bows” “We Weren’t Meant to Be” Escute os sons em: www.reverbnation.com/AngelaMcGarryMusic

455

455


Traduzido por Uly Santos

Agradecimentos Obrigado a... Kevan Lyon- todos deveriam ter alguém como você no seu canto. Seus conselhos e orientações têm sido extremamente valiosos para mim. Obrigado. Eu nunca vou esquecer que tudo isso começou com você. Margo Lipschultz - Obrigado por cuidar tanto dos meus personagens, como eu faço. Você é absolutamente brilhante e eu sou uma escritora melhor por causa de você. Todo mundo que tocou meus livros na Teen Harlequin, especialmente Natashya Wilson. Vocês fizeram esta experiência fantástica memorável! Matt Baldwin e Mike Baldwin com Futuro Pro: Obrigado por me acolher em seu centro de treinamento a portas fechadas e por tomar seu tempo para responder às minhas perguntas sobre beisebol. Angela Annalaro - Murphy- Obrigado por amar Beth primeiro. Foi a sua fé e amizade que me manteve escrevendo. Shannon Michael- Quantas vezes eu acabo em sua varanda com a minha cabeça em minhas mãos me perguntando se eu estava indo na direção certa com a história? Obrigado pelas risadas e amizade. Kristen Simmons , eu não poderia ter feito isso sem você. É incrível quando penso nos risos e as lágrimas que compartilhamos desde que nos conhecemos . Este livro é para você. Colette Ballard , Kelly Creagh , Bethany Griffin, Kurt Hampe , e Bill Wolfevocês são mais do que um grupo de crítica . Vocês se tornaram família. Kelly e de Betânia , obrigado por ter segurado minha mão pelo meu ano de estreia. Kurt e Bill , obrigado por apontar quando " um homem não faria isso. " Colette , obrigado pelas horas intermináveis de gargalhadas , apoio e leitura extra.

456

456


Traduzido por Uly Santos

Louisville românicas Escritores: Foram vocês que primeiro me colocaram no caminho da publicação. Obrigado por continuar a iluminar o caminho. Mais uma vez, aos meus pais , minha irmã, minha Família,MT. Washington, e os meus sogros... Eu amo vocês. Meu maior agradecimento é para os autores fantásticos que eu conheci, os livreiros, bibliotecários, os professores, os blogueiros do livro, e os meus leitores. Obrigado por tomar o tempo para espalhar a palavra e para as mensagens , tweets e e-mails que vocês enviaram para mim. Vocês me fazem lembrar por que eu escrevo. Para A, N e P. Você sabe quem você é, e você sabe que eu te amo mais do que minha própria vida.

457

457