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Um dos motivos pelos quais eu adorei fazer esta revista é a riqueza de assuntos que tem. Quando nós concluímos, olhei para esta edição, e digo à equipe: “Gente, que coisa maravilhosa a quantidade de informação que existe nessa revista! Parabéns!” . E penso no orgulho que tenho de dirigir uma publicação como essa. Principalmente este período literário que é muito rico em informações, apesar de todos os períodos terem uma diversidade muito grande de informações, o Realismo e o Naturalismo surgem de uma grande transformação, de uma oposição do período anterior que é o Romantismo, trazendo muitas polêmicas, críticas a burguesia. Aqui não vamos ter uma visão da mulher idealizada, e sim a mulher como um objeto físico. Fico radiante de ver como esta edição pode informar tanta coisa sobre esses períodos. Trazendo notícias, dando sugestões, testando seu conhecimento. E por isso você tem que está mais atento, mais exigente, mais consciente. E fico muito feliz por esta oportunidade de podermos compartilhar essas informações, e sei que para ser um sucesso só depende de você meu caro leitor. É um privilégio trabalhar para você!

Eis aqui um trecho de uma das minhas obras preferidas, graças a minha amiga Roberta Costa que me apresentou “O Cortiço” de Aluísio Azevedo. “Ele pôs-se logo a devorar, sofregamente, olhando inquieto para os lados, como se temesse que alguém lhe roubasse a comida da boca.” “ Então principiou a verdadeira devastação. E a cada objeto que ela varria para o pátio, gritava sempre: Upa! Toma, diabo! “- Sai daí , safado! Toca lá no quer que seja, que te arranco a pele do rabo!” ‘’Apareceram os tabuleiros de carne fresca e outros de tripas e fatos de boi.”


Foi um movimento artístico e literário surgido nas últimas décadas do século XIX na Europa, mais especificamente na França, em reação ao Romantismo. Entre 1850 e 1880 o movimento cultural, chamado Realismo, predominou na França e se estendeu pela Europa e outros continentes. O Realismo representa uma reação ao subjetivismo do Romantismo. Sua radicalização rumo à objetividade sem conteúdo ideológico leva ao Naturalismo. •

Surgiu a partir da segunda metade do século XIX. • As ideias do Liberalismo e Democracia ganham mais espaço. • As ciências evoluem e os métodos de experimentação e observação da realidade passam a ser vistos como os únicos capazes de explicar o mundo físico. • Em 1870, iniciam-se os primeiros sintomas da agitação cultural, sobre tudo nas academias de Recife, SP, Bahia e RJ, devido aos seus contatos frequentes com as grandes cidades europeias. • Houve também uma transformação no aspecto social com o surgimento da população urbana, a desigualdade econômica e o aparecimento do proletariado.

O Realismo iniciou-se na França, em 1857, com a publicação de “Madame Bovary”, de Gustave Flaubert.

No Brasil foi em 1881, com “Memórias Póstumas da Brás Cubas” de Machado de Assis e “O Mulato” de Aluísio Azevedo.


• Oposição ao idealismo romântico. Não há envolvimento sentimental • Representação mais fiel da realidade • Romance como meio de combate e crítica às instituições sociais decadentes, como o casamento, por exemplo • Análise dos valores burgueses com visão crítica denunciando a hipocrisia e corrupção da classe • Influência dos métodos experimentais • Narrativa minuciosa (com muitos detalhes) • Personagens analisadas psicologicamente Outros Autores • Raul Pompéia: “O Ateneu” • Aluísio Azevedo: “O Cortiço”, “O Mulato”, “Casa de pensão” • Inglês de Souza: “O missionário” • Eça de Queiróz “Os Maias” • Domingos Olímpio: ”Luzia-Homem’’

Cronologia dos principais romances do Realismo •

1881 “O Mulato”, “Memórias póstumas de Brás Cubas”

1884 “Casa de pensão”

1888 “O missionário”, “O Ateneu”

1890 “O cortiço”

1891 “Quincas Borba”

1893 “A normalista”

1895 “Bom-Crioulo”

1899 “Dom Casmurro”

1903 “Luzia-Homem”

1904 “Esaú e Jacó”

1908 “Memorial de Aires”


A partir da extinção do tráfico negreiro, em 1850, acelera-se a decadência da economia açucareira no Brasil e o país experimenta sua primeira crise depois da Independência. Na segunda parte do século XIX, três importantes movimentos literários floresceram: o Parnasianismo, o Realismo e o Naturalismo. O Realismo é considerado a pintura objetiva da realidade, uma forma de reação ao excesso e à espiritualidade. Alguns autores consagrados que escreveram obras realistas são: Homero, na tragédia e comédia clássica, Cervantes, Chaucer, Balzac e Dostoiévski. De acordo com Eça de Queirós, um dos mais importantes escritores lusos, “o Romantismo era apoteose do sentimento, o Realismo é a anatomia do caráter. É a crítica do homem. É a arte que nos pinta a nossos próprios olhos para nos reconhecermos, para que saibamos se somos verdadeiros ou falsos, para condenar o que houver de mau em nossa sociedade”.

No Brasil, o início do Realismo ocorre em duas direções. A primeira é relacionada aos problemas sociais, ambiente urbano e elementos do cotidiano. Já a segunda, aconteceu no flerte do realismo com o Naturalismo. Assumindo uma posição ideológica regionalista, na qual se elevou a cor local, a vida difícil no ambiente rural brasileiro e o determinismo, negando a existência do livre-arbítrio.

Entre as principais características do Realismo brasileiro, influenciado pelo Determinismo de Taine e pelo Positivismo de Augusto Comte, existem duas linhas:

• Marcada por Machado de Assis, de análise das classes mais abastadas da sociedade carioca, com foco em temas políticos do século XIX. • Com ênfase na análise comportamental dos seres humanos das camadas menos privilegiadas. Estabelece-se o condicionamento do homem.

Nesta segunda vertente, foi criado um laço entre a conduta humana e a terra, o problema de relações entre o ambiente e o homem, verificadas na abordagem Realista/Naturalista. Ainda no que se refere ao regionalismo, o realismo consolidou as expressões regionais, populares e profissionais. Entre os escritores de ficção realista brasileiros estão: Manuel Antônio de Almeida, Aluísio Azevedo, Inglês de Souza, Adolfo Caminha, Júlio Ribeiro, Machado de Assis e Raul Pompéia. Os dois últimos estão em posição singular. No caso de Machado de Assis, por ter criado um estilo que reproduzia a realidade utilizandose de relativa indiferença formal e sem fetichismo. Já Raul Pompéia, pela independência dos tons impressionistas que são características marcantes de sua obra. As características dos romances realistas da primeira fase, influenciada pelo romantismo, são: vocabulário claro e simples, tonalidade natural à prosa, estudo da psicologia dos personagens e narrativa linear e imaginativa. Na segunda fase, simbolizada por Machado de Assis, o estilo fica maleável, rompe-se com a linearidade, acrescenta-se o humor ligado ao pessimismo e ao desencanto.


O Realismo na Literatura surge em Portugal após 1865, devido à Questão Coimbrã e às Conferências do Casino, como resposta à artificialidade, formalidade e aos exageros do Romantismo de uma sentimentalidade mórbida. Eça de Queirós é apontado, junto a Antero de Quental, como o autor que introduz este movimento no país, sendo o romance social, psicológico e de tese a principal forma de expressão. Deixa de ser apenas distração e torna-se meio de crítica a instituições, à hipocrisia burguesa (avareza, inveja, usura), à vida urbana (tensões sociais, económicas, políticas) à religião e à sociedade, interessando-se pela análise social, pela representação da realidade circundante, do sofrimento, da corrupção e do vício. A escravatura, o racismo e a sexualidade são retratados com uma linguagem clara e direta. A primeira manifestação do Realismo em Portugal deu-se inicialmente na Questão Coimbrã, polémica esta que significou, nas palavras de Teófilo Braga “a dissolução do Romantismo”. Nela se manifestaram pela primeira vez as novas ideias e o novo gosto de uma geração que reagia contra o marasmo em que tinha caído o Romantismo. O segundo episódio verificou-se em 1871 nas Conferências do Casino (ou Conferências Democráticas do Casino). Nessa nova manifestação da chamada Geração de 70, os contornos do que seria o Realismo apareceram desenhados com maior nitidez, especialmente através da conferência realizada por Eça de Queirós intitulada O realismo como nova expressão da arte. Sob a influência do Cenáculo, e da sua figura central, Antero de Quental, Eça funde as teorias de Taine, do determinismo social e da hereditariedade com as posições estético-sociais de Proudhon. Atacando o estado das letras nacionais e propôs uma nova arte, uma arte revolucionária, que respondesse ao "espírito dos tempos" (zeitgeist), uma arte que agisse como regeneradora da consciência social, que pintasse o real sem floreados. Para Eça só uma arte que mostrasse efetivamente como era a realidade, mesmo que isso implicasse entrar em campos sórdidos, poderia fazer um diagnóstico do meio social, com vista à sua cura. Assim reagia contra o espírito da arte pela arte, visando mostrar os problemas morais e assim contribuir para aperfeiçoar a Humanidade. Com este cientificismo, Eça de Queirós já situava o Realismo na sua posição extrema de Naturalismo. Desde a implantação do Realismo com a conferência de Eça, o movimento logrou um núcleo de apoiantes que se multiplicaram em explicar e defender o seu credo estético. Esse núcleo resvalou, em geral, para uma posição mais extremadamente Realista, o Naturalismo, tornando-se ortodoxo e dogmático. Os defensores dessa posição são José António dos Reis Dâmaso (1850-1895) e Júlio Lourenço Pinto (1842-1907) autor da Estética naturalista, que pretendia ser um evangelho do Naturalismo. No entanto esses dois autores são fracos do ponto de vista literário e totalmente esquecidos hoje em dia. Aqueles que não enveredaram por posições tão rígidas estão menos esquecidos, como Luís de Magalhães, que nos deixou O Brasileiro Soares (1886), livro prefaciado por Eça. Outros nomes são Trindade Coelho, Fialho de Almeida e Teixeira de Queirós. Por volta de 1890 o Realismo/Naturalismo tinha perdido o seu ímpeto em Portugal. Em 1893, o próprio Eça o declarava morto nas Notas Contemporâneas: “o homem experimental, de observação positiva, todo estabelecido sobre documentos, findou (se é que jamais existiu, a não ser em teoria). Embora por vezes doutrinariamente fraco e/ou confuso o Realismo em Portugal apresenta-se por isso mesmo, mais do que um movimento consistente, como uma tendência estética, um sentir novo, que se opôs ao Idealismo e ao Romantismo. A sua consequência mais importante foi a introdução em Portugal às influências estrangeiras nos vários domínios do saber. Alargando as escolhas literárias e renovando um meio literário que estava muito fechado sobre si mesmo.


Influenciado pelo desenvolvimento das ideias científicas na época, especialmente na área das ciências biológicas e sociais, o Naturalismo tentava explicar de forma materialista ou científica os fenômenos da vida e do comportamento humano. Segundo o Naturalismo, o homem é desprovido do livre-arbítrio, ou seja, o homem é uma máquina guiada por vários fatores: leis físicas e químicas, hereditariedade e meio social, além de estar sempre à mercê de forças que nem sempre consegue controlar. Para os naturalistas, o homem é um brinquedo nas mãos do destino e deve ser estudado cientificamente. Hippolyte Adolphe Taine (1828-1893) Foi um dos expoentes do Positivismo do século XIX, na França. O Método de Taine consistia em fazer história e compreender o homem à luz de três fatores determinantes: meio ambiente, raça e momento histórico. Estas teorias foram aplicadas ao movimento artístico realista..

Aqui no Brasil, os escritores naturalistas ocuparam-se, principalmente, com os temas mais obscuros da alma humana (patológicos) e, por causa disso, outros fatos importantes da nossa história como a Abolição da Escravatura e a República foram deixados de lado. Contexto histórico do Naturalismo  1870:

Surgimento da literatura naturalista na França com a publicação do livro Germinal de Émile Zola;  1871: Nietzsche publica sua primeira grande obra A Origem da Tragédia;  1876: Graham Bell registra a patente do telefone;  1876-1879: Thomas Edison inventa o fonógrafo e a lâmpada elétrica;  1881: Início do Naturalismo brasileiro com a publicação do livro O Mulato de Aluísio de Azevedo;  1884: Início da Conferência de Berlim, discutindo a partilha da África pelas potências europeias;  1885: Pasteur aplica a vacina antirrábica em um ser humano;  1888: Abolição da escravatura no Brasil;  1889: Proclamação da República no Brasil.


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O Naturalismo surgiu na França, em 1870, com a publicação da obra “Germinal” de Émile Zola. O livro fala das péssimas condições de vida dos trabalhadores das minas de carvão na França do século XIX. O naturalismo é uma ramificação do Realismo e uma das suas principais características é a retratação da sociedade de uma forma bem objetiva. Os naturalistas abordam a existência humana de forma materialista. O homem é encarado como produto biológico passando a agir de acordo com seus instintos, chegando a ser comparado com os animais (zoomorfização). Segundo o Naturalismo, o homem é desprovido do livre-arbítrio, ou seja, o homem é uma máquina guiada por vários fatores: leis físicas e químicas, hereditariedade e meio social, além de estar sempre à mercê de forças que nem sempre consegue controlar. Para os naturalistas, o homem é um brinquedo nas mãos do destino e deve ser estudado cientificamente. Os escritores realistas-naturalistas consideram possível representar artisticamente os problemas concretos de seu tempo, sem preconceito ou convenção. E renovaram a arte ao focalizarem o cotidiano, desprezado pelas correntes estéticas anteriores. Os realistas-naturalistas são marcadamente contra a Igreja, que apontam como defensora de ideologias ultrapassadas, como, por exemplo, a monarquia. Também criticam acirradamente a burguesia, que encarna o status romântico em geral. Características do Naturalismo • A principal característica do Naturalismo é o cientificismo exagerado que transformou o homem e a sociedade em objetos de experiências. • Descrições minuciosas e linguagem simples • Preferência por temas como miséria, adultério, crimes, problemas sociais, taras sexuais e etc. A exploração de temas patológicos traduz a vontade de analisar todas as podridões sociais e humanas sem se preocupar com a reação do público. • Ao analisar os problemas sociais, o naturalista mostra uma vontade de reformar a sociedade, ou seja, denunciar estes problemas, era uma forma de tentar reformar a sociedade.


O Naturalismo é uma corrente integrada ao Realismo, que assume novas características, aproximando o homem ainda mais do real, até mesmo com um certo. O combate ao Romantismo torna-se ainda maior. Eles ridicularizam tudo: a vida do homem, seus sentimentos e emoções. As características passam para o lado patológico. Apresentava a coisa como era, porém notamos um certo exagero para o lado negativo. A exploração sexual foi intensa, porém não apresentava o lado belo, bom e positivo do sexo, mas como uma coisa suja, nojenta e repugnante. O predomínio da razão, parece passar para o lado do instinto. O homem não faz aquilo que ele quer, mas aquilo de que necessita (comer, beber, dormir, rebelarse quando atacado, sexo quando necessário). O homem é apenas um produto do meio. Pode-se dizer que o Naturalismo começou em terras brasileiras com a publicação do romance O Mulato do autor maranhense Aluísio de Azevedo no ano de 1881. O mesmo autor também escreveu a obra O Cortiço, que acabou sendo um dos romances mais marcantes da literatura brasileira. Os escritores naturalistas do Brasil se ocuparam, principalmente, com os temas mais obscuros da alma humana e, por isso, outros fatos importantes da história do país acabaram sendo deixados de lado, como a Abolição da Escravatura e a proclamação da República. Outros exemplos de obras naturalistas são A Carne de Júlio Ribeiro e O Ateneu de Raul Pompéia.

Autores brasileiros do Naturalismo  Aluísio de Azevedo  Adolfo Caminha  Pápi Júnior  Rodolfo Teófilo  Horácio de Carvalho  Inglês de Souza  Emília Bandeira de Melo  Carneiro Vilela  Manoel Arão  Júlio Ribeiro  Faria Neves Sobrinho


"O Grupo do Leão", 1885, óleo sobre tela de Columbano Bordalo Pinheiro, 200x380cm, Museu do Chiado, Lisboa.

Em Portugal o Naturalismo é introduzido por Marques de Oliveira e Silva Porto, na década de 70 do século XIX, quando regressam de Paris, após uma estadia como Bolseiros do Estado. As bolsas de estudo na capital francesa eram prémios muito disputados, mas atribuídos apenas aos melhores estudantes das academias de Lisboa e Porto, com o objetivo de manter atualizada a arte nacional. O contato com os artistas de Barbizon, naturalistas, realistas e impressionistas, bem como a animada atmosfera artística parisiense, permitiu abrir novas perspectivas para desenvolver uma abordagem diferente da pintura portuguesa. Na verdade já existia o ensino da pintura de paisagem nas academias portuguesas, mas ensinada por pintores de formação romântica – sem a liberdade expressa na Escola de Barbizon. Pouco depois do regresso, ambos entram como professores nas duas academias nacionais, marcando o início de uma nova etapa na pintura de paisagem portuguesa. Também é de referir o impacto no meio artístico nacional das novidades introduzidas. A alteração ideológica foi aceita com verdadeiro entusiasmo, porque já se sentia a necessidade de modificar o pouco ativo panorama português, surgindo pouco depois o primeiro grupo naturalista. O grupo do Leão O Grupo do Leão é constituído por artistas que se reuniam na Cervejaria Leão de Ouro em Lisboa e responsável pelo enorme sucesso deste tipo de pintura. As oito exposições efetuadas foram marcantes e muito visitadas, tendo inclusive o rei D. Fernando II adquirido obras do grupo, o que era garantia de êxito. A ruptura com o panorama artístico vigente era evidente. Executavam-se pequenas telas com temas do quotidiano, dando particular atenção à vida nos campos, em cenas repletas de luz e com grande liberdade de representação. O grupo torna-se uma espécie de “vanguarda”, considerando-se moderno, como ficou bem claro no nome Exposições de Quadros Modernos numa das primeiras mostras realizadas. Curiosamente na época viam-se como realistas, mas o Portugal pacato, de brandos costumes, sem a industrialização francesa só poderia estar na origem de obras naturalista. Em 1885 os membros do grupo propuseram-se decorar a cervejaria, por entrar em obras, com o apoio do proprietário, executando pinturas naturalistas propositadamente para o local, contribuindo para a popularização do novo estilo e do estabelecimento. A atividade do grupo mantém-se regular até 1888, ano da realização da última exposição.


Machado de assis Um dos maiores escritores da Literatura Brasileira e para alguns estudiosos ele é, simplesmente, o maior nome da nossa literatura. Joaquim Maria Machado de Assis nasceu em 21 de junho de 1839 no Rio de Janeiro e morreu na mesma cidade em 1908. Mestiço e de origem humilde (tinha apenas o primário), alcançou alta posição como funcionário público e ganhou o respeito e consideração das pessoas numa época difícil (a escravidão no Brasil). Casou-se em 1869 com uma portuguesa chamada Carolina Xavier, que foi sua companheira até a morte e que muito o estimulou na carreira literária. Nunca tiveram filhos e após a morte da esposa, Machado de Assis viveu seus últimos dias mergulhado em tristeza e solidão. Sua esposa inspirou a personagem Dona Carmo de “Memorial de Aires”. Machado foi o primeiro presidente da Academia Brasileira de Letras, inclusive foi um dos fundadores, em 1897. É mais conhecido pelos seus contos e romances, mas também escreveu poesias, peças teatrais, crônicas e críticas literárias. Sua obra “Memórias Póstumas de Brás Cubas” (um divisor de águas na obra machadiana), além de ser considerada o marco inicial do Realismo no Brasil Machado de Assis, ao analisar psicologicamente as personagens, entra na alma de cada um deles, trazendo todos os defeitos da conduta humana (egoísmo, luxúria, vaidade, etc). As atitudes boas e honestas, no fundo, nada mais são do que uma máscara que esconde as verdadeiras intenções das personagens (orgulho, cobiça, revelando toda a hipocrisia que existe nos seres humanos. O humor machadiano é repleto de pessimismo e ironia. A vida nada mais é do que um palco onde os homens lutam entre si para realizar seus desejos de riqueza e ostentação e a religião não passa de uma máscara para esconder as podridões das pessoas. Outra característica importante da obra machadiana é a não-linearidade da narrativa. Somente a análise da consciência dará sentido aos fatos. CONTISTA Alguns de seus contos são considerados os melhores de toda a literatura (tanto em língua portuguesa, quanto em língua estrangeira), pois revelam uma preocupação em analisar o verdadeiro comportamento humano. Machado escreveu aproximadamente 200 contos. - Algumas Obras - “O Alienista”

“Missa do Galo”

- “A Cartomante”

“Noite de almirante”

- “Teoria do medalhão”

“O Espelho”

CRONISTA Transformou a crônica em um gênero literário valorizado. Obra: “A Semana” (várias crônicas escritas entre 1892 e 1897 para a Gazeta de Notícias)


Dom Casmurro é um romance escrito por Machado de Assis em 1899 e publicado pela Livraria Garnier. Foi escrito para sair diretamente em livro, o que ocorreu em 1900, embora com data do ano anterior. Completa a "trilogia realista" de Machado de Assis, ao lado de Memórias Póstumas de Brás Cubas e Quincas Borba, tendo sido esses dois escritos primeiramente em folhetins. Seu personagem principal é Bento Santiago, o narrador da história que, contada em primeira pessoa, pretende "atar as duas pontas da vida" ou seja, unir relatos desde sua mocidade até os dias em que está escrevendo o livro. Entre esses dois momentos Bento escreve sobre suas reminiscências da juventude, sua vida no seminário, seu caso com Capitu e o ciúme que advém desse relacionamento, que se torna o enredo central da trama. Ambientado no Rio de Janeiro do Segundo Império, se inicia com um episódio que seria recente em que o narrador recebe a alcunha de "Dom Casmurro", daí o título do romance. Machado de Assis o escreveu utilizando ferramentas literárias como a ironia e uma intertextualidade que alcança Schopenhauer e sobre tudo a peça Otelo de Shakespeare. Ao longo dos anos, Dom Casmurro, com seus temas como o ciúme, a ambiguidade de Capitu, o retrato moral da época e o caráter do narrador, recebeu inúmeros estudos, adaptações para outras mídias e sofreu inúmeras interpretações, desde psicológicas e psicanalíticas na crítica literária dos anos 30 e dos anos 40, passando pelo feminismo na década de 1970 até sociológicas da década de 1980, e adiante. Creditado como um precursor do Modernismo e de ideias posteriormente escritas por Sigmund Freud, o livro influenciou os escritores John Barth, Graciliano Ramos e Dalton Trevisan e é considerado por alguns a obra-prima de Machado. Além de ter sido traduzido para outras línguas, continua a ser um de seus livros mais famosos e é considerado um dos mais fundamentais de toda a literatura brasileira. Narrado em primeira pessoa, seu personagem principal é o carioca de 54 anos Bento de Albuquerque Santiago, advogado solitário e bem-estabelecido que, após ter reproduzido tal qual, no Engenho Novo, a casa em que foi criado "na antiga rua de Matacavalos" (hoje Riachuelo), pretende "atar as duas pontas da vida e resgatar na velhice a adolescência", ou seja, contar na meia idade seus momentos de moço. Com Dom Casmurro, Machado continua com o estilo que vinha desenvolvendo desde Memórias Póstumas de Brás Cubas, numa linguagem culta, permeadas por intertextualidades e ironias. Ele é considerado o último romance de sua "trilogia realista". Contudo, aqui ele também utiliza traços que retomam ao Romantismo (ou "convencionalismo", como prefere a crítica mais moderna). Um exemplo é o relacionamento de Bentinho com Capitu, o ciúme, o possível adultério. Além disso, tanto em sua fase romântica, com Ressurreição, onde ele descreve o "gracioso busto" da personagem Lívia, até sua fase realista, onde nota-se uma fixação pelo olhar dúbio de "cigana oblíqua e dissimulada" de Capitu, há sempre um traço romântico. Capitu é capaz de conduzir a ação, apesar do predomínio da trama romanesca não ter se esvaziado. De todos seus romances, Dom Casmurro é provavelmente a obra que mais possui influência teológica. Há referências à São Tiago e São Pedro, principalmente pelo fato de o narrador Bentinho ter estudado em seminário. Além disso, no Capítulo XVII Machado faz alusão a um oráculo pagão do mito de Aquiles e a ao pensamento israelita.


EÇA DE QUEIRÓS Eça de Queirós - um dos maiores nomes da Literatura Portuguesa e universal - nos deixou inúmeras obras incluindo: prosa de ficção, crítica literária, crônica jornalística, literatura de viagens e biografia de santos. José Maria Eça de Queirós nasceu em 1845 em Portugal e faleceu em Paris, em 1900. Era formado em Direito e em 1872 iniciou sua carreira diplomática, por conta disso trabalhou em Cuba, na Inglaterra e na França. A produção literária de Eça de Queirós pode ser dividida em 3 fases. 1ª fase: fase pré-realista ou preparatória: quando forma sua personalidade e seu estilo Características - Temas românticos

- Ambientes fantásticos

- Humanização da natureza.

Obras - Prosas Bárbaras: reúne contos, artigos e crônicas publicadas na Gazeta de Portugal nos anos de 1866 e 1867. - O mistério da estrada de Sintra em parceria com Ramalho Ortega Farpas (colaboração reunida no volume Uma Campanha Alegre) 2ª fase: fase realista O conto Singularidades de uma rapariga loura, publicado em 1874, dá inicio a essa fase realista do autor. Obras - O crime do Padre Amaro -O primo Basílio

-Os Maias

- O conde de Abranhos (publicado postumamente) - A tragédia da rua das Flores

-O mandarim

-A capital (publicado postumamente)

-Alves & Cia (publicado postumamente)

-A relíquia

Esses romances retratam a sociedade portuguesa. Eça procurou escrever uma obra para cada um dos aspectos que denunciavam a podridão da sociedade. 3ª fase: a fase de maturidade artística Obras - A correspondência de Fradique Mendes - A ilustre casa de Ramires (uma das obras mais importantes da ficção de Eça de Queirós) - A cidade e as serras (aborda o tema campo X cidade).

Como já foi dito antes, Eça de Queirós também escreveu contos que foram publicados em jornais e revistas entre os anos de 1874 e 1897. Seus contos apresentam características das 3 fases do autor. Eça de Queirós foi um observador da sociedade e transportou para suas obras os hábitos, manias e outros detalhes do comportamento humano, tudo com muita sátira, ironia e personagens caricatos.


Publicado em 1878 “O Primo Basílio” é um dos mais conhecidos e importantes romances do escritor português Eça de Queiroz. Ele foi escrito em Portugal, numa época de forte tendência realista na literatura. Sua leitura reporta a um tema sempre presente na estética realista: o adultério, o mesmo tema do romance francês “Madame Bovary” (1857), de Gustave Flaubert e do romance brasileiro “Dom Casmurro” (1899), de Machado de Assis. Para se compreender esta obra, faz-se necessário manter um diálogo com o que acontecia na época no campo literário, a fim de situá-la no contexto em que a obra foi produzida. Enquanto no Romantismo procurava explorar a situação que antecedia o casamento, como os obstáculos que seus personagens, em sua maioria adolescentes, enfrentavam até chegar ou não ao objetivo principal: o casamento como meio de realização amorosa, no Realismo procurava-se focalizar a situação criada após o casamento, aquela em que a classe média procurava esconder por detrás da fachada da instituição. Assim, com os olhos voltados para a realidade, o escritor realista propõe-se a explorar “cientificamente” a infidelidade conjugal, revelando-a muito mais frequente do que se fazia imaginar a aparente harmonia da burguesia romântica, fazendo-lhe cair a máscara hipócrita. Como a burguesia era a principal consumidora dos romances, os escritores realistas pretendiam mudar, através da crítica, o comportamento dessa classe social, responsável pelos destinos social, econômico, político e moral do país. Percebem-se dois eixos na trama de “O Primo Basílio”: um compõe a ação principal e focaliza o casamento, instituição básica da burguesia atingida severamente pelo adultério; o outro constrói um importante “pano de fundo” com variados tipos sociais (Julião, Sebastião, Acácio, D. Felicidade, Ernesto e outros), retrato nada animador da sociedade da época. A ação central do romance apresenta o triângulo amoroso Jorge-Luísa-Basílio. Ela é acompanhada pelos olhos observadores e perspicazes de um narrador onisciente de terceira pessoa e chega ao leitor “moldada” por sua perspectiva crítica e analítica. Luísa, a burguesinha bonita, loira e desmiolada, não faz nada na vida a não ser ler romances românticos, evidentemente, sendo facilmente seduzida pelo primo Basílio, tão logo o marido Jorge afasta-se de casa em viagem de trabalho. Casados por conveniência, longe de ser um casamento firmado em bases sólidas, Luísa não resiste ao ataque do primeiro sedutor que aparece, entregando-se sem remorso. No desfecho da obra, Eça busca manter-se fiel à narrativa realista, assumindo um papel de artista vingador. A morte de Juliana e a destruição das cartas comprometedoras de Luísa não impedem Jorge de saber a verdade. Luísa não sofre com o adultério em si. Ela sofre com a decepção amorosa em relação a Basílio e com o medo de ser castigada por Jorge, (com a morte talvez) ou do temor de perder sua vidinha mansa e docemente sensual para ser enterrada num convento. Eça assume esse papel vingador numa carta a Teófilo Braga: “é preciso punir os vício para saná-los”.


Estação: Existe alguma regra de ouro para escrever? MACHADO: A primeira condição de quem escreve é não aborrecer. ( Diário do Rio de Janeiro) Estação: Por que você optou por romances realistas, que abordam fatos, em vez de falar diretamente dos sentimentos, como os românticos? MACHADO: Os fatos explicarão melhor os sentimentos: os fatos são tudo. Lágrimas não são argumentos. (as respostas foram extraídas de romances, ensaios, artigos, crônicas, declarações de Machado na imprensa). Estação: Machado, qual o segredo de personagens tão bem construídas e de uma obra que atravessa séculos? MACHADO: Eu gosto de catar o mínimo e o escondido. Onde ninguém mete o nariz, aí entra o meu, com a curiosidade estreita e aguda que descobre o encoberto. ( Gazeta de Notícias) Estação: Mas como fazer para que as palavras brotem sobre o papel? MACHADO: Palavra puxa palavra, uma ideia traz outra, e assim se faz um livro, um governo, ou uma revolução. ( Em “Histórias sem data”)

Estação: Mas você se preocupa mais em analisar o lado psicológico das personagens do que falar dos fatos em si. Por quê? MACHADO: Se a missão do romancista fosse copiar os fatos, tais quais ele se dão na vida, a arte era uma coisa inútil; a memória substituiria a imaginação. ( Crítica ao romance “O culto do dever”, de Joaquim Manuel de Macedo) Estação: Os românticos tentaram retratar um mundo ideal, perfeito, o que você acha disso? MACHADO: É melhor, muito melhor, contentar-se com a realidade; se ela não é tão brilhante como nos sonhos, tem pelo menos a vantagem de existir. Estação: Mas você também fez romances românticos. Há duas fases em sua obra: a romântica e a realista. O realismo foi a sua segunda maneira de escrever. MACHADO: O que você chama de minha segunda maneira naturalmente me é mais aceita e cabal que a anterior, mas é doce achar quem se lembre desta, quem a penetre e desculpe, e até chegue a cata nela algumas raízes dos meus arbustos de hoje. ( Carta a José Veríssimo) Estação: O que devemos exigir de alguém para considerá-lo um bom escritor? MACHADO: O que se deve exigir do escritor antes de tudo, é certo sentimento íntimo, que o torne homem do seu tempo e do seu país, ainda quando trate de assuntos remotos no tempo e no espaço. ( Revista “O novo mundo”)


MACHADO: Não precisa correr tanto, o que é seu às mãos lhe há de vir. Estação: Existe algum assunto especial a ser explorado pelos novos talentos? MACHADO: O talento está em fazer de assuntos velhos assuntos novos _ ou pelas ideias ou pela forma. ( A Gazeta de Notícias) Estação: Ao escrever, você prefere substantivos ou adjetivos? MACHADO: Os adjetivos passam, os substantivos ficam. (Diário do Rio de Janeiro)

Estação: Por que em seus livros o amor não resulta em felicidade? MACHADO: O amor não é mais que um instrumento de escolha; amar é eleger a criatura que há de ser a companheira na vida, não é afiançar a perpétua felicidade de duas pessoas, porque essa pode esvair-se ou corromper-se.

Estação: O que você tem contra os adjetivos? MACHADO: O adjetivo foi introduzido nas línguas como uma imagem antecipada dos títulos honoríficos com que a civilização devia envergonhar os peitos nus e os nomes singelos dos heróis antigos. (Diário do Rio de Janeiro)

Estação: Seu casamento é um exemplo de união que deu certo. Qual o segredo para manter um relacionamento? MACHADO: Cada um sabe amar a seu modo; o modo, pouco importa; o essencial é que se saiba amar.

Estação: Você se preocupa com a correção da linguagem? MACHADO: Ora, eu não tenho outro desejo senão falar e escrever corretamente a minha língua; e se descubro que muita coisa que dizia até aqui não tem foros de cidade, mando este ofício à fava, e passo a falar por gestos.

Estação: Machado, em que consiste a vida? MACHADO: A arte de viver consiste em tirar o maior bem do maior mal.

Estação: Você gosta muito de brincar com provérbios... MACHADO: As frases feitas são a cooperativa do espírito. ( Gazeta de Notícias) Estação: O que você acha do dinheiro? MACHADO: O dinheiro faz ouvir os surdos e ensurdecer os que ouvem bem. Estação: Mas dizem que o dinheiro não traz felicidades... MACHADO: O dinheiro não traz felicidade __ para quem não sabe o que fazer com ele. Estação: Por que existe tanta desigualdade social? MACHADO: O capital existe, se forma e sobrevive à custa da sociedade que trabalha e nem sempre é recompensada pelos lucros que gera. Estação: O que fazer para conseguir o capital então?

Estação: Falando assim, você passa ideia de que a vida é uma grande luta... MACHADO: A vida sem luta é um mar morto no centro do organismo universal. Estação: O que pensa sobre os autores que tentam imitar outros? MACHADO: Quando a gente não pode imitar os grandes homens, imite ao menos as grandes ficções. ( Em “A Semana”) Estação: O olhar das personagens é algo muito valorizado em suas obras. Por quê? MACHADO: As coisas têm o valor do aspecto, e o aspecto depende da retina. ( “A Semana”) Estação: Suas personagens possuem defeitos à maneira de seres humanos. Como devemos superar nossos defeitos? MACHADO: Defeitos não fazem mal, quando há vontade e poder de os corrigir. ( Carta a Lúcio de Mendonça) Estação: Mas é muito difícil perdoar um inimigo, por exemplo.


ACHADO: NĂŁo te irrites se te pagarem mal m benefĂ­cio; antes cair das nuvens que de um ceiro andar.


Artes Plásticas O realismo manifestou-se principalmente na pintura, onde as obras retratavam cenas do cotidiano das camadas mais pobres da sociedade. O sentimento de tristeza expressa-se claramente através das cores fortes. Um dos principais pintores realistas foi o francês Gustave Coubert. Com obras que chocaram o público pelo alto grau de realismo e pelos temas sociais, este artista destacou-se com as seguintes telas : Os Quebradores de Pedras e Enterro em Ornans.

Nas obras em prosa, o realismo atingiu seu ápice na literatura. Os romances realistas são de caráter social e psicológico, abordando temas polêmicos para a sociedade da segunda metade do século XIX.

Como por exemplo: Os maias de Eça de Queirós. No teatro realista o herói romântico é trocado por pessoas comuns do cotidiano. O primeiro representante desta fase é o dramaturgo francês Alexandre Dumas, autor de A Dama das Camélias. Na literatura brasileira o realismo manifestou-se principalmente na prosa. Os romances realistas tornaramse instrumentos de crítica ao comportamento burguês e às instituições sociais. Os especialistas em literatura dizem que o marco inicial do movimento no Brasil é a publicação do livro Memórias Póstumas de Brás Cubas de Machado de Assis. As peças retratam a realidade do povo brasileiro, dando destaque para os principais problemas sociais. Os personagens românticos dão espaço para trabalhadores e pessoas simples. Machado de Assis escreve Quase Ministro. Segundo o autor, "expressamente escrita para ser representada em um sarau literário e artístico dado a 22 de novembro do ano passado (1862), em casa de alguns amigos na rua da Quitanda".


Naturalismo em arte se refere para a descrição de objetos realísticos ambientes naturais. O movimento do Realismo do século XIX defendeu naturalismo em reação para as estilizadas e idealizadas representações de assuntos em Romantismo, mas muitos pintores adotaram uma aproximação semelhante durante os séculos. Exemplo de Naturalismo é a obra de arte do artista americano William Bliss Baker, cujas pinturas da paisagem são consideradas algumas dos melhores exemplos do movimento do naturalismo. Uma parte importante do movimento do naturalismo foi a perspectiva de vida de Darwin e sua visão da futilidade do homem contra as forças da natureza.

Por conta de seu Determinismo, o Naturalismo era muitas vezes estreito e reducionista para lidar com a complexidade dos comportamentos humanos, visto que o Determinismo presente nas obras literárias naturalistas pregava a supremacia do meio sobre os indivíduos. O ambiente, então, passava a ser decisivo para o caráter. Contudo, foi o Naturalismo que, pela primeira vez, pôs em primeiro plano o pobre, o excluído, o homossexual, o negro e os mulatos discriminados, o indivíduo vitimado por doenças físicas e mentais, além de retomar antigos temas, como o celibato, sob a ótica científica da época. No Brasil, o primeiro romance naturalista publicado foi "O mulato" (1881), de Aluísio Azevedo. O naturalismo acrescenta às características do Realismo extrema preocupação científica, materialismo, o resultado do meio ambiente físico e social e da hereditariedade (Determinismo). A temática do Naturalismo dá preferência aos aspectos mais cruentos e sórdidos da vida humana: o crime, as taras, a miséria, isso para retratar o anormal e o patológico. Assim, podemos dizer que o Naturalismo é um Realismo levado aos extremos.


Academia Brasileira de Letras (ABL) é uma instituição literária brasileira fundada na cidade do Rio de Janeiro em 20 de julho de 1897 por escritores como Machado de Assis, Lúcio de Mendonça, Inglês de Souza, Olavo Bilac, Afonso Celso, Graça Aranha, Medeiros e Albuquerque, Joaquim Nabuco, Teixeira de Melo, Visconde de Taunay e Ruy Barbosa . Composta por quarenta membros efetivos e perpétuos e por vinte sócios estrangeiros, tem, por fim, o cultivo do português brasileiro e da literatura brasileira. A escritora Ana Maria Machado foi eleita para presidir a academia no biênio 2012/2013 . Ela é a segunda mulher a ocupar o cargo. Espaço Machado de Assis No segundo pavimento do Centro Cultural da Academia Brasileira de Letras encontra-se o Espaço Machado de Assis, que abriga o Núcleo de Informação e Referência sobre a obra de Machado de Assis, a Galeria de Exposições e a Sala de Projeções, onde se podem assistir filmes e vídeos relativos ao universo machadiano. A Academia tem por fim, segundo os seus estatutos, a "cultura da língua nacional", sendo composta por quarenta membros efetivos e perpétuos, conhecidos como "imortais", escolhidos entre os cidadãos brasileiros que tenham publicado obras de reconhecido mérito ou livros de valor literário, e vinte sócios correspondentes estrangeiros. À semelhança da Academia francesa, o cargo de "imortal" é vitalício, o que é expresso pelo lema "Ad immortalitem", e a sucessão dá-se apenas pela morte do ocupante da cadeira. Formalizadas as candidaturas, os acadêmicos, em sessão ordinária, manifestam a vontade de receber o novo confrade, através do voto secreto. A "Panelinha" era para a realização de festivos ágapes e encontros de escritores e artistas, como a da fotografia abaixo.


• VERACIDADE Demonstra o que ocorre na sociedade sem ocultar ou distorcer os fatos • Gosto pelos DETALHES: lentidão na narrativa. • AMOR: a mulher objeto de prazer/adultério. • DETERMINISMO e relação entre causa e efeito: o realista procurava uma explicação lógica para as atitudes das personagens, considerando a soma de fatores que justificasse suas ações. Na literatura naturalista, dava-se ênfase ao instinto, ao meio ambiente e à hereditariedade como forças determinantes do comportamento dos indivíduos. • Linguagem próxima à REALIDADE: simples, natural, clara e equilibrada.


1- A principal característica deste período é o cientificismo exagerado que transformou o homem e a sociedade em objetos de experiências: [ ] Naturalismo [ ] Realismo 2- O Realismo iniciou-se na França, em 1857, com a publicação da obra: [ ] “Madame Bovary”, de Gustave Flaubert [ ] “ O Ateneu”, de Raul Pompéia 3- A obra “Esaú e Jacó” pertence à quem: [ ] Machado de Assis [ ] Antero de Quental 4- É um autor do Realismo em Portugal: [ ] Antero de Quental [ ] Adolfo Caminha 5- O Naturalismo surge na França, em 1870, com a publicação da obra: [ ] “A Normalista”, de Adolfo Caminha [ ] “Germinal” de Émile Zola 6- Nasceu em 21 de junho de 1839 no Rio de Janeiro e morreu na mesma cidade em 1908, foi o primeiro presidente da Academia Brasileira de Letras: [ ] Machado de Assis [ ] Eça de Queirós 7- É um autor do Realismo no Brasil: [ ] Cesário Verde [ ] Inglês de Souza 8- Autor de “O Cortiço”, e o “Mulato”, nasceu em 1857 e foi um dos primeiros escritores brasileiros a viver de literatura, escrevendo obras naturalísticas e folhetins comerciais:

[ ] Aluísio Azevedo [ ] Antero de Quental 9- Neste período as ideias do Liberalismo e Democracia ganham muito espaço: [ ] Naturalismo [ ] Realismo


Resultado Conte 1 ponto para cada resposta que coincidir com o gabarito. De 0 a 3 acertos Ainda não chegou lá! Em vez de ficar cheia de dúvidas sobre realismo e naturalismo, correndo o risco de agir de forma errada, que tal se interar mais sobre esse assunto ? De 4 a 6 acertos Está por dentro do assunto! Você entende esses dois períodos mesmo que não saiba tudo sobre o tema, a maiores de suas respostas demonstram a contemplação por esses períodos. Procure sempre estar bem-informado. De 7 a 9 acertos Um verdadeiro realista-naturalista! Consciente, você sabe o que são estes períodos literários, seus autores e suas obras. Mostre para todos ao seu redor que eles também podem saber dessas informações como você.


A Ilusão Você Romântico que acha a mulher perfeita Não sei se esta lástima é de chorar ou de rir Você realmente não conheceu a sujeita Quer uma prova, leia Madame Bovary Quando casei com a minha amada Embaixo da cama achei um a carta e li De um outro homem, uma carta de amor , bem expressada E quando olhei para ela, enxerguei a ilusão que vivi Queria uma mudança, mas lembrei das minhas fraquezas Nessa Terra , inovação é uma forma de ilusão Pois sou um ser cheio de manias, incertezas Não conseguirei nenhuma transformação Devido não somente às burguesas Mas devido as mulheres que dizem sim a traição. Crônica Não sou poeta, escritor, contista, jornalista, muito menos nasci neste período tão inovador que é o Realismo para poder dizer que este período não É só erotismo , mas sim o período que retira qualquer tipo de máscara que esconde toda cobiça, orgulho , inveja, traição que há na sociedade, escreve Rogério Eu cronista particularmente concordo com o que Rogério escreveu, eu amo esse período primeiramente porque eu sou uma adolescente, e não tenho um hábito muito grande de leitura, e as obras, os conceitos, a linguagem desse período é de fácil entendimento, e outra coisa que eu gosto é que não há a idealização da verdade, o que é real é real . Conheço pessoas que não gostam do realismo, não entendo o porque, elas dizem que a mulher tornou-se apenas um objeto , mas se analisarmos e tentar colocar as mulheres românticas hoje em dia é quase impossível, pois nos caracterizamos com o realismo, a sociedade vai evoluindo os períodos também têm que evoluir , e se as mulheres do Romantismo estivessem conformadas com o seu período não ficariam lendo às escondidas os livros do Realismo, o mais belo de tudo é o real compromisso com a verdade eliminando qualquer tipo de subjetividade. Resenha crítica Há um originalidade incrível que Machado consegue impor em Dom Casmurro, que é narrado em primeira pessoa, e conta a história de Bentinho que é Dom Casmurro e desde pequeno sentem algo um pelo outro. Mas quando os dois descobrem que a mãe de Bentinho Dona Glória fez uma promessa à Deus para que o filho se tornasse padre, porque seu primeiro filho havia morrido e que não voltaria atrás , os dois ficam tristes pois havia a hipótese deles nunca mais se verem de novo . Bento vai para o seminário e conhece Escobar que se torna seu melhor amigo, depois de um tempo sua mãe vê que Bento não tem vocação para ser padre , então vai para São Paulo estudar direito , cinco anos depois se torna advogado . Escobar casa com Sancha , que é uma amiga de Capitu , depois Bento e Capitu se casam também , um tempo depois Capitu e Bento tem um filho e o nomeiam Ezequiel , em homenagem a Escobar. Bento começa a ver que Ezequiel tem uma grande semelhança com Escobar e começa a desconfiar de Capitu. Com a morte de Escobar, Capitu ficou muito abalado e isso deu mais motivo para Bento desconfiar. Ele manda Capitu e Ezequiel para a Europa , e Capitu acaba morrendo e depois Ezequiel morre também , Bento fica sozinho e começa a escrever sua história , as obras machadianas possui um originalidade , e Machado apontava as mazelas da época, atacando a sociedade , a obra trás muito detalhe , tem que ler com atenção se não acaba se perdendo. Outro ponto a se ressaltar no romance é o fato de seu narrador não ser confiável. Ele mente, distorce, confunde o leitor, com quem conversa ao longo da narração.


Cada uma dessas regiões é explorada em seu texto, bem como as pessoas com quem Bentinho conviveu e que interagem no enredo. O livro é narrado, com emoção e riquezas de detalhes. remete o leitor a algumas passagens de “Otelo”, a obra de Shakespeare, e também aos Deuses Gregos. O crítico José Guilherme Merquior define o estilo narrativo de Dom Casmurro como uma obra de capítulos curtos (mini capítulos), cujos títulos expressam o sarcasmo do autor, acompanhando o estilo apresentado nos dois romances precedentes. Fernanda Graciele Bispo De Oliveira

Eu naturalista Sou naturalista minha base é a ciência Os acontecimentos são pela circunstância Só posso comprovar algo através da ciência Porque o cientificismo tenho em abundância Acreditamos que denunciar E analisar o dilema Seria uma tentativa de reformar Ou solucionar o problema Agimos pelo instinto Agimos de forma materialista Nunca vou pelo que sinto Assim que a humanidade é vista Sempre digo a verdade, nunca minto Afinal, eu sou naturalista. Crônica Numa quarta-feira ensolarada me paira uma dúvida apavorante e resolvo sair correndo para perguntar para o professor, esperando ouvir exatamente a resposta que eu gostaria de ouvir, sem mais nem menos . A expectativa me assusta, fico agoniado e procuro nas salas e não acho o professor , até parece que sabia que eu já ia o perguntar algo e por isso fugiu , fui no primeiro bloco da escola onde ele dava aula e não o achei , os meninos falaram que ele devia estar na direção , procurei por lá mas disseram que ele tinha acabado de sair , fui correndo até o estacionamento e finalmente o achei . - Professor tenho um pergunta , o senhor acha que a ciência vai nos dominar ? - Ah! Você veio me perguntar isso ? Naquele exato momento eu achei a pergunta mais idiota de todos os tempos. - Essa pergunta é interessante , no meu ponto de vista a ciência ela vai ser sempre transitória , no naturalismo eles achavam ela exata , sem qualquer tipo de erro, e também não acho que a natureza , o homem irá perder o seu valor se descobrirmos tudo a respeito . - Mas o Pr. Rogério falou que não podemos deixar que a ciência nos domine. - O maior medo das instituições religiosas é este de que a ciência pode dominar tudo , porque realmente ela pode explicar tudo , mas como eu te falei as coisas não perder o valor porque sabemos tudo sobre elas. Agora eu entendi , a ciência pode explicar tudo , e mesmo ela explicando tudo vai ficar da mesma forma , não perde o valor. Resenha critica Um romance que caos ou escândalo entre a sociedade maranhense, com o uso de sua linguagem naturalista, e pelo contexto referido: o preconceito racial existente na época, um ano antes da abolição da escravatura, tendo boa aceitação na corte. O mulato é uma historia fictícia que relata a vida de Raimundo e Ana Rosa, no tempo da escravatura, o autor nos mostra o preconceito racial existente na sociedade maranhense, um romance que não pode prosseguir por Raimundo ser descendente de uma escrava e um português , é gostoso de ser lido e muito emocionante, por se tratar de uma ficção inspirada no naturalismo da sociedade maranhense. o livro irritou os comprovincianos de Aluísio a ponto de o escritor resolver mudar-se para a Corte, onde faria sucesso. A descrição é um dos momentos mais claramente naturalistas do romance. As personagens caricaturais dominam o romance. O Realismo-naturalismo vai abusar das caricaturas para ressaltar o lado apodrecido das personagens e da sociedade retratada.


Podemos observar a ironia final, bem a gosto naturalista, coloca por fim toda a idealização romântica de Ana Rosa e Raimundo. O mal triunfa, associado à igreja corrupta e ao comércio burguês. Fernanda Graciele Bispo De Oliveira


Revista dando certoooooooooooooooooooooooo aaaaaaaa