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Revista editada a partir dos trabalhos do Estudo do Meio feitos pelos alunos da Turma 92, sob orientação dos professores.

Beatriz In Soon Chang Bruna Diamante Bento Bruno Grandi Sgambato Cláudia Rafael Guimarães David Teles Eller Dora Domingues Albim Guilherme Yuji Wada Watanabe Ingrid Schmidt Isabella Munhoz Qüilici Jenny Chan Yee Ng João Paulo do Carmo de Freitas Penalber João Victor Reis Bastos Julia Santoro de Medeiros Julia Seung Won Park Leticia Elias Tarragó Papaseit Luis Vicente Paganini Cavalaro Lutti Mira Salineiro Maria Vitória Pieralisi Pedro de Sordi Soltau Pietra de Carvalho Vieira D´Almeida Priscila Guedes Astur Renan Brienza Simões Renan Gomes Grandino Rodrigo Torrano de Almeida Stefannie de Oliveira Cruz Thaís Franco Nanô da Veiga Thaís Pereira da Silva Théo Vicente Prudente de Moraes Alves Pinto Victor Galvan Rocha Martin Santiago Ortiz


Ao leitor Paraty foi uma cidade fundada estrategicamente, pois ficava num ponto de passagem de várias pessoas e era um ótimo porto.Foi desenhada por maçons, por isso, ao andar pelas ruas do Centro Histórico, podemos ver símbolos maçônicos por todos os lados, como nas fachadas das casas, nas esquinas e no próprio desenho da cidade. As ruas eram propositalmente encurvadas para confundir os piratas que invadiam a cidade em busca de ouro. Ao longo dos anos, Paraty passou por vários ciclos econômicos como café, cana-de-açúcar e ouro. Hoje, a cidade é um centro turístico cujos principais pontos são o Caminho do Ouro, a Casa da Cultura e o Centro Histórico em si. Porém, a maior parte da população vive de forma precária, como os moradores da Ilha das Cobras e do Saco do Mamanguá. No Mamanguá, convivemos com trabalhadores do local e aprendemos como utilizar a natureza para pesca, artesanato, mergulho e até mesmo nos passeios. Enquanto a natureza do Saco do Mamanguá é extremamente bem preservada, a usina nuclear de Angra dos Reis acaba com o ecossistema do lugar onde se encontra. Por mais que os monitores da usina digam que não há impacto ambiental, fica claro o prejuízo ao meio ambiente, já que eles precisam da água para que a usina funcione. Sem falar do perigo à saúde das pessoas no caso de um acidente. Nosso tempo longe da escola foi para relaxar com os amigos nos diversos pontos turísticos de Paraty. Apreciamos as pessoas distantes, enriquecemos as amizades com os mais próximos, rimos muito, apoiamos uns aos outros, pudemos nos conhecer e descobrir muitas coisas sobre aqueles com quem convivemos.


Nosso trabalho sobre simetria apresentava e explicava, por meio de pequenos textos, os elementos simétricos existentes em Paraty, na natureza do Saco do Mamanguá e do Caminho do Ouro. As fotos que escolhemos para o trabalho demonstravam as simetrias de translação, rotação, e reflexão, razão áurea e o pentagrama.


PARATY: A História

Nos primeiros anos do século XVI os portugueses já conheciam a trilha aberta pelos goianases ligando as praias de Paraty ao vale do Paraíba, para lá da serra do Mar. Embora alguns autores pretendam que a fundação de Paraty remonte à primeira metade desse século, quando da passagem da expedição de Martim Afonso de Sousa, a primeira notícia que se tem do povoado é a da passagem da expedição de Martim Correia de Sá, em 1597. À época, a região encontrava-se compreendida na capitania de São Vicente. O núcleo de povoamento iniciou-se no morro situado à margem do rio Perequê-Açu (depois morro da Vila Velha, atual morro do Forte). A primeira construção de que se tem notícia é a de uma capela, sob a invocação de São Roque, então padroeiro da povoação, na encosta do morro. O aldeamento dos goianases localizava-se à beira-mar. Em 1636, Maria Jácome de Melo fez a doação de uma sesmaria correspondente à área situada entre a margem do rio e Patitiba (atual centro histórico), para a instalação do crescente povoado, com a condição de que os indígenas não fossem molestados e de que fosse erigida uma nova capela, sob a invocação de Nossa Senhora dos Remédios. Com a descoberta de ouro na região das Minas Gerais, a dinâmica de Paraty ganhou novo impulso. Em 1702, o governador da capitania do Rio de Janeiro determinou que as mercadorias somente poderiam ingressar na Colônia pela cidade do Rio de Janeiro e daí tomar o rumo de Paraty, de onde seguiriam para as Minas Gerais pelo antiga trilha indígena, agora pavimentada com pedras irregulares, que passou a ser conhecida por Caminho do Ouro.


A proibição do transporte de ouro pela estrada de Paraty, a partir de 1710, fez os seus habitantes se rebelarem. A medida foi revogada, mas depois restabelecida. Este fato, mas principalmente a abertura do chamado Caminho Novo, ligando diretamente o Rio de Janeiro às Minas, tiveram como consequência a diminuição do movimento na vila. A partir do século XVII registra-se o incremento no cultivo de cana-de-açúcar e a produção de aguardente. No século XVIII o número de engenhos ascendia a 250, registrando-se, em 1820, 150 destilarias em atividade. A produção era tão elevada que a expressão "Parati" passou a ser sinônimo de cachaça, produção artesanal que perdura até aos nossos dias. Para burlar a proibição ao tráfico de escravos decretada pelo regente Padre Diogo Feijó, o desembarque de africanos passa a ser feito em Paraty. As rotas, por onde antes circulava o ouro, passaram então a ser usadas para o tráfico e para o escoamento da produção cafeeira do vale do Paraíba, que então se iniciava. À época do Segundo Reinado, um Decreto Lei de 1844, do imperador Pedro II do Brasil, elevou a antiga vila a cidade. Com a chegada da ferrovia a Barra do Piraí (1864) a produção passou a ser escoada por essa ela, condenando Paraty a um longo período de decadência. A cidade e seu património foram redescobertos em 1954, com a reabertura da estrada que a ligava ao estado de São Paulo - a Paraty-Cunha -, vindo a constituir-se em um pólo de atração turística. Desse modo, em 1958, o conjunto histórico de Paraty foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). O movimento turístico intensificou-se com a abertura da Rio-Santos (BR 101) em 1973. Hoje a cidade é o segundo pólo turístico do estado do Rio de Janeiro e o 17º do país. Devido a essa relevância, foi uma das poucas cidades que não é capital de estado a receber a Tocha dos Jogos Panamericanos de 2007 nos dias que antecederam aos Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro.

Caminho do Ouro

Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Hist%C3%B3ria_de_Paraty


Paraty e a Maçonaria A influência que a maçonaria exerceu na história é imensa. Prova disso seria sua participação ativa tanto na independência dos E.U.A quanto na revolução francesa. Além disso, já contou com Mozart, Goethe e W. Churchill como membros da sociedade secreta. Mas qual seria a influência da maçonaria no Brasil? Qual a cidade que melhor representa essa influência? Essa cidade é Paraty. As construções da cidade original (construída durante a época colonial), que em si já têm grande influência da maçonaria (com suas 33 quadras, que representam o posto mais alto que um integrante pode alcançar, o grau 33), apresentam em sua arquitetura inúmeros símbolos que frisam a influência maçônica na cidade, que hoje se encontra em bom estado de conservação. Grande parte das casas maçónicas pertencem a milionários. Paraty é, sem dúvida, a cidade que mais teve relações com a maçonaria no Brasil, mostrando assim que a cidade já foi de grande importância para a economia do país.


“Coração de vó, cabe todo mundo.”

Foi em uma pracinha no bairro da Ilha das Cobras que conhecemos a senhora Regina Lucia Santos e sua mãe, Maria Aparecida Balbino. Conversa vai, conversa vem, Regina conta de modo muito simpático que é não somente mãe solteira, com 3 filhos, como também avó, com apenas 49 anos. Foram apenas quinze minutos de conversa e já nos sentíamos parte da família. Sua mãe até nos convidou para um almoço na próxima vez que fôssemos a Paraty, dizendo: “Coração de vó, cabe todo mundo, sempre cabe mais um.”

CSL- Qual é o seu emprego no momento? Sou educadora, auxiliar administrativa, mas atualmente eu me encontro desempregada. CSL- Por que você escolheu seguir essa profissão? Eu considero a escolaridade muito importante, o período de escola uma parte crucial da vida. Alego que você deve se empenhar ao máximo e investir todos seus esforços não só durante, como depois de se formar. Infelizmente, vim a descobrir isso apenas mais tarde, e parei de vir à escola por vários motivos, no fim do 2° ginasial, não sei qual série seria equivalente (risos), de modo que não tive o fim da formação. Hoje pretendo terminar a escola e me formar, é só me aparecer uma oportunidade. Enquanto ela [a oportunidade] não aparece, quero garantir que as pessoas ao meu redor não cometam o mesmo erro que eu e, quanto a vocês, aproveitem bastante a oportunidade que seus pais estão lhe dando. CSL- Quais são as principais dificuldades vividas pela sua população local? A maior dificuldade para mim é que nós temos que pagar o mesmo preço que o turista paga nos alimentos, nas roupas e em tudo! E é muito caro para nós porque, além de não ganharmos muito, eles aumentam o preço para os turistas. Acho que podiam criar uma cooperativa para os nativos e moradores locais. CSL- Já pensou em deixar a cidade para “tentar a sorte” em outro local? Por quê? Não só pensei como já fui para São Paulo e outras cidades, mas não consegui me adaptar ao ritmo e voltei para Paraty. Acho que, depois disso, eu entendi um ditado que as pessoas locais falam (risos) “Quem bebe água de Paraty, não consegue ficar longe daqui.” CSL- Aproveitando que a Sra. falou de água, acha que o meio ambiente local é preservado?


É preservado, mas não totalmente. Havia um manguezal muito sujo aqui perto que agora eles canalizaram, e como em qualquer cidade, há lixo jogado na rua. Acho que ainda dá para fazer mais, mas isso não significa que não haja nem um pouco de preservação. CSL- Você observa alguma ação do governo para garantir a preservação? Há um pouco. Por exemplo, eles fizeram a campanha para canalizar o manguezal há pouco tempo, mas quem faz mesmo as campanhas de conscientização são os alunos mais velhos. Eles fazem bastantes campanhas e estão ensinando os menores a preservar o meio ambiente... É um trabalho muito bom! 

Imagem: http://www.tatiananardi.com/120mm_2008.html


Em Artes, tivemos que procurar paisagens coloridas em Paraty, fotografĂĄ-las e escolher uma delas para pintar em um tecido, seguindo o estilo impressionista, como nos foi explicado durante as aulas. Foi um trabalho muito interessante, pois tivemos que estar atentos e “treinarâ€? o olhar para fotografar aquilo que tivesse mais brilho e cor.

(Foto: www.a-cor-da-gente.blogspot.com)


Trabalho do aluno David Teles Eller


Trabalho do aluno Guilherme Yuji Wada Watanabe


Nossa viagem no Google Earth

No trabalho de Inglês e Geografia, usamos o GPS para localizar cada ponto por onde passamos em Paraty. Tiramos várias fotos e fizemos pesquisas sobre os locais visitados.

No colégio, usando o Google Earth, fizemos nosso trajeto, ilustrando com fotos e legendas em português e inglês.

Acesse o endereço abaixo. Mande abrir ou salvar. Clique no arquivo KMZ e será direcionado ao Google Earth.

http://bit.ly/turma92


Saco do Mamanguá : paraíso entre Rio e SP

E

ntre Rio de Janeiro e São Paulo, um braço de mar surpreende avançando continente adentro por 8 quilômetros. Cercado por montanhas cobertas de Mata Atlântica, o Saco do Mamanguá, em

Paraty, é o único lugar do Brasil com formação similar à dos fiordes depressões geológicas comuns nos países escandinavos. Mesmo sem o branco sobre as montanhas, o nosso "fiorde tropical" não fica devendo em exotismo e beleza.


Apesar da proximidade com grandes centros, chegar até Mamanguá não é fácil. É preciso botar o pé na estrada, dirigir por um caminho de terra sem iluminação e ainda pegar um barco que navega manso pela imensa Baía de Ilha Grande. O sacrifício é pouco, se comparado à incrível paisagem de mar e montanhas, que engloba duas ilhas, 33 prainhas, dezenas de riachos e um manguezal. No Mamanguá, vivem tartarugas, peixes, cavalos marinhos e golfinhos. O grande destaque, porém, só pode ser visto à noite, na completa ausência de luz: os plânctons - minúsculos seres que compõem a base de nossa cadeia alimentar - se movimentam aleatoriamente e, quando agitados, brilham como vaga-lumes submersos, num espetáculo visto apenas em águas quentes de locais extremamente preservados. Tamanha integridade só existe graças ao esforço de ambientalistas e caiçaras em impedir a devastação. A seguir, a entrevista com um morador da região. (Fonte: http://vidaeestilo.terra.com.br/turismo/interna/0,,OI3694847-EI14070,00.html)


Um trabalhador experiente

Numa tarde tranquila e ensolarada, Silas dos Santos, 58 anos, ensina-nos a costurar uma rede de pesca calmamente. Ele mostra os movimentos complicados e os executa com rapidez, enquanto nos conta uma bela história de vida, assim como uma avó conta uma história aos netos. Decidiu ser pescador quando criança, e largou os estudos para isso. Tem três filhos e atualmente trabalha como caseiro. Confira: - Como você se sustenta? Silas: Vivia como pescador, mas o dinheiro estava pouco, e decidi virar caseiro. - Qual é a maior dificuldade vivida pelas pessoas que residem nesta região (Saco do Mamanguá)? Silas: A maior dificuldade é conseguir luz. A usada aqui vem de um gerador e gasta muito combustível. - Você já pensou em deixar a cidade para “tentar a sorte” em um outro lugar? Por quê? Silas: Não, nunca pensei, porque fora do Saco do Mamanguá tem muitas drogas e isso poderia atrapalhar a vida de alguém casado e com filhos. - O meio ambiente aqui é preservado? Vocês recebem alguma ajuda do governo?


Silas: Sim, o meio ambiente aqui é bastante preservado. Para a população local isso é a coisa mais preciosa que há no Saco do Mamanguá. O governo ajuda bastante, junto com o IBAMA.

- O que você mais gostou em trabalhar como pescador? E por que decidiu virar caseiro? Silas: Eu gostava de trabalhar como pescador porque a vida no mar é muito agitada e não tem nada melhor que navegar em alto mar. Decidi virar porque é uma vida mais calma e tranquila, já que eu estava cansado da vida agitada de pescador.


VÍDEO FILOSÓFICO Fizemos um vídeo baseado nas aulas de filosofia sobre os pré-socráticos. Cada grupo foi sorteado para trabalhar com um filósofo estudado. No vídeo, tivemos a difícil tarefa de interpretar o filósofo sorteado, tendo que exemplificar a sua filosofia, usando fotos de Paraty. O resultado pode ser conferido nos endereços: http://bit.ly/heraclito92 http://bit.ly/pitagoras92 http://bit.ly/presoc92


Energia Nuclear: uma questão momentânea

Desde que o mundo é mundo, o ser humano vem se empenhando em utilizar sua fértil criatividade para a criação de armas, instrumentos que servem simplesmente para matar seus semelhantes que são, por hora, seus inimigos. Dentre tudo já feito, as bombas nucleares talvez sejam as armas que mais impacto moral têm, mostrando assim sua enorme eficácia. A energia nuclear é como as câmeras de segurança no Reino Unido: basta dar um breve passo para que a tecnologia seja usada para o mal. É fato que entre a queima de carvão e petróleo e a energia nuclear, a que menos polui é a segunda, evidenciando a grande atenção a ela dada. Contudo, é preciso lembrar que o lixo nuclear (coisa que o governo brasileiro chama de rejeito), gerado pelo enriquecimento do urânio, demora aproximadamente 7 bilhões de anos para voltar ao seu estado natural. Se o mundo está realmente voltando para a energia nuclear, poder-se-ia dizer que Copenhagen já foi esquecida. Até onde se sabe, a grande parte dos fóruns ambientalistas é a discussão de como as gerações futuras irão viver, ou seja, a energia nuclear deveria ser completamente excluída dos debates. Entretanto, parece pender mais aos Estados escolher a “menos pior” dentre as piores. Mas o mundo não pode mais se dar o luxo de escolher a “menos pior”. Além disso, não podemos nos esquecer do problema do armazenamento dos inúmeros barris cheios de pastilhas radioativas. Chernobyl está na história para nos mostrar que, se não tomarmos precaução, a ameaça nuclear volta à tona. No âmbito geral, não resta dúvida fora se dizer que a energia nuclear deve ser evitada. Só que um veto a ela significaria deixar os franceses sem luz, os japoneses sem seus coloridos outdoors e parte dos norte-americanos à luz de velas. Mas a energia nuclear nos leva a reflexões mais profundas: será o problema a forma que produzimos energia ou será ele a forma tão efêmera que a consumimos?

Lutti Mira Salineiro


O que vale na vida não é o ponto de partida e sim a caminhada. Caminhando e semeando, no fim terás o que colher.”

Cora Coralina

Paraty 92  

Revista do Estudo do Meio de Paraty feita pelos alunos do 9º ano do Colégio São Luís.

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